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 QUESTÕES PROVA ORAL 
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 AMOSTRA 
 Prova Oral Delegado de Polícia PC-CE 
 ● DIREITO ADMINISTRATIVO 4 
 ● DIREITO CONSTITUCIONAL 10 
 ● DIREITO PENAL 14 
 ● DIREITO PROCESSUAL PENAL 18 
 ● LEGISLAÇÃO 22 
 Questões Prova Oral 
 DELEGADO DE POLÍCIA PCCE 
 + de MIL questões com gabarito para a prova oral do Concurso de DELEGADO 
 da Polícia Civil do Ceará ( PC-CE ). 
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 DIREITO ADMINISTRATIVO 
 DIREITO ADMINISTRATIVO (CEBRASPE) 
 Tópico: Poder de Polícia 
 1. Considere a seguinte situação hipotética: 
 O secretário de Transportes do município X pretende propor a criação de empresa pública para o 
 exclusivo exercício do poder de polícia de trânsito, com delegação, inclusive, para aplicação de 
 multas por infração ao Código de Trânsito Brasileiro. 
 Diante do caso apresentado, responda aos questionamentos a seguir. 
 1 - Em que consiste o poder de polícia? 
 2 - Qual é o fundamento do poder de polícia e quais são as suas características? 
 3 - Qual é a diferença entre a polícia administrativa e a polícia judiciária? 
 4 - No caso concreto apresentado na situação hipotética, conforme o entendimento do Supremo 
 Tribunal Federal, é possível a delegação? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Em sentido bem singelo, o poder de polícia é a prerrogativa conferida à Administração Pública de 
 limitar e condicionar os direitos de liberdade e propriedade dos particulares. Conforme o art. 78, caput , 
 do Código Tributário Nacional (CTN) , o poder de polícia é a "atividade da administração pública que, 
 limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, 
 em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina 
 da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou 
 autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos 
 individuais ou coletivos". 
 QUESTÃO 2: 
 O fundamento do poder de polícia é o princípio da supremacia do interesse público sobre o 
 privado . Além disso, o poder de polícia é caracterizado pela discricionariedade , pela 
 autoexecutoriedade e pela coercibilidade . 
 QUESTÃO 3: 
 A polícia administrativa e a polícia judiciária distinguem-se basicamente em razão dos sujeitos que 
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 as exercem, dos objetos sobre que recaem e dos fins a que se destinam. A polícia administrativa , em 
 regra, é exercida por diversos órgãos da Administração Pública , enquanto a polícia judiciária , via de 
 regra, é exercida pelas polícias civil e federal . Quanto ao objeto, a polícia administrativa , em regra, 
 recai sobre bens, direitos e atividades dos particulares, ao passo que a polícia judiciária é exercida 
 sobre as pessoas. Por fim, o objetivo da polícia administrativa é evitar ou reprimir o ilícito 
 administrativo , enquanto o da polícia judiciária é reprimir o ilícito penal . 
 QUESTÃO 4: 
 No caso concreto apresentado na situação hipotética, a delegação da atividade será possível. O 
 Supremo Tribunal Federal (STF) , no Recurso Extraordinário n.º 633.782/MG , paradigma do Tema 
 532 de repercussão geral , firmou o entendimento de que "é constitucional a delegação do poder de 
 polícia , por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração Pública 
 indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de 
 atuação própria do Estado e em regime não concorrencial". Isso se justifica porque "a constituição de 
 uma pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta sob o regime de direito privado não 
 a impede de ocasionalmente ter o seu regime aproximado daquele da Fazenda Pública , desde que não 
 atue em regime concorrencial. (...) Consectariamente, a Constituição, ao autorizar a criação de 
 empresas públicas e sociedades de economia mista que tenham por objeto exclusivo a prestação de 
 serviços públicos de atuação típica do Estado e em regime não concorrencial, autoriza, 
 consequentemente, a delegação dos meios necessários à realização do serviço público delegado". 
 DIREITO ADMINISTRATIVO (CEBRASPE) 
 Tópico: Responsabilidade Civil do Estado 
 2. Considere a seguinte situação hipotética: 
 O cidadão João ajuizou ação indenizatória em face do município onde reside, a fim de obter 
 reparação de danos materiais e morais causados por lesão decorrente de disparo de arma de 
 fogo. Nos autos, restou demonstrado que o disparo se deu durante ação da guarda municipal 
 para combate a comércio irregular em praça pública. Na ocasião, os comerciantes irregulares 
 entraram em confronto com a guarda, e a situação escalou para um tiroteio entre os agentes 
 municipais e os comerciantes. João foi atingido em sua residência. A perícia judicial, porém, foi 
 inconclusiva a respeito da origem do disparo, não podendo o perito precisar se o projétil partiu 
 de arma de fogo pertencente aos agentes municipais. 
 A partir dessa situação hipotética, responda aos questionamentos que se seguem. 
 1 - Qual a natureza da responsabilidade civil na espécie e quais são as teorias que fundamentam 
 a responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro? 
 2 - Quais são os pressupostos da responsabilidade civil estatal e quais são as hipóteses 
 excludentes da responsabilidade? 
 3 - No caso concreto, será possível a responsabilização do município? De quem é o ônus da 
 prova da causa excludente da responsabilidade? 
 Resposta: 
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 QUESTÃO 1: 
 Nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal de 1988 , as pessoas jurídicas de direito público 
 respondem pelos danos que seus agentes causem a terceiros, o que, conforme a doutrina e a 
 jurisprudência, caracteriza a responsabilidade objetiva do Estado. Conforme a doutrina dominante, 
 são duas as teorias que fundamentam a responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro em 
 casos comissivos: a teoria do risco administrativo e, em casos específicos, a teoriaagressor, mas tão somente que a vítima seja mulher e que a violência seja cometida em ambiente 
 doméstico, familiar ou em relação de intimidade ou afeto entre agressor e agredida. 
 O art. 5º, parágrafo único, da Lei n.º 11.340/2006 expressamente estabelece que as relações 
 pessoais enunciadas no artigo independem de orientação sexual . Além disso, o STJ, no REsp n.º 
 1.977.124/SP , pacificou o entendimento de que a Lei Maria da Penha se aplica a mulheres 
 transexuais . A Corte ressaltou que, em uma perspectiva não meramente biológica, "mulher trans 
 mulher é", e que a vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos não pode ser resumida à 
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 objetividade de uma ciência exata. As condutas descritas no caso, como a agressão em ambiente 
 doméstico e familiar (entre pai e filha), e o modus operandi das agressões (segurar pelos pulsos, 
 arremessar contra a parede, tentar agredir com pedaço de pau), são elementos próprios da estrutura de 
 violência contra pessoas do sexo feminino, revelando o caráter especialíssimo do delito e a 
 necessidade de imposição de medidas protetivas. 
 QUESTÃO 2: 
 As medidas protetivas de urgência aplicáveis a essa situação, especialmente aquelas previstas nos 
 incisos I, II e III do art. 22 da Lei Maria da Penha (como o afastamento do lar, a proibição de 
 aproximação e o contato), possuem natureza jurídica de tutela provisória cautelar e caráter 
 eminentemente penal . 
 Elas são concedidas em caráter não definitivo, a título precário, e em sede de cognição sumária, 
 visando proteger a vida e a incolumidade física e psíquica da vítima durante o curso do inquérito ou do 
 processo, ante a ameaça de reiteração da prática delitiva pelo suposto agressor. O STJ , no REsp n.º 
 2.009.402/GO , consolidou que as medidas protetivas dos incisos I, II e III do art. 22 restringem a 
 liberdade de ir e vir do acusado e tutelam direitos fundamentais da vítima, devendo ser aplicada a 
 disciplina do Código de Processo Penal (CPP) atinente às cautelares. Em caso de descumprimento, o 
 magistrado pode decretar a prisão preventiva do agressor, conforme o art. 313, III, do CPP. As demais 
 medidas protetivas, não abrangidas por esses incisos, possuem natureza cível. 
