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A democracia semidireta, também chamada
de democracia participativa, é aquela em que
o povo elege representantes para a tomada
das decisões políticas do Estado, mas
preserva formas de atuação direta, tais
como o plebiscito, o referendo e a iniciativa
popular no processo legislativo das normas.
DIREITOS
POLÍTICOS
Os Direitos Políticos são espécies de
direitos fundamentais que constituem
direitos públicos subjetivos conferidos
aos cidadãos, para que participem da
vida política do Estado.
A soberania popular será
exercida por meio do sufrágio
universal e pelo voto direto e
secreto, com valor igual para
todos, e, nos termos da lei,
mediante plebiscito, referendo
e iniciativa popular.
O voto é a materialização
do sufrágio. O escrutínio,
por sua vez, é o modo como
o direito se realiza (voto
aberto, voto secreto).
O Brasil, conforme se depreende do
parágrafo único do artigo 1o da
Constituição Federal, adotou a democracia
semidireta: “Todo o poder emana do povo,
que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição.”
Os direitos políticos são destinados
apenas aos brasileiros que preencham
os requisitos contidos na constituição
Federal. Estrangeiros não podem
exercer direitos políticos no Brasil.
OBS: O sufrágio, no Brasil, não é
irrestrito, é apenas universal!
Plebiscito e referendo são formas
de consulta popular que
materializam a soberania do povo.
Distinguem-se quanto ao momento
da manifestação dos cidadãos: se
prévia, temos o plebiscito; se
posterior, temos o referendo.
Participação de dois cidadãos no Conselho
Nacional de Justiça (art. 103-B, XIII, CF):
criado pela Reforma do Poder Judiciário
(EC 45/2004), o Conselho Nacional de
Justiça é órgão do Poder Judiciário,
responsável pelo controle da atuação
administrativa e financeira do Poder
Judiciário, bem como do cumprimento dos
deveres funcionais dos magistrados. 
DIREITOS
POLÍTICOS
A ação popular (art. 5º, LXXIII, CF):
qualquer cidadão poderá ajuizar essa
ação para evitar ou reparar lesão a
patrimônio público, meio ambiente,
moralidade administrativa e
patrimônio histórico e cultural, sendo
o autor isento de custas e ônus de
sucumbência, salvo comprovada má-fé.
Possibilidade de denunciar
magistrados e serviços judiciários
junto ao CNJ (art. 103-B, § 5º, I,
CF): segundo o mencionado dispositivo
constitucional, o ministro do Superior
Tribunal de Justiça exercerá a
função de ministro-corregedor, sendo
uma de suas atribuições “receber as
reclamações e denúncias, de qualquer
interessado, relativas aos
magistrados e aos serviços
judiciários”
Segundo o art. 98, II, da Constituição Federal,
a União, no DF e Territórios, e os Estados
criarão “justiça de paz, remunerada, composta
de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal
e secreto, com mandato de quatro anos e
competência para, na forma da lei, celebrar
casamentos, verificar, de ofício ou em face de
impugnação apresentada, o processo de
habilitação e exercer atribuições conciliatórias,
sem caráter jurisdicional, além de outras
previstas na legislação”
Participação de dois cidadãos no Conselho
Nacional do Ministério Público (art. 130-A,
VI, CF), dentre os seus membros, estão
“dois cidadãos de notável saber jurídico e
reputação ilibada, indicados um pela
Câmara dos Deputados e outro pelo
Senado Federal”
Participação de seis cidadãos brasileiros natos no
Conselho da República (art. 89, CF): segundo o
art. 89 da Constituição Federal, o Conselho da
República é órgão superior de consulta do
presidente da República, por ele sendo convocado
antes da tomada de decisões importantes, ou, nos
termos do art. 90, II, “as questões relevantes
para a estabilidade das instituições democráticas”.
Segundo o art. 74, § 2º, da Constituição
Federal, “qualquer cidadão, partido político,
associação ou sindicato é parte legítima para,
na forma da lei, denunciar irregularidades ou
ilegalidades perante o Tribunal de Contas da
União”. 
