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RENOVE SUAS ENERGIAS! Transformar a rotina e viver dias menos estressantes pode ser uma questão de descobrir o que tem deixado você cansado 20 DICAS para aliviar a tensão de forma prática Como traçar metas e retomar o CONTROLE da sua vida? DESAPEGO Novos hábitos para dar valor ao que importa R$ 9,90 A Ciência da Felicidade - Ano 2, nº 15 A CIÊNCIA DA FELICIDADE Telegram: @clubederevistas https://t.me/clubederevistas Em 2013, o Ibope realizou uma pes- quisa com 1499 brasileiros entre 18 e 65 anos. 98% revelaram se sentir pouco ou muito cansados mental e fisicamente. Cerca de 70% dos entrevistados afirmaram que o ritmo diário acelerado e o estresse eram os principais motivos que levavam à falta de disposição, e que isso afetava a vida sexual e o humor. Mas, afinal, por que estamos tão cansados? O que tem provocado tanto desgaste? Refletindo sobre este cenário, de- senvolvemos esta nova edição de Viva Bem. Assim, buscamos responder como é possível lidar melhor com a intensidade do mundo moderno, de que forma você pode renovar suas energias e que é pre- ciso aprender a controlar suas próprias decisões com o intuito maior de cumprir seu objetivo de vida. Além disso, falamos sobre o minima- lismo e contamos histórias reais de quem deixou para trás uma rotina com a qual não se identificava e, hoje, é feliz e mais tranquilo sendo dono do próprio tempo. Boa leitura! A redação CAPA Imagem Shutterstock Images POR QUE ESTAMOS TÃO CANSADOS? Telegram: @clubederevistas ÍNDICE 16 26 6 12 22 Telegram: @clubederevistas MINIMALISMO Como praticar essa forma de desapego? DE ONDE VEM O CANSAÇO? Não se trata apenas do excesso de informações e trabalho, mas também de como lidamos com a intensidade do mundo RENOVE SUAS ENERGIAS! 20 dicas práticas para superar o cansaço cotidiano HISTÓRIAS REAIS Depoimentos de quem abandonou a rotina para fazer o que gosta SOB SEU COMANDO Aprenda a identificar o momento certo para fazer concessões e recupere o controle de seus planos P ARA INSPIRAR! Sugestões culturais que vão estimular a mudança 30 Telegram: @clubederevistas TEMPOS MODERNOS anunciado Entenda por que estamos emocionalmente exaustos, psicologicamente esgotados e intelectualmente exauridos FOTOS Shutterstock Images Crônica de um CANSAÇO Telegram: @clubederevistas E stresse. Sensação de asfixia. Fadiga. Esgotamento – seja ele físico ou emocional. Que atire a primeira pedra quem nunca sofreu as consequências de um estilo de vida calcado no superdesempenho, na supercomunicação e na superprodu- ção. Afinal, embora o mundo nos seduza com suas possibilidades de sucessos e conquistas, precisamos estar dispostos a seguir valores que, por vezes, geram um verdadeiro colapso do “Eu”. A insatisfação não é com a vida, necessariamente, mas sim com o modo de viver. Não é raro ouvirmos frases como “meu dia precisaria ter 48 horas”, “não vai dar tempo” e afins. Essa sensação da passagem do tempo, aliada à sensação de fracasso, causa exaustão e ansiedade – uma pelo grande número de atividades laborais e virtuais, e a outra porque achamos que o tempo não vai ser suficiente para dar conta de tudo. Uma verdadeira Sociedade do Cansaço, como bem definiu o filósofo sul-coreano Byung-Chu Han no livro que virou best-seller. Publicada na Alemanha no ano de 2010, a obra parte da premissa de que toda época tem suas enfermidades emblemáticas. Assim, diferente de eras passadas, em que entidades externas como vírus e bactérias nos atacavam, o começo do século 21, de um ponto de vista patológico, seria caracterizado por uma violência neuronal, simbolizada no estresse, na hiperatividade, no déficit de atenção e na depressão. E o que não faltam são motivos para confirmar a tese. Telegram: @clubederevistas CAPITALISMO SELVAGEM? De acordo com a psicanalista Virgínia Ferreira, professora da Faculdade de Medici- na de Petrópolis (FMP/Fase-RJ), a sensação de cansaço não está ligada somente ao ex- cesso de tarefas e informações, mas também pelo ciclo danoso de busca da felicidade através do consumismo. “Na era em que vivemos, somos impelidos ao consumismo não reflexivo, acrítico. Consumimos para nos sentir bem, para nos sentir incluídos em um determinado grupo social. Hoje, valemos não pelo que somos, mas pelo que portamos. Esse consumismo tem um preço bastante elevado. Trabalhamos menos por amor à arte e para viver com conforto, do que para ter condições de consumir exacerbadamente”, declara a especialista. EQUAÇÃO INDECIFRÁVEL Muitos projetos de leis – e outros que até já estão em vigor – tentam solapar alguns dos direitos obtidos ao longo do século 20, como férias remuneradas, 13º salário e jornada de oito horas de trabalho. Direitos estes, inclusive, que vieram como reação de uma sociedade industrial que, às vezes, não perdoava nem mesmo crianças, explo- rando-as, por exemplo, em rotinas árduas nas minas de carvão. É obvio que, nos tempos atuais, o chicote não estrala como antigamente. Mas o ponto não é esse. Atendendo à “sociedade do cansaço”, o avanço tecnológico nos dá a sensação de que o tempo passa mais rápido. São muitas as redes de contatos, são muitas as informações que chegam por minuto, são muitas as demandas por respostas – e elas não se importam mais se você está em casa, no trabalho, no restaurante ou no transporte. “Atualmente, podemos trabalhar a todo instante. Eu, por exemplo, como coach e consultor de negócios, posso ter insights a qualquer momento, e as tecnologias que a princípio vieram para nos liberar tempo, na verdade nos ocupam cada vez mais”, afirma o consultor André Luiz Dametto. Aí, quando a equação entre as horas de trabalho real x horas de trabalho ideal não fecha, é hora de refletir, já que quantida- de nem sempre se traduz em qualidade. Segundo Celso Bazzola, especialista em recursos humanos e diretor executivo da Bazz Consultoria, não há pecado em tra- balhar esporadicamente além de sua carga diária, desde que essa ação seja meramente por necessidade de urgência e de impacto específico. “Para o mercado de trabalho, acaba sendo um diferencial. Mas o profissional e as áreas de recursos humanos devem identificar quando não há exageros em uma rotina normal de trabalho. A partir do momento que a carga horária começa a extrapolar constantemente, é momento de refletir. Inclusive em relação ao home office! O trabalho será saudável enquanto não aprisiona a pessoa na necessidade constante de falar e estar agindo pelo tra- balho”, explana o especialista. A Ciência também já garante que a dis- persão faz o corpo liberar cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, que também potencializa nosso estado de alerta e diminui a concentração. Ou seja: o sujeito trabalha e, simultaneamente, rola o feed de notícias do Facebook. Almoça enquanto manda men- sagens no WhatsApp. Caminha ao mesmo tempo em que posta fotos no Instagram, e assim por diante. Dessa maneira, a estrutura de funcionamento atual, de multitarefas e ex- cesso de atividades, provoca, na realidade, um empobrecimento das ações cognitivas, sufocando os espaços destinados ao lazer e ao próprio ócio criativo. Não foi à toa que o filósofo Walter Benjamin sentenciou a frase: “O tédio é o pássaro onírico que choca o ovo da experiência”. TEMPOS MODERNOS Telegram: @clubederevistas Não é difícil entender o processo: ao adotarmos o mote de “missão dada é missão cumprida”, é natural que nos as- semelhemos a meros “ciborgues” na arte de entregar demandas, muitas vezes sem sequer compreendê-las. E, assim, consi- deramos justo nos presentearmos, crendo que tal ato irá preencher os vazios e mo- tivar-nos a vencer o cansaço para encarar novos desafios. “Quanto mais consumi- mos, mais nos sentimos merecedores de consumir. Somos escravos daquilo que a moda (aparentemente ingênua) dita e que a tecnologia (aparentemente benévola) apresenta”, complementa Virgínia. Quadros como este podem, inclusive, evoluirpara o que conhecemos como workaholism – o famoso vício no trabalho. Outrora celebrado em ambientes pro- fissionais, a prática já é vista com