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CERTIFICAÇÃO SÉRIE ISO 14000- GESTÃO 
AMBIENTAL 
 
 
1 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
SUMÁRIO 
 
1 - PRINCÍPIOS DA AUDITORIA AMBIENTAL ........................................................ 4 
1.1 - O MEIO AMBIENTE E AS EMPRESAS ........................................................... 5 
1.2 - Empresas e contaminação .................................................................................. 6 
1.3 - Fatores externos que induzem respostas das empresas .............................. 8 
1.3.1. O papel do Estado (a regulação formal) ......................................................... 8 
2 - A COMUNIDADE LOCAL (REGULAÇÃO INFORMAL) .................................. 11 
2.1 - O PAPEL DO MERCADO ................................................................................. 11 
2.2 - OS FORNECEDORES ...................................................................................... 12 
3 - PASSIVO AMBIENTAL ......................................................................................... 12 
3.1 - CLASSIFICAÇÃO E MENSURAÇÃO ............................................................. 17 
3.2 - IMPORTÂNCIA DO PASSIVO AMBIENTAL NAS EMPRESAS ................. 20 
4 - AUDITORIA ............................................................................................................. 21 
4.2 - CONCEITOS E OBJETIVOS ............................................................................ 24 
4.3 - ORGANISMOS REGULADORES E NORMAS DE AUDITORIA ................ 26 
4.4 - CLASSES DE AUDITORIA ............................................................................... 30 
4.4.1 - AUDITORIA AMBIENTAL .............................................................................. 31 
4.4.1.1 - OBJETIVOS .................................................................................................. 36 
4.4.1.2 - FUNÇÕES E TIPOS DE AUDITORIA AMBIENTAL ............................... 37 
5 - OUTRAS AUDITORIAS ........................................................................................ 39 
5.1 - VANTAGENS E DESVANTAGENS ................................................................. 42 
5.2 - PROCEDIMENTOS E ETAPAS ....................................................................... 45 
6 - AUDITORIA COMPULSÓRIA .............................................................................. 49 
7 - DIRETRIZES PARA AUDITORIA AMBIENTAL ................................................ 52 
8 - PERÍCIA .................................................................................................................. 54 
 
 
3 
8.1 - NOÇÕES BÁSICAS – PERÍCIA E PERITOS ................................................ 55 
8.1.1 - O PERITO ......................................................................................................... 58 
8.1.2 - RESPONSABILIDADES DO PERITO ......................................................... 61 
8.1.3 - ESCUSA DA PERÍCIA ................................................................................... 61 
8.1.4 - REQUISITO TÉCNICO ................................................................................... 61 
8.1.5 - NECESSIDADE DE 02 PERITOS ................................................................ 62 
8.2 - MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADAS NAS PERÍCIAS ............................. 62 
8.2.1 - ETAPAS DA PERÍCIA AMBIENTAL ............................................................ 63 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 65 
 
 
 
 
4 
1 - PRINCÍPIOS DA AUDITORIA AMBIENTAL 
A Auditoria Ambiental é 
uma ferramenta que permite às 
empresas atingir e manter a 
eficácia da gestão ambiental em 
qualquer empresa por meio de um 
plano de ação completo e 
abrangente. Usando de 
perspicácia, os auditores 
conseguem apontar tanto as 
deficiências existentes como as 
futuras, prevenindo gastos mais elevados no futuro. 
Dentre os objetivos da auditoria ambiental podemos citar a detecção de 
vulnerabilidades ambientais em se tratando de conformidade, riscos, imagem e 
sustentabilidade, o que acontece por meio da observação em campo 
(qualitativa), levantamento de documentos, reuniões com equipe e elaboração 
de diagnóstico conclusivo da auditoria ambiental baseado nestas informações. 
As empresas que possuem em seu quadro uma equipe de auditores 
competentes e experientes ou que contratem este serviço de empresas 
especializadas contam com um excelente apoio para produzir um retrato fiel da 
realidade, que servirá de base para proceder a ações corretivas, estratégicas e 
preventivas em prol da saúde da organização. 
Neste momento, nosso foco será, então, a auditoria ambiental 
propriamente dita, o que passa necessariamente por saber classificar e 
mensurar o passivo ambiental. Não poderíamos nos furtar a pincelar a Perícia 
Ambiental, outra especialidade de grande interesse de organizações 
empresariais, órgãos públicos e sociedade de maneira geral. 
Perícia é definida como exame realizado por técnico, ou pessoa de 
comprovada aptidão e idoneidade profissional, para verificar e esclarecer um 
fato, ou estado ou a estimação da coisa que é objeto de litígio ou processo, que 
 
 
5 
com um deles tenha relação ou dependência, a fim de concretizar uma prova ou 
oferecer o elemento que necessita a justiça para poder julgar (CUNHA; 
GUERRA, 2004). Observemos que sem uma perícia, dificilmente haverá 
punição, quer administrativa, criminal ou civilmente. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha 
como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, 
fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os 
temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos 
científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma 
compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos 
clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o 
caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo 
modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao 
longo dos estudos. 
1.1 - O MEIO AMBIENTE E AS EMPRESAS 
 
As empresas são as responsáveis principais pelo esgotamento e pelas 
alterações ocorridas nos recursos naturais, de onde obtêm os insumos que serão 
utilizados para obtenção de bens a serem utilizados pelas pessoas. Essa 
atividade de grande utilidade realizada pelas organizações, no entanto, nos 
 
 
6 
últimos anos está quase ficando num segundo plano em função dos problemas 
ambientais causados pelas indústrias; estesimagem da empresa junto ao público, à comunidade e ao setor 
público; 
d) provisão de informação à alta administração da empresa, evitando-lhe 
surpresas; 
e) assessoramento aos gestores na implementação da qualidade 
ambiental na empresa; 
f) assessoramento à alocação de recursos (financeiro, tecnológico, 
humano) destinados ao meio ambiente na empresa, segundo as necessidades 
de proteção do meio ambiente e as disponibilidades da empresa, descartando 
pressões externas; 
g) avaliação, controle e redução do impacto ambiental da atividade; 
h) minimização dos resíduos gerados e dos recursos usados pela 
empresa; 
i) promoção do processo de conscientização ambiental dos empregados. 
 
Como vantagens da auditoria ambiental temos: 
a) ajuda a proteger o meio ambiente interno e externo da empresa; 
b) identifica e documenta o cumprimento de políticas, diretrizes e 
padrões ambientais; 
 
 
44 
c) identifica e documenta o cumprimento da legislação ambiental; 
d) ajuda a evitar ou minimizar o uso de recursos naturais; 
e) conduz a melhorias no desempenho ambiental da unidade 
auditada; 
f) aumenta a conscientização e a responsabilidade ambiental de 
dirigentes e empregados; 
g) fornece garantias à administração superior quanto ao 
gerenciamento correto das responsabilidades ambientais; 
h) melhora a imagem institucional da empresa; 
i) protege a empresa contra eventuais ações de responsabilidade 
civil; 
j) melhora a higiene e a segurança dos empregados; 
k) permite obter taxas de seguro mais vantajosas; 
l) facilita a obtenção de cobertura de seguro por danos ambientais; 
m) atribui crédito positivo à direção da unidade auditada quando há um 
bom desempenho ambiental; 
n) facilita o intercâmbio de dados e informações ambientais entre 
unidades auditadas; 
o) permite avaliar a evolução do tratamento das questões ambientais 
por unidade auditada (OLIVEIRA FILHO, 2002). 
Evidentemente que existem desvantagens, a saber: 
a) não pode ser implantada e mantida sem um gasto considerável; 
b) exige a alocação de empregados especializados ou a contratação 
de serviços de terceiros; 
 
 
45 
c) pode levar a uma falsa imagem da empresa se não houver cautela 
na interpretação e divulgação dos resultados; 
d) poderá ocasionar uma falsa sensação de segurança ambiental, em 
especial se a auditoria foi realizada de maneira incompleta ou por auditores 
inexperientes (OLIVEIRA FILHO, 2002). 
5.2 - PROCEDIMENTOS E ETAPAS 
Segundo Braga et al. (1996), a auditoria ambiental está caracterizada de 
acordo com três elementos fundamentais, que são: 
1. a coleta de dados e informações existentes nas organizações; 
2. a avaliação dos dados coletados, tendo como ponto de apoio a 
experiência, as normas e os padrões técnicos inerentes à profissão; 
3. o relatório, com base na análise dos dados colhidos, apontando as 
conclusões e recomendações. 
De uma forma geral, a utilização da ferramenta “auditoria ambiental” 
presta-se, em um primeiro plano, ao acompanhamento da evolução e qualidade 
de um Sistema de Gestão Ambiental; por outro lado, quando uma empresa não 
possui um SGA, a auditoria ambiental poderá ser efetuada baseando-se na 
documentação que originou o licenciamento ambiental. 
De acordo com Juchem (1995), torna-se difícil a atuação da auditoria 
ambiental dentro de uma organização que não disponha de um SGA. Mesmo 
assim, as auditorias ambientais isoladas e desvinculadas de uma gestão 
ambiental podem ser feitas para casos específicos como, por exemplo, para fins 
de incorporação ou compra e venda de empresas; por exigências de companhias 
seguradoras ou bancos financiadores; para atender dispositivos legais 
específicos. 
Juchem (1995) enfatiza que o processo de auditoria ambiental em maior 
escala, envolvido com a gestão ambiental da empresa, em muitos casos vai 
 
 
46 
muito além dos itens acima citados e, em geral, deverá ser efetuado com uma 
certa periodicidade. 
Jones (s.d apud Ferreira, 1999) diz que a auditoria ambiental visa 
identificar os problemas relacionados com a produção, com a operação de 
processos ou até mesmo com a prestação de serviços, para que os possíveis 
problemas ambientais sejam sanados antes que se tornem exigências dos 
organismos de fiscalização da área ambiental, dos investidores, das instituições 
financeiras ou das companhias de seguro. A auditoria ambiental tem um caráter 
nitidamente preventivo e constitui um instrumento fundamental para o 
aperfeiçoamento do SGA das organizações. 
De acordo com Viterbo Júnior (1998), as empresas devem sempre manter 
programas e procedimentos definidos para que, considerando-se a política 
ambiental da organização, periodicamente, possam efetuar-se as auditorias 
preventivas no sistema de gestão ambiental, de forma a: 
➢ verificar a adequação da implantação do sistema de gestão 
ambiental e se há manutenção constante do mesmo; 
➢ determinar se o sistema de gestão ambiental está de acordo com 
as disposições planejadas, inclusive com os requisitos das normas de proteção 
ambiental; 
➢ subsidiar a administração, para fins deliberativos, através dos 
resultados das auditorias efetuadas. 
O programa para efetivação dos trabalhos da auditoria ambiental, 
inclusive o cronograma das atividades, deverá ter por base a relevância 
ambiental das atividades da organização, envolvendo, também, os resultados 
anteriores respaldados nos relatórios de auditoria (VITERBO JÚNIOR 1998). 
Na concepção de Gilbert (1995), para que um programa de auditoria 
possa testar a eficácia de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), ele deve 
abordar pelo menos os seguintes fatores: 
 
 
47 
a) as atividades e áreas específicas a serem avaliadas, inclusive: 
➢ a estrutura organizacional, funções e responsabilidades; 
➢ os procedimentos de operação e administração das atividades; 
➢ as atividades e processos na área de trabalho; 
➢ os procedimentos operacionais e registros; e, 
➢ o desempenho ambiental. 
b) o cronograma da atividade de auditoria ambiental. As auditorias são 
estabelecidas com base na importância da atividade e no resultado de auditorias 
ambientais anteriores; 
c) definições de quem é responsável pela atividade de auditoria em cada 
área; 
d) definições dos critérios para a equipe que realiza as auditorias 
ambientais. Os auditores devem ser independentes das áreas que estão sendo 
avaliadas; possuir alguma perícia na disciplina relevante e ser apoiados por 
especialistas sempre que necessário; 
e) o protocolo para realização da auditoria ambiental, ou seja, a ordem 
dos eventos, coleta de indícios e registro de conclusões; 
f) o procedimento para relatórios das conclusões da auditoria ambiental 
aos responsáveis pela área ou atividade avaliada e a identificação dos 
responsáveis pelas ações corretivas relacionadas às deficiências relatadas. O 
relatório deve incluir: conformidade ou não conformidade do SGA com as 
exigências; eficácia do SGA no cumprimento de objetivos e alvos; 
acompanhamento das conclusões de auditorias anteriores e conclusões e 
recomendações. 
Segundo vários autores que descrevem o processo completo das 
auditorias ambientais, essa se compõe basicamente de três etapas que se 
 
