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RENOVE 
SUAS 
ENERGIAS!
Transformar a rotina e viver dias menos estressantes pode ser 
uma questão de descobrir o que tem deixado você cansado
20 DICAS
para aliviar
a tensão de
forma prática
Como traçar 
metas e retomar 
o CONTROLE da
sua vida?
DESAPEGO
Novos hábitos 
para dar valor
ao que importa
R$ 9,90
A Ciência da Felicidade - Ano 2, nº 15
A CIÊNCIA DA
FELICIDADE
Telegram: @clubederevistas
https://t.me/clubederevistas
Em 2013, o Ibope realizou uma pes-
quisa com 1499 brasileiros entre 18 e 65 
anos. 98% revelaram se sentir pouco ou 
muito cansados mental e fisicamente. 
Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram 
que o ritmo diário acelerado e o estresse 
eram os principais motivos que levavam 
à falta de disposição, e que isso afetava 
a vida sexual e o humor. Mas, afinal, por 
que estamos tão cansados? O que tem 
provocado tanto desgaste?
Refletindo sobre este cenário, de-
senvolvemos esta nova edição de Viva 
Bem. Assim, buscamos responder como 
é possível lidar melhor com a intensidade 
do mundo moderno, de que forma você 
pode renovar suas energias e que é pre-
ciso aprender a controlar suas próprias 
decisões com o intuito maior de cumprir 
seu objetivo de vida.
Além disso, falamos sobre o minima-
lismo e contamos histórias reais de quem 
deixou para trás uma rotina com a qual 
não se identificava e, hoje, é feliz e mais 
tranquilo sendo dono do próprio tempo.
Boa leitura!
A redação
CAPA
 Imagem Shutterstock Images 
POR QUE ESTAMOS TÃO
CANSADOS?
Telegram: @clubederevistas
ÍNDICE
16 26
6
12
22
Telegram: @clubederevistas
MINIMALISMO
Como praticar essa forma
de desapego?
 DE ONDE VEM O CANSAÇO?
Não se trata apenas do excesso de 
informações e trabalho, mas também 
de como lidamos com a intensidade do 
mundo
RENOVE SUAS ENERGIAS!
20 dicas práticas para superar o 
cansaço cotidiano
HISTÓRIAS REAIS
Depoimentos de quem abandonou 
a rotina para fazer o que gosta
SOB SEU COMANDO
Aprenda a identificar o momento 
certo para fazer concessões e recupere
o controle de seus planos
P ARA INSPIRAR!
Sugestões culturais que vão 
estimular a mudança
30
Telegram: @clubederevistas
TEMPOS MODERNOS
anunciado
Entenda por que estamos emocionalmente 
exaustos, psicologicamente esgotados e 
intelectualmente exauridos
 FOTOS Shutterstock Images
Crônica de um
CANSAÇO
Telegram: @clubederevistas
E stresse. Sensação de asfixia. Fadiga. Esgotamento – seja ele físico ou emocional. 
Que atire a primeira pedra quem nunca sofreu as consequências de um estilo
de vida calcado no superdesempenho, na supercomunicação e na superprodu-
ção. Afinal, embora o mundo nos seduza com suas possibilidades de sucessos
e conquistas, precisamos estar dispostos a seguir valores que, por vezes, geram 
um verdadeiro colapso do “Eu”.
A insatisfação não é com a vida, necessariamente, mas sim com o modo de viver. Não é 
raro ouvirmos frases como “meu dia precisaria ter 48 horas”, “não vai dar tempo” e afins. 
Essa sensação da passagem do tempo, aliada à sensação de fracasso, causa exaustão e 
ansiedade – uma pelo grande número de atividades laborais e virtuais, e a outra porque
achamos que o tempo não vai ser suficiente para dar conta de tudo. Uma verdadeira
Sociedade do Cansaço, como bem definiu o filósofo sul-coreano Byung-Chu Han no livro
que virou best-seller.
Publicada na Alemanha no ano de 2010, a obra parte da premissa de que toda época 
tem suas enfermidades emblemáticas. Assim, diferente de eras passadas, em que entidades 
externas como vírus e bactérias nos atacavam, o começo do século 21, de um ponto de
vista patológico, seria caracterizado por uma violência neuronal, simbolizada no estresse,
na hiperatividade, no déficit de atenção e na depressão. E o que não faltam são motivos
para confirmar a tese.
Telegram: @clubederevistas
CAPITALISMO SELVAGEM?
De acordo com a psicanalista Virgínia 
Ferreira, professora da Faculdade de Medici-
na de Petrópolis (FMP/Fase-RJ), a sensação 
de cansaço não está ligada somente ao ex-
cesso de tarefas e informações, mas também 
pelo ciclo danoso de busca da felicidade 
através do consumismo. “Na era em que 
vivemos, somos impelidos ao consumismo 
não reflexivo, acrítico. Consumimos para 
nos sentir bem, para nos sentir incluídos 
em um determinado grupo social. Hoje, 
valemos não pelo que somos, mas pelo 
que portamos. Esse consumismo tem um 
preço bastante elevado. Trabalhamos menos 
por amor à arte e para viver com conforto, 
do que para ter condições de consumir 
exacerbadamente”, declara a especialista.
EQUAÇÃO INDECIFRÁVEL
Muitos projetos de leis – e outros que até 
já estão em vigor – tentam solapar alguns 
dos direitos obtidos ao longo do século 
20, como férias remuneradas, 13º salário e 
jornada de oito horas de trabalho. Direitos 
estes, inclusive, que vieram como reação 
de uma sociedade industrial que, às vezes, 
não perdoava nem mesmo crianças, explo-
rando-as, por exemplo, em rotinas árduas 
nas minas de carvão.
É obvio que, nos tempos atuais, o chicote 
não estrala como antigamente. Mas o ponto 
não é esse. Atendendo à “sociedade do 
cansaço”, o avanço tecnológico nos dá a 
sensação de que o tempo passa mais rápido. 
São muitas as redes de contatos, são muitas 
as informações que chegam por minuto, são 
muitas as demandas por respostas – e elas 
não se importam mais se você está em casa, 
no trabalho, no restaurante ou no transporte. 
“Atualmente, podemos trabalhar a todo 
instante. Eu, por exemplo, como coach e 
consultor de negócios, posso ter insights a 
qualquer momento, e as tecnologias que a 
princípio vieram para nos liberar tempo, na 
verdade nos ocupam cada vez mais”, afirma 
o consultor André Luiz Dametto.
Aí, quando a equação entre as horas de
trabalho real x horas de trabalho ideal não 
fecha, é hora de refletir, já que quantida-
de nem sempre se traduz em qualidade. 
Segundo Celso Bazzola, especialista em 
recursos humanos e diretor executivo da 
Bazz Consultoria, não há pecado em tra-
balhar esporadicamente além de sua carga 
diária, desde que essa ação seja meramente 
por necessidade de urgência e de impacto 
específico.
“Para o mercado de trabalho, acaba 
sendo um diferencial. Mas o profissional 
e as áreas de recursos humanos devem 
identificar quando não há exageros em 
uma rotina normal de trabalho. A partir 
do momento que a carga horária começa 
a extrapolar constantemente, é momento 
de refletir. Inclusive em relação ao home 
office! O trabalho será saudável enquanto 
não aprisiona a pessoa na necessidade 
constante de falar e estar agindo pelo tra-
balho”, explana o especialista.
A Ciência também já garante que a dis-
persão faz o corpo liberar cortisol, conhecido 
como o hormônio do estresse, que também 
potencializa nosso estado de alerta e diminui 
a concentração. Ou seja: o sujeito trabalha 
e, simultaneamente, rola o feed de notícias 
do Facebook. Almoça enquanto manda men-
sagens no WhatsApp. Caminha ao mesmo 
tempo em que posta fotos no Instagram, e 
assim por diante. Dessa maneira, a estrutura 
de funcionamento atual, de multitarefas e ex-
cesso de atividades, provoca, na realidade, 
um empobrecimento das ações cognitivas, 
sufocando os espaços destinados ao lazer e 
ao próprio ócio criativo. Não foi à toa que o 
filósofo Walter Benjamin sentenciou a frase: 
“O tédio é o pássaro onírico que choca o 
ovo da experiência”.
TEMPOS MODERNOS
Telegram: @clubederevistas
Não é difícil entender o processo: ao 
adotarmos o mote de “missão dada é 
missão cumprida”, é natural que nos as-
semelhemos a meros “ciborgues” na arte 
de entregar demandas, muitas vezes sem 
sequer compreendê-las. E, assim, consi-
deramos justo nos presentearmos, crendo 
que tal ato irá preencher os vazios e mo-
tivar-nos a vencer o cansaço para encarar 
novos desafios. “Quanto mais consumi-
mos, mais nos sentimos merecedores de 
consumir. Somos escravos daquilo que a 
moda (aparentemente ingênua) dita e que 
a tecnologia (aparentemente benévola) 
apresenta”, complementa Virgínia.
Quadros como este podem, inclusive, 
evoluirpara o que conhecemos como 
workaholism – o famoso vício no trabalho. 
