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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA 
MODALIDADE EAD 
 
 
 
 
 
 
 
 
Priscila Bernardes Zampieri 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA ACERCA 
DAS ENCHENTES E DE DESASTRES NO RIO GRANDE DO SUL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CANDELÁRIA, RS 
 2024 
 
1 
 
Priscila Bernardes Zampieri 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA ACERCA 
DAS ENCHENTES E DE DESASTRES NO RIO GRANDE DO SUL 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão apesentado ao Curso de 
Especialização em Gestão Pública na modalidade 
EAD, da Universidade Federal de Santa Maria 
(UFSM, RS), como requisito parcial para a obtenção 
do título de Especialista em Gestão Pública. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientadora: Profª. Dra. Luciana Davi Traverso 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Candelária, RS 
2024 
 
2 
 
Priscila Bernardes Zampieri 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA ACERCA 
DAS ENCHENTES E DE DESASTRES NO RIO GRANDE DO SUL 
 
 
 
 
 
 
Artigo apresentado como Trabalho de Conclusão do 
Curso de Especialização em Gestão Pública na 
modalidade EAD, da Universidade Federal de Santa 
Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para a 
obtenção do título de Especialista em Gestão 
Pública. 
 
 
 
 
 
Aprovado em 31 de outubro de 2024 
 
 
 
___________________________________________ 
Profª. Dra. Luciana Davi Traverso 
 (Presidente/ Orientador(a)) UFSM 
 
 
___________________________________________ 
Profª. Dra. Ranice Hoehr Pedrazzi Pozzer 
Examinadora UFSM 
 
 
___________________________________________ 
Profª. Ms. Jessica da Silva Maciel 
Examinadora UFSM 
 
 
 
Candelária, RS 
2024 
 
3 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Primeiramente à Deus que me mostrou essa oportunidade, que me segura pela mão e 
demonstra de várias formas que me ama e está sempre comigo. Por me dar saúde e me manter 
persistente e forte durante esta caminhada. 
Ao meu companheiro de vida Cristiam pelo incentivo e apoio, por todas as vezes que 
foi necessário me ausentar em função das aulas, ter cuidado tão bem dos nossos pequenos, 
fazendo de tudo para ficar tudo bem sempre. Obrigada por ser a minha morada e o meu coração, 
te amo mais que posso dizer e escrever... 
A minha sogra Marlene, por ser meu braço direito, aquela com quem posso sempre 
contar em todas as ocasiões, não importando o dia e a hora. A minha mãe, por me auxiliar nos 
momentos em que tem disponibilidade. 
A minha mãe do coração Dada, minha fiel incentivadora dos estudos, aquela que sempre 
diz: faz. Obrigada pelo carinho de sempre. 
Meus filhos Julia e Gabriel por serem tão importantes, amáveis e compreenderem as 
vezes em que precisei me ausentar fisicamente. O meu futuro é pra vocês... 
Aos meus colegas de curso: Thais Giordani por ter segurado a minha mão e não ter me 
deixado desistir...Cassiane que com maestria, de uma bondade imensa difícil de encontrar nos 
dias de hoje mesmo sem me conhecer pessoalmente, me mostrou o caminho da pesquisa 
contribuindo positivamente para que eu conseguisse chegar até o final. 
A Professora Luciana, minha orientadora, com seu amplo conhecimento acreditou em 
mim, me incentivando a fazer sempre melhor foi incansavelmente compreensiva, paciente e 
muito importante durante a realização desse trabalho. 
Aos meus colegas de trabalho, equipe das Imunizações, especialmente minha colega 
Nerizane, que muito me incentivou e me compreendeu quando eu mais precisei. Da mesma 
forma, aos colegas do SAMU, especialmente meu colega Nelcindo que também contribuiu para 
que eu conseguisse finalizar este estudo, de forma satisfatória. 
A todos vocês que contribuíram para que esse sonho fosse possível o meu muito 
obrigada!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
RESUMO 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE A GESTÃO PÚBLICA ACERCA 
DAS ENCHENTES E DE DESASTRES NO RIO GRANDE DO SUL 
 
AUTOR(A): Priscila Bernardes Zampieri 
ORIENTADOR(A): Profª. Dra. Luciana Davi Traverso 
 
 
As enchentes são os desastres naturais com maior frequência e afetam a vida de milhões de 
pessoas a cada ano, principalmente nos países em desenvolvimento e em grandes centros 
urbanos, com tendência de aumento nas próximas décadas. O objetivo do presente trabalho foi 
analisar a produção de dissertações e teses, disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações da 
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (IBICT), cujos trabalhos abordam os 
desastres naturais do Rio Grande do Sul. Os resultados alcançados revelaram que não existe um 
planejamento efetivo, com estratégias bem definidas e delimitadas para mitigar as mazelas 
sociais decorrentes dos impactos ocasionados pelas enchentes para as famílias que residem em 
área de risco. Aponta-se a importância de um planejamento eficiente e a implementação de 
programas e políticas públicas que combatam os impactos negativos ocasionados pelas 
enchentes, oportunizando às famílias uma vida mais digna. 
 
Palavras-chave: Enchentes; Gestão Pública; Planejamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
ABSTRACT 
 
 
CONSIDERATIONS ON PUBLIC MANAGEMENT ABOUT FLOODS AND 
DISASTERS IN RIO GRANDE DO SUL 
 
AUTHOR: Priscila Bernardes Zampieri 
ADVISOR: Profª. Dra. Luciana Davi Traverso 
 
 
Floods are the most frequent natural disasters and affect the lives of millions of people each 
year, mainly in developing countries and large urban centers, with an increasing trend in the 
coming decades. The objective of this work was to analyze the production of dissertations and 
theses, available in the Theses and Dissertations Catalog of the Brazilian Digital Library of 
Theses and Dissertations (IBICT), whose works address natural disasters in Rio Grande do Sul. 
The results achieved revealed that there is no effective planning, with well-defined and 
delimited strategies to mitigate social ills resulting from the impacts caused by floods for 
families residing in risk areas. The importance of efficient planning and the implementation of 
programs and public policies that combat the negative impacts caused by floods is highlighted, 
providing families with the opportunity to lead a more dignified life. 
 
