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ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE
AUTOAVALIAÇÃO
Dissertação de Mestrado apresentada à
Universidade Federal de São Paulo –
Escola Paulista de Medicina, para
obtenção do título de Mestre em Ciências.
SÃO PAULO
2016
ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE
AUTOAVALIAÇÃO
Dissertação de Mestrado apresentada à
Universidade Federal de São Paulo –
Escola Paulista de Medicina, para
obtenção do título de Mestre em Ciências.
Orientador: Profª Dra. Daniela Gil.
SÃO PAULO
2016
Sobreira, Ana Carolina de Oliveira
Treinamento auditivo formal: Questionários de autoavaliação / Ana Carolina
de Oliveira Sobreira. São Paulo, 2016.
xvii, 76f.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de
Medicina. Programa de Pósgraduação em Distúrbios da Comunicação Humana.
Formal auditory training: selfassessment questionnaires
1. Processamento Auditivo. 2. Treinamento Auditivo. 3. Questionários. 4.
Avaliação.
iii
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
DEPARTAMENTO DE FONOAUDIOLOGIA
Chefe do Departamento: Professora Doutora Clara Regina Brandão d´Ávila
Coordenadora do Curso de Pós Graduação em Distúrbios da Comunicação
Humana: Professora Titular Doutora Brasília Maria Chiari
iv
ANA CAROLINA DE OLIVEIRA SOBREIRA
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO
Presidente da banca:
Profa. Dra. Daniela Gil
Banca Examinadora:
Profa. Dra. Fátima Cristina Alves BrancoBarreiro
Profa. Dra. Maria Francisca Colella dos Santos
Profa. Dra. Sthella Zanchetta
Profa. Dra. Michele Vargas Garcia
v
Dedicatória
À memória de Renata Lobato da Silva, minha
eterna melhor amiga, que sonhou junto comigo
a realização desta etapa da minha vida.
vi
Agradecimentos
À minha orientadora Profa. Dra. Daniela Gil, pela paciência e disponibilidade,
por todos os ensinamentos acadêmicos e de vida e pelas valiosas orientações que
me fizeram construir ótimos raciocínios.
À Fga. Dra. Adriana Neves de Andrade e a Fga. Ms. Cyntia Barbosa
Laureano Luiz por me ajudarem em várias etapas deste trabalho, contribuindo com
seus ensinamentos e sugestões. A vocês o meu eterno carinho e respeito.
À Fga. Ms. Thássia Santos, pelo companheirismo e ensinamentos na prática
dos ambulatórios.
À Fga. Mariane Richetto da Silva, amiga, sócia e companheira de mestrado
por todos os momentos bons e ruins que soubemos atravessar sempre juntas.
Às companheiras de mestrado, Fga. Ms. Mariana Freitas, Fga. Kelly Chaves e
Fga. Carolina Calsolari que tanto me acolheram, ensinaram e fizeram companhia
durante as coletas e demais ambulatórios.
À Fga. Ms. Natália de Camargo, amiga, sócia e companheira de todas as
horas. Á você a minha eterna admiração.
Às queridas amigas paraenses Fga. Denise Braga Veras e Fga. Raiza
Gorbachev, presentes que a caminhada pelos programas de pós graduação em São
Paulo me trouxeram.
Aos meus pais, responsáveis pela minha criação com muito amor e
humildade. Agradeço a vocês o incentivo, a oportunidade de sempre terem custeado
meus estudos e por me fazerem acreditar que tudo que queremos pode se tornar
possível desde que haja muita persistência, absolutamente tudo de bom que
conquistei até hoje devo imensamente a vocês.
Às amigas amazonenses Juliana, Naiana, Renata e Veridiana que moram em
São Paulo e assim como eu, sempre alimentaram a vontade de crescer
profissionalmente. Obrigada por se tornarem a minha segunda família.
vii
Ao meu grande amor, Lucas Ramos Avelino.
Às funcionárias do departamento de Fonoaudiologia Neca e Claudinha, por
toda á atenção e prestatividade nos momentos em que mais precisei.
Ao Wagner Viana, por estar sempre pronto a ajudar sobre os assuntos
relacionados à FAPESP.
À estatística Denise Botter pela atenção dispensada à análise estatística
deste estudo.
Aos queridos pacientes que compuseram a amostra deste estudo, que
permitiram e confiaram a mim a utilização de seus dados.
viii
Agradecimento Especial
À FAPESP pela concessão da bolsa de mestrado que possibilitou a
realização deste estudo.
Número do processo: 2014/198275.
ix
Sumário
Dedicatória............................................................................................................ v
Agradecimentos................................................................................................... vi
Listas de Figuras.................................................................................................. x
Listas de Tabelas................................................................................................. xii
Resumo................................................................................................................. xvi
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 1
2 REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................. 4
2.1 Processamento Auditivo x Linguagem............................................................. 4
2.2 Treinamento Auditivo....................................................................................... 8
2.3 Questionários de Autoavaliação...................................................................... 15
3 MÉTODO............................................................................................................ 22
3.1 Método Estatístico........................................................................................... 29
3.1.2 Escala de Funcionamento Auditivo (SAB).................................................... 29
3.1.3 Questionário pós treinamento auditivo formal.............................................. 30
3.1.4 Posttraining Exit Questionnaire………………………………………………... 30
4 RESULTADOS……………………………………………………………………….. 31
5 DISCUSSÃO………………………………………………………………………….. 55
6 CONCLUSÃO………………………………………………………………………… 66
7 REFERÊNCIAS………………………………………………………………………. 67
8 ANEXOS……………………………………………………………………………… 73
x
Lista de Figuras
Figura 1 Escala de funcionamento auditivo (SAB)...................................... 24
Figura 2 Questionário pós Treinamento Auditivo Formal............................ 26
Figura 3
Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Questionário
pós Treinamento Auditivo Formal.................................................. 26
Figura 4 Posttraining Exit Questionnaire.................................................... 28
Figura 5
Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Posttraining
Exit Questionnaire......................................................................... 28
Figura 6 Respostas individuais para a questão Q1 do SAB........................ 35
Figura 7 Respostas individuais para a questão Q2 do SAB........................ 36
Figura 8 Respostas individuais para a questão Q3 do SAB........................ 37
Figura 9 Respostas individuais para a questão Q4 do SAB........................ 38
Figura 10 Respostas individuais para a questão Q5 do SAB........................ 39
Figura 11 Respostas individuais para a questão Q6 do SAB........................ 40
Figura 12 Respostas individuais para a questão Q7 do SAB........................ 41
Figura 13 Respostas individuais para a questão Q8 do SAB........................ 42
Figura 14 Respostas individuais para a questão Q9televisão e autoestima. Para cada item, o sujeito foi
solicitado a atribuir uma resposta que representou sua autopercepção após o TAAC,
pautada em uma escala analógica visual (Figura 3), que variou entre zero e quatro,
sendo que o zero representa nenhuma melhora; um – melhora sutil, porém
importante; dois – melhora moderada; três – melhora considerável e quatro –
melhora significativa. A escala foi criada no presente estudo para facilitar a aplicação
do instrumento, devido muitas perguntas serem de difícil compreensão pelas
crianças e também por seus responsáveis.
26
Figura 2. Questionário pós Treinamento Auditivo Formal.
Figura 3. Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Questionário pós Treinamento
Auditivo Formal.
27
O Posttraining Exit Questionnaire foi proposto originalmente em inglês por
TyeMurray et al (2012) (Figura 4). Este instrumento foi traduzido para o português
brasileiro por dois pesquisadores e contra traduzido por um falante fluente da língua
inglesa. A aplicação deste instrumento foi dividida em duas partes: uma avaliação
baseada em uma escala analógica visual e outra em perguntas abertas sobre a
percepção da melhora da compreensão auditiva e sobre o programa de reabilitação
aplicado.
Para a avaliação baseada na escala analógica visual, o indivíduo indicou
como o TAAC impactou em sua capacidade de reconhecimento de fala,
autoconfiança nas situações comunicativas, aperfeiçoamento das habilidades
auditivas e o quanto apreciou as atividades propostas. As possibilidades de resposta
variaram entre um e sete, sendo que para o número “um” atribuiuse o conceito
“muito pouco” e ao número “sete” o conceito “bastante” (Figura 5). A escala foi
criada no presente estudo para facilitar a aplicação do instrumento.
28
Figura 4. Posttraining Exit Questionnaire.
Figura 5. Escala Analógica Visual utilizada na aplicação do Posttraining Exit Questionnaire.
29
Na segunda parte da avaliação, o indivíduo indicou a percepção em relação
ao desempenho comunicativo relacionado à compreensão oral e também os
aspectos positivos e negativos verificados no programa de reabilitação aplicado. As
perguntas foram feitas por meio de entrevista pela pesquisadora com o sujeito e
seus pais, as respostas foram registradas graficamente para posterior análise.
3.1 Método Estatístico
Após a coleta dos dados, os resultados qualitativos e quantitativos foram
tabulados e analisados por meio de análise estatística descritiva e inferencial.
Ao longo do capítulo de resultados será destacado em negrito o pvalor ou a
frequência de resposta de cada questão nos comentários das tabelas e figuras. Para
tendência à significância será utilizado o símbolo (#) e para diferença
estatisticamente significante o símbolo (*).
A seguir serão apresentados por sessão os testes estatísticos utilizados para
cada etapa da análise:
3.1.2 Escala de Funcionamento Auditivo (SAB)
A análise dos dados foi realizada em duas etapas: descritiva e inferencial. Na
análise descritiva, foram construídas tabelas com medidas descritivas para as
pontuações nas questões Q1 a Q12 e para o Escore total. Na análise inferencial,
para todas as questões e para o Escore total, foi empregado o teste não paramétrico
do sinal para comparar as pontuações medianas populacionais entre os momentos
pré e pós. Este teste foi empregado já que a suposição de normalidade para a
distribuição das pontuações não foi verificada.
O nível de significância adotado para todos os testes de hipóteses realizados
foi igual a 0,05 (5%). Quando o valorp obtido num teste de hipótese foi maior que
30
5% mas menor do que 10%, não rejeitamos a hipótese testada, ou seja, concluímos
que não há evidência estatística suficiente para rejeitála.
A verificação da suposição de normalidade para a distribuição das
pontuações foi realizada por meio da construção de gráficos de probabilidades e da
aplicação do teste não para métrico de AndersonDarling.
3.1.3 Questionário pós treinamento auditivo formal
A análise utilizada para este questionário foi a medida de porcentagem da
distribuição de frequência de respostas de cada indivíduo.
3.1.4 Posttraining Exit Questionnaire
A análise utilizada para este questionário foi a medida de porcentagem da
distribuição de frequência de respostas de cada indivíduo.
31
4 RESULTADOS
Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos nos questionários de
avaliação: Escala de Funcionamento Auditivo (SAB), Questionário pós treinamento
auditivo e Post trainning exit questionnaire , visto que o objetivo deste estudo foi
investigar a aplicabilidade dos três questionários supracitados, a fim de mensurar a
melhora relatada pelos indivíduos após terem sido submetidos ao TAAC.
Após a descrição da amostra, a exposição dos dados será dividida nas
seguintes partes:
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB)
Parte 2. Questionário pós treinamento auditivo
Parte 3. Post trainning exit questionnaire
Inicialmente, apresentase a caracterização da amostra utilizada. Está
descrita abaixo a caracterização dos sujeitos (tabela 1) e a variável idade (tabela 2).
32
Tabela 1. Caracterização da amostra segundo as variáveis sexo, idade e grau
de alteração do PA e processos gnósicos alterados no pré treinamento.
Sexo Idade Grau de alteração do PAC Processos gnósicos
alterados
Caso 1 Masculino 9 Moderado organização e
decodificação
Caso 2 Masculino 15 Moderado organização, nãoverbal e
decodificação
Caso 3 Masculino 9 Moderado decodificação e não
verbal
Caso 4 Masculino 8 Severo decodificação
Caso 5 Feminino 7 Severo decodificação e não
verbal
Caso 6 Feminino 9 Severo
organização,
decodificação e
codificação
Caso 7 Masculino 7 Severo codificação, decodificação
e não verbal
Caso 8 Masculino 8 Severo decodificação e não
verbal
Caso 9 Feminino 7 Severo codificação, decodificação
e não verbal
Caso 10 Feminino 12 sem grau decodificação e não
verbal
Caso 11 Masculino 9 Leve decodificação e não
verbal
Caso 12 Masculino 8 Moderado decodificação e não
verbal
Caso 13 Masculino 9 Severo codificação, decodificação
e não verbal
Caso 14 Masculino 9 Severo decodificação e não
verbal
Caso 15 Masculino 8 sem grau Decodificação
Caso 16 Feminino 12 sem grau codificação e
decodificação
Caso 17 Feminino 10 Severo decodificação e não
verbal
Caso 18 Feminino 7 Severo decodificação e não
verbal
Caso 19 Feminino 10 Severo codificação, decodificação
e não verbal
Caso 20 Masculino 8 Severo decodificação,
organização e nãoverbal
Caso 21 Feminino 9 Leve decodificação e não
verbal
Caso 22 Feminino 9 Leve decodificação e não
verbal
Caso 23 Masculino 6 Severo decodificação e não
verbal
33
As medidas descritivas das tabelas abaixo, foram calculadas para o conjunto
dos 23 valores das questões Q1 a Q12 e do Escore total, em cada momento de
avaliação, e para os 23 valores da variável Diferença. Podemos verificar que apenas
a média da variável Diferença igualase à diferença entre a média dos valores no
momento Pós e a média dos valores no momento Pré, ou seja, as demais medidas
descritivas não respeitam necessariamente esta regra.
