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tópicos da teologia. Parte da causa para o efeito, ou, empregando a linguagem de 
HAGENBACH (História da Doutrina), “começa com mais elevado princípio, que é Deus, e 
destina-se ao homem, Cristo, a redenção e, para encerrar, o fim de todas as coisas”. Em
tal forma de tratar a teologia, podemos pôr em ordem os nossos tópicos na seguinte 
disposição: 
Io A existência de Deus. 
2o As Escrituras, uma revelação de Deus. 
3o Natureza, decretos e obras de Deus. 
4° O homem, semelhança original com Deus e subseqüente apostasia. 
5° A redenção através da obra de Cristo e do Espírito Santo. 
6° Natureza e leis da igreja de Cristo. 
1° O fim do atual sistema de coisas.
Parte II A EXISTÊNCIA DE 
DEUS
Capítulo I 
ORIGEM DA NOSSA IDÉIA 
DA EXISTÊNCIA DE DEUS 
Deus é o Espírito infinito e perfeito em quem todas as coisas têm sua fonte, sustento 
e fim. 
Outras definições; CALOVIUS: “Essentia spirituaiis infinita”; EBRARD: “A fonte eterna de 
tudo o que é temporal”; KAHNIS: “O Espírito infinito”; JOHN HOWE: “Um ser eterno, não
causado, independente, necessário, que tem poder ativo, vida, sabedoria, bondade e 
qualquer outra excelência na mais elevada perfeição em si e de si mesma”; Catecismo de
Westminster: “Um Espírito infinito, eterno, imutável em seu ser, sabedoria, poder, 
santidade, justiça, bondade e verdade”; ANDREW FULLER: “A primeira causa e o último fim 
de todas as coisas”. 
A existência de Deus é uma verdade primeira; em outras palavras, o conhecimento 
da existência de Deus é uma intuição racional. Logicamente precede e condiciona toda 
a observação e raciocínio. Cronologicamente, só o reflexo sobre os fenômenos da 
natureza e da mente ocasiona seu surgimento na consciência. 
94 Augustus Hopkins Strong 
O termo intuição significa somente o conhecimento direto. LOWNDES (Phil. of Primary 
Beliefs, 78) e MANSEL (Metaphysics, 52) empregam o termo apenas para designar o nosso 
conhecimento direto das substâncias, como o eu e o corpo; PORTER aplica-o, de 
preferência, ao nosso conhecimento das primeiras verdades como já foram mencionadas. 
HARRIS (Philos. Basis of Theism., 44-151, esp. 45,46) inclui ambos. Ele divide as intuições 
em duas classes: 
1. Presentes, como a autoconsciência (em virtude da qual percebo a existência do espírito 
e já entro em contato com o sobrenatural), e a percepção através do sentido (em virtude 
da qual percebo a existência da matéria, ao menos em meu próprio organismo e entro em 
contato com a natureza); 2. Racionais, como espaço, tempo, substância, causa, causa 
final, justiça, ser absoluto. Podemos aceitar esta nomenclatura, empregando os termos 
“primeiras verdades” e “intuições racionais” como equivalentes uma à outra, classificando
as intuições racionais sob o título de 1) intuições de relações, como espaço e tempo; 2) 
intuições de princípios, como substância, causa, causa final, justiça; 
e 3) intuição do Ser absoluto, Poder, Razão, Perfeição, Personalidade, como Deus. Sustentamos 
que, na ocasião em que os sentidos conhecem 
a) a extensão da matéria, b) sucessão, c) qualidades, d) mudança, e) ordem, f) ação, 
respectivamente, a mente conhece (a) espaço, (b) tempo, (c) substância, (d) causa, (e) desígnio, 
(/) obrigação, ao conhecermos nossa adequação, dependência e responsabilidade, a mente 
conhece diretamente a existência de uma Autoridade Infinita e Absoluta, Perfeição, Personalidade 
de que depen-demos e perante a qual somos responsáveis. 
BOWNE, Theory of Thought and Knowledge, 60 - “Quando andamos em completa ignorância
dos nossos músculos, pensamos, com freqüência, na ignorância completa dos princípios que 
fundamentam e determinam o pensamento. Porém como a anatomia revela que o ato 
aparentemente simples de andar envolve uma atividade muscular altamente complexa, do mesmo 
modo a análise revela que o ato aparentemente simples de pensar envolve um sistema de 
princípios mentais”. DEWEY, Psychology, 238,244 - “A percepção, a memória, a imaginação, a
concepção - cada uma delas é um ato de intuição. ... Cada ato concreto do conhecimento envolve 
uma intuição de Deus”. MARTI- NEAU, Types, 1.459 - A tentativa de despojar a experiência de cada 
um dos preceitos ou intuições é “como a tentativa de raspar uma bolha na pesquisa das suas
cores e seu conteúdo: in tenuem ex oculis evanuit auram”; (N.Trad.: desaparece dos olhos com a 
suave brisa) Study, 1.199 - “tente com todas as suas forças fazer algo difícil, p.ex., fechar a porta 
contra o furioso vento e você reconhecerá o Eu e a Natureza - vontade causai, contra a 
causalidade externa; 65 - “Como a Percepção nos dá a Vontade na forma de causalidade contra 
nós no não eu, assim a Consciência nos dá a Vontade na forma de Autoridade contra nós no não 
eu”; Types, 2.5 - “Na percepção, é o eu e a natureza, na moral o eu e Deus, que frente a frente 
estão em antítese subjetiva e objetiva”; Study, 2.2,3 - “Na experiência volitiva enfrentamos a
causalidade objetiva; na experiência moral, a autoridade objetiva, - ambas são objeto do 
conhecimento imediato, no mesmo nível de certeza que a apreensão do mundo material exterior. 
Não conheço nenhuma vantagem lógica que a crença nos objetos finitos possa ostentar sobre a 
crença na Causa infinita e justa de tudo”; 51 - “No reconhecimento de Deus como causa 
destacamos a Universidade; no reconhecimento de Deus como Autoridade, destacamos a Igreja”. 
KANT declara que a idéia de liberdade é a fonte da nossa idéia de personalidade; esta 
consiste na liberdade da alma inteira sobre o mecanismo da natureza. LOTZE, Metaphysics, par. 
244 - “Até onde e até quando conhece a si mesma como idêntica à experiência interior, é, e é 
chamada tão somente por esta razão, substância”. ILLINGWORTH, Personality, Human and Divine, 
32 - “Nossa concepção de substância não deriva do mundo físico, mas do mental. Antes de nada,
substância é aquilo que apoia nossos sentimentos mentais e manifestações”. JAMES, Will to 
Believe, 80 - “Como diz KANT, substância significa ‘das Beharrliche’, o persistente, aquilo que será
como tem sido, porque o ser é essencial e eterno”. Neste sentido temos uma crença intuitiva em
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 95
uma substância permanente que apoia os nossos pensamentos e vontade e a isto chamamos 
alma. Mas temos também uma crença intuitiva em uma substância permanente que apoia todos 
fenômenos naturais e todos os eventos da história, e este ser denominamos Deus. 
I. PRIMEIRAS VERDADES EM GERAL 
1. Sua natureza 
d) Negativamente - Uma verdade primeira não é a) Verdade escrita antes da 
consciência sobre a substância da alma - pois tal conhecimento passivo implica um 
ponto de vista materialista da alma; b) O verdadeiro conhecimento de que a alma tem 
posse no nascimento - pois não se pode provar que a alma o tem; c) Uma idéia, não 
desenvolvida no nascimento, tem o poder de autodesenvolvimento independentemente 
da observação e da experiência - pois isto contraria todo o conhecimento das leis do 
desenvolvimento mental. 
ORÍGENES, Adv. Celsum, 1.4 - “Os homens não seriam culpados se não tivessem em
suas mentes noções comuns de moralidade, inatas e escritas com letras divinas”.
CALVINO, Institutes, 1.3.3 - “Os que julgam corretamente sempre concordarão em que há 
um indelével senso de divindade inscrito nas nossas mentes”. FLEMING, Vocab. of 
Philosophy, art.: “Idéias inatas” - “Supõe- se que Descartes tenha pensado (e LOCKE 
dedicou o primeiro livro dos seus Ensaios à refutação da doutrina) que as idéias são inatas 
ou conatas à alma; 
/'.e., o intelecto acha a si mesmo no nascimento, ou tão logo desperta para a atividade 
consciente a fim de ser possuído de idéias às quais cabe-lhe apenas atribuir nomes 
adequados, ou juízos que ele apenas precisa expressar em proposições adequadas - /'.e., 
antes de qualquer experiência sobre cada objeto”. 
ROYCE, Spirit of Modern Philosophy, 77 - “Descartes ensina que, em certas famílias, a 
boa conduta e a queda são inatas. Contudo, naturalmente, os filhos de tais famílias 
precisam ser instruídos nas boas maneiras e astocando através de cada 
um, que música se ouvirá? O eu subliminar é uma fonte universal de energia e cada homem é um 
canal da correnteza. Cada eu pessoal está contido nela, e assim cada homem se torna unido a 
cada ser humano. Nesta Força profunda, o último fato atrás do qual a análise não pode ir, todos 
efeitos psíquicos e físicos encontram sua origem comum”. Esta afirmativa necessita de ser
qualificada pela declaração da natureza ética do homem e personalidade distinta; ver nesta obra o 
Monismo Ético, no cap. III. Mas há aqui uma verda-de como aquela que COLERIDGE procurava 
expressar em sua Harpa Eólia: “E o que acontece se toda a Natureza animada for apenas harpas 
diversamente estruturadas, que tremem no pensamento, quando por elas passa, Plástica e vasta, 
uma brisa intelectual, a um só tempo a alma de cada um, e o Deus de todos?” 
DORNER, System of Theology, 1.75 - “O conhecimento de Deus é a verdadeira firmeza da nossa 
própria consciência. ... Visto que é só na consciência de Deus que a mais íntima personalidade do 
homem vem à luz, de igual modo, por meio do entrelaçamento da consciência de Deus e do 
mundo, este mundo é visto em Deus (sub specie eternitatis), e a certeza do mundo obtém 
primeiro a segurança absoluta do seu espírito”. ROYCE, Spirit ofMod. Philosophy, sinopse na N. Y. 
