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Ambiente marinho raso 
 
Definição: Um ambiente marinho raso é a parte do oceano localizada desde a 
linha de costa até o limite da plataforma continental, onde a profundidade da 
água geralmente não ultrapassa 200 metros, com luz solar ainda entrando. 
Conceito: O ambiente marinho raso corresponde a áreas de acumulação 
desedimentos formada ao longo da linha de costa sobre a plataforma continental 
que podemse estender por dezenas a centenas de quilômetros antes de atingir 
o sopé continental.No entanto, também são formados em mares epicontinentais 
(NICHOLS, 2009). 
Processos de sedimentação: A sedimentação em plataformas costeiras rasas 
éinfluenciada diretamente pelo suprimento sedimentar, amplitude de maré, ação 
de onda,frequência de eventos de tempestade, mudança do nível do mar e taxa 
de subsidência.Os sedimentos siliciclásticos em ambientes marinhos rasos 
normalmente apresentamassembleia composicional e textural matura devido ao 
longo caminho que o material foitransportado até atingir a plataforma 
 
Os ambientes marinhos rasos são de alta energia e influenciados por: 
1. Maré 
 Comum em locais fechados como golfos, tem-se como exemplos planícies de 
maré, sendo transição entre o ambiente costeiro e marinho raso, lagunas e deltas 
de maré, formados nas extremidades do canal de maré e estuário dominado por 
maré, como uma transição entre continente e mar; isso mostra que os ambientes 
marinhos rasos dominados pela maré são interligados, formando uma variedade 
de sistemas deposicionais. 
 O depósito de sedimentos no ambiente marinho raso dominado por maré 
ocorre pelos ambientes: 
Planície de maré: formadas onde a ação de ondas é insignificante, podem ser 
divididas em 
A) Ambiente Supramaré: sendo a porção mais alta da planície, somente é 
inundada por eventos excepcionais como tempestades ou maré sizígia (maré 
muito alta); permanece exposta e seca na maior parte do tempo, sedo como uma 
zona de transição entre o ambiente terrestre e marinho. É comum que essa 
região tenha vegetação 
B) Ambiente intermaré: faixa intermediária entre níveis de maré alta e baixa e 
segue o ciclo de maré sendo exposta e submersa ocasionalmente. Essa 
alternância faz com que tenha uma taxa de deposição e retrabalhamento 
sedimentar maior, sendo a mais significativa. 
C) Ambiente inframaré: parte da planície que permanece submersa a maior 
parte do tempo, sendo mais próxima de um ambiente subaquático. Por estar 
submersa a predominância é de sedimentos grossos. Por ter menor energia 
resultam em uma sessão deposicional vertical simétrica 
 
Delta dominado por maré: Ocorre em regiões onde há macromarés, cuja força 
é suficiente para neutralizar e até superar a influência do fluxo fluvial. Nesse tipo 
de delta, as duas feições mais características e diagnósticas são a forma de 
estuário e as barras de maré (ocorrem juntos). 
A) Estuário: O estuário, nesse contexto, representa o segmento inferior de um 
rio que sofre forte influência das marés. O canal principal se divide em diversos 
canais menores, separados por barras alongadas, algumas das quais podem se 
elevar acima do nível da água, formando ilhas. Esses canais estão em constante 
migração lateral, moldados pelas forças da corrente fluvial e das correntes de 
maré. 
 Do ponto de vista sedimentar, os depósitos associados ao estuário são 
compostos por corpos arenosos multicanalizados, que exibem uma sucessão de 
granodecrescência ascendente (fining upwards). Essa característica indica que, 
na base, ocorrem sedimentos mais grossos, que vão se tornando 
progressivamente mais finos em direção ao topo, refletindo fases de energia 
decrescente ou variações cíclicas da maré. É comum encontrar nesses 
depósitos a estratificação cruzada acanalada, que aparece com ângulos 
variados, porém, geralmente orientada de forma unidirecional, refletindo o 
sentido predominante das correntes de maré. Em vários pontos, essas feições 
sedimentares lembram os depósitos encontrados em deltas fluviais de rios 
entrelaçados. Além disso, podem ser identificadas estruturas como barras 
sigmoidais, tidal bundles, flaser bedding e outros indicadores típicos da ação das 
marés. 