Outrora celebrado em ambientes pro-
fissionais, a prática já é vista com maus 
olhos por conta de seus desdobramentos. 
Abandonar o convívio social pode ser 
apenas o primeiro estágio de uma série de 
problemas físicos que podem vir depois. 
Afinal, quando a postura se transforma em 
um distúrbio de comportamento, começam 
a aparecer outros sintomas: autoestima 
exagerada, insônia, mau humor, impo-
AINDA SOBRE SAÚDE
Cada vez mais falada nos últimos tem-
pos, a Síndrome de Burnout consiste jus-
tamente no esgotamento físico e mental 
causado pelo trabalho. “Não importa a 
profissão. É uma das consequências do 
ritmo atual de trabalho, que é natural-
mente estressante, repleto de tensões 
emocionais, podendo desencadear an-
siedade. O cansaço é devastador e cruel, 
fazendo com que a motivação desapareça, 
dando lugar à irritação, falta de energia e 
concentração, desânimo”, elenca Virgínia.
Segundo a psicanalista, o contato social 
diminui na proporção que o esgotamento 
aumenta e as relações mediadas pela tec-
nologia crescem. “Esses transtornos são 
típicos da sociedade em que vivemos. A 
única forma de prevenir ou tratar é através 
de um tratamento psicanalítico ou psicoló-
gico. Mas, como as pessoas também são 
muito imediatistas, elas preferem recor-
rer ao consumo das pílulas (ansiolíticos, 
por exemplo), do que se submeter a um 
tratamento a longo prazo. O problema é 
que, nesses casos, as pílulas não curam e a 
“O vício no trabalho 
tem potencial 
similar à adição ao 
álcool ou cocaína, 
tornando-se uma 
obsessão doentia 
que prejudica todo 
o ambiente”
tência sexual e atitudes agressivas em 
situações de pressão.
A situação pode ser tão grave que es-
tudos recentes de alguns casos clínicos 
apontam que o vício no trabalho tem po-
tencial similar à adição ao álcool ou cocaína, 
tornando-se uma obsessão doentia que 
prejudica todo o ambiente. “Para a em-
presa, a situação traz mais desvantagens 
do que vantagens. Inicialmente pode ser 
interessante, pois a velocidade dos resulta-
dos é satisfatória. Porém, há um desgaste 
emocional natural do profissional, pois ele 
estará isolado e restrito ao tema trabalho, 
bloqueando sua sociabilização, o que po-
derá resultar em sérios transtornos futuros 
para sua vida”, destaca Celso Bazzola. 
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TEMPOS MODERNOS
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LUZ NO FIM DO TÚNEL
À luz do materialismo constante, Da-
metto também alerta para uma contra-
dição: “O ser humano contemporâneo é 
muito curioso. Então, se ele ouve qualquer 
ruído estranho no carro, já leva para o 
mecânico. Mas, ao mesmo tempo, deixa 
de ouvir os sinais que o corpo emite. Essa 
é minha primeira dica: sinta mais o seu 
corpo. Eu sempre recomendo a consulta 
de um profissional associado à saúde para 
um diagnóstico mais preciso”, sugere o 
especialista.
Virgínia, por sua vez, lembra o fato 
de estarmos sempre pensando à frente, 
preocupados com o futuro e raramente 
dando a devida atenção para o presente. 
“Essa atitude é nociva à saúde do sujeito 
como um todo. Ao longo de alguns pou-
cos anos, o corpo começa a gritar, com 
dificuldades cognitivas, como falhas de 
memória, insônia, gastrite e hipertensão. 
O aparato psíquico, que forma uma unida-
de com o corpo, também começa a gritar, 
por conta de ansiedade, fobias, pânicos, 
depressão, entre outras. O esgotamento 
do ser humano não é determinado pelo 
trabalho, pelos relacionamentos ou pelo 
uso dos aparatos tecnológicos, mas sim 
pela forma e frequência com que os uti-
lizamos. Tudo isso são atos saudáveis e 
fazem parte da existência humana, mas 
fazer deles uma extensão do corpo e da 
mente é preocupante, senão, patológico”, 
finaliza a psicanalista.
A COMPETÊNCIA DA MODA
Resiliência: termo comumente usado na 
física e que significa o nível de resistência 
que um material sofre frente a pressões e, 
ainda assim, consegue retornar ao estado 
original. Mas, de uns tempos pra cá, essa 
palavra, até então de uso restrito nas aulas 
do ensino fundamental, passou a figurar 
no ambiente empresarial, nas conversas 
empreendedoras, nas universidades, nas 
disciplinas relacionadas ao comportamen-
to humano. E o motivo não poderia ser 
mais óbvio: a resiliência é uma competên-
cia fundamental para enfrentar os desafios 
de um mundo no qual as mudanças nunca 
foram tantas, tão rápidas e tão intensas.
De acordo com Virgínia, valer-se da re-
siliência é uma estratégia ou competência 
psíquica que deve ser usada para amenizar 
o mal-estar. Entretanto, diante de tudo
que se vive, o sujeito que se utilizar dessa
estratégia todo o tempo e em todas as es-
feras pode vir a falhar. “Metaforicamente, é
como se a pessoa permanecesse 24 horas
por dia, 365 dias por ano, com todas as
lâmpadas de sua casa acessas. Tem uma
hora em que as lâmpadas começarão a es-
quentar e queimarão, pelo uso constante e
ininterrupto. Assim é a resiliência. Uma hora
ela começa a enfraquecer, não há o que a
alimente. Por isso, talvez as competências
que mais garantem a saúde psíquica sejam
a prudência e a moderação”, argumenta
a profissional.
Para o coach André Luiz Dametto, há 
uma grande diferença entre conhecer teo-
ricamente sobre um conceito e saber na 
prática. “O ‘pulo do gato’ está em buscar 
o conhecimento aliado às habilidades e
pessoa passa a consumir e depender delas 
também. É uma grande bola de neve que 
engessa o campo existencial”, completa.
atitudes no dia a dia. Geralmente, as cau-
sas do cansaço e da exaustão estão em 
crenças sabotadoras, como a negação e 
o perfeccionismo. A maior parte das pes-
soas que eu apoio avançam realmente no
momento em que reconhecem e mudam
essas práticas”, declara.
CONSULTORIAS
Celso Bazzola, especialista em 
recursos humanos e diretor 
executivo da Bazz Consultoria
Virgínia Ferreira, professora 
da Faculdade de Medicina de 
Petrópolis (FMP/Fase-RJ)
André Luiz Dametto, coach 
especialista em projetos de 
gestão e qualidade de vida.
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O CANSAÇO APÓS 
UM DEVER CUM-
PRIDO COSTUMA 
SER ALGO RE-
COMPENSADOR. 
Porém, quando a exaustão apare-
ce e não enxergamos um sentido 
para tanto desgaste físico e emo-
cional, podemos nos sentir tristes, 
estressados e decepcionados. 
Afinal, para quê tanto esforço? 
Se esse é o seu caso, reunimos 
20 dicas para se sentir mais leve 
e renovar as energias.
20 dicas para deixar 
o cansaço de lado e 
respirar mais tranquilo
1. DURMA BEM!
Uma boa noite de sono garante a diminuição do estresse, melhora 
o humor e faz com que você se sinta mais disposto, além de auxiliar
o cérebro a processar novas informações e experiências. O melhor
período para dormir é quando se sente mais sonolento e, para regular
o sono, o ideal é acordar sempre no mesmo horário.
Segundo especialistas, uma noite de sono normal de um adulto
costuma durar, em média, oito horas, para que recupere todas as 
energias, mas o tempo de descanso pode variar.
2. TIRE UM TEMPO PRA VOCÊ
Refletir sobre sua vida ajuda a identificar 
o que está provocando o cansaço constante. 
Se ele é originário do convívio com outras
pessoas, talvez o melhor, em um primeiro
momento, seja “desligar-se do mundo” e
tirar um tempo para você. Faça algo que
goste, vá viajar, passe o dia em um spa,
faço um passeio em um parque, em 
suma, dedique-se a você mesmo 
e estimule o amor próprio.
as ene
4. TENHA UM HOBBY!
Para pessoas mais tranquilas e tímidas, 
há a fotografia, pintura e culinária. Já para 
os mais desinibidos, é possível investir no 
teatro, dança ou comédia. Por outro lado, um 
espírito mais aventureiro permite se arriscar 
em corrida, skate, surfe, natação ou inclusive 
salto de paraquedas.
TRANQUILIDADE
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 IMAGENS Shutterstock Images
as energias!
ter um hobby com atividades criativas como 
pintar, fotografar, bordar, fazer teatro, tricotar, 
jardinagem, entre outras, ajuda as pessoas a 
expandir uma experiência de recuperação de 
energia, relaxamento, equilíbrio e criativida-de”, explica Eduardo Shinyashiki, presidente 
do Instituto Eduardo Shinyashiki, mestre em 
neuropsicologia e liderança educadora.
