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TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA Prof.ª Tuyany Vasconcelos Boa Vista/2022 TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA QUAL A CARA DA TERAPIA OCUPACIONAL ATUAL? TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA Diversidade do trabalho da Terapia Ocupacional (TO). Clientes da TO: pessoas, grupos, organizações ou populações. TO presta serviços para diferentes clientes, diferentes ambientes. O que tem em comum é o fato da TO buscar engajar as pessoas em ocupações significativas e importantes para manter a saúde e participar de forma mais plena possível da sociedade (Crepeau et al., 2011). TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA “A Terapia Ocupacional é a arte e a ciência de ajudar as pessoas a realizarem atividades cotidianas que sejam importantes e significativas para sua saúde e bem-estar por meio do engajamento em ocupações valorizadas”. A ocupação inclui a complexa rede de atividades cotidianas que capacitam as pessoas a manter a sua saúde, atender as necessidades e contribuir para a vida de sua família e participar plenamente da sociedade. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA O engajamento ocupacional é importante porque é capaz de contribuir para a saúde e para o bem-estar. A saúde é mensurada pela capacidade de adaptação e de engajamento do indivíduo em atividades diárias (Porn, 1993). TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA PRÁTICA CENTRADA NO CLIENTE O cliente da terapia ocupacional é um agente ativo que procura realizar atividades cotidianas importantes. O profissional de TO deve entrar no mundo do cliente para estabelecer um relacionamento que incentive o outro a melhorar sua vida nos aspectos mais significativos para aquela pessoa. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA PRÁTICA CENTRADA NO CLIENTE Profissional e cliente atuam de forma cooperativa no processo terapêutico. Constroem-se a narrativa ocupacional, a história ocupacional e a identidade ocupacional. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA PRÁTICA CENTRADA NA OCUPAÇÃO As ocupações das pessoas são fundamentais para sua identidade e que elas podem se reconstruir por meio de suas ocupações. A avaliação sistemática das prioridades e das ocupações dos clientes é vital para a prática centrada nas ocupações. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA PRÁTICA CENTRADA NA OCUPAÇÃO As metas do tratamento estão diretamente relacionados às preocupações ocupacionais da pessoa, e os métodos de tratamento se baseiam nos interesses ocupacionais da pessoa. Justiça ocupacional: todas as pessoas são seres ocupacionais e que atender à necessidade de todas as pessoas para o engajamento na ocupação significativa é uma questão de justiça. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA PRÁTICA BASEADA EM EVIDÊNCIAS Basear as decisões de tratamento de uso consciente, explícito e criterioso da melhor evidência científica atual. Inclui a capacidade de integrar a evidência de pesquisa ao processo de raciocínio clínico para explicar o raciocínio que norteia o tratamento e predizer os prováveis resultados. Requer que o terapeuta ocupacional esteja disposto à examinar suas práticas de tratamento e verificar na literatura científica se estão baseadas em evidências. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA A Terapia Ocupacional precisa se expandir em muitos países que não possuem o serviço de terapia ocupacional. Muitos países fornecem oportunidades para o desenvolvimento da TO de forma relevante. Práticas inovadoras da TO devem ajudar pessoas ao redor do mundo a enriquecerem suas vidas do ponto de vista ocupacional. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA Avanço mundial é o envolvimento da Reabilitação Baseada na Comunidade (RBC) utilizada principalmente em países com recursos limitados. A TO deve repensar suas práticas e incluir pessoas sem seguro de saúde, refugiados, sobreviventes da violência, indígenas e pessoas sem-teto (CROWE, 2011) + catástrofes ambientais. TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA “Entendemos que a terapia ocupacional é uma profissão poderosa, amplamente reconhecida, dirigida pela ciência e baseada em evidências, com uma força de trabalho diversificada e globalmente conectada, atendendo as necessidades ocupacionais da sociedade” (AOTA, 2006). TERAPIA OCUPACIONAL CONTEMPORÂNEA A alta ou o final do processo deve ser determinada pelos sujeitos envolvidos e principalmente pelo paciente, quando ele indicar que atingiu a sua saúde (Benetton, 2006). O Terapeuta