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A democracia semidireta, também chamada de democracia participativa, é aquela em que o povo elege representantes para a tomada das decisões políticas do Estado, mas preserva formas de atuação direta, tais como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular no processo legislativo das normas. DIREITOS POLÍTICOS Os Direitos Políticos são espécies de direitos fundamentais que constituem direitos públicos subjetivos conferidos aos cidadãos, para que participem da vida política do Estado. A soberania popular será exercida por meio do sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante plebiscito, referendo e iniciativa popular. O voto é a materialização do sufrágio. O escrutínio, por sua vez, é o modo como o direito se realiza (voto aberto, voto secreto). O Brasil, conforme se depreende do parágrafo único do artigo 1o da Constituição Federal, adotou a democracia semidireta: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Os direitos políticos são destinados apenas aos brasileiros que preencham os requisitos contidos na constituição Federal. Estrangeiros não podem exercer direitos políticos no Brasil. OBS: O sufrágio, no Brasil, não é irrestrito, é apenas universal! Plebiscito e referendo são formas de consulta popular que materializam a soberania do povo. Distinguem-se quanto ao momento da manifestação dos cidadãos: se prévia, temos o plebiscito; se posterior, temos o referendo. Participação de dois cidadãos no Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B, XIII, CF): criado pela Reforma do Poder Judiciário (EC 45/2004), o Conselho Nacional de Justiça é órgão do Poder Judiciário, responsável pelo controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, bem como do cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados. DIREITOS POLÍTICOS A ação popular (art. 5º, LXXIII, CF): qualquer cidadão poderá ajuizar essa ação para evitar ou reparar lesão a patrimônio público, meio ambiente, moralidade administrativa e patrimônio histórico e cultural, sendo o autor isento de custas e ônus de sucumbência, salvo comprovada má-fé. Possibilidade de denunciar magistrados e serviços judiciários junto ao CNJ (art. 103-B, § 5º, I, CF): segundo o mencionado dispositivo constitucional, o ministro do Superior Tribunal de Justiça exercerá a função de ministro-corregedor, sendo uma de suas atribuições “receber as reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos magistrados e aos serviços judiciários” Segundo o art. 98, II, da Constituição Federal, a União, no DF e Territórios, e os Estados criarão “justiça de paz, remunerada, composta de cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e secreto, com mandato de quatro anos e competência para, na forma da lei, celebrar casamentos, verificar, de ofício ou em face de impugnação apresentada, o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias, sem caráter jurisdicional, além de outras previstas na legislação” Participação de dois cidadãos no Conselho Nacional do Ministério Público (art. 130-A, VI, CF), dentre os seus membros, estão “dois cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal” Participação de seis cidadãos brasileiros natos no Conselho da República (art. 89, CF): segundo o art. 89 da Constituição Federal, o Conselho da República é órgão superior de consulta do presidente da República, por ele sendo convocado antes da tomada de decisões importantes, ou, nos termos do art. 90, II, “as questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”. Segundo o art. 74, § 2º, da Constituição Federal, “qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União”. Democracia, com origem na Grécia antiga (Atenas, sobretudo), significa literalmente poder do povo ou poder exercido pelo povo. DIREITOS POLÍTICOS Gestão quadripartite da seguridade social, com participação dos trabalhadores, empregadores, aposentados e governo nos órgãos colegiados (art. 194, parágrafo único, VII, CF) Gestão democrática do ensino público, na forma da lei (art. 206, VI, CF): segundo o art. 206 da Constituição Federal, o ensino será ministrado com base em alguns princípios, dentre os quais a “gestão democrática do ensino público, na forma da lei” (inciso VI). Participação popular na tramitação de proposições legislativas: Segundo a Resolução