Na tabela 1 é possível observar as variáveis: sexo, idade, escola, grau e tipo
de alteração do processamento auditivo na etapa pré treinamento. Notase que há
mais sujeitos do sexo masculino (56,5%), que o grau de alteração mais comum é o
severo (56,5%),o tipo de alteração mais apresentada foi prejuízo nos processos
gnosicos de decodificação e nãoverbal (52,17%).
Tabela 2. Estatísticas descritivas da idade (anos).
N Média DP Mínimo Mediana Máximo
23 8,9 1,96 6 9 15
Legenda: n tamanho da amostra; DP desvio padrão.
Os sujeitos selecionados tinham idades entre 6 e 15 anos (média de 8,9
anos). Todos os indivíduos estudados apresentavam avaliação audiológica dentro
dos padrões de normalidade e DPA confirmados pelos testes comportamentais.
Todos os indivíduos foram submetidos à reavaliação do PA após ter sido concluído o
TAAC e responderam aos três questionários de autoavaliação utilizados no estudo.
34
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB).
A escala SAB foi idealizada pelos seus autores como um instrumento de
triagem para o DPA. No presente estudo, este material foi utilizado como
instrumento de comparação entre os indivíduos nos momentos pré e pós TAAC. As
opções de resposta foram: frequentemente (1), quase sempre (2), algumas vezes
(3), esporádico (4) e nunca (5). Portanto, quanto maior for a pontuação para cada
resposta, menor seria a dificuldade e ou queixa relatada.
A tabela 3 e a figura 6 mostram as respostas obtidas na primeira questão,
referente à dificuldade para escutar ou entender em ambiente ruidoso nos
momentos pré e pós TAAC.
Tabela 3. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q1 do SAB:
“Dificuldade para escutar ou entender em ambiente ruidoso” nos momentos
pré e pós.
Momento N Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,3 1,1 1 2 5
Pós 23 2,8 0,5 2 3 4
Diferença 23 0,5 1,0 2 1 2
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
35
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 6. Respostas individuais para a questão Q1 do SAB.
Podese notar que a média e a mediana no momento pós aumentou em
relação ao momento pré, demonstrando melhora na queixa de escutar ou entender
em ambiente ruidosos após o TAAC. Pela figura 6 notase que no momento pré o
maior número de respostas concentrouse na pontuação 1 (frequentemente),
comprovando que antes do TAAC a dificuldade era maior em alguns indivíduos,
ainda sobre o mesmo gráfico, é possível verificar que o maior número de respostas
concentrouse na pontuação 3 (algumas vezes) em ambos os momentos, porém, no
momento pós há uma concentração maior de sujeitos. Nesse caso houve diferença
estatisticamente significante entre os momentos (pvalor 0,021*).
A tabela 4 e a figura 7 mostram as respostas obtidas na segunda questão,
referente a não entender bem quando alguém fala rápido ou abafado nos momentos
pré e pós TAAC.
36
Tabela 4. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q2 do SAB:
“Não entender bem quando alguém fala rápido ou abafado” nos momentos pré
e pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,4 1,0 1 3 5
Pós 23 3,0 1,0 1 3 5
Diferença 23 0,6 0,9 1 0 2
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 7. Respostas individuais para a questão Q2 do SAB.
Na tabela 4 notase que a média passou de 2,4 para 3,0 no momento pós,
evidenciando aumento da pontuação das respostas mesmo obtendose valores
iguais de mínimo, máximo e mediana. O fato pode ser justificado pela figura 7, que
mostra o aumento do número de sujeitos que optaram pela pontuação 4
(esporádico), evidenciando uma melhora na queixa de compreensão de fala rápida
ou abafada pós TAAC. Nesse caso ocorreu diferença estatisticamente significante
(pvalor 0,023*).
37
A tabela 5 e a figura 8 mostram as respostas obtidas na terceira questão,
referente à dificuldade para seguir instruções orais nos momentos pré e pós TAAC.
Tabela 5. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q3 do SAB:
“Dificuldade de seguir instruções orais” nos momentos pré e pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,6 1,1 1 3 5
Pós 23 3,1 1,1 1 3 5
Diferença 23 0,5 1,2 2 0 3
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 8. Respostas individuais para a questão Q3 do SAB.
De acordo com a tabela 5, a média das respostas aumentou de 2,6 para 3,1
no momento pós. Notase que na figura 8 que a tendência de resposta dos sujeitos
também aumentou, demonstrando que ocorreu melhora dos sujeitos na queixa de
dificuldades de seguir instruções orais, apesar, de não haver evidência de diferença
38
entre as medianas populacionais. Nesse caso ocorreu tendência à significância (p
valor 0,092#).
A tabela 6 e a figura 9 mostram as respostas obtidas na quarta questão,
referente à dificuldade na identificação e discriminação dos sons da fala nos
momentos pré e pós TAAC.
Tabela 6. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q4 do SAB: “Dificuldade na
identificação e discriminação dos sons de fala” nos momentos pré e pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,9 1,0 1 3 5
Pós 23 3,4 0,7 2 3 5
Diferença 23 0,5 0,9 2 0 2
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 9. Respostas individuais para a questão Q4 do SAB.
A tabela 6 mostra o aumento da média das respostas de 2,9 para 3,4,
evidenciando um aumento na escolha nas alternativas de maior pontuação, como
39
mostrado na figura 9 no momento pós, em que apenas um sujeitos optou pela
alternativa 2 (quase sempre). A maioria concentrouse entre as respostas 3
(algumas vezes) e 4 (esporádico) no momento pós, significando melhora na queixa
de identificação e discriminação dos sons da fala. Nesse caso ocorreu diferença
estatisticamente significante (pvalor 0,023*).
A tabela 7 e a figura 10 mostram as respostas obtidas na quinta questão,
referente à inconsistência de respostas para informações auditivas nos momentos
pré e pós TAAC.
Tabela 7. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q5 do SAB:
“Inconsistência de respostas para informações auditivas” nos momentos pré e
pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 3,3 1,1 1 3 5
Pós 23 3,3 0,8 1 3 5
Diferença 23 0,1 0,8 1 0 2
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 10. Respostas individuais para a questão Q5 do SAB.
40
Pela tabela 7 e figura 10, notase que não ocorreu diferença estatisticamente
significante e nem tendência (pvalor >0,999).
A tabela 8 e a figura 11 mostram as respostas obtidas na sexta questão,
referente à fraca habilidade de leitura nos momentos pré e pós TAAC.
Tabela 8. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q6 do SAB:
“Fraca habilidade de leitura” nos momentos pré e pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,5 1,5 1 2 5
Pós 23 2,9 1,1 1 3 5
Diferença 23 0,4 1,2 2 0 3
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
54321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 11. Respostas individuais para a questão Q6 do SAB.
Pela tabela 8 e figura 11, não foi possível observar nem diferença
estatisticamente significante e nem tendência a significância (pvalor 0,267).
41
A tabela 9 e a figura 12 mostram as respostas obtidas na sétima questão,
referente a pedido de repetição da fala do outro nos momentos pré e pós TAAC.
Tabela 9. Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q7 do SAB:
“Pede para repetir as coisas”nos momentos pré e pós.
Momento n Média DP Mínimo Mediana Máximo
Pré 23 2,3 0,9 1 2 4
Pós 23 3,4 0,7 1 4 4
Diferença 23 1,1 0,9 0 1 3
n: número de indivíduos; DP: desvio padrão.
4321
Pré
Pós
Pontuação
Figura 12. Respostas individuais para a questão Q7 do SAB.
De acordo as médias de respostas pré e pós observadas na tabela 9, houve
aumento de 2,3 para 3,4, demonstrando uma melhora significativa dos sujeitos na
queixa de solicitação de repetição da fala do outro após o TAAC, com isso, podese
observar na figura 12 a concentração quase que total dos sujeitos entre as
alternativas 3 (algumas vezes) e 4 (esporádico) no momento pós, evidenciando a
42
melhora desta queixa a qual é muito recorrente nos pacientes com alteração do
processamento auditivo. Nesse caso ocorreu diferença estatisticamente significante
(pvalor 0,999
Q6 0,267
Q7 12 ser aberta e dissertativa. As opções de resposta para este instrumento eram:
nenhuma melhora (0); melhora sutil, porém importante (1); melhora moderada (2);
50
melhora considerável (3) e melhora significativa (4). Quanto maior a pontuação
atribuída para cada questão, maior a mudança positiva sentida pelo paciente.
A tabela 17 mostra a distribuição de frequências das respostas de todas as
questões analisadas.
Tabela 17. Distribuição de frequências das questões Q1 a Q11.
Questão
Resposta
0 1 2 3 4
n % n % N % n % n %
Q1. Você observou melhora na
audição? 0 0,0 4 17,39 6 26,09 9 39,13 4 17,39
Q2. Foi observada melhora para
seguir instruções, ordens... 1 4,35 1 4,35 7 30,43 6 26,09 8 34,78
Q3. A comunicação tem sido mais
fácil? 1 4,35 1 4,35 10 43,48 3 13,04 8 34,78
Q4. Houve alguma melhora
acadêmica (leitura, soletração)? 0 0,0 2 8,70 7 30,43 5 21,74 9 39,13
Q5. Houve redução na solicitação
de repetição de enunciados? 1 4,35 5 21,74 11 47,83 4 17,39 2 8,70
Q6. Os malentendidos na
comunicação diminuíram? 1 4,35 4 17,39 6 26,09 11 47,83 1 4,35
Q7. O tempo de atenção
aumentou? 0 0,00 1 4,35 11 47,83 8 34,78 3 13,04
Q8. O desempenho auditivo em
ambiente ruidoso melhorou? 1 4,35 5 21,74 8 34,78 6 26,09 3 13,04
Q9. Houve melhora no nível de
atenção e alerta? 0 0,0 2 8,70 6 26,09 8 34,78 7 30,43
Q10. Houve melhora ao falar no
telefone, assistir TV, ouvir rádio,
etc?
1 4,35 4 17,39 4 17,39 7 30,43 7 30,43
Q11. Houve melhora quanto a
autoestima? 2 8,70 2 8,70 4 17,39 8 34,78 7 30,43
Legenda: 0 nenhuma melhora; 1 melhora sutil, porém importante;
2 melhora moderada; 3 melhora considerável;
4 melhora significativa; n – no de indivíduos
51
Pela Tabela 17 notase que 50% ou mais dos indivíduos consideraram a
melhora considerável (3) ou significativa (4) nas questões Q1, Q2, Q3, Q4, Q6, Q9,
Q10 e Q11. Para as questões Q5, Q7 e Q8, a resposta mais frequente foi melhora
moderada (2).
Pôdese perceber que mesmo para as questões Q5, Q7 e Q8, em que a
resposta mais frequente foi melhora moderada (2), ainda assim foi possível observar
que a maioria dos indivíduos percebeu melhora em suas habilidades comunicativas.
Parte 3. Post trainning exit questionnaire
O Post trainning exit questionnaire foi desenvolvido por TyeMurray et al
(2012) para ser aplicado em indivíduos que foram submetidos ao TAAC com a
finalidade de mensurar melhoras na compreensão da fala, autoconfiança na
comunicação e nível de apreciação das atividades do TAAC. Este instrumento é
composto por 17 questões, mas apenas 11 foram analisadas estatisticamente, pois
seis delas são questões abertas e dissertativas. As possibilidades de resposta nas
questões estudadas foram: de muito pouco (1) a muito (7), ou seja, quanto maior a
pontuação atribuída, maior foi a melhora percebida pelo sujeito.
A tabela 18 mostra a estatística descritiva para as pontuações nas questões
Q1: “Indique o quanto você acredita que melhorou na sua habilidade de
compreender a linguagem oral (fala), como resultado de ter participado do
treinamento”; Q2: “Até que ponto, ter participado desse treinamento auditivo,
melhorou sua autoconfiança em envolverse em uma conversa com conhecidos
casuais ou estranhos”; Q3: “Até que ponto, ter participado desse treinamento
auditivo, melhorou sua autoconfiança em envolverse em uma conversa com
membros de sua família ou amigos próximos” e Q4: “Indique o quanto você gostou
de participar desse treinamento auditivo”.
52
Tabela 18. Distribuição de frequências das respostas das questões Q1 a Q4.
Respostas
Questão
1 2 3 4 5 6 7
N % N % n % N % n % N % n %
Q1 1 4,35 0 0,00 1 4,35 4 17,39 5 21,74 4 17,39 8 34,78
Q2 3 13,04 0 0,00 1 4,35 5 21,74 4 17,39 4 17,39 6 26,09
Q3 1 4,35 0 0,00 0 0,00 2 8,70 4 17,39 4 17,39 12 52,17
Q4 0 0,00 1 4,35 3 13,04 3 13,04 1 4,35 4 17,39 11 47,83
Legenda: 1 – muito pouco; 7 muito
A Tabela 18 mostra que a maioria dos sujeitos optou pela alternativa 7
(muito), indicando que as respostas foram positivas com relação a compreensão da
fala, autoconfiança na comunicação e apreciação do TAAC .
A tabela 19 mostra a distribuição de frequência das respostas obtidas na
quinta questão sobre as atividades que mais os sujeitos apreciaram no TAAC.
Tabela 19. Distribuição de frequências da questão Q5.
