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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CAA/NFD - CURSO DE PEDAGOGIA
Racismo e Educação para as Relações Étnico-raciais - 2023.2
Docente: Luiz Gustavo Mendel
Discente: Iris Fernanda Conceição dos Santos
Resenha do documentário: “Sobre a Violência, Göran Olsson (2014) | África,
anti-colonialismo, anti-imperialismo, Frantz Fanon”
REFERÊNCIA
SOBRE a Violência, Göran Olsson (2014) | África, anti-colonialismo, anti-imperialismo,
Frantz Fanon. Direção: Göran Olsson. Roteiro: Frantz Fanon, Göran Olsson. Suécia, 2014.
Online (1:25:23). Disponível em: https: //youtu.be/UHyxtP3fioMsi=cO3Z1aY14KducY6F.
Acesso em: 19. dez. 2023.
O documentário “Sobre a Violência, Göran Olsson (2014) | África, anti-colonialismo,
anti-imperialismo, Frantz Fanon”, lançado em 2014, tem como diretor Göran Olsson. O
documentário inicia com a leitura do prefácio realizado por Gayatri Spivak, professora
universitária de Columbia, a qual retrata brevemente a biografia do Frantz Fanon, em que se
tece comentários sobre violência, experiências de vida por ser um homem negro, os impactos
negativos da colonização, guerras por libertação nos países africanos, a questão de gênero
entre os colonizadores e os colonizados que unem-se na violência de gênero. Além disso, o
documentário (filme) baseia-se no livro: Condenados da Terra de Fanon, e a narrativa é
realizada por Lauryn Hill, a qual apresenta excertos deste livro. Acrescenta-se, ainda, que o
filme está dividido em nove cenas de autodefesa anti-imperialista.
Na sequência é apresentado, o primeiro capítulo, intitulado como: “Descolonização:
com o MPLA, em Angola, 1974”, retrata o relato de Gaetano Pagano, o qual aborda que foi
levado com o MPLA para uma operação militar, e expõe o sucesso de um ataque do
Movimento Popular de Libertação de Angola contra o Exército Português, e houve uma
explosão no paiol, visto que foram liderados pelo comandante que explicou como ocorreria o
ataque.
Na segunda cena, intitulada como: “Indiferença”, apresenta a entrevista com o Dr.
Tonderai Makoni, o qual relata sobre reflexões da sua experiência enquanto homem preto,
acerca do tempo em que ficou preso, ele relata a trajetória sofrida do povo preto desde a
escravatura pelas mãos dos brancos. Além disso, ele aborda que mesmo com a emancipação
dos EUA, o negro ocupa uma posição marginalizada, bem como ele destaca: “continua no
fundo de tudo”, ele relata, ainda, que o negro não é visto como ser humano e é submetido a
vários tipos de opressões e torturas, desse modo, os negros devem obedecer para não serem
punidos, e ainda, muitos morrem em resultado dessas torturas. O intelectual, aborda sobre o
sentimento de indiferença ao sair da prisão, visto que ele sofreu nesse período, e não saiu
entusiasmado, pois sentia que ainda estava no cárcere.
Na terceira cena, nomeada como: “Rodésia”, apresenta um homem branco se
lastimando por ter que deixar a Rodésia, perto de se libertar do domínio inglês. No início da
cena, esse homem branco humilha o homem negro que estava lhe servindo e chama-o de
“estúpido”. Além disso, ele relata que os africanos acreditam que terão condições de dirigir
carros e menciona que sua sogra falou que prefere queimar tudo a deixar algo para o africano.
Na quarta cena, chamada de: “Um mundo dividido ao meio”, apresenta a divisão e o
contraste entre as imagens da cidade do colonizador e a do colonizado. A primeira, retrata um
espaço urbanizado, limpo e resistente; a segunda, “a cidade negra”, é considerada como local
de má fama, cidade faminta e suja. Além disso, tal divisão reflete sobre a consciência do
colonizado, visto que parte de sua experiência voltada para o sentido da falta, e quando o
olhar do colonizador e do colonizado se cruzam, o colonizador sabe o desejo do colonizado, e
ainda afirma: “Querem ocupar o nosso lugar”.