“Com 
frequência, 
encontre 
amigos e 
familiares que 
gosta. Jogue 
conversa fora 
e lembre-
se de bons 
momentos que 
compartilharam 
juntos”
3. PRATIQUE EXERCÍCIOS FÍSICOS
O sedentarismo pode ser uma das principais causas do 
cansaço. Assim, quanto menos alguém pratica uma atividade 
física, mais exausto se sente. Isso porque quando fazemos 
exercícios, o corpo libera o ácido láctico, o que provoca 
dores. O corpo interpreta essa dor como uma “agressão” 
e responde provocando a falta de ânimo. Se você não for 
persistente, é bem provável que seu corpo “reclame” a cada 
pouco esforço realizado. Então, que tal começar a subir as 
escadas em vez de usar o elevador? Ou mesmo sair para 
caminhar ou se matricular em uma academia?
“Dedicar um tempo para si mesmo ou prati-
car um hobby são de extrema importância para 
se reconectar, para ter prazer, alegria e energia 
criativa. Em uma pesquisa conduzida pelo pro-
fessor Kevin Eschleman e outros psicólogos da 
San Francisco University, publicada no Journal 
of Occupational and Organizational Psycho-
logy em 2014, foi apresentada a ideia de que 
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5. ORGANIZE SUA ROTINA
É preciso que você tenha equilíbrio no seu planejamento semanal. Organi-
zação é fundamental para não “tropeçar” em seus compromissos e conseguir 
atender a todos com calma e paciência. Tenha consciência de quanto tempo, 
de fato, levará para cumprir cada tarefa e considere um período para relaxar, 
além de momentos de alimentação e dedicados aos exercícios físicos. Você 
pode utilizar uma agenda virtual, organizar uma planilha ou mesmo fazer um 
checklist sobre as tarefas a serem realizadas em um determinado dia.
“Organizar as estratégias, as sequências das atividades, os meios para 
realizá-las e o tempo das tarefas permite concluir os próprios projetos, 
compromissos e metas com mais eficácia. Além disso, ajuda a pessoa a 
manter a atenção focalizada, sem distração, sem agir de forma improdutiva 
com desperdício de forças e energias. Uma organização externa e material 
ajuda a criar a disposição mental e autodisciplina. Grande parte da energia 
e do tempo desperdiçados são decorrentes de uma mente desorganizada, 
ou seja, pela falta de objetivos claros, de planejamento e definição de 
prioridades”, explana Eduardo.
6. DESLIGUE O CELULAR
Você passa muito tempo utilizando o celular ou outro dispositivo mó-
vel? Não consegue ficar sem olhar as notificações e se sente aborrecido 
quando não está on-line? Então, talvez esteja na hora de desligar o apa-
relho ou aprender a deixá-lo de lado! No curto prazo, pode ser divertido 
ver as atualizações dos amigos, conversar e ficar por dentro dos memes. 
Contudo, com o tempo, as redes sociais e a tecnologia podem trazer 
uma certa insatisfação. Você já passou muitos minutos rolando a linha do 
tempo do Facebook ou Twitter sem ao menos comentar ou curtir nada? 
Se aquilo não está interessando você de forma real, apenas vai servir para 
criar irritação e potencializar a sensação de indiferença.
“Passar muito tempo na utilização de computadores, celulares e tablets 
no período noturno, por exemplo, pode causar uma dificuldade no sono 
que, se continuar no longo prazo, será difícil de ser recuperado. Os displays 
luminosos excitam a retina de tal forma que impedem uma boa liberação de 
melatonina, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano, que tem 
a função básica de induzir o sono”, elucida o mestre em neuropsicologia.
7. RESPIRE
Exercícios de respiração podem ajudar a relaxar. Escolha um lugar ou 
momento e comece a prestar atenção na sua própria respiração – inspire 
e expire devagar. Então, selecione um ponto qualquer para se concentrar, 
mantendo a mesma respiração. Mantenha-se assim durante cinco minutos. 
Dessa forma, é possível desacelerar a mente. “Um exercício simples, mas 
muito eficaz para renovar as energias é dedicar alguns minutos – sentado 
ou deitado – para fazer 20 respirações conectadas, circulares, sem inter-
rupções, profundas, amplas e suaves”, indica Eduardo.
8. EXERCITE O BOM HUMOR
Pesquisas já demonstraram que sorrir 
eleva o humor imediatamente e que rir 
pode aliviar tensões e o estresse. Além 
disso, as gargalhadas podem reforçar o 
sistema imunológico e atenuar dores. Por 
isso, procure se divertir, leia algumas pia-
das de vez em quando, veja vídeos engra-
çados e espaireça rindo com os amigos.
9. FAÇA UM SHOW PARTICULAR
Dance ou cante sozinho pela casa. 
Distraia-se cantando sua música favorita 
ou imitando aquele artista que tanto gosta. 
Essa é uma boa maneira de extravasar e 
estimular os neurotransmissores que pro-
piciam alegria. O cansaço dessa atividade 
será algo recompensador.
10. TOME UM BANHO RELAXANTE
Depois de um dia estressante e can-
sativo, chegue em casa e tome um banho 
quente e relaxante no chuveiro. Deixe a 
água escorrer devagar para aliviar as do-
res corporais. Então, coloque uma roupa 
confortável e prepare um bom jantar. São 
esses pequenos prazeres diários que dei-
xam a vida mais leve.
11. ALIMENTE-SE BEM
Uma má alimentação – seja pela qua-
lidade dos alimentos ou devido à falta 
de horários regulares – pode provocar 
deficiências nutricionais que tem como 
consequência a redução da disposição. As 
vitaminas B1, B2 e B3, por exemplo, são 
responsáveis por transformar glicose em 
energia e fazerem as células funcionarem, e 
a sua ausência gera a sensação de cansaço. 
A anemia é outro desequilíbrio alimen-
tar também relacionado à diminuição da 
energia. O ideal é procurar um especialista 
que orientará você nutricionalmente, mas 
alimentos como couve, brócolis e acerola 
podem ajudar.
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20. ENCONTRE UM
SENTIDO NO QUE FAZ
É bem provável que essa seja a dica mais importante para quem pre-
tende vencer o cansaço. A exaustão precisa ser recompensadora, valer a 
pena. Por isso, encontre um sentido naquilo que faz e direcione suas forças, 
talentos e qualidades. Você precisa ter um plano realista traçado sobre o 
futuro e acreditar que ele dará certo, nutrindo um amor por esse sonho. 
Afinal, é esta vontade que fará com que supere os desafios e encontre 
forças quando a “bateria estiver fraca” ou os problemas do cotidiano 
parecerem sem solução.
12. HIDRATE-SE!
Manter-se hidratado ajuda a aliviar 
dores, mantém o bom funcionamento do 
cérebro e atenua os sintomas do estresse. 
Isso porque diminui a tensão muscular, 
reduz o número de dores de cabeça e, 
quando estamos desidratados, vemos 
esses efeitos serem amplificados.
13. PRATIQUE A GRATIDÃO
A gratidão incentiva os indivíduos a acei-
tarem perdas no curto prazo com o intuito 
de obter recompensas no longo prazo. Além 
disso, ajuda a começar a resolver problemas 
que envolvem a vida social. E, no momento 
em que nos sentimos gratos, é praticamente 
impossível sentir tristeza ou preocupação.
14. CONECTE-SE
COM A NATUREZA
Colocar o pé descalço 
no chão e respirar um ar 
mais puro pode ser uma 
ótima maneira de se co-
nectar com o mundo. Ob-
servar a movimentação de 
um rio, por exemplo, pode 
ajudar a acalmar a mente. 
Por isso, caso esteja muito 
cansado, procure se retirar 
em um lugar arborizado 
que promova a paz.
15. EXERÇA O DESAPEGO
Pare de acumular coisas e se sentir culpado pelas festas em que não compareceu, 
os convites para jantar que declinou, os amores não vividos e as brigas mal resolvidas. 
Acumular itens e lembranças ruins apenas alimenta o rancor e as mágoas. Dessa forma, 
desapegue do que faz mal e deixe somente o que é realmente importante para você.
16. MANTENHA BONS
RELACIONAMENTOS
Com frequência, encontre amigos 
e familiares que gosta. Jogue conversa 
fora e lembre-se de bons momentos 
que compartilharam juntos. Caso ocor-
ram brigas, tente sempre resolver a 
situação. Assim como dito no exemplo 
anterior, guardar mágoas só deixará 
você mais cansado e preocupado. Tal-
vez também seja o momento derefletir 
sobre a qualidade de seus relaciona-
mentos. “É importante também cuidar 
das suas amizades e relacionamentos 
familiares. Não se isole no cansaço. 
Aproveite o tempo para ficar junto de 
quem você ama, cultive os sentimentos, 
o cuidado, a amizade, o bom humor, o
otimismo e o lazer”, ressalta Eduardo.
17. MEDITE!
A meditação é essencial para manter o autocontrole e eliminar o estresse. 
Quando você presta atenção às sensações do corpo e a sua respiração por 
meio da prática de meditação, consegue interromper a “bagunça” de emoções 
desordenadas e acalmar os “sabotadores”, ou seja, as “vozes” que alimentam 
as emoções negativas. Além disso, com o decorrer da prática, a mente e o 
corpo relaxam progressivamente e até o sono ocorre de forma mais natural!
