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Armando Moraes e Maria Soledade da Costa Cidadania Moral e Ética ENSINO FUNDAMENTAL ANO 03 MANUAL DO EDUCADOR Formação Continuada Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Fizeram-se todos os esforços para localizar os detentores dos direitos das fotos, das ilustrações e dos textos contidos neste livro. A Formando Cidadãos Editora pede desculpas se houve alguma omissão e, em edições futuras, terá prazer em incluir quaisquer créditos faltantes. EDITORAS Isabela Nóbrega Márcia Regina Silva REVISÃO DE TEXTO Porto Textual PROJETO GRÁFICO E CAPA Danielle Vilela EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Adriana Ribeiro Felipe Moura COORDENAÇÃO EDITORIAL Direitos reservados à Multi Marcas Editoriais Ltda. Rua Neto Campelo Júnior, 37 Mustardinha - Recife / PE CEP: 50760-330 Fone: (81) 3447.1178 CNPJ: 00.726.498/0001-74 IE: 0214538-37 Armando Moraes Maria Soledade da Costa 3o ano Cidadania Moral e Ética Ensino Fundamental MANUAL DO EDUCADOR Formação Continuada ISBN: 978-85-403-2479-4 4a edição APRESENTAÇÃO O Manual do Educador de Cidadania moral e Ética emerge como um guia indispensável para educadores comprometidos com a formação integral dos alunos. Ao longo das páginas, você encontrará, além dos conteúdos, estratégias práticas para envolver os alunos, estimulando-os a realizar discussões significativas em sala de aula, cultivando a reflexão e a huma- nidade. Com o auxílio deste livro, será possível promover a compreensão dos valores morais e éticos e despertar a cidadania nos alunos. O fragmento do poema Escola é..., de Paulo Freire, representa um pouco do que encontraremos nessa jornada rumo à cidadania. Escola é... O lugar em que se fazem amigos. Não se trata só de prédios, salas, quadros, Programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente Gente que trabalha, que estuda Que alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, O coordenador é gente, O professor é gente, O aluno é gente, Cada funcionário é gente. [...] Fazer amigos, educar-se, ser feliz. É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo. Que a semente da ética, da moral e da cidadania floresça em cada um de nós. Abraço, Os autores SUMÁRIO 5 Conhecendo o Manual 7 Estrutura do livro do aluno 8 Sumário do livro do aluno 10 Mensagem 11 Unidade 1 12 Fundamentação: Aprendendo com os valores universais 13 Objetivos da aprendizagem 14 Grades semanais 16 Páginas do livro do aluno 27 Fundamentação: Ame seus alunos 29 Unidade 2 30 Fundamentação: O professor-aluno: Sugestões práticas para melhorar seu ensino 31 Objetivos da aprendizagem 32 Grades semanais 34 Páginas do livro do aluno 49 Fundamentação: Não tenha medo de errar 51 Unidade 3 52 Fundamentação: Escola: reflexo da convivência social 53 Objetivos da aprendizagem 54 Grades semanais 56 Páginas do livro do aluno 71 Fundamentação: Valores do educador: uma ponte para a sociedade do futuro 73 Unidade 4 74 Fundamentação: Diferença e diversidade 75 Objetivos da aprendizagem 76 Grades semanais 78 Páginas do livro do aluno 93 Fundamentação: Ensinar a criança... a desenvolver a responsabilidade 95 Pensamento CONHECENDO O MANUAL Este Manual foi concebido para ser um material pedagógico que auxilie o trabalho de professores em sala de aula, por isso apresenta fundamentações, planejamento de aulas em grades semanais, dinâmicas, estrutura e sumário do livro do aluno. ESTRUTURA DO LIVRO DO ALUNO São apresentadas infor- mações sobre a estrutura do livro do aluno, apontan- do tudo que é necessário para o professor explorá- -lo da melhor maneira. SUMÁRIO DO LIVRO DO ALUNO É apresentada a página de sumário do livro do aluno para que o professor possa ter acesso ao conteúdo anual que será proposto para as crianças. PLANEJAMENTO DE AULAS O planejamento de aulas foi pensado para 40 sema- nas com cinco dias letivos, totalizando 200 dias. FUNDAMENTAÇÃO Os textos apresentados têm, em geral, caráter de for- mação, ou seja, foram selecio- nados para dar embasamento e segurança ao professor em relação ao trabalho diário com as crianças. 5 PÁGINAS DO LIVRO DO ALUNO São apresentadas as páginas do livro do aluno propostas para serem trabalhadas ao longo da semana. Esta seção acompanha as orientações didáticas ou, em algumas semanas, sugestões de atividades. GRADES SEMANAIS Trazem o planejamento semanal dos momentos em que cada área de conhe- cimento deverá ser trabalhada. Inclusive, apresentam breves orientações de ativida- des que poderão ser realizadas em sala de aula e a indi cação das páginas do livro do aluno que deverão ser trabalhadas. Além disso, há espaço para registrar as datas correspondentes às semanas. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Indicam os conteúdos, as habilidades e os objetivos de aprendizagem que serão trabalhados ao longo da unidade. 6 ESTRUTURA DO LIVRO DO ALUNO O livro do aluno está organizado com elementos gráficos específicos: títulos, textos didáticos, atividades, comandos, boxes e imagens. Textos didáticos São textos explicativos que abordam os assuntos de maneira simples, clara e objetiva. Comando No início de cada atividade, são apresen- tados comandos cujo texto, em geral, inicia com a ação que deverá ser feita para a realização da atividade proposta. Isso porque, ao ouvir ou ler o comando, a criança deverá identificar o que deve fazer para realizá-la corretamente. Atividades Seção com propostas de atividades relacionadas aos conteúdos e assuntos que estão sendo trabalhados, de manei- ra que a construção de conhecimento possa acontecer por meio de sugestões literais, inferenciais e de opinião própria. Título Localiza-se, em geral, antes da apresen- tação de algum conteúdo específico que será trabalhado. 7 SUMÁRIO DO LIVRO DO ALUNO 8 PLANEJAMENTO DE AULAS pololia | stock.adobe.com 9 MENSAGEM Há muitos anos um médico residente de um hospital de Nova York ouviu um cirurgião lamentar que a maioria dos tumores cerebrais era fatal. O cirurgião vaticinou que algum dia um colega seu descobriria como salvar a vida desses pacientes. O médico residente Ernst Sachs enfrentou o desafio de ser esse ci- rurgião. Naquela época, o principal especialista de anatomia do cérebro era Sir Victor Horsley. Sachs obteve permissão para aprender com ele, porém achou melhor passar por um treinamento antes, estudando durante seis meses com o médico mais competente da Alemanha. Depois disso, seguiu para a Inglaterra, onde foi assistente do Dr. Horsley durante dois anos, fazendo longos e compli- cados experimentos em dezenas de macacos. Quando Sachs retornou aos Estados Unidos, foi ridicularizado por ter solici- tado permissão para tratar de tumores cerebrais. Movido por uma necessidade incontrolável de ver seu pedido atendido, ele precisou vencer obstáculos e lutar contra o desânimo durante anos. Hoje, graças ao Dr. Sachs, a maioria dos tu- mores cerebrais pode ser curada. Seu livro, The Diagnosis and Treatment of Brain Tumors, é considerado uma autoridade no assunto. NÃO SIGA PARA ONDE O CAMINHO PODE LEVAR; EM VEZ DISSO, VÁ AONDE NÃO HÁ CAMINHO E DEIXE SUAS PEGADAS. O fato de alguma coisa não estar sendo feita hoje não significa que nunca possa ser feita. Talvez você seja a pessoa indicada para fazê-la! Pequeno devocional de Deus para mulheres. Tradução: Maria Emília de Oliveira. Campinas: United Press, 2000. 10 ATURALIZAR O que vamos estudar: • O que é ética? • O diálogo • O respeito • A solidariedade • A justiça 11 FUNDAMENTAÇÃO APRENDENDO COM OS VALORES UNIVERSAIS OS VALORES HUMANOS ABSOLUTOS E OS ASPECTOS DA PERSONALIDADE VERDADE – ASPECTO INTELECTUAL A verdade é o princípio básico que está por trás de todas as formas de vida. Ela dirige a conduta do ser humano autêntico e o ajuda a superar seus temores. É o que dá significado e dignidade à vida. A verdade é um valor huma- no porque o indivíduo, mesmo conhecendo-a dentro da relatividade de sua mentecom os educandos. “Torna-se vital a atitude pessoal que adota o educador”, diz Josep Maria Puig (1998, p. 185), ao explorar que o êxito ou fracasso do processo edu- cacional reside no modo como o educador o realiza. A atitude pessoal ainda é necessária e igualmente importante no momento de discutir temas pessoais ou socialmente controversos. O tato do profissio- nal traduz-se na habilidade em estabelecer um bom clima e proporcionar aos alunos a experiência de sentirem-se “bons” e aprenderem com o sucesso. Em se tratando de situações controversas que surgem no contexto escolar, a atitude e a postura do profissional necessitarão conter em si os atributos da neutralidade e da imparcialidade, principalmente quando os temas que surgirem envolverem algum valor, como ir contra algo tido como aceito univer- salmente? O mesmo poderíamos dizer do fato de aprovar algo de reconhecimento negativo, comple- menta Puig (1998, p. 185-199). Qual deve ser a postura desse educador? Por um lado, mostrar-se comprometido e parcial com re- lação a valores e, por outro, permanecer neutro e asséptico a respeito desses temas. Todo nascimento se paga com a morte, toda ventura com a desventura. Homens e deuses podem tentar, no prazo que lhes cabe, distribuir a sorte de cada um, segundo critérios diferentes do curso cego do destino; ao fim e ao cabo, a realidade triunfa sobre eles. Com a separação da ciência e da poesia, a divisão de trabalho já possibilitou-nos chegar à linguagem. E é enquanto signo que a linguagem, a palavra, che- ga à linguagem. E é enquanto signo que a linguagem, a palavra, chega à ciência. Enquanto som, enquanto imagem e enquanto palavra, ela está dividida em todas as artes, sem jamais deixar de se compor (se reconstituir novamente) por meio da junção das partes — da arte total. Só as obras de arte conseguiram escapar à mera imitação daquilo que, de algum modo qualquer, já é, pois são sempre originais, não se repetem. É, por- tanto, a repetição que promove a perda do poder, tornando-o esclarecido, conhecido. Não há, portan- to, o medo, tudo está decifrado. RICOTTA, Luiza. Valores do educador: uma ponte para a sociedade do futuro. São Paulo: Ágora, 2006. am or n | s to ck .a do be .c om 72 O que vamos estudar: • O que é lixo? • A reciclagem • A poluição das águas • As fontes de poluição da água • Como economizar água • A destruição da Amazônia • A extinção dos animais • A extinção dos vegetais 73 FUNDAMENTAÇÃO DIFERENÇA E DIVERSIDADE Ofício do Professor: Aprender mais para ensinar melhor. São Paulo: Abril, 2002. Fique atento ao uso de estereótipos entre alunos • As crianças e os jovens, frequentemente, reproduzem os estereótipos sobre as pessoas diferen- tes — muitas vezes sobre os próprios colegas, como ao tratarem das diferenças físicas entre eles. • Há os mais altos e os mais baixos. Os que enxergam melhor e os que usam óculos. Os mais ágeis e os mais lentos. Há os mais precoces e os mais infantis. Todos eles compõem o quebra-cabeça da diversidade escolar. • Todos eles devem ser valorizados pelo que são e ser encorajados a tomar parte das atividades em condições de igualdade com os outros — contribuindo com aquilo que sabem fazer. • Os que têm maior dificuldade contribuem com o que podem, com aquilo que fazem melhor. Aqueles com mais facilidade (o que inclui o professor) colaboram com os demais, incentivando-os, ensinando-os. Esta é a fórmula para um ambiente escolar verdadeiramente solidário e democrático. Valorize a arte do diálogo no cotidiano • No dia a dia escolar, o que não falta são conflitos entre os alunos. Os confrontos fazem parte do amadurecimento pessoal deles e, se bem trabalhados, sinalizam um bom caminho para a conquista da autonomia. Nessas horas, a melhor alternativa é o diálogo. • Ouça os pontos de vista de cada parte e proponha um entendimento comum, de modo que cada um possa ouvir o outro e sentir-se ouvido também. Chegue a um acordo amigável entre as partes, contemplando as reivindicações de ambas (isso é fazer justiça). E evite ao máximo as punições, as represálias, etc. • Por incrível que pareça, esses momentos “delicados” são ótimas ocasiões para que se tomem a ética e a cidadania como matéria de ensino — isto é, na própria vivência dos conflitos e na busca de soluções justas para eles. Estimule o respeito e a solidariedade em relação aos alunos “diferentes” • Quando você tiver, em sua sala, algum aluno que sofra o risco de ser discriminado (por sua condição étnica, física, religiosa, etc.), procure envolvê-lo nas atividades em condição de igualdade com os outros. • Como forma indireta de abordar a questão do preconceito, você pode lançar mão de estraté- gias preventivas, como escolha de textos que focalizem o problema. Um bom exemplo é o texto O menino das meias vermelhas, de Carlos Heitor Cony. • Outro exemplo de discriminação são as piadas. Quase sempre elas contêm preconceitos mas- carados. Você deve, na medida do possível, apontar o perigo que elas carregam. 