Resposta n %
Todos exceto TPF 1 4,35
TDD integração bineural 1 4,35
TPD e padrão de intensidade 1 4,35
TPF e TPD 1 4,35
PSI 2 8,70
TPF, TPD e padrão de intensidade 2 8,70
Padrão de intensidade 3 13,04
TDNV 3 13,04
TPD 3 13,04
TPF 3 13,04
Nenhuma 3 13,04
Total 23 100,00
53
Pela tabela 19 notase que não ocorreu nenhuma atividade que foi mais
apreciada, sendo assim as respostas obtidas foram indiferentes.
A tabela 20 mostra a distribuição de frequência das respostas obtidas na
sexta questão sobre as atividades que os sujeitos menos apreciaram no TAAC.
Tabela 20. Distribuição de frequências da Q6.
Resposta N %
Todos exceto TPD 1 4,35
PSI Figurafundo 1 4,35
SSI 1 4,35
SSI Figurafundo 1 4,35
TDCV e TDD 1 4,35
TDD e TDNV 1 4,35
TPD 1 4,35
TPF e TPD com flauta 1 4,35
CV 2 8,70
TDD 3 13,04
TPF 3 13,04
Fala com ruído 7 30,43
Total 23 100,00
As tabelas 19 e 20 mostram as distribuições de frequências das questões Q5
e Q6. A tabela 18 mostrou que a resposta Fechamento (fala com ruído) foi a mais
frequente com respeito à questão Q6.
A tabela 21 mostra a distribuição das frequências de respostas obtidas nas
questões de Q7 a Q11, para as quais as respostas possíveis eram sim e não.
54
Tabela 21. Distribuição de frequências das questões Q7 a Q11.
Questão
Categorias
Não Sim
n % n %
Q7 3 13,04 20 86,96
Q8 5 21,74 18 78,26
Q9 4 17,39 19 82,61
Q10 5 21,74 18 78,26
Q11 23 100,00 0 0,00
Legenda:
Q7 Compreensão de palavras isoladas.
Q8 Compreensão de sentenças isoladas.
Q9 Compreensão de diálogos / conversas isoladas.
Q10 Percepção do contexto numa conversa.
Q11 Nenhuma das anteriores.
Na Tabela 21 notase que mais de 80% das respostas às questões Q7 a Q10
foram iguais a SIM. No entanto, todas as respostas à questão Q11 foram iguais a
NÃO, demonstrando que não houve nenhum sujeito que não tenha sentido
mudanças positivas em sua autopercepção de compreensão.
55
5 DISCUSSÃO
Neste capítulo será apresentada uma análise crítica dos resultados da
aplicação de três questionários de avaliação relacionados a diversos aspectos do
TAAC. Sempre que possível, esses resultados serão confrontados com a literatura
especializada. É importante destacar a escassez de trabalhos na literatura que
abordem diretamente o tema deste estudo, sendo necessário relacionálo com
outras populações.
Para facilitar a exposição, será mantida a mesma organização do capítulo de
resultados:
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB)
Parte 2. Questionário pós Treinamento Auditivo
Parte 3. Post Trainning Exit Questionnaire
As tabelas 1 e 2 mostraram a caracterização da amostra segundo as
variáveis: sexo, idade, grau de alteração do PA e processos gnósicos envolvidos
antes da realização do TAAC. Observouse que a amostra foi constituída em sua
maioria por sujeitos do sexo masculino(56,5%), a faixa etária dos sujeitos variou de
6 a 15 anos (média de 8,9 anos) o grau de alteração mais comum aos sujeitos no
início do TAAC foi o severo (56,5%), o tipo de alteração do PA que mais se destacou
foram os prejuízos nos processos gnósicos de decodificação e nãoverbal (52,17%).
A idade dos sujeitos deste estudo foi definida segundo a demanda do serviço, é
possível perceber que todos frequentavam escola e apresentavam queixas
relacionadas ao desempenho acadêmico, portanto acreditase que os indivíduos
com dificuldades escolares como comorbidade ao PA destacaramse na procura
pelo tratamento.
56
Parte 1. Escala de Funcionamento Auditivo (SAB)
Na tabela 3 e figura 6, referentes à dificuldade para escutar ou entender em
ambiente ruidoso, foi observado o aumento da média no momento pós TAAC com
diferença estatisticamente significante. Muisek e Jerger (2000) afirmaram que o DPA
pode piorar em ambientes desfavoráveis acústicamente e pode estar associado a
dificuldades de compreensão da fala. Acreditase que a melhora relatada pelos
entrevistados tenha sido significativa, devido esta queixa ser puramente auditiva e
estar relacionada diretamente com os objetivos do TAAC, portanto, como todos os
sujeitos foram submetidos ao mesmo programa de TAAC e o realizaram em sua
totalidade, era esperado que os resultados para esta questão fossem significantes.
Na tabela 4 e figura 7, referentes à dificuldade de compreensão de fala rápida
ou abafada, ocorreu o aumento da média no momento pós, evidenciando a melhora
na queixa relatada com diferença estatisticamente significante. Como sugerido na
questão anterior, esta questão também se refere à compreensão da fala, sendo
portanto, uma queixa auditiva muito frequente em indivíduos que apresentam o
DPAC e pela mesma razão, a melhora ocorreu como esperado para todos os
indivíduos submetidos ao TAAC. Além disso, esta questão também reflete a eficácia
da abordagem utilizada pela perspectiva do paciente, ao relatar sua melhora (Tallal
e Merzenich, 1996b; Zalcman e Schochat, 2007).
Na tabela 5 e figura 8, referentes à dificuldade para seguir instruções orais,
observouse que a média de respostas aumentou e observouse tendência à
significância. Apesar dos resultados para esta questão não terem sido
estatisticamente significantes, ainda assim foi possível perceber uma melhora
subjetiva. Diferentemente das questões citadas anteriormente, esta não é uma
queixa que depende somente do bom funcionamento do sistema auditivo periférico e
central, ela também exige da linguagem e da cognição (Pereira, 1997 ab), variando
com relação à complexidade da instrução apresentada.
Na tabela 6 e figura 9, referentes à dificuldade na identificação e
discriminação dos sons da fala, foi observado aumento da média e diferença
estatisticamente significante, que concordam com os resultados dos estudos de
57
Tallal e Merzenich (1996); King (1999) e Agnew et al. (2004). Para esta questão era
esperado este resultado, devido à relação muito próxima desta queixa com os
objetivos principais do TAAC que são melhorias na memória, atenção e
concentração auditivas, favorecendo a comunicação em ambientes adversos. Esta
questão, por muitas vezes, precisou ser simplificada ou explicada diversas vezes
para que o indivíduo e sua família pudessem expressar uma resposta fidedigna e
condizente com a melhora sentida na queixa pós TAAC. A formulação mais
simplificada usada foi: “Você tem dificuldade entender cada som da fala, por
exemplo: /s/, /f/, /x/ etc...” (mostrando exemplos dos sons). Além disso, foi
questionado aos responsáveis se as crianças apresentavam trocas na fala e/ou na
escrita.
Na tabela 7 e figura 10, referentes à inconsistência de respostas para as
informações auditivas não ocorreu diferença estatisticamente significante, nos dois
momentos as respostas permaneceram iguais.
Na tabela 8 e figura 11, referentes à fraca habilidade de leitura não ocorreu
tendência e nem diferença estatisticamente significante. Apesar de alguns sujeitos
terem relatado melhoras na leitura após o TAAC, esta não era uma questão para a
qual não eram esperadas diferenças significantes. Este fato ocorre pela leitura estar
relacionada também com os aspectos da linguagem além das habilidades auditivas
(Lucas et al. 2007; Sharma et al. 2009; Frota e Pereira 2010; Machado et al. 2011;
Soares et al. 2013). O TAAC não tem como objetivo sanar dificuldades de leitura,
sendo uma ferramenta complementar na reabilitação dos transtornos de leitura e
escrita quando os mesmo coexistem com os distúrbios do processamento auditivo.
Na tabela 9 e figura 12, referentes à solicitação de repetição da fala do outro,
ocorreu aumento da média no momento pós, com diferença estatisticamente
significante, demonstrando melhora nesta queixa (Tallal e Merzenich, 1996). De
modo geral, a queixa de repetição é muito frequente em pacientes que apresentam o
DPAC. A maioria dos pais, ao relatar o comportamento de seus filhos na primeira
sessão, dizem que os pedidos de solicitação de repetição são frequentes e os
mesmos ficam na dúvida se esta queixa está relacionada á um déficit de atenção.
Nas entrevistas finais em que estes responsáveis auxiliavam seus filhos nas
respostas, foi quase unanime as respostas positivas para a diminuição desta queixa.
58
Na tabela 10 e figura 13, referentes à questão “Facilmente distraído” a média
de respostas aumentou e ocorreu diferença estatisticamente significante entre os
momentos. Sabese que o TAAC é capaz de melhorar a atenção auditiva (Garcia et
al. 2007; PutterKatz et al. 2002; Musiek e Schochat, 1998; Gil 2006; Stroiek et al.
2015; Pereira e Cibian, 2015), porém, não substitui um tratamento específico para
problemas relacionados à déficit de atenção, que foi muito citado pelos pais ao
responderam esta questão. Esse achado abre a possibilidade de mais estudos que
relacionem a atenção e o TAAC.
Na tabela 11 e figura 14, referentes a dificuldades acadêmicas e de
aprendizagem não ocorreu tendência e nem diferença estatisticamente significante.
Assim como as outras questões citadas anteriormente que não apresentam relação
direta com as habilidades auditivas, para esta questão também não se esperava
resultados significativos, uma vez que não foram realizadas atividades específicas
para este fim (Pereira e Cibian, 2015). Estes resultados discordam dos achados dos
trabalhos de Musiek (1999) e PutterKatz et al. (2002) que encontraram melhoras
significativas nesta queixa após o TA. O programa de TAAC realizado no presente
estudo contou com estratégias Bottomup, evolvendo atividades de melhorias na
recepção auditiva, para que fossem evidenciadas melhorias acadêmicas ligadas a
linguagem, as estratégias Topdown seriam mais indicadas.
Na tabela 12 e figura 15, referentes a períodos de atenção curtos, ocorreu
tendência à significância, concordando com o estudo de Garcia et al. (2007) e
Pereira e Cibian, 2015. Na entrevista com os sujeitos e seus responsáveis essa
queixa foi muito frequente, principalmente quando relatavam situações de seus filhos
em sala de aula e/ou fazendo lição de casa antes de serem submetidos ao TAAC.
Na tabela 13 e a figura 16, referentes a momentos de falta de atenção tais
como, “sonha acordado, parece desatento”, a média das respostas aumentou no
momento pós TAAC e ocorreu diferença estatisticamente significante,evidenciando
melhora nessa queixa. O mesmo foi encontrado no estudo de PutterKatz et al.
(2002) que avaliou crianças que tinham falta de atenção. Em todas as questões
relacionadas à atenção deste questionário foram relatadas melhoras pelos
indivíduos, comprovando a eficácia do TAAC na atenção auditiva.
59
Na tabela 14 e figura 17, referentes à desorganização, não ocorreu tendência
e nem diferença estatisticamente significante entre os momentos. Quando essa
questão foi apresentada aos sujeitos e/ou a seus pais, percebeuse a dúvida nos
mesmos sobre o tipo de desorganização estava sendo questionada. Acreditase que
por ela ser composta apenas pela palavra “desorganizado”, esta questão pareceu
genérica ou vaga, dificultando até a facilitação por parte da pesquisadora.
Nas tabelas 15 e 16 figuras 18 e 19, referentes ao score total do questionário
SAB pré e pós TAAC foi observado aumento das medianas no momento pós para as
questões Q1,Q2,Q4, Q7, Q8, Q11 e para o escore total, evidenciando diferença
estatisticamente significante para metade das questões propostas neste
questionário. Para o score total, a mediana no momento pré era 26 e no momento
pós passou para 37, concordando com o trabalho de Nunes et al. (2013) que
mostrou os resultados de uma triagem de PA utilizando o SAB em que as crianças
que apresentaram um escore final inferior a 35 pontos e comprometimento
simultâneo em dois ou mais testes do PA. As evidências constatadas neste estudo
sobre este instrumento garantem ao mesmo boa aplicabilidade para pacientes
submetidos a um programa de TAAC.
O questionário SAB não contou com o apoio de uma escala analógica visual
para ser aplicado, porém, a criação de uma poderia ter ajudado os indivíduos na
escolha das alternativas, além disso, a elaboração de um roteiro de apoio para
auxiliar na aplicação de cada questão, com exemplos e breves explicações fazse
necessário para garantir a compreensão dos sujeitos e consequentemente fornecer
respostas mais concretas e próximas da realidade dos mesmos, além de melhorar a
padronização na explicação.
A escassez de estudos que tenham utilizado o questionário SAB e também a
ausência de estudos que comparem os resultados deste instrumento nos momentos
pré e pós TAAC dificultaram o confronto da literatura com os achados do presente
estudo.
60
Parte 2. Questionário Pós Treinamento Auditivo
Na tabela 17 foi apresentada a distribuição de frequência das respostas de
todas as questões do questionário Pós Treinamento Auditivo. De maneira geral, para
este instrumento, não ocorreram respostas negativas em relação à melhora após o
TAAC, isso é percebido devido ao número pequeno de sujeitos que responderam
para a alternativa “nenhuma melhora”. Observouse que 50% ou mais dos indivíduos
citaram a melhora considerável ou significativa para a maioria das questões (Q1, Q2,
Q3, Q4, Q6, Q9, Q10, Q11), concordando com o estudo de Musiek e Schochat, 1998
em que o mesmo instrumento foi aplicado em um sujeito que referiu melhora pós
TAAC. Para as questões Q5, Q7 e Q8, a resposta mais frequente foi a melhora
moderada.