 
48 
assemelham às auditorias financeiras: preparação ou pré-auditoria; instalação 
ou atividade de campo (auditoria propriamente dita); e, a atividade de pós-
auditoria ou registro das constatações/ relatório (SILVA; ASSIS, 2003). 
Começa-se por estabelecer os objetivos determinados pelos auditados, 
delimitam-se o campo de atuação e de realização, o objeto a ser auditado e o 
período de sua realização (escopo). A partir dos objetivos e escopo, 
estabelecem-se os critérios correspondentes às políticas, práticas, 
procedimentos ou regulamentos (legais ou organizacionais) para a coleta de 
evidências da auditoria. Na pré-auditoria, serão determinados os recursos 
humanos, físicos e financeiros a serem utilizados. Pararealização do 
planejamento, os auditores deverão considerar as informações sobre controles 
internos e analisar o ambiente de trabalho. 
A auditoria propriamente dita, compreende a coleta, análise e avaliação 
das evidências, que serão antecedidas de reunião para apresentação da equipe 
e do plano, estabelecido preliminarmente, aos auditados. Os procedimentos 
adotados, durante esta fase, incluirão a análise de documentos; observação das 
atividades da empresa e entrevista. 
A última fase compreenderá a apresentação dos resultados de maneira 
formal e escrita, datada e assinada pelo auditor líder. Medidas corretivas deverão 
ser apresentadas com base nas conclusões da auditoria e com classificação de 
acordo com sua relevância no caso de inserção da auditoria em programa ou 
sistema de gestão ambiental empresarial. 
Os instrumentos adotados na realização deste tipo de auditoria, 
semelhantes às auditorias financeiras, incluem técnicas de entrevistas, técnicas 
de amostragem e notas de trabalho, listas de verificação detalhadas, registros 
de controles usados pelos auditados com padrões estabelecidos pela legislação 
ou organização. 
Fundamentalmente, a grande diferença entre a prática atual de auditorias 
ambientais e financeiras encontra-se no objeto de estudo a se auditado, pois a 
primeira propõe-se a examinar de forma sistemática os tratamentos dispensados 
 
 
49 
aos ecossistemas, e a segunda preocupa-se com os registros patrimoniais do 
sistema produtivo. 
Observa-se que a prática das auditorias ambientais limita-se aos 
ecossistemas e, apesar de serem realizadas por equipes multidisciplinares, dela 
são excluídos os contadores e administrativos da entidade (SILVA; ASSIS, 
2003). 
6 - AUDITORIA COMPULSÓRIA 
Talvez a modalidade de auditoria ambiental que mais traz um resultado 
importante e eficaz, na preservação do meio ambiente, seja a auditoria 
compulsória. 
Compulsória significa obrigatória. Ao tornar exigível a auditoria ambiental 
para determinados empreendimentos, estaremos estabelecendo um novo 
conceito de preservação ambiental, já que a função primordial da auditoria 
ambiental compulsória é avaliar as condições ambientais da empresa, 
fornecendo subsídios e condições ao empreendedor de detectar os problemas 
antes que eles eventualmente aconteçam, evitando que se transformem em 
enormes passivos ambientais, que poderão trazer altos custos, quer seja ao 
balanço da empresa ou ao próprio meio ambiente (DALL'AGNOL, 2008). 
A auditoria ambiental compulsória é aquela que é legalmente exigida por 
um órgão governamental, mediante lei. Tem sido uma experiência positiva para 
alguns estados que a implantaram como é o caso de Minas Gerais, Espírito 
Santo e Rio de Janeiro, dentre outros. 
A auditoria ambiental compulsória tem o reconhecimento dos mais 
variados segmentos da sociedade pelo seu potencial preventivo, já que 
demandam técnicos capacitados e especialistas na área ambiental, auditores 
treinados e qualificados, que poderão contribuir para uma avaliação eficaz das 
condições da empresa auditada. Revelam também a possibilidade de conter 
eventuais deficiências na cadeia do sistema produtivo, auxiliando na prevenção 
de danos futuros. 
 
 
50 
O principal elemento motivador de uma auditoria ambiental compulsória é 
a verificação do atendimento à legislação de referência e, ao mesmo tempo, a 
identificação das oportunidades de melhoria no conjunto produtivo com a 
elaboração de um plano de ação pró-ambiente. Nesse sentido, a auditoria 
ambiental compulsória vem se consolidando para se tornar um instrumento legal 
de apoio à fiscalização, ao licenciamento ambiental e, principalmente, à 
implantação das ações propostas nos Termos de Ajustamento de Conduta, 
sejam eles impostos pelos órgãos ambientais, seja pelo Ministério Público, que 
é o agente fiscalizador. 
À primeira vista pode parecer até arbitrária a imposição de uma auditoria 
ambiental à organização, mas a curto ou médio prazo a relação custo/benefício 
demonstrará que a relação de causa e efeito, a responsabilização administrativa 
e civil, pelo dano ambiental que porventura vier a ser constatada, poderá ser 
infinitamente mais onerosa, ainda que sem prejuízo da responsabilidade penal 
pelo evento danoso. 
A auditoria ambiental compulsória, pela elaboração do relatório de 
auditoria, adquire, também, especial importância, a posteriori, para o 
acompanhamento da evolução desses compromissos assumidos pela empresa, 
facilitando, assim, a realização das vistorias de fiscalização. 
Importante retomar a questão da relevância da disponibilização para 
consulta pública do Relatório de Auditoria Ambiental, adotado como padrão de 
referência no ofício de controle da gestão ambiental, já que elaborado por 
profissionais competentes e quase sempre por uma equipe independente de 
auditores com autonomia, credibilidade e isenção. 
A realidade é que, ainda é tímida a postura por parte dos órgãos 
ambientais na fiscalização de potenciais poluidores. De igual forma, não há 
auditores profissionais capacitados sobrando no mercado, justamente porque 
não há demanda, já que inexiste o hábito, por parte dos gestores empresariais, 
de buscar auditorias voluntárias, o que acaba por se tornar prejudicial ao meio 
ambiente. 
 
 
51 
É passível de verificação que em empresas que investiram na divulgação 
de seus resultados ambientais, passaram a adquirir maior credibilidade perante 
o mercado, tornando-se referência para outras empresas, assim como 
fortaleceram sua imagem perante os acionistas e representantes de instituições 
técnico-científicas, propiciando uma melhor imagem e, consequentemente, uma 
maior confiabilidade. 
Há boas perspectivas com relação à ampliação da legislação envolvendo 
ou determinando auditorias ambientais compulsórias em todo território nacional, 
estando inclusive tramitando projeto de lei para sua instituição em empresas com 
determinado risco ou produto. O estado, por sua vez, tem se socorrido de 
algumas assessorias particulares, mas na grande maioria das vezes, buscam-
se nas universidades as auditorias ambientais independentes (DALL'AGNOL, 
2008). 
Indubitavelmente, a auditoria ambiental compulsória é a ferramenta que 
melhor representa a instrumentalização do princípio da prevenção. Contudo, a 
sua aplicação nos termos da nossa legislação vigente, acaba por gerar uma 
problemática significativa, de ordem Constitucional, pois cria um impasse de 
grandes proporções quando passam a um conflito direto com as Garantias 
Fundamentais Constitucionais, quais sejam, a proteção do meio ambiente e a 
garantia de que nenhuma pessoa, física ou jurídica, é obrigada a fazer prova 
contra si. 
Por certo, a auditoria ambiental compulsória, devidamente 
regulamentada, haverá de se transformar em um dos mais eficientes 
instrumentos da efetiva aplicação prática do princípio da prevenção ambiental: 
6.1 - por ser uma ferramenta de uso prático e adequado a qualquer 
empreendimento, podendo seus resultados ser vislumbrados de imediato; 
6.2 - porque passa a ser uma ferramenta de gestão ambiental de baixo 
custo e com possibilidade de aplicação por qualquer companhia, numa relação 
direta custo/benefício, o que se torna bem atrativo para o empreendimento, 
considerando seu resultado preventivo; 
 
 
52 
6.3 - pela importância da preservação ao meio ambiente natural, já 
que serão aplicadas justamente nas indústrias, nas empresas citadas como os 
entes com maior potencial poluidor ao meio ambiente. 
É importante uma discussão que contemple uma mudança legislativa e 
que considere a possibilidade de apresentação e divulgação dos resultados da 
auditoria, por meio de seus relatórios, sem que estes sejam levados em 
consideração para efeitos de incriminação das empresas que os produziram. A 
proposição seria de criar uma espécie de anistia, pelo menos por um tempo, e 
para determinadas empresas, dandoespecialização feito com o objetivo de obter prova ou opinião 
para orientar uma autoridade formal no julgamento de um fato. É conhecimento 
e experiência das coisas. A função pericial é, portanto, aquela pela qual uma 
pessoa conhecedora e experimentada em certas matérias e assuntos examina 
as coisas e os fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre as coisas, 
essência e efeito da matéria examinada (ALBERTO, 2002). 
Segundo Sá (2006), a perícia pode ser classificada em três grupos dentro 
de sua área de atuação, sendo eles: a Perícia judicial, Perícia administrativa e 
Perícia especial. 
Nas perícias judiciais o perito é contratado por um juiz para verificar as 
reais situações de qualquer empreendimento que venha solicitar pedido de 
concordata. As perícias administrativas são utilizadas em verificações contábeis 
para apurar corrupção, fraudes, entre outros fatos que possam ocorrer e, as 
perícias especiais, têm como finalidade participar da realização de fusão de 
sociedades. 
Para Sá (2006), cada grupo classificado é utilizado para uma devida área, 
onde o Perito já iniciará seu trabalho direcionado ao que ele terá que analisar. 
No entanto, existem ainda quatro tipos de espécie de perícia em seu quadro de 
atuação. 
Este instrumento especial, a perícia, tem espécies distintas, identificáveis 
e definíveis segundo o ambiente em que é instada a atuar. São estes mesmos 
ambientes que delinearão características intrínsecas e as determinantes 
tecnológicas (o modus faciendi) para o perfeito atendimento do objeto e dos 
 
 
57 
objetivos para os quais se deve voltar. As espécies de perícia detectáveis diante 
o raciocínio acima são: a perícia judicial; perícia semijudicial; perícia extrajudicial; 
e, a perícia arbitral (SÁ, 2006, ALBERTO, 2002). 
A perícia judicial, realizada com enfoque dentro dos procedimentos 
processuais do poder judiciário, pode ser utilizada como meio de prova ou 
arbitragem devido suas finalidades precípuas no processo judicial. Será prova 
quando no processo de conhecimento ou de liquidação por artigos, tiver por 
escopo trazer a verdade real, demonstrável científica ou tecnicamente, para 
subsidiar a formação da convicção do julgador, e será arbitramento, quando 
determinado no processo de liquidação de sentença, tiver por quantificar 
mediante critério técnico a obrigação de dar em que aquele se constituir 
(ALBERTO, 2002, p. 53). 
A perícia semijudicial é policial nos inquéritos, parlamentares em 
comissões ou especiais e administrativo; tributária na administração pública 
tributária e conselhos de contribuintes. São classificadas em semijudiciais 
porque as autoridades policiais parlamentares ou administrativas tem algum 
poder jurisdicional, ainda que relativo e não com a expressão e extensão do 
poder jurisdicional classicamente enquadrável como pertencente ao poder 
judiciário, e, ainda, por estarem sujeitas as regras legais e regimentais que se 
assemelham as judiciais (ALBERTO, 2002). 
Perícia semijudicial é a área que atua dentro dos aparatos do estado, 
observando que ela atua fora do poder judiciário. Esta espécie de perícia 
subdivide-se segundo as finalidades intrínsecas para as quais foram designadas, 
em demonstrativos, discriminativos e comprobatórios. Assim, o dizemos porque, 
no primeiro caso, das demonstrativas, a finalidade para a qual se busca a via 
pericial é demonstrar a veracidade ou não do fato ou coisa previamente 
especificados na consulta; já no segundo caso, esta via é instada a colocar nos 
justos termos os interesses de cada um dos envolvidos na matéria 
potencialmente duvidosa ou conflituosa; e no terceiro caso, quando visa a 
comprovação das manifestações patológicas da matéria periciada, fraudes 
desvios e simulações. 
 