maus olhos por conta de seus desdobramentos. Abandonar o convívio social pode ser apenas o primeiro estágio de uma série de problemas físicos que podem vir depois. Afinal, quando a postura se transforma em um distúrbio de comportamento, começam a aparecer outros sintomas: autoestima exagerada, insônia, mau humor, impo- AINDA SOBRE SAÚDE Cada vez mais falada nos últimos tem- pos, a Síndrome de Burnout consiste jus- tamente no esgotamento físico e mental causado pelo trabalho. “Não importa a profissão. É uma das consequências do ritmo atual de trabalho, que é natural- mente estressante, repleto de tensões emocionais, podendo desencadear an- siedade. O cansaço é devastador e cruel, fazendo com que a motivação desapareça, dando lugar à irritação, falta de energia e concentração, desânimo”, elenca Virgínia. Segundo a psicanalista, o contato social diminui na proporção que o esgotamento aumenta e as relações mediadas pela tec- nologia crescem. “Esses transtornos são típicos da sociedade em que vivemos. A única forma de prevenir ou tratar é através de um tratamento psicanalítico ou psicoló- gico. Mas, como as pessoas também são muito imediatistas, elas preferem recor- rer ao consumo das pílulas (ansiolíticos, por exemplo), do que se submeter a um tratamento a longo prazo. O problema é que, nesses casos, as pílulas não curam e a “O vício no trabalho tem potencial similar à adição ao álcool ou cocaína, tornando-se uma obsessão doentia que prejudica todo o ambiente” tência sexual e atitudes agressivas em situações de pressão. A situação pode ser tão grave que es- tudos recentes de alguns casos clínicos apontam que o vício no trabalho tem po- tencial similar à adição ao álcool ou cocaína, tornando-se uma obsessão doentia que prejudica todo o ambiente. “Para a em- presa, a situação traz mais desvantagens do que vantagens. Inicialmente pode ser interessante, pois a velocidade dos resulta- dos é satisfatória. Porém, há um desgaste emocional natural do profissional, pois ele estará isolado e restrito ao tema trabalho, bloqueando sua sociabilização, o que po- derá resultar em sérios transtornos futuros para sua vida”, destaca Celso Bazzola. Telegram: @clubederevistas TEMPOS MODERNOS Telegram: @clubederevistas LUZ NO FIM DO TÚNEL À luz do materialismo constante, Da- metto também alerta para uma contra- dição: “O ser humano contemporâneo é muito curioso. Então, se ele ouve qualquer ruído estranho no carro, já leva para o mecânico. Mas, ao mesmo tempo, deixa de ouvir os sinais que o corpo emite. Essa é minha primeira dica: sinta mais o seu corpo. Eu sempre recomendo a consulta de um profissional associado à saúde para um diagnóstico mais preciso”, sugere o especialista. Virgínia, por sua vez, lembra o fato de estarmos sempre pensando à frente, preocupados com o futuro e raramente dando a devida atenção para o presente. “Essa atitude é nociva à saúde do sujeito como um todo. Ao longo de alguns pou- cos anos, o corpo começa a gritar, com dificuldades cognitivas, como falhas de memória, insônia, gastrite e hipertensão. O aparato psíquico, que forma uma unida- de com o corpo, também começa a gritar, por conta de ansiedade, fobias, pânicos, depressão, entre outras. O esgotamento do ser humano não é determinado pelo trabalho, pelos relacionamentos ou pelo uso dos aparatos tecnológicos, mas sim pela forma e frequência com que os uti- lizamos. Tudo isso são atos saudáveis e fazem parte da existência humana, mas fazer deles uma extensão do corpo e da mente é preocupante, senão, patológico”, finaliza a psicanalista. A COMPETÊNCIA DA MODA Resiliência: termo comumente usado na física e que significa o nível de resistência que um material sofre frente a pressões e, ainda assim, consegue retornar ao estado original. Mas, de uns tempos pra cá, essa palavra, até então de uso restrito nas aulas do ensino fundamental, passou a figurar no ambiente empresarial, nas conversas empreendedoras, nas universidades, nas disciplinas relacionadas ao comportamen- to humano. E o motivo não poderia ser mais óbvio: a resiliência é uma competên- cia fundamental para enfrentar os desafios de um mundo no qual as mudanças nunca foram tantas, tão rápidas e tão intensas. De acordo com Virgínia, valer-se da re- siliência é uma estratégia ou competência psíquica que deve ser usada para amenizar o mal-estar. Entretanto, diante de tudo que se vive, o sujeito que se utilizar dessa estratégia todo o tempo e em todas as es- feras pode vir a falhar. “Metaforicamente, é como se a pessoa permanecesse 24 horas por dia, 365 dias por ano, com todas as lâmpadas de sua casa acessas. Tem uma hora em que as lâmpadas começarão a es- quentar e queimarão, pelo uso constante e ininterrupto. Assim é a resiliência. Uma hora ela começa a enfraquecer, não há o que a alimente. Por isso, talvez as competências que mais garantem a saúde psíquica sejam a prudência e a moderação”, argumenta a profissional. Para o coach André Luiz Dametto, há uma grande diferença entre conhecer teo- ricamente sobre um conceito e saber na prática. “O ‘pulo do gato’ está em buscar o conhecimento aliado às habilidades e pessoa passa a consumir e depender delas também. É uma grande bola de neve que engessa o campo existencial”, completa. atitudes no dia a dia. Geralmente, as cau- sas do cansaço e da exaustão estão em crenças sabotadoras, como a negação e o perfeccionismo. A maior parte das pes- soas que eu apoio avançam realmente no momento em que reconhecem e mudam essas práticas”, declara. CONSULTORIAS Celso Bazzola, especialista em recursos humanos e diretor executivo da Bazz Consultoria Virgínia Ferreira, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase-RJ) André Luiz Dametto, coach especialista em projetos de gestão e qualidade de vida. Telegram: @clubederevistas O CANSAÇO APÓS UM DEVER CUM- PRIDO COSTUMA SER ALGO RE- COMPENSADOR. Porém, quando a exaustão apare- ce e não enxergamos um sentido para tanto desgaste físico e emo- cional, podemos nos sentir tristes, estressados e decepcionados. Afinal, para quê tanto esforço? Se esse é o seu caso, reunimos 20 dicas para se sentir mais leve e renovar as energias. 20 dicas para deixar o cansaço de lado e respirar mais tranquilo 1. DURMA BEM! Uma boa noite de sono garante a diminuição do estresse, melhora o humor e faz com que você se sinta mais disposto, além de auxiliar o cérebro a processar novas informações e experiências. O melhor período para dormir é quando se sente mais sonolento e, para regular o sono, o ideal é acordar sempre no mesmo horário. Segundo especialistas, uma noite de sono normal de um adulto costuma durar, em média, oito horas, para que recupere todas as energias, mas o tempo de descanso pode variar. 2. TIRE UM TEMPO PRA VOCÊ Refletir sobre sua vida ajuda a identificar o que está provocando o cansaço constante. Se ele é originário do convívio com outras pessoas, talvez o melhor, em um primeiro momento, seja “desligar-se do mundo” e tirar um tempo para você. Faça algo que goste, vá viajar, passe o dia em um spa, faço um passeio em um parque, em suma, dedique-se a você mesmo e estimule o amor próprio. as ene 4. TENHA UM HOBBY! Para pessoas mais tranquilas e tímidas, há a fotografia, pintura e culinária. Já para os mais desinibidos, é possível investir no teatro, dança ou comédia. Por outro lado, um espírito mais aventureiro permite se arriscar em corrida, skate, surfe, natação ou inclusive salto de paraquedas. TRANQUILIDADE Telegram: @clubederevistas IMAGENS Shutterstock Images as energias! ter um hobby com atividades criativas como pintar, fotografar, bordar, fazer teatro, tricotar, jardinagem, entre outras, ajuda as pessoas a expandir uma experiência de recuperação de energia, relaxamento, equilíbrio e criativida-de”, explica Eduardo Shinyashiki, presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki, mestre em neuropsicologia e liderança educadora. “Com frequência, encontre amigos e familiares que gosta. Jogue conversa fora e lembre- se de bons momentos que compartilharam juntos” 3. PRATIQUE EXERCÍCIOS FÍSICOS O sedentarismo