18. RELAXE O CORPO
Uma das formas de se livrar 
do cansaço é praticando o rela-
xamento corporal. Sente-se ou 
deite-se confortavelmente. Deixe 
qualquer distração de lado. Feche 
os olhos e comece a analisar, 
tranquilamente, cada parte do 
seu corpo, prestando atenção 
nas sensações. Comece pelos 
pés e termine na cabeça.
19. EVITE HÁBITOS RUINS
Descubra o que você faz continua-
mente que provoca cansaço. Identifique a 
rotina e experimente outras recompensas. 
Por exemplo, se sua alimentação não 
é saudável, mas a comida provoca um 
“conforto”, busque encontrar essa mesma 
sensação em outros alimentos. Tenha 
consciência desse plano e elabore uma 
saída, como focar no objetivo principal 
de ter uma vida mais saudável.
CONSULTORIA
Eduardo Shinyashiki, 
presidente do 
Instituto Eduardo 
Shinyashiki, mestre 
em neuropsicologia e 
liderança educadora
Telegram: @clubederevistas
Uma vida mais
TRANQUILATRANQUILA
BARBARA FERRAGINI
“Eu sou jornalista, tenho 33 anos, 
e vivi boa parte de minha vida em 
Andradina (SP). Mudei para Campo 
Grande (MS) para fazer a faculdade e, 
lá, morei por nove anos mais ou me-
nos. Como uma garota do interior, eu 
tinha uma rotina considerada normal 
aos olhos da sociedade. Fiz faculda-
de, terminei, comecei a trabalhar na 
área da Comunicação, trabalhava na 
Record e em uma ONG ambiental. Fiz 
uma pós-graduação em Marketing, 
um mestrado em Comunicação e 
Retórica, mas sempre senti um vazio 
dentro de mim e uma vontade de 
jogar tudo pro alto e viver uma vida 
alternativa. Senti que não acreditava 
muito no que estava fazendo, mas 
faltava coragem para arriscar tudo e 
viver mais autenticamente.
Comecei a fazer yoga e meditar, 
alimentar-me o mais natural possível. 
E um dia, senti que não fazia sentido 
o estilo de vida que eu levava – tinha
dinheiro, mas não tinha tempo para
viver o que eu queria. Decidi largar
os dois trabalhos e embarcar para a
Colômbia para três meses de trabalho 
voluntário em hospitais. A princípio,
minha família e amigos ficaram sem 
entender meus motivos, mas confiei 
no meu coração e fui.
Foram três meses de muito apren-
dizado, levando alegria para as crian-
ças e adultos em situação terminal, 
na forma de palhaço. Realmente foi 
o divisor de águas em minha vida.
Isso foi em 2014. De lá pra cá, passei
por muitas transformações pessoais
e ainda estou nesse processo.
Morei em Piracanga, uma ecovila 
holística no sul da Bahia. Fiz cursos 
de reiki e leitura de aura, voluntaria-
do com permacultura, tratamento de 
resíduos, morei em um ashram Hare 
Krishna com devotos – em Alto Paraí-
so (GO) –, fiz uma série de cursos de 
autoconhecimento, acroyoga e mo-
rei nos EUA. Uma cultura totalmente 
diferente e oposta ao que eu estava 
buscando – excesso de consumismo, 
individualismo, longe da natureza, o 
que me fez rever tudo o que eu estava 
passando e aprendi muito com esse 
choque cultural, inclusive a me adaptar 
e aceitar tudo o que chega até mim.
Não foi uma fase fácil e ainda não 
é. O aprendizado é diário e, hoje, 
sinto que não preciso estar isolada 
em um templo ou vivendo na natureza 
para praticar tudo o que aprendi – o 
meu templo é interno, onde quer que 
eu esteja. Minha paz é interna, posso 
me alimentar bem e em consonância 
com o que acredito. Tem seus desa-
fios, obviamente, estar nos grandes 
centros, mas muitos aprendizados.
Em 2016, viajei por quase um ano, 
toda a América do Sul, fazendo vo-
luntariado. Foi a experiência mais rica 
da minha vida – viver com indígenas 
no caribe colombiano, ensinar inglês 
para as crianças de comunidades em 
situação de vulnerabilidade social, em 
fazendas orgânicas. Vivi praticamente 
três anos de minhas economias, não 
tinha uma fortuna, mas aprendi a usar 
meu recurso financeiro com sabedoria.
Resumindo, tinha um ritmo de 
vida bem agitado – dois trabalhos, 
vivendo em uma cidade grande, pe-
gava quatro ônibus por dia, fazendo 
tudo no piloto automático, vivendo o 
padrão do sistema visto como normal 
pela nossa sociedade. Até que um dia 
resolvi escutar meu coração e percebi 
que havia motivos maiores para mi-
nha existência, não só vender minha 
energia em forma de trabalho, que 
DEPOIMENTOS
Telegram: @clubederevistas
“Precisamos de dinheiro para viver, mas 
só me proponho a fazer, me envolver, em 
projetos que sinto meu coração vibrar e não 
importa em que área. Podem ser fazendas 
orgânicas, cuidar de crianças, trabalhos em 
comunicação, terapias e tudo o que fizer 
meu coracão vibrar, lá estarei eu!”
Histórias reais de 
quem deixou para 
trás uma rotina 
agitada com o 
intuito fazer o que 
gosta e seguir os 
próprios planos
poderia ser mais criativa, ajudar mais 
o próximo e confiar na abundância e
perfeição da vida.
Mudei minha alimentação e passei 
a valorizar cada dia como o último. 
Passei a olhar muito mais para den-
tro do que para fora porque sempre 
tentei me encaixar nos padrões da 
sociedade e, de certa forma, me 
sentia diferente. Quando me abri 
pro mundo, vi que tinha muita gente 
pensando como eu, então decidi 
me unir a essas pessoas com visão 
semelhante e, desde então, sinto um 
novo sentido para minha vida.
Hoje, minha relação com o trabalho 
mudou: precisamos de dinheiro para 
viver, mas só me proponho a fazer, 
me envolver, em projetos que sinto 
meu coração vibrar e não importa em 
que área. Podem ser fazendas orgâni-
cas, cuidar de crianças, trabalhos em 
comunicação, terapias e tudo o que 
fizer meu coração vibrar, lá estarei eu! 
Esses três anos, tenho vivido uma vida 
nômade entre Brasil, América do Sul 
e Estados Unidos. Estou começando 
um blog para compartilhar minhas 
experiências de viagem: mochileira-
domundo.wordpress.com”
Telegram: @clubederevistas
DANIELA TROLESI MARTINS
“Por mais de 15 anos trabalhei com 
gestão de comunicação corporativa de em-
presas multinacionais de diversos portes e 
segmentos como Nextel, Banco ABN Amro 
Real, Accenture e Villares Metals, além de 
agências como Burson-Marsteller (WPP) 
e LVBA Comunicação. Sempre tive uma 
carreira que me demandou muitas horas 
de trabalho, além de uma rotina complexa 
com muitas viagens e reuniões e, durante 
muito tempo, isso fazia sentido para mim e 
me motivava – apesar de sempre sofrer com 
o fato de que durante a semana não existia
tempo para mais nada além do trabalho.
Em 2015, por conta de uma mudança 
profissional do meu marido para Curitiba 
(aliada a um processo de autoconhecimento 
e revisão dos meus objetivos, valores, priori-
dades e autocrítica), resolvi buscar um novo 
formato de carreira que me trouxesse mais 
qualidade de vida, mas no qual eu pudesse 
continuar atuando na minha área, pois, ao 
contrário de muitas pessoas que começam 
a empreender, eu não queria mudar de seg-
mento, pois sempre amei minha profissão. 
Mas queria, sim, ter mais flexibilidade de 
agenda e rotina, atuar com projetos com os 
quais eu realmente acreditasse e conseguis-
se agregar valor, colocar meus dons (aquilo 
que eu realmente faço de melhor!) a serviço 
dos clientes e sentir que eu estava atuando 
em consonância com meu propósito. Enfim, 
meu objetivo era aliar realização pessoal, 
profissional e financeira. 
Então comecei a atuar como freelancer 
nas áreas de comunicação, produção de 
conteúdo e assessoriade imprensa. Quando 
voltei para São Paulo, em março de 2017, 
vi que havia uma demanda desses serviços 
principalmente para profissionais liberais 
e pequenas e médias empresas – e que 
valia a pena continuar com um formato 
empreendedor. Por isso abri oficialmente 
minha empresa, a Fortius Comunicação e 
Reputação. Já tive propostas para retornar 
ao mundo corporativo, mas optei por conti-
nuar em um formato que, apesar de também 
ser intenso em termos de horas trabalhadas, 
me possibilita ter flexibilidade de agenda, 
de local de trabalho, de projetos. Consigo 
meditar todas as manhãs, fazer yoga ou 
um curso online na hora do almoço ou ir 
sem culpa ao médico numa tarde – mesmo 
que à noite tenha que trabalhar algumas 
horas adicionais... Organizei meu tempo 
para, além de continuar com minha rotina 
profissional, me dedicar a projetos pessoais 
que são relevantes e me trazem felicidade. 