Key-words: Floods; Public Management; Planning. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Historicamente, a humanidade tem sido afetada por crises e desastres decorrentes de 
fenômenos de natureza ambiental e climática, que abalam cidades, construções, economias, 
cidadãos, governos, meio ambiente, segurança, aspectos emocionais e sentimentais (WILSON; 
OYOLA-YEMAIEL, 2001). Representando um grande desafio para os governos e 
comunidades, o Brasil não se encontra em situação diferente do restante do mundo (PEDROSO; 
HOLM-NIELSEN, 2017). 
Verifica-se, ao longo dos anos, a importância do planejamento no processo de gestão 
pública para a execução de programas, serviços e ações preventivas no âmbito da organização 
e administração do Estado, no combate às enchentes ocasionadas pelas fortes chuvas e que 
levam a situação de calamidade pública (ARAÚJO, 2012). O Relatório de danos materiais e 
prejuízos decorrentes de desastres naturais no Brasil: 1995-2014 esclarece que a magnitude dos 
eventos ocorridos no período de análise do documento demonstrou que a visão popular de que 
o país é imune a desastres não se aplica, reforçando a importância desse tema em diferentes 
níveis no poder público (Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da 
Universidade Federal de Santa Catarina [CEPED/UFSC], 2016). 
A população tem esperado uma gestão mais efetiva do setor público em relação às situações de 
desastres, uma vez que a ausência de habilidades de gestão pode induzir a um gerenciamento 
inadequado, com perda de vidas e propriedades(KAPUCU; USTUN, 2017). Existem aspectos 
do desastre que vão além dos fatos evidentes, mas que são vistos em obrigações, valores e 
escolhas em que emoções e desafios da mesma existência coexistem, se acomodam e se 
conflitam (TAVARES; BARBOSA, 2014). 
Assim como os desastres apresentam problemas únicos, com peculiaridades que podem 
exigir diferentes relacionamentos e responsabilidades intergovernamentais, colocando as 
pessoas em situações desconhecidas, questões éticas muitas vezes manifestam-se por meio de 
conflitos internos e externos, dúvidas, inseguranças, valores e objetivos diferenciados e 
conflitantes, pressões políticas de empresas privadas, da opinião pública ou da sociedade civil, 
entre outros (AUNG et al., 2017). Além disso, a gestão pública também é caracterizada por uma 
multiplicidade de valores conflitantes, como dilemas entre eficiência e equidade, eficiência e 
legitimação democrática, equidade e liberdade que podem influenciar direta ou indiretamente 
gestores e organizações, acarretando em dificuldades para lidar com situações sobre o que deve 
ou deveria ser feito (ZACK, 2009). 
7 
 
Nesse sentido, Koehler, Kress e Miller (2001) alertam que o gestor deve enfrentar a 
realidade de que provavelmente nenhuma teoria geral de gerenciamento de desastres na gestão 
pública emergirá, dada a complexidade e incerteza dos eventos. Portanto, Rossy (2011) propõe 
que gestores aprendam a reconhecer e evitar antecipadamente possíveis lapsos éticos, evitando 
repercussões “caras” ou “sofridas”, como ações calamitosas, ações judiciais e danos graves para 
suas organizações, equipes, comunidades e toda uma sociedade, principalmente ao tratar da 
vida humana. 
Neste artigo foi realizada uma revisão da literatura sobre a relação enchentes e gestão 
pública, de modo a oferecer subsídios para uma melhor compreensão destes eventos, que 
correspondem a cerca de 60% dos desastres naturais registrados no país e 70% na América 
Latina e Caribe (FREITAS; XIMENES, 2012). 
 Esta revisão pode ser considerada oportuna, uma vez que os desastres naturais ocupam 
cada vez mais a agenda científica e governamental do país, sendo exemplos a criação do Centro 
Nacional de Monitoramento e Alerta aos Desastres Naturais pelo Ministério de Ciência e 
Tecnologia e da Força Nacional do Sistema Único de Saúde pelo Ministério da Saúde 
(FREITAS; XIMENES, 2012). 
Tendo em vista a problemática exposta, este artigo teórico tem como objetivo analisar 
a produção de dissertações e teses, disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações da 
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (IBICT), cujos trabalhos abordam os 
desastres naturais do Rio Grande do Sul. Para alcançar o objetivo exposto, o texto foi 
organizado na seguinte estrutura: Após a introdução, são resgatados alguns conceitos iniciais 
sobre a gestão pública de riscos e de desastres e são sinalizadas questões contundentes sobre o 
tema. Por fim, são apresentadas as considerações finais, onde buscou-se sistematizar a 
discussão, retomar as principais reflexões e apontar a necessidade de desenvolvimento do tema 
no Brasil, tendo o cuidado de realizá-lo respeitando as especificidades da cultura brasileira. Por 
fim, as referências bibliográficas são listadas. 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
Objetivando subsidiar a compreensão e análise do tema ora proposto, o presente 
referencial teórico aborda as ideias dos principais autores que estudam a temática das enchentes 
e do planejamento. O planejamento é visto aqui como um paradigma, que irá definir mudanças 
e novas regras de gestão com a criação de programas de combate às enchentes, na construção 
de modelos na administração pública, assim como na elaboração de objetivos estratégicos e 
8 
 
indicadores sociais na formulação de estratégias, planos e programas, no qual se busca o 
conhecimento do ambiente afetado pela crise hídrica das últimas enchentes (ARAÚJO, 2012). 
Ao longo dos anos verifica-se a importância do planejamento no processo de gestão 
pública para a execução de programas, serviços e ações preventivas no âmbito da organização 
e administração do Estado, no combate às enchentes ocasionadas pelas fortes chuvas e que 
levam a situação de calamidade pública (ARAÚJO, 2012). Assim, é preciso que sejam 
considerados no processo de planejamento, de maneira integrada e articulada, todos os planos 
da organização, estratégicos, táticos e operacionais. O planejamento tem por objetivo o 
desenvolvimento de processos, técnicas e atitudes administrativas que possibilitem avaliar as 
consequências e efeitos desastrosos ocasionados pelas inundações, de modo a reduzir os 
impactos e aumentando a probabilidade de alcance dos objetivos e desafios estabelecidos pela 
gestão pública no combate às enchentes [CEPED/UFSC], 2016). 
A criação de programas pela gestão pública deve priorizar a maximização dos resultados 
e minimizar os efeitos negativos ocasionados pelos transbordamentos dos rios que deixou 
milhares de famílias desabrigadas, além de aumentar os números de casos de doenças 
ocasionadas e questionamentos sobre quais medidas devem ser tomadas pela gestão no combate 
às crises ambientais hídricas. 
 
