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1 
 
PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS 
 
 
 
2 
 
 
 
 
Sumário 
PRESERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS ......................................................... 1 
NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 4 
RECURSOS NATURAIS ................................................................................................ 6 
CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS ...................................................... 11 
USO E PROTEÇÃO DOS RECURSOS DE FAUNA E FLORA ................................. 15 
RECURSOS FLORESTAIS ................................................................................... 19 
UNIDADES PROTEGIDAS ................................................................................ 21 
OCEANOS ................................................................................................................ 25 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ................................................................... 28 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
file://192.168.0.2/E$/Pedagogico/MEIO%20AMBIENTE/CONSULTORIA%20E%20ENGENHARIA%20AMBIENTAL/PRESERVAÇÃO%20DOS%20RECURSOS%20NATURAIS/PRESERVAÇÃO%20DOS%20RECURSOS%20NATURAIS.docx%23_Toc90632482
 
 
 
3 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre-
sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere-
cendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici-
pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação 
contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos 
e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra-
vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
INTRODUÇÃO 
Desde que a terra era habitada, seres humanos e outras formas de vida 
têm dependido de coisas que existem livremente na natureza para sobreviver. 
Estas coisas incluem água (mar e de água doce), a terra, solos, rochas, florestas 
(vegetação), animais (incluindo peixes), combustíveis fósseis e minerais. Eles 
são chamados de Recursos Naturais e são à base da vida na Terra. Todos 
estes acima mencionados são naturais, e eles existem na natureza. 
Atualmente a natureza está sofrendo muitas alterações, seja no clima, nas 
florestas, nos mares ou em recursos que são essenciais para nossa sobrevivên-
cia, gerando preocupações. Essas alterações podem tornar- se irreversíveis se 
nada for feito, principalmente se o homem não diminuir o mau uso e começar a 
agir com consciência. O homem por muito tempo agrediu e usufruiu do que a 
natureza lhe ofereceu, sem pensar nas consequências desse ato e o que poderia 
causar. 
A humanidade, na medida em que se organiza em sociedade, multiplica 
as suas necessidades, o que vai lhe exigir a utilização dos recursos que a natu-
reza lhe dispõe. Só que na forma como se dá essa utilização, não há preocupa-
ção com a preservação e conservação dos recursos naturais, pois a ocupação 
dos espaços se dá de forma desorganizada, não levando em conta a estrutura 
geomorfológica do ambiente, o que pode determinar consequências graves no 
futuro, que quase sempre se manifestam através de tragédias. 
A relação sociedade/natureza ainda, em muitos casos, se faz de forma 
que acabe esgotando as reservas ambientais, em poucos casos se faz o uso 
sustentável do ambiente. Pode-se citar a agricultura familiar que procura usar 
recursos sem agredir o solo, água e ar. 
 Muitas vezes o ser humano nem se dá conta do que vem ocorrendo com 
o ambiente, devido ao nível de renda, condições de existência e estilos de vida. 
Assim tecem-se processos econômicos e ideológicos, na imposição de modelos 
de satisfação por intermédio de efeitos de demonstração e na manipulação do 
 
 
 
5 
consumo, ele vive sem se importar das consequências dos seus atos em relação 
a natureza. 
Porém, devido ao acesso a informação isso vem mudando, aumenta dia 
a dia a parcela da população que se importa com o que ocorre no ambiente e 
tenta fazer a diferença para mudar hábitos e atitudes em relação ao mesmo. 
As riquezas naturais existentes no território nacional, todas as formas de 
vegetação nativa e fauna são reconhecidas de utilidade às terras que revestem, 
e são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os 
direitos de propriedade com as limitações que a legislação em geral estabelece. 
Se faz necessário, portanto conhecer e proteger o meio onde vivemos utilizando-
se dos conhecimentos que a Educação Ambiental vem trazer à comunidade em 
geral. 
De acordo com a Lei nº. 9.795/99, a Educação Ambiental consiste em 
processos por meio do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores soci-
ais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a con-
servação do meio ambiente, essencial à sadia qualidade de vida e sua susten-
tabilidade. Além disso, é um componente essencial e permanente da educação 
nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e mo-
dalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. 
A educação ambiental está intimamente relacionada com o desenvolvi-
mento sustentável, porque tem como finalidade primordial encontrar uma forma 
de desenvolvimento que atenda às necessidades do presente sem comprometer 
as próximas gerações de suprir suas próprias necessidades. 
 
 
 
6 
 
 
 
RECURSOS NATURAIS 
 
Os recursos naturais, para além do valor intrínseco que possuem, são 
peças fundamentais e indispensáveis para o ser humano. Imaginemos como se-
ria a nossa vida sem água, sem solo, sem plantas, sem animais, sem ar. Não 
haveria vida, pelo menos não do mesmo modo como a caracterizamos hoje. 
Contudo o ser humano não tem demonstrado o respeito pelos recursos 
naturais que se esperaria e prova disso é a alteração que se tem verificado nos 
ecossistemas nos últimos 50 anos, que de acordo com Millennium Ecosystem 
Assessment (2005) é a mais rápida e profunda em qualquer período comparável 
da história da humanidade. 
 
