Prévia do material em texto
9
CAPÍTULO.
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Araujo
Introduç�o
ONGS EDUCATIVAS
Um recente contexto de atuação para o psicólogo escolar
A atuação de psicólogos escolares em organizações não governamen
tais (ONGGs) é umarealidade relativamente recente para a área da Psicologia no
Brasil. Em sua origem, a Psicologia Escolar direcionou a sua ação ao contexto
da escola, privilegiando estudos e intervenções no âmbito da educação básica.
Contudo, outros espaços institucionais têm surgido como ambientes férteis
para o trabalho do psicólogo escolar uma vez que apresentam um potencial
educativo que os aproxima dos propósitos desse profissional comprometi
do com o desenvolvimento humano (Marinho-Araujo, 2009, 2014a, 2014b,
2016).
A revisão da literatura brasileira na área da Psicologia Escolar aponta
para expressiva publicação de pesquisas, relatos de experiênciae reflexões
teóricas que evidenciam a vinculação da participação de psicólogos em ONGs.
Os trabalhos versam sobre Psicologia Política no âmbito das questões organi
Zacionais do terceiro setor (Calegare, 2005; Calegare & Silva-Júnior, 2009),
Lemas relativos à intervenção psicológica e processos de saúde em progra
mas desenvolvidos por ONGs (Farias & Dimenstein, 2008; Pereira & Costa,
em contextos educativos: A dificil formação
e psicólogos para a realidade brasileira. In R. G. Azzi & M. H. T. A. Giandolfi (Orgs.).
Psicologia e educação (pp. 253-270). São Paulo: Casa do Psicólogo.
GUzzo, R. S.. Costa. A. S. & Sant'Anna, I. M. (2009). Formando psicólogos escolares:
Toblemas, vulnerabilidades, desafiose horizontes. In C. M. Marinho-Araújo (Eds.),
Sicologia escolar: Novos cenários e contextos de pesquisa, prática e formação (pp.
35-52). Campinas: Alinea.
UZzo, R. S, & Mezzalira, A. S. C. (2011). 2008 � Ano da educação para oS psicólogos:
Encaminhamentos e próximos passos. In R. S. L. Guzzo & C. M. Marinho-Araújo (Eds.),
"Sicologia escolar: ldentificando e superando barreiras (pp. 1l-31). Campinas: Alinea.
214
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauia
Guzzo, R. S., Mezzalira, A, S. C.. Moreira, A. P. G., Tizzei, R. P. & Neto, W. M.ES
(2010). Psicologia e educação no Brasil: Uma visão da história e possibilidades nessa
relação. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 26, 131-141.
Haddad, S. (2009). A participação da sociedade civil brasileira na educação de jovens e
adultos e na CONFINTEA VI. Revista Brasileira de Educação, 14, 355-369.
Haddad, S. (2012). Direito à cducaçâo. In R. S. Caldart, I. B Pereira, P. Alentejano &G
Frigotto (Eds.), Dicionário da educação no campo (pp. 215-223). São Paulo: Expressão
Popular.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE (2006). Asfundações e assOciações
sem fins lucrativos no Brasil 2005. Rio de Janeiro: IBGE.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE (2012).Asfundações e associações
sem fins lucrativos no Brasil 2010. Rio de Janeiro: IBGE.
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada � IPEA (2010). Brasil em desemvolvimento
2010: Estado, planejamento e politicas públicas. Brasília: IPEA.
Lei n° 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Seção 3, p. 27833
de 23 de Dezembro de 1996. Disponível em: .
Lei n° 9.790 de 23 de março de 1999. Diário Oficial da União, Seção 1, p. 1 de 24
de março de 1999. Disponível em: .
Landim, L. (2003). ONGs são terceiro setor? In H. J. Fiege (Ed.), ONGs no Brasil:
Perfil de um mundo em mudança (pp. 107-134). Fortaleza: Fundação Konrad Adenauer.
Landim, L. (2005). Associações no Brasil: Comentários sobre dados oficiais recentes.
Democracia Viva, 28 (76-85).
Magalhães, A. A. (2007). A campanha contra o caveirão" no Rio de Janeiro. Estudos e
Pesquisas em Psicologia, 7 (2), 168-175.
Maluf, M. R. & Cruces, A. V. V. (2008). Psicologia educacional na contemporaneidade.
Boletim Academia Paulista de Psicologia, 1 (8), 71-99.
Marinho-Araujo, C. M. (2009). Psicologia escolar na educação superior: Novos cenarios
de intervenção e pesquisa. In C. M. Marinho-Araújo (Org.), Psicologia escolar: Novos
cenários e contextos de pesquisa, formação e prática (pp. 155-202). Campinas: Alinea.
Marinho-Araujo, C. M. (2010). Psicologia escolar: Pesquisa e intervenção. Em Aberto,
23 (83), 17-35.
Marinho-Araujo, C. M. (2014a). Intervenção institucional: Ampliaç�ão crítica e politiea
da atuação em psicologia escolar. In R. S. L. Guzzo (Org.), Psicologia escolar: LDesa
e bastidores na educação pública (pp. 153-176). Campinas: Alínea.
Marinho-Araujo, C. M. (2014b). Psicologia escolar na educação superior: Desafios e
potencialidades. In R. S. L. Guzzo (Org.), Psicologia escolar: Desafios e bastidorea
educação püblica (pp. 219-240). Campinas: Alinea.
Marinho-Araujo, C. M. (2016). Contribuições da abordagem
histórico-cultural à
psicologia escolar. In M. V. Dazzani & V. L. T. Souza (Eds.), Psicologia
escolar crítica:
Teoria e prática nos contextos educacionais (pp. 37-56). Campinas: Alinea.
Marinho-Araujo, C. M. & Almeida, S. F.C. (2005). Psicologia escolar: Construção e
consolidação da identidade profissional. Campinas: Alinea.
ONGs Educativas 215
Marinho-Araujo, C. M. & Neves, M. M. B. J. (2007). Psicologia escolar: Perspectivas
e compromissos na fomação continuada. In I1. R. Campos (Ed.), Formação em
psicologia escolar: realidades e perspectivas (pp. 69-88). Campinas: Alinca.
Massimi, M. & Guedes, M. C. (2004). Histöria da psicologia no Brasil: Novas estudos.
São Paulo: Educ.
Medeiros, R. S. (2007). Critica e resignação nas atuais relações entre as ONGs e o
cstado no Brasil. In E. Dagnino & L. Tatagiba (Eds.), Democracia, sociedade civil e
participaç£o (pp. 167-202). Chapceó: Argos.
Meira. M. E. M. (2000). Psicologia cscolar: Pensamento crítico c práticas profissionais.
In E. T. Tanamachi, M. Procnça & M. L. Rocha (0rgs.), Psicologia e educação:
Desaios teórico-práticos (pp. 36-52). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Meira, M. E. M. (2012). Para uma critica da medicalização na educação. Psicologia
Escolar e Educacional, 16 (1), 135-142.
Mont�no, C. (2010). Terceiro setor e a questão social: Crítica ao padrão emergente de
intervenção social (6* ed.). São Paulo: Cortez.
Nery, M. & Costa, L. F. (2009). Política afirmativa racial: Polêmicas e processos de
identidade do cotista universitário. Psico-USF, 14 (2), 211-220.
Neto, J. C. S. & Centolanza, C. A. (2010). Da prática do desvio ao protagonismo. Psico,
41 (1), 128-136.
Neto, W. M. F. S., Guzzo, R. S. L. & Moreira, A. P. G. (2014). Estagiários de psicologia
na escola: O que os bastidores revelam para a formação profissional? In R. S. L. Guzzo
(Org.), Psicologia escolar: Desafios e bastidores na educação pública (pp. 197-216).
Campinas: Alinea.
Oliveira, A. P. G. & Milnitsky-Sapiro, C. (2007). Políticas públicas para adolescentes
em vulnerabilidade social: Abrigo e provisoriedade. Psicologia, Ciência e Profissão,
27 (4), 622-635.
Oliveira, C.B.E. & Marinho-Araujo, C. M. (2009). Psicologia escolar: Cenários atuais.
Estudos e Pesquisas em Psicologia, 9 (3), 648-663.
Patto, M. H. S. (2005). Exercicios de indignação: Escritos de educação e psicologia.
São Paulo: Casa do Psicólogo.
Patto, M. H. S. (2008). Ciência e política na Primeira República: Origens da psicologia
escolar. In A. M. Jacó-Vilela, F. Jabur, H. B. C. Rodrigues (Eds.), Clio-Psyché: Histórias
da psicologia no Brasil (pp. 187-206). Rio de Janeiro: Biblioteca Virtual de Cièncias
Humanas do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais.
Pereira, M. H. & Costa, L. F. (2007). Santa pecadora ou execrada santa? O autocuidado
�e mulheres soropositivas. Psico-USF, 2 (1), 103-110.
Rasera, E. & Issa, C. L. (2007). A atuação do psicólogo em ONGAIDS. Psic ologia
Ciéncia e profissão, 27 (3), 566-575.
Rodrik, D. (2011). The globalization paradox: Democray nd the fuure of the world
economy., New York, W. W.: Norton Company.
Seixas, P. S. & Yamamoto, 0. H. (2012). A inserç�o ea atuação profissional do psicólogo
ho campo das políticas sociais no Rio Grande do Norte. Psicologia Argumento, 30 (70),
477-489.