Democracia, com origem na Grécia antiga
(Atenas, sobretudo), significa literalmente
poder do povo ou poder exercido pelo
povo. 
DIREITOS
POLÍTICOS
Gestão quadripartite da seguridade
social, com participação dos
trabalhadores, empregadores,
aposentados e governo nos órgãos
colegiados (art. 194, parágrafo único,
VII, CF)
Gestão democrática do ensino público,
na forma da lei (art. 206, VI, CF):
segundo o art. 206 da Constituição
Federal, o ensino será ministrado com
base em alguns princípios, dentre os
quais a “gestão democrática do
ensino público, na forma da lei”
(inciso VI).
Participação popular na tramitação de
proposições legislativas: Segundo a Resolução n.
26/2013 do Senado, foi criado o mecanismo de
“consultas públicas” quanto às proposições
legislativas que tramitam no Senado Federal:
“Qualquer cidadão, mediante cadastro único
com seus dados pessoais de identificação,
poderá apoiar ou recusar as proposições
legislativas em tramitação no Senado Federal”
(art. 2º).
Costuma-se classificar os direitos políticos
entre os direitos de primeira geração, isso
porque, historicamente, surgiram ao lado
dos direitos civis (individuais ou liberdades
públicas). No Brasil, por exemplo, a primeira
Constituição brasileira (de 1824), em seu
art. 91, já previa as regras das eleições,
estabelecendo as condições de elegibilidade
e alistabilidade.
Sistema Nacional de Cultura, de forma
participativa e gestão democrática (art. 216-A,
CF): segundo o art. 216-A da Constituição
Federal, o SNC (Sistema Nacional de Cultura),
organizado em regime de colaboração de forma
descentralizada e participativa, institui um
processo de gestão e promoção conjunta de
políticas públicas de cultura, democráticas e
permanentes, pactuadas entre os entes da
Federação e a sociedade
Necessária participação popular no processo
de elaboração do plano diretor das cidades,
Segundo jurisprudência pacífica, a aprovação
do plano diretor sem essa participação
popular no seu processo de elaboração macula
de inconstitucionalidade a lei aprovada.
A Emenda Constitucional nº 111/2021 trouxe mudanças
relevantes na Constituição Federal, como: autorização
para realização de consultas populares junto às eleições
municipais; definição de regras sobre fidelidade
partidária; alteração das datas de posse do Presidente
da República (passa para 5 de janeiro) e dos
Governadores (passa para 6 de janeiro); além de
estabelecer normas transitórias para a divisão de
recursos do fundo partidário e do FEFC, bem como para
o funcionamento dos partidos políticos.
PLEBISCITOS 
E REFERENDOS
O referendo é uma consulta que se
faz ao povo posteriormente à criação
da lei ou ao surgimento de ato
administrativo, com o intuito de
confirmá-los (referendar) ou não
(não referendar).
No plebiscito, o povo é consultado antes da
materialização do ato administrativo ou
legislativo, podendo aprovar ou rejeitar o
que lhe foi submetido à apreciação. O
plebiscito poderá ser convocado nas
questões de relevância nacional e deverá
ser convocado na criação de novos
Estados e de novos municípios.
Na vigência da Constituição de 1988, apenas
tivemos um plebiscito de caráter nacional: o
plebiscito de 1993, nos termos do artigo 2ª
do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias, por meio do qual o povo optou
pela manutenção da forma republicana de
governo e do sistema presidencialista de
governo.
Cabe ao Congresso nacional, mediante
decreto legislativo, convocar o plebiscito
(art. 49, inciso XV da CF).
Há casos em que o plebiscito poderá
ser convocado, mas há casos em que a
consulta popular é obrigatória.
Plebiscito e referendo são formas de
consulta popular que materializam a
soberania do povo. 
Segundo Paulo Bonavides, o recall é a
forma de revogação que o eleitorado
faz do mandato de alguém, cujo
comportamento não é satisfatório. É o
chamamento às urnas do eleitorado,
com o propósito de manter ou não o
mandato de algum governante.