 
 
7 
Inicialmente, o ser humano mantinha uma relação de equilíbrio com a na-
tureza. Porém, com o tempo, foram sendo desenvolvidas técnicas de acúmulo e 
plantio que permitiram ao homem que fizesse maiores transformações sobre o 
meio e também sobre o espaço geográfico. Foi no período Neolítico que a agri-
cultura constituiu-se, formando as bases estruturais para que se firmassem as 
primeiras civilizações. 
Existem diferentes formas de aproveitar os recursos naturais, tais como: 
a prática da agricultura, caça, pesca, extrativismo mineral e vegetal, entre outras 
atividades socioeconômicas. 
Com o passar dos milênios, as diferentes técnicas foram aprimorando-se, 
e as sociedades foram desenvolvendo formas de apropriar-se mais e melhor dos 
elementos da natureza, o que intensificou a exploração dos recursos naturais. 
Essa utilização cada vez maior desses recursos poderá, futuramente, resultar 
em sua extinção.Os recursos naturais podem ser: 
 Biológicos: vegetais, animais e florestas; 
 Hídricos: lagos, rios, mares, oceanos; 
 Minerais: minérios, rochas, areia, argila, carvão; 
 Energéticos: luz solar, vento, água. 
Para melhor entender essa questão, os recursos naturais são classifica-
dos em renováveis e não renováveis: 
Os recursos naturais renováveis, como o próprio nome indica, são 
aqueles que são inesgotáveis (como a luz solar e os ventos) ou aqueles que 
possuem capacidade de renovação, seja pela natureza (a água, por exemplo), 
seja pelos seres humanos (os vegetais cultivados na agricultura). 
São exemplos de recursos renováveis: 
 
 
 
8 
 Luz solar (energia solar): O calor emitido pelo Sol é uma fonte de energia 
capaz de gerar energia elétrica e energia térmica. A captação da luz solar 
é realizada por meio de tecnologias, como os painéis fotovoltaicos, aque-
cedores solares e usinas heliotérmicas. 
 Vento (energia eólica): Os ventos são capazes de gerar energia por meio 
de sua força. Essa energia é chamada de energia eólica, utilizada para 
geração de energia elétrica por meio de aerogeradores. 
 Água: A água é o recurso natural essencial à existência humana. Sem ela 
nosso organismo não é capaz de sobreviver. Além de utilizada para o 
consumo humano, a água é também utilizada em diversas atividades, na 
indústria, na agropecuária ou nas atividades do dia a dia, como limpeza e 
higiene pessoal. 
 Vegetais: Os vegetais, como já dito, fornecem não só alimento, mas tam-
bém são utilizados como matéria-prima para diversas indústrias. 
 Animais: Os animais estão presentes no cotidiano de boa parte da popu-
lação mundial, seja na alimentação seja como matéria-prima para indús-
trias têxteis, entre outros. 
 Madeira: A madeira é um recurso natural renovável muito utilizado na in-
dústria e bastante aplicada na construção civil. Contudo, a atividade ma-
deireira tem sido feita de forma ilegal em várias regiões, aumentando os 
problemas ambientais, como o desmatamento. 
 
Já os recursos naturais não renováveis são aqueles que não possuem 
capacidade de renovar-se ou que a renovação é muito lenta, levando milhares 
de anos para ser concluída. É o caso do petróleo, que leva um longo período 
geológico para formar-se, mas é retirado rapidamente graças ao desenvolvi-
mento de técnicas específicas. Os minérios em geral (ouro, cobre, ferro e outros) 
são exemplos de recursos não renováveis que podem esgotar-se no futuro. 
https://escolakids.uol.com.br/geografia/energia-solar.htm
https://escolakids.uol.com.br/geografia/energia-eolica.htm
https://escolakids.uol.com.br/ciencias/a-agua.htm
 
 
 
9 
Uma das atuais preocupações da humanidade é garantir a manutenção 
desses recursos, visto que muitos têm sido utilizados de forma irracional. Quase 
90% da energia utilizada no mundo é proveniente de fontes não renováveis de 
energia. 
 Minérios: Os minérios são elementos encontrados na natureza constitu-
ídos de minerais, como óxidos e silicatos, e muitos possuem valor econô-
mico, como o ferro, prata, ouro. Os minérios são extraídos da natureza 
por meio de algumas técnicas, como a lavra, e são encontrados em diver-
sas regiões do mundo. 
 Petróleo: Considerado uma das fontes de energia mais importantes do 
mundo, o petróleo é uma substância oleosa originada a partir da decom-
posição de matéria orgânica. Além de ser utilizado como fonte de energia, 
o petróleo serve também como matéria-prima para a fabricação de plásti-
cos, borrachas, solventes e dele são originados diversos derivados, como 
o gás de petróleo, querosene, óleo diesel, entre outros. Não é encontrado 
em todas as regiões do mundo. Há países que exportam em abundância 
e outros que necessitam importá-lo. 
 Carvão mineral: O carvão mineral é bastante utilizado como fonte de ener-
gia. É o combustível fóssil com maior disponibilidade na natureza do 
mundo. O carvão forma-se por meio da decomposição da matéria orgâ-
nica em ambiente sem a presença de oxigênio. Está disponível em todos 
os continentes, contudo, não se renova em um curto espaço de tempo. 
 
https://escolakids.uol.com.br/geografia/petroleo.htm
https://escolakids.uol.com.br/geografia/carvao-mineral.htm
 
 
 
10 
 
 
Segundo a European Environment Agency (EEA, 2005) as principais for-
ças motrizes do consumo acelerado de recursos naturais são o crescimento da 
população, o desenvolvimento económico e o próprio padrão de produção de 
consumo que o caracteriza. O funcionamento da economia e a qualidade de vida 
 
 
 
11 
atual encontram-se muito dependentes dos recursos naturais, incluindo maté-
rias-primas como os minerais, a biomassa e os recursos biológicos; os meios 
ambientais, como o ar, a água e o solo; os recursos renováveis, como a energia 
eólica, geotérmica, solar e das marés; e do próprio espaço físico. O modo como 
os recursos naturais renováveis e não renováveis são utilizados e o ritmo a que 
os recursos não renováveis são explorados estão a afetar rapidamente a capa-
cidade do planeta para regenerar os recursos e serviços ambientais em que as-
senta a nossa sociedade. (Comissão das Comunidades Europeias, 2005). 
A utilização e dependência extrema dos recursos naturais e a degradação 
do meio ambiente colocam a sociedade atual em risco, assim como o próprio 
planeta. Futuramente prevê-se um elevado crescimento da população global au-
mentando significativamente a pressão sobre o meio ambiente (EEA, 2005) e a 
diminuição dos recursos naturais (Comissão das Comunidades Europeias, 
2005). 
 
