Logo Passei Direto
Buscar

a soutrina dos homens

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Prévia do material em texto

SÉRIE DE ESTUDOS SOBRE 
AS DOUTRINAS BÍBLICAS 
 
 
 
A DOUTRINA DO HOMEM* 
 
 
*Conteúdos adaptados da obra “Teologia Sistemática – 
Atual e exaustiva”, de Wayne Grudem 
1 
 
SUMÁRIO 
 
 
Aula 1: A Criação do Homem ....................................................... 2 
 
 
Aula 2: O Pecado (parte 1) .......................................................... 12 
 
 
Aula 3: O Pecado (parte 2) .......................................................... 21 
 
 
Aula 4: As Alianças entre Deus e o Homem ............................... 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
A DOUTRINA DO HOMEM 
 
AULA 1: 
A Criação do Homem 
Texto Bíblico: 1Coríntios 11.11-12 
 Nesta aula, falaremos sobre o auge da criação divina, o ser 
humano, homens e mulheres, mais semelhantes a ele do que 
qualquer outra coisa criada. Mas, por que Deus nos criou? E como 
podemos agradá-lo pelo nosso viver? Podem homens e mulheres ser 
iguais tendo, porém, papéis diferentes? Buscaremos à luz da Bíblia 
responder a essas perguntas. 
 Antes de iniciarmos nosso estudo, cabe ressaltar que a 
palavra “homem” será aqui usada para representar a raça humana 
em geral (incluindo homens e mulheres) e em outros contextos para 
representar apenas o gênero masculino, como vemos em Gênesis 
2:24 : “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe e apegar-
se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”. 
 
EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA 
 
 Por que o homem foi criado? 
1) Deus não precisava criar o homem, mas nos criou para a sua 
própria glória. 
Conforme já mencionamos na aula “Criação” da Doutrina de 
Deus – parte 2, Deus criou o ser humano e o restante da criação não 
por uma necessidade, mas por um ato voluntário, revelando sua 
excelência. Deus nos criou para a sua própria glória. 
Na análise da independência divina, observamos que Deus 
se refere aos seus filhos e filhas das extremidades da terra como 
3 
 
aqueles “que criei para a minha glória” (Is 43:7; cf. Ef 1:11-12). 
Portanto, devemos fazer “tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). 
 
2) O nosso propósito na vida 
O fato de Deus nos ter criado para a sua própria glória 
determina a resposta correta à pergunta: “Qual o nosso propósito na 
vida?” Nosso propósito deve ser cumprir a meta para que Deus nos 
criou: glorificá-lo. Quando falamos no que diz respeito ao próprio 
Deus, eis aí um bom resumo. Mas quando pensamos nos nossos 
próprios interesses, fazemos a feliz descoberta de que devemos nos 
alegrar em Deus e encontrar prazer no nosso relacionamento com 
ele. 
Diz Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em 
abundância” (Jo 10:10). Davi diz a Deus: “Na tua presença há 
plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Sl 
16:11). Ele anseia habitar na casa do Senhor para sempre, “para 
contemplar a beleza do Senhor” (Sl 27:4), e Asafe brada: “Quem 
mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na 
terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus 
é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 
73:25-26). Assim, a atitude normal do cristão é alegrar-se no Senhor 
e nas lições da vida que ele nos dá (Rm 5:2-3; Fp 4:4; 1Ts 5:16-18; 
Tg 1:2; 1Pe 1:6,8 etc.). 
 Dizem-nos as Escrituras que, quando glorificamos e 
desfrutamos a Deus, ele se alegra conosco. Lemos: “Como o noivo 
se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus” (Is 62:5), e 
Sofonias profetiza que o Senhor “se deleitará em ti com alegria; 
regozijar-se-á em ti com júbilo. Os que estão entristecidos por se 
acharem afastados das festas solenes, eu os congregarei” (Sf 3:17-
18). 
Essa compreensão da doutrina da criação do homem traz 
resultados bastante práticos. Quando percebemos que Deus nos 
4 
 
criou para glorificá-lo, e quando passamos a agir a fim de cumprir 
esse fim, então começamos a experimentar uma intensidade de 
alegria no Senhor que antes não conhecíamos. E quando acrescemos 
a isso a compreensão de que o próprio Deus se deleita com a nossa 
comunhão com ele, nossa alegria se torna “inexprimível e plena de 
glória celeste” (cf. 1Pe 1:8). 
 
 O homem à imagem de Deus 
De todas as criaturas que Deus fez, só de uma delas, o 
homem, diz-se ter sido feita “à imagem de Deus”. O que isso 
significa? Podemos usar a seguinte definição: o fato de ser o homem 
à imagem de Deus significa que ele é semelhante a Deus e o 
representa. 
Quando Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, 
conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26), isso significa que ele 
pretende fazer uma criatura semelhante a si. As palavras hebraicas 
que exprimem “imagem” (tselem) e “semelhança” (demût) se 
referem a algo similar, mas não idêntico, à coisa que representa ou 
de que é uma “imagem”. A palavra imagem também pode ser usada 
para exprimir algo que representa outra coisa. 
Essa compreensão do que significa ter sido o homem criado 
à imagem de Deus é reforçada pela similaridade entre Gênesis 1:26, 
onde Deus declara a sua intenção de criar o homem à sua imagem e 
semelhança, e Gênesis 5:3: “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou 
um filho à sua semelhança [demût], conforme, conforme a sua 
imagem [tselem], e lhe chamou Sete”. Sete não era idêntico a Adão, 
mas era como ele em muitos aspectos, assim como um filho é como 
seu pai. O texto significa simplesmente que Sete era como Adão. Do 
mesmo modo, todo o aspecto segundo o qual o homem é como Deus 
faz parte do fato de ser ele à imagem e semelhança de Deus. 
Todavia, como o homem pecou, ele sem dúvida não é tão 
plenamente semelhante a Deus como era antes. Sua pureza moral se 
5 
 
perdeu e seu caráter pecaminoso certamente não espelha a santidade 
de Deus. Seu intelecto está corrompido pela falsidade e pelo engano; 
suas palavras já não glorificam continuamente a Deus; seus 
relacionamentos muitas vezes são controlados pelo egoísmo, já não 
pelo amor e assim por diante. Embora o homem ainda seja à imagem 
de Deus, em cada aspecto da vida alguns elementos dessa imagem 
foram distorcidos ou perdidos. Em suma, “Deus fez o homem reto, 
mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7:29). 
A plena medida da excelência da nossa humanidade só se 
verá novamente na terra quando Cristo voltar e tivermos recebido 
todos os benefícios da salvação que ele conquistou para nós. No 
entanto, é animador abrir o Novo Testamento e ver que nossa 
redenção em Cristo significa que podemos, mesmo nesta vida, 
gradualmente crescer cada vez mais na semelhança de Deus. Por 
exemplo, Paulo diz que como cristãos temos uma nova natureza, que 
“se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele 
que o criou” (Cl 3:10). 
Ao longo desta vida, à medida que vamos crescendo no 
verdadeiro conhecimento de Deus, da sua Palavra e do seu mundo, 
e também em maturidade cristã, aumenta a nossa semelhança a 
Deus. Mais especificamente, nos vamos tornando cada vez mais 
semelhantes a Cristo na nossa vida e no nosso caráter. De fato, Deus 
nos redimiu para que sejamos “conformes à imagem de seu Filho” 
(Rm 8:29), tendo assim exatamente o mesmo caráter moral de 
Cristo. Em Jesus vemos a semelhança humana a Deus como ela foi 
originalmente concebida e deve para nós ser motivo de alegria o fato 
de ter Deus nos predestinado a ser “conformes à imagem de seu 
Filho”(Rm 8:29; cf. 1Co 15:49): “Quando ele se manifestar, 
seremos semelhantes a ele”(1Jo 3:2). 
 