O veto popular, também conhecido
como mandatory referendum é um
instituto parecido com o referendo,
vez que confere ao eleitorado
poderes para manifestar-se
contrário a uma medida oulei, já
devidamente elaborada pelos órgãos
competentes, e em vias de ser posta
em execução.
OBS: O Brasil não prevê o instituto
do “recall”, seja em âmbito federal,
seja em âmbito estadual ou municipal. 
PLEBISCITOS 
E REFERENDOS
O referendo vinculante tem como resultado a criação
ou extinção de uma norma jurídica. Pode resultar na
criação de uma norma jurídica, apenas ratificando-a
ou pode ser inovativo (aprovando um projeto de lei de
iniciativa popular sem ter passado por um corpo
legislativo). O referendo vinculante também pode ser
revogatório quando visa à extinção de uma norma
jurídica. Já no referendo consultivo, o resultado não
dá ensejo a uma norma jurídica, recaindo sobretudo
como decisões políticas de maior transcendência, como
o ingresso num organismo internacional.
O referendo constitucional se refere ao
texto constitucional, podendo se referir a
uma Constituição inteira (referendo
constituinte) ou apenas a uma reforma
constitucional. O referendo legislativo
refere-se à lei ordinária ou norma
semelhante (lei complementar, por exemplo).
O político não versa sobre ato normativo,
mas sobre uma decisão política ou
administrativa (acordo de paz, ingresso em
órgão internacional etc.).
Tanto o referendo como o plebiscito são
exclusivamente, no Brasil, de iniciativa do
Congresso Nacional, através de decreto
legislativo. Por força do art. 3º da Lei n.
9.709/98, esse decreto legislativo não pode
ser de iniciativa de um único parlamentar,
mas de pelo menos 1/3 (um terço) dos
parlamentares de qualquer das casas do
Congresso Nacional. Assim, somente 171
deputados (1/3 da Câmara de Deputados)
ou 27 senadores (1/3 do Senado Federal)
poderá propor o projeto de decreto
legislativo que convoca plebiscito ou autoriza
referendo.
O referendo institucional é aquele
convocado por uma ou algumas
autoridades. O referendo popular é
aquele convocado por uma parte, uma
fração do eleitorado.
O referendo obrigatório é requisito
para validade das normas jurídicas,
fazendo parte do processo de criação
da norma. Já o referendo facultativo
não é um requisito de validade da
norma jurídica, podendo ser convocado
por iniciativa de um órgão ou
autoridade estatal, por parcela do
eleitorado, a depender da legislação de
cada país.
O referendo sucessivo ocorre depois
da formulação ou aprovação de uma
norma estatal, para conferir-lhe
eficácia jurídica. O referendo
programático (ou prévio) tem lugar
antes da criação jurídica da norma ou
ato estatal para determinar seu
conteúdo material. No Brasil, recebe o
nome de plebiscito.
O referendo restrito possui duas subespécies: a)
circunscrito, limitado a assuntos preestabelecidos pela
Constituição, como no art. 11 da Constituição francesa,
que permite o referendo apenas para projetos de lei
relativos à organização dos poderes públicos; b)
excludente: pode versar sobre qualquer matéria, exceto
aquelas determinadas pela Constituição. Já o
referendo irrestrito não possui qualquer restrição, seja
circunscrita, seja excludente, por parte da
Constituição.
Referendo nacional: a decisão se refere
a temas nacionais e tem a participação
do eleitorado de todo o país.
Subnacional.é realizado em estados
federados, regiões e municípios, sobre
normas da competência destes.
INICIATIVA
POPULAR
A condição que o cidadão tem para
dar início ao processo legislativo das
leis é denominada iniciativa popular.
Essa forma de participação direta
pode ser exercida em âmbito federal,
estadual e municipal. Para cada
situação, há um regramento diferente.
