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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO – ADULTO AULA 3 Prof. Rafael A. Cazuza 2 CONVERSA INICIAL Na aula anterior, estudamos os principais aspectos do desenvolvimento adulto, relações afetivas e sociais e a produtividade como forma de identidade, promoção de saúde mental e qualidade de vida. Durante esta aula, abordaremos como os distúrbios desses aspectos podem gerar sintomas ansiosos e depressivos. Sabemos que os transtornos mentais afetam uma grande parcela da população mundial, sendo um quarto das causas debilitantes no mundo e oito vezes maior que doenças cardíacas. Grande parte desses casos no mundo se concentra em transtornos depressivos e transtornos de ansiedade, incluindo depressão maior, distimia e ansiedade generalizada (Baxter et al., 2013). No Brasil, os transtornos de ansiedade podem chegar a atingir quase 20% da população em determinadas regiões do Sudeste, com escassez de informações sobre o número total no país (Mangolini et al., 2019). Enquanto isso, os casos de transtornos depressivos atingem de 8 a 12% da população em algumas regiões, sem, no entanto, apontar dados epidemiológicos e demográficos da prevalência na população total brasileira (Villano; Nanhay, 2011). Sendo assim, é de grande interesse da Psicologia do desenvolvimento compreender como alterações importantes nos aspectos do desenvolvimento podem promover o aparecimento de tais transtornos. A psicologia do desenvolvimento buscaria encontrar eventos estressores relacionados ao afeto e ao meio social que propiciam sintomas de ansiedade e depressão. Nesta aula, abordaremos os temas de conceito das emoções, ansiedade, fatores de risco e estresse, depressão e possíveis tratamentos para ansiedade e depressão. O objetivo desta aula será o de abordar conceitualmente como as a distorção em sistemas emocionais podem promover quadros patológicos e como podemos prevenir e tratar tais transtornos. TEMA 1 – O CONCEITO DE EMOÇÕES As emoções são conceitos complexos definidos como um conjunto de funções encefálicas superiores relacionadas a respostas à recompensa ou punição, funcionando como sinais de prazer ou defesa (Roxo et al., 2011; Rolls, 2015). William James e Carl Lange foram grandes teóricos que abordaram a 3 conceituação de emoção, definindo-a como resultado da interpretação de alterações corporais periféricas, ou seja, um sinal corporal indicaria alguma alteração que seria interpretada pelo cérebro como emoção (James, 1884; Lange, 1885). Essa teoria está em desacordo com a teoria proposta por Walter Cannon e Phillip Bard (1927), que defendiam que as alterações viscerais periféricas eram independentes da experiência emocional, podendo haver as mesmas alterações viscerais que ocorrem em uma resposta emocional sem, no entanto, provocar uma emoção (Cannon, 1927). A partir dessa teoria, surgem outras conclusões como, por exemplo, que a ativação do hipotálamo seria responsável pela resposta emocional dos estímulos do ambiente. As projeções provenientes do hipotálamo para o tronco encefálico produziriam a expressão emocional, e projeções superiores para o córtex cerebral estariam relacionadas à interpretação consciente da emoção (LeDoux, 2003). As emoções possuem uma função evolutiva, garantindo que o organismo responda adequadamente a estímulos ambientais a fim de produzir uma resposta protetora (luta, fuga ou recuperação) ou mesmo de aproximação de estímulos agradáveis que garantiriam nutrição ou engajamento em comportamentos reprodutivos (Weisfeld; Goetz, 2013). Charles Darwin (1965) foi responsável por um dos primeiros trabalhos analisando a importância evolutiva das emoções, verificando a expressão das emoções tanto nos homens quanto nos animais. Darwin descreveu que respostas emocionais em humanos se assemelhavam muito às expressas em outros animais, como expressões de medo ou raiva. A partir desse estudo, outros estudiosos se aprofundaram no estudo das emoções e respostas comportamentais a fim de compreender como o ser humano respondia a estimulações aversivas. Sendo assim, o estudo de respostas emocionais naturais pode ser avaliado não só para compreender os mecanismos de medo, raiva ou ansiedade, mas também para estudar o surgimento de desordens psiquiátricas associadas às estimulações aversivas ou ausência de estimulações prazerosas (Campos et al., 2013). Sabe-se que as emoções dependem de uma circuitaria neural para serem processadas e por fim expressas por meio do comportamento. Previamente foi proposto que circuitarias específicas para as emoções estariam relacionadas ao circuito de Papez, que englobaria regiões corticais cerebrais (Papez, 1937). 