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RELATÓRIO O presente relatório tem por finalidade consolidar e apresentar os relatos fornecidos pelos colaboradores, bem como a ficha de presença e as imagens obtidas durante a reunião realizada, visando à devida documentação dos fatos e à subsidiariedade para eventuais análises e providências institucionais. Relato de Cleiciano Manchinele da Silva: Após o acidente de trabalho, tenho ficado nervoso e com medo, tentando me proteger. Ontem, fiquei ansioso. No momento do acidente, senti como se estivesse morto, mas depois recuperei a consciência e passaram várias coisas pela minha cabeça, como meu filho e minha esposa. Quando fui retirado do local, levei para o hospital de Assis Brasil, onde fui avaliado pela equipe médica. Eles aplicaram uma medicação para dor: Dipirona e uma injeção, cujo nome não me recordo, que deveria ser tomada a cada 24 horas. Depois do acidente, o gerente não falou comigo. Só me procurou novamente há poucos dias, e eu não sei o motivo dessa atitude. Após o término do meu atestado, voltei ao trabalho, e o gerente me orientou a entrar com uma ação contra o Saneacre, dizendo que só assim eu teria meus direitos garantidos. Eu ouvi por respeito a ele, mas essa nunca foi minha intenção. Todos os colaboradores não gostam dessa nova gestão. O gerente ultrapassa os limites, e o chefe até tentou se aproximar das esposas dos funcionários, inclusive da minha. Com essas condições, lidar todos os dias com o chefe é como lutar contra um problema constante, pois demanda muita energia tentar manter o equilíbrio nessa situação. Quanto ao meu corpo, ainda sinto dores que não passam, principalmente quando faço movimentos bruscos para levantar. A dor no membro esquerdo é muito forte, e senti um breve momento de paralisia no lado esquerdo, quando perdi o movimento. Também percebo mudanças na forma de andar, causadas pela dor. Tudo isso me deixa muito triste, principalmente porque o gerente está comentando na cidade que a culpa do ocorrido foi toda da nossa equipe. O ambiente de trabalho está tóxico, porque a nova gerência não tem um olhar humanizado, que é fundamental para o cuidado da equipe. Aqui estamos desamparados, sem orientação. A única instrução que recebemos é para continuar realizando as atividades, mesmo sabendo que não temos material suficiente e que acidentes podem acontecer novamente. Porém, somos pressionados a seguir, porque, se não fizermos, podemos perder o emprego. Eu não quero perder o meu emprego, pois tenho filho, esposa e família para manter. Não posso desobedecer uma ordem do chefe, mesmo sabendo que isso está colocando minha vida em risco. Relato de Paulo Pereira de Lima: Hoje, após o acidente, sinto que estou bem melhor, mas os primeiros dias foram delicados. Sentia medo de dormir e, quando dormia, me assustava facilmente. Nos meus estudos, percebi que o acidente afetou significativamente minha concentração. Não consigo manter a atenção nem o equilíbrio para estudar. Sinto tristeza, desmotivação e acredito que não vou conseguir terminar meus estudos. Aqui na unidade, após o acidente, ficou um clima ruim porque o gerente está buscando um culpado pelo vídeo que vazou na internet. Eu estava acompanhando o Cleiciano no hospital, e no momento em que ele enviou o vídeo, eu estava saindo do hospital e dirigindo minha moto pelo ramal a caminho de casa. Quando cheguei, minha esposa me contou sobre o vídeo, que o gerente havia postado, mas apagou em três minutos. Depois, o gerente justificou dizendo que confiava no grupo, mas que, a partir do momento em que o vídeo foi gravado, ele deixou de confiar e passou a me culpar, levantando suspeita de que eu teria vazado o vídeo. Eu não mexi no meu celular naquele momento e, se for preciso, estou disponível para perícia para comprovar que não fui eu. Viver sob essas ameaças é muito ruim e triste, especialmente ser culpado por algo que não fiz. Minha única preocupação era cuidar do meu amigo Cleiciano, que estava naquela condição. Nossa relação é de amizade, como irmãos, pois passamos a maior parte do dia juntos, estudamos juntos. Eu jamais faria algo para prejudicá-lo. Desde