Nation: “O único fato indubitável é a existência de um eu infinito, um Logos, ou uma mente terrena 
(345). Isto se torna claro, I. Porque o idealismo mostra que as coisas reais não são nada mais, 
nem nada menos que idéias, ou ‘possibilidade de experiência’; mas a mera ‘possibilidade”, como
tal, nada é e o mundo das experiências ‘possíveis’, até onde ela é real, deve ser o mundo da
experiência verdadeira para um certo eu (367). Se, então, há um mundo real, ele tem tudo 
enquanto existe como ideal e mental mesmo antes de tornar-se conhecido pela mente particular 
com a qual nós concebemos entrar em conexão (368). II. Mas há um mundo real; pois, quando eu 
penso em um objeto, quando eu me refiro a ele, não só tenho em mente uma idéia semelhante a 
ele porque eu o tenho por objeto, seleciono-o, em certa medida eu já o possuo. Então, o objeto já 
está presente em essência no meu eu oculto (370). Como a verdade consiste no conhecimento de 
conformidade com uma cognição do seu objeto, que, por si pode conhecer uma verdade que 
inclui tanto a idéia como o objeto. Este conhecedor é o Eu Infinito (374). Em essência sou idêntico 
a isso (371); é o meu eu maior (372); e só este eu maior é (379). Inclui toda a realidade, e 
conhecemos outras mentes finitas, porque estamos unidos a elas” (409). 
É instrutiva a experiência de GEORGE JOHN ROMANES. Durante anos ele não pôde reconhecer 
114 Augustus Hopkins Strong 
nenhuma Inteligência pessoal no controle do universo. Cometeu quatro equívocos: 1. Esqueceu-
se de que só o amor pode ver, que Deus não se revela simplesmente ao intelecto, mas apenas ao 
homem como um todo; à mente integral, que a Escritura chama “os olhos do coração” (Ef. 1.18).
Finalmente, a experiência da vida ensinou-lhe a fraqueza do mero raciocínio e levou-o a depender 
mais dos sentimentos e intuições. Então, como se poderia dizer, ele deu ao raio X do cristianismo 
uma oportunidade de fotografar Deus na sua alma. 2. Começou pelo fim errôneo, mais com a 
matéria do que com a mente, mais com as categorias de causa e efeito do que com o certo e o 
errado e, deste modo, envolveu-se na ordem mecânica e tentou interpretar o reino moral através 
dela. Resultado: em vez de reconhecer a liberdade, a responsabilidade, o pecado, a culpa, 
descartou-os como pretensos. Porém o estudo da consciência e da vontade o puseram no 
caminho certo. Ele aprendeu a levar em conta o que ele encontrava, em vez de voltar- se para 
alguma coisa mais e, desta forma, veio a interpretar a natureza pelo espírito em vez de interpretar 
o espírito pela natureza. 3. Tomou as partes pelo cosmos, em vez de considerá-lo como um todo. 
Seu antigo pensamento insistia em encontrar uma determinação em cada parte em separado, ou 
em nenhuma parte. Porém, ao chegar à maior maturidade reconheceu que seria sábio e razoável 
tratá-lo como um todo ordenado. Entendendo que isto é um universo, não conseguiu 
desembaraçar-se da idéia de uma Mente organizadora. Passou a ver que o Universo, como um 
pensamento, implica a existência de um Pensador. 4. Fantasiou que a natureza exclui Deus, em 
vez de saber que ela é o único método de operação de Deus. Quando aprendeu como se fez uma 
determinada coisa, a princípio concluiu que Deus e natureza não são mutuamente exclusivos. 
Deste modo, passou a não ver dificuldade até mesmo na aceitação dos milagres e da inspiração; 
porque o Deus que está no homem e de cuja mente e vontade a natureza é apenas a expressão, 
pode revelar-se, se necessário, de formas especiais. Portanto, GEORGES JOHN ROMANES voltou a orar, 
voltou a Cristo, e voltou à igreja.crianças, aprendendo a andar, parecem 
perfeitamente felizes por estarem livres da queda. Do mesmo modo a geometria nos é 
inata, mas não vem ao nosso conhecimento sem muito esforço”; 79 - LOCKE não encontra 
idéias inatas. 
Em resposta, ele sustenta que “as crianças, com as suas matracas, não dão sinais de
consciência de que as coisas são iguais às mesmas que são iguais entre si”.
SCHOPENHAUER diz que “JACOBI tem a banal fraqueza de tomar tudo o que aprendeu e 
aprovou antes dos quinze anos como idéias inatas da mente humana”. BOWNE, Principies 
of Ethics, 5 - “Ninguém questiona que a experiência dos sentidos condiciona as idéias 
racionais e são conseqüência dela (/'.e., da experiência); do mesmo modo ninguém duvida 
de que a experiência mostra uma ordem sucessiva de manifestações. Mas o 
sensacionalista tem sempre apresentado uma curiosa cegueira sobre a ambigüidade de 
tal fato. Para ele, o que vem depois deve ser uma modificação daquilo que veio antes; 
contudo, ela pode ser aquilo, e pode ser uma nova manifestação de uma natureza ou lei 
imanente, apesar de condicionada. Afinidade química não é gravidade, embora aquela 
não se manifeste até que a gravidade estabeleça certas relações entre os elementos”. 
PFLEIDERER, Philosophy of Religion, 1.103-“Este princípio não se encontrava presente 
desde o começo na consciência do homem; pois, para produzir idéias no pensamento, a 
razão, que no primeiro homem da raça podia ser de tal modo pequena como nas crianças, 
96 Augustus Hopkins Strong 
precisa desenvolver-se claramente. Contudo, isto não exclui o fato de que havia desde o 
começo o impulso racional inconsciente que é base da formação da crença em Deus, por 
múltiplos que possam ter sido os motivos que cooperam com ele”. O eu implica o mais
simples ato de conhecimento. Os sentidos nos apresentam duas coisas, p.ex., preto e 
branco; mas não posso compará-los sem estabelecer a diferença para mim. Diferentes 
sensações não fazem nenhum conhecimento, sem um eu que as reúna. UPTON, Hibbert 
Lectures, prel. 2 - “Pode-se provar tão facilmente a existência de um mundo exterior ao ser 
humano que não tem sentidos para percebê-lo, como se pode provar a existência de Deus 
a alguém que não tem consciência dele”. 
b) Positivamente - Uma verdade primeira é um conhecimento que, apesar de 
desenvolvido na ocasião da observação e reflexão, não deriva nem de uma, nem de 
outra; ao contrário, tem tal prioridade lógica que deve ser assumida ou suposta a fim de 
tomar possível qualquer observação ou reflexão. Por isso, tais verdades não são 
primeiro reconhecidas na ordem do tempo; algumas delas são admitidas em um 
período um tanto tardio no desenvolvimento da mente; para a grande maioria dos 
homens elas nunca são totalmente formuladas. Contudo, constituem as suposições 
necessárias nas quais repousa todo o conhecimento, e a mente não só tem a capacidade 
inata de envolvê-los tão logo se apresentem as ocasiões adequadas, mas o seu 
reconhecimento é inevitável logo que a mente começa a contar com o seu próprio 
conhecimento. 
MANSEL, Metaphysics, 52, 279 - “Descrever a experiência como a causa da idéia do
espaço seria tão impreciso como falar do solo em que foi plantado, como a causa do 
carvalho - embora o plantio no solo seja a condição para que se manifeste a força do seu 
fruto”. COLERIDGE: “Vemos antes de sabermos que temos olhos; mas uma vez tomado
conhecimento disso, percebemos que os olhos devem ter preexistido para capacitar-nos a 
ver”. COLE- RIDGE fala das primeiras verdades como “aquelas necessidades da mente ou 
formas de pensamento, que, embora reveladas a nós pela experiência, devem ter 
preexistido para torná-la possível”. MCCOSH, Intuitions, 48,49 - As instituições são “como a
flor e o fruto, que estão na planta desde o seu embrião, mas não podem ser realmente 
formados enquanto não tenham existido caule, ramos, e folhas”. PORTER, Human Intellect, 
501, 519 - “Não se pode conhecer algumas verdades ou assenti-las antes de tudo”.
Algumas chegam ao fim de tudo. A intuição moral freqüentemente se desenvolve tarde e 
às vezes, até mesmo, por ocasião de um castigo físico. “Todo homem é tão ocioso quanto
lhe permitam as circunstâncias”. A nossa ociosidade física é ocasional; nossa ociosidade
mental é freqüente; nossa ociosidade moral é incessante. Somos excessivamente ociosos 
para pensar e especialmente para pensar em religião. Por conta dessa depravação da 
natureza humana devemos esperar que, finalmente, a intuição para Deus se desenvolva. 
O homem se esquiva do contato com Deus e de pensar em Deus. Na verdade o seu 
desagrado da intuição para Deus o leva, não raro, a negar todas as outras intuições, 
mesmo as de liberdade e de justiça. Daí a moderna “psicologia sem alma”. 
SCHURMAN, Agnosticism and Religion, 105-115 - “A idéia de Deus ... se desenvolve 
mais tardiamente na consciência clara ... e deve ser mais tardia porque é a unidade da 
diferença entre o eu e o não eu, porque estes são pressupostos”. Mas “ela não tem menor 
valor em si; não atribui menos fidedigna certeza de realidade que a consciência do eu ou a 
do não eu.... A consciência de Deus é o príus lógico da consciência do eu e do mundo. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 97
Mas, como já se observou, não o (prius) cronológico; porque, conforme a profunda 
observação de Aristóteles, o que vem em primeiro lugar na natureza das coisas é a ordem 
do desenvolvimento final. Exatamente porque Deus é o primeiro princípio do ser e do 
conhecer, ele deve ser o último a manifestar-se e a ser conhecido. ... O finito e o infinito 
são conhecidos simultaneamente e é tão impossível conhecer um sem conhecer o outro 
como apreender um ângulo sem os lados que o formam”. 
2. Seus critérios 
São três os critérios pelos quais as verdades primeiras devem ser testadas: b) Sua 
universalidade. Isto não significa que o homem concorda com elas ou as entenda 
quando propostas em forma científica, mas que todos os homens manifestam uma 
crença prática nelas através da linguagem, das ações e das expectações. 
b) Necessidade. Não significa que é impossível negar estas verdades, mas que a 
mente é compelida por sua própria constituição a reconhecê-las com base na 
ocorrência de condições próprias e empregá-las em seus argumentos para provar sua 
não existência. 
c) Independência e prioridade lógicas. Significa que estas verdades não podem ser 
resolvidas em nenhuma outra; que elas pressupõem a aquisição de todos os outros 
conhecimentos e, portanto, não podem derivar de nenhuma outra fonte que não seja um 
poder cognitivo da mente. 
