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ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA 
 
 
 
 
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE 
AUTOAVALIAÇÃO 
 
 
 
 
Dissertação  de  Mestrado  apresentada  à 
Universidade  Federal  de  São  Paulo  – 
Escola  Paulista  de  Medicina,  para 
obtenção do título de Mestre em Ciências.  
 
 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO  
2016
 
 
ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA 
 
 
 
 
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE 
AUTOAVALIAÇÃO 
 
 
 
 
Dissertação  de  Mestrado  apresentada  à 
Universidade  Federal  de  São  Paulo  – 
Escola  Paulista  de  Medicina,  para 
obtenção do título de Mestre em Ciências.  
Orientador: Profª Dra. Daniela Gil. 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO  
2016
 
 
 
 
Sobreira, Ana Carolina de Oliveira 
Treinamento  auditivo  formal:  Questionários  de  autoavaliação  /  Ana  Carolina 
de Oliveira Sobreira. ­­ São Paulo, 2016. 
xvii, 76f. 
 
Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de 
Medicina. Programa de Pós­graduação em Distúrbios da Comunicação Humana. 
 
Formal auditory training: self­assessment questionnaires 
 
 
1.  Processamento  Auditivo.  2.  Treinamento  Auditivo.  3.  Questionários.  4. 
Avaliação. 
 
iii 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO 
ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA 
DEPARTAMENTO DE FONOAUDIOLOGIA 
 
 
 
 
 
Chefe do Departamento: Professora Doutora Clara Regina Brandão d´Ávila 
 
Coordenadora  do  Curso  de  Pós  Graduação  em  Distúrbios  da  Comunicação 
Humana: Professora Titular Doutora Brasília Maria Chiari 
 
iv 
 
ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA 
 
 
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO 
 
Presidente da banca: 
Profa. Dra. Daniela Gil 
 
Banca Examinadora: 
Profa. Dra. Fátima Cristina Alves Branco­Barreiro 
 
Profa. Dra. Maria Francisca Colella dos Santos 
 
Profa. Dra. Sthella Zanchetta  
 
Profa. Dra. Michele Vargas Garcia 
 
v 
 
Dedicatória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À  memória  de  Renata  Lobato  da  Silva,  minha 
eterna melhor amiga, que sonhou junto comigo 
a realização desta etapa da minha vida. 
 
vi 
 
Agradecimentos 
 
À minha orientadora Profa. Dra. Daniela Gil, pela paciência e disponibilidade, 
por todos os ensinamentos acadêmicos e de vida e pelas valiosas orientações que 
me fizeram construir ótimos raciocínios.  
À  Fga.  Dra.  Adriana  Neves  de  Andrade  e  a  Fga.  Ms.  Cyntia  Barbosa 
Laureano Luiz por me ajudarem em várias etapas deste trabalho, contribuindo com 
seus ensinamentos e sugestões. A vocês o meu eterno carinho e respeito. 
À Fga. Ms. Thássia Santos, pelo companheirismo e ensinamentos na prática 
dos ambulatórios.  
À Fga. Mariane Richetto da Silva, amiga, sócia e companheira de mestrado 
por todos os momentos bons e ruins que soubemos atravessar sempre juntas. 
Às companheiras de mestrado, Fga. Ms. Mariana Freitas, Fga. Kelly Chaves e 
Fga.  Carolina  Calsolari  que  tanto  me  acolheram,  ensinaram  e  fizeram  companhia 
durante as coletas e demais ambulatórios.  
À  Fga.  Ms.  Natália  de  Camargo,  amiga,  sócia  e  companheira  de  todas  as 
horas. Á você a minha eterna admiração. 
Às  queridas  amigas  paraenses  Fga.  Denise  Braga  Veras  e  Fga.  Raiza 
Gorbachev, presentes que a caminhada pelos programas de pós graduação em São 
Paulo me trouxeram. 
Aos  meus  pais,  responsáveis  pela  minha  criação  com  muito  amor  e 
humildade. Agradeço a vocês o incentivo, a oportunidade de sempre terem custeado 
meus  estudos  e por  me  fazerem  acreditar  que  tudo  que  queremos  pode  se  tornar 
possível  desde  que  haja  muita  persistência,  absolutamente  tudo  de  bom  que 
conquistei até hoje devo imensamente a vocês. 
Às amigas amazonenses Juliana, Naiana, Renata e Veridiana que moram em 
São  Paulo  e  assim  como  eu,  sempre  alimentaram  a  vontade  de  crescer 
profissionalmente. Obrigada por se tornarem a minha segunda família.  
 
vii 
 
Ao meu grande amor, Lucas Ramos Avelino. 
Às  funcionárias  do  departamento  de  Fonoaudiologia  Neca  e  Claudinha,  por 
toda á atenção e prestatividade nos momentos em que mais precisei. 
Ao  Wagner  Viana,  por  estar  sempre  pronto  a  ajudar  sobre  os  assuntos 
relacionados à FAPESP. 
À  estatística  Denise  Botter  pela  atenção  dispensada  à  análise  estatística 
deste estudo. 
Aos  queridos  pacientes  que  compuseram  a  amostra  deste  estudo,  que 
permitiram e confiaram a mim a utilização de seus dados.  
 
 
viii 
 
Agradecimento Especial 
 
À  FAPESP  pela  concessão  da  bolsa  de  mestrado  que  possibilitou  a 
realização deste estudo. 
Número do processo: 2014/19827­5. 
 
ix 
 
Sumário 
 
Dedicatória............................................................................................................  v 
Agradecimentos...................................................................................................  vi 
Listas de Figuras..................................................................................................  x 
Listas de Tabelas.................................................................................................  xii 
Resumo.................................................................................................................  xvi 
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................  1 
2 REVISÃO DE LITERATURA..............................................................................  4 
2.1 Processamento Auditivo x Linguagem.............................................................  4 
2.2 Treinamento Auditivo.......................................................................................  8 
2.3 Questionários de Autoavaliação......................................................................  15 
3 MÉTODO............................................................................................................  22 
3.1 Método Estatístico...........................................................................................  29 
3.1.2 Escala de Funcionamento Auditivo (SAB)....................................................  29 
3.1.3 Questionário pós treinamento auditivo formal..............................................  30 
3.1.4 Post­training Exit Questionnaire………………………………………………...  30 
4 RESULTADOS………………………………………………………………………..  31 
5 DISCUSSÃO…………………………………………………………………………..  55 
6 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………  66 
7 REFERÊNCIAS……………………………………………………………………….  67 
8 ANEXOS………………………………………………………………………………  73 
 
 
x 
 
Lista de Figuras 
 
Figura 1  Escala de funcionamento auditivo (SAB)......................................  24 
Figura 2  Questionário pós Treinamento Auditivo Formal............................  26 
Figura 3 
Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Questionário 
pós Treinamento Auditivo Formal..................................................  26 
Figura 4  Post­training Exit Questionnaire....................................................  28 
Figura 5 
Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do  Post­training 
Exit Questionnaire.........................................................................  28 
Figura 6  Respostas individuais para a questão Q1 do SAB........................  35 
Figura 7  Respostas individuais para a questão Q2 do SAB........................  36 
Figura 8  Respostas individuais para a questão Q3 do SAB........................  37 
Figura 9  Respostas individuais para a questão Q4 do SAB........................  38 
Figura 10  Respostas individuais para a questão Q5 do SAB........................  39 
Figura 11  Respostas individuais para a questão Q6 do SAB........................  40 
Figura 12  Respostas individuais para a questão Q7 do SAB........................  41 
Figura 13  Respostas individuais para a questão Q8 do SAB........................  42 
Figura 14  Respostas individuais para a questão Q9televisão  e  autoestima.  Para  cada  item,  o  sujeito  foi 
solicitado a atribuir uma resposta que representou sua autopercepção após o TAAC, 
pautada em uma escala analógica visual (Figura 3), que variou entre zero e quatro, 
sendo  que  o  zero  representa  nenhuma  melhora;  um  –  melhora  sutil,  porém 
importante;  dois  –  melhora  moderada;  três  –  melhora  considerável  e  quatro  – 
melhora significativa. A escala foi criada no presente estudo para facilitar a aplicação 
do  instrumento,  devido  muitas  perguntas  serem  de  difícil  compreensão  pelas 
crianças e também por seus responsáveis.  
26 
 
 
 
Figura 2. Questionário pós Treinamento Auditivo Formal. 
 
 
Figura 3. Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Questionário pós Treinamento 
Auditivo Formal. 
27 
 
 
O  Post­training  Exit  Questionnaire  foi  proposto  originalmente  em  inglês  por 
Tye­Murray et al (2012) (Figura 4). Este instrumento  foi traduzido para o português 
brasileiro por dois pesquisadores e contra traduzido por um falante fluente da língua 
inglesa.  A  aplicação  deste  instrumento  foi  dividida  em  duas  partes:  uma  avaliação 
baseada  em  uma  escala  analógica  visual  e  outra  em  perguntas  abertas  sobre  a 
percepção da melhora da compreensão auditiva e sobre o programa de reabilitação 
aplicado. 
Para  a  avaliação  baseada  na  escala  analógica  visual,  o  indivíduo  indicou 
como  o  TAAC  impactou  em  sua  capacidade  de  reconhecimento  de  fala, 
autoconfiança  nas  situações  comunicativas,  aperfeiçoamento  das  habilidades 
auditivas e o quanto apreciou as atividades propostas. As possibilidades de resposta 
variaram entre um e sete, sendo que para o número “um” atribuiu­se  o  conceito 
“muito pouco” e ao número “sete” o conceito “bastante”  (Figura  5).  A  escala  foi 
criada no presente estudo para facilitar a aplicação do instrumento. 
28 
 
 
 
Figura 4. Post­training Exit Questionnaire. 
 
 
Figura 5. Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Post­training Exit Questionnaire. 
29 
 
 
Na segunda parte da avaliação, o indivíduo indicou a percepção em relação 
ao  desempenho  comunicativo  relacionado  à  compreensão  oral  e  também  os 
aspectos positivos e negativos verificados no programa de reabilitação aplicado. As 
perguntas  foram  feitas  por  meio  de  entrevista  pela  pesquisadora  com  o  sujeito  e 
seus pais, as respostas foram registradas graficamente para posterior análise. 
 
3.1 Método Estatístico 
 
Após  a  coleta  dos  dados,  os  resultados  qualitativos  e  quantitativos  foram 
tabulados e analisados por meio de análise estatística descritiva e inferencial. 
Ao longo do capítulo de resultados será destacado em negrito o p­valor ou a 
frequência de resposta de cada questão nos comentários das tabelas e figuras. Para 
tendência  à  significância  será  utilizado  o  símbolo  (#)  e  para  diferença 
estatisticamente significante o símbolo (*). 
A seguir serão apresentados por sessão os testes estatísticos utilizados para 
cada etapa da análise: 
 
3.1.2 Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) 
 
 A análise dos dados foi realizada em duas etapas: descritiva e  inferencial. Na 
análise  descritiva,  foram  construídas  tabelas  com  medidas  descritivas  para  as 
pontuações nas  questões  Q1  a  Q12  e  para  o  Escore  total.  Na  análise  inferencial, 
para todas as questões e para o Escore total, foi empregado o teste não paramétrico 
do sinal para comparar as pontuações medianas populacionais entre os momentos 
pré  e  pós.  Este  teste  foi  empregado  já  que  a  suposição  de  normalidade  para  a 
distribuição das pontuações não foi verificada.  
O nível de significância adotado para todos os testes de hipóteses realizados 
foi  igual a 0,05 (5%). Quando o valor­p obtido num teste de hipótese foi maior que 
30 
 
 
5% mas menor do que 10%, não rejeitamos a hipótese testada, ou seja, concluímos 
que não há evidência estatística suficiente para rejeitá­la. 
A  verificação  da  suposição  de  normalidade  para  a  distribuição  das 
pontuações foi realizada por meio da construção de gráficos de probabilidades e da 
aplicação do teste não para métrico de Anderson­Darling.   
  
3.1.3 Questionário pós treinamento auditivo formal 
 
A  análise  utilizada  para  este  questionário  foi  a  medida  de  porcentagem  da 
distribuição de frequência de respostas de cada indivíduo. 
 
3.1.4 Post­training Exit Questionnaire 
 
A  análise  utilizada  para  este  questionário  foi  a  medida  de  porcentagem  da 
distribuição de frequência de respostas de cada indivíduo. 
   
31 
 
 
4 RESULTADOS 
 
Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos nos questionários de 
avaliação: Escala de Funcionamento Auditivo  (SAB),  Questionário pós  treinamento 
auditivo  e  Post  trainning  exit  questionnaire  ,  visto  que  o  objetivo  deste  estudo  foi 
investigar a aplicabilidade dos três questionários supracitados, a fim de mensurar a 
melhora relatada pelos indivíduos após terem sido submetidos ao TAAC. 
Após  a  descrição  da  amostra,  a  exposição  dos  dados  será  dividida  nas 
seguintes partes: 
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) 
Parte 2. Questionário pós treinamento auditivo 
Parte 3. Post trainning exit questionnaire  
 
Inicialmente,  apresenta­se  a  caracterização  da  amostra  utilizada.  Está 
descrita abaixo a caracterização dos sujeitos (tabela 1) e a variável idade (tabela 2). 
   
32 
 
 
Tabela 1. Caracterização da amostra segundo as variáveis sexo,  idade e grau 
de alteração do PA e processos gnósicos alterados no pré treinamento. 
   Sexo  Idade  Grau de alteração do PAC  Processos gnósicos 
alterados 
Caso 1  Masculino  9  Moderado  organização e 
decodificação 
Caso 2  Masculino  15  Moderado  organização, não­verbal e 
decodificação 
Caso 3  Masculino  9  Moderado  decodificação e não­
verbal 
Caso 4  Masculino  8  Severo  decodificação  
Caso 5  Feminino  7  Severo  decodificação e não­
verbal 
Caso 6  Feminino  9  Severo 
organização, 
decodificação e 
codificação 
Caso 7  Masculino  7  Severo  codificação, decodificação 
e não verbal 
Caso 8  Masculino  8  Severo  decodificação e não­
verbal 
Caso 9  Feminino  7  Severo  codificação, decodificação 
e não verbal 
Caso 10  Feminino  12  sem grau  decodificação e não­
verbal 
Caso 11  Masculino  9  Leve  decodificação e não­
verbal 
Caso 12  Masculino  8  Moderado  decodificação e não­
verbal 
Caso 13  Masculino  9  Severo  codificação, decodificação 
e não verbal 
Caso 14  Masculino  9  Severo  decodificação e não­
verbal 
Caso 15  Masculino  8  sem grau  Decodificação 
Caso 16  Feminino  12  sem grau  codificação e 
decodificação 
Caso 17  Feminino  10  Severo  decodificação e não­
verbal 
Caso 18  Feminino  7  Severo  decodificação e não­
verbal 
Caso 19  Feminino  10  Severo  codificação, decodificação 
e não verbal 
Caso 20  Masculino  8  Severo  decodificação, 
organização e não­verbal 
Caso 21  Feminino  9  Leve  decodificação e não­
verbal 
Caso 22  Feminino  9  Leve  decodificação e não­
verbal 
Caso 23  Masculino  6  Severo  decodificação e não­
verbal 
33 
 
 
As medidas descritivas das tabelas abaixo, foram calculadas para o conjunto 
dos  23  valores  das  questões  Q1  a  Q12  e  do  Escore  total,  em  cada  momento  de 
avaliação, e para os 23 valores da variável Diferença. Podemos verificar que apenas 
a  média  da  variável  Diferença  iguala­se  à  diferença entre a  média  dos  valores  no 
momento Pós e a média dos valores no momento Pré, ou seja, as demais medidas 
descritivas não respeitam necessariamente esta regra. 
Na tabela 1 é possível observar as variáveis: sexo, idade, escola, grau e tipo 
de alteração do processamento auditivo na etapa pré  treinamento. Nota­se que há 
mais sujeitos do sexo masculino (56,5%), que o grau de alteração mais comum é o 
severo  (56,5%),o  tipo  de  alteração  mais  apresentada  foi  prejuízo  nos  processos 
gnosicos de decodificação e não­verbal (52,17%). 
 