 
CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS 
 
Como instrumento para preservação ambiental, o ser humano tem as leis 
que regem a forma de agir com o meio ambiente. Embora muitas vezes estas 
leis sejam desobedecidas, temos que utilizar os meios existentes a fim de manter 
os recursos e ambientes naturais remanescentes. As áreas de conservação são 
chamadas pela legislação brasileira de Unidades de Conservação fazendo parte 
do sistema brasileiro de proteção ao meio ambiente e são controladas pelo órgão 
federal IBAMA, compondo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da 
Natureza (SNUC), que foi instituído em 18 de julho de 2.000, através da Lei Nº 
9.985. A unidade de conservação é um espaço territorial e seus recursos ambi-
entais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, 
legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites 
 
 
 
12 
definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias 
adequadas de proteção. 
Do que depende a conservação dos recursos naturais? 
Nas últimas décadas, a pressão da legislação tem surtido efeitos positivos 
em relação à conservação ambiental. Multiplica-se em todo o país ações volta-
das a conservação dos recursos naturais como, por exemplo, a separação dos 
resíduos e a reciclagem. Separando e reciclando os resíduos poderemos evitar 
o desperdício de recursos como o alumínio e o petróleo, além de evitar o depó-
sito desnecessário nos aterros sanitários. 
Sendo assim, vamos analisar como ocorre o gerenciamento de resíduos 
em nosso país, pois cada brasileiro produz em média 0,9kg lixo doméstico por 
dia. 
A reciclagem começou a ser priorizada a partir da década de 1970, 
quando a sociedade demonstrou maior grau de conscientização ambiental ao 
pressionar empresários e governos a adotarem medidas ecologicamente corre-
tas. 
Entre 1970 e 1994 cresceu a percentagem de papel reciclado em todo o 
mundo, passando de 23% para 37%. O Brasil é um dos países que mais recicla 
latas de alumínio (cervejas e refrigerantes), reaproveitando aproximadamente 
80% do material coletado. (JAMES; MENDES, 2005). 
Entre as vantagens da reciclagem estão: a redução da exploração de re-
cursos naturais; a redução nos custos de produção de alguns produtos; geração 
de emprego e renda; redução de impactos ambientais; e outros. 
A produçãoe a disposição inadequada do lixo, a poluição do ar junto com 
o desgaste do solo, a contaminação e o desperdício da água fazem parte do rol 
de problemas ambientais enfrentados pela sociedade como um todo. 
A conservação do solo e a proteção de recursos naturais podem ser defi-
nidas como um conjunto de atividades de múltiplos significados. É uma modali-
dade de relação homem/meio físico que procura mitigar os impactos ambientais 
 
 
 
13 
causados pela ocupação e uso das terras. Atividades agrícolas ou urbanas de-
pendem totalmente dos interesses humanos e, sem dúvidas, são também cau-
sadoras da degradação ambiental em maior ou menor intensidade. Na natureza, 
um ecossistema gera diferentes processos que desencadeiam uma série de be-
nefícios que são apropriados pelo homem de uma forma direta ou indireta, de-
pendendo da sua necessidade. 
Segundo a UNEP, os “recursos naturais são fontes reais ou potenciais de 
riqueza que ocorrem em estado natural, tais como madeira, água, terras férteis, 
fauna, minerais, metais, rochas e hidrocarbonetos”. Um recurso natural pode ser 
considerado renovável, se for reabastecido por processos naturais a uma taxa 
comparável à sua taxa de consumo pelos humanos ou outros utilizadores, e não 
renováveis quando existe uma quantia fixa ou quando não pode ser regenerada 
numa escala comparativa ao do seu consumo. (UNEP, 2009). 
Esses processos podem ser considerados serviços ambientais quando 
apresentam possibilidades ou potenciais de serem utilizados para o bem-estar. 
Esses serviços ambientais podem ser definidos como bens produzidos pelos 
ecossistemas (naturais ou antropizados – ou seja, modificados pelo homem) e 
podemos admitir, como vários estudiosos, que há uma diferenciação entre ser-
viços ecossistêmicos e serviços adaptados. Serviços ecossistêmicos são provi-
dos pela natureza. E serviços adaptados são providos por agentes de proteção, 
conservação de solo e água e também pelos praticantes da recuperação, res-
tauração e habilitação de ambientes degradados. Tais serviços afetam direta ou 
indiretamente as condições de bem-estar de todas as formas de vida. 
Em condições naturais, a paisagem ecossistêmica está em equilíbrio 
prestando serviços sem a intervenção humana. Em condições antropizadas, a 
paisagem ecossistêmica desequilibrada só presta serviços com a intervenção 
humana. No momento em que substituímos a cobertura original do solo por uma 
cobertura cultivada, necessitamos de ações de conservação e proteção do solo 
e de outros recursos naturais como a água e a biodiversidade. 
 
 
 
14 
Na agricultura, as práticas de conservação do solo podem ser entendidas 
como uma tentativa de adaptação para imitar o comportamento hídrico da natu-
reza tendo, para isso, como pano de fundo um agroecossistema. Tais práticas 
buscam criar condições para que o comportamento hidrológico do agroecossis-
tema seja semelhante ao do ecossistema local ou de referência. A proteção de 
recursos naturais pode ser entendida como um conjunto de atividades para cons-
trução de alternativas para preservação, uso racional e ético do capital natural 
(água, ar, solo, biodiversidade, energia luminosa). Em ambas atividades a prin-
cipal característica é estudar e monitorar a dinâmica temporal de variáveis de 
meio físico em função das atividades humanas. 
A proposta de incluir as práticas de conservação de solo e proteção de 
recursos como atividades de prestação de serviços ambientais tem, oportuna-
mente, como objetivo admitir que o conservacionismo e a proteção são tipos de 
provisão ambiental característicos do agroecossistema ou de ecossistemas an-
tropizados. As práticas conservacionistas influenciam em pelo menos cinco gran-
des funções ecossistêmicas ligadas às variáveis hidrológicas: 
1) A interceptação das gotas de chuvas, que na natureza ocorre com a 
cobertura vegetal natural, no agroecossistema ocorre com a cobertura cultivada 
morta (palha) ou com a cobertura viva (plantas). 
2) A infiltração da água que, na natureza ocorre normalmente em função 
da porosidade e permeabilidade características do local, no agroecossistema 
ocorre pelo manejo em profundidade de sistemas radiculares e pela reestrutura-
ção da agregação do perfil cultural do solo. 
3) A captação de água da chuva, que ocorre na natureza em função da 
capacidade de armazenamento do ecossistema local, na paisagem cultivada o 
redesenho da superfície do solo inclui estruturas mecânicas como terracea-
mento, caixas circulares entre outras. 
4) A condução do escorrimento superficial, que na natureza ocorre pela 
drenagem natural, na paisagem cultivada o redesenho inclui estruturas mecâni-
cas como canais escoadouros, drenos e terraços em gradiente. 
 
