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1 Júlia Morbeck – @med.morbeck Convulsão e epilepsia • Uma crise epiléptica é resultado da disfunção fisiológica transitória do cérebro. • Quando o distúrbio paroxístico envolve o sistema motor, as crises epilépticas são denominadas convulsões, que podem ser parciais (focais) ou generalizadas • Epilepsia é um distúrbio crônico – ou um grupo de distúrbios crônicos – no qual a manifestação indispensável é a recidiva das crises epilépticas que, nos casos típicos, são espontâneas e geralmente imprevisíveis. • Estado de mal epiléptico: crises prolongadas ou repetidas em intervalos mais curtos. • Convulsão febril, a febre é considerada a causa da convulsão. Só acontece em crianças menores de 5 anos. • Crise em vigência de febre.: qualquer criança ou adulto que possua epilepsia em seus diversos tipos pode ter crise no momento da febre. CLASSIFICAÇÃO DOS DISTÚRBIOS EPILÉPTICOS Crise de início focal: perceptiva (percepção preservada) ou disperceptiva (comprometimento da percepção). Crise de início generalizado: tônico-clônicas (perda súbita da consciência, contração tônica, perda da urina, sialorreia) e ausências típicas (olhar vago, não responde a estímulos, pode ocorrer fenômenos motores breves). Espasmos epilépticos: consistem em uma contração repentina, normalmente bilateral e simétrica, dos músculos do pescoço, tronco e membros. Têm seu pico de início entre os 6 e 8 meses de idade e são a manifestação mais importante da síndrome de West (encefalopatia epiléptica caracterizada pela tríade clínica de espasmos infantis (EI) - contrações musculares em flexão, extensão ou mista, retardo no desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e eletroencefalograma (EEG) com padrão de hipsarritmia). ANAMNESE • Idade do paciente; • Detalhes de todos os eventos observados, com especial atenção à sequência de manifestações, desde seu início (consciência, liberação esfincteriana). • As circunstâncias em que ocorreu. • Duração do evento: considera-se a duração das manifestações da crise epiléptica. • Distribuição circadiana: momento do dia (ao despertar, em vigília, durante o sono). • Fatores desencadeantes e facilitadores: hiperventilação, luzes piscando, uso de álcool e/ou drogas, abstinência de sono, estresse psicológico e físico, leitura. • Sintomas e condições concomitantes (como febre, infecções sistêmicas ou do SNC, traumatismos, desidratação, hipertensão arterial). • História médica pessoal, incluindo antecedente de AVE, traumatismo craniano, doença de Alzheimer etc. • História familiar de epilepsia. TRATAMENTO: Eliminar as causas que levaram a crise, sempre que possível. Tirar roupas que estão atrapalhando, colocar o paciente em decúbito lateral para facilitar a expulsão da salivação excessiva, com alguma estrutura macia sob seu corpo e sua cabeça. Diazepam IV caso a crise não cesse em 5 minutos. Os SSVV são aferidos no período pós-ictal. Fenobarbital ou fenitoína podem ser utilizados no estado de mal epiléptico que não cessa após a droga de escolha. Agitação Psicomotora ABORDAGEM VERBAL: a equipe deve se aproximar de maneira calma e silenciosa; apenas uma pessoa deve falar; ter atitude respeitosa; estimular o paciente a falar de seus sentimentos. ABORDAGEM MEDICAMENTOSA: primeiro utilizar a medida menos invasiva (medicações por via oral [VO]). Somente com sua falha, medidas mais invasivas (medicações por via intramuscular [IM] e contenção física) poderão ser utilizadas. O uso de medicações por via endovenosa não é recomendável. Haloperidol 5mg/ml + prometazina 25mg/ml → surto psicótico. • Síndrome de abstinência: benzodiazepínico (Diazepam). CONTENÇÃO FÍSICA: Uma vez tomada a decisão de utilizá-la, deve ser acompanhada da abordagem medicamentosa, e o paciente