216 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauo
Silva, L. A. V. (2013). Psicologia escolar nas equipes especializadas de apoio
aprendizagem da Secretaria de Estado de Educação da cidade de Ceilândia/Distrito
Federal (Dissertação de mestrado não publicada). Universidade de Brasilia, Brasília.
Siqueira, A. C. & Dell'Aglio, D. D. (2007). Retornando para a família de origem: Fatores
de risco e proteção no processo de reinserção de uma adolescente institucionalizada
Rev. Bras. Crescimento e Desenvolvimento, 17 (3), 134-146.
Soares, P. G. (2008). Psicologia escolar e desenvolvimento adulto: Um estudo sobre
o perfil de educadoras sociais psicologia escolar em uma OG de São Luís-M4
(Dissertação de mestrado não publicada). Universidade de Brasília, Brasília.
Soares, P. G., Galv�o, H. M. & Marinho-Araujo, C. M. (2012). Psicologia escolar
na formação de professores e educadores no Brasil: Uma análise das publicações
e perspectivas de pesquisa. Trabalho apresentado no II Seminário Internacional
"Contributos da Psicologiaem Contextos Educativos" da Universidade do Minho,
Portugal.
Soares, P. G. & Marinho-Araujo, C. M. M. (2010). Psicologia escolar em contextos de
educação social: Práticas emergentes. Revista Psicologia Escolar e Educacional, 14
(1), 45-54.
Souza, D.D. L. (2009). Movimentos sociais, ONGs e educação: Um estudo de caso.
Aparecida, São Paulo: Ideias & Letras.
Souza, M. P. R. (2004), A queixa escolar e o predomínio de uma visão de mundo. In
A. M. Machado & M. P. R. de Souza (Orgs.), Psicologia escolar: Em busca de novos
rumos (pp. 143-158). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Souza, M. P.R. (2010). Psicologia escolar e politicas públicas em educação: Desafios
contemporâneos. Em Aberto, 23 (83), 129-149.
Tanamachi, E. R. (2000). Mediações teórico-práticas de uma visão crítica em psicologia
escolar. In E. R. Tanamachi, M. Proença & M. Rocha (Orgs.), Psicologia e educação:
Desafios teórico-práticos (pp. 73-102). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Tanamachi, E. R. & Meira, M. E. M. (2003). A atuação do psicólogo como expressão do
pensamento crítico em psicologia e educação. In M. E. M. Meira & Antunes, M. A. M.
(Eds.), Psicologia escolar: Práticas criticas (pp. 17-27). São Paulo: Casa do Psicólogo.
Vieira, L. N. (2014). Formação inicial e continuada de psicólogos da SEDF: Um estudo
para o desenvolvimento de competências (Dissertação de mestrado não publicada).
Universidade de Brasília, Brasília.
Vieira-Neves, A. (2007). Espaços públicos e práticas políticas: Os riscos de
despolitização da participação da sociedade civil. In E. Dagnino & L. Tatagiba (Eds.).
Democracia, sociedade civil e participação (pp. 395-420). Chapecó: Argos.
Yamamoto, O. H. (2007). Políticas sociais, terceiro setor e compromisso social:
Perspectivas e limites do trabalho do psicólogo. Psicologia e Sociedade, 19 (1), S0l"
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Form", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Form", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }
{ "type": "Document", "isBackSide": false }à atividade remune
rada, assistência técnica, educação escolar etc. As comunidades eclesiais, as
associações de pequenos produtores, as associações de bairro, as cooperativas
rurais, mobilizadas pela efervescência dos movimentos sociais, cresciam por
1odo o país para prover ações nas comunidades locais (Dagnino, 2004, 200),
2011; Gohn, 2009, 2010, 2011,2017).
A segunda linha de ação referia-se a trabalhos de formação da clas
Se popular para a militância, visando ao exercício da cidadania no processo
de revisão e ampliação da democracia brasileira, As ONGs passaram a atua,
ainda que de forma camuflada e sob os olhares vigilantes do governo mnta,
com temas pertinentes à análise crítica da situação socioeconômica do pais,
como aumento da pobreza, ineficácia de politicas sociais oriundas do gove
transparéncia da gestão pública etc. (Dagnino, 2004; Haddad, 2012; Medeiros,
2007).
Uma parcela expressiva das ONGs na década de 1970 Imanteve suas
linhas de ação de forma autônoma e independente do Estado. Essas instituiçÙes
eram consideradas fonte de poder social alternativo ao político. MUta. eram lideradas por ativistas de partidos esquerdistas e líderes comunitários
que, no período de movimento pela anistia contra a ditadura militar e após
ONGs Educativas
189
torno do exílio incidido em anos anteriorcs, prestavam serviços diretamen te às populaçõæs de baixa renda c excrciam influência na agenda das políti cas públicas e sociais (Dagnino, 2004, 2005; Landim, 2003, 2005; Medeiros, n007: Souza, 2009). Tratava-se de um momento de restauração dos direitos ivis e políticos que haviat1 sido cassados no golpe militar e, ao mesmo tempo, de consolidação do avanço das políticas sociais c dos direitos de democracia Dor meio da formação crítica da população.
De acordo com Souza (2009), após a abertura política civil principia
da nos anos 1980, os movimentos sociais no Brasil passaram a se organizar
com mais intensidade por meio da consolidação de instituições jurídicas (asso
ciações, fundações, cooperativas, sindicatos etc.), com a intenção de prover
medidas diretas para resolução dos problemas herdados do período da ditadura
militar. Nessa época, tais iniciativas iam ao encontro da mobilização nacional
que compunha o cenário da democracia brasileira, como a reivindicação por
eleições presidenciais diretas no Brasil (Diretas Já, 1983-1984) e o movimento
pró-constituinte, iniciativas precedentes à instituição da Constituição Federal
de 1988. Instaurou-se, então, um periodo no qual as ONGs ganharam visibili
dade, passando a desenvolver atividades de assessoria aos movimentos sociais
no campo da educação popular, por meio de cursos de formação política, jurí
dica e na defesa dos direitos dos trabalhadores (Gohn, 2014; Souza, 2009).
Essas instituições começaram a atuar mais diretamente no provimento das
demandas sociais e se desvincularam, gradativamente, dos propósitos iniciais
da Igreja e das organizações de contrapoder político-governamental.
No final da década de 1980, amparadas legalmente pela Constituição
Federal de 1988, essas organizações passaram a prestar serviços aoS movi
mentos sociais e, demarcando uma diferenciação das ações civis assistencia
Istas e de caridade, participavam formalmente no âmbito das discussões sobre
ds questöes políticas e econômicas. A partir da década de 1990, vigorou uma
Transição das ONGs, sobretudo político-ideológica, tendo como motivação
vontral a então conjuntura democrática de participação social (Gohn, 2014;
aghino, 2004, 2005; Medeiros, 2007; Montaño, 2010; Souza, 2009; Vieira
Neves, 2007). Nesse novo cenário, viu-se uma grande parte da sociedade civil
ganizada brasileira entrar no fluxo das medidas politicas de ajuste neolibe
a, O que levou a potenciais armadilhas do capitalismo, como as tentativas de
humanizar a globalização socioeconômica por meio das ações de solidariedade
Cmpresarial.
190 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauio
Tradicionalmente, os movinmentos sociais e as ONGs vinham sendo
conccbidos como um prOcessO de tomada de consciência coletiva contra
repressåo c alicnação de uma rcalidade social desiguale injusta e, ao mesmo
tempo, uma tentativa organizada de romper com os privilégios da classe política
dominante que coroborava a manutençâo social. No início dos anos 1990, com
a adoção das politicas neoliberais no país após o Consenso de Whashington' e
as pressõcs do Fundo Monetário Internacional (FMI) c do Banco Mundial para
implementá-las nos países em desenvolvimento, grande parte dessas institui
çòes brasileiras se aliou ao Estado e passou a dividir responsabilidades sociais
sob a égide da participação civil (Vieira-Neves, 2007; Montaio, 2010).
Os governos federais, estaduais e municipais viabilizaram formas de
parcerias com os setores não governamentais para que as suas próprias políti
cas fossem realizadas de maneira terceirizada. Na lógica dessa restaurada rela
ção, o Estado passou a ser concebido como agência reguladora dos serviços
prestados pelas ONGs e distribuidor dos recursos públicos para manutenç�o
desses serviços.
Com a crescente abertura legislativa, que se seguia nos anos 1990, para
a redistribuição do poder do Estado e o aumento do financiamento dos grandes
órgãos internacionais para sua manutenção, como o Banco Mundial e fundos
de organizações estrangeiras, como a Ford, Novib, Oxfam, as ONGs passa
ram a desempenhar papel prioritariamente assistencialista, na medida em que
assumiramo discurso neoliberal da "ineficiência e incapacidade do Estado"
para lidar com a ampla gama dos problemas sociais. Isso levou a distintos
desdobramentos, dentre os quais se destacam: (a) a internalização da ideia de
que as ONGs eram a garantia para o provimento das demandas sociais em
níveis de qualidade exigidos pela própria população que as compunhae (b)0
movimento de reivindicação por maior acesso aos fundos públicos, legitimado
pela Constituição Federal de 1988.
1. O Consenso de Washington foi um conjunto de medidas econômicas formulado
entre as lideranças capitalistas EUAe Inglaterra, em 1989, que visava à aplicação de
regras básicas aos paises considerados emergentes para fins de ajustes econômicos
(Rodrik, 2011). De acordo com Gohn (20), essas medidas nada mais eram do que
politicas neoliberais que intencionaram a redução do papel do Estado e cunharant
as privatizações em massa de empresas estatais. liberalizacão dos mercados de bens
de capital, desregulamentação acentuada da economia e outras consequências que
pouco beneficiavam as políticas sociais.
