Prévia do material em texto
0 1 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................2 2 A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DO PROFISSIONAL DA ENFERMAGEM NAS ORGANIZAÇÕES ................................... 3 1.1 Estudos de Motivação .......................................................................... 6 1.2 Relações Interpessoais ........................................................................ 7 1.3 Os subsistemas de ARH ...................................................................... 8 2 Organização como um conjunto integrado de competências.................... 11 2.1 A evolução do conceito de competência ............................................ 13 3 Subsistema de Desenvolvimento de Recursos Humanos......................... 15 3.1 Subsistema de Manutenção de Recursos Humanos: os planos de compensação monetária, de benefícios sociais e de higiene e segurança do trabalho 18 3.2 Subsistema de Desenvolvimento de Recursos Humanos: o treinamento e desenvolvimento de pessoal ............................................................................... 19 4 Áreas de desenvolvimento humano .......................................................... 20 4.1 Relação entre ética e humanização do cuidado de enfermagem ....... 23 4.2 Aprendizagem .................................................................................... 25 5 Treinamento e desenvolvimento de pessoas ............................................ 28 5.1 Educação Continuada como fator influenciador do aprimoramento profissional 30 5.2 Retorno do investimento em treinamento ........................................... 32 6 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 46 2 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 3 2 A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DO PROFISSIONAL DA ENFERMAGEM NAS ORGANIZAÇÕES Fonte: inscricao.ucpel.edu.br Entende-se por gestão de pessoas um conjunto de estratégias, métodos, políticas e práticas definidas, que têm como principal objetivo administrar os comportamentos internos e potencializar o desenvolvimento da organização. A importância que a gestão de pessoas representa dentro das organizações está associada ao crescimento mútuo, tanto do funcionário quanto da organização, pois as pessoas que dentro da empresa receberem a oportunidade de progressão, consequentemente, estarão gerando, através do seu trabalho, resultados positivos e satisfatórios (MOREIRA et al., 2017). O trabalho é um conjunto de atividades realizadas por um indivíduo, com o objetivo de atingir uma meta. Para que o trabalho tenha sentido, as metas e objetivos devem estar dispostos de maneira clara. Segundo Chiavenato (2010), existem seis processos básicos de gestão de pessoas, são eles: processos de agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar pessoas. Cada processo é estabelecido dentro da organização de acordo com as políticas e práticas definidas pela empresa, apenas adaptando cada subsistema a sua cultura. O trabalho teórico- 4 prático é estruturado a partir do referencial teórico sobre gestão de pessoas e seus subsistemas e processos (MOREIRA et al., 2017). Sabe-se que na contemporaneidade o capital humano bem investido é a mais rentável e sustentável ferramenta de qualquer empresa, hoje a Gestão de Recursos Humanos vem ao encontro das necessidades das empresas que já notam, valorizam e aplicam essa evolução comportamental, pois para se manter competitiva, a empresa/ organização precisa estar atenta às evoluções e implementações estratégicas que o mercado exige e, para isso, o investimento em recursos humanos se mostra de grande retorno desde que bem elaborado, organizado e que receba os devidos investimentos, segundo (LACOMBE, 2011). As organizações já se deram conta da importância das pessoas e da forma como são administradas. Utilizou-se as ideias de autores estudiosos da área para basear a análise dos subsistemas e processos de agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar pessoas, de acordo com a estrutura, cultura e missão da empresa analisada (LACOMBE, 2011. Apud MOREIRA et al., 2017). Processos de desenvolver pessoas são utilizados para capacitar e incrementar o desenvolvimento profissional e também pessoal de uma equipe, no treinamento e desenvolvimento utiliza-se envolver os quesitos gestão de conhecimento e de competências, aprendizagem em programas de mudanças e desenvolvimento de carreiras, programas de comunicações, etc. Tudo em busca de melhoramentos e desenvolvimento de pessoas e, consequentemente, das atividades e da organização como um todo (Chiavenato, 2010). Segundo Lacombe, a empresa/ organização deve facilitar esse processo, porém é de cada um a responsabilidade e vontade para que esse processo ocorra (MOREIRA et al., 2017). O processo de manter pessoas é utilizado quando se cria condições ambientais que satisfaçam profissional e psicologicamente as pessoas no seu local de trabalho. É quando se desenvolvem atividades voltadas ao clima organizacional, disciplina, higiene, segurança, qualidade de vida e manutenção de relações sindicais. "A manutenção de pessoas exige um conjunto de cuidados especiais, entre os quais sobressaem os estilos de gerência, as relações com os empregados e os programas de higiene e segurança do trabalho que assegurem qualidade de vida na organização" (CHIAVENATO, 2010). Os processos de manutenção de pessoas existem para que 5 os colaboradores possam se manter satisfeitos e motivados, para que queiram permanecer na empresa, pois se tiverem condições físicas, psicológicas e sociais é bem mais provável que estes tenham compromisso com a instituição e "vistam a camisa" da empresa (MOREIRA et al., 2017). Fonte: evolucaohumana.com.br A gestão de pessoas é um desafio para os gestores que visam o gerenciamento através da cooperação dos colaboradores com a organização onde atuam, buscando o benefício entre empregado e empregador. Segundo Chiavenato (2010) a gestão de pessoas é uma área sensível às ideias que predominam nas organizações. Ela é indeterminada, pois depende de várias perspectivas, como a cultura que existe em cada organização, a estrutura organizacional, as características do contexto ambiental, a atividade da organização, a tecnologia utilizada, os processos internos e de uma infinidade de outros princípios importantes (MOREIRA et al., 2017). Para Dutra (2002), gestão de pessoas é um conjunto de políticas e práticas que permitem a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo. Os subsistemas e processos de Gestão de Pessoas são:antagônicos desse processo: o reforço dos valores e da missão da organização junto às pessoas – pois o treinamento também ajuda a fortalecer a cultura organizacional – e a integração. O outro aspecto relaciona-se às competências e conhecimentos técnicos, acentuando a individualização e a diferenciação. Ambos estão integrados a identidade e aos objetivos da organização (DE CARVALHO, 2015). 6.2 A Importância da Educação Corporativa Éboli (2000) explica que diante deste novo cenário, as empresas buscam maior competitividade e profissionais mais capacitados, mas também redução de custos. A partir daí, surgem novas práticas em relação à gestão de pessoas e aos processos administrativos, para manter as pessoas mais satisfeitas dentro das organizações. Algumas organizações se questionam em como reter os melhores funcionários, ou como evitar um alto número de evasões. Uma alternativa eficaz e vantajosa para essas questões é a implementação de um programa de educação corporativa dentro da própria organização, visando descobrir, capacitar, motivar e fomentar talentos para serem utilizados e assim suprir 41 as demandas da empresa, possibilitando a redução de conflitos e de adaptação gerados pela entrada de novos funcionários à cultura organizacional vigente (Éboli, 2000). Meister (1999) explica que a cada dia se torna um desafio ainda maior gerir os recursos humanos de uma empresa sem considerar a importância da educação corporativa. Não se trata simplesmente de uma forma de treinamento ou qualificação de mão de obra. A educação corporativa é mais que isso, é uma prática coordenada de gestão de pessoas e de conhecimento orientada através de uma estratégia organizacional de longo prazo. A autora ainda comenta que, através da educação corporativa, é possível articular as competências individuais e coletivas, relacionando as práticas educacionais aos processos de inovação das empresas e à evolução do grau de competitividade de seus bens ou serviços. Blois e Melca (2005) complementam dizendo que a educação corporativa é administrada por instituições conhecidas como "universidades corporativas" ou "universidades empresariais" (DE CARVALHO, 2015). Estas são instituições de ensino de níveis técnico e superior com graduação e pós-graduação vinculadas a empresas privadas e públicas. As universidades corporativas oferecem cursos técnicos específicos para funcionários. Estes cursos são customizados de acordo com as políticas e estratégias da empresa, reduzindo custos de treinamento e formando mão de obra de forma mais rápida (DE CARVALHO, 2015). 