Tabela 2. Estatísticas descritivas da idade (anos). 
N  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
23  8,9  1,96  6  9  15 
 
Legenda: n ­ tamanho da amostra; DP ­ desvio padrão. 
 
Os  sujeitos  selecionados  tinham  idades  entre  6  e  15  anos  (média  de  8,9 
anos).  Todos  os  indivíduos  estudados  apresentavam  avaliação  audiológica  dentro 
dos  padrões  de  normalidade  e  DPA  confirmados  pelos  testes  comportamentais. 
Todos os indivíduos foram submetidos à reavaliação do PA após ter sido concluído o 
TAAC e responderam aos três questionários de autoavaliação utilizados no estudo.  
34 
 
 
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB). 
 
A  escala  SAB  foi  idealizada  pelos  seus  autores  como  um  instrumento  de 
triagem  para  o  DPA.  No  presente  estudo,  este  material  foi  utilizado  como 
instrumento de comparação entre os indivíduos nos momentos pré e pós TAAC. As 
opções  de  resposta  foram:  frequentemente  (1),  quase  sempre  (2),  algumas  vezes 
(3), esporádico (4) e nunca  (5). Portanto, quanto maior  for a pontuação para cada 
resposta, menor seria a dificuldade e ou queixa relatada.  
A  tabela  3  e  a  figura  6  mostram  as  respostas  obtidas  na  primeira  questão, 
referente  à  dificuldade  para  escutar  ou  entender  em  ambiente  ruidoso  nos 
momentos pré e pós TAAC. 
 
Tabela  3.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q1  do  SAB: 
“Dificuldade para escutar ou entender em ambiente ruidoso” nos momentos 
pré e pós. 
Momento  N  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,3  1,1  1  2  5 
Pós  23  2,8  0,5  2  3  4 
Diferença  23  0,5  1,0  ­2  1  2 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
35 
 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 6. Respostas individuais para a questão Q1 do SAB. 
 
 Pode­se  notar  que  a  média  e  a  mediana  no  momento  pós  aumentou  em 
relação ao momento pré, demonstrando melhora na queixa de escutar ou entender 
em ambiente  ruidosos após  o TAAC. Pela  figura 6 nota­se que no momento pré o 
maior  número  de  respostas  concentrou­se  na  pontuação  1  (frequentemente), 
comprovando  que  antes  do  TAAC  a  dificuldade  era  maior  em  alguns  indivíduos, 
ainda sobre o mesmo gráfico, é possível verificar que o maior número de respostas 
concentrou­se na pontuação 3 (algumas vezes) em ambos os momentos, porém, no 
momento pós há uma concentração maior de sujeitos. Nesse caso houve diferença 
estatisticamente significante entre os momentos (p­valor 0,021*). 
 A  tabela  4 e  a  figura  7  mostram  as  respostas  obtidas  na  segunda  questão, 
referente a não entender bem quando alguém fala rápido ou abafado nos momentos 
pré e pós TAAC. 
36 
 
 
Tabela  4.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q2  do  SAB: 
“Não entender bem quando alguém fala rápido ou abafado” nos momentos pré 
e pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,4  1,0  1  3  5 
 Pós  23  3,0  1,0  1  3  5 
Diferença  23  0,6  0,9  ­1  0  2 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 7. Respostas individuais para a questão Q2 do SAB.  
 
 Na  tabela 4 nota­se que a média passou de 2,4 para 3,0 no momento pós, 
evidenciando  aumento  da  pontuação  das  respostas  mesmo  obtendo­se  valores 
iguais de mínimo, máximo e mediana. O fato pode ser justificado pela figura 7, que 
mostra  o  aumento  do  número  de  sujeitos  que  optaram  pela  pontuação  4 
(esporádico), evidenciando uma melhora na queixa de compreensão de fala rápida 
ou  abafada  pós  TAAC.  Nesse  caso  ocorreu  diferença  estatisticamente  significante 
(p­valor 0,023*). 
37 
 
 
 A  tabela  5  e  a  figura  8  mostram  as  respostas  obtidas  na  terceira  questão, 
referente à dificuldade para seguir instruções orais nos momentos pré e pós TAAC. 
 
Tabela  5.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q3  do  SAB: 
“Dificuldade de seguir instruções orais” nos momentos pré e pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,6  1,1  1  3  5 
Pós  23  3,1  1,1  1  3  5 
Diferença  23  0,5  1,2  ­2  0  3 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 8. Respostas individuais para a questão Q3 do SAB. 
 
 De acordo com a tabela 5, a média das respostas aumentou de 2,6 para 3,1 
no momento pós. Nota­se que na figura 8 que a tendência de resposta dos sujeitos 
também  aumentou,  demonstrando  que  ocorreu  melhora  dos  sujeitos na  queixa  de 
dificuldades de seguir instruções orais, apesar, de não haver evidência de diferença 
38 
 
 
entre as medianas populacionais. Nesse caso ocorreu  tendência à significância (p­
valor 0,092#). 
 A  tabela  6  e  a  figura  9  mostram  as  respostas  obtidas  na  quarta  questão, 
referente  à  dificuldade  na  identificação  e  discriminação  dos  sons  da  fala  nos 
momentos pré e pós TAAC. 
 
Tabela  6.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q4  do  SAB: “Dificuldade na 
identificação e discriminação dos sons de fala” nos momentos pré e pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,9  1,0  1  3  5 
Pós  23  3,4  0,7  2  3  5 
Diferença  23  0,5  0,9  ­2  0  2 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 9. Respostas individuais para a questão Q4 do SAB. 
 
 A  tabela  6  mostra  o  aumento  da  média  das  respostas  de  2,9  para  3,4, 
evidenciando  um  aumento  na  escolha  nas  alternativas  de  maior  pontuação,  como 
39 
 
 
mostrado  na  figura  9  no  momento  pós,  em  que  apenas  um  sujeitos  optou  pela 
alternativa  2  (quase  sempre).  A  maioria  concentrou­se  entre  as  respostas  3 
(algumas vezes) e 4 (esporádico) no momento pós, significando melhora na queixa 
de  identificação  e  discriminação  dos  sons  da  fala.  Nesse  caso  ocorreu  diferença 
estatisticamente significante (p­valor 0,023*). 
 A  tabela  7  e  a  figura  10  mostram  as  respostas  obtidas  na  quinta  questão, 
referente  à  inconsistência  de  respostas  para  informações  auditivas  nos  momentos 
pré e pós TAAC. 
 
Tabela  7.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q5  do  SAB: 
“Inconsistência de respostas para informações auditivas” nos momentos pré e 
pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  3,3  1,1  1  3  5 
Pós  23  3,3  0,8  1  3  5 
Diferença  23  0,1  0,8  ­1  0  2 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 10. Respostas individuais para a questão Q5 do SAB. 
40 
 
 
 Pela tabela 7 e figura 10, nota­se que não ocorreu diferença estatisticamente 
significante e nem tendência (p­valor >0,999). 
 A  tabela  8  e  a  figura  11  mostram  as  respostas  obtidas  na  sexta  questão, 
referente à fraca habilidade de leitura nos momentos pré e pós TAAC. 
 
Tabela  8.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q6  do  SAB: 
“Fraca habilidade de leitura” nos momentos pré e pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,5  1,5  1  2  5 
Pós  23  2,9  1,1  1  3  5 
Diferença  23  0,4  1,2  ­2  0  3 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
54321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 11. Respostas individuais para a questão Q6 do SAB. 
 
 Pela  tabela  8  e  figura  11,  não  foi  possível  observar  nem  diferença 
estatisticamente significante e nem tendência a significância (p­valor 0,267). 
41 
 
 
 A  tabela  9  e  a  figura  12  mostram  as  respostas  obtidas  na  sétima  questão, 
referente a pedido de repetição da fala do outro nos momentos pré e pós TAAC. 
 
Tabela  9.  Estatísticas  descritivas  para  a  pontuação  na  questão  Q7  do  SAB: 
“Pede para repetir as coisas”nos momentos pré e pós. 
Momento  n  Média  DP  Mínimo  Mediana  Máximo 
Pré  23  2,3  0,9  1  2  4 
Pós  23  3,4  0,7  1  4  4 
Diferença  23  1,1  0,9  0  1  3 
 
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão. 
 
4321
Pré
Pós
Pontuação
 
Figura 12. Respostas individuais para a questão Q7 do SAB. 
 
De acordo as médias de respostas pré e pós observadas na tabela 9, houve 
aumento de 2,3 para 3,4, demonstrando uma  melhora significativa dos sujeitos na 
queixa de solicitação de repetição da fala do outro após o TAAC, com isso, pode­se 
observar  na  figura  12  a  concentração  quase  que  total  dos  sujeitos  entre  as 
alternativas  3  (algumas  vezes)  e  4  (esporádico)  no  momento  pós,  evidenciando  a 
42 
 
 
melhora  desta  queixa  a  qual  é  muito  recorrente  nos  pacientes  com  alteração  do 
processamento auditivo. Nesse caso ocorreu diferença estatisticamente significante 
(p­valor 0,999 
Q6  0,267 
Q7 12  ser  aberta  e  dissertativa.  As  opções  de  resposta  para  este  instrumento  eram: 
nenhuma  melhora  (0);  melhora  sutil, porém  importante  (1);  melhora  moderada  (2); 
50 
 
 
melhora  considerável  (3)  e  melhora  significativa  (4).  Quanto  maior  a  pontuação 
atribuída para cada questão, maior a mudança positiva sentida pelo paciente. 
A  tabela 17 mostra a distribuição de  frequências das  respostas de  todas as 
questões analisadas. 
 
Tabela 17. Distribuição de frequências das questões Q1 a Q11. 
Questão 
Resposta 
0  1  2  3  4 
n  %  n  %  N  %  n  %  n  % 
Q1.  Você  observou  melhora  na 
audição?  0  0,0  4  17,39  6  26,09  9  39,13  4  17,39 
Q2.  Foi  observada  melhora  para 
seguir instruções, ordens...  1  4,35  1  4,35  7  30,43  6  26,09  8  34,78 
Q3.  A  comunicação  tem  sido  mais 
fácil?  1  4,35  1  4,35  10  43,48  3  13,04  8  34,78 
Q4.  Houve  alguma  melhora 
acadêmica (leitura, soletração)?  0  0,0  2  8,70  7  30,43  5  21,74  9  39,13 
Q5.  Houve  redução  na  solicitação 
de repetição de enunciados?  1  4,35  5  21,74  11  47,83  4  17,39  2  8,70 
Q6.  Os  mal­entendidos  na 
comunicação diminuíram?  1  4,35  4  17,39  6  26,09  11  47,83  1  4,35 
Q7.  O  tempo  de  atenção 
aumentou?  0  0,00  1  4,35  11  47,83  8  34,78  3  13,04 
Q8.  O  desempenho  auditivo  em 
ambiente ruidoso melhorou?  1  4,35  5  21,74  8  34,78  6  26,09  3  13,04 
Q9.  Houve  melhora  no  nível  de 
atenção e alerta?  0  0,0  2  8,70  6  26,09  8  34,78  7  30,43 
Q10.  Houve  melhora  ao  falar  no 
telefone,  assistir  TV,  ouvir  rádio, 
etc? 
1  4,35  4  17,39  4  17,39  7  30,43  7  30,43 
Q11.  Houve  melhora  quanto  a 
autoestima?  2  8,70  2  8,70  4  17,39  8  34,78  7  30,43 
 
Legenda: 0 ­ nenhuma melhora; 1 ­ melhora sutil, porém importante; 
                 2 ­ melhora moderada; 3 ­ melhora considerável; 
                 4 ­ melhora significativa; n – no de indivíduos 
51 
 
 
Pela  Tabela  17  nota­se  que  50%  ou  mais  dos  indivíduos  consideraram  a 
melhora considerável (3) ou significativa (4) nas questões Q1, Q2, Q3, Q4, Q6, Q9, 
Q10 e Q11. Para as questões Q5, Q7 e Q8, a resposta mais frequente foi melhora 
moderada (2). 
Pôde­se  perceber  que  mesmo  para  as  questões  Q5,  Q7  e  Q8,  em  que  a 
resposta mais frequente foi melhora moderada (2), ainda assim foi possível observar 
que a maioria dos indivíduos percebeu melhora em suas habilidades comunicativas. 
 
Parte 3. Post trainning exit questionnaire 
 
O  Post  trainning  exit  questionnaire  foi  desenvolvido  por  Tye­Murray  et  al 
(2012)  para  ser  aplicado  em  indivíduos  que  foram  submetidos  ao  TAAC  com  a 
finalidade  de  mensurar  melhoras  na  compreensão  da  fala,  autoconfiança  na 
comunicação  e  nível  de  apreciação  das  atividades  do  TAAC.  Este  instrumento  é 
composto por 17 questões, mas apenas 11 foram analisadas estatisticamente, pois 
seis delas são questões abertas e dissertativas. As possibilidades de resposta nas 
questões estudadas foram: de muito pouco (1) a muito (7), ou seja, quanto maior a 
pontuação atribuída, maior foi a melhora percebida pelo sujeito. 
A  tabela 18 mostra a estatística descritiva para as pontuações nas questões 
Q1: “Indique o quanto você acredita  que  melhorou  na  sua  habilidade  de 
compreender  a  linguagem  oral  (fala),  como  resultado  de  ter  participado  do 
treinamento”; Q2: “Até que ponto, ter participado desse treinamento auditivo, 
melhorou  sua  autoconfiança  em  envolver­se  em  uma  conversa  com  conhecidos 
casuais ou estranhos”; Q3: “Até que ponto, ter participado desse treinamento 
auditivo,  melhorou  sua  autoconfiança  em  envolver­se  em  uma  conversa  com 
membros de sua família ou amigos próximos” e Q4: “Indique o quanto você gostou 
de participar desse treinamento auditivo”. 
52 
 
 
Tabela 18. Distribuição de frequências das respostas das questões Q1 a Q4. 
  Respostas 
Questão 
1  2  3  4  5  6  7 
N  %  N  %  n  %  N  %  n  %  N  %  n  % 
Q1  1  4,35  0  0,00  1  4,35  4  17,39  5  21,74  4  17,39  8  34,78 
Q2  3  13,04  0  0,00  1  4,35  5  21,74  4  17,39  4  17,39  6  26,09 
Q3  1  4,35  0  0,00  0  0,00  2  8,70  4  17,39  4  17,39  12  52,17 
Q4  0  0,00  1  4,35  3  13,04  3  13,04  1  4,35  4  17,39  11  47,83 
 
Legenda: 1 – muito pouco; 7 ­ muito 
 
A  Tabela  18  mostra  que  a  maioria  dos  sujeitos  optou  pela  alternativa  7 
(muito), indicando que as respostas foram positivas com relação a compreensão da 
fala, autoconfiança na comunicação e apreciação do TAAC .  
A  tabela  19  mostra  a  distribuição  de  frequência  das  respostas  obtidas  na 
quinta questão sobre as atividades que mais os sujeitos apreciaram no TAAC.  
 
Tabela 19. Distribuição de frequências da questão Q5. 
Resposta  n  % 
Todos exceto TPF  1  4,35 
TDD integração bineural  1  4,35 
TPD e padrão de intensidade  1  4,35 
TPF e TPD  1  4,35 
PSI  2  8,70 
TPF, TPD e padrão de intensidade  2  8,70 
Padrão de intensidade  3  13,04 
TDNV  3  13,04 
TPD  3  13,04 
TPF  3  13,04 
Nenhuma  3  13,04 
Total  23  100,00 
 
53 
 
 
Pela  tabela  19  nota­se  que  não  ocorreu  nenhuma  atividade  que  foi  mais 
apreciada, sendo assim as respostas obtidas foram indiferentes. 
A  tabela  20  mostra  a  distribuição  de  frequência  das  respostas  obtidas  na 
sexta questão sobre as atividades que os sujeitos menos apreciaram no TAAC. 
 
