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Revista UNINGÁ Review ISSN 2178-2571
A IMPORTÂNCIA DO TREINAMENTO FUNCIONAL NA INFÂNCIA 
THE IMPORTANCE OF FUNCTION TRAINING IN CHILDHOOD 
LARISSA BRITO SANTOS[footnoteRef:0] [0: Uningá / Ubiratã - PR] 
RESUMO
O treinamento funcional é uma modalidade de exercícios físicos que engloba toda a musculatura do corpo, capaz de favorecer as áreas motoras, cognitivas e afetivas. Dessa forma, torna-se um forte aliado ao combate à obesidade infantil, uma vez que pode ser trabalhado de forma personalizada, agradável e eficaz. À vista disso, essa pesquisa teve como objetivo geral, verificar as contribuições proporcionadas pelos exercícios funcionais na perda de peso das crianças, e seus objetivos específicos foram analisar as ideias de vários autores em relação a esse mesmo tema; apresentar a similaridade de seus conceitos positivos; e expor os diversos benefícios proporcionados por essa prática, em relação à saúde e emagrecimento. Em suma, pôde-se concluir que os maus hábitos alimentares e a tendência ao sedentarismo, muitas vezes são proveniente da própria família, e sendo assim, torna-se fundamental a disseminação de informações a respeito de uma melhor qualidade de vida. A obesidade sendo uma grave doença, traz inúmeros riscos à saúde das crianças, além de causar danos na parte psicológica das mesmas. Desse modo, o treinamento funcional, associado a outras medidas, ajuda a prevenir e combater esse mal que assola cada vez mais crianças, na atualidade. 
PALAVRAS-CHAVE: Exercício. Funcional. Crianças. Obesidade.
INTRODUÇÃO 
Esse trabalho aborda a temática da prática do exercício funcional na infância como uma estratégia de combate à obesidade infantil. A obesidade infantil é um problema de saúde pública que afeta crianças e adolescentes em escala global, e que tem se tornado cada vez mais prevalente. Conforme as pesquisas de Frelut e Navarro (2000, apud IUCATAN, 2020), a obesidade é uma síndrome caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, quando o peso excede em 20% o considerado ideal para a estatura do indivíduo.
A obesidade infantil tem se tornado cada vez mais comum na sociedade contemporânea, segundo as pesquisas realizadas por Kleiner et al. (2010). De acordo com Ribeiro (2014), o excesso de peso é prejudicial à saúde e cerca de 17,6 milhões de crianças no mundo encontram-se obesas, dentro da estatística mundial de obesidade infantil. Alguns dos fatores que explicam a causa da grande taxa de obesidade infantil são os maus hábitos de alimentação, como a ingestão de alimentos pouco saudáveis e muito calóricos, associados ao sedentarismo. Dumith e Rombaldi (2008, apud RIBEIRO, 2014) destacam que esse sedentarismo pode ser atribuído ao entretenimento proporcionado por jogos eletrônicos, celulares e aparelho de televisão.
Diante desse quadro, o exercício físico é apontado por Chaves (2022) e Boas (2023), como uma excelente ferramenta no combate à obesidade infantil. No rol de exercícios que podem ser praticados, está o treinamento funcional. A respeito disso, Lucatan (2020) destaca que o exercício funcional é uma modalidade que tem ganhado destaque nos últimos anos por ser uma forma eficiente de desenvolver habilidades motoras, cognitivas e afetivas dos praticantes.
O treinamento funcional é um método versátil que oferece diversas vantagens aos praticantes, independentemente da idade ou nível de condicionamento físico (NORMMAM, 2009, apud IUCATAN, 2020). O mesmo autor volta a afirmar que a prática regular do treinamento funcional pode melhorar a postura, desenvolver as capacidades motoras, auxiliar na prevenção de lesões e aprimorar o desempenho em outras modalidades esportivas. Além disso, Goldenberg e Twist (2002, apud IUCATAN, 2020) destacam que o treinamento funcional é altamente personalizável, permitindo que indivíduos com diferentes níveis de condicionamento físico possam se beneficiar dos exercícios propostos.