42 7 GESTÃO DO CONHECIMENTO Fonte: impulse.net.br No âmbito das organizações em geral, o conhecimento é reconhecido como um recurso de fundamental importância em qualquer setor de atividades, pois auxilia as organizações empresariais a se tornarem competitivas nos tempos atuais; as organizações públicas, na busca para o progresso da nação; e as organizações sem fins lucrativos e não governamentais, na busca pela excelência naquilo que realizam. Nos estudos que tratam do conhecimento nas organizações é possível verificar que a discussão sobre o tema tem em sua essência um grande esforço para torná-lo um recurso gerenciável. Na literatura, o conhecimento e sua gestão nas organizações são trabalhados em abordagens ou por termos diversos, tais como: aprendizagem individual e organizacional, capital intelectual (JANNUZZI, FALSARELLA, SUGAHARA, 2016). Em geral, a discussão sobre a gestão do conhecimento normalmente vem vinculada à discussão sobre aprendizagem organizacional. Essa associação dificulta, por vezes, o entendimento dos temas. Qualquer que seja o entendimento, observa-se que esse contexto contribui para a existência de diversos estudos sobre o tema, incluindo as proposições de modelos que auxiliam a gestão do conhecimento nas organizações, que compreendem o desenvolvimento de técnicas, estruturadas por 43 etapas que englobam desde a definição de metas até o compartilhamento e uso do conhecimento (BOISOT, 2002). Como também sistemas de informação destinados a dar “[...] suporte à criação, organização e disseminação do conhecimento dos negócios dentro da empresa” (O’BRIEN; MARAKAS, 2013). A falta de uma consonância conceitual e de uma estrutura amplamente aceita em relação à gestão do conhecimento, conforme observadas em décadas anteriores, é uma questão ainda presente no momento atual. No entanto, apesar disso, é consensual o entendimento de que a gestão do conhecimento envolve a criação de valor dos ativos intangíveis de uma organização. O reconhecimento da importância do conhecimento nas organizações tem contribuído para o desenvolvimento de muitos estudos sobre a sua gestão, envolvendo processos, metodologias, técnicas, ferramentas etc. Entre as ferramentas, observa-se a construção de sistemas de informação automatizados, como Sistemas de Apoio à Decisão (SAD) e Sistemas Especialistas (SE), projetados especificamente para propiciar o compartilhamento e a integração do conhecimento nas organizações (NISSEN, KAMEL, SENGUPTA, 2000. Apud RUBENSTEINMONTANO et al., 2001). No entanto, apesar dos esforços, é fato que a gestão do conhecimento não se constitui como uma tarefa simples de ser realizada. A característica subjetiva do conhecimento imprime complexidade ao tema, o que por vezes se contrapõe a um olhar simplificado em seu tratamento. É o caso, por exemplo, da ênfase que se dá ao simples uso da tecnologia para a sua realização nas organizações, o que "[...] força uma visão estreita que pode inibir o crescimento e o poder de permanência da gestão do conhecimento". Dentro de um olhar mais amplo sobre o tema, observa-se que a gestão do conhecimento vai muito mais além do que proporcionam as tecnologias de informação e comunicação voltadas para o compartilhamento do conhecimento (RUBENSTEIN-MONTANO et al., 2001). 7.1 Inovação, conhecimento e informação para as organizações A inovação, o conhecimento e a informação formam, sem exclusão, o tripé fundamental para a competitividade de qualquer organização. Para toda e qualquer organização nos diversos setores de atividade econômica, a inovação é 44 reconhecidamente um fator determinante para a competitividade. De acordo com o Manual de Oslo, a inovação deve ser compreendida como: a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas (ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO - OECD, 2005). Na busca por contemplar diferentes maneiras de inovar, a literatura sobre o tema apresenta classificações variadas para o termo, tais como, por exemplo: inovação incremental, inovação semirradical e a radical. A primeira, denominada incremental, se caracteriza pela variação de um produto e/ou serviço já existente, no qual novos atributos são adicionados a este. A segunda, designada como inovação semirradical, se caracteriza pela modificação nos produtos e/ou serviços, porém mantendo a continuidade dos padrões já existentes. Por fim, a inovação radical que se distingue das demais pela proposição de produtos e/ou serviços totalmente novos, incidindo na construção de uma nova infraestrutura (DAVILA, EPSTEIN, SHELTON, 2007). Toda inovação, independente da classificação, traz em sua essência a geração, uso e assimilação de conhecimentos e, consequentemente, também de informações. Apesar dessa constatação, essa não é uma realidade para muitos resultados de inovação que se apresentam aquém do esperado pelas empresas. Isso acontece porque em muitas situações a empresa procura investir e fazer acontecer a inovação para novos produtos e/ouserviços, porém sem dominar os conceitos necessários para o desenvolvimento do processo (HANSEN, BIRKINSHAW, 2007). O conhecimento é um recurso econômico que aplicado à empresa possibilita a criação de novas estratégias competitivas, inovação de produtos e serviços, bem como melhorias na solução de problemas etc. O esforço das empresas para tratar o conhecimento como um recurso gerenciável dá-se, principalmente, pelo fato dos Recursos Humanos, entendidos como Capital Intelectual, deterem parte significativa do conhecimento que diz respeito à organização e que por meio do compartilhamento do conhecimento podem contribuir para a produtividade e desempenho da organização (PROBST, RAUB, ROMHARDT, 2002. Apud ANGELONI, 2008). 45 Para que se entenda o conhecimento em uma organização, torna-se relevante compreender o processo de construção do conhecimento como algo inerente ao ser humano. Mais ainda, para falar de conhecimento, deve-se ter claro que a informação necessariamente precisa fazer parte dessa discussão. Ela se constitui como parte indissociável do conhecimento, já que ela é a responsável pela geração do mesmo. Em síntese, pode-se afirmar que "[...] a informação é um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado por esse próprio fluxo de informação, ancorado nas crenças e compromissos de seu detentor" (NONAKA, TAKEUCHI, 1997) A construção do conhecimento acontece dentro de uma comunicação cujo fluxo se caracteriza pela troca de informação, ou seja, pela troca de conteúdos significativos entre um emissor e um receptor. No intercâmbio de informações, esse entendimento evidencia um caráter extremamente subjetivo relacionado com os processos cognitivos do emissor e do receptor da mensagem que, entre outras coisas, corrobora para uma situação peculiar no processo de recepção da informação: a liberdade do indivíduo selecionar a mensagem que considerar relevante (McGARRY, 1999). Tal fato ratifica o caráter subjetivo da informação. 46 8 REFERÊNCIAS ANICETO, K. R. P. “Mudanças no mundo do trabalho e as novas exigências de qualificação dos trabalhadores”, Revista Científica Hermes, 2009. BOISOT, M. The creation and sharing of knowledge. In: CHOO, C. W.; BONTIS, N. The strategic management of intellectual capital and organizational knowledge. New York: Oxford, 2002. CHIAVENATO Idalberto. Gerenciando Pessoas: o passo decisivo para a Administração Participativa. São Paulo: Mackron Books do Brasil Editora Ltda, 1992. CHIAVENATO Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 13 eds. Rio de Janeiro: Campus, 1999. CHIAVENATO Idalberto. Recursos Humanos: O Capital Humano Das Organizações. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2008. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: o novo papel recursos humanos nas organizações - 3. ed. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. COLBARI, A., “Educação corporativa e desenvolvimento profissional na dinâmica sóciocultural das empresas”, Civitas, Porto Alegre, 2007. DAVILA, T.; EPSTEIN, M. J.; SHELTON, R. As regras da inovação: como gerenciar, como medir e como lucrar. Porto Alegre: Bookman, 2007. DE CARVALHO, Viviane Moller. A importância da educação corporativa para a vantagem competitiva das organizações. Caderno de Administração, 2015. EBOLI, M., “Educação Corporativa”, Revista T&D – Inteligência Corporativa. São Paulo, ed. 137, nº12, 2004b. 47 FERREIRA, A.A. et al., Gestão Empresarial: de Taylor aos nossos dias. Sai Paulo: Pioneira, 1997. FURTADO, R. A.; CARVALHO NETO, A.; Lopes, D. P. T. “O que as Listas de ‘Melhores Empresas para Trabalhar’ dizem sobre as Organizações, seus Empregados e os Consultores e Pesquisadores de RH? ”, XXXI Encontro da ANPAD, set. 2007. GIL Antônio Carlos, Gestão de Pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2001. HANSEN, MT; BIRKINSHAW, J. The innovation value. Harvard Business Review, v., jun. 2007. JANNUZZI, Celeste Sirotheau Corrêa; FALSARELLA, Orandi Mina; SUGAHARA, Cibele Roberta. Gestão do conhecimento: um estudo de modelos e sua relação com a inovação nas organizações. Perspectivas em Ciência da Informação, 2016. JERICÓ, Marli de Carvalho; CASTILHO, Valéria. O investimento financeiro em recursos humanos: uma experiência em hospital. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2004. LACOMBE, Francisco José Masset. Recursos humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2005. LACOMBE, Francisco José Masset; HEILBORN, Gilberto Luiz José. Administração: princípios e tendências - 2 eds. rev. e atualizada - São Paulo: Saraiva, 2008. LEITE, Alice Iana Tavares et al. A importância de ser ético: da teoria à prática na enfermagem. Cogitare Enfermagem, 2009. 48 LIMA, Marcos Antônio Martins; LIMA, Ioneiry Viana. A gestão por competência e as funções de recursos humanos: estudo de caso na Universidade Federal do Ceará (UFC). Revista Ciências Administrativas, 2013. LINS, Carlos Renato Gherarde; ZÚNIGA, Melby. Administração de Recursos Humanos: teoria geral e prática em empresas mineiras. 2009. LUCENA, M.D.S. Avaliação de Desempenho. São Paulo: Atlas, 1992. MARRAS, Jean Pierre. Administração de recursos humanos: do operacional ao estratégico. 3.ed. São Paulo: Futura, 2000. MOREIRA, Jaciele Negrette et al. Subsistemas e processos de gest o de pessoas na Universidade Regional do Noroeste do estado do Rio Grande do Sul-Unijuí. Subs Stems and Management Processes at the Regional North EST Universit of Rio Grande do Sul-Unijuí. NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. 20. ed. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 1997. OLIVEIRA, Aristeu. Manual de descrição de cargos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. O‘BRIEN, J. A.; MARAKAS, G. M. Administração de Sistemas de Informação. 15. ed. Porto Alegre: AMGH/McGraw-Hill/Bookman, 2013. PEIXOTO, Letycia Sardinha et al. Educação permanente, continuada e em serviço: desvendando seus conceitos. Enfermería global, 2013. ROGLIO, K. D. “Aprendizagem em equipe: Um Estudo de Caso na Implementação do Aperfeiçoamento de Processos”, Anais da XXXVII Assembleia do Conselho 49 Latino Americano de escolas de Administração CLADEA. Porto Alegre: UFRGS, área temática comportamento organizacional art. 709 p.278, CD-ROM, 8pp, 2002. ROSENBERG, M. J. “Learning: Estratégias para a Transmissão do Conhecimento na Era Digital”. São Paulo: Pearson, 2002. SOUSA, Alana Tamar Oliveira de et al. A utilização da teoria da aprendizagem significativa no ensino da Enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, 2015.subsistema de provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e monitoração. De acordo do Chiavenato (2010) “todos esses processos estão bastante relacionados entre si, de tal maneira que se interpenetram e se influenciam reciprocamente. Cada processo tende a favorecer ou prejudicar os demais, quando bem ou mal utilizado.”