Âmbito Federal (CF, artigo 61, § 2ª): O
projeto de lei deve ser subscrito por, no
mínimo, 1% do eleitorado nacional, dividido
por, pelo menos, cinco Estados da
federação, tendo cada um, no mínimo, três
décimos por cento dos seus eleitores.
Âmbito Estadual (CF, artigo 27, § 4ª): A
iniciativa popular será definida por lei.
Convencionou-se interpretar que essa lei é
estadual. Em cada estado, a iniciativa
popular tem um regramento diferente.
Âmbito Municipal (CF, artigo 29,
XIII): A iniciativa popular requer a
manifestação de, no mínimo, 5% do
eleitorado local. 
Matéria: qualquer (lei ordinária ou
complementar), exceto proposta de emenda à
constituição. Deve circunscrever-se a um só
assunto. Não poderá ser rejeitado por vício
de forma; caberá à Câmara dos Deputados
(casa iniciadora) providenciar a correção de
eventuais impropriedades de técnica
legislativa ou de redação.
Legitimado: cidadãoEspécies vedadas à iniciativa popular:
Emendas constitucionais; Leis
delegadas, medidas provisórias, e
demais proposições privativas do
Executivo, Judiciário ou do próprio
Legislativo; Projetos de resolução ou
decreto legislativo.
Por meio da iniciativa popular não é
possível apresentar proposta de emenda
à constituição em nível federal por
falta de expressa previsão
constitucional, mas os estados podem
prever a possibilidade de emenda à
constituição estadual por iniciativa
popular, se assim desejarem.
OBS: a doutrina entende que a
iniciativa em matéria tributária
também pode ser exercida pela
iniciativa popular.
INICIATIVA
POPULAR
Tem prevalecido o entendimento de que o projeto de
lei pode versar sobre lei ordinária e lei complementar
(desde que não sejam de iniciativa privativa, como
adiante se verá). Assim, poderá ser elaborado, por
iniciativa popular, projeto de lei sobre matéria penal,
civil, processual (temas reservados à lei ordinária),
bem como novas hipóteses de inelegibilidade, imposto
sobre grandes fortunas (temas reservados à lei
complementar, nos arts. 14, § 9º, e 153, VII, da
Constituição, respectivamente).
Segundo o art. 96, II, compete ao Supremo
Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos
Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo
respectivo a alteração do número de membros dos
tribunais inferiores, bem como a criação e extinção
de cargos e a remuneração dos seus serviços
auxiliares. Da mesma forma, o art. 93, caput,
determina que lei complementar, de iniciativa do
STF, disporá sobre o Estatuto da Magistratura.
Por sua vez, o art. 127, § 2º, da Constituição
Federal assegura ao Ministério Público a proposta
de lei enviada ao Legislativo, sobre a criação e a
extinção de seus cargos e serviços auxiliares. Esses
projetos não podem ser de iniciativa popular.
É vedado: Projetos de decreto legislativo ou
resolução, por se tratar de assuntos de
competência exclusiva da Câmara dos
Deputados (art. 51, CF), do Senado Federal
(art. 52, CF) ou do Congresso Nacional
(art. 49, CF).
Segundo o STF: “A assunção da
titularidade do projeto por
parlamentar, legitimado independente
para dar início ao processo legislativo,
amesquinha a magnitude democrática
e constitucional da iniciativa popular,
subjugando um exercício por
excelência da soberania pelos seus
titulares aos meandros legislativos
nem sempre permeáveis às vozes das
ruas”.
Não pode o parlamentar se apropriar da
iniciativa do projeto, assumindo sua
titularidade (“adoção” do projeto por
parlamentar/es)
Não pode o Legislativo editar emendas de
modo que desvirtue os objetivos iniciais do
projeto de lei
É possível: Lei ordinária (desde que
não seja de iniciativa privativa) e
Lei complementar (desde que não
seja de iniciativa privativa). 
