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1 
 
 
FONOAUDIOLOGIA ASPECTOS CONCEITUAIS 
1 
 
 
Sumário 
 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................... 2 
2. FONOAUDIOLOGIA ........................................................................... 6 
2.1 Fonoaudiologia no Brasil ......................................................... 7 
3. PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA ...................................................... 15 
4. A INSERÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA 
FAMÍLIA ........................................................................................... 22 
4.1 Uma experiência de organização da fonoaudiologia atuando em 
equipe multiprofissional na estratégia saúde da família .............. 24 
5. PROFISSÃOE FONOAUDIOLOGIA ................................................. 33 
6. REFERÊNCIAS ................................................................................ 37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
A ampla atuação do fonoaudiólogo na educação está sendo consolidada, 
gradativamente. Para que essa ação possa se firmar e abrir novos espaços, além 
de uma formação diferenciada, faz-se necessária, primordialmente, uma visão 
que ultrapasse abordagens com foco na detecção e intervenção clínica 
remediadora de problemas já existentes, como se a população escolar fosse um 
conjunto de potenciais “pacientes”. Para refletir sobre o fazer do fonoaudiólogo 
na educação, deve-se ter em mente que um dos pontos historicamente fracos 
de nossa educação, desde as etapas mais iniciais, está ligado às grandes 
dificuldades encontradas para desenvolver habilidades comunicativas orais e, 
acima de tudo, em linguagem escrita. Sem dominar tais competências, 
dificilmente, como visto ao longo de muitos anos, a população estudantil chega 
a ter um bom desempenho acadêmico, o que tem acarretado enormes prejuízos 
em termos de inserção social e equilíbrio emocional. 
Cabe ressaltar o objeto central da Fonoaudiologia é o de promover, de 
forma otimizada, o desenvolvimento da linguagem oral e da linguagem escrita. 
Seguindo esse princípio, o fonoaudiólogo, em sua ação educacional, deve ter, 
como prioridade, os principais problemas enfrentados pela educação, com 
especial atenção para a grande limitação em garantir uma alfabetização e um 
letramento capaz de garantir um domínio funcional da linguagem escrita, ou seja, 
certas competências fundamentais em leitura e escrita. O estudante tem uma 
dificuldade não justificável para ler e compreender, assim como para se 
expressar claramente através da escrita. O que é mais agravante é o fato de que 
tal dificuldade não está restrita àqueles alunos que apresentam problemas de 
aprendizagem em virtude de algum tipo de déficit funcional, como é o caso dos 
transtornos de aprendizagem, ou que estão participando de programas de 
inclusão ou de educação especial. 
Considerando a gravidade dessa situação e a urgência de se buscar 
respostas que possam modificar tal realidade, as considerações abordadas têm 
por objetivo levar uma reflexão sobre o fonoaudiólogo que possam contribuir 
para que sua ação possa ser cada vez mais efetiva na esfera educacional. Para 
tanto, em primeiro lugar, serão discutidos temas ligados ao fracasso escolar, às 
4 
 
 
etapas iniciais do ensino da leitura e da escrita, como é o caso da diferenciação 
entre letramento e alfabetização, assim como do papel dos chamados “métodos” 
de ensino na história de uma dificuldade para ensinar que remonta de longa data. 
Em um segundo momento, estaremos abordando questões ligadas à inclusão, 
mais especificamente os entraves à verdadeira inclusão de uma parcela da 
população de estudantes que apresenta, de acordo com a terminologia do 
próprio Ministério da Educação, os chamados “transtornos funcionais da 
aprendizagem”, como, por exemplo, a dislexia e a discalculia. 
Na década de 90, o advento da formação continuada nas áreas de 
linguagem, audição, voz e motricidade orofacial propiciou a inclusão do 
fonoaudiólogo em diferentes setores da saúde. Tal contexto gerou novos 
desafios acadêmicos, científicos e profissionais que demandaram significativas 
revisões da prática clínica fonoaudiológica. Atualmente, é possível encontrar o 
fonoaudiólogo atuando em vários contextos profissionais, a saber: hospitais, 
escolas, creches, clínicas, empresas, unidades básicas de saúde, meios de 
comunicação e atividades artísticas (teatro, cinema, canto). Em cada uma 
dessas instâncias, diferentes métodos e técnicas de intervenção vêm sendo 
desenvolvidos e aprimorados quanto a procedimentos de avaliação, diagnóstico, 
terapia e assessoria. Porém, muitas vezes essas práticas não dialogam e/ou não 
são analisadas numa abordagem que permita a compreensão/valorização das 
possibilidades de participação do fonoaudiólogo na inserção social e profissional 
de seus clientes. 
Nessa direção, ressalta-se que a linguagem falada e escrita desempenha 
papel fundamental em termos afetivo, social e ocupacional do indivíduo. 
Prejuízos nesse âmbito podem influenciar a inserção social e o desempenho 
profissional do indivíduo, seja pela dificuldade de compreensão ou de expressão. 
Crianças e adultos com dificuldades de comunicação podem sofrer pela 
exclusão do convívio social e restrições na interação familiar. Em estudo que 
teve por objetivo desenvolver um programa de orientação fonoaudiológica com 
familiares de 12 adultos afásicos, verificou-se que as dificuldades nas 
habilidades comunicativas dos pacientes influenciaram diretamente as relações 
familiares e sociais de maneira ampla. Além disso, ficou clara a dificuldade dos 
5 
 
 
familiares quanto à utilização de estratégias para facilitar a comunicação com 
esses sujeitos. 
Portanto, essas questões, além de resultar em perda de autonomia para o 
paciente, trazem problemas de discriminação social e dificultam a sua inserção 
social. Assim, a entrada e participação do sujeito no meio profissional, segundo 
Rocha-de-Oliveira e Piccinini (2012), não podem ser reduzidas a mecanismos 
econômicos. A inserção profissional deve ser entendida como um processo 
histórico e socialmente inscrito e, nessa perspectiva, a comunicação é fator 
essencial para o desempenho do sujeito nesse processo. Em pesquisa realizada 
com 30 sujeitos surdos, por meio de entrevista semi-estruturada, verificou -se 
que a deficiência na comunicação é a maior dificuldade enfrentada por eles. Tal 
fato é observado especialmente no meio profissional, resistente à aceitação 
social do sujeito no mercado de trabalho. Outro exemplo da influência das 
dificuldades de comunicação no meio ocupacional são os profissionais da voz, 
especialmente oplenamente as 
condições anteriormente apresentadas. Assim fazendo, a Fonoaudiologia estará 
marcando o seu espaço entre asciências edefinindo asações que o profissional 
da áreaestácapacitado a desenvolver, visando a atender à sociedade e seus 
integrantes de forma objetiva, clara e consistente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
 
6. REFERÊNCIAS 
 
BERBERIAN, A. P. Fonoaudiologia e educação: um encontro histórico. São 
Paulo: Plexus, 1995. 
COELHO, Ideo Moreira. Ensino de Graduação e Currículo. Texto apresentado 
no Encontro de Trabalho sobre Currículo. Campinas: PUCCAMP (mimeo), 1991. 
CO~LHO, Ideo Moreira. Graduação: rumos e perspectivas.Revista Avaliação-
Redede Avaliação Institucional da Educação Superior- RAIES. 3(3),1998. 
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir – relatório para a Unesco da 
Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. São Paulo: Cortez, 
2000. 
GIERRE, R. N. A natureza da ciência: uma perspectiva iluminista pós-moderna. 
Colóquio Ciências, Lisboa, n. 6, set./dez., 1989. 
HODSON, D. Filosofia da ciencia y educatión científica. In: PORLÁN, R.; 
GARCIA, J.; CAÑAL (Org.). Constructivismo y ensenanza de lãs ciencias. 
Sevilha: Diada, 1988. p. 5-21. 
JAQUES, D. Educação: um tesouro a descobrir. Brasília: Cortez, 2000. 
MOIGNE, J. L. O construtivismo dos fundamentos. Lisboa: Instituto Piaget, 
1994. MORIN, E. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996. 
PAIXÃO, M. F. C. S. Os desafios da reforma curricular e a formação de 
ciências da natureza do 1º ciclo do ensino básico. 1993. 378f. Dissertação 
(Mestrado) – Universidade de Aveiro, Aveiro, 1993. 
SCAVAZZA, B. L. Um dia da caça, outro... In: FERREIRA, L. P. (Org.). O 
fonoaudiólogo e a escola. São Paulo: Summus, 1991. p. 119-30. 
SEBASTIÃO, L. T. Educação infantil e Fonoaudiologia: ouvindo e falando 
sobre a audição. 2001. 294 f. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de 
Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, Marília, 2001. 
38 
 
 
SMOLKA, A. L. B. A criança na fase inicial da escrita: alfabetização como 
processo discursivo. 6. ed. São Paulo: Cortez; Campinas: Editora da Unicamp, 
1993.professor, que é aquele que frequentemente procura o 
fonoaudiólogo para resolver os problemas de voz e que representa uma 
categoria de risco para esses distúrbios. 
A relevância do tema começa a ter reflexos nas políticas públicas, com a 
tramitação no Ministério da Saúde do documento “Distúrbio de Voz Relacionado 
ao Trabalho”, entendida como qualquer alteração vocal diretamente relacionada 
ao uso da voz durante a atividade profissional que diminua, comprometa ou 
impeça a atuação do trabalhador. Em síntese, a atuação fonoaudiológica 
abrange também processos que visam minimizar os efeitos das dificuldades de 
comunicação, na medida em que o profissional seja capaz de incorporar em sua 
prática as implicações psicossociais desses distúrbios e delinear a sua 
intervenção com o intuito de favorecer a inserção social e profissional de seus 
pacientes. Feitas essas considerações, o objetivo desta pesquisa foi investigar 
a percepção dos fonoaudiólogos sobre como sua atuação afeta a integração 
social e profissional de seus clientes. 
 