 
58 
Perícia extrajudicial é uma forma de análise que se subdivide de acordo a 
finalidade que venha a ser designado, porém realizadas fora do estado por 
escolha dos entes físicos ou jurídicos particulares. 
Já a perícia arbitral subdividiu-se em probante e decisória, segundo se 
destine a funcionar como meio de prova do juízo arbitral, como subsidiadora da 
convicção do árbitro, ou é ela própria a arbitragem, ou seja, funciona seu agente 
ativo como o próprio árbitro da controvérsia (ALBERTO, 2002). 
A perícia arbitral ocorre quando uma situação é criada por vontade das 
duas partes, e não se enquadrando nas perícias judiciais e extrajudiciais 
(NOGUEIRA, 2010). 
8.1.1 - O PERITO 
Uma vez conhecidas as definições de perícia, Almeida (2009) conceitua 
o perito como sendo o profissional legalmente habilitado, idôneo e especialista, 
convocado para realizar uma perícia. O mesmo autor, utilizando as definições do 
dicionário Aurélio, conclui que o perito traduz as qualidades de experiente, 
experimentado, prático, versátil, sabedor, hábil, especialista. 
Podem ser peritos judiciais os profissionais de nível superior, que 
comprovarão sua especialidade na matéria que irão opinar, mediante certidão 
do órgão profissional em que estiverem inscritos. O Artigo 145, § 1º (CPC), com 
a redação dada pela Lei 7.270/84 reafirma que “os peritos serão escolhidos entre 
profissionais de nível universitário”. 
Desta forma, podemos inferir que a perícia judicial ambiental, por ser 
multidisciplinar, poderá ser realizada por qualquer profissional de nível superior, 
capacitado para tal, e que tenha registro em conselho de classe, exemplos: 
biólogos, tecnólogos ambientais, engenheiros, geólogos, geógrafos, químicos, 
além de advogados, economistas, administradores, que tenham especialização 
na matéria ambiental. 
Com relação às possibilidades de atuação do perito judicial, Juliano (2007, 
p.09) explica que estes peritos nomeados pelo juiz poderão atuar na justiça 
 
 
59 
federal ou estadual. O juiz poderá responder por uma ou mais varas, situação 
frequente em regiões compostas por pequenos municípios que dispõem cada 
um de uma vara cível. O juiz é responsável por duas ou mais varas, também, 
nos casos de férias de outros juízes, ou quando preenche função nos períodos 
entre a data em que um juiz deixa o cargo e a data em que outro assume a 
titularidade. Nesses casos, são chamados de “juízes substitutos”. Tudo que 
ocorre nas varas de justiça cível, se aplicam nas varas federais, sendo assim, as 
condições de mercado são diversas ao perito judicial. 
Quanto à responsabilidade e perfil do profissional da perícia judicial 
ambiental, Kaskantzis (2003 apud JULIANO, 2005), explica que ele deverá ser: 
leal, diligente, honesto, escrupuloso, cuidadoso, sincero e imparcial. Deve 
também, é claro, apresentar um trabalho de boa qualidade. Ainda utilizando-se 
as palavras da Kaskantzis, pode-se compreender que diligências, são todas as 
atividades necessárias à confecção do laudo. As diligências podem ser: ida a 
arquivos públicos em busca de documentos, a fim de averiguar fatos de que a 
perícia trata ou pretende fundamentar as conclusões do laudo; ouvir testemunho 
de pessoas que viram ou acompanharam os fatos; vistorias, registradas ou não, 
com fotos; Reunião com os assistentes técnicos das partes. 
De acordo com Juliano (2005), as palavras de Kaskantzis são 
fundamentais, porque não existe exclusividade nos serviços do perito, pois o 
mesmo não é um funcionário da justiça, sendo assim, nada obriga o juiz a 
continuar nomeando um profissional que presta um serviço aquém do que ele 
deseja. Da mesma forma, caso o juiz seja promovido para outro fórum, e o 
trabalho seja de qualidade, o perito poderá ser nomeado neste novo fórum, 
podendo assim, aumentar seu campo de atuação. 
Com relação aos assistentes técnicos das partes, cada parte tem direito 
a nomear um assistente técnico cada uma para poder acompanhar o processo 
e a atuação do perito nomeado pelo juiz. Juliano (2005, p.17) explica que cada 
assistente técnico elabora um laudo, assim como o perito, sobre o mesmo 
assunto. Nada impede que osassistentes técnicos assinem juntos o laudo do 
 
 
60 
perito, quando concordam com ele. Eles também podem expressar a 
concordância com o laudo do perito através de petições ou pareceres isolados 
Ainda com relação à diferenciação entre perito e assistente técnico, é 
importante complementar as informações com relação aos motivos de suspeição 
e escusa que o perito e os assistentes técnicos estão sujeito. 
De acordo com o § único – redação pela Lei 8.455/92 – “A escusa será 
apresentada no prazo de cinco dias, contados da intimação ou do impedimento 
superveniente ao compromisso, sob pena de se reputar renunciando o direito a 
alegá-la”. 
O perito verificará se há algum impedimento ou suspeição legal. Os 
motivos de suspeição do perito são os mesmos dos juízes e os motivos podem 
ser assim exemplificados: se o perito for parte no processo; se estiver 
trabalhando no processo com outra função; se alguma das partes for parente 
seu, consanguíneo ou afim, em linha reta ou, na colateral, até o terceiro grau; 
quando pertencer a órgão que a parte é causa; não versar sobre a matéria da 
perícia; se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes; herdeiro 
ou empregador de alguma das partes; receber dádivas, antes ou depois de 
iniciado um processo; aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa; 
interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes (ROVERI; 
OLIVEIRA; PEREIRA, 2011). 
Por último, pode-se dizer que, diferentemente dos peritos e juízes, os 
assistentes técnicos não estão sujeitos a suspeição (Art. 422 do CPC). Sendo 
assim, podem apresentar parentesco com as partes e, até mesmo, trabalharem 
sem receber honorários. 
Quem paga os honorários do perito, é quem solicita a perícia no processo, 
já cada assistente será pago pelas partes que os contratou (ALMEIDA, 2008). 
Quanto a legislação vale lembrar alguns artigos: 
 
 
61 
8.1.2 - RESPONSABILIDADES DO PERITO 
Art. 112 CPP – incompatibilidades e impedimentos e nulidade. “O juiz, o 
órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os 
peritos, ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver 
incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se 
der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser arguido pelas 
partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição.” 
Art. 147 (CPP) – “o perito que, por dolo ou culpa, prestar informações 
inverídicas, responderá pelos prejuízos que causar à parte, ficará inabilitado por 
dois anos, a funcionar em outras perícias e incorrerá nas sanções que a lei penal 
estabelecer”. 
Art. 275 (CPP) – o perito, ainda que não oficial, estará sujeito à disciplina 
judiciária. 
Art. 564 (CPP), inciso III, alínea “b”, que “a nulidade ocorrerá nos 
seguintes casos...” 
8.1.3 - ESCUSA DA PERÍCIA 
Art. 160 (CPP) - o laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 
(dez) dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a 
requerimento dos peritos. 
Art. 161 CPP - o exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer 
dia e a qualquer hora. (escolha por caso). 
Art. 146 (CPP) – o perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que lhe 
assina a lei, empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escusar-se do 
encargo, alegando motivo legítimo. 
8.1.4 - REQUISITO TÉCNICO 
Nível Superior – artigo 159 § 1º (CPP) - “não havendo peritos oficiais, o 
exame será realizado por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso 
 
 
62 
superior, escolhidas, de preferência, entre as que tiverem habilitação técnica 
relacionada à natureza do exame”. § 2º “Os peritos comprovarão sua 
especialidade, na matéria que irão opinar, mediante certidão do órgão 
profissional em que estiverem inscritos”. 
Legislação dos Conselhos Regionais e Artigo 145, § 1º (CPC), com a 
redação dada pela Lei 7.270/84 diz que “os peritos serão escolhidos entre 
profissionais de nível universitário, (...)”, aplicando-se por analogia no caso do 
processo criminal. 
8.1.5 - NECESSIDADE DE 02 PERITOS 
O artigo 159 do CPP alterado pela Lei nº 8.862/94 – diz que os exames 
de corpo de delito e as outras perícias serão feitos por dois peritos oficiais. 
Súmula 361 (STF): no processo penal, é nulo o exame realizado por um 
só perito, considerando-se impedido o que tiver funcionado, anteriormente, na 
diligência de apreensão. 
Art. 180 (CPP). Se houver divergência entre os peritos, serão consignados 
no auto do exame, as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um 
redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; se 
este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por 
outros peritos. (normalmente para peritos nomeados). 
8.2 - MÉTODOS E TÉCNICAS APLICADAS NAS 
PERÍCIAS 
Os métodos e técnicas utilizados em uma Perícia Ambiental são definidos 
e aplicados no âmbito da vistoria, de acordo com o objeto de estudo do caso, e 
estão englobados nos procedimentos técnicos que o Perito Ambiental deve 
seguir para a execução da Perícia. 
Exemplos de métodos e técnicas aplicáveis na execução de Perícias 
Ambientais: 
a. medições e coleta de amostras para análise; 
 
 
63 
b. utilização de GPS para marcar pontos relevantes; 
c. registro fotográfico e entrevistas; 
d. confecção de croquis, por exemplo, croqui de localização da área, 
croqui de identificação de áreas direta e indiretamente afetadas, croqui 
demonstrando locais de coletas de amostras. 
8.2.1 - ETAPAS DA PERÍCIA AMBIENTAL 
A perícia possui três fases: 
1º. fase histórica – síntese das alegações e posições conflitantes das 
partes; 
2º. fase expositiva – a restauração da coisa sujeita a exame, com todos 
os dados pertinentes, as operações realizadas, fatos e circunstâncias ocorridos 
no curso das diligências; 
3º. fase conclusiva (parecer) – apresentando as respostas às 
indagações. 
O meio ambiente engloba os meios físico, químico e biológico. Assim, 
problemas ambientais podem afetar um ou mais meios, por exemplo, um aspecto 
de uma atividade pode causar poluição no ar, na água, no solo e prejudicar a 
fauna e flora local. Então, quando o Perito recebe o caso a ser estudado, ele 
precisa levantar quais foram os meios direta e indiretamente afetados por aquele 
problema e identificar os métodos que irá usar para quantificar a poluição e/ou 
contaminação. 
A grande maioria das Perícias Ambientais no Brasil está relacionada à 
água, ao lançamento de efluentes líquidos e à poluição de mananciais 
superficiais e subterrâneos pela disposição inadequada de resíduos sólidos. 
É importante frisar que como cada caso de Perícia Ambiental é diferente, cada 
Perícia irá envolver o levantamento dos métodos adequados ao estudo da 
mesma, o que pode ser facilmente realizado através de livros técnicos da área 
 
 
64 
ou, até mesmo, através de consulta à legislação específica. (Fonte: PORTAL 
EDUCAÇÃO) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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implementar um sistema de gestão que atenda à norma ISO 14001, a partir de 
um sistema baseado na norma ISO 9000. São Paulo: Aquariafia, 1998.problemas se tornam o aspecto 
mais visível, na maioria das vezes, de sua relação com o ambiente natural. No 
entanto, o papel de vilãs do meio ambiente que vêm desempenhando as 
empresas tem sua razão de ser, pois são poucas, proporcionalmente, aquelas 
que se preocupam e tornam mais eficientes ecologicamente os seus processos 
produtivos, como o demonstram os dados estatísticos mundiais e nacionais. E, 
mesmo quando o fazem, a iniciativa é tomada mais como uma resposta a uma 
exigência dos órgãos governamentais do que por assumirem uma postura de 
responsabilidade social ambiental. No entanto, o importante papel 
desempenhado por essas unidades produtivas é inegável e imprescindível, e 
somente com o avanço da adoção de Sistemas de Gestão por parte das 
empresas teremos uma perspectiva de rumarmos para um desenvolvimento 
minimamente sustentável (DIAS, 2009). 
1.2 - Empresas e contaminação 
A contaminação do meio 
ambiente natural pelas indústrias 
teve início com a Revolução 
Industrial no século XIX, e dessa 
época em diante o problema teve 
um crescimento exponencial, 
provocando inúmeras catástrofes 
ambientais que tiveram enorme 
repercussão local, regional e global. 
Ocorre que nos processos 
industriais os recursos naturais são 
empregados como insumos que, devido a ineficiências internas dos processos, 
geram resíduos de todo tipo, os quais obviamente contaminam o meio ambiente. 
O processo, além de gerar problemas de contaminação que afetam a saúde 
humana, pode também provocar a escassez de recursos naturais que são 
utilizados sem uma previsão da sua possibilidade de esgotamento. 
 