ONGs Educativas
191
Ainda como desdobramento das políticas sociais do modelo de Estado Ja Bem-Estar SoCial foi notório o avanço na área da cducação entre as décadas J 1980 e 19902. A despeito desse crcscimcnto, o plancjamento formal sobre Os rumoS da educação no país ocorreu apcnas em 1992, com o debate para a alaboração do Plano Decenal de Educação para Todos (1993-2003). Em que nesem as críticas, e os desdobramentos sociais não desejáveis, foi no Governo de Fernando Henrique Cardoso, a partir de 1995, que se concretizou um plane
ianmento político-estratégico para a cducação brasileira, pela reforma do seu
sistema. Em 1996, o Brasil formalizou a descentralização do sistema educativo
a0 âmbito dos municípios, com um discurso ambíguo entre autonomia e inter
dependência das unidades do poder executivo, de clara aspiração neoliberal.
É nesse cenário de descentralização política e reforma da educação
que se observou um maior fomento às ONGs educacionais, a partir da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, n° 9.394/1996 (LDB), pela qual se
estabeleceu a abertura legal de instituições organizadas pela sociedade civil
para atuarem nas questões sociais. Logo em seu artigo primeiro, a legislação
enfatiza que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na
vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa,
nosmovimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais
(Lei n° 9.394, 1996).
Ao final da década de 1990, outra referência legislativa ampliou a
participação de ONGs na conjuntura da reforma educacional: a instituciona
Iização do Terceiro Setor por meio da Lei n° 9.790/99, que regulamenta as
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). A partir da Lei
das OsCIPs, essas organizações passaranm a se preocupar mais em atender aos
Critèrios exigidos em seus perfis institucionais, como, por exemplo, promover
O trabalho voluntariado e estipular metas e objetivos de avaliação de desem
Penho (Brasil, 1999, $ 20, item I), do que no desempenho de uma atividade
POIitica que influenciasse as politicas públicas e sociais.
2. Na década de 1980, O nosso país fazia parte de um dos chamados seis grandes
vOmplexOs de intervencão social. No ano de 1980, a
dl brasileiro de mais de 25 anos era de 3.8 anos. Em
média de anos de estudos de
1990, após a Constituição de
a media saltou para 4,8 anos. Em 1996, época da reforma de nosso sistema
educacional, era de 5,4 anos (lpea, 2010).
192
As ONGs dedicaram-se à execução de programas e projetos sociais de
responsabilidade precípua do Estado, endossandoo discurso da incapacidade
estatal para
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho -Araujo
resolver os problemas da sociedade.
Em todo o processo de institucionalização das atividades civis por
meio das ONGs, pode-se afirmar que sempre existiu uma vinculação relacio-
nada à área educacional. A partir da regulamentação das ações não goverma
mentais da década de l990, as ONGs passaram a atuar mais diretamente
apaziguamento da dificuldade de acesso e permanência na escola nor meis 3
em sua atuação polí práticas compensatórias, perdendo-se ideologicamente
tica na área social da educação. Aulas de reforço para alunos com dificulda.
des de aprendizagem, amparo a crianças e adolescentes que estavam fora da
escola e atividades de complementação escolar estavam entre as principais
ações (Gohn, 2006, 2009, 2012; Galvão & Marinho-Araujo, 2017; Soares &
Marinho-Araujo, 2010). Embora o desempenho dessas atividades reflita uma
preocupação da sociedade com suas próprias emergências e demandas, os
problemas educacionais passaram a ser tratados de fora da escola, sem a devi
da contextualização dos setores de onde essas questões eram originadas e sem
articulação com eles.
Para estudiosos das ONGs, como Dagnino (2004, 2005, 2011); Gohn
(2006, 2009, 2011, 2012, 2014, 2017), Landim (2003, 2005), e Souza (2009),
a década de 1990 levou a uma clara diferenciação entre as ONGs que atuavam
na articulação específica de demandas populares e na explicitação dos contli
tos sociais e as que tinham como propósito operar nas esferas governamentals,
tornand0-se organizações 'paraoficiais, na linha tênue entre público e privado.
As ONGs passaram a coexistir com uma dupla definição: como meios civis
de transformação social, sob uma nova forma de participação social na eSie
das políticas públicas e como campo propício para as ações do neoliberali
que buscava repassar suas responsabilidades sociais para a sociedade civil,
esvaziando-a de uma atuação política.
A origem dessas transformações decorre de um cenário de mudanças
mais amplas nos planos econômicos no âmbito internacional, as quais são
resultados de estratégias políticas em esfera nacional contidas nas
proposições
neoliberalistas, pelas quais as fundamentações ideológicas dos governos
vigência entraram na nova estrutura de Estado social-liberal (Dagnino,
2004,
2011; Gohn, 2009, 2010; Souza, 2009; Vieira-Neves, 2007). Embora com a
intenção de mediar os interesses sociais e liberais, esse Estado acabou
privile-
ONGs Educativas 193
giando os liberais em detrimento dos sociais, tendo como base a perspectiva de
intervenção mínima (Montafño, 2010).
Eoi nesse cenário do terceiro setor que as ONGs passaram a atuar junto
Rm Estado, direcionando suas atividades para o atendimento dos direitos
constitucionais. Assim, assistiu-se a uma abrupta disseminação das ONGs no
naís, com uma diversidade de filiações temáticas e finalidades sociais, com
foco em um suposto beneficio social, mas vinculações ideológicas distintas
dos principios que Ihes deram origem.
A legitimação das ONGs como 'parceiras' do Estado, solidificada na
gest�o pública anterior, ampliou-se gradativamente nos anos 2000 na medida
em que os governos continuavam transferindo parte de suas responsabilidades
a0 terceiro setor (Dagnino, 2004, 2011; Medeiros, 2007). O espírito de luta
contra as forças conservadoras e de busca pela democratização do pais conti
nuou a ceder lugar às proposições neoliberais que variaram desde a criação
de fundos ou programas destinados ao trabalho desempenhado pelas ONGs
até a institucionalização de espaços de participação cívica dessas instituições
na elaboraç�o e implementação de políticas públicas e sociais (Souza, 2009;
Montaño, 2010).
Ao longo dos anos 2000, o incentivo estatal designado ao terceiro setor
persistia em duas grandes direções. Em uma, aumentavam-se os mecanismos
legais que tratavam de delinear um perfil institucional específico para que
as ONGs executassem as políticas sociais. Paralelamente, surgiam as políti
Cas de incentivo fiscal destinadas à classe empresarial para que investissem
la realização de projetos sociais. Sob o argumento da contenção dos gastos
Puolicos e da progressiva autonomia das instituições não governamentais,
O que tradicionalmente era de responsabilidade do Estado passou a contar
Cada vez mais com as parcerias advindas dessas instituições (Montaño, 2010;
Souza, 2009).
Em ambas as direções, paulatinamente, elevavam-se os critérios e
Cxigências burocráticas para a obtenção de títulos e certificados em âmbito
federal, estadual e municipal, no intuito de canalizar recursos públicos e bene-
ficios fiscais às entidades sem fins lucrativos e de oferecer incentivos tributá-
rios aos doadores e patrocinadores de programas sociais (Gohn, 2017).
DSSe panorama conduz a uma reflexão crítica sobre a diversidade e
amplitude dos mecanismos que levaram a sociedade civil a estender a sua parti-
cipação às esferas governamentais. Por um lado, observou-se um aumento de
194 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Araujo
políticas públicas e legislações aplicáveis ao terceiro setor, o que, em princípio,
seria um caminho para a ampliação do exercício democrático e da participacão
Social com o Estado na elaboração e exccução das políticas sociais. Por outro
lado, esse fomento provocou a retirada do papel intervencionista dos gover
nos, o que culminou na responsabilização do terceiro setor pela qualidade dos
serviços sociais de que o Estado deveria ser o agente central.
Observa-se, ainda, que os mesmoS mecanismos legais que estimularam
a participação das ONGs no processo de governança democrática também se
constituiram, na prática, em caminhos volúveis no cumprimento dos benefj
cios sociais (Medeiros, 2007; Montañio, 2010).
Nessa conjuntura, têm coexistido múltiplas contradições éticas, polí
ticas, ideológicas e sociais na consecução da gestão pública participativa. A
parceria entre o Estado e as ONGs ao longo das últimas duas décadas vem
apresentando vantagens e desvantagens, avanços e retrocessos na democrati
zação das políticas sociais e no estabelecimento de uma cultura de sociedade
cívica (Gohn, 2011, 2012, 2014, 2017).
Ainda que os críticos do terceiro setor denunciemn que as ONGs no país
sejam guiadas por princípios neoliberais (Dagnino, 2004, 2011; Medeiros,
2007; Montaño, 2010; Souza, 2009; Vieira-Neves, 2007), não se pode anular
a relevância social daquelas instituições não governamentais cuja concepção
orienta uma relação crítica com o Estado, estabelecendo ações em frentes
destinadas às classes populares visando à diminuição das desigualdades, injus
tiças e mazelassociais.
Existem, portanto, múltiplas interpretações na literatura acerca da
natureza dessa nova esfera pública não estatal e o significado das políticas de
parceria que ora apresentam uma inclinação para uma espécie de subordinaçao
político-ideológica, ora para a constituição de espaços democráticos de publi
cização dos conflitos e demandas sociais.
