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SUMÁRIO 
PRINCÍPIOS DO PROCESSO 3 
Princípio do devido processo legal 4 
Princípios do contraditório e da ampla defesa 4 
JURISDIÇÃO 5 
Princípio da inércia 5 
AÇÃO 6 
Condições da ação 7 
Classificação das Ações 8 
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL 9 
Princípios da cooperação internacional: 9 
Disposições gerais 11 
Do auxílio direto 12 
Da carta rogatória 13 
DA COMPETÊNCIA 13 
Da modificação da competência 14 
Da incompetência 15 
PRECLUSÃO 16 
SUJEITOS DO PROCESSO 19 
Capacidade processual e postulatória 21 
Deveres das partes e procuradores 22 
Procuradores 23 
Sucessão das partes e dos procuradores 25 
Litisconsórcio 26 
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 29 
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 30 
Deveres do juiz (art. 139 do CPC): 30 
Dos Impedimentos e da Suspeição. 32 
Dos Auxiliares da Justiça. 33 
MINISTÉRIO PÚBLICO 34 
ADVOCACIA PÚBLICA 35 
DEFENSORIA PÚBLICA 36 
ATOS PROCESSUAIS 37 
Forma dos atos 39 
Tempo e lugar. 40 
Prazos 41 
Comunicação dos atos processuais 42 
Nulidades 44 
Distribuição e registro 45 
Valor da causa 46 
TUTELA PROVISÓRIA 48 
FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO 50 
PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 52 
Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial 54 
1 
 
Do pedido 56 
Do indeferimento da petição inicial. 58 
Improcedência liminar do pedido. 59 
Da conversão da ação individual em ação coletiva 60 
Da audiência de conciliação ou de mediação. 61 
Contestação, reconvenção e revelia. 63 
Providências preliminares e de saneamento 64 
Julgamento conforme o estado do processo 65 
Da audiência de instrução e julgamento 66 
Provas 67 
Sentença e coisa julgada. 69 
Cumprimento da sentença e sua impugnação 70 
Atos judiciais 71 
Despachos, decisões interlocutórias e sentenças 72 
Coisa julgada material 73 
DOS RECURSOS 75 
Da apelação. 78 
Do agravo de instrumento. 79 
Do agravo interno. 81 
Dos Embargos de Declaração. 83 
Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. 85 
CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 87 
MANDADO DE SEGURANÇA 88 
AÇÃO POPULAR 91 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 92 
LEI nº . 11.419/2006 94 
(Processo Judicial Eletrônico). 94 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 PRINCÍPIOS DO PROCESSO 
 
É um conjunto de regras que disciplina os trâmites judiciais no Brasil, 
definindo como os processos devem ser conduzidos, desde a apresentação 
da petição inicial até a decisão final. 
 
Trata-se de um instrumento essencial para os estudantes de direito, 
pois reúne os princípios e orientações que guiam as atividades de 
advogados, juízes e outros profissionais do sistema jurídico. Ao longo dos 
anos, o CPC foi reformulado para se ajustar às demandas da sociedade, com 
o objetivo de tornar a justiça mais eficiente e acessível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Princípio do devido processo legal 
 
O princípio do devido processo legal é um dos pilares do Direito 
Processual Civil. Ele assegura a todos o direito a um julgamento justo e 
regular, garantindo que ninguém seja privado de seus direitos sem que os 
trâmites legais sejam respeitados. Isso implica que qualquer decisão judicial 
deve estar embasada na lei e que todas as partes têm o direito de se 
manifestar e apresentar suas provas perante o juiz. 
 
Esse princípio visa impedir decisões arbitrárias, promovendo a 
igualdade de tratamento para todos perante a lei. Para os estudantes de 
3 
 
direito, compreender o devido processo legal é fundamental para 
compreender a estrutura do sistema judiciário e como as decisões são 
baseadas em fundamentos legais e sólidos. 
 
Princípios do contraditório e da ampla defesa 
 
O princípio do contraditório e da ampla defesa é um elemento 
essencial no Direito Processual Civil. Ele garante que todas as partes 
envolvidas no processo tenham o direito de se manifestar e contestar os 
argumentos da parte adversa. O contraditório assegura a possibilidade de 
apresentar objeções e contrapontos, enquanto a ampla defesa permite que as 
partes exponham suas alegações e provas de forma plena e eficaz. 
 
Esse princípio promove o equilíbrio entre os interesses das partes, 
assegurando que o juiz tenha uma visão completa e imparcial dos fatos antes 
de tomar uma decisão. Compreender o contraditório e a ampla defesa é 
indispensável para entender como as partes podem influenciar o desfecho do 
processo por meio de suas argumentações e estratégias. 
 
Do juiz natural 
 
O princípio do juiz natural é um dos pilares do Direito Processual 
Civil, assegurando que os casos sejam julgados por um juiz competente e 
imparcial, previamente designado pela lei. Isso significa que nenhuma das 
partes pode ser submetida a julgamento por um juiz escolhido arbitrariamente 
ou que não possua as qualificações legais necessárias. 
 
Esse princípio preserva a imparcialidade das decisões e impede 
interferências externas que possam comprometer a justiça. Entender o 
princípio do juiz natural é fundamental para reconhecer a importância da 
independência do Poder Judiciário e a proteção que ele oferece aos direitos 
dos cidadãos. 
 
 
 
4 
 
 JURISDIÇÃO 
 
O princípio da inafastabilidade da jurisdição é uma garantia essencial 
para qualquer cidadão. Ele assegura que todos têm o direito de buscar o 
poder judiciário para resolver conflitos de interesse, garantindo que nenhuma 
lesão ou ameaça a direitos fique sem a devida apreciação por parte de um 
juiz. 
 
Esse princípio combate a impunidade e a injustiça, assegurando que 
todos tenham acesso à justiça e a oportunidade de ver suas demandas 
analisadas de forma adequada. Compreender a inafastabilidade da jurisdição 
é fundamental para entender o papel do poder judiciário na proteção dos 
direitos dos cidadãos e na promoção do acesso igualitário à justiça. 
 
 
Princípio da inércia 
 
O princípio da inércia garante que o Judiciário atua apenas quando 
provocado e dentro dos limites dessa provocação, assegurando 
imparcialidade e respeito à iniciativa das partes. isso significa que o processo 
só começa quando alguém toma a iniciativa de levar um pedido ao Judiciário, 
por meio de uma petição inicial, por exemplo. Esse princípio está diretamente 
ligado ao Sistema Acusatório (no Processo Penal) e ao Sistema Dispositivo 
(no Processo Civil), que reforçam a ideia de que é a parte quem tem o 
controle da demanda. 
 
Além disso, a atuação do juiz, mesmo durante o processo, também 
depende de certos limites legais e da movimentação das partes. Ele não 
pode, por exemplo, decidir além do que foi pedido ou inovar na causa de 
pedir — isso seria violar o princípio da inércia. 
 
 
FICA A DICA! 
 
O juiz não pode iniciar o processo por conta própria — ou seja, ele 
depende de provocação da parte interessada. 
 
 
5 
 
AÇÃO 
 
FICA DICA! 
 
No Direito Processual, ação é o direito que toda pessoa tem de provocar 
o Poder Judiciário para obter uma solução para um conflito de interesses. 
A ação é o que dá início ao processo judicial, sendo expressada 
normalmente por meio de uma petição inicial. Ela é um instrumento 
fundamental para garantir o acesso à justiça, previsto na própria 
Constituição Federal (art. 5º, XXXV). 
 
 
A ação não depende do juiz concordar com o pedido, mas sim do 
direito de pedir, independentemente do resultado. Ou seja, mesmo que a 
pessoa perca a causa, o direito de ação foi exercido corretamente. 
Para que a ação seja analisada, é preciso cumprir três condições 
básicas (conhecidas como “condições da ação”): 
● Legitimidade das partes – quem entra com a ação tem que ter interesse 
direto no processo. 
● Interesse de agir – deve haver uma necessidade real de se recorrer ao 
Judiciário. 
● Possibilidade jurídica do pedido – o que está sendo pedido não pode 
ser algo proibido pela lei. 
Condições da ação 
 
DICA IMPORTANTE! 
 
As condições da ação são: legitimidade das partes, interesse de agir e 
possibilidade jurídica do pedido. Sem elas, o juiz não pode analisar o 
conteúdo da causa. Elas garantem que o processo tenha base mínimaPortanto, a forma do ato é 
importante, mas sua finalidade é determinante para sua validade. 
 
O artigo 278 determina que a nulidade deve ser arguida na primeira 
oportunidade em que couber à parte se manifestar nos autos, sob pena de 
preclusão. Isso garante a segurança jurídica e evita que as partes usem o 
vício apenas como estratégia de protelação. Já o artigo 279 trata da nulidade 
por ausência de intervenção do Ministério Público quando obrigatória, e 
declara a invalidade dos atos processuais praticados a partir da omissão. 
 
Segundo o artigo 281, o juiz pode determinar que o ato viciado seja 
renovado ou completado, sempre que possível, a fim de evitar a repetição de 
todo o processo. O artigo 282 reforça que, quando o vício puder ser sanado, 
deve-se permitir sua correção antes de decretar a nulidade, privilegiando a 
economia processual. 
 
Em resumo, o regime das nulidades no processo civil brasileiro 
privilegia a finalidade do ato, o aproveitamento dos atos válidos e a economia 
processual, evitando anulações desnecessárias e respeitando os direitos das 
partes. Para que uma nulidade seja reconhecida, deve haver prejuízo 
demonstrado, o vício deve ser insanável ou não corrigido no momento 
oportuno, e sua arguição deve obedecer aos prazos e formas legais. Esse 
equilíbrio é essencial para um processo justo e eficiente. 
 
43 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
Distribuição e registro 
 
Uma vez protocolada a petição inicial, ela será autuada, registrada e, 
quando necessário, distribuída. O registro é o ato de formalizar a existência 
do processo, vinculando-o oficialmente ao sistema do tribunal. De acordo com 
o artigo 286, a distribuição ocorre quando há mais de um juízo com 
competência para apreciar a causa, servindo para definir de forma imparcial e 
aleatória qual será o juiz responsável, evitando direcionamentos ou 
suspeições. 
O artigo 287 prevê que, havendo dependência, a petição inicial deve 
ser instruída com documentos que comprovem essa condição, como certidão 
do andamento processual do feito anterior. A dependência ocorre quando o 
novo processo tem conexão com outro já existente, como nos casos de ações 
que envolvam as mesmas partes, causa de pedir ou pedido, devendo tramitar 
perante o mesmo juízo. 
Segundo o artigo 288, uma vez distribuída a causa, não pode mais ser 
redistribuída, exceto por motivo de força maior, extinção do juízo ou erro de 
distribuição, o que reforça o princípio do juiz natural. O artigo 289 dispõe que 
44 
 
os processos serão registrados e distribuídos eletronicamente, conforme as 
regras de organização judiciária, respeitando a ordem cronológica dos 
registros. 
Por fim, o artigo 290 trata do recolhimento das custas iniciais. Se o 
autor não comprovar o pagamento no prazo legal, o processo será extinto 
sem resolução de mérito. No entanto, o juiz poderá conceder prazo para 
regularização, conforme o princípio da cooperação e da primazia do 
julgamento do mérito. 
 
Valor da causa 
 
De acordo com o artigo 291 do CPC, a toda causa será atribuído um 
valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico imediato. Isso significa 
que mesmo ações declaratórias ou meramente constitutivas devem ter um 
valor simbólico ou estimativo, de modo a permitir o regular processamento do 
feito. O valor deve refletir, sempre que possível, o conteúdo econômico da 
demanda. 
 
O artigo 292 especifica os critérios para fixação do valor da causa 
conforme o tipo de ação. Por exemplo, nas ações de cobrança, deve-se 
indicar o valor do débito; nas ações de alimentos, a soma de 12 prestações 
mensais pedidas; nas ações de divisão ou demarcação de terras, o valor da 
área total; nas ações indenizatórias, o valor pretendido como reparação. Caso 
haja cumulação de pedidos, o valor da causa será a soma de todos eles. Se 
os pedidos forem alternativos, valerá o de maior valor, e se forem sucessivos, 
será considerado o do pedido principal. 
 
O artigo 293 dispõe que, se o juiz constatar que o valor atribuído à 
causa é irrisório, incompatível com o pedido ou descumpre os critérios legais, 
poderá determinar a sua correção, ouvindo previamente a parte autora. Se 
não houver regularização, o processo poderá ser extinto sem julgamento de 
mérito. 
 
Em resumo, o valor da causa é requisito essencial da petição inicial, 
devendo ser fixado com base em critérios legais objetivos, compatíveis com o 
conteúdo da demanda. Ele influencia diretamente a competência, as 
despesas do processo e os honorários advocatícios, sendo fundamental que 
45 
 
o candidato compreenda suas regras de fixação e correção para acertar 
questões de concurso que envolvem prática processual e análise formal da 
petição inicial. 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 
TUTELA PROVISÓRIA 
 
A tutela provisória é uma forma de assegurar a efetividade do processo, 
permitindo ao juiz atuar com rapidez em situações de urgência ou de 
evidência documental do direito. É instrumento essencial de proteção 
imediata e cautelar no processo civil e seu conhecimento detalhado é 
indispensável para concursos públicos da área jurídica. 
 
Com o artigo 294 do CPC, a tutela provisória pode ser classificada em 
duas espécies: tutela de urgência e tutela de evidência. A tutela de urgência, 
por sua vez, divide-se em cautelar e antecipada, podendo ser concedida em 
caráter antecedente ou incidental (art. 295). 
A tutela de urgência é fundamentada no risco de dano ou no perigo da 
demora (periculum in mora) aliado à probabilidade do direito (fumus boni 
iuris). 
A tutela de evidência independe do risco de dano e pode ser 
concedida quando estiverem presentes situações previstas no artigo 311, 
como abuso do direito de defesa ou quando houver prova documental 
suficiente do direito alegado. 
A tutela antecipada busca antecipar os efeitos práticos do pedido final, 
enquanto a cautelar serve para assegurar o resultado útil do processo, como 
a indisponibilidade de bens. Ambas podem ser concedidas liminarmente, ou 
seja, sem a oitiva da parte contrária, desde que presentes os requisitos 
legais. 
A decisão que concede tutela provisória pode ser revogada ou 
modificada a qualquer tempo (art. 296), e os efeitos cessam com a sentença 
de mérito, salvo se esta os confirmar expressamente. Quando concedida 
liminarmente, a parte contrária será citada ou intimada para se manifestar e, 
se necessário, impugnar a medida. 
 
O artigo 300 exige que o juiz verifique a probabilidade do direito e o 
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo para conceder tutela 
de urgência. Já o artigo 311 define as hipóteses taxativas para concessão da 
tutela de evidência. 
 
47 
 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
 
FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO 
PROCESSO 
 
Segundo o artigo 312 do CPC, o processo civil se considera 
formalmente constituído com a citação válida do réu, que é o ato que dá início 
à relação jurídica processual. Até esse momento, ainda se pode falar em uma 
fase de formação incompleta do processo, pois sem a citação não há vínculo 
jurídico entre as partes e o Estado-juiz. A exceção a essa regra ocorre 
quando o réu comparece espontaneamente aos autos antes da citação, 
hipótese em que também se considera iniciado o processo (art. 239, §1º). 
 
O artigo 313 trata da suspensão do processo, que pode ocorrer por 
diversos motivos, como morte ou perda da capacidade processual de 
qualquer das partes (inciso I), convenção das partes para tentativa de 
conciliação ou mediação (inciso II), força maior (inciso V), ou ainda por 
decisão do STF em caso de repercussão geral reconhecida (inciso V-A), entre 
outros. Durante a suspensão, o processo fica parado, sem que corra prazo, e 
deve ser retomado quando cessado o motivo que a justificou. A suspensão 
pode ter prazo determinado ou indeterminado, e em algumas hipóteses há 
limite máximo de um ano (como no caso de convenção entre as partes).O artigo 314 dispõe que o curso do prazo é suspenso nos períodos de 
recesso forense ou quando houver determinação judicial. 
 
O artigo 315 reforça que o juiz determinará o prosseguimento do 
processo assim que cessarem as causas da suspensão, por provocação da 
parte ou de ofício. 
 
O artigo 316 trata da extinção do processo, que ocorre quando há o 
encerramento da relação processual, com ou sem julgamento de mérito. A 
extinção sem resolução de mérito se dá, por exemplo, quando falta interesse 
processual, legitimidade ou quando não forem atendidos os requisitos da 
petição inicial (art. 485), enquanto a extinção com julgamento de mérito 
ocorre quando o juiz analisa e decide a controvérsia (art. 487). 
 
49 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO 
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
 
O processo de conhecimento no Direito Processual Civil, disciplinado 
entre os artigos 318 e 512 do Código de Processo Civil de 2015, é a fase 
destinada à formação do título executivo judicial por meio da atuação 
jurisdicional que declara, constitui ou reconhece uma relação jurídica entre as 
partes. Seu objetivo é solucionar o conflito de interesses mediante o 
julgamento do mérito da causa, sendo o procedimento comum a forma 
padrão utilizada, salvo quando a lei prevê rito especial. 
 
Esse processo tem início com a petição inicial, na qual o autor 
apresenta os fatos, fundamentos jurídicos e o pedido, devendo observar os 
requisitos legais. Após a análise da petição, o juiz pode designar audiência de 
conciliação ou mediação e determina a citação do réu, que terá prazo para 
apresentar sua resposta. Em seguida, se não houver extinção antecipada, o 
juiz realiza o saneamento do processo, delimitando os pontos controvertidos 
e decidindo sobre as provas que serão produzidas. 
 
A fase instrutória ocorre com a produção das provas necessárias e, por 
fim, é proferida a sentença, que poderá extinguir o processo com ou sem 
resolução de mérito. Se a sentença resolver o mérito e não for atacada por 
recurso no prazo legal, forma-se a coisa julgada, tornando-se imutável e 
indiscutível, ensejando o início da fase de cumprimento de sentença. 
 
O cumprimento de sentença está previsto nos artigos 513 a 538 do 
CPC e tem por finalidade satisfazer a obrigação imposta pela sentença 
condenatória. Essa fase é provocada pela parte vencedora quando a parte 
vencida não cumpre voluntariamente a decisão judicial. O credor requer o 
início do cumprimento, e o devedor é intimado para pagar no prazo de quinze 
dias úteis. Se não pagar, incidem multa de 10% e honorários advocatícios de 
10% sobre o valor da dívida, e tem início a execução forçada com atos como 
penhora e expropriação de bens. 
 
O devedor pode apresentar impugnação ao cumprimento de sentença 
no prazo de quinze dias, com base em fundamentos específicos, como 
excesso de execução, erro de cálculo, prescrição ou inexigibilidade do título. 
Ainda, é possível o cumprimento provisório da sentença antes do trânsito em 
julgado, desde que respeitados os requisitos legais e garantida a reparação 
51 
 
caso a decisão seja reformada. O cumprimento de sentença é, portanto, a 
fase voltada à efetivação prática da decisão judicial, concluindo o processo 
civil com a concretização do direito reconhecido judicialmente. 
 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
 
FICA A DICA! 
 
➧ O procedimento comum é a regra geral, aplicável quando não houver rito 
especial. 
➧ A ausência de pagamento no prazo voluntário gera multa e honorários 
advocatícios automaticamente. 
➧ A impugnação no cumprimento de sentença tem natureza de defesa e 
não de ação autônoma. 
➧ É possível o cumprimento provisório, com restrições (não se pode 
levantar valor nem alienar bem sem caução). 
➧ Em obrigações de fazer, não fazer ou entrega de coisa, o cumprimento 
segue regras próprias (arts. 536 a 538). 
 
Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial 
 
A petição inicial é o instrumento que dá início ao processo civil, sendo a 
manifestação formal do autor perante o Judiciário para pleitear a tutela 
jurisdicional. De acordo com o artigo 319 do Código de Processo Civil de 
2015, a petição deve ser redigida de forma clara e precisa, observando 
requisitos indispensáveis para que seja considerada apta e permita o regular 
desenvolvimento do processo. O autor deve qualificar as partes, expondo o 
nome, o estado civil, a profissão, o número de inscrição no CPF ou CNPJ, o 
endereço eletrônico e o domicílio. 
 
Também é necessário apresentar os fatos que embasam o pedido e os 
fundamentos jurídicos que sustentam a pretensão, com indicação clara do 
que se pretende obter do juiz. A petição deve conter o valor da causa, que 
deve refletir o conteúdo econômico pretendido, além de especificar as provas 
que serão produzidas e indicar o local onde o autor receberá intimações. 
Outro requisito essencial é o pedido com suas especificações, que pode ser 
certo e determinado ou, excepcionalmente, genérico nos casos previstos em 
lei. Caso falte algum dos requisitos obrigatórios, o juiz deve determinar a 
emenda da petição no prazo de cinco dias, sob pena de indeferimento. 
 
A petição inicial deve ser compatível com os princípios da boa-fé, da 
cooperação e da lealdade processual. A ausência de interesse processual, a 
ilegitimidade das partes ou a inadequação formal da petição podem ensejar 
seu indeferimento, conforme o artigo 330. Portanto, a petição inicial é peça 
53 
 
fundamental no processo civil, pois delimita os contornos da demanda e 
orienta toda a atuação jurisdicional, sendo exigido do autor rigor técnico e 
clareza na exposição de seus direitos. 
 