liberado assim que estiver tranquilo. Também requer monitoramento rigoroso, a cada 15 minutos na primeira hora (principalmente com medida de sinais vitais) e a cada 30 minutos nas 4 horas subsequentes. HAM V – OSCE II 2 Júlia Morbeck – @med.morbeck Manejo do comportamento suicida O comportamento suicida é uma emergência médica e uma das mais frequentes no sistema de saúde. ANAMNESE: deve perguntar se a pessoa já quis tirar a sua própria vida no decorrer da entrevista. Anteriormente, pode perguntar sobre a relação familiar, atividades que o paciente faz, sobre a escola, relacionamentos. Meningite • A maioria das meningites são virais (enterovírus); • Notificação compulsória. Neisseria meningitidis (Meningococo): Bactéria gram-negativa em forma de coco. Principal agente bacteriano. Erupção cutânea petequial ou hemorrágica constitui manifestação da meningococcemia. Streptococcus pneumoniae (pneumococo): Bactéria Gram- positiva. Extremos de idade. Mycobacterium tuberculosis: tempo prolongado dos sintomas. Haemophilus influenzae: bactéria gram-negativa. Nos adultos, a meningite causada por H. influenzae é mais comumente secundária a sinusite aguda, otite média ou fratura do crânio. Meningite fúngica: Criptococcus neoformans: indivíduo imunocomprometido. Listeria monocytogenes: coco bacilo gram-positivo, é mais frequente em extremos de idade. 3 Júlia Morbeck – @med.morbeck MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS • A tríade clássica da meningite bacteriana (febre, rigidez de nuca e alteração do sensório) pode não estar presente na sua totalidade. • Cefaleia é a principal queixa, intensa e holocraniana ou retro-orbitária, podendo ser acompanhada de náuseas e vômitos. • Febre é um achado quase universal. Crianças de até 9 meses poderão não apresentar os sinais clássicos de irritação meníngea. Nesse grupo, outros sinais e sintomas permitem a suspeita diagnóstica, tais como: febre, irritabilidade ou agitação, choro persistente, grito meníngeo (criança grita ao ser manipulada, principalmente, quando se flete as pernas para trocar a fralda) e recusa alimentar, acompanhada ou não de vômitos, convulsões e abaulamento da fontanela. • No sinal de Kernig, o paciente estará em decúbito dorsal com a coxa fletida em 90º e, ao tentarmos estender a perna do membro fletido, ele oferecerá resistência e terá dor. • O sinal de Brudzinski é classicamente descrito como positivo quando o examinador faz a flexão do pescoço de um paciente em decúbito dorsal e nota que ocorre flexão dos joelhos e quadris, mas também pode ocorrer flexão contralateral do joelho quando o examinador promove a flexão do joelho contralateral. DIGNÓSTICO LABORATORIAL O aspecto do líquor, embora não considerado um exame, funciona como um indicativo. O líquor normal é límpido e incolor, como “água de rocha”. Nos processos infecciosos, ocorre o aumento de elementos figurados (células), causando turvação, cuja intensidade varia de acordo com a quantidade e o tipo desses elementos. IMPORTANTE: Somente alguns pacientes devem realizar TC de crânio antes da Punção Lombar (PL) para avaliar se há hipertensão intracraniana, pois nessa condição se uma PL for realizada há risco de herniação. A indicação de TC antes da PL é para: maiores de 60 anos, imunossuprimidos e presença de sinais neurológicos focais. PUNÇÃO LOMBAR • Para a realização da punção lombar deve-se avaliar exame de imagem (sem sinal de HIC – sinais de HIC → desvio da linha média; apagamento de sulcos e giros; ventriculomegalia); coagulograma normal, plaquetas acima de 50.000. • ARTRODESE: mais difícil fazer a punção. • O local da punção não pode ter sinal de inflamação. • Não é indicado fazer em local da tatuagem, pois pode infiltrar substância no canal medular MATERIAIS NECESSÁRIOS • Agulha para punção espinhal com estilete 20 ou 22 gauge; • Agulha 25 x 0,7 mm (22 gauge) ou 25 x 0,8 mm (21 gauge) e seringa para anestesia; • Lidocaína 1 ou 2% sem vasoconstritor;• Frascos estéreis para coleta do líquor; • Conector three-way e manômetro para realização de medida da pressão de abertura; • Solução para degermação (clorexidina ou solução iodada); • Solução para antissepsia (alcoólica); • Luvas estéreis, campos estéreis e equipamentos de proteção individual (máscara e óculos); • Material para curativo. 