Tabela 20. Distribuição de frequências da Q6. 
Resposta  N  % 
Todos exceto TPD  1  4,35 
PSI  Figura­fundo  1  4,35 
SSI  1  4,35 
SSI Figura­fundo  1  4,35 
TDCV e TDD  1  4,35 
TDD e TDNV  1  4,35 
TPD  1  4,35 
TPF e TPD com flauta  1  4,35 
CV  2  8,70 
TDD  3  13,04 
TPF  3  13,04 
Fala com ruído  7  30,43 
Total  23  100,00 
 
As tabelas 19 e 20 mostram as distribuições de frequências das questões Q5 
e Q6. A  tabela 18 mostrou que a resposta Fechamento (fala com ruído)  foi a mais 
frequente com respeito à questão Q6.   
A  tabela  21  mostra  a  distribuição  das  frequências  de  respostas obtidas nas 
questões de Q7 a Q11, para as quais as respostas possíveis eram sim e não. 
54 
 
 
Tabela 21. Distribuição de frequências das questões Q7 a Q11. 
Questão 
Categorias 
Não  Sim 
n  %  n  % 
Q7  3  13,04  20  86,96 
Q8  5  21,74  18  78,26 
Q9  4  17,39  19  82,61 
Q10  5  21,74  18  78,26 
Q11  23  100,00  0  0,00 
 
Legenda: 
Q7 ­ Compreensão de palavras isoladas. 
Q8 ­ Compreensão de sentenças isoladas. 
Q9 ­ Compreensão de diálogos / conversas isoladas. 
Q10 ­ Percepção do contexto numa conversa. 
Q11 ­ Nenhuma das anteriores. 
 
Na Tabela 21 nota­se que mais de 80% das respostas às questões Q7 a Q10 
foram  iguais a SIM. No entanto,  todas as  respostas à  questão Q11  foram  iguais a 
NÃO,  demonstrando  que  não  houve  nenhum  sujeito  que  não  tenha  sentido 
mudanças positivas em sua autopercepção de compreensão. 
55 
 
 
5 DISCUSSÃO 
 
Neste  capítulo  será  apresentada  uma  análise  crítica  dos  resultados  da 
aplicação  de  três  questionários  de  avaliação  relacionados  a  diversos  aspectos  do 
TAAC. Sempre que possível, esses resultados serão confrontados com a  literatura 
especializada.  É  importante  destacar  a  escassez  de  trabalhos  na  literatura  que 
abordem  diretamente  o  tema  deste  estudo,  sendo  necessário  relacioná­lo  com 
outras populações. 
Para facilitar a exposição, será mantida a mesma organização do capítulo de 
resultados: 
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) 
Parte 2. Questionário pós Treinamento Auditivo 
Parte 3. Post Trainning Exit Questionnaire  
 
As  tabelas  1  e  2  mostraram  a  caracterização  da  amostra  segundo  as 
variáveis:  sexo,  idade,  grau  de  alteração  do  PA  e  processos  gnósicos  envolvidos 
antes  da  realização  do  TAAC.  Observou­se  que  a  amostra  foi  constituída  em  sua 
maioria por sujeitos do sexo masculino(56,5%), a faixa etária dos sujeitos variou de 
6 a 15 anos (média de 8,9 anos) o grau de alteração mais comum aos sujeitos no 
início do TAAC foi o severo (56,5%), o tipo de alteração do PA que mais se destacou 
foram os prejuízos nos processos gnósicos de decodificação e não­verbal (52,17%). 
A  idade  dos  sujeitos  deste  estudo  foi  definida  segundo  a  demanda  do  serviço,  é 
possível  perceber  que  todos  frequentavam  escola  e  apresentavam  queixas 
relacionadas  ao  desempenho  acadêmico,  portanto  acredita­se  que  os  indivíduos 
com  dificuldades  escolares  como  comorbidade  ao  PA  destacaram­se  na  procura 
pelo tratamento. 
56 
 
 
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) 
 
Na tabela 3 e  figura 6, referentes à dificuldade para escutar ou entender em 
ambiente ruidoso,  foi observado o aumento da média no momento pós TAAC com 
diferença estatisticamente significante. Muisek e Jerger (2000) afirmaram que o DPA 
pode  piorar  em  ambientes  desfavoráveis  acústicamente  e  pode  estar  associado  a 
dificuldades  de  compreensão  da  fala.  Acredita­se  que  a  melhora  relatada  pelos 
entrevistados  tenha  sido  significativa, devido  esta queixa  ser  puramente  auditiva  e 
estar  relacionada diretamente com os objetivos do  TAAC, portanto, como todos os 
sujeitos  foram  submetidos  ao  mesmo  programa  de  TAAC  e  o  realizaram  em  sua 
totalidade, era esperado que os resultados para esta questão fossem significantes.  
Na tabela 4 e figura 7, referentes à dificuldade de compreensão de fala rápida 
ou abafada, ocorreu o aumento da média no momento pós, evidenciando a melhora 
na  queixa  relatada  com  diferença  estatisticamente  significante.  Como  sugerido  na 
questão  anterior,  esta  questão  também  se  refere  à  compreensão  da  fala,  sendo 
portanto,  uma  queixa  auditiva  muito  frequente  em  indivíduos  que  apresentam  o 
DPAC  e  pela  mesma  razão,  a  melhora  ocorreu  como  esperado  para  todos  os 
indivíduos submetidos ao TAAC. Além disso, esta questão também reflete a eficácia 
da abordagem utilizada pela perspectiva do paciente, ao relatar sua melhora (Tallal 
e Merzenich, 1996b; Zalcman e Schochat, 2007). 
Na  tabela 5 e  figura 8,  referentes à dificuldade para seguir  instruções orais, 
observou­se  que  a  média  de  respostas  aumentou  e  observou­se  tendência  à 
significância.  Apesar  dos  resultados  para  esta  questão  não  terem  sido 
estatisticamente  significantes,  ainda  assim  foi  possível  perceber  uma  melhora 
subjetiva.  Diferentemente  das  questões  citadas  anteriormente,  esta  não  é  uma 
queixa que depende somente do bom funcionamento do sistema auditivo periférico e 
central, ela também exige da linguagem e da cognição (Pereira, 1997 ab), variando 
com relação à complexidade da instrução apresentada.  
Na  tabela  6  e  figura  9,  referentes  à  dificuldade  na  identificação  e 
discriminação  dos  sons  da  fala,  foi  observado  aumento  da  média  e  diferença 
estatisticamente  significante,  que  concordam  com  os  resultados  dos  estudos  de 
57 
 
 
Tallal e Merzenich (1996); King (1999) e Agnew et al. (2004). Para esta questão era 
esperado  este  resultado,  devido  à  relação  muito  próxima  desta  queixa  com  os 
objetivos  principais  do  TAAC  que  são  melhorias  na  memória,  atenção  e 
concentração auditivas,  favorecendo a comunicação em ambientes adversos. Esta 
questão,  por  muitas  vezes,  precisou  ser  simplificada  ou  explicada  diversas  vezes 
para  que o  indivíduo e  sua  família  pudessem  expressar  uma  resposta  fidedigna  e 
condizente  com  a  melhora  sentida  na  queixa  pós  TAAC.  A  formulação  mais 
simplificada  usada  foi:  “Você tem dificuldade entender cada som da fala, por 
exemplo:  /s/, /f/, /x/ etc...” (mostrando exemplos dos sons). Além disso, foi 
questionado aos responsáveis se as crianças apresentavam trocas na fala e/ou na 
escrita. 
Na  tabela  7  e  figura  10,  referentes  à  inconsistência  de  respostas  para  as 
informações auditivas não  ocorreu diferença estatisticamente significante, nos dois 
momentos as respostas permaneceram iguais.  
Na  tabela 8 e  figura 11,  referentes à  fraca habilidade de  leitura não  ocorreu 
tendência  e  nem  diferença  estatisticamente  significante.  Apesar  de  alguns  sujeitos 
terem relatado melhoras na leitura após o TAAC, esta não era uma questão  para a 
qual não eram esperadas diferenças significantes. Este fato ocorre pela leitura estar 
relacionada também com os aspectos da linguagem além das habilidades auditivas 
(Lucas et al. 2007; Sharma et al. 2009; Frota e Pereira 2010; Machado et al. 2011; 
Soares  et  al.  2013).  O  TAAC  não  tem  como  objetivo  sanar  dificuldades  de  leitura, 
sendo  uma  ferramenta  complementar  na  reabilitação  dos  transtornos  de  leitura  e 
escrita quando os mesmo coexistem com os distúrbios do processamento auditivo. 
Na tabela 9 e figura 12, referentes à solicitação de repetição da fala do outro, 
ocorreu  aumento  da  média  no  momento  pós,  com  diferença  estatisticamente 
significante,  demonstrando  melhora  nesta  queixa  (Tallal  e  Merzenich,  1996).  De 
modo geral, a queixa de repetição é muito frequente em pacientes que apresentam o 
DPAC.  A  maioria dos  pais,  ao  relatar  o  comportamento  de  seus  filhos  na  primeira 
sessão,  dizem  que  os  pedidos  de  solicitação  de  repetição  são  frequentes  e  os 
mesmos  ficam na dúvida se esta queixa está  relacionada á um déficit de atenção. 
Nas  entrevistas  finais  em  que  estes  responsáveis  auxiliavam  seus  filhos  nas 
respostas, foi quase unanime as respostas positivas para a diminuição desta queixa. 
58 
 
 
Na tabela 10 e figura 13, referentes à questão “Facilmente distraído” a média 
de  respostas  aumentou  e  ocorreu  diferença  estatisticamente  significante  entre  os 
momentos. Sabe­se que o TAAC é capaz de melhorar a atenção auditiva (Garcia et 
al. 2007; Putter­Katz et al. 2002; Musiek e Schochat, 1998; Gil 2006; Stroiek et al. 
2015; Pereira e Cibian, 2015), porém, não substitui um  tratamento específico para 
problemas  relacionados  à  déficit  de  atenção,  que  foi  muito  citado  pelos  pais  ao 
responderam esta questão. Esse achado abre a possibilidade de mais estudos que 
relacionem a atenção e o TAAC. 
Na  tabela  11  e  figura  14,  referentes  a  dificuldades  acadêmicas  e  de 
aprendizagem não ocorreu tendência e nem diferença estatisticamente significante. 
Assim como as outras questões citadas anteriormente que não apresentam relação 
direta  com  as  habilidades  auditivas,  para  esta  questão  também  não  se  esperava 
resultados  significativos,  uma  vez  que  não  foram  realizadas  atividades  específicas 
para este fim (Pereira e Cibian, 2015). Estes resultados discordam dos achados dos 
trabalhos  de  Musiek  (1999)  e  Putter­Katz  et  al.  (2002)  que  encontraram  melhoras 
significativas nesta queixa após o TA. O programa de TAAC realizado no presente 
estudo  contou  com  estratégias  Bottom­up,  evolvendo  atividades  de  melhorias  na 
recepção  auditiva,  para  que  fossem  evidenciadas  melhorias  acadêmicas  ligadas  a 
linguagem, as estratégias Top­down seriam mais indicadas.  
Na  tabela  12  e  figura  15,  referentes  a  períodos  de  atenção  curtos,  ocorreu 
tendência  à  significância,  concordando  com  o  estudo  de  Garcia  et  al.  (2007)  e 
Pereira  e  Cibian,  2015.  Na  entrevista  com  os  sujeitos  e  seus  responsáveis  essa 
queixa foi muito frequente, principalmente quando relatavam situações de seus filhos 
em sala de aula e/ou fazendo lição de casa antes de serem submetidos ao TAAC. 
Na  tabela  13  e  a  figura  16,  referentes  a  momentos  de  falta  de  atenção  tais 
como,  “sonha acordado, parece desatento”, a média das respostas aumentou no 
momento pós TAAC e ocorreu diferença estatisticamente significante,evidenciando 
melhora  nessa  queixa.  O  mesmo  foi  encontrado  no  estudo  de  Putter­Katz  et  al. 
(2002)  que  avaliou  crianças  que  tinham  falta  de  atenção.  Em  todas  as  questões 
relacionadas  à  atenção  deste  questionário  foram  relatadas  melhoras  pelos 
indivíduos, comprovando a eficácia do TAAC na atenção auditiva. 
59 
 
 
Na tabela 14 e figura 17, referentes à desorganização, não ocorreu tendência 
e  nem  diferença  estatisticamente  significante  entre  os  momentos.  Quando  essa 
questão  foi  apresentada  aos  sujeitos  e/ou  a  seus  pais,  percebeu­se  a  dúvida  nos 
mesmos sobre o tipo de desorganização estava sendo questionada. Acredita­se que 
por ela ser composta apenas pela palavra “desorganizado”, esta questão pareceu 
genérica ou vaga, dificultando até a facilitação por parte da pesquisadora.  
Nas tabelas 15 e 16 figuras 18 e 19, referentes ao score total do questionário 
SAB pré e pós TAAC foi observado aumento das medianas no momento pós para as 
questões  Q1,Q2,Q4,  Q7,  Q8,  Q11  e  para  o  escore  total,  evidenciando  diferença 
estatisticamente  significante  para  metade  das  questões  propostas  neste 
questionário. Para o score  total, a mediana no momento pré era 26 e no momento 
pós  passou  para  37,  concordando  com  o  trabalho  de  Nunes  et  al.  (2013)  que 
mostrou os resultados de uma triagem de PA utilizando o SAB em que as crianças 
que  apresentaram  um  escore  final  inferior  a  35  pontos  e  comprometimento 
simultâneo em dois ou mais testes do PA. As evidências constatadas neste estudo 
sobre  este  instrumento  garantem  ao  mesmo  boa  aplicabilidade  para  pacientes 
submetidos a um programa de TAAC. 
O questionário SAB não contou com o apoio de uma escala analógica visual 
para  ser  aplicado,  porém,  a  criação  de  uma  poderia  ter  ajudado  os  indivíduos  na 
escolha  das  alternativas,  além  disso,  a  elaboração  de  um  roteiro  de  apoio  para 
auxiliar na aplicação de cada questão, com  exemplos e breves explicações  faz­se 
necessário para garantir a compreensão dos sujeitos e consequentemente fornecer 
respostas mais concretas e próximas da realidade dos mesmos, além de melhorar a 
padronização na explicação. 
A escassez de estudos que tenham utilizado o questionário SAB e também a 
ausência de estudos que comparem os resultados deste instrumento nos momentos 
pré e pós TAAC dificultaram o confronto da literatura com os achados do presente 
estudo. 
60 
 
