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VÍRUS E IMUNIDADE
GERAIS
-> Não pertencem a nenhum reino;
-> Parasitas intracelulares obrigatórios: Isso significa
que eles precisam de uma célula hospedeira para se
multiplicar. Sem uma célula, os vírus não conseguem
realizar suas funções vitais;
->Acelulares: Não possuem a estrutura celular típica de
outros organismos vivos, como bactérias ou células
humanas.
->Possuem proteínas específicas que determina qual
tipo de virus irá infectar (bacteriófago, macrófago).
->Tamanhos: Variam de 20 a 300 nanômetros, sendo
menores que bactérias.
->Formas: Podem ser helicoidais (como o vírus do
mosaico do tabaco), icosaédricos (como adenovírus),
ou complexos (como bacteriófagos).
-> Muito mutáveis por possuirem genomas menores e
mais simples, o que significa menos mecanismos de
reparo de erros durante a replicação. como a
exonuclease.
-> Conte ̂m um revestimento proteico (a ̀s vezes um
envelope de lipi ́deos, protei ́nas e carb) que envolve o
a ́c nuc.
ESTRUTURA
Vírion: partícula viral infecciosa composta por um ác.
nucléico envolto por revestimento proteico. É a forma
completa, funcional e infecciosa de um vírus quando
ele está fora de uma célula hospedeira, porém inativo
pois não realiza atividades metabólicas, como síntese
de proteínas ou produção de energia.
1. MATERIAL GENÉTICO:
-> Os vírus podem possuir DNA ou RNA, nunca os dois
juntos. Tanto o DNA quanto RNA podem ser de fita
simples ou dupla.
1. DNA (Ácido Desoxirribonucleico)
- Vírus de DNA de fita dupla (dsDNA):
Dupla-hélice. é replicado no núcleo da célula
hospedeira (no caso de muitos vírus eucarióticos) ou
no citoplasma (no caso de alguns vírus bacterianos). A
replicação viral é mediada pela DNA polimerase da
célula hospedeira. Ex: Herpes virus simples (HSV-1 e
HSV-2) , Papilomavírus humano (HPV)
- Vírus de DNA de fita simples (ssDNA):
Composto por uma única cadeia q é complementada
por uma cópia complementar de fita simples dentro
da célula hospedeira, formando uma estrutura de fita
dupla temporária durante a replicação viral, que
depois é utilizada para gerar mais partículas virais. Ex:
Parvovírus
2. RNA (Ácido Ribonucleico)
- Vírus de RNA de fita simples (ssRNA):
- Sentido positivo (+ssRNA): O RNA funciona
diretamente como mRNA e pode ser traduzido
imediatamente pelos ribossomos da célula
hospedeira. Exemplos incluem os coronavírus (como o
SARS-CoV-2) e o Dengue Virus.
- Sentido negativo (-ssRNA): O RNA viral é
complementar ao mRNA e precisa ser transcrito para
formar mRNA antes de ser traduzido. Exemplos incluem
o Influenza e o Ebolavirus.
- Vírus de RNA de fita dupla (dsRNA):
O genoma consiste em duas fitas de RNA. Este tipo de
vírus geralmente tem uma enzima chamada RNA
dependente de RNA polimerase para replicar seu
genoma. Exemplos incluem o Rotavirus.
- Retrovírus (Grupo VI - RNA com intermediário
de DNA):
utilizam a enzima transcriptase reversa para converter
seu RNA em DNA. HIV
obs: Segmentação: Em alguns vírus, o genoma é
segmentado, o que significa que o material genético
está dividido em vários fragmentos distintos. vírus
influenza, rotavírus possuem genoma de RNA
segmentado.
2. CAPSÍDEO
● Definição: Estrutura proteica que envolve e protege o
material genético viral.
● Composição: Composto por subunidades proteicas
chamadas capsômeros.
● Formas: As principais formas são icosaédrica (quase
esférica), helicoidal (em forma de bastão ou filamento)
e complexa (mistura de ambas, como nos
bacteriófagos).
3. ENVELOPE VIRAL (Opcional):
- Membrana de lipoproteína composta por lipídeos
derivados da membrana celular do hospedeiro e por
proteínas que são vírus-específicas.
- Muitas vezes há glicoproteínas na forma de projeções
similares a espículas na superfície, que se ligam a
receptores da célula hospedeira durante a entrada do
vírus na célula.
OBS: A capacidade de determinados vírus, como o influenza,
de agregar hemácias está associada à presença das
espículas. se ligam as hemácias, formando pontes entre eles.
