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TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL 12 DIREITOS POLÍTICOS Os direitos políticos são aqueles referentes ao direito de participação nas questões políticas de Estado. O parágrafo único do art. 1º da Constituição estabelece que “todo poder emana do povo, que deve exercê-lo a partir de representantes eleitos, ou diretamente [...]”. Assim, “os direitos políticos consistem, pois, na disciplina dos meios necessários ao exercício da soberania popular”. (MASSON, 2020, p. 525). São titulares dos direitos políticos os cidadãos (assim compreendidos como aqueles que estejam no gozo de seus direitos políticos) nacionais natos ou naturalizados. CIDADÃO = NACIONAL + GOZO DE DIREITOS POLÍTICOS (ALISTAMENTE ELEITORAL) Esses direitos políticos podem ser positivos ou negativos, sendo que são positivos os direitos de voto, alistamento e elegibilidade; e são direitos políticos negativos as normas impeditivas da participação em processo político, provocando a suspenção ou a perda da capacidade política ativa e passiva. A forma de exercício da soberania popular está positivada no art. 14 da Constituição, que determina que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I - plebiscito; II - referendo; III - iniciativa popular”. 12.1 Sufrágio O sufrágio pode ser conceituado como “o direito público subjetivo do cidadão de participar da organização política estatal” no qual se engloba tanto o direito de votar, também chamado de alistabilidade, e o direito de ser votado, também chamado de elegibilidade. Quanto às características, o sufrágio brasileiro é universal, porque é concedido a todos independentemente de questões educacionais, econômicas, culturais (e etc...). O sufrágio também pode ser restritivo (característica não aplicável ao sufrágio brasileiro) e assim o é quando se condiciona à determinadas condições do indivíduo, dividindo-se em sufrágio restritivo censitário (que depende de determinadas qualificações econômicas), ou sufrágio restritivo capacitário (que depende de características intelectuais). (MASSON, 2020). erick Destacar erick Destacar TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL Abrangência do sufrágio. O voto é um instrumento do sufrágio, forma de exercício do sufrágio, que é um direito atrelado à soberania popular. Além do voto, o sufrágio também tem como instrumentos: a ação popular; a iniciativa popular de leis; o plesbicito; o referendo. A ação popular já fora explicitada no tópico anterior, passando, portando, ao estudo dos demais instrumentos. Formas de exercício do sufrágio. 12.1.1 Plesbicito e Referendo Ambos regulados pela lei 9.709/98, o plesbicito trata-se de consulta popular prévia sobre determinada matéria, que deverá ser convocada pelo Congresso, em se tratando de competência exclusiva, prevista no art. 49, XV, da CF/88. O plebiscito mais importante de nossa história foi o ocorrido em 1993, quando, por força do art. 2º, do ADCT, foi escolhida a forma e o sistema de governo, tendo vencido respectivamente a república e o presidencialismo. Lembre-se também de que o plebiscito é um instrumento de organização político-administrativa muito importante. TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL Ex.: art. 18, §3º, da CF/88, determina que “os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar”. Já o referendo é a consulta popular posterior, para que determinado ato governamental seja confirmado ou rejeitado. O referendo deve ser autorizado pelo Congresso Nacional, em se tratando de sua competência exclusiva, nos termos do art. 49, XV, da CF/88. Em 2005, foi votado o referendo que determinou que não faria parte do Estatuto do Desarmamento a proibição da comercialização de armas de fogo e munições no país. Os procedimentos para convocação do plebiscito e do referendo estão descritos na Lei 9.709/1998. A convocação, em ambos os casos, deverá ser feita por meio de decreto legislativo, após a manifestação em seu favor de um terço de uma das casas do Congresso Nacional. Convocado o plebiscito, se houver projeto de lei sobre a matéria em tramitação no Congresso, ele deverá ser imediatamente sustado. 12.1.2 Iniciativa popular Garantida pelo parágrafo 2º do art. 61 CF/88, a iniciativa popular para apresentação de projeto de lei federal depende de: apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por no mínimo 1% do eleitorado nacional, distribuídos em no mínimo 5 estados-membros, com pelo menos 0,3% do eleitorado de cada um dos estados. TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL Sobre a iniciativa popular para leis estaduais ou municipais “nos estados, deve- se editar uma lei estadual que regulamente o direito; e quanto à iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do município, da cidade ou de bairros, exige-se a manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado”. (MASSON, 2020, p. 532). 12.1.3 Voto e alistamento eleitoral (capacidade eleitoral ativa) O exercício do voto (capacidade de votar) depende do alistamento eleitoral, realizado pelo cidadão perante a justiça eleitoral, com a emissão de título de eleitor. O alistamento eleitoral pode ser facultativo (pessoas entre 16 e 18 anos; maiores de 70 anos e analfabetos) ou obrigatório (pessoas entre 18 e 70 anos). Para os que se enquadram no alistamento facultativo, o voto também é facultativo. Para os que se enquadram na obrigatoriedade do alistamento, o voto também é obrigatório. Outro requisito para o alistamento é a nacionalidade brasileira, de modo que somente brasileiros natos ou naturalizados podem votar. Excepcionalmente, em razão do o Tratado de Cooperação, Amizade e Consulta entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa, em razão da “quase nacionalidade” prevista pelo art. 12, parágrafo 1º, é possível que Portugueses residentes no Brasil adquira capacidade eleitoral ativa a partir de solicitação de equiparação de direito ao Ministério da Justiça. São também inalistáveis e incapazes de votar, além dos estrangeiros, os conscritos1, nos termos do parágrafo 2º, art. 14 CF/88). 12.1.4 Elegibilidade (capacidade eleitoral passiva) As disposições relativas aos requisitos da elegibilidade (capacidade de ser votado) estão nos parágrafos 3º, 5º, 6º e 8º do art. 14 da Constituição, nos seguintes termos: § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos (vide art. 15 CF/88); III - o alistamento eleitoral; IV - o domicílio eleitoral na circunscrição (ou seja, votar no local que pretende se eleger); V - a filiação partidária; 1 Aqueles que prestam serviço militar obrigatório. Highlight TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente. § 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos atéseis meses antes do pleito. § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se co ntar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. • Cargos privativos de brasileiros natos: estabelecido no art. 12 da CF/88, são cargos que relacionam-se com a linha direita de sucessão do presidente da república (art. 79 e 80). • § 3º São privativos de brasileiro nato os cargos: • I - de Presidente e Vice-Presidente da República; • II - de Presidente da Câmara dos Deputados; • III - de Presidente do Senado Federal; • IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; • V - da carreira diplomática; • VI - de oficial das Forças Armadas. • VII - de Ministro de Estado da Defesa. TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL 12.1.5 Perda e Suspensão de Direitos políticos (perda do direito de votar e ser votado) As hipóteses de perda ou suspensão de direitos políticos estão previstas taxativamente no art. 15 da Constituição. A perda, que é definitiva, está estabelecida expressamente no inciso I do referido artigo. A suspensão, que é temporária, tem suas hipóteses previstas nos incisos II a V. Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; II - incapacidade civil absoluta; III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. 12.1.6 Inelegibilidade (perda da capacidade eleitoral passiva/perda do direito de se eleger) As causas de inelegibilidade podem ser classificadas: pela abrangência; pela origem; pela duração. TEORIA GERAL DO DIREITO CONSTITUCIONAL (MASSON, 2020, p. 546)