Assumir essas tendências de interpretação da realidade social como
meramente dicotômicas ante o surgimento do terceiro setor sugere umn distan
ciamento da complexidade intrínseca aos fenômenos sociais e uma propensao
a um posicionamento ideológico considerado como mais correto', incorren
do no risco de não se conceber a possibilidade de novos agentes sociais que
atenuem as demandas alarmantes da sociedade (Soares & Marinho-Araujo,
2010). A participação social nas esferas de governo deve ser compreendiaa
como uma atividade nova, cuja legislação precisa ser analisada e aplicada crnu
ONGs Educativas
195
oamente para a delimitação dos objetivos relativos ao papel de todos os setores
da sociedade.
Atualmente, vive-se um proccsso contraditório ímpar na linha das
forcas liberais e sOCaIs, cujas políticas de parceria ora pareccm trazer ganhos à
narte majoritária da populaç�o, por meio das açõcs sociais que visam ao apazi
guamento do quadro de injustiçac exclusão social, ora parecem corroborar a
manutençåo do quadro social de desigualdade (Gohn, 2014, 2017). É neces
sårio quc a sociedade civil csteja atcnta às inúmeras armadilhas de controle
e conservadorismo que se camuflam por intermédio dos mesmos meios que
visam à sua cmancipação, o que, na prática, culmina em obstáculos ao desen
volimento de uma cultura civica (Dagnino, 2011).
A concepção de ONGs defendida neste trabalho entende que essas insti
tuições devem suprimir uma atuação de natureza assistencialista e clientelista,
com pretensões de substituição das falhas do sistema público, por uma atuação
direcionada às origens dos problemas sociais, sobretudo nos últimos tempos,
em que se vivenciam mudanças significativas de manifestações e movimentos
sociais com perfis sociopolíticos e ideológicos diferenciados (Gohn, 2017).
E importante que essas organizações colaborem com a formação de
politicas públicas e sociais que ampliem e confiram qualidade aos serviços
fornecidos diretamente pelo Estado, como aqueles relacionados à educação.
A conjuntura de uma complexa e contraditória história de mudanças das
ONGs e dos mecanismos de democratização do pais, associada ao surgimento
cada vezZ mais amplo de contextos educacionais alternativos do terceiro setor,
lem demandado profissionais comprometidos politicamente com a transforma
ção social pela educação e capacitados para lidar com os desafios contemporå
neos (Guzzo, 2008; Guzzo & Mezzalira, 2011; Marinh0-Araujo, 2009, 2010,
2014a, 2016). As ONGs, como um dos contextos educativos emergentes, s«o
lócus promissores de desenvolvimento humano com os quais o psicologo esco
lar deve estar comprometido (Galvão & Marinho-Araujo, 2017). E importante,
portanto, conhecer esse contexto de potencial atuação em Psicologia Escolar e
as características que orientam suas propostas educacionais.
As ONGs educativas no século XAl: 0 cenáno que se apresenta ao psicólogo escolar
Nas últimas duas décadas, as ONGs têm crescido e se expandido por
lodo o território nacional por meio de Fundações e Associações Sem Fins
196
Lucrativos (FASFIL). De acordo com a última pesquisa divulgada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), em 2010, existiam 2907
um crescimento de 8,8% mil entidades sem fins lucrativos, o que representa
em comparação à pesquisa anterior, que constatou a existência de 267.3 mil
instituições dessa natureza em 2006. Os dados das FASFIL registram predo
minância nas regiões Sudeste (44,2%), Nordeste (22,9%) e Sul (21,5%). São
várias as filiações temáticas e missões com que as ONGS comparecem nesse
cenário. A Figura 1 ilustra o panorama dos tipos de instituições existentes na
primeira década dos anos 2000, de acordo com os dados da pesquisa do IBGE.
90.000
80.000 -
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000 -
0
Desen
neligia itits esenvolvimento e defes
de direitos
Associações
patronais
e
profissionai
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauio
ultura e recriaçã
ASSIstência social
utras institu
Educaç�o e pesqujs
aú
Figura 1. Tipos de Instituições por Temas - IBGE (2006, 2012).
2002
Meio
ambiente
e
proteção
animal
2005
2006
D 2010
Habita
abitaç�o
Áreas como educação, saúde, meio ambiente, defesa de direitos huma
nos, trabalho, tradicionalmente de responsabilidade legítima do Estado, foram
se constituindo alvos de ações não governamentais oriundas da sociedade
civil organizada (Dagnino, 2004, 2005, 2011; Gohn, 2006, 2009, 2010, 2011,
2014, 2017; Montaño, 2010; Souza, 2009). Em 2010, as FASFIL vOltadas a
implementação de políticas governamentais, como saúde, educação e assiS
tência social somavam 18,6% e eram segmentos considerados como grupos
de assistência à população vulnerável, como idosos, crianças, indivíduos com
necessidades especiais e adolescentes em conflito com a lei, com cerca de
30,4 mil instituições classificadas como de assistência social. Muitas delas se
ONGs Educativas
197
oinculavam a propósitos educacionais de natureza não formal e demandavam
nrofissionais da área da Educação Social quando seus projetos eram atrela
dns a práticas cducativas de formação humana (Caro & Guzo, 2004: Gohn.
006. 2009, 2011, 2012; Galvão & Marinho-Araujo, 2017; Soares & Marinho
Araujo, 2010, 2012).
Ainda que o lBGE não tenha divulgado dados mais atuais, a Associação
Brasileira de ONGs (ABONG, 2017) reconhece quce as ONGs cducativas ainda
vÁm crescendo nos últimos anos, apresentando propostas pedagógicas diversifi
cadas, muitas delas aliadas às políticas educacionais inclusivas mais contempo
rìneas como a Educação de Tempo Integral, a Educação no Campo e Educação
de Jovens e Adultos. A despeito dessa diversidade, elas partem da intenção
comum de diminuir as disparidades sociais pela ampliação da formação cultural
dos sujeitos pertencentes às camadas populares (Caro & Guzzo, 2004; Galvão
& Marinho-Araujo, 2017; Gohn, 2006, 2009, 2010, 2011, 2012; Haddad, 2009,
2012; Soares, 2008; Soares & Marinho-Araujo, 2010, 2012; Souza, 2009).
Observa-se que o panorama das entidades sem fins lucrativoS no país,
especialmente a relevância numérica na área da Educação (17.664 institui
ções), conduz a uma reflexão crítica sobre a diversidade e amplitude dos meca
nismos que levam a sociedade civil organizada a ampliar sua participação nas
esteras públicas. Por um lado, verifica-se que a representatividade de insti
uIçoes dessa natureza reflete o avanço legítimo do exercicio da democracia
pela gestão participativa de Estado. As entidades de representação civil têm
Compreendido, cada vez mais, os mecanismos legislativos para o desempe
no de uma atuação cívica de corresponsabilidade coletiva na seguridade dos
ireltos constitucionais (Dagnino, 2005, 2011; Gohn, 2009, 2010, 2011, 2012;
Ladin, 2003, 2005: Medeiros, 2007; Souza, 2009).
Por outro lado, o surgimento das ONGs também reflete um questiona
ento sobre a função e as responsabilidades do Estado: uma vez que este hao
pe nem garante adequadamente os direitos sociais, distribui seu poder
para amenizar o impacto de políticas voltadas para o ajuste econômico quc
aflige as camadas populares (Montaño, 2010).
Não se pode negar que o crescimento das entidades sem fins lucrati-
Vos demonstra a relevância do papel da sociedade civil organizada na politi-
ca de Estado participativa, reflexo da abertura de espaços democráticos para
0 exercício da cidadania. Ao mesmo tempo, também fica evidente uma falsa
Concepção de que 0 aumento dessas organizações civis representaria maior
198
Pollianna Galvãoe Claisy Maria Marinho-Araio
eficácia na consecução das políticas sociais subsidiada por uma subordina-
ção político-ideológica. Concorda-se com Montafio (2010) na análise de o..
a descentralização das açõcs do Estado, por meio do fomento a essas inetit.:
ções, não corresponde neccssariamente ao avanço da democratização brasili
ra. Entende-se, sim, quc a sociedade civil conquistou e consolidou distintos
lócus para a participação de cidad�os organizados e mobilizados por uma coms.
ciência coletiva e um desejo comun de lutar por causas sociais específicas
Contudo, o que interessa ao desenvolvimento social é o fortalecimen.
to de entidades civis autônomas que efetivamente representem as principais
reivindicações em torno de interesses específicos junto com o Estado (e n·o
pelo Estado). Mais do que o crescimento quantitativo, O que se encontra na
atualidade é um panorama desafiador que tem exigido das entidades sem fins
lucrativos uma afirmação sobre sua função e relevância em áreas sociais para
atuar em parceria com o Estado.
Tradicionalmente, a escola é considerada contexto privilegiado e instru
mento basilar da democracia que resguarda essa função política (Marinho
Araujo, 2010, 2014a; Marinho-Araujo & Almeida, 2005). Paralelamente, as
ONGs agregam importante papel a essa missão em duas direções. Primeiramente,
na luta conjunta por uma sociedade onde ainda se encontram desafios na seguri
dade dos direitos sociais básicos relativos ao acesso e qualidade educacionais e,
também, na concretização de propostas socioeducativas capazes de criar esp
ços de reflexão crítica sobre a realidade e promover aprendizagem e desenvol
vimento humano de modo diferenciado da escolarização formal.