A agregação resultante, chamada de hemaglutinação, é a
base de diversos testes laboratoriais úteis. O vírus influenza
frequentemente sofre alterações em suas espículas. É por
essa razão que se contrai gripe mais de uma vez. Apesar de
termos produzido anticorpos contra um subtipo de vírus da
gripe, se ele sofrer mutações pode nos infectar novamente.
- Proteína de matriz: medeia a interação entre
proteínas do capsídeo e o envelope. (p17) no HIV
conecta o nucleocapsídeo ao envelope e ajuda na
montagem e liberação do vírus.
- Envelope viral é adquirido enquanto o vírus sai da
célula por meio de um processo denominado
“brotamento” . O envelope da maioria dos vírus é
derivado da membrana externa celular, com a
exceção dos herpes-vírus, que obtêm seu envelope a
partir da membrana nuclear da célula.
- A presença de um envelope confere instabilidade ao
vírus. Vírus envelopados são mais sensíveis ao calor,
dessecamento, detergentes e solventes lipídicos, como álcool
e éter, do que os vírus com nucleocapsídeo não envelopado,
que são compostos apenas por ácido nucleico e proteínas do
capsídeo.
- as proteínas de superfície dos vírus, sejam proteínas
do capsídeo ou glicoproteínas do envelope, são os
principais antígenos contra os quais o hospedeiro
monta sua resposta imune contra o vírus. Elas também
são determinantes de especificidade de tipo
(frequentemente chamado de sorotipo)
TIPOS DE VÍRUS
1. CLASSIFICAÇÃO PELO MATERIAL GENÉTICO:
● Vírus de DNA:
-Exemplos: Adenovírus, Herpesvírus.
-Características: Podem ter DNA de fita dupla (dsDNA)
ou fita simples (ssDNA). O DNA pode ser linear ou
circular.
● Vírus de RNA:
-Exemplos: Coronavírus, Influenza, HIV.
-Características: Podem ter RNA de fita simples (ssRNA)
ou fita dupla (dsRNA). O RNA pode ser de sentido
positivo (+) (funciona diretamente como mRNA) ou
negativo (-) (precisa ser transcrito para mRNA).
2. CLASSIFICAÇÃO PELA PRESENÇA DE ENVELOPE:
● Vírus Envelopados:
-Características: Possuem uma membrana lipídica
derivada da célula hospedeira.
São geralmente mais sensíveis a desinfetantes.
-Exemplos: HIV, Influenza, Herpesvírus.
● Vírus Não Envelopados (Nus):
- Características: Não possuem envelope, apenas o
capsídeo proteico. São geralmente mais resistentes a
desinfetantes e condições ambientais adversas.
-Exemplos: Adenovírus, Norovírus, Parvovírus.
3. CLASSIFICAÇÃO PELA SIMETRIA DO CAPSÍDEO:
● Vírus Icosaédricos:
- Características: Capsídeo com 20 faces triangulares,
quase esférico.
- Exemplos: Adenovírus, Herpesvírus.
● Vírus Helicoidais:
- Características: Capsídeo em forma de bastão ou
filamento helicoidal, enrolado em torno do material
genético.
-Exemplos: Vírus da raiva, Vírus do mosaico do tabaco.
● Vírus com Simetria Complexa:
-Características: Estrutura mais complexa que
combina características icosaédricas e helicoidais.
Muitas vezes possuem cauda e outras estruturas.
-Exemplos: Bacteriófagos T4, Poxvírus.
4. CLASSIFICAÇÃO PELO CICLO REPLICATIVO (BALTIMORE
CLASSIFICATION):
● Grupo I: dsDNA (e.g., Herpesvírus).
● Grupo II: ssDNA (e.g., Parvovírus).
● Grupo III: dsRNA (e.g., Rotavírus).
● Grupo IV: ssRNA(+) (e.g., Coronavírus).
● Grupo V: ssRNA(-) (e.g., Influenza).
● Grupo VI: ssRNA-RT (retrovírus, e.g., HIV) - RNA de fita
simples que é transcrito reversamente em DNA.
● Grupo VII: dsDNA-RT (hepatite B., Hepadnavírus) -
DNA de fita dupla que usa uma etapa de RNA
intermediário.
REPRODUÇÃO
1. CICLO LÍTICO:
O ciclo lítico é caracterizado pela replicação ativa do
vírus e pela destruição da célula hospedeira no final do
processo.
1- Adsorção (Fixação):
- O vírus se liga a receptores específicos na
superfície da célula hospedeira.