4 Hoje, o circuito de Papez foi ampliado para um conceito de sistema límbico, englobando outras estruturas como amígdala cerebral, hipocampo e córtex pré- frontal (LeDoux, 2003; Morgane et al., 2005). Novas evidências sempre surgem em relação a essas circuitarias, entretanto, cada emoção parece ter uma circuitaria específica. Para a expressão de ansiedade, é proposto um sistema de inibição comportamental encefálico que controla as respostas de ansiedade e que pode estar envolvido no aparecimento de transtornos de ansiedade (Gray; McNaughton, 2000). TEMA 2 – ANSIEDADE O medo e a ansiedade são respostas aversivas naturais, encontradas em diversos mamíferos. A ansiedade é uma resposta emocional relacionada a comportamentos de evitação a um estímulo nocivo (estado de inibição comportamental) acompanhada de um estado de excitação (arousal) e atenção, combinando um complexo jogo de respostas incondicionadas e aprendidas. Além disso, a ansiedade é desencadeada por estímulos distais ou potenciais, uma novidade, sinais de punição ou em situações de conflitos (aproximação- evitação). Enquanto isso, o medo é caracterizado por respostas imediatas de luta-fuga, respostas incondicionadas não aprendidas (Kim; Gorman, 2005; McNaughton, 2011). A partir dessas conclusões, é possível entender que medo e ansiedade estejam relacionados à proximidade de um estímulo ameaçador proximal (pânico), distal/conhecido (medo) ou potencial/desconhecido (ansiedade) (Campos et al., 2013; Graeff; Guimarães, 2012). Ou seja, o medo e pânico estão associados a algo presente, enquanto a ansiedade a algo possível, em contexto natural. Entretanto, em contextos estressores de estimulação prolongada ou muito intensa, podemos observar uma complexidade na relação de generalização de estímulos aprendidos, acarretando transtornos de ansiedade, fobia, trauma ou até depressão (Brain et al., 1991). Como discutido anteriormente, sabemos que os transtornos de ansiedade contemplam uma grande parcela do sofrimento por transtornos mentais na população mundial. Segundo o Manual Estatístico de Diagnóstico, é possível identificar 11 tipos de transtornos de ansiedade por diagnóstico diferencial, sendo o transtorno de ansiedade generalizada o mais comum entre eles, incluindo também fobias específicas e transtornos de pânico e ansiedade 5 associados a outras condições médicas (APA, 2015). Nesse sentido é interessante ressaltar que a ansiedade pode estar associada a outros transtornos mentais como a depressão e esquizofrenia. Referente aos tratamentos, grande parte dos transtornos de ansiedade possuem uma grande abordagem farmacológica que inclui desde ansiolíticos benzodiazepínicos a antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina (Andreatini et al., 2001). Entretanto, uma abordagem integrada e responsável incluiria a utilização de terapias psicológicas tanto como de manejo dos estressores ambientais que desencadeiam respostas de ansiedade (Levitan et al., 2011). TEMA 3 – TRANSTORNOS DEPRESSIVOS Diferentemente dos transtornos de ansiedade, os transtornos depressivos não estão relacionados diretamente a uma emoção aversivanatural, mas à falta dela. A ausência da sensação de prazer, anedonia e tristeza intensa são características dos transtornos depressivos. Além disso, os transtornos depressivos podem vir acompanhados de humor irritável, déficits cognitivos e mudanças no afeto. Esses transtornos são líderes mundiais em prevalência (Baxter et al., 2013) e por isso devem ser estudados a fundo sobre sua gênese e fatores propulsores do aparecimento dos sintomas. As mudanças no humor são tão características na depressão que anteriormente esta era considerada um transtorno de humor antes de ser classificada como um grupo de transtornos à parte. Esses grupos englobam um total de oito transtornos, incluindo a Depressão Maior (o que entendemos leigamente como depressão), distimia (depressão constante ininterrupta) e transtorno depressivo associado a outras condições médicas (APA, 2015). É importante ressaltar que há uma grande diferença entre estado de sofrimento psíquico e