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SUMÁRIO PRINCÍPIOS DO PROCESSO 3 Princípio do devido processo legal 4 Princípios do contraditório e da ampla defesa 4 JURISDIÇÃO 5 Princípio da inércia 5 AÇÃO 6 Condições da ação 7 Classificação das Ações 8 DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL 9 Princípios da cooperação internacional: 9 Disposições gerais 11 Do auxílio direto 12 Da carta rogatória 13 DA COMPETÊNCIA 13 Da modificação da competência 14 Da incompetência 15 PRECLUSÃO 16 SUJEITOS DO PROCESSO 19 Capacidade processual e postulatória 21 Deveres das partes e procuradores 22 Procuradores 23 Sucessão das partes e dos procuradores 25 Litisconsórcio 26 INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 29 DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 30 Deveres do juiz (art. 139 do CPC): 30 Dos Impedimentos e da Suspeição. 32 Dos Auxiliares da Justiça. 33 MINISTÉRIO PÚBLICO 34 ADVOCACIA PÚBLICA 35 DEFENSORIA PÚBLICA 36 ATOS PROCESSUAIS 37 Forma dos atos 39 Tempo e lugar. 40 Prazos 41 Comunicação dos atos processuais 42 Nulidades 44 Distribuição e registro 45 Valor da causa 46 TUTELA PROVISÓRIA 48 FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO 50 PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 52 Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial 54 1 Do pedido 56 Do indeferimento da petição inicial. 58 Improcedência liminar do pedido. 59 Da conversão da ação individual em ação coletiva 60 Da audiência de conciliação ou de mediação. 61 Contestação, reconvenção e revelia. 63 Providências preliminares e de saneamento 64 Julgamento conforme o estado do processo 65 Da audiência de instrução e julgamento 66 Provas 67 Sentença e coisa julgada. 69 Cumprimento da sentença e sua impugnação 70 Atos judiciais 71 Despachos, decisões interlocutórias e sentenças 72 Coisa julgada material 73 DOS RECURSOS 75 Da apelação. 78 Do agravo de instrumento. 79 Do agravo interno. 81 Dos Embargos de Declaração. 83 Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. 85 CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 87 MANDADO DE SEGURANÇA 88 AÇÃO POPULAR 91 AÇÃO CIVIL PÚBLICA 92 LEI nº . 11.419/2006 94 (Processo Judicial Eletrônico). 94 2 PRINCÍPIOS DO PROCESSO É um conjunto de regras que disciplina os trâmites judiciais no Brasil, definindo como os processos devem ser conduzidos, desde a apresentação da petição inicial até a decisão final. Trata-se de um instrumento essencial para os estudantes de direito, pois reúne os princípios e orientações que guiam as atividades de advogados, juízes e outros profissionais do sistema jurídico. Ao longo dos anos, o CPC foi reformulado para se ajustar às demandas da sociedade, com o objetivo de tornar a justiça mais eficiente e acessível. Princípio do devido processo legal O princípio do devido processo legal é um dos pilares do Direito Processual Civil. Ele assegura a todos o direito a um julgamento justo e regular, garantindo que ninguém seja privado de seus direitos sem que os trâmites legais sejam respeitados. Isso implica que qualquer decisão judicial deve estar embasada na lei e que todas as partes têm o direito de se manifestar e apresentar suas provas perante o juiz. Esse princípio visa impedir decisões arbitrárias, promovendo a igualdade de tratamento para todos perante a lei. Para os estudantes de 3 direito, compreender o devido processo legal é fundamental para compreender a estrutura do sistema judiciário e como as decisões são baseadas em fundamentos legais e sólidos. Princípios do contraditório e da ampla defesa O princípio do contraditório e da ampla defesa é um elemento essencial no Direito Processual Civil. Ele garante que todas as partes envolvidas no processo tenham o direito de se manifestar e contestar os argumentos da parte adversa. O contraditório assegura a possibilidade de apresentar objeções e contrapontos, enquanto a ampla defesa permite que as partes exponham suas alegações e provas de forma plena e eficaz. Esse princípio promove o equilíbrio entre os interesses das partes, assegurando que o juiz tenha uma visão completa e imparcial dos fatos antes de tomar uma decisão. Compreender o contraditório e a ampla defesa é indispensável para entender como as partes podem influenciar o desfecho do processo por meio de suas argumentações e estratégias. Do juiz natural O princípio do juiz natural é um dos pilares do Direito Processual Civil, assegurando que os casos sejam julgados por um juiz competente e imparcial, previamente designado pela lei. Isso significa que nenhuma das partes pode ser submetida a julgamento por um juiz escolhido arbitrariamente ou que não possua as qualificações legais necessárias. Esse princípio preserva a imparcialidade das decisões e impede interferências externas que possam comprometer a justiça. Entender o princípio do juiz natural é fundamental para reconhecer a importância da independência do Poder Judiciário e a proteção que ele oferece aos direitos dos cidadãos. 4 JURISDIÇÃO O princípio da inafastabilidade da jurisdição é uma garantia essencial para qualquer cidadão. Ele assegura que todos têm o direito de buscar o poder judiciário para resolver conflitos de interesse, garantindo que nenhuma lesão ou ameaça a direitos fique sem a devida apreciação por parte de um juiz. Esse princípio combate a impunidade e a injustiça, assegurando que todos tenham acesso à justiça e a oportunidade de ver suas demandas analisadas de forma adequada. Compreender a inafastabilidade da jurisdição é fundamental para entender o papel do poder judiciário na proteção dos direitos dos cidadãos e na promoção do acesso igualitário à justiça. Princípio da inércia O princípio da inércia garante que o Judiciário atua apenas quando provocado e dentro dos limites dessa provocação, assegurando imparcialidade e respeito à iniciativa das partes. isso significa que o processo só começa quando alguém toma a iniciativa de levar um pedido ao Judiciário, por meio de uma petição inicial, por exemplo. Esse princípio está diretamente ligado ao Sistema Acusatório (no Processo Penal) e ao Sistema Dispositivo (no Processo Civil), que reforçam a ideia de que é a parte quem tem o controle da demanda. Além disso, a atuação do juiz, mesmo durante o processo, também depende de certos limites legais e da movimentação das partes. Ele não pode, por exemplo, decidir além do que foi pedido ou inovar na causa de pedir — isso seria violar o princípio da inércia. FICA A DICA! O juiz não pode iniciar o processo por conta própria — ou seja, ele depende de provocação da parte interessada. 5 AÇÃO FICA DICA! No Direito Processual, ação é o direito que toda pessoa tem de provocar o Poder Judiciário para obter uma solução para um conflito de interesses. A ação é o que dá início ao processo judicial, sendo expressada normalmente por meio de uma petição inicial. Ela é um instrumento fundamental para garantir o acesso à justiça, previsto na própria Constituição Federal (art. 5º, XXXV). A ação não depende do juiz concordar com o pedido, mas sim do direito de pedir, independentemente do resultado. Ou seja, mesmo que a pessoa perca a causa, o direito de ação foi exercido corretamente. Para que a ação seja analisada, é preciso cumprir três condições básicas (conhecidas como “condições da ação”): ● Legitimidade das partes – quem entra com a ação tem que ter interesse direto no processo. ● Interesse de agir – deve haver uma necessidade real de se recorrer ao Judiciário. ● Possibilidade jurídica do pedido – o que está sendo pedido não pode ser algo proibido pela lei. Condições da ação DICA IMPORTANTE! As condições da ação são: legitimidade das partes, interesse de agir e possibilidade jurídica do pedido. Sem elas, o juiz não pode analisar o conteúdo da causa. Elas garantem que o processo tenha base mínimaPortanto, a forma do ato é importante, mas sua finalidade é determinante para sua validade. O artigo 278 determina que a nulidade deve ser arguida na primeira oportunidade em que couber à parte se manifestar nos autos, sob pena de preclusão. Isso garante a segurança jurídica e evita que as partes usem o vício apenas como estratégia de protelação. Já o artigo 279 trata da nulidade por ausência de intervenção do Ministério Público quando obrigatória, e declara a invalidade dos atos processuais praticados a partir da omissão. Segundo o artigo 281, o juiz pode determinar que o ato viciado seja renovado ou completado, sempre que possível, a fim de evitar a repetição de todo o processo. O artigo 282 reforça que, quando o vício puder ser sanado, deve-se permitir sua correção antes de decretar a nulidade, privilegiando a economia processual. Em resumo, o regime das nulidades no processo civil brasileiro privilegia a finalidade do ato, o aproveitamento dos atos válidos e a economia processual, evitando anulações desnecessárias e respeitando os direitos das partes. Para que uma nulidade seja reconhecida, deve haver prejuízo demonstrado, o vício deve ser insanável ou não corrigido no momento oportuno, e sua arguição deve obedecer aos prazos e formas legais. Esse equilíbrio é essencial para um processo justo e eficiente. 43 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS Distribuição e registro Uma vez protocolada a petição inicial, ela será autuada, registrada e, quando necessário, distribuída. O registro é o ato de formalizar a existência do processo, vinculando-o oficialmente ao sistema do tribunal. De acordo com o artigo 286, a distribuição ocorre quando há mais de um juízo com competência para apreciar a causa, servindo para definir de forma imparcial e aleatória qual será o juiz responsável, evitando direcionamentos ou suspeições. O artigo 287 prevê que, havendo dependência, a petição inicial deve ser instruída com documentos que comprovem essa condição, como certidão do andamento processual do feito anterior. A dependência ocorre quando o novo processo tem conexão com outro já existente, como nos casos de ações que envolvam as mesmas partes, causa de pedir ou pedido, devendo tramitar perante o mesmo juízo. Segundo o artigo 288, uma vez distribuída a causa, não pode mais ser redistribuída, exceto por motivo de força maior, extinção do juízo ou erro de distribuição, o que reforça o princípio do juiz natural. O artigo 289 dispõe que 44 os processos serão registrados e distribuídos eletronicamente, conforme as regras de organização judiciária, respeitando a ordem cronológica dos registros. Por fim, o artigo 290 trata do recolhimento das custas iniciais. Se o autor não comprovar o pagamento no prazo legal, o processo será extinto sem resolução de mérito. No entanto, o juiz poderá conceder prazo para regularização, conforme o princípio da cooperação e da primazia do julgamento do mérito. Valor da causa De acordo com o artigo 291 do CPC, a toda causa será atribuído um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediato. Isso significa que mesmo ações declaratórias ou meramente constitutivas devem ter um valor simbólico ou estimativo, de modo a permitir o regular processamento do feito. O valor deve refletir, sempre que possível, o conteúdo econômico da demanda. O artigo 292 especifica os critérios para fixação do valor da causa conforme o tipo de ação. Por exemplo, nas ações de cobrança, deve-se indicar o valor do débito; nas ações de alimentos, a soma de 12 prestações mensais pedidas; nas ações de divisão ou demarcação de terras, o valor da área total; nas ações indenizatórias, o valor pretendido como reparação. Caso haja cumulação de pedidos, o valor da causa será a soma de todos eles. Se os pedidos forem alternativos, valerá o de maior valor, e se forem sucessivos, será considerado o do pedido principal. O artigo 293 dispõe que, se o juiz constatar que o valor atribuído à causa é irrisório, incompatível com o pedido ou descumpre os critérios legais, poderá determinar a sua correção, ouvindo previamente a parte autora. Se não houver regularização, o processo poderá ser extinto sem julgamento de mérito. Em resumo, o valor da causa é requisito essencial da petição inicial, devendo ser fixado com base em critérios legais objetivos, compatíveis com o conteúdo da demanda. Ele influencia diretamente a competência, as despesas do processo e os honorários advocatícios, sendo fundamental que 45 o candidato compreenda suas regras de fixação e correção para acertar questões de concurso que envolvem prática processual e análise formal da petição inicial. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 46 TUTELA PROVISÓRIA A tutela provisória é uma forma de assegurar a efetividade do processo, permitindo ao juiz atuar com rapidez em situações de urgência ou de evidência documental do direito. É instrumento essencial de proteção imediata e cautelar no processo civil e seu conhecimento detalhado é indispensável para concursos públicos da área jurídica. Com o artigo 294 do CPC, a tutela provisória pode ser classificada em duas espécies: tutela de urgência e tutela de evidência. A tutela de urgência, por sua vez, divide-se em cautelar e antecipada, podendo ser concedida em caráter antecedente ou incidental (art. 295). A tutela de urgência é fundamentada no risco de dano ou no perigo da demora (periculum in mora) aliado à probabilidade do direito (fumus boni iuris). A tutela de evidência independe do risco de dano e pode ser concedida quando estiverem presentes situações previstas no artigo 311, como abuso do direito de defesa ou quando houver prova documental suficiente do direito alegado. A tutela antecipada busca antecipar os efeitos práticos do pedido final, enquanto a cautelar serve para assegurar o resultado útil do processo, como a indisponibilidade de bens. Ambas podem ser concedidas liminarmente, ou seja, sem a oitiva da parte contrária, desde que presentes os requisitos legais. A decisão que concede tutela provisória pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo (art. 296), e os efeitos cessam com a sentença de mérito, salvo se esta os confirmar expressamente. Quando concedida liminarmente, a parte contrária será citada ou intimada para se manifestar e, se necessário, impugnar a medida. O artigo 300 exige que o juiz verifique a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo para conceder tutela de urgência. Já o artigo 311 define as hipóteses taxativas para concessão da tutela de evidência. 47 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 48 FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO Segundo o artigo 312 do CPC, o processo civil se considera formalmente constituído com a citação válida do réu, que é o ato que dá início à relação jurídica processual. Até esse momento, ainda se pode falar em uma fase de formação incompleta do processo, pois sem a citação não há vínculo jurídico entre as partes e o Estado-juiz. A exceção a essa regra ocorre quando o réu comparece espontaneamente aos autos antes da citação, hipótese em que também se considera iniciado o processo (art. 239, §1º). O artigo 313 trata da suspensão do processo, que pode ocorrer por diversos motivos, como morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes (inciso I), convenção das partes para tentativa de conciliação ou mediação (inciso II), força maior (inciso V), ou ainda por decisão do STF em caso de repercussão geral reconhecida (inciso V-A), entre outros. Durante a suspensão, o processo fica parado, sem que corra prazo, e deve ser retomado quando cessado o motivo que a justificou. A suspensão pode ter prazo determinado ou indeterminado, e em algumas hipóteses há limite máximo de um ano (como no caso de convenção entre as partes).O artigo 314 dispõe que o curso do prazo é suspenso nos períodos de recesso forense ou quando houver determinação judicial. O artigo 315 reforça que o juiz determinará o prosseguimento do processo assim que cessarem as causas da suspensão, por provocação da parte ou de ofício. O artigo 316 trata da extinção do processo, que ocorre quando há o encerramento da relação processual, com ou sem julgamento de mérito. A extinção sem resolução de mérito se dá, por exemplo, quando falta interesse processual, legitimidade ou quando não forem atendidos os requisitos da petição inicial (art. 485), enquanto a extinção com julgamento de mérito ocorre quando o juiz analisa e decide a controvérsia (art. 487). 49 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 50 PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA O processo de conhecimento no Direito Processual Civil, disciplinado entre os artigos 318 e 512 do Código de Processo Civil de 2015, é a fase destinada à formação do título executivo judicial por meio da atuação jurisdicional que declara, constitui ou reconhece uma relação jurídica entre as partes. Seu objetivo é solucionar o conflito de interesses mediante o julgamento do mérito da causa, sendo o procedimento comum a forma padrão utilizada, salvo quando a lei prevê rito especial. Esse processo tem início com a petição inicial, na qual o autor apresenta os fatos, fundamentos jurídicos e o pedido, devendo observar os requisitos legais. Após a análise da petição, o juiz pode designar audiência de conciliação ou mediação e determina a citação do réu, que terá prazo para apresentar sua resposta. Em seguida, se não houver extinção antecipada, o juiz realiza o saneamento do processo, delimitando os pontos controvertidos e decidindo sobre as provas que serão produzidas. A fase instrutória ocorre com a produção das provas necessárias e, por fim, é proferida a sentença, que poderá extinguir o processo com ou sem resolução de mérito. Se a sentença resolver o mérito e não for atacada por recurso no prazo legal, forma-se a coisa julgada, tornando-se imutável e indiscutível, ensejando o início da fase de cumprimento de sentença. O cumprimento de sentença está previsto nos artigos 513 a 538 do CPC e tem por finalidade satisfazer a obrigação imposta pela sentença condenatória. Essa fase é provocada pela parte vencedora quando a parte vencida não cumpre voluntariamente a decisão judicial. O credor requer o início do cumprimento, e o devedor é intimado para pagar no prazo de quinze dias úteis. Se não pagar, incidem multa de 10% e honorários advocatícios de 10% sobre o valor da dívida, e tem início a execução forçada com atos como penhora e expropriação de bens. O devedor pode apresentar impugnação ao cumprimento de sentença no prazo de quinze dias, com base em fundamentos específicos, como excesso de execução, erro de cálculo, prescrição ou inexigibilidade do título. Ainda, é possível o cumprimento provisório da sentença antes do trânsito em julgado, desde que respeitados os requisitos legais e garantida a reparação 51 caso a decisão seja reformada. O cumprimento de sentença é, portanto, a fase voltada à efetivação prática da decisão judicial, concluindo o processo civil com a concretização do direito reconhecido judicialmente. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 52 FICA A DICA! ➧ O procedimento comum é a regra geral, aplicável quando não houver rito especial. ➧ A ausência de pagamento no prazo voluntário gera multa e honorários advocatícios automaticamente. ➧ A impugnação no cumprimento de sentença tem natureza de defesa e não de ação autônoma. ➧ É possível o cumprimento provisório, com restrições (não se pode levantar valor nem alienar bem sem caução). ➧ Em obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa, o cumprimento segue regras próprias (arts. 536 a 538). Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial A petição inicial é o instrumento que dá início ao processo civil, sendo a manifestação formal do autor perante o Judiciário para pleitear a tutela jurisdicional. De acordo com o artigo 319 do Código de Processo Civil de 2015, a petição deve ser redigida de forma clara e precisa, observando requisitos indispensáveis para que seja considerada apta e permita o regular desenvolvimento do processo. O autor deve qualificar as partes, expondo o nome, o estado civil, a profissão, o número de inscrição no CPF ou CNPJ, o endereço eletrônico e o domicílio. Também é necessário apresentar os fatos que embasam o pedido e os fundamentos jurídicos que sustentam a pretensão, com indicação clara do que se pretende obter do juiz. A petição deve conter o valor da causa, que deve refletir o conteúdo econômico pretendido, além de especificar as provas que serão produzidas e indicar o local onde o autor receberá intimações. Outro requisito essencial é o pedido com suas especificações, que pode ser certo e determinado ou, excepcionalmente, genérico nos casos previstos em lei. Caso falte algum dos requisitos obrigatórios, o juiz deve determinar a emenda da petição no prazo de cinco dias, sob pena de indeferimento. A petição inicial deve ser compatível com os princípios da boa-fé, da cooperação e da lealdade processual. A ausência de interesse processual, a ilegitimidade das partes ou a inadequação formal da petição podem ensejar seu indeferimento, conforme o artigo 330. Portanto, a petição inicial é peça 53 fundamental no processo civil, pois delimita os contornos da demanda e orienta toda a atuação jurisdicional, sendo exigido do autor rigor técnico e clareza na exposição de seus direitos. De forma detalhada, os requisitos da petição inicial são: I – o juízo a que é dirigida: a petição deve indicar claramente qual é o órgão jurisdicional competente para apreciar a causa, com base nas regras de competência absoluta e relativa. II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no CPF ou CNPJ, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu: essa qualificação completa das partes tem como finalidade permitir sua identificação precisa, localização para citação/intimação e análise de competência territorial. III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido: a petição deve narrar os acontecimentos que deram origem à demanda (fundamento fático) e os dispositivos legais ou princípios jurídicos que embasam o direito invocado (fundamento jurídico). Esses elementos constituem a chamada causa de pedir. IV – o pedido com as suas especificações: o autor deve indicar, de forma clara e precisa, o que está pleiteando em juízo. O pedido pode ser certo e determinado, ou genérico nos casos autorizados pelo artigo 324, como nas ações universais, quando não for possível determinar o objeto com precisão ou quando a determinação depender de ato do réu. V – o valor da causa: deve refletir o conteúdo econômico pretendido com a demanda, observando os critérios legais. É essencial para definição de competência, tipo de procedimento, custas processuais e possibilidade de recurso. VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados: o autor deve indicar, desde o início, quais provas pretende produzir (documental, testemunhal, pericial etc.), ainda que essa especificação possa ser complementada posteriormente. VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação: o autor deve manifestar sua vontade quanto à participação na 54 audiência prevista no artigo 334, o que influencia a citação do réu e o curso do processo. Do pedido O pedido é um dos elementos essenciais da petição inicial no processo civil e está disciplinado nos artigos 319, inciso IV, e 322 a 329 do Código de Processo Civil de 2015. Ele representa a manifestação de vontade do autor em relação ao quepretende obter do Poder Judiciário e deve ser formulado de maneira clara, precisa e compatível com os fatos e fundamentos jurídicos apresentados. O pedido deve ser certo, ou seja, definido quanto à sua natureza e conteúdo, e determinado, isto é, delimitado quanto à sua extensão e alcance. No entanto, o artigo 324 admite pedidos genéricos em situações específicas, como nas ações universais, quando não for possível determinar de imediato o objeto da demanda ou quando a definição depender de ato a ser praticado pelo réu. O pedido pode ser simples, quando o autor pleiteia apenas uma providência jurisdicional, ou cumulativo, quando formula mais de um pedido no mesmo processo, desde que sejam compatíveis entre si, sejam competentes para o mesmo juízo e adotem o mesmo procedimento, conforme o artigo 327. A cumulação pode ser própria, quando os pedidos são autônomos, ou eventual, quando se apresenta um pedido principal e outro subsidiário, caso o primeiro seja rejeitado. Também existe a cumulação sucessiva, em que um pedido depende do acolhimento do outro. O juiz deve decidir a lide nos limites do pedido, pois é vedado julgar além, aquém ou fora do que foi requerido, sob pena de nulidade por julgamento extra, infra ou citra petita, conforme dispõe o artigo 492. No curso do processo, o autor pode modificar o pedido desde que haja consentimento do réu e o juiz ainda não tenha proferido decisão de mérito, nos termos do artigo 329. Assim, o pedido é fundamental porque delimita a atuação jurisdicional, define o objeto da controvérsia e vincula os limites da decisão judicial. O Pedido possui as seguintes características e classificações fundamentais: 55 Pedido certo e determinado (art. 322): O pedido deve ser formulado de modo claro e definido. A certeza significa que ele deve ser explícito quanto à providência jurisdicional que o autor pretende (ex: condenação, declaração, constituição de relação jurídica). A determinação se refere à delimitação quantitativa ou qualitativa daquilo que se busca. Essa regra assegura previsibilidade, contraditório e segurança jurídica. Pedido genérico (art. 324): Embora a regra geral seja a certeza e determinação, o CPC permite que o pedido seja genérico em hipóteses excepcionais: I – nas ações universais, se não for possível individualizar os bens; II – quando não for possível desde logo determinar as consequências do ato ou do fato; III – quando a determinação do valor depende de ato a ser praticado pelo réu. Nesses casos, o juiz pode julgar procedente o pedido sem indicar o valor exato, que será apurado na fase de liquidação. Cumulação de pedidos (art. 327): O autor pode cumular, em um único processo, vários pedidos contra o mesmo réu ou contra réus distintos, desde que sejam compatíveis entre si, sejam da competência do mesmo juízo e estejam submetidos ao mesmo procedimento. As principais formas de cumulação são: ● Simples (própria): pedidos independentes entre si; ● Eventual (subsidiária): um pedido é feito como alternativa ao outro, caso o primeiro seja rejeitado; ● Sucessiva: o segundo pedido depende do acolhimento do primeiro. O juiz deverá analisar todos os pedidos cumulados, desde que preenchidos os requisitos legais. 56 Pedido implícito (art. 322, §1º): Apesar da regra da certeza, o pedido de juros legais, correção monetária, custas processuais e honorários advocatícios é considerado implícito, mesmo que não conste expressamente na petição inicial, por força de lei. Modificação do pedido (art. 329): O autor pode alterar ou aditar o pedido após o ajuizamento da ação, desde que isso ocorra antes da citação do réu, livremente. Após a citação, é necessário o consentimento do réu e que ainda não tenha havido decisão de mérito. Essa possibilidade garante flexibilidade e adequação da demanda ao longo do processo, respeitando o contraditório. Vinculação do juiz ao pedido (art. 492): O juiz não pode julgar além do que foi pedido (extra petita), nem aquém (citra petita), nem diferente (ultra petita). Isso significa que sua decisão deve se limitar ao que foi efetivamente requerido, sob pena de nulidade. Contudo, se o juiz reconhecer de ofício matéria de ordem pública (como prescrição ou nulidade absoluta), ele poderá decidir além do pedido em situações excepcionais permitidas por lei. Requisitos de procedência (art. 487, I): Para que o pedido seja acolhido, é necessário que a parte autora demonstre o direito afirmado, os fatos que o justificam e que o réu tenha tido a oportunidade de se defender plenamente. Do indeferimento da petição inicial. O indeferimento da petição inicial é a decisão judicial que rejeita de plano a petição apresentada pelo autor, impedindo o prosseguimento do processo. Essa hipótese está prevista no artigo 330 do Código de Processo Civil de 2015 e ocorre quando a petição não preenche os requisitos legais indispensáveis ou quando a pretensão deduzida é manifestamente inadmissível. O juiz pode indeferir a petição inicial quando ela for inepta, ou seja, quando for confusa, contraditória ou não contiver os elementos mínimos para que se compreenda a demanda; quando a parte for manifestamente 57 ilegítima; quando faltar interesse processual; ou quando não atendidos os requisitos dos artigos 319 e 320, mesmo após o autor ser intimado para emendar ou completar a petição no prazo de cinco dias, conforme determina o artigo 321. Considera-se inepta, por exemplo, a petição que não expõe os fatos ou fundamentos jurídicos, que apresenta pedido juridicamente impossível ou que não especifica o que se pretende obter do Judiciário. O indeferimento da petição inicial é uma decisão interlocutória com natureza de sentença terminativa, pois extingue o processo sem resolução de mérito, conforme o artigo 485, inciso I, do CPC. Contra essa decisão cabe recurso de apelação, podendo o autor renovar a ação se corrigir o vício que motivou o indeferimento. Portanto, o indeferimento da petição inicial é um mecanismo de controle da regularidade formal e material da demanda, garantindo que apenas ações juridicamente válidas e adequadas tenham seguimento perante o Poder Judiciário. Improcedência liminar do pedido. A improcedência liminar do pedido é uma forma excepcional de extinção do processo com resolução de mérito, prevista no artigo 332 do Código de Processo Civil de 2015, que permite ao juiz julgar improcedente o pedido logo no início da demanda, sem a citação do réu, quando a questão discutida já tiver sido objeto de entendimento consolidado nos tribunais superiores. Essa medida visa conferir maior celeridade e eficiência ao processo, evitando tramitação desnecessária em casos em que o desfecho é previsível por força de jurisprudência pacificada. O juiz pode julgar improcedente de imediato quando o pedido contrariar enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, acórdão proferido pelo STF ou STJ em julgamento de recursos repetitivos, entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou em assunção de competência (IAC). Nessa hipótese, o réu sequer é citado, salvo se o autor interpuser apelação e ela for recebida, momento em que o réu será intimado para apresentar contrarrazões. A decisão de improcedência liminar é sentença, pois resolve o mérito da causa, e cabe apelação diretamente contra ela. 58 Esse instituto deve ser utilizado com cautela, apenas quando não houver dúvida razoável quanto à aplicação da jurisprudência dominante, garantindo segurança jurídica e isonomia. Assim, a improcedência liminar do pedido busca racionalizar o uso da jurisdição, evitando a repetição de decisões sobre questões já pacificadas nos tribunais superiores. Da conversão da ação individual em ação coletiva A conversão da ação individual em ação coletiva está previstano artigo 333 do Código de Processo Civil de 2015 e tem como finalidade evitar decisões conflitantes sobre uma mesma matéria jurídica que envolva interesses homogêneos, ou seja, direitos individuais com origem comum. Essa conversão pode ser determinada pelo juiz quando identificar que há várias ações individuais com idêntico fundamento de fato e de direito, sendo conveniente e adequada a tutela coletiva para assegurar tratamento uniforme, economia processual e efetividade da decisão. A medida é aplicável especialmente quando se observa risco de decisões contraditórias que comprometam a segurança jurídica e a isonomia entre os jurisdicionados. Nessa hipótese, o juiz comunica aos autores das ações individuais e ao Ministério Público, que poderá atuar como fiscal da ordem jurídica ou até propor a ação coletiva se estiver legitimado. A conversão não é automática nem imposta de forma irrestrita, pois depende da análise da viabilidade da ação coletiva e da observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Caso a conversão ocorra, a ação coletiva substitui as demandas individuais, podendo os autores optar por manter suas ações suspensas até o julgamento da ação coletiva ou requerer sua exclusão se preferirem prosseguir de forma autônoma. A regra busca racionalizar o sistema de justiça, evitar sobrecarga do Judiciário e proporcionar decisões mais eficazes e uniformes quando vários indivíduos são afetados por uma mesma situação fática e jurídica. Trata-se de mecanismo processual que prestigia a tutela coletiva sem suprimir as garantias individuais, sendo um importante instrumento de acesso à justiça e de efetivação de direitos. 59 . MAPA MENTAL: DICAS CURSOS Da audiência de conciliação ou de mediação. A audiência de conciliação ou de mediação está prevista no artigo 334 do Código de Processo Civil de 2015 e representa uma etapa inicial do procedimento comum, voltada à solução consensual do conflito, conforme os princípios da autocomposição e da cooperação processual. Após o protocolo da petição inicial e antes da apresentação de defesa pelo réu, o juiz designa a audiência, desde que o caso permita autocomposição e as partes não tenham manifestado desinteresse prévio e expresso. A audiência deve ser realizada por conciliador ou mediador capacitado, e seu objetivo é proporcionar às partes um ambiente favorável à construção de um acordo que ponha fim ao litígio. A presença pessoal das partes é obrigatória, sendo facultada sua representação apenas em casos expressamente justificados, sob pena de multa por ato atentatório à dignidade da justiça. Caso ambas as partes manifestem, na petição inicial e na 60 contestação, desinteresse na realização da audiência, ela não será designada. Se apenas uma parte demonstrar desinteresse, a audiência ocorrerá normalmente. Durante a audiência, o prazo para contestação fica suspenso e só volta a correr se não houver acordo. A não obtenção de acordo permite o prosseguimento regular do processo, com a citação do réu para apresentar resposta. O modelo adotado pelo CPC busca estimular a pacificação social por meio de métodos consensuais, contribuindo para a celeridade e a efetividade da justiça, além de desafogar o Judiciário. Dessa forma, a audiência de conciliação ou de mediação é um momento processual estratégico para solução rápida, eficiente e menos onerosa do litígio. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 61 Contestação, reconvenção e revelia. Contestação é a principal forma de defesa do réu no processo civil e está prevista nos artigos 335 a 341 do Código de Processo Civil de 2015. Trata-se da resposta formal à petição inicial, na qual o réu se pronuncia sobre os fatos alegados pelo autor e apresenta suas teses jurídicas. O prazo para contestar, em regra, é de 15 dias úteis, contados da audiência de conciliação frustrada ou da data da citação, se a audiência não ocorrer. Na contestação, o réu deve alegar todas as matérias de defesa, inclusive preliminares, como incompetência, ilegitimidade ou existência de litispendência, sob pena de preclusão. Também deve impugnar os fatos narrados pelo autor, pois a ausência de impugnação específica pode implicar presunção de veracidade desses fatos. A contestação é estruturada em duas partes principais: a preliminar, onde são alegadas matérias processuais, e o mérito, em que se combate o pedido do autor. Apresentada a contestação, o autor será intimado para, querendo, apresentar réplica, ocasião em que poderá impugnar documentos, apresentar novos, requerer provas e manifestar-se sobre as preliminares. Reconvenção é a forma pela qual o réu formula uma pretensão contra o autor dentro do mesmo processo, funcionando como uma espécie de contra-ataque. Está disciplinada no artigo 343 do CPC e pode ser apresentada no mesmo prazo da contestação, no mesmo instrumento ou em apartado. A reconvenção tem natureza de ação, e o autor passa a ser também réu em relação a ela. A existência de conexão entre a ação principal e a reconvenção não é mais exigência legal, bastando que ambas possam ser julgadas pelo mesmo juízo. O autor será intimado para apresentar resposta à reconvenção no prazo de 15 dias úteis. O julgamento da reconvenção ocorre juntamente com a ação principal, o que favorece a economia processual e evita decisões contraditórias. A reconvenção é admissível inclusive nas ações possessórias e não depende do acolhimento da contestação. Revelia é a situação que ocorre quando o réu, devidamente citado, não apresenta contestação no prazo legal. Está prevista no artigo 344 do CPC e gera, como principal efeito, a presunção de veracidade dos fatos afirmados 62 pelo autor na petição inicial. Essa presunção, no entanto, não é absoluta e pode ser afastada caso os fatos sejam juridicamente controvertidos, verossímeis ou quando a causa envolver direitos indisponíveis. A revelia não impede que o juiz julgue improcedente o pedido, caso entenda que os elementos constantes dos autos não comprovam a tese do autor. Também não se aplica a presunção de veracidade quando a citação do réu não ocorrer regularmente, quando for necessária a intervenção do Ministério Público ou quando houver pluralidade de réus com defesas opostas. Ainda que revel, o réu poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo o processo no estado em que se encontrar. A revelia é, portanto, uma consequência processual da inércia do réu, mas não equivale à sua total exclusão do processo. Providências preliminares e de saneamento Providências preliminares são atos processuais praticados pelo juiz logo após o oferecimento da contestação, previstas no artigo 348 a 354 do Código de Processo Civil de 2015, e têm como objetivo preparar o processo para a fase de saneamento e instrução. Inicialmente, o juiz determina a intimação do autor para que se manifeste sobre a contestação no prazo de 15 dias úteis. Nessa manifestação, chamada de réplica, o autor pode impugnar documentos, arguir preliminares de mérito, indicar provas que pretende produzir e apresentar contrarrazões à reconvenção, se houver. Caso o réu alegue questões como convenção de arbitragem, existência de impedimento ou suspeição do juiz, ou qualquer outra preliminar, o juiz deve apreciá-las antes de prosseguir com o processo. Se houver documento novo ou fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor alegado pelo réu, o autor será intimado para se manifestar a respeito. Essas providências servem para depurar a relação processual, delimitar os pontos controvertidos e garantir o contraditório antes do saneamento. Se as alegações do réu forem suficientes para o julgamento imediato da causa, o juiz pode proferir sentença desde logo. 63 Saneamento do processo está previsto no artigo 357 do Código de Processo Civil e ocorre quando, superadas as providênciaspreliminares, o processo está pronto para a fase instrutória. O saneamento é o momento em que o juiz organiza o processo, eliminando vícios, fixando os pontos controvertidos e decidindo sobre as provas a serem produzidas. O juiz deve verificar se há vícios processuais sanáveis, como irregularidades na representação das partes ou ausência de documentos essenciais, e conceder prazo para correção. Após isso, o juiz delimita os fatos sobre os quais recairá a prova, define o ônus da prova conforme as regras do artigo 373, podendo redistribuí-lo em casos justificados, e decide sobre a necessidade de audiência de instrução e julgamento. Se a causa envolver questão de fato e a instrução for necessária, o juiz designa a audiência e especifica as provas admitidas. O saneamento pode ser feito por decisão fundamentada ou por meio de audiência de saneamento compartilhado, na qual as partes participam ativamente da organização do processo. Esse momento é essencial para garantir que a instrução seja objetiva, eficaz e adequada à solução do litígio, promovendo maior eficiência na fase decisória. Julgamento conforme o estado do processo O julgamento conforme o estado do processo está previsto nos artigos 354 a 356 do Código de Processo Civil de 2015 e trata das decisões que o juiz pode proferir com base na situação processual concreta, sem necessidade de produção de outras provas ou de avançar para a fase instrutória. Esse julgamento ocorre após a fase das providências preliminares e antes do saneamento, sendo um filtro que permite ao juiz resolver a causa de forma mais célere quando houver elementos suficientes nos autos. A finalidade é racionalizar o andamento processual e evitar a prática de atos inúteis ou desnecessários, garantindo maior eficiência à prestação jurisdicional. O julgamento antecipado do mérito é a forma mais comum de julgamento conforme o estado do processo e está previsto no artigo 355. Ele ocorre quando não houver necessidade de produção de outras provas, ou seja, quando os fatos forem incontroversos ou estiverem suficientemente provados por prova documental. Nessa hipótese, o juiz pode julgar 64 diretamente o mérito, acolhendo ou rejeitando o pedido formulado na petição inicial. Esse julgamento pode ser total, quando abrange todos os pedidos da ação, ou parcial, quando apenas parte do mérito está madura para julgamento, com previsão expressa no artigo 356. No julgamento parcial de mérito, a decisão possui natureza de sentença com eficácia de coisa julgada material e pode ser executada de forma autônoma, mesmo com o processo em andamento quanto ao restante da demanda. O julgamento com extinção do processo sem resolução de mérito está previsto no artigo 354 e ocorre quando o juiz verifica a existência de algum vício processual que impossibilita o exame do mérito, como ausência de pressupostos processuais ou condições da ação. Nessa situação, o juiz profere sentença terminativa, extinguindo o processo sem analisar o pedido principal do autor. Esse julgamento tem por objetivo encerrar o processo quando não for possível solucioná-lo de forma válida, garantindo a observância das regras processuais e a proteção das partes contra decisões nulas ou ineficazes. Da audiência de instrução e julgamento A audiência de instrução e julgamento é a fase processual destinada à produção de provas orais e à prolação da sentença, conforme previsto nos artigos 358 a 368 do Código de Processo Civil de 2015. Ela ocorre quando o juiz entende que há necessidade de esclarecer os fatos controvertidos por meio de provas, especialmente testemunhais e depoimentos pessoais. É um momento central no processo, pois permite o contato direto do magistrado com as partes e testemunhas, favorecendo uma avaliação mais precisa da veracidade das alegações. A audiência é pública, salvo exceções legais, e conduzida pelo juiz, que assegura a ordem dos trabalhos, podendo inclusive intervir para esclarecer fatos relevantes. Sua realização é obrigatória quando houver prova oral a ser produzida, sendo facultada nos casos em que a prova for exclusivamente documental ou pericial. A produção das provas orais ocorre durante a audiência e compreende principalmente o depoimento pessoal das partes, a oitiva das testemunhas arroladas e eventualmente a acareação ou esclarecimentos do perito. O juiz inicia os trabalhos colhendo o depoimento das partes, que pode ser convertido em confissão caso haja recusa injustificada em responder. Em seguida, são ouvidas as testemunhas, na ordem fixada previamente, com a possibilidade de perguntas tanto das partes quanto do magistrado. Caso necessário, o juiz pode determinar a produção de prova suplementar ou o 65 adiamento da audiência por motivo justificado. A parte que deixar de comparecer pessoalmente sem justificativa pode sofrer os efeitos da confissão quanto à matéria de fato, e a testemunha que não comparecer pode ser conduzida coercitivamente ou responder por desobediência. O