Por envolver movimentos que fazem parte do nosso cotidiano, como agachar, pular e levantar objetos, essa modalidade pode ser bastante atraente para as crianças, podendo ser adaptada para ser realizada em grupo, por meio de jogos e músicas, incentivando a socialização e melhoria da qualidade de vida. Além disso, o exercício funcional é capaz de despertar o interesse das crianças por outras modalidades de atividade física, contribuindo para que elas se sintam mais seguras e confiantes em relação aos movimentos. Devido a todos esses benefícios, o exercício funcional pode ser uma ferramenta importante no combate à obesidade infantil e promoção da saúde e bem-estar infantil (BOAS, 2023). 
Silva et al. (2021) afirmam que o treinamento funcional é altamente eficaz no combate ao sedentarismo e à obesidade infantil, pois proporciona uma atividade física dinâmica e motivadora que utiliza movimentos naturais do dia a dia e incentiva o gasto de calorias. 
Também, os autores Boas (2016) e Chaves (2022), destacam a relevância do exercício funcional como uma abordagem promissora no enfrentamento da obesidade infantil. Essas pesquisas têm consistentemente apontado que o exercício funcional, com sua ênfase em movimentos dinâmicos e integrados, desempenha um papel significativo na melhoria da composição corporal, no condicionamento físico e na saúde geral das crianças.
O presente estudo se justifica devido à relevância da temática da importância do exercício funcional no combate à obesidade infantil, que tem sido abordada por diferentes autores, incluindo Almeida (2018), Kleiner (2010), Silva (2021) e Iacutan (2020). Esses estudos destacam os efeitos positivos do exercício funcional na perda de peso, melhoria da composição corporal, redução de fatores de risco cardiometabólicos, aumento da capacidade física e promoção de um estilo de vida ativo em crianças obesas. Além disso, há um interesse pessoal do pesquisador na temática, visando contribuir para a busca por estratégias eficazes de prevenção e tratamento da obesidade infantil. A pesquisa busca fornecer evidências científicas sobre a relevância do exercício funcional, visando melhorar a compreensão e o combate à obesidade infantil.
Diante da contextualização realizada até aqui, esse trabalho tem como problemática: o que a literatura aponta a respeito dos benefícios do treinamento funcional no combate à obesidade infantil? Como objetivo busca identificar na literatura os benefícios da prática do treinamento funcional por crianças no combate á obesidade infantil.
METODOLOGIA 
Este artigo utilizar-se-á da metodologia do tipo revisão bibliográfica. A pesquisa bibliográfica consiste na análise crítica da literatura disponível sobre as teorias e conceitos que embasam o trabalho científico. Essa investigação é conhecida como levantamento bibliográfico ou revisão bibliográfica e pode ser realizada em diversas fontes, como livros, periódicos, artigos de jornais, páginas da internet, dentre outras (PIZZANI et al. 2021). 
Foram realizadas pesquisas em plataformas eletrônicas, como o Google Acadêmico e CAPES periódicos, para encontrar trabalhos relacionados ao tema. As palavras-chave utilizadas foram “exercício, funcional, crianças, obesidade” e Exercícios. A seleção dos trabalhos abrangeu o período de 2010 a 2023. Os critérios de inclusão incluíram a relevância para a temática, a publicação em língua portuguesa, a disponibilidade na íntegra e o acesso gratuito. Foram excluídos os trabalhos em outros idiomas e aqueles que não foram publicados dentro do período especificado. Como resultado, foram selecionados trabalhos de autores como Almeida, Silva e Iacutan.