74 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM CONTEÚDOS • O que é lixo? • A reciclagem • A poluição das águas • As fontes de poluição da água • Como economizar água • A destruição da Amazônia • A extinção dos animais • A extinção dos vegetais HABILIDADES • Citar os efeitos prejudiciais do lixo no meio ambiente e enumerar doenças associadas ao lixo. • Apontar a reciclagem como uma forma de aproveitamento do lixo. • Mostrar, por meio de exemplos, que a água é um recurso muito importante para o nosso planeta, que precisamos combater a sua poluição e evitar o seu desperdício. • Identificar as causas da destruição florestal na Amazônia. • Elencar a extinção das espécies animais e vegetais e falar da importância de preservar o meio am- biente para a sua sobrevivência. • Demonstrar autonomia em relação aos estudos sobre o lixo e sobre as doenças causadas por ele. • Participar de campanhas de reciclagem do lixo. • Valorizar o meio ambiente, não poluindo os rios, as praias e evitando o desperdício de água. • Explicar o processo de destruição da Amazônia por meio de painel ilustrativo. • Apreciar as políticas de defesa das espécies que estão em extinção ou ameaçadas. METODOLOGIA • Pesquisar doenças associadas ao lixo. • Confeccionar cartazes sobre formas de reutilização, reciclagem e redução do lixo. • Identificar os coletores adequados a cada tipo de lixo e organizar uma coleta seletiva na escola. • Visitar a estação de tratamento de água da cidade onde vive. • Fazer uma maquete identificando as fontes poluidoras da água. • Confeccionar e distribuir panfletos com informações sobre o combate ao desperdício da água. • Produzir um texto sobre a destruição florestal na Amazônia. • Confeccionar um mural com figuras de animais e plantas que estão em extinção. 75 a 31a SEMANA 32a SEMANA 33a SEMANA 34a SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 49 Mural das necessidades Leve um grande cartaz em branco e distribua folhas de papel ofício para as crianças. Peça que os alunos escrevam, de forma bem colorida, tudo o que eles fazem que necessita da água (tomar banho, lavar a louça, molhar as plantas, fazer comida, escovar os dentes, etc.). A ideia é fazer com que as crianças tenham consciência do quanto a água é necessária para o nosso dia a dia e de como é importante preservá-la. Com isso, elas estarão mais preparadas para observarem criticamente o uso da água. 35a SEMANA Semana de revisão Orientação didática: • Realize exercícios de fixação para revisar os conteúdos estudados. Cidadania Moral e Ética – O que é lixo? – páginas 50, 51 e 52 Orientação didática: Observe as atitudes das crianças: se elas jogam papel, sacos, restos de comidas no chão ou se utilizam os cestos de lixo. A partir daí, inicie uma roda de conversa sobre as atitudes das crianças. Pergunte-lhes: • Por que devemos colocar os papéis, os sacos e os restos de comida no cesto de lixo? • O que acontece se todo mundo jogar o lixo na rua, na escola ou na sala? • Podemosaproveitar o lixo? • Para onde vão os restos de comida e os papéis que jogamos fora? • Registre as falas das crianças. Cidadania Moral e Ética – A reciclagem – páginas 53, 54 e 55 Orientação didática: Solicite aos alunos que diferenciem o significado das palavras reduzir, reutilizar e reciclar, pedindo- -lhes exemplos de materiais na sala de aula que podem ser reciclados e de materiais que podem ser reutilizados. Cidadania Moral e Ética – A poluição das águas – página 56 Orientação didática: Solicite aos alunos que pesquisem três imagens que retratam a poluição da água. Depois, peça que escrevam no caderno as formas de poluição que encontram e como elas poderiam ter sido evitadas. GRADES SEMANAIS 76 36a SEMANA 37a SEMANA 38a SEMANA 39a SEMANA 40a SEMANA Cidadania Moral e Ética – As fontes de poluição da água – página 57 Orientação didática: Questione os alunos sobre como ocorre a poluição das águas. Conduza a reflexão e ressalte estes três itens: deposição de esgoto doméstico e industrial nos rios; falta de saneamento básico e falta de educação e consciência ecológica da população. Cidadania Moral e Ética – Como economizar água – páginas 58, 59 e 60 Orientação didática: Monte uma peça teatral sobre o tema. Os alunos devem montar os diálogos apresentando maneiras de economizar água. A peça pode ser apresentada em outras turmas. Cidadania Moral e Ética – A destruição da Amazônia – páginas 61 e 62 Orientação didática: Oriente os seus alunos a pensarem que, por meio de pequenos gestos, podemos ajudar a conservar a natureza: por exemplo, ser mais responsável com produtos extraídos da natureza, como papel, evita que mais recursos sejam extraídos para se produzirem mais mercadorias. Cidadania Moral e Ética – A extinção dos animais – página 63 / A extinção dos vegetais – página 64 Orientação didática: Apresente uma lista com os nomes de animais e plantas extintos e/ou ameaçados de extinção. Peça que cada aluno escolha um e traga para escola o máximo de curiosidades e imagens desse animal/ planta. Semana de avaliação Orientação didática: • Realize atividades de avaliação para os conteúdos estudados. 77 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Trabalhe com os alunos, por meio de uma leitura dinâmica, o que deve ser feito com o lixo. Divida a turma em dois grupos e solicite que escrevam a poesia Lugar de lixo é no lixo em uma cartolina. Depois da leitura, estimule o debate. 50 Lugar de lixo é no lixo Geraldo Peixoto (Trecho) No colégio, o lixo podre Produz até mesmo o enfarte Tem papel por todo canto Saco plástico em toda parte! O verde está poluído Do lixo que é confundido até com obra de arte. Mas vamos ter que mudar Essa educação tão crua Eu vou fazer minha parte Você vai fazer a sua Vamos deixar de ser fracos Botando o lixo nos sacos, Em vez de lançar na rua [...] 7878 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Comente com os alunos que a produção do lixo é diária e se dá em todos os setores. Mostre-lhes que as grandes cidades podem vir a enfrentar situações complicadas em busca de meios para dar fim a tanto lixo. Nas cidades pequenas, é preciso cuidar para que o lixo não aumente, espe- cialmente em cidades turísticas, onde, em épocas de férias e de feriados, crescem o número de pessoas no local e, consequentemente, a quantidade de lixo. 51 Estimule a reflexão sobre as atitudes pessoais em relação à produção do lixo. Enfatize que o melhor meio para diminuir a pro- dução do lixo é evitar o desperdício e diminuir o consumo. 7979 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Convide os alunos a voltarem para o pátio depois do recreio. Peça a eles que observem como ficou o espaço, se há objetos fora do lugar e quais são, se há lixo jogado no chão, etc. Volte para a sala e converse com a turma sobre o que foi visto. Discuta com o grupo a possibilidade de criar uma rotina para que o pátio esteja organizado e limpo no final de cada recreio. Proponha aos alunos que formem pequenos grupos responsáveis pela manutenção do espaço depois de todos irem embora. Em seguida, a tur- 52 ma recolhe os objetos encontrados e os guarda em uma caixa de achados e perdidos, que ficará exposta na escola, ou a turma passa pelas salas contando o que encontrou e perguntando quem é o dono dos brinquedos perdidos. Nesse momento, os alunos contam aos cole- gas das outras salas sobre a preocupação com o espaço externo e aproveitam para compartilhar ideias para mantê-lo organizado e limpo. Continua... 8080 É importante que este seja um trabalho que se estenda pelo ano todo, pois os valores precisam de tempo para serem interiorizados. 53 AUTONOMIA ESPAÇO MATERIAIS TEMPO Sala de aula Sacos de lixo, cestos e caixas 30 minutos, duas vezes por semana, durante o ano todo. 8181 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Proponha que os alunos façam uma pesquisa na escola para verem quantas pessoas sabem a diferença entre reciclar e reutilizar. Oriente os alunos a anotarem as respostas e o ano em que o aluno entrevistado está. Construa um gráfico, na classe, com as respostas de todos os alunos, separadas por ano, e afixe-o nos corredores da escola. Escreva as definições em folhas e exponha-as junto ao gráfico. Proponha à professora de Arte a construção da maquete de uma cidade com objetos descartáveis. Crie uma história e personagens para essa cidade com a classe. 54 8282 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Realize uma atividade de campo com as crianças para elas observarem como é feita a coleta de lixo na cidade, se há lixeiras nas ruas, etc. Elas devem anotar no caderno as questões que julgarem neces- sário mudar ou adequar para manter a cidade limpa. Proponha que escrevam uma carta para a Câma- ra Municipal dando sugestão de como melhorar a questão da coleta e o tratamento do lixo na cidade, segundo os aspectos levantados. 55 Leve os alunos ao local onde o lixo da cidade é despejado. Caso existam moradores nas redonde- zas, pensem juntos em uma mudança de local. Proponha que pesquisem, no serviço de limpeza urbana, a quantidade de lixo recolhida na cidade ou no bairro em uma semana e qual o destino dado a ele. 8383 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A água Realize uma roda de conversa sobre a impor- tância da água na vida das pessoas. Solicite que os alunos falem uma frase sobre o assunto e vá registrando tudo no quadro. Depois, peça que eles copiem os registros no caderno. Divida os alunos em dupla e entregue a cada crian- ça um copo com água. Peça que olhem para a água do próprio copo e desejem coisas boas para ela, como saúde, paz, alegria, felicidade, amor. Depois, solicite que eles coloquem o copo de água em frente ao cora- ção e imaginem que ele se enche de sentimentos bons. 56 Por fim, solicite que doem ao parceiro o copo de água, mas antes falem a seguinte frase: “Muita saúde para você”. Um fala e entrega, e, depois, o outro faz o mesmo. Bebem a água juntos e dizem ao final para o colega: “Muito obrigado”. Questione sobre como foi viver esse contato com a água e o que vão levar da atividade para usar no cotidiano. WENDELL, Ney. Praticando a generosidade em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2013. Adaptado para fins didáticos. 8484 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Solicite aos alunos que criem cartazes para cha- mar a atenção da população sobre a responsabi- lidade de cada um de nós em diminuir ou acabar com a poluição das águas. Procure trabalhar com as crianças as formas de transmissão, os sintomas e o tratamento de doenças adquiridas por meio da água poluída. Se possível, leve os alunos a uma estação de tratamento de água e mostre o início de uma rede de distribuição de água tratada. Solicite que os alunos façam cartazes para informar a população sobre como se prevenir. 57 A água e a poluição Solicite que os alunos pesquisem figuras que apresentem a água e a poluição em diversos ambientes. Depois, pegue as figuras e, junto com eles, or- ganize um painel mostrando para todos a água e a poluição no meio ambiente. 8585 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Proponha aos alunos que representem, por meiode mímica, situações do uso da água. Forme grupos e solicite que cada um escolha uma situação em que a água é utilizada no dia a dia da escola e re- presente-a para a turma. Cada equipe se apresenta na sua vez, para as demais adivinharem a situação encenada. Ganha o grupo que melhor representar. 58 ANOTAÇÕES 8686 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Divida a classe em grupos de cinco. Peça que cada grupo escreva três palavras relacionadas ao tema em estudo. Depois, dobre essas palavras se- paradamente. O grupo decide a ordem em que cada um vai jogar e se reúne ao redor de uma bacia com água. Quem começa escolhe um de seus três pa- péis dobrados para jogá-los dentro da bacia. Só o verso da parte onde está a palavra deve tocar na água. Quando o papel se abre e a palavra aparece, o segundo jogador começa a contar uma história com ela. Depois, será a vez de ele escolher um de 59 seus papéis para jogá-lo na água. Quando o segundo papel se abre e a palavra aparece, o terceiro joga- dor continua a história, incluindo nela a segunda palavra. O jogo prossegue assim até que o último participante dê um final à história. Devem-se fazer três rodadas, até que terminem os papéis. MARQUES, Francisco. O Chico dos Bonecos. In: Revista Nova Escola. São Paulo: Abril, set. 1999. Adaptado para fins didáticos. 