- Essa ligação é mediada por proteínas do
capsídeo ou glicoproteínas do envelope
2- Penetração:
- O vírus injeta seu material genético na célula
hospedeira.
- Em vírus envelopados, o envelope se funde
com a membrana celular, permitindo a
entrada do capsídeo e/ou do genoma viral.
- Vírus não envelopados podem ser endocitados
ou liberar o genoma diretamente.
3- Eclipse (Replicação e Síntese de Componentes
Virais):
- O genomaviral assume o controle da
maquinaria celular, direcionando-a para
replicar o DNA ou RNA viral e produzir proteínas
virais.
- Componentes essenciais como capsômeros,
enzimas e glicoproteínas (nos envelopados)
são sintetizados.
4-Montagem (Maturação):
- As novas partículas virais são montadas a
partir dos componentes sintetizados.
- O material genético é encapsulado no
capsídeo, e, em vírus envelopados, o envelope
é adquirido durante o brotamento.
5- Liberação:
- As partículas virais recém-formadas são
liberadas da célula hospedeira:
- Em vírus não envelopados, ocorre a lise celular,
onde a célula é destruída.
- Em vírus envelopados, o vírus pode ser liberado
por brotamento, preservando parcialmente a
integridade da célula.
R= A célula hospedeira morre, e as partículas virais
liberadas podem infectar outras células.
⇾Ex: vírus influenza (gripe), o vírus do herpes simplex,
dengue. Adenovírus, que causam resfriados comuns.
vírus da varíola (Poxviridae)
2. CICLO LISOGÊNICO:
É integração silenciosa do material genético viral no
genoma da célula hospedeira, sem produzir novas
partículas virais imediatamente.
1- Adsorção e Penetração:
- Semelhante ao ciclo lítico, o vírus se liga à
célula e injeta seu material genético.
2- Integração:
- O DNA viral é integrado ao genoma da célula
hospedeira, formando o provírus (em vírus
eucariotos) ou o profago (em vírus
bacteriófagos).
- A integração é mediada por enzimas virais,
como integrases.
3- Replicação Silenciosa:
- O genoma viral integrado é replicado
passivamente junto com o DNA da célula
hospedeira durante a divisão celular.
- Nenhuma partícula viral é formada nesta fase.
4- Latência:
- O vírus permanece dormente na célula, sem
causar dano aparente.
- Pode ser reativado sob estímulos específicos,
como estresse, radiação UV ou alterações no
ambiente celular.
5- Indução:
- Quando ativado, o genoma viral sai do DNA da
célula hospedeira e entra no ciclo lítico,
replicando-se ativamente e levando à
produção de novas partículas virais.
R= Permite que o vírus permaneça "escondido" no
hospedeiro por longos períodos, evitando a detecção
pelo sistema imunológico.
⇾Ex: Herpesvírus, que permanece em latência e pode
ser reativado.
3. CICLO RETROVIRAL:
-Os retrovírus, como o HIV, têm um ciclo de vida único
que envolve a transcrição reversa do RNA viral em DNA
e sua integração no genoma da célula hospedeira.
-Após a entrada na célula hospedeira, o RNA viral é
transcrito em DNA pela enzima transcriptase reversa.
-O DNA viral é então integrado ao genoma da célula
hospedeira, onde pode permanecer latente ou ser
transcrita para produzir novos RNA virais.
-Os novos RNA virais são traduzidos em proteínas virais
e montados em novas partículas virais que são
liberadas da célula hospedeira.
CICLO DE VIDA
1. ADSORÇÃO (LIGAÇÃO AO HOSPEDEIRO):
-> Definição: A fase de adsorção envolve a interação
inicial entre o vírus e a célula hospedeira.
● Reconhecimento do Receptor:
- Os vírus possuem proteínas ou glicoproteínas
na superfície que reconhecem e se ligam a
receptores específicos na superfície da célula
hospedeira. A especificidade dessa interação
determina a gama de hospedeiros do vírus
(tropismo viral).
- Ex: O HIV se liga ao receptor CD4 e a
co-receptores CCR5 ou CXCR4 em células T.
- Ex2: O SARS-CoV-2 se liga ao receptor ACE2 nas
células do trato respiratório e outros tecidos.
2. PENETRAÇÃO (Entrada na Célula):
Definição: envolve a entrada do vírus ou de seu
material genético na célula hospedeira.
● Endocitose:
- Muitos vírus envelopados e não envelopados
entram na célula por endocitose mediada por
receptor.
- Ex: Adenovírus entram por endocitose.