então, o gerente tem feito reuniões separadas com cada equipe, passando demandas individualmente. Ele afirma que não confia mais em nós, alegando que gravávamos as reuniões e enviávamos para Rio Branco, segundo ele, para o novo gerente Edu. As falas do gerente são muito tristes. Quando ele assumiu a unidade, seu objetivo era demitir toda a equipe para formar uma nova, mas ao se deparar com a nossa resistência, não conseguiu agir como queria. Hoje a situação está complicada. Ao ler a nota que o SNEAK publicou, senti muita tristeza, pois não tínhamos proteção nem orientação. A retroescavadeira que estava nos dando apoio não era nossa, e o operador tinha que concluir outra atividade. Fomos obrigados a trabalhar sob enorme pressão para cumprir o serviço, mesmo colocando nossa vida em risco, e sem a segurança adequada, conforme relata a nota. Após o acidente, sinto que a situação piorou. Muitas coisas perderam o sentido, especialmente os estudos. Sinto medo, penso nos meus filhos e que aquilo poderia ter acontecido comigo. Vejo que a empresa, onde me dediquei com amor, não teve o cuidado necessário antes, durante e depois do acidente. Hoje, sinto tristeza, desmotivação e perdi o prazer por esportes e contatos sociais, como jogar futebol. Isso afeta meus estudos, algo que lutei muito para conseguir. Tenho medo, aflição e a sensação de que algo ruim pode acontecer comigo a qualquer momento. Quando vou para o trabalho de moto pelo ramal, quase choro todos os dias, pensando em como vou reagir e de onde vou tirar forças para continuar trabalhando. Se fosse o Arquileudo, teria pedido uma semana de folga para visitar minha mãe e familiares que moram longe, pois fiquei muito pensativo e com medo após o acidente. Nunca tive problemas com leitura, faço isso há anos, mas agora estou tendo dificuldades. Sinto que meus pensamentos não são meus; fico triste, esqueço o que estou fazendo. A Nilce tem me dado todo apoio, pedindo cuidado nas leituras para evitar erros, pois o comercial de Rio Branco já me alertou para ter mais atenção. Mas tudo isso nunca aconteceu antes. Agora estou com medo e aflito, sem entender o que está acontecendo comigo. Todo esse medo vem da conduta da nova gerência, que após o acidente não falava comigo. O outro colega que sofreu o acidente, Cleiciano, tinha que falar com outro encanador para repassar mensagens. Porém, ele ficava espalhando pela cidade que o acidente foi só um susto, sem gravidade. Ontem, após a atividade realizada pela equipe da divisão social e pela psicóloga Ana Letícia, me senti ouvido e a atividade ajudou. Mas à noite, ao fazer a prova da faculdade, entrei em pânico. É como se um filme passasse na minha cabeça, pensamentos sobre meus filhos e o ambiente de trabalho, onde não quero mais estar. O gerente nem nos dirige a palavra, nem um bom dia, e o clima fica péssimo, causando crises de ansiedade. Nossa equipe trabalha desmotivada. O gerente muitas vezes sai e deixa sua secretária pessoal tomando conta da unidade, e nós ficamos sem saber o que fazer, pois precisamos da orientação e aprovação dele para qualquer atividade. Estamos sem rumo, com medo, porque ele diz que quer demitir todo mundo e montar uma equipe só dele. Com medo de perder meu emprego, porque tenho dois filhos para criar, tenho que ouvir tudo calado. Após o acidente, que nos deixou muito tristes, a conduta do gerente foi muito ruim. Em nenhum momento ele ofereceu ajuda ao meu amigo que estava naquela situação. Pelo contrário, fomos julgados como se fôssemos os responsáveis pelo ocorrido. Relato de Paulo Mendes Siqueira: Sobre a situação pós-acidente, agora está mais tranquilo, mas no momento em que aconteceu pensei que poderia ser comigo. Sentium nervosismo muito grande e fiquei triste. Após tirar o Cleiciano daquela situação, sentei e chorei muito. Senti um alívio, pois nosso amigo saiu com vida. O que tenho a dizer hoje é sobre a mudança drástica que tivemos. Atualmente, vivemos num ambiente tóxico e estamos trabalhando sob muita pressão. No próprio dia do acidente, já estávamos pressionados e tivemos que realizar o serviço de qualquer jeito. No dia do acidente, o gerente me