8787 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA De forma lúdica, as crianças irão interagir com as dicas, associando-as a tarefas que são executadas na casa delas. Isso dá concretude aos conceitos apreendi- dos e favorece uma práxis cidadã de fato. A orientação do educador é o fator diferencial nessas atividades. As atividades dessa seção colocam os alunos em consonância com a realidade do planeta em rela- ção à escassez de água potável. Igualmente criam a consciência de corresponsabilidade quanto ao problema, pois somos todos seres humanos e uma crise hídrica afeta a todos sem distinção. 60 É a reflexão cidadã relacionada ao protagonismo de cada um que está em jogo. Por isso a orientação do educador é imprescindível para que o aluno se sinta agente de mudanças. O dado informativo pode virar slide ou pode haver exibição de curtas e docu- mentários sobre o tema. 8888 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Converse com seus alunos sobre a Floresta Ama- zônica e sua importância para todos nós. Aproveite o momento para levar, para a sala de aula, imagens de espécies de árvores e animais que se encontram nesse bioma. Os alunos exercitarão o poder de crítica e de sín- tese, examinando as imagens e construindo opiniões acerca de seu papel em sociedade. É um crescimento pedagógico esperado e necessário. Sua orientação e o acompanhamento dessas etapas é fundamental para o aprendizado dos alunos. 61 © Krakenim ages.com / stock.adobe.com 8989 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A partir da conhecida música interpretada por Luís Gonzaga, as crianças farão um trabalho leve, porém de grande alcance crítico. O desenho, a partir da letra da música, é um modo de exercitar a cons- ciência crítica e assimilar valores e informações importantes para a cidadania na práxis. Oriente, antecipadamente, a pesquisa sobre Chico Mendes e, depois, auxile as crianças na montagem de um painel com a pesquisa realizada. 62 A montagem desse painel resgata valores e ideias sobre a preservação do meio ambiente, que são importantes na formação cidadã dos alunos. Após a montagem do painel, pode haver uma roda de conversa sobre o trabalho ou mesmo um peque- no debate sobre o tema com as crianças. 9090 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Nosso planeta está perdendo suas matas. Mas al- gumas áreas ainda resistem, com muita vida, beleza e energia. Uma delas é a Amazônia, a maior vitrine de espécies vivas da Terra e um dos nossos mais ricos patrimônios naturais. Lá, tudo supera a imaginação. Em sua imensidão, a Floresta Amazônica guarda mistérios, mitos das selvas e capítulos inteiros da história do Brasil. No entanto, ela pode desaparecer se não for bem cui- dada e protegida. 63 Solicite que seus alunos realizem uma pesqui- sa de gravuras de animais em extinção. Realize uma roda de conversa e comente sobre o assunto estudado. Monte com seus alunos um álbum com as figuras relacionadas e escreva, abaixo das imagens, infor- mações importantes sobre os animais. 9191 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA As atividades dessa página fazem os alunos refletirem sobre aspectos práticos em torno da extinção de espécies de vegetais por causa da ação exploradora do ser humano. A orientação do educador é fundamental para a execução das tarefas, que servem de instrumento de avaliação. Ao final da seção, a pesquisa ajuda a apreen- der mais conteúdos e informações acerca das espécies de vegetais em extinção. Para uma consciência cidadã aguçada, quanto mais infor- mações, melhor. 64 ANOTAÇÕES 9292 ©Africa LIGHTFIELD STUDIOS.adobe.com FUNDAMENTAÇÃO ENSINAR A CRIANÇA... A DESENVOLVER A RESPONSABILIDADE O grande desafio de desenvolver na criança o sentido da responsabilidade é quase sempre o ex- cesso de amor. Os pais, quase sempre, amam seus filhos, e esse amor ilimitado e maravilhoso algumas vezes faz nascer o sentimento de superproteção, que atrapalha o estímulo à responsabilidade autônoma. O QUE É... A educação dos filhos dos seres humanos deveria imitar, pelo menos em parte, a das aves e de outros mamíferos. Observe que esses animais oferecem uma proteção ilimitada aos filhotes em tudo quanto diz res- peito às condições biológicas de sobrevivência. Assim sendo, não deixam faltar água ou alimento, cuidam da proteção dos pequenos e por ela lutam com força que se redobra. Mas os animais não “enchem a bola” dos filhotes, aplaudindo-os a todo momento, achando que são especiais e muito mais lindos do que os filhotes de outros bichos, ainda que da mesma espécie. Os humanos saudáveis, pais que efetivamente me- recem a dignidade dessa missão, também exercem cuidados e proteções biológicos, mas às vezes exage- ram muito, desenvolvendo o sentido de superproteção. Com essas considerações não se pretende negar o que se disse anteriormente. O amparo emocional é essencial, e o elogio precisa sempre acompanhar o crescimento, mas existe diferença entre proteger e superproteger. Querer o melhor para os filhos não significa jamais facilitar-lhes demais as coisas, evi- tar-lhes desapontamentos, impedir que assumam o senso de responsabilidade pelo que fazem. Existe uma diferença imensa entre fingir que algo feito de modo errado não aconteceu, acobertando a falha e estimulando a irresponsabilidade, e “cair de pau” sobre algo que foi feito errado, desfiando um rosário de críticas, inventando castigos e penas e fazendo da sala de jantar — ou da sala de aula — a antecâ- mara de um minipresídio correcional. O meio-termo é a síntese do bom, e uma boa edu- cação abomina a vergonha pelo erro e a sensação de culpa que exige expiação, colocando em seu lugar o sentido de responsabilidade pela falha cometida. Pa- pel que se joga fora do cesto, por exemplo, é para ser apanhado novamente para que fique no lugar certo, mas a firmeza dessa conduta não implica “cara feia” para exigir autoridade no cumprimento. LIG H T FIELD ST UD IO S / stock.adobe.com 93 O desenvolvimento moral de uma criança não é tanto uma questão de razão, mas, sim, de sentimento, e, portanto, lindos argumentos favoráveis a uma conduta costumam entrar por um ouvido e sair pelo outro. Muito mais eficientes que palavras, mui- to mais marcantes que conselhos, são os atos dos adultos exercitados em forma de exemplos, mas evidenciados por meio das palavras que os demonstram. Levantar- -se da mesa para levar ao lixo um papel amassado, ao lado de um comentário como “Está vendo como eu não atiro coisas ao lixo, mas levanto-me e vou até ele”, é bem mais significativo que o gesto simples, nem sempre percebido. Reiterando o exemplo, seria legítimo afirmar que uma criança não desenvolve o sentimento de respon- sabilidade se não sentir que há outros modos de agir e que sãomelhores. Se imita um amiguinho que age de forma incorreta e se sua forma de agir causa espanto e decepção aos pais, não é no ato de incutir-lhe sentimento de culpa e de vergonha que se está educando para a responsabilidade, mas no sentimento que emerge quando se mostra que nem todos agem assim. Isso não significa ensinar-lhe que seu amigo “age de maneira errada por- que não tem responsabilidade”, mas que, talvez, não tenha aprendido que existem maneiras mais corretas de agir. Além disso, é importante que a criança pense que o senso de responsabilidade não constitui uma qualidade que apenas pais e professores apreciam, mas que é apreciada por todos. Quando for possível, extraia de desenhos animados, cenas de novela, notícias de jornal e, sobretudo, de histórias que se contam exemplos de ação responsável, chamando a atenção da criança para a beleza dessa conduta. A consciência que toda criança tem de si mesma é elemento essencial na formação de seu senso de responsabilidade. Não é importante que a criança diga apenas “Eu sou assim”, mas que reflita se é bom ou não “ser assim” e que seja levada a definir se quer melhorar algo em si mesma e como pretende fazer para que essa transformação ocorra. Não se preocupe, nessas horas, em ser ilimitadamente explícito. Funciona bem mais induzir com perguntas a descoberta da criança. “O que você achou da atitude do Ronaldo?” vale bem mais que “Você viu como foi maravilhoso o que o Ronaldo fez?”. ©Vasyl / Stock.adobe.com COMO FAZER 94 E AINDA MAIS... Ajude as crianças a fazerem planos, a estabe- lecerem metas. Mostre-lhes a diferença entre os planos imediatos e os que demoram bastante para se concretizar, os planos mais simples e os mais difíceis, os que praticamente não envolvem a mobi- lização de qualquer recurso e os que, ao contrário, parecem situados entre a fronteira do possível e do sonho. Fazer planos a curto, médio e longo prazos é importante, mas bem mais importante é o esforço no sentido de buscar concretizar os planos traça- dos. Para que essa concretização seja construída, é importante que se anotem os planos e que se ajude a criança a pensar no tempo possível para seu al- cance. Não esqueça essas anotações e em muitas oportunidades chame a criança para conversar so- bre esses planos. Se a criança quiser trocá-los por outros e mostrar seu enfoque em outras metas, en- tenda que isso é natural, o que não é natural é tentar viver sem qualquer planejamento, passar pela vida sem projetos, sem metas. Jamais aceite que a criança o encare como “per- feito” ou um “fazedor de coisas certas”. Mostre-lhe que os adultos às vezes também se fragilizam e que não há vergonha alguma em assumir que também erramos. Muito mais importante para a educação de uma criança é descobrir que seu pai ou seus pro- fessores procuram sempre “corrigir sua rota” e, as- sumindo erros, buscam corrigi-los do que acreditar que são infalíveis. Converse com a criança sobre “heróis”. Ouça quais pessoas ela elege como tal e fale também de “seus heróis”, ensinando-a que o verdadeiro heroís- mo não está, por exemplo, na força, mas na forma como é usada essa força, que não é expressa pela valentia em si, mas pelo uso que se faz da valentia. Ajude-a a ser “um herói” mostrando-lhe o mé- rito que existe mesmo nas pequenas conquistas, se alcançadas com persistência. Ensine-a a ser persis- tente, destaque a persistência que admira em outras pessoas e ajude-a a se tornar uma admiradora de todos aqueles que lutam por um ideal, mesmo que, a princípio, pareça de difícil alcance. Ensiná-la a ser responsável significa tornar-se alguém capaz de responder pelos próprios atos e, dessa forma, acatar que toda causa gera uma consequência. Se a criança porta-se mal em uma festa ou em um shopping, não há qualquer problema em retirá-la desse lugar, mas, após passar a raiva, deve-se conversar com a criança mostrando que seu castigo não surgiu do desejo adulto de castigá- -la, mas como inevitável consequência da maneira como ela agiu. Ajude a criança a construir um có- digo de sanções que acredita ser viável para atos praticados e desperte a responsabilidade dela para cumprir essas mesmas sanções que estabeleceu. Tornar-se responsável é, antes de mais nada, sa- ber dizer “não”, e não se chega a esse estágio sem muita conversa, sem valer-se de muitos exemplos e sem que a criança descubra que nem todas as normas desagradáveis são normas injustas. ANTUNES, Celso. A linguagem do afeto: Como ensinar virtudes e transmitir valores. Campinas: Papirus, 2005. 