● Fusão de Membrana:
- Vírus envelopados podem fundir seu envelope
com a membrana plasmática da célula
hospedeira, liberando o capsídeo e o genoma
no citoplasma.
- Ex: HIV e Influenza entram por fusão de
membrana.
3. DESNUDAMENTO (Uncoating):
Definição: A fase de desnudamento envolve a remoção
do capsídeo para liberar o material genético viral no
interior da célula hospedeira.
● Mecanismos:
O desnudamento pode ocorrer no citoplasma ou no
núcleo, dependendo do vírus, através de processos
que incluem a degradação do capsídeo por enzimas
celulares ou mudanças no pH endossômico que
causam a liberação do genoma.
4. REPLICAÇÃO DO GENOMA E TRANSCRIÇÃO:
Definição: A fase de replicação envolve a duplicação
do material genético viral e a transcrição do RNA
mensageiro (mRNA) para a síntese de proteínas virais.]
● Vírus de DNA:
- Localização: Geralmente no núcleo.
-Mecanismo: Utilizam a maquinaria de
replicação de DNA da célula hospedeira.
- Exemplo: Herpesvírus.
● Vírus de RNA:
-Localização: Geralmente no citoplasma.
-Mecanismo: RNA de fita positiva (ssRNA+)
pode ser traduzido diretamente.
RNA de fita negativa (ssRNA-) requer uma RNA
polimerase viral para sintetizar mRNA.
-Ex: Coronavírus (ssRNA+), Influenza (ssRNA-).
5. TRADUÇÃO E SÍNTESE DE PROTEÍNAS:
Definição: A fase de tradução envolve a síntese de
proteínas virais utilizando a maquinaria ribossômica da
célula hospedeira.
● Proteínas Estruturais: Formam parte do novo
capsídeo e envelope.
● Proteínas Não Estruturais: Enzimas e proteínas
necessárias para a replicação do genoma viral
e montagem do vírion.
6. MONTAGEM (ASSEMBLY):
Definição: A fase de montagem envolve a formação de
novos vírions a partir das proteínas virais e do material
genético recém-sintetizado.
● Localização: Pode ocorrer no núcleo,
citoplasma ou na membrana plasmática da
célula hospedeira.
● Ex: Adenovírus se montam no núcleo; vírus da
raiva se montam no citoplasma.
7. LIBERAÇÃO:
Definição: A fase de liberação envolve a saída dos
novos vírions da célula hospedeira, permitindo a
infecção de novas células.
● Lise Celular: Vírus não envelopados e alguns
vírus envelopados causam a ruptura da célula
hospedeira, liberando os vírions. Adenovírus.
● Brotamento: Vírus envelopados saem da
célula através do brotamento, adquirindo seu
envelope lipídico da membrana plasmática ou
de membranas internas. HIV, Influenza.
Período de eclipse: é o momento em que nenhuma
partícula viral é detectada dentro da célula infectada.
Ele ocorre logo após a célula ser infectada.
Efeito citopático (CPE):é o termo usado para descrever
o dano, tanto morfológico quanto funcional, infligido na
célula pelo vírus. Em um laboratório clínico, a presença
de um vírus em uma amostra de paciente é
geralmente detectada pela visualização do CPE em
cultura de célula.
PERÍODODE LATÊNCIA
- É o intervalo de tempo entre o contágio e o
momento em que o indivíduo se torna
infeccioso, ou seja, quando ele pode transmitir
o vírus para outras pessoas, mesmo antes de
mostrar sintomas.
- O vírus está presente no corpo, mas não está
causando sintomas imediatamente. Em alguns
casos, o vírus pode estar se replicando de
forma muito lenta ou se integrando ao DNA da
célula hospedeira, como acontece em vírus
latentes como os herpesvírus.
- O indivíduo não está transmitindo o vírus
ativamente, pois o vírus não está replicando ou
está fazendo isso de forma muito limitada.
PERÍODODE INCUBAÇÃO
- É o intervalo de tempo entre o contágio (a
infecção pelo patógeno) e o início dos
sintomas da doença.
- Durante esse período, o vírus está se
multiplicando no corpo, mas o indivíduo ainda
não apresenta sintomas. A replicação viral
ocorre em um local específico no corpo, e a
carga viral vai aumentando até que os
sintomas (como febre, dor, erupções, etc.)
comecem a aparecer.
- O vírus pode ser transmitido durante o período
de incubação, já que ele está se replicando e
criando carga viral que pode ser passada a
outras pessoas.
