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. USO DO REFORÇO POSITIVO COMO ESTRUTURA TERAPÊUTICA NA PRÁTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL COM BASE NOS PRINCÍPIOS DA ABA: NARRATIVAS E PRÁTICAS VIVENCIADAS DURANTE O ESTÁGIO RESUNO O estudo analisa o uso do reforço positivo na Terapia Ocupacional, com base na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), durante estágio na Clínica Reforço Positivo com crianças de 4 a 6 anos com TEA. O objetivo foi compreender a aplicação dessas estratégias pelos profissionais, observando o comportamento das crianças e elaborando protocolos individualizados. O trabalho evidencia a importância da Terapia Ocupacional associada à ABA no desenvolvimento infantil. 1.INTRODUÇÃO O presente estudo aborda o uso do reforço positivo como estrutura terapêutica na prática da Terapia Ocupacional, fundamentado nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). O objetivo central foi compreender como os profissionais de Terapia Ocupacional aplicam estratégias baseadas no reforço positivo em suas práticas clínicas, observando o comportamento das crianças frente às intervenções e analisando sua resposta aos estímulos apresentados. 2. METODOLOGIA Foram acompanhados atendimentos, levantados dados e elaborados planejamentos e protocolos individualizados, de acordo com as necessidades de cada criança. Este trabalho busca evidenciar a relevância e a aplicabilidade da Terapia Ocupacional associada aos princípios da ABA, destacando a contribuição do reforço positivo no processo terapêutico e no desenvolvimento das crianças com TEA. Caracteriza-se como uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa. Para embasar a discussão, seguem referências teóricas relevantes a fim de, fortalecer a base teórica da discussão, alinhando-se as evidências práticas observadas durante o estágio na formação de um suporte acadêmico robusto. O método adotado foi o estudo de caso, centrado na análise das práticas terapêuticas e no acompanhamento individual de quatro crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). As intervenções priorizaram a criação de vínculo, utilizando atividades de interesse das crianças como forma de engajamento. Gradualmente, foram estabelecidas interações mais consistentes, favorecendo a participação ativa no processo terapêutico. As anamneses realizadas constituíram recurso fundamental para a elaboração, em conjunto com a terapeuta, de protocolos de manejo individualizados. Esses protocolos incluíram o uso do reforço positivo como estratégia central de intervenção, respeitando as particularidades de cada criança. ESTUDO DE CASO Foram analisadas quatro crianças (nomes fictícios, em respeito ao sigilo ético), cada uma com plano terapêutico específico: Criança 1: trabalhados aspectos de coordenação motora fina e grossa (uso de tesoura, manipulação de texturas), higiene pessoal, alimentação funcional (comer devagar, uso de talheres e copo). Criança 2: foco em habilidades de autocuidado, como uso do banheiro, higiene pessoal, vestimenta, amarrar cadarços, abrir e fechar zíperes e botões. Criança 3: desenvolvidas práticas de imitação motora fina e grossa, treino em autonomia (abrir botão e zíper), uso de talheres e higiene pessoal. Criança 4: atividades voltadas para jogos de encaixe e quebra-cabeça, coordenação motora fina e grossa, treino em vestimenta, uso de talheres e higiene das mãos. As intervenções foram estruturadas de acordo com os protocolos da ABA, respeitando as necessidades, limitações e potencialidades de cada criança, o que reforça o caráter qualitativo e aplicado da pesquisa. Resultados e Discussão A pesquisa possibilitou observar e intervir, sob supervisão, no acompanhamento terapêutico de quatro crianças atendidas na Clínica Reforço Positivo. Discussão Geral A análise dos quatro casos evidencia que o reforço positivo desempenhou papel essencial na adesão das crianças às propostas terapêuticas. Em todos os casos, a motivação por atividades de interesse foi o ponto de partida para desenvolver outras habilidades, confirmando a importância de respeitar as particularidades de cada criança, conforme defendem os princípios da ABA. Os pontos positivos identificados incluem: maior engajamento progressivo nas atividades, respostas cognitivas significativas em contextos estruturados, receptividade ao vínculo terapêutico e melhora gradual no desempenho motor e funcional. Por outro lado, os pontos negativos relacionam-se, em sua maioria, à resistência inicial, crises emocionais, restrição de interesses e dificuldades de comunicação e socialização. Tais aspectos reforçam a necessidade de protocolos individualizados e do uso constante de estratégias de reforço positivo, fundamentais para potencializar a evolução terapêutica. De modo geral, os resultados confirmam que a associação entre Terapia Ocupacional e ABA favorece o desenvolvimento global das crianças com TEA, desde que aplicada de forma cuidadosa, ética e personalizada. CONCLUSÃO O estudo possibilitou compreender a relevância da utilização do reforço positivo como recurso terapêutico na prática da Terapia Ocupacional, alicerçada nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), A análise dos casos acompanhados demonstrou que a integração entre a Terapia Ocupacional e a ABA contribui de forma significativa para o desenvolvimento global de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), favorecendo a aquisição de habilidades relacionadas à coordenação motora, comunicação, socialização e atividades de vida diária. Observou-se que, embora tenham sido encontradas dificuldades iniciais, como resistência às propostas, crises emocionais, comportamentos inadequados e seletividade nas atividades, a continuidade do processo terapêutico, o fortalecimento do vínculo e a aplicação sistemática de protocolos baseados em evidências promoveram maior engajamento e evolução nos atendimentos. Conclui-se que a prática da Terapia Ocupacional, em conjunto com a ABA, configura-se como uma intervenção ética, eficaz e necessária para potencializar a autonomia, a inclusão social e a qualidade de vida de crianças com TEA. Ademais, destaca-se a importância da personalização dos planos terapêuticos, respeitando as singularidades de cada criança, bem como a atuação interdisciplinar e a participação da família no processo de intervenção. Por fim, recomenda-se que novas pesquisas sejam desenvolvidas em âmbito nacional, com maior número de participantes, a fim de fortalecer o corpo de evidências sobre a aplicabilidade e a eficácia da ABA associada à Terapia Ocupacional no contexto clínico e educacional. REFERENCIA ARAGÃO, Gislei Frota. Transtorno do Espectro Autista - TEA - Avaliação e Intervenção Baseada em Evidências concepção atual e multidisciplinar na saúde / organização Campina Grande: Editora Amplla, 2022.114 p. BERTAGLIA, Bárbara. Uma a cada 44 crianças é autista, segundo CDC. 2022. In: Autismo e Realidade. SILVEIRA, Analice Dutra. e GOMES, Camila Graciella Santos. 2019. Ensino de Habilidades de Auto Cuidado para pessoas com autismo. BH: CEI Desenvolvimento Humano, 2019. 216p.:il.,23 cm. Revista Ilustração (2024) – estudo que ressalta o impacto do reforço positivo na modelagem de comportamento em crianças com TEA, destacando sua centralidade para intervenções eficazes.Fonte: publicação sobre reforço positivo e ABA no TE. image1.png image2.png