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3 
OBSERVAÇÕES INICIAIS 
 
A prova objetiva do TRF-3 foi aplicada dia 19/01/2025. Assim que tivemos 
acesso ao gabarito preliminar iniciamos a tradicional prova comentada do Mege e 
aceleramos para entregar tudo dentro do prazo recursal. Mais uma vez, missão 
cumprida! A intenção neste material é auxiliar nossos alunos e seguidores na análise da 
elaboração de seus recursos, além de possibilitar, em formato conclusivo, a revisão de 
temas cobrados no certame e verificação de maiores chances de avanço para 2ª fase. Na 
verdade, esse estudo já virou uma tradição obrigatória para todo concurseiro de 
magistratura. 
 
O arquivo aqui apresentado trata de versão preliminar elaborada com as 
finalidades informadas e concluído por nosso time específico de 1ª fase de magistratura, 
sem maiores pretensões de aprofundamento ou trabalho editorial neste momento, que 
é de puro apoio (e não foca na detectação de questões antecipadas em nossas várias 
formas de atuação. No Clube da Magistratura, o Mege revisa um edital completo em 1 
ano de estudo, ou seja, a produção é realmente vasta. 
 
O corte, neste momento, segue estimado em 67/68 acertos para ampla 
concorrência. Os(as) candidatos(as) que concorrem às vagas destinadas ao sistema de 
cotas precisam acertar 60 pontos. 
 
Os nossos professores entendem que 4 (quatro) questões, em especial, estão 
envolvidas em maior polêmica a serem apreciadas (40, 44, 60, 94). Portanto, podem ter 
suas situações alteradas na fase recursal, o que deixa em aberto a nota de corte para 
outras possibilidades. 
É claro que podem ter mais questões que venham a ser anuladas ou alteradas 
com o gabarito oficial (mas, como a prova foi bem elaborada, não entendemos que a 
surpresa seja maior que 1 ou 2 a mais que a nossa previsão). De todo modo, levamos 
esse pensamento de probabilidade no mapa mental dos caminhos indicados, que 
apresentamos nas páginas seguintes. 
Diante disso, em nosso sentimento, ainda é possível sonhar com a aprovação 
na ampla concorrência com até 64/65 certos (tendo como parâmetro o corte atual e uma 
margem de erro razoável sobre a quantidade de anulações). 
A sua maior ou menor probabilidade dependerá do aproveitamento das 
questões mais polêmicas. Trata-se de mera opinião de parâmetro circunstancial de tudo 
que temos de informação neste momento. 
Em cotas, o desempenho nas questões que apontamos com maior 
probabilidade de mudança passam a ter chances (notas entre 56/57 passam a ter 
chances). 
 
Em nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a cada 2 (duas) 
questões anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica 
 
 
4 
deve seguir como norte para definição de maiores chances de avanço no certame. Não 
temos como cravar quantas questões efetivamente serão afetadas, mas guardem esta 
informação de parâmetro para verificarem suas chances reais! 
 
É importante mencionar que o Clube da Magistratura, a nossa turma mais 
completa, é extremamente decisiva em qualquer prova (especialmente por tratar de um 
edital completo ao longo de 1 ano – e aqui falamos, sem qualquer receio, em todas as 
fases). Não fizemos maiores apontamentos sobre sua produção neste material por conta 
do curto tempo de comparativo temático entre a sua produção e as questões de prova 
(ainda dentro do prazo recursal – objetivo maior). 
 
ESTUDE PARA TODAS AS FASES AO LADO DO MEGE 
SEJA APROVADO OU SEU DINHEIRO DE VOLTA! 
 
APROVEITEM PARA CONHECER EM DETALHES SOBRE O PLANO ATÉ PASSAR 
(que libera turmas do Mege para todas as fases: Clube da Magistratura, Retas Finais, 2ª 
fases e Provas Orais) e seus benefícios de economia, praticidade e garantia, para quem 
realmente está comprometido com o projeto de se tornar Juiz/Juíza de Direito. 
 
 
 
É válido citar que, neste momento, estamos com inscrições abertas para Clube 
da Magistratura 2025.1, TJES (reta final), turmas de 2ª fase para TJAM, TJRJ, TJPE e TJMT. 
Próximas turmas: TRF 3ª região (2ª fase), TRF (reta final). 
 
Clube da Magistratura 2025.1 
(+ Plano Até Passar) 
 
 
 
 
https://lp.mege.com.br/a-nova-era-clube-da-magistratura-2025-1-turma-regular/
 
 
5 
CAMINHOS POSSÍVEIS APÓS A PROVA OBJETIVA DO TRF3 
 
Em nossa análise, sobre caminhos pós-prova no TRF3, entendemos que esse 
direcionamento esquematizado pode orientar da melhor forma. 
Sobre a nota de corte de ampla concorrência (estimada em 67/68 acertos) e 
cotas (56/57 acertos), analisamos abaixo possíveis caminhos. Na sequência, preparamos 
um quadro esquematizado para facilitar sua compreensão. 
 
 
 
SE VOCÊ NÃO FOI TÃO BEM NO TRF3, NÃO SE DESESPERE! 
O Clube da Magistratura foi pensado para ajudar nos próximos desafios 
 
Aos colegas que não estão dentro das faixas mencionadas, indicamos, conforme 
o caso, entrar imediatamente no Clube da Magistratura (turma 2025.1). Nossa turma 
mais completa para quem se prepara para carreira (inclusive assinante premium ganha 
acesso a todas as retas finais de magistratura que atuamos). 
Se você presta concursos de magistratura em outros estados, o Clube da 
Magistratura conta com tudo que você precisa para preparação em todas as fases do 
concurso. Em 2025, temos a sua melhor versão da história! Com muitas novidades sobre 
o apoio de Inteligência Artificial. Uma preparação completa: desde o estudo voltado para 
1ª fase até correções de provas de 2ª fase de forma personalizada (com opção de 
acompanhamento personalizado). Vale a pena conferir! 
 
 
6 
 
A SEGUNDA FASE É LOGO ALI 
 
Por fim, vale ressaltar que atuaremos na 2ª fase do TRF3. Além disso, criamos 
um grupo de whatsapp para ajudar nos debates dos candidatos sobre este desafio. 
 
Se você for aluno do ATÉ PASSAR e estiver no concurso do TRF3, não precisará comprar 
a turma de 2ª fase. Ela será liberada com uma simples requisição em sua área do aluno! 
Uma grande facilidade para que você foque apenas em estudar! 
 
GRUPO ABERTO DE DISCUSSÕES DO TRF3 
 
 
Agora é com vocês, vamos para análise de tudo que caiu na objetiva do TRF3 
em detalhes. Seguiremos firmes em um trabalho realmente específico também para 2ª 
fase deste desafio! 
 
 
Arnaldo Bruno Oliveira1 
Equipe Mege 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 Insta: @prof.arnaldobruno (fiquem à vontade para o envio de mensagens sobre o Mege). 
https://chat.whatsapp.com/FNnCE0rxaJGFN7Kz7qU6vx
 
 
7 
SUMÁRIO 
 
Bloco I: Direito Constitucional, Direito Previdenciário, Direito Penal, Direito Processual 
Penal, Direito Econômico e de Proteção ao Consumidor............................................. 8 
DIREITO CONSTITUCIONAL ........................................................................................... 8 
DIREITO ECONÔMICO E DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR ........................................ 18 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO .......................................................................................... 20 
DIREITO PENAL ............................................................................................................ 29 
DIREITO PROCESSUAL PENAL ...................................................................................... 38 
Bloco II: Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Empresarial, Direito Financeiro e 
Tributário ................................................................................................................. 63 
DIREITO CIVIL .............................................................................................................. 63 
DIREITO EMPRESARIAL ............................................................................................... 74 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ........................................................................................ 86 
DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO ........................................................................... 99 
Bloco III: Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Internacional Público e 
Privado, Noções Gerais de Direitoque, por um valor extra, 
solicitaria a Plauto, dirigente sindical, que elaborasse uma declaração falsa de exercício 
de atividade rural, tendo a concordância de Catão. Após obter o documento, Lucrécio 
requereu o benefício ao INSS, concedido a Catão naquele mesmo ano. Em 2020, o INSS 
descobriu a fraude e suspendeu o benefício. Catão tem hoje 71 anos, Plauto tem 55 anos 
e Lucrécio faleceu. (Sabe-se que a pena privativa de liberdade do estelionato é de 1 a 5 
anos; que a causa de aumento do art. 171, § 3º é de 1/3). Considerando a teoria binária 
do estelionato previdenciário, ao decidir sobre recebimento de denúncia, o juiz deverá 
reconhecer que: 
(A) Os crimes de Plauto e Catão estão prescritos. 
(B) Apenas o crime de Catão está prescrito. 
(C) Apenas o crime de Plauto está prescrito. 
 
 
32 
(D) O crime de Plauto e os crimes referentes às parcelas mais antigas de Catão estão 
prescritos. 
(E) Nenhum dos crimes está prescrito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O enunciado da questão aborda o delito de estelionato previdenciário (art. 173, §3º do 
CP) e o instituto da prescrição. 
O STJ enfrentou a questão nos julgados HC 102049 e HC 190071, esclarecendo a 
aplicabilidade prática da Teoria Binária ou Dual do Estelionato Previdenciário. 
Nesse sentido, o STJ entende que para o sujeito que comete a fraude e não se torna 
beneficiário, o crime é instantâneo de efeitos permanentes. Lado outro, para o 
beneficiário, o crime é permanente, consumando-se com a cessação da permanência. 
Plauto (não beneficiário – crime instantâneo de efeitos permanentes) cometeu a fraude 
no ano de 2008, iniciando-se nessa data o prazo prescricional (art. 111, I, do CP) 
Catão (beneficiário – crime permanent(E) cometeu a fraude mês a mês, de acordo com 
os recebimentos do benefício. Assim, o prazo prescricional apenas se iniciou no ano de 
2020, quando da suspensão do benefício (art. 111, III, do CP). 
Considerando o aumento de 1/3 (1 ano e 8 meses), a pena máxima do estelionato 
previdenciário fica em 6 anos e 8 meses. No caso, o prazo prescricional é de 12 anos, nos 
termos do art. 109, III, do CP. Assim, para Plauto o delito está prescrito, mas para Catão 
não houve prescrição. 
Percebam que o enunciado apenas apresentou o ano da fraude e o ano da cessação do 
benefício, sem apresentar especificamente o mês. Em vista disso, o prazo prescricional 
foi considerado atingido no ano. 
(A) INCORRETA. Para Plauto o delito está prescrito, mas para Catão não houve 
prescrição. 
(B) INCORRETA. Para Plauto o delito está prescrito, mas para Catão não houve 
prescrição. 
(C) CORRETA. 
(D) INCORRETA. Para Plauto o delito está prescrito, mas para Catão não houve 
prescrição. 
(E) INCORRETA. Para Plauto o delito está prescrito, mas para Catão não houve prescrição. 
_______________________________________________________________________ 
23. Sobre o Regime Disciplinar Diferenciado, segundo a legislação aplicável, assinale a 
alternativa CORRETA: 
 
 
33 
(A) Tem duração de 2 anos, prorrogáveis uma única vez, por igual período. 
(B) É cabível para membro de associação criminosa, independentemente de 
cometimento de falta grave. 
(C) Todas as entrevistas são monitoradas. 
(D) É cumprido sempre em estabelecimento penitenciário federal. 
(E) Não é cabível em caso de prisão cautelar. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
LEP – Art. 52, I - duração máxima de até 2 (dois) anos, sem 
prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma 
espécie. 
(B) CORRETA. 
LEP – Art. 52, § 3º Existindo indícios de que o preso exerce 
liderança em organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou 
mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado 
será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional 
federal. 
(C) INCORRETA. 
LEP – Art. 52, V - entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas 
com seu defensor, em instalações equipadas para impedir o 
contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa 
autorização judicial em contrário. 
(D) INCORRETA. 
LEP – Art. 52, § 3º Existindo indícios de que o preso exerce 
liderança em organização criminosa, associação criminosa ou 
milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou 
mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado 
será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional 
federal. 
(E) INCORRETA. 
LEP – Art. 52, § 1º O regime disciplinar diferenciado também será 
aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais ou 
estrangeiros. 
 
 
34 
_______________________________________________________________________ 
24. Assinale a alternativa CORRETA. Está previsto nas Regras de Tóquio que: 
(A) O fracasso de uma medida não privativa de liberdade deve conduzir à imposição de 
uma medida de prisão. 
(B) No início da aplicação de uma medida não privativa de liberdade, deve-se explicar ao 
infrator, verbalmente e por escrito, seus direitos e obrigações. 
(C) A escolha das medidas não privativas de liberdade deve levar em conta a vontade da 
vítima. 
(D) Não podem ser adotadas sanções verbais. 
(E) As medidas não privativas de liberdade não podem ser encerradas antecipadamente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Regras de Tóquio - 143 O fracasso de uma medida não privativa de 
liberdade não deve conduzir automaticamente à imposição de uma medida de prisão. 
(B) CORRETA. Regras de Tóquio - 123 No início da aplicação de uma medida não privativa 
de liberdade deve-se explicar ao infrator, verbalmente e por escrito, as condições de 
aplicação da medida, assim como os seus direitos e obrigações. 
(C) INCORRETA. Regras de Tóquio - 32 A escolha de medida não privativa de liberdade 
deve ser fundada em critérios estabelecidos que levem em consideração tanto a 
natureza e a gravidade da infração quanto a personalidade e os antecedentes do infrator, 
o objetivo da condenação e os direitos das vítimas. 
(D) INCORRETA. Regras de Tóquio - 82 As autoridades competentes podem adotar as 
seguintes medidas: a) Sanções verbais, como a censura, a repreensão e a advertência. 
(E) INCORRETA. Regras de Tóquio - 112 Pode-se decidir pelo encerramento antecipado 
da medida quando o infrator responde favoravelmente a ela. 
_______________________________________________________________________ 
25. Assinale a alternativa CORRETA. Úlpio, então funcionário do Ministério dos 
Transportes, solicita dois milhões de reais para elaborar parecer favorável à construção 
de uma nova rodovia. Recebe o valor em novembro de 2023, diretamente em conta no 
exterior, não declarada às autoridades brasileiras. Em janeiro de 2024, saca aqueles 
recursos e adquire para si imóvel no exterior, colocando-o em nome de Pacúvio, seu 
motorista. Úlpio poderá responder: 
(A) Por corrupção passiva, evasão de divisas e lavagem de capitais. 
(B) Por corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais. 
 
 
35 
(C) Apenas por corrupção ativa e lavagem de capitais, tendo em vista que a evasão dos 
recursos não foi promovida por ele, mas pela construtora. 
(D) Apenas por corrupção passiva e lavagem de capitais, tendo em vista que a evasão 
dos recursos não foi promovida por ele, mas pela construtora. 
(E) Apenas pela corrupção passiva e evasão de divisas, sendo a compra do imóvel 
exaurimento do crime. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. O enunciado apresenta fato que se amolda aos crimes de corrupção 
passiva, evasão de divisas e lavagem de capitais. 
Corrupção passiva – CP - Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou 
para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função 
ou antes de assumi-la, mas em razãodela, vantagem indevida, 
ou aceitar promessa de tal vantagem. 
Evasão de Divisas – Lei 7.492/86 - Art. 22. Efetuar operação de 
câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas 
do País. 
Lavagem de Capitais – Lei 9.613/98 – Art. 1º Ocultar ou 
dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores 
provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal. 
(B) INCORRETA. Não há enquadramento típico no delito de Corrupção ativa – CP - Art. 
333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo 
a praticar, omitir ou retardar ato de ofício 
(C) INCORRETA. Houve cometimento de corrupção passiva, ademais, “ A manutenção de 
depósito no exterior não declarado às autoridades governamentais não depende de 
resultado naturalístico, ou seja, se consuma independentemente de prejuízo”. (HC 
132.826/MS) 
(D) INCORRETA. STJ - AREsp 774.523/SP – “A parte final do parágrafo único do art. 22 da 
Lei n. 7.492/1986 tipifica a manutenção de depósito não declarado à repartição federal 
competente no exterior. Para a interpretação do termo “depósito” deve-se considerar o 
fim a que se destina a norma, pois visa à proteção do Sistema Financeiro Nacional – SFN. 
A lei não restringiu o local de depósito no exterior. Assim, não deve ser considerado 
apenas o depósito em conta bancária no exterior, mas também o valor depositado em 
aplicação financeira no exterior, em razão da disponibilidade da moeda e do interesse 
do SFN. Segundo a doutrina, “deve-se incluir no conceito de depósito qualquer tipo de 
investimento no exterior aplicado no sistema financeiro, tais como, ações, fundos ou 
cotas de fundos de investimentos (incluindo previdência privad(A), haja vista o escopo 
 
 
36 
da norma em tutelar o controle das divisas situadas no exterior, abrangendo os 
respectivos depósitos oriundos de quaisquer tipos de aplicações financeiras, com base 
na hermenêutica da interpretação sistemática e teleológica”. Portanto, a suposta 
aplicação financeira realizada por meio da aquisição de cotas do fundo de investimento 
no exterior e não declarada à autoridade competente preenche a hipótese normativa do 
art. 22, parágrafo único, parte final, da Lei n. 7.492/1986. Ressalte-se que o BACEN, ainda 
na Circular 3.071 de 2001, já estabelecia que os valores dos ativos em moeda detidos no 
exterior deveriam ser declarados, conforme art. 1º e art. 2º.” 
(E) INCORRETA. A intenção de promover a evasão de divisas do país é clara, portanto, 
típica a conduta, inclusive quanto à compra do imóvel. 
_______________________________________________________________________ 
26. Assinale a alternativa CORRETA. Tácito, portando arma de fogo, rende entregador 
dos correios e subtrai furgão cheio de mercadorias. Policiais que avistaram a cena de 
longe perseguem o veículo, prendendo Tácito, o qual admite o crime. No momento da 
sentença, verifica o juiz que consta da folha de antecedentes de Tácito: 3 condenações 
transitadas em julgado por roubos anteriores a estes fatos, 2 condenações transitadas 
em julgado por crimes cometidos posteriormente a estes, além de mais 2 processos em 
curso. Na dosimetria da pena, poderá o juiz: 
(A) Exasperar a pena base com base nas ações em curso, pela conduta pessoal do agente. 
(B) Compensar a multireincidência com a confissão, mantendo a pena estipulada na 1ª 
fase inalterada na 2ª fase. 
(C) Reduzir a pena em 1/3, na 1ª fase, por conta da tentativa, considerando a 
aproximação da consumação do crime. 
(D) Utilizar as condenações por crimes posteriores ao roubo, na 1ª fase, como maus 
antecedentes, e as condenações anteriores na 2ª fase, para agravar a pena. 
(E) Utilizar o critério trifásico para estabelecer a dosimetria da pena restritiva de 
liberdade e da pena de multa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Súmula 444 do STJ "É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações 
penais em curso para agravar a pena-base." 
(B) INCORRETA. STJ “É possível, na segunda fase da dosimetria da pena, a compensação 
integral da atenuante da confissão espontânea com a agravante da reincidência, seja ela 
específica ou não. Todavia, nos casos de multirreincidência, deve ser reconhecida a 
preponderância da agravante prevista no art. 61, I, do Código Penal, sendo admissível a 
sua compensação proporcional com a atenuante da confissão espontânea, em estrito 
atendimento aos princípios da individualização da pena e da proporcionalidade” 
(Recurso Repetitivo – Tema 585 - REsp 1931145-SP). 
 
 
37 
(C) INCORRETA. 
CPP – Art. 28, § 7º O juiz poderá recusar homologação à proposta 
que não atender aos requisitos legais ou quando não for 
realizada a adequação a que se refere o § 5º deste artigo. 
§ 8º Recusada a homologação, o juiz devolverá os autos ao 
Ministério Público para a análise da necessidade de 
complementação das investigações ou o oferecimento da 
denúncia. 
(D) CORRETA. A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a 
celebração do acordo de não persecução penal (ANPP) é incabível nos casos de 
homofobia. O colegiado considerou que a conduta tem tratamento legal equivalente ao 
do crime de racismo, para o qual o ANPP é inaplicável. (AREsp 2.607.962) 
(E) INCORRETA. Para a pena de multa é aplicado o sistema bifásico: na primeira fase é 
fixada a quantidade total de dias-multa de pena e, na segunda fase, o valor unitário de 
cada dia. 
_______________________________________________________________________ 
27. Assinale a alternativa CORRETA. Considere as seguintes Convenções Internacionais: 
Convenção sobre crimes cibernéticos – Budapeste (Decreto nº 11.491/2023); Convenção 
das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional – Palermo (Decreto nº 
5.015/2004); Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção – Mérida (Decreto nº 
5.687/2006); Convenção contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias 
Psicotrópicas – Viena (Decreto nº 154/1991). Preconizam expressamente a 
responsabilidade penal da pessoa jurídica as seguintes Convenções: 
(A) Budapeste, Palermo, Mérida e Viena. 
(B) Apenas Palermo, Mérida e Viena. 
(C) Apenas Budapeste, Palermo e Mérida. 
(D) Apenas Budapeste Mérida e Viena. 
(E) Apenas Palermo e Mérida. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Convenção sobre crimes cibernéticos – Budapeste (Decreto nº 
11.491/2023) - Artigo 12 - Responsabilidade penal da pessoa 
jurídica. 
Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado 
Transnacional – Palermo (Decreto nº 5.015/2004) - Artigo 10 - 
Responsabilidade das pessoas jurídicas 
 
 
38 
Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção – Mérida 
(Decreto nº 5.687/2006) – Art. 46 - 2. Prestar-se-á assistência 
judicial recíproca no maior grau possível conforme as leis, 
tratados, acordos e declarações pertinentes do Estado Parte 
requerido com relação a investigações, processos e ações 
judiciais relacionados com os delitos dos quais uma pessoa 
jurídica pode ser considerada responsável em conformidade com 
o Artigo 26 da presente Convenção no Estado Parte requerente. 
Convenção contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e 
Substâncias Psicotrópicas – Viena (Decreto nº 154/1991). Não há 
previsão expressa da responsabilidade penal da pessoa jurídica 
na Convenção de Viena. 
(A) INCORRETA. Não há previsão expressa da responsabilidade penal da pessoa jurídica 
na Convenção de Viena. 
(B) INCORRETA. Não há previsão expressa da responsabilidade penal da pessoa jurídica 
na Convenção de Viena. 
(C) CORRETA. 
(D) INCORRETA. Não há previsão expressa da responsabilidade penal da pessoa jurídica 
na Convenção de Viena. 
(E) INCORRETA. No artigo 12 da Convenção de Budapeste há previsão expressa da 
responsabilidade penal da pessoa jurídica. 
_______________________________________________________________________DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
28. Considerando o entendimento do STF, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais, exceto as 
contravenções penais, e cessa com o oferecimento da denúncia ou queixa. 
(B) O juiz que atuar como juiz das garantias na fase de investigação ficará impedido de 
funcionar no processo em razão do princípio da imparcialidade. 
(C) Compete ao juiz das garantias assegurar ao investigado e ao seu defensor o acesso a 
todos os elementos informativos e provas produzidas na investigação criminal, salvo 
quanto às diligências em andamento. 
(D) Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias ficarão 
acautelados na secretaria desse juízo, à disposição das partes, e não serão apensados 
aos autos do processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os 
documentos relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou 
antecipação de provas. 
 
 
39 
(E) Caberá ao juiz das garantias assegurar o contraditório e a ampla defesa, 
necessariamente em audiência pública e oral, caso decida prorrogar prisão provisória ou 
outra medida cautelar, substituí-las ou revogá-las. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Em regra, consoante se extrai do art. 3-C do CPP, a competência do juiz 
de garantias abrange todas as infrações penais, a exceção das infrações de menor 
potencial ofensivo. Isso porque, no âmbito dos Juizados Especiais Criminais, um dos 
critérios utilizados é a celeridade (art. 2º da Lei 9.099/95) e, em assim sendo, tais 
infrações já serão distribuídas diretamente ao juízo natural da instrução sem a 
intervenção do juiz das garantias. 
Entretanto, no julgamento das ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, o Supremo Tribunal 
Federal não apenas confirmou que a competência do juiz de garantias não se estende 
aos juizados, mas também estabeleceu que NÃO SE APLICA A OUTRAS SITUAÇÕES 
ESPECÍFICAS, quais sejam: 
a) Processos de competência originária dos tribunais, os quais são regidos pela Lei nº 
8.038/1990; 
b) Processos de competência do tribunal do júri; 
c) Casos de violência doméstica e familiar. 
Houve consenso no sentido de que o juiz das garantias não atuará nos casos de 
competência do Tribunal do Júri e de violência doméstica. Contudo, deverá atuar nos 
processos criminais no âmbito da Justiça Eleitoral. 
 
• E quando cessa atuação do juiz de garantias? 
Com base na literalidade do art. 3º-C do CPP, a atuação do juiz das garantias se encerra 
com o recebimento da denúncia ou queixa. 
Entretanto, no julgamento das ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, o Supremo Tribunal 
Federal definiu que a competência do juiz de garantias encerra-se com o 
OFERECIMENTO da denúncia, declarando a inconstitucionalidade dos trechos contidos 
nos dispositivos que, anteriormente, estipulavam o término da atuação do juiz de 
garantias com o recebimento da denúncia. 
ATUAL REDAÇÃO DO CPP 
(Incluída pela lei nº 13.964/2019) 
STF 
(ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305) 
 
 
40 
Art. 3º-B, (...) XIV - decidir sobre o 
recebimento da denúncia ou queixa, nos 
termos do art. 399 deste Código; 
 
 
Declarou a inconstitucionalidade do 
inciso XIV do art. 3º-B do CPP, incluído 
pela Lei nº 13.964/2019, e atribuiu 
interpretação conforme para assentar 
que a competência do juiz das garantias 
cessa com o oferecimento da denúncia. 
Art. 3º-C. (...) e cessa com o recebimento 
da denúncia ou queixa na forma do art. 
399 deste Código. 
 
 
Declarar a inconstitucionalidade da 
expressão “recebimento da denúncia ou 
queixa na forma do art. 399 deste 
Código” contida na segunda parte do 
caput do art. 3º-C do CPP, incluído pela 
Lei nº 13.964/2019, e atribuir 
interpretação conforme para assentar 
que a competência do juiz das garantias 
cessa com o oferecimento da denúncia. 
Art. 3º-C (...) § 1º - Recebida a denúncia 
ou queixa, as questões pendentes serão 
decididas pelo juiz da instrução e 
julgamento. 
 
 
Declarar a inconstitucionalidade do 
termo “Recebida” contido no § 1º do art. 
3º-C do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, e atribuir interpretação 
conforme ao dispositivo para assentar 
que, oferecida a denúncia ou queixa, as 
questões pendentes serão decididas pelo 
juiz da instrução e julgamento. 
Art. 3º-C (...) § 2º - As decisões proferidas 
pelo juiz das garantias não vinculam o juiz 
da instrução e julgamento, que, após o 
recebimento da denúncia ou queixa, 
deverá reexaminar a necessidade das 
medidas cautelares em curso, no prazo 
máximo de 10 (dez) dias. 
 
Declarou a inconstitucionalidade a do 
termo “recebimento” contido no § 2º do 
art. 3º-C do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, e atribuiu interpretação 
conforme ao dispositivo para assentar 
que, após o oferecimento da denúncia 
ou queixa, o juiz da instrução e 
julgamento deverá reexaminar a 
necessidade das medidas cautelares em 
curso, no prazo máximo de 10 (dez) dias. 
 
(B) INCORRETA. Consoante o art. 3º-D, o juiz que, na fase de investigação, praticar 
qualquer ato incluído nas competências dos arts. 4º e 5º do CPP ficará impedido de 
funcionar no processo. 
Entretanto, é importante observar que o Supremo Tribunal Federal declarou a 
inconstitucionalidade do caput do artigo 3º-D do CPP. 
ATUAL REDAÇÃO CPP STF 
 
 
41 
(Incluída pela lei nº 13.964/2019) (ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305) 
Art. 3º-D. O juiz que, na fase de 
investigação, praticar qualquer ato 
incluído nas competências dos arts. 4º e 
5º deste Código ficará impedido de 
funcionar no processo. 
Parágrafo único. Nas comarcas em que 
funcionar apenas um juiz, os tribunais 
criarão um sistema de rodízio de 
magistrados, a fim de atender às 
disposições deste Capítulo. 
Declarou a inconstitucionalidade do 
caput do art. 3º-D do CPP, incluído pela 
Lei nº 13.964/2019, bem como a 
inconstitucionalidade formal do 
parágrafo único do art. 3º-D do CPP. 
 
(C) CORRETA. Literalidade do art. 3-B do CPP. Vejamos: 
Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da 
legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos 
direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à 
autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe 
especialmente: 
XV - assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o 
direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a 
todos os elementos informativos e provas produzidos no 
âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, 
estritamente, às diligências em andamento; 
(D) INCORRETA. Consoante a redação do art. 3º-C (...) § 3º Os autos que compõem as 
matérias de competência do juiz das garantias ficarão acautelados na secretaria desse 
juízo, à disposição do Ministério Público e da defesa, e não serão apensados aos autos 
do processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os documentos 
relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de 
provas, que deverão ser remetidos para apensamento em apartado. 
Entretanto, o STF declarou a inconstitucionalidade dos §§ 3º e 4º do art. 3º-C do CPP, 
com redução do texto e atribuiu interpretação conforme à CF/88 para estabelecer que 
os autos referentes às competências do juiz das garantias serão enviados ao juiz de 
instrução e julgamento. 
ATUAL REDAÇÃO CPP 
(Incluída pela lei nº 13.964/2019) 
STF 
(ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305) 
Art. 3º-C (...), § 3º Os autos que 
compõem as matérias de competência 
do juiz das garantias ficarão acautelados 
Declarou a inconstitucionalidade, com 
redução de texto, dos §§ 3º e 4º do art. 3º-
C do CPP, incluídos pela Lei nº 
 
 
42 
na secretaria desse juízo, à disposição 
do Ministério Público e da defesa, e não 
serão apensados aos autos do processo 
enviados ao juiz da instrução e 
julgamento, ressalvados os documentos 
relativos às provas irrepetíveis, medidas 
de obtenção de provas ou de 
antecipação de provas,que deverão ser 
remetidos para apensamento em 
apartado. 
§ 4º Fica assegurado às partes o amplo 
acesso aos autos acautelados na 
secretaria do juízo das garantias. 
13.964/2019, e atribuir interpretação 
conforme para entender que os autos que 
compõem as matérias de competência do 
juiz das garantias serão remetidos ao juiz 
da instrução e julgamento. 
 
 
(E) INCORRETA. O STF, ao julgar as ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, conferiu interpretação 
conforme ao inciso VI do art. 3º-B do CPP, introduzido pela Lei nº 13.964/2019, para 
estabelecer que o contraditório será exercido preferencialmente, e não 
necessariamente, em audiência pública e oral. 
ATUAL REDAÇÃO CPP 
(Incluída pela lei nº 13.964/2019) 
 STF 
(ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305) 
Art. 3º-B - O juiz das garantias é 
responsável (...) competindo-lhe 
especialmente: 
(...) VI -prorrogar a prisão provisória ou 
outra medida cautelar, bem como 
substituí-las ou revogá-las, assegurado, 
no primeiro caso, o exercício do 
contraditório em audiência pública e 
oral, na forma do disposto neste Código 
ou em legislação especial pertinente. 
Atribuiu interpretação conforme ao inciso 
VI do art. 3º-B do CPP, incluído pela Lei nº 
13.964/2019, para prever que o exercício 
do contraditório será preferencialmente 
em audiência pública e oral. 
_______________________________________________________________________ 
29. Assinale a alternativa CORRETA quanto ao acordo de não persecução penal: 
(A) Segundo entendimento do STJ, o acordo de não persecução penal possui natureza 
processual, devendo ser aplicado o princípio da imediatidade à norma que o instituiu e 
não a retroatividade de norma mais benéfica. 
(B) Não cabe acordo de não persecução penal nos crimes fiscais porque uma de suas 
condições – a reparação do dano, exceto na impossibilidade de fazê-lo – constitui causa 
extintiva da punibilidade pelo cumprimento da obrigação tributária. 
 
 
43 
(C) Se o juiz considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições impostas no 
acordo de não persecução penal, deverá encaminhar imediatamente os autos ao 
Procurador-Geral ou às instâncias de revisão ministerial. 
(D) Segundo a jurisprudência do STJ, o acordo de não persecução penal é inaplicável para 
os crimes de homofobia e transfobia, atribuindo-se a essas condutas o tratamento legal 
conferido ao crime de racismo. 
(E) A audiência de homologação do acordo de não persecução penal poderá ser 
dispensada se ficar demonstrada a legalidade da proposta realizada e aceitação do 
investigado e de sua defesa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Para o Superior Tribunal de Justiça, a norma que regula o Acordo de 
Não Persecução Penal (ANPP) possui natureza híbrida, razão pela qual se aplica o 
princípio da retroatividade da norma penal mais benéfica (art. 5º, XL, da CF). Assim, é 
possível celebrar o ANPP em processos que já estavam em andamento na data de 
entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019, mesmo que o réu não tenha confessado o crime 
até então, desde que o pedido seja realizado antes do trânsito em julgado da 
condenação. 
Senão vejamos: 
1 - O Acordo de não persecução penal constitui um negócio 
jurídico processual penal instituído por norma que possui 
natureza processual, no que diz respeito à possibilidade de 
composição entre as partes com o fim de evitar a instauração da 
ação penal, e, de outro lado, natureza material em razão da 
previsão de extinção da punibilidade de quem cumpre os 
deveres estabelecidos no acordo (art. 28-A, § 13, do Código de 
Processo Penal - CPP). 
2 - Diante da natureza híbrida da norma, a ela deve se aplicar o 
princípio da retroatividade da norma penal benéfica (art. 5º, XL, 
da CF), pelo que é cabível a celebração de acordo de não 
persecução penal em casos de processos em andamento quando 
da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente 
confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha 
sido feito antes do trânsito em julgado da condenação. 
3 - Nos processos penais em andamento em 18/09/2024 (data 
do julgamento do HC 185.913/DF pelo Plenário do Supremo 
Tribunal Federal), nos quais seria cabível em tese o ANPP, mas 
ele não chegou a ser oferecido pelo Ministério Público ou não 
 
 
44 
houve justificativa idônea para o seu não oferecimento, o 
Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou 
mediante provocação do magistrado da causa, deverá, na 
primeira oportunidade em que falar nos autos, manifestar-se 
motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo no caso 
concreto. 
4 - Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir de 
18/09/2024, será admissível a celebração de ANPP antes do 
recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de 
propositura do acordo, no curso da ação penal, se for o caso. 
REsp 1.890.343-SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 
Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 23/10/2024, DJe 
28/10/2024 (Tema 1098). 
(B) INCORRETA. Não existe impedimento para a aplicação do ANPP em crimes fiscais, 
sendo possível que a reparação do dano seja estabelecida como condição para a 
celebração do acordo, sem que isso exclua a possibilidade de extinção da punibilidade 
pelo pagamento integral do tributo ou pelo cumprimento da obrigação tributária. 
(C) INCORRETA. O art. 28-A, §5º, do CPP determina que, caso o juiz considere 
inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições estabelecidas no acordo de não 
persecução penal, deverá devolver os autos ao membro do Ministério Público 
responsável pela celebração do acordo (e não ao órgão superior), para que a proposta 
seja reformulada, assegurando a concordância do investigado e de sua defesa. 
(D) CORRETA. De acordo com o STJ (Informativo 821), não é cabível o acordo de não 
persecução penal nos crimes de cunho racial, incluindo condutas resultantes de atos 
homofóbicos. 
Vejamos: 
A 2ª Turma do STF, ao julgar o RHC 222.599, em 7/2/2023, sob a relatoria do Ministro 
Edson Fachin, consolidou o entendimento de que, de acordo com o § 2º, inciso IV, do 
art. 28-A do CPP, que proíbe a aplicação do ANPP em casos de violência doméstica ou 
familiar, ou em crimes praticados contra mulheres por razões de gênero, o uso desse 
acordo deve estar em conformidade com a Constituição Federal e compromissos 
internacionais do Brasil. Isso visa garantir o direito fundamental à não discriminação (art. 
3º, inciso IV, da CF), o que exclui a aplicação do ANPP em crimes raciais. 
STJ. 5ª Turma. AREsp 2.607.962-GO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
13/8/2024 (Info 821). 
(E) INCORRETA. O art. 28-A, §4º, do CPP, dispõe que, para a homologação do acordo de 
não persecução penal, SERÁ REALIZADA audiência na qual o juiz deverá verificar a sua 
voluntariedade, por meio da oitiva do investigado na presença do seu defensor, e sua 
legalidade. 
_______________________________________________________________________ 
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%221890343%22%29+ou+%28RESP+adj+%221890343%22%29.suce.
http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp?novaConsulta=true&tipo_pesquisa=T&cod_tema_inicial=1098&cod_tema_final=1098
 
 
45 
30. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A infiltração de agentes é meio de obtenção de provas que apenas pode ser destinada 
a investigar os crimes previstos na Lei nº 12.850/2013 e os conexos, praticados por 
organização criminosa, devendo ser precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa 
autorização judicial, que estabelecerá seus limites. 
(B) A ação controlada consiste em retardar a intervenção policial ou administrativa 
relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, devendo ser 
comunicada assim que possível ao juiz competente e ao Ministério Público para 
acompanhamento da medida. 
(C) Segundo o STF, na apuração de crimes de lavagem de dinheiro, o Ministério Públicoe as autoridades policiais podem ter acesso a dados cadastrais de investigados mantidos 
por empresas de telefonia, sem a necessidade de prévia ordem judicial, tais como 
qualificação, filiação, endereço, e-mail e números de telefone. 
(D) Entrega vigiada é a técnica que consiste em permitir que remessas ilícitas ou 
suspeitas saiam do território do país, o atravesse ou nele entre, com o conhecimento e 
sob o controle das autoridades competentes, com a finalidade de investigar infrações e 
identificar pessoas envolvidas na sua prática. 
(E) Da mesma forma que a interceptação de comunicações telefônicas, a captação 
ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos sempre exige autorização 
judicial independentemente do local em que realizada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A infiltração de agentes é um meio de obtenção de prova. Trata-se de 
uma técnica especial de investigação na qual um policial, ocultando sua verdadeira 
identidade, se infiltra como integrante de uma organização criminosa. Essa prática 
permite a obtenção de informações relevantes sobre os crimes cometidos, a 
identificação dos membros do grupo, suas formas de atuação, locais de operação, bens 
adquiridos ilegalmente e outras provas essenciais para o desmantelamento da 
organização e sua utilização em processos penais. 
A doutrina identifica três características fundamentais da infiltração de agentes: 
• Dissimulação: Ocultação da identidade oficial e das intenções reais do agente. 
• Engano: Construção de uma encenação para ganhar a confiança dos suspeitos. 
• Interação: Relação direta e pessoal entre o agente infiltrado e os potenciais autores 
dos crimes. 
 
 
46 
Essa técnica está prevista em diversos diplomas normativos e pode ser aplicada não 
apenas a crimes definidos na Lei de Organização Criminosa, mas também a outras 
infrações previstas em legislações específicas, tais como: 
• Art. 53, I, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas); 
• Arts. 190-A a 190-E do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), inseridos pela Lei 
nº 13.441/2017; 
• Art. 1º, § 6º, da Lei nº 9.613/98 (Lei de Lavagem de Dinheiro), incluído pela Lei nº 
13.964/2019. 
(B) INCORRETA. A ação controlada consiste em retardar a intervenção policial ou 
administrativa relacionada a uma ação praticada por organização criminosa ou a ela 
vinculada, desde que essa ação permaneça sob observação e acompanhamento, 
permitindo que a intervenção ocorra no momento mais eficaz para a formação de 
provas e a obtenção de informações. Contudo, para que o retardamento seja válido, é 
necessária comunicação prévia ao juiz competente (e não "assim que possível", como 
afirma a assertiva), que poderá estabelecer os limites da medida e comunicará ao 
Ministério Público, conforme disposto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 12.850/13. 
ATENÇÃO! 
Se a ação controlada envolver crimes: 
DA LEI DE DROGAS OU 
DE LAVAGEM DE 
DINHEIRO 
Será necessária prévia autorização judicial 
PRATICADOS POR 
ORGANIZAÇÃO 
CRIMINOSA 
Neste caso será necessário apenas que a autoridade (policial ou 
administrativa) COMUNIQUE o juiz que irá realização ação 
controlada 
 
(C) INCORRETA. É constitucional a norma que permite o acesso de autoridades policiais 
e do Ministério Público a dados cadastrais de pessoas investigadas, independentemente 
de autorização judicial. Entretanto, a norma exclui a possibilidade de requisição de 
outros dados além de qualificação pessoal, filiação e endereço (art. 5º, incisos X e LXXIX, 
da Constituição Federal). O art. 17-B da Lei nº 12.850/13 estabelece que a autoridade 
policial e o Ministério Público podem acessar, sem autorização judicial, os dados 
cadastrais referentes à qualificação pessoal, filiação e endereço mantidos pela Justiça 
Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e 
administradoras de cartão de crédito. ADI 4.906/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado 
em 11/09/2024 (Informativo 1150). 
Contudo, e-mails não estão abrangidos, sendo necessária autorização judicial para o 
acesso a esses dados. 
 