n. 26/2013 do Senado, foi criado o mecanismo de “consultas públicas” quanto às proposições legislativas que tramitam no Senado Federal: “Qualquer cidadão, mediante cadastro único com seus dados pessoais de identificação, poderá apoiar ou recusar as proposições legislativas em tramitação no Senado Federal” (art. 2º). Costuma-se classificar os direitos políticos entre os direitos de primeira geração, isso porque, historicamente, surgiram ao lado dos direitos civis (individuais ou liberdades públicas). No Brasil, por exemplo, a primeira Constituição brasileira (de 1824), em seu art. 91, já previa as regras das eleições, estabelecendo as condições de elegibilidade e alistabilidade. Sistema Nacional de Cultura, de forma participativa e gestão democrática (art. 216-A, CF): segundo o art. 216-A da Constituição Federal, o SNC (Sistema Nacional de Cultura), organizado em regime de colaboração de forma descentralizada e participativa, institui um processo de gestão e promoção conjunta de políticas públicas de cultura, democráticas e permanentes, pactuadas entre os entes da Federação e a sociedade Necessária participação popular no processo de elaboração do plano diretor das cidades, Segundo jurisprudência pacífica, a aprovação do plano diretor sem essa participação popular no seu processo de elaboração macula de inconstitucionalidade a lei aprovada. A Emenda Constitucional nº 111/2021 trouxe mudanças relevantes na Constituição Federal, como: autorização para realização de consultas populares junto às eleições municipais; definição de regras sobre fidelidade partidária; alteração das datas de posse do Presidente da República (passa para 5 de janeiro) e dos Governadores (passa para 6 de janeiro); além de estabelecer normas transitórias para a divisão de recursos do fundo partidário e do FEFC, bem como para o funcionamento dos partidos políticos. PLEBISCITOS E REFERENDOS O referendo é uma consulta que se faz ao povo posteriormente à criação da lei ou ao surgimento de ato administrativo, com o intuito de confirmá-los (referendar) ou não (não referendar). No plebiscito, o povo é consultado antes da materialização do ato administrativo ou legislativo, podendo aprovar ou rejeitar o que lhe foi submetido à apreciação. O plebiscito poderá ser convocado nas questões de relevância nacional e deverá ser convocado na criação de novos Estados e de novos municípios. Na vigência da Constituição de 1988, apenas tivemos um plebiscito de caráter nacional: o plebiscito de 1993, nos termos do artigo 2ª do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, por meio do qual o povo optou pela manutenção da forma republicana de governo e do sistema presidencialista de governo. Cabe ao Congresso nacional, mediante decreto legislativo, convocar o plebiscito (art. 49, inciso XV da CF). Há casos em que o plebiscito poderá ser convocado, mas há casos em que a consulta popular é obrigatória. Plebiscito e referendo são formas de consulta popular que materializam a soberania do povo. Segundo Paulo Bonavides, o recall é a forma de revogação que o eleitorado faz do mandato de alguém, cujo comportamento não é satisfatório. É o chamamento às urnas do eleitorado, com o propósito de manter ou não o mandato de algum governante. O veto popular, também conhecido como mandatory referendum é um instituto parecido com o referendo, vez que confere ao eleitorado poderes para manifestar-se contrário a uma medida oulei, já devidamente elaborada pelos órgãos competentes, e em vias de ser posta em execução. OBS: O Brasil não prevê o instituto do “recall”, seja em âmbito federal, seja em âmbito estadual ou municipal. PLEBISCITOS E REFERENDOS O referendo vinculante tem como resultado a criação ou extinção de uma norma jurídica. Pode resultar na criação de uma norma jurídica, apenas ratificando-a ou pode ser inovativo (aprovando um projeto de lei de iniciativa popular sem ter passado por um corpo legislativo). O referendo vinculante também pode ser revogatório quando visa à extinção de uma norma jurídica. Já no referendo consultivo, o resultado não dá ensejo a uma norma jurídica, recaindo sobretudo como decisões políticas de maior transcendência, como o ingresso num organismo internacional. O referendo constitucional se refere ao texto constitucional, podendo se referir a uma Constituição inteira (referendo constituinte) ou apenas a uma reforma constitucional. O referendo legislativo refere-se à lei ordinária ou norma semelhante (lei complementar, por exemplo). O político não versa sobre ato normativo, mas sobre uma decisão política ou administrativa (acordo de paz, ingresso em órgão internacional etc.). Tanto o referendo como o plebiscito são exclusivamente, no Brasil, de iniciativa do Congresso Nacional, através de decreto legislativo. Por força do art. 3º da Lei n. 9.709/98, esse decreto legislativo não pode ser de iniciativa de um único parlamentar, mas de pelo menos 1/3 (um terço) dos parlamentares de qualquer das casas do Congresso Nacional. Assim, somente 171 deputados (1/3 da Câmara de Deputados) ou 27 senadores (1/3 do Senado Federal) poderá propor o projeto de decreto legislativo que convoca plebiscito ou autoriza referendo. O referendo institucional é aquele convocado por uma ou algumas autoridades. O referendo popular é aquele convocado por uma parte, uma fração do eleitorado. O referendo obrigatório é requisito para validade das normas jurídicas, fazendo parte do processo de criação da norma. Já o referendo facultativo não é um requisito de validade da norma jurídica, podendo ser convocado por iniciativa de um órgão ou autoridade estatal, por parcela do eleitorado, a depender da legislação de cada país. O referendo sucessivo ocorre depois da formulação ou aprovação de uma norma estatal, para conferir-lhe eficácia jurídica. O referendo programático (ou prévio) tem lugar antes da criação jurídica da norma ou ato estatal para determinar seu conteúdo material. No Brasil, recebe o nome de plebiscito. O referendo restrito possui duas subespécies: a) circunscrito, limitado a assuntos preestabelecidos pela Constituição, como no art. 11 da Constituição francesa, que permite o referendo apenas para projetos de lei relativos à organização dos poderes públicos; b) excludente: pode versar sobre qualquer matéria, exceto aquelas determinadas pela Constituição. Já o referendo irrestrito não possui qualquer restrição, seja circunscrita, seja excludente, por parte da Constituição. Referendo nacional: a decisão se refere a temas nacionais e tem a participação do eleitorado de todo o país. Subnacional.é realizado em estados federados, regiões e municípios, sobre normas da competência destes. INICIATIVA POPULAR A condição que o cidadão tem para dar início ao processo legislativo das leis é denominada iniciativa popular. Essa forma de participação direta pode ser exercida em âmbito federal, estadual e municipal. Para cada situação, há um regramento diferente. Âmbito Federal (CF, artigo 61, § 2ª): O projeto de lei deve ser subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado nacional, dividido por, pelo menos, cinco Estados da federação, tendo cada um, no mínimo, três décimos por cento dos seus eleitores. Âmbito Estadual (CF, artigo 27, § 4ª): A iniciativa popular será definida por lei. Convencionou-se interpretar que essa lei é estadual. Em cada estado, a iniciativa popular tem um regramento diferente. Âmbito Municipal (CF, artigo 29, XIII): A iniciativa popular requer a manifestação de, no mínimo, 5% do eleitorado local. Matéria: qualquer (lei ordinária ou complementar), exceto proposta de emenda à constituição. Deve circunscrever-se a um só assunto. Não poderá ser rejeitado por vício de forma; caberá à Câmara dos Deputados (casa iniciadora) providenciar a correção de eventuais impropriedades de técnica legislativa ou de redação. Legitimado: cidadãoEspécies vedadas à iniciativa popular: Emendas constitucionais; Leis delegadas, medidas provisórias, e demais proposições privativas do Executivo, Judiciário ou do próprio Legislativo; Projetos de resolução ou decreto legislativo. Por meio da iniciativa popular não é possível apresentar proposta de emenda à constituição em nível federal por falta de expressa previsão constitucional, mas os estados podem prever a possibilidade de emenda à constituição estadual por iniciativa popular, se assim desejarem. OBS: a doutrina entende que a iniciativa em matéria tributária também pode ser exercida pela iniciativa popular. INICIATIVA POPULAR Tem prevalecido o entendimento de que o projeto de lei pode versar sobre lei ordinária e lei complementar (desde que não sejam de iniciativa privativa, como adiante se