. 6 1.1 Estudos de Motivação A ARHT tem como uma de suas principais preocupações a motivação do indivíduo na organização como o ponto de partida da integração e a produtividade da força de trabalho, sendo analisada a nível global e não como uma simples manifestação da personalidade. A seguir algumas linhas teóricas a respeito da motivação no trabalho. A preocupação pela motivação se inicia, também, com os estudos de Elton Mayo, que "propiciaram um cenário favorável à introdução de uma nova abordagem na solução dos problemas de administração (FERREIRA et al., 1997. Apud LINS, ZÚNIGA, 2009). Focalizada no processo de motivar os indivíduos para o atingimento das metas organizacionais" (FERREIRA et al., 1997), nos quais analisa as condições adversas de trabalho impostas pela Administração Científica, concluindo que os operários tendem a reunir-se em grupos informais como fuga dos efeitos da estrutura formal. Nesses grupos informais, esses trabalhadores conseguem comunicar-se com maior facilidade, além de encontrar ambiente de apoio para a maioria de seus problemas. Uma outra linha de pesquisa foram os estudos da equipe de Frederick Herzberg, que classificou os estímulos de trabalho em duas categorias: fatores higiênicos e fatores motivacionais. Sua principal conclusão foi que "a Administração deve perceber que os fatores de higiene são importantes, mas, uma vez neutralizada a insatisfação, não geram resultados positivos. Apenas os fatores motivacionais conduzem ao melhor desempenho" (FERREIRA et al., 1997). Outro estudo importante sobre a motivação foi feito por Chris Argyris, da universidade de Harvard, que pesquisou os efeitos da organização na vida dos indivíduos, concluindo que as restrições impostas aos empregados pelas estruturas empresariais, em vez de garantir a ordem e a eficiência, geram resistências e desestímulos que bloqueiam a capacidade de realização do indivíduo. Argyris identificou três fatores que levam às empresas a frustrar seus empregados: a estrutura formal, a liderança impositiva e os controles administrativos (LINS, ZÚNIGA, 2009). 7 1.2 Relações Interpessoais Fonte: cozinhadaschicas.wordpress.com Outro ponto de estudo dentro da perspectiva humanista da administração surgida com a Escola de Relações Humanas onde os estudiosos destacavam que o mais importante era desenvolver os empregados no relacionamento interpessoal. Essa Escola preconizava que se os funcionários desenvolvessem bem esse aspecto (relação interpessoal) a técnica viria como consequência, ou seja, era mais fácil um indivíduo que se relacionava bem com os colegas aprender com facilidade do que um indivíduo isolado dos demais, como era na Administração Científica. Esses estudos foram também desenvolvidos para demonstrar um ponto falho da Burocracia de Weber onde se dizia que "os relacionamentos intergrupais não são racionais, portanto, não podem ser benquistos na organização burocrática" (FERREIRA et al., 1997). Mais recentemente, com respeito às relações e canais de comunicação da organização com os empregados, "as empresas têm as seguintes opções estratégicas: a sindicalização versus à não sindicalização; minimizar versus compartilhar poder e influência da força de trabalho; sistema de gestão autocrático versus o participativo; ou o desenvolvimento de mecanismos de influência de empregados, tais como grupos de auto-gestão, grupos de estudo, comitês de qualidade de vida no trabalho, mediadores, etc". Isso levou com que as relações 8 saíssem do plano mais pessoal e passassem a um plano mais organizacional-grupal (LINS, ZÚNIGA, 2009). 1.3 Os subsistemas de ARH De acordo com. Marras (2000), a área de Recursos Humanos (RH), organicamente, é composta por um conjunto de subsistemas que respondem individualmente por cada uma das funções da área de recursos humanos. Ulrich (1998) sintetiza que, ao final dos anos 1970, os autores sobre RH definiam como atividades principais as seguintes: contratação, desenvolvimento, avaliação e recompensas. As especialidades e funções de RH – ou seja, os subsistemas – surgiram dentro da empresa à medida que começaram a ser vistas de uma forma mais estratégica (LIMA, LIMA, 2013). Contratação, decorrente da crença de que poderia ocorrer melhor adequação dos funcionários aos cargos e consequente melhoria no seu desempenho se eles passassem por testes e avaliações; treinamento, por meio do qual os funcionários poderiam desenvolver habilidades necessárias ao melhor desempenho no seu cargo; setor de remuneração, através do qual seria possível motivar os funcionários e levá- los a um desempenho mais elevado; e sistemas de avaliação, surgidos da necessidade de estabelecer comportamentos e resultados esperados dos funcionários para transformar as metas gerenciais em suas metas (LIMA, LIMA, 2013). Subsistema de recrutamento e seleção Também conhecido como subsistema de provisão, o subsistema de recrutamento e seleção, de acordo com. Marras (2000), é responsável pela captação e triagem de profissionais no mercado e pela seleção e encaminhamento de profissionais para a empresa. Conceitualmente, o recrutamento de pessoal “tem por finalidade a captação de recursos humanos interna e externamente à organização objetivando atender as necessidades dos clientes internos da empresa”. Segundo Milkovich e Boudreau (2009), as evidências mostram que as organizações não avaliam com muita atenção suas atividades de recrutamento e seleção. Assim, com 9 esse subsistema, a empresa terá que investir muito mais em treinamento para os novos funcionários. Subsistema de treinamento e desenvolvimento (T&D) Fonte: rabaglio.com.br O treinamento tem se tornado cada vez mais imprescindível ao sucesso das organizações. Conceitualmente, de acordo com. Marras (2000), treinamento é o processo de assimilação cultural em curto prazo, que tem como objetivo transmitir ou reciclar conhecimentos, habilidades ou atitudes direcionadas à execução de tarefas ou à otimização do trabalho. Bohlander e Snell (2009) relacionam habilidades e atitudes (CHA), e informam que o fortalecimento e desenvolvimento dessas variáveis são extremamente necessários ao indivíduo para lidar com as rápidas mudanças tecnológicas que levam a novos processos e sistemas de trabalho (LIMA, LIMA, 2013). Milkovich e Boudreau (2009) enfatizam que o desenvolvimento das pessoas e as atividades de treinamento estão entre as atribuições mais rotineiras, porém, mais caras da ARH. Tais atividades têm por finalidade melhorar as habilidades já existentes e ensinar novas, buscando impactar nas atitudes dos empregados. Segundo Bohlander e Snell (2009), muitos especialistas fazem a distinção entre treinamento e desenvolvimento, especificando que este é mais dirigido para ampliar as habilidades dos indivíduos para futuras responsabilidades e aquele é mais focalizado e apontado para questões concernentes a desempenho de curto prazo (LIMA, LIMA, 2013). 10 Subsistema de avaliação de desempenho Marras (2000) conceitua o desempenho humano como “o ato ou efeito de cumprir ou executar determinada missão ou meta traçada previamente”. Tal desempenho é diretamente proporcional a duas condições humanas: o querer fazer, que explicita o desejo endógeno de realizar, ou seja, a motivação; e o saber fazer, isto é, a condição cognitiva e experiencial que torna possível o indivíduo realizar com eficiência e eficácia alguma coisa (LIMA, LIMA,2013). Nesse contexto, um instrumento a ser utilizado é a avaliação de desempenho, que permite ao administrador mensurar os resultados obtidos por um empregado ou por um grupo em período e área específicos: seus conhecimentos, metas, habilidades etc. Segundo o autor, avaliação de desempenho é um instrumento extremamente valioso e importante na ARH, na medida em que evidencia o retorno recebido pela organização como resultado de um investimento realizado numa trajetória profissional. Tal avaliação foi criada para acompanhar o desenvolvimento cognitivo dos empregados durante sua permanência na organização e medir seu nível de CHA. Para Bohlander e Snell (2009) do ponto de vista do desenvolvimento individual, a avaliação fornece o feedback fundamental para identificar os pontos fortes e fracos dos funcionários e aprimorar o desempenho. O processo de avaliação possibilita identificar questões a serem discutidas, buscando eliminar qualquer problema potencial e estabelecer novas metas, de modo a atingir um alto desempenho. Segundo os autores, as abordagens mais novas de avaliação de desempenho enfatizam o treinamento, o desenvolvimento e os planos de crescimento para os funcionários, em vez de simplesmente avaliar seu desempenho passado (LIMA, LIMA, 2013). Subsistema de remuneração ou cargos e salários (C&S) Os funcionários sempre desejam uma remuneração justa e à altura de suas capacidades e expectativas. Para Bohlander e Snell (2009), o pagamento fornece aos funcionários uma recompensa quantificável por seus serviços, bem como uma fonte de reconhecimento e subsistência. O sistema de remuneração inclui todas as formas de pagamento e recompensas aos funcionários pelo desempenho de seu trabalho. Os 11 autores esclarecem que a remuneração direta abrange: ordenados e salários do funcionário, incentivos, bonificações e comissões (LIMA, LIMA, 2013). A remuneração indireta abrange os vários benefícios oferecidos pelas empresas, como programas de reconhecimento do funcionário, atividades gratificantes, suporte da empresa, ambiente de trabalho e horário de trabalho flexível para acomodar as necessidades pessoais. Para Milkovich e Boudreau (2009), os sistemas de pagamento podem ser projetados para atingir um grande número de objetivos (LIMA, LIMA, 2013). Alguns deles são: melhorar a produtividade e a satisfação do cliente, controlar custos, tratar os empregados com justiça, atender às exigências legais e aperfeiçoar o desempenho individual ou coletivo. Bohlander e Snell (2009) informam que as bases nas quais a remuneração é determinada e a forma como são administradas podem afetar significativamente a produtividade dos funcionários e a realização dos objetivos de uma organização. 