pode ser uma das principais causas do cansaço. Assim, quanto menos alguém pratica uma atividade física, mais exausto se sente. Isso porque quando fazemos exercícios, o corpo libera o ácido láctico, o que provoca dores. O corpo interpreta essa dor como uma “agressão” e responde provocando a falta de ânimo. Se você não for persistente, é bem provável que seu corpo “reclame” a cada pouco esforço realizado. Então, que tal começar a subir as escadas em vez de usar o elevador? Ou mesmo sair para caminhar ou se matricular em uma academia? “Dedicar um tempo para si mesmo ou prati- car um hobby são de extrema importância para se reconectar, para ter prazer, alegria e energia criativa. Em uma pesquisa conduzida pelo pro- fessor Kevin Eschleman e outros psicólogos da San Francisco University, publicada no Journal of Occupational and Organizational Psycho- logy em 2014, foi apresentada a ideia de que Telegram: @clubederevistas 5. ORGANIZE SUA ROTINA É preciso que você tenha equilíbrio no seu planejamento semanal. Organi- zação é fundamental para não “tropeçar” em seus compromissos e conseguir atender a todos com calma e paciência. Tenha consciência de quanto tempo, de fato, levará para cumprir cada tarefa e considere um período para relaxar, além de momentos de alimentação e dedicados aos exercícios físicos. Você pode utilizar uma agenda virtual, organizar uma planilha ou mesmo fazer um checklist sobre as tarefas a serem realizadas em um determinado dia. “Organizar as estratégias, as sequências das atividades, os meios para realizá-las e o tempo das tarefas permite concluir os próprios projetos, compromissos e metas com mais eficácia. Além disso, ajuda a pessoa a manter a atenção focalizada, sem distração, sem agir de forma improdutiva com desperdício de forças e energias. Uma organização externa e material ajuda a criar a disposição mental e autodisciplina. Grande parte da energia e do tempo desperdiçados são decorrentes de uma mente desorganizada, ou seja, pela falta de objetivos claros, de planejamento e definição de prioridades”, explana Eduardo. 6. DESLIGUE O CELULAR Você passa muito tempo utilizando o celular ou outro dispositivo mó- vel? Não consegue ficar sem olhar as notificações e se sente aborrecido quando não está on-line? Então, talvez esteja na hora de desligar o apa- relho ou aprender a deixá-lo de lado! No curto prazo, pode ser divertido ver as atualizações dos amigos, conversar e ficar por dentro dos memes. Contudo, com o tempo, as redes sociais e a tecnologia podem trazer uma certa insatisfação. Você já passou muitos minutos rolando a linha do tempo do Facebook ou Twitter sem ao menos comentar ou curtir nada? Se aquilo não está interessando você de forma real, apenas vai servir para criar irritação e potencializar a sensação de indiferença. “Passar muito tempo na utilização de computadores, celulares e tablets no período noturno, por exemplo, pode causar uma dificuldade no sono que, se continuar no longo prazo, será difícil de ser recuperado. Os displays luminosos excitam a retina de tal forma que impedem uma boa liberação de melatonina, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano, que tem a função básica de induzir o sono”, elucida o mestre em neuropsicologia. 7. RESPIRE Exercícios de respiração podem ajudar a relaxar. Escolha um lugar ou momento e comece a prestar atenção na sua própria respiração – inspire e expire devagar. Então, selecione um ponto qualquer para se concentrar, mantendo a mesma respiração. Mantenha-se assim durante cinco minutos. Dessa forma, é possível desacelerar a mente. “Um exercício simples, mas muito eficaz para renovar as energias é dedicar alguns minutos – sentado ou deitado – para fazer 20 respirações conectadas, circulares, sem inter- rupções, profundas, amplas e suaves”, indica Eduardo. 8. EXERCITE O BOM HUMOR Pesquisas já demonstraram que sorrir eleva o humor imediatamente e que rir pode aliviar tensões e o estresse. Além disso, as gargalhadas podem reforçar o sistema imunológico e atenuar dores. Por isso, procure se divertir, leia algumas pia- das de vez em quando, veja vídeos engra- çados e espaireça rindo com os amigos. 9. FAÇA UM SHOW PARTICULAR Dance ou cante sozinho pela casa. Distraia-se cantando sua música favorita ou imitando aquele artista que tanto gosta. Essa é uma boa maneira de extravasar e estimular os neurotransmissores que pro- piciam alegria. O cansaço dessa atividade será algo recompensador. 10. TOME UM BANHO RELAXANTE Depois de um dia estressante e can- sativo, chegue em casa e tome um banho quente e relaxante no chuveiro. Deixe a água escorrer devagar para aliviar as do- res corporais. Então, coloque uma roupa confortável e prepare um bom jantar. São esses pequenos prazeres diários que dei- xam a vida mais leve. 11. ALIMENTE-SE BEM Uma má alimentação – seja pela qua- lidade dos alimentos ou devido à falta de horários regulares – pode provocar deficiências nutricionais que tem como consequência a redução da disposição. As vitaminas B1, B2 e B3, por exemplo, são responsáveis por transformar glicose em energia e fazerem as células funcionarem, e a sua ausência gera a sensação de cansaço. A anemia é outro desequilíbrio alimen- tar também relacionado à diminuição da energia. O ideal é procurar um especialista que orientará você nutricionalmente, mas alimentos como couve, brócolis e acerola podem ajudar. Telegram: @clubederevistas 20. ENCONTRE UM SENTIDO NO QUE FAZ É bem provável que essa seja a dica mais importante para quem pre- tende vencer o cansaço. A exaustão precisa ser recompensadora, valer a pena. Por isso, encontre um sentido naquilo que faz e direcione suas forças, talentos e qualidades. Você precisa ter um plano realista traçado sobre o futuro e acreditar que ele dará certo, nutrindo um amor por esse sonho. Afinal, é esta vontade que fará com que supere os desafios e encontre forças quando a “bateria estiver fraca” ou os problemas do cotidiano parecerem sem solução. 12. HIDRATE-SE! Manter-se hidratado ajuda a aliviar dores, mantém o bom funcionamento do cérebro e atenua os sintomas do estresse. Isso porque diminui a tensão muscular, reduz o número de dores de cabeça e, quando estamos desidratados, vemos esses efeitos serem amplificados. 13. PRATIQUE A GRATIDÃO A gratidão incentiva os indivíduos a acei- tarem perdas no curto prazo com o intuito de obter recompensas no longo prazo. Além disso, ajuda a começar a resolver problemas que envolvem a vida social. E, no momento em que nos sentimos gratos, é praticamente impossível sentir tristeza ou preocupação. 14. CONECTE-SE COM A NATUREZA Colocar o pé descalço no chão e respirar um ar mais puro pode ser uma ótima maneira de se co- nectar com o mundo. Ob- servar a movimentação de um rio, por exemplo, pode ajudar a acalmar a mente. Por isso, caso esteja muito cansado, procure se retirar em um lugar arborizado que promova a paz. 15. EXERÇA O DESAPEGO Pare de acumular coisas e se sentir culpado pelas festas em que não compareceu, os convites para jantar que declinou, os amores não vividos e as brigas mal resolvidas. Acumular itens e lembranças ruins apenas alimenta o rancor e as mágoas. Dessa forma, desapegue do que faz mal e deixe somente o que é realmente importante para você. 16. MANTENHA BONS RELACIONAMENTOS Com frequência, encontre amigos e familiares que gosta. Jogue conversa fora e lembre-se de bons momentos que compartilharam juntos. Caso ocor- ram brigas, tente sempre resolver a situação. Assim como dito no exemplo anterior, guardar mágoas só deixará você mais cansado e preocupado. Tal- vez também seja o momento derefletir sobre a qualidade de seus relaciona- mentos. “É importante também cuidar das suas amizades e relacionamentos familiares. Não se isole no cansaço. Aproveite o tempo para ficar junto de quem você ama, cultive os sentimentos, o cuidado, a amizade, o bom humor, o otimismo e o lazer”, ressalta Eduardo. 