Existem aspectos ideológicos, éticos, políticos, culturais, pedagógicos e
outros que imprimem características peculiares à função educativa das ONGs,
que, no entanto, não deve ser confundida nem substituída pela formação da
escola. Essas instituições carregam princípios e valores relacionados aos mov
mentos históricos de luta pelos direitos educacionais das classes populares,
oportunizando, ao longo do tempo, a ampliação de práticas pedagógicas varia-
das em múltiplas linguagens, expressões de cultura e de conhecimento (
Outrossim, elas orientam a concretização de propostas socioeducativas capazes
de criar espaços de reflexão critica sobre a realidade e promover aprendizagem
e desenvolvimento humano de modo diferenciado da escolarização formul.
A dimensão educacional ligada às ONGs é específica e,
igualmente,
adere caracteristicas próprias ao trabalho do psicólogo escolar, 0 que leva à
(Caro &
Guzzo, 2004; Gohn, 2006, 2011, 2012; Soares & Marinho-Araujo, 2010, 201=
ONGs Educativas
necessidade de se compreender melhor esse canpo para ressignificar o perfil
desse profissional quando chamado a atuar nesses espaços alternativos de
educação (Galvão, 2014). E importante ter clareza c criticidade sobre os aspec-
tos históricos e sociais que originam e mobilizam as atividades de cducação
não formal para a redefinição do perfil do psicólogo cscolar tendo cm vista o
exercicio competente da profissâo.
A atual conjuntura da cducação brasileira, que fomenta ações socioedu
ativas civis, tem oportunizado reflexões sobre o compromisso do psicólogo
eseolar com os processos de desenvolvimento nos contextos de educação não
ormal. Apesar de já se constatar a existência de profissionais da Psicologia
nas ONGs educativas (Dadico, 2003; Dadico & Souza, 2010; Soares, 2008;
Galv�o, 2014), não se tem dado a devida atenção à sua formação e atuação,
considerando-se as peculiaridades institucionais das organizações de terceiro
setor (Caro & Guzzo, 2004; Carvalho, 2007; Dadico, 2003; Dadico & Souza,
2010: Dias, 2007; Soares, 2008; Soares, Galvão & Marinho-Araujo, 2012;
Soares & Marinho-Araujo, 2010, 2012), tampouco para propostas de traba
Iho em Psicologia Escolar que vão ao encontro dos propósitos específicos das
ONGs.
199
Diante dos desafios educacionais contemporâneos vinculados aos
contextos das ONGs, entende-se que a Psicologia Escolar possa trazer contri
buições para o desenvolvimento crítico e autônomo dos sujeitos que delas
participam. E necessário que o psicólogo proponha mediações psicológicas
que potencializem a função formativa dessas instituições. Para isso, é impor
lante compreender o perfil do psicólogo escolar brasileiro da perspectiva de
um olhar voltado à história de sua atuação e, paralelamente, de um olhar pros
pectivo sobre os limites e potencialidades do seu exercício profissional na
educação voltada às classes populares.
|Auação em Psicologia Escolar:
Novos horizontes e ampliação dos compromissos sociopolíticos
dido
O percurso histórico da Psicologia Escolar no Brasil, já bastante difun
por estudiosos que se dedicaram à tarefa de delinear o caminho de sua
consolidação como ciência e profissão, vem sofrendo transformações que
vOnirmam uma mudanca de Daradigma de seu saber e de sua prática na contem
200 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arraujo
poraneidade. Esses estudos confirmam uma trajetória complexa no âmbito das
filiações filosóficas, epistemológicas e políticas que fundamentaram diferentes paradigmas teórico-práticos rumo a uma Psicologia Escolar Crítica (A
2008, 2011; Barbosa, 2012; Barbosa & Souza, 2012; Guzzo, 2005, 2008
2011; Guzzo, Costa, & Sant'Anna, 2009; Guzzo et al., 2010; Maluf & Crucee
2008, Marinho-Araujo, 2009, 2010, 2014a, 2016; Marinho-Araujo & Almeida
2005; Massimi & Guedes, 2004; Meira, 2000, 2012; Neto, Guzzo & Moreira
2014; Oliveira & Marinho-Araujo, 2009; Patto, 2005, 2008; Tanamachi, 2000:
Tanamachi & Meira, 2003).
Logo nos primeiros anos da década de 1960, o contexto de regulamen
tação e desenvolvimento da profissão do psicólogo escolar foi marcado por um
momento de intensos movimentos sociais e crise política, em um cenário de
ascensão de regimes de Estado que privilegiaram a ideologia liberal e interesses
de classes elitistas. As relações entre a Psicologia e a Educação foram fortale
cidas nesse período, sobretudo com a ampliação do sistema público educacio
nal, o que culminou no aumento dos serviços de atendimento psicológico aos
alunos. A atuação inicial do psicólogo diretamente na escola vinha se funda
mentando em práticas vinculadas ideologicamente a ações de discriminação,
adaptação, dominação e exclusão educacional, com propostas de trabalho que
pouco colaboraram com a efetiva transformação social pela escola (Antunes,
2008, 2011; Guzzo, 2005; Guzzo et al., 2010; Maluf & Cruces, 2008, Marinho
Araujo, 2010, 2014; Marinho-Araujo & Almeida, 2005; Massimi & Guedes,
2004; Meira, 2012; Patto, 2005, 2008; Souza, 2004, 2010).
Na tentativa de responder às questões da escola daquele periodo, a
Psicologia Escolar aliou-se fortemente ao ideário econômico com base em
teorias e práticas psicológicas que desconsideravam o papel da realidade social
e propunham soluções corretivas para adaptação e ajustamento do aluno, com
base em um modelo clínico e terap�utico de atuação (Dazzani, 2010; Braz
Aquino, Ferreira & Cavalcante, 2016). Fortalecida por teorias naturalizantes
do desenvolvimento e aprendizagem, a Psicologia suscitou uma visão redu
cionista do processo escolar e contribuiu para ocultar as origens politiCaS
econômicas dos problemas sociais em um periodo no qual a educação pública
passou a ser vista como meio democrático legítimo para a
desigualdades sociais.
equalização das
Na conjuntura dos movimentos sociais de diversos segmentos civi5,
na década de 1980 que os grupos científico-profissionais da Psicologia pas
(Antunes,
ONGs Educativas 201
ram a se politizar mais por meio da criação de sindicatos, organizações sociais
e associações de classe, fazendo coro com os demais grupos que se somavam
g0s movinmentos pré-constituintes (Marinho-Araujo, 2010; Yamamoto, 2007).
A Psicologia Escolar passou a realizar uma críticainterna quanto às suas filia
bes epistemológicas e às suas formas tradicionais de atuação. Instaurou-se um
momento importante de reflexões e questionanmentos sobrce a naturcza desse
trabalho que, até então, poUco considerava a influência dos fatores sociais,
politicos e econômicos implicados nos problemas escolares e obstaculizavam
a superação das desigualdades sociais pela escola (Antunes, 2011; Guzzo,
2005, 2008; Marinho-Araujo, 2010, 2014a; Marinho-Araujo & Almeida, 2005;
Souza, 2010).
Desencadearam-se processos de ressignificação da formação e atua
ç§o na área, os quais passaram necessariamente pela apropriação de novos
referenciais teórico-metodológicos (Marinho-Araujo, 2010, 2016). Esse movi
mento de crítica interna que impulsionou a busca por alternativas de atuação
mais eficazes e coerentes com a realidade escolar caminhava lado a lado com
processos sociopolíticos vinculados à democratização do Estado e à luta pelo
enfrentamento e denúncia das injustiças sociais. Diversas transformações na
esfera socioeconÑmica do país surgiram devido aos movimentos de reivin
dicação por condições menos desiguais em âmbitos como educaç�o, saúde e
trabalho. A participação de psicólogos juntamente com outros profissionais
nos movimentos e lutas sociais fortaleceu o período de mudanças nas prou
ções da Psicologia (Marinho-Araujo, 2014a). Nota-se que, na medida em que
O pais passava por transformações políticas e educacionais provindas desses
movimentos, a Psicologia Escolar foi assumindo uma relação diferente com
a sociedade, coadunada a compromissos ideológicos outros que não mais se
alavam com a psicologização dos problemas do cenário educacional (Guzzo
et al., 2010; Marinho-Araujo, 2010, 2014a).
Novos desafios e horizontes delinearam-se para a Psicologia em prol
da superação de uma história de desigualdade e de injustiça que se concretiza,
Sobretudo, na realidade das instituições educacionais destinadas aos segmentos
populares.
Nessa revisão de paradigma de atuação, pesquisa e intervenção, a ênta
se na relevância dos aspectOS históricos e sociais relacionados aos problemas
escolares, as propostas de intervenção voltadas para as ações coletivas com os
atores escolares, as especificidades profissionais que compunham a identidade
202 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Araujo
do psicólogo escolar, entre outras temáticas, continuaram desenhando
importante escopo de pesquisas e estudos após a virada do milênio (Antunes, 2008, 2011; Guzzo, 201l1; Marinho-Araujo, 2007, 2010, 2014a, 2014b, 2016
despeito desse avanço, ainda se reconhece, nos dias atuais, a coexistência tants
de modelos de atuação críticos e inovadores quanto de práticas ainda funda
mentadas em uma visão estigmatizadora e remediativa (Antunes, 2008, 2011.
David, 2015; Feitosa, 2017; Freitas, 2015; Guzzo, 2005, 2008, 2011; Marinho.