um transtorno depressivo, que conta com um conjunto de sinais e sintomas que apresentam alguma evolução ao longo do tempo. Já o sofrimento psíquico pode ser momentâneo, singular e importante para a vida humana. A fisiopatologia dos transtornos depressivos conta com uma contribuição biopsicossocial que inclui abordagens genéticas, comportamentais e ambientais na sua origem. Abordagens genéticas da fisiopatologia da depressão sugerem que há uma grande contribuição de componentes hereditários. Já abordagens neurobiológicas sugerem que um desbalanço em sistemas neuroquímicos 6 monoaminérgicos estejam envolvidos no desenvolvimento e manutenção de sintomas depressivos (Lafer; Filho, 1999). É importante ressaltar que o ambiente possui uma grande relevância na expressão de genes relacionados à depressão e que é possível um efeito sobre a plasticidade cerebral, provocando dessensibilização de receptores de monoaminas que causa esse desbalanço. Um modelo comportamental de desamparo aprendido demonstra uma possível contribuição da incontrolabilidade do ambiente como estressor e promotor de sintomas depressivos. Nesse modelo, teoriza-se que a controlabilidade dos estímulos do ambiente pelo indivíduo promove o desenvolvimento normal do comportamento, entretanto, quando estímulos estressores surgem de forma não premeditada, em grande quantidade e por um longo período, o mecanismo de controle da estimulação aversiva deixa de responder, gerando comportamentos de desamparo e anedonia (Ferreira; Tourinho, 2013). Além disso, a depressão pode estar associada a outras condições médicas (APA, 2015). Sabe-se que transtornos de humor como o transtorno bipolar ou mesmo psicoses como a esquizofrenia podem apresentar sintomas semelhantes aos dos transtornos depressivos. Em um diagnóstico diferencial de transtornos, há que se identificar sintomas concomitantes que possam sugerir outras afetações. Algumas dessas condições médicas podem estar inteiramente ligadas ao desenvolvimento adulto e ao envelhecimento, como as demências (APA, 2015). A partir do que foi apresentado, fica evidente a complexidade por detrás dos transtornos depressivos e suas origens. Uma abordagem interdisciplinar somando psicopatologia, genética, neurobiologia e análise sociológica são essenciais para o seu manejo. Tanto a análise molecular e celular quanto a compreensão dos fatores sociais que contribuam para o desamparo do indivíduo deve ser levado em conta em uma compreensão integral dos transtornos depressivos. A essas condições ambientais que promovem o surgimento tanto de transtornos depressivos quanto ansiosos, chamamos de estressores ambientais. Para fatores genéticos ou ambientais que possam desenvolver algum tipo desses sintomas, chamaremos de fatores de risco. 7 TEMA 4 – ESTRESSE E FATORES DE RISCO O estresse é um conceito proveniente da física que significa esticar ou deformar. Essa concepção foi trazida para a fisiologia inicialmente por Hans Seyle, em 1927, como uma resposta do organismo frente a um desafio ambiental que rompe o equilíbrio orgânico (homeostase) (Goldstein; Koopi, 2007). A resposta do corpo ao evento estressor depende de características genéticas do indivíduo, o que contribui para o aumento ou redução da possibilidade de um estressor gerar um transtorno emocional. Essa capacidade de suportar e superar, reestabelecendo a homeostase, é chamada de resiliência (McEwen, 2016). No sentido da Psicologia, estressores são estímulos hostis que indicam um perigo à integridade do indivíduo, recrutando diversos sistemas como o endócrino, comportamental e autonômico para reestabelecer o equilíbrio orgânico (McEwen, 2016). Estressores podem ser descritos como causa ou agravante de transtornos psiquiátricos, como a depressão maior e o transtorno de ansiedade (Gold et al., 2015). É importante ressaltar que atualmente, para a psicologia e neurobiologia, o equilíbrio orgânico é classificado como halostase ou equilíbrio dinâmico, no qual a recuperação de organismo frente a um estressor é uma nova organização aprendida do organismo, que se prepara ou se sensibiliza para próximos eventos (McEwen, 2016). Esse conceito permite compreender como eventos adversos podem tanto gerar o aprendizado de alguma habilidade no desenvolvimento como provocar ou agravar transtornos psiquiátricos. A resposta fisiopatológica ao estresse é uma tentativa de reestabelecer o