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1 
 
1. CONCEITOS BÁSICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 A abordagem do tema urgência e emergência é muito complexa. Para estudarmos o 
assunto é necessário entender alguns conceitos básicos que envolvem este tema. 
 
DIFERENÇA ENTRE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 
URGÊNCIA – ocorrência imprevista de danos à saúde, em que não ocorre risco de morte, ou 
seja, o indivíduo necessita de atendimento médico mediato. Consideramos prioridade moderada 
de atendimento. Exemplo: 
o Dor torácica sem complicações respiratórias; 
o Alguns tipos de queimaduras; 
o Fraturas sem sinais de choques ou outras lesões mais sérias; 
o Vômito e diarreia, acompanhados ou não por estado febril abaixo de 39ºC; 
o Sangramentos e ferimentos leves e moderados (SANTOS, 2008). 
 
EMERGÊNCIA – constatação médica de condições de danos à saúde, que implicam em risco 
de morte, exigindo tratamento médico imediato. Consideramos alta prioridade de atendimento. 
Exemplo: 
o Parada Cardiorrespiratória (PCR); 
o Dor torácica acompanhada de desconforto respiratório; 
o Politraumatismo em geral; 
o Hemorragias de alta intensidade; 
o Queimaduras extensas; 
o Perda do nível de consciência; 
o Intoxicações em geral; 
o Ferimento por arma de fogo (FAF); 
o Ferimento por arma branca (FAB); 
o Estados de choque; 
o Estado febril acima de 40ºC; 
o Gestações em curso com complicações (SANTOS, 2008). 
 
 
OUTROS CONCEITOS 
 
2 
 
EMERGÊNCIAS CLÍNICAS – são aquelas que não tiveram nenhum fator externo que levasse a 
ela. Infartos, embolias pulmonares, acidente vascular encefálico, hipertensão, insuficiência de 
órgãos são alguns exemplos de emergências clínicas. Estas são de origem não traumática, ou seja, 
o paciente não sofreu nenhum tipo de injúria. 
 
EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS – qualquer lesão caracterizada por uma alteração estrutural 
fisiológica resultante da ação de um agente externo, que causa a exposição a determinadas 
energias, como mecânicas, térmicas ou elétricas (SANTOS, 2008). 
 
SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (APH) – é o atendimento emergencial em ambiente 
extra-hospitalar, ou seja, fora do ambiente hospitalar, às vitimas de traumas, seja por acidente de 
trânsito, industriais, aéreos ou outros; por violência nas cidades, como ferimentos por arma de 
fogo (FAF) ou por arma branca (FAB), mal súbito, entre eles cardiológicos, neurológicos e 
outros; ou distúrbios psiquiátricos, objetivando sua estabilização clínica no local do acidente e em 
seguida sua remoção para a unidade hospitalar compatível, adequada ao quadro apresentado pela 
vítima (SANTOS, 2008). 
 
 
Unidade Móvel de APH 
 
 O APH é realizado por profissionais especialmente treinados, como profissionals, técnicos 
de enfermagem, enfermeiros, médicos, e militares do corpo de bombeiros, que estão divididos em: 
o Equipe de Salvamento – as manobras realizadas por essa equipe visam retirar as 
vítimas de uma situação hostil, como, por exemplo, incêndio, ferragens, ambiente 
confinado, altura e outros. Sua característica principal é retirar a vítima para uma área 
adequada, possibilitando o trabalho da equipe, o atendimento básico de vida (SBV). 
o Equipe de Suporte Básico de Vida (SBV) – sua característica principal é atender a 
vítima sem interferência de procedimentos médicos invasivos, pode ser composta por 
profissionais e técnicos de enfermagem. 
o Equipe de Suporte Avançado de Vida (SAV) – sua função principal é atender a 
vítima qualquer que seja seu prognóstico. No Brasil, as manobras de SAV só podem 
ser realizadas por médicos e enfermeiros, qualificados para tal (SANTOS, 2008). 
 
ATENDIMENTO INTRA-HOSPITALAR – é o atendimento realizado dentro do meio 
hospitalar podendo ser chamado de “pronto-socorro”, “pronto-atendimento”, ou simplesmente 
“emergência”. É o local destinado ao atendimento de pacientes com risco de morte que requerem 
atendimento imediato. Deve ser amplo, de fácil acesso para o meio externo e próximo a áreas 
 3 
 
como Centro Cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva e Serviços de Diagnóstico (sala de 
radiologia, tomográfica computadorizada, entre outros). O pronto-socorro deve dispor de: 
o Recepção central; 
o Sala de espera; 
o Sala de triagem; 
o Consultórios; 
o Sala de sutura; 
o Sala de medicação; 
o Sala de observação; 
o Sala para atendimento emergencial, esta sala é destinada para atendimentos a 
pacientes considerados graves, isto é, com risco de morte; 
o Expurgo; 
o Posto de enfermagem; 
o Sanitários para pacientes; 
o Vestiário e sanitários para funcionários (PORTO et al, 2011). 
 Por se tratar de atendimentos emergenciais, este setor de hospital deve estar munido com 
matéria, equipamentos e medicamentos para qualquer tipo de atendimento. Os imprescindíveis 
são: 
o Eletrocardiograma; 
o Monitor cardíaco completo (ECG, oximetria, pressão não invasiva); 
o RX portátil; 
o Desfibrilador; 
o Ventilador mecânico; 
o Aspirador; 
o Bombas para infusão de drogas; 
o Reanimador manual (Ambú); 
o Materiais cirúrgicos para pequenas ou grandes cirurgias como: punção de subclávia, 
pequena cirurgia, traqueostomia, toracotomia, punção lombar, entre outros; 
o Materiais para administração de oxigênio: máscaras, névoa úmida, umidificadores de 
oxigênio e inalação; 
o Material para curativos, gesso, suturas; 
o Medicamentos para atendimentos diversos e de emergência; 
o Materiais para realização de procedimentos de enfermagem. 
 O pronto socorro conta com uma ampla estrutura funcional, a equipe médica é subdividida 
em várias especialidades, muitas vezes dependendo das características do atendimento que o 
hospital presta, em um hospital geral contamos com as seguintes especialidades: cardiologia, 
ortopedia, cirurgia geral, oftalmologia, infectologia, obstetrícia, pediatria, neurologia, nefrologia, 
entre outros. A equipe multiprofissional é composta por enfermeiros, técnicos de enfermagem, 
psicólogos, fisioterapeutas, assistente social, nutricionista e farmacêutico. 
 
2. ATENDIMENTO A VÍTIMA DE TRAUMA 
 
4 
 
TRAUMA 
 O trauma é definido como uma lesão corporal causada pela exposição aguda a uma forma 
de energia. 
 Pode-se definir politraumatizado como o indivíduo vítima de traumatismo de média e 
grande intensidade que atinja no mínimo dois sistemas corporais representados por crânio, tórax, 
abdômen, coluna vertebral e extremidades com necessidades de intervenção cirúrgica com 
objetivo de salvar a vida ou recuperar funções orgânicas. 
 Os acidentes de trânsito e a violência interpessoal (ferimentos por arma de fogo e branca) 
representam a causa mais comum dos eventos traumáticos em todas as idades, apresentando 
predominância em sua mortalidade em crianças e jovens. No Brasil, na consequência do aumento 
do número de veículos, má conservação da malha rodoviária e preparo inadequado de motoristas, 
tem havido aumento tanto no número de acidentes quanto da gravidade das lesões produzidas por 
eles. 
 
AVALIAÇÃO 
 A avaliação é a pedra fundamental para o melhor tratamento do paciente. Para a vítima 
traumatizada, bem como para outros pacientes de emergência, a avaliação é base para todas as 
decisões de atendimento (PHTLS, 2007). 
 Desenvolvem-se uma impressão geral do estado da vítima e estabelecem-se valores basais 
para os estados respiratório, circulatório e neurológico da vítima. As principais preocupações para 
a avaliação e atendimento da vítima traumatizada são as seguintes, em ordem de importância: (1) 
via aérea; (2) ventilação; (3) oxigenação; (4) controle da hemorragia; (5) perfusão; (6) função 
neurológica. Essa sequência protegea habilidade de o organismo ser oxigenado e a habilidade das 
hemácias em levar oxigênio para os tecidos (PHTLS, 2007). 
 
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – quando abordada na cena do trauma, a vítima de um 
acidente pode não parecer gravemente lesada. Pode haver pouca evidência externa de lesão, 
entretanto pode haver lesões internas que levam em considerado uma emergência até que se prove 
o contrário. 
 O primeiro socorro na cena do acidente deve ser fornecido por uma equipe treinada, 
sempre que possível. O simples ato de mover a vítima de uma posição para outra, se feito 
inapropriadamente, pode comprimir a coluna cervical, lacerar o pulmão, romper um grande vaso, 
ou desestabilizar uma fratura. 
 O paciente deve ser transportado com segurança e rapidamente ao hospital. A ênfase do 
atendimento pré-hospitalar deve ser imobilizar a coluna cervical, permeabilizar vias aéreas e 
ventilar o paciente, obter acesso venoso e transportá-lo até o hospital mais próximo com 
condições para oferecer atendimento hospitalar adequado para as necessidades de casa vítima em 
particular. 
 
ATENDIMENTO HOSPITALAR – ao atender um paciente, vítima de politraumatismo, o 
médico e toda a equipe que presta o atendimento, devem estar preparados para reconhecer as 
manifestações clínicas de todas as lesões, tanto as evidentes (externas) como as ocultas (internas). 
Estas manifestações dependem do tipo de trauma da intensidade, da localização e da associação 
de lesões. A gravidade do quadro só pode ser definida após exame criterioso, que não omita 
prováveis causas ocultas (traumas fechados). 
 Na maior parte dos casos, a história é obtida com a equipe que transportou a vítima até o 
hospital. É importante determinar as circunstâncias do acidente, incluindo a velocidade do 
 5 
 
impacto, as condições do veículo, a posição do paciente na cena do acidente, evidências de perda 
de sangue, a evolução do estado mental e o estado dos acompanhantes. 
 As vitimas com trauma moderado e grave requerem uma abordagem precisa, rápida e 
sistematizada na avaliação inicial para que tenham assegurada a melhor chance de sobrevida. 
 
ABORDAGEM PRIMÁRIA 
 O Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões em conjunto com a National 
Association of Emergency Medical Techinicians sistematizou uma abordagem padrão para a 
vítima. As cinco etapas envolvidas no exame primário e sua ordem de prioridade são as que se 
seguem: 
A (Airway) - Vias aéreas com controle cervical 
B (Breathing) - Respiração 
C (Circulation) - Circulação com controle de grandes hemorragias 
D (Disability) - Estado neurológico 
E (Exposure) - Exposição da vitima 
 
PREPARAÇÃO – Em primeiro lugar o profissional deve levar em conta a sua segurança, o que 
inclui, se este tiver em um lugar externo a avaliação da cena, para que este não se torne uma nova 
vítima. O profissional deve atentar-se a sua biossegurança paramentando-se com luvas de 
procedimento, máscara e óculos. 
 
 
 
 
Paramentação Completa 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Etapa A – VIAS AÉREAS E CONTROLE CERVICAL 
 Aproximar-se da vítima e imobilizar a cabeça. Apresente-se a vítima e pergunte o que 
aconteceu? Se a vítima não responder normalmente, examinar as vias aéreas. Desobstruir vias 
aéreas de sangue, vômito, corpos estranhos ou relaxamento da língua, garantindo a imobilização 
da coluna cervical. A etapa A resolvida, passar para a etapa B respiração. 
 
 
 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
Etapa B – RESPIRAÇÃO 
 Checar se a respiração está presente e efetiva: VER, OUVIR E SENTIR. Se a respiração 
estiver ausente iniciar ventilação artificial. Estando presente a respiração, analisar a sua qualidade: 
lenta ou rápida; superficial ou profunda; ritmo regular ou irregular; silenciosa ou ruidosa. 
 
 
 
 
 
– Ver, Ouvir e Sentir 
 
 
 
 
Etapa C – Circulação com Controle de Grandes Hemorragias 
 O objetivo principal é estimar as condições de oxigenação dos tecidos, através da 
verificação do pulso. 
Pulso Carotídeo: vítimas inconscientes. 
Pulso Radial: vítimas conscientes. 
 
 
 
 
 – Verificação de Pulso Carotídeo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 – Verificação de Pulso Radial 
 
 
 
 
ATENÇÃO: Quando a vítima está consciente e respondendo às perguntas, significa que 
vias aéreas estão desobstruídas e que ela está respirando, ou seja, o ar passa pelas 
cordas vocais e chega aos pulmões. Portanto, se a vitima responder normalmente, fazer o 
diagnóstico de vias aéreas permeáveis (“A” resolvido) e respiração espontânea (“B” 
resolvido). 
 7 
 
 
Se a vítima apresentar pulso, avaliar em conjunto: 
Pulso: ritmo, regularidade e força; 
Coloração da pele: pálida ou cianótica; 
Umidade da pele: úmida ou seca; 
Temperatura da pele: quente ou fria; 
Enchimento capilar: o ideal é que esteja abaixo de 2 segundos, levando em consideração as 
condições climáticas. 
 Verificar a presença de grandes hemorragias se houver o sangramento, este deverá ser 
controlado nesta etapa. 
 
Etapa D – Estado Neurológico 
 Esta etapa consiste na análise do nível de consciência, esta alteração de consciência pode 
ser por: 
o Diminuição da oxigenação cerebral (hipóxia): 
o TCE (Traumatismo Crânio Encefálico); 
o lntoxicação por álcool ou drogas; 
o Problemas metabólicos. 
o A avaliação consiste no método AVDI, resposta pupilar e Escala de Glasgow. 
 
Método AVDI 
A – alerta 
V – responde a estímulos verbais 
D – responde a estímulos dolorosos 
I – irresponsivo 
 
Reposta Pupilar 
 Observar tamanho, simetria e reação à luz. 
 
Fotorreagentes: reage a luz. 
 
 
 
 
Isocóricas: tamanhos semelhantes. 
– Pupilas Isocóricas 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
 
 
 
Anisocóricas: tamanhos desiguais. 
– Pupilas Anisocóricas 
 
 
 
 
 
Midríase: pupila dilatada. 
– Midríase 
 
 
 
 
 
 
Miose: pupila contraída. 
 – Miose 
 
 
 
 
Escala de Coma de Glasgow 
 
 
 9 
 
 
 
Etapa E – Exposição 
 
 Consiste na exposição da vítima para o exame secundário. O objetivo é procurar lesões 
que não foram identificadas no exame primário. Entretanto no atendimento pré-hospitalar as 
roupas da vitima deverão ser removidas dentro da ambulância fechada sempre com a presença de 
dois profissionais, é necessário expor lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas pelo exame 
segmentar. 
 
ABORDAGEM SECUNDÁRIA 
 A obtenção e anotação de uma história clínica e um exame físico rápido e completo são 
importantes nos pacientes politraumatizados. Modificações progressivas no quadro clínico 
frequentemente é a chave para o diagnóstico correto das lesões subjacentes ou das complicações, 
principalmente nas injúrias intratorácicas, intra-abdominais e neurológicas, a qual possa não se 
manifestar até várias horas após o trauma. 
 A avaliação secundária ou exame físico deve ser realizado de forma céfalo-caudal e 
também devem ser verificados os sinais vitais da vítima. Além disto, deve-se aplicar o método 
AMPLA, este serve como lembrança de seus componentes-chave e devem ser documentadas no 
prontuário do paciente (PHTLS, 2007). 
 
Alergias: principalmente a medicamentos. 
Medicações: drogas prescritas ou não que o paciente usa regularmente. 
Passado médico e antecedentes cirúrgicos: problemas médicos importantes para os quais o 
paciente recebe tratamento; inclui cirurgias prévias; em caso de mulheres confirmar se a presença 
de gravidez. 
Líquidos e alimentos: muitos pacientes traumatizados precisarãode cirurgia, e alimentação 
recente pode aumentar o risco de vômito e aspiração durante a indução da anestesia. 
Ambiente: eventos que levarão ao trauma 
 
3. VIAS AÉREAS 
 
10 
 
 
 
ANATOMIA E FISIOLOGIA 
 O sistema respiratório é composto por vias aéreas superiores: cavidade nasal, cavidade 
oral e faringe e vias aérea inferiores: laringe, traqueia, pulmões, bronquíolos e alvéolos. Cada 
parte do sistema desempenha um papel importante para garantir as trocas gasosas. Processos 
através do qual o oxigênio entra na corrente sanguínea e o dióxido de carbono é removido 
(PHTLS, 2007). 
 O corpo depende de um suprimento constante de oxigênio, que é disponibilizado para o 
sangue pelo sistema respiratório, que compreende as cavidades nasais, a faringe, traqueia e os 
pulmões. A passagem do ar para dentro e para fora dos pulmões é denominada respiração, durante 
a inalação e/ou respiração o ar entra nos pulmões através do nariz, da boca, da traqueia e dos 
brônquios, sendo previamente aquecido, umedecido e filtrado. Os pulmões se expandem para 
preencher a cavidade torácica dilata e os músculos fecham a laringe para reter o ar. O sangue que 
circula nos pulmões é oxigenado (PHTLS, 2007). 
 Durante a exalação e/ou expiração, os músculos do peito tórax relaxam e a laringe abre, 
liberando ar dos pulmões. O ar exalado carrega com ele dióxido de carbono e outros produtos 
residuais (PHTLS, 2007). 
 Durante a ventilação normal em repouso, chegam aos pulmões cerca de 500ml de ar, parte 
deste volume, 150 ml, fica nas vias aéreas como espaço morto e não participa da troca gasosa 
(PHTLS, 2007). 
 O sistema respiratório possui íntima conjunção com o sistema circulatório, o mesmo é 
responsável por suprir todas as células do corpo com o oxigênio essencial e remover o dióxido de 
carbono, que quando não expelido se torna perigoso ao organismo (PHTLS, 2007). 
 A incapacidade de o sistema respiratório fornecer oxigênio às células, ou de as células 
usarem o oxigênio fornecido, pode levar rapidamente à morte. A falha em eliminar o dióxido de 
carbono pode levar ao coma (PHTLS, 2007). 
 