95 PENSAMENTO “No mundo das tecnologias, o papel do professor será mais valorizado, como formador na ética e na cidadania, o que nenhuma máquina pode fazer.” Kh us hb oo S um ee t/ pe op le im ag es .c om | st oc k. ad ob e. co m Andrea Ramal 96e emi- tindo julgamentos variáveis sobre as coisas, pode fazer dela a motivação para a busca do divino. A verdade absoluta é Deus. AÇÃO CORRETA – ASPECTO FÍSICO A ação correta resulta da nossa sintonia harmônica com a natureza e o universo. Agi- mos corretamente sempre que ouvimos a voz interior, nossa consciência. É um valor humano porque, sendo o ho- mem uma mescla de ignorância e conheci- mento, de bem e mal, tem na ação correta a prevalência do bem. Só o ser humano é capaz de moldar seu caráter e escolher o próprio comportamento. Como valor absoluto, é a lei cósmica eterna que tudo sustenta e permeia. AMOR – ASPECTO PSÍQUICO O amor é a energia de criação, coesão, transformação e manutenção da vida. É a força que abastece a psique, a alma. Essa ple- nitude é o alimento que nutre nossa mente e se reflete em nossos pensamentos, palavras e ações. O exercício do amor revela nosso ser profundo, sagrado, transcendental e sublime. Quando conseguimos transpor a autopreser- vação e o sentido de posse e vencemos os li- mites das preferências e aversões, realizamos a divindade na condição humana. Como valor absoluto, é a manifestação de Deus. PAZ – ASPECTO MENTAL A paz é o alicerce da felicidade do ser hu- mano. Ela advém da eliminação da desordem interior criada pelos estímulos dos sentidos e das emoções e pela formação sucessiva e não seletiva de pensamentos e desejos. Nossa mente pode ser nossa principal aliada, mas também o nosso mais sério obstáculo a ser transposto. Disciplinada, é o ponto de equilíbrio entre a personalidade e o espírito. Desorientada, é fonte de inquietações, pensa- mentos inúteis e desgastantes. Na paz, é que se processam as transformações da nossa personalidade. Enquanto valor absoluto, é a bem-aventurança divina. NÃO VIOLÊNCIA – ASPECTO ESPIRITUAL A não violência é o reflexo da vitória do espírito sobre nossa natureza animal instin- tiva. Respeitar a si mesmo, todos os seres e coisas criados e as leis naturais, com hu- mildade, amor e cooperação, é vivenciar a não violência. A vida se nutre da vida, mas o ser humano pode subsistir sem causar da- nos desnecessários às demais formas de vida. Pela não violência revelamos o que existe de melhor em nós. É a característica dos fortes e mansos de coração. É um valor absoluto, porque é a meta da realização humana. CARVALHO, Luiz Edgar de. Há maneiras de ler que são maneiras de ser: Programa de Educação em Valores Humanos. Lumensana Publicações Eletrônicas para ler e pensar. Março 2009. 12 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM CONTEÚDOS • O que é ética? • O diálogo • O respeito • A solidariedade • A justiça HABILIDADES • Entender o conceito de ética. • Reconhecer valores fundamentais para a vida em sociedade: o respeito, a justiça, o diálogo e a solidariedade. • Compreender a importância da prática do diálogo em todos os grupos sociais. • Identificar a atenção dada às pessoas como uma prática saudável de respeito ao outro. • Reconhecer atitudes de solidariedade ao próximo. • Entender a necessidade de se praticar a justiça. • Demonstrar autonomia em relação aos assuntos estudados. • Valorizar o aprendizado de aspectos fundamentais para se viver em sociedade: respeito, justiça, diálogo e solidariedade. • Manter a ética no ambiente escolar e fora dele. • Valorizar o diálogo em casa, na sala de aula e em outros espaços sociais. • Praticar atitudes de solidariedade com os colegas. • Refletir sobre a justiça praticada na escola e fora dela. METODOLOGIA • Explicar o que é ética e como ela pode ser praticada no nosso dia a dia. • Criar um diálogo com um colega, demonstrando situações comuns, como o momento das brinca- deiras na hora do recreio ou as atividades em grupo, etc. • Descrever atitudes de respeito ao outro. • Dramatizar situações em que praticamos a solidariedade. • Identificar a prática da justiça em textos estudados. VectorBum | stock.adobe.com 13 aGRADES SEMANAIS 1a SEMANA 5a SEMANA 2a SEMANA 3a SEMANA 4a SEMANA Semana de adaptação - Dinâmica - página 5 Dicionário da amizade • Objetivo: Conhecer os colegas. • Idade: Todas. • Material: Folhas e lápis. Para desenvolver essa dinâmica, cada um dos integrantes deve receber uma folha. Em seguida, peça aos participantes que escrevam, em uma folha, um “dicionário” com palavras que remetem a bons valores e a atitudes que fazem parte das amizades. Além disso, os alunos devem escrever ao lado das palavras o que, para eles, é a definição de cada uma. Após isso, eles devem trocar a folha com os colegas e ler o que cada um recebeu. Ao fim, deve ser estabelecido um momento para eles falarem o que descobriram com o “dicionário” do colega e os valores absorvidos. Semana de revisão Orientação didática: Realize um exercício de fixação para revisar os conteúdos estudados. Cidadania Moral e Ética – O que é ética? – página 6 Orientação didática: Procure trabalhar a leitura de imagens de diversas situações nas quais possam ser exploradas atitu- des éticas. Peça aos alunos que pesquisem, em revistas ou na Internet, diversas imagens que mostram atitudes éticas. Em seguida, confeccione com elas um mural. Cidadania Moral e Ética – O que é ética? – página 7 Orientação didática: Explique para o aluno que a ética e o respeito são valores fundamentais que devem ser cultivados e promovidos em todos os lugares — em casa, na escola, na rua ou no parque. Cidadania Moral e Ética – O diálogo – páginas 8 e 9 Orientação didática: Promova uma discussão com os alunos para maior compreensão do assunto estudado. Simule drama- tizações reportando situações do dia a dia em que é necessário exercitar o respeito e o diálogo. Instrua as crianças a criarem textos em que se fale sobre o respeito entre as pessoas. Exalte o valor da participação dos alunos. 14 6a SEMANA 7a SEMANA 8a SEMANA 9a SEMANA 10a SEMANA Cidadania Moral e Ética – O respeito – página 10 Orientação didática: Construa com sua turma o “varal dos comportamentos que quero ter”, no qual ficarão diariamente expostos exemplos de atitudes que dialogam com os combinados escolares. Solicite que cada crian- ça desenhe, pinte e/ou escreva um bom comportamento que teve, gostaria de ter ou que observou em algum colega. Peça que cada estudante fale sobre os comportamentos que registrou. No momento em que pendurarem esses registros no varal, promova uma discussão sobre a importância dessas posturas para uma convivência respeitosa. Cidadania Moral e Ética – O respeito – página 11 Orientação didática: Convide os estudantes para uma roda de conversa sobre o que é tratar os outros com respei- to. Amplie essa discussão questionando: “Vocês concordam com a frase ‘Respeite os mais velhos’?”. Problematize: “Por que devemos respeitar os mais velhos?”, “É a idade que define quem merece ser respeitado?”. Cidadania Moral e Ética – A solidariedade – páginas 12 e 13 Orientação didática: Colocar-se no lugar do outro é o primeiro “gatilho” para se tornar uma pessoa mais solidária. Assim, ao ensinar solidariedade para as crianças, comece fazendo com que elas entendam como seria estar no lugar de outra pessoa em determinada situação. Cidadania Moral e Ética – A justiça – páginas 14, 15 e 16 Orientação didática: Convide os alunos para se sentarem em círculo e pergunte a eles o que entendem por direitos e de- veres. Anote na lousa as ideias iniciais apresentadas. Auxilie os alunos no esclarecimento de que as leis e regras da sociedade existem para que as pessoas cumpram os seus deveres e tenham os seus direitos preservados. Ressalte que na escola, assim como em todo e qualquer espaço social, também existem regras para garantir que as pessoas possam usufruir de tal espaço segundo o princípio da equidade e da justiça. Semana de avaliação Orientação didática: Realize atividades de avaliação abordando os conteúdos estudados. 15 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Queda do chapéu da ética Formação: Turma em círculo e um aluno no centro. Materiais: Um chapéu e fichas contendo palavras relacionadas aoconceito de ética. Desenvolvimento: A criança no centro do círculo jogará o chapéu para cima dizendo uma das palavras das fichas. Quem estiver com a ficha que tenha a mesma palavra deverá correr para pegar o chapéu antes que ele caia no chão e assim sucessivamente. Caso não consiga pegar o chapéu, o aluno no centro continua e diz uma nova palavra. GUEDES, Maria Hermínia de Sousa. Continuando a brincadeira. Rio de Janeiro: Sprint, 2005. 6 1616 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Entregue para os alunos metade de uma folha de papel-sulfite desenhada com o seguinte formato. Peça aos alunos que escrevam na cartela os quatro valores estudados (respeito, justiça, solidariedade e diálogo). Explique que podem repetir o mesmo valor quantas vezes quiserem, desde que não deixem de colocar os quatro na cartela. 7 Continua... 1717 Em seguida, fite os valores trabalhados. Verifique o valor que mais se repetiu entre os alunos e questione-os acerca das opiniões que têm sobre ele. Na atividade desta página, manifesta-se uma excelente ocasião para avaliar como os alunos interpretam e canalizam lições. Incentive-os de modo que eles não tenham receio de expressar o saber de forma livre, sem buscar “a forma certa” de expor ideias. 8 Respeito Respeito Solidariedade Justiça Respeito Solidariedade Diálogo Respeito 1818 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Material: Papel em tiras. Ponha uma pilha de tiras de papel em cima da mesa e escreva situações no quadro, por exemplo: “Cliente com uma reclamação em uma loja”, “Crian- ça querendo um pedaço de bolo da mãe”. Nas tiras de papel, estarão escritas frases educadas e frases ofensivas. Divida as crianças em duplas. Um dos alunos vai até a pilha, pega uma tira e diz ao outro o que está escrito. A dupla então avaliará se a atitude foi boa ou não para o diálogo e farão sugestões, nas fra- 9 ses ofensivas, sobre o modo correto de proceder na situação proposta. Explore a oralidade dos alunos nessa atividade, bem como a noção de diálogo e respeito ao próximo que eles carregam em si. Preste atenção a qualquer comportamento que não esteja em acordo com o valor trabalhado (sem suprimir a heterogeneidade do aluno, claro) e guie-os à compreensão da importância do diálogo positivo para a boa convivência entre as pessoas. 1919 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Com os alunos em círculo, peça que cada um pense em uma palavra, sem verbalizá-la nesse momento. Solicite, então, que todos, a um sinal dado por você, falem alto a própria palavra, ao mesmo tempo. Em se- guida, peça aos alunos que repitam a palavra dita por cada um dos colegas. Abra espaço para que os alunos compartilhem o que sentiram e perceberam durante a atividade. Geralmente, eles falam sobre a impossibili- dade de ouvir o colega por conta do barulho. 10 Na sequência, problematize perguntando: “O que esta atividade tem a ver com o tema diálogo?” (acres- cente às respostas que, no diálogo, é importante ouvir o outro e também ser ouvido); “Será que é possível estabelecer e manter um diálogo quando não se ouve e não se presta atenção ao que o outro está dizendo?”. Ao final, pergunte aos estudantes se há uma rela- ção entre diálogo e respeito. 2020 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Com os alunos divididos em gru- pos, sorteie temas como respeito, amizade, união, gentileza e solida- riedade. Após o sorteio, solicite aos alunos que façam um trabalho en- volvendo o tema sorteado (pode ser cartaz, poema, música, dança, entre outros). Ao final da apresentação na turma, o trabalho pode ser estendido e apresentado para toda a escola. 11 2121 Inicie a aula solicitando aos alunos que reflitam sobre a palavra solidariedade e as várias situações a que ela nos remete. Proponha algumas questões que podem ser facilitadoras para tal reflexão, como: “Ao ouvir a palavra solidariedade, vocês conseguem se lembrar de algum acontecimento específico?”; “Vocês se recordam de como se sentiram ao praticar um ato de solidariedade?”; "Já tiveram alguma experiência em que alguém foi solidário com vocês?"; “O que vocês têm para contar sobre suas experiências com as atitudes solidárias?”. ARAÚJO, Liliane dos Guimarães Alvim. Solidariedade: da reflexão à ação. Portal do Professor – MEC. Online. Adaptado. 12 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA 2222 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Partindo do princípio de que a solidariedade é um valor que se constrói na relação do sujeito com o outro, torna-se imprescindível que a escola ofe- reça espaços para viabilizar a aprendizagem de tal virtude. As aulas devem ter o propósito de auxiliar o aluno na compreensão de que a solidariedade vai além do âmbito da ajuda financeira, realizada atra- vés da doação de alimentos, roupas, brinquedos, dentre outras. 13 Sabe-se que contribuir para que os alunos tor- nem-se solidários não aniquila os problemas so- ciais, a que todos os brasileiros estão expostos e sujeitos, dada a má distribuição da renda no País, mas colabora com a construção de uma sociedade em que possa haver sonhos e esperanças de dias melhores para todos. ARAÚJO, Liliane dos Guimarães Alvim. Solidariedade, um valor que se constrói. Portal do Professor – MEC. Online. Adaptado. 2323 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Oriente os alunos a realizarem, previamente, um estudo sobre o tema justiça e meio ambiente. Divida a turma em gru- pos e organize uma dramatização com situações de injustiça com os recursos naturais: converse com as crianças sobre o que os seres humanos estão fazendo para evitar a degradação do meio ambiente. Incentive os alunos a prepararem cenários e utilizarem recursos como fantoches, etc. Depois das apre- sentações, realize um debate e faça alguns questionamentos, como: “As pessoas estão sendo justas com elas mesmas?”; “De que forma podemos contribuir para que todas as pessoas tenham as mesmas condições de igualdade?”