Ocupacional deve estar atento e preparado para manter um espaço na narrativa que permita ao sujeito-alvo dar significados a seu cotidiano, quando em Terapia Ocupacional (Benetton, 2010). TERAPIA OCUPACIONAL SOCIAL A terapia ocupacional, dentre outras categorias profissionais, foi reconhecida como uma profissão que pode atender às demandas socioassistenciais e de gestão do SUAS (BRASIL, 2011). Competência técnica adquirida pela prática cotidiana reflexiva (FREIRE, 1978). Campo social entendido predominantemente como campo de atuação com crianças e adolescentes, que precisa ser mudado. Crescente olhar para os demais sujeitos alvos da TO social: idosos, moradores de rua, população LGBT, pessoas com deficiências. TERAPIA OCUPACIONAL SOCIAL Estudo das catástrofes ambientais por colegas TO latino-americanos. Necessidade de aprofundar os pressupostos em voga, inquirir sua pertinência a uma prática coerente, compromissada e competente técnica, ética e politicamente (LOPES et al., 2012). A terapia ocupacional social têm ganhado visibilidade e destaque no cenário profissional, demonstrando uma ascendência da área e um número maior de possibilidades de intervenções nessa direção (LOPES et al., 2012). TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA Deficiência: compreensão biomédica. Existência de um campo de estudos sobre deficiência (disability studies) Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde – CIF Entender a deficiência como um tipo de classificação social produtora de exclusão. Deficiência então é um tipo de opressão, que é definida como um conjunto de impedimentos políticos, sociais, culturais e econômicos sistemáticos que provocam a subordinação de um grupo de pessoas com certas diferenças corporais, constituindo-os como minoria política (Charlton, 1998). TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA O modelo social estabelece é que, para pessoas com deficiência, as condições corporais não são necessariamente incapacitantes, mas as estruturas sociais certamente o são. A reabilitação reforça a percepção de que o problema é individual e requer soluções privadas, ao invés de um problema social que requer soluções públicas e políticas. TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA A reabilitação precisa alcançar uma prática de promoção e defesa dos direitos humanos e da justiça social junto às pessoas com deficiência (OTHERO; DALMASO, 2009). Pessoas com deficiência tenham direito de acesso garantido aos espaços formais de produção de conhecimento, especialmente aqueles ligados à saúde e reabilitação. Pesquisas científicas envolvendo pessoas com deficiência como seus sujeitos protagonistas. TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA Mudança de atitude de comportamento (eliminação das barreiras atitudinais de estudantes e profissionais da saúde quanto ao olhar da deficiência). Autonomia do paciente e seu exercício de escolha são a base da Prática Centrada na Pessoa (PCP), tanto porque aumentam a eficácia da reabilitação quanto porque são direitos individuais fundamentais (PFEIFFER, 2002). TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA Participação é antes de tudo um princípio ético de garantia do direito de existir, ser reconhecido, se relacionar e se realizar no pertencimento a uma comunidade (SANTOS; MOREIRA; GOMES, 2016; HAMMEL et al., 2008). Projeto do neurocientista Miguel Nicolelis de construir um exoesqueleto controlado pela mente. O projeto reflete o ideal de uma era em que “o corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação no mundo”. TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO Público-alvo comum: pessoas com deficiências intelectuais, físicas auditivas e superdotação. Principais ações realizadaspelos terapeutas ocupacionais: Orientação à família em relação `a escola e à inclusão. Orientações gerais ao professor na escola regular. Atividades em ambiente clínico/instituição para desenvolvimento de habilidades cognitivo- motoras Orientações gerais à escola regular. Orientações específicas sobre o uso de TA e/ou mobiliário. Treinamento de AVD’s na clínica/instituição e orientação dessas atividades na escola regular. TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO O TO não deve restringir suas ações ao ambiente clínico, estas devem ser contextualizadas com as práticas educacionais que envolvem o cotidiano escolar das crianças (BARTALOTTI; DE CARLO, 2001). TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO Pelosi (2006) aponta o terapeuta ocupacional como um profissional que estará presente em muitas das equipes de apoio à inclusão escolar e destaca que a