ATENDIMENTO 
 As vias aéreas devem ser rapidamente verificadas para assegurar que estão abertas e 
limpas e que não existe perigo de obstrução. Se as vias aéreas estiverem comprometidas, terão que 
ser abertas usando métodos naturais como: levantamento do mento e tração da mandíbula. À 
medida que equipamentos e tempo estão disponíveis, o atendimento das vias aéreas pode 
progredir para meios mecânicos como: cânulas oro ou nasofaríngea. 
 O uso de qualquer uma das técnicas de controle das vias aéreas necessita de estabilização 
simultânea da coluna cervical em posição neutra até que o paciente tenha sido completamente 
imobilizado. Todo profissional deve ter um excelente domínio das técnicas fundamentais de 
controle de vias aéreas. 
 
DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS 
 
MANOBRAS MANUAIS – o primeiro passo no tratamento das vias aéreas deve ser uma rápida 
inspeção visual da orofaringe. Corpos estranhos, como pedaços de alimentos, dentes quebrados e 
sangue podem ser encontrados dentro da boca de um traumatizado (PHTLS, 2007). 
 
 11 
 
o Retirada de objetos sólidos – o profissional deve usar luvas para retirar este material 
da boca (corpos estranhos, pedaços de alimentos, dentes quebrados), utilizando os 
“dedos cruzados” para abrir a boca da vítima e a com a outra mão com os dedos em 
forma de pinça ou gancho retirar o objeto. 
o Retirada de líquidos – se for observado líquidos como vômito e sangue, deve ser 
realizado o rolamento de 90°. 
o Relaxamento da língua – na vítima inconsciente, a língua fica flácida, caindo para 
trás e obstruindo a hiporafinge. A língua é a causa mais comum de obstrução de vias 
aéreas. O profissional pode facilmente usar dos métodos manuais para remover este 
tipo de obstrução, porque a língua esta presa a mandíbula e move-se anteriormente 
com ela. Existem dois tipos: 
 Tração da mandíbula no trauma e/ou manobra tríplice. Quando há 
suspeita de traumatismo craniano, cervical ou facial, deve-se manter a 
coluna cervical alinhada em posição neutra. A manobra de tração da 
mandíbula permite ao profissional abrir as vias aéreas com pouca ou 
nenhum movimento da cabeça e da coluna cervical. A mandíbula é 
empurrada anteriormente com os polegares nos arcos zigomáticos e os 
indicadores e dedos médios no ângulo da mandíbula do mesmo lado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• 
 
 Elevação do mento no trauma e/ou manobra modificada. O queixo e os incisivos 
inferiores são apreendidos e elevado para puxar a mandíbula anteriormente. 
 
 Manobra de Heimlich – a asfixia é uma causa comum de morte após engasgo com 
alimentos. É comum em crianças, ocorrendo também em adultos, provocada por uma 
súbita queda de oxigenação, pode levar a morte em poucos minutos, se não 
12 
 
solucionada rapidamente. A obstrução pode ser parcial ou completa. Ser for parcial, a 
vítima conseguirá tossir e poderá haver um ruído semelhante a um ronco quando ela 
respira. Se a troca de ar for razoavelmente boa, incentive a vítima a tossir e expelir o 
corpo estranho, observando sempre os sinais de redução de passagem de ar. Deve-se 
estar preparado para prestar atendimento de emergência em qualquer caso de 
obstrução completa das vias aéreas. A ajuda de suporte médico deve ser solicitada e, 
em seguida inicie a manobra de Heimlich e/ou manobra de afogamento ou engasgo. 
VÍTIMA CONSCIENTE: 
1. Manter contato direto com a vítima, identificar-se. 
2. Fique atrás da vitima em pé, realizando a abertura de compasso (pernas abertas). Mantenha 
os cotovelos afastados das costelas da vítima. Coloque o polegar de uma das mãos na linha 
média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo 
xifoide; mantendo o polegar posicionado, forme um punho. 
3. Agarre o punho com a outra mão (polegares em direção a vitima). 
4. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressione o punho contra o abdome da 
vítima. 
5. Dê cinco impulsos, separados e distintos, e depois reavalie a vítima. Se as vias aéreas da 
vítima ainda estiverem obstruídas, passe para a lateral da vítima e segure a mandíbula com 
dedos em tesoura para controle cervical. Abaixe o tórax da vítima e com a mão em forma de 
concha realize cinco tapotagens no centro da escapula, intercalando com os cincos 
impulsos. 
6. Vítimas obesas ou grávidas os impulsos devem ser realizados no centro da linha mamilar, 
ou seja, impulsos torácicos. 
7. VÍTIMA INSCONSCIENTE: 
8. Se a vitima durante a manobra perdeu a consciência, coloque a vitima em decúbito dorsal 
no solo usando a técnica apropriada. 
9. Avalie a vias aéreas novamente, se visível o corpo estranho, retire com a manobra “dedos 
cruzados”. 
10. Se não, fique em posição a cavaleiro, e inicie os impulsos com as mãos sobrepostas na 
mesma região anterior, realize cinco impulsos. 
11. Realize rolamento de 90° e posterior cinco tapotagens. 
12. Avalie as vias aérea da vitima e continue intercalando os impulso e tapotagem até 
desobstruir vias aéreas. 
 
ACESSÓRIOS BÁSICOS – quando as técnicas manuais falham na correção de obstrução 
anatômica das vias aéreas, o próximo passo é a utilização de vias aéreas artificiais. 
 
o Cânula Orofaríngea (Cânula de Guedel) – é o recurso artificial mais comumente 
utilizado. A COF pode ser inserida de forma direta ou invertida. 
 
 13 
 
o Cânula Nasofaríngea – é um dispositivo flexível, como borracha, que é inserido através 
de uma das narinas e ao longo da curvatura da parede posterior da nasofaringe e 
orofaringe. Utilizado em pacientes incapazes de manter vias aéreaspérvias. 
 
 
ASPIRAÇÃO – a vítima de trauma pode não ser capaz de eliminar de maneira eficiente o 
acúmulo de secreções, vômitos, sangue ou corpos estranhos da traqueia. A aspiração é uma etapa 
importante na manutenção da permeabilidade das vias aéreas. A sonda flexível provavelmente não 
será eficaz na aspiração de grandes quantidades de corpos estranhos ou líquidos de faringe de um 
paciente traumatizado como lesão de encéfalo por exemplo; neste caso, o melhor será usar sonda 
de ponta em rígida para limpar a orofaringe. 
 
 
 
4. VENTILAÇÃO 
 
 
ANATOMIA E FISIOLOGIA 
 O processo de oxigenação no organismo humano envolve três fases: 
1. Respiração externa é a transferência das moléculas de oxigênio da atmosfera 
para o sangue. O oxigênio compõe aproximadamente 21% da atmosfera terrestre. 
Todo o oxigênio alveolar existe como gás livre; portanto, cada molécula de 
oxigênio exerce pressão. Aumentando a porcentagem de oxigênio no ar 
inspirado, aumentará a tensão de oxigênio alveolar. 
2. Distribuição do oxigênio é o resultado da transferência de oxigênio da atmosfera 
para as hemácias durante a ventilação e seu transporte por estas até os tecidos, 
através do sistema cardiovascular. Este processo envolve primeiramente o débito 
cardíaco, a concentração de hemoglobina e a saturação de oxihemoglobina. 
3. Respiração Interna é o movimento, ou difusão, do oxigênio das hemácias para as 
células teciduais. Normalmente o metabolismo ocorre via glicólise e ciclo de 
Krebs para produzir energia e remover os subprodutos dióxido de carbono e 
água. Visto que a verdadeira troca de oxigênio, entre as hemácias e os tecidos, 
ocorre através das finas paredes de capilares, se a FiO² (fração de oxigênio 
inspirado) for baixa (interrupção no fornecimento) ou se a circulação nos leitos 
capilares estiver comprometida (interrupção do fluxo), diminuirá o oxigênio 
disponível para consumo. Os tecidos não serão capazes de utilizar quantidades 
adequadas de oxigênio se estas não chegarem até eles (PHTLS, 2007). 
 
14 
 
 
A frequência respiratória normal em repouso, medida pelo número de respirações por minuto, é de 
12 a 20 em adultos. 
 
PARADA RESPIRATÓRIA 
 Ocorre quando uma vítima para de respirar. O coração pode continuar bombeando o 
sangue durante vários minutos e a circulação continua enviando oxigênio dos pulmões para os 
tecidos durante algum tempo. Se houver uma intervenção precoce é possível reverter o quadro e 
prevenir a parada cardíaca; caso contrário, com o passar do tempo o coração para, a circulação é 
suspensa e o quadro se agrava (PHTLS, 2007). 
 Causas de parada respiratória: 
 obstrução de vias aéreas por corpo estranho; 
 estados de inconsciência – levando à obstrução de vias aéreas por queda da língua na 
faringe posterior; 
 afogamento; 
 acidente vascular cerebral; 
 inalação de fumaça; 
 epiglotite, laringite; 
 overdose de drogas; 
 trauma. 
 
ATENDIMENTO 
AVALIAR PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE RESPIRAÇÃO – após a abertura das vias 
aéreas, o profissional deve determinar se a vítima apresenta ou não respiração espontânea e 
adequada, utilizando a seguinte técnica: 
 
Colocar um dos ouvidos próximo à boca e ao nariz da vítima, observar o tórax, e: 
– sentir se há fluxo de ar; 
– ouvir se há saída de ar durante a expiração; 
– ver se há movimentos de tórax e abdome. 
Esse procedimento não deve levar mais do que 5 a 10 segundos. 
 Respiração difícil ruidosa e esforços respiratórios (retrações dos espaços intercostais) e 
cianose podem indicar obstrução de vias aéreas ou respiração agônica, que antecede a parada 
cardíaca. O profissional deve estar atento para aplicar ventilações artificiais na vítima que não 
respira adequadamente. 
 Sinais e Sintomas 
o Inconsciência; 
o Ausência de movimentos respiratórios; 
o Cianose de extremidades. 
 Identificando que a vítima não apresenta respiração, iniciar a ventilação artificial. 
 
 
 15 
 
MÉTODOS DE VENTILAÇÃO ARTIFICIAL 
 
VENTILAÇÃO BOCA-A-BOCA – método simples, visto que 
não necessita de nenhum equipamento (somente um protetor) e, 
eficiente, considerando-se que o ar exalado pelo profissional tem 
oxigênio (cerca de 17%) suficiente para manter as necessidades do 
paciente por algum tempo. 
 
 
 Técnica: 
o Manter a abertura das vias aéreas, utilizando a manobra modificada; 
o Com o polegar e indicador da mão que está na testa, pinçar o nariz da vítima; 
o Inspirar normalmente e adaptar a boca na boca da vítima, vedando-a completamente; 
o Injetar ar nas vias aéreas da vítima. Em seguida, repetir o procedimento, garantindo um 
tempo para as duas insuflações (2 segundos entre uma e outra); 
o O volume de ar na ventilação deve ser suficiente para expandir o tórax. Caso isso não 
ocorra na primeira ventilação, reposicionar a cabeça da vítima e tentar novamente; 
o Reavaliar se a vítima voltou a respirar; caso ainda esteja em parada respiratória, manter as 
insuflações a um ritmo de 10 ventilações por minuto (uma respiração a cada 5 segundos), 
caso o paciente não respire, mas tenha pulso. 
o Indicadores de ventilação adequada: 
o observação da expansão do tórax; 
o sensação do fluxo de ar na expiração. 
 
Estudos comprovaram o risco de transmissão de doenças com a exposição a secreções, 
como sangue, saliva etc. Para realizar a respiração boca-a-boca, o profissional pode utilizar um 
protetor (máscaras ou protetores faciais). Esse equipamento faz uma barreira, dificultando o 
contato direto com secreções da vítima e deve ser colocado sobre a boca e nariz da vítima, 
completamente vedados. Preferencialmente, utilizar máscaras faciais de bolso, com válvula de via 
única (impede exposição com ar exalado pela vítima). Se utilizado corretamente, é uma forma 
confiável de ventilação e, algumas vezes, permite acoplar uma entrada de oxigênio. 
 
Protocolo: 
2 ventilações de resgate (2 segundos entre uma e outra), 
Reavaliar vítima sem respiração mas com pulso 
 
PARADA RESPIRATÓRIA 
Realizar um ciclo contínuo de 20 ventilações (5 segundos entre uma e outra) 
 
Realizar por 2 minutos reavaliar a vítima. 
OXIGÊNIO OFERTADO: 17% (AR AMBIENTE) 
16 
 
 
Ventilação Bolsa-Válvula-Máscara (Ambú): Equipamento sempre 
disponível nos serviços de emergência e deve ser utilizado pelos 
profissionais de saúde. Constituído de uma bolsa para insuflação de ar e 
máscaras destinadas a cobrir hermeticamente a face da vítima. Permite 
liberação de quantidades maiores de oxigênio do que a ventilação boca-
a-boca (cerca de 21%). Entretanto, seu manuseio depende de pessoas 
treinadas para garantir a eficácia. Alimentar o ambú com uma fonte de 
100% de oxigênio se disponível (PHTLS, 2007) 
 Sempre que possível, a vítima deve contar com uma cânula 
orofaríngea (cânula de Guedel) para facilitar a entrada do fluxo de ar 
durante a ventilação com bolsa-válvula-máscara antes da chegada do 
suporte avançado. 
 Recomenda-se a presença de dois profissionais para ventilação com a bolsa-máscara; o 
primeiro mantém com as duas mãos uma pressão firme da máscara e o segundo comprime 
completamente a bolsa, lenta e suavemente, durante 2 segundos. 
 
Protocolo: 
2 ventilações de resgate (2 segundos entre uma e outra), 
Reavaliar vítima sem respiração mas com pulso 
 
PARADA RESPIRATÓRIA 
Realizar um ciclo contínuo de 20 ventilações (5 segundos entre uma e outra) 
Realizar por 2 minutos reavaliar a vítima. 
OXIGÊNIO OFERTADO – SEM O² E RESERVATÓRIO: 21% (AR AMBIENTE) 
OXIGÊNIO OFERTADO – COM O²: 60% (12 A 15 L/min) 
OXIGÊNIO OFERTADO – COM O² + RESERVATÓRIO:100% 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANUTENÇÃO DAS VIAS AÉREAS ARTIFICIAIS 
 
Método Mecânico Avançado 
 
OBSERVAÇÃO: a ventilação por bolsa-válvula-máscara pode ser realizada através da 
máscara laríngea, combitube, obturador esofagiano, tubo endotraqueal e traqueostomia. 
Entretanto, no atendimento primário, não se recomenda despender tempo para a 
colocação desses equipamentos – estão reservados para uma segunda fase (atendimento 
secundário). 
 
 17 
 
INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL – consiste na introdução de um tubo na luz da traqueia. Ela 
pode ser realizada através da via nasotraqueal, via orotraqueal ou abertura na parede da traqueia 
(transtraqueal). A finalidade da intubação endotraqueal consiste em estabelecer e manter a via 
aérea nos pacientes com insuficiência respiratória ou hipóxia (PHTLS, 2007). A intubação 
endotraqueal está indicada para os seguintes motivos: 
1. Estabelecer uma via aérea para os pacientes que não podem ser adequadamente ventilados 
por uma via orofaríngea; 
2. Desviar-se de uma obstrução da via aérea superior; 
3. Evitar a aspiração; 
4. Permitir a conexão do paciente com o ambú de reanimação ou ventilador mecânico; 
5. Facilitar a remoção das secreções traqueobrônquicas. 
 
Material: 
o Cânulas de intubação traqueal (nº 2,5 a 9,0). 
o Cabo de laringoscópio com pilhas ativas. 
o Laringoscópio (cabo e lâminas de nº 0 a 4). 
o Aspirador para secreções. 
o Luvas de procedimentos. 
o Anestésico gel, a 2%, sem vasoconstritor. 
o Gazes. 
o Cadarço para fixação da cânula. 
o Pinças de Magill (adulto e pediátrico). 
o Fio guia para aumentar a rigidez da cânula. 
o Seringa (para inflar o cuff). 
Lembre-se que a técnica de intubação deve ser realizada somente por médicos. 
 
Técnica: 
o A vítima deve estar em decúbito dorsal; 
o Lembrar que a pré-oxigenação durante 3 a 5 minutos aumenta a reserva pulmonar e 
diminui a incidência de hipóxia e depressão cerebral; 
o A cabeça da vítima deve estar na altura do apêndice xifoide do profissional que irá 
realizar; 
o Manter os ombros encostados no leito; 
o Coxim sob o occipital para elevar 10 cm a cabeça do paciente; 
o Extensão da articulação atlanto-occipital; 
o Abertura da boca; 
o Inserção da lâmina do laringoscópio pelo lado direito da boca; 
o Afastar língua para o lado esquerdo; 
o Avançar até a valécula e levantar a epiglote – lâmina curva; 
o Avançar até abaixo da epiglote – lâmina reta; 
o Deslizar laringoscópio para frente e para cima; 
o Pressão cricóide – Manobra de Sellick; 
o Visualizar glote; 
o Proceder suavemente a intubação até passar as cordas vocais; 
o Inflar o balonete; 
18 
 
o Certificar o correto posicionamento do tubo; 
o Conectar ao sistema de ventilação. 
 