JANELA IMUNOLÓGICA:
-Período entre a exposição a um patógeno (como o
HIV, hepatite vírus) e o momento em que marcadores
específicos da infecção, como anticorpos ou
antígenos, se tornam detectáveis por testes
diagnósticos.
Testes de Ácido Nucleico (NAT):
Detectam o material genético do patógeno. Estes
testes podem identificar a infecção mais
precocemente, ainda dentro da janela imunológica, e
são particularmente úteis paradiagnósticos precoces.
RESPOSTA IMUNE COMOSVÍRUS
-A replicação viral interfere na síntese e na função proteica da
célula normal e leva a lesão e, por fim, morte da célula
infectada.
-As respostas imunológicas inatas e adaptativas aos vírus
têm como objetivos bloquear a infecção e eliminar as células
infectadas.
- A infecção é prevenida por interferons do tipo I como parte
da imunidade inata e por anticorpos neutralizantes que
contribuem para o desenvolvimento da imunidade
adaptativa. Uma vez que a infecção esteja estabelecida, as
células infectadas são eliminadas pelas células NK na
resposta imunológica inata, e os Células Citotóxicas, na
resposta adaptativa.
RESPOSTA IMUNE INATA
1. BARREIRAS FÍSICAS E QUÍMICAS:
O reconhecimento de DNA e RNA viral é por meio de
TLR (Toll-Like) endossômico.
● TLR3: Reconhece RNA de fita dupla (dsRNA)
encontrado em muitos vírus durante a
replicação.
● LR7 e TLR8: Reconhecem RNA de fita simples
(ssRNA), comum em vírus como o influenza e
SARS-CoV-2.
● TLR9: Reconhece DNA rico em sequências CpG
não metiladas, característica do DNA viral.
e também pela ativação de receptores do tipo RIG
(Rig-Like) citoplasmático pelo RNA viral,
● RIG-I e MDA5 são sensores citoplasmáticos
que detectam RNA viral. RIG-I: Reconhece RNA
com extremidades trifosfatadas e dsRNA
curtos. MDA5: Detecta RNA de fita dupla mais
longa.
2. Ativação de Vias de Sinalização
Após o reconhecimento dos ácidos nucleicos virais,
essas vias convergem para ativar fatores de
transcrição, como:
IRF3 e IRF7 (Interferon Regulatory Factors):
● Induzem a transcrição de genes de interferons
tipo I (IFN-α e IFN-β).
NF-κB:
● Estimula a produção de citocinas
pró-inflamatórias, como TNF-α e IL-6.
3. Produção de Interferons Tipo I (IFN-α e IFN-β)
- Induzem a expressão de genes estimulados
por interferons (ISGs) que inibem a replicação
viral.
- Ativam células imunes, como células NK e
macrófagos.
- Estimulam a apresentação de antígenos virais
por células dendríticas.
Células NK (Natural Killer):
- Reconhecem e eliminam células infectadas
que reduzem a expressão deMHC classe I.
- Produzem IFN-γ, que aumenta a atividade
antiviral de macrófagos e promove a resposta
adaptativa.
Macrófagos:
- Fagocitam partículas virais e células
infectadas.
- Produzem citocinas pró-inflamatórias, como:
- TNF-α: Induz apoptose em células infectadas.
Estimula macróf, neutrof.
- IL-6: estimula produção de neutrof, induz
maturação de linf B
Células Dendríticas:
- Detectam vírus e produzem grandes
quantidades de interferons tipo I.
- Apresentam antígenos virais às células T na
resposta adaptativa.
Imunidade Adaptativa
É mediada por anticorpos, que bloqueiam a ligação do
vírus e a entrada nas células do hospedeiro, e também
por CTL, que eliminam a infecção destruindo as células
infectadas
- O vírus ou seus antígenos são apresentados
por células apresentadoras de antígenos
(APCs), como células dendríticas, macrófagos
e linfócitos B, aos linfócitos T.
- As APCs utilizammoléculas doMHC
- MHC classe I: Apresenta antígenos virais
intracelulares a linfócitos T citotóxicos (CD8+).
- MHC classe II: Apresenta antígenos
processados extracelularmente a linfócitos T
auxiliares (CD4+).
2- Ativação e Expansão Clonal:
● Após o reconhecimento do antígeno, os
linfócitos T e B se ativam, proliferam e se
diferenciam em células efetoras e de memória.
Linfócitos T Auxiliares (CD4+)
Th1:
IL-12-> TH1; produzem IL-2 ( indutor de cél T e de
proliferação) e INF-Y (ativação de macróf).
INTRACELULAR; Estimulam a resposta mediada por CTLs.