 QUESTÃO 3: 
 Sim, o delegado de polícia pode determinar o imediato afastamento do agressor em relação à 
 vítima, conforme o Art. 12-C da Lei n.º 11.340/2006 , incluído pela Lei n.º 13.827/2019. Essa medida é 
 cabível quando verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da 
 mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes. A autoridade policial 
 pode agir nos seguintes casos: 
 ● Delegado de polícia , quando o Município não for sede de comarca. 
 ● Policial , quando o Município não for sede de comarca e não houver delegado disponível no 
 momento da denúncia. 
 Nessas hipóteses, o juiz deve ser comunicado no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) 
 horas , e decidirá, em igual prazo, sobre a manutenção ou revogação da medida aplicada, dando 
 ciência ao Ministério Público concomitantemente (§ 1º do Art. 12-C). Essa autorização 
 excepcional é uma resposta legislativa adequada e necessária para o rompimento do ciclo de 
 violência doméstica em suas fases mais agudas, justificável pela eventual impossibilidade de 
 obtenção da tutela jurisdicional em tempo hábil. A constitucionalidade dessa concessão 
 excepcional de medida protetiva de afastamento imediato foi reconhecida. 
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 Questões Prova Oral 
 DELEGADO DE POLÍCIA PCCE 
 + de MIL questões com gabarito para a prova oral do Concurso de DELEGADO 
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 integral . 
 QUESTÃO 2: 
 Os pressupostos da responsabilidade civil estatal são o fato administrativo , o dano e o nexo de 
 causalidade . Mostra-se desnecessário, portanto, o elemento subjetivo, ou seja, a culpa em sentido 
 amplo. Excluem, porém, o nexo de causalidade entre o fato e o dano, a culpa exclusiva da vítima e os 
 fatos imprevisíveis ( caso fortuito e força maior ). 
 QUESTÃO 3: 
 Sim, no caso concreto, será possível a responsabilização do município. O Supremo Tribunal Federal 
 (STF) , no Agravo em Recurso Extraordinário nº 1.385.315/RJ , paradigma do Tema 1237 de 
 repercussão geral , assentou tese no sentido de que: 
 (i) O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de operações de 
 segurança pública, nos termos da Teoria do Risco Administrativo ; 
 (ii) É ônus probatório do ente federativo demonstrar eventuais excludentes de responsabilidade civil; 
 (iii) A perícia inconclusiva sobre a origem de disparo fatal durante operações policiais e militares não é 
 suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do Estado, por constituir elemento indiciário. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO (CEBRASPE) 
 Tópico: Responsabilidade Civil do Estado 
 3. Considere a seguinte situação hipotética: 
 O cidadão João ajuizou ação indenizatória em face do município onde reside, a fim de obter 
 reparação de danos materiais e morais causados por lesão decorrente de disparo de arma de 
 fogo. Nos autos, restou demonstrado que o disparo se deu durante ação da guarda municipal 
 para combate a comércio irregular em praça pública. Na ocasião, os comerciantes irregulares 
 entraram em confronto com a guarda, e a situação escalou para um tiroteio entre os agentes 
 municipais e os comerciantes. João foi atingido em sua residência. A perícia judicial, porém, foi 
 inconclusiva a respeito da origem do disparo, não podendo o perito precisar se o projétil partiu 
 de arma de fogo pertencente aos agentes municipais. 
 A partir dessa situação hipotética, responda aos questionamentos que se seguem. 
 1. No direito brasileiro, a responsabilidade civil do Estado está sujeita às mesmas regras da 
 responsabilidade civil dos agentes privados? 
 2. O que se deve demonstrar para caracterizar a responsabilidade civil estatal? 
 3. O Estado pode apontar alguma circunstância que afaste a responsabilidade? 
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 4. Qual é o entendimento dos tribunais superiores a respeito da responsabilização do município 
 em casos como o apresentado? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 A responsabilidade civil do Estado no direito brasileiro não está sujeita às mesmas regras da 
 responsabilidade civil dos agentes privados. Enquanto a responsabilidade privada é predominantemente 
 subjetiva , exigindo a comprovação de dolo ou culpa, a responsabilidade estatal, via de regra, é 
 objetiva , fundamentada na teoria do risco administrativo . Isso significa que, para a responsabilização 
 do Estado por atos comissivos, basta a comprovação do dano e do nexo de causalidade entre a 
 conduta estatal e o dano, independentemente de culpa. Para atos omissivos, a doutrina e a 
 jurisprudência majoritárias admitem a responsabilidade subjetiva, exigindo a comprovação da culpa do 
 serviço (faute du service). 
 QUESTÃO 2: 
 Para caracterizar a responsabilidade civil estatal, em regra, deve-se demonstrar a ocorrência de um 
 dano (patrimonial ou moral), a conduta (comissiva ou omissiva) do Estado e o nexo de causalidade 
 entre essa conduta e o dano sofrido. Em casos de responsabilidade objetiva (atos comissivos), a culpa 
 ou dolo do agente público é irrelevante. Em casos de responsabilidade subjetiva (atos omissivos), 
 exige-se a comprovação da culpa do serviço. 
 QUESTÃO 3: 
 Sim, o Estado pode apontar circunstâncias que afastem ou atenuem sua responsabilidade. As principais 
 causas excludentes do nexo de causalidade são: culpa exclusiva da vítima , culpa exclusiva de 
 terceiro e caso fortuito ou força maior . A ocorrência de qualquer uma dessas situações rompe o nexo 
 causal entre a conduta estatal e o dano, afastando a responsabilidade do Estado. 
 QUESTÃO 4: 
 O entendimento dos tribunais superiores, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF) , é que a 
 responsabilidade civil do município, assim como dos demais entes federativos, é objetiva para atos 
 comissivos e, em regra, subjetiva para atos omissivos. Em casos de omissão específica (quando o 
 Estado tinha o dever de agir e não agiu, como na guarda de presos ou em obras públicas), a 
 responsabilidade pode ser objetiva. Em casos de omissão genérica (falta de serviço), a 
 responsabilidade é subjetiva. O ônus da prova da causa excludente de responsabilidade é do ente 
 público. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO (CEBRASPE) 
 Tópico: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e Serviços Sociais 
 Autônomos (SSA) 
 4. Discorra sobre as diferenças entre as organizações da sociedade civil de 
 interesse público (OSCIP) e os serviços sociais autônomos (SSA). Em sua 
 resposta, apresente o conceito de cada entidade e aborde as distinções entre elas 
 quanto à sua forma de criação; quanto ao instrumento por meio do qual cada uma 
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 estabelece sua relação com o poder público; e quanto à sua finalidade e área de 
 atuação. 
 Resposta: 
 Conceitos: 
 ● As OSCIPs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em áreas de interesse social e 
 que obtêm a qualificação específica junto ao poder público. No âmbito federal, essas entidades 
 são qualificadas junto ao Ministério da Justiça, conforme a Lei n.º 9.790/1999 . 
 ● Os serviços sociais autônomos (SSA) , por sua vez, são entidades privadas do denominado 
 Sistema S , como SESI e SENAC, que prestam assistência ou ensino a certas categorias 
 econômicas ou grupos profissionais sem integrar a administração pública. 
 Forma de criação: 
 ● As OSCIPs são criadas a partir da qualificação obtida por determinadas pessoas jurídicas, as 
 quais já devem estar em funcionamento em momento anterior a essa qualificação. Ou seja, para 
 se tornar uma OSCIP, a entidade necessariamente já deve funcionar como uma pessoa jurídica 
 sem fim lucrativo, sendo um requisito legal que a entidade já tenha sido constituída e esteja em 
 funcionamento regular pelo período de tempo previsto em Lei. Posteriormente, a entidade 
 pleiteia a sua qualificação como OSCIP, mediante procedimento administrativo, devendo 
 demonstrar o preenchimento dos requisitos legais. Deferido o pedido, a entidade é certificada, 
 recebendo a qualificação como uma OSCIP. 
 ● Já os serviços sociais autônomos são entidades privadas instituídas por lei que integram o 
 Sistema S sem integrar a administração pública. Sua criação não depende de qualquer 
 autorização ou deferimento pelo poder público, nem de qualquer certificação. 