De forma detalhada, os requisitos da petição inicial são: 
I – o juízo a que é dirigida: a petição deve indicar claramente qual é o órgão 
jurisdicional competente para apreciar a causa, com base nas regras de 
competência absoluta e relativa. 
II – os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a 
profissão, o número de inscrição no CPF ou CNPJ, o endereço eletrônico, o 
domicílio e a residência do autor e do réu: essa qualificação completa das 
partes tem como finalidade permitir sua identificação precisa, localização para 
citação/intimação e análise de competência territorial. 
III – o fato e os fundamentos jurídicos do pedido: a petição deve narrar os 
acontecimentos que deram origem à demanda (fundamento fático) e os 
dispositivos legais ou princípios jurídicos que embasam o direito invocado 
(fundamento jurídico). Esses elementos constituem a chamada causa de 
pedir. 
IV – o pedido com as suas especificações: o autor deve indicar, de forma 
clara e precisa, o que está pleiteando em juízo. O pedido pode ser certo e 
determinado, ou genérico nos casos autorizados pelo artigo 324, como nas 
ações universais, quando não for possível determinar o objeto com precisão 
ou quando a determinação depender de ato do réu. 
V – o valor da causa: deve refletir o conteúdo econômico pretendido com a 
demanda, observando os critérios legais. É essencial para definição de 
competência, tipo de procedimento, custas processuais e possibilidade de 
recurso. 
VI – as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos 
alegados: o autor deve indicar, desde o início, quais provas pretende produzir 
(documental, testemunhal, pericial etc.), ainda que essa especificação possa 
ser complementada posteriormente. 
VII – a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou 
de mediação: o autor deve manifestar sua vontade quanto à participação na 
54 
 
audiência prevista no artigo 334, o que influencia a citação do réu e o curso 
do processo. 
Do pedido 
 
O pedido é um dos elementos essenciais da petição inicial no processo 
civil e está disciplinado nos artigos 319, inciso IV, e 322 a 329 do Código de 
Processo Civil de 2015. Ele representa a manifestação de vontade do autor 
em relação ao quepretende obter do Poder Judiciário e deve ser formulado 
de maneira clara, precisa e compatível com os fatos e fundamentos jurídicos 
apresentados. O pedido deve ser certo, ou seja, definido quanto à sua 
natureza e conteúdo, e determinado, isto é, delimitado quanto à sua extensão 
e alcance. 
 
No entanto, o artigo 324 admite pedidos genéricos em situações 
específicas, como nas ações universais, quando não for possível determinar 
de imediato o objeto da demanda ou quando a definição depender de ato a 
ser praticado pelo réu. O pedido pode ser simples, quando o autor pleiteia 
apenas uma providência jurisdicional, ou cumulativo, quando formula mais de 
um pedido no mesmo processo, desde que sejam compatíveis entre si, sejam 
competentes para o mesmo juízo e adotem o mesmo procedimento, conforme 
o artigo 327. A cumulação pode ser própria, quando os pedidos são 
autônomos, ou eventual, quando se apresenta um pedido principal e outro 
subsidiário, caso o primeiro seja rejeitado. Também existe a cumulação 
sucessiva, em que um pedido depende do acolhimento do outro. 
 
O juiz deve decidir a lide nos limites do pedido, pois é vedado julgar 
além, aquém ou fora do que foi requerido, sob pena de nulidade por 
julgamento extra, infra ou citra petita, conforme dispõe o artigo 492. No curso 
do processo, o autor pode modificar o pedido desde que haja consentimento 
do réu e o juiz ainda não tenha proferido decisão de mérito, nos termos do 
artigo 329. Assim, o pedido é fundamental porque delimita a atuação 
jurisdicional, define o objeto da controvérsia e vincula os limites da decisão 
judicial. 
 
O Pedido possui as seguintes características e classificações 
fundamentais: 
 
55 
 
 
Pedido certo e determinado (art. 322): 
 
 O pedido deve ser formulado de modo claro e definido. A certeza 
significa que ele deve ser explícito quanto à providência jurisdicional que o 
autor pretende (ex: condenação, declaração, constituição de relação jurídica). 
A determinação se refere à delimitação quantitativa ou qualitativa daquilo que 
se busca. Essa regra assegura previsibilidade, contraditório e segurança 
jurídica. 
 
 
Pedido genérico (art. 324): 
 
Embora a regra geral seja a certeza e determinação, o CPC permite 
que o pedido seja genérico em hipóteses excepcionais: 
 
 I – nas ações universais, se não for possível individualizar os bens; 
 II – quando não for possível desde logo determinar as consequências do ato 
ou do fato; 
 III – quando a determinação do valor depende de ato a ser praticado pelo 
réu. 
 Nesses casos, o juiz pode julgar procedente o pedido sem indicar o valor 
exato, que será apurado na fase de liquidação. 
 
Cumulação de pedidos (art. 327): 
 
 O autor pode cumular, em um único processo, vários pedidos contra o 
mesmo réu ou contra réus distintos, desde que sejam compatíveis entre si, 
sejam da competência do mesmo juízo e estejam submetidos ao mesmo 
procedimento. 
 
 As principais formas de cumulação são: 
● Simples (própria): pedidos independentes entre si; 
● Eventual (subsidiária): um pedido é feito como alternativa ao outro, 
caso o primeiro seja rejeitado; 
● Sucessiva: o segundo pedido depende do acolhimento do primeiro. 
 O juiz deverá analisar todos os pedidos cumulados, desde que 
preenchidos os requisitos legais. 
 
 
 
 
 
56 
 
 
Pedido implícito (art. 322, §1º): 
 
Apesar da regra da certeza, o pedido de juros legais, correção 
monetária, custas processuais e honorários advocatícios é considerado 
implícito, mesmo que não conste expressamente na petição inicial, por força 
de lei. 
 
Modificação do pedido (art. 329): 
O autor pode alterar ou aditar o pedido após o ajuizamento da ação, 
desde que isso ocorra antes da citação do réu, livremente. Após a citação, é 
necessário o consentimento do réu e que ainda não tenha havido decisão de 
mérito. Essa possibilidade garante flexibilidade e adequação da demanda ao 
longo do processo, respeitando o contraditório. 
Vinculação do juiz ao pedido (art. 492): 
 
 O juiz não pode julgar além do que foi pedido (extra petita), nem 
aquém (citra petita), nem diferente (ultra petita). Isso significa que sua 
decisão deve se limitar ao que foi efetivamente requerido, sob pena de 
nulidade. Contudo, se o juiz reconhecer de ofício matéria de ordem pública 
(como prescrição ou nulidade absoluta), ele poderá decidir além do pedido 
em situações excepcionais permitidas por lei. 
 
Requisitos de procedência (art. 487, I): 
 
 Para que o pedido seja acolhido, é necessário que a parte autora 
demonstre o direito afirmado, os fatos que o justificam e que o réu tenha tido 
a oportunidade de se defender plenamente. 
 
Do indeferimento da petição inicial. 
 
O indeferimento da petição inicial é a decisão judicial que rejeita de 
plano a petição apresentada pelo autor, impedindo o prosseguimento do 
processo. Essa hipótese está prevista no artigo 330 do Código de Processo 
Civil de 2015 e ocorre quando a petição não preenche os requisitos legais 
indispensáveis ou quando a pretensão deduzida é manifestamente 
inadmissível. O juiz pode indeferir a petição inicial quando ela for inepta, ou 
seja, quando for confusa, contraditória ou não contiver os elementos mínimos 
para que se compreenda a demanda; quando a parte for manifestamente 
57 
 
ilegítima; quando faltar interesse processual; ou quando não atendidos os 
requisitos dos artigos 319 e 320, mesmo após o autor ser intimado para 
emendar ou completar a petição no prazo de cinco dias, conforme determina 
o artigo 321. Considera-se inepta, por exemplo, a petição que não expõe os 
fatos ou fundamentos jurídicos, que apresenta pedido juridicamente 
impossível ou que não especifica o que se pretende obter do Judiciário. O 
indeferimento da petição inicial é uma decisão interlocutória com natureza de 
sentença terminativa, pois extingue o processo sem resolução de mérito, 
conforme o artigo 485, inciso I, do CPC. Contra essa decisão cabe recurso de 
apelação, podendo o autor renovar a ação se corrigir o vício que motivou o 
indeferimento. Portanto, o indeferimento da petição inicial é um mecanismo 
de controle da regularidade formal e material da demanda, garantindo que 
apenas ações juridicamente válidas e adequadas tenham seguimento perante 
o Poder Judiciário. 
 
Improcedência liminar do pedido. 
 
A improcedência liminar do pedido é uma forma excepcional de 
extinção do processo com resolução de mérito, prevista no artigo 332 do 
Código de Processo Civil de 2015, que permite ao juiz julgar improcedente o 
pedido logo no início da demanda, sem a citação do réu, quando a questão 
discutida já tiver sido objeto de entendimento consolidado nos tribunais 
superiores. 
 
Essa medida visa conferir maior celeridade e eficiência ao processo, 
evitando tramitação desnecessária em casos em que o desfecho é previsível 
por força de jurisprudência pacificada. O juiz pode julgar improcedente de 
imediato quando o pedido contrariar enunciado de súmula do Supremo 
Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, acórdão proferido pelo 
STF ou STJ em julgamento de recursos repetitivos, entendimento firmado em 
incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou em assunção de 
competência (IAC). Nessa hipótese, o réu sequer é citado, salvo se o autor 
interpuser apelação e ela for recebida, momento em que o réu será intimado 
para apresentar contrarrazões. A decisão de improcedência liminar é 
sentença, pois resolve o mérito da causa, e cabe apelação diretamente contra 
ela. 
 
 
 
58 
 
Esse instituto deve ser utilizado com cautela, apenas quando não 
houver dúvida razoável quanto à aplicação da jurisprudência dominante, 
garantindo segurança jurídica e isonomia. Assim, a improcedência liminar do 
pedido busca racionalizar o uso da jurisdição, evitando a repetição de 
decisões sobre questões já pacificadas nos tribunais superiores. 
 
Da conversão da ação individual em ação coletiva 
 
A conversão da ação individual em ação coletiva está previstano artigo 
333 do Código de Processo Civil de 2015 e tem como finalidade evitar 
decisões conflitantes sobre uma mesma matéria jurídica que envolva 
interesses homogêneos, ou seja, direitos individuais com origem comum. 
Essa conversão pode ser determinada pelo juiz quando identificar que há 
várias ações individuais com idêntico fundamento de fato e de direito, sendo 
conveniente e adequada a tutela coletiva para assegurar tratamento uniforme, 
economia processual e efetividade da decisão. 
 
A medida é aplicável especialmente quando se observa risco de 
decisões contraditórias que comprometam a segurança jurídica e a isonomia 
entre os jurisdicionados. Nessa hipótese, o juiz comunica aos autores das 
ações individuais e ao Ministério Público, que poderá atuar como fiscal da 
ordem jurídica ou até propor a ação coletiva se estiver legitimado. A 
conversão não é automática nem imposta de forma irrestrita, pois depende da 
análise da viabilidade da ação coletiva e da observância dos princípios do 
contraditório e da ampla defesa. 
 
Caso a conversão ocorra, a ação coletiva substitui as demandas 
individuais, podendo os autores optar por manter suas ações suspensas até o 
julgamento da ação coletiva ou requerer sua exclusão se preferirem 
prosseguir de forma autônoma. 
 
A regra busca racionalizar o sistema de justiça, evitar sobrecarga do 
Judiciário e proporcionar decisões mais eficazes e uniformes quando vários 
indivíduos são afetados por uma mesma situação fática e jurídica. Trata-se de 
mecanismo processual que prestigia a tutela coletiva sem suprimir as 
garantias individuais, sendo um importante instrumento de acesso à justiça e 
de efetivação de direitos. 
 
 
59 
 
 
 
. 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
Da audiência de conciliação ou de mediação. 
 
A audiência de conciliação ou de mediação está prevista no artigo 334 
do Código de Processo Civil de 2015 e representa uma etapa inicial do 
procedimento comum, voltada à solução consensual do conflito, conforme os 
princípios da autocomposição e da cooperação processual. Após o protocolo 
da petição inicial e antes da apresentação de defesa pelo réu, o juiz designa 
a audiência, desde que o caso permita autocomposição e as partes não 
tenham manifestado desinteresse prévio e expresso. 
 
A audiência deve ser realizada por conciliador ou mediador capacitado, 
e seu objetivo é proporcionar às partes um ambiente favorável à construção 
de um acordo que ponha fim ao litígio. A presença pessoal das partes é 
obrigatória, sendo facultada sua representação apenas em casos 
expressamente justificados, sob pena de multa por ato atentatório à dignidade 
da justiça. Caso ambas as partes manifestem, na petição inicial e na 
60 
 
contestação, desinteresse na realização da audiência, ela não será 
designada. Se apenas uma parte demonstrar desinteresse, a audiência 
ocorrerá normalmente. 
 
Durante a audiência, o prazo para contestação fica suspenso e só volta 
a correr se não houver acordo. A não obtenção de acordo permite o 
prosseguimento regular do processo, com a citação do réu para apresentar 
resposta. 
 
O modelo adotado pelo CPC busca estimular a pacificação social por 
meio de métodos consensuais, contribuindo para a celeridade e a efetividade 
da justiça, além de desafogar o Judiciário. Dessa forma, a audiência de 
conciliação ou de mediação é um momento processual estratégico para 
solução rápida, eficiente e menos onerosa do litígio. 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
61 
 
 
 
Contestação, reconvenção e revelia. 
 
Contestação é a principal forma de defesa do réu no processo civil e 
está prevista nos artigos 335 a 341 do Código de Processo Civil de 2015. 
Trata-se da resposta formal à petição inicial, na qual o réu se pronuncia sobre 
os fatos alegados pelo autor e apresenta suas teses jurídicas. O prazo para 
contestar, em regra, é de 15 dias úteis, contados da audiência de conciliação 
frustrada ou da data da citação, se a audiência não ocorrer. Na contestação, 
o réu deve alegar todas as matérias de defesa, inclusive preliminares, como 
incompetência, ilegitimidade ou existência de litispendência, sob pena de 
preclusão. Também deve impugnar os fatos narrados pelo autor, pois a 
ausência de impugnação específica pode implicar presunção de veracidade 
desses fatos. A contestação é estruturada em duas partes principais: a 
preliminar, onde são alegadas matérias processuais, e o mérito, em que se 
combate o pedido do autor. Apresentada a contestação, o autor será intimado 
para, querendo, apresentar réplica, ocasião em que poderá impugnar 
documentos, apresentar novos, requerer provas e manifestar-se sobre as 
preliminares. 
Reconvenção é a forma pela qual o réu formula uma pretensão contra 
o autor dentro do mesmo processo, funcionando como uma espécie de 
contra-ataque. Está disciplinada no artigo 343 do CPC e pode ser 
apresentada no mesmo prazo da contestação, no mesmo instrumento ou em 
apartado. A reconvenção tem natureza de ação, e o autor passa a ser 
também réu em relação a ela. A existência de conexão entre a ação principal 
e a reconvenção não é mais exigência legal, bastando que ambas possam 
ser julgadas pelo mesmo juízo. O autor será intimado para apresentar 
resposta à reconvenção no prazo de 15 dias úteis. O julgamento da 
reconvenção ocorre juntamente com a ação principal, o que favorece a 
economia processual e evita decisões contraditórias. A reconvenção é 
admissível inclusive nas ações possessórias e não depende do acolhimento 
da contestação. 
Revelia é a situação que ocorre quando o réu, devidamente citado, não 
apresenta contestação no prazo legal. Está prevista no artigo 344 do CPC e 
gera, como principal efeito, a presunção de veracidade dos fatos afirmados 
62 
 
pelo autor na petição inicial. Essa presunção, no entanto, não é absoluta e 
pode ser afastada caso os fatos sejam juridicamente controvertidos, 
verossímeis ou quando a causa envolver direitos indisponíveis. A revelia não 
impede que o juiz julgue improcedente o pedido, caso entenda que os 
elementos constantes dos autos não comprovam a tese do autor. Também 
não se aplica a presunção de veracidade quando a citação do réu não ocorrer 
regularmente, quando for necessária a intervenção do Ministério Público ou 
quando houver pluralidade de réus com defesas opostas. Ainda que revel, o 
réu poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo o processo no 
estado em que se encontrar. A revelia é, portanto, uma consequência 
processual da inércia do réu, mas não equivale à sua total exclusão do 
processo. 
 
Providências preliminares e de saneamento 
 
Providências preliminares são atos processuais praticados pelo juiz 
logo após o oferecimento da contestação, previstas no artigo 348 a 354 do 
Código de Processo Civil de 2015, e têm como objetivo preparar o processo 
para a fase de saneamento e instrução. Inicialmente, o juiz determina a 
intimação do autor para que se manifeste sobre a contestação no prazo de 15 
dias úteis. 
Nessa manifestação, chamada de réplica, o autor pode impugnar 
documentos, arguir preliminares de mérito, indicar provas que pretende 
produzir e apresentar contrarrazões à reconvenção, se houver. Caso o réu 
alegue questões como convenção de arbitragem, existência de impedimento 
ou suspeição do juiz, ou qualquer outra preliminar, o juiz deve apreciá-las 
antes de prosseguir com o processo. Se houver documento novo ou fato 
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor alegado pelo réu, o 
autor será intimado para se manifestar a respeito. 
Essas providências servem para depurar a relação processual, 
delimitar os pontos controvertidos e garantir o contraditório antes do 
saneamento. Se as alegações do réu forem suficientes para o julgamento 
imediato da causa, o juiz pode proferir sentença desde logo. 
 
63 
 
Saneamento do processo está previsto no artigo 357 do Código de 
Processo Civil e ocorre quando, superadas as providênciaspreliminares, o 
processo está pronto para a fase instrutória. O saneamento é o momento em 
que o juiz organiza o processo, eliminando vícios, fixando os pontos 
controvertidos e decidindo sobre as provas a serem produzidas. O juiz deve 
verificar se há vícios processuais sanáveis, como irregularidades na 
representação das partes ou ausência de documentos essenciais, e conceder 
prazo para correção. 
Após isso, o juiz delimita os fatos sobre os quais recairá a prova, define 
o ônus da prova conforme as regras do artigo 373, podendo redistribuí-lo em 
casos justificados, e decide sobre a necessidade de audiência de instrução e 
julgamento. Se a causa envolver questão de fato e a instrução for necessária, 
o juiz designa a audiência e especifica as provas admitidas. O saneamento 
pode ser feito por decisão fundamentada ou por meio de audiência de 
saneamento compartilhado, na qual as partes participam ativamente da 
organização do processo. Esse momento é essencial para garantir que a 
instrução seja objetiva, eficaz e adequada à solução do litígio, promovendo 
maior eficiência na fase decisória. 
 
Julgamento conforme o estado do processo 
 
O julgamento conforme o estado do processo está previsto nos 
artigos 354 a 356 do Código de Processo Civil de 2015 e trata das decisões 
que o juiz pode proferir com base na situação processual concreta, sem 
necessidade de produção de outras provas ou de avançar para a fase 
instrutória. Esse julgamento ocorre após a fase das providências preliminares 
e antes do saneamento, sendo um filtro que permite ao juiz resolver a causa 
de forma mais célere quando houver elementos suficientes nos autos. A 
finalidade é racionalizar o andamento processual e evitar a prática de atos 
inúteis ou desnecessários, garantindo maior eficiência à prestação 
jurisdicional. 
O julgamento antecipado do mérito é a forma mais comum de 
julgamento conforme o estado do processo e está previsto no artigo 355. Ele 
ocorre quando não houver necessidade de produção de outras provas, ou 
seja, quando os fatos forem incontroversos ou estiverem suficientemente 
provados por prova documental. Nessa hipótese, o juiz pode julgar 
64 
 
diretamente o mérito, acolhendo ou rejeitando o pedido formulado na petição 
inicial. Esse julgamento pode ser total, quando abrange todos os pedidos da 
ação, ou parcial, quando apenas parte do mérito está madura para 
julgamento, com previsão expressa no artigo 356. No julgamento parcial de 
mérito, a decisão possui natureza de sentença com eficácia de coisa julgada 
material e pode ser executada de forma autônoma, mesmo com o processo 
em andamento quanto ao restante da demanda. 
O julgamento com extinção do processo sem resolução de mérito 
está previsto no artigo 354 e ocorre quando o juiz verifica a existência de 
algum vício processual que impossibilita o exame do mérito, como ausência 
de pressupostos processuais ou condições da ação. Nessa situação, o juiz 
profere sentença terminativa, extinguindo o processo sem analisar o pedido 
principal do autor. Esse julgamento tem por objetivo encerrar o processo 
quando não for possível solucioná-lo de forma válida, garantindo a 
observância das regras processuais e a proteção das partes contra decisões 
nulas ou ineficazes. 
Da audiência de instrução e julgamento 
A audiência de instrução e julgamento é a fase processual destinada 
à produção de provas orais e à prolação da sentença, conforme previsto nos 
artigos 358 a 368 do Código de Processo Civil de 2015. Ela ocorre quando o 
juiz entende que há necessidade de esclarecer os fatos controvertidos por 
meio de provas, especialmente testemunhais e depoimentos pessoais. É um 
momento central no processo, pois permite o contato direto do magistrado 
com as partes e testemunhas, favorecendo uma avaliação mais precisa da 
veracidade das alegações. A audiência é pública, salvo exceções legais, e 
conduzida pelo juiz, que assegura a ordem dos trabalhos, podendo inclusive 
intervir para esclarecer fatos relevantes. Sua realização é obrigatória quando 
houver prova oral a ser produzida, sendo facultada nos casos em que a prova 
for exclusivamente documental ou pericial. 
A produção das provas orais ocorre durante a audiência e 
compreende principalmente o depoimento pessoal das partes, a oitiva das 
testemunhas arroladas e eventualmente a acareação ou esclarecimentos do 
perito. O juiz inicia os trabalhos colhendo o depoimento das partes, que pode 
ser convertido em confissão caso haja recusa injustificada em responder. Em 
seguida, são ouvidas as testemunhas, na ordem fixada previamente, com a 
possibilidade de perguntas tanto das partes quanto do magistrado. Caso 
necessário, o juiz pode determinar a produção de prova suplementar ou o 
65 
 