 
 
6 
 
 O ser humano como homem e mulher 
Em Gênesis 1:27, lemos: “Criou Deus, pois, o homem à sua 
imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. 
Embora a criação do ser humano como homem e mulher não seja o 
único aspecto da nossa criação à imagem de Deus, é ele tão 
significativo que as Escrituras o mencionam logo no mesmo 
versículo em que descrevem a criação do homem por Deus. 
Podemos resumir da seguinte maneira os aspectos segundo os quais 
a criação dos dois sexos representa algoda nossa criação à imagem 
de Deus: as relações interpessoais harmoniosas, a igualdade em 
termos de pessoalidade e de importância, e a diferença de papéis e 
autoridade. 
 
- Relações interpessoais 
A criação de duas pessoas distintas, homem e mulher, e não 
só o homem, contribui para o fato de sermos à imagem de Deus, pois 
pode-se considerar que ela reflete em certo grau a pluralidade de 
pessoas dentro da Trindade. No versículo anterior àquele que relata 
a criação do ser humano como homem e mulher, vemos a primeira 
indicação explícita da pluralidade de pessoas em Deus: “Disse 
Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa 
semelhança; tenha ele domínio” (Gn 1:26). Há alguma similaridade 
aqui: assim como havia comunhão, comunicação e 
compartilhamento de glória entre os membros da Trindade antes da 
criação do mundo (ver Jo 17:5, 24), também Deus fez Adão e Eva 
de forma tal que deveriam compartilhar amor, comunicação e 
respeito mútuo no seu relacionamento. É claro que esse reflexo da 
Trindade viria a se expressar de várias maneiras dentro da sociedade 
humana, mas certamente existiria desde o princípio na íntima 
unidade interpessoal do casamento. 
7 
 
Além de no casamento, outro modo de também refletir a 
unidade e a diversidade da Trindade na nossa vida é na união dos 
crentes na comunhão da igreja. Na genuína comunhão da igreja, os 
solteiros, bem como os casados, podem se relacionar de modos que 
reflitam a natureza da Trindade. Portanto, a edificação da igreja e o 
aumento da sua unidade e pureza também promovem o reflexo do 
caráter divino no mundo. 
 
- Igualdade em termos de pessoalidade e importância 
Assim como os membros da Trindade são iguais na sua 
importância e na sua plena existência como pessoas distintas, 
também homens e mulheres foram criados por Deus iguais na sua 
importância e na sua pessoalidade. Quando Deus criou o homem, os 
criou “homem e mulher” à sua imagem (Gn 1:27; 5:1-2). O homem 
e a mulher foram feitos igualmente à imagem de Deus, e tanto 
homens como mulheres refletem o caráter divino. E se somos 
igualmente à imagem de Deus, então certamente homens e mulheres 
são igualmente importantes para Deus e igualmente valiosos para 
Ele. Temos igual valor perante Ele por toda a eternidade. 
O fato de as Escrituras dizerem que homens e mulheres são 
“à imagem de Deus” deve excluir todo o sentimento de orgulho ou 
inferioridade, e qualquer ideia de que um sexo é “melhor” ou “pior” 
do que o outro. Paulo enfatiza: “No Senhor, todavia, nem a mulher 
é independente do homem, nem o homem independente da mulher. 
Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem 
é nascido da mulher” (1Co 11:11,12). Ambos, homem e mulher, são 
igualmente importantes; um depende do outro; os dois são dignos 
de respeito. 
A igualdade de pessoalidade com que homens e mulheres 
foram criados é enfatizada de uma nova forma na igreja da nova 
aliança. No Pentecostes vemos o cumprimento da profecia de Joel, 
na qual Deus promete: “Derramarei do meu Espírito sobre toda a 
8 
 
carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão [...] até sobre os 
meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito 
naqueles dias e profetizarão” (At 2:17-18; citando Jl 2:28-29). 
 
- Diferenças de papéis 
 Entre os membros da Trindade sempre houve igualdade de 
importância, pessoalidade e divindade por toda a eternidade. Mas 
sempre houve também diferenças de papéis e autoridade entre os 
membros da Trindade. Se os seres humanos devem mesmo refletir 
o caráter de Deus, então é de esperar algumas diferenças de papéis 
entre eles, mesmo no tocante a mais básica de todas as diferenças 
entre os seres humanos: a diferença entre homem e mulher. Paulo 
torna explícita essa analogia ao dizer: “Quero, entretanto, que 
saibais ser Cristo o cabeça de todo o homem, e o homem, o cabeça 
da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo” (1Co 11:3). 
 Assim como Deus Pai tem autoridade sobre o Filho, embora 
os dois sejam iguais em divindade, também no casamento o marido 
tem autoridade sobre a mulher, embora sejam iguais em 
pessoalidade. Nesse caso, o papel do homem é semelhante ao de 
Deus Pai, e o papel da mulher é análogo ao de Deus Filho. São iguais 
em importância, mas têm papéis diferentes. 
 Biblicamente, podemos afirmar que os papéis distintos 
masculinos e femininos existem desde o princípio, mesmo antes do 
surgimento do pecado no mundo. O fato de ter Deus criado primeiro 
Adão e só depois de certo tempo, Eva (Gn 2:7, 18-23), 
sugere que Deus tinha Adão como líder dentro da família. Não se 
menciona procedimento desse tipo, em duas etapas, na criação de 
nenhum dos animais. As Escrituras também especificam que Deus 
fez Eva para Adão, não Adão para Eva. Disse Deus: “Não é bom que 
o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” 
(Gn 2:18). Não se deve supor aqui uma sugestão de importância 
9 
 
menor, mas sim que existe uma diferença de papéis desde o 
princípio. 
 Satanás, depois de ter pecado, tentava distorcer e minar tudo 
o que Deus havia planejado e criado bom. É provável que Satanás 
(na forma de serpente), ao aproximar-se primeiro de Eva, tentasse 
instituir um papel inverso ao incitar Eva a tomar a liderança na 
desobediência a Deus (Gn 3:1). Isso contrasta com o modo como 
Deus os abordava, pois ao lhes falar, Deus falava a Adão primeiro 
(Gn 2:15-17, 3:9). Paulo parece ter essa inversão de papéis em mente 
ao dizer: “Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu 
em transgressão” (1Tm 2:14). Isso sugere pelo menos que Satanás, 
abordando primeiro a mulher, tentava minar o modelo de liderança 
masculina que Deus estabelecera no casamento. 
 Nos castigos que Deus impôs a Adão e Eva, não introduziu 
novos papéis ou funções, mas simplesmente a dor e a distorção nas 
funções já previamente estabelecidas. Assim, Adão ainda teria a 
responsabilidade primária de arar o solo e cultivar as lavouras, mas 
o solo produziria “cardos e abrolhos” e no suor do seu rosto ele 
comeria o seu pão (Gn 3:18,19). Do mesmo modo, Eva ainda teria a 
responsabilidade de gerar filhos, mas isso se tornaria doloroso: “Em 
meio de dores darás à luz filhos” (Gn 3:16). Então Deus também 
introduziu o conflito e a dor no relacionamento anteriormente 
harmonioso entre Adão e Eva: “O teu desejo será para o teu marido, 
e ele te governará” (Gn 3:16). 
 Em Gênesis 3:16, a palavra traduzida por “desejo” (heb. 
teshûqāh) significa “desejo de conquistar” e indica que Eva teria o 
desejo ilegítimo de usurpar a autoridade do marido. Essa 
interpretação indica que Deus introduz um conflito no 
relacionamento entre Adão e Eva, e o desejo de Eva de se rebelar 
contra a autoridade de Adão. Ainda no mesmo texto, a palavra 
“governará” (heb. mashāl) é um termo forte geralmente associado a 
governos monárquicos e não em geral à autoridade dentro de uma 
10 
 
