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AULA 01
Técnica Processual e Tutela dos Direitos
O estudo da técnica jurídica nem sempre gozou do prestígio da doutrina. Na verdade, o ordenamento jurídico foi sendo edificado de modo nem sempre técnico, o que pode ser corroborado pelas não raras vezes em que os textos legais são apresentados de forma contraditória.
De qualquer forma, é no direito processual - mais do que em qualquer outro ramo do direito que a técnica ganha fundamental importância. O processo, como instrumento de uma atividade, deve ser essencialmente técnico, para que os seus fins sejam alcançados e realizados. A técnica processual, ademais, tem sido destacada pela doutrina como um dos fatores de maior relevância para a efetividade do processo.
Nesse contexto, a técnica processual merece abordagem particularizada. De qualquer modo, antes de se adentrar no estudo da técnica processual, é necessário aduzir o conceito de técnica jurídica, já que aquela se insere nesta.
Técnica jurídica
É o "conjunto de procedimentos pelos quais o Direito transforma em regras claras e práticas as diretivas da política jurídica.” Assim, a materialização do Direito é feita através da técnica jurídica. Por outras palavras: é exatamente essa técnica que propicia a transformação das fontes materiais do direito (fatores sociais, econômicos, políticos) em fontes formais (influenciando na criação das normas jurídicas).
Ressalte-se, contudo, que a técnica jurídica não se restringe apenas ao procedimento de criação das normas. Mais do que isso, a ideia de técnica jurídica passa também pela de interpretação das normas criadas e de sua aplicação às situações concretas da vida em sociedade.
A técnica processual é uma espécie da técnica jurídica. Na verdade, é na esfera processual que a técnica desponta a sua importância. Essa técnica é conceituada como o conjunto de procedimentos idôneos à realização do direito processual, desde a elaboração e formulação da norma, até a interpretação das normas processuais e jurídicas em geral. Assim, a técnica processual vale-se não só de mecanismos para construção das normas processuais, mas também de instrumentos para interpretação daquelas que já foram elaboradas.
Importante destacar, que a técnica processual deve ser analisada sob três aspectos: a) o da técnica adequada para elaboração do direito processual; b) o da forma de ensinar o direito processual e c) o da interpretação das normas. Nota-se, assim, que a técnica processual, na verdade, subdivide-se em três outros tipos de técnicas:
I - Elaboração.
2- Conhecimento.
3 - Interpretação.
Técnica de Elaboração
A técnica de elaboração está relacionada à técnica legislativa de construção das normas processuais. O seu campo de estudo não se estreita apenas ao direito processual, já que é no direito constitucional que está delineado o procedimento legislativo de elaboração das normas. No direito processual, todavia, é que poderão ser encontradas as diretrizes das normas processuais que serão elaboradas, ou seja, o efetivo conteúdo que elas deverão veicular. deve-se ressaltar que o conteúdo das normas processuais é de suma relevância para a efetividade do processo e para o alcance de seus resultados substanciais.
A criação de um sistema processual repleto de incidentes processuais desnecessários e complexos, por exemplo, pode resultar na construção de um processo lento e desprovido de efetividade. Para dar efetividade ao processo, portanto, é necessário que as reformas legislativas do CPC estejam alinhadas a técnica processual, de modo a aproximar sempre o processo do direito material (direito à vida, o direito ao nome, o direito à privacidade etc.).
Técnica de Conhecimento
A técnica de conhecimento está relacionada à forma pela qual o direito processual deve ser ensinado nos centros de ensino, ou seja, nas faculdades e universidades de Direito.
Nesse aspecto, deve-se destacar que o número de disciplinas destinadas ao estudo do direito processual deve ser maximizado. Pelo menos, cinco disciplinas de direito processual civil sejam lecionadas e que o estudo do direito processual deve principiar desde o segundo ano letivo. O autor destaca, ainda, que mais importante do que a fixação de artigos de lei por parte dos discentes, é a compreensão da essência dos institutos processuais e de suas finalidades.
Técnica de Interpretação
A técnica processual passa ainda pela interpretação das normas processuais. Interpretar é avaliar, ou seja, analisar o sentido e o alcance de uma norma. Na esfera processual, a técnica de interpretação a ser adotada deve sempre levar em conta as finalidades para as quais o processo foi instituído.
Não se pode admitir que o processo seja interpretado de forma apartada da sua realidade social. Ora, se o processo foi concebido para ser um instrumento de solução dos conflitos, a interpretação das normas de natureza processual deve ser feita, sempre, levando-se em consideração o que se deseja. Nesse passo, as normas processuais devem ser interpretadas precipuamente pelo método teleológico (buscar a finalidade da norma jurídica).
Não se pode mesmo admitir que as normas processuais sejam interpretadas por si só, ou seja, de modo dissociado da realidade para a qual elas foram concebidas.
Sendo a finalidade do processo aplicar e realizar o direito material, todas as construções teórico-dogmáticas (criação e aplicação mais seguram do direito) que primem pela aproximação do processo ao direito material devem ser valorizadas. Nesse contexto, os institutos processuais devem ser interpretados sempre de maneira a conduzir o processo ao seu desfecho primordial, que é a apresentação da solução no plano do direito material.
Na técnica de interpretação, é possível que sejam encontradas soluções para o problema da efetividade do processo. Na verdade, mais do que mudar as normas previstas na legislação processual, é preciso que se mude a mentalidade dos operadores do direito, de modo que eles passem a realizar exegeses de institutos processuais sempre adequadas aos seus fins.
Auxílio da Lógica: Instrumento para Raciocínio do Processo
O emprego da lógica na esfera processual é de grande valor para que o processo atinja os seus fins. Na verdade, a técnica processual deve ser utilizada sempre de forma lóg lógica, pretendendo-se alcançar a solução no plano do direito material. Não pode o magistrado, por exemplo, ao aplicar a lei processual, resvalar do caminho que conduza à apresentação da solução do conflito no plano do direito material.