Exemplos da negação reconhecida e formal das primeiras verdades: o positivista nega 
a causalidade; o idealista nega a substância; o panteísta nega a pessoalidade; o 
necessitário nega a liberdade; o niilista nega a sua própria existência. De igual modo o 
homem pode argumentar que não há necessidade de uma atmosfera; mas ainda enquanto 
ele argumenta, ele respira. É um exemplo de argumento arrasador para demonstrar a 
liberdade da vontade. Admito minha própria existência ao duvidar dela; pois “cogito, ergo
sum”, como o próprio Descartes insiste, na verdade, significa “cogito, scilicet sum”; H. B. 
SMITH: “Declaração é análise, não prova”. LADD, Philosophy of Knowledge, 59 
- “O cogito, no Latim bárbaro = cogitans sum: pensar é ser consciente de si mesmo”.
BENTHAM - “A palavra deve é de impostura de autoridade e precisa ser banida do reino da 
moral”. SPINOZA e HEGEL, na verdade, negam a consciência própria quando fazem do 
homem um fenômeno do infinito. ROYCE assemelha o homem que nega a pessoalidade 
para aquele que sai da sua própria casa e declara que ninguém mora nela porque, quando 
olha para dentro da janela, não vê ninguém. 
O PROF. JAMES, em sua Psichology, admite a realidade de um cérebro, mas recusa-se 
a admitir a realidade de uma alma. Esta é essencialmente a posição do materialismo. 
Porém esta suposição de um cérebro é metafísica, embora o autor reivindique estar 
escrevendo uma psicologia sem metafísica. LADD, Philosophyof Mind, 3 - “O materialista
crê na causa própria ao explicar a origem da mente a partir da matéria, mas, quando se 
lhe pede que veja na mente a causa da mudança física, no mesmo instante ele se torna 
um simples fenomenalista”. ROYCE, Spirít of Modern Philosophy, 400 - “Eu sei que todos
seres, desde que saibam apenas contar, acham que três e dois são cinco. Talvez os anjos 
não saibam contar; mas, se eles souberem, este axioma é verdadeiro também para eles. 
Se eu encontrasse um anjo que declarasse que a sua experiência ocasionalmente havia 
mostrado que três e dois não são cinco, eu saberia de uma vez que tipo de anjo era ele”. 
98 Augustus Hopkins Strong 
II. A EXISTÊNCIA DE DEUS, UMA PRIMEIRA VERDADE 
1. Que o conhecimento da existência de Deus responde ao primeiro critério da 
universalidade é evidente a partir das seguintes considerações: 
d) É fato reconhecido que a grande maioria dos homens na verdade tem 
reconhecido a existência de um ser ou seres espirituais de quem eles supõem depender. 
Os Vedas declaram: “Há apenas um Ser - não um segundo”. MAX MÜLLER, Origin and 
Growth of Religion, 34 - “Não se invocam os seres visíveis, sol, lua, e estrelas, mas algo 
que não pode ser visto”. As tribos inferiores têm consciência, têm medo da morte, crêem 
em bruxas, fazem propiciação ou exorcizam os maus fados. Mesmo o adorador de fetiche, 
que chama a pedra ou a árvore um deus, mostra que já tem a idéia de Deus. Não 
devemos medir as idéias dos pagãos pela sua capacidade de expressão, nem julgar a 
crença da criança na existência do seu pai pelo seu sucesso ao desenhar um quadro 
dele. 
b) As raças e nações que, a princípio, parecem destituídas de tal conhecimento, 
uniformemente, têm sido encontradas como possuindo-o, de modo que nenhuma tribo 
de que temos conhecimento pode ser considerada desprovida de um objeto de culto. 
Podemos admitir que tal conhecimento será visto como verdadeiro mais adiante. 
MOFFAT, que relata certas tribos africanas destituídas de religião, foi corrigido pelo 
testemunho do seu genro, LIVINGSTONE: “A existência de Deus e de 
uma vida 1u\ura é reconhecida em toda a parte da Ãírica”. Onde os homens são os
mais destituídos de qualquer conhecimento formulado de Deus, as condições do 
despertar da idéia são as mais ausentes. Uma macieira pode ser de tal modo 
condicionada que nunca produza maçã. “Não julgamos os carvalhos pelo não
crescimento, ou espécimens sem flores nos confins do Círculo Ártico”. A presença de
um ocasional cego, ou surdo ou mudo não anula a definição de que o homem é uma 
criatura que vê, ouve e fala. BOWNE, Principies of Ethics, 154 - “Não precisamos tremer
por causa da matemática, mesmo que se encontrem algumas tribos que desconhecem 
a tabuada. ... Sempre nos deparamos com a existência sub-moral e sub-racional no 
caso de crianças; e, se encontrássemos isto em outra parte, não teria maior impor-
tância”. 
Vítor Hugo: “Alguns homens negam o infinito; alguns também negam o sol; são 
cegos”. GLADDEN, What is Left?, 148 - “O homem pode escapar da sua sombra indo para 
o escuro; se vem para a luz, ei-la de volta. Do mesmo modo o homem pode ser 
mentalmente tão indisciplinado que não reconheça estas idéias; mas aprenda ele a 
utilizar a razão e reflita sobre os seus próprios processos mentais e conhecerá que tais 
processos são idéias necessárias". 
c) Corrobora esta conclusão o fato de que os indivíduos em terras pagãs ou 
cristãs que professam não ter qualquer conhecimento de um poder ou poderes 
superiores a eles manifestam indiretamente a existência de tal idéia em suas mentes e 
sua influência positiva sobre eles. 
COMTE diz que a ciência conduz Deus à fronteira e daí o lança fora agradecendo os 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 99
serviços prestados. Mas HERBERT SPENCER afirma a existência de uma “Força de que não 
se concebe limite algum de tempo e de espaço, da qual todos os fenômenos presentes 
na consciência são manifestações”. 
A intuição de Deus, embora formalmente excluída, está contida implicitamente no 
sistema de SPENCER, na forma de “irresistível crença” num Ser Absoluto, que distingue a
sua posição da de COMTE; ver H. SPENCER, que diz: “Uma verdade deve tornar-se sempre 
mais clara - uma inescrutável existência manifesta em toda a parte, que nem podemos 
encontrar e cujo princípio ou fim não podemos conceber - aquela certeza absoluta de 
que estamos sempre na presença de uma energia infinita e eterna da qual procedem 
todas as coisas”. 
O SR. SPENCER admite unidade na Realidade subjacente. FREDERICK HARRISON, 
escarnecendo, pergunta-lhe: “Por que não dizer ‘forças’ em vez de 'força’?” Enquanto
HARRISON nos dá um ideal moral supremo sem base metafísica, SPENCER dá-nos um 
princípio metafísico último sem propósito moral final. 
A idéia de Deus é a síntese das duas: “São apenas luzes que partem de Ti, e tu, ó 
Senhor, és mais do que elas” (TENNYSON, in Memoriam). 
SÓLON fala de Deus como ó 0eóç e como TÒ 0evov, e SÓFOCLES como ó |iéyaç Qeóç. O 
termo para Deus é idêntico em todas línguas indo-européias e, por isso, pertence a 
uma época anterior à separação daquelas línguas. Na Eneida de VIRGÍLIO, MEZÊNCIO é um 
ateu e despreza os deuses e confia só na lança e em seu braço direito; mas, quando 
lhe trazem o cadáver de seu filho, seu 
primeiro ato é levantar as mãos ao céu. HUME era cético, mas disse a FERGUSON, em uma 
noite estrelada: “Adão, Deus existe”! VOLTAIRE orou numa tempestade trovejante nos 
Alpes. SHELLEY escreveu seu nome no livro de visitantes na pousada em Montanvert, e 
acrescentou: “Democrata, filantropo, ateu”; contudo, ele gostava de pensar num “fino
espírito penetrando o universo”; e também escreveu: “Aquele permanece, muitos mudam
e passam; a luz do Céu brilha sempre, a sombra da terra voa”. STRAUSS adora o Cosmos 
porque “a ordem e a lei, a razão e a bondade” são a sua alma. RENAN confia na bondade, 
no desígnio, nos fins. CHARLES DARWIN, Life, 1.274 - “Nas minhas extremas flutuações,
nunca fui ateu, no sentido de negar a existência de Deus”. 
d) Este acordo entre indivíduos e nações tão amplamente separados no tempo e no 
espaço pode ser satisfatoriamente explicado supondo que tem sua base, não em 
circunstâncias acidentais, mas na natureza do homem como tal. As diversificadas e 
imperfeitamente desenvolvidas idéias do supremo ser que prevalecem entre os homens 
são levadas em conta de melhor forma como falsas interpretações e perversões de uma 
convicção intuitiva comum a todos. 
HUXLEY, Lay Sermons, 163 - “Há selvagens sem Deus, em qualquer sentido 
apropriado da palavra; mas não há nenhum sem espíritos”. MARTINEAU, Study, 2.353, 
retruca com propriedade: “Ao invés de fazer outros povos voltarem-se para os espíritos e 
daí um apropriar-se de nós mesmos [e atribuir outro a Deus, podemos acrescentar] por 
imitação, partimos do senso de continuidade pessoal, e depois atribuímos os mesmos 
predicativos de outros, sob as figuras que conservam a maior parte do elemento físico e 
perecível”. GRANT ALLEN descreve as mais elevadas religiões como “um grosseiro desen-
volvimento de um fungóide”, que se reuniu em torno do culto ancestral. Mas isto faz
derivar o maior do menor. SAYCE, Hibbert Lectures, 358 - “Não vejo nenhum traço de culto 
ancestral na literatura babilônica que tenha sobrevivido até nós” - isto parece fatal para o 
100 Augustus Hopkins Strong 
ponto de vista de HUXLEY e de ALLEN de que a idéia de Deus deriva da primitiva crença do 
homem nos espíritos dos mortos. C. M. TYLER, in Am. Jour. Theol., jan., 1899.144 - 
“Parece impossível deificar um morto, a não ser que haja uma consciência primitiva 
embrionária anterior ao conceito de divindade”. 