 Instrumento para estabelecimento da relação com o poder público: 
 ● A relação entre a OSCIP e o Estado se dá por meio de um acordo administrativo , na forma de 
 termo de parceria ou instrumento jurídico similar. Caberá a esse instrumento estabelecer a 
 execução de atividades de interesse público e o repassede recursos públicos, devendo a 
 entidade apresentar ao poder público a sua prestação de contas e demonstrar o cumprimento 
 das finalidades previstas no acordo. 
 ● Os SSAs , por sua vez, recebem recursos públicos decorrentes das contribuições legais , os 
 quais são vinculados ao cumprimento das finalidades previstas em Lei. Sua relação com o 
 Estado não se dá por termo de parceria ou por qualquer relação contratual. Os SSAs atuam com 
 maior autonomia em relação ao poder público, embora estejam sujeitos a controle finalístico e 
 fiscalização pelos tribunais de contas e demais órgãos de controle quanto ao uso de recursos 
 públicos. Contudo, essas entidades não estão subordinadas ou vinculadas à administração 
 pública, a qual não pode interferir diretamente nas suas atividades. 
 Finalidade e área de atuação: 
 ● As OSCIPs atuam em diversas áreas de interesse público, como educação, saúde, cultura e 
 meio ambiente, com foco na complementariedade às ações estatais. Sua atuação tem um 
 caráter mais amplo e plural, podendo inclusive participar de políticas públicas em parceria com o 
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 Estado. A sua finalidade e área de atuação específica dependerá do objeto de cada termo de 
 parceria e dos instrumentos similares firmados com o poder público. 
 ● Já os SSAs são voltados para atividades específicas, as quais são previstas em Lei. 
 Normalmente esses serviços atuam com foco em formação profissional, assistência social, 
 cultura e lazer e são voltados especificamente para determinadas categorias profissionais ou 
 setores econômicos, tais como comércio, indústria, transporte, pequenas empresas, entre 
 outros. A atuação dessas entidades é, portanto, mais setorizada e limitada. Elas exercem 
 funções de caráter público, mas focados em setores econômicos específicos. 
 DIREITO ADMINISTRATIVO (CEBRASPE) 
 Tópico: Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e Serviços Sociais 
 Autônomos (SSA) 
 5. Acerca das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) 
 e Serviços Sociais Autônomos (SSA), responda: 
 1. Como um SSA é criado? 
 2. Como uma pessoa jurídica se torna uma OSCIP? 
 3. É necessário que os SSA ou as OSCIP firmem um contrato administrativo para que possam 
 atuar? 
 4. Os SSA e as OSCIP atuam em proveito de toda a população ou em favor de algum grupo 
 específico? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Um Serviço Social Autônomo (SSA) é criado por lei , sendo uma entidade privada que integra o 
 Sistema S, sem fazer parte da administração pública direta ou indireta. Sua instituição não depende de 
 autorização ou certificação do poder público. 
 QUESTÃO 2: 
 Uma pessoa jurídica se torna uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) por 
 meio de um processo de qualificação junto ao poder público, no âmbito federal, junto ao Ministério da 
 Justiça, conforme a Lei n.º 9.790/1999 . Para isso, a entidade já deve estar constituída e em 
 funcionamento regular como pessoa jurídica sem fins lucrativos por um período de tempo previsto em 
 lei, e deve demonstrar o preenchimento dos requisitos legais em um procedimento administrativo. 
 QUESTÃO 3: 
 Para as OSCIPs , sim, é necessário firmar um acordo administrativo , geralmente um termo de 
 parceria ou instrumento similar, para estabelecer sua relação com o poder público e receber recursos. 
 Já para os Serviços Sociais Autônomos (SSA) , não é necessário firmar um contrato administrativo ou 
 termo de parceria para atuar. Eles recebem recursos públicos decorrentes de contribuições legais e 
 atuam com maior autonomia, embora sujeitos a controle finalístico e fiscalização pelos tribunais de 
 contas. 
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 QUESTÃO 4: 
 As OSCIPs atuam em diversas áreas de interesse público, com foco na complementariedade às ações 
 estatais, podendo participar de políticas públicas em parceria com o Estado, e sua atuação tem um 
 caráter mais amplo e plural, dependendo do objeto de cada termo de parceria. Os Serviços Sociais 
 Autônomos (SSA) , por outro lado, são voltados para atividades específicas previstas em lei, focando 
 em formação profissional, assistência social, cultura e lazer para determinadas categorias 
 profissionais ou setores econômicos específicos , como comércio, indústria, transporte, pequenas 
 empresas, entre outros. Portanto, sua atuação é mais setorizada e limitada a grupos específicos. 
 DIREITO CONSTITUCIONAL 
 DIREITO CONSTITUCIONAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Autonomia Municipal 
 1. A respeito da autonomia municipal conforme a Constituição Federal de 1988, 
 responda aos seguintes questionamentos. 
 1 - Quais os antecedentes da autonomia municipal antes da Constituição Federal de 1988 e de 
 que forma a Constituição atual situou essa autonomia? 
 2 - Em que consiste a autonomia política municipal e de que forma ela se manifesta? 
 3 - Em que consiste a autonomia administrativa municipal e de que forma ela se manifesta? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Embora antes mesmo da Constituição Federal de 1988 (CF) já houvesse quem defendesse a 
 capacidade dos municípios de se organizarem, foi o advento dessa Constituição que definiu, de forma 
 expressa, os municípios como entes específicos da federação brasileira e, consequentemente, a 
 autonomia municipal . A CF chegou a definir a autonomia municipal como princípio constitucional 
 sensível , capaz de justificar intervenção da União nos estados e no Distrito Federal (art. 34, inciso VII, 
 alínea c). 
 QUESTÃO 2: 
 A autonomia política relaciona-se com a capacidade dos municípios de eleger seus próprios gestores 
 e legisladores, de se estruturar por meio de lei orgânica aprovada por seu Poder Legislativo, a câmara 
 municipal, e de ter espaço próprio de legislação, decorrente da repartição de competências . No plano 
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 legislativo, a autonomia municipal dá aos vereadores estatuto jurídico semelhante ao dos membros do 
 Congresso Nacional, embora com limitações. Por isso, os vereadores detêm inviolabilidade por suas 
 opiniões, palavras e votos, no exercício do mandato, mas apenas na circunscrição territorial do 
 município. As limitações são análogas às dos parlamentares do Congresso Nacional e das assembleias 
 legislativas. As câmaras municipais podem legislar sobre assuntos de interesse local , atendendo às 
 limitações que a CF prevê. 
 QUESTÃO 3: 
 A autonomia administrativa compreende a capacidade de organizar sua estrutura administrativa, 
 prover os cargos de seus servidores, realizar seu planejamento administrativo e efetuar as próprias 
 contratações, sem ingerência do estado-membro. 
 DIREITO CONSTITUCIONAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Interceptações Telefônicas e Direitos Fundamentais 
 2. Responda, de forma fundamentada na Constituição Federal de 1988 (CF) e na 
 doutrina majoritária, aos seguintes questionamentos. 
 1 - Quais são os principais traços da proteção constitucional contra as interceptações 
 telefônicas ilícitas, no regime da CF? 
 2 - A norma constitucional relativa às interceptações telefônicas constitui um direito fundamental 
 ou uma garantia fundamental? Quais são as diferenças entre garantiase direitos fundamentais? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 A proteção contra interceptações telefônicas ilícitas tem base constitucional, por ser um 
 desdobramento do direito fundamental da proteção à intimidade e à vida privada (art. 5º, inciso X, da 
 Constituição Federal de 1988). Como a maioria dos direitos fundamentais, o direito à proteção da 
 intimidade e da vida privada não tem caráter absoluto, mas relativo, de maneira que a própria 
 Constituição estabelece em linhas gerais as situações em que essa garantia pode ser afastada (art. 5.º, 
 inc. XII): 
 ● por ordem judicial ; 
 ● nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer ; 
 ● para fins de investigação criminal ou instrução processual penal . 
 Isso significa que não se admite interceptação telefônica determinada por autoridade administrativa 
 nem para outros fins que não os de investigação criminal ou de uso em processo penal. Por isso, não é 
 válida interceptação para produzir prova em ações de natureza cível nem para procedimentos 
 disciplinares — sem prejuízo da possibilidade de estes processos utilizarem prova resultante de 
 interceptação telefônica como prova emprestada . 