A base de toda administração de desastres assenta-se sobre a elaboração de planos de 
emergência, os quais são os documentos que servirão como guia para lidar com os 
efeitos decorrentes de determinado cenário, estabelecendo procedimentos, definindo 
recursos materiais e capital humano. A necessidade da elaboração de Planos de 
Emergência surgiu em função do considerável aumento dos riscos tecnológicos se 
tornando uma necessidade real e cada vez mais constante (ARAÚJO, 2012, p.11). 
 
2.1 As enchentes no Brasil 
 
Conforme corrobora São Paulo (2009), a enchente é classificada como a elevação do 
nível de água de um rio, acima de sua vazão normal. Tal definição é normalmente utilizada 
como sinônimo de inundação. Inundação é o transbordamento de água da calha normal de rios, 
mares, lagos e açudes, ou acumulação de água por drenagem deficiente, em áreas não 
habitualmente submersas. 
 
No Brasil, os principais fenômenos relacionados a desastres naturais são derivados da 
dinâmica externa da Terra, tais como, inundações e enchentes, escorregamentos de 
solos e/ou rochas e tempestades [...]. Estes fenômenos ocorrem normalmente 
associados a eventos pluviométricos intensos e prolongados, nos períodos chuvosos 
que correspondem ao verão na região sul e sudeste e ao inverno na região nordeste. 
De acordo com EM-DAT, o Brasil encontra-se entre os países do mundo mais 
9 
 
atingidos por inundações e enchentes, tendo registrado 94 desastres cadastrados 
(segundo os critérios já comentados) no período de 1960 a 2008, com 5.720 mortes e 
mais de 15 milhões de pessoas afetadas (desabrigados/desalojados). Considerando 
somente os desastres hidrológicos que englobam inundações, enchentes, movimentos 
de massa, em 2008 o Brasil esteve em 10º lugar entre os países do mundo em número 
de vítimas de desastres naturais, com 1,8 milhões de pessoas afetadas (SÃO PAULO, 
2009, p.18). 
 
Os problemas decorrentes das enchentes aumentam cada vez mais em todo o país, se 
estendendo as cidades e ocasionando prejuízos econômicos, políticos e sociais. 
 
Dos impactos pontuais mais comuns causados pelas enchentes nas populações em 
ambiente urbano podemos citar o impedimento da livre circulação no cotidiano das 
pessoas, paralisação do transporte de bens e serviços, paralisação dos comércios nas 
áreas afetadas causando enormes prejuízos financeiros e perdas materiais, além de 
lesões físicas e perdas humanas de acordo com a intensidade do evento. Dentre outros 
danos, que abrangem tanto áreas urbanas como rurais, talvez de forma menos visível, 
mas de relevante importância temos: perda de biodiversidade local, destruição de 
florestas, destruição de sistema de esgoto residencial com contaminação de fontes deágua potável por material químico e/ou infeccioso, contaminação direta de casas e 
outras construções, mobilização de produtos químicos estocados (tanques de 
combustível no subsolo, produtos químicos estocados nos comércios e residências), 
ou remobilização de produtos agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes) já presentes 
no ambiente, potencialmente prejudiciais à saúde (XIMENES, 2010 p. 12). 
 
Nota-se a grande dimensão que o problema das enchentes ocasiona na vida das pessoas, 
e traz consigo diversas consequências, perdas materiais e até humanas. Sendo assim, destaca-
se a necessidade de analisar esse problema e dos gestores públicos buscarem soluções para esse 
problema. Os principais fenômenos relacionados a desastres naturais no Brasil são os 
deslizamentos de encostas e as inundações, que estão associados a eventos pluviométricos 
intensos e prolongados, repetindo-se a cada período chuvoso mais severo (CARVALHO; 
GALVÃO, 2006). 
Apesar das inundações serem os processos que produzem as maiores perdas econômicas 
e os impactos mais significativos na saúde pública, são os deslizamentos que geram o maior 
número de vítimas fatais (CARVALHO; GALVÃO, 2006). 
Nesse viés, o acelerado processo de urbanização verificado nas últimas décadas, em 
várias partes do mundo, inclusive no Brasil, levou ao crescimento das cidades na maioria das 
vezes em áreas impróprias para ocupação, aumentando assim as situações de perigo e de risco 
a desastres naturais (TOMINAGA et al., 2009). 
Segundo Tucci (2008, p.63), os principais problemas relacionados com a infraestrutura 
de água no ambiente urbano são: 
 
10 
 
Falta de tratamento de esgoto: grande parte das cidades da região não possui 
tratamento de esgoto e lança os efluentes na rede de esgotamento pluvial, que escoa 
pelos rios urbanos (maioria das cidades brasileiras). Outras cidades optaram por 
implantar as redes de esgotamento sanitário (muitas vezes sem tratamento), mas não 
implementam a rede de drenagem urbana, sofrendo frequentes inundações com o 
aumento da impermeabilização; ocupação do leito de inundação ribeirinha, sofrendo 
frequentes inundações; Impermeabilização e canalização dos rios urbanos com 
aumento da vazão de cheia (sete vezes) e sua frequência; aumento da carga de resíduos 
sólidos e da qualidade da água pluvial sobre os rios próximos das áreas urbanas; 
deterioração da qualidade da água por falta de tratamento dos efluentes tem criado 
potenciais riscos ao abastecimento da população em vários cenários, e o mais crítico 
tem sido a ocupação das áreas de contribuição de reservatórios de abastecimento 
urbano que, eutrofizados, podem produzir riscos à saúde da população. 
 
 Entre os dez grupos de desastres, o maior número de óbitos, com 65% do total (1.131 
casos), e feridos, com 48% (23.924 casos) tiveram como causa as enxurradas; seguida pelas 
inundações, com 11% (187 casos) e 17% (8.592 casos), respectivamente. Considerando todos 
os grupos de desastres, o total geral de óbitos foi de 1.734 casos, e o de feridos foi 49.396. 
(https://portal.inmet.gov.br/uploads/publicacoesDigitais/impactos-clima-2010-2019.pdf). 
 O maior número de desalojados e desabrigados foi em decorrência das Inundações, 
representando 47% (1.417.718) dos desabrigados e 46% dos desalojados (325.883). A segunda 
maior causa foram as enxurradas, com 28% dos desabrigados e 26% dos desalojados. 
Considerando todos os grupos de desastres, o total geral de desalojados foi de 13.042.579 casos, 
e o de Desabrigados foi 702.487. 
 
