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Prévia do material em texto

Diagnóstico 
Cinético-Funcional 
e Imaginologia 
– Membros 
Superiores, Cabeça 
e Tronco
Lao-Tsé Munhoz Windson
© 2016 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, 
incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento 
e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
Presidente
Rodrigo Galindo
Vice-Presidente Acadêmico de Graduação e de Educação Básica
Mário Ghio Júnior
Conselho Acadêmico 
Alberto S. Santana
Ana Lucia Jankovic Barduchi
Camila Cardoso Rotella
Cristiane Lisandra Danna
Danielly Nunes Andrade Noé
Emanuel Santana
Grasiele Aparecida Lourenço
Lidiane Cristina Vivaldini Olo
Paulo Heraldo Costa do Valle
Thatiane Cristina dos Santos de Carvalho Ribeiro
Revisão Técnica 
Isabel Cristina Chagas Barbin
Editorial
Adilson Braga Fontes
André Augusto de Andrade Ramos
Cristiane Lisandra Danna
Diogo Ribeiro Garcia
Emanuel Santana
Erick Silva Griep
Lidiane Cristina Vivaldini Olo
2016
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Windson, Lao-Tsé Munhoz
F475a Diagnóstico cinético-funcional e imaginologia - membros
 superiores, cabeça e tronco / Lao-Tsé Munhoz Windson. –
 Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016.
 192 p.
 
 ISBN 978-85-8482-661-2 
 1. Fisioterapia. 2. Anatomia. 3. Diagnóstico por imagem.
 I. Título.
 
 CDD 617.5
Sumário
Unidade 1
Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro ............7
Seção 1.1
Avaliação fisioterapêutica .............................................................9
Seção 1.2
Avaliação dos sinais vitais .......................................................... 17
Seção 1.3
Anatomia e cinesiologia do ombro ........................................... 28
Seção 1.4
Imaginologia do ombro .............................................................. 39
Unidade 2
Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por 
imagem .................................................................................................... 51
Seção 2.1
Avaliação fisioterapêutica do ombro ......................................... 53
Seção 2.2
Testes especiais do ombro........................................................... 65
Seção 2.3
Anatomia, cinesiologia e imaginologia 
do cotovelo ................................................................................... 76
Seção 2.4
Avaliação fisioterapêutica do cotovelo ...................................... 87
Unidade 3
Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico 
por imagem ............................................................................................. 99
Seção 3.1
Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho ................101
Seção 3.2
Avaliação fisioterapêutica do punho .......................................113
Seção 3.3
Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão .....................124
Seção 3.4
Avaliação fisioterapêutica da mão ...........................................136
Unidade 4
Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico 
por imagem ...........................................................................................149
Seção 4.1
Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça .................151
Seção 4.2
Avaliação fisioterapêutica da cabeça .......................................160
Seção 4.3
Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax ...................168
Seção 4.4
Avaliação fisioterapêutica do tórax .........................................177
Palavras do autor
Bem-vindo, aluno de fisioterapia!
Vamos ingressar no estudo sobre diagnóstico cinético-funcional e 
imaginologia dos membros superiores, cabeça e tronco. Aqui vamos 
mostrar quão importante para o paciente é a correta interpretação 
dos dados avaliados, para que assim, o profissional fisioterapeuta consiga 
elaborar o tratamento mais apropriado à queixa do paciente.
Por meio de uma série de situações apresentadas ao longo do livro, será 
possível realizar uma avaliação diagnóstica baseada na correta interpre-
tação dos dados coletados do paciente que serão revertidos num tratamento 
condizente. 
Na aprendizagem do diagnóstico cinético-funcional, abordaremos 
a coleta de informações e o estudo das estruturas anatômicas do corpo 
humano, em que estudaremos os movimentos articulares, os agentes desses 
movimentos, a força, o desenvolvimento e a velocidade com que os músculos 
os realizam. Ainda serão estudados os testes que incluem a capacidade de 
suprimento sanguíneo local e inervação e as técnicas dos exames manuais 
para a confirmação dos exames complementares de imagem. E por fim, você 
ainda estudará os testes especiais que são realizados com o objetivo de encon-
trar os agentes causadores de limitações e doenças. 
A visão crítica e a minuciosa interpretação das informações coletadas 
do paciente na anamnese dos resultados dos exames de imagens e do resul-
tado das avaliações podem incorrer em diferentes conclusões, cabe assim 
ao profissional fisioterapeuta saber filtrar e interpretar essas informações de 
forma prudente e correta, o que resultará na elaboração de um tratamento 
humanizado e personalizado de acordo com o problema daquele determi-
nado paciente.
Aqui, você receberá as ferramentas para se preparar e aprofundar nos 
temas propostos, a fim de se tornar um profissional de mais alto valor. Está 
pronto? Então, vamos começar nossa jornada! 
Unidade 1
Avaliação fisioterapêutica: anatomia e 
cinesiologia do ombro
Convite ao estudo
Todo profissional da área de saúde, antes de iniciar um tratamento, 
precisa planejar e realizar uma série de procedimentos baseados nas condi-
ções físicas, psicológicas e sociais de um paciente. Desta forma, começamos 
a enxergar o paciente, por meio da coleta de informações realizadas em uma 
anamnese, que constitui uma entrevista que nos dará informações pessoais e 
familiares do indivíduo, para assim compreendermos as condições, queixas, 
limitações e restrições que esse paciente apresenta no momento. 
Nesta unidade de ensino, você irá estudar e compreender os processos de 
anamnese, de avaliação dos sinais vitais e sobre a correta interpretação dos 
exames em imaginologia. Para isso, é necessário o perfeito conhecimento de 
anatomia e cinesiologia das estruturas anatômicas, sendo assim, ainda nesta 
unidade, você também revisará o estudo sobre a anatomia e cinesiologia do 
ombro, para que seja capaz de desenvolver uma avaliação fisioterapêutica 
adequada àquela determinada situação clínica. 
Competência geral:
Conhecer os métodos de avaliação cinético-funcional e de diagnóstico 
por imagem de membros superiores, cabeça e tronco. 
Competência técnica:
Conhecer e aplicar os métodos de avaliação do ombro.
Objetivos:
• Compreender e aprender a realizar uma anamnese.
• Compreender e aprender a elaborar uma ficha de avaliação em fisioterapia.
• Aprender a realizar uma inspeção física.