O trabalho foi dividido em três partes principais. O primeiro tópico, chamado “Treinamento Funcional”, explora a história e os conceitos básicos desse tipo de treinamento, com base em obras de autores como Almeida e Iacutan. O segundo tópico, intitulado “Obesidade e Alimentação”, aborda a obesidade infantil e seus riscos, assim como o papel da alimentação nessa questão, utilizando referências de autores como Kleiner e Silva. Por fim, o terceiro tópico, denominado “Benefícios do ExercícioFísico no Combate à Obesidade Infantil”, busca responder à questão central do estudo, apresentando os efeitos benéficos do exercício físico no combate à obesidade infantil, apoiado em obras de autores como Guedes, Schmidt e Franklin.
TREINAMENTO FUNCIONAL
Existe uma narrativa histórica sobre a origem do treinamento funcional, afirmando que surgiu na Grécia há muitos anos antes de Cristo. No entanto, outras fontes argumentam que essa modalidade de exercício teve seu início nos Estados Unidos e na Europa há cerca de meio século. No Brasil, o treinamento funcional foi introduzido em 1998 pelo professor Luciano D'Elia, criador do treino conhecido como core 360º. Segundo o dicionário Michaelis, o treinamento funcional possui metas específicas, baseando-se nos movimentos cotidianos do corpo humano (FARIAS, 2015, apud ALMEIDA, 2018),
Conforme mencionado por Monteiro (2000, apud IUCATAN, 2020), o treinamento funcional consiste em uma série de exercícios recomendados para aprimorar a aptidão física ou alcançar objetivos específicos. Em sua totalidade, esses exercícios refletem movimentos que são comumente utilizados em nosso dia a dia. Segundo Monteiro e Carneiro (2010, apud IUCATAN, 2020), os métodos empregados nessa modalidade são baseados em movimentos essenciais para os indivíduos, tais como agachar, puxar, empurrar, girar, arremessar, entre outros. Esses movimentos requerem o envolvimento dinâmico de todo o corpo para serem executados corretamente. 
Os movimentos realizados no treino funcional são originados do core ou núcleo corporal, que recrutam as musculaturas do abdômen, da lombar e dos glúteos, trabalhando o equilíbrio e propriocepção. (GELATTI, 2009). Segundo Normman (2009), no treino funcional são envolvidos diversos métodos de treino, combinando vários movimentos, estimulando mais de um grupo muscular ao mesmo tempo (ALMEIDA, 2018, p. 22).
Nesse sentido, de acordo com Marzo et al. (2014, apud IUCATAN, 2020), o treinamento funcional é caracterizado pela realização de exercícios cuidadosamente selecionados, com o propósito de promover benefícios tanto terapêuticos quanto estéticos, visando ao aprimoramento físico e motor do indivíduo. É essencial que todas as ações sejam monitoradas para evitar esforço excessivo durante as atividades prescritas em uma sessão de treinamento. 
 Quando se trata do treinamento funcional para crianças, de acordo com Almeida (2018), o objetivo dessa modalidade é estimular o desenvolvimento das habilidades por meio do gasto de energia. Dessa forma, busca-se aprimorar o desempenho dos movimentos, tornando-os mais eficientes. Segundo Hilarino (2009 apud ALMEIDA, 2018), esse tipo de exercício se caracteriza por envolver movimentos que englobam todo o corpo de forma geral, ao contrário da musculação, por exemplo, que se concentra em regiões específicas.
Conforme mencionado por Gordia et al. (2015, apud ALMEIDA, 2018), o treinamento funcional voltado para crianças deve ser agradável e adequado ao seu crescimento e desenvolvimento individual. Essa abordagem pode incluir atividades como caminhadas, corridas, brincadeiras, saltos, polichinelos e exercícios voltados para o fortalecimento dos ossos e músculos, entre outras possibilidades.
OBESIDADE E ALIMENTAÇÃO
De acordo com Almeida (2018), a história nos revela uma época em que a obesidade era considerada um indicativo de uma alimentação adequada, saúde e prosperidade. Porém, conforme argumentado por Paes, Marins e Andreazzi (2015, apud ALMEIDA, 2018), a obesidade pode ser desenvolvida em qualquer fase da vida, sendo que a obesidade infantil é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no tecido adiposo durante a infância, o que pode resultar em uma série de problemas de saúde. Esses problemas podem ser inúmeros e variados, demandando atenção e cuidados especiais.