A lógica pode ser considerada no Direito Processual como um instrumento para raciocínio do processo. Não atende, por exemplo, às leis da lógica a não extinção do processo sem julgamento de mérito - nos casos em que isso for necessário logo no início do procedimento. O juiz que não extingue o processo sem julgamento de mérito, ao despachar a inicial ou no momento da decisão de saneamento, comete erro grosseiro e promove o desperdício de tempo e dinheiro.
A lógica deve informar todo o raciocínio do processo. Nesse diapasão, as sentenças de extinção do processo sem julgamento de mérito devem ser evitadas, já que o processo não foi concebido para esse fim. Deve-se primar, sempre que possível, pela apresentação de soluções no plano do direito material para os conflitos de interesses submetidos à apreciação do Judiciário.
EFETIVAÇÃO DA TUTELA JURISDICIONAL ATRAVÉS DA TÉCNICA PROCESSUAL
A tutela jurisdicional, ou seja, a apresentação da solução no plano do direito material pode ser facilitada através do emprego da técnica processual. Por outras palavras: é por meio da técnica de elaboração, conhecimento e interpretação que a tutela jurisdicional pode ser efetivada.
Crise do Judiciário, Tutela Jurisdicional e Técnica Processual
O Judiciário, como é público e notório, trespassa por um momento de crise quanto à sua verdadeira legitimidade. A jurisdição moderna está em crise. A lentidão dos processos, a morosidade da Justiça e a ineficácia de muitos provimentos judiciais estão conduzindo os jurisdicionados a uma verdadeira descrença no Poder Judiciário.De qualquer modo, a necessidade de mudança torna-se evidente.
Nesse contexto, dentre outras mudanças, é de fundamental importância que a tutela jurisdicional seja sempre efetivada na prestação da atividade jurisdicional, de modo a resgatar a confiança do jurisdicionado. E a técnica processual constitui-se em um dos instrumentos aptos a realizar tal mister.
Técnica Processual X Tutela dos Direitos
Técnica processual é a predisposição ordenada de meios destinados à realização dos escopos processuais (aquilo que se pretende atingir).
Tutela de direitos é a defesa do direito frente a sua violação ou ameaça de violação.
AULA 02
Jurisdição e Competência
PODE-SE CONCEITUAR A JURISDIÇÃO COMO:
Função do Estado, pela qual ele, no intuito de solucionar os conflitos de interesse em caráter coativo, aplica a lei geral e abstrata aos casos concretos que lhe são submetidos.
JURISDIÇÃO, LEGISLAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO
Conquanto o poder seja uno, para que o Estado funcione adequadamente, é necessário repartir as suas funções.
A legislativa: consiste na atividade de elaboração de normas gerais e abstratas, prévias ao conflito de interesses.
A jurisdicional: consiste na aplicação dessas normas gerais aos casos concretos submetidos à apreciação judicial (criação da norma jurídica concreta, que vai reger o caso levado à apreciação do judiciário).
A administrativa: atividade que não está ligada à solução de conflitos, mas à consecução de determinados fins do Estado, ligados à administração pública.
CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DA JURISDIÇÃO
A jurisdição distingue-se de outras funções do estado por força de certas características que lhe são peculiares. 
As principais características da jurisdição são:
Substitutividade: é a mais peculiar delas. Pode ser mais bem compreendida com a lembrança de que as soluções de conflitos de interesses eram, originariamente, dadas pelas próprias partes envolvidas. Desde que o Estado assumiu para si a incumbência de, por meio da jurisdição, aplicar a lei para solucionar os conflitos em caráter coercitivo, pode-se dizer que ele substituiu as partes na resolução dos litígios para corresponder à exigência da imparcialidade. É a substituição das partes pelo Estado-juiz que permite uma solução imparcial, muito mais adequada para a pacificação social.
Definitividade: somente as decisões judiciais adquirem, após certo momento, caráter definitivo, não podendo mais ser modificadas. Os atos jurisdicionais tornam-se imutáveis e não podem mais ser discutidos.
Imperatividade: as decisões judiciais têm força coativa e obrigam os litigantes. De nada adiantaria o Estado substituir as partes na solução dos conflitos de interesses, formulando uma decisão imutável, se não The fossem assegurados os meios necessários para que fossem cumpridas. As decisões judiciais são impostas aos litigantes, que devem cumpri-las. A sua efetividade depende da adoção de mecanismos eficientes de coerção, que imponham submissão aos que devem cumpri-las.
Inafastabilidade: a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça a direito (CF art. 5º, XXXV). Mesmo que não haja lei que se possa aplicar, de forma específica, a determinado caso concreto, o juiz não se escusa de julgar invocando lacuna.
Indelegabilidade: a função jurisdicional só pode ser exercida pelo Poder Judiciário, não podendo haver delegação de competência, sob pena de ofensa ao princípio constitucional do juiz natural.
Inércia: a jurisdição é inerte, isto é, ela não se mobiliza senão mediante provocação do interessado. O caráter substitutivo da jurisdição, do qual decorre a imparcialidade do juiz, exige que assim seja: é preciso que um dos envolvidos no conflito leve a questão à apreciação do Judiciário, para que possa aplicar a lei, apresentando a solução adequada. A função jurisdicional não se movimenta de ofício, mas apenas por provocação dos interessados.
Além dessas, pode ser acrescentada mais uma característica, que não é propriamente da jurisdição, mas daqueles que a exercem, os juízes. Trata-se da:
Investidura só exerce jurisdição quem ocupa o cargo de juiz, tendo sido regularmente investido nessa função. A ausência de investidura implica óbice intransponível para o exercício da jurisdição, pressuposto processual da própria existência do processo.
ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO
Jurisdição Contenciosa e Voluntária
O CPC estabelece que a jurisdição civil pode ser contenciosa ou voluntária (art. 719). A diferença entre elas é que, na primeira, a parte busca obter uma determinação judicial que obrigue a parte contrária, ao passo que, na segunda, busca uma situação que valha para ela mesma. Na contenciosa, a sentença sempre favorece uma das partes em detrimento da outra, já que ela decide um conflito entre ambas. 