B) Barras de maré: São corpos arenosos marcantes, desenvolvidos de forma 
paralela e alongada na direção das correntes de maré. Essas barras se formam 
abaixo do nível médio da maré baixa e podem se estender desde a boca do 
estuário até várias dezenas de quilômetros mar adentro, chegando a 
profundidades de até 30 metros. Diferente de outros elementos do delta, os 
depósitos das barras de maré são os únicos que de fato progradam em direção 
ao mar, acumulando sedimentos ao longo do tempo. Além disso, essas barras 
podem migrar lateralmente, acompanhando as mudanças na posição da boca 
do estuário. A sucessão vertical dos depósitos dessas barras geralmente 
apresenta um padrão de granocrescência ascendente (coarsening upwards), 
que indica um processo de progradação. Na base, encontram-se sedimentos 
finos de plataforma, que gradualmente passam para sedimentos argilosos 
(pelitos), exibindo estruturas como laminação lenticular (linsen) e laminação 
ondular (wavy). À medida que se progride para o topo, os sedimentos tornam-se 
mais arenosos, desenvolvendo estratificação sigmoidal unidirecional, 
frequentemente associada a superfícies de reativação, o que evidencia o avanço 
da crista da barra sobre os sedimentos mais finos subjacentes. 
Cristas de Areia por maré: Grandes bancos de areia localizados próximo à 
costa, que se originaram a partir do recuo da linha de praia durante eventos de 
transgressão marinha. Elas se formam pelo deslocamento da antiga linha de 
praia, que deixa esses depósitos arenosos na plataforma continental, onde 
continuam a ser moldados pela ação das correntes de maré e, em alguns casos, 
por tempestades. Essas cristas podem ter dimensões bastante expressivas, 
chegando a até 50 km de comprimento, 1 a 3 km de largura e até 50 metros de 
altura. 
2. Ambiente dominado por tempestades 
Tempestades são um dos principais agentes geológicos em mar raso, sendo um 
grande liberador de energia e transformação, onde uma única tempestade pode 
afetar toda uma bacia. Walker (facies models) sugere uma periodicidade de 10 
a 15 mil anos para tais tempestades expressivas, onde seria possível preservar 
tempestidos formados. 
Fácies sedimentares de tempestitos: 
Walker (1985) identifica cinco tipos de evidências no registro geológico que 
indicam os efeitos de tempestades: 
a) Feições incomuns em praias, que revelam a ação rara de tempestades, 
como grandes blocos em depósitos de praias de costas rochosas. No Brasil, 
exemplos são blocos e seixos de arenito com cimento ferruginoso da Formação 
Barreiras e os beachrocks das praias de Natal (RN). 
b) Agitação do fundo do mar no próprio local, geralmente identificada pela 
formação de concheiros (exemplo em Kreisa, 1981). No Brasil, ocorrem nas 
coquinas das formações Coqueiro Seco, Membro Morro do Chaves e Lagoa Feia 
(Cretáceo Inferior), nas bacias de Sergipe-Alagoas e Campos. 
c) Acúmulos de conchas transportadas, frequentemente associados a 
camadas de calcarenito gradacional com base abrupta (Kelling & Muffin, 1975). 
No Brasil, aparecem nas mesmas formações citadas anteriormente, além da 
Formação Irati (Permiano, onde ocorrem ossos de Mesosaurus no lugar de 
conchas) e da Formação Santana (Cretáceo Inferior, com conchas, insetos, 
peixes e répteis) nas bacias do Paraná e Araripe. 
d) Formação de hardgrounds e seções condensadas, muitas vezes 
resultantes da erosão causada pelas tempestades (Aigner, 1982; Della Favera, 
1987a, 1990). 
e) Camadas de arenito com base abrupta, geralmente com estratificação 
cruzada hummocky, intercaladas com argilitos bioturbados. 