adiamento da audiência por motivo justificado. A parte que deixar de 
comparecer pessoalmente sem justificativa pode sofrer os efeitos da 
confissão quanto à matéria de fato, e a testemunha que não comparecer 
pode ser conduzida coercitivamente ou responder por desobediência. 
O encerramento da audiência e o julgamento da causa ocorrem 
após a produção das provas. Concluída a instrução, o juiz pode permitir 
alegações finais orais, por até 20 minutos para cada parte, prorrogáveis por 
mais 10 em caso de litisconsórcio. Se as alegações finais forem substituídas 
por memoriais escritos, o prazo será de 15 dias. Após essa etapa, o juiz pode 
proferir sentença oral imediatamente ou designar data posterior para decisão 
fundamentada por escrito. A audiência de instrução e julgamento é, portanto, 
um momento decisivo do processo civil, permitindo o exercício pleno do 
contraditório e viabilizando ao juiz formar seu convencimento com base em 
provas produzidas diretamente perante ele. Ela representa a etapa final antes 
da sentença e concretiza o princípio da oralidade, da concentração e da 
imediação no processo. 
Provas 
A teoria geral das provas no processo civil está prevista nos artigos 369 
a 484 do Código de Processo Civil de 2015 e estabelece os princípios, 
espécies e regras aplicáveis à atividade probatória. A prova é o meio utilizado 
pelas partes para demonstrar a veracidade dos fatos alegados e influenciar o 
convencimento do juiz. 
O direito à prova é expressão do contraditório e da ampla defesa, 
sendo assegurado a ambas as partes o uso dos meios legais e moralmente 
legítimos para provar suas alegações. O juiz pode determinar a produção de 
provas de ofício ou a requerimento das partes, sendo que só se provam os 
fatos controvertidos e relevantes. Fatos notórios, incontroversos ou 
presumidos por lei não dependem de prova. 
A valoração da prova segue o princípio do livre convencimento 
motivado, ou seja, o juiz forma sua convicção com base no conjunto 
probatório, mas deve fundamentar sua decisão de forma clara e objetiva. 
O ônus da prova, previsto no artigo 373 do CPC, indica a 
responsabilidade de cada parte pela demonstração dos fatos que alega. Cabe 
ao autor provar os fatos constitutivos do seu direito e ao réu provar os fatos 
impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. O juiz pode 
66 
 
redistribuir o ônus da prova por decisão fundamentada, quando a aplicação 
da regra padrão causar desequilíbrio na relação processual ou for 
excessivamente difícil para uma das partes. A redistribuição deve ser feita 
antes da decisão de mérito, garantindo às partes a oportunidade de produzir 
as provas necessárias. A inversão do ônus da prova também pode ocorrer 
por força de lei, como no Código de Defesa do Consumidor, ou por 
convenção entre as partes, desde que não dificulte o exercício do direito de 
defesa. 
Os meios de prova admitidos no processo civil estão descritos no artigo 
369 e seguintes, sendo admitidas todas as formas legais e moralmente 
legítimas. As principais provas previstas no CPC são a prova documental, a 
prova testemunhal, a confissão, a prova pericial, a inspeção judicial e o 
depoimento pessoal. 
A prova documental consiste em documentos juntadospelas partes 
para demonstrar fatos relevantes e pode ser pública ou particular. A prova 
testemunhal é feita por pessoas chamadas a depor sobre fatos que 
presenciaram ou dos quais têm conhecimento. O depoimento pessoal é o 
interrogatório das partes, que pode resultar em confissão. A confissão é o 
reconhecimento de um fato contrário ao interesse da parte e favorável à parte 
adversária, podendo ser judicial ou extrajudicial. 
A prova pericial é a análise técnica realizada por perito nomeado pelo 
juiz, quando a prova depender de conhecimento especializado. A inspeção 
judicial ocorre quando o juiz vai até o local do fato ou examina diretamente 
pessoas ou coisas relevantes ao processo. As provas são requeridas no 
momento oportuno e produzidas conforme determinado em decisão de 
saneamento, respeitando o contraditório e os prazos legais. 
A ordem e a condução da produção de provas ficam sob a direção do 
juiz, que decide quais provas são necessárias, sua forma de produção e sua 
admissibilidade. O juiz pode indeferir provas protelatórias, irrelevantes ou 
impertinentes, devendo sempre fundamentar sua decisão. A produção de 
provas orais é feita preferencialmente em audiência, e as escritas devem ser 
juntadas aos autos dentro dos prazos fixados. A inércia da parte em produzir 
a prova pode acarretar consequências processuais, como a perda da 
oportunidade de demonstrar determinado fato. Ao final da instrução, o juiz 
profere decisão baseada na convicção formada pelas provas dos autos, 
respeitando os princípios da persuasão racional, da imparcialidade e da 
fundamentação. As provas, portanto, são o pilar da fase instrutória do 
67 
 
processo e exercem papel essencial na obtenção de decisões justas e 
fundamentadas. 
Sentença e coisa julgada. 
A sentença, no processo civil, é o pronunciamento do juiz que põe fim à 
fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução, conforme o 
artigo 203, §1º, do Código de Processo Civil de 2015. Ela deve ser sempre 
fundamentada, obedecendo aos requisitos do artigo 489, que exige clareza, 
coerência e enfrentamento de todos os argumentos relevantes trazidos pelas 
partes. 
A sentença pode ser terminativa, quando extingue o processo sem 
resolver o mérito, ou definitiva, quando julga o mérito da causa, acolhendo ou 
rejeitando o pedido do autor, conforme os artigos 485 e 487. A estrutura 
básica da sentença envolve o relatório, que resume as principais ocorrências 
do processo; os fundamentos, que apresentam a motivação jurídica da 
decisão; e o dispositivo, que contém a conclusão do juiz, indicando se julga 
procedente, improcedente ou extinto o processo. 
A sentença pode reconhecer o direito do autor, acolher a defesa do réu, 
declarar nulidades ou homologar acordos. O juiz deve respeitar os limites do 
pedido, sendo vedado julgar além (ultra petita), fora (extra petita) ou aquém 
(citra petita) do que foi pleiteado, sob pena de nulidade parcial da decisão. 
A coisa julgada é o efeito jurídico que torna imutável e indiscutível a 
decisão judicial que resolve o mérito da causa, quando não cabe mais 
recurso contra ela. Está regulada nos artigos 502 a 508 do CPC. A coisa 
julgada pode ser formal ou material. 
A coisa julgada formal refere-se à impossibilidade de modificação da 
decisão dentro do mesmo processo, mesmo que não tenha resolvido o 
mérito. 
A coisa julgada material ocorre quando a sentença de mérito transita 
em julgado e impede que a mesma lide seja novamente discutida em outro 
processo. 
O conteúdo da coisa julgada é limitado ao que foi efetivamente decidido 
e dentro dos limites subjetivos, objetivos e temporais previstos na lei. Os 
limites objetivos impedem que novas ações discutam a mesma causa de 
pedir e o mesmo pedido; os subjetivos vinculam as partes do processo 
68 
 
original, e os temporais determinam que a coisa julgada se forma após o 
trânsito em julgado. 
Existem ainda hipóteses de relativização da coisa julgada, como em 
ações rescisórias previstas no artigo 966, quando se comprova que a decisão 
foi proferida com base em erro ou prova falsa. A coisa julgada assegura 
estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade às decisões judiciais, sendo 
um dos pilares do Estado de Direito. 
Cumprimento da sentença e sua impugnação 
 
O cumprimento da sentença, previsto nos artigos 513 a 538 do Código 
de Processo Civil de 2015, é a fase destinada à efetivação da decisão judicial 
que reconheceu o direito do credor. Essa fase pode ocorrer após o trânsito 
em julgado ou quando a sentença for executável provisoriamente, nos casos 
em que a decisão não exige o esgotamento das vias recursais. O credor deve 
requerer o cumprimento da sentença no próprio processo em que ela foi 
proferida, indicando o valor atualizado da obrigação. 
Nos casos de obrigação de pagar quantia certa, o devedor é intimado 
para realizar o pagamento voluntário no prazo de 15 dias úteis. Caso não o 
faça, incidem automaticamente multa de 10% e honorários advocatícios de 
10%, nos termos do artigo 523, §1º. Se, ainda assim, não houver pagamento, 
a execução forçada se inicia com atos como penhora de bens, bloqueio de 
valores e expropriação. 
Para obrigações de fazer, não fazer ou entregar coisa, o cumprimento 
segue regramento próprio, podendo incluir imposição de multa diária, busca e 
apreensão ou medidas coercitivas. O cumprimento de sentença é instrumento 
essencial para garantir a efetividade da jurisdição e transformar a decisão 
judicial em resultado prático. 
A impugnação ao cumprimento da sentença é o meio de defesa do 
devedor nessa fase processual e está prevista no artigo 525 do CPC. Após 
ser intimado para pagar, o executado pode apresentar impugnação no prazo 
de 15 dias úteis, contados da data da intimação do cumprimento. A 
impugnação é dirigida ao próprio juiz da causa e deve ser fundamentada em 
matérias específicas e restritas, como falta de intimação válida, inexigibilidade 
do título, excesso de execução, erro de cálculo, prescrição ou novação, entre 
outras hipóteses legais. Diferente da contestação na fase de conhecimento, a 
69 
 
impugnação não suspende automaticamente o cumprimento da sentença, 
salvo se o devedor efetuar o depósito do valor executado ou garantir o juízo 
por penhora. A impugnação é processada nos próprios autos e pode ensejar 
decisão parcial ou total que afete a execução, mas não impede o 
prosseguimento da penhora ou atos executivos em andamento. Se a 
impugnação for acolhida, poderá haver extinção parcial da obrigação, 
correção dos valores ou reconhecimento de nulidade. A rejeição da 
impugnação permite a continuidade da execução com as medidas de 
expropriação. 
A impugnação, portanto, é instrumento técnico e restrito, que assegura 
o contraditório e a legalidade da execução, mas não permite reanálise ampla 
da decisão que transitou em julgado. 
 
Atos judiciais 
 
Os atos judiciais, no processo civil, são os pronunciamentos oficiais 
praticados pelo juiz no exercício da função jurisdicional e estão disciplinados 
principalmente no artigo 203 do Código de Processo Civil de 2015. Eles se 
classificam em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. A natureza 
de cada ato determina seus efeitos no processo, os recursos cabíveis e a 
forma como devem ser proferidos e fundamentados. Esses atos integram o 
andamento do processo e possuem papel essencial na condução, resolução 
e formalização das fases processuais. A distinção entre eles é fundamental 
tanto para a prática forense quanto para a compreensão correta do 
procedimento e dos meios de impugnação. 
A sentença, conforme o artigo 203, §1º, é o ato do juiz que põe fim à 
fase cognitiva do procedimento comum ou extingue a execução. Pode 
resolver ou não o mérito da causa. A sentença deve conter relatório, 
fundamentos e dispositivo e deve ser sempre fundamentada, sob pena de 
nulidade. Contra a sentença cabe recurso de apelação. É o ato mais 
relevante do processo, pois define, em regra, a solução final doconflito 
judicial, sendo apta a produzir coisa julgada material. 
A decisão interlocutória, prevista no artigo 203, §2º, é o ato do juiz 
que resolve questão incidente no curso do processo, sem encerrar a fase 
cognitiva ou a execução. É utilizada, por exemplo, para deferir ou indeferir 
70 
 
provas, conceder tutela provisória, pronunciar nulidades e analisar 
preliminares. As decisões interlocutórias devem ser fundamentadas e, em 
regra, são impugnáveis por agravo de instrumento, conforme as hipóteses 
previstas no artigo 1.015 do CPC. Quando não for cabível o agravo, a parte 
poderá questionar a decisão em preliminar de apelação. 
O despacho, segundo o artigo 203, §3º, é o ato que impulsiona o 
processo sem resolver qualquer questão de mérito ou incidental. Exemplos 
comuns de despacho são aqueles que determinam a citação, a intimação das 
partes ou a juntada de documentos. O despacho não exige fundamentação e 
não é recorrível, salvo quando implicar violação direta a direito da parte. Sua 
função é meramente administrativa, viabilizando o andamento processual de 
forma ordenada e eficiente. 
Esses três atos compõem o conjunto dos pronunciamentos do juiz ao 
longo do processo e influenciam diretamente os prazos, recursos e 
estratégias processuais. O correto entendimento de cada tipo de ato judicial é 
essencial para identificar a forma adequada de reação processual e garantir a 
observância do contraditório, da ampla defesa e da legalidade no curso da 
demanda. 
 
 Despachos, decisões interlocutórias e sentenças 
 
Os despachos são atos judiciais de natureza administrativa, previstos 
no artigo 203, §3º, do Código de Processo Civil de 2015, e têm como 
finalidade impulsionar o andamento do processo sem resolver qualquer 
questão jurídica, seja de mérito ou incidental. Eles são praticados pelo juiz ou 
serventuário autorizado e não exigem fundamentação. 
Exemplos de despachos incluem determinações para citação, 
intimação, abertura de prazo ou juntada de documentos. Por não possuírem 
conteúdo decisório, os despachos não são passíveis de recurso, exceto se 
violarem diretamente algum direito da parte, situação em que pode ser 
cabível o mandado de segurança como medida excepcional. A simplicidade e 
a agilidade dos despachos contribuem para a fluidez do processo e evitam a 
paralisação desnecessária da marcha processual. 
71 
 
As decisões interlocutórias são os pronunciamentos do juiz que 
resolvem questões incidentais dentro do processo, sem encerrar a fase 
cognitiva ou executiva, conforme o artigo 203, §2º, do CPC. Elas devem ser 
sempre fundamentadas, sob pena de nulidade, e podem tratar de temas 
como tutela provisória, admissibilidade de provas, declaração de nulidades, 
acolhimento ou rejeição de preliminares e outras matérias que influenciam o 
desenvolvimento do processo. A decisão interlocutória pode ser impugnada 
por agravo de instrumento quando estiver prevista no rol do artigo 1.015 ou, 
nas demais hipóteses, ser combatida em preliminar de apelação ou 
contrarrazões. Esse tipo de ato é relevante porque pode modificar 
substancialmente o curso do processo ou afetar diretamente os direitos das 
partes antes do julgamento final. 
A sentença é o pronunciamento do juiz que põe fim à fase cognitiva do 
procedimento comum ou à fase de execução, conforme estabelece o artigo 
203, §1º, do CPC. A sentença pode resolver o mérito, nos termos do artigo 
487, ou apenas encerrar o processo por questões processuais, conforme o 
artigo 485. Sua estrutura exige relatório, fundamentação e dispositivo, sendo 
obrigatoriamente fundamentada. A sentença tem grande relevância jurídica 
porque pode produzir coisa julgada e gerar título executivo judicial. Contra ela 
cabe, em regra, recurso de apelação. Além disso, ela vincula as partes nos 
limites da lide e do pedido formulado, sendo vedado ao juiz decidir além, fora 
ou aquém do que foi requerido. A sentença representa a conclusão do 
trabalho jurisdicional na fase de conhecimento ou da execução, encerrando o 
processo de forma definitiva ou parcial. 
 
Coisa julgada material 
 
A coisa julgada material está prevista no artigo 502 do Código de 
Processo Civil de 2015 e consiste na qualidade que torna imutável e 
indiscutível a decisão judicial de mérito, após o trânsito em julgado, 
impedindo que a mesma causa seja novamente discutida em outro processo. 
Ela representa a estabilização da decisão judicial no tempo e é uma garantia 
de segurança jurídica, previsibilidade e respeito à autoridade do Judiciário. 
Ocorre exclusivamente nas decisões que resolvem o mérito, seja acolhendo 
ou rejeitando o pedido do autor, e somente após o esgotamento das 
possibilidades de recurso. A coisa julgada material impede que as partes 
72 
 
proponham nova ação com os mesmos sujeitos, causa de pedir e pedido, 
conforme os efeitos previstos no artigo 508. 
Os efeitos subjetivos, objetivos e temporais da coisa julgada material 
definem sua abrangência. No aspecto subjetivo, ela vincula apenas as partes 
que participaram da relação processual, salvo nas ações coletivas, nas quais 
pode alcançar terceiros. No aspecto objetivo, seus efeitos se restringem ao 
que foi expressamente decidido e ao pedido formulado, não alcançando 
fundamentos secundários ou matérias não decididas. Já no aspecto temporal, 
a coisa julgada se forma com o trânsito em julgado, momento a partir do qual 
a decisão não pode mais ser modificada por recurso. Ela impede a 
rediscussão da matéria, mesmo que sobrevenha nova decisão judicial em 
sentido contrário. 
A relativização e a desconstituição da coisa julgada são admitidas em 
hipóteses excepcionais, como no caso da ação rescisória, prevista no artigo 
966 do CPC. Essa ação permite que uma sentença com coisa julgada 
material seja rescindida quando for proferida com base em erro de fato, dolo 
da parte vencedora, prova falsa, violação manifesta à norma jurídica, entre 
outros fundamentos legais. O prazo para ajuizamento da ação rescisória é de 
dois anos, contados do trânsito em julgado da decisão. A doutrina e a 
jurisprudência também admitem a relativização da coisa julgada em situações 
envolvendo direitos fundamentais, questões tributárias com jurisprudência 
superveniente do STF, ou casos de decisões manifestamente 
inconstitucionais. Apesar dessas exceções, a regra geral é que a coisa 
julgada material seja respeitada como um valor essencial à estabilidade das 
relações jurídicas. 
A distinção entre coisa julgada formal e material é importante para 
compreensão do instituto. A coisa julgada formal diz respeito à imutabilidade 
da decisão dentro do mesmo processo, mesmo que não tenha resolvido o 
mérito. Já a coisa julgada material é aquela que impede a rediscussão da 
matéria em qualquer outro processo futuro. Apenas as sentenças de mérito 
produzem coisa julgada material. A correta identificação da existência de 
coisa julgada é requisito para evitar litispendência, violação ao princípio da 
economia processual e insegurança jurídica. Por isso, o estudo da coisa 
julgada material é um dos pontos mais cobrados nas provas de concursos, 
especialmente quando envolve seus efeitos, limites e possibilidade de 
desconstituição. 
73 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 DOS RECURSOS 
 
Os recursos, no processo civil, são meios processuais utilizados pelas 
partes para provocar o reexame de decisões judiciais que consideram 
injustas, ilegais ou incorretas. Estão disciplinados nos artigos 994 a 1.044 do 
Código de Processo Civil de 2015 e garantem o princípio do duplo grau de 
jurisdição, além de assegurar o contraditório, a ampla defesa e o devido 
processo legal. O recurso busca modificar, anular, complementar ou 
esclarecer uma decisão judicial, sem provocar a formação de uma nova lide. 
74 
 
Ele deve ser interposto nos prazos legais, com observância dos requisitos 
formais e, quando necessário, com preparo, que é o pagamento das custas 
recursais, sob pena de deserção. 
As espécies de recursos previstasno CPC são: apelação, agravo de 
instrumento, agravo interno, embargos de declaração, recurso ordinário, 
recurso especial, recurso extraordinário e embargos de divergência. 
A apelação é o recurso cabível contra sentença e visa à reforma, 
anulação ou integração da decisão, sendo julgada pelo tribunal competente. 
O agravo de instrumento é utilizado contra decisões interlocutórias 
especificadas no artigo 1.015, devendo ser instruído com documentos 
obrigatórios e ser interposto diretamente no tribunal. 
O agravo interno é cabível contra decisões monocráticas de relator 
nos tribunais e é julgado pelo próprio órgão colegiado. 
Os embargos de declaração são cabíveis contra qualquer decisão 
judicial para esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou 
corrigir erro material, com prazo de cinco dias. 
O recurso ordinário é utilizado em causas de competência originária 
dos tribunais, como no caso de decisões do juiz federal em habeas corpus ou 
mandado de segurança. 
O recurso especial e o recurso extraordinário são recursos 
excepcionais, cabíveis contra acórdãos de tribunais que contrariem norma 
federal ou constitucional, respectivamente, exigindo demonstração de 
repercussão geral no extraordinário. 
Os embargos de divergência servem para uniformizar jurisprudência 
no âmbito dos tribunais superiores quando houver decisões conflitantes. 
Os efeitos dos recursos podem ser devolutivo, suspensivo ou 
regressivo. O efeito devolutivo significa que a matéria impugnada será 
reexaminada pela instância superior. O efeito suspensivo impede, 
temporariamente, a produção de efeitos da decisão recorrida, sendo 
automático em alguns casos, como na apelação, ou concedido por decisão 
judicial, quando preenchidos os requisitos do artigo 995, parágrafo único. O 
efeito regressivo permite que o próprio juiz reconsidere sua decisão antes de 
encaminhar o recurso ao tribunal. A interposição de recurso suspende o 
75 
 
trânsito em julgado da decisão impugnada e pode alterar a eficácia do julgado 
até o pronunciamento definitivo da instância superior. 
A admissibilidade dos recursos depende do preenchimento de 
requisitos formais e substanciais. Os principais pressupostos são: a 
tempestividade (observância do prazo legal), a legitimidade (interposição por 
parte com interesse recursal), a regularidade formal (observância dos 
requisitos exigidos em lei), o preparo (pagamento das custas, quando 
exigido), e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo, como renúncia ou 
desistência. A análise da admissibilidade é feita inicialmente pelo juízo de 
origem e, posteriormente, pela instância recursal. Se o recurso for inadmitido 
de forma indevida, pode ser interposto agravo para destrancar o recurso 
principal. A sistemática recursal busca equilibrar a celeridade com o direito à 
ampla defesa e à revisão das decisões, sendo fundamental na dinâmica do 
processo civil moderno. 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
76 
 
 
Da apelação. 
A apelação é o recurso cabível contra a sentença proferida pelo juiz de 
primeiro grau, nos termos do artigo 1.009 do Código de Processo Civil de 
2015. Sua função é permitir a reavaliação da decisão por um tribunal, seja 
para reformá-la, anulá-la ou integrá-la. Trata-se do principal recurso no 
processo civil, pois é por meio dele que se viabiliza o duplo grau de jurisdição, 
garantindo o reexame da causa por instância superior. A apelação pode ser 
interposta tanto contra sentença com resolução de mérito quanto contra 
sentença terminativa, desde que não haja outra via recursal específica 
prevista. Sua interposição suspende, como regra, os efeitos da sentença, 
salvo exceções legais expressas ou se o juiz determinar o cumprimento 
provisório. 
O prazo e os requisitos da apelação estão previstos nos artigos 
1.003, §5º, e 1.010 do CPC. O prazo para interposição da apelação é de 15 
dias úteis, contados da intimação da sentença, e ela deve ser apresentada 
por petição dirigida ao juízo que proferiu a decisão. A petição deve conter os 
nomes e qualificação das partes, a exposição do fato e do direito, as razões 
do pedido de reforma ou invalidação da sentença e o pedido de nova decisão. 
Além disso, é necessário o pagamento das custas recursais, conhecido como 
preparo, sob pena de deserção. A ausência de algum dos requisitos pode 
levar à inadmissão do recurso. 
O juízo de admissibilidade da apelação é realizado primeiramente 
pelo próprio juiz que proferiu a sentença. Ele pode exercer juízo de 
retratação, se entender que deve modificar sua decisão, ou simplesmente 
encaminhar os autos ao tribunal competente para julgamento. O tribunal, ao 
receber o recurso, também analisa sua admissibilidade, verificando se estão 
presentes os pressupostos objetivos (como tempestividade, preparo e 
regularidade formal) e subjetivos (legitimidade e interesse recursal). Estando 
o recurso apto, o tribunal julgará o mérito da apelação. 
O efeito devolutivo da apelação está previsto no artigo 1.013 do CPC 
e define o alcance do reexame da matéria pelo tribunal. A apelação devolve 
ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, ou seja, apenas o que foi 
expressamente questionado nas razões recursais. No entanto, existem 
matérias que o tribunal deve analisar de ofício, como nulidades absolutas e 
condições da ação, mesmo que não tenham sido objeto do recurso. Além do 
77 
 
efeito devolutivo, a apelação pode ter efeito suspensivo, que impede a 
produção imediata dos efeitos da sentença, conforme o artigo 1.012. Há 
situações em que esse efeito é afastado por lei, como nos casos de sentença 
que homologa divisão ou partilha, ou condenação ao pagamento de 
alimentos. 
O julgamento da apelação pelo tribunal pode resultar na manutenção 
da sentença (negação de provimento), em sua reforma (acolhimento do 
pedido do apelante), em anulação do processo (por vício grave) ou até 
mesmo em complementação, se houver omissões. O acórdão que julga a 
apelação deve ser fundamentado, respeitando os requisitos de motivação 
exigidos pelo artigo 489 do CPC. Após o julgamento, as partes podem 
interpor novos recursos, como embargos de declaração, recurso especial ou 
extraordinário, a depender da matéria discutida. 
A apelação, portanto, é o instrumento recursal mais relevante no 
processo civil, pois assegura a revisão da decisão de primeiro grau e garante 
a uniformização da jurisprudência pelos tribunais. Seu correto uso exige 
conhecimento técnico sobre prazos, requisitos e efeitos, sendo tema 
recorrente nas provas das principais bancas de concurso. 
 