Na voluntária, é possível que a sentença beneficie as duas partes. Na primeira, pede-se ao juiz que de uma decisão, solucionando um conflito de interesses, que lhe é posto, diretamente, para julgamento. Na segunda, ainda que haja uma questão conflituosa, não é ela posta diretamente em juízo para apreciação judicial.
Classificação da Jurisdição Quanto ao Objeto
Considera o objeto do conflito levado ao Poder Judiciário, isto é, a matéria discutida. Nesse sentido, a jurisdição pode ser civil ou penal. Na verdade, não se trata propriamente de distinções de jurisdição, mas de distinções de órgãos integrantes da justiça, que podem destinar-se exclusivamente ao julgamento de questões penais ou civis.
Classificação da Jurisdição Quanto ao Tipo de órgão que a Exerce
A Constituição Federal, ao formular as regras de organização judiciária, distingue a justiça comum e as justiças especiais. Estas são a trabalhista, a militar e a eleitoral. É a matéria discutida no processo que determinará se a competência será de uma ou outra. A competência da justiça comum é supletiva, pois the cumpre julgar tudo aquilo que não for de competência da especial. A justiça comum pode ser estadual ou federal.
Classificação da Jurisdição Quanto à Hierarquia
Pode ser jurisdição inferior ou superior, conforme o órgão incumbido de exercê-la integre as instâncias inferiores ou superiores.
JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA
Como visto, a jurisdição é um dos institutos fundamentais do processo civil e se caracteriza por ser una. Mas o exercício da jurisdição é distribuído entre numerosos órgãos judiciários. Cada um desses órgãos exerce jurisdição sobre determinados assuntos, ou sobre determinados territórios.
Há órgãos judiciários que têm jurisdição sobre todo o território nacional, como o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. Há outros que exercem a sua jurisdição dentro de certos limites.
A competência é, conforme definição clássica, a medida da jurisdição. Ela quantificará a parcela de exercício de jurisdição atribuída a determinado órgão, em relação às pessoas, à matéria ou ao território.
AULA 03
Jurisdição e Competência
COMPETÊNCIA
As principais regras de competência estabelecidas no Código de Processo Civil.
JURISDIÇÃO INTERNACIONAL (JURISDIÇÃO DE OUTROS ESTADOS)
Compete às leis estabelecer o que está no âmbito de nossa jurisdição e o que não está. Não há um organismo multinacional ou universal, que distinga o que cada país pode julgar e o que não pode. Assim, cumpre à legislação de cada qual estabelecer a extensão da jurisdição de cada país. Há questões que não convém que sejam julgadas aqui, porque não têm relação conosco, ou porque, mesmo se o julgamento aqui se procedesse, não haveria como impor o cumprimento da decisão.
A jurisdição brasileira encontra óbice na soberania de outros países. O Brasil não pode usar meios de coerção para impor o cumprimento de suas decisões fora do território nacional. Da mesma forma, a jurisdição de outros países encontra óbice na soberania nacional.
Decisão Estrangeira
A jurisdição é manifestação de poder. As decisões estrangeiras são, portanto, emanações de um poder soberano externo.
O mecanismo pelo qual a autoridade brasileira outorga eficácia à decisão estrangeira, fazendo com que ela possa ser executada no Brasil,denomina-se homologação de decisão estrangeira, que hoje é da competência do Superior Tribunal de Justiça
O que pode e o que não pode ser julgado pela justiça brasileira
O CPC enumera as causas que são de jurisdição nacional, isto é, que podem ser julgadas pela justiça brasileira. Ao fazê-lo, permite apurar, por exclusão, as que não são.
As normas do CPC dirão se determinado processo poderá correr no Brasil ou não. Isso obrigará o juiz brasileiro, ao proferir sentença, a aplicar direito estrangeiro, caso em que poderá exigir que a parte que o invocou prove o seu teor e vigência. Por exemplo: em um inventário que corre no Brasil, porque os bens estão aqui situados (art. 23, II, do CPC), o juiz aplicará as regras de sucessão do país de origem do de cujus, desde que elas sejam mais favoráveis ao cônjuge ou filhos brasileiros.
COMPETÊNCIA INTERNA
Cumpre examinar o tema da competência propriamente, que diz respeito ao órgão judiciário que, de acordo com a lei, deverá processar e julgar determinada ação.
Noções sobre a estrutura do Poder Judiciário
Ao Poder Judiciário cabe o exercício da função jurisdicional. Seus integrantes formam a magistratura nacional, e seus órgãos são os juízos e tribunais, aos quais, em regra, compete o reexame das decisões proferidas em primeira instância. Há, no entanto, casos de competência originária dos tribunais.
A CF ao formular a estrutura do Judiciário, estabelece a distinção entre a justiça comum e as especiais: a trabalhista, tratada no art. III; a eleitoral, nos arts. I18 e ss.; e a militar, no art. 122.
- A Justiça do Trabalho é composta pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), pelos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e pelos juízes do trabalho.
-A eleitoral, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais Regionais Eleitorais, os Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais.
- A militar é dividida em Justiça Militar da União e dos Estados: a da União é composta pelo Superior Tribunal Militar e os Conselhos de Justiça, especial e Permanente, nas sedes das Auditorias Militares; a dos Estados, Distrito Federal e Territórios, pelo Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar, nos Estados em que o efetivo for igual ou superior a 20.000 integrantes, e pelos juízes auditores e pelos Conselhos de Justiça, com sede nas Auditorias Militares.
Algumas premissas para a compreensão das regras de competência interna
Para se entender o sistema de competência instituído pela CF pelo CPC e pelas Leis de Organização Judiciária, é preciso conhecer os conceitos de foro e juízo, empregados pelo legislador; entender as distinções entre regras de competência absoluta e relativa; verificar o momento em que são determinadas as regras; e apurar os critérios utilizados pelas leis, na sua fixação.