família. O sentido aqui é que Adão abusará da sua autoridade, 
dominando a sua esposa com dureza, algo que mais uma vez 
introduz dor e conflito num relacionamento antes harmonioso. 
 Todavia, a redenção de Cristo reafirma a ordem da criação: 
“Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no 
Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não a trateis com 
amargura” (Cl 3:18-19; cf. Ef 5:22-33; Tt 2:5; 1Pe 3:1-7). A 
redenção de Cristo tem por meta eliminar os resultados do pecado e 
da queda, em todos os aspectos: “Para isto se manifestou o Filho de 
Deus: para destruir as obras do Diabo” (1Jo 3:8). O Novo 
Testamento determina, com respeito ao casamento, que não se 
perpetue nenhum elemento da maldição nem nenhuma conduta 
pecaminosa; reafirma, antes, a ordem e a distinção dos papéis que 
existiam no princípio da excelente criação divina. 
 Em termos de aplicação prática, à medida que crescemos na 
maturidade em Cristo, passamos cada vez mais a nos deleitar e nos 
alegrar com as diferençasnos papéis dentro da família humana, 
diferenças essas determinadas por Deus e sabiamente por ele 
criadas. 
 
 
PERGUNTAS PARA APLICAÇÃO PESSOAL 
 
1. Como a compreensão de ser criado(a) à imagem de Deus pode 
interferir em sua forma de pensar e agir? 
 
2. Na sociedade atual, quais legados da queda de Adão e Eva são 
mais evidentes para você? E como os cristãos devem reagir a isso? 
 
 
 
 
11 
 
 
PASSAGEM PARA MEMORIZAR 
 
I Coríntios 11.11-12: “No Senhor, porém, nem a mulher é 
independente do homem, nem o homem é independente da mulher. 
Pois, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem 
nasce da mulher, mas tudo vem de Deus”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
 
A DOUTRINA DO HOMEM 
 
AULA 2: 
O Pecado (parte 1) 
Texto Bíblico: Romanos 5.19 
Na aula anterior, falamos sobre a criação do ser humano, 
feito à imagem e semelhança de Deus. O homem e a mulher foram 
criados com o propósito de glorificar a Deus, que os forjou para 
assumirem papéis diferentes, apesar de receberem o mesmo valor de 
seu Criador. Contudo, o pecado causou a ruptura do relacionamento 
harmonioso entre Deus e o ser humano, estendendo seus malefícios 
ao relacionamento entre homem, mulher e suas gerações. Nesta aula, 
apresentaremos a definição de pecado, sua origem, e consequências. 
 
EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA 
 
 Definição de pecado 
A história da raça humana que se apresenta nas Escrituras é 
primordialmente a história do homem num estado de pecado e 
rebelião contra Deus e do plano redentor de Deus para levar o 
homem de volta a ele. Portanto, convém agora ponderar a natureza 
do pecado que separa o homem de Deus. 
Podemos partir da seguinte definição: pecado é deixar de se 
conformar à lei moral de Deus, seja em ato, seja em atitude, seja em 
natureza. O pecado é aqui definido em relação a Deus e sua lei 
moral. Inclui não só atos individuais, como roubar, mentir ou 
cometer homicídio, mas também atitudes contrárias àquilo que Deus 
exige de nós. Percebemos isso já nos Dez Mandamentos, que não só 
13 
 
proíbem ações pecaminosas, mas também atitudes errôneas: “Não 
cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu 
próximo, nem o servo, nem a serva, nem o seu boi, nem o seu 
jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êx 
20:17). Aqui Deus especifica que o desejo de roubar ou cometer 
adultério é também pecado aos olhos dele. O Sermão do Monte 
também proíbe atitudes pecaminosas como a ira (Mt 5:22) ou a 
luxúria (Mt 5:28). Paulo arrola atitudes como ciúme, raiva e 
egoísmo (Gl 5:20) entre as obras da carne, opostas aos desejos do 
Espírito (Gl 5:22). Portanto, a vida agradável a Deus é aquela que 
exibe pureza moral não só em atos, mas também em desejos íntimos. 
De fato, o maior de todos os mandamentos exige que nosso coração 
se encha de uma atitude de amor a Deus: “Amarás, pois, o Senhor, 
teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu 
entendimento e de toda a tua força” (Mc 12:30). 
A definição dada acima especifica que pecado é deixar de se 
conformar à lei moral de Deus não só em ato e em atitude, mas 
também em natureza moral. Nossa própria natureza, o caráter íntimo 
que é a essência daquilo que somos, pode também ser pecaminosa. 
Antes que fôssemos remidos por Cristo, não só cometíamos atos 
pecaminosos e tínhamos atitudes pecaminosas, mas também éramos 
pecadores por natureza. Por isso diz Paulo que “Cristo [... morreu] 
por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8) e que antes “éramos, 
por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2:3). O 
descrente, mesmo dormindo, embora não cometa atos pecaminosos 
nem nutra ativamente atitudes pecaminosas, é ainda “pecador” aos 
olhos de Deus; ele ainda tem uma natureza pecaminosa que não se 
conforma à lei moral de Deus. 
Finalmente, importa observar que a definição de pecado 
enfatiza a sua gravidade. Percebemos pela experiência que o pecado 
é nocivo a nós, que traz dor e consequências destrutivas para nós e 
para os outros atingidos por ele. Mas se definimos o pecado como a 
14 
 
inconformidade à lei moral de Deus, então pecar é mais do que 
meramente doloroso e destrutivo – é também errado no sentido mais 
profundo da palavra. Num universo criado por Deus, não deve haver 
pecado. O pecado se opõe diretamente a tudo que é bom no caráter 
de Deus, e assim como Deus necessária e eternamente se deleita em 
si mesmo e em tudo o que ele é, também necessária e eternamente 
detesta o pecado. É, em essência, a contradição da excelência do 
caráter moral de Deus. Contradiz a sua santidade e, portanto, ele tem 
de detestá-lo. 
 
 A origem do pecado 
De onde veio o pecado? Como ele penetrou no universo? 
Primeiro, precisamos afirmar claramente que Deus não pecou e não 
deve ser culpado pelo pecado. Foi o homem quem pecou, os anjos 
quem pecaram e nos dois casos o fizeram por escolha intencional e 
voluntária. Culpar a Deus pelo pecado seria blasfemar contra o 
caráter de Deus. “Suas obras são perfeitas, porque todos os seus 
caminhos são juízo; Deus é fidelidade e não há nele injustiça; é 
justo e reto” (Dt 32:4). Abraão pergunta com verdade e força nas 
palavras: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18:25). E 
Eliú diz com justiça: “Longe de Deus o praticar ele a perversidade 
e do Todo-Poderoso o cometer injustiça” (Jó 34:10). De fato, para 
Deus é impossível sequer desejar injustiça: “Deus não pode ser 
tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1:13). 
Embora jamais devamos dizer que Deus pecou ou que ele é 
culpado do pecado, devemos, porém, necessariamente afirmar que 
o Deus “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua 
vontade” (Ef 1:11), o Deus que, “segundo a sua vontade, [...] opera 
com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe 
possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4:35), esse Deus 
15 
 