Th2: IL-4
Produzem IL-4, IL-5, IL-13, promovendo a produção de
anticorpos IgE pelas células B. verminoses.
Th17: TGF-β e IL-6
Produzem IL-17 e IL-22, recrutando neutrófilos e
protegendo contra vírus emmucosas
IgM: Primeira classe produzida; neutraliza vírus na
corrente sanguínea.
IgA: Importante em barreiras mucosas (ex.: trato
respiratório e intestinal).
Papel do Anticorpo
Os anticorpos antivirais ligam-se ao envoltório viral ou
aos antígenos do capsídeo e desempenham funções
principalmente como anticorpos neutralizantes para
prevenir a ligação do vírus e a entrada nas células do
hospedeiro.
Portanto, os anticorpos previne tanto a infecção inicial
como a disseminação de célula para célula. Os
anticorpos secretados do isótipo IgA são importantes
para neutralizar vírus dentro dos tratos respiratório e
intestinal.
TESTE SOROLÓGICO
-detectar a presença de anticorpos ou antígenos
específicos no sangue, a fim de identificar se uma
pessoa foi exposta a um determinado patógeno
Resultado Positivo: Se o teste detectar anticorpos ou
antígenos específicos do patógeno, isso indica que o
paciente foi exposto ao agente infeccioso. No caso dos
anticorpos, isso pode indicar que o paciente teve a
infecção no passado e desenvolveu uma resposta
imune ( IgG).
Resultado Negativo: Um resultado negativo pode
indicar que a pessoa não foi exposta ao patógeno ou
que o exame foi realizado antes da pessoa desenvolver
anticorpos detectáveis (como no caso de infecção
recente, onde IgM ainda não apareceu).
Limitações do Teste Sorológico
Janela Imunológica: Existe um período após a
infecção em que os anticorpos ainda não estão
presentes no sangue, o que pode levar a falsos
negativos em testes sorológicos realizados muito
cedo. Esse período é chamado de janela imunológica,
e a detecção de anticorpos só ocorre após esse
tempo.
Evasão pelos Vírus
- Os vírus podem alterar seus antígenos e não ser mais
os alvos das respostas imunológicas
- Alguns vírus inibem a apresentação de antígenos
protéicos citosólicos associados ao MHC do tipo I
- Alguns vírus produzem moléculas que inibem a
resposta imunológica
- Algumas infecções virais crônicas estão associadas à
falha das respostas dos CLT
- Os vírus podem infectar e destruir ou inativar as
células imunocompetentes.
HELMINTOS
-Eucariontes
-Pluricelulares
-Heterótrofos por parasitismo
-> Platelmintos
->Nematelmintos ⤵
-Vermes de corpo cilíndrico, afilados nas extremidades
-Macho e fêmea diferenciáveis. O macho é menor e
tem a extremidade posterior em forma de gancho
NEMATELMINTOS (VERMES REDONDOS)
-Os nematelmintos possuem um corpo cilíndrico,
alongado e simétrico, que se assemelha a um fio ou
corda, daí o nome "vermes redondos".
-Eles têm um tubo digestivo completo, com uma
abertura oral na extremidade anterior e uma abertura
anal na extremidade posterior.
-A maioria dos nematoides é dioica, ou seja,
apresentam sexos separados (masculino e feminino),
com dimorfismo sexual frequentemente observável.
- Ex: Ascaris lumbricoides, Trichinella spiralis, e o
Ancylostoma duodenale
PLATELMINTOS (VERMES ACHATADOS)
- Os platelmintos têm corpos achatados
dorsoventralmente, o que lhes confere uma aparência
de fita ou lâmina.
- Eles podem ser divididos em cestoides (tênias) e
trematódeos (esquistossomos e outros parasitas de
órgãos).
- Nos cestóides, o tegumento é uma camada
sincicial sem cílios, adaptada para absorção
de nutrientes diretamente do hospedeiro, dado
que eles habitam o trato gastrointestinal. não
possuem um sistema digestivo; eles absorvem
nutrientes diretamente através de sua
superfície corporal.
- Nos trematódeos, o tegumento também é
sincicial e frequentemente armado com
espinhos ou ganchos para fixação ao
hospedeiro. possuem um sistema digestivo
incompleto, com uma única abertura que
serve tanto para ingestão quanto para
excreção.
- são hermafroditas, podem se reproduzir
sexualmente ou por autofecundação.