4 Júlia Morbeck – @med.morbeck COMPLICAÇÕES DA PUNÇÃO LOMBAR: cefaleia pós-punção; dor; sangramento; infecção no local e fístula pós-punção. PUNÇÃO COM SANGUE: coleta-se 3 frascos – caso as cores sejam as mesmas indica-se hemorragia subaracnoide, porém se for um acidente de punção o líquor vai ficando mais claro. QUIMIOPROFILAXIA: Indicada para os contatos íntimos de casos de doença meningocócica ou meningite por H. influnzae. Síndromes cerebelares SÍNDROME DO ARQUICEREBELO OU VESTIBULOCEREBELO • Ocorre por lesão flóculo-nodular; • É mais frequente em crianças com menos de 10 anos devido a tumores do teto do IV ventrículo que comprimem o nódulo e o pedúnculo do flóculo. • Etiologia: meduloblastoma, acidente vascular cerebral. • Apresentação clínica: perda de equilíbrio e não há alteração do tônus muscular; coordenação dos movimentos praticamente é normal; distúrbios oculomotores - nistagmo, desequilíbrio (astasia, abasia e ataxia troncular), limitação da capacidade de supressão do reflexo vestíbulo-ocular. O nistagmo na criança pode estar relacionado a ocorrência de kernicterus. SÍNDROME DO PALEOCEREBELO OU ESPINOCEREBELO OU VÉRMIS • Ocorre por lesão do vermis e no lobo anterior do cerebelo. • Degeneração cerebelar alcoólica. • Lesões do lobo anterior e parte superior do vermis na linha média de suas proximidades: ataxia de postura (astasia) e de marcha (abasia). • Lesões da parte inferior do vermis: ataxia de postura mais grave que ataxia de marcha. ↠ Lesões no espinocerebelo são caracterizadas pela ataxia nos membros, pelo nistagmo cerebelar e pela fala arrastada (disartria). Adicionalmente, há a dismetria devido a redução na cronologia do movimento. Por conseguinte, ocorre o “passar do ponto”, resultando em movimentos que vão além do desejado pelo paciente, o que corresponde à falha do sistema de amortecimento cerebelar. SÍNDROME DO NEOCEREBELO: HEMISFÉRIOS CEREBELARES • Neocerebelo: controlam os movimentos rápidos e finamente coordenados dos membros, predominantemente dos membros superiores e mãos. • Incoordenação motora (ataxia): dismetria, disdiadococinesia (incapacidade de realização de movimentos rápidos e alternados), rechaço, tremor, nistagmo (mais comum é o horizontal). ↠ Quanto à falha na função temporizadora, o paciente apresenta a incapacidade de coordenar quando deverá iniciar e interromper um movimento complexo. Como resultado, ações como escrever, correr e conversar ficam prejudicadas. Em suma, a síndrome do cerebrocerebelo manifesta-se por meio do atraso no início dos movimentos, por uma decomposição de movimentos multiarticulares em diversas etapas 5 Júlia Morbeck – @med.morbeck desorganizadas, pelo tremor, pela disartria (vocalização confusa) e pela dismetria. Síndrome de Guillain-Barré • Polineuropatia simétrica de característica ascendente. • Aguda (em até 4 semanas) e autolimitada (o quadro clínico dura até 8 semanas após a fase aguda). • Doença pós-infecciosa e imunomediada (reação cruzada com glicoproteínas da mielina). • A infecção pelo Campylobacter jejuni é um dos fatores de risco. • Maioria dos pacientes relata uma infecção do TGI semanas antes do aparecimento da síndrome. • Diagnóstico é primariamente CLÍNICO (fraqueza bilateral simétrica ou parcialmente simétrica, ascendente