 
 
15 
5) A dissipação do fluxo de água nos canais de escorrimento natural, que 
é realizada por plantas (herbáceas, arbustivas e arbóreas), em condições de 
agroecossistemas é realizada por estruturas mecânicas como o enrocamento, 
escadas, caixas, taludes. 
Em paisagens cultivadas os fundamentos básicos dos serviços ambien-
tais são: combate incessante da erosão, recuperação de áreas degradadas, con-
trole progressivo do escorrimento superficial, manutenção da cobertura perma-
nente do solo, recarga artificial de aquíferos, recuperação e preservação de mi-
nas d'água e proteção da biodiversidade. 
 
 
USO E PROTEÇÃO DOS RECURSOS DE FAUNA E 
FLORA 
 
A conscientização ambiental da população a respeito da proteção das re-
servas e seus recursos naturais, só será possível com percepção e entendi-
mento do real valor do meio ambiente natural. Pois este é o fundamento invisível 
 
 
 
16 
das diferenças sócio econômicas entre países desenvolvidos e em desenvolvi-
mento. 
Cada vez mais os impactos da ocupação humana fazem-se sentir na 
perda de habitats naturais e no desaparecimento de espécies e formas genéti-
cas. São preocupantes as quantidades de animais e vegetais ameaçados de 
extinção. O homem utiliza-se dos animais selvagens como alimento há milênios. 
Nos trópicos, ainda hoje persistem regiões onde os animais silvestres consti-
tuem, na prática, a única fonte de proteínas. No Brasil, a população rural de pra-
ticamente todas as regiões conta com os estoques dessas espécies como alter-
nativa de alimento e renda extra. 
 
As principais fontes de proteína para as populações tradicionais da Ama-
zônia sempre foram a caça e a pesca. No Cerrado e na Caatinga, essa atividade 
também tem papel relevante na alimentação das populações tradicionais. Essa 
importância diminui muito na Mata Atlântica e no Pantanal. Por outro lado, a caça 
esportiva é forte nas regiões Sudeste e Sul, ocorrendo em outras regiões, quase 
sempre ofuscadas pela caça de subsistência. Os animais silvestres brasileiros 
também são procurados por sua pele, seus óleos, suas gorduras e seus produtos 
medicinais. Até os anos 1960, o comércio de peles, no Brasil, era crescente 
 
 
 
17 
(IBAMA, 1995), tendo decaído substancialmente nas últimas décadas. Esse co-
mércio muitas vezes atende à demanda externa ao país e costuma ser altamente 
vantajoso, gerando lucros em especial para os intermediários. 
A exploração de recursos da flora nativa está relacionada com seus usos, 
diretos e indiretos. Destacam-se a fabricação de ornamentos, medicamentos, 
alimentos, entre outros. As espécies vegetais utilizadas para efeitos ornamentais 
possuem grande importância econômica. Há, até mesmo, 420 delas monitoradas 
pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora 
Selvagens Ameaçadas de Extinção – CITES. Não obstante esse monitoramento, 
diversas espécies utilizadas como ornamentais têm sido comercializadas sem 
nenhum controle dos órgãos ambientais. 
As espécies vegetais com propriedades medicinais têm merecido atenção 
especial, seja pelo seu consumo direto, seja pelo seu grande potencial na pro-
dução de novos medicamentos. A crescente demandada indústria farmacêutica 
em todo o mundo tem constituído preocupação, à medida que algumas dessas 
espécies têm sido ameaçadas de extinção, já que muitas vezes são utilizadas 
comercialmente, partes essenciais para a reprodução dessas espécies, tais 
como raízes, sementes e flores. 
A proteção às plantas medicinais representa garantia de utilização de ma-
téria-prima de alto valor para a população humana e, portanto, deve ser tratada 
como assunto de Estado. No entanto, nenhum programa eficiente tem sido de-
senvolvido para promover a conservação e o manejo sustentável desses recur-
sos. 
As atividades de fiscalização são mecanismos importantes no processo 
de proteção à biodiversidade e, particularmente, para evitar a super exploração 
da fauna e da flora. A deficiência da fiscalização é a causa principal dos proble-
mas relacionados com a proteção da vida silvestre no Brasil. Essa deficiência é 
determinada por vários fatores, tais como: ausência de política abrangente para 
a conservação; falta de treinamento de pessoal especializado; falta de infraes-
trutura, que dificulta a disponibilidade de informações sobre a biodiversidade e o 
 
 
 
18 
estabelecimento de estratégias mais eficientes de controle; falta de penalização 
dos infratores. 
 
