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1 1. CONCEITOS BÁSICOS A abordagem do tema urgência e emergência é muito complexa. Para estudarmos o assunto é necessário entender alguns conceitos básicos que envolvem este tema. DIFERENÇA ENTRE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA URGÊNCIA – ocorrência imprevista de danos à saúde, em que não ocorre risco de morte, ou seja, o indivíduo necessita de atendimento médico mediato. Consideramos prioridade moderada de atendimento. Exemplo: o Dor torácica sem complicações respiratórias; o Alguns tipos de queimaduras; o Fraturas sem sinais de choques ou outras lesões mais sérias; o Vômito e diarreia, acompanhados ou não por estado febril abaixo de 39ºC; o Sangramentos e ferimentos leves e moderados (SANTOS, 2008). EMERGÊNCIA – constatação médica de condições de danos à saúde, que implicam em risco de morte, exigindo tratamento médico imediato. Consideramos alta prioridade de atendimento. Exemplo: o Parada Cardiorrespiratória (PCR); o Dor torácica acompanhada de desconforto respiratório; o Politraumatismo em geral; o Hemorragias de alta intensidade; o Queimaduras extensas; o Perda do nível de consciência; o Intoxicações em geral; o Ferimento por arma de fogo (FAF); o Ferimento por arma branca (FAB); o Estados de choque; o Estado febril acima de 40ºC; o Gestações em curso com complicações (SANTOS, 2008). OUTROS CONCEITOS 2 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS – são aquelas que não tiveram nenhum fator externo que levasse a ela. Infartos, embolias pulmonares, acidente vascular encefálico, hipertensão, insuficiência de órgãos são alguns exemplos de emergências clínicas. Estas são de origem não traumática, ou seja, o paciente não sofreu nenhum tipo de injúria. EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS – qualquer lesão caracterizada por uma alteração estrutural fisiológica resultante da ação de um agente externo, que causa a exposição a determinadas energias, como mecânicas, térmicas ou elétricas (SANTOS, 2008). SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR (APH) – é o atendimento emergencial em ambiente extra-hospitalar, ou seja, fora do ambiente hospitalar, às vitimas de traumas, seja por acidente de trânsito, industriais, aéreos ou outros; por violência nas cidades, como ferimentos por arma de fogo (FAF) ou por arma branca (FAB), mal súbito, entre eles cardiológicos, neurológicos e outros; ou distúrbios psiquiátricos, objetivando sua estabilização clínica no local do acidente e em seguida sua remoção para a unidade hospitalar compatível, adequada ao quadro apresentado pela vítima (SANTOS, 2008). Unidade Móvel de APH O APH é realizado por profissionais especialmente treinados, como profissionals, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, e militares do corpo de bombeiros, que estão divididos em: o Equipe de Salvamento – as manobras realizadas por essa equipe visam retirar as vítimas de uma situação hostil, como, por exemplo, incêndio, ferragens, ambiente confinado, altura e outros. Sua característica principal é retirar a vítima para uma área adequada, possibilitando o trabalho da equipe, o atendimento básico de vida (SBV). o Equipe de Suporte Básico de Vida (SBV) – sua característica principal é atender a vítima sem interferência de procedimentos médicos invasivos, pode ser composta por profissionais e técnicos de enfermagem. o Equipe de Suporte Avançado de Vida (SAV) – sua função principal é atender a vítima qualquer que seja seu prognóstico. No Brasil, as manobras de SAV só podem ser realizadas por médicos e enfermeiros, qualificados para tal (SANTOS, 2008). ATENDIMENTO INTRA-HOSPITALAR – é o atendimento realizado dentro do meio hospitalar podendo ser chamado de “pronto-socorro”, “pronto-atendimento”, ou simplesmente “emergência”. É o local destinado ao atendimento de pacientes com risco de morte que requerem atendimento imediato. Deve ser amplo, de fácil acesso para o meio externo e próximo a áreas 3 como Centro Cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva e Serviços de Diagnóstico (sala de radiologia, tomográfica computadorizada, entre outros). O pronto-socorro deve dispor de: o Recepção central; o Sala de espera; o Sala de triagem; o Consultórios; o Sala de sutura; o Sala de medicação; o Sala de observação; o Sala para atendimento emergencial, esta sala é destinada para atendimentos a pacientes considerados graves, isto é, com risco de morte; o Expurgo; o Posto de enfermagem; o Sanitários para pacientes; o Vestiário e sanitários para funcionários (PORTO et al, 2011). Por se tratar de atendimentos emergenciais, este setor de hospital deve estar munido com matéria, equipamentos e medicamentos para qualquer tipo de atendimento. Os imprescindíveis são: o Eletrocardiograma; o Monitor cardíaco completo (ECG, oximetria, pressão não invasiva); o RX portátil; o Desfibrilador; o Ventilador mecânico; o Aspirador; o Bombas para infusão de drogas; o Reanimador manual (Ambú); o Materiais cirúrgicos para pequenas ou grandes cirurgias como: punção de subclávia, pequena cirurgia, traqueostomia, toracotomia, punção lombar, entre outros; o Materiais para administração de oxigênio: máscaras, névoa úmida, umidificadores de oxigênio e inalação; o Material para curativos, gesso, suturas; o Medicamentos para atendimentos diversos e de emergência; o Materiais para realização de procedimentos de enfermagem. O pronto socorro conta com uma ampla estrutura funcional, a equipe médica é subdividida em várias especialidades, muitas vezes dependendo das características do atendimento que o hospital presta, em um hospital geral contamos com as seguintes especialidades: cardiologia, ortopedia, cirurgia geral, oftalmologia, infectologia, obstetrícia, pediatria, neurologia, nefrologia, entre outros. A equipe multiprofissional é composta por enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, fisioterapeutas, assistente social, nutricionista e farmacêutico. 2. ATENDIMENTO A VÍTIMA DE TRAUMA 4 TRAUMA O trauma é definido como uma lesão corporal causada pela exposição aguda a uma forma de energia. Pode-se definir politraumatizado como o indivíduo vítima de traumatismo de média e grande intensidade que atinja no mínimo dois sistemas corporais representados por crânio, tórax, abdômen, coluna vertebral e extremidades com necessidades de intervenção cirúrgica com objetivo de salvar a vida ou recuperar funções orgânicas. Os acidentes de trânsito e a violência interpessoal (ferimentos por arma de fogo e branca) representam a causa mais comum dos eventos traumáticos em todas as idades, apresentando predominância em sua mortalidade em crianças e jovens. No Brasil, na consequência do aumento do número de veículos, má conservação da malha rodoviária e preparo inadequado de motoristas, tem havido aumento tanto no número de acidentes quanto da gravidade das lesões produzidas por eles. AVALIAÇÃO A avaliação é a pedra fundamental para o melhor tratamento do paciente. Para a vítima traumatizada, bem como para outros pacientes de emergência, a avaliação é base para todas as decisões de atendimento (PHTLS, 2007). Desenvolvem-se uma impressão geral do estado da vítima e estabelecem-se valores basais para os estados respiratório, circulatório e neurológico da vítima. As principais preocupações para a avaliação e atendimento da vítima traumatizada são as seguintes, em ordem de importância: (1) via aérea; (2) ventilação; (3) oxigenação; (4) controle da hemorragia; (5) perfusão; (6) função neurológica. Essa sequência protegea habilidade de o organismo ser oxigenado e a habilidade das hemácias em levar oxigênio para os tecidos (PHTLS, 2007). ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR – quando abordada na cena do trauma, a vítima de um acidente pode não parecer gravemente lesada. Pode haver pouca evidência externa de lesão, entretanto pode haver lesões internas que levam em considerado uma emergência até que se prove o contrário. O primeiro socorro na cena do acidente deve ser fornecido por uma equipe treinada, sempre que possível. O simples ato de mover a vítima de uma posição para outra, se feito inapropriadamente, pode comprimir a coluna cervical, lacerar o pulmão, romper um grande vaso, ou desestabilizar uma fratura. O paciente deve ser transportado com segurança e rapidamente ao hospital. A ênfase do atendimento pré-hospitalar deve ser imobilizar a coluna cervical, permeabilizar vias aéreas e ventilar o paciente, obter acesso venoso e transportá-lo até o hospital mais próximo com condições para oferecer atendimento hospitalar adequado para as necessidades de casa vítima em particular. ATENDIMENTO HOSPITALAR – ao atender um paciente, vítima de politraumatismo, o médico e toda a equipe que presta o atendimento, devem estar preparados para reconhecer as manifestações clínicas de todas as lesões, tanto as evidentes (externas) como as ocultas (internas). Estas manifestações dependem do tipo de trauma da intensidade, da localização e da associação de lesões. A gravidade do quadro só pode ser definida após exame criterioso, que não omita prováveis causas ocultas (traumas fechados). Na maior parte dos casos, a história é obtida com a equipe que transportou a vítima até o hospital. É importante determinar as circunstâncias do acidente, incluindo a velocidade do 5 impacto, as condições do veículo, a posição do paciente na cena do acidente, evidências de perda de sangue, a evolução do estado mental e o estado dos acompanhantes. As vitimas com trauma moderado e grave requerem uma abordagem precisa, rápida e sistematizada na avaliação inicial para que tenham assegurada a melhor chance de sobrevida. ABORDAGEM PRIMÁRIA O Comitê de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões em conjunto com a National Association of Emergency Medical Techinicians sistematizou uma abordagem padrão para a vítima. As cinco etapas envolvidas no exame primário e sua ordem de prioridade são as que se seguem: A (Airway) - Vias aéreas com controle cervical B (Breathing) - Respiração C (Circulation) - Circulação com controle de grandes hemorragias D (Disability) - Estado neurológico E (Exposure) - Exposição da vitima PREPARAÇÃO – Em primeiro lugar o profissional deve levar em conta a sua segurança, o que inclui, se este tiver em um lugar externo a avaliação da cena, para que este não se torne uma nova vítima. O profissional deve atentar-se a sua biossegurança paramentando-se com luvas de procedimento, máscara e óculos. Paramentação Completa Etapa A – VIAS AÉREAS E CONTROLE CERVICAL Aproximar-se da vítima e imobilizar a cabeça. Apresente-se a vítima e pergunte o que aconteceu? Se a vítima não responder normalmente, examinar as vias aéreas. Desobstruir vias aéreas de sangue, vômito, corpos estranhos ou relaxamento da língua, garantindo a imobilização da coluna cervical. A etapa A resolvida, passar para a etapa B respiração. 6 Etapa B – RESPIRAÇÃO Checar se a respiração está presente e efetiva: VER, OUVIR E SENTIR. Se a respiração estiver ausente iniciar ventilação artificial. Estando presente a respiração, analisar a sua qualidade: lenta ou rápida; superficial ou profunda; ritmo regular ou irregular; silenciosa ou ruidosa. – Ver, Ouvir e Sentir Etapa C – Circulação com Controle de Grandes Hemorragias O objetivo principal é estimar as condições de oxigenação dos tecidos, através da verificação do pulso. Pulso Carotídeo: vítimas inconscientes. Pulso Radial: vítimas conscientes. – Verificação de Pulso Carotídeo – Verificação de Pulso Radial ATENÇÃO: Quando a vítima está consciente e respondendo às perguntas, significa que vias aéreas estão desobstruídas e que ela está respirando, ou seja, o ar passa pelas cordas vocais e chega aos pulmões. Portanto, se a vitima responder normalmente, fazer o diagnóstico de vias aéreas permeáveis (“A” resolvido) e respiração espontânea (“B” resolvido). 7 Se a vítima apresentar pulso, avaliar em conjunto: Pulso: ritmo, regularidade e força; Coloração da pele: pálida ou cianótica; Umidade da pele: úmida ou seca; Temperatura da pele: quente ou fria; Enchimento capilar: o ideal é que esteja abaixo de 2 segundos, levando em consideração as condições climáticas. Verificar a presença de grandes hemorragias se houver o sangramento, este deverá ser controlado nesta etapa. Etapa D – Estado Neurológico Esta etapa consiste na análise do nível de consciência, esta alteração de consciência pode ser por: o Diminuição da oxigenação cerebral (hipóxia): o TCE (Traumatismo Crânio Encefálico); o lntoxicação por álcool ou drogas; o Problemas metabólicos. o A avaliação consiste no método AVDI, resposta pupilar e Escala de Glasgow. Método AVDI A – alerta V – responde a estímulos verbais D – responde a estímulos dolorosos I – irresponsivo Reposta Pupilar Observar tamanho, simetria e reação à luz. Fotorreagentes: reage a luz. Isocóricas: tamanhos semelhantes. – Pupilas Isocóricas 8 Anisocóricas: tamanhos desiguais. – Pupilas Anisocóricas Midríase: pupila dilatada. – Midríase Miose: pupila contraída. – Miose Escala de Coma de Glasgow 9 Etapa E – Exposição Consiste na exposição da vítima para o exame secundário. O objetivo é procurar lesões que não foram identificadas no exame primário. Entretanto no atendimento pré-hospitalar as roupas da vitima deverão ser removidas dentro da ambulância fechada sempre com a presença de dois profissionais, é necessário expor lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas pelo exame segmentar. ABORDAGEM SECUNDÁRIA A obtenção e anotação de uma história clínica e um exame físico rápido e completo são importantes nos pacientes politraumatizados. Modificações progressivas no quadro clínico frequentemente é a chave para o diagnóstico correto das lesões subjacentes ou das complicações, principalmente nas injúrias intratorácicas, intra-abdominais e neurológicas, a qual possa não se manifestar até várias horas após o trauma. A avaliação secundária ou exame físico deve ser realizado de forma céfalo-caudal e também devem ser verificados os sinais vitais da vítima. Além disto, deve-se aplicar o método AMPLA, este serve como lembrança de seus componentes-chave e devem ser documentadas no prontuário do paciente (PHTLS, 2007). Alergias: principalmente a medicamentos. Medicações: drogas prescritas ou não que o paciente usa regularmente. Passado médico e antecedentes cirúrgicos: problemas médicos importantes para os quais o paciente recebe tratamento; inclui cirurgias prévias; em caso de mulheres confirmar se a presença de gravidez. Líquidos e alimentos: muitos pacientes traumatizados precisarãode cirurgia, e alimentação recente pode aumentar o risco de vômito e aspiração durante a indução da anestesia. Ambiente: eventos que levarão ao trauma 3. VIAS AÉREAS 10 ANATOMIA E FISIOLOGIA O sistema respiratório é composto por vias aéreas superiores: cavidade nasal, cavidade oral e faringe e vias aérea inferiores: laringe, traqueia, pulmões, bronquíolos e alvéolos. Cada parte do sistema desempenha um papel importante para garantir as trocas gasosas. Processos através do qual o oxigênio entra na corrente sanguínea e o dióxido de carbono é removido (PHTLS, 2007). O corpo depende de um suprimento constante de oxigênio, que é disponibilizado para o sangue pelo sistema respiratório, que compreende as cavidades nasais, a faringe, traqueia e os pulmões. A passagem do ar para dentro e para fora dos pulmões é denominada respiração, durante a inalação e/ou respiração o ar entra nos pulmões através do nariz, da boca, da traqueia e dos brônquios, sendo previamente aquecido, umedecido e filtrado. Os pulmões se expandem para preencher a cavidade torácica dilata e os músculos fecham a laringe para reter o ar. O sangue que circula nos pulmões é oxigenado (PHTLS, 2007). Durante a exalação e/ou expiração, os músculos do peito tórax relaxam e a laringe abre, liberando ar dos pulmões. O ar exalado carrega com ele dióxido de carbono e outros produtos residuais (PHTLS, 2007). Durante a ventilação normal em repouso, chegam aos pulmões cerca de 500ml de ar, parte deste volume, 150 ml, fica nas vias aéreas como espaço morto e não participa da troca gasosa (PHTLS, 2007). O sistema respiratório possui íntima conjunção com o sistema circulatório, o mesmo é responsável por suprir todas as células do corpo com o oxigênio essencial e remover o dióxido de carbono, que quando não expelido se torna perigoso ao organismo (PHTLS, 2007). A incapacidade de o sistema respiratório fornecer oxigênio às células, ou de as células usarem o oxigênio fornecido, pode levar rapidamente à morte. A falha em eliminar o dióxido de carbono pode levar ao coma (PHTLS, 2007). ATENDIMENTO As vias aéreas devem ser rapidamente verificadas para assegurar que estão abertas e limpas e que não existe perigo de obstrução. Se as vias aéreas estiverem comprometidas, terão que ser abertas usando métodos naturais como: levantamento do mento e tração da mandíbula. À medida que equipamentos e tempo estão disponíveis, o atendimento das vias aéreas pode progredir para meios mecânicos como: cânulas oro ou nasofaríngea. O uso de qualquer uma das técnicas de controle das vias aéreas necessita de estabilização simultânea da coluna cervical em posição neutra até que o paciente tenha sido completamente imobilizado. Todo profissional deve ter um excelente domínio das técnicas fundamentais de controle de vias aéreas. DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS MANOBRAS MANUAIS – o primeiro passo no tratamento das vias aéreas deve ser uma rápida inspeção visual da orofaringe. Corpos estranhos, como pedaços de alimentos, dentes quebrados e sangue podem ser encontrados dentro da boca de um traumatizado (PHTLS, 2007). 