Sem contar a sensação de realização quando 
vejo que meu trabalho ajudou, de forma 
genuína, outro profissional ou negócio. Isso 
faz meus olhos brilharem! E fico feliz por 
ver que, assim como eu, há um movimento 
de pessoas que estão buscando uma vida 
profissional que traga mais prazer, qualidade 
de vida, equilíbrio e realização. Acho que 
esse é o caminho mais sustentável e é ele 
que eu vou sempre buscar”
DEPOIMENTOS
Telegram: @clubederevistas
GLAUCIANA MONTEIRO NUNES
“Eu sou da área de comunicação, sou jor-
nalista e relações públicas. Logo depois que 
me formei, eu fui pra São Paulo e sempre 
trabalhei muito, era um prazer mesmo. Não 
era só por necessidade, eu sempre gostei de 
trabalhar e sempre me empenhei demais. 
Trabalhava muitas horas por dia. Tinha uma 
rotina muito acelerada em São Paulo e aí, 
num determinado momento, eu entendi que 
eu estava perdendo grande parte da minha 
vida no trabalho. Esse ‘clique’ se deu quan-
do meu casamento acabou. Eu tinha dois 
filhos pequenininhos, bebês de três e um 
ano. Nesse momento, eu trabalhava como 
gestora de comunicação de uma multina-
cional, eu fazia a gestão das mídias sociais 
do Santander no Brasil inteiro. Trabalhava 
das oito da manhã às oito da noite. Quan-
do meu casamento acabou, eu mergulhei 
num profundo autoconhecimento e eu fui 
buscar terapia, procurar me entender. Eu 
vi que o que eu tanto valorizava na vida, 
que era o trabalho, dinheiro, status social, 
isso não valia mais pra mim, então eu rompi 
radicalmente com o modelo de 
trabalho tradicional. 
Pedi demissão do Santander, 
dei adeus a um alto salário de 
gerente, eu doei 24 sapatos de 
salto, 64 cachecóis e lenços, todas 
as minhas roupas, os terninhos de 
trabalho e sacos de brinquedos 
dos meus filhos. Eu tinha acabado 
de comprar um apartamento, que 
eu tinha decorado, feito a refor-
ma. Coloquei-o para alugar. Ti-
nha comprado um carro SUV dos 
sonhos, automático, importado. 
Vendi o automóvel e me mudei 
pro litoral norte da Bahia, com 
os dois filhos. Fui viver na praia. 
Fiquei um ano para reaprender 
a ser mãe, reaprender a descansar 
porque estava muito cansada daquela vida, 
daquele modo de trabalho, de São Paulo, de 
levar uma vida acelerada, atribulada. 
Fiquei um ano na Bahia. Foi um período 
incrível que me aproximou dos meus filhos, 
passei a cozinhar, a participar ativamente da 
escola que eles estudavam, que era comunitá-
ria. Depois desse ano sabático, eu voltei. Não 
deu para ficar lá porque era longe demais. 
Eu voltei pra Assis, que era a minha cida-
de, no interior de São Paulo e continuei no 
meu estilo tranquilo, trabalhando em casa e 
nos modelos sem empregada, sem grandes 
gastos, televisão à cabo, acreditando que, 
às vezes, precisamos reduzir um pouquinho 
os custos para ter mais qualidade de vida.
Eu tinha vivido 30 anos da minha vida 
em um modelo, acreditando que aquilo era 
o certo, que era como tinha que ser a vida
de todo mundo. No momento em que eu
comecei a me conhecer mais e notei que
tinha coisas mais legais no mundo, eu pre-
cisava aprender a viver daquela forma. ‘O
insight eu já tive, ótimo. Já rompi com tudo,
mas como eu vou viver bem nesse modelo?’
Eu tinha um dinheirinho para passar 
aquele ano. Pude me dedicar ao que eu 
amava, tinha um blog e eu me dediquei 
muito a ele. Isso acabou virando um negó-
cio, mas eu só consegui me dedicar a ele 
quando consegui parar. Consegui fazer algo 
com propósito e, inevitavelmente, o dinheiro 
veio, mas o ano sabático foi fundamental 
porque, sem sair da loucura, a gente não 
pensa em nada. Quando você está no olho 
do furacão, você não vê nada.
Hoje, já não faz mais sentido viver na-
quela rotina porque não acredito que a 
minha felicidade esteja pautada naqueles 
valores de consumo. Eu reaprendi a viver. 
Cansaço pra mim é um desgaste mental 
porque o físico, nós dormimos. Eu cansei 
de estar preocupada com a minha mente 
cheia de coisas desnecessárias”
“Hoje, já 
não faz mais 
sentido viver 
naquela rotina 
porque não 
acredito 
que a minha 
felicidade 
esteja pautada 
naqueles 
valores de 
consumo. Eu 
reaprendi a 
viver. Cansaço 
pra mim é 
um desgaste 
mental porque 
o físico, nós
dormimos”
Telegram: @clubederevistas
MARCOS MURIANO JÚNIOR
“Eu fazia faculdade de engenharia de 
materiais. O curso era integral e estava 
buscando ter uma segurança financeira 
pela carreira e me cobrava demais por 
conta disso. Eu morava com 15 rapazes 
e tinha uma vida muito agitada.
Estava em um meio onde as pessoas 
estimulavam muito a corrupção das ques-
tões que eu considero que são corretas, 
por exemplo, tinha amigos meus que 
queriam que eu mentisse para as na-
moradas que eles estavam traindo; tinha 
amigos formados que trabalhavam em 
multinacionais e falavam que era preciso 
se corromper para crescer e continuar 
dentro da empresa. 
Então, acabou acontecendo que 
eu já gostava da área ambiental e um 
amigo meu de infância veio a falecer 
num acidente. Estávamos muito distan-
tes e isso fez com que repensasse um 
pouco mais o que eu estava fazendo 
com a minha vida.
Na época, eu tinha 21 anos e não 
acreditava em Deus, não tinha uma 
esperança além dessa vida. Com isso, 
eu entrei em luto, um princípio de de-
pressão, não sei exatamente o quê. 
Pensei em tirar minha vida, acabar com o 
sofrimento que eu sentia porque gostava 
da área ambiental mesmo. Comecei a 
estudar essas questões e vi que teria 
muitas coisas que poderia mudar. Eu me 
responsabilizava com os impactos am-
bientais que eu gerava para o ambiente 
e para outras pessoas. Os impactos 
sociais na saúde que isso poderia gerar. 
Aí, tranquei o curso na faculdade e 
acabei buscando fazer coisas que me 
agradavam, me deixavam mais tran-
quilo. Voltei a fazer teatro, me valorizei 
como indivíduo novamente e comecei 
era muito tranquila. Tinha uma satisfação 
muito grande no viver deles. Deus se 
mostrou fortemente através da criação 
pra mim. E acabou acontecendo que, 
através disso, eu vi a necessidade de 
aprender mais sobre a Bíblia, o caráter 
de Deus, como Deus se revela, sobre o 
amor, para transmitir isso com mais se-
gurança para outras pessoas, para poder 
levar essas questões de uma forma mais 
tranquila, mais consciente.
Eu tenho uma alimentação diferente 
da que eu tinha na época. Hoje, sou 
vegetariano, busco dormir mais cedo e 
tomar sol. Embora não faça tanto exercí-
cio físico como eu fazia, eu não me sinto 
tão cansado quanto me sentia antes 
porque busco fazer as coisas com mais 
prazer, um prazer nas questões cotidia-
nas. Então, o que é o cansaço pra mim? 
O cansaço é você fazer algo contrário ao 
que você considera prazeroso ou não ter 
prazer no que você está fazendo naquele 
momento, principalmente se você está 
indo contra a sua consciência”
DEPOIMENTOS
“Hoje, sou vegetariano, 
busco dormir mais cedo 
e tomar sol. Embora 
não faça tanto exercício 
físico como eu fazia, 
eu não me sinto tão 
cansado quanto me 
sentia antes porque 
busco fazer as coisas 
com mais prazer, um 
prazer nas questões 
cotidianas”
a buscar aprender mais, entrar numa 
carreira que me agradasse e, assim,fui 
estudar agroecologia. É bem parecido 
com agronomia, mas ligado mais à ques-
tão de desenvolvimento socioambiental 
do meio rural.
Agora, estudo teologia, mas não 
tenho atuado como agroecólogo, apesar 
de trabalhar com venda de produtos 
naturais de casa em casa, livros a respeito 
de saúde e, às vezes, eu visito algumas 
famílias e faço trabalho de educação 
alimentar dentro das casas e, ao mesmo 
tempo, ofereço os materiais. Isso me dá 
a possibilidade de continuar os estudos 
aqui, para me manter e ao mesmo tempo 
poder viver uma vida mais tranquila.