 
 
19 
RECURSOS FLORESTAIS 
 
A ocupação das terras florestadas pelo homem – seja para uso dos recur-
sos florestais ou para sua transformação em áreas de produção de alimentos – 
tem sido característica marcante do crescimento econômico do país. 
O desmatamento resulta de fatores econômicos e sociais e da fragilidade 
institucional de fazer cumprir a norma legal. Entre estes, destacam-se: a distri-
buição fundiária e os baixos níveis de produtividade agrícola nas áreas de fron-
teira; a distribuição da renda nacional, também altamente concentrada, ocasio-
nando uma imensa oferta de mão-de-obra de baixa renda disposta a encontrar 
trabalho em áreas de fronteira de ocupação; um sistema fiscal e creditício para 
as atividades agrícolas que desconsidera as características agroecológicas do 
solo e o emprego de práticas de manejo sustentável; a titularidade da terra pau-
tada no uso, isto é, baseada na área convertida para agropecuária, e, portanto, 
permitindo a legalização do desmatamento; o alto valor da madeira nas áreas de 
fronteira que faz com que as atividades madeireiras desempenhem um papel 
importante no financiamento do desmatamento; os programas setoriais de de-
senvolvimento que, muitas vezes, estimulam a ação antrópica não sustentável 
sobre os recursos florestais; e os programas de reforma agrária desenvolvidos 
pelo Ministério Extraordinário de Política Fundiária - MEPF, que têm contribuído 
significativamente para o desmatamento de áreas florestadas. 
A atividade florestal concorre em espaço físico com as atividades agrope-
cuárias, e, em virtude das características de longo prazo e da baixa rentabilidade 
dessa atividade, as florestas têm sido convertidas em áreas de agricultura e pe-
cuária. 
A remoção total da floresta (corte raso), para fins agropecuários, na Ama-
zônia, apresentou elevado incremento na década de 1980, em função de uma 
série de políticas públicas equivocadas, como os incentivos fiscais aos progra-
mas de conversão da floresta em projetos agropecuários. Atualmente, a área de 
desmatamento está entre 11% e 13% da área total original. 
 
 
 
20 
No Cerrado, imensas áreas de vegetação nativa são transformadas rapi-
damente em áreas de produção agropecuária, repetindo-se a história do desma-
tamento da colonização brasileira. Estimadamente, cerca de 50% da cobertura 
original de cerrado hoje está convertida em pastos, plantações de soja ou formas 
degradadas de solos abandonados. Praticamente, os estados e os municípios 
não têm atuação alguma na gestão dos recursos florestais. Outro problema na 
região Centro-Oeste é a extração não sustentável da madeira do bioma Cerrado 
para produção de carvão vegetal. 
Os incêndios agravam a destruição da floresta. Os dados do INPE sobre 
o desmatamento em todo o Brasil, em especial nas regiões Norte e Centro-
Oeste, revelam a importância desse tema. Segundo dados oficiais, 71,48% das 
áreas de queimadas foram autorizados. Mesmo com a introdução do critério de 
sustentabilidade às práticas madeireiras, o desmatamento continuará a ser uma 
grande fonte de suprimento de madeira. 
Anualmente, mais de 30 milhões de metros cúbicos de toras de madeira 
são extraídos da floresta amazônica, para fins de processamento nas serrarias 
e nas fábricas de laminado/compensado que totalizam cerca de 2.600 indústrias 
na região. Exceto raros projetos inovadores, essa matéria-prima vem sendo ex-
plorada dentro da mesma forma e postura que existia na época do descobri-
mento do Brasil. As modificações foram melhorias tecnológicas para diminuir o 
esforço físico do ser humano na derrubada e no transporte da madeira. 
Os impactos ambientais diretos mais importantes da exploração de ma-
deira resultam tanto do efeito da redução da cobertura florestal como dos impac-
tos físicos das operações de instalação, corte e transporte dos produtos obtidos. 
Com relação às práticas de manejo sustentável da extração de madeira, 
deve-se registrar que, apesar de já estarem regulamentadas, não foram bem-
sucedidas por causa da grande oferta de madeira oriunda da expansão agrícola 
e da ausência (ou impossibilidade) de fiscalização em áreas de grandes dimen-
sões. 
 
 
 
21 
As controvérsias quanto ao sucesso do manejo florestal no Brasil são de 
ordem econômica (pressão de mercado, estabelecimento de taxas de explora-
ção muito baixas); de ordem institucional (conversão de áreas naturais de flores-
tas em áreas de produção agropecuária, investimentos e créditos públicos be-
neficiam atividades concorrentes, não-eficácia na concessão de áreas florestais 
públicas para produção de madeira); e de ordem social (falta de pessoal técnico 
e de trabalhadores bem treinados, falta de participação das populações locais 
no estabelecimento de políticas florestais, pressão demográfica). 
Apesar dessas controvérsias, o manejo sustentado de florestas tropicais 
é possível, desde que haja planejamento adequado e controles rígidos do plano 
de manejo, além de créditos e eficácia institucionais. 
Uma das formas de garantir a produção contínua de espécies como o 
mogno na Amazônia brasileira é a adoção de técnicas de manejo sustentável e 
de programa de pesquisa que enfoque todos os aspectos da silvicultura, do ma-
nejo, da conservação e da tecnologia de utilização dos produtos da espécie. 
Além disso, deve-se incentivar o estudo de utilização de espécies ainda 
não comercialmente exploradas. A diversidade de espécies na Amazônia é 
imensa e, atualmente, conhecem-se poucas espécies com uso comercial. Estu-
dos indicam que algumas espécies amazônicas têm grande potencial para subs-
tituir vários usos do mogno. 
 
UNIDADES PROTEGIDAS 
 
O debate sobre a reforma do Código Florestal Brasileiro traz à tona uma 
reflexão – que não pode ser ligeira nem leviana – sobre a política nacional de 
preservação e conservação da flora. O Brasil ocupa uma posição privilegiada 
sobre o tema, considerando- -se que a imensa extensão de suas florestas, bem 
como a extraordinária biodiversidade que elas abrigam, confere ao país uma 
vantagem comparativa no cenário mundial. Do ponto de vista jurídico, a avalia-
ção dessa política deve se iniciar pela Constituição Federal, a qual proclama o 
 
 
 
22 
direito de todos a um “meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida” (art. 225, caput). Para 
proteger esse direito, a Constituição condiciona o uso da propriedade ao atendi-
mento de sua função social (art. 5º, XXIII). Tal função é cumprida, no caso da 
propriedade rural, mediante a “utilização adequada dos recursos naturais dispo-
níveis e preservaçãodo meio ambiente” (art. 186, II). 
Ante esses parâmetros, a legislação brasileira criou um tripé de institutos 
jurídicos visando proteger a flora de forma mais intensa, cujos pontos principais 
são as Áreas de Preservação Permanente, a Reserva Legal e as unidades de 
conservação. 
Segundo o atual Código Florestal, Lei n° 12.651/12: 
 
Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por: 
(…) 
II – Área de Preservação Permanente – APP: área protegida, coberta ou 
não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recur-
sos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, fa-
cilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-
estar das populações humanas. 
 