11 o Retirada de objetos sólidos – o profissional deve usar luvas para retirar este material da boca (corpos estranhos, pedaços de alimentos, dentes quebrados), utilizando os “dedos cruzados” para abrir a boca da vítima e a com a outra mão com os dedos em forma de pinça ou gancho retirar o objeto. o Retirada de líquidos – se for observado líquidos como vômito e sangue, deve ser realizado o rolamento de 90°. o Relaxamento da língua – na vítima inconsciente, a língua fica flácida, caindo para trás e obstruindo a hiporafinge. A língua é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas. O profissional pode facilmente usar dos métodos manuais para remover este tipo de obstrução, porque a língua esta presa a mandíbula e move-se anteriormente com ela. Existem dois tipos: Tração da mandíbula no trauma e/ou manobra tríplice. Quando há suspeita de traumatismo craniano, cervical ou facial, deve-se manter a coluna cervical alinhada em posição neutra. A manobra de tração da mandíbula permite ao profissional abrir as vias aéreas com pouca ou nenhum movimento da cabeça e da coluna cervical. A mandíbula é empurrada anteriormente com os polegares nos arcos zigomáticos e os indicadores e dedos médios no ângulo da mandíbula do mesmo lado. • Elevação do mento no trauma e/ou manobra modificada. O queixo e os incisivos inferiores são apreendidos e elevado para puxar a mandíbula anteriormente. Manobra de Heimlich – a asfixia é uma causa comum de morte após engasgo com alimentos. É comum em crianças, ocorrendo também em adultos, provocada por uma súbita queda de oxigenação, pode levar a morte em poucos minutos, se não 12 solucionada rapidamente. A obstrução pode ser parcial ou completa. Ser for parcial, a vítima conseguirá tossir e poderá haver um ruído semelhante a um ronco quando ela respira. Se a troca de ar for razoavelmente boa, incentive a vítima a tossir e expelir o corpo estranho, observando sempre os sinais de redução de passagem de ar. Deve-se estar preparado para prestar atendimento de emergência em qualquer caso de obstrução completa das vias aéreas. A ajuda de suporte médico deve ser solicitada e, em seguida inicie a manobra de Heimlich e/ou manobra de afogamento ou engasgo. VÍTIMA CONSCIENTE: 1. Manter contato direto com a vítima, identificar-se. 2. Fique atrás da vitima em pé, realizando a abertura de compasso (pernas abertas). Mantenha os cotovelos afastados das costelas da vítima. Coloque o polegar de uma das mãos na linha média do abdome, ligeiramente acima da cicatriz umbilical e bem abaixo do processo xifoide; mantendo o polegar posicionado, forme um punho. 3. Agarre o punho com a outra mão (polegares em direção a vitima). 4. Com um impulso rápido para dentro e para cima, pressione o punho contra o abdome da vítima. 5. Dê cinco impulsos, separados e distintos, e depois reavalie a vítima. Se as vias aéreas da vítima ainda estiverem obstruídas, passe para a lateral da vítima e segure a mandíbula com dedos em tesoura para controle cervical. Abaixe o tórax da vítima e com a mão em forma de concha realize cinco tapotagens no centro da escapula, intercalando com os cincos impulsos. 6. Vítimas obesas ou grávidas os impulsos devem ser realizados no centro da linha mamilar, ou seja, impulsos torácicos. 7. VÍTIMA INSCONSCIENTE: 8. Se a vitima durante a manobra perdeu a consciência, coloque a vitima em decúbito dorsal no solo usando a técnica apropriada. 9. Avalie a vias aéreas novamente, se visível o corpo estranho, retire com a manobra “dedos cruzados”. 10. Se não, fique em posição a cavaleiro, e inicie os impulsos com as mãos sobrepostas na mesma região anterior, realize cinco impulsos. 11. Realize rolamento de 90° e posterior cinco tapotagens. 12. Avalie as vias aérea da vitima e continue intercalando os impulso e tapotagem até desobstruir vias aéreas. ACESSÓRIOS BÁSICOS – quando as técnicas manuais falham na correção de obstrução anatômica das vias aéreas, o próximo passo é a utilização de vias aéreas artificiais. o Cânula Orofaríngea (Cânula de Guedel) – é o recurso artificial mais comumente utilizado. A COF pode ser inserida de forma direta ou invertida. 13 o Cânula Nasofaríngea – é um dispositivo flexível, como borracha, que é inserido através de uma das narinas e ao longo da curvatura da parede posterior da nasofaringe e orofaringe. Utilizado em pacientes incapazes de manter vias aéreaspérvias. ASPIRAÇÃO – a vítima de trauma pode não ser capaz de eliminar de maneira eficiente o acúmulo de secreções, vômitos, sangue ou corpos estranhos da traqueia. A aspiração é uma etapa importante na manutenção da permeabilidade das vias aéreas. A sonda flexível provavelmente não será eficaz na aspiração de grandes quantidades de corpos estranhos ou líquidos de faringe de um paciente traumatizado como lesão de encéfalo por exemplo; neste caso, o melhor será usar sonda de ponta em rígida para limpar a orofaringe. 4. VENTILAÇÃO ANATOMIA E FISIOLOGIA O processo de oxigenação no organismo humano envolve três fases: 1. Respiração externa é a transferência das moléculas de oxigênio da atmosfera para o sangue. O oxigênio compõe aproximadamente 21% da atmosfera terrestre. Todo o oxigênio alveolar existe como gás livre; portanto, cada molécula de oxigênio exerce pressão. Aumentando a porcentagem de oxigênio no ar inspirado, aumentará a tensão de oxigênio alveolar. 2. Distribuição do oxigênio é o resultado da transferência de oxigênio da atmosfera para as hemácias durante a ventilação e seu transporte por estas até os tecidos, através do sistema cardiovascular. Este processo envolve primeiramente o débito cardíaco, a concentração de hemoglobina e a saturação de oxihemoglobina. 3. Respiração Interna é o movimento, ou difusão, do oxigênio das hemácias para as células teciduais. Normalmente o metabolismo ocorre via glicólise e ciclo de Krebs para produzir energia e remover os subprodutos dióxido de carbono e água. Visto que a verdadeira troca de oxigênio, entre as hemácias e os tecidos, ocorre através das finas paredes de capilares, se a FiO² (fração de oxigênio inspirado) for baixa (interrupção no fornecimento) ou se a circulação nos leitos capilares estiver comprometida (interrupção do fluxo), diminuirá o oxigênio disponível para consumo. Os tecidos não serão capazes de utilizar quantidades adequadas de oxigênio se estas não chegarem até eles (PHTLS, 2007). 14 A frequência respiratória normal em repouso, medida pelo número de respirações por minuto, é de 12 a 20 em adultos. PARADA RESPIRATÓRIA Ocorre quando uma vítima para de respirar. O coração pode continuar bombeando o sangue durante vários minutos e a circulação continua enviando oxigênio dos pulmões para os tecidos durante algum tempo. Se houver uma intervenção precoce é possível reverter o quadro e prevenir a parada cardíaca; caso contrário, com o passar do tempo o coração para, a circulação é suspensa e o quadro se agrava (PHTLS, 2007). Causas de parada respiratória: obstrução de vias aéreas por corpo estranho; estados de inconsciência – levando à obstrução de vias aéreas por queda da língua na faringe posterior; afogamento; acidente vascular cerebral; inalação de fumaça; epiglotite, laringite; overdose de drogas; trauma. ATENDIMENTO AVALIAR PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE RESPIRAÇÃO – após a abertura das vias aéreas, o profissional deve determinar se a vítima apresenta ou não respiração espontânea e adequada, utilizando a seguinte técnica: Colocar um dos ouvidos próximo à boca e ao nariz da vítima, observar o tórax, e: – sentir se há fluxo de ar; – ouvir se há saída de ar durante a expiração; – ver se há movimentos de tórax e abdome. Esse procedimento não deve levar mais do que 5 a 10 segundos. Respiração difícil ruidosa e esforços respiratórios (retrações dos espaços intercostais) e cianose podem indicar obstrução de vias aéreas ou respiração agônica, que antecede a parada cardíaca. O profissional deve estar atento para aplicar ventilações artificiais na vítima que não respira adequadamente. Sinais e Sintomas o Inconsciência; o Ausência de movimentos respiratórios; o Cianose de extremidades. Identificando que a vítima não apresenta respiração, iniciar a ventilação artificial. 15 MÉTODOS DE VENTILAÇÃO ARTIFICIAL VENTILAÇÃO BOCA-A-BOCA – método simples, visto que não necessita de nenhum equipamento (somente um protetor) e, eficiente, considerando-se que o ar exalado pelo profissional tem oxigênio (cerca de 17%) suficiente para manter as necessidades do paciente por algum tempo. Técnica: o Manter a abertura das vias aéreas, utilizando a manobra modificada; o Com o polegar e indicador da mão que está na testa, pinçar o nariz da vítima; o Inspirar normalmente e adaptar a boca na boca da vítima, vedando-a completamente; o Injetar ar nas vias aéreas da vítima. Em seguida, repetir o procedimento, garantindo um tempo para as duas insuflações (2 segundos entre uma e outra); o O volume de ar na ventilação deve ser suficiente para expandir o tórax. Caso isso não ocorra na primeira ventilação, reposicionar a cabeça da vítima e tentar novamente; o Reavaliar se a vítima voltou a respirar; caso ainda esteja em parada respiratória, manter as insuflações a um ritmo de 10 ventilações por minuto (uma respiração a cada 5 segundos), caso o paciente não respire, mas tenha pulso. o Indicadores de ventilação adequada: o observação da expansão do tórax; o sensação do fluxo de ar na expiração. Estudos comprovaram o risco de transmissão de doenças com a exposição a secreções, como sangue, saliva etc. Para realizar a respiração boca-a-boca, o profissional pode utilizar um protetor (máscaras ou protetores faciais). Esse equipamento faz uma barreira, dificultando o contato direto com secreções da vítima e deve ser colocado sobre a boca e nariz da vítima, completamente vedados. Preferencialmente, utilizar máscaras faciais de bolso, com válvula de via única (impede exposição com ar exalado pela vítima). Se utilizado corretamente, é uma forma confiável de ventilação e, algumas vezes, permite acoplar uma entrada de oxigênio. Protocolo: 2 ventilações de resgate (2 segundos entre uma e outra), Reavaliar vítima sem respiração mas com pulso PARADA RESPIRATÓRIA Realizar um ciclo contínuo de 20 ventilações (5 segundos entre uma e outra) Realizar por 2 minutos reavaliar a vítima. OXIGÊNIO OFERTADO: 17% (AR AMBIENTE) 16 Ventilação Bolsa-Válvula-Máscara (Ambú): Equipamento sempre disponível nos serviços de emergência e deve ser utilizado pelos profissionais de saúde. Constituído de uma bolsa para insuflação de ar e máscaras destinadas a cobrir hermeticamente a face da vítima. Permite liberação de quantidades maiores de oxigênio do que a ventilação boca- a-boca (cerca de 21%). Entretanto, seu manuseio depende de pessoas treinadas para garantir a eficácia. Alimentar o ambú com uma fonte de 100% de oxigênio se disponível (PHTLS, 2007) Sempre que possível, a vítima deve contar com uma cânula orofaríngea (cânula de Guedel) para facilitar a entrada do fluxo de ar durante a ventilação com bolsa-válvula-máscara antes da chegada do suporte avançado. Recomenda-se a presença de dois profissionais para ventilação com a bolsa-máscara; o primeiro mantém com as duas mãos uma pressão firme da máscara e o segundo comprime completamente a bolsa, lenta e suavemente, durante 2 segundos. Protocolo: 2 ventilações de resgate (2 segundos entre uma e outra), Reavaliar vítima sem respiração mas com pulso PARADA RESPIRATÓRIA Realizar um ciclo contínuo de 20 ventilações (5 segundos entre uma e outra) Realizar por 2 minutos reavaliar a vítima. OXIGÊNIO OFERTADO – SEM O² E RESERVATÓRIO: 21% (AR AMBIENTE) OXIGÊNIO OFERTADO – COM O²: 60% (12 A 15 L/min) OXIGÊNIO OFERTADO – COM O² + RESERVATÓRIO:100% MANUTENÇÃO DAS VIAS AÉREAS ARTIFICIAIS Método Mecânico Avançado OBSERVAÇÃO: a ventilação por bolsa-válvula-máscara pode ser realizada através da máscara laríngea, combitube, obturador esofagiano, tubo endotraqueal e traqueostomia. Entretanto, no atendimento primário, não se recomenda despender tempo para a colocação desses equipamentos – estão reservados para uma segunda fase (atendimento secundário). 17 INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL – consiste na introdução de um tubo na luz da traqueia. Ela pode ser realizada através da via nasotraqueal, via orotraqueal ou abertura na parede da traqueia (transtraqueal). A finalidade da intubação endotraqueal consiste em estabelecer e manter a via aérea nos pacientes com insuficiência respiratória ou hipóxia (PHTLS, 2007). A intubação endotraqueal está indicada para os seguintes motivos: 1. Estabelecer uma via aérea para os pacientes que não podem ser adequadamente ventilados por uma via orofaríngea; 2. Desviar-se de uma obstrução da via aérea superior; 3. Evitar a aspiração; 4. Permitir a conexão do paciente com o ambú de reanimação ou ventilador mecânico; 5. Facilitar a remoção das secreções traqueobrônquicas. Material: o Cânulas de intubação traqueal (nº 2,5 a 9,0). o Cabo de laringoscópio com pilhas ativas. o Laringoscópio (cabo e lâminas de nº 0 a 4). o Aspirador para secreções. o Luvas de procedimentos. o Anestésico gel, a 2%, sem vasoconstritor. o Gazes. o Cadarço para fixação da cânula. o Pinças de Magill (adulto e pediátrico). o Fio guia para aumentar a rigidez da cânula. o Seringa (para inflar o cuff). Lembre-se que a técnica de intubação deve ser realizada somente por médicos. Técnica: o A vítima deve estar em decúbito dorsal; o Lembrar que a pré-oxigenação durante 3 a 5 minutos aumenta a reserva pulmonar e diminui a incidência de hipóxia e depressão cerebral; o A cabeça da vítima deve estar na altura do apêndice xifoide do profissional que irá realizar; o Manter os ombros encostados no leito; o Coxim sob o occipital para elevar 10 cm a cabeça do paciente; o Extensão da articulação atlanto-occipital; o Abertura da boca; o Inserção da lâmina do laringoscópio pelo lado direito da boca; o Afastar língua para o lado esquerdo; o Avançar até a valécula e levantar a epiglote – lâmina curva; o Avançar até abaixo da epiglote – lâmina reta; o Deslizar laringoscópio para frente e para cima; o Pressão cricóide – Manobra de Sellick; o Visualizar glote; o Proceder suavemente a intubação até passar as cordas vocais; o Inflar o balonete; 18 o Certificar o correto posicionamento do tubo; o Conectar ao sistema de ventilação. Cuidados a vítima com um Tubo Endotraqueal Imediatamente Depois da Intubação: 1. Verifique a simetria da expansão torácica. Ausculte os sons respiratórios das regiões anterior e lateral do tórax em ambos os lados. Obtenha a prescrição de uma radiografia de tórax para verificar a posição correta do tubo. Verifique a pressão do balão a cada 8-12 horas. Monitore para os sinais e sintomas de aspiração. 2. Garanta a umidade elevada; uma névoa visível deve aparecer na peça em T ou no equipo do ventilador. 