Desde criança eu gostava disso, 
achava interessante poder trabalhar para 
outras pessoas. Quando eu fui para o 
Amazonas, eu consegui fazer meu estágio 
obrigatório num projeto trabalhando 
com os ribeirinhos e, lá, não tinha ener-
gia elétrica e água encanada. Trabalhei 
desenvolvimento rural com eles e a vida 
Telegram: @clubederevistas
DOUGLAS DURAN
“Eu estudei administração e trabalhei 38 anos no 
Grupo Abril até chegar à vice-presidência de finanças, 
mas sempre tive um plano de vida, um projeto: quando 
estivesse por volta de 60 e poucos anos, parar. Porque um 
dia você precisa parar, precisa ter um fim. Fui planejando 
minha vida desde os 30 anos e criando, obviamente, 
condições - poupança, previdência privada - para não 
depender do INSS. 
Quando completei 63 anos, eu não tinha 
nada em vista, mas tinha condições de buscar 
oportunidades. Comecei a estudar vários 
negócios e sabia que a internet iria 
mudar quase todos os que existiam. 
Estudando o assunto, cheguei à 
conclusão que a música é um negócio 
que nunca vai acabar. Esse ramo que 
escolhi, o sertanejo universitário, deve ter 
20 ou 30 cantores de sucesso. Quer dizer, há 
espaço para muita gente nova surgir.
Então comecei a explorar a área, procurar talentos 
que tivessem diferencial. Conheci, através de um amigo 
que é produtor musical, uma dupla de compositores 
fantásticos. Conversando com eles, resolvi contratá-los 
e comecei do zero numa agência.
‘Você entende de música? Não, eu entendo de gerir 
negócio’. Quando você entende de administrar negó-
cios, busca as pessoas certas e consegue tocar em frente 
qualquer coisa e nunca é tarde para se reinventar.
Hoje, minha rotina é muito mais agitada do quando 
eu era executivo. Porque quando você está numa grande 
organização, tem todo o apoio de outras áreas. Quando 
monta seu próprio negócio, tem que fazer muitas coisas 
que não fazia no passado. No meu caso da música, por 
exemplo, a demanda de trabalho, controle, agencia-
mento, viagem, decisões de investimento, é muito mais 
intensa. Devo trabalhar 30%, 40% a mais, mas de forma 
agradável. Eu sou dono do meu tempo, não tenho mais 
aquela loucura de sair daqui, ir a São Paulo, ficar uma 
hora e meia no trânsito. É quase como um hobby. Você se 
mantém na ativa, conhecendo pessoas diferentes, então, 
começa a enxergar que tem um mundo de oportunidades 
no mercado que basta você ser um cara empreendedor”
“Hoje, minha 
rotina é muito 
mais agitada do 
quando eu era 
executivo. Porque 
quando você está 
numa grande 
organização, tem 
todo o apoio 
de outras áreas. 
Quando monta 
seu próprio 
negócio, tem que 
fazer muitas coisas 
que não fazia no 
passado”
Marcos, ao centro
Telegram: @clubederevistas
Simples
Desapegar de 
bens materiais, 
de emoções 
em excesso ou 
de uma rotina 
estressante 
pode significar 
uma forma 
de vida mais 
prazerosa e 
cheia de bons 
momentos
V OCÊ TRABALHA PRA CARAM-
BA e gasta horas preciosas de 
sua vida prestando serviços em 
troca de um salário razoável (nas 
melhores ocasiões). Ainda assim, 
sempre aparece aquele conselho para não 
gastar seu dinheiro com coisas desnecessá-
rias ou que consumir é uma doença. Alertam 
na TV, na internet, em jornais e revistas 
– entre uma propaganda e outra – que é
preciso tomar cuidado com o alto consumo,
que não deve se apegar a bens materiais e
que menos é mais. Mas, puxa vida, você tem
condições para fazer o que quiser, ninguém
paga suas contas, para que dar ouvidos às
outras pessoas, não é mesmo? De fato, se
existe alguém que deve ser responsável por
suas atitudes, este é você. Porém, saiba que,
dependendo das escolhas feitas, é possível
conhecer o melhor lado da vida.
E qual seria esse “melhor lado da vida”? 
Aquele onde suas maiores alegrias apare-
cem de forma natural e duram bastante. 
Em meio ao consumo, desenvolvemos a 
efemeridade dos bons sentimentos. Aos 
poucos, o prazer da compra vai se alterando 
e se torna um anseio para a chegada de 
outro artigo ao mercado. O produto que 
você adquiriu logo entra em defasagem 
e um novo modelo surge para suprir uma 
nova necessidade – muitas vezes inventada 
–, alimentada pelo poder da propaganda. 
 FOTOS Shutterstock Images
Aonde isso vai parar? Ainda não temos a 
resposta para essa pergunta. No entanto, 
a busca por meios alternativos de estilo de 
vida buscam a solução, não para responder 
a questão, mas para anular a pergunta.
SIMPLIFICANDO
O que vem sendo defendido como a 
grande saída ao consumo em excesso na 
sociedade é o chamado minimalismo. Ini-
cialmente utilizado para dar nome a uma 
corrente artística do século 20, no sentido 
comportamental, ele nada mais é do que 
viver bem com menos recursos, por meio 
de uma reavaliação das prioridades, a fim 
de se desfazer das coisas em excesso. Sa-
tisfazer-se com pouco, ou diminuindo suas 
necessidades, garante menos preocupações. 
Da mesma forma, possibilita um equilíbrio 
no modo de viver. “O foco está na mudança 
de paradigma. Tirando do externo e pas-
sando para o eterno”, conta Giridhari Das, 
instrutor de autoajuda. 
A interpretação de minimalismo pode 
levar a uma ideia extrema de exceder até 
mesmo na quantidade de cortes e no de-
sapego total. Contudo, não é bem isso que 
o conceito traz. Na realidade, ele aponta
o equilíbrio. “Não precisamos ir para o
extremo de morar numa casa de 15m² com
família, ou de forçadamente reduzir as pos-
ses a 100 objetos ou menos, como alguns
MINIMALISMO
Telegram: @clubederevistas
assim
fazem. E certamente não devemos ir para o 
outro extremo, de comprar loucamente, sem 
noção e propósito, acumulando inutilidades 
sem fim”, elucida o especialista.
Desapegar é o verbo de ação central 
no processo de tornar a vida mais simples. 
De acordo com Giridhari Das, é importante 
criar um espaço de segurança entre você 
e a influência do consumo na sociedade. 
“Quanto mais somos expostos, mais forte fica 
o desejo. Se não tivermos controle ativo da
mente, não tivermos comando da vida, somos 
arrastados a comprar o que não precisamos,
e talvez nem queremos de verdade. Isso está 
acontecendo no mundo inteiro. Bilhões de
pessoas estão caindo nessa”, complementa.
No conceito do estilo de vida minimalista, 
o desapego material tem como objetivo ter
mais tempo livre e vitalidade para realizar
aquilo que faz bem de maneira natural. “Sere-
mos mais felizes, tanto individualmente como 
coletivamente, na medida que conseguirmos 
transferir nosso foco para ser e não ter. A
verdadeira felicidade está em ser o melhor
que pode, em ser amoroso e responsável,
conectado e íntegro. Ter coisas não deixa
ninguém feliz. O mundo precisa desta mu-
dança de paradigma”, comenta Das.
TOMADA DE DECISÃO
O minimalismo se destaca pelo desa-
pego aos bens materiais, mas ele não fica 
POSITIVIDADE
Antes mesmo de 
chegar a uma de-
cisão ou de buscar 
o “detox emocio-
nal”, é preciso de-
senvolver um pen-
samento positivo.
Segundo Augusto
Jimenez, acreditar é 
o começo de tudo,
mas ele também
aponta que a inércia 
não leva ninguém a
uma nova realidade. 
“Antes de ser uma
pessoa positiva é
importante ser uma 
pessoa que queira
conhecer a si mes-
ma. Isso pode pa-
recer papo de filó-
sofo, porém, como
se tornar alguém
positivo ou negati-
vo, se muitas vezes
não olhamos para
os nossos sentimen-
tos? Olhar para nós 
mesmos e enxergar 
o que queremos
mudar já nos torna
alguém positivo no
contexto social”,
conta o psicólogo.
Telegram: @clubederevistas
apenasnisso. Afinal, mudanças físicas ou 
estruturais também pedem uma mudança 
de postura emocional. De acordo com o 
psicólogo Augusto Jimenez, o caminho 
para tal não seria exatamente deixar para 
trás certos sentimentos, ou mesmo tomar 
uma decisão totalmente racional. O correto 
a se fazer é juntar as duas coisas. “Tomar 
decisões é algo que todo ser humano tem 
que fazer desde o nascimento. Temos que 
tomar decisões desde qual horário des-
pertar a como será o fim do nosso dia, por 
exemplo. Porém, é algo difícil. O nosso 
cérebro não é adaptado para seguir firme 
em decisões. Por isso, as emoções e a ra-
zão devem ser sinérgicas no momento de 
seguir uma decisão. Tomar a decisão pode 
parecer fácil, mas segui-la é o mais difícil”, 
reflete o especialista. 
Em uma linha um pouco diferente, Giri-
dhari Das defende um “detox emocional”, 
a fim de retirar armadilhas ocultas que cer-
tas emoções podem criar dentro de cada 
pessoa. “Em geral, tudo o que você precisa 
para se proteger contra elas é descobri-las. 