 
 
23 
 
 
Áreas de preservação permanente (APP), assim como as Unidades de 
Conservação (UCs), visam atender ao direito fundamental de todo brasileiro a 
um “meio ambiente ecologicamente equilibrado”, conforme assegurado no art. 
225 da Constituição. No entanto, seus enfoques são diversos: enquanto as UCs 
estabelecem o uso sustentável ou indireto de áreas preservadas, as APPs são 
áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de exploração, ou seja, não é per-
mitida a exploração econômica direta. 
As Áreas de Preservação Permanente têm a função ambiental de “preser-
var os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, 
o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das 
populações humanas” (Código Florestal, art. 2º, § 2º, II). São extensões territori-
ais ambientalmente sensíveis, como as matas ciliares e a vegetação que recobre 
os topos de morros ou montanhas, assim como suas encostas. Da conservação 
dessas áreas depende a própria viabilidade ecológica e econômica da terra, pois 
evita o esgotamento dos recursos hídricos e previne a erosão dos solos. 
 
 
 
24 
Por tais motivos, as Áreas de Preservação Permanente são objeto de pro-
teção na maioria dos países. Como aponta Valverde (2010), na China são pre-
vistas as “florestas de abrigo” em razão de sua função hidrológica. Na Argentina, 
preservam-se áreas florestais de “alto valor biológico” e de proteção de bacias; 
na Finlândia, as florestas ripárias (matas contíguas a cursos de água). Na Aus-
trália, há a “zona de proteção” da mata nativa em ambos os lados das depres-
sões ou cursos de água. 
Nos Estados Unidos, Bass (1996) destaca na legislação federal a Lei da 
Água Limpa – instrumento de coibição de desmatamentos que afetem a quali-
dade da água –, além de diversas legislações estaduais que, com maior ou me-
nor intensidade, protegem Áreas de Preservação Permanente. No Canadá, 
Costa (2008) noticia a proteção conferida pela província de British Columbia às 
zonas ribeirinhas, divididas entre 1) zonas de gestão: mais distantes das mar-
gens dos rios e passíveis de manejo; e 2) zonas de reserva: próximas às mar-
gens, onde é proibido o uso da terra. 
Já as unidades de conservação, previstas na Lei 9.985/2000, são consti-
tuídas de espaços territoriais com características naturais relevantes, instituídas 
com objetivo conservacionista e por ato do Poder Público. Sob os mais variados 
formatos jurídicos, elas têm sido prestigiadas no mundo inteiro como importante 
meio de preservação e conservação de espaços naturais de maior relevância 
ecológica e paisagística. Dois exemplos dessas áreas são Yosemite, nos Esta-
dos Unidos, e Torres del Paine, no Chile. 
Por fim, a Reserva Legal, que, de acordo com o Código Florestal, é uma 
“área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de 
preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, 
à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodi-
versidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas” (art. 2º, § 2º, III). 
A reserva legal florestal, segundo Santos (2005), consiste em um instrumento 
legal que tem por objetivos: o uso sustentável dos recursos naturais; a conser-
vação e reabilitação dos processos ecológicos, a conservação da biodiversidade 
 
 
 
25 
e o abrigo e proteção da fauna e flora, e, para conseguir assegurar o cumpri-
mento do objetivo aclarado, impõe ao proprietário rural a obrigação de manter 
em sua propriedade, ou fora dela, nos regimes de servidão, com isso o objetivo 
desta é manter uma parcela de cada propriedade rural como reserva florestal 
para propiciar uma reserva de diversidade florestal e garantir o equilíbrio ecoló-
gico, possibilitar a regeneração de espécies, servindo de habitat de espécies da 
fauna e flora, conservando, assim, parte dos recursos naturais existentes. 
Trata-se de limitação administrativa, ou seja, de restrição ao uso da pro-
priedade rural que atinge um número indeterminado de proprietários, em maior 
ou menor extensão, de acordo com a localização geográfica do imóvel rural. As-
sim, na área de Reserva Legal, é permitido o manejo florestal, mas não o corte 
raso da vegetação. 
É tarefa um tanto quanto ociosa comparar o regime de Reserva Legal 
praticado no Brasil com institutos semelhantes de outros países. A Reserva Le-
gal, tal como concebida pelo Código Florestal, reveste- -se de originalidade. 
Ainda que sua localização deva observar critérios estabelecidos pelo Código Flo-
restal – como proximidade com Áreas de Preservação Permanente ou de acordo 
com o indicado por planos de bacias hidrográficas ou zoneamentos ecológico-
econômicos –, ela é instituída independentemente de se tratar de uma área de 
interesse específico de preservação ambiental. 
 