 
Cuidados a vítima com um Tubo Endotraqueal 
Imediatamente Depois da Intubação: 
1. Verifique a simetria da expansão torácica. 
 Ausculte os sons respiratórios das regiões anterior e lateral do tórax em ambos os 
lados. 
 Obtenha a prescrição de uma radiografia de tórax para verificar a posição correta 
do tubo. 
 Verifique a pressão do balão a cada 8-12 horas. 
 Monitore para os sinais e sintomas de aspiração. 
2. Garanta a umidade elevada; uma névoa visível deve aparecer na peça em T ou no equipo 
do ventilador. 
3. Administre de 12 a 15 L/min de oxigênio. 
4. Fixe o tubo na face da vítima com esparadrapo e marque a extremidade proximal para a 
manutenção da posição. 
 Introduza uma via aérea oral (cânula de Guedel) para evitar que o paciente morda 
ou obstrua o tubo. 
5. Utilize a técnica de aspiração e o cuidado das vias aéreas estéreis para evitar a 
contaminação iatrogênica e a infecção. 
6. Continue a reposicionar o paciente a cada 2 horas e quando necessário, a fim de evitar a 
atelectasia e otimizar a expansão pulmonar. 
7. Forneça a higiene oral e aspire sempre que for necessário. 
 
 
Protocolo: 
Na ventilação com vias aéreas avançadas – INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL devem ser 
realizadas 8 a 10 ventilações por minuto (5 a 8 segundos entre uma e outra) 
 
 Realizar até o paciente ser conectado a uma ventilação mecânica. 
 
 
OXIGÊNIO FORNECIDO: 12 a 15 L/min. 
 
Método Mecânico Alternativo 
 
OBTURADOR ESOFÁGICO – indicado para situações em que a intubação endotraqueal esteja 
impossibilitada e a vítima necessite de uma ventilação de emergência. É um dispositivo que conta 
com uma máscara facial que cobre boca e nariz, adaptada a um tubo com balonete na extremidade 
contrária à da máscara. O tubo é passado por via oral e se localizará no esôfago, o qual será 
 19 
 
obliterado pela insuflação do balonete. A vítima é ventilada através da máscara, que deve estar 
bem adaptada à sua face. 
 
 
 
 
 
 – Obturador Esofágico 
 
 
 
 
 
MÁSCARA LARÍNGEA - é um tubo de silicone com uma extremidade em forma de máscara 
triangular com toda sua borda inflável. A extremidade com a máscara é posicionada por via oral 
sobre a abertura da laringe, sendo posteriormente insuflada sua borda para evitar o deslocamento e 
isolar a laringe das estruturas vizinhas. A ventilação se faz através de tubo semelhante a uma 
cânula. Para sua colocação não é necessário alinhamento de eixo (cabeça e pescoço) como na 
intubação traqueal, o que pode ser uma vantagem nos pacientes de trauma. Protege contra 
regurgitação de conteúdo gástrico, mas não de forma tão eficaz como a intubação traqueal. 
 Encontra-se disponível também no mercado uma máscara laríngea que possibilita a 
passagem de uma cânula de intubação traqueal. 
 
 – Máscara Laríngea 
 
 
COMBITUBE – o combitube é uma via aérea avançada com um tubo de saída de ar e dois de 
entrada. Sua grande vantagem é a de que não importa em qual canal o tubo entra, se a traquéia ou 
o esôfago, sempre é possível efetuar a ventilação, pois a ventilação pode ser direcionada pelos 
tubos de entrada. É indicada em casos de trauma onde a colocação é de difícil acesso. 
 
 
 
 – Combitube 
 
 
 
 
 
 
20 
 
Método Cirúrgico 
 
CRICOTIREOIDOSTOMIA – a cricotireoidostomia por punção ou percutânea consiste em um 
acesso rápido e emergencial das vias áreas através da simples perfuração da membrana 
cricotireóidea por um cateter intravenoso de grosso calibre, comunicando a luz da via aérea com o 
meio externo. 
Esse procedimento está indicado quando não é factível o acesso a vias aéreas a partir de 
outro método. É realizada nos casos de: 
o Edema de glote; 
o Lesões na coluna cervical; 
o Laringoespasmo; 
o Hemorragias orofaríngea e no tecido cervical; 
o Trauma maxilofacial extenso. 
o Obstrução da laringe. 
Só se consegue uma oxigenação adequada por um espaço curto de tempo, suficiente até 
que um outro método definitivo seja obtido, como por exemplo uma traqueostomia. É utilizada 
como último recurso para acessar as vias aéreas. 
 
 Lembre-se que a técnica de Intubação deve ser realizada somente por médicos. 
 
Técnica 
1. Prepara-se um tubo de oxigênio fazendo uma fenestração no final do tubo; o outro 
extremo deve ser conectado a uma fonte de O2, assegurando um fluxo livre. Monta-se 
um cateter intravenoso 12G ou 14 G, com 8,5 cm, em uma seringa de 6 ou 12ml. 
2. Paciente em decúbito dorsal horizontal. 
3. Assepsia e antissepsia do campo operatório. 
4. Palpação da membrana cricotireóidea. Com o polegar e o dedo indicador de uma mão, 
estabiliza-se a traquéia para evitar movimentos laterais durante o procedimento. 
5. Punção da pele na linha média com o cateter intravenoso acoplado a seringa sobre amembrana cricotireóidea. Uma pequena incisão com lâmina 11 facilita a passagem da 
agulha pela pele. Direciona-se a agulha 45o caudalmente, enquanto aplica-se pressão 
negativa na seringa. Cuidadosamente insere-se a agulha através da ½ inferior da 
membrana cricotireóidea, aspirando na medida em que o cateter intravenoso avançar. A 
aspiração de ar significa entrada na luz da traquéia. 
6. Retira-se a seringa e a guia do cateter intravenoso enquanto cautelosamente avança o 
cateter em posição descendente, com cuidado para não perfurar a parede posterior da 
traquéia. 
7. Acopla-se o tubo de O² no cateter segurando-o no pescoço do paciente. A ventilação deve 
ser obtida através de um alto fluxo de O² (10 L/min.). A ventilação intermitente pode ser 
obtida ocluindo o buraco aberto no tubo de oxigênio com o polegar por 1 segundo e 
abrindo por 4 segundos. Após retirar o polegar do furo, a expiração passiva ocorre. A 
PaO² se manterá adequada por, no máximo, 30-45 minutos, após esse tempo, o paciente 
poderá entrar em hipercapnia e hipóxia. 
8. Observar a expansibilidade e auscultar o tórax para ventilar adequadamente. 
 
 21 
 
 Dentre as complicações deste procedimento incluem: asfixia, aspiração, celulite, 
perfuração esofágica, hematomas, perfuração da parede posterior da traquéia, enfisema 
subcutâneo e/ou mediastinal, perfuração da tireóide, ventilação inadequada do paciente levando a 
hipóxia e morte. 
 
TRAQUEOSTOMIA – procedimento cirúrgico em que é feita uma abertura para dentro da 
traquéia. O tubo de demora inserido dentro da traquéia é chamado de tubo de traqueostomia. 
Uma traqueostomia pode ser temporária ou permanente. 
 Uma traqueostomia é empregada para desviar de uma obstrução da via aérea superior, 
permitir a remoção das secreções traqueobrônquicas, permitir o uso da ventilação mecânica por 
longo prazo, evitar a aspiração de secreções orais ou gástricas no paciente inconsciente ou 
paralisado (através do fechamento da traquéia a partir do esôfago) e substituir um tubo 
endotraqueal. Existem muitos processos patológicos e condições de emergência que tornam 
necessária uma traqueostomia. 
 O procedimento cirúrgico geralmente é realizado na sala de cirurgia, onde a ventilação do 
paciente pode ser mantida. É feita uma abertura cirúrgica no segundo e terceiro anéis traqueais. 
Depois que a traquéia é exposta, insere-se um tubo de traqueostomia com balão de tamanho 
apropriado. O balão é uma inserção insuflável no tubo de traqueostomia que se destina a ocluir o 
espaço entre as paredes da traquéia e o tubo, visando permitir a ventilação mecânica efetiva e 
minimizar o risco de aspiração. O tubo de traqueostomia é mantido na posição através de fitas 
apertadas ao redor do pescoço do paciente. Em geral, uma compressa de gaze estéril é colocada 
entre o tubo e a pele para absorver a drenagem e evitar a infecção. 
Os cuidados pós-traqueostomia incluem a aspiração sempre que necessário. Fluidificar as 
secreções através de nebulização ou instilação de Ringer Lactato ou água destilada, 3-4 gotas 
várias vezes ao dia e realizar limpeza e antissepsia do traqueostoma. 
 
FONTES DE OXIGÊNIO 
O oxigênio pode ser obtido através de uma saída de parede ou de cilindro portátil. 
 
SAÍDA DE PAREDE – oferecem oxigênio através de uma saída de parede colocada no 
quartos dos hospitais e também estão acopladas as ambulâncias. Nos hospitais essa saída é 
conectada a um grande reservatório central, mantido cheio de oxigênio. 
 
CILINDROS DE OXIGÊNIO PORTÁTEIS – os cilindros armazenam oxigênio e 
possibilitam ser transportados para qualquer local. Apresentam um manômetro acoplado, que 
indica a quantidade de oxigênio existente no cilindro. Contêm volumes variados de oxigênio, sob 
pressão extrema. 
 
EQUIPAMENTOS USADOS NA ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO 
 
Além da fonte de oxigênio, outros itens do equipamento usado para administrá-lo são o 
fluxômetro e o umidificador. 
 
FLUXÔMETRO – o fluxo de oxigênio é medido em litros por minutos (L/min). Um 
fluxômetro é um calibrador usado para regular a quantidade ministrada ao paciente, que fica preso 
à própria fonte de oxigênio. Para ajustar a taxa de fluxo, o profissional deve girar o medidor até 
22 
 
que o indicador esteja diretamente ao lado da quantidade prescrita. A concentração de oxigênio é 
também chamada de fração de oxigênio inspirado (FIO²; a fração de oxigênio em relação ao total 
de gás inspirado). 
 
UMIDIFICADOR – um umidificador é um equipamento que produz pequenas 
quantidades de gotículas de água e que pode ser usado durante a administração de oxigênio, pois o 
gás resseca as membranas mucosas. Na maioria dos casos, o oxigênio é umidificado somente 
quando mais de 4 L/min são administrados, durante um longo período. Para fazer isso, enche-se 
uma garrafa com água destilada, acoplando-se ao fluxômetro. O nível de água é verificado 
diariamente e reposto. 
 
DISPOSITIVOS UTILIZADOS NA ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO 
 
Os dispositivos de oxigênio são os óculos nasais, as máscaras, cateter nasal, dentre outros. 
O aparelho prescrito depende do estado de oxigenação do paciente, de sua condição física e da 
quantidade de oxigênio necessária para cada emergência. 
 
CATETER NASAL. É uma sonda para administração de oxigênio inserida no nariz em direção à 
faringe nasal posterior. O cateter é usado nos pacientes que tendem a respirar pela boca ou que 
apresentem claustrofobia quando temo rosto coberto por uma máscara. O profissional prende-o ao 
nariz do paciente, para evitar seu deslocamento. 
 
Taxas de Administração O²: 
 1 a 5 L/MIN 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 30% 
 
 
 
ÓCULOS NASAIS. Os óculos nasais são uma sonda côncava, com extremidade de 1,25 cm 
presas no interior das narinas do paciente. São fixados no local, enrolando-se o mesmo ao redor 
das orelhas e ajustando-se a medida sob o queixo. Eles permitem a administração de baixas 
concentrações de oxigênio – 2 a 6 L/min. Por isso, são o recurso ideal para aqueles pacientes não 
exageradamente hipóxicos ou para os que têm doenças pulmonares crônicas. 
 
 
Taxas de Administração O²: 
 2 a 6 L/min 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 40% 
 
 
 
MÁSCARA SIMPLES. Uma máscara simples é encaixada sobre o nariz e a boca, permitindo que 
o ar atmosférico entre e saia através de membranas laterais. Uma tira elástica segura-a no lugar. 
Essa máscara, bem como outros tipos de máscaras, permite a administração de níveis elevados de 
oxigênio, o que não é possível com um óculos nasal. Quando a máscara e utilizada, o oxigênio é 
fornecido, no mínimo a 5 L/min. 
 
 
 23 
 
 
Taxas de Administração O²: 
 5 a 8 L/min 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: 35 a 50% 
 
 
 
MÁSCARA COM RESERVATÓRIO E DE REINALAÇÃO PARCIAL. Uma máscara com 
reservatório de reinalação parcial é um dispositivo de oxigênio pelo fornecimento o qual o 
paciente inala um minuto de ar atmosférico, de oxigênio oriundo de uma determinada fonte e de 
oxigênio contido dentro uma bolsa reservatória. Trata-se de um meio para reciclagem do oxigênio 
e de ventilação de todo o dióxido de carbono, durante a expiração. É na expiração que o primeiro 
terço do ar exalado entra nessa bolsa reservatória. Esse ar contém uma grande proporção de 
oxigênio, pois vem diretamente das vias aéreas superiores; o gás ai contido não participa das 
trocas gasosas ao nível alveolar. Uma vez que a bolsa reservatória se encha, o ar remanescente 
exalado é liberado na atmosfera através de pequenos orifícios na máscara. 
 
 
Taxas de Administração O²: 
 6 a 10 L/min 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: 35 a 60% 
 
 
 
 
MÁSCARA COM RESERVATÓRIO E DE REINALAÇÃO TOTAL. Nessamáscara com 
reservatório e de reinalação total todo o ar expirado sai dela, em vez de permanecer parcialmente 
na bolsa reservatória. Ela visa a administração de cerca de 90 a 100% de FIO². Esse tipo de 
máscara contém uma válvula de via única, que permite a inalação somente do oxigênio da bolsa 
reservatória. Não se inspira ar atmosférico. Todo o ar exalado é ventilado pela máscara. Nenhum 
ar entra na bolsa reservatória. É evidente que os pacientes que requerem o uso dessa máscara são 
aqueles que necessitam elevadas concentrações de oxigênio. Costumam ser pacientes criticamente 
doentes, que algumas vezes podem necessitar de ventilação mecânica. 
 
 
Taxas de Administração O²: 
 6 a 10 L/min 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: pode chegar a 100% 
 
 
 
MÁSCARA DE VENTURI. A máscara de Venturi mistura quantidades precisas de oxigênio e ar 
atmosférico. Ela apresenta um grande tubo, que se estende a partir da máscara. Adaptadores em 
seu interior, que são codificados por cor ou regulados por um sistema de medição, permitem que 
somente quantidades específicas de ar ambiental se misturem ao oxigênio. Essa característica 
garante que a máscara de Venturi administre um volume exato de oxigênio. Nesse caso, o uso de 
um umidificador é permitido. 
 
 
24 
 
 
Taxas de Administração O²: 
 4 a 8 L/min 
 OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 40% 
 
 
 
MONITORAÇÃO 
OXIMETRIA DE PULSO. A oximetria de pulso é uma técnica não-invasiva, transcutânea, 
utilizada para monitorização periódica ou continua da saturação de oxigênio no sangue. O 
oxímetro de pulso é composto por um sensor e por um microprocessador. Feixes de luz vermelha 
e infravermelha são emitidas de um dos lados do sensor (em forma de pinça ou adesivo) que fica 
preso a um dedo da mão ou do pé, ao lóbulo da orelha ou na ponte nasal. O lado oposto do sensor 
detecta a quantidade de luz absorvida pela hemoglobina. O microprocessador, então, computa a 
informação e mostra-a em um monitor. A medida de saturação de oxigênio, obtida pelo oxímetro 
de pulso é abreviada e registrada como SO² (saturação de O²). 
 
CAPNOGRAFIA. O capnógrafo, ou monitor de dióxido de carbono expirado mede a pressão 
parcial de dióxido de carbono em uma amostra de gás. O sensor é posicionado diretamente dentro 
da principal rota do gás exalado. Nas vítimas que estão sendo ventilados com bolsa-válvula-
máscara, o sensor é posicionado entre ele e a cânula traqueal. A leitura normal do dióxido de 
carbono expirado em uma vítima traumatizada grave está entre 30 e 40 mmHg. A capnografia 
contínua é outra ferramenta no tratamento pré-hospitalar da vítima traumatizada, mas é pouco 
utilizada nas unidade de APH móvel no Brasil devido ao custo alto do equipamento. Ela deve ser 
usada como uma ferramenta para monitorar o posicionamento do tubo traqueal e também 
monitorar continuamente o estado da vítima durante o transporte. 
 
TOXICIDADE PELO OXIGÊNIO 
 A toxicidade pelo oxigênio refere-se aos danos pulmonares que ocorrem quando são 
administradas concentrações de oxigênio superiores a 50%, por mais de 48 a 72 horas. O 
mecanismo exato pelo qual a hiperoxigenação causa danos aos pulmões não é totalmente 
conhecido. Uma teoria de que ele reduz o surfactante, uma lipoproteína produzida pelas células 
presentes nos alvéolos, que promove a elasticidade pulmonar e melhora a difusão dos gazes. 
 Uma vez ocorrida a toxicidade pelo oxigênio, é difícil revertê-la. Infelizmente, são 
bastante sutis os sintomas iniciais. A melhor prevenção é a administração da menor taxa possível 
de FIO², pelo menor período de tempo possível. 
 
Sinais e sintomas de intoxicação por O² 
o Tosse não-produtiva 
o Dor no peito subesternal 
o Entupimento nasal 
o Náuseas e vômitos 
 25 
 
o Atelectasia 
o Hemorragias 
o Fadiga 
o Cefaléia 
o Faringite 
o Hipoventilação 
 
VENTILAÇÃO MECÂNICA NA EMERGÊNCIA 
 Assistência ventilatória pode ser entendida como a manutenção da oxigenação e/ou da 
ventilação dos pacientes de maneira artificial, até que estes estejam capacitados a reassumi-las. 
Esta assistência torna-se importante para os pacientes submetidos à anestesia geral, pacientes que 
apresentem rebaixamento de nível de consciência, com risco de broncoaspiração (necessitam de 
proteção de vias aéreas) e para aqueles internados nas unidades de terapia intensiva com 
insuficiência respiratória. 
 Os conhecimentos sobre os mecanismos de lesão pulmonar e os avanços tecnológicos dos 
ventiladores mecânicos permitiram o desenvolvimento de vários modos de ventilação priorizando 
a manutenção de uma adequada troca gasosa e apreservação da microestrutura pulmonar. 
 