Para a questão Q1 “Você observou melhora na audição?”, 39,13% dos
sujeitos responderam que melhoraram consideravelmente, concordando com os
achados de Musiek e Schochat, 1998 e Pereira e Cibian, 2015. Esta questão é mais
geral sobre a audição e por não especificar uma queixa, o sujeito tende a responder
positivamente, refletindo o que sentiu após o TAAC de maneira geral.
Para a questão Q2 “Foi observada melhora para seguir instruções, ordens...”,
34,78% dos sujeitos respondeu que melhoraram significativamente. Concordando
com a mesma questão Q3 do questionário SAB no presente estudo, referente à
“Dificuldade de seguir instruções orais” em que foi observada tendência à
significância. Este tipo de queixa é muito comum em crianças com DPAC e foi muito
relatado pelos pais no início do programa de TAAC, ao fim do mesmo, os relatos de
melhora foram frequentes.
Para a questão Q3 “A comunicação tem sido mais fácil?” 34,78% dos sujeitos
optaram pela alternativa de melhora significativa (PutterKatz et al. 2002). Durante a
aplicação deste instrumento, muitos sujeitos relataram melhor compreensão da fala
do interlocutor, além disso, alguns pais relataram que seus filhos estavam se
relacionando melhor socialmente.
Para a questão Q4 “Houve alguma melhora acadêmica (leitura, soletração)?”
39,13% dos sujeitos responderam que melhoraram significativamente, discordando
61
com a questão Q6 do SAB “Fraca habilidade de leitura” em que não foi possível
observar diferença estatisticamente significante. A possível justificativa para essa
diferença de respostas tão grande pode ser a forma como as duas questões foram
formuladas. Sabese que o desempenho acadêmico depende também das
habilidades de linguagem, além das auditivas (Santos et. al 2015). Os sujeitos que
percebem essa evolução significativa na escola, são aqueles indivíduos que têm um
comprometimento do DPA mais leve, que são a minoria dos sujeitos deste estudo,
cujo grau de alteração mais comum foi o severo. Sabese que sujeitos com
dificuldades acadêmicas podem apresentar o DPA como comorbidade (Lucas et al.
2007; Sharma et al. 2009; Oliveira et al. 2011).
Para a questão Q5 “Houve redução na solicitação de repetição de
enunciados?” 47,83% dos sujeitos responderam melhora moderada. Apesar da
maioria não ter optado pela melhora considerável ou significativa, foi possível
perceber evolução, principalmente quando comparouse esta pergunta com a
questão Q7 do SAB “Pede para repetir as coisas” que ocorreu diferença
estatisticamente significante. Observase que no SAB esta questão foi elaborada de
forma mais simples e isso pode ter auxiliado os indivíduos e seus pais na
compreensão da mesma, levandoos a fornecer respostas mais precisas.
Para a questão Q6 “Os malentendidos na comunicação diminuíram?” 47,83%
dos sujeitos responderam melhora considerável (Tallal e Merzenich 1996). Esta
queixa está diretamente relacionada com uma das principais queixas inerentes aos
sujeitos com DPAC e muito relatada pelas famílias destes sujeitos.
Para a questão Q7 “O tempo de atenção melhorou?” 47,83% dos sujeitos
responderam melhora moderada. Ao longo desta discussão, foi possível notar que
as questões referentes à atenção após o TAAC, sempre foram relacionadas à
evolução positiva, como por exemplo as questões do SAB, Q8 “Facilmente distraído”
e Q11 “Sonha acordado, parece desatento” em que ocorreu diferença
estatisticamente significante. Mesmo a questão Q10 “Períodos curtos de atenção” do
SAB em que ocorreu tendência à significância, foi possível perceber a mudança dos
indivíduos para melhor.
Para a questão Q8 “O desempenho auditivo em ambiente ruidoso melhorou?”
34,78% dos sujeitos responderam ter percebido melhora moderada. Como a
62
percepção auditiva depende do próprio sujeito e a amostra foi composta por
crianças, acreditase que as repostas possam ter sido inconsistentes. Para esta
questão, é necessário saber a diferença entre um ambiente ruidoso e um silencioso,
posteriormente lembrarse do próprio comportamento frente a estas situações. Esta
questão também foi explicada na hora da aplicação, muito sujeitos apresentaram
dificuldades na compreensão do termo “desempenho auditivo”.
Para a questão Q9 “Houve melhora no nível de atenção e alerta” 34,78% dos
sujeitos responderam ter sentido melhora considerável. Estes resultados concordam
com a questão Q7 deste questionário, citadaanteriormente e reafirma que o TAAC
foi eficaz em melhorar o tempo de atenção (Garcia et al. 2007; PutterKatz et al.
2002; Pereira e Cibian,2015). Vale lembrar que muitos sujeitos e suas famílias
apresentaram dificuldades na compreensão do termo “nível de alerta” contido na
pergunta, por este motivo, a questão foi devidamente explicada, a fim de, excluir
falsas respostas.
Para a questão Q10 “Houve melhora ao falar no telefone, assistir TV, ouvir
rádio, etc?” 30,43% dos sujeitos responderam melhora considerável e 30,43%
melhora significativa, com isso, foi possível perceber que a compreensão da fala
melhorou quando transmitida por meio de equipamentos eletrônicos.
Para a questão Q11 “Houve melhora quanto a autoestima?” 34,78% dos
sujeitos responderam melhora considerável. Acreditase que as melhorias na
comunicação são capazes de conferir ao sujeito mais confiança para se comunicar,
tornandoo cada vez mais seguro para estabelecer trocas comunicativas, mesmo
que em ambientes adversos.
A visão geral para este instrumento trouxe dados importantes a respeito da
percepção do sujeito e sobre a observação de seus pais após a realização do TAAC,
único momento em que este questionário foi aplicado. Ao somarmos as
porcentagens das duas últimas colunas, foi percebida na maioria das questões a
melhora em mais de 70% dos indivíduos.
63
Parte 3. Post Trainning Exit Questionnaire
Na tabela 18 foram apresentados os resultados das quatro primeiras questões
do Post Trainning Exit Questionnaire.
Nas questões Q1 referente à habilidade de compreensão da fala pós TAAC,
Q2 referente à melhoria da autoconfiança em conversas com estranhos pós TAAC e
Q3 referente à melhoria na autoconfiança em envolverse em uma conversa com
membros da família e amigos próximos pós TAAC a maioria dos sujeitos relataram
muita melhora estes resultados se relacionaram com os achados de Stroiek et al.
2015. Os resultados concordam com TyeMurray et al. 2012 em que os participantes
do estudo relataram melhorias em sua habilidade para reconhecimento de fala e em
sua autoconfiança, como resultado de terem participado do TA. Em geral,neste
mesmo estudo, os participantes indicaram melhora moderada na sua capacidade de
compreender a linguagem falada (média de 4,1 na escala de sete pontos), fato que
não concorda com os achados do presente estudo, em que os sujeitos relataram
muita melhora. A única diferença significativa observada no estudo de TyeMurray et
al. 2012 entre as quatro questões foi para a pergunta número 3 ("Até que ponto, ter
participado desse treinamento auditivo, melhorou sua autoconfiança em envolverse
em uma conversa com conhecidos casuais ou estranhos").
Na questão Q4 referente ao quanto o sujeito gostou de ter participado do
TAAC, 47,83% dos sujeitos indicaram ter apreciado muito o programa. O mesmo
não ocorreu nos achados de TyeMurray et al. 2012, em que os sujeitos em sua
maioria relataram melhora moderada sobre terem gostado de participar do programa
(média de 5,9). A motivação é uma fator chave para a eficácia do treinamento
acusticamente controlado.
Na tabela 19 referente à questão Q5 sobre as atividades que os sujeitos mais
apreciaram no programa de TAAC, as respostas mostraramse divididas. Não foi
possível perceber nenhuma atividade que tenha se destacado como favorita.
Na tabela 20 referente à questão Q6 sobre as atividades que os sujeitos
menos apreciaram no programa de TAAC, a resposta mais comum foi “Fala com
ruído” ou treinamento da habilidade de fechamento auditivo, escolhida por 30,43%
64
dos sujeitos. Acreditase que a não apreciação desta atividade pelos sujeitos
decorra das dificuldades de compreensão em ambientes muito adversos, além
disso, pelo ruído ser um estímulo desagradável e incomodo.
Sabese que a apreciação dos sujeitos para qualquer tipo de atividade
depende muito da motivação sentida pelos mesmos (Silman et al. 2000) e quando o
TAAC envolve temas do interesse do indivíduo, há cada vez mais atenção envolvida
(Sweetow e Henderson,2010).
Na tabela 21 foram apresentadas as respostas obtidas nas questões Q7 a
Q11. Para a Q7 ”Compreensão de palavras isoladas” 86,96% dos sujeitos
responderam que esta compreensão melhorou. Para a Q8 “Compreensão de
sentenças isoladas” 78,26% dos sujeitos optaram pela alternativa “sim” apontando
melhorias nesta queixa. Para a Q9 “Compreensão de diálogos/conversas isoladas”
82,61% dos sujeitos relatou melhora nesta queixa. Na questão Q10 “Percepção do
contexto numa conversa” 78,26% dos sujeitos perceberam melhoras positivas nesta
queixa (Vilela et al. 2012; Sharma et al. 2012; Acrani et al. 2008; Agnew et al. 2004;
King, 1999; Muniz, 2007). No estudo de TyeMurray et al. 2012 em que os sujeitos
eram deficientes auditivos, sobre as questões relacionadas a linguagem oral 88%
dos participantes acreditavam que eles tinham melhorado em pelo menos um dos
aspectos da compreensão da fala. A maioria dos participantes (66%) indicou que
melhoraram na compreensão de palavras isoladas após o treinamento, 34%
responderam que sua capacidade de compreender sentenças tinham melhorado,
22% indicaram que a sua compreensão de diálogos tinha melhorado e 34%
indicaram que o treinamento havia melhorado sua capacidade de compreender o
contexto geral numa conversa.
Para a Q11 “Nenhuma das anteriores” 100% dos sujeitos optaram por “não”
evidenciando que pelo menos alguma evolução foi percebida com relação à
compreensão de fala após o TAAC.
Para este estudo, foram utilizados três questionários diferentes que avaliam
diversos aspectos e contém questões que se completam entre si, por este motivo
usamos os três instrumentos. À medida que os questionários Pós Treinamento
Auditivo e Post Trainning Exit Questionnaire mensuram a melhora do sujeito
somente no pós TAAC, o SAB, que originalmente é um instrumento de triagem para
65
o PA, no presente estudo foi utilizado como uma avaliação comparativa entre os
momentos pré e pós TAAC. Diante do exposto, sugeremse novos estudos que
possam unir os três instrumentos, construindo apenas um material com aplicação
pré e pós TAAC, com o objetivo de captar a melhora subjetiva dos pacientes.
Ao longo desta discussão foi citada diversas vezes a dificuldade de
compreensão de alguns termos contidos nas questões por parte dos sujeitos e seus
pais. Por este motivo, a aplicação dos questionários foi realizada em formato de
entrevista, durante a mesma, foram utilizadas escalas analógicas visuais criadas
especialmente para estas crianças, com a finalidade de facilitar a mensuração da
melhora sentida. Além disso, as perguntas que os participantes tinham dúvidas eram
simplificadas e explicadas.
66
6 CONCLUSÃO
Após a análise crítica dos resultados do presente estudo, foi possível concluir
que:
Os instrumentos de avaliação utilizados mostraramse efetivos para a
avaliação da percepção de melhora subjetiva de sujeitos submetidos ao TAAC
quanto aos aspectos de desempenho acadêmico, habilidades auditivas e de
comunicação e autoestima.
67
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73
8 ANEXOS
ANEXO 1
74
75
ANEXO 2
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – UNIFESP
DEPARTAMENTO DE FONOAUDIOLOGIA
TERMO DE ASSENTIMENTO
Você está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa intitulado: TREINAMENTO
AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO.
Seus pais permitiram sua participação neste estudo, portanto gostaríamos de verificar o sua
melhora, assim como de outras crianças e adolescentes após o treinamento auditivo em
cabine. Para isso, você deverá responder um questionário antes do treinamento auditivo em
cabine e três questionários depois.
Você não precisa participar da pesquisa se não quiser, é um direito seu, não terá nenhum
problema caso queira desistir. A pesquisa será feita na Universidade Federal de São Paulo,
no ambulatório do Departamento de Fonoaudiologia.
Essa pesquisa não traz desconforto ou risco e não há benefício direto à você. Caso você
não queira mais participar do estudo ou tenha alguma dúvida, pode procurar as
responsáveis: Profa. Dra. Daniela Gil e Fga. Ana Carolina de Oliveira Sobreira, que podem
ser encontradas no endereço Rua Botucatu, 802, Vila Clementino, CEP: 04023900, São
Paulo, telefone: 55497500. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da
pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), à Rua Botucatu, 572
1º andar cj 14, tel:55711062, fax 55397162, email: cepunifesp@epm.br.
Ninguém saberá que você está participando deste estudo e não daremos a estranhos as
informações que e você nos der. Os resultados da pesquisa serão publicados, mas sem
identificar as crianças e adolescentes que participaram da pesquisa.
Eu,_____________________________________ aceito participar da pesquisa
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO.
_________________________________ Data: __/__/__
Assinatura do participante da pesquisa
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste
sujeito ou representante legal para a participação neste estudo.
____________________________ Data: __/__/__
Assinatura do pesquisador
Uma via deste documento deverá ficar com o pesquisador e a outra com o participante da pesquisa.