 
6 
 
 
2. FONOAUDIOLOGIA 
 
A Fonoaudiologia ou Terapia da fala e Audiologia, antes 
denominada logopedia é a ciência que tem como objeto de estudo as funções 
biológicas e comportamentais envolvidas na comunicação humana. Essas 
funções incluem funções neurovegetativas (mastigação, deglutição e aspectos 
funcionais da respiração) e neurológicas, no que se refere ao seu 
desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos 
aspectos envolvidos nas funções auditiva periférica e central, na função 
vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, 
na voz, nas funções estomatognáticas, orofaciais e na deglutição.” 
O fonoaudiólogo é um profissional da saúde e atua nas funções de 
pesquisa, orientação, perícias, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento 
fonoaudiólogo na área da comunicação oral e escrita, voz, audição e equilíbrio, 
sistema nervoso e sistema estomatognático incluindo a região cérvicofacial. Este 
profissional tem ampla autonomia, não sendo subordinado ou mero auxiliar de 
outras áreas do conhecimento ou especialidades, pode atuar sozinho ou em 
conjunto com outros profissionais de saúde em clínicas, hospitais, centros 
especializados em diagnósticos, institutos gerais de perícia, centros de 
referência em saúde do trabalhador, como auxiliar do poder judiciário no âmbito 
das perícias judiciais que envolvem a área da audição, fala e linguagem, 
equilíbrio e demais áreas correlatas, nas esferas civil, trabalhista e criminal, em 
creches, escolas (comuns e especiais) e comunidades, incluindo o Programa de 
7 
 
 
Saúde da Família, unidades básicas de saúde, unidades de referência para a 
média e alta complexidade de procedimentos do SUS, emissoras 
de rádio e televisão, teatro, atendimento domiciliar, empresas de próteses 
auditivas, indústrias, centros de habilitação e reabilitação, entre outros. 
Existe ainda a Fonoaudiologia Forense, que é a atuação em processos 
judiciais que envolvam exames biométricos para identificação através de voz, 
fala, linguagem, marcha, face, escrita, postura e tudo o mais que se relaciona 
com realizações humanas. Os registros mais antigos sobre como surgiu a 
fonoaudiologia são dos anos 30, onde problemas na linguagem em escolares 
eram discutidos pela medicina e a educação. Na década de 60, deu-se início ao 
ensino da Fonoaudiologia no Brasil, com a criação dos cursos da Universidade 
de São Paulo (1961), vinculado à Clínica de Otorrinolaringologia do Hospital das 
Clínicas da Faculdade de Medicina, e da Pontifícia Universidade Católica de São 
Paulo (1962), ligado ao Instituto de Psicologia. Ambos estavam voltados à 
graduação de tecnólogos em Fonoaudiologia, sendo que o primeiro currículo 
mínimo, fixando as disciplinas e a carga horária destes cursos, foi regulamentado 
pela Resolução n° 54/76, do Conselho Federal de Educação. Nos anos 70, 
tiveram início os movimentos pelo reconhecimento dos cursos e da profissão. 
Foram criados, então, os cursos em nível de bacharelado, e o curso da 
Universidade de São Paulo foi o primeiro a ter seu funcionamento autorizado, 
em 1977. 
 
2.1 Fonoaudiologia no Brasil 
 
No Brasil, existem 114 cursos de Fonoaudiologia cadastrados pelo MEC. 
O curso denominado Fonoaudiologia tem duração média de quatro anos 
contendo as disciplinas básicas da área de Medicina, Psicologia e Pedagogia, 
além de matérias específicas da área de Física e aulas 
de Fonética e Linguística. Para saber quais são os cursos existentes é 
aconselhável visitar o site do Conselho Federal de Fonoaudiologia. 
A Lei que rege a profissão de Fonoaudiólogo no Brasil é a Lei nº 6.965, 
sancionada em 9 de Dezembro de 1981, tendo a mesma sido regulamentada 
pelo Decreto nº 87.218, de 31 de maio de 1982. A referida legislação além de 
8 
 
 
determinar a competência do fonoaudiólogo também criou o Conselho Federal 
de Fonoaudiologia (CFFa) e os Conselhos Regionais de Fonoaudiologia (CRFa) 
que possuem como principal realizam a fiscalização e avaliação do exercício 
profissional. A profissão possui seu Código de Ética, que elenca e disciplina os 
direitos, deveres e responsabilidades do Fonoaudiólogo, inerentes às relações 
estabelecidas em função de sua atividade profissional. De acordo com o código 
de Ética da Fonoaudiologia, no Brasil, constituem direitos gerais dos 
Fonoaudiólogos inscritos nos Conselhos Regionais de Fonoaudiologia, nos 
limites de sua competência e atribuições: 
1. Exercício da atividade sem ser discriminado; 
2. Exercício da atividade com ampla autonomia e liberdade de convicção; 
3. Avaliação, solicitação, elaboração e realização de exame, diagnóstico, 
tratamento e pesquisa, emissão de parecer, laudo e/ou relatório, 
docência, responsabilidade técnica, assessoramento, consultoria, 
coordenação, administração, orientação, realização de perícia e demais 
procedimentos necessários ao exercício pleno da atividade; 
4. Liberdade na realização de estudos e pesquisas, resguardados os direitos 
dos indivíduos ou grupos envolvidos em seus trabalhos; 
5. Liberdade de opinião e de manifestação de movimentos que visem a 
defesa da classe; 
6. Requisição de desagravo junto ao Conselho Regional de Fonoaudiologia 
da sua jurisdição, quando atingido no exercício da atividade profissional; 
7. Consulta ao Conselho de Fonoaudiologia de sua jurisdição quando 
houver dúvidas a respeito da observância e aplicação deste Código, ou 
em casos omissos. 
Conforme normas oficiais, pode atuar em sete áreas distintas: 
 
Audiologista 
O Audiologista é o fonoaudiólogo especialista que se dedica ao estudo do 
sentido audição, desde a recepção das ondas sonoras pelo ouvido até o 
completo processamento das informações auditivas pelo córtex do sistema 
nervoso central, dedicando-se, pois, ao estudo da anatomia, da fisiologia, da 
9 
 
 
neurofisiologia e das patologias de todo o aparelho auditivo. Este profissional 
sem dúvida, é o mais capacitado para diagnosticar, atestar e tratar os distúrbios 
da audição e suas consequências no dia-a-dia do indivíduo por eles acometido, 
daí o porquê vem sendo muito requisitado na esfera do poder judiciário para que 
realize perícias nas questões que envolvem a audição, pois para o judiciário não 
basta saber que há lesão e o seu grau, é fundamental para a decisão do Juiz 
saber de que forma aquela lesão afeta a vida do cidadão. 
O Audiologista é por vezes confundido com o Otorrinolaringologista que é 
o especialista que se dedica ao estudo do ouvido, não tendo seu espectro de 
estudo ampliado para todos os aspectos do sentido da audição, seu 
processamento e suas influências no processo de linguagem e comunicação 
humana. O Audiologista realiza exames audiológicos e otoneurológicos 
(audiometria tonal limiar, audiometria vocal, índice de reconhecimento de fala, 
imitânciometria acústica, provasde função tubária, teste de reflexos 
neurológicos estapedianos, emissões otoacústicas transientes e evocadas por 
produto de distorção, audiometria de tronco encefálico, potenciais evocados de 
curta, média e de longa latência, monitoração transoperatória em neurocirurgias, 
vídeonistagmografia comum e infravermelha, vectoeletronistagmografia, 
rinometria acústica, exames de processamento auditivo central [avaliação de 
como o sistema nervoso central está processando a audição], dentre outros) 
para verificar se a função auditiva dos pacientes está normal ou se apresenta 
algum tipo de problema. 
Nesta área, o Fonoaudiólogo especialista em audiologia, realiza 
diagnósticos, prognósticos e estabelece tratamentos ou auxilia no 
estabelecimento de condutas de outros profissionais da área da saúde tais como 
pediatras, otorrinolaringologistas, neurologistas, neurocirurgiões, geriatras, 
clínicos gerais e outros. O audiologista também se dedica ao estudo de física, 
acústica e psicoacústica, fundamentais para que possa compreender o 
funcionamento eletrônico complexo das próteses auditivas, o que o habilita a 
selecionar, ajustar, regular e adaptar aparelhos auditivos de forma precisa, para 
corrigir a função auditiva afetada por diferentes graus e formas de lesões, de 
pessoas em todas as faixas de idade a partir dos primeiros meses de vida. 
10 
 