Finalidades 
 
− A manutenção das trocas gasosas; 
− A correção da hipoxemia e da hipercapnia; 
− A redução do trabalho respiratório; 
− A reversão ou prevenção da fadiga muscular; 
− A diminuição do consumo de oxigênio; 
− Proteção de vias aéreas. 
 
 
 
 
 
 
 
 – Ventilador Mecânico 
 
 
 
 
 
 
26 
 
 
5. RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA 
 
INTRODUÇÃO 
 A parada cardiorrespiratória (PCR) ou cessação dos batimentos cardíacos e movimentos 
respiratórios é uma emergência relativamente frequente em qualquer serviço de atendimento pré e 
intra-hospitalar. Em muitas situações em que o coração para de bater, ainda teria boas condições 
de recuperar seu funcionamento e manter a vida se recebesse um atendimento de emergência 
eficaz nos primeiros minutos (OLIVEIRA et al, 2007). 
 A recuperação da circulação deve acontecer num período inferior a 4 minutos; caso 
contrário, poderão sobrevir alterações irreversíveis no cérebro, um dos tecidos mais sensíveis à 
falta de oxigênio. Assim, para uma vítima em PCR, o tempo é um fator crítico. Durante alguns 
minutos após a PCR ainda existe oxigênio nos pulmões e na corrente sanguínea para manter a 
vida. Se a interrupção da circulação e respiração não ultrapassar 4 minutos, ou seja, se a 
oxigenação do sangue e circulação for restaurada antes que o cérebro seja permanentemente 
lesado, a pessoa terá maiores chances de retornar às condições pré-parada, ou seja, um corpo 
humano saudável com um funcionamento cerebral satisfatório (OLIVEIRA et al, 2007). 
 
CORRENTE DA SOBREVIVÊNCIA 
 Como parte de um processo para diminuir as mortes por parada cardiopulmonar, tendo em 
vista que algumas pessoas são muito jovens para morrer apesar de alguma falha no coração, a 
American Heart Association (AHA) criou um fluxograma simples baseada em uma corrente com 
4 (quatro) elos: a Corrente da Sobrevivência. 
 
 
 
 
– Corrente da Sobrevivência 
 
 
 
 
 
 27 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quem presencia uma parada cardiopulmonar pode prover 3 dos 4 elos se houver um 
desfibrilador disponível. Como esta ainda não é a realidade no Brasil, o ensino da corrente da 
sobrevivência é restrito aqueles que possam ter acesso a um desfibrilador, normalmente 
profissionais da área de saúde (SIATE/PR, 2006). 
 
SINAIS DE PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA 
 São três os sinais que demonstram que uma vítima está em parada cardiopulmonar: 
 
o Inconsciência sem resposta a estímulo; 
o Ausência de movimentos respiratórios; 
o Ausência de Pulso. 
 
RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR NO ADULTO 
 De acordo com as Diretrizes da American Heart Association (AHA) de 2010, a 
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) requer uma sequência de procedimentos parecido com o 
ABCD, mas com uma inversão na ordem sendo preconizado o “CABD primário” sendo que o D 
se refere a desfibrilação. 
 
C – Circulação 
 Para avaliar se a vítima tem sinais de circulação, palparo pulso carotídeo por não mais do 
que 10 segundos. 
 Se o pulso estiver presente, avaliar a respiração. Se a respiração estiver fraca ou irregular, 
fornecer suporte ventilatório, ou seja, uma ventilação a cada 5 a 6 segundos, em uma frequencia 
de 10 a 12 ventilações por minuto. Porém, se o pulso estiver ausente ou gerar dúvidas, iniciar 
imediatamente as compressões torácicas. A recomendação atual é de trinta compressões torácicas 
com pausa para duas ventilações de resgate, em um ou dois profissionais (QUILICI et al, 2011). 
 Para aplicar compressões no tórax, posicionar a região hipotenar de uma das mãos no 
centro do peito, sobre a linha imaginária intermamilar. A seguir, colocar o calcanhar da outra mão 
sobre a primeira, com os dedos esticados e afastados do tórax. Os ombros devem estar alinhados 
com as mãos, formando um ângulo de 90º com o tórax da vítima (QUILICI et al, 2011). 
 
 
 
 
 
Cada elo da corrente de sobrevivência significa: 
 
1º - Reconhecimento imediato da emergência e acionamento do Sistema Médico de 
Emergência. 
2º - Aplicação de RCP precoce, com ênfase nas compressões torácicas. 
3º - Aplicação imediata de choque com um desfibrilador assim que disponível. 
4º - Suporte Avançado de Vida eficaz. 
5º - Cuidados pós-ressuscitação integrados. 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
– Palpação da Carótida 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 – Posicionamento das Mãos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 – Ombros Alinhados com as Mãos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que as compressões torácicas sejam eficazes, o profissional deve: 
 
 29 
 
o Comprimir em uma frequência mínima de 100/min. 
o Deprimir o tórax com profundidade mínima de 5 cm. 
o Promover o alívio do tórax após cada compressão. 
o Minimizar interrupções nas compressões torácicas. 
o Realizar o rodízio do compressor a cada 2 minutos. 
 
A – Vias Aéreas 
 Para não retardar o inicio das compressões torácicas, a abertura das vias aéreas deve ser 
realizada somente depois de aplicar trinta compressões, utilizando a manobra de inclinação da 
cabeça (elevação da mandíbula). Na suspeita de trauma, tracionar a mandíbula. Contudo, se 
houver dificuldades para ventilar a vítima, hesitar em proceder com a manobra usual de inclinação 
da cabeça (QUILICI et al, 2011). 
 
B – Respiração 
 Se não houver respiração ou respiração anormal (somente “gasping”), prover duas 
ventilações, de aproximadamente 1 segundo cada, que provoque elevação torácica visível. Não 
hiperventilar a vítima, pois isso diminui o retorno venoso e aumenta o risco de distensão gástrica. 
As ventilações devem ser aplicadas com a bolsa-valva-máscara – AMBÚ (QUILICI et al, 2011). 
 
 
 
 
 
 – Ventilação Bolsa-valva-máscara 
 
 
 
 
 
 Com a tentativa inicial de respiração não produza elevação visível do tórax, reposicionar 
novamente a cabeça da vítima com a manobra de elevação da mandíbula e aplicar a segunda 
ventilação. Se a vítima, ainda sim, não puder ser ventilada, suspeitar de obstrução de via aérea por 
um corpo estranho (OVACE). O profissional deve prosseguir com as manobras de RCP, com a 
ressalva de, a cada ventilação, procurar antes pelo corpo estranho na boca da vítima, extraindo-se 
assim que visualizado e reavaliando a vítima imediatamente após a sua remoção (QUILICI et al, 
2011). 
 
D – Desfibrilação 
 Nos primeiros 3 a 5 minutos de uma PCR, o coração se encontra em ritmo de Fibrilação 
Ventricular (FV) grosseira, estando o coração altamente propício ao choque. Após 5 minutos de 
PCR, diminui a amplitude de FV, por causa da depleção do substrato energético miocárdico. 
Portanto, o tempo ideal para a aplicação do primeiro choque compreende os primeiros 3 a 5 
minutos da PCR em FV (QUILICI et al, 2011). 
30 
 
 O DEA deve estar disponível em locais de grande público como aeroportos, shoppings, 
estádios, podendo ser utilizado por pessoas leigas treinadas para o uso do DEA e profissionais da 
área de emergência. 
 O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um equipamento portátil que deve ser 
utilizado assim que possível. Ele é capaz de interpretar o ritmo cardíaco, selecionar o nível de 
energia a carregar automaticamente, cabendo ao operador apenas pressionar o botão de choque, 
quando indicado (QUILICI et al, 2011). Os passos universais para se operar um DEA são: 
 
 
 
 
o Ligue o DEA, no botão verde; 
 
 
 
 
o Exponha o peito da vitima e fixe as pás autoadesivas no tórax conforme o desenho 
indicativo que se encontra nas próprias pás; 
o Afaste-se da vitima e aguarde o DEA analisar o ritmo cardíaco, alguns aparelhos 
requerem que o operador aperte um botão para realizar a analise; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
o Após a analise o DEA indicara o choque ou não, se não for indicado avalie a vitima e 
inicie o RCP; 
o Com o choque indicado afaste todos da vitima e aplique o choque. 
o Após o choque reinicie a RCP imediatamente com compressões torácicas, sem reavaliar o 
pulso e sem retirar as pás. Após o primeiro choque com o DEA, mais de 90% dos 
corações em FV respondem, retornando a um ritmo normal. Porém, muitas vezes o 
coração não consegue estabelecer este ritmo por mais de um minuto e precisa da aplicação 
de compressões torácicas para restabelecer o ritmo (SIATE/PR, 2006). 
 31 
 
Quando a PCR aconteceu a mais de 4 a 5 minutos, o músculo cardíaco permanece por 
muito tempo em hipóxia não reagindo bem ao choque. Para isso a aplicação de 2 minutos ou 5 
ciclos de RCP garante um mínimo de oxigenação ao músculo cardíaco para responder de forma 
mais efetiva ao choque (SIATE/PR, 2006). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nos casos em que o choque não é indicado reinicie com compressões e realize 2 minutos 
ou 5 ciclos de RCP. Após isto reative o DEA para analisar novamente o ritmo cardíaco. Não é 
necessário retirar as pás durante a RCP (SIATE/PR, 2006). 
 Algumas complicações podem surgir devido ao excesso de pelos ou a presença de água no 
peito da vítima. Se o DEA não conseguir analisar arranque as pás com os pelos e coloque outras 
no lugar, se não funcionar corte os pelos com uma tesoura. Nunca aplique o DEA se a vítima 
estiver submersa, retire-a da água e seque o peito da vítima para conectar as pás (SIATE/PR, 
2006). 
 
CUIDADOS PÓS-RESSUSCITAÇÃO 
 
 Em caso de sucesso nas manobras de ressuscitação deve seguir um tratamento para 
restabelecer os sinais vitais da vítima as condições normais. Investigue as causas que levaram a 
parada para melhor tratá-la. O primeiro passo é garantir as VVAA (vias aéreas) e a ventilação 
adequada da vítima, de preferência com oxigênio e ventilação positiva, pois a maioria das vítimas 
que retornam após RCP precisam de auxílio na respiração (SIATE/PR, 2006). 
 
 
6. FERIMENTOS 
 
 
 
 INTRODUÇÃO 
 
 Ferimento é qualquer lesão ou perturbação produzida em qualquer tecido por um agente 
externo, físico ou químico. Os agentes capazes de produzir um ferimento podem ser físicos 
(mecânico, elétrico, irradiante e térmico) e químicos (ácidos ou álcalis). 
 
32 
 
 
 
Classificação dos Ferimentos 
Fechado Aberto 
 
 Hematoma 
 Equimose 
 Feridas incisivas/cortantes 
 Feridas Contusas 
 Feridas Perfurantes Perfurocontusa 
 Perfurocortantes 
 Feridas Penetrantes 
 Feridas Transfixantes 
 Escoriações ou Abrasões 
 Avulsão ou Amputação 
 Laceração 
 
 
 Os ferimentos podem variar conforme a profundidade, complexidade, contaminação e 
natureza do agente agressor classificando-seconforme indicado abaixo: 
 
Classificação 
PROFUNDIDADE COMPLEXIDADE CONTAMINAÇÃO 
NATUREZA DO 
AGENTE 
AGRESSOR 
 Superficial 
 Profundo 
 
 Simples 
 Complicado 
 
 Limpo 
 Contaminado 
 
 Agentes Físicos 
 Agentes Físicos 
 
 
CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS FERIMENTOS 
FERIMENTOS FECHADOS – são os ferimentos onde não existe solução de continuidade da 
pele, a pele se mantém íntegra. Podendo ser classificada em: 
 
Contusão – lesão por objeto contundente que danifica o tecido subcutâneo 
subjacente, sem romper a pele. 
Hematoma – extravasamento de sangue no subcutâneo com formação de coleção 
(aumento de volume), pela ruptura de veias e arteríolas, consequência de uma contusão. 
Quando localizado no couro cabeludo, é o hematoma subgaleal. 
 33 
 
 
Equimose – extravasamento de sangue no subcutâneo sem formação de coleção, 
consequência da ruptura de capilares. 
 
 
 
FERIMENTOS ABERTOS – são os ferimentos que rompem a integridade da pele, expondo 
tecidos internos, geralmente com sangramento. Também são denominadas feridas. As feridas 
são traumas de alta ou baixa energia, decorrentes da superfície de contato do agente vulnerante. 
Segundo este conceito, as feridas podem ser classificadas em: 
 
Incisivas/cortantes – produzidas por agentes vulnerantes cortantes, afiados, capazes de 
penetrar a pele (bisturi, faca, estilete etc), produzindo ferida linear com bordas regulares e 
pouco traumatizadas. 
 
 
Contusas – causadas por objetos com superfície romba (instrumento cortante não muito 
afiado - pau, pedra, soco etc.), capazes de romper a integridade da pele, produzindo feridas 
com bordas traumatizadas, além de contusão nos tecidos arredores, são as feridas 
cortocontusas. 
 
34 
 
 
Perfurantes – o objeto que as produz a ferida é geralmente fino e pontiagudo, capaz de perfurar a 
pele e os tecidos subjacentes, resultando em lesão cutânea puntiforme ou linear, de bordas 
regulares ou não. As feridas perfurantes podem ser: 
 
Perfurocontusas – ocorre quando o objeto causador da ferida é de superfície romba 
(ferimento por arma de fogo - FAF); 
 
 
 
Perfurocortantes – quando o agente vulnerante possui superfície de contato laminar ou 
pontiagudo (ferimento causado por arma branca – FAV; como faca, estilete, adaga). 
 
 
 
Penetrante – quando o agente vulnerante atinge uma cavidade natural do organismo, 
geralmente tórax ou abdômen. Apresenta formato externo variável, geralmente linear ou 
puntiforme. 
 
Transfixante – este tipo de lesão constitui uma variedade de ferida que pode ser 
perfurante ou penetrante; o objeto vulnerante é capaz de penetrar e atravessar os tecidos 
ou determinado órgão em toda a sua espessura saindo na outra superfície. Pode-se 
utilizar como exemplo as feridas causadas por projétil de arma de fogo, que são feridas 
perfurocontusas, podendo ser penetrantes e/ou transfixantes. As feridas transfixantes 
possuem: 
 
Orifício de Entrada – ferida circular ou oval, geralmente pequena, com 
bordas trituradas e com orla de detritos deixada pelo projétil (pólvora, 
fragmentos de roupas). 
Orifício de Saída – ferida geralmente maior, com bordas irregulares, 
voltadas para fora. 
 
 
 35 
 
Escoriações ou abrasões – produzidas pelo atrito de uma superfície áspera e dura contra a pele, 
sendo que somente esta é atingida. Frequentemente contém partículas de corpo estranho (cinza, 
graxa, terra). 
 
 
 
Avulsão ou amputação – ocorre quando uma parte do corpo é cortada ou arrancada (membros ou 
parte de membros, orelhas, nariz etc.). 
 
 
 
Lacerações – quando o mecanismo de ação é uma pressão ou tração exercida sobre o tecido, 
causando lesões irregulares. Os exemplos são inúmeros. 
 
 
 
CUIDADOS PARA COM AS VÍTIMAS DE FERIMENTOS 
 O atendimento dos ferimentos visa a três objetivos principais: 
o Proteger a ferida contra o trauma secundário; 
o Conter sangramentos; 
o Proteger contra infecção. 
 Na fase pré-hospitalar deve-se evitar perder tempo em cuidados excessivos com os 
ferimentos que não sangram ativamente e não atingem os planos profundos. Estes cuidados 
retardam o transporte ao hospital, o que pode agravar o estado geral dos pacientes com lesões 
internas associadas. 
36 
 
 No atendimento à vítima com ferimentos deve-se seguir os seguintes passos e cuidados: 
 
1) Controle do ABC é a prioridade como em qualquer outra vítima de trauma. Ferimentos com 
sangramento importante exigem controle já no passo C. 
2) Avaliação do ferimento, informando-se sobre a natureza e a força do agente causador, de 
como ocorreu a lesão e do tempo transcorrido até o atendimento. 
3) Inspeção da área lesada, que deve ser cuidadosa. Pode haver contaminação 
por presença de corpo estranho e lesões associadas. O ferimento deve ser exposto e, para isto, 
pode ser necessário retirar as roupas da vítima; evite movimentos desnecessários com a mesma. 
4) Limpeza da superfície do ferimento para a remoção de corpos estranhos livres e detritos; 
utilizar uma gaze estéril para remoção mecânica delicada e, algumas vezes, instilação de soro 
fisiológico, sempre com cautela, sem provocar atrito. No APH não perder tempo na tentativa de 
limpeza geral da lesão, isto será feito no hospital. Objetos empalados não devem ser removidos, 
mas sim imobilizados para que permaneçam fixos durante o transporte. 
5) Proteção da lesão com gaze estéril que deve ser fixada no local com bandagem triangular ou, 
se não estiver disponível, utilizar atadura de crepe. 
 
CURATIVOS E BANDAGENS 
 Curativos são procedimentos que consistem na limpeza e aplicação de uma cobertura 
estéril em uma ferida, com a finalidade de promover a hemostasia, cicatrização, bem como, 
prevenir contaminação e infecção. Geralmente nos serviços pré-hospitalares os curativos são 
realizados com aplicação de gaze ou compressas cirúrgicas e fixadas com esparadrapo. 
 As bandagens são constituídas por peças de tecido em algodão cru, cortando em triângulo 
medindo: 1,20m X 1,20m X 1,70m, sendo utilizadas para: 
o Fixar curativos, cobrindo as compressas; 
o Imobilizar e apoiar seguimentos traumatizados; 
o Promover hemostasia (conter sangramentos). 
 As bandagens mais frequentemente usadas são as triangulares e as em rolo. Qualquer que 
seja o tipo, o conforto da vítima e a segurança do curativo depende da sua correta aplicação. 
 