 
47 
(D) CORRETA. A entrega vigiada é uma modalidade de "ação controlada" prevista na 
Convenção de Palermo (Decreto nº 5.015/2004). Nesse procedimento, autoridades 
policiais ou administrativas permitem que remessas ilícitas ou suspeitas transitem por 
territórios de um ou mais Estados sob o controle e conhecimento das autoridades 
competentes. O objetivo é investigar infrações e identificar os envolvidos em sua 
prática, conforme previsto no art. 2º, "i", da Convenção. 
(E) INCORRETA. Em regra, a gravação ambiental realizada sem o conhecimento de um 
dos interlocutores e sem autorização judicial é considerada ilícita. Contudo, há exceção 
quando o registro ocorre em local público desprovido de controle de acesso, situação 
em que não se configura violação à intimidade ou à expectativa de privacidade. 
Nesse sentido, decidiu o STF no tema 979: 
O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 979 da repercussão geral, negou provimento 
ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: No processo eleitoral, é ilícita a prova 
colhida por meio de gravação ambiental clandestina, sem autorização judicial e com 
violação à privacidade e à intimidade dos interlocutores, ainda que realizada por um dos 
participantes, sem o conhecimento dos demais. - A exceção à regra da ilicitude da 
gravação ambiental feita sem o conhecimento de um dos interlocutores e sem 
autorização judicial ocorre na hipótese de registro de fato ocorrido em local público 
desprovido de qualquer controle de acesso, pois, nesse caso, não há violação à 
intimidade ou quebra da expectativa de privacidade". Tudo nos termos do voto do 
Relator, vencidos os Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente), Edson Fachin, Cármen 
Lúcia e Luiz Fux. Plenário, Sessão Virtual de 19.4.2024 a 26.4.2024. 
_______________________________________________________________________ 
31. Em relação às provas digitais, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Considera-se prova digital qualquer informação produzida, armazenada ou 
transmitida por meios eletrônicos, incluindo os elementos nascidos em formato digital, 
mas não aqueles originalmente analógicos que foram digitalizados posteriormente. 
(B) A preservação da cadeia de custódia das provas digitais tem a finalidade de garantir 
sua integridade e sua autenticidade, sendo que uma das etapas consiste em realizar 
cópias espelho e cálculo da função hash. 
(C) A preservação da cadeia de custódia das provas digitais tem a finalidade de garantir 
sua autenticidade e tornar inacessíveis as informações para terceiros estranhos à 
investigação, assegurando sua força probatória e relevância. 
(D) Todo o material digital coletado deve ser preservado, periciado e, posteriormente, 
inserido no sistema judicial eletrônico, a fim de garantir a publicidade e o exercício do 
contraditório e da ampla defesa pelas partes envolvidas. 
(E) Nas diligências de investigação das evidências digitais é imprescindível a apreensão 
dos equipamentos para que, posteriormente, a defesa tenha acesso a todo o conteúdo, 
o que dispensa a necessidade de cópia de segurança. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
48 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
A questão foi extraída do seguinte julgado: 
A principal finalidade da cadeia de custódia, enquanto 
decorrência lógica do conceito de corpo de delito (art. 158 do 
Código de Processo Penal), é garantir que os vestígios deixados 
no mundo material por uma infração penal correspondem 
exatamente àqueles arrecadados pela polícia, examinados e 
apresentados em juízo. Busca-se assegurar que os vestígios são 
os mesmos, sem nenhum tipo de adulteração ocorrida durante o 
período em que permaneceram sob a custódia do Estado. 
No caso, a defesa sustenta que a polícia não documentou 
nenhum de seus procedimentos no manuseio dos computadores 
apreendidosna casa do investigado e, portanto, aferir sua 
procedência demanda apenas que se avalie a existência da 
documentação referente à cadeia de custódia, ou seja, se foram 
adotadas pela polícia cautelas suficientes para garantir a 
mesmidade das fontes de prova arrecadadas no inquérito, 
especificamente envolvendo os conteúdos dos computadores 
apreendidos na residência do acusado. 
Em que pese a intrínseca volatilidade dos dados armazenados 
digitalmente, já são relativamente bem delineados os 
mecanismos necessários para assegurar sua integridade, 
tornando possível verificar se alguma informação foi alterada, 
suprimida ou adicionada após a coleta inicial das fontes de prova 
pela polícia. 
Pensando especificamente na situação, a autoridade policial 
responsável pela apreensão de um computador (ou outro 
dispositivo de armazenamento de informações digitais) deve 
copiar integralmente (bit a bit) o conteúdo do dispositivo, 
gerando uma imagem dos dados: um arquivo que espelha e 
representa fielmente o conteúdo original. 
Aplicando-se uma técnica de algoritmo hash, é possível obter 
uma assinatura única para cada arquivo - uma espécie de 
impressão digital ou DNA, por assim dizer, do arquivo. Esse 
código hash gerado da imagem teria um valor diferente caso um 
único bit de informação fosse alterado em alguma etapa da 
investigação, quando a fonte de prova já estivesse sob a custódia 
da polícia. Mesmo alterações pontuais e mínimas no arquivo 
resultariam numa hash totalmente diferente, pelo que se 
denomina em tecnologia da informação de efeito avalanche. 
 
 
49 
Desse modo, comparando as hashes calculadas nos momentos 
da coleta e da perícia (ou de sua repetição em juízo), é possível 
detectar se o conteúdo extraído do dispositivo foi alterado, 
minimamente que seja. Não havendo alteração (isto é, 
permanecendo íntegro o corpo de delito), as hashes serão 
idênticas, o que permite atestar com elevadíssimo grau de 
confiabilidade que a fonte de prova permaneceu intacta. 
Contudo, no caso, não existe nenhum tipo de registro 
documental sobre o modo de coleta e preservação dos 
equipamentos, quem teve contato com eles, quando tais 
contatos aconteceram e qual o trajeto administrativo interno 
percorrido pelos aparelhos uma vez apreendidos pela polícia. 
Nem se precisa questionar se a polícia espelhou o conteúdo dos 
computadores e calculou a hash da imagem resultante, porque 
até mesmo providências muito mais básicas do que essa - como 
documentar o que foi feito - foram ignoradas pela autoridade 
policial. 
Salienta-se, ainda, que antes mesmo de ser periciado pela 
polícia, o conteúdo extraído dos equipamentos foi analisado pela 
própria instituição financeira vítima. O laudo produzido pelo 
banco não esclarece se o perito particular teve acesso aos 
computadores propriamente ditos, mas diz que recebeu da 
polícia um arquivo de imagem. Entretanto em nenhum lugar há 
a indicação de como a polícia extraiu a imagem, tampouco a 
indicação da hash respectiva, para que fosse possível confrontar 
a cópia periciada com o arquivo original e, assim, aferir sua 
autenticidade. 
Por conseguinte, os elementos comprometem a confiabilidade 
da prova: não há como assegurar que os elementos informáticos 
periciados pela polícia e pelo banco são íntegros e idênticos aos 
que existiam nos computadores do réu, o que acarreta ofensa ao 
art. 158 do CPP com a quebra da cadeia de custódia dos 
computadores apreendidos pela polícia, inadmitindo-se as 
provas obtidas por falharem num teste de confiabilidade 
mínima; inadmissíveis são, igualmente, as provas delas 
derivadas, em aplicação analógica do art. 157, § 1º, do CPP. 
Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Messod Azulay 
Neto, Rel. para acórdão Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, 
por maioria, julgado em 7/2/2023, DJe 2/3/2023. 
(A) INCORRETA. Embora recente, a Lei nº 13.964/2019 não trouxe especificações 
quanto à cadeia de custódia de provas digitais. Justifica-se que o legislador não exauriu 
o regramento desses elementos devido ao avanço científico-tecnológico constante. 
 
 
50 
No plano infralegal, destacam-se como principais normativas aplicáveis às provas 
digitais a ABNT ISO/IEC 27027:2013 (Associação Brasileira de Normas Técnicas – 
ABNT/ISO) e a RFC 3227/2002 (International Engineering Task Force – IETF). 
A prova digital (ou eletrônica, tecnológica, e-evidence) é definida por Geraldo Prado 
como “qualquer classe de informação (dados) produzida, armazenada ou transmitida 
por meios eletrônicos”. Gustavo Badaró exemplifica provas digitais como conteúdos de 
conversas telefônicas, e-mails, mensagens de voz, fotografias digitais e filmes 
armazenados na internet. Tem-se que provas digitais abrangem tanto dados nativos 
digitais quanto dados analógicos digitalizados (como documentos escaneados), desde 
que sejam coletados adequadamente e tenham relevância probatória. 
(B) CORRETA. A cadeia de custódia, como decorrência lógica do conceito de corpo de 
delito (art. 158 do CPP), tem como principal objetivo assegurar que os vestígios deixados 
por uma infração penal correspondam exatamente àqueles arrecadados pela polícia, 
analisados e apresentados em juízo. 
Em outras palavras, busca-se garantir que não houve adulteração enquanto esses 
vestígios estiveram sob a custódia do Estado. Para isso, cada fonte de prova exige 
procedimentos específicos que assegurem sua integridade. Por exemplo, a preservação 
e análise de um cadáver em casos de homicídio demandam técnicas diferentes das 
aplicadas à preservação de uma arma de fogo encontrada na cena do crime. 
Quando se trata de fontes de prova imateriais ou de natureza intangível, como dados 
informáticos, as peculiaridades também requerem técnicas específicas. O objetivo é 
preservar a integridade e garantir a confiabilidade das provas apresentadas. 
 Esse princípio é identificado como “mesmidade”, conforme definido por Geraldo Prado 
em A cadeia de custódia da prova no processo penal (2ª ed., 2021, p. 196). Em síntese, 
a cadeia de custódia busca garantir que os vestígios apresentados em juízo sejam os 
mesmos coletados na investigação, permitindo uma análise comparativa entre o estado 
original e o atual. 
No caso de dados digitais, embora sejam voláteis, existem métodos bem estabelecidos 
para assegurar sua integridade e detectar alterações, exclusões ou adições após a coleta 
inicial. Quando a polícia apreende um dispositivo eletrônico, como um computador, é 
necessário criar uma cópia bit a bit, ou imagem forense, do conteúdo original. Essa 
imagem é então protegida por meio de algoritmos hash, que geram uma assinatura 
digital única para cada arquivo, semelhante a uma impressão digital. Qualquer 
alteração, mesmo mínima, no conteúdo do arquivo resultará em um hash diferente, 
devido ao chamado efeito avalanche, característica que amplifica mudanças ínfimas 
na entrada em uma saída completamente distinta. 
Os hashes gerados no momento da coleta e durante a perícia (ou sua repetição em juízo) 
são comparados. Se forem idênticos, confirma-se que a fonte de prova permaneceu 
íntegra. Isso confere às provas digitais, quando coletadas de forma técnica e 
profissional, uma confiabilidade muitas vezes superior à de fontes corpóreas, como 
armas ou cadáveres, devido à precisão e objetividade dos algoritmos hash. No entanto, 
 
 
51 
tal eficácia depende da capacitação técnica da polícia e da rigorosa documentação de 
todo o processo. 
Sobre essa necessidade, Gustavo Badaró destaca que: 
“É imprescindível que o método empregado garanta a integridade do dado digital e a 
força probandi do conteúdo representado. A criação de uma cópia bitstream e o uso de 
algoritmos de hash permitem verificar a identidade entre o arquivo original e a cópia, 
preservando tanto o material original quanto a autenticidade do material periciado. 
Todo o processo deve ser documentado e registrado, assegurando o correto emprego 
dos procedimentos técnicos e permitindo a crítica judicial das partes. Adocumentação 
da cadeia de custódia torna-se essencial na análise de dados digitais, garantindo a 
autenticidade e integralidade dos elementos de prova e afastando a possibilidade de 
alterações indevidas” (Os standards metodológicos de produção na prova digital e a 
importância da cadeia de custódia, IBCCRIM, 2021, p. 2). 
(C) INCORRETA. O objetivo principal é garantir a confiabilidade da prova e sua 
admissibilidade em juízo. A regra da publicidade dos atos processuais somente poderá 
ser restringida quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem. 
(D) INCORRETA. Não é obrigatório que todo o material digital seja inserido no sistema 
judicial eletrônico. Apenas o conteúdo relevante à investigação e ao processo é 
analisado e utilizado, respeitando-se a publicidade, o contraditório e a ampla defesa. 
(E) INCORRETA. A apreensão do equipamento não dispensa a necessidade de realizar 
uma cópia de segurança (cópia espelho). Essa etapa é essencial para garantir a 
integridade da prova digital e evitar sua adulteração, conforme explicado na alternativa 
‘’B’’ 
_______________________________________________________________________ 
32. De acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, assinale a alternativa 
CORRETA: 
(A) A serendipidade é admitida no ordenamento jurídico brasileiro, sendo válidas as 
provas encontradas relativas à infração penal desconhecida, ainda que não exista 
conexão ou continência com o crime originário, desde que não haja desvio de finalidade 
na execução das diligências. 
(B) A serendipidade é admitida no ordenamento jurídico brasileiro, desde que não haja 
desvio de finalidade na execução das diligências, sendo inválida a prova descoberta se 
não houver conexão ou continência entre o crime originário e aquele encontrado. 
(C) Os elementos de informação trazidos pelo colaborador a respeito de crimes que não 
sejam conexos ao objeto da investigação primária não devem receber o mesmo 
tratamento conferido ao encontro fortuito de provas que ocorre em interceptação 
telefônica e na busca e apreensão. 
(D) A possibilidade de guarda municipal realizar prisão em flagrante e diligências 
investigativas é discussão realizada no STF e se refere à falta de treinamento 
especializado e de previsão no CPP. 
 
 
52 
(E) Os procedimentos investigatórios criminais instaurados pelo Ministério Público 
Federal devem ser comunicados ao juiz competente e estão submetidos ao mesmo prazo 
de 60 dias previsto para a conclusão de inquéritos policiais federais, havendo 
necessidade de autorização judicial para eventual prorrogação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. É admissível a prova obtida por meio indireto, desde que sua fonte seja 
lícita. Por exemplo, durante uma interceptação telefônica judicialmente autorizada para 
investigar um crime de tráfico de drogas, podem ser captados dados relativos a um 
homicídio. Essas provas são válidas. Da mesma forma, ao cumprir um mandado de busca 
e apreensão relacionado a um crime de receptação, podem ser descobertas evidências 
de um estupro de vulnerável. Nesses casos, as provas são legítimas, pois a fonte é lícita. 
Esse tipo de descoberta casual é chamado de serendipidade. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou sobre o tema: 
“A prova encontrada fortuitamente durante a investigação 
criminal é válida, salvo se comprovado vício ensejador de sua 
nulidade” (Inq 3732, 2.ª T., rel. Cármen Lúcia, j. 08.03.2016, v.u.). 
No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu: 
“Configurada a hipótese de encontro fortuito de provas, 
decorrente de medida de interceptação telefônica judicialmente 
autorizada, não há irregularidade na investigação levada a efeito 
para identificar novas pessoas acidentalmente reveladas pela 
prova, notadamente quando se trata de investigação 
relacionada a membros de uma organização criminosa com 
várias ramificações” (RHC 70.123/SP, 6.ª T., rel. Nefi Cordeiro, j. 
01.09.2016, v.u.). 
Além disso, consolidou-se o entendimento de que é possível utilizar provas obtidas em 
interceptações telefônicas judicialmente autorizadas para investigar pessoas ou crimes 
diversos daqueles inicialmente investigados, sem que isso implique ilicitude (AgRg no 
REsp 1.174.858/SP, 6.ª T., rel. Rogerio Schietti Cruz, j. 10.03.2016, v.u.). 
A discussão sobre a validade de provas obtidas acidentalmente tem evoluído nos 
tribunais superiores. Inicialmente, tanto o STJ quanto o STF entenderam que a 
interceptação telefônica seria válida quando o fato descoberto estivesse conectado ao 
crime investigado. Contudo, julgados mais recentes têm admitido a validade de provas 
colhidas acidentalmente, mesmo sem conexão entre os crimes. 
Em 15 de abril, o ministro João Otávio de Noronha abordou o tema durante uma sessão 
da Corte Especial, ao receber denúncia contra suspeitos envolvidos em um esquema de 
 
 
53 
venda de decisões judiciais no Tocantins (APn 690). Nesse caso, a investigação foi 
iniciada para apurar o uso de moeda falsa, mas as interceptações telefônicas revelaram 
indícios de negociações de decisões judiciais por desembargadores. Devido ao foro 
privilegiado das autoridades envolvidas, o caso foi encaminhado ao STJ. 
O ministro destacou que a serendipidade “não pode ser interpretada como ilegal ou 
inconstitucional apenas porque o objeto da interceptação não era o fato posteriormente 
descoberto”. Ele também afirmou que, ao serem descobertas novas evidências, deve 
ser instaurado um procedimento específico, como ocorreu nesse caso, e ressaltou que 
seria inconcebível declarar nula toda prova obtida de forma acidental. 
A jurisprudência tem caminhado no sentido de permitir a utilização dessas provas, desde 
que a interceptação inicial tenha sido autorizada e realizada de forma legal. 
Em 2013, o mesmo ministro já havia manifestado posição semelhante ao afirmar que o 
Estado não pode permanecer inerte diante da descoberta de indícios de um crime: 
 
“O encontro fortuito de notícia de prática delituosa durante a 
realização de interceptações telefônicas devidamente 
autorizadas não exige conexão entre o fato investigado e o novo 
fato para que se prossigam as investigações” (APn 510). 
(B) INCORRETA. Vide comentário anterior. 
(C) INCORRETA. PENAL. PROCESSO PENAL. INQUÉRITO. AGRAVOS REGIMENTAIS. 
DECLÍNIO DA COMPETÊNCIA DO STF PARA A 13ª VARA FEDERAL DE CURITIBA. 
REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DA CORTE EM RELAÇÃO À COMPETÊNCIA DA 
REFERIDA VARA FEDERAL. PRECEDENTES. FATOS RELACIONADOS À TRANSPETRO. 
CRIMES SUPOSTAMENTE COMETIDOS POR PARLAMENTARES NA CIDADE DE BRASÍLIA. 
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL NO DISTRITO FEDERAL. PROVIMENTO DOS 
AGRAVOS REGIMENTAIS PARA DETERMINAÇÃO DA REMESSA DOS AUTOS AO JUÍZO 
COMPETENTE, PARA SUPERVISÃO DO INQUÉRITO E ANÁLISE SOBRE NULIDADE OU 
CONVALIDAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS EM CASO DE EVENTUAL RECEBIMENTO DA 
DENÚNCIA. 1. O fato de a polícia judiciária ou o Ministério Público Federal denominarem 
determinadas apurações como fases da Operação Lava Jato, a partir de uma sequência 
de investigações sobre crimes diversos, não se sobrepõe às normas disciplinadoras de 
competência. Precedente: INQ 4.130 QO, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe 
3.2.2016. 2. A competência não pode ser definida a partir de um critério temático e 
aglutinativo de casos atribuídos aleatoriamente pelos órgãos de persecução e 
julgamento, como se tudo fizesse parte de um mesmo contexto, independente das 
peculiaridades de cada situação. 3. A colaboração premiada, como meio de obtenção de 
prova, não constitui critério de determinação, de modificação ou de concentração da 
competência. 4. Os elementos de informação trazidos pelo colaborador a respeito de 
crimes que não sejam conexos ao objeto da investigação primária devem receber o 
mesmo tratamento conferido à descoberta fortuita ou ao encontro fortuito de provas. 
5. A prevenção não é critério primário de determinação dacompetência, mas sim de sua 
concentração, tratando-se de regra de aplicação residual. 6. O estabelecimento de um 
 
 
54 
juízo universal para a apuração de desvios envolvendo vantagens indevidas pessoais ou 
a partidos políticos viola a garantia do juiz natural. 7. No caso em análise, as 
investigações deflagradas contra os recorrentes estão relacionadas a supostos crimes 
cometidos no âmbito da Transpetro. Os recorrentes exerciam mandatos parlamentares 
e os alegados atos ilícitos ocorreram em Brasília. 8. Provimento dos agravos regimentais 
para reconhecer a competência da Justiça Federal no Distrito Federal, com a 
determinação da imediata remessa dos autos para supervisão do inquérito e eventual 
manifestação sobre a nulidade ou convalidação dos atos processuais, em caso de 
eventual recebimento da denúncia pelo Juízo incompetente. 
(D) INCORRETA. A Guarda Municipal integra o sistema de segurança pública, conforme 
previsto no art. 144, §8º, da Constituição Federal de 1988. Sua atuação em prol da 
segurança pública, regulamentada pela Lei nº 13.022/2014, é limitada às suas 
atribuições constitucionais e, quando mais ampla, ocorre em colaboração com as 
polícias. 
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que: 
A Guarda Municipal pode, e deve, realizar prisões em flagrante, 
nos termos do art. 301 do Código de Processo Penal (CPP). 
Entretanto, os agentes da Guarda Municipal não têm 
autorização para realizar diligências típicas de investigação 
criminal, como ingressar em residências ou propriedades 
quando não há evidências de ilícito em poder do suspeito. STF, 
1ª Turma. RE 1281774 AgR-ED-AgR. Rel. Min. Alexandre de 
Moraes, Rel. p/ Acórdão: Min. Luís Roberto Barroso. Julgado em 
13/06/2022, DJE 26/08/2022. 
(E) INCORRETA. O STF atribuiu interpretação conforme aos incisos IV, VIII e IX do art. 3º-
B do CPP, introduzidos pela Lei nº 13.964/2019, para assegurar que todos os atos 
praticados pelo Ministério Público na condução de investigações penais estejam 
submetidos ao controle judicial (HC 89.837/DF, Rel. Min. Celso de Mello). 
Contudo, o prazo de conclusão do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) não é o 
mesmo dos inquéritos policiais federais e tampouco depende de autorização judicial 
para sua prorrogação. Conforme o art. 13 da Resolução nº 181/2017 do CNMP: 
Art. 13. O procedimento investigatório criminal deverá ser 
concluído no prazo de 90 (noventa) dias, permitidas, por igual 
período, prorrogações sucessivas, por decisão fundamentada do 
membro do Ministério Público responsável pela sua condução. 
Ademais, diferentemente do que estabelece a alternativa E, o prazo para conclusão do 
Inquérito Policial (IP) no âmbito federal é: 
• Para réu preso: 15 dias, prorrogáveis por mais 15 dias. 
• Para réu solto: 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias. 
 
 
55 
 PRESO SOLTO 
JUSTIÇA ESTADUAL 
(art. 10 do CPP) 
10 30+30 
JUSTIÇA FEDERAL 
(art. 66 da Lei nº 5.010/66) 
15 + 15 30 + 30 
LEI DE DROGAS 
(art. 51 da Lei nº 11.343/06) 
30 + 30 90 + 90 
ECONOMIA POPULAR 
(art. 10 da Lei nº 1.521/51) 
10 10 
INQUÉRITO MILITAR 
(art. 20 CPPM) 
20 40 + 20 
_______________________________________________________________________ 
33. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão 
preventiva decretada de ofício pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do 
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. 
(B) O juiz poderá, de ofício ou a pedido das partes, revogar a medida cautelar ou 
substituí-la quando verificar a falta de motivo para que subsista, bem como voltar a 
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
(C) A prisão temporária poderá ser decretada em face de representação da autoridade 
policial ou requerimento do Ministério Público, em qualquer fase do inquérito ou do 
processo, tendo duração máxima de 5 dias, prorrogável por igual período, em caso de 
extrema e comprovada necessidade. 
(D) Tratando-se de procedimento destinado à apuração da prática de crime hediondo, o 
prazo da prisão temporária poderá estender-se para 30 dias, ao final do qual, se não 
houver prorrogação, a autoridade policial deverá colocar o preso em liberdade assim que 
expedido o respectivo alvará de soltura pelo juiz que decretou a medida. 
(E) A liberdade provisória tem como pressuposto uma prisão cautelar e não poderá ser 
concedida nos crimes inafiançáveis, tais como racismo e tortura. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
 
 
56 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A redação anterior do Código de Processo Penal permitia ao juiz 
decretar medidas cautelares, incluindo a prisão, sem a necessidade de provocação pelas 
partes. 
Contudo, as alterações introduzidas pela Lei nº 13.964/19, que reforçam expressamente 
o sistema acusatório, passaram a exigir uma atuação jurisdicional condicionada à 
provocação das partes processuais. 
Dessa forma, a reforma legislativa eliminou a possibilidade de o magistrado decretar 
medidas cautelares de ofício, incluindo a prisão preventiva, permitindo essa decretação 
apenas mediante requerimento expresso do Ministério Público, do assistente de 
acusação ou por representação da autoridade policial. 
Nesse contexto, o artigo 311 do CPP passou a dispor: 
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do 
processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, 
a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do 
assistente, ou por representação da autoridade policial. 
Para afastar quaisquer dúvidas sobre a proibição da atuação de ofício pelo juiz na 
decretação da prisão preventiva, o Superior Tribunal de Justiça reforçou o entendimento 
já estabelecido pelo Pacote Anticrime ao editar, em dezembro de 2024, a Súmula 676, 
com o seguinte teor: 
Súmula 676 do STJ: Em razão da Lei n. 13.964/2019, não é mais 
possível ao juiz, de ofício, decretar ou converter prisão em 
flagrante em prisão preventiva. (Terceira Seção, aprovada em 
11/12/2024, DJe de 17/12/2024) 
Ademais, é relevante destacar que os artigos 282, §5º, e 316 do CPP, com a redação 
modificada pela Lei nº 13.964/19, permitem a atuação de ofício do juiz exclusivamente 
em situações favoráveis ao réu. 
(B) CORRETA. Conforme disposto no item anterior, os artigos 282, §5º, e 316 do CPP, 
com a redação modificada pela Lei nº 13.964/19, permitem a atuação de ofício do juiz 
exclusivamente em situações favoráveis ao réu, tais como revogar a medida cautelar ou 
substituí-la quando verificar a falta de motivo para que subsista, bem como voltar a 
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
(C) INCORRETA. A prisão temporária não pode ser decretada ou mantida após o 
recebimento da denúncia pelo juízo competente. Isso porque visa essa forma de 
custódia, primordialmente, a assegurar o êxito das investigações que antecedem ao 
ajuizamento da ação penal. Logo, se esta já foi ajuizada, desaparece o motivo que 
poderia conduzir o juiz a ordenar a custódia. 
 
 
57 
(D) INCORRETA. Como regra, a custódia terá o prazo de cinco dias, podendo este lapso 
ser prorrogado por igual período, em caso de excepcional necessidade (art. 2.º, caput). 
Tratando-se, porém, de crimes hediondos e equiparados, dispõe o art. 2.º, § 4.º, da Lei 
8.072/1990 que o prazo da temporária será de trinta dias, prorrogáveis por igual tempo, 
desde que comprovada a extrema necessidade. 
Decorrido o prazo pelo qual decretada a temporária, O DETIDO DEVERÁ SER COLOCADO 
IMEDIATAMENTE EM LIBERDADE, salvo se, no seu curso, tiver sido autorizada a 
prorrogação desse prazo ou operada a decretação da prisão preventiva (art. 2.º, § 7.º). 
A não adoção dessa providência pela autoridade responsável pela custódia implicará, 
também aqui, em abuso de autoridade, conforme dispõe o art. 12, parágrafo único, inc. 
IV, da Lei 13.869/2019. 
(E) INCORRETA. No Superior Tribunal de Justiça, decidiu-se que, “com o adventoda Lei 
n.º 11.464/07, que alterou a redação do art. 2.º, II, da Lei n.º 8.072/90, tornou-se 
possível a concessão de liberdade provisória aos crimes hediondos ou equiparados, nas 
hipóteses em que não estejam presentes os requisitos do art. 312 do Código de Processo 
Penal” 
 Por sua vez, no Supremo Tribunal Federal, deliberou-se que “o fato em si da 
inafiançabilidade dos crimes hediondos e dos que lhe sejam equiparados não tem a 
antecipada força de impedir a concessão judicial da liberdade provisória, jungido que 
está o juiz à imprescindibilidade do princípio tácito ou implícito da individualização da 
prisão (não somente da pena). A inafiançabilidade da prisão, mesmo em flagrante (inciso 
XLIII do art. 5.º da CF), quer apenas significar que a lei infraconstitucional não pode 
prever como condição suficiente para a concessão da liberdade provisória o mero 
pagamento de uma fiança. A prisão em flagrante não pré-exclui o benefício da liberdade 
provisória, mas, tão só, a fiança como ferramenta da sua obtenção. A inafiançabilidade 
de um crime não implica, necessariamente, vedação do benefício à liberdade provisória, 
mas apenas sua obtenção pelo simples dispêndio de recursos financeiros ou bens 
materiais. Tudo vai depender da concreta aferição judicial da periculosidade do agente, 
atento o juiz aos vetores do art. 312 do Código de Processo Penal”. 
_______________________________________________________________________ 
34. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Em caso de conexão, a competência do Tribunal do Júri para os crimes dolosos contra 
a vida prevalece sobre a competência por prerrogativa de função porque se trata de 
matéria constitucional que se sobrepõe às demais regras previstas no ordenamento 
jurídico. 
(B) A Justiça Eleitoral é competente para julgar os crimes eleitorais de falsidade 
ideológica e os conexos, exceto aqueles de competência da Justiça Federal e da Justiça 
Militar. 
(C) Compete à Justiça Militar processar e julgar os crimes dolosos contra a vida 
cometidos por militares das forças armadas contra civis quando em missão para garantia 
da lei e da ordem, nos termos da Lei nº 13.491/2017. 
 
 
58 
(D) A competência federal para julgar os crimes de racismo se estabelece quando forem 
praticados mediante a divulgação de conteúdo em rede social, independentemente de 
se tratar de perfil aberto ou fechado e do alcance da publicação, diante da possibilidade 
de ser acessado pela rede mundial de computadores. 
(E) A captação de recursos por meio de esquema denominado “pirâmide financeira” 
sempre caracteriza crime contra o sistema financeiro nacional, de competência da 
Justiça Federal, nos termos da Lei nº 7.492/1986. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O foro por prerrogativa de função, previsto na Constituição Federal de 
1988, tem prevalência sobre a competência constitucional do Tribunal do Júri, 
configurando uma exceção da própria Carta Magna. Entretanto, quando o foro por 
prerrogativa é estabelecido apenas por constituição estadual, ele não prevalece sobre a 
competência do Tribunal do Júri, conforme dispõe a Súmula Vinculante nº 45. 
(B) INCORRETA. Compete à Justiça Eleitoral julgar tanto os crimes eleitorais quanto os 
crimes comuns que lhes forem conexos. Esse entendimento foi consolidado pelo 
Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Inquérito 4435 AgR-quarto/DF, 
relatado pelo Ministro Marco Aurélio, realizado em 13 e 14 de março de 2019 
(Informativo 933). 
No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Habeas Corpus 612.636/RS, 
sob a relatoria do Desembargador convocado Jesuíno Rissato, com acórdão redigido 
pelo Ministro Ribeiro Dantas, julgou, por maioria, em 5 de outubro de 2021, que a 
competência para o julgamento em casos semelhantes é da Justiça Eleitoral. 
O fundamento jurídico para tal posicionamento encontra-se nos artigos 109, inciso IV, e 
121 da Constituição Federal, no artigo 35, inciso II, do Código Eleitoral, e no artigo 78, 
inciso IV, do Código de Processo Penal. 
Dessa forma, quando houver conexão ou continência entre crime comum (justiça 
comum federal ou estadual) e crime eleitoral, ambos devem ser processados e 
julgados de forma conjunta pela Justiça Eleitoral. 
(C) CORRETA. Art. 9º, § 2º, inciso III do Código Penal Militar. 
Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: 
(...) 
II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação 
penal, quando praticados: 
a) por militar da ativa contra militar na mesma situação; 
 
 
59 
b) por militar da ativa, em lugar sujeito à administração militar, 
contra militar da reserva ou reformado ou contra 
civil; (Redação dada pela Lei nº 14.688, de 2023) 
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em 
comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora 
do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, 
ou reformado, ou civil; 
d) por militar, durante o período de manobras ou exercício, 
contra militar da reserva ou reformado ou contra 
civil; (Redação dada pela Lei nº 14.688, de 2023) 
e) por militar da ativa contra o patrimônio sob a administração 
militar ou contra a ordem administrativa militar; (Redação dada 
pela Lei nº 14.688, de 2023) 
(...) 
§ 2º Os crimes militares de que trata este artigo, incluídos os 
previstos na legislação penal, nos termos do inciso II 
do caput deste artigo, quando dolosos contra a vida e 
cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão 
da competência da Justiça Militar da União, se praticados no 
contexto: (Redação dada pela Lei nº 14.688, de 2023) 
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas 
pelo Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da 
Defesa; 
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de 
missão militar, mesmo que não beligerante; ou 
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, DE 
GARANTIA DA LEI E DA ORDEM ou de atribuição subsidiária, 
realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da 
Constituição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais 
(...) 
(D) INCORRETA. A fixação da competência da Justiça Federal para o julgamento do 
crime de racismo mediante divulgação de conteúdo em rede social exige a demonstração 
da natureza aberta do perfil que realizou a postagem, a fim de possibilitar a verificação 
da potencialidade de atingimento de pessoas para além do território nacional. 
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 717.984-SC, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo 
(Desembargador convocado do TJSP), julgado em 2/9/2024 (Info 832). 
O critério adotado pelo STJ para definir a competência da Justiça Federal não se baseia 
na comprovação do alcance efetivo da postagem a pessoas no exterior, mas sim na 
análise de sua potencialidade. Contudo, esse elemento isolado não resolve a 
controvérsia. Era necessário que a defesa tivesse comprovado a abrangência da 
postagem, o que implicaria em provar que o perfil do acusado na rede social era aberto. 
O Ministro Reynaldo Soares da Fonseca esclarece: 
“Como se sabe, o perfil aberto no Facebook corresponde a um meio de divulgação que 
permite que qualquer usuário da plataforma, seja no Brasil ou no exterior, tenha acesso 
ao conteúdo, o que é suficiente para reconhecer a transnacionalidade do delito e fixar a 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14688.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14688.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14688.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14688.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14688.htm#art2
 
 
60 
competência da Justiça Federal para conduzir o inquérito.” (STJ. CC 204.372, Rel. Min. 
Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 25/04/2024). 
Por outro lado, essa abrangência não se aplica a perfis fechados, nos quaiso público que 
visualiza as postagens é restrito. No caso concreto, não houve comprovação de que o 
perfil utilizado fosse aberto. A demonstração de que o perfil era aberto era fundamental 
para resolver a questão. Importante ressaltar que a possibilidade de print screen, 
compartilhamento ou comentário não é exclusiva de perfis abertos em redes sociais. 
Esses elementos, por si só, não constituem prova suficiente de que o perfil seja aberto. 
Em resumo, a definição da competência da Justiça Federal para julgar crimes de racismo 
por meio da divulgação de conteúdo em redes sociais exige a demonstração da natureza 
aberta do perfil que realizou a postagem, possibilitando a verificação da potencialidade 
de atingir pessoas além do território nacional (STJ, 6ª Turma, AgRg no HC 717.984-SC, 
Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, julgado em 2/9/2024, Info 832). 
ATENÇÃO! 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
(...) 
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, 
quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou 
devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente. 
Para que o delito seja de competência da Justiça Federal com base neste inciso, são 
necessários três requisitos: 
a) que o fato seja previsto como crime em tratado ou convenção; 
b) que o Brasil tenha assinado tratado ou convenção internacional se comprometendo 
a combater esse tipo de delito; 
c) que exista uma relação de internacionalidade entre a conduta criminosa e o resultado 
produzido ou que deveria ter sido produzido. 
A relação de internacionalidade ocorre quando: 
• a execução do crime começa no Brasil e o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro; 
• a execução do crime começa no estrangeiro e o resultado tenha ou devesse ter 
ocorrido no Brasil. 
Portanto, não basta que o crime esteja previsto em tratado ou convenção internacional 
para que a Justiça Federal seja competente para julgá-lo. De acordo com a 
jurisprudência consolidada, o fato de o delito ter sido cometido por meio da internet 
não atrai, por si só, a competência da Justiça Federal. Para que o delito cometido pela 
internet seja julgado pela Justiça Federal, é necessário que ele preencha os requisitos 
mencionados acima. 
 
 
61 
(E) INCORRETA. Em regra, compete a Justiça Comum Estadual. Vejamos: 
Ausentes os elementos que revelem ter havido evasão de divisas 
ou lavagem de dinheiro em detrimento de interesses da União, 
compete à Justiça Estadual processar e julgar crimes 
relacionados a pirâmide financeira em investimento de grupo em 
criptomoeda. 
A captação de recursos decorrente de “pirâmide financeira” não 
se enquadra no conceito de atividade financeira, razão pela qual 
o deslocamento do feito para a Justiça Federal se justifica apenas 
se demonstrada a prática de evasão de divisas ou de lavagem de 
dinheiro em detrimento de bens e serviços ou interesse da União. 
STJ. 3ª Seção. CC 170392-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado 
em 10/06/2020 (Info 673). 
_______________________________________________________________________ 
35. Sobre a destinação de bens apreendidos em processos criminais, assinale a 
alternativa CORRETA: 
(A) Demonstrado o interesse público, o juiz poderá autorizar a utilização de bem 
apreendido, durante a investigação e o processo, por órgãos de segurança pública, os 
quais terão prioridade em caso de transferência definitiva do bem se houver decretação 
de perdimento na sentença condenatória transitada em julgado. 
(B) O juiz deverá determinar a alienação antecipada dos bens apreendidos em processos 
criminais somente quando houver dificuldade para sua manutenção pelo Poder Público 
e o valor obtido em leilão ficará depositado em conta vinculada ao juízo até decisão final 
do processo, procedendo-se à sua conversão em renda para a União, Estado ou Distrito 
Federal, no caso de condenação, ou, no caso de sua absolvição, à devolução ao acusado. 
(C) Quando a indisponibilidade recair sobre moeda nacional, o juízo deverá determinar 
o depósito dos valores em conta judicial, e quando se tratar de moeda estrangeira, 
deverá encaminhar o numerário apreendido ao Banco Central do Brasil. 
(D) Em caso de certeza da infração e indícios suficientes de autoria, o ofendido poderá 
requerer a hipoteca legal sobre os imóveis do indiciado para garantir o ressarcimento do 
dano, mas haverá preferência ao pagamento das despesas processuais e das penas 
pecuniárias. 
(E) Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento 
do interessado ou do Ministério Público, determinará a avaliação e a venda dos bens em 
leilão público cujo perdimento tenha sido decretado, sendo que o valor obtido será 
destinado aos cofres públicos se não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
62 
(A) INCORRETA O art. 133-A do CPP estabelece que o juiz poderá autorizar, constatado 
o interesse público, a utilização de bens sequestrados, apreendidos ou sujeitos a 
medidas assecuratórias por órgãos de segurança pública, sistema prisional, sistema 
socioeducativo, Força Nacional de Segurança Pública e Instituto Geral de Perícias para o 
desempenho de suas atividades. Contudo, o uso definitivo do bem por esses órgãos está 
condicionado ao trânsito em julgado da sentença penal condenatória que decrete o 
perdimento, ressalvados os direitos do lesado ou de terceiros de boa-fé. Dessa forma, 
a alternativa apresenta impropriedade ao sugerir que os órgãos de segurança teriam 
prioridade na transferência definitiva sem considerar as ressalvas previstas. 
(B) INCORRETA. O art. 144-A do CPP dispõe que o juiz determinará a alienação 
antecipada de bens apreendidos para a preservação do valor sempre que houver risco 
de deterioração ou depreciação, ou dificuldade para sua manutenção. No entanto, a 
alternativa restringe a alienação antecipada à dificuldade de manutenção, o que não 
abrange a totalidade das hipóteses legais. 
(C) INCORRETA. O art. 144-A, § 4º, do CPP determina que, quando a indisponibilidade 
recair sobre valores em moeda nacional ou estrangeira, títulos, valores mobiliários ou 
cheques emitidos como ordem de pagamento, o juízo procederá à conversão do 
numerário apreendido em moeda nacional corrente e ao depósito das quantias em 
conta judicial. A alternativa erra ao afirmar que moedas estrangeiras seriam 
encaminhadas ao Banco Central do Brasil, ignorando a exigência de conversão e 
depósito judicial. 
(D) INCORRETA. Nos termos do art. 134 do Código de Processo Penal (CPP), o ofendido 
pode requerer, em qualquer fase do processo, a hipoteca legal sobre os imóveis do 
indiciado, desde que haja certeza da infração e indícios suficientes de autoria. O art. 135, 
por sua vez, exige que, no requerimento, a parte estime o valor da responsabilidade civil 
e indique os imóveis a serem hipotecados. 
O juiz, ao receber o pedido, determinará o arbitramento do valor da responsabilidade e 
a avaliação dos imóveis indicados. 
Ademais, conforme o art. 140, as garantias para ressarcimento do dano incluem as 
despesas processuais e penas pecuniárias, sendo que a reparação ao ofendido tem 
prioridade sobre estas últimas. Assim, a alternativa apresenta erro ao sugerir que as 
penas pecuniárias teriam preferência sobre o ressarcimento ao ofendido, contrariando 
a ordem estabelecida pela lei. 
(E) CORRETA. De acordo com o art. 133 do CPP, transitada em julgado a sentença 
condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado ou do Ministério 
Público, determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público cujo perdimento 
tenha sido decretado. O § 1º do artigo determina que o valor obtido será destinado aos 
cofres públicos, exceto o montante devido ao lesado ou a terceiros de boa-fé. Essa 
redação confere total conformidade à alternativa apresentada. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
63e Formação Humanística, Direitos Humanos e Direito 
da Antidiscriminação ............................................................................................. 118 
DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................................ 118 
DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................. 132 
DIREITO INTERNACIONAL ......................................................................................... 139 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA ..................................... 144 
DIREITOS HUMANOS E DIREITO DA ANTIDISCRIMINAÇÃO ...................................... 149 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
Bloco I: Direito Constitucional, Direito Previdenciário, Direito Penal, 
Direito Processual Penal, Direito Econômico e de Proteção ao Consumidor 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
1. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) São constitucionais as disposições do parágrafo único do art. 741, do § 1º do art. 475-
L, ambos do CPC/1973, bem como os correspondentes dispositivos do CPC/2015, o art. 
525, § 1º, III e §§ 12 e 14, o art. 535, § 5º. Esses preceitos, buscando harmonizar a 
garantia da coisa julgada com o primado da Constituição Federal, agregaram ao sistema 
processual um mecanismo com eficácia rescisória de sentenças revestidas de vício de 
inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas hipóteses em que (a) a 
sentença exequenda esteja fundada em norma reconhecidamente inconstitucional, seja 
por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situação ou com um 
sentido inconstitucionais; ou (b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma 
reconhecidamente constitucional; e (c) desde que, em qualquer dos casos, o 
reconhecimento dessa constitucionalidade ou a inconstitucionalidade tenha decorrido 
de julgamento do STF realizado em data posterior ao trânsito em julgado da sentença 
exequenda. 
(B) O art. 17 do ADCT, no texto positivado pelo Constituinte Originário, previu que os 
vencimentos, a remuneração, as vantagens e os adicionais, bem como os proventos de 
aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição Federal 
serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes, não se admitindo, neste 
caso, invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título. Por se 
tratar de preceito transitório e exaurível que, expressamente, excepciona o direito 
adquirido (cláusula pétrea e garantia permanente da segurança jurídica), o STF não 
estendeu a aplicação do art. 17 do ADCT para situações jurídicas acobertadas pela coisa 
julgada (Tema 380). 
(C) Segundo entendimento do STF, o art. 97 da Constituição Federal, ao subordinar o 
reconhecimento da inconstitucionalidade à “maioria absoluta de seus membros ou dos 
membros dos respectivos órgãos especiais", está se dirigindo aos tribunais indicados no 
art. 92 e aos respectivos órgãos especiais de que trata o art. 93, XI, todos da mesma 
ordem de 1988. A cláusula de reserva de plenário, portanto, não atinge Juizados 
Especiais Federais (art. 98, I, da ordem constitucional de 1988), os quais, pela 
configuração atribuída pelo legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob regime de 
plenário ou de órgão especial. Mas no Tema 159, o STF decidiu que compete às Turmas 
Recursais o julgamento de mandado de segurança utilizado como substitutivo recursal 
contra decisão de Juiz Federal no exercício de jurisdição do Juizado Especial Federal. 
(D) De acordo com o Tema 582/STF, amparado no art. 5º, LXIX e LXXII, da Constituição 
Federal, o mandado de segurança é a garantia constitucional adequada para a obtenção, 
pelo próprio contribuinte, dos dados concernentes ao pagamento de tributos constantes 
 
 
9 
de sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos da administração 
fazendária dos entes estatais. 
(E) Em vista do art. 7º, IV e VII, da Constituição Federal, é vedada a remuneração inferior 
ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 360 do STF (RE 611503): “São constitucionais as disposições 
normativas do parágrafo único do art. 741 do CPC, do § 1º do art. 475-L, ambos do 
CPC/73, bem como os correspondentes dispositivos do CPC/15, o art. 525, § 1º, III e §§ 
12 e 14, o art. 535, § 5º. São dispositivos que, buscando harmonizar a garantia da coisa 
julgada com o primado da Constituição, vieram agregar ao sistema processual brasileiro 
um mecanismo com eficácia rescisória de sentenças revestidas de vício de 
inconstitucionalidade qualificado, assim caracterizado nas hipóteses em que (a) a 
sentença exequenda esteja fundada em norma reconhecidamente inconstitucional, seja 
por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situação ou com um 
sentido inconstitucionais; ou (b) a sentença exequenda tenha deixado de aplicar norma 
reconhecidamente constitucional; e (c) desde que, em qualquer dos casos, o 
reconhecimento dessa constitucionalidade ou a inconstitucionalidade tenha decorrido 
de julgamento do STF realizado em data anterior ao trânsito em julgado da sentença 
exequenda.” 
(B) INCORRETA. Tema 380/STF (RE 600658): “O art. 17 do ADCT alcança as situações 
jurídicas cobertas pela coisa julgada”. 
(C) CORRETA. O STF sedimentou entendimento, no bojo do ARE 792562, no seguinte 
sentido: “O art. 97 da Constituição, ao subordinar o reconhecimento da 
inconstitucionalidade de preceito normativo a decisão nesse sentido da “maioria 
absoluta de seus membros ou dos membros dos respectivos órgãos especiais”, está se 
dirigindo aos tribunais indicados no art. 92 e aos respectivos órgãos especiais de que 
trata o art. 93, XI. A referência, portanto, não atinge juizados de pequenas causas (art. 
24, X) e juizados especiais (art. 98, I), os quais, pela configuração atribuída pelo 
legislador, não funcionam, na esfera recursal, sob regime de plenário ou de órgão 
especial. (ARE 792.562 AgR, rel. min. Teori Zavascki, j. 18-3-2014, 2ª T, DJE de 2-4-2014). 
E, ainda, por ocasião do julgamento do Tema 159 (RE 586789): “Compete às Turmas 
Recursais o julgamento de mandado de segurança utilizado como substitutivo recursal 
contra decisão de juiz federal no exercício de jurisdição do Juizado Especial Federal.” 
(D) INCORRETA. Tema 582/STF (RE 673707): “O habeas data é a garantia constitucional 
adequada para a obtenção, pelo próprio contribuinte, dos dados concernentes ao 
pagamento de tributos constantes de sistemas informatizados de apoio à arrecadação 
dos órgãos da administração fazendária dos entes estatais.” 
 