 QUESTÃO 2: 
 Considerada a classificação entre direitos e garantias fundamentais, a proteção contra interceptações 
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 telefônicas indevidas não é propriamente um direito fundamental . Em geral, considera-se que os 
 direitos fundamentais são os próprios bens jurídicos protegidos pela legislação (constitucional e 
 infraconstitucional), como a vida, a saúde, a liberdade, a privacidade e outros. Na doutrina, diz-se que 
 as normas continentes de direitos fundamentais têm natureza declaratória , enquanto as pertinentes a 
 garantias fundamentais possuiriam natureza assecuratória . 
 As garantias fundamentais são proteções jurídicas voltadas a evitar ofensas aos bens jurídicos. 
 Portanto, elas têm caráter acessório , instrumental , pois não constituem fins em si. A norma 
 constitucional sobre interceptações telefônicas não é um fim em si, mas busca proteger a intimidade e a 
 vida privada dos indivíduos, de modo que constitui, nessa ótica, uma garantia fundamental e não um 
 direito fundamental. Essa classificação auxilia a compreensão do tema, mas não exclui o fato de que as 
 garantias fundamentais também constituem direitos, pelo fato de que atribuem certas prerrogativas aos 
 cidadãos, exercitáveis contra os demais indivíduos e contra o poder público. 
 DIREITO CONSTITUCIONAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Regime Constitucional das Interceptações Telefônicas e Direitos Fundamentais 
 3. Qual a base da proteção contra interceptações telefônicas ilícitas? Ela seria 
 desdobramento de algum direito fundamental? 
 Resposta: 
 A proteção contra interceptações telefônicas ilícitas tem sua base no art. 5º, inciso XII, da 
 Constituição Federal de 1988 (CF/88) , que estabelece a inviolabilidade do sigilo da 
 correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas . 
 Este dispositivo constitucional assegura a privacidade e a intimidade dos indivíduos, sendo um 
 desdobramento direto do direito fundamental à intimidade e à vida privada , previsto no art. 5º, 
 inciso X, da CF/88 . 
 A inviolabilidade das comunicações é uma garantia fundamental que visa proteger a esfera íntima do 
 indivíduo, assegurando que suas conversas e dados não sejam acessados por terceiros sem a devida 
 autorização legal e judicial. A norma constitucional prevê uma cláusula de reserva de jurisdição , 
 permitindo a quebra desse sigilo apenas por ordem judicial , nas hipóteses e na forma que a lei 
 estabelecer, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal . A Lei n.º 9.296/1996 
 regulamenta essa matéria. 
 DIREITO CONSTITUCIONAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Regime Constitucional das Interceptações Telefônicas e Direitos Fundamentais 
 4. A proteção contra interceptações telefônicas tem caráter absoluto? 
 Resposta: 
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 Não, a proteção contra interceptações telefônicas ilícitas não possui caráter absoluto . Embora a 
 inviolabilidade do sigilo das comunicações seja uma garantia fundamental prevista no art. 5º, 
 inciso XII, da Constituição Federal , a própria Constituição estabelece uma exceção a essa regra. 
 A quebra do sigilo das comunicações telefônicas é permitida, conforme a parte final do inciso XII, "por 
 ordem judicial , nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer, para fins de investigação criminal ou 
 instrução processual penal ". Isso significa que, mediante o cumprimento de requisitos legais estritos 
 (Lei n.º 9.296/1996), como a existência de indícios razoáveis de autoria ou participação em infração 
 penal e a impossibilidade de obtenção da prova por outros meios, e com a devida autorização judicial , 
 a interceptação pode ser realizada. 
 Portanto, trata-se de um direito fundamental de caráter relativo , que pode ser excepcionalmente 
 restringido em prol de outros valores constitucionais relevantes, como a segurança pública e a 
 administração da justiça , desde que observados os princípios da proporcionalidade e da reserva de 
 jurisdição . 
 DIREITO CONSTITUCIONAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Regime Constitucional das Interceptações Telefônicas e Direitos Fundamentais 
 5. É possível usar interceptação telefônica como prova em ações de natureza 
 cível ou procedimentos disciplinares? 
 Resposta: 
 Conforme a interpretação majoritária da doutrina e da jurisprudência, especialmente do Supremo 
 Tribunal Federal (STF) , a interceptação telefônica obtida mediante ordem judicial (nos termos do 
 art. 5º, XII, da CF/88 e da Lei n.º 9.296/1996) é admitida exclusivamente para fins de investigação 
 criminal ou instrução processual penal . 
 A Constituição Federal é expressa ao limitar a finalidade da quebra do sigilo telefônico a essas duas 
 hipóteses. Portanto, a utilização de interceptações telefônicas como prova em ações de natureza cível 
 (como ações de família, indenizatórias, etc.) ou em procedimentos disciplinares (administrativos) é, 
 em regra, vedada . Provas obtidas por meio de interceptação telefônica fora das hipóteses 
 constitucionais e legais são consideradas ilícitas e, portanto, nulas , não podendo ser admitidas no 
 processo (teoria dos frutos da árvore envenenada ). 
 Existem discussões sobre a possibilidade de prova emprestada de interceptações penais para outras 
 esferas, mas isso exige rigorosa observância do contraditório e da ampla defesa e não altera a regra 
 de que a interceptação em si não pode ser diretamente decretada para fins cíveis ou disciplinares. 
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 DIREITO PENAL 
 DIREITO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Reparação de danos na esfera penal 
 1. Para que o juiz possa fixar o valor mínimo para reparação dos danos a uma 
 vítima de infração penal, é necessário que haja um pedido expresso e formal na 
 denúncia? Tal valor mínimo deve estar quantificado de forma exata na denúncia, 
 ou é possível fixá-lo sem a quantificação precisa dos danos? Justifique suas 
 respostas com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 
 Resposta: 
 Para que o juiz possa fixar ovalor mínimo para reparação dos danos causados à vítima, conforme o 
 art. 387, IV, do Código de Processo Penal , é necessário que haja um pedido expresso e formal , 
 formulado pelo Ministério Público ou pelo ofendido . A ausência desse pedido expresso e formal pode 
 configurar violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa , conforme entendimento do 
 Superior Tribunal de Justiça (STJ) . Contudo, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que, 
 embora o pedido seja expresso, é desnecessária a indicação de um valor exato na denúncia e a 
 produção de instrução probatória específica para a quantificação dos danos. O juiz pode fixar esse valor 
 mínimo com base nas provas já existentes nos autos, desde que a estimativa seja razoável e 
 proporcional aos danos demonstrados. 
 DIREITO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Concurso de Pessoas e Teorias da Participação 
 2. Dentro do concurso de pessoas, quais são as teorias da participação? 
 Resposta: 
 No âmbito do concurso de pessoas , a doutrina penal discute diferentes teorias sobre a 
 acessoriedade da participação , que determinam o grau de dependência da conduta do partícipe em 
 relação à conduta do autor principal. As principais teorias são: 
 ● Acessoriedade Mínima: Para a punição do partícipe, basta que o fato principal seja típico . Não 
 se exige que seja ilícito ou culpável. Essa teoria é amplamente criticada por permitir a punição 
 do partícipe mesmo quando o autor age licitamente ou sem culpabilidade, o que é incompatível 
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 com a sistemática do Código Penal brasileiro. 
 ● Acessoriedade Limitada: Exige que o fato principal praticado pelo autor seja típico e ilícito . 
 Não se exige que o autor seja culpável. Esta teoria é a mais aceita pela doutrina tradicional 
 brasileira. Contudo, apresenta dificuldades de compatibilização com a autoria mediata , onde o 
 executor age sem culpabilidade (ex: inimputável), e o instigador ou auxiliador é considerado 
 autor mediato, e não partícipe. 
 ● Acessoriedade Máxima ou Extrema: Reclama que, para a punição do partícipe, o fato 
 praticado pelo autor deve ser típico, ilícito e culpável . Se faltar qualquer um desses atributos 
 na ação do agente imediato, a participação desaparece, surgindo a figura do autor mediato . Em 
 provas e concursos públicos, esta teoria afigura-se como a mais coerente, especialmente por ser 
 a autoria mediata aceita de forma praticamente unânime entre os penalistas brasileiros. 