• Aprender a verificar os sinais vitais.
• Aprofundar o conhecimento da anatomia biomecânica e cinesiologia 
do ombro. 
• Compreender e aprender a interpretar resultados e diagnósticos de 
exames por imagem do ombro.
• Aplicar o conhecimento adquirido no estudo em situações próximas 
da realidade profissional.
Com a finalidade de ajudar a desenvolver as competências acima e atender 
aos objetivos específicos do tema abordado, vamos apresentar uma situação 
clínica real, que auxiliará no processoSeção 1.4 / Imaginologia do ombro - 43
Apesar da RNM ser um exame 
de alta definição e com ampla visão 
de estruturas anatômicas, o exame 
de ultrassonografia (USG) do 
ombro pode oferecer um diagnós-
tico de lesão de tecidos moles com 
um custo bem menor e mais rápido. 
Esse exame é realizado para repro-
duzir imagens dinâmicas em tempo 
real das estruturas do ombro. Se faz 
uso de um transdutor que desliza 
sobre a pele, auxiliado pelo contato 
de um gel de deslize, e assim capta 
imagens do ombro e transfere para 
um monitor, no qual o próprio examinador verifica e formula um diagnós-
tico do que está observando.
Figura 1.12 | RMN de ombro – cortes sagitais
Fonte: iStock.
Figura 1.13 | TC de ombro – cortes sagitais
Fonte: iStock.
44 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Vocabulário
Osteófitos: calcificações inflamatórias que se propagam de um osso para 
seu tendão ou ligamento.
Radiopacos: imagens mais claras ou transparentes na película do filme de 
um RX ou TC.
Reflita
Apesar de o ombro ser envolvido por muitos músculos, a maior parte das 
lesões estão relacionadas aos músculos estabilizadores da bainha rotatória. 
Observe as lesões de trabalho e de prática esportiva.
Exemplificando
Um pintor de parede tende a ter dores ou lesões do ombro em razão da 
posição elevada dos membros, obrigando um esforço maior dos estabi-
lizadores.
Faça você mesmo
Identifique nesta imagem as estruturas anatômicas do ombro.
Figura 1.14 | RX Ombro AP
Fonte: iStock.
Seção 1.4 / Imaginologia do ombro - 45
Sem medo de errar
Após o estudo desta seção, você pode relacionar as informações coletadas 
do paciente e correlacionar com o que pode ser observado nos exames de 
imagem e compreender o mecanismo que gerou a lesão e as limitações, e 
assim dar continuidade ao exame físico estudado na próxima seção.
Relembrando nosso caso clínico sobre o paciente que jogava voleibol 
esporadicamente, porém, relatou sentir dor ao executar um movimento 
brusco de flexão com abdução de ombro para elevar o membro na intenção 
de executar uma extensão forçada (cortada do vôlei), o que pode ter gerado 
uma lesão de estabilizadores do ombro. “No hospital foi solicitado RX de 
ombro e de tórax e exames laboratoriais”. Mas o que foi visto nesses exames 
de RX? E quais são as técnicas para estudo anatômico que denunciam altera-
ções na estrutura anatômica e que causam prejuízos funcionais no ombro?
Atenção
As imagens devem complementar o diagnóstico e trazer informações que 
não são possíveis de se obter no exame clínico, tais como extensão da 
lesão, fraturas, fraturas incompletas, grau da luxação, ou que indiquem 
que a doença já existia no momento da lesão, como no caso de calcifica-
ções que denunciam lesões crônicas. Os exames de imagem são funda-
mentais para auxiliar uma avaliação fisioterapêutica do ombro e precisar 
um possível diagnóstico de lesão.
Foram vistas durante o exame no RX de ombro todas as estruturas anatô-
micas, como os acidentes ósseos, e vista também a posição das articulações 
na imagem, em que não observaram luxações ou fraturas, justificando o fato 
de não ter sido imobilizado. As técnicas para estudo são de comparação da 
estrutura vista nos RX e a estrutura normal, e com auxílio de radiografias que 
testam movimentos em estresse como RX de ombro em rotação externa, e 
com abdução a 90 graus para se verificarem lesões da cápsula articular.
Faça você mesmo
Caro aluno, até esta etapa de seus estudos, você já obteve todo o conhe-
cimento teórico e prático necessário para a realização de uma avaliação 
fisioterapêutica completa do ombro, dessa forma, convidamos você a 
elaborar uma ficha de avaliação fisioterapêutica para o ombro de uma 
pessoa de sua família ou um colega. Para isso é importante que você 
realize uma revisão das quatro seções da Unidade 1. 
Boa sorte!
46 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Avançando na prática
Agora que você conhece as noções de imaginologia do ombro, já é 
possível interpretar e identificar as estruturas anatômicas e discutir possíveis 
movimentos e traumas que causam lesões no ombro. Observe a imagem a 
seguir e tente descobriu se existe alguma irregularidade anatômica.
Queda de um ciclista
Descrição da situação-problema
Após uma queda, um ciclista sentiu muitas dores no ombro e não pôde 
movimentar o membro superior esquerdo (MSE). Ele foi ao serviço de 
pronto atendimento e realizou uma radiografia da região do ombro esquerdo. 
Observe a imagem a seguir da radiografia que foi realizada no PS; você pode 
identificar as possíveis alterações encontradas e correlacionar com as estru-
turas anatômicas envolvidas nessa região?
Figura 1.15 | Radiografia do ombro
Fonte: iStock.
Seção 1.4 / Imaginologia do ombro - 47
Lembre-se
Siga o roteiro para visualizar uma imagem de radiografia ensinado neste livro 
didático e encontre as estruturas anatômicas, posicione no local correto e 
imagine as estruturas que não são vistas na imagem. 
Resolução da situação-problema 
A imagem exibe um RX na incidência em AP (anteroposterior) com uma 
luxação total da articulação glenoumeral com ruptura de ligamentos, cápsula 
articular e inflamação ou até possíveis lesões musculares. 
Faça você mesmo
Compare as imagens de radiografia com as imagens de estruturas ósseas 
estudadas em anatomia e depois selecione uma imagem de ressonância 
nuclear magnética e compare com imagens de músculos e tendões que 
passam pelo ombro. Esse exercício irá ajudá-lo a fixar melhor as estru-
turas encontradas no ombro.