1/1
mailto:cepunifesp@epm.br
76
ANEXO 3
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO AOS PAIS E/OU
RESPONSÁVEIS
Seu filho está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa intitulado:
TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL: QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO. Este
trabalho visa investigar os efeitos de um programa de treinamento auditivo formal em
indivíduos de 8 a 59 anos após as sessões de treinamento auditivo formal por meio de três
questionários. Para isso, ocorrerá a coleta das respostas dos indivíduos por meio de três
questionário de autoavaliação após a última sessão de treinamento auditivo formal.
Essa é uma avaliação não invasiva, não trazendo desconforto ou risco aos participantes e
não havendo benefício direto ao mesmo. Em qualquer etapa do estudo, você terá acesso
aos profissionais responsáveis pela pesquisa para esclarecimentos de eventuais dúvidas.
Os investigadores são Profa. Dra. Daniela Gil e Fga. Ana Carolina de Oliveira Sobreira, que
podem ser encontradas no endereço Rua Botucatu, 802, Vila Clementino, CEP: 04023900,
São Paulo, telefone: 55764531. Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética
da pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), à Rua Botucatu,
572 1º andar cj 14, tel:55711062, fax 55397162, email: cepunifesp@epm.br.
É garantida a retirada de consentimento a qualquer momento, para que seu filho deixe de
participar do estudo, sem qualquer prejuízo. As informações obtidas serão analisadas em
conjunto com outros participantes, não sendo divulgada a identificação de nenhum sujeito.
Você e seu filho têm o direito de serem mantidos atualizados sobre os resultados parciais da
pesquisas, quando em estudos abertos, ou de resultados que sejam do conhecimento dos
pesquisadores.
Não há despesas pessoais em qualquer fase do estudo, incluindo sessões de reabilitação.
Também não há compensação financeira relacionada à participação. Se existir qualquer
despesa adicional, ela será absorvida pelo orçamento da pesquisa.
O pesquisador se compromete a utilizar os dados e o material coletado somente para esta
pesquisa.
Acredito ter sido suficientemente esclarecido a respeito das informações que li ou que foram
lidas para mim, descrevendo a pesquisa “TREINAMENTO AUDITIVO FORMAL:
QUESTIONÁRIOS DE AUTOAVALIAÇÃO”. Ficaram claros para mim quais são os
propósitos do estudo, os procedimentos a serem realizados, seus desconfortos e riscos, as
garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que
a participação do meu filho é isenta de despesas e que tenho garantia do acesso a
tratamento hospitalar quando necessário. Concordo voluntariamente que meu filho participe
deste estudo e poderei retirar o meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante
o mesmo, sem penalidades ou prejuízo ou perda de qualquer benefício que eu possa ter
adquirido.
______________________________ __________________________________ Data: __/__/__
Nome do responsável Assinatura do responsável
Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido do
representante legal do menor ________________________________________________ para a
participação neste estudo.
____________________________ Data: __/__/__
Assinatura do pesquisador
Uma via deste documento deverá ficar com o pesquisador e a outra com o participante da pesquisa.
1/1
mailto:cepunifesp@epm.brdo SAB........................ 43
Figura 15 Respostas individuais para a questão Q10 do SAB...................... 44
Figura 16 Respostas individuais para a questão Q11 do SAB...................... 45
Figura 17 Respostas individuais para a questão Q12 do SAB...................... 46
Figura 18 Respostas individuais para a Pontuação total do SAB................. 48
Figura 19 Boxplots da pontuação para a Pontuação total do SAB................ 48
xi
Lista de Quadros eTabelas
Quadro 1
Cronograma das sessões de treinamento auditivo
acusticamente controlado.........................................................
23
Tabela 1
Caracterização da amostra segundo as variáveis sexo, idade
e grau de alteração do PA e processos gnósicos alterados no
pré treinamento.........................................................................
32
Tabela 2 Estatísticas descritivas da idade (anos).................................... 33
Tabela 3
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q1 do
SAB: “Dificuldade para escutar ou entender em ambiente
ruidoso” nos momentos pré e pós.............................................
34
Tabela 4
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q2 do
SAB: “Não entender bem quando alguém fala rápido ou
abafado” nos momentos pré e pós...........................................
36
Tabela 5
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q3 do
SAB: “Dificuldade de seguir instruções orais” nos momentos
pré e pós...................................................................................
37
Tabela 6
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q4 do
SAB: “Dificuldade na identificação e discriminação dos sons
de fala” nos momentos pré e pós..............................................
38
Tabela 7
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q5 do
SAB: “Inconsistência de respostas para informações
auditivas” nos momentos pré e pós..........................................
39
Tabela 8
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q6 do
SAB: “Fraca habilidade de leitura” nos momentos pré e pós....
40
Tabela 9
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q7 do
SAB: “Pede para repetir as coisas” nos momentos pré e pós..
41
xii
Tabela 10
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q8 do
SAB: “Facilmente distraído” nos momentos pré e pós..............
42
Tabela 11
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q9 do
SAB: “Dificuldades acadêmicas ou de aprendizagem” nos
momentos pré e pós.................................................................
43
Tabela 12
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q10 do
SAB: “Período de atenção curto” nos momentos pré e pós......
44
Tabela 13
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q11 do
SAB: “Sonha acordado, parece desatento” nos momentos pré
e pós.........................................................................................
45
Tabela 14
Estatísticas descritivas para a pontuação na questão Q12 do
SAB: “Desorganizado” nos momentos pré e pós......................
46
Tabela 15
Estatísticas descritivas para a Pontuação total do SAB nos
momentos pré e pós.................................................................
47
Tabela 16
Valoresp do teste do sinal para comparar as pontuações
medianas populacionais entre os momentos pré e pós............
49
Tabela 17 Distribuição de frequências das questões Q1 a Q11................ 50
Tabela 18
Distribuição de frequências das respostas das questões Q1 a
Q4..............................................................................................
52
Tabela 19 Distribuição de frequências da questão Q5.............................. 52
Tabela 20 Distribuição de frequências da Q6............................................ 53
Tabela 21 Distribuição de frequências das questões Q7 a Q11................ 54
xiii
Lista de Abreviaturas e Símbolos
ABEL Auditory Behavior in Everyday Life
APHAB Abbreviated Profile of Hearing Aid Benefit
ASHA American SpeechLanguageHearing Association
CD Compact disc
CEP Concelho de ética profissional
CONFIAS Consciência Fonológica Instrumento de Avaliação Sequencial
dB Decibel
dBNA Decibel nível de audição
DD Dicótico de dígitos
DPA Distúrbio do processamento auditivo
DPS Duration pattern sequence
FR Fala com ruído
GIN Gaps in noise
HHIE Hearing Handicap Inventory for the Elderly
Hz Hertz
MLD Masking level difference
MS Milissegundos
MSNV Memória sequencial não verbal
MSV Memória sequencial verbal
OD Orelha direita
xiv
OE Orelha esquerda
PA Processamento auditivo
PPS Pitch pattern sequence
PSI Pediatric speech intelligibility
PTEQ Post Trainning Exit Questionnaire
PVALOR Resultado estatístico
RGDT Random gap detection test
SAB Scale of Auditory Behaviors
SSI Synthetic sentence identification
SSW Sttagered Spondaic Word
TA Treinamento Auditivo
TAAC Treinamento auditivo acusticamente controlado
TAF Treinamento Auditivo Formal
TAFC Treinamento auditivo fora da cabine
TCLE Termo de consentimento livre e esclarecido
TDD Teste dicótico de dígitos
TDDH Teste dicótico de dígitos harmônico
TPD Teste de padrão de duração
TPF Teste de padrão de frequência
xv
Resumo
Introdução: Existem várias abordagens para o tratamento dos distúrbios do
processamento auditivo (DPA), a maioria dos programas inclui o treinamento
auditivo acusticamente controlado (TAAC). Além das evidências de que o TAAC é
eficaz na (re) habilitação dos DPA, é importante ter uma avaliação do próprio sujeito
que passou pelo tratamento com relação à sua evolução, para que o mesmo possa
relatar se ocorreu mudança comportamental perceptível principalmente relacionada
à autoconfiança na comunicação em situações auditivas adversas, compreensão da
fala em ambientes desfavoráveis, melhora acadêmica e de autoestima, entre outras.
Não existem instrumentos específicos para autoavaliação após o TAAC,
frequentemente são utilizados questionários destinados a outros fins, tais como
benefício com as próteses auditivas ou questionários gerais de qualidade de vida.
Objetivo: Aplicar três questionários de avaliação subjetiva a fim de identificar a
percepção de melhora aferida do ponto de vista do paciente submetido ao
treinamento auditivo acusticamente controlado e/ou de sua família quanto aos
aspectos de desempenho acadêmico, habilidades auditivas e de comunicação e
autoestima. Método: Participaram desta pesquisa 23 indivíduos de ambos os
gêneros, na faixa etária de 6 a 15 anos de idade. Os critérios de inclusão foram
apresentar limiares auditivos menores do que 20 dB entre 250 e 8000 Hz (Northern
e Downs, 1984), timpanometria com curva tipo A e diagnóstico de DPA confirmado
por testes comportamentais com indicação de TAAC. Os critérios de exclusão foram
síndromes de qualquer natureza, transtornos psicológicos, psiquiátricos e cognitivos
evidentes e/ou diagnosticados. Foi realizado um programa de TAAC em dez
sessões com duração de uma hora cada em que foram utilizados testes auditivos
especiais apresentados em condições de escuta progressivamente adversas. Na
primeira sessão do TAAC os sujeitos foram submetidos à aplicação do questionário
Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013), após conclusão do
TAAC foram aplicados: Questionário pós Treinamento Auditivo Formal (Gil e Ziliotto,
2011), Posttraining Exit Questionnaire (TyeMurray et al. 2012) e novamente o SAB.
Resultados: Noquestionário SAB que as questões Q1, Q2, Q4, Q7, Q8 e Q11
foram estatisticamente significantes, as questões Q3 e Q10 apresentaram tendência
xvi
á significância e a pontuação total no momento pós aumentou em relação ao
momento pré, demonstrando diferença estatisticamente significante (pvalor
e reconhecimento de sons e o DPA é um
tipo de déficit que pode coexistir com uma perda auditiva, alterações de fala e/ou
linguagem, déficits cognitivos e/ou um rebaixamento intelectual. Os DPA têm como
prováveis causas, alterações neurológicas ou alterações sensoriais auditivas – as
perdas auditivas neurossensoriais e condutivas, mesmo as transitórias, decorrentes
de episódios de otite média na infância que, dentre as afecções otológicas, é a mais
frequente. As disfunções centrais podem ocorrer por disfunção neuromorfológica,
5
atraso de maturação do sistema nervoso auditivo central e distúrbios, doenças ou
lesões neurológicas e otológicas.
Segundo Musiek e Jerger (2000) o DPA é um déficit no processamento de
informações específicas da modalidade auditiva. O problema pode piorar em
ambientes desfavoráveis acústicamente e pode estar associado a dificuldades de
compreensão da fala, desenvolvimento da linguagem e aprendizado.
Silman et al. (2000) em estudo de casos realizado com três sujeitos,
afirmaram que a motivação no momento da avaliação de PA é essencial para a
manutenção de atenção durante a aplicação dos testes. Os casos deste estudo
haviam sido inicialmente diagnosticados com DPA e dificuldades de aprendizagem e
estavam sendo submetidos novamente à avaliação do PA como segunda opinião.
Para os três casos, quando os autores utilizavam condições de reforço, como, por
exemplo: comida, passatempos ou brinquedos favoritos das crianças, os resultados
dos testes auditivos centrais melhoravam significativamente bilateralmente em
comparação com a condição sem nenhum reforço. Os autores afirmaram que a
melhora foi relacionada ao aumento da motivação associada ao reforço e que esses
cuidados devem ser tomados pelos avaliadores na tentativa de evitar resultados
falsopositivos sobre a bateria de testes da avaliação de PA.
Segundo Lucas et al. (2007) há uma possível relação entre os DPA com o
distúrbio de leitura e escrita, visto que, o PA referese ao conjunto de habilidades
necessárias à interpretação do que se ouve, tais como: detecção, discriminação,
localização, reconhecimento, compreensão, atenção e memória e o déficit em tais
habilidades poderá estar presente nas crianças com queixa de dificuldade no
aprendizado escolar.
Garcia et al. (2007) estudaram a importância da atenção seletiva para o
aprendizado da leitura e da escrita ao investigar estes processos em crianças de 9 a
11 anos com e sem distúrbios de aprendizagem. Foi realizado estudo prospectivo
com o PSI que revelou alterações nos processos de atenção seletiva nas crianças
diagnosticadas com distúrbios de aprendizagem.
Muniz (2007) verificou o desempenho da resolução temporal em 36 crianças
de 6 a 9 anos de idade com desvio fonológico utilizando o RGDT. Os resultados
6
mostraram que 94,5% das crianças com desvio fonológico apresentaram resultados
alterados para o teste, evidenciando que crianças com desvio fonológico podem
apresentar alteração de processamento temporal e necessitam de mais tempo para
detecção de intervalos entre os estímulos auditivos do que as crianças sem desvio
fonológico.
Sharma et al. (2009) avaliaram a comorbidade do DPA, distúrbio de
linguagem e distúrbio de leitura em 68 crianças de 7 a 12 anos de idade com
suspeita de distúrbio do PA. Estes sujeitos foram submetidos a avaliações de PA
(TPF, TDD, RGDT, MLD e fala comprimida), linguagem, leitura, atenção e memória.