3. Administre de 12 a 15 L/min de oxigênio. 4. Fixe o tubo na face da vítima com esparadrapo e marque a extremidade proximal para a manutenção da posição. Introduza uma via aérea oral (cânula de Guedel) para evitar que o paciente morda ou obstrua o tubo. 5. Utilize a técnica de aspiração e o cuidado das vias aéreas estéreis para evitar a contaminação iatrogênica e a infecção. 6. Continue a reposicionar o paciente a cada 2 horas e quando necessário, a fim de evitar a atelectasia e otimizar a expansão pulmonar. 7. Forneça a higiene oral e aspire sempre que for necessário. Protocolo: Na ventilação com vias aéreas avançadas – INTUBAÇÃO ENDOTRAQUEAL devem ser realizadas 8 a 10 ventilações por minuto (5 a 8 segundos entre uma e outra) Realizar até o paciente ser conectado a uma ventilação mecânica. OXIGÊNIO FORNECIDO: 12 a 15 L/min. Método Mecânico Alternativo OBTURADOR ESOFÁGICO – indicado para situações em que a intubação endotraqueal esteja impossibilitada e a vítima necessite de uma ventilação de emergência. É um dispositivo que conta com uma máscara facial que cobre boca e nariz, adaptada a um tubo com balonete na extremidade contrária à da máscara. O tubo é passado por via oral e se localizará no esôfago, o qual será 19 obliterado pela insuflação do balonete. A vítima é ventilada através da máscara, que deve estar bem adaptada à sua face. – Obturador Esofágico MÁSCARA LARÍNGEA - é um tubo de silicone com uma extremidade em forma de máscara triangular com toda sua borda inflável. A extremidade com a máscara é posicionada por via oral sobre a abertura da laringe, sendo posteriormente insuflada sua borda para evitar o deslocamento e isolar a laringe das estruturas vizinhas. A ventilação se faz através de tubo semelhante a uma cânula. Para sua colocação não é necessário alinhamento de eixo (cabeça e pescoço) como na intubação traqueal, o que pode ser uma vantagem nos pacientes de trauma. Protege contra regurgitação de conteúdo gástrico, mas não de forma tão eficaz como a intubação traqueal. Encontra-se disponível também no mercado uma máscara laríngea que possibilita a passagem de uma cânula de intubação traqueal. – Máscara Laríngea COMBITUBE – o combitube é uma via aérea avançada com um tubo de saída de ar e dois de entrada. Sua grande vantagem é a de que não importa em qual canal o tubo entra, se a traquéia ou o esôfago, sempre é possível efetuar a ventilação, pois a ventilação pode ser direcionada pelos tubos de entrada. É indicada em casos de trauma onde a colocação é de difícil acesso. – Combitube 20 Método Cirúrgico CRICOTIREOIDOSTOMIA – a cricotireoidostomia por punção ou percutânea consiste em um acesso rápido e emergencial das vias áreas através da simples perfuração da membrana cricotireóidea por um cateter intravenoso de grosso calibre, comunicando a luz da via aérea com o meio externo. Esse procedimento está indicado quando não é factível o acesso a vias aéreas a partir de outro método. É realizada nos casos de: o Edema de glote; o Lesões na coluna cervical; o Laringoespasmo; o Hemorragias orofaríngea e no tecido cervical; o Trauma maxilofacial extenso. o Obstrução da laringe. Só se consegue uma oxigenação adequada por um espaço curto de tempo, suficiente até que um outro método definitivo seja obtido, como por exemplo uma traqueostomia. É utilizada como último recurso para acessar as vias aéreas. Lembre-se que a técnica de Intubação deve ser realizada somente por médicos. Técnica 1. Prepara-se um tubo de oxigênio fazendo uma fenestração no final do tubo; o outro extremo deve ser conectado a uma fonte de O2, assegurando um fluxo livre. Monta-se um cateter intravenoso 12G ou 14 G, com 8,5 cm, em uma seringa de 6 ou 12ml. 2. Paciente em decúbito dorsal horizontal. 3. Assepsia e antissepsia do campo operatório. 4. Palpação da membrana cricotireóidea. Com o polegar e o dedo indicador de uma mão, estabiliza-se a traquéia para evitar movimentos laterais durante o procedimento. 5. Punção da pele na linha média com o cateter intravenoso acoplado a seringa sobre amembrana cricotireóidea. Uma pequena incisão com lâmina 11 facilita a passagem da agulha pela pele. Direciona-se a agulha 45o caudalmente, enquanto aplica-se pressão negativa na seringa. Cuidadosamente insere-se a agulha através da ½ inferior da membrana cricotireóidea, aspirando na medida em que o cateter intravenoso avançar. A aspiração de ar significa entrada na luz da traquéia. 6. Retira-se a seringa e a guia do cateter intravenoso enquanto cautelosamente avança o cateter em posição descendente, com cuidado para não perfurar a parede posterior da traquéia. 7. Acopla-se o tubo de O² no cateter segurando-o no pescoço do paciente. A ventilação deve ser obtida através de um alto fluxo de O² (10 L/min.). A ventilação intermitente pode ser obtida ocluindo o buraco aberto no tubo de oxigênio com o polegar por 1 segundo e abrindo por 4 segundos. Após retirar o polegar do furo, a expiração passiva ocorre. A PaO² se manterá adequada por, no máximo, 30-45 minutos, após esse tempo, o paciente poderá entrar em hipercapnia e hipóxia. 8. Observar a expansibilidade e auscultar o tórax para ventilar adequadamente. 21 Dentre as complicações deste procedimento incluem: asfixia, aspiração, celulite, perfuração esofágica, hematomas, perfuração da parede posterior da traquéia, enfisema subcutâneo e/ou mediastinal, perfuração da tireóide, ventilação inadequada do paciente levando a hipóxia e morte. TRAQUEOSTOMIA – procedimento cirúrgico em que é feita uma abertura para dentro da traquéia. O tubo de demora inserido dentro da traquéia é chamado de tubo de traqueostomia. Uma traqueostomia pode ser temporária ou permanente. Uma traqueostomia é empregada para desviar de uma obstrução da via aérea superior, permitir a remoção das secreções traqueobrônquicas, permitir o uso da ventilação mecânica por longo prazo, evitar a aspiração de secreções orais ou gástricas no paciente inconsciente ou paralisado (através do fechamento da traquéia a partir do esôfago) e substituir um tubo endotraqueal. Existem muitos processos patológicos e condições de emergência que tornam necessária uma traqueostomia. O procedimento cirúrgico geralmente é realizado na sala de cirurgia, onde a ventilação do paciente pode ser mantida. É feita uma abertura cirúrgica no segundo e terceiro anéis traqueais. Depois que a traquéia é exposta, insere-se um tubo de traqueostomia com balão de tamanho apropriado. O balão é uma inserção insuflável no tubo de traqueostomia que se destina a ocluir o espaço entre as paredes da traquéia e o tubo, visando permitir a ventilação mecânica efetiva e minimizar o risco de aspiração. O tubo de traqueostomia é mantido na posição através de fitas apertadas ao redor do pescoço do paciente. Em geral, uma compressa de gaze estéril é colocada entre o tubo e a pele para absorver a drenagem e evitar a infecção. Os cuidados pós-traqueostomia incluem a aspiração sempre que necessário. Fluidificar as secreções através de nebulização ou instilação de Ringer Lactato ou água destilada, 3-4 gotas várias vezes ao dia e realizar limpeza e antissepsia do traqueostoma. FONTES DE OXIGÊNIO O oxigênio pode ser obtido através de uma saída de parede ou de cilindro portátil. SAÍDA DE PAREDE – oferecem oxigênio através de uma saída de parede colocada no quartos dos hospitais e também estão acopladas as ambulâncias. Nos hospitais essa saída é conectada a um grande reservatório central, mantido cheio de oxigênio. CILINDROS DE OXIGÊNIO PORTÁTEIS – os cilindros armazenam oxigênio e possibilitam ser transportados para qualquer local. Apresentam um manômetro acoplado, que indica a quantidade de oxigênio existente no cilindro. Contêm volumes variados de oxigênio, sob pressão extrema. EQUIPAMENTOS USADOS NA ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO Além da fonte de oxigênio, outros itens do equipamento usado para administrá-lo são o fluxômetro e o umidificador. FLUXÔMETRO – o fluxo de oxigênio é medido em litros por minutos (L/min). Um fluxômetro é um calibrador usado para regular a quantidade ministrada ao paciente, que fica preso à própria fonte de oxigênio. Para ajustar a taxa de fluxo, o profissional deve girar o medidor até 22 que o indicador esteja diretamente ao lado da quantidade prescrita. A concentração de oxigênio é também chamada de fração de oxigênio inspirado (FIO²; a fração de oxigênio em relação ao total de gás inspirado). UMIDIFICADOR – um umidificador é um equipamento que produz pequenas quantidades de gotículas de água e que pode ser usado durante a administração de oxigênio, pois o gás resseca as membranas mucosas. Na maioria dos casos, o oxigênio é umidificado somente quando mais de 4 L/min são administrados, durante um longo período. Para fazer isso, enche-se uma garrafa com água destilada, acoplando-se ao fluxômetro. O nível de água é verificado diariamente e reposto. DISPOSITIVOS UTILIZADOS NA ADMINISTRAÇÃO DE OXIGÊNIO Os dispositivos de oxigênio são os óculos nasais, as máscaras, cateter nasal, dentre outros. O aparelho prescrito depende do estado de oxigenação do paciente, de sua condição física e da quantidade de oxigênio necessária para cada emergência. CATETER NASAL. É uma sonda para administração de oxigênio inserida no nariz em direção à faringe nasal posterior. O cateter é usado nos pacientes que tendem a respirar pela boca ou que apresentem claustrofobia quando temo rosto coberto por uma máscara. O profissional prende-o ao nariz do paciente, para evitar seu deslocamento. Taxas de Administração O²: 1 a 5 L/MIN OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 30% ÓCULOS NASAIS. Os óculos nasais são uma sonda côncava, com extremidade de 1,25 cm presas no interior das narinas do paciente. São fixados no local, enrolando-se o mesmo ao redor das orelhas e ajustando-se a medida sob o queixo. Eles permitem a administração de baixas concentrações de oxigênio – 2 a 6 L/min. Por isso, são o recurso ideal para aqueles pacientes não exageradamente hipóxicos ou para os que têm doenças pulmonares crônicas. Taxas de Administração O²: 2 a 6 L/min OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 40% MÁSCARA SIMPLES. Uma máscara simples é encaixada sobre o nariz e a boca, permitindo que o ar atmosférico entre e saia através de membranas laterais. Uma tira elástica segura-a no lugar. Essa máscara, bem como outros tipos de máscaras, permite a administração de níveis elevados de oxigênio, o que não é possível com um óculos nasal. Quando a máscara e utilizada, o oxigênio é fornecido, no mínimo a 5 L/min. 23 Taxas de Administração O²: 5 a 8 L/min OXIGÊNIO FORNECIDO: 35 a 50% MÁSCARA COM RESERVATÓRIO E DE REINALAÇÃO PARCIAL. Uma máscara com reservatório de reinalação parcial é um dispositivo de oxigênio pelo fornecimento o qual o paciente inala um minuto de ar atmosférico, de oxigênio oriundo de uma determinada fonte e de oxigênio contido dentro uma bolsa reservatória. Trata-se de um meio para reciclagem do oxigênio e de ventilação de todo o dióxido de carbono, durante a expiração. É na expiração que o primeiro terço do ar exalado entra nessa bolsa reservatória. Esse ar contém uma grande proporção de oxigênio, pois vem diretamente das vias aéreas superiores; o gás ai contido não participa das trocas gasosas ao nível alveolar. Uma vez que a bolsa reservatória se encha, o ar remanescente exalado é liberado na atmosfera através de pequenos orifícios na máscara. Taxas de Administração O²: 6 a 10 L/min OXIGÊNIO FORNECIDO: 35 a 60% MÁSCARA COM RESERVATÓRIO E DE REINALAÇÃO TOTAL. Nessamáscara com reservatório e de reinalação total todo o ar expirado sai dela, em vez de permanecer parcialmente na bolsa reservatória. Ela visa a administração de cerca de 90 a 100% de FIO². Esse tipo de máscara contém uma válvula de via única, que permite a inalação somente do oxigênio da bolsa reservatória. Não se inspira ar atmosférico. Todo o ar exalado é ventilado pela máscara. Nenhum ar entra na bolsa reservatória. É evidente que os pacientes que requerem o uso dessa máscara são aqueles que necessitam elevadas concentrações de oxigênio. Costumam ser pacientes criticamente doentes, que algumas vezes podem necessitar de ventilação mecânica. Taxas de Administração O²: 6 a 10 L/min OXIGÊNIO FORNECIDO: pode chegar a 100% MÁSCARA DE VENTURI. A máscara de Venturi mistura quantidades precisas de oxigênio e ar atmosférico. Ela apresenta um grande tubo, que se estende a partir da máscara. Adaptadores em seu interior, que são codificados por cor ou regulados por um sistema de medição, permitem que somente quantidades específicas de ar ambiental se misturem ao oxigênio. Essa característica garante que a máscara de Venturi administre um volume exato de oxigênio. Nesse caso, o uso de um umidificador é permitido. 24 Taxas de Administração O²: 4 a 8 L/min OXIGÊNIO FORNECIDO: 24 a 40% MONITORAÇÃO OXIMETRIA DE PULSO. A oximetria de pulso é uma técnica não-invasiva, transcutânea, utilizada para monitorização periódica ou continua da saturação de oxigênio no sangue. O oxímetro de pulso é composto por um sensor e por um microprocessador. Feixes de luz vermelha e infravermelha são emitidas de um dos lados do sensor (em forma de pinça ou adesivo) que fica preso a um dedo da mão ou do pé, ao lóbulo da orelha ou na ponte nasal. O lado oposto do sensor detecta a quantidade de luz absorvida pela hemoglobina. O microprocessador, então, computa a informação e mostra-a em um monitor. A medida de saturação de oxigênio, obtida pelo oxímetro de pulso é abreviada e registrada como SO² (saturação de O²). CAPNOGRAFIA. O capnógrafo, ou monitor de dióxido de carbono expirado mede a pressão parcial de dióxido de carbono em uma amostra de gás. O sensor é posicionado diretamente dentro da principal rota do gás exalado. Nas vítimas que estão sendo ventilados com bolsa-válvula- máscara, o sensor é posicionado entre ele e a cânula traqueal. A leitura normal do dióxido de carbono expirado em uma vítima traumatizada grave está entre 30 e 40 mmHg. A capnografia contínua é outra ferramenta no tratamento pré-hospitalar da vítima traumatizada, mas é pouco utilizada nas unidade de APH móvel no Brasil devido ao custo alto do equipamento. Ela deve ser usada como uma ferramenta para monitorar o posicionamento do tubo traqueal e também monitorar continuamente o estado da vítima durante o transporte. TOXICIDADE PELO OXIGÊNIO A toxicidade pelo oxigênio refere-se aos danos pulmonares que ocorrem quando são administradas concentrações de oxigênio superiores a 50%, por mais de 48 a 72 horas. O mecanismo exato pelo qual a hiperoxigenação causa danos aos pulmões não é totalmente conhecido. Uma teoria de que ele reduz o surfactante, uma lipoproteína produzida pelas células presentes nos alvéolos, que promove a elasticidade pulmonar e melhora a difusão dos gazes. Uma vez ocorrida a toxicidade pelo oxigênio, é difícil revertê-la. Infelizmente, são bastante sutis os sintomas iniciais. A melhor prevenção é a administração da menor taxa possível de FIO², pelo menor período de tempo possível. Sinais e sintomas de intoxicação por O² o Tosse não-produtiva o Dor no peito subesternal o Entupimento nasal o Náuseas e vômitos 25 o Atelectasia o Hemorragias o Fadiga o Cefaléia o Faringite o Hipoventilação VENTILAÇÃO MECÂNICA NA EMERGÊNCIA Assistência ventilatória pode ser entendida como a manutenção da oxigenação e/ou da ventilação dos pacientes de maneira artificial, até que estes estejam capacitados a reassumi-las. Esta assistência torna-se importante para os pacientes submetidos à anestesia geral, pacientes que apresentem rebaixamento de nível de consciência, com risco de broncoaspiração (necessitam de proteção de vias aéreas) e para aqueles internados nas unidades de terapia intensiva com insuficiência respiratória. Os conhecimentos sobre os mecanismos de lesão pulmonar e os avanços tecnológicos dos ventiladores mecânicos permitiram o desenvolvimento de vários modos de ventilação priorizando a manutenção de uma adequada troca gasosa e apreservação da microestrutura pulmonar. Finalidades − A manutenção das trocas gasosas; − A correção da hipoxemia e da hipercapnia; − A redução do trabalho respiratório; − A reversão ou prevenção da fadiga muscular; − A diminuição do consumo de