Araujo, 2009, 2010, 2014a, 2016; Patto, 2005, 2008; Silva, 2013; Vieira, 2014)
Se, por um lado, existem psicólogos escolares que ainda podem subsi.
diar suas atuações em ideias que reiteram a normatização, a classificacão e
a rotulação dos alunos, como herança da história da Psicologia Escolar. Dor
outro, é expressivo o investimento de profissionais e estudiosos da área na
consolidação de um trabalho sustentado por uma noção histórica, social e rela
cional dos fenômenos educacionais e por concepções de desenvolvimento e
aprendizagem menos deterministas, que dão forma a outras proposições de
atuação, mais institucionais e coletivas (Marinho-Araujo, 2016). A constatação
da existência simultânea de modelos de trabalhos inovadores e tradicionais
em Psicologia Escolar sugere uma necessidade de maior atenção em se anali
sar criticamente o trabalho que se desenvolve nas instituições e de se assumir
um forte compromisso político de transformação das realidades que refletem
cenários de injustiça e desigualdade sociais. Como enfatiza Marinho-Araujo
(2014a) em relação a essa transformação na área
Uma Psicologia Escolar desvinculada da onipotência, de acreditar-se
capaz da compreensão absoluta e da aceitação total que sustentam
práticas equivocadas de 'cuidado' ou 'ajuda' a 'sofredores', para torná
-los 'felizes', 'adaptados' e 'equilibrados'. Uma Psicologia Escolar que,
em contrapartida, comprometa-se com a construção de concepçoes
críticas e dialéticas sobre o homem, seu desenvolvimento, sua subje
tividade, seus processos de aprendizagem e de comunicação (p. l60).
Especialmente nos espaços educacionais yoltados às camadas popula
res da sociedade, o trabalho em Psicologia Escolar deve deslocar-se de ue
atuação acritica para estar mais fortemente comprometido com a
emancipação
humana. E importante que o psicólogo mobilize processos de
conscientiza-
ção entre os atores dessas instituições de modo que conduza a tomadas de
consciência de sie do mundo (Guzzo, 2005). Nas ONGs, pela história de. Sua
origem e coexistência de múltiplas Concepções sobre a sua função
formativa,
ONGs Educativas 203
trabalho assistencialista pode levar a uma compreensão passiva de sujeito
que pertence à classe pobre da população. Tais instituições podem ser lócus
favoráveis à circulação de discursos pautados em uma visão de homem como
vitima inerte das condições de desigualdade social.
Outrossim, a filosofia institucional das ONGs que nasce de valores
humanos de beneficência e cuidado com o próximo pode enfraquecer-se quan
do não garante o fornecimento de um trabalho pedagógico subsidiado por uma
compreensão de homem com potencialidades. Considerando-se esse aspecto,
é necessário que os psicólogos tenham uma visão crítica do contexto e uma
clareza sobre os desdobramentos do seu trabalho nessas instituições para que
este não passe do campo político para o campo da caridade e da assistência
básica.
O sentimento de solidariedade que subsidia atuações dos profissionais
das instituições filantrópicas muitas vezes está alinhado a uma noção de traba
Iho de caridade/piedade para com o próximo. Essa compreensão está centrada
em grande parte nos pressupostos constituintes de uma sociedade passiva,
que cede lugar à construção de uma categoria social de vítimas, consequência
de um sistema que se construiu em torno dela e não de uma atuação que favore
ça processos emancipatórios e de transformação de realidades injustas (Duarte,
2008; Galvão & Marinho-Araujo, 2017). O que se defende para a atuação do
psicólogo escolar nesses espaços, à luz das transformações paradigmáticas
decorridas do movimento de revisão crítica da área, parte de uma noção do
homem como um ser social.O lócus privilegiado da intervenção do psicólo
g0 escolar deve, portanto, voltar-se às relações e interações atravessadas por
CSSa cultura que se estabelecem no dia a dia da instituição e cujos significados
podem ser redimensionados por intervenções estratégicas do psicólogo esco
lar pautadas na mobilização dos discursos circulados pela linguagem entre os
homens (Marinho-Araujo, 20l6)
Ao defenderem uma proposta de atuação relacional e institucional do
psicólogo nos espaços revestidos da função educativa, Marinho-Araujo (2010,
2014a) e Marinho-Araujo e Almeida (2005) partem da concepção de que os
fenômenos escolares não são um conjunto de elementos particulares e isola-
dos, p pois estão sempre atrelados a uma rede de relações da qual as causas indi-
uais derivam em meio à circulação de significados e sentidos culturalmente
vOnstituídos. Para intervir nesse complexo processo intersubjetivo, com base
Sn uma perspectiva preventiva, a atuação psicológica deve estar ancorada em
204 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauio
uma vis�ão de homem e sociedade dialeticamente constituidos em suas ral
ções históricas e sociais, de maneira que os significados tradicionais possam
ser alterados na direção da concepção de desenvolvimento educacional alue eo
deseja assumir nas instituições de formação humana.
Complementarmente, Carvalho(2008) reitera que a participação do
psicólogo como membro da equipe escolar deve demarcar uma concepcão �e
atuação colaborativa, preventiva e relacional. Ao enfatizar a dimensão relacio.
nal da intervenção psicológica, esse autor afirma que o psicólogo deve mobili.
zar a sua atuação de forma integrada aos demais agentes educacionais de modo
colaborativo, pois mobilizando os seus saberes e as suas competências, contribui para
um objetivo central da Educação: o sucesso escolar, a formação de cidadãos (p. 121).
Nessa direção, defende-se que o compromisso que o psicólogo escolar
pode e deve assumir nas ONGs educacionais, com base na perspectiva institu
cional e relacional, deve privilegiar a criação de espaços de interlocução com
os atores da instituição educandos, educadores, coordenadores, diretores,
funcionários entre outros - com foco nos aspectos objetivos e subjetivos do
processo de apropriação do conhecimento e de desenvolvimento, em um espa
ço no qual a mobilização de ações pedagógicas é diferente daquela que ocorre
na escola.
O compartilhamento de sentimentos, desejos, percepções, valores,
expectativas no que se refere às ações dos sujeitos pode provocar a lucidez
nas práticas, nos elementos subjacentes e nos propósitos educacionais que se
deseja alcançar. Propiciar ocasiões interativas entre os sujeitos direciona a
circulação de sentidos, o que, potencialmente, pode redirecionar as concep
ções e comportamentos para implenmentar uma cultura de sucesso escolar,
com base na tomada de consciência (Carvalho, 2008: Marinho-Araujo &
Almeida, 2005).
Nessa direção, a mediação psicológica torna-se meio favorável aos
processos de conscientização em contextos educacionais para provocar mudan
ças no cotidiano escolar. De acordo com Marinho-Araujo (2014a, 2010),
mediação supõe-se fonte de oxigenação dos discursos que fundamentam as
concepções de desenvolvimento e aprendizagem nos espaços educacionai
Por meio da mediação psicológica, devem-se reconhecer e enfrentar as
lutas sociais que atravessam as instituições e provocar o desvelament0 da la
'igualdade de oportunidades' que camufla a desigualdade social, assumindo-
-se finalidades pedagógicas que preparem para a cooperação e O ensino de
ONGs Educativas 205
um saber téécnico e científico de alto nível, que seja capaz de transformar as
relações sociais (Marinho-Araujo, 2014a).
Com fundamento nessas breves reflexões pela defesa de uma atuação
instituições educacionais, conclui-se que as diretrizes atuais que crítica nas
orientam as práticas em Psicologia Escolar já se distanciam dos modelos tradi
oionais, gue sustentaram, por bastante tempo, uma postura adaptativa e correti
va dos problemas escolares. Em outra direção, que responde melhor à comple
widade inerente aos fenômenos educacionais, os modelos de trabalhos mais
oontemporâneos estão subsidiados por parâmetros de sucesso escolar como
contraponto à cultura de fracasso (Oliveira & Marinho-Araujo, 2009).
Ainda que se admita a possibilidade da existência de concepções adap
tacionistas de desenvolvimento humano nas ONGs, acredita-se que esses espa
ços ainda que repletos de contradições, que ora avançam, ora retrocedem no
exercício da democracia concentram inúmeras possibilidades de construção
de ações coletivas para a transformação da realidade pela formação humana
critica e emancipatória. O que se defende é que a atuação dos psicólogos esco
lares nas ONGs possa corroborar um papel político importante na ampliação
da democracia e dos direitos sociais, colocando os sujeitos 'marginalizados
no centro de sua atuação, como protagonistas dessas mudanças. A função da
educação não formal emancipatória, nesse sentido, deve fundamentar-se em
uma compreensão de sujeito ativo (capaz de exercer influência em seu próprio
desenvolvimento), histórico (com lucidez sobre o seu papel e relevância no
processo de mudanças) e políitico (orientado por concepções ideológicas claras
em seus objetivos sociais e desdobramentos, em favor da construção de uma
ética social solidária).
Na atualidade, a Psicologia Escolar é convidada a assumir os espaços
vOntemporâneos da educação comn clarezae criticidade sobre o sistema educa
Clonal em suas diversificadas e complexas dimensões, que se modificam ao
longo da história.O desafio que se coloca, há tempos, ao psicólogo escolar
dsileiro, e que se renova na contemporaneidade, é 0 seu compromisso com
a ransformação social nos diferentes espaços educacionais e diante das novas
demandas sociopolíticas (Marinho-Araujo, 2010, 2014a, 2016).