encerramento da audiência e o julgamento da causa ocorrem após a produção das provas. Concluída a instrução, o juiz pode permitir alegações finais orais, por até 20 minutos para cada parte, prorrogáveis por mais 10 em caso de litisconsórcio. Se as alegações finais forem substituídas por memoriais escritos, o prazo será de 15 dias. Após essa etapa, o juiz pode proferir sentença oral imediatamente ou designar data posterior para decisão fundamentada por escrito. A audiência de instrução e julgamento é, portanto, um momento decisivo do processo civil, permitindo o exercício pleno do contraditório e viabilizando ao juiz formar seu convencimento com base em provas produzidas diretamente perante ele. Ela representa a etapa final antes da sentença e concretiza o princípio da oralidade, da concentração e da imediação no processo. Provas A teoria geral das provas no processo civil está prevista nos artigos 369 a 484 do Código de Processo Civil de 2015 e estabelece os princípios, espécies e regras aplicáveis à atividade probatória. A prova é o meio utilizado pelas partes para demonstrar a veracidade dos fatos alegados e influenciar o convencimento do juiz. O direito à prova é expressão do contraditório e da ampla defesa, sendo assegurado a ambas as partes o uso dos meios legais e moralmente legítimos para provar suas alegações. O juiz pode determinar a produção de provas de ofício ou a requerimento das partes, sendo que só se provam os fatos controvertidos e relevantes. Fatos notórios, incontroversos ou presumidos por lei não dependem de prova. A valoração da prova segue o princípio do livre convencimento motivado, ou seja, o juiz forma sua convicção com base no conjunto probatório, mas deve fundamentar sua decisão de forma clara e objetiva. O ônus da prova, previsto no artigo 373 do CPC, indica a responsabilidade de cada parte pela demonstração dos fatos que alega. Cabe ao autor provar os fatos constitutivos do seu direito e ao réu provar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. O juiz pode 66 redistribuir o ônus da prova por decisão fundamentada, quando a aplicação da regra padrão causar desequilíbrio na relação processual ou for excessivamente difícil para uma das partes. A redistribuição deve ser feita antes da decisão de mérito, garantindo às partes a oportunidade de produzir as provas necessárias. A inversão do ônus da prova também pode ocorrer por força de lei, como no Código de Defesa do Consumidor, ou por convenção entre as partes, desde que não dificulte o exercício do direito de defesa. Os meios de prova admitidos no processo civil estão descritos no artigo 369 e seguintes, sendo admitidas todas as formas legais e moralmente legítimas. As principais provas previstas no CPC são a prova documental, a prova testemunhal, a confissão, a prova pericial, a inspeção judicial e o depoimento pessoal. A prova documental consiste em documentos juntadospelas partes para demonstrar fatos relevantes e pode ser pública ou particular. A prova testemunhal é feita por pessoas chamadas a depor sobre fatos que presenciaram ou dos quais têm conhecimento. O depoimento pessoal é o interrogatório das partes, que pode resultar em confissão. A confissão é o reconhecimento de um fato contrário ao interesse da parte e favorável à parte adversária, podendo ser judicial ou extrajudicial. A prova pericial é a análise técnica realizada por perito nomeado pelo juiz, quando a prova depender de conhecimento especializado. A inspeção judicial ocorre quando o juiz vai até o local do fato ou examina diretamente pessoas ou coisas relevantes ao processo. As provas são requeridas no momento oportuno e produzidas conforme determinado em decisão de saneamento, respeitando o contraditório e os prazos legais. A ordem e a condução da produção de provas ficam sob a direção do juiz, que decide quais provas são necessárias, sua forma de produção e sua admissibilidade. O juiz pode indeferir provas protelatórias, irrelevantes ou impertinentes, devendo sempre fundamentar sua decisão. A produção de provas orais é feita preferencialmente em audiência, e as escritas devem ser juntadas aos autos dentro dos prazos fixados. A inércia da parte em produzir a prova pode acarretar consequências processuais, como a perda da oportunidade de demonstrar determinado fato. Ao final da instrução, o juiz profere decisão baseada na convicção formada pelas provas dos autos, respeitando os princípios da persuasão racional, da imparcialidade e da fundamentação. As provas, portanto, são o pilar da fase instrutória do 67 processo e exercem papel essencial na obtenção de decisões justas e fundamentadas. Sentença e coisa julgada. A sentença, no processo civil, é o pronunciamento do juiz que põe fim à fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução, conforme o artigo 203, §1º, do Código de Processo Civil de 2015. Ela deve ser sempre fundamentada, obedecendo aos requisitos do artigo 489, que exige clareza, coerência e enfrentamento de todos os argumentos relevantes trazidos pelas partes. A sentença pode ser terminativa, quando extingue o processo sem resolver o mérito, ou definitiva, quando julga o mérito da causa, acolhendo ou rejeitando o pedido do autor, conforme os artigos 485 e 487. A estrutura básica da sentença envolve o relatório, que resume as principais ocorrências do processo; os fundamentos, que apresentam a motivação jurídica da decisão; e o dispositivo, que contém a conclusão do juiz, indicando se julga procedente, improcedente ou extinto o processo. A sentença pode reconhecer o direito do autor, acolher a defesa do réu, declarar nulidades ou homologar acordos. O juiz deve respeitar os limites do pedido, sendo vedado julgar além (ultra petita), fora (extra petita) ou aquém (citra petita) do que foi pleiteado, sob pena de nulidade parcial da decisão. A coisa julgada é o efeito jurídico que torna imutável e indiscutível a decisão judicial que resolve o mérito da causa, quando não cabe mais recurso contra ela. Está regulada nos artigos 502 a 508 do CPC. A coisa julgada pode ser formal ou material. A coisa julgada formal refere-se à impossibilidade de modificação da decisão dentro do mesmo processo, mesmo que não tenha resolvido o mérito. A coisa julgada material ocorre quando a sentença de mérito transita em julgado e impede que a mesma lide seja novamente discutida em outro processo. O conteúdo da coisa julgada é limitado ao que foi efetivamente decidido e dentro dos limites subjetivos, objetivos e temporais previstos na lei. Os limites objetivos impedem que novas ações discutam a mesma causa de pedir e o mesmo pedido; os subjetivos vinculam as partes do processo 68 original, e os temporais determinam que a coisa julgada se forma após o trânsito em julgado. Existem ainda hipóteses de relativização da coisa julgada, como em ações rescisórias previstas no artigo 966, quando se comprova que a decisão foi proferida com base em erro ou prova falsa. A coisa julgada assegura estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade às decisões judiciais, sendo um dos pilares do Estado de Direito. Cumprimento da sentença e sua impugnação O cumprimento da sentença, previsto nos artigos 513 a 538 do Código de Processo Civil de 2015, é a fase destinada à efetivação da decisão judicial que reconheceu o direito do credor. Essa fase pode ocorrer após o trânsito em julgado ou quando a sentença for executável provisoriamente, nos casos em que a decisão não exige o esgotamento das vias recursais. O credor deve requerer o cumprimento da sentença no próprio processo em que ela foi proferida, indicando o valor atualizado da obrigação. Nos casos de obrigação de pagar quantia certa, o devedor é intimado para realizar o pagamento voluntário no prazo de 15 dias úteis. Caso não o faça, incidem automaticamente multa de 10% e honorários advocatícios de 10%, nos termos do artigo 523, §1º. Se, ainda assim, não houver pagamento, a execução forçada se inicia com atos como penhora de bens, bloqueio de valores e expropriação. Para obrigações de fazer, não fazer ou entregar coisa, o cumprimento segue regramento próprio, podendo incluir imposição de multa diária, busca e apreensão ou medidas coercitivas. O cumprimento de sentença é instrumento essencial para garantir a efetividade da jurisdição e transformar a decisão judicial em resultado prático. A impugnação ao cumprimento da sentença é o meio de defesa do devedor nessa fase processual e está prevista no artigo 525 do CPC. Após ser intimado para pagar, o executado pode apresentar impugnação no prazo de 15 dias úteis, contados da data da intimação do cumprimento. A impugnação é dirigida ao próprio juiz da causa e deve ser fundamentada em matérias específicas e restritas, como falta de intimação válida, inexigibilidade do título, excesso de execução, erro de cálculo, prescrição ou novação, entre outras hipóteses legais. Diferente da contestação na fase de conhecimento, a 69 impugnação não suspende automaticamente o cumprimento da sentença, salvo se o devedor efetuar o depósito do valor executado ou garantir o juízo por penhora. A impugnação é processada nos próprios autos e pode ensejar decisão parcial ou total que afete a execução, mas não impede o prosseguimento da penhora ou atos executivos em andamento. Se a impugnação for acolhida, poderá haver extinção parcial da obrigação, correção dos valores ou reconhecimento de nulidade. A rejeição da impugnação permite a continuidade da execução com as medidas de expropriação. A impugnação, portanto, é instrumento técnico e restrito, que assegura o contraditório e a legalidade da execução, mas não permite reanálise ampla da decisão que transitou em julgado. Atos judiciais Os atos judiciais, no processo civil, são os pronunciamentos oficiais praticados pelo juiz no exercício da função jurisdicional e estão disciplinados principalmente no artigo 203 do Código de Processo Civil de 2015. Eles se classificam em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. A natureza de cada ato determina seus efeitos no processo, os recursos cabíveis e a forma como devem ser proferidos e fundamentados. Esses atos integram o andamento do processo e possuem papel essencial na condução, resolução e formalização das fases processuais. A distinção entre eles é fundamental tanto para a prática forense quanto para a compreensão correta do procedimento e dos meios de impugnação. A sentença, conforme o artigo 203, §1º, é o ato do juiz que põe fim à fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução. Pode resolver ou não o mérito da causa. A sentença deve conter relatório, fundamentos e dispositivo e deve ser sempre fundamentada, sob pena de nulidade. Contra a sentença cabe recurso de apelação. É o ato mais relevante do processo, pois define, em regra, a solução final doconflito judicial, sendo apta a produzir coisa julgada material. A decisão interlocutória, prevista no artigo 203, §2º, é o ato do juiz que resolve questão incidente no curso do processo, sem encerrar a fase cognitiva ou a execução. É utilizada, por exemplo, para deferir ou indeferir 70 provas, conceder tutela provisória, pronunciar nulidades e analisar preliminares. As decisões interlocutórias devem ser fundamentadas e, em regra, são impugnáveis por agravo de instrumento, conforme as hipóteses previstas no artigo 1.015 do CPC. Quando não for cabível o agravo, a parte poderá questionar a decisão em preliminar de apelação. O despacho, segundo o artigo 203, §3º, é o ato que impulsiona o processo sem resolver qualquer questão de mérito ou incidental. Exemplos comuns de despacho são aqueles que determinam a citação, a intimação das partes ou a juntada de documentos. O despacho não exige fundamentação e não é recorrível, salvo quando implicar violação direta a direito da parte. Sua função é meramente administrativa, viabilizando o andamento processual de forma ordenada e eficiente. Esses três atos compõem o conjunto dos pronunciamentos do juiz ao longo do processo e influenciam diretamente os prazos, recursos e estratégias processuais. O correto entendimento de cada tipo de ato judicial é essencial para identificar a forma adequada de reação processual e garantir a observância do contraditório, da ampla defesa e da legalidade no curso da demanda. Despachos, decisões interlocutórias e sentenças Os despachos são atos judiciais de natureza administrativa, previstos no artigo 203, §3º, do Código de Processo Civil de 2015, e têm como finalidade impulsionar o andamento do processo sem resolver qualquer questão jurídica, seja de mérito ou incidental. Eles são praticados pelo juiz ou serventuário autorizado e não exigem fundamentação. Exemplos de despachos incluem determinações para citação, intimação, abertura de prazo ou juntada de documentos. Por não possuírem conteúdo decisório, os despachos não são passíveis de recurso, exceto se violarem diretamente algum direito da parte, situação em que pode ser cabível o mandado de segurança como medida excepcional. A simplicidade e a agilidade dos despachos contribuem para a fluidez do processo e evitam a paralisação desnecessária da marcha processual. 71 As decisões interlocutórias são os pronunciamentos do juiz que resolvem questões incidentais dentro do processo, sem encerrar a fase cognitiva ou executiva, conforme o artigo 203, §2º, do CPC. Elas devem ser sempre fundamentadas, sob pena de nulidade, e podem tratar de temas como tutela provisória, admissibilidade de provas, declaração de nulidades, acolhimento ou rejeição de preliminares e outras matérias que influenciam o desenvolvimento do processo. A decisão interlocutória pode ser impugnada por agravo de instrumento quando estiver prevista no rol do artigo 1.015 ou, nas demais hipóteses, ser combatida em preliminar de apelação ou contrarrazões. Esse tipo de ato é relevante porque pode modificar substancialmente o curso do processo ou afetar diretamente os direitos das partes antes do julgamento final. A sentença é o pronunciamento do juiz que põe fim à fase cognitiva do procedimento comum ou à fase de execução, conforme estabelece o artigo 203, §1º, do CPC. A sentença pode resolver o mérito, nos termos do artigo 487, ou apenas encerrar o processo por questões processuais, conforme o artigo 485. Sua estrutura exige relatório, fundamentação e dispositivo, sendo obrigatoriamente fundamentada. A sentença tem grande relevância jurídica porque pode produzir coisa julgada e gerar título executivo judicial. Contra ela cabe, em regra, recurso de apelação. Além disso, ela vincula as partes nos limites da lide e do pedido formulado, sendo vedado ao juiz decidir além, fora ou aquém do que foi requerido. A sentença representa a conclusão do trabalho jurisdicional na fase de conhecimento ou da execução, encerrando o processo de forma definitiva ou parcial. Coisa julgada material A coisa julgada material está prevista no artigo 502 do Código de Processo Civil de 2015 e consiste na qualidade que torna imutável e indiscutível a decisão judicial de mérito, após o trânsito em julgado, impedindo que a mesma causa seja novamente discutida em outro processo. Ela representa a estabilização da decisão judicial no tempo e é uma garantia de segurança jurídica, previsibilidade e respeito à autoridade do Judiciário. Ocorre exclusivamente nas decisões que resolvem o mérito, seja acolhendo ou rejeitando o pedido do autor, e somente após o esgotamento das possibilidades de recurso. A coisa julgada material impede que as partes 72 proponham nova ação com os mesmos sujeitos, causa de pedir e pedido, conforme os efeitos previstos no artigo 508. Os efeitos subjetivos, objetivos e temporais da coisa julgada material definem sua abrangência. No aspecto subjetivo, ela vincula apenas as partes que participaram da relação processual, salvo nas ações coletivas, nas quais pode alcançar terceiros. No aspecto objetivo, seus efeitos se restringem ao que foi expressamente decidido e ao pedido formulado, não alcançando fundamentos secundários ou matérias não decididas. Já no aspecto temporal, a coisa julgada se forma com o trânsito em julgado, momento a partir do qual a decisão não pode mais ser modificada por recurso. Ela impede a rediscussão da matéria, mesmo que sobrevenha nova decisão judicial em sentido contrário. A relativização e a desconstituição da coisa julgada são admitidas em hipóteses excepcionais, como no caso da ação rescisória, prevista no artigo 966 do CPC. Essa ação permite que uma sentença com coisa julgada material seja rescindida quando for proferida com base em erro de fato, dolo da parte vencedora, prova falsa, violação manifesta à norma jurídica, entre outros fundamentos legais. O prazo para ajuizamento da ação rescisória é de dois anos, contados do trânsito em julgado da decisão. A doutrina e a jurisprudência também admitem a relativização da coisa julgada em situações envolvendo direitos fundamentais, questões tributárias com jurisprudência superveniente do STF, ou casos de decisões manifestamente inconstitucionais. Apesar dessas exceções, a regra geral é que a coisa julgada material seja respeitada como um valor essencial à estabilidade das relações jurídicas. A distinção entre coisa julgada formal e material é importante para compreensão do instituto. A coisa julgada formal diz respeito à imutabilidade da decisão dentro do mesmo processo, mesmo que não tenha resolvido o mérito. Já a coisa julgada material é aquela que impede a rediscussão da matéria em qualquer outro processo futuro. Apenas as sentenças de mérito produzem coisa julgada material. A correta identificação da existência de coisa julgada é requisito para evitar litispendência, violação ao princípio da economia processual e insegurança jurídica. Por isso, o estudo da coisa julgada material é um dos pontos mais cobrados nas provas de concursos, especialmente quando envolve seus efeitos, limites e possibilidade de desconstituição. 73 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS DOS RECURSOS Os recursos, no processo civil, são meios processuais utilizados pelas partes para provocar o reexame de decisões judiciais que consideram injustas, ilegais ou incorretas. Estão disciplinados nos artigos 994 a 1.044 do Código de Processo Civil de 2015 e garantem o princípio do duplo grau de jurisdição, além de assegurar o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal. O recurso busca modificar, anular, complementar ou esclarecer uma decisão judicial, sem provocar a formação de uma nova lide. 74 Ele deve ser interposto nos prazos legais, com observância dos requisitos formais e, quando necessário, com preparo, que é o pagamento das custas recursais, sob pena de deserção. As espécies de recursos previstasno CPC são: apelação, agravo de instrumento, agravo interno, embargos de declaração, recurso ordinário, recurso especial, recurso extraordinário e embargos de divergência. A apelação é o recurso cabível contra sentença e visa à reforma, anulação ou integração da decisão, sendo julgada pelo tribunal competente. O agravo de instrumento é utilizado contra decisões interlocutórias especificadas no artigo 1.015, devendo ser instruído com documentos obrigatórios e ser interposto diretamente no tribunal. O agravo interno é cabível contra decisões monocráticas de relator nos tribunais e é julgado pelo próprio órgão colegiado. Os embargos de declaração são cabíveis contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material, com prazo de cinco dias. O recurso ordinário é utilizado em causas de competência originária dos tribunais, como no caso de decisões do juiz federal em habeas corpus ou mandado de segurança. O recurso especial e o recurso extraordinário são recursos excepcionais, cabíveis contra acórdãos de tribunais que contrariem norma federal ou constitucional, respectivamente, exigindo demonstração de repercussão geral no extraordinário. Os embargos de divergência servem para uniformizar jurisprudência no âmbito dos tribunais superiores quando houver decisões conflitantes. Os efeitos dos recursos podem ser devolutivo, suspensivo ou regressivo. O efeito devolutivo significa que a matéria impugnada será reexaminada pela instância superior. O efeito suspensivo impede, temporariamente, a produção de efeitos da decisão recorrida, sendo automático em alguns casos, como na apelação, ou concedido por decisão judicial, quando preenchidos os requisitos do artigo 995, parágrafo único. O efeito regressivo permite que o próprio juiz reconsidere sua decisão antes de encaminhar o recurso ao tribunal. A interposição de recurso suspende o 75 trânsito em julgado da decisão impugnada e pode alterar a eficácia do julgado até o pronunciamento definitivo da instância superior. A admissibilidade dos recursos depende do preenchimento de requisitos formais e substanciais. Os principais pressupostos são: a tempestividade (observância do prazo legal), a legitimidade (interposição por parte com interesse recursal), a regularidade formal (observância dos requisitos exigidos em lei), o preparo (pagamento das custas, quando exigido), e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo, como renúncia ou desistência. A análise da admissibilidade é feita inicialmente pelo juízo de origem e, posteriormente, pela instância recursal. Se o recurso for inadmitido de forma indevida, pode ser interposto agravo para destrancar o recurso principal. A sistemática recursal busca equilibrar a celeridade com o direito à ampla defesa e à revisão das decisões, sendo fundamental na dinâmica do processo civil moderno. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 76 Da apelação. A apelação é o recurso cabível contra a sentença proferida pelo juiz de primeiro grau, nos termos do artigo 1.009 do Código de Processo Civil de 2015. Sua função é permitir a reavaliação da decisão por um tribunal, seja para reformá-la, anulá-la ou integrá-la. Trata-se do principal recurso no processo civil, pois é por meio dele que se viabiliza o duplo grau de jurisdição, garantindo o reexame da causa por instância superior. A apelação pode ser interposta tanto contra sentença com resolução de mérito quanto contra sentença terminativa, desde que não haja outra via recursal específica prevista. Sua interposição suspende, como regra, os efeitos da sentença, salvo exceções legais expressas ou se o juiz determinar o cumprimento provisório. O prazo e os requisitos da apelação estão previstos nos artigos 1.003, §5º, e 1.010 do CPC. O prazo para interposição da apelação é de 15 dias úteis, contados da intimação da sentença, e ela deve ser apresentada por petição dirigida ao juízo que proferiu a decisão. A petição deve conter os nomes e qualificação das partes, a exposição do fato e do direito, as razões do pedido de reforma ou invalidação da sentença e o pedido de nova decisão. Além disso, é necessário o pagamento das custas recursais, conhecido como preparo, sob pena de deserção. A ausência de algum dos requisitos pode levar à inadmissão do recurso. O juízo de admissibilidade da apelação é realizado primeiramente pelo próprio juiz que proferiu a sentença. Ele pode exercer juízo de retratação, se entender que deve modificar sua decisão, ou simplesmente encaminhar os autos ao tribunal competente para julgamento. O tribunal, ao receber o recurso, também analisa sua admissibilidade, verificando se estão presentes os pressupostos objetivos (como tempestividade, preparo e regularidade formal) e subjetivos (legitimidade e interesse recursal). Estando o recurso apto, o tribunal julgará o mérito da apelação. O efeito devolutivo da apelação está previsto no artigo 1.013 do CPC e define o alcance do reexame da matéria pelo tribunal. A apelação devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, ou seja, apenas o que foi expressamente questionado nas razões recursais. No entanto, existem matérias que o tribunal deve analisar de ofício, como nulidades absolutas e condições da ação, mesmo que não tenham sido objeto do recurso. Além do 77 efeito devolutivo, a apelação pode ter efeito suspensivo, que impede a produção imediata dos efeitos da sentença, conforme o artigo 1.012. Há situações em que esse efeito é afastado por lei, como nos casos de sentença que homologa divisão ou partilha, ou condenação ao pagamento de alimentos. O julgamento da apelação pelo tribunal pode resultar na manutenção da sentença (negação de provimento), em sua reforma (acolhimento do pedido do apelante), em anulação do processo (por vício grave) ou até mesmo em complementação, se houver omissões. O acórdão que julga a apelação deve ser fundamentado, respeitando os requisitos de motivação exigidos pelo artigo 489 do CPC. Após o julgamento, as partes podem interpor novos recursos, como embargos de declaração, recurso especial ou extraordinário, a depender da matéria discutida. A apelação, portanto, é o instrumento recursal mais relevante no processo civil, pois assegura a revisão da decisão de primeiro grau e garante a uniformização da jurisprudência pelos tribunais. Seu correto uso exige conhecimento técnico sobre prazos, requisitos e efeitos, sendo tema recorrente nas provas das principais bancas de concurso. Do agravo de instrumento. O agravo de instrumento é o recurso cabível contra decisões interlocutórias que tratem de matérias específicas previstas no artigo 1.015 do Código de Processo Civil de 2015. Diferente da apelação, que impugna a sentença, o agravo de instrumento é utilizado no curso do processo, quando o juiz profere uma decisão que não encerra a fase cognitiva ou a execução, mas que afeta diretamente os direitos das partes. Sua principal finalidade é permitir o controle imediato de decisões que possam causar prejuízo irreparável ou de difícil reparação, evitando que a parte espere o fim do processo para discutir a legalidade do ato. Apenas pode ser utilizado nos casos expressamente listados no artigo 1.015, como tutelas provisórias, rejeição da alegação de convenção de arbitragem, incidente de desconsideração da personalidade jurídica, exibição de documento, exclusão de litisconsorte e outros. 78 A estrutura e o procedimento do agravo de instrumento são regulados nos artigos 1.016 e 1.017 do CPC. O recurso deve ser interposto diretamente ao tribunal competente, no prazo de 15 dias úteis contados da intimação da decisão agravada. A petição deve conter os nomes das partes, a exposição do fato e do direito, as razões do pedido de reforma ou invalidação da decisão e o pedido com suas especificações. O agravante deve instruir o recurso com cópias obrigatórias, como a decisãoagravada, a certidão de intimação, a petição inicial, a contestação, o despacho que ordenou a decisão, além de outros documentos essenciais. Caso não sejam apresentadas as peças obrigatórias ou o preparo, o recurso pode ser inadmitido. A ausência de cópia de peça relevante pode ser suprida se o agravado juntar ao contrarrazões ou se for possível a obtenção pelo próprio tribunal. O processamento e julgamento do agravo de instrumento seguem rito próprio. Após o protocolo, o relator pode negar seguimento se considerar o recurso manifestamente inadmissível, improcedente ou incabível. Também pode atribuir efeito suspensivo ao recurso, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação e a probabilidade de provimento. O agravado é intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias úteis. O relator pode decidir monocraticamente, conforme os casos previstos no artigo 932, ou submeter o recurso ao colegiado, com inclusão em pauta de julgamento. O julgamento resulta em acórdão que pode manter, reformar ou anular a decisão agravada. Os efeitos do agravo de instrumento são, em regra, apenas devolutivo, o que significa que a decisão agravada continua produzindo seus efeitos até eventual concessão de efeito suspensivo. O efeito suspensivo não é automático e depende de decisão do relator, mediante demonstração dos requisitos legais. Quando concedido, o efeito suspensivo paralisa os efeitos da decisão agravada até o julgamento do recurso. O agravo de instrumento também pode gerar efeito substitutivo, pois a decisão do tribunal substitui a interlocutória agravada, produzindo efeitos imediatos. 79 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS Do agravo interno. O agravo interno é o recurso cabível contra decisões monocráticas proferidas por relatores nos tribunais, conforme o artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015. Sua finalidade é provocar a reapreciação da decisão individual do relator pelo órgão colegiado do tribunal, garantindo o princípio da colegialidade e a revisão de decisões que, mesmo sendo proferidas por magistrado competente, não representam o entendimento de todo o colegiado. Ele é utilizado, por exemplo, quando o relator nega seguimento a 80 recurso, indefere pedido liminar ou decide monocraticamente com base em jurisprudência dominante. O prazo e os requisitos do agravo interno estão previstos no próprio artigo 1.021 do CPC. O prazo para interposição é de 15 dias úteis, contados da intimação da decisão monocrática. A petição deve ser dirigida ao próprio relator que proferiu a decisão, com a exposição clara dos fundamentos de fato e de direito que justificam sua reforma ou reconsideração. Embora não exija preparo específico, deve observar os requisitos gerais dos recursos, como tempestividade, legitimidade, regularidade formal e, quando aplicável, o pagamento de custas. O processamento do agravo interno segue regra específica. Inicialmente, o relator pode exercer juízo de retratação e reconsiderar sua decisão. Caso não o faça, o recurso é encaminhado para julgamento pelo órgão colegiado competente (câmara, turma ou seção), de acordo com a organização interna do tribunal. O julgamento deve ser colegiado, com inclusão em pauta e intimação das partes. O agravado não apresenta contrarrazões por petição, mas pode sustentar oralmente, quando permitido. O tribunal poderá confirmar, modificar ou revogar a decisão impugnada, proferindo acórdão devidamente fundamentado. A vedação à reiteração e a possibilidade de multa são previsões relevantes do agravo interno. O §4º do artigo 1.021 veda a reiteração de agravo interno contra a mesma decisão, ainda que com fundamentos diferentes. Além disso, se o agravo for considerado manifestamente inadmissível ou improcedente, o tribunal poderá, de forma fundamentada, condenar o agravante ao pagamento de multa de 1% a 5% do valor da causa, conforme o §4º do artigo 1.021, que será revertida à parte contrária. Essa medida visa evitar a interposição de recursos meramente protelatórios e reforça o dever de lealdade processual. 81 Dos Embargos de Declaração. Os embargos de declaração são o recurso utilizado para solicitar ao juiz ou tribunal que esclareça obscuridade, elimine contradição, supra omissão ou corrija erro material existente na decisão judicial. Estão previstos nos artigos 1.022 a 1.026 do Código de Processo Civil de 2015. Esse recurso pode ser interposto em face de qualquer decisão judicial — sentença, decisão interlocutória ou acórdão — com a finalidade de complementar ou corrigir a fundamentação sem alterar, em regra, o conteúdo decisório. É um recurso de integração, voltado à precisão e clareza da decisão, contribuindo para sua correção formal e completude. O prazo para interposição dos embargos de declaração é de 5 dias úteis, contados da intimação da decisão recorrida. A petição deve ser dirigida ao próprio juízo que proferiu a decisão embargada, expondo de forma fundamentada o ponto que se pretende ver esclarecido, corrigido ou integrado. Esse recurso dispensa o preparo, ou seja, não exige pagamento de custas judiciais. Sua apresentação suspende o prazo para a interposição de outros recursos, que voltam a correr após a publicação da decisão que os resolve. As hipóteses de cabimento dos embargos de declaração são limitadas e estão taxativamente previstas no artigo 1.022 do CPC. A obscuridade ocorre quando a decisão é de difícil compreensão; a contradição, quando há incompatibilidade entre os fundamentos ou entre a fundamentação e o dispositivo; a omissão, quando o juiz deixa de se manifestar sobre questão que deveria ser analisada; e o erro material, quando há equívoco evidente nos dados formais da decisão, como datas, nomes ou cálculos. Os embargos não são cabíveis para rediscutir o mérito da causa, exceto quando o esclarecimento ou a correção afeta diretamente o resultado da decisão. Os efeitos dos embargos de declaração variam conforme o caso. Em regra, não possuem efeito modificativo, ou seja, não alteram o conteúdo da decisão. No entanto, se o esclarecimento ou a correção influenciar no resultado do julgamento, os embargos poderão ter efeitos infringentes, modificando a decisão. Quando isso ocorre, é necessário que a parte adversa seja previamente ouvida. A decisão proferida nos embargos deve ser 82 devidamente fundamentada e poderá ser impugnada por novo recurso, a depender do conteúdo. A utilização abusiva dos embargos pode gerar consequências processuais. Quando forem considerados protelatórios, o juiz poderá impor multa de até 2% sobre o valor da causa à parte embargante. Se houver reiteração injustificada, a multa poderá ser aumentada para até 10%, cumulada com a exigência de depósito prévio como condição para nova admissibilidade. Essa medida visa coibir a utilização estratégica do recurso para atrasar o andamento do processo, preservando a boa-fé processual e a celeridade. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 83 Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. O recurso especial, previsto no artigo 1.029 e seguintes do Código de Processo Civil de 2015, é o meio utilizado para levar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma controvérsia jurídica decidida por tribunal de segunda instância, desde que a decisão recorrida contrarie tratado ou lei federal, negue-lhes vigência ou dê interpretação divergente em relação à de outro tribunal. Sua finalidade é garantir a uniformidade na interpretação do direito federal infraconstitucional em todo o país. Para que seja admitido, o recurso especial deve demonstrar a existência de violação direta à norma federal, sendo vedado o reexame de fatos e provas, conforme a Súmula 7 do STJ. Ele deve ser interposto no prazo de 15 dias úteis, com fundamentação específica e comprovação de repercussão nacional da questão debatida. Além disso, deve respeitar os pressupostosgerais de admissibilidade recursal, como preparo, legitimidade, interesse recursal, regularidade formal e inexistência de fato impeditivo. O recurso extraordinário, por sua vez, é regulado pelos mesmos artigos do CPC e tem como destino o Supremo Tribunal Federal (STF). Sua finalidade é a preservação da supremacia da Constituição Federal, sendo cabível contra acórdão que contrarie dispositivo constitucional, declare a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, ou julgue válida lei ou ato normativo estadual ou municipal contestado em face da Constituição. Assim como no recurso especial, o recurso extraordinário não admite reexame de provas e exige demonstração clara da repercussão geral da questão constitucional discutida. A repercussão geral é um filtro de admissibilidade introduzido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, que exige a demonstração de relevância política, social, econômica ou jurídica da matéria, devendo ser reconhecida pelo STF. O prazo para interposição também é de 15 dias úteis e deve conter fundamentação específica. 84 A sistemática dos recursos repetitivos pode ser aplicada tanto ao recurso especial quanto ao extraordinário, quando há multiplicidade de processos com a mesma questão de direito. Nessa hipótese, os tribunais de origem devem sobrestar os recursos que tratem da mesma controvérsia até o julgamento pelo STJ ou STF. A decisão proferida em recurso repetitivo tem eficácia vinculante para os demais tribunais, promovendo segurança jurídica, uniformidade e celeridade. As partes podem requerer o julgamento de seus recursos com base na tese firmada, por meio de requerimento de aplicação do entendimento vinculante. O descumprimento da tese firmada pode ser atacado por reclamação constitucional. Os recursos extraordinário e especial, portanto, não visam à revisão do caso concreto, mas à fixação de entendimento jurídico uniforme sobre matérias constitucionais e federais, respectivamente. São recursos de natureza excepcional, com elevado grau de formalismo e exigência técnica, sendo tema constante e altamente cobrado nos concursos jurídicos mais concorridos do país. MAPA MENTAL: DICAS 85 CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS O controle judicial dos atos administrativos é a atuação do Poder Judiciário sobre os atos praticados pela Administração Pública, com o objetivo de garantir que sejam praticados dentro dos limites da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, conforme previsto na Constituição Federal e no Código de Processo Civil. Esse controle não representa uma interferência indevida do Judiciário no mérito administrativo, mas sim um mecanismo de proteção aos direitos dos administrados e de manutenção da supremacia do interesse público sob parâmetros legais. Ele se aplica a atos discricionários e vinculados, desde que envolvam vício de legalidade, abuso de poder, desvio de finalidade ou afronta a direitos fundamentais. O objeto do controle judicial recai sobre a legalidade do ato administrativo, ou seja, se o ato respeita as normas legais e constitucionais que regem a atuação administrativa. O Judiciário não pode substituir a Administração na escolha do ato, mas pode anular atos ilegais, abusivos ou arbitrários. Mesmo nos atos discricionários, que envolvem juízo de conveniência e oportunidade, o juiz pode analisar se houve desvio de finalidade, excesso de poder ou desrespeito aos princípios constitucionais. O controle não alcança a eficiência nem o conteúdo da decisão administrativa propriamente dita, exceto se violar normas jurídicas. Os limites do controle judicial são fundamentais para preservar a separação de poderes e a autonomia administrativa. O Judiciário não pode invadir o mérito administrativo, isto é, não pode revisar decisões tomadas dentro da legalidade apenas por discordar de sua conveniência ou oportunidade. A atuação judicial restringe-se à verificação da compatibilidade do ato com o ordenamento jurídico. Assim, o juiz pode anular, mas não substituir o ato. Esse controle é exercido de forma provocada, ou seja, depende de demanda proposta pela parte interessada, com a devida demonstração do vício existente no ato questionado. 86 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS MANDADO DE SEGURANÇA O mandado de segurança é uma ação constitucional prevista no artigo 5º, inciso LXIX, da Constituição Federal e regulamentada pela Lei nº 12.016/2009, que tem por finalidade proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando este for violado ou ameaçado por ato de autoridade pública ou agente no exercício de atribuições do poder público. O direito líquido e certo é aquele que pode ser comprovado de imediato, por prova pré-constituída, sem necessidade de dilação probatória. O mandado de segurança é uma ação de rito especial, célere e instrumentalizada, voltada à tutela contra abusos ou ilegalidades praticadas no âmbito da administração pública. 87 O cabimento do mandado de segurança exige três elementos essenciais: a existência de um direito líquido e certo; a presença de uma autoridade pública ou agente no exercício de função pública como coatora; e a ocorrência de ilegalidade ou abuso de poder que viole ou ameace o direito. Não cabe mandado de segurança contra lei em tese, ou seja, norma abstrata sem aplicação concreta. Também não cabe quando há necessidade de instrução probatória complexa, pois o processo exige prova documental já formada no momento da impetração. Pode ser preventivo, quando a ameaça ainda não se consumou, ou repressivo, quando já houve violação ao direito. O prazo para impetração do mandado de segurança repressivo é de 120 dias contados da ciência oficial do ato impugnado. Esse prazo é decadencial, ou seja, após o seu transcurso extingue-se o direito de ajuizar a ação. Para o mandado de segurança preventivo, não há prazo específico, mas ele deve ser manejado enquanto persistir a ameaça iminente. A petição inicial deve atender aos requisitos do artigo 6º da Lei 12.016/2009 e ser instruída com todos os documentos comprobatórios da alegação, incluindo a indicação precisa da autoridade coatora. A legitimidade ativa e passiva está diretamente ligada às partes envolvidas. Pode impetrar mandado de segurança qualquer pessoa física ou jurídica que seja titular de direito líquido e certo, incluindo estrangeiros residentes no país. A autoridade coatora é aquela que detém competência para praticar ou ordenar a prática do ato questionado, devendo ser corretamente identificada. A União, os estados, os municípios, o Distrito Federal e as autarquias podem figurar como autoridades coatoras quando seus representantes praticarem o ato impugnado. Os efeitos da decisão em mandado de segurança são limitados à proteção do direito invocado, sem efeitos patrimoniais retroativos, salvo nas hipóteses em que a própria sentença fixar reparação. A concessão da segurança pode ocorrer por decisão liminar ou sentença final. A liminar pode ser concedida de forma imediata, para suspender o ato ou evitar sua consumação, desde que presentes os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora. A decisão concessiva pode ser objeto de recurso, como o agravo de instrumento ou a apelação, a depender do momento processual. 88 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 89 AÇÃO POPULAR A ação popular é um instrumento constitucional previsto no artigo 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal, e regulamentado pela Lei nº 4.717/1965. Tem como objetivo anular atos lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Seu fundamento é a defesa do interesse público, permitindo que qualquer cidadão, no exercício da cidadania, ingresse com a ação judicial para proteger bens e valores coletivos frente a atos ilegais ou abusivos praticados por agentespara existir validamente. Legitimidade de parte (ou legitimidade “ad causam”) 6 É quando a pessoa que entra com a ação (autor) e contra quem se move a ação (réu) são realmente os titulares da relação jurídica discutida. Exemplo: só quem tem direito sobre o imóvel pode entrar com uma ação de reintegração de posse. Interesse de agir Existe quando a parte demonstra que precisa do Judiciário para resolver a questão. Ou seja, o pedido é útil, necessário e adequado. Exemplo: não faz sentido ajuizar uma ação se o problema já foi resolvido sem precisar da Justiça. Possibilidade jurídica do pedido É quando o que se está pedindo não é proibido por lei. Exemplo: não é possível pedir na Justiça que alguém pratique um ato ilegal — esse pedido não teria possibilidade jurídica. Classificação das Ações As ações se classificam conforme o tipo de decisão que o autor busca: ação de conhecimento (quer o reconhecimento de um direito), ação de execução (quer o cumprimento forçado de uma obrigação) e ação cautelar (quer prevenir um risco enquanto o processo principal não termina). Essa divisão ajuda a organizar o tipo de tutela judicial necessária para cada situação. Ação de conhecimento (ou de cognição) Serve para o juiz reconhecer e declarar um direito. Pode resultar numa sentença declaratória, constitutiva ou condenatória. Exemplo: ação para cobrar uma dívida, ação de divórcio, ação para declarar a existência de um contrato. 