Segundo o art. 61, § 1º, da Constituição
Federal, são de iniciativa privativa do
Presidente a criação de cargos,
funções ou empregos públicos na
administração direta e autárquica, bem
como o aumento de sua remuneração,
a criação ou extinção de Ministérios
etc. Esses projetos não podem ser de
iniciativa popular, pois esta é reservada
àqueles casos em que a iniciativa
caberia ao Congresso Nacional.
AIME
Trata-se, como aponta Marcílio Nunes
Medeiros, da única ação de natureza eleitoral
prevista no texto constitucional. § 10 – O
mandato eletivo poderá ser impugnado ante a
Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias
contados da diplomação, instruída a ação com
provas de abuso do poder econômico, corrupção
ou fraude.
A Constituição prevê a possibilidade de propositura da
chamada ação de impugnação de mandato eletivo (AIME),
que acarreta a perda do mandatodo candidato que foi
eleito mediante fraude, corrupção ou abuso do poder
econômico. Referida ação deve ser proposta perante a
Justiça Eleitoral no prazo (decadencial) de quinze dias
contados da diplomação, sendo instruída com provas de
abuso do poder econômico, corrupção ou fraude,
tramitando em segredo de justiça e respondendo o autor,
na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
O abuso de poder político ocorre quando agentes
públicos, como chefes do Executivo ou membros do
Legislativo, usam o cargo para obter vantagens
indevidas. Segundo o TSE, a Ação de Impugnação de
Mandato Eletivo (AIME) pode ser proposta com base
nesse abuso, desde que esteja vinculado ao abuso de
poder econômico ou possua natureza econômica,
conforme entendimento firmado no AgR-AIME nº 761,
rel. Min. Gilmar Mendes (DJE 04/12/2015).
Para a Corte eleitoral, o conceito de fraude deve
ser interpretado de forma ampla, não se limitando
às questões atinentes ao processo de votação.
Nesse sentido, admite-se a alegação de fraude em
transferências de eleitores alegadamente aptas a
privilegiar candidaturas (AgR-REspe nº 55749, Min.
Edson Fachin, DJE de 16/09/2019).
O TSE possui entendimento de que é
permitida a apuração da captação ilícita de
sufrágio em sede de AIME, sob a ótica da
corrupção eleitoral, desde que demonstrada a
capacidade da conduta de afetar a
legitimidade e normalidade das eleições (AgR–
AC 27.761, rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJE de
24.6.2010; e (AC no REspe nº 167, rel. Min.
Luís Roberto Barroso, DJE de 26.6.2019).
Legitimados: 
Qualquer candidato; Qualquer partido político: o TSE
entende que, como as coligações extinguem-se com o fim
do processo eleitoral (isso é, após a diplomação), os
partidos políticos que estavam coligados voltam a ter
capacidade processual para agir isoladamente; Qualquer
coligação: é importante lembrar que o artigo 17, § 1º, da
CF/88 atualmente veda a celebração das coligações nas
eleições proporcionais; Ministério Público.
OBS: O TSE entende que o eleitor NÃO possui
legitimidade para propor AIME.
A competência para julgar AIME varia
conforme o cargo disputado: o TSE julga
ações relativas às eleições para Presidente e
Vice-Presidente da República; os TREs julgam
ações ligadas a Governador, Vice-
Governador, Senadores e Deputados
(federais, estaduais e distritais); já o Juiz
Eleitoral é competente para julgar AIME nas
eleições municipais (Prefeito, Vice e
Vereadores).
SUFRÁGIO
O § 3o do artigo 14 da Constituição Federal
enumera as condições de elegibilidade. São elas:
➢ a nacionalidade brasileira;
➢ o pleno exercício dos direitos políticos;
➢ o alistamento eleitoral;
➢ o domicílio eleitoral na circunscrição;
➢ a filiação partidária;
➢ a idade mínima para o cargo.
Diz-se positivo o sufrágio quando o indivíduo
preenche todos os requisitos para ser eleitor ou
para ser candidato e não se enquadra em nenhum
dos impedimentos constitucionalmente previstos
(sufrágio negativo). É necessário possuir as
seguintes características: ter a nacionalidade
brasileira (ou ser português equipado); possuir
idade mínima de 16 anos; ter o alistamento
eleitoral (título de eleitor); não ser conscrito
(militar em serviço obrigatório).