Faça valer a pena
1. Nos RX de ombro, incidência de AP verdadeiro, é possível observar as estruturas 
anatômicas, porém, algumas estruturas não são vistas na película dos RX e sim identifi-
cadas por exclusão ou espaços que estas ocupam.
Na imagem discutida no texto, as estruturas mais bem vistas na película, trata-se de:
a) Cápsula e ligamentos articulares.
b) Apenas os ossos e possíveis calcificações patológicas.
c) Os músculos da bainha rotatória.
d) Todas as estruturas anatômicas do ombro que incluem os ossos e tecidos moles.
e) Todos os músculos superficiais e profundos.
2. Um jovem com lesão de ombro foi encaminhado para o pronto socorro e realizou um 
exame que não foi conclusivo, tendo que realizar outro exame que diagnosticou lesão de 
um terço do tendão do músculo supraespinhal com derrame articular.
Dentre os exames de imagem, qual é o mais provável que indicou as características 
da lesão do jovem?
a) Os RX simples em AP de ombro.
b) A radiografia em estresse de ombro.
c) A ressonância magnética para identificar a extensão e riscos da lesão.
48 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
d) Realizou apenas um exame clínico. 
e) Não é possível fazer esse tipo de diagnóstico.
3. O exame de imagem com melhores resoluções anatômicas e que tem maior precisão no 
exame de lesões do tendão do músculo supraespinhal é:
a) A radiografia simples.
b) A tomografia computadorizada.
c) A ressonância nuclear magnética.
d) A eletroneuromiografia. 
e) Nenhum dos exames anteriores tem capacidade de estudar a região do ombro.
Referências
BEHNKE, R. S. Anatomia do movimento. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2015.
COFFITO. Formação acadêmica do fisioterapeuta. [s.d.]. Disponível em: http://coffito.gov.
br/nsite/?s=fisioterapeuta+e+exames+complementares. Acesso em: 24 abr. 2019. 
CREFITO-3. Disponível em: http://www.crefito.com.br/repository/revistas/FisioEd2_2015.pdf. 
Diagnóstico complementar para fisioterapia resolutiva. Fisioterapia em revista, ano 3, edição 2, 
2015. Acesso em: 22 fev. 2016.
EVANS, N. Anatomia da musculação. São Paulo: Manole, 2007.
FUNARI, M. B. G. Radiologia e diagnóstico por imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
JOÃO, S. M. A. Métodos de avaliação clínica em fisioterapia. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2006.
KÖPF-MAIER, P. Wolf-Heidegger –atlas de anatomia humana. 6. ed. Traduzido sob asuper-
visão de Hélcio Werneck. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan, 2006.
LIPPERT, L. S. Cinesiologia clínica e anatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
MARQUES, A. P. Manual de goniometria. 3. ed. São Paulo: Manole; Guanabara Koogan,2014.
PALMER, M. L.; EPLER, M. E. Fundamentos das técnicas de avaliação musculoesquelética 2. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
RASCH, P. J. Cinesiologia e anatomia aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1991.
REISER, M; BAUR-MELNYK, A; GLASER, C. Diagnóstico por imagem: musculoesquelético1. 
Porto Alegre: Artmed, 2009.
SACCO, I. C. N.; TANAKA, C. Fisioterapia: teoria e prática clínica: cinesiologia e biomecânica. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
TORRES, D. de M. Fisioterapia: guia prático para a clínica. Guanabara Koogan, 2006.
Unidade 2
Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e 
diagnóstico por imagem
Convite ao estudo
Em continuidade ao estudo do diagnóstico físico-funcional do membro 
superior, vimos que o ombro é formado por estruturas relacionadas aos 
movimentos do membro superior. Agora vamos estudar como vários 
movimentos que realizamos no dia a dia, no esporte e no trabalho podem 
sobrecarregar o ombro e, como consequência dessa sobrecarga, compro-
meter e até lesionar as regiões do braço, cotovelo, antebraço, punho e mão, 
ou o inverso; estudar as lesões nessas regiões que resultam na sobrecarga do 
ombro.
Também serão apresentadas as estruturas e as funções dos membros 
superiores. Você verá que testar as mobilidades desses membros é importante 
para se realizar um diagnóstico referente às limitações que cada patologia 
pode provocar.
Competência geral:
Conhecer os métodos de avaliação cinético-funcional e de diagnóstico 
por imagem de membros superiores, da cabeça e do tronco. 
Competência técnica:
Conhecer e aplicar os métodos de avaliação do cotovelo.
Objetivos:
 Promover o conhecimento das estruturas anatômicas e funcionais do 
membro superior.
• Compreender os limites de mobilidades articulares.
• Aplicar testes de avaliação do ombro.
• Aprofundar o conhecimento sobre a anatomia biomecânica e a 
cinesiologia do cotovelo. 
• Desenvolver noções de exames por imagem do cotovelo.
• Aplicar testes de avaliação do cotovelo.
Para auxiliar no desenvolvimento das competências anteriores e atender aos 
objetivos específicos do tema abordado, vamos apresentar uma situação clínica real, 
que auxiliará no processo de aprendizagem teórico e prático. Vamos lá!
Um jovem de 17 anos do sexo masculino, destro, chegou ao consultório médico 
relatando dores no ombro, na região superior e lateral do deltoide, e no braço, na 
região do epicôndilo lateral esquerdo, associado à sensação de formigamento. 
Ele declara ter ingerido analgésicos anti-inflamatórios não esteroidais sem orien-
tação médica, mas estes medicamentos não surtiram efeito. Em decorrência do abuso 
medicamentoso, sofreu fortes dores abdominais na região epigástrica, levando-o a 
procurar um pronto atendimento.
Em sua história clínica, relata estar em ano pré-vestibular para curso de engenharia 
e tem estudado no período da manhã. Além disso, faz cursinho preparatório à tarde 
e pratica judô no período da noite duas vezes na semana, com duas horas de treino.
O paciente não se queixa de falta de sono à noite, mas se sente fisicamente 
cansado em alguns momentos do dia. Não se recorda de ter sofrido lesão ou trauma 
no treino ou fora dele não reportou doença familiar e nunca passou por problema de 
saúde semelhante a esses. 