RENOUF, Religion of Ancient Egypt, 93 - “Toda a mitologia do Egito ... gira em torno
das histórias de Rá e Osíris. ... Descobriram-se textos que identificam Osíris e Rá. ... 
Conhecem-se outros textos em que Rá, Osíris, Ámon e outros deuses desaparecem, a 
não ser como simples nomes, e afirma-se a unidade de Deus na mais nobre linguagem da 
religião monoteísta”.Estes fatos são mais antigos que qualquer culto aos ancestrais. “Eles
apontam para uma idéia original da divindade acima da humanidade” (ver Hill, Genetic 
Philosophy, 317). Podemos acrescentar a idéia do elemento sobre-humano, antes de 
considerarmos o animismo ou culto aos ancestrais em uma religião. Tudo o que o homem 
primitivo via na sua natureza sugeria tal elemento sobre-humano, especialmente a vista 
dos altos céus e aquilo que ele conhece de causalidade relacionado com eles. 
2. Ver-se-á que o conhecimento da existência de Deus responde ao segundo 
critério da necessidade, considerando-se: 
d) Que o homem, sob circunstâncias adequadas à manifestação deste conhecimento, 
não pode deixar de reconhecer a existência de Deus. A contemplação da existência 
finita, inevitavelmente sugere a idéia de um ser infinito como seu correlato. Quando a 
mente percebe a sua finitude, dependência, responsabilidade, imediata e 
necessariamente percebe a existência de um ser infinito e incondicionado de quem ela 
depende e perante o qual ela é responsável. 
Não podemos reconhecer o finito como tal a não ser comparando-o com um padrão já 
existente - o Infinito. MANSEL, Limits of Religious Thought, prel. 3 
- “A constituição da nossa mente nos compele a crer na existência de um Ser Absoluto e 
Infinito - crença que parece impor um complemento da nossa consciência do relativo e do 
finito”. FISHER, Jour. Chr. Philos., jan. 1883.113 - “O ego e o não ego, cada um
condicionado pelo outro, pressupõe um ser não condicionado de que eles dependem. O 
ser não condicionado é a pressuposição de todo o nosso conhecimento”. O ser
dependente percebido implica um independente; o independente é perfeitamente 
autodeterminante; autodeterminação é Personalidade infinita. JOHN WATSON, in Philos. Rev., 
set. 
1893.526 - “Não há consciência do eu sem a consciência de outros eus e de outras 
coisas; não há consciência do mundo sem a consciência da Realidade simples que 
ambos pressupõem”. E. CAIRD, Evolution of Religion, 64-68 - Cada ato da consciência 
implica elementos primários: “a idéia do objeto, ou do não eu; a idéia do sujeito, ou do eu; 
e a idéia da unidade que pressupõe a diferença entre o eu e o não eu que agem e reagem 
numa relação recíproca”. 
b) Que o homem, em virtude da sua humanidade, tem capacidade para a religião. 
Tal reconhecida capacidade para a religião é prova de que a idéia de Deus é necessária. 
Se a mente, na ocasião própria, não desenvolvesse esta idéia, não haveria nada no 
homem para o que a religião pudesse apelar. 
“É a sugestão do Infinito que distancia a linha do horizonte, vista acima da terra ou do 
mar, muito mais do que as belezas de qualquer paisagem limitada”. 
Em situações de choque e de perigo, esta intuição racional torna-se cognos- cível; o 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 101
homem se torna cada vez mais consciente da existência de Deus do que da existência 
dos seus companheiros e instintivamente clama por auxílio da parte de Deus. Nos 
mandamentos ou reprimendas de natureza moral a alma reconhece um Legislador e Juiz 
de cuja voz a consciência é simplesmente um eco. ARISTÓTELES chamava o homem de “um
animal político”; há mais verdade na declaração de SABATIER, de que “o homem é um
religioso incurável”. São BERNARDO: “Noverim me, noverim te”. O. P. GIFFORT: “Como a nata
do leite que, em condições adequadas não sobe, não é leite, do mesmo modo o homem 
que, no tempo proprio, não apresenta nenhum conhecimento de Deus, não é homem; é 
bruto”. Entretanto, não se deve esperar nata de um leite congelado. Há necessidade de
condições e ambiente próprios. 
É o reconhecimento de uma personalidade divina na natureza que constitui o maior 
mérito e encanto da poesia de WORDSWORTH. Em sua obra Abadia de Tintem, ele fala de 
“Uma presença que me perturba com a alegria de pensamentos elevados; um senso de 
algo muito mais profundamente mesclado Cuja moradia é a luz dos sóis poentes e o 
redondo oceano e o ar vivente, e o céu azul e, na mente do homem: Um movimento e um 
espírito que impele todas as coisas pensantes, todos os objetivos de todo pensamento, e 
rola através de todas as coisas”. ROBERT BROWNING vê Deus na humanidade, como 
WORDSWORTH vê Deus na natureza. Na sua Hohenstiel-Schwangau ele escreve: “Eis a
glória concebida, ou sentida ou conhecida em todos: Eu tenho uma mente - Não minha, 
mas como se o fosse - porque é a dupla alegria que faz todas as coisas por mim e eu em 
seu favor”. JOHN RUSKIN sustenta que a fonte da beleza no mundo é a presença de Deus. 
Ele nos diz que, em sua juventude, tinha “uma contínua percepção da santidade na
natureza toda, desde as menores às mais vastas coisas - um misto instintivo de temor e 
prazer, uma indefinível comoção tal como às vezes imaginamos indicar a presença de um 
espírito desencarnado”. Porém o Espírito que nós vemos é encarnado. NITZSCH, Chrístian 
Doctrine, par. 7 - “A não ser que a consciência inata de Deus como uma predisposição 
operante preceda a educação e a cultura, nada há que estas consigam realizar”. 
c) Que aquele que nega a existência de Deus deve tacitamente assumir tal 
existência em seu próprio argumento, empregando processos lógicos cuja validade se 
apoia no fato da existência de Deus. A plena prova disto se encontra no subtítulo 
seguinte. 
“Deus sabe que eu sou ateu” - é o absurdo que dá início à desaprovação da existência 
divina. CUTLER, Beginnings of Ethics, 22 - “Mesmo os niilistas, cujo primeiro princípio é que 
Deus e o dever são grandes espantalhos a serem abolidos, admitem que Deus e o dever 
existem e são impelidos pelo senso do dever a aboli-los”. SRA. BROWNING, The Cry of the 
Human: ‘“Não há Deus’, diz o néscio; Porém ninguém diz: ‘Não há tristeza’; E a natureza
sempre clama por fé; Na amarga necessidade tomará emprestado; Olhos que o pregador 
não pode ensinar Pelas sepulturas à beira do caminho levantam-se; e os lábios dizem, 
‘Deus tem piedade’, nunca dizem, ‘Louvado seja Deus”’. 
DR. W. W. KEEN, chamado para tratar da afasia de um irlandês, disse: “Bem, Dennis, como 
vai você?” “Oh! doutor, eu não posso falar!” “Mas, Dennis, você está falando”. “Oh! doutor,
há muitas palavras que eu não sei falar!” “Bem, Dennis, vou tentar ajudá-lo. Veja se você 
não pode dizer: ‘cavalo’”. “Oh! querido doutor, ‘cavalo’ é uma palavra que eu não sei
dizer!” 
3. Pode-se mostrar que o conhecimento da existência de Deus responde ao terceiro 
102 Augustus Hopkins Strong 
critério da independência lógica e prioridade da seguinte maneira: 
a) Implica todos outros conhecimentos como condição e fundamentação lógica. A 
validade dos mais simples atos mentais, tais como percepção senso- rial, consciência 
própria e memória depende da aceitação de que existe um Deus que constituiu as 
nossas mentes de modo a dar-nos o conhecimento das coisas como são. 
PFLEIDERER, Philos. of Religion, 1.88 - “Não se deve encontrar a base da ciência e do
conhecimento em geral, nem no sujeito, nem no objeto per se, mas só no pensar divino a 
combinar os dois, que, como base comum das formas de ser em todas as coisas, 
possibilita a correspondência entre aquele e este, ou, em uma palavra, possibilita o 
conhecimento da verdade”. 91 - “Pressupõe-se a crença religiosa em todo o 
conhecimento científico, como base da sua possibilidade”. Este é o pensamento do SI.
36.9 - “Na tua luz veremos a luz”. A. J. BALFOUR, Foundations of Belief, 303 - “Não se
pode provar a uniformidade da natureza a partir da experiência, pois é ela que possibilita 
a prova da experiência. ... Admita-o e acharemos que os fatos se conformam com ela. ... 
309 - Só se pode estabelecer a uniformidade da natureza com o auxílio desse mesmo 
princípio que necessariamente está comprometido nas tentativas de prová-lo. ... Deve 
haver um Deus que justifique a nossa confiança nas idéias inatas”. 
BOWNE, Theory of Thought and Knowledge, 276 - “A reflexão mostra que a
comunidade de inteligências individuais só é possível através de uma Inteligência 
totalmente abrangente, originadora ecriadora das mentes finitas”. 
A ciência apoia-se no postulado de uma ordem mundial. HUXLEY: “O objetivo da ciência é
a descoberta da ordem racional que permeia o universo”. Esta ordem racional pressupõe
um Autor racional. DUBOIS, New Englander, nov. 
1890.468 - “Admitimos a uniformidade e a continuidade, ou não podemos ter ciência. Uma
Vontade Criativa inteligente é uma hipótese científica genuína [postulado?] que a analogia 
sugere e a experiência confirma, não contradizendo a lei fundamental da uniformidade, 
mas explicando-a”. RITCHIE, Darwin and Hegel, 18 - “A natureza como um sistema é uma
suposição subjacente às mais antigas mitologias: preenche esta concepção no objetivo da 
mais tardia ciência”. ROYCE, Relig. Aspect of Philosophy, 435 - “Existe uma coisa que se 
chama erro; mas o erro é inconcebível a não ser que haja uma sede da verdade, um 
Pensamento ou uma Mente que inclui tudo; é por isso que a referida Mente existe”. 
b) Só se pode confiar nos mais complicados processos da mente, tais como a 
indução e a dedução, supondo uma divindade pensante que fez as várias partes do 
universo e os vários aspectos da verdade corresponderem-se uns aos outros e às 
faculdades investigadoras do homem. 