 
7 
A utilização privada do meio ambiente, que é um recurso comum, foi 
discutida pelo biólogo Garrett Hardin no artigo “A tragédia dos bens comuns”, no 
qual indica o destino ao qual parece estar condenado qualquer recurso que tem 
sua propriedade compartilhada. 
Os problemas de contaminação do meio ambiente são manifestações que 
se encaixam perfeitamente no raciocínio, como apontou o próprio Hardin (1968 
apud DIAS, 2009). 
De maneira inversa, a tragédia dos recursos comuns reaparece nos 
problemas de contaminação. Aqui o assunto não é retirar algo dos recursos 
comuns, mas colocar algo dentro – drenagens ou refugos químicos, radioativos 
ou térmicos na água; gases nocivos ou perigosos no ar; anúncios ou sinais 
perturbadores e desagradáveis na paisagem. Os cálculos dos benefícios são 
muito semelhantes aos que foram mencionados antes. O homem razoável 
descobre que sua parte dos custos dos desperdícios que descarrega nos 
recursos comuns é muito menor que o custo de purificar seus desperdícios antes 
de desfazer-se deles. Já que isto é válido para todos, estamos aprisionados em 
um sistema de ‘sujar nosso próprio ninho’, e assim prosseguiremos, embora 
atuemos unicamente como livres empresários, independentes e racionais. 
Quando se explora o meio ambiente, que é um bem comum, buscando o 
benefício privado, podem ser causados impactos ambientais que afetam 
negativamente o bem-estar de outras pessoas que não têm relação com quem 
os gera. Esses impactos constituem custos externos, ou externalidades, para as 
empresas. 
A contaminação ambiental, do ponto de vista econômico, se relaciona 
com a internalização dos custos externos (ou externalidades) ambientais por 
parte das empresas. Isto ocorre quando o gerador da externalidade não assume 
os custos e os transfere a terceiros na forma de contaminação ambiental. São 
custos ambientais que o empresário causa, mas que não assume, e que acabam 
diminuindo seus custos diretos (compra de matéria-prima, contratação de mão 
de obra, pagamento de capital, investimentos de melhoria nos processos, etc.), 
 
 
8 
já que não investe no processo produtivo para evitar a produção de resíduos 
contaminantes. Para si obtém uma vantagem a curto prazo que se assemelha, 
no exemplo de Hardin, ao pastor que vai agregando gado no pasto, e para a 
sociedade mais geral, o valor é negativo, pois se expressa na forma de 
esgotamento e deterioração dos recursos naturais, contaminação dos lençóis 
d'água, do ar e do solo, afetando a saúde pública. 
Ocorre que na falta de incentivos capazes de induzir à internalização dos 
custos ambientais por parte das empresas, elas somente interromperiam a 
geração de contaminações quando essas externalidades ambientais negativas 
deixassem de gerar benefícios privados. Segundo Hardin, uma das formas de 
ação possíveis é a utilização de leis coercitivas ou mecanismos fiscais que 
tornem mais barato para o contaminador tratar os resíduos antes de desfazer-se 
deles sem tratá-los. Ou seja, a regulação, as instituições ambientais, a pressão 
das comunidades e as exigências do mercado são formas de tornar mais 
conveniente ao empresário (e mais barata) a adoção de mecanismos prévios 
que evitem a contaminação. 
1.3 - Fatores externos que induzem respostas das 
empresas 
Há diversos fatores externos que provocam uma resposta das empresas 
no sentido de diminuir a contaminação. Entre eles, estão: o Estado, a 
comunidade local, o mercado e os fornecedores. 
1.3.1. O papel do Estado (a regulação formal) 
A legislação ambiental, juntamente com as instituições ambientais e as 
atividades de controle de contaminação realizadas por estas em todos os níveis, 
limitam a liberdade da empresa para contaminar. O Estado utiliza esses 
instrumentos legais com o objetivo de proteger a saúde das pessoas e o bem 
comum, representado pelo ambiente natural e os benefícios que causa à 
sociedade mais geral. 
A regulação formal pode ser classificada em dois grandes grupos: o tipo 
comando e controle, e outro que é a adoção de instrumentos econômicos. Pelo 
 
 
9 
primeiro método, mais tradicional, o Governo estabelece regulamentações para 
o uso dos recursos ambientais e passa a fiscalizar o cumprimento da legislação, 
punindo os eventuais infratores (multas e até o fechamento da empresa); baseia-
se, portanto, na pressão normativa de padrões estabelecidos. Logo, a decisão 
da empresa de reduzir ou não a contaminação dependerá da diferença entre os 
custos que poderão ser abatidos e o valor das multas ou dos custos de um 
fechamento temporário da empresa (DIAS, 2009). 
Pelo outro método, com a utilização dos instrumentos econômicos, os 
preços dos bens ambientais devem refletir, o mais corretamente possível, os 
valores que lhes sejam imputados pela sociedade, de forma que se possa cobrar 
adequadamente pelo uso desses bens, seja de forma direta, seja de forma 
indireta, via taxas, subsídios, etc. A empresa decide, por exemplo, entre 
contaminar e pagar a taxa, ou descontaminar e incorrer nos custos de redução 
da emissão de contaminantes. 
O fato é que nem sempre as medidas de controle da contaminação geram 
custos. As intervenções do governo que estimulam investimentos de controle ou 
de prevenção da contaminação, que geram custos iniciais, contribuem para 
melhorar as condições de competitividade das empresas e das cidades em que 
se situam. Para que isto ocorra, além dos benefícios ambientais, estes 
investimentos devem gerar também benefícios privados. Entre os benefícios 
privados estão os relacionados com o melhoramento das condições de 
competitividade das empresas. Eles, por sua vez, gerariam benefícios públicos 
adicionais como o aumento do emprego e do bem-estar social. 
Mas o Estado e o seu poder regulador não são o único incentivo que têm 
as empresas para melhorar seu desempenho ambiental. Além das pressões 
geradas pela regulação formal, há uma resposta ambiental das empresas com a 
diminuição da contaminação gerada motivada por diferentes fatores, entre os 
quais: pressões da comunidade, de diferentes grupos organizados, do mercado, 
dos consumidores, dos fornecedores, etc.(DIAS, 2009). 
Alguns exemplos da atuação do Estado no controle da poluição: 
 
 
10 
a) em novembro de 1995, a Fiat do Brasil foi multada em R$3,9 milhões 
pelo IBAMA por não atender aos padrões legais de emissões veiculares, que 
eram exigidos desde 1987 para os veículos novos que saíam das montadoras, 
que tinham de atender aos padrões do Programa de Controle da Poluição do Ar 
por Veículos Automotores (Proconve). Segundo o órgão do governo, o modelo 
Uno Mille Electronic utilizava dispositivos que mascaravam os níveis de emissão 
de poluentes e permitiam um maior rendimento do motor, o que provocou um 
aumento de emissão acima do permitido em lei (GRAMACHO, 1995); 
b) em setembro de 1995, a Rhodia Indústrias Químicas e Têxteis foi 
condenada por depositar lixo químico a céu aberto na região continental de São 
Vicente (SP). Segundo a sentença, a Rhodia teria que indenizar o Fundo de 
Reparação do Meio Ambiente do Estado de São Paulo em mais de 8 milhões de 
reais. Além disso, a empresa seria obrigada a remover os resíduos, isolar o solo 
contaminado e repor terra boa na superfície. Deveria também, enquanto 
houvesse possibilidade de contaminação, manter sob guarda as áreas afetadas 
para evitar ocupação humana. Ficaria ainda responsável pelo abastecimento de 
água à população, uma vez que os lençóis freáticos da região foram afetados 
(NUNES, 1995); 
c) a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão, no litoral 
paulista, recebeu, em 1995, multas num valor aproximado de um milhão de reais, 
por atrasos no cronograma de controle de suas fontes de poluição e 
irregularidades devido à má operação e manutenção de equipamentos de 
controle da poluição e do processo produtivo (SERRA, 1995); 
d) uma emissão de gás sulfídrico, em janeiro de 1996, na unidade de 
Suzano (SP) da fabricante de sais orgânicos Produquímica, provocou a morte 
de três operários e atingiu outros cinco, sendo que a empresa foi multada pela 
Cetesb em R$ 72 mil. Além da multa, foi determinada a paralisação do setor 
onde ocorreu o acidente. A mesma empresa, em 1993, havia sido autuada por 
importar cerca de 200 toneladas de resíduos da Inglaterra. A empresa trouxe o 
material como micronutrientes para fertilizante; no entanto, a Cetesb constatou 
a presença de metais pesados, como chumbo, cádmio e cromo. A presença de 
 
 
11 
metais havia sido identificada, anteriormente, pela entidade ambientalista 
Greenpeace, que fez a denúncia. O material foi devolvido à Inglaterra 
2 - A COMUNIDADE LOCAL (REGULAÇÃO INFORMAL) 
 
As comunidades locais onde estão localizadas as unidades empresariais 
cada vez mais se tornam importantes atores em relação aos problemas de 
contaminação, pois são as primeiras que sofrem as consequências da poluição, 
e em função disso apresentam uma capacidade de resposta mais rápida, 
afetando as decisões das empresas no que tange a um maior controle ambiental. 
Por outro lado, há um maior número de pessoas informadas sobre os 
processos produtivos e de contaminação envolvidos: membros da comunidade 
técnico-científica, intelectuais, educadores, jornalistas, membros de entidades 
ecológicas, entre outros, que encontram mecanismos legais para exigir do 
governo ou das empresas o cumprimento de suas responsabilidades ambientais. 
2.1 - O PAPEL DO MERCADO 
As empresas, de modo geral, operam em vários mercados, que podem 
ser tantos locais, regionais, nacionais ou em nível global. Há um crescente 
aumento da consciência ambiental, que varia em função de cada mercado. Os 
 
 
12 
países mais desenvolvidos, as regiões mais desenvolvidas de um mesmo país 
são os que mais consomem produtos ecológicos; isso envolve a reputação da 
empresa como benfeitora ou não do meio ambiente. 
 
 2.2 - OS FORNECEDORES 
Há um número crescente de empresas que são fornecedoras de outras 
que necessitam ter um bom desempenho ambiental em toda a sua cadeia 
produtiva, o que as obriga a fazerem exigências aos seus próprios fornecedores 
para que sejam portadores de certificações ambientais e se tornem unidades 
produtivas respeitosas com o meio ambiente. Deste modo, mesmo que uma 
empresa não sofra pressões diretas tanto do Estado, como da Comunidade, ela 
se vê obrigada a adotar ações ambientais que evitem a contaminação por ter 
como clientes empresas para as quais seu mercado consumidor exige 
integrarem uma cadeia produtiva ambientalmente correta. 
3 - PASSIVO AMBIENTAL 
Segundo Kraemer (2001), uma empresa tem Passivo Ambiental quando 
ela agride, de algum modo e/ou ação, o meio ambiente, e não dispõe de nenhum 
projeto para sua recuperação, aprovado oficialmente ou de sua própria decisão. 
Passivo Ambiental representa toda e qualquer obrigação de curto e longo 
prazo, destinadas única e exclusivamente a promover investimentos em prol de 
ações relacionadas à extinção ou amenização dos danos causados ao meio 
ambiente, inclusive percentual do lucro do exercício, com destinação 
compulsória, direcionado a investimentos na área ambiental. 
No Brasil, as regras contábeis e a literatura que envolve o Passivo 
Ambiental ainda é recente e some-se a isso, certas empresas têm atividades 
complexas dificultando o tratamento a ser dado no registro e na divulgação dos 
passivos ambientais. 
 