 
10 
(E) INCORRETA. Tema 15/STF (RE 570177): “Não viola a Constituição o estabelecimento 
de remuneração inferior ao salário-mínimo para as praças prestadoras de serviço militar 
inicial.”. 
Súmula Vinculante 6: “Não viola a Constituição o estabelecimento de remuneração 
inferior ao salário mínimo para as praças prestadoras de serviço militar inicial”. 
_______________________________________________________________________ 
2. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Diante do Tema 858/STF, o trânsito em julgado de sentença condenatória proferida 
em sede de ação desapropriatória não obsta a propositura de Ação Civil Pública em 
defesa do patrimônio público, para discutir a dominialidade do bem expropriado, ainda 
que já se tenha expirado o prazo para a Ação Rescisória. Em sede de Ação de 
Desapropriação, os honorários sucumbenciais só serão devidos caso haja devido 
pagamento da indenização aos expropriados. 
(B) Conforme o Tema 916/STF, a contratação por tempo determinado para atendimento 
de necessidade temporária de excepcional interesse público realizada em 
desconformidade com os preceitos do art. 37, IX, da Constituição Federal não gera 
quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação aos servidores contratados (tais como aBloco II: Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Empresarial, Direito 
Financeiro e Tributário 
 
DIREITO CIVIL 
 
36. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A remissão conferida pelo credor a um dos devedores solidários exime os demais, 
extinguindo-se a dívida. 
(B) A compensação entre crédito de um dos devedores solidários e o credor destes exime 
os demais devedores, extinguindo-se a solidariedade. 
(C) A compensação entre crédito de um dos devedores solidários e o credor destes exime 
os demais devedores, extinguindo-se a solidariedade. 
(D) A transação celebrada entre o credor e um dos devedores solidários exime os demais 
devedores, extinguindo-se a dívida. 
(E) A novação contratada entre o credor e um dos devedores solidários implica, 
automaticamente, em que a dívida nova permanecerá solidária. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
CC: Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor 
de um, de alguns ou de todos os devedores. 
Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou 
mais devedores, subsistirá a dos demais. 
Veja que os outros devedores solidários continuam obrigados pelo saldo remanescente, 
descontada a quota-parte do devedor que recebeu a remissão. 
(B) INCORRETA. A compensação operada entre o credor e um dos devedores solidários 
só aproveita aos demais devedores até o limite da quota-parte do devedor que obteve 
a compensação, conforme estabelece o artigo 284 do Código Civil. 
Assim, quando ocorre a compensação envolvendo um dos devedores solidários, os 
demais continuam obrigados pelo saldo remanescente, deduzida apenas a parte do 
devedor que teve seu crédito compensado. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativas C e D. 
 
 
64 
(D) CORRETA. O artigo 844, § 3º do Código Civil brasileiro estabelece expressamente 
que a transação celebrada entre o credor e um dos devedores solidários exime os 
demais devedores, extinguindo-se a dívida. 
CC: Art. 844. A transação não aproveita, nem prejudica senão aos 
que nela intervierem, ainda que diga respeito a coisa indivisível. 
§ 3 Se entre um dos devedores solidários e seu credor, extingue 
a dívida em relação aos co-devedores. 
(E) INCORRETA. A novação feita entre o credor e um dos devedores solidários não 
implica automaticamente que a dívida nova permanecerá solidária. De acordo com o 
artigo 365 do Código Civil, se a novação ocorre entre o credor e um dos devedores 
solidários, os outros devedores ficam exonerados. 
No mais, o artigo 364 dispõe que a novação extingue os acessórios e garantias da dívida, 
sempre que não houver estipulação em contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor 
ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem 
a terceiro que não foi parte na novação. 
_______________________________________________________________________ 
37. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Reduzir os juros vincendos de um empréstimo, na vigência de lei nova que os limitou, 
é exemplo de retroatividade máxima. 
(B) Os limites à retroatividade da lei não se aplicam aos regulamentos administrativos. 
(C) O direito sob condição suspensiva é considerado adquirido perante a lei nova; não é 
assim considerado no que tange aos efeitos do negócio jurídico. 
(D) A expectativa de direito não gera efeitos jurídicos. 
(E) O direito sujeito a termo inicial não é considerado adquirido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A redução dos juros vincendos de um empréstimo, na vigência de lei 
nova que os limitou, é exemplo de retroatividade mínima (ou mitigada). 
A retroatividade dos efeitos da lei no tempo se classifica em: 
1. Máxima: atinge o ato jurídico já consumado e seus efeitos já produzidos 
2. Média: atinge os efeitos pendentes de atos anteriores à lei 
3. Mínima: atinge apenas os efeitos futuros de atos anteriores à lei 
 
 
65 
Por isso, trata-se de retroatividade mínima, pois a lei nova alcança apenas os efeitos 
futuros de um ato jurídico anterior à sua vigência. 
(B) INCORRETA. Os limites à retroatividade da lei APLICAM-SE aos regulamentos 
administrativos. 
(C) CORRETA. O direito sob condição suspensiva é considerado ADQUIRIDO. Protege-se 
a situação jurídica constituída na vigência da lei antiga. Isso ocorre quando a condição 
se cumpre durante a vigência da lei nova, conforme o artigo 6º, § 2º, da Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB): 
Art. 6º, §2º, LINDB: "Consideram-se adquiridos assim os direitos 
que o seu titular... possa exercer, como aqueles cujo começo do 
exercício tenha termo pré-fixo, ou condição preestabelecida 
inalterável, a arbítrio de outrem" 
(D) INCORRETA. A expectativa de direito gera sim efeitos jurídicos, ainda que mais 
limitados que o direito adquirido. O Código Civil expressamente reconhece efeitos à 
expectativa de direito ao permitir a realização de atos conservatórios antes do 
implemento da condição suspensiva (art. 130). 
A expectativa pode ser objeto de negócio jurídico, sendo passível de cessão ou 
transmissão em determinadas hipóteses. O ordenamento também protege a 
expectativa contra atos emulativos e de má-fé que visem frustrar sua concretização 
futura. Ademais, a violação de expectativa legítima pode gerar responsabilização civil, 
com base na proteção da confiança. 
Assim, embora não configure direito subjetivo pleno, a expectativa de direito possui 
relevância jurídica e produz efeitos concretos que merecem tutela do sistema jurídico, 
não sendo mera situação de fato desprovida de consequências legais. 
(E) INCORRETA. O direito sujeito a termo inicial é considerado adquirido. 
A razão é que no termo inicial não há incerteza quanto ao direito em si - apenas o seu 
exercício está postergado para momento futuro e certo. Diferentemente da condição 
suspensiva (que depende de evento futuro e incerto), no termo inicial há certeza quanto 
à aquisição do direito, existindo apenas uma limitação temporal ao seu exercício. 
Isso está inclusive expresso no art. 6º, §2º da LINDB, que considera adquiridos os direitos 
cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo. O termo inicial não afeta a existência ou 
validade do direito, mas somente sua eficácia, que fica diferida no tempo. 
Portanto, o direito sujeito a termo inicial é considerado adquirido desde sua 
constituição, ainda que seu exercício só seja possível após o advento do termo. 
_______________________________________________________________________ 
38. Assinale a alternativa CORRETA: 
 
 
66 
(A) Para promover a responsabilidade do construtor por vício, o adquirente do imóvel 
deve observar o prazo decadencial de cinco anos, além do prazo prescricional de cinco 
anos. 
(B) Ao construtor é imposto um prazo legal de garantia pela solidez e segurança da 
construção. Ainda pode responder por vícios, no prazo prescricional de dez anos. 
(C) Durante cinco anos, o construtor responde por vícios da construção, ficando liberado 
quanto aos vícios que se manifestem após esse prazo. 
(D) O adquirente, sendo consumidor, deve reclamar por vícios aparentes ou não 
aparentes no prazo de cinco anos, contados da entrega da obra. 
(E) Se o contrato for escrito, o construtor responderá por vícios, observada a prescrição 
trienal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(B) CORRETA. Não há um prazo decadencial de cinco anos e um prazo prescricional 
adicional de cinco anos para promover a responsabilidade do construtor por vícios. 
A responsabilidade do construtor por vícios na obra é regulada pelo art. 618 do Código 
Civil, que estabelece garantia de 5 anos para defeitos que comprometam a solidez e 
segurança da construção. 
Com a constatação do vício dentro do quinquênio legal, uma série de pretensões 
exsurgempara o comitente. Poderá ele redibir o contrato ou pleitear abatimento no 
preço, desde que o faça no prazo decadencial de 180 dias seguintes ao aparecimento do 
vício ou defeito. Por ser decadencial, o prazo de 180 idas não se interrompe, não se 
suspende e é irrenunciável. Se optar, no entanto, por pleitear ressarcimento pelas 
perdas e danos, deverá fazê-lo no prazo prescricional assegurado pela lei civil, não 
estando sujeito ao prazo quinquenal. Nessa hipótese, por se tratar de prazo 
prescricional, pode haver suspensão ou interrupçãO (Comentários ao Novo Código Civil: 
das várias espécies de contratos, vol. IX. Rio de Janeiro: Forense, 2008, 
Em relação ao prazo prescricional aplicável à pretensão indenizatória decorrente do 
vício construtivo, entende-se que deve incidir o prazo geral decenal disposto no art. 205 
do CC⁄02, o qual é o prazo que regula as pretensões fundadas no inadimplemento 
contratual. STJ – Resp nº 1.534.831 - DF 
Assim, em conclusão, sob a regência do CC⁄02, verificando o comitente vício da obra 
dentro do prazo quinquenal de garantia, poderá, a contar do aparecimento da falha 
construtiva: a) redibir o contrato ou pleitear abatimento no preço, no prazo decadencial 
 
 
67 
de 180 dias; b) pleitear indenização por perdas e danos, no prazo prescricional de 10 
anos. 
(C) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
(D) INCORRETA. Nestes casos, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que 
em seu art. 26, II, estabelece prazo decadencial de 90 dias para reclamação de vícios 
aparentes ou de fácil constatação em produtos duráveis, como imóveis. Este prazo 
inicia-se da efetiva entrega do imóvel. Para vícios ocultos, o prazo de 90 dias começa a 
contar do momento em que ficar evidenciado o defeito, conforme prevê o §3º do art. 
26 do CDC. 
Assim, o adquirente, sendo consumidor, deve reclamar por vícios aparentes ou não 
aparentes dentro dos prazos estabelecidos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), 
que são 90 dias para vícios aparentes em bens imóveis e cinco anos para vícios ocultos 
(arts. 25 e 26, CC). 
(E) INCORRETA. Vide comentários alternativa B. 
_______________________________________________________________________ 
39. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O mandato não pode ser eficazmente substabelecido, se houver cláusula que o 
proíba. 
(B) O mandato não pode ser objeto de revogação eficaz, se contiver cláusula que a 
proíba. 
(C) O mandato se presume gratuito, salvo se houver previsão de que as despesas 
incorridas pelo mandatário devam ser ressarcidas. 
(D) A cláusula ad judicia inserida em mandato confere ao mandatário, por si só, poderes 
para transigir, renunciar e celebrar compromisso. 
(E) O mandato em termos gerais implica em poderes de administração, o que inclui a 
aplicação financeira de valores em espécie da titularidade do mandante. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Mesmo havendo cláusula proibitiva, o mandato pode ser 
substabelecido, conforme previsto no art. 667 do CC: 
" Art. 667. O mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência 
habitual na execução do mandato, e a indenizar qualquer 
prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem 
 
 
68 
substabelecer, sem autorização, poderes que devia exercer 
pessoalmente. 
§ 1 o Se, não obstante proibição do mandante, o mandatário se 
fizer substituir na execução do mandato, responderá ao seu 
constituinte pelos prejuízos ocorridos sob a gerência do 
substituto, embora provenientes de caso fortuito, salvo 
provando que o caso teria sobrevindo, ainda que não tivesse 
havido substabelecimento. 
§ 2 o Havendo poderes de substabelecer, só serão imputáveis ao 
mandatário os danos causados pelo substabelecido, se tiver 
agido com culpa na escolha deste ou nas instruções dadas a ele. 
§ 3 o Se a proibição de substabelecer constar da procuração, os 
atos praticados pelo substabelecido não obrigam o mandante, 
salvo ratificação expressa, que retroagirá à data do ato. 
§ 4 o Sendo omissa a procuração quanto ao substabelecimento, 
o procurador será responsável se o substabelecido proceder 
culposamente." 
A proibição não impede o substabelecimento, apenas faz com que o mandatário assuma 
responsabilidade pelos atos praticados pelo substabelecido. 
(B) INCORRETA. O mandato pode ser revogado mesmo que haja cláusula de 
irrevogabilidade. Isso porque o mandato é, mandato é, por sua natureza, revogável (art. 
682, I, CC). Além disso, ninguém pode se vincular perpetuamente a um contrato dessa 
natureza, que envolve relação de confiança. 
O que ocorre é que, havendo cláusula de irrevogabilidade, a revogação será eficaz 
(produzirá efeitos), mas gerará o dever de indenizar do mandante se o mandato foi 
conferido também no interesse do mandatário ou de terceiro (art. 683, CC). 
Logo, a cláusula de irrevogabilidade não torna a revogação ineficaz - apenas pode gerar 
responsabilidade civil do mandante pelos prejuízos causados ao mandatário. 
(C) INCORRETA. O mandato se presume gratuito quando não houver convenção em 
contrário sobre remuneração (art. 658, CC). Assim, ao contrário do que afirma a 
alternativa, o mandato não se presume gratuito, salvo se houver previsão específica 
para isso. 
(D) INCORRETA. A cláusula "ad judicia" confere apenas poderes para o foro em geral, ou 
seja, para representação em juízo. 
Para os atos de disposição como transigir, renunciar, fazer acordo ou firmar 
compromisso, é necessário que haja poderes especiais expressamente outorgados na 
procuração (art. 105 do CPC). 
(E) CORRETA. O mandato em termos gerais implica poderes de administração, conforme 
artigo 661 do Código Civil. Isso inclui a aplicação financeira de valores em espécie da 
titularidade do mandante. 
 
 
69 
A aplicação financeira de valores em espécie é considerada ato de administração 
ordinária, pois visa preservar e gerir adequadamente o patrimônio do mandante, 
evitando sua desvalorização. 
_______________________________________________________________________ 
40. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) São incapazes para os atos da vida civil os ébrios, os deficientes mentais e os 
toxicômanos. 
(B) Os deficientes mentais são capazes para os atos da vida civil, podendo receber 
curador para assisti-los nos atos de cunho patrimonial. 
(C) Os deficientes podem praticar atos existenciais, desde que o façam com a anuência 
de dois apoiadores. 
(D) Os toxicômanos, com entendimento reduzido, não podem mais ser interditados 
segundo a legislação hoje vigente. 
(E) Os indígenas são sempre incapazes do ponto de vista individual, mas suas 
coletividades não o são. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
(A) CORRETA. Conforme art. 4º do Código Civil, são RELATIVAMENTE incapazes: 
CC: Art. 4 o São incapazes, relativamente a certos atos ou à 
maneira de os exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não 
puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por 
legislação especial. 
Importante destacar que após o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) 
não existe mais "deficiente mental" como categoria de incapacidade; a deficiência não 
afeta a plena capacidade civil da pessoa; os casos acima são de INCAPACIDADE RELATIVA 
(não absoluta); a incapacidade se relaciona com a impossibilidade de manifestação de 
vontade, não com a condição em si. 
Por conseguinte, ébrios habituais e toxicômanos são relativamente incapazes, e não 
existe mais a categoria "deficientes mentais" como causa de incapacidade. 
 
 
70 
A deficiência em si não é causa de incapacidade, devendo ser analisada no caso 
concreto. 
Diante disso, apesar de o gabarito apontar como correta a alternativaA, entendemos 
que ser passível de eventual recurso. 
(B) INCORRETA. De acordo com o art. 84, §1º, da Lei 13.146/2015 (EPD), a pessoa com 
deficiência será submetida a curatela apenas se necessário. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) trouxe uma mudança 
paradigmática ao reconhecer que as pessoas com deficiência mental são plenamente 
capazes para os atos da vida civil. A curatela passou a ser uma medida excepcional que 
afeta apenas os atos de natureza patrimonial e negocial, não alcançando direitos 
existenciais como casar, votar ou trabalhar. O processo de curatela deve preservar os 
interesses do curatelado, considerar sua vontade e preferências, incentivar sua 
autonomia e favorecer sua inclusão social. Esta alteração legislativa representou 
significativo avanço na proteção dos direitos das pessoas com deficiência, reconhecendo 
sua capacidade e autonomia. 
(C) INCORRETA. O deficiente não precisa de anuência de apoiadores para praticar atos 
existenciais. Após o Estatuto da Pessoa com Deficiência, a pessoa com deficiência tem 
plena capacidade para praticar atos existenciais de forma autônoma, como casar, votar, 
exercer direitos sexuais e reprodutivos, conservar sua fertilidade, entre outros. 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) estabelece em seu art. 6º que a 
deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa para, entre outros: 
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, 
inclusive para: 
I - casar-se e constituir união estável; 
II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; 
III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter 
acesso a informações adequadas sobre reprodução e 
planejamento familiar; 
IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização 
compulsória; 
V - exercer o direito à família e à convivência familiar e 
comunitária; e 
VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, 
como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades 
com as demais pessoas. 
O estatuto garante a esses atos existenciais o exercício direto, sem necessidade de 
assistência ou representação. Qualquer forma de discriminação ou restrição por motivo 
de deficiência é proibida, sendo a capacidade legal exercida em igualdade de condições 
com as demais pessoas. 
 
 
71 
(D) INCORRETA. Os toxicômanos com entendimento reduzido podem ser submetidos à 
curatela (antiga interdição) conforme o artigo 4º, II do Código Civil, que permanece em 
vigor. O que mudou com o Estatuto da Pessoa com Deficiência foi que essa condição 
não gera incapacidade automática. 
(E) INCORRETA. A capacidade civil dos indígenas é regulada pelo Estatuto do Índio (Lei 
6.001/73) que os classifica em três categorias: Isolados (não integrados) em vias de 
integração; e integrados. 
Os indígenas integrados têm plena capacidade civil. Os não integrados e em vias de 
integração estão sujeitos ao regime tutelar estabelecido na legislação especial. 
Lei 6.001/73: Art. 7º Os índios e as comunidades indígenas ainda 
não integrados à comunhão nacional ficam sujeito ao regime 
tutelar estabelecido nesta Lei. 
§ 1º Ao regime tutelar estabelecido nesta Lei aplicam-se no que 
couber, os princípios e normas da tutela de direito comum, 
independendo, todavia, o exercício da tutela da especialização 
de bens imóveis em hipoteca legal, bem como da prestação de 
caução real ou fidejussória. 
§ 2º Incumbe a tutela à União, que a exercerá através do 
competente órgão federal de assistência aos silvícolas. 
_______________________________________________________________________ 
41. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A morte presumida e a ausência têm efeitos patrimoniais, mas não pessoais. 
(B) Durante a fase de sucessão provisória do ausente, seus imóveis são inalienáveis, salvo 
por ordem judicial, ou desapropriação. 
(C) A morte presumida é instituto aplicável apenas na pendência de guerra declarada, 
ou ainda no caso de ausência por mais de 20 anos. 
(D) A sentença que decreta a morte presumida fixará a data da morte, podendo omiti-la 
se não for possível estabelecer a data exata. 
(E) O ausente, ao ser assim declarado por sentença, será interditado para que seu 
patrimônio possa ser administrado por curador. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tanto a morte presumida quanto a ausência produzem efeitos 
patrimoniais e pessoais, não se limitando apenas à esfera patrimonial. Na morte 
presumida, além dos efeitos patrimoniais como a abertura da sucessão definitiva e 
transmissão dos bens aos herdeiros, há importantes efeitos pessoais, sendo o principal 
 
 
72 
deles a dissolução do vínculo matrimonial, permitindo ao cônjuge contrair novo 
casamento. Na ausência também existem efeitos em ambas as esferas. 
(B) CORRETA. Durante a fase de sucessão provisória do ausente, seus imóveis são 
inalienáveis e não podem ser hipotecados, salvo quando o juiz ordenar para evitar sua 
ruína, ou em caso de desapropriação. 
CC: “Art. 31. Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não 
sendo por desapropriação, ou hipotecar, quando o ordene o juiz, 
para lhes evitar a ruína.” 
(C) INCORRETA. A morte presumida não se restringe apenas aos casos de guerra 
declarada ou ausência por mais de 20 anos. Conforme estabelece o artigo 7º do Código 
Civil, a morte presumida pode ser declarada quando alguém, desaparecido em 
campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da 
guerra (sem necessidade de ser formalmente declarada); quando for extremamente 
provável a morte de quem estava em perigo de vida; e quando alguém, desaparecido 
em circunstâncias que façam presumir sua morte, tiver seu cadáver não encontrado. 
O prazo de 20 anos mencionado na questão está equivocado, pois se refere à sucessão 
definitiva do ausente (artigo 28 do CC) e não à morte presumida, que são institutos 
jurídicos distintos. Assim, a morte presumida tem um campo de aplicação muito mais 
amplo do que apenas em situações de guerra ou ausência prolongada. 
(D) INCORRETA. O artigo 7º, parágrafo único, do Código Civil determina expressamente 
que a sentença que decretar a morte presumida deve OBRIGATORIAMENTE fixar a data 
provável do falecimento. 
(E) INCORRETA. A ausência não se confunde com a interdição. Na ausência, o indivíduo 
não é considerado incapaz, mas sim uma pessoa que está em local incerto e não sabido. 
O procedimento correto é a nomeação de um curador para administrar os bens do 
ausente após a arrecadação dos mesmos, seguindo-se depois a sucessão provisória e, 
eventualmente, a definitiva, conforme previsto nos artigos 22 e seguintes do Código 
Civil. 
A interdição, por sua vez, é instituto diverso que se aplica às pessoas que não podem 
exprimir sua vontade ou não têm discernimento para os atos da vida civil. O ausente 
mantém sua capacidade civil, apenas não se sabe seu paradeiro, razão pela qual seus 
bens precisam ser administrados por terceiros para evitar prejuízos. 
_______________________________________________________________________ 
42. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A responsabilidade do operador de instalação nuclear afere-se por risco integral, 
sendo irrelevante que o acidente nuclear tenha sido provocado por fato de terceiro. 
(B) O fortuito interno não interfere na responsabilidade do fornecedor, da mesma forma 
que o fortuito externo. 
 
 
73 
(C) O transportador de pessoa pode excluir, por cláusula expressa, a responsabilidade 
pela integridade de animal despachado pelo passageiro. 
(D) A responsabilidade por dano causado por animal cabe a seu titular ou possuidor, 
sendo aferida pelo critério de culpa presumida. 
(E) O CDC, por integrar a ordem pública interna, afasta a limitação de responsabilidade 
do transportador aéreo determinada por Convenção Internacional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS(A) CORRETA. A responsabilidade civil do operador de instalação nuclear é objetiva e 
baseada na teoria do risco integral, conforme estabelece a CF/88 e a Lei 6.453/77. Isso 
significa que o operador responde pelos danos causados independentemente de culpa 
e mesmo que o acidente tenha sido provocado por fato de terceiro, caso fortuito ou 
força maior. 
Neste tipo de responsabilidade, não são admitidas as excludentes de responsabilidade 
civil tradicionalmente aceitas (como culpa exclusiva da vítima, fato de terceiro, caso 
fortuito ou força maior). O operador responde integralmente pelos danos, justamente 
devido ao alto risco da atividade e à necessidade de proteção máxima às potenciais 
vítimas. 
Esta é uma das poucas hipóteses no direito brasileiro em que se aplica a teoria do risco 
integral, dada a natureza extremamente perigosa da atividade nuclear e seu potencial 
lesivo. 
Este princípio está estabelecido no art. 21, XXIII, “d” da Constituição Federal de 1988: a 
responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de 
culpa; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006)” 
(B) INCORRETA. Há uma distinção importante entre fortuito interno e externo no que 
tange à responsabilidade do fornecedor. O fortuito interno, por estar ligado à própria 
atividade do fornecedor e aos riscos do negócio, não exclui sua responsabilidade. São 
eventos que, embora imprevisíveis, relacionam-se com a organização do negócio ou 
serviço. 
Já o fortuito externo, por ser completamente estranho à atividade do fornecedor e não 
guardar qualquer relação com os riscos do empreendimento, funciona como excludente 
de responsabilidade. São acontecimentos externos, inevitáveis e imprevisíveis que 
rompem o nexo causal. 
(C) INCORRETA. O Código Civil, em seu artigo 734, estabelece que o transportador 
responde pelos danos causados às pessoas e às bagagens transportadas, sendo nula 
qualquer cláusula que exclua esta responsabilidade. O artigo 750 do mesmo código 
 
 
74 
estende expressamente esta proteção aos animais transportados, equiparando-os às 
bagagens ou cargas para fins de responsabilidade do transportador. 
Esta proibição de exclusão de responsabilidade decorre do fato de que o contrato de 
transporte é um contrato de adesão e também pela natureza da obrigação assumida 
pelo transportador, que é de resultado, comprometendo-se a conduzir o passageiro e 
seus pertences (incluindo animais) são e salvos ao destino. A cláusula de incolumidade 
é inerente ao contrato de transporte, não podendo ser afastada por disposição 
contratual. 
(D) INCORRETA. A responsabilidade por dano causado por animal é objetiva, conforme 
estabelece o artigo 936 do Código Civil, não dependendo da comprovação de culpa do 
dono ou detentor do animal. O proprietário ou detentor do animal responderá pelos 
danos por ele causados, independentemente de ter agido com culpa. 
(E) INCORRETA. O CDC não afasta a limitação de responsabilidade do transportador 
aéreo prevista em Convenção Internacional. O STF firmou entendimento (Tema 210) 
com repercussão geral que as Convenções Internacionais (Varsóvia/Montreal) 
prevalecem sobre o CDC em caso de transporte aéreo internacional. Assim, embora o 
CDC seja norma de ordem pública, não prevalece sobre as convenções internacionais 
quanto aos limites indenizatórios no transporte aéreo internacional. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO EMPRESARIAL 
 
43. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O possuidor de título ao portador tem direito à prestação nele indicada, mediante a 
sua simples apresentação ao devedor, sendo devida a prestação apenas se o título tenha 
entrado em circulação com a vontade do emitente. 
(B) O pagamento de título de crédito, que contenha obrigação de pagar soma 
determinada, pode ser garantido por aval. O aval deve ser dado no verso ou no anverso 
do próprio título. Para a validade do aval, dado no anverso do título, é necessário a 
assinatura do avalista com firma reconhecida, não se admitindo assinatura digital, ainda 
que certificada. 
(C) Considera-se legítimo possuidor o portador do título à ordem com série regular e 
ininterrupta de endossos, ainda que o último seja em branco. Embora não obrigado a 
verificar a autenticidade das assinaturas, aquele que paga o título está obrigado a 
verificar a regularidade da série de endossos. 
(D) No ato da emissão da fatura, dela poderá ser extraída uma duplicata para circulação 
como efeito comercial, não sendo admitida qualquer outra espécie de título de crédito 
para documentar o saque do vendedor pela importância faturada ao comprador. A 
duplicata conterá: (i) a denominação "duplicata", a data de sua emissão e o número de 
ordem; (ii) o número da fatura; (iii) a data certa do vencimento ou a declaração de ser a 
duplicata à vista; (iv) o nome e domicílio do vendedor e do comprador; (v) a importância 
 
 
75 
a pagar, em algarismos e por extenso; (vi) a praça de pagamento; (vii) a cláusula à ordem; 
e (viii) a declaração do reconhecimento de sua exatidão e da obrigação de pagá-la, a ser 
assinada pelo comprador, como aceite, cambial. 
(E) A cédula de crédito rural é promessa de pagamento em dinheiro, sem ou com 
garantia real cedularmente constituída, sob as seguintes denominações e modalidades: 
(i) Cédula Rural Pignoratícia; (ii) Cédula Rural Hipotecária; (iii) Cédula Rural Pignoratícia 
e Hipotecária; e (iv) Nota de Crédito Rural. Em caso de cobrança em processo 
contencioso ou não, judicial ou administrativo, o emitente da cédula de crédito rural, da 
nota promissória rural, ou o aceitante da duplicata rural responderá ainda pela multa de 
10% sobre o principal e acessórios em débito, devida a partir do primeiro despacho da 
autoridade competente na petição de cobrança ou de habilitação de crédito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O possuidor de título ao portador tem direito à prestação mediante 
apresentação, mas a exigência de que o título tenha entrado em circulação com a 
vontade do emitente não é condição absoluta. A má-fé do portador, e não essa condição, 
poderia impedir o pagamento. Fundamento: arts. 9º e 16 da Lei Uniforme de Genebra. 
(B) INCORRETA. O aval no anverso do título não exige reconhecimento de firma, sendo 
suficiente a assinatura do avalista. Ademais, assinaturas digitais certificadas têm validade 
jurídica. Fundamento: arts. 30 e 31 da Lei Uniforme de Genebra e Lei nº 14.063/2020. 
(C) CORRETA. O portador de título à ordem com série regular e ininterrupta de endossos 
é considerado legítimo. O pagamento depende da regularidade da cadeia de endossos, 
mas não exige verificação das assinaturas. Fundamento: art. 29 da Lei Uniforme de 
Genebra. 
(D) INCORRETA. Outras espécies de títulos, como a nota promissória, podem 
documentar a obrigação entre vendedor e comprador, além da duplicata. Fundamento: 
art. 25 da Lei nº 5.474/1968. 
(E) INCORRETA. A multa de 10% em cédulas de crédito rural não é automática, 
dependendo de cláusula expressa. Fundamento: art. 61 do Decreto-Lei nº 167/1967. 
_______________________________________________________________________ 
44. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), destinado à concessão de financiamento 
a estudantes de cursos superiores, na modalidade presencial ou a distância, não 
gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, poderá 
abater, na forma do regulamento, mensalmente, 1,00% (um inteiro por cento) do saldo 
devedor consolidado, incluídos os juros devidos no período e independentemente da 
data de contratação do financiamento, dos estudantes que exercerem as seguintes 
 
 
76 
profissões: (i) professor em efetivo exercício na rede pública de educação básica com 
jornada de, no mínimo, 20 (vinte) horas semanais, graduado em licenciatura; (ii) médico 
integrante de equipe de saúde da famíliaoficialmente cadastrada ou médico militar das 
Forças Armadas, com atuação em áreas e regiões com carência e dificuldade de retenção 
desse profissional, definidas como prioritárias pelo Ministério da Saúde, na forma do 
regulamento; e (iii) defensor público, bacharel em Direito, aprovado em concurso 
público específico para atuar em todas as áreas de atribuição da Defensoria, que dedica, 
no mínimo, 4 (quatro) horas semanais, para a atualização profissional e o 
aperfeiçoamento técnico, realizando cursos, conferências, seminários e outras 
atividades científicas relativas às áreas de atuação e às atribuições institucionais da 
Defensoria Pública. 
(B) O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), destinado à concessão de financiamento 
a estudantes de cursos superiores, na modalidade presencial ou a distância, não 
gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, poderá 
abater, na forma do regulamento, mensalmente, 1,00% (um inteiro por cento) do saldo 
devedor consolidado, incluídos os juros devidos no período e independentemente da 
data de contratação do financiamento, dos estudantes que exercerem as seguintes 
profissões: (i) professor em efetivo exercício na rede pública de educação básica com 
jornada de, no mínimo, 20 (vinte) horas semanais, graduado em licenciatura; (ii) médico 
integrante de equipe de saúde da família oficialmente cadastrada ou médico militar das 
Forças Armadas, com atuação em áreas e regiões com carência e dificuldade de retenção 
desse profissional, definidas como prioritárias pelo Ministério da Saúde, na forma do 
regulamento; e (iii) médicos que não se enquadrem no disposto no item “ii” acima, 
enfermeiros e demais profissionais da saúde que trabalhem no âmbito do Sistema Único 
de Saúde (SUS) durante o período de vigência da emergência sanitária decorrente da 
pandemia da Covid-19. 
(C) O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é destinado à concessão de 
financiamento a estudantes de cursos superiores, na modalidade presencial ou a 
distância, não gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo 
Ministério. A gestão do Fies caberá ao Ministério da Educação, a instituição financeira 
pública federal, contratada na qualidade de agente operador, e ao Comitê Gestor do 
Fundo de Financiamento Estudantil (CG-Fies). O Ministério da Educação, nos termos do 
que for aprovado pelo CG-Fies, editará regulamento sobre as regras de seleção de 
estudantes a serem financiados, sem ser considerados a renda familiar per capita, 
independente ao valor do encargo educacional do curso pretendido, bem como as regras 
de oferta de vagas. 
(D) O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), destinado à concessão de financiamento 
a estudantes de cursos superiores, na modalidade presencial ou a distância, não 
gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério, poderá 
abater, na forma do regulamento, mensalmente, 1,00% (um inteiro por cento) do saldo 
devedor consolidado, incluídos os juros devidos no período e independentemente da 
data de contratação do financiamento, dos estudantes que exercerem as seguintes 
profissões: (i) defensor público, bacharel em Direito, aprovado em concurso público 
específico para atuar em todas as áreas de atribuição da Defensoria, que dedica, no 
mínimo, 4 (quatro) horas semanais, para a atualização profissional e o aperfeiçoamento 
técnico, realizando cursos, conferências, seminários e outras atividades científicas 
 
 
77 
relativas às áreas de atuação e às atribuições institucionais da Defensoria Pública; (ii) 
médico integrante de equipe de saúde da família oficialmente cadastrada ou médico 
militar das Forças Armadas, com atuação em áreas e regiões com carência e dificuldade 
de retenção desse profissional, definidas como prioritárias pelo Ministério da Saúde, na 
forma do regulamento; e (iii) médicos que não se enquadrem no disposto no item “ii” 
acima, enfermeiros e demais profissionais da saúde que trabalhem no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS) durante o período de vigência da emergência sanitária 
decorrente da pandemia da Covid-19. 
(E) O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) é destinado à concessão de 
financiamento a estudantes de cursos superiores, na modalidade presencial ou a 
distância, não gratuitos e com avaliação positiva nos processos conduzidos pelo 
Ministério. A gestão do Fies caberá ao Ministério da Educação, a instituição financeira 
pública federal, contratada na qualidade de agente operador, e ao Comitê Gestor do 
Fundo de Financiamento Estudantil (CG-Fies). O Ministério da Educação, nos termos do 
que for aprovado pelo CG-Fies, editará regulamento sobre as regras de seleção de 
estudantes a serem financiados, devendo ser considerados a renda familiar per capita, 
independente ao valor do encargo educacional do curso pretendido, bem como as regras 
de oferta de vagas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
(A) INCORRETA. Não contempla o abatimento de 1% do saldo devedor para profissionais 
da saúde durante a pandemia de Covid-19, previsto na legislação. Fundamento: art. 7º, 
§5º, da Lei nº 10.260/2001. 
(B) CORRETA. Prevê corretamente o abatimento de 1% do saldo devedor consolidado do 
Fies para profissionais da saúde que atuaram no SUS durante a pandemia. Fundamento: 
art. 7º, §5º, da Lei nº 10.260/2001, com alterações da Lei nº 14.024/2020. 
(C) INCORRETA. Contraria o art. 6º-B da Lei nº 10.260/2001, pois omite a renda familiar 
per capita como critério de seleção. 
(D) INCORRETA. As condições descritas não contemplam o contexto da pandemia e não 
se aplicam a outros profissionais da saúde. 
(E) INCORRETA. A atualização dos valores de renda bruta familiar não ocorre de forma 
automática, como indicado, mas depende de regulamentação específica. 
Questão Potencialmente Recorríveis 
Possibilidade de recurso: A alternativa B está CORRETA conforme as alterações 
introduzidas pela Lei nº 14.024/2020, que permite o abatimento de 1% do saldo devedor 
 
 
78 
consolidado do Fies para médicos e profissionais da saúde no âmbito da pandemia. 
Entretanto, a alternativa menciona "enfermeiros e demais profissionais da saúde" sem 
delimitar as condições específicas, o que pode gerar dúvida, pois o texto legal foca 
essencialmente em médicos que integram equipes de saúde da família ou atuem em 
áreas prioritárias do SUS. 
Argumento para recurso: A redação pode ser interpretada como excessivamente ampla, 
uma vez que a legislação não menciona explicitamente "enfermeiros" e outros 
profissionais de saúde em sentido amplo. O recurso pode apontar que a questão 
extrapola a literalidade da norma, gerando incerteza. 
Chance de provimento do recurso: De Mínima para Média 
_______________________________________________________________________ 
45. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do Sistema de 
Financiamento Imobiliário – SFI, serão livremente pactuadas pelas partes, observadas 
algumas condições essenciais, como a reposição integral do valor emprestado e 
respectivo reajuste. A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o fiduciante, 
com o escopo de garantia de obrigação própria ou de terceiro, contrata a transferência 
ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Vencida e não paga, 
no todo ou em parte, a dívida e constituído em mora o fiduciante, consolidar-se-á a 
propriedade do imóvel em nome do fiduciário. O contrato poderá estabelecer o prazo 
de carência, após o qual será expedida a intimação. 
(B) As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do Sistema de 
Financiamento Imobiliário – SFI, poderão ser garantidas, dentre outras, por alienação 
fiduciária de coisa imóvel. A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o 
fiduciante, com o escopo de garantia de obrigação própria ou de terceiro, contrata a 
transferênciaao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Vencida 
e não paga, no todo ou em parte, a dívida e constituído em mora o fiduciante, consolidar-
se-á a propriedade do imóvel em nome do fiduciário. O fiduciante, ou seu representante 
legal ou procurador regularmente constituído, será intimado, a requerimento do 
fiduciário, pelo oficial do competente Registro de Imóveis, a satisfazer, no prazo legal, a 
prestação vencida e as que se vencerem até a data do pagamento, os juros 
convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos legais, 
inclusive tributos, as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel, além das 
despesas de cobrança e de intimação. 
(C) As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do Sistema de 
Financiamento Imobiliário – SFI, serão livremente pactuadas pelas partes, observadas 
algumas condições essenciais, como a reposição integral do valor emprestado e 
respectivo reajuste. A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o fiduciante, 
com o escopo de garantia de obrigação própria ou de terceiro, contrata a transferência 
ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Vencida e não paga a 
dívida, no todo ou em parte, e constituídos em mora o devedor e, se for o caso, o terceiro 
fiduciante, será consolidada a propriedade do imóvel em nome do fiduciário. O contrato 
definirá o prazo de carência após o qual será expedida a intimação. 
 
