Prévia do material em texto
DIREITO PENAL Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade Livro Eletrônico 2 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Sumário Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade ........................................................................................4 1. Disposições Iniciais acerca do Abuso de Autoridade .............................................................................4 1.1. Abuso de Autoridade ..............................................................................................................................................5 1.2. Sujeito Ativo ................................................................................................................................................................8 1.3. Concurso de Pessoas e Abuso de Autoridade ........................................................................................9 1.4. Efeitos da Condenação ...................................................................................................................................... 10 1.5. Penas Restritivas de Direitos ........................................................................................................................12 1.6. Das Sanções ..............................................................................................................................................................13 1.7. Abuso de Autoridade e Justiça Militar ......................................................................................................13 2. Abuso de Autoridade em Espécie ....................................................................................................................14 2.1. Art. 9º ............................................................................................................................................................................14 2.2. Art. 10 ...........................................................................................................................................................................16 2.3. Art. 12 ...........................................................................................................................................................................17 2.4. Art. 13 ...........................................................................................................................................................................19 2.5. Art. 15 ..........................................................................................................................................................................20 2.6. Art. 15-A ......................................................................................................................................................................21 2.7. Art. 16 .......................................................................................................................................................................... 22 2.8. Art. 18 ..........................................................................................................................................................................23 2.9. Art. 19 .......................................................................................................................................................................... 24 2.10. Art. 20 .......................................................................................................................................................................25 2.11. Art. 21 .........................................................................................................................................................................26 2.12. Art. 22 .......................................................................................................................................................................27 2.13. Art. 23 ...................................................................................................................................................................... 29 2.14. Art. 24 .......................................................................................................................................................................30 2.15. Art. 25 .......................................................................................................................................................................30 2.16. Art. 27 .......................................................................................................................................................................32 2.17. Art. 28 .......................................................................................................................................................................32 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 3 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 2.18. Art. 29 .......................................................................................................................................................................33 2.19. Art. 30 .......................................................................................................................................................................34 2.20. Art. 31 .......................................................................................................................................................................34 2.21. Art. 32 .......................................................................................................................................................................35 2.22. Art. 33 ......................................................................................................................................................................36 2.23. Art. 36 ......................................................................................................................................................................37 2.24. Art. 37 ......................................................................................................................................................................37 2.25. Art. 38 ......................................................................................................................................................................38 3. Considerações Finais .............................................................................................................................................38 Resumo ...............................................................................................................................................................................40 Questões de Concurso ...............................................................................................................................................48 Gabarito ..............................................................................................................................................................................57 Gabarito Comentado ...................................................................................................................................................58 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.brsentido de que deve prevalecer o critério físico-astronômico, sendo dia o espaço entre o nascimento e o pôr-do-sol. Já não bastasse a complicação do assunto, o legislador nos brinda um critério totalmente novo para configuração do abuso de autoridade, ao restringir a configuração do crime ao cum- primento realizado antes das 5h e depois das 21h. Não se sabe ainda como a doutrina se posicionará sobre o assunto. Há quem entenda que a janela temporal alterou a sistemática atual, como Greco e Sanches. Nesse sentido, o mais seguro é aguardar as manifestações dos tribunais e dos demais juristas do país. O sujeito ativo é o agente ou autoridade que cumpre o mandado judicial na forma vedada pelo tipo penal. O sujeito passivo imediato é aquele que tem seu imóvel violado pela conduta. O sujeito passivo mediato é o Estado. O elemento subjetivo também é o mesmo dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista na legislação em estudo (Art. 1º, §1º). De certa forma sendo prolixo e repetindo a legislação já consolidada sobre o tema, o le- gislador inseriu ainda o §2º, que trata das exceções de ingresso em domicílio em casos de desastre, flagrante delito ou para prestar socorro: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 29 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas § 2º Não haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre. 2.13. Art. 23 Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a responsabilidade: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. A redação do tipo penal, “inovar artificiosamente” indica que o delito em questão é uma modalidade especial do delito de fraude processual previsto no Código Penal, no entanto dire- cionada ao agente público que, durante diligência, utiliza de meio enganoso para se eximir de responsabilidade ou para responsabilizar ou agravar a responsabilidade de terceiro. Mais uma vez é importante notar a abrangência do tipo. O termo diligência é amplo e abrange diversos atos praticados no âmbito de investigações e processos diversos. Ademais, como a inovação artificiosa é elementar do tipo, entende-se que deve ser capaz de enganar, pois do contrário, não se configura o delito em estudo. Há ainda a previsão do parágrafo único, na qual existem duas condutas equiparadas distintas: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de: I – eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligên- cia; Primeiramente temos a conduta equiparada daquele que, se excede durante o curso de diligência regular, e inova artificiosamente para eximir-se de responsabilidade civil ou admi- nistrativa. II – omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o cur- so da investigação, da diligência ou do processo. Ademais, o inciso II apresenta a conduta daquele que omite dados ou os divulga incomple- tos para desviar curso de investigação, diligência ou processo. O art. 24, o qual estudaremos a seguir, apresenta uma modalidade especial da inovação arti- ficiosa prevista no art. 23. Cuidado para que o examinador não te induza em erro elaborando situações hipotéticas sobre o tema. O sujeito ativo da conduta é a autoridade pública que pratica a inovação artificiosa com a finalidade prevista no tipo penal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 30 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas O sujeito passivo direto é a pessoa prejudicada pela inovação. O sujeito passivo indireto é o estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir. Entretanto, no caso do art. 23, a finalidade especial foi detalhada no próprio tipo penal, conforme já apresentamos anteriormente. 2.14. Art. 24 Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou empregado de instituição hos- pitalar pública ou privada a admitir para tratamento pessoa cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local ou momento de crime, prejudicando sua apuração: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. De uma forma simplificada, a conduta do art. 24 consiste em remover de um determina- do local de crime o cadáver de alguém, apresentando-o em seguida em instituição hospitalar como se ainda fosse vítima viva, assim fraudando a apuração criminal através de uma chan- cela hospitalar contaminada. Trata-se, portanto, de modalidade especial do art. 23 supramencionado, atingindo de forma específica a conduta do agente público que constrange, com violência ou grave ameaça, um funcionário ou empregado de instituição hospitalar para que realize a referida admissão da pessoa morta como se vítima viva fosse. É necessário que o agente tenha ciência de que o indivíduo apresentado à instituição hospita- lar já está morto. Se o agente público considera que a vítima ainda está viva, por erro, não se configura o delito em estudo. O sujeito ativo é o agente público que pratica a referida conduta. O sujeito passivo ou imediato é o funcionário ou empregado da instituição hospitalar que foi constrangido pela ação do agente público. O sujeito passivo mediato é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir. Entretanto, assim como ocorre com o art. 23, a finali- dade especial foi detalhada no próprio tipo penal, conforme apresentado. 2.15. Art. 25 Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em procedimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 31 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas A conduta do art. 25 atinge o agente público que procede à obtenção de prova, em proce- dimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito. Em primeiro plano, verifique que a conduta não se limita ao âmbito de investigações, mas também à atividade de fiscalização. Em outro giro, merece especial atenção o termo selecionado pelo legislador: meio mani- festamente ilícito. É preciso lembrar, para adequadamente interpretar o referido tipo penal, que prova ilegal é gênero, do qual são espécies as provas ilícitas e provas ilegítimas: Prova ilegal Prova ilegítima Viola norma de direito processual Prova ilícita Viola norma constitucional Nesse sentido, o legislador cuidou da criminalização da conduta praticada em relação à prova ilícita (aquela que viola princípios constitucionais) mas não em relação à prova ilegítima.Ademais, é importante ressaltar que fazer uso da prova ilícita, com ciência dessa condi- ção, é também conduta criminalizada nos termos do parágrafo único: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de sua ilicitude. Outro ponto que certamente irá gerar debate está na questão da prova ilícita por derivação. Mais uma vez, a manifestação existente até o momento está na obra brilhantemente elaborada por Greco e Sanches, na qual os doutrinadores se posicionam no sentido de que o uso de pro- va derivada também está abrangido pelo tipo em comento, desde que o agente que a utiliza tenha conhecimento dessa condição. O sujeito ativo é o agente público que pratica a conduta. Em caso de ação penal privada, na qual o advogado do querelante utiliza prova ilícita, por exemplo, não há falar especificamente no delito em estudo, posto que este não é agente públi- co nos termos da legislação em estudo. É o que ensina a doutrina existente até o momento. O sujeito passivo ou imediato é a pessoa atingida pela conduta delituosa. O sujeito passivo mediato é o Estado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 32 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no §1º do art. 1º da lei em estudo. No caso da conduta equiparada, há um dolo específico ainda mais detalhado: a finalidade de prejudicar investigado ou fiscalizado. 2.16. Art. 27 Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou admi- nistrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Outro tipo penal bastante confuso, o artigo 27 prevê a conduta daquele que requisita ou instaura procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, à falta de qualquer indício pertinente. Assim sendo, são atingidas as autoridades competentes para requisitar ou para instaurar efetivamente o procedimento. O requisito essencial, note-se, é a falta de qualquer indício. Assim sendo, a instauração ainda que diante de indícios mínimos não configurará o crime em estudo. Ademais, o parágrafo único ressalta ainda não haver crime quando se tratar de instauração de “sindicância ou investigação preliminar sumária, devidamente justificada”: Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de sindicância ou investigação preliminar sumária, devidamente justificada. O sujeito ativo do delito é o agente público que instaura ou requisita a instauração dos re- feridos procedimentos. O sujeito passivo imediato é a pessoa objeto da investigação em questão. O sujeito passi- vo mediato é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista nas elementares do tipo em questão. 2.17. Art. 28 O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 33 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Em 2016 teve enorme repercussão em nosso país a divulgação de uma gravação realizada, em sede de interceptação telefônica, de telefonema realizado entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma sobre um suposto termo de posse. Na ocasião, a referida conduta não possuía qualquer previsão na Lei de abuso de autori- dade vigente (4.898/65), sendo que o fato foi discutido no âmbito da legislação penal vigente bem como no âmbito correcional, pelo órgão responsável (CNJ). No entanto, em 2019, a Lei 13.869/19 passa a contar com um delito específico de abuso de autoridade por parte daquele que divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade, a vida privada ou ferindo a honra ou imagem do investigado. Não estou afirmando que a ideia para esse tipo penal surgiu do fato de 2016. Trata-se ape- nas de uma curiosa coincidência. Dito isso, o sujeito ativo da conduta será qualquer agente público a quem incumbe asse- gurar o sigilo de determinada gravação: juízes, delegados, membros do MP, da Defensoria Pública, entre outros. O sujeito passivo direto é a pessoa atingida pela conduta. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. 2.18. Art. 29 Art. 29. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O art. 29 tipifica a conduta daquele que presta informação falsa sobre procedimento ju- dicial, policial, fiscal ou administrativo, com a finalidade específica de prejudicar interesse de investigado. Estamos diante de modalidade especial do delito de falsidade ideológica previsto no Có- digo Penal. O sujeito ativo da conduta será qualquer agente público que prestar a referida informação O sujeito passivo direto é a pessoa atingida pela conduta. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista próprio tipo penal (finalidade de prejudicar interesse do investigado). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 34 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 2.19. Art. 30 Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa funda- mentada ou contra quem sabe inocente: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O art. 30 apresenta como abuso de autoridade a conduta daquele que dá início ou procede à persecução penal, civil ou administrativa, sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente. Estamos diante de modalidade especial do delito inspirado no art. 339 do Código Penal (denunciação caluniosa). Entretanto, a previsão é ainda mais abrangente, posto que no art. 339 CP há a exigência de que a imputação seja de crime. Já no tipo penal do art. 30 da Lei 13.869/19, basta a instauração dos procedimentos em questão “sem justa causa” ou contra pessoa que se sabe inocente. Mais uma vez a técnica legislativa peca quanto à taxatividade: como definir o que é justa causa para fins da criminalização da conduta? Em tese o debate pode ser realizado de forma bastante ampla. Imagina-se ainda maior o problema no caso concreto. Nesse sentido, Sanches e Greco levantam, já em sede doutrinária, dúvidas sobre a constitucionalidade do dispositivo.No entanto, note que ainda não há ma- nifestação jurisprudencial sobre o tema, nem em sede de controle difuso, nem em sede de controle concentrado de constitucionalidade. O sujeito ativo da conduta será o agente público com atribuição para iniciar a referida per- secução penal. O sujeito passivo direto é a pessoa atingida pela conduta. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. 2.20. Art. 31 Art. 31. Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em prejuízo do investigado ou fiscalizado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo para execução ou conclusão de procedimento, o estende de forma imotivada, procrastinando-o em prejuízo do investigado ou do fiscalizado. Mais uma tipificação confusa para a conta do legislador. O termo injustificadamente (pre- visto no caput) e a expressão de forma imotivada prevista no parágrafo único são de difícil definição, tornando o tipo bastante aberto. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 35 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Ademais, o fato de o parágrafo único utilizar a expressão “inexistindo prazo para execução ou conclusão do procedimento” leva a crer que a conduta punida no caput é aquela da autori- dade que extrapola o prazo legal para conclusão dos procedimentos. Sobre isso, no entanto, devemos novamente aguardar os debates doutrinários que certa- mente virão nos próximos meses. A manifestação que já existe, no entanto, é no sentido de que o simples decurso do prazo não deverá configurar o delito. Por exemplo, em casos de difícil elucidação os quais implicam em atuação de maior complexidade por parte dos órgãos envolvidos na persecução penal, não há falar na conduta do art. 31. O sujeito ativo da conduta será o agente público com atribuição para conduzir os referidos procedimentos. O sujeito passivo direto é a pessoa atingida pela conduta. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. Mais uma vez há ainda uma restrição excedente, consubstanciada no tipo penal (“finalidade de pre- judicar interesse do investigado ou fiscalizado”). 2.21. Art. 32 Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação prelimi- nar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infra- ção penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. No art. 32 há a tipificação de duas ações distintas: A negativa de acesso aos autos de in- vestigação, ao TC, ao inquérito ou a outro procedimento investigatório, e a atuação no sentido de impedir a obtenção de cópias. O referido tipo penal guarda intrínseca relação com a Súmula Vinculante 14 do STF, a saber: Súmula Vinculante 14 “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.” No mesmo sentido o Estatuto da OAB, ao tratar dos direitos do advogado: Art. 7º São direitos do advogado: XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procu- ração, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 36 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Logo, a violação aos direitos do advogado ou defensor, no sentido de obter acesso aos au- tos dos procedimentos em questão, as quais antes encontravam amparo em remédios como mandado de segurança e reclamação ao STF (e até mesmo em sede de HC, a depender do risco para a liberdade do investigado) agora também encontra guarida na Lei de Abuso de Autoridade. Noutro giro, cabe chamar a sua atenção para a exceção prevista no caput: [...] ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível[...] É sabido que no caso de diligências em curso, cuja ciência pela parte investigada pode pre- judicar sua eficácia (v.g.: interceptação telefônica em andamento), os autos ficam apartados do procedimento principal, não sendo entregues ao defensor enquanto durar a medida. Tais autos, felizmente, continuam a integrar exceção à regra geral, como não poderia dei- xar de ser. O sujeito ativo da conduta será o agente público com atribuição para presidir o procedi- mento sobre o qual se nega o referido acesso. O sujeito passivo direto é a pessoa atingida pela recusa. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. 2.22. Art. 33 Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de obrigação, inclusive o dever de fazer ou de não fazer, sem expresso amparo legal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo ou função pública ou invoca a condição de agente público para se eximir de obrigação legal ou para obter vantagem ou privilégio indevido. O art. 33 configura uma modalidade especial de constrangimento ilegal, na qual o agente público exige informação ou cumprimento de obrigação sem expresso amparo legal. Especial atenção deve se dar ao verbo escolhido pelo legislador: exigir. Da mesma forma com que ocorre no delito de concussão, a exigência possui caráter de imposição, de ordem. Consubstancia-se também o delito no caso do agente que utiliza sua condição de agente público para eximir-se de obrigação legal ou obter vantagem ou privilégio indevido. A conduta do parágrafo único, nos ensina a doutrina, é a famosa “carteirada”, na qual o agente público se utiliza de sua condição para se eximir de obrigação ou para obter privilégios em razão do cargo que ocupa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 37 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Nunca é demais ressaltar que a referida conduta, prevista no parágrafo único, já era objeto de severa reprimenda na esfera administrativa, pelos entes correcionais dos mais diversos ór- gãos da administração pública. Ademais, a própria lei de improbidade prevê sanções aplicadasà referida prática. Nesse diapasão, a tipificação em questão com certeza será objeto de aprofundado debate jurídico nos próximos meses. Mais uma vez, o tipo penal é aberto, e a análise de casos concre- tos será necessária para tornar mais claros os cenários e situações que se coadunam ao tipo penal em estudo. O sujeito ativo da conduta será qualquer agente público. O sujeito passivo direto é a pessoa constrangida pela referida ação. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. No caso do parágrafo único, há também a finalidade específica de obter vantagem ou pri- vilégio indevido, ou de se eximir de obrigação legal. 2.23. Art. 36 Art. 36. Decretar, em processo judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros em quantia que extrapole exacerbadamente o valor estimado para a satisfação da dívida da parte e, ante a demons- tração, pela parte, da excessividade da medida, deixar de corrigi-la: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O art. 36 da legislação em estudo pune o magistrado que decretar, em processo judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros no termo previsto no tipo penal. Como ocorreu em alguns outros crimes previstos na legislação em estudo, já existem algu- mas manifestações no sentido de que o referido tipo penal seria inconstitucional, em razão do termo “exacerbadamente”, que não apresenta a taxatividade que se espera do legislador em sede de direito penal. Por hora, é claro, o mais seguro é se ater ao texto de lei. O sujeito ativo da conduta não é qualquer agente público, mas o juiz, haja vista a narrati- va do tipo. O sujeito passivo direto é a pessoa constrangida pela referida ação. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. 2.24. Art. 37 Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no exame de processo de que tenha requerido vista em órgão colegiado, com o intuito de procrastinar seu andamento ou retardar o julgamento: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 38 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas O art. 37 trata da conduta do agente público que demorar demasiadamente e injustificada- mente no exame de processo de que tenha requerido vista em órgão colegiado, com a finali- dade específica de procrastinar seu andamento ou retardar seu julgamento. Mais uma vez, estamos diante de tipo penal polêmico, que com certeza será objeto de debates sobre sua constitucionalidade, por conta do termo “demasiadamente”. Questiona a doutrina: o que seria demorar demasiadamente? Novamente, por hora, o mais seguro é conhecer o tipo penal e acompanhar as manifesta- ções judiciais e do magistério penal de nosso país. O sujeito ativo da conduta é o agente público que pratica a ação definida no tipo. O sujeito passivo direto é a pessoa prejudicada pela omissão e pela demora narradas no art. 37. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. Ade- mais, há ainda a finalidade específica cumulativa de “procrastinar o processo ou retardar seu julgamento”. 2.25. Art. 38 Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede so- cial, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Mais um dispositivo legal que havia sido vetado pela Presidência e cujo veto foi derrubado pelo CN, o art. 38 pune a conduta da autoridade responsável por investigações que antecipa por meio de comunicação a atribuição de culpa antes de concluídas as apurações e formaliza- da a acusação. A doutrina existente se manifesta no sentido de que o que não é cabível é a atribuição de culpa, sendo que a mera publicidade do indivíduo como suspeito não configura meio idôneo de configuração do delito. O sujeito ativo é a autoridade com atribuição para ser responsável pelas investigações. O sujeito passivo direto é a pessoa prejudicada pela omissão e pela demora narradas no art. 37. O sujeito passivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo se coaduna com o dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista no art. 1º, §1º da legislação em estudo. 3. consiDerAções finAis Caro(a) aluno(a): você está de parabéns. A aula até o momento foi longa e sei que, em muitos pontos, de leitura não muito agradável, posto que estamos muito limitados pela dispo- nibilidade de fontes jurídicas sobre o tema, o qual é demasiado recente. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 39 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Sabendo disso, resta apenas que você saiba o seguinte: a lei em estudo prevê, expressa- mente, a aplicação subsidiária do CPP e da Lei 9.099/95: Art. 39. Aplicam-se ao processo e ao julgamento dos delitos previstos nesta Lei, no que couber, as disposições do Decreto-Lei n. 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal), e da Lei n. 9.099, de 26 de setembro de 1995. As demais disposições legais (Art. 40 em diante) são disposições que alteraram outras leis de nosso país, devendo ser estudadas no âmbito dos referidos diplomas legais (tais como a lei de interceptações telefônicas, o ECA, entre outros). Sabendo disso, só faltam duas coisas para encerrar nossa aula: revisão e questões. Peço desculpas pelo fato de que a lista de questões é autoral. Afinal de contas, o diploma penal é recente, e não podemos contar com questões de certames anteriores. Vamos nessa? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 40 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas RESUMO Estrutura da Lei: Lei 13.869/19 Capítulo 1 Disposições Gerais (Art. 1º) Capítulo 2 Sujeitos do Crime (Art. 2º) Capítulo 3 Ação Penal (Art. 3º) Capítulo 4 Penas e Efeitos da Condenação (Arts. 4º e 5) Capítulo 5 Sanções civis e administrativas (Arts. 6º a 8º) Capítulo 6 Crimes e Penas (Arts. 9º a 38º) Capítulo7 Procedimento (Art. 39º) Capítulo 8 Disposições Finais (Arts. 40º a 44º) Conceitos Básicos: Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. Os delitos previstos na Lei n. 13.869/2019 são classificados como próprios, ou seja, só podem ser praticados por um sujeito ativo específico: o agente público. Dolo Específico: § 1º As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autoridade quando praticadas peloagente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal. Obs.: � Forma culposa: Continuam não existindo crimes de abuso de autoridade na forma CULPOSA. � Vedação ao “crime de hermenêutica”: § 2º A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 41 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Sujeito Ativo: Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: I – servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; II – membros do Poder Legislativo; III – membros do Poder Executivo; IV – membros do Poder Judiciário; V – membros do Ministério Público; VI – membros dos tribunais ou conselhos de contas. Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ain- da que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. O rol apresentado na lei é considerado EXEMPLIFICATIVO para a doutrina. Art. 2º Servidores públicos e militares ou pessoas equiparadas Membros dos poderes Legislativo, Executivo, Judiciário e MP Membros dos Tribunais ou Conselhos de Contas O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 42 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Parágrafo único Quem exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração... Por... Eleição Nomeação Designação Contratação Ou outra forma de vínculo ou investidura de Mandato, cargo, emprego ou função... Na Adm. Direta Indireta Ou fundacional De qualquer dos poderes, em todas as esferas! Concurso de Pessoas & Abuso de Autoridade: É possível a coautoria e a participação de particulares em delitos de abuso de autoridade, desde que o particular tenha o conhecimento da referida condição pessoal do autor com o qual está praticando a conduta delituosa. Natureza da Ação Penal: Por expressa previsão legal, todos os crimes previstos no referido diploma legal são de ação penal pública incondicionada. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 43 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Efeitos da Condenação: Obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; Inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; A perda do cargo, do mandato ou da função pública. Efeitos Obrigação de Indenizar Inabilitação e perda do cargo... Devem ser declarados motivadamente na sentença Requerem reincidência NÃO são efeitos automáticos. Penas Restritivas de Direitos: A prestação de serviços comunitários ou a entidades públicas; A suspensão do exercício do cargo, da função ou mandato, pelo prazo de 1 a 6 meses, com perda dos vencimentos e vantagens. Não confunda a suspensão do exercício do cargo (pena restritiva de direitos) com a inabi- litação para o exercício do cargo (efeito da condenação). Suspensão É pena restritiva de direitos 1 a 6 meses + perda dos vencimentos Inabilitação É efeito da condenação 1 a 5 anos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 44 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Das Sanções: As sanções penais previstas na lei serão aplicadas independentemente das sanções cíveis ou administrativas cabíveis. Exceções a essa previsão: 1) Existência do fato e sua autoria: Havendo decisão sobre a existência do fato ou sobre sua autoria no âmbito do juízo criminal, tal mérito não poderá mais ser discutido nas esferas cível e administrativa; 2) Coisa Julgada: Sentença penal que reconhecer que o fato foi praticado sob o manto de excludente de ilicitude fará coisa julgada no âmbito cível e administrativo-disciplinar. Crimes em Espécie – Revisão do Texto Legal Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóte- ses legais: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável, deixar de: I – relaxar a prisão manifestamente ilegal; II – substituir a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conceder liberdade provisória, quando manifestamente cabível; III – deferir liminar ou ordem de habeas corpus, quando manifestamente cabível. Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no pra- zo legal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: I – deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão temporária ou preventiva à autoridade judiciária que a decretou; II – deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada; III – deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas; IV – prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de exe- cutar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I – exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 45 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas II – submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizadoem lei; III – produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência. Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: I – de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou II – de pessoa que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presen- ça de seu patrono. Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função. Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Art. 19. Impedir ou retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena o magistrado que, ciente do impedimento ou da demora, deixa de tomar as providências tendentes a saná-lo ou, não sendo competente para decidir sobre a prisão, deixa de enviar o pedido à autoridade judiciária que o seja. Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu solto ou o investigado de en- trevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferência. Art. 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma cela, criança ou adolescente na companhia de maior de idade ou em ambiente inadequado, observado o disposto na Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determina- ção judicial ou fora das condições estabelecidas em lei: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º Incorre na mesma pena, na forma prevista no caput deste artigo, quem: I – coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 46 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas III – cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas). § 2º Não haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre. Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a responsabilidade: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de: I – eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligên- cia; II – omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o cur- so da investigação, da diligência ou do processo. Art. 24. Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou empregado de instituição hos- pitalar pública ou privada a admitir para tratamento pessoa cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local ou momento de crime, prejudicando sua apuração: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em procedimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de sua ilicitude. Art. 27. Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou ad- ministrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito fun- cional ou de infração administrativa: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de sindicância ou investigação preliminar sumária, devidamente justificada. Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda pro- duzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 29. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa funda- mentada ou contra quem sabe inocente: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 31. Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em prejuízo do investigado ou fiscalizado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo para execução ou conclusão de procedimento, o estende de forma imotivada, procrastinando-o em prejuízo do investigado ou do fiscalizado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 47 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação pre- liminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futu- ras, cujo sigilo seja imprescindível: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de obrigação, inclusive o dever de fazer ou de não fazer, sem expresso amparo legal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo ou função pública ou invoca a condiçãode agente público para se eximir de obrigação legal ou para obter vantagem ou privilégio indevido. Art. 36. Decretar, em processo judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros em quantia que extrapole exacerbadamente o valor estimado para a satisfação da dívida da parte e, ante a de- monstração, pela parte, da excessividade da medida, deixar de corrigi-la: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no exame de processo de que tenha requerido vista em órgão colegiado, com o intuito de procrastinar seu andamento ou retardar o julgamento: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 48 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas QUESTÕES DE CONCURSO 001. (CESPE/CEBRASPE/2021/CODEVASF/ASSESSOR JURÍDICO/DIREITO) Cometerá cri- me previsto na Lei n.º 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) o funcionário público que iniciar persecução administrativa sem justa causa fundamentada. 002. (CESPE/CEBRASPE/2021/PRF/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Qualquer agente público, ainda que não seja servidor e não perceba remuneração, pode ser sujeito ativo do cri- me de abuso de autoridade. 003. (CESPE/CEBRASPE/2021/POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL) A antecipação, por delegado da Polícia Federal, por meio de rede social, da atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação, caracteriza crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade. 004. (CESPE/CEBRASPE/2021/POLÍCIA FEDERAL/PAPILOSCOPISTA POLICIAL FEDE- RAL) Suponha que determinado policial federal tenha dado início à persecução penal contra uma pessoa, sem justa causa fundamentada, e outro policial, da mesma delegacia, tenha im- pedido, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado. Nessas situações, os dois policiais estarão sujeitos à mesma sanção penal. 005. (CESPE/CEBRASPE/2021/DEPEN/CARGO 8/AGENTE FEDERAL DE EXECUÇÃO PE- NAL) Em cada um do item que se segue, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, acerca da legislação especial penal. O Ministério Público perdeu o prazo para oferecer denúncia relativa a um crime de abuso de au- toridade. Nessa situação, apesar de esse tipo de ação ser pública e incondicionada, admite-se a apresentação de ação penal privada subsidiária. 006. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA DA CARREIRA DE POLÍCIA CI- VIL DO DISTRITO FEDERAL) Caracteriza abuso de autoridade o cumprimento de mandado de busca e apreensão domiciliar fora do horário do expediente forense, se feito sem justa causa. 007. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) Não caracteri- za abuso de autoridade a submissão de preso a interrogatório durante o período de repouso noturno em caso de flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações. 008. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) Acerca dos cri- mes de abuso de autoridade, julgue o item a seguir. A ação penal, nesse caso, será pública incondicionada, podendo a autoridade policial instaurar inquérito de ofício sem qualquer provocação. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 49 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 009. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) A perda do cargo em razão de condenação por crime de abuso de autoridade é de efeito automático, proceden- do-se o afastamento do servidor público a partir do recebimento da denúncia. 010. (MPE-PR/2021/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/ADAPTADA) Os efeitos da con- denação de perda do cargo, do mandato ou da função pública, previstos no inciso III do art. 4º, da Lei 13.869/19 (Lei de Abuso de Autoridade), além de estarem condicionados à reincidência em crime de abuso de autoridade, não são automáticos, devendo, pois, contar com necessária motivação na sentença penal condenatória. 011. (CETAP/2021/SEAP/PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO FEMININO) Em conformidade com a Lei n.º 13.869, de 5 de setembro de 2019, e suas alterações, são efeitos da condenação: I- tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos. II- a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos. III- a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Estão corretos: a) apenas os itens l e ll. b) apenas os itens ll e ll. c) apenas os itens l e ll. d) todos os itens. 012. (CETAP/2021/SEAP – PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO FEMININO) Determinado agente público deixou, injustificadamente e por mero capricho, de comunicar pri- são em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal. Neste caso, é correto afirmar, à luz da Lei n.º 13.869, de 5 de setembro de 2019, e suas alterações: a) O fato é atípico. b) Há na lei previsão expressa de redução da pena pela metade caso o crime tenha sido prati- cado na modalidade culposa. c) A pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. d) Embora o fato seja típico, não pode ser considerado crime de abuso de autoridade. 013. (CETAP/2021/SEAP – PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO MASCULINO) É pena restritiva de direitos substitutiva das privativas de liberdade previstas na Lei n.º 13.869, de 05 de setembro de 2019 (Lei de Abuso de Autoridade) e suas alterações: a) Multa. b) Limitação de final de semana. c) Perda de bens. d) Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 50 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 014. (IBADE/2021/IAPEN – AC/ADVOGADO) Conforme a Lei n. 13.869/2019, que dispõe so- bre os crimes de abuso de autoridade, assinale a alternativa CORRETA. É considerado crime de abuso de autoridade: a) submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso diurno. (Art. 18) b) deixar justificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal. (Art. 12) c) constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não au- torizado em lei. (Art. 13) d) decretar medida de privação da liberdade em conformidade com as hipóteses legais. (Art. 9º) e) manter presos do mesmo sexo na mesma cela ou espaço de confinamento. (Art. 21) 015. (NC/UFPR/2021/PC-PR/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/PAPILOSCOPISTA) Considere as seguintes ações: 1. Submeter preso capturado em flagrante delito à realização de interrogatório policial durante o períodode repouso noturno. 2. Utilizar prova ilícita em desfavor do investigado, ainda que haja divergência na interpretação de lei sobre o caráter ilícito da prova. 3. Retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia. 4. Prosseguir com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio. De acordo com a Lei n. 13.869/2019, constitui(em) crime(s) de abuso de autoridade: a) 1 apenas. b) 2 e 3 apenas. c) 3 e 4 apenas. d) 1, 2 e 4 apenas. e) 1, 2, 3 e 4. 016. (NC/UFPR/2021/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre a Lei n. 13.869/2019, que dis- põe sobre os crimes de abuso de autoridade, assinale a alternativa correta. a) O interrogatório pode ser realizado em período de repouso noturno, sem que a realização do ato constitua abuso de autoridade nas hipóteses de cumprimento de prisão preventiva, tempo- rária e captura em flagrante, ainda que sem a concordância do preso. b) É típica a conduta da autoridade que deixa de comunicar imediatamente a prisão de qual- quer pessoa e o local onde se encontra esse preso à sua família ou à pessoa por ele indicada. c) Os crimes de abuso de autoridade só se processam mediante representação da vítima. d) É atípica a conduta da autoridade que prossegue com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio. e) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não serve como fun- damento para afastar a configuração de abuso de autoridade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 51 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 017. (VUNESP/2021/PREFEITURA DE GUARUJÁ-SP/PROCURADOR JURÍDICO) Os crimes da Lei de Abuso de Autoridade são de ação penal a) privada. b) pública condicionada à representação do ofendido. c) pública, condicionada à conclusão do processo administrativo disciplinar. d) pública incondicionada, não se admitindo ação privada subsidiária. e) pública incondicionada, admitindo-se, contudo, ação privada subsidiária. 018. (PM-MT/2021/PM-MT/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) Tendo em vista as disposi- ções gerais da Lei n. 13.869/2019, que define os crimes de abuso de autoridade, é INCORRE- TO afirmar: a) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público com a fina- lidade específica de beneficiar a si mesmo ou a terceiro. b) O agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê- -las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído, comete crime de abuso de autoridade. c) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público com a fina- lidade específica de prejudicar outrem. d) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas pode configurar abu- so de autoridade. e) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público por mero capricho ou satisfação pessoal. 019. (PM-MT/2021/PM-MT/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) Segundo os dispositivos da Lei n. 13.869/2019, que define os crimes de abuso de autoridade, acerca dos efeitos da conde- nação e das penas restritivas de direitos, assinale a afirmativa correta. a) As penas restritivas de direitos podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. b) Deve o Juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor máximo para reparação dos danos causados pelo crime, considerando o caráter punitivo da obrigação de indenizar. c) A perda do cargo, do mandato ou da função pública decorre automaticamente da condena- ção por crime de abuso de autoridade. d) Em caso de reincidência em crime de abuso de autoridade, é prevista pena de inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 2 (dois) a 8 (oito) anos. e) O sujeito ativo do crime de abuso de autoridade poderá ser condenado à pena restritiva de direitos cumulada com a privativa de liberdade. 020. (PM-MT/2021/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) De acordo com a Lei n. 13.869/2019, que dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade, haverá crime quando o agente policial a) cumprir mandado de busca e apreensão domiciliar depois das 5 h (cinco horas) e antes das 21 h (vinte e uma horas). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 52 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas b) ingressar, à revelia da vontade do ocupante, em imóvel alheio ou suas dependências. c) permanecer em imóvel alheio ou suas dependências, sem determinação judicial, para pres- tar socorro. d) ingressar em imóvel alheio ou suas dependências, quando houver fundados indícios de situação de flagrante delito. e) adentrar imóvel alheio ou suas dependências, quando houver fundados indícios da necessi- dade do ingresso em razão de desastre. 021. (INSTITUTO AOCP/2021/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Referente à Lei de Abu- so de Autoridade (Lei n. 13.869/2019), assinale a alternativa INCORRETA. a) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade. b) Os crimes previstos nessa Lei são de ação penal pública incondicionada. c) São possíveis efeitos da condenação, dentre outros, a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de um a oito anos. d) A perda do cargo, do mandato ou da função pública, como efeito da condenação, está con- dicionada à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não é automática, devendo ser declarada motivadamente na sentença. e) Entre as possíveis penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberdade, está a suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de um a seis meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens. 022. (FUNDATEC/2021/PGE-RS/PROCURADOR DO ESTADO) Francisco, delegado de polícia, apresentou sua carteira funcional e invocou sua condição de autoridade policial para ingressar sem passar pela fila e sem pagar ingresso, em boate da Zona Sul da Capital, onde fora jantar e dançar com sua namorada durante sua noite de folga. Na ocasião, também invocou sua condição para não efetuar o pagamento da bebida consumida. Na semana seguinte, retornou à boate, agora em serviço, para averiguar a ocorrência de tráfico de entorpecentes no local. Agora solicitou, para “aliviar” a fiscalização e não prejudicar a imagem do estabelecimento, jantar e bebida de graça para toda sua equipe. Considerando o enunciado é correto afirmar que Francisco cometeu: a) Crime de abuso de autoridade, duas vezes. b) Crime de corrupção passiva, duas vezes. c) Crime de corrupção na segunda oportunidade, não praticando ilícito penal na primei- ra ocasião. d) Crime de abuso de autoridade na primeira ocasião e de corrupção passiva na segunda oportunidade. e) Crime de abuso de autoridade na primeira ocasião e de prevaricação na segunda oportunidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 53 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas023. (FGV/2021/TJ-RO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Constitui delito de abuso de autoridade cum- prir mandado de busca e apreensão domiciliar: a) fora do período de luminosidade solar; b) após as 18h ou antes das 6h; c) após as 20h ou antes das 8h; d) após as 21h ou antes das 5h; e) fora do horário de expediente forense. 024. (FCC/2021/DPE-SC/DEFENSOR PÚBLICO) De acordo com a Lei de abuso de autoridade (Lei n. 13.869/2019), é crime deixar de a) comunicar, no prazo de 24 horas, a execução de prisão temporária ou preventiva à autorida- de judiciária que a decretou. b) substituir, em prazo razoável, a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conce- der liberdade provisória, quando manifestamente cabível. c) comunicar, em prazo razoável, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada. d) identificar-se ou identificar-se falsamente ao investigado ou acusado em qualquer fase do inquérito policial ou da ação penal. e) comunicar a prisão em flagrante à autoridade policial no prazo legal em qualquer hipótese. 