 
Parte 2. Questionário Pós Treinamento Auditivo 
 
Na  tabela  17  foi  apresentada  a  distribuição de  frequência  das  respostas  de 
todas as questões do questionário Pós Treinamento Auditivo. De maneira geral, para 
este instrumento, não ocorreram respostas negativas em relação à melhora após o 
TAAC,  isso  é  percebido  devido  ao  número  pequeno  de  sujeitos  que  responderam 
para a alternativa “nenhuma melhora”. Observou­se que 50% ou mais dos indivíduos 
citaram a melhora considerável ou significativa para a maioria das questões (Q1, Q2, 
Q3, Q4, Q6, Q9, Q10, Q11), concordando com o estudo de Musiek e Schochat, 1998 
em  que  o  mesmo  instrumento  foi  aplicado  em  um  sujeito  que  referiu  melhora  pós 
TAAC.  Para  as  questões  Q5,  Q7  e  Q8,  a  resposta  mais  frequente  foi  a  melhora 
moderada.  
Para a questão Q1 “Você observou melhora na audição?”,  39,13%  dos 
sujeitos  responderam  que  melhoraram  consideravelmente,  concordando  com  os 
achados de Musiek e Schochat, 1998 e Pereira e Cibian, 2015. Esta questão é mais 
geral sobre a audição e por não especificar uma queixa, o sujeito tende a responder 
positivamente, refletindo o que sentiu após o TAAC de maneira geral. 
Para a questão Q2 “Foi observada melhora para seguir instruções, ordens...”, 
34,78%  dos  sujeitos  respondeu  que  melhoraram  significativamente.  Concordando 
com  a  mesma  questão  Q3  do  questionário  SAB  no  presente  estudo,  referente  à 
“Dificuldade de seguir instruções orais” em que foi observada tendência à 
significância. Este tipo de queixa é muito comum em crianças com DPAC e foi muito 
relatado pelos pais no início do programa de TAAC, ao fim do mesmo, os relatos de 
melhora foram frequentes. 
Para a questão Q3 “A comunicação tem sido mais fácil?” 34,78% dos sujeitos 
optaram pela alternativa de melhora significativa (Putter­Katz et al. 2002). Durante a 
aplicação deste instrumento, muitos sujeitos relataram melhor compreensão da fala 
do  interlocutor,  além  disso,  alguns  pais  relataram  que  seus  filhos  estavam  se 
relacionando melhor socialmente. 
Para a questão Q4 “Houve alguma melhora acadêmica (leitura, soletração)?” 
39,13% dos sujeitos  responderam que  melhoraram significativamente, discordando 
61 
 
 
com a questão Q6 do SAB “Fraca habilidade de leitura” em que não foi possível 
observar  diferença  estatisticamente  significante.  A  possível  justificativa  para  essa 
diferença de respostas tão grande pode ser a forma como as duas questões foram 
formuladas.  Sabe­se  que  o  desempenho  acadêmico  depende  também  das 
habilidades de linguagem, além das auditivas (Santos et. al 2015). Os sujeitos que 
percebem essa evolução significativa na escola, são aqueles indivíduos que têm um 
comprometimento do DPA mais  leve, que são a minoria dos sujeitos deste estudo, 
cujo  grau  de  alteração  mais  comum  foi  o  severo.  Sabe­se  que  sujeitos  com 
dificuldades acadêmicas podem apresentar o DPA como comorbidade (Lucas et al. 
2007; Sharma et al. 2009; Oliveira et al. 2011). 
Para a questão Q5 “Houve redução na solicitação de repetição de 
enunciados?” 47,83% dos sujeitos responderam melhora moderada. Apesar da 
maioria  não  ter  optado  pela  melhora  considerável  ou  significativa,  foi  possível 
perceber  evolução,  principalmente  quando  comparou­se  esta  pergunta  com  a 
questão  Q7 do SAB “Pede para repetir as coisas” que ocorreu diferença 
estatisticamente significante. Observa­se que no SAB esta questão foi elaborada de 
forma  mais  simples  e  isso  pode  ter  auxiliado  os  indivíduos  e  seus  pais  na 
compreensão da mesma, levando­os a fornecer respostas mais precisas. 
Para a questão Q6 “Os mal­entendidos na comunicação diminuíram?” 47,83% 
dos  sujeitos  responderam  melhora  considerável  (Tallal  e  Merzenich  1996).  Esta 
queixa está diretamente relacionada com uma das principais queixas inerentes aos 
sujeitos com DPAC e muito relatada pelas famílias destes sujeitos.  
Para a questão Q7 “O tempo de atenção melhorou?” 47,83% dos sujeitos 
responderam  melhora moderada. Ao  longo desta discussão,  foi possível notar que 
as  questões  referentes  à  atenção  após  o  TAAC,  sempre  foram  relacionadas  à 
evolução positiva, como por exemplo as questões do SAB, Q8 “Facilmente distraído” 
e Q11 “Sonha acordado, parece desatento” em que ocorreu diferença 
estatisticamente significante. Mesmo a questão Q10 “Períodos curtos de atenção” do 
SAB em que ocorreu tendência à significância, foi possível perceber a mudança dos 
indivíduos para melhor. 
Para a questão Q8 “O desempenho auditivo em ambiente ruidoso melhorou?” 
34,78%  dos  sujeitos  responderam  ter  percebido  melhora  moderada.  Como  a 
62 
 
 
percepção  auditiva  depende  do  próprio  sujeito  e  a  amostra  foi  composta  por 
crianças,  acredita­se  que  as  repostas  possam  ter  sido  inconsistentes.  Para  esta 
questão, é necessário saber a diferença entre um ambiente ruidoso e um silencioso, 
posteriormente lembrar­se do próprio comportamento frente a estas situações. Esta 
questão  também  foi  explicada  na  hora  da  aplicação,  muito  sujeitos  apresentaram 
dificuldades na compreensão do termo “desempenho auditivo”. 
Para a questão Q9 “Houve melhora no nível de atenção e alerta” 34,78% dos 
sujeitos responderam ter sentido melhora considerável. Estes resultados concordam 
com a questão Q7 deste questionário, citadaanteriormente e reafirma que o TAAC 
foi  eficaz  em  melhorar  o  tempo  de  atenção  (Garcia  et  al.  2007;  Putter­Katz  et  al. 
2002;  Pereira  e  Cibian,2015).  Vale  lembrar  que  muitos  sujeitos  e  suas  famílias 
apresentaram dificuldades na compreensão do termo “nível de alerta” contido na 
pergunta,  por  este  motivo,  a  questão  foi  devidamente  explicada,  a  fim  de,  excluir 
falsas respostas. 
Para a questão Q10 “Houve melhora ao falar no telefone, assistir TV, ouvir 
rádio,  etc?”  30,43%  dos  sujeitos  responderam  melhora  considerável  e  30,43% 
melhora  significativa,  com  isso,  foi  possível  perceber  que  a  compreensão  da  fala 
melhorou quando transmitida por meio de equipamentos eletrônicos. 
Para a questão Q11 “Houve melhora quanto a autoestima?” 34,78% dos 
sujeitos  responderam  melhora  considerável.  Acredita­se  que  as  melhorias  na 
comunicação são capazes de conferir ao sujeito mais confiança para se comunicar, 
tornando­o  cada  vez  mais  seguro  para  estabelecer  trocas  comunicativas,  mesmo 
que em ambientes adversos. 
A  visão  geral  para  este  instrumento  trouxe  dados  importantes  a  respeito da 
percepção do sujeito e sobre a observação de seus pais após a realização do TAAC, 
único  momento  em  que  este  questionário  foi  aplicado.  Ao  somarmos  as 
porcentagens  das  duas  últimas  colunas,  foi  percebida  na  maioria  das  questões  a 
melhora em mais de 70% dos indivíduos.  
63 
 
 
Parte 3. Post Trainning Exit Questionnaire  
 
Na tabela 18 foram apresentados os resultados das quatro primeiras questões 
do Post Trainning Exit Questionnaire.  
Nas questões Q1 referente à habilidade de compreensão da fala pós TAAC, 
Q2 referente à melhoria da autoconfiança em conversas com estranhos pós TAAC e 
Q3  referente  à  melhoria  na  autoconfiança  em  envolver­se  em  uma  conversa  com 
membros da família e amigos próximos pós TAAC a maioria dos sujeitos relataram 
muita  melhora  estes  resultados  se  relacionaram  com  os  achados  de  Stroiek  et al. 
2015. Os resultados concordam com Tye­Murray et al. 2012 em que os participantes 
do estudo relataram melhorias em sua habilidade para reconhecimento de fala e em 
sua  auto­confiança,  como  resultado  de  terem  participado  do  TA.  Em  geral,neste 
mesmo estudo, os participantes indicaram melhora moderada na sua capacidade de 
compreender a linguagem falada (média de 4,1 na escala de sete pontos), fato que 
não  concorda  com  os  achados  do  presente  estudo,  em  que  os  sujeitos  relataram 
muita melhora. A única diferença significativa observada no estudo de Tye­Murray et 
al. 2012 entre as quatro questões foi para a pergunta número 3 ("Até que ponto, ter 
participado desse treinamento auditivo, melhorou sua autoconfiança em envolver­se 
em uma conversa com conhecidos casuais ou estranhos"). 
Na  questão  Q4  referente  ao  quanto  o  sujeito  gostou  de  ter  participado  do 
TAAC,  47,83%  dos  sujeitos  indicaram  ter  apreciado  muito  o  programa.  O  mesmo 
não  ocorreu  nos  achados  de  Tye­Murray  et  al.  2012,  em  que  os  sujeitos  em  sua 
maioria relataram melhora moderada sobre terem gostado de participar do programa 
(média  de  5,9).  A  motivação  é  uma  fator  chave  para  a  eficácia  do  treinamento 
acusticamente controlado. 
Na tabela 19 referente à questão Q5 sobre as atividades que os sujeitos mais 
apreciaram  no  programa  de  TAAC,  as  respostas  mostraram­se  divididas.  Não  foi 
possível perceber nenhuma atividade que tenha se destacado como favorita. 
Na  tabela  20  referente  à  questão  Q6  sobre  as  atividades  que  os  sujeitos 
menos apreciaram no programa de TAAC, a resposta mais comum foi “Fala com 
ruído” ou treinamento da habilidade de  fechamento auditivo, escolhida por 30,43% 
64 
 
 
dos  sujeitos.  Acredita­se  que  a  não  apreciação  desta  atividade  pelos  sujeitos 
decorra  das  dificuldades  de  compreensão  em  ambientes  muito  adversos,  além 
disso, pelo ruído ser um estímulo desagradável e incomodo. 
Sabe­se  que  a  apreciação  dos  sujeitos  para  qualquer  tipo  de  atividade 
depende muito da motivação sentida pelos mesmos (Silman et al. 2000) e quando o 
TAAC envolve temas do interesse do indivíduo, há cada vez mais atenção envolvida 
(Sweetow e Henderson,2010). 
Na  tabela  21  foram  apresentadas  as  respostas  obtidas  nas  questões  Q7  a 
Q11. Para a Q7 ”Compreensão de palavras isoladas” 86,96% dos sujeitos 
responderam  que  esta  compreensão  melhorou.  Para  a  Q8 “Compreensão de 
sentenças isoladas”  78,26% dos sujeitos optaram pela alternativa “sim” apontando 
melhorias nesta queixa. Para a Q9 “Compreensão de diálogos/conversas isoladas” 
82,61% dos sujeitos relatou melhora nesta queixa. Na questão Q10 “Percepção do 
contexto numa conversa” 78,26% dos sujeitos perceberam melhoras positivas nesta 
queixa (Vilela et al. 2012; Sharma et al. 2012; Acrani et al. 2008; Agnew et al. 2004; 
King, 1999; Muniz, 2007). No estudo de Tye­Murray et al. 2012 em que os sujeitos 
eram  deficientes  auditivos,  sobre  as  questões  relacionadas  a  linguagem  oral  88% 
dos  participantes  acreditavam  que  eles  tinham  melhorado  em  pelo  menos  um  dos 
aspectos  da  compreensão  da  fala.  A  maioria  dos  participantes  (66%)  indicou  que 
melhoraram  na  compreensão  de  palavras  isoladas  após  o  treinamento,  34% 
responderam  que  sua  capacidade  de  compreender  sentenças  tinham  melhorado, 
22%  indicaram  que  a  sua  compreensão  de  diálogos  tinha  melhorado  e  34% 
indicaram  que  o  treinamento  havia  melhorado  sua  capacidade  de  compreender  o 
contexto geral numa conversa. 
Para a Q11 “Nenhuma das anteriores” 100% dos sujeitos optaram por  “não” 
evidenciando  que  pelo  menos  alguma  evolução  foi  percebida  com  relação  à 
compreensão de fala após o TAAC. 
Para  este  estudo,  foram  utilizados  três  questionários diferentes  que  avaliam 
diversos  aspectos  e  contém  questões  que  se  completam  entre  si, por  este  motivo 
usamos  os  três  instrumentos.  À  medida  que  os  questionários  Pós  Treinamento 
Auditivo  e  Post  Trainning  Exit  Questionnaire  mensuram  a  melhora  do  sujeito 
somente no pós TAAC, o SAB, que originalmente é um instrumento de triagem para 
65 
 
 
o  PA,  no  presente  estudo  foi  utilizado  como  uma  avaliação  comparativa  entre  os 
momentos  pré  e  pós  TAAC.  Diante  do  exposto,  sugerem­se  novos  estudos  que 
possam  unir  os  três  instrumentos,  construindo  apenas  um  material  com  aplicação 
pré e pós TAAC, com o objetivo de captar a melhora subjetiva dos pacientes. 
Ao  longo  desta  discussão  foi  citada  diversas  vezes  a  dificuldade  de 
compreensão de alguns termos contidos nas questões por parte dos sujeitos e seus 
pais.  Por  este  motivo,  a  aplicação  dos  questionários  foi  realizada  em  formato  de 
entrevista,  durante  a  mesma,  foram  utilizadas  escalas  analógicas  visuais  criadas 
especialmente  para  estas  crianças,  com  a  finalidade  de  facilitar  a  mensuração  da 
melhora sentida. Além disso, as perguntas que os participantes tinham dúvidas eram 
simplificadas e explicadas.  
66 
 
 
6 CONCLUSÃO 
 
Após a análise crítica dos resultados do presente estudo, foi possível concluir 
que:  
Os  instrumentos  de  avaliação  utilizados  mostraram­se  efetivos  para  a 
avaliação  da  percepção  de  melhora  subjetiva  de  sujeitos  submetidos  ao  TAAC 
quanto  aos  aspectos  de  desempenho  acadêmico,  habilidades  auditivas  e  de 
comunicação e auto­estima. 
67 
 
 
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73 
 
 
8 ANEXOS  
 
ANEXO 1 
 
 
        
74 
 
 
 
75 
 
 
ANEXO 2 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP 
DEPARTAMENTO DE FONOAUDIOLOGIA 
 
TERMO DE ASSENTIMENTO 
Você está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa  intitulado:  TREINAMENTO 
AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO.  
Seus pais permitiram sua participação neste estudo, portanto gostaríamos de verificar o sua 
melhora,  assim  como  de  outras  crianças  e  adolescentes  após  o  treinamento  auditivo  em 
cabine. Para isso, você deverá responder um questionário antes do treinamento auditivo em 
cabine e três questionários depois. 
Você não precisa participar da pesquisa se não quiser, é um direito seu, não terá nenhum 
problema caso queira desistir. A pesquisa será feita na Universidade Federal de São Paulo, 
no ambulatório do Departamento de Fonoaudiologia. 
Essa pesquisa não  traz desconforto ou  risco e não há benefício direto à você. Caso você 
não  queira  mais  participar  do  estudo  ou  tenha  alguma  dúvida,  pode  procurar  as 
responsáveis: Profa. Dra. Daniela Gil e Fga. Ana Carolina de Oliveira Sobreira, que podem 
ser  encontradas  no  endereço  Rua  Botucatu,  802,  Vila  Clementino,  CEP:  04023­900,  São 
Paulo, telefone: 5549­7500. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da 
pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), à Rua Botucatu, 572 
­ 1º andar ­ cj 14, tel:5571­1062, fax 5539­7162, e­mail: cepunifesp@epm.br. 
Ninguém saberá que você está participando deste estudo e não daremos a estranhos as 
informações que  e  você  nos der.  Os  resultados  da  pesquisa  serão  publicados,  mas  sem 
identificar as crianças e adolescentes que participaram da pesquisa. 
Eu,_____________________________________ aceito participar da pesquisa  
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO. 
 
_________________________________      Data: __/__/__             
Assinatura do participante da pesquisa  
 
Declaro  que  obtive  de  forma  apropriada  e  voluntária  o  Consentimento  Livre  e  Esclarecido  deste 
sujeito ou representante legal para a participação neste estudo.  
 