Argumentamos a partir de uma maçã para com as outras que estão na árvore. A partir 
da queda de uma maçã NEWTON raciocinou sobre a gravita- ção na lua e em todo o 
sistema solar. A partir da química do nosso mundo ROWLAND raciocinou sobre a de Sírius. 
Em todos esses raciocínios admite-se um pensamento unificador e uma Divindade 
pensante. Este é o “emprego científico da imaginação” de TYNDALL. Diz ele: “Alimentado
pelo conhecimento em parte adquirido e ligado pela cooperação da razão, a imaginação é 
o mais poderoso instrumento da física; descobridora”. O que TYNDALL chama de “ima-
ginação” é, na verdade, o discernimento relativo aos pensamentos de Deus, o grande
Pensador. O discernimento prepara o caminho para o raciocínio lógico; não é um simples 
produto do raciocínio. Por esta razão GOETHE chama a imaginação “Die Vorschule des 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 103
Denkens”, “a pré-escola do pensamento”. 
PEABODY, Christianity, the Religion of Nature, 23 - “A indução é um silogismo cujo 
termo constante são os imutáveis atributos de Deus”. PORTER, Hum. Intellect, 492 - “A
indução apoia-se na suposição, quando demanda como base, que existe uma Divindade 
pessoal ou pensante”; 658 - “Ela não tem sentido ou validade a não ser que admitamos
que o universo é constituído de tal modo que pressupõe um originador não condicionado, 
mas absoluto de suas forças e leis”; 662 - “Analisamos os vários processos do
conhecimento em suas suposições subjacentes e achamos que a subjacente a todas é a 
de uma Inteligência auto-existente que o homem não só pode, mas deve conhecer para 
que possa conhecer outras coisas mais”. HARRIS, Philos. Basis of Theism, 81 - “Os
processos de pensamento reflexivo implicam que o universo se fundamenta na razão e 
em sua manifestação”; 560 - “A existência de um Deus pessoal é um dado necessário do
conhecimento científico”. 
c) Nossa crença primitiva na causa final ou, em outras palavras, nossa convicção de 
que todas as coisas têm o seu fim, que o desígnio permeia o universo, envolve uma 
crença na existência de Deus. Admitindo que há um universo, que é um todo racional, 
um sistema de relações de pensamento, admitimos a existência de um pensador 
absoluto, de cujo pensamento o universo é expressão. 
PFLEIDERER, Philos. of Religion, 1.81 - “Só se pode pensar no real se se tratar de um
pensamento realizado, previamente elaborado, que pode repetir- se. Por isso, o real, para 
ser objeto do nosso pensamento, deve ter sido realizado a partir da criação, de uma 
Razão divina eterna que se apresenta ao nosso pensar cognitivo”. ROYCE, World and 
Individual, 2.41 - “A teologia universal constitui a essência de todos os fatos”. A. H.
BRADFORD, The Age of Faith, 142 - “O sofrimento e a tristeza são universais. Quer Deus
possa ou não impedi-los e, por isso, ele nem é benéfico, nem amoroso; ou será que ele 
não pode impedi-los e consequentemente há alguma coisa maior que Deus e, por isso, 
não há Deus? Mas eis aqui o emprego da razão no raciocínio individual. O raciocínio no 
indivíduo necessita a razão absoluta ou universal. 
Se há uma razão absoluta, então o universo e a história são administrados em harmonia 
com a razão; nesse caso o sofrimento e a tristeza nem podem ser sem sentido, nem 
finais, porque seriam uma contradição da razão. Não é possível no universal e absoluto 
aquilo que, no homem, contradiz a razão”. 
d) Nossa crença primitiva na obrigação moral ou, em outras palavras, nossa 
convicção de que o direito tem autoridade universal, envolve a crença na existência de 
Deus. Admitindo que o universo é um todo moral, admitimos a existência de uma 
vontade absoluta, de cuja justiça o universo é expressão. 
PFLEIDERER, Philos. of Religion, 1:88 - “A base da obrigação moral não é encontrada 
nem no sujeito nem na sociedade, mas somente na vontade universal e divina que 
combina a ambas ... 103 - A idéia de Deus é a unidade da verdade e do bem, ou das duas 
idéias mais altas que nossa razão pensa como razão teorética, mas requer como razão 
prática ... Na idéia de Deus nós encontramos a única síntese do mundo que é - o mundo 
da ciência e do mundo que deve ser - o mundo da religião.” SETH, Ethical Principies, 425 - 
“Isto não é uma demonstração matemática. A filosofia jamais é uma ciência exata. É, pelo
contrário, oferecida como o único fundamento suficiente da vida moral ... A vida de 
bondade ... é uma vida baseada na convição de que sua fonte e sua propagação estão no 
104 Augustus Hopkins Strong 
Eterno e no Infinito.” Como verdade e bondade finitas só são compreensíveis à luz de
algum princípio absoluto que fornece a elas um padrão ideal, desse modo a beleza finita é 
inexplicável exceto quando ali existe um padrão perfeito com o qual pode ser comparado. 
A beleza é mais do que o agradável ou o útil. Proporção, ordem, harmonia, unidade na 
diversidade - tudo isto são características da beleza. Todas elas, porém, implicam um ser 
intelectual e espiritual, de quem elas procedem e por quem elas podem ser medidas. 
Tanto a beleza física quanto a moral, em coisas e seres finitos, são símbolos e 
manifestações daquele que é o autor e amante da beleza e que é em si mesmo a infinita e 
absoluta beleza. A beleza na natureza e nas artes mostra que a idéia da existência de 
Deus é logicamente independente e anterior. l/erCousiN, The True, The Beautiful, and the 
Good, 140-153; KANT, Metaphysic of Ethics, que sustenta que a crença em Deus é a 
pressuposição necessária da crença no dever. 
Repetindo estes quatro pontos de outra forma - a intuição de uma razão absoluta é 
d) pressuposição necessária de todos os outros conhecimentos de modo que não 
podemos conhecer a existência de qualquer coisa sem, antes de mais nada, admitir que 
Deus existe; b) a base necessária de todo o pensamento lógico de modo que não 
podemos confiar em qualquer dos nossos processos de raciocínio a não ser admitindo 
que uma divindade pensante construiu nossas mentes com relação ao universo e à 
verdade; c) a implicação necessária de nossa crença primitiva no desígnio de modo que 
podemos admitir que todas as coisas existem com um propósito, fazendo uma 
pressuposição de que existe um Deus proponente - pode considerar o universo como 
um pensamento somente postulando a existência de um Pensador absoluto; e d) o 
fundamento necessário da nossa convicção de obrigação moral de modo que podemos 
crer na autoridade universal do direito, só admitindo que existe um Deus de justiça que 
revela sua vontade tanto na consciência do indivíduo como na moral do universo em 
toda a sua extensão. Não podemos provar que Deus é; mas podemos mostrar que, para 
a existência de qualquer conhecimento, pensamento, razão, consciência, o homem 
precisa admitir que Deus é. 
Eis o que JACOBI diz a respeito do belo: “Es kann gewiesen abernicht bewiesen
werden” - pode-se mostrar, mas não provar. BOWNE, Metaphysics, 472 - “O nosso 
conhecimento objetivo a respeito do finito deve apoiar-se na confiança ética no infinito”;
480 - “O teísmo é o postulado absoluto de todo conhecimento, ciência e filosofia”; “Deus é
o fato mais certo do conhecimento objetivo”. Ladd, Bibiia Sacra, out. 1877.611-616-“Cogito
ergo Deus est. Somos constrangidos a postular um ser que não é nós mesmos e que age 
em favor da racionalidade assim como da justiça”. W. T. Harris: “Até mesmo a ciência
natural é impossível, onde a filosofia ainda não ensinou que a razão fez o mundo e que a 
natureza é a revelação do racional”. 
PASCAL: “A Natureza confunde o pirrônico e a Razão confunde o dogmático. Temos 
uma incapacidade de demonstração que aquele não pode vencer; temos uma concepção 
da verdade que este não pode perturbar”. “Não existe nenhum incrédulo! Qualquer que diz
‘Amanhã’, ‘o Desconhecido’, ‘o Futuro’, confia que a Força sozinha não ousa repudiar”.
JONES, Robert Browning, 314 - “Na verdade não podemos provar Deus como uma
conclusão de um silogismo, porque ele é a primeira hipótese de todas as provas”. ROBERT 
BROWNING, Hohenstiel-Schwangau: “Eu sei que ele está ali, como eu estou aqui, com a 
mesma prova, que parece não provar nada, e isto vai além das formas familiares de 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 105
prova”; PARACELSUS, 27 - “Conhecer consiste em abrir caminho pelo qual o esplendor 
aprisionado pode escapar em vez de efetuar a entrada de uma luz que se supõe estar do 
lado de fora”. TENNYSON, O Santo Graal: “Que as visões da noite ou do dia venham 
quando quiserem e muitas vezes. ... Nos momentos quando ele sente que não pode 
morrer e não conhece nenhuma visão de si mesmo, e nenhuma de Deus nos altos, nem 
daquele Ser que ressuscitou”; O Antigo Sábio, 548, - “Tu não podes provar o Inominável, ó
meu filho! nem podes provar o mundo em que tu te moves. Tu não podes provar que tu és 
só um corpo, nem que tu és só espírito, nem que tu és ambos em um. Tu não podes 
provar que tu és imortal, não, nem ainda que tu és mortal. Ora, meu filho, tu não podes 
provar que eu, que falo contigo, não estou em conversa contigo mesmo. Porque nada que 
merece prova pode-se provar, nem rejeitar: Portanto, sê sábio, apega- te sempre ao lado 
mais ensolarado da dúvida e sobe em escalada para a fé além das formas da fé”. 
III. OUTRAS SUPOSTAS FONTES DA NOSSA IDÉIA 
Nossa prova de que a idéia da existência de Deus é uma intuição racional não se 
completará enquanto não mostrarmos que são insuficientes as tentativas de contar, por 
outros meios, a origem da idéia e requerem como pressuposição a própria intuição que 
elas suplantariam ou reduziriam a uma posição secundária. Reivindicamos que isto não 
pode derivar de qualquer outra fonte que não seja uma força cognitiva originária da 
mente. 