Algumas premissas para a compreensão das regras de competência interna
Para se entender o sistema de competência instituído pela CF pelo CPC e pelas Leis de Organização Judiciária, é preciso conhecer os conceitos de foro e juízo, empregados pelo legislador; entender as distinções entre regras de competência absoluta e relativa; verificar o momento em que são determinadas as regras; e apurar os critérios utilizados pelas leis, na sua fixação.
A competência de foro e juízo
A Constituição Federal contém as normas que permitem identificar se determinada demanda deve ser proposta perante a justiça comum, estadual ou federal, ou perante as especiais.
Verificando-se que a jurisdição é civil, cumpre apurar em que comarca a demanda deverá ser proposta e é o Código de Processo Civil que vai formular as regras gerais para a apuração do foro competente (alguns tipos especiais de ação, regulamentados por legislação própria, podem ter regras específicas). Por meio das regras do CPC, o interessado identificará em que foro a sua demanda correrá.
A competência de foro e juízo
A Constituição Federal contém as normas que permitem identificar se determinada demanda deve ser proposta perante a justiça comum, estadual ou federal, ou perante as especiais.
Verificando-se que a jurisdição é civil, cumpre apurar em que comarca a demanda deverá ser proposta e é o Código de Processo Civil que vai formular as regras gerais para a apuração do foro competente (alguns tipos especiais de ação, regulamentados por legislação própria, podem ter regras específicas). Por meio das regras do CPC, o interessado identificará em que foro a sua demanda correrá.
Os critérios que definem a competência absoluta são:
Em razão da matéria: Baseada na natureza do litígio. Por exemplo, a Justiça Federal julga causas que envolvem a União, e a Justiça do Trabalho, causas trabalhistas.
Em razão da pessoa: Determinada pela qualidade das partes envolvidas. Por exemplo, crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri.
Em razão da função: Relacionada à fase do processo ou ao grau de jurisdição. Um exemplo é a competência do tribunal para julgar recursos de decisões de juízes de primeira instância.
Competência Relativa
A competência relativa é fixada com base no interesse das partes e, portanto, é derrogável (prorrogável ou modificável). Ela pode ser alterada pela vontade das partes ou pela inércia daquele que deveria alegar a incompetência. A violação da competência relativa não anula o processo, mas pode ser corrigida se a parte interessada (geralmente o réu) a alegar em preliminar de contestação. Se a parte não o fizer, a competência se prorroga, ou seja, o juízo que era relativamente incompetente passa a ser competente para julgar o caso. O juiz não pode reconhecer a incompetência relativa de ofício.
Os critérios que definem a competência relativa são:
Em razão do território: Determinada pelo local onde a ação deve ser proposta, como o domicílio do réu, o local do fato ou o local de cumprimento da obrigação.
Em razão do valor da causa: Usado para designar o juízo competente com base no valor econômico da causa, como no caso dos Juizados Especiais Cíveis.
Critérios para a fixação de competência
O critério objetivo: É adotado quando a competência for determinada pelo valor atribuído à causa, ou pela matéria que será discutida no processo.
O critério funcional: Abrange a competência hierárquica, que identifica a competência dos tribunais, seja para o julgamento dos recursos, seja para o julgamento de causas de sua competência originária; e os casos em que a demanda deve ser distribuída a determinado juízo, em razão de manter ligação com outro processo, anteriormente distribuído a esse mesmo juízo. Por exemplo: Imagine um processo que tramita em uma Vara Cível de primeira instância. O juiz dessa vara proferiu uma sentença, e uma das partes não concordou com a decisão. Nesse caso, a parte insatisfeita poderá interpor um recurso contra a sentença.
Critério territorial
Leva em conta a localização territorial, seja do domicílio dos litigantes, seja da situação do imóvel que é disputado por eles.
Um exemplo de como apurar a competência
Imaginemos uma ação simples, de cobrança de valores referentes a um empréstimo, concedido por um particular a outro, não quitado na ocasião oportuna.
Para verificar onde propô-la, é preciso primeiro afastar, de acordo com a CF a competência das justiças especiais, já que a matéria não é militar, eleitoral ou trabalhista, nem da justiça comum federal, já que não estão presentes as hipóteses do art. 109 da CF
A competência será da justiça comum estadual. Em seguida, cumpre apurar em que foro (comarca) o processo correrá. Para tanto, é preciso consultar o CPC e verificar qual a regra cabível. O art. 46, caput, estabelece que, nas ações pessoais, a comarca competente é a do domicílio do réu. A lei valeu-se do critério territorial. Se ele estiver domiciliado em São Paulo, será essa a comarca competente.
Regras gerais para a apuração de competência
· Se a ação pode ou não ser proposta perante a justiça brasileira, o que exige consulta aos arts. 21 a 23 do CPC;
· Sendo da justiça brasileira, se não se trata de competência originária do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, o que exigeconsulta aos arts. 102, I, e 105, I, da Constituição Federal;
· Se a competência não é de alguma das justiças especiais, conforme arts. 114, 121 e 124 da Constituição Federal;
· Não sendo de competência das justiças especiais, verificar se a competência é d a justiça comum federal ou estadual, lembrando que será da primeira nas hipóteses do art. 109 da CF
· Qual o foro competente, o que exige consulta ao CPC ou a lei federal especial;
· Qual o juízo competente, nos termos das normas estaduais de organização judiciária.
Algumas regras de competência de foro
Ações de alimentos, ainda que cumuladas com investigação de paternidade.
- O foro de domicílio do alimentando (CPC, art. 53, II).
Ações de reparação de danos em geral.
O foro do lugar do ato ou fato, salvo quando se tratar de relação de consumo, quando a competência será a do domicílio do consumidor (CPC, art. 53, IV, a, e CDC, art. 101, 1).
Ações de reparação de danos em acidentes de veículo.