pediu para voltar ao local e continuar o serviço, mesmo sendo à noite e sabendo que poderia ocorrer um novo desmoronamento. Eu recusei, dizendo que tenho amor à minha vida e que, se ele quisesse me demitir, que ficasse à vontade, pois o que aconteceu com nosso amigo ele não permitiria que acontecesse comigo. O gerente fala pela cidade que deu apoio, mas em momento algum recebemos apoio. Fomos tratados como lixo. No dia seguinte, estávamos todos abalados e impactados, e ele dizia que não foi nada, que foi só um sustinho. Para piorar, antes do acidente, o clima já estava tenso na unidade porque esse gerente teve uma conduta inadequada com as mulheres da equipe e até com nossas esposas. Ele deu em cima da minha esposa, enviando solicitações via Facebook e fazendo ligações para ela. Percebo que essa atitude do gerente é para nos desestabilizar e nos levar a tomar alguma medida drástica que possa afetar nossos empregos, pois, como ele mesmo diz, “a vontade dele é demitir todo mundo”. Esse gerente não tem cuidado com a qualidade da água. Mesmo que a equipe técnica irresponsável lhe diga que o que ele está propondo não é correto, ele diz que não tem problema e que podemos seguir. A qualidade da água em Assis Brasil, que era uma das melhores, está ficando ruim. Hoje as expectativas são as piores, pois precisamos continuar trabalhando com falta de material. Tínhamos um estoque que dava conta para desenvolver o trabalho, mas nem os canos de 20 mm temos mais. Esse gerente fica fazendo doações para a prefeitura e para quem mais pedir, entregando todo o material que há na unidade, deixando a equipe sem os recursos mínimos para trabalhar. Nossa atividade de campo está sendo muito difícil porque ele não conhece o trabalho e manda executar as tarefas de qualquer jeito, sem se preocupar se a equipe está segura ou se falta material. Ele quer que a gente faça, independente das condições. Sobre o Cleiciano, com quem trabalho todos os dias, percebo que ele está nervoso. Quando aparece algum buraco, ele fica ansioso e com medo que algo aconteça novamente e que dessa vez algum de nós não escape. A única preocupação desse gerente é com a política, não com seus colaboradores. Relato de Letícia Mendes Siqueira: Depois do acidente, percebo que o Paulo sente a necessidade de sair, pois nossos superiores não deram suporte e ainda soltaram uma nota dizendo que estava tudo certo, que tínhamos as condições necessárias — e nós sabemos que tudo isso é mentira. Hoje, a empresa na qual eu tinha o maior amor de trabalhar me causa medo, pois sei que, se algo acontecer comigo, não terei ninguém ao meu lado, nem mesmo a empresa. Com todos esses desgastes, nosso novo gerente transformou o ambiente de trabalho em um lugar triste. Ele fica soltando piadas, e o ambiente deixou de ser bom e agradável. Relato de Ana Letícia Golçalves: Na minha visão, enquanto profissional da saúde mental, observo que nossos colaboradores estão passando por um momento delicado após o acidente, que deixou sequelas que poderão ser reparadas com o apoio do serviço social. Por meio da escuta individual, consegui identificar que os três colaboradores diretamente envolvidos no acidente apresentam sintomas de ansiedade, síndrome do pânico e outras possíveis patologias, que iremos diagnosticar conforme avançarmos com as escutas qualificadas individuais. Vejo a necessidade de validar e acolher nossos colaboradores neste momento, especialmente considerando a sobrecarga causada pela recente mudança de gerência e pela conduta inadequada, que pressiona para que os trabalhos sejam realizados ignorando normas de segurança. Precisamos agir de forma eficaz para garantir respaldo a todos, e isso exige uma logística que contemple o deslocamento até a unidade de Assis Brasil, bem como tempo adequado para realizar as escutas individuais. Afinal, nossa missão e valores são cuidar dos nossos colaboradores. Observações e Parecer: Com fundamento nos relatos apresentados pelos colaboradores e na avaliação técnica da profissional da área de saúde mental, constata-se que o ambiente organizacional, a partir do acidente em questão, sofreu significativa deterioração, repercutindo