equilíbrio das atividades orgânicas alteradas pelo estímulo estressor (manutenção da homeostase ou halostase), promovendo assim a organização de comportamentos adaptáveis ao meio (Gold et al., 2015). Entretanto, quando o estressor é muito intenso ou prolongado, ocorre uma síndrome de adaptação geral, saturando o sistema e impedindo a resposta ao estressor. Ou seja, estressores podem se correlacionar com a má adaptação emocional, principalmente a respostas de medo e ansiedade, podendo desenvolver transtornos de ansiedade (Goldstein, 2010). Estressores ambientais e sociais podem ser uma chave para a compreensão do desenvolvimento de sintomas depressivos (Gold et al., 2015). 8 Nesse contexto, a identificação e manejo de estressores ambientais e pessoais são de extrema importância para a compreensão da psicopatologia dos transtornos de ansiedade e depressivos, além da identificação de fatores genéticos de risco em grupos de sensíveis. No caso dos transtornos depressivos associados a substâncias, poderíamos encontrar uma alta correlação entre fatores ambientais, genéticos e comportamentais quando assumimos que o consumo de álcool e outras drogas tem uma grande correlação com o contexto sociocultural e genético (APA, 2015). TEMA 5 – TRATAMENTOS EM ANSIEDADE E DEPRESSÃO Vimos anteriormente que os sintomas de transtornos ansiosos e depressivos possuem uma grande prevalência na população (Baxter et al., 2013), causador de grande incapacitância na população adulta. Tomando por base uma abordagem interdisciplinar e multifatorial, abordaremos algumas intervenções na prevenção e tratamento dessas condições tanto em relação ao indivíduo como ao manejo ambiental. Os tratamentos mais comuns para transtornos de ansiedade e/ou depressivos são os farmacológicos. Como mencionamos anteriormente, medicamentos ansiolíticos como benzodiazepínicos ou antidepressivos inibidores de recaptação de serotonina estão na linha de frente dos tratamentos dos transtornos de ansiedade (Andreatini et al., 2001). No tratamento da depressão maior, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são os mais utilizados, e em segundo lugar os antidepressivos tricíclicos (Azevedo; Santos, 2020). Entretanto, uma abordagem meramente farmacológica pode ser substituída por uma abordagem mais ampla, personalizada e integral, apresentando resultados mais animadores em relação à retração dos sintomas (Villlano; Nanhay, 2011). Nesse sentido,o diagnóstico diferencial adequado, escolha correta dos medicamentos e acompanhamento terapêutico são de extrema importância. Além disso, o cuidado na atenção primária, ou seja, acompanhamento, estratificação de risco, psicoeducação e outras estratégias integrativas no encaminhamento de casos de transtornos depressivos apresentam uma promissora tarefa no tratamento desses transtornos (Villlano; Nanhay, 2011). Além do acompanhamento e do tratamento pessoal, o manejo ambiental é essencial para uma abordarem interdisciplinar e uma articulação conjunta com 9 outros profissionais, família e outros fatores sociais que contribuam para a disponibilidade de um ambiente menos aversivo. Sendo assim, uma ação conjunta na comunidade de acompanhamento, estratificação de risco e ações para alterações sociais mais profundas como políticas públicas de saúde podem contribuir para a diminuição da adversidade. As políticas de educação ambiental podem aprofundar as necessidades de mudanças políticas no contexto de saúde mental (Sorrentino et al., 2005). Trataremos mais nas aulas a seguir sobre a temática das políticas de educação ambiental como política pública, mas o que é importante esclarecer é que elas fazem parte de uma proposta de alteração do ambiente a fim de prevenir transtornos mentais e promover saúde e bem-estar. NA PRÁTICA Em situações práticas e reais nas quais um paciente é identificado com queixas de sofrimento psíquico, baixa disposição para trabalhar, evitação social, perda de apetite e aumento de consumo de substâncias psicoativas, o trabalho do profissional de saúde será identificar diversos fatores que levam a esse sofrimento. O trabalho inicial de diagnóstico do psicólogo seria identificar as condições estabelecedoras que levaram ao desenvolvimento de tais sintomas, contexto pessoal, contexto ambiental, situação pregressa, relações com outras enfermidades e uso de outras substâncias ou histórico delas. A descrição completa