025. (CEV-URCA/2021/PREFEITURA DE CRATO – CE/GUARDA MUNICIPAL) Com base em lei de abuso de autoridade, é sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Po- deres da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreenden- do, mas não se limitando a: a) Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas b) Membros do Poder Legislativo c) Membros do Poder Executivo d) As alternativas “a”, “b”e “c” estão erradas e) As alternativas “a”, “b”e “c” estão corretas 026. (IDECAN/2021/PEFOCE/AUXILIAR DE PERÍCIA) Marcelo, indiciado em inquérito poli- cial que apura prática de delito de extorsão, é chamado a depor pela autoridade policial. Ao comparecer, opta por ser assistido por seu advogado. Todavia, enquanto aguarda a chegada do patrono, é constrangido pela autoridade policial, que passa a fazer insinuações no sentido de que, se Marcelo não colaborasse, não desse seu depoimento logo, poderia sair dali preso. Nessa hipótese, assinale a alternativa correta. a) Embora não tenha agido corretamente, a autoridade policial não praticou crime algum, pois, na fase pré-processual, é possível inquirir pessoas sem a presença de advogado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 54 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas b) Não houve prática de delito no caso em tela, pois, na fase pré-processual, não há previsão de contraditório nem ampla defesa. c) Agiu corretamente a autoridade policial, pois a falta de cooperação do indiciado traduz com- portamento que deve ser reprimido. d) Na hipótese, somente ocorreria delito previsto na lei de abuso de autoridade se o delegado realizasse o constrangimento mediante violência ou grave ameaça. e) A autoridade policial praticou delito previsto na lei de abuso de autoridade. Embora seja possível inquirir pessoas sem a presença de advogado na fase pré-processual, sua presença se impõe quando investigado fizer essa opção. 027. (IDECAN/2021/PEFOCE/AUXILIAR DE PERÍCIA) Ivo foi preso em flagrante pela prática de delito de roubo com emprego de arma de fogo. Mesmo após 24 horas do flagrante, e sem qualquer justificativa, a autoridade policial ainda não havia feito a necessária comunicação da prisão em flagrante à autoridade judiciária. Nessa hipótese, é correto afirmar que a) a atitude da autoridade policial configura crime previsto na lei de abuso de autoridade; crime omissivo próprio que inadmite tentativa, consumando-se com a mera omissão. b) a atitude da autoridade policial configura crime previsto na lei de abuso de autoridade, mas na modalidade tentada, pois o prazo para a comunicação da prisão ainda não expirou com as 24 horas. c) a autoridade policial não praticou crime algum, mas a prisão em flagrante será considerada ilegal e, portanto, deverá ser imediatamente relaxada. d) a autoridade policial não praticou crime algum, mas será possível ao defensor de Ivo entrar com pedido de habeas corpus em virtude da ilegalidade da prisão. e) a autoridade policial praticou crime de constrangimento ilegal e cárcere privado; além disso, a prisão será considerada ilegal e poderá anular todo o processo. 028. (OBJETIVA/2021/PREFEITURA DE CASCAVEL – PR/GUARDA MUNICIPAL) Conside- rando-se a Lei n. 13.869/2019, sobre os crimes e as penas de abuso de autoridade, assinalar a alternativa que preenche a lacuna abaixo CORRETAMENTE: Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado, manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo, terá pena de _________________. a) detenção, de um a quatro anos, e multa b) multa, apenas c) detenção, de quatro a oito anos, apenas d) detenção, de um a quatro anos, apenas e) detenção, de quatro a sete anos, e multa 029. (ADM&TEC/2020/PREFEITURA DE GRAVATÁ – PE/GUARDA MUNICIPAL) Analise as afirmativas a seguir: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 55 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas I – Nos termos do artigo 22 da Lei n. 13.869, de 2019, invadir ou adentrar, clandestina ou as- tuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, um imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condi- ções estabelecidas em lei, é uma atitude sujeita à pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. II – A Lei n. 13.869, de 2019, em seu artigo 15, determina que constranger a depor, sob ameaça de prisão, uma pessoa que, em razão de função, do ministério, do ofício ou da profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo, é uma atitude sujeita à pena de multa e reparação do dano causado. Marque a alternativa CORRETA: a) As duas afirmativas são verdadeiras. b) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa. c) A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa. d) As duas afirmativas são falsas. 030. (IPEFAE/2020/PREFEITURA DE CAMPOS DO JORDÃO – SP/AGENTE DE TRÂNSITO) O sujeito ativo de uma infração penal é aquele que comete o crime, praticando a conduta des- crita na lei penal incriminadora. Pode ser sujeito ativo no crime de abuso de autoridade: a) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, apenas perma- nentemente. b) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran- sitoriamente e sem remuneração. c) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran- sitoriamente, porém apenas se mediante remuneração. d) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, ou privada de natureza civil, ou militar, ain- da que transitoriamente, porém apenas se mediante remuneração. 031. (EDUCA/2020/PREFEITURA DE CABEDELO – PB/GUARDAS METROPOLITANAS DE CABEDELO) Está preconizado no art. 2º da Lei n. 13.869/19, “é sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municí- pios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a”: I – Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas. II. Membros do Poder Le- gislativo. III. Membros do Poder Executivo. IV. Membrosdo Poder Judiciário. V. Membros do Ministério Público. VI. Membros dos tribunais ou conselhos de contas. Estão CORRETAS: a) III, IV, V e VI. b) I, II, V e VI. c) I, II, III, IV e V. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 56 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas d) I, II, III, IV, V e VI. e) II, III, IV, V e VI. 032. (IBADE/2020/PREFEITURA DE CARIACICA – ES/GUARDA MUNICIPAL) Incorre em cri- me de abuso de autoridade o agente público que, no exercício de suas funções, por mera sa- tisfação pessoal: I – adentra imóvel alheio contra a vontade do ocupante; II – adentra imóvel alheio para prestar socorro a pessoa ferida que se encontra no interior do imóvel; III – coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências. Considerando as assertivas acima, estão corretas: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 57 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas GABARITO 1. C 2. C 3. C 4. E 5. C 6. E 7. C 8. C 9. E 10. C 11. d 12. c 13. d 14. c 15. c 16. b 17. e 18. d 19. a 20. b 21. c 22. d 23. d 24. b 25. e 26. e 27. a 28. a 29. b 30. b 31. d 32. c O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 58 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas GABARITO COMENTADO 001. (CESPE/CEBRASPE/2021/CODEVASF/ASSESSOR JURÍDICO/DIREITO) Cometerá cri- me previsto na Lei n.º 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) o funcionário público que iniciar persecução administrativa sem justa causa fundamentada. É crime de abuso de autoridade previsto no art. 30 da Lei 13.869/19: Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa funda- mentada ou contra quem sabe inocente: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Certo. 002. (CESPE/CEBRASPE/2021/PRF/POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL) Qualquer agente público, ainda que não seja servidor e não perceba remuneração, pode ser sujeito ativo do cri- me de abuso de autoridade. Exatamente. Essa é a definição legal: Lei de Abuso de Autoridade: Art. 2º, Parágrafo único, “Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo.” Certo. 003. (CESPE/CEBRASPE/2021/POLÍCIA FEDERAL/DELEGADO DE POLÍCIA FEDERAL) A antecipação, por delegado da Polícia Federal, por meio de rede social, da atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação, caracteriza crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade. É o crime do art. 38 da Lei 13.869/19: Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede so- cial, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Certo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 59 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 004. (CESPE/CEBRASPE/2021/POLÍCIA FEDERAL/PAPILOSCOPISTA POLICIAL FEDE- RAL) Suponha que determinado policial federal tenha dado início à persecução penal contra uma pessoa, sem justa causa fundamentada, e outro policial, da mesma delegacia, tenha im- pedido, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado. Nessas situações, os dois policiais estarão sujeitos à mesma sanção penal. Questão mais pesada, pois demanda do aluno conhecimento acerca das penas: Conduta 1: Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa funda- mentada ou contra quem sabe inocente: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Conduta 2: Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Errado. 005. (CESPE/CEBRASPE/2021/DEPEN/CARGO 8/AGENTE FEDERAL DE EXECUÇÃO PE- NAL) Em cada um do item que se segue, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, acerca da legislação especial penal. O Ministério Público perdeu o prazo para oferecer denúncia relativa a um crime de abuso de au- toridade. Nessa situação, apesar de esse tipo de ação ser pública e incondicionada, admite-se a apresentação de ação penal privada subsidiária. É o que prevê o art. 3º da Lei: Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. § 1º Será admitida ação privada se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. § 2º A ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 (seis) meses, contado da data em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia. Certo. 006. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-DF/AGENTE DE POLÍCIA DA CARREIRA DE POLÍCIA CI- VIL DO DISTRITO FEDERAL) Caracteriza abuso de autoridade o cumprimento de mandado de busca e apreensão domiciliar fora do horário do expediente forense, se feito sem justa causa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 60 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Expediente forense (normalmente de 8 às 18h) não se confunde com o horário previsto na Lei de Abuso de Autoridade para o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Dessa forma, incorrerá em crime de abuso de autoridade aquele que “cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas).” É a determinação do art. 22, § 1º, III, da Lei 13.869/19. Errado. 007. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) Não caracteri- za abuso de autoridade a submissão de preso a interrogatório durante o período de repouso noturno em caso de flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações. Isso mesmo: Lei 13.869/19, Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso no-https://www.grancursosonline.com.br 4 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas LEI N. 13.869/2019 – LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE Olá, querido(a) aluno(a)! Na aula de hoje estudaremos a nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/19), a qual revogou expressamente a antiga Lei 4.898/65 e trouxe uma nova roupagem para o tema. Será uma aula breve e direta. Ao final, como de praxe, faremos uma lista de exercícios completa e atualizada sobre os temas apresentados, a fim de fixarmos os temas estudados e alcançarmos níveis mais aprofundados de conhecimento Espero que gostem do material! Lembrando que estou sempre às ordens dos senhores no fórum de dúvidas e nas redes sociais (@teoriainterativa no Instagram). Estamos juntos! Um abraço a todos e bons estudos! Prof. Douglas 1. Disposições iniciAis AcercA Do Abuso De AutoriDADe A tipificação penal das condutas conhecidas como “abuso de autoridade” não é novidade no ordenamento jurídico brasileiro. Pelo contrário. O próprio Código Penal, antes mesmo da existência da Lei 4.898/65, já apresentava um tipo penal relacionado ao tema, na figura do an- tigo (e hoje revogado) art. 350 CP: Exercício arbitrário ou abuso de poder Art. 350 - (Revogado pela Lei n. 13.869, de 2019) O referido artigo já há muito não possuía aplicabilidade, pois desde a vigência da Lei 4.898/65, parcela majoritária da doutrina entendia pela revogação implícita de seu texto, haja vista que a referida Lei configurava diploma superveniente e especial para regular a matéria. Para a alegria dos estudiosos do tema e principalmente dos concurseiros, a Lei 13.869/19 foi além, revogando tanto o art. 350 quanto a Lei 4.898/65 de forma expressa, o que torna mais simples o estudo do assunto deste ponto em diante: Lei 13.869/19, Art. 44. Revogam-se a Lei n. 4.898, de 9 de dezembro de 1965, e o § 2º do art. 150 e o art. 350, ambos do Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). Uma vez que conhecemos um pouco o histórico legal do tema em estudo, podemos passar a analisar estrutura do novo diploma legal, a qual nos oferecerá uma breve organização dos tópicos que serão abordados a seguir. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 5 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Lei 13.869/19 Capítulo 1 Disposições Gerais (Art. 1º) Capítulo 2 Sujeitos do Crime (Art. 2º) Capítulo 3 Ação Penal (Art. 3º) Capítulo 4 Penas e Efeitos da Condenação (Arts. 4º e 5) Capítulo 5 Sanções civis e administrativas (Arts. 6º a 8º) Capítulo 6 Crimes e Penas (Arts. 9º a 38º) Capítulo7 Procedimento (Art. 39º) Capítulo 8 Disposições Finais (Arts. 40º a 44º) A parte mais importante, mais polêmica e mais extensa do diploma legal é sem dúvidas a parte de Crimes e Penas, sobre os quais trataremos com tantos detalhes quanto for possível no decorrer da aula de hoje. Mas comecemos pelo básico: A definição do abuso de autoridade e dos sujeitos ativos da referida conduta. 1.1. Abuso De AutoriDADe Como nos ensina a literatura sobre o tema, o agente público deve se pautar sempre pelos ditames legais, na figura da chamada legalidade estrita (a ele só é permitido fazer o que a lei autoriza). Nesse sentido, deve o agente público também pautar-se por outros preceitos constitucio- nais da mais alta importância, tais como a moralidade e a impessoalidade. Nesse contexto, atos abusivos praticados por agentes públicos são de especial interesse para a sociedade, devendo ser reprimidos e punidos a contento. A existência de normas penais como o antigo art. 350 do CP e da antiga Lei de Abuso de Autoridade busca justamente ofere- cer tutela e vigilância contra possíveis práticas ilícitas. No entanto, entendeu o Congresso Nacional que a Lei de Abuso de Autoridade necessitava de modernização e atualização, processo este que acabou resultando na Lei 13.869/19. Certo é que tanto o diploma legal antigo (4.898/65) quanto o novo (13.869/19) são alvos de críticas e controvérsias. O anterior, por ser considerado demasiado leve (todas as infrações penais de abuso de autoridade existentes anteriormente configuravam infrações de menor potencial ofensivo). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 6 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Já o novo diploma legal padece de diversas outras críticas doutrinárias, como iremos ve- rificar no decorrer dessa aula. Para citar um exemplo, há quem entenda que alguns dos novos tipos penais são demasiado abertos, sem uma definição clara da conduta ilícita que se pro- cura suprimir. Compreendendo esse contexto torna-se mais clara a essência do art. 1º do diploma legal: Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. Veja que não é nada além do que apresentamos até agora (definição de crimes praticados por agentes públicos que no exercício das funções abusam do poder que lhes foi atribuído pelo ordenamento jurídico). Nesse diapasão, tome nota da primeira observação importante: Os delitos previstos na Lei n. 13.869/2019 são classificados como próprios, ou seja, só podem ser praticados por um sujeito ativo específico: o agente público. Não se preocupe: a definição de agente público se dá nos termos do art. 2º, o qual estuda- remos mais à frente. Antes disso, devemos fazer a leitura do §1º do art. 1º, o qual nos apresen- ta uma importante definição: Art. 1º, § 1º As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autoridade quando pra- ticadas pelo agente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal. Aqui temos a preocupação do legislador em apresentar a necessidade do chamado dolo específico para a configuração do delito de abuso de autoridade. Em outras palavras, temos um elemento subjetivo especial, uma finalidade especial de agir, de modo que o agente só praticará abuso de autoridade se o ato foi realizado para preju- dicar outrem, beneficiar o agente público ou por capricho ou satisfação pessoal. Ademais, é preciso ressaltar que há uma similaridade importante entre a antiga e a nova Lei de Abuso de Autoridade: continuam não existindo crimes de abuso de autoridade na for- ma CULPOSA. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 7 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas A vedação ao “crime de hermenêutica” Quando o projeto de lei estava ainda em análise pelas casas legislativas, Sérgio Moro, ain- da juiz na época, foi convidado a comparecer e debater a temática do abuso de autoridade no Congresso Nacional. Na ocasião, uma das preocupações do então magistrado foi com a possibilidade de res- ponsabilização dos agentes públicos pelo que chamou de crime de hermenêutica, ou seja, a criminalização de mera interpretaçãoturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Certo. 008. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) Acerca dos cri- mes de abuso de autoridade, julgue o item a seguir. A ação penal, nesse caso, será pública incondicionada, podendo a autoridade policial instaurar inquérito de ofício sem qualquer provocação. Exatamente. Os crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade são de ação penal pública incondicionada. Dessa forma, nos moldes do CPP, poderá a autoridade policial proceder de ofício para a instauração do IP. Certo. 009. (CESPE/CEBRASPE/2021/PC-SE/AGENTE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA) A perda do cargo em razão de condenação por crime de abuso de autoridade é de efeito automático, proceden- do-se o afastamento do servidor público a partir do recebimento da denúncia. Nada disso. Conforme estudamos, a perda do cargo é condicionada à ocorrência de reincidên- cia em crime de abuso de autoridade. Dessa forma, não será automática, devendo ser declara- da motivadamente na sentença. Errado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 61 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 010. (MPE-PR/2021/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/ADAPTADA) Os efeitos da con- denação de perda do cargo, do mandato ou da função pública, previstos no inciso III do art. 4º, da Lei 13.869/19 (Lei de Abuso de Autoridade), além de estarem condicionados à reincidência em crime de abuso de autoridade, não são automáticos, devendo, pois, contar com necessária motivação na sentença penal condenatória. Acerca dos efeitos da condenação prevê a lei: Art. 4º São efeitos da condenação: I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos; II – a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; III – a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença. Certo. 