- Taenia solium (tênia do porco), Schistosoma
mansoni (causador da esquistossomose) e
Fasciola hepatica (o barbatimão)
CICLO DE VIDA HELMINTOS PULMONARES
1. ASCARIS LUMBRICOIDES (LOMBRIGA):
● Forma Infectante: Ovos fertilizados são a forma
infectante e são ingeridos a partir de alimentos ou
água contaminados com fezes humanas.
● Após a ingestão, os ovos eclodem no intestino
delgado, liberando larvas que penetram na parede
intestinal.
● As larvas então migram para a corrente sanguínea
ou sistema linfático, alcançando os pulmões.
● Nos pulmões, as larvas penetram nos alvéolos,
ascendempela árvore brônquica até a faringe e são
então deglutidas.
● Uma vez que retornam ao intestino delgado, as
larvas se desenvolvem em adultos e começam o ciclo
reprodutivo.
2. STRONGYLOIDES STERCORALIS: Causador da
estrongiloidíase
● Forma Infectante: As larvas filarioides infectantes
presentes no solo penetram ativamente a pele do
hospedeiro.
● Após a penetração, as larvas migram via circulação
sanguínea para os pulmões, onde rompem para os
alvéolos e ascendem até a faringe, sendo então
deglutidas.
● No intestino delgado, as larvas amadurecem em
adultos. As fêmeas adultas vivíparas depositam ovos
que se transformam em larvas rabditoides, que podem
ser excretadas com as fezes ou se transformar em
larvas filarioides infectantes dentro do hospedeiro,
perpetuando a infecção.
3. Ancilostomose – amarelão
Nematódeo: Ancylostoma duodenale ou Necator
americanos.
- Ancylostoma duodenale tem uma cápsula bucal
formada por dois pares de dentes que se acoplam e
sugam o sangue do hospedeiro, enquanto o Necator
americanus possui lâminas p se fixar.
- Forma contaminante: penetração ativa de larvas
filarioides intestinais na pele ou mucosas, sobretudo
em regiões de pés, pernas, glúteos e mãos, ou pela
ingestão de larvas junto com alimentos contaminados.
1. OVO:
o Ovos depositados pelas fêmeas no intestino delgado.
o Liberados no meio ambiente pelas fezes do ser
humano.
2. DESENVOLVIMENTO NO MEIO AMBIENTE
o Ovos se transformam em larvas rabditoides em
cerca de 7 dias.
o Larvas rabditoides se transformam em larvas
filarioides.
3. INFECÇÃO DO HOSPEDEIRO
o Larva filarioide penetra na pele do ser humano. Migra
para os vasos sanguíneos e linfáticos. Ascende até os
pulmões e faringe. É deglutida (ciclo de Loss).
4. VIDA PARASITÁRIA
o Localização final: intestino delgado (duodeno).
o Larva se transforma em verme adulto.
o Verme adulto produz novos ovos, reiniciando o ciclo
OBSERVAÇÕES
o Ciclo de vida direto: não há hospedeiro intermediário.
o Duas fases: vida livre (meio ambiente) e vida
parasitária (hospedeiro)
OBS: Alguns parasitas precisam da maturação da larva
no pulmão, em ciclo pulmonar, conhecido como ciclo
de Loss. Quando a maturação envolve sintomas
clínicos, estes costumam ser tosse seca, febre e perda
de peso, chamados de síndrome de Loeffler. Podem
aparecer, ainda, broncoespasmo, hemoptise e sinais
de pneumonite, relacionados ao ciclo larvário
pulmonar.
RESPOSTACONTRAHELMINTOS
1. BARREIRAS FÍSICAS E QUÍMICAS:
● Pele e mucosas atuam como barreiras físicas para
prevenir a entrada dos helmintos.
● Suco gástrico e enzimas digestivas ajudam a destruir
os helmintos ingeridos antes que eles possam
estabelecer infecção.
1- reconhecimento de PAMPS
Quitina: Muitos helmintos, como os nematoides,
possuem quitina em seus tegumentos ou. A quitina é
um componente que pode ser reconhecido pelos
receptores de lectinas tipo C (CLR).
Proteínas do tegumento: As proteínas que compõem a
camada externa do parasita também são
reconhecidas por TLRs e receptores de lectinas.
2. Ativação inicial e secreção de citocinas:
- Ativação de quinases: As proteínas quinases são
ativadas, iniciando cascatas de sinalização que
resultam na ativação de fatores de transcrição
específicos.
NF-κB: regula a produção de citocinas
pró-inflamatórias como IL-1β, TNF-α, IL-6 e IL-12.