 
____________________________              Data: __/__/__  
   Assinatura do pesquisador 
 
Uma via deste documento deverá ficar com o pesquisador e a outra com o participante da pesquisa.                                                                                                                                                                                       
 
1/1 
mailto:cepunifesp@epm.br
76 
 
 
ANEXO 3 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO AOS PAIS E/OU 
RESPONSÁVEIS 
Seu  filho  está  sendo  convidado  a  participar  do  projeto  de  pesquisa  intitulado: 
TREINAMENTO  AUDITIVO  FORMAL:  QUESTIONÁRIOS  DE  AUTOAVALIAÇÃO.  Este 
trabalho  visa  investigar  os  efeitos  de  um  programa  de  treinamento  auditivo  formal  em 
indivíduos de 8 a 59 anos após as sessões de treinamento auditivo formal por meio de três 
questionários. Para  isso, ocorrerá a  coleta das  respostas dos  indivíduos por meio de  três 
questionário de auto­avaliação após a última sessão de treinamento auditivo formal.  
Essa é uma avaliação não  invasiva, não  trazendo desconforto ou  risco aos participantes e 
não havendo benefício direto ao mesmo. Em qualquer etapa do estudo, você  terá acesso 
aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimentos de eventuais dúvidas.  
Os investigadores são Profa. Dra. Daniela Gil e Fga. Ana Carolina de Oliveira Sobreira, que 
podem ser encontradas no endereço Rua Botucatu, 802, Vila Clementino, CEP: 04023­900, 
São Paulo, telefone: 5576­4531. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética 
da pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), à Rua Botucatu, 
572 ­ 1º andar ­ cj 14, tel:5571­1062, fax 5539­7162, e­mail: cepunifesp@epm.br. 
É garantida a retirada de consentimento a qualquer momento, para que seu filho deixe de 
participar do estudo,  sem qualquer prejuízo. As  informações obtidas  serão analisadas em 
conjunto com outros participantes, não sendo divulgada a  identificação de nenhum sujeito. 
Você e seu filho têm o direito de serem mantidos atualizados sobre os resultados parciais da 
pesquisas, quando em estudos abertos, ou de resultados que sejam do conhecimento dos 
pesquisadores. 
Não há despesas pessoais em qualquer fase do estudo,  incluindo sessões de reabilitação. 
Também  não  há  compensação  financeira  relacionada  à  participação.  Se  existir  qualquer 
despesa adicional, ela será absorvida pelo orçamento da pesquisa. 
O pesquisador se compromete a utilizar os dados e o material coletado somente para esta 
pesquisa. 
Acredito ter sido suficientemente esclarecido a respeito das informações que li ou que foram 
lidas  para  mim,  descrevendo  a  pesquisa  “TREINAMENTO  AUDITIVO  FORMAL: 
QUESTIONÁRIOS  DE  AUTOAVALIAÇÃO”.  Ficaram  claros  para  mim  quais  são  os 
propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as 
garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que 
a  participação  do  meu  filho  é  isenta  de  despesas  e  que  tenho  garantia  do  acesso  a 
tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente que meu filho participe 
deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante 
o mesmo,  sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa  ter 
adquirido.  
______________________________        __________________________________  Data: __/__/__ 
 Nome do responsável                                    Assinatura do responsável 
 
Declaro  que  obtive  de  forma  apropriada  e  voluntária  o  Consentimento  Livre  e  Esclarecido  do 
representante  legal  do  menor  ________________________________________________  para  a 
participação neste estudo.  
 
____________________________              Data: __/__/__  
   Assinatura do pesquisador 
 
Uma via deste documento deverá ficar com o pesquisador e a outra com o participante da pesquisa.                                                                               
 1/1 
mailto:cepunifesp@epm.brdo SAB........................  43 
Figura 15  Respostas individuais para a questão Q10 do SAB......................  44 
Figura 16 Respostas individuais para a questão Q11 do SAB......................  45 
Figura 17 Respostas individuais para a questão Q12 do SAB......................  46 
Figura 18 Respostas individuais para a Pontuação total do SAB.................  48 
Figura 19 Boxplots da pontuação para a Pontuação total do SAB................  48 
 
xi 
 
Lista de Quadros eTabelas 
 
Quadro 1 
Cronograma  das  sessões  de  treinamento  auditivo 
acusticamente controlado......................................................... 
 
23 
Tabela 1 
Caracterização da amostra segundo as variáveis sexo, idade 
e grau de alteração do PA e processos gnósicos alterados no 
pré treinamento......................................................................... 
 
32 
Tabela 2 Estatísticas descritivas da idade (anos)....................................  33 
Tabela 3 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q1 do 
SAB: “Dificuldade  para  escutar  ou  entender  em  ambiente 
ruidoso” nos momentos pré e pós............................................. 
 
34 
Tabela 4 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q2 do 
SAB: “Não entender bem quando alguém fala rápido ou 
abafado” nos momentos pré e pós........................................... 
 
36 
Tabela 5 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q3 do 
SAB: “Dificuldade de seguir instruções orais” nos momentos 
pré e pós................................................................................... 
 
37 
Tabela 6 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q4 do 
SAB: “Dificuldade na identificação e discriminação dos sons 
de fala” nos momentos pré e pós.............................................. 
 
38 
Tabela 7 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q5 do 
SAB: “Inconsistência de respostas para informações 
auditivas” nos momentos pré e pós.......................................... 
 
39 
Tabela 8 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q6 do 
SAB: “Fraca habilidade de leitura” nos momentos pré e pós.... 
 
40 
Tabela 9 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q7 do 
SAB: “Pede para repetir as coisas” nos momentos pré e pós.. 
 
41 
 
xii 
 
Tabela 10 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q8 do 
SAB: “Facilmente distraído” nos momentos pré e pós.............. 
 
42 
Tabela 11 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q9 do 
SAB: “Dificuldades acadêmicas ou de aprendizagem” nos 
momentos pré e pós................................................................. 
 
43 
Tabela 12 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q10 do 
SAB: “Período de atenção curto” nos momentos pré e pós...... 
 
44 
Tabela 13 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q11 do 
SAB: “Sonha acordado, parece desatento” nos momentos pré 
e pós......................................................................................... 
 
45 
Tabela 14 
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q12 do 
SAB: “Desorganizado” nos momentos pré e pós...................... 
 
46 
Tabela 15 
Estatísticas  descritivas  para  a  Pontuação  total  do  SAB  nos 
momentos pré e pós................................................................. 
 
47 
Tabela 16 
Valores­p  do  teste  do  sinal  para  comparar  as  pontuações 
medianas populacionais entre os momentos pré e pós............ 
 
49 
Tabela 17 Distribuição de frequências das questões Q1 a Q11................  50 
Tabela 18 
Distribuição de frequências das respostas das questões Q1 a 
Q4.............................................................................................. 
 
52 
Tabela 19 Distribuição de frequências da questão Q5..............................  52 
Tabela 20 Distribuição de frequências da Q6............................................  53 
Tabela 21 Distribuição de frequências das questões Q7 a Q11................  54 
 
 
xiii 
 
Lista de Abreviaturas e Símbolos 
 
ABEL   Auditory Behavior in Everyday Life 
APHAB   Abbreviated Profile of Hearing Aid Benefit 
ASHA  American Speech­Language­Hearing Association 
CD   Compact disc 
CEP   Concelho de ética profissional 
CONFIAS   Consciência Fonológica Instrumento de Avaliação Sequencial 
dB   Decibel 
dBNA   Decibel nível de audição 
DD   Dicótico de dígitos 
DPA   Distúrbio do processamento auditivo 
DPS   Duration pattern sequence 
FR   Fala com ruído 
GIN   Gaps in noise 
HHIE   Hearing Handicap Inventory for the Elderly 
Hz   Hertz 
MLD   Masking level difference 
MS  Milissegundos 
MSNV   Memória sequencial não verbal 
MSV   Memória sequencial verbal 
OD   Orelha direita 
 
xiv 
 
OE   Orelha esquerda 
PA   Processamento auditivo 
PPS   Pitch pattern sequence 
PSI   Pediatric speech intelligibility 
PTEQ   Post Trainning Exit Questionnaire 
P­VALOR   Resultado estatístico 
RGDT   Random gap detection test 
SAB   Scale of Auditory Behaviors 
SSI   Synthetic sentence identification 
SSW   Sttagered Spondaic Word 
TA   Treinamento Auditivo 
TAAC   Treinamento auditivo acusticamente controlado 
TAF   Treinamento Auditivo Formal 
TAFC   Treinamento auditivo fora da cabine 
TCLE   Termo de consentimento livre e esclarecido 
TDD   Teste dicótico de dígitos 
TDDH   Teste dicótico de dígitos harmônico 
TPD   Teste de padrão de duração 
TPF   Teste de padrão de frequência 
 
   
 
xv 
 
Resumo 
 
Introdução:  Existem  várias  abordagens  para  o  tratamento  dos  distúrbios  do 
processamento  auditivo  (DPA),  a  maioria  dos  programas  inclui  o  treinamento 
auditivo acusticamente controlado (TAAC). Além das evidências de que o TAAC é 
eficaz na (re) habilitação dos DPA, é importante ter uma avaliação do próprio sujeito 
que passou pelo tratamento com relação à sua evolução, para que o mesmo possa 
relatar se ocorreu mudança comportamental perceptível principalmente relacionada 
à autoconfiança na comunicação em situações auditivas adversas, compreensão da 
fala em ambientes desfavoráveis, melhora acadêmica e de autoestima, entre outras. 
Não  existem  instrumentos  específicos  para  autoavaliação  após  o  TAAC, 
frequentemente  são  utilizados  questionários  destinados  a  outros  fins,  tais  como 
benefício  com  as  próteses auditivas ou  questionários gerais  de  qualidade  de  vida. 
Objetivo:  Aplicar  três  questionários  de  avaliação  subjetiva  a  fim  de  identificar  a 
percepção  de  melhora  aferida  do  ponto  de  vista  do  paciente  submetido  ao 
treinamento  auditivo  acusticamente  controlado  e/ou  de  sua  família  quanto  aos 
aspectos  de  desempenho  acadêmico,  habilidades  auditivas  e  de  comunicação  e 
auto­estima.  Método:  Participaram  desta  pesquisa  23  indivíduos  de  ambos  os 
gêneros,  na  faixa  etária  de  6  a  15  anos  de  idade.  Os  critérios  de  inclusão  foram 
apresentar limiares auditivos menores do que 20 dB entre 250 e 8000 Hz (Northern 
e Downs, 1984), timpanometria com curva tipo A e diagnóstico de DPA confirmado 
por testes comportamentais com indicação de TAAC. Os critérios de exclusão foram 
síndromes de qualquer natureza, transtornos psicológicos, psiquiátricos e cognitivos 
evidentes  e/ou  diagnosticados.  Foi  realizado  um  programa  de  TAAC  em  dez 
sessões  com  duração  de  uma  hora  cada em  que  foram  utilizados  testes  auditivos 
especiais  apresentados  em  condições  de  escuta  progressivamente  adversas.  Na 
primeira sessão do TAAC os sujeitos foram submetidos à aplicação do questionário 
Escala de Funcionamento Auditivo  (SAB)  (Nunes et al. 2013), após   conclusão do 
TAAC foram aplicados: Questionário pós Treinamento Auditivo Formal (Gil e Ziliotto, 
2011), Post­training Exit Questionnaire (Tye­Murray et al. 2012) e novamente o SAB. 
Resultados:  Noquestionário  SAB  que  as  questões  Q1,  Q2,  Q4,  Q7,  Q8  e  Q11 
foram estatisticamente significantes, as questões Q3 e Q10 apresentaram tendência 
 
xvi 
 
á  significância  e  a  pontuação  total  no  momento  pós  aumentou  em  relação  ao 
momento  pré,  demonstrando  diferença  estatisticamente  significante  (p­valor 
e  reconhecimento  de  sons  e  o  DPA  é  um 
tipo  de  déficit  que  pode  coexistir  com  uma  perda  auditiva,  alterações  de  fala  e/ou 
linguagem, déficits cognitivos e/ou um rebaixamento  intelectual.  Os DPA têm como 
prováveis  causas,  alterações  neurológicas  ou  alterações  sensoriais  auditivas  –  as 
perdas auditivas neurossensoriais e condutivas, mesmo as transitórias, decorrentes 
de episódios de otite média na infância que, dentre as afecções otológicas, é a mais 
frequente.  As  disfunções  centrais  podem  ocorrer  por  disfunção  neuromorfológica, 
5 
 
 
atraso  de  maturação  do  sistema  nervoso  auditivo  central e  distúrbios,  doenças  ou 
lesões neurológicas e otológicas.  
Segundo  Musiek  e  Jerger  (2000)  o  DPA  é  um  déficit  no  processamento  de 
informações  específicas  da  modalidade  auditiva.  O  problema  pode  piorar  em 
ambientes  desfavoráveis  acústicamente  e  pode  estar  associado  a  dificuldades  de 
compreensão da fala, desenvolvimento da linguagem e aprendizado.  
Silman  et  al.  (2000)  em  estudo  de  casos  realizado  com  três  sujeitos, 
afirmaram  que  a  motivação  no  momento  da  avaliação  de  PA  é  essencial  para  a 
manutenção  de  atenção  durante  a  aplicação  dos  testes.  Os  casos  deste  estudo 
haviam sido inicialmente diagnosticados com DPA e dificuldades de aprendizagem e 
estavam  sendo  submetidos  novamente  à  avaliação  do  PA  como  segunda  opinião. 
Para os  três casos, quando os autores utilizavam condições de  reforço, como, por 
exemplo: comida, passatempos ou brinquedos favoritos das crianças, os resultados 
dos  testes  auditivos  centrais  melhoravam  significativamente  bilateralmente  em 
comparação  com  a  condição  sem  nenhum  reforço.  Os  autores  afirmaram  que  a 
melhora foi relacionada ao aumento da motivação associada ao reforço e que esses 
cuidados  devem  ser  tomados  pelos  avaliadores  na  tentativa  de  evitar  resultados 
falso­positivos sobre a bateria de testes da avaliação de PA.  
Segundo  Lucas  et  al.  (2007)  há  uma  possível  relação  entre  os  DPA  com  o 
distúrbio  de  leitura e  escrita,  visto  que,  o  PA  refere­se  ao  conjunto  de  habilidades 
necessárias  à  interpretação  do  que  se  ouve,  tais  como:  detecção,  discriminação, 
localização,  reconhecimento,  compreensão, atenção  e  memória  e  o  déficit  em  tais 
habilidades  poderá  estar  presente  nas  crianças  com  queixa  de  dificuldade  no 
aprendizado escolar. 
Garcia  et  al.  (2007)  estudaram  a  importância  da  atenção  seletiva  para  o 
aprendizado da leitura e da escrita ao investigar estes processos em crianças de 9 a 
11  anos  com  e  sem  distúrbios  de  aprendizagem.  Foi  realizado  estudo  prospectivo 
com o PSI que revelou alterações nos processos de atenção seletiva nas crianças 
diagnosticadas com distúrbios de aprendizagem. 
Muniz (2007) verificou o desempenho da resolução temporal em 36 crianças 
de  6  a  9  anos  de  idade  com  desvio  fonológico  utilizando  o  RGDT.  Os  resultados 
6 
 