Alistamento e voto obrigatórios: brasileiros maiores de 18
anos (e menores de 70 anos). Alistamento e voto
facultativos: os analfabetos; os maiores de 70 anos; os
maiores de 16 e menores de 18 anos. As idades devem ser
consideradas no dia da eleição, de forma que é possível
fazer o alistamento eleitoral com 15 anos de idade, desde
que o adolescente, até a data da eleição, complete os 16
anos exigidos pela Constituição. Esse é o entendimento do
TSE, extraído da Resolução 21.538.
A respeito do título de eleitor, merece destaque
decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na
ADPF 541 – MC, para declarar válido o
cancelamento do título do eleitor que, convocado
por edital, não compareceu ao processo de revisão
eleitoral, para fazer o cadastramento biométrico.
O Sufrágio é negativo quando a Constituição
Federal ou a lei complementar impõem ao
cidadão algumas restrições, quer seja para
alistabilidade, quer seja para elegibilidade.
Os inalistáveis são aqueles que não podem
ter o título de eleitor. São eles: os
estrangeiros e os conscritos, durante o
período do serviço militar obrigatório. Os
analfabetos, embora alistáveis, são inelegíveis
para quaisquer cargos.
As inelegibilidades relativas impõem
restrições à elegibilidade para alguns
cargos, dadas as circunstâncias
decorrentes de motivos funcionais, de
parentesco, da condição de militar e de
outras hipóteses fixadas por lei
complementar. 
Motivos funcionais: chefes do
Executivo só podem se reeleger uma
vez consecutiva e devem renunciar ao
cargo seis meses antes do pleito para
disputar outro cargo.
Inelegibilidade reflexa: cônjuge e
parentes até 2º grau de chefes do
Executivo não podem concorrer na
mesma jurisdição, salvo se já forem
titulares e buscarem reeleição.
Militares: com menos de 10 anos devem
se afastar; com mais de 10 são
agregados e, se eleitos, vão para a
inatividade.
OBS: A lei infraconstitucional não pode criar outros
casos de inelegibilidades absolutas.
SUFRÁGIO
A dissolução da sociedade ou do vínculo
conjugal, no curso do mandato, não afasta a
inelegibilidade. A inelegibilidade reflexa não se
aplica em caso de falecimento do cônjuge, ainda
que este tenha exercido o mandato por dois
períodos consecutivos.
O Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice-
Prefeito poderão concorrer normalmente a outros
cargos, preservando seus mandatos, desde que nos
seis meses anteriores ao pleito não tenham
sucedido ou substituído o titular.
Presidente da câmara municipal que substitui ou
sucede o prefeito nos seis meses anteriores ao
pleito é inelegível para o cargo de vereador.
Se o Chefe do Executivo renunciar
seis meses antes da eleição, seu
cônjuge, parentes ou afins até o
segundo grau poderão candidatar-
se a todos os cargos eletivos da
circunscrição, desde que ele próprio
possa concorrer à reeleição. Isso é
válido para o próprio cargo do
titular.
O Chefe do Poder Executivo que exerceu dois
mandatos consecutivos não poderá, na próxima
eleição, se candidatar ao cargo de Vice. Já os
Vices, reeleitos ou não, poderão se candidatar ao
cargo do titular na eleição seguinte, mesmo que o
tenha substituído no curso do mandato
A vedação ao exercício de três mandatos
consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo
familiar aplica-se também na hipótese em que
tenha havido a convocação do segundo
colocado nas eleições para o exercício de
mandato-tampão
As condições de elegibilidade e as hipóteses
de inelegibilidade, inclusive aquelas
decorrentes de legislação complementar,
aplicam-se de pleno direito,
independentemente de sua expressa
previsão na lei local, à eleição indireta para
governador e vice-governador do Estado,
realizada pela assembleia legislativa em
caso de dupla vacância desses cargos
executivos no último biênio do período de
governo.