 ● Hiperacessoriedade: Além de exigir que o autor pratique um fato típico, ilícito e culpável, 
 demanda que ele seja efetivamente punido no caso concreto. Essa teoria é considerada 
 descabida, pois pode levar à impunidade do partícipe em diversas hipóteses, mesmo que o autor 
 tenha praticado uma infração penal (ex: autor se suicida após o crime, extinguindo sua 
 punibilidade). 
 O Código Penal brasileiro não adotou expressamente nenhuma dessas teorias. Contudo, pela sua 
 sistemática, as teorias da acessoriedade mínima e da hiperacessoriedade devem ser afastadas. A 
 escolha recai entre a acessoriedade limitada e a acessoriedade máxima , dependendo do tratamento 
 dispensado ao instituto da autoria mediata. Embora a doutrina tradicional se incline pela acessoriedade 
 limitada, a acessoriedade máxima é frequentemente considerada a mais adequada em concursos 
 públicos, dada a aceitação majoritária da autoria mediata. 
 DIREITO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Processo Penal e Prazos Processuais 
 3. A Defensoria Pública goza de prazo em dobro para a resposta à acusação? 
 Resposta: 
 Sim, a Defensoria Pública goza de prazo em dobro para a apresentação da resposta à acusação . 
 Conforme o Art. 396 do Código de Processo Penal (CPP) , nos procedimentos ordinário e sumário, 
 após o recebimento da denúncia ou queixa, o acusado é citado para responder à acusação, por escrito, 
 no prazo de 10 (dez) dias . A prerrogativa do prazo em dobro para a Defensoria Pública é estabelecida 
 por lei específica (Lei Complementar nº 80/94, Art. 44, I, e Art. 186, § 1º, do CPC, aplicado 
 subsidiariamente ao processo penal). 
 Adicionalmente, no rito ordinário, o número máximo de testemunhas que podem ser arroladas pela 
 defesa é de 8 (oito) testemunhas , conforme o Art. 401 do CPP . É importante ressaltar que as 
 testemunhas que não prestam compromisso (como as referidas ou informantes) não são computadas 
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 nesse limite. 
 DIREITO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Teoria Geral da Pena, Execução Penal e Criminologia 
 4. Muito se discute sobre a necessidade de ressocialização dos apenados e sobre 
 a grande dificuldade em se colocar isso em prática. Acerca desse tema e 
 considerando a proibição constitucional de penas de caráter perpétuo, responda, 
 de forma justificada, às seguintes perguntas. 
 1 - Qual o máximo de pena privativa de liberdade a ser cumprida no Brasil e como se dá a 
 questão intertemporal desse limite? 
 2 - O que ocorre caso o preso pratique novo delito enquanto estiver cumprindo pena? 
 3 - A ressocialização se enquadra em que modelo de prevenção — primária, secundária ou 
 terciária? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 O máximo de pena privativa de liberdade a ser cumprida no Brasil é de 40 (quarenta) anos . Este limite 
 foi alterado pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), que modificou o Art. 75 do Código Penal , 
 elevando o teto anterior de 30 anos para 40 anos. A questão intertemporal desse limite se dá pela 
 aplicação do princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa , previsto no Art. 5º, XL, da 
 Constituição Federal . Isso significa que a nova regra dos 40 anos só se aplica aos crimes cometidos a 
 partir da entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019 (23 de janeiro de 2020). Para os crimes praticados 
 antes dessa data, o limite máximo de cumprimento de pena permanece sendo de 30 anos, em respeito 
 ao princípio da legalidade e da anterioridade da lei penal. 
 QUESTÃO 2: 
 Caso o preso pratique novo delito enquanto estiver cumprindo pena, diversas consequências jurídicas 
 podem ocorrer. Primeiramente, a prática de novo crime doloso é considerada falta grave na execução 
 da pena, conforme o Art. 52 da Lei de Execução Penal (LEP) . As consequências da falta grave 
 incluem a regressão de regime (Art. 118, I, LEP), a interrupção do prazo para a progressão de regime 
 (reiniciando a contagem do lapso temporal para novos benefícios), e a possibilidade de perda de até 1/3 
 dos dias remidos pelo trabalho ou estudo (Art. 127, LEP). Além disso, as penas dos novos crimes serão 
 somadas às penas anteriores para fins de unificação (Art. 76 do Código Penal), e o limite máximo de 
 cumprimento de 40 anos será aplicado sobre o somatório total das penas. 
 QUESTÃO 3: 
 A ressocialização do apenado, que é um dos objetivos da pena, enquadra-se no modelo de 
 prevenção terciária . A prevenção terciária atua após a ocorrência do crime, sobre o indivíduo que já 
 foi condenado e está cumprindo pena. Seu principal objetivo é evitar a reincidência, reintegrando o 
 indivíduoà sociedade de forma produtiva e lícita, por meio de programas de educação, trabalho, 
 assistência social e psicológica. Em contraste, a prevenção primária atua nas causas da criminalidade 
 (antes do crime), e a prevenção secundária atua sobre grupos de risco ou em áreas de alta incidência 
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 criminal (também antes do crime, mas de forma mais focada). 
 DIREITO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Erro na Execução (Aberratio Ictus) e Concurso de Crimes 
 5. Considere a seguinte situação hipotética: 
 João, inconformado de ter sido traído por sua esposa, Maria, dirigiu-se ao trabalho desta com 
 intenção de matá-la. Quando a encontrou, ela estava acompanhada por outros colegas de 
 trabalho, momento em que ele sacou sua arma, que portava legalmente, e realizou um disparo 
 em direção a Maria. Em razão da má pontaria de João, o projétil acertou a cabeça de Leonardo, 
 um idoso que estava no ambiente, tendo ele morrido imediatamente em decorrência do fato. 
 Maria, contudo, saiu fisicamente ilesa da situação. 
 Com base nessa situação hipotética, responda aos questionamentos a seguir. 
 1 - Qual(is) o(s) crime(s) praticado(s) por João? 
 2 - Em que espécie de erro o agente incorreu? 
 3 - Incide alguma agravante ou atenuante nessa situação? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Nessa situação, João praticou apenas o crime de feminicídio . Ele não pode responder, ao mesmo 
 tempo, por tentativa de feminicídio contra Maria e homicídio qualificado contra Leonardo, em razão do 
 disposto no art. 73 do Código Penal (CP) . Embora não tenha acertado Maria, sua intenção era 
 matá-la. O art. 73 do CP estabelece que "Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, 
 o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se 
 tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3.º do art. 20 deste Código." 
 QUESTÃO 2: 
 Na situação em apreço, houve erro na execução (aberratio ictus) , conforme o art. 73 do CP . Não se 
 trata de erro quanto à pessoa , pois, nessa hipótese, o agente acerta um alvo, mas se engana diante 
 das circunstâncias fáticas (ex: mata José, achando que era seu irmão gêmeo, Tiago). No aberratio 
 ictus , não há falsa percepção da realidade, mas sim erro de pontaria . Também não se trata de 
 aberratio criminis (CP, art. 74), uma vez que seu erro foi de pessoa para pessoa. 
 QUESTÃO 3: 
 Quanto à consequência jurídica desse concurso de crimes, ainda de acordo com o art. 73, c/c art. 20, § 
 3.º, do CP , João responderá pelo crime objetivado, embora não tenha sido consumado, já que as 
 condições e a qualidade da vítima visada foram transferidas para a vítima ofendida. Ele responde 
 apenas por feminicídio , sem a incidência da agravante de a vítima ofendida ser idosa. O art. 20, § 3.º, 
 do CP dispõe que "O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não 
 se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o 
 agente queria praticar o crime." 
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 DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 PROCESSO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Competência da Justiça Federal e Indígenas 
 1. Considere a seguinte situação hipotética: 
 Um indígena foi vítima de homicídio fora do território indígena. O crime foi motivado por disputa 
 de poder envolvendo famílias rivais pertencentes a uma mesma aldeia e com longo histórico de 
 agressões mútuas. A perícia antropológica concluiu que a disputa pela liderança do microcosmo 
 social indígena está relacionada a pretensões de autodeterminação intrassocial e coloca em 
 risco a integridade e a própria existência da comunidade. 