oxigênio; − Proteção de vias aéreas. – Ventilador Mecânico 26 5. RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA INTRODUÇÃO A parada cardiorrespiratória (PCR) ou cessação dos batimentos cardíacos e movimentos respiratórios é uma emergência relativamente frequente em qualquer serviço de atendimento pré e intra-hospitalar. Em muitas situações em que o coração para de bater, ainda teria boas condições de recuperar seu funcionamento e manter a vida se recebesse um atendimento de emergência eficaz nos primeiros minutos (OLIVEIRA et al, 2007). A recuperação da circulação deve acontecer num período inferior a 4 minutos; caso contrário, poderão sobrevir alterações irreversíveis no cérebro, um dos tecidos mais sensíveis à falta de oxigênio. Assim, para uma vítima em PCR, o tempo é um fator crítico. Durante alguns minutos após a PCR ainda existe oxigênio nos pulmões e na corrente sanguínea para manter a vida. Se a interrupção da circulação e respiração não ultrapassar 4 minutos, ou seja, se a oxigenação do sangue e circulação for restaurada antes que o cérebro seja permanentemente lesado, a pessoa terá maiores chances de retornar às condições pré-parada, ou seja, um corpo humano saudável com um funcionamento cerebral satisfatório (OLIVEIRA et al, 2007). CORRENTE DA SOBREVIVÊNCIA Como parte de um processo para diminuir as mortes por parada cardiopulmonar, tendo em vista que algumas pessoas são muito jovens para morrer apesar de alguma falha no coração, a American Heart Association (AHA) criou um fluxograma simples baseada em uma corrente com 4 (quatro) elos: a Corrente da Sobrevivência. – Corrente da Sobrevivência 27 Quem presencia uma parada cardiopulmonar pode prover 3 dos 4 elos se houver um desfibrilador disponível. Como esta ainda não é a realidade no Brasil, o ensino da corrente da sobrevivência é restrito aqueles que possam ter acesso a um desfibrilador, normalmente profissionais da área de saúde (SIATE/PR, 2006). SINAIS DE PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA São três os sinais que demonstram que uma vítima está em parada cardiopulmonar: o Inconsciência sem resposta a estímulo; o Ausência de movimentos respiratórios; o Ausência de Pulso. RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR NO ADULTO De acordo com as Diretrizes da American Heart Association (AHA) de 2010, a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) requer uma sequência de procedimentos parecido com o ABCD, mas com uma inversão na ordem sendo preconizado o “CABD primário” sendo que o D se refere a desfibrilação. C – Circulação Para avaliar se a vítima tem sinais de circulação, palparo pulso carotídeo por não mais do que 10 segundos. Se o pulso estiver presente, avaliar a respiração. Se a respiração estiver fraca ou irregular, fornecer suporte ventilatório, ou seja, uma ventilação a cada 5 a 6 segundos, em uma frequencia de 10 a 12 ventilações por minuto. Porém, se o pulso estiver ausente ou gerar dúvidas, iniciar imediatamente as compressões torácicas. A recomendação atual é de trinta compressões torácicas com pausa para duas ventilações de resgate, em um ou dois profissionais (QUILICI et al, 2011). Para aplicar compressões no tórax, posicionar a região hipotenar de uma das mãos no centro do peito, sobre a linha imaginária intermamilar. A seguir, colocar o calcanhar da outra mão sobre a primeira, com os dedos esticados e afastados do tórax. Os ombros devem estar alinhados com as mãos, formando um ângulo de 90º com o tórax da vítima (QUILICI et al, 2011). Cada elo da corrente de sobrevivência significa: 1º - Reconhecimento imediato da emergência e acionamento do Sistema Médico de Emergência. 2º - Aplicação de RCP precoce, com ênfase nas compressões torácicas. 3º - Aplicação imediata de choque com um desfibrilador assim que disponível. 4º - Suporte Avançado de Vida eficaz. 5º - Cuidados pós-ressuscitação integrados. 28 – Palpação da Carótida – Posicionamento das Mãos – Ombros Alinhados com as Mãos Para que as compressões torácicas sejam eficazes, o profissional deve: 29 o Comprimir em uma frequência mínima de 100/min. o Deprimir o tórax com profundidade mínima de 5 cm. o Promover o alívio do tórax após cada compressão. o Minimizar interrupções nas compressões torácicas. o Realizar o rodízio do compressor a cada 2 minutos. A – Vias Aéreas Para não retardar o inicio das compressões torácicas, a abertura das vias aéreas deve ser realizada somente depois de aplicar trinta compressões, utilizando a manobra de inclinação da cabeça (elevação da mandíbula). Na suspeita de trauma, tracionar a mandíbula. Contudo, se houver dificuldades para ventilar a vítima, hesitar em proceder com a manobra usual de inclinação da cabeça (QUILICI et al, 2011). B – Respiração Se não houver respiração ou respiração anormal (somente “gasping”), prover duas ventilações, de aproximadamente 1 segundo cada, que provoque elevação torácica visível. Não hiperventilar a vítima, pois isso diminui o retorno venoso e aumenta o risco de distensão gástrica. As ventilações devem ser aplicadas com a bolsa-valva-máscara – AMBÚ (QUILICI et al, 2011). – Ventilação Bolsa-valva-máscara Com a tentativa inicial de respiração não produza elevação visível do tórax, reposicionar novamente a cabeça da vítima com a manobra de elevação da mandíbula e aplicar a segunda ventilação. Se a vítima, ainda sim, não puder ser ventilada, suspeitar de obstrução de via aérea por um corpo estranho (OVACE). O profissional deve prosseguir com as manobras de RCP, com a ressalva de, a cada ventilação, procurar antes pelo corpo estranho na boca da vítima, extraindo-se assim que visualizado e reavaliando a vítima imediatamente após a sua remoção (QUILICI et al, 2011). D – Desfibrilação Nos primeiros 3 a 5 minutos de uma PCR, o coração se encontra em ritmo de Fibrilação Ventricular (FV) grosseira, estando o coração altamente propício ao choque. Após 5 minutos de PCR, diminui a amplitude de FV, por causa da depleção do substrato energético miocárdico. Portanto, o tempo ideal para a aplicação do primeiro choque compreende os primeiros 3 a 5 minutos da PCR em FV (QUILICI et al, 2011). 30 O DEA deve estar disponível em locais de grande público como aeroportos, shoppings, estádios, podendo ser utilizado por pessoas leigas treinadas para o uso do DEA e profissionais da área de emergência. O Desfibrilador Externo Automático (DEA) é um equipamento portátil que deve ser utilizado assim que possível. Ele é capaz de interpretar o ritmo cardíaco, selecionar o nível de energia a carregar automaticamente, cabendo ao operador apenas pressionar o botão de choque, quando indicado (QUILICI et al, 2011). Os passos universais para se operar um DEA são: o Ligue o DEA, no botão verde; o Exponha o peito da vitima e fixe as pás autoadesivas no tórax conforme o desenho indicativo que se encontra nas próprias pás; o Afaste-se da vitima e aguarde o DEA analisar o ritmo cardíaco, alguns aparelhos requerem que o operador aperte um botão para realizar a analise; o Após a analise o DEA indicara o choque ou não, se não for indicado avalie a vitima e inicie o RCP; o Com o choque indicado afaste todos da vitima e aplique o choque. o Após o choque reinicie a RCP imediatamente com compressões torácicas, sem reavaliar o pulso e sem retirar as pás. Após o primeiro choque com o DEA, mais de 90% dos corações em FV respondem, retornando a um ritmo normal. Porém, muitas vezes o coração não consegue estabelecer este ritmo por mais de um minuto e precisa da aplicação de compressões torácicas para restabelecer o ritmo (SIATE/PR, 2006). 31 Quando a PCR aconteceu a mais de 4 a 5 minutos, o músculo cardíaco permanece por muito tempo em hipóxia não reagindo bem ao choque. Para isso a aplicação de 2 minutos ou 5 ciclos de RCP garante um mínimo de oxigenação ao músculo cardíaco para responder de forma mais efetiva ao choque (SIATE/PR, 2006). Nos casos em que o choque não é indicado reinicie com compressões e realize 2 minutos ou 5 ciclos de RCP. Após isto reative o DEA para analisar novamente o ritmo cardíaco. Não é necessário retirar as pás durante a RCP (SIATE/PR, 2006). Algumas complicações podem surgir devido ao excesso de pelos ou a presença de água no peito da vítima. Se o DEA não conseguir analisar arranque as pás com os pelos e coloque outras no lugar, se não funcionar corte os pelos com uma tesoura. Nunca aplique o DEA se a vítima estiver submersa, retire-a da água e seque o peito da vítima para conectar as pás (SIATE/PR, 2006). CUIDADOS PÓS-RESSUSCITAÇÃO Em caso de sucesso nas manobras de ressuscitação deve seguir um tratamento para restabelecer os sinais vitais da vítima as condições normais. Investigue as causas que levaram a parada para melhor tratá-la. O primeiro passo é garantir as VVAA (vias aéreas) e a ventilação adequada da vítima, de preferência com oxigênio e ventilação positiva, pois a maioria das vítimas que retornam após RCP precisam de auxílio na respiração (SIATE/PR, 2006). 6. FERIMENTOS INTRODUÇÃO Ferimento é qualquer lesão ou perturbação produzida em qualquer tecido por um agente externo, físico ou químico. Os agentes capazes de produzir um ferimento podem ser físicos (mecânico, elétrico, irradiante e térmico) e químicos (ácidos ou álcalis). 32 Classificação dos Ferimentos Fechado Aberto Hematoma Equimose Feridas incisivas/cortantes Feridas Contusas Feridas Perfurantes Perfurocontusa Perfurocortantes Feridas Penetrantes Feridas Transfixantes Escoriações ou Abrasões Avulsão ou Amputação Laceração Os ferimentos podem variar conforme a profundidade, complexidade, contaminação e natureza do agente agressor classificando-seconforme indicado abaixo: Classificação PROFUNDIDADE COMPLEXIDADE CONTAMINAÇÃO NATUREZA DO AGENTE AGRESSOR Superficial Profundo Simples Complicado Limpo Contaminado Agentes Físicos Agentes Físicos CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS FERIMENTOS FERIMENTOS FECHADOS – são os ferimentos onde não existe solução de continuidade da pele, a pele se mantém íntegra. Podendo ser classificada em: Contusão – lesão por objeto contundente que danifica o tecido subcutâneo subjacente, sem romper a pele. Hematoma – extravasamento de sangue no subcutâneo com formação de coleção (aumento de volume), pela ruptura de veias e arteríolas, consequência de uma contusão. Quando localizado no couro cabeludo, é o hematoma subgaleal. 33 Equimose – extravasamento de sangue no subcutâneo sem formação de coleção, consequência da ruptura de capilares. FERIMENTOS ABERTOS – são os ferimentos que rompem a integridade da pele, expondo tecidos internos, geralmente com sangramento. Também são denominadas feridas. As feridas são traumas de alta ou baixa energia, decorrentes da superfície de contato do agente vulnerante. Segundo este conceito, as feridas podem ser classificadas em: Incisivas/cortantes – produzidas por agentes vulnerantes cortantes, afiados, capazes de penetrar a pele (bisturi, faca, estilete etc), produzindo ferida linear com bordas regulares e pouco traumatizadas. Contusas – causadas por objetos com superfície romba (instrumento cortante não muito afiado - pau, pedra, soco etc.), capazes de romper a integridade da pele, produzindo feridas com bordas traumatizadas, além de contusão nos tecidos arredores, são as feridas cortocontusas. 34 Perfurantes – o objeto que as produz a ferida é geralmente fino e pontiagudo, capaz de perfurar a pele e os tecidos subjacentes, resultando em lesão cutânea puntiforme ou linear, de bordas regulares ou não. As feridas perfurantes podem ser: Perfurocontusas – ocorre quando o objeto causador da ferida é de superfície romba (ferimento por arma de fogo - FAF); Perfurocortantes – quando o agente vulnerante possui superfície de contato laminar ou pontiagudo (ferimento causado por arma branca – FAV; como faca, estilete, adaga). Penetrante – quando o agente vulnerante atinge uma cavidade natural do organismo, geralmente tórax ou abdômen. Apresenta formato externo variável, geralmente linear ou puntiforme. Transfixante – este tipo de lesão constitui uma variedade de ferida que pode ser perfurante ou penetrante; o objeto vulnerante é capaz de penetrar e atravessar os tecidos ou determinado órgão em toda a sua espessura saindo na outra superfície. Pode-se utilizar como exemplo as feridas causadas por projétil de arma de fogo, que são feridas perfurocontusas, podendo ser penetrantes e/ou transfixantes. As feridas transfixantes possuem: Orifício de Entrada – ferida circular ou oval, geralmente pequena, com bordas trituradas e com orla de detritos deixada pelo projétil (pólvora, fragmentos de roupas). Orifício de Saída – ferida geralmente maior, com bordas irregulares, voltadas para fora. 35 Escoriações ou abrasões – produzidas pelo atrito de uma superfície áspera e dura contra a pele, sendo que somente esta é atingida. Frequentemente contém partículas de corpo estranho (cinza, graxa, terra). Avulsão ou amputação – ocorre quando uma parte do corpo é cortada ou arrancada (membros ou parte de membros, orelhas, nariz etc.). Lacerações – quando o mecanismo de ação é uma pressão ou tração exercida sobre o tecido, causando lesões irregulares. Os exemplos são inúmeros. CUIDADOS PARA COM AS VÍTIMAS DE FERIMENTOS O atendimento dos ferimentos visa a três objetivos principais: o Proteger a ferida contra o trauma secundário; o Conter sangramentos; o Proteger contra infecção. Na fase pré-hospitalar deve-se evitar perder tempo em cuidados excessivos com os ferimentos que não sangram ativamente e não atingem os planos profundos. Estes cuidados retardam o transporte ao hospital, o que pode agravar o estado geral dos pacientes com lesões internas associadas. 36 No atendimento à vítima com ferimentos deve-se seguir os seguintes passos e cuidados: 1) Controle do ABC é a prioridade como em qualquer outra vítima de trauma. Ferimentos com sangramento importante exigem controle já no passo C. 2) Avaliação do ferimento, informando-se sobre a natureza e a força do agente causador, de como ocorreu a lesão e do tempo transcorrido até o atendimento. 3) Inspeção da área lesada, que deve ser cuidadosa. Pode haver contaminação por presença de corpo estranho e lesões associadas. O ferimento deve ser exposto e, para isto, pode ser necessário retirar as roupas da vítima; evite movimentos desnecessários com a mesma. 4) Limpeza da superfície do ferimento para a remoção de corpos estranhos livres e detritos; utilizar uma gaze estéril para remoção mecânica delicada e, algumas vezes, instilação de soro fisiológico, sempre com cautela, sem provocar atrito. No APH não perder tempo na tentativa de limpeza geral da lesão, isto será feito no hospital. Objetos empalados não devem ser removidos, mas sim imobilizados para que permaneçam fixos durante o transporte. 5) Proteção da lesão com gaze estéril que deve ser fixada no local com bandagem triangular ou, se não estiver disponível, utilizar atadura de crepe. CURATIVOS E BANDAGENS Curativos são procedimentos que consistem na limpeza e aplicação de uma cobertura estéril em uma ferida, com a finalidade de promover a hemostasia, cicatrização, bem como, prevenir contaminação e infecção. Geralmente nos serviços pré-hospitalares os curativos são realizados com aplicação de gaze ou compressas cirúrgicas e fixadas com esparadrapo. As bandagens são constituídas por peças de tecido em algodão cru, cortando em triângulo medindo: 1,20m X 1,20m X 1,70m, sendo utilizadas para: o Fixar curativos, cobrindo as compressas; o Imobilizar e apoiar seguimentos traumatizados; o Promover hemostasia (conter sangramentos). As bandagens mais frequentemente usadas são as triangulares e as em rolo. Qualquer que seja o tipo, o conforto da vítima e a segurança do curativo depende da sua correta aplicação. A bandagem triangular pode ser dobrada para produzir uma espécie de gravata: traga a ponta da bandagem para o meio da base do triângulo e faça dobras sucessivas até obter a largura desejada de acordo com a extensão da lesão a recobrir. É importante salientar que a bandagem triangular não é estéril, portanto não deve ser utilizada para ocluir ferimentos abertos. Antes de fixá-la deve ser aplicada gaze ou compressa cirúrgica. 