1. Não da revelação exterior, quer comunicada à) através das Escrituras, quer b) 
através da tradição; pois, a menos que o homem tivesse de outra fonte 
um conhecimento prévio da existência de um Deus a partir do qual pudesse vir uma 
revelação, esta não teria nenhuma autoridade para ele. 
a) H. B. SMITH, Faith and Philosophy, 18 - “Uma revelação tem como certo que
aquele a quem ela se faz tem algum conhecimento de Deus, embora possa ampliá-lo e 
purificá-lo”. Não podemos provar Deus a partir da autoridade das Escrituras e daí 
provar as Escrituras a partir de Deus. A própria idéia da Escritura como revelação 
pressupõe a crença em um Deus que pode fazê- la. NEWMAN SMYTH, New Englander, 
1878.355 - Não podemos derivar do relógio de sol nosso conhecimento da existência 
de um astro deste tipo. O relógio de sol pressupõe o sol e não pode ser entendido sem 
um prévio conhecimento deste. WUTTKE, Christian Ethics, 2.103 - “A voz do ego divino
não vem primeiro à consciência do ego do indivíduo a partir de fora; ao contrário disto, 
cada revelação externa pressupõe a interna; deve ecoar vindo de dentro do homem 
algo ligado à revelação exterior para ser reconhecido e aceito como divino”. 
FAIRBAIRN, Studies in Philos. of Relig. and Hist., 21.22 - “Se o homem depende da
revelação externa para a sua idéia de Deus, então ele deve ter aquilo que, com 
felicidade, SCHELLING expressou, denominando de ‘um ateísmo original da consciência’.
Em tal caso a religião não pode estar enraizada na natureza do homem; ela deve ser 
implantada a partir de fora”. SCHURMAN, Beliefin God, 78 - “A revelação primitiva de Deus 
dotara o homem da capacidade de apreender sua origem divina. Tal capacidade, como 
qualquer outra, realiza-se apenas na presença de condições apropriadas”. CLARKE, 
Christian Theology, 112 - “A revelação não pode demonstrar a existência de Deus,
106 Augustus Hopkins Strong 
porque deve admiti-la; mas manifestará sua existência e caráter aos homens e lhes 
servirá como a principal fonte de certeza a respeito de Deus porque lhes ensinará o 
que não poderiam conhecer por outros meios”. 
b) Nem a nossa idéia de Deus vem primeiramente da tradição porque “esta só
pode perpetuar o que já foi originado” (PATTON). Se o conhecimento assim transmitido é 
o de uma revelação primitiva, então, aplica-se o argumento já estabelecido - que a 
própria revelação pressupunha naqueles que primeiro a receberam e pressupõe 
naqueles a quem é transmitida algum conhecimento de um ser de quem tal revelação 
poderia vir. Se o conhecimento assim transmitido é somente o dos resultados dos 
raciocínios da raça, então o conhecimento de Deus vem originariamente da razão - 
explicação que consideraremos adiante. 
Semelhantes respostas devem ser dadas a muitas explicações comuns sobre a 
crença do homem em Deus. “Primus in orbe deos fecit timor” (Primeiro o medo na terra 
fez um deus); a Imaginação fez a religião; os Sacerdotes inventaram a religião; a 
Religião é matéria de imitação e moda. Porém perguntamos ainda: O que causou o 
medo? Quem fez a imaginação? O que tornou possível os sacerdotes? O que tornou 
natural a imitação e a moda? Dizer que o homem adora somente porque vê outros 
homens adorarem é tão absurdo como dizer que o cavalo come feno porque vê outros 
cavalos comerem-no. Deve haver na alma fome a ser satisfeita ou as coisas exteriores 
nunca atrairiam o homem à adoração. Os sacerdotes nunca poderiam impor 
aos homens com tanta continuidade se não houvesse na natureza humana uma crença 
universal em um Deus que pudesse comissionar os sacerdotes como seus 
representantes. Por si mesma a imaginação requer alguma base de realidade, que 
aumenta ã medida que a civilização avança. O fato de que a crença na existência de Deus 
amplia o apoio sobre a raça, que aumenta a cada século, mostra que, ao invés de o medo 
ter causado a crença em Deus, a verdade é que a crença em Deus causou o temor; na 
verdade, “o temor do Senhor é o princípio de toda a sabedoria” (SI. 111.10). 
2. Não da experiência, quer esta signifique d) percepção sensorial e reflexão do 
indivíduo (LOCKE), b) os resultados acumulados das sensações e associações das gerações 
passadas da raça (HERBERT SPENCER), quer c) o real contato da nossa natureza sensitiva com 
Deus, realidade supra-sensível, através do sentimento religioso (NEWMAN SMYTH). 
A primeira forma desta teoria é inconsistente com o fato de que a idéia de Deus não 
é a idéia de um objeto sensível ou material, nem uma combinação de tais idéias. Porque 
o espiritual e o infinito são opostos diretos do material e finito, nenhuma experiência 
destes pode contar com a nossa idéia daqueles. 
Com LOCKE (Essay on Hum. Understanding, 2.1.4), experiência é receptividade passiva 
das idéias pela sensação e pela reflexão. A teoria da “tábula rasa” de LOCKE confunde a 
ocasião das nossas idéias primitivas com a causa destas. Para a sua afirmação: “Nihil est
in intellectu nisi quod ante fuerit in sensu” (N.Trad.: Nada há no intelecto, que não esteja 
anteriormente no sentido), LEIBNITZ responde: “Nisi intellectus ipse” (N.Trad.: a não ser o 
próprio intelecto). Às vezes a consciência é chamadaa fonte do nosso conhecimento de 
Deus. Mas a consciência, como um simples conhecimento acessório de nós mesmos, ou 
dos nossos estados, não é propriamente a fonte de qualquer outro conhecimento. O 
alemão Gottesbewusstsein = não a “consciência de Deus”, mas o “conhecimento de
Deus”; Bewusstsein aqui = não um “com- ciência”, mas o “ser-ciência”. 
FRASER, Locke, 143-147 - As sensações são os tijolos e a associação a argamassa, do 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 107
edifício mental. BOWNE, Theory of Thought and Knowledge, 47 
- “Desenvolver a linguagem permitindo que os sons se associem e evoluam o sentido por
si mesmos? Contudo este é o exato paralelo da filosofia cujo objetivo é edificar a 
inteligência a partir da sensação. ... 52 - “Aquele que não sabe ler debalde olha para o
sentido de uma página impressa e debalde procura auxiliar a sua deficiência utilizando 
óculos fortes”. Contudo, mesmo que a idéia de Deus fosse um produto da experiência, não
teríamos a garantia de rejeitá-la como irracional. verBROOKS, Foundations ofZoology, 132 - 
“Não há nenhum antagonismo entre os que atribuem o conhecimento à experiência e os
que o atribuem à nossa razão inata; entre os que atribuem o desenvolvimento do germe a 
condições mecânicas e os que o atribuem à potencialidade inerente do próprio germe; 
entre os que sustentam que toda a natureza estava latente no vapor cósmico e os que 
crêem que tudo na natureza tem uma intenção imediata e predeterminada”. Todos estes
podem ser métodos do Deus imanente. 
A segunda forma da teoria está aberta à objeção de que mesmo a primeira 
experiência do primeiro homem do mesmo modo que a última experiência do homem 
pressupõe tal intuição assim como outras intuições e portanto não podem ser a sua 
causa. Contudo, mesmo que esta teoria da origem fosse correta, ainda assim seria 
impossível pensar no objeto da intuição como se não existisse, ainda representaria para 
nós a mais elevada medida de certificação atualmente ao alcance do homem. Se a 
evolução das idéias destina-se à verdade ao invés da falsidade, é a parte da sabedoria 
que age sobre a hipótese de que a nossa primitiva crença é verdadeira. 
MARTINEAU, Study, 2.26 - “A natureza tanto é digna de confiança em seus processos, 
como em suas dádivas”. BOWNE, Examination of Spencer, 163,164 
- “Devemos nós buscar a verdade nas mentes dos macacos pré-humanos, ou nas cegas 
excitações de qualquer massa primitiva? Nesse caso podemos, na verdade, pôr de lado 
toda a nossa ciência, mas, juntamente com ela, pôr de lado a grande doutrina da evolução. 
A filosofia-experiência não pode escapar a esta doutrina; ou os pronunciamentos positivos 
da consciência da nossa natureza devem ser aceitos como se apresentam ou toda a 
verdade deve ser declarada impossível”. 
CHARLES DARWIN, em uma carta escrita um ano antes da sua morte, referindo-se às suas 
dúvidas quanto à existência de Deus, pergunta: “Podemos nós confiar nas convicções da
mente de um macaco?” Podemos responder: “Podemos confiar nas conclusões de alguém 
que outrora foi bebê”? BOWNE, Ethics, 
3 - “A gênese e emergência de uma idéia são uma coisa; sua validade é bem outra. O 
valor lógico da química não pode ser decidido recitando princípios da alquimia; e o valor 
lógico da astronomia independe do fato de que ela começou com a astrologia. ... 11 - 
Mesmo que o homem viesse do macaco, não teríamos necessidade de tremer pela 
validade da sua tabela de multiplicação ou da Regra Áurea. Se temos discernimento 
moral, não importa como o adquirimos; e se não temos tal discernimento, não há auxílio 
algum para qualquer teoria psicológica. ... 159 - Não devemos apelar para os selvagens e 
bebês a fim de encontrar o que é natural para a mente humana.... No caso de qualquer 
coisa que está sob a lei do desenvolvimento podemos achar a sua verdadeira natureza, 
não retrocedendo às suas rudes origens, mas estudando o resultado acabado”. DOWSON, 
Mod. Ideas of Evolution, 13 - “Se a idéia de Deus for o fantasma de um cérebro símio, 
podemos confiar na razão ou consciência em qualquer outra matéria? Não podem a 
ciência e a filosofia por si mesmas ser semelhantes a fantasias, envoltas por mero acaso 
108 Augustus Hopkins Strong 
ou pelo elemento desarrazoado?” Mesmo que o homem viesse do macaco, não há como
explicar suas idéias através das dele: “O homem é o homem porque o é”. 
Devemos julgar os princípios pelos fins, não os fins pelos princípios. 
O importante não é como ocorre o desenvolvimento do olho nem como era imperfeito o 
sentido da visão, já que o olho agora nos dá a informação correta dos objetos exteriores. 
Do mesmo modo não importa como se originaram as intuições de justiça e de Deus, visto 
que agora elas nos dão o conhecimento da verdade objetiva. Temos que admitir como 
certo que a evolução das idéias não vêm a partir do sentido para o não sentido. C. H. 