 
79 
(D) As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do Sistema de 
Financiamento Imobiliário – SFI, poderão ser garantidas, dentre outras, por alienação 
fiduciária de coisa imóvel. A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o 
fiduciante, com o escopo de garantia de obrigação própria ou de terceiro, contrata a 
transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Vencida 
e não paga a dívida, no todo ou em parte, e constituídos em mora o devedor e, se for o 
caso, o terceiro fiduciante, será consolidada a propriedade do imóvel em nome do 
fiduciário. O devedor e, se for o caso, o terceiro fiduciante serão intimados, a 
requerimento do fiduciário, pelo oficial do registro de imóveis competente, a satisfazer, 
no prazo legal, a prestação vencida e aquelas que vencerem até a data do pagamento, 
os juros convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos 
legais, inclusive os tributos, as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel e as 
despesas de cobrança e de intimação. 
(E) As operações de financiamento imobiliário em geral, no âmbito do Sistema de 
Financiamento Imobiliário – SFI, serão livremente pactuadas pelas partes, observadas 
algumas condições essenciais, como a reposição integral do valor emprestado e 
respectivo reajuste. A alienação fiduciária é o negócio jurídico pelo qual o fiduciante, 
com o escopo de garantia de obrigação própria ou de terceiro, contrata a transferência 
ao credor, ou fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel. Vencida e não paga a 
dívida, no todo ou em parte, e constituídos em mora o devedor e, se for o caso, o terceiro 
fiduciante, será consolidada a propriedade do imóvel em nome do fiduciário. O contrato 
poderá estabelecer o prazo de carência, após o qual será expedida a intimação e quando 
não for estabelecido o prazo de carência no contrato, o prazo será estipulado pelo juiz. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Não existe previsão de prazo de carência genérico antes da intimação 
no contexto de alienação fiduciária. Fundamento: art. 26 da Lei nº 9.514/1997. 
(B) INCORRETA. Não menciona que o terceiro fiduciante, caso exista, também deve ser 
intimado, conforme previsto na legislação. Fundamento: art. 26 da Lei nº 9.514/1997. 
(C) INCORRETA. Omite elementos essenciais sobre a constituição em mora e os encargos 
contratuais. 
(D) CORRETA. Descreve detalhadamente o procedimento de consolidação da 
propriedade fiduciária, incluindo a intimação do devedor e do terceiro fiduciante. 
Fundamento: art. 26 da Lei nº 9.514/1997. 
(E) INCORRETA. A estipulação de prazos de carência pelo juiz não encontra respaldo na 
legislação. Fundamento: Lei nº 9.514/1997. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
80 
46. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) As modificações do contrato social de sociedade simples dependem de aprovação da 
unanimidade dos sócios. 
(B) A administração da sociedade simples, nada dispondo o contrato social, compete aos 
sócios em conjunto. 
(C) São irrevogáveis os poderes do sócio de sociedade simples, investido na 
administração por cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa judicialmente 
determinada. 
(D) O sócio de sociedade simples pode, nas épocas determinadas por lei, examinar os 
livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade. 
(E) A cessão de quota pelo sócio de sociedade simples deve ser precedida de oferta de 
preferência, em igualdade de condições, aos demais sócios. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Alterações no contrato social não exigem unanimidade, salvo disposição 
contratual. Fundamento: art. 1.033 do Código Civil. 
(B) INCORRETA. A administração, na ausência de disposição contratual, pode ser 
delegada por maioria a um ou mais sócios. Fundamento: art. 1.013 do Código Civil. 
(C) CORRETA. O sócio investido na administração por cláusula expressa no contrato 
social tem poderes irrevogáveis, salvo justa causa judicialmente reconhecida. 
Fundamento: art. 1.019 do Código Civil. 
(D) INCORRETA. O direito de examinar os livros da sociedade está limitado às épocas 
determinadas por lei. Fundamento: art. 1.020 do Código Civil. 
(E) INCORRETA. A cessão de quotas só exige oferta de preferência se prevista 
contratualmente. Fundamento: art. 1.057 do Código Civil. 
_______________________________________________________________________ 
47. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A subvenção econômica destinada à pessoa física no ato da contratação que tenha 
por objetivo proporcionar a aquisição ou a produção da moradia por meio do Programa 
Minha Casa, Minha Vida será concedida apenas uma vez para cada beneficiário e poderá 
ser cumulativa com os descontos habitacionais concedidos nas operações de 
financiamento efetuadas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço 
(FGTS), vedada a sua concessão à pessoa física que: (i) seja titular de contrato de 
financiamento obtido com recursos do FGTS ou em condições equivalentes às do Sistema 
Financeiro da Habitação, em qualquer parte do País; (ii) seja proprietária, promitente 
 
 
81 
compradora ou titular de direito de aquisição, de arrendamento, de usufruto ou de uso 
de imóvel residencial, regular, com padrão mínimo de edificação e de habitabilidade 
estabelecido pelas regras da administração municipal, e dotado de abastecimento de 
água, de solução de esgotamento sanitário e de atendimento regular de energia elétrica, 
em qualquer parte do País; (iii) tenha recebido, nos últimos 10 anos, benefícios similares 
oriundos de subvenções econômicas concedidas com recursos do Orçamento-Geral da 
União, do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), do Fundo de Desenvolvimento 
Social (FDS) ou provenientes de descontos habitacionais concedidos com recursos do 
FGTS, excetuados as subvenções e os descontos destinados à aquisição de material de 
construção e o Crédito Instalação, disponibilizados pelo Instituto Nacional de 
Colonização e Reforma Agrária (Incra), na forma prevista em regulamentação específica. 
(B) O Programa Minha Casa, Minha Vida atenderá famílias residentes em áreas urbanas 
com renda bruta familiar mensal de até R$ 8 mil e famílias residentes em áreas rurais 
com renda bruta familiar anual de até R$ 96 mil reais, conforme redação da Lei nº 
14.620/2023, considerandofaixas de renda para famílias residentes em áreas urbanas e 
faixas de renda para famílias residentes em áreas rurais. A atualização dos valores de 
renda bruta familiar deverá ser realizada anualmente, mediante ato do Ministro de 
Estado das Cidades. Para fins de enquadramento nas faixas de renda, o cálculo do valor 
de renda bruta familiar considerará os benefícios temporários de natureza indenizatória, 
assistencial ou previdenciária, como auxílio-doença, auxílio-acidente, seguro-
desemprego, benefício de prestação continuada (BPC) e benefício do Programa Bolsa 
Família, ou outros que vierem a substituí-los. 
(C) No âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida a União, por meio do Ministério das 
Cidades e da Caixa Econômica Federal, em conformidade com as dotações e 
disponibilidades orçamentárias e financeiras, poderá repassar aos entes estaduais, 
distrital e municipais, a título de transferência facultativa, fundo a fundo ou por meio da 
celebração de convênio, contrato de repasse ou instrumentos congêneres, no mínimo 
5% (cinco por cento) da soma dos recursos de dotações orçamentárias da União, Fundo 
Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), Fundo de Arrendamento Residencial 
(FAR) e Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), além dos recursos de emendas 
parlamentares, podendo ser utilizados para: (i) retomada de obras paradas; (ii) obras de 
retrofit ou requalificação; (iii) obras em Municípios de até 50 mil habitantes. 
(D) Para os lotes urbanizados produzidos no âmbito do Programa Minha Casa, Minha 
Vida, o investimento realizado pelo empreendedor na rede de distribuição de energia 
elétrica não poderá ser revertido em subsídio ou desconto em tarifa aos proprietários 
de lote, independente da proporção do impacto do investimento na sua tarifa. 
(E) A gestão operacional dos recursos do Orçamento-Geral da União será efetuada pela 
Caixa Econômica Federal, exceto quando destinados a: (i) complementar os descontos 
concedidos pelo FGTS; (ii) atender as famílias residentes em áreas rurais, na hipótese de 
concessão direta a pessoa física; ou (iii) alocar subvenção econômica com a finalidade 
de complementar o valor necessário a assegurar o equilíbrio econômico-financeiro das 
operações realizadas pelas instituições ou pelos agentes financeiros, incluídos os custos 
de alocação, de remuneração e de perda de capital e as despesas de contratação, de 
administração, de cobrança e de execução judicial e extrajudicial. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
82 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. A descrição reflete com precisão as regras para concessão de subvenção 
econômica no Programa Minha Casa, Minha Vida, incluindo restrições e exceções. 
Fundamento: art. 8º da Lei nº 14.118/2021. 
(B) INCORRETA. A atualização dos valores de renda familiar bruta não é 
obrigatoriamente anual, como indicado. Fundamento: art. 3º da Lei nº 14.118/2021. 
(C) INCORRETA. Não há percentual fixo de repasse mínimo (5%) para os fins descritos. 
Fundamento: Lei nº 14.118/2021. 
(D) INCORRETA. A vedação de reversão do investimento em rede elétrica em subsídio 
ou desconto tarifário não tem respaldo na legislação. Fundamento: Lei nº 14.118/2021. 
(E) INCORRETA. A gestão operacional pela Caixa Econômica Federal possui limitações 
específicas, mas a alternativa não reflete as disposições legais. Fundamento: Lei nº 
14.118/2021. 
_______________________________________________________________________ 
48. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços 
prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as 
condições estabelecidas no estatuto, sendo vedada a recusa da adesão sob o argumento 
de impossibilidade técnica de prestação de serviços. 
(B) É da competência exclusiva da Assembleia Geral Extraordinária deliberar sobre a 
fusão, incorporação ou desmembramento da sociedade cooperativa. Pela fusão, duas ou 
mais cooperativas formam nova sociedade. A fusão determina a extinção das sociedades 
que se unem para formar a nova sociedade que lhe sucederá nos direitos e obrigações. 
Pela incorporação, uma sociedade cooperativa absorve o patrimônio, recebe os 
associados, assume as obrigações e se investe nos direitos de outra ou outras 
cooperativas. As sociedades cooperativas também poderão desmembrar-se em tantas 
quantas forem necessárias para atender aos interesses dos seus associados, podendo 
uma das novas entidades ser constituída como cooperativa central ou federação de 
cooperativas. 
(C) Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios é ilimitada, respondendo o 
sócio solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais. 
(D) As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, 
de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos 
associados. Dentre as características da sociedade cooperativa, pode-se citar: (i) 
variabilidade, ou dispensa do capital social; (ii) intransferibilidade das quotas do capital 
a terceiros estranhos à sociedade, ainda que por herança; e (iii) quorum, para a 
assembleia geral funcionar e deliberar, fundado no capital social representado. 
 
 
83 
(E) Considera-se Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para 
o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum, 
autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação 
socioeconômica e condições gerais de trabalho. A autonomia deve ser exercida de forma 
coletiva e coordenada, mediante a fixação, em Assembleia Geral, das regras de 
funcionamento da cooperativa e da forma de execução dos trabalhos. Considera-se 
autogestão o processo democrático no qual a Assembleia Geral define as diretrizes para 
o funcionamento e as operações da cooperativa, e o conselho de administração decide 
sobre a forma de execução dos trabalhos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A adesão às cooperativas pode ser recusada em caso de impossibilidade 
técnica. Fundamento: art. 4º da Lei nº 5.764/1971. 
(B) INCORRETA. Competências relacionadas a fusão, incorporação e desmembramento 
podem ser deliberadas em Assembleias Ordinárias, dependendo do estatuto. 
Fundamento: arts. 44 e 59 da Lei nº 5.764/1971. 
(C) INCORRETA. A responsabilidade dos sócios de cooperativas é limitada, salvo previsão 
estatutária em contrário. Fundamento: art. 1.095 do Código Civil. 
(D) CORRETA. A descrição está alinhada com as características legais da sociedade 
cooperativa, como natureza civil, ausência de falência e variabilidade do capital social. 
Fundamento: arts. 1.094 e 1.095 do Código Civil. 
(E) INCORRETA. A autonomia e autogestão da cooperativa dependem do estatuto e não 
exclusivamente da Assembleia Geral. Fundamento: art. 107 da Lei nº 5.764/1971. 
_______________________________________________________________________ 
49. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Os serviços do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins serão 
exercidos, em todo o território nacional, de maneira uniforme, harmônica e 
interdependente, pelo Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis (Sinrem), 
composto pelos seguintes órgãos: (i) o Departamento Nacional de Registro Empresarial 
e Integração, órgão central do Sinrem; e (ii) as Juntas Comerciais, como órgãos locais, 
com funções executora e administradora dos serviços de registro. Haverá uma junta 
comercial em cada unidade federativa, com sede na capital e jurisdição na área da 
circunscrição territorial respectiva. É vedado as juntas comerciais desconcentrar os seus 
serviços. 
(B) Dos atos pertinentes ao registro público de empresas mercantis e atividades afins, o 
registro compreende no tocante ao arquivamento: (i) dos documentos relativos à 
constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais,84 
sociedades mercantis e cooperativas; (ii) dos atos relativos a consórcio e grupo de 
sociedade de que trata a Lei de Sociedade por Ações; (iii) dos atos concernentes a 
empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; (iv) das declarações 
de microempresa; (v) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam 
atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles 
que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis. Podem ser arquivados 
os atos constitutivos de empresas mercantis que, além das cláusulas exigidas em lei, não 
designarem o respectivo capital e a declaração de seu objeto, cuja indicação no nome 
empresarial é facultativa. 
(C) Todo ato, documento ou instrumento apresentado a arquivamento será objeto de 
exame do cumprimento das formalidades legais pela junta comercial. Verificada a 
existência de vício insanável, o requerimento será indeferido; quando for sanável, o 
processo será colocado em exigência. As exigências formuladas pela junta comercial 
deverão ser cumpridas dentro do prazo legal, contados da data da ciência pelo 
interessado ou da publicação do despacho. O processo em exigência será entregue 
completo ao interessado e, quando devolvido, independentemente do prazo, será 
considerado como novo pedido de arquivamento, sujeito ao pagamento dos preços dos 
serviços correspondentes. 
(D) As juntas comerciais subordinam-se, administrativamente, ao governo federal e, 
tecnicamente, ao Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração. 
(E) Os documentos, tais como os atos constitutivos, alterações e extinções de empresário 
individual, deverão ser apresentados a arquivamento na Junta Comercial, mediante 
requerimento dirigido ao seu Presidente, dentro do prazo legal contados de sua 
assinatura. As assinaturas nos requerimentos, instrumentos ou documentos particulares 
serão lançadas com a indicação do nome do signatário, por extenso, datilografado ou 
em letra de forma e do número de identidade e órgão expedidor, quando se tratar de 
testemunha. Quando houver indícios substanciais da falsificação, o Presidente da Junta 
Comercial deverá suspender os efeitos do ato até a comprovação da veracidade da 
assinatura. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A desconcentração dos serviços pelas juntas comerciais é permitida. 
Fundamento: art. 8º da Lei nº 8.934/1994. 
(B) INCORRETA. Os atos constitutivos devem conter a designação do capital social e o 
objeto social. Fundamento: art. 36 da Lei nº 8.934/1994. 
(C) INCORRETA. Processos em exigência não são considerados novos pedidos, desde que 
respeitado o prazo para cumprimento das exigências. Fundamento: Lei nº 8.934/1994. 
 
 
85 
(D) INCORRETA. As juntas comerciais possuem autonomia administrativa no âmbito 
estadual. Fundamento: art. 5º da Lei nº 8.934/1994. 
(E) CORRETA. Define corretamente as exigências para arquivamento de atos 
empresariais, incluindo a validação de assinaturas. Fundamento: arts. 36 e 37 da Lei nº 
8.934/1994. 
_______________________________________________________________________ 
50. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A ação de nulidade de registro de marca poderá ser proposta pelo INPI ou por 
qualquer pessoa com legítimo interesse. O juiz poderá, nos autos da ação de nulidade, 
determinar liminarmente a suspensão dos efeitos do registro e do uso da marca, 
atendidos os requisitos processuais próprios. A ação de nulidade do registro será 
ajuizada no foro da justiça federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do registro, contados da 
data da sua concessão. 
(B) A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu 
interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, efetua-se 
mediante: (i) concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade; (ii) concessão 
de registro de desenho industrial; (iii) concessão de registro de marca; (iv) repressão às 
falsas indicações geográficas; (v) prevenção e repressão às infrações contra a ordem 
econômica; e (vi) concessão de registro para jogos eletrônicos. 
(C) É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva 
e aplicação industrial, bem como é patenteável como modelo de utilidade o objeto de 
uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma 
ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso 
ou em sua fabricação. Considera-se invenção ou modelo de utilidade, por exemplo: (i) 
esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, 
publicitários, de sorteio e de fiscalização; (ii) programas de computador em si; e (iii) 
técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de 
diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal. 
(D) Os atos do INPI nos processos administrativos referentes à propriedade industrial só 
produzem efeitos a partir da sua publicação no respectivo órgão oficial, inclusive as 
decisões administrativas, quando feita notificação por via postal ou por ciência dada ao 
interessado no processo. 
(E) São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, 
não compreendidos nas proibições legais. Nos termos da Lei, considera-se: (i) marca de 
produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, 
semelhante ou afim, de origem diversa; (ii) marca de certificação: aquela usada para 
atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou 
especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e 
metodologia empregada; e (iii) marca coletiva: aquela usada para identificar produtos 
ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. À marca registrada 
no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial, em todos os 
 
 
86 
ramos de atividade. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade goza de 
proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada 
no Brasil, e o INPI poderá indeferir o pedido de registro de marca que reproduza ou imite, 
no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida, apenas mediante iniciativa ou 
pedido da parte interessada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. A descrição está de acordo com os procedimentos previstos para nulidade 
de registro de marca, incluindo o prazo prescricional de 5 anos. Fundamento: arts. 173 
e 174 da Lei nº 9.279/1996. 
(B) INCORRETA. O registro de jogos eletrônicos não é previsto entre os direitos relativos 
à propriedade industrial. Fundamento: art. 2º da Lei nº 9.279/1996. 
(C) INCORRETA. Métodos comerciais, programas de computador em si e esquemas não 
são patenteáveis. Fundamento: art. 10 da Lei nº 9.279/1996. 
(D) INCORRETA. Os atos do INPI produzem efeitos após publicação, mas notificações 
podem ser feitas por outros meios. Fundamento: art. 3º da Lei nº 9.279/1996. 
(E) INCORRETA. A proteção para marcas notoriamente conhecidas é automática, 
independentemente de registro no Brasil. Fundamento: art. 126 da Lei nº 9.279/1996. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
51. Acerca da remessa necessária, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Ocorre na sentença que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à 
execução fiscal. 
(B) Não se aplica quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de 
valor certo e líquido inferior a 500 (quinhentos) salários-mínimos para a União e as 
respectivas autarquias e fundações de direito público. 
(C) Não se aplica quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de 
valor certo e líquido inferior a200 (duzentos) salários-mínimos para os Municípios que 
não constituam capitais dos Estados e respectivas autarquias e fundações de direito 
público. 
(D) É aplicável quando a sentença estiver fundada em súmula de tribunal superior. 
 
 
87 
(E) É aplicável quando a sentença estiver fundada em entendimento coincidente com 
orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, 
consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
De acordo com o art. 496, inciso II, do CPC, está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não 
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença que julgar 
procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal. 
As demais alternativas estão em correta, bastando que se apliquem as disposições do 
art. 496 do CPC: 
Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo 
efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: 
I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os 
Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito 
público; 
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à 
execução fiscal. 
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação 
no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, 
e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á. 
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará 
a remessa necessária. 
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação 
ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e 
líquido inferior a: 
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas 
autarquias e fundações de direito público; 
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito 
Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público 
e os Municípios que constituam capitais dos Estados; 
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios 
e respectivas autarquias e fundações de direito público. 
§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a 
sentença estiver fundada em: 
I - súmula de tribunal superior; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo 
Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos 
repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de 
demandas repetitivas ou de assunção de competência; 
 
 
88 
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante 
firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, 
consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa. 
Correta, portanto, a alternativa A. 
_______________________________________________________________________ 
52. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão 
própria, conexa ou não com a ação principal ou com o fundamento da defesa. 
(B) Depois da contestação, é lícito ao réu deduzir novas alegações quando relativas a 
direito ou fato superveniente. 
(C) Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este 
será ouvido no prazo de 20 (vinte) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova. 
(D) A produção antecipada da prova previne a competência do juízo para a ação que 
venha a ser proposta. 
(E) A desistência da ação pode ser apresentada a qualquer tempo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para 
manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou 
com o fundamento da defesa. 
(B) CORRETA. 
Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas 
alegações quando: 
I - relativas a direito ou a fato superveniente; 
(C) INCORRETA. 
Art. 350. Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de 15 
(quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de prova. 
(D) INCORRETA. 
Art. 381, § 3º A produção antecipada da prova não previne a 
competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. 
(E) INCORRETA. 
 
 
89 
Art. 485, § 5º A desistência da ação pode ser apresentada até a 
sentença. 
_______________________________________________________________________ 
53. Quanto à sentença, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) É possível ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar 
a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. 
(B) Deve ser certa, salvo se resolver relação jurídica condicional. 
(C) Pode invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. 
(D) Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo 
do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de 
ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. 
(E) Faz coisa julgada a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da 
pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou 
em objeto diverso do que lhe foi demandado. 
(B) INCORRETA. 
Art. 492, Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que 
resolva relação jurídica condicional. 
(C) INCORRETA. 
Art. 489, § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão 
judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: 
(...) 
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra 
decisão; 
(D) CORRETA. 
Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato 
constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no 
julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, 
de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a 
decisão. 
(E) INCORRETA. 
 
 
90 
Art. 504. Não fazem coisa julgada: 
I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance 
da parte dispositiva da sentença; 
II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da 
sentença. 
_______________________________________________________________________ 
54. Quanto ao cumprimento de sentença, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Independe de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o 
termo, quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo. 
(B) Não comporta intimação por edital. 
(C) Não poderá ser promovido em face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável 
que não tiver participado da fase de conhecimento. 
(D) Possibilita nova discussão da lide ou modificação da sentença que a julgou em caso 
de matéria de ordem pública. 
(E) Não incide em caso de benefícios assistenciais. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 514. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição 
ou termo, o cumprimento da sentença dependerá de 
demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu 
o termo. 
(B) INCORRETA. 
Art. 513, § 2º O devedor será intimado para cumprir a sentença: 
(...) 
IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256 , tiver sido 
revel na fase de conhecimento. 
(C) CORRETA. 
Art. 513, § 5º O cumprimento da sentença não poderá ser 
promovido em face do fiador, do coobrigado ou do 
corresponsável que não tiver participado da fase de 
conhecimento. 
(D) INCORRETA. 
Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-
se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art256
 
 
91 
a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do 
pedido. 
Ainda que se trate de matéria de ordem pública, diante da eficáciapreclusiva da coisa 
julgada, não é possível nova discussão da lide ou modificação da sentença que a julgou, 
ainda que em caso de matéria de ordem pública. 
(E) INCORRETA. Os artigos 534 e seguintes do CPC regulamentam o cumprimento de 
sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela fazenda 
pública, inexistindo óbice ao cumprimento de sentença relativo a obrigações de fazer, 
observados os contornos relacionados às nuances envolvendo a Fazenda Pública em 
Juízo. 
Importante atentar que o STF firmou entendimento de que não ofende a ordem 
constitucional determinação judicial de que a União proceda aos cálculos e apresente os 
documentos relativos à execução nos processos em tramitação nos juizados especiais 
cíveis federais, ressalvada a possibilidade de o exequente postular a nomeação de perito. 
STF. Plenário. ADPF 219/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/5/2021 (Info 1018). 
O STF considerou legítima a determinação de que, em decisões judiciais proferidas pelos 
Juizados Especiais Federais, a União efetue os cálculos para a execução das verbas 
devidas nas ações em que for condenada. 
Por outro lado, entende o STJ que não é possível a determinação judicial à Fazenda 
Pública de adoção da prática jurisprudencial da execução invertida no cumprimento de 
sentença em procedimento comum. STJ. 2ª Turma. AREsp 2.014.491-RJ, Rel. Min. 
Herman Benjamin, julgado em 12/12/2023 (Info 799). 
_______________________________________________________________________ 
55. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A tutela da evidência será concedida quando houver súmula de tribunal regional 
federal a respeito da matéria. 
(B) A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a 
probabilidade do direito ou o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
(C) A tutela provisória será requerida ao juiz da causa e, quando antecedente, a qualquer 
juízo. 
(D) A parte não responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de urgência causar à 
parte adversa, salvo em hipótese de má-fé. 
(E) A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
 
 
92 
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, 
independentemente da demonstração de perigo de dano ou de 
risco ao resultado útil do processo, quando: 
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto 
propósito protelatório da parte; 
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas 
documentalmente e houver tese firmada em julgamento de 
casos repetitivos ou em súmula vinculante; 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova 
documental adequada do contrato de depósito, caso em que 
será decretada a ordem de entrega do objeto custodiado, sob 
cominação de multa; 
IV - a petição inicial for instruída com prova documental 
suficiente dos fatos constitutivos do direito do autor, a que o réu 
não oponha prova capaz de gerar dúvida razoável. 
(B) INCORRETA. 
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver 
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo 
de dano ou o risco ao resultado útil do processo. 
Os requisitos são cumulativos para a concessão da tutela de urgência. 
(C) INCORRETA. 
Art. 299. A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, 
quando antecedente, ao juízo competente para conhecer do 
pedido principal. 
(D) INCORRETA. 
Art. 302. Independentemente da reparação por dano processual, 
a parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela de 
urgência causar à parte adversa, se: 
I - a sentença lhe for desfavorável; 
II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não 
fornecer os meios necessários para a citação do requerido no 
prazo de 5 (cinco) dias; 
III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer 
hipótese legal; 
IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da 
pretensão do autor. 
Parágrafo único. A indenização será liquidada nos autos em que 
a medida tiver sido concedida, sempre que possível. 
(E) CORRETA. 
Art. 300, § 2º A tutela de urgência pode ser concedida 
liminarmente ou após justificação prévia. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
93 
56. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O requerimento de limitação de litisconsórcio facultativo suspende o prazo para 
manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar. 
(B) Faz-se necessária a instauração de incidente de desconsideração de pessoa jurídica 
quando a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, 
hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica. 
(C) Desafia interposição de recurso de apelação a decisão que decide parte do processo 
decretando decadência do direito postulado pela parte autora. 
(D) Aos Juízes Federais compete processar e julgar as causas em que a União, entidade 
autárquica, empresa pública federal ou sociedade de economia mista forem 
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de 
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do 
Trabalho. 
(E) Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública 
que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 113, § 1º O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo 
quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na 
liquidação de sentença ou na execução, quando este 
comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou 
o cumprimento da sentença. 
§ 2º O requerimento de limitação interrompe o prazo para 
manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da 
decisão que o solucionar. 
(B) INCORRETA. 
Art. 134, § 2º Dispensa-se a instauração do incidente se a 
desconsideração da personalidade jurídica for requerida na 
petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa 
jurídica. 
(C) INCORRETA. 
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou 
mais dos pedidos formulados ou parcela deles: 
I - mostrar-se incontroverso; 
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos 
do art. 355 . 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art355
 
 
94 
§ 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por 
agravo de instrumento. 
(D) INCORRETA. 
CF, Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa 
pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, 
assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes 
de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
O dispositivo constitucional, portanto, não contempla a sociedade de economia mista. 
(E) CORRETA. 
Art. 85, § 7º Não serão devidos honorários no cumprimento de 
sentença contra a Fazenda Pública que enseje expedição de 
precatório, desde que não tenha sido impugnada. 
_______________________________________________________________________ 
57. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O Mandado de Segurança em matéria previdenciária pode ser utilizado quando a 
análise do pedido administrativo de concessão de auxílio-doença ultrapassar 30 (trinta) 
dias sem resposta. 
(B) O Mandado de Segurança em matéria previdenciária pode ser impetrado em 
hipótese de redução de pagamento de benefício, desprovida de comunicação ao 
segurado e de decisão fundamentada. 
(C) O Mandado de Segurança em matéria previdenciária não pode versar sobre o direito 
à aposentadoria por tempo de contribuição. 
(D) O Mandado de Segurança em matéria previdenciária não comporta análise do direito 
à aposentadoria especial. 
(E) Em caso de fraude e dedepósitos no FGTS), com exceção do direito à percepção dos salários referentes ao 
período trabalhado (sob pena de enriquecimento sem causa do Estado). 
(C) O Ministério Público não tem legitimidade para a propositura de ação civil pública 
em favor de titulares de contas vinculadas ao FGTS, pois se trata de interesse individual 
de cada um dos trabalhadores correntistas. 
(D) Os índios, suas comunidades e organizações não são partes legítimas para ingressar 
em juízo em defesa de seus direitos e interesses, devendo ser representados ou 
substituídos pelo Ministério Público ou pela FUNAI. 
(E) Por força do art. 109, I, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar 
e julgar mandados de segurança nos quais exista controvérsia relativa à expedição de 
diploma de conclusão de curso superior realizado em instituição pública federal de 
ensino, ao passo em que writs envolvendo instituições dos demais entes subnacionais, 
bem como instituições privadas de ensino superior, devem ser processados perante a 
Justiça Estadual. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Tema 858/STF (RE 1010819): “I – O trânsito em julgado de sentença 
condenatória proferida em sede de ação desapropriatória não obsta a propositura de 
Ação Civil Pública em defesa do patrimônio público, para discutir a dominialidade do 
bem expropriado, ainda que já se tenha expirado o prazo para a Ação Rescisória; II – Em 
 
 
11 
sede de Ação de Desapropriação, os honorários sucumbenciais só serão devidos caso 
haja devido pagamento da indenização aos expropriados.” 
(B) INCORRETA. Tema 916/STF (RE 765320): “A contratação por tempo determinado para 
atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público realizada em 
desconformidade com os preceitos do art. 37, IX, da Constituição Federal não gera 
quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação aos servidores contratados, com exceção 
do direito à percepção dos salários referentes ao período trabalhado e, nos termos do 
art. 19-A da Lei 8.036/1990, ao levantamento dos depósitos efetuados no Fundo de 
Garantia do Tempo de Serviço – FGTS.” 
(C) INCORRETA. Tema 850/STF (RE 643978): “O Ministério Público tem legitimidade para 
a propositura de ação civil pública em defesa de direitos sociais relacionados ao FGTS.” 
(D) INCORRETA. A alternativa destoa do teor do art. 232 da CF/88: Art. 232. Os índios, 
suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa 
de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do 
processo. 
(E) INCORRETA. Tema 1154/STF (RE 1304964): “Compete à Justiça Federal processar e 
julgar feitos em que se discuta controvérsia relativa à expedição de diploma de conclusão 
de curso superior realizado em instituição privada de ensino que integre o Sistema 
Federal de Ensino, mesmo que a pretensão se limite ao pagamento de indenização.” 
_______________________________________________________________________ 
3. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Segundo o Tema 529/STF, a preexistência de casamento ou de união estável de um 
dos conviventes, ressalvada a vedação do artigo 1.723, § 1º, do CC/2002, não impede o 
reconhecimento de novo vínculo referente ao mesmo período, inclusive para fins 
previdenciários, em virtude do pluralismo abrigado pelo ordenamento jurídico-
constitucional brasileiro (art. 1º, V, da ordem de 1988). 
(B) Considerando o Tema 1049/STF, após a vigência da Lei nº 13.021/2014, os práticos 
em farmácia não podem assumir responsabilidade por drogaria, atividade que passou a 
ser exclusiva de técnicos em farmácia ou farmacêuticos. 
(C) Autarquias federais não podem ser demandadas fora de suas sedes ou em 
localidades que não possuem agência ou sucursal, pois a elas se aplica a regra prevista 
no § 2º do art. 109 da Constituição Federal. 
(D) Em vista do art. 5º, caput, e art. 37, caput, ambos da Constituição Federal, existe 
direito dos candidatos em concurso público à prova de segunda chamada nos testes de 
aptidão física, mesmo sem disposição editalícia, em razão de circunstâncias pessoais, de 
caráter fisiológico ou de força maior. 
(E) Em razão do art. 5º, caput, do 6º, do 37 e do 226, § 7º, todos da Constituição da 
República, é constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que 
esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em 
edital do concurso público. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
12 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 529/STF (RE 1045273): “A preexistência de casamento ou de união 
estável de um dos conviventes, ressalvada a exceção do artigo 1.723, § 1º, do Código 
Civil, impede o reconhecimento de novo vínculo referente ao mesmo período, inclusive 
para fins previdenciários, em virtude da consagração do dever de fidelidade e da 
monogamia pelo ordenamento jurídico-constitucional brasileiro.” 
(B) INCORRETA. Tema 1049/STF (RE 1156197): “Surgem constitucionais os artigos 5º e 
6º, inciso I, da Lei nº 13.021/2014, no que previsto ser do farmacêutico a 
responsabilidade técnica por drogaria.” 
(C) INCORRETA. Tema 374/STF (RE 627709): “A regra prevista no § 2º do art. 109 da 
Constituição Federal também se aplica às ações movidas em face de autarquias 
federais.” 
(D) INCORRETA. Tema 335/STF (RE 630733): “Inexiste direito dos candidatos em 
concurso público à prova de segunda chamada nos testes de aptidão física, salvo 
contrária disposição editalícia, em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter 
fisiológico ou de força maior, mantida a validade das provas de segunda chamada 
realizadas até 15/5/2013, em nome da segurança jurídica. 
(E) CORRETA. Tema 973/STF (RE 1058333): “É constitucional a remarcação do teste de 
aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização, 
independentemente da previsão expressa em edital do concurso público.” 
_______________________________________________________________________ 
4. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Em atenção à segurança jurídica e à confiança legítima, os Tribunais de Contas estão 
sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial 
de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva 
Corte de Contas. Considerando o art. 37, § 5º, da Constituição Federal, é imprescritível 
a pretensão de ressarcimento ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas. 
(B) É constitucional a promulgação, pelo Chefe do Poder Executivo, de parte 
incontroversa de projeto da lei que não foi vetada, antes da manifestação do Poder 
Legislativo pela manutenção ou pela rejeição do veto, inexistindo vício de 
inconstitucionalidade dessa parte inicialmente publicada pela ausência de promulgação 
da derrubada dos vetos. 
(C) Foi recepcionada pelo art. 142, § 3º, X, da Constituição de 1988, a delegação 
normativa contida na expressão “nos regulamentos da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica” do art. 10 da Lei 6.880/1980, razão pela qual são válidos os atos normativos 
infralegais que venham a definir requisitos para ingresso nas Forças Armadas 
(notadamente idade mínima e máxima). 
 
 
13 
(D) Em razão do previsto no art. 2º da Emenda Constitucional nº 32/2001, as medidas 
provisórias editadas em data anterior à da publicação dessa emenda ainda continuam 
em vigor, salvo as revogadas explicitamente ou deliberadas definitivamente pelo 
Congresso Nacional. Contudo, o art. 20 da Emenda Constitucional nº 132/2023 
determinou que medidas provisórias nessas condições sejam analisadas pelo Congresso 
Nacional em vinte e quatro meses (contados da publicação dessa nova emenda), sob 
pena de cessação de eficácia quando vencido esse prazo, exceto as que forem 
prorrogadas por ato declaratório expresso do mesmo Congresso. 
(E) Segundo o Tema 686/STF, há reserva de iniciativa do Chefe do Poder Executivocessação de benefício previdenciário, de forma abrupta, não 
se há de falar em impetração de Mandado de Segurança. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O prazo estabelecido pela jurisprudência do STF, diferentemente do que 
afirma a alternativa, é de 45 dias: 
CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. BENEFÍCIOS 
PREVIDENCIÁRIOS POR INCAPACIDADE. PRAZO DE REALIZAÇÃO DAS PERÍCIAS PELO 
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL. IMPOSIÇÃO JUDICIAL DE REALIZAÇÃO EM 
ATÉ 45 DIAS, SOB PENA DA IMPLEMENTAÇÃO AUTOMÁTICA DA PRESTAÇÃO REQUERIDA 
 
 
95 
PELO SEGURADO. LIMITES DA INGERÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO EM POLÍTICAS 
PÚBLICAS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ACORDO CELEBRADO PELA 
PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA, PELA ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO, PELA 
DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DA UNIÃO, PELO PROCURADOR-GERAL FEDERAL E PELO 
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS. VIABILIDADE. REQUISITOS FORMAIS 
PRESENTES. HOMOLOGAÇÃO. PROCESSO EXTINTO. EXCLUSÃO DA SISTEMÁTICA DA 
REPERCUSSÃO GERAL.. 1. Homologação de Termo de Acordo que prevê a regularização 
do atendimento aos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. 2. 
Viabilidade do acordo firmado pelo INSS e por legitimados coletivos que representam 
adequadamente os segurados, com o aval da Procuradoria-Geral da República. 3. 
Presença das formalidades extrínsecas e das cautelas necessárias para a chancela do 
acordo 4. Petição 99.535/2020 prejudicada. Acordo homologado. Processo extinto. 
Exclusão da sistemática da repercussão geral. (RE 1171152 Acordo, Relator(a): 
ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 08-02-2021, PROCESSO 
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSIBILIDADE DJe-028 DIVULG 12-02-
2021 PUBLIC 17-02-2021)”. 
(B) CORRETA. De fato, como consta na alternativa B, a cessação ou mesmo a redução de 
benefício previdenciário, sem a devida e necessária comunicação prévia ao segurado e 
despida de decisão fundamentada, enseja o reconhecimento de violação de direito 
líquido e certo, a permitir a impetração do Mandado de Segurança (AgInt no REsp 
1991093 / RJ). 
(C) INCORRETA. A jurisprudência do STJ não estabelece tal óbice, conforme AgInt no 
AgInt no RMS 61130 / PR. 
(D) INCORRETA. Inexiste tal óbice, desde que não comporte dilação probatória e 
comprovado o direito líquido e certo (AgInt no REsp 2086071 / RJ). 
(E) INCORRETA. Tanto o STJ quanto do STF firmaram entendimento de que é 
constitucional a pena de cassação de aposentadoria, como consequência da demissão, 
mesmo diante do caráter contributivo do benefício previdenciário, o que pode ser 
discutido em mandado de segurança (RMS 50070 / SP). 
_______________________________________________________________________ 
58. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No sistema do atual CPC, é possível a criação de fato superveniente a fim de 
caracterizar impedimento do juiz. 
(B) Há suspeição do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo de que 
conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão. 
(C) Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no processo quando 
for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer das partes. 
(D) O juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em jurisprudência. 
(E) O juiz dirigirá o processo conforme as disposições do CPC, incumbindo-lhe 
determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes, para inquiri-las 
sobre os fatos da causa, hipótese em que incidirá a pena de confesso. 
 
 
96 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 144, § 2º É vedada a criação de fato superveniente a fim de 
caracterizar impedimento do juiz. 
(B) INCORRETA. 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas 
funções no processo: 
(...) 
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido 
decisão; 
(C) CORRETA. 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas 
funções no processo: 
(...) 
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador 
de qualquer das partes; 
(D) INCORRETA. 
Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna 
ou obscuridade do ordenamento jurídico. 
Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade nos casos 
previstos em lei. 
(E) INCORRETA. 
Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste 
Código, incumbindo-lhe: 
(...) 
VIII - determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal 
das partes, para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em 
que não incidirá a pena de confesso; 
_______________________________________________________________________ 
59. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações 
processuais. 
(B) Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência pode ser 
manifestado por parte dos litisconsortes. 
 
 
97 
(C) O juiz conhecerá de ofício da incompetência relativa, da litispendência, da coisa 
julgada e da conexão. 
(D) A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu 
mérito obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. 
(E) Verificando a existência de irregularidades ou de vícios sanáveis, o juiz determinará 
sua correção em prazo nunca superior a 60 (sessenta) dias. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. 
 Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para 
todas as suas manifestações processuais. 
(B) INCORRETA. 
Art. 334, § 6º Havendo litisconsórcio, o desinteresse na 
realização da audiência deve ser manifestado por todos os 
litisconsortes. 
(C) INCORRETA. 
Art. 337, § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a 
incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias 
enumeradas neste artigo. 
(D) INCORRETA. 
Art. 343, § 2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa 
extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao 
prosseguimento do processo quanto à reconvenção. 
(E) INCORRETA. 
 Art. 352. Verificando a existência de irregularidades ou de vícios 
sanáveis, o juiz determinará sua correção em prazo nunca 
superior a 30 (trinta) dias. 
_______________________________________________________________________ 
60. Quanto à penhora, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) São impenhoráveis os bens alienáveis e os declarados, por ato voluntário, não 
sujeitos à execução. 
(B) São impenhoráveis os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do 
executado, mesmo que de elevado valor. 
 
 
98 
(C) É impenhorável a pequena propriedade rural, assim definida em lei, ainda que não 
trabalhada pela família. 
(D) São impenhoráveis os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os 
instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do 
executado. 
(E) O seguro de vida é penhorável. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
Art. 833. São impenhoráveis: 
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não 
sujeitos à execução; 
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que 
guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor 
ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes 
a um médio padrão de vida; 
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do 
executado, salvo se de elevado valor; 
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as 
remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os 
pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por 
liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e 
de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os 
honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º ; 
V - os livros, as máquinas, as ferramentas,os utensílios, os 
instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao 
exercício da profissão do executado; 
VI - o seguro de vida; 
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se 
essas forem penhoradas; 
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde 
que trabalhada pela família; 
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para 
aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; 
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite 
de 40 (quarenta) salários-mínimos; 
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por 
partido político, nos termos da lei; 
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, 
sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução 
da obra. 
 