Com base no entendimento de que as ONGs realizam um trabalho que
avoreceo desenvolvimento da cidadania e da emancipação social, por meio
a diversidade de atividades culturais e múltiplas linguagens de mediação
da aprendizagem, qual poderia ser uma proposta de atuação em Psicologia
206 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauia
Escolar que se compromete com a transtormação social e a potencializa? De
que forma o psicólogo escolar pode trabalhar no contexto das ONGs, em meio
a práticas que podem ora vitimizar sujeitos advindos das camadas populares
ora favorecer o desenvolvimento crítico dos educandos e seus atores? É o gue
se abordará, a seguir.
Psieologia Escolar em ONGs: uma proposta para atuação
Na tarefa de delinear uma proposta de atuação para os psicólogos esco
lares em ONGs, em meio às reflexões provocadas ao longo deste capítulo.
algumas defesas preliminares são importantes.
Primeiramente, o psicólogo escolar, ao assumir esse emergente campo
de trabalho, deve ter clareza e consciência crítica dos espaços educacionais
alternativos que surgem em meio ao complexo sistema educacional, uma vez
que a constituição das ONGs educativas vem se aliando a distintos propósitos
ideológicos que, em diferentes momentos históricos, exerceram papéis políti
cos diferentes em relação à conquista dos direitos sociais.
Esse profissional deve, portanto, ser capaz de contextualizar sua ação
à história de injustiças sociais que justificam a existência das ONGs no país
e que dão abertura a um novo campo de atuação em Psicologia Escolar. Essa
visão crítica do contexto e a clareza sobre os desdobramentos do trabalho
nessas instituições podem evitar uma atuação que se desloque do campo poli
tico para o da caridade e da assistência básica.
Em segundo lugar, a defesa aqui apresentada é a de que o psicólogo
escolar deve fazer uma constante análise crítica sobre si no que diz respeito ao
seu perfil profissional, que deve ser contextualizado na história da interven
ção e pesquisa em Psicologia Escolar Critica e na ampliação de sua prática a
contextos educativos contemporâneos (Galvão, 2014). Trata-se de um compro
misso com o desenvolvimento de um trabalho de qualidade, cujos contornos
devem ser ressignificados e ampliados tanto pela atualização na área como
pelo acompanhamento das características históricas inerentes à grande diversi
dade de concepções de ONGs existentes.
Especialmente em relação às instituições beneficentes, reitera-se que a
atuação fundamentada apenas na ordem da caridade e da filantropia, embora
importantes aspectos de valores humanos, n�o sustenta uma prática técnica,
sistemática, consistente e intencional de projetos socioeducativos emancipa
ONGs Educativas
tórios especificos às ONGs (Galvão & Marinho-Araujo, 2017; Dias, 2007; Soares & Marinho-Araujo, 2010).
207
Por entender que as ONGS são contextos cducativos que concentram nssibilidades de transformação da sociedade, materializadas nas atividades nedagógicas e institucionais cotidianas, o psicólogo escolar deve agir nesses senac08 mobilizando, nos seus atores, uma visão crítica sobre os avanços e retrocessos histórico-políticos desse tipo de instituição.
A proposta de atuação a ser delineada a seguir defende algumas linhas de intervenção para o desenvolvimento de um trabalho em redes de integração
com os setores SOciais, Compreendendoa ONG como um espaço comunitário
assim como a escola, família e outras instituições sociais.
As atividades sugeridas estão ancoradas em três grandes dimensões que
são coerentes com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n° 9.394/96),
bem como com os Parmetros Curriculares Nacionais (Ministério da Educação,
1997) marcos legislativos que preveem a participação das instituições da
sociedade civil no atendimento educacional -e foram adaptadas de Marinho
Araujo (2014): (1) assessoria à gest�o institucional; (2) acompanhamento e
apoio ao trabalho coletivo dos educadores sociais e (3) acompanhamento ao
Com esse entendimento, sugere-se, a seguir, um conjunto de ações do
psicólogo escolar para cada uma das dimensões, como propostas que poSsam
fundamentar o trabalho desse profissional no cotidiano da ONG.
Dimensão 1: assessoria à gestão institucional
Assessoria ao gestor na construção de documentos concernen
tes à política institucional da ONG, como a proposta pedagógico
-institucional de educação não formal ou outros, que estejam em
sintonia com as reais demandas da comunidade local.
Plancjamento de reuniões para a discussãoe análise dos documentos
orientadores da ONG pelos gestores e educadores sociais, de modo
que os significados que compõem as suas diretrizes reflitam as
necessidades do cotidiano institucional em sua diversidade de sujei
tos e pluralidade de leituras e sentidos sobre a função e compromis
So da ONG.
Planejamento de ações de capacitação e formação continuada em
serviço que envolvamo nivelamento do saber científico da educação
processo socioeducativo dos educandos.
208
não formal, a leitura crítica do papel das instituições de terceiro setor
na atual conjuntura política e os processos emancipatórios de desen-
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauio
volvimento individual e social que podem ser ampliados pela ONG
Assessoria aos gestorcs c/ou coordenadores pedagógicos 1 para forta-
lecimento de uma postura política quc permita analisar criticamen
te a realidade social favorcccdora da vivência na comunidade savs
necessariamente aceitar o seu status quo, e prover ações na comuni.
dade buscando romper preconceitos, discursos discriminatórios indi
viduais ou sociais presentes nas intersubjetividades da instituição.
Apoio ao planejamento de ações que visem à busca por parceiros
governamentais e empresariais, em uma perspectiva que vá além do
fomento às atividades da ONG e contemple ações que incentivem
a aproximação entre os agentes financiadores e os educadores, os
educandos, as famílias, as escolas e a comunidade.
Acompanhamento do processo de implementação das políticas insti
tucionais de forma crítica, à luz da sua história, identificando pontos
fortes a serem alvo de ações voltadas para a transformação da reali
dade local e que busquem superar os obstáculos para o processo de
mudanças por meio de ações coletivas.
Dimensão 2: acompanhamento do trabalho coletivo dos educadores
Sociais
Elaboração de reuniões, oficinas, estudos de caso e outros espaços
de interlocução que deem novos significadose sentidos ao trabalho
pedagógico realizado com os educandos, família, escola e comuni
dade, incentivando o compartilhamento de ações exitosas pautadas
em sentimentos de militância e encorajamento para a superação de
desafios.
Criação de espaços de escuta psicológica ao educador, em momen
tos individuais e/ou coletivos, provocando a tomada de conscien
cia sobre o potencial de reinvenção das práticas educativas, bem
como a ressignificação do olhar sobre o processo de ensino para os
educandos.
Incentivo ao uso da criatividade e imaginação Como características
psicológicas favoráveis à atuação dos educadores para a aplicação
de recursos e metodologias pedagógicas que explorem as diferen-
ONGs Educativas 209
tes possibilidades do aprender, ampliando e continuamente dando
outros significados à sua prática.
. Elaboração de offcinas que visem, cspccificamente, potencializar
a intencionalidade, a atuaç«o conscicnte para determinados fins de
desenvolvimento humano, com foco no planejamento para a reali
zacão das atividades educativas, de forma que as ações de sucesso
deixem de ser pontuais para se tornarem resultados dos objetivos do
trabalho previamente traçados.
Acompanlhamento e incentivo aos momentos coletivos de estudos
teóricos articulados aos estudos de caso derivados do dia a dia insti
tucional, tendo em vista desenvolver empoderamento do educador
em situações específicas de superação dos problemas.
Elaboração de propostas de formação dos educadores sociais,
com base no conhecimento da Psicologia, visando ressignificar as
concepções que se têm do educando pertencente à classe popular,
em prol da construção de uma noção de sujeito histórico e protago
nista de sua formação.
" Incentivo à articulação dos saberes da práica docente do educador
Social com seu conhecimento sobre a realidade comunitária dos
educandos e os conhecimentos técnicos, teóricos e metodológicos
da Educação, de modo que se possa auxiliar a resolução de tarefas e
de situações-problema em sala de aula e na intervenção pedagógica
na família e na comunidade.
Realização de ações e projetos subsidiados em uma visão integradora
do contexto, considerando a relação entre ONG, escola e comunida
de, distinguindo criticamente papéis, responsabilidades e atribuições
institucionais de cada setor (escola, por exemplo) para o planejamento
da intervenção profissional, no âmbito individuale coletivo, e obje
tivando articulações em redes de parcerias com órg�os municipais,
estaduaise federais, como CRAS, CREAS, Conselho Tutelar, IES ete.
Dimens�o 3: acompanhamento do processo socioeducativo dos
educandos
Incentivo a projetos pedagógicos favorecedores das interações e
relações sociais no desenvolvimento dos educandos em situações
problema comumente enfrentadas na comunidade e na instituição.
210 Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Araujo
Criação de espaços de interlocução individual e coletiva para cons
cientizar sobre a função dos educandos e educadores sociais, com
base na comprcensão de que a mediação pedagógica leva à amplia
ção qualitativa da formação dos processos psicológicos dos educan
dos por intermédio das atividades pedagógicas.
Estímulo à elaboração criativa de projetos socioeducativos integra
dos às múltiplas linguagens de apreensão do conhecimento humano
objetivando a promoção de uma cultura cívica entre os educandos,
fortalecendo assim a construção de processos psicológicos que favo
reçam uma leitura crítica da realidade.
Implementação de projetos em Psicologia Escolar para atua
ção com os educandos que visem à ampliação de uma cultura
de sucesso em supressão da perspectiva de fracasso escolar, com
base nos conhecimentos da Psicologia do Desenvolvimento e da
Aprendizagem e suas implicações educacionais específicas às
ONGs de educação.