verá). Assim, poderá ser elaborado, por iniciativa popular, projeto de lei sobre matéria penal, civil, processual (temas reservados à lei ordinária), bem como novas hipóteses de inelegibilidade, imposto sobre grandes fortunas (temas reservados à lei complementar, nos arts. 14, § 9º, e 153, VII, da Constituição, respectivamente). Segundo o art. 96, II, compete ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo a alteração do número de membros dos tribunais inferiores, bem como a criação e extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares. Da mesma forma, o art. 93, caput, determina que lei complementar, de iniciativa do STF, disporá sobre o Estatuto da Magistratura. Por sua vez, o art. 127, § 2º, da Constituição Federal assegura ao Ministério Público a proposta de lei enviada ao Legislativo, sobre a criação e a extinção de seus cargos e serviços auxiliares. Esses projetos não podem ser de iniciativa popular. É vedado: Projetos de decreto legislativo ou resolução, por se tratar de assuntos de competência exclusiva da Câmara dos Deputados (art. 51, CF), do Senado Federal (art. 52, CF) ou do Congresso Nacional (art. 49, CF). Segundo o STF: “A assunção da titularidade do projeto por parlamentar, legitimado independente para dar início ao processo legislativo, amesquinha a magnitude democrática e constitucional da iniciativa popular, subjugando um exercício por excelência da soberania pelos seus titulares aos meandros legislativos nem sempre permeáveis às vozes das ruas”. Não pode o parlamentar se apropriar da iniciativa do projeto, assumindo sua titularidade (“adoção” do projeto por parlamentar/es) Não pode o Legislativo editar emendas de modo que desvirtue os objetivos iniciais do projeto de lei É possível: Lei ordinária (desde que não seja de iniciativa privativa) e Lei complementar (desde que não seja de iniciativa privativa). Segundo o art. 61, § 1º, da Constituição Federal, são de iniciativa privativa do Presidente a criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica, bem como o aumento de sua remuneração, a criação ou extinção de Ministérios etc. Esses projetos não podem ser de iniciativa popular, pois esta é reservada àqueles casos em que a iniciativa caberia ao Congresso Nacional. AIME Trata-se, como aponta Marcílio Nunes Medeiros, da única ação de natureza eleitoral prevista no texto constitucional. § 10 – O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. A Constituição prevê a possibilidade de propositura da chamada ação de impugnação de mandato eletivo (AIME), que acarreta a perda do mandatodo candidato que foi eleito mediante fraude, corrupção ou abuso do poder econômico. Referida ação deve ser proposta perante a Justiça Eleitoral no prazo (decadencial) de quinze dias contados da diplomação, sendo instruída com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude, tramitando em segredo de justiça e respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. O abuso de poder político ocorre quando agentes públicos, como chefes do Executivo ou membros do Legislativo, usam o cargo para obter vantagens indevidas. Segundo o TSE, a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) pode ser proposta com base nesse abuso, desde que esteja vinculado ao abuso de poder econômico ou possua natureza econômica, conforme entendimento firmado no AgR-AIME nº 761, rel. Min. Gilmar Mendes (DJE 04/12/2015). Para a Corte eleitoral, o conceito de fraude deve ser interpretado de forma ampla, não se limitando às questões atinentes ao processo de votação. Nesse sentido, admite-se a alegação de fraude em transferências de eleitores alegadamente aptas a privilegiar candidaturas (AgR-REspe nº 55749, Min. Edson Fachin, DJE de 16/09/2019). O TSE possui entendimento de que é permitida a apuração da captação ilícita de sufrágio em sede de AIME, sob a ótica da corrupção eleitoral, desde que demonstrada a capacidade da conduta de afetar a legitimidade e normalidade das eleições (AgR– AC 27.761, rel. Min. Marcelo Ribeiro, DJE de 24.6.2010; e (AC no REspe nº 167, rel. Min. Luís Roberto Barroso, DJE de 26.6.2019). Legitimados: Qualquer candidato; Qualquer partido político: o TSE entende que, como as coligações extinguem-se com o fim do processo eleitoral (isso é, após a diplomação), os partidos políticos que estavam coligados voltam a ter