011. (CETAP/2021/SEAP/PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO FEMININO) Em conformidade com a Lei n.º 13.869, de 5 de setembro de 2019, e suas alterações, são efeitos da condenação: I- tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos. II- a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos. III- a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Estão corretos: a) apenas os itens l e ll. b) apenas os itens ll e ll. c) apenas os itens l e ll. d) todos os itens. Todos são efeitos da condenação previstos no art. 4º da Lei de Abuso de Autoridade, conforme destacamos na questão anterior. Letra d. 012. (CETAP/2021/SEAP – PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO FEMININO) Determinado agente público deixou, injustificadamente e por mero capricho, de comunicar pri- são em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal. Neste caso, é correto afirmar, à luz da Lei n.º 13.869, de 5 de setembro de 2019, e suas alterações: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 62 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas a) O fato é atípico. b) Há na lei previsão expressa de redução da pena pela metade caso o crime tenha sido prati- cado na modalidade culposa. c) A pena é de detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. d) Embora o fato seja típico, não pode ser considerado crime de abuso de autoridade. É a conduta do art. 12 da Lei de Abuso de Autoridade: Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Letra c. 013. (CETAP/2021/SEAP – PA/POLICIAL PENAL/AGENTE PENITENCIÁRIO MASCULINO) É pena restritiva de direitos substitutiva das privativas de liberdade previstas na Lei n.º 13.869, de 05 de setembro de 2019 (Lei de Abuso de Autoridade) e suas alterações: a) Multa. b) Limitação de final de semana. c) Perda de bens. d) Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas. A lei prevê em seu art. 5º duas penas restritivas de direitos: A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas e a suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens. Letra d. 014. (IBADE/2021/IAPEN – AC/ADVOGADO) Conforme a Lei n. 13.869/2019, que dispõe so- bre os crimes de abuso de autoridade, assinale a alternativa CORRETA. É considerado crime de abuso de autoridade: a) submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso diurno. (Art. 18) b) deixar justificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal. (Art. 12) c) constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não au- torizado em lei. (Art. 13) d) decretar medida de privação da liberdade em conformidade com as hipóteses legais. (Art. 9º) e) manter presos do mesmo sexo na mesma cela ou espaço de confinamento. (Art. 21) O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 63 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Vejamos caso a caso: a) Errada. O crime do art. 18 é o de “Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno.” b) Errada. O crime do art. 12 é o de “Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagran- te à autoridade judiciária no prazo legal.” c) Certa. É a conduta exata do art. 13 da lei. d) Errada. A conduta do art. 9º é a de “Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais.” e) Errada. A conduta do art. 21 é a de “Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento.” Letra c. 015. (NC/UFPR/2021/PC-PR/INVESTIGADOR DE POLÍCIA/PAPILOSCOPISTA) Considere as seguintes ações: 1. Submeter preso capturado em flagrante delito à realização de interrogatório policial durante o período de repouso noturno. 2. Utilizar prova ilícita em desfavor do investigado, ainda que haja divergência na interpretação de lei sobre o caráter ilícito da prova. 3. Retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia. 4. Prosseguir com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio. De acordo com a Lein. 13.869/2019, constitui(em) crime(s) de abuso de autoridade: a) 1 apenas. b) 2 e 3 apenas. c) 3 e 4 apenas. d) 1, 2 e 4 apenas. e) 1, 2, 3 e 4. Vejamos caso a caso: 1. Errado. A assertiva traz a exceção do art. 18: “...salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações.” 2. Errado. De acordo com a lei: “A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade.” 3. Certo. É o crime do art. 19 da Lei de Abuso de Autoridade. 4. Certo. É o crime do art. 15, parágrafo único, I, da Lei de Abuso de Autoridade. Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 64 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 016. (NC/UFPR/2021/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA) Sobre a Lei n. 13.869/2019, que dis- põe sobre os crimes de abuso de autoridade, assinale a alternativa correta. a) O interrogatório pode ser realizado em período de repouso noturno, sem que a realização do ato constitua abuso de autoridade nas hipóteses de cumprimento de prisão preventiva, tempo- rária e captura em flagrante, ainda que sem a concordância do preso. b) É típica a conduta da autoridade que deixa de comunicar imediatamente a prisão de qual- quer pessoa e o local onde se encontra esse preso à sua família ou à pessoa por ele indicada. c) Os crimes de abuso de autoridade só se processam mediante representação da vítima. d) É atípica a conduta da autoridade que prossegue com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio. e) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não serve como fun- damento para afastar a configuração de abuso de autoridade. Vamos analisar as alternativas: a) Errada. Não será crime se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações. b) Certa. É crime do art. 12 da Lei de Abuso de Autoridade. c) Errada. São todos de ação penal pública incondicionada. d) Errada. É crime do art. 15, parágrafo único, I, da Lei de Abuso de Autoridade. e) Errada. De acordo com a lei: “A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade.” Letra b. 017. (VUNESP/2021/PREFEITURA DE GUARUJÁ-SP/PROCURADOR JURÍDICO) Os crimes da Lei de Abuso de Autoridade são de ação penal a) privada. b) pública condicionada à representação do ofendido. c) pública, condicionada à conclusão do processo administrativo disciplinar. d) pública incondicionada, não se admitindo ação privada subsidiária. e) pública incondicionada, admitindo-se, contudo, ação privada subsidiária. É a previsão do art. 3º da lei: Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. Letra e. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 65 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 018. (PM-MT/2021/PM-MT/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) Tendo em vista as disposi- ções gerais da Lei n. 13.869/2019, que define os crimes de abuso de autoridade, é INCORRE- TO afirmar: a) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público com a fina- lidade específica de beneficiar a si mesmo ou a terceiro. b) O agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê- -las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído, comete crime de abuso de autoridade. c) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público com a fina- lidade específica de prejudicar outrem. d) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas pode configurar abu- so de autoridade. e) Constitui crime de abuso de autoridade a conduta praticada pelo agente público por mero capricho ou satisfação pessoal. Vejamos caso a caso: a) Certa. É a disposição do art. 1º, § 1º, da Lei 13.869/19. b) Certa. É a disposição do art. 1º, caput, da Lei 13.869/19. c) Certa. É a disposição do art. 1º, § 1º, da Lei 13.869/19. d) Errada. De acordo com a lei: “A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade.” e) Certa. É a disposição do art. 1º, § 1º, da Lei 13.869/19. Letra d. 019. (PM-MT/2021/PM-MT/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) Segundo os dispositivos da Lei n. 13.869/2019, que define os crimes de abuso de autoridade, acerca dos efeitos da conde- nação e das penas restritivas de direitos, assinale a afirmativa correta. a) As penas restritivas de direitos podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. b) Deve o Juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor máximo para reparação dos danos causados pelo crime, considerando o caráter punitivo da obrigação de indenizar. c) A perda do cargo, do mandato ou da função pública decorre automaticamente da condena- ção por crime de abuso de autoridade. d) Em caso de reincidência em crime de abuso de autoridade, é prevista pena de inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 2 (dois) a 8 (oito) anos. e) O sujeito ativo do crime de abuso de autoridade poderá ser condenado à pena restritiva de direitos cumulada com a privativa de liberdade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 66 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Vejamos caso a caso: a) Certa. É a previsão do Art. 5º, parágrafo único, da Lei 13.869/19. b) Errada. A obrigação de indenizar é efeito da condenação. Dessa forma, deve o juiz fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos. c) Errada. Não é automática, necessita de reincidência em crime de mesma espécie, além de declaração motivada na sentença. d) Errada. A inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, é pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos. e) Errada. As penas restritivas de direitos são substitutivas das privativas de liberdade. Letra a. 020. (PM-MT/2021/SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR) De acordo com a Lei n. 13.869/2019, que dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade, haverá crime quando o agente policial a) cumprir mandado de busca e apreensão domiciliar depois das 5 h (cinco horas) e antes das 21 h (vinte e uma horas). b) ingressar, à revelia da vontade do ocupante, em imóvel alheio ou suas dependências. c) permanecer em imóvel alheio ou suas dependências, sem determinação judicial, para pres- tar socorro. d) ingressar em imóvel alheio ou suas dependências, quando houver fundados indícios de situação de flagrante delito. e) adentrar imóvel alheio ou suas dependências, quando houver fundados indícios da necessi- dade do ingresso em razão de desastre. Vejamos cada uma delas: a) Errada. Haverá crime quando o agente policial cumprir mandado de busca e apreensão do- miciliar antes das 5 h (cinco horas) e depois das 21 h (vinte e uma horas). b) Certa. É o crime do art. 22 da Lei 13.869/19. c) Errada. A lei prevê expressamente que “Não haverá crime se o ingresso for para prestar so- corro, ou quando houver fundados indíciosque indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre.” d) Errada. A lei prevê expressamente que “Não haverá crime se o ingresso for para prestar so- corro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre.” O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 67 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas e) Errada. A lei prevê expressamente que “Não haverá crime se o ingresso for para prestar so- corro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre.” Letra b. 021. (INSTITUTO AOCP/2021/PC-PA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) Referente à Lei de Abu- so de Autoridade (Lei n. 13.869/2019), assinale a alternativa INCORRETA. a) A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade. b) Os crimes previstos nessa Lei são de ação penal pública incondicionada. c) São possíveis efeitos da condenação, dentre outros, a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de um a oito anos. d) A perda do cargo, do mandato ou da função pública, como efeito da condenação, está con- dicionada à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não é automática, devendo ser declarada motivadamente na sentença. e) Entre as possíveis penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberdade, está a suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de um a seis meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens. O efeito da condenação é o de inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função públi- ca, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Letra c. 022. (FUNDATEC/2021/PGE-RS/PROCURADOR DO ESTADO) Francisco, delegado de polícia, apresentou sua carteira funcional e invocou sua condição de autoridade policial para ingressar sem passar pela fila e sem pagar ingresso, em boate da Zona Sul da Capital, onde fora jantar e dançar com sua namorada durante sua noite de folga. Na ocasião, também invocou sua condição para não efetuar o pagamento da bebida consumida. Na semana seguinte, retornou à boate, agora em serviço, para averiguar a ocorrência de tráfico de entorpecentes no local. Agora solicitou, para “aliviar” a fiscalização e não prejudicar a imagem do estabelecimento, jantar e bebida de graça para toda sua equipe. Considerando o enunciado é correto afirmar que Francisco cometeu: a) Crime de abuso de autoridade, duas vezes. b) Crime de corrupção passiva, duas vezes. c) Crime de corrupção na segunda oportunidade, não praticando ilícito penal na primei- ra ocasião. d) Crime de abuso de autoridade na primeira ocasião e de corrupção passiva na segunda oportunidade. e) Crime de abuso de autoridade na primeira ocasião e de prevaricação na segunda oportunidade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 68 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas No que diz respeito à primeira parte em que Francisco “apresentou sua carteira funcional e invocou sua condição de autoridade policial para ingressar sem passar pela fila e sem pagar in- gresso, em boate da Zona Sul da Capital, onde fora jantar e dançar com sua namorada durante sua noite de folga. Na ocasião, também invocou sua condição para não efetuar o pagamento da bebida consumida” haverá crime de abuso de autoridade: Lei 13.869/19, Art. 33. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo ou função pública ou invoca a condição de agente público para se eximir de obrigação legal ou para obter van- tagem ou privilégio indevido. Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Já a segunda parte: “Agora solicitou, para “aliviar” a fiscalização e não prejudicar a imagem do estabelecimento, jantar e bebida de graça para toda sua equipe” incorrerá no crime de corrup- ção passiva: CP, Art. 317. Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Letra d. 023. (FGV/2021/TJ-RO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Constitui delito de abuso de autoridade cum- prir mandado de busca e apreensão domiciliar: a) fora do período de luminosidade solar; b) após as 18h ou antes das 6h; c) após as 20h ou antes das 8h; d) após as 21h ou antes das 5h; e) fora do horário de expediente forense. Cometerá crime aquele que “cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas).” É a previsão do art. 22, § 1º, III, da Lei 13.869/19. Letra d. 024. (FCC/2021/DPE-SC/DEFENSOR PÚBLICO) De acordo com a Lei de abuso de autoridade (Lei n. 13.869/2019), é crime deixar de a) comunicar, no prazo de 24 horas, a execução de prisão temporária ou preventiva à autorida- de judiciária que a decretou. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 69 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas b) substituir, em prazo razoável, a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conce- der liberdade provisória, quando manifestamente cabível. c) comunicar, em prazo razoável, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada. d) identificar-se ou identificar-se falsamente ao investigado ou acusado em qualquer fase do inquérito policial ou da ação penal. e) comunicar a prisão em flagrante à autoridade policial no prazo legal em qualquer hipótese. Vejamos caso a caso: a) Errada. O crime é o de “deixar de comunicar, imediatamente, a execução de prisão temporá- ria ou preventiva à autoridade judiciária que a decretou.” b) Certa. É o crime previsto no Art. 9º, parágrafo único, II, Lei 13.869/19. c) Errada. O crime é o de “deixar de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada.” d) Errada. O crime é o de “deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por oca- sião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão.” e) Errada. O crime é o de “deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autori- dade judiciária no prazo legal.” Letra b. 025. (CEV-URCA/2021/PREFEITURA DE CRATO – CE/GUARDA MUNICIPAL) Com base em lei de abuso de autoridade, é sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Po- deres da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreenden- do, mas não se limitando a: a) Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas b) Membros do Poder Legislativo c) Membros do Poder Executivo d) As alternativas “a”, “b”e “c” estão erradas e) As alternativas “a”, “b”e “c” estão corretas A lei prevê: Art. 2º É sujeito ativo do crimede abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: I – servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; II – membros do Poder Legislativo; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 70 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas III – membros do Poder Executivo; IV – membros do Poder Judiciário; V – membros do Ministério Público; VI – membros dos tribunais ou conselhos de contas. Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ain- da que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. Letra e. 026. (IDECAN/2021/PEFOCE/AUXILIAR DE PERÍCIA) Marcelo, indiciado em inquérito poli- cial que apura prática de delito de extorsão, é chamado a depor pela autoridade policial. Ao comparecer, opta por ser assistido por seu advogado. Todavia, enquanto aguarda a chegada do patrono, é constrangido pela autoridade policial, que passa a fazer insinuações no sentido de que, se Marcelo não colaborasse, não desse seu depoimento logo, poderia sair dali preso. Nessa hipótese, assinale a alternativa correta. a) Embora não tenha agido corretamente, a autoridade policial não praticou crime algum, pois, na fase pré-processual, é possível inquirir pessoas sem a presença de advogado. b) Não houve prática de delito no caso em tela, pois, na fase pré-processual, não há previsão de contraditório nem ampla defesa. c) Agiu corretamente a autoridade policial, pois a falta de cooperação do indiciado traduz com- portamento que deve ser reprimido. d) Na hipótese, somente ocorreria delito previsto na lei de abuso de autoridade se o delegado realizasse o constrangimento mediante violência ou grave ameaça. e) A autoridade policial praticou delito previsto na lei de abuso de autoridade. Embora seja possível inquirir pessoas sem a presença de advogado na fase pré-processual, sua presença se impõe quando investigado fizer essa opção. O delegado praticou conduta típica equiparada prevista na Lei de Abuso de Autoridade: Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: I – de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou II – de pessoa que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presen- ça de seu patrono. Letra e. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 71 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 027. (IDECAN/2021/PEFOCE/AUXILIAR DE PERÍCIA) Ivo foi preso em flagrante pela prática de delito de roubo com emprego de arma de fogo. Mesmo após 24 horas do flagrante, e sem qualquer justificativa, a autoridade policial ainda não havia feito a necessária comunicação da prisão em flagrante à autoridade judiciária. Nessa hipótese, é correto afirmar que a) a atitude da autoridade policial configura crime previsto na lei de abuso de autoridade; crime omissivo próprio que inadmite tentativa, consumando-se com a mera omissão. b) a atitude da autoridade policial configura crime previsto na lei de abuso de autoridade, mas na modalidade tentada, pois o prazo para a comunicação da prisão ainda não expirou com as 24 horas. c) a autoridade policial não praticou crime algum, mas a prisão em flagrante será considerada ilegal e, portanto, deverá ser imediatamente relaxada. d) a autoridade policial não praticou crime algum, mas será possível ao defensor de Ivo entrar com pedido de habeas corpus em virtude da ilegalidade da prisão. e) a autoridade policial praticou crime de constrangimento ilegal e cárcere privado; além disso, a prisão será considerada ilegal e poderá anular todo o processo. A autoridade policial cometeu crime de abuso de autoridade. Trata-se de crime omissivo, pois o tipo penal, em seu art. 15, prevê a conduta de “Deixar injus- tificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal”. Os crimes omissivos impróprios, por sua vez, não admitem tentativa. Letra a. 028. (OBJETIVA/2021/PREFEITURA DE CASCAVEL – PR/GUARDA MUNICIPAL) Conside- rando-se a Lei n. 13.869/2019, sobre os crimes e as penas de abuso de autoridade, assinalar a alternativa que preenche a lacuna abaixo CORRETAMENTE: Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado, manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo, terá pena de _________________. a) detenção, de um a quatro anos, e multa b) multa, apenas c) detenção, de quatro a oito anos, apenas d) detenção, de um a quatro anos, apenas e) detenção, de quatro a sete anos, e multa A Lei de Abuso de Autoridade possui previsão de apenas duas penas. Tome nota: • Detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. • Detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 72 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas A questão pede o preceito secundário do crime previsto no art. 10: Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Letra a. 029. (ADM&TEC/2020/PREFEITURA DE GRAVATÁ – PE/GUARDA MUNICIPAL) Analise as afirmativas a seguir: I – Nos termos do artigo 22 da Lei n. 13.869, de 2019, invadir ou adentrar, clandestina ou as- tuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, um imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condi- ções estabelecidas em lei, é uma atitude sujeita à pena de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. II – A Lei n. 13.869, de 2019, em seu artigo 15, determina que constranger a depor, sob ameaça de prisão, uma pessoa que, em razão de função, do ministério, do ofício ou da profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo, é uma atitude sujeita à pena de multa e reparação do dano causado. Marque a alternativa CORRETA: a) As duas afirmativas são verdadeiras. b) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa. c) A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa. d) As duas afirmativas são falsas. I – Certo. Essa é a previsão legal do art. 22 da Lei. II – Errado. A pena é de detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. A reparação do dano é efeito da condenação. Letra b. 030. (IPEFAE/2020/PREFEITURA DE CAMPOS DO JORDÃO – SP/AGENTE DE TRÂNSITO) O sujeito ativo de uma infração penal é aquele que comete o crime, praticando a conduta des- crita na lei penal incriminadora.Pode ser sujeito ativo no crime de abuso de autoridade: a) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, apenas perma- nentemente. b) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran- sitoriamente e sem remuneração. c) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que tran- sitoriamente, porém apenas se mediante remuneração. d) Quem exerce cargo, emprego ou função pública, ou privada de natureza civil, ou militar, ain- da que transitoriamente, porém apenas se mediante remuneração. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 73 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Conforme estudamos, o art. 2º da Lei de Abuso de Autoridade prevê: Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: I – servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; II – membros do Poder Legislativo; III – membros do Poder Executivo; IV – membros do Poder Judiciário; V – membros do Ministério Público; VI – membros dos tribunais ou conselhos de contas. Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ain- da que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. Letra b. 031. (EDUCA/2020/PREFEITURA DE CABEDELO – PB/GUARDAS METROPOLITANAS DE CABEDELO) Está preconizado no art. 2º da Lei n. 13.869/19, “é sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municí- pios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a”: I – Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas. II. Membros do Poder Le- gislativo. III. Membros do Poder Executivo. IV. Membros do Poder Judiciário. V. Membros do Ministério Público. VI. Membros dos tribunais ou conselhos de contas. Estão CORRETAS: a) III, IV, V e VI. b) I, II, V e VI. c) I, II, III, IV e V. d) I, II, III, IV, V e VI. e) II, III, IV, V e VI. Mais uma vez a literalidade do art. 2º: Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: I – servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 74 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas II – membros do Poder Legislativo; III – membros do Poder Executivo; IV – membros do Poder Judiciário; V – membros do Ministério Público; VI – membros dos tribunais ou conselhos de contas. Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ain- da que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. Letra d. 032. (IBADE/2020/PREFEITURA DE CARIACICA – ES/GUARDA MUNICIPAL) Incorre em cri- me de abuso de autoridade o agente público que, no exercício de suas funções, por mera sa- tisfação pessoal: I – adentra imóvel alheio contra a vontade do ocupante; II – adentra imóvel alheio para prestar socorro a pessoa ferida que se encontra no interior do imóvel; III – coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências. Considerando as assertivas acima, estão corretas: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. I – Certo. É a conduta do art. 22: “Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei.” II – Errado. De acordo com a lei: “Não haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situa- ção de flagrante delito ou de desastre.” III – Certo. É a conduta equiparada do art. 22, § 1º, I, daquele que “coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências.” Letra c. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br Douglas Vargas Agente da Polícia Civil do Distrito Federal, aprovado em 6º lugar no concurso realizado em 2013. Aprovado em vários concursos, como Polícia Federal (Escrivão), PCDF (Escrivão e Agente), PRF (Agente), Ministério da Integração, Ministério da Justiça, BRB e PMDF (Soldado – 2012 e Oficial – 2017). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade 1. Disposições Iniciais acerca do Abuso de Autoridade 1.1. Abuso de Autoridade 1.2. Sujeito Ativo 1.3. Concurso de Pessoas e Abuso de Autoridade 1.4. Efeitos da Condenação 1.5. Penas Restritivas de Direitos 1.6. Das Sanções 1.7. Abuso de Autoridade e Justiça Militar 2. Abuso de Autoridade em Espécie 2.1. Art. 9º 2.2. Art. 10 2.3. Art. 12 2.4. Art. 13 2.5. Art. 15 2.6. Art. 15-A 2.7. Art. 16 2.8. Art. 18 2.9. Art. 19 2.10. Art. 20 2.11. Art. 21 2.12. Art. 22 2.13. Art. 23 2.14. Art. 24 2.15. Art. 25 2.16. Art. 27 2.17. Art. 28 2.18. Art. 29 2.19. Art. 30 2.20. Art. 31 2.21. Art. 32 2.22. Art. 33 2.23. Art. 36 2.24. Art. 37 2.25. Art. 38 3. Considerações Finais Resumo Questões de Concurso Gabarito Gabarito Comentado AVALIAR 5: Página 75:divergente de dispositivos legais. A preocupação era sem dúvidas razoável. Imagine a seguinte situação: EXEMPLO Determinado magistrado, em primeira instância, decide condenar e prender preventivamente alguém pela prática de um delito. Em segunda instância, o Tribunal reconhece a conduta como fato atípico e revoga a prisão pre- ventiva decretada em primeira instância. A depender do texto da Lei de Abuso de Autoridade, a interpretação do magistrado na instância inferior poderia configurar crime, unicamente por este divergir do entendimento exarado pos- teriormente. Essa situação poderia ter consequências graves, como por exemplo o condão de inibir que os magistrados determinassem medidas de cunho pessoal por medo de serem responsabili- zados posteriormente com a revisão de suas decisões. Felizmente, o texto da nova Lei de Abuso de Autoridade foi editado de modo a evitar essa possibilidade, conforme depreende-se dos dizeres do §2º: Art. 1º, § 2º A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade. Logo, sem crime de hermenêutica no âmbito da nova Lei de Abuso de Autoridade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 8 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 1.2. sujeito Ativo Já compreendemos o histórico das leis de abuso de autoridade bem como o conceito do abuso de autoridade em si. Também já estudamos a razão pela qual o §2º possui previsão tão específica. Resta, agora, apresentar quem são os sujeitos ativos dos delitos de abuso de auto- ridade, os quais, como você já sabe, são classificados como crimes próprios. Obs.: � Art. 2º É sujeito ativo do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servi- dor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território, compreen- dendo, mas não se limitando a: � I – servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; � II – membros do Poder Legislativo; � III – membros do Poder Executivo; � IV – membros do Poder Judiciário; � V – membros do Ministério Público; � VI – membros dos tribunais ou conselhos de contas. � Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, desig- nação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. O primeiro ponto do qual você precisa tomar nota é simples: o rol apresentado na lei é considerado EXEMPLIFICATIVO para a doutrina. Tal natureza do referido rol se torna clara em razão da expressão “compreendendo, mas não se limitando a”, no final do art. 2º. Dito isso, usualmente em diplomas legais como a Lei de Abuso de Autoridade, o examina- dor costuma gostar bastante de elaborar assertivas com base em um determinado rol de hi- póteses. Por segurança, vamos esquematizar as previsões do art. 2º e de seu parágrafo único: O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 9 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Quanto ao parágrafo único, temos o seguinte: Parágrafo único Quem exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração... Por... Eleição Nomeação Designação Contratação Ou outra forma de vínculo ou investidura de Mandato, cargo, emprego ou função... Na Adm. Direta Indireta Ou fundacional De qualquer dos poderes, em todas as esferas! 1.3. concurso De pessoAs e Abuso De AutoriDADe A despeito da mudança na legislação, sempre foi (e até este momento continua sendo) pacífico na doutrina o fato de que, regra geral, é possível a coautoria e a participação de parti- culares em delitos de abuso de autoridade. Tal responsabilização se torna possível em razão da previsão contida no art. 30 do Có- digo Penal: CP, Art. 30. Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 10 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Portanto, o particular poderá ser responsabilizado por abuso de autoridade em conjunto com o agente público, desde que tenha o conhecimento da referida condição pessoal do autor com o qual estão praticando a conduta delituosa. 4) Natureza da Ação Penal Outro ponto simples, mas importante para provas de concursos está na natureza da ação penal dos delitos de abuso de autoridade. Por expressa previsão legal, todos os crimes previstos no referido diploma legal são de ação penal pública incondicionada: Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. A referida previsão, na prática, é desnecessária, pois a mera aplicação do Código Penal já permitiria classificar os delitos previstos na legislação especial dessa forma (trata-se da regra geral). Outro ponto importante está na possibilidade de ação penal privada subsidiária da pública (também prevista expressamente no texto da lei em estudo): Art. 3º, § 1º Será admitida ação privada se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. Essa é outra previsão que não destoa da regra geral já prevista em nosso ordenamento jurídico. O único cuidado especial que se recomenda está no requisito: a ação penal não pode ter sido intentada no prazo legal. Os examinadores gostam de sugerir, em casos assim, que surgiu o direito à ação subsidi- ária por outro motivo que não o expressamente previsto em lei. Muito cuidado com esse tipo de pegadinha. Ademais, cabe apresentar o prazo que o ofendido ou seu representante possuem para in- tentar a ação subsidiária: Art. 3º, § 2º A ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 (seis) meses, contado da data em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia. Mais uma vez estamos diante de normatização repetitiva (o CPP e a própria CF/88 já regu- lavam a matéria a contento. Mas é importante saber que agora há previsão expressa também na própria Lei de Abuso de Autoridade. 1.4. efeitos DA conDenAção Art. 4º São efeitos da condenação: I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 11 de75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas II – a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; III – a perda do cargo, do mandato ou da função pública. Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença. Caso o indivíduo seja condenado por abuso de autoridade, a lei prevê três possibilidades: Obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; Inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos; A perda do cargo, do mandato ou da função pública. É importante notar que os efeitos II e III, ou seja, a inabilitação para exercício do cargo ou a perda do cargo não são efeitos automáticos. Ademais, ainda possuem um requisito especial: a reincidência em abuso de autoridade, sendo que a sentença que os declarar deve fazê-lo motivadamente. Nesse diapasão, entende a doutrina ser possível que o indivíduo perda o cargo sem que obrigatoriamente se veja impedido de ocupar outro cargo, haja vista que os efeitos podem ser aplicados de forma alternativa ou cumulativa. Efeitos Obrigação de Indenizar Inabilitação e perda do cargo... Devem ser declarados motivadamente na sentença Requerem reincidência NÃO são efeitos automáticos. É interessante notar que a primeira parte do inciso I (“tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime”) é considerada um efeito automático da condenação. Já a segun- da parte (“devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos”) é considerada efeito específico e não automático da sentença. Esse ponto é curioso pois constitui uma diferença procedimental entre a Lei de Abuso de Autoridade e o CPP. De forma diversa do que o faz a legislação em estudo, o CPP não exige re- querimento da vítima para que o magistrado possa fixar o valor mínimo de reparação do dano na sentença. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 12 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 1.5. penAs restritivAs De Direitos Art. 5º As penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberdade previstas nesta Lei são: I – prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas; II – suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) me- ses, com a perda dos vencimentos e das vantagens; Parágrafo único. As penas restritivas de direitos podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamen- te. Temos ainda que verificar a existência das penas restritivas de direitos, substitutivas das penas privativas de liberdade previstas na referida lei. Denota-se aqui uma política de penas alternativas, na mesma esteira que diplomas penais mais modernos tem seguido. São elas: • A prestação de serviços comunitários ou a entidades públicas; • A suspensão do exercício do cargo, da função ou mandato, pelo prazo de 1 a 6 meses, com perda dos vencimentos e vantagens. Note, ainda, que as referidas penas podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamente, por expressa previsão legal. O descumprimento injustificado das restrições em estudo resulta na conversão das penas alternativas em penas privativas de liberdade. A regulação da matéria, no entanto, se dá de forma subsidiária, nos termos do Código Penal. Da mesma forma, os requisitos para substituição também estão previstos no art. 44 do CP, de forma cumulativa. Mais uma vez estamos diante da aplicação subsidiária da norma geral em razão do silêncio da lei especial quanto á material. DICA não confunda a suspensão do exercício do cargo (pena restri- tiva de direitos) com a inabilitação para o exercício do cargo (efeito da condenação). Suspensão É pena restritiva de direitos 1 a 6 meses + perda dos vencimentos Inabilitação É efeito da condenação 1 a 5 anos O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 13 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 1.6. DAs sAnções Em seguida, a lei passa a tratar, de forma geral, sobre as sanções civis e administrativas cabíveis nos casos de abuso de autoridade: Art. 6º As penas previstas nesta Lei serão aplicadas independentemente das sanções de natureza civil ou administrativa cabíveis. Parágrafo único. As notícias de crimes previstos nesta Lei que descreverem falta funcional serão informadas à autoridade competente com vistas à apuração. Art. 7º As responsabilidades civil e administrativa são independentes da criminal, não se podendo mais questionar sobre a existência ou a autoria do fato quando essas questões tenham sido deci- didas no juízo criminal. Art. 8º Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no administrativo-disciplinar, a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Em primeiro lugar, devemos notar que a lei expressamente prevê aquilo que causa dúvida para muitos: as sanções penais previstas na lei serão aplicadas independentemente das san- ções cíveis ou administrativas cabíveis. É o que chamamos, de forma simples, de independência das instâncias. Entretanto, é preciso verificar que existem exceções a essa previsão, as quais encontram guarida na própria legislação em estudo. São elas: • Existência do fato e sua autoria: Havendo decisão sobre a existência do fato ou sobre sua autoria no âmbito do juízo criminal, tal mérito não poderá mais ser discutido nas esferas cível e administrativa; • Coisa Julgada: Sentença penal que reconhecer que o fato foi praticado sob o manto de excludente de ilicitude fará coisa julgada no âmbito cível e administrativo-disciplinar. A previsão do art. 7º já encontrava guarida na jurisprudência, no âmbito dos Tribunais Su- periores, que já apontava para a independência relativa entre as instâncias nos casos de reco- nhecimento de inexistência do fato ou de negativa de autoria, casos em que a esfera criminal vinculava a decisão no âmbito cível. Lembre-se, também, que de forma geral, ainda que o mesmo fato tenha o condão de gerar efeitos em mais de uma esfera, não há obrigatoriedade de suspensão da ação civil para aguar- dar o trâmite da ação penal respectiva. Ademais, é preciso verificar que a lei determina que nos casos de faltas funcionais, a auto- ridade competente para sua apuração (usualmente o órgão correcional respectivo) deverá ser comunicado. 1.7. Abuso De AutoriDADe e justiçA MilitAr O último ponto que precisamos abordar antes de tratar dos crimes propriamente ditos é a competência da JM para tratar de casos de abuso de autoridade. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 14 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Antigamente (antes da vigênciada Lei 13.491/2017, a qual alterou o Código Penal Militar), o assunto estava pacificado através dos dizeres da Súmula 172 do STJ, segundo a qual com- petia à Justiça COMUM julgar militar pela prática de abuso de autoridade. No entanto, a Lei 13.491/17 (posterior à referida súmula) compatibilizou leis penais co- muns (externas ao CPM) com o conceito de crimes militares. Ou seja: anteriormente, só havia falar em crime militar se houvesse previsão no CPM. Atualmente, não mais. Por esse motivo, a doutrina tem manifestado entendimentos de que a Súmula 172 do STJ encontra-se superada, sendo que a Justiça Militar atualmente possui competência para julgar crimes de abuso de autoridade. É importante notar que não houve um cancelamento formal da súmula por parte do STJ. Entretanto, é salutar ressaltar que já começam a surgir julgados remetendo à Justiça Militar casos de abuso de autoridade. 2. Abuso De AutoriDADe eM espécie Caro(a) aluno(a): de agora em diante, iremos abordar, um por um, os crimes previstos na Lei 13.869/19. Antes de mais nada, é preciso ressaltar o seguinte: se algum artigo ou inciso for ignorado, é porque a referida norma foi vetada e não faz mais parte do diploma legal. Ademais, nossa aula seguirá a uma estrutura padrão para todos os crimes: • Sujeito Ativo; • Sujeito Passivo; • Elemento subjetivo; • Comentários pertinentes. Não iremos aprofundar em demasia cada um dos crimes. Historicamente, as questões costumam se limitar às previsões legais contidas na legislação em estudo, fator ainda mais provável haja vista que ainda não existem muitas obras doutrinárias ou jurisprudência farta tratando da novel legislação. De todo modo, alguns pontos são bastante confusos (como por exemplo a questão do horário para cumprimento de mandado de busca), e nesses aspectos buscaremos um maior detalhamento para facilitar a compreensão da lei de uma forma geral. Vamos juntos? 2.1. Art. 9º Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais: (Promulgação partes vetadas) Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 15 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas O primeiro delito consiste na decretação de medida de privação de liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais. O sujeito ativo do referido delito, portanto, é a autoridade pública responsável por decretar a medida. Há quem entenda que a referida legitimidade ativa para prática do delito limita-se à autoridade judicial, afinal de contas, o verbo nuclear é decretar, e os juízes em geral são os servidores públicos com a referida competência. Por outro lado, há quem entenda o termo decretar em sentido amplo, não limitando o al- cance do tipo unicamente às autoridades judiciais. Nesse sentido, o mais seguro é esperar a pacificação do tema na doutrina. O sujeito passivo principal ou imediato é a pessoa física ou jurídica atingida pela conduta abusiva. O sujeito passivo secundário ou mediato é o Estado. A conduta admite apenas a forma dolosa, como os demais delitos em estudo, exigindo ainda o elemento subjetivo especial previsto no art. 1º, §1º do diploma legal. Comentários Pertinentes: uma das dúvidas mais naturais ao analisar a conduta em ques- tão surge ao tentar definir as medidas de privação de liberdade que podem configurar a con- duta. São exemplos: 1) Decretação de prisão cautelar; 2) Decretação de prisão pena; 3) Decretação de internação em razão de medida de segurança; 4) Decretação de internação psiquiátrica; 5) Decretação de semiliberdade ou internação no âmbito do ECA. Conduta equiparada: Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável, deixar de: I – relaxar a prisão manifestamente ilegal; II – substituir a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conceder liberdade provisória, quando manifestamente cabível; III – deferir liminar ou ordem de habeas corpus, quando manifestamente cabível. A conduta equiparada prevista no parágrafo único denota uma busca do legislativo em dar maior força às disposições do art. 310 do CPP, prevendo sanções para o magistrado que deixa tomar as providências em tempo considerado razoável. Na conduta equiparada não há espaço para debates: temos como sujeito ativo apenas as au- toridades judiciárias, por expressa previsão legal. Entretanto, apesar da clareza para com o sujeito ativo do delito, é aqui que começam a aparecer os problemas de falta de taxatividade da legislação. O que seria um prazo razoável? O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 16 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Nesse sentido, doutrinadores como Greco e Sanches entendem que não há problema quando a prisão é avaliada pelo magistrado na audiência de custódia. O problema se dá na apreciação da medida fora da audiência. Nesse contexto, não há ainda entendimento pacificado quanto ao prazo razoável, e tere- mos que aguardar também o debate doutrinário e jurisprudencial sobre o caso. De todo modo, lembre-se: Não é a mera decretação ou omissão em relaxar a prisão ou em deferir medida de habeas corpus que irá configurar o delito: será sempre necessária a finali- dade especifica de prejudicar outrem, beneficiar a si próprio ou o mero capricho/satisfação pessoal previstos no art. 1º, §1º da legislação. 2.2. Art. 10 Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O próximo delito da lista consiste na decretação de condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem previa intimação de comparecimento ao juízo. Quanto ao sujeito ativo do delito, mais uma vez há ainda debate não pacificado. Trata-se da autoridade pública responsável por decretar a medida, sendo que há posição na doutrina no sentido de que apenas o magistrado é destinatário do tipo penal na qualidade de sujeito ativo. Por outro lado, há quem entenda o termo decretar em sentido amplo, abrangendo tam- bém as figuras do Delegado de Polícia e do membro do MP. O mais seguro, mais uma vez, é aguardar. O sujeito passivo direto é a testemunha ou o investigado. O sujeito passivo indireto é o Estado. Note que o tipo penal fala em condução coercitiva de testemunha ou investigado. É muito importante verificar que, para a doutrina, investigado é aquele que ainda não foi denunciado. Após o oferecimento da denúncia, chama-se o investigado de denunciado, e após seu recebimento, de réu. É por isso que doutrinadores como Sanches e Greco entendem que o tipo penal não al- cança a condução coercitiva manifestamente descabida de acusado, o que poderia configurar analogia in malam partem. O sujeito passivo principal ou imediato é a pessoa física ou jurídica atingida pela condu- ta abusiva. O sujeito passivo secundário ou mediato é o Estado. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br17 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 2.3. Art. 12 Art. 12. Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. A conduta do art. 12 consiste em deixar, de forma injustificada, de comunicar a prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal. O art. 306 do CPP apresenta os ditames de comunicação da prisão à autoridade judiciária. Nesse diapasão, é interessante relembrar o que dispõe o referido código: CPP, Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. (Redação dada pela Lei n. 12.403, de 2011). § 1º Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. Esse é um ponto polêmico. A lei é clara: imediatamente. Já o parágrafo único também é claro: O APF será encaminhado em até 24 horas. Assim estamos diante de um aparente conflito de normas. Afinal de contas, o artigo e seu parágrafo único parecem ditar prazos diferentes. No entanto, para a doutrina existente até o presente momento, o prazo legal a que se refere o art. 12 da Lei 13.869/19 é o prazo legal de envio do APF à autoridade judiciária, qual seja o prazo de 24h (Greco e Sanches nesse sentido).1 Esse é, de fato, um entendimento de difícil compreensão, haja vista o já citado aparente conflito entre o caput do art. 306 e seu parágrafo 1º. Sobre o prazo de 24 horas e no mesmo sentido de Sanches e Greco entende Guilherme Nucci, em seu Código de Processo Penal Comentado, em uma leitura, nas palavras do doutri- nador, “adaptada à realidade dos fatos”. Para fins de prova, é mais seguro que o examinador se atenha ao texto legal do art. 12, sem adentrar o mérito do prazo exato a ser descumprido pela autoridade para configuração do delito. Mas de todo modo, é importante que você tenha ao menos conhecimento de que existe posição doutrinária no sentido do prazo de 24 horas. O CEBRASPE, por exemplo, já cobrou o assunto duas vezes, uma delas adotando o prazo de 24 horas, e em outra, o prazo imediato. Veja só essa questão: 1 SANCHES; G. Lei de Abuso de Autoridade Comentada Artigo Por Artigo; p. 108. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 18 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas CESPE – 2012 – TRE-RJ – Analista Judiciário A prisão de qualquer pessoa e o local onde ela se encontrar presa devem ser comunicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministé- rio Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. Em até 24 horas após a realização da prisão, o auto de prisão em flagrante deve ser encaminhado ao juiz competente e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, deve ser encaminhada cópia integral à defen- soria pública.2 Agora vejamos essa aqui: CESPE - 2018 - STJ - Técnico Judiciário A comunicação de prisão em flagrante deverá ocor- rer em até vinte e quatro horas após a sua efetivação: o auto de prisão deverá ser encaminhado ao juízo competente para análise da possibilidade de relaxamento da prisão, de conversão da prisão em liberdade provisória ou de decretação de prisão preventiva.3 Assim, veja que não há clareza sobre o assunto nem mesmo no âmbito de uma mesma organizadora. É triste não poder apresentar um posicionamento sólido e seguro, mas nosso dever é passar as informações exatamente como elas têm sido cobradas e interpretadas pelos examinadores (ainda que tais opções sejam conflitantes). Seguindo em frente, é preciso observar com atenção o termo injustificadamente. Não é qualquer atraso, mas tão somente aquele sem motivo justificado ou plausível. O sujeito ativo do caput é a autoridade ou agente sobre o qual recai a obrigação legal de comunicar a prisão em flagrante à autoridade judiciária. • Condutas Equiparadas Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: I – deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão temporária ou preventiva à autoridade judiciária que a decretou; II – deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada; III – deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas; IV – prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de exe- cutar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. Já no âmbito das condutas equiparadas (parágrafo único), o sujeito ativo é variado: Inciso I: qualquer agente ou autoridade que tenha cumprido a ordem de prisão e tenha dei- xado de comunicar à autoridade judiciária; Inciso II: qualquer agente ou autoridade que deixe de comunicar a prisão à família ou à pessoa indicada pelo preso; 2 Gabarito: C 3 Gabarito: C O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 19 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Inciso III: Autoridade responsável pela emissão e entrega da nota de culpa; Inciso IV: Autoridade que prolonga indevidamente a execução da prisão. Por exemplo, po- dem ser listados as autoridades policiais, os diretores prisionais, entre outros. O sujeito passivo direto ou imediato das condutas em estudo é o preso ou internado. O sujeito passivo indireto é o Estado. 2.4. Art. 13 Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I – exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II – submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; III – produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: (Promulgação partes vetadas) Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência. O art. 13 da Lei de Abuso de autoridade tipifica as condutas daquele que constrange preso ou detento, mediante violência ou grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência a praticar três ações distintas: 1) Exibir-se ou ter parte do corpo exibida à curiosidade pública; 2) Submeter-se à situação vexatória ou constrangimento não autorizado em lei; 3) Produzir prova contra si ou contra terceiro. Dentre as três, a previsão que mais causou polêmica é a do inciso III, a qual, para alguns, resultaria na criminalização de práticas lícitas tais como a identificação criminal por datilosco- pia. Esse, inclusive, foi o motivo pelo qual a Presidência da República vetou o referido inciso, veto esse que acabou sendo derrubado pelo CN. Noutro giro, é muito importante que o estudante não se confunda ao fazer a leitura do art. 13, em razão de sua semelhança textual com os delitos previstos no art. 1º da Lei de Tortura: Art. 13 Constranger o preso ou detento, mediante violência ou grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência a exibir-se ou ter seucorpo exibido; submeter-se a situação vexatória; Produzir prova contra si. Lei de Tortura Constrangimento com violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação, declaração ou confissão; §1º: Submeter pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio de prática de ato não previsto em Lei ou não resultante de medida legal. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 20 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Em primeiro lugar, note que no caso do art. 13, o legislador apresentou separadamente as figuras do preso e do detento, enquanto a Lei de Tortura não faz distinção (fala apenas em pessoa presa em seu §1º. Ademais, verifica-se ainda que o requisito do sofrimento físico ou mental inexiste na legis- lação de abuso de autoridade. E por fim, a finalidade do ato é diferente nas hipóteses da Lei de Tortura. O sujeito ativo do delito é a autoridade pública que constrange o preso ou detento. O sujei- to passivo direto é a própria pessoa presa. O sujeito passivo indireto é o Estado. 