Acompanhamento da rotina dos educandos na consecução das ofici
nas mediadas pelos educadores (artes, música, dança etc.) e nos
inúmeros espaços que se constroem no dia a dia institucional, a fim
mobilizar continuamente a ressignificação dos fenômenos da educa
ção social.
Incentivo ao protagonismo dos estudantes na elaboração de projetos
discentes filiados às atividades pedagógicas das ONGs, incitando
características de liderança, competências pessoais e interpessoais,
ética e solidariedade com o seu grupo comunitário e espírito cívico
para a transformação da realidade local.
|Considerações finais
A proposta para a atuação em Psicologia Escolar em ONGs educativas
apresentada neste capítulo não é estanque, tampouco esgota as diversas posSl
bilidades de serviços a serem mobilizados nesse contexto. Deve ser, sim, alv0
de contínuo exercício reflexivo ao qual novas proposições podem se somal,
ampliando-a e revisando-a criticamente, seja com base na consecução de estu
dos e pesquisas, seja experiência da práticaprofissional.
ONGs Educativas
211
Diante do aumento das ONGs educativas no país, em que o trabalho do psicólogo escolar tem sido chamado a colaborar com a formação humana,
esta proposta é um convite para a expansão da dimensão política da atuação em Psicologia Escolar aos espaços voltados para as camadas populares da sociedade.
É importante que esses profssionais ocupem as ONGs educacionais com clareza
a eriticidade acerca das contradições que os constituem, certos dos pressupostos
ideológicos que norteiam a sua atividade política e inspirados em orientações
teórico-metodológicas contemporâneas para a consecução do seu trabalho.
A pouca literatura de Psicologia Escolar dedicada às possíveis contri
buições da área às instituições de educação não formal pode dificultar uma
atuação segura do psicólogo escolar, em detrimento de um trabalho crítico
e emancipatório em espaços de luta contra a exclusão social como esses. As
ONGs educativas, que sofreram profundas mudanças em sua trajetória, hoje
detêm uma missão política e um compromisso social voltados ao desenvolvi
mento humano por meio da educação não formal, com ênfase na ampliação (e
não substituição) da função da escola na formação do homem.
Esses são aspectos que se aproximam dos propósitos éticos e sociais
do psicólogo escolar na medida em que as atividades desenvolvidas podem
potencializar a consciência, a criticidade e a emancipação de sujeitos menos
favorecidos socioeconomicamente.
Para isso, esses profissionais devem estar seguros e conscientes das
cOmpetências específicas que compõem o seu perfill e subsidiam seus papéis,
Tesponsabilidadese funções no trabalho em ONGs. E necessário que o profis
OIOnal seja capaz de contextualizar a sua atuação na conjuntura da história
de injustiças sociais que justificam a existência das ONGs no país e que dão
abertura a esse novo campo de atuação en Psicologia Escolar.
lal contexto emergente requer o desenvolvimento de um trabalho que
co Se desloque do campo político para o da caridade e da assistência básica.
Para tanto, o psicólogo escolar deve mobilizar ações e atividades que provo-
14Gn uma mudança das noções de aprendizagem, desenvolvimento e ensino
T Cngessam a concretização de uma educação social com potencial transfor
mador. bem como celebrar um forte compromisso com sua formação conti-
respeito å atualização do seu perfil profissional e ao trabalho desenvolvido no
Curso da história de expansão da atuação em Psicologia Escolar para os contex-
tos educativos contemporâneos.
ada, a fim de realizar de uma constante análise crítica sobre si, no que diz
212
Referências
Pollianna Galvão e Claisy Maria Marinho-Arauio
Antunes, M. A. M. (2008). Psicologia escolar e educacional: História, compromisso e
perspectivas. Revista Psicologia Escolar e Educacional, 12 (2), 469-475.
Antunes, M. A. M. (2011). Psicologia e educação no Brasil: Uma análise histórica. In
R.G. Azzi & M. H. T. Gianfaldoni (Eds.), Psicologia e educação (pp. 9-32). São Paulo:
Casa do Psicólogo.
Barbosa, D. R. (2012). Contribuições para a construção da historiografia da psicologia
educacional e escolar no Brasil. Psicologia: Ciência e Profissão, 32 (número especial),
104-123.
Barbosa, D. R. & Souza, M. P. R. (2012). Psicologia educacional ou escolar? Eis a
questão. Revista Psicologia Escolar e Educacional, 16 (1), 163-173.
Braz-Aquino, F. S., Ferreira, I. R. L. & Cavalcante, L. S. (2016). Concepções e práticas
de psicólogos escolares e docentes acerca da inclusão escolar. Psicologia: Ciência e
Profissão, 36 (2), 255-266.
Calegare, M. G. A. (2005). A transformação social no discursO de uma organização
de terceiro setor (Dissertação de mestrado não publicada). Universidade de São Paulo.
São Paulo.
Calegare, M. G. A. & Silva Júnior, N. (2009). A �construção do terceiro setor no
Brasil: Da questão social à organizacional. Psicologia Politica, 9 (17), 129-148.
Caro, S. M. P. & Guzzo, R. S. L. (2004). Educação social e psicologia. Campinas: Alínea.
Carvalho, T. 0. (2007). Atuação en psicologia escolar: 0 desenvolvimento de
competências para a mediação da escolha profissional em São Luis-MA (Dissertação
de mestrado não publicada). Universidade de Brasília, Brasília.
Carvalho, R. G. G. (2008). A dimensão relacional da intervenção dos serviços de
Psicologia nas escolas. Psicologia: Reflexão e Critica, 21 (1), 119-124.
Dadico, L. (2003). Atuação do psicólogo em organizações não governamentais na área
da educação (Dissertação de mestrado não publicada). Universidade de São Paulo, São
Paulo.
Dadico, L. & Souza, M. P. R. (2010). Atuaç�o do psicólogo em organizações não
governamentais na área da educação. Psicologia, Ciênciae Profissão, 30 (1), 114-131.
Dagnino, E. (2004). Construção democrática, neoliberalismo e participação: Os dilemas
da confluência perversa. Política & Sociedade, 1 (5), 137-161.
Dagnino, E. (2005). Políticas culturais, democracia e o projeto neoliberal. Revista Rio
de Janeiro, 15, 45-65.
Dagnino, E. (2011). Citizenship: A perverse confluence. In A. Cornwall (Ed.), The
participation reader (pp. 418-427). Londres: ZED Books.
David, M. M. (2015). Psicologia escolar no IFETs (Dissertação de mestrado não
publicada). Universidade de Brasilia, Brasília.
Dazzani, M. V. M. (2010). A psicologia escolar e a educação inclusiva: Uma leitura
crítica. Psicologia, Ciência e Profissão, 30 (2), 362-375.
Dias, C. S. (2007). Educação não formal e emancipação humana sob o olhar aa
psicologia (Dissertação de mestrado não publicada). Pontificia Universidade Católica
de Campinas, Campinas.
ONGs Educativas
Duarte, P. (2008). Cidadania ou vitimização? Mobilização politica e militantismo público: questões preliminares. Trabalho apresentado no V Congresso Português de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.
Farias, M. S S. & Dimenstein, M. (2008). Práticas e discursos de usuáios de uma ONG/ DS sobre ativismo. Psicologia & Sociedade, 20 (2), 247-256.
213
Caitosa. L. R. C. (2017). Psicologia escolar no contexto do Instituto Federal de Ensino. CiÛncia e Tecnologia (Tese de doutorado não publicada). Universidade de Brasilia,
Brasilia.
Ceeitas. R. A. D. (2015). Formação continuada em psicologia escolar: Politica pública
nO DF (Dissertação de mestrado não publicada). Universidade de Brasília, Brasilia.
Galv�o, P. (2014). Psicologia escolar em organização não governamental: Um estudo
sobre o perfil profissional (Tese de doutorado não publicada). Universidade de Brasilia,
Brasilia.
Galvão, P. & Marinho-Araujo, C. M. (2017). Psicologia escolar em ONGs: Desafios
profissionais e perspectivas contemporâneas de atuação. Revista Psicologia Escolar e
Educacional, 21 (3), 467-476.
Gohn, M. G. (2006). Educação não-formal, participação da sociedade civil e estruturas
colegiadas nas escolas. Ensaio, 14 (50), 27-38.
Gohn, M. G. (2009). Educação não-formal, educador(a) social e projetos sociais de
inclusão social. Meta: Avaliação, 1 (1), 28-43.
Gohn, M. G. (2010). Movimentos sociais e redes de mobilizações civis no Brasil
contemporâneo. Petrópolis: Vozes.
Gohn, M. G. (201l). Educação não formal e cultura politica: Impactos sobre o
associativismo do terceiro setor (5ª ed.). São Paulo: Cortez.
Gohn, M. G. (2012). Movimnentos sociais e educação. São Paulo: Cortez.
Gohn, M. G. (2014). Sociologia dos movimentos sociais. São Paulo: Cortez.
Gohn, M. G. (2017). Manifestações e protestos no Brasil. Correntes e contracorrentes
na atualidade. São Paulo: Cortez.
GUZzo, R. (2005). Escola amordaçada: Compromisso do psicólogo com este contexto.
In A. M. Martinez (Ed.), Psicologia escolar e compromisso social: Novos discursos,
Rovas práticas (pp. 17-29). São Paulo: Alínea.
OUzzo, R. S. L. (2008). Psicologia em instituições escolares e educativas. In Conselho
rederal de Psicologia. Ano da psicologia na educação textos geradores. Brasília: CFP.
JUZzo, R. L, S. (2011). Desafios cotidianos