de fato ordenou que o pecado surgiria por intermédio das decisões 
voluntárias das criaturas morais. 
 Mesmo antes da desobediência de Adão e Eva, o pecado se 
fez presente no mundo angélico com a queda de Satanás e dos 
demônios. Mas com respeito à raça humana, o primeiro pecado foi 
o de Adão e Eva no jardim do Éden (Gn 3:1-19). O ato de comer o 
fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal é, em muitos 
aspectos, típico do pecado em geral. Primeiro, seu pecado atingiu a 
base do conhecimento, pois deu uma resposta diferente à pergunta 
“O que é verdadeiro?” Deus dissera que Adão e Eva morreriam se 
comessem da árvore (Gn 2:17), mas a serpente afirmou: “É certo 
que não morrereis” (Gn 3:4). Eva decidiu duvidar da veracidade da 
palavra de Deus e então fez uma experiência para ver se Deus falava 
a verdade. 
Segundo, seu pecado atingiu a base dos parâmetros morais, 
pois deu uma resposta diferente à pergunta “O que é certo?” Deus 
dissera que era moralmente certo que Adão e Eva não comessem o 
fruto daquela única árvore (Gn 2:17). Mas a serpente sugeriu que 
seria certo comer do fruto e que ao comê-lo Adão e Eva se tornariam 
“como Deus” (Gn 3:5). Eva confiou na sua própria avaliação do que 
era certo e do que seria melhor para ela, negando às palavras de Deus 
a prerrogativa de definir o certo e o errado. Ela viu “que a árvore 
era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para 
dar entendimento” e, portanto, “tomou-lhe do fruto e comeu” (Gn 
3:6). 
Terceiro, seu pecado deu uma resposta diferente à pergunta: 
“Quem sou eu?” A resposta correta era que Adão e Eva eram 
criaturas de Deus, dependentes dele e sempre subordinadas a ele, 
seu Criador e Senhor. Mas Eva, e depois Adão, sucumbiram à 
tentação de ser “como Deus” (Gn 3:5), tentando assim colocar-se no 
lugar de Deus. 
16 
 
É importante insistir na veracidade histórica da narrativa da 
queda de Adão e Eva. Assim como o relato da criação de Adão e 
Eva está vinculado ao restante da narrativahistórica do livro de 
Gênesis, também esse relato da queda do homem, que se segue à 
história da sua criação, é apresentado pelo autor como história 
objetiva e verídica. Além do mais, os autores do Novo Testamento 
remontam a esse relato e afirmam que “por um só homem entrou o 
pecado no mundo” (Rm 5:12), insistindo em que “o julgamento 
derivou de uma só ofensa, para a condenação” (Rm 5:16) e em que 
“a serpente enganou a Eva com a sua astúcia” (2Co 11:3; cf. 1Tm 
2:14). A serpente era sem dúvida uma serpente real, palpável, que 
falava em virtude da inspiração de Satanás (cf. Gn 3:15 com Rm 
16:20; também Nm 22:28-30; Ap 12:9; 20:2). 
Finalmente, importa observar que todo pecado é em última 
análise irracional. Na verdade não faz sentido que Satanás se tenha 
rebelado contra Deus na esperança de poder exaltar-se acima de 
Deus. Nem que Adão e Eva tenham pensado que poderia advir 
algum benefício da desobediência às palavras do seu Criador. Foram 
decisões insensatas. A persistência de Satanás na rebelião contra 
Deus, mesmo hoje, é ainda decisão insensata, como a decisão de 
qualquer ser humano de continuar num estado de rebeldia contra 
Deus. Não é o homem sábio, mas o “insensato”, que “diz [...] no seu 
coração: Não há Deus” (Sl 14:1). É o “insensato” no livro de 
Provérbios que irresponsavelmente se entrega a todo o tipo de 
pecado (ver Pv 10:23; 12:15, 14:7,16; 15:5; 18:2 etc.). Embora as 
pessoas às vezes se convençam de que têm bons motivos para pecar, 
quando examinadas à fria luz da verdade no último dia, se verá em 
cada caso que o pecado em última análise simplesmente não faz 
sentido. 
 
 
 
17 
 
 A doutrina do pecado herdado 
Como o pecado de Adão nos afeta? As Escrituras ensinam 
que herdamos o pecado de Adão de dois modos. 
 
- Culpa herdada: somos considerados culpados por causa do 
pecado de Adão. 
 Paulo explica os efeitos do pecado de Adão da seguinte 
maneira: “Portanto [...] por um só homem entrou o pecado no 
mundo, e pelo pecado, a morte, assim [...] a morte passou a todos 
os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12). O contexto mostra 
que Paulo não está falando dos pecados que as pessoas efetivamente 
cometem no dia-a-dia, pois todo o texto (Rm 5:12-21) trata da 
comparação entre Adão e Cristo. E quando Paulo diz “assim [gr. 
houtōs, “portanto, dessa forma”; ou seja, por intermédio do pecado 
de Adão] [...] a morte passou a todos os homens, porque todos 
pecaram”, está dizendo que por meio do pecado de Adão, “todos [os 
homens] pecaram”. 
 A ideia de que Deus nos considerava culpados por causa do 
pecado de Adão é afirmada novamente em Romanos 5:18-19: “Pois 
assim como, por uma só ofensa, veio juízo sobre todos os homens 
para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a 
graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. 
Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se 
tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um 
só, muitos se tornarão justos”. Aqui Paulo afirma explicitamente 
que pela transgressão de um só homem “muitos se tornaram 
pecadores”. Quando Adão pecou, Deus considerou todos os futuros 
descendentes de Adão como pecadores. Embora ainda não 
existíssemos, Deus perscrutando o futuro e sabendo que iríamos 
existir, passou a nos considerar culpados como Adão. Essa ideia é 
18 
 
também compatível com a afirmação de Paulo de que “Cristo 
[...morreu] por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). 
 
- Corrupção herdada: temos uma natureza pecaminosa por causa 
do pecado de Adão. 
 Além de sermos considerados culpados por causa do pecado 
de Adão, também herdamos uma natureza pecaminosa como 
consequência do pecado dele. 
 Diz Davi: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me 
concebeu a minha mãe” (Sl 51:5). Alguns equivocadamente 
julgaram que o que está em questão aqui é o pecado da mãe de Davi, 
mas isso não é correto, pois todo o contexto nada tem a ver com a 
mãe de Davi. Em toda essa seção do texto, Davi confessa o seu 
próprio pecado, dizendo: “Compadece-te de mim, ó Deus [...] apaga 
as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha 
iniquidade [...] conheço as minhas transgressões, [...] Pequei 
contra ti” (Sl 51:1-4). 
 Davi, ao examinar o seu passado, tanto se abate diante da 
consciência do próprio pecado que percebe que foi pecador desde o 
início. Desde a mais tenra lembrança, percebe ele que teve uma 
natureza pecaminosa. De fato, ao sair do ventre da mãe, já nasceu 
“na iniquidade” (Sl 51:5). Aqui se vê uma veemente afirmação da 
inerente tendência ao pecado que se apega a nós desde o princípio. 
Ideia semelhante se afirma em Salmos 58:3: “Desviam-se os ímpios 
desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo 
mentiras”. 
 Portanto, nossa natureza inclui a disposição ao pecado, tanto 
que Paulo pode afirmar antes de sermos cristãos “éramos, por 
natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2:3). Qualquer 
um que já tenha criado filhos pode dar testemunho, por experiência 
própria, do fato de que todos nascemos com uma tendência ao 
19 
 