2.5. Art. 15 Art. 15. Constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. O art. 15 é o que chamamos de crime de ação vinculada, pois o legislador é específico quanto à ação utilizada para constranger a vítima: ameaça de prisão. A referida necessidade de guardar segredo ou sigilo em razão de função, ministério, ofício ou profissão encontra previsão no CPP (art. 207), na figura dos chamados indivíduos proibi- dos de depor. Assim sendo, a previsão legislativa em estudo busca reprimir a conduta daquele que, com ameaça de prisão, visa constranger o indivíduo proibido de depor a revelar determinado segre- do ou sigilo. No mesmo sentido estão as condutas equiparadas: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: I – de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou II – de pessoa que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presen- ça de seu patrono. O sujeito ativo da conduta é o agente público que constrange a pessoa interrogada. Veja que esse rol é amplo, podendo figurar no polo ativo da conduta indivíduos como delegados, magistrados, promotores, entre outros. Ademais, o procedimento no qual se pretende ouvir a vítima não necessariamente precisa ser de natureza penal. O sujeito passivo direto do delito é a pessoa que sofre o constrangimento. O sujeito pas- sivo indireto é o Estado. O elemento subjetivo, como nos demais delitos, é o dolo, com a finalidade especial prevista no §1º do art. 1º da lei em estudo. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 21 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas 2.6. Art. 15-A Violência Institucional Art. 15-A. Submeter a vítima de infração penal ou a testemunha de crimes violentos a procedimen- tos desnecessários, repetitivos ou invasivos, que a leve a reviver, sem estrita necessidade: (Inclu- ído pela Lei nº 14.321, de 2022) I – a situação de violência; ou (Incluído pela Lei nº 14.321, de 2022) II – outras situações potencialmente geradoras de sofrimento ou estigmatização: (Incluído pela Lei nº 14.321, de 2022) Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. (Incluído pela Lei nº 14.321, de 2022) O art. 15-A foi incluído na Lei de Abuso de Autoridade pela Lei nº 14.321/2022 no intuito de tipificar o crime de violência institucional. Essa norma faz referência à Lei de nº 14.245/2021, conhecida como Lei Mariana Ferrer, criada para coibir a prática de atos atentatórios à dignida- de da vítima e de testemunhas. Assim, restará configurado o crime de violência institucional quando qualquer agente pú- blico, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Pode- res da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território submeter: Sujeito ativo: é o agente público que submete a vítima ou a testemunha a procedimentos desnecessários, a exemplo de policiais civis, promotores de justiça e juízes de direito. O sujeito passivo direto do delito é a pessoa revitimizada. O sujeito passivo indireto é o Estado. A presente norma visa tutelar a integridade psíquica, além da honra e intimidade das víti- mas e testemunhas submetidas a atos de vitimização desnecessários. Atenção ao elemento normativo específico: Para haver o delito, o procedimento a que a ví- tima se submeteu deve ter sido desnecessário, repetitivo ou invasivo. Além disso, “sem estrita necessidade”. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 22 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Portanto, qualquer atuação funcional imprescindível a elucidação do crime não poderá ser considerada ilícita. • Causas de aumento de pena: − A pena será aumentada de 2/3 (dois terços): ◦ Se o agente público permitir que terceiro intimide a vítima de crimes violentos, ge- rando indevida revitimização. − Aplica-se a pena em dobro: ◦ Se o agente público intimidar a vítima de crimes violentos, gerando indevida reviti- mização. 2.7. Art. 16 Art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. O art. 16 é outra disposição polêmica, a qual havia sido vetada pelo PR – veto este que também foi derrubado pelo Congresso Nacional. Existem duas formas com que o agente público pode praticar o delito em estudo: • Ao deixar de identificar-se ao preso; • Ao identificar-se falsamente. Veja que a conduta deve ser praticada por ocasião da captura do preso ou quando deva o agente público fazê-lo durante sua detenção ou prisão. Ademais, a previsão do parágrafo único apresenta uma conduta equiparada daquele que, na qualidade de responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função. O que causa estranheza ao realizar a leitura do parágrafo único está no ponto do cargo ou função. Isso porque enquanto o caput fala apenas em identificar-se falsamente, o parágrafo único detalha mais o ato ao dividir a conduta em atribuir a si falsa identidade, cargo ou função. Assim sendo, é possível realizar uma leitura na qual: • Na previsão do caput, o crime limita-se a deixar de identificar-se ou identificar-se falsa- mente. • Na previsão do parágrafo único, em tese o crime alcançaria tanto a atribuição de falsa identidade quanto de cargo ou função. O conteúdodeste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 23 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Assim, ingressa na conduta do caput aquele que alega, por exemplo, ser Delegado de Polí- cia quando na verdade é Agente de Polícia; aquele que alega ser escrivão quando na verdade é investigador, e assim por diante. Para doutrinadores como Rogério Greco e Rogério Sanches, no entanto, o termo identidade previsto no caput do artigo abrange também as características funcionais (como o cargo e a função), permitindo a mesma responsabilização apesar do texto ter sido elaborado de forma diferente. Observamos aos alunos, no entanto, o de sempre: trata-se de assunto ainda muito “verde” e sem pacificação na doutrina, o qual por hora dificilmente será cobrado em provas por conta da possibilidade de recursos. Mas é importante que você conheça a existência dessa possibi- lidade de debate. O sujeito ativo do crime é o agente que atua na captura, prisão ou detenção de pessoa, no caso do caput, ou aquele que atua em seu interrogatório em sede de investigação de infração penal (no caso do parágrafo único). O sujeito passivo principal ou imediato é a pessoa física ou jurídica atingida pela condu- ta abusiva. O sujeito passivo secundário ou mediato é o Estado. A conduta admite apenas a forma dolosa, como os demais delitos em estudo, exigindo ainda o elemento subjetivo especial previsto no art. 1º, §1º do diploma legal. Repare que no parágrafo único, o tipo penal prevê a prática da conduta em sede de interrogató- rio de investigado PRESO. Assim sendo, se o interrogatório é de investigado SOLTO, não irá se configurar o referido tipo previsto no parágrafo único (não havendo, no entanto, prejuízo para a configuração de outros crimes previstos na legislação penal nacional). 2.8. Art. 18 Art. 18. Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Mais um para a série de delitos com tipificação confusa. Afinal de contas, a lei não define qual o período de repouso noturno a ser considerado para a configuração do crime. De todo modo, em primeiro lugar devemos dar atenção para uma ressalva importantíssima prevista no tipo: salvo se capturado em flagrante delito ou se, devidamente assistido, consen- tir em prestar declarações. Tornar-se-ia inviável a atuação das autoridades policiais, em sede de flagrante delito, se a lei vedasse a realização de interrogatório policial de forma absoluta durante a noite, haja vista que uma boa parte dos flagrantes são realizados nesse período. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 24 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas De todo modo, o problema se mantém na regra geral, posto que é complicado definir re- pouso noturno para a aplicação do referido tipo. Por exemplo: no caso do furto majorado pelo repouso noturno, doutrinadores como Da- másio de Jesus e Rogério Sanches entendem que o critério é variável, consistindo no período que as pessoas se recolhem, à noite, para descansar, de modo que o seu reconhecimento dependerá do costume do local ou de foi praticada a conduta. Entretanto, em sua mais recente obra comentando a Lei de Abuso de Autoridade, Rogério Sanches (em conjunto com Rogério Greco), entenderam que, em razão da própria lei tipificar como abuso de autoridade o cumprimento de mandado antes das 5h e após as 21h, a inter- pretação sistêmica da lei requer que seja compreendido como repouso noturno o referido período (21h as 5h). Atenção: Mais uma vez, trata-se de assunto novo, sem amplo debate envolvendo os demais mestres de Direito Penal do país. Assim sendo, é importante asseverar que existirá discussão a respeito do melhor critério a ser adotado para definição do referido repouso noturno. Ademais, lembre-se que, em caso de flagrante delito, a referida limitação de horário NÃO SE APLICA, por expressa previsão contida no tipo penal. O sujeito ativo do delito é o agente público responsável pelo interrogatório. O sujeito passivo principal ou imediato é o preso atingido pela conduta abusiva. O sujeito passivo secundário ou mediato é o Estado. A conduta admite apenas a forma dolosa, como os demais delitos em estudo, exigindo ainda o elemento subjetivo especial previsto no art. 1º, §1º do diploma legal. 2.9. Art. 19 Art. 19. Impedir ou retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. No art. 19 temos a conduta daquele que impede, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária para apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstân- cias de sua custódia. Na mesma esteira está a conduta equiparada do parágrafo único, o qual busca responsabi- lizar o magistrado que deixa de tomar as providências necessárias para sanar o impedimento ou a demora, seja no sentido de decretar uma medida ou no mínimo de enviar o pleito à autori- dade competente (no caso incompetência): Parágrafo único. Incorre na mesma pena o magistrado que, ciente do impedimento ou da demora, deixa de tomar as providências tendentes a saná-lo ou, não sendo competente para decidir sobre a prisão, deixa de enviar o pedido à autoridade judiciária que o seja. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 25 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Primeiramente, note que em relação ao caput, há a previsão de que o impedimento ou re- tardamento deve ser injustificado, do contrário, não se configura o delito. Ademais, é importante notar que os sujeitos ativos irão variar. No caso da conduta do caput, é o agente ou autoridade pública que impediu ou retardou o envio do referido pleito à autoridade judiciária. Já no caso do parágrafo único, o sujeito ativo é especificamente o magistrado. Como de praxe, o sujeito passivo imediato é o preso, e o sujeito passivo mediato é o Estado. O elemento subjetivo também é o mesmo dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista na legislação em estudo (Art. 1º, §1º). 2.10. Art. 20 Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado: Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Eis outro artigo que havia sido vetado pela Presidência da República e que acabou retor- nando com a derrubada do veto pelo CN. Aqui se pune aquele que age para impedir a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado. A lei é clara ao determinar que só configura o crime caso a referida ação seja realizada sem justa causa. Caso exista justa causa para impedir a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advo- gado, não se configura o delito. O direito de entrevista pessoal do preso com seuadvogado está previsto em diversos ins- titutos jurídicos, tais como o Pacto de San José da Costa Rica, a Lei de Execuções Penais e até mesmo no Estatuto da OAB. Nesse diapasão, é interessante verificar que os termos “pessoal e reservada” possuem sig- nificados distintos. Por pessoal entende-se o direito de que o próprio preso, em pessoa, esteja presente no ato. Por reservada entende-se a característica da entrevista que ocorre apenas na presença do preso e de seu defensor. Conduta Equiparada: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu solto ou o investigado de en- trevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferência. No parágrafo único o legislador demonstra uma preocupação especial: o de tutelar tanto o direito de entrevista antes da audiência judicial quanto o direito de comunicação entre indiví- duo e defensor durante a audiência. O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 26 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Os sujeitos mais uma vez irão variar a depender da conduta. Para o caput, o sujeito ativo é qualquer agente público que impedir o direito de entrevista, sem justa causa. Para o parágrafo único, a doutrina ainda debate quem é o agente público responsável no caso concreto, pois o tipo penal é aberto (“quem impede o preso”). Analisando a quem compe- te tal ato, entende Sanches que o sujeito ativo pode ser tanto o magistrado quanto o servidor público lotado no estabelecimento em que o indivíduo está preso, no caso de videoconferência. Quanto ao sujeito passivo, entende-se que é qualquer indivíduo envolvido na referida priva- ção (podendo se consubstanciar na figura do preso, do investigado, do réu solto e do defensor ou advogado, a depender do caso). O elemento subjetivo também é o mesmo dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista na legislação em estudo (Art. 1º, §1º). 2.11. Art. 21 Art. 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Teve grande repercussão em 2007 o caso da garota de 15 anos que foi mantida presa em uma cela com 20 homens. É claro que a legislação penal vigente, na figura da Lei de Execuções Penais, prevê diversas situações em que a separação dos presos por determinado critério é obrigatória (sendo a separação das mulheres uma dessas previsões). Não obstante à existência da referida restrição legal, casos como o de 2007 ainda acabam acontecendo, e certamente buscando reprimir esse tipo de acontecimento o legislador crimi- nalizou a conduta através do artigo 21 do diploma legal em estudo. O parágrafo único, por sua vez, trata da figura do adolescente: Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma cela, criança ou ado- lescente na companhia de maior de idade ou em ambiente inadequado, observado o disposto na Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 27 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Há entendimento doutrinário no sentido de que a violação da regra de separação que resulta também em sofrimento físico ou mental da pessoa custodiada pode resultar em crime de tor- tura, a depender do caso concreto. Por exemplo, no caso narrado (ocorrido em 2007), foi justamente essa a tipificação recebi- da pelo delito praticado (tortura). O sujeito ativo do delito é o agente ou autoridade que determinar a manutenção de presos de ambos os sexos em mesmo espaço ou cela. Assim, a doutrina entende que tanto a autori- dade policial, o diretor de sistema prisional e até mesmo o magistrado podem figurar no polo ativo da conduta. Rogério Greco e Rogério Sanches (os primeiros a se manifestar sobre o tema) tem enten- dido no sentido de que o sujeito passivo imediato são os presos submetidos à medida (tanto homens quanto mulheres). O sujeito passivo mediato é o Estado. O elemento subjetivo também é o mesmo dos demais crimes: consubstancia-se no dolo, acrescido da finalidade especial de agir prevista na legislação em estudo (Art. 1º, §1º). 2.12. Art. 22 Art. 22. Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determina- ção judicial ou fora das condições estabelecidas em lei: Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Forma especial do delito de violação de domicílio previsto no Código Penal, a conduta do artigo 22 da Lei 13.869/19 tipifica como abuso de autoridade invadir, adentrar e permanecer, de forma clandestina, astuciosa ou à revelia da vontade do ocupante, em imóvel alheio sem determinação judicial ou fora das condições legais. Em primeiro lugar, precisamos diferenciar os verbos nucleares do tipo em estudo: • Invadir: Ingresso ostensivo, violento; • Adentrar: Ingresso sem violência; • Permanecer: Comportamento negativo. Segundo a doutrina, só permanece quem entrou licitamente, e se nega a sair. • Condutas equiparadas § 1º Incorre na mesma pena, na forma prevista no caput deste artigo, quem: I – coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências; O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Jefferson Matias Sampaio - 10105201480, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal. https://www.grancursosonline.com.br https://www.grancursosonline.com.br 28 de 75www.grancursosonline.com.br Lei n. 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade DIREITO PENAL Douglas Vargas Coação para franquear o acesso. Buscando mais uma vez proteger a inviolabilidade de do- micílio, o legislador criminalizou como abuso de autoridade condutas que não se enquadram no tipo penal do caput mas que tem o condão de resultar no mesmo efeito. Nesse sentido, incorre nas mesmas penas aquele que coage, mediante violência ou grave ameaça, o indivíduo a franquear o acesso ao imóvel. Horário de cumprimento de mandado: III – cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas). Sem dúvidas o ponto mais complexo e controverso do artigo em questão, a conduta equi- parada do inciso III determina ser abuso de autoridade o cumprimento de mandado de busca e apreensão após às 21h ou antes das 5h. Como sabemos, a regra constitucional sobre o tema é que a ordem judicial deve ser cum- prida durante o dia, salvo se o morador concordar com sua realização à noite. Sempre foi objeto de debate na doutrina o critério para determinar o que é “DIA” e assim definir as balizas para o cumprimento do mandado judicial. São dois os critérios conhecidos sobre o tema: 1) Critério CRONOLÓGICO: DIA é o horário compreendido entre 6h da manhã e 18h. 2) Critério FÍSICO-ASTRONÔMICO: DIA é o espaço entre a aurora e o crepúsculo. A doutrina, como sempre, diverge entre os critérios. Na jurisprudência, há manifestações mais contundentes no