Do agravo de instrumento. 
 
O agravo de instrumento é o recurso cabível contra decisões 
interlocutórias que tratem de matérias específicas previstas no artigo 1.015 do 
Código de Processo Civil de 2015. Diferente da apelação, que impugna a 
sentença, o agravo de instrumento é utilizado no curso do processo, quando 
o juiz profere uma decisão que não encerra a fase cognitiva ou a execução, 
mas que afeta diretamente os direitos das partes. Sua principal finalidade é 
permitir o controle imediato de decisões que possam causar prejuízo 
irreparável ou de difícil reparação, evitando que a parte espere o fim do 
processo para discutir a legalidade do ato. Apenas pode ser utilizado nos 
casos expressamente listados no artigo 1.015, como tutelas provisórias, 
rejeição da alegação de convenção de arbitragem, incidente de 
desconsideração da personalidade jurídica, exibição de documento, exclusão 
de litisconsorte e outros. 
78 
 
A estrutura e o procedimento do agravo de instrumento são 
regulados nos artigos 1.016 e 1.017 do CPC. O recurso deve ser interposto 
diretamente ao tribunal competente, no prazo de 15 dias úteis contados da 
intimação da decisão agravada. A petição deve conter os nomes das partes, 
a exposição do fato e do direito, as razões do pedido de reforma ou 
invalidação da decisão e o pedido com suas especificações. O agravante 
deve instruir o recurso com cópias obrigatórias, como a decisãoagravada, a 
certidão de intimação, a petição inicial, a contestação, o despacho que 
ordenou a decisão, além de outros documentos essenciais. Caso não sejam 
apresentadas as peças obrigatórias ou o preparo, o recurso pode ser 
inadmitido. A ausência de cópia de peça relevante pode ser suprida se o 
agravado juntar ao contrarrazões ou se for possível a obtenção pelo próprio 
tribunal. 
O processamento e julgamento do agravo de instrumento seguem 
rito próprio. Após o protocolo, o relator pode negar seguimento se considerar 
o recurso manifestamente inadmissível, improcedente ou incabível. Também 
pode atribuir efeito suspensivo ao recurso, se houver risco de dano grave ou 
de difícil reparação e a probabilidade de provimento. O agravado é intimado 
para apresentar contrarrazões no prazo de 15 dias úteis. O relator pode 
decidir monocraticamente, conforme os casos previstos no artigo 932, ou 
submeter o recurso ao colegiado, com inclusão em pauta de julgamento. O 
julgamento resulta em acórdão que pode manter, reformar ou anular a 
decisão agravada. 
Os efeitos do agravo de instrumento são, em regra, apenas 
devolutivo, o que significa que a decisão agravada continua produzindo seus 
efeitos até eventual concessão de efeito suspensivo. O efeito suspensivo não 
é automático e depende de decisão do relator, mediante demonstração dos 
requisitos legais. Quando concedido, o efeito suspensivo paralisa os efeitos 
da decisão agravada até o julgamento do recurso. O agravo de instrumento 
também pode gerar efeito substitutivo, pois a decisão do tribunal substitui a 
interlocutória agravada, produzindo efeitos imediatos. 
79 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
Do agravo interno. 
O agravo interno é o recurso cabível contra decisões monocráticas 
proferidas por relatores nos tribunais, conforme o artigo 1.021 do Código de 
Processo Civil de 2015. Sua finalidade é provocar a reapreciação da decisão 
individual do relator pelo órgão colegiado do tribunal, garantindo o princípio 
da colegialidade e a revisão de decisões que, mesmo sendo proferidas por 
magistrado competente, não representam o entendimento de todo o 
colegiado. Ele é utilizado, por exemplo, quando o relator nega seguimento a 
80 
 
recurso, indefere pedido liminar ou decide monocraticamente com base em 
jurisprudência dominante. 
O prazo e os requisitos do agravo interno estão previstos no próprio 
artigo 1.021 do CPC. O prazo para interposição é de 15 dias úteis, contados 
da intimação da decisão monocrática. A petição deve ser dirigida ao próprio 
relator que proferiu a decisão, com a exposição clara dos fundamentos de 
fato e de direito que justificam sua reforma ou reconsideração. Embora não 
exija preparo específico, deve observar os requisitos gerais dos recursos, 
como tempestividade, legitimidade, regularidade formal e, quando aplicável, o 
pagamento de custas. 
O processamento do agravo interno segue regra específica. 
Inicialmente, o relator pode exercer juízo de retratação e reconsiderar sua 
decisão. Caso não o faça, o recurso é encaminhado para julgamento pelo 
órgão colegiado competente (câmara, turma ou seção), de acordo com a 
organização interna do tribunal. O julgamento deve ser colegiado, com 
inclusão em pauta e intimação das partes. O agravado não apresenta 
contrarrazões por petição, mas pode sustentar oralmente, quando permitido. 
O tribunal poderá confirmar, modificar ou revogar a decisão impugnada, 
proferindo acórdão devidamente fundamentado. 
A vedação à reiteração e a possibilidade de multa são previsões 
relevantes do agravo interno. O §4º do artigo 1.021 veda a reiteração de 
agravo interno contra a mesma decisão, ainda que com fundamentos 
diferentes. Além disso, se o agravo for considerado manifestamente 
inadmissível ou improcedente, o tribunal poderá, de forma fundamentada, 
condenar o agravante ao pagamento de multa de 1% a 5% do valor da causa, 
conforme o §4º do artigo 1.021, que será revertida à parte contrária. Essa 
medida visa evitar a interposição de recursos meramente protelatórios e 
reforça o dever de lealdade processual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
81 
 
 
 
 
 Dos Embargos de Declaração. 
Os embargos de declaração são o recurso utilizado para solicitar ao juiz 
ou tribunal que esclareça obscuridade, elimine contradição, supra omissão ou 
corrija erro material existente na decisão judicial. Estão previstos nos artigos 
1.022 a 1.026 do Código de Processo Civil de 2015. Esse recurso pode ser 
interposto em face de qualquer decisão judicial — sentença, decisão 
interlocutória ou acórdão — com a finalidade de complementar ou corrigir a 
fundamentação sem alterar, em regra, o conteúdo decisório. É um recurso de 
integração, voltado à precisão e clareza da decisão, contribuindo para sua 
correção formal e completude. 
O prazo para interposição dos embargos de declaração é de 5 dias 
úteis, contados da intimação da decisão recorrida. A petição deve ser dirigida 
ao próprio juízo que proferiu a decisão embargada, expondo de forma 
fundamentada o ponto que se pretende ver esclarecido, corrigido ou 
integrado. Esse recurso dispensa o preparo, ou seja, não exige pagamento 
de custas judiciais. Sua apresentação suspende o prazo para a interposição 
de outros recursos, que voltam a correr após a publicação da decisão que os 
resolve. 
As hipóteses de cabimento dos embargos de declaração são 
limitadas e estão taxativamente previstas no artigo 1.022 do CPC. A 
obscuridade ocorre quando a decisão é de difícil compreensão; a contradição, 
quando há incompatibilidade entre os fundamentos ou entre a fundamentação 
e o dispositivo; a omissão, quando o juiz deixa de se manifestar sobre 
questão que deveria ser analisada; e o erro material, quando há equívoco 
evidente nos dados formais da decisão, como datas, nomes ou cálculos. Os 
embargos não são cabíveis para rediscutir o mérito da causa, exceto quando 
o esclarecimento ou a correção afeta diretamente o resultado da decisão. 
Os efeitos dos embargos de declaração variam conforme o caso. Em 
regra, não possuem efeito modificativo, ou seja, não alteram o conteúdo da 
decisão. No entanto, se o esclarecimento ou a correção influenciar no 
resultado do julgamento, os embargos poderão ter efeitos infringentes, 
modificando a decisão. Quando isso ocorre, é necessário que a parte adversa 
seja previamente ouvida. A decisão proferida nos embargos deve ser 
82 
 
devidamente fundamentada e poderá ser impugnada por novo recurso, a 
depender do conteúdo. 
A utilização abusiva dos embargos pode gerar consequências 
processuais. Quando forem considerados protelatórios, o juiz poderá impor 
multa de até 2% sobre o valor da causa à parte embargante. Se houver 
reiteração injustificada, a multa poderá ser aumentada para até 10%, 
cumulada com a exigência de depósito prévio como condição para nova 
admissibilidade. Essa medida visa coibir a utilização estratégica do recurso 
para atrasar o andamento do processo, preservando a boa-fé processual e a 
celeridade. 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
83 
 
 
Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o 
Superior Tribunal de Justiça. 
 
O recurso especial, previsto no artigo 1.029 e seguintes do Código de 
Processo Civil de 2015, é o meio utilizado para levar ao Superior Tribunal de 
Justiça (STJ) uma controvérsia jurídica decidida por tribunal de segunda 
instância, desde que a decisão recorrida contrarie tratado ou lei federal, 
negue-lhes vigência ou dê interpretação divergente em relação à de outro 
tribunal. Sua finalidade é garantir a uniformidade na interpretação do direito 
federal infraconstitucional em todo o país. 
Para que seja admitido, o recurso especial deve demonstrar a 
existência de violação direta à norma federal, sendo vedado o reexame de 
fatos e provas, conforme a Súmula 7 do STJ. Ele deve ser interposto no 
prazo de 15 dias úteis, com fundamentação específica e comprovação de 
repercussão nacional da questão debatida. 
Além disso, deve respeitar os pressupostosgerais de admissibilidade 
recursal, como preparo, legitimidade, interesse recursal, regularidade formal e 
inexistência de fato impeditivo. 
O recurso extraordinário, por sua vez, é regulado pelos mesmos 
artigos do CPC e tem como destino o Supremo Tribunal Federal (STF). Sua 
finalidade é a preservação da supremacia da Constituição Federal, sendo 
cabível contra acórdão que contrarie dispositivo constitucional, declare a 
inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, ou julgue válida lei ou ato 
normativo estadual ou municipal contestado em face da Constituição. Assim 
como no recurso especial, o recurso extraordinário não admite reexame de 
provas e exige demonstração clara da repercussão geral da questão 
constitucional discutida. A repercussão geral é um filtro de admissibilidade 
introduzido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, que exige a 
demonstração de relevância política, social, econômica ou jurídica da matéria, 
devendo ser reconhecida pelo STF. O prazo para interposição também é de 
15 dias úteis e deve conter fundamentação específica. 
 
 
84 
 
A sistemática dos recursos repetitivos pode ser aplicada tanto ao 
recurso especial quanto ao extraordinário, quando há multiplicidade de 
processos com a mesma questão de direito. Nessa hipótese, os tribunais de 
origem devem sobrestar os recursos que tratem da mesma controvérsia até o 
julgamento pelo STJ ou STF. A decisão proferida em recurso repetitivo tem 
eficácia vinculante para os demais tribunais, promovendo segurança jurídica, 
uniformidade e celeridade. As partes podem requerer o julgamento de seus 
recursos com base na tese firmada, por meio de requerimento de aplicação 
do entendimento vinculante. O descumprimento da tese firmada pode ser 
atacado por reclamação constitucional. 
Os recursos extraordinário e especial, portanto, não visam à revisão 
do caso concreto, mas à fixação de entendimento jurídico uniforme sobre 
matérias constitucionais e federais, respectivamente. São recursos de 
natureza excepcional, com elevado grau de formalismo e exigência técnica, 
sendo tema constante e altamente cobrado nos concursos jurídicos mais 
concorridos do país. 
MAPA MENTAL: DICAS 
85 
 
 
CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS 
ADMINISTRATIVOS 
 
O controle judicial dos atos administrativos é a atuação do Poder 
Judiciário sobre os atos praticados pela Administração Pública, com o 
objetivo de garantir que sejam praticados dentro dos limites da legalidade, 
moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, conforme previsto na 
Constituição Federal e no Código de Processo Civil. Esse controle não 
representa uma interferência indevida do Judiciário no mérito administrativo, 
mas sim um mecanismo de proteção aos direitos dos administrados e de 
manutenção da supremacia do interesse público sob parâmetros legais. Ele 
se aplica a atos discricionários e vinculados, desde que envolvam vício de 
legalidade, abuso de poder, desvio de finalidade ou afronta a direitos 
fundamentais. 
O objeto do controle judicial recai sobre a legalidade do ato 
administrativo, ou seja, se o ato respeita as normas legais e constitucionais 
que regem a atuação administrativa. O Judiciário não pode substituir a 
Administração na escolha do ato, mas pode anular atos ilegais, abusivos ou 
arbitrários. Mesmo nos atos discricionários, que envolvem juízo de 
conveniência e oportunidade, o juiz pode analisar se houve desvio de 
finalidade, excesso de poder ou desrespeito aos princípios constitucionais. O 
controle não alcança a eficiência nem o conteúdo da decisão administrativa 
propriamente dita, exceto se violar normas jurídicas. 
Os limites do controle judicial são fundamentais para preservar a 
separação de poderes e a autonomia administrativa. O Judiciário não pode 
invadir o mérito administrativo, isto é, não pode revisar decisões tomadas 
dentro da legalidade apenas por discordar de sua conveniência ou 
oportunidade. A atuação judicial restringe-se à verificação da compatibilidade 
do ato com o ordenamento jurídico. Assim, o juiz pode anular, mas não 
substituir o ato. Esse controle é exercido de forma provocada, ou seja, 
depende de demanda proposta pela parte interessada, com a devida 
demonstração do vício existente no ato questionado. 
 
86 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
MANDADO DE SEGURANÇA 
O mandado de segurança é uma ação constitucional prevista no artigo 
5º, inciso LXIX, da Constituição Federal e regulamentada pela Lei nº 
12.016/2009, que tem por finalidade proteger direito líquido e certo, não 
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando este for violado ou 
ameaçado por ato de autoridade pública ou agente no exercício de 
atribuições do poder público. 
O direito líquido e certo é aquele que pode ser comprovado de 
imediato, por prova pré-constituída, sem necessidade de dilação probatória. 
O mandado de segurança é uma ação de rito especial, célere e 
instrumentalizada, voltada à tutela contra abusos ou ilegalidades praticadas 
no âmbito da administração pública. 
 
 
 
87 
 
 
 
O cabimento do mandado de segurança exige três elementos 
essenciais: a existência de um direito líquido e certo; a presença de uma 
autoridade pública ou agente no exercício de função pública como coatora; e 
a ocorrência de ilegalidade ou abuso de poder que viole ou ameace o direito. 
Não cabe mandado de segurança contra lei em tese, ou seja, norma abstrata 
sem aplicação concreta. Também não cabe quando há necessidade de 
instrução probatória complexa, pois o processo exige prova documental já 
formada no momento da impetração. Pode ser preventivo, quando a ameaça 
ainda não se consumou, ou repressivo, quando já houve violação ao direito. 
O prazo para impetração do mandado de segurança repressivo é de 
120 dias contados da ciência oficial do ato impugnado. Esse prazo é 
decadencial, ou seja, após o seu transcurso extingue-se o direito de ajuizar a 
ação. Para o mandado de segurança preventivo, não há prazo específico, 
mas ele deve ser manejado enquanto persistir a ameaça iminente. A petição 
inicial deve atender aos requisitos do artigo 6º da Lei 12.016/2009 e ser 
instruída com todos os documentos comprobatórios da alegação, incluindo a 
indicação precisa da autoridade coatora. 
A legitimidade ativa e passiva está diretamente ligada às partes 
envolvidas. Pode impetrar mandado de segurança qualquer pessoa física ou 
jurídica que seja titular de direito líquido e certo, incluindo estrangeiros 
residentes no país. A autoridade coatora é aquela que detém competência 
para praticar ou ordenar a prática do ato questionado, devendo ser 
corretamente identificada. A União, os estados, os municípios, o Distrito 
Federal e as autarquias podem figurar como autoridades coatoras quando 
seus representantes praticarem o ato impugnado. 
Os efeitos da decisão em mandado de segurança são limitados à 
proteção do direito invocado, sem efeitos patrimoniais retroativos, salvo nas 
hipóteses em que a própria sentença fixar reparação. A concessão da 
segurança pode ocorrer por decisão liminar ou sentença final. A liminar pode 
ser concedida de forma imediata, para suspender o ato ou evitar sua 
consumação, desde que presentes os requisitos do fumus boni iuris e do 
periculum in mora. A decisão concessiva pode ser objeto de recurso, como o 
agravo de instrumento ou a apelação, a depender do momento processual. 
 
88 
 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
 
AÇÃO POPULAR 
 
A ação popular é um instrumento constitucional previsto no artigo 5º, 
inciso LXXIII, da Constituição Federal, e regulamentado pela Lei nº 
4.717/1965. Tem como objetivo anular atos lesivos ao patrimônio público, à 
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e 
cultural. Seu fundamento é a defesa do interesse público, permitindo que 
qualquer cidadão, no exercício da cidadania, ingresse com a ação judicial 
para proteger bens e valores coletivos frente a atos ilegais ou abusivos 
praticados por agentespara 
existir validamente. 
 
 
 
 
 
Legitimidade de parte (ou legitimidade “ad causam”) 
6 
 
 
 É quando a pessoa que entra com a ação (autor) e contra quem se move a 
ação (réu) são realmente os titulares da relação jurídica discutida. 
 Exemplo: só quem tem direito sobre o imóvel pode entrar com uma ação de 
reintegração de posse. 
 
Interesse de agir 
 
 Existe quando a parte demonstra que precisa do Judiciário para resolver a 
questão. Ou seja, o pedido é útil, necessário e adequado. 
 
 Exemplo: não faz sentido ajuizar uma ação se o problema já foi resolvido 
sem precisar da Justiça. 
 
Possibilidade jurídica do pedido 
 
 É quando o que se está pedindo não é proibido por lei. 
 
 Exemplo: não é possível pedir na Justiça que alguém pratique um ato ilegal 
— esse pedido não teria possibilidade jurídica. 
 
Classificação das Ações 
 
As ações se classificam conforme o tipo de decisão que o autor busca: 
ação de conhecimento (quer o reconhecimento de um direito), ação de 
execução (quer o cumprimento forçado de uma obrigação) e ação cautelar 
(quer prevenir um risco enquanto o processo principal não termina). Essa 
divisão ajuda a organizar o tipo de tutela judicial necessária para cada 
situação. 
 
Ação de conhecimento (ou de cognição) 
 
 Serve para o juiz reconhecer e declarar um direito. Pode resultar numa 
sentença declaratória, constitutiva ou condenatória. 
 
 Exemplo: ação para cobrar uma dívida, ação de divórcio, ação para declarar 
a existência de um contrato. 
 
 
7 
 
Ação de execução 
 
 Já existe um título (como uma sentença ou um contrato) e o que se quer é 
obrigar o devedor a cumprir uma obrigação (pagar, entregar, fazer ou não 
fazer). 
 
 Exemplo: execução de um cheque ou de uma sentença que mandou pagar 
certa quantia. 
 
 
Ação cautelar (ou ação de tutela provisória) 
 
 Busca proteger um direito de forma urgente e preventiva, antes ou durante o 
processo principal, para evitar prejuízo grave. 
 
 Exemplo: pedido de bloqueio de bens para garantir o pagamento de uma 
dívida no futuro. 
 
Além dessa classificação principal, as ações também podem ser classificadas 
de outras formas, como: 
● Ação ordinária x ação especial – depende se segue o procedimento 
comum ou algum rito específico previsto em lei. 
 