LEWES, Study of Psycho- logy, 122 - “Podemos entender a ameba e o pólipo só através da 
luz refletida do estudo do homem”. SETH, Ethical Principies, 429 - “O carvalho explica o fruto
até de modo mais veraz que o oposto”. SIDGWICK: “Ninguém apela do senso de belo do
artista para o da criança”. Os maiores matemáticos não são menos verdadeiros porque 
podem ser apreendidos só pelo exercício do intelecto. Não se atribui nenhuma importância 
estranha ao que se sentiu ou se pensou em primeiro lugar”. ROBERT BROWNING, Paracelsus: 
“O homem, tendo descoberto, imprime para sempre a sua presença a todas as coisas 
inertes. 
... Um refluxo suplementar da luz ilustra todos os graus inferiores, explica cada passo 
anterior no círculo”. O homem, com as suas mais elevadas idéias, mostra o sentido e
conteúdo de tudo o que se destina a ele. Ele é o último degrau na subida da escada e, a 
partir deste mais elevado produto e de suas idéias, podemos inferir quem é o seu Criador. 
BIXBY, Crisis in Morais, 162,245 - “A evolução dá ao homem apenas tamanha altura 
que ele pode ao menos discernir as estrelas da verdade moral que outrora estiveram 
abaixo do horizonte. Isto é muito diferente de dizer-se que as verdades morais são 
apenas produtos transmitidos da experiência da utilidade. ... O germe da idéia de Deus 
como da idéia de direito devem ter estado no homem logo que ele se tornou homem; 
ganhando do bruto, ela o tornou um homem. A razão não é apenas um registro dos 
fenômenos físicos e da experiência de prazer e de dor: é também criativa. Discerne a 
unidade das coisas e a supremacia de Deus”. SIR CHARLES LYELL: “A presunção é enorme
porque todas as nossas faculdades, embora sujeitas a errar, são verdadeiras na essência 
e apontam para os reais objetivos. A faculdade religiosa no homem é, de todas, uma das 
mais fortes. Existiu nas mais primitivas eras e, ao invés de desgastar-se ante o avanço da 
civilização, torna-se cada vez mais forte e hoje é mais desenvolvida entre as mais 
elevadas raças do que jamais fora antes. Penso confiar seguramente que ela aponta para 
uma grande verdade”. FISHER, Nat. and Meth. of Rev., 137, cita AGOSTINHO: “Securus judicat
orbis terrarum” (N.Trad.: O universo seguro julga as terras), e diz-nos que se admite ser o 
intelecto um órgão do conhecimento, embora possa ter evoluído. Mas, se o intelecto é 
digno de confiança, também a natureza o é. GEORGE A. GORDON, The Christ of To-day, 103 - 
“Para HERBERT SPENCER, a história humana é apenas um incidente da história natural e 
suprema é a força. Para o cristianismo a natureza é tão somente o começo e o homem a 
sua consumação. O que é que dá a mais elevada revelação da vida da árvore: a semente, 
ou o fruto?” 
A terceira parte da teoria parece fazer Deus um objeto sensorial a reverter a 
apropriada ordem do conhecimento e sentimento, a ignorar o fato de que em todo o 
sentimento há pelo menos algum conhecimento de um objeto e a esquecer que a 
validade deste mesmo sentimento só pode ser mantida admitindo anteriormente a 
existência de uma divindade racional. 
NEWMAN SMYTH diz-nos que o sentimento vem em primeiro lugar; a idéia em segundo. 
Não senegam as idéias intuitivas, mas declara-se que são reflexos diretos dos 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 109
sentimentos no pensamento. São elas a percepção imediata daquilo que ele sente que 
existe. Considera-se idealista o conhecimento direto de Deus pela intuição; considera-se 
que, chegar-se a Deus por inferência, é uma tendência racionalista. 
Admitimos que, mesmo no caso dos impenitentes, grande perigo, grande regozijo, 
grande pecado freqüentemente transformam a intuição racional de Deus em intuição 
perceptível aos sentidos. Contudo, não se pode afirmar que a intuição perceptível aos 
sentidos seja comum a todos os homens. Não fornece fundamento ou explicação de uma 
capacidade universal para a religião. Sem a intuição racional, não seria possível a intuição 
perceptível aos sentidos, visto que é só o racional que capacita o homem a receber e a 
interpretar o elemento perceptível aos sentidos. A própria confiança que depositamos no 
sentimento pressupõe uma crença intuitiva em um Deus verdadeiro e bom. 
Em 1869 TENNYSON dizia: “Sim, é verdade que há momentos quando a carne nada é para 
mim; quando eu sei e sinto que a carne é a visão; Deus e o elemento espiritual são o 
elemento real; ele me pertence mais do que as minhas mãos e pés. Você pode dizer-me 
que as minhas mãos e os meus pés são apenas símbolos imaginários da minha 
existência; posso até crer em você; mas você nunca, nunca pode convencer-me de que o 
eu não é uma Realidade eterna e de que o espiritual não é a minha parte real e 
verdadeira”. 
3. Não do raciocínio, porque: 
d) A verdadeira aparição deste conhecimento na grande maioria das mentes não 
resulta de qualquer processo consciente de raciocínio. Por outro lado, com base na 
ocorrência de condições próprias, ele lampeja sobre a alma a rapidez e força de uma 
revelação imediata. 
b) O poder da fé do homem na existência de Deus não é proporcional ao poder da 
faculdade de raciocinar. Por outro lado, o homem de maior poder lógico é 
freqüentemente um inveterado cético, enquanto o de fé não oscilante está entre os que 
não podem mesmo entender os argumentos da existência de Deus. 
c) Há mais neste conhecimento que o raciocínio jamais poderia ter fornecido. O 
homem não limita a sua crença em Deus às conclusões do argumento. Os argumentos 
da existência divina, valiosos para os propósitos a serem mostrados daqui para frente, 
não bastam por si mesmos para garantir nossa convicção de que existe um ser infinito e 
absoluto. Aparecerá apoiado no exame que um argumento a priori só é capaz de provar 
uma proposição abstrata e ideal, mas nunca pode conduzir-nos à existência de um Ser 
real. Parece que os argumentos aposteriori da existência meramente finita, nunca 
podem demonstrar a existência do infinito. Nas palavras de SIR WM. HAMILTON - “Uma
demonstração do absoluto a partir do relativo é logicamente absurda como em tal 
silogismo podemos colecionar na conclusão o que não está distribuído nas premissas” - 
em resumo, a partir das premissas finitas não podemos tirar conclusão infinita. 
SIR WM. HAMILTON: “Saindo do particular, admitimos que não é possível, em nossas mais 
elevadas generalizações, transcendermos o finito”. E. G. ROBINSON: “A mente humana
revela maior provisão do que jamais contiveram os grandes reservatórios”. Existe mais na
idéia de Deus do que poderia ter escoado de um tão pequeno funil como é o raciocínio 
humano. Uma simples palavra, uma nota acidental, ou uma atitude de oração sugere a 
110 Augustus Hopkins Strong 
idéia a uma criança. HELEN KELLER contou a PHILLIPS BROOKS que ela sempre soubera que há 
um Deus, mas não o conhecia pelo nome. LADD, Philosophy of Mind, 119 — 
“Há uma tola suposição de que nada se pode conhecer ao certo a não ser que seja 
alcançado como resultado de um processo silogístico, ou que, quanto mais complicado e 
sutil for tal processo, mais certa é a conclusão. O conhecimento por inferência sempre 
depende da certeza superior do conhecimento imediato”. GEORGE DUNCAN, in Memorial 
ofNoah Porter, 246 - “Toda a dedução apoia-se num prévio processo de indução, ou nas 
intuições de tempo e espaço que envolvem Infinito e Absoluto”. 
d) Nem os homens chegam ao conhecimento da existência de Deus por inferência; 
pois a inferência é silogismo condensado e, como forma de raciocínio, está igualmente 
aberto à objeção já mencionada. Vimos, contudo, que todo processo lógico se baseia na 
aceitação da existência de Deus. Evidentemente o que se pressupõe em todo raciocínio 
não pode ser provado pela razão. 
Referimo-nos, naturalmente, à inferência, mediata, porque na imediata {p.ex., “Todos
os governantes são justos; logo, nenhum dos governantes injustos governa bem”) não há 
nenhum raciocínio e nem progresso no pensamento. A inferência mediata é raciocínio - é 
silogismo condensado; e o que é muito condensado pode ampliar-se em forma lógica 
regular. Inferência dedutiva: “O negro é uma criatura como eu; logo aquele que bate no 
negro é uma criatura como eu”. Inferência indutiva: “O primeiro dedo fica antes do segun-
do; logo fica antes do terceiro”. 
FLINT, Theism, 77 e HERBERT, Mod. Realism Examed, chegariam ao conhecimento da 
existência de Deus pela inferência. Esta declara que Deus é inde- monstrável, mas, 
quanto à sua existência, infere-se como a dos nossos semelhantes. Replicamos, porém, 
que, neste último caso, só inferimos o finito a partir do finito, mas, no caso de Deus, 
infere-se o infinito a partir do finito. Contudo, este processo de raciocínio pressupõe a 
existência de Deus como Razão absoluta, pelo processo já demonstrado. 
Substancialmente, H. B. SMITH, Introd. to Chr. Theol., 84-133, e DIMAN, Theistic 
Argument, 316,364, ambos cometem o mesmo erro dos que admitem um elemento 
intuitivo, mas empregam-no só para suprir a insuficiência do raciocínio. Consideram que a 
intuição nos fornece apenas uma idéia abstrata, que não contém em si nenhuma prova da 
existência de um verdadeiro ser que corresponde à idéia e que só chegamos ao ser real 
pela inferência dos fatos da nossa natureza espiritual e do nosso mundo exterior. 
Replicamos, entretanto, com as palavras de MCCOSH, que “as intuições, em primeiro lugar,
dirigem-se individualmente aos objetos”. Não conhecemos o infinito no abstrato, mas o 
espaço e o tempo infinitos, e o Deus infinito. 