de caráter progressivo). • Análise do líquor: proteinorraquia elevada e celularidade baixa ou normal. • Diagnóstico eletroneuromiográfico (ENMG): a análise das neuroconduções nervosas e a eletromiografia por agulha são as ferramentas da ENMG utilizadas para confirmar o diagnóstico de SGB e fornece algumas informações sobre o prognóstico. VARIANTES DA SGB • Neuropatia motora axonal aguda (AMAN): correspondem à minoria dos pacientes (puramente motora). • Neuropatia sensitivo-motora axonal aguda (AMSAN) é similar à AMAN, exceto pelo envolvimento sensitivo e por mostrar, em algumas séries, uma incidência maior em idade mais avançada. • Síndrome de Miller-Fisher: é uma variante de SGB, caracterizada pela tríade ataxia, arreflexia a oftalmoplegia. Paresia de outros nervos cranianos, especialmente do sétimo, pode ocorrer. TRATAMENTO: plasmaférese e imunoglobulina humana endovenosa). • Glicocorticoides são contraindicados. Oftalmoscopia Exame em que se visualizam as estruturas do fundo de olho, dando atenção ao nervo óptico, aos vasos retinianos e a retina propriamente dita, especialmente sua região central denominada mácula. Examinar o olho do paciente com o olho equivalente do examinador, isto é, o esquerdo examina o esquerdo e o direito examina o direito. 6 Júlia Morbeck – @med.morbeck DESCRIÇÃO DE UM EXAME NORMAL: Papila rósea com escavação fisiológica do nervo óptico, vasos e máculas sem alterações. • Sempre começar pelo olho D. • Regular o diâmetro do feixe de luz que mais se adapte a pupila do paciente. RETINOPATIA DIABÉTICA Disfunção progressiva da retina em decorrência da hiperglicemia crônica característica do DM. ACHADOS CLÍNICOS Os microaneurismas constituem os primeiros sinais clínicos da retinopatia diabética visível à oftalmoscopia. A ruptura dos microaneurismas é responsável pelas hemorragias intrarretinianas. Exsudatos duros: Estravassamento de lipoproteínas na camada plexiforme externa. Manchas algodonosas: Infartos na camada de fibra nervosa. Beading venoso ou ensalsichamento venoso ou veias de rosário: fica mais calibrosos. As anormalidades microvasculares intrarretinianas (IRMAs) são dilatações capilares que funcionam como shunts. Neovasos de disco ou de retina: ultrapassam a MLI. 7 Júlia Morbeck – @med.morbeck A hemorragia vítrea é uma das possíveis complicações da neovascularização, pois os vasos que se formam na interface entre retina e vítreo podem sangrar. A fibrose, que ocorre em direção ao vítreo em conjunto com a neovascularização, se contrai, podendo levar ao descolamento de retina, outra urgência médica. Edema macular: É a mais comum causa de perda visual entre os pacientes portadores de RD. Ocorre quando há acúmulo de líquidos na área macular ou em suas adjacências. Pode ser focal (mais grave, pois irá estar na fóvea) ou difuso. TRATAMENTO • Controle glicêmico (HBA1C menor que 6-7%). • A glicemia em jejum deve estar menor que 140mg/dL para efetuar o exame de óculos. • Fotocoagulação a laser - não proliferativa muito grave (não realizar em mácula) - laser de argônio, bloqueia a área isquêmica, impedindo a podução de VEGF). • Terapia anti fatores de crescimento (anti-VEGFs) - padrão ouro para o edema de mácula. • Tratamento cirúrgico - vitrectomia posterior --> hemorragia vítrea que não melhora espontaneamente, descolamento de retina. SCREENING - TRIAGEM • DM1: 5 anos após diagnóstico da DM (anual). • DM2: no diagnóstico (anual). • Gestante que possui dabetes: primeiro trimestre. AO COLEGA OFTALMOLOGISTA: Paciente com queixa de turvação visual, DM tipo 2 diagnosticado há 10 anos com tratamento irregular, apresenta hemoglobina glicada 9,8% a três semanas. Solicito Avaliação de Fundo de Olho. ANUALMENTE. Otoscopia Ela consiste na inserção de um instrumento (otoscópio) no meato acústico para visualização de estruturas internas. A técnicagarante a inspeção do meato acústico e tímpano. 