pecado. As crianças não precisam ser ensinadas a fazer coisas 
erradas; descobrem isso por si próprias. O que os pais têm de 
ensinar-lhes é o agir correto, criando-as “na disciplina e na 
admoestação do Senhor” (Ef 6:4). 
 Apesar da nossa capacidade de fazermos o bem em muitos 
sentidos dessa palavra, pela graça comum de Deus (ou seja, pelo 
favor imerecido que ele dispensa a todos os seres humanos), nossa 
corrupção herdada, nossa tendência ao pecado, que recebemos de 
Adão, significa que, em relação a Deus, nada podemos fazer que lhe 
agrade. Cada parte do nosso ser está maculada pelo pecado – o 
intelecto, as emoções e desejos, o coração (centro dos desejos e 
processos decisórios), as metas e motivos. Diz Paulo: “Sei que em 
mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum” (Rm 7:18) e 
“para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente 
como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1:15). Além disso, 
Jeremias nos diz que “enganoso é o coração, mais do que todas as 
coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 
17:9). Nessas passagens, as Escrituras não negam que os descrentes 
podem fazer o bem na sociedade humana em certos sentidos. Mas 
nega que possam fazer qualquer bem espiritual, ou ser bons no 
tocante ao relacionamento com Deus. Sem a obra de Cristo em nossa 
vida, somos como todos os outros descrentes, “obscurecidos de 
entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em 
que vivem, pela dureza do seu coração” (Ef 4:18). 
 Além da nossa incapacidade de fazer qualquer coisa que 
agrade a Deus, somos também incapazes de nos aproximar de Deus 
por nossas próprias forças. Paulo diz que “os que estão na carne não 
podem agradar a Deus” (Rm 8:8). Além disso, a respeito de dar 
fruto para o reino de Deus e fazer o que lhe agrada, diz Jesus: “Sem 
mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). 
Embora, do ponto de vista humano, as pessoas possam ser 
capazes de fazer o bem, Isaías afirma que “todas as nossas justiças, 
20 
 
[são] como trapo da imundícia” (Is 64: 6; cf. Rm 3:9-20). Os 
incrédulos nem sequer são capazes de compreender corretamente as 
coisas de Deus, pois “o homem natural não compreende as coisas 
do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode 
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). 
Tampouco podemos nos aproximar de Deus por nossas próprias 
forças, pois diz Jesus: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me 
enviou, não o trouxer” (Jo 6:44). 
Se Deus dá a alguma pessoa o desejo de se arrepender e 
confiar em Cristo, ela não deve se demorar nem endurecer seu 
coração (cf. Hb 3:7-8; 12:17). Essa capacidade de se arrepender e 
desejar ter fé em Deus não é naturalmente nossa, mas vem pela 
atuação do Espírito Santo e não dura para sempre. “Hoje, se ouvirdes 
a sua voz, não endureçais o vossocoração” (Hb 3:15). 
 
 
PERGUNTAS PARA APLICAÇÃO PESSOAL 
 
1. Em sua opinião, de que forma nossa natureza evidencia o estado 
pecaminoso que herdamos? 
 
2. Como nosso senso de justiça pode atrapalhar a compreensão da 
verdade que “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” 
(Rm 3:23)? 
 
PASSAGEM PARA MEMORIZAR 
 
Romanos 5.19: “Porque, como pela desobediência de um só 
homem muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da 
obediência de um só, muitos se tornarão justos”. 
 
 
21 
 
A DOUTRINA DO HOMEM 
 
AULA 3: 
O Pecado (parte 2) 
Texto Bíblico: Romanos 6.23 
Na aula anterior, discutimos sobre o pecado cometido por 
Adão e Eva, que toda a humanidade herdou, tornando-a igualmente 
culpada perante Deus. Nesta aula, abordaremos sobre nosso estado 
decaído, que nos leva a efetivamente pecar contra Deus, causando 
efeitos desastrosos, sendo o pior deles a morte. 
 
 
EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA 
 
 Pecados reais que cometemos 
Iniciaremos esse tópico com uma verdade fundamental para 
a sua compreensão: todas as pessoas são pecadoras perante Deus. 
As Escrituras em muitas passagens dão testemunho da 
pecaminosidade universal da humanidade. “Todos se extraviaram e 
juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem 
um sequer” (Sl 14:3). Diz Davi: “À tua vista não há justo vivente” 
(Sl 143:2). E diz Salomão: “Não há homem que não peque” (1Rs 
8:46; cf. Pv 20:9). 
No Novo Testamento, Paulo tece uma extensa argumentação 
em Romanos 1:18-3:20, mostrando que todas as pessoas, tanto 
judeus como gregos, apresentam-se culpados perante Deus. Diz ele: 
“Todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como 
está escrito: Não há justo, nem um sequer” (Rm 3:9-10). Ele está 
certo de que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 
3:23). Tiago, o irmão do Senhor, admite: “Todos tropeçamos em 
22 
 
muitas coisas” (Tg 3:2), e se ele, que era apóstolo e líder da igreja 
primitiva, admitiu que cometia muitos erros, então também nós 
devemos nos dispor a admiti-lo. João, o discípulo amado, que era 
especialmente íntimo de Jesus, disse: “Se dissermos que não temos 
pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está 
em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para 
nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se 
dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e 
a sua palavra não está em nós” (1Jo 1:8-10). 
 
 Existem graus de pecado? 
 No tocante à nossa posição legal perante Deus, qualquer 
pecado, mesmo aquilo que nos pareça um pecado leve, torna-nos 
legalmente culpados perante Deus e, portanto, dignos de castigo 
eterno. Adão e Eva aprenderam isso no jardim do Éden, onde Deus 
lhes disse que um só ato de desobediência resultaria na pena de 
morte (Gn 2:17). E Paulo afirma que “o julgamento derivou de uma 
só ofensa, para a condenação” (Rm 5:16). Esse único pecado tornou 
Adão e Eva pecadores perante Deus, já incapazes de permanecer na 
santa presença divina. 
Essa verdade permanece válida durante toda a história da 
raça humana. Paulo (citando Dt 27:26) a confirma: “Maldito todo 
aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da 
Lei, para praticá-las” (Gl 3:10). E Tiago declara: “Qualquer que 
guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de 
todos. Porquanto, aquele que disse: Não adulterarás também 
ordenou: Não matarás. Ora, se não adulteras, porém matas, vens a 
ser transgressor da lei (Tg 2:10-11). Portanto, em termos de culpa 
legal, todos os pecados são igualmente maus, pois nos fazem 
legalmente culpados perante Deus e nos constituem pecadores. 
 Por outro lado, alguns pecados são piores do que outros, pois 
trazem consequências mais danosas para nós e para os outros e, no 
23 
 
tocante ao nosso relacionamento pessoal com Deus Pai, provocam-
lhe desprazer e geram ruptura mais grave na nossa comunhão com 
ele. 
 As Escrituras às vezes falam de níveis de gravidade do 
pecado. Quando Deus revelou a Ezequiel visões de pecados no 
templo de Jerusalém, disse-lhe o seguinte depois de mostrar algumas 
coisas ao profeta: “Pois verás ainda maiores abominações” (Ez 
8:13). Então o Senhor revelou a Ezequiel a imagem de mulheres 
chorando diante de uma divindade babilônia, e disse: “Vês isto, filho 
do homem? Verás ainda abominações maiores do que estas” (Ez 
8:15). Finalmente, mostrou a Ezequiel vinte e cinco homens no 
templo, que, de costas para o Senhor, adoravam o sol. Aqui 
claramente temos graus crescentes de pecado e odiosidade perante 
Deus. 
 No Sermão do Monte, ao dizer: “Qualquer, pois, que violar 
um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos 
homens, será chamado o menor no reino dos céus” (Mt 5:19), Jesus 
sugere que há mandamentos menores e maiores. Do mesmo modo, 
embora admita que é correto dar o dízimo mesmo sobre os 
condimentos usados em casa, profere condenações contra os 
fariseus por negligenciarem “os preceitos mais importantes da Lei: 
a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23:23). Nos dois casos, Jesus 
distingue os mandamentos menores e maiores, sugerindo assim que 
alguns pecados são piores do que outros no tocante à própria 
avaliação divina da sua importância. 
 Em geral, podemos dizer que certos pecados trazem 
consequências mais danosas do que outros se desonram mais a 
Deus, ou se geram mais dano a nós mesmos, aos outros ou à igreja. 
Além disso, os pecados cometidos deliberada, repetida e 
conscientemente, de coração endurecido, desagradam mais a Deus 
do que aqueles que se cometem por ignorância e que não são 
24 
 