 
99 
Além da alternativa D, a alternativa E também está correta. O enunciado não exige 
apenas a literalidade do art. 833 do CPC. 
Desse modo, considerando que o STJ entende que a impossibilidade de penhora dos 
valores recebidos pelo beneficiário do seguro de vida limita-se ao montante de 40 
(quarenta) salários mínimos, por aplicação analógica do art. 649, X, do CPC/1973 (art. 
833, VI, do CPC), cabendo a constrição judicial da quantia que a exceder (REsp 1.361.354 
– RS, julgado em 22 de maio de 2018), a questão deve ser anulada. 
Confira-se o entendimento da Corte Superior: 
RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA. ART. 649, IX, DO CPC/1973. EXECUÇÃO. 
INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. NATUREZA ALIMENTAR. IMPENHORABILIDADE. 40 
(QUARENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS. ART. 649, X, DO CPC/1973. LIMITAÇÃO. 1. Recurso 
especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 
1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Cinge-se a controvérsia a determinar 
se é possível a penhora da indenização recebida pelo beneficiário do seguro de vida em 
execução voltada contra si. 3. A impenhorabilidade do seguro de vida objetiva proteger 
o respectivo beneficiário, haja a vista a natureza alimentar da indenização securitária. 4. 
A impossibilidade de penhora dos valores recebidos pelo beneficiário do seguro de vida 
limita-se ao montante de 40 (quarenta) salários mínimos, por aplicação analógica do art. 
649, X, do CPC/1973, cabendo a constrição judicial da quantia que a exceder. 5. Recurso 
especial parcialmente provido. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTÁRIO 
 
61. Sobre a Emenda Constitucional nº 132/2023, que institui a reforma tributária do 
consumo no Brasil, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Ao final do período de transição, serão extintos os seguintes tributos: Imposto sobre 
a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), Imposto Sobre Bens e 
Serviços (ISSQN), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento 
da Seguridade Social (COFINS) e Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI). 
(B) O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) 
são tributos idênticos, variando apenas as alíquotas, que serão fixadas por cada pessoa 
política competente. 
(C) A harmonização das interpretações administrativas atinentes à legislação da 
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será uniformizada pelo Comitê Gestor. 
(D) Foram expressamente instituídos os princípios constitucionais tributários da 
simplicidade, a transparência, da justiça tributária, da cooperação e da defesa do meio 
ambiente. 
(E) A concessão de incentivos e benefícios fiscais regionais deve sempre considerar os 
critérios de sustentabilidade ambiental e redução de emissões de carbono. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
100 
GABARITO: 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. De fato, o ICMS, o ISS, o PIS e a COFINS serão extintos. Porém, o IPI não 
será totalmente extinto. Em um primeiro momento, pretendia-se sua extinção total. 
Porém, no texto aprovado, o IPI será mantido, com abrangência reduzida a partir de 
2027. Terá a função exclusiva de assegurar o diferencial competitivo da Zona Franca de 
Manaus, no tocante aos produtos que nela tem sua industrialização incentivada: 
ADCT. Art. 126. A partir de 2027: (Incluído pela EC 132/23) 
III - o imposto previsto no art. 153, IV, da Constituição Federal 
[IPI]: (Incluído pela EC 132/23) 
a) terá suas alíquotas reduzidas a zero, exceto em relação aos 
produtos que tenham industrialização incentivada na Zona 
Franca de Manaus, conforme critérios estabelecidos em lei 
complementar; e (Incluído pela EC 132/23) 
(B) INCORRETA. A Reforma Tributária promoveu complexa alteração na tributação sobre 
o consumo, que tem como um dos seus pilares a instituição do doutrinariamente 
conhecido IVA DUAL, que é composto por dois tributos: o IBS – Imposto sobre Bens e 
Serviços e a CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços. 
Conforme previsto no art. 149-B da Constituição, tais tributos observarão as mesmas 
regras com relação a diversos aspectos, sendo estruturalmente idênticos, salvo em 
relação a suas alíquotas. 
Porém, em que pese a estrutura seja a mesma, não é correto afirmar que o IBS e a CBS 
são tributos idênticos, já que o IBS possui a natureza jurídica de imposto e é de 
competência compartilhada entre Estados, Municípios e DF, e a CBS possui a natureza 
jurídica de contribuição, de competência da União. O simples fato de possuírem natureza 
jurídica diversa, por si só, torna a alternativa incorreta. 
(C) INCORRETA. O Comitê Gestor refere-se ao IBS – Imposto sobre Bens e Serviços. Sua 
criação foi necessária em razão da competência compartilhada dos Estados, Municípios 
e DF. Veja o seguinte dispositivo constitucional: 
Art. 156-B. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
exercerão de forma integrada, exclusivamente por meio do 
Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços, nos termos e 
limites estabelecidos nesta Constituição e em lei complementar, 
as seguintes competências administrativas relativas ao imposto 
de que trata o art. 156-A: (Incluído pela EC 132/23) 
I - editar regulamento único e uniformizar a interpretação e a 
aplicação da legislação do imposto; (Incluído pela EC 132/23) 
II - arrecadar o imposto, efetuar as compensações e distribuir o 
produto da arrecadação entre Estados, Distrito Federal e 
Municípios; (Incluído pela EC 132/23) 
 
 
101 
III - decidir o contencioso administrativo. (Incluído pela EC 
132/23) 
(D) CORRETA. Trata-se do §3º do art. 145 da CR, incluído pela Reforma Tributária: 
Art. 145, § 3º O Sistema Tributário Nacional deve observar os 
princípios da simplicidade, da transparência, da justiça tributária, 
da cooperação e da defesa do meio ambiente. (Incluído pela 
EC 132/23) 
(E) INCORRETA. O erro está em afirmar que esses critérios deverão ser observados 
‘sempre’, pois a Constituição prevê que deverão ser observados ‘sempre que possível’: 
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua 
ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a 
seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. 
§ 4º Sempre que possível, a concessão dos incentivos regionais 
a que se refere o § 2º, III, considerará critérios de 
sustentabilidade ambiental e redução das emissões de 
carbono. (Incluído pela EC 132/23) 
_______________________________________________________________________ 
62. No que se refere à possibilidade de redirecionamento de execução fiscal por 
dissolução irregular da pessoa jurídica, ou na presunção de sua ocorrência, assinale a 
alternativa CORRETA: 
(A) Em razão das garantias e privilégios do crédito tributário (art. 183 do CTN), o 
redirecionamento pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio que, 
embora com poderes de gerência ao tempo do fato gerador da obrigação tributária não 
paga, regularmente se retirou da empresa e não deu causa à sua posterior dissolução 
irregular. 
(B) À luz do art. 135, III, do CTN, o Tema 981/STJ admitiuo redirecionamento da somente 
contra o sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada 
a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e que, 
concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o 
fato gerador da obrigação tributária não adimplida. 
(C) Com base no art. 135, III, do CTN, o Tema 981/STJ admitiu o redirecionamento da 
somente em relação ao sócio com poderes de administração da sociedade, na data em 
que configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 
435/STJ). 
(D) A dissolução irregular da pessoa jurídica não autoriza o redirecionamento da 
execução fiscal contra sócios e terceiros (disregard of legal entity), mas dada a 
responsabilidade pessoal por ato ilícito ou violação do contrato social, é possível esse 
redirecionar a dívida da empresa quando comprovada fraude no abandono de suas 
atividades, especificamente em relação àqueles que tinham poderes de gerência na área 
da empresa que cuidava de obrigações tributárias. 
 
 
102 
(E) Em vista do art. 135, III, do CTN, o Tema 981/STJ reconhece a possibilidade de 
redirecionamento contra: (i) o sócio com poderes de administração da sociedade, na 
data em que configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência 
(Súmula 435/STJ), e que, concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na 
data em que ocorrido o fato gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o sócio 
com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua 
dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), ainda que não 
tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o fato gerador do tributo 
não adimplido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
É possível o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente, caso a pessoa 
jurídica tenha sido dissolvida irregularmente, com fundamento no art. 135, III do CTN, 
c/c, Súmula 435 do STJ: 
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos 
correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos 
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato 
social ou estatutos: 
I - as pessoas referidas no artigo anterior; 
II - os mandatários, prepostos e empregados; 
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas 
jurídicas de direito privado. 
Súmula 435 STJ. Presume-se dissolvida irregularmente a 
empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem 
comunicação aos órgãos competentes, legitimando o 
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. 
Havia divergência sobre qual sócio poderia ser atingido por esse redirecionamento: a) 
somente o sócio-gerente responsável pela dissolução irregular e que fosse também 
sócio-gerente na época do fato gerador do tributo inadimplido; b) somente quem fosse 
o sócio-gerente na época da dissolução irregular ou c) somente quem fosse o sócio-
gerente na época do fato gerador do tributo inadimplido. A questão foi solucionada pelo 
STJ, com a fixação de tese em recurso repetitivo: 
O redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na 
dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na 
presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio 
ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data 
em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda 
que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o 
fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do 
CTN. STJ. 1ª Seção.REsp 1.645.333-SP, Rel. Min. Assusete 
 
 
103 
Magalhães, julgado em 25/05/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 
981). 
Veja que o fato de o gerente ter exercido ou não poderes de gerência na época de 
ocorrência do fato gerador não é fator determinante para o redirecionamento. Ele pode 
ter ou não exercido poderes de gerência na data do fato gerador, mas o 
redirecionamento somente será admitido se ele tiver poderes de administração na data 
em que configurada ou presumida a dissolução irregular. Registre-se que esse 
entendimento também se aplica aos gerentes que não são sócios. 
(A) INCORRETA. O STJ não admite o redirecionamento nesse caso. O redirecionamento 
pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio, com poderes de 
administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda 
que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo 
não adimplido, conforme art. 135, III, do CTN. 
(B) INCORRETA. O STJ não adotou a corrente que entendia ser necessário que o sócio 
gerente exercesse seus poderes tanto na data da ocorrência do fato gerador quanto na 
data da dissolução irregular. 
(C) INCORRETA. Nesse caso, o STJ reconheceu a possibilidade de redirecionamento não 
somente do sócio, mas também do terceiro não sócio com poderes de administração na 
data em que configurada ou presumida a dissolução irregular. 
(D) INCORRETA. É admitido o redirecionamento da execução fiscal no caso de dissolução 
irregular de pessoa jurídica: 
Súmula 435 STJ. Presume-se dissolvida irregularmente a 
empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem 
comunicação aos órgãos competentes, legitimando o 
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. 
(E) INCORRETA. Em conformidade com o Tema 981 do STJ: 
O redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na 
dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na 
presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio 
ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data 
em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda 
que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o 
fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do 
CTN. STJ. 1ª Seção.REsp 1.645.333-SP, Rel. Min. Assusete 
Magalhães, julgado em 25/05/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 
981). 
Veja que o fato de o gerente ter exercido ou não poderes de gerência na época de 
ocorrência do fato gerador não é fator determinante para o redirecionamento. Ele pode 
ter ou não exercido poderes de gerência na data do fato gerador, mas o 
redirecionamento somente será admitido se ele tiver poderes de administração na data 
em que configurada ou presumida a dissolução irregular. Registre-se que esse 
entendimento também se aplica aos gerentes que não são sócios. 
 
 
104 
_______________________________________________________________________ 
63. Sobre as causas de extinção do crédito tributário, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Os prazos de decadência e prescrição, em matéria tributária, somente podem ser 
previstos em lei complementar. 
(B) O pagamento extingue o crédito tributário apenas quando expressamente 
homologado pela Fazenda Pública. 
(C) O prazo decadencial de 5 (cinco) anos para constituição de tributos federais conta-
se, independente da modalidade de constituição do crédito tributário, do primeiro dia 
do exercício seguinte ao exercício em que a fazenda pública poderia efetuar o 
lançamento. 
(D) O parcelamento tributário regularmente deferido extingue o crédito tributário. 
(E) A transação tributária em relação aos tributos federais, a partir do momento em que 
é celebrada, extingue o crédito tributário. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Em conformidade com o art. 146 III, b, da Constituição: 
Art. 146. Cabe à lei complementar: 
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação 
tributária, especialmente sobre: 
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em 
relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos 
respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; 
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência 
tributários; 
(B) INCORRETA. É possível que haja a homologação tácita do pagamento com o efeito 
de extinguir opagamento do crédito tributário. É o que ocorre nos casos de lançamento 
por homologação, em que o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento do 
tributo devido. O Fisco tem prazo de 5 anos para homologar o lançamento e, 
consequentemente, o pagamento antecipado, porém, expirado o prazo sem 
homologação expressa, haverá a homologação tácita do lançamento e, como 
consequência, do pagamento antecipado. Veja que o §1º prevê que esse pagamento 
antecipado extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da homologação, que 
pode ser expressa ou tácita, conforme explicado. 
Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos 
tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 
antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade 
administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, 
 
 
105 
tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo 
obrigado, expressamente a homologa. 
§ 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste 
artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior 
homologação do lançamento. 
§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco 
anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse 
prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, 
considera-se homologado o lançamento e definitivamente 
extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, 
fraude ou simulação. 
 (C) INCORRETA. Essa é a regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN, aplicada ao 
lançamento de ofício e por declaração: 
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito 
tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o 
lançamento poderia ter sido efetuado; 
Porém, no caso do lançamento por homologação, o art. 150, §4º, do CTN, prevê que o 
prazo de 5 anos conta-se a partir da ocorrência do fato gerador: 
Art. 150, § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 
cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado 
esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, 
considera-se homologado o lançamento e definitivamente 
extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, 
fraude ou simulação. 
(D) INCORRETA. O parcelamento tão-somente suspende a exigibilidade do crédito 
tributário: 
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: 
VI – o parcelamento 
Os casos de extinção do crédito tributário estão previstos no art. 156 do CTN: 
Art. 156. Extinguem o crédito tributário: 
I - o pagamento; 
II - a compensação; 
III - a transação; 
IV - remissão; 
V - a prescrição e a decadência; 
VI - a conversão de depósito em renda; 
VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento 
nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; 
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 
2º do artigo 164; 
 
 
106 
IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a 
definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto 
de ação anulatória; 
X - a decisão judicial passada em julgado. 
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e 
condições estabelecidas em lei. 
Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total 
ou parcial do crédito sôbre a ulterior verificação da 
irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos 
artigos 144 e 149. 
A extinção somente ocorrerá com o pagamento do crédito tributário parcelado. 
(E) INCORRETA. No âmbito federal, a transação tributária é disciplinada pela Lei 
13.988/2020, que assim dispõe sobre a extinção dos créditos nela contemplados: 
Art. 1 º Esta Lei estabelece os requisitos e as condições para que 
a União, as suas autarquias e fundações, e os devedores ou as 
partes adversas realizem transação resolutiva de litígio relativo à 
cobrança de créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária 
ou não tributária. 
Art. 3º A proposta de transação deverá expor os meios para a 
extinção dos créditos nela contemplados e estará condicionada, 
no mínimo, à assunção pelo devedor dos compromissos de: 
I - não utilizar a transação de forma abusiva, com a finalidade de 
limitar, de falsear ou de prejudicar, de qualquer forma, a livre 
concorrência ou a livre iniciativa econômica; 
II - não utilizar pessoa natural ou jurídica interposta para ocultar 
ou dissimular a origem ou a destinação de bens, de direitos e de 
valores, os seus reais interesses ou a identidade dos beneficiários 
de seus atos, em prejuízo da Fazenda Pública federal; 
III - não alienar nem onerar bens ou direitos sem a devida 
comunicação ao órgão da Fazenda Pública competente, quando 
exigido em lei; 
IV - desistir das impugnações ou dos recursos administrativos 
que tenham por objeto os créditos incluídos na transação e 
renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se 
fundem as referidas impugnações ou recursos; e 
V - renunciar a quaisquer alegações de direito, atuais ou futuras, 
sobre as quais se fundem ações judiciais, inclusive as coletivas, 
ou recursos que tenham por objeto os créditos incluídos na 
transação, por meio de requerimento de extinção do respectivo 
processo com resolução de mérito, nos termos da 
alínea c do inciso III do caput do art. 487 da Lei nº 13.105, de 16 
de março de 2015 (Código de Processo Civil). 
§ 1º A proposta de transação deferida importa em aceitação 
plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei 
e em sua regulamentação, de modo a constituir confissão 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art487iii
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art487iii
 
 
107 
irrevogável e irretratável dos créditos abrangidos pela transação, 
nos termos dos arts. 389 a 395 da Lei nº 13.105, de 16 de março 
de 2015 (Código de Processo Civil). 
§ 2º Quando a transação envolver moratória ou parcelamento, 
aplica-se, para todos os fins, o disposto nos incisos I e VI do caput 
do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 
§ 3º Os créditos abrangidos pela transação somente serão 
extintos quando integralmente cumpridas as condições 
previstas no respectivo termo. 
Conforme o §3º acima descrito, os créditos somente serão extintos quando 
integralmente cumpridas as condições previstas no termo de transação e não quando 
de sua celebração. 
_______________________________________________________________________ 
64. Assinale a alternativa CORRETA. O CTN prescreve que: 
(A) O lançamento dos tributos é ato privativo da Administração Pública ou do Poder 
Judiciário. 
(B) A homologação do lançamento é ato de Administração Pública e do sujeito passivo 
do tributo. 
(C) O sujeito passivo pode constituir o crédito tributário quando o tributo seja submetido 
a qualquer modalidade de lançamento, cabendo à Administração Pública a competência 
para examinar a posteriori. 
(D) O lançamento misto ou por declaração é aquele em que a Administração Pública 
constitui o crédito tributário com informações próprias, do sujeito passivo ou de 
terceiros. 
(E) Quando a legislação dispuser que o tributo está sujeito ao autolançamento ou 
lançamento por homologação, o prazo decadencial para a Fazenda Pública efetuar o 
lançamento tem início no primeiro dia do exercício seguinte. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Poder Judiciário não realiza lançamento tributário. 
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa 
constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim 
entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a 
ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, 
determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo 
devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a 
aplicação da penalidade cabível. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art389
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art389https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151i
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151vi
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art151vi
 
 
108 
(B) INCORRETA. A homologação do lançamento é realizada tão-somente pela 
Administração Pública: 
Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos 
tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 
antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade 
administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, 
tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo 
obrigado, expressamente a homologa. 
(C) INCORRETA. O crédito tributário é constituído pelo lançamento, que possui três 
modalidades: de ofício, por declaração e por homologação. Somente no lançamento por 
homologação é que a constituição do crédito tributário é feita pelo sujeito passivo: 
Súmula 436 STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte 
reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, 
dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. 
(D) CORRETA. Fundamenta-se no art. 147 do CTN: 
Artigo 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do 
sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da 
legislação tributária, presta à autoridade administrativa 
informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua 
efetivação. 
Nessa modalidade de lançamento, o sujeito passivo ou terceiro fornecem apenas a 
matéria de fato necessária para a constituição do crédito tributário. O enquadramento 
das verbas na legislação tributária é realizada pela Administração Pública. 
(E) INCORRETA. No lançamento por homologação, o termo inicial é a data da ocorrência 
do fato gerador: 
Art. 150, § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 
cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado 
esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, 
considera-se homologado o lançamento e definitivamente 
extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, 
fraude ou simulação. 
_______________________________________________________________________ 
65. Sobre multas tributárias, considerando o direito tributário legislado e a 
jurisprudência predominante do STJ, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Multa tributária isolada é aquela aplicada em decorrência do descumprimento de 
obrigação tributária principal, mas que é documentada em instrumento separado do 
lançamento do tributo. 
(B) Multa isolada e multa de ofício podem ser aplicadas conjuntamente. 
 
 
109 
(C) A alíquota das multas tributárias está limitada, no âmbito federal, ao percentual de 
100% (cem por cento) do valor do tributo devido, independente de dolo, fraude, conluio 
ou reincidência. 
(D) Em razão de as multas tributárias não serem tributos, os princípios constitucionais 
tributários da capacidade contributiva e do não-confisco não têm aplicação. 
(E) Não cabe denúncia espontânea quando o tributo, sujeito ao lançamento por 
homologação, for declarado regularmente, mais pago a destempo. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A multa isolada é aquela aplicada em decorrência do descumprimento 
de obrigação tributária acessória ou de outras infrações que independem de ser ou não 
o tributo devido. 
(B) INCORRETA. O STJ não admite a aplicação concomitante de multa isolada e de ofício, 
ao fundamento de que deve ser observado o princípio da consunção ou da absorção: 
para cada conduta, uma só punição em concreto, prevalecendo a maior, ainda que essa 
conduta possa ser enquadrada em mais de um tipo legal de infração (a mais grave 
absorve a de menor gravidade). STJ. REsp 1708819. Julgado em 10/09/2024. 
(C) INCORRETA. Nos casos em que se verifique reincidência (art. 44, §1º-A, da Lei 
9430/96), a multa de ofício pode atingir até 150% do débito tributário. Veja a tese fixada 
em Repercussão Geral: 
Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a 
multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou 
conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, 
podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do 
débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 
44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, 
observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. 
REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 863. JULGADA EM 03/10/2024 
(D) INCORRETA. O STF tem jurisprudência pacífica no sentido de que, apesar da multa 
tributária não ser tributo, a ela se aplica a vedação do confisco. 
(E) CORRETA. Em conformidade com súmula do STJ: 
Súmula 360 STJ. O benefício da denúncia espontânea não se 
aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação 
regularmente declarados, mas pagos a destempo. 
_______________________________________________________________________ 
66. Assinale a alternativa CORRETA: 
 
 
110 
(A) Diante do art. 146, III, “b”, da Constituição Federal, é constitucional o art. 40, §4º, da 
Lei 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), que regula a prescrição intercorrente no 
processo de execução fiscal, tendo natureza processual o prazo de 1 (um) ano de 
suspensão da execução fiscal. Após o decurso desse prazo, inicia-se automaticamente a 
contagem do prazo prescricional tributário de 5 (cinco) anos. 
(B) Por força do art. 146, III, “b”, e do art. 195, §12, ambos da ordem de 1988, é 
constitucional o art. 13 da Lei nº 8.620/1993, na parte em que estabelece que os sócios 
de empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com 
seus bens pessoais, por débitos junto à Seguridade Social. 
(C) O art. 139, IV, do CPC/2015, confere ao magistrado medidas extraordinárias 
(atípicas), de forma adicional ou subsidiária, quando as providências ordinárias (típicas, 
como penhora) se mostrarem ineficazes ou insuficientes para a exigência do crédito 
executado, sendo também necessário que o devedor se mostre furtivo no cumprimento 
de suas obrigações. Para a formação de seu convencimento, o magistrado está 
autorizado a utilizar indícios sobre a existência de recursos financeiros por parte do 
devedor que protela o pagamento da dívida, não podendo se amparar, tão somente, no 
combate à morosidade da prestação jurisdicional. Segundo o STF, dentre essas medidas 
excepcionais possíveis estão a proibição de participação em concurso e em licitação 
pública, mas não a apreensão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e de passaporte, 
ou a suspensão do direito de dirigir, sob pena de violação ao direito fundamental de 
liberdade de locomoção. 
(D) A contribuição destinada ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas 
Empresas - Sebrae possui natureza de contribuição no interesse de categoria profissional 
ou econômica, e não necessita de edição de lei complementar para ser instituída. 
(E) Segundo o Tema 290/STJ, se o ato translativo foi praticado a partir de 09/06/2005 
(data de início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005), basta a efetivação da 
inscrição em dívida ativa para a configuração da figura da fraude presumida. No caso de 
a alienação ter ocorrido antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005 
(que alterou o art. 185 do CTN), presume-se fraude à execução se o negócio jurídico tiver 
sido celebrado após a citação do devedor. Contudo, aplica-se à execução fiscal a Súmula 
375/STJ, segundo a qual o reconhecimento da fraude à execução depende de prova da 
má-fé do vendedor e do terceiro adquirente. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Exige o conhecimento de tese de repercussão geral sobre o tema: 
É constitucional o art. 40 da Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções 
Fiscais LEF), tendo natureza processual o prazo de 1 (um) ano de 
suspensão da execução fiscal. Após o decurso desse prazo, inicia-
se automaticamente a contagem do prazo prescricional 
 
 
111 
tributário de 5 (cinco)anos. STF. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 
390. 
(B) INCORRETA. Exige o conhecimento de tese de repercussão geral sobre o tema: 
É inconstitucional o art. 13 da Lei 8.620/1993, na parte em que 
estabelece que os sócios de empresas por cotas de 
responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus 
bens pessoais, por débitos junto à Seguridade Social. STF. 
REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 13. JULGADO EM 11/10/2012. 
(C) INCORRETA. A parte inicial está em conformidade com a jurisprudência do STF: 
São constitucionais — desde que respeitados os direitos 
fundamentais da pessoa humana e observados os valores 
especificados no próprio ordenamento processual, em especial 
os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade — as 
medidas atípicas previstas no CPC/2015 destinadas a assegurar a 
efetivação dos julgados. STF. Plenário. ADI 5941/DF, Rel. Min. Luiz 
Fux, julgado em 9/02/2023 (Info 1082). 
Esse julgado, porém, não admite a proibição de participação em concurso público como 
medida executiva atípica. 
(D) INCORRETA. A contribuição para o SEBRAE é uma CIDE: 
A contribuição destinada ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro 
e Pequenas Empresas - Sebrae possui natureza de contribuição 
de intervenção no domínio econômico e não necessita de edição 
de lei complementar para ser instituída. REPERCUSSÃO GERAL. 
TEMA 227. JULGADO EM 25/04/2013. 
(E) INCORRETA. Exige o conhecimento da jurisprudência do STJ: 
Se o ato translativo foi praticado a partir de 09.06.2005, data de 
início da vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, basta a 
efetivação da inscrição em dívida ativa para a configuração da 
figura da fraude. REPETITIVO. TEMA 981. 
Anotações NUGEPNAC: 
1. A simples alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu 
começo por quantia inscrita em dívida ativa pelo sujeito passivo, 
sem reserva de meios para quitação do débito, gera presunção 
absoluta de fraude à execução, mesmo diante da boa-fé do 
terceiro adquirente e ainda que não haja registro de penhora do 
bem alienado. 
2. A alienação engendrada até 08.06.2005 exige que tenha 
havido prévia citação no processo judicial para caracterizar a 
fraude de execução. 
 
 
112 
O STJ também entende que a Súmula 375 não se aplica à execução fiscal de crédito de 
natureza tributária: 
Não se aplica a Súm. n. 375/STJ em execução fiscal de crédito de 
natureza tributária. Dispõe a Súm. n. 375/STJ que "o 
reconhecimento da fraude à execução depende do registro da 
penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro 
adquirente". O art. 185 do CTN, seja em sua redação original seja 
na redação dada pela LC n. 118/2005, presume a ocorrência de 
fraude à execução quando, no primeiro caso, a alienação se dá 
após a citação do devedor na execução fiscal e, no segundo caso 
(após a LC n. 118/2005), quando a alienação é posterior à 
inscrição do débito tributário em dívida ativa. Precedente 
citado: REsp 1.141.990-PR (Repetitivo), DJe 19/11/2010. REsp 
1.341.624-SC, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 
6/11/2012. Info 508 STJ. 
_______________________________________________________________________ 
67. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Os usuários de imóveis da União, regularmente inscritos sob o Regime de Ocupação 
(ato administrativo precário), devem pagar anualmente a Taxa de Ocupação, cuja 
natureza é tributária. Nesse caso, o imóvel pertence integralmente à União, mas o 
ocupante tem o direito de utilização do bem. 
(B) Os usuários de imóveis da União, inscritos sob o Regime de Aforamento, devem pagar 
anualmente o Foro, cuja natureza jurídica é receita patrimonial não tributária. O instituto 
jurídico do aforamento é conhecido como Enfiteuse, e o Foro (devido integralmente à 
União) deve ser utilizado para a realização de obras no município onde estão localizados 
os imóveis que ensejaram o recolhimento dessa receita. 
(C) Cuidando de receitas patrimoniais não tributárias da União, o art. 47 da Lei nº 
9.636/1998 prevê que o prazo de decadência decenal é contado do instante em que o 
respectivo crédito poderia ser constituído, a partir do conhecimento por iniciativa da 
União ou por solicitação do interessado das circunstâncias e fatos que caracterizam a 
hipótese de incidência da receita patrimonial, ficando limitada a 5 (cinco) anos a 
cobrança de créditos relativos a período anterior ao conhecimento pela União. Porque 
esse preceito legal rege toda a matéria de decadência e prescrição dessas receitas, são 
inexigíveis laudêmios cujos fatos geradores, decorrentes de cessões particulares, 
ocorreram há mais de 5 (cinco) anos do momento em que são levados ao conhecimento 
da União. 
(D) Segundo a redação atual da Lei nº 9.636/1998 e o Tema 1142/STJ, os créditos 
originados de receitas patrimoniais não tributárias da União serão submetidos ao prazo 
decadencial de 5 (cinco) anos para sua constituição, mediante lançamento, e 
prescricional, também de 5 (cinco) anos para sua exigência, contados do lançamento. 
(E) O laudêmio é a taxa paga previamente à venda de terreno de terreno de marinha 
pertencente à União, cuja obrigação propter rem tem natureza de receita patrimonial, a 
 
 
113 
ele sendo aplicável o CTN, por analogia, no tocante aos prazos de decadência e de 
prescrição, pois a redação atual da Lei nº 9.636/1998 não cuida do assunto. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Diverge do entendimento do STJ no sentido de que essa taxa de 
ocupação tem natureza jurídica de receita patrimonial. RESP 1.675.985. 
(B) INCORRETA. Somente 20% da receita do foro é destinada aos Municípios e DF de 
localização do imóvel: 
Lei 9.636/1998. Art. 16-G. A União repassará 20% (vinte por 
cento) da receita patrimonial decorrente da remição do foro dos 
imóveis a que se refere o art. 16-A desta Lei aos Municípios e ao 
Distrito Federal onde estão localizados. 
(C) CORRETA. Corresponde ao entendimento firmado no Tema 1142 de Recurso 
Repetitivo: 
a) a inexistência de registro imobiliário da transação (contratos 
de gaveta) não impede a caracterização do fato gerador do 
laudêmio, sob pena de incentivar a realização de negócios 
jurídicos à margem da lei somente para evitar o pagamento 
dessa obrigação pecuniária; 
b) o termo inicial do prazo para a constituição dos créditos 
relativos ao laudêmio tem como data-base o momento em que 
a União toma conhecimento, por iniciativa própria ou por 
solicitação do interessado, do fato gerador, consoante exegese 
do § 1º do art. 47 da Lei n. 9.636/1998, com a redação dada pela 
Lei n. 9.821/1999, não sendo, portanto, a data em que foi 
consolidado o negócio jurídico entre os particulares o marco para 
a contagem do prazo decadencial, tampouco a data do registro 
da transação no cartório de imóvel; 
c) o art. 47 da Lei n. 9.636/1998 rege toda a matéria relativa a 
decadência e prescrição das receitas patrimoniais não tributárias 
da União Federal, não havendo razão jurídica para negar vigência 
à parte final do § 1º do aludido diploma legal quanto à 
inexigibilidade do laudêmio devido em casos de cessões 
particulares, referente ao período anterior ao conhecimento do 
fato gerador, visto que o legislador não diferenciou receitas 
patrimoniais periódicas (como foro e taxa) das esporádicas 
(como o laudêmio). 
(D) INCORRETA. O art. 47 da Lei 9636/1998 prevê prazo decadencial de 10 anos: 
 
 
114 
Art. 47. O crédito originado de receita patrimonial será 
submetido aos seguintes prazos: 
I - decadencial de dez anos para sua constituição, mediante 
lançamento; e 
II - prescricional de cinco anos para sua exigência, contados do 
lançamento. 
(E) INCORRETA. Não se aplica o CTN ao laudêmio. Ele deve observância ao quanto 
disposto na Lei 9636/1998 que prevê os prazos de decadência e prescrição em seu art. 
47 acima descrito. 
_______________________________________________________________________ 
68. Assinale a alternativa CORRETA. O princípio da estrita legalidade tributária, no 
SistemaTributário Nacional, prescreve que: 
(A) As obrigações acessórias, assim como as obrigações principais, devem ter seus 
critérios estabelecidos em lei. 
(B) Alguns tributos de competência da União, por terem funções extrafiscais, podem ter 
suas alíquotas fixadas por decretos, mas dentro dos limites estabelecidos em lei. 
(C) A sujeição passiva tributária, por ser uma decorrência necessária de quem praticou 
o fato gerador do tributo, pode ser previsto em ato normativo infralegal. 
(D) As multas tributárias, por não serem tributos, podem ser instituídas por decretos. 
(E) Os regulamentos dos tributos são atos normativos gerais e abstratas, buscando seus 
fundamentos diretamente na Constituição da República e não nas leis. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
O princípio da estrita legalidade tributária está previsto no art. 150, I, da CR: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal 
e aos Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
Ele não se confunde com o princípio da legalidade previsto no art. 5º da CR: 
Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei; 
(A) INCORRETA. Conforme art. 113, §2º, do CTN, as obrigações acessórias estão previstas 
na legislação tributária, que abrange outros instrumentos normativos além da lei: 
Art. 113, § 2º A obrigação acessória decorre da legislação 
tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, 
 
 
115 
nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos 
tributos. 
(B) CORRETA. É o que ocorre, por exemplo, com o II, o IE, o IPI e o IOF: 
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: 
I - importação de produtos estrangeiros; 
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou 
nacionalizados; 
III - renda e proventos de qualquer natureza; 
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos 
ou valores mobiliários; 
§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os 
limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos 
enumerados nos incisos I, II, IV e V. 
(C) INCORRETA. A Constituição exige lei complementar para tratar de normas gerais 
sobre os contribuintes; 
Art. 146. Cabe à lei complementar: 
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação 
tributária, especialmente sobre: 
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em 
relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos 
respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; 
O princípio da legalidade também exige a edição de lei para definição da sujeição 
passiva: 
Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei; 
O art. 97 do CTN exige a edição de lei: 
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
II - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, 
ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu 
sujeito passivo; 
(D) INCORRETA. A cominação de multa pelo descumprimento de obrigação 
tributária somente pode ser estabelecida por lei, em respeito ao princípio da legalidade: 
Art. 5º, II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei; 
Além disso, o art. 97 do CTN exige a edição de lei: 
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões 
contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela 
definidas; 
 
 
116 
(E) INCORRETA. Os regulamentos dos tributos buscam seus fundamentos na lei e não 
diretamente na constituição. Os chamados regulamentos autônomos, que são aqueles 
que tem fundamento direto na Constituição, são aqueles previstos no art. 84, VI, da CR, 
e não versam sobre direito tributário. 
_______________________________________________________________________ 
69. Sobre as imunidades tributárias, nos termos da Constituição da República, do CTN e 
da jurisprudência do STF, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Estão previstas na Constituição Federal, mutilando a competência tributária em 
relação à instituição apenas de impostos e taxas. 
(B) A lei complementar, ao dispor sobre a limitações ao poder de tributar, por ser lei 
nacional, pode criar novas hipóteses de imunidades tributárias, desde que não restrinja 
as já previstas na Constituição Federal. 
(C) As entidades beneficentes de assistência social estão imunes em relação às 
contribuições para seguridade social, mesmo que, na literalidade do art. 195, §7º, da 
Constituição da República, conste a palavra isenção, razão pela qual somente a lei 
complementar pode estabelecer requisitos. 
(D) A imunidade recíproca não se aplica às empresas públicas e sociedades de economia 
mista delegatárias de serviços públicos, porque elas estão submetidas ao regime jurídico 
de privado. 
(E) Os cemitérios privados, por serem extensão de templo de qualquer culto, estão 
imunes aos impostos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Há hipóteses de imunidades que se referem a contribuições, como, por 
exemplo, a prevista no art. 195, §7º, da Constituição. Além disso, com a Reforma 
Tributária (EC 132/23), as imunidades previstas no art. 150, VI, também se aplicam à CBS 
– Contribuição sobre bens e serviços (art. 149-B, parágrafo único). 
(B) INCORRETA. Conforme ensina a doutrina, somente se estará diante de uma 
imunidade caso sua previsão esteja na Constituição. Caso a dispensa de pagamento 
esteja prevista em uma lei, ter-se-á uma isenção. Lembrando que, independentemente 
da nomenclatura utilizada pelo texto constitucional, se a norma de não incidência estiver 
prevista na Constituição, ela terá natureza jurídica de imunidade. 
(C) CORRETA. Conforme ensina a doutrina, independentemente da nomenclatura 
utilizada pelo texto constitucional, se a norma de não incidência estiver prevista na 
Constituição, ela terá natureza jurídica de imunidade. 
(D) INCORRETA. A jurisprudência dos tribunais superiores é pacífica em reconhecer a 
imunidade tributária recíproca extensiva para as empresas públicas e sociedades de 
 
 
117 
economia mista prestadoras de serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do 
Estado. Além disso, a Reforma Tributária (EC 132/23) alterou o texto constitucional para 
incluir expressamente os correios na imunidade tributária recíproca extensiva: 
Art. 150, § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às 
autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder 
público e à empresa pública prestadora de serviço postal, no 
que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a 
suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação 
dada pela EC 132/23) 
(E) INCORRETA. O STF somente reconhece a imunidade tributária religiosa para os 
cemitérios que constituem extensão da entidade religiosa. Não se aplica a imunidade 
aos cemitérios instituídos por particulares com manifesta finalidade lucrativa. RE 
578562. 
_______________________________________________________________________ 
70. Sobre as regras específicas do CTN acerca da interpretação da legislação tributária, 
assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A legislação tributária que dispõe sobre isenção deve ser interpretada de forma 
extensiva, com o objetivo de alcançar situações semelhantes não previstas 
expressamente, conforme o princípio da equidade. 
(B) A interpretação literal das normas tributárias no art. 111 do CTN é obrigatória nos 
casos que tratam de benefícios fiscais, mesmo que não sejam isenções. 
(C) A interpretação literal das normas tributárias aplica-se apenas às disposições que 
tratam de criação de tributos, não abrangendo normas relativas à suspensão, isenção ou 
exclusão do crédito tributário. 
(D) A legislação tributária que trata da responsabilidade porinfrações deve ser 
interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida somente 
quanto à natureza da penalidade aplicável. 
(E) A analogia é permitida para ampliar os casos de isenção tributária, desde que não 
haja prejuízo à arrecadação e que o benefício se justifique por razões de justiça fiscal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Deve ser interpretada literalmente: 
CTN, art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária 
que disponha sobre: 
II - outorga de isenção; 
(B) CORRETA. Em razão dos demais incisos do dispositivo legal: 
 
 
118 
CTN, art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária 
que disponha sôbre: 
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; 
II - outorga de isenção; 
III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias 
acessórias. 
(C) INCORRETA. 
CTN, art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária 
que disponha sôbre: 
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; 
II - outorga de isenção; 
III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias 
acessórias. 
(D) INCORRETA. 
CTN, art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina 
penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao 
acusado, em caso de dúvida quanto: 
I - à capitulação legal do fato; 
II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à 
natureza ou extensão dos seus efeitos; 
III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; 
IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 
(E) INCORRETA. 
CTN, art. 108, § 1º O emprego da analogia não poderá resultar 
na exigência de tributo não previsto em lei. 
_______________________________________________________________________ 
Bloco III: Direito Administrativo, Direito Ambiental, Direito Internacional 
Público e Privado, Noções Gerais de Direito e Formação Humanística, 
Direitos Humanos e Direito da Antidiscriminação 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
71. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No âmbito da Administração Federal, a natureza especial conferida à agência 
reguladora é caracterizada pela ausência de tutela ou de subordinação hierárquica e, 
assim sendo, pela desnecessidade de autorização ministerial específica para a realização 
de concursos públicos, ou para o provimento dos cargos relativos ao seu quadro de 
pessoal autorizados em lei. 
 