capacidade processual para agir isoladamente; Qualquer coligação: é importante lembrar que o artigo 17, § 1º, da CF/88 atualmente veda a celebração das coligações nas eleições proporcionais; Ministério Público. OBS: O TSE entende que o eleitor NÃO possui legitimidade para propor AIME. A competência para julgar AIME varia conforme o cargo disputado: o TSE julga ações relativas às eleições para Presidente e Vice-Presidente da República; os TREs julgam ações ligadas a Governador, Vice- Governador, Senadores e Deputados (federais, estaduais e distritais); já o Juiz Eleitoral é competente para julgar AIME nas eleições municipais (Prefeito, Vice e Vereadores). SUFRÁGIO O § 3o do artigo 14 da Constituição Federal enumera as condições de elegibilidade. São elas: ➢ a nacionalidade brasileira; ➢ o pleno exercício dos direitos políticos; ➢ o alistamento eleitoral; ➢ o domicílio eleitoral na circunscrição; ➢ a filiação partidária; ➢ a idade mínima para o cargo. Diz-se positivo o sufrágio quando o indivíduo preenche todos os requisitos para ser eleitor ou para ser candidato e não se enquadra em nenhum dos impedimentos constitucionalmente previstos (sufrágio negativo). É necessário possuir as seguintes características: ter a nacionalidade brasileira (ou ser português equipado); possuir idade mínima de 16 anos; ter o alistamento eleitoral (título de eleitor); não ser conscrito (militar em serviço obrigatório). Alistamento e voto obrigatórios: brasileiros maiores de 18 anos (e menores de 70 anos). Alistamento e voto facultativos: os analfabetos; os maiores de 70 anos; os maiores de 16 e menores de 18 anos. As idades devem ser consideradas no dia da eleição, de forma que é possível fazer o alistamento eleitoral com 15 anos de idade, desde que o adolescente, até a data da eleição, complete os 16 anos exigidos pela Constituição. Esse é o entendimento do TSE, extraído da Resolução 21.538. A respeito do título de eleitor, merece destaque decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na ADPF 541 – MC, para declarar válido o cancelamento do título do eleitor que, convocado por edital, não compareceu ao processo de revisão eleitoral, para fazer o cadastramento biométrico. O Sufrágio é negativo quando a Constituição Federal ou a lei complementar impõem ao cidadão algumas restrições, quer seja para alistabilidade, quer seja para elegibilidade. Os inalistáveis são aqueles que não podem ter o título de eleitor. São eles: os estrangeiros e os conscritos, durante o período do serviço militar obrigatório. Os analfabetos, embora alistáveis, são inelegíveis para quaisquer cargos. As inelegibilidades relativas impõem restrições à elegibilidade para alguns cargos, dadas as circunstâncias decorrentes de motivos funcionais, de parentesco, da condição de militar e de outras hipóteses fixadas por lei complementar. Motivos funcionais: chefes do Executivo só podem se reeleger uma vez consecutiva e devem renunciar ao cargo seis meses antes do pleito para disputar outro cargo. Inelegibilidade reflexa: cônjuge e parentes até 2º grau de chefes do Executivo não podem concorrer na mesma jurisdição, salvo se já forem titulares e buscarem reeleição. Militares: com menos de 10 anos devem se afastar; com mais de 10 são agregados e, se eleitos, vão para a inatividade. OBS: A lei infraconstitucional não pode criar outros casos de inelegibilidades absolutas. SUFRÁGIO A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade. A inelegibilidade reflexa não se aplica em caso de falecimento do cônjuge, ainda que este tenha exercido o mandato por dois períodos consecutivos. O Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice- Prefeito poderão concorrer normalmente a outros cargos, preservando seus mandatos, desde que nos seis meses anteriores ao pleito não tenham sucedido ou substituído o titular. Presidente da câmara municipal que substitui ou sucede o prefeito nos seis meses anteriores ao pleito é inelegível para o cargo de vereador. Se o Chefe do Executivo renunciar seis meses antes da eleição, seu cônjuge, parentes ou afins até o segundo grau poderão candidatar- se a todos os cargos eletivos da circunscrição, desde que ele próprio possa concorrer à reeleição. Isso é válido para o próprio cargo do titular. O Chefe do Poder Executivo que exerceu dois mandatos consecutivos não poderá, na