7 Ação de execução Já existe um título (como uma sentença ou um contrato) e o que se quer é obrigar o devedor a cumprir uma obrigação (pagar, entregar, fazer ou não fazer). Exemplo: execução de um cheque ou de uma sentença que mandou pagar certa quantia. Ação cautelar (ou ação de tutela provisória) Busca proteger um direito de forma urgente e preventiva, antes ou durante o processo principal, para evitar prejuízo grave. Exemplo: pedido de bloqueio de bens para garantir o pagamento de uma dívida no futuro. Além dessa classificação principal, as ações também podem ser classificadas de outras formas, como: ● Ação ordinária x ação especial – depende se segue o procedimento comum ou algum rito específico previsto em lei. ● Ação real x ação pessoal – a real está ligada a direitos sobre bens (como a propriedade), e a pessoal a relações entre pessoas (como contratos). DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL A cooperação internacional permite que o Judiciário brasileiro atue em conjunto com outros países em casos que envolvem pessoas, provas ou decisões estrangeiras. Baseia-se em princípios como reciprocidade, boa-fé e respeito à soberania. Suas formas mais comuns são: carta rogatória, homologação de sentença estrangeira e auxílio direto. O objetivo sempre é garantir que a justiça funcione mesmo quando há elementos internacionais envolvidos. 8 A cooperação internacional serve para: ● Citar ou intimar pessoas que estão no exterior; ● Obter provas localizadas fora do Brasil; Reconhecer e cumprir decisões estrangeiras no Brasil (homologação); ● Conceder auxílio direto a outro país (como cumprimento de uma decisão estrangeira). Princípios da cooperação internacional: Respeito ao devido processo legal “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” Inciso LIV do art 5º da Constituição Federal O princípio do devido processo legal é uma das bases mais importantes do Direito Processual Civil. Ele assegura que todos têm o direito a um processo justo e regular, garantindo que ninguém seja privado de seus direitos sem que sejam observados todos os trâmites legais previstos. Isso implica que qualquer decisão judicial deve ser fundamentada e que as partes envolvidas têm o direito de ser ouvidas, apresentar suas provas e contestar os argumentos da outra parte. Visa proteger as garantias individuais e evitar arbitrariedades no sistema judiciário. Ele assegura que todas as etapas do processo sejam conduzidas de forma equitativa e transparente, proporcionando um julgamento justo para todos. Compreender o devido processo legal é essencial para entender como a justiça funciona dentro dos parâmetros da lei, garantindo que os direitos das pessoas sejam respeitados e protegidos ao longo do processo. Reciprocidade entre os países (mesmo que não haja tratado) Mesmo sem tratado, o Brasil pode cooperar com outro país se houver reciprocidade, expressa ou implícita. O foco é garantir a efetividade da justiça em âmbito internacional, com base na boa-fé entre os Estados. Isso significa que o Brasil pode cooperar com outro país, mesmo que não exista um acordo formal (tratado) entre eles, desde que haja garantia de que esse país também 9 aceitaria colaborar com o Brasil em situação semelhante. É o chamado princípio da reciprocidade de fato (ou reciprocidade implícita). Boa-fé e celeridade processual O princípio da boa-fé processual é uma garantia importante no Direito Processual Civil que estabelece que as partes devem agir com honestidade, lealdade e transparência durante todo o curso do processo. Isso significa que as partes não podem se valer de artifícios, truques ou condutas desleais para obter vantagens, manipular o processo ou prejudicar a parte adversária. A boa-fé processual implica em um comportamento ético, em que as partes devem colaborar com o andamento do processo e respeitar os direitos da outra parte. Além disso, é esperado que as partes não utilizem o processo de forma abusiva, ou seja, para fins meramente protelatórios ou para causar dano à parte contrária. Preservação da soberania nacional e dos direitos fundamentais Mesmo quando há cooperação entre o Brasil e outros países, isso não pode violar a soberania brasileira, ou seja, não se permite que decisões estrangeiras contrariem os valores, leis e interesses do Estado brasileiro. Os direitos fundamentais das partes envolvidas — como o contraditório, ampla defesa, devido processo legal, dignidade da pessoa humana, entre outros — devem ser sempre respeitados, mesmo que a prática em outro país seja diferente. ● A cooperação internacional só será aceita se respeitar a soberania nacional. ● Nenhuma decisão estrangeira pode ser cumprida no Brasil se ofender princípios constitucionais ou os direitos fundamentais. ● Isso garante que a justiça internacional não ultrapasse os limites da legalidade e da Constituição brasileira. 10 Disposições gerais As disposições gerais do direito processual, previstas no início do Código de Processo Civil, trazem os princípios e fundamentos que orientam toda a aplicação das normas processuais no Brasil. Essas regras têm como objetivo garantir que o processo seja conduzido de forma justa, eficiente e em conformidade com a Constituição. Um dos principais focos dessas disposições é assegurar o respeito ao contraditório, à ampla defesa, ao devido processo legal, à razoável duração do processo e à igualdade entre as partes. Além disso, reforça-se que o processo deve servir como instrumento para a realização de direitos, sendo orientado pela boa-fé, cooperação entre as partes e participação ativa do juiz. O Código também valoriza a solução consensual dos conflitos, incentivando a conciliação e a mediação como formas legítimas e preferenciais de resolução. A atuação de todos os sujeitos do processo deve ser colaborativa, com o compromisso de buscar uma decisão justa, célere e efetiva. Outro ponto importante é que as normas processuais devem ser interpretadas conforme a Constituição, sempre buscando efetividade e respeito aos direitos fundamentais. As disposições gerais funcionam, portanto, como uma base que norteia todo o funcionamento do processo civil, garantindo segurança jurídica e alinhamento com os valores constitucionais. Do auxílio direto O auxílio diretopúblicos ou particulares em colaboração com o poder público. Trata-se de mecanismo de controle judicial da Administração Pública por meio da participação popular. A legitimidade ativa da ação popular é exclusiva do cidadão, entendido como pessoa física brasileira, maior de 16 anos, que esteja no pleno gozo dos direitos políticos. A comprovação dessa condição se dá por meio da apresentação do título de eleitor junto à petição inicial. Pessoas jurídicas, associações ou o Ministério Público não podem ser autores da ação popular, embora o MP atue obrigatoriamente como fiscal da ordem jurídica e possa, se necessário, intervir ou assumir a causa nos casos de desistência ou omissão do autor. A legitimidade passiva da ação popular recai sobre a pessoa jurídica de direito público ou privado que tiver praticado ou se beneficiado do ato lesivo. Também podem figurar no polo passivo os agentes públicos que tenham ordenado, autorizado ou se omitido diante do ato ilegal, bem como os terceiros que tenham se beneficiado diretamente com ele. A citação é obrigatória para todos os envolvidos, e a sentença pode ter eficácia contra todos, inclusive beneficiários particulares. O objeto da ação popular é sempre um ato administrativo ou equiparado, praticado com ilegalidade ou abuso de poder e que resulte em lesão a qualquer dos bens protegidos. O autor deve demonstrar a existência do ato, o nexo com a lesão alegada e a ilegalidade. A ação pode ter natureza preventiva (se o ato ainda não foi consumado) ou repressiva (quando já houve prejuízo), e busca a anulação do ato, a condenação dos responsáveis 90 ao ressarcimento do dano, bem como a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos nos casos previstos em lei. Os efeitos da sentença na ação popular podem alcançar não apenas o autor e o réu, mas toda a coletividade, em razão do interesse público envolvido. Se julgada procedente, a sentença pode declarar a nulidade do ato, condenar os responsáveis à reparação dos danos e impor sanções políticas e administrativas. Se julgada improcedente, e não houver má-fé do autor, este não será condenado em custas nem honorários advocatícios. A ação popular tem prioridade de tramitação, não comporta desistência sem a anuência do Ministério Público e pode ser proposta sem depósito prévio de custas ou despesas judiciais. AÇÃO CIVIL PÚBLICA A ação civil pública é o instrumento processual destinado à defesa de interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, especialmente nas áreas do meio ambiente, do consumidor, do patrimônio público e social, da ordem urbanística, da honra e dignidade de grupos raciais, étnicos ou religiosos, entre outros bens de valor coletivo. Está prevista na Constituição Federal (art. 129, III) e regulada pela Lei nº 7.347/1985, além de normas complementares do Código de Processo Civil e de leis específicas. Sua natureza é essencialmente coletiva e visa proteger direitos transindividuais contra lesões causadas por entes públicos ou privados. A legitimidade ativa da ação civil pública é restrita aos entes expressamente autorizados por lei. Podem propor a ação o Ministério Público, a Defensoria Pública, a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, autarquias, empresas públicas, fundações e sociedades de economia mista, bem como associações civis legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam, entre suas finalidades institucionais, a proteção do bem jurídico lesado. Essa restrição visa assegurar que apenas instituições com interesse legítimo e representatividade atuem na tutela de direitos coletivos, evitando ações temerárias ou sem respaldo social. A legitimidade passiva da ação civil pública recai sobre qualquer pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que tenha dado causa à lesão ou ameaça de lesão ao direito coletivo. O polo passivo pode incluir 91 agentes públicos, empresas privadas, concessionárias de serviço público, fundações ou qualquer outro ente responsável pelo fato gerador do dano. A ação civil pública pode ser ajuizada tanto para responsabilização preventiva (evitar o dano) quanto repressiva (reparar o dano já causado), o que lhe confere ampla utilidade prática e social. O objeto da ação civil pública é a obtenção de provimentos jurisdicionais que assegurem a prevenção, reparação ou cessação do dano coletivo. A sentença pode ter natureza condenatória, declaratória, constitutiva ou mandamental, conforme a necessidade do caso concreto. São exemplos comuns os pedidos de indenização por danos morais coletivos, recomposição do meio ambiente, suspensão de atos administrativos lesivos ou anulação de cláusulas abusivas em contratos de consumo. Pode ainda ser concedida tutela provisória de urgência para garantir a efetividade do processo. Os efeitos da sentença na ação civil pública atingem, em regra, todos os membros da coletividade prejudicada, nos limites da competência territorial do órgão jurisdicional que a proferiu. Se for proposta pelo Ministério Público ou por outro ente com legitimidade institucional, a eficácia da sentença pode ser erga omnes, com exceção de decisões de improcedência por insuficiência de provas, que não impedem o ajuizamento de nova ação com base em outras provas. A coisa julgada, nesses casos, é regulada pelo artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, sendo tema de intenso debate doutrinário e jurisprudencial. 92 LEI nº . 11.419/2006 (Processo Judicial Eletrônico). DICA RESUMIDA! A Lei nº 11.419/2006 instituiu a informatização do processo judicial no Brasil, criando as bases legais para o Processo Judicial Eletrônico (PJe). Essa lei modernizou o sistema judiciário ao permitir que atos processuais, petições, intimações, citações e decisões sejam praticados e armazenados por meio eletrônico, com a mesma validade jurídica dos atos realizados em meio físico. Seu objetivo principal é conferir maior celeridade, transparência, segurança e economicidade à tramitação dos processos, reduzindo o uso de papel e promovendo a digitalização do sistema de justiça. A prática de atos processuais por meio eletrônico é autorizada em todos os graus de jurisdição, conforme o artigo 1º da lei. Os atos processuais eletrônicos são considerados realizados no momento do envio à plataforma do tribunal, com confirmação automática do recebimento. Petições, recursos e documentos devem ser encaminhados por meio do sistema disponibilizado pelo respectivo tribunal, dispensando a apresentação física. A validade do ato eletrônico depende da identificação segura do usuário, que deve utilizar assinatura eletrônica baseada em certificado digital ou login com acesso pessoal. A assinatura digital e a certificação eletrônica são fundamentais para a segurança jurídica dos atos praticados eletronicamente. A lei estabelece que os documentos eletrônicos devem ser assinados com certificação emitida por autoridade credenciada no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Essa assinatura tem a mesma validade da manuscrita e garante autenticidade, integridade e não repúdio do conteúdo transmitido. Além disso, é possível o uso de login com senha para acesso ao sistema, desde que o tribunal permita e haja identificação inequívoca do usuário. As comunicações processuais eletrônicas são reguladas pelos artigos 4º a 6º da lei. Intimações, notificações e comunicações oficiais podem ser feitas por meio eletrônico para os advogados cadastrados no sistema do tribunal, que ficam obrigados a acompanhar os atos processuais em ambiente digital. Considera-se realizada a intimação no dia em que o advogado acessar a informação, ou no prazo de 10 dias corridos a partir da disponibilização do ato, independentemente do acesso. As citações por 93 meio eletrônico também são permitidas, salvo quando destinadas a pessoa física sem acesso à internet, sendo nesse casoutilizada a via tradicional. A digitalização e o valor jurídico dos documentos são disciplinados para garantir que cópias digitais tenham a mesma validade dos originais. Os documentos digitalizados por meio eletrônico têm o mesmo valor probatório que os originais, desde que seja assegurada sua integridade e autenticidade. Após a digitalização, os autos físicos podem ser descartados ou mantidos, a critério do órgão julgador, exceto nos casos em que a conservação for exigida por lei. A produção de provas e a prática de atos em audiência podem ser realizadas por videoconferência, garantindo-se ampla defesa e contraditório. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I da Informatização do Processo Judicial Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido nos termos desta Lei. § 1º Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdição. § 2º Para o disposto nesta Lei, considera-se: I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos e arquivos digitais; II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de computadores; III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do signatário: 94 a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma de lei específica; b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos. Art. 2º O envio de petições, de recursos e a prática de atos processuais em geral por meio eletrônico serão admitidos mediante uso de assinatura eletrônica, na forma do art. 1º desta Lei, sendo obrigatório o credenciamento prévio no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos. § 1º O credenciamento no Poder Judiciário será realizado mediante procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação presencial do interessado. § 2º Ao credenciado será atribuído registro e meio de acesso ao sistema, de modo a preservar o sigilo, a identificação e a autenticidade de suas comunicações. § 3º Os órgãos do Poder Judiciário poderão criar um cadastro único para o credenciamento previsto neste artigo. Art. 3º Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser fornecido protocolo eletrônico. Parágrafo único. Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia. CAPÍTULO II da Comunicação Eletrônica dos Atos Processuais Art. 4º Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado em sítio da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral. 95 § 1º O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo deverão ser assinados digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada na forma da lei específica. § 2º A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei, exigem intimação ou vista pessoal. § 3º Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. § 4º Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado como data da publicação. § 5º A criação do Diário da Justiça eletrônico deverá ser acompanhada de ampla divulgação, e o ato administrativo correspondente será publicado durante 30 (trinta) dias no diário oficial em uso. Art. 5º As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. § 1º Considerar-se-á realizada a intimação no dia em que o intimando efetivar a consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua realização. § 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a intimação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 3º A consulta referida nos §§ 1º e 2º deste artigo deverá ser feita em até 10 (dez) dias corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de considerar-se a intimação automaticamente realizada na data do término desse prazo. § 4º Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de correspondência eletrônica, comunicando o envio da intimação e a abertura automática do prazo processual nos termos do § 3º deste artigo, aos que manifestarem interesse por esse serviço. 96 § 5º Nos casos urgentes em que a intimação feita na forma deste artigo possa causar prejuízo a quaisquer das partes ou nos casos em que for evidenciada qualquer tentativa de burla ao sistema, o ato processual deverá ser realizado por outro meio que atinja a sua finalidade, conforme determinado pelo juiz. § 6º As intimações feitas na forma deste artigo, inclusive da Fazenda Pública, serão consideradas pessoais para todos os efeitos legais. Art. 6º Observadas as formas e as cautelas do art. 5º desta Lei, as citações, inclusive da Fazenda Pública, excetuadas as dos Direitos Processuais Criminal e Infracional, poderão ser feitas por meio eletrônico, desde que a íntegra dos autos seja acessível ao citando. Art. 7º As cartas precatórias, rogatórias, de ordem e, de um modo geral, todas as comunicações oficiais que transitem entre órgãos do Poder Judiciário, bem como entre os deste e os dos demais Poderes, serão feitas preferentemente por meio eletrônico. CAPÍTULO III do Processo Eletrônico Art. 8º Os órgãos do Poder Judiciário poderão desenvolver sistemas eletrônicos de processamento de ações judiciais por meio de autos total ou parcialmente digitais, utilizando, preferencialmente, a rede mundial de computadores e acesso por meio de redes internas e externas. Parágrafo único. Todos os atos processuais do processo eletrônico serão assinados eletronicamente na forma estabelecida nesta Lei. Art. 9º No processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda Pública, serão feitas por meio eletrônico, na forma desta Lei. § 1º As citações, intimações, notificações e remessas que viabilizem o acesso à íntegra do processo correspondente serão consideradas vista pessoal do interessado para todos os efeitos legais. § 2º Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio eletrônico para a realização de citação, intimação ou notificação, esses atos processuais 97 poderão ser praticados segundo as regras ordinárias, digitalizando-se o documento físico, que deverá ser posteriormente destruído. Art. 10. A distribuição da petição inicial e a juntada da contestação, dos recursos e das petições em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrônico, podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos e privados, sem necessidade da intervenção do cartório ou secretaria judicial, situação em que a autuação deverá se dar de forma automática, fornecendo-se recibo eletrônico de protocolo. § 1º Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, por meio de petição eletrônica, serão considerados tempestivos os efetivados até as 24 (vinte e quatro) horas do último dia. § 2º No caso do § 1º deste artigo, se o Sistema do Poder Judiciário se tornar indisponível por motivo técnico, o prazo fica automaticamenteprorrogado para o primeiro dia útil seguinte à resolução do problema. § 3º Os órgãos do Poder Judiciário deverão manter equipamentos de digitalização e de acesso à rede mundial de computadores à disposição dos interessados para distribuição de peças processuais. Art. 11. Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos eletrônicos com garantia da origem e de seu signatário, na forma estabelecida nesta Lei, serão considerados originais para todos os efeitos legais. § 1º Os extratos digitais e os documentos digitalizados e juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas autoridades policiais, pelas repartições públicas em geral e por advogados públicos e privados têm a mesma força probante dos originais, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante o processo de digitalização. § 2º A argüição de falsidade do documento original será processada eletronicamente na forma da lei processual em vigor. § 3º Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no § 2º deste artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o trânsito em julgado 98 da sentença ou, quando admitida, até o final do prazo para interposição de ação rescisória. § 4º (VETADO) § 5º Os documentos cuja digitalização seja tecnicamente inviável devido ao grande volume ou por motivo de ilegibilidade deverão ser apresentados ao cartório ou secretaria ou encaminhados por meio de protocolo integrado judicial nacional no prazo de 10 (dez) dias contado do envio de petição eletrônica comunicando o fato, os quais serão devolvidos à parte após o trânsito em julgado. (Redação dada pela Lei nº 14.318, de 2022) Vigência § 6º Os documentos digitalizados juntados em processo eletrônico estarão disponíveis para acesso por meio da rede externa pelas respectivas partes processuais, pelos advogados, independentemente de procuração nos autos, pelos membros do Ministério Público e pelos magistrados, sem prejuízo da possibilidade de visualização nas secretarias dos órgãos julgadores, à exceção daqueles que tramitarem em segredo de justiça. (Incluído pela Lei nº 13.793, de 2019) § 7º Os sistemas de informações pertinentes a processos eletrônicos devem possibilitar que advogados, procuradores e membros do Ministério Público cadastrados, mas não vinculados a processo previamente identificado, acessem automaticamente todos os atos e documentos processuais armazenados em meio eletrônico, desde que demonstrado interesse para fins apenas de registro, salvo nos casos de processos em segredo de justiça. (Incluído pela Lei nº 13.793, de 2019) Art. 12. A conservação dos autos do processo poderá ser efetuada total ou parcialmente por meio eletrônico. § 1º Os autos dos processos eletrônicos deverão ser protegidos por meio de sistemas de segurança de acesso e armazenados em meio que garanta a preservação e integridade dos dados, sendo dispensada a formação de autos suplementares. § 2º Os autos de processos eletrônicos que tiverem de ser remetidos a outro juízo ou instância superior que não disponham de sistema compatível deverão ser impressos em papel, autuados na forma dos arts. 166 a 168 da 99 Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, ainda que de natureza criminal ou trabalhista, ou pertinentes a juizado especial. § 3º No caso do § 2º deste artigo, o escrivão ou o chefe de secretaria certificará os autores ou a origem dos documentos produzidos nos autos, acrescentando, ressalvada a hipótese de existir segredo de justiça, a forma pela qual o banco de dados poderá ser acessado para aferir a autenticidade das peças e das respectivas assinaturas digitais. § 4º Feita a autuação na forma estabelecida no § 2º deste artigo, o processo seguirá a tramitação legalmente estabelecida para os processos físicos. § 5º A digitalização de autos em mídia não digital, em tramitação ou já arquivados, será precedida de publicação de editais de intimações ou da intimação pessoal das partes e de seus procuradores, para que, no prazo preclusivo de 30 (trinta) dias, se manifestem sobre o desejo de manterem pessoalmente a guarda de algum dos documentos originais. Art. 13. O magistrado poderá determinar que sejam realizados por meio eletrônico a exibição e o envio de dados e de documentos necessários à instrução do processo. § 1º Consideram-se cadastros públicos, para os efeitos deste artigo, dentre outros existentes ou que venham a ser criados, ainda que mantidos por concessionárias de serviço público ou empresas privadas, os que contenham informações indispensáveis ao exercício da função judicante. § 2º O acesso de que trata este artigo dar-se-á por qualquer meio tecnológico disponível, preferentemente o de menor custo, considerada sua eficiência. § 3º (VETADO) CAPÍTULO IV Disposições Gerais e Finais Art. 14. Os sistemas a serem desenvolvidos pelos órgãos do Poder Judiciário deverão usar, preferencialmente, programas com código aberto, acessíveis ininterruptamente por meio da rede mundial de computadores, priorizando-se a sua padronização. 100 Parágrafo único. Os sistemas devem buscar identificar os casos de ocorrência de prevenção, litispendência e coisa julgada. Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso à justiça, a parte deverá informar, ao distribuir a petição inicial de qualquer ação judicial, o número no cadastro de pessoas físicas ou jurídicas, conforme o caso, perante a Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Da mesma forma, as peças de acusação criminais deverão ser instruídas pelos membros do Ministério Público ou pelas autoridades policiais com os números de registros dos acusados no Instituto Nacional de Identificação do Ministério da Justiça, se houver. Art. 16. Os livros cartorários e demais repositórios dos órgãos do Poder Judiciário poderão ser gerados e armazenados em meio totalmente eletrônico. Art. 17. (VETADO) Art. 18. Os órgãos do Poder Judiciário regulamentarão esta Lei, no que couber, no âmbito de suas respectivas competências. Art. 19. Ficam convalidados os atos processuais praticados por meio eletrônico até a data de publicação desta Lei, desde que tenham atingido sua finalidade e não tenha havido prejuízo para as partes. Art. 20. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 38. ........................................................................... Parágrafo único. A procuração pode ser assinada digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma da lei específica." (NR) "Art. 154. ........................................................................ Parágrafo único. (Vetado). (VETADO) § 2º Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitidos, armazenados e assinados por meio eletrônico, na forma da lei." (NR) "Art. 164. ....................................................................... 101 Parágrafo único. A assinatura dos juízes, em todos os graus de jurisdição, pode ser feita eletronicamente, na forma da lei." (NR) "Art. 169. ....................................................................... § 1º É vedado usar abreviaturas. § 2º Quando se tratar de processo total ou parcialmente eletrônico, os atos processuais praticados na presença do juiz poderão ser produzidos e armazenados de modo integralmente digital em arquivo eletrônico inviolável, na forma da lei, mediante registro em termo que será assinado digitalmente pelo juiz e pelo escrivão ou chefe de secretaria, bem como pelos advogados das partes. § 3º No caso do § 2º deste artigo, eventuais contradições na transcrição deverão ser suscitadas oralmente no momento da realização do ato, sob pena de preclusão, devendo o juiz decidir de plano, registrando-se a alegaçãoe a decisão no termo." (NR) "Art. 202. ..................................................................... ..................................................................................... § 3º A carta de ordem, carta precatória ou carta rogatória pode ser expedida por meio eletrônico, situação em que a assinatura do juiz deverá ser eletrônica, na forma da lei." (NR) "Art. 221. .................................................................... .................................................................................... IV - por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria." (NR) "Art. 237. .................................................................... Parágrafo único. As intimações podem ser feitas de forma eletrônica, conforme regulado em lei própria." (NR) "Art. 365. ................................................................... ................................................................................... V - os extratos digitais de bancos de dados, públicos e privados, desde que atestado pelo seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem; VI - as reproduções digitalizadas de qualquer documento, público ou particular, quando juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados públicos ou privados, 102 ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante o processo de digitalização. § 1º Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no inciso VI do caput deste artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o final do prazo para interposição de ação rescisória. § 2º Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou outro documento relevante à instrução do processo, o juiz poderá determinar o seu depósito em cartório ou secretaria." (NR) "Art. 399. ................................................................ § 1º Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e improrrogável de 30 (trinta) dias, certidões ou reproduções fotográficas das peças indicadas pelas partes ou de ofício; findo o prazo, devolverá os autos à repartição de origem. § 2º As repartições públicas poderão fornecer todos os documentos em meio eletrônico conforme disposto em lei, certificando, pelo mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que consta em seu banco de dados ou do documento digitalizado." (NR) "Art. 417. ............................................................... § 1º O depoimento será passado para a versão datilográfica quando houver recurso da sentença ou noutros casos, quando o juiz o determinar, de ofício ou a requerimento da parte. § 2º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 169 desta Lei." (NR) "Art. 457. ............................................................. ............................................................................. § 4º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 169 desta Lei." (NR) "Art. 556. ............................................................ Parágrafo único. Os votos, acórdãos e demais atos processuais podem ser registrados em arquivo eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na forma da lei, devendo ser impressos para juntada aos autos do processo quando este não for eletrônico." (NR) 103 PRINCÍPIOS DO PROCESSO Princípio do devido processo legal Princípios do contraditório e da ampla defesa JURISDIÇÃO Princípio da inércia AÇÃO Condições da ação Classificação das Ações DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL Princípios da cooperação internacional: Disposições gerais Do auxílio direto Da carta rogatória DA COMPETÊNCIA Da modificação da competência Da incompetência PRECLUSÃO SUJEITOS DO PROCESSO Capacidade processual e postulatória Deveres das partes e procuradores Procuradores Sucessão das partes e dos procuradores Litisconsórcio INTERVENÇÃO DE TERCEIROS DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA Deveres do juiz (art. 139 do CPC): Dos Impedimentos e da Suspeição. Dos Auxiliares da Justiça. MINISTÉRIO PÚBLICO ADVOCACIA PÚBLICA DEFENSORIA PÚBLICA ATOS PROCESSUAIS Forma dos atos Tempo e lugar. Prazos Comunicação dos atos processuais Nulidades Distribuição e registro Valor da causa TUTELA PROVISÓRIA FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial Do pedido Do indeferimento da petição inicial. Improcedência liminar do pedido. Da conversão da ação individual em ação coletiva Da audiência de conciliação ou de mediação. Contestação, reconvenção e revelia. Providências preliminares e de saneamento Julgamento conforme o estado do processo Da audiência de instrução e julgamento Provas Sentença e coisa julgada. Cumprimento da sentença e sua impugnação Atos judiciais Despachos, decisões interlocutórias e sentenças Coisa julgada material DOS RECURSOS Da apelação. Do agravo de instrumento. Do agravo interno. Dos Embargos de Declaração. Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS MANDADO DE SEGURANÇA AÇÃO POPULAR AÇÃO CIVIL PÚBLICA LEI nº . 11.419/2006 (Processo Judicial Eletrônico).é uma forma de cooperação jurídica internacional prevista no Código de Processo Civil brasileiro, que permite que o Poder Judiciário de um país solicite ajuda a outro país estrangeiro para a prática de atos processuais, sem a necessidade de processo formal de homologação de sentença ou de envio de carta rogatória. Ele é utilizado principalmente 11 quando não há conflito ou necessidade de decisão judicial, mas apenas a realização de medidas práticas, como entrega de documentos, coleta de provas ou obtenção de informações. Esse mecanismo tem como objetivo tornar mais ágil e eficiente a cooperação internacional, respeitando sempre a soberania nacional e os direitos fundamentais das partes envolvidas. O auxílio direto pode ser solicitado tanto por autoridades brasileiras a países estrangeiros quanto o contrário, desde que haja base legal ou reconhecimento de reciprocidade entre os Estados. A atuação do Ministério da Justiça, por meio da autoridade central, também pode ocorrer para intermediar esses pedidos. O ponto central é entender que o auxílio direto se destina à prática de atos de cooperação sem conteúdo decisório, com foco na execução de medidas pontuais dentro de um processo que tramita em outro país. Da carta rogatória A carta rogatória é um instrumento de cooperação jurídica internacional previsto no Código de Processo Civil (artigos 26 a 41 do CPC/2015), utilizado quando é necessário praticar um ato processual no exterior, como citação, intimação, produção de provas ou colheita de depoimentos, dentro de um processo que tramita no Brasil. Trata-se de um pedido formal enviado por um juiz brasileiro a uma autoridade judicial estrangeira, por meio dos canais diplomáticos, solicitando que esse ato seja realizado em território estrangeiro, respeitando as leis locais. Esse instrumento também pode funcionar no sentido inverso, quando um país estrangeiro solicita ao Brasil a prática de um ato judicial aqui. A carta rogatória é essencial quando o ato a ser praticado envolve autoridade estrangeira e não pode ser feito diretamente, como ocorre no auxílio direto. Para que produza efeitos no Brasil, a carta rogatória passiva (aquela vinda de outro país) precisa ser aprovada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisará, principalmente, se há ofensa à soberania nacional, à ordem pública ou aos direitos fundamentais. O artigo 237, II, do CPC também reforça que atos processuais a serem realizados fora do território nacional, com a cooperação de autoridade estrangeira, dependem de carta rogatória. 12 DA COMPETÊNCIA A competência, no direito processual civil, é o conjunto de regras que define qual órgão do Poder Judiciário deve julgar determinada causa. Está disciplinada no Código de Processo Civil de 2015, principalmente entre os artigos 42 e 69. O objetivo dessas regras é distribuir a jurisdição entre os diversos juízes e tribunais, garantindo organização, segurança jurídica e eficiência no sistema de justiça. O artigo 42 do CPC estabelece que a competência é determinada no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes mudanças posteriores no estado de fato ou de direito. Isso significa que, salvo exceções, o juiz que recebe o processo inicialmente continua sendo competente, mesmo que ocorram modificações no decorrer do tempo. O artigo 43 reforça esse princípio ao dizer que, como regra, o juiz continua competente até o final do processo, salvo nos casos de modificação de competência absoluta. O Código também diferencia competência absoluta (que trata de matéria, função ou hierarquia e não pode ser modificada pelas partes) da competência relativa (que trata de território e pode ser alterada por acordo entre as partes). As regras de fixação da competência estão nos artigos 46 a 53, e incluem critérios como o domicílio do réu, o local do fato, o valor da causa e a natureza do direito discutido. A correta compreensão dessas regras é fundamental para o bom andamento do processo, evitando nulidades e garantindo que o julgamento ocorra perante o juiz adequado. Da modificação da competência A modificação da competência no direito processual civil está prevista nos artigos 43 a 66 do Código de Processo Civil de 2015. Em regra, a competência é fixada no momento do registro ou distribuição da petição inicial, conforme estabelece o artigo 43, e não se altera com mudanças no estado de fato ou de direito, como mudança de domicílio das partes. No 13 entanto, há exceções que autorizam a modificação da competência ao longo do processo. As principais hipóteses de modificação são a conexão, a continência e a reconvenção. A conexão ocorre quando duas ou mais ações possuem o mesmo pedido ou causa de pedir e, por isso, devem ser reunidas para evitar decisões contraditórias, conforme o artigo 55. A continência, prevista no artigo 56, acontece quando uma ação é mais abrangente que a outra, contendo todos os elementos da primeira mais algum outro, e ambas devem ser reunidas para julgamento conjunto. Já a reconvenção, tratada no artigo 343, permite que o réu apresente uma nova demanda dentro da mesma ação, o que pode implicar alteração da competência se for matéria de competência relativa. Além disso, o CPC prevê a possibilidade de prorrogação da competência relativa por meio de acordo entre as partes, quando não houver manifestação oportuna de incompetência. Segundo o artigo 65, a incompetência relativa deve ser alegada por meio de exceção na contestação, sob pena de prorrogação da competência. Já a incompetência absoluta, conforme o artigo 64, pode ser reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo ou grau de jurisdição e não se convalida com o silêncio das partes, pois está ligada à matéria, à função ou à hierarquia. Também é importante lembrar que, conforme o artigo 66, os conflitos de competência entre juízes vinculados a tribunais diferentes são resolvidos pelo tribunal superior competente. A compreensão dessas regras é essencial para garantir o andamento adequado do processo e o respeito às garantias processuais das partes. Da incompetência A incompetência no direito processual civil ocorre quando um juízo recebe uma causa que, pelas regras previstas no Código de Processo Civil (CPC), não deveria ser julgada por ele. Segundo o artigo 64 do CPC, a incompetência pode ser absoluta ou relativa. A incompetência absoluta está relacionada a matéria, função ou hierarquia e pode ser reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo e grau 14 de jurisdição, sem necessidade de provocação da parte. Já a incompetência relativa diz respeito ao território e deve ser alegada pela parte interessada por meio de exceção na contestação, sob pena de prorrogação da competência (artigo 65). A arguição de incompetência relativa deve ser fundamentada e instruída com provas. Uma vez apresentada, suspende-se o processo até que o juiz decida se é ou não competente. Se acolher a exceção, o juiz anula os atos decisórios já proferidos e remete o processo ao juízo competente. Caso a exceção seja rejeitada, o processo segue normalmente no juízo original. O artigo 66 trata dos conflitos de competência, que ocorrem quando há dúvida, controvérsia ou sobreposição de competências entre juízos. Nesses casos, o tribunal competente resolve o conflito, podendo determinar qual juízo deve seguir com o processo. Também se exige atenção para o fato de que a incompetência absoluta não pode ser convalidada pelo silêncio da parte, ao contrário da relativa, que se prorroga se não for alegada tempestivamente. Esses dispositivos garantem que o processo seja julgado por autoridade competente, assegurando legalidade e imparcialidade na condução do feito. PRECLUSÃO A preclusão, no direito processual civil, é a perda do direito de praticar um ato processual em razão do decurso do tempo, da prática anteriorde outro ato incompatível ou da decisão judicial que já apreciou a matéria. Está prevista de forma implícita e explícita em diversos dispositivos do Código de Processo Civil de 2015, principalmente nos artigos 223, 507 e 505. O artigo 223 trata da preclusão temporal, que ocorre quando a parte deixa de exercer um direito no prazo legal. Já o artigo 507 estabelece a preclusão consumativa, que impede a parte de repetir um ato já praticado no processo, como apresentar nova contestação após já tê-la feito. Além disso, há a preclusão lógica, que acontece quando a parte realiza um ato incompatível com outro que deveria ter sido praticado antes. O artigo 505 também reforça o caráter definitivo da decisão judicial que já julgou determinada questão, impedindo nova discussão sobre o mesmo ponto dentro do mesmo processo, salvo exceções legais. 15 A preclusão não atinge o juiz nas matérias de ordem pública, como competência absoluta e nulidades que não dependem de provocação das partes, conforme permite o artigo 485, §3º. Já as partes, salvo em hipóteses específicas, devem observar rigorosamente os prazos e a ordem processual, sob pena de preclusão. A preclusão temporal ocorre quando a parte perde o direito de praticar determinado ato processual por não o ter realizado dentro do prazo legal ou judicial estabelecido. Sua causa é o decurso do tempo, associado à inércia da parte. Por exemplo, se o réu não apresentar contestação dentro do prazo previsto, ocorre preclusão temporal quanto à apresentação da defesa. O efeito é a perda definitiva da faculdade processual, impedindo sua renovação ou reapresentação, salvo se houver justa causa ou concessão de prazo em casos excepcionais previstos em lei. A preclusão temporal é objetiva, automática e visa à regularidade formal do processo. A preclusão consumativa acontece quando a parte já exerceu uma faculdade processual e, por isso, não pode praticar o mesmo ato novamente. Sua causa está na prática anterior válida do ato. Um exemplo é o oferecimento de contestação: uma vez apresentada, a parte não pode substituí-la livremente por outra, salvo nos casos autorizados pelo CPC, como emenda ou retificação por determinação judicial. O efeito da preclusão consumativa é o encerramento da oportunidade de reapresentar ou modificar um ato já consumado, consolidando os efeitos da primeira manifestação da parte. Ela garante a continuidade do processo e evita a repetição de atos que poderiam tumultuar o andamento processual. A preclusão lógica ocorre quando a prática de um ato é incompatível com outro anteriormente realizado pela mesma parte. Sua causa é a contradição entre comportamentos processuais sucessivos. Por exemplo, se a parte recorre da sentença, não pode, em seguida, requerer o cumprimento da mesma decisão, pois isso implicaria aceitar e rejeitar o mesmo provimento. A preclusão lógica está fundada na boa-fé e na coerência processual, evitando que a parte adote condutas contraditórias. O efeito é a ineficácia do segundo ato, que se torna inválido ou inadmissível, protegendo a estabilidade e a lealdade do processo. 