OCEANOS 
 
Atualmente, os oceanos geram inúmeras riquezas, a exemplo da produ-
ção oficial de cerca de 86 milhões de toneladas de alimentos/ano. Além de de-
terem elevado potencial bioquímico e farmacológico e permitirem o tráfego de 
aproximadamente 80% de todo o comércio internacional, os oceanos constituem 
uma das últimas grandes fronteiras para a exploração de recursos minerais na 
Terra, ao lado da região Amazônica e do continente Antártico. A maioria dos 
 
 
 
26 
depósitos minerais marinhos explorados, ou potencialmente exploráveis, no Bra-
sil, ocorre nas porções emersas das praias (por exemplo, areias, sedimentos 
carbonáticos, diatomita, turfa, minerais pesados e fosfatos), subsuperficiais (eva-
poritos, enxofre, carvão) e nos depósitos dos grandes fundos oceânicos (nódulos 
e crostas polimetálicas, principalmente manganesíferos). No que se refere aos 
minerais existentes na água do mar, o cloreto de sódio e o bromo são os únicos 
recursos minerados no Brasil. 
Ressalta-se, ainda, a ocorrência de jazidas de óleo e gás localizadas em 
águas da margem continental brasileira e no domínio oceânico (águas profun-
das). Sua exploração vem sendo desenvolvida desde 1953 pela PETROBRAS, 
que se ocupa da prospecção, da produção, do refino, do transporte e da comer-
cialização desse recurso. 
Os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície terrestre, no entanto o 
volume disponível para ocupação pelas diferentes espécies de seres vivos pode 
chegar a algo em torno de 99% do volume habitável provido pelo planeta. En-
quanto nos ecossistemas terrestres a vida se restringe a uma estreita camada 
emersa, nos mares pode ser encontrada desde a superfície até a profundidade 
de 13 mil metros. 
Não obstante, o uso indiscriminado dos oceanos e dos mares para a pro-
dução de alimentos, navegação comercial e despejo de efluentes vem causando 
danos, muitas vezes irreversíveis, a esse sistema. Nesse sentido, as primeiras 
diretrizes voltadas a disciplinar o uso e proteger os recursos marinhos foram pre-
conizadas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar em 1982. 
O Brasil possui 7.367km de linha costeira, sem levar em conta os recortes 
litorâneos (baías, reentrâncias etc.) que ampliam significativamente esta exten-
são, elevando-a para mais de 8.500km voltados para o oceano Atlântico. A Zona 
EconômicaExclusiva brasileira compreende uma área de aproximadamente 4 
milhões de quilômetros quadrados, incluindo-se aqui o mar territorial no entorno 
da ilha Trindade e do arquipélago São Pedro e São Paulo. A partir da década de 
1970, após a extensão do mar territorial até as 200 milhas náuticas e com a 
criação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, o Brasil voltou-
 
 
 
27 
se para o estudo do mar e do aproveitamento sustentável de seus recursos. Os 
resultados refletiram-se na implantação da Política Nacional para os Recursos 
do Mar. 
Por outro lado, a adesão do Brasil às convenções internacionais, entre 
elas a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a Convenção de 
Proteção da Biodiversidade e a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Am-
biente e Desenvolvimento, levou o país a implementar políticas e programas 
para impedir, reduzir e controlar a degradação do meio marinho, bem como pro-
mover o desenvolvimento sustentável, melhorando o nível de vida das popula-
ções costeiras e integrando pesquisa científica e conhecimentos tradicionais 
para a preservação de ecossistemas costeiros e oceânicos, assim como de es-
pécies de interesse especial. 
Entretanto, continua existindo descompasso entre as políticas de desen-
volvimento e os programas e os projetos para o gerenciamento da zona costeira. 
A poluição nos oceanos faz-se sentir principalmente na zona costeira e 
adjacências, indicando que as principais fontes de poluição marinha são basea-
das em terra. Consideram-se como principais contaminantes do meio marinho e 
suas respectivas fontes de contaminação os esgotos sanitários, os poluentes 
orgânicos persistentes, a radioatividade, os metais pesados, os nutrientes (eu-
trofização), os óleos (hidrocarbonetos), a movimentação de sedimentos e os re-
síduos sólidos. 
Essa situação decorre da convergência dos principais vetores econômi-
cos na zona costeira brasileira, demandando forte infraestrutura de apoio logís-
tico para a produção e a circulação de mercadorias. Isso, aliado à ausência de 
uma política urbana integrada às demais políticas públicas, se reflete em gran-
des concentrações urbanas pontuais ao longo de um litoral onde menos de 20% 
dos municípios costeiros são beneficiados por serviços de saneamento básico e 
drenagem urbana. 
Vale ressaltar que cinco das nove regiões metropolitanas brasileiras se 
encontram à beira-mar e que metade da população brasileira reside a menos de 
200 km do mar. Esse contingente gera cerca de 56 mil toneladas por dia de lixo 
 
 
 
28 
e o destino, de 90% desse total são lixões a céu aberto, que contribuem para a 
poluição de rios, lagoas e do próprio mar. 
Apenas recentemente alguns programas governamentais têm-se voltado 
para a melhoria das condições sanitárias da costa brasileira, principalmente em 
regiões que contam com potencial de desenvolvimento do turismo. No entanto, 
dada a magnitude dos problemas, será necessário o esforço continuado ao longo 
das próximas décadas para reverter os impactos observados. 
 
 
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
 
Consolidado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvol-
vimento (CMMAD), o desenvolvimento sustentável firma-se a partir das atenções 
e cuidados com o meio ambiente. Essa comissão, instituída pela Organização 
das Nações Unidas (ONU), em 1987, inseriu a elaboração de um teor declarató-
rio universal sobre a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável, cha-
mada de Relatório Brundtland. Esse documento trouxe, no seu bojo, a integração 
da questão ambiental no cenário econômico e pontuou a necessidade de uma 
nova forma de progredir, em uma resposta para a humanidade frente à crise 
social e ambiental que o mundo vivenciava a partir da segunda metade do século 
XX (CMMAD, 1991, p. 29). 
Em 1987, a Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento das 
Nações Unidas publicou o Relatório Brundtland, que apresentou um conceito de 
desenvolvimento sustentável – “...aquele desenvolvimento que atende às neces-
sidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras 
atenderem às suas próprias” (Nosso futuro comum, 1988, p. 46) – que, mais que 
um conceito, transmitia o desejo de mudança de paradigma para um estilo de 
desenvolvimento que não se mostrasse excludente socialmente e danoso ao 
meio ambiente. 
 