O médico o orientou a procurar um gastroenterologista para avaliar possíveis 
dispepsias de origem medicamentosa e psicológica, justificada pelo consumo do 
medicamento e pelo período de pressão psicológica, fatos estes que podem manifestar 
estresse e quadros patológicos somáticos. O médico também solicitou exames de 
radiografias e uma eletroneuromiografia para avaliar a condição neuromuscular do 
membro. Encaminhou o paciente para fisioterapia com diagnóstico de epicondilite 
lateral esquerda. A avaliação fisioterapêutica identificou dores no ombro esquerdo 
durante a abdução, dor epicondilar lateral esquerda, tensão e fraqueza muscular no 
membro, dificuldades de extensão de dedos e punho e estresse. Mas quais são os 
pontos em que devemos fazer os testes e as palpações no ombro? Qual é a relação 
entre as lesões distais com as dores no ombro?
Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 19
Avaliação fisioterapêutica do ombro
Diálogo aberto
Bem-vindo à nova seção!
Aqui trataremos inicialmente assuntos pertinentes à avaliação fisioterapêu-
tica do ombro e do braço, abordando as técnicas que verificam a condição física 
dessas regiões. Esse estudo é realizado por meio da avaliação da anatomia de 
superfície, da palpação e da inspeção.
Agora voltemos à situação hipotética apresentada no Convite ao estudo.
O jovem de 17 anos que sofre de dores no ombro e no braço, mais especifi-
camente na região do epicôndilo lateral esquerdo, foi diagnosticado com epicon-
dilite lateral com comprometimento dos tendões e dos músculos extensores 
de dedos e punho, relacionado com o estresse pré-vestibular. Posteriormente, 
foi diagnosticado pelo fisioterapeuta dores, perdas funcionais da força e da 
amplitude de movimentos e estresse. Uma das queixas do paciente era a dor 
no ombro na região do deltoide, porém não foi incluso no diagnóstico como 
uma lesão. Refletindo sobre esse relato de caso clínico, quais foram os exames 
físicos de inspeção e palpação que foram utilizados para chegar a esse diagnós-
tico fisioterapêutico? O que é necessário para responder a essa pergunta da 
situação-problema? 
Para responder às perguntas, é necessário conhecer as técnicas de inspeção e 
palpação descritas neste livro didático e aplicar a esse caso clínico.
Seção 2.1
Não pode faltar
1. Exame de palpação
Uma avaliação tem início com a ectoscopia, que é o exame geral que compara 
os dados e identifica possíveis alterações, incluindo todo o exame físico geral e 
sinais vitais estudados na unidade anterior. Por exemplo, a comparação entre as 
diferenças de volume, altura e tensões entre os ombros direito e esquerdo podem 
ser sinais ou sintomas que se relacionam à lesão estudada.
Já a avaliação prática específica do ombro se inicia localizando os seguintes 
ossos: clavícula, escápula e epífise proximal do úmero. Para você realizar um 
exame de superfície e palpação, e ainda verificar alterações locais, tente realizar 
o exame prático em você mesmo e reproduzir posteriormente em um colega de 
sala, como forma de treinamento.
20 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Para melhor ser inspecionado e palpado, o paciente deve estar sentado com 
a coluna ereta. Inicie o exame procurando por alterações de cores, temperatura, 
volume, deformidades ou atrofias, ou ainda procure por alguma postura que 
denuncie desvios e/ou posições antálgicas.
Atenção
Os exames aqui descritos devem ser aplicados tanto no membro a ser 
tratado, quanto no membro saudável, pois este lhe dará um padrão de 
referência à normalidade para o indivíduo. 
O tônus, o volume e a força de cada indivíduo dependem de suas ativi-
dades de vida diária (AVDs), da profissão, do esporte, da idade e da 
condição biológica.
Na região do ombro, é possível palpar toda a superfície da clavícula na 
região superior do tronco, na divisão entre o pescoço e o tórax (Figura 2.1). A 
clavícula em pessoas magras pode formar, com sua borda superior, a popular 
“saboneteira anatômica”. Verifique se na palpação do corpo da clavícula existem 
dores ou edemas, pois nessa região estão as inserções dos músculos ester-
nocleidomastoideo, músculo subclávio, músculo deltoide, fibras anteriores 
e fibras superiores do músculo peitoral maior. O esternocleidomastoideo 
deve ser palpado e acompanhado até o processo mastoideo na face posterior 
ao pavilhão auricular. As fibras anteriores do deltoide têm origem na borda 
anterolateral da clavícula e se inserem na tuberosidade deltoidea. As fibras 
médias desse músculo têm origemno acrômio e, por fim, as fibras posteriores 
têm origem na espinha da escápula. O peitoral nas fibras superiores deve ser 
palpado até o sulco bicipital. As outras fibras do peitoral seguem até o corpo do 
esterno descendo até a altura da 6ª ou 7ª cartilagem costal.
Figura 2.1 | Identificação da clavícula
Fonte: Junqueira (2008, p. 89).
Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 21
Exemplificando
Como alguns músculos estão profundamente escondidos, é possível realizar 
palpação por projeção, como é o caso do músculo subclávio. Se você palpar a 
borda inferior da clavícula, estará pressionando tecidos moles que entrarão 
em contato com o músculo que adere este osso à primeira costela.
Palpe agora o esterno na direção lateral e encontrará seu ponto de união 
com o acrômio, articulação acromioclavicular. Verifique a altura dessa saliência 
e compare com a do outro membro. O aumento do volume articular pode repre-
sentar artroses ou luxações crônicas. Procure alterações de cor e edemas. 
Palpe agora a face lateral da articulação acromioclavicular e procure um 
espaço na face inferior que a separa da articulação glenoumeral, que se localiza 
logo abaixo. Nesse espaço, estão situadas as bursas sinoviais, onde ocorrem as 
bursites, que também dão a passagem dos tendões dos músculos da bainha 
rotatória, como a supraespinal, a infraespinal e o redondo menor.
Figura 2.2 | Localização do acrômio (esq.); palpação da articulação acromioclavicular (dir.)
Fonte: Junqueira (2008, p. 93-94).
Reflita
Quando estudamos a síndrome do impacto, na unidade anterior, vimos que 
a bainha rotatória e, principalmente, o tendão e o ventre do músculo supra-
espinal podem inflamar. A região palpada aqui pode denunciar clinicamente 
um processo inflamatório da bainha se o paciente identificar nesse ponto a 
origem da dor. Também podemos encontrar nessa região lesões do próprio 
músculo ou tendão do supraespinal, como rupturas incompletas ou bursites. 