Segundo Kleiner et al. (2010), o tecido adiposo começa a se formar ainda durante o período fetal e continua a se desenvolver na fase pós-natal. Suas características adquiridas tendem a se estender ao longo da vida adulta, indicando que crianças com excesso de peso têm maior propensão a se tornarem adultos com sobrepeso. Quando a obesidade se estabelece durante a infância, cria-se um ciclo vicioso, em que a criança, sentindo-se frustrada e envergonhada com sua aparência, busca aliviar a ansiedade por meio do consumo excessivo de alimentos, o que resulta em uma insatisfação cada vez maior com seu próprio corpo. Esse ciclo pode ser desafiador de ser quebrado e requer atenção especial para abordar tanto as questões emocionais quanto as relacionadas à alimentação e ao estilo de vida.. 
Segundo Dâmaso (2001, apud IUCATAN, 2020), A obesidade trata-se de uma doença complexa, influenciada por diversos fatores, e que apresenta dificuldades de controle e prevenção, estando associada a uma alta taxa de mortalidade. Para a avaliação em adultos, o índice de massa corporal (IMC) é amplamente utilizado como critério diagnóstico. O IMC é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pelo quadrado da altura em metros. No entanto, é importante destacar que o diagnóstico e a avaliação da obesidade consideram outros aspectos além do IMC, como a distribuição de gordura corporal e a análise de outros marcadores de saúde.. 
O cálculo do IMC se faz pela divisão do peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. É o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que identifica o peso normal quando o resultado do cálculo do IMC está entre 18,5 e 24,9. Para ser considerado obeso, o IMC deve estar acima de 30 (IUCATAN, 2020, p.25). 
Conforme analisado por Almeida (2018), há aproximadamente 50 anos, a desnutrição afetava cerca de um terço das crianças brasileiras. No entanto, nos dias atuais, essa realidade se transformou, e agora um terço das crianças estão enfrentando problemas de obesidade ou sobrepeso. Mendonça (2014, apud ALMEIDA, 2018) atribui essa mudança a um fator preocupante: aproximadamente 20% dos alimentos promovidos em propagandas de televisão e redes sociais despertam o desejo das crianças, mas não estão em conformidade com a pirâmide alimentar. Esses alimentos, em sua maioria, são classificados como gordurosos e ultraprocessados, desequilibrando a ingestão alimentar e contribuindo para o aumento da adiposidade corporal.
Por isso, Iucatan (2020) alega que o consumo excessivo de alimentos altamente calóricos, juntamente a um estilo de vida sedentário, implicam no surgimento de diversas doenças crônicas, entre elas, a obesidade. De acordo com Swinburn et al. (1999, apud IUCATAN, 2020), pela gravidade da obesidade e sua rápida evolução, este crescimento tem sido considerado uma pandemia, atingindo tanto países desenvolvidos, como em desenvolvimento, incluindo o Brasil. 
Segundo as descobertas de Oliveira e Fisberg (2003, apud SILVA et al., 2021), é importante ressaltar que o aumento de peso em um curto período de tempo pode ter consequências na estatura e no desenvolvimento puberal. Especificamente, esse ganho rápido de peso pode levar a alterações na idade óssea e desencadear a puberdade precoce, o que pode resultar em uma estatura mais baixa devido ao fechamento prematuro das cartilagens ósseas relacionadas ao crescimento. Essas descobertas enfatizam a necessidade de um crescimento saudável e equilibrado, evitando ganhos de peso excessivos em curtos intervalos de tempo.
A pesquisa conduzida por Wanderley e Ferreira (2010, apud SILVA et al., 2021) destaca a necessidade de adotar uma abordagem abrangente no tratamento da obesidade, considerando não apenas os aspectos nutricionais, mas também os aspectos psicológicos, emocionais e a colaboração de profissionais especializados. Para o autor, a intervenção adequada para a obesidade requer uma perspectiva multidisciplinar, envolvendo educadores físicos, nutricionistas, endocrinologistas e profissionais de saúde mental, a fim de oferecer suporte completo aos indivíduos afetados. Dessa forma, é possível abordar os diversos aspectos relacionados à obesidade e proporcionar uma assistência mais efetiva e abrangentepara aqueles que buscam superar essa condição. 