17. MEDITE! A meditação é essencial para manter o autocontrole e eliminar o estresse. Quando você presta atenção às sensações do corpo e a sua respiração por meio da prática de meditação, consegue interromper a “bagunça” de emoções desordenadas e acalmar os “sabotadores”, ou seja, as “vozes” que alimentam as emoções negativas. Além disso, com o decorrer da prática, a mente e o corpo relaxam progressivamente e até o sono ocorre de forma mais natural! 18. RELAXE O CORPO Uma das formas de se livrar do cansaço é praticando o rela- xamento corporal. Sente-se ou deite-se confortavelmente. Deixe qualquer distração de lado. Feche os olhos e comece a analisar, tranquilamente, cada parte do seu corpo, prestando atenção nas sensações. Comece pelos pés e termine na cabeça. 19. EVITE HÁBITOS RUINS Descubra o que você faz continua- mente que provoca cansaço. Identifique a rotina e experimente outras recompensas. Por exemplo, se sua alimentação não é saudável, mas a comida provoca um “conforto”, busque encontrar essa mesma sensação em outros alimentos. Tenha consciência desse plano e elabore uma saída, como focar no objetivo principal de ter uma vida mais saudável. CONSULTORIA Eduardo Shinyashiki, presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki, mestre em neuropsicologia e liderança educadora Telegram: @clubederevistas Uma vida mais TRANQUILATRANQUILA BARBARA FERRAGINI “Eu sou jornalista, tenho 33 anos, e vivi boa parte de minha vida em Andradina (SP). Mudei para Campo Grande (MS) para fazer a faculdade e, lá, morei por nove anos mais ou me- nos. Como uma garota do interior, eu tinha uma rotina considerada normal aos olhos da sociedade. Fiz faculda- de, terminei, comecei a trabalhar na área da Comunicação, trabalhava na Record e em uma ONG ambiental. Fiz uma pós-graduação em Marketing, um mestrado em Comunicação e Retórica, mas sempre senti um vazio dentro de mim e uma vontade de jogar tudo pro alto e viver uma vida alternativa. Senti que não acreditava muito no que estava fazendo, mas faltava coragem para arriscar tudo e viver mais autenticamente. Comecei a fazer yoga e meditar, alimentar-me o mais natural possível. E um dia, senti que não fazia sentido o estilo de vida que eu levava – tinha dinheiro, mas não tinha tempo para viver o que eu queria. Decidi largar os dois trabalhos e embarcar para a Colômbia para três meses de trabalho voluntário em hospitais. A princípio, minha família e amigos ficaram sem entender meus motivos, mas confiei no meu coração e fui. Foram três meses de muito apren- dizado, levando alegria para as crian- ças e adultos em situação terminal, na forma de palhaço. Realmente foi o divisor de águas em minha vida. Isso foi em 2014. De lá pra cá, passei por muitas transformações pessoais e ainda estou nesse processo. Morei em Piracanga, uma ecovila holística no sul da Bahia. Fiz cursos de reiki e leitura de aura, voluntaria- do com permacultura, tratamento de resíduos, morei em um ashram Hare Krishna com devotos – em Alto Paraí- so (GO) –, fiz uma série de cursos de autoconhecimento, acroyoga e mo- rei nos EUA. Uma cultura totalmente diferente e oposta ao que eu estava buscando – excesso de consumismo, individualismo, longe da natureza, o que me fez rever tudo o que eu estava passando e aprendi muito com esse choque cultural, inclusive a me adaptar e aceitar tudo o que chega até mim. Não foi uma fase fácil e ainda não é. O aprendizado é diário e, hoje, sinto que não preciso estar isolada em um templo ou vivendo na natureza para praticar tudo o que aprendi – o meu templo é interno, onde quer que eu esteja. Minha paz é interna, posso me alimentar bem e em consonância com o que acredito. Tem seus desa- fios, obviamente, estar nos grandes centros, mas muitos aprendizados. Em 2016, viajei por quase um ano, toda a América do Sul, fazendo vo- luntariado. Foi a experiência mais rica da minha vida – viver com indígenas no caribe colombiano, ensinar inglês para as crianças de comunidades em situação de vulnerabilidade social, em fazendas orgânicas. Vivi praticamente três anos de minhas economias, não tinha uma fortuna, mas aprendi a usar meu recurso financeiro com sabedoria. Resumindo, tinha um ritmo de vida bem agitado – dois trabalhos, vivendo em uma cidade grande, pe- gava quatro ônibus por dia, fazendo tudo no piloto automático, vivendo o padrão do sistema visto como normal pela nossa sociedade. Até que um dia resolvi escutar meu coração e percebi que havia motivos maiores para mi- nha existência, não só vender minha energia em forma de trabalho, que DEPOIMENTOS Telegram: @clubederevistas “Precisamos de dinheiro para viver, mas só me proponho a fazer, me envolver, em projetos que sinto meu coração vibrar e não importa em que área. Podem ser fazendas orgânicas, cuidar de crianças, trabalhos em comunicação, terapias e tudo o que fizer meu coracão vibrar, lá estarei eu!” Histórias reais de quem deixou para trás uma rotina agitada com o intuito fazer o que gosta e seguir os próprios planos poderia ser mais criativa, ajudar mais o próximo e confiar na abundância e perfeição da vida. Mudei minha alimentação e passei a valorizar cada dia como o último. Passei a olhar muito mais para den- tro do que para fora porque sempre tentei me encaixar nos padrões da sociedade e, de certa forma, me sentia diferente. Quando me abri pro mundo, vi que tinha muita gente pensando como eu, então decidi me unir a essas pessoas com visão semelhante e, desde então, sinto um novo sentido para minha vida. Hoje, minha relação com o trabalho mudou: precisamos de dinheiro para viver, mas só me proponho a fazer, me envolver, em projetos que sinto meu coração vibrar e não importa em que área. Podem ser fazendas orgâni- cas, cuidar de crianças, trabalhos em comunicação, terapias e tudo o que fizer meu coração vibrar, lá estarei eu! Esses três anos, tenho vivido uma vida nômade entre Brasil, América do Sul e Estados Unidos. Estou começando um blog para compartilhar minhas experiências de viagem: mochileira- domundo.wordpress.com” Telegram: @clubederevistas DANIELA TROLESI MARTINS “Por mais de 15 anos trabalhei com gestão de comunicação corporativa de em- presas multinacionais de diversos portes e segmentos como Nextel, Banco ABN Amro Real, Accenture e Villares Metals, além de agências como Burson-Marsteller (WPP) e LVBA Comunicação. Sempre tive uma carreira que me demandou muitas horas de trabalho, além de uma rotina complexa com muitas viagens e reuniões e, durante muito tempo, isso fazia sentido para mim e me motivava – apesar de sempre sofrer com o fato de que durante a semana não existia tempo para mais nada além do trabalho. Em 2015, por conta de uma mudança profissional do meu marido para Curitiba (aliada a um processo de autoconhecimento e revisão dos meus objetivos, valores, priori- dades e autocrítica), resolvi buscar um novo formato de carreira que me trouxesse mais qualidade de vida, mas no qual eu pudesse continuar atuando na minha área, pois, ao contrário de muitas pessoas que começam a empreender, eu não queria mudar de seg- mento, pois sempre amei minha profissão. Mas queria, sim, ter mais flexibilidade de agenda e rotina, atuar com projetos com os quais eu realmente acreditasse e conseguis- se agregar valor, colocar meus dons (aquilo que eu realmente faço de melhor!) a serviço dos clientes e sentir que eu estava atuando em consonância com meu propósito. Enfim, meu objetivo era aliar realização pessoal, profissional e financeira. Então comecei a atuar como freelancer nas áreas de comunicação, produção de conteúdo e assessoriade imprensa. Quando voltei para São Paulo, em março de 2017, vi que havia uma demanda desses serviços principalmente para profissionais liberais e pequenas e médias empresas – e que valia a pena continuar com um formato empreendedor. Por isso abri oficialmente minha empresa, a Fortius Comunicação e Reputação. Já tive propostas para retornar ao mundo corporativo, mas optei por conti- nuar em um formato que, apesar de também ser intenso em termos de horas trabalhadas, me possibilita ter flexibilidade de agenda, de local de trabalho, de projetos. Consigo meditar todas as manhãs, fazer yoga ou um curso online na hora do almoço ou ir sem culpa