 
mostraram que 94,5% das crianças com desvio fonológico apresentaram resultados 
alterados  para  o  teste,  evidenciando  que  crianças  com  desvio  fonológico  podem 
apresentar alteração de processamento temporal e necessitam de mais tempo para 
detecção de intervalos entre os estímulos auditivos do que as crianças sem desvio 
fonológico. 
Sharma  et  al.  (2009)  avaliaram  a  comorbidade  do  DPA,  distúrbio  de 
linguagem  e  distúrbio  de  leitura  em  68  crianças  de  7  a  12  anos  de  idade  com 
suspeita  de  distúrbio  do  PA.  Estes  sujeitos  foram  submetidos  a  avaliações  de  PA 
(TPF, TDD, RGDT, MLD e fala comprimida), linguagem, leitura, atenção e memória. 
Do  total  de  sujeitos,  72%  tinha  DPA,  cerca  da  metade  das  crianças  (47%)  teve 
problema  nas  três  áreas  (DPA,  distúrbio  de  linguagem  e  distúrbio  de  leitura),  com 
isso, concluiu­se que os distúrbios de linguagem e de leitura geralmente co­ocorrem 
com o DPA. 
Caumo  (2009)  pesquisou  as  relações  entre  o  desvio  fonológico  e  o  PA  em 
crianças a partir de 7 anos de idade e constatou a existência de uma estreita relação 
entre estes, principalmente no que se refere ao desempenho da orelha direita nos 
testes  PSI  e  SSW,  evidenciando  a  importância  de  determinar  a  existência  do 
comprometimento das habilidades auditivas em crianças com desvio fonológico para 
que o  treinamento dessas habilidades alteradas possam ser devidamente  tratadas, 
auxiliando no sucesso da fonoterapia. 
Com o objetivo de avaliar o desempenho de 30 crianças na faixa etária de 9 a 
12 anos com distúrbios específicos de leitura e escrita nos testes de PA e compará­
lo com o de crianças sem o referido transtorno, Frota e Pereira (2010) utilizaram um 
conjunto  de  testes  de  linguagem  constituído  por:  prova  de  consciência  fonológica; 
avaliação  da  velocidade  de  leitura;  prova  de  leitura  em  voz  alta;  avaliação  escrita 
com ditado de palavras reais e  inventadas; além da avaliação da compreensão de 
narrativas  por  meio  da  noção  linguística  de  figura­fundo.  Para  a  avaliação  do  PA 
foram utilizados os testes: SSW; teste de sequencialização sonora para sons verbal 
e  não  verbal;  teste  de  fala  com  ruído  branco;  teste  dicótico  não  verbal,  nas 
condições  atenção  livre,  atenção  direcionada  à  direita  e  à  esquerda;  e  de 
Localização  sonora.  As  autoras  detectaram  que  o  desempenho  das  crianças  sem 
7 
 
 
distúrbios  na  leitura  e  escrita  foi  melhor  do  que  no  grupo  com  o  déficit  tanto  na 
avaliação dos testes verbais quanto não verbais de PA.  
Oliveira et al. (2011) caracterizaram e compararam o PA de 30 escolares na 
faixa  etária  de  8  a  16  anos  de  idade  divididos  em  três  grupos:  grupo  I  com 
diagnóstico de distúrbio de aprendizagem, grupo II com dislexia e grupo III com bom 
desempenho acadêmico. Todos foram submetidos à avaliação audiológica e de PA, 
os  testes  utilizados  foram:  Localização  sonora,  memória  sequencial  verbal  e  não 
verbal,  TDD,  SSW  e  PSI.  Os  escolares  do  grupo  III  apresentaram  desempenho 
superior nos testes de PA em relação aos grupos I e II. Os escolares com distúrbio 
de  aprendizagem  apresentaram  desempenho  inferior  em  todos  os  procedimentos, 
ao  passo  que  os  disléxicos  apresentaram  as  mesmas  alterações  do  grupo  com 
distúrbio de aprendizagem. 
Machado  et  al.(2011)  verificaram  as  possíveis  relações  entre  o  DPA  e  as 
dificuldades  de  leitura  e  escrita  ao  avaliarem  o  PA  de  15  crianças  com  audição 
periférica normal com idades entre 8 e 12 anos com baixo rendimento escolar e em 
terapia  fonoaudiológica  de  linguagem.  Todos  os  indivíduos  foram  submetidos  aos 
testes: PSI, SSW, fala com ruído, fala filtrada, GIN e padrão de duração e frequência 
melódicos. Foi verificada alteração em pelo menos uma habilidade auditiva em todos 
os  sujeitos,  evidenciando  estreita  relação  entre  alterações  no  PA  e  o  distúrbio  de 
leitura  e  escrita,  além  disso,  pôde­se  notar  que  os  testes  que  se  destacaram  nas 
alterações foram SSW, PSI com palavras no ruído e teste de padrão de frequência 
melódico. 
Nunes et al.  (2012) ao desenvolverem estudo que comparou a avaliação do 
PA  com  o  desempenho  acadêmico  e  linguístico  de  criança  de  10  a  13  anos, 
referiram  que  o  PA  está  intrinsecamente  relacionado  com  o  desenvolvimento  da 
linguagem  e  da  aprendizagem  devido  resultados  que  mostraram  a  existência  de 
correlação  entre  o  desempenho  acadêmico  e  a  dificuldade  para  analisar  os  sons 
recebidos,  o  que  evidenciou  a  relevância  da  avaliação  das  vias  auditivas  em 
crianças com dificuldades escolares.  
Soares  et  al.  (2013)  pesquisaram  a  associação  entre  o  desempenho  nos 
testes  auditivostemporais  e  de  consciência  fonológica  em  16  indivíduos  na  faixa 
etária  de  7  a  12  anos  com  alterações  de  leitura  e  escrita,  para  isso  todos  os 
8 
 
 
participantes foram submetidos à avaliação da consciência fonológica, utilizando­se 
o  Instrumento  de  Avaliação  Sequencial.  Para  avaliar  o  processamento  temporal 
foram  utilizados  testes  de  padrão  de  duração  e  frequência.  A  análise  descritiva 
indicou desempenho alterado nas habilidades silábicas e fonêmicas da consciência 
fonológica,  bem  como  nos  testes  temporais,  sugerindo  que  a  alteração  no 
processamento temporal contribui para pior desempenho nestas habilidades.  
Santos  et  al.  2015  em  estudo  de  revisão  bibliográfica  com  o  objetivo  de 
verificar os testes utilizados para avaliar o processamento auditivo de crianças com 
dificuldades acadêmicas e observar os achados comuns na amostra  e observaram 
a utilização dos testes SSW, dicótico de dígitos, fala no ruído, padrão de frequência, 
PSI,  padrão  de  duração,  dicótico  não­verbal,  fala  filtrada  e  GIN,  além  disso,  foi 
observada  associação  entre  alteração  do  processamento  auditivo  e  dificuldades 
acadêmicas. 
 
2.2 Treinamento Auditivo 
 
Na  década  de  1990  os  estudos  de  Tallal  e  Merzenich  (1996)  abriram  as 
possibilidades  de  tratamento  de  indivíduos  com  diagnóstico  de  distúrbio  de 
aprendizagem  por  alteração  de  linguagem,  evidenciando  melhoria  das  habilidades 
auditivas destes por meio do TA. Este estudo desenvolveu um algoritmo para treinar 
o  sistema  auditivo  dessas  crianças.  O  mesmo  foi  aplicado  diariamente  por  um 
período de quatro semanas, ao final da terapêutica adotada, melhoras significativas 
na discriminação e compreensão da fala foram demonstradas. 
No  mesmo  ano,  Tallal  e  Merzenich  (1996b)  realizaram  outro  estudo  com 
sujeitos  também  diagnosticados  com  distúrbio  de  aprendizagem  e  afirmaram  que 
essas  crianças  apresentavam  grandes  déficits  no  reconhecimento  de  elementos 
fonéticos e estímulos sonoros não verbais. Da mesma forma, esses indivíduos foram 
submetidos  a  um  TA  composto  por  jogos  de  computador  desenvolvidos  para 
melhoria das habilidades de processamento  temporal. O  treinamento  teve duração 
de  8  a  16  horas  distribuídas  em  um  período  de  20  dias.  Os  sujeitos  obtiveram 
9 
 
 
melhoras  na  habilidade  de  reconhecer  sequências  rápidas  de  estímulos  verbais  e 
não verbais. 
Musiek e Schochat (1998) realizaram estudo de caso com um inidivíduo de 15 
anos com DPA e de linguagem. O paciente teve o PA avaliado com os testes: DD, 
PPS, DPS, fala comprimida e teste de reverberação. A avaliação mostrou alteração 
em todos os testes exceto no DPS. A avaliação de linguagem também demonstrou 
alterações  nos  testes:  Peabody  Picture  Vocabulary  Test,  Clinical  Evaluation  of 
Language Fundamentals e Goldman Fristoe Woodcock Auditory Skiils Battery. Para 
a  reabititação deste sujeito, os autores desenvolveram um programa específico de 
TA que baseou­se em seis semanas com a frequência de três vezes por semana e 
duração  de  uma  hora  cada  sessão,  além  de  exercícios  para  casa.  As  tarefas 
utilizadas  neste  programa  foram  treinos  intensos  de discriminação  auditiva,  escuta 
dicótica  verbal,fala  com  mensagem  competitiva,  frequência  e  resolução  temporal. 
Após  as  seis  semanas  de  TA  o  sujeito  teve  o  PA  reavaliado  e  mostrou  melhores 
resultados  em  todos  os  testes,  as  melhores  respostas  foram  aos  testes  de  fala 
comprimida e  teste de reverberação, além disso,  também apresentou evolução em 
todos os testes na reavaliação de linguagem. 
Musiek  (1999)  descreveu  três  técnicas  bem  sucedidas  de  TA  para  sujeitos 
com  DPA  e  dificuldades  de  aprendizagem.  A  primeira  técnica  foi  uma  abordagem 
dirigida á construção do vocabulário que auxiliava principalmente nas dificuldades de 
fechamento  auditivo  e  consistia  em  colocar  palavras  desconhecidas  num  contexto 
inteligível  para  a  criança,  ao  se  utilizar  de  pistas  contextuais  iria  deduzindo  o 
significado  da  palavra  desconhecida.  A  segunda,  uma  estratégia  de  memória, 
organização e  transferência da informação auditiva que envolvia  técnicas extraídas 
da  literatura  psicológica  para  aperfeiçoamento  do  resgate  de  informações  que 
consistia na leittura em voz alta de um texto lido pela própria criança e em seguida a 
mesma deveria esboçar em um papel a idéia central do trecho lido em um  minuto, 
este prazo desempenhava um papel fundamental, por criar uma situação em que a 
criança deveria determinar qual seria o principal conceito do texto e representá­lo de 
forma  básica,  o  que  exigia  uma  entrada  altamente  analítica  contribuíndo  para  a 
melhoria da memória. A  terceira  técnica consistia no uso de  softwares de TA com 
atividades  em  computador.  Os  procedimentos  utilizados  na  época,  mostraram­se 
úteis e eficazes, quando comparadas as avaliações de PA pré e pós TA em que os 
10 
 
 
resultados  dos  testes  melhoraram  em  quase  todas  as  habilidades  nos  quatro 
sujeitos avaliados. 
King  (1999) afirmou que diversos estudos sobre a aprendizagem perceptual 
demonstraram que o TA comportamental melhora a discriminação auditiva, devido à 
expansão na reapresentação cortical dos estímulos utilizados no treinamento. 
 Putter­Katz  et  al.  (2002)  avaliaram  o  PA  pré  e  pós  TA  de  20  crianças  com 
idades entre 7 e 14 anos de idade, falantes nativos do hebraico. Os indivíduos deste 
estudo foram indicados para avaliação de PA devido dificuldades para ouvir e mais 
um dos seguintes sintomas: dificuldades de fala, compreensão da linguagem escrita, 
tempo  de  atenção  reduzido  e  insucesso  acadêmico.  O  programa  de  TA  proposto 
incluiu de 13 a 15 sessões com duração de 45 minutos cada, divididas em sala de 
terapia  comum  e  sala  tratada  acusticamente.  As  atividades  realizadas  no 
treinamento basearam­se em: compreensão da fala na presença de ruído e tarefas 
de  atenção  seletiva  apresentadas  em  ordem  crescente.  Os  resultados  apontaram 
que  o  TA  foi  capaz  de  melhorar  as  habilidades  de  fechamento  e  figura­fundo, 
comprovadas pela comparação das avaliações de PA pré e pós TA. 
Agnew et al.  (2004) investigaram a eficácia de um programa de TA em sete 
escolares, com oito anos de  idade. O programa de  intervenção  teve a duração de 
100 minutos por dia, em cinco dias da semana por aproximadamente 4­6 semanas. 
Após  a  realização  do  TA  foi detectada  uma  melhora  significativa  na  discriminação 
temporal  dos  sons  (duração),  no  entanto,  estas  mudanças  repercutiram  na 
habilidade de leitura. 
 Zalcman e Schochat  (2007) comprovaram a eficácia de um programa de TA 
com duração de oito semanas aplicado em 30 sujeitos na  faixa etária entre 8 e 16 
anos de idade. Todos os indivíduos participantes  foram submetidos à avaliação de 
PA  pré  e  pós  TA.  Após  o  TA  houve  melhora  em  todos  os  testes  aplicados.  A 
comparação das médias dos resultados dos sujeitos nos testes comportamentais do 
PA aumentaram, no  teste PSI, pré TA, as crianças, as crianças tinham uma média 
de acerto de 66,8% que passou para 86,2% após o TA. No teste de fala com ruído, 
as crianças apresentavam uma média de acerto de 69,3% pré TA que passou a ser 
80,5% pós TA. No teste dicótico não verbal, a média de acerto pré TA era de 72,6% 
11 
 
 
e passou a ser 91,4%. Finalmente, no teste SSW a média de acertos era de 42,2% 
pré TA e passou a ser 88,9% pós. 
Acrani  et  al.  (2008)  verificaram  o  comportamento  auditivo  de  ordenação 
temporal  antes  e  após  treinamento  auditivo­verbal  contextualizado  em  15  sujeitos 
entre cinco e seis anos de idade. Os indivíduos foram distribuídos em três grupos: 
no  primeirogrupo  (n=5)  houve  uma  intervenção  por  meio  de  treinamento  auditivo­
verbal em seis sessões semanais de trinta minutos. Esta abordagem consistiu num 
trabalho de intervenção multissensorial, englobando aspectos motores e sensoriais 
com enfoque na percepção auditiva de padrões melódicos e histórias; no segundo 
grupo  (n=5)  houve  uma  intervenção  de  audição  passiva  por  meio  de  tarefas  não 
direcionadas  aos  mecanismos  fisiológicos  de  discriminar  e  ordenar  sons  em 
sequência;  no  terceiro  grupo  (n=5),  não  houve  qualquer  tipo  de  intervenção.  Os 
autores  concluíram  que  os  indivíduos  que  passaram  pelo  treinamento  tiveram 
melhor desempenho nas tarefas de memória sequencial e ritmo do que aqueles que 
passaram  por  um  treinamento  inespecífico  ou  aqueles  que  não  passaram  por 
qualquer tipo de intervenção. 
Sweetow  e  Henderson  (2010)  estudaram  os  fatores  que  poderiam  afetar 
negativamente  o  processo  de  reabilitação  auditiva,  considerando  aspectos 
importantes que poderiam ser incorporados ao treinamento auditivo com a finalidade 
de  reduzir  a  falta  de  adesão  dos  pacientes.  Os  achados  mostraram  que  o 
treinamento  auditivo  para  pacientes  com  deficiência  auditiva  ajudava  a  reduzir  os 
retornos  relacionados  a  queixas  auditivas,  porém,  a  maioria  dos  sujeitos,  ainda 
assim  não  completavam  o  programa  de  treinamento  proposto.  Além  disso,  foi 
sugerido  que  o  terapeuta  criasse  atividades  estimulantes  que  aumentassem  a 
adesão dos pacientes aos programas de treinamento auditivo. 
Sharma  et  al.  (2012)  compararam  quatro  estratégias  de  intervenção  em  55 
crianças  com  DPA  entre  7  e  13  anos  de  idade.  Os  sujeitos  foram  divididos  em  5 
grupos  submetidos  aos  tratamentos  de:  (1)  treino  de  discriminação  com  uso  de 
sistema  de  frequência  modulada  (FM);  (2)  treino  de  discriminação;  (3)  treino  de 
linguagem com uso de FM; (4) treino de linguagem e (5) controle (sem tratamento). 
As estratégias top­down utilizadas basearam­se em atividades de uso de sentenças 
fora de ordem, construção de ritmo com instrumentos musicais, criação de histórias 
12 
 