 
 
29 
Desenvolvimento sustentável deve, portanto, significar desenvolvimento 
social e econômico estável, equilibrado, com mecanismos de distribuição das 
riquezas geradas e com capacidade de considerar a fragilidade, a interdepen-
dência e as escalas de tempo próprias e específicas dos recursos naturais. 
Novamente em 1994, o Relatório de Desenvolvimento Humano discutiu a 
segurança ambiental. Além disso, em 1992, ocorreu no Brasil uma das maiores 
Conferências das Nações Unidas sobre o tema do meio ambiente, que resultou 
em documentos importantes, a exemplo da Declaração do Rio, na qual estão 
contidos os princípios ambientais (NAÇÕES UNIDAS, 1992). No ano de 2012, 
ademais, durante o evento Rio + 20, que comungou os vinte anos transcorridos 
da Declaração do Rio (1992), buscou-se analisar os retrocessos e avanços am-
bientais, bem como delimitar o futuro. 
Apesar dos grandes esforços a nível mundial e nacional, as ações empre-
endidas em nome do desenvolvimento sustentável apresentam-se de modo fra-
gmentado frente aos desafios concernentes à questão ambiental. 
Nunes (2006, p. 37) assinala que o conceito de desenvolvimento susten-
tável traduz-se a partir de um ingrediente inovador, ao incluir as gerações que 
estão por vir como titulares de direito de viver em um meio ambiente equilibrado 
e de desenvolvimento saudável. Nesse cenário, somam-se elementos como o 
crescimento econômico, a satisfação de necessidade e a preservação dos re-
cursos naturais no presente e para as gerações futuras, norteando a definição 
do desenvolvimento sustentável, cuja finalidade é conciliar o atual modelo de 
produção (e consumo) com a preservação ambiental. 
Assim, ao compor o homem e a natureza em um mesmo tom, a qualidade 
vida das pessoas, na visão de Nunes (2006), assume-se como componente es-
sencial na caracterização do desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, alia-
se a necessidade econômica e industrial do desenvolvimento e consumo à ur-
gente necessidade de preservação ambiental, considerando-se tanto as gera-
ções atuais quanto as vindouras. 
No entanto, esse somatório de possibilidades não representa, na sua es-
sência, atingir o desenvolvimento sustentável. As preocupações com os recursos 
 
 
 
30 
naturais e o meio ambiente sociedade são realidades que começam a se impor. 
Duarte relata que, foi na sociedade industrializada que se principiaram as preo-
cupações e “reações contra a sociedade de abundância e de consumo”. 
Viabilizar esse conceito na prática implica mudança de comportamento 
pessoal e social, além de transformações nos processos de produção e de con-
sumo. Para tanto, faz-se necessário o desencadeamento de um processo de 
discussão e comprometimento de toda a sociedade. Essas características tor-
nam, ainda hoje, o desenvolvimento sustentável um processo a ser ainda imple-
mentado. 
O conceito de sustentabilidade tem suas raízes fincadas na ecologia e 
está associado à capacidade de recomposição e regeneração dos ecossistemas. 
No entanto, a exigência de inserção desse conceito em outros aspectos das re-
lações sociais e do ser humano com a natureza fez que alguns teóricos passas-
sem a conceituar distintas dimensões desse conceito. 
Entre essas diferentes dimensões, destacam-se aquelas desenvolvidas 
por Guimarães (1994) e por Sachs (1993), cujos enunciados são apresentados 
a seguir: 
Sustentabilidade ecológica – refere-se à base física do processo de 
crescimento e tem como objetivo a manutenção de estoques de capital natural, 
incorporados às atividades produtivas. 
Sustentabilidadeambiental – refere-se à manutenção da capacidade de 
sustentação dos ecossistemas, o que implica a capacidade de absorção e re-
composição dos ecossistemas em face das agressões antrópicas. 
Sustentabilidade social – refere-se ao desenvolvimento e tem por obje-
tivo a melhoria da qualidade de vida da população. Para o caso de países com 
problemas de desigualdade e de exclusão social, implica a adoção de políticas 
distributivas e a universalização de atendimento a questões como saúde, edu-
cação, habitação e seguridade social. 
 
 
 
31 
Sustentabilidade política – refere-se ao processo de construção da ci-
dadania para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao processo de de-
senvolvimento. 
Sustentabilidade econômica – refere-se a uma gestão eficiente dos re-
cursos em geral e caracteriza-se pela regularidade de fluxos do investimento 
público e privado. Implica a avaliação da eficiência por processos macrossociais. 
Não obstante essas conceituações, que estarão permeando os diferentes 
segmentos do presente trabalho, a temática abordada conduz a uma inequívoca 
tendência de privilegiar as dimensões ecológica e ambiental da sustentabilidade. 
Nesse particular, é necessário aprofundar e detalhar esses conceitos, de forma 
a torná-los referências consistentes às discussões que se seguirão. 
Nesse sentido, deve-se reconhecer que há evidentes dificuldades na de-
terminação do limite de sustentabilidade de cada recurso, principalmente ao se-
rem consideradas as inter-relações e as sinergias estabelecidas em suas res-
pectivas cadeias reprodutivas e as pressões antrópicas a que esses recursos 
estão sujeitos. 
A forma e a velocidade de recomposição dos recursos florestais, da fauna 
terrestre e marítima, a capacidade de depuração dos cursos de água, a capaci-
dade de suporte do solo em uso intensivo, a quantidade de população que um 
ambiente pode suportar em bases contínuas são, em geral, perguntas às quais 
urge responder, tendo em vista as práticas desastrosas que vêm ameaçando 
espécies e ecossistemas. Essas práticas demonstram o quanto é necessário in-
vestir na construção de referências e indicadores de sustentabilidade, a fim de 
que se possa, efetivamente, mensurar as condições de sustentabilidade dos re-
cursos naturais. 
Entretanto, enquanto não se pode contar com todo o conhecimento ne-
cessário à exploração adequada dos recursos naturais, deve-se reconhecer que 
a sustentabilidade do uso desses recursos passa pela utilização racional, pelo 
planejamento e pela participação dos usuários na definição de responsabilida-
des e na viabilização e perpetuação desses recursos para as gerações futuras. 
 
 
 
32 
 
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