 A bandagem triangular pode ser dobrada para produzir uma espécie de gravata: traga a 
ponta da bandagem para o meio da base do triângulo e faça dobras sucessivas até obter a largura 
desejada de acordo com a extensão da lesão a recobrir. 
 É importante salientar que a bandagem triangular não é estéril, portanto não deve ser 
utilizada para ocluir ferimentos abertos. Antes de fixá-la deve ser aplicada gaze ou compressa 
cirúrgica. 
 37 
 
 Um detalhe importante e que trás conforto à vítima refere-se à fixação da bandagem. O 
profissional deve sempre lembrar que a fixação (amarração) da bandagem não deve ser feita sobre 
o ferimento (SIATE/PR, 2006). 
 
 
7. HEMORRAGIA E CHOQUE 
 
 
HEMORRAGIA 
 É o extravasamento de sangue dos vasos sanguíneos através de ruptura nas suas paredes. 
 
CLASSIFICAÇÃO – a hemorragia pode ser classificada em: 
 
Hemorragia externa – visível porque extravasa para o meio ambiente. Exemplos: 
ferimentos em geral, hemorragia das fraturas expostas, epistaxe (hemorragia nasal). 
Hemorragia interna – o sangue extravasa para o interior do próprio corpo, 
dentro dos tecidos ou cavidades naturais. Exemplos: trauma contuso, ruptura ou laceração 
de órgãos de tórax e abdômen, hemorragia de músculoao redor de partes moles. 
 
TIPOS DE HEMORRAGIA – existem três tipos, são eles: 
 
 
 
Arterial – ocorre quando há perda de sangue de uma artéria. O sangue tem coloração 
viva, vermelho claro, derramado em jato, conforme o batimento cardíaco, geralmente 
rápido e de difícil controle. 
Venosa – ocorre quando há perda de sangue por uma veia. Sangramento de coloração 
vermelho escuro, em fluxo contínuo, sob baixa pressão. Pode ser considerada grave se a 
veia comprometida for de grosso calibre. 
Capilar – ocorre quando há sangramento por um leito capilar. Flui de diminutos vasos da 
ferida. Possui coloração avermelhada, menos viva que a arterial, e facilmente controlada. 
 
38 
 
FATORES DETERMINANTES DA GRAVIDADE DA HEMORRAGIA – dentre os fatores 
estão: 
 
Volume de sangue perdido – a perda de pequeno volume em geral não produz efeitos 
evidentes; já a perda de 1,5 litro em adulto ou 200 ml em criança pode ser extremamente 
grave, inclusive colocando a vida em risco. 
Calibre do vaso rompido – o rompimento de vasos principais de pescoço, tórax, 
abdômen e coxa provoca hemorragias severas, e a morte pode sobrevir em 1 a 3 minutos. 
Tipo do vaso lesado – o sangramento arterial é considerado de maior gravidade. As veias 
geralmente estão mais próximas da superfície do corpo do que as artérias, sendo de mais 
fácil acesso. O sangramento capilar é lento e, via de regra, coagula espontaneamente em 6 
a 8 minutos. O processo de coagulação desencadeado em boa parte dos pequenos e médios 
sangramentos pode ser suficiente para controlar a hemorragia, e o coágulo formado age 
como uma rolha, impedindo a saída de sangue. 
Velocidade da perda de sangue – a perda rápida de 1 litro de sangue pode colocar o 
indivíduo em risco de vida. Quando a perda de sangue é lenta, o organismo desenvolve 
mecanismos de compensação, suportando melhor a situação. 
 
Sinais e sintomas da hemorragia 
 
 A hemorragia externa, por ser visualizada, é facilmente reconhecida. A hemorragia interna 
pode desencadear choque hipovolêmico, sem que o profissional identifique o local da perda de 
sangue. As evidências mais comuns de sangramento interno são áreas extensas de contusão na 
superfície corpórea. Alguém com fratura de fêmur perde facilmente até um litro de sangue, que 
fica confinado nos tecidos moles da coxa, ao redor da fratura. Outros sinais que sugerem 
hemorragia severa: 
o Pulso fraco e rápido; 
o Pele fria e úmida (pegajosa); 
o Pupilas dilatadas com reação lenta à luz; 
o Queda da pressão arterial; 
o Paciente ansioso, inquieto e com sede; 
o Náusea e vômito; 
o Respiração rápida e profunda; 
o Perda de consciência e parada respiratória; 
o Choque. 
 
Métodos de controle da hemorragia externa 
 
PRESSÃO DIRETA – quase todos os casos de hemorragia externa são controlados pela 
aplicação de pressão direta na ferida, o que permite a interrupção do fluxo de sangue e favorece a 
formação de coágulo. Preferencialmente, utilizar uma compressa estéril, pressionando-a 
firmemente por 10 a 30 minutos; a seguir, promover a fixação da compressa com bandagem. Após 
controlar um sangramento de extremidade, certifique-se de que existe pulso distal; em caso 
negativo, reajuste a pressão da bandagem para restabelecer a circulação. 
 39 
 
 
Pressão direta é o método mais rápido e eficiente para o controle da hemorragia externa. 
 
ELEVAÇÃO DA ÁREA TRAUMATIZADA – quando uma extremidade é elevada, de forma 
que a área lesionada fique acima do nível do coração, a gravidade ajuda a diminuir o fluxo de 
sangue. Aplicar este método simultaneamente ao da pressão direta. Não o utilizar, porém, em 
casos de fraturas, luxações ou de objetos empalados na extremidade. 
 
 
 
PRESSÃO DIGITAL SOBRE O PONTO DE PULSO – utilizar a pressão sobre pulso de 
artéria quando os dois métodos anteriores falharem ou não tiver acesso ao local do sangramento 
(esmagamento, extremidades presas em ferragens). É a pressão aplicada com os dedos sobre os 
pontos de pulso de uma artéria contra uma superfície óssea. É necessária habilidade do 
profissional e conhecimento dos pontos exatos de pressão das artérias. Principais pontos: artéria 
braquial - para sangramento de membros superiores; artéria femoral - para sangramento de 
membros inferiores; artéria temporal - para sangramento de couro cabeludo; artéria radial - 
sangramento da mão. 
 
40 
 
 
APLICAÇÃO DE GELO – o uso de compressas de gelo diminui o sangramento interno ou 
mesmo interrompe sangramento venosos e capilares. Nas contusões, a aplicação de gelo previne a 
equimose (mancha arroxeada). Deve-se observar o tempo de uso, evitando-se uso 
demasiadamente prolongados, pois diminui a circulação, podendo causar lesões de tecidos. 
 
 
 
TORNIQUETE – deve ser considerado como o último recurso (praticamente em desuso), o 
torniquete só será utilizado se todos os outros métodos falharem, devendo ser considerado apenas 
nos casos de destruição completa ou amputação de extremidades, com sangramento severo. 
Consiste numa bandagem constritora colocada em torno de uma extremidade até que o fluxo 
sanguíneo pare por completo. Podem ser utilizados tubos de borracha, gravatas, etc. Apertado 
demais pode lesar tecidos, músculos, nervos e vasos. O membro abaixo do torniquete deve tornar-
se pálido, e o pulso arterial, abaixo do torniquete, desaparecer. Caso não esteja apertado o 
suficiente pode interromper o fluxo venoso sem interromper o fluxo arterial, dando como 
resultado maior sangramento pela ferida. Deve ser observado explicitamente o horário de 
aplicação. 
 
Métodos de controle da hemorragia interna 
 
 Para suspeitar que a vítima esteja com hemorragia interna, é fundamental conhecer o 
mecanismo de lesão. Os traumas contusos são as principais causas de hemorragias internas 
(acidentes de trânsito, quedas, chutes e explosões). Alguns sinais de alerta para suspeitar de 
hemorragia interna: fratura da pelve ou ossos longos (braços ou coxa), rigidez abdominal, área de 
equimose em tórax e abdômen, ferida penetrante em crânio, tórax ou abdômen. 
 O tratamento de hemorragia interna é cirúrgico. O atendimento pré-hospitalar consiste em 
instalar duas vias venosas após garantir a respiração da vítima e transportá-la a um centro médico. 
Administrar oxigênio em altas concentrações durante o transporte. 
 
 
 41 
 
CHOQUE 
 Choque é a situação de falência do sistema cardiocirculatório em manter suficiente sangue 
circulando para todos os órgãos do corpo. Trata-se de uma condição de extrema gravidade, cuja 
identificação e atendimento fazem parte da abordagem primária da vítima. Uma vez que o estado 
de choque atinja certo nível de severidade, o paciente não será salvo. Todo esforço deverá ser 
feito pela equipe de emergência para identificar o choque, tomando-se as medidas necessárias e 
transportando a vítima rapidamente ao tratamento definitivo no hospital. 
Vítima de trauma que recebe o tratamento definitivo no hospital até uma hora após sofrer a 
lesão tem maior chance de sobrevida. 
 
MECANISMO DO CHOQUE – o aparelho cardiovascular é responsável por transportar 
oxigênio e nutrientes para todos os tecidos do corpo e eliminar gás carbônico e resíduos 
resultantes do processo de nutrição celular. Para realizar adequadamente esse trabalho, o sistema 
circulatório retira oxigênio dos pulmões, nutrientes do intestino e fígado e leva-os para todas as 
células do organismo. Depois disso, retira o gás carbônico e detritos celulares da intimidade dos 
tecidos, levando-os para os órgãos responsáveis pela excreção (pulmões, rins, fígado etc.). A esse 
processo, que ocorre em nível de capilares, dá-se o nome de perfusão tecidual.Para que esse 
sistema funcione de forma eficiente e adequada, é necessário que o coração se mantenha 
bombeando o sangue, que o volume de sangue circulante seja suficiente para encher os vasos e 
que o calibre dos vasos se ajuste às condições normais. Uma falha em qualquer desses fatores irá 
provocar falha na perfusão tecidual, levando a vítima a desenvolver o estado de choque. 
O CHOQUE PODE ESTAR RELACIONADO A: 
1º) CORAÇÃO - falha de bomba 
2º) SANGUE - perda de sangue ou plasma 
3º) DILATAÇÃO DOS VASOS SANGUINEOS - capacidade do sistema circulatório muito 
maior que o volume de sangue disponível para enchê-lo. 
 Com a diminuição de perfusão tecidual, os órgãos terão sua função prejudicada 
basicamente pela falta de oxigênio, nutrientes e acúmulo de resíduos. A falha na circulação 
cerebral leva à diminuição do nível de consciência da vítima, os rins diminuem o débito urinário e 
o coração aumenta a frequência de batimentos, num esforço para manter o fluxo de sangue para 
órgãos vitais; com o agravamento do choque, o músculo cardíaco comprometido desenvolve 
bradicardia e parada cardíaca. 
 Os tipos de choque são: hipovolêmico, cardiogênico, neurogênico, anafilático, psicogênico 
e séptico. 
 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO 
 Tipo mais comum de choque, sua característica básica é a diminuição acentuada do 
volume de sangue. 
 Pode ser causado pelos seguintes fatores: 
o Perda direta de sangue: hemorragia interna e externa; 
o Perda de plasma: em caso de queimaduras, contusões e lesões traumáticas; 
o Perda de líquido pelo trato gastrointestinal: provoca desidratação (vômito ou diarreia). 
42 
 
 No caso de fratura de fêmur, estima-se a perda de aproximadamente 1 litro de sangue 
circulante, parte devido ao sangramento e parte à transudação (perda de plasma e outros fluidos 
nos tecidos moles danificados pela fratura). Nas queimaduras, quantidade considerável de plasma 
deixa a circulação em direção aos tecidos adjacentes à área queimada. A redução no volume de 
sangue circulante causa diminuição no débito cardíaco e reduz toda a circulação (perfusão 
tecidual comprometida). O reconhecimento precoce e o cuidado efetivo no atendimento do 
choque hipovolêmico podem salvar a vida do paciente. O tratamento definitivo do choque 
hipovolêmico é a reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue). 
 
SINAIS E SINTOMAS – sinais e sintomas do choque hipovolêmico podem variar e não aparecer 
em todas as vítimas. O mais importante é suspeitar e estabelecer os cuidados antes que se 
desenvolvam. A vítima apresenta os seguintes sinais e sintomas: 
o Ansiedade e inquietação; 
o Náusea e vômito; 
o Sede, secura na boca, língua e lábios; 
o Fraqueza, tontura e frio; 
o Queda acentuada de pressão arterial (PA menor que 90 mm/Hg); 
o Respiração rápida e profunda - no agravamento do quadro, a respiração torna-se 
superficial e irregular; 
o Pulso rápido e fraco em casos graves; quando há grande perda de sangue, pulso difícil de 
sentir ou até ausente; 
o Enchimento capilar acima de 2 segundos; 
o Inconsciência parcial ou total; 
o Pele fria e úmida (pegajosa); 
o Palidez ou cianose (pele e mucosas acinzentadas); 
o Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas (sugerindo apreensão e medo). 
o Em casos graves; quando há grande perda de sangue, pulso difícil de sentir ou até ausente. 
 
CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – o tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a 
reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue). 
 Aplicar as seguintes medidas às vítimas em choque: 
o Tratar a causa: interromper sangramento quando acessível (usar o método da pressão 
direta, elevação do membro); 
o Assegurar via aérea permeável e manutenção da respiração; 
o Administrar oxigênio em alta concentração (12 litros por minuto sob máscara facial de 
reinalação total perfeitamente ajustada); 
o Imobilizar e alinhar fraturas - diminui a dor e o sangramento; 
o Confortar o paciente - quanto mais calmo e colaborativo, melhores chances de sobrevida; 
o Colocar a vítima em posição de choque: a melhor é em decúbito dorsal, com as pernas 
elevadas mais ou menos 25 cm. O objetivo é concentrar o volume sanguíneo na cabeça, no 
tórax e na parte alta do abdômen. Caso essa posição não seja possível, isto é, se causar dor 
ou desconforto ao paciente, mantenha-o no plano. 
o Não dar nenhum líquido ou alimento; 
o Monitorar os sinais vitais a cada 5 minutos e comunicar qualquer alteração; 
o Manter o paciente aquecido; certificar-se de que esteja coberto sob e sobre o corpo, 
remover a roupa úmida (se o mesmo tiver), considerando a temperatura do meio ambiente 
para não provocar sudorese. 
 Em resumo no APH, a vítima de trauma em choque hipovolêmico deve ter a via aérea 
permeável, oxigenação restaurada, e deve imediatamente receber tratamento definitivo. 
 43 
 
 
 
CHOQUE CARDIOGÊNICO 
 Decorre de uma incapacidade do coração bombear o sangue de forma efetiva. Este 
enfraquecimento do músculo cardíaco pode ser consequência de infarto agudo do miocárdio, 
situação frequente, sendo que a vítima, normalmente, apresenta dor torácica antes de entrar em 
choque. Outras situações que podem gerar choque cardiogênico: 
 
o Arritmias cardíacas (prejuízo da eficácia de contração); 
o Tamponamento pericárdico (por restrição de expansão do coração). 
 
CHOQUE NEUROGÊNICO 
 Causado por falha no sistema nervoso em controlar o diâmetro dos vasos, em 
consequência de lesão na medula espinhal, interrompendo a comunicação entre o cérebro e os 
vasos sanguíneos. O resultado é a perda da resistência periférica e a dilatação da rede vascular. Se 
o leito vascular estiver dilatado, não existirá sangue suficiente para preencher a circulação, 
havendo perfusão inadequada de órgãos. 
 
CHOQUE PSICOGÊNICO 
 De mecanismo semelhante ao choque neurogênico, aparece em condições de dor intensa, 
desencadeado por estímulo do nervo vago e tem como característica principal braquicardia inicial 
seguida de taquicardia na fase de recuperação. O paciente se recupera espontaneamente se 
colocado em decúbito dorsal. 
 
CHOQUE ANAFILÁTICO 
 Resulta de uma reação de sensibilidade a algo a que o paciente é extremamente alérgico; 
como picada de inseto (abelhas, vespas), medicação, alimentos, inalantes ambientais, etc. A 
reação anafilática ocorre em questão de segundos ou minutos após o contato com a substância a 
que o paciente é alérgico. 
Alguns sinais e sintomas são característicos: 
o Pele avermelhada, com coceira ou queimação; 
o Edema de face e língua; 
o Respiração ruidosa e difícil devido ao edema de cordas vocais; 
o Finalmente queda da pressão arterial, pulso fraco, tontura, palidez e cianose. 
 O paciente em choque anafilático necessita de medicação de urgência para combater a 
reação, administrada por médico. 
 
CHOQUE SÉPTICO 
 Numa infecção severa, toxinas são liberadas na circulação, provocando dilatação dos 
vasos sanguíneos e consequente aumento da capacidade do sistema circulatório. Além disso, 
ocorre perda de plasma pela parede dos vasos, diminuindo o volume sanguíneo. Esse tipo de 
choque ocorre em pacientes hospitalizados. 
 
44 
 
8. TRAUMATISMOS OSTEOMUSCULARES 
 
 Os traumas osteomusculares incluem as fraturas, luxações e entorses. 
 