próxima eleição, se candidatar ao cargo de Vice. Já os Vices, reeleitos ou não, poderão se candidatar ao cargo do titular na eleição seguinte, mesmo que o tenha substituído no curso do mandato A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato-tampão As condições de elegibilidade e as hipóteses de inelegibilidade, inclusive aquelas decorrentes de legislação complementar, aplicam-se de pleno direito, independentemente de sua expressa previsão na lei local, à eleição indireta para governador e vice-governador do Estado, realizada pela assembleia legislativa em caso de dupla vacância desses cargos executivos no último biênio do período de governo. DIREITOS Nos termos do artigo 12, parágrafo 4o, da CRFB/88, será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro em determinada hipóteses. Caso isso aconteça, a pessoa voltará a ser estrangeira e, consequentemente, não poderá exercer no Brasil direitos políticos. A Lei Maior admite a privação de direitos políticos por meio da perda e da suspensão. A perda é a privação definitiva dos direitos políticos e a suspensão é a privação temporária desses direitos. A suspensão dos direitos políticos ocorre em três hipóteses principais: 1. Incapacidade civil absoluta, em razão de posterior incapacidade civil reconhecida em processo de interdição. 2.Condenação criminal transitada em julgado, que suspende os direitos enquanto durarem seus efeitos, mesmo que a pena seja restritiva de direitos (RE 601.182/STF). 3. Improbidade administrativa, que, além de outras sanções, acarreta a suspensão dos direitos políticos conforme o art. 37, § 4º da Constituição. Uma outra hipótese de suspensão dos direitos políticos, embora não prevista na Constituição, consta no Tratado de Amizade, Cooperaçãoe Consulta, entre Brasil e Portugal, que dispõe que o brasileiro que se beneficiar em Portugal da equiparação prevista no artigo 12, parágrafo 1o, da CRFB/88 (equiparação ou quase nacionalidade), e quiser exercer direitos políticos naquele País, terá no Brasil a suspensão dos direitos políticos. A escusa de consciência prevista no artigo 5ª, inciso VIII, permite que o indivíduo, a fim de preservar as suas convicções ideológicas ou religiosas, possa se recusar a cumprir uma obrigação que a lei impôs a todos e não ser punido. Agora, se a lei estabelecer uma prestação alternativa e esta não for cumprida, o indivíduo sofrerá a privação de direitos políticos. A cassação de direitos políticos seria a retirada compulsória e arbitrária da condição de cidadão. A Constituição veda a aplicação dessa penalidade, porque além de configurar hipótese de pena de caráter perpétuo, significaria violação da própria condição humana, a partir de perseguição ideológica ou política, que fazem com que um indivíduo seja considerado inferior a outro. POLÍTICOS ANTERIORIDADE As leis publicadas no período inferior a um ano da eleição e que tenham o escopo de modificar o processo eleitoral têm eficácia diferida, isto é, eficácia adiada para a eleição subsequente. O artigo 16 da Constituição Federal, com vistas a garantir segurança jurídica, estabeleceu que a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, mas não será aplicada à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. A Justiça Eleitoral também deve respeitar a anterioridade eleitoral ao produzir jurisprudência capaz de interferir no processo eleitoral. A lei que altera o processo eleitoral tem vigência imediata, mas só terá eficácia na próxima eleição se criada com pelo menos um ano de antecedência do pleito. Lei que altera o processo eleitoral não tem vacatio legis de um ano; antes, ela produz efeitos na data da publicação. A eficácia na próxima eleição é que depende do tempo mínimo de ano. A alteração na legislação eleitoral poderá ser feita a qualquer tempo, ainda que dias antes da eleição, mas embora o novo regramento já esteja em vigor, não terá aplicação na próxima eleição se não tiver sido criado com pelo menos um ano de antecedência do pleito. A lei em vigor pode não produzir efeitos imediatos para evitar mudanças súbitas no processo eleitoral que favoreçam candidatos ou partidos específicos. Isso impede o uso de leis casuísticas para proteger interesses políticos e econômicos em detrimento da vontade popular. ELEITORAL MAPA Direitos Políticos Camile Brandão Santos Pimenta MENTAL