2 ORGANIZAÇÃO COMO UM CONJUNTO INTEGRADO DE COMPETÊNCIAS Fontes: talentosconsultoria.com.br A preocupação das organizações em possuir indivíduos capacitados para o desempenho eficiente de tarefas não é recente. Desde Frederick Taylor, considerado 12 o pai da Administração Científica, já se apontava para a necessidade de as empresas contarem com homens eficientes, embora na época, eficiência se relacionasse com rapidez e agilidade na realização de atividades manuais e operacionais. Hoje, com o advento de leis trabalhistas e tecnologia, muito do que se espera de um trabalhador são habilidades sociais, psicológicas, abrangendo atividades mais complexas. A palavra competência, no fim da Idade Média, era associada à linguagem jurídica e dizia respeito à faculdade atribuída a alguém ou uma instituição para apreciar e julgar certas questões. Por extensão, o termo passou a designar o reconhecimento social sobre a capacidade de alguém se pronunciar a respeito de determinado assunto e, mais tarde, passou a ser usada para qualificar o indivíduo capaz de realizar determinado trabalho (BRANDÃO; GUIMARÃES, 2001). Academicamente falando, o início do debate acerca do tema competência deu- se por volta de 1973 com o estudo de McClelland, Testing for Competence rather than Intelligence. Segundo este autor (apud Fleury; Fleury, 2001) competência é uma característica intrínseca do indivíduo que se traduz em maior eficiência na realização de determinadas atividades. A partir de então, diversos estudiosos desenvolveram análises sobre o tema, estando entre eles, por exemplo: Dutra (2001), Fleury e Fleury (2001), entre outros. De acordo com Green (1999), os objetivos da Gestão por Competências são: Vincular entrevistas, avaliações, treinamento, coaching1 e remuneração à visão, à missão, aos valores e à cultura da empresa; Planejar as habilidades necessárias para que a organização cresça; Comunicar os comportamentos valorizados; Esclarecer o foco da liderança; Focalizar atenção na qualidade/comportamento orientado para o cliente; Eliminar as lacunas de competências; Desenvolver vantagens competitivas individuais e da empresa; Identificar critérios de seleção para entrevistas e admissão de funcionários; Estruturar os tópicos discutidos em uma avaliação de desempenho; Desenvolver a cultura de feedback 360 graus; 13 Planejar para a sucessão; Orientar os gerentes quanto à estratégia e à cultura corporativa. 2.1 A evolução do conceito de competência Definir competência não é uma tarefa simples. Sua aplicação e utilização em diversas áreas do saber fazem com que seja concebida sob diversas óticas. Tedeschi (2002) salienta que a competência se apresenta sob um aspecto que resgata os processos mais internos do ser humano, como a heterogeneidade e o subjetivismo. Esse enfoque é mais utilizado na área da pedagogia e da psicologia. Outro enfoque, apontado por Tedeschi (2002), possui uma ordem mais pragmática, comum aos administradores, economistas, engenheiros, e caracteriza-se pela homogeneidade, maturidade e objetividade. Pujol (1999), por sua vez, privilegia a ênfase às competências do trabalho e define-a como sendo a capacidade de uma pessoa realizar uma atividade, aplicando de maneira integral e pertinente os conhecimentos, destrezas e atitudes requeridas em uma determinada gama de funções, em situações e contextos definidos. Para o autor, a definição de competência do trabalho é constituída por uma síntese de competências básicas, genéricas e específicas aplicada à realização de uma atividade produtiva. Para. Barato (1998), competência envolve informação, conhecimento, desempenho e interação e a define como “saberes que compreendem um conhecimento capaz de produzir determinados desempenhos, assim como de assimilar e produzir informações pertinentes”. Assim, além de envolver o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes na realização de uma atividade específica, em busca de um desempenho determinado, a abordagem das competências pode incluir a busca da efetividade, ou a utilização ótima dos recursos. Pode-se observar, então, que, apesar de ter sido bastante discutida nos últimos anos, a noção de competência ainda não apresenta consenso conceitual. Na opinião de Barbosa (2002), cada autor procura utilizar ou formalizar um novo conceito de acordo com suas inclinações e com o contexto em que este será aplicado. Isso ocorre, 14 principalmente, por sua natureza dinâmica, já que ela está baseada no ambiente altamente mutável dos dias atuais. No contexto organizacional, lócus deste estudo, o tema competência foi abordado nos estudos feitos por McClelland (1973), quando participava de um processo de seleção de pessoal para o Departamento do Estado Americano. No artigo Testing for Competence rather than Intelligence, ele afirma que os testes tradicionais de conhecimentos e inteligência utilizados em seleção, além de não serem capazes de predizer o sucesso do candidato no trabalho e na vida, favoreciam preconceitos contra minorias, mulheres e pessoas de nívelsocioeconômico inferior. A partir dessa constatação, o autor dedicou-se a encontrar métodos de avaliação que permitissem identificar variáveis de competência capazes de causar êxito no trabalho e na vida. Assim, para McClelland (1973), a competência pode ser sintetizada como um conjunto de características individuais observáveis – conhecimentos, habilidades, objetivos, valores, capazes de predizer e/ou causar um desempenho efetivo ou superior no trabalho ou em outras situações da vida. Ele diferenciava, assim, competências de: aptidões – talentos naturais da pessoa, que podem vir a ser aprimorados; habilidades – a demonstração de um talento particular na prática; e conhecimentos – o que a pessoa precisa saber para desempenhar uma tarefa. 15 3 SUBSISTEMA DE DESENVOLVIMENTO DE RECURSOS HUMANOS Fonte: destinonegocio.com Sabe-se que a seleção e admissão de pessoal em uma organização inicia-se com o processo de recrutamento, e que este é fator chave para encontrar os candidatos mais adequados e que prontamente tenham o bom desempenho desejado, com qualidade, eficiência e eficácia, na realização de suas tarefas e atividades, quer seja, na produção de bens ou na realização de serviços administrativos. Nos estudos de Chiavenato (1992) ele afirma que, “recrutamento são todos os esforços da empresa em trazer para si novos colaboradores”. Trata-se de um processo para atrair pessoas interessadas em ingressar uma carreira na empresa, variando de empresa para empresa, o recrutamento pode acontecer de forma interna, externa, ou mista, todos eles com o mesmo objetivo: a busca de candidatos que atendam às necessidades da organização e possam colaborar com o sucesso da mesma. Segundo Gil (2001), “o recrutamento consiste num processo que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização”. Cabe a organização escolher a melhor forma de recrutar seus candidatos observando sempre os objetivos e metas da empresa. Lacombe (2005) enfatiza que: O recrutamento abrange o conjunto de práticas e processos usados para atrair candidatos para as vagas existentes ou potenciais. Ele deve ser efetuado em uma 16 unidade centralizada, e é uma atividade permanente, sendo apenas intensificada nas ocasiões em que existem vagas. O recrutamento é apenas a primeira etapa de um processo que termina com o contrato definitivo após o período de experiência (MARTINS, LIMA, 2011). Após a etapa de Recrutamento, tem se o processo de seleção, em que acontece a escolha do melhor candidato que se enquadre corretamente ao cargo pretendido, visando sempre o sucesso da organização. Segundo Marras (2000) a seleção de pessoal é: Uma atividade de responsabilidade do sistema de ARH, que tem por finalidade escolher, sob metodologia específica, candidatos a empregados recebidos pelo setor de recrutamento, para o atendimento das necessidades internas da empresa. Esta etapa envolve os processos de comparação e escolha, pois, faz-se necessário a comparação entre os candidatos recrutados a fim de escolher o que melhor adapte as necessidades do cargo. Chiavenato (1999), define seleção como “a obtenção e uso da informação a respeito de candidatos recrutados externamente para escolher qual deles deverá receber a oferta do cargo/emprego”. Depois das etapas de recrutamento e seleção de pessoal, as pessoas devem ser integradas à organização, posicionadas em seus cargos e avaliadas quanto ao seu desempenho (MARTINS, LIMA, 2011). Para Oliveira (2002) a descrição de cargos “consiste em determinar pela observância e pelo estudo os fatos que compõem a natureza de cada cargo e o torna distinto dos outros cargos existentes na organização”. No processo de descrever um cargo deve-se relacionar as principais responsabilidades do cargo, suas tarefas e deveres, de maneira breve, pois uma boa descrição facilita o trabalho dos empregados que passam a ter uma melhor compreensão das suas atribuições. Chiavenato (2002) afirma que a descrição de cargos consiste no “detalhamento das atribuições ou tarefas do cargo (o que o ocupante faz), a periodicidade da execução (quando faz), os métodos empregados para a execução dessas atribuições ou tarefas (como faz), os objetivos do cargo (por que faz) ”. Após a descrição dos cargos tem-se a necessidade de analisá-los, onde se faz um estudo para obter os requisitos para o desempenho do cargo. É importante ressaltar a importância de os 17 cargos serem constantemente descritos, analisados e redefinidos devido à necessidade de acompanhar as mudanças na organização e no seu conteúdo (MARTINS, LIMA, 2011). Fonte: egafutura.com.br Lucena (1992) vê a Avaliação de Desempenho como a verificação da "atuação da força de trabalho na produção de resultados”. Portanto, é imprescindível a existência de um sistema de avaliação de desempenho em uma organização, pois, deve-se verificar como as pessoas desempenham suas atividades e ao mesmo tempo, a organização precisa conhecer algo novo a respeito dos servidores com relação ao seu desempenho profissional. Para Chiavenato (1999), A avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados e do seu potencial de desenvolvimento. A Avaliação de Desempenho consiste em um sistema de diagnóstico, que nos permite analisar os resultados obtidos pelos funcionários, ou uma equipe de trabalho. Ela é de suma importância, porque a partir do momento em que se mede o desempenho do colaborador e lhe é apresentado um feedback, este tem a possibilidade de crescimento pessoal e profissional (LUCENA, 1992. Apud MARTINS, LIMA, 2011). 