FRATURAS 
 Fratura é a lesão óssea de origem traumática, produzida por trauma direto ou indireto. O 
conjunto de fragmentos ósseos produzidos pela fratura e os tecidos lesados em torno da lesão é 
denominado foco de fratura. O osso é o único tecido do nosso organismo que cicatriza com o 
mesmo tecido anterior à lesão. O processo de cicatrização óssea denomina-se consolidação. 
 O risco de surgir uma fratura óssea nas mulheres émaior devido a osteoporose, são 
fraturas resultantes de quedas de baixo impacto, portanto não resultantes de acidentes graves. A 
massa óssea, principalmente das mulheres, começa a diminuir depois da menopausa por influência 
dos hormônios. 
 Os homens também podem sofrer de osteoporose, depois dos 65 anos de idade, mas a 
relação com os hormônios não é tão evidente. A qualidade de vida das pessoas idosas, que sofrem 
fraturas, geralmente, piora muito, pois, a cicatrizarão é mais lenta e a recuperação muscular é mais 
difícil. Uma das fraturas mais grave no idoso é a do fêmur e para sua imobilização não está 
indicada a utilização do aparelho de tração de fêmur, assim como em fraturas expostas. 
 
Classificação 
1. QUANTO AO TRAÇO DE FRATURA 
Incompleta: ocorre a lesão óssea, mas não rompe a continuidade óssea; tipo de ocorrência 
comum em crianças. 
completa: os fragmentos ósseos perdem a continuidade, ficando desviados ou não. O 
manuseio destas fraturas deve ser cuidadoso e técnico, para evitar lesão nos tecidos 
vizinhos. 
 
 
 45 
 
 
 
2. QUANTO À EXPOSIÇÃO DO FOCO DE FRATURA 
 
Fechada: o foco de fratura está protegido por partes moles e com pele íntegra. 
 
 
 
Aberta ou exposta: o foco de fratura está em contato com o meio externo, com o osso 
exteriorizado ou não. A pele, nestes casos, está sempre lesada. O grau de lesão dessas 
partes moles permite classificar as fraturas expostas. A lesão da pele pode ocorrer pelo 
trauma, pelos fragmentos ósseos e pelo manuseio intempestivo da vítima, tornando uma 
fratura fechada em aberta. Devido à comunicação do foco de fratura com o meio externo, 
as fraturas expostas são sempre contaminadas, variando apenas o grau de contaminação, 
podendo causar osteomielite (infecção óssea), que retarda ou impede a consolidação 
óssea; em casos extremos, causa a perda do membro lesado. Em casos mais graves, a 
infecção dissemina-se pelo organismo (septicemia) e, em pacientes debilitados, leva a 
óbito. A fratura exposta é uma situação de urgência se não for acompanhada de choque. 
 
 
 
 
3. QUANTO À PRESENÇA DE LESÕES ASSOCIADAS 
 
Simples: a fratura é uma lesão única, sem evidência de lesão associada. 
Complicada: está acompanhada de lesões associadas. O trauma causador de fratura exposta é de 
alta energia e velocidade, podendo ocorrer lesões associadas locais, como as musculares, 
tendinosas, nervosas, vasculares, bem como lesões sistêmicas associadas (trauma abdominal, 
torácico e craniano). 
46 
 
 
 
Sintomas e Sinais 
DOR – devido ao trauma localizado, sempre haverá dor no local da fratura, que varia muito de 
um paciente para outro, sendo aliviada por manobras de tração, alinhamento e imobilização. 
AUMENTO DE VOLUME – devido ao trauma ocorre uma lesão dos tecidos vizinhos à fratura, 
produzindo sangramento local, detectado como um aumento de volume, produzindo, com o passar 
do tempo, edema localizado. Em algumas fraturas, de fêmur e pélvis, por exemplo, o sangramento 
pode causar choque hipovolêmico. 
DEFORMIDADE – o segmento fraturado apresenta angulações, rotações e encurtamentos 
evidentes à simples observação da vítima, comparando-se o membro lesado com o não afetado. 
IMPOTÊNCIA FUNCIONAL - a fratura impede ou dificulta os movimentos, devido à dor e à 
alteração musculoesquelética, no que diz respeito à anatomia. 
CREPITAÇÃO ÓSSEA – sensação audível e palpável causada pelo atrito entre os fragmentos 
ósseos. Não deve ser reproduzida intencionalmente, porque provoca dor e aumenta a lesão entre 
os tecidos vizinhos à fratura. 
 
 
LUXAÇÕES 
 
Deslocamento de superfícies articulares, modificando as relações naturais de uma 
articulação. Nas articulações existe uma congruência articular entre as superfícies ósseas em 
contato. Estas são recobertas por cartilagem articular e mantidas por uma cápsula articular 
reforçada por ligamentos. Os traumas indiretos, normalmente produzidos por quedas com apoio 
nas extremidades, fazem com que essas superfícies articulares saiam de sua posição, produzindo 
perda da congruência articular da função da articulação correspondente. As luxações ocorrem 
mais comumente em articulações móveis (ombro, quadril, dedos da mão). 
 
Sinais e sintomas 
DOR – geralmente intensa devido à compressão de estruturas locais; pode levar ao choque 
neurogênico. 
DEFORMIDADE – sinal evidente à simples inspeção da vítima; deve ser comparada com o lado 
oposto. 
IMPOTÊNCIA FUNCIONAL – devido à perda da congruência articular, existe perda completa 
da função articular, e qualquer tentativa de mobilidade é extremamente dolorosa. 
PALIDEZ - localizada, causada pela compressão do osso luxado sob a pele. 
 47 
 
EDEMA - tardio varia com o grau de deformidade e a articulação luxada. 
ENCURTAMENTO OU ALONGAMENTO – podem ocorrer devido à deformidade da 
articulação luxada. 
 
Cuidados de Emergência 
 
 A manipulação das luxações cabe exclusivamente ao médico. Manobras inadequadas e 
intempestivas podem agravar a lesão já existente e produzir dano adicional aos tecidos vizinhos, 
inclusive fraturas. No atendimento pré-hospitalar, a imobilização deve ser na posição de 
deformidade, buscando oferecer o máximo de conforto à vítima. Ficar atento a sinais e sintomas 
de choque, informando se ocorrerem. 
 
ENTORSES 
 É a separação momentânea das superfícies ósseas articulares, havendo distensão dos 
ligamentos, e causando dor intensa e edema local. 
 
Tratamento 
 
o Aplicar compressa fria sobre o local; 
o Imobilizar; 
o Não fazer fricção nem esticar a região lesada. 
 
 
9. QUEIMADURAS E HIPOTERMIA 
 
 
 
QUEIMADURAS 
 As queimaduras são lesões produzidas nos tecidos orgânicos devido à ação do calor nas 
suas diversas formas, independentemente de ser através da sua radiação ou mediante contato 
direto. 
 As queimaduras são a quarta causa de morte por trauma. Mesmo quando não levam ao 
óbito, as queimaduras severas produzem grande sofrimento físico e requerem tratamento que dura 
meses ou mesmo anos. Sequelas físicas e psicológicas são comuns. Pessoas de todas as faixas 
48 
 
etárias estão sujeitas a queimaduras, sendo as crianças vítimas frequentes e, muitas vezes, por 
descuido dos pais ou responsáveis. O atendimento definitivo aos grandes queimados deve ser feito 
preferencialmente em centros especializados (OLIVEIRA et al, 2007). 
 
ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE 
 A pele não é simplesmente um tecido; é o maior órgão do corpo humano e possui várias 
funções. É composta por três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme (OLIVEIRA et al, 
2007). 
 
EPIDERME – é a camada mais externa. É composta de várias camdas de células e não possui 
vasos sanguíneos. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo, sendo mais espessa em 
áreas sujeitas à pressão ou ao atrito, como a planta dos pés e a palma das mãos. É impermeável à 
água e funciona como uma barreira protetora contra o meio ambiente. 
DERME – é a camada mais interna. Contém os vasos sanguíneos, folículos pilosos, glândulas 
sudoríparas, glândulas sebáceas e terminações nervosas. 
HIPODERME – camada situada logo abaixo da derme. É a combinação de tecido fibroso, 
elástico e gorduroso. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo e de individuo para 
individuo. 
 
Principais Funções da Pele 
 
o Proteção contra elementos ambientais: funciona como barreira protetora contra agentes 
físicos (calor, frio, radiações), químicos (água e várias outras substâncias) e biológicos 
(microorganismos). 
o Regulação da temperatura corporal: ocorre pela vasodiltação ou vasoconstrição dos 
vasos da derme. Em ambientes frios, os vasos secontraem para diminuir o fluxo 
sanguíneo cutâneo e, consequentemente, a perda de calor, deixando a pele pálida e fria; 
em ambientes quentes, os vasos se dilatam para aumentar o fluxo cutâneo e a perda de 
calor , a pele se torna avermelhada (corada) e quente. A sudorese auxilia a dissipação da 
temperatura corporal por meio da evaporação. 
o Função sensitiva: as terminações nervosas especializadas da derme captam 
o e transmitem ao sistema nervoso central informações, como a temperatura ambiental, as 
sensações táteis e os estímulos dolorosos (SIATE/PR, 2006). 
 49 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS 
 As queimaduras podem ser classificadas de acordo com sua causa, profundidade, 
extensão, localização e gravidade. 
Causa 
TÉRMICAS – causadas por gases, líquidos ou sólidos quentes, revelam-se as queimaduras mais 
comuns. 
QUÍMICAS – causadas por ácidos ou álcalis, podem ser graves; necessitam de um correto 
atendimento de emergência, pois o manejo inadequado pode agravar as lesões. 
ELÉTRICAS – geralmente as lesões internas, no trajeto da corrente elétrica através do 
organismo, são extensas, enquanto as lesões das áreas de entrada e saída da corrente elétrica na 
superfície cutânea, pequenas. Essa particularidade pode levar a erros na avaliação da queimadura, 
que costuma ser grave. 
PELA RADIAÇÃO – causadas por raios ultravioletas (UV), por raios-X ou por radiações 
ionizantes. As lesões por raios UV são bem conhecidas como as queimaduras solares, geralmente 
superficiais e de pouca gravidade. As queimaduras por radiações ionizantes, como os raios gama, 
são lesões raras. Nesta situação, é importante saber que a segurança da equipe pode estar em risco 
se houver exposição a substâncias radioativas presentes no ambiente ou na vítima. Atender às 
ocorrências que envolvam substâncias radioativas sempre sob orientação adequada e com a devida 
proteção. 
 
Profundidade 
 As queimaduras, principalmente as térmicas, classificam-se de acordo com a profundidade 
da lesão: de primeiro, segundo e terceiro graus. Essa classificação é importante porque direciona 
desde o atendimento pré-hospitalar até o definitivo no centro de queimados. Trata-se de 
conhecimento importante para a atividade do profissional de saúde. A avaliação da profundidade 
da lesão se faz apenas por estimativa; muitas vezes, a real profundidade da lesão só se revela 
depois de alguns dias. 
PRIMEIRO GRAU (ESPESSURA SUPERFICIAL) – queimaduras que atingem apenas a 
epiderme. 
SEGUNDO GRAU (ESPESSURA PARCIAL) – queimaduras que atingem a epiderme e a 
derme, produzindo dor severa. A pele se apresenta avermelhada e com bolhas; as lesões que 
atingem a derme mais profunda revelam-se úmidas. São as queimaduras que mais se beneficiam 
do curativo efetuado corretamente. 
TERCEIRO GRAU (ESPESSURA TOTAL) – atingem toda a espessura da pele e chegam ao 
tecido subcutâneo. As lesões são secas, de cor esbranquiçada, com aspecto de couro, ou então 
pretas, de aspecto carbonizado. Geralmente não são dolorosas, porque destroem as terminações 
nervosas; as áreas nos bordos das lesões de terceiro grau podem apresentar queimaduras menos 
profundas, de segundo grau, portanto bastante dolorosas. 
50 
 
 
Extensão 
 A extensão da queimadura, ou a porcentagem da área da superfície corporal queimada, é 
um dado importante para determinar a gravidade da lesão e o tratamento a ser instituído, tanto no 
local do acidente quanto no hospital. Utiliza-se para esse cálculo a "regra dos nove". O resultado 
obtido é aproximado, mas suficiente para uso prático. No adulto, cada membro superior 
corresponde a 9% da superfície corporal; as partes ventral e dorsal do tronco correspondem a 18% 
cada; cada membro inferior a 18%, a cabeça a 9% e a área genital a 1 %. As crianças pequenas 
apresentam, proporcionalmente, cabeça maior que a dos adultos, assim correspondendo a 18% da 
superfície corporal; cada membro inferior a 13,5%. Para avaliar a extensão de queimaduras 
menores, utilizar como medida a mão da vítima, que corresponde a aproximadamente 1 % da área 
da superfície corporal. 
 
Localização 
 Queimaduras variam de gravidade de acordo com a localização. Certas áreas, como mãos, 
face, pés e genitais, são consideradas críticas. Queimaduras que envolvam as vias aéreas são 
também bastante graves. 
 
 51 
 
Gravidade 
 
 As queimaduras podem ser classificadas quanto à gravidade em queimaduras críticas, 
moderadas e leves. Sete fatores são usados para determinar a gravidade da queimadura: 
o Extensão (pela regra dos nove); 
o Envolvimento de áreas críticas (mãos, pés, face e genitália); 
o Idade da vítima (crianças e idosos têm maior risco); 
o Presença de lesão pulmonar por inalação; 
o Presença de lesões associadas (outros traumatismos); 
o Doenças preexistentes (Diabetes Mellitus, insuficiência renal etc.). 
 
Queimaduras Críticas 
Queimaduras 
Moderadas 
Queimaduras Leves 
● Primeiro grau maiores que 
75% da superfície corporal; 
● Segundo grau maiores que 
25% da superfície corporal; 
● Terceiro grau maiores que 
10% da superfície corporal; 
● Terceiro grau envolvendo 
face, mãos, pés ou genitais; 
● Queimaduras associadas a 
fraturas ou outras lesões de 
partes moles • Queimaduras 
das vias aéreas ou lesão 
respiratória por inalação; 
● Queimaduras elétricas; 
● Vítimas idosas ou com 
doenças graves preexistentes. 
● Primeiro grau de 50 a 
75% da superfície 
corporal; 
● Segundo grau de 15 a 
25% da superfície 
corporal; 
● Terceiro grau de 2 a 
10% da superfície 
corporal. 
 
● Primeiro grau menores que 50 da 
superfície corporal; 
● Segundo grau menores que 15% 
da superfície corporal; 
● Terceiro grau com menos que 2% 
da superfície corporal. 
 
 
 
PARTICULARIDADES NO ATENDIMENTO 
 A primeira preocupação da equipe é com a sua própria segurança, que se aplica a qualquer 
situação, mas devendo ser reforçada ao atender vítimas de queimaduras em ambientes hostis. 
Cuidar com as chamas, os gases tóxicos, a fumaça e o risco de explosões e desabamentos. 
 O segundo passo no atendimento à vítima é a interrupção do processo de queimadura, na 
seguinte sequencia: 
1) Extinguir as chamas sobre a vítima ou suas roupas; 
2) Remover a vítima do ambiente hostil; 
3) Remover roupas que não estejam aderidas a seu corpo; 
4) Promover o resfriamento da lesão e de fragmentos de roupas ou substâncias, como asfalto, 
aderidos ao corpo do queimado. 
52 
 
 Após interromper o processo de queimadura, proceder ao atendimento segundo o A-B-C-
D-E. 
 
Passo “A” 
 Queimaduras que envolvam vias aéreas são graves, podendo levar à obstrução das 
superiores. Queimaduras por vapores aquecidos podem atingir vias aéreas inferiores, enquanto as 
produzidas por calor seco normalmente atingem apenas as vias aéreas superiores, porque o ar não 
é bom condutor de calor. A extensão e gravidade da queimadura das vias aéreas podem ser 
subestimadas na avaliação inicial, porque a obstrução das vias aéreas não se manifesta no 
momento, mas se desenvolve gradualmente à medida que aumenta o edema dos tecidos lesados. 
As vítimas podem necessitar de entubação endotraqueal antes que uma obstrução severa a impeça. 
Por isso, é importante identificar os sinais de queimadura das vias aéreas antes que se desenvolva 
a obstrução. Sinais de alerta: 
o Queimaduras faciais; 
o Queimadura das sobrancelhas e vibrissas nasais; 
o Depósito de fuligem na orofaringe; 
o Faringe avermelhada e edemaciada; 
o Escarro com resíduos carbonáceos; 
o História de confinamento em ambiente incendiário ou explosivo. 
 
Passo “B” 
 Além da queimadura das vias aéreas,outras lesões potencialmente graves são as causadas 
por inalação de fumaça e a intoxicação por monóxido de carbono. Suspeitar sempre que isso possa 
ter ocorrido se há história de confinamento em ambientes incendiários, explosivos ou se a vítima 
apresenta alteração do nível de consciência. 
1) Inalação de fumaça e subprodutos da combustão: partículas inaladas com a fumaça e certos 
subprodutos resultantes da combustão incompleta de combustíveis atingem as vias aéreas 
inferiores e os pulmões, podendo causar lesão química dos brônquios e alvéolos pulmonares. Os 
sintomas dessas lesões muitas vezes só aparecem algumas horas após a inalação, ao se 
desenvolver a inflamação dos brônquios ou do pulmão. Lesões por inalação são responsáveis por 
significativa parcela das mortes por queimaduras. O tratamento no ambiente pré-hospitalar 
consiste em afastar a vítima do local enfumaçado e administrar oxigênio, necessitando de um 
tratamento definitivo no meio hospitalar. 
2) Intoxicação por monóxido de carbono: o monóxido de carbono é um gás incolor, inodoro. 
Ele não causa lesão direta às vias aéreas ou ao pulmão, mas possui afinidade com a hemoglobina 
200 vezes maior que a do oxigênio. Isso significa que ele se liga mais fácil e firmemente à 
hemoglobina que o oxigênio. Quanto maior a quantidade de monóxido de carbono inalada, maior 
a quantidade de hemoglobina ligada ao monóxido (carboxiemoglobina) e, portanto, menor a 
quantidade de hemoglobina ligada ao oxigênio (oxiemoglobina). A diminuição da oxiemoglobina 
leva à hipóxia tecidual que, severa, causa a morte. Os sintomas variam de acordo com o grau da 
intoxicação, indo desde náuseas e cefaleia intensa até confusão, inconsciência e, finalmente, óbito. 
A pele se apresenta em tom vermelho cereja, sinal nem sempre presente. É importante saber que a 
oximetria de pulso nessa situação pode levar a conclusões falsas. O oxímetro de pulso mede a 
porcentagem de hemoglobina saturada, mas não diferencia a hemoglobina saturada com oxigênio 
da saturada com monóxido de carbono; consequentemente, o resultado obtido deve ser encarado 
com reservas. Assim, o indivíduo pode estar com uma intoxicação severa por monóxido de 
carbono, inconsciente, e a leitura da saturação marcar 100% por causa da grande quantidade de 
 53 
 
carboxiemoglobina. O tratamento consiste na administração de oxigênio na maior concentração 
possível, de preferência a 100%, em vítimas inconscientes, o que só se obtém com a entubação 
endotraqueal. 
 