capacidade de reconhecer a diversidade e a possibilidade de favorecer a funcionalidade dos indivíduos a partir de suas potencialidades faz deste um profissional qualificado para atuar como facilitador da inclusão. TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO Questões identificados no estudo: a) processo de inclusão principalmente a partir do atendimento em ambiente clínico; b) TO’s atuam na escola regular; c) têm a participação da família e de outros profissionais em sua atuação; d) identificam a falta de preparação dos professores e da escola como os maiores obstáculos para o seu trabalho; e) identificam a importância e a necessidade de ampliação da inserção da Terapia Ocupacional nas escolas regulares. NECESSIDADE DE COLABORAÇÃO E PARCERIA ENTRE A FAMÍLIA, COMUNIDADE ESCOLAR (PROFESSORES, DIRETORES E PROFISSIONAIS DA ESCOLA) E A COMUNIDADE TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE MENTAL Nova Terapia Ocupacional no campo da Saúde Mental. “Terapia Ocupacional Centrada no Cliente (E NÃO PACIENTE)”. Parceria entre terapeuta e cliente e a distribuição de poder envolvida nessa relação; Deslocamento de um tipo de relação terapeuta-cliente muito diretiva e marcada pelo modelo médico, para uma relação onde terapeuta se coloca como um elemento facilitador; TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE MENTAL Deslocamento de um modelo de intervenção baseado na diminuição de déficits funcionais, para um modelo mais preocupado com a habilitação segundo metas significativas para o cliente. Importância do ambiente nos resultados da intervenção e o questionamento sobre a utilização de protocolos únicos para avaliação e intervenção que, perdem de vista a singularidade das necessidades de cada pessoa. TERAPIA OCUPACIONAL SOCIAL Denise Dias Barros Fátima Correa Oliver Ana Paula Serrata Malfitano ◦Stella Maris Nicolau Regina Dakuzaky Carreta Regina Célia Fiorati Carla Regina Silva Patrícia Leme Borba Maria Heloísa Medeiros Sandra Galheigo Débora Galvani Lilian Magalhães TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE MENTAL Jô Benetton; Sonia Ferreira; Solange Tedesco; Sandra Galheigo; Adriana Sparenberg Oliveira; Leonardo Martins Kebbe; Tais Quevedo Marcolino; Ana Paula Mastropietro; Isabela Aparecida de Oliveira Lussi; Leila Quiles-Cestari; Maria Fernanda B. Cid; Thelma Simões Matsukura Marcus Vinicius Machado de Almeida; Selma Lancman TERAPIA OCUPACIONAL NA EDUCAÇÃO Andrea Perosa Saigh Jurdi Marina Palhares Cristina Toyoda Claudia Martinez Patricia della Barba Myriam Bonadiu Pelosi Marcia Bastos Rezende TERAPIA OCUPACIONAL HOSPITALAR Marysia de Carlo Lucia Uchoa- Figueiredo Luciene Vaccaro de Moraes Ana Paula Mastropietro Regina Joaquim Rosibeth del Carmen Muñoz Palm Aide Mitie Kudo TERAPIA OCUPACIONAL NA GERONTOLOGIA Carla da Silva Santana Vania Varoto Ciomara Maria Perez Nunes Iza de Faria-Fortini Luciana de Oliveira Assis Marcella Guimarães Assis TERAPIA OCUPACIONAL NEUROLOGIA Alessandra Cavalcanti Marisa Cotta Mancini Claudia Galvão Marcia Bastos Rezende Daniela Baleroni Luzia Iara Pfeifer Daniel Marinho Cruz Erika Teixeira Sandra Volpi Fernando Cordeiro Calil Daniela Baleroni Rodrigues Silva Lucieny Almohalha TERAPIA OCUPACIONAL NA ATENÇÃO BÁSICA Eucenir Fredini Rocha Fátima Correa Oliver TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE FÍSICA Iracema Serrat Vergotti Ferrigno Daniel Marinho Cezar da Cruz Valeria Meirelles Carril Elui Maria Cândida de Miranda Luzo “AS PESSOAS SÃO MAIS ENGAJADAS EM SUA HUMANIDADE QUANDO ENGAJADAS NA OCUPAÇÃO” (Yerka et al., 1989) REFERÊNCIAS BENETTON, J. Trilhas Associativas, Ampliando subsídios metodológicos a clínica da Terapia Ocupacional, 3. Ed. revisada, Unisalesiano, Centro Universitário Católico Auxilium, Campinas, 2006. CARDOSO, P. T.; MATSUKURA, T. S. Práticas e perspectivas da terapia ocupacional na inclusão escolar. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 23, n. 1, p. 7-15, jan./abr. 2012. CREPEAU, E.B.; SCHELL, B.A.B.; COHN, E.S. Prática de Terapia Ocupacional Contemporânea nos Estados Unidos. In: NEISTADT ME, CREPEAU EB. WILLARD & SPACKMAN. Terapia Ocupacional. 11a edição, Editora Guanabara Koogan, 2011, RJ. cap. 22, p. 218-223. CROWE, T.K. Prática Contemporânea Mundial da Terapia Ocupacional. in: NEISTADT ME, CREPEAU EB. WILLARD & SPACKMAN. Terapia Ocupacional. 11a edição, Editora Guanabara Koogan, 2011, RJ. cap. 23, p. 224-231. LOPES, R. E. et al. Terapia Ocupacional no campo social no Brasil e na América Latina: panorama, tensões e reflexões a partir de práticas profissionais. Cad. Ter. Ocup. 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