 
119 
(B) Previamente à tomada de decisão sobre as minutas e as propostas de alteração de 
atos normativos de interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou usuários 
dos serviços prestados, conforme deliberação pelo conselho diretor ou pela diretoria 
colegiada, mediante motivação específica, é facultada às agências reguladoras federais 
a possibilidade de realização de consulta pública. 
(C) No âmbito das agências reguladoras federais, a adoção e as propostas de alteração 
de atos normativos de interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou 
usuários dos serviços prestados serão precedidas, nos termos da regulamentação 
específica, da realização de Análise de Impacto Regulatório (AIR), que conterá 
informações e dados sobre os possíveis efeitos do ato normativo. 
(D) Conforme deliberação pelo conselho diretor ou pela diretoria colegiada, mediante 
motivação específica, é facultado a cada agência reguladora federal editar a chamada 
agenda regulatória, para explicitar o conjunto dos temas a serem regulamentados pela 
agência durante sua vigência. 
(E) Na elaboração da Análise de Impacto Regulatório (AIR) não devem ser adotadas 
metodologias que afiram o custo-benefício e os riscos da norma administrativa cogitada. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 3º, § 2º, I, Lei Federal nº 13.848/2019: 
§ 2º A autonomia administrativa da agência reguladora é 
caracterizada pelas seguintes competências: 
I - solicitar diretamente ao Ministério da Economia: 
a) autorização para a realização de concursos públicos; 
b) provimento dos cargos autorizados em lei para seu quadro 
de pessoal, observada a disponibilidade orçamentária; 
c) alterações no respectivo quadro de pessoal, fundamentadas 
em estudos de dimensionamento, bem como alterações nos 
planos de carreira de seus servidores; 
II - conceder diárias e passagens em deslocamentos nacionais e 
internacionais e autorizar afastamentos do País a servidores da 
agência; 
III - celebrar contratos administrativos e prorrogar contratos em 
vigor relativos a atividades de custeio, independentemente do 
valor. 
(B) INCORRETA. 
Art. 9º Serão objeto de consulta pública, previamente à tomada 
de decisão pelo conselho diretor ou pela diretoria colegiada, as 
minutas e as propostas de alteração de atos normativos de 
 
 
120 
interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou 
usuários dos serviços prestados. 
(C) CORRETA. 
Art. 6º A adoção e as propostas de alteração de atos normativos 
de interesse geral dos agentes econômicos, consumidores ou 
usuários dos serviços prestados serão, nos termos de 
regulamento, precedidas da realização de Análise de Impacto 
Regulatório (AIR), que conterá informações e dados sobre os 
possíveis efeitos do ato normativo. 
(D) INCORRETA. 
Art. 17. A agência reguladora deverá elaborar, para cada período 
quadrienal, plano estratégico que conterá os objetivos, as metas 
e os resultados estratégicos esperados das ações da agência 
reguladora relativos a sua gestão e a suas competências 
regulatórias, fiscalizatórias e normativas, bem como a indicação 
dos fatores externos alheios ao controle da agência que poderão 
afetar significativamente o cumprimento do plano. 
(E) INCORRETA. Art. 6º. 
_______________________________________________________________________ 
72. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Segundo a legislação federal, coaduna-se com a livre iniciativa a regulação de 
mercado que, de modo amplo, crie requisitos, impeça a adoção de tecnologias, 
processos ou modelos de negócios, aumente custos de transação, ainda que restrinja a 
concorrência em certa medida. 
(B) As empresas públicas e as sociedades de economia mista constituídas por um 
determinado ente da federação poderão realizar contrato de programa com outro ente 
da federação, no âmbito da gestão associada ou interfederativa de quaisquer serviços 
públicos, sempre que previsto em contrato de consórcio público ou convênio de 
cooperação. 
(C) Segundo a legislação federal, o silêncio da autoridade competente importará na 
aprovação tácita das solicitações de atos públicos de liberação da atividade econômica, 
sem exceções, desde que excedido o prazo legal fixado para a decisão administrativa e 
apresentados pelo particular todos os elementos necessários à instrução e decisão do 
processo. 
(D) Empresa pública prestadora de serviço público e dependente é a entidade dotada de 
personalidade jurídica de direito público, com criação autorizada por lei e com 
patrimônio próprio, cujo capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, 
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, cujos bens são impenhoráveis e que desfruta 
de imunidade tributária, em semelhança ao que ocorre nas autarquias. 
 
 
121 
(E) Segundo a legislação federal, interpretam-se em favor da liberdade econômica, da 
boa-fé e do respeito aos contratos, aos investimentos e à propriedade todas as normas 
de ordenação pública sobre atividades econômicas privadas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Art. 4º, caput, IV, Lei Federal nº 13.874/2019: 
Art. 4º É dever da administração pública e das demais entidades 
que se vinculam a esta Lei, no exercício de regulamentação de 
norma pública pertencente à legislação sobre a qual esta Lei 
versa, exceto se em estrito cumprimento a previsão explícita em 
lei, evitar o abuso do poder regulatório de maneira a, 
indevidamente: 
IV- redigir enunciados que impeçam ou retardem a inovação e a 
adoção de novas tecnologias, processos ou modelos de negócios, 
ressalvadas as situações consideradas em regulamento como de 
alto risco; 
(B) INCORRETA. A despeito da previsão do art. 13, § 5º, Lei Federal nº 11.105/2005 
(“Mediante previsão do contrato de consórcio público, ou de convênio de cooperação, o 
contrato de programa poderá ser celebrado por entidades de direito público ou privado 
que integrem a administração indireta de qualquer dos entes da Federação consorciados 
ou conveniados”), uma entidade da administração pública indireta somete pode atuar 
nas áreas previstas em sua lei criadora/autorizadora, em respeito ao princípio da 
descentralização/especialização administrativa. 
(C) INCORRETA. Art. 3º, caput, IX, Lei Federal nº 13.874/2019: 
Art. 3º São direitos de toda pessoa, natural ou jurídica, 
essenciais para o desenvolvimento e o crescimento econômicos 
do País, observado o disposto no parágrafo único do art. 170 da 
Constituição Federal: 
[...] 
IX - ter a garantia de que, nas solicitações de atos públicos de 
liberação da atividade econômica que se sujeitam ao disposto 
nesta Lei, apresentados todos os elementos necessários à 
instrução do processo, o particular será cientificado expressa e 
imediatamente do prazo máximo estipulado para a análise de 
seu pedido e de que, transcorrido o prazo fixado, o silêncio da 
autoridade competente importará aprovação tácita para todos 
os efeitos, ressalvadas as hipóteses expressamente vedadas em 
lei”. 
(D) INCORRETA. 
 
 
122 
Art. 3º, Lei Federal nº 13.303/2016: “Art. 3º Empresa pública é a 
entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, 
com criação autorizada por lei e com patrimônio próprio, cujo 
capital social é integralmente detido pela União, pelos Estados, 
pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.”. A natureza jurídica de 
direito privado da empresa pública não muda com o fato de ela 
ser prestadora de serviço público e dependente. 
(E) CORRETA. 
Art. 1º, § 2º, Lei Federal nº 13.878/2019: “Interpretam-se em 
favor da liberdade econômica, da boa-fé e do respeito aos 
contratos, aos investimentos e à propriedade todas as normas de 
ordenação pública sobre atividades econômicas privadas.”. 
_______________________________________________________________________ 
73. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Para os fins da Lei nº 13.019/2014, considera-se organização da sociedade civil a 
entidade privada sem fins lucrativos que não distribua entre os seus sócios ou 
associados, conselheiros, diretores, empregados, doadores ou terceiros eventuais 
resultados, sobras, excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, isenções de 
qualquer natureza, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o 
exercício de suas atividades, e que os aplique integralmente na consecução do 
respectivo objeto social, de forma imediata ou por meio da constituição de fundo 
patrimonial ou fundo de reserva. 
(B) No contexto da Lei nº 13.019/2014, acordo de cooperação é o instrumento por meio 
do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela administração pública com 
organizações da sociedade civil para a consecução de finalidades de interesse público e 
recíproco propostas pelas organizações da sociedade civil, que envolvam a transferência 
de recursos financeiros. 
(C) No contexto da Lei nº 13.019/2014, comissão de monitoramento e avaliação é o 
órgão criado pelo poder público para atuar como instância consultiva, na respectiva área 
de atuação, na formulação, implementação, acompanhamento, monitoramento e 
avaliação de políticas públicas. 
(D) Para a realização de parcerias com organizações da sociedade civil o administrador 
público realizará prévia licitação, nos termos da Lei nº 14.133/2021. 
(E) O Procedimento de Manifestação de Interesse Social é o instrumento por meio do 
qual as organizações da sociedade civil poderão apresentar propostas ao poder público 
nos casos de dispensa de licitação estabelecidos pela Lei nº 14.133/2021. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
123 
(A) CORRETA. Art. 2º, I, “a”, Lei Federal nº 13.019/2014. 
(B) INCORRETA. 
Art. 2º, VIII-A: “VIII-A - acordo de cooperação: instrumento por 
meio do qual são formalizadas as parcerias estabelecidas pela 
administração pública com organizações da sociedade civil para 
a consecução de finalidades de interesse público e recíproco que 
não envolvam a transferência de recursos financeiros”. 
(C) INCORRETA. 
Art. 2º, XI: “XI - comissão de monitoramento e avaliação: órgão 
colegiado destinado a monitorar e avaliar as parcerias celebradas 
com organizações da sociedade civil mediante termo de 
colaboração ou termo de fomento, constituído por ato publicado 
em meio oficial de comunicação, assegurada a participação de 
pelo menos um servidor ocupante de cargo efetivo ou emprego 
permanente do quadro de pessoal da administração pública”. 
(D) INCORRETA. 
“Art. 24. Exceto nas hipóteses previstas nesta Lei, a celebração 
de termo de colaboração ou de fomento será precedida de 
chamamento público voltado a selecionar organizações da 
sociedade civil que tornem mais eficaz a execução do objeto.”. 
(E) INCORRETA. 
“Art. 18. É instituído o Procedimento de Manifestação de 
Interesse Social como instrumento por meio do qual as 
organizações da sociedade civil, movimentos sociais e cidadãos 
poderão apresentar propostas ao poder público para que este 
avalie a possibilidade de realização de um chamamento público 
objetivando a celebração de parceria”. 
_______________________________________________________________________ 
74. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Depende de concessão de serviço público, mediante licitação, a delegação do 
transporte de cargas e passageiros, pelos meios rodoviário, ferroviário e aquaviário. 
(B) A tarifa do serviço público concedido será fixada por lei de iniciativa do poder 
executivo que estabelecerá os critérios de reajuste e de revisão tarifárias. 
(C) É necessária a realização de licitação prévia para transferência da concessão ou do 
controle societário de concessionária de serviços. 
(D) Em havendo alteração unilateral do contrato que afete o seu inicial equilíbrio 
econômico-financeiro, o poder concedente deverá restabelecê-lo, concomitantemente 
à alteração. 
 
 
124 
(E) Incumbe à concessionária a execução do serviço concedido, cabendo-lhe responder 
por todos os prejuízos causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, 
permitida a contratação com terceiros para o desenvolvimento de atividades acessórias 
ou complementares ao serviço concedido, bem como para a implementação de projetos 
associados, mas vedada a contratação de terceiros para atividades inerentes ao objeto 
concedido. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 2º, § 2º, Lei Federal nº 9.074/1995: “§ 2º Independe de 
concessão, permissão ou autorização o transporte de cargas 
pelos meios rodoviário e aquaviário.”. 
(B) INCORRETA. 
Art. 9º, Lei Federal nº 8.987/1995: “Art. 9o A tarifa do serviço 
público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora 
da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta 
Lei, no edital e no contrato.”. 
(C) INCORRETA. 
Art. 27, Lei Federal nº 8.987/1995: basta a anuência do poder 
concedente. 
(D) CORRETA. Art. 9º, § 4º, Lei Federal nº 8.987/1995. 
(E) INCORRETA. Art. 25, § 1º, Lei Federal nº 8.987/1995: 
Art. 25. Incumbe à concessionária a execução do serviço 
concedido, cabendo-lhe responder por todos os prejuízos 
causados ao poder concedente, aos usuários ou a terceiros, sem 
que a fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou 
atenue essa responsabilidade. 
§ 1º Sem prejuízo da responsabilidade a que se refere este artigo, 
a concessionária poderá contratarcom terceiros o 
desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou 
complementares ao serviço concedido, bem como a 
implementação de projetos associados. [dispositivo declarado 
constitucional pelo STF no âmbito da ADC 57) 
_______________________________________________________________________ 
75. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no cumprimento das diretrizes 
gerais para o transporte terrestre, poderá celebrar contatos de concessão de serviços 
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5511026
http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=5511026
 
 
125 
públicos para a exploração de infraestrutura rodoviária; para a prestação de serviços de 
transporte terrestre coletivo de passageiros desvinculados da exploração da 
infraestrutura rodoviária e, finalmente, para a prestação eventual, sem cobrança de 
tarifa, de serviços de transporte coletivo de passageiros. 
(B) Segundo a legislação federal, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e 
Biocombustíveis (ANP) não pode proibir que empresas estrangeiras sem sede no país 
celebrem contratos de concessão de serviços púbicos que lhes facultem a produção, 
industrialização e exploração comercial de gás natural. 
(C) A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sempre que 
necessário, deve elaborar os editais e promover as licitações para a concessão de 
serviços públicos de produção de petróleo, compreendidas as atividades de refinação, 
liquefação, regaseificação, carregamento, processamento, tratamento, transporte, 
estocagem e acondicionamento. 
(D) Defeso o monitoramento da evolução dos preços de medicamentos, equipamentos, 
componentes, insumos e serviços de saúde, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA) compete promover a proteção da saúde da população, por intermédio do 
controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos 
à vigilância sanitária. 
(E) A legislação federal admite a exploração de serviço público de telecomunicações no 
regime privado, baseada nos princípios constitucionais da atividade econômica, a qual 
dependerá de prévia autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Art. 13, Lei Federal nº 10.233/2001: 
Art. 13. Ressalvado o disposto em legislação específica, as 
outorgas a que se refere o inciso I do caput do art. 12 serão 
realizadas sob a forma de: 
I – concessão, quando se tratar de exploração de infra-estrutura 
de transporte público, precedida ou não de obra pública, e de 
prestação de serviços de transporte associados à exploração da 
infra-estrutura; 
IV - permissão, quando se tratar de: 
 a) prestação regular de serviços de transporte terrestre coletivo 
interestadual semiurbano de passageiros desvinculados da 
exploração da infraestrutura; 
V - autorização, quando se tratar de 
a) prestação não regular de serviços de transporte terrestre 
coletivo de passageiros, vedada a venda de bilhete de 
passagem; 
b) prestação de serviço de transporte aquaviário; 
 
 
126 
c) exploração de infraestrutura de uso privativo; e 
d) transporte ferroviário de cargas não associado à exploração da 
infraestrutura 
e) prestação regular de serviços de transporte terrestre coletivo 
interestadual e internacional de passageiros desvinculados da 
exploração da infraestrutura. 
(B) INCORRETA. Art. 5º, Lei Federal nº 9.478/1997. 
(C) INCORRETA. 
Art. 8º, V, Lei Federal nº 9.478/1997: as atividades de refinação, 
liquefação, regaseificação, carregamento, processamento, 
tratamento, transporte, estocagem e acondicionamento são 
autorizadas pela ANP. 
(D) INCORRETA. 
Art. 7º, XXV, Lei Federal nº 9.782/1999: compete à ANVISA 
“monitorar a evolução dos preços de medicamentos, 
equipamentos, componentes, insumos e serviços de saúde”. 
(E) CORRETA. 
Art. 131, Lei Federal nº 9.472/1997: “Art. 131. A exploração de 
serviço no regime privado dependerá de prévia autorização da 
Agência, que acarretará direito de uso das radiofreqüências 
necessárias.”. 
_______________________________________________________________________ 
76. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No caso da desapropriação para fins de utilidade pública, os bens desapropriados e 
os direitos decorrentes da respectiva imissão na posse não poderão ser alienados a 
terceiros, locados, cedidos, arrendados, outorgados em regimes de concessão de direito 
real de uso, de concessão comum ou de parceria público-privada. 
(B) Os concessionários, inclusive aqueles contratados nos termos da Lei nº 11.079/2004 
(Lei de Parceria Público-Privada), permissionários, autorizatários e arrendatários 
poderão promover desapropriação mediante autorização expressa constante de lei ou 
contrato. 
(C) A desapropriação por utilidade pública não poderá abranger áreas contíguas aquelas 
estritamente necessárias ao desenvolvimento da obra ou empreendimento a que se 
destinem. 
(D) O expropriante tem o prazo de 5 (cinco) anos, a partir da decretação da 
desapropriação por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e iniciar as 
providências de aproveitamento do bem expropriado, sendo reduzido o referido prazo 
para 3 (três) anos, nos casos de reforma agrária. 
(E) Nos processos de desapropriação para reforma agrária, as partes podem realizar 
acordo administrativo ou judicial, sendo que, na hipótese de acordo administrativo o 
 
 
127 
pagamento da indenização será efetuado de modo prévio e em dinheiro, enquanto no 
acordo judicial o pagamento será feito de forma escalonada em Títulos da Dívida Agrária 
(TDA), resgatáveis em parcelas anuais, iguais e sucessivas, a partir do segundo ano de 
sua emissão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. 
Art. 5º, § 4º, Dec-Lei nº 3.365/1941: “§ 4º Os bens 
desapropriados para fins de utilidade pública e os direitos 
decorrentes da respectiva imissão na posse poderão ser 
alienados a terceiros, locados, cedidos, arrendados, outorgados 
em regimes de concessão de direito real de uso, de concessão 
comum ou de parceria público-privada e ainda transferidos como 
integralização de fundos de investimento ou sociedades de 
propósito específico”. 
(B) CORRETA. 
Art. 3º, I, Dec-Lei 3.365/1941: 
Art. 3º Poderão promover a desapropriação mediante 
autorização expressa constante de lei ou contrato: 
I - os concessionários, inclusive aqueles contratados nos termos 
da Lei nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004 (Lei de Parceria 
Público-Privada), permissionários, autorizatários e 
arrendatários; 
(C) INCORRETA. 
“Art. 4o A desapropriação poderá abranger a área contígua 
necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as 
zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência 
da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de 
utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais 
as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à 
revenda”. 
(D) INCORRETA. 
Art. 10, Dec-Lei nº 3.365/1941: “Art. 10. A desapropriação (por 
utilidade ou necessidade pública) deverá efetivar-se mediante 
acordo ou intentar-se judicialmente, dentro de cinco anos, 
contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os 
quais este caducará.”. 
 
 
128 
Art. 3º, Lei Federal nº 4.132/1962: “Art. 3º O expropriante tem o 
prazo de 2 (dois) anos, a partir da decretação da desapropriação 
por interesse social, para efetivar a aludida desapropriação e 
iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado””. 
(E) INCORRETA. 
Art. 184, CF/88: “Art. 184. Compete à União desapropriar por 
interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que 
não esteja cumprindo sua funçãopara 
edição de regras que alterem o padrão remuneratório dos servidores públicos, ao 
mesmo tempo em que são aceitas emendas parlamentares que impliquem aumento de 
despesa nesses projetos de lei, limitadas a 30% (trinta) do gasto previsto inicialmente 
pelo Chefe do Executivo (art. 61, § 1º, II, “a”, e art. 63, I, ambos da Constituição Federal). 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 899/STF (RE 636886): “É prescritível a pretensão de ressarcimento 
ao erário fundada em decisão de Tribunal de Contas.” 
(B) CORRETA. Tema 595/STF (RE 706103): “É constitucional a promulgação, pelo Chefe 
do Poder Executivo, de parte incontroversa de projeto da lei que não foi vetada, antes 
da manifestação do Poder Legislativo pela manutenção ou pela rejeição do veto, 
inexistindo vício de inconstitucionalidade dessa parte inicialmente publicada pela 
ausência de promulgação da derrubada dos vetos.” 
(C) INCORRETA. Tema 121/STF (RE 600885): “Não foi recepcionada pela Constituição da 
República de 1988 a expressão “nos regulamentos da Marinha, do Exército e da 
Aeronáutica” do art. 10 da Lei 6.880/1980, dado que apenas lei pode definir os requisitos 
para ingresso nas Forças Armadas, notadamente o requisito de idade, nos termos do art. 
142, § 3º, X, da Constituição de 1988. Descabe, portanto, a regulamentação por outra 
espécie normativa, ainda que por delegação legal.” 
(D) INCORRETA. Diferentemente do que consta na alternativa, o ort. 20 da EC 132/2023 
não possui relação com Medidas Provisórias: “Art. 20. Até que lei disponha sobre a 
matéria, a contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor 
Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, de que trata o 
art. 239 da Constituição Federal, permanecerá sendo cobrada na forma do art. 2º, III, da 
Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e dos demais dispositivos legais a ele 
referentes em vigor na data de publicação desta Emenda Constitucional.” 
(E) INCORRETA. Tema 686/STF (RE 745811): “I – Há reserva de iniciativa do Chefe do 
Poder Executivo para edição de normas que alterem o padrão remuneratório dos 
servidores públicos (art. 61, § 1º, II, a, da CF); II – São formalmente inconstitucionais 
emendas parlamentares que impliquem aumento de despesa em projeto de lei de 
iniciativa reservada do Chefe do Poder Executivo (art. 63, I, da CF).” 
 
 
14 
_______________________________________________________________________ 
5. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Analisando a possibilidade de cancelamento automático da inscrição em conselho 
profissional em decorrência de inadimplência da anuidade, o STF concluiu pela 
constitucionalidade do art. 64 da Lei nº 5.194/1966, que admite esse cancelamento 
automático no caso de não pagamento por dois anos consecutivos, por ser inequívoca a 
ciência do atraso por parte do profissional ou da pessoa jurídica que deixa de cumprir 
suas obrigações nesse lapso de tempo. 
(B) Diante do previsto no art. 5º, XXXV e LV, e art. 93, IX, ambos da Constituição Federal, 
cuidando do problema da nova decisão que apenas transcreve a decisão recorrida, sem 
enfrentar as questões suscitadas nos embargos declaratórios, o STF afirmou que esses 
preceitos constitucionais exigem que o novo acórdão ou decisão sejam fundamentados, 
não bastando alegações sucintas que deixem de enfrentar, pormenorizadamente, cada 
uma das alegações ou provas. 
(C) Por força do art. 206, I, da Constituição Federal, sob pena de violação à igualdade e à 
concorrência nos vestibulares, é inconstitucional a previsão legal que assegure, na 
hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição pública, se 
inexistir instituição congênere à de origem. 
(D) Em vista do art. 41, e do art. 173, § 1º, ambos da Constituição Federal, a Empresa 
Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, 
a demissão de seus empregados. 
(E) À luz do art. 205, do art. 206, I e IV, do art. 208, VII, e do art. 212, § 3º, todos da 
Constituição Federal, é possível a cobrança de taxa de matrícula nas universidades 
públicas, excetuados os estudantes que comprovem hipossuficiência de recursos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 757/STF (RE 808424): “É inconstitucional o artigo 64 da Lei nº 
5.194/1966, considerada a previsão de cancelamento automático, ante a inadimplência 
da anuidade por dois anos consecutivos, do registro em conselho profissional, sem 
prévia manifestação do profissional ou da pessoa jurídica, por violar o devido processo 
legal.” 
(B) INCORRETA. Tema 339/STF (AI 791292): “O art. 93, IX, da Constituição Federal exige 
que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem 
determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas.” 
(C) INCORRETA. Tema 57/STF (RE 601580): “É constitucional a previsão legal que 
assegure, na hipótese de transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição 
pública, se inexistir instituição congênere à de origem.” 
 
 
15 
(D) CORRETA. Tema 131/STF (RE 589998): “A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos 
– ECT tem o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados.” 
(E) INCORRETA. Tema 40/STF (RE 500171): “A cobrança de taxa de matrícula nas 
universidades públicas viola o disposto no art. 206, IV, da Constituição Federal.” 
_______________________________________________________________________ 
6. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos conselhos de 
fiscalização profissional (autarquias federais), submetem-se ao regime de precatórios, à 
luz do art. 100 da Constituição Federal. 
(B) A execução de créditos individuais e divisíveis decorrentes de título judicial coletivo, 
promovida por substituto processual, não caracteriza o fracionamento de precatório 
vedado pelo § 8º do art. 100 da Constituição Federal. 
(C) Sociedades de economia mista que desenvolvem atividade econômica em regime 
concorrencial se beneficiam do regime de precatórios, previsto no art. 100 da 
Constituição da República, pois essas empresas são instrumentos de regulação 
econômica estatal. 
(D) A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal não pode ser afastada, 
mesmo que o proprietário comprove que não incorreu em culpa (ainda que "in 
vigilando" ou "in eligendo"), pois é objetiva a responsabilidade pelo cultivo ilegal de 
plantas psicotrópicas. 
(E) Considerando o art. 5º, o art. 109, I, e o art. 173, § 1º, II, todos da Constituição 
Federal, compete à Justiça Federal comum processar e julgar mandado de segurança 
quando a autoridade apontada como coatora for autoridade federal, não se 
considerando como tal os dirigentes de pessoa jurídica de direito privado, mesmo que 
investidos de delegação concedida pela União. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 877/STF (RE 938837): “Os pagamentos devidos, em razão de 
pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização não se submetem ao regime 
de precatórios.” 
(B) CORRETA. Tema 1317/STF (ARE 1491569): “A execução de créditos individuais e 
divisíveis decorrentes de título judicial coletivo, promovida por substituto processual, 
não caracteriza o fracionamento de precatório vedado pelo § 8º do art. 100 da 
Constituição.” 
(C) INCORRETA. Tema 253/STF (RE 599628): “Sociedades de economia mista que 
desenvolvem atividade econômica em regime concorrencial não se beneficiam do 
regime de precatórios, previsto no art. 100 da Constituição da República.” 
 
 
16 
(D) INCORRETA. Tema 399/STF (RE 635336): “A expropriação prevista no art. 243 da 
Constituição Federal pode ser afastada, desde que o proprietário comprove que não 
incorreu em culpa, ainda que “insocial, mediante prévia e justa 
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de 
preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, 
a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será 
definida em lei.”. 
_______________________________________________________________________ 
77. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Nos termos da legislação federal, o servidor ocupante de cargo em comissão ou de 
natureza especial não poderá ser nomeado para o exercício interino de outro cargo em 
comissão ou função de confiança, sem prejuízo das atribuições do que já ocupa, mesmo 
que optar pela remuneração de um deles durante o período da interinidade. 
(B) Para a legislação federal, recondução é o retorno do servidor estável ao cargo 
anteriormente ocupado, quando invalidada a sua demissão, com ressarcimento de todas 
suas vantagens. 
(C) Nos termos da legislação federal, o servidor aposentado pode requerer o retorno 
(reversão) à atividade, no interesse da administração, nos casos em que: tenha se 
aposentado voluntariamente; se estável quando na atividade; se houver cargo vago e, 
desde que, a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação de 
retorno. 
(D) Para a legislação federal, os servidores públicos serão responsabilizados 
objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos ao patrimônio 
público praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não. 
(E) Os entes da federação devem instituir, no âmbito de suas respectivas competências, 
regime jurídico único, de caráter estatutário, integrado por servidores da administração 
pública direta, das autarquias e das fundações públicas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Art. 9º, par. único, Lei Federal nº 8.112/1990. 
(B) INCORRETA. 
 
 
129 
Art. 28: “Art. 28. A reintegração é a reinvestidura do servidor 
estável no cargo anteriormente ocupado, ou no cargo resultante 
de sua transformação, quando invalidada a sua demissão por 
decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de todas 
as vantagens.”. 
(C) CORRETA. Art. 25. 
(D) INCORRETA. 
“Art. 121. O servidor responde civil, penal e 
administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições. 
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou 
comissivo, doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário 
ou a terceiros.”. 
(E) INCORRETA. 
Art. 39, CF/88: “Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e 
os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime 
jurídico único e planos de carreira para os servidores da 
administração pública direta, das autarquias e das fundações 
públicas.”. 
_______________________________________________________________________ 
78. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A Lei nº 9.784/1999, com base no art. 22, I, da Constituição Federal, estabelece 
normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração brasileira 
direta e indireta, como também se aplica aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, 
quando no desempenho de função administrativa. 
(B) Nos processos administrativos, as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma 
que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação 
retroativa de nova interpretação. 
(C) Segundo a legislação federal, a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos 
administrativos ou titulares a que foi atribuída como própria, sendo proibido a estes 
delegá-la parcial ou integralmente a outros órgãos ou titulares. 
(D) A participação em consulta pública confere, por si, a condição de interessado do 
processo, mas não confere o direito de obter da Administração resposta fundamentada 
a todas contribuições apresentadas. 
(E) Diante do princípio da livre apreciação das provas, encerrada a instrução do processo 
administrativo, a autoridade pública escolherá as evidências que entenda pertinentes 
para a motivação explícita de sua decisão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
 
130 
 
(A) INCORRETA. Art. 1º, Lei Federal nº 9.784/1999: aplicação restrita à administração 
pública direta e indireta FEDERAL. 
(B) CORRETA. Art. 2º, XIII. 
(C) INCORRETA. 
“Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos 
administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos 
de delegação e avocação legalmente admitidos. 
Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não 
houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a 
outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam 
hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em 
razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, 
jurídica ou territorial.”. 
(D) INCORRETA. 
Art. 31, § 2º: “§ 2o O comparecimento à consulta pública não 
confere, por si, a condição de interessado do processo, mas 
confere o direito de obter da Administração resposta 
fundamentada, que poderá ser comum a todas as alegações 
substancialmente iguais.”. 
(E) INCORRETA. Art. 38, § 1º. 
_______________________________________________________________________ 
79. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No âmbito da Administração Federal direta e indireta, os processos administrativos 
de que resultem sanções poderão ser revistos, a pedido do interessado, no prazo 
máximo de 5 (cinco) anos da comunicação pessoal ou da publicação da penalidade. 
(B) A motivação da decisão administrativa demonstrará a necessidade e a adequação da 
medida imposta ou da invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, ônus que não se transmite à decisão jurisdicional que eventualmente a 
controle, diante da independência e harmonia dos Poderes. 
(C) Ressalvados os casos expressamente previstos em lei, é vedado à autoridade 
administrativa celebrar compromisso com os interessados, em situação contenciosa, 
inclusive no caso de expedição de licença. 
(D) A decisão administrativa ou jurisdicional que decretar a invalidação de ato 
administrativo deverá indicar, de modo expresso, suas consequências jurídicas e 
administrativas e deverá ainda, quando for o caso, apontar as condições para que a 
regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses 
gerais, não se podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das 
peculiaridades do caso, sejam anormais ou excessivos. 
 
 
131 
(E) Padece de nulidade absoluta a decisão administrativa que estabeleça interpretação 
ou orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou 
novo condicionamento de direito, e prevendo regime de transição para que o novo dever 
ou condicionamento de direito sejam integralmente aplicados. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Art. 65, Lei Federal nº 9.784/1999: 
“Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções 
poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, 
quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes 
suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. 
Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar 
agravamento da sanção.” 
(B), (C), (D) e (E) Arts. 20-30, LINDB. 
_______________________________________________________________________ 
80. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O direito de acesso à informação deve ser executado em conformidade com as 
seguintes diretrizes, dentre outras: observância da publicidade como preceito geral e do 
sigilo como exceção; desenvolvimento do controle social da administração pública e 
utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação. 
(B) É facultado aos órgãos e entidades públicas promover, independentemente de 
requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbitode suas competências, 
de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas. 
(C) Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações, por 
qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do requerente, a 
especificação da informação requerida e os motivos determinantes da solicitação. 
(D) O direito de acesso à informação é a faculdade de obter informação custodiada pelo 
Poder Público, pelos meios e nos modos em que a informação esteja mantida. 
(E) O direito de acesso à informação sobre projetos públicos de pesquisa e 
desenvolvimento científicos ou tecnológicos é amplo e irrestrito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Art. 3º, I, Lei Federal nº 12.527/2011: 
 
 
132 
“Art. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei destinam-se a 
assegurar o direito fundamental de acesso à informação e devem 
ser executados em conformidade com os princípios básicos da 
administração pública e com as seguintes diretrizes: 
I - observância da publicidade como preceito geral e do sigilo 
como exceção;”. 
(B) INCORRETA. Art. 3º, II. 
(C) INCORRETA. Art. 10. 
(D) INCORRETA. Art. 5º. 
(E) INCORRETA. Art. 7º, § 1º. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO AMBIENTAL 
 
81. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) As modalidades de pagamento por serviços ambientais poderão ser previamente 
pactuadas entre pagadores e provedores, mas o órgão gestor da PNPSA deverá 
estabelecer outras modalidades por atos normativos. 
(B) No contexto dos direitos territoriais, os povos e comunidades tradicionais poderão 
ter o direito de voltar a suas terras tradicionais, ainda que persistam as causas que 
motivaram seus translados com reassentamento, conforme a Convenção OIT 169. 
(C) Ao aplicar as disposições da Convenção OIT 169, os governos poderão consultar os 
povos interessados, mediante procedimentos apropriados, cada vez que sejam previstas 
medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-los diretamente, de forma 
livre, prévia, informada e de boa fé. 
(D) Nos casos de isenção da obrigação de repartição de benefícios pelas microempresas, 
empresas de pequeno porte, microempreendedores individuais, agricultores 
tradicionais e suas cooperativas, nos termos dos dispositivos da Lei nº 13.123/2015, os 
detentores do conhecimento tradicional associado à biodiversidade ficam excluídos de 
programas de repartição de benefícios para manutenção dos sistemas de cultivo. 
(E) Segundo o STF, é constitucionalmente legítima a indissociabilidade dos direitos 
territoriais e do direito de existir como comunidade tradicional. Dada a íntima relação 
entre a posse das terras coletivas e a reprodução física e cultural das comunidades 
tradicionais, os direitos territoriais resultam abrangidos pelo direito fundamental à 
cultura (art. 215 da Constituição da República). 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
133 
Ementa Ação direta de inconstitucionalidade. Sertão baiano. Comunidades de Fundo e 
Fecho de Pasto. Direitos territoriais. Concessão de direito real de uso de terras devolutas 
estaduais. Art. 3º, § 2º, da Lei nº 12.910/2013 do Estado da Bahia. Termo final para 
requerer a regularização fundiária das terras tradicionalmente ocupadas. Pretensão 
legislativa de cessar conflitos rurais e alcançar estabilidade social. Inconstitucionalidade. 
Medida inadequada, desnecessária e desproporcional. Ônus injustificado sobre a parte 
vulnerável. Proteção insuficiente do direito à existência e à reprodução física e cultural 
das comunidades tradicionais. Indissociabilidade dos direitos territoriais e do direito 
de existir como comunidade tradicional. Assimilação forçada à sociedade envolvente. 
Procedência. 1. A Constituição do Estado da Bahia prevê a concessão de uso das terras 
devolutas estaduais às comunidades de fundo e fecho de pasto, típicas do sertão baiano, 
nos biomas cerrado e caatinga. A origem dessas comunidades remonta ao processo de 
colonização, em particular com a interiorização por meio da pecuária. Tais comunidades 
adaptaram-se às condições climáticas da região e desenvolveram particular relação com 
as terras ocupadas, geridas de maneira coletiva. Construíram modos de vida e formas 
de organização próprias. Conciliam a existência de áreas comuns, em que criados 
animais soltos e realizadas outras atividades sociais, e áreas apossadas individualmente, 
para lavoura e moradia familiares. 2. Impugnado o art. 3º, § 2º, da Lei nº 12.910/2013 
do Estado da Bahia, que impõe prazo à regularização fundiária das terras 
tradicionalmente ocupadas pelas comunidades de fundo e fecho de pasto mediante a 
concessão de uso: “Art. 3º (...). § 2º - Os contratos de concessão de direito real de uso 
de que trata esta Lei serão celebrados com as associações que protocolizem os pedidos 
de certificação de reconhecimento e de regularização fundiária, nos órgãos 
competentes, até 31 de dezembro de 2018.” 3. Dada a íntima relação entre a posse das 
terras coletivas e a reprodução física e cultural das comunidades tradicionais, os 
direitos territoriais resultam abrangidos pelo direito fundamental à cultura (art. 215, 
CF), em particular no que diz com a proteção dos grupos participantes do processo 
civilizatório nacional (§ 1º). Suas diferentes formas de expressão e modos de criar, 
fazer e viver integram o patrimônio cultural brasileiro (art. 216, I e II, CF) e devem ser 
objeto de tutela legislativa, administrativa e jurisdicional efetiva e adequada. 4. A 
posse tradicional e as expressões culturais que derivam da estreita relação entre as 
comunidades tradicionais e seu território integram sua identidade, que se traduz no 
pertencimento coletivo, nas particulares compreensões de mundo, nos imaginários 
coletivos, na relação travada com o local onde vivem (Corte Interamericana de Direitos 
Humanos, Comunidade Indígena Xákmok Kásek vs. Paraguai), de modo que o 
reconhecimento dos direitos territoriais exprime a afirmação da identidade étnico-
racial e da trajetória histórica própria dos povos e comunidades tradicionais. 5. Negar 
a garantia às terras tradicionalmente ocupadas é negar a própria identidade, o 
reconhecimento da comunidade tradicional na sua singularidade cultural. É condenar 
o grupo culturalmente diferenciado, centrado na particular relação com o local que 
estrutura as suas formas de criar, fazer e viver, ao desaparecimento. É impor-lhe a 
assimilação à sociedade envolvente e violar a dignidade da pessoa humana em sua 
expressão comunitária (art. 1º, III, CF), com a anulação cultural e até mesmo física da 
comunidade. 6. A imposição de prazo fatal para que as comunidades apresentem 
requerimento de certificação de reconhecimento e de regularização fundiária das terras 
tradicionais traduz limitação constitucionalmente injustificada, que não subsiste ao 
teste da proporcionalidade. Medida (i) inadequada para promover o fim dos conflitos 
 
 
134 
fundiários, (ii) desnecessária para estancar dúvida dominial sobre as terras devolutas e 
cessar a violência a que sujeitas as comunidades e (iii) manifestamente desproporcional, 
ao impôr ônus excessivo à parte vulnerável, afastando o seu direito de existir e de 
reproduzir-se culturalmente, que demanda especial proteção. 7. Incompatibilidade do 
termo final estabelecido pela norma impugnada com os arts. 13 e 14 da Convenção nº 
169 da OIT e com o art. 21 da Convenção Americana de Direitos Humanos. 8. Violação 
dos arts. 1º, III, 5º, XXII, 215, § 1º, 216, I e § 1º, da Constituição. O direito fundamental 
à propriedade (art. 5º, XXII), compreendido à luz do direito fundamental à cultura e do 
direito humano à propriedade e à posse coletivas, traduz moldura normativa que abriga 
a proteção das formas tradicionais de pertencimento. 9. Apelo ao Estado da Bahia, a 
título de obiterdictum, instando-o a adotar todas as medidas legislativas, 
administrativas e judiciais necessárias para efetivar os direitos territoriais das 
comunidades de fundo e fecho de pasto, sem prejuízo da tutela devida às demais 
comunidades tradicionais do território baiano, em toda a sua diversidade. 10. Ação 
conhecida e pedido julgado procedente. (ADI 5783, Relator(a): ROSA WEBER, Tribunal 
Pleno, julgado em 06-09-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 13-11-2023 
PUBLIC 14-11-2023) 
_______________________________________________________________________ 
82. No que concerne a atividades de mineração, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Por força do Decreto-lei nº 227/1967, conclui-se que o monitoramento dos riscos da 
atividade de mineração não é obrigação da empresa, sendo obrigatória a inspeção dos 
órgãos públicos ambientais. 
(B) A Lei de Segurança de Barragens (Lei nº 12.334/2010) prescreve a necessidade de 
classificar a atividade por categoria de risco, conforme os aspectos que possam 
influenciar na possibilidade de ocorrência de acidente ou desastre. 
(C) Para a lavra garimpeira de pequeno potencial de impacto ambiental, o STF tem 
permitido a dispensa ou a simplificação do processo de licenciamento ambiental para 
atividade de mineração a céu aberto, por norma do legislador estadual. 
(D) Aquele que explorar recursos minerais tem a obrigação constitucional de recuperar 
o meio ambiente degradado, mediante melhor solução técnica disponível pelo próprio 
detentor da concessão ou da permissão de lavra ou autorização de pesquisa. 
(E) A Lei nº 7.805/1989 estabelece que o permissionário da lavra garimpeira deve evitar 
o extravio das águas e promover a sua drenagem para que não causem danos a terceiros, 
não prevendo, porém, o dever de tratar aquelas que possam causar danos a terceiros. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 2º da Lei 12.334/2010 - Para os efeitos desta Lei, são 
estabelecidas as seguintes definições: 
 
 
135 
(...) 
VIII - categoria de risco: classificação da barragem de acordo com 
os aspectos que possam influenciar na possibilidade de 
ocorrência de acidente ou desastre; 
§ 1º A classificação por categoria de risco em alto, médio ou 
baixo será feita em função das características técnicas, dos 
métodos construtivos, do estado de conservação e da idade do 
empreendimento e do atendimento ao Plano de Segurança da 
Barragem, bem como de outros critérios definidos pelo órgão 
fiscalizador. 
Art. 7º da Lei 12.334/2010 - As barragens serão classificadas 
pelos agentes fiscalizadores, por categoria de risco, por dano 
potencial associado e pelo seu volume, com base em critérios 
gerais estabelecidos pelo Conselho Nacional de Recursos 
Hídricos (CNRH). 
_______________________________________________________________________ 
83. De acordo com a Lei nº 9.433/1997, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) É objetivo da Política Nacional de Recursos Hídricos a prevenção e defesa contra 
enchentes e inundações de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos 
recursos naturais. 
(B) O sistema de informações sobre recursos hídricos pressupõe a centralização da 
obtenção de dados e controle de acesso por parte da União para o planejamento e 
elaboração de seu Plano de Recursos Hídricos. 
(C) A efetivação da outorga de direitos de uso de recursos hídricos contempla o princípio 
da participação na medida em que permite a colaboração da sociedade civil no processo 
decisório. 
(D) O Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos é composto por diversos 
órgãos da administração pública federal, mas a implementação da Política Nacional de 
Recursos Hídricos compete aos Executivos Estaduais e Municipais. 
(E) O regime de outorga de direitos de uso de recursos hídricos tem como objetivo 
assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água, sendo efetivado apenas 
por ato da autoridade competente do Poder Executivo Federal ou, por delegação, dos 
Estados ou do Distrito Federal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 2º da Lei 9.433/97 - São objetivos da Política Nacional de 
Recursos Hídricos: 
 
 
136 
I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária 
disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados 
aos respectivos usos; 
II - a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, 
incluindo o transporte aquaviário, com vistas ao 
desenvolvimento sustentável; 
III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos 
de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos 
recursos naturais. 
IV - incentivar e promover a captação, a preservação e o 
aproveitamento de águas pluviais. 
_______________________________________________________________________ 
84. No tocante às bases normativas relacionadas a litígios climáticos, obrigações e 
mecanismos econômicos de adaptação e mitigação, plano de adaptação climática no 
âmbito da política nacional de mudança do clima, diante do Acordo de Paris, assinale a 
alternativa CORRETA: 
(A) O Poder Executivo tem o dever constitucional de fazer funcionar e alocar anualmente 
os recursos ao Fundo Clima para fins de mitigação das mudanças climáticas, não estando 
vedado seu contingenciamento, em razão dos direitos e compromissos internacionais 
assumidos pelo Brasil (art. 5º, § 2º, da Constituição Federal), bem como do princípio 
constitucional da separação dos poderes (art. 2º da Constituição Federal, combinado 
com o art. 9º, § 2º, da LRF). 
(B) Dentre as diretrizes dos planos de adaptação à mudança do clima, conforme a Lei nº 
14.904/2024, listam-se, dentre outras, o estabelecimento de prioridades com base em 
setores e regiões mais vulneráveis, a partir de identificação de vulnerabilidades, o 
monitoramento e a avaliação das ações previstas, bem como a adoção de processos de 
governança inclusivos para a revisão destes planos conforme definido pela Política 
Nacional de Mudança do Clima e a sinergia entre a Política Nacional de Proteção e Defesa 
Civil. 
(C) O contrato de concessão florestal para produção sustentável poderá prever a 
transferência de titularidade de créditos de carbono do poder concedente ao 
concessionário, bem como o direito de comercializar certificados representativos de 
créditos de carbono e serviços ambientais associados, em áreas ocupadas ou utilizadas 
por comunidades locais, apenas durante o período de concessão. 
(D) A Comissão Nacional Para Redução das Emissões de Gases de Efeito Estufa 
Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal – REDD+ - instituída pelo 
Decreto nº 11.548/2023, será composta por diversos representantes de órgãos e 
entidades, dentre os quais um representante de povos indígenas, não havendo previsão, 
porém, de outros seguimentos de povos e comunidades tradicionais. 
(E) É dotada de inflexibilidade a estrutura de transparência sobre financiamentos e 
transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento, para as iniciativas e ações 
contra mudanças climáticas. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
137 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 2º da Lei 14.904/2024 - São diretrizes dos planos de 
adaptação à mudança do clima: (...) 
V – o estabelecimento de prioridades com base em setores e 
regiões mais vulneráveis, a partir da identificação de 
vulnerabilidades, por meio da elaboração de estudos de análise 
de riscos e vulnerabilidades climáticas; 
VI – a sinergia entre a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil 
(PNPDEC), instituída pela Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012, 
o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil, os planos estaduais, 
distrital e municipais de proteção e defesa civil e a Estratégia 
Nacional de Segurança de Infraestruturas Críticas; (...) 
 IX – o monitoramento e a avaliação das ações previstas, bem 
como a adoção de processos de governança inclusivos para a 
revisão dosplanos de que trata esta Lei a cada 4 (quatro) anos, 
orientada pelo ciclo dos planos plurianuais; (...). 
_______________________________________________________________________ 
85. O princípio da precaução mais amplo independe da incerteza quanto ao risco para a 
adoção das medidas preventivas e mitigadoras da situação de risco ambiental. Acerca 
desta concepção, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Tem abrigo constitucional e está previsto na lei de política nacional de segurança de 
barragens, Lei nº 12.334/2010. 
(B) Foi previsto na Lei de Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 14.926/2024, 
que alterou a Lei nº 9.795/1999). 
(C) Encontra-se previsto na Lei da Política Nacional de Biossegurança (Lei nº 
11.105/2005). 
(D) Está previsto na Lei de Política Nacional de Defesa Civil (Lei nº 12.608/2012). 
(E) Está prevista na Lei da Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei nº 14.850/2024). 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 2º, § 2º da Lei 12.608/2012 - A incerteza quanto ao risco de 
desastre não constituirá óbice para a adoção das medidas 
preventivas e mitigadoras da situação de risco. 
 