2.2 Enchentes no Rio Grande do Sul 
 
As enchentes no Rio Grande do Sul não são um fenômeno novo. O estado tem um 
histórico de desastres relacionados a chuvas intensas, com eventos significativos registrados 
desde 1941. Cada episódio traz lições importantes, mas a repetição de tragédias semelhantes 
indica uma necessidade urgente de melhorias no planejamento urbano e na infraestrutura. 
Não é exagero quando se fala que as enchentes transformaram diversas cidades do Rio Grande 
Sul em um cenário de guerra, é um acontecimento devastador que mexeu com todo Brasil 
(AGÊNCIA JOVEM DE NOTÍCIAS, 2024). 
Os acontecimentos tem um agravante ainda maior, segundo o Professor do Instituto de 
Hidráulica da UFRGS, Rodrigo Paiva, tudo aconteceu mais rápido, a população hoje é maior e 
as áreas de riscos ocupadas também são maiores do que em 1941, ou seja, tudo contribuiu para 
que o impacto fosse maior (OGLOBO, 2024). 
11 
 
As enchentes no Rio Grande do Sul foram influenciadas por combinação de fatores locais e 
remotos. Enquanto as condições meteorológicas imediatas, como chuvas intensas e sistemas de 
baixa pressão, são as causas diretas das inundações, a Amazônia tem um papel indireto mas 
significativo. A alteração dos padrões de chuva devido à degradação da floresta pode aumentar 
a frequência e a intensidade das chuvas extremas, elevando o risco de inundações no sul do 
Brasil (EICHLER-BARKER, 2024). 
Além disso, diversas cidades foram construídas em planícies de inundação, ou seja, 
áreas planas adjacentes aos rios e córregos que recebem regularmente água durante enchentes 
e períodos de chuva intensa. Essas áreas atuam como amortecedores naturais, absorvendo o 
excesso de água e ajudando a reduzir o impacto das cheias em áreas urbanas e rurais. Cidades 
como Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Ivoti, Portão, Viamão, Eldorado 
do Sul, Guaíba e Montenegro foram algumas das mais atingidas (AGÊNCIA BRASIL, 2024). 
As consequências foram diversas e o tempo para recuperação ainda não dá para se 
estimar. Há perdas materiais, prejuízos para diversos setores da indústria, a maior é a perda de 
vidas (humana e animal) que ainda estamos contabilizando. 
As enchentes e alagamentos afetaram 445 cidades, sendo que alguns bairros e cidades 
inteiras foram submersos e destruídos, provocando grande evacuação de pessoas para abrigos, 
estes que não são suficientes para as mais de 300 mil pessoas que estão fora de suas casas 
(AGÊNCIA BRASIL, 2024). 
Não apenas as propriedades são afetadas pelas enchentes, mas também representam uma 
séria ameaça à saúde pública. A contaminação da água pode levar à propagação de doenças 
transmitidas pela água, como a leptospirose e hepatite A. Além disso, o contato com a água 
contaminada e o estresse causado pela perda de casa e pertences podem desencadear problemas 
de saúde mental, como ansiedade e depressão. Além disso, o tratamento de doentes durante os 
socorros as vítimas tornam-se mais difícil, sendo que vemos muitos remédios faltando e 
hospitais devastados (EBERSPACHER, 2024). 
É fato que algumas tragédias ambientais são inevitáveis e imprevisíveis. Entretanto, é 
impossível não notar o descaso e a negligência do poder público na prevenção de gravidades e 
extensão dos danos. Após a tragédia, em entrevista ao site Poder360, Eduardo Assad, 
pesquisador sobre mudanças climáticas no Brasil, relatou que há pelo menos 30 anos cientistas 
brasileiros alertam para os riscos extremos climáticos, como as ondas de calor e inundação 
(EBERSPACHER, 2024). 
Em 2015, o Governo Federal solicitou um relatório denominado “Brasil 2040: cenários 
e alternativas de adaptação à mudança do clima”, que apresentou projeções dramáticas para o 
12 
 
futuro. Entre elas, mortes por ondas de calor, secas no Nordeste, falta de água no Sudeste e 
aumento das chuvas no Sul. O conteúdo alarmante do relatório exigia dos governantes ações 
preventivas de logo prazo. O documento, no entanto, foi engavetado, esquecido e ignorado 
(EBERSPACHER, 2024). 
Além disso, há uma clara falta de investimento em infraestrutura de drenagem e controle 
de enchentes. A prefeitura de Porto Alegre cortou verbas de prevenção contra as enchentes em 
2023. Em entrevista para Revista Fórum, Augusto Damiani, ex-diretor do Departamento de 
Esgoto Pluviais de Porto Alegre, afirmou que há falhas no sistema de manutenção. Na enchente 
desetembro de 2023 já houve dificuldades para fechar as comportas. Segundo ele, esse descaso 
da prefeitura ocorre desde 2017, colocando a drenagem de Porto Alegre a serviço de interesses 
comerciais (EBERSPACHER, 2024). 
Para esse mesmo autor, soma-se a isso que muitas das áreas afetadas são conhecidas por 
sua vulnerabilidade às cheias, mas medidas preventivas adequadas nunca foram implementadas 
ou foram insuficientes para lidar com as condições extremas. A urbanização descontrolada, sem 
considerar os impactos ambientais e as características naturais do terreno, só agrava essa 
situação. 
Poucos dias antes do início das chuvas que afligiram o Rio Grande do Sul, a Associação 
Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN) enviou ao governador um ofício com um 
título, no mínimo, incomum: “Alerta ao Estado do Rio Grande do Sul e ao Governador do 
Estado”, seguido pelo subtítulo que dizia: “Registro para fins de tomada de conhecimento sobre 
alertas emitidos há várias décadas” (EBERSPACHER, 2024). 
Por fim, a resposta das autoridades frente ao desastre também foi inadequada e 
descoordenada. A falta de planos de evacuação eficazes e de sistemas de alerta precoce 
deixaram as comunidades despreparadas para lidar com a rápida elevação das águas. As equipes 
de resgate e os recursos de emergência ficaram sobrecarregados, resultando em atrasos cruciais 
no socorro às vítimas. A ausência de um plano de contingência abrangente reflete a falta de 
prioridade dada à gestão de desastres por parte do governo municipal e estadual. 
(EBERSPACHER, 2024). 
Embora o mundo esteja vivendo uma crise climática, não podemos negligenciar que 
ações preventivas do poder público poderiam reduzir sensivelmente a tragédia e as mortes no 
estado. Diante desse quadro, é imperativo que o poder público assuma sua responsabilidade e 
tome medidas concretas para prevenir futuros desastres, protegendo seus municípios e sua 
população. Para isso, é necessário investir em infraestrutura, atuando estrategicamente a longo 
13 
 