16 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 17 SUJEITOS DO PROCESSO FICA A DICA São sujeitos do processo: o juiz, as partes, seus procuradores, o Ministério Público, os auxiliares da justiça e terceiros que, de alguma forma, participam da relação processual. MAPA MENTAL: DICAS CURSOS O artigo 70 define que as partes são o autor e o réu, que atuam no processo diretamente ou por meio de seus advogados. O artigo 71 estabelece a capacidade para estar em juízo, exigindo que a parte seja civilmente capaz, ressalvando os casos de representação ou assistência. Já o artigo 77 impõe deveres processuais a todas as partes, como expor os fatos conforme a verdade, não formular pretensões abusivas e não praticar atos que causem prejuízo à celeridade do processo. O descumprimento desses deveres pode levar à aplicação de sanções pelo juiz. O juiz, conforme os artigos 139 e seguintes, tem como função conduzir o processo de maneira imparcial, garantindo o contraditório, a ampla defesa e 18 a duração razoável do processo. Deve atuar com equilíbrio, podendo inclusive determinar medidas para assegurar a efetividade do processo. Já o Ministério Público, conforme o artigo 176, atua como fiscal da ordem jurídica nos casos previstos em lei ou quando houver interesse público relevante, sendo obrigatória sua intimação nos processos em que atua. Também são sujeitos do processo os auxiliares da justiça, como o escrivão, o oficial de justiça, o perito, entre outros, que colaboram para o funcionamento do processo e são disciplinados nos artigos 149 a 175. Além disso, o CPC admite a presença de terceiros no processo por meio de intervenções específicas, como assistência, oposição, denunciação da lide, chamamento ao processo e amicus curiae, conforme previsto nos artigos 119 a 138. O juiz é o sujeito imparcial e responsável por conduzir o processo, garantir o contraditório, a ampla defesa e aplicar a lei ao caso concreto. De acordo com o artigo 139 do Código de Processo Civil, ele possui poderes para dirigir o processo, zelar pela duração razoável, promover a autocomposição entre as partes e determinar medidas necessárias para garantir a efetividade da tutela jurisdicional. Seu limite está em respeitar a imparcialidade, não podendo agir de ofício em tudo e nem tomar decisões que extrapolem o pedido das partes, sob pena de violar o princípio da inércia. As partes são o autor e o réu, e têm como função principal apresentar suas alegações, provas e exercer seus direitos processuais dentro dos limites legais. Elas devem agir com lealdade, boa-fé e respeito à veracidade dos fatos, conforme previsto no artigo 77 do CPC. As partes não podem usar o processo para fins ilícitos ou protelatórios, sob pena de sofrerem sanções. Elas são responsáveis por impulsionar o processo em muitos momentos e têm o dever de colaborar com o juízo. Os advogados, como procuradores das partes, têm a função de representar os interesses dos seus clientes em juízo. São indispensáveis à administração da justiça, conforme o artigo 133 da Constituição Federal. Devem atuar com ética, diligência, lealdade e respeito ao juízo e à parte contrária. Seus limites estão na observância do Código de Ética da OAB e na proibição de usar o processo para causar tumulto ou dano à parte adversa. O Ministério Público atua como fiscal da ordem jurídica, nos casos em que há interesse público, social, de incapazes ou da coletividade. Conforme o 19 artigo 176 do CPC, ele pode intervir no processo ou propor ações quando a lei assim determinar. Seu dever é zelar pela legalidade e pelos interesses protegidos constitucionalmente. O limite da sua atuação está nos casos em que sua intervenção não é obrigatória, não podendo invadir a esfera de atuação das partes. Os auxiliares da justiça, como escrivães, oficiais de justiça, peritos, tradutores e intérpretes, têm a função de auxiliar tecnicamente o juiz e garantir o andamento do processo. Estão regulados entre os artigos 149 a 175 do CPC. Devem agir com imparcialidade, pontualidade e responsabilidade. Seus limites são fixados pela função específica que exercem e pelas determinações judiciais, sendo vedada qualquer atuação que comprometa sua neutralidade. Os terceiros que intervêm no processo, como assistente, opoente, denunciado da lide, chamado ao processo e amicus curiae, possuem funções específicas, cada qual regulada pelo Código. A assistência, por exemplo, permite que um terceiro defenda interesse jurídico que pode ser afetado pelo resultado da causa. Já o amicus curiae atua para fornecer subsídios técnicos ou jurídicos ao juízo, sem ser parte no processo. Os limites de atuação desses terceiros são definidos pela lei e pelo juiz, que pode admitir ou limitar sua participação de acordocom a relevância e utilidade da intervenção. Capacidade processual e postulatória A capacidade processual, conforme o artigo 70 do CPC, é a aptidão da parte para estar em juízo, ou seja, para figurar como autor ou réu em um processo. De modo geral, tem capacidade processual quem tem capacidade civil, mas pessoas absolutamente ou relativamente incapazes podem estar em juízo representadas ou assistidas por seus responsáveis legais, conforme os artigos 71 e 72. A capacidade postulatória é a aptidão para praticar atos processuais por meio da fala ou da escrita no processo. De acordo com o artigo 103 do CPC, essa capacidade é, via de regra, exclusiva dos advogados legalmente habilitados pela OAB. Isso significa que, embora a parte possa ter capacidade processual, ela depende de um advogado para exercer a capacidade postulatória, ou seja, para atuar de fato no processo. 20 Existem exceções à necessidade de advogado, previstas em lei, como nas ações de até vinte salários mínimos nos juizados especiais cíveis (Lei 9.099/95) e no habeas corpus, onde a parte pode atuar sozinha. Além disso, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública também possuem capacidade postulatória institucional, podendo atuar em nome do Estado ou de pessoas hipossuficientes sem necessidade de inscrição na OAB. É importante compreender que a capacidade processual está ligada à pessoa poder figurar no processo, enquanto a postulatória está relacionada ao ato de praticar diretamente os atos processuais. A distinção entre esses dois conceitos é essencial para entender quem pode estar no processo e como essa participação se efetiva juridicamente. Deveres das partes e procuradores A compreensão do artigo 77 e das consequências do seu descumprimento é fundamental para quem pretende atuar no Judiciário ou em funções jurídicas, já que ele regula o comportamento mínimo esperado das partes e advogados no curso do processo. Os deveres das partes e dos procuradores no processo civil estão previstos no artigo 77 do Código de Processo Civil de 2015. Esses deveres são essenciais para garantir que o processo seja conduzido com ética, lealdade e eficiência, preservando a boa-fé processual e o respeito entre os sujeitos do processo. A norma determina que todos devem comportar-se de acordo com a boa-fé, não praticar atos desleais, nem utilizar o processo para fins abusivos ou protelatórios. Entre os principais deveres previstos no artigo 77, destacam-se: expor os fatos conforme a verdade; não formular pretensões cientes de que são infundadas; não produzir provas nem praticar atos inúteis ou desnecessários ao processo; cumprir com exatidão os provimentos judiciais e não criar embaraços à sua efetivação; e não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso. Esses comportamentos são exigidos tanto das partes quanto de seus procuradores, inclusive advogados públicos e privados. 21 O parágrafo 1º do mesmo artigo permite ao juiz aplicar multa de até 2% do valor da causa à parte ou ao advogado que agir com má-fé ou infringir qualquer dos deveres processuais. Caso o comportamento seja gravemente ofensivo à dignidade da justiça ou configure abuso de direito processual, o juiz poderá aplicar outras sanções, inclusive comunicação à OAB ou ao Ministério Público, conforme o caso. O parágrafo 2º reforça que, além das sanções processuais, o descumprimento desses deveres pode gerar responsabilidade por perdas e danos. Procuradores Os procuradores no direito processual civil são aqueles que representam as partes em juízo, atuando em seu nome para praticar todos os atos processuais necessários à defesa de seus interesses. Essa atuação está prevista principalmente nos artigos 103 a 107 do Código de Processo Civil de 2015. A regra geral é que as partes devem estar representadas por advogado legalmente habilitado, o que configura a chamada capacidade postulatória. Essa representação é formalizada por meio do instrumento de mandato, conhecido como procuração. De acordo com o artigo 103 do CPC, o advogado poderá postular em juízo mediante apresentação de procuração, que deve conter os poderes conferidos pela parte, podendo ser geral para o foro ou específica para atos determinados. O artigo 104 estabelece que, mesmo sem a juntada da procuração, o advogado poderá atuar em caráter de urgência, devendo regularizar a representação nos quinze dias seguintes, sob pena de serem considerados inexistentes os atos praticados. O artigo 105 define os poderes que devem estar expressos na procuração, como os de receber citação, confessar, transigir, desistir, renunciar ao direito sobre que se funda a ação, entre outros. Esses são chamados poderes especiais, que exigem menção expressa no mandato. Já o artigo 106 trata das comunicações processuais, assegurando que todas as intimações devem ser feitas ao advogado constituído nos autos, garantindo o contraditório e a ampla defesa. O artigo 107, por sua vez, estabelece que as partes podem substabelecer o mandato com ou sem reserva de poderes, desde que respeitadas as condições da procuração original. A atuação do procurador 22 está limitada aos poderes que lhe foram conferidos, sendo vedada qualquer prática de atos em desacordo com o mandato. Requisitos formais da procuração: A procuração deve ser juntada aos autos por instrumento público ou particular assinado pela parte (art. 105 do CPC). Ela deve conter: ● a qualificação do outorgante (parte) e do outorgado (advogado); ● a indicação dos poderes concedidos; ● assinatura da parte (podendo ser eletrônica, nos autos digitais); ● Se for particular, não precisa ser registrada em cartório para ter validade no processo. Poderes especiais exigidos: Alguns atos processuais só podem ser praticados pelo advogado se expressamente autorizados na procuração, conforme o art. 105 do CPC. São eles: ● receber citação; ● confessar (reconhecer a procedência do pedido); ● desistir; ● transigir (fazer acordo); ● renunciar ao direito sobre que se funda a ação; ● firmar compromisso ou aceitar arbitragem. Se esses poderes não estiverem expressamente mencionados, o advogado não pode praticar esses atos. Prazos para regularização da representação: O art. 104 do CPC permite que o advogado, em caso de urgência, pratique atos antes de juntar a procuração. No entanto, ele deve regularizar essa representação no prazo de 15 dias úteis, prorrogáveis por mais 15 dias, sob pena de serem considerados inexistentes os atos praticados. Esse prazo conta a partir da primeira intimação para que junte o instrumento de mandato. 23 Diferença entre capacidade processual e capacidade postulatória: ● Capacidade processual é a aptidão para estar em juízo, ou seja, ser parte (autor ou réu) no processo. Tem capacidade processual quem tem capacidade civil, mas menores ou incapazes podem estar em juízo com representante ou assistente legal (art. 70 e 71 do CPC). ● Capacidade postulatória é a aptidão para praticar atos processuais em nome da parte. Regra geral, somente quem é advogado regularmente inscrito na OAB possui essa capacidade. A parte precisa do advogado para ter acesso ao processo, salvo nas exceções legais (ex: juizado especial até 20 salários mínimos e habeas corpus). Sucessão das partes e dos procuradores A sucessão das partes e dos procuradores no processo civil está disciplinada nos artigos 108 a 112 do Código de Processo Civil de 2015 e trata das situações em que há substituição ou alteração de uma das partes ou de seus representantes no decorrer do processo. Essa sucessão garante a continuidade da relação processual mesmo diante de mudanças, como a morte de uma das partes, a substituição de advogado ou a transferência de direitos litigiosos. De acordo com o artigo 108 do CPC, ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessãopelo seu espólio, herdeiros ou sucessores, dependendo da fase processual e do tipo de direito discutido. O processo não se extingue com a morte da parte, devendo o juiz determinar a suspensão do processo e a intimação dos sucessores, que assumirão o polo da ação. Essa regra assegura a continuidade da marcha processual sem prejuízo à parte contrária. O artigo 109 trata da alienação da coisa ou do direito litigioso, estabelecendo que o processo continua com o alienante, salvo se o adquirente quiser intervir no feito ou for admitido como assistente litisconsorcial. A alienação ou cessão de direitos litigiosos não impede o prosseguimento do processo, mas permite que o novo titular tenha 24 participação ativa, desde que autorizada judicialmente. Essa regra protege o direito de defesa da parte contrária, evitando surpresas processuais. Já os artigos 111 e 112 tratam da sucessão de procuradores. Se o advogado renunciar ao mandato (art. 112), deverá comunicar a parte representada e continuará obrigado a atuar por mais 10 dias, salvo se for substituído antes. Por outro lado, se a parte revogar o mandato (art. 111), deverá informar ao juízo e apresentar novo advogado para não deixar a parte desassistida. Em ambos os casos, o processo continua normalmente, mas a parte deve providenciar nova representação para não comprometer sua defesa. A sucessão processual é um mecanismo que assegura a estabilidade e continuidade do processo, mesmo diante de eventos como falecimento, cessão de direitos ou substituição de advogados. Entender essas regras é essencial para resolver questões práticas e teóricas de concursos, principalmente no que diz respeito aos efeitos da sucessão e à forma correta de manter a regularidade da representação no curso do processo. Litisconsórcio De acordo com o artigo 113 do CPC, o litisconsórcio pode ser facultativo ou necessário. É facultativo quando as partes decidem litigar juntas, por conveniência ou interesse comum. É necessário quando a lei exige ou a natureza da relação jurídica impõe que todos os interessados participem do processo, como condição para que a sentença produza efeitos válidos. O juiz deve determinar a integração do litisconsórcio necessário, se não for feito pelas partes desde o início. O artigo 114 classifica ainda o litisconsórcio em unitário ou simples. Ele é unitário quando a decisão judicial deve ser uniforme para todos os litisconsortes, como ocorre, por exemplo, em ações que envolvem direitos indivisíveis. É simples quando a decisão pode ser diferente para cada litisconsorte, mesmo que estejam no mesmo polo da ação. O artigo 115 dispõe que cada litisconsorte é considerado parte distinta, podendo praticar atos processuais independentemente, salvo se a defesa for incompatível ou se o juiz determinar atuação conjunta. O artigo 116 permite a 25 intervenção posterior de litisconsortes no processo, desde que seja respeitado o contraditório e não haja prejuízo à marcha processual. O litisconsórcio pode ser inicial, quando formado desde o início do processo, ou superveniente, quando constituído posteriormente. Também pode ser ativo (autores), passivo (réus) ou misto (ambos os polos). Sua finalidade principal é evitar decisões contraditórias, economizar tempo e recursos processuais e assegurar uma solução eficaz e completa do litígio. Os tipos de litisconsórcio e suas classificações: ➤ Quanto à obrigatoriedade: ● Litisconsórcio facultativo (art. 113, §1º): As partes escolhem litigar juntas, por afinidade de pedidos ou de causa de pedir. Exemplo: dois vizinhos entram com ação contra uma empresa por danos causados por um mesmo problema ambiental. ● Litisconsórcio necessário (art. 113, §2º): A presença de todas as partes interessadas é exigida por lei ou pela natureza da relação jurídica, sob pena de a sentença ser nula. Exemplo: ação anulatória de casamento exige a presença de ambos os cônjuges. ➤ Quanto à forma de atuação da decisão judicial: ● Litisconsórcio simples (art. 114): A decisão pode ser diferente para cada litisconsorte. Os efeitos do julgamento são independentes. Exemplo: ação de cobrança em que o juiz pode condenar um réu e absolver outro. ● Litisconsórcio unitário (art. 114, parágrafo único): A decisão deve ser uniforme para todos os litisconsortes, por força da indivisibilidade do objeto. Exemplo: ação que discute validade de eleição em condomínio ou sindicato. 26 ➤ Quanto ao momento da formação: ● Litisconsórcio inicial: Formado desde o início do processo, na petição inicial ou contestação. ● Litisconsórcio superveniente (art. 116): Formado durante o processo, por determinação judicial ou por admissão posterior. ➤ Quanto ao polo da ação: ● Litisconsórcio ativo: Mais de um autor no polo ativo da ação. ● Litisconsórcio passivo: Mais de um réu no polo passivo. ● Litisconsórcio misto: Vários autores e réus, nos dois polos da demanda. Efeitos do litisconsórcio: ● Cada litisconsorte é tratado como parte independente (art. 117), podendo apresentar defesa, provas e recorrer individualmente, salvo nos casos de litisconsórcio unitário, onde os atos processuais podem ser comuns. ● Não há solidariedade presumida entre litisconsortes (art. 117, parágrafo único), salvo disposição legal ou contratual. Contagem de prazos (art. 229 do CPC): ● Quando houver litisconsórcio com advogados diferentes de escritórios distintos, o prazo para manifestação será contado em dobro para todos os atos processuais. 27 ● Exceções ao prazo em dobro: ○ Se os advogados forem do mesmo escritório, não há prazo em dobro. ○ O prazo em dobro não se aplica aos Juizados Especiais (Súmula 641 do STF). Também não se aplica quando apenas um advogado atua efetivamente no processo. INTERVENÇÃO DE TERCEIROS A intervenção de terceiros no processo civil está prevista nos artigos 119 a 138 do Código de Processo Civil de 2015 e trata das hipóteses em que uma pessoa que inicialmente não fazia parte do processo passa a integrar a relação processual. Essa entrada pode ocorrer por interesse jurídico na causa, por disposição legal ou para auxiliar o juízo na formação de convencimento técnico. O objetivo da intervenção é assegurar uma decisão mais justa e eficaz, evitando prejuízo a terceiros e garantindo a ampla defesa de quem pode ser afetado pelo resultado do processo. As principais formas de intervenção previstas no CPC são: assistência, denunciação da lide, chamamento ao processo, oposição, nomeação à autoria e amicus curiae. A assistência (artigos 119 a 124) permite que um terceiro, com interesse jurídico na causa, ingresse no processo para auxiliar uma das partes. Pode ser simples, quando o assistente só apoia a parte principal, ou litisconsorcial, quando a decisão também afeta diretamente o assistente. A denunciação da lide (artigo 125 a 129) é a chamada de um terceiro ao processo, feita por uma das partes, com base em uma relação jurídica anterior de garantia, como nos casos de evicção ou direito de regresso. Se aceita, o denunciado assume o polo com o denunciante ou pode substituí-lo. O chamamento ao processo (artigos 130 a 132) ocorre especialmente em obrigações solidárias, permitindo que o réu chame ao processo os demais 28 devedores solidários ou o fiador. Serve para que todos os responsáveis sejam julgados na mesma ação. A oposição (artigos 138 a 144) é quando um terceiro propõe ação contra autor e réu, alegando que tem direito sobre o objeto litigioso. A oposição pode ser apresentada antes ou durante o processo, e seu julgamento poderá suspender o andamento da causa principal. A nomeação à autoria (artigos 338 e 339) ocorre quando o réu aponta que não é parte legítima para figurar na ação e indica quem deveria ocupar seu lugar, possibilitando a substituição da parte originalmente citada. O amicus curiae (artigo138) é a figura do “amigo da corte”, que não é parte no processo, mas é admitido pelo juiz para fornecer informações técnicas, jurídicas ou sociais relevantes para o julgamento. Sua atuação é limitada, mas pode apresentar memoriais e fazer sustentação oral em determinados casos. Essas formas de intervenção visam garantir um processo mais justo, prevenir nulidades, assegurar contraditório e evitar decisões que prejudiquem pessoas que não foram ouvidas. DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA Deveres do juiz (art. 139 do CPC): O juiz tem o dever de assegurar às partes igualdade de tratamento, garantir o contraditório e a ampla defesa, incentivar a autocomposição, determinar medidas para efetividade do processo, zelar pela duração razoável do processo, e proibir atos que causem dilações indevidas. Ele deve também corrigir irregularidades processuais, podendo adaptar a forma dos atos às necessidades do caso, sempre buscando a prestação jurisdicional justa e efetiva. 