 A partir dessa situação hipotética, discorra a respeito: 
 1 - das regras de competência para processar e julgar crimes praticados contra indígenas, 
 considerando as disposições da Constituição Federal de 1988 e a jurisprudência do STF e do 
 STJ; 
 2 - da competência para processar e julgar o autor do homicídio no caso apresentado. 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Em regra, a competência para processar e julgar crimes praticados por ou contra indígenas é da 
 Justiça Comum Estadual , conforme estabelece a Súmula n.º 140 do Superior Tribunal de Justiça 
 (STJ) . No entanto, o art. 109, inciso XI, da Constituição Federal de 1988 (CF) , prevê a competência 
 da Justiça Federal para processar e julgar disputas sobre direitos indígenas . 
 A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) , firmada no julgamento do Recurso 
 Extraordinário n.º 419.528 , consolidou o entendimento de que a competência penal da Justiça 
 Federal é atraída apenas em duas situações: quando a acusação for de genocídio , ou quando, na 
 ocasião ou motivação de outro delito em que o indígena seja agente ou vítima, houver disputa sobre 
 direitos indígenas . Por "direitos indígenas", compreende-se o disposto no art. 231, caput , da CF , que 
 reconhece aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições , bem como os 
 direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. 
 QUESTÃO 2: 
 No caso hipotético apresentado, a perícia antropológica concluiu que o homicídio foi motivado por uma 
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 disputa de poder envolvendo famílias rivais da mesma aldeia, o que coloca em risco a integridade e a 
 própria existência da comunidade nativa . Essa situação se enquadra na hipótese de disputa sobre 
 direitos indígenas , especificamente a organização social e a autodeterminação intrassocial da 
 comunidade. 
 Assim, havendo provas de que o verdadeiro motivo da agressão era a disputa de poder entre clãs 
 indígenas, que põe em risco a própria existência da comunidade, a competência para processar e 
 julgar o autor do homicídio é da Justiça Federal . Por se tratar de um crime doloso contra a vida , o 
 julgamento deverá ser realizado pelo Tribunal do Júri Federal , conforme entendimento do STJ 
 (Conflito de Competência n.º 156.502 – RR). 
 PROCESSO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Condução Coercitiva 
 2. Discorra sobre o atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal quanto à 
 condução coercitiva do investigado ou do réu — para interrogatório — e do 
 ofendido e das testemunhas — para os diversos atos processuais. 
 Resposta: 
 A condução coercitiva , embora prevista no art. 260 do Código de Processo Penal (CPP) para o caso 
 de o acusado não atender à intimação para interrogatório, reconhecimento ou outro ato essencial, teve 
 seu alcance significativamente restringido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) . Historicamente, a 
 medida era amplamente utilizada em operações policiais, por vezes sem prévia intimação, sob a 
 justificativa de acautelar a coleta probatória. 
 Contudo, o STF , no julgamento das Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental 
 (ADPFs) n.º 395 e n.º 444 , em junho de 2018, declarou a inconstitucionalidade da parte do art. 260 
 do CPP que autorizava a condução coercitiva do réu ou investigado para interrogatório . A Corte 
 fundamentou sua decisão na violação ao direito à não autoincriminação(ou direito ao silêncio ), que 
 é um preceito fundamental da Constituição. O entendimento é que o juiz, no processo penal, está 
 estritamente vinculado às previsões legais, não sendo admitidas medidas coercitivas atípicas, 
 especialmente aquelas que desrespeitam os princípios da dignidade humana , da presunção de 
 inocência e o direito à liberdade de locomoção . 
 Assim, o atual posicionamento do STF é que a condução coercitiva é inconstitucional quando 
 aplicada ao investigado ou réu para fins de interrogatório . No entanto, a medida permanece 
 possível para outras pessoas , como o ofendido e as testemunhas , nos termos dos arts. 201, § 1.º, e 
 218 do CPP , caso não compareçam após regular intimação sem motivo justificado. Da mesma forma, a 
 condução coercitiva de investigados ou réus para atos diversos do interrogatório , aos quais não são 
 obrigados a comparecer, também é considerada lícita. 
 PROCESSO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Acesso a Dados de Celular e Sigilo Telefônico 
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 3. Discorra sobre o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça a respeito do 
 acesso e da obtenção, pela polícia, de informações constantes de aplicativos e 
 serviços de comunicação em tempo real — como Whatsapp e SMS — instalados 
 em telefone celular regularmente apreendido de suposto autor de fato delituoso, 
 no momento de sua prisão em flagrante. 
 Resposta: 
 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui o entendimento de que, embora a apreensão de um 
 telefone celular em situação de flagrante delito dispense a necessidade de ordem judicial, o acesso ao 
 conteúdo das mensagens armazenadas no aparelho está protegido pelo sigilo telefônico , conforme o 
 art. 5.º, XII, da Constituição Federal de 1988 . Consequentemente, tal acesso se submete ao 
 regramento da Lei n.º 9.296/1996 , que trata da interceptação de comunicações. 
 O STJ considera que o celular transcendeu sua função original de mero instrumento de conversação à 
 distância, tornando-se um dispositivo multifuncional que permite o acesso a correspondências 
 eletrônicas, mensagens e troca de dados de forma análoga à telefonia convencional. 
 Nesse contexto, o acesso ao conteúdo do aparelho regularmente apreendido pela polícia é considerado 
 ilícito se realizado sem prévia autorização judicial ou o consentimento do próprio usuário. Em respeito 
 ao direito à intimidade , a autoridade policial deve apreender o telefone e, em seguida, representar 
 judicialmente pela quebra do sigilo dos dados nele armazenados. 
 Por outro lado, o STJ também entende que, uma vez determinada judicialmente a busca e apreensão 
 do aparelho, é lícito o acesso aos dados nele armazenados, especialmente quando a decisão judicial 
 expressamente autoriza tal acesso. 
 PROCESSO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Reconhecimento de Pessoas 
 4. Com base nas diretrizes do Código de Processo Penal e na jurisprudência do 
 Superior Tribunal de Justiça, explique os requisitos que devem ser observados 
 para garantir a validade do procedimento de reconhecimento de pessoas. 
 Resposta: 
 Para que o procedimento de reconhecimento de pessoas seja válido, é fundamental observar os 
 requisitos estabelecidos pelo art. 226, II, do Código de Processo Penal (CPP) , bem como a 
 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os principais requisitos são: 
 ● Semelhança Física: O suspeito deve ser apresentado junto com outros indivíduos que possuam 
 características físicas semelhantes . O objetivo é evitar qualquer sugestão que possa 
 influenciar a decisão da vítima ou testemunha, garantindo a imparcialidade do ato. 
 ● Evitar Sugestões: O procedimento deve ser conduzido de forma a evitar sugestões que 
 possam influenciar a vítima e comprometer a imparcialidade do reconhecimento. 
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 O STJ, em decisões como o AREsp 2.408.401/PA, tem reafirmado a importância de assegurar a 
 semelhança física entre o suspeito e os demais indivíduos apresentados, como forma de garantir a 
 validade do reconhecimento. O não cumprimento desses requisitos pode comprometer a decisão da 
 vítima e, consequentemente, invalidar o reconhecimento realizado, tornando-o uma prova ilícita. 
 Em síntese, a validade do reconhecimento de pessoas depende da estrita observância dos 
 procedimentos legais, visando evitar influências indevidas e assegurar a imparcialidade e a 
 confiabilidade do ato probatório. 
 PROCESSO PENAL (CEBRASPE) 
 Tópico: Recursos no Processo Penal e Habeas Corpus 
 5. Considere a seguinte situação hipotética: 
 João Miguel foi denunciado pelo Ministério Público (MP) pela suposta prática de roubo simples. 
 Após o recebimento da denúncia, o juiz determinou a citação do réu. Como João Miguel não foi 
 localizado, após a citação editalícia, a pedido do MP, o juiz suspendeu o curso do processo e da 
 prescrição e decretou sua prisão preventiva, sob o fundamento da garantia da aplicação da lei. 