18 3.1 Subsistema de Manutenção de Recursos Humanos: os planos de compensação monetária, de benefícios sociais e de higiene e segurança do trabalho Com o passar do tempo a remuneração ganhou mais relevância nas organizações, pois se percebeu o verdadeiro valor da necessidade de compensação do trabalho prestado pelos funcionários, em busca do sucesso. Observa-se uma especial atenção aos planos de compensação monetária (remuneração), aos benefícios e higiene e segurança no trabalho. O estudo de Chiavenato (2008) revela que o Sistema de Recompensas “inclui o pacote total de benefícios, que a organização coloca à disposição de seus membros e os mecanismos e procedimentos pelos quais estes benefícios são distribuídos ” (MARTINS, LIMA, 2011). A remuneração pode ser direta, através de salários, prêmios, comissões ou indireta em que o pagamento é realizado através de férias, gratificações, etc. Na visão de Chiavenato (2008): “Benefícios Sociais são as facilidades conveniências, vantagens e serviços que as empresas oferecem a seus empregados, no sentido de poupar-lhes esforços e preocupações. ” A higiene e segurança do trabalho é composta de normas e procedimentos adequados para proteger a integridade física e mental do colaborador, a fim de prevenir possíveis riscos de saúde (CHIAVENATO, 2008. Apud MARTINS, LIMA, 2011). Para. Marras (2000), higiene e segurança é: [...] a área que responde pela segurança industrial, pela higiene e medicina do trabalho relativamente aos empregados da empresa, atuando tanto na área de prevenção quanto na de correção, em estudos e ações constantes que envolvam acidentes no trabalho e a saúde do trabalhador. A higiene e segurança do trabalho visam à prevenção de doenças profissionais, redução de riscos inerentes à saúde, segurança e bem-estar do trabalhador, prevenção de acidentes de trabalho, entre outros (MARTINS, LIMA, 2011). Segundo Chiavenato (2002), a segurança do trabalho é: O conjunto de medidas técnicas, educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para prevenir acidentes,quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo as pessoas da implantação de práticas preventivas. Sabe-se que a segurança do trabalho envolve também a prevenção de acidentes, roubos e incêndios em que a 19 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) é uma exigência da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (MARTINS, LIMA, 2011). 3.2 Subsistema de Desenvolvimento de Recursos Humanos: o treinamento e desenvolvimento de pessoal Fonte: fundacioninternacional.com As pessoas precisam ser capacitadas, pois não basta termos máquinas e equipamentos de última geração, sem que as pessoas que neles trabalham estejam capacitadas. O treinamento tem como objetivo preparar o pessoal para que consigam um bom desempenho dentro da organização. Percebe-se a necessidade de identificar e realizar o treinamento antes que ocorram problemas. Uma empresa que treina e desenvolve seus funcionários estará investindo no seu próprio futuro (MARTINS, LIMA, 2011). Para. Marras (2001) “Treinamento é um processo de assimilação cultural a curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimento, habilidades ou atitudes relacionadas diretamente à execução de tarefas ou à sua otimização no trabalho”. Percebe-se que o treinamento é de grande importância para o desempenho da empresa, pois, aperfeiçoa as habilidades e técnicas dos funcionários e auxilia no desenvolvimento pessoal devendo ser, portanto, planejado e contínuo. Chiavenato (1999) afirma que o treinamento é um processo cíclico e contínuo, composto de quatro 20 etapas: Diagnóstico: levanta-se as necessidades de treinamento. Desenho: elabora- se o programa de treinamento para atender às necessidades diagnosticadas. Implementação: aplica-se o programa de treinamento (MARTINS, LIMA, 2011). Avaliação: verifica-se os resultados do treinamento. O treinamento pode ser interno (realizado dentro da empresa) ou externo (aplicado fora da empresa, geralmente por empresas de consultoria ou especialistas renomados) que auxiliam no desenvolvimento do pessoal. Segundo Chiavenato (1994): O desenvolvimento de pessoal é um programa de longo prazo para prover o crescimento profissional das pessoas através de condições externas capazes de realizar gradativamente as potencialidades humanas. 4 ÁREAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO Fonte: radioculturafoz.com.br A preocupação com o ensino da ética na enfermagem brasileira surgiu e evolui paralelamente à organização e estruturação da profissão, sofrendo influência dos mesmos princípios que fundamentaram seus marcos conceituais, dos objetivos que sustentaram ou que embasaram a criação de suas várias entidades, enfim, das próprias lutas ideológicas que se travam a partir das diferentes concepções de mundo presentes na sociedade, repercutindo na prática profissional dos enfermeiros. Portanto, o ensino da ética na enfermagem surge com a criação do próprio curso de 21 Enfermagem, em 1923, no Rio de Janeiro, na então Escola de Enfermeiros do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), hoje, Escola Ana Néri (LEITE et al., 2009). Não obstante essa compreensão, os conteúdos de ética e bioética foram incluídos no campo da formação do enfermeiro no sentido de permitir a criação de espaços para a reflexão sobre os mais variados temas. Sob este prisma, a ética faz parte do currículo como disciplina, objetivando aperfeiçoar o raciocínio do aluno para que o mesmo possa conduzir a profissão com competência, comprometimento e responsabilidade. Nesse sentido, a ética é indissociável à prática educativa e algo categoricamente indispensável à convivência humana (LEITE et al., 2009). Sob essa ótica, a ética na formação profissional deve abordar alguns princípios cruciais, a saber: responsabilidade; senso crítico; sentido da justiça social; partilha com disponibilidade; educar para o esforço e para se personalizar. Desta forma, este exercício deve permear e influenciar permanentemente a conduta dos estudantes para fazer deles profissionais defensores do valor da competência, do mérito e da capacidade de tudo fazer com excelência, contra favoritismos de qualquer espécie e levando em conta a importância da recompensa pelo trabalho bem executado, que inclui o respeito, o reconhecimento e a remuneração condigna (LEITE et al., 2009). O processo de trabalho dos profissionais de saúde tem como finalidade a ação terapêutica de saúde e como objeto, o indivíduo ou grupos doentes, sadios ou expostos a fatores de risco, que necessitam de medidas que possibilitem a preservação e a promoção da saúde, a prevenção ou a cura de doenças. Ao considerar que os profissionais de saúde exercem suas atividades para atender as necessidades de indivíduos, torna-se indispensável levar em conta o fato de que essas necessidades se modificam e se ampliam ao longo do tempo, motivo pelo qual é necessária a reavaliação permanente de suas condutas, assim como, atualização contínua acerca de conhecimentos técnico-científicos e de questões políticas e sociais emergentes que influenciam as práticas em saúde (LEITE et al., 2009). Nesse contexto de transformações constantes na sociedade globalizada, a Enfermagem como profissão da saúde não fica inerte e desenvolve-se de acordo com as mudanças sociais. Esses profissionais atuam não apenas na proteção e promoção 22 da saúde, como na reabilitação de pessoas que necessitam de cuidados de Enfermagem, respeitando os direitos dos pacientes. A Enfermagem brasileira é tecnicamente dividida em três categorias de profissionais: enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem e cada uma exerce suas atividades, conforme estabelece a Lei nº 7.498/86 que regulamenta o exercício da profissão e enfatiza em seu Art. 11 do Capítulo I que compete, privativamente, ao enfermeiro o planejamento, a organização, a coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de enfermagem (LEITE et al., 2009). Fonte: diariodecontagem.com.br É importante ressaltar que o enfermeiro, no cotidiano de sua prática em instituições de saúde, é responsável pelo gerenciamento do cuidado, tendo por finalidade proporcionar todas as condições necessárias à sua execução. O enfermeiro ao exercer suas atribuições assistenciais e gerenciais fundamenta-se na sua formação e competência, estando implícitos os princípios morais e éticos que dão suporte no momento da tomada de decisão (LEITE et al., 2009). A consciência ética, por sua vez, é a voz interna, o julgamento interior dos atos humanos. Apresenta-se como o produto dos valores éticos, das crenças, das convicções filosóficas e religiosas e mantém estreita relação com a obrigatoriedade ética. Destaca-se que, a ética está originariamente ligada à noção da possibilidade de se definir o bem, quer como algo que é uma realidade perfeita, quer como objeto de 23 desejo ou de aspiração. Com relação a essa possibilidade, a ética é um tipo de saber normativo que pretende orientar as ações dos seres humanos (LEITE et al., 2009). Diante disto, os valores e as normas da profissão de enfermagem constituem o alicerce, a partir dos quais são tomadas as decisões éticas, que devem ser adotadas em benefício do paciente ou da população, de acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, aprovado pela Resolução nº 311/2007 do Conselho Federal de Enfermagem, o qual consiste em um conjunto de normas a serem respeitadas e cumpridas pelos profissionais e que norteiam a sua conduta (LEITE et al., 2009). Menciona também como prescrição moral, os princípios fundamentais da profissão, os direitos dos trabalhadores, suas responsabilidades, deveres e proibições. Portanto, para que o enfermeiro desempenhe suas atividades gerenciais respeitando à dignidadee os direitos das pessoas, é imprescindível que sua tomada de decisão na função de gestão seja pautada não apenas nos valores éticos como a justiça, o respeito às pessoas, a honestidade, a veracidade, o sigilo e a humanidade, mas também nos valores da profissão (LEITE et al., 2009). Deste modo, o enfermeiro deve manter um posicionamento ético consistente frente à instituição onde exerce suas funções. Ou seja, que ele tenha poder de argumentação e determinação, embasado no conhecimento do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e na legislação profissional vigente, a fim de que possa planejar mudanças que venham a contribuir para a concretização de melhores condições de trabalho e resultem numa assistência adequada para indivíduos e comunidade, de forma segura e com os padrões desejados de qualidade (LEITE et al., 2009). 