37 Um detalhe importante e que trás conforto à vítima refere-se à fixação da bandagem. O profissional deve sempre lembrar que a fixação (amarração) da bandagem não deve ser feita sobre o ferimento (SIATE/PR, 2006). 7. HEMORRAGIA E CHOQUE HEMORRAGIA É o extravasamento de sangue dos vasos sanguíneos através de ruptura nas suas paredes. CLASSIFICAÇÃO – a hemorragia pode ser classificada em: Hemorragia externa – visível porque extravasa para o meio ambiente. Exemplos: ferimentos em geral, hemorragia das fraturas expostas, epistaxe (hemorragia nasal). Hemorragia interna – o sangue extravasa para o interior do próprio corpo, dentro dos tecidos ou cavidades naturais. Exemplos: trauma contuso, ruptura ou laceração de órgãos de tórax e abdômen, hemorragia de músculoao redor de partes moles. TIPOS DE HEMORRAGIA – existem três tipos, são eles: Arterial – ocorre quando há perda de sangue de uma artéria. O sangue tem coloração viva, vermelho claro, derramado em jato, conforme o batimento cardíaco, geralmente rápido e de difícil controle. Venosa – ocorre quando há perda de sangue por uma veia. Sangramento de coloração vermelho escuro, em fluxo contínuo, sob baixa pressão. Pode ser considerada grave se a veia comprometida for de grosso calibre. Capilar – ocorre quando há sangramento por um leito capilar. Flui de diminutos vasos da ferida. Possui coloração avermelhada, menos viva que a arterial, e facilmente controlada. 38 FATORES DETERMINANTES DA GRAVIDADE DA HEMORRAGIA – dentre os fatores estão: Volume de sangue perdido – a perda de pequeno volume em geral não produz efeitos evidentes; já a perda de 1,5 litro em adulto ou 200 ml em criança pode ser extremamente grave, inclusive colocando a vida em risco. Calibre do vaso rompido – o rompimento de vasos principais de pescoço, tórax, abdômen e coxa provoca hemorragias severas, e a morte pode sobrevir em 1 a 3 minutos. Tipo do vaso lesado – o sangramento arterial é considerado de maior gravidade. As veias geralmente estão mais próximas da superfície do corpo do que as artérias, sendo de mais fácil acesso. O sangramento capilar é lento e, via de regra, coagula espontaneamente em 6 a 8 minutos. O processo de coagulação desencadeado em boa parte dos pequenos e médios sangramentos pode ser suficiente para controlar a hemorragia, e o coágulo formado age como uma rolha, impedindo a saída de sangue. Velocidade da perda de sangue – a perda rápida de 1 litro de sangue pode colocar o indivíduo em risco de vida. Quando a perda de sangue é lenta, o organismo desenvolve mecanismos de compensação, suportando melhor a situação. Sinais e sintomas da hemorragia A hemorragia externa, por ser visualizada, é facilmente reconhecida. A hemorragia interna pode desencadear choque hipovolêmico, sem que o profissional identifique o local da perda de sangue. As evidências mais comuns de sangramento interno são áreas extensas de contusão na superfície corpórea. Alguém com fratura de fêmur perde facilmente até um litro de sangue, que fica confinado nos tecidos moles da coxa, ao redor da fratura. Outros sinais que sugerem hemorragia severa: o Pulso fraco e rápido; o Pele fria e úmida (pegajosa); o Pupilas dilatadas com reação lenta à luz; o Queda da pressão arterial; o Paciente ansioso, inquieto e com sede; o Náusea e vômito; o Respiração rápida e profunda; o Perda de consciência e parada respiratória; o Choque. Métodos de controle da hemorragia externa PRESSÃO DIRETA – quase todos os casos de hemorragia externa são controlados pela aplicação de pressão direta na ferida, o que permite a interrupção do fluxo de sangue e favorece a formação de coágulo. Preferencialmente, utilizar uma compressa estéril, pressionando-a firmemente por 10 a 30 minutos; a seguir, promover a fixação da compressa com bandagem. Após controlar um sangramento de extremidade, certifique-se de que existe pulso distal; em caso negativo, reajuste a pressão da bandagem para restabelecer a circulação. 39 Pressão direta é o método mais rápido e eficiente para o controle da hemorragia externa. ELEVAÇÃO DA ÁREA TRAUMATIZADA – quando uma extremidade é elevada, de forma que a área lesionada fique acima do nível do coração, a gravidade ajuda a diminuir o fluxo de sangue. Aplicar este método simultaneamente ao da pressão direta. Não o utilizar, porém, em casos de fraturas, luxações ou de objetos empalados na extremidade. PRESSÃO DIGITAL SOBRE O PONTO DE PULSO – utilizar a pressão sobre pulso de artéria quando os dois métodos anteriores falharem ou não tiver acesso ao local do sangramento (esmagamento, extremidades presas em ferragens). É a pressão aplicada com os dedos sobre os pontos de pulso de uma artéria contra uma superfície óssea. É necessária habilidade do profissional e conhecimento dos pontos exatos de pressão das artérias. Principais pontos: artéria braquial - para sangramento de membros superiores; artéria femoral - para sangramento de membros inferiores; artéria temporal - para sangramento de couro cabeludo; artéria radial - sangramento da mão. 40 APLICAÇÃO DE GELO – o uso de compressas de gelo diminui o sangramento interno ou mesmo interrompe sangramento venosos e capilares. Nas contusões, a aplicação de gelo previne a equimose (mancha arroxeada). Deve-se observar o tempo de uso, evitando-se uso demasiadamente prolongados, pois diminui a circulação, podendo causar lesões de tecidos. TORNIQUETE – deve ser considerado como o último recurso (praticamente em desuso), o torniquete só será utilizado se todos os outros métodos falharem, devendo ser considerado apenas nos casos de destruição completa ou amputação de extremidades, com sangramento severo. Consiste numa bandagem constritora colocada em torno de uma extremidade até que o fluxo sanguíneo pare por completo. Podem ser utilizados tubos de borracha, gravatas, etc. Apertado demais pode lesar tecidos, músculos, nervos e vasos. O membro abaixo do torniquete deve tornar- se pálido, e o pulso arterial, abaixo do torniquete, desaparecer. Caso não esteja apertado o suficiente pode interromper o fluxo venoso sem interromper o fluxo arterial, dando como resultado maior sangramento pela ferida. Deve ser observado explicitamente o horário de aplicação. Métodos de controle da hemorragia interna Para suspeitar que a vítima esteja com hemorragia interna, é fundamental conhecer o mecanismo de lesão. Os traumas contusos são as principais causas de hemorragias internas (acidentes de trânsito, quedas, chutes e explosões). Alguns sinais de alerta para suspeitar de hemorragia interna: fratura da pelve ou ossos longos (braços ou coxa), rigidez abdominal, área de equimose em tórax e abdômen, ferida penetrante em crânio, tórax ou abdômen. O tratamento de hemorragia interna é cirúrgico. O atendimento pré-hospitalar consiste em instalar duas vias venosas após garantir a respiração da vítima e transportá-la a um centro médico. Administrar oxigênio em altas concentrações durante o transporte. 41 CHOQUE Choque é a situação de falência do sistema cardiocirculatório em manter suficiente sangue circulando para todos os órgãos do corpo. Trata-se de uma condição de extrema gravidade, cuja identificação e atendimento fazem parte da abordagem primária da vítima. Uma vez que o estado de choque atinja certo nível de severidade, o paciente não será salvo. Todo esforço deverá ser feito pela equipe de emergência para identificar o choque, tomando-se as medidas necessárias e transportando a vítima rapidamente ao tratamento definitivo no hospital. Vítima de trauma que recebe o tratamento definitivo no hospital até uma hora após sofrer a lesão tem maior chance de sobrevida. MECANISMO DO CHOQUE – o aparelho cardiovascular é responsável por transportar oxigênio e nutrientes para todos os tecidos do corpo e eliminar gás carbônico e resíduos resultantes do processo de nutrição celular. Para realizar adequadamente esse trabalho, o sistema circulatório retira oxigênio dos pulmões, nutrientes do intestino e fígado e leva-os para todas as células do organismo. Depois disso, retira o gás carbônico e detritos celulares da intimidade dos tecidos, levando-os para os órgãos responsáveis pela excreção (pulmões, rins, fígado etc.). A esse processo, que ocorre em nível de capilares, dá-se o nome de perfusão tecidual.Para que esse sistema funcione de forma eficiente e adequada, é necessário que o coração se mantenha bombeando o sangue, que o volume de sangue circulante seja suficiente para encher os vasos e que o calibre dos vasos se ajuste às condições normais. Uma falha em qualquer desses fatores irá provocar falha na perfusão tecidual, levando a vítima a desenvolver o estado de choque. O CHOQUE PODE ESTAR RELACIONADO A: 1º) CORAÇÃO - falha de bomba 2º) SANGUE - perda de sangue ou plasma 3º) DILATAÇÃO DOS VASOS SANGUINEOS - capacidade do sistema circulatório muito maior que o volume de sangue disponível para enchê-lo. Com a diminuição de perfusão tecidual, os órgãos terão sua função prejudicada basicamente pela falta de oxigênio, nutrientes e acúmulo de resíduos. A falha na circulação cerebral leva à diminuição do nível de consciência da vítima, os rins diminuem o débito urinário e o coração aumenta a frequência de batimentos, num esforço para manter o fluxo de sangue para órgãos vitais; com o agravamento do choque, o músculo cardíaco comprometido desenvolve bradicardia e parada cardíaca. Os tipos de choque são: hipovolêmico, cardiogênico, neurogênico, anafilático, psicogênico e séptico. CHOQUE HIPOVOLÊMICO Tipo mais comum de choque, sua característica básica é a diminuição acentuada do volume de sangue. Pode ser causado pelos seguintes fatores: o Perda direta de sangue: hemorragia interna e externa; o Perda de plasma: em caso de queimaduras, contusões e lesões traumáticas; o Perda de líquido pelo trato gastrointestinal: provoca desidratação (vômito ou diarreia). 42 No caso de fratura de fêmur, estima-se a perda de aproximadamente 1 litro de sangue circulante, parte devido ao sangramento e parte à transudação (perda de plasma e outros fluidos nos tecidos moles danificados pela fratura). Nas queimaduras, quantidade considerável de plasma deixa a circulação em direção aos tecidos adjacentes à área queimada. A redução no volume de sangue circulante causa diminuição no débito cardíaco e reduz toda a circulação (perfusão tecidual comprometida). O reconhecimento precoce e o cuidado efetivo no atendimento do choque hipovolêmico podem salvar a vida do paciente. O tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue). SINAIS E SINTOMAS – sinais e sintomas do choque hipovolêmico podem variar e não aparecer em todas as vítimas. O mais importante é suspeitar e estabelecer os cuidados antes que se desenvolvam. A vítima apresenta os seguintes sinais e sintomas: o Ansiedade e inquietação; o Náusea e vômito; o Sede, secura na boca, língua e lábios; o Fraqueza, tontura e frio; o Queda acentuada de pressão arterial (PA menor que 90 mm/Hg); o Respiração rápida e profunda - no agravamento do quadro, a respiração torna-se superficial e irregular; o Pulso rápido e fraco em casos graves; quando há grande perda de sangue, pulso difícil de sentir ou até ausente; o Enchimento capilar acima de 2 segundos; o Inconsciência parcial ou total; o Pele fria e úmida (pegajosa); o Palidez ou cianose (pele e mucosas acinzentadas); o Olhos vitrificados, sem brilho, e pupilas dilatadas (sugerindo apreensão e medo). o Em casos graves; quando há grande perda de sangue, pulso difícil de sentir ou até ausente. CUIDADOS DE EMERGÊNCIA – o tratamento definitivo do choque hipovolêmico é a reposição de líquidos (soluções salinas ou sangue). Aplicar as seguintes medidas às vítimas em choque: o Tratar a causa: interromper sangramento quando acessível (usar o método da pressão direta, elevação do membro); o Assegurar via aérea permeável e manutenção da respiração; o Administrar oxigênio em alta concentração (12 litros por minuto sob máscara facial de reinalação total perfeitamente ajustada); o Imobilizar e alinhar fraturas - diminui a dor e o sangramento; o Confortar o paciente - quanto mais calmo e colaborativo, melhores chances de sobrevida; o Colocar a vítima em posição de choque: a melhor é em decúbito dorsal, com as pernas elevadas mais ou menos 25 cm. O objetivo é concentrar o volume sanguíneo na cabeça, no tórax e na parte alta do abdômen. Caso essa posição não seja possível, isto é, se causar dor ou desconforto ao paciente, mantenha-o no plano. o Não dar nenhum líquido ou alimento; o Monitorar os sinais vitais a cada 5 minutos e comunicar qualquer alteração; o Manter o paciente aquecido; certificar-se de que esteja coberto sob e sobre o corpo, remover a roupa úmida (se o mesmo tiver), considerando a temperatura do meio ambiente para não provocar sudorese. Em resumo no APH, a vítima de trauma em choque hipovolêmico deve ter a via aérea permeável, oxigenação restaurada, e deve imediatamente receber tratamento definitivo. 43 CHOQUE CARDIOGÊNICO Decorre de uma incapacidade do coração bombear o sangue de forma efetiva. Este enfraquecimento do músculo cardíaco pode ser consequência de infarto agudo do miocárdio, situação frequente, sendo que a vítima, normalmente, apresenta dor torácica antes de entrar em choque. Outras situações que podem gerar choque cardiogênico: o Arritmias cardíacas (prejuízo da eficácia de contração); o Tamponamento pericárdico (por restrição de expansão do coração). CHOQUE NEUROGÊNICO Causado por falha no sistema nervoso em controlar o diâmetro dos vasos, em consequência de lesão na medula espinhal, interrompendo a comunicação entre o cérebro e os vasos sanguíneos. O resultado é a perda da resistência periférica e a dilatação da rede vascular. Se o leito vascular estiver dilatado, não existirá sangue suficiente para preencher a circulação, havendo perfusão inadequada de órgãos. CHOQUE PSICOGÊNICO De mecanismo semelhante ao choque neurogênico, aparece em condições de dor intensa, desencadeado por estímulo do nervo vago e tem como característica principal braquicardia inicial seguida de taquicardia na fase de recuperação. O paciente se recupera espontaneamente se colocado em decúbito dorsal. CHOQUE ANAFILÁTICO Resulta de uma reação de sensibilidade a algo a que o paciente é extremamente alérgico; como picada de inseto (abelhas, vespas), medicação, alimentos, inalantes ambientais, etc. A reação anafilática ocorre em questão de segundos ou minutos após o contato com a substância a que o paciente é alérgico. Alguns sinais e sintomas são característicos: o Pele avermelhada, com coceira ou queimação; o Edema de face e língua; o Respiração ruidosa e difícil devido ao edema de cordas vocais; o Finalmente queda da pressão arterial, pulso fraco, tontura, palidez e cianose. O paciente em choque anafilático necessita de medicação de urgência para combater a reação, administrada por médico. CHOQUE SÉPTICO Numa infecção severa, toxinas são liberadas na circulação, provocando dilatação dos vasos sanguíneos e consequente aumento da capacidade do sistema circulatório. Além disso, ocorre perda de plasma pela parede dos vasos, diminuindo o volume sanguíneo. Esse tipo de choque ocorre em pacientes hospitalizados. 44 8. TRAUMATISMOS OSTEOMUSCULARES Os traumas osteomusculares incluem as fraturas, luxações e entorses. FRATURAS Fratura é a lesão óssea de origem traumática, produzida por trauma direto ou indireto. O conjunto de fragmentos ósseos produzidos pela fratura e os tecidos lesados em torno da lesão é denominado foco de fratura. O osso é o único tecido do nosso organismo que cicatriza com o mesmo tecido anterior à lesão. O processo de cicatrização óssea denomina-se consolidação. O risco de surgir uma fratura óssea nas mulheres émaior devido a osteoporose, são fraturas resultantes de quedas de baixo impacto, portanto não resultantes de acidentes graves. A massa óssea, principalmente das mulheres, começa a diminuir depois da menopausa por influência dos hormônios. Os homens também podem sofrer de osteoporose, depois dos 65 anos de idade, mas a relação com os hormônios não é tão evidente. A qualidade de vida das pessoas idosas, que sofrem fraturas, geralmente, piora muito, pois, a cicatrizarão é mais lenta e a recuperação muscular é mais difícil. Uma das fraturas mais grave no idoso é a do fêmur e para sua imobilização não está indicada a utilização do aparelho de tração de fêmur, assim como em fraturas expostas. Classificação 1. QUANTO AO TRAÇO DE FRATURA Incompleta: ocorre a lesão óssea, mas não rompe a continuidade óssea; tipo de ocorrência comum em crianças. completa: os fragmentos ósseos perdem a continuidade, ficando desviados ou não. O manuseio destas fraturas deve ser cuidadoso e técnico, para evitar lesão nos tecidos vizinhos. 