● Ação real x ação pessoal – a real está ligada a direitos sobre bens 
(como a propriedade), e a pessoal a relações entre pessoas (como 
contratos). 
DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL 
 
A cooperação internacional permite que o Judiciário brasileiro atue em 
conjunto com outros países em casos que envolvem pessoas, provas ou 
decisões estrangeiras. Baseia-se em princípios como reciprocidade, boa-fé e 
respeito à soberania. Suas formas mais comuns são: carta rogatória, 
homologação de sentença estrangeira e auxílio direto. O objetivo sempre é 
garantir que a justiça funcione mesmo quando há elementos internacionais 
envolvidos. 
 
8 
 
A cooperação internacional serve para: 
● Citar ou intimar pessoas que estão no exterior; 
● Obter provas localizadas fora do Brasil; 
Reconhecer e cumprir decisões estrangeiras no Brasil (homologação); 
● Conceder auxílio direto a outro país (como cumprimento de uma 
decisão estrangeira). 
 
Princípios da cooperação internacional: 
 Respeito ao devido processo legal 
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo 
legal” 
 Inciso LIV do art 5º da Constituição Federal 
 
O princípio do devido processo legal é uma das bases mais importantes 
do Direito Processual Civil. Ele assegura que todos têm o direito a um 
processo justo e regular, garantindo que ninguém seja privado de seus 
direitos sem que sejam observados todos os trâmites legais previstos. Isso 
implica que qualquer decisão judicial deve ser fundamentada e que as partes 
envolvidas têm o direito de ser ouvidas, apresentar suas provas e contestar 
os argumentos da outra parte. 
 
Visa proteger as garantias individuais e evitar arbitrariedades no 
sistema judiciário. Ele assegura que todas as etapas do processo sejam 
conduzidas de forma equitativa e transparente, proporcionando um 
julgamento justo para todos. Compreender o devido processo legal é 
essencial para entender como a justiça funciona dentro dos parâmetros da lei, 
garantindo que os direitos das pessoas sejam respeitados e protegidos ao 
longo do processo. 
 
Reciprocidade entre os países (mesmo que não haja tratado) 
Mesmo sem tratado, o Brasil pode cooperar com outro país se houver 
reciprocidade, expressa ou implícita. O foco é garantir a efetividade da justiça 
em âmbito internacional, com base na boa-fé entre os Estados. Isso significa 
que o Brasil pode cooperar com outro país, mesmo que não exista um acordo 
formal (tratado) entre eles, desde que haja garantia de que esse país também 
9 
 
aceitaria colaborar com o Brasil em situação semelhante. É o chamado 
princípio da reciprocidade de fato (ou reciprocidade implícita). 
Boa-fé e celeridade processual 
O princípio da boa-fé processual é uma garantia importante no Direito 
Processual Civil que estabelece que as partes devem agir com honestidade, 
lealdade e transparência durante todo o curso do processo. Isso significa que 
as partes não podem se valer de artifícios, truques ou condutas desleais para 
obter vantagens, manipular o processo ou prejudicar a parte adversária. 
 
A boa-fé processual implica em um comportamento ético, em que as 
partes devem colaborar com o andamento do processo e respeitar os direitos 
da outra parte. Além disso, é esperado que as partes não utilizem o processo 
de forma abusiva, ou seja, para fins meramente protelatórios ou para causar 
dano à parte contrária. 
Preservação da soberania nacional e dos direitos 
fundamentais 
Mesmo quando há cooperação entre o Brasil e outros países, isso não 
pode violar a soberania brasileira, ou seja, não se permite que decisões 
estrangeiras contrariem os valores, leis e interesses do Estado brasileiro. 
 
Os direitos fundamentais das partes envolvidas — como o contraditório, 
ampla defesa, devido processo legal, dignidade da pessoa humana, entre 
outros — devem ser sempre respeitados, mesmo que a prática em outro país 
seja diferente. 
● A cooperação internacional só será aceita se respeitar a soberania 
nacional. 
● Nenhuma decisão estrangeira pode ser cumprida no Brasil se ofender 
princípios constitucionais ou os direitos fundamentais. 
● Isso garante que a justiça internacional não ultrapasse os limites da 
legalidade e da Constituição brasileira. 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
 
 
Disposições gerais 
 
As disposições gerais do direito processual, previstas no início do 
Código de Processo Civil, trazem os princípios e fundamentos que orientam 
toda a aplicação das normas processuais no Brasil. Essas regras têm como 
objetivo garantir que o processo seja conduzido de forma justa, eficiente e em 
conformidade com a Constituição. 
 
Um dos principais focos dessas disposições é assegurar o respeito ao 
contraditório, à ampla defesa, ao devido processo legal, à razoável duração 
do processo e à igualdade entre as partes. 
 
Além disso, reforça-se que o processo deve servir como instrumento 
para a realização de direitos, sendo orientado pela boa-fé, cooperação entre 
as partes e participação ativa do juiz. O Código também valoriza a solução 
consensual dos conflitos, incentivando a conciliação e a mediação como 
formas legítimas e preferenciais de resolução. A atuação de todos os sujeitos 
do processo deve ser colaborativa, com o compromisso de buscar uma 
decisão justa, célere e efetiva. 
 
Outro ponto importante é que as normas processuais devem ser 
interpretadas conforme a Constituição, sempre buscando efetividade e 
respeito aos direitos fundamentais. As disposições gerais funcionam, 
portanto, como uma base que norteia todo o funcionamento do processo civil, 
garantindo segurança jurídica e alinhamento com os valores constitucionais. 
 
 
Do auxílio direto 
 
O auxílio diretopúblicos ou particulares em colaboração com o poder 
público. Trata-se de mecanismo de controle judicial da Administração Pública 
por meio da participação popular. 
A legitimidade ativa da ação popular é exclusiva do cidadão, 
entendido como pessoa física brasileira, maior de 16 anos, que esteja no 
pleno gozo dos direitos políticos. A comprovação dessa condição se dá por 
meio da apresentação do título de eleitor junto à petição inicial. Pessoas 
jurídicas, associações ou o Ministério Público não podem ser autores da ação 
popular, embora o MP atue obrigatoriamente como fiscal da ordem jurídica e 
possa, se necessário, intervir ou assumir a causa nos casos de desistência 
ou omissão do autor. 
A legitimidade passiva da ação popular recai sobre a pessoa jurídica 
de direito público ou privado que tiver praticado ou se beneficiado do ato 
lesivo. Também podem figurar no polo passivo os agentes públicos que 
tenham ordenado, autorizado ou se omitido diante do ato ilegal, bem como os 
terceiros que tenham se beneficiado diretamente com ele. A citação é 
obrigatória para todos os envolvidos, e a sentença pode ter eficácia contra 
todos, inclusive beneficiários particulares. 
O objeto da ação popular é sempre um ato administrativo ou 
equiparado, praticado com ilegalidade ou abuso de poder e que resulte em 
lesão a qualquer dos bens protegidos. O autor deve demonstrar a existência 
do ato, o nexo com a lesão alegada e a ilegalidade. A ação pode ter natureza 
preventiva (se o ato ainda não foi consumado) ou repressiva (quando já 
houve prejuízo), e busca a anulação do ato, a condenação dos responsáveis 
90 
 
ao ressarcimento do dano, bem como a perda da função pública e a 
suspensão dos direitos políticos nos casos previstos em lei. 
Os efeitos da sentença na ação popular podem alcançar não apenas 
o autor e o réu, mas toda a coletividade, em razão do interesse público 
envolvido. Se julgada procedente, a sentença pode declarar a nulidade do 
ato, condenar os responsáveis à reparação dos danos e impor sanções 
políticas e administrativas. Se julgada improcedente, e não houver má-fé do 
autor, este não será condenado em custas nem honorários advocatícios. A 
ação popular tem prioridade de tramitação, não comporta desistência sem a 
anuência do Ministério Público e pode ser proposta sem depósito prévio de 
custas ou despesas judiciais. 
 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
 
A ação civil pública é o instrumento processual destinado à defesa de 
interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, especialmente nas 
áreas do meio ambiente, do consumidor, do patrimônio público e social, da 
ordem urbanística, da honra e dignidade de grupos raciais, étnicos ou 
religiosos, entre outros bens de valor coletivo. Está prevista na Constituição 
Federal (art. 129, III) e regulada pela Lei nº 7.347/1985, além de normas 
complementares do Código de Processo Civil e de leis específicas. Sua 
natureza é essencialmente coletiva e visa proteger direitos transindividuais 
contra lesões causadas por entes públicos ou privados. 
A legitimidade ativa da ação civil pública é restrita aos entes 
expressamente autorizados por lei. Podem propor a ação o Ministério Público, 
a Defensoria Pública, a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, 
autarquias, empresas públicas, fundações e sociedades de economia mista, 
bem como associações civis legalmente constituídas há pelo menos um ano 
e que incluam, entre suas finalidades institucionais, a proteção do bem 
jurídico lesado. Essa restrição visa assegurar que apenas instituições com 
interesse legítimo e representatividade atuem na tutela de direitos coletivos, 
evitando ações temerárias ou sem respaldo social. 
A legitimidade passiva da ação civil pública recai sobre qualquer 
pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, que tenha dado causa 
à lesão ou ameaça de lesão ao direito coletivo. O polo passivo pode incluir 
91 
 
agentes públicos, empresas privadas, concessionárias de serviço público, 
fundações ou qualquer outro ente responsável pelo fato gerador do dano. A 
ação civil pública pode ser ajuizada tanto para responsabilização preventiva 
(evitar o dano) quanto repressiva (reparar o dano já causado), o que lhe 
confere ampla utilidade prática e social. 
O objeto da ação civil pública é a obtenção de provimentos 
jurisdicionais que assegurem a prevenção, reparação ou cessação do dano 
coletivo. A sentença pode ter natureza condenatória, declaratória, constitutiva 
ou mandamental, conforme a necessidade do caso concreto. São exemplos 
comuns os pedidos de indenização por danos morais coletivos, recomposição 
do meio ambiente, suspensão de atos administrativos lesivos ou anulação de 
cláusulas abusivas em contratos de consumo. Pode ainda ser concedida 
tutela provisória de urgência para garantir a efetividade do processo. 
Os efeitos da sentença na ação civil pública atingem, em regra, 
todos os membros da coletividade prejudicada, nos limites da competência 
territorial do órgão jurisdicional que a proferiu. Se for proposta pelo Ministério 
Público ou por outro ente com legitimidade institucional, a eficácia da 
sentença pode ser erga omnes, com exceção de decisões de improcedência 
por insuficiência de provas, que não impedem o ajuizamento de nova ação 
com base em outras provas. A coisa julgada, nesses casos, é regulada pelo 
artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, sendo tema de intenso debate 
doutrinário e jurisprudencial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
 
 
LEI nº . 11.419/2006 
(Processo Judicial Eletrônico). 
 
 
DICA RESUMIDA! 
 
A Lei nº 11.419/2006 instituiu a informatização do processo judicial no 
Brasil, criando as bases legais para o Processo Judicial Eletrônico (PJe). 
Essa lei modernizou o sistema judiciário ao permitir que atos processuais, 
petições, intimações, citações e decisões sejam praticados e armazenados 
por meio eletrônico, com a mesma validade jurídica dos atos realizados em 
meio físico. Seu objetivo principal é conferir maior celeridade, transparência, 
segurança e economicidade à tramitação dos processos, reduzindo o uso 
de papel e promovendo a digitalização do sistema de justiça. 
A prática de atos processuais por meio eletrônico é autorizada em todos os 
graus de jurisdição, conforme o artigo 1º da lei. Os atos processuais 
eletrônicos são considerados realizados no momento do envio à plataforma 
do tribunal, com confirmação automática do recebimento. Petições, 
recursos e documentos devem ser encaminhados por meio do sistema 
disponibilizado pelo respectivo tribunal, dispensando a apresentação física. 
A validade do ato eletrônico depende da identificação segura do usuário, 
que deve utilizar assinatura eletrônica baseada em certificado digital ou 
login com acesso pessoal. 
A assinatura digital e a certificação eletrônica são fundamentais para a 
segurança jurídica dos atos praticados eletronicamente. A lei estabelece 
que os documentos eletrônicos devem ser assinados com certificação 
emitida por autoridade credenciada no âmbito da Infraestrutura de Chaves 
Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Essa assinatura tem a mesma validade da 
manuscrita e garante autenticidade, integridade e não repúdio do conteúdo 
transmitido. Além disso, é possível o uso de login com senha para acesso 
ao sistema, desde que o tribunal permita e haja identificação inequívoca do 
usuário. 
As comunicações processuais eletrônicas são reguladas pelos artigos 4º a 
6º da lei. Intimações, notificações e comunicações oficiais podem ser feitas 
por meio eletrônico para os advogados cadastrados no sistema do tribunal, 
que ficam obrigados a acompanhar os atos processuais em ambiente 
digital. Considera-se realizada a intimação no dia em que o advogado 
acessar a informação, ou no prazo de 10 dias corridos a partir da 
disponibilização do ato, independentemente do acesso. As citações por 
93 
 
meio eletrônico também são permitidas, salvo quando destinadas a pessoa 
física sem acesso à internet, sendo nesse casoutilizada a via tradicional. 
A digitalização e o valor jurídico dos documentos são disciplinados para 
garantir que cópias digitais tenham a mesma validade dos originais. Os 
documentos digitalizados por meio eletrônico têm o mesmo valor probatório 
que os originais, desde que seja assegurada sua integridade e 
autenticidade. Após a digitalização, os autos físicos podem ser descartados 
ou mantidos, a critério do órgão julgador, exceto nos casos em que a 
conservação for exigida por lei. A produção de provas e a prática de atos 
em audiência podem ser realizadas por videoconferência, garantindo-se 
ampla defesa e contraditório. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional 
decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 
 
CAPÍTULO I 
da Informatização do Processo Judicial 
 
Art. 1º O uso de meio eletrônico na tramitação de processos judiciais, 
comunicação de atos e transmissão de peças processuais será admitido nos 
termos desta Lei. 
 
§ 1º Aplica-se o disposto nesta Lei, indistintamente, aos processos civil, penal 
e trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de 
jurisdição. 
 
§ 2º Para o disposto nesta Lei, considera-se: 
 
I - meio eletrônico qualquer forma de armazenamento ou tráfego de 
documentos e arquivos digitais; 
 
II - transmissão eletrônica toda forma de comunicação a distância com a 
utilização de redes de comunicação, preferencialmente a rede mundial de 
computadores; 
 
III - assinatura eletrônica as seguintes formas de identificação inequívoca do 
signatário: 
 
94 
 
a) assinatura digital baseada em certificado digital emitido por Autoridade 
Certificadora credenciada, na forma de lei específica; 
 
b) mediante cadastro de usuário no Poder Judiciário, conforme disciplinado 
pelos órgãos respectivos. 
 
Art. 2º O envio de petições, de recursos e a prática de atos processuais em 
geral por meio eletrônico serão admitidos mediante uso de assinatura 
eletrônica, na forma do art. 1º desta Lei, sendo obrigatório o credenciamento 
prévio no Poder Judiciário, conforme disciplinado pelos órgãos respectivos. 
 
§ 1º O credenciamento no Poder Judiciário será realizado mediante 
procedimento no qual esteja assegurada a adequada identificação presencial 
do interessado. 
 
§ 2º Ao credenciado será atribuído registro e meio de acesso ao sistema, de 
modo a preservar o sigilo, a identificação e a autenticidade de suas 
comunicações. 
 
§ 3º Os órgãos do Poder Judiciário poderão criar um cadastro único para o 
credenciamento previsto neste artigo. 
 
Art. 3º Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrônico no 
dia e hora do seu envio ao sistema do Poder Judiciário, do que deverá ser 
fornecido protocolo eletrônico. 
 
Parágrafo único. Quando a petição eletrônica for enviada para atender prazo 
processual, serão consideradas tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e 
quatro) horas do seu último dia. 
 
CAPÍTULO II 
da Comunicação Eletrônica dos Atos Processuais 
 
Art. 4º Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado 
em sítio da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais 
e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como 
comunicações em geral. 
 
95 
 
§ 1º O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo deverão ser 
assinados digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade 
Certificadora credenciada na forma da lei específica. 
 
§ 2º A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer outro 
meio e publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos 
que, por lei, exigem intimação ou vista pessoal. 
 
§ 3º Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da 
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. 
 
§ 4º Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao 
considerado como data da publicação. 
 
§ 5º A criação do Diário da Justiça eletrônico deverá ser acompanhada de 
ampla divulgação, e o ato administrativo correspondente será publicado 
durante 30 (trinta) dias no diário oficial em uso. 
 
Art. 5º As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos 
que se cadastrarem na forma do art. 2º desta Lei, dispensando-se a 
publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. 
 
§ 1º Considerar-se-á realizada a intimação no dia em que o intimando efetivar 
a consulta eletrônica ao teor da intimação, certificando-se nos autos a sua 
realização. 
 
§ 2º Na hipótese do § 1º deste artigo, nos casos em que a consulta se dê em 
dia não útil, a intimação será considerada como realizada no primeiro dia útil 
seguinte. 
 
§ 3º A consulta referida nos §§ 1º e 2º deste artigo deverá ser feita em até 10 
(dez) dias corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de 
considerar-se a intimação automaticamente realizada na data do término 
desse prazo. 
 
§ 4º Em caráter informativo, poderá ser efetivada remessa de 
correspondência eletrônica, comunicando o envio da intimação e a abertura 
automática do prazo processual nos termos do § 3º deste artigo, aos que 
manifestarem interesse por esse serviço. 
 
96 
 
§ 5º Nos casos urgentes em que a intimação feita na forma deste artigo possa 
causar prejuízo a quaisquer das partes ou nos casos em que for evidenciada 
qualquer tentativa de burla ao sistema, o ato processual deverá ser realizado 
por outro meio que atinja a sua finalidade, conforme determinado pelo juiz. 
 
§ 6º As intimações feitas na forma deste artigo, inclusive da Fazenda Pública, 
serão consideradas pessoais para todos os efeitos legais. 
 
Art. 6º Observadas as formas e as cautelas do art. 5º desta Lei, as citações, 
inclusive da Fazenda Pública, excetuadas as dos Direitos Processuais 
Criminal e Infracional, poderão ser feitas por meio eletrônico, desde que a 
íntegra dos autos seja acessível ao citando. 
 
Art. 7º As cartas precatórias, rogatórias, de ordem e, de um modo geral, todas 
as comunicações oficiais que transitem entre órgãos do Poder Judiciário, bem 
como entre os deste e os dos demais Poderes, serão feitas preferentemente 
por meio eletrônico. 
 
CAPÍTULO III 
do Processo Eletrônico 
 
Art. 8º Os órgãos do Poder Judiciário poderão desenvolver sistemas 
eletrônicos de processamento de ações judiciais por meio de autos total ou 
parcialmente digitais, utilizando, preferencialmente, a rede mundial de 
computadores e acesso por meio de redes internas e externas. 
 
Parágrafo único. Todos os atos processuais do processo eletrônico serão 
assinados eletronicamente na forma estabelecida nesta Lei. 
 
Art. 9º No processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, 
inclusive da Fazenda Pública, serão feitas por meio eletrônico, na forma desta 
Lei. 
 
§ 1º As citações, intimações, notificações e remessas que viabilizem o acesso 
à íntegra do processo correspondente serão consideradas vista pessoal do 
interessado para todos os efeitos legais. 
 
§ 2º Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do meio eletrônico para a 
realização de citação, intimação ou notificação, esses atos processuais 
97 
 
poderão ser praticados segundo as regras ordinárias, digitalizando-se o 
documento físico, que deverá ser posteriormente destruído. 
 
Art. 10. A distribuição da petição inicial e a juntada da contestação, dos 
recursos e das petições em geral, todos em formato digital, nos autos de 
processo eletrônico, podem ser feitas diretamente pelos advogados públicos 
e privados, sem necessidade da intervenção do cartório ou secretaria judicial, 
situação em que a autuação deverá se dar de forma automática, 
fornecendo-se recibo eletrônico de protocolo. 
 
§ 1º Quando o ato processual tiver que ser praticado em determinado prazo, 
por meio de petição eletrônica, serão considerados tempestivos os efetivados 
até as 24 (vinte e quatro) horas do último dia. 
 
§ 2º No caso do § 1º deste artigo, se o Sistema do Poder Judiciário se tornar 
indisponível por motivo técnico, o prazo fica automaticamenteprorrogado 
para o primeiro dia útil seguinte à resolução do problema. 
 
§ 3º Os órgãos do Poder Judiciário deverão manter equipamentos de 
digitalização e de acesso à rede mundial de computadores à disposição dos 
interessados para distribuição de peças processuais. 
 
Art. 11. Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos 
eletrônicos com garantia da origem e de seu signatário, na forma 
estabelecida nesta Lei, serão considerados originais para todos os efeitos 
legais. 
 
§ 1º Os extratos digitais e os documentos digitalizados e juntados aos autos 
pelos órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus 
auxiliares, pelas procuradorias, pelas autoridades policiais, pelas repartições 
públicas em geral e por advogados públicos e privados têm a mesma força 
probante dos originais, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de 
adulteração antes ou durante o processo de digitalização. 
 
§ 2º A argüição de falsidade do documento original será processada 
eletronicamente na forma da lei processual em vigor. 
 
§ 3º Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no § 2º deste 
artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o trânsito em julgado 
98 
 
da sentença ou, quando admitida, até o final do prazo para interposição de 
ação rescisória. 
 
§ 4º (VETADO) 
 
§ 5º Os documentos cuja digitalização seja tecnicamente inviável devido ao 
grande volume ou por motivo de ilegibilidade deverão ser apresentados ao 
cartório ou secretaria ou encaminhados por meio de protocolo integrado 
judicial nacional no prazo de 10 (dez) dias contado do envio de petição 
eletrônica comunicando o fato, os quais serão devolvidos à parte após o 
trânsito em julgado. (Redação dada pela Lei nº 14.318, de 2022) Vigência 
 
§ 6º Os documentos digitalizados juntados em processo eletrônico estarão 
disponíveis para acesso por meio da rede externa pelas respectivas partes 
processuais, pelos advogados, independentemente de procuração nos autos, 
pelos membros do Ministério Público e pelos magistrados, sem prejuízo da 
possibilidade de visualização nas secretarias dos órgãos julgadores, à 
exceção daqueles que tramitarem em segredo de justiça. (Incluído pela Lei nº 
13.793, de 2019) 
 
§ 7º Os sistemas de informações pertinentes a processos eletrônicos devem 
possibilitar que advogados, procuradores e membros do Ministério Público 
cadastrados, mas não vinculados a processo previamente identificado, 
acessem automaticamente todos os atos e documentos processuais 
armazenados em meio eletrônico, desde que demonstrado interesse para fins 
apenas de registro, salvo nos casos de processos em segredo de justiça. 
(Incluído pela Lei nº 13.793, de 2019) 
 
Art. 12. A conservação dos autos do processo poderá ser efetuada total ou 
parcialmente por meio eletrônico. 
 