8 Júlia Morbeck – @med.morbeck É fundamental que o espéculo escolhido seja corretamente esterilizado antes do procedimento. • Escolha um espéculo auricular de tamanho adequado ao meato acústico do paciente; • Insira o espéculo delicadamente no meato acústico, segurando o cabo com uma das mãos, enquanto traciona o pavilhão auditivo para cima e para trás, com a outra mão para retificar o trajeto; • A cabeça do paciente deve estar inclinada levemente na direção oposta ao examinador; • Observe a coloração da pele do meato, a presença de pelos e cerúmen, além de quaisquer outras alterações: secreção, hiperemia e corpos estranhos; • Por fim, observe a membrana timpânica: coloração, posicionamento e alterações (perfuração, hiperemia, opacidade, etc. Nas imagens: ❖ Otite média aguda ❖ Otite média serosa/efusão ❖ Perfuração timpânica ❖ Perfuração timpânica ampla ❖ Otite fúngica ❖ Infecção fúngica por Candida ❖ Otite externa localizada - foliculite ❖ Tímpano esclerose - cicatrização com deposição de cálcio ❖ Otite externa Vertigens ANAMNESE • É o primeiro episódio; mudança de padrão da tontura; descartar causas potencialmente graves (AVC). • O que é tontura para o paciente. Rotatório x Não rotatório. • Fator precipitante. História de trauma. • Sinais e sintomas associados. AVC de artéria cerebelar pode ter tontura com sintomas auditivos. OTORRÉIA: secreção purulenta do ouvido. • História patológica pregressa, hábitos, medicações. EXAME FÍSICO ESPECÍFICO Teste de Romberg: paciente em pé, descalço, com os pés juntos e com os braços pendentes ao lado do corpo. Observam-se a postura e a presença de oscilações do corpo. A seguir, pede-se ao paciente que feche os olhos. É positivo se o paciente apresentar queda ou tendência à queda. • Lesão no labirinto cai para o lado da lesão. Teste de Fukuda: O paciente marcha, elevando os joelhos aproximadamente 45° sem deslocar-se, executando 60 passos (um por segundo) com os braços estendidos e os olhos fechados. São considerados resultados patológicos se houver deslocamento maior do que 1m e/ou rotação superior a 30°. Teste de unterberger: É uma variante do teste e Fukuda. O paciente executa 90 passos, sem deslocar-se. São consideradas apenas variações na rotação. Prova dedo-nariz: com o membro superior estendido lateralmente, o paciente é solicitado a tocar a ponta do nariz com o indicador. Repete- 9 Júlia Morbeck – @med.morbeck se a prova algumas vezes: primeiro, com os olhos abertos e, depois, fechados. O paciente deve estar de preferência de pé ou sentado. Prova calcanhar-joelho: na posição de decúbito dorsal, o paciente é solicitado a tocar o joelho oposto com o calcanhar do membro a ser examinado. A prova deve ser realizada várias vezes, de início com os olhos abertos; depois, fechados. Nos casos de discutível alteração, “sensibiliza-se” a prova mediante o deslizamento do calcanhar pela crista tibial, após tocar o joelho. Diz-se que há dismetria (distúrbio na medida do movimento) quando o paciente não consegue alcançar com precisão o alvo. Prova dos movimentos alternados: determina-se ao paciente que realize movimentos rápidos e alternados, tais como: abrir e fechar a mão, movimento de supinação e pronação, extensão e flexão dos pés. Manobra de Dix hallpike: Posicionar a pessoa sentada, de forma que, ao deitá-la, sua cabeça fique pendente; lateralizar a cabeça do paciente a 45º para a direita e estendendo-a a 20° para trás; Peça para que o paciente se deite na maca (sustente sua cabeça). A manobra será positiva caso os sintomas referidos pelo paciente sejam desencadeados durante o exame, nesse caso, você terá encontrado o lado acometido. Teste Skew deviation é realizado com o