. 14 D am ir Khabirov | stock.adobe.com 2424 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Leve uma imagem do símbolo da justiça (uma balança) e explore-a junto aos alunos, perguntan- do-lhes se sabem o que ela representa. Ressalte que tal objeto simboliza a equidade, o equilíbrio, a igualdade das decisões aplicadas pela lei. Peça aos alunos que imaginem que a balança da justiça é capaz de pesar os direitos e os deveres dos alunos na escola e pergunte que direitos e deveres cada um deles selecionaria para colocar na balança para que ela ficasse equilibrada. 15 ANOTAÇÕES 2525 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Foque os objetivos da educação: discernimento hábil entre o bom e o mau, o verdadeiro e o falso e preferência para o bom e o verdadeiro (e não para o mau e o falso). Converse com seus alunos sobre as formas de se fazer justiça. Exemplifique algumas práticas cotidianas que demonstram a prática da justiça em ambientes de convívio social. 16 bom e o mau verdadeiro e o falso 2626 Certa vez fui chamada para dar uma palestra sobre o papel da felicidade no processo de ensino-aprendizagem. Como de costume, a fim de personalizar a apresentação, perguntei à dire- ção da escola quais pontos gostariam que fossem enfatizados. A resposta foi a necessidade de autoestima profissional e melhoria na qualidade dos relacionamentos entre professor e aluno. Muito bem. Estava eu quase no fim da palestra quando uma professora levantou a mão e disse: “Tudo muito bonito, Solimar. Só que eu não sou paga para amar meus alunos, não”. Eu respondi: “É verdade. Somos pagos para lecionar, educar, ministrar nossa disciplina. Afinal, este é nosso trabalho. Não somos pagos para amar. Amar se faz de graça. Já está na lei que diz ‘ama ao próximo como a ti mesmo’. O amor tem que ser gratuito. Se formos pagos para amar, isso não é amor”. Eu tinha um aluno chamado Lucas, que era aquele tipo de aluno que logo rotulamos de “Não quer nada com nada”. Bagunceiro, preguiçoso, não fazia nada. De repente, Lucas mudou em minhas aulas. O que fiz? Um gesto simples, não intencional. Ele precisava de ajuda para entender um ponto da matéria; parei ao lado dele, expliquei novamente, designei outro alunopara acompanhá-lo mais de perto — tirando dúvidas. Enquanto eu atendia outros alunos, voltei para ver o resultado e elogiei sinceramente os esforços dele perante a turma. Pronto, na aula seguinte Lucas estava com todo o dever pronto e foi o primeiro a querer me mostrar o caderno. Ele entendeu o pequeníssimo gesto de amor. Eles percebem quando nós amamos a turma. A nossa energia boa, positiva, viva é irradiada por todos os poros e sai pelos nos- sos olhos amorosos. Certa vez alguém disse que era impossível esconder o amor onde ele está presente e fingir um amor que não existe. De certa forma, muito verdadeiro isso. Professor tem que amar trabalhar com gente! Amar seus alunos. Esse amor é ilustrado por uma outra história da qual eu gosto muito. FUNDAMENTAÇÃO AME SEUS ALUNOS Irina | stock.adobe.com 27 EU AMAVA AQUELES GAROTOS Um professor universitário levou seus alunos de Sociologia às favelas de Baltimore para estudarem as histórias de duzentos garotos. Pediu a eles que redigissem uma avaliação sobre o futuro de cada menino. “Eles não têm chance alguma.” Vinte e cinco anos mais tarde, outro professor de Sociologia deparou-se com o estudo anterior. Pediu aos seus alunos que acompanhassem o projeto, a fim de ver o que havia acontecido com esses garotos. Com exceção de vinte deles, que haviam se mudado ou morrido, os estudantes descobriram que 176 dos 180 restantes haviam alcançado uma posição mais bem-sucedida do que a comum, como advogados, médicos e homens de negócios. O professor ficou intrigado e resolveu continuar o estudo. Felizmente, todos os homens continuavam na mesma área, e ele pôde perguntar a cada um: “A que você atribui o seu sucesso?”. Em todos os casos, a resposta veio com sentimento: “A uma professora”. A professora ainda estava viva. Ele a procurou e perguntou à senhora idosa, embora ainda ativa, que fórmula mágica havia usado para resgatar esses garotos das favelas para um mundo de conquistas bem-sucedidas. Os olhos da professora faiscaram, e seus lábios se abriram em um delicado sorriso: — É realmente muito simples — disse ela. — Eu amava aqueles garotos. Eu realmente espero que meus alunos tenham sucesso na vida. Eu acredito que é possível, mes- mo quando nem eles mesmos parecem acreditar. Sei que às vezes, aliás, muitas vezes, é frustrante para o professor estar em uma sala de aula em que a maioria parece não estar interessado. Afinal, sabemos que parece que a educação deixou de ser a prioridade das pessoas há bastante tempo. Entretanto, quando um aluno se torna bem-sucedido, você sente que alcançou o verdadeiro sucesso como professor. Alguns dos meus grandes amigos foram meus alunos, talvez pelo simples fato de eu amá-los primeiro. SILVA, Solimar. 50 atitudes do professor de sucesso. Petrópolis: Vozes, 2014. 28 O que vamos estudar: • Cidadania, meio ambiente e sustentabilidade • A natureza • O meio urbano • A família e o meio ambiente • A escola, um ambiente especial 29 FUNDAMENTAÇÃO O PROFESSOR–ALUNO: SUGESTÕES PRÁTICAS PARA MELHORAR SEU ENSINO O bom professor nunca deixa de ser aluno. Como aluno, o professor está sempre aprendendo — sobre si mesmo, sobre seus alunos, sobre o mundo em que vive. As sugestões que se seguem resumem algumas ideias práticas para tornar o professor um excelente aluno e, como consequência, um professor muito melhor. • Prepare-se com antecedência, evitando a im- provisação. Assim, você não empregará a sua ener- gia na “tensão didática” durante a semana, guar- dando-a para os momentos de meditação e para a vida pessoal. • Pratique a estratégia “Atacar e descansar”, ou seja, trabalhar a lição um pouco cada dia e depois permitir que ela fique “fervendo” em sua mente e no seu coração em um período de “descanso”. • Ache um colega com quem possa conversar a respeito do ensino. • Faça pesquisas informais durante a semana com membros da classe para descobrir opiniões e experiências com o tema daquela semana. • Programe atividades extraclasse com sua turma. • Assim que terminar a lição, avalie a aula os méto- dos, etc. Anote as mudanças que fará da próxima vez. • Logo após a lição, reformule seu plano de aula e prepare o plano da próxima semana. • Obtenha feedback (retorno) sobre suas aulas e seu desempenho como professor por meio de um ou vários destes canais: • Prepare um plano de aula e siga-o! Faça a si mesmo algumas perguntas-chaves sobre a lição no final do seu preparo: - Questionários preenchidos pelos alunos. - Conversas informais com os alunos (e/ou os pais deles). - Gravações ou vídeos das suas aulas. - Grupo de “colaboradores” com quem possa dia- logar antes e depois da aula. - Divulgação do seu endereço eletrônico para os alunos conversarem sobre a aula, esclarecerem dúvidas, etc. - Conheço bem o texto? - Existe algum método criativo apropriado para visualizar ainda melhor essa aula? - Posso envolver os alunos ainda mais no pro- cesso de aprendizagem? - Há aplicação prática e objetiva incluída na lição? - Tenho todos os materiais prontos para ensinar essa aula? MERKH, David J. 101 Ideias criativas para professores. 4. ed. São Paulo: Hagnos, 2002. Adaptado para fins didáticos. PERGUNTAS PARA DISCUSSÃO Como você tem obtido retorno sobre seu ensino? O que você tem aprendido? O que significa a estratégia “Atacar e des- cansar” no preparo de uma aula? Como funciona? Como seria o preparo ideal de um profes- sor durante a semana? (Procure escorçar, no domingo, como será sua aula em cada dia da semana.) Quais são algumas maneiras práticas pe- las quais o professor pode continuar sendo aluno? 30 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM CONTEÚDOS • Cidadania, meio ambiente e sustentabilidade • A natureza • O meio urbano • A família e o meio ambiente • A escola, um ambiente especial HABILIDADES • Compreender o conceito de meio ambiente e entender o que é ética no meio ambiente. • Reconhecer a necessidade de conviver em harmonia com a natureza. • Identificar problemas enfrentados no meio urbano. • Perceber a casa como um meio ambiente, um lugar para onde, mesmo indo a outros lugares, sem- pre voltamos. • Reconhecer a escola como um ambiente especial, onde se desenvolve a aprendizagem. • Respeitar o meio ambiente, conscientizando-se da necessidade que temos dele para viver. • Praticar ações de ética no meio ambiente e para com a natureza. • Interessar-se pela conservação do meio urbano. • Respeitar a casa, o ambiente particular em que se vive, cuidando para garantir o bem-estar de todos os familiares. • Valorizar a escola como local onde se desenvolvem potencialidades. METODOLOGIA • Explicar o que é meio ambiente e relacionar atitudes de ética no meio ambiente a situações do dia a dia. • Produzir textos sobre as ações humanas na natureza. • Confeccionar a maquete de uma fábrica para demonstrar a poluição no meio urbano. • Relacionar as atividades feitas em casa com as que são feitas em sala de aula para garantir o aprendizado e a importância de um meio ambiente saudável para se viver. • Criar cartazes sobre o tema A escola, um ambiente especial. 31 aGRADES SEMANAIS 11a SEMANA 12a SEMANA 13a SEMANA 14a SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 17 Importância do grupo • Objetivo: Despertar a proximidade e promover a relação com o outro. • Idade: Todas. • Material: Papéis e canetas. Devem ser distribuídas quatro folhas e uma caneta para cada participante. Em cada uma das folhas, os participantes deverão desenhar uma mão, um pé, uma cabeça e um coração. Eles devem ser orientados a escreverem, na mão, o que podem oferecer ao grupo e, no pé, o que aprenderam na caminhada até o momento. Já na cabeça, devem escrever as ideias que surgiram duran- te a interação com o grupo e, no coração, o que sentem em relação a todos. Essa dinâmica serve para despertar uma proximidade com o grupo e expor quais valores expressa- mos e esperamos dos outros. Cidadania Moral e Ética – Cidadania, meio ambiente e sustentabilidade – páginas 18, 19 e 20 Orientaçãodidática: Converse com seus alunos sobre a importância do meio ambiente para os seres vivos. Pesquise notícias e reportagens sobre a organização funcional do meio ambiente. Monte, com os seus alunos, um painel ilustrativo do meio ambiente. Cidadania Moral e Ética – Cidadania, meio ambiente e sustentabilidade – páginas 21 e 22 Orientação didática: Confeccione, com os alunos, uma maquete, utilizando massa de modelar, palito de picolé, de chur- rasco, isopor, lápis de cera, entre outros materiais, para representar o meio ambiente. Cidadania Moral e Ética – A natureza – páginas 23 e 24 Orientação didática: Estimular o contato com o meio ambiente é muito importante para desenvolver uma consciência ambiental nos alunos. Leve seus alunos para ambientes onde eles possam correr, brincar, aprender e exercitar a curiosidade, como praças, parques florestais, hortas, planetários e lagos. 32 15a SEMANA 16a SEMANA 17a SEMANA 18a SEMANA 19a SEMANA 20a SEMANA Semana de revisão Orientação didática: • Realize um exercício de fixação para revisar os conteúdos estudados. Cidadania Moral e Ética – O meio urbano – páginas 25 e 26 Orientação didática: Para engajar os alunos no tema, pense nas atividades a partir do cotidiano dos estudantes, refletin- do, por exemplo, sobre como eles se deslocam pela cidade. Cidadania Moral e Ética – O meio urbano – página 27 Orientação didática: Faça perguntas como: “Será que a relação com o espaço urbano de quem usa transporte coletivo é a mesma de quem usa transporte individual?” ou “A experiência de realizar determinado trajeto é a mesma para todas as pessoas, independentemente da cor de pele, do gênero, da idade e das caracte- rísticas físicas?”. Cidadania Moral e Ética – A família e o meio ambiente – páginas 28, 29 e 30 Orientação didática: A maior parte dos problemas ecológicos tem origem no descarte inadequado do lixo. Pergunte aos alunos se, na família deles, é feita a separação do lixo para reciclagem. É importante mostrar para as crianças que o descarte inadequado é prejudicial à sociedade como um todo. Cidadania Moral e Ética – A escola, um ambiente especial – páginas 31 e 32 Orientação didática: Assistir a um filme, um vídeo ou a um documentário é muito produtivo e inspirador para as crianças. Apresentar os temas das aulas usando essas táticas é mais eficiente e chama mais atenção dos alunos. Semana de avaliação Orientação didática: • Realize atividades de avaliação sobre os conteúdos estudados. 