§ 1º Os autos dos processos eletrônicos deverão ser protegidos por meio de 
sistemas de segurança de acesso e armazenados em meio que garanta a 
preservação e integridade dos dados, sendo dispensada a formação de autos 
suplementares. 
 
§ 2º Os autos de processos eletrônicos que tiverem de ser remetidos a outro 
juízo ou instância superior que não disponham de sistema compatível 
deverão ser impressos em papel, autuados na forma dos arts. 166 a 168 da 
99 
 
Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, ainda que 
de natureza criminal ou trabalhista, ou pertinentes a juizado especial. 
 
§ 3º No caso do § 2º deste artigo, o escrivão ou o chefe de secretaria 
certificará os autores ou a origem dos documentos produzidos nos autos, 
acrescentando, ressalvada a hipótese de existir segredo de justiça, a forma 
pela qual o banco de dados poderá ser acessado para aferir a autenticidade 
das peças e das respectivas assinaturas digitais. 
 
§ 4º Feita a autuação na forma estabelecida no § 2º deste artigo, o processo 
seguirá a tramitação legalmente estabelecida para os processos físicos. 
 
§ 5º A digitalização de autos em mídia não digital, em tramitação ou já 
arquivados, será precedida de publicação de editais de intimações ou da 
intimação pessoal das partes e de seus procuradores, para que, no prazo 
preclusivo de 30 (trinta) dias, se manifestem sobre o desejo de manterem 
pessoalmente a guarda de algum dos documentos originais. 
 
Art. 13. O magistrado poderá determinar que sejam realizados por meio 
eletrônico a exibição e o envio de dados e de documentos necessários à 
instrução do processo. 
 
§ 1º Consideram-se cadastros públicos, para os efeitos deste artigo, dentre 
outros existentes ou que venham a ser criados, ainda que mantidos por 
concessionárias de serviço público ou empresas privadas, os que contenham 
informações indispensáveis ao exercício da função judicante. 
 
§ 2º O acesso de que trata este artigo dar-se-á por qualquer meio tecnológico 
disponível, preferentemente o de menor custo, considerada sua eficiência. 
 
§ 3º (VETADO) 
 
CAPÍTULO IV 
Disposições Gerais e Finais 
 
Art. 14. Os sistemas a serem desenvolvidos pelos órgãos do Poder Judiciário 
deverão usar, preferencialmente, programas com código aberto, acessíveis 
ininterruptamente por meio da rede mundial de computadores, priorizando-se 
a sua padronização. 
 
100 
 
Parágrafo único. Os sistemas devem buscar identificar os casos de 
ocorrência de prevenção, litispendência e coisa julgada. 
 
Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso à justiça, a parte 
deverá informar, ao distribuir a petição inicial de qualquer ação judicial, o 
número no cadastro de pessoas físicas ou jurídicas, conforme o caso, perante 
a Secretaria da Receita Federal. 
 
Parágrafo único. Da mesma forma, as peças de acusação criminais deverão 
ser instruídas pelos membros do Ministério Público ou pelas autoridades 
policiais com os números de registros dos acusados no Instituto Nacional de 
Identificação do Ministério da Justiça, se houver. 
 
Art. 16. Os livros cartorários e demais repositórios dos órgãos do Poder 
Judiciário poderão ser gerados e armazenados em meio totalmente 
eletrônico. 
 
Art. 17. (VETADO) 
 
Art. 18. Os órgãos do Poder Judiciário regulamentarão esta Lei, no que 
couber, no âmbito de suas respectivas competências. 
 
Art. 19. Ficam convalidados os atos processuais praticados por meio 
eletrônico até a data de publicação desta Lei, desde que tenham atingido sua 
finalidade e não tenha havido prejuízo para as partes. 
 
Art. 20. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, 
passa a vigorar com as seguintes alterações: 
 
"Art. 38. ........................................................................... 
Parágrafo único. A procuração pode ser assinada digitalmente com base em 
certificado emitido por Autoridade Certificadora credenciada, na forma da lei 
específica." (NR) 
 
"Art. 154. ........................................................................ 
Parágrafo único. (Vetado). (VETADO) 
§ 2º Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitidos, 
armazenados e assinados por meio eletrônico, na forma da lei." (NR) 
 
"Art. 164. ....................................................................... 
101 
 
Parágrafo único. A assinatura dos juízes, em todos os graus de jurisdição, 
pode ser feita eletronicamente, na forma da lei." (NR) 
 
"Art. 169. ....................................................................... 
§ 1º É vedado usar abreviaturas. 
§ 2º Quando se tratar de processo total ou parcialmente eletrônico, os atos 
processuais praticados na presença do juiz poderão ser produzidos e 
armazenados de modo integralmente digital em arquivo eletrônico inviolável, 
na forma da lei, mediante registro em termo que será assinado digitalmente 
pelo juiz e pelo escrivão ou chefe de secretaria, bem como pelos advogados 
das partes. 
§ 3º No caso do § 2º deste artigo, eventuais contradições na transcrição 
deverão ser suscitadas oralmente no momento da realização do ato, sob 
pena de preclusão, devendo o juiz decidir de plano, registrando-se a alegaçãoe a decisão no termo." (NR) 
 
"Art. 202. ..................................................................... 
..................................................................................... 
§ 3º A carta de ordem, carta precatória ou carta rogatória pode ser expedida 
por meio eletrônico, situação em que a assinatura do juiz deverá ser 
eletrônica, na forma da lei." (NR) 
 
"Art. 221. .................................................................... 
.................................................................................... 
IV - por meio eletrônico, conforme regulado em lei própria." (NR) 
 
"Art. 237. .................................................................... 
Parágrafo único. As intimações podem ser feitas de forma eletrônica, 
conforme regulado em lei própria." (NR) 
 
"Art. 365. ................................................................... 
................................................................................... 
V - os extratos digitais de bancos de dados, públicos e privados, desde que 
atestado pelo seu emitente, sob as penas da lei, que as informações 
conferem com o que consta na origem; 
VI - as reproduções digitalizadas de qualquer documento, público ou 
particular, quando juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e seus 
auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelas procuradorias, 
pelas repartições públicas em geral e por advogados públicos ou privados, 
102 
 
ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou 
durante o processo de digitalização. 
§ 1º Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no inciso VI do 
caput deste artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o final do 
prazo para interposição de ação rescisória. 
§ 2º Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou outro 
documento relevante à instrução do processo, o juiz poderá determinar o seu 
depósito em cartório ou secretaria." (NR) 
 
"Art. 399. ................................................................ 
§ 1º Recebidos os autos, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e 
improrrogável de 30 (trinta) dias, certidões ou reproduções fotográficas das 
peças indicadas pelas partes ou de ofício; findo o prazo, devolverá os autos à 
repartição de origem. 
§ 2º As repartições públicas poderão fornecer todos os documentos em meio 
eletrônico conforme disposto em lei, certificando, pelo mesmo meio, que se 
trata de extrato fiel do que consta em seu banco de dados ou do documento 
digitalizado." (NR) 
 
"Art. 417. ............................................................... 
§ 1º O depoimento será passado para a versão datilográfica quando houver 
recurso da sentença ou noutros casos, quando o juiz o determinar, de ofício 
ou a requerimento da parte. 
§ 2º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 
3º do art. 169 desta Lei." (NR) 
 
"Art. 457. ............................................................. 
............................................................................. 
§ 4º Tratando-se de processo eletrônico, observar-se-á o disposto nos §§ 2º e 
3º do art. 169 desta Lei." (NR) 
 
"Art. 556. ............................................................ 
Parágrafo único. Os votos, acórdãos e demais atos processuais podem ser 
registrados em arquivo eletrônico inviolável e assinados eletronicamente, na 
forma da lei, devendo ser impressos para juntada aos autos do processo 
quando este não for eletrônico." (NR) 
 
 
103 
	 
	 
	 
	 PRINCÍPIOS DO PROCESSO 
	Princípio do devido processo legal 
	Princípios do contraditório e da ampla defesa 
	 JURISDIÇÃO 
	Princípio da inércia 
	AÇÃO 
	Condições da ação 
	Classificação das Ações 
	DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL 
	Princípios da cooperação internacional: 
	Disposições gerais 
	Do auxílio direto 
	Da carta rogatória 
	DA COMPETÊNCIA 
	Da modificação da competência 
	Da incompetência 
	PRECLUSÃO 
	SUJEITOS DO PROCESSO 
	Capacidade processual e postulatória 
	Deveres das partes e procuradores 
	Procuradores 
	 Sucessão das partes e dos procuradores 
	Litisconsórcio 
	INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
	DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
	Deveres do juiz (art. 139 do CPC): 
	 
	Dos Impedimentos e da Suspeição. 
	Dos Auxiliares da Justiça. 
	MINISTÉRIO PÚBLICO 
	ADVOCACIA PÚBLICA 
	DEFENSORIA PÚBLICA 
	ATOS PROCESSUAIS 
	Forma dos atos 
	Tempo e lugar. 
	Prazos 
	Comunicação dos atos processuais 
	Nulidades 
	Distribuição e registro 
	Valor da causa 
	TUTELA PROVISÓRIA 
	FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO PROCESSO 
	PROCESSO DE CONHECIMENTO E DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
	Petição inicial e Dos requisitos da petição inicial 
	Do pedido 
	Do indeferimento da petição inicial. 
	Improcedência liminar do pedido. 
	Da conversão da ação individual em ação coletiva 
	Da audiência de conciliação ou de mediação. 
	Contestação, reconvenção e revelia. 
	 
	Providências preliminares e de saneamento 
	Julgamento conforme o estado do processo 
	Da audiência de instrução e julgamento 
	Provas 
	Sentença e coisa julgada. 
	Cumprimento da sentença e sua impugnação 
	Atos judiciais 
	 Despachos, decisões interlocutórias e sentenças 
	Coisa julgada material 
	 DOS RECURSOS 
	 
	Da apelação. 
	Do agravo de instrumento. 
	Do agravo interno. 
	 Dos Embargos de Declaração. 
	 
	 
	Dos recursos para o Supremo Tribunal Federal e para o Superior Tribunal de Justiça. 
	CONTROLE JUDICIAL DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 
	MANDADO DE SEGURANÇA 
	AÇÃO POPULAR 
	AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
	LEI nº . 11.419/2006 
	(Processo Judicial Eletrônico).é uma forma de cooperação jurídica internacional 
prevista no Código de Processo Civil brasileiro, que permite que o Poder 
Judiciário de um país solicite ajuda a outro país estrangeiro para a prática de 
atos processuais, sem a necessidade de processo formal de homologação de 
sentença ou de envio de carta rogatória. Ele é utilizado principalmente 
11 
 
quando não há conflito ou necessidade de decisão judicial, mas apenas a 
realização de medidas práticas, como entrega de documentos, coleta de 
provas ou obtenção de informações. 
Esse mecanismo tem como objetivo tornar mais ágil e eficiente a 
cooperação internacional, respeitando sempre a soberania nacional e os 
direitos fundamentais das partes envolvidas. O auxílio direto pode ser 
solicitado tanto por autoridades brasileiras a países estrangeiros quanto o 
contrário, desde que haja base legal ou reconhecimento de reciprocidade 
entre os Estados. A atuação do Ministério da Justiça, por meio da autoridade 
central, também pode ocorrer para intermediar esses pedidos. 
 
O ponto central é entender que o auxílio direto se destina à prática de 
atos de cooperação sem conteúdo decisório, com foco na execução de 
medidas pontuais dentro de um processo que tramita em outro país. 
 
 
Da carta rogatória 
 
A carta rogatória é um instrumento de cooperação jurídica internacional 
previsto no Código de Processo Civil (artigos 26 a 41 do CPC/2015), utilizado 
quando é necessário praticar um ato processual no exterior, como citação, 
intimação, produção de provas ou colheita de depoimentos, dentro de um 
processo que tramita no Brasil. Trata-se de um pedido formal enviado por um 
juiz brasileiro a uma autoridade judicial estrangeira, por meio dos canais 
diplomáticos, solicitando que esse ato seja realizado em território estrangeiro, 
respeitando as leis locais. 
 
Esse instrumento também pode funcionar no sentido inverso, quando 
um país estrangeiro solicita ao Brasil a prática de um ato judicial aqui. A carta 
rogatória é essencial quando o ato a ser praticado envolve autoridade 
estrangeira e não pode ser feito diretamente, como ocorre no auxílio direto. 
Para que produza efeitos no Brasil, a carta rogatória passiva (aquela vinda de 
outro país) precisa ser aprovada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que 
analisará, principalmente, se há ofensa à soberania nacional, à ordem pública 
ou aos direitos fundamentais. 
 
O artigo 237, II, do CPC também reforça que atos processuais a serem 
realizados fora do território nacional, com a cooperação de autoridade 
estrangeira, dependem de carta rogatória. 
12 
 
DA COMPETÊNCIA 
 
A competência, no direito processual civil, é o conjunto de regras que 
define qual órgão do Poder Judiciário deve julgar determinada causa. Está 
disciplinada no Código de Processo Civil de 2015, principalmente entre os 
artigos 42 e 69. O objetivo dessas regras é distribuir a jurisdição entre os 
diversos juízes e tribunais, garantindo organização, segurança jurídica e 
eficiência no sistema de justiça. 
 
O artigo 42 do CPC estabelece que a competência é determinada no 
momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes 
mudanças posteriores no estado de fato ou de direito. Isso significa que, 
salvo exceções, o juiz que recebe o processo inicialmente continua sendo 
competente, mesmo que ocorram modificações no decorrer do tempo. O 
artigo 43 reforça esse princípio ao dizer que, como regra, o juiz continua 
competente até o final do processo, salvo nos casos de modificação de 
competência absoluta. 
 
O Código também diferencia competência absoluta (que trata de 
matéria, função ou hierarquia e não pode ser modificada pelas partes) da 
competência relativa (que trata de território e pode ser alterada por acordo 
entre as partes). As regras de fixação da competência estão nos artigos 46 a 
53, e incluem critérios como o domicílio do réu, o local do fato, o valor da 
causa e a natureza do direito discutido. 
 
A correta compreensão dessas regras é fundamental para o bom 
andamento do processo, evitando nulidades e garantindo que o julgamento 
ocorra perante o juiz adequado. 
 
 
Da modificação da competência 
 
A modificação da competência no direito processual civil está prevista 
nos artigos 43 a 66 do Código de Processo Civil de 2015. Em regra, a 
competência é fixada no momento do registro ou distribuição da petição 
inicial, conforme estabelece o artigo 43, e não se altera com mudanças no 
estado de fato ou de direito, como mudança de domicílio das partes. No 
13 
 
entanto, há exceções que autorizam a modificação da competência ao longo 
do processo. 
 
As principais hipóteses de modificação são a conexão, a continência e 
a reconvenção. A conexão ocorre quando duas ou mais ações possuem o 
mesmo pedido ou causa de pedir e, por isso, devem ser reunidas para evitar 
decisões contraditórias, conforme o artigo 55. A continência, prevista no 
artigo 56, acontece quando uma ação é mais abrangente que a outra, 
contendo todos os elementos da primeira mais algum outro, e ambas devem 
ser reunidas para julgamento conjunto. Já a reconvenção, tratada no artigo 
343, permite que o réu apresente uma nova demanda dentro da mesma ação, 
o que pode implicar alteração da competência se for matéria de competência 
relativa. 
 
Além disso, o CPC prevê a possibilidade de prorrogação da 
competência relativa por meio de acordo entre as partes, quando não houver 
manifestação oportuna de incompetência. Segundo o artigo 65, a 
incompetência relativa deve ser alegada por meio de exceção na 
contestação, sob pena de prorrogação da competência. 
 
Já a incompetência absoluta, conforme o artigo 64, pode ser 
reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo ou grau de jurisdição e não 
se convalida com o silêncio das partes, pois está ligada à matéria, à função 
ou à hierarquia. 
 
Também é importante lembrar que, conforme o artigo 66, os conflitos de 
competência entre juízes vinculados a tribunais diferentes são resolvidos pelo 
tribunal superior competente. A compreensão dessas regras é essencial para 
garantir o andamento adequado do processo e o respeito às garantias 
processuais das partes. 
 
Da incompetência 
 
A incompetência no direito processual civil ocorre quando um juízo 
recebe uma causa que, pelas regras previstas no Código de Processo Civil 
(CPC), não deveria ser julgada por ele. 
Segundo o artigo 64 do CPC, a incompetência pode ser absoluta ou 
relativa. A incompetência absoluta está relacionada a matéria, função ou 
hierarquia e pode ser reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo e grau 
14 
 
de jurisdição, sem necessidade de provocação da parte. Já a incompetência 
relativa diz respeito ao território e deve ser alegada pela parte interessada por 
meio de exceção na contestação, sob pena de prorrogação da competência 
(artigo 65). 
 
A arguição de incompetência relativa deve ser fundamentada e 
instruída com provas. Uma vez apresentada, suspende-se o processo até que 
o juiz decida se é ou não competente. Se acolher a exceção, o juiz anula os 
atos decisórios já proferidos e remete o processo ao juízo competente. Caso 
a exceção seja rejeitada, o processo segue normalmente no juízo original. 
 
O artigo 66 trata dos conflitos de competência, que ocorrem quando há 
dúvida, controvérsia ou sobreposição de competências entre juízos. Nesses 
casos, o tribunal competente resolve o conflito, podendo determinar qual juízo 
deve seguir com o processo. 
 
Também se exige atenção para o fato de que a incompetência absoluta 
não pode ser convalidada pelo silêncio da parte, ao contrário da relativa, que 
se prorroga se não for alegada tempestivamente. Esses dispositivos 
garantem que o processo seja julgado por autoridade competente, 
assegurando legalidade e imparcialidade na condução do feito. 
 
PRECLUSÃO 
 
A preclusão, no direito processual civil, é a perda do direito de praticar 
um ato processual em razão do decurso do tempo, da prática anteriorde 
outro ato incompatível ou da decisão judicial que já apreciou a matéria. Está 
prevista de forma implícita e explícita em diversos dispositivos do Código de 
Processo Civil de 2015, principalmente nos artigos 223, 507 e 505. 
O artigo 223 trata da preclusão temporal, que ocorre quando a parte 
deixa de exercer um direito no prazo legal. Já o artigo 507 estabelece a 
preclusão consumativa, que impede a parte de repetir um ato já praticado no 
processo, como apresentar nova contestação após já tê-la feito. Além disso, 
há a preclusão lógica, que acontece quando a parte realiza um ato 
incompatível com outro que deveria ter sido praticado antes. O artigo 505 
também reforça o caráter definitivo da decisão judicial que já julgou 
determinada questão, impedindo nova discussão sobre o mesmo ponto 
dentro do mesmo processo, salvo exceções legais. 
15 
 
A preclusão não atinge o juiz nas matérias de ordem pública, como 
competência absoluta e nulidades que não dependem de provocação das 
partes, conforme permite o artigo 485, §3º. Já as partes, salvo em hipóteses 
específicas, devem observar rigorosamente os prazos e a ordem processual, 
sob pena de preclusão. 
 
A preclusão temporal ocorre quando a parte perde o direito de 
praticar determinado ato processual por não o ter realizado dentro do prazo 
legal ou judicial estabelecido. Sua causa é o decurso do tempo, associado à 
inércia da parte. Por exemplo, se o réu não apresentar contestação dentro do 
prazo previsto, ocorre preclusão temporal quanto à apresentação da defesa. 
O efeito é a perda definitiva da faculdade processual, impedindo sua 
renovação ou reapresentação, salvo se houver justa causa ou concessão de 
prazo em casos excepcionais previstos em lei. A preclusão temporal é 
objetiva, automática e visa à regularidade formal do processo. 
A preclusão consumativa acontece quando a parte já exerceu uma 
faculdade processual e, por isso, não pode praticar o mesmo ato novamente. 
Sua causa está na prática anterior válida do ato. Um exemplo é o 
oferecimento de contestação: uma vez apresentada, a parte não pode 
substituí-la livremente por outra, salvo nos casos autorizados pelo CPC, como 
emenda ou retificação por determinação judicial. O efeito da preclusão 
consumativa é o encerramento da oportunidade de reapresentar ou modificar 
um ato já consumado, consolidando os efeitos da primeira manifestação da 
parte. Ela garante a continuidade do processo e evita a repetição de atos que 
poderiam tumultuar o andamento processual. 
A preclusão lógica ocorre quando a prática de um ato é incompatível 
com outro anteriormente realizado pela mesma parte. Sua causa é a 
contradição entre comportamentos processuais sucessivos. Por exemplo, se 
a parte recorre da sentença, não pode, em seguida, requerer o cumprimento 
da mesma decisão, pois isso implicaria aceitar e rejeitar o mesmo provimento. 
A preclusão lógica está fundada na boa-fé e na coerência processual, 
evitando que a parte adote condutas contraditórias. O efeito é a ineficácia do 
segundo ato, que se torna inválido ou inadmissível, protegendo a estabilidade 
e a lealdade do processo. 
16 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
SUJEITOS DO PROCESSO 
 
FICA A DICA 
 
São sujeitos do processo: o juiz, as partes, seus procuradores, o Ministério 
Público, os auxiliares da justiça e terceiros que, de alguma forma, 
participam da relação processual. 
 