45 2. QUANTO À EXPOSIÇÃO DO FOCO DE FRATURA Fechada: o foco de fratura está protegido por partes moles e com pele íntegra. Aberta ou exposta: o foco de fratura está em contato com o meio externo, com o osso exteriorizado ou não. A pele, nestes casos, está sempre lesada. O grau de lesão dessas partes moles permite classificar as fraturas expostas. A lesão da pele pode ocorrer pelo trauma, pelos fragmentos ósseos e pelo manuseio intempestivo da vítima, tornando uma fratura fechada em aberta. Devido à comunicação do foco de fratura com o meio externo, as fraturas expostas são sempre contaminadas, variando apenas o grau de contaminação, podendo causar osteomielite (infecção óssea), que retarda ou impede a consolidação óssea; em casos extremos, causa a perda do membro lesado. Em casos mais graves, a infecção dissemina-se pelo organismo (septicemia) e, em pacientes debilitados, leva a óbito. A fratura exposta é uma situação de urgência se não for acompanhada de choque. 3. QUANTO À PRESENÇA DE LESÕES ASSOCIADAS Simples: a fratura é uma lesão única, sem evidência de lesão associada. Complicada: está acompanhada de lesões associadas. O trauma causador de fratura exposta é de alta energia e velocidade, podendo ocorrer lesões associadas locais, como as musculares, tendinosas, nervosas, vasculares, bem como lesões sistêmicas associadas (trauma abdominal, torácico e craniano). 46 Sintomas e Sinais DOR – devido ao trauma localizado, sempre haverá dor no local da fratura, que varia muito de um paciente para outro, sendo aliviada por manobras de tração, alinhamento e imobilização. AUMENTO DE VOLUME – devido ao trauma ocorre uma lesão dos tecidos vizinhos à fratura, produzindo sangramento local, detectado como um aumento de volume, produzindo, com o passar do tempo, edema localizado. Em algumas fraturas, de fêmur e pélvis, por exemplo, o sangramento pode causar choque hipovolêmico. DEFORMIDADE – o segmento fraturado apresenta angulações, rotações e encurtamentos evidentes à simples observação da vítima, comparando-se o membro lesado com o não afetado. IMPOTÊNCIA FUNCIONAL - a fratura impede ou dificulta os movimentos, devido à dor e à alteração musculoesquelética, no que diz respeito à anatomia. CREPITAÇÃO ÓSSEA – sensação audível e palpável causada pelo atrito entre os fragmentos ósseos. Não deve ser reproduzida intencionalmente, porque provoca dor e aumenta a lesão entre os tecidos vizinhos à fratura. LUXAÇÕES Deslocamento de superfícies articulares, modificando as relações naturais de uma articulação. Nas articulações existe uma congruência articular entre as superfícies ósseas em contato. Estas são recobertas por cartilagem articular e mantidas por uma cápsula articular reforçada por ligamentos. Os traumas indiretos, normalmente produzidos por quedas com apoio nas extremidades, fazem com que essas superfícies articulares saiam de sua posição, produzindo perda da congruência articular da função da articulação correspondente. As luxações ocorrem mais comumente em articulações móveis (ombro, quadril, dedos da mão). Sinais e sintomas DOR – geralmente intensa devido à compressão de estruturas locais; pode levar ao choque neurogênico. DEFORMIDADE – sinal evidente à simples inspeção da vítima; deve ser comparada com o lado oposto. IMPOTÊNCIA FUNCIONAL – devido à perda da congruência articular, existe perda completa da função articular, e qualquer tentativa de mobilidade é extremamente dolorosa. PALIDEZ - localizada, causada pela compressão do osso luxado sob a pele. 47 EDEMA - tardio varia com o grau de deformidade e a articulação luxada. ENCURTAMENTO OU ALONGAMENTO – podem ocorrer devido à deformidade da articulação luxada. Cuidados de Emergência A manipulação das luxações cabe exclusivamente ao médico. Manobras inadequadas e intempestivas podem agravar a lesão já existente e produzir dano adicional aos tecidos vizinhos, inclusive fraturas. No atendimento pré-hospitalar, a imobilização deve ser na posição de deformidade, buscando oferecer o máximo de conforto à vítima. Ficar atento a sinais e sintomas de choque, informando se ocorrerem. ENTORSES É a separação momentânea das superfícies ósseas articulares, havendo distensão dos ligamentos, e causando dor intensa e edema local. Tratamento o Aplicar compressa fria sobre o local; o Imobilizar; o Não fazer fricção nem esticar a região lesada. 9. QUEIMADURAS E HIPOTERMIA QUEIMADURAS As queimaduras são lesões produzidas nos tecidos orgânicos devido à ação do calor nas suas diversas formas, independentemente de ser através da sua radiação ou mediante contato direto. As queimaduras são a quarta causa de morte por trauma. Mesmo quando não levam ao óbito, as queimaduras severas produzem grande sofrimento físico e requerem tratamento que dura meses ou mesmo anos. Sequelas físicas e psicológicas são comuns. Pessoas de todas as faixas 48 etárias estão sujeitas a queimaduras, sendo as crianças vítimas frequentes e, muitas vezes, por descuido dos pais ou responsáveis. O atendimento definitivo aos grandes queimados deve ser feito preferencialmente em centros especializados (OLIVEIRA et al, 2007). ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE A pele não é simplesmente um tecido; é o maior órgão do corpo humano e possui várias funções. É composta por três camadas: a epiderme, a derme e a hipoderme (OLIVEIRA et al, 2007). EPIDERME – é a camada mais externa. É composta de várias camdas de células e não possui vasos sanguíneos. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo, sendo mais espessa em áreas sujeitas à pressão ou ao atrito, como a planta dos pés e a palma das mãos. É impermeável à água e funciona como uma barreira protetora contra o meio ambiente. DERME – é a camada mais interna. Contém os vasos sanguíneos, folículos pilosos, glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas e terminações nervosas. HIPODERME – camada situada logo abaixo da derme. É a combinação de tecido fibroso, elástico e gorduroso. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo e de individuo para individuo. Principais Funções da Pele o Proteção contra elementos ambientais: funciona como barreira protetora contra agentes físicos (calor, frio, radiações), químicos (água e várias outras substâncias) e biológicos (microorganismos). o Regulação da temperatura corporal: ocorre pela vasodiltação ou vasoconstrição dos vasos da derme. Em ambientes frios, os vasos secontraem para diminuir o fluxo sanguíneo cutâneo e, consequentemente, a perda de calor, deixando a pele pálida e fria; em ambientes quentes, os vasos se dilatam para aumentar o fluxo cutâneo e a perda de calor , a pele se torna avermelhada (corada) e quente. A sudorese auxilia a dissipação da temperatura corporal por meio da evaporação. o Função sensitiva: as terminações nervosas especializadas da derme captam o e transmitem ao sistema nervoso central informações, como a temperatura ambiental, as sensações táteis e os estímulos dolorosos (SIATE/PR, 2006). 49 CLASSIFICAÇÃO DAS QUEIMADURAS As queimaduras podem ser classificadas de acordo com sua causa, profundidade, extensão, localização e gravidade. Causa TÉRMICAS – causadas por gases, líquidos ou sólidos quentes, revelam-se as queimaduras mais comuns. QUÍMICAS – causadas por ácidos ou álcalis, podem ser graves; necessitam de um correto atendimento de emergência, pois o manejo inadequado pode agravar as lesões. ELÉTRICAS – geralmente as lesões internas, no trajeto da corrente elétrica através do organismo, são extensas, enquanto as lesões das áreas de entrada e saída da corrente elétrica na superfície cutânea, pequenas. Essa particularidade pode levar a erros na avaliação da queimadura, que costuma ser grave. PELA RADIAÇÃO – causadas por raios ultravioletas (UV), por raios-X ou por radiações ionizantes. As lesões por raios UV são bem conhecidas como as queimaduras solares, geralmente superficiais e de pouca gravidade. As queimaduras por radiações ionizantes, como os raios gama, são lesões raras. Nesta situação, é importante saber que a segurança da equipe pode estar em risco se houver exposição a substâncias radioativas presentes no ambiente ou na vítima. Atender às ocorrências que envolvam substâncias radioativas sempre sob orientação adequada e com a devida proteção. Profundidade As queimaduras, principalmente as térmicas, classificam-se de acordo com a profundidade da lesão: de primeiro, segundo e terceiro graus. Essa classificação é importante porque direciona desde o atendimento pré-hospitalar até o definitivo no centro de queimados. Trata-se de conhecimento importante para a atividade do profissional de saúde. A avaliação da profundidade da lesão se faz apenas por estimativa; muitas vezes, a real profundidade da lesão só se revela depois de alguns dias. PRIMEIRO GRAU (ESPESSURA SUPERFICIAL) – queimaduras que atingem apenas a epiderme. SEGUNDO GRAU (ESPESSURA PARCIAL) – queimaduras que atingem a epiderme e a derme, produzindo dor severa. A pele se apresenta avermelhada e com bolhas; as lesões que atingem a derme mais profunda revelam-se úmidas. São as queimaduras que mais se beneficiam do curativo efetuado corretamente. TERCEIRO GRAU (ESPESSURA TOTAL) – atingem toda a espessura da pele e chegam ao tecido subcutâneo. As lesões são secas, de cor esbranquiçada, com aspecto de couro, ou então pretas, de aspecto carbonizado. Geralmente não são dolorosas, porque destroem as terminações nervosas; as áreas nos bordos das lesões de terceiro grau podem apresentar queimaduras menos profundas, de segundo grau, portanto bastante dolorosas. 50 Extensão A extensão da queimadura, ou a porcentagem da área da superfície corporal queimada, é um dado importante para determinar a gravidade da lesão e o tratamento a ser instituído, tanto no local do acidente quanto no hospital. Utiliza-se para esse cálculo a "regra dos nove". O resultado obtido é aproximado, mas suficiente para uso prático. No adulto, cada membro superior corresponde a 9% da superfície corporal; as partes ventral e dorsal do tronco correspondem a 18% cada; cada membro inferior a 18%, a cabeça a 9% e a área genital a 1 %. As crianças pequenas apresentam, proporcionalmente, cabeça maior que a dos adultos, assim correspondendo a 18% da superfície corporal; cada membro inferior a 13,5%. Para avaliar a extensão de queimaduras menores, utilizar como medida a mão da vítima, que corresponde a aproximadamente 1 % da área da superfície corporal. Localização Queimaduras variam de gravidade de acordo com a localização. Certas áreas, como mãos, face, pés e genitais, são consideradas críticas. Queimaduras que envolvam as vias aéreas são também bastante graves. 51 Gravidade As queimaduras podem ser classificadas quanto à gravidade em queimaduras críticas, moderadas e leves. Sete fatores são usados para determinar a gravidade da queimadura: o Extensão (pela regra dos nove); o Envolvimento de áreas críticas (mãos, pés, face e genitália); o Idade da vítima (crianças e idosos têm maior risco); o Presença de lesão pulmonar por inalação; o Presença de lesões associadas (outros traumatismos); o Doenças preexistentes (Diabetes Mellitus, insuficiência renal etc.). Queimaduras Críticas Queimaduras Moderadas Queimaduras Leves ● Primeiro grau maiores que 75% da superfície corporal; ● Segundo grau maiores que 25% da superfície corporal; ● Terceiro grau maiores que 10% da superfície corporal; ● Terceiro grau envolvendo face, mãos, pés ou genitais; ● Queimaduras associadas a fraturas ou outras lesões de partes moles • Queimaduras das vias aéreas ou lesão respiratória por inalação; ● Queimaduras elétricas; ● Vítimas idosas ou com doenças graves preexistentes. ● Primeiro grau de 50 a 75% da superfície corporal; ● Segundo grau de 15 a 25% da superfície corporal; ● Terceiro grau de 2 a 10% da superfície corporal. ● Primeiro grau menores que 50 da superfície corporal; ● Segundo grau menores que 15% da superfície corporal; ● Terceiro grau com menos que 2% da superfície corporal. PARTICULARIDADES NO ATENDIMENTO A primeira preocupação da equipe é com a sua própria segurança, que se aplica a qualquer situação, mas devendo ser reforçada ao atender vítimas de queimaduras em ambientes hostis. Cuidar com as chamas, os gases tóxicos, a fumaça e o risco de explosões e desabamentos. O segundo passo no atendimento à vítima é a interrupção do processo de queimadura, na seguinte sequencia: 1) Extinguir as chamas sobre a vítima ou suas roupas; 2) Remover a vítima do ambiente hostil; 3) Remover roupas que não estejam aderidas a seu corpo; 4) Promover o resfriamento da lesão e de fragmentos de roupas ou substâncias, como asfalto, aderidos ao corpo do queimado. 52 Após interromper o processo de queimadura, proceder ao atendimento segundo o A-B-C- D-E. Passo “A” Queimaduras que envolvam vias aéreas são graves, podendo levar à obstrução das superiores. Queimaduras por vapores aquecidos podem atingir vias aéreas inferiores, enquanto as produzidas por calor seco normalmente atingem apenas as vias aéreas superiores, porque o ar não é bom condutor de calor. A extensão e gravidade da queimadura das vias aéreas podem ser subestimadas na avaliação inicial, porque a obstrução das vias aéreas não se manifesta no momento, mas se desenvolve gradualmente à medida que aumenta o edema dos tecidos lesados. As vítimas podem necessitar de entubação endotraqueal antes que uma obstrução severa a impeça. Por isso, é importante identificar os sinais de queimadura das vias aéreas antes que se desenvolva a obstrução. Sinais de alerta: o Queimaduras faciais; o Queimadura das sobrancelhas e vibrissas nasais; o Depósito de fuligem na orofaringe; o Faringe avermelhada e edemaciada; o Escarro com resíduos carbonáceos; o História de confinamento em ambiente incendiário ou explosivo. Passo “B” Além da queimadura das vias aéreas,outras lesões potencialmente graves são as causadas por inalação de fumaça e a intoxicação por monóxido de carbono. Suspeitar sempre que isso possa ter ocorrido se há história de confinamento em ambientes incendiários, explosivos ou se a vítima apresenta alteração do nível de consciência. 1) Inalação de fumaça e subprodutos da combustão: partículas inaladas com a fumaça e certos subprodutos resultantes da combustão incompleta de combustíveis atingem as vias aéreas inferiores e os pulmões, podendo causar lesão química dos brônquios e alvéolos pulmonares. Os sintomas dessas lesões muitas vezes só aparecem algumas horas após a inalação, ao se desenvolver a inflamação dos brônquios ou do pulmão. Lesões por inalação são responsáveis por significativa parcela das mortes por queimaduras. O tratamento no ambiente pré-hospitalar consiste em afastar a vítima do local enfumaçado e administrar oxigênio, necessitando de um tratamento definitivo no meio hospitalar. 