33 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA ANOTAÇÕES Promover momentos perto da natureza ou dar aulas ao ar livre é ideal. É importante conversar com os alunos sobre a incansável luta da natureza pela sobrevivência e lembrá-los das catástrofes como uma resposta ao caos que o meio ambiente vive. Alie outras disciplinas que se adéquam ao tema. Promova passeatas, murais, jograis, trabalhos em grupo. Use o lúdico, mas sempre mostre a se- riedade e a responsabilidade desse tema. 18 3434 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Você pode promover um debate com o objetivo de elucidar que cada ser é único, mas vive em so- ciedade, o que implica conviver com as diferenças. Respeitar as diferenças é ser flexível, compreender os pontos de vista e o jeito de ser dos outros. 19 Shubham M ayur/peopleim ages.com | stock.adobe.com 3535 20 Realize um passeio com seus alunos pelo jardim, pelo quarteirão ou pelo bairro da escola, para que eles sintam os cheiros peculiares de cada área, constatando assim a poluição do ar de cada ambiente. Siga o passeio fazendo referências também a esgotos que estejam a céu aberto, lixos e outros agentes poluentes do ar que encontrar no caminho. Depois, solicite que digam qual área acharam mais poluída. Solicite aos alunos que criem cartazes para chamar a atenção da população sobre a responsabilidade de cada um de nós em fazer o possível para diminuir ou acabar com a poluição do solo. ORIENTAÇÃO DIDÁTICA sarayut_ sy | stock.adobe.com 3636 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Jogo das perguntas e respostas a. Peça que um aluno elabore uma pergunta sobre o tema estudado e solicite a outro aluno que a responda. b. Solicite a um terceiro aluno que diga se con- corda ou não com a resposta do colega e por quê. c. Solicite a um quarto aluno que: 1. Repita a resposta do primeiro colega e a opinião do segundo. 21 2. Diga se concorda ou não com a opinião do segundo colega e por quê. Observações: 1a) A dinâmica poderá ter continuidade com uma nova pergunta. 2a) Você e seus alunos poderão comen- tar a experiência, observando contribuições à aprendizagem e manifestando percepções pessoais. 3737 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Hoje, mais do que antes, a sustentabilidade do planeta depende da confluência das ações de todos os países, de todos os povos. As grandes desigualdades entre ricos e pobres são prejudi- ciais a todos. “A ética do cuidado com a Terra aplica-se em to- dos os níveis, internacional, nacional e individual. Todas as na- ções só têm a ganhar com a sustentabilidade mundial, e todas estão ameaçadas caso não consigamos essa sustentabilidade. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente, saúde / Secretaria de Educação Fundamen- tal. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 32. 22 3838 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Elementos básicos da natureza Promova uma roda de conversa sobre os elemen- tos básicos da natureza, solicitando uma pesquisa de gravuras que representem vários desses ele- mentos. Para a realização dessa atividade, distribua revistas velhas e peça que, em grupo ou dupla, os alunos procurem as gravuras. Em seguida, junto com os grupos, monte um gran- de mural e coloque-o em um lugar visível da sala. 23 Pesquise diversas notícias e reportagens sobre a ação do ser humano na natureza, transformando os ambientes. Vale a pena realizar uma análise mais apurada das vantagens e desvantagens dessa ação. É possível ainda trabalhar ações voltadas para o desenvolvimento sustentável, ou seja, sem agredir a natureza. 3939 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Profissionais da natureza Elementos necessários: Biblioteca, caderno e caneta ou lápis. Procedimento: • Os alunos deverão pesquisar profissões direta e indiretamente relacionadas à natureza e ao meio ambiente. • Em seguida, cada aluno deverá elaborar uma re- dação na qual fale sobre a importância da profissão pesquisada e reflita sobre estas frases: “De que ma- neira o profissional pode colaborar para a melhoria da 24 vida e do meio ambiente?”, “Que atitudes ele pode ter para preservar melhor nosso planeta e nossa vida?”. Sugestão de profissões: • Lixeiro • Gari • Jardineiro • Guarda florestal • Faxineiro • Cozinheiro • Floricultor • Agricultor • Jornalista • Político • Artista • Professor BRANCO, Sandra. Atividades com temas transversais. São Paulo: Cortez, 2009. 4040 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Realize uma roda de conversa com os alunos sobre o meio urbano. Em seguida, exponha para todos, por meio de uma gravura, as partes do meio urbano. Proponha aos alunos assistirem a algum vídeo interativo sobre o tema. No decorrer do vídeo, faça pequenas pausas, explicando-lhes os detalhes. Promova um momento de reflexão sobre os malefícios que a zona urbana pode trazer para a vida das pessoas. Cite exemplos do cotidiano, como trânsito caótico, congestiona- mento, poluição sonora e visual, fumaça, poeira, agitação, etc. Incentive os alunos a interagirem na aula com você. 25 poluição sonora poluição visual fumaçapoeira agitação 4141 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Promova uma dinâmica em que a proposta é compartilhar a ideia que os alunos têm do meio urbano. Ela pode ser dividida em três momentos: 26 Primeiro momento: Proponha que cada aluno escreva, em tiras de papel, várias palavras que comple- tem a frase: “No meio urbano, é bom viver porque...”. Segundo momento: Divida a turma em grupos e peça a cada gru- po que discuta sobre o que foi escrito nas tiras individuais. Incentive as crianças a registrarem as principaisideias, criando uma pequena reda- ção coletiva, que expresse o conjunto das ideias apresentadas em cada tirinha de papel. Continua... 42 Terceiro momento: Solicite ao representante de cada grupo que leia para o restante da turma os textos elaborados. As crianças devem ser incentivadas a comentarem o trabalho de cada grupo. Em seguida, sugira que os alunos montem um mural ou uma dramatização a partir dos textos criados. Nesse caso, é necessário dispor, na sala, de materiais que ajudem na criação dos personagens. 27 CANDAU, Vera Maria; JACAUINO, Susana Beatriz. Et. al. Tecendo a cidadania. Oficinas pedagógicas de direitos humanos. Petró- polis: Vozes, 1995. Suresh/peopleim ages.com | stock.adobe.com 4343 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Cantinho da Família Um dia antes da atividade, solicite a cada um da turma que traga para a próxima aula duas fotos da família, algum objeto pequeno de casa e outro objeto pessoal. No dia da atividade, peça que cada um desenhe em um papel-ofício uma imagem da própria casa e das pessoas que vivem dentro dela. Depois, explique-lhes que cada educando vai mon- tar, em cima da própria mesa ou cadeira, um “Can- tinho da Família”, expondo as fotos, os objetos que trouxeram e o desenho, em uma arrumação livre. 28 Continua... H alfpoint | stock.adobe.com 4444 Esclareça que todos, agora, vão participar de uma visita a um “local de exposição” e que irão se deslocar para perto das cadeiras ou mesas, um de cada vez. Ao chegar ao local, o educando que fez o cantinho explica aos demais tudo que está exposto, podendo contar alguma história dos objetos. Todos estão livres para fazer alguma pergunta depois que o educando-expositor falar. Ao final, peça aos alu- nos que recolham os materiais e pergunte o que eles sentiram realizando esta atividade, qual a importân- cia de viver em família, de que eles mais gostam na família e por quê. 29 ANOTAÇÕES 4545 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Jogo da devolução Com a turma em círculo, solicite aos educandos que coloquem, no meio da sala, um objeto pessoal (lápis, caneta, caderno, etc.). Depois, peça para que cada um pegue um objeto que não seja seu. Quando todos estiverem com o objeto escolhido nas mãos, pergunte-lhes como é estar com algo que não é seu; se pegar algo de alguém sem pedir é certo ou errado. 30 Com isso, cada um vai apresentar o objeto que tem nas mãos, e o dono vai se revelar. O educando vai ao dono do objeto e fala: “Desculpe-me, eu de- volvo seu objeto”. O dono agradece. Todos devem proceder da mesma forma. Ao término da sequência, o educador conduz um bate-papo sobre o que eles mais aprenderam e por que é tão importante pedir desculpas. WENDELL, Ney. Praticando a gentileza em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2012. 4646 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Divida a turma em duplas. As duplas formam duas filas, uma de frente para a outra. Explique que, ao seu sinal, as duplas irão se en- contrar e fazer de conta que são dois amigos que se veem depois de muito tempo. Devem agir dessa forma duas vezes. Depois, agem como se fossem dois aniversariantes que parabenizam alegremente um ao outro, duas vezes. 31 Por fim, são dois amigos que vão se despedir e repetem a encenação duas vezes. Antes de se sen- tarem, devem agradecer ao colega com um abraço. Pergunte à turma o que mais aprenderam com a atividade e que palavras foram ditas para o outro. Lembre, junto à turma, os momentos marcantes e faça uma lista de termos gentis. Depois de ler a lista para a turma, questione-lhes a importância desses termos na convivência diária. 4747 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Na escola Combine com seus alunos que sempre haverá o ajudante do dia. Essa prática é importante para que os alunos adquiram responsabilidade pelas tarefas que lhes são incumbidas. As obrigações podem ser: • Ajudar o professor a distribuir e recolher o ma- terial de aula nas carteiras. • Apagar a lousa. 32 • Reservar, na biblioteca, os livros que toda a turma irá precisar. • Sempre recolher o lixo que se forma com as sobras de papel ou de outros materiais da aula de Artes. Guia Prático para Professores de Ensino Fundamental. São Paulo: Edições Lua das Artes, abril, 2005. 4848 FUNDAMENTAÇÃO Assim, cometeremos erros o tempo todo. A questão é buscarmos não repetir os erros cometidos. Devemos buscar incessantemente o aprimoramento em nos- sa profissão, seja ela qual for. Não dá para fazer como uma professora de Ciên- cias a cujas aulas uma aluna estagiária assistia. Essa professora tinha o mesmo caderno da época em que a estagiária estudou naquela escola. Em determinada aula, a professora ditava conteúdo relacionado a combustíveis. Quando um aluno perguntou sobre o GNV, que não estava em seu caderno amarelado, a professora desconversou e disse que seria tópico para uma outra aula. Meu filho Lucas, aos 3 anos, começou a utilizar a expressão “Você é medro- sa” quando se sentia contrariado. Acho que ele pensava que medrosa era uma palavra feia e, assim, estaria me ofendendo. Expliquei para ele que todos somos medrosos. Ele, espantado, perguntou: “Até eu, mamãe?!”