Agora realize passivamente os movimentos anatômicos do úmero com a 
escápula e com a clavícula, procurando por estalidos ou dores. Se não for referido 
dor, peça para o paciente realizar os movimentos ativos, mas com seu apoio.
22 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Exemplificando
Em algumas lesões não é possível evidenciar sinais inflamatórios com a 
palpação ou mobilização passivamente. Elas são evidenciadas a partir de 
movimentos ativos, geralmente por estarem localizadas muito profunda-
mente e protegidas por estruturas ósseas ou cartilagíneas.
O prolongamento do acrômio na face posterior forma a espinha da 
escápula, facilmente palpável. Encontre-a e teste a inserção das fibras 
superiores do trapézio nessa região (também é possível localizar a espinha 
da escápula acompanhando as fibras superiores do trapézio até encontrar 
uma saliência), conforme indica a Figura 2.3, e, posteriormente, pressione a 
fossa superior da espinha, onde se origina o músculo supraespinal. Verifique 
tensões e dores nesse músculo e na região. O músculo supraespinal é respon-
sável pelos movimentos de abdução do ombro e estabilidade articular. 
Indivíduos que realizam esses movimentos de maneira repetitiva podem 
apresentar esse músculo muito tenso. 
Repita a mesma inspeção na 
fossa inferior da espinha, onde está 
o músculo infraespinal. Ao final da 
espinha escapular com a borda medial 
da escápula está o “triângulo da espinha 
da escápula”, região onde se insere o 
músculo elevador da escápula, algumas 
fibras do romboide e fibras inferiores 
do trapézio. Essa região pode ser muito 
dolorosa e local de origem de cervico-
braquialgias, dores dorsais e incômodos 
nos movimentos do membro superior, 
quando inflamada.
Como estes dois músculos, supraes-
pinal e infraespinal, se inserem no tubér-
culo maior do úmero, palpe o percurso do 
músculo até suas inserções, para verificar 
se existe dor ou alterações anatômicas. A 
posição ideal do úmero neste momento 
é em posição anatômica ou em rotação 
externa (lateral), local em que o tubérculo menor estará medialmente ao maior 
(Figura 2.4). Entre esses tubérculos, a fossa intertubercular, ou bicipital, deve ser 
palpada e, assim, será possível verificar se existem dores no tendão da porção 
longa do bíceps braquial que passa por essa fossa (Figura 2.5). Na crista do 
Figura 2.3 | Espinha escapular (esq.); 
fossa supraespinal (dir.)
Fonte: Junqueira (2008, p. 96 e 105).
Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 23
tubérculo maior também está a inserção 
do músculo peitoral maior. Acompanhe 
as fibras desse músculo, que têm origem 
no já mencionado corpo da clavícula, mas 
também nas cartilagens costoesternais da 
1ª à 7ª costela, em direção ao tórax.
Uma manobra que pode facilitar para 
não confundir o tubérculo menor com a 
cabeça do úmero é realizar no paciente, 
durante a palpação, leves rotações 
externas e internas de forma passiva. 
Assim, será possível sentir melhor a 
saliência do tubérculo menor.
O sulco bicipital pode ser muito 
sensível em traumas e lesões como tendi-
nites ou miosites do bíceps, mas deve-se 
ter cuidado para não confundir com 
dores de músculos que se inserem nos 
tubérculos maior e menor.
A palpação no processo coracoide, local de inserções e origens, como 
do músculo peitoral menor, porção curta do bíceps braquial e o músculo 
coracobraquial, pode ser feita no terço lateral (distal) e inferior da claví-
cula, mas os músculos do ombro devem estar bem relaxados. É uma área 
sensível. Compare com a palpação do tubérculo menor e note que a palpação 
do processo coracoide é mais superior, mas com movimentos realizados 
levemente, buscando uma saliência (Figura 2.5).
Figura 2.4 | Tubérculo maior do úmero 
(esq.); tubérculo menor (dir.)
Fonte: Junqueira (2008, p. 112-113).
Figura 2.5 | Sulco bicipital (esq.); processo coracoide (dir.)
Fonte: Junqueira (2008, p. 108 e 115).
24 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Assimile
O músculo bíceps braquial tem duas origens e, portanto, duas cabeças 
e dois tendões. A porção longa passa pelo sulco bicipital, se inserindo no 
tubérculo supraglenoidal, e a porção curta passa medialmente à cabeça do 
úmero para se inserir no processo coracoide. A inserção desse músculo é na 
tuberosidade do rádio.
Na palpação da cabeça do úmero e 
tubérculo infraglenoidal (Figura 2.6), o 
paciente deve estar em decúbito lateral, 
repousando sobre o lado contralateral 
que será examinado. Eleve o membro 
do paciente até que possa ser palpada a 
fossa axilar, procurando por alterações 
de volume e saliência, como em fraturas 
de lábio (labrum) glenoidal, e palpe 
também o tubérculo inflaglenoidal, 
onde se insere o tendão da cabeça curta 
do tríceps braquial.
Figura 2.6 | Tubérculo infraglenoidal e 
cabeça do úmero
Fonte: Junqueira (2008, p. 111).
Assimile
O músculo tríceps braquial tem três origens e, portanto, três cabeças e 
três tendões. A porção longa se origina na tuberosidade glenoumeral e na 
cápsula articular. As porções lateral e medial se originam na face posterior 
da diáfise umeral. A inserção é de um tendão formado por lâminas aponeu-
róticas, aderindo-se à face posterior do olécrano. 
Pesquise mais
Para saber mais sobre o exame de palpação do ombro e braço, leia o livro: 
JUNQUEIRA, L. Anatomia palpatória: tronco, pescoço, ombro e membros 
superiores. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2008.
2. Testes de força muscular e mobilidade articular
O teste de força deve acompanhar a amplitude de movimento do ombro 
assintomático que serve de parâmetro normal para comparação. Nosso ombro 
permite os seguintes movimentos: flexão, extensão, abdução, adução, rotação 
medial, rotação lateral e a associação de todos estes, a circundução. Esses 
movimentos devem ser testados contra uma resistência manual oferecida pelo 
fisioterapeuta, com objetivo de graduar a força muscular nos níveis. Segundo 
Torres (2006), podemos classificar a força de acordo com a Tabela 2.1.Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 25
Fonte: Torres (2006, p. 56).