 
13 
Os passivos ambientais normalmente são contingências formadas em 
longo período, sendo despercebido às vezes pela administração da própria 
empresa, envolvendo conhecimento específico. Neste caso, não só a 
administração da empresa se envolve, nem a contabilidade, mas também 
advogados, juristas, engenheiros, entre outros. 
Normalmente, o surgimento dos passivos ambientais dá-se pelo uso de 
uma área, lago, rio, mar e uma série de espaços que compõem nosso meio 
ambiente, inclusive o ar que respiramos, e de alguma forma estão sendo 
prejudicados, ou ainda pelo processo de geração de resíduos ou lixos industriais, 
de difícil eliminação. 
Os Passivos Ambientais, conforme Ribeiro e Gratão (2000), ficaram 
amplamente conhecidos pela sua conotação mais negativa, ou seja, as 
empresas que o possuem agrediram significativamente o meio ambiente e, 
dessa forma, têm que pagar vultosas quantias a título de indenização de 
terceiros, de multas e para a recuperação de áreas danificadas. 
As autoras colocam como exemplo: 
➢ os gastos assumidos pela Exxon, no caso do acidente com o 
petroleiro Valdez, no Alaska; 
➢ o caso da Petrobrás, na década de 80, no qual a região de Cubatão, 
no interior do Estado de São Paulo, foi seriamente afetada pelo vazamento de 
óleo, que culminou com a explosão de várias moradias; e, 
➢ em janeiro de 2000, o vazamento nas instalações da mesma 
empresa que provocou o derramamento de milhares de litros do óleo no mar na 
Baía da Guanabara, causando a morte de várias espécies de aves e peixes, 
além de afetar seriamente a vida das populações locais que viviam da atividade 
pesqueira. 
Tais situações exigiram enormes gastos dessas empresas e, o que é pior, 
gastos imediatos, sem qualquer forma de planejamento, o que afeta 
drasticamente qualquer programação de fluxo de disponibilidades, 
 
 
14 
independentemente do porte da organização. Tão alto quanto os custos dos 
recursos físicos necessários para a reparação dos danos provocados pelas 
referidas situações, ou até mais, são os gastos requeridos para retração da 
imagem da empresa e de seus produtos, essencialmente, quando tais eventos 
são alvo da mídia e da atenção dos ambientalistas e ONGs. 
O IBRACON, segundo NPA 11 – Balanço e Ecologia – conceitua o 
Passivo Ambiental como toda agressão que se praticou/pratica contra o meio 
ambiente e consiste no valor dos investimentos necessários para reabilitá-lo, 
bem como multas e indenizações em potencial. 
O passivo ambiental, como qualquer passivo, está dividido em capital de 
terceiros e capital próprio, os quais constituem origens de recursos da entidade. 
Santos et al. (2001) citam os seguintes exemplos de origens: 
• bancos – empréstimos de instituições financeiras para investimento 
na gestão ambiental; 
• fornecedores – comprade equipamentos e insumos para o controle 
ambiental; 
• governo – multas decorrentes a infração ambiental; 
• funcionários – remuneração de mão de obra especializada em 
gestão ambiental; 
• sociedade – indenizações ambientais; 
• acionistas – aumento do capital com destinação exclusiva para 
investimentos em meio ambiente ou para pagamento de um passivo ambiental; 
• entidade – através de destinação de partes dos resultados (lucro) 
em programas ambientais. 
Com a dinâmica dos negócios, os passivos ambientais devem ser tratados 
com muita atenção e devem fazer parte da tomada de decisões das 
organizações na aquisição de outras empresas, na formação de cluster, nas 
 
 
15 
fusões, nas análises de riscos do negócio, na venda da empresa e na concepção 
de novos produtos, dentre outras transações pertinentes ao assunto. 
Passivo ambiental é todo gasto decorrente da conservação ou 
recuperação do meio ambiente. Nesse contexto pode-se citar: as multas 
decorrentes das infrações cometidas contra o meio ambiente, os investimentos 
em mão de obra especializada em gestão ambiental, campanhas populacionais 
através de programas de incentivo a conservação do meio ambiente, 
treinamentos dos funcionários, etc. com o intuito de preservar e recuperar o 
ambiente danificado ou que poderá vir a se danificar. 
Ribeiro (2005, p. 75 e 76) diz que passivo ambiental se refere aos 
benefícios econômicos ou aos resultados que serão sacrificados em razão da 
necessidade de preservar, proteger e recuperar o meio ambiente, de modo a 
permitir a compatibilidade entre este e ao desenvolvimento econômico ou em 
decorrência de uma conduta inadequada em relação a estas questões. 
A origem dos passivos ambientais ocorrem dentro de algumas empresas 
através das suas atividades operacionais que implicam na destruição ou 
consumo de elementos da natureza. Outros passivos ambientais podem surgir 
antecipadamente a um possível acidente ecológico e trazem um retorno positivo 
no sentido de reconhecimento social para a entidade. Outras ainda, não 
reconhecem as obrigações a partir do seu fato gerador o que provoca o não 
conhecimento dos possíveis efeitos que a degradação do meio ambiente poderá 
ocasionar em seu patrimônio (RIBEIRO, 2005). 
Obrigações de Passivos Ambientais decorre de três tipos, tais como: 
Legais ou Implícitas, Construtivas e Justas. 
• Legais ou Implícitas: as obrigações legais procedem de Legislação 
ou de uma outra forma prevista em Lei. Faz com que a empresa devolva ao meio 
ambiente o que ela utilizou no seu processo operacional. Por exemplo, uma 
indústria de papel que utiliza madeira como matéria-prima será obrigada a 
reflorestar o lugar onde essas árvores foram cortadas. Já as obrigações 
implícitas, decorrem de fatos ocorridos anteriormente que causaram danos ao 
 
 
16 
meio ambiente e, para evitar maiores gastos com multas, perda de credibilidade 
da empresa, etc., a mesma se antecipa ao fato e começa a investir na causa de 
recuperação dos danos causados. 
• Construtivas: parte da consciência da própria entidade, que 
pensando no bem-estar social, vai além das obrigações legais, trazendo para si 
um ótimo marketing e fazendo com que a empresa cresça na aceitação popular 
pelos seus feitos em prol da sociedade. Neste caso, podemos citar uma empresa 
que desembolsa dinheiro para projetos comunitários como, por exemplo: 
programas de coleta seletiva, ajuda para instalação de rede de esgoto e galerias 
pluviais. 
• Justa: comprovado que a empresa causa degradação do meio 
ambiente, é justo que a entidade faça a recuperação do mesmo. Ela pode até se 
antecipar aos danos e evitar tal destruição, mostrando com isso uma 
preocupação social e ética com o meio em que está inserida. Como exemplo 
podemos citar o caso de uma usina de cana de açúcar, antes do corte é feita a 
queimada da plantação, através da qual exala muita fuligem e faz com que polua 
o ar, trazendo consigo problemas respiratórios para os vizinhos da usina, uma 
posição justa para esse caso seria a empresa arcar com o tratamento para as 
pessoas afetadas. 
Ribeiro (2005) exemplifica várias formas que uma empresa poderia 
adquirir em seus relatórios um Passivo Ambiental, tais como: 
• fornecedores – contas a pagar – poderão ser contraídas a partir da 
compra a prazo de insumos e equipamentos antipoluentes; 
• salários e encargos trabalhistas – decorrentes de contratação de 
pessoal qualificado para desempenhar atividades relacionadas à prevenção ou 
recuperação ambiental; 
• provisões – deverão ser contabilizadas quando há possibilidade de 
gastos futuros decorrentes de multas ambientais, os valores deverão ser 
estimados com base nos eventos que poderão incorrer. 
 
 
17 
Os valores dos Passivos deverão ter todos os gastos possíveis para 
serem efetuados, e devem ser contabilizados a partir do momento que o fato 
gerador ocorrer. No caso de um gasto (custo/despesa) ambiental, o fato gerador 
fica caracterizado e passível de registro no consumo de recursos econômicos, 
para o registro como exigibilidade/obrigação, o fato gerador caracteriza-se ao 
assumir a obrigação, seja por força legal ou pelo conservadorismo. No caso das 
estimativas (provisões) ela poderá ser feita quando houver dificuldade de avaliar 
o total do Passivo Ambiental e terá como base as experiências anteriores da 
empresa ou conhecimentos sobre técnicas e legislação (RIBEIRO, 2005). 
 3.1 - CLASSIFICAÇÃO E MENSURAÇÃO 
De acordo com Paiva (2003), podem existir dois tipos de passivos 
ambientais, classificados por normais e anormais, sendo que os normais são 
gerados no processo produtivo, como por exemplo, fábricas que exalam por suas 
chaminés gases tóxicos e poluentes; uma maneira para amenizar essa exalação 
seria a utilização de filtros nas chaminés ou trocar os insumos por outros menos 
poluentes. Os passivos anormais são aqueles que não são previstos como, por 
exemplo, a liberação de gases poluentes ou líquidos ocasionados por um 
fenômeno natural (terremotos, maremotos, raios, etc.). 
Muitas vezes, ao nos referirmos ao Passivo Ambiental, temos a ideia de 
que o mesmo deverá ser mensurado dentro do Balanço Patrimonial. Mas 
segundo a NBC T 15 – Informações de Natureza Social e Ambiental, aprovada 
pelo CFC (Conselho Federal de Contabilidade) e também aceita por diversos 
outros órgãos como, por exemplo: o IBRACON e a CVM (Comissão de Valores 
Mobiliários) pela intercessão da Resolução 1.003/04 de 19 de agosto de 2004 
que entrou em vigor desde 1º de janeiro de 2006, eles podem também, ser 
representado em outros tipos de demonstrações. Ela deverá ser uma espécie de 
apêndice das demonstrações contábeis, não podendo fazer parte das notas 
explicativas e sim como objeto de comparação entre exercícios atuais e 
anteriores. Esta norma estabelece procedimentos para demonstração de 
informações ambientais e sociais e salienta que nenhuma organização está 
 
 
18 
obrigada a elaborar ou divulgar Informações de Natureza Social ou Ambiental, 
mas as que optarem, deve seguir as regras estabelecidas pela Norma citada. 
De acordo com o item 1.5.1.3. da Resolução CFC nº 1.003/04, a 
Demonstração de Informações de Natureza Social e Ambiental, ora instituída, 
quando elaborada, deve evidenciar os dados e as informações de natureza 
social e ambiental da entidade, extraídos ou não da contabilidade, de acordo 
com os procedimentos determinados por esta norma. 
Segundo a NBC T 15 (Informações de Natureza Social e Ambiental) as 
informações que possui caráter ambiental e social são: 
• interação com o meio ambiente; 
• interação da empresa com o meio externo; 
• os recursos humanos; 
• a geração e a distribuição de riquezas. 
Toda a responsabilidade pelas informações apresentadas nas 
demonstrações contábeis obrigatórias ou não, como é o caso de demonstrações 
acerca do Passivo Ambiental é do contador, que deverá estar devidamente 
registrado no CRC.Ainda de acordo com esta norma, as informações que estarão 
contemplando a Demonstração de Informações de Natureza Social e Ambiental 
são as seguintes: 
➢ investimentos e gastos com manutenção nos processos 
operacionais para a melhoria do meio ambiente; 
➢ investimentos e gastos com a preservação e/ou recuperação de 
ambientes degradados; 
➢ investimentos e gastos com a educação ambiental para 
empregados, terceirizados, autônomos e administradores da entidade; 
 
 
19 
➢ investimentos e gastos com educação ambiental para a 
comunidade; 
➢ investimentos e gastos com outros projetos ambientais; 
➢ quantidade de processos ambientais, administrativos e judiciais 
movidos contra a entidade; 
➢ valor das multas e das indenizações relativas à matéria ambiental, 
determinadas administrativa e/ou judicialmente; 
➢ passivos e contingências ambientais. 
Pode-se citar como exemplo de classificação a que a empresa 
PETROBRÁS utiliza em suas demonstrações contábeis. No seu Passivo, a 
empresa apresenta a conta Provisão para contingência a qual é detalhada em 
notas explicativas. Nesse caso, ela relata que a Provisão refere-se a 
envolvimentos em processos legais de diversas naturezas, inclusive ambiental, 
os quais foram provisionados em decorrência a acidentes que causaram a 
degradação/poluição do meio ambiente, os valores ali mencionados são os que 
a companhia poderia pagar de multas pelo ocorrido. 
O IBRACON recomenda que as contas do passivo ambiental tenham um 
grupo específico e sejam bem identificadas. Por exemplo, se a empresa solicita 
um empréstimo para aquisição de materiais de prevenção de acidentes 
ambientais, esse empréstimo deverá ser contabilizado de forma a evidenciar sua 
utilização como passivo ambiental, sem que se confunda com empréstimos para 
atividades operacionais. Dessa forma, o usuário terá mais facilidade em 
visualizar e tomar as decisões necessárias. Infelizmente, muitas vezes essa 
recomendação não vem sendo cumprida pelas empresas, tornando assim a 
identificação de seus passivos ambientais muito difíceis e trabalhosas, 
principalmente nos processos de auditoria. 
Uma maneira de serem mensurados os passivos ambientais é proposta 
por Ribeiro (2005, p. 112-113), que determina a evidenciação em subgrupo 
específico das exigibilidades, se forem não relevantes os seus valores e 
 
 
20 
componentes deverão ser descritos em notas explicativas e em caso de ser 
relevante ele deverá fazer parte do Balanço Patrimonial e terá uma conta 
especifica. A autora coloca ainda que em caso de obrigações não passíveis de 
mensurações, estas deverão também constar em notas explicativas 
esclarecendo o porquê da não mensuração e a data de quando essa 
exigibilidade deverá ser quitada. E para os casos de provisões, também deverá 
ser apresentado em notas explicativas devendo conter em sua apresentação “a 
natureza e a estimativa dos gastos ambientais, as incertezas relativas à sua 
realização e o momento de possível realização”. 
3.2 - IMPORTÂNCIA DO PASSIVO AMBIENTAL NAS 
EMPRESAS 
Atualmente, muitos bancos e 
financiadoras nacionais e internacionais 
tais como BID (Banco Internacional 
Desenvolvimento), BIRD (Banco 
Internacional para a Reconstrução e 
Desenvolvimento), IFC (Corporação 
Financeira Internacional), entre outros, 
estão exigindo que as entidades tenham 
projetos de preservação e recuperação 
do meio ambiente, para só assim 
liberarem os créditos solicitados pela empresa. É necessário saber o quanto a 
entidade é confiável e respeita o meio ambiente. No caso de uma entidade 
agredir a natureza no seu processo industrial e não recuperar os danos 
causados, os créditos não são liberados, pois provavelmente essa empresa 
sofrerá algum tipo de autuação e multas, afetando assim sua credibilidade. 
Nesse sentido, temos o ISO (International Organization for 
Standardization) 14000 que foi criado para orientar gestores de empresas muito 
poluidoras, inclusive auditores e fiscais. Ele visa à melhoria do desempenho nas 
empresas procurando implantar um sistema de gestão ambiental, através de 
diretrizes, nas quais se inclui o planejamento, estruturação, desenvolvimento e 
 