Apenas jorre a luz de sua consciência sobre 
elas. Apenas aceite que estão ali e jogue 
fora. Estar ciente delas é, com frequência, 
tudo o que se precisa. Por fazer isso, a 
emoção perde o poder de afetar você em 
segredo, em seu inconsciente”. Para rea-
lizar essa limpeza, o instrutor indica que 
o segredo seria reconhecer a emoção e
deixá-la ir. “Você não deve nem ignorá-la
nem enterrá-la, tampouco se identificar com
ela ou se apegar a ela. A vida é um fluxo
constante. As coisas vão e vêm. Se você
consegue lidar com suas emoções dessa
maneira, você permanecerá emocional-
mente saudável”, complementa.
Na maioria das vezes, uma mudança 
ocorre após um momento de desconten-
tamento ou de algo que tenha gerado uma 
situação estressante. E para conseguir mudar 
a realidade precisamos primeiro alterar a 
forma como pensamos. Para Augusto, os 
pensamentos interferem, e muito, na nos-
sa rotina. Assim, é de grande importância 
que o conceito mude antes de acontecer 
na prática. “É aquele velho ditado de que 
não adianta ter as mesmas ações esperando 
resultados diferentes. Fazer terapia e anotar 
os objetivos podem ser boas atividades para 
transformar essa realidade que não agrada 
tanto”, recomenda.
NA PRÁTICA
O universo minimalista já possui alguns 
livros e documentários que exemplificam e 
dialogam diretamente com o ato de consu-
mir menos para encontrar a felicidade no 
desapego. Da mesma forma, muitas são 
as dicas ou passos a serem seguidos neste 
caminho rumo a uma vida mais simples. 
Apresentamos seis deles a seguir.
Recomece • Imagine sua casa quando 
esta ainda se encontrava vazia. Lembre do es-
paço que possuía e compare com a situação 
atual. O que existe agora de desnecessário? 
CONHECENDO SEU DHARMA
De acordo com Giridhari Das, instrutor de autoajuda, a primeira regra 
para ter uma vida minimalista é comprar apenas o que precisa, sendo 
isso mais fácil quando você conhece seu dharma. Apesar de possuir 
muitos significados, o especialista utiliza o conceito de dharma como 
“aquele dever que nasce de quem você realmente é, que nasce de sua 
natureza. Não é uma imposição externa ou social. É o que você precisa 
fazer, em qualquer dado momento, para ser a melhor pessoa que você 
pode ser. É fazer a coisa certa na hora certa”. 
Seguindo sua natureza, você destina os recursos que possui para o 
objetivo claro, sempre prestando contas de como é gasto seu tempo e 
dinheiro. “Mantenha-se responsável e sempre se pergunte se você real-
mente precisa de algo antes de comprá-lo. ‘Isso aprimorará a execução 
do meu dharma?’ ‘Comprar isso é parte do meu dharma?’ Você tem 
que prestar contas disso. O dinheiro não é realmente seu. Foi confiado 
a você, e como você o gasta afetará sua mente, seu bem-estar e seu 
futuro”, ressalta Giridhari Das.
“É aquele 
velho ditado 
de que não 
adianta ter as 
mesmas ações 
esperando 
resultados 
diferentes. 
Fazer terapia 
e anotar os 
objetivos 
podem 
ser boas 
atividades para 
transformar 
essa realidade 
que não
agrada tanto”
MINIMALISMO
Telegram: @clubederevistas
Há decoração em excesso, muitos itens que 
você só lembra quando vai limpar a casa? 
Começar a se desapegar é difícil, mas com 
força de vontade, é possível. E assim que 
você começa a fazer, vai pegar o costume.
Doe • É importante não só se desfazer 
das coisas que não usa, é preciso também 
dar o melhor destino para elas. Além do 
desapego, o minimalismo prega boas ações 
e isso implica ajudar os outros. Portanto, 
ajude os necessitados.
Priorize • Dê espaço para o que realmente 
importa em sua vida. Em uma reflexão, você 
vai perceber que os bens materiais não são 
tão importantes como se pensa. Já o desen-
volvimento pessoal pode ser algo interessante. 
Explorar novas realidades em uma viagem e 
fazer um curso são boas sugestões. 
Controle gastos • Pergunte-se: “O que 
eu realmente preciso?”. Busque comprar 
menos, pegue emprestado se for necessário, 
ou mesmo utilize de um sistema compar-
tilhado. Às vezes, você pode até possuir 
dinheiro suficiente para comprar tudo que 
quer, mas acumular bens só tira espaço da 
sua vida com coisas efêmeras. 
Descanse • Ficar pilhado o dia todo 
para produzir algo em todas as horas do dia 
vai levar você à exaustão. Escolha as tarefas 
mais necessárias para se fazer e reserve mo-
mentos para dar uma pausa. Relaxe, medite, 
faça o que lhe faz bem. Você não precisa ser 
produtivo o tempo todo – nem deve!
Desconecte-se • Ficar o tempo inteiro 
a postos a atender solicitações que surgem 
via celular ou computador te transforma 
em um escravo da nova mídia. É muito 
importante se desligar por um tempo. Si-
lencie seus aparelhos, desative solicitações, 
inclua um momento para ler um livro ou 
fazer exercícios ao ar livre. Isso é mais que 
seguir uma vida minimalista, mas seguir 
uma vida saudável.
CONSULTORIAS 
Giridhari Das, palestrante, 
autor e instrutor no 
campo da autoajuda, 
autorrealização e yoga e 
consciência de Krishna;
Augusto Jimenez, psicólogo 
da Minds Idiomas
FONTE 
Sites www.euorganizado.
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inspiradouro.com.br
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Você no banco do
MOTORISTA
Em meio a várias concessões diárias, é muito fácil perder o 
controle das situações. Recuperar as rédeas pode vir a ser difícil, 
mas não há nada melhor do que ter o máximo de condições 
possíveis para se guiar na estrada da vida
 FOTO Shutterstock Images
CONTROLE DA VIDA
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I MAGINE A VIDA COMO UMA LON-
GA ESTRADA, CHEIA DE CURVAS, 
ATALHOS, ALGUNS ENGARRAFA-
MENTOS, tudo o que existe em 
uma rodovia de verdade. Você, 
em seu carro, pode ir aonde quiser. Quer 
seguir por um caminho mais bonito e 
tranquilo para aproveitar a vista? Você 
pode. Acha que tem condições de passar 
por uma série de curvas, sabendo que no 
final será recompensado? Siga esse cami-
nho! Precisa parar no acostamento para 
definir com mais calma seu rumo? Fique 
à vontade. Tudo é possível quando você 
está no banco do motorista.
No entanto, existem ocasiões que levam 
você para o banco do passageiro. Muitas 
vezes é bom estar ali, podendo observar em 
mais detalhes o que tem ao redor, pensar 
em coisas que, dirigindo, nem sempre é 
possível desenvolver. O problema é quando 
o carro vai para um lugar que você não
gostaria que ele fosse. Sem controle sobre
ele, você vira passageiro de uma viagem
problemática, refém em sua própria vida.
Em meio a essa frustração, sem o contro-
le da vida, a única maneira de se recuperar 
é voltar a ter o controle. “Na nossa vida, 
exercemos vários papéis e, diante disso, 
temos que fazer muitas concessões para 
viver de forma harmoniosa. Às vezes, o 
que falta é saber se impor, é ter equilíbrio 
emocional para aguentar ser ‘o chato’, pois, 
quem quer agradar a todos dificilmente 
está no comando. Mesmo quando a sua 
decisão final é fazer uma concessão, ela 
deve ser consciente e não deve trazer 
sensação de mal-estar”, comenta Lilian 
Bertin, empresária e palestrante.
Dessa forma, ter ocontrole da vida seria 
ter condições de tomar decisões e fazer 
com que suas ações fossem coerentes. 
Ainda assim, muitas pessoas acreditam 
ser algo inalcançável, como consequência 
das pressões do cotidiano. Porém, mesmo 
nessas decisões impostas para si, houve 
um consentimento anterior. “Se você é 
funcionário, por exemplo, dificilmente terá 
o controle sobre o seu horário, mas houve
uma decisão anterior de vender o seu
trabalho num determinado horário por
um salário e é muito importante que você
tenha a consciência que essa decisão foi
sua”, observa Lilian.
ENTRE TER E VOLTAR A TER
Conhecer como é a vida no banco 
do motorista é muito importante para 
definir a diferença de abordagem entre 
obter o controle e voltar a ter as rédeas 
da situação. Como conta Lilian, no caso 
de quem quer retomar o controle, ter a 
consciência do caminho para chegar lá é 
uma especificidade decisiva. “Por exem-
plo, uma pessoa que viajou, descuidou da 
alimentação e, de repente, se vê fora do 
seu peso ideal. Essa pessoa levou tanto 
tempo para conquistar o peso ideal e agora 
‘perdeu’ sua conquista. Ou seja, ela sabe 
onde errou, porquê errou e o que deve 
ser feito para retomar. Conscientemente 
escorregou e perdeu o controle... quem 
nunca?”. Já para quem não esteve de 
fato no controle de sua vida em momento 
algum e se encontra em meio ao caos, é 
preciso ainda mais disciplina. “Lembre-se 
de não esperar resultados ‘rápidos’ ou mi-
lagrosos. Aquilo que levou meses ou anos 
para bagunçar precisa de tempo para ser 
mudado. Mas o importante é saber que 
sonhos existem para serem realizados”, 
complementa a palestrante.