ao médico numa tarde – mesmo que à noite tenha que trabalhar algumas horas adicionais... Organizei meu tempo para, além de continuar com minha rotina profissional, me dedicar a projetos pessoais que são relevantes e me trazem felicidade. Sem contar a sensação de realização quando vejo que meu trabalho ajudou, de forma genuína, outro profissional ou negócio. Isso faz meus olhos brilharem! E fico feliz por ver que, assim como eu, há um movimento de pessoas que estão buscando uma vida profissional que traga mais prazer, qualidade de vida, equilíbrio e realização. Acho que esse é o caminho mais sustentável e é ele que eu vou sempre buscar” DEPOIMENTOS Telegram: @clubederevistas GLAUCIANA MONTEIRO NUNES “Eu sou da área de comunicação, sou jor- nalista e relações públicas. Logo depois que me formei, eu fui pra São Paulo e sempre trabalhei muito, era um prazer mesmo. Não era só por necessidade, eu sempre gostei de trabalhar e sempre me empenhei demais. Trabalhava muitas horas por dia. Tinha uma rotina muito acelerada em São Paulo e aí, num determinado momento, eu entendi que eu estava perdendo grande parte da minha vida no trabalho. Esse ‘clique’ se deu quan- do meu casamento acabou. Eu tinha dois filhos pequenininhos, bebês de três e um ano. Nesse momento, eu trabalhava como gestora de comunicação de uma multina- cional, eu fazia a gestão das mídias sociais do Santander no Brasil inteiro. Trabalhava das oito da manhã às oito da noite. Quan- do meu casamento acabou, eu mergulhei num profundo autoconhecimento e eu fui buscar terapia, procurar me entender. Eu vi que o que eu tanto valorizava na vida, que era o trabalho, dinheiro, status social, isso não valia mais pra mim, então eu rompi radicalmente com o modelo de trabalho tradicional. Pedi demissão do Santander, dei adeus a um alto salário de gerente, eu doei 24 sapatos de salto, 64 cachecóis e lenços, todas as minhas roupas, os terninhos de trabalho e sacos de brinquedos dos meus filhos. Eu tinha acabado de comprar um apartamento, que eu tinha decorado, feito a refor- ma. Coloquei-o para alugar. Ti- nha comprado um carro SUV dos sonhos, automático, importado. Vendi o automóvel e me mudei pro litoral norte da Bahia, com os dois filhos. Fui viver na praia. Fiquei um ano para reaprender a ser mãe, reaprender a descansar porque estava muito cansada daquela vida, daquele modo de trabalho, de São Paulo, de levar uma vida acelerada, atribulada. Fiquei um ano na Bahia. Foi um período incrível que me aproximou dos meus filhos, passei a cozinhar, a participar ativamente da escola que eles estudavam, que era comunitá- ria. Depois desse ano sabático, eu voltei. Não deu para ficar lá porque era longe demais. Eu voltei pra Assis, que era a minha cida- de, no interior de São Paulo e continuei no meu estilo tranquilo, trabalhando em casa e nos modelos sem empregada, sem grandes gastos, televisão à cabo, acreditando que, às vezes, precisamos reduzir um pouquinho os custos para ter mais qualidade de vida. Eu tinha vivido 30 anos da minha vida em um modelo, acreditando que aquilo era o certo, que era como tinha que ser a vida de todo mundo. No momento em que eu comecei a me conhecer mais e notei que tinha coisas mais legais no mundo, eu pre- cisava aprender a viver daquela forma. ‘O insight eu já tive, ótimo. Já rompi com tudo, mas como eu vou viver bem nesse modelo?’ Eu tinha um dinheirinho para passar aquele ano. Pude me dedicar ao que eu amava, tinha um blog e eu me dediquei muito a ele. Isso acabou virando um negó- cio, mas eu só consegui me dedicar a ele quando consegui parar. Consegui fazer algo com propósito e, inevitavelmente, o dinheiro veio, mas o ano sabático foi fundamental porque, sem sair da loucura, a gente não pensa em nada. Quando você está no olho do furacão, você não vê nada. Hoje, já não faz mais sentido viver na- quela rotina porque não acredito que a minha felicidade esteja pautada naqueles valores de consumo. Eu reaprendi a viver. Cansaço pra mim é um desgaste mental porque o físico, nós dormimos. Eu cansei de estar preocupada com a minha mente cheia de coisas desnecessárias” “Hoje, já não faz mais sentido viver naquela rotina porque não acredito que a minha felicidade esteja pautada naqueles valores de consumo. Eu reaprendi a viver. Cansaço pra mim é um desgaste mental porque o físico, nós dormimos” Telegram: @clubederevistas MARCOS MURIANO JÚNIOR “Eu fazia faculdade de engenharia de materiais. O curso era integral e estava buscando ter uma segurança financeira pela carreira e me cobrava demais por conta disso. Eu morava com 15 rapazes e tinha uma vida muito agitada. Estava em um meio onde as pessoas estimulavam muito a corrupção das ques- tões que eu considero que são corretas, por exemplo, tinha amigos meus que queriam que eu mentisse para as na- moradas que eles estavam traindo; tinha amigos formados que trabalhavam em multinacionais e falavam que era preciso se corromper para crescer e continuar dentro da empresa. Então, acabou acontecendo que eu já gostava da área ambiental e um amigo meu de infância veio a falecer num acidente. Estávamos muito distan- tes e isso fez com que repensasse um pouco mais o que eu estava fazendo com a minha vida. Na época, eu tinha 21 anos e não acreditava em Deus, não tinha uma esperança além dessa vida. Com isso, eu entrei em luto, um princípio de de- pressão, não sei exatamente o quê. Pensei em tirar minha vida, acabar com o sofrimento que eu sentia porque gostava da área ambiental mesmo. Comecei a estudar essas questões e vi que teria muitas coisas que poderia mudar. Eu me responsabilizava com os impactos am- bientais que eu gerava para o ambiente e para outras pessoas. Os impactos sociais na saúde que isso poderia gerar. Aí, tranquei o curso na faculdade e acabei buscando fazer coisas que me agradavam, me deixavam mais tran- quilo. Voltei a fazer teatro, me valorizei como indivíduo novamente e comecei era muito tranquila. Tinha uma satisfação muito grande no viver deles. Deus se mostrou fortemente através da criação pra mim. E acabou acontecendo que, através disso, eu vi a necessidade de aprender mais sobre a Bíblia, o caráter de Deus, como Deus se revela, sobre o amor, para transmitir isso com mais se- gurança para outras pessoas, para poder levar essas questões de uma forma mais tranquila, mais consciente. Eu tenho uma alimentação diferente da que eu tinha na época. Hoje, sou vegetariano, busco dormir mais cedo e tomar sol. Embora não faça tanto exercí- cio físico como eu fazia, eu não me sinto tão cansado quanto me sentia antes porque busco fazer as coisas com mais prazer, um prazer nas questões cotidia- nas. Então, o que é o cansaço pra mim? O cansaço é você fazer algo contrário ao que você considera prazeroso ou não ter prazer no que você está fazendo naquele momento, principalmente se você está indo contra a sua consciência” DEPOIMENTOS “Hoje, sou vegetariano, busco dormir mais cedo e tomar sol. Embora não faça tanto exercício físico como eu fazia, eu não me sinto tão cansado quanto me sentia antes porque busco fazer as coisas com mais prazer, um prazer nas questões cotidianas” a buscar aprender mais, entrar numa carreira que me agradasse e, assim,fui estudar agroecologia. É bem parecido com agronomia, mas ligado mais à ques- tão de desenvolvimento socioambiental do meio rural. Agora, estudo teologia, mas não tenho atuado como agroecólogo, apesar de trabalhar com venda de produtos naturais de casa em casa, livros a respeito de saúde e, às vezes, eu visito algumas famílias e faço trabalho de educação alimentar dentro das casas e, ao mesmo tempo, ofereço os materiais. Isso me dá a possibilidade de continuar os estudos aqui, para me manter e ao mesmo tempo poder viver uma vida mais tranquila. Desde criança eu gostava disso, achava interessante poder trabalhar para outras pessoas. Quando eu fui para o Amazonas, eu consegui fazer meu estágio obrigatório num projeto trabalhando com os ribeirinhos e, lá, não tinha ener- gia elétrica e água encanada. Trabalhei desenvolvimento rural com eles e a vida Telegram: @clubederevistas DOUGLAS DURAN “Eu estudei administração e trabalhei 38 anos no Grupo Abril até chegar à vice-presidência de finanças, mas sempre tive um plano de vida, um projeto: quando estivesse por volta de 60 e poucos anos, parar. Porque um dia você precisa parar, precisa ter um fim. Fui planejando minha vida desde os 30 anos e criando, obviamente, condições - poupança, previdência privada - para não depender do INSS. Quando completei 63 anos, eu não tinha nada em vista, mas tinha condições de buscar oportunidades. Comecei a estudar vários negócios e sabia que a internet iria mudar quase todos os que existiam. Estudando o assunto, cheguei à conclusão que a música é um negócio que nunca vai acabar. Esse ramo que escolhi, o sertanejo universitário, deve ter 20 ou 30 cantores de sucesso. Quer dizer, há espaço para muita gente nova surgir. Então comecei a explorar a área, procurar talentos que tivessem diferencial. Conheci, através de um amigo que é produtor musical, uma dupla de compositores fantásticos. Conversando com eles, resolvi contratá-los e comecei do zero numa agência. ‘Você entende de música? Não, eu entendo de gerir negócio’. Quando você entende de administrar negó- cios, busca as pessoas certas e consegue tocar em frente qualquer coisa e nunca é tarde para se reinventar. Hoje, minha rotina é muito mais agitada do quando eu era executivo. Porque quando você está numa grande organização, tem todo o apoio de outras áreas. Quando monta seu próprio negócio, tem que fazer muitas coisas que não fazia no passado. No meu caso da música, por exemplo, a demanda de trabalho, controle, agencia- mento, viagem, decisões de investimento, é muito mais intensa. Devo trabalhar 30%, 40% a mais, mas de forma agradável. Eu sou dono do meu tempo, não tenho mais aquela loucura de sair daqui, ir a São Paulo, ficar uma hora e meia no trânsito. É quase como um hobby. Você se mantém na ativa, conhecendo pessoas diferentes, então, começa a enxergar que tem um mundo de oportunidades no mercado que basta você ser um cara empreendedor” “Hoje, minha rotina é muito mais agitada do quando eu era executivo. Porque quando você está numa grande organização, tem todo o apoio de outras áreas. Quando monta seu próprio negócio, tem que fazer muitas coisas que não fazia no passado” Marcos, ao centro Telegram: @clubederevistas Simples Desapegar de bens materiais, de emoções em excesso ou de uma rotina estressante pode significar uma forma de vida mais prazerosa e cheia de bons momentos V OCÊ TRABALHA PRA CARAM- BA e gasta horas preciosas de sua vida prestando serviços em troca de um salário razoável (nas melhores ocasiões). Ainda assim, sempre aparece aquele conselho para não gastar seu dinheiro com coisas desnecessá- rias ou que consumir é uma doença. Alertam na TV, na internet, em jornais e revistas – entre uma propaganda e outra – que é preciso tomar cuidado com o alto consumo, que não deve se apegar a bens materiais e que menos é mais. Mas, puxa vida, você tem condições para fazer o que quiser, ninguém paga suas contas, para que dar ouvidos às outras pessoas, não é mesmo? De fato, se existe alguém que deve ser responsável por suas atitudes, este é você. Porém, saiba que, dependendo das escolhas feitas, é possível conhecer o melhor lado da vida. E qual seria esse “melhor lado da vida”? Aquele onde suas maiores alegrias apare- cem de forma natural e duram bastante. Em meio ao consumo, desenvolvemos a efemeridade dos bons sentimentos. Aos poucos, o prazer da compra vai se alterando e se torna um anseio para a chegada de outro artigo ao mercado. O produto que você adquiriu logo entra em defasagem e um novo modelo surge para suprir uma nova necessidade – muitas vezes inventada –, alimentada pelo poder da propaganda. FOTOS Shutterstock Images Aonde isso vai parar? Ainda não temos a resposta para essa pergunta. No entanto, a busca por meios alternativos de estilo de vida buscam a solução, não para responder a questão, mas para anular a pergunta. SIMPLIFICANDO O que vem sendo defendido como a grande saída ao consumo em excesso na sociedade é o chamado minimalismo. Ini- cialmente utilizado para dar nome a uma corrente artística do século 20, no sentido comportamental, ele nada mais é do que viver bem com menos recursos, por meio de uma reavaliação das prioridades, a fim de se desfazer das coisas em excesso. Sa- tisfazer-se com pouco, ou diminuindo suas necessidades, garante menos preocupações. Da mesma forma, possibilita um equilíbrio no modo de viver. “O foco está na mudança de paradigma. Tirando do externo e pas- sando para o eterno”, conta Giridhari Das, instrutor de autoajuda. A interpretação de minimalismo pode levar a uma ideia extrema de exceder até mesmo na quantidade de cortes e no de- sapego total. Contudo, não é bem isso que o conceito traz. Na realidade, ele aponta o equilíbrio. “Não precisamos ir para o extremo de morar numa casa de 15m² com família, ou de forçadamente reduzir as pos- ses a 100 objetos ou menos, como alguns MINIMALISMO Telegram: @clubederevistas assim fazem. E certamente não devemos ir para o outro extremo, de comprar loucamente, sem noção e propósito, acumulando inutilidades sem fim”, elucida o especialista. Desapegar é o verbo de ação central no processo de tornar a vida mais simples. De acordo com Giridhari Das, é importante criar um espaço de segurança entre você e a influência do consumo na sociedade. “Quanto mais somos expostos, mais forte fica o desejo. Se não tivermos controle ativo da mente, não tivermos comando da vida, somos arrastados a comprar o que não precisamos, e talvez nem queremos de verdade. Isso está acontecendo no mundo inteiro. Bilhões de pessoas estão caindo nessa”, complementa. No conceito do estilo de vida minimalista, o desapego material tem como objetivo ter mais tempo livre e vitalidade para realizar aquilo que faz bem de maneira natural. “Sere- mos mais felizes, tanto individualmente como coletivamente, na medida que conseguirmos transferir nosso foco para ser e não ter. A verdadeira felicidade está em ser o melhor que pode, em ser amoroso e responsável, conectado e íntegro. Ter coisas não deixa ninguém feliz. O mundo precisa desta mu- dança de paradigma”, comenta Das. TOMADA DE DECISÃO O minimalismo se destaca pelo desa- pego aos bens materiais, mas ele não fica POSITIVIDADE Antes mesmo de chegar a uma de- cisão ou de buscar o “detox emocio- nal”, é preciso de- senvolver um pen- samento positivo. Segundo Augusto Jimenez, acreditar é o começo de tudo, mas ele também aponta que a inércia não leva ninguém a uma nova realidade. “Antes de ser uma pessoa positiva é importante ser uma pessoa que queira conhecer a si mes- ma. Isso pode pa- recer papo de filó- sofo, porém, como se tornar alguém positivo ou negati- vo, se muitas vezes não olhamos para os nossos sentimen- tos? Olhar para nós mesmos e enxergar o que queremos mudar já nos torna alguém positivo no contexto social”, conta o psicólogo. Telegram: @clubederevistas apenasnisso. Afinal, mudanças físicas ou estruturais também pedem uma mudança de postura emocional. De acordo com o psicólogo Augusto Jimenez, o caminho para tal não seria exatamente deixar para trás certos sentimentos, ou mesmo tomar uma decisão totalmente racional. O correto a se fazer é juntar as duas coisas. “Tomar decisões é algo que todo ser humano tem que fazer desde o nascimento. Temos que tomar decisões desde qual horário des- pertar a como será o fim do nosso dia, por exemplo. Porém, é algo difícil. O nosso cérebro não é adaptado para seguir firme em decisões. Por isso, as emoções e a ra- zão devem ser sinérgicas no momento de seguir uma decisão. Tomar a decisão pode parecer fácil, mas segui-la é o mais difícil”, reflete o especialista. Em uma linha um pouco diferente, Giri- dhari Das defende um “detox emocional”, a fim de retirar armadilhas ocultas que cer- tas emoções podem criar dentro de cada pessoa. “Em geral, tudo o que você precisa para se proteger contra elas é descobri-las. Apenas jorre a luz de sua consciência sobre elas. Apenas aceite que estão