O foro de domicílio do autor ou do local do ato ou fato, a critério da vítima (CPC, art. 53, V).
A competência nos Juizados Especiais Cíveis
Saber se determinada demanda pode ou não ser proposta perante os juizados especiais não é tema de competência, mas de procedimento. A Lei n. 9.099/95, que trata dos juizados especiais, criou um tipo de procedimento, muito mais rápido e informal que o tradicional, apelidado de "sumaríssimo. O art. 3º, que indica as causas que podem correr perante o juizado especial, emprega a expressão "competência" de forma pouco técnica.
O procedimento do Juizado Especial Cível é opcional, pois ainda que a matéria ou o valor da causa o permitam, o interessado pode preferir os procedimentos tradicionais. Ressalvam-se, porém, o Juizado Especial Federal e o da Fazenda Pública, cujo procedimento é de adoção obrigatória.
O art. 4º da Lei n. 9.099/95 apresenta as regras. Será competente o Juizado do foro:
· Do domicílio do réu ou, a critério do autor, do local onde aquele exerça atividades profissionais ou econômicas, ou mantenha estabelecimento, filial, agência, sucursal ou escritório;
· Do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita;
· Do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de qualquer natureza.
· O parágrafo único do art. 4º estabelece que, em qualquer hipótese (mesmo nas duas últimas), poderá a ação ser proposta no foro previsto na primeira.
AULA 04
Participação no Processo
Participação no processo civil - formas e distinções
I - As partes: são os sujeitos da relação processual, ou seja, tem-se como parte autor, juiz e réu.
II - Quanto à cumulação subjetiva da demanda, ou seja, o chamado litisconsórcio, que é o que ocorre quando um dos polos é formado por várias pessoas. Podendo o litisconsórcio ser tanto no polo ativo ou no passivo da demanda.
1. Litisconsórcio: a presença de mais de um sujeito em um dos polos do processo. Sendo que cada um desses sujeitos tem o direito de mover o processo sozinho, porém todos devem ser intimados dos atos. O litisconsórcio será:
a) litisconsórcio ativo, quando se tem vários autores.
b) litisconsórcio passivo, quando se tem vários réus.
c) litisconsórcio misto ou recíproco, é o que ocorre quando em ambos os polos da relação processual, se tem mais de um autor e mais de um réu.
2. Quanto ao momento o litisconsórcio pode ser.
a) inicial, se forma no início, ou seja, quando da instauração da relação processual.
b) ulterior, se forma no curso do processo.
3. Quanto à obrigatoriedade o litisconsórcio pode ser.
a) necessário, A lei exige a presença de todas as pessoas no processo. Exemplo: Em uma ação de usucapião de um imóvel, todos os condôminos devem ser incluídos no processo, pois a decisão afetará a todos.
b) facultativo, A lei não exige a presença de todas as pessoas, mas elas podem optar por ingressar no processo. Exemplo: Vários credores de um mesmo devedor podem ajuizar uma ação em conjunto ou individualmente.
Decisão:
c) unitário, a decisão judicial deve ser a mesma para todos os litisconsortes. Exemplo: Em uma ação de divisão de um bem comum, a decisão deve ser a mesma para todos os condôminos.
d) simples, a decisão judicial pode ser diferente para cada litisconsorte. Exemplo: Em uma ação de cobrança contra vários devedores solidários, cada um pode ser condenado em um valor diferente.
4. Quanto à interdependência dos litisconsortes e o modo de solução das causas:
Regra geral: temos de acordo com a regra geral, que os litisconsortes, em princípio são considerados sujeitos autônomos.
Exemplo 1: dois servidores públicos se reúnem para requerer em juízo um reajuste. Nesse caso, o juiz pode, em tese, julgar a causa de forma distinta, entendendo que o servidor A preencheu os requisitos do reajuste e o servidor B não. Portanto, o juiz terá que julgar de maneira individual, muito embora eles tenham se juntado por afinidade de questões ou até pela conexão na causa de pedir, tratando-se de um litisconsórcio simples.
Exemplo 2: dois condôminos de um condomínio edifício, resolvem entrar com uma ação porque algumas pessoas invadiram o prédio e fixaram residência na área comum do prédio. O juiz pode decidir de modo diverso para cada uma das partes? Não, pois o hall é comum a todos. Nesse caso, estamos diante de um litisconsórcio unitário. - Unitário: Obrigatoriedade de se decidir de maneira uniforme para todos os litisconsortes.
Ação de divisão de herança: Todos os herdeiros devem ser incluídos no processo para a divisão do patrimônio do falecido.
Ação de nulidade de um negócio jurídico: Todos os envolvidos no negócio jurídico podem ser incluídos no processo.
Intervenção de Terceiro
A Intervenção de Terceiros é o fenômeno processual em que um terceiro, sendo ele pessoa física ou jurídica, ingressa como parte ou auxiliar na relação jurídica processual, ou seja, oportunidade legalmente concedida à aqueles que não participam da relação jurídica processual, adentrar ao processo ou ser convocado, na defesa de interesses jurídicos próprios.
As modalidades de Intervenção de Terceiros do CPC são:
Assistência; Denunciação da Lide; Chamamento ao processo; Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, Amicus Curiae.
A doutrina divide as Intervenções em Espontâneas são aquelas de iniciativa de terceiros que não façam parte da relação processual, sendo o caso da Assistência e do Amicus Curiae. Provocadas: aquelas que ocorre quando uma das partes do processo, chama um terceiro estranho à relação para integrá-la, assim, as modalidades de Denunciação da Lide, Chamamento ao Processo e Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica e o Amicus Curiae, este Último sendo considerado uma figura híbrida.
Intervenção de Terceiro - ASSISTÊNCIA
É uma modalidade de intervenção onde um terceiro interessado, alheio ao processo, espontaneamente solicita ingresso no processo para auxiliar uma das partes, pelo seu próprio interesse.
Pode ser admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição.