repetidos, ou cometidos com uma combinação de motivos bons e 
impuros e seguidos por remorso e arrependimento. 
Assim as leis que Deus transmitiu a Moisés em Levítico 
tratam de casos em que as pessoas pecam “por ignorância” (Lv 
4:2,13,22). Pecado não intencional é assim mesmo pecado: “Se 
alguma pessoa pecar e fizer contra algum de todos os mandamentos 
do Senhor aquilo que se não deve fazer, ainda que o não soubesse, 
contudo, será culpada e levará a sua iniquidade” (Lv 5:17). Porém, 
as penalidades impostas e o grau de desagrado de Deus resultante 
do pecado são menores do que no caso do pecado intencional. Por 
outro lado, os pecados cometidos “atrevidamente”, isto é, com 
arrogância e desdém pelos mandamentos de Deus, eram encarados 
com muita gravidade: “Mas a pessoa que fizer alguma coisa 
atrevidamente, quer seja dos naturais quer dos estrangeiros, injuria 
ao Senhor; tal pessoa será eliminada do meio do povo” (Nm 15:30; 
cf. vv. 27-29). 
 É fácil perceber que alguns pecados trazem consequências 
muito mais desastrosas para nós, para os outros e para o nosso 
relacionamento com Deus. Se eu cobiçasse o carro do vizinho, isso 
seria pecado perante Deus. Mas se essa cobiça me levasse de fato a 
roubar-lhe o carro, o pecado então seria mais grave. Se no ato do 
roubo eu lutasse contra o meu vizinho e o ferisse, ou 
descuidadamente ferisse outra pessoa dirigindo o carro, o pecado 
seria ainda mais grave. 
 Segundo as Escrituras, porém, todos os pecados são 
“mortais”, pois mesmo o mais leve deles nos torna legalmente 
culpados perante Deus e merecedores do castigo eterno. No entanto, 
até o mais grave dos pecados é perdoado quando a pessoa se entrega 
a Cristo em busca de salvação (repare, em 1Co 6:9-11, a combinação 
de uma lista de pecados que excluem do reino de Deus e a afirmação 
de que os coríntios que os haviam cometido foram salvos por 
Cristo). 
25 
 
 
 O que acontece quando um cristão peca? 
Ainda que sejamos perdoados, permaneçamos na condição 
de filhos de Deus e ele não deixe de nos amar, quando pecamos Deus 
se desgosta conosco. Paulo nos diz que os cristãos podem entristecer 
“o Espírito de Deus” (Ef 4:30); quando pecamos , lhe causamos 
pesar e ele se desgosta conosco. O autor de Hebreus nos lembra de 
que “oSenhor corrige a quem ama” (Hb 12:6, citando Pv 3:11-12) 
e que o “Pai espiritual [...] nos disciplina para aproveitamento, a 
fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12:9-10). Tema 
semelhante se encontra em Apocalipse 3, onde Cristo ressurreto fala 
do céu à igreja de Laodicéia, dizendo: “Eu repreendo e disciplino a 
todos quantos amo. Sê, pois zeloso e arrepende-te” (Ap 3:19). Aqui, 
novamente, o amor e a repreensão do pecado se encontram na 
mesma frase. Assim, considerando a necessidade da confissão 
regular e arrependimento dos pecados, Jesus nos exorta a orar 
diariamente: “Perdoa os nossos pecados, como também nós 
perdoamos aqueles que pecam contra nós” (Mt 6:12, tradução do 
autor; cf. 1Jo 1:9). 
Quando nós, cristãos, pecamos, não só nosso relacionamento 
pessoal com Deus se interrompe. Prejudicam-se também nossa vida 
cristã e nosso fruto no ministério. Jesus nos faz um alerta: “Como 
não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na 
videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em 
mim” (Jo 15:4). Quando nos afastamos da comunhão com Cristo por 
causa do pecado, diminui a intensidade com que permanecemos em 
Cristo. 
Os autores do Novo Testamento frequentemente falam das 
consequências destrutivas do pecado na vida dos crentes. De fato, 
muitas seções das epístolas se dedicam a repreender e afastar os 
cristãos do pecado que estão cometendo. Paulo diz que se os cristãos 
se entregam ao pecado, cada vez mais se tornam “servos” do pecado 
26 
 
(Rm 6:16); porém Deus quer que os cristãos subam pelo caminho da 
crescente justiça. Se nossa meta é constantemente crescer em 
plenitude de vida até o dia da nossa morte, quando passaremos à 
presença de Deus no céu, então pecar é fazer meia-volta e começar 
a descer, afastando-nos da meta de semelhança a Deus; é seguir na 
direção que leva “para a morte” (Rm 6:16) e para a eterna separação 
de Deus, caminho do qual fomos resgatados quando nos tornamos 
cristãos. 
Pedro diz que os desejos pecaminosos que se alojam no 
nosso coração “fazem guerra contra a alma” (1Pe 2:11) – a metáfora 
militar traduz corretamente a expressão de Pedro e dá a ideia de que 
os desejos pecaminosos em nós são como soldados numa batalha, 
cujo alvo é destruir nosso bem-estar espiritual. Ceder a esses desejos 
pecaminosos, nutri-los e afagá-los no nosso íntimo é alimentar, 
abrigar e acolher as tropas inimigas. Se nos entregamos aos desejos 
que “fazem guerra” contra a nossa alma, inevitavelmente temos 
alguma perda de força espiritual, diminuição de poder espiritual e 
de eficácia na obra do reino de Deus. 
 
 O castigo do pecado 
Embora o castigo divino do pecado funcione realmente 
como elemento inibidor contra novos pecados e como alerta àqueles 
que o testemunham, não é essa a razão principal pela qual Deus pune 
o pecado. A razão primeira é que a justiça de Deus o exige, para que 
ele seja glorificado no universo que criou. Ele é o Senhor que pratica 
“misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me 
agrado, diz o Senhor” (Jr 9:24). 
Paulo discorre sobre Cristo Jesus, “a quem Deus propôs 
como propiciação pelo seu sangue, mediante a fé” (Rm 3:25, 
tradução do autor). Depois o apóstolo explica por que Deus propôs 
Jesus como “propiciação” (ou seja, sacrifício que carrega a ira de 
Deus contra o pecado e, portanto, transforma a ira divina em graça): 
27 
 
“para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, 
deixado impunes os pecados anteriormente” (Rm 3:25). A 
propiciação do Calvário, portanto, demonstrou claramente que Deus 
é perfeitamente justo, pois tinha “em vista a manifestação da sua 
justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador 
daquele que tem fé em Jesus” (Rm 3:26). 
Logo, na cruz temos uma clara demonstração da razão pela 
qual Deus castiga o pecado: se ele não castigasse o pecado, não seria 
um Deus justo e não haveria justiça suprema no universo. Mas, 
castigando o pecado, Deus se revela justo juiz de tudo e faz-se 
justiça no universo. 
 