 
138 
Destaca-se que esta questão é passível de recurso, pois o princípio da precaução 
também encontra-se previsto na Lei da Política Nacional de Biossegurança em seu art. 
1º. 
Art. 1º da Lei 11.101/2005 - Esta Lei estabelece normas de 
segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o 
cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a 
transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a 
pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio 
ambiente e o descarte de organismos geneticamente 
modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o 
estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e 
biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e 
vegetal, e a OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO PARA 
A PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE. 
_______________________________________________________________________ 
86. A respeito da biodiversidade, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) De acordo com a Lei nº 13.123/2015, não é permitida a remessa ao exterior de 
amostras de patrimônio genético, sendo vedado também o acesso por pessoa natural 
estrangeira. 
(B) É possível o acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado 
realizado no exterior por pessoa natural estrangeira, desde que associada a instituição 
nacional de pesquisa científica e tecnológica. 
(C) A Lei nº 13.123/2015 dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético de todas as 
espécies vegetais, animais, microbianas ou espécies de outra natureza, mas não se aplica 
ao patrimônio genético humano. 
(D) É possível o acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional associado 
realizado no exterior, mas apenas por pessoa jurídica nacional pública. 
(E) Não é permitida a exploração econômica do produto acabado ou material 
reprodutivo oriundo de acesso ao patrimônio genético ou ao conhecimento tradicional 
associado produzidos fora do País. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Art. 1º da Lei n. 13.123/2015 - Esta Lei dispõe sobre bens, 
direitos e obrigações relativos: I - ao acesso ao patrimônio 
genético do País, bem de uso comum do povo encontrado em 
condições in situ, inclusive as espécies domesticadas e 
populações espontâneas, ou mantido em condições ex situ, 
desde que encontrado em condições in situ no território 
 
 
139 
nacional, na plataforma continental, no mar territorial e na zona 
econômica exclusiva; 
Art. 2º da Lei n. 13.123/2015 - Além dos conceitos e das 
definições constantes da Convenção sobre Diversidade Biológica 
- CDB, promulgada pelo Decreto nº 2.519, de 16 de março de 
1998, consideram-se para os fins desta Lei: 
I - patrimônio genético - informação de origem genética de 
espécies vegetais, animais, microbianas ou espécies de outra 
natureza, incluindo substâncias oriundas do metabolismo destes 
seres vivos; 
Art. 4º da Lei n. 13.123/2015 - Esta Lei não se aplica ao 
patrimônio genético humano. 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO INTERNACIONAL 
 
87. Quanto a tratados internacionais, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Um Estado pode invocar o fato de que seu consentimento em obrigar-se por um 
tratado foi expresso em violação de uma disposição de seu direito interno sobre 
competência para concluir tratados, a não ser que essa violação fosse manifesta e 
dissesse respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental. 
(B) Um Estado não pode invocar o fato de que seu consentimento em obrigar-se por um 
tratado foi expresso em violação de uma disposição de seu direito interno sobre 
competência para concluir tratados, a não ser que essa violação fosse manifesta e 
dissesse respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental. 
(C) Um Estado não pode invocar o fato de que seu consentimento em obrigar-se por um 
tratado foi expresso em violação de uma disposição de seu direito interno sobre 
competência para concluir tratados, a não ser que essa violação não fosse manifesta e 
não dissesse respeito a uma norma de seu direito interno de importância fundamental. 
(D) Um erro relativo à redação do texto de um tratado prejudicará inarredavelmente sua 
validade. 
(E) A correção do texto de um tratado já registrado não precisará ser notificada ao 
Secretariado das Nações Unidas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
140 
(A) INCORRETA. Um Estado não pode, como regra, invocar o direito interno para se 
desobrigar do tratado, conforme art. 46 do Dec. nº. 7.030/2009 – Convenção de Viena 
Sobre Direitos dos Tratados de 1969. 
(B) CORRETA. É a redação do art. 46 do Dec. nº. 7.030/2009 – Convenção de Viena Sobre 
Direitos dos Tratados de 1969 já mencionado. 
(C) INCORRETA. A violação deve ser manifesta e dizer respeito a uma norma de 
importância fundamental, conforme art. 46 do Dec. nº. 7.030/2009 – Convenção de 
Viena Sobre Direitos dos Tratados de 1969. 
(D) INCORRETA. Este tipo de erro não prejudicará a sua validade, conforme art. 48, 3, do 
Dec. nº. 7.030/2009 – Convenção de Viena Sobre Direitos dos Tratados de 1969. 
(E) INCORRETA. Haverá necessidade de notificação do Secretariado das Nações Unidas 
se estiver registrado, nos termos do art. 79, 5, do Dec. nº. 7.030/2009 – Convenção de 
Viena Sobre Direitos dos Tratados de 1969. 
_______________________________________________________________________ 
88. A respeito da Convenção da Haia, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) As Autoridades Centrais deverão cooperar entre si e promover a colaboração entre 
as autoridades competentes de seus respectivos Estados a fim de assegurar a proteção 
das crianças e alcançar os demais objetivos da Convenção Relativa à Proteção das 
Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, concluída na Haia, em 29 
de maio de 1993. 
(B) Se a Autoridade Central do Estado de acolhida não considerar que os solicitantes 
estão habilitados e aptos para adotar, a mesma preparará um relatório que contenha 
informações sobre a identidade, a capacidade jurídica e adequação dos solicitantes para 
adotar, sua situação pessoal, familiar e médica, seu meio social, seu meio profissional, 
suas condições habitacionais, os motivos que os animam, sua aptidão para assumir uma 
adoção internacional, assim como sobre as crianças de que eles estariam em condições 
de tomar a seu cargo. 
(C) Se a Autoridade Central do Estado de origem considerar que a criança é adotável, 
deverá verificar, baseando-se especialmente nos relatórios relativos à criança e aos 
futuros pais adotivos, se a colocação prevista atende ao interesse dos adultos. 
(D) As Autoridades Centrais manter-se-ão informadas sobre o procedimento de adoção,sobre as medidas adotadas para levá-la a efeito, assim como sobre o desenvolvimento 
do período probatório, independentemente de seu requerimento. 
(E) O reconhecimento de uma adoção não poderá ser recusado em um Estado 
Contratante se a adoção for manifestamente contrária à sua ordem pública, levando em 
consideração o interesse superior da criança. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
 
141 
 
(A) CORRETA. Alternativa que está de acordo com o art. 7, 1, do Dec. nº. 3.087/1999 – 
Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção 
Internacional. 
(B) INCORRETA. Tal relatório será realizado somente de caso de aptidão para adotar, de 
acordo com o art. 15, 1, do Dec. nº. 3.087/1999 – Convenção Relativa à Proteção das 
Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional. 
(C) INCORRETA. A Autoridade Central deve verificar se a colocação atente ao interesse 
superior da criança, conforme art. 16, 1, “d”, do Dec. nº. 3.087/1999 – Convenção 
Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional. 
(D) INCORRETA. As informações dependerão de requerimento, conforme art. 20 do Dec. 
nº. 3.087/1999 – Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em 
Matéria de Adoção Internacional. 
(E) INCORRETA. Nessa situação, o reconhecimento da adoção poderá ser recusado, nos 
termos do art. 24 do Dec. nº. 3.087/1999 – Convenção Relativa à Proteção das Crianças 
e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional. 
_______________________________________________________________________ 
89. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. 
(B) A Corte Internacional de Justiça não possui competência consultiva. 
(C) Na adoção, as autoridades competentes de um Estado Contratante não tomarão 
providências para conservação das informações de que dispuserem relativamente à 
origem da criança e, em particular, a respeito da identidade de seus pais, assim como 
sobre o histórico médico da criança e de sua família. 
(D) Nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, 
praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, na forma da lei. 
(E) É anulável um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma 
imperativa de Direito Internacional geral. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Não será realizada a extradição nestas hipóteses, conforme art. 5º, LII, 
da Constituição Federal – CF. 
(B) INCORRETA. A Corte Internacional de Justiça – CIJ possui competência consultiva, de 
acordo com o art. 65, 1, do Dec. nº. 19.841/1945 – Carta das Nações Unidas. 
 
 
142 
(C) INCORRETA. As autoridades tomarão as devidas providências, conforme art. 30 do 
Dec. nº. 3.087/1999 – Convenção Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em 
Matéria de Adoção Internacional. 
(D) CORRETA. A alternativa está de acordo com o art. 5º, LI, da Constituição Federal – CF. 
(E) INCORRETA. Nessa situação, o tratado é nulo, nos termos do art. 53 do Dec. nº. 
7.030/2009 – Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969. 
_______________________________________________________________________ 
90. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos 
impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. 
(B) Tendo os nubentes domicílios diversos, regerá os casos de invalidade do matrimônio 
a lei de qualquer domicílio conjugal. 
(C) A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o 
proponente ou em outro local, a depender da vontade das partes. 
(D) A lei do domicílio do herdeiro ou legatário pode regular a capacidade para suceder. 
(E) Os governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que eles 
tenham constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, poderão adquirir 
no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Alternativa que está de acordo com o art. 7º, § 1º, da LINDB. 
(B) INCORRETA. A lei aplicada será aquela do primeiro domicilio conjugal, conforme art. 
7º, § 3º, da LINDB. 
(C) INCORRETA. A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no local em 
que residir o proponente, não existindo foro de eleição, de acordo como art. 9º, § 2º, da 
LINDB. 
(D) INCORRETA. A lei do domicílio do herdeiro ou legatório efetivamente regula a 
questão, conforme art. 10, § 2º, da LINDB. 
(E) INCORRETA. Tais entidades não poderão adquirir imóveis, conforme art. 11, § 2º, da 
LIDNB. 
_______________________________________________________________________ 
91. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que não reúna os 
seguintes requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido as partes 
 
 
143 
citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar 
revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; e) ter sido homologada pelo STF. 
(B) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes 
requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido as partes citadas 
ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar revestida 
das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; d) estar 
traduzida por intérprete não autorizado; e) ter sido homologada pelo STF. 
(C) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes 
requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido as partes citadas 
ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar revestida 
das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; d) estar 
traduzida por intérprete autorizado; e) ter sido homologada pelo STJ. 
(D) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes 
requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido, ou não, as partes 
citadas, ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar 
revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; 
d) estar traduzida por intérprete autorizado; e) ter sido homologada pelo STF e pelo STJ. 
(E) Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que reúna os seguintes 
requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente; b) terem sido as partes citadas 
ou haver-se legalmente verificado à revelia; c) ter passado em julgado e estar revestida 
das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida; d) estar 
traduzida por intérprete autorizado; e) ter sido homologada pelo STF. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
O art. 963 do CPC dispõe que: “Constituem requisitos indispensáveis à homologação da 
decisão: I - ser proferida por autoridade competente; II - ser precedida de citação regular, 
ainda que verificada a revelia; III - ser eficaz no país em que foi proferida; IV - não ofender 
a coisa julgada brasileira; V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição 
que a dispense prevista em tratado; VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública”. 
E, nos termos do art. 105, I, “i”, da Constituição Federal – CF, compete ao STJ a 
homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas rogatórias. 
Assim, a única alternativa que corresponde a tal dispositivo é a “C”. 
_______________________________________________________________________92. No que concerne à autoridade judicial brasileira, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a bens 
móveis situados no Brasil. 
 
 
144 
(B) É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no 
estrangeiro, sem que aqui tiver de ser cumprida a obrigação. 
(C) A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma 
estabelecida pela lei estrangeira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira 
competente, observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências. 
(D) É competente a autoridade judiciária brasileira, quando não for o réu domiciliado no 
Brasil ou aqui não tiver de ser cumprida a obrigação. 
(E) É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no 
Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A competência exclusiva é somente para imóveis, nos termos do art. 23, 
I, do CPC. 
(B) INCORRETA. A competência será da autoridade judiciária brasileira quando, apesar 
de o réu ser domiciliado no estrangeiro, a obrigação deve ser satisfeita no país, nos 
termos do art. 21, II, do CPC. 
(C) INCORRETA. O cumprimento observará o que dispõe a lei brasileira, de acordo com 
o art. 12, § 2º, da LINDB. 
(D) INCORRETA. Nesta situação não haverá competência da justiça brasileira, uma vez 
que não incidentes nenhumas das hipóteses do art. 21 do CPC. 
(E) CORRETA. É o que prevê o art. 21, I e II, do CPC. 
_______________________________________________________________________ 
NOÇÕES GERAIS DE DIREITO E FORMAÇÃO HUMANÍSTICA 
 
93. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) É atribuição das Ouvidorias receber reclamações e denúncias de qualquer 
interessado contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, ou contra seus serviços 
auxiliares, bem como aplicar as penalidades cabíveis, após o devido processo legal. 
(B) São penalidades estabelecidas no Código de Ética da Magistratura Nacional: 
advertência; censura; remoção compulsória; disponibilidade com vencimentos 
proporcionais ao tempo de serviço; aposentadoria compulsória com vencimentos 
proporcionais ao tempo de serviço; demissão. 
(C) É considerado tratamento discriminatório injustificado, pelo juiz, a audiência 
concedida a apenas uma das partes ou seu advogado, ainda que se assegure igual direito 
à parte contrária, caso solicitado, em respeito ao princípio da imparcialidade. 
 
 
145 
(D) Estabelece o Código de Ética da Magistratura que o exercício da magistratura deve 
nortear-se pelos princípios da independência, da imparcialidade, do conhecimento e 
capacitação, da cortesia, da transparência, do segredo profissional, da prudência, da 
diligência, da integridade profissional e pessoal, da dignidade, da honra e do decoro. 
(E) Compete ao Conselho Nacional de Justiça, entre outros, zelar pela autonomia do 
Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos 
regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências; não 
compete ao mesmo órgão rever, de ofício ou mediante provocação, os processos 
disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. As Ouvidorias do Poder Judiciário têm como função principal receber 
reclamações, denúncias e sugestões relativas aos serviços prestados pela Justiça, mas 
não possuem competência para aplicar penalidades. A aplicação de penalidades, após o 
devido processo legal, compete aos órgãos próprios, como o Conselho Nacional de 
Justiça (CNJ), nos termos do art. 103-B da Constituição Federal e da Lei Orgânica da 
Magistratura Nacional (LOMAN). 
(B) INCORRETA. As penalidades mencionadas (advertência, censura, remoção 
compulsória, disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço, 
aposentadoria compulsória e demissão) são previstas na Lei Orgânica da Magistratura 
Nacional (LC 35/1979), e não no Código de Ética da Magistratura Nacional, que não trata 
de sanções, mas sim de diretrizes éticas para o exercício da magistratura. 
(C) INCORRETA. Embora o Código de Ética da Magistratura exija que o juiz mantenha 
comportamento imparcial, não caracteriza tratamento discriminatório conceder 
audiência a uma das partes ou ao advogado, desde que se assegure igual direito à parte 
contrária, nos termos do art. 7º do Código de Ética da Magistratura e do art. 6º do 
Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994). O juiz, no entanto, deve evitar qualquer situação 
que comprometa a percepção de imparcialidade. 
(D) INCORRETA. O Código de Ética da Magistratura Nacional estabelece que o exercício 
da magistratura deve ser pautado por princípios como independência, imparcialidade, 
conhecimento, capacitação, cortesia, transparência, segredo profissional, prudência, 
diligência, integridade, dignidade, honra e decoro. Esses princípios visam assegurar que 
a atuação do magistrado seja ética e condizente com a função que desempenha. Assim, 
essa alternativa reflete fielmente o conteúdo do Código de Ética. 
(E) INCORRETA. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) possui competência para rever, de 
ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e membros de 
tribunais julgados há menos de um ano, conforme disposto no art. 103-B, § 4º, III, da 
Constituição Federal. A alternativa erra ao afirmar que essa competência não existe. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
146 
94. Em vista do positivismo jurídico kelseniano, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Em sua Teoria Geral do Direito, entendendo que o cientista do Direito deveria 
investigá-lo mediante um método próprio ao seu estudo, Hans Kelsen concluiu que isso 
só seria possível se houvesse pureza metódica. Assim, separa o Direito dos fatos naturais, 
remetendo o estudo destes às ciências causais da natureza e retira do âmbito de 
apreciação da ciência jurídica a política e os aspectos valorativos do Direito. 
(B) Hans Kelsen distingue norma jurídica e proposição jurídica. As normas jurídicas, 
objeto da ciência jurídica, são ordens da conduta humana produzidas pelo órgão 
legislativo e a proposição jurídica é produzida pela jurisprudência do Judiciário. 
(C) Na confluência do Direito, Estado Moderno e ciência jurídica, podemos perceber que 
a teoria imperativista da norma jurídica está estreitamente vinculada à concepção 
legalista-estatal do Direito (isto é, com a concepção que considera o Estado como única 
fonte do Direito e determina a lei como a única expressão do poder normativo do 
Estado). 
(D) Hans Kelsen, em sua Teoria Pura do Direito, procura encontrar um fundamento de 
validade para o ordenamento jurídico reconduzível a autoridades metajurídicas, como 
Deus ou a natureza. Esse fundamento é o critério supremo que permite estabelecer se 
uma norma pertence a um ordenamento, pois é ele que fundamenta a validade do 
ordenamento. 
(E) O positivismo jurídico sustenta o princípio da coerência do ordenamento jurídico, que 
consiste em negar que nele possa haver lacunas. Tal princípio estaria garantido por uma 
norma, implícita em todo ordenamento, segundo a qual duas normas antinômicas não 
podem ser ambas válidas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C (Dado pela Banca) – GABARITO MEGE: A 
 
COMENTÁRIOS 
 
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO. 
(A) CORRETA. Hans Kelsen, na Teoria Pura do Direito, propõe um método científico para 
o estudo do Direito, afastando dele qualquer influência de valores morais, políticos ou 
sociais. Para Kelsen, a ciência jurídica deve ser pura, ou seja, separada das ciências 
naturais e das questões políticas ou valorativas. O Direito é estudado como um sistema 
normativo e objetivo, que regula a condutahumana por meio de normas válidas. Essa 
visão reflete corretamente o pensamento kelseniano. Hans Kelsen desenvolveu a Teoria 
Pura do Direito como uma ciência normativa, com o objetivo de separá-la de outras 
áreas do conhecimento humano, como a política, a moral e as ciências naturais. Ele 
argumenta que para o Direito ser estudado cientificamente, é necessário desvinculá-lo 
dessas influências: "A Teoria Pura do Direito procura garantir, mediante a exclusão de 
tudo o que lhe é estranho, como, por exemplo, elementos de natureza psicológica, 
sociológica, ética, a autonomia da Ciência Jurídica como ciência." (Kelsen, Teoria Pura 
 
 
147 
do Direito, 2ª edição, 1979, p. 1). Esse sistema normativo é distinto das ciências naturais, 
que operam sob leis causais. Enquanto estas lidam com o "ser" (fatos), o Direito lida com 
o "dever ser" (normas). Essa distinção é essencial para manter a pureza metodológica do 
Direito. Segundo o filósofo, "A ciência jurídica não é uma ciência que descreve o 
comportamento humano, mas uma ciência normativa. Seu objeto não é o 'ser', mas o 
'dever ser'. "A Teoria Pura do Direito visa conhecer o Direito em si mesmo, e não misturá-
lo com outros domínios da realidade social. Ela se propõe a evitar a confusão entre 
Direito e política, Direito e moral." (Kelsen, Teoria Pura do Direito, 2ª edição, 1979, p. 3). 
Ademais, Kelsen fundamenta que o direito é um sistema normativo hierárquico,cuja 
validade depende de normas superiores, culminando em uma norma fundamental 
presumida. 
(B) INCORRETA. Hans Kelsen faz uma distinção entre norma jurídica e proposição 
jurídica, mas a explicação dada na alternativa está incorreta. Na teoria kelseniana, a 
norma jurídica é o conteúdo do Direito em si, enquanto a proposição jurídica é a 
formulação científica da norma feita pelo jurista. Ou seja, as proposições jurídicas não 
são produzidas pela jurisprudência, mas sim pelo estudo científico do Direito. 
(C) INCORRETA. Embora a teoria imperativista da norma jurídica tenha proximidade com 
a concepção legalista do Estado, essa não é uma característica central da teoria 
kelseniana. Kelsen não reduz o Direito apenas à lei, pois sua teoria aborda o 
ordenamento jurídico como um todo, considerando as normas inferiores (como as 
decisões judiciais) e sua relação de subordinação a normas superiores. 
(D) INCORRETA. Kelsen rejeita fundamentos metajurídicos, como Deus ou a natureza, 
para justificar a validade das normas. Em sua teoria, a validade do ordenamento jurídico 
remonta à norma fundamental (Grundnorm), que é um pressuposto lógico-jurídico e 
não uma autoridade extrajurídica. A norma fundamental é a base que justifica a validade 
de todas as normas de um sistema jurídico, mas não se reconduz a critérios divinos ou 
naturais. 
(E) INCORRETA. O positivismo jurídico kelseniano não nega a existência de lacunas no 
ordenamento jurídico. Embora a coerência e a completude sejam ideais do Direito, 
Kelsen reconhece que podem existir antinomias e lacunas no sistema normativo. A 
solução para esses problemas depende do papel interpretativo e integrador atribuído 
aos aplicadores do Direito, como juízes. 
_______________________________________________________________________ 
95. Em 1986, foi adotada pela ONU a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento e, 
a partir desse documento, o direito ao desenvolvimento se configurou como um direito 
humano inalienável, passando a ser entendido como um processo global econômico, 
social, cultural e político. A respeito do Direito ao Desenvolvimento, assinale a 
alternativa CORRETA: 
(A) Os direitos econômicos, sociais e culturais são considerados pontos-chave do Direito 
Internacional ao desenvolvimento, como assinala o primeiro dos Princípios Limburg. 
(B) O principal responsável, ou seja, o sujeito passivo do Direito ao Desenvolvimento é a 
ONU, que tem o dever de criar as condições favoráveis ao desenvolvimento 
supranacional e interno dos povos e dos indivíduos. 
 
 
148 
(C) Com relação à regulação do Direito ao Desenvolvimento no âmbito interamericano, 
este não se encontra previsto na Carta Americana de Direitos Humanos. 
(D) Mesmo sendo signatário da Declaração de 1986, os Estados-parte podem invocar 
disposições de sua legislação interna para justificar a falta de cumprimento de 
obrigações nela estabelecidas. 
(E) O Brasil não é signatário do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais da ONU, de 1966. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
 
(A) CORRETA. Os direitos econômicos, sociais e culturais são efetivamente considerados 
pontos-chave do Direito ao Desenvolvimento, e o Princípio 1 dos Princípios de Limburg 
reforça essa conexão ao afirmar que esses direitos são indispensáveis para a promoção 
do desenvolvimento humano. A Declaração de 1986 também estabelece que o 
desenvolvimento deve ser global, abrangendo os aspectos econômicos, sociais, culturais 
e políticos, e reconhecendo a indivisibilidade dos direitos humanos. 
(B) INCORRETA. O principal responsável (sujeito passivo) pelo Direito ao 
Desenvolvimento não é a ONU, mas os Estados. A Declaração de 1986 atribui aos Estados 
a responsabilidade primária de criar as condições internas e internacionais para o 
desenvolvimento e de implementar políticas que assegurem o direito ao 
desenvolvimento aos seus povos. A ONU desempenha um papel de apoio e 
coordenação, mas não é a principal responsável. 
(C) INCORRETA. O Direito ao Desenvolvimento está previsto no Protocolo de San 
Salvador (1988), que é o instrumento adicional à Convenção Americana de Direitos 
Humanos (CADH) destinado à proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais no 
âmbito do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Portanto, afirmar que não está 
previsto na CADH está incorreto, pois o protocolo é parte do Sistema Interamericano. 
(D) INCORRETA. A Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento de 1986 reflete 
princípios de caráter universal que vinculam os Estados signatários, mesmo que de forma 
não coercitiva. Um Estado não pode invocar disposições de sua legislação interna para 
justificar o descumprimento das obrigações internacionais que reconhece, conforme o 
princípio pacta sunt servanda (art. 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos 
Tratados). 
(E) INCORRETA. O Brasil é signatário e ratificou o Pacto Internacional de Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) de 1966. O país assumiu obrigações de proteger 
e promover os direitos previstos nesse pacto, alinhando-se às normas internacionais 
sobre direitos humanos e desenvolvimento. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
149 
 
DIREITOS HUMANOS E DIREITO DA ANTIDISCRIMINAÇÃO 
 
96. Sobre o sistema de quotas, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No Tema 99/STF, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 93 da Lei nº 
8.213/1991, por ausência de previsão constitucional sobre quotas em empresas 
privadas. 
(B) Segundo o previsto na Lei nº 8.213/1991, a dispensa de pessoa com deficiência ou 
de beneficiário reabilitado da Previdência Social ao final de contrato por prazo 
determinado de mais de 90 (noventa) dias e a dispensa imotivada em contrato por prazo 
indeterminado obrigam a contratação de outro trabalhador com deficiência ou 
beneficiário reabilitado da Previdência Social no prazo máximo de 60 (sessenta dias). 
(C) Conforme a Lei nº 8.213/1991, para a reserva de cargos será considerada a 
contratação direta de pessoa com deficiência, incluindo o aprendiz com deficiência de 
que trata a CLT. 
(D) A exigência de quotas, fixada no art. 93 da Lei nº 8.213/1991, diz respeito apenas a 
pessoas com deficiência, não alcançando beneficiários reabilitados. 
(E) Segundo o art. 93 da Lei nº 8.213/1991, a empresa com 100 (cem) ou mais 
empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) 
dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoascom deficiência, em 
proporção progressiva conforme o número de empregados. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O Tema 99 do STF não declarou a inconstitucionalidade do art. 93 da 
Lei nº 8.213/1991. Na realidade, o Tema 99 do STF tratou da possibilidade de estender, 
às pessoas jurídicas que atuam no ramo industrial, as deduções da base de cálculo da 
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição ao 
Programa de Integração Social (PIS), fixadas para as instituições financeiras e 
revendedoras de veículos usados pelas Leis n. 9.716/1998 e n. 9.718/1998. O STF 
entendeu que essa questão não possui repercussão geral, pois não apresenta relevância 
econômica, política, social ou jurídica que transcenda ao interesse das partes. 
Cabe pontuar que STF já reconheceu a constitucionalidade das cotas para pessoas com 
deficiência em empresas privadas, reforçando que a política de reserva de vagas está 
em conformidade com os princípios da igualdade material e inclusão social, previstos na 
Constituição Federal (art. 7º, XXXI, e art. 37, VIII). Dessa forma, a afirmativa está 
equivocada. 
 
 
150 
(B) INCORRETA. O art. 93, §1º, da Lei nº 8.213/1991 estabelece que: 
“A dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente habilitado ao final de contrato 
por prazo determinado superior a 90 (noventa) dias, bem como a dispensa imotivada 
em contrato por prazo indeterminado, somente poderá ocorrer após a contratação de 
substituto de condição semelhante.” 
A alternativa afirma que a substituição deve ocorrer em até 60 dias após a dispensa, 
mas a lei prevê que a dispensa só pode ocorrer após a contratação do substituto, e não 
dentro de um prazo posterior. Portanto, a afirmativa está incorreta. 
(C) INCORRETA. O art. 93 da Lei nº 8.213/1991 prevê a reserva de vagas para pessoas 
com deficiência e beneficiários reabilitados da Previdência Social, mas não inclui o 
aprendiz com deficiência na contagem para cumprimento da cota. O aprendiz com 
deficiência tem regime próprio na CLT e no Decreto nº 9.579/2018, mas não substitui a 
obrigação das empresas de cumprir a reserva de vagas estabelecida pela Lei nº 
8.213/1991. Dessa forma, a alternativa está incorreta. 
(D) INCORRETA. A afirmativa está errada, pois o art. 93 da Lei nº 8.213/1991 prevê a 
obrigação de reserva de vagas tanto para pessoas com deficiência quanto para 
beneficiários reabilitados da Previdência Social. Assim, ao afirmar que a exigência se 
aplica apenas às pessoas com deficiência, a alternativa ignora expressamente a inclusão 
dos beneficiários reabilitados, tornando-se incorreta. 
 
 (E) CORRETA. O art. 93 da Lei nº 8.213/1991 estabelece que empresas com 100 ou mais 
empregados devem reservar de 2% a 5% dos seus cargos para pessoas com deficiência 
ou beneficiários reabilitados, conforme a seguinte proporção: 
• De 100 a 200 empregados → 2% 
• De 201 a 500 empregados → 3% 
• De 501 a 1.000 empregados → 4% 
• Mais de 1.000 empregados → 5% 
 
A alternativa reflete corretamente o texto legal, sendo a resposta correta. 
_______________________________________________________________________ 
97. A Lei nº 13.146/2015, denominada Lei Brasileira de Inclusão (LBI) ou Estatuto da 
Pessoa com Deficiência, surge da necessidade de atender ao prescrito na Convenção 
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Com relação à LBI, assinale 
a alternativa CORRETA: 
(A) As pessoas discriminadas não podem merecer tutela jurisdicional coletiva, ainda que 
a discriminação alcance a honra e a dignidade de grupos que, historicamente, se 
sujeitam a atos discriminatórios de todos os tipos, quais sejam, os “grupos raciais, 
étnicos ou religiosos”. 
(B) Estabelece a LBI, em seu art. 3º, IV, o que constitui “barreira”, indicando as mais 
comuns, as mais perceptíveis, como as barreiras urbanística, as arquitetônicas, as de 
transporte, mas deixando de lado as chamadas barreiras atitudinais detectadas nas 
 
 
151 
“atitudes ou comportamentos” que impedem ou simplesmente prejudicam a 
“participação social” em igualdade de condições e oportunidades. 
(C) Segundo o art. 75, III, da LBI, na propaganda política, debates eleitorais e 
pronunciamentos oficiais da Justiça Eleitoral ou de autoridades, é facultado o respeito à 
acessibilidade das pessoas com deficiência às informações, através da garantia do uso 
de recursos de subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da 
Linguagem Brasileira de Sinais (LÍBRAS), e audiodescrição. 
(D) A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência traz uma 
mudança de paradigma no que diz respeito ao conceito de pessoa com deficiência, 
deixando de utilizar o conceito médico até então vigente no Brasil, “para adotar um 
conceito ambiental, muito mais preocupado com as barreiras existentes na realidade do 
indivíduo do que apenas e tão somente no aspecto médico”. 
(E) A LBI estabelece que é dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da 
sociedade, assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a 
salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação. A LBI ainda estabelece a 
obrigatoriedade dos estabelecimentos educacionais, de qualquer nível e modalidade de 
ensino, cumprirem as incumbências estabelecidas pelo caput do art. 28 dessa lei, sendo 
que essa obrigatoriedade só se aplica aos estabelecimentos públicos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A alternativa contém um erro grave ao afirmar que pessoas 
discriminadas não podem merecer tutela jurisdicional coletiva, mesmo quando a 
discriminação afeta a honra e a dignidade de grupos historicamente marginalizados. 
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) assegura o direito à proteção jurisdicional contra atos 
discriminatórios, inclusive por meio de ações coletivas, conforme previsto no art. 79 da 
LBI. Além disso, o art. 5º, XXXV, da Constituição Federal estabelece que "a lei não 
excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Portanto, a 
alternativa está equivocada. 
(B) INCORRETA. A alternativa afirma que a LBI não inclui as barreiras atitudinais entre 
os tipos de barreiras reconhecidos. No entanto, isso é falso. O art. 3º, IV, da LBI define 
barreira atitudinal como: "aquelas que se referem a atitudes ou comportamentos que 
impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade 
de condições e oportunidades com as demais pessoas." Portanto, a alternativa está 
incorreta, pois a LBI reconhece e combate as barreiras atitudinais. 
(C) INCORRETA. A afirmativa está errada porque a acessibilidade na propaganda 
política, debates eleitorais e pronunciamentos oficiais da Justiça Eleitoral não é 
facultativa, mas sim obrigatória. O art. 76, §1, III, da LBI, prevê expressamente que é 
obrigatória a garantia de acessibilidade nesses eventos. 
 
 
152 
Dessa forma, a alternativa está incorreta ao afirmar que essa acessibilidade seria 
“facultada”. 
(D) CORRETA. A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 
realmente trouxe uma mudança de paradigma na forma como a deficiência é concebida. 
O modelo tradicional, chamado modelo médico da deficiência, via a deficiência como 
um problema individual da pessoa, a ser tratado ou corrigido por meio de intervenção 
médica. 
Com a Convenção da ONU, adotou-se o modelo social da deficiência, que enfatiza que 
a deficiência não está apenas no indivíduo, mas sim nas barreiras impostas pela 
sociedade, como obstáculos arquitetônicos, falta de acessibilidade e discriminação. 
Esse conceito foi incorporado no art. 2º da LBI, que define a deficiência como um 
fenômeno resultante da interação entre impedimentos de longo prazo e barreiras que 
dificultam a participação plena e efetiva na sociedade. 
Portanto, a alternativa está correta. 
(E) INCORRETA. A alternativaestá errada porque a LBI impõe a obrigatoriedade do 
cumprimento das normas educacionais tanto para estabelecimentos públicos quanto 
privados. 
O art. 28 da LBI estabelece que todas as instituições de ensino, públicas e privadas, 
devem garantir educação inclusiva, sob pena de punições administrativas e até civis em 
caso de descumprimento. 
Portanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que a obrigatoriedade se aplicaria 
apenas aos estabelecimentos públicos. 
_______________________________________________________________________ 
98. No plano internacional a proteção dos direitos humanos vem sendo ampliada 
sequencialmente, assim, em futuro breve, espera-se a efetivação dos direitos humanos 
pelas empresas transnacionais. Sobre esse tema, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A ONU aprovou o Tratado de Chicago (hard law), em 2023, cuidando de Normas 
sobre as Responsabilidades das Empresas Transnacionais e outros Empreendimentos 
Privados com relação aos Direitos Humanos. 
(B) As Normas da ONU sobre as Responsabilidades das Empresas Transnacionais e outros 
Empreendimentos Privado, aprovadas no Tratado de Chicago de 2023, buscavam 
determinar as responsabilidades imputáveis às empresas concebidas para serem 
obrigações voluntárias impostas pelo Direito Internacional às empresas por toda a gama 
de direitos humanos em sua “esfera de influência”. 
(C) John Ruggie, professor da Universidade de Harvard, desenvolveu uma pesquisa 
abrangente na atuação das empresas transnacionais e outros empreendimentos 
privados, e tornou pública sua proposta de marco normativo para a imposição, às 
 
 
153 
corporações, de responsabilidades em direitos humanos, o que ficou conhecido como 
Marco Ruggie, ainda sem força normativa. 
(D) O Marco Ruggie foi adotado como Protocolo (hard law) pela Comissão 
Interamericana de Direitos Humanos, em 2023, assentando-se sobre “responsabilidades 
diferenciadas, mas complementares” e compreende a obrigação de o Estado proteger 
os direitos e a responsabilidade das empresas em respeitar os direitos humanos. 
(E) Levando-se em consideração a importância das empresas e principalmente das 
grandes corporações no cenário político econômico mundial, abrigadas pela Lex 
Mercatoria e protegidas pela Organização Mundial do Comércio, estas não devem 
receber a imposição de obrigações positivas sobre direitos humanos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Não existe um “Tratado de Chicago”de 2023 aprovado pela ONU sobre 
Normas de Responsabilidade das Empresas Transnacionais em relação aos Direitos 
Humanos. O que existe são os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos 
Humanos, desenvolvidos por John Ruggie e adotados pelo Conselho de Direitos 
Humanos da ONU em 2011. Esses princípios não têm caráter vinculante (hard law), mas 
sim diretivo (soft law). 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
(B) INCORRETA. Além do erro referente ao suposto Tratado de Chicago de 2023, há 
outro problema: as Normas da ONU sobre Responsabilidades das Empresas 
Transnacionais foram propostas em 2003, mas não foram adotadas oficialmente. O que 
prevaleceu foi o trabalho de John Ruggie, que estabeleceu os Princípios Orientadores 
sobre Empresas e Direitos Humanos, baseados na ideia de obrigações voluntárias e na 
“esfera de influência” das empresas. 
Portanto, essa alternativa está incorreta. 
(C) CORRETA. John Ruggie, professor da Universidade de Harvard e Representante 
Especial do Secretário-Geral da ONU para Empresas e Direitos Humanos, conduziu uma 
pesquisa aprofundada sobre a atuação das empresas transnacionais e propôs um marco 
normativo voluntário, conhecido como Princípios Orientadores sobre Empresas e 
Direitos Humanos (Guiding Principles on Business and Human Rights). 
Esses princípios foram adotados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2011, 
mas não têm força normativa (hard law), sendo um instrumento de soft law. 
Dessa forma, a alternativa está correta ao afirmar que o Marco Ruggie ainda não possui 
força normativa. 
 
 
154 
(D) INCORRETA. O Marco Ruggie não foi adotado como um Protocolo vinculante (hard 
law) pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Ele continua sendo um 
conjunto de princípios orientadores (soft law) adotados no âmbito da ONU. 
Além disso, embora os Princípios de Ruggie realmente enfatizem a ideia de 
responsabilidades diferenciadas e complementares, distinguindo a obrigação dos 
Estados de proteger os direitos humanos e a responsabilidade das empresas de 
respeitá-los, a afirmação de que se tornou um Protocolo (hard law) é incorreta. 
(E) INCORRETA. A alternativa sugere que as grandes corporações não devem estar 
sujeitas a obrigações positivas sobre direitos humanos, o que é contrário ao 
desenvolvimento do Direito Internacional. 
Os Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos da ONU estabelecem 
que as empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos, 
independentemente de sua regulamentação por tratados internacionais. Além disso, 
diversas iniciativas internacionais, como o Pacto Global da ONU, os Objetivos de 
Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o dever de diligência em direitos humanos 
adotado por países como França e Alemanha, reforçam essa tendência de 
responsabilização das empresas. 
Assim, essa alternativa está incorreta. 
_______________________________________________________________________ 
99. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, além de competência contenciosa para 
o julgamento de casos na América, possui competência consultiva em matéria de 
interpretação da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e de qualquer tratado 
relativo à proteção dos Direitos Humanos nos Estados americanos. Neste sentido, 
assinale a alternativa CORRETA: 
(A) No plano contencioso, a competência da Corte se estende a qualquer Estado membro 
da OEA, parte ou não da Convenção. 
(B) Ante a multiplicidade de instrumentos de proteção, um dos critérios de interpretação 
é o da primazia da norma mais favorável à vítima. 
(C) No plano consultivo, a competência da Corte é limitada aos Estados-partes da 
Convenção. 
(D) A respeito da competência contenciosa, os Tribunais internacionais de Direitos 
Humanos substituem os Tribunais internos no julgamento de violações a Direitos 
Humanos desde que esses sejam a eles jurisdicionados. 
(E) A Corte tem jurisdição para examinar casos que envolvam a denúncia de que um 
Estado-parte violou direito protegido pela Convenção, sendo que a denúncia pode ser 
feita por qualquer indivíduo e pela Comissão Interamericana de Diretos Humanos. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
 
 
155 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. No plano contencioso, a competência da Corte Interamericana de 
Direitos Humanos (Corte IDH) não se estende a qualquer Estado membro da OEA, mas 
apenas aos Estados que ratificaram a Convenção Americana sobre Direitos Humanos 
(Pacto de San José da Costa Rica) e reconheceram a jurisdição contenciosa da Corte. 
Dessa forma, um Estado membro da OEA que não seja parte da Convenção ou que não 
tenha aceitado a jurisdição obrigatória da Corte não pode ser julgado no âmbito 
contencioso da Corte IDH. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
(B) CORRETA. A primazia da norma mais favorável à vítima é um princípio 
fundamental do Direito Internacional dos Direitos Humanos e está consagrado na 
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (art. 29, "b"), que estabelece que 
nenhuma disposição da Convenção pode ser interpretada de forma a restringir o gozo e 
o exercício de qualquer direito ou liberdade reconhecido: 
• Por legislação interna dos Estados, ou 
• Por outros tratados internacionais que garantam maior proteção. 
Esse critério de interpretação pro homine significa que, diante de uma multiplicidade 
de normas aplicáveis, deve prevalecer a norma mais protetiva à vítima. Esse princípiotambém é amplamente utilizado pela Corte IDH em seus julgamentos. 
Portanto, a alternativa está correta. 
(C) INCORRETA. No plano consultivo, a competência da Corte IDH não é limitada aos 
Estados-partes da Convenção. 
De acordo com o art. 64 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a Corte 
pode emitir parecer consultivo sobre qualquer tratado relacionado à proteção dos 
direitos humanos nos Estados americanos. Essa solicitação pode ser feita: 
• Por Estados-membros da OEA, mesmo que não sejam partes da Convenção; 
• Por órgãos da OEA, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. 
Assim, a Corte pode ser consultada por qualquer Estado-membro da OEA, 
independentemente de ser ou não parte da Convenção. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
(D) INCORRETA. Os tribunais internacionais de direitos humanos não substituem os 
tribunais internos. 
 