CONSULTORIA 
Lilian Bertin, empresária, 
palestrante e criadora 
do projeto “Como você 
consegue”;
Roberto Debski, médico e 
psicólogo
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O CONTROLE EXISTE?
Enquanto alguns especialistas 
apontam caminhos para conseguir 
controlar a vida, outros vão contra a 
ideia da existência do próprio con-
ceito de controle. Para o psicólogo 
Roberto Débski, por exemplo, mui-
tas pessoas se iludem acreditando 
que detém algum tipo de comando 
das suas situações. “Existem inúme-
ras possibilidades que estão fora 
de nosso alcance, como doenças, 
infortúnios, ações de outras pes-
soas, perdas, mudanças sociais, a 
possibilidade da morte, entre ou-
tras. Ter essa percepção pode ser 
perturbador para muitas pessoas, 
que não aprenderam a lidar com as 
incertezas, então sofrem e podem 
até mesmo adoecer”, comenta.
Dessa forma, segundo tal linha de 
pensamento, apesar de não existir 
uma garantia ou total segurança das 
situações, é preciso viver da melhor 
maneira possível, tendo tranquilida-
de e esperança para se fortalecer 
emocionalmente e lidar com as difi-
culdades que aparecerem. “O que é 
possível a qualquer pessoa é tornar-se 
mais forte, resiliente, para aprender 
a lidar com as pressões do cotidiano 
e dificuldades da vida, as perdas e 
sofrimento, fortalecendo-se cada vez 
mais. A resiliência é uma capacidade 
humana, que pode ser aprendida e 
treinada como uma habilidade ou 
recurso, e nos ajuda a superar os 
transtornos sempre que necessário”.
Por outro lado, a empresária e 
palestrante Lilian Bertin aponta que, 
mesmo com a existência das pres-
sões que podem ocorrer contra a 
vontade da pessoa, ainda existe a 
possibilidade de ter as rédeas da 
situação. Segundo ela, “estar no 
controle é decidir como você reage 
às coisas que acontecem no seu dia, 
é uma forma de estar no controle 
porque, inevitavelmente, essas coi-
sas vão acontecer”.
PILARES
DA VIDA
SAÚDE FINANÇAS
É o pilar físico. Portanto, 
leve em consideração 
para definir a nota o 
quão boa está sua ali-
mentação, se você con-
segue ter a quantidade 
necessária de repouso, 
pratica exercícios com 
regularidade, mantendo 
assim o corpo saudável 
e dando condições para 
refletir sobre suas neces-
sidades internas.
A importância de man-
ter uma relação saudá-
vel com seu dinheiro é 
grande. Então, ques-
tione como você está 
com relação a dívidas, 
ao contentamento geral 
com seu salário, possibi-
lidade de comprar o que 
deseja ou de realizar 
algo que sonha, como 
uma viagem.
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$
CONTROLE DA VIDA
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Analisou os seus pilares? Algum deles apresentou uma 
nota menor que 5? Se você possui mais de uma nota abaixo 
desse número, precisa definir um grau de importância entre 
elas, ou mesmo definir o melhor caminho, com metas mais 
alcançáveis, para superar todas as necessidades até conse-
guir o controle absoluto de sua vida. “Quando você coloca 
uma micro meta e começa a realizar, existe um fenômeno 
neural que começa a espalhar essa sensação de ‘poder’ 
pelo seu cérebro e as coisas começam a mudar. É uma 
força interna que vale a pena experimentar”, conta Lilian.
P ara ter conhecimento de quanto con-
trole sobre a vida você possui, a empre-
sária e palestrante Lilian Bertin elenca 
cinco pilares que são essenciais na vida da 
maioria das pessoas. Dando uma nota de 1 a 
10 para a situação de cada um deles, é possível 
notar quais áreas merecem atenção. Ainda mais 
se alguma delas for abaixo de cinco. 
ESPIRITUAL FAMÍLIA
Estar contente com o 
que faz profissional-
mente é de grande 
relevância para a vida, 
pois implica em outros 
assuntos. A sobrecarga 
de trabalho e a falta de 
tempo podem interferir 
na alimentação e gestão 
de gastos, por exem-
plo. Portanto, tenha em 
mente em sua avalia-
ção os aspectos que lhe 
agradam e também os 
que desagradam com 
relação às suas obriga-
ções profissionais.
Estar em paz consigo 
mesmo vai muito além 
de sua relação com al-
guma religião, apesar 
de a crença alimentar 
o espírito. Na avaliação,
leve em conta possíveis
aflições que estejam in-
terferindo no seu cami-
nho para a paz interior e
se você tem buscado al-
guma forma de saná-las.
Pode também ser o pilar 
social, onde ocorrem in-
terações que nos fazem 
crescer como indivíduos. 
Como é o relacionamen-
to com seus familiares? 
Eles são importantes 
para você ou você é 
relevante para eles? 
Conviver com outras 
pessoas – sendo estas 
de convivência saudável 
– ajuda até mesmo a se
autoconhecer.
TRABALHO
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Selecionamos algumas sugestões para quem deseja se
inspirar nos ares de mudança e começar outra vez
 
Status: MUDANDO
DocumentáriosFilme-relíquia
NA NATUREZA SELVAGEM
Into the Wild (2007)
DIREÇÃO Sean Penn•ELENCO Tom Hanks, 
Helen Hunt e Nick Searcy•DURAÇÃO 143 
minutos
O filme biográfico é baseado no 
livro homônimo escrito pelo jornalista 
Jon Krakauer, que conta a história de 
Christopher McCandless, um jovem que 
muda de identidade e resolve viver uma 
vida longe do materialismo após concluir 
a graduação. Passa um bom tempo 
desbravando a América do Norte e, 
influenciado por sua desconfiança sobre 
as relações humanas e por suas leituras, 
segue rumo ao deserto do Alaska, em 
1990. Adotando o nome de Alexander 
Supertramp e decidido a conviver com 
a natureza em sua forma selvagem, vê 
na experiência a possibilidade de fugir 
de uma vida hipócrita e materialista.
MINIMALISMO 
Minimalism (2008)
DIREÇÃO Matt D’Avella•ELENCO 
Dan Harris, Joshua Becker, Shannon 
Whitehead•DURAÇÃO 79 minutos
Na obra, a definição dada ao mi-
nimalismo é “um resgate àquilo que 
realmente importa”. Ou seja, não 
se trata nem de abandonar coisas e 
pessoas importantes, muito menos de 
levar uma vida nômade, mas sim de 
olhar para própria realidade e saber 
identificar o que é relevante, o que 
importa para você. O documentário 
conta a história dos autores do blog 
Minimalist, além de mostrar exemplos 
de pessoas que adotaram um novo 
estilo de vida a partir dessa filosofia; 
e também aborda os equívocos a 
respeito do minimalismo de forma 
muito inteligente.
HAPPY: VOCÊ É FELIZ?
Happy (2011)
DIREÇÃO Roko Belic•ELENCO Marci Shimoff, 
Ed Diener, Richard Davidson•DURAÇÃO 76 
minutos
Dinamarca, Namíbia, Escócia, Ja-
pão, Estados Unidos, Brasil e outros: 
como as pessoas demonstram e con-
vivem com a felicidade em cada um 
desses países?Neste documentário, 
são ouvidos homens e mulheres de 
realidades distintas, e reunidas pes-
quisas em neurociência, sociologia 
e psicologia da felicidade. Nele, co-
nhecemos perguntas e ações cada 
vez mais necessárias para quem está 
em busca de uma vida plena e satis-
fatória: “Como podemos construir 
espaços e mundos nos quais essas 
condições para a felicidade estejam 
mais disponíveis?”.
FILMES
COORDENADORA DE REVISTAS DIGITAIS Hérica Rodrigues (herica.rodrigues@astral.com.br) REDAÇÃO 
Ana Carvalho (ana.carvalho@astral.com.br), Ana Kubata (anabeatriz.kubata@astral.com.br), Fernanda 
Villas Bôas (fernanda.villasboas@astral.com.br) e Gabrielle Aguiar (gabrielle.aguiar@astral.com.br) DESIGN 
Lilian Flaitt (lilian.flaitt@astral.com.br) e Roberta Lourenço (roberta.lourenco@astral.com.br) 
Conteúdo produzido e publicado originalmente na revista: Viva Bem, Ano 2, nº8 - 2017
DIREÇÃO João Carlos de Almeida e Pedro José Chiquito CONTATO atendimento@astral.com.br 
ENDEREÇO Rua Joaquim Anacleto Bueno, 1-70, Setor M83 - Jardim Contorno, Bauru - SP - CEP: 17047-281 
©2024 EDITORA 
ALTO ASTRAL LTDA. TODOS 
OS DIREITOS RESERVADOS. 
PROIBIDA A REPRODUÇÃO.
Ano 2, nº 15 - Dezembro 2024
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