 
Este profissional deve ser consultado regularmente, desde os primeiros 
dias de vida, onde é realizada uma avaliação da capacidade auditiva do bebê ao 
nascimento, posteriormente ao completar 1 ano de vida, e ao entrar em idade 
escolar, ou quando apresentar quaisquer sintomas como dor, sensação de 
ouvido tapado, tonturas, zumbidos (chiado), estalos, e dificuldades para ouvir. 
A otoneurologia se dedica a diagnósticos relacionados à função vestibular 
que participa do controle do equilíbrio do indivíduo, área de fusão entre a 
fonoaudiologia, otorrinolaringologia e neurologia, cujas doenças desse sistema 
são popularmente conhecidas como "labirintites". Juntamente com o 
Otorrinolaringologista, o audiologista, participa da cirurgia de implante coclear 
(dispositivo eletrônico implantado no nervo da audição) fazendo exames antes e 
depois do implante para saber se o paciente reagiu bem ao aparelho, indicando 
ao Otorrino aonde colocar o aparelho na orelha do paciente. 
O audiologista pode também fazer a monitoração de pacientes em coma, 
auxiliando no prognóstico destes pacientes, realiza exames eletrofisiológicos da 
audição para auxiliar no processo de diagnóstico de morte encefálica, e pode 
realizar monitoração da ototoxicidade* ao paciente quando em uso de certas 
medicações como é o caso do uso dos antibióticos conhecidos como 
aminoglicosídios (amicacina, arbecacina, gentamicina, canamicina, azitromicina, 
neomicina, netilmicina, paromomicina, rodostreptomicina, estreptomicina, 
tobramicina e apramicina e as antraciclinas - utilizadas em quimioterapias. Este 
profissional é fundamental em todos os níveis de atenção à saúde, desde a 
atenção básica, passando pela média até a alta complexidade. 
 Ototoxicidade: danos progressivos nas células sensoriais do sentido da 
audição e do equilíbrio no ouvido interno: pode resultar em ataxia (andar 
desequilibrado), vertigens; surdez temporária ou permanente. 
Linguagem 
Acompanha o desenvolvimento do bebê desde o nascimento, e a partir daí em 
consultas regulares, nos aspectos relacionados ao processo de aquisição e 
desenvolvimento da linguagem. Estuda problemas relacionados com a aquisição 
e o desenvolvimento da linguagem, faz diagnósticos de atrasos ou retardos de 
linguagem, estabelece o tratamento para a habilitação de crianças com atraso 
11 
 
 
ou deficiência desta ordem. Faz avaliação, diagnóstico, prognósticos e 
estabelece tratamentos para pacientes que adquiriram a linguagem mas a 
perderam ou passam a apresentar algum distúrbio ou anormalidade por algum 
motivo, a exemplo de quem sofreu derrame cerebral também chamado de AVE 
(acidente vascular encefálico), traumas cranianos, isquemias cerebrais, doenças 
degenerativas do sistema nervoso central (esclerose múltipla, mal de Alzheimer, 
degeneração olivopontocerebelar, mal de Parkinson, etc.), tumores 
intracranianos, sequelas de neurocirurgias e outras condições clínicas. 
Os problemas podem ser retardo na fala ou emissões das primeiras palavras 
(demora para falar e expressar-se), deficiência na formação de frases - (fala 
frases de forma incompleta ou mal consegue terminá-las); omissões e 
acréscimos de sons na fala (pula palavras ou frases inteiras); troca de fonemas 
(Troca palavras); gagueira (pode ser de origem neural, psicológica ou motora), 
entre outros. 
Motricidade Orofacial 
É a área que estuda a musculatura da face, boca e língua. Soluciona problemas 
relacionados á: sucção, mastigação, deglutição, respiração, posicionamento da 
língua de modo errado, dificuldade ou impossibilidade de deglutir alimentos de 
forma segura que são chamadas de disfagias. É também capacitada para 
atender problemas de má oclusão (mau alinhamento dentário), tonicidade e 
mobilidade facial (flacidez muscular de bochecha, lábio e língua), pacientes com 
bruxismo, entre outros. Realiza avaliações, diagnóstico, prognósticos e 
estabelece tratamentos para pacientes com comprometimento de alguma das 
funções primeiramente descritas e que afetam a região da cabeça e pescoço. 
Também atua na área de estética para quem quer um rosto mais redondo ou 
mais quadrado ou musculoso e quem tem rugas no canto dos olhos e em outras 
partes do rosto através de exercícios musculares. 
Disfagia 
Anteriormente a disfagia era considerada uma das áreas de atuação do 
Fonoaudiólogo especialista em Motricidade Orofacial, porém, atualmente se 
constitui em uma nova especialidade da Fonoaudiologia. A disfagia pode ser 
definida como dificuldade de deglutição. Caracteriza-se por um sintoma comum 
12 
 
 
de diversas doenças. Pode ser causada por alterações neurológicas como o 
acidente vascular cerebral (AVC), ou derrame, outras doenças neurológicas e/ou 
neuromusculares e também alterações locais obstrutivas, como as doenças 
tumorais do esôfago. 
Disfagia temporária é comumente observada em pacientes submetidos a cirurgia 
da coluna cervical via anterior, traumas e pequenos acidentes vasculares 
cerebrais. 
O propósito fundamental da identificação da causa da disfagia consiste em 
selecionar o melhor tratamento que pode variar desde o tratamento de 
reabilitação fonoaudiológico, a alteração de consistência dos alimentos para 
evitar a aspiração do conteúdo para o pulmão e pode ter um foco completamente 
diferente como o cirúrgico no caso de doenças neoplásicas do esôfago. 
Medidas adicionais paralelas ao diagnóstico das causas seria o de evitar, o 
máximo possível, as complicações da disfagia: desidratação, infecções 
pulmonares e subnutrição. 
Voz 
O profissional que atua nessa área pode não só prevenir os distúrbios da voz 
como melhora-la, atuando no aperfeiçoamento e promoção da saúde vocal, tanto 
na fala como no canto, até a reabilitação das disfonias, com preocupação 
especial na prevenção dos problemas de voz. Como quando se torna áspera, 
rouca ou de difícil emissão. A fonooncologia, por exemplo, atua em todos os 
aspectos e possibilidades de reabilitação do indivíduo que tenha sido acometido 
por câncer de cabeça e pescoço, assim como promove a inserção do 
fonoaudiólogo em equipes hospitalares multiprofissionais. 
Ensinar técnicas que auxiliam a correta postura e seu uso quanto a respiração e 
impostação vocal por exemplo para quem trabalha na área de telemarketing e 
em meios de comunicação oral. 
 
 
 
13 
 
 
Saúde Coletiva 
O profissional que atua nessa área tem como foco a atuação fonoaudiológica no 
setor público e privado, voltado para uma população específica. É necessário 
domínio de Epidemiologia, Gestão Pública e Privada,além dos conhecimentos 
específicos em cada uma das áreas da Fonoaudiologia. 
Educacional 
A atuação em fonoaudiologia escolar/educacional contempla ações de 
promoção de saúde, assessoria, orientação e identificação de 
características/alterações na área de voz, linguagem, comunicação oral e escrita 
e audição, tendo como população-alvo alunos, professores, pais, auxiliares em 
educação, demais profissionais que atuam no ambiente escolar e gestores de 
instituições públicas e privadas. É de competência do fonoaudiólogo 
desenvolver ações de consultoria, assessoria e gerenciamento, com 
participação direta ou indireta em equipe de orientação e planejamento escolar, 
inserindo aspectos preventivos ligados a assuntos fonoaudiológicos. O capítulo 
II, artigo 3º da Lei 6965 de 9 de dezembro de 1981 estabelece sua atuação 
dentro do ambiente educacional e a publicação "Fonoaudiologia na Educação". 
Trabalha nos tratamentos como: 
Fonoaudiologia educacional 
Atuando diretamente no processo de ensino e aprendizagem, essa 
especialidade da fonoaudiologia tem por função aprimorar e prevenir distúrbios 
relacionados à linguagem oral ou escrita, bem como audição, motricidade 
orofacial e voz. 
Gerontologia 
Esse profissional tem seus esforços voltados ao bem-estar dos idosos e, 
portanto, atua para prevenir, diagnosticar e tratar transtornos que envolvem 
audição, fala e linguagem, além dos movimentos de deglutição, motricidade 
orofacial e vocalização. 
14 
 
 
Fonoaudiologia neurofuncional 
Especialidade da fonoaudiologia que trabalha diretamente com pessoas com 
alterações neurofuncionais, atuando no tratamento de sequelas e danos ao 
sistema nervoso central ou periférico. 
Fonoaudiologia do trabalho 
Responsável por desenvolver programas capazes de permitir a permanência de 
outros profissionais em seu local trabalho, sem qualquer tipo de restrição, 
diagnosticando riscos fisiológicos e desenvolvendo programas para a 
conservação da saúde auditiva nesses espaços. 
Neuropsicologia 
Esta especialidade é voltada para a prevenção e o tratamento de distúrbios 
relacionados à comunicação e sua conexão com questões cognitivas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
 