Do total de sujeitos, 72% tinha DPA, cerca da metade das crianças (47%) teve
problema nas três áreas (DPA, distúrbio de linguagem e distúrbio de leitura), com
isso, concluiuse que os distúrbios de linguagem e de leitura geralmente coocorrem
com o DPA.
Caumo (2009) pesquisou as relações entre o desvio fonológico e o PA em
crianças a partir de 7 anos de idade e constatou a existência de uma estreita relação
entre estes, principalmente no que se refere ao desempenho da orelha direita nos
testes PSI e SSW, evidenciando a importância de determinar a existência do
comprometimento das habilidades auditivas em crianças com desvio fonológico para
que o treinamento dessas habilidades alteradas possam ser devidamente tratadas,
auxiliando no sucesso da fonoterapia.
Com o objetivo de avaliar o desempenho de 30 crianças na faixa etária de 9 a
12 anos com distúrbios específicos de leitura e escrita nos testes de PA e compará
lo com o de crianças sem o referido transtorno, Frota e Pereira (2010) utilizaram um
conjunto de testes de linguagem constituído por: prova de consciência fonológica;
avaliação da velocidade de leitura; prova de leitura em voz alta; avaliação escrita
com ditado de palavras reais e inventadas; além da avaliação da compreensão de
narrativas por meio da noção linguística de figurafundo. Para a avaliação do PA
foram utilizados os testes: SSW; teste de sequencialização sonora para sons verbal
e não verbal; teste de fala com ruído branco; teste dicótico não verbal, nas
condições atenção livre, atenção direcionada à direita e à esquerda; e de
Localização sonora. As autoras detectaram que o desempenho das crianças sem
7
distúrbios na leitura e escrita foi melhor do que no grupo com o déficit tanto na
avaliação dos testes verbais quanto não verbais de PA.
Oliveira et al. (2011) caracterizaram e compararam o PA de 30 escolares na
faixa etária de 8 a 16 anos de idade divididos em três grupos: grupo I com
diagnóstico de distúrbio de aprendizagem, grupo II com dislexia e grupo III com bom
desempenho acadêmico. Todos foram submetidos à avaliação audiológica e de PA,
os testes utilizados foram: Localização sonora, memória sequencial verbal e não
verbal, TDD, SSW e PSI. Os escolares do grupo III apresentaram desempenho
superior nos testes de PA em relação aos grupos I e II. Os escolares com distúrbio
de aprendizagem apresentaram desempenho inferior em todos os procedimentos,
ao passo que os disléxicos apresentaram as mesmas alterações do grupo com
distúrbio de aprendizagem.
Machado et al.(2011) verificaram as possíveis relações entre o DPA e as
dificuldades de leitura e escrita ao avaliarem o PA de 15 crianças com audição
periférica normal com idades entre 8 e 12 anos com baixo rendimento escolar e em
terapia fonoaudiológica de linguagem. Todos os indivíduos foram submetidos aos
testes: PSI, SSW, fala com ruído, fala filtrada, GIN e padrão de duração e frequência
melódicos. Foi verificada alteração em pelo menos uma habilidade auditiva em todos
os sujeitos, evidenciando estreita relação entre alterações no PA e o distúrbio de
leitura e escrita, além disso, pôdese notar que os testes que se destacaram nas
alterações foram SSW, PSI com palavras no ruído e teste de padrão de frequência
melódico.
Nunes et al. (2012) ao desenvolverem estudo que comparou a avaliação do
PA com o desempenho acadêmico e linguístico de criança de 10 a 13 anos,
referiram que o PA está intrinsecamente relacionado com o desenvolvimento da
linguagem e da aprendizagem devido resultados que mostraram a existência de
correlação entre o desempenho acadêmico e a dificuldade para analisar os sons
recebidos, o que evidenciou a relevância da avaliação das vias auditivas em
crianças com dificuldades escolares.
Soares et al. (2013) pesquisaram a associação entre o desempenho nos
testes auditivostemporais e de consciência fonológica em 16 indivíduos na faixa
etária de 7 a 12 anos com alterações de leitura e escrita, para isso todos os
8
participantes foram submetidos à avaliação da consciência fonológica, utilizandose
o Instrumento de Avaliação Sequencial. Para avaliar o processamento temporal
foram utilizados testes de padrão de duração e frequência. A análise descritiva
indicou desempenho alterado nas habilidades silábicas e fonêmicas da consciência
fonológica, bem como nos testes temporais, sugerindo que a alteração no
processamento temporal contribui para pior desempenho nestas habilidades.
Santos et al. 2015 em estudo de revisão bibliográfica com o objetivo de
verificar os testes utilizados para avaliar o processamento auditivo de crianças com
dificuldades acadêmicas e observar os achados comuns na amostra e observaram
a utilização dos testes SSW, dicótico de dígitos, fala no ruído, padrão de frequência,
PSI, padrão de duração, dicótico nãoverbal, fala filtrada e GIN, além disso, foi
observada associação entre alteração do processamento auditivo e dificuldades
acadêmicas.
2.2 Treinamento Auditivo
Na década de 1990 os estudos de Tallal e Merzenich (1996) abriram as
possibilidades de tratamento de indivíduos com diagnóstico de distúrbio de
aprendizagem por alteração de linguagem, evidenciando melhoria das habilidades
auditivas destes por meio do TA. Este estudo desenvolveu um algoritmo para treinar
o sistema auditivo dessas crianças. O mesmo foi aplicado diariamente por um
período de quatro semanas, ao final da terapêutica adotada, melhoras significativas
na discriminação e compreensão da fala foram demonstradas.
No mesmo ano, Tallal e Merzenich (1996b) realizaram outro estudo com
sujeitos também diagnosticados com distúrbio de aprendizagem e afirmaram que
essas crianças apresentavam grandes déficits no reconhecimento de elementos
fonéticos e estímulos sonoros não verbais. Da mesma forma, esses indivíduos foram
submetidos a um TA composto por jogos de computador desenvolvidos para
melhoria das habilidades de processamento temporal. O treinamento teve duração
de 8 a 16 horas distribuídas em um período de 20 dias. Os sujeitos obtiveram
9
melhoras na habilidade de reconhecer sequências rápidas de estímulos verbais e
não verbais.
Musiek e Schochat (1998) realizaram estudo de caso com um inidivíduo de 15
anos com DPA e de linguagem. O paciente teve o PA avaliado com os testes: DD,
PPS, DPS, fala comprimida e teste de reverberação. A avaliação mostrou alteração
em todos os testes exceto no DPS. A avaliação de linguagem também demonstrou
alterações nos testes: Peabody Picture Vocabulary Test, Clinical Evaluation of
Language Fundamentals e Goldman Fristoe Woodcock Auditory Skiils Battery. Para
a reabititação deste sujeito, os autores desenvolveram um programa específico de
TA que baseouse em seis semanas com a frequência de três vezes por semana e
duração de uma hora cada sessão, além de exercícios para casa. As tarefas
utilizadas neste programa foram treinos intensos de discriminação auditiva, escuta
dicótica verbal,fala com mensagem competitiva, frequência e resolução temporal.
Após as seis semanas de TA o sujeito teve o PA reavaliado e mostrou melhores
resultados em todos os testes, as melhores respostas foram aos testes de fala
comprimida e teste de reverberação, além disso, também apresentou evolução em
todos os testes na reavaliação de linguagem.
Musiek (1999) descreveu três técnicas bem sucedidas de TA para sujeitos
com DPA e dificuldades de aprendizagem. A primeira técnica foi uma abordagem
dirigida á construção do vocabulário que auxiliava principalmente nas dificuldades de
fechamento auditivo e consistia em colocar palavras desconhecidas num contexto
inteligível para a criança, ao se utilizar de pistas contextuais iria deduzindo o
significado da palavra desconhecida. A segunda, uma estratégia de memória,
organização e transferência da informação auditiva que envolvia técnicas extraídas
da literatura psicológica para aperfeiçoamento do resgate de informações que
consistia na leittura em voz alta de um texto lido pela própria criança e em seguida a
mesma deveria esboçar em um papel a idéia central do trecho lido em um minuto,
este prazo desempenhava um papel fundamental, por criar uma situação em que a
criança deveria determinar qual seria o principal conceito do texto e representálo de
forma básica, o que exigia uma entrada altamente analítica contribuíndo para a
melhoria da memória. A terceira técnica consistia no uso de softwares de TA com
atividades em computador. Os procedimentos utilizados na época, mostraramse
úteis e eficazes, quando comparadas as avaliações de PA pré e pós TA em que os
10
resultados dos testes melhoraram em quase todas as habilidades nos quatro
sujeitos avaliados.
King (1999) afirmou que diversos estudos sobre a aprendizagem perceptual
demonstraram que o TA comportamental melhora a discriminação auditiva, devido à
expansão na reapresentação cortical dos estímulos utilizados no treinamento.
PutterKatz et al. (2002) avaliaram o PA pré e pós TA de 20 crianças com
idades entre 7 e 14 anos de idade, falantes nativos do hebraico. Os indivíduos deste
estudo foram indicados para avaliação de PA devido dificuldades para ouvir e mais
um dos seguintes sintomas: dificuldades de fala, compreensão da linguagem escrita,
tempo de atenção reduzido e insucesso acadêmico. O programa de TA proposto
incluiu de 13 a 15 sessões com duração de 45 minutos cada, divididas em sala de
terapia comum e sala tratada acusticamente. As atividades realizadas no
treinamento basearamse em: compreensão da fala na presença de ruído e tarefas
de atenção seletiva apresentadas em ordem crescente. Os resultados apontaram
que o TA foi capaz de melhorar as habilidades de fechamento e figurafundo,
comprovadas pela comparação das avaliações de PA pré e pós TA.
Agnew et al. (2004) investigaram a eficácia de um programa de TA em sete
escolares, com oito anos de idade. O programa de intervenção teve a duração de
100 minutos por dia, em cinco dias da semana por aproximadamente 46 semanas.
Após a realização do TA foi detectada uma melhora significativa na discriminação
temporal dos sons (duração), no entanto, estas mudanças repercutiram na
habilidade de leitura.
Zalcman e Schochat (2007) comprovaram a eficácia de um programa de TA
com duração de oito semanas aplicado em 30 sujeitos na faixa etária entre 8 e 16
anos de idade. Todos os indivíduos participantes foram submetidos à avaliação de
PA pré e pós TA. Após o TA houve melhora em todos os testes aplicados. A
comparação das médias dos resultados dos sujeitos nos testes comportamentais do
PA aumentaram, no teste PSI, pré TA, as crianças, as crianças tinham uma média
de acerto de 66,8% que passou para 86,2% após o TA. No teste de fala com ruído,
as crianças apresentavam uma média de acerto de 69,3% pré TA que passou a ser
80,5% pós TA. No teste dicótico não verbal, a média de acerto pré TA era de 72,6%
11
e passou a ser 91,4%. Finalmente, no teste SSW a média de acertos era de 42,2%
pré TA e passou a ser 88,9% pós.
Acrani et al. (2008) verificaram o comportamento auditivo de ordenação
temporal antes e após treinamento auditivoverbal contextualizado em 15 sujeitos
entre cinco e seis anos de idade. Os indivíduos foram distribuídos em três grupos:
no primeirogrupo (n=5) houve uma intervenção por meio de treinamento auditivo
verbal em seis sessões semanais de trinta minutos. Esta abordagem consistiu num
trabalho de intervenção multissensorial, englobando aspectos motores e sensoriais
com enfoque na percepção auditiva de padrões melódicos e histórias; no segundo
grupo (n=5) houve uma intervenção de audição passiva por meio de tarefas não
direcionadas aos mecanismos fisiológicos de discriminar e ordenar sons em
sequência; no terceiro grupo (n=5), não houve qualquer tipo de intervenção. Os
autores concluíram que os indivíduos que passaram pelo treinamento tiveram
melhor desempenho nas tarefas de memória sequencial e ritmo do que aqueles que
passaram por um treinamento inespecífico ou aqueles que não passaram por
qualquer tipo de intervenção.
Sweetow e Henderson (2010) estudaram os fatores que poderiam afetar
negativamente o processo de reabilitação auditiva, considerando aspectos
importantes que poderiam ser incorporados ao treinamento auditivo com a finalidade
de reduzir a falta de adesão dos pacientes. Os achados mostraram que o
treinamento auditivo para pacientes com deficiência auditiva ajudava a reduzir os
retornos relacionados a queixas auditivas, porém, a maioria dos sujeitos, ainda
assim não completavam o programa de treinamento proposto. Além disso, foi
sugerido que o terapeuta criasse atividades estimulantes que aumentassem a
adesão dos pacientes aos programas de treinamento auditivo.
Sharma et al. (2012) compararam quatro estratégias de intervenção em 55
crianças com DPA entre 7 e 13 anos de idade. Os sujeitos foram divididos em 5
grupos submetidos aos tratamentos de: (1) treino de discriminação com uso de
sistema de frequência modulada (FM); (2) treino de discriminação; (3) treino de
linguagem com uso de FM; (4) treino de linguagem e (5) controle (sem tratamento).