Tabela 2.1 | graduação do nível de força muscular
Grau 5 Norma (100%) Amplitude de movimento completa contra a ação da gravi-
dade e com resistência.
Grau 4 Bom (75%) Amplitude de movimento completa contra a ação da gravi-
dade e com resistência moderada.
Grau 3 (+)
Regular (50%)
Amplitude de movimento completa contra a ação da gravi-
dade e com resistência mínima.
Grau 3 Amplitude de movimento completa contra a ação da 
gravidade.
Grau 3 (-) Alguma amplitude de movimento incompleta contra a ação 
da gravidade.
Grau 2 (+)
Fraco (25%)
Inicia o movimento contra a gravidade.
Grau 2 Amplitude de movimento completa sem a gravidade.
Grau 2 (-) Inicia movimento sem a gravidade.
Grau 1 Traço ou esboço Evidência de contração muscular, sem movimento articu-
lar.
Grau 0 Zero Nenhuma evidência de contração muscular.
Os testes de mobilidade articular são medidos a partir da angulação com 
um goniômetro, que realiza a amplitude de movimento do ombro. Veja os 
itens da Figura 2.7:
• Item A: posicione o braço fixo do goniômetro na linha média axilar, 
apontando para o trocanter maior do fêmur (para baixo), e o braço 
móvel na lateral do braço e voltado para o epicôndilo lateral. Faça 
uma flexão, que deve atingir 180°.
• Item B: mantenha o braço fixo e realize a hiperextensão, que deve 
atingir 45°. 
• Item C: com o braço fixo paralelo ao solo, solicite a rotação interna e 
posicione o braço móvel entre olécrano e antebraço. 
• Item D: inverta a posição do goniômetro, com o braço fixo paralelo 
ao solo, e solicite uma rotação externa. Posicione o braço móvel na 
face do antebraço. 
• Item E: com o braço fixo, a linha axilar posterior e o braço móvel na 
superfície posterior do braço, voltado para o dorso da mão, solicite 
uma abdução, que deve atingir 90°.
26 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: Marques (2014, p. 18-23).
Figura 2.7 | Goniometria dos movimentos do ombro
3. Teste cutâneo de dermátomo
São as divisões de regiões do corpo supridas por seguimentos nervosos 
somestésicos (sensitivos) cutâneos medulares, ou seja, é uma área suprida 
por um ramo de uma única raiz medular sensitiva (Figura 2.8). Os dermá-
tomos relacionados ao membro superior são das raízes nervosas de C5 a T1 
que se formam na coluna vertebral.
Utilize o estesiômetro, um equipamento próprio para o teste de dermá-
tomo. No estesiômetro, os filamentos coloridos têm espessura e rigidez 
diferentes para testes. Comece o teste com o mais leve, que é o verde, passando 
para o azul e assim sucessivamente (Figura 2.8).
A avaliação dos dermátomos é importante para identificar e classificar se 
os problemas motores têm origem nervosa, como em casos de lesões ou infla-
mações vertebrais. Pode-se comparar as alterações com exames de imagem 
como RX ou TC ou RNM da coluna na região de origem da raiz nervosa.
Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 27
Fonte: http://www.centermedical.com.br/estesiometro-
kit-teste-de-monofilamentos/p. Acesso em: 2 jul. 2016.
Figura 2.9 | Estesiômetros
Fonte: Torres (2006, p. 42).
Figura 2.8 | Dermátomos 
Vocabulário
Redução incruenta: correções de luxações e fraturas sem cirurgia.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a avaliação do ombro, é possível responder à “situa-
ção-problema” na qual o jovem relatou estar sob estresse e sobrecarre-
gado de atividades. Ele vinha se queixando de dores no membro superior 
esquerdo, nas regiões do ombro e do cotovelo, no entanto, com diagnóstico 
de epicondilite lateral esquerda.
Atenção
A lesão do cotovelo, punho e mão sobrecarrega o ombro, podendo 
causar lesões ou sobrecargas. Se ainda não houver uma lesão, no 
entanto, presença de sinais de sobrecarga e o tratamento não for reali-
zado, o ombro também estará comprometido.
Refletindo sobre esse relato de caso clínico, em quais pontos devemos 
fazer os testes e palpações no ombro? Qual é a relação entre as lesões distais 
com as dores no ombro? 
Os exames físicos de inspeção e de palpação realizados para diagnosticar foram 
a palpação das principais regiões de inserções ósseas, como a articulação acromio-
clavicular, procurando alterações articulares no espaço abaixo dessa articulação; o 
subacromial, para identificar lesões nos tendões da bainha rotatória; e a palpação 
na inserção do deltoide e superior, procurando bursites subdeltoidea e lesões no 
28 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Avançando na prática
Agora que você conhece os itens de uma avaliação fisioterapêutica do 
ombro, transfira o que aprendeu para novas situações encontradas no 
ambiente de trabalho do fisioterapeuta. 
Sobrecarga no ombro
Descrição da situação-problema
Um homem de 32 anos, servente de pedreiro, chegou ao pronto-so-
corro com queixas de dores no membro superior esquerdo, principalmente 
no ombro, e com incapacidade de movimentar o membro. Ele relata que o 
ocorrido iniciou após elevar um carrinho de mão com grande volume de 
entulho de construção civil. 
O paciente passou por exame físico e a ectoscopia apresentou deformi-
dade no ombro esquerdo e sinal de “dragona de soldado”, mas sem sinais 
de “tecla de piano”. Ele foi palpado e examinado na região que apresentou 
a deformidade. Além disso, foi questionado ao paciente sobre formiga-
mentos no membro, com o intuito de identificar alguma alteração nervosa, e 
diagnosticada uma luxação devido ao deslocamento observado no encontro 
entre úmero e escápula, denominada “dragona de soldado”. 
sulco bicipital para verificar tendinites do tendão longo do músculo bíceps braquial. 
Para se identificar a origem do problema, foram realizados o teste de força dos 
músculos deltoide, músculos da bainha rotatória e dos músculos peitorais com o 
músculo grande dosal. Além disso, foi verificada se a angulação está normal utili-
zando um goniômetro para medir os valores de flexo-extensão, abdução-adução 
e rotações internas e externas. Também foi feita a verificação de miótomos com 
o estesiômetro, procurando alterações de sensibilidade local.