dos fatores que levaram aos sintomas e o diagnóstico correto contribuem para o andamento correto do tratamento e o tipo de intervenção a ser tomada. O primeiro passo de uma abordagem integral e interdisciplinar seria o de realizar o acolhimento inicial e formação de vínculos. Após isso, o uso de ferramentas de testagem e entrevistas são essenciais para a avaliação geral do quadro do paciente. O psicólogo deve dominar conhecimentos de psicopatologia geral, epidemiologia e, em determinados casos, neurobiologia do transtorno mental. Assim, o profissional poderá adequar os conhecimentos da melhor forma a compreender o contexto geral do transtorno e dar encaminhamento mais especializado. Após o encaminhamento, caso necessário, um acompanhamento farmacológico pode ser necessário em caso de transtornos ansiosos e depressivos sem, no entanto, prejudicar o vínculo terapêutico com o psicólogo. 10 Além disso, estratégias de psicoeducação, inclusão familiar e manejo ambiental também são recomendadas. A identificação de estressores que possam adquirir potencial aversivo em excesso como condições econômicas ou de violência devem ser reportados e a proteção do paciente providenciada. A eliminação dos fatores estressores pode ser um dos contribuidores da melhora do paciente. Na vida adulta, diversos fatores são causadores de estresse e crises vitais, como trabalho, relacionamento, família ou condições financeiras. Para isso, o trabalho de políticas públicas de identificação, redução de desigualdades e controle da prevalência de outras doenças são essenciais para o tratamento adequado desses transtornos na população em geral. FINALIZANDO Nesta aula, aprendemos que as emoções são funções importantes na conservação das espécies. Entre elas, temos o medo e a ansiedade. Esse tipo de emoções aversivas garante a evitação e escape de estimulações agressoras que possam comprometer o organismo do indivíduo. Nesse sentido, uma resposta estressora, que rompe o equilíbrio homeostático, provoca respostas emocionais a fim de reestabelecer esse equilíbrio. Nesse sentido, vimos que apesar desses mecanismos serem evolutivamente selecionados, a estimulação estressora excessiva e constante pode provocar alterações importantes nesse sistema, gerando sintomas de características patológicas. Durante um meio extremamente estressor, o ser humano pode generalizar respostas de ansiedade, fazendo com que a ansiedade apareça na ausência de estímulos estressores evidentes. Vimos também durante esta aula que ambientes que apresentam desamparo, nos quais o sujeito não consiga controle sobre as situações do cotidiano, podem gerar sintomas do tipo depressivo. É importante ressaltar nesse estágio que tanto a ansiedade quanto a depressão possuem correlação. Além disso, alterações orgânicas de origem genética podem contribuir para alterações cerebrais importantes que alteram a percepção do indivíduo ao seu entorno. Essa percepção distorcida pode fazer com que o sujeito identifique estressores inexistentes. Abordamos a questão do estresse ambiental como contribuidor do desenvolvimento de transtornos mentais. O estresse pode ser um mecanismo 11 natural, mas quando muito intenso ou prolongado, pode saturar a resposta do organismo, desenvolvendo uma síndrome de adaptação geral e bloqueando respostas adequadas ao meio. Fatores genéticos e ambientais podem contribuir para uma maior ou menor resistência do organismo em responder tais estressores, e a esses fatores chamamos de resiliência. A má adaptação dessas respostas e uma baixa resiliência são extremamente impactantes no desenvolvimento de sintomas ansiosos ou depressivos, entendidos como um aprendizado mal adaptado ao meio. Nessa perspectiva, vimos também que o tratamento é possível. Dessa forma, intervenções terapêuticas da psicologia somadas a intervenções farmacológicas são indicadas na maior parte das vezes. Entretanto, a literatura científica ainda encontra dificuldades em desenvolver medicamentos e tratamentos mais eficazes com reduzidos efeitos colaterais. Além disso, uma parcela importante da população acometida por esses transtornos é refratária a tratamentos farmacológicos e terapêuticos, sendo necessários mais estudos que elucidem possíveis mecanismos no desenvolvimento desses quadros. 12 REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. 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