 
MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
O artigo 70 define que as partes são o autor e o réu, que atuam no 
processo diretamente ou por meio de seus advogados. O artigo 71 
estabelece a capacidade para estar em juízo, exigindo que a parte seja 
civilmente capaz, ressalvando os casos de representação ou assistência. Já o 
artigo 77 impõe deveres processuais a todas as partes, como expor os fatos 
conforme a verdade, não formular pretensões abusivas e não praticar atos 
que causem prejuízo à celeridade do processo. O descumprimento desses 
deveres pode levar à aplicação de sanções pelo juiz. 
 
O juiz, conforme os artigos 139 e seguintes, tem como função conduzir 
o processo de maneira imparcial, garantindo o contraditório, a ampla defesa e 
18 
 
a duração razoável do processo. Deve atuar com equilíbrio, podendo 
inclusive determinar medidas para assegurar a efetividade do processo. Já o 
Ministério Público, conforme o artigo 176, atua como fiscal da ordem jurídica 
nos casos previstos em lei ou quando houver interesse público relevante, 
sendo obrigatória sua intimação nos processos em que atua. 
 
Também são sujeitos do processo os auxiliares da justiça, como o 
escrivão, o oficial de justiça, o perito, entre outros, que colaboram para o 
funcionamento do processo e são disciplinados nos artigos 149 a 175. Além 
disso, o CPC admite a presença de terceiros no processo por meio de 
intervenções específicas, como assistência, oposição, denunciação da lide, 
chamamento ao processo e amicus curiae, conforme previsto nos artigos 119 
a 138. 
 
O juiz é o sujeito imparcial e responsável por conduzir o processo, 
garantir o contraditório, a ampla defesa e aplicar a lei ao caso concreto. De 
acordo com o artigo 139 do Código de Processo Civil, ele possui poderes 
para dirigir o processo, zelar pela duração razoável, promover a 
autocomposição entre as partes e determinar medidas necessárias para 
garantir a efetividade da tutela jurisdicional. Seu limite está em respeitar a 
imparcialidade, não podendo agir de ofício em tudo e nem tomar decisões 
que extrapolem o pedido das partes, sob pena de violar o princípio da inércia. 
 
As partes são o autor e o réu, e têm como função principal apresentar 
suas alegações, provas e exercer seus direitos processuais dentro dos limites 
legais. Elas devem agir com lealdade, boa-fé e respeito à veracidade dos 
fatos, conforme previsto no artigo 77 do CPC. As partes não podem usar o 
processo para fins ilícitos ou protelatórios, sob pena de sofrerem sanções. 
Elas são responsáveis por impulsionar o processo em muitos momentos e 
têm o dever de colaborar com o juízo. 
 
Os advogados, como procuradores das partes, têm a função de 
representar os interesses dos seus clientes em juízo. São indispensáveis à 
administração da justiça, conforme o artigo 133 da Constituição Federal. 
Devem atuar com ética, diligência, lealdade e respeito ao juízo e à parte 
contrária. Seus limites estão na observância do Código de Ética da OAB e na 
proibição de usar o processo para causar tumulto ou dano à parte adversa. 
 
O Ministério Público atua como fiscal da ordem jurídica, nos casos em 
que há interesse público, social, de incapazes ou da coletividade. Conforme o 
19 
 
artigo 176 do CPC, ele pode intervir no processo ou propor ações quando a 
lei assim determinar. Seu dever é zelar pela legalidade e pelos interesses 
protegidos constitucionalmente. O limite da sua atuação está nos casos em 
que sua intervenção não é obrigatória, não podendo invadir a esfera de 
atuação das partes. 
 
Os auxiliares da justiça, como escrivães, oficiais de justiça, peritos, 
tradutores e intérpretes, têm a função de auxiliar tecnicamente o juiz e 
garantir o andamento do processo. Estão regulados entre os artigos 149 a 
175 do CPC. Devem agir com imparcialidade, pontualidade e 
responsabilidade. Seus limites são fixados pela função específica que 
exercem e pelas determinações judiciais, sendo vedada qualquer atuação 
que comprometa sua neutralidade. 
 
Os terceiros que intervêm no processo, como assistente, opoente, 
denunciado da lide, chamado ao processo e amicus curiae, possuem funções 
específicas, cada qual regulada pelo Código. A assistência, por exemplo, 
permite que um terceiro defenda interesse jurídico que pode ser afetado pelo 
resultado da causa. Já o amicus curiae atua para fornecer subsídios técnicos 
ou jurídicos ao juízo, sem ser parte no processo. Os limites de atuação 
desses terceiros são definidos pela lei e pelo juiz, que pode admitir ou limitar 
sua participação de acordocom a relevância e utilidade da intervenção. 
Capacidade processual e postulatória 
 
A capacidade processual, conforme o artigo 70 do CPC, é a aptidão 
da parte para estar em juízo, ou seja, para figurar como autor ou réu em um 
processo. De modo geral, tem capacidade processual quem tem capacidade 
civil, mas pessoas absolutamente ou relativamente incapazes podem estar 
em juízo representadas ou assistidas por seus responsáveis legais, conforme 
os artigos 71 e 72. 
 
A capacidade postulatória é a aptidão para praticar atos processuais 
por meio da fala ou da escrita no processo. De acordo com o artigo 103 do 
CPC, essa capacidade é, via de regra, exclusiva dos advogados legalmente 
habilitados pela OAB. Isso significa que, embora a parte possa ter capacidade 
processual, ela depende de um advogado para exercer a capacidade 
postulatória, ou seja, para atuar de fato no processo. 
 
20 
 
Existem exceções à necessidade de advogado, previstas em lei, como 
nas ações de até vinte salários mínimos nos juizados especiais cíveis (Lei 
9.099/95) e no habeas corpus, onde a parte pode atuar sozinha. Além disso, 
o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Advocacia Pública também 
possuem capacidade postulatória institucional, podendo atuar em nome do 
Estado ou de pessoas hipossuficientes sem necessidade de inscrição na 
OAB. 
 
É importante compreender que a capacidade processual está ligada à 
pessoa poder figurar no processo, enquanto a postulatória está relacionada 
ao ato de praticar diretamente os atos processuais. A distinção entre esses 
dois conceitos é essencial para entender quem pode estar no processo e 
como essa participação se efetiva juridicamente. 
 
Deveres das partes e procuradores 
 
A compreensão do artigo 77 e das consequências do seu 
descumprimento é fundamental para quem pretende atuar no Judiciário ou 
em funções jurídicas, já que ele regula o comportamento mínimo esperado 
das partes e advogados no curso do processo. 
 
Os deveres das partes e dos procuradores no processo civil estão 
previstos no artigo 77 do Código de Processo Civil de 2015. Esses deveres 
são essenciais para garantir que o processo seja conduzido com ética, 
lealdade e eficiência, preservando a boa-fé processual e o respeito entre os 
sujeitos do processo. A norma determina que todos devem comportar-se de 
acordo com a boa-fé, não praticar atos desleais, nem utilizar o processo para 
fins abusivos ou protelatórios. 
 
Entre os principais deveres previstos no artigo 77, destacam-se: expor 
os fatos conforme a verdade; não formular pretensões cientes de que são 
infundadas; não produzir provas nem praticar atos inúteis ou desnecessários 
ao processo; cumprir com exatidão os provimentos judiciais e não criar 
embaraços à sua efetivação; e não praticar inovação ilegal no estado de fato 
de bem ou direito litigioso. Esses comportamentos são exigidos tanto das 
partes quanto de seus procuradores, inclusive advogados públicos e 
privados. 
 
21 
 
O parágrafo 1º do mesmo artigo permite ao juiz aplicar multa de até 2% 
do valor da causa à parte ou ao advogado que agir com má-fé ou infringir 
qualquer dos deveres processuais. Caso o comportamento seja gravemente 
ofensivo à dignidade da justiça ou configure abuso de direito processual, o 
juiz poderá aplicar outras sanções, inclusive comunicação à OAB ou ao 
Ministério Público, conforme o caso. O parágrafo 2º reforça que, além das 
sanções processuais, o descumprimento desses deveres pode gerar 
responsabilidade por perdas e danos. 
 
Procuradores 
 
Os procuradores no direito processual civil são aqueles que 
representam as partes em juízo, atuando em seu nome para praticar todos os 
atos processuais necessários à defesa de seus interesses. Essa atuação está 
prevista principalmente nos artigos 103 a 107 do Código de Processo Civil de 
2015. A regra geral é que as partes devem estar representadas por advogado 
legalmente habilitado, o que configura a chamada capacidade postulatória. 
Essa representação é formalizada por meio do instrumento de mandato, 
conhecido como procuração. 
 
De acordo com o artigo 103 do CPC, o advogado poderá postular em 
juízo mediante apresentação de procuração, que deve conter os poderes 
conferidos pela parte, podendo ser geral para o foro ou específica para atos 
determinados. O artigo 104 estabelece que, mesmo sem a juntada da 
procuração, o advogado poderá atuar em caráter de urgência, devendo 
regularizar a representação nos quinze dias seguintes, sob pena de serem 
considerados inexistentes os atos praticados. 
 
O artigo 105 define os poderes que devem estar expressos na 
procuração, como os de receber citação, confessar, transigir, desistir, 
renunciar ao direito sobre que se funda a ação, entre outros. Esses são 
chamados poderes especiais, que exigem menção expressa no mandato. Já 
o artigo 106 trata das comunicações processuais, assegurando que todas as 
intimações devem ser feitas ao advogado constituído nos autos, garantindo o 
contraditório e a ampla defesa. 
 
O artigo 107, por sua vez, estabelece que as partes podem 
substabelecer o mandato com ou sem reserva de poderes, desde que 
respeitadas as condições da procuração original. A atuação do procurador 
22 
 
está limitada aos poderes que lhe foram conferidos, sendo vedada qualquer 
prática de atos em desacordo com o mandato. 
Requisitos formais da procuração: 
 
 A procuração deve ser juntada aos autos por instrumento público ou 
particular assinado pela parte (art. 105 do CPC). Ela deve conter: 
● a qualificação do outorgante (parte) e do outorgado (advogado); 
● a indicação dos poderes concedidos; 
● assinatura da parte (podendo ser eletrônica, nos autos digitais); 
● Se for particular, não precisa ser registrada em cartório para ter 
validade no processo. 
Poderes especiais exigidos: 
 
 Alguns atos processuais só podem ser praticados pelo advogado se 
expressamente autorizados na procuração, conforme o art. 105 do CPC. São 
eles: 
● receber citação; 
● confessar (reconhecer a procedência do pedido); 
● desistir; 
● transigir (fazer acordo); 
● renunciar ao direito sobre que se funda a ação; 
● firmar compromisso ou aceitar arbitragem. 
 
Se esses poderes não estiverem expressamente mencionados, o 
advogado não pode praticar esses atos. 
Prazos para regularização da representação: 
 O art. 104 do CPC permite que o advogado, em caso de urgência, 
pratique atos antes de juntar a procuração. No entanto, ele deve regularizar 
essa representação no prazo de 15 dias úteis, prorrogáveis por mais 15 dias, 
sob pena de serem considerados inexistentes os atos praticados. Esse prazo 
conta a partir da primeira intimação para que junte o instrumento de mandato. 
 
 
23 
 
 
Diferença entre capacidade processual e capacidade postulatória: 
● Capacidade processual é a aptidão para estar em juízo, ou seja, ser 
parte (autor ou réu) no processo. Tem capacidade processual quem 
tem capacidade civil, mas menores ou incapazes podem estar em juízo 
com representante ou assistente legal (art. 70 e 71 do CPC). 
 
● Capacidade postulatória é a aptidão para praticar atos processuais em 
nome da parte. Regra geral, somente quem é advogado regularmente 
inscrito na OAB possui essa capacidade. A parte precisa do advogado 
para ter acesso ao processo, salvo nas exceções legais (ex: juizado 
especial até 20 salários mínimos e habeas corpus). 
 
 
 Sucessão das partes e dos procuradores 
 
A sucessão das partes e dos procuradores no processo civil está 
disciplinada nos artigos 108 a 112 do Código de Processo Civil de 2015 e 
trata das situações em que há substituição ou alteração de uma das partes ou 
de seus representantes no decorrer do processo. Essa sucessão garante a 
continuidade da relação processual mesmo diante de mudanças, como a 
morte de uma das partes, a substituição de advogado ou a transferência de 
direitos litigiosos. 
 
De acordo com o artigo 108 do CPC, ocorrendo a morte de qualquer 
das partes, dar-se-á a sucessãopelo seu espólio, herdeiros ou sucessores, 
dependendo da fase processual e do tipo de direito discutido. O processo não 
se extingue com a morte da parte, devendo o juiz determinar a suspensão do 
processo e a intimação dos sucessores, que assumirão o polo da ação. Essa 
regra assegura a continuidade da marcha processual sem prejuízo à parte 
contrária. 
 
O artigo 109 trata da alienação da coisa ou do direito litigioso, 
estabelecendo que o processo continua com o alienante, salvo se o 
adquirente quiser intervir no feito ou for admitido como assistente 
litisconsorcial. A alienação ou cessão de direitos litigiosos não impede o 
prosseguimento do processo, mas permite que o novo titular tenha 
24 
 
participação ativa, desde que autorizada judicialmente. Essa regra protege o 
direito de defesa da parte contrária, evitando surpresas processuais. 
 
Já os artigos 111 e 112 tratam da sucessão de procuradores. Se o 
advogado renunciar ao mandato (art. 112), deverá comunicar a parte 
representada e continuará obrigado a atuar por mais 10 dias, salvo se for 
substituído antes. Por outro lado, se a parte revogar o mandato (art. 111), 
deverá informar ao juízo e apresentar novo advogado para não deixar a parte 
desassistida. Em ambos os casos, o processo continua normalmente, mas a 
parte deve providenciar nova representação para não comprometer sua 
defesa. 
 
A sucessão processual é um mecanismo que assegura a estabilidade e 
continuidade do processo, mesmo diante de eventos como falecimento, 
cessão de direitos ou substituição de advogados. Entender essas regras é 
essencial para resolver questões práticas e teóricas de concursos, 
principalmente no que diz respeito aos efeitos da sucessão e à forma correta 
de manter a regularidade da representação no curso do processo. 
 
Litisconsórcio 
 
De acordo com o artigo 113 do CPC, o litisconsórcio pode ser 
facultativo ou necessário. É facultativo quando as partes decidem litigar 
juntas, por conveniência ou interesse comum. É necessário quando a lei 
exige ou a natureza da relação jurídica impõe que todos os interessados 
participem do processo, como condição para que a sentença produza efeitos 
válidos. O juiz deve determinar a integração do litisconsórcio necessário, se 
não for feito pelas partes desde o início. 
O artigo 114 classifica ainda o litisconsórcio em unitário ou simples. Ele 
é unitário quando a decisão judicial deve ser uniforme para todos os 
litisconsortes, como ocorre, por exemplo, em ações que envolvem direitos 
indivisíveis. É simples quando a decisão pode ser diferente para cada 
litisconsorte, mesmo que estejam no mesmo polo da ação. 
O artigo 115 dispõe que cada litisconsorte é considerado parte distinta, 
podendo praticar atos processuais independentemente, salvo se a defesa for 
incompatível ou se o juiz determinar atuação conjunta. O artigo 116 permite a 
25 
 
intervenção posterior de litisconsortes no processo, desde que seja 
respeitado o contraditório e não haja prejuízo à marcha processual. 
O litisconsórcio pode ser inicial, quando formado desde o início do 
processo, ou superveniente, quando constituído posteriormente. Também 
pode ser ativo (autores), passivo (réus) ou misto (ambos os polos). Sua 
finalidade principal é evitar decisões contraditórias, economizar tempo e 
recursos processuais e assegurar uma solução eficaz e completa do litígio. 
 
Os tipos de litisconsórcio e suas classificações: 
➤ Quanto à obrigatoriedade: 
● Litisconsórcio facultativo (art. 113, §1º): 
 As partes escolhem litigar juntas, por afinidade de pedidos ou de causa 
de pedir. 
 Exemplo: dois vizinhos entram com ação contra uma empresa por 
danos causados por um mesmo problema ambiental. 
 
● Litisconsórcio necessário (art. 113, §2º): 
 A presença de todas as partes interessadas é exigida por lei ou pela 
natureza da relação jurídica, sob pena de a sentença ser nula. 
 Exemplo: ação anulatória de casamento exige a presença de ambos 
os cônjuges. 
 
➤ Quanto à forma de atuação da decisão judicial: 
● Litisconsórcio simples (art. 114): 
 A decisão pode ser diferente para cada litisconsorte. Os efeitos do 
julgamento são independentes. 
 Exemplo: ação de cobrança em que o juiz pode condenar um réu e 
absolver outro. 
 
● Litisconsórcio unitário (art. 114, parágrafo único): 
 A decisão deve ser uniforme para todos os litisconsortes, por força da 
indivisibilidade do objeto. 
 Exemplo: ação que discute validade de eleição em condomínio ou 
sindicato. 
 
26 
 
➤ Quanto ao momento da formação: 
● Litisconsórcio inicial: 
 Formado desde o início do processo, na petição inicial ou contestação. 
 
● Litisconsórcio superveniente (art. 116): 
 Formado durante o processo, por determinação judicial ou por 
admissão posterior. 
 
➤ Quanto ao polo da ação: 
● Litisconsórcio ativo: 
 Mais de um autor no polo ativo da ação. 
 
● Litisconsórcio passivo: 
 Mais de um réu no polo passivo. 
 
● Litisconsórcio misto: 
 Vários autores e réus, nos dois polos da demanda. 
 
Efeitos do litisconsórcio: 
● Cada litisconsorte é tratado como parte independente (art. 117), 
podendo apresentar defesa, provas e recorrer individualmente, salvo 
nos casos de litisconsórcio unitário, onde os atos processuais podem 
ser comuns. 
 
● Não há solidariedade presumida entre litisconsortes (art. 117, parágrafo 
único), salvo disposição legal ou contratual. 
 
Contagem de prazos (art. 229 do CPC): 
● Quando houver litisconsórcio com advogados diferentes de escritórios 
distintos, o prazo para manifestação será contado em dobro para todos 
os atos processuais. 
 
 
27 
 
● Exceções ao prazo em dobro: 
 
○ Se os advogados forem do mesmo escritório, não há prazo em 
dobro. 
○ O prazo em dobro não se aplica aos Juizados Especiais (Súmula 
641 do STF). 
Também não se aplica quando apenas um advogado atua 
efetivamente no processo. 
 
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 
 
A intervenção de terceiros no processo civil está prevista nos artigos 
119 a 138 do Código de Processo Civil de 2015 e trata das hipóteses em que 
uma pessoa que inicialmente não fazia parte do processo passa a integrar a 
relação processual. Essa entrada pode ocorrer por interesse jurídico na 
causa, por disposição legal ou para auxiliar o juízo na formação de 
convencimento técnico. O objetivo da intervenção é assegurar uma decisão 
mais justa e eficaz, evitando prejuízo a terceiros e garantindo a ampla defesa 
de quem pode ser afetado pelo resultado do processo. 
 
As principais formas de intervenção previstas no CPC são: assistência, 
denunciação da lide, chamamento ao processo, oposição, nomeação à 
autoria e amicus curiae. 
 
A assistência (artigos 119 a 124) permite que um terceiro, com 
interesse jurídico na causa, ingresse no processo para auxiliar uma das 
partes. Pode ser simples, quando o assistente só apoia a parte principal, ou 
litisconsorcial, quando a decisão também afeta diretamente o assistente. 
 
A denunciação da lide (artigo 125 a 129) é a chamada de um terceiro 
ao processo, feita por uma das partes, com base em uma relação jurídica 
anterior de garantia, como nos casos de evicção ou direito de regresso. Se 
aceita, o denunciado assume o polo com o denunciante ou pode substituí-lo. 
 
O chamamento ao processo (artigos 130 a 132) ocorre especialmente 
em obrigações solidárias, permitindo que o réu chame ao processo os demais 
28 
 
devedores solidários ou o fiador. Serve para que todos os responsáveis sejam 
julgados na mesma ação. 
 
A oposição (artigos 138 a 144) é quando um terceiro propõe ação 
contra autor e réu, alegando que tem direito sobre o objeto litigioso. A 
oposição pode ser apresentada antes ou durante o processo, e seu 
julgamento poderá suspender o andamento da causa principal. 
 
A nomeação à autoria (artigos 338 e 339) ocorre quando o réu aponta 
que não é parte legítima para figurar na ação e indica quem deveria ocupar 
seu lugar, possibilitando a substituição da parte originalmente citada. 
 
O amicus curiae (artigo138) é a figura do “amigo da corte”, que não é 
parte no processo, mas é admitido pelo juiz para fornecer informações 
técnicas, jurídicas ou sociais relevantes para o julgamento. Sua atuação é 
limitada, mas pode apresentar memoriais e fazer sustentação oral em 
determinados casos. 
 
Essas formas de intervenção visam garantir um processo mais justo, 
prevenir nulidades, assegurar contraditório e evitar decisões que prejudiquem 
pessoas que não foram ouvidas. 
 
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA 
 
Deveres do juiz (art. 139 do CPC): 
 O juiz tem o dever de assegurar às partes igualdade de tratamento, 
garantir o contraditório e a ampla defesa, incentivar a autocomposição, 
determinar medidas para efetividade do processo, zelar pela duração 
razoável do processo, e proibir atos que causem dilações indevidas. Ele deve 
também corrigir irregularidades processuais, podendo adaptar a forma dos 
atos às necessidades do caso, sempre buscando a prestação jurisdicional 
justa e efetiva. 
 