 
PERGUNTAS PARA APLICAÇÃO PESSOAL 
 
1. Você acha que todos os pecados são iguais perante Deus? E as 
consequências dos pecados: são iguais ou diferentes? 
 
2. Que significados você relacionaria à cruz a partir desta aula? 
 
 
PASSAGEM PARA MEMORIZAR 
 
Romanos 6:23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o 
dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso 
Senhor”. 
 
 
 
 
 
 
28 
 
A DOUTRINA DO HOMEM 
 
AULA 4: 
As Alianças entre Deus e o Homem 
Texto Bíblico: Hebreus 13.20-21 
Na aula anterior, concluímos o estudo da doutrina do pecado, 
compreendendo o quanto o pecado é danoso para o nosso 
relacionamento com Deus, para nós mesmos e para os outros. No 
entanto, ainda há esperança de regeneração e anulação da 
condenação do pecado. Nesta aula, abordaremos sobre as alianças 
estabelecidas entre Deus e o homem, dentre as quais está a aliança 
que possibilitou a redenção da humanidade. 
 
 
EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA 
 
 Desde a criação do mundo, o relacionamento entre Deus e o 
homem tem sido definido por promessas e requisitos específicos. 
Deus revela às pessoas como ele deseja que ajam e também faz 
promessas de como agirá com eles em várias circunstâncias. A 
Bíblia contém vários tratados a respeito dos elementos que definem 
as diferentes formas de relacionamento entre Deus e o homem que 
ocorrem nas Escrituras, e frequentemente chama esses tratados de 
“alianças”. Podemos apresentar a seguinte definição das alianças 
entre Deus e o homem nas Escrituras: “Uma aliança é um acordo 
imutável e divinamente imposto entre Deus e o homem, que estipula 
as condições do relacionamento entre as partes”. 
 Apesar de esta definição incluir a palavra “acordo” para 
indicar que há duas partes, Deus e o homem, a frase “divinamente 
imposto” também é incluída para mostrar que o homem jamais pode 
29 
 
negociar com Deus ou alterar os termos desse acordo: ele apenas 
pode acertar as obrigações da aliança ou rejeitá-la. Essa definição 
também nota que as alianças são “imutáveis”. Elas podem ser 
suplantadas ou substituídas por outra aliança ou pacto, mas uma vez 
estabelecidas, não podem ser alteradas. 
 O relacionamento de aliança entre Deus e o homem ocorre 
em várias formas em toda a Bíblia. Nesta aula, trataremos de duas 
classificações de alianças: a aliança das obras e a aliança da graça. 
 
 A aliança das obras 
Logo nos primeiros capítulos de Gênesis, parece bastante 
claro que havia um compromisso legal no Jardim do Éden 
estabelecendo elementos que definiam as condições do 
relacionamento entre Deus e o homem. Os dois lados são evidentes, 
conforme Deus fala a Adão e lhe dá mandamentos. Os requisitos do 
relacionamento estão claramente definidos nas ordens que Deus deu 
a Adão e Eva (Gn 1:28-30; cf. 2:15) e na ordem direta a Adão: “De 
toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do 
conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que 
dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:16-17). 
Nessa declaração a Adão acerca da árvore do conhecimento 
do bem e do mal há uma promessa de punição pela desobediência – 
a morte, compreendida de forma mais plena como significando 
morte em um sentido extenso: a morte física, espiritual e eterna, e a 
separação de Deus. Na promessa de punição pela desobediência há 
uma promessa implícita de bênção pela obediência. A bênção 
consistiria em não receber a morte e fica implícito que ela seria o 
oposto da “morte”. Envolveria a vida física sem fim e a vida 
espiritual no sentido de relacionamento com Deus que perduraria 
perpetuamente. A presença da “árvore da vida no meio do jardim” 
(Gn 2:9) significava também a promessa da vida eterna com Deus, 
se Adão e Eva cumprissem os requisitos de um relacionamento de 
30 
 
aliança, obedecendo a Deus completamente até que eledecidisse 
que seu tempo de teste havia se completado. Após a queda, Deus 
retirou Adão e Eva do jardim, em parte para que não mais pudessem 
“tomar da árvore da vida, e comer, e viver eternamente” (Gn 3:22). 
Outras alianças nas Escrituras geralmente têm um “sinal” 
exterior associado a elas (tal como a circuncisão, ou o batismo e a 
ceia do Senhor). Nenhum “sinal” a respeito da aliança das obras em 
Gênesis é claramente designado como tal, mas se fôssemos escolher 
um, provavelmente seria a árvore da vida no meio do jardim. 
Participando daquela árvore, Adão e Eva estariam participando da 
promessa da vida eterna que Deus daria. O fruto em si não possuía 
propriedades mágicas, mas era um sinal exterior pelo qual Deus 
garantia que a realidade interior ocorreria. 
Apesar de podermos nos referir à aliança que existiu antes 
da queda utilizando vários termos (tais como Aliança Adâmica ou 
Aliança da Natureza), a designação mais natural parece ser “aliança 
das obras”, visto que a participação nas bênçãos da aliança depende 
claramente da obediência ou “obras” por parte de Adão e Eva. 
Visto que todos nós (cristãos e não cristãos) temos uma 
natureza pecaminosa, não somos capazes de cumprir os requisitos 
da aliança das obras por nós mesmos e assim receber os benefícios 
– da forma que essa aliança se aplica diretamente às pessoas, traz 
apenas punições. Para os cristãos, Cristo preencheu os requisitos 
dessa aliança com sucesso de uma vez por todas, e obtemos os seus 
benefícios não pela obediência de fato da nossa parte, mas por 
confiar nos méritos da obra de Cristo. Na verdade, cristãos que hoje 
se sentem obrigados a tentar obter o favor de Deus através da 
obediência estariam se alienando completamente da esperança da 
salvação. “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo 
de maldição [...] É evidente que, pela lei, ninguém é justificado 
diante de Deus” (Gl 3:10-11). Os cristãos foram libertos da aliança 
31 
 
das obras pela virtude da obra de Cristo e pela sua inclusão na nova 
aliança, a aliança da graça. 
 
 A aliança da graça 
Quando o homem falhou e não conseguiu obter as bênçãos 
oferecidas pela aliança das obras, foi necessário que Deus criasse 
um novo caminho, pelo qual o homem pudesse ser salvo. O restante 
das Escrituras após o relato da queda em Gênesis 3 narra como Deus 
operou na história um surpreendente plano de redenção por meio do 
qual pessoas pecaminosas poderiam chegar a ter um relacionamento 
com ele. 
As partes dessa aliança da graça são Deus e o povo que ele 
redimirá. Mas nesse caso Cristo cumpre um papel especial como 
“mediador” (Hb 8:6, 9:15, 12:24). No sentido de que preenche os 
requisitos da aliança em nosso lugar e assim nos reconcilia com 
Deus (não havia mediador entre Deus e o homem na aliança das 
obras). 
A condição (ou requisito) para a participação na aliança é fé 
na obra de Cristo, o redentor (Rm 1:17, 5:1 etc.). Esse requisito de 
fé na obra redentora do Messias era também a condição para se 
obterem as bênçãos da nova aliança no Antigo Testamento, como 
Paulo demonstra claramente através dos exemplos de Abraão e Davi 
(Rm 4:1-15). Eles, a exemplo de outros crentes do Antigo 
Testamento, foram salvos por aguardar a obra do Messias que viria 
e por crer nela. 
Mas enquanto a condição inicial da aliança da graça é 
sempre apenas a fé na obra de Cristo, afirma-se que a condição de 
permanência na aliança é a obediência aos mandamentos de Deus. 
Apesar dessa obediência não nos obter mérito diante de Deus no 
Antigo Testamento e tampouco no Novo Testamento, se a nossa fé 
em Cristo é genuína produzirá obediência (veja Tiago 2:17) e a 
obediência a Cristo é vista no Novo Testamento como o sinal 
32 
 