3. PRÁTICA FONOAUDIOLÓGICA 
 
 
Para adeptos da vertente epistemológica pós-positivista, também 
denominada socioconstrutivista, a prática fonoaudiológica realizada de modo 
meramente clínico e prescritivo é prejudicial, ressalta diferenças culturais entre 
os descendentes de imigrantes europeus e nativos e contribui para cristalizar o 
pensamento técnico-especializado no campo da Fonoaudiologia. Categoriza os 
sujeitos em termos de níveis de hipóteses na desconsideração do envolvimento 
de n fatores na configuração de problemas fonoaudiológicos e contribui para a 
manutenção de crenças equivocadas sobre a ciência, a linguagem e os modos 
pelos quais os problemas fonoaudiológicos podem ser superados. 
De acordo com Smolka (1989), a prática prescritiva pode colaborar para a 
manutenção da crença de que os distúrbios de linguagem podem ser superados 
por meio da memorização de correspondências gráfico-sonoras, excluindo, 
assim, a participação ativa do sujeito que vivencia o problema do processo da 
sua configuração e superação. Este tipo de crença sobre a linguagem, como 
decorrência de memorização gráficomotora, contrapõe-se aos atuais preceitos 
cognitivistas de construção de conhecimentos humanos. De acordo com tais 
preceitos, presentes nas teorias cognitivistas piagetiana, ausubeliana e 
vigotskyana, o conhecimento humano é construído na relação entre pessoas, 
por um processo ativo de mudança conceitual, de assimilação ou 
enculturamento, respectivamente, sob influência do próprio contexto social. 
16 
 
 
Nesse mesmo sentido, Sacavazza (1991) chama atenção para o fato de 
determinados profissionais fonoaudiólogos que atuam em escolas 
desconsiderarem os fatores humanos naturalmente implicados no processo de 
desenvolvimento de linguagem, ou seja, os fatores cognitivos, afetivos e sociais 
próprios da relação humana e de uma dada cultura, acreditarem na linguagem 
como sendo de ordem meramente biológica, passível de ser modificada apenas 
com a adesão ingênua do escolar às suas orientações de correção de fala. Esse 
estudioso atenta para o fato de o profissional diagnosticar distúrbios de 
linguagem com base apenas na aplicação de testes padronizados de leitura, tal 
como o Aspa (instrumento de observação de velocidade e níveis de 
compreensão, a partir de leitura silenciosa ou em voz alta), que visam à detecção 
da consciência fonológica independentemente de análises mais críticas a 
respeito do envolvimento de fatores humanos e sociais neste mesmo tipo de 
consciência (representações próprias da cultura e que estão no imaginário 
social). 
Para nós, a concepção de linguagem como uma capacidade de natureza 
biológica/genética, inata, desenvolvida por meio de exercícios de repetições de 
sons, é decorrente da formação profissional em uma vertente epistemológica 
tradicional, assentada em currículos fragmentários mantidos à luz de uma visão 
positivista de ciência e de ensino da ciência, como se a ciência fosse um campo 
específico de conhecimentos isolados, e o ensino o modo de difundir os seus 
resultados. O pensamento positivista assenta-se também em uma concepção de 
mundo e de realidade como algo objetivo, como se fosse possível de ser 
verificado por meio de metodologias específicas e únicas. Desconsidera a 
influência de fatores epistemológicos e culturais relativos ao próprio processo 
histórico-social de construção de conhecimentos, os modelos de ensino e 
aprendizagem da ciência em seus vários tempos, e os modelos de prática 
profissional, de investigação (pesquisa) e de ensino das ciências como próprios 
de cada um destes vários tempos. 
Tem influência na produção de conhecimentos científicos, tanto no campo 
de estudos da Fonoaudiologia como nos demais campos do conhecimento e 
contribui para a cristalização de teorias que ao longo do tempo perdem o seu 
poder de explicação. “Marcha a reboque” de interesses políticos e sociais do 
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poder dominante, desde o final do século XI, e contribuiu e continua a contribuir 
para a consolidação de práticas de diagnósticos de distúrbios de linguagem e de 
tratamento sob uma ótica “patologizante” e higienista. Na escola, a prática 
profissional à luz desta visão contribui para a classificação do escolar como um 
sujeito “doente” que prejudica o trabalho pedagógico dos professores. 
Esclarecendo melhor, contribui para a consolidação de práticas prescritivas 
de exercícios de “reabilitação”, de tratamento de diferenças linguísticas em 
relação a um padrão de linguagem, de correção de fala, segundo padrões 
linguísticos, para a interpretação de resultados de pesquisas científicas como 
traduções exatas do pensamento racional, das intenções. Ao desconsiderar a 
natureza ontológica e epistemológica da ciência, o caráter subjetivo do 
conhecimento, o próprio profissional acaba por legitimar como correta a sua 
prática prescritiva, pouco reflexiva e crítica, excluindo, assim, o “outro” do 
processo da sua construção. De acordo com Gierre (1989), embora a visão 
positivista tenha sofrido alterações por volta de 1945 e 1960 nos Estados Unidos, 
ainda preconiza teorias e leis que se propõem a traduzir, com uma suposta 
exatidão, a natureza e o comportamento humanos, as experiências vividas, 
numa linguagem tida como exata e transparente, logicamente construída, 
captada/entendida por toda a comunidade científica. 
As práticas profissionais assentadas neste tipo de visão supõem a adesão 
da sociedade a crenças e atitudes de cientistas sem o devido questionamento, 
ou seja, desconsideram a importância de ações educativas por parte dos 
profissionais para a melhor elaboração de uma hipótese diagnóstica. Tal visão, 
positivista, que é conflitante com os atuaispreceitos da educação científica, com 
os propósitos sociais da ciência, nos introduz em reflexões acerca dos “poderes” 
da ciência que, de acordo com Morin (1996), escapam hoje ao controle dos 
próprios cientistas, pois estão a serviço dos interesses do Estado. Para esse 
estudioso, tal limitação deve nos remeter à autorreflexão e ao autoconhecimento 
dos fundamentos da própria ciência, processos iniciados por pensadores como 
Pooper, Kuhn, Lakatos, Feyerabend e, mais recentemente, Bachelard, Morin e 
Moigne, dentre inúmeros outros estudiosos do conhecimento. As teorias desses 
pensadores são discordantes em muitos pontos, mas assentam-se, todas elas, 
18 
 
 
no pressuposto da ciência como algo subjetivo, cultural, como um tipo de cultura, 
um jogo de idéias e práticas em debate, e não como um reflexo do real. 
Admitem o progresso científico como rupturas de consensos teóricos 
preestabelecidos que promovem o aparecimento de novos paradigmas, como 
um tipo de cultura baseada em fundamentos de conhecimento em termos de 
processos e de articulação de teorias de sujeitos a despeito de relações 
conflitantes entre os mesmos. Neste sentido, as atividades científicas não podem 
ser consideradas como atividades de formação profissional independentemente 
da compreensão do “jogo” que as articula e lhes dá razão e sentido, que capacita 
o profissional para atuar com ética e sentido social. Este nosso modo de pensar 
a ciência e seus processos nos leva a admitir a necessidade de formar os 
profissionais à luz deste mesmo tipo de pensamento e apoia-se, também, na 
hipótese cognitivista das teorias ausubeliana, na piajetiana e na vygotskyana. 
De acordo com estas teorias, a construção do conhecimento sofre 
interferência de múltiplos fatores, um deles o próprio conhecimento dos sujeitos 
envolvidos nesse processo, o conhecimento dos cientistas e de demais 
profissionais e o do sujeito comum, que podem deixar de agir de modo a 
colaborar mais efetivamente para a resolução/superação de problemas 
complexos, como são os problemas de saúde. Assenta-se, também, em 
resultados de estudos como os de Sebastião (2000), pesquisadora que 
desenvolveu um trabalho investigativo no campo da Fonoaudiologia Educacional 
envolvendo professores, alunos e crianças com otite média. Essa autora 
considerou as implicações de crenças equivocadas sobre a otite média na 
configuração e agravamento de distúrbios fonoaudiológicos e de comunicação. 
E, com base nesta premissa, organizou o ambiente de aprendizagem 
escolar desenvolvendo dinâmicas educativas voltadas para a transformação 
destas mesmas crenças. Envolveu professores e mães de crianças com otite em 
ações educativas visando conscientizá-los quanto à sua participação na 
configuração, agravamento e/ou prevenção da otite, um problema de ordem 
biológica, mas que pode determinar o aparecimento de problemas de outras 
naturezas tais como os fonoaudiológicos, de comunicação. Favoreceu, assim, o 
entendimento de que, embora esta patologia tenha sido estudada inicialmente 
19 
 