 
com uso de imagens, resumo de contos com suas próprias palavras, identificação de 
palavras­chave  dentro  de  parágrafos  curtos,  leitura  em  voz  alta  com  entonação  e 
uso  do  software  LabVIEW.  As  estratégias  bottom­up  foram:  detecção  de  gap, 
discriminação  de  frequência  e  intensidade,  estimulação  de  consciência  fonológica 
utilizando o software Earobics (identificação de sílabas, segmentação de palavras e 
leitura  em  voz  alta  com  ênfase  na  decodificação).  As  intervenções  ocorreram 
simultaneamente  durante  seis  semanas  com  duração  de  uma  hora  semanal,  além 
de atividades para casa. Os resultados mostraram que não ocorreram mudanças ao 
longo  do  tempo  no  grupo  controle;  para  o  grupo  com  intervenção  bottom­up 
ocorreram  melhoras  em  discriminação  de  padrões  de  frequência,  conceitos  e 
direções,  resgate  de  sentenças,  linguagem  receptiva    e  contexto  central.  Para  o 
grupo  com  intervenção  Bottom­up  e  FM  ocorreram  melhoras  em  compreensão  de 
contexto  central.  Para  o  grupo  com  intervenção  top­down  ocorreram  melhoras  no 
padrão de frequência e para o grupo com intervenção  top­down com uso de FM as 
melhoras ocorreram em resgate de sentenças e soletração de pseudopalavras. 
Vilela  et  al.  (2012)  compararam  o  desempenho  do  processamento  temporal 
em  15  crianças  com  transtorno  fonológico  submetidas  ao  TAAC  e  o  treinamento 
auditivo  fora  da  cabine  (TAFC).  Os  sujeitos  foram  subdivididos  em  três  grupos: 
Grupo controle (cinco crianças sem DPA, que passaram por duas avaliações do PA 
com intervalo de seis a oito semanas); grupo TAAC (cinco crianças com distúrbio do 
PA,  submetidos  a  oito  sessões  de  TAAC)  e  grupo  TAFC  (composto  por  cinco 
indivíduos com distúrbio do PA, submetidos a oito sessões de TAFC). O TAAC  foi 
realizado  conforme  princípios  propostos  por  Muisiek  e  Schochat  (2008)  e  o  TAFC 
por meio de um CD com atividades que contemplaram: discriminação, ordenação e 
repetição de sequência sonora. Após 8 sessões foram analisados e comparados os 
testes  de  padrão  de  frequência  e  duração  pré  e  pós  treinamento,  o  grupo  TAAC 
apresentou  melhora  de  8%  e  o  grupo  TAFC  de  22,5%  no  que  se  refere  ao  teste 
padrão temporal de  frequência. Para o  teste padrão  temporal de duração, o grupo 
TAAC  melhorou  12,9%  e  o  grupo  TAFC  18,7%.  Houve  melhora  em  ambos  os 
grupos,  no  desempenho  dos  testes  padrão  de  frequência  e  duração,  não  houve 
diferença estatística entre as médias obtidas pelos dois grupos após a intervenção. 
O  estudo  indicou  que  ambos  os  tipos  de  abordagens,  proporcionam  melhora  das 
13 
 
 
habilidades de processamento temporal em crianças com transtorno fonológico e do 
PA. 
Cruz  et  al.  (2013)  compararam  o  desempenho  de  18  adultos  com  DPA  em 
testes  comportamentais  pré  e  pós  oito  sessões  de  TAAC.  Tanto  homens  quanto 
mulheres quando analisados separadamente demonstraram resultados melhores no 
pós­treinamento,  além  disso,  todos  os  indivíduos  relataram  melhor  desempenho 
comunicativo  e  de  atenção  após  a  reabilitação.  O  TAAC  mostrou­se  eficaz  na 
melhora  das  habilidades  auditivas  de  figura­fundo  para  sons  verbais  e  de 
processamento temporal.  
Marangoni  e  Gil  (2014)  ao  estudarem  os  efeitos do  TAAC  em  adultos  após 
traumatismo  cranioencefálico  grave,  verificaram  a  adequação  das  habilidades 
auditivas  de  figura­fundo, ordenação e  resolução  temporal,  comprovadas  por  meio 
dos testes comportamentais da avaliação do PA realizada pós o TAAC. 
Vatanabe  et  al.  (2014)  avaliaram  o  desempenho  de  leitura  e  a  habilidade 
auditiva de resolução temporal em 20 crianças na faixa etária de 8 anos, divididas 
em:  grupo  experimental  composto  por  10  escolares  com  dificuldade  de  leitura, 
submetidos a oito sessões de TA e grupo controle composto por 10 escolares sem 
dificuldades.  O  TA  foi  utilizado  o  software  “Treinamento  temporal  auditivo  com 
estímulos não verbais e verbais com fala expandida®”, baseados no programa de 
TA “Fast Forword Language”. Em cada sessão de treino, foram utilizados 20 minutos 
para o jogo não verbal e 20 minutos para o jogo verbal. Todos os indivíduos foram 
submetidos à avaliação inicial e reavaliação da resolução temporal auditiva (Padrão 
de Frequência, Padrão de Duração e GIN) e de leitura (Protocolo de Leitura Clínica 
e  Teste  de  Consciência  Fonológica  ­  CONFIAS).  Os  resultados  mostraram  que  o 
grupo  experimental  melhorou  em  quase  todas  as  habilidades  auditivas  e  de 
linguagem  testadas,  exceto  para  a  consciência  fonológica.  Ainda  assim,  o  TA  foi 
efetivo  para  a  melhora  do  desempenho  nas  habilidades  auditivas  temporais  e  de 
leitura. 
 Stroiek et al. (2015) em estudo de caso, comprovaram a eficácia de um TA de 
oito sessões quando compararam a avaliação de PA  inicial e  final de um indivíduo 
com alterações de linguagem, queixas compatíveis com alterações de PA, avaliação 
audiológica básica dentro dos padrões de normalidade e avaliação do PA alterada. 
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Foram utilizados os testes: PSI, SSW, Dicótico de Dígitos, RGDT, MLD e PPS para 
avaliação e reavaliação do PA. O TA consistiu­se em oito sessões com duração de 
45 minutos cada, a terapêutica adotada baseou­se em técnicas de TAAC e também 
atividades realizadas  fora da cabina. As  respostas obtidas após o  treinamento nos 
testes  RGDT,  dicótico  de  dígitos  e  PSI  melhoraram  consideravelmente.  No  teste 
PPS a resposta  também melhorou, porém, não atingiu nível de normalidade. Já no 
teste MLDa resposta foi inferior a inicial, porém, ainda dentro da normalidade para a 
idade do sujeito. A reavaliação evidenciou melhoras na decodificação e codificação 
que encontravam­se alteradas, persistindo um leve prejuízo na organização. Pôde­
se afirmar que a reavaliação revelou uma modificação quanto ao grau, passando de 
severo para leve. 
Perez  (2015)  verificou  a  variação  comportamental  e  eletrofisiológica  do  PA, 
antes e após diferentes abordagens em adultos com idades entre 18 e 27 anos, com 
e  sem  distúrbio  do  PA,  sendo  10  sem  distúrbio  do  PA  (Grupo  controle)  e  11 
indivíduos com este distúrbio (Grupo Estudo). Os indivíduos do grupo estudo foram 
reunidos em três subgrupos: aqueles sem intervenção, aqueles com o distúrbio de 
PA  que  foram  selecionados  para  participar  do  programa  de  TAAC  durante  oito 
sessões  e  aqueles  com  distúrbio  de  PA  que  foram  adaptados  com  o  sistema  FM 
dinâmico,  para  uso  em  sala  de  aula  de  4  a  10  semanas.  Na  avaliação  inicial  as 
piores respostas para os testes comportamentais foram verificadas no grupo estudo. 
Na  segunda  avaliação  as  piores  respostas  para  os  testes  comportamentais,  com 
diferenças  estatisticamente  significantes,  foram  mantidas  nos  grupos  sem 
intervenção  e  com  uso  do  sistema  FM,  enquanto  que  o  grupo  que  fez  o  TAAC 
apresentou respostas similares às do grupo comparação, demonstrando melhora e 
adequação  das  habilidades  auditivas.  Concluiu­se  que  o  programa  de  TAAC  foi 
eficaz na melhora significativa das habilidades auditivas e da  integridade  funcional 
da  via  auditiva  por  meio  da  medida  eletrofisiológica  com  estímulo  de  fala  e  a 
utilização  do  sistema  FM  interferiu  em  mudanças  neurais  positivas,  com  menores 
respostas  de  latência  em  dois  indivíduos,  sugerindo  um  processamento  cognitivo 
mais rápido. 
 
2.3 Questionários de Autoavaliação 
15 
 
 
 
Cox  e  Alexander  (1995)  criaram  uma  versão  abreviada  dos  questionários 
PHAB  e  HAPI,  o  questionário  de  autoavaliação  Abbreviated  Profile  of  Hearing  Aid 
Benefit (APHAB), com a finalidade de avaliar o benefício da amplificação sonora em 
indivíduos deficientes auditivos. O instrumento desenvolvido conta com 24 questões, 
divididas em quatro subescalas: Facilidade de Comunicação, Reverberação, Ruído 
de  Fundo  e  Sons  Indesejáveis.  As  três  primeiras  subescalas  avaliam  a 
inteligibilidade  de  fala  dos  sujeitos  em  diferentes  situações  cotidianas.  A  quarta 
quantifica suas percepções negativas  frente a sons ambientais. Após a elaboração 
do questionário APHAB, os autores aplicaram o mesmo em 27 sujeitos para verificar 
sua eficácia e concluíram que o APHAB é válido como instrumento clínico. 
Musiek e Schochat  (1998) em estudo de caso de um sujeito de 15 anos de 
idade  com  distúrbio  de  PA,  desenvolveram  um  questionário  entitulado  Hearing 
Processing Questionnaire que foi  respondido pelo paciente e sua família ao  fim de 
um programa de TA. O questionário continha 10 itens relacionadas com a melhoria 
da audição, habilidade de seguir instruções, evolução acadêmica, menor solicitação 
de repetição da fala do outro, tempo de atenção e de alerta, facilidade em esquecer 
o ruído de fundo e melhor compreensão ao ver televisão e ouvir rádio. As respostas 
variavam  de  zero  a  5  ,  em  que  zero  significava  nehnuma  melhora  e  5  melhora 
significativa. O sujeito indicou melhora em todas as 10 perguntas deste questionário, 
demonstrando  eficácia  do  programa  de  TA  aplicado.  Embora  a  avaliação  de  PA 
tenha sido realizada antes de depois do programa de TA, foi importante um retorno 
subjetivo  em  que  o  próprio  indivíduo  citasse  suas  próprias  sensações  após  o 
tratamento aplicado. 
Purdy  et  al.  (2002)  desenvolveram  o  questionário  Auditory  Behavior  in 
Everyday Life (ABEL)  com a finalidade de avaliar a percepção dos pais em relação 
ao  comportamento  auditivo  de  seus  filhos  deficientes  auditivos.  As  49  questões 
foram  destinadas  a  avaliar  a  comunicação  auditiva,  habilidades  comunicativas  em 
contexto  social  e  autonomia  comunicativa.  O  objetivo  deste  estudo  foi  quantificar 
algumas mudanças no comportamento auditivo diário de crianças. Para a realização 
deste  estudo,  participaram  28  pais  de  crianças  com  diversos  graus  de  perdas 
auditivas na faixa etária de 4 a 14 anos. Os resultados foram usados para examinar 
16 
 
 
a estrutura e a confiabilidade do questionário. Ao fim da validação do questionário, 
restaram 24 questões que compuseram a versão simplificada do questionário, capaz 
de atingir os objetivos citados.  
Bucuvic e Iório (2004) quantificaram e compararam as dificuldades auditivas e 
o  benefício  da  amplificação  em  42  novos  usuários  de  prótese  auditiva  com  perda 
auditiva de grau leve e severo segundo o tempo de uso e as dificuldades auditivas 
dos deficientes auditivos com as dificuldades de indivíduos com audição normal. O 
questionário APHAB foi aplicado antes da adaptação da prótese auditiva e após dois 
e  seis  meses  da  mesma.  Os  resultados  foram  analisados  nas  quatro  sub­escalas 
propostas:  FC  (facilidade  de  comunicação),  RV  (reverberação),  BA  (barulho 
ambiente) e SI  (sons  indesejáveis). As dificuldades auditivas após a adaptação da 
prótese auditiva foram significantemente menores após dois e seis meses nas sub­
escalas: FC, RV e BA. Quando comparado o  tempo de uso de dois e seis meses 
observou­se  redução  significante  das  dificuldades  após  seis  meses  para  a  sub­
escala BA e SI. O benefício obtido após dois e seis meses de uso da amplificação foi 
satisfatório, evidenciando boa aplicabilidade do questionário APHAB. 
Rosa  et  al.  (2006)  constataram  a  importância  dos  questionários  de  auto­
avaliação  para  o  trabalho  fonoaudiológico  no  acompanhamento  da  adaptação  das 
próteses auditivas, bem como para o usuário por meio de  informações sobre suas 
dificuldades  e  facilidades  frente  à  utilização  das  mesmas.  Para  o  estudo,  foram 
utilizados  os  questionários  Hearing  Handicap  Inventory  for  the  Elderly  (HHIE)  e 
APHAB  para  verificar  o  nível  de  satisfação  que  usuários  de  próteses  auditivas 
alcançaram  antes  e  depois  de  um  programa  de  acompanhamento  de  indivíduos 
usuários  de  próteses  auditivas.  Do  total  de  indivíduos  33%  apresentaram  maior 
handicap devido à perda auditiva, 53% referiram dificuldade em compreender a fala 
na presença de ruído sem o aparelho, sendo apenas 13% quando usam o mesmo, 
49%  referiram  problemas  para  entender  a  fala  em  ambiente  silencioso  ou  em 
situações  ideais de escuta quando estão sem aparelho auditivo, usando o mesmo 
este  número  reduziu  para  21%,  66%  da  amostra  referiu  ter  dificuldades  para 
compreender  a  fala  (sem  o  aparelho)  quando  estão  em  ambientes  amplos,  ao 
colocarem seus aparelhos somente 33% dos entrevistados continuam a referi­la. 
17 
 