As estratégias topdown utilizadas basearamse em atividades de uso de sentenças
fora de ordem, construção de ritmo com instrumentos musicais, criação de histórias
12
com uso de imagens, resumo de contos com suas próprias palavras, identificação de
palavraschave dentro de parágrafos curtos, leitura em voz alta com entonação e
uso do software LabVIEW. As estratégias bottomup foram: detecção de gap,
discriminação de frequência e intensidade, estimulação de consciência fonológica
utilizando o software Earobics (identificação de sílabas, segmentação de palavras e
leitura em voz alta com ênfase na decodificação). As intervenções ocorreram
simultaneamente durante seis semanas com duração de uma hora semanal, além
de atividades para casa. Os resultados mostraram que não ocorreram mudanças ao
longo do tempo no grupo controle; para o grupo com intervenção bottomup
ocorreram melhoras em discriminação de padrões de frequência, conceitos e
direções, resgate de sentenças, linguagem receptiva e contexto central. Para o
grupo com intervenção Bottomup e FM ocorreram melhoras em compreensão de
contexto central. Para o grupo com intervenção topdown ocorreram melhoras no
padrão de frequência e para o grupo com intervenção topdown com uso de FM as
melhoras ocorreram em resgate de sentenças e soletração de pseudopalavras.
Vilela et al. (2012) compararam o desempenho do processamento temporal
em 15 crianças com transtorno fonológico submetidas ao TAAC e o treinamento
auditivo fora da cabine (TAFC). Os sujeitos foram subdivididos em três grupos:
Grupo controle (cinco crianças sem DPA, que passaram por duas avaliações do PA
com intervalo de seis a oito semanas); grupo TAAC (cinco crianças com distúrbio do
PA, submetidos a oito sessões de TAAC) e grupo TAFC (composto por cinco
indivíduos com distúrbio do PA, submetidos a oito sessões de TAFC). O TAAC foi
realizado conforme princípios propostos por Muisiek e Schochat (2008) e o TAFC
por meio de um CD com atividades que contemplaram: discriminação, ordenação e
repetição de sequência sonora. Após 8 sessões foram analisados e comparados os
testes de padrão de frequência e duração pré e pós treinamento, o grupo TAAC
apresentou melhora de 8% e o grupo TAFC de 22,5% no que se refere ao teste
padrão temporal de frequência. Para o teste padrão temporal de duração, o grupo
TAAC melhorou 12,9% e o grupo TAFC 18,7%. Houve melhora em ambos os
grupos, no desempenho dos testes padrão de frequência e duração, não houve
diferença estatística entre as médias obtidas pelos dois grupos após a intervenção.
O estudo indicou que ambos os tipos de abordagens, proporcionam melhora das
13
habilidades de processamento temporal em crianças com transtorno fonológico e do
PA.
Cruz et al. (2013) compararam o desempenho de 18 adultos com DPA em
testes comportamentais pré e pós oito sessões de TAAC. Tanto homens quanto
mulheres quando analisados separadamente demonstraram resultados melhores no
póstreinamento, além disso, todos os indivíduos relataram melhor desempenho
comunicativo e de atenção após a reabilitação. O TAAC mostrouse eficaz na
melhora das habilidades auditivas de figurafundo para sons verbais e de
processamento temporal.
Marangoni e Gil (2014) ao estudarem os efeitos do TAAC em adultos após
traumatismo cranioencefálico grave, verificaram a adequação das habilidades
auditivas de figurafundo, ordenação e resolução temporal, comprovadas por meio
dos testes comportamentais da avaliação do PA realizada pós o TAAC.
Vatanabe et al. (2014) avaliaram o desempenho de leitura e a habilidade
auditiva de resolução temporal em 20 crianças na faixa etária de 8 anos, divididas
em: grupo experimental composto por 10 escolares com dificuldade de leitura,
submetidos a oito sessões de TA e grupo controle composto por 10 escolares sem
dificuldades. O TA foi utilizado o software “Treinamento temporal auditivo com
estímulos não verbais e verbais com fala expandida®”, baseados no programa de
TA “Fast Forword Language”. Em cada sessão de treino, foram utilizados 20 minutos
para o jogo não verbal e 20 minutos para o jogo verbal. Todos os indivíduos foram
submetidos à avaliação inicial e reavaliação da resolução temporal auditiva (Padrão
de Frequência, Padrão de Duração e GIN) e de leitura (Protocolo de Leitura Clínica
e Teste de Consciência Fonológica CONFIAS). Os resultados mostraram que o
grupo experimental melhorou em quase todas as habilidades auditivas e de
linguagem testadas, exceto para a consciência fonológica. Ainda assim, o TA foi
efetivo para a melhora do desempenho nas habilidades auditivas temporais e de
leitura.
Stroiek et al. (2015) em estudo de caso, comprovaram a eficácia de um TA de
oito sessões quando compararam a avaliação de PA inicial e final de um indivíduo
com alterações de linguagem, queixas compatíveis com alterações de PA, avaliação
audiológica básica dentro dos padrões de normalidade e avaliação do PA alterada.
14
Foram utilizados os testes: PSI, SSW, Dicótico de Dígitos, RGDT, MLD e PPS para
avaliação e reavaliação do PA. O TA consistiuse em oito sessões com duração de
45 minutos cada, a terapêutica adotada baseouse em técnicas de TAAC e também
atividades realizadas fora da cabina. As respostas obtidas após o treinamento nos
testes RGDT, dicótico de dígitos e PSI melhoraram consideravelmente. No teste
PPS a resposta também melhorou, porém, não atingiu nível de normalidade. Já no
teste MLDa resposta foi inferior a inicial, porém, ainda dentro da normalidade para a
idade do sujeito. A reavaliação evidenciou melhoras na decodificação e codificação
que encontravamse alteradas, persistindo um leve prejuízo na organização. Pôde
se afirmar que a reavaliação revelou uma modificação quanto ao grau, passando de
severo para leve.
Perez (2015) verificou a variação comportamental e eletrofisiológica do PA,
antes e após diferentes abordagens em adultos com idades entre 18 e 27 anos, com
e sem distúrbio do PA, sendo 10 sem distúrbio do PA (Grupo controle) e 11
indivíduos com este distúrbio (Grupo Estudo). Os indivíduos do grupo estudo foram
reunidos em três subgrupos: aqueles sem intervenção, aqueles com o distúrbio de
PA que foram selecionados para participar do programa de TAAC durante oito
sessões e aqueles com distúrbio de PA que foram adaptados com o sistema FM
dinâmico, para uso em sala de aula de 4 a 10 semanas. Na avaliação inicial as
piores respostas para os testes comportamentais foram verificadas no grupo estudo.
Na segunda avaliação as piores respostas para os testes comportamentais, com
diferenças estatisticamente significantes, foram mantidas nos grupos sem
intervenção e com uso do sistema FM, enquanto que o grupo que fez o TAAC
apresentou respostas similares às do grupo comparação, demonstrando melhora e
adequação das habilidades auditivas. Concluiuse que o programa de TAAC foi
eficaz na melhora significativa das habilidades auditivas e da integridade funcional
da via auditiva por meio da medida eletrofisiológica com estímulo de fala e a
utilização do sistema FM interferiu em mudanças neurais positivas, com menores
respostas de latência em dois indivíduos, sugerindo um processamento cognitivo
mais rápido.
2.3 Questionários de Autoavaliação
15
Cox e Alexander (1995) criaram uma versão abreviada dos questionários
PHAB e HAPI, o questionário de autoavaliação Abbreviated Profile of Hearing Aid
Benefit (APHAB), com a finalidade de avaliar o benefício da amplificação sonora em
indivíduos deficientes auditivos. O instrumento desenvolvido conta com 24 questões,
divididas em quatro subescalas: Facilidade de Comunicação, Reverberação, Ruído
de Fundo e Sons Indesejáveis. As três primeiras subescalas avaliam a
inteligibilidade de fala dos sujeitos em diferentes situações cotidianas. A quarta
quantifica suas percepções negativas frente a sons ambientais. Após a elaboração
do questionário APHAB, os autores aplicaram o mesmo em 27 sujeitos para verificar
sua eficácia e concluíram que o APHAB é válido como instrumento clínico.
Musiek e Schochat (1998) em estudo de caso de um sujeito de 15 anos de
idade com distúrbio de PA, desenvolveram um questionário entitulado Hearing
Processing Questionnaire que foi respondido pelo paciente e sua família ao fim de
um programa de TA. O questionário continha 10 itens relacionadas com a melhoria
da audição, habilidade de seguir instruções, evolução acadêmica, menor solicitação
de repetição da fala do outro, tempo de atenção e de alerta, facilidade em esquecer
o ruído de fundo e melhor compreensão ao ver televisão e ouvir rádio. As respostas
variavam de zero a 5 , em que zero significava nehnuma melhora e 5 melhora
significativa. O sujeito indicou melhora em todas as 10 perguntas deste questionário,
demonstrando eficácia do programa de TA aplicado. Embora a avaliação de PA
tenha sido realizada antes de depois do programa de TA, foi importante um retorno
subjetivo em que o próprio indivíduo citasse suas próprias sensações após o
tratamento aplicado.
Purdy et al. (2002) desenvolveram o questionário Auditory Behavior in
Everyday Life (ABEL) com a finalidade de avaliar a percepção dos pais em relação
ao comportamento auditivo de seus filhos deficientes auditivos. As 49 questões
foram destinadas a avaliar a comunicação auditiva, habilidades comunicativas em
contexto social e autonomia comunicativa. O objetivo deste estudo foi quantificar
algumas mudanças no comportamento auditivo diário de crianças. Para a realização
deste estudo, participaram 28 pais de crianças com diversos graus de perdas
auditivas na faixa etária de 4 a 14 anos. Os resultados foram usados para examinar
16
a estrutura e a confiabilidade do questionário. Ao fim da validação do questionário,
restaram 24 questões que compuseram a versão simplificada do questionário, capaz
de atingir os objetivos citados.
Bucuvic e Iório (2004) quantificaram e compararam as dificuldades auditivas e
o benefício da amplificação em 42 novos usuários de prótese auditiva com perda
auditiva de grau leve e severo segundo o tempo de uso e as dificuldades auditivas
dos deficientes auditivos com as dificuldades de indivíduos com audição normal. O
questionário APHAB foi aplicado antes da adaptação da prótese auditiva e após dois
e seis meses da mesma. Os resultados foram analisados nas quatro subescalas
propostas: FC (facilidade de comunicação), RV (reverberação), BA (barulho
ambiente) e SI (sons indesejáveis). As dificuldades auditivas após a adaptação da
prótese auditiva foram significantemente menores após dois e seis meses nas sub
escalas: FC, RV e BA. Quando comparado o tempo de uso de dois e seis meses
observouse redução significante das dificuldades após seis meses para a sub
escala BA e SI. O benefício obtido após dois e seis meses de uso da amplificação foi
satisfatório, evidenciando boa aplicabilidade do questionário APHAB.
Rosa et al. (2006) constataram a importância dos questionários de auto
avaliação para o trabalho fonoaudiológico no acompanhamento da adaptação das
próteses auditivas, bem como para o usuário por meio de informações sobre suas
dificuldades e facilidades frente à utilização das mesmas. Para o estudo, foram
utilizados os questionários Hearing Handicap Inventory for the Elderly (HHIE) e
APHAB para verificar o nível de satisfação que usuários de próteses auditivas
alcançaram antes e depois de um programa de acompanhamento de indivíduos
usuários de próteses auditivas. Do total de indivíduos 33% apresentaram maior
handicap devido à perda auditiva, 53% referiram dificuldade em compreender a fala
na presença de ruído sem o aparelho, sendo apenas 13% quando usam o mesmo,
49% referiram problemas para entender a fala em ambiente silencioso ou em
situações ideais de escuta quando estão sem aparelho auditivo, usando o mesmo
este número reduziu para 21%, 66% da amostra referiu ter dificuldades para
compreender a fala (sem o aparelho) quando estão em ambientes amplos, ao
colocarem seus aparelhos somente 33% dos entrevistados continuam a referila.
17
Gil (2006) verificou os efeitos de um programa de TAAC em 14 adultos com
deficiência auditiva neurossensorial de grau leve a moderado, usuários de próteses
auditivas intraaurais em adaptação binaural, utilizando testes comportamentais para
avaliar a função auditiva central, um questionário de autoavaliação e a captação do
potencial de longa latência P300. Os indivíduos foram divididos em dois grupos: sete
com e sete sem o TAAC que consistiu em oito sessões de 45 minutos cada, visando
o treinamento das habilidades auditivas de fechamento auditivo, figurafundo para
sons verbais e não verbais e ordenação temporal dos sons (aspectos de frequência
e duração). Para verificar a eficácia do TAAC, todos os pacientes foram submetidos
à avaliação comportamental e eletrofisiológica do PA e foram solicitados a responder
o questionáriode autoavaliação APHAB em dois momentos: antes e após o TAAC
no grupo experimental e na avaliação inicial e final no grupo controle. Na avaliação
final foi verificado que o grupo experimental apresentou melhor desempenho em
todos os testes comportamentais do PA e maior benefício nas situações de ruído
avaliado pelo questionário APHAB do que o grupo controle. A análise dos resultados
permitiu concluir que o TAAC em adultos usuários de próteses auditivas possibilita: a
redução na latência do componente P3; a adequação das habilidades auditivas de
memória para sons verbais e não verbais em sequência, fechamento auditivo e
figura fundo para sons verbais; maior benefício com o uso das próteses auditivas em
ambientes ruidosos e reverberantes.
Miranda et al. (2008) verificaram a eficácia do TAAC em 13 idosos com no
mínimo três meses de uso de próteses auditivas. Esses indivíduos foram
subdivididos em dois grupos: experimental e controle, em que o grupo experimental
foi submetido a sete sessões de TAAC com o objetivo de estimular as habilidades de
fechamento auditivo, memória, atenção, figurafundo e integração binaural. Ao fim
do tratamento, os indivíduos tiveram o PA reavaliado e responderam novamente ao
questionário do handicap auditivo HHIE de autoavaliação. Os idosos do grupo
experimental apresentaram desempenho significantemente melhor nas reavaliações
após o TAAC e também em relação ao grupo controle, comprovando com tais
resultados a melhoria das habilidades auditivas de usuários de próteses auditivas
após o programa de TA e a redução da percepção da desvantagem auditiva.