Nesse sentido, segundo as considerações de Triches e Giugliani (2005, apud SILVA et al., 2021), é essencial que a Secretaria de Saúde adote estratégias de intervenção para o controle da obesidade, especialmente no que diz respeito às crianças. Conforme apontado por Mello et al. (2004, apud SILVA et al., 2021), diversos fatores, como classe social, educação e renda, podem contribuir para o aumento de peso. Portanto, é crucial implementar medidas de conscientização sobre saúde, incentivar a prática de exercícios físicos e promover uma alimentação saudável, incluindo a redução da ingestão de alimentos ricos em gorduras saturadas, bem como a valorização da inclusão de frutas, verduras, legumes e carnes magras na dieta. Essas estratégias devem ser direcionadas não apenas às crianças, mas também aos adultos responsáveis, pois os hábitos das crianças frequentemente refletem aqueles que estão ao seu redor.
De acordo com as observações de Kleiner et al. (2010), um dos principais determinantes da obesidade é a condição nutricional dos pais. Isso significa que crianças com pais obesos têm maior probabilidade de desenvolverem obesidade ao longo da vida. Além disso, os fatores ambientais desempenham um papel significativo no contexto da obesidade infantil. Esses fatores podem incluir a falta de aleitamento materno, a introdução inadequada de fórmulas lácteas, como preparação incorreta, uma maior carga escolar, a inclusão das mães no mercado de trabalho, distúrbios de sono e uma alta exposição a jogos eletrônicos e televisão, entre outros. Esses fatores ambientais podem contribuir para um estilo de vida sedentário e uma alimentação inadequada, desencadeando o desenvolvimento da obesidade na infância. 
Em continuidade às ideias acima, existe uma grande relação entre obesidade e o hábito de ver TV. Quanto maior o tempo em frente à televisão, maiores são as chances de tornar-se uma pessoa obesa, devido a três fatores: a TV ocupa o tempo em que a criança poderia estar praticando algum tipo de exercício físico; geralmente a criança come em frente à televisão, e isso a leva a não prestar atenção na quantidade do que está ingerindo; e por último, algumas propagandas transmitidas na TV podem ser de guloseimas que instigam o desejo de consumo dessas crianças.
 Sahoo (2015, apud KLEINER et al., 2010) afirma que a obesidade prejudica grandemente a saúde física e emocional da criança, bem como sua socialização, autoestima e confiança, podendo afetar também o seu desempenho escolar. Segundo Kleiner et al. (2010), quanto mais tempo as crianças ficarem acima do peso, mais provável que se tornem adultos obesos, pois, a partir dos seis anos de idade, o sobrepeso corporal não desaparece de forma espontânea. 
No que tange à relação entre alimentação e obesidade, é indubitável que o estímulo ao consumo de comidas gordurosas e industrializadas tem desempenhado um papel significativo, como apontado por Kleiner et al. (2010). Nesse contexto contemporâneo, é cada vez mais comum encontrar-se imerso em uma cultura alimentar que privilegia a praticidade e a palatabilidade em detrimento da qualidade nutricional. Hábitos como negligenciar o café da manhã, recorrer frequentemente a refeições fora de casa, limitar a variedade de alimentos e exceder-se nas porções, além do consumo desmedido de bebidas calóricas, podem contribuir de forma alarmante para o ganho de peso e, por consequência, para a prevalência da obesidade. É imprescindível, portanto, que sejamos conscientes desses padrões alimentares inadequados e busquemos adotar escolhas mais saudáveis, equilibradas e nutritivas, a fim de preservar nossa saúde e combater a epidemia da obesidade.