Na quinta cena, intitulada como: “Lamco, Libéria, 1966”, aborda a greve realizada
pelos próprios trabalhadores da LAMCO, buscando melhores salários, visto que a gerência da
LAMCO não estava realizando os pagamentos. Sendo assim, é apresentada a repressão
policial a essa greve. Desse modo, surge um questionamento em relação aos trabalhadores da
Suécia, “se caso eles fizessem uma greve, será que teriam o mesmo tratamento violento? O
governo usaria armas contra eles?” E a resposta é não. Ademais, a família de Robert Jakson,
um dos trabalhadores da empresa, foi despejada da casa da empresa em que viviam, e o
caminhão parou à beira da estrada deixando a família abandonada com os poucos pertences
que conseguiram carregar. A narradora destaca o excerto do livro, o qual aborda o contexto
colonial, no qual se define o lugar de uma pessoa pelo fator de pertencimento de uma
determinada raça ou espécie.
No sexto capítulo, nomeado como: “Essa pobreza de espírito”, a narradora inicia com
o excerto do livro de Fanon, e destaca que os todos os valores dos nativos são negados, e
quando entram em contato com a raça colonizadora, adoecem. Além disso, as crenças,
valores, costumes, hábitos, tradições e mitos do povo colonizado são vistos como sinal de
pobreza espiritual. Neste capítulo, ocorre uma entrevista com um casal de missionários que
estão supervisionando a construção da igreja por trabalhadores negros. Na entrevista, o casal
fala que estão no local a serviço da missão e por isso tentam mudar as pessoas. No que tange
às questões religiosas, especificamente, a religião de matriz africana, o casal se refere de
modo impreciso à religião africana.
No sétimo capítulo, intitulado como: “O Fiat G-91 com a Frelimo, em Moçambique,
1972”, retrata a luta do povo moçambicano por independência, liberdade e direitos, pois eles
eram explorados pelos colonialistas portugueses e seus imperialistas. Em um dos relatos, o
moçambicano destaca sobre o avião Fiat G-91, o qual era utilizado pelo exército português, e
aterrorizava a população com bombardeios no local. Nesse capítulo, ainda, há uma cena
excruciante de uma jovem mãe que está amamentando seu bebê, e ambos são vítimas desse
ataque de bombardeio, estão com os membros amputados e em carne viva.
No oitavo capítulo, intitulado como: “Derrota - Guerra da Independência da
Guiné-Bissau”, demonstra o fracasso do exército português, soldados feridos e mortos.
Apresenta, ainda, a fala do militante Amílcar Cabral, o qual pontua sobre a independência,
esta por sua vez, permitirá o desenvolvimento da própria cultura do seu povo e serão
libertados da ignorância, miséria e sofrimento, após cinco séculos da presença portuguesa.
No nono capítulo, nomeado como: “Matérias-primas”, expõe a exploração do
capitalismo empreendida pelo colonialismo, marcado por violências, deportações, massacres,
escravização e trabalhos forçados que foram a base para o aumento do capitalismo. A Europa
consumiu ouro e as matérias-primas dos países coloniais. Na cena, há uma entrevista com
Thomas Sankara, presidente da Burkina Faso, o qual fala sobre democracia, problematiza a
ajuda externa, como (FMI) e (OTAN), pois impõem condições, que acabam gerando outras
condições. Cinco meses depois, o presidente Thomas foi morto por um golpe de estado.
Evidencia-se, portanto, que o documentário é um retrato sincero da violência colonial
e seus impactos refletem hodiernamente, a partir do genocídio negro. O documentário possui
uma dimensão atemporal, visto que expõe o cotidiano do colonizado e colonizador, as lutas
armadas. Além disso, há um impacto emocional, como por exemplo as várias cenas de
violências, relatos de tortura, tratamento de “objeto”, e vítimas do bombardeio. O
documentário apresenta a oportunidade de se falar sobre o racismo, pensamento decolonial,
branquitude, a trajetória do negro e refletir tais questões sociais. Nota-se que foi realizada
uma pesquisa profunda, pois baseia-se em fontes confiáveis, o que trouxe veracidade nas
informações. A obra é indicada para estudantes do ensino médio, universitários e professores,
visando refletir o passado do colonialismo para compreender a sociedadecontemporânea.

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