Souza et al. (2011) traduziram e adaptaram o questionário ABEL para o
Português Brasileiro e estabeleceram o perfil do comportamento auditivo de crianças
18
usuárias de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI) por meio de sua
aplicação. Para isso, foram entrevistados 31 pais de crianças adaptadas com
próteses auditivas, todos responderam a uma anamnese e à versão em Português
do questionário ABEL. As autoras concluíram que há coerência entre as versões
geradas nas etapas de tradução do questionário, possibilitando a formulação de sua
versão em Português, constataram também que crianças com menores graus de
perda auditiva e/ou que referem maior tempo de uso diário de próteses auditivas têm
suas atividades diárias menos comprometidas pela perda auditiva. O questionário
ABEL é um instrumento apropriado para detalhar o desenvolvimento dos comporta
mentos auditivos de crianças usuárias de próteses auditivas.
Gil e Ziliotto (2011) traduziram e adaptaram o questionário Pós Treinamento
Auditivo Formal que é um instrumento utilizado nos indivíduos com distúrbio do PA
que foram submetidos ao TAAC e visa pontuar as modificações provocadas, do
ponto de vista do próprio paciente e/ou de seus familiares. As 12 perguntas deste
instrumento estão relacionadas a situações e queixas comuns aos indivíduos com
distúrbio do PA e para pontuar cada uma delas, é utilizada uma escala numérica em
que zero (0) representa nenhuma melhora, (1) melhora sutil, porém importante, (2)
melhora moderada, (3) melhora considerável e (4) melhora significativa. A
pontuação é utilizada para as 11 primeiras questões, a décima segunda questão é
aberta, na qual o sujeito descreve outras mudanças observadas durante ou após o
período de TA que não foram anteriormente questionadas.
TyeMurray et al. (2012) com o objetivo principal de investigar os benefícios
de um programa de TA e como este poderia ter melhorado as experiências auditivas
dos sujeitos participantes, desenvolveram o questionário Post Trainning Exit
Questionnaire (PTEQ). Os 93 sujeitos (78 usuários de aparelhos auditivos e 15 de
implante coclear) com idades entre 18 e 89 anos foram submetidos a um programa
de TA de seis semanas, com sessões de uma hora de duração, duas vezes por
semana, composto por 12 atividades no computador que contemplaram:
discriminação, figurafundo, fechamento e interpretação de trechos ouvidos. Após o
treinamento, os sujeitos responderam ao questionário. As questões deste
instrumento estão relacionadas à melhora nas situações de escuta adversa,
compreensão de sílabas, sentenças, contextos e sobre a apreciação do programa
de TA. As possibilidades de resposta variavam de 1 (muito pouco) a 7 (muito). Os
19
participantes do estudo relataram melhorias em sua habilidade para reconhecimento
de fala e em sua autoconfiança, como resultado de terem participado do
treinamento. Em geral, os participantes indicaram melhora moderada na sua
capacidade de compreender a linguagem falada (média de 4,1 na escala de sete
pontos) e sobre terem gostado de participar do programa (média de 5,9). A única
diferença significativa observada entre as quatro questões foi para a pergunta
número 3 ("Até que ponto, ter participado desse treinamento auditivo, melhorou sua
autoconfiança em envolverse em uma conversa com conhecidos casuais ou
estranhos"). Sobre as questões relacionadas a linguagem oral 88% dos participantes
acreditavam que eles tinham melhorado em pelo menos um dos aspectos da
compreensão da fala. A maioria dos participantes (66%) indicou que melhoraram na
compreensão de palavras isoladas após o treinamento, 34% responderam que sua
capacidade de compreender sentenças tinham melhorado, 22% indicaram que a sua
compreensão de diálogos tinha melhorado e 34% indicaram que o treinamento havia
melhorado sua capacidade de compreender o contexto geral numa conversa. Os
indivíduos que perceberam mais melhoria na compreensão da fala e também
indicaram que o TA resultou no aumento da autoconfiança ao conversar com
estranhos e conhecidos próximos.
Nunes et al. (2013) investigaram as habilidades auditivas de 51 crianças
portuguesas e verificaram a possível correlação entre essas habilidades e o escore
do Escala de Funcionamento Auditivo (SAB). Todos os sujeitos foram submetidos à
avaliação do PA e o questionário foi preenchido pelos pais. O questionário SAB é
formado por 12 perguntas referentes a eventos do dia a dia em que a pontuação
utilizada foi: 1 frequente, 2 quase sempre, 3 algumas vezes, 4 esporádicos e 5
nunca. Valores médios, ao redor de 46 pontos, indicam comportamento auditivo
típico e esperado para a faixa etária entre 8 e 11 anos de idade. Valores inferiores a
35 pontos indicam necessidade de avaliação do PA. Valores inferiores a 30 pontos
seriam sugestivos de DPA. Na análise estatística observouse correlação positiva
entre os escores do SAB e os resultados dos testes MSV, MSNV, FR (OE), DD
(OD), TDDH (ambas as orelhas) e TPD. Houve correlação negativa estatisticamente
significante entre o SAB e o teste GIN, nesse caso observouse correlação
significativa entre o escore do questionário e o dos testes comportamentais, tendo a
maior sido observada nos testes relacionados ao processamento temporal. Assim,
20
quanto melhor o resultado na avaliação do PA, melhores eram os escores do
questionário SAB. Desta forma, verificouse que, das 51 crianças avaliadas, 33
(64%) apresentaram valor igual ou superior a 47 pontos; destas, 39% (13 crianças)
tiveram ótimos resultados nos oito testes aplicados para avaliação do PA, enquanto
20 crianças (61%) apresentaram alteração em pelo menos um teste do PA. Nas 13
crianças com ótimas respostas nos testes do PA, a média do escore SAB foi de 56
pontos. Foi verificado 18 crianças com pontuaçãodo SAB inferior a 46 pontos,
dessas, 17 (94,4%) apresentaram alteração em um ou mais testes do PA. Verificou
se que três crianças apresentaram um escore final do SAB inferior a 35 pontos e
comprometimento simultâneo em dois ou mais testes do PA. Este estudo concluiu
que este questionário pode ser utilizado em triagem do PA e que um baixo escore no
questionário SAB é indicativo de alteração do PA.
Pereira e Cibian (2015) monitoraram o comportamento auditivo de 19
indivíduos, com idade entre 12 a 15 anos por meio do uso do Fisher’s auditory
problems checklist em indivíduos diagnosticados com distúrbio do PA, que
realizaram um TAAC organizado em oito sessões, com duração de 50 minutos cada.
Os pais ou responsáveis responderam as questões sobre as queixas percebidas em
três momentos: pré, metade e pósintervenção. Houve diferença estatística no
escore total em todos os grupos, diminuindo a pontuação sobre as queixas na
metade do treino e também no final. No presente estudo, no momento pré, todos os
indivíduos no QFISHERT obtiveram uma média de porcentagem que é considerada
de risco para DPA (valor superior a 28% no escore total dos itens marcados pelos
pais). Na metade do TAAC, houve uma redução das queixas e as porcentagens
ficaram próximas da nota de corte. Diante dos resultados, verificouse que o TAAC
teve um efeito positivo na percepção dos pais e responsáveis sobre os aspectos do
comportamento auditivo. Quanto às pontuações do QFISHERaudição, QFISHER
atenção e QFISHERmemória, observouse uma diminuição das queixas à medida
que o número de sessões aumentou, com significância estatística. Quanto à
pontuação do QFISHERlinguagem, foi observada uma diminuição das queixas
somente após as quatro primeiras sessões de TAAC, com significância estatística
para todos os sujeitos. A hipótese levantada pelo fato de as queixas não serem
reduzidas até o final das oito sessões de TAAC é a de que a linguagem é muito
abrangente e suas queixas podem estar relacionadas ao PA, porém, podem ter
21
também relação com outros fatores, como a falta de estimulação, atraso ou algum
distúrbio, além disso, esta parte do questionário envolveu aspectos que não foram
trabalhados no TAAC e não foram investigados de uma forma mais profunda. O
Fisher’s auditory problems check list for auditory processing evaluation pode ser
usado para monitorar o comportamento auditivo antes, durante e após o TAAC.
22
3 MÉTODO
Este estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP,
aprovado sob o número: 990.433 (Anexo 1) e realizado no ambulatório de
Processamento Auditivo do Departamento de Fonoaudiologia da UNIFESP/EPM.
Todos os participantes e seus responsáveis foram informados sobre a
natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos e procedimentos a serem realizados
e assinaram o termo de assentimento (Anexo 2) para a participação voluntária no
estudo e o termo de consentimento foi assinado pelos pais e/ou responsáveis
(Anexo 3).
Participaram desta pesquisa 23 indivíduos de ambos os gêneros, na faixa
etária de 6 a 15 anos de idade. Os critérios de inclusão foram apresentar limiares
auditivos menores do que 20 dB entre 250 e 8000 Hz (Northern e Downs, 1984),
timpanometria com curva tipo A e diagnóstico de DPA confirmado por testes
comportamentais com alteração em pelo menos dois destes e indicação de TAAC.
Os critérios de exclusão foram síndromes de qualquer natureza, transtornos
psicológicos, psiquiátricos e cognitivos evidentes e/ou diagnosticados.
O programa de TAAC foi composto por dez sessões, realizado em cabine
acústica, em que foram utilizados testes auditivos especiais apresentados por meio
de fones auriculares TDH, CD player e Audiômetro da marca GSI em condições de
escuta progressivamente adversas, conforme proposta apresentada no Quadro 1.
Cada sujeito compareceu às sessões uma vez por semana, as quais tiveram
duração de 45 a 60 minutos.
23
Quadro 1 – Cronograma das sessões de treinamento auditivo acusticamente
controlado.
Na primeira sessão de TAAC os participantes foram submetidos à aplicação
do questionário Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013) (Figura
1) por meio de entrevista com os sujeitos e seus pais ou responsáveis, devido a
complexidade de algumas questões. Todos foram entrevistados para garantir a
compreensão da informação que estava sendo solicitada.
O questionário Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013) é
constituído por 12 perguntas referentes a eventos do dia a dia. Àquele que ocorre
com muita frequência é atribuído valor 1,0; àquele que ocorre quase sempre atribui
se valor 2,0; àquele que ocorre algumas vezes, valor 3,0. Aos esporádicos, o valor
atribuído é 4,0, e aos que nunca ocorrem, 5,0. Os valores são somados, resultando
em um escore final que pode variar de 12 a 60 pontos.
1ª SESSÃO – Figurafundo para frases (SSI/PSI)
2ª SESSÃO – Figurafundo para palavras: Escuta Direcionada (Dicótico de Dígitos OD) + Figura
fundo para sons não verbais (Dicótico Não Verbal OE)
3ª SESSÃO – Figurafundo para palavras: Escuta Direcionada (Dicótico de Dígitos OE) + Figura
fundo para sons não verbais (Dicótico Não Verbal OD)
4ª SESSÃO – Integração binaural (Dicótico de Dígitos+ Dicótico Não Verbal ) + Fala com ruído
5ª SESSÃO – Fechamento Auditivo (Fala com ruído: frases, figuras e palavras) +Aspectos
Temporais (Padrão de Intensidade)
6ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Duração: audiômetro, flauta e tom puro)
7ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Duração + Padrão de Frequência: audiômetro, flauta
e tom puro)
8ª SESSÃO – Aspectos Temporais (Padrão de Frequência: audiômetro, flauta e tom puro)
9ª SESSÃO – Figurafundo para sílabas (Consoante Vogal: Escuta Direcionada e Integração
Binaural)
10ª SESSÃO – Reavaliação comportamental (PA)
24
Segundo os autores acima citados, valores médios, ao redor de 56 pontos,
indicariam comportamento auditivo típico e esperado para a faixa etária entre 8 e 11
anos de idade; 46 pontos apontaria indicativo de falha na triagem e a necessidade
de ser analisado em conjunto com outros testes e avaliações do sujeito.Valores
entre 31 e 45 pontos — um desviopadrão abaixo do valor médio — indicariam
necessidade de avaliação do PA. Valores inferiores a 30 pontos — um desvio
padrão e meio abaixo do valor médio — seriam sugestivos de DPA, havendo
necessidade de treinamento das habilidades.
Figura 1. Escala de funcionamento auditivo (SAB).
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Na última sessão do TAAC, os indivíduos foram submetidos à aplicação dos
questionários de autoavaliação: Questionário pós Treinamento Auditivo Formal (Gil e
Ziliotto, 2011), Posttraining Exit Questionnaire (TyeMurray et al. 2012) e novamente
o Escala de Funcionamento Auditivo (SAB) (Nunes et al. 2013). Os questionários
foram aplicados por meio de entrevista, em que a avaliadora explicou e perguntou
todas as questões, para garantir a compreensão dos participantes e em seguida
registrou todas as respostas.
O Questionário pós Treinamento Auditivo Formal foi traduzido para o
português brasileiro por Gil e Ziliotto (2011) (Figura 2) e composto por 12 perguntas
relacionadas à percepção de melhora auditiva, compreensão de ordens, evolução
acadêmica, solicitação de repetição de enunciados, redução de malentendidos,
aumento do tempo de atenção, desempenho auditivo em ambiente ruidoso, melhora
ao falar no telefone e assistir