Rinaldi (2008, apud KLEINER et al., 2010) afirma que os principais hábitos alimentares que levam à obesidade infantil, são: o baixo consumo de frutas, verduras e legumes; refeições desbalanceadas, pouca ingestão de leite e derivados, com substituição dos mesmos por bebidas lácteas com pouco cálcio; como também o alto consumo de refrigerantes e alimentos industrializados. Para Balaban (2004, apud KLEINER et al., 2010), quando o aleitamento materno é substituído por fórmulas lácteas, existe uma maior propensão ao ganho de peso durante a infância. 
Em busca de uma relação saudável com a alimentação infantil, Almeida (2018) ressalta a importância de incentivar as crianças a exercerem controle sobre suas refeições diárias. Nesse contexto, os pais assumem um papel fundamental ao proporcionar uma diversidade de opções alimentares saudáveis e permitir que os pequenos decidam, por si mesmos, a quantidade adequada a ser consumida, levando em conta os sinais de saciedade que seus corpos lhes enviam. Essa abordagem empoderadora não apenas fomenta hábitos alimentares equilibrados, mas também promove uma relação harmoniosa com a comida, evitando excessos e contribuindo para a prevenção de problemas relacionados à alimentação, como a obesidade. Ao valorizarmos a autonomia das crianças no âmbito da alimentação, cultivamos desde cedo uma consciência alimentar que os acompanhará ao longo da vida, resultando em escolhas mais saudáveis e equilibradas. 
Da mesma forma, Victor et al. (2009 apud ALMEIDA, 2018), aponta que as escolhas alimentares podem ser influenciadas por diversos fatores, sendo eles: biológicos, econômicos, culturais, sociais, psicológicos, familiares e emocionais. Na grande parte dos casos, as escolhas são aprendidas, ou seja, a criança assimila aquilo que predomina em seu meio. Quando o consumo alimentar desequilibrado se alia ao pouco gasto de energia, a consequência mais comum é a obesidade. 
Kleiner et al. (2010) garante que alguns hábitos, como comer sentado, dentro dos horários estabelecidos, sem assistir TV, prestando atenção no que está ingerindo, ajudam muito a criança a escolher melhor os tipos de alimentos que consume. Por meio da educação nutricional, crianças e pais recebem informações sobre dietas equilibradas, sem muitas restrições alimentares, partindo do princípio da alimentação saudável, dentro do padrão dietético natural da criança. Equiparar uma boa alimentação e atividades físicas ajuda muito na prevenção e combate à obesidade infantil. 
BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO FÍSICO EM COMBATE À OBESIDADE INFANTIL 
 
Desvendar os segredos do movimento humano é o objetivo primordial da atividade física, como destacado por Guedes et al. (2012, apud IUCATAN, 2020); cada gesto, cada passo, cada impulso é parte integrante desse universo em constante movimento. Ao explorar a intensidade, frequência de movimento e duração das práticas físicas, adentramos em um mundo repleto de benefícios para a saúde e o bem-estar. Por meio da atividade física, desvendamos os mistérios do corpo em ação, fortalecendo músculos, equilibrando energias e nutrindo a mente. É um convite à descoberta e ao despertar de um potencial infinito.
Em consonância com as descobertas de Silva e De Marchi (2007, apud IUCATAN, 2020), compreendemos que o exercício físico desempenha um papel significativo na perda de peso e na melhoria da qualidade de vida. Ao abraçar um estilo de vida saudável, somos capazes de enfrentar não apenas a batalha contra a obesidade, mas também de combater o estresse, fortalecer nossa estabilidade emocional, elevar nossa autoestima e cultivar relações interpessoais mais gratificantes. Ademais, o exercício físico nos motiva e nos proporciona uma sensação de bem-estar abrangente. É por meio dessa jornada transformadora que exploramos os benefícios holísticos que o exercício traz consigo.
 Em conformidade com Paes, Marins e Andreazzi (2015, apud ALMEIDA, 2018), a prática de exercício físicos pode promover adaptações cardiovasculares positivas durante a infância. Portanto, é muito importante que essa prática seja incentivada, a fim de prevenir os agentes de risco neural e cardiovascular, além de prevenir a disfunção hormonal e metabólica que é causada pela obesidade em crianças.