prazo. É importante o governante pensar no futuro, não somente atuando em ações que 
ofereçam visibilidade para garantir votos ao final do mandato. 
Em última análise, as enchentes no Rio Grande do Sul representam não apenas uma 
tragédia humana, mas também um lembrete doloroso da importância da ação preventiva e da 
necessidade de uma liderança responsável. Não podemos mais nos dar ao luxo de negligenciar 
a segurança e o bem-estar de nossas comunidades em face das crescentes ameaças climáticas 
por falta de prevenção. A hora de agir é agora. (https://agenciajovem.org/enchentes-no-rio-
grande-do-sul-causas-impactos-e-licoes-para-o-mundo). 
 
2.3 Os impactos que as enchentes causam na sociedade 
 
As enchentes trazem impactos para as suas vítimas, dentre as quais se destacam a grande 
incidência de doenças, perdas materiais e até riscos de vida para as crianças e moradores, que 
tem suas casas alagadas. Além de trazer impactos financeiros para os municípios, com gastos 
de abrigos e alimentação para as vítimas das enchentes. Levantamentos de riscos realizados em 
encostas de vários municípios brasileiros indicam que, em todos eles, a falta de infraestrutura 
urbana é uma das principais causas dos fenômenos de deslizamentos pelo país. Dessa forma, 
uma política eficiente de prevenção de riscos de deslizamentos em encostas deve considerar 
como áreas prioritárias de atuação os assentamentos precários e deve também fazer parte das 
políticas municipais de habitação, saneamento e planejamento urbano (CARVALHO et al., 
2006). 
De acordo com Poli (2012), as áreas urbanizadas são as que mais explicitam as 
intervenções do homem no meio natural. As novas edificações, o desmatamento, as 
canalizações dos cursos d’água, a poluição do ar, da água e a produção de calor acarretam 
diversos efeitos sobre os aspectos do ambiente. As alterações no meio ambiente, causadas pelas 
atividades nas cidades são sentidas pelas populações, tais como o aumento da temperatura nos 
centros urbanos, o aumento das chuvas e, por fim, as enchentes. Essa última consequência da 
urbanização teve como principal causa a construção de edifícios, indústrias, ruas implantadas 
em áreas de várzeas ou margens dos rios e é, nos dias de hoje, um problema recorrente nos 
períodos chuvosos nas principais cidades do mundo. 
O aumento das desigualdades sociais, da pobreza, da ocupação do solo em áreas 
inadequadas, em encostas instáveis ou em planícies inundáveis, edificações sem infraestrutura 
e saneamento básico, falta de espaços comunitários para sociabilidade são alguns dos muitos 
fatores que implica no processo de gestão de riscos e desastres (FURTADO et al., 2012). 
14 
 
Os impactos ocasionados por esta catástrofe natural são sentidos no meio econômico, 
social e ambiental, pois destrói as plantações da população, invade as casas, ocasionando 
inúmeros prejuízos materiais e de saúde pública. Por isso, acredita-se ser de vital importância 
o planejamento da administração pública, no que concerne a execução de programas de combate 
às enchentes. Nesse viés, a implantação de uma gestão focada nos problemas internos e externos 
deve embasar o planejamento do governo. Tendo em vista a importância do planejamento na 
gestão e administração pública, o mesmo deve atender ao interesse público e às necessidades 
sociais, buscando o bem comum e a satisfação do coletivo. Para tanto é preciso que toda a 
estrutura administrativa esteja em sintonia e, procure atender, de forma planejada e sistemática, 
as necessidades do cidadão. A administração pública engloba os princípios constitucionais de 
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, sendo norteadores para a 
busca de soluções para as exigências e anseios da coletividade (ARAUJO, 2012). 
O gerenciamento atual não incentiva a prevenção destes problemas, já que à medida que 
ocorre a inundação o município declara calamidade pública e recebe recursos a fundo perdido 
e não necessita realizar concorrência pública para gastar. 
 
Como as maiorias das soluções sustentáveis passam por medidas não estruturais que 
envolvem restrições a população, dificilmente um prefeito buscará este tipo de 
solução porque geralmente a população espera por uma obra. Enquanto que, para 
implementar as medidas não-estruturais, ele teria que interferir em interesses de 
proprietários de áreas de risco, que politicamente é complexo a nível local. Além 
disso, quando ocorre a inundação ele dispõe de recursos para gastar sem restrições. 
Para buscar modificar este cenário é necessário um programa a nível estadual voltado 
a educação da população, além de atuação junto aos bancos que financiam obras em 
áreas de risco (TUCCI, 2008, p.3). 
 
2.4 Ações e estratégias na busca de redução dos riscos das enchentes 
 
Conforme Freitas e Ximenes (2012), para reduzir os riscos das enchentes, é necessário 
desenvolver estratégias e ações planejadas, principalmente pelo poder público. E a 
conscientização também é outra ação importante a ser adquirida nesse processo de redução das 
enchentes. 
De acordo com Freitas e Ximenes (2012), a conscientização e a sensibilização pública 
não podem ser dissociadas de processos diretamente orientados para os profissionais do setor 
saúde. Informações e relatos de experiências de uma localidade podem servir para 
conscientizar, sensibilizar e treinar profissionais de outras que vivenciam problemas de saúde 
similares, como, por exemplo, as relacionadas a primeiros socorros e orientações sobre 
tratamento e prevenção de doenças relativas a enchentes como leptospirose e dengue. Estes 
15 
 
relatos e experiências, além de nortearem processos de conscientização, sensibilização e 
treinamento, também devem se converter em guias de respostas do setor saúde para situações 
de emergência, que podem envolver, inclusive, situações de maior complexidade, como a 
contaminação químicaque ocorre em eventos de enchentes. O planejamento urbano é um 
primeiro passo a ser seguido pelos gestores, aos quais devem atuar de forma preventiva, visando 
reduzir os riscos das enchentes e as consequências delas decorrentes. 
 