Principais estruturas sedimentares 
A) A estratificação cruzada hummocky, conhecida como HCS, é uma estrutura 
sedimentar formada por ondulações suavese truncadas, que geram um padrão 
de camadas arqueadas, côncavas e convexas, com mergulhos de baixo ângulo. 
Essas camadas apresentam, normalmente, uma granodecrescência 
ascendente, com base abrupta e laminação plano-paralela na parte inferior, 
seguida por ondulações truncadas na parte superior. 
 Essa estrutura se forma em ambientes marinhos de plataforma, geralmente 
abaixo da base das ondas de bom tempo, mas dentro do alcance das ondas de 
tempestade. Durante eventos de tempestade, a ação combinada de ondas e 
correntes intensas gera fluxos oscilatórios e, possivelmente, correntes de 
retorno, capazes de remobilizar sedimentos do fundo marinho. A interação entre 
essas correntes cria áreas de maior e menor pressão, formando as depressões 
(hummocks) e elevações (swales) características da HCS. Após o pico da 
tempestade, o fluxo perde energia e os sedimentos se depositam, moldando a 
estratificação cruzada hummocky. 
B) Estratificação cruzada swaley e corte em catenária: propostos por Leckie 
e Walker em 1982, a partir de estudos em tempestitos do Cretáceo no oeste do 
Canadá. Essa estrutura é caracterizada por uma sequência de superfícies 
erosivas rasas, sobrepostas, sempre com a concavidade voltada para cima. A 
estratificação apresenta um formato suavemente arqueado, acompanhando a 
superfície basal do swale. Os mergulhos das camadas nas bordas desses 
swales são suaves e raramente ultrapassam 10 graus. É fundamental não 
confundir essa estrutura com a estratificação cruzada acanalada, já que os 
swales são mais rasos e largos. Na base dessas estruturas ocorre o corte em 
catenária, descrito por Della Favera em 1980, que consiste em uma feição curva, 
de traço semelhante à curva catenária, geralmente destacada pelo 
preenchimento de argilas ou óxidos de ferro. 
C) Estratificação ondular e lenticular: considerada uma variação da estrutura 
hummocky, podendo ser chamada também de microhummocky. Ela se diferencia 
por apresentar camadas de menor espessura e espaçamentos entre cristas 
inferiores a um metro, além de uma maior frequência de intercalações com 
argilas. A estratificação ondular se caracteriza pela alternância de areia e argila, 
formando camadas contínuas. Já na estratificação lenticular, ocorrem lentes de 
areia descontínuas e isoladas, tanto na vertical quanto na horizontal. Em ambos 
os casos, o suprimento de areia durante a deposição foi muito baixo, sendo ainda 
menor na estratificação lenticular, o que caracteriza a formação dos chamados 
ripples famintos. Reineck e Singh, em 1973, conseguem diferenciar ripples de 
onda e ripples de corrente, mas não fazem essa distinção para a estratificação 
ondular, que é apresentada como gerada por correntes uni ou bidirecionais. 
Allen, em 1981, também considera que correntes unidirecionais podem ser 
geradas por ondas. De qualquer forma, esses tipos de estratificação indicam 
sempre condições distais em relação ao eixo deposicional, geralmente 
ocorrendo na base dos ciclos de granocrescência ascendente ou nas periferias 
de lobos de tempestitos. 
D) Marcas de Sola: Os tempestitos apresentam grande semelhança com os 
turbiditos, principalmente pela presença de marcas de sola nas camadas de 
arenito, que aparecem quando essas se depositam sobre uma camada de argila 
relativamente espessa. Essas marcas podem ser do tipo ferramenta, como prod 
e bounce marks, formadas pelo impacto de objetos transportados pela corrente 
contra o fundo argiloso coeso, ou do tipo erosão, destacando-se os gutter casts. 