 
21 
implementação de um sistema de gestão ambiental. Todas as empresas que tem 
um grande grau de poluição devem possuir o ISO 14000 para que tenha um 
maior credenciamento perante o governo e a sociedade. Através disso, surgiu à 
auditoria ambiental. 
A evidenciação das contas do passivo ambiental se tornou uma 
importante ferramenta de gestão, pois elas influenciam na compra, venda, 
incorporação e outros tipos de ações entre empresas, pois danos causados 
anteriormente podem recair sobre o novo proprietário. Ele funciona como um 
elemento de decisão no sentido de identificar, avaliar e quantificar posições, 
custos e gastos ambientais potenciais que precisam ser atendidos a curto, médio 
e a longo prazo. 
O Passivo Ambiental muitas vezes é visto como algo negativo para com 
as empresas que o possuem, por estarem relacionados com danos ao meio 
ambiente. Mas ele pode estar evidenciando medidas de prevenção ou até 
mesmo recuperação de algum dano inevitável, como é o caso do reflorestamento 
realizado pelas empresas de papel, mostrando assim, a preocupação em cuidar 
do meio ambiente. Dessa forma, nota-se que em sua grande maioria, a presença 
do passivo ambiental no balanço das empresas pode ser algo positivo. 
A Petrobrás é uma dessas empresas que investem na preservação do 
meio ambiente. Seus investimentos já passaram da marca de 36 milhões em 
projetos ambientais (CARDOSO et al., 2010). 
4 - AUDITORIA 
A evolução do sistema 
capitalista, com a expansão do 
mercado e, consequentemente, o 
aumento da concorrência, fez com 
que as empresas antes fechadas, 
pertencentes a grupos familiares, 
ampliassem suas instalações 
fabris e administrativas, investindo 
 
 
22 
no desenvolvimento tecnológico e aprimorando os controles e procedimentos 
internos em geral, visando reduzir custos tornando mais competitivos os seus 
produtos no mercado. 
E assim, tem-se o surgimento da auditoria, definida, segundo Sá (1998, 
p. 25), como tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, 
demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, 
visando a apresentar opiniões, conclusões, críticas e orientações sobre 
situações ou fenômenos patrimoniais de riqueza aziendal, pública ou privada, 
quer ocorridos, quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados. 
Outras influências que possibilitaram o desenvolvimento da auditoria 
foram: 
✓ instalações de filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras; 
✓ financiamento de empresas brasileiras através de entidades 
internacionais; 
✓ crescimento das empresas brasileiras e necessidade de 
descentralização e diversificação de suas atividades econômicas; 
✓ evolução do mercado de capitais; 
✓ criação das normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central 
do Brasil, em 1972; 
✓ criação da Comissão de Valores Mobiliários e da lei das 
Sociedades Anônimas em 1976. 
 
4.1 - EVOLUÇÃO 
Primeiramente, para compreender o conceito de Auditoria Ambiental, é 
necessário entender a origem da auditoria, proveniente das demonstrações 
financeiras, através das quais ela se originou. As demonstrações financeiras 
 
 
23 
eram informações elaboradas por escrito, destinadas a apresentar a terceiros, 
alheios à empresa, sócios ou interessados, a situação patrimonial e sua 
evolução. 
A auditoria, sobretudo, almejava informar aos usuários que critérios foram 
adotados em sua elaboração e apresentar parecer de terceiros sem relação 
direta com a empresa, atestando com fidedignidade que tais demonstrações 
refletiam a situação do patrimônio e sua evolução durante o período a que se 
referiam. 
Com base nisso, pode-se dizer que a auditoria sempre teve como função 
prover demonstrações financeiras, como o exame das mesmas,por um 
profissional independente, com a finalidade de emitir um parecer técnico sobre 
sua real situação. 
Fato é que ao buscarmos uma definição de auditoria nas mais diversas 
fontes, necessariamente somos remetidos à área contábil, inclusive fazendo 
coro com o que se encontra descrito pelo Oxford English Dictionary, que a define 
como: um exame oficial de contas, validado através de testemunhos e 
comprovantes. 
Ainda, se buscar no Reino Unido, considerado pela maioria dos escritores 
como o berço da auditoria, verificam-se os seguintes registros do que seriam 
auditoria e auditor na Enciclopédia Britânica, que numa tradução livre quer dizer: 
• auditoria é o exame das contas feitas pelos funcionários financeiros 
de um estado, companhias e departamentos públicos ou pessoas físicas, e a 
certificação de sua exatidão. Nas ilhas Britânicas, as contas públicas eram 
examinadas desde há muito tempo, embora, até o reinado da Rainha Elizabeth, 
de maneira não muito sistemática. Anteriormente, a 1559, esse serviço era 
executado, às vezes, por auditores especialmente designados, e outras por 
auditores da receita pública, ou pelo auditor do tesouro, cargo criado por volta 
de 1314. Mas, em 1559, um esforço foi feito para sistematizar a auditoria das 
contas públicas, pela indicação de dois auditores para examinar os pagamentos 
a servidores públicos. 
 
 
24 
4.2 - CONCEITOS E OBJETIVOS 
A grande utilidade da Auditoria é atestada por seus fins tão variadíssimos, 
tais como: 
➢ certificação e comprovação da exatidão dos fatos contábeis e 
administrativos (patrimoniais), através do seu registro; 
➢ identificação dos fatos e comprovação de sua propriedade no 
patrimônio da sociedade auditada; 
➢ identificação e comprovação do tempo decorrido e/ou de 
existência, bem como do valor de efetivos fatores de mensuração dos fatos, 
tendo em vista o aspecto dinâmico do patrimônio; 
➢ sugestões e orientações para administração do patrimônio das 
entidades auditadas; 
➢ identificação de eventuais falhas no controle, com intuito de saná-
las, a fim de proteger o patrimônio contra fraudes; 
➢ pesquisas com o objetivo de gestão ao longo do tempo; em bases 
comparativas de valores e efeitos destes; 
➢ avaliação da eficácia e eficiência decorrentes dos atos e fatos 
administrativos e/ou contábeis e sobre estes; 
➢ identificação de riscos decorrentes do negócio que venham a afetar 
ou afetem o patrimônio; 
➢ identificação da capacidade de equilíbrio financeiro e econômico da 
entidade auditada; 
➢ reorganização de uma empresa; 
➢ determinação de limites de seguros, análise de custos, fusão, cisão 
e incorporação de empresas. 
 
 
25 
Definidos esses fins, pode-se estabelecer um conceito para a matéria 
Auditoria; como sendo um conjunto de técnicas de observações e exames, 
aplicados de forma sistemática, que no contexto do auditado, visa opinar sobre 
sua situação, sobre sua riqueza, quando este for o caso, ou sobre funções ou 
áreas específicas componentes do patrimônio do auditado. 
Há, ainda, sobre o conceito de auditoria uma variada gama de autores 
que se posicionam, sendo relevante frisar a observação feita por D’Ippolito 
(1967): 
A expressão revisão, conforme leva a entender o termo auditoria, dentro 
do que é estritamente aceitável na prática, foi adotada em um sentido mais 
amplo, sugerindo um significado também mais ampliado em relação ao seu 
significado etimológico, o qual resultaria num pensamento de que, auditoria seria 
apenas um exame e análise retrospectiva dos atos e fatos contábeis e 
administrativos. Porém, na verdade, não é apenas isso, abrangendo também, 
previsões sobre as futuras mutações patrimoniais, as expectativas sobre a 
ocorrência destas no tempo e no espaço futuros e os seus possíveis efeitos no 
patrimônio do auditado. A revisão, por excelência, é a atividade que se apresenta 
das mais difíceis para os profissionais, bem como para os gestores da empresa 
auditada. Ela requer, sobre quem deva ser feita, em relação ao tempo e ao 
espaço e em relação aos atos e fatos auditados, para atestar sua eficiência, certa 
profundidade na preparação teórica nos campos de administração, da economia 
em geral e, ainda, um conhecimento mais aprofundado do campo jurídico e do 
direito no contexto das relações de negócios e de mercados, envolvendo, 
também, em muitos casos, extremo conhecimento tecnológico e de negócios em 
geral. 
Para Franco e Marra (2000), auditoria é a técnica que consiste no exame 
de documentos e registros, inspeções, obtenção de informações e confirmações 
externas e internas, obedecendo a normas e procedimentos apropriados, 
objetivando verificar se as demonstrações contábeis representam 
adequadamente a situação nelas demonstrada de acordo com os Princípios 
 
 
26 
Fundamentais de Contabilidade e normas de contabilidade, de maneira 
uniforme. 
4.3 - ORGANISMOS REGULADORES E NORMAS DE 
AUDITORIA 
Segundo Pinho (2007), a atividade de auditoria no Brasil caracteriza-se 
pela regulamentação governamental. Em decorrência da abrangência das 
atividades subordinadas a estes organismos e pelo poder de fiscalização que 
lhes é conferido, é possível classificar como principais reguladores os seguintes: 
• Conselho Federal de Contabilidade – CFC; 
• Instituto dos Auditores Independentes do Brasil – IBRACON; 
• Comissão de Valores Mobiliários – CVM; 
• Banco Central do Brasil – BACEN. 
Em caráter restrito, também regulam a atividade as seguintes instituições: 
• Instituto dos Auditores Internos do Brasil – AUDIBRA; 
• Secretaria da Previdência Complementar – SPC; 
• Superintendência de Seguros privados – SUSEP; 
• Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais; 
• Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB. 
Pinho (2007) nos lembra que ao contrário do Brasil, a auditoria em 
diversos países é autorregulamentada, ou seja, por intermédio de entidades 
criadas pelos próprios profissionais, são estabelecidas as regras da atividade. 
Mas também existem entidades governamentais que fiscalizam o trabalho dos 
profissionais. 
Como exemplo, temos: 
 
 
27 
✓ International Federation of Accoutants – IFAC; 
✓ American Institute of Certified Public Accoutants – AICPA; 
✓ Canadian Institute of Certified Accoutants – CICA; 
✓ Japanese Institute of Certified Public Accoutants – Jicpa. 
As normas têm finalidade de estabelecer os padrões técnicos e de 
comportamento, visando alcançar uma situação coletiva e individualmente 
desejável. Na auditoria, estas normas objetivam qualificação na condução dos 
trabalhos e garantia de atuação suficiente e tecnicamente consistente do auditor 
e do parecer diante dos usuários da mesma (ATTIE, 1998). 
Normas são regras práticas que visam a orientar o profissional na 
consecução dos objetivos traçados para determinado trabalho. 
No Brasil, em decorrência da forte regulamentação governamental, as 
normas vigentes foram emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), 
resultando de um processo evolutivo que tem proporcionado, gradativamente, a 
aproximação com as normas internacionais do International Federation of 
Accountants (IFAC). 
Abaixo temos elencadas as normas brasileiras e internacionais que 
representam o principal conjunto de regras. 
➢ Resolução CFC nº 678/90 – revisão especial das informações 
trimestrais (ITR) das Companhias Abertas. 
➢ Resolução CFC nº 750/93 – princípios fundamentais da 
Contabilidade. 
➢ Resolução nº 1054/05 – carta de responsabilidade da 
administração. 
➢ Resolução nº 986/03 – da Auditoria Interna. 
 
 
28 
➢ Resolução CFC nº 781/95 – normas Profissionais do Auditor 
Interno. 
➢ Resolução CFC nº 820/97 – normas Independentes das 
Demonstrações Contábeis, com alterações e dá outras providências. 
➢ Resolução CFC nº 821/97 – normas profissionais de Auditor 
Independente. 
➢ Resolução CFC nº 1024/05 – papéis de Trabalho e documentação 
da Auditoria.➢ Resolução CFC nº 830/98 – parecer dos Auditores Independentes 
sobre as Demonstrações Contábeis. 
➢ Resolução CFC nº 836/99 – fraude e erro. 
➢ Resolução CFC nº 1040/05 – transações e eventos subsequentes. 
➢ Resolução CFC nº 851/99 – regulamentação do item 1.9 da NBC P 
1 – Normas Profissionais de Auditor Independente. 
➢ Resolução CFC nº 1091/07 – revisão Externa de Qualidade pelos 
pares. 
➢ Resolução CFC nº 1036/05 – supervisão e Controle de Qualidade. 
➢ Resolução CFC nº 961/03 – regulamentação dos itens 1.2 – 
Independência e 1.6 – Sigilo. 
➢ Resolução CFC nº 1035/05 – planejamento de Auditoria. 
➢ Resolução CFC nº 976/03 – honorários de Auditoria. 
➢ Resolução CFC nº 981/03 – relevância na Auditoria. 
➢ Resolução CFC nº 1074/06 – normas de Educação Continuada 
para Auditores. 
 