 Ciente dessa decisão, o réu, de próprio punho, interpôs habeas corpus no tribunal de justiça do 
 estado, ordem que foi denegada. 
 Considerando essa situação hipotética, responda, com fundamento na doutrina e na 
 jurisprudência, às indagações a seguir, a respeito do instrumento jurídico processual cabível 
 contra a decisão do tribunal de justiça. 
 1 - Qual é esse instrumento jurídico? 
 2 - Há prazo para sua interposição? E para as contrarrazões? 
 3 - É necessário o preparo? 
 4 - João Miguel, sem capacidade postulatória, pode impetrar esse instrumento? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 O instrumento jurídico cabível contra a decisão denegatória de habeas corpus proferida por Tribunal de 
 Justiça é o Recurso Ordinário Constitucional (ROC) . Não se admite a impetração de novo habeas 
 corpus como substitutivo de recurso próprio, conforme entendimento majoritário dos Tribunais 
 Superiores. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 105, inciso II, alínea "a" , estabelece a 
 competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para julgar, em recurso ordinário, os habeas corpus 
 decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos 
 Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória. 
 QUESTÃO 2: 
 Sim, há prazo para a interposição e para as contrarrazões. O prazo de interposição do Recurso 
 Ordinário Constitucional é de 5 (cinco) dias , devendo ser acompanhado das razões do pedido de 
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 reforma. Para as contrarrazões , o prazo é de 2 (dois) dias . Essas disposições estão previstas na Lei 
 n.º 8.038/1990 , especificamente nos artigos 30 a 32. 
 QUESTÃO 3: 
 Não, não se exige preparo para a interposição do Recurso Ordinário Constitucional em habeas corpus . 
 A isenção de preparo para habeas corpus e seus recursos é expressamente prevista, por exemplo, na 
 Resolução STJ/GP n.º 3 de 5 de fevereiro de 2015 (art. 3º, I). O recurso possui apenas efeito 
 meramente devolutivo. 
 QUESTÃO 4: 
 Quanto à capacidade postulatória para a impetração do Recurso Ordinário Constitucional, há uma 
 divergência de entendimento entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça 
 (STJ). 
 ● O STF admitea interposição do ROC pelo próprio impetrante, mesmo sem capacidade 
 postulatória, em consonância com a natureza do habeas corpus como ação popular que visa 
 proteger a liberdade de locomoção. 
 ● O STJ, por outro lado, inadmite a interposição do ROC por quem não possui capacidade 
 postulatória, exigindo a representação por advogado. 
 LEGISLAÇÃO 
 LEGISLAÇÃO (CEBRASPE) 
 Tópico: Lei nº 11.343/2006 (Lei Antidrogas) 
 1. Quais são os requisitos legais para que o tráfico de drogas seja considerado 
 privilegiado, de acordo com a Lei Antidrogas (Lei n.º 11.343/2006)? Segundo o 
 entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tal benefício deve ser afastado se, 
 ainda que atendidos tais requisitos, a quantidade de droga apreendida não for 
 ínfima (por exemplo, 2 quilos de maconha e 500 gramas de cocaína)? Justifique 
 suas respostas. 
 Resposta: 
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 Para que um caso de tráfico de drogas seja enquadrado como tráfico privilegiado , conforme o artigo 
 33, § 4.º, da Lei Antidrogas (Lei n.º 11.343/2006) , é necessário que o acusado preencha alguns 
 requisitos específicos. 
 O texto legal estabelece que “Nos delitos definidos no caput e no § 1.º deste artigo, as penas poderão 
 ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário , de bons antecedentes , 
 não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa ”. 
 Portanto, os requisitos legais para considerar o tráfico de drogas como privilegiado são: 
 ● primariedade ; 
 ● bons antecedentes ; 
 ● não dedicação a atividades criminosas ; e 
 ● não integração de organização criminosa . 
 O STJ tem consolidado entendimento favorável à aplicação do tráfico privilegiado em situações que 
 preencham os requisitos legais, mesmo quando a quantidade de droga não é ínfima . A corte tem 
 enfatizado que a quantidade de droga apreendida, por si só, não deve ser o único fator determinante 
 para afastar o benefício do tráfico privilegiado. 
 Em vários precedentes, o STJ tem aplicado o tráfico privilegiado quando o agente é primário, possui 
 bons antecedentes e não está envolvido em atividades criminosas ou em organizações criminosas, 
 ainda que a quantidade de droga seja considerável. 
 Configura constrangimento ilegal o afastamento do tráfico privilegiado e da redução da fração de 
 diminuição de pena por presunção de que o agente se dedica a atividades criminosas, derivada 
 unicamente da análise da natureza ou da quantidade de drogas apreendidas. (STJ. 5.ª Turma. REsp 
 1.985.297-SP, rel. min. João Otávio de Noronha, julgado em 29/3/2022). 
 Assim, a posição do STJ é no sentido de que, atendidos os requisitos do artigo 33, § 4.º, da Lei 
 Antidrogas, a aplicação do tráfico privilegiado deve ser considerada, com redução da pena de um 
 sexto a dois terços, mesmo quando a quantidade de droga apreendida não é ínfima . 
 LEGISLAÇÃO (CEBRASPE) 
 Tópico: Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) e ECA 
 2. Considere a seguinte situação hipotética: 
 Luiz, adolescente com quinze anos de idade, apesar de possuir deficiência mental que demanda 
 algumas atenções no ambiente de ensino, sempre teve um desenvolvimento intelectual muito 
 próspero durante os anos em que cursou o ensino fundamental em uma escola pública regular 
 da sua cidade. No ano letivo seguinte, Luiz havia concluído o ensino fundamental, e seus pais 
 foram até uma instituição de ensino médio, também regular, mas privada, para conhecer o local e 
 efetuar a matrícula do filho. No ato da matrícula, a escola informou aos pais de Luiz que o valor 
 da mensalidade sofreria acréscimo de trezentos reais, em razão das medidas individualizadas de 
 apoio que seriam tomadas para que Luiz tivesse maximizado o seu desenvolvimento acadêmico 
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 e social. Constrangidos, os pais do menor saíram da instituição de ensino e buscaram o auxílio 
 da Defensoria Pública local para esclarecer os direitos de Luiz relacionados ao seu ingresso na 
 escola de ensino médio. 
 Acerca da situação hipotética descrita e considerando a legislação de regência e a 
 jurisprudência do STF, responda justificadamente aos seguintes questionamentos. 
 1 - Luiz, na condição de adolescente com deficiência, deveria ser preferencialmente matriculado 
 em uma escola especial de ensino? 
 2 - O fato de ser uma escola regular de ensino médio privada justifica a cobrança de um valor 
 maior na mensalidade de Luiz para que ele tenha uma assistência individualizada em sala de 
 aula? 
 3 - Tendo em vista que a escola não recusou diretamente a matrícula de Luiz, é possível a adoção 
 de medida judicial de cunho indenizatório e de obrigação de fazer? Qual é a natureza da 
 discriminação sofrida por Luiz? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 De acordo com o inciso III do art. 54 do ECA , Luiz deve ser matriculado, preferencialmente, na rede 
 regular de ensino , fazendo jus, no entanto, a atendimento educacional especializado , caso seja 
 necessário. Essa previsão tem cunho constitucional, prevista no inciso III, do art. 208, da CF/88 . 
 QUESTÃO 2: 
 De acordo com o § 1.º do art. 28 da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência , às 
 instituições de ensino privadas , de qualquer nível e modalidade, é vedada a cobrança de valores 
 adicionais de qualquer natureza em suas mensalidades, anuidades e matrículas. Isso engloba, de 
 acordo com o inciso V do referido artigo , questões quanto à adoção de medidas individualizadas em 
 ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência. 
 Isso ocorre porque deve existir uma simetria entre as escolas públicas e as privadas , especialmente 
 porque essas prestam um serviço público , devendo observar, então, normas de ordem pública e de 
 inclusão plena , de caráter vinculante e obrigatório, à luz dos direitos humanos. 
 Ademais, a educação inclusiva das pessoas deficientes deve abranger todos os níveis de 
 aprendizado ao longo de toda a vida, de acordo com o art. 27 da Lei Brasileira de Inclusão da 
 Pessoa com Deficiência . 