Os resultados negativos para lesões e positivos para estresse muscular 
demonstrarão dores relativas a movimentos antálgicos com o objetivo de 
substituir ou compensar a falta de movimentos do antebraço e mão. 
Como foi diagnosticada uma tendinite de extensores de punho e epicon-
dilite lateral esquerda, os movimentos do ombro passaram a ser compen-
satórios e de postura antálgica. O antebraço e a mão sobrecarregaram o 
ombro, também devido à condição de tensão e estresse do momento em que 
o paciente vivia, causando dores e dificuldades de movimento.
Seção 2.1 / Avaliação fisioterapêutica do ombro - 29
O homem foi encaminhado ao RX para confirmação de hipótese diagnós-
tica (HD) e, também, para analisar a extensão da lesão. Após a confirmação, 
ele foi levado para realizar redução incruenta e orientado a refazer a radio-
grafia para controle. 
Como foi possível diagnosticar a luxação no exame físico local?
Lembre-se
O objetivo da avaliação física é procurar alterações nas estruturas, como 
deformidades e alterações de volume, cor e temperatura. É comum usar 
topônimos para indicar alterações comuns em algumas lesões ou doenças, 
por exemplo: o termo “dragona de soldado” representa a semelhança que 
a luxação acromioclavicular apresenta com as ombreiras metálicas usadas 
em trajes de gala de soldados, e o termo “tecla de piano” está relacionado 
à semelhança da saliência que se forma na luxação acromioclavicular, mas 
flexível como uma tecla de piano; esses são alguns exemplos de topônimos.
Resolução da situação-problema 
No exame clínico, a ectoscopia observou uma alteração estrutural. Na 
palpação subacromial é possível sentir uma luxação, que deverá ser confir-
mada depois no exame de imagem. 
Foram realizados pelo fisioterapeuta os seguintes exames físicos:
• Inspeção geral (ectoscopia), que notou desvios no ombro e sinaisde 
afastamento do braço do ombro.
• Palpação do acrômio com a clavícula, que indicou não haver luxação 
acromioclavicular – sem sinal de “tecla de piano”.
• Palpação na face inferior do acrômio, no espaço subacromial. Como 
o sinal de “dragona de soldado” foi positivo, é possível dizer que o 
espaço subacromial estava muito acentuado.
• Correlação entre a dor e a incapacidade de movimentos do membro.
• Verificação das alterações neurológicas com testes de dermátomos, 
sem sinais de lesão nervosa.
Faça você mesmo
Conhecendo os métodos de inspeção e palpação do ombro e as estru-
turas relacionadas, realize os exames avaliativos em seus colegas de 
grupo e treine para adquirir habilidades de avaliação.
30 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Faça valer a pena
1. Um indivíduo de 52 anos, eletricista de casas domésticas, com queixa de perda 
de mobilidade e dores na região dos ombros, diabetes mellitus tipo 2 já há 5 anos, e 
com histórico familiar de pais diabéticos, foi diagnosticado pelo médico com condro-
calcinose diabética.
Como a região dessa doença atingiu toda a superfície da articulação glenoumeral, 
qual movimento pode ser perdido ou limitado para o paciente?
a) As rotações laterais com elevação da escápula.
b) As rotações mediais com depressão da escápula.
c) A elevação e depressão da escápula.
d) A depressão da escápula e extensão do ombro.
e) Flexão, extensão, abdução, adução e rotações do ombro.
2. No exame de palpação do sulco intertubercular, dentre os grupos de tecidos 
avaliados, temos como objetivo palpar a:
a) Inserção do músculo deltoide.
b) Origem do músculo redondo menor.
c) Passagem do tendão da cabeça longa do bíceps braquial.
d) Passagem da fáscia aponeurótica do tríceps braquial.
e) Inserção do peitoral menor.
3. Os músculos supraespinal, infraespinal e redondo menor se inserem no mesmo 
acidente ósseo. Para ser palpada sua inserção, o fisioterapeuta deve:
a) Palpar o tubérculo infraglenoidal na fossa axilar.
b) Palpar a borda lateral e medial do acrômio. 
c) Palpar a face inferior lateral da clavícula, no processo coracoide.
d) Palpar o tubérculo maior do úmero.
e) Palpar o corpo da clavícula.
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 31
Testes especiais do ombro
Diálogo aberto
Bem-vindo à seção que encerra a avaliação do ombro. Vamos conhecer os 
testes que devem ser feitos pelo fisioterapeuta durante a avaliação do ombro 
do paciente. Esses testes são chamados de especiais, pois servem para identi-
ficar lesões frequentes nas estruturas tendinosas, musculares, articulares e 
ósseas que formam o ombro, com a finalidade de identificar lesões específicas 
e, por isso, cada estrutura anatômica deve ser colocada à prova para cada 
função muscular, tendínea, articular ou de estabilidade. 
Agora voltemos à “situação-problema” apresentada no Convite ao estudo. 
O jovem de 17 anos que sofre de dores no ombro e no braço na região do 
epicôndilo lateral esquerdo foi diagnosticado com epicondilite lateral 
esquerda decorrente de estresse pré-vestibular com comprometimento dos 
tendões dos músculos extensores de dedos, punho e mão. Posteriormente, 
o fisioterapeuta diagnosticou dores, perdas funcionais de força e amplitude 
de movimentos e, também, estresse. Uma das queixas do paciente era a dor 
no ombro na região do músculo deltoide, no entanto, não foi incluso no 
diagnóstico como uma lesão, apenas como queixa de dor. 
Refletindo e analisando essa situação, quais foram os testes que puderam 
confirmar a exclusão de uma lesão de ombro, confirmando apenas sobre-
carga decorrente da lesão do cotovelo, punho e mão, sendo a causa das dores? 
Para que você consiga responder a esses e outros questionamentos sobre os 
testes clínicos fisioterapêuticos, serão apresentados de forma contextualizada 
na seção Não pode faltar os conteúdos necessários para a sua compreensão. 
Vamos lá, bons estudos!
Seção 2.2
Não pode faltar
1. Testes especiais
Aqui estudaremos os métodos de diagnóstico de uma lesão de ombro 
por meio de exame clínico especial, que trata de testes consagrados que 
identificam deficiência ou perdas de movimentos, alterações ou perdas de 
estabilidades ou que denunciam lesões e inflamações no local.