ali e jogue fora. Estar ciente delas é, com frequência, tudo o que se precisa. Por fazer isso, a emoção perde o poder de afetar você em segredo, em seu inconsciente”. Para rea- lizar essa limpeza, o instrutor indica que o segredo seria reconhecer a emoção e deixá-la ir. “Você não deve nem ignorá-la nem enterrá-la, tampouco se identificar com ela ou se apegar a ela. A vida é um fluxo constante. As coisas vão e vêm. Se você consegue lidar com suas emoções dessa maneira, você permanecerá emocional- mente saudável”, complementa. Na maioria das vezes, uma mudança ocorre após um momento de desconten- tamento ou de algo que tenha gerado uma situação estressante. E para conseguir mudar a realidade precisamos primeiro alterar a forma como pensamos. Para Augusto, os pensamentos interferem, e muito, na nos- sa rotina. Assim, é de grande importância que o conceito mude antes de acontecer na prática. “É aquele velho ditado de que não adianta ter as mesmas ações esperando resultados diferentes. Fazer terapia e anotar os objetivos podem ser boas atividades para transformar essa realidade que não agrada tanto”, recomenda. NA PRÁTICA O universo minimalista já possui alguns livros e documentários que exemplificam e dialogam diretamente com o ato de consu- mir menos para encontrar a felicidade no desapego. Da mesma forma, muitas são as dicas ou passos a serem seguidos neste caminho rumo a uma vida mais simples. Apresentamos seis deles a seguir. Recomece • Imagine sua casa quando esta ainda se encontrava vazia. Lembre do es- paço que possuía e compare com a situação atual. O que existe agora de desnecessário? CONHECENDO SEU DHARMA De acordo com Giridhari Das, instrutor de autoajuda, a primeira regra para ter uma vida minimalista é comprar apenas o que precisa, sendo isso mais fácil quando você conhece seu dharma. Apesar de possuir muitos significados, o especialista utiliza o conceito de dharma como “aquele dever que nasce de quem você realmente é, que nasce de sua natureza. Não é uma imposição externa ou social. É o que você precisa fazer, em qualquer dado momento, para ser a melhor pessoa que você pode ser. É fazer a coisa certa na hora certa”. Seguindo sua natureza, você destina os recursos que possui para o objetivo claro, sempre prestando contas de como é gasto seu tempo e dinheiro. “Mantenha-se responsável e sempre se pergunte se você real- mente precisa de algo antes de comprá-lo. ‘Isso aprimorará a execução do meu dharma?’ ‘Comprar isso é parte do meu dharma?’ Você tem que prestar contas disso. O dinheiro não é realmente seu. Foi confiado a você, e como você o gasta afetará sua mente, seu bem-estar e seu futuro”, ressalta Giridhari Das. “É aquele velho ditado de que não adianta ter as mesmas ações esperando resultados diferentes. Fazer terapia e anotar os objetivos podem ser boas atividades para transformar essa realidade que não agrada tanto” MINIMALISMO Telegram: @clubederevistas Há decoração em excesso, muitos itens que você só lembra quando vai limpar a casa? Começar a se desapegar é difícil, mas com força de vontade, é possível. E assim que você começa a fazer, vai pegar o costume. Doe • É importante não só se desfazer das coisas que não usa, é preciso também dar o melhor destino para elas. Além do desapego, o minimalismo prega boas ações e isso implica ajudar os outros. Portanto, ajude os necessitados. Priorize • Dê espaço para o que realmente importa em sua vida. Em uma reflexão, você vai perceber que os bens materiais não são tão importantes como se pensa. Já o desen- volvimento pessoal pode ser algo interessante. Explorar novas realidades em uma viagem e fazer um curso são boas sugestões. Controle gastos • Pergunte-se: “O que eu realmente preciso?”. Busque comprar menos, pegue emprestado se for necessário, ou mesmo utilize de um sistema compar- tilhado. Às vezes, você pode até possuir dinheiro suficiente para comprar tudo que quer, mas acumular bens só tira espaço da sua vida com coisas efêmeras. Descanse • Ficar pilhado o dia todo para produzir algo em todas as horas do dia vai levar você à exaustão. Escolha as tarefas mais necessárias para se fazer e reserve mo- mentos para dar uma pausa. Relaxe, medite, faça o que lhe faz bem. Você não precisa ser produtivo o tempo todo – nem deve! Desconecte-se • Ficar o tempo inteiro a postos a atender solicitações que surgem via celular ou computador te transforma em um escravo da nova mídia. É muito importante se desligar por um tempo. Si- lencie seus aparelhos, desative solicitações, inclua um momento para ler um livro ou fazer exercícios ao ar livre. Isso é mais que seguir uma vida minimalista, mas seguir uma vida saudável. CONSULTORIAS Giridhari Das, palestrante, autor e instrutor no campo da autoajuda, autorrealização e yoga e consciência de Krishna; Augusto Jimenez, psicólogo da Minds Idiomas FONTE Sites www.euorganizado. com; hobbydiario.com.br; inspiradouro.com.br Telegram: @clubederevistas Você no banco do MOTORISTA Em meio a várias concessões diárias, é muito fácil perder o controle das situações. Recuperar as rédeas pode vir a ser difícil, mas não há nada melhor do que ter o máximo de condições possíveis para se guiar na estrada da vida FOTO Shutterstock Images CONTROLE DA VIDA Telegram: @clubederevistas I MAGINE A VIDA COMO UMA LON- GA ESTRADA, CHEIA DE CURVAS, ATALHOS, ALGUNS ENGARRAFA- MENTOS, tudo o que existe em uma rodovia de verdade. Você, em seu carro, pode ir aonde quiser. Quer seguir por um caminho mais bonito e tranquilo para aproveitar a vista? Você pode. Acha que tem condições de passar por uma série de curvas, sabendo que no final será recompensado? Siga esse cami- nho! Precisa parar no acostamento para definir com mais calma seu rumo? Fique à vontade. Tudo é possível quando você está no banco do motorista. No entanto, existem ocasiões que levam você para o banco do passageiro. Muitas vezes é bom estar ali, podendo observar em mais detalhes o que tem ao redor, pensar em coisas que, dirigindo, nem sempre é possível desenvolver. O problema é quando o carro vai para um lugar que você não gostaria que ele fosse. Sem controle sobre ele, você vira passageiro de uma viagem problemática, refém em sua própria vida. Em meio a essa frustração, sem o contro- le da vida, a única maneira de se recuperar é voltar a ter o controle. “Na nossa vida, exercemos vários papéis e, diante disso, temos que fazer muitas concessões para viver de forma harmoniosa. Às vezes, o que falta é saber se impor, é ter equilíbrio emocional para aguentar ser ‘o chato’, pois, quem quer agradar a todos dificilmente está no comando. Mesmo quando a sua decisão final é fazer uma concessão, ela deve ser consciente e não deve trazer sensação de mal-estar”, comenta Lilian Bertin, empresária e palestrante. Dessa forma, ter ocontrole da vida seria ter condições de tomar decisões e fazer com que suas ações fossem coerentes. Ainda assim, muitas pessoas acreditam ser algo inalcançável, como consequência das pressões do cotidiano. Porém, mesmo nessas decisões impostas para si, houve um consentimento anterior. “Se você é funcionário, por exemplo, dificilmente terá o controle sobre o seu horário, mas houve uma decisão anterior de vender o seu trabalho num determinado horário por um salário e é muito importante que você tenha a consciência que essa decisão foi sua”, observa Lilian. ENTRE TER E VOLTAR A TER Conhecer como é a vida no banco do motorista é muito importante para definir a diferença de abordagem entre obter o controle e voltar a ter as rédeas da situação. Como conta Lilian, no caso de quem quer retomar o controle, ter a consciência do caminho para chegar lá é uma especificidade decisiva. “Por exem- plo, uma pessoa que viajou, descuidou da alimentação e, de repente, se vê fora do seu peso ideal. Essa pessoa levou tanto tempo para conquistar o peso ideal e agora ‘perdeu’ sua conquista. Ou seja, ela sabe onde errou, porquê errou e o que deve ser feito para retomar. Conscientemente escorregou e perdeu o controle... quem nunca?”