 Portanto, ser uma escola privada de ensino médio regular não justifica a cobrança de valores a mais 
 nas mensalidades dos alunos com deficiência. 
 No sentido desse entendimento, julgado do STF: 
 EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. LEI 13.146/2015. 
 ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. ENSINO INCLUSIVO. CONVENÇÃO INTERNACIONAL 
 SOBRE OS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. INDEFERIMENTO DA MEDIDA CAUTELAR. 
 CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 13.146/2015 (arts. 28, § 1.º, e 30, caput, da Lei n.º 13.146/2015). 
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 1. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência concretiza o 
 princípio da igualdade como fundamento de uma sociedade democrática que respeita a 
 dignidade humana. 
 2. À luz da Convenção e, por consequência, da própria Constituição da República, o ensino 
 inclusivo em todos os níveis de educação não é realidade estranha ao ordenamento jurídico 
 pátrio, mas sim imperativo que se põe mediante regra explícita . 
 3. Nessa toada, a Constituiçãoda República prevê em diversos dispositivos a proteção da pessoa 
 com deficiência , conforme se verifica nos artigos 7.º, XXXI, 23, II, 24, XIV, 37, VIII, 40, § 4.º, I, 
 201, § 1.º, 203, IV e V, 208, III, 227, § 1.º, II, e § 2.º, e 244. 
 4. Pluralidade e igualdade são duas faces da mesma moeda. O respeito à pluralidade não 
 prescinde do respeito ao princípio da igualdade. E na atual quadra histórica, uma leitura focada 
 tão somente em seu aspecto formal não satisfaz a completude que exige o princípio. Assim, a 
 igualdade não se esgota com a previsão normativa de acesso igualitário a bens jurídicos, mas 
 engloba também a previsão normativa de medidas que efetivamente possibilitem tal acesso e 
 sua efetivação concreta. 
 5. O enclausuramento em face do diferente furta o colorido da vivência cotidiana, privando-nos da 
 estupefação diante do que se coloca como novo, como diferente. 
 6. É somente com o convívio com a diferença e com o seu necessário acolhimento que pode haver 
 a construção de uma sociedade livre, justa e solidária , em que o bem de todos seja promovido 
 sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação 
 (Art. 3.º, I e IV, CRFB). 
 7. A Lei n.º 13.146/2015 indica assumir o compromisso ético de acolhimento e pluralidade 
 democrática adotados pela Constituição ao exigir que não apenas as escolas públicas, mas 
 também as particulares deverão pautar sua atuação educacional a partir de todas as facetas 
 e potencialidades que o direito fundamental à educação possui e que são densificadas em seu 
 Capítulo IV. 
 8. Medida cautelar indeferida. 
 9. Conversão do julgamento do referendo do indeferimento da cautelar, por unanimidade, em 
 julgamento definitivo de mérito, julgando, por maioria e nos termos do Voto do min. Relator 
 Edson Fachin, improcedente a presente ação direta de inconstitucionalidade . (ADI nº. 
 5.357) 
 QUESTÃO 3: 
 Por mais que não tenha havido uma negativa direta da matrícula de Luiz, a atitude da escola, ao impor 
 uma barreira ao seu acesso - aumento do valor da mensalidade -, pode ser considerada 
 discriminatória , por ter ferido o princípio da efetiva participação e inclusão na sociedade da 
 pessoa com deficiência . 
 Essa atitude pode caracterizar danos morais , a serem perseguidos por meio de ação indenizatória , 
 bem como gerar uma demanda de obrigação de fazer para que a matrícula de Luiz seja realizada sem 
 qualquer custo adicional. 
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 Quanto à natureza da discriminação, é institucional , tendo em vista que ocorreu no âmbito de uma 
 instituição privada, de forma indireta, mas promovendo a exclusão de Luiz , uma pessoa com 
 deficiência. 
 LEGISLAÇÃO (CEBRASPE) 
 Tópico: Competência do Juízo da Infância e da Juventude 
 3. Qual é a natureza jurídica da competência do juízo da infância e da juventude? 
 Resposta: 
 A competência do Juízo da Infância e da Juventude possui natureza absoluta , sendo determinada 
 em razão da matéria e da pessoa (criança ou adolescente). Essa natureza absoluta significa que a 
 competência é inderrogável por convenção das partes e deve ser observada de ofício pelo magistrado. 
 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) , Lei n.º 8.069/1990, é uma lei especial que estabelece 
 um microssistema jurídico protetivo, prevalecendo sobre as regras gerais de competência, como as dos 
 juízos da fazenda pública, quando se trata de direitos e interesses de crianças e adolescentes. 
 LEGISLAÇÃO (CEBRASPE) 
 Tópico: Educação Especial e Inclusão 
 4. O que é assegurado pela legislação brasileira no se refere à educação especial 
 de crianças e adolescentes com deficiência? 
 Resposta: 
 A legislação brasileira assegura à educação especial de crianças e adolescentes com deficiência o 
 direito a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades de ensino, bem como o 
 aprendizado ao longo de toda a vida. Esse direito está fundamentado em diversos diplomas legais, 
 como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) , a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
 Nacional (LDB) e, de forma mais abrangente, a Lei n.º 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da 
 Pessoa com Deficiência – Estatuto da Pessoa com Deficiência) . 
 Entre as principais garantias, destacam-se: 
 ● A inclusão em classes comuns do ensino regular, com a garantia de condições de acesso, 
 participação e aprendizagem. 
 ● O fornecimento de apoio especializado e recursos de acessibilidade, como tecnologias 
 assistivas, materiais didáticos adaptados e profissionais de apoio. 
 ● A oferta de Atendimento Educacional Especializado (AEE) , complementar ou suplementar à 
 escolarização, realizado em salas de recursos multifuncionais ou centros de AEE. 
 ● A formação continuada de professores para o atendimento educacional especializado. 
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 ● A eliminação de barreiras arquitetônicas, atitudinais e comunicacionais que possam dificultar o 
 pleno desenvolvimento e aprendizado desses estudantes. 
 O objetivo é promover a plena participação e o desenvolvimento das potencialidades de crianças e 
 adolescentes com deficiência, garantindo-lhes o direito à educação de qualidade em um ambiente 
 inclusivo. 
 LEGISLAÇÃO (CEBRASPE) 
 Tópico: Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) e Medidas Protetivas 
 5. Considere a seguinte situação hipotética: 
 Maria registrou, na delegacia próxima à sua residência, boletim de ocorrência contra o próprio 
 pai, que a agredira horas antes, por sua condição de mulher transexual. Consta do boletim de 
 ocorrência que, no dia do fato, o pai de Maria, usuário de drogas e álcool, chegou à casa onde 
 ambos residem bastante exaltado, gritando com a vítima. Esta, receosa de que algo ruim 
 pudesse lhe acontecer, pegou sua bolsa para sair de casa, quando seu pai a segurou pelos 
 pulsos e a arremessou em direção à parede, contra a qual ela bateu a cabeça. Ato contínuo, 
 ameaçando matá-la, ele pegou um pedaço de pau para agredi-la, tendo a vítima conseguido 
 desvencilhar-se e sair correndo de casa. Na rua, Maria encontrou uma viatura da Polícia Militar, 
 que a conduziu até a delegacia para o registro da ocorrência. A vítima pediu medidas protetivas 
 ao delegado plantonista e foi encaminhada ao Instituto Médico Legal em decorrência das lesões 
 visíveis nos pulsos e na cabeça. 
 Com base nessa situação hipotética, responda, de forma fundamentada na legislação bem como 
 no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), aos 
 questionamentos a seguir. 
 1 - A Lei n.º 11.340/2006 - Lei Maria da Penha - é aplicável à situação em apreço? 
 2 - Qual a natureza jurídica das medidas protetivas aplicáveis a essa situação? 
 3 - O delegado pode determinar o imediato afastamento do agressor em relação à vítima? 
 Resposta: 
 QUESTÃO 1: 
 Sim, a Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) é aplicável à situação em apreço. A jurisprudência 
 dos tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) , firmou o entendimento de que a 
 aplicação da Lei Maria da Penha não se restringe a considerações sobre a motivação da conduta do

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