As ações de prevenção devem combinar medidas intersetoriais sobre uso e ocupação 
do solo. Isto envolve medidas sobre a ocupação de margens de rios preservando as 
áreas de proteção permanente e as unidades de conservação, as políticas de gestão da 
ocupação das áreas urbanas e das margens de rios combinadas com as de habitação 
evitando construções inadequadas próximas aos rios e áreas de encosta, drenagem e 
dragagens de rios, coleta e disposição adequada de resíduos e entulhos, 
reflorestamento e revitalização dos cursos d'água, entre outras (FREITAS; 
XIMENES, 2012, p. 12). 
 
Outro fator importante é diminuir a vulnerabilidade e ter uma vida mais segura, deve 
ser realizada a prevenção e a mitigação dos desastres naturais. O ideal seria o impedimento total 
de qualquer tipo de dano e prejuízo, o que acarretaria numa situação “perfeita”. Entretanto 
atualmente o que é possível realizará a redução máxima possível dos danos e prejuízos causados 
pelos desastres naturais. Isso porque, nós, seres humanos, ainda não adquirimos conhecimentos 
suficientes para controlar e dominar os fenômenos naturais. Desta forma, devem ser realizadas 
medidas preventivas, não só para reduzir os prejuízos materiais, mas principalmente para evitar 
a ocorrência de vítimas fatais (MASATO et al., 2006). 
A implementação de políticas públicas voltadas para a adaptação às mudanças 
climáticas é essencial. Isso inclui a gestão integrada de bacias hidrográficas, conservação de 
ecossistemas naturais, e promoção de práticas de desenvolvimento sustentável. Tais medidas 
não só ajudam a mitigar os impactos de futuros desastres, mas também promovem a resiliência 
das comunidades (EICHLER-BARKER, 2024). 
Além disso, para enfrentar os desafios climáticos e suas consequências, é essencial que 
o Rio Grande do Sul adote medidas de remediação e adaptação com base em políticas públicas 
abrangentes e sustentáveis. A implementação dessas políticas deve ser orientada por princípios 
de sustentabilidade e resiliência, garantindo a preservação dos recursos naturais e a proteção 
das comunidades locais (EICHLER-BARKER, 2024). 
No Brasil, encontram-se reservatórios com detenção e retenção convencionais, onde 
algumas cidades como o Rio de Janeiro que dispõe de um sistema de cinco reservatórios para 
evitar as enchentes na região da Grande Tijuca, finalizado em 2015 e em São Paulo, dois 
16 
 
reservatórios de detenção. Já em outros Países como EUA (Filadélfia, Califórnia e Oregon), 
utilizam das medidas não convencionais, como exemplo no Reino Unido que os sistemas 
existentes são de captação de águas fluviais, incluindo tanques com controle de pluviais à 
distância (IPEA, 2024). 
Nos Países como EUA, Canadá e Nova Zelândia há projetos de restauração de rios 
urbanos desde 1980 e na Europa, mais especificamente no Rio Isar, um rio que descarrega 
suas águas no Rio Danúbio, na Alemanha (IPEA, 2024). 
Assim, nota-se a importância da atuação preventiva, tanto por parte dos órgãos 
competentes, como também por parte da população, buscando minimizar a incidência das 
enchentes e de seus riscos aos indivíduos. O que se inclui em ações conscientes e planejadas, 
para que este problema seja minimizado (MASATO et al., 2006). 
 
3 MÉTODO DE PESQUISA 
 
O tipo de pesquisa adotado foi a revisão bibliográfica, já que segundo Vergara (2005, p. 
48), “a pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material 
publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em 
geral”. A revisão narrativa é adequada para explorar temas amplos, enquanto uma revisão 
sistemática é mais exaustiva. 
Esse tipo de método permite uma ampla descrição sobre o assunto, mas não esgota todas 
as fontes de informação, visto que sua realização não é feita por busca e análise sistemática dos 
dados. Sua importância está na rápida atualização dos estudos sobre a temática (VERGARA, 
2005). Sendo assim, realizou-se uma revisão narrativa de literatura realizada no Catálogo de 
Teses e Dissertações da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (IBICT). Os 
critérios de inclusão foram publicações que respondessem ao objetivo do estudo, com textos 
completos, disponíveis gratuitamente. Utilizou-se para a busca, os descritores “Gestão 
Pública”, “Desastres Naturais no Rio Grande do Sul” e “Planejamento”. 
Foram selecionados inicialmente 23 artigos, dos quais 13 foram excluídos pois não 
contemplavam o assunto estudado ou estavam duplicados, restando 10 para a amostra final, 
sendo 8 dissertações e 2 teses, conforme apresenta o quadro 01. Os trabalhos excluídos são 13, 
cujas publicações não abordassem diretamente a Gestão Pública de desastres naturais no 
contexto brasileiro e além disso: 1) por irrelevância do tema, pois não se relacionaram 
diretamente ao tema central de gestão de riscos e desastres naturais. 2) foco em áreas distintas, 
alguns dos artigos abordavam tópicos que embora interessantes, pertenciam a áreas distintas 
17 
 
que não se encaixavam nas linhas de investigações propostas como educação pedagógica, 
agricultura familiar e análises ambientais que não consideram a gestão de riscos e 3) duplicidade 
de temas, reflexo da necessidade de manter a originalidade e a variedade nas contribuições 
científicas. 
Quadro 01 – Dissertações e teses analisadas 
 Quant Área 
Dissertação 1 Gestão e Recursos Hídricos 
1 Planejamento Urbano e Regional 
1 Engenharia Sanitária e Recursos Hídricos 
2 Engenharia Civil 
3 Geografia 
Tese 1 Geografia Ambiental 
1 Políticas Públicas Comparadas 
 
 
Os itens da pesquisa foram divididos em: 1) informações bibliográficas: título original, 
autoria, ano de publicação e 2) característica do estudo: delineamento, metodologia, objetivo 
do estudo. 
 