O exercício ou atividade física também pode trazer vários benefícios para crianças.Uma boa melhora é observada no condicionamento cardiovascular e aptidão física, estando associado à diminuição dos níveis de lipídeos plasmáticos, índice de massa corporal, menor pressão sanguínea sistólica e diastólica, menor porcentagem de gordura corporal e uma maior concentração plasmática de HDL (BRAGA; SANTOS, 2015, apud ALMEIDA, 2018, p.21). 
Desse modo, Schimidt (2012, apud IUCATAN, 2020) afirma que exercícios físicos aliados a uma boa alimentação, ajudam a prevenir e reduzir o índice de gordura corporal, além de prevenir doenças crônicas associadas ao excesso de peso. Em relação às crianças, Iucatan (2020) assegura que a atividade física exerce um papel de extrema importância sobre as condições físicas, psicológicas e mentais, pois, aumentam a autoestima, bem-estar e o sentimento de aceitação social. 
Franklin (2012, apud IUCATAN, 2020) aponta que por meio do desenvolvimento físico, as crianças passam a ter uma vida mais saudável, pois é evidente a melhora na saúde. Além disso, fora o excesso de peso, a obesidade também causa danos psicológicos nas crianças, desencadeando distúrbios emocionais capazes de separar esses indivíduos de seus planos futuros, pelo afastamento social; pois a criança com sobrepeso enfrenta diversas dificuldades no meio em que está inserida, levando em conta que as pessoas que a rodeiam são, em sua maioria, não obesas. 
Para o autor citado acima, o exercício físico deve ser atrativo para as crianças e o professor precisa ser criativo em sua forma de trabalhar, explorando formas lúdicas, por meio de jogos e brincadeiras, fazendo da aula um momento de diversão e descontração. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2008, apud KLEINER et al. 2010), o recomendado para crianças que estão em idade escolar é “[…] o envolvimento em atividades físicas de intensidade moderada e vigorosa durante 60 minutos ou mais diariamente, que sejam apropriadas ao estágio do desenvolvimento, variadas e que proporcionem prazer”. Sendo assim, Cortelo et al. (2014, apud IUCATAN, 2020) afirma que por meio de brincadeiras, a criança se sente instigada a aprender, mesmo sem ter a consciência de que essa é uma das finalidades da prática esportiva. 
 Entre os diversos benefícios do treino funcional, Freire (2009, apud IUCATAN, 2020, p.43) confirma a “melhora de postura corporal, melhoria do equilíbrio dos músculos, redução de lesões, estabilização da coluna vertebral, melhor coordenação motora, mais força e o controle de peso corporal, reduzindo assim a obesidade”. Dessa forma, as atividades físicas possibilitam uma vida mais saudável para os indivíduos que a praticam. 
O treinamento funcional trás também melhora na circulação sanguínea, fortalece a oxigenação dos pulmões, estimula a flexibilidade dos músculos, elevando sua força. Desenvolve habilidades para correr, saltar e brincar. Aumenta a vontade de praticar esportes, elevando a autoestima, possibilitando um desempenho escolar mais focado. Proporciona novas amizades nas aulas de treinamento, levantando seu emocional, tira a dependência de uso de medicamentos e melhora a alimentação. Fortalece as articulações, a musculatura adjacente e reduz os problemas provocados pelo acúmulo de gorduras nas artérias (AGUILAR; PINTO, 2013, apud IUCATAN, 2020, p.40).
 Considerando as conclusões de Silva et al. (2021), observa-se que os exercícios físicos desempenham um papel fundamental no estímulo das crianças a gastarem energia de maneira saudável. Essa prática regular contribui para a melhoria do metabolismo, bem como o controle das funções respiratórias e cardiovasculares. Além disso, os exercícios físicos têm impacto positivo no desenvolvimento motor, lateralidade, equilíbrio, resistência e força das crianças. Essas atividades também auxiliam na redução de peso e no combate ao sedentarismo, proporcionando, de maneira geral, uma melhora significativa na saúde das crianças.