DIREITOS
Nos termos do artigo 12, parágrafo 4o, da
CRFB/88, será declarada a perda da
nacionalidade do brasileiro em determinada
hipóteses. Caso isso aconteça, a pessoa voltará
a ser estrangeira e, consequentemente, não
poderá exercer no Brasil direitos políticos.
A Lei Maior admite a privação de direitos
políticos por meio da perda e da suspensão. A
perda é a privação definitiva dos direitos
políticos e a suspensão é a privação
temporária desses direitos. 
A suspensão dos direitos políticos ocorre em três
hipóteses principais:
1. Incapacidade civil absoluta, em razão de posterior
incapacidade civil reconhecida em processo de
interdição. 
2.Condenação criminal transitada em julgado, que
suspende os direitos enquanto durarem seus
efeitos, mesmo que a pena seja restritiva de
direitos (RE 601.182/STF).
3. Improbidade administrativa, que, além de outras
sanções, acarreta a suspensão dos direitos
políticos conforme o art. 37, § 4º da Constituição.
Uma outra hipótese de suspensão dos direitos
políticos, embora não prevista na Constituição,
consta no Tratado de Amizade, Cooperaçãoe
Consulta, entre Brasil e Portugal, que dispõe que o
brasileiro que se beneficiar em Portugal da
equiparação prevista no artigo 12, parágrafo 1o, da
CRFB/88 (equiparação ou quase nacionalidade), e
quiser exercer direitos políticos naquele País, terá
no Brasil a suspensão dos direitos políticos.
A escusa de consciência prevista no artigo
5ª, inciso VIII, permite que o indivíduo, a fim
de preservar as suas convicções ideológicas
ou religiosas, possa se recusar a cumprir uma
obrigação que a lei impôs a todos e não
ser punido. Agora, se a lei estabelecer uma
prestação alternativa e esta não for
cumprida, o indivíduo sofrerá a privação de
direitos políticos.
A cassação de direitos políticos seria a retirada
compulsória e arbitrária da condição de cidadão.
A Constituição veda a aplicação dessa penalidade,
porque além de configurar hipótese de pena de
caráter perpétuo, significaria violação da própria
condição humana, a partir de perseguição
ideológica ou política, que fazem com que um
indivíduo seja considerado inferior a outro.
POLÍTICOS
ANTERIORIDADE
As leis publicadas no
período inferior a um ano
da eleição e que tenham o
escopo de modificar o
processo eleitoral têm
eficácia diferida, isto é,
eficácia adiada para a
eleição subsequente.
O artigo 16 da Constituição Federal, com vistas a
garantir segurança jurídica, estabeleceu que a lei que
alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de
sua publicação, mas não será aplicada à eleição que ocorra
até um ano da data de sua vigência.
A Justiça Eleitoral também
deve respeitar a
anterioridade eleitoral ao
produzir jurisprudência
capaz de interferir no
processo eleitoral.
A lei que altera o processo eleitoral tem vigência
imediata, mas só terá eficácia na próxima eleição
se criada com pelo menos um ano de antecedência
do pleito. Lei que altera o processo eleitoral não tem
vacatio legis de um ano; antes, ela produz efeitos
na data da publicação. A eficácia na próxima
eleição é que depende do tempo mínimo de ano.
A alteração na legislação eleitoral
poderá ser feita a qualquer tempo,
ainda que dias antes da eleição, mas
embora o novo regramento já esteja
em vigor, não terá aplicação na
próxima eleição se não tiver sido
criado com pelo menos um ano de
antecedência do pleito.
A lei em vigor pode não produzir efeitos imediatos
para evitar mudanças súbitas no processo
eleitoral que favoreçam candidatos ou partidos
específicos. Isso impede o uso de leis casuísticas
para proteger interesses políticos e econômicos em
detrimento da vontade popular.
ELEITORAL
MAPA 
Direitos Políticos
Camile Brandão Santos Pimenta
MENTAL

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