 
no campo das ciências biológicas, e considerada pela comunidade científica 
como sendo desta ordem, apresenta implicações para a aprendizagem escolar 
e para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita da criança, entre outras. 
Os resultados de sua pesquisa mostram que a organização do ambiente escolar, 
com base em conhecimentos que se desenvolvem no campo da Educação e da 
Fonoaudiologia pode contribuir para o maior impacto social da Fonoaudiologia, 
uma vez que sujeitos leigos que vivenciam problemas fonoaudiológicos ao 
serem capazes de mudar as suas crenças e atitudes equivocadas passam a ser 
capazes de colaborar para que o problema vivenciado por eles seja minimizado 
e até mesmo evitado. 
Pelo que expomos e sendo convictos da influência da visão filosófica nas 
práticas profissionais, no estudo que realizamos, nos propusemos a identificar 
concepções de profissionais que investigam a linguagem. Ou seja, refletimos 
criticamente sobre a contribuição dos estudos científicos no campo da 
Fonoaudiologia para a construção de conhecimentos que possam melhor 
estruturar as ações no interior da escola por parte de profissionais 
fonoaudiólogos e de demais profissionais envolvidos com esta questão, 
tornando-as pedagógicas, educativas. Assim, questionamos-vos: 
a) de que modo a visão mais ou menos positivista de profissionais que 
investigam a linguagem oral e escrita pode contribuir para a compreensão dos 
múltiplos fatores envolvidos na configuração de problemas fonoaudiológicos?; 
b) de que modo atitudes de categorização da linguagem, segundo padrões 
lingüísticos, e não segundo o entendimento dos processos neles implicados, 
contribuem para ações educativas envolvendo escolares em fase inicial de 
alfabetização? 
Essa nossa opção filosófica e metodológica é calcada na crença de que um 
corpo teórico de conhecimentos deve ser (sempre) uma relação metodológica, 
filosófica e crítica, ou seja, que o trabalho científico deve caracterizar um 
conjunto organizado de idéias que se inscrevem num contexto amplo de diálogo 
com a história e com a cultura de quem os produz, e que a leitura, sendo apenas 
mais uma das possíveis leituras sobre o assunto, deve colaborar para a 
20 
 
 
compreensão da ocorrência de relações teórico-metodológicas atreladas a uma 
visão filosófica de ciência subjacente, mais ou menos positivista, mas que 
preconizamos humanista, pós-positivista, conforme também a atual LDB, voltada 
para a valorização da ciência como prática humana e de aplicação social e não 
como tradução de uma dada realidade a ser transformada a partir da aplicação 
de técnicas e de atitudes prescritivas, como se fosse possível isentar os próprios 
sujeitos que vivenciam os problemas, de participarem ativamente na 
configuração e resolução destes mesmos problemas. 
A Fonoaudiologia é a Ciência que atua na reabilitação da comunicação de 
crianças e adultos, que pode estar alterada por diferentes motivos como autismo, 
síndromes, alterações neurológicas, deficiência auditiva, ou mesmo um atraso 
de linguagem sem nenhum outro fator associado. A terapia fonoaudiológica visa 
principalmente facilitar ou aprimorar a comunicação dos pequenos. Muita gente 
acredita que os fonoaudiólogos trabalham apenas com crianças que “falam 
errado“. Embora isso seja comum na prática clínica, o profissional pode fazer a 
diferença em muitas situações que vão desde um atraso de fala e linguagem, 
passando por dificuldades de leitura e escrita, gagueira, autismo, síndromes, 
malformações craniofaciais, paralisia cerebral, dentre outros. 
Quando a terapia fonoaudiológica é realizada com crianças, é muito 
comum envolver o uso de atividades lúdicas, uma vez que a criança aprende 
brincando e retém mais informações quando estas são apresentadas de forma 
que elas possam experimentá-las, descobri-las e não apenas conhece-las e 
aceita-las. 
Além das melhorias que refletem diretamente na fala das crianças, o 
tratamento fonoaudiológico conta com uma série de efeitos que facilitam o dia a 
dia dos pequenos, e continuarão ajudando com o passar dos anos, refletindo até 
mesmo na vida adulta. A Fonoaudiologia pode proporcionar à criança uma 
maneira de se comunicar, e isso vem atrelado a inúmeros benefícios ao longo 
da vida. 
 
 
21 
 
 
1 – A Fonoaudiologia não é apenas sobre fala 
Muitas pessoas têm a percepção que um fonoaudiólogo deve ser procurado 
apenas quando há um problema de fala, mas o tratamento fonoaudiológico é 
muito mais do que isso. Além da linguagem oral, o fonoaudiólogo atua nas 
dificuldades da linguagem escrita, como nos casos de dislexia, além de auxiliar 
as crianças com problemas na voz, na respiração e dificuldades para engolir, 
mastigar ou sugar. 
2 – O tratamento fonoaudiológico ajuda com habilidades sociais 
Quando uma criança cresce com habilidades de comunicação limitada,ou não 
tem fala funcional, a fonoaudióloga trabalhará as habilidades sociais, através do 
uso de estratégias diversas como modelagem de vídeo, representação de 
papéis, aplicativos de terapia específicos, histórias sociais e outras várias 
estratégias e ferramentas. Neste caso, é importante o uso de comunicação 
auxiliada. 
3 – O desenvolvimento correto da fala e linguagem, auxiliam na leitura 
O desenvolvimento da linguagem escrita é dependente da linguagem oral 
adquirida previamente. Aprender a falar os sons corretamente garantirá que as 
trocas de sons na fala não sejam transportadas também para a escrita. 
A comunicação é uma habilidade essencial, e está intrínseca ao ser humano. 
Nós nos comunicamos através da fala, expressões faciais, gestos, contato 
visual, escrita, digitação e muitas outras formas. Cabe ao fonoaudiólogo então, 
auxiliar os pequenos nessa trilha até a comunicação eficiente. O 
desenvolvimento correto da linguagem, fala e audição, ajudam os pequenos a 
estabelecerem uma comunicação com o mundo e proporciona para eles a 
confiança necessária para buscar novos desafios, aprender, estabelecer 
conexões. 
Cada criança carrega consigo um universo inteiro de possibilidades. Cada uma 
com suas particularidades e limitações, elas vão crescendo e aprendendo no seu 
próprio ritmo a explorar o mundo. Cabe aos fonoaudiólogos possibilitar que cada 
22 
 
 
uma delas tenha o poder de estabelecer essa conexões, se comunicar, e 
compreender o mundo que a rodeia. 
 
 
4. A INSERÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA NA ESTRATÉGIA 
SAÚDE DA FAMÍLIA 
 
O fonoaudiólogo é um profissional da saúde, de atuação autônoma, que 
exerce suas funções nos setores público e/ou privado. É responsável pela 
promoção da saúde, avaliação e diagnóstico, orientação, terapia, monitoramento 
e aperfeiçoamento de aspectos fonoaudiólogicos envolvidos na função auditiva 
periférica e central, na função vestibular, na linguagem oral e escrita, na 
articulação da fala, na voz, na fluência, no sistema miofuncional orofacial e 
cervical e na deglutição. Exerce também atividades de ensino, pesquisa e 
gestão. Historicamente, a Fonoaudiologia tem sua origem marcada por práticas 
assistencialistas, limitadas a atendimentos individuais, de caráter 
eminentemente clínico, com ênfase na reabilitação de agravos nas áreas da 
linguagem oral e escrita, voz, audição e motricidade oral, realizados 
prioritariamente em consultórios particulares, o que predeterminava sua 
demanda a uma pequena parcela da população. 
A atuação do fonoaudiólogo nos serviços públicos teve início entre as 
décadas de 1970 e 1980, em meio a uma grande demanda e a um número 
restrito de profissionais que atuava de forma não integrada e sem propostas 
23 
 
 
abrangentes, reproduzindo o modelo clínico/ privatista no qual se formara, 
mudando apenas seu espaço de atuação, o que impossibilitou a efetividade do 
trabalho e reconhecimento deste pela população e pelos órgãos competentes. A 
partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), instituído pela Constituição 
de 1988, e da concepção ampliada de saúde como sendo um bem-estar físico, 
psíquico e social, surge para a Fonoaudiologia um movimento de reflexão e 
mudanças que procurava redirecionar a prática fonoaudiológica numa 
perspectiva social, coletiva e preventiva. Este movimento culminou numa 
reforma curricular e no fortalecimento da inserção do profissional fonoaudiólogo 
na Estratégia Saúde da Família (ESF). 
No contexto da promoção, proteção e recuperação da saúde nos diversos 
aspectos relacionados à comunicação humana, o fonoaudiólogo inserido na ESF 
tem como competências: valorizar os princípios do acolhimento, vínculo e 
responsabilização pela comunidade junto à Equipe Multiprofissional; estimular o 
autocuidado; apropriar-se das informações demográficas, sanitárias, 
socioculturais, epidemiológicas e ambientais do território, identificando também 
os fatores de risco para os distúrbios fonoaudiológicos; e buscar soluções para 
os problemas encontrados, inclusive com o estabelecimento de prioridades 
pactuadas com a comunidade e com as equipes de saúde, potencializando a 
resolutividade das ações. 
Entretanto, a atuação do fonoaudiólogo na Atenção Primária à Saúde 
(APS) é marcada pela falta de formação profissional para atuar no nível da 
promoção da saúde e pela necessidade de investimento em conhecimento 
científico que fundamentem o crescimento da Fonoaudiologia voltada para uma 
visão preventiva e coletiva. Nesta perspectiva, a residência vem permitindo a 
resignificação de concepções e a criação de metodologias de intervenção no 
campo da promoção e prevenção da saúde. A atuação interdisciplinar com as 
demais categorias inseridas na residência (Fisioterapia, Terapia Ocupacional, 
Psicologia, Serviço Social, Educação Física, Nutrição, Farmácia, 
Fonoaudiologia, Enfermagem e Odontologia) e com a equipe básica dos Centros 
de Saúde da Família (CSF), o trabalho intersetorial e a articulação com os 
serviços de Fonoaudiologia da atenção secundária tem sido ferramentas 
24 
 
 
importantes para realização dos nossos trabalhos potencializando nossas ações 
na APS. 
Considerando-se que uma das competências do fonoaudiólogo na ESF é 
fomentar o desenvolvimento de instrumentos que avaliem os padrões de 
qualidade e o impacto de suas ações em consonância com as diretrizes do SUS, 
este artigo buscou mostrar as experiências das fonoaudiólogas inseridas na 
Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF) da Escola de 
Formação em Saúde da Família Visconde de Sabóia do município de Sobral – 
CE, que visa, além de formar profissionais capacitados para desenvolver o 
trabalho na área, oferecer um serviço de qualidade. 
 