3. Liberação de citocinas e quimiocinas:
- IL-1β e TNF-α: Induzem inflamação no local da
infecção e ajudam a recrutar outras células imunes,
como neutrófilos e macrófagos, para combater os
helmintos.
-IL-6: Contribui para a resposta inflamatória e também
ativa a produção de proteínas de fase aguda no
fígado, como proteínas C-reativas.
Eotaxinas: Recrutam eosinófilos, que são células
essenciais para a resposta imune contra helmintos.
4. Recrutamento de células imunes para o local da
infecção:
-Eosinófilos: Recrutados principalmente por IL-5 e
eotaxinas, esses granulócitos desempenham um
papel importante na eliminação de helmintos através
da liberação de substâncias tóxicas, como proteínas
catiônicas (MBP) (ECP) e peroxidase eosinofílica.
-Mastócitos: Eles também são ativados por IgE (em
resposta ao antígeno do helminto) e liberam histamina
e proteínas citotóxicas que atacam diretamente os
helmintos.
5. Resposta imunológica adaptativa
células dendríticas migram para os linfonodos onde
apresentam os antígenos dos helmintos para as
células T.
Diferenciação de células T: As células dendríticas
apresentam os antígenos para linfócitos T CD4+, que
se diferenciam em células Th2 (associadas a
respostas contra helmintos) pela IL-4 e 13, que produz
IL-4, 5, 6, 10, 13. favorecendo produção de IgE, que se
liga a eosinófilos e mastócitos para eliminar.
além de estimular a contração muscular no trato
gastrointestinal, o que leva ao aumento do
peristaltismo.
TCD4- se diferencia em TH2- liberando as citocinas
IL-4, IL-5.
IL-4: induz a troca de classe de imunoglobulinas nos
linfócitos B para IgE.
IL-5: Produz e ativa os Eosinófilos.
IgE identifica o Helminto- Porção FC se liga ao
Eosinófilo; libera GRÂNULOS (liberam substâncias
tóxicas: aumentam muco e peristaltismo)- agem no
helminto na tentativa de matar o helminto.
CITOTOXICIDADE CELULAR DEPENDENTE DE ANTICORPOS
↪ intestino liberam os helmintos somente com o
MOVIMENTO. ex: diarréia
A IL-13, uma das principais citocinas produzidas pelas
células Th2, tem um papel chave na indução do
peristaltismo intestinal. Ela ativa células do sistema
nervoso entérico no intestino, que são responsáveis
pelo controle do movimento do trato gastrointestinal,
resultando em aumento da motilidade intestinal, o
que facilita a expulsão dos parasitas.
O recrutamento de mastócitos e eosinófilos pelo perfil
Th2 também contribui para o aumento do
peristaltismo. Esses células liberam mediadores
inflamatórios, como histamina e leucotrienos, que
podem atuar sobre o sistema nervoso entérico para
aumentar amotilidade intestinal
Citocinas anti-inflamatórias como IL-10(th2) e TGF-β
(fatores de transformação de crescimento beta) são
produzidas para regular a inflamação e evitar uma
resposta excessiva.
EVASÃODOSHELMINTOS
- Tegumento Espesso (dificultando a fagocitose)
- Alojam no lúmen intestinal (Locais inacessíveis)
- Estimula a variação antigênica- muda o antígeno
(R.I.H= IgE é específica)
- Inibem / Bloqueia as respostas de substâncias
tóxicas (grânulos)
- Na mucosa do intestino- as células do hospedeiro
podem multiplicar e causar uma cobertura com as
células do hospedeiro- cobrindo o parasito com
células próprias. Cestódeos e trematódeos adsorvem
moléculas do hospedeiro, ex. Moléculas eritrocitárias.
- Inibe a inflamação- formação de granuloma.
- Ocorre a ativação do complemento pela via
lectina ou alternativa
- Macrófagos secretam IL-10
-Raramente ocorre fagocitose
RESPOSTA ESPECÍFICA AOS HELMINTOS
- As APC ́s apresentam os antígenos para os linfócitos
TCD4 que irão secretar IL-4 para fazer a diferenciação
de TH0 e TH2
- A TH2 produz IL-4, IL-5 e IL-13 que irão ativar basófilos,
mastócitos e eosinófilos
- IL-5 aumenta o número de eosinófilos por
recrutamento
-IL-4 produz IGE que se liga aos helmintos
- IL-13 produz mucosas que diminui a área de adesão
dos helmintos
- O IGE produzido reveste os helmintos, e servirão de
ligação para os eosinófilos circundantes, que irão
liberar substancias granulosas para degradar o
helminto

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