4.1 Relação entre ética e humanização do cuidado de enfermagem Levando em conta a ética profissional da enfermagem, a esses profissionais não competem apenas às ações técnicas e especializadas, mas a atenção às pessoas doentes da melhor maneira possível, respeitando sua individualidade. Ainda, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Art. 1º - todos os seres 24 humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade, não sendo necessárias ações individualizadas, mas sim, ações coletivas que tenham como objetivo promover o bem-estar do outro (LEITE et al., 2009). Em virtude do acelerado processo técnico e científico no contexto da saúde, a dignidade da pessoa humana, com frequência, parece ser relegada ao segundo plano. A doença, muitas vezes, passou a ser o objeto do saber reconhecido cientificamente, desarticulada do ser que a abriga e no qual ela se desenvolve. Também, os profissionais da área da saúde parecem gradativamente favorecer a desumanização de sua prática. Desse modo, a ética, por enfatizar os valores, deveres, direitos e o modo como os sujeitos se conduzem nas relações, constitui-se dimensão fundamental para a humanização nos serviços de saúde (LEITE et al., 2009). Fonte: matriculas.estacio.br A humanização, então, requer um processo reflexivo acerca dos valores e princípios que norteiam a prática profissional, pressupondo, além do tratamento e cuidado digno, solidário e acolhedor, por parte dos profissionais da saúde ao seu principal objeto de trabalho – o doente/ser fragilizado – uma nova postura ética que permeie todas as atividades profissionais e processos de trabalho institucionais. Nessa perspectiva, diversos profissionais, diante dos dilemas éticos decorrentes, demonstram que estão cada vez mais à procura de respostas que lhes assegurem a 25 dimensão humana das relações profissionais, principalmente, as associadas à autonomia, à justiça e à necessidade de respeito à dignidade da pessoa humana (LEITE et al., 2009). 4.2 Aprendizagem A base geral do processo educativo está na condição de o homem não ter todo o conhecimento que quer e descobrir que é preciso elaborar e investir, constantemente, na sua atuação no mundo, assimilar novos conhecimentos e atualizar os saberes já existentes. É essa capacidade de atuar, operar e transformar o entorno social que faz do homem um ser das práxis, em constante ação e reflexão. Assim, a educação se consolida na transformação do ser que, ao mesmo tempo em que intervém na realidade, é transformado por ela. Trata-se, então, de um ato que requer a participação dos atores envolvidos nesse processo - o professor e o aluno. Isso se justifica porque, por meio da interação, constrói-se o novo e gera-se uma dinâmica adaptativa, a partir do que é significativo para o aluno (SOUSA et al., 2015). De forma geral, a aprendizagem é significativa quando os conhecimentos passam a dar sentido ao saber e à prática para quem aprende. A Teoria da Aprendizagem Significativa foi proposta pelo psicólogo David Ausubel, que se destacou nas áreas de Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia Educacional, Psicopatologia e desenvolvimento do ego. Ausubel era descendente de judeu, nasceu em Nova York, em 1918 e morreu em 1994, aos 75 anos. Pensou e escreveu até o fim da vida (SOUSA et al., 2015). Ausubel publicou seus primeiros estudos sobre a Teoria da Aprendizagem Significativa em 1963 e, no final da década de 1970, recebeu a contribuição de Joseph D. Novak para refiná-la com uma conotação humanista e divulgá-la. Em 1975, Ausubel esteve na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC- -SP) e coordenou um seminário com vários pesquisadores. Desde a década de 1970, a Teoria tem sido enriquecida, interpretada e divulgada por Marco Antônio Moreira, Elcie F. Salzano Masini, entre outros estudiosos no Brasil. Atualmente, Marco Antonio Moreira, professor de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), cujo 26 orientador do Doutorado foi Joseph Novak, acrescentou uma visão crítica a essa teoria (SOUSA et al., 2015). Para ele, além de aprender de maneira significativa, é necessário ser crítico e questionador desse conhecimento, para saber lidar com as incertezas e mudanças da vida contemporânea. Ausubel pressupõe que os novos conhecimentos devem ser adquiridos a partir de um material que seja interessante (significativo) para o aprendiz e ancorado no seu conhecimento prévio. A interação dos novos conhecimentos com as ideias preexistentes permite que, por meio de sua atividade cognitiva, o aprendiz possa elaborar novos significados, que serão únicos para ele (SOUSA et al., 2015). Segundo essa teoria, ensinar significa criar situações que favoreçam a aprendizagem significativa. Para o autor, o termo “significativo” é um processo fenomenológico de aprendizagem que ocorre quando o aprendiz incorpora o conteúdo a um símbolo potencialmente significativo na sua estrutura cognitiva, convertendo-se em um conteúdo cognitivo. Assim, aprender significativamente implica atribuir significados ao novo conhecimento, com componentes pessoais presentes no sistema cognitivo de cada sujeito (SOUSA et al., 2015). Fonte: ceen.com.br É por meio dos processos de assimilação na fase da aprendizagem significativa que ocorre a ancoragem seletiva do material de aprendizagem às ideias relevantes existentes na estrutura cognitiva; a interação entre as novas ideias apresentadas e as 27 ideias relevantes existentes (ancoradas), que permite que o significado das primeiras surja como um produto dessa interação. Assim, a ligação dos novos significados emergentes com as ideias ancoradas correspondentes ao intervalo de memória (retenção) é uma condição essencial para que se aprenda algo (SOUSA et al., 2015). Porém, nesse espaço cognitivo, ainda não se poderá considerar que a aprendizagem seja dinâmica, porque para haver aprendizagem significativa, são necessárias duas condições: em primeiro lugar, o aprendiz deve apresentar disposição para aprender. Se ele só quiser memorizar o conteúdo, a aprendizagem será mecânica, sem qualquer incorporação de conhecimento ao que já carrega. Em segundo lugar, o conteúdo apresentado tem de ser lógico e psicologicamente significativo. O significado lógico é o evidente, o coerente, e o significado psicológico é a experiência que cada indivíduo traz a partir de seu ponto de vista, suas experiências prévias (SOUSA et al., 2015). Assim, cada aprendiz faz uma seleção dos conteúdos que ele considera como significados ou não. A aprendizagem significativa não é um conceito novo, mas uma abordagem do construtivismo citada em documentos oficiais de reformas da educação brasileira, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais que datam do ano de 1997: O conceito de aprendizagem significativa,central na perspectiva construtivista, implica, necessariamente, o trabalho simbólico de “significar” a parcela da realidade que se conhece. As aprendizagens que os alunos realizam na escola serão significativas à medida que conseguirem estabelecer relações substantivas e não- arbitrárias entre os conteúdos escolares e os conhecimentos previamente construídos por eles, num processo de articulação de novos significados (SOUSA et al., 2015). Apesar de a literatura sobre a aprendizagem referir que a Teoria da Aprendizagem Significativa se encontra ancorada no construtivismo, ela também pode ser adicionada à perspectiva cognitivista, porque é concebida como um processo de compreensão, reflexão e atribuição de significados do sujeito em interação com o meio social, ao construir a cultura e por ela ser constituído. No âmbito da Enfermagem, a teoria proposta por Ausubel pode ser empregada para a educação dos profissionais da área, com ênfase na apresentação do novo, do atual, do diferente, para a reelaboração de conceitos, a partir do conhecimento prévio e da retenção do que faz 28 sentido e é significativo para a transformação da prática profissional (SOUSA et al., 2015). Adicionalmente, importa ressaltar que os pressupostos da educação em Enfermagem partem de uma base consolidada e seguem a existência da nova política nacional de educação e de formação de recursos humanos, por meio de uma aprendizagem que deva ser significativa e que promova e produza sentido. Assim, é necessário compreender a aplicação de teorias do ensino-aprendizagem que possam contribuir para promover transformações no ensino, estruturadas por meio da problematização do processo de trabalho, visando a transformar as práticas profissionais, organizar o trabalho e fortalecer o próprio saber da Enfermagem (SOUSA et al., 2015). 