 
29 
➢ Resolução CFC nº 1012/05 – amostragem. 
➢ Resolução CFC nº 1077/06 – exame de Qualificação Técnica para 
Registro no Cadastro Nacional de Auditores Independentes (CNAI). 
➢ Resolução CFC nº 1019/05 – dispõe sobre o Cadastro Nacional de 
Auditores Independentes (CNAI). 
➢ Resolução CFC nº 1022/05 – contingências. 
➢ Resolução CFC nº 1023/05 – utilização de Trabalhos de 
Especialistas. 
➢ Resolução CFC nº 1034/05 – independência. 
➢ Resolução CFC nº 1037/05 – continuidade Normal das atividades. 
➢ Resolução CFC nº 1038/05 – estimativas Contábeis. 
➢ Resolução CFC nº 1039/05 – transações com partes Relacionadas. 
➢ Instrução CVM nº 308/99 – Atividade de Auditoria Independente no 
Âmbito do Mercado de Valores Mobiliários. 
Normas internacionais: 
➢ NIA 100 – define Auditoria das Demonstrações Contábeis. 
➢ NIA 200 – estabelece os princípios básicos da auditoria. Define 
responsabilidade de auditor/administração da entidade. 
➢ NIA 300 – prevê o plano global de auditoria e o planejamento de 
cada trabalho, de forma que seja realizado eficazmente. Trata ainda da 
necessidade de conhecer o negócio e observar a relevância dos eventos. 
➢ NIA 400 – trata do ambiente de controle, riscos inerentes, riscos de 
controle e riscos de detecção. 
 
 
30 
➢ NIA 500 – define o que são as evidências de auditoria e os atributos 
básicos das mesmas, quais sejam: suficiente e apropriada. Considera como 
procedimentos básicos para obtenção de evidências a inspeção, a observação, 
a indagação e confirmação, o cálculo e os procedimentos analíticos. 
➢ NIA 600 – dá orientação quanto ao uso do trabalho de outro auditor. 
Trata da possibilidade de cooperação entre auditores, das considerações sobre 
o parecer nesta situação e da divisão de responsabilidades. 
➢ NIA700 – aborda os elementos básicos do Parecer e orienta acerca 
de informações de dados comparativos. 
➢ NIA 800 – trata de trabalhos relacionados às Demonstrações 
Contábeis. 
➢ NIA 900 – estabelece procedimentos para serviços correlatos: 
revisão, compilação e procedimentos pré-acordados. 
➢ NIA 1000 – procedimentos de confirmação interbancárias (PINHO, 
2007). 
4.4 - CLASSES DE AUDITORIA 
As classes de auditoria variam de acordo com o tratamento que se dá ao 
objeto da mesma, decorrendo, portanto, das diferentes necessidades, podendo 
mudar de processos, que não se deve admitir como autonomia, mas, sim, como 
derivação de um mesmo método. 
 
 
 
31 
Numa classificação geral teríamos: 
Quanto a: 
Processo 
indagativo 
1.Geral ou de balanços; 
2.Analítica ou detalhada. 
Forma de 
intervenção 
1.Interna; 
2.Externa ou independente. 
Tempo 1.Contínua; 
2.Periódica. 
Natureza 1.Normal; 
2.Especial. 
Limite 1.Total; 
2.Parcial. 
Fonte: Sá (1998, p.44) 
4.4.1 - AUDITORIA AMBIENTAL 
A auditoria ambiental surgiu da necessidade de averiguar se as empresas 
estavam cumprindo todos os preceitos exigidos pela legislação ambiental. Em 
seguida, teve sua evolução voltada para se tornar uma ferramenta para o 
desenvolvimento empresarial e a preservação ambiental (KINLAW, 1997). 
Cavalcanti (2008 apud HATJE, 2009) define auditoria como sendo o 
processo de confrontação entre uma situação encontrada com um determinado 
critério, ou seja, a comparação entre o fato ocorrido com o que deveria ocorrer. 
A Auditoria Ambiental especificamente pode ser definida como um 
instrumento de gestão que permite fazer uma avaliação sistemática, 
 
 
32 
documentada e periódica das atividades de uma organização, para controlar e 
minimizar seus impactos sobre o meio ambiente, visando uma melhoria contínua 
do seu desempenho (VALLE 2004; MARTINI; GUSMÃO, 2003). 
De acordo com a NBR ISO 14010, auditoria ambiental é o processo 
sistemático e documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de 
forma objetiva, evidências de auditoria para determinar se as atividades, 
eventos, sistema de gestão e condições ambientais especificados ou as 
informações relacionadas a estes estão em conformidade com os critérios de 
auditoria, e para comunicar os resultados deste processo ao cliente. 
Segundo Sales (2001), a auditoria ambiental é o procedimento sistemático 
através do qual uma organização avalia suas práticas e operações que oferecem 
riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para averiguar sua 
adequação a critérios preestabelecidos (usualmente requisitos legais, normas 
técnicas e/ou políticas, práticas e procedimentos desenvolvidos ou adotados 
pela própria empresa ou pela indústria na qual é aplicada). 
Voltando a Kinlaw (1997), este diz que a Auditoria Ambiental funciona 
como uma coleta sistemática de dados que podem ser usados para determinar 
o impacto total de um sistema na forma do input proveniente do meio ambiente 
ou do output lançado para o meio ambiente. 
Amaral (s.d apud Viegas, 1997) coloca o conceito da Auditoria Ambiental, 
definida pela Confederação de Indústrias Britânicas, como um exame 
sistemático das interações que surgem entre determinadas operações de 
negócios e seu ambiente interno e externo, incluindo-se todos os danos 
ambientais causados, principalmente na atmosfera, terra e água. 
Já na concepção de Valle (1995) e Wilson (1992), a auditoria ambiental é 
definida como uma ferramenta de gestão que permite fazer uma ponderação 
sistemática, periódica, documentada e objetiva dos sistemas de gestão e do 
desempenho dos equipamentos instalados em uma organização, para fiscalizar 
e limitar o impacto de suas atividades sobre o meio ambiente. 
 
 
33 
A auditoria ambiental é a avaliação sistemática, periódica, documentada 
e objetiva das operações e práticas realizadas em uma organização em relação 
às exigências ambientais, resultando em uma opinião ou julgamento (BRAGA et 
al., 1996). 
Segundo Ribeiro (1998), a auditoria ambiental é um instrumento de gestão 
direcionado ao atendimento dos métodos e procedimentos utilizados na 
operacionalização do controle e conservação do meio ambiente, levando-se em 
consideração os parâmetros estabelecidos no sistema de gestão ambiental da 
organização, visando à continuidade da empresa sem agressão ao meio 
ambiente. 
Para Woolston (1993 apud OLIVEIRA FILHO, 2002), auditoria ambiental 
é uma ferramenta de gestão, compreendendo uma avaliação sistemática, 
documentada, periódica e objetiva, visando a gestão empresarial e a proteção 
ambiental, com o intuito de: 
• facilitar o controle gerencial no que diz respeito às decisões que 
envolvam as práticas ambientais; 
• considerando as políticas adotadas pelas empresas, efetuar 
constantes reuniões para discutir as necessidades da organização. 
A auditoria ambiental pode ser definida como o processo de avaliação das 
empresas de acordo com as leis e regulamentos ambientais, bem como com os 
procedimentos e políticas das organizações (PRICE WATERHOUSE, 1994 apud 
OLIVEIRA FILHO, 2002). 
Considerando-se a diversificação das opiniões na literatura, de forma 
resumida, pode-se concluir que a auditoria ambiental é uma ferramenta de 
controle destinada a fazer uma análise preliminar em toda a organização, a fim 
de destacaras áreas que necessitarão de uma revisão mais detalhada, através 
de um programa estruturado e sistemático, objetivando averiguar se o Sistema 
de Gestão Ambiental (SGA) está condizente com a política ambiental da 
empresa e com a legislação em vigor. Face ao exposto, pode-se afirmar que a 
 
 
34 
auditoria ambiental é um instrumento de previsão e prevenção de possíveis 
danos ambientais. 
A auditoria, para atender à necessidade de informação sobre as 
empresas, começou a desenvolver estudos, principalmente com base em fato 
ocorrido na Índia com a empresa Union Carbide, cuja tragédia resultou em 
centenas de mortes devido ao vazamento de gases. As ações da empresa 
despencaram nas Bolsas de Valores, inclusive porque as famílias afetadas pela 
tragédia deveriam ser indenizadas, o que levou à venda da empresa por um valor 
substancialmente menor do que ela valia antes do acidente. 
Mais recentemente, tragédia parecida aconteceu no Alaska (EUA), com o 
vazamento de óleo no mar, provocado pela empresa Exxon. Também neste 
caso, o impacto foi sentido no preço das ações. Nos dois casos, percebeu-se 
que ambas as empresas não tinham em suas demonstrações contábeis, nem 
sequer sob a forma de notas explicativas, nenhuma menção aos prováveis riscos 
em que elas estavam incorrendo com a poluição do meio ambiente e quanto à 
consequente necessidade de indenizar pessoas ou governos, ou ainda quanto a 
gastos de recuperação ambiental pelos danos causados por atividades de sua 
responsabilidade (FERREIRA, 2007). 
Desses fatos resultaram preocupações, principalmente nas empresas de 
auditoria, que deveriam atestar se as demonstrações contábeis estavam de 
acordo com os princípios de contabilidade e com a legislação, mas que, até 
aquele momento, não consideravam em suas análises as contingências relativas 
ao meio ambiente. A auditoria, entretanto, é uma análise a posteriori e, inclusive, 
passiva. 
O fato ocorre, polui-se e depois atesta-se que o passivo ambiental foi 
considerado nas demonstrações contábeis através de provisões ou reservas 
para contingências, conforme o caso. 
Essas informações, entretanto, são muito pobres em se tratando de 
gestão ambiental voltada para o desenvolvimento sustentável. Além disso, a 
contabilidade não pode esquecer-se de seus dois postulados, o da Entidade e o 
 
 
35 
da Continuidade, que justificam outra abordagem contábil para o problema do 
meio ambiente. 
Nota-se, contudo, um esforço para que a auditoria possa ser mais um 
instrumento de gestão ambiental. Para isso, foram desenvolvidos padrões de 
ações e de processos relativos às operações de empresas que causam impacto 
no meio ambiente. Esses padrões, decorrentes inicialmente das normas 
britânicas (BS 5750), resultaram na edição das normas ISO 14000, referentes a 
certificações sobre os padrões de qualidade para o meio ambiente. 
Os principais elementos da auditoria ambiental podem ser assim 
sintetizados: 
✓ identificar a mais importante das interações do meio ambiente da 
organização; 
✓ avaliar o grau dos impactos ambientais; 
✓ aprender sobre como negociar, reduzir ou melhorar os impactos da 
organização; 
✓ identificar uma lista de prioridades das interações para serem 
tratadas (isso se desenvolverá, em parte, dos dois primeiros elementos, e em 
parte, como resposta para mudanças reais e potenciais nas leis e nas atitudes 
da sociedade); 
✓ estabelecer políticas e padrões; 
✓ identificar responsabilidades; 
✓ montar equipes de treinamento; 
✓ mudar práticas e colocar as políticas em ação; 
✓ desenvolver um sistema de informações do meio ambiente; 
✓ monitorar e estimar o desempenho; 
 
 
36 
✓ avaliar desempenho e os padrões; 
✓ reavaliar esta lista, começando pelo início, numa base sistemática 
e contínua (GRAY s.d apud FERREIRA, 2007). 
4.4.1.1 - OBJETIVOS 
O principal objetivo da auditoria ambiental é auxiliar no processo de 
melhoria dos programas de controle ambiental, sendo importante o suporte e o 
comprometimento gerencial. Na grande maioria das vezes, constitui-se num dos 
mais importantes instrumentos de gerenciamento ambiental para prevenção do 
dano. 
Pode-se elencar, dentre tantos outros, alguns dos principais objetivos de 
uma auditoria ambiental, que auxilie em uma melhor compreensão de sua real 
aplicabilidade como instrumento de controle e prevenção ambiental. Quais 
sejam: 
a) permitir a investigação sistemática dos programas de controle 
ambiental de uma empresa; 
b) auxiliar na identificação de problemas ambientais futuros; 
c) verificar se a operação industrial está em conformidade com as normas 
e padrões mais rigorosos definidos pela empresa (DALL’AGNOL, 2008). 
 Enfim, a auditoria ambiental tem como objetivo caracterizar a situação da 
empresa para fornecer um diagnóstico atual no que diz respeito a poluição do 
ar, águas e resíduos sólidos, favorecendo a definição das ações de controle e 
de gerenciamento que deverão ser tomadas para proporcionar a sua melhoria 
ambiental. Ela fornece recomendações de ações emergenciais, de curto, médio 
e longo prazo que deverão ser tomadas para proporcionar a melhoria ambiental 
da empresa. De forma sucinta, pode-se dizer que a auditoria ambiental compara 
resultados com expectativas ambientais. 
 