SCHURMAN, Belief in God, 43 - “Sou incapaz de atribuir à nossa crença em Deus uma
certeza mais elevada que aquela que possuímos através da hipótese da ciência ... 57 - A 
abordagem mais próxima que a ciência faz à nossa hipótese da existência de Deus 
encontra-se na afirmação da universalidade da lei ... baseada na convicção da unidade e 
na conexão sistemática de toda a realidade ... 64 - Só se pode encontrar esta unidade no 
espírito autocons- ciente”. O defeito deste raciocínio é que ele não nos dá nenhum
elemento necessário ou absoluto. Exemplos de hipóteses são a nebulosa na astronomia, 
a lei da gravitação, a teoria atômica da química, o princípio da evolução. Nenhuma destas 
é logicamente independente ou tem prioridade. Cada uma delas é provisória e cada uma 
pode ser ultrapassada por nova descoberta. Não é o caso da idéia de Deus. Todas as 
outras pressupõem esta idéia como condição de cada processo mental e garantia da sua 
validade. 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 111
rv. CONTEÚDO DESTA INTUIÇÃO 
1. Neste conhecimento fundamental de que Deus é, necessariamente está implicado 
que, em certa extensão, o homem conhece intuitivamente o que Deus é, a saber, a) a 
Razão na qual se baseiam os processos mentais; b) uma Força superior de que o 
homem depende; c) uma Perfeição que impõe a lei sobre a natureza moral; d) uma 
Personalidade que pode ser reconhecida na oração e no louvor. 
Sustentar que temos uma intuição racional de Deus de modo nenhum implica que é 
impossível uma intuição presente de Deus. Tal intuição presente talvez fosse 
característica do homem decaído; às vezes pertence ao cristão; será uma bênção do céu 
(Mt. 5.8 - “os limpos de coração verão a Deus”; Ap. 22.4 
-“verão a sua face”). As experiências dos homens de apreenderem Deus face a face, 
em perigo ou senso de culpa, dão alguma razão para crer que um conhecimento de 
Deus pela sua presença é condição normal da humanidade. Mas como esta intuição da 
presença de Deus não está no nosso estado universal atual, reivindicamos aqui somente 
que todo o homem tem uma intuição racional de Deus. 
Convém lembrar, contudo, que a perda do amor a Deus obscureceu até mesmo a 
intuição racional, de modo que a revelação da natureza nas Escrituras necessita de ser 
despertada, confirmada e aumentada e a obra do Espírito de Cristo no sentido de tomar 
conhecida pela amizade e comunhão. Assim, a partir do conhecimento a respeito de 
Deus, conhecemos Deus (Jo. 17.3 - “A vida etema é esta, que te conheçam a ti”; 2 Tm. 
1.12 - “Eu sei em quem tenho crido”). 
PLATÃO dizia que a substância não pode ser nenhum cm OÍSFV sem algo à oíSev. 
HARRIS, Philosophical Basis of Theism, 208 - “Através da intuição racional o homem 
sabe que o Ser absoluto existe; seu conhecimento daquilo que é progressivo, como 
progressivo é o conhecimento do homem e da natureza”. HUTTON, Essays: “Uma
presença assombrosa assusta o homem atrás e adiante. É um mal a que ele não pode 
escapar. Dá novos sentidos aos seus pensamentos e novo terror aos seus pecados. 
Torna-se intolerável. O homem é levado a estabelecer um ídolo esculpido segundo a 
sua própria natureza, que tomará o seu lugar - um Deus não moral que não perturbará 
o seu sonho de descansar. É uma Vida e uma vontade justa, não uma simples idéia de 
justiça que importuna tanto os homens”. PORTER, Hum. Int., 661 - “O Absoluto é um 
Agente pensante”. A intuição não se desenvolve na certeza; o que se desenvolve é a 
ansiedade por aplicá-la e o poder de expressá-la. A intuição não é complexa; complexo 
é o Ser intuitivamente conhecido. 
O conhecimento de uma pessoa torna-se conhecimento pessoal através da 
verdadeira comunicação ou revelação. Em primeiro lugar vem o conhecimento intuitivo 
de Deus, o qual todo homem possui - a suposição de que existe uma Razão, uma 
Força, uma Perfeição, uma Pessoalidade que torna correto o pensamento e possível a 
ação. Em segundo lugar, vem o conhecimento do ser de Deus e os atributos que a 
natureza e a Escritura fornecem. 
Em terceiro lugar, surge o conhecimento pessoal vindo através da experiência, 
derivado da verdadeira reconciliação e intercomunicação com Deus, através de Cristo 
e do Espírito Santo. STEARNS, Evidence of Christian Experience, 
112 Augustus Hopkins Strong 
208 - “A experiência cristã verifica as reivindicações da doutrina pela experimentação, 
transformando o conhecimento provável em conhecimento real”. Biedermann, citado
por PFLEIDERER, Grundriss, 18 - “Deus se revela ao espírito humano, 1. como uma Base 
infinita, na razão; 2. como uma Norma infinita, na consciência; 3. como uma Força 
infinita, na ascendência à verdade religiosa, à bem-aventurança e à liberdade”. 
Objetarei eu a esta experiência cristã, só porque relativamente poucos a possuem 
e não estou entre eles? Porque eu não vi as luas de Júpiter, como duvidarei do 
testemunho do astrônomo quanto à sua existência? A experiência cristã como a visão 
das luas de Júpiter, não é possível a todos. CLARKE, Christian Theology, 113 - “Quem
tiver prova completa da realidade da bondade de Deus deve submetê-la ao teste 
experimental. Deve tomar o bom Deus como real e receber a confirmação que se 
seguirá. Quando a fé atinge Deus, ela o encontra.... Aqueles que o encontram serão os 
mais sensatos e os mais verdadeiros do seu gênero e as suas convicções estarão 
entre as mais seguras entre os homens. ... Os que vivem em comunhão com o bom 
Deus crescerão em bondade, e apresentarão evidência prática da sua existência além 
do testemunho oral que possam dar”. 
2. As Escrituras, portanto, não tentam provar a existência de Deus, mas, por 
outro lado, tanto admitem como declaram que o conhecimento de Deus é 
universal (Rm. 1.19-21,28,32; 2.15). Deus embutiu a evidência desta verdade 
fundamental na própria natureza do homem de modo que em parte alguma há ausência 
de testemunho a seu respeito. O pregador pode, com confiança, seguir o exemplo da 
Escritura admitindo-a. Mas deve também explicitamente declará-la como faz a 
Escritura. “Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são
claramente vistos desde a criação do mundo.” (xaGopâTca - espiritualmente vistos); o 
órgão para este propósito é a vouç (vooúpeva); mas, então - eles são “percebidos
mediante as coisas criadas” (xoiç 7toifipaCTiv, Rm. 1.20). 
Sobre Rm. 1.19-21, ver WEISS, Biblische Theologie des Neuen Testament, 
251, nota; vertambém os comentários de MEYER, ALFORD, THOLUCK e WORDSWORTH; tò 
yvmaTOv Tcrô 9eoí> = não “o que se pode conhecer”, mas “aquilo que se conhece” de
Deus; vooúneva Kaeopâ-tai = vêem-se claramente no que é percebido pela razão - voo-
òp.eva expressa o modo de meopâ-rai (MEYER); comp. Jo. 1.9; At. 17.27; Rm. 1.28; 2.15. 
Sobrei Co. 15.34, ver CALDERWOOD, Philosophy of Infinite, 466 — àyvcoaíav 9eoí> xwèç 
exoucn. = não possuais o conhecimento de Deus especialmente exaltado, que pertence 
aos crentes em Cristo (cf. 1 Jo. 4.7 - “qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a
Deus”). Sobre Ef. 2.12, ver POPE, Theology, 1.240 - a0eoi èv TQ> KÓan.co opõe- se a estar 
em Cristo, e significa mais abandonado de Deus do que negá-lo ou ignorá-lo inteiramente. 
E. G. ROBINSON: “A primeira afirmação da Bíblia não é que existe um Deus, mas que 
‘no princípio criou Deus os céus e a terra’ (Gn. 1.1). A crença em Deus nunca foi e nunca
pode ser o resultado de argumento lógico; doutra forma a Bíblia nos apresentaria provas”.
Muitos textos em que se confia como provas da existência de Deus são simplesmente 
explicações da idéia de Deus; p.ex., SI. 94.9,10 - “Aquele que fez o ouvido não ouvirá? E
o que formou o olho não verá? Aquele que interroga as nações não as castigará? E o que 
dá ao homem o conhecimento não saberá?” PLATÃO diz que Deus sustenta a alma pelas 
raízes dela, pelo que não precisa demonstrar à alma o fato da sua existência. MARTINEAU, 
Seat of Authority, 308, diz com precisão que a Escritura e a pregação só interpretam o 
que já está no coração ao qual se dirige: “Lançando um sopro quente ao interior dos 
TEOLOGIA SISTEMÁTICA 113
oráculos ocultos na invisível tinta, ele os torna articulados e deslumbrantes como o 
manuscrito na parede. O divino Vidente não tem para vós a sua revelação, mas capacita-
vos a receber a vossa própria. Esta relação mútua só é possível através da presença 
comum de Deus na consciência da humanidade”. SHEDD, Dogmatic Theology, 1.195220 - 
“A terra e o céu causam as mesmas impressões sensíveis nos órgãos de um bruto que os
causam nos de um homem; mas o bruto nunca discerne as ‘coisas invisíveis’ de Deus
‘tanto o seu eterno poder como a sua divindade”’ (Rm. 1.20). 
Nossa atividade subconsciente, até onde é normal, está sob a orientação da Razão 
imanente. A sensação, antes de resultar em pensamento, tem em si elementos locais 
fornecidos pela mente - não nossa, mas do infinito. Cristo o Revelador de Deus, revela-o 
na vida mental de cada homem e o Espírito 
Santo pode ser o princípio da consciência própria no homem como também em Deus. HARRIS, God 
the Creator, diz-nos que “o homem encontra a Razão que é eterna e universal revelando-se no 
exercício da sua própria razão”. SAVAGE, Vida após a Morte, 268 - “Como você sabe que a sua
consciência subliminar não fere a Onisciência e apossa-se dos fatos do universo?” Contudo, 
SAVAGE nega esta sugestão e, erroneamente, favorece a teoria do espírito. Ver pp. 295-329 deste 
livro. 
C. M. BARROWS, Proceedings ofSoc. for Psychical Research, vol. 12, parte 30, pp. 34-36 - 
“Existe um agente subliminar. Que pensar se este é somente um Ator inteligente, enchendo o 
universo com a sua presença, como o éter faz com o espaço; o Inspirador comum de toda a 
humanidade, hábil músico, presidindo sobre muitas flautas e teclas e

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