paciente e o examinador com o olhar no mesmo plano. O paciente deve olhar fixamente ao examinador e este deve cobrir um dos olhos do paciente, alternando o olho a ser coberto e observando movimentações oculares verticais de acomodação, que indicam um teste positivo. Prova de Weber: coloca-se o diapasão vibrando no vértice do crânio ou na fronte. A resposta normal dessa prova é percepção do som no centro da cabeça ou bilateralmente nos ouvidos. Prova de Rinne: coloca-se o diapasão de encontro à mastoide, onde o som é percebido normalmente por cerca de 20 segundos. Quando o som deixa de ser percebido, o diapasão é colocado próximo ao conduto auditivo externo e o paciente deverá ouvi-lo ainda por 30 a 40 segundos. Este é o Rinne positivo normal, ou seja, condução aérea > que condução óssea. Hipoglicemia Definida como qualquer glicemia menor que 70mg/dL. Enquanto valores menores que 54mg/dL caracterizam uma condição grave e clinicamente importante. 10 Júlia Morbeck – @med.morbeck CLASSIFICAÇÃO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: IAM, intoxicação exógena, crise convulsiva. • Se em uso de insulina ou hipoglicemiante oral e se houve ajuste recente da dose. • Tempo de última refeição (padrão alimentar do paciente). • Uso de substâncias hipoglicemiantes (acidental, sub-reptício ou mesmo malicioso). • Condições clínicas frequentes: infecções (ITU ou ITR) e sepse. • Paciente pós cirurgia bariátrica --> perda ponderal rápida, síndrome diasbssortiva. CONSEQUÊNCIAS DA HIPOGLICEMIA: Maior risco de queda; Dano cerebral irreversível, morte. MEDIDAS PREVENTIVAS Ambulatorial: treinamento do paciente, familiares e ou cuidadores a reconhecerem os sinais e sintomas da hipoglicemia. ter à disposição fonte de carboidrato simples de rápida absorção. Hospitalar: glicemia capilar de horário; acompanhamento multidisciplinar e treinamento da equipe para reconhecer os pacientes com maior risco de HG; manter SG a todos os pacientes que já apresentaram hipoglicemia prévia ou os pacientes de maior risco de HG quando em jejum; suspender hipoglicemiantes orais antes da cirurgia. • Em casos de necessidade de glicose hipertônica endovenosa, a quantidade a ser administrada pode ser calculada usando a fórmula (100 – glicemia) x 0,4 = ml de glicose a 50% a ser utilizada na solução. • A administração de glucagon por via subcutânea ou intramuscular pode ser feita em pacientes inconscientes e sem acesso endovenoso. Síndrome de Cushing Ela pode ser ocasionada pelo uso de glicocorticoide exógeno ou pela produção endógena excessiva de esteroides suprarrenais, especialmente cortisol. A principal causa de SC ACTH dependente é o adenoma hipofisário produtor de ACTH, condição denominada doença de Cushing (ESTRATÉGIAMED). 11 Júlia Morbeck – @med.morbeck CONDIÇÕES CLÍNICAS ASSOCIADAS • HAS, DM, osteoporose vertebral, hipocalcemia, cálculo renal, incidentaloma adrenal (não foi o motivo pelo que fez o exame), suscetibilidade a infecções, SOP. • HAS é um achado comum e ocorre em cerca de 75% dos pacientes. DIAGNÓSTICO Feita a confirmação do hipercortisolismo, o passo seguinte é verificar se o excesso de cortisol é dependente do estímulo de ACTH (SC ACTH dependente) ou se a produção de cortisol ocorre de forma independente do estímulo de ACTH (SC ACTH independente). ACTH dependente: RM sem alteração, solicita-se cateterismo do seio petroso inferior. O tratamento de escolha para a doença de Cushing é a ressecção transesfenoidal do adenoma hipofisário. Entretanto, há casos em que o adenoma não é visualizado pelos métodos de imagem ou o paciente apresenta contraindicações cirúrgicas. Desse modo, o tratamento de segunda linha para pacientes é a radioterapia ou a radiocirurgia de hipófise ou medicações que inibam a esteroidogênese (como o cetoconazol).