 
37 
4.4.1.2 - FUNÇÕES E TIPOS DE AUDITORIA 
AMBIENTAL 
A ação ambiental impactante de uma entidade não se limita ao processo 
produtivo. Portanto, mesmo que a política ambiental aborde somente o processo 
produtivo em si, a auditoria ambiental, sempre que possível, deve incluir as suas 
entradas (matéria, energia e fornecedores), o processo produtivo em si e as 
saídas (produtos e embalagens, efluentes líquidos, emissões gasosas, rejeitos 
e resíduos, ruídos e vibrações, odores, radiações, transporte de produtos, entre 
outros) (SILVA; ASSIS, 2003). 
Existem diferentes formas de auditorias ambientais, que são definidas em 
função dos diversos objetivos a que elas se propõem. Uma divisão simples 
classifica as auditorias em quatro classes: 
a) auditoria dos impactos ambientais – onde é feita uma avaliação dos 
impactos ambientais no ar, água, solo e comunidade de uma determinada 
unidade industrial ou de um determinado processo com objetivo de fornecer 
subsídios para ações de controle da poluição, visando a minimização desses 
impactos; 
b) auditoria dos riscos ambientais – onde é feita uma avaliação dos 
riscos ambientais reais ou potenciais de uma fábrica ou de um processo 
industrial especifico; 
c) auditoria da legislação ambiental – onde é feita uma avaliação da 
situação ambiental de uma determinada fábrica ou organização em relação ao 
cumprimento da legislação vigente; 
d) auditoria de sistemas de gestão ambiental – é uma avaliação 
sistemática para determinar se o sistema da gestão ambiental e o desempenho 
ambiental de uma empresa está de acordo com sua política ambiental, e se o 
sistema está efetivamente implantado e adequado para atender aos objetivos 
ambientais da organização. A auditoria de sistema de gestão é uma ferramenta 
de gestão, compreendendo uma avaliação sistemática, documentada, periódica 
 
 
38 
e objetiva sobre como os equipamentos, gestão e organização ambiental estão 
desempenhando o objetivo de ajudar a proteger o meio ambiente. A maioria das 
auditorias ambientais é uma combinação de uma e outra forma de auditoria. 
Contudo, o objetivo principal de qualquer auditoria ambiental é a realização de 
um diagnóstico da situação atual para verificar o que está faltando e promover 
ações futuras que tragam a melhora do desempenho ambiental da empresa 
(ECP CONSULTORIA 2009). 
De acordo com Woolston (1993 apud OLIVEIRA FILHO, 2002), a auditoria 
ambiental pode ser dividida em dois grandes grupos – auditoria de produto e 
auditoria corporativa –, sendo que a primeira visa basicamente: 
• avaliar ou reavaliar os programas de garantia da qualidade na 
criação de um novo produto, ouseja, quais os cuidados iniciais que devem ser 
tomados na fabricação de um produto novo no mercado; 
• averiguar a procedência dos insumos empregados na produção; 
• verificar de que maneira as informações de caráter ambiental são 
avaliadas antes de sua transmissão aos consumidores; 
• avaliar a segurança das embalagens utilizadas pelos produtos; 
• estimar os efeitos causados ao meio ambiente pelos produtos 
durante seu ciclo de vida até sua disposição final. 
A auditoria ambiental corporativa, por sua vez, poderá focalizar: 
• um local individualmente; 
• uma única empresa de um determinado grupo; 
• uma divisão operacional (principalmente quando se tratar de 
companhias de grande porte); 
• um Sistema de Gestão Ambiental (WOOLSTON, 1993 apud 
OLIVEIRA FILHO, 2002). 
 
 
39 
No que diz respeito à divisão operacional, Woolston (1993 apud 
OLIVEIRA FILHO, 2002) descreve que a auditoria ambiental corporativa será 
empregada com o propósito de: 
✓ analisar o setor de compras, com a finalidade de averiguar quais 
matérias-primas devem ser adquiridas de forma a causarem o menor impacto 
possível ao meio ambiente; 
✓ examinar o sistema de transporte, a fim de mensurar os efeitos 
causados ao meio ambiente. 
Estas auditorias corporativas podem ser divididas em auditorias técnicas 
ou de conformidade, de responsabilidade e auditorias de minimização de 
desperdício, sintetizadas no organograma e, logo após, em um quadro. 
(WOOLSTON, 1993 apud OLIVEIRA FILHO, 2002). 
5 - OUTRAS AUDITORIAS 
As auditorias de conformidades ou técnicas têm a finalidade de checar se 
a companhia está em conformidade com as leis, regulamentações e política da 
empresa enquanto a auditoria de responsabilidade tem como objetivo verificar 
os padrões ambientais das companhias, em função das exigências das 
instituições financeiras, das companhias de seguros e do mercado consumidor. 
Também é utilizada como requisito para o processo de fusão, incorporação e 
aquisição de companhias. 
Em Silva e Assis (2003), encontramos também as seguintes finalidades 
para as auditorias: 
➢ auditoria de conformidade – consiste na verificação do 
cumprimento da legislação aplicável existente. É uma auditoria de ambição muito 
limitada, pois se restringe à legislação existente e de caráter “defensivo”; 
➢ auditoria pós-acidente – centrada nos problemas de 
responsabilidade penal ou civil, tem por objetivo determinar as causas de um 
 
 
40 
acidente. Em geral, realizada paralelamente a um procedimento jurídico, pode 
dar elementos à procuradoria, mas também pode fornecer à empresa; 
➢ auditoria de riscos – pode ser aplicada no caso de um contrato de 
seguro ou, em um âmbito mais geral, no caso de uma análise de risco. Neste 
último caso, ela é útil para a empresa conhecer com precisão a extensão do risco 
de um acidente para o meio ambiente e, consequentemente, os riscos jurídicos, 
econômico e financeiro. Com este tipo de auditoria, a empresa visa 
simplesmente limitar seus riscos; 
➢ auditoria de operação de fusão, absorção ou de aquisição – uma 
empresa que deseja, por exemplo, adquirir uma outra empresa pode solicitar 
uma auditoria ambiental para saber a natureza dos riscos ao qual ela estaria 
sujeita. Outro caso, por exemplo, é o da venda de terrenos nos quais serão 
colocados materiais descartados; a empresa vendedora pode realizar uma 
auditoria ambiental para se desembaraçar de responsabilidades futuras no caso 
de contaminação. Da mesma forma, uma empresa que vai comprar um terreno 
pode solicitar uma auditoria para saber em que situação, com relação à 
qualidade do solo e das águas, ele se encontra; 
➢ auditoria de gerenciamento geral – essa auditoria tem um objetivo 
maior. Trata-se de verificar todos os possíveis impactos da empresa sobre o 
meio ambiente. Essa auditoria permite a definição de uma orientação e de uma 
política da empresa por meio da totalidade dos dados ambientais e considera as 
evoluções futuras do contexto jurídico (SILVA; ASSIS. 2003). 
Algumas empresas especializadas em auditoria e assuntos afins podem 
estar aptas a realizar, por exemplo: 
➢ auditoria de conformidade legal (DZ 56 – FEEMA-RJ e CONAMA 
306/02); 
➢ auditoria de avaliação do atendimento a requisitos legais aplicáveis 
visando atender o requisito 4.5.2 da ISO 14001 e o requisito 4.5.1 da OHSAS 
18001, e outros; 
 
 
41 
➢ auditoria de Sistemas de Gestão (ISO 14001, OHSAS 18001 e ISO 
9001), Terceirização das auditorias internas exigidas nas Normas de Gestão, 
permitidas pelos Organismos de Certificação e conforme os requisitos da NBR 
ISO 19011, proporcionando economia de recursos humanos e econômicos para 
o cliente; 
➢ auditoria de fornecedores e prestadores de serviço ambientais, 
avaliando os principais aspectos e impactos ambientais, reais ou potenciais e os 
padrões adequados a serem atendidos pelos prestadores de serviços ambientais 
de forma a garantir a proteção ao meio ambiente através da melhoria do 
desempenho ambiental destes contratados e, ao mesmo tempo, minimizando o 
risco potencial de responsabilidade da empresa cliente por danos ambientais; 
➢ auditoria Due Diligence de compra e venda / Auditoria de Passivo 
Ambiental – avalia os riscos ambientais e os passivos ambientais associados à 
compra, venda ou encerramento, para que sejam identificados e levados em 
consideração durante a transação imobiliária. (De Martini Junior 
http://www.demartiniambiental.com.br/). 
Outro exemplo seria a auditoria para um empreendimento habitacional 
que pode contar com uma auditoria ambiental interna ou externa. A auditoria 
interna, executada pelos moradores, por meio de uma associação representativa 
e, se necessário por auditores independentes contratados, tem seus resultados 
(conclusão da auditoria) de uso interno ou condominial. A auditoria externa é 
realizada, necessariamente, por auditores independentes externos à 
organização, sendo seus resultados avaliados por terceiros, como organização 
de certificação, e seu uso deve ser atinente ao Poder Público, por meio de órgãos 
responsáveis por políticas habitacionais e/ou ambientais, e mesmo 
disponibilizados para consulta pública, principalmente no caso de determinadas 
leis (RODRIGUES, 2007). 
O quadro abaixo sintetiza o tipo e o que avalia uma auditoria: 
TIPO O QUE AVALIA 
 
 
42 
Auditoria de 
Conformidade Legal 
Adequação à legislação. 
Auditoria de 
Desempenho Ambiental 
Conformidade com a legislação, 
regulamentos e indicadores setoriais. 
Auditoria de Sistema 
de Gestão Ambiental 
Cumprimento dos princípios Sistema 
Gestão Ambiental, adequação e eficácia do 
Sistema de Gestão Ambiental. 
Auditoria de 
Certificação 
Conformidade com os princípios da 
norma certificadora. 
Auditoria de 
Descomissionamento 
Danos ao entorno pela desativação da 
unidade produtiva. 
Auditoria de Sítios Estágio de contaminação de um local. 
Auditoria Pontual Otimização dos recursos no processo 
produtivo. 
Auditoria de 
Responsabilidade 
O passivo ambiental da empresa. 
Fonte: Silva; Assis (2003) 
5.1 - VANTAGENS E DESVANTAGENS 
Assim como a auditoria contábil é ferramenta básica para a indicação da 
saúde financeira de uma empresa, a auditoria ambiental tem se tornado 
ferramenta básica na avaliação da saúde ambiental da empresa, diagnosticando 
eventuais riscos que possam vir a transformar-se em sérios danos ambientais 
(DALL’AGNOL, 2008). 
A primeira grande vantagem da auditoria acontece quando há 
comprometimento da direção da empresa e disponibilidade de recursos para 
 
 
43 
aplicar em auditoria visando corrigir as não conformidades detectadas. Alguns 
benefícios que decorrem dessa ação seriam: 
a) identificação e registro das conformidades e das não-conformidades 
com a legislação, com regulamentações e normas e com a política ambiental da 
empresa (caso exista); 
b) prevenção de acidentes ambientais; 
c) melhornov.1994. 
VALLE, Cyro Eyer do. Qualidade Ambiental ISO 14000. 5 ed. São Paulo: 
Editora Senac São Paulo, 2004. 
 
 
71 
VALLE. Cyro Eyer do. Qualidade Ambiental: O desafio de ser competitivo 
protegendo o meio ambiente (Como se preparar para as normas ISSO 14000). 
São Paulo: Pioneira editora, 1995. 
VIEGAS, Ronaldo Sawada. Auditoria ambiental de conformidade: Uma 
proposta de metodologia de condução para usinas termelétricas. Florianópolis: 
Departamento de Engenharia da Produção e Sistemas da Universidade Federal 
de Santa Catarina, 1997. Dissertação Mestrado. 
VITERBO JÚNIOR, Ênio. Sistema integrado de gestão ambiental: Como 
implementar um sistema de gestão que atenda à norma ISO 14001, a partir de 
um sistema baseado na norma ISO 9000. São Paulo: Aquariafia, 1998.

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