29 Poderes instrutórios do juiz (art. 370): No sistema do CPC/2015, o juiz atua de forma mais participativa na formação da prova. Ele pode determinar de ofício ou a requerimento das partes a produção de provas necessárias ao esclarecimento da verdade, desde que respeite o contraditório. Esses poderes reforçam o princípio da busca pela verdade real, especialmente quando o processo não traz elementos suficientes para a decisão. Impedimentos e suspeições (arts. 144 e 145 do CPC): O juiz é impedido de atuar quando tiver relação direta com o processo, como ser parte interessada, cônjuge de parte, ou tiver atuado como advogado ou perito na causa. Esses casos geram nulidade absoluta. Já a suspeição ocorre quando há motivos subjetivos, como amizade íntima, inimizade notória, ou interesse indireto no resultado do processo. A suspeição pode ser arguida pela parte e, se reconhecida, o juiz é afastado. A imparcialidade é um princípio fundamental do processo, e sua violação compromete a validade dos atos processuais. Atuação e responsabilidade dos auxiliares da justiça (arts. 149 a 175): São auxiliares da justiça: o escrivão judicial ou chefe de secretaria, o oficial de justiça, o perito, o intérprete/tradutor, o depositário, entre outros. Eles têm funções específicas no auxílio ao juiz e à administração da justiça. ● O escrivão é responsável pelos registros, movimentação dos autos e expedição de atos. ● O oficial de justiça pratica diligências como citações, intimações, penhoras e prisões civis. ● O perito realiza exames técnicos para esclarecer fatos que dependem de conhecimento especializado. ● O intérprete ou tradutor atua quando há necessidade de verter documentos ou falas para a língua portuguesa. Todos esses auxiliares devem agir com diligência, imparcialidade e responsabilidade, podendo ser responsabilizados disciplinar, civil e criminalmente em caso de omissão, dolo ou fraude. O juiz pode substituí-los se houver irregularidade na atuação ou se a parte demonstrar justo motivo. 30 Dos Impedimentos e da Suspeição. A diferença entre Impedimento e Suspeição no processo civil está nos fundamentos e efeitos de cada instituto, ambos voltados à garantia da imparcialidade do juiz, e está prevista nos artigos 144 e 145 do Código de Processo Civil (CPC/2015). O Impedimento ocorre quando há vínculo objetivo e direto do juiz com o processo, as partes ou os advogados. São situações claramente previstas na lei, como ser o juiz parte no processo, parente das partes ou ter atuado anteriormente como advogado, promotor ou defensor no mesmo caso. Por ser um obstáculo legal absoluto, o impedimento gera nulidade absoluta dos atos praticados e pode ser reconhecido de ofício a qualquer tempo, independentemente de provocação da parte. Está regulamentado no art. 144 do CPC. A Suspeição se baseia em vínculos subjetivos, como amizade íntima, inimizade, interesse emocional ou comportamentos parciais do juiz durante o processo. São hipóteses que dependem de demonstração de fatos e provas, e devem ser arguidas pela parte interessada no prazo de 15 dias do conhecimento do fato, nos termos do art. 145 e art. 146 do CPC. A Suspeição não gera nulidade automática; ela precisa ser reconhecida por decisão judicial após a arguição. Diferença principal: ● Impedimento: vínculo objetivo, legalmente definido, gera nulidade absoluta, pode ser reconhecido de ofício. ● Suspeição: vínculo subjetivo, depende de arguição e prova, não gera nulidade automática, precisa ser reconhecida por decisão judicial. 31 Dos Auxiliares da Justiça. Os auxiliares da justiça são figuras essenciais no andamento do processo judicial e estão disciplinados nos artigos 149 a 175 do Código de Processo Civil de 2015. São pessoas que, embora não tenham função jurisdicional, prestam apoio técnico e administrativo ao juiz e às partes, contribuindo para a efetividade da prestação jurisdicional. Conforme o artigo 149 do CPC, são considerados auxiliares da justiça: o escrivão judicial (ou chefe de secretaria), o oficial de justiça, o perito, o tradutor, o intérprete, o depositário, o administrador, o avaliador, entre outros que a lei designar. Cada um desses auxiliares têm funções específicas e deve cumprir seus deveres com diligência, lealdade e imparcialidade, sob a supervisão do juiz. O escrivão ou chefe de secretaria, por exemplo, é responsável pela organização dos autos, movimentação processual e expedição de atos, sendo suas funções disciplinadas nos artigos 150 e 152. O oficial de justiça, regulado pelos artigos 154 a 158, é quem executa ordens judiciais externas, como citações, intimações, penhoras e prisões civis, lavrando os respectivos mandados. O perito, previsto nos artigos 156 a 158, é nomeado pelo juiz quando o processo exige conhecimento técnico especializado. Ele deve apresentar laudo claro, objetivo e fundamentado. As partes podem indicar assistentes técnicos e apresentar quesitos. O tradutor ou intérprete, regulado no artigo 165, atua nos casos em que há necessidade de verter textos ou depoimentos para a língua portuguesa. Todos os auxiliares estão sujeitos à responsabilidade funcional, podendo ser responsabilizados civil, penal e administrativamente em caso de erro, omissão ou má-fé. O artigo 160, por exemplo, permite a substituição do auxiliar da justiça se houver motivo legítimo, como impedimento, suspeição ou falha no cumprimento de suas obrigações. 32 Em resumo, os auxiliares da justiça exercem funções essenciais de apoio técnico e prático ao juiz, garantindo a efetividade dos atos processuais. Devem agir com responsabilidade, imparcialidade e respeito às normas legais, sendo fiscalizados diretamente pelo magistrado. O conhecimento detalhado desses profissionais e de suas atribuições é fundamental para quem se prepara para concursos da área jurídica. MINISTÉRIO PÚBLICO O Ministério Público no processo civil exerce a função de fiscal da ordem jurídica, com atuação voltada à defesa da legalidade, do interesse público e dos direitos fundamentais. Está regulamentado nos artigos 176 a 181 do Código de Processo Civil de 2015 e é uma instituição essencial à função jurisdicional do Estado, conforme prevê o artigo 127 da Constituição Federal. Segundo o artigo 176 do CPC, o Ministério Público atuará nos casos previstos em lei e sempre que houver interesse público envolvido, como em causas que envolvam incapazes, litígios coletivos relacionados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio público. Nesses casos, o juiz deve obrigatoriamente intimar o Ministério Público para intervir, sob pena de nulidade do processo a partir do momento em que sua intervenção era exigida, conforme dispõe o artigo 279. Nos termos do artigo 177, quando o Ministério Público atua como parte (por exemplo, em ação civil pública), ele está sujeito aos mesmos ônus edeveres das partes, como produção de provas, prazos processuais e possibilidade de sucumbência. Já quando atua como fiscal da lei (custos legis), tem a função de zelar pela regularidade do processo, podendo intervir, opinar, recorrer e requerer diligências, mas sem ser diretamente interessado na causa. O artigo 178 enumera os casos em que a intervenção do Ministério Público é obrigatória, como nas ações que envolvam interesses de incapazes, litígios coletivos ou que questionem a validade de atos do poder público. O artigo 179 assegura ao Ministério Público poderes para produzir provas, requerer medidas e recorrer das decisões, ainda que não tenha sido parte no processo. Por fim, o artigo 181 do CPC garante ao Ministério Público o prazo em dobro para se manifestar nos autos quando atuar como fiscal da ordem 33 jurídica, salvo quando houver apenas um réu representado por advogado público ou defensor. Isso garante tempo suficiente para análise técnica e imparcial do processo. Em suma, o Ministério Público atua no processo civil como parte ou como fiscal da ordem jurídica, com ampla autonomia funcional, poderes de intervenção e prazos diferenciados, sempre visando proteger o interesse público, a legalidade e os direitos indisponíveis. Sua presença é obrigatória em diversas hipóteses e sua atuação é essencial para a legitimidade do processo. ADVOCACIA PÚBLICA A Advocacia Pública no processo civil está regulamentada nos artigos 182 e 183 do Código de Processo Civil de 2015 e representa os entes públicos — União, Estados, Distrito Federal e Municípios — em juízo, atuando na defesa do interesse público e da legalidade administrativa. De acordo com o artigo 182, cabe à Advocacia Pública exercer a representação judicial e a consultoria jurídica das pessoas jurídicas de direito público, conforme previsto também no artigo 131 da Constituição Federal. Sua atuação no processo segue as mesmas regras aplicáveis às demais partes, com algumas prerrogativas específicas. O artigo 183 do CPC estabelece uma das principais prerrogativas da Advocacia Pública: o prazo em dobro para todas as manifestações processuais, inclusive para recorrer, contados a partir da intimação pessoal do órgão responsável pela representação judicial. Essa intimação deve ser feita diretamente à procuradoria ou setor jurídico do ente público, e não ao advogado da causa. O prazo em dobro é garantido para permitir que o advogado público, que muitas vezes atua em um grande volume de processos, possa analisar os autos com a devida atenção e preservar o interesse público. Essa prerrogativa do prazo em dobro não se aplica nos casos em que o ente público atua com advogado particular nem quando o processo tramita nos Juizados Especiais, conforme entendimento pacífico na jurisprudência. Além disso, a atuação da Advocacia Pública exige observância aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, devendo ser pautada pela defesa do interesse público primário. 34 DICA IMPORTANTE! A Representação Judicial da Fazenda Pública é exercida pela Advocacia Pública, conforme disposto no artigo 182 do Código de Processo Civil de 2015. Essa representação cabe aos procuradores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que atuam em nome das respectivas pessoas jurídicas de direito público, defendendo seus interesses em juízo e também prestando consultoria jurídica na esfera administrativa. O Prazo em dobro para a Fazenda Pública está previsto no artigo 183 do CPC. Esse prazo se aplica a todas as manifestações processuais, inclusive recursos, desde que a parte esteja devidamente representada por advogado público (membro da Advocacia Pública). O prazo não se aplica quando o ente público atua por advogado particular, nem nos Juizados Especiais, conforme entendimento consolidado na jurisprudência. A Intimação Pessoal é requisito indispensável para que o prazo em dobro se inicie. Essa intimação deve ser feita diretamente à procuradoria do ente público, e não ao advogado que eventualmente esteja nos autos. A intimação eletrônica, quando encaminhada ao órgão responsável pela representação judicial, também é considerada válida para esse fim. DEFENSORIA PÚBLICA De acordo com o artigo 185 do CPC, a Defensoria Pública goza de prazo em dobro para todas as manifestações processuais, inclusive recursos, assim como a Fazenda Pública, desde que sua atuação seja feita diretamente por defensores públicos. Esse prazo é contado a partir da intimação pessoal, que deve ser realizada diretamente à instituição, por meio eletrônico, conforme previsto na legislação própria. A jurisprudência reforça que o prazo em dobro não se aplica se a Defensoria estiver representada por advogado particular. O defensor público tem o direito à intimação pessoal, prevista no mesmo artigo, para garantir que haja ciência adequada dos atos do processo. 35 O artigo 186 do CPC assegura à Defensoria Pública a possibilidade de atuar como curadora especial, nos casos em que a parte seja revel (não apresentou defesa) e esteja em situação de vulnerabilidade, como os incapazes e os citados por edital. Por fim, o artigo 187 estabelece que, mesmo quando a Defensoria Pública atua como substituta processual — ou seja, em nome próprio defendendo direitos de terceiros, como em ações coletivas — ela mantém todas as prerrogativas processuais asseguradas pela lei, inclusive o prazo em dobro e a intimação pessoal. A Defensoria Pública tem prerrogativas específicas no processo civil, como o prazo em dobro e a intimação pessoal, desde que atue por meio de defensor público. Sua função é assegurar o acesso à justiça dos hipossuficientes, inclusive por meio de atuação como curadora especial ou substituta processual, sendo peça fundamental na efetivação da justiça e da equidade no processo. ATOS PROCESSUAIS Os atos processuais no direito processual civil são as manifestações formais praticadas por juízes, partes, advogados, auxiliares da justiça e demais sujeitos do processo, com a finalidade de dar andamento ao processo e alcançar a prestação jurisdicional. De acordo com o artigo 188, os atos processuais podem ser praticados de forma eletrônica ou física, respeitada a legislação específica e os princípios da legalidade, publicidade e instrumentalidade das formas. O artigo 190 autoriza a flexibilização procedimental por convenção das partes, desde que não se trate de direito indisponível e haja equilíbrio entre elas. Quanto à forma, o CPC adota o princípio da informalidade relativa, conforme o artigo 277, o que significa que um ato não será invalidado por simples vício de forma, desde que tenha atingido sua finalidade. Quanto ao tempo, os atos processuais devem ser praticados nos prazos previstos em lei ou fixados pelo juiz. O artigo 212 estabelece que eles devem ocorrer em dias úteis, entre 6h e 20h, salvo em casos de urgência ou 36 quando autorizados em lei. Já os prazos são contados em dias úteis (artigo 219) e, como regra, exclui-se o dia do começo e inclui-se o do vencimento, com suspensão nos feriados e finais de semana. O artigo 224 regula a contagem dos prazos processuais. Em relação ao lugar, os atos processuais devem ser praticados no foro do processo, mas o artigo 217 admite a prática em outro local, por meio de carta precatória, quando necessário. A comunicação dos atos processuais (intimações, citações e notificações) é feita preferencialmente por meio eletrônico, conforme previsto nos artigos 246 a 275. A citação, regulada nos artigos 238 a 259, é o ato que dá ciência ao réu da existência do processo, marcando o início da relação processual. A intimação, prevista nos artigos 269 a 275, é o ato pelo qual se dá ciência às partes e demais sujeitos sobre os atos e decisões do juiz, para que tomem ciência ou se manifestem. Em relação à validade, o artigo277 reforça que os atos processuais só serão anulados se causarem prejuízo à parte (princípio do prejuízo), e os vícios podem ser sanados, se possível. Assim, o processo deve ser conduzido de forma eficiente e contínua, evitando-se nulidades desnecessárias. 37 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS Forma dos atos Trata-se das regras sobre como os atos devem ser praticados formalmente dentro do processo, respeitando princípios como legalidade, instrumentalidade das formas e publicidade. O artigo 188 do CPC, os atos processuais podem ser realizados de forma eletrônica ou física, conforme previsto na lei, sendo preferencial o meio eletrônico, nos termos da legislação vigente. Já o artigo 189 assegura a publicidade dos atos processuais, como regra geral, mas permite o segredo de justiça em hipóteses específicas, como processos que envolvam interesse público relevante, intimidade das partes, menores ou questões de família. O artigo 190 trata da possibilidade de as partes, por convenção processual, ajustarem modificações no procedimento, inclusive quanto à 38 forma de atos, desde que se trate de direito disponível e haja equilíbrio entre as partes. Isso expressa o princípio da autonomia privada no processo. O artigo 191 permite que advogados estabeleçam entre si calendário para a prática de atos, com a concordância do juiz, e o descumprimento injustificado desse calendário pode acarretar preclusão. Já o artigo 192 reforça o princípio da instrumentalidade das formas ao estabelecer que os atos processuais serão considerados válidos, mesmo que realizados fora da forma prevista, desde que atinjam sua finalidade e não causem prejuízo às partes. Em síntese, a forma dos atos processuais deve obedecer à lei, mas o CPC valoriza o resultado útil do ato mais do que a rigidez formal, permitindo que eventuais vícios sejam convalidados se não houver prejuízo. Essa abordagem confere maior flexibilidade, celeridade e efetividade ao processo, em consonância com os princípios constitucionais do devido processo legal e da duração razoável do processo. Tempo e lugar. O tempo e o lugar dos atos processuais estão disciplinados nos artigos 212 a 217 do Código de Processo Civil de 2015 e tratam das regras que determinam quando e onde os atos do processo devem ser praticados. Quanto ao tempo, o artigo 212 do CPC estabelece que os atos processuais devem ser praticados em dias úteis, entre 6 horas e 20 horas, salvo nos casos em que a lei permitir prática fora desse horário, como em medidas urgentes. Os prazos processuais, de acordo com o artigo 219, são contados em dias úteis, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do vencimento (art. 224). Além disso, a contagem de prazo se suspende nos fins de semana, feriados e nos períodos de recesso forense (art. 220). O artigo 213 assegura que atos realizados após o horário legal ou em feriados são válidos quando praticados em regime de plantão ou por decisão judicial justificada. Essa regra é importante especialmente para situações de urgência, como liminares ou medidas cautelares. Quanto ao lugar, os atos processuais devem ser, em regra, praticados no foro onde o processo tramita, conforme o artigo 216. No entanto, o artigo 39 217 admite a prática do ato em local diverso, mediante justificativa e autorização judicial, especialmente quando for mais vantajoso para a celeridade ou economia processual, como no caso de depoimentos colhidos por carta precatória em outra comarca. Prazos De acordo com o artigo 218 do CPC, todos os atos processuais devem ser realizados dentro dos prazos estabelecidos em lei ou determinados pelo juiz. O artigo 219 define que, salvo disposição em contrário, os prazos são contados em dias úteis, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do vencimento, conforme o artigo 224. A contagem não se interrompe nos finais de semana e feriados, exceto se estes forem nacionais ou reconhecidos no foro de tramitação do processo. Já o artigo 220 suspende os prazos processuais no período de 20 de dezembro a 20 de janeiro, assegurando o recesso forense. O artigo 221 trata dos prazos legais, que não podem ser alterados pelas partes nem pelo juiz, enquanto o artigo 222 permite que os prazos judiciais (fixados pelo magistrado) sejam prorrogados por justa causa. O artigo 223 estabelece que, decorrido o prazo sem a prática do ato, ocorre a preclusão, ou seja, a perda do direito de realizá-lo. Existem ainda prazos específicos para o juiz (art. 226), que deve proferir decisões interlocutórias em 10 dias e sentenças em 30 dias, salvo justificativa. Também há previsão de prazos diferenciados para a Fazenda Pública, a Defensoria Pública e o Ministério Público, que contam com prazo em dobro para se manifestar, desde que atendidas certas condições (arts. 183 e 186). O artigo 231 detalha o marco inicial da contagem dos prazos, que depende da forma da citação ou intimação (por correio, oficial de justiça, diário da justiça eletrônico etc.). A fluência do prazo depende da comprovação da ciência do ato processual. 40 MAPA MENTAL: DICAS CURSOS Comunicação dos atos processuais A comunicação dos atos processuais é o meio pelo qual as partes, seus procuradores, testemunhas e demais sujeitos do processo tomam ciência oficial dos atos e decisões judiciais. Está regulamentada nos artigos 269 a 275 do Código de Processo Civil de 2015 e é fundamental para garantir o contraditório e a ampla defesa. Segundo o artigo 269 do CPC, os atos processuais serão comunicados por citação, intimação ou notificação, conforme a finalidade da comunicação. A citação (art. 238) é o ato que dá ciência ao réu ou interessado de que foi ajuizada uma ação contra ele e marca o início da relação processual. Deve conter os requisitos legais e ser feita preferencialmente por meio eletrônico (art. 246), ou por oficial de justiça, correio ou edital, conforme o caso. A intimação (art. 270) é o ato destinado a dar ciência às partes sobre decisões, atos e despachos do juiz. Pode ser feita por meio eletrônico, diário da justiça, intimação pessoal ou por outros meios autorizados. As partes 41 representadas por advogados devem ser intimadas pela publicação no diário da justiça eletrônico, salvo previsão legal de intimação pessoal, como no caso da Defensoria Pública, Ministério Público e Fazenda Pública. A notificação é utilizada para informar atos processuais que não se enquadram como citação ou intimação, como a comunicação a terceiros interessados. Embora não tenha definição expressa no CPC, a notificação é amplamente reconhecida pela doutrina e jurisprudência. As intimações (art.272) feitas por meio eletrônico são consideradas válidas e eficazes, iniciando-se o prazo processual no primeiro dia útil seguinte à consulta ao teor da comunicação ou, automaticamente, no prazo de 3 dias úteis se não houver consulta. Isso exige atenção das partes e advogados quanto ao acompanhamento dos sistemas eletrônicos. O CPC também garante, no artigo 273, que atos urgentes possam ser comunicados por qualquer meio idôneo, como telefone, e-mail ou mensagem eletrônica, desde que assegurada a autenticidade da comunicação. Essa flexibilização busca garantir a efetividade e celeridade do processo. 42 Nulidades Conforme o artigo 276 do CPC, a nulidade de um ato só será decretada quando houver prejuízo para alguma das partes, consagrando o chamado princípio do “pas de nullité sans grief”, ou seja, não há nulidade sem demonstração de prejuízo. Isso significa que nem todo erro formal gera automaticamente a anulação do ato, especialmente se a finalidade for atingida. O artigo 277 reforça o princípio da instrumentalidade das formas, estabelecendo que, se o ato atingiu sua finalidade, ainda que com forma diversa da prevista, ele será considerado válido, salvo quando houver expressa exigência legal em sentido contrário.