de forma direta e negativa na saúde psicológica dos trabalhadores. Os colaboradores diretamente envolvidos manifestam sintomas compatíveis com transtornos de ansiedade, síndrome do pânico, estresse pós-traumático, além de comprometimentos cognitivos, tais como dificuldades de concentração e memória, que impactam suas atividades diárias, inclusive no âmbito acadêmico e do sono. Tais manifestações demandam acompanhamento psicológico contínuo, com intervenções especializadas voltadas ao manejo do trauma e ao suporte emocional adequado. O ambiente laboral foi descrito como tóxico, caracterizado por uma gestão marcada por condutas autoritárias e desumanas, exercendo pressão excessiva para a execução das atividades laborais, em total desrespeito às normas de segurança e aos direitos dos trabalhadores. Ademais, atitudes inadequadas da gerência, inclusive de cunho abusivo, bem como a ausência de suporte institucional após o acidente, intensificam o sentimento de insegurança, desmotivação e sofrimento psíquico da equipe. A exigência de manutenção da produtividade em condições precárias e inseguras agrava, sobremaneira, o risco à integridade física e mental dos colaboradores. Observa-se, ainda, a fragilização da comunicação interna, que se encontra permeada por um clima de desconfiança e temor, no qual os trabalhadores receiam represálias ao manifestarem suas dificuldades. Tal cenário compromete a coesão da equipe e a qualidade do trabalho desempenhado. Ante o exposto, recomenda-se a imediata implementação de atendimento psicológico contínuo, tanto em nível individual quanto coletivo, com vistas ao amparo emocional e ao tratamento dos transtornos decorrentes do evento traumático. É imperioso, igualmente, promover a revisão das práticas gerenciais, mediante treinamentos que enfatizem a liderança humanizada, a comunicação empática e a gestão adequada de conflitos. Faz-se necessária a melhoria das condições de trabalho, assegurando o fornecimento de recursos adequados e o estrito cumprimento das normas de segurança aplicáveis, a fim de mitigar riscos e promover a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Outrossim, recomenda-se o fortalecimento dos canais de comunicação interna, garantindo transparência, escuta ativa e proteção contra quaisquer retaliações. Por derradeiro, impõe-se o oferecimento de suporte social e jurídico aos colaboradores, visando assegurar seus direitos e robustecer a rede institucional de proteção. Tal conjunto de medidas revela-se imprescindível para a superação do quadro atual, a promoção da saúde mental e física dos trabalhadores, bem como para a restauração de um ambiente organizacional seguro, saudável e produtivo. CONCLUSÃO Diante do exposto, resta evidenciado que o acidente ocorrido não apenas causou danos físicos aos colaboradores diretamente envolvidos, mas também desencadeou severos impactos psicológicos e organizacionais que afetam toda a equipe e o ambiente de trabalho. A ausência de uma gestão humanizada, a negligência quanto às condições de segurança e o déficit de apoio institucional potencializam o sofrimento dos trabalhadores, comprometendo sua saúde mental, seu desempenho profissional e a qualidade dos serviçosprestados. Assim, torna-se imprescindível que a instituição adote, com urgência, medidas estruturadas e integradas que priorizem o acolhimento psicológico, a revisão das práticas gerenciais e a garantia de condições laborais adequadas. Somente mediante tais providências será possível restabelecer a confiança, a motivação e a integridade física e emocional dos colaboradores, promovendo, por conseguinte, um ambiente organizacional equilibrado, seguro e eficaz. A adoção dessas medidas não apenas atende aos preceitos legais e éticos que regem a proteção à saúde do trabalhador, mas também assegura a continuidade e a qualidade dos serviços, contribuindo para a sustentabilidade institucional a longo prazo. ANEXOS Registro fotográfico realizado nos encontros: Registro de presença realizado nos encontros: https://v3.camscanner.com/user/download https://v3.camscanner.com/user/download https://v3.camscanner.com/user/download CONCLUSÃO