Quando um terceiro faz o pedido de assistência, as partes têm o prazo de 15 dias para impugnar o pedido, se houver impugnações pelas partes, o juiz decidirá o incidente sem suspender o processo.
Caso não haja impugnação pelas partes no prazo, ou ainda, se não for o caso de rejeição liminar (quando faltar ao terceiro, interesse jurídico) o pedido será deferido e o assistente ingressará no processo, sem a repetição de atos já realizados, ou seja, o processo seguirá à partir daquele momento.
A assistência aceita dois tipos: Simples e Litisconsorcial.
Assistência Simples - O assistente não possui relação jurídica direta com o objeto do litígio, mas tem interesse jurídico na causa. Por exemplo, um fiador que não foi citado na ação pode intervir como assistente do devedor para garantir seus direitos de regresso.
Assistência Litisconsorcial - O assistente possui relação jurídica direta com o objeto do litígio e, se a sentença for desfavorável à parte assistida, também será atingido em seus direitos. Por exemplo, um cotitular de um bem imóvel pode intervir como assistente em uma açãode usucapião movida contra o outro cotitular
Exemplo: uma ação de despejo entre locador e locatário, e que ainda há um contrato de sublocação. Neste caso, o sublocatário poderá intervir como assistente litisconsorcial do locatário, já que será influenciado pelo resultado da sentença a ser proferida na demanda.
Intervenção de Terceiro - DENUNCIAÇÃO DA LIDE
É um instituto do processo civil que permite a uma das partes (autor ou réu) trazer para o processo um terceiro com o qual mantém uma relação jurídica que pode gerar um direito de regresso. Em outras palavras, é quando uma pessoa chama outra para o processo, alegando que, se for condenada, terá o direito de cobrar o valor da condenação dessa terceira pessoa.
Exemplos:
* O Segurado e a Seguradora: Imagine que um motorista causa um acidente de trânsito e é processado pelo dono do veículo danificado. O motorista, que possui um seguro de automóvel, pode denunciar a lide à sua seguradora. Nesse caso, ele alegará que, se for condenado a indenizar o dono do veículo, terá o direito de ser ressarcido pela seguradora.
* Construtora acionada para reparar defeitos em prédio por ela construído denuncia a lide ao engenheiro responsável (denunciação pelo réu).
Intervenção de Terceiro - CHAMAMENTO AO PROCESSO
É o direito do réu de chamar para ingressar no polo passivo da ação, os corresponsáveis por determinada obrigação.
Diferencia-se da Denunciação da Lide, pois a Denunciação da Lide se tem a ação de regresso e deve-se demonstrar que o denunciado é que deverá responder pela condenação, por outro lado, no Chamamento ao Processo, a condenação é solidária.
Apenas o réu pode se utilizar desta modalidade, portanto, não é obrigatória e visa a economia processual, já que não é necessário um novo processo de cognição exauriente para regular a corresponsabilidade.
O chamamento ao processo deve ser realizado pelo réu no ato da contestação, sob pena de preclusão. Se não realizar o pedido na contestação, em caso de sucumbência, terá que ajuizar nova ação contra os corresponsáveis.
Exemplos:
* O Fiador e o Locatário: Imagine uma situação em que um proprietário de imóvel (credor) ajuíza uma ação de cobrança contra o fiador de um contrato de locação (réu), pois o locatário não pagou os aluguéis. Nesse caso, o fiador, ao apresentar sua defesa, pode chamar o locatário para integrar o processo. Ele alegará que, como fiador, apenas responde pela dívida subsidiariamente, ou seja, somente se o locatário (devedor principal) não pagar.
* Devedores solidários em um contrato: Se várias pessoas assinam um contrato de empréstimo, todas são responsáveis pela dívida solidariamente. Qualquer uma delas pode ser chamada ao processo.
* Co-autores de um dano: Se duas pessoas causam um dano a um terceiro, ambas podem ser chamadas ao processo para responder pelos prejuízos.
Intervenção de Terceiro - INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
É um instituto previsto no Código de Defesa do Consumidor (art. 28) e no Código Civil (art. 50), que permite o acesso ao patrimônio particular dos sócios, para adimplir as obrigações assumidas pela sociedade, quando a pessoa jurídica houver sido utilizada abusivamente, como no caso de desvio de finalidade, confusão patrimonial, liquidação irregular, dentre outros.
Este instituto também contempla a Desconsideração da Personalidade Jurídica Inversa, que nada mais é do que o acesso ao patrimônio da sociedade para adimplemento das obrigações pessoais do sócio.
Tal incidente é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução de título extrajudicial.
Vale ressaltar que tal modalidade de intervenção terá grande impacto na área empresarial, sobretudo na recuperação judicial, pois em havendo o concurso de credores, aquele que pedir por primeiro o incidente também terá a preferência sobre os bens encontrados.
Intervenção de Terceiro - AMICUS CURIAE
É uma modalidade de intervenção, tanto espontânea quanto provocada, onde um terceiro, sem interesse jurídico, irá instruir o poder judiciário para que a decisão por este proferida seja mais qualificada, motivada. Ou seja. O Amicus Curiae irá qualificar o contraditório trazendo mais subsídios para a decisão do juiz, apresentando dados proveitosos à apreciação da demanda, defendendo, para tanto, uma posição institucional.
Tal intervenção pode ser aplicada em todos os graus de jurisdição.
Ressalta-se que o Amicus Curiae não pode ter interesse jurídico na causa, apenas institucional, pois se assim fosse, estaríamos diante de outra modalidade de intervenção, a Assistência.
Exemplo Concreto:
Imagine um caso em que uma nova lei ambiental está sendo questionada na justiça. Uma ONG ambiental, que não é parte direta da ação, mas tem profundo conhecimento sobre o tema e seus impactos, poderia se manifestar como amicus curiae.