2) Intoxicação por monóxido de carbono: o monóxido de carbono é um gás incolor, inodoro. Ele não causa lesão direta às vias aéreas ou ao pulmão, mas possui afinidade com a hemoglobina 200 vezes maior que a do oxigênio. Isso significa que ele se liga mais fácil e firmemente à hemoglobina que o oxigênio. Quanto maior a quantidade de monóxido de carbono inalada, maior a quantidade de hemoglobina ligada ao monóxido (carboxiemoglobina) e, portanto, menor a quantidade de hemoglobina ligada ao oxigênio (oxiemoglobina). A diminuição da oxiemoglobina leva à hipóxia tecidual que, severa, causa a morte. Os sintomas variam de acordo com o grau da intoxicação, indo desde náuseas e cefaleia intensa até confusão, inconsciência e, finalmente, óbito. A pele se apresenta em tom vermelho cereja, sinal nem sempre presente. É importante saber que a oximetria de pulso nessa situação pode levar a conclusões falsas. O oxímetro de pulso mede a porcentagem de hemoglobina saturada, mas não diferencia a hemoglobina saturada com oxigênio da saturada com monóxido de carbono; consequentemente, o resultado obtido deve ser encarado com reservas. Assim, o indivíduo pode estar com uma intoxicação severa por monóxido de carbono, inconsciente, e a leitura da saturação marcar 100% por causa da grande quantidade de 53 carboxiemoglobina. O tratamento consiste na administração de oxigênio na maior concentração possível, de preferência a 100%, em vítimas inconscientes, o que só se obtém com a entubação endotraqueal. Passo “C” O grande queimado perde fluidos através das áreas queimadas, devido à formação de edema. Isso pode levar a choque hipovolêmico (não hemorrágico), que se desenvolve gradualmente. O quadro de choque precoce, logo após a queimadura, normalmente se deve a outras lesões associadas com hemorragia, levando à hipovolemia. Não esquecer o princípio de que o queimado é um politraumatizado e, portanto, pode ter outras lesões além da queimadura, considerando sempre o mecanismo do trauma. Os queimados graves necessitam de reposição de fluidos intravenosos, feita de acordo com o cálculo da extensão da queimadura. A infusão de solução de ringer lactato é a terapia de eleição. A quantidade de líquidos administrada nas primeiras 24 horas depois da lesão é de 4 ml/kg/% - Fórmula de Parkland (QUILICI et al, 2011). Volume total em 24 horas = 4 ml/kg/% = 4 X 70 X 27 = 7.560 ml Obtido o total para as 24 horas, divida esse número por 2. Volume administrado desde a lesão até 8 horas = 7.560/2 = 3.780 ml Para determinar a velocidade horária durante as primeiras 8 horas, divida esse total por 8; para determinar a velocidade horária durante as próximas 16 horas, devida esse total por 16: ml / 8 horas = 472,5 ml/hora 3.780 ml / 16 horas = 236,25 ml/hora Um detalhe importante é retirar anéis, pulseiras, relógios ou quaisquer outros objetos da região atingida, porque o desenvolvimento do edema traz risco de estrangulamento do membro e consequente isquemia. Passo “D” Não se esquecer de que alterações da consciência podem ser devidas à hipóxia ou à intoxicação por monóxido de carbono, além, é claro, de lesões associadas. CURATIVOS Somente realizar os curativos após completar a abordagem inicial da vítima pelo AB-C-D- E. Funções dos curativos nas queimaduras: o Diminuir a dor; o Diminuir a contaminação; o Evitar a perda de calor. 54 Frequentemente a dor causada pelas queimaduras é severa e requer administração de analgésicos endovenosos para seu alívio. Uma medida simples para o combate à dor, entretanto, é um curativo corretamente realizado. Nas queimaduras de pequena extensão, podem ser utilizados curativos úmidos, frios, com soro fisiológico, para alívio da dor. O uso do soro fisiológico é recomendado para evitar a contaminação da ferida; na sua ausência, usar água limpa. Nas queimaduras extensas, o uso de curativos úmidos, frios, pode levar a hipotermia, porque a pele queimada perde a capacidade de auxiliar na regulação da temperatura corporal, ficando a vítima suscetível à perda de calor; quando usados, não devem cobrir mais que 10% da superfície corporal. Quando a extensão da queimadura for muito grande, é preferível envolver ou cobrir a vítima com lençóis limpos, secos, em vez de tentar aplicar grandes curativos. Quando houver hemorragia associada, usar curativos compressivos habituais. Não remover roupas firmemente aderidas nem romper bolhas. Os curativos devem ser espessos e firmes, mas não apertados. HIPOTERMIA Hipotermia é o resfriamento generalizado do organismo, que ocorre pela exposição a temperaturas baixas, mas acima do ponto de congelamento. Ocorre rapidamente, sendo mais comum seu desenvolvimento gradual. A transferência de calor corporal é 25 vezes mais rápida em meio líquido que no ar; pó isso a hipotermia se desenvolve mais rapidamente em vítimas imersas em ambiente líquido, como um rio de água fria, por exemplo. A severidade da hipotermia é proporcional ao tempo de exposição ao frio. Crianças, principalmente recém-nascidas, e idosos são mais propensos a apresentar hipotermia. Outras vítimas com facilidade de apresentar hipotermia são as alcoolizadas, as desagasalhadas, as desnutridas, as queimadas e as com alterações da consciência. Avaliação Para fazer o diagnóstico de hipotermia, sempre ter em mente essa possibilidade, mesmo que as condições ambientais não sejam altamente propícias. Os sinais e sintomas se tornam mais severos com a progressão da hipotermia. Não esquecer que os termômetros comuns de mercúrio só marcam a temperatura até 35 graus centígrados e, portanto, abaixo dessa temperatura não funcionam. Se o termômetro estiver marcando 35 graus, significa que a temperatura pode estar abaixo desse valor. o 35 a 32 graus centígrados: vítima apresenta tremores (calafrios), inicialmente discretos, depois violentos; isso ocorre porque os músculos tremem para produzir calor e tentar elevar a temperatura corporal. A vítima queixa-se de frio e tenta combatê-lo com movimentos corporais; pode apresentar respostas verbais e motoras lentas, falta de coordenação motora e confusão mental quando a temperatura se aproxima dos 32 graus; a pele fica pálida e fria. o ● 32 a 28 graus centígrados: cessam os tremores e diminui o nível de consciência; a vítima deixa de "lutar" contra o frio. Há queda da pressão arterial. O pulso é lento, e frequentemente, irregular, devendo ser palpados os pulsos centrais, porque os periféricos podem estar ausentes, devido à vasoconstrição periférica. Diminui a frequência respiratória; as pupilas se dilatam, podendo ficar midriáticase fixas. o ● 28 a 25 graus centígrados: queda ainda maior dos dados vitais; pressão arterial bastante diminuída ou nem mensurável, frequência respiratória diminuída para até um ou dois movimentos por minuto. A vítima pode estar em coma. Nessa fase, 55 movimentações bruscas da vítima pela equipe de emergência podem desencadear fibrilação ventricular e morte. A vítima pode estar "aparentemente morta". o ● Abaixo de 25 graus: geralmente sobrevêm a morte. Cuidados 1) Manusear a vítima delicadamente devido ao risco de desencadear fibrilação ventricular; 2) Colocar a vítima em ambiente aquecido; 3) Retirar roupas molhadas e agasalhá-Ia com roupas secas ou cobertores; 4) Colocá-Ia em posição de choque se estiver hipotensa; 5) Infundir endovenosamente soluções aquecidas a 39 graus centígrados e evitar soluções frias; 6) Em caso de parada cardiopulmonar, manter a RCP por tempo prolongado. A vítima hipotérmica suporta tempos maiores em parada cardiorrespiratória, só devendo ser declarada morta após reaquecida. 10. TCE E TRM TRAUMATISMO CRANEOENCEFÁLICO O Traumatismo Craneoencefálico (TCE) é o principal motivo de morte na população jovem, cujas causas mais frequentes compreendem acidentes automobilísticos e agressões interpessoais. Estima-se que ocorra um TCE a cada 15 segundos e que um paciente morra devido ao TCE a cada doze minutos. Aproximadamente 50% das mortes de causa traumática estão associadas a TCE e mais de 60% de mortes por acidente automobilístico se devem ao TCE. Tipos Específicos de Trauma Craniano Após avaliação inicial e reanimação, estabelecer o diagnóstico anatômico da lesão cerebral, assegurar suplemento metabólico ao cérebro e prevenir lesão cerebral secundária devida à hipóxia, isquemia e hipertemia. As lesões cerebrais são divididas em: o Fratura de crânio; o Lesão cerebral difusa; o Lesão focal; o Ferimento de couro cabeludo. 56 A severidade é diferente em cada grupo. FRATURA DE CRÂNIO – as fraturas são comuns, mas nem sempre associadas à lesão cerebral, apesar de muitas lesões cerebrais graves ocorrerem sem fratura craniana. A identificação da fratura de crânio é muito importante, pela possibilidade da presença ou do desenvolvimento de hemorragia intracraniana, devendo esse paciente ficar sob observação. Fratura linear sem afundamento – não requer tratamento específico, somente observação se houver suspeita de lesão cerebral. Atenção às fraturas que cruzem leito vascular ou suturas cranianas, em virtude da possibilidade de hematoma epidural. Afundamento craniano – pode não ser uma emergência cirúrgica, dependendo da lesão cerebral, mas devido ao risco de sequelas graves e crises convulsivas de difícil controle. Geralmente o tratamento é cirúrgico, com retirada e elevação do fragmento ósseo. Fratura de crânio aberta – havendo comunicação direta entre o escalpe lacerado e a substância cerebral, essa condição é diagnosticada por tecido cerebral visível ou perda de LCR (líquido cefalorraquidiano), exigindo tratamento cirúrgico. Fratura de base de crânio – o diagnóstico clínico se baseia na perda de LCR pelo ouvido (otoliquorreia) ou pelo nariz (rinoliquorreia), equimose na região da mastoide (sinal de Battle), sangue na membrana timpânica (hemotímpano) e equimose periorbitária (olhos de guaxinim). Esse tipo de fratura muitas vezes não aparece na radiografia convencional; indiretamente, a suspeita surge devido à presença de ar intracraniano e opacificação do seio esfenoide. O sinal de Battle e a equimose periorbitária são sinais tardios de fratura de base de crânio. LESÃO CEREBRAL DIFUSA – geralmente produzida por rápidos movimentos da cabeça (aceleração e desaceleração), leva à interrupção das funções cerebrais. É importante tentar distinguir lesão cerebral difusa da lesão focal, pois esta, via de regra, necessita de cirurgia de emergência. Concussão – distúrbio que não se associa à lesão anatomopatológica; caracteriza-se por perda rápida das funções neurológicas, com possível confusão ou amnésia temporária. Geralmente a concussão causa perda temporária ou prolongada de consciência. O paciente pode apresentar cefaleia, náusea e vômitos, mas sem sinais de localização, devendo ficar em observação até cessar a sintomatologia. 57 Lesão Axonal Difusa – caracterizada por coma prolongado, é uma lesão de alta velocidade com estiramento ou chacoalhamento do tecido cerebral, com mortalidade de 33% e, nos casos mais severos, de 50%, geralmente causada por aumento da pressão intracraniana secundária ao edema cerebral, causado por mini-hemorragias (petéquias) em substância branca. O diagnóstico é realizado em pacientes em coma, com posturas de descerebração ou decorticação. LESÃO FOCAL – as lesões focais consistem em contusões, hemorragias e hematomas, normalmente exigindo tratamento cirúrgico. Contusão – única ou múltipla, geralmente associada a uma concussão, caracteriza-se por longo período de coma e confusão mental. A contusão pode ocorrer na área de impacto ou em áreas remotas (contragolpe). Lobos frontais e temporais revelam-se os locais mais comuns desse tipo de lesão. Se a contusão for grande e apresentar edema perilesional, pode ocorrer compressão de tronco cerebral devida à herniação causada pelo efeito massa da lesão. Somente nesta situação é indicado o tratamento cirúrgico. Hemorragia Intracraniana – classifica-se em meníngea e cerebral. Devido à grande variação de local, tamanho e rapidez de sangramento, o quadro clínico também é variável. 1) Hemorragia meníngea, se subdivide conforme sua localização. ● Hematoma epidural agudo – o sangramento epidural ocorre geralmente por lesão de uma artéria dural, principalmente da artéria meníngea média, e uma pequena porcentagem devido à lesão de seios da dura. Sua evolução é rapidamente fatal e, em geral, essa lesão está associada a fraturas lineares temporais ou parietais. Ocasiona geralmente perda de consciência seguida de períodos de lucidez, de depressão no nível de consciência e hemiparesia do lado oposto. Pode- se encontrar uma pupila fixa e dilatada no mesmo lado da lesão ou, às vezes, alteração pupilar contralateral ao hematoma. O prognóstico é bom com intervenção imediata. 58 ● Hematoma subdural agudo – Muito mais comum que os hematomas epidurais, ocorre geralmente por rotura de veias entre córtex e dura; a fratura de crânio está ou não presente, e o prognóstico melhora quanto mais precoce a intervenção cirúrgica. A compressão cerebral lenta pela expansão do hematoma causará sintomas dentro de poucas horas ou dias, como cefaleia, irritabilidade, vômitos, alteração do nível de consciência, anisocoria e alterações sensitivas e motoras. ● Hemorragia subaracnóide – esse tipo de hemorragia leva a um quadro de irritação meníngea, e o paciente queixa-se de cefaleia e/ou fotofobia; tratamento clínico. 2) Hemorragias e lacerações cerebrais ● Hematomas intracerebrais – as hemorragias intraparenquimatosas podem ter qualquer localização; o déficit neurológico depende da área afetada e do tamanho da hemorragia. As hemorragias intraventricular e cerebral estão associadas a altas taxas de mortalidade. ● Ferimentos penetrantes – Todo corpo intracraniano estranho só deve ser retirado em centro cirúrgico. Fixá-Io se for o caso, para que ele não produza lesões secundárias ao movimento. ● Ferimento por arma de fogo – Quanto maior o calibre e a velocidade do projétil, maior a probabilidade de lesões graves e até letais. Cobrir a entrada e saída do projétil com compressa esterilizadaaté o tratamento neurocirúrgico ser providenciado. FERIMENTO DE COURO CABELUDO – apesar da aparência dramática, o escalpe geralmente causa poucas complicações. A localização e o tipo de lesão nos dão a noção de força e direção da energia transmitida. Perda sanguínea – o sangramento por lesão de couro cabeludo pode ser extenso e, especialmente em crianças, levar ao choque hipovolêmico; em adultos, sempre procurar outra causa para o choque. Localizar a lesão e parar o sangramento por compressão; a grande maioria dos sangramentos é controlada com aplicação de curativo compressivo. Inspeção da lesão – avaliar a lesão para detectar fratura de crânio, presença de material estranho abaixo da lesão de couro cabeludo e perda de líquor. TRAUMA RAQUIMEDULAR O traumatismo da medula espinhal também é chamado de traumatismo raquimedular (TRM). A maioria dessas lesões é causada por acidentes automobilísticos, quedas, acidentes desportivos (principalmente mergulhos em águas rasas) e ferimentos por arma de fogo. Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes sem que haja lesões de medula espinhal; por isso, mobilizar a vítima quando há qualquer suspeita de lesão medular, mantendo-a assim até ser radiologicamente afastada qualquer suspeita de fraturas ou luxações. 59 A equipe de emergência deve estar conscientes de que manipulação, movimentos e imobilização inadequados podem causar dano adicional ao traumatismo de coluna vertebral e piorar o prognóstico da lesão. Suspeitar sempre de traumatismo raquimedular nas seguintes situações: o TRM Cervical – Lesão supraclavicular – qualquer vítima de trauma que apresente lesões acima das clavículas. o TCE – Qualquer vítima de traumatismo cranioencefálico. o TRM Cervical, Torácica e Lombar – Múltiplos traumas – vítima politraumatizada. Localizações mais frequentes de TRM o Cervical – Entre a quinta vértebra cervical (C5) e a primeira torácica (T1), geralmente associado a TCE; o Transição toracolombar – Entre a décima primeira ou décima segunda vértebra torácica (T11) (T12) e primeira lombar (L 1). Sinais e sintomas Dependem do nível da lesão, com comprometimento neurológico abaixo desse nível, geralmente com alterações motoras (paralisias ou apenas diminuição de força muscular - paresia) e sensitivas (anestesia, diminuição da sensibilidade e parestesias - formigamento, amortecimento etc.). Tratamento São três os principais objetivos no tratamento de paciente com TRM: o Imobilização de coluna para prevenir lesões neurológicas adicionais. Nesta etapa, é essencial o atendimento pré-hospitalar adequado às vítimas, incluindo avaliação clínica e imobilização. As duas outras etapas estão relacionadas ao tratamento hospitalar definitivo. o Cirurgia para redução de fraturas com descompressão medular de raízes. o Realinhamento de coluna com fixação externa ou interna. Para o diagnóstico de TRM, examinar a coluna vertebral cuidadosamente, com a vítima em posição neutra; em hipótese alguma fletir qualquer segmento da coluna, verificando deformidades, dor, limitação de movimentos e queixa de amortecimento de extremidades ou impossibilidade de movimentação. 11. EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 60 DOENÇAS CARDIOVASCULARES As doenças cardiovasculares ocupam a primeira causa geral de mortalidade em nosso meio. Mais de 250.000 brasileiros morrem por ano em decorrência principalmente do infarto agudo do miocárdio (IAM). Cinquenta por cento das vítimas morrem antes de chegar ao hospital, nas primeiras duas horas após o início dos sintomas. Assim, a morte súbita por ataque cardíaco (PCR – parada cardiorrespiratória) é a emergência clínica mais importante nos dias de hoje. Não raro, o profissional de saúde se depara com vítima de trauma que desencadeou quadro de insuficiência coronariana (angina ou IAM) durante o atendimento, ou atende caso de PCR de causa clínica. É fundamental saber identificar sinais e sintomas que possa, sugerir uma situação de emergência clínica e as medidas a serem tomadas. DOENÇA CORONARIANA – o coração tem seus próprios vasos sanguíneos para suprir a intimidade do músculo cardíaco de O2 e nutrientes e remover CO2 e outros detritos. É o sistema coronariano (artérias e veias coronárias). Denominamos o músculo cardíaco de miocárdio. Para que o miocárdio desempenhe de forma eficiente sua função de bomba, é fundamental que o sangue oxigenado alcance a intimidade do seu tecido. Quando as artérias coronarianas estão prejudicadas na sua função de transportar sangue, o suprimento de O2 para o miocárdio é reduzido; como consequência, sua função de bomba estará comprometida. Ao processo lento e gradual de oclusão dos vasos sanguíneos chamamos aterosclerose (causa mais frequente de angina). Na fase inicial da aterosclerose, ocorre deposição de gordura na parede dos vasos, estreitando sua luz. Conforme o tempo passa, um depósito de cálcio vai endurecendo a parede do vaso, e o fluxo de sangue no vaso fica reduzido. A irregularidade da superfície provoca adesão de plaquetas circulantes formando um trombo. Este pode alcançar tamanho tal que oclui completamente a luz do vaso, ou quebrar-se e transformar-se em êmbolo (trombo circulante), que causa a obstrução do vaso mais à frente. Quando isso ocorre, os tecidos que dependem desse fluxo de sangue, privados de oxigênio, acabam morrendo. Quando esse processo ocorre nas artérias coronárias, chamamos de doença coronária, que se resume no baixo suprimento de sangue ao miocárdio. Inclui a angina de peito e o infarto agudo do miocárdio. Angina de Peito – situações de estresse emocional ou esforço físico fazem com que o coração trabalhe mais, exigindo maior fluxo de sangue pelas artérias coronárias para suprir o músculo cardíaco. Quando as artérias coronárias se estreitam pela aterosclerose, não são capazes de suprir o aumento da demanda de sangue pelo músculo cardíaco. O miocárdio, privado de oxigênio, faz o paciente sentir dor. Sinais e Sintomas: o Dor torácica retroesternal ou precordial (às vezes, desconforto), desencadeada por esforço físico, estresse, refeição volumosa ou exposição a temperaturas muito frias. o A dor pode irradiar-se para membros superiores, ombros, mandíbula e porção superior do abdome. Raramente ultrapassa dois a cinco minutos, desaparecendo com repouso e uso de vasodilatador sublingual. Infarto Agudo do Miocárdio – condição em que ocorre necrose (morte) de parte do miocárdio como resultado da falta de oxigênio. Isso acontece por estreitamento ou oclusão da artéria coronária que supre de sangue a região. O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a causa mais frequente de morte súbita (50% das mortes ocorrem nas primeiras horas); muitas dessas vítimas poderiam ser salvas com medidas prontas e relativamente fáceis (manobras de RCP). Daí a importância de identificar precocemente o infarto agudo do miocárdio. A causa principal do IAM é a aterosclerose das coronárias, que pode ser 61 desencadeada por esforço físico, situação de estresse, fadiga, mas também no repouso. A principal complicação do IAM é a alteração do ritmo cardíaco. Drogas, como a cocaína, podem provocar IAM por espasmo do vaso. Sinais e Sintomas: o Dor torácica de forte intensidade, prolongada (30 minutos a várias horas), que localiza atrás do esterno e irradia-se para o membro superior, ombro, pescoço, mandíbula, etc. Geralmente o repouso não alivia a dor; o Falta de ar; o Náusea, vômitos, sudorese fria; o Vítima ansiosa, inquieta, com sensação de morte iminente; o Alteração do ritmo cardíaco – bradicardia, taquicardia, assistolia, fibrilação ventricular;o Na evolução, a vítima perde a consciência e desenvolve choque cardiogênico. DISPINEIA – o termo dispneia significa respiração difícil. Não é uma doença primária, mas surge como consequência de condições ambientais, trauma e doenças clínicas, como, por exemplo, obstrução das vias aéreas por corpo estranho, doenças pulmonares (bronquite crônica e enfisema), condições cardíacas, reações alérgicas, pneumotórax, asma brônquica, etc. Em qualquer das situações em que algo impeça o fluxo de ar pelas vias aéreas, o paciente aumenta a frequência e a profundidade da respiração. A dificuldade em suprir de oxigênio a circulação pulmonar desencadeia hipóxia. Logo, o paciente pode estar cianótico, forçando os músculos de pescoço, tórax e abdome (em criança observa-se batimento da asa do nariz). Conforme haja agravamento do quadro, o paciente desenvolve parada respiratória ou apneia, inconsciência e parada cardíaca. SÍNCOPE OU DESMAIO – caracteriza-se por qualquer tipo de perda de consciência de curta duração que não necessite manobras específicas para a recuperação. O termo lipotimia tem sido utilizado para designar episódio de perda incompleta de consciência. ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO (AVE) - é uma desordem do sistema cardiovascular, causada por oclusão ou ruptura de um dos vasos que suprem o cérebro de sangue. Embora ocorram predominantemente nas pessoas mais idosas, frequentemente surpreendem jovens, comprometendo sua capacidade laborativa. Acidente Vascular Isquêmico – o vaso pode ser obstruído por trombo ou êmbolo, ou sua luz comprimida por tumor ou trauma. Como resultado, a função de parte do cérebro que depende do sangue oxigenado será afetada. A causa mais frequente é a aterosclerose cerebral. Acidente Vascular Hemorrágico – ruptura da parede de um vaso sanguíneo provocando hemorragia cerebral. Parte do cérebro ficará comprometida pela falta de oxigênio e poderá haver aumento da pressão intracraniana. Essa situação é de maior gravidade pelo risco de compressão de áreas cerebrais responsáveis pelas funções vitais. Sinais e Sintomas: Dependem do vaso lesado e da importância funcional da área cerebral envolvida. Podem surgir: o cefaleia, tontura, confusão mental; o perda de função ou paralisia de extremidades (geralmente de um lado do corpo); o paralisia facial (perda de expressão, geralmente de um lado da face, com defeito na fala); o anisocoria, pulso rápido, respiração difícil, convulsão, coma. Os casos podem ser súbitos e fugazes (recuperação espontânea) ou mais graves, confirmando a extensão do comprometimento cerebral. 62 CRISE CONVULSIVA – a convulsão é uma desordem cerebral. Durante breve período de tempo, o cérebro deixa de funcionar normalmente e passa a enviar estímulos desordenados ao resto do corpo, iniciando as crises convulsivas, também conhecidas por ataques. A convulsão é um sintoma comum em uma população em geral e em países em desenvolvimento pode chegar a 50 casos a cada 1.000 habitantes. Ela é mais comum na infância, quando é maior a vulnerabilidade a infecções do sistema nervoso central (meningite), acidentes (traumatismos do crânio) e doenças como sarampo, varicela e caxumba, cujas complicações podem causar crises epiléticas. Traumatismo cranioencefálico, infecções, parasitoses (principalmente neurocisticercose), mal formações e tumores cerebrais e abuso de drogas e álcool são as causas mais comuns de convulsão em adultos. Quando a vítima apresenta crises convulsivas repetidas ao longo de sua vida caracteriza-se então uma doença denominada epilepsia, que não é contagiosa. Às vezes, a pessoa com epilepsia perde a consciência, mas outras experimenta apenas pequenos movimentos corporais ou sentimentos estranhos. Se as alterações epiléticas ficam restritas a uma parte do cérebro, a crise chama-se parcial; se o cérebro inteiro está envolvido, chama-se generalizada. Manifestações Clínicas – existem várias formas de manifestações clínicas das crises convulsivas e a mais importante no aspecto de atendimento de emergência são as crises generalizadas tônicoclônicas. A convulsão pode ou não ser precedida de algum sintoma que avisa que ela está se iniciando. Logo a seguir, a crise se inicia com um grito que precede a perda súbita de consciência e enrijecimento (fase tônica) do corpo seguido por movimentos tipo abalos (fase clônica) das quatro extremidades, face e cabeça. Durante a crise a vítima pode apresentar queda e se ferir, morder a língua ou ter perda de urina. A convulsão demora em média três a cinco minutos e é seguida por um período de inconsciência. A consciência é recuperada aos poucos e o paciente pode apresentar dor de cabeça, vômitos e confusão mental. Outro tipo comum de epilepsia é o “pequeno mal” ou “crise de ausência”, quando a pessoa fica com o olhar fixo por alguns instantes, sem lembrar-se de depois daquele desligamento. Existem vários outros tipos de crise mas sem importância no atendimento pré-hospitalar. Se as crises duram muito tempo (crises prolongadas, ou crises seguidas sem recuperação de consciência) com duração igual ou superior a 30 minutos, se caracterizam uma emergência clínica podendo nesse caso haver risco de morte e a vítima deverá ser encaminhada ao hospital pois poderá ocorrer dano ao cérebro; são as chamadas crises subentrantes ou estado de mal epiléptico. Porém, a maioria das crises não provoca dano algum, pois são de curta duração e autolimitadas. DIABETES MELLITUS – é uma doença de evolução crônica em que o organismo é incapaz de utilizar a glicose para produção de energia por diminuição ou ausência de insulina. Sem a insulina, a glicose não entra na célula, se acumulando na circulação e, como consequência, ocorre um aumento do volume urinário na tentativa de eliminar o excesso de açúcar da corrente sanguínea. Esta reação é a principal responsável pelos sintomas principais do diabete, a saber: polidipsia (sede intensa), poliúria (aumento do volume de urina) e fadiga facial com diminuição de capacidade de trabalho. Entre as complicações do diabete, a acidose, o coma diabético e a hipoglicemia - choque insulínico constituem as mais graves, requerendo tratamento imediato e geralmente caracterizam o descontrole da doença em sua expressão máxima. Acidose e Coma Diabético - uma vês que a célula não pode utilizar a glicose para produção de energia, ela busca outra fonte de energia – a gordura. Entretanto, esta não é tão eficiente quanto a glicose, além de produzir resíduos ácidos. Essa situação de acidose orgânica, caso não corrigida de imediato, leva ao coma diabético – situação grave que necessita de atendimento de emergência. Sinais e sintomas: 63 o Geralmente de evolução lenta (até dias), iniciando por polidipsia, poliúria, vômito, dor abdominal, respiração rápida e profunda, pulso rápido e fraco, alteração da consciência iniciando por confusão, estupor até coma. Hipoglicemia / Choque Insulínico – ocorre quando o nível de glicose no sangue está muito baixo. Rapidamente o açúcar circulante entra nas células e não existe glicose suficiente para manter o suprimento constante das células cerebrais. Sobrevém a inconsciência em questão de minutos. Entre as causas principais, o paciente diabético que usou a insulina em dose maior do que a desejada ou que não se alimentou adequadamente ou aquele que praticou exercício físico em excesso. Sinais e sintomas: o São de início rápido (minutos), com tontura, cefaleia, confusão mental e evoluindo para convulsão e coma. 12. INTOXICAÇÕES ENDÓGENAS, ENVENENAMENTOS E ACIDENTES COM ANIMAIS PECONHENTOS ENVENENAMENTO Venenos são substâncias químicas que podem causar danoao organismo. Os envenenamentos são, na sua maioria, acidentais, mas resultam também de tentativas de suicídio e homicídios. Um veneno pode penetrar no organismo de diversas formas: INGERIDO: medicamentos, raticidas, formicidas, etc. INALADO: gazes e poeiras tóxicas. Ex: amônia, gás de cozinha, cola, etc. ABSORVIDO: inseticidas, agrotóxicos que penetram na pele e mucosas. INJETADO: toxinas (aranhas, escorpiões) e drogas injetadas. 64 ANIMAIS PEÇONHENTOS Os animais peçonhentos são aqueles que possuem glândula de veneno que se comunicam com dentes ocos, ferrões ou agulhões, por onde o veneno passa ativamente. Ex: serpentes, aranhas, escorpiões. OFÍDIOS (SERPENTES) Lave o local da picada com água e sabão; NÃO faça cortes, perfurações, torniquetes, nem coloque outros produtos sobre a lesão; Mantenha o acidentado calmo e imóvel; Ofereça água ou chá à vítima; Transporte à vítima levando, se possível, o animal agressor, mesmo morto, para facilitar o diagnóstico e a escolha do soro mais adequado. ARANHA – aranha marrom (Loxosceles) pequena (4cm), pouco agressiva, hábitos noturnos. Encontrada em pilhas de tijolos, telhas, atrás de móveis, cortinas e eventualmente roupas. A picada ocorre em geral quando a aranha é comprimida contra o corpo, não produzindo dor imediata. Pode causar necrose no local e lesão em forma visceral, surge febre, cefaléia, náuseas, vômito, urina escura, anúria e insuficiência renal. O tratamento consiste em curativo local. Compressas frias e soroterapia específica. PHONEUTRIA NIGRIVENTER – são as chamadas armadeiras, devido ao fato de, quando ameaçadas, tomarem a postura de se "armar", levantando as patas dianteiras e eriçando os espinhos. É extremamente agressiva. Habitam sob troncos, normalmente folhagens densas, como bananeiras, montes de lenha ou materiais de construção empilhados e, eventualmente, aparecem dentro das residências, principalmente em roupas e dentro de calçados. LYCOSA ERYTHROGNATHA - As aranhas do gênero Lycosa, chamadas de aranhas de jardins, são comumente encontradas nas residências; também causam acidentes leves, sem necessidade de tratamento específico. Apresentam cor marrom acinzentado, apresentando um desenho em forma de seta no abdome. O animal adulto mede entre 2 a 3 cm de corpo e O único tratamento específico é a administração do soro, o que deve acontecer com a maior brevidade, via endovenosa, em dose única. 65 5 a 6 cm de envergadura de pernas. Habita campos e gramados e não é agressiva. No local da picada pode ocorrer leve descamação da pele 13. AFOGAMENTO INTRODUÇÃO AFOGAMENTO – consiste na morte devido a submersão em meio líquido, por sufocamento. QUASE AFOGAMENTO – quando a vítima sobrevive, mesmo que temporariamente, após o sufocamento por submersão em meio líquido. Após um período de pânico, a vítima tenta manter- se em apneia, enquanto luta para emergir. Durante essa fase é frequente a deglutição de água por mecanismo reflexo: posteriormente o líquido deglutido pode ser regurgitado e/ou aspirado. Com o surgimento da hipóxia e hipercapnia, ocorrem respirações involuntárias e a consequente aspiração de água. A passagem de líquido pela laringe causa nas fases iniciais, um intenso laringoespasmo, quem previne a aspiração de maiores quantidades de água. Na grande maioria dos casos (85% a 90%), o laringoespasmo cede com a perda da consciência permitindo a entrada de água nos pulmões (chamado de afogamento úmido). Algumas vítimas não aspiram líquido, devido ao laringoespasmo persistente (chamado de afogamento seco). ATENDIMENTO O atendimento à vítimas de afogamento deve proceder de acordo com o protocolo do ABCDE da vida. 66 14. REFERÊNCIAS COMITÊ DO PHTLS DA NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS. Atendimento Pré-hospitalar ao Traumatizado: Básico e Avançado. 6ª ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2007. CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ. Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência – SIATE. Manual De Atendimento Pré-Hospitalar. Curitiba: SIATE /CBPR, 2006. OLIVEIRA, B. F. M; et al. Trauma: Atendimento Pré-hospitalar. 2ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2007. QUILICI, A. P.; et al. Suporte Básico de Vida: primeiro atendimento na emergência para profissionais da saúde. São Paulo: Editora Manole, 2011. SANTOS, N. C. M. Urgência e Emergência para Enfermagem: do atendimento pré- hospitalar à sala de emergência. 4ª ed. São Paulo: Iátria, 2007