 
Gil (2006) verificou os efeitos de um programa de TAAC em 14 adultos com 
deficiência auditiva neurossensorial de grau leve a moderado, usuários de próteses 
auditivas intra­aurais em adaptação binaural, utilizando testes comportamentais para 
avaliar a função auditiva central, um questionário de autoavaliação e a captação do 
potencial de longa latência P300. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: sete 
com e sete sem o TAAC que consistiu em oito sessões de 45 minutos cada, visando 
o  treinamento  das  habilidades  auditivas  de  fechamento  auditivo,  figura­fundo  para 
sons verbais e não verbais e ordenação temporal dos sons (aspectos de frequência 
e duração). Para verificar a eficácia do TAAC, todos os pacientes foram submetidos 
à avaliação comportamental e eletrofisiológica do PA e foram solicitados a responder 
o questionáriode auto­avaliação APHAB em dois momentos: antes e após o TAAC 
no grupo experimental e na avaliação inicial e final no grupo controle. Na avaliação 
final  foi  verificado  que  o  grupo  experimental  apresentou  melhor  desempenho  em 
todos  os  testes  comportamentais  do  PA  e  maior  benefício  nas  situações  de  ruído 
avaliado pelo questionário APHAB do que o grupo controle. A análise dos resultados 
permitiu concluir que o TAAC em adultos usuários de próteses auditivas possibilita: a 
redução na latência do componente P3; a adequação das habilidades auditivas de 
memória  para  sons  verbais  e  não  verbais  em  sequência,  fechamento  auditivo  e 
figura fundo para sons verbais; maior benefício com o uso das próteses auditivas em 
ambientes ruidosos e reverberantes. 
Miranda et  al.  (2008)  verificaram  a  eficácia do  TAAC  em  13  idosos  com  no 
mínimo  três  meses  de  uso  de  próteses  auditivas.  Esses  indivíduos  foram 
subdivididos em dois grupos: experimental e controle, em que o grupo experimental 
foi submetido a sete sessões de TAAC com o objetivo de estimular as habilidades de 
fechamento  auditivo,  memória,  atenção,  figura­fundo  e  integração  binaural.  Ao  fim 
do tratamento, os indivíduos tiveram o PA reavaliado e responderam novamente ao 
questionário  do  handicap  auditivo  HHIE  de  auto­avaliação.  Os  idosos  do  grupo 
experimental apresentaram desempenho significantemente melhor nas reavaliações 
após  o  TAAC  e  também  em  relação  ao  grupo  controle,  comprovando  com  tais 
resultados  a  melhoria  das  habilidades  auditivas  de  usuários  de  próteses  auditivas 
após o programa de TA e a redução da percepção da desvantagem auditiva. 
Souza  et  al.  (2011)  traduziram  e  adaptaram  o  questionário  ABEL  para  o 
Português Brasileiro e estabeleceram o perfil do comportamento auditivo de crianças 
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usuárias  de  aparelhos  de  amplificação  sonora  individual  (AASI)  por  meio  de  sua 
aplicação.  Para  isso,  foram  entrevistados  31  pais  de  crianças  adaptadas  com 
próteses auditivas,  todos responderam a uma anamnese e à versão em Português 
do  questionário  ABEL.  As  autoras  concluíram  que  há  coerência  entre  as  versões 
geradas nas etapas de tradução do questionário, possibilitando a formulação de sua 
versão  em  Português,  constataram  também  que  crianças  com  menores  graus  de 
perda auditiva e/ou que referem maior tempo de uso diário de próteses auditivas têm 
suas  atividades  diárias  menos  comprometidas  pela  perda  auditiva.  O  questionário 
ABEL é um instrumento apropriado para detalhar o desenvolvimento dos comporta­
mentos auditivos de crianças usuárias de próteses auditivas. 
Gil e Ziliotto (2011)  traduziram e adaptaram o questionário Pós Treinamento 
Auditivo Formal que é um instrumento utilizado nos indivíduos com distúrbio do PA 
que  foram  submetidos  ao  TAAC  e  visa  pontuar  as  modificações  provocadas,  do 
ponto de vista do próprio paciente e/ou de seus  familiares. As 12 perguntas deste 
instrumento  estão  relacionadas  a  situações e  queixas  comuns  aos  indivíduos  com 
distúrbio do PA e para pontuar cada uma delas, é utilizada uma escala numérica em 
que zero (0) representa nenhuma melhora,  (1) melhora sutil, porém importante,  (2) 
melhora  moderada,  (3)  melhora  considerável  e  (4)  melhora  significativa.  A 
pontuação é utilizada para as 11 primeiras questões, a décima segunda questão é 
aberta, na qual o sujeito descreve outras mudanças observadas durante ou após o 
período de TA que não foram anteriormente questionadas. 
Tye­Murray et al.  (2012) com o objetivo principal de  investigar os benefícios 
de um programa de TA e como este poderia ter melhorado as experiências auditivas 
dos  sujeitos  participantes,  desenvolveram  o  questionário  Post  Trainning  Exit 
Questionnaire  (PTEQ). Os 93 sujeitos (78 usuários de aparelhos auditivos e 15 de 
implante coclear) com idades entre 18 e 89 anos foram submetidos a um programa 
de  TA  de  seis  semanas,  com  sessões  de  uma  hora  de  duração,  duas  vezes  por 
semana,  composto  por  12  atividades  no  computador  que  contemplaram: 
discriminação, figura­fundo, fechamento e interpretação de trechos ouvidos. Após o 
treinamento,  os  sujeitos  responderam  ao  questionário.  As  questões  deste 
instrumento  estão  relacionadas  à  melhora  nas  situações  de  escuta  adversa, 
compreensão  de  sílabas,  sentenças,  contextos  e  sobre  a  apreciação  do  programa 
de TA. As possibilidades de resposta variavam de 1 (muito pouco) a 7 (muito). Os 
19 
 
 
participantes do estudo relataram melhorias em sua habilidade para reconhecimento 
de  fala  e  em  sua  auto­confiança,  como  resultado  de  terem  participado  do 
treinamento.  Em  geral,  os  participantes  indicaram  melhora  moderada  na  sua 
capacidade  de  compreender  a  linguagem  falada  (média  de  4,1  na  escala  de  sete 
pontos) e  sobre  terem  gostado  de  participar  do  programa  (média  de 5,9).  A  única 
diferença  significativa  observada  entre  as  quatro  questões  foi  para  a  pergunta 
número 3 ("Até que ponto, ter participado desse treinamento auditivo, melhorou sua 
autoconfiança  em  envolver­se  em  uma  conversa  com  conhecidos  casuais  ou 
estranhos"). Sobre as questões relacionadas a linguagem oral 88% dos participantes 
acreditavam  que  eles  tinham  melhorado  em  pelo  menos  um  dos  aspectos  da 
compreensão da fala. A maioria dos participantes (66%) indicou que melhoraram na 
compreensão de palavras isoladas após o  treinamento, 34% responderam que sua 
capacidade de compreender sentenças tinham melhorado, 22% indicaram que a sua 
compreensão de diálogos tinha melhorado e 34% indicaram que o treinamento havia 
melhorado  sua  capacidade  de  compreender  o  contexto  geral  numa  conversa.  Os 
indivíduos  que  perceberam  mais  melhoria  na  compreensão  da  fala  e  também 
indicaram  que  o  TA  resultou  no  aumento  da  autoconfiança  ao  conversar  com 
estranhos e conhecidos próximos. 
Nunes  et  al.  (2013)  investigaram  as  habilidades  auditivas  de  51  crianças 
portuguesas e verificaram a possível correlação entre essas habilidades e o escore 
do Escala de Funcionamento Auditivo (SAB). Todos os sujeitos foram submetidos à 
avaliação do PA e o  questionário  foi preenchido pelos pais. O questionário SAB é 
formado  por  12  perguntas  referentes  a  eventos  do  dia  a  dia  em  que  a  pontuação 
utilizada  foi:  1  frequente,  2  quase  sempre,  3  algumas  vezes,  4  esporádicos  e  5 
nunca.  Valores  médios,  ao  redor  de  46  pontos,  indicam  comportamento  auditivo 
típico e esperado para a faixa etária entre 8 e 11 anos de idade. Valores inferiores a 
35 pontos indicam necessidade de avaliação do PA. Valores inferiores a 30 pontos 
seriam  sugestivos  de  DPA.  Na  análise  estatística  observou­se  correlação  positiva 
entre  os  escores  do  SAB  e  os  resultados  dos  testes  MSV,  MSNV,  FR  (OE),  DD 
(OD), TDDH (ambas as orelhas) e TPD. Houve correlação negativa estatisticamente 
significante  entre  o  SAB  e  o  teste  GIN,  nesse  caso  observou­se  correlação 
significativa entre o escore do questionário e o dos testes comportamentais, tendo a 
maior  sido  observada  nos  testes  relacionados  ao  processamento  temporal.  Assim, 
20 
 
 
quanto  melhor  o  resultado  na  avaliação  do  PA,  melhores  eram  os  escores  do 
questionário  SAB.  Desta  forma,  verificou­se  que,  das  51  crianças  avaliadas,  33 
(64%) apresentaram valor igual ou superior a 47 pontos; destas, 39% (13 crianças) 
tiveram ótimos resultados nos oito testes aplicados para avaliação do PA, enquanto 
20 crianças (61%) apresentaram alteração em pelo menos um teste do PA. Nas 13 
crianças com ótimas respostas nos testes do PA, a média do escore SAB foi de 56 
pontos.  Foi  verificado  18  crianças  com  pontuaçãodo  SAB  inferior  a  46  pontos, 
dessas, 17 (94,4%) apresentaram alteração em um ou mais testes do PA. Verificou­
se  que  três  crianças  apresentaram  um  escore  final  do  SAB  inferior  a 35  pontos  e 
comprometimento simultâneo em dois ou mais  testes do PA. Este estudo concluiu 
que este questionário pode ser utilizado em triagem do PA e que um baixo escore no 
questionário SAB é indicativo de alteração do PA. 
Pereira  e  Cibian  (2015)  monitoraram  o  comportamento  auditivo  de  19 
indivíduos,  com  idade  entre  12  a  15  anos  por  meio  do  uso  do  Fisher’s auditory 
problems  checklist  em  indivíduos  diagnosticados  com  distúrbio  do  PA,  que 
realizaram um TAAC organizado em oito sessões, com duração de 50 minutos cada. 
Os pais ou responsáveis responderam as questões sobre as queixas percebidas em 
três  momentos:  pré,  metade  e  pós­intervenção.  Houve  diferença  estatística  no 
escore  total  em  todos  os  grupos,  diminuindo  a  pontuação  sobre  as  queixas  na 
metade do treino e também no final. No presente estudo, no momento pré, todos os 
indivíduos no QFISHER­T obtiveram uma média de porcentagem que é considerada 
de risco para DPA (valor superior a 28% no escore  total dos itens marcados pelos 
pais).  Na  metade  do  TAAC,  houve  uma  redução  das  queixas  e  as  porcentagens 
ficaram próximas da nota de corte. Diante dos resultados, verificou­se que o TAAC 
teve um efeito positivo na percepção dos pais e responsáveis sobre os aspectos do 
comportamento  auditivo.  Quanto  às  pontuações  do  QFISHER­audição,  QFISHER­
atenção e QFISHER­memória, observou­se uma diminuição das queixas à medida 
que  o  número  de  sessões  aumentou,  com  significância  estatística.  Quanto  à 
pontuação  do  QFISHER­linguagem,  foi  observada  uma  diminuição  das  queixas 
somente  após  as  quatro  primeiras  sessões de  TAAC,  com  significância  estatística 
para  todos  os  sujeitos.  A  hipótese  levantada  pelo  fato  de  as  queixas  não  serem 
reduzidas  até  o  final  das  oito  sessões  de  TAAC  é  a  de  que  a  linguagem  é  muito 
abrangente  e  suas  queixas  podem  estar  relacionadas  ao  PA,  porém,  podem  ter 
21 
 
 
também relação com outros  fatores, como a  falta de estimulação, atraso ou algum 
distúrbio, além disso, esta parte do questionário envolveu aspectos que não  foram 
trabalhados  no  TAAC  e  não  foram  investigados  de  uma  forma  mais  profunda.  O 
Fisher’s auditory problems check list for auditory processing evaluation  pode  ser 
usado para monitorar o comportamento auditivo antes, durante e após o TAAC. 
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3 MÉTODO  
 
Este  estudo  foi  submetido  ao  Comitê  de  Ética  em  Pesquisa  da  UNIFESP, 
aprovado  sob  o  número:  990.433  (Anexo  1)  e  realizado  no  ambulatório  de 
Processamento Auditivo do Departamento de Fonoaudiologia da UNIFESP/EPM. 
Todos  os  participantes  e  seus  responsáveis  foram  informados  sobre  a 
natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos e procedimentos a serem realizados 
e  assinaram  o  termo  de  assentimento  (Anexo  2)  para  a  participação  voluntária  no 
estudo  e  o  termo  de  consentimento  foi  assinado  pelos  pais  e/ou  responsáveis 
(Anexo 3). 
Participaram  desta  pesquisa  23  indivíduos  de  ambos  os  gêneros,  na  faixa 
etária de 6 a 15 anos de  idade. Os critérios de  inclusão  foram apresentar  limiares 
auditivos  menores  do  que  20  dB  entre  250  e  8000  Hz  (Northern  e  Downs,  1984), 
timpanometria  com  curva  tipo  A  e  diagnóstico  de  DPA  confirmado  por  testes 
comportamentais com alteração em pelo menos dois destes e indicação de TAAC. 
Os  critérios  de  exclusão  foram  síndromes  de  qualquer  natureza,  transtornos 
psicológicos, psiquiátricos e cognitivos evidentes e/ou diagnosticados. 
O  programa  de  TAAC  foi  composto  por  dez  sessões,  realizado  em  cabine 
acústica, em que foram utilizados testes auditivos especiais apresentados por meio 
de fones auriculares TDH, CD player e Audiômetro da marca GSI em condições de 
escuta  progressivamente  adversas,  conforme  proposta  apresentada  no  Quadro  1. 
Cada  sujeito  compareceu  às  sessões  uma  vez  por  semana,  as  quais  tiveram 
duração de 45 a 60 minutos. 
23 
 
 
Quadro  1  –  Cronograma  das  sessões  de  treinamento  auditivo  acusticamente 
controlado. 
 
Na primeira sessão de TAAC os participantes  foram submetidos à aplicação 
do questionário Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013) (Figura 
1)  por  meio  de  entrevista  com  os  sujeitos  e  seus  pais  ou  responsáveis,  devido  a 
complexidade  de  algumas  questões.  Todos  foram  entrevistados  para  garantir  a 
compreensão da informação que estava sendo solicitada.  
O questionário Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013) é 
constituído por 12 perguntas  referentes a eventos do dia a dia. Àquele que ocorre 
com muita frequência é atribuído valor 1,0; àquele que ocorre quase sempre atribui­
se valor 2,0; àquele que ocorre algumas vezes, valor 3,0. Aos esporádicos, o valor 
atribuído é 4,0, e aos que nunca ocorrem, 5,0. Os valores são somados, resultando 
em um escore final que pode variar de 12 a 60 pontos.  
1ª SESSÃO – Figura­fundo para frases (SSI/PSI) 
2ª SESSÃO – Figura­fundo para palavras: Escuta Direcionada (Dicótico de Dígitos OD) + Figura­
fundo para sons não verbais (Dicótico Não Verbal OE) 
3ª SESSÃO –  Figura­fundo para palavras: Escuta Direcionada (Dicótico de Dígitos OE) +  Figura­
fundo para sons não verbais (Dicótico Não Verbal OD) 
4ª SESSÃO – Integração binaural (Dicótico de Dígitos+ Dicótico Não Verbal ) + Fala com ruído 
5ª SESSÃO – Fechamento Auditivo (Fala com ruído: frases, figuras e palavras) +Aspectos 
Temporais (Padrão de Intensidade) 
6ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Duração: audiômetro, flauta e tom puro) 
7ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Duração + Padrão de Frequência: audiômetro, flauta 
e tom puro) 
8ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Frequência: audiômetro, flauta e tom puro) 
9ª SESSÃO – Figura­fundo para sílabas (Consoante Vogal: Escuta Direcionada e Integração 
Binaural) 
10ª SESSÃO – Reavaliação comportamental (PA) 
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Segundo  os  autores  acima  citados,  valores médios,  ao  redor  de  56  pontos, 
indicariam comportamento auditivo típico e esperado para a faixa etária entre 8 e 11 
anos de idade; 46 pontos apontaria indicativo de  falha na triagem e a necessidade 
de  ser  analisado  em  conjunto  com  outros  testes  e  avaliações  do  sujeito.Valores 
entre  31  e  45  pontos  —  um  desvio­padrão  abaixo  do  valor  médio  —  indicariam 
necessidade  de  avaliação  do  PA.  Valores  inferiores  a  30  pontos  —  um  desvio­
padrão  e  meio  abaixo  do  valor  médio  —  seriam  sugestivos  de  DPA,  havendo 
necessidade de treinamento das habilidades.  
 
 
Figura 1. Escala de funcionamento auditivo (SAB). 
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Na última sessão do TAAC, os indivíduos foram submetidos à aplicação dos 
questionários de autoavaliação: Questionário pós Treinamento Auditivo Formal (Gil e 
Ziliotto, 2011), Post­training Exit Questionnaire (Tye­Murray et al. 2012) e novamente 
o  Escala  de  Funcionamento  Auditivo  (SAB)  (Nunes  et  al.  2013).  Os  questionários 
foram aplicados por meio de entrevista, em que a avaliadora explicou e perguntou 
todas  as  questões,  para  garantir  a  compreensão  dos  participantes  e  em  seguida 
registrou todas as respostas. 
O  Questionário  pós  Treinamento  Auditivo  Formal  foi  traduzido  para  o 
português brasileiro por Gil e Ziliotto (2011) (Figura 2) e composto por 12 perguntas 
relacionadas  à  percepção  de  melhora  auditiva,  compreensão  de  ordens,  evolução 
acadêmica,  solicitação  de  repetição  de  enunciados,  redução  de  mal­entendidos, 
aumento do tempo de atenção, desempenho auditivo em ambiente ruidoso, melhora 
ao  falar  no  telefone  e  assistir

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