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 
 
A amostra analisada consistiu-se em 10 trabalhos acadêmicos, sendo 8 dissertações e 2 
teses, que exploram diferentes aspectos da gestão de desastres e inundações, conforme o quadro 
abaixo: 
 
Quadro 02 – Temas abordados nos trabalhos 
Temas estudados Porcentagem 
Gestão de Risco e Desastres e Resiliência 40% 
Inundações e Impactos Ambientais 40% 
Análise de Políticas Públicas 10% 
Modelos de Precipitação e Análises hidrológicas 10% 
 
 
18 
 
Os trabalhos analisados foram estudados nos últimos 8 anos. Observa-se que a área com 
predominância de dissertações e teses envolve engenharia (5 trabalhos, destes 4 dissertações e 
1 tese) e geografia (4 trabalhos, com 3 dissertações e 1 tese). 
Para melhor análise das informações, os trabalhos foram agrupados por similaridade, 
onde dividiu-se nos seguintes temas: Gestão de riscos de desastres e resiliência, Estudos sobre 
Inundações e Impactos Ambientais, Análises de Políticas Públicas e Desenvolvimento 
Sustentável, Modelos de Precipitação e Análise Hidrológica, conforme quadro 1. 
 
Quadro 03 - Universidades e períodos dos trabalhos analisados 
Tema Título Autor Universidade Ano Método 
Gestão de Riscos de 
Desastres e 
Resiliência 
Ações públicas pós-
desastre de 2011 na 
Região Serrana do RJ 
e análise da percepção 
de riscos 
Alessandra Moraes da 
Rocha 
UERJ 2023 Pesquisa 
quantitativa 
e qualitativa 
Gestão de Riscos de 
Desastres e 
Resiliência 
Base para a 
qualificação urbana 
sob a ótica da gestão 
do risco de desastres 
Lara 
Jendrzyczkowski 
Rieth 
UFRGS 2017 Estudo de 
caso 
Gestão de Riscos de 
Desastres e 
Resiliência 
Um arranjo 
interdisciplinar para 
gestão de riscos de 
desastres socio 
naturais com base na 
engenharia de 
resiliência 
Andréa Jaeger Foresti UFRGS 2015 Estudo de 
caso 
Gestão de Riscos de 
Desastres e 
ResiliênciaConstrução 
Socioespacial da 
vulnerabilidade a 
movimentos de massa 
no município de 
Blumenau – SC 
Tanice Cristina 
Kormann 
UFRGS 2022 Pesquisa 
qualitativa e 
quantitativa 
Estudos sobre 
Inundações e 
Impactos Ambientais 
Avaliação do custo do 
risco de inundações 
urbanas: estudo de 
caso dos danos de 
inundação em Porto 
Alegre - RS 
Valéria Borges Vaz UFRGS 2015 Estudo de 
caso 
Estudos sobre 
Inundações e 
Impactos Ambientais 
Análise comparativa 
dos mapeamentos de 
suscetibilidade à 
inundação, nas sub-
bacias Rio da Prata do 
Mendanha e 
Campinho 
André Luiz da Silva 
Filho 
UFRRJ 2022 Observação 
de dados 
Estudos sobre 
Inundações e 
Impactos Ambientais 
Mapeamento 
geoecológico da 
suscetibilidade a 
enchente associada à 
dinâmica de uso 
cobertura da terra na 
bacia hidrográfica do 
Rio da Guarda - RJ 
Pâmela Suelen 
Pereira 
UFRRJ 2021 Estudo de 
caso 
19 
 
Estudos sobre 
Inundações e 
Impactos Ambientais 
A heterogeneidade e 
as mudanças na 
paisagem da bacia 
hidrográfica dos rios 
Iguaçu-Sarapuí (RJ) 
Wallace de Araújo 
Menezes 
UFRRJ 2018 Estudo de 
caso 
Análises de Políticas 
Públicas e 
Desenvolvimento 
Sustentável 
Políticas públicas 
para o 
desenvolvimento 
rural sustentável: 
estudo de caso do 
Programa Rio Rural 
Helga Restum Hissa UFRRJ 2020 Análise 
documental 
Modelos de 
Precipitação e Análise 
Hidrológica 
Aplicação do Índice 
Padronizado de 
Precipitação (SPI) e 
de Vazão (SSI) para 
análise de eventos de 
seca na bacia do Rio 
Suaçuí Grande/MG 
Gabriela Soares 
Pereira 
UNIFEI 2022 Observação 
de dados 
 
Sobre as Universidades, identifica-se que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
(UFRGS) (n:4) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) (n:4), são as 
Universidades que mais produziram trabalhos com esta abordagem (8 dos 10 estudos). A 
UFRGS, aborda temas com ênfase na percepção dos riscos e desastres em assentamentos 
precários deixando claro que através de um olhar antropológico é possível identificar as áreas 
sujeitas a desastres naturais e auxiliar na proposição das Políticas Públicas mais adequadas a 
cada local. Já a UFRRJ, demonstra um olhar mais específico nas questões geoecológicas, com 
predominância de características físicas e fatores condicionantes quanto aos riscos de 
inundações. São estudos realizados em populações de regiões de alta propensão para desastres 
naturais, cujos conhecimentos são aplicados à implementação das políticas públicas voltadas 
ao desenvolvimento rural sustentável. 
Em relação ao método utilizado nos estudos observa-se maior prevalência do formato 
Estudo de caso representado por 50% (n:5) dos trabalhos analisados, seguido da pesquisa 
quantitativa e qualitativa com 20% (n:2) e observação de dados presente em 20% (n:2), por 
último, com apenas 10% (n:1) de representação encontra-se a análise documental. 
Ainda se citou em 6 dos 10 trabalhos analisados que as enchentes causam não apenas 
perdas materiais, mas que também representam uma ameaça à saúde pública, resultando na 
disseminação de doenças, além dos impactos psicológicos como ansiedade e depressão entre as 
famílias afetadas. Um dos problemas identificados em 05 dos 10 trabalhos analisados é a falta 
de planejamento estratégico eficiente, onde foi verificado que ações de mitigação dos desastres 
promovem intervenções concentradas espacialmente, enquanto as áreas mais carentes e 
periféricas têm sua vulnerabilidade aumentada pela ausência de intervenções públicas ou ainda 
20 
 