As marcas de ferramenta estão alinhadas na direção do fluxo, sendo indicativas 
de correntes unidirecionais. No Siluriano Inferior dos Welsh Borderlands, Benton 
e Gray, em 1981, descreveram marcas impressionantes produzidas por trilobitas, 
onde as glabelas desses organismos ficaram nitidamente impressas no 
sedimento. Nesses casos, as carcaças dos trilobitas balançavam para cima e 
para baixo, deixando marcas como se carimbassem o fundo. A feição conhecida 
como gutter cast, mais comum em tempestitos carbonáticos, foi proposta por 
Whitaker em 1973 e consiste em um sulco gerado por correntes helicoidais. 
E) Coquinas on Shell Beds: A presença de coquinas é um excelente indicativo 
da ação de tempestades, segundo Walker, em 1985, desde que ocorram em dois 
contextos principais: formando tapetes de conchas, que indicam o 
retrabalhamento in situ do fundo do mar, ou como acumulações de conchas 
transportadas, normalmente presentes em camadas de calcarenito com 
estratificação gradacional e base abrupta. No primeiro caso, observa-se a 
formação de camadas espessas de conchas, como nas formações Lagoa Feia 
e no Membro Morro do Chaves, da Formação Coqueiro Seco, do Cretáceo 
brasileiro. A interpretação mais aceita sugere que, durante a tempestade, as 
conchas e outros sedimentos foram suspensos e, posteriormente, as conchas se 
depositaram no local, enquanto os sedimentos mais finos permaneceram em 
suspensão, sendo levados para a praia, para áreas mais profundas ou até 
precipitando no mesmo local. Isso gera uma camada de conchas com 
aleiramento gradacional. No segundo caso, as conchas se concentram na base 
da camada, geralmente com suas convexidades voltadas para cima, misturadas 
a outros intraclastos. Quando se trata de tempestitos carbonáticos, há uma 
gradação para calcarenito ou calcilutito, enquanto nos ambientes terrígenos a 
transição é abrupta para areia quartzosa com estrutura hummocky. Isso explica 
por que grande parte dos fósseis corporais marinhos no registro geológico está 
associada a depósitos de tempestade, o que muitas vezes dificulta a 
reconstrução paleoecológica de algumas associações. 
F) Estruturas Biogênicas: No ambiente marinho raso, é comum encontrar 
evidências da atividade de organismos nos sedimentos, especialmente nos 
lamitos. A interpretação mais aceita é que esses lamitos se depositaram abaixo 
do nível das ondas de bom-tempo, tanto pela sua litologia, que indica águas 
calmas, quanto pela presença de icnofósseis, na maioria relacionados à 
atividade de pastagem, como Zoophycos, também conhecido como Spirophyton, 
e Cruziana. Thalassinoides é outro icnofóssil recorrente, principalmente em 
tempestitos paleozóicos e mesozóicos, estando associado frequentemente a 
hardgrounds. O icnofóssil Ophiomorpha, bastante abundante no registro 
sedimentar, sobretudo no Cenozóico, é interpretado como um tempestito tubular. 
Isso porque o preenchimento de seus tubos verticais, cujas paredes estão 
cimentadas por muco, acontece de forma rápida, possivelmente durante eventos 
de tempestade, como sugerem Wanless e colaboradores em 1988. Da mesma 
forma, a associação Diplocraterion, encontrada no Cambriano Inferior da 
Dinamarca, foi considerada exclusiva de depósitos de tempestade, conforme 
estudo de Clausen e Wilhjahnsson em 1986. 
G) Estruturas de Escape d’Água: É comum que tempestitos apresentem 
diversas estruturas de escape d’água. Esse fenômeno ocorre devido à 
sobrecarga no substrato provocada pelo impacto cíclico das ondas de 
tempestade. Além disso, eventos como terremotos também podem gerar a 
liquefação dos sedimentos, contribuindo para a formação dessas estruturas. 
DeCelles, em 1988, associou a deformação observada em tempestitos 
eocênicos da Califórnia, nos Estados Unidos, à ocorrência de um terremoto. 
H) Outras estruturas em menor escala: Wave climbing ripples, ripple de 
granulação grossa, estratificação cruzada ou acanalda, lobos sigmoidais. 