4.1 Uma experiência de organização da fonoaudiologia atuando 
em equipe multiprofissional na estratégia saúde da família 
 
Territorialização 
Com os objetivos de caracterizar a população adscrita, identificar os 
equipamentos sociais e realizar o diagnóstico situacional da área de abrangência 
dos 14 CSFs da sede do município sobralense, foi realizada a territorialização 
junto à equipe multiprofissional. Silva (2000) afirma que o fonoaudiólogo deve 
assumir a saúde como resultante das condições de vida de cada ser e isso 
implica na necessidade de conhecer o território e as condições dos grupos em 
que atua. Conforme Santos e Silveira (2009), para que o fonoaudiólogo atue em 
sintonia com a Estratégia de Saúde da Família (ESF), é imprescindível o 
conhecimento dos dados relativos à comunicação humana, pois o levantamento 
dos índices de prevalência das alterações fonoaudiológicas irá permitir o 
planejamento de ações programáticas, assegurando o acesso das famílias às 
ações de promoção e proteção da saúde no âmbito da comunicação humana. 
Partindo-se de uma concepção de territorialização, que denota um caráter 
permanente de busca do conhecimento de território de atuação, destaca-se 
neste contexto a busca ativa, permanente dos fatores existentes na área adscrita 
referentes ao fazer do profissional. 
 
25 
 
 
Educação Permanente com os Outros Profissionais da Equipe 
Multiprofissional em Saúde da Família 
A Educação Permanente em Saúde é uma ferramenta imprescindível às 
transformações do fazer dos profissionais, visando à atuação crítica, reflexiva, 
propositiva, compromissada e tecnicamente competente (CECCIM, 2005). 
Souza et al. (2008) entendem que tal proposta tem como resultado esperado a 
capacidade de trocas de saberes entre os atores envolvidos, a busca de 
soluções criativas para os problemas encontrados, o desenvolvimento do 
trabalho interdisciplinar, a melhoria constante da qualidade do cuidado à saúde 
e a humanização do atendimento. Nessa proposta, são vários os momentos de 
Educação Permanente, onde são discutidas as ações fonoaudiológicas, junto 
aos profissionais da Equipe de Saúde da Família, composta por médico, 
enfermeiro,técnico de enfermagem, agentes comunitários de saúde e 
odontólogo. 
Entre estas ações podemos citar a Educação Permanente com a Equipe 
de Saúde da Família. Para a caracterização da demanda e desenvolvimento das 
ações, foram realizadas capacitações para as equipes de saúde, objetivando 
ampliar o conhecimento destas no que diz respeito ao fazer do fonoaudiólogo. 
Foram apresentadas as diversas áreas de atuação e discutida a intervenção 
fonoaudiológica, bem como suas contribuições em todos os ciclos de vida. 
Dentro da proposta da Educação Permanente foi pactuado um protocolo 
para acompanhamento dos recémnascidos (RN) de risco visando à detecção 
precoce de perda auditiva. Neste sentido, em parceria com a Atenção 
Secundária através do Serviço de Atenção Auditiva da Macrorregião de Sobral 
(SASA), foram realizadas capacitações para todos os enfermeiros da sede e dos 
distritos do município de Sobral sobre a Triagem Auditiva Neonatal (TAN). Na 
ocasião, foram abordados assuntos como: o que é a TAN, como é realizada, 
especificidades do local para realização do exame, quais os indicadores de risco 
para a surdez e a importância da mesma para o desenvolvimento da criança. O 
protocolo empregado está baseado nos indicadores de risco para deficiência 
auditiva recomendados pelo Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na 
Infância (Portaria 587, de 07 de outubro de 2004, Artigo 2, Inciso 1, Anexo 1, e 
Portaria 589, de 08 de outubro de 2004, do Ministério da Saúde). 
26 
 
 
Ações de Educação em Saúde 
A educação em saúde tem papel fundamental na reorientação do modelo 
assistencial uma vez que resgata o conceito ampliado de saúde e, dentro da 
perspectiva da educação popular, resgata a corresponsabilidade de todos para 
a qualidade de vida, traduzindo no indivíduo sua autonomia e emancipação no 
cuidar de si, da família e do seu entorno (BONFIM et al., 2008). • Curso para 
Gestantes Goya et al. (2007), discutindo sobre a Educação em Saúde na 
Atenção Primária, refere que o período da gestação é o momento ideal para a 
conscientização e incorporação de bons hábitos, pois a gestante encontrasse 
mais receptiva para adquirir novos conhecimentos e mudar padrões que irão 
influenciar no desenvolvimento da saúde do bebê. Nesta perspectiva, 
realizaram-se ações de Educação em Saúde nos Cursos para Gestantes que 
ocorrem sistematicamente nos CSF. 
Em tais ações foram enfocados temas sobre a importância de práticas e 
hábitos gestacionais saudáveis, incentivo ao aleitamento materno, mostrando 
sua contribuição para a saúde geral da mãe e do bebê e para o desenvolvimento 
adequado dos órgãos fonoarticulatórios no que diz respeito à mobilidade, força, 
postura e desenvolvimento das funções de respiração, mastigação, deglutição e 
fala. Ademais, o momento também foi utilizado para discussão sobre a 
importância da TAN, também chamada de teste da orelhinha, e sobre os fatores 
de risco para a deficiência auditiva e de outros distúrbios que envolvem a 
comunicação humana. 
 Puericultura: Ainda na perspectiva da Educação em Saúde, atuamos junto 
aos Grupos de Puericultura com o objetivo de potencializar as 
informações trabalhadas nos Cursos para Gestantes e promover o 
conhecimento da família em relação ao desenvolvimento da audição, da 
fala e da linguagem. Considerando a sala de espera como um espaço 
onde podem ser desenvolvidas estratégias de Promoção da Saúde, 
passamos a utilizá-la para debater temas como transição alimentar, 
utensílios utilizados na alimentação, hábitos orais deletérios, aquisição e 
desenvolvimento da audição, fala e linguagem, reforçando a importância 
do contexto familiar durante essa fase da vida. 
27 
 
 
 Grupo de idosos: As mudanças fisiológicas que ocorrem ao longo do 
processo do envelhecimento têm grande impacto na qualidade de vida 
dos indivíduos. Filho et al. (2007), referindo-se a tais mudanças, menciona 
que, em relação aos aspectos da comunicação, os idosos podem 
apresentar: comprometimentos funcionais dos órgãos fonoarticulatórios, 
lentificação dos processos práxicos orofaciais e da fala, mudanças vocais 
(presbifonia), alterações auditivas (presbiacusia) e das funções 
neurovegetativas (respiração, mastigação e deglutição), dificuldades para 
acessar os sistemas de informações conceituais e perceptuais 
(linguísticos e não linguísticos) e dificuldade para acessar o léxico. 
 Considerando a importância dos aspectos supracitados para a 
manutenção da atividade dialógica e do bom convívio familiar e social, a 
contribuição da Fonoaudiologia nos Grupos de Idosos é de fundamental 
importância e traz como objetivo principal a promoção de um 
envelhecimento saudável, a partir da manutenção de suas capacidades 
funcionais. Neste sentido, a Fonoaudiologia passou a contribuir, junto às 
demais categorias da RMSF e da Equipe de Saúde da Família, nos grupos 
de idosos existentes em seus territórios de abrangência. 
 Nestes grupos que se reúnem sistematicamente (semanal, quinzenal ou 
mensal), de acordo com a realidade de cada território, foram realizadas 
atividades voltadas para a promoção da saúde linguístico-cognitiva tais 
como: atividades de memória e de atenção, leitura e compreensão de 
textos; oficinas temáticas abordando temas como saúde vocal e saúde 
auditiva; exercícios de motricidade oral e, quando identificada alguma 
alteração importante realizou-se um encaminhamento para avaliação 
mais detalhada. 
 Educação em Saúde junto aos Hipertensos e Diabéticos Para o 
acompanhamento das pessoas com hipertensão e diabetes, o Ministério 
da Saúde criou o Sistema Hiperdia, que é um Sistema de Cadastramento 
e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos, captados no Plano 
Nacional de Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao 
Diabetes Mellitus, em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único 
de Saúde, gerando informações para os gerentes locais, gestores das 
secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde. Além do 
28 
 