5 TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS Fonte: 2em1consultoria.com.br Entendendo que a Enfermagem constitui uma profissão da saúde em que estão inseridos diversos fatores que podem interferir em seu processo de trabalho, tais como, forte carga emocional e física, horários de trabalho atípicos, longas jornadas, insuficiência de funcionários, falta de autonomia e motivação, existe a necessidade de que essas ações educativas sejam uma realidade no cotidiano desta categoria. A 29 concepção de educação relaciona-se com a profissão de enfermagem, levando-se em consideração que em todas as ações desta profissão estão inseridas práticas educativas, sendo assim, citamos que a Educação Permanente, Continuada e em Serviço podem ser “elos” que promovam o desenvolvimento profissional e pessoal (PEIXOTO et al., 2013). Ao discutir educação em enfermagem, é importante definir conceitos acerca da Educação Permanente, Educação Continuada e Educação em Serviço, pois entender suas diferenças é o primeiro passo para exercitar essas práticas educativas voltadas para o trabalho em equipe. É relevante destacar que Educação Permanente, Educação Continuada e Educação em Serviço são processos que se caracterizam pela continuidade das ações educativas, ainda que se fundamentem em princípios metodológicos diferentes, e no campo dos sistemas de saúde, os debates acerca da educação e desenvolvimento dos recursos humanos levaram a contrastar paradigmas das denominadas “Educação Continuada” e “Educação Permanente”. Também é referido que: “Percebe-se que estes conceitos, embora não opostos, conferem especificidades ao processo ensino-aprendizagem” (PEIXOTO et al., 2013). Ressalta-se que o Ministério da Saúde aprovou em 2003 a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde que propõe que os processos de educação dos trabalhadores da saúde se façam a partir da problematização do processo de trabalho, e ressaltou que as demandas por mudanças e melhorias devem ser baseadas na análise do processo de trabalho, nos seus problemas e desafios. Sendo assim, nosso problema se encontra na dificuldade de se conceituar esses termos de forma clara e concisa a partir de várias literaturas disponíveis, onde cada autor entende o processo de educação no trabalho e na enfermagem de acordo com suas reflexões, onde o profissional da prática assistencial desconhece essas diferenças e vive esses termos de forma errônea com a equipe, quando implementadas em conjunto possibilitam a transformação profissional através do desenvolvimento de habilidades e competências e assim fortalecem o processo de trabalho (PEIXOTO et al., 2013). 30 5.1 Educação Continuada como fator influenciador do aprimoramento profissional Fonte: empresasecooperativas.com.br A educação continuada é definida como um conjunto de atividades educativas para atualização do indivíduo, onde é oportunizado o desenvolvimento do funcionário assim como sua participação eficaz no dia-a-dia da instituição. Como fatores que influenciam na aprendizagem e nas mudanças educacionais, estão o conhecimento e a prática atualizados, onde cria-se no funcionário necessidades de readaptação e reorientação no seu processo de trabalho, o que subsidia a implantação da estratégia de educação continuada. Ao mesmo tempo em que consideramos a atualização das práticas educacionais em saúde, emerge a necessidade de construção de relações entre as equipes, considerando suas práticas intersetoriais e interinstitucionais, as quais implicam em políticas na área da saúde (PEIXOTO et al., 2013). Estabelecer um programa de educação continuada tendo como base a interdisciplinaridade propicia maior interação na equipe de saúde, oportunizando a promoção da aprendizagem e intercâmbio dos conhecimentos. A educação continuada pode ser definida de diferentes maneiras, mas o propósito de aquisição do conhecimento, habilidades e mudanças comportamentais para o aprimoramento profissional e da assistência, deve estar inscrito nessa definição. Encontramos em um dos estudos que a Educação continuada é um ponto importante e decisivo da 31 qualidade de assistência de enfermagem, e a conceitua como um processo de atualização técnico-científica contínuo que oferece ao profissional a reflexão da profissão, e de suas práticas, que promove o desenvolvimento pessoal e eleva a autoestima, permitindo a experimentação da autonomia no desempenho profissional (PEIXOTO et al., 2013). A educação continuada perpassa o profissional como forma de estímulo e motivação daqueles por ele assistido, para manifestarem também as experiências de autonomia, elevação da autoestima e desenvolvimento pessoal. Entendendo, que a educação continuada pode possibilitar a melhora no relacionamento entre cliente, família e equipe, assim como na compreensão da doença, devido ao encorajamento da aquisição de conhecimento, despertando o autoconhecimento no profissional. Ao refletirmos sobre o conceito de educação continuada, a partir de outro autor, podemos compreendê-la como (PEIXOTO et al., 2013): [...] um processo educativo, formal ou informal, dinâmico, dialógico e contínuo, de revitalização e superação pessoal e profissional, de modo individual e coletivo, buscando qualificação, postura ética, exercício da cidadania, conscientização, reafirmação ou reformulação de valores, construindo relações integradoras entre os sujeitos envolvidos para umas práxis crítica e criadora. A educação continuada considera a vivência de trabalho do profissional, onde a valorização desse saber aponta a realidade do serviço, a exposição das necessidades e problemas, e estimula a troca de experiências, a criação de uma nova prática do saber, a partir do pensamento crítico gerado por esse processo (PEIXOTO et al., 2013). A educação continuada é aqui apresentada numa perspectiva mais ampla, que se preocupa com a valorização do ser humano. Além da busca de metodologias diferenciadaspara aplicar na tentativa de avançar no processo de ensino aprendizagem, possibilitando favorecer a resolução de problemas da prática. Para o autor supracitado, o conhecimento acerca da educação continuada oscilou desde uma vertente restrita de treinamentos, capacitação e atualização dentro de modelos tradicionais até uma visão que não esgota somente nessas atividades, onde a educação continuada é entendida como momento de valorização e crescimento pessoal do profissional no trabalho (PEIXOTO et al., 2013). 32 5.2 Retorno do investimento em treinamento Com a modernização da economia, o enfoque na redução de custos, os cortes em recursos humanos e o direcionamento dos investimentos para atividades diretas ao cliente, as empresas do setor saúde têm adotado o treinamento como estratégia competitiva para a sua sobrevivência. Com isso, essas empresas, no seu orçamento, têm deslocado os desembolsos com educação e treinamento, de gastos para investimento, ou seja, a aplicação de recursos visando proporcionar benefícios futuros (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Fonte: metadados.com.br Dessa forma, na organização, o pessoal torna-se o capital mais importante, por um lado, em função do que neles é investido e, por outro, no retorno que esse investimento educativo representa como resultados. Embora se saiba que apenas o investimento financeiro, disponibilizado por uma empresa para treinamento e desenvolvimento de pessoal, não garanta a excelência de desempenho dos recursos humanos, ele é um fator importante, na medida em que revela uma política organizacional favorável, ou não, ao desenvolvimento dessa atividade. Sem dúvida, o investimento financeiro da instituição constitui um meio para a obtenção de recursos necessários ao treinamento (JERICÓ, CASTILHO, 2004). 33 Várias instituições de saúde não possuem uma política de investimentos formalizada, nem Centros de Educação Continuada (CECs), com previsão orçamentária voltada para a manutenção de um programa de educação continuada. O retorno desse investimento fica explícito na melhora do rendimento do pessoal, pois só o profissional bem preparado tem condições de lidar com os rápidos avanços da tecnologia, com a alta complexidade dos diagnósticos e, consequentemente, garantir uma assistência de enfermagem de qualidade, atendendo às necessidades do paciente/cliente nas organizações de saúde (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Assim, a monitoração do desempenho pós-treinamento constitui responsabilidade do gestor do CEC, a fim de obter investimento contínuo para os demais programas. Atualmente, os enfermeiros dos CECs, no cotidiano das atividades gerenciais, estão começando a se preocupar em dispor de informações sobre custos, uma vez que a maioria das decisões importantes dentro da instituição passa pela análise de custo-benefício. Assim, podem respaldar os argumentos referentes à necessidade de investimentos em treinamento, bem como as decisões sobre a alocação de recursos para essa atividade, junto à administração geral (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Nas organizações, a educação continuada ocorre por meio das ações de treinamento e desenvolvimento, apontadas como ferramentas essenciais de transformação e modernização das organizações. Nesse sentido, tanto o treinamento como o desenvolvimento de pessoal têm que ser potencializados para dar conta não só da capacitação técnica específica dos trabalhadores, como também para a aquisição de novos conhecimentos, conceitos e atitudes, como a visão crítica dos problemas contemporâneos, a responsabilidade social e a cooperação dentro e fora do trabalho (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Vários estudos têm demonstrado que as empresas estão facilitando o treinamento de pessoal e têm procurado entender como o empreendimento empresarial nos recursos humanos relaciona-se com o capital físico e financeiro. Assim constituem vantagens competitivas para as organizações que investem, adequadamente, na preparação de trabalhadores altamente especializados, valorizando os recursos humanos, no âmbito do conhecimento, além do capital físico 34 e financeiro. Embora muitas empresas estejam facilitando a busca do conhecimento, este, freqüentemente, não é considerado um fim, mas, sim, um instrumento importante na busca de resultados que representem maior rentabilidade (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Fonte: isiinfinity.com.br Entretanto, "ainda não é muito bem compreendido como o conhecimento se comporta como recurso econômico, sendo necessário uma teoria econômica que coloque o conhecimento no centro do processo de produção de riqueza". Diante disso, tudo o que uma empresa investe em recursos humanos, por exemplo, gastos com treinamento, cursos e outros, que possam contribuir para a formação do capital humano da empresa, na prática da contabilidade convencional, esses investimentos ainda são registrados como despesas, em vez de ativo. Dessa forma, tal tratamento contábil não permite que o investidor tenha conhecimento do retorno dos recursos que foram aplicados nos funcionários (JERICÓ, CASTILHO, 2004). Pela avaliação de resultados em treinamento é que a empresa acompanha e comprova se o treinamento está sendo um investimento ou se está se perdendo em custo. A dificuldade em aferir, com precisão, o retorno do investimento em programas de treinamentos não é nova e tem causado discussões e polêmicas entre empresários e a área de recursos humanos, pois não existe uma equação capaz de mensurar e acompanhar esses resultados, mas, sim, metodologias que considerem aspectos tangíveis e intangíveis, considerando, inclusive, a cultura da empresa. No entanto, 35 tanto empresários quanto recursos humanos convergem quanto à afirmativa de que o treinamento traz resultados, e as evidências são compensatórias (JERICÓ, CASTILHO, 2004). 