A ONG apresentaria:
Estudos científicos sobre os efeitos da lei no meio ambiente;
Dados estatísticos sobre a questão;
Jurisprudência de outros países sobre temas semelhantes;
Argumentos técnicos e jurídicos que poderiam auxiliar o juiz a tomar uma decisão mais fundamentada.
Qual o objetivo da ONG?
· Influenciar a decisão judicial, apresentando um ponto de vista especializado e imparcial;
· Garantir que todos os aspectos relevantes da questão sejam considerados pelo juiz;
· Contribuir para o fortalecimento do debate jurídico sobre o tema.
AULA 05
Atos Processuais
O processo consiste em uma sucessão de atos que se encadeiam logicamente e que visam alcançar o provimento jurisdicional.
São atos processuais os atos humanos realizados no processo. Não se confundem com os fatos processuais, que são acontecimentos naturais, que podem ter grande relevância ou repercussão no processo, mas que não dependem de condutas humanas. Por exemplo: a morte de uma das partes é um fato processual de grande relevância. Da mesma forma, uma catástrofe natural, que provoque o desaparecimento dos autos. Podem ainda ser consideradas fatos processuais as condutas humanas que não têm nenhuma relação com o processo, mas que sobre ele repercutem, como uma greve ou uma guerra, que prejudiquem o funcionamento forense.
Conceito: Pode ser definido como a conduta humana voluntária que tem relevância para o processo.
Classificação dos Atos Processuais
1) Atos das partes
De acordo com o art. 200 do CPC, os atos das partes consistem em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade.
Os atos unilaterais são os mais comuns no processo: correspondem àqueles que a parte pratica sem necessitar da anuência da parte contrária. Por excelência, são os de postulação, como a petição inicial do autor e a contestação do réu, e os demais requerimentos que poderão fazer no curso do processo, como a apresentação de réplica, o requerimento de provas, a interposição de recursos.
O exemplo mais comum de ato bilateral é a transação, que provocará a extinção do processo, com resolução de mérito.
2) Pronunciamentos do juiz
São enumerados no art. 203 do CPC: sentença, decisão interlocutória e despachos. Esses são os pronunciamentos. Além deles, o juiz pratica outros atos no curso do processo, como o interrogatório das partes, a colheita de depoimentos, a inspeção judicial e outros atos materiais. Mas só os mencionados no art. 203 podem ser considerados pronunciamentos judiciais. Os demais são apenas atos materiais.
Forma dos Atos Processuais
A forma é o aspecto exterior pelo qual os atos processuais se apresentam. Como regra, acolheu-se entre nós o princípio da liberdade das formas, estabelecido no CPC, art. 188: "Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial.
Não há uma forma rígida e específica para cada ato. O que importa é que o ato cumpra sua finalidade essencial e seja praticado de modo a não prejudicar as partes.
No entanto, há algumas exigências e princípios que orientam essa prática:
Publicidade: A maioria dos atos processuais deve ser pública, garantindoa transparência e o acesso das partes e da sociedade.
Escrita: Normalmente, os atos são realizados por escrito, o que garante o registro e a segurança jurídica. Atualmente, com a digitalização, isso se aplica aos formatos eletrônicos.
Tempo e lugar. Os atos devem ser praticados em dias e horários úteis e no local determinado pela lei ou pelo juiz.
Linguagem: A língua oficial do processo é o português, mas é permitido o uso de documentos em outras línguas, desde que sejam traduzidos.
Embora o princípio da liberdade das formas seja a regra, existem algumas exceções em que a lei exige uma forma específica para determinados atos, como:
Citação: O ato de chamar o réu para o processo deve seguir um procedimento formal para garantir sua validade.
Sentença: A decisão final do juiz deve seguir uma estrutura obrigatória, com relatório, fundamentação e dispositivo.
Recursos: A interposição de um recurso deve ser feita por meio de uma petição que cumpra certos requisitos.
A ausência da forma adequada pode levar à nulidade do ato processual, mas isso só acontece se a forma for considerada essencial e sua ausência causar prejuízo.
Forma dos atos processuais
a) O processo eletrônico
A busca pela efetividade e duração razoável do processo deu ensejo ao uso de meios eletrônicos e de informatização do processo.
b) Comunicação eletrônica dos atos processuais
Mesmo que o processo não seja eletrônico, é possível que os tribunais façam uso do Diário da Justiça Eletrônico, disponibilizado nos sítios da rede mundial de computadores, para publicação dos atos judiciais e administrativos próprios e dos órgãos a eles subordinados.
Existem requisitos que a lei estabelece para a validade dos atos processuais.
a) Requisitos gerais quanto ao modo dos atos processuais
Que sejam redigidos em vernáculo (língua portuguesa) (CPC, art. 192). Eventuais documentos em língua estrangeira só poderão ser juntados se acompanhados de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado
b) Requisitos gerais quanto ao lugar
Os atos processuais são praticados, em regra, na sede do juízo (CPC, art. 217); mas nem sempre, havendo numerosas exceções.
c) Requisitos gerais quanto ao tempo
Os atos processuais devem ser praticados em um determinado prazo, em regra, sob pena de preclusão.
A Comunicação dos Atos Processuais
Há duas espécies de comunicação de atos processuais: a que se estabelece entre juízos; e a que se estabelece entre juízos e partes.
a) Carta Rogatória
É o pedido de cooperação entre órgão jurisdicional brasileiro e órgão jurisdicional estrangeiro, seja para comunicação processual, seja para prática de atos relacionados à instrução processual ou cumprimento de decisão interlocutória estrangeira devidamente homologada pelo STJ.
b) Carta Precatória
É a mais comum das formas de comunicação entre juízos que não têm relação de subordinação entre si. Quem a expede é o juízo deprecante; e quem a recebe, o deprecado.
c) Citações e Intimações
Introdução
Verificando que a petição inicial está em termos, o juiz determinará a citação do réu, executado ou interessado. Trata-se de ato de comunicação fundamental, por meio do qual eles tomam conhecimento da existência do processo e têm a primeira oportunidade de manifestar-se e defender-se.