 
29 
 
Poderes instrutórios do juiz (art. 370): 
 No sistema do CPC/2015, o juiz atua de forma mais participativa na 
formação da prova. Ele pode determinar de ofício ou a requerimento das 
partes a produção de provas necessárias ao esclarecimento da verdade, 
desde que respeite o contraditório. Esses poderes reforçam o princípio da 
busca pela verdade real, especialmente quando o processo não traz 
elementos suficientes para a decisão. 
Impedimentos e suspeições (arts. 144 e 145 do CPC): 
 O juiz é impedido de atuar quando tiver relação direta com o processo, 
como ser parte interessada, cônjuge de parte, ou tiver atuado como advogado 
ou perito na causa. Esses casos geram nulidade absoluta. Já a suspeição 
ocorre quando há motivos subjetivos, como amizade íntima, inimizade 
notória, ou interesse indireto no resultado do processo. A suspeição pode ser 
arguida pela parte e, se reconhecida, o juiz é afastado. A imparcialidade é um 
princípio fundamental do processo, e sua violação compromete a validade 
dos atos processuais. 
Atuação e responsabilidade dos auxiliares da justiça (arts. 149 a 175): 
 São auxiliares da justiça: o escrivão judicial ou chefe de secretaria, o 
oficial de justiça, o perito, o intérprete/tradutor, o depositário, entre outros. 
Eles têm funções específicas no auxílio ao juiz e à administração da justiça. 
● O escrivão é responsável pelos registros, movimentação dos autos e 
expedição de atos. 
● O oficial de justiça pratica diligências como citações, intimações, 
penhoras e prisões civis. 
● O perito realiza exames técnicos para esclarecer fatos que dependem 
de conhecimento especializado. 
● O intérprete ou tradutor atua quando há necessidade de verter 
documentos ou falas para a língua portuguesa. 
Todos esses auxiliares devem agir com diligência, imparcialidade e 
responsabilidade, podendo ser responsabilizados disciplinar, civil e 
criminalmente em caso de omissão, dolo ou fraude. O juiz pode substituí-los 
se houver irregularidade na atuação ou se a parte demonstrar justo motivo. 
 
 
 
30 
 
 
Dos Impedimentos e da Suspeição. 
 
A diferença entre Impedimento e Suspeição no processo civil está nos 
fundamentos e efeitos de cada instituto, ambos voltados à garantia da 
imparcialidade do juiz, e está prevista nos artigos 144 e 145 do Código de 
Processo Civil (CPC/2015). 
 
O Impedimento ocorre quando há vínculo objetivo e direto do juiz com 
o processo, as partes ou os advogados. São situações claramente previstas 
na lei, como ser o juiz parte no processo, parente das partes ou ter atuado 
anteriormente como advogado, promotor ou defensor no mesmo caso. Por 
ser um obstáculo legal absoluto, o impedimento gera nulidade absoluta dos 
atos praticados e pode ser reconhecido de ofício a qualquer tempo, 
independentemente de provocação da parte. Está regulamentado no art. 144 
do CPC. 
 
A Suspeição se baseia em vínculos subjetivos, como amizade íntima, 
inimizade, interesse emocional ou comportamentos parciais do juiz durante o 
processo. São hipóteses que dependem de demonstração de fatos e provas, 
e devem ser arguidas pela parte interessada no prazo de 15 dias do 
conhecimento do fato, nos termos do art. 145 e art. 146 do CPC. A Suspeição 
não gera nulidade automática; ela precisa ser reconhecida por decisão 
judicial após a arguição. 
 
Diferença principal: 
 
● Impedimento: vínculo objetivo, legalmente definido, gera nulidade 
absoluta, pode ser reconhecido de ofício. 
 
● Suspeição: vínculo subjetivo, depende de arguição e prova, não gera 
nulidade automática, precisa ser reconhecida por decisão judicial. 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
 
 
Dos Auxiliares da Justiça. 
 
Os auxiliares da justiça são figuras essenciais no andamento do 
processo judicial e estão disciplinados nos artigos 149 a 175 do Código de 
Processo Civil de 2015. São pessoas que, embora não tenham função 
jurisdicional, prestam apoio técnico e administrativo ao juiz e às partes, 
contribuindo para a efetividade da prestação jurisdicional. 
 
Conforme o artigo 149 do CPC, são considerados auxiliares da justiça: 
o escrivão judicial (ou chefe de secretaria), o oficial de justiça, o perito, o 
tradutor, o intérprete, o depositário, o administrador, o avaliador, entre outros 
que a lei designar. Cada um desses auxiliares têm funções específicas e deve 
cumprir seus deveres com diligência, lealdade e imparcialidade, sob a 
supervisão do juiz. 
 
O escrivão ou chefe de secretaria, por exemplo, é responsável pela 
organização dos autos, movimentação processual e expedição de atos, 
sendo suas funções disciplinadas nos artigos 150 e 152. O oficial de justiça, 
regulado pelos artigos 154 a 158, é quem executa ordens judiciais externas, 
como citações, intimações, penhoras e prisões civis, lavrando os respectivos 
mandados. 
 
O perito, previsto nos artigos 156 a 158, é nomeado pelo juiz quando o 
processo exige conhecimento técnico especializado. Ele deve apresentar 
laudo claro, objetivo e fundamentado. As partes podem indicar assistentes 
técnicos e apresentar quesitos. O tradutor ou intérprete, regulado no artigo 
165, atua nos casos em que há necessidade de verter textos ou depoimentos 
para a língua portuguesa. 
 
Todos os auxiliares estão sujeitos à responsabilidade funcional, 
podendo ser responsabilizados civil, penal e administrativamente em caso de 
erro, omissão ou má-fé. O artigo 160, por exemplo, permite a substituição do 
auxiliar da justiça se houver motivo legítimo, como impedimento, suspeição 
ou falha no cumprimento de suas obrigações. 
 
32 
 
Em resumo, os auxiliares da justiça exercem funções essenciais de 
apoio técnico e prático ao juiz, garantindo a efetividade dos atos processuais. 
Devem agir com responsabilidade, imparcialidade e respeito às normas 
legais, sendo fiscalizados diretamente pelo magistrado. O conhecimento 
detalhado desses profissionais e de suas atribuições é fundamental para 
quem se prepara para concursos da área jurídica. 
MINISTÉRIO PÚBLICO 
 
O Ministério Público no processo civil exerce a função de fiscal da 
ordem jurídica, com atuação voltada à defesa da legalidade, do interesse 
público e dos direitos fundamentais. Está regulamentado nos artigos 176 a 
181 do Código de Processo Civil de 2015 e é uma instituição essencial à 
função jurisdicional do Estado, conforme prevê o artigo 127 da Constituição 
Federal. Segundo o artigo 176 do CPC, o Ministério Público atuará nos casos 
previstos em lei e sempre que houver interesse público envolvido, como em 
causas que envolvam incapazes, litígios coletivos relacionados ao meio 
ambiente, ao consumidor e ao patrimônio público. Nesses casos, o juiz deve 
obrigatoriamente intimar o Ministério Público para intervir, sob pena de 
nulidade do processo a partir do momento em que sua intervenção era 
exigida, conforme dispõe o artigo 279. 
 
Nos termos do artigo 177, quando o Ministério Público atua como parte 
(por exemplo, em ação civil pública), ele está sujeito aos mesmos ônus edeveres das partes, como produção de provas, prazos processuais e 
possibilidade de sucumbência. Já quando atua como fiscal da lei (custos 
legis), tem a função de zelar pela regularidade do processo, podendo intervir, 
opinar, recorrer e requerer diligências, mas sem ser diretamente interessado 
na causa. 
 
O artigo 178 enumera os casos em que a intervenção do Ministério 
Público é obrigatória, como nas ações que envolvam interesses de 
incapazes, litígios coletivos ou que questionem a validade de atos do poder 
público. O artigo 179 assegura ao Ministério Público poderes para produzir 
provas, requerer medidas e recorrer das decisões, ainda que não tenha sido 
parte no processo. 
 
Por fim, o artigo 181 do CPC garante ao Ministério Público o prazo em 
dobro para se manifestar nos autos quando atuar como fiscal da ordem 
33 
 
jurídica, salvo quando houver apenas um réu representado por advogado 
público ou defensor. Isso garante tempo suficiente para análise técnica e 
imparcial do processo. 
Em suma, o Ministério Público atua no processo civil como parte ou 
como fiscal da ordem jurídica, com ampla autonomia funcional, poderes de 
intervenção e prazos diferenciados, sempre visando proteger o interesse 
público, a legalidade e os direitos indisponíveis. Sua presença é obrigatória 
em diversas hipóteses e sua atuação é essencial para a legitimidade do 
processo. 
 
ADVOCACIA PÚBLICA 
 
A Advocacia Pública no processo civil está regulamentada nos artigos 
182 e 183 do Código de Processo Civil de 2015 e representa os entes 
públicos — União, Estados, Distrito Federal e Municípios — em juízo, 
atuando na defesa do interesse público e da legalidade administrativa. De 
acordo com o artigo 182, cabe à Advocacia Pública exercer a representação 
judicial e a consultoria jurídica das pessoas jurídicas de direito público, 
conforme previsto também no artigo 131 da Constituição Federal. Sua 
atuação no processo segue as mesmas regras aplicáveis às demais partes, 
com algumas prerrogativas específicas. 
 
O artigo 183 do CPC estabelece uma das principais prerrogativas da 
Advocacia Pública: o prazo em dobro para todas as manifestações 
processuais, inclusive para recorrer, contados a partir da intimação pessoal 
do órgão responsável pela representação judicial. Essa intimação deve ser 
feita diretamente à procuradoria ou setor jurídico do ente público, e não ao 
advogado da causa. O prazo em dobro é garantido para permitir que o 
advogado público, que muitas vezes atua em um grande volume de 
processos, possa analisar os autos com a devida atenção e preservar o 
interesse público. 
 
Essa prerrogativa do prazo em dobro não se aplica nos casos em que o 
ente público atua com advogado particular nem quando o processo tramita 
nos Juizados Especiais, conforme entendimento pacífico na jurisprudência. 
Além disso, a atuação da Advocacia Pública exige observância aos princípios 
da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, devendo 
ser pautada pela defesa do interesse público primário. 
34 
 
 
 
DICA IMPORTANTE! 
 
A Representação Judicial da Fazenda Pública é exercida pela Advocacia 
Pública, conforme disposto no artigo 182 do Código de Processo Civil de 
2015. Essa representação cabe aos procuradores da União, dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, que atuam em nome das respectivas 
pessoas jurídicas de direito público, defendendo seus interesses em juízo e 
também prestando consultoria jurídica na esfera administrativa. 
O Prazo em dobro para a Fazenda Pública está previsto no artigo 183 do 
CPC. Esse prazo se aplica a todas as manifestações processuais, inclusive 
recursos, desde que a parte esteja devidamente representada por 
advogado público (membro da Advocacia Pública). O prazo não se aplica 
quando o ente público atua por advogado particular, nem nos Juizados 
Especiais, conforme entendimento consolidado na jurisprudência. 
A Intimação Pessoal é requisito indispensável para que o prazo em dobro 
se inicie. Essa intimação deve ser feita diretamente à procuradoria do ente 
público, e não ao advogado que eventualmente esteja nos autos. A 
intimação eletrônica, quando encaminhada ao órgão responsável pela 
representação judicial, também é considerada válida para esse fim. 
 
 
 
DEFENSORIA PÚBLICA 
De acordo com o artigo 185 do CPC, a Defensoria Pública goza de 
prazo em dobro para todas as manifestações processuais, inclusive recursos, 
assim como a Fazenda Pública, desde que sua atuação seja feita diretamente 
por defensores públicos. Esse prazo é contado a partir da intimação pessoal, 
que deve ser realizada diretamente à instituição, por meio eletrônico, 
conforme previsto na legislação própria. A jurisprudência reforça que o prazo 
em dobro não se aplica se a Defensoria estiver representada por advogado 
particular. 
O defensor público tem o direito à intimação pessoal, prevista no 
mesmo artigo, para garantir que haja ciência adequada dos atos do processo. 
35 
 
O artigo 186 do CPC assegura à Defensoria Pública a possibilidade de 
atuar como curadora especial, nos casos em que a parte seja revel (não 
apresentou defesa) e esteja em situação de vulnerabilidade, como os 
incapazes e os citados por edital. 
Por fim, o artigo 187 estabelece que, mesmo quando a Defensoria 
Pública atua como substituta processual — ou seja, em nome próprio 
defendendo direitos de terceiros, como em ações coletivas — ela mantém 
todas as prerrogativas processuais asseguradas pela lei, inclusive o prazo em 
dobro e a intimação pessoal. 
 
A Defensoria Pública tem prerrogativas específicas no processo civil, 
como o prazo em dobro e a intimação pessoal, desde que atue por meio de 
defensor público. Sua função é assegurar o acesso à justiça dos 
hipossuficientes, inclusive por meio de atuação como curadora especial ou 
substituta processual, sendo peça fundamental na efetivação da justiça e da 
equidade no processo. 
 
 
ATOS PROCESSUAIS 
 
Os atos processuais no direito processual civil são as manifestações 
formais praticadas por juízes, partes, advogados, auxiliares da justiça e 
demais sujeitos do processo, com a finalidade de dar andamento ao processo 
e alcançar a prestação jurisdicional. 
 
De acordo com o artigo 188, os atos processuais podem ser 
praticados de forma eletrônica ou física, respeitada a legislação específica 
e os princípios da legalidade, publicidade e instrumentalidade das formas. O 
artigo 190 autoriza a flexibilização procedimental por convenção das partes, 
desde que não se trate de direito indisponível e haja equilíbrio entre elas. 
Quanto à forma, o CPC adota o princípio da informalidade relativa, conforme 
o artigo 277, o que significa que um ato não será invalidado por simples vício 
de forma, desde que tenha atingido sua finalidade. 
 
Quanto ao tempo, os atos processuais devem ser praticados nos 
prazos previstos em lei ou fixados pelo juiz. O artigo 212 estabelece que eles 
devem ocorrer em dias úteis, entre 6h e 20h, salvo em casos de urgência ou 
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quando autorizados em lei. Já os prazos são contados em dias úteis (artigo 
219) e, como regra, exclui-se o dia do começo e inclui-se o do vencimento, 
com suspensão nos feriados e finais de semana. O artigo 224 regula a 
contagem dos prazos processuais. 
 
Em relação ao lugar, os atos processuais devem ser praticados no foro 
do processo, mas o artigo 217 admite a prática em outro local, por meio de 
carta precatória, quando necessário. A comunicação dos atos processuais 
(intimações, citações e notificações) é feita preferencialmente por meio 
eletrônico, conforme previsto nos artigos 246 a 275. A citação, regulada nos 
artigos 238 a 259, é o ato que dá ciência ao réu da existência do processo, 
marcando o início da relação processual. A intimação, prevista nos artigos 
269 a 275, é o ato pelo qual se dá ciência às partes e demais sujeitos sobre 
os atos e decisões do juiz, para que tomem ciência ou se manifestem. 
 
Em relação à validade, o artigo277 reforça que os atos processuais só 
serão anulados se causarem prejuízo à parte (princípio do prejuízo), e os 
vícios podem ser sanados, se possível. Assim, o processo deve ser 
conduzido de forma eficiente e contínua, evitando-se nulidades 
desnecessárias. 
 
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MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
Forma dos atos 
Trata-se das regras sobre como os atos devem ser praticados 
formalmente dentro do processo, respeitando princípios como legalidade, 
instrumentalidade das formas e publicidade. 
O artigo 188 do CPC, os atos processuais podem ser realizados de 
forma eletrônica ou física, conforme previsto na lei, sendo preferencial o meio 
eletrônico, nos termos da legislação vigente. Já o artigo 189 assegura a 
publicidade dos atos processuais, como regra geral, mas permite o segredo 
de justiça em hipóteses específicas, como processos que envolvam interesse 
público relevante, intimidade das partes, menores ou questões de família. 
O artigo 190 trata da possibilidade de as partes, por convenção 
processual, ajustarem modificações no procedimento, inclusive quanto à 
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forma de atos, desde que se trate de direito disponível e haja equilíbrio entre 
as partes. Isso expressa o princípio da autonomia privada no processo. 
O artigo 191 permite que advogados estabeleçam entre si calendário 
para a prática de atos, com a concordância do juiz, e o descumprimento 
injustificado desse calendário pode acarretar preclusão. Já o artigo 192 
reforça o princípio da instrumentalidade das formas ao estabelecer que os 
atos processuais serão considerados válidos, mesmo que realizados fora da 
forma prevista, desde que atinjam sua finalidade e não causem prejuízo às 
partes. 
Em síntese, a forma dos atos processuais deve obedecer à lei, mas o 
CPC valoriza o resultado útil do ato mais do que a rigidez formal, permitindo 
que eventuais vícios sejam convalidados se não houver prejuízo. Essa 
abordagem confere maior flexibilidade, celeridade e efetividade ao processo, 
em consonância com os princípios constitucionais do devido processo legal e 
da duração razoável do processo. 
 
Tempo e lugar. 
 
O tempo e o lugar dos atos processuais estão disciplinados nos artigos 
212 a 217 do Código de Processo Civil de 2015 e tratam das regras que 
determinam quando e onde os atos do processo devem ser praticados. 
Quanto ao tempo, o artigo 212 do CPC estabelece que os atos 
processuais devem ser praticados em dias úteis, entre 6 horas e 20 horas, 
salvo nos casos em que a lei permitir prática fora desse horário, como em 
medidas urgentes. Os prazos processuais, de acordo com o artigo 219, são 
contados em dias úteis, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do 
vencimento (art. 224). Além disso, a contagem de prazo se suspende nos fins 
de semana, feriados e nos períodos de recesso forense (art. 220). 
O artigo 213 assegura que atos realizados após o horário legal ou em 
feriados são válidos quando praticados em regime de plantão ou por decisão 
judicial justificada. Essa regra é importante especialmente para situações de 
urgência, como liminares ou medidas cautelares. 
Quanto ao lugar, os atos processuais devem ser, em regra, praticados 
no foro onde o processo tramita, conforme o artigo 216. No entanto, o artigo 
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217 admite a prática do ato em local diverso, mediante justificativa e 
autorização judicial, especialmente quando for mais vantajoso para a 
celeridade ou economia processual, como no caso de depoimentos colhidos 
por carta precatória em outra comarca. 
 
Prazos 
 
De acordo com o artigo 218 do CPC, todos os atos processuais devem 
ser realizados dentro dos prazos estabelecidos em lei ou determinados pelo 
juiz. O artigo 219 define que, salvo disposição em contrário, os prazos são 
contados em dias úteis, excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o dia do 
vencimento, conforme o artigo 224. A contagem não se interrompe nos finais 
de semana e feriados, exceto se estes forem nacionais ou reconhecidos no 
foro de tramitação do processo. Já o artigo 220 suspende os prazos 
processuais no período de 20 de dezembro a 20 de janeiro, assegurando o 
recesso forense. 
O artigo 221 trata dos prazos legais, que não podem ser alterados 
pelas partes nem pelo juiz, enquanto o artigo 222 permite que os prazos 
judiciais (fixados pelo magistrado) sejam prorrogados por justa causa. O 
artigo 223 estabelece que, decorrido o prazo sem a prática do ato, ocorre a 
preclusão, ou seja, a perda do direito de realizá-lo. 
Existem ainda prazos específicos para o juiz (art. 226), que deve 
proferir decisões interlocutórias em 10 dias e sentenças em 30 dias, salvo 
justificativa. Também há previsão de prazos diferenciados para a Fazenda 
Pública, a Defensoria Pública e o Ministério Público, que contam com prazo 
em dobro para se manifestar, desde que atendidas certas condições (arts. 
183 e 186). 
O artigo 231 detalha o marco inicial da contagem dos prazos, que 
depende da forma da citação ou intimação (por correio, oficial de justiça, 
diário da justiça eletrônico etc.). A fluência do prazo depende da 
comprovação da ciência do ato processual. 
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MAPA MENTAL: DICAS CURSOS 
 
 
Comunicação dos atos processuais 
A comunicação dos atos processuais é o meio pelo qual as partes, 
seus procuradores, testemunhas e demais sujeitos do processo tomam 
ciência oficial dos atos e decisões judiciais. Está regulamentada nos artigos 
269 a 275 do Código de Processo Civil de 2015 e é fundamental para garantir 
o contraditório e a ampla defesa. Segundo o artigo 269 do CPC, os atos 
processuais serão comunicados por citação, intimação ou notificação, 
conforme a finalidade da comunicação. 
A citação (art. 238) é o ato que dá ciência ao réu ou interessado de 
que foi ajuizada uma ação contra ele e marca o início da relação processual. 
Deve conter os requisitos legais e ser feita preferencialmente por meio 
eletrônico (art. 246), ou por oficial de justiça, correio ou edital, conforme o 
caso. 
A intimação (art. 270) é o ato destinado a dar ciência às partes sobre 
decisões, atos e despachos do juiz. Pode ser feita por meio eletrônico, diário 
da justiça, intimação pessoal ou por outros meios autorizados. As partes 
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representadas por advogados devem ser intimadas pela publicação no diário 
da justiça eletrônico, salvo previsão legal de intimação pessoal, como no caso 
da Defensoria Pública, Ministério Público e Fazenda Pública. 
A notificação é utilizada para informar atos processuais que não se 
enquadram como citação ou intimação, como a comunicação a terceiros 
interessados. Embora não tenha definição expressa no CPC, a notificação é 
amplamente reconhecida pela doutrina e jurisprudência. 
As intimações (art.272) feitas por meio eletrônico são consideradas 
válidas e eficazes, iniciando-se o prazo processual no primeiro dia útil 
seguinte à consulta ao teor da comunicação ou, automaticamente, no prazo 
de 3 dias úteis se não houver consulta. Isso exige atenção das partes e 
advogados quanto ao acompanhamento dos sistemas eletrônicos. 
O CPC também garante, no artigo 273, que atos urgentes possam ser 
comunicados por qualquer meio idôneo, como telefone, e-mail ou mensagem 
eletrônica, desde que assegurada a autenticidade da comunicação. Essa 
flexibilização busca garantir a efetividade e celeridade do processo. 
 
 
 
 
 
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Nulidades 
 
Conforme o artigo 276 do CPC, a nulidade de um ato só será decretada 
quando houver prejuízo para alguma das partes, consagrando o chamado 
princípio do “pas de nullité sans grief”, ou seja, não há nulidade sem 
demonstração de prejuízo. Isso significa que nem todo erro formal gera 
automaticamente a anulação do ato, especialmente se a finalidade for 
atingida. 
 
O artigo 277 reforça o princípio da instrumentalidade das formas, 
estabelecendo que, se o ato atingiu sua finalidade, ainda que com forma 
diversa da prevista, ele será considerado válido, salvo quando houver 
expressa exigência legal em sentido contrário.

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