. Sim, todos temos algum tipo de medo. E não há mal nisso. É necessário que tenhamos limites para nos proteger, pois o medo também é mecanismo de sobrevivência. Somos seres muito medrosos. Uma consulta rápida a uma lista de fobias no Wikipédia revela um dicionário imenso de fobias. Só na letra A temos mais de quarenta fobias listadas. No site há a informação de que os dicionários médicos trazem centenas de fobias e que o número de fobias possíveis é quase infinito. Então, embora ter medo seja algo natural e possa até mesmo desencadear aversões mais específicas, que seriam as fobias, nós devemos estar alertas em relação aos medos que nos paralisam profissionalmente. NÃO TENHA MEDO DE ERRAR O medo é um grande inibidor de novas ações. Às vezes, paralisamos por medo. E não me refiro aqui ao medo do qual somos reféns nas grandes cidades com a criminalidade e insegurança. Há medos invisíveis que nos prendem. Um deles é o medo de errar. Se temos medo de errar, muitas vezes sequer tentamos fazer algo diferente. As escolas, no geral, não valo- rizam o erro como forma positiva de exercício de criatividade. Ainda encontramos ambientes muito positivistas. É o certo e o errado. O preto e o branco. E esquecem as nuanças de cores e a gama de respostas possíveis. Saímos da faculdade sem saber de tudo e passamos a vida inteira sem sabê-lo. Estamos em constante processo de aprendizagem. Ou pelo menos deveríamos estar. A formação do professor deve ser contínua. É impossível que apenas três ou quatro anos de curso superior deem conta de nossa formação completa. Por isso mesmo, chama-se formação inicial. Não me lembro de onde li e qual é a fonte, mas há uma ci- tação que diz que a covardia é o medo consentido, enquanto a coragem nada mais é do que o medo dominado. E muitas vezes é isso mesmo que teremos que fazer: sentir medo, mas seguir adiante, minimizando o medo de errar. stpadcharin | stock.adobe.com 49 Lembro-me de que na adolescência eu ficava imagi- nando como os professores não ruborizavam diante da turma para dar aula. Logo eles, que passavam tão pouco tempo conosco, nunca pareciam tímidos, enquanto eu, para apresentar trabalhos, ficava logo vermelha como um tomate. Acabei me tornando a oradora ao final do Ensino Médio, quando estaríamos no teatro da câmara municipal da minha cidade, com todas as turmas de for- mandos e seus familiares e amigos me ouvindo. Fiquei ansiosa, tensa e fui para o palco quando chamada, ape- sar de já estar vermelha antes de segurar o microfone. As pessoas diziam que eu falava bem em público. Talvez não soubessem o quanto eu enfrentava esse medo várias vezes, em vez de fugir dos convites e obri- gações, na igreja ou na escola. Sentia medo, mas seguia em frente. Até que me tornei professora e palestrante. Tenho fascínio por falar em público. Mesmo que nos primeiros segundos ainda tenha medoe, muitas vezes, ainda ruborize. A paixão por compartilhar ideias e co- nhecimento é mais forte do que o medo de errar. Seja qual for o seu medo de errar, tente. Tenha hu- mildade suficiente para admitir os erros e as limita- ções. No início de nossa carreira, principalmente, talvez estejamos muito inseguros quanto aos aspectos do que ensinar e como. Talvez gastemos mais tempo prepa- rando uma aula e ainda fiquemos ansiosos com as per- guntas que os alunos podem fazer, com medo de não saber responder adequadamente. Costumo dizer para meus alunos, futuros professo- res, que não há nada de errado em dizer que não sabe, que vai pesquisar ou estudar mais sobre o assunto. Brinco dizendo que não podemos fazer isso o tempo inteiro, senão há algo errado. Precisamos nos preparar cada vez mais para entrar em sala de aula. Do contrário, os alunos vão começar a desconfiar também que não sabemos nada. Assim, tenhamos medo, mas aquele medo que nos faz ficar mais cautelosos, prepararmo-nos mais. Tenha, sobretudo, humildade. Não precisamos impressionar nossos alunos com nosso vasto conhecimento ou dar uma aula repleta de termos difíceis ou inacessíveis a eles. Temos que dar aulas para os alunos, não para nós mesmos. TENTE NOVAS FORMAS DE ENSINAR, CRIE PROJETOS, FAÇA ALGO DIFERENTE. TENHA MEDO, MAS NÃO TENHA MEDO DE ERRAR. SÓ ERRAMOS AO TENTAR FAZER ALGO. SILVA, Solimar. 50 atitudes do professor de sucesso. Petrópolis: Vozes, 2014. 50 O que vamos estudar: • O que é saúde? • O exercício físico e a alimentação • As vacinas • A saúde, um direito de todos • O que é a fome? 51 FUNDAMENTAÇÃO ESCOLA: REFLEXO DA CONVIVÊNCIA SOCIAL Riolando Azzi* A escola também reflete o modelo violento de convivência social. E o mais grave é que muitos educadores não se percebem como violadores dos direitos dos alunos. É o que podemos chamar de violência simbólica, que, segundo Dulce Whitaker (1994), “ajuda não só a obscurecer a violência que está no dia a dia, no cotidiano, como também a es- conder suas verdadeiras causas”. É a violência sutil que, em geral, não aparece de forma tão explícita e serve para escamotear e dissimular os conflitos. Essa mesma autora ainda chama a atenção para o fato de que muitas vezes “os professores não se dão conta de que o que torna as crianças apáticas não são propriamente os conteúdos ministrados, mas, sim, o ponto de partida da ação pedagógica, que se apresenta carregado de autoritarismo e, portanto, de violência simbólica”. Em uma pesquisa sobre a percepção dos alu- nos e educadores em relação à violência urbana e escolar, essa visão da escola enquanto espaço de violência é destacada pelos alunos, e estes exemplificam como ela se manifesta: “Quando o professor fala: ‘Este aluno está perdido comigo’” — isto porque o aluno era indisciplinado — “ou então ‘este aluno não quer nada com a escola e, por mim, está reprovado’”. E o mais interessante é que os professores não veem essas formas de relacionamento com os alunos como desrespeitosas ou violentas. Para estes, a violência na escola aparece, basicamen- te, na relação entre os alunos e destes para com o educador. É como se o professor pudesse ficar isento de tais práticas, mas, na verdade, todos nós somos produtos do conjunto das relações sociais da sociedade da qual fazemos parte. Daí a importância de termos conhecimento de como essas relações são produzidas para podermos pensar alternativas de superação. ESCOLA E FORMAÇÃO ÉTICA E qual é o papel da educação e da escola nesse contexto? Se entendermos que a educa- ção é um processo de construção coletiva, con- tínua e permanente de formação do indivíduo, que se dá na relação entre os indivíduos e entre estes e a natureza, a escola é, portanto, o local privilegiado dessa formação, porque trabalha com o conhecimento, com valores, atitudes e a formação de hábitos. Dependendo da concepção e da direção que a escola venha a assumir, esta poderá ser local de violação de direitos ou de respeito e de busca pela materialização dos direitos de todos os cidadãos, ou seja, de construção da cidadania. Entendemos que um projeto de escola que busque a formação da cidadania precisa ter como objetivo: tratar todos os indivíduos com dignidade, com respeito à divergência. Com frequência também, a classe burguesa em ascensão repete em suas atitudes o mesmo modelo da dominação senhorial. Enquanto, nas empresas e nas fábricas, os operários encontram restrições quanto aos direitos sociais, diversos membros da nova elite contribuem com esmolas para a cons- trução de igrejas e colégios confessionais, onde, inclusive, são educados os próprios filhos. A concepção neoliberal, atualmente em voga, repete com frequência o mesmo projeto burguês segundo o qual a modernização do País deve ser feita mediante o abandono e até mesmo a repres- são dos grupos marginalizados, considerados ineficientes e um obstáculo para o bem-estar do País. A queima dos mendigos e a violência contra os sem-terra evidenciam de forma dolorosa a cons- ciência burguesa a respeito da “inutilidade” dos seres humanos que não contribuem “ativamente” para o progresso brasileiro. *Riolando Azzi é doutor em Filosofia, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do Centro João XXIII, Rio de Janeiro. 52 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM CONTEÚDOS • O que é saúde? • O exercício físico e a alimentação • As vacinas • A saúde, um direito de todos • O que é a fome? HABILIDADES • Identificar atitudes éticas na saúde. • Apontar a importância da prática de atividades físicas e da alimentação balanceada para a saúde. • Enfatizar a necessidade das vacinas para a saúde pública. • Entender que a saúde é um direito de todos. • Identificar a fome como um problema sério que tem afetado o mundo. • Demonstrar autonomia nos assuntos estudados. • Apreciar as atividades físicas e o estudo da alimentação para a saúde. • Valorizar as campanhas do governo para a vacinação. • Argumentar sobre ações que demonstram o direito (ou a sua negação) à saúde. • Refletir sobre as possíveis soluções para este grande problema mundial, a fome. METODOLOGIA • Dramatizar situações envolvendo a ética na saúde e participar de um lanche coletivo. • Praticar atividades físicas, como alongamento ou outra atividade de movimento, no pátio da escola ou na sala de aula. • Confeccionar panfletos incentivando a vacinação para evitar doenças. • Produzir um texto sobre o direito de todos à saúde. • Pesquisar lugares em que as pessoas têm vivido situações de extrema pobreza e fome. oksix | stock.adobe.com 53 a 21a SEMANA 25a SEMANA 22a SEMANA 23a SEMANA 24a SEMANA Cidadania Moral e Ética – Dinâmica – página 33 Pular corda Pular corda melhora a capacidade cardiorrespiratória, queima calorias, fortalece pernas e pés e ainda melhora a coordenação motora — e diverte! Que tal relembrar as músicas de pular corda da infância e entrar na brincadeira? Vale até fazer adaptações com o nome da criança. [nome da pessoa] bateu em minha porta, e eu abri Senhoras e senhores, ponham a mão no chão Senhoras e senhores, pulem em um pé só Senhoras e senhores, deem uma rodadinha E vá pro olho da rua Semana de revisão Orientação didática: • Realize exercícios de fixação para revisar os conteúdos estudados. Cidadania Moral e Ética – O que é saúde? – páginas 34, 35 e 36 Orientação didática: Faça uma roda de conversa com os alunos e fale sobre como ser ético na saúde em situações prá- ticas do cotidiano. Solicite aos alunos uma pesquisa sobre os cuidados que podemos ter com a nossa saúde. Cidadania Moral e Ética – O exercício físico e a alimentação – páginas 37 e 38 Orientação didática: Separe um dia da semana e promova atividades como: jogar bola, pega-pega, caça ao tesouro e esconde-esconde, entre outras. Em uma era tão digital, brincadeiras assim acabam esquecidas, e, por isso, é preciso incentivar que as crianças as pratiquem. Cidadania Moral e Ética – O exercício físico e a alimentação –página 39 Orientação didática: Algumas atividades lúdicas relacionadas à alimentação saudável podem ser colocadas em prática durante as aulas. 1 - Fazer um jogo da memória com ingredientes (frutas, legumes, verduras) e o nome deles. O aluno que acertar experimenta o alimento; este é o jeito perfeito de assimilar nomes ao paladar. 2 - Preparar um prato saudável em conjunto, seguindo receitas simples, como uma salada. Dessa forma, a criança se envolve mais nesse processo. GRADES SEMANAIS 54 26a SEMANA 27a SEMANA 28a SEMANA 29a SEMANA 30a SEMANA Cidadania Moral e Ética – As vacinas – páginas 40 e 41 Orientação didática: Comece a aula fazendo perguntas aos alunos. Seguem algumas sugestões: • Quem aqui já tomou vacinas? • O que vocês sabem sobre as vacinas? • E sobre a vacina da covid-19? • De que são compostas as vacinas? • Como as vacinas funcionam em nosso organismo? Este é um momento rico de levantamento de conhecimentos prévios. Cidadania Moral e Ética – As vacinas – página 42 Orientação didática: Solicite, com antecedência, que no dia da aula os estudantes tragam a carteirinha de vacinação. Peça que observem os carimbos e a identificação das vacinas que eles tomaram. Imprima ou utilize um recurso visual para mostrar aos estudantes o calendário de vacinação, que indica todas as vacinas e as idades correspondentes previstas para cada uma. Cidadania Moral e Ética – A saúde, um direito de todos – páginas 43 e 44 Orientação didática: Inicie a aula explicando que um dos documentos mais importantes existentes para a garantia dos direitos dos adolescentes é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). E a saúde é um dos direi- tos apresentados nesse documento. Leia o artigo 4o para os alunos, depois promova um momento de reflexão. Cidadania Moral e Ética – O que é a fome? – páginas 45, 46, 47 e 48 Orientação didática: Para iniciar a aula, você pode relacionar o tema da fome ao município onde vocês residem, questio- nando se há casos de fome no local. Semana de avaliação Orientação didática: • Realize atividades de avaliação para os conteúdos estudados. 55 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Organize uma roda de conversa com seus alunos para discutir a importância da limpeza para a saúde. Ques- tione-os sobre os hábitos de higiene pessoal que cada um pratica e o que acham das pessoas que não gostam de tomar banho, escovar os dentes, lavar as mãos, etc. Converse com os alunos sobre a importância da saúde mental e emocional para o bom convívio em sociedade. Explique-lhes que pessoas mental e emocionalmen- te equilibradas são mais propensas a tomar melhores decisões e a conviver harmonicamente com as demais. 34 sitthiphong | stock.adobe.com 5656 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Distribua cópias do poema a seguir para as crian- ças e solicite-lhes uma leitura coletiva. Saúde Se saúde quiseres ter, mil cuidados vais tomar, com um banhinho de limpeza, perfumado vais ficar. Com a saúde tem cuidado, pois com esta não se brinca, os vírus não perdoam o menino que não se limpa. O banho devo tomar e, com dentes bem lavados, muito cheiroso quero ficar e manter os micróbios afastados. Publicado por: Cantinho Saúde, março, 2011. 35 As atividades propostas nesta página e na an- terior são uma oportunidade inicial de os alunos refletirem sobre o texto que leram e aliarem o co- nhecimento cotidiano ao que aprendem em sala de aula. Exalte práticas saudáveis e também formas de não expor a saúde a riscos desnecessários. 