6 EDUCAÇÃO CORPORATIVA Fonte:risedh.com.br Com a globalização e o uso de tecnologias mais rápidas e integradas, a educação continuada torna-se essencial para a vida das pessoas, das organizações e da sociedade. Todos nós somos convocados a aprender continuamente e de diversas maneiras, construindo conhecimentos de forma coletiva e colaborativa, para acompanhar essas mudanças e garantir melhorias, competitividade e sustentabilidade nas empresas, sejam elas públicas ou privadas. Souza (2010) afirma que a Sociedade do Conhecimento – resultado de uma transformação tecnológica e científica sem precedentes – torna-se ultrapassado em questão de cinco ou dez anos. Define ainda quatro elementos inseridos no cotidiano das pessoas que passaram a ter profundo impacto na educação: Em primeiro lugar se destaca a velocidade e o caráter universal do acesso à informação. Em segundo lugar, temos a constante mutação dos padrões de consumo, cada vez mais sofisticados e segundo modelos universais. 36 Autores como Meister (1999), Ricardo (2005), Eboli (2010) e Noe (2015), reiteraram a importância que o conhecimento vem ganhando para as sociedades, as organizações e as pessoas. Hoje em dia, o tema Educação ganha importância estratégica, uma vez que está diretamente relacionado aos resultados da organização. Segundo Noe (2015), a conexão entre a melhoria do desempenho do colaborador e o alcance das metas organizacionais “garante que os funcionários estejam motivados a saber mais e que os recursos limitados para o aprendizado (tempo e dinheiro) sejam focados em áreas que contribuirão diretamente para o sucesso do negócio". Para Meister (1999), no século XXI, aprendizagem e trabalho são afins – a ênfase estando justamente na capacidade de aprender do indivíduo. Ainda de acordo com a autora, o valor agregado dessas empresas está cada vez mais vinculado ao capital humano demodo que: “Todas [as empresas], independentemente de serem instituições públicas ou privadas, terão de desenvolver estratégias para promover a aprendizagem contínua no ambiente de negócios, a fim de competir com sucesso no mercado global”. Deiser (2010) reforça essa ideia: “Todos sabem que o sucesso competitivo, para não dizer a mera sobrevivência, da maior parte das organizações de hoje depende majoritariamente de sua capacidade de aprender, inovar e mudar de maneira contínua e por vezes radical”. Deste modo, podemos verificar que o tema “Treinamento, Desenvolvimento e Educação” é de extrema relevância nas organizações, uma vez que, conforme Stewart (1998), o recurso mais importante deixou de ser o capital financeiro para ser o capital intelectual. Chiavenato (2009) reforçando esta ideia quando afirma que o conhecimento hoje tornou-se o bem mais valioso, este ficando na dianteira de todos os recursos organizacionais tendo em vista que ele conduz a novas formas de trabalho e de comunicação, estruturas e tecnologias, além de novas formas de interação humana. Por fim, e reforçando a importância de capacitar, treinar e desenvolver os colaboradores, Castro (2013) salienta: Uma das questões centrais da gestão do conhecimento, que pretende ir além do simples gerenciamento da informação ou do conhecimento explícito, é ampliar a 37 capacidade empresarial de criar conhecimentos novos, compartilhá-los com a comunidade organizacional e agregá-los a produtos, serviços e processos para garantir vantagens competitivas sustentáveis. Torna-se imperativo valorizar e manter o capital intelectual nas organizações e, para isso, devemos adotar estratégias e processos de T&D que desenvolvam o capital humano dentro dessa nova realidade “globalizada” sem que se percam características e detalhes locais (CASTRO, 2013). Fonte: avnconsulting.com.br Conforme destacam Furtado et al (2007), as práticas em gestão de pessoas explicitam qual é a filosofia da empresa em relação aos seus funcionários, tanto em termos sociopolíticos quanto econômicos. Isso se torna especialmente relevante quando se consideram os investimentos em capacitação. No passado, o processo taylorista-fordista tinha como objetivo capacitar os trabalhadores especificamente às tarefas que executavam e aos cargos que ocupavam. No atual contexto privilegiado do conhecimento, a adaptação deve ser relativa à organização como um todo. Aniceto (2009) destaca que a “formação dos trabalhadores passa a ser vista como um elemento estratégico, ou melhor, instrumental aos interesses das empresas”. A gestão flexível impactou fortemente o comportamento das organizações. O que antes era estruturado de maneira vertical, hierárquica e centralizada, tornou-se horizontal, matricial e descentralizada. Segundo Cezar e Ribas (2006): Se no primeiro momento da administração, quando a produção era padronizada e 38 centralizada, tínhamos por resultado um trabalho alienante vinculado a uma tecnologia com automatização rígida e envolvimento humano banalizado e rotineiro, em um segundo momento os novos modelos de gestão trouxeram uma produção orientada para a flexibilidade, diversificação e autonomia, apoiada na tecnologia com automação flexível, a qual demanda um perfil de trabalho com conhecimento ampliado e capacidade para atuar como gestor da atividade. Le Boterf (2003) observa que a automatização levou à padronização de normas de qualidade e custo, e agora a vantagem competitiva se vincula às competências. Entretanto, Roglio (2002) atenta para o fato de ser muito “difícil falar em aprendizagem coletiva ou em equipe quando não há a participação de todos os envolvidos desde a definição dos objetivos e dos caminhos que precisam ser trilhados para alcançá-los”. Este pensamento é coadunado por Ruas et al (2005), que ressaltam a importância da participação dos responsáveis pelo treinamento e dos participantes, sem os quais a aprendizagem coletiva é inviável, pois se torna deficiente. A maior parte das organizações são estruturadas e gerenciadas de tal maneira que dificultam a aprendizagem. Soma-se a isso o modo como se definem os cargos. Mesmo que tenhamos profissionais eficientes e dispostos a aprender, as barreiras são preponderantes (Senge,1990). Diante desse cenário, as Universidades Corporativas (UCs) vem se tornando interesse de cada vez mais organizações, substituindo aos poucos o tradicional centro de Treinamento e Desenvolvimento (T&D). Éboli (2004) considera a UC uma ferramenta estratégica e, ainda, um dos pilares de uma gestão empresarial bem-sucedida. Segundo Rosenberg (2002), essa ocorrência é explicada pela necessidade que as empresas possuem em estender o treinamento até os níveis mais altos da empresa. Elas estão nomeando “executivos do aprendizado” ou “executivos do conhecimento” com acesso ao topo da empresa, onde estes novos líderes procuram demonstrar uma ligação entre investimentos na aprendizagem e estratégia comercial. Além disso, criam e mantem uma cultura de criação e de compartilhamento do conhecimento. Nesse tipo de atuação, é possível estabelecer uma atmosfera de aprendizagem assegurando que o que foi aprendido será incorporado aos processos e decisões 39 futuras da empresa. Marion (2011) define que a educação corporativa pode ser avaliada como uma estratégia da empresa e na competição entre empresas onde, em decorrência da globalização, se influenciam umas às outras. Assim, a educação corporativa se torna um diferencial para a empresa, transformando oportunidades em negócios, uma vez que o conhecimento está nas pessoas e são elas que movimentarão a empresa. Fonte: woli.com.br 6.1 Breve Histórico da Educação Corporativa O tema da educação corporativa tem ganhado cada vez mais espaço, nas empresas e universidades. Éboli (2004) afirma que “no Brasil inteiro, tenho participado de inúmeras bancas de defesa de dissertações de mestrado e teses de doutorado” no tema. A educação corporativa é um conceito recente no Brasil. Surgido nos anos 90, somente a partir dos anos 2000 é que as empresas brasileiras passaram a utilizá-lo, como uma evolução do que se costumou chamar de treinamento e desenvolvimento. Com o aumento da competitividade, a educação passa a ter um papel mais relevante junto à necessidade de adequar os profissionais à nova realidade e qualificá-los na própria empresa (ÉBOLI, 2004. Apud PALMEIRA, 2008). Desse modo, atualmente, diversas organizações já separam a área de RH daquela responsável pelas atividades de educação corporativa. Entendem que esta é uma área que demanda atenção especial e seu desenvolvimento não precisa estar diretamente atrelado às demais atividades em gestão de pessoas. Para Meister (1999, apud SANTOS, 2004), a educação corporativa busca estruturar o processo de 40 aprendizagem em íntima correlação aos objetivos estratégicos da organização, e traduz. Um guarda-chuva estratégico para o desenvolvimento e a educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais, além de um laboratório de aprendizagem para a organização e um pólo de educação permanente. No passado, o processo taylorista-fordista tinha como objetivo capacitar os trabalhadores especificamente às tarefas que executavam e aos cargos que ocupavam. No atual contexto privilegiador do conhecimento, a adaptação deve ser relativa à organização como um todo. A “formação dos trabalhadores passa a ser vista como um elemento estratégico, ou melhor, instrumental aos interesses das empresas” (Aniceto, 2009). Colbari (2007) questiona que as ações de qualificação e aprendizagem fazem parte da pressão que as organizações sofrem para formar equipes motivadas e com alto desempenho. A autora critica dois aspectos