 
cadastro, o Sistema permite o acompanhamento, a garantia do 
recebimento dos medicamentos prescritos, ao mesmo tempo em que, a 
médio prazo, poderá ser definido o perfil epidemiológico desta população, 
e o consequente desencadeamento de estratégias de saúde pública que 
levarão à modificação do quadro atual, a melhoria da qualidade de vida 
dessas pessoas e a redução do custo social. 
 Considerando-se que, como colocado por Goya et al. (2007), o paciente 
com Diabetes apresenta, frequentemente, xerostomia (boca seca), 
sensibilidade dolorosa da língua e distúrbio de gustação e o risco 
potencial de pacientes com hipertensão de sofrer um Acidente Vascular 
Cerebral (AVC), passamos a colaborar com os grupos do Hiperdia no 
intuito de acompanhar os usuários e sensibilizá-los na adesão às 
abordagens terapêuticas sugeridas. 
 Educação em Saúde para os Profissionais da Voz Trata-se de uma 
proposta articulada entre o Centro de Referência em Saúde do 
Trabalhador (CEREST), fonoaudiólogos do SASA e da RMSF, no sentido 
de desenvolver estratégias de Promoção em Saúde por meio da 
prevenção dos agravos da voz. Foram realizadas várias atividades tendo 
como meta sensibilizar a população em geral e, especificamente as 
pessoas que usam a voz no cotidiano do trabalho (professores, 
radialistas, cantores, telefonistas, entre outros), orientando-as na 
prevenção das alterações vocais. 
Ações de Assistência Fonoaudiológica 
 • Triagem Auditiva de Escolares Para escutarmos todos os componentes 
auditivos precisam estar íntegros, pois qualquer alteração, por mais discreta que 
seja, pode trazer grandes prejuízos ao ser humano resultando em complicações, 
inclusive na esfera educacional. Umas das maneiras de realizar a detecção de 
alterações auditivas são os Programas de Triagem Auditiva Escolar. Northern e 
Downs (2005) definem a triagem auditiva como um processo de aplicação de 
testes, exames ou outrosprocedimentos rápidos e simples a um número 
geralmente grande de pessoas, não tendo a pretensão de diagnosticar. 
Entretanto, as pessoas identificadas como achados suspeitos são 
encaminhadas para realização do diagnóstico e tratamento. A detecção precoce 
29 
 
 
e a intervenção imediata em crianças com perda auditiva otimiza o potencial 
linguístico, emocional e social, aumentando o desempenho acadêmico. 
A triagem auditiva escolar no município de Sobral ocorre anualmente em 
todas as escolas da sede e distritos do município e contempla os alunos do 
segundo ano do ensino fundamental. Para a realização da triagem no ano de 
2009 houve, em parceria com o SASA, uma oficina com os fonoaudiólogos da 
RMSF visando a pactuação coletiva do Protocolo da Saúde Auditiva dos 
Escolares. O protocolo é validado cientificamente pela Sociedade Brasileira de 
Otologia e adaptado pelo SASA. Posteriormente foi realizada uma oficina para 
os professores que iriam realizar a pré-triagem dos alunos. Em seguida, os 
profissionais que iriam participar da pré-triagem e da triagem foram submetidos 
a uma avaliação auditiva, para saber se estavam aptos à aplicação dos testes. 
Os alunos que falharam na pré-triagem foram triados individualmente pelas 
fonoaudiólogas que realizam, além da meatoscopia, uma varredura nas 
frequências de 500, 1, 2 e 4 Khz. Os que também falham na triagem são 
encaminhados para o SASA para posterior diagnóstico. Apesar da triagem ser 
um procedimento necessário e importante, apenas a detecção de alterações não 
é suficiente. É necessária a realização de ações educativas no que diz respeito 
à saúde auditiva. Por esse motivo, paralelo à realização do exame, os 
professores e alunos foram sensibilizados quanto à importância da audição para 
o processo de aprendizagem, através de orientações e do vídeo “Timpinho, o 
amigo da audição”, produzido por Tavares e Holanda (2004). 
• Triagem Auditiva Neonatal - TAN O programa de TAN é considerado um 
método bastante eficaz de avaliação e detecção precoce de alterações auditivas. 
O diagnóstico audiológico antes do primeiro ano de vida possibilita a intervenção 
médica e fonoaudiológica no período de maturação e plasticidade funcional do 
sistema nervoso central, prevenindo futuras alterações e permitindo à criança 
um desenvolvimento de linguagem, bem como um desenvolvimento social, 
comparável aos das crianças normais na mesma faixa etária. 
A partir da implementação do protocolo da TAN, pactuado entre o SASA e 
a Atenção Básica, foram preconizadas ações para o acompanhamento dos RNs 
de risco para deficiência auditiva. Para tanto, foram capacitados enfermeiros que 
atuam na ESF e definido como um dos fazeres da Fonoaudiologia na Atenção 
30 
 
 
Primária à Saúde monitorar o preenchimento do questionário de avaliação de 
indicadores de risco para deficiência auditiva, realizado pelo enfermeiro, 
encaminhar o RN de risco para o Teste da Orelhinha e realizar visitas 
domiciliares com o objetivo de garantir os retornos para o re-teste sempre que 
necessário, além de orientar as famílias quanto à estimulação da audição, da 
fala e da linguagem. 
• Visitas domiciliares Takahashi e Oliveira (2001) definem a visita domiciliar 
como uma categoria de atenção fundamental na saúde da família que possibilita 
o diagnóstico da realidade do indivíduo e a realização de ações educativas. Deve 
ser programada e utilizada com o intuito de subsidiar intervenções ou planejar 
ações. A demanda para as visitas domiciliares é trazida pelos profissionais da 
equipe de saúde. Geralmente esta visita é realizada para os usuários que se 
encontram acamados sem condições de se deslocarem até o CSF. Nestas 
visitas são realizadas orientações aos usuários e cuidadores, acompanhamento 
semanal, quinzenal, ou mensal, de acordo com a necessidade. Frequentemente 
os usuários que demandam visita domiciliar são pessoas com sequelas de AVC 
que apresentam dificuldades relacionadas à linguagem expressiva e/ou 
receptiva (afasia) e dificuldades para alimentar-se (disfagia). 
Ainda, dentro do grupo de usuários que demandam vistas domiciliares 
incluemse, em menor proporção, aqueles portadores de mal de Parkinson, 
Doença de Alzheimer e outras doenças crônicas degenerativas, além de 
crianças com disfunção neuromotora. Outro público alvo das visitas domiciliares 
são os usuários de próteses auditivas, sejam estas crianças, adolescentes, 
adultos ou idosos, que apresentam resistência, dificuldades ou desistência 
quanto ao uso do aparelho auditivo. Através das visitas, procuramos sensibilizar 
os usuários quanto ao uso do benefício adquirido, além de encaminhar os 
usuários com próteses com defeito ou mal adaptadas para o SASA. 
As atividades deste grupo são realizadas com a presença da fonoaudióloga 
e da psicóloga do serviço com o objetivo de acolher os protetizados que, por 
algum motivo, não estão fazendo uso da prótese, buscando resolutividade dos 
casos e garantindo o uso do benefício. 
• Atendimento Ambulatorial Marin et al. (2003) evidenciam que as ações da 
Fonoaudiologia em saúde público-coletiva devem ser organizadas de acordo 
com a necessidade da população e incorporar intervenções nos diferentes níveis 
31 
 
 
de atenção à saúde. Nos espaços do CSF ou em outros espaços do território, é 
realizado atendimento clínico aos usuários que apresentam dificuldades e/ou 
alterações fonoaudiológicas, além de orientações e, na maioria das vezes, 
acompanhamento fonoaudiológico. O atendimento busca contribuir para a 
universalização e integralidade da atenção à saúde. 
A partir do prognóstico, algumas demandas são atendidas no próprio CSF 
e outras são encaminhadas para o serviço da atenção secundária, tornando mais 
resolutivo o atendimento. A demanda existente se caracteriza principalmente por 
crianças com atraso no processo de aquisição e desenvolvimento da fala; alunos 
encaminhados pela escola com queixas de dificuldade de aprendizagem e 
crianças com distúrbios neurológicos, alterações no sistema sensório-motor-oral 
e com dificuldades cognitivas. Além disso, também é comum usuários com 
queixas vocais e gagueira. 
• Outras Ações Várias campanhas foram desenvolvidas em parceria com o 
Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) e o SASA, a saber: 
Campanha da voz Durante a Campanha Nacional da Voz foram realizadas ações 
com o intuito de promover a saúde e prevenir agravos que pudessem 
comprometer a saúde vocal da população. Neste sentido, com o intuito de 
sensibilizar alunos e professores quanto aos cuidados com a voz e os prejuízos 
dos hábitos vocais inadequados foi utilizada a encenação de uma peça nas 
escolas municipais. Também foram desenvolvidas ações educativas por meio de 
distribuição de folders, orientações sobre cuidados com a voz e prevenção do 
câncer de cabeça e pescoço nos principais espaços públicos da cidade. 
Nestes momentos, além da participação dos fonoaudiólogos de várias 
instituições, houve a participação de otorrinolaringologistas, enfermeiras, 
fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogas, em uma mobilização 
interdisciplinar voltada para a promoção à saúde vocal. Realizaram-se também, 
triagem fonoaudiológica da voz através da ficha enviada pelo Conselho Regional 
de Fonoaudiologia (8ª Região) e encaminhamentos para os 
otorrinolaringologistas do município de Sobral-CE. Campanha de prevenção do 
câncer de boca. Com o objetivo de informar a população quanto aos fatores de 
risco, sintomas, medidas de prevenção e detecção precoce do câncer de boca, 
a campanha foi realizada de forma interdisciplinar (fonoaudiólogo, cirurgião 
dentista, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta), sendo abordadas 
32 
 