intervenções individuais mal dimensionadas que geram a falsa sensação de segurança 
(ROCHA, 2023; KORMANN, 2022; RIETH, 2017; VAZ, 2015; FORESTI, 2015). 
Um dos trabalhos citou que, contudo, deve-se refletir sobre a importância dos sistemas 
de proteção contra inundações para segurança da população e quanto ao uso de áreas de risco, 
que exigem soluções que merecem ser pensadas e planejadas a partir de múltiplos olhares e 
saberes (VAZ, 2015). Embora haja reconhecimento da importância de planos de emergência e 
prevenção, eles não estão sendo implementados de forma abrangente. Dois dos trabalhos 
analisados identificaram que a Gestão Pública preconiza a resposta pós desastre, deixando de 
investir em políticas de prevenção e mitigação que minimizariam os danos. Ademais, o 
levantamento de dados e análise bibliográfica do estudo, apontam que muitas áreas vulneráveis 
continuam sem ações preventivas adequadas (VAZ, 2015; RIETH, 2017). 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
As enchentes encontram-se entre os desastres naturais que se caracterizam por alta 
frequência e baixa severidade em termos de óbitos, mas sendo responsáveis por grande 
proporção de danos à infraestrutura local, às habitações e às condições de vida das comunidades 
e das sociedades de baixa renda. Isto não exclui a possibilidade de que, principalmente por 
incapacidade de desenvolver estratégias de prevenção e mitigação, ocorram eventos com grande 
número de óbitos, como no caso do Rio Grande do Sul (FREITAS; XIMENES, 2012). 
A análise das condições que propiciam desastres naturais, como as inundações em Nova 
Friburgo, destaca a necessidade de uma abordagem integrada e participativa na gestão de riscos. 
Embora exista uma Política Nacional direcionada para a mitigação de desastres, a 
implementação em nível municipal enfrenta desafios significativos, como a falta de articulação 
entre os diversos atores e a baixa participação da população. Esse cenário demonstra que, para 
que as políticas de gestão de risco sejam efetivas, é imprescindível promover a inclusão da 
comunidade nas discussões e nas decisões que afetam diretamente seu cotidiano. (ROCHA, 
2023) 
Um dos principais achados do estudo de Foresti (2015) é a importância de desenvolver 
uma Tecnologia Social de Resiliência que esteja alinhada com a cultura local e as necessidades 
específicas da comunidade. Isso implica em não apenas aplicar soluções pré-estabelecidas, mas 
adaptar as intervenções de acordo com a realidade de cada território, incluindo os moradores 
direta e indiretamente envolvidos, criando uma situação de pertencimento social, pode atribuir 
maior efetividade na gestão de riscos. A promoção de políticas públicas que priorizem o acesso 
21 
 
da população adstrita as oportunidades de trabalho, a construção de redes de apoio e a remoção 
de áreas de risco pode contribuir significativamente para aumentar a resiliência da população 
diante de desastres sócio naturais (FORESTI, 2015). 
Além disso, as transformações na cobertura do solo e a impermeabilização das 
superfícies têm mostrado ser fatores cruciais que agravam a vulnerabilidade das áreas urbanas. 
A falta de infraestrutura adequada, como esgotamento sanitário e coleta de lixo, acentua os 
impactos negativos das inundações. Nesse sentido, um planejamento urbano que respeite e 
preserve os recursos naturais se torna vital. É necessário implementar práticas que favoreçam a 
permeabilidade do solo e a conservação da vegetação, reduzindo assim a suscetibilidade a 
inundações (RIETH, 2017; VAZ, 2015). 
A análise das dissertações e teses abordadas permitiu uma reflexão aprofundada sobre 
a gestão pública no contexto de enchentes e desastres no Rio Grande do Sul. Constatou-se uma 
carência de planejamento estratégico e políticas públicas integradas e eficazes que contemplem 
tanto a prevenção quanto a mitigação dos impactos das enchentes nas comunidades mais 
vulneráveis. A falta de coordenação entre os diversos atores e a ausência de estratégias de longo 
prazo se refletem na fragilidade das ações preventivas, limitadas a intervenções pontuais e 
insuficientes em áreas de risco (VAZ, 2015). 
Este estudo também revela a importância da implementação de uma gestão de riscos 
que considere as especificidades de cada localidade, reforçando a necessidade de programas 
adaptados às realidades sociais, econômicas e ambientaislocais. Isso inclui desde o 
fortalecimento de infraestrutura básica, como saneamento e drenagem urbana, até a 
conscientização da população sobre os riscos associados ao uso inadequado do solo e à 
ocupação de áreas de enchente (RIETH, 2017). 
Este trabalho se restringiu à análise de dissertações e teses disponíveis na internet o que 
limitou a abrangência dos resultados, uma vez que publicações em periódicos nacionais não 
foram consideradas. Essa limitação pode ter impactado a representatividade dos achados, dado 
que a literatura científica publicada em revistas especializadas oferece um panorama mais 
atualizado e aprofundado sobre o tema. 
Apesar destas limitações, acredita-se a pesquisa aponta para a relevância da elaboração 
do planejamento estratégico por parte da coordenadoria de defesa civil e outros órgãos afins de 
desenvolver estratégias de prevenção bem como de apoio as famílias vítimas das enchentes para 
que as falhas apontadas no decorrer da pesquisa sejam minimizadas, e por outro lado, as 
famílias afetadas possam ter uma melhor condução do problema e assim evitar os prejuízos de 
ordem financeira, social, e /ou de saúde, que de alguma forma também é afetada (VAZ, 2015). 
22 
 
Recomenda-se ainda que futuras pesquisas possam expandir o escopo de análise, 
incluindo publicações em periódicos nacionais, o que contribuirá para uma compreensão mais 
ampla e atualizada das práticas e desafios na gestão de desastres em todo o país. Estudos 
comparativos entre diferentes regiões também podem fornecer insights valiosos sobre a eficácia 
das políticas de gestão de riscos implementadas em contextos diversos. Além disso, 
investigações com metodologias empíricas, que incluam dados de campo e a percepção das 
comunidades afetadas, podem enriquecer a produção acadêmica sobre o tema. Sugere-se que 
novas pesquisas sejam realizadas em diferentes regiões do país, de forma a se comparar o apoio 
dado pelo governo nos mais diversos locais. 
 
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