Conceito: Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual.
Espécies de Citação:
Citação pelo correio
É a forma prioritária de citação das pessoas naturais, das microempresas e das empresas de pequeno porte.
Citação por mandado
É a feita por oficial de justiça, nas hipóteses previstas no CPC ou em lei, ou quando frustrada a citação pelo correio (art. 249).
Citação com hora certa
É uma espécie de citação por mandado, que deve ser utilizada quando o citando, tendo sido procurado por duas vezes pelo oficial de justiça em seu domicílio ou residência, não for encontrado, havendo suspeita de ocultação.
Citação por edital
É forma de citação ficta que se aperfeiçoa com a publicação de editais. Como eles são públicos e devem receber ampla divulgação, presume-se que o citando deles tenha tomado conhecimento.
Citação por meio eletrônico
O processo eletrônico foi introduzido em nosso ordenamento jurídico pela Lei n. 11419/2006. De acordo com o art. 9º dessa lei, nessa espécie de processo todas as citações serão feitas por meio eletrônico. Mas, quando, por motivo técnico, isso for inviável, far-se-á pelos meios convencionais.
A citação por meio eletrônico pressupõe que o réu esteja credenciado pelo Poder Judiciário, na forma do art. 2º e seus parágrafos da Lei n. 11419/2006, caso em que será enviada ao endereço eletrônico dele.
O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) vem realizando a comunicação pessoal de alguns atos processuais por meio do WhatsApp.
Intimação
Tal como a citação, a intimação também é conceituada pelo legislador, no art. 269: "Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e dos termos do processo.
Distingue-se da citação, em vários aspectos. Esta é sempre dirigida ao réu, executado ou ao interessado, ao passo que a intimação pode ser dirigida a qualquer das partes, seus advogados, auxiliares da justiça (peritos, depositários, testemunhas) ou a terceiros, a quem cumpre realizar determinado ato no processo.
Formas de intimação:
A intimação por meio eletrônico
É a forma preferencial de intimação, desde que sua efetivação seja possível, observado o disposto na Lei n. 11419/2006.
Intimação pelo "Diário Oficial"
Quando não for possível a intimação pela via eletrônica, a intimação pelo Diário Oficial é, em regra, a maneira pela qual são intimados os advogados, nas comarcas servidas por ele (arts. 272 e 273 do CPC).
Intimação pelo correio
Não dispondo a lei de outro modo, a intimação das partes, de seus representantes legais e advogados será feita pelo correio (CPC, art. 274).
Intimação por mandado
O art. 275 restringe a citação por mandado apenas à hipótese em que a eletrônica ou por correio tenham-se frustrado.
Intimação por edital
Foi prevista pelo legislador (art. 275, § 2º), e deve ser admitida quando o intimando não puder ser identificado ou localizado.
TRABALHO 1
1) Apresente o conceito de competência de forma clara e objetiva, destacando sua importância para a organização do Poder Judiciário.
2) Explique por que o estudo da competência é fundamental para a compreensão do processo civil e para a garantia da justiça.
3) Explique a natureza jurídica da competência, destacando sua relação com a jurisdição e o juízo.
4) Apresente as principais funções da competência no processo civil, como a garantia da imparcialidade do julgador e a organização do Poder Judiciário.
5) Explique o conceito de competência absoluta.
6) Defina a competência relativa.
7) Explique como o valor da causa influencia na determinação da competência
8) Apresente suas considerações finais sobre o tema, destacando a importância da competência para o bom funcionamento do processo civil.
9) Uma ação de reparação de danos morais é proposta por um consumidor, residente em Fortaleza/CE, contra uma empresa de tecnologia com sede em São Paulo/SP, em virtude de um defeito em um produto adquirido online. O autor opta por ajuizar a ação em sua cidade. Responda aos seguintes tópicos:
a) Qual critério de fixação de competência foi utilizado pelo autor para ajuizar a ação em Fortaleza?
b) A citação da empresa ré ocorre no dia 15 de setembro de 2025. Três dias depois, a empresa ré transfere sua sede para o Rio de Janeiro/RJ. Essa alteração de endereço afeta a competência do juízo de Fortaleza? Explique.
10) Uma ação de despejo para uso próprio é ajuizada por um proprietário contra seu inquilino. O proprietário decide ajuizar a ação no Juizado Especial Cível, alegando que o valor da causa é inferior a 40 salários-mínimos e que o rito processual é mais célere.
Com base na Lei dos Juizados Especiais, analise a situação e responda:
a) A ação de despejo pode ser julgada no Juizado Especial Cível? Justifiquesua resposta, abordando as hipóteses de exclusão da competência dos JEĆ.
b) Se a ação fosse de inventário e partilha de bens, qual seria a competência para o seu julgamento? Explique se esse tipo de demanda poderia, em alguma hipótese, ser processada no Juizado Especial.
TRABALHO 2
1) O que é intervenção de terceiro? Apresente uma definição clara e objetiva do instituto, destacando sua importância no processo judicial.
2) Qual a finalidade da intervenção de terceiro?
3) Apresente uma definição clara e objetiva do amicus curiae, destacando sua natureza de terceiro interveniente no processo judicial.
4) Qual a diferença entre assistente simples e assistente litisconsorcial?
5) Explique como se dá o pedido de admissão do amicus curiae no processo judicial.
6) Qual a diferença entre denunciação da lide e chamamento ao processo?
7) Apresente uma definição clara e objetiva do incidente de desconsideração da personalidade jurídica, destacando sua finalidade e importância para a proteção dos credores.
8) Explique o conceito de desconsideração inversa, ou seja, a responsabilização da sociedade pelas dívidas de seus sócios.
9) Qual a diferença essencial entre citação e intimação?
10) Discorra sobre as diferentes modalidades de citação previstas no Código de Processo Civil. Analise a citação por edital e a citação por hora certa, indicando em que situações específicas cada uma é cabível.

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