. Já para quem não esteve de fato no controle de sua vida em momento algum e se encontra em meio ao caos, é preciso ainda mais disciplina. “Lembre-se de não esperar resultados ‘rápidos’ ou mi- lagrosos. Aquilo que levou meses ou anos para bagunçar precisa de tempo para ser mudado. Mas o importante é saber que sonhos existem para serem realizados”, complementa a palestrante. CONSULTORIA Lilian Bertin, empresária, palestrante e criadora do projeto “Como você consegue”; Roberto Debski, médico e psicólogo Telegram: @clubederevistas O CONTROLE EXISTE? Enquanto alguns especialistas apontam caminhos para conseguir controlar a vida, outros vão contra a ideia da existência do próprio con- ceito de controle. Para o psicólogo Roberto Débski, por exemplo, mui- tas pessoas se iludem acreditando que detém algum tipo de comando das suas situações. “Existem inúme- ras possibilidades que estão fora de nosso alcance, como doenças, infortúnios, ações de outras pes- soas, perdas, mudanças sociais, a possibilidade da morte, entre ou- tras. Ter essa percepção pode ser perturbador para muitas pessoas, que não aprenderam a lidar com as incertezas, então sofrem e podem até mesmo adoecer”, comenta. Dessa forma, segundo tal linha de pensamento, apesar de não existir uma garantia ou total segurança das situações, é preciso viver da melhor maneira possível, tendo tranquilida- de e esperança para se fortalecer emocionalmente e lidar com as difi- culdades que aparecerem. “O que é possível a qualquer pessoa é tornar-se mais forte, resiliente, para aprender a lidar com as pressões do cotidiano e dificuldades da vida, as perdas e sofrimento, fortalecendo-se cada vez mais. A resiliência é uma capacidade humana, que pode ser aprendida e treinada como uma habilidade ou recurso, e nos ajuda a superar os transtornos sempre que necessário”. Por outro lado, a empresária e palestrante Lilian Bertin aponta que, mesmo com a existência das pres- sões que podem ocorrer contra a vontade da pessoa, ainda existe a possibilidade de ter as rédeas da situação. Segundo ela, “estar no controle é decidir como você reage às coisas que acontecem no seu dia, é uma forma de estar no controle porque, inevitavelmente, essas coi- sas vão acontecer”. PILARES DA VIDA SAÚDE FINANÇAS É o pilar físico. Portanto, leve em consideração para definir a nota o quão boa está sua ali- mentação, se você con- segue ter a quantidade necessária de repouso, pratica exercícios com regularidade, mantendo assim o corpo saudável e dando condições para refletir sobre suas neces- sidades internas. A importância de man- ter uma relação saudá- vel com seu dinheiro é grande. Então, ques- tione como você está com relação a dívidas, ao contentamento geral com seu salário, possibi- lidade de comprar o que deseja ou de realizar algo que sonha, como uma viagem. 1 2 $ CONTROLE DA VIDA Telegram: @clubederevistas Analisou os seus pilares? Algum deles apresentou uma nota menor que 5? Se você possui mais de uma nota abaixo desse número, precisa definir um grau de importância entre elas, ou mesmo definir o melhor caminho, com metas mais alcançáveis, para superar todas as necessidades até conse- guir o controle absoluto de sua vida. “Quando você coloca uma micro meta e começa a realizar, existe um fenômeno neural que começa a espalhar essa sensação de ‘poder’ pelo seu cérebro e as coisas começam a mudar. É uma força interna que vale a pena experimentar”, conta Lilian. P ara ter conhecimento de quanto con- trole sobre a vida você possui, a empre- sária e palestrante Lilian Bertin elenca cinco pilares que são essenciais na vida da maioria das pessoas. Dando uma nota de 1 a 10 para a situação de cada um deles, é possível notar quais áreas merecem atenção. Ainda mais se alguma delas for abaixo de cinco. ESPIRITUAL FAMÍLIA Estar contente com o que faz profissional- mente é de grande relevância para a vida, pois implica em outros assuntos. A sobrecarga de trabalho e a falta de tempo podem interferir na alimentação e gestão de gastos, por exem- plo. Portanto, tenha em mente em sua avalia- ção os aspectos que lhe agradam e também os que desagradam com relação às suas obriga- ções profissionais. Estar em paz consigo mesmo vai muito além de sua relação com al- guma religião, apesar de a crença alimentar o espírito. Na avaliação, leve em conta possíveis aflições que estejam in- terferindo no seu cami- nho para a paz interior e se você tem buscado al- guma forma de saná-las. Pode também ser o pilar social, onde ocorrem in- terações que nos fazem crescer como indivíduos. Como é o relacionamen- to com seus familiares? Eles são importantes para você ou você é relevante para eles? Conviver com outras pessoas – sendo estas de convivência saudável – ajuda até mesmo a se autoconhecer. TRABALHO 3 4 5 Telegram: @clubederevistas Selecionamos algumas sugestões para quem deseja se inspirar nos ares de mudança e começar outra vez Status: MUDANDO DocumentáriosFilme-relíquia NA NATUREZA SELVAGEM Into the Wild (2007) DIREÇÃO Sean Penn•ELENCO Tom Hanks, Helen Hunt e Nick Searcy•DURAÇÃO 143 minutos O filme biográfico é baseado no livro homônimo escrito pelo jornalista Jon Krakauer, que conta a história de Christopher McCandless, um jovem que muda de identidade e resolve viver uma vida longe do materialismo após concluir a graduação. Passa um bom tempo desbravando a América do Norte e, influenciado por sua desconfiança sobre as relações humanas e por suas leituras, segue rumo ao deserto do Alaska, em 1990. Adotando o nome de Alexander Supertramp e decidido a conviver com a natureza em sua forma selvagem, vê na experiência a possibilidade de fugir de uma vida hipócrita e materialista. MINIMALISMO Minimalism (2008) DIREÇÃO Matt D’Avella•ELENCO Dan Harris, Joshua Becker, Shannon Whitehead•DURAÇÃO 79 minutos Na obra, a definição dada ao mi- nimalismo é “um resgate àquilo que realmente importa”. Ou seja, não se trata nem de abandonar coisas e pessoas importantes, muito menos de levar uma vida nômade, mas sim de olhar para própria realidade e saber identificar o que é relevante, o que importa para você. O documentário conta a história dos autores do blog Minimalist, além de mostrar exemplos de pessoas que adotaram um novo estilo de vida a partir dessa filosofia; e também aborda os equívocos a respeito do minimalismo de forma muito inteligente. HAPPY: VOCÊ É FELIZ? Happy (2011) DIREÇÃO Roko Belic•ELENCO Marci Shimoff, Ed Diener, Richard Davidson•DURAÇÃO 76 minutos Dinamarca, Namíbia, Escócia, Ja- pão, Estados Unidos, Brasil e outros: como as pessoas demonstram e con- vivem com a felicidade em cada um desses países?Neste documentário, são ouvidos homens e mulheres de realidades distintas, e reunidas pes- quisas em neurociência, sociologia e psicologia da felicidade. Nele, co- nhecemos perguntas e ações cada vez mais necessárias para quem está em busca de uma vida plena e satis- fatória: “Como podemos construir espaços e mundos nos quais essas condições para a felicidade estejam mais disponíveis?”. FILMES COORDENADORA DE REVISTAS DIGITAIS Hérica Rodrigues (herica.rodrigues@astral.com.br) REDAÇÃO Ana Carvalho (ana.carvalho@astral.com.br), Ana Kubata (anabeatriz.kubata@astral.com.br), Fernanda Villas Bôas (fernanda.villasboas@astral.com.br) e Gabrielle Aguiar (gabrielle.aguiar@astral.com.br) DESIGN Lilian Flaitt (lilian.flaitt@astral.com.br) e Roberta Lourenço (roberta.lourenco@astral.com.br) Conteúdo produzido e publicado originalmente na revista: Viva Bem, Ano 2, nº8 - 2017 DIREÇÃO João Carlos de Almeida e Pedro José Chiquito CONTATO atendimento@astral.com.br ENDEREÇO Rua Joaquim Anacleto Bueno, 1-70, Setor M83 - Jardim Contorno, Bauru - SP - CEP: 17047-281 ©2024 EDITORA ALTO ASTRAL LTDA. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. PROIBIDA A REPRODUÇÃO. Ano 2, nº 15 - Dezembro 2024 A CIÊNCIA DA FELICIDADE Telegram: @clubederevistas Já disponível na Mergulhe no universo de O Alienista, uma das mais icônicas obras de Machado de Assis, agora em um e-book, com edição especial com texto integral e mais de 100 notas explicativas. Telegram: @clubederevistas https://t.me/clubederevistas