 
Geometria Deposicional: A geometria deposicional dos tempestitos se 
assemelha bastante à de outros depósitos marinhos rasos. Devido à grande 
monotonia faciológica, nem sempre é fácil perceber essa geometria diretamente 
nos afloramentos. Com base na literatura, os tempestitos podem ser 
classificados em três tipos básicos de acordo com sua geometria deposicional: 
lobos conectados à face de praia, lobos destacados da face de praia e cristas deareia localizadas mais ao largo, conhecidas como offshore bars. 
A) Lobos: A geometria principal dos tempestitos lembra bastante a dos 
turbiditos. Cada camada se deposita como um lobo, que apresenta uma forma 
plano-convexa, resultado do adelgaçamento lateral da camada a partir de um 
eixo central. Esse mesmo conceito se aplica quando analisamos um conjunto de 
camadas, que frequentemente apresentam granocrescência e espessamento 
ascendente, assim como nos turbiditos. Além disso, o termo lobo também 
carrega a ideia de deposição rápida, característica tanto dos turbiditos quanto 
dos tempestitos. Essa deposição gera uma geometria parecida com o que 
acontece quando se despeja um líquido viscoso sobre uma superfície plana. 
Quando vários lobos se imbricam lateralmente, eles formam depósitos em lençol, 
que podem ter grande extensão dentro da bacia. Em tempestitos que variam de 
distais a medianamente distais, é comum observar a chamada geometria de 
compensação de espessura, que resulta em camadas aparentemente tabulares, 
formadas justamente pela sobreposição lateral de lobos. Já as camadas isoladas 
costumam ter uma extensão bem mais limitada. 
Quando se observa a relação desses lobos com a face de praia, percebe-se que, 
na maioria dos casos, eles estão destacados, já que fácies típicas de praia, como 
o foreshore, são bastante raras nos contextos analisados. 
Della Favera, em 1990, aplicou aos tempestitos o conceito de eficiência de 
distribuição, originalmente proposto por Mutti em 1979 para os turbiditos. Esse 
conceito sugere que a distância que um fluxo pode percorrer dentro da bacia e 
a geometria resultante desse depósito dependem basicamente da composição 
do fluxo, especialmente da proporção entre argila, areia e água. Fluxos mais 
argilosos e diluídos conseguem percorrer distâncias maiores, formando 
camadas mais tabulares. Já fluxos mais arenosos, por serem mais concentrados, 
tendem a se deslocar por distâncias menores, originando camadas lenticulares. 
B) Cristas de Areia: Esse tipo de geometria também aparece nos depósitos de 
maré, o que muitas vezes gera confusão entre cristas formadas por 
tempestades, por marés ou até por uma combinação dos dois processos. Um 
exemplo clássico disso é a Formação Viking, na região de Alberta, no Canadá, 
que apresenta características mistas. Nessa formação, apenas 5% das fácies 
exibem estratificação hummocky, conforme os estudos de Hein e colaboradores 
entre 1984 e 1986. A interpretação predominante para os arenitos com 
estratificação cruzada tabular é a atuação de fortes correntes de fundo 
unidirecionais, sejam elas associadas à maré ou a correntes costeiras, que se 
intensificam durante as tempestades. 
C) Canais: Os canais estão frequentemente associados tanto a cristas quanto a 
lobos, sendo mais comuns nos depósitos proximais. Eles também aparecem 
junto à estratificação cruzada do tipo swaley. Brenner e Davies, em 1973, 
Kazmierczak e Goldring, em 1978, e Aigner, em 1985, interpretaram essas 
feições como canais de retorno de tempestade, conhecidos como storm surge 
channels, ou canais de refluxo, chamados rip channels. O preenchimento desses 
canais com a própria fácies tempestítica indica que a erosão e o posterior 
preenchimento foram processos episódicos, podendo não ter ocorrido 
exatamente no mesmo evento de tempestade. Na extremidade de alguns desses 
canais, podem se formar leques de material grosso, conhecidos como leques de 
arrombamento, ou washover fans.