5757 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A escola é o espaço da aprendizagem, e nada melhor do que transformá-la em um local para a promoção dos cuidados com os dentes. Para isso, pode-se fazer uso de livros e filmes explicativos para ajudar a ilustrar as explicações sobre a impor- tância de escovar os dentes, por exemplo. O emprego de atividades lúdicas serve como mo- tivação para as crianças tornarem a higiene bucal um hábito diário. Como a maioria das atividades é realizada em grupo, os pequenos se sentem esti- mulados a seguirem os colegas. 36 ANOTAÇÕES 5858 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Corpo triste e corpo feliz Mostre para a turma diversas imagens de pes- soas tristes e peça que os educandos identifiquem como estão o corpo, o rosto, etc. Depois, peça que eles andem na sala como se fossem uma daquelas pessoas. Pergunte a eles como fica o corpo quando se está triste. Posteriormente, mostre imagens de pessoas alegres, pedindo que as observem o má- ximo possível. Novamente solicite que andem pela sala e imitem uma daquelas pessoas das imagens. Pergunte à turma o que mudou. Converse com os 37 educandos sobre como é possível identificar quando se está triste ou alegre. Solicite que façam uma pes- quisa na instituição, na rua e em casa, observando as pessoas e como elas demonstram o que estão sentindo. No outro dia, avalie com eles como foi a pesquisa e o que aprenderam. WENDELL, Ney. Praticando a generosidade em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2013. Adaptado para fins didáticos. 5959 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Incentive os alunos a terem uma alimentação saudável e a praticarem exercícios. Mesmo estando na escola, pode haver a visita de um nutricionista e de um educador físico para falar com os alunos sobre o tema. É uma boa ocasião para essa formação. 38 Prostock-studio | stock.adobe.com 6060 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Os exercícios propostos aju- dam a fixar as informações do texto de abertura da seção, fa- zendo a ligação com o cotidiano dos alunos, de modo que eles façam comparações e reflexões acerca de suas práticas alimen- tares e de exercícios físicos. 39 Studio R om antic | stock.adobe.com 6161 40 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Explique aos alunos que a vacinação é um direito de to- dos, por isso os cidadãos devem estar sempre atentos às campanhas que são promovidas pelo governo e ao calendário de vacinação. Aproveite a oportunidade para conversar sobre a importância da imunidade para a manutenção da saúde. Realize com seus alunos uma roda de debate, na qual cada criança poderá expor seus conhecimentos sobre o conteúdo. Peça-lhes que perguntem aos responsáveis quantas e quais as vacinas que elas já tomaram. Pesquise datas de futuras campanhas e fixe-as na en- trada do colégio, alertando os pais. Iryna | stock.adobe.com 6262 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA A conversa com as crianças encontra concretude na explicação com base nessas tabelas demonstra- tivas de vacinas e doenças que estas evitam. É muito importante essa visualização por parte dos alunos. Pesquise inclusive algum vídeo ou documentário de curta duração para exibir em sala, abordando o tema e correlacionando-o com a realidade. 41 ANOTAÇÕES 6363 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Para as atividades, solicite com antecedência que as crianças tragam a carteira de vacinação para a execução da tarefa. Mediante alguma resistência, peça que levem uma foto da carteira. 42 Cartão de Vacinação Nome: XXXXXXXXX Data: XX - XX - XXXX 6464 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Trabalhe a dinâmica a seguir com seus alunos. Círculo de todo mundo Preencha o chão da sala com um círculo de papel para cada educando. Dê uma caneta para cada um e diga que passarão de círculo em círculo e escre- verão o próprio nome nele. O importante é que, em cada círculo, eles escrevam o nome de forma cria- tiva e diferente, ocupando um pequeno lugar, e que deixem espaço para todos. Dê sinal para que eles mudem de círculo, até passarem por todos. Ao final, 43 informe que eles devem passar e observar como ficaram os círculos e dizer o que isso significa para cada um. Verifique se houve conflito em relação aos espaços. Estabeleça a discussão sobre o valor do lugar de cada um, do lugar de todos e as diferenças entre individualidade e coletividade. WENDELL, Ney. Praticando a generosidade em sala de aula. Recife: Prazer de Ler, 2013. Adaptado para fins didáticos. Depois da atividade, reforce a ideia de que, como cidadãos, temos o nosso lugar e devemos lutar pelo direito a condições dignas de vida. 6565 ORIENTAÇÃODIDÁTICA Os doentes de mentira Material: Uma bexiga inflada contendo pergun- tas relacionadas à saúde. Desenvolvimento: Cada participante se apresen- ta fingindo estar com uma doença ou dor: cabeça machucada, braços e pernas engessados (sem po- der dobrar o joelho ou cotovelo), dor de dente ou de barriga, braço na tipoia, etc. Converse com o grupo sobre o propósito da brincadeira, que é demonstrar como nos sentimos quando adoecemos e/ou sentimos dor. 44 Respondam, juntos, às perguntas que estão den- tro da bexiga, que podem ser: • Por que algumas pessoas têm dificuldade em manter a saúde estável? • Como é o atendimento nos consultórios, postos de saúde e hospitais públicos? • Quem deve ser atendido prioritariamente? Por que alguns têm que esperar muito tempo para serem atendidos em hospitais? • Como podemos ajudar as pessoas doentes? • Há doenças que podem ser evitadas? Como? 6666 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Converse com seus alunos sobre a questão da fome no Brasil e no mundo. Aproveite a oportunida- de para apresentar os efeitos físicos e psicológicos da inanição, explicando como esse problema afeta a cidadania. Selecione trechos do livro Fome, um tema proibi- do, de Josué de Castro, para ler em sala de aula. Em seguida, promova um debate com os alunos sobre o que foi abordado. 45 Organize, juntamente aos pais e à direção da escola, uma campanha de arrecadação e doação de alimentos a um asilo, creche ou instituições si- milares. Os alunos devem escrever cartazes de di- vulgação, separar os alimentos por tipo e participar ativamente da entrega nos locais escolhidos. Solicite aos alunos que elaborem cartazes rela- cionados ao combate à fome e ao não desperdício de alimentos. Exponha os cartazes nas paredes de toda a escola, socializando a produção. 6767 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Garrafa da consciência Material: Uma garrafa vazia (pode ser de refrigerante). Desenvolvimento: O grupo deve sentar formando um círculo. Coloque a garrafa deitada no chão no centro da sala e faça-a girar rapidamente: quando ela parar, estará apontando (gargalo) para alguém, que responderá uma pergunta sobre o assunto trabalhado. A pessoa indicada pela garrafa terá, então, a tarefa de girá-la e for- mular uma pergunta para quem ela apontar e assim sucessivamente. É importante que as perguntas direcionadas sejam relacionadas ao tema trabalhado. Sugira algumas e auxile os educandos sempre que precisarem. 46 Designkida | stock.adobe.com 6868 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA As atividades dessa página retomam os temas já trabalhados, como uma revisão dos pontos princi- pais vistos, e também abordam a fome como uma questão pública e de interesse social. As crianças farão ligações com o cotidiano. Por isso é importante o acompanhamento do educador em sua execução, para uma melhor orien- tação e associação entre os pontos trabalhados. 47 O texto é muito claro quanto ao tema que propõe apresentar. Após a leitura, organize um debate com as crianças acerca das razões que geram a fome entre a população mundial, assim como a proposi- ção de soluções que podem minimizar ou resolver o problema. Ouvir as crianças sobre assuntos como este é sempre interessante e útil, pois valoriza a observação delas em relação ao mundo ao redor. 6969 ORIENTAÇÃO DIDÁTICA Pesquise previamente os alimentos mais consu- midos em sua região. Em seguida, apresente-os aos alunos e, por meio de um sorteio, convide alguns para falarem quais são os alimentos expostos de que mais gostam e que mais consomem. Ao final, realize um lanche coletivo com a turma, reforçando a importância desses alimentos para a saúde. 48 Procure fazer com que seus alunos adquiram o hábito de ter uma alimentação nutritiva. Os pais precisam dar exemplo de alimentação saudável. As crianças copiam os modelos alimentares dos pais e de pessoas que admiram. Se a família tem bons há- bitos, a criança os incorpora com o passar do tempo. Quando ela rejeita qualquer alimento, o melhor é não insistir, mas, sim, dar exemplos. 7070 FUNDAMENTAÇÃO Educar envolve, inicialmente, um voto de con- fiança de que esse barco terá um comando, alguém para dirigi-lo. Ninguém confia o aprendizado a outro sem antes certificar-se de que o condutor será competente para tal. Ter a crença de que este ou aquele educador será excelente para a formação pessoal auxilia muito o processo e coloca abaixo quaisquer barreiras. Isso se obtém, muitas vezes, por meio de uma boa reputação, sendo os alunos os responsáveis por fazerem propa- ganda do trabalho e da disposição do professor. Mas, ainda assim, há um questionamento muito particular por parte do aluno: Quem é ela? Quem é ele? Confio ou não? Aceito ou não? Essas questões passam, pri- meiramente, por um crivo extremamente pessoal. Estamos acostumados a ouvir: “Tal professor sabe muito, mas não sabe passar bem a matéria”. Há algo de pessoal instalado aí: a aceitação ou não pelo aluno desse educador. Curioso é que também a evolução do educador passa por um processo pessoal importante. O pro- fessor que se identifica com o trabalho está ligado ao modo como somos como pessoas. A maneira de ser, aliada à nossa maneira de ensinar, resulta na maneira de ensinar a nossa maneira de ser. As duas porções, pessoal e profissional, acabam surgindo entremeadas. Sabemos quanto somos testados, como educa- dores, na prática educacional. Somos observados, inicialmente criticados, questionados e, depois de corresponder ao universo de expectativas pessoais de cada um dentro da classe, recebemos o glorioso voto de confiança: sim, você pode nos conduzir. Se o educador é figura central, pressupõe-se que ele tenha condições para tal. Mas e se não tiver? O que fazer com aqueles que acreditam já saber tudo e nem mesmo aceitam os novos aprendiza- dos, pois se vangloriam da experiência que trazem e colocam-se em posição de poder quanto ao sa- ber? Certamente que o investimento na formação do educador tende a ser o grande passo rumo a meios VALORES DO EDUCADOR: UMA PONTE PARA A SOCIEDADE DO FUTURO • o conhecimento sobre a família, para que se possa sensibilizá-la sobre as questões surgidas no âmbito da aprendizagem e do relacionamento com as pessoas da vida escolar; • o conhecimento sobre a educação brasileira contemporânea, podendo acompanhar tendên- cias, projetos e críticas apresentadas em jornais, revistas, sites, etc.; • o conhecimento acerca da importância social e formadora da escola; • o conhecimento acerca da importância da educação inclusiva, que propicia, de fato, que todos possam ter uma experiência positiva na aprendizagem, ainda que cada um dentro de um ritmo específico ou de diferenças sociais, econô- micas, raciais, físicas e mentais; • a flexibilidade e disposição para as mudanças necessárias; • a visão do outro, colocando-se no lugar do aluno e podendo enxergar como se chega até o universo dele; • a adoção de um estilo: comportamentos, modo de organizar as aulas, de se movimentar, de usar a voz, o humor e os recursos pedagógicos; • a troca de ideias e a busca de compreensão e do aprofundamento; • a apropriação de um conhecimento teórico e conceitual para a construção de novos saberes que partam da experiência vivida pelo educador; • a autonomia no trabalho, a personalização do comportamento profissional. eficazes e eficientes de ensino. Para isso, é preciso demarcar quão essencial é: 71 A atitude do educador é de suma importância, pois está orientada a ser um modelo associado à qualidade de formar, de lidar com o trabalho, de- dicar-se — assim como da crença que deposita nos alunos, da facilidade em estabelecer contato, da motivação, do modo de explorar temas didáticos e pedagógicos. Enfim, muitas são as maneiras pelas quais o profissional de educação pode explorar um universo de competências. A finalidade da prática educativa não se torna plena e útil se nela não es- tiverem envolvidas as atitudes pessoais que irão se manifestar durante a relação