Em vista disso, segundo Oliveira et al. (2021, apud SILVA et al. 2021), a prática de exercícios quando planejada juntamente aos objetivos que a criança possui, será muito positiva em relação ao ganho de massa muscular, redução de gordura e peso corporal. 
A Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício (2019, apud IUCATAN, 2020) destaca que muitos pais encontraram no treinamento funcional, uma saída para que seus filhos deixassem o uso exagerado da tecnologia de lado. Desse modo, o tempo livre que gastavam em frente à TV ou com jogos eletrônicos, agora pode ser utilizado para a prática de exercícios físicos. 
 Iucatan (2020) ressalta que essas atividades melhoram o condicionamento físico, reduz a adiposidade corporal e a predisposição a doenças, elimina o sedentarismo, reduz a pressão sanguínea, melhora a qualidade de vida, entre outros benefícios. Portanto, é recomendado que a prática de atividades físicas seja adquirida na infância e perdure ao longo da vida adulta. 
CONCLUSÃO 
Sabe-se que nos últimos anos, com a popularização de artigos eletrônicos, como videogames e computadores, que desestimulam crianças a saírem de casa, bem como, o aumento do consumo de alimentos ricos em gordura e açúcares, as taxas de obesidade infantil vêm crescendo exponencialmente. Estes são hábitos causados não apenas por desleixo, mas principalmente, pela desinformação das famílias. 
A obesidade infantil oferece graves riscos à saúde das crianças, tanto físicos quanto psicológicos. Crianças obesas apresentam maiores riscos de desenvolvimento de doenças sérias, tais quais: diabetes, problemas cardiovasculares; além dos problemas de autoimagem, como a queda da autoestima, a dificuldade de socialização e o transtorno de ansiedade, que faz a criança comer ainda mais na intenção de aliviá-lo, o que acaba acentuando os problemas citados acima, criando um ciclo vicioso. 
Nessa questão é que se encaixa o exercício funcional: ser um poderoso aliado ao combate à obesidade. Ele é um esporte de alta intensidade, com grande gasto calórico, que trabalha toda a musculatura corporal de uma vez só, e pode ser apresentado às crianças das formas mais atrativas e lúdicas, até mesmo por meio de brincadeiras. 
 É fato que a obesidade infantil já tornou-se uma pandemia e um problema de saúde pública que precisa ser combatida veementemente, através da adoção de hábitos de vida mais saudáveis, como a diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados, incentivo à prática de esportes e brincadeiras, redução do tempo em frente a telas, bem como a adesão a exercícios funcionais.
 Desse modo, conclui-se que para o combate ao sedentarismo e um estilo de vida mais saudável, é fundamental o incentivo à reeducação alimentar, não só à criança, mas a toda sua família, a fim de que adquiram hábitos corretos. Também faz-se necessário a procura por profissionais especializados, como nutricionistas, endocrinologistas, psicólogos, caso seja preciso, e educadores físicos. 
A prática de exercícios físicos são atividades essenciais ao combate à obesidade infantil, em especial, o treinamento funcional, que é capaz de moldar-se às necessidades das crianças, proporcionando a perda de pesa e melhora na qualidade de vida, de um modo agradável e adequado ao desenvolvimento de cada um. 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Renata Maria de. A INFLUÊNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS FUNCIONAIS EM CRIANÇAS DE 7 A 10 ANOS COM SOBREPESO E OBESIDADE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. 2018. 34 f. TCC (Graduação) - Curso de Educação Física, Universidade Federal de Pernambuco, Vitória de Santo Antão, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/27516#:~:text=O%20treino%20funcional%20%C3%A9%20indicado,a%20diminuir%20sua%20composi%C3%A7%C3%A3o%20corporal. Acesso em: 23 maio 2023.
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Uningá / Ubiratã - PR PAGE 1
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