Passo “C” 
 O grande queimado perde fluidos através das áreas queimadas, devido à formação de 
edema. Isso pode levar a choque hipovolêmico (não hemorrágico), que se desenvolve 
gradualmente. O quadro de choque precoce, logo após a queimadura, normalmente se deve a 
outras lesões associadas com hemorragia, levando à hipovolemia. Não esquecer o princípio de que 
o queimado é um politraumatizado e, portanto, pode ter outras lesões além da queimadura, 
considerando sempre o mecanismo do trauma. 
 Os queimados graves necessitam de reposição de fluidos intravenosos, feita de acordo 
com o cálculo da extensão da queimadura. A infusão de solução de ringer lactato é a terapia de 
eleição. A quantidade de líquidos administrada nas primeiras 24 horas depois da lesão é de 4 
ml/kg/% - Fórmula de Parkland (QUILICI et al, 2011). 
 
Volume total em 24 horas = 4 ml/kg/% 
 = 4 X 70 X 27 
 = 7.560 ml 
Obtido o total para as 24 horas, divida esse número por 2. 
Volume administrado desde a lesão até 8 horas = 7.560/2 = 3.780 ml 
Para determinar a velocidade horária durante as primeiras 8 horas, divida esse total por 8; 
para determinar a velocidade horária durante as próximas 16 horas, devida esse total por 16: 
ml / 8 horas = 472,5 ml/hora 
3.780 ml / 16 horas = 236,25 ml/hora 
 Um detalhe importante é retirar anéis, pulseiras, relógios ou quaisquer outros objetos da 
região atingida, porque o desenvolvimento do edema traz risco de estrangulamento do membro e 
consequente isquemia. 
 
Passo “D” 
 Não se esquecer de que alterações da consciência podem ser devidas à hipóxia ou à 
intoxicação por monóxido de carbono, além, é claro, de lesões associadas. 
 
CURATIVOS 
 Somente realizar os curativos após completar a abordagem inicial da vítima pelo AB-C-D-
E. Funções dos curativos nas queimaduras: 
o Diminuir a dor; 
o Diminuir a contaminação; 
o Evitar a perda de calor. 
54 
 
 Frequentemente a dor causada pelas queimaduras é severa e requer administração de 
analgésicos endovenosos para seu alívio. Uma medida simples para o combate à dor, entretanto, é 
um curativo corretamente realizado. Nas queimaduras de pequena extensão, podem ser utilizados 
curativos úmidos, frios, com soro fisiológico, para alívio da dor. O uso do soro fisiológico é 
recomendado para evitar a contaminação da ferida; na sua ausência, usar água limpa. Nas 
queimaduras extensas, o uso de curativos úmidos, frios, pode levar a hipotermia, porque a pele 
queimada perde a capacidade de auxiliar na regulação da temperatura corporal, ficando a vítima 
suscetível à perda de calor; quando usados, não devem cobrir mais que 10% da superfície 
corporal. Quando a extensão da queimadura for muito grande, é preferível envolver ou cobrir a 
vítima com lençóis limpos, secos, em vez de tentar aplicar grandes curativos. Quando houver 
hemorragia associada, usar curativos compressivos habituais. Não remover roupas firmemente 
aderidas nem romper bolhas. Os curativos devem ser espessos e firmes, mas não apertados. 
 
HIPOTERMIA 
 Hipotermia é o resfriamento generalizado do organismo, que ocorre pela exposição a 
temperaturas baixas, mas acima do ponto de congelamento. Ocorre rapidamente, sendo mais 
comum seu desenvolvimento gradual. A transferência de calor corporal é 25 vezes mais rápida em 
meio líquido que no ar; pó isso a hipotermia se desenvolve mais rapidamente em vítimas imersas 
em ambiente líquido, como um rio de água fria, por exemplo. A severidade da hipotermia é 
proporcional ao tempo de exposição ao frio. Crianças, principalmente recém-nascidas, e idosos 
são mais propensos a apresentar hipotermia. Outras vítimas com facilidade de apresentar 
hipotermia são as alcoolizadas, as desagasalhadas, as desnutridas, as queimadas e as com 
alterações da consciência. 
 
Avaliação 
 Para fazer o diagnóstico de hipotermia, sempre ter em mente essa possibilidade, mesmo 
que as condições ambientais não sejam altamente propícias. Os sinais e sintomas se tornam mais 
severos com a progressão da hipotermia. Não esquecer que os termômetros comuns de mercúrio 
só marcam a temperatura até 35 graus centígrados e, portanto, abaixo dessa temperatura não 
funcionam. Se o termômetro estiver marcando 35 graus, significa que a temperatura pode estar 
abaixo desse valor. 
o 35 a 32 graus centígrados: vítima apresenta tremores (calafrios), inicialmente 
discretos, depois violentos; isso ocorre porque os músculos tremem para produzir 
calor e tentar elevar a temperatura corporal. A vítima queixa-se de frio e tenta 
combatê-lo com movimentos corporais; pode apresentar respostas verbais e 
motoras lentas, falta de coordenação motora e confusão mental quando a 
temperatura se aproxima dos 32 graus; a pele fica pálida e fria. 
o ● 32 a 28 graus centígrados: cessam os tremores e diminui o nível de 
consciência; a vítima deixa de "lutar" contra o frio. Há queda da pressão arterial. O 
pulso é lento, e frequentemente, irregular, devendo ser palpados os pulsos centrais, 
porque os periféricos podem estar ausentes, devido à vasoconstrição periférica. 
Diminui a frequência respiratória; as pupilas se dilatam, podendo ficar midriáticase fixas. 
o ● 28 a 25 graus centígrados: queda ainda maior dos dados vitais; pressão arterial 
bastante diminuída ou nem mensurável, frequência respiratória diminuída para até 
um ou dois movimentos por minuto. A vítima pode estar em coma. Nessa fase, 
 55 
 
movimentações bruscas da vítima pela equipe de emergência podem desencadear 
fibrilação ventricular e morte. A vítima pode estar "aparentemente morta". 
o ● Abaixo de 25 graus: geralmente sobrevêm a morte. 
 
Cuidados 
 
1) Manusear a vítima delicadamente devido ao risco de desencadear fibrilação ventricular; 
2) Colocar a vítima em ambiente aquecido; 
3) Retirar roupas molhadas e agasalhá-Ia com roupas secas ou cobertores; 
4) Colocá-Ia em posição de choque se estiver hipotensa; 
5) Infundir endovenosamente soluções aquecidas a 39 graus centígrados e evitar soluções frias; 
6) Em caso de parada cardiopulmonar, manter a RCP por tempo prolongado. A vítima 
hipotérmica suporta tempos maiores em parada cardiorrespiratória, só devendo ser declarada 
morta após reaquecida. 
 
 
10. TCE E TRM 
 
TRAUMATISMO CRANEOENCEFÁLICO 
 O Traumatismo Craneoencefálico (TCE) é o principal motivo de morte na população 
jovem, cujas causas mais frequentes compreendem acidentes automobilísticos e agressões 
interpessoais. Estima-se que ocorra um TCE a cada 15 segundos e que um paciente morra devido 
ao TCE a cada doze minutos. Aproximadamente 50% das mortes de causa traumática estão 
associadas a TCE e mais de 60% de mortes por acidente automobilístico se devem ao TCE. 
 
Tipos Específicos de Trauma Craniano 
 
 Após avaliação inicial e reanimação, estabelecer o diagnóstico anatômico da lesão 
cerebral, assegurar suplemento metabólico ao cérebro e prevenir lesão cerebral secundária devida 
à hipóxia, isquemia e hipertemia. 
 As lesões cerebrais são divididas em: 
o Fratura de crânio; 
o Lesão cerebral difusa; 
o Lesão focal; 
o Ferimento de couro cabeludo. 
56 
 
 A severidade é diferente em cada grupo. 
 
FRATURA DE CRÂNIO – as fraturas são comuns, mas nem sempre associadas à lesão cerebral, 
apesar de muitas lesões cerebrais graves ocorrerem sem fratura craniana. A identificação da 
fratura de crânio é muito importante, pela possibilidade da presença ou do desenvolvimento de 
hemorragia intracraniana, devendo esse paciente ficar sob observação. 
 
Fratura linear sem afundamento – não requer tratamento específico, somente 
observação se houver suspeita de lesão cerebral. Atenção às fraturas que cruzem leito 
vascular ou suturas cranianas, em virtude da possibilidade de hematoma epidural. 
Afundamento craniano – pode não ser uma emergência cirúrgica, dependendo da lesão 
cerebral, mas devido ao risco de sequelas graves e crises convulsivas de difícil controle. 
Geralmente o tratamento é cirúrgico, com retirada e elevação do fragmento ósseo. 
 
 
 
Fratura de crânio aberta – havendo comunicação direta entre o escalpe lacerado e a 
substância cerebral, essa condição é diagnosticada por tecido 
cerebral visível ou perda de LCR (líquido cefalorraquidiano), exigindo tratamento 
cirúrgico. 
Fratura de base de crânio – o diagnóstico clínico se baseia na perda de LCR pelo ouvido 
(otoliquorreia) ou pelo nariz (rinoliquorreia), equimose na região da mastoide (sinal de 
Battle), sangue na membrana timpânica (hemotímpano) e equimose periorbitária (olhos de 
guaxinim). Esse tipo de fratura muitas vezes não aparece na radiografia convencional; 
indiretamente, a suspeita surge devido à presença de ar intracraniano e opacificação do 
seio esfenoide. O sinal de Battle e a equimose periorbitária são sinais tardios de fratura de 
base de crânio. 
 
LESÃO CEREBRAL DIFUSA – geralmente produzida por rápidos movimentos da cabeça 
(aceleração e desaceleração), leva à interrupção das funções cerebrais. É importante tentar 
distinguir lesão cerebral difusa da lesão focal, pois esta, via de regra, necessita de cirurgia de 
emergência. 
Concussão – distúrbio que não se associa à lesão anatomopatológica; caracteriza-se por 
perda rápida das funções neurológicas, com possível confusão ou amnésia temporária. 
Geralmente a concussão causa perda temporária ou prolongada de consciência. O paciente 
pode apresentar cefaleia, náusea e vômitos, mas sem sinais de localização, devendo ficar 
em observação até cessar a sintomatologia. 
 57 
 
Lesão Axonal Difusa – caracterizada por coma prolongado, é uma lesão de alta 
velocidade com estiramento ou chacoalhamento do tecido cerebral, com mortalidade de 
33% e, nos casos mais severos, de 50%, geralmente causada por aumento da pressão 
intracraniana secundária ao edema cerebral, causado por mini-hemorragias (petéquias) em 
substância branca. O diagnóstico é realizado em pacientes em coma, com posturas de 
descerebração ou decorticação. 
 
LESÃO FOCAL – as lesões focais consistem em contusões, hemorragias e hematomas, 
normalmente exigindo tratamento cirúrgico. 
Contusão – única ou múltipla, geralmente associada a uma concussão, caracteriza-se por 
longo período de coma e confusão mental. A contusão pode ocorrer na área de impacto ou 
em áreas remotas (contragolpe). Lobos frontais e temporais revelam-se os locais mais 
comuns desse tipo de lesão. 
Se a contusão for grande e apresentar edema perilesional, pode ocorrer compressão de 
tronco cerebral devida à herniação causada pelo efeito massa da lesão. Somente nesta 
situação é indicado o tratamento cirúrgico. 
 
Hemorragia Intracraniana – classifica-se em meníngea e cerebral. Devido à grande 
variação de local, tamanho e rapidez de sangramento, o quadro clínico também é variável. 
1) Hemorragia meníngea, se subdivide conforme sua localização. 
● Hematoma epidural agudo – o sangramento epidural ocorre 
geralmente por lesão de uma artéria dural, principalmente da artéria 
meníngea média, e uma pequena porcentagem devido à lesão de seios 
da dura. Sua evolução é rapidamente fatal e, em geral, essa lesão está 
associada a fraturas lineares temporais ou parietais. Ocasiona 
geralmente perda de consciência seguida de períodos de lucidez, de 
depressão no nível de consciência e hemiparesia do lado oposto. Pode-
se encontrar uma pupila fixa e dilatada no mesmo lado da lesão ou, às 
vezes, alteração pupilar contralateral ao hematoma. O prognóstico é 
bom com intervenção imediata. 
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● Hematoma subdural agudo – Muito mais comum que os 
hematomas epidurais, ocorre geralmente por rotura de veias entre córtex 
e dura; a fratura de crânio está ou não presente, e o prognóstico melhora 
quanto mais precoce a intervenção cirúrgica. A compressão cerebral 
lenta pela expansão do hematoma causará sintomas dentro de poucas 
horas ou dias, como cefaleia, irritabilidade, vômitos, alteração do nível 
de consciência, anisocoria e alterações sensitivas e motoras. 
● Hemorragia subaracnóide – esse tipo de hemorragia leva a um 
quadro de irritação meníngea, e o paciente queixa-se de cefaleia e/ou 
fotofobia; tratamento clínico. 
2) Hemorragias e lacerações cerebrais 
● Hematomas intracerebrais – as hemorragias intraparenquimatosas 
podem ter qualquer localização; o déficit neurológico depende da área 
afetada e do tamanho da hemorragia. As hemorragias intraventricular e 
cerebral estão associadas a altas taxas de mortalidade. 
● Ferimentos penetrantes – Todo corpo intracraniano estranho só 
deve ser retirado em centro cirúrgico. Fixá-Io se for o caso, para que ele 
não produza lesões secundárias ao movimento. 
● Ferimento por arma de fogo – Quanto maior o calibre e a 
velocidade do projétil, maior a probabilidade de lesões graves e até 
letais. Cobrir a entrada e saída do projétil com compressa esterilizadaaté o tratamento neurocirúrgico ser providenciado. 
 
FERIMENTO DE COURO CABELUDO – apesar da aparência dramática, o escalpe 
geralmente causa poucas complicações. A localização e o tipo de lesão nos dão a noção de força e 
direção da energia transmitida. 
Perda sanguínea – o sangramento por lesão de couro cabeludo pode ser extenso e, 
especialmente em crianças, levar ao choque hipovolêmico; em adultos, sempre procurar 
outra causa para o choque. Localizar a lesão e parar o sangramento por compressão; a 
grande maioria dos sangramentos é controlada com aplicação de curativo compressivo. 
Inspeção da lesão – avaliar a lesão para detectar fratura de crânio, presença de material 
estranho abaixo da lesão de couro cabeludo e perda de líquor. 
 
TRAUMA RAQUIMEDULAR 
 O traumatismo da medula espinhal também é 
chamado de traumatismo raquimedular (TRM). A 
maioria dessas lesões é causada por acidentes 
automobilísticos, quedas, acidentes desportivos 
(principalmente mergulhos em águas rasas) e ferimentos 
por arma de fogo. 
 Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes 
sem que haja lesões de medula espinhal; por isso, 
mobilizar a vítima quando há qualquer suspeita de lesão 
medular, mantendo-a assim até ser radiologicamente 
afastada qualquer suspeita de fraturas ou luxações. 
 
 59 
 
A equipe de emergência deve estar conscientes de que manipulação, movimentos e 
imobilização inadequados podem causar dano adicional ao traumatismo de coluna vertebral 
e piorar o prognóstico da lesão. 
 
Suspeitar sempre de traumatismo raquimedular nas seguintes situações: 
o TRM Cervical – Lesão supraclavicular – qualquer vítima de trauma que apresente lesões 
acima das clavículas. 
o TCE – Qualquer vítima de traumatismo cranioencefálico. 
o TRM Cervical, Torácica e Lombar – Múltiplos traumas – vítima politraumatizada. 
 
Localizações mais frequentes de TRM 
o Cervical – Entre a quinta vértebra cervical (C5) e a primeira torácica (T1), geralmente 
associado a TCE; 
o Transição toracolombar – Entre a décima primeira ou décima segunda vértebra torácica 
(T11) (T12) e primeira lombar (L 1). 
 
Sinais e sintomas 
 Dependem do nível da lesão, com comprometimento neurológico abaixo desse nível, 
geralmente com alterações motoras (paralisias ou apenas diminuição de força muscular - paresia) 
e sensitivas (anestesia, diminuição da sensibilidade e parestesias - formigamento, amortecimento 
etc.). 
 
Tratamento 
 São três os principais objetivos no tratamento de paciente com TRM: 
o Imobilização de coluna para prevenir lesões neurológicas adicionais. Nesta etapa, é 
essencial o atendimento pré-hospitalar adequado às vítimas, incluindo avaliação clínica e 
imobilização. As duas outras etapas estão relacionadas ao tratamento hospitalar definitivo. 
o Cirurgia para redução de fraturas com descompressão medular de raízes. 
o Realinhamento de coluna com fixação externa ou interna. 
 Para o diagnóstico de TRM, examinar a coluna vertebral cuidadosamente, com a vítima 
em posição neutra; em hipótese alguma fletir qualquer segmento da coluna, verificando 
deformidades, dor, limitação de movimentos e queixa de amortecimento de extremidades ou 
impossibilidade de movimentação. 
 
11. EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 
 
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DOENÇAS CARDIOVASCULARES 
 As doenças cardiovasculares ocupam a primeira causa geral de mortalidade em nosso 
meio. Mais de 250.000 brasileiros morrem por ano em decorrência principalmente do infarto 
agudo do miocárdio (IAM). Cinquenta por cento das vítimas morrem antes de chegar ao hospital, 
nas primeiras duas horas após o início dos sintomas. Assim, a morte súbita por ataque cardíaco 
(PCR – parada cardiorrespiratória) é a emergência clínica mais importante nos dias de hoje. 
 Não raro, o profissional de saúde se depara com vítima de trauma que desencadeou quadro 
de insuficiência coronariana (angina ou IAM) durante o atendimento, ou atende caso de PCR de 
causa clínica. É fundamental saber identificar sinais e sintomas que possa, sugerir uma situação de 
emergência clínica e as medidas a serem tomadas. 
 
DOENÇA CORONARIANA – o coração tem seus próprios vasos sanguíneos para suprir a 
intimidade do músculo cardíaco de O2 e nutrientes e remover CO2 e outros detritos. É o sistema 
coronariano (artérias e veias coronárias). Denominamos o músculo cardíaco de miocárdio. Para 
que o miocárdio desempenhe de forma eficiente sua função de bomba, é fundamental que o 
sangue oxigenado alcance a intimidade do seu tecido. Quando as artérias coronarianas estão 
prejudicadas na sua função de transportar sangue, o suprimento de O2 para o miocárdio é 
reduzido; como consequência, sua função de bomba estará comprometida. Ao processo lento e 
gradual de oclusão dos vasos sanguíneos chamamos aterosclerose (causa mais frequente de 
angina). Na fase inicial da aterosclerose, ocorre deposição de gordura na parede dos vasos, 
estreitando sua luz. Conforme o tempo passa, um depósito de cálcio vai endurecendo a parede do 
vaso, e o fluxo de sangue no vaso fica reduzido. A irregularidade da superfície provoca adesão de 
plaquetas circulantes formando um trombo. Este pode alcançar tamanho tal que oclui 
completamente a luz do vaso, ou quebrar-se e transformar-se em êmbolo (trombo circulante), que 
causa a obstrução do vaso mais à frente. Quando isso ocorre, os tecidos que dependem desse fluxo 
de sangue, privados de oxigênio, acabam morrendo. Quando esse processo ocorre nas artérias 
coronárias, chamamos de doença coronária, que se resume no baixo suprimento de sangue ao 
miocárdio. Inclui a angina de peito e o infarto agudo do miocárdio. 
Angina de Peito – situações de estresse emocional ou esforço físico fazem com que o 
coração trabalhe mais, exigindo maior fluxo de sangue pelas artérias coronárias para suprir 
o músculo cardíaco. Quando as artérias coronárias se estreitam pela aterosclerose, não são 
capazes de suprir o aumento da demanda de sangue pelo músculo cardíaco. O miocárdio, 
privado de oxigênio, faz o paciente sentir dor. Sinais e Sintomas: 
o Dor torácica retroesternal ou precordial (às vezes, desconforto), desencadeada 
por esforço físico, estresse, refeição volumosa ou exposição a temperaturas 
muito frias. 
o A dor pode irradiar-se para membros superiores, ombros, mandíbula e porção 
superior do abdome. Raramente ultrapassa dois a cinco minutos, 
desaparecendo com repouso e uso de vasodilatador sublingual. 
Infarto Agudo do Miocárdio – condição em que ocorre necrose (morte) de parte do 
miocárdio como resultado da falta de oxigênio. Isso acontece por estreitamento ou oclusão 
da artéria coronária que supre de sangue a região. O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a 
causa mais frequente de morte súbita (50% das mortes ocorrem nas primeiras horas); 
muitas dessas vítimas poderiam ser salvas com medidas prontas e relativamente fáceis 
(manobras de RCP). Daí a importância de identificar precocemente o infarto agudo do 
miocárdio. A causa principal do IAM é a aterosclerose das coronárias, que pode ser 
 61 
 
desencadeada por esforço físico, situação de estresse, fadiga, mas também no repouso. A 
principal complicação do IAM é a alteração do ritmo cardíaco. Drogas, como a cocaína, 
podem provocar IAM por espasmo do vaso. Sinais e Sintomas: 
o Dor torácica de forte intensidade, prolongada (30 minutos a várias horas), que 
localiza atrás do esterno e irradia-se para o membro superior, ombro, pescoço, 
mandíbula, etc. Geralmente o repouso não alivia a dor; 
o Falta de ar; 
o Náusea, vômitos, sudorese fria; 
o Vítima ansiosa, inquieta, com sensação de morte iminente; 
o Alteração do ritmo cardíaco – bradicardia, taquicardia, assistolia, fibrilação 
ventricular;o Na evolução, a vítima perde a consciência e desenvolve choque cardiogênico. 
 
DISPINEIA – o termo dispneia significa respiração difícil. Não é uma doença primária, mas 
surge como consequência de condições ambientais, trauma e doenças clínicas, como, por 
exemplo, obstrução das vias aéreas por corpo estranho, doenças pulmonares (bronquite crônica e 
enfisema), condições cardíacas, reações alérgicas, pneumotórax, asma brônquica, etc. Em 
qualquer das situações em que algo impeça o fluxo de ar pelas vias aéreas, o paciente aumenta a 
frequência e a profundidade da respiração. A dificuldade em suprir de oxigênio a circulação 
pulmonar desencadeia hipóxia. Logo, o paciente pode estar cianótico, forçando os músculos de 
pescoço, tórax e abdome (em criança observa-se batimento da asa do nariz). Conforme haja 
agravamento do quadro, o paciente desenvolve parada respiratória ou apneia, inconsciência e 
parada cardíaca. 
 
SÍNCOPE OU DESMAIO – caracteriza-se por qualquer tipo de perda de consciência de curta 
duração que não necessite manobras específicas para a recuperação. O termo lipotimia tem sido 
utilizado para designar episódio de perda incompleta de consciência. 
 
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE) - é uma desordem do sistema cardiovascular, 
causada por oclusão ou ruptura de um dos vasos que suprem o cérebro de sangue. Embora 
ocorram predominantemente nas pessoas mais idosas, frequentemente surpreendem jovens, 
comprometendo sua capacidade laborativa. 
Acidente Vascular Isquêmico – o vaso pode ser obstruído por trombo ou êmbolo, ou sua 
luz comprimida por tumor ou trauma. Como resultado, a função de parte do cérebro que 
depende do sangue oxigenado será afetada. A causa mais frequente é a aterosclerose 
cerebral. 
Acidente Vascular Hemorrágico – ruptura da parede de um vaso sanguíneo provocando 
hemorragia cerebral. Parte do cérebro ficará comprometida pela falta de oxigênio e poderá 
haver aumento da pressão intracraniana. Essa situação é de maior gravidade pelo risco de 
compressão de áreas cerebrais responsáveis pelas funções vitais. 
 Sinais e Sintomas: 
 Dependem do vaso lesado e da importância funcional da área cerebral envolvida. Podem 
surgir: 
o cefaleia, tontura, confusão mental; 
o perda de função ou paralisia de extremidades (geralmente de um lado do corpo); 
o paralisia facial (perda de expressão, geralmente de um lado da face, com defeito na fala); 
o anisocoria, pulso rápido, respiração difícil, convulsão, coma. 
 Os casos podem ser súbitos e fugazes (recuperação espontânea) ou mais graves, 
confirmando a extensão do comprometimento cerebral. 
62 
 
 
CRISE CONVULSIVA – a convulsão é uma desordem cerebral. Durante breve período de 
tempo, o cérebro deixa de funcionar normalmente e passa a enviar estímulos desordenados ao 
resto do corpo, iniciando as crises convulsivas, também conhecidas por ataques. A convulsão é 
um sintoma comum em uma população em geral e em países em desenvolvimento pode chegar a 
50 casos a cada 1.000 habitantes. Ela é mais comum na infância, quando é maior a 
vulnerabilidade a infecções do sistema nervoso central (meningite), acidentes (traumatismos do 
crânio) e doenças como sarampo, varicela e caxumba, cujas complicações podem causar crises 
epiléticas. Traumatismo cranioencefálico, infecções, parasitoses (principalmente 
neurocisticercose), mal formações e tumores cerebrais e abuso de drogas e álcool são as causas 
mais comuns de convulsão em adultos. Quando a vítima apresenta crises convulsivas repetidas ao 
longo de sua vida caracteriza-se então uma doença denominada epilepsia, que não é contagiosa. 
Às vezes, a pessoa com epilepsia perde a consciência, mas outras experimenta apenas pequenos 
movimentos corporais ou sentimentos estranhos. Se as alterações epiléticas ficam restritas a uma 
parte do cérebro, a crise chama-se parcial; se o cérebro inteiro está envolvido, chama-se 
generalizada. 
Manifestações Clínicas – existem várias formas de manifestações clínicas das crises 
convulsivas e a mais importante no aspecto de atendimento de emergência são as crises 
generalizadas tônicoclônicas. A convulsão pode ou não ser precedida de algum sintoma 
que avisa que ela está se iniciando. Logo a seguir, a crise se inicia com um grito que 
precede a perda súbita de consciência e enrijecimento (fase tônica) do corpo seguido por 
movimentos tipo abalos (fase clônica) das quatro extremidades, face e cabeça. Durante a 
crise a vítima pode apresentar queda e se ferir, morder a língua ou ter perda de urina. A 
convulsão demora em média três a cinco minutos e é seguida por um período de 
inconsciência. A consciência é recuperada aos poucos e o paciente pode apresentar dor de 
cabeça, vômitos e confusão mental. Outro tipo comum de epilepsia é o “pequeno mal” ou 
“crise de ausência”, quando a pessoa fica com o olhar fixo por alguns instantes, sem 
lembrar-se de depois daquele desligamento. Existem vários outros tipos de crise mas sem 
importância no atendimento pré-hospitalar. Se as crises duram muito tempo (crises 
prolongadas, ou crises seguidas sem recuperação de consciência) com duração igual ou 
superior a 30 minutos, se caracterizam uma emergência clínica podendo nesse caso haver 
risco de morte e a vítima deverá ser encaminhada ao hospital pois poderá ocorrer dano ao 
cérebro; são as chamadas crises subentrantes ou estado de mal epiléptico. Porém, a 
maioria das crises não provoca dano algum, pois são de curta duração e autolimitadas. 
 
DIABETES MELLITUS – é uma doença de evolução crônica em que o organismo é incapaz de 
utilizar a glicose para produção de energia por diminuição ou ausência de insulina. Sem a 
insulina, a glicose não entra na célula, se acumulando na circulação e, como consequência, ocorre 
um aumento do volume urinário na tentativa de eliminar o excesso de açúcar da corrente 
sanguínea. Esta reação é a principal responsável pelos sintomas principais do diabete, a saber: 
polidipsia (sede intensa), poliúria (aumento do volume de urina) e fadiga facial com diminuição 
de capacidade de trabalho. Entre as complicações do diabete, a acidose, o coma diabético e a 
hipoglicemia - choque insulínico constituem as mais graves, requerendo tratamento imediato e 
geralmente caracterizam o descontrole da doença em sua expressão máxima. 
Acidose e Coma Diabético - uma vês que a célula não pode utilizar a glicose para 
produção de energia, ela busca outra fonte de energia – a gordura. Entretanto, esta não é 
tão eficiente quanto a glicose, além de produzir resíduos ácidos. Essa situação de acidose 
orgânica, caso não corrigida de imediato, leva ao coma diabético – situação grave que 
necessita de atendimento de emergência. Sinais e sintomas: 
 63 
 
o Geralmente de evolução lenta (até dias), iniciando por polidipsia, poliúria, 
vômito, dor abdominal, respiração rápida e profunda, pulso rápido e fraco, 
alteração da consciência iniciando por confusão, estupor até coma. 
Hipoglicemia / Choque Insulínico – ocorre quando o nível de glicose no sangue está 
muito baixo. Rapidamente o açúcar circulante entra nas células e não existe glicose 
suficiente para manter o suprimento constante das células cerebrais. Sobrevém a 
inconsciência em questão de minutos. Entre as causas principais, o paciente diabético que 
usou a insulina em dose maior do que a desejada ou que não se alimentou adequadamente 
ou aquele que praticou exercício físico em excesso. Sinais e sintomas: 
o São de início rápido (minutos), com tontura, cefaleia, confusão mental e 
evoluindo para convulsão e coma. 
 
 
12. INTOXICAÇÕES ENDÓGENAS, ENVENENAMENTOS E 
ACIDENTES COM ANIMAIS PECONHENTOS 
 
 
ENVENENAMENTO 
 Venenos são substâncias químicas que podem causar danoao organismo. Os 
envenenamentos são, na sua maioria, acidentais, mas resultam também de tentativas de suicídio e 
homicídios. Um veneno pode penetrar no organismo de diversas formas: 
 
 
 
 
INGERIDO: medicamentos, raticidas, formicidas, etc. 
INALADO: gazes e poeiras tóxicas. Ex: amônia, gás de cozinha, cola, etc. 
ABSORVIDO: inseticidas, agrotóxicos que penetram na pele e mucosas. 
INJETADO: toxinas (aranhas, escorpiões) e drogas injetadas. 
 
64 
 
ANIMAIS PEÇONHENTOS 
 Os animais peçonhentos são aqueles que possuem glândula de veneno que se comunicam 
com dentes ocos, ferrões ou agulhões, por onde o veneno passa ativamente. Ex: serpentes, 
aranhas, escorpiões. 
 
OFÍDIOS (SERPENTES) 
 
 Lave o local da picada com água e sabão; 
 NÃO faça cortes, perfurações, torniquetes, nem coloque outros produtos sobre a 
lesão; 
 Mantenha o acidentado calmo e imóvel; 
 Ofereça água ou chá à vítima; 
 Transporte à vítima levando, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para 
facilitar o diagnóstico e a escolha do soro mais adequado. 
 
 
 
 
 
 
 
ARANHA – aranha marrom (Loxosceles) pequena (4cm), pouco agressiva, hábitos noturnos. 
Encontrada em pilhas de tijolos, telhas, atrás de móveis, cortinas e eventualmente roupas. A 
picada ocorre em geral quando a aranha é comprimida contra o corpo, não produzindo dor 
imediata. Pode causar necrose no local e lesão em forma visceral, surge febre, cefaléia, náuseas, 
vômito, urina escura, anúria e insuficiência renal. O tratamento consiste em curativo local. 
Compressas frias e soroterapia específica. 
 
PHONEUTRIA NIGRIVENTER – são as chamadas armadeiras, devido ao fato de, 
quando ameaçadas, tomarem a postura de se "armar", levantando as patas dianteiras e 
eriçando os espinhos. É extremamente agressiva. Habitam sob troncos, normalmente 
folhagens densas, como bananeiras, montes de lenha ou materiais de construção 
empilhados e, eventualmente, aparecem dentro das residências, principalmente em roupas 
e dentro de calçados. 
LYCOSA ERYTHROGNATHA - As aranhas do gênero Lycosa, chamadas de aranhas de 
jardins, são comumente encontradas nas residências; também causam acidentes leves, sem 
necessidade de tratamento específico. Apresentam cor marrom acinzentado, apresentando 
um desenho em forma de seta no abdome. O animal adulto mede entre 2 a 3 cm de corpo e 
O único tratamento específico é a administração do soro, o que deve acontecer com a 
maior brevidade, via endovenosa, em dose única. 
 
 65 
 
5 a 6 cm de envergadura de pernas. Habita campos e gramados e não é agressiva. No local 
da picada pode ocorrer leve descamação da pele 
 
13. AFOGAMENTO 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
AFOGAMENTO – consiste na morte devido a submersão em meio líquido, por sufocamento. 
QUASE AFOGAMENTO – quando a vítima sobrevive, mesmo que temporariamente, após o 
sufocamento por submersão em meio líquido. Após um período de pânico, a vítima tenta manter-
se em apneia, enquanto luta para emergir. Durante essa fase é frequente a deglutição de água por 
mecanismo reflexo: posteriormente o líquido deglutido pode ser regurgitado e/ou aspirado. 
Com o surgimento da hipóxia e hipercapnia, ocorrem respirações involuntárias e a consequente 
aspiração de água. A passagem de líquido pela laringe causa nas fases iniciais, um intenso 
laringoespasmo, quem previne a aspiração de maiores quantidades de água. 
 Na grande maioria dos casos (85% a 90%), o laringoespasmo cede com a perda da 
consciência permitindo a entrada de água nos pulmões (chamado de afogamento úmido). Algumas 
vítimas não aspiram líquido, devido ao laringoespasmo persistente (chamado de afogamento 
seco). 
 
ATENDIMENTO 
 
 O atendimento à vítimas de afogamento deve proceder de acordo com o protocolo do 
ABCDE da vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 
 
 
14. REFERÊNCIAS 
 
 
COMITÊ DO PHTLS DA NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL 
TECHNICIANS. Atendimento Pré-hospitalar ao Traumatizado: Básico e Avançado. 6ª ed. 
Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2007. 
CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ. Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em 
Emergência – SIATE. Manual De Atendimento 
Pré-Hospitalar. Curitiba: SIATE /CBPR, 2006. 
OLIVEIRA, B. F. M; et al. Trauma: Atendimento Pré-hospitalar. 2ª ed. São Paulo: Editora 
Atheneu, 2007. 
QUILICI, A. P.; et al. Suporte Básico de Vida: primeiro atendimento na emergência para 
profissionais da saúde. São Paulo: Editora Manole, 2011. 
 SANTOS, N. C. M. Urgência e Emergência para Enfermagem: do atendimento pré-
hospitalar à sala de emergência. 4ª ed. São Paulo: Iátria, 2007

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