necessário que comprava que somos crentes verdadeiros e membros 
da nova aliança (veja 1Jo 2:4-6). 
A promessa de bênçãos na aliança era uma promessa de vida 
eterna com Deus. Essa promessa é frequentemente repetida em todo 
o Antigo e Novo Testamentos. Deus prometeu que lhes seria Deus 
e que eles seriam seu povo. “Estabelecerei a minha aliança entre 
mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança 
perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência” (Gn 17:7). 
“Eu serei o seu Deus [...] Farei com eles aliança eterna” (Jr 32:38-
40; cf. Ez 34:30-31, 36:28, 37:26-27). Esse também é um tema 
escolhido no Novo Testamento. Falando sobre a nova aliança, o 
autor de Hebreus cita Jeremias 31: “Eu serei o seu Deus, e eles serão 
o meu povo” (Hb 8:10). Essa bênção se cumpre na igreja, que é o 
povo de Deus, mas encontra seu cumprimento maior no novo céu e 
na nova terra, conforme João os vê em sua visão da era vindoura: 
“Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. 
Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles (Ap 
21:13). 
O sinal dessa aliança (o símbolo exterior e físico da inclusão 
na aliança) varia entre o Antigo e o Novo Testamentos. No Antigo 
Testamento o sinal exterior do início do relacionamento dentro da 
aliança era a circuncisão. O sinal da permanência no relacionamento 
era continuar a observar todas as festas e leis cerimoniais que Deus 
deu ao povo em várias ocasiões. No Novo Testamento, o sinal do 
início do relacionamento dentro da aliança é o batismo, e o sinal da 
permanência é a ceia do Senhor. 
Esta aliança é chamada “aliança da graça” porque é 
inteiramente baseada na “graça” de Deus, que é seu favor imerecido 
para com aqueles que ele redime. 
 
 
 
33 
 
 Várias formas de aliança 
Apesar dos elementos essenciais da aliança da graça 
permanecerem os mesmos por toda a história do povo de Deus, os 
termos específicos da aliança variam conforme a ocasião. Na época 
de Adão e Eva havia apenas uma singela sugestão da possibilidade 
de um relacionamento com Deus na promessa da semente da mulher 
em Gênesis 3:15 e na provisão graciosa, da parte de Deus, de vestir 
Adão e Eva (Gn 3:21). A aliança que Deus fez com Noé após o 
dilúvio (Gn 9:8-17) não prometia as bênçãos da vida eterna ou a 
comunhão espiritual com Deus, mas prometia apenas que a terra não 
mais seria destruída por um dilúvio. Nesse sentido a aliança com 
Noé, apesar de certamente depender da graça (ou favor imerecido) 
de Deus, parece ser bem diferente quanto às partes envolvidas (Deus 
e toda a humanidade, não apenas os remidos), quanto às condições 
especificadas (não se requer fé nem obediência do homem) e quanto 
à bênção prometida (que a terra não seria destruída outra vez por um 
dilúvio, o que é evidentemente distinto da promessa da vida eterna). 
O sinal da aliança (o arco-íris) também é diferente no sentido de que 
não requer nenhuma participação ativa ou voluntária do homem. 
Mas desde a aliança com Abraão (Gn 15:1-21; 17:1-27), os 
elementos essenciais da aliança da graça estão presentes. De fato, 
Paulo pôde dizer que “a Escritura [...] preanunciou o evangelho a 
Abraão” (Gl 3:8). Além do mais, Lucas nos relata que Zacarias, pai 
de João Batista, profetizou que a vinda de seu filho para preparar o 
caminho para Cristo era o início da atuação de Deus para cumprir as 
antigas promessas da aliança com Abraão (“para usar de 
misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança 
e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai”, Lc 1:72-72). Portanto 
as promessas da aliança com Abraão permaneceram em vigor 
mesmo quando se cumpriram em Cristo (veja Rm 4:1-25; Gl 3:6-18, 
29; Hb 2:16, 6:13-20). 
 
34 
 
- O que é a “velha aliança” que contrasta com a “nova aliança” 
em Cristo? 
 A velha aliança não é a integralidade do Antigo Testamento, 
pois as alianças com Abraão e Davi jamais são chamadas “velhas” 
no Novo Testamento. Pelo contrário, apenas a aliança sob Moisés, a 
aliança feita no monte Sinai (Êx 19-24) é chamada “velha aliança” 
(2Co 3:14; cf. Hb 8:6,13), a ser substituída pela “nova aliança” em 
Cristo (Lc 22:20; 1Co 11:25;2Co 3:6; Hb 8:8,13, 9:15, 12:24). A 
aliança mosaica era a ministração de leis escritas detalhadas, dadas 
em certa ocasião para restringir os pecados do povo e para ser um 
tutor que conduzia as pessoas a Cristo. Paulo afirma: “Qual, pois, a 
razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, 
até que viesse o descendente a quem se fez a promessa” (Gl 3:19) e: 
“A lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo”. 
 Apesar do sistema sacrificial da aliança mosaica não 
remover realmente os pecados (Hb 10:1-4), prefigurava o fato de 
que Cristo levou os pecados, sendo o sumo sacerdote perfeito que 
também foi um sacrifício perfeito (Hb 9:11-28). Contudo a aliança 
mosaica em si mesma, com todas as suas leis detalhadas, não poderia 
salvar as pessoas. 
 A nova aliança em Cristo, então, é muito melhor porque 
cumpre as promessas feitas em Jeremias 31:31-34, citadas em 
Hebreus 8: “Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais 
excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança 
instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela 
primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma 
estaria sendo buscado lugar para a segunda. E, de fato, 
repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova 
aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a 
aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, 
para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não 
35 
 
continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o 
Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, 
depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as 
minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei 
o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais cada 
um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece 
ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o 
maior. Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia 
e dos seus pecados jamais me lembrarei. Quando ele diz Nova, 
torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e 
envelhecido está prestes a desaparecer (Hb 8:6-13). 
 Nesta nova aliança há bênçãos muito maiores, pois Jesus, o 
Messias, já veio; ele viveu, morreu e ressuscitou entre nós, expiando 
de uma vez para sempre todos os nossos pecados (Hb 9:24-28); ele 
nos revelou Deus de forma mais plena (Jo 1:14; Hb 1:1-3); ele 
derramou o Espírito Santo sobre todo seu povo com o poder da nova 
aliança (At 1:8; 1Co 12:13; 2Co 3:4-18); ele escreveu suas leis em 
nosso coração (Hb 8:10). Esta nova aliança é a “aliança eterna” (Hb 
13:20) em Cristo, através da qual teremos sempre comunhão com 
Deus, e ele será nosso Deus, e nós seremos seu povo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
36 
 
PERGUNTAS PARA APLICAÇÃO PESSOAL 
 
1. Em sua opinião, que “sinais” podem confirmar a aliança entre 
Deus e os verdadeiros crentes? 
 
2. Que significados a aliança da graça traz para a sua vida? 
 
 
 
 
 
PASSAGEM PARA MEMORIZAR 
 
 
Hebreus 13.20-21: “O Deus de paz, que pelo sangue da aliança 
eterna trouxe dentre os mortos nosso Senhor Jesus, o grande Pastor 
das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua 
vontade, realizando em nós o que perante ele é agradável, por meio 
de Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém”.

Mais conteúdos dessa disciplina