 
156 
O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos funciona de forma 
subsidiária e atua apenas quando os tribunais internos falham em garantir a proteção 
dos direitos humanos (princípio da subsidiariedade ou complementariedade). 
A Corte IDH não age como instância recursal dos tribunais nacionais, mas pode analisar 
casos quando houver: 
• Violação grave de direitos humanos, 
• Incapacidade do Estado de fornecer justiça efetiva, ou 
• Impunidade e falta de reparação à vítima. 
Dessa forma, a alternativa está incorreta ao sugerir que a Corte substitui os tribunais 
internos. 
(E) INCORRETA. No sistema interamericano, os indivíduos não podem apresentar 
denúncias diretamente à Corte Interamericana de Direitos Humanos. 
O trâmite correto ocorre da seguinte forma: 
1. O indivíduo apresenta a denúncia à Comissão Interamericana de Direitos 
Humanos (CIDH). 
2. A Comissão avalia o caso e pode tentar uma solução amistosa com o Estado 
envolvido. 
3. Se não houver acordo ou se a violação for grave, a Comissão pode remeter o 
caso à Corte IDH. 
Ou seja, apenas a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e os Estados-parte 
da Convenção podem submeter casos à Corte IDH, e não os indivíduos diretamente. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
_______________________________________________________________________ 
100. No que diz respeito à justiciabilidade dos Direitos Humanos, assinale a alternativa 
CORRETA: 
(A) Os Tribunais Internacionais da ex-Iugoslávia e o de Ruanda são os antecedentes do 
Tribunal Penal Internacional criado pelo Estatuto de Londres em 1998. 
(B) Com competência para julgar os crimes cometidos ao longo do nazismo, seja pelos 
líderes do partido, seja pelos oficiais militares, o Tribunal de Nuremberg foi 
regulamentado pelo Acordo de Roma. 
(C) O Tribunal de Nuremberg foi o ponto de partida da justicialização dos Direitos 
Humanos, inovando ao afirmar a responsabilidade internacional penal do indivíduo. 
(D) O Tribunal Penal Internacional aplica o costume internacional para a condenação 
criminal de indivíduos pela prática de crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, 
crimes de guerra e crimes de agressão. 
 
 
157 
(E) O exercício da jurisdição internacional pode ser acionado mediante denúncia de um 
Estado-parte ou de uma ou várias vítimas. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Os Tribunais Internacionais para a ex-Iugoslávia (TPIJ) e para Ruanda 
(TPIR) foram criados pelo Conselho de Segurança da ONU nos anos 1990 para julgar 
crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio cometidos durante os 
conflitos nessas regiões. 
Contudo, o Tribunal Penal Internacional (TPI) não foi criado pelo “Estatuto de Londres" 
em 1998, mas sim pelo Estatuto de Roma, adotado em 1998 e em vigor desde 2002. 
Além disso, o Estatuto de Londres (1945) regulamentou a criação do Tribunal de 
Nuremberg, e não do TPI. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
(B) INCORRETA. O Tribunal de Nuremberg foi criado em 1945 para julgar crimes 
cometidos pelo regime nazista na Segunda Guerra Mundial, mas ele foi regulamentado 
pelo Estatuto de Londres, e não pelo Acordo de Roma. 
O Acordo de Roma não existe. O que há é o Estatuto de Roma de 1998, que estabeleceu 
o Tribunal Penal Internacional (TPI). 
Dessa forma, a alternativa está incorreta. 
(C) CORRETA. O Tribunal de Nuremberg representou um marco histórico na 
justiciabilidade dos Direitos Humanos ao afirmar a responsabilidade internacional 
penal do indivíduo. 
Antes de Nuremberg, a responsabilidade por crimes internacionais recaía 
exclusivamente sobre Estados. No entanto, o tribunal inovou ao reconhecer que 
indivíduos podem ser pessoalmente responsabilizados por crimes internacionais, 
estabelecendo a base para a criação de tribunais penais internacionais futuros. 
Assim, essa alternativa está correta. 
(D) INCORRETA. O Tribunal Penal Internacional (TPI) julga crimes internacionais como 
genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão, mas 
não aplica o costume internacional como fonte primária para condenações. 
O TPI fundamenta suas decisões no Estatuto de Roma de 1998, que codifica os crimes 
e estabelece as regras de procedimento e julgamento. Embora o costume internacional 
 
 
158 
seja uma fonte subsidiária do direito no TPI (como previsto no art. 21 do Estatuto de 
Roma), ele não é a base principal para condenações criminais. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
(E) INCORRETA. O exercício da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI) pode ser 
acionado de três formas: 
1. Pelo Conselho de Segurança da ONU, mesmo contra Estados que não ratificaram 
o Estatuto de Roma. 
2. Por um Estado-parte do Estatuto de Roma, denunciando crimes cometidos em 
seu território ou por seus nacionais. 
3. Pelo Procurador do TPI, que pode iniciar investigações de ofício, desde que 
autorizado pela Câmara de Pré-Julgamento. 
No entanto, vítimas individuais não podem submeter casos diretamente ao TPI. Elas 
podem participar do processo, mas não têm legitimidade para iniciar a denúncia perante 
o tribunal. 
Portanto, a alternativa está incorreta. 
_______________________________________________________________________vigilando” ou “in eligendo”.” 
(E) INCORRETA. Tema 722/STF (RE 726035): “Compete à justiça federal comum 
processar e julgar mandado de segurança quando a autoridade apontada como coatora 
for autoridade federal, considerando-se como tal também os dirigentes de pessoa 
jurídica de direito privado investidos de delegação concedida pela União.” 
_______________________________________________________________________ 
7. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Conforme o Tema 1120/STF, em respeito à separação dos poderes, prevista no art. 
2º da Constituição Federal, o Poder Judiciário não pode exercer o controle de 
constitucionalidade em relação à interpretação do sentido e do alcance de preceitos 
meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna corporis. 
(B) Tendo em vista o art. 114, I da Constituição Federal, a Justiça Trabalhista é 
competente para julgar ação ajuizada por servidor celetista contra o Poder Público 
Federal, mesmo em se tratando de parcela de natureza administrativa, porque se trata 
de pleito pertinente ao contrato regido pela CLT. 
(C) Por força do art. 114, I e II, da Constituição Federal, a Justiça Comum, Federal ou 
Estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos 
celetistas da administração pública direta, autarquias e fundações públicas. 
(D) Segundo o Tema 944/STF, com fundamento no art. 1º, III, art. 3º, IV, art. 4º, II, IV e V, 
art. 5º, II, XXXV e LIV, e art. 133, todos da Constituição Federal, atos ilícitos praticados 
por Estados estrangeiros em violação a direitos humanos, dentro do território brasileiro, 
gozam de imunidade de jurisdição. 
(E) Diante da conclusão do Tema 947/STF, organismos internacionais não têm imunidade 
de jurisdição por não serem equiparados a Estados estrangeiros e, por isso, podem ser 
demandados perante a Justiça Federal. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Conforme Tema 1120/STF (RE 1297884): “Em respeito ao princípio da 
separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal, quando não 
caracterizado o desrespeito às normas constitucionais, é defeso ao Poder Judiciário 
exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de 
normas meramente regimentais das Casas Legislativas, por se tratar de matéria interna 
corporis.” 
(B) INCORRETA. Tema 1123/STF (RE 1288440): “1. A Justiça Comum é competente para 
julgar ação ajuizada por servidor celetista contra o Poder Público, em que se pleiteia 
parcela de natureza administrativa.” 
 
 
17 
(C) CORRETA. Tema 544/STF (RE 846854): “A justiça comum, federal ou estadual, é 
competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da 
Administração pública direta, autarquias e fundações públicas”. 
(D) INCORRETA. Tema 944/STF (RE 954858): “Os atos ilícitos praticados por Estados 
estrangeiros em violação a direitos humanos, dentro do território nacional, não gozam 
de imunidade de jurisdição”. 
(E) INCORRETA. Tema 947/STF (RE 1034840): “O organismo internacional que tenha 
garantida a imunidade de jurisdição em tratado firmado pelo Brasil e internalizado na 
ordem jurídica brasileira não pode ser demandado em juízo, salvo em caso de renúncia 
expressa a essa imunidade.” 
_______________________________________________________________________ 
8. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Diante do art. 7º, XXX, e do art. 37, caput, II e IX, ambos do corpo permanente da 
Constituição Federal, bem como do art. 10, II, “b” do ADCT, a trabalhadora gestante tem 
direito ao gozo de licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente 
do regime jurídico aplicável, se contratual ou administrativo, ainda que ocupe cargo em 
comissão, exceto se contratada por tempo determinado (pacta sunt servanda). 
(B) Nos moldes do art. 37, X e § 6 º, da Constituição Federal, gera direito subjetivo a 
indenização o não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos 
dos servidores públicos, sob pena da violação à irredutibilidade de salários. 
(C) Segundo o Tema 1072 do STF, em união homoafetiva, terá direito à licença-
maternidade apenas a mãe servidora ou trabalhadora gestante. A companheira não 
gestante fará jus à licença pelo período equivalente ao da licença-paternidade. 
(D) Dado ao sentido e alcance do art. 37, § 5º, da Constituição Federal, é imprescritível 
a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil. 
(E) Em vista do Tema 940/STF, ao teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição 
Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado 
ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte 
ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Tema 542/STF (RE 842844): “A trabalhadora gestante tem direito ao 
gozo de licença-maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime 
jurídico aplicável, se contratual ou administrativo, ainda que ocupe cargo em comissão 
ou seja contratada por tempo determinado.” 
 
 
18 
(B) INCORRETA. Tema 19/STF (RE 565089): “O não encaminhamento de projeto de lei de 
revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos, previsto no inciso X do art. 37 da 
CF/1988, não gera direito subjetivo a indenização. Deve o Poder Executivo, no entanto, 
se pronunciar, de forma fundamentada, acerca das razões pelas quais não propôs a 
revisão.” 
(C) INCORRETA. Tema 1072/STF (RE 1211446): “A mãe servidora ou trabalhadora não 
gestante em união homoafetiva tem direito ao gozo de licença-maternidade. Caso a 
companheira tenha utilizado o benefício, fará jus à licença pelo período equivalente ao 
da licença-paternidade.” 
(D) INCORRETA. Tema 666/STF (RE 669069): “É prescritível a ação de reparação de danos 
à Fazenda Pública decorrente de ilícito civil.” 
(E) CORRETA. Tema 940/STF (RE 1027633): “A teor do disposto no art. 37, § 6º, da 
Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada 
contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, 
sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra 
o responsável nos casos de dolo ou culpa.” 
_______________________________________________________________________ 
DIREITO ECONÔMICO E DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR 
 
9. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) O Conselho Administrativo de Defesa Econômica - Cade, por intermédio do Ministério 
Público Federal, poderá celebrar acordo de leniência, com a extinção da ação punitiva 
da administração pública ou a redução de 1 (um) a 2/3 (dois terços) da penalidade 
aplicável, nos termos previstos em lei, com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras 
de infração à ordem econômica, desde que colaborem efetivamente com as 
investigações e o processo administrativo e que dessa colaboração resulte: (i) a 
identificação dos demais envolvidos na infração; e (ii) a obtenção de informações e 
documentos que comprovem a infração noticiada ou sob investigação. 
(B) Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na lei que define crimes contra a 
ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, e nos demais crimes 
diretamente relacionados à prática de cartel, tais como os tipificados na Lei de Licitações 
e Contratos Administrativos, e os tipificados no CP, a celebração de acordo de leniência, 
nos termos da Lei de Defesa da Concorrência, determina a suspensão do curso do prazo 
prescricional e impede o oferecimento da denúncia com relação ao agente beneficiário 
da leniência. Cumprido o acordo de leniência pelo agente, extingue-se a punibilidade 
dos crimes mediante decisão judicial. 
(C) Com vistas à promoção da concorrênciae à eficácia na implementação da legislação 
de defesa da concorrência nos mercados regulados, as agências reguladoras e os órgãos 
de defesa da concorrência devem atuar em estreita cooperação, privilegiando a troca de 
experiências. No exercício de suas atribuições, incumbe aos órgãos de defesa da 
concorrência monitorar e acompanhar as práticas de mercado dos agentes dos setores 
 
 
19 
regulados, de forma a auxiliar as agências reguladoras na observância do cumprimento 
da legislação de defesa da concorrência. 
(D) Constitui crime contra a ordem econômica: (i) abusar do poder econômico, 
dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrência mediante 
ajuste ou acordo de empresas; (ii) formar acordo, convênio, ajuste ou aliança entre 
ofertantes, visando à fixação artificial de preços ou quantidades vendidas ou produzidas; 
(iii) discriminar preços de bens ou de prestação de serviços por ajustes ou acordo de 
grupo econômico, com o fim de estabelecer monopólio, ou de eliminar, total ou 
parcialmente, a concorrência; (iv) açambarcar, sonegar, destruir ou inutilizar bens de 
produção ou de consumo, com o fim de estabelecer monopólio ou de eliminar, total ou 
parcialmente, a concorrência; (v) provocar oscilação de preços em detrimento de 
empresa concorrente ou vendedor de matéria-prima, mediante ajuste ou acordo, ou por 
outro meio fraudulento; (vi) vender mercadorias abaixo do preço de custo, com o fim de 
impedir a concorrência; e (vii) elevar, sem justa causa, os preços de bens ou serviços, 
valendo-se de monopólio natural ou de fato. Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, 
e multa. 
(E) Quando a agência reguladora, no exercício de suas atribuições, tomar conhecimento 
de fato que possa configurar infração à ordem econômica, deverá comunicá-lo 
imediatamente aos órgãos de defesa da concorrência para que esses adotem as 
providências cabíveis. Os órgãos de defesa da concorrência são responsáveis pela 
aplicação da legislação de defesa da concorrência nos setores regulados, incumbindo-
lhes a análise de atos de concentração, bem como a instauração e a instrução de 
processos administrativos para apuração de infrações contra a ordem econômica. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O acordo de leniência pode ser proposto por intermédio da 
Superintendência-Geral e não do MPF, conforme art. 86 da Lei nº. 12.529/2011. 
(B) INCORRETA. Conforme parágrafo único do art. 87 da Lei nº. 12.529/2011, cumprido 
o acordo de leniência, extingue-se automaticamente a punibilidade, não havendo 
necessidade de decisão judicial. 
(C) INCORRETA. Incumbe às agências reguladoras monitorar e acompanhar as práticas 
de mercado e não aos órgãos de defesa da concorrência, conforme art. 26 da Lei nº. 
13.848/2019. 
(D) INCORRETA. Os itens III até o VII foram revogados pela Lei nº. 12.529/2011, razão 
pela qual tal prática não configura crime. 
(E) CORRETA. Alternativa de acordo com o art. 27 da Lei nº. 13.848/2019. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
20 
DIREITO PREVIDENCIÁRIO 
 
10. Sobre a pensão por morte, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Será devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou 
não, a contar da data do óbito, quando requerida em até 180 (cento e oitenta) dias após 
o óbito, para os filhos menores de 16 (dezesseis) anos, ou em até 90 (noventa) dias após 
o óbito, para os demais dependentes. 
(B) Será devida 30 (trinta) dias após a decisão judicial, no caso de morte presumida. 
(C) Será perdida pelo cônjuge, o companheiro ou a companheira se comprovada, a 
qualquer tempo, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou a 
formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, apuradas 
em processo administrativo ou judicial no qual será assegurado o direito ao contraditório 
e à ampla defesa. 
(D) Havendo mais de um pensionista, será rateada entre todos em partes proporcionais. 
(E) Será devida a partir do requerimento, quando requerida 60 (sessenta) dias após o 
óbito. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. É o que está previsto no art. 74, I, da Lei nº. 8.213/1991. 
(B) INCORRETA. Não há o prazo de 30 dias, conforme art. 74, III, da Lei nº. 8.213/1991. 
(C) INCORRETA. A apuração da fraude é somente em processo judicial, nos termos do 
art. 74, § 2º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(D) INCORRETA. Havendo mais de um pensionista, será rateada entre todos em parte 
iguais, conforme art. 77 da Lei nº. 8.213/1991. 
(E) INCORRETA. Será do requerimento quando transcorridos os prazos de 180 (cento e 
oitenta) dias após o óbito, para os filhos menores de 16 (dezesseis) anos, ou em 90 
(noventa) dias após o óbito, para os demais dependentes, nos termos do art. 74, II, da 
Lei nº. 8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
11. Maria Fernanda é viúva de Antônio Pedro. Soube, por sua vizinha, no ano de 2020, 
de uma revisão de Direito Previdenciário, importante forma de melhorar a renda mensal 
inicial de sua pensão por morte. O marido de Maria Fernanda faleceu em 2017. Estava 
aposentado por tempo de contribuição desde 2000. Há direito a Maria Fernanda de 
requerer a revisão do benefício previdenciário de seu marido no ano de 2020? Assinale 
a alternativa CORRETA: 
 
 
21 
(A) Sim, sendo Maria Fernanda pensionista, há legitimidade para pleitear, por direito 
próprio, a revisão do benefício derivado – pensão por morte. 
(B) Maria Fernanda não tem legitimidade para pleitear a revisão da pensão porque 
ninguém pode pleitear, em nome próprio, direito alheio. 
(C) Maria Fernanda não tem legitimidade ativa para pleitear a revisão da pensão porque 
o direito foi alcançado pela decadência. 
(D) Maria Fernanda não tem legitimidade ativa para pleitear a revisão da pensão por 
injunção da ocorrência da prescrição. 
(E) Maria Fernanda tem legitimidade para pleitear a revisão da pensão porque o prazo 
decadencial incide a partir da concessão de seu benefício de pensão. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
Conforme art. 103, I, da Lei nº. 8.213/1991, o prazo decadencial para o segurado 
requerer a revisão do ato que concedeu o seu benefício é de 10 anos contados, em regra, 
do dia primeiro do mês subsequente ao do recebimento da primeira prestação ou da 
data em que a prestação deveria ter sido paga com o valor revisto. Assim, quem possui 
legitimidade para tal questão, regra geral, é o próprio segurado. 
No entanto, é possível que o pensionista proponha a ação revisional referente à 
aposentadoria do segurado. Não se trata, portanto, de direito próprio, mas sim do 
segurado. Para isso, deve observar o prazo decadencial, o qual não se inicia com o óbito, 
mas sim da data do recebimento da primeira parcela do benefício da aposentadoria, 
conforme art. 103, I, da Lei nº. 8.213/1991. Neste sentido é o entendimento do STJ (1ª 
Seção. EREsp 1605554-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. Assusete 
Magalhães, julgado em 27/02/2019 – Info 652). 
Na situação da questão, como o benefício havia sido concedido em 2000, o prazo para 
rever o ato de concessão do benefício seria até 2010, época que, inclusive, o próprio 
segurado estava vivo. Como a ação foi proposta somente em 2020, o direito já estava 
atingido pela decadência. 
_______________________________________________________________________ 
12. Sobre a condição de segurado especial, assinale a alternativa CORRETA: 
(A) É pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca profissão habitual ou 
principal meio de vida, bem como pessoa quem presta, a diversas empresas, sem vínculo 
empregatício, serviço de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento. 
(B) Pode participar de plano de previdência complementarinstituído por entidade 
classista a que seja associado em razão da condição de trabalhador rural ou de produtor 
rural em regime de economia familiar. 
 
 
22 
(C) Pode sê-lo o membro de grupo familiar que possuir outra fonte de rendimento em 
período superior a 120 dias. 
(D) Não pode utilizar terceiros em sua atividade. 
(E) Pode explorar atividade turística da propriedade rural, inclusive com hospedagem, 
por não mais de 140 (cento e quarenta) dias ao ano. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A pessoa quem presta, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, 
serviço de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento não é segurada especial, 
mas era considerada trabalhadora avulsa. No entanto, tal categoria deixou de existir, 
sendo atualmente enquadrado como contribuinte individual, conforme art. 11, V, “g”, 
da Lei nº. 8.213/1991. 
(B) CORRETA. Conforme art. 11, § 8º, III, da Lei nº. 8.213/1991, esta situação não 
descaracteriza a condição de segurado especial. 
(C) INCORRETA. O prazo não pode superar 120 dias, nos termos do art. 11, § 9º, III, da 
Lei nº. 8.213/1991. 
(D) INCORRETA. É possível a utilização de terceiros no prazo máximo de 120 dias, 
conforme art. 11, § 7º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(E) INCORRETA. O prazo é de 120 dias, nos termos do art. 11, § 8º, II, da Lei nº. 
8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
13. Considerando a legislação vigente sobre a Assistência Social, assinale a alternativa 
CORRETA: 
(A) Os benefícios Bolsa Família, Farmácia Popular, Criança Feliz, Auxílio-Inclusão e 
Benefício ao Trabalhador Portuário (Lei nº 9.719/1998) têm natureza assistencial e não 
podem ser acumulados com outros benefícios previdenciários e assistenciais, salvo os 
da assistência médica ou as pensões especiais de natureza indenizatória. 
(B) O benefício de prestação continuada é personalíssimo, devido aos brasileiros natos e 
naturalizados, não sendo devido aos estrangeiros, com exceção dos portugueses (em 
razão do Acordo de Seguridade Social firmado entre Brasil e Portugal (Decreto nº 
8.805/2006), em respeito ao princípio constitucional que assegura o equilíbrio financeiro 
e atuarial da seguridade social. 
(C) Para fins de cálculo da renda per capita, deve ser computado o valor recebido pela 
pessoa com deficiência na condição de aprendiz e em razão de estágio supervisionado. 
(D) O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) é descentralizado, participativo e 
financiado pelos três entes federativos, voltado especificamente para a 
 
 
23 
operacionalização, prestação, aprimoramento e viabilização dos serviços, programas, 
projetos e benefícios do sistema. 
(E) O valor do auxílio-inclusão percebido por um membro da família será considerado no 
cálculo da renda familiar per capita, para fins de concessão e manutenção de outro 
auxílio-inclusão a pessoa do mesmo grupo familiar. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Não há proibição, por exemplo, para cumulação de Bolsa Família com 
benefícios previdenciários ou assistenciais, desde que atendidos os requisitos legais. 
Neste sentido é a redação dada ao § 4º do art. 20 da Lei nº. 8.742/1993 pela Lei nº. 
14.601/2023. 
(B) INCORRETA. Os estrangeiros residentes no País são beneficiários da assistência social 
prevista no art. 203, V, da Constituição Federal – CF, uma vez atendidos os requisitos 
constitucionais e legais – STF. Plenário. RE 587970/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado 
em 19 e 20/4/2017 (repercussão geral) (Info 861). 
(C) INCORRETA. Tais valores não serão computados, nos termos do art. 20, § 9º, da Lei 
nº. 8.742/1993. 
(D) CORRETA. Alternativa que encontra respaldo legal no art. 5º, I e II, art. 28, § 3º, 
ambos da Lei nº. 8.742/1993. 
(E) INCORRETA. Tal valor não será incluído, nos termos do art. 26-A, § 2º, da Lei nº. 
8.742/1993. 
_______________________________________________________________________ 
14. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A União Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social têm legitimidade para figurar 
no polo passivo das ações em que se postulam tratamentos médicos na Justiça Federal. 
(B) De acordo com o Enunciado 2, aprovado na I Jornada de Direito da Saúde (2024), 
realizada pelo Conselho da Justiça Federal, nas ações que pleiteiam o fornecimento de 
medicamentos incorporados pelo Sistema Único de Saúde não é necessário o prévio 
requerimento administrativo, exigido tão-somente nas ações de natureza previdenciária. 
(C) Estabelece a Lei nº 8.080/1990 que são subsistemas do Sistema Único de Saúde (SUS) 
o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, o Subsistema de Atendimento e Internação 
Domiciliar e o Subsistema de Acompanhamento à Mulher nos serviços de saúde. 
(D) Constitui atribuição da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) 
elaborar, entre outros, pareceres técnicos Nat-Jus, a fim de auxiliar os magistrados na 
tomada de decisões (Lei nº 12.401/2011). 
 
 
24 
(E) Não é admissível a tramitação das ações relativas à saúde nos Juizados Especiais 
Federais, em razão da complexidade e da necessidade de prova pericial. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Somente a União possui legitimidade passiva, nos termos do art. 109, I, 
da CF. Por sua vez, o INSS somente tem legitimidade passiva para ações que envolvam 
benefícios previdenciários não acidentários, uma vez que os acidentários são de 
competência da Justiça Estadual. 
(B) INCORRETA. De acordo com o referido enunciado, “o interesse em agir somente se 
qualifica mediante comprovação da prévia negativa ou indisponibilidade de 
fornecimento do medicamento”. 
(C) CORRETA. Alternativa que encontra respaldo legal nos arts. 19-A (Indígena), 19-I 
(Domiciliar) e 19-J (Mulher), todos da Lei nº. 8.080/1990. 
(D) INCORRETA. A CONITEC não possui esta incumbência. Na verdade, tais pareceres são 
elaborados pelos próprios Núcleos de Apoio Técnico do Poder Judiciário – NATJUS 
(Resolução 238/2016 do CNJ). 
(E) INCORRETA. A realização de perícia não é questão que, por si só, exclui a competência 
dos Juizados Federais pela complexidade. Além disso, devido a competência absoluta 
(art. 3º, § 3º, da Lei nº. 10.259/2001), somente se o valor do medicamento for superior 
a 60 salários mínimos é que a competência será afastada. 
_______________________________________________________________________ 
15. Assinale a alternativa CORRETA. São Princípios da Previdência Social: 
(A) Cálculo dos benefícios considerando-se os salários-de-contribuição corrigidos 
monetariamente; economicidade; irredutibilidade do valor dos benefícios de forma a 
preservar-lhes o poder aquisitivo. 
(B) Previdência complementar facultativa, custeada por contribuição adicional; caráter 
democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação do governo 
e da comunidade, em especial de trabalhadores em atividade, representantes das 
empresas, empregadores e aposentados. 
(C) Previdência complementar facultativa, custeada, ou não, por contribuição adicional; 
irredutibilidade do valor dos benefícios de forma a preservar-lhes o poder aquisitivo; 
universalidade e uniformidade de participação nos planos previdenciários. 
(D) Universalidade de participação nos planos previdenciários; uniformidade e 
equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; seletividade e 
distributividade na prestação dos benefícios. 
 
 
25 
(E) Uniformidade, universalidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações 
urbanas e rurais; cálculo dos benefícios considerando-se os salários-de-contribuição 
corrigidos monetariamente pela taxa Selic. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. A economicidadenão é um princípio previdenciário, nos termos do art. 
2º da Lei nº. 8.213/1991. 
(B) INCORRETA. As empresas não fazem partes da gestão, nos termos do art. 2º, VIII, da 
Lei nº. 8.213/1991. 
(C) INCORRETA. A previdência complementar é custeada por contribuição adicional, nos 
termos do art. 2º, VII, da Lei nº. 8.213/1991. 
(D) CORRETA. A alternativa encontra respaldo no do art. 2º, I, II e III, da Lei nº. 
8.213/1991. 
(E) INCORRETA. Não há indicação expressa do índice de correção monetária no art. 2º, 
IV, da Lei nº. 8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
16. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas, como 
empregado, o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos 
oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá 
domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do 
domicílio. 
(B) O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do 
Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, 
são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado na Lei nº 
8.213/1991, desde que não amparados por regime próprio de previdência social. 
(C) São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes 
do segurado, o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de 
qualquer condição, menor e maior de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha 
deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave. 
(D) Será excluído definitivamente da condição de dependente quem tiver sido 
condenado criminalmente por sentença com trânsito em julgado, como autor, coautor 
ou partícipe de homicídio doloso ou culposo, ou de tentativa desse crime, cometido 
contra a pessoa do segurado, ressalvados os absolutamente incapazes e os inimputáveis. 
(E) Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de 
outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado não 
é considerado no exercício do trabalho. 
 
 
26 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: A 
COMENTÁRIOS 
 
(A) CORRETA. Alternativa que encontra respaldo legal no art. 11, I, “e”, da Lei nº. 
8.213/1991. 
(B) INCORRETA. Só serão excluídos se foram amparados por regime próprio, nos termos 
do art. 12 da Lei nº. 8.213/1991. 
(C) INCORRETA. O filho maior de 21 anos não é, como regra, dependente do segurado, 
nos termos do art. 16, I, da Lei nº. 8.213/1991. 
(D) INCORRETA. A condenação não abrange o homicídio culposo, nos termos do art. 16, 
§ 7º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(E) INCORRETA. Nestas situações, o empregado é sim considerado no exercício do 
trabalho, nos termos do art. 21, § 1º, da Lei nº. 8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
17. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) Na hipótese de perda da qualidade de segurado, para fins da concessão dos 
benefícios de auxílio-doença, de aposentadoria por invalidez, de salário-maternidade e 
de auxílio-reclusão, o segurado deverá contar, a partir da data da nova filiação à 
Previdência Social, com um terço dos períodos previstos nos incisos I, III e IV do caput 
do art. 25 da Lei nº 8.213/1991. 
(B) A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao Regime Geral de 
Previdência Social nunca lhe conferirá direito à aposentadoria por invalidez. 
(C) Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis 
para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do 
primeiro dia dos meses de suas competências. 
(D) A aposentadoria por tempo de serviço será devida, cumprida a carência exigida pela 
Lei nº 8.213/1991, ao segurado que completar 30 (trinta) anos de serviço, se do sexo 
feminino, ou 35 (trinta e cinco) anos, se do sexo masculino. 
(E) A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida pela Lei 
nº 8.213/1991, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que 
prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 20 (vinte), 25 (vinte e cinco) ou 30 
(trinta) anos, conforme dispuser a lei. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: C 
COMENTÁRIOS 
 
 
 
27 
(A) INCORRETA. O segurado deve contar com, pelo menos, metade do tempo de 
carência, conforme art. 27-A da Lei nº. 8.213/1991. 
(B) INCORRETA. A doença ou lesão de que o segurado já era portador ao filiar-se ao 
Regime Geral de Previdência Social não lhe conferirá direito à aposentadoria por 
invalidez, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou 
agravamento dessa doença ou lesão, nos termos do art. 42, § 2º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(C) CORRETA. Alternativa que encontra respaldo legal no art. 24 da Lei nº. 8.213/1991. 
(D) INCORRETA. A aposentadoria por tempo de serviço será devida, cumprida a carência 
exigida, ao segurado que completar 25 (vinte e cinco) anos de serviço, se do sexo 
feminino, ou 30 (trinta) anos, se do sexo masculino, nos termos do art. 52 da Lei nº. 
8.213/1991. 
(E) INCORRETA. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência 
exigida, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem 
a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, 
nos termos do art. 57 da Lei nº. 8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
18. Assinale a alternativa CORRETA: 
(A) A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as 
atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, antes da rescisão do 
contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento. 
(B) O segurado recluso em cumprimento de pena em regime aberto ou semiaberto não 
terá direito ao auxílio-doença. 
(C) Ao segurado ou segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial 
para fins de adoção de criança é devido salário-maternidade pelo período de 130 (cento 
e trinta) dias. 
(D) Perde o direito à pensão por morte o cônjuge, o companheiro ou a companheira se 
comprovada, em cinco anos, simulação ou fraude no casamento ou na união estável, ou 
a formalização desses com o fim exclusivo de constituir benefício previdenciário, 
apuradas em processo judicial no qual será assegurado o direito ao contraditório e à 
ampla defesa. 
(E) O segurado em gozo de auxílio-doença, insuscetível de recuperação para sua 
atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilitação profissional para o 
exercício de outra atividade. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. O documento deve ser entregue no momento da rescisão do contrato, 
conforme art. 58, § 4º, da Lei nº. 8.213/1991. 
 
 
28 
(B) INCORRETA. Não terá direito ao auxílio-doença quem cumprir pena em regime 
fechado, nos termos do art. 59, § 2º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(C) INCORRETA. O período de salário maternidade é de 120 dias, nos termos do art. 71 
da Lei nº. 8.213/1991. 
(D) INCORRETA. Não há prazo para se aferir a fraude ou simulação, ou seja, pode ser a 
qualquer tempo, nos termos do art. 74, § 2º, da Lei nº. 8.213/1991. 
(E) CORRETA. Alternativa que encontra respaldo legal no art. 62 da Lei nº. 8.213/1991. 
_______________________________________________________________________ 
19. Antônio requereu benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Foi 
decidido em 07 anos, contados do requerimento administrativo. Neste caso, assinale a 
alternativa CORRETA: 
(A) Há prescrição porque o prazo de prescrição não fica suspenso pela formulação de 
requerimento administrativo e volta a correr pelo saldo remanescente após a ciência da 
decisão administrativafinal. 
(B) Não há prescrição na medida em que o prazo fica suspenso pela formulação de 
requerimento administrativo e volta a correr pelo saldo remanescente após a ciência da 
decisão administrativa final. 
(C) Há decadência de cinco anos, a partir do requerimento administrativo. 
(D) Há decadência e prescrição concomitantes. 
(E) Há interrupção da prescrição. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: B 
COMENTÁRIOS 
 
De início, importa salientar que o direito ao recebimento de benefício previdenciário é 
imprescritível, pois representa direito fundamental indisponível. Assim, o que prescreve 
são eventuais parcelas decorrentes do direito ao recebimento do benefício. 
Dito isto, conforme art. 103, parágrafo único, da Lei nº. 8.213/1991, prescreve em cinco 
anos, a contar da data em que deveriam ter sido pagas, toda e qualquer ação para haver 
prestações vencidas ou quaisquer restituições ou diferenças devidas pela Previdência 
Social. 
Como havia pedido pendente de análise, o prazo prescricional se suspende, voltando a 
ocorrer da data em que o segurado toma ciência da decisão. Por isso, mesmo que 
transcorrido 07 anos, não houve prescrição em razão da suspensão deste prazo. 
_______________________________________________________________________ 
 
 
29 
DIREITO PENAL 
 
20. Assinale a alternativa CORRETA. Em um posto de abastecimento às margens de 
rodovia, ao abastecer a viatura, policiais rodoviários conseguiram avistar um motorista 
que saiu cambaleante da lanchonete, ligou seu veículo e o conduziu pela rodovia, até 
que os policiais conseguiram alcançá-lo, dando ordem de parada, a 2 km da saída do 
posto. Ao indagarem seus dados, ele disse se chamar Quinto Petílio, não apresentando 
nenhum documento, alegando portá-los em seu celular, que se encontrava 
descarregado. Percebendo estar o banco traseiro mais alto que o normal, com cobertor 
de mesma cor do estofado, os policiais encontraram ocultos 690 maços de cigarros 
paraguaios, sem autorização do órgão competente. No posto policial, os policiais 
conseguiram identificar que o motorista se tratava, na verdade, de Licínio Muciano, o 
qual detinha condenação anterior por embriaguez ao volante. Em teste de etilômetro, 
constatou-se volume de álcool por litro de ar expelido significativamente superior ao 
permitido. Segundo a atual jurisprudência consolidada do STJ, o motorista poderá 
responder: 
(A) Pelos crimes de descaminho, embriaguez ao volante e falsa identidade. 
(B) Pelos crimes de contrabando, embriaguez ao volante e falsa identidade. 
(C) Pelo crime de embriaguez ao volante, estando a falsa identidade abrangida no direito 
de autodefesa e o fato relativo aos cigarros irrelevante penal. 
(D) Pelos crimes de embriaguez ao volante e falsa identidade, sendo o fato relativo aos 
cigarros irrelevante penal. 
(E) Pelos crimes de descaminho e embriaguez, estando a falsa identidade abrangida no 
direito de autodefesa. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: D 
COMENTÁRIOS 
 
A questão aborda os julgados REsps 1.971.993-SP e 1.977.652-SP do STJ, vejamos: “O 
princípio da insignificância é aplicável ao crime de contrabando de cigarros quando a 
quantidade apreendida não ultrapassar 1.000 (mil) maços, seja pela diminuta 
reprovabilidade da conduta, seja pela necessidade de se dar efetividade à repressão a o 
contrabando de vulto, excetuada a hipótese de reiteração da conduta, circunstância apta 
a indicar maior reprovabilidade e periculosidade social da ação.” 
Refere-se, ainda, sobre a Súmula 522-STJ: “A conduta de atribuir-se falsa identidade 
perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa”. 
Por fim, versa sobre os delitos de contrabando, descaminho, embriaguez ao volante e 
falsa identidade. 
 
 
30 
Contrabando - Art. 334-A do CP. Importar ou exportar 
mercadoria proibida. § 1º Incorre na mesma pena quem: IV - 
vende, expõe à venda, mantém em depósito ou, de qualquer 
forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de 
atividade comercial ou industrial, mercadoria proibida pela lei 
brasileira; 
Descaminho - Art. 334 do CP. Iludir, no todo ou em parte, o 
pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela saída 
ou pelo consumo de mercadoria. 
Falsa identidade - Art. 307 do CP. Atribuir-se ou atribuir a terceiro 
falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou 
alheio, ou para causar dano a outrem. 
Embriaguez ao volante - Art. 306 do CTB. Conduzir veículo 
automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da 
influência de álcool ou de outra substância psicoativa que 
determine dependência: 
(A) INCORRETA. O fato não se amolda ao crime de descaminho, mas sim de contrabando. 
(B) INCORRETA. O fato se amolda ao crime de contrabando, entretanto, a incidência do 
princípio da insignificância torna a conduta um irrelevante penal. 
(C) INCORRETA. Nos termos da Súmula 522, não há que se falar atipicidade da falsa 
identidade, ainda que em situação de autodefesa. 
(D) CORRETA. O fato se amolda à embriaguez ao volante (art. 306 do CT(B) e à falsa 
identidade (art. 307 do CT(B), sendo o fato relativo aos cigarros irrelevante penal, nos 
termos do Recurso Repetitivo – Tema 1143 do STJ. 
(E) INCORRETA. O fato não se amolda ao crime de descaminho, mas sim de contrabando. 
Ademais, nos termos da Súmula 522, não há que se falar atipicidade da falsa identidade, 
ainda que em situação de autodefesa. 
_______________________________________________________________________ 
21. Assinale a alternativa correta. Terêncio obteve financiamento para a compra de 
veículo automotor, mediante fraude, perante banco privado. Segundo a lei e a 
jurisprudência do STJ, Terêncio poderá responder por: 
(A) Irrelevante penal. 
(B) Crime de estelionato simples. 
(C) Crime de estelionato qualificado. 
(D) Crime de apropriação indébita por erro. 
(E) Crime contra o sistema financeiro nacional. 
_______________________________________________________________________ 
GABARITO: E 
 
 
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COMENTÁRIOS 
 
(A) INCORRETA. Segundo o STJ, é inaplicável o princípio da insignificância aos crimes 
contra o sistema financeiro, tendo em vista a necessidade de maior proteção à sua 
estabilidade e higidez. (REsp 1580638/RS). 
(B) INCORRETA. O bem jurídico tutelado é o patrimônio da instituição financeira, a 
confiança dos investidores e a credibilidade do sistema financeiro. Assim, não há 
enquadramento na modalidade simples de estelionato, em vista do princípio da 
especialidade, frente ao art. 19 da Lei 7.492/86. 
(C) INCORRETA. O bem jurídico tutelado é o patrimônio da instituição financeira, a 
confiança dos investidores e a credibilidade do sistema financeiro. Assim, não há 
enquadramento na modalidade qualificada de estelionato, em vista do princípio da 
especialidade, frente ao art. 19 da Lei 7.492/86. 
(D) INCORRETA. O fato não se amolda ao crime de apropriação indébita por erro. Código 
Penal: Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força da natureza - Art. 169 
- Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força 
da natureza. 
(E) CORRETA. O enunciado narra fato típico previsto no art. 19 da Lei 7.492/86, que 
define os crimes contra o sistema financeiro nacional. Trata-se de modalidade especial 
de estelionato. 
Art. 19 - Obter, mediante fraude, financiamento em instituição 
financeira. 
STJ AgRg no REsp 2.002.450-SE: “O crime de “obter, mediante fraude, financiamento em 
instituição financeira” se consuma no momento em que assinado o contrato de 
obtenção de financiamento mediante fraude”. 
_______________________________________________________________________ 
22. Assinale a alternativa CORRETA. Querendo se aposentar, em 2008, Catão contrata o 
despachante Lucrécio, o qual lhe esclarece que faltava tempo de serviço para tal 
benefício. Dias depois, Lucrécio liga para Catão, propondo

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