 
principalmente a importância do autoexame e da prevenção dos fatores de 
riscos. 
Campanha de combate e prevenção à surdez 
O objetivo principal da campanha foi informar à população sobralense 
sobre a surdeze como preveni-la. Em 2008, o enfoque foi dado à prevenção da 
perda auditiva nos trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora elevada. 
Foram realizadas ações de educação em saúde em diversas empresas formais 
e informais dos territórios de abrangência, sensibilizando para a importância da 
proteção auditiva e para o acompanhamento anual da audição. Também 
atuamos nos principais pontos da cidade, com distribuição de folders, informação 
sobre os fatores de risco para a perda auditiva e encaminhamento para a 
realização de exame para as pessoas com queixas auditivas. 
Em 2009, a campanha focou a saúde auditiva dos alunos matriculados no 
ensino fundamental, com a realização de ações educativas nas escolas do 
município. Para sensibilizar as crianças foi confeccionado um boneco, baseado 
no vídeo de Tavares e Holanda (2004), denominado de Timpinho - o amigo da 
audição. Este personagem informava aos professores e alunos nas salas de aula 
sobre os cuidados com a audição e a importância da detecção precoce da perda 
auditiva. Em relação à saúde auditiva dos trabalhadores, as ações nas empresas 
continuaram. Foram priorizadas as empresas informais, onde através de visitas 
das alunas da RMSF com a enfermeira e o técnico de segurança do CEREST, 
foram realizadas medições do nível de ruído do ambiente de trabalho, além da 
distribuição de equipamentos de proteção auditiva individual e orientações 
quanto à importância do uso e a forma correta de usá-los. 
 
33 
 
 
5. PROFISSÃOE FONOAUDIOLOGIA 
Ao longo da história da Fonoaudiologia, o profissional da área tem 
desenvolvido uma série de papéis e funções que, à medida que vai atuando, vão 
se diferenciando, como conseqüência do desenvolvimento científico, do 
ambiente e de sua própria atuação. Analisando os papéis e funções 
desempenhados pelo fonoaudiólogo, pode-se considerar que os mesmos têm 
por base essa caracterização geral anteriormente referida por Witter (1977), 
tendo em vista as ações deste profissional terem objetivos definidos e práticos: 
recorrer a técnicas aprendidas durante a sua formação acadêmica e pós-
acadêmica; aplicar tais técnicas após uma seleção criteriosa em função de cada 
problema a ser resolvido; ser membro de grupos profissionais e científicos e 
estar sujeito às leis e código de ética da profissão. 
Pode-se dizer que algumas das condições apresentadas por Witter são 
preenchidas satisfatoriamente pela Fonoaudiologia, como profissão, não 
havendo entre os fonoaudiólogos divergências quanto a elas. Outras, porém, 
carecem de maiores discussões entre os próprios profissionais. Tais discussões, 
provavelmente, evidenciarão que as divergências estão mais relacionadas ao 
grau em que os itens satisfazem o critério, e não à negação do próprio critério. 
É fundamental, pois, para a própria profissão, que os papéis e funções do 
profissional fonoaudiólogo sejam estudados, esclarecidos e melhor 
especificados, o que irá definir suas possibilidades, limitações e a própria 
abrangência de seu trabalho. 
34 
 
 
Essa definição de papéis e funções inicia-se na própria universidade, ao 
congregar um grupo de professores intelectualmente curiosos, atualizados nos 
últimos avanços de sua área, bem informados em relação às controvérsias 
recentes e tópicos atuais do conhecimento fonoaudiológico. Halpern et aI. 
(1998), focalizando a Psicologia, afirmaram ser estaciência, em vários aspectos, 
diferente de outras ciências. Ela seaplica a diferentes contextos e inclui em sua 
prática a ciência da pedagogia; dessaforma, a pesquisa sobre ensino e 
aprendizagem, em todos os níveis (a aprendizagem pré-natal e a aprendizagem 
em todas as fasesda vida humana), em todos os ambientes e com todas as 
populações, se torna necessária. Outros contextos, como a realização de laudos 
periciais usados para auxiliar juízes em questõeslegais, o desenvolvimento de 
softwares eoutras formas de mídia, a elaboração de material de divulgação com 
orientação para problemas na área,a revisão e estabelecimento de atividades 
comunitárias usando o conhecimento psicológico também fazem parte da ação 
do profissional dessecampo de conhecimento. 
O mesmo pode ser dito da Fonoaudiologia, quando se considera que suas 
açõesacadêmicas, práticas e clínicas, requerem informações provenientes da 
ciência pedagógica, na medida em que, ao realizar atividades de avaliação e 
terapia dos distúrbios da comunicação, a relação entre ensino e aprendizagem 
insere-se no fazer fonoaudiológico. A elaboração de parecer técnico em laudos 
periciais, de orientações escritas com base no conhecimento fonoaudiológico, 
assim como o desenvolvimento de softwares ede outras formas de mídia são 
também pertinentes ao fonoaudiólogo. Esta multiplicidade de ações exige do 
profissional, seja ele psicólogo ou fonoaudiólogo, um conhecimento amplo, 
diversificado e integrado. 
Como todo conhecimento novo, será limitado se não estiver integrado em 
um corpo mais amplo de conceitos e fatos: a integração ou síntese se torna 
valiosa e, ao mesmo tempo necessária, tanto quanto a geração de dados 
originais. É a partir disso que sepode avançar na área,criando um novo 
conhecimento baseado em trabalho de revisão, de "metaciência", o qual 
possibilita uma visão abrangente do saber, ao mesmo tempo que o destaca 
(HALPERN et aI., 1998). Este conhecimento deve ser gerado por meio de 
pesquisa, a partir de dados originais, com modelos de inquisição e métodos de 
35 
 
 
coleta adequados, o que permitirá a geração de teoria e a disseminação do saber 
adquirido em periódico de referência. Além disso, o conhecimento assim 
elaborado será aberto à discussão, revisão e réplica, que pode também ser 
considerada pesquisa original, desde que ofereça um resultado novo, diverso do 
previamente encontrado. 
O saber é criação, organização, disseminação e aplicação de 
conhecimento e o seu valor depende de sua qualidade, da possibilidade de 
preencher as necessidades presentes e futuras da sociedade. Ele pode ser 
avaliado segundo aspectos definidos por Oiamond e Adams (1995). Para estes 
autores, o "saber" requer um alto nível de domínio do conteúdo específico, deve 
ser inovador, além de ter significância e impacto. Ele deve ser decorrente de 
pesquisa que possa ser replicada e elaborada, cujos resultados possam ser 
documentados e revistos pelos pares. O peso de cada um dessesfatores pode 
variar, dependendo do contexto. Assim, a formação do fonoaudiólogo deve ir 
além da transmissão de conhecimentos, teorias e técnicas. A 
capacitaçãoteóricadevealiar-seàderaciocínio, àde criatividade e à de 
direcionamento para a interdisciplinaridade. 
 Esta torna o conhecimento mais abrangente e flexível, o que não é 
possível em uma visão única, considerando-se que apenas uma áreade 
conhecimento não consegue abranger todos os aspectos envolvidos na 
formação, desenvolvimento e aprendizagem do ser humano (FERRElRA, 1991). 
A concepção holística do indivíduo e a necessidade de seevitar a fragmentação 
passam a estimular a cooperação entre asdisciplinas e incentivam o trabalho 
interdisciplinar. Essetipo de trabalho cooperativo, que viabiliza um aumento nas 
possibilidades de investigação e solução de problemas, requer a 
homogeneização da terminologia, o rompimento de hierarquias entre 
asdisciplinas ea colaboração e confiança entre os membros. É um tipo de 
enfoque muito utilizado na área médica e que a Fonoaudiologia tem buscado 
integrar na sua prática. 
A Fonoaudiologia é uma ciência que ainda necessita identificar-se como 
tal, pela construção de um referencial teórico próprio, pela caracterização da 
efetividade de suas intervenções "habilitativas" e reabilitativas , usando como 
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recurso a pesquisa original, a réplica e a pesquisa de síntese. Ao mesmo tempo, 
para seestruturar eprogredir como profissão, é imprescindível que haja um 
esforço dos profissionais da área, de modo a preencher

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