 Os principais testes que utilizaremos para resolver a nossa situação-pro-
blema são:
32 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
1. Nas inflamações dos tendões do bíceps, tendinite e tenossinovite da 
cabeça longa do músculo bíceps braquial, utilizamos o teste de Yergason, 
no qual o examinador oferece uma resistência ao paciente, enquanto 
este, com cotovelos flexionados a 90° e pronação, realiza um movimento 
ativo de supinação. A percepção de dor pelo paciente no sulco intertu-
bercular (bicipital) do úmero oferece resultado positivo (Figura 2.10a).
2. Também para tendinite da porção longa do bíceps, podemos realizar 
outro teste de confirmação, o teste de Speed, no qual o paciente realizará 
a elevação de braço em supinação, com o examinador oferecendo resis-
tência leve e palpação do sulco bicipital. Quando há presença de dor o 
resultado é positivo (Figura 2.10b).
Se durante a palpação do sulco bicipital nos testes de Yergason, você 
sentir o tendão saltar, poderá ser por dois tipos de lesões:
• Lesão do ligamento transverso do úmero, numa condição chamada 
Síndrome de De Quervain. Neste caso, será necessário um exame 
de ultrassonografia para verificar tecidos moles ou uma ressonância 
nuclear magnética. 
• Rarefação óssea na região dos tubérculos maior e menor, tornando 
a fossa do sulco muito rasa. Processos inflamatórios crônicos e/ou 
degenerativos podem causar essa perda óssea, que pode ser vista em 
uma radiografia de incidência tangencial do sulco intertubercular do 
ombro (de túnel do ombro).
Os testes que avaliam lesões específicas devem ser feitos acompanhados com 
a queixa do paciente, mas também com os exames complementares de imagem.
Figura 2.10 | a. Teste de Yergason (esq.); b. teste de Speed (dir.)
Fonte: a. Hebert et al. (2011, p. 173); b. Cook e Hegedus (2015, p. 540). 
Também é possível realizar outros testes que auxiliarão a identificar a 
lesão. Utilize os outros testes e compare com os exames de imagem, somados 
à queixa do paciente.
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 33
Atenção
Realize os testes com cuidado, pois eles são feitos tendo como resultado 
positivo a dor, que pode ser intensa em alguns pacientes.
3. Em tendinites do músculo supraespinal, uma das formas de avaliar é 
utilizar o teste de Jobe, no qual o paciente em posição ortostática, ou 
sentada com coluna ereta e sem apoio dorsal, realiza flexão iniciando 
em 75 graus e repete o teste em abdução, iniciando a 40 graus. O 
examinador oferece leve resistência para baixo e o paciente ativamente 
para cima. Para ser positivo, a força será menor em um dos membros 
ou reportará dor na inserção do supraespinal (Figura 2.11a).
4. Também é possível avaliar o infraespinal com o teste com o próprio 
nome. O paciente deve manter os braços unidos ao tronco e o 
cotovelo a 90 graus. O fisioterapeuta pede para que realize rotação 
externa e ele resiste ao movimento. As dores no ombro indicam lesão 
do infraespinal (Figura 2.11b).
Figura 2.11 | a. Teste de Jobe; b. Teste de infraespinal
Fonte: Hebert et al. (2011, p. 171).
1. Outra forma de avaliar tendinites do supraespinal, e confirmar possí-
veis dúvidas, é usar o teste Hawkins/Kennedy, no qual o paciente 
realiza uma flexão de cotovelo a 90 graus e, em seguida, o processo é 
dividido em duas etapas:
• O paciente realiza flexão do ombro e o fisioterapeuta faz uma rotação 
interna, solicitando resistência do paciente. A dor confirma a tendinite.
• O paciente realiza uma abdução com rotação externa e o fisiote-
rapeuta promove uma rotação interna, solicitando resistência do 
paciente. A dor indica compressão das estruturas subacromiais, que 
são dores comuns na síndrome do impacto (Figura 2.12).
34 - U2 / Ombro e cotovelo:avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: Hebert et al. (2011, p. 170). 
Figura 2.12 | Teste Hawkins/Kennedy
2. A fim de avaliarmos a tendidite do manguito rotador, adotamos 
também o teste de Apley, no qual se pede ao paciente para efetuar 
com o membro examinado a flexão de cotovelo, rotação externa e 
abdução do ombro e, com a mão espalmada, pede-se para o paciente 
alcançar, por trás da cabeça, o ângulo médio superior da escápula 
contralateral na altura do C5 e o outro membro, com rotação interna, 
abdução e flexão de cotovelo, com o dorso da mão na região torácica 
posterior. Quando houver presença de dor ou o paciente não conse-
guir realizar o teste, o resultado é positivo. Esse teste promove o 
estiramento dos tendões que passam sobre a bursa subacromial.
3. Uma forma de confirmar a síndrome de impacto está em outro teste, 
o de Neer, pois ele determina compressões subacromiais. O exami-
nador estabiliza a escápula com uma das mãos, ao mesmo tempo em 
que a rotação interna eleva rapidamente o membro. Na presença de 
dor, o teste é positivo (Figura 2.13a).
4. Em caso de ruptura do manguito rotador, o teste de queda de braço 
dará positivo quando o examinador posicionar o ombro do paciente 
abduzido em 90° e estendido e o paciente não conseguir mantê-lo 
sozinho (Figura 2.13b).
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 35
Fonte: a. Hebert et al. (2011, p 170.); b. Cook e Hegedus (2015, p. 170). 
Figura 2.13 | a. Teste de Neer; b. Teste de queda de braço
5. Na instabilidade da cápsula anterior, o sinal de apreensão anterior 
dará positivo quando o paciente sentir dor. Em posição ortostática, o 
examinador realiza posteriormente no paciente uma rotação externa 
com abdução e cotovelo fletido a 90°.
Reflita
Muitas vezes o teste eleito para verificar uma possível lesão, e sugerido 
após a anamnese, não é conclusivo, deixando o profissional em dúvida 
sobre a origem da queixa e o resultado do teste especial. O que se pode 
fazer neste caso?
Existem vários outros testes especiais que devem ser usados. A seguir 
temos outro exemplo de teste para instabilidade articular.
1. Também para testar a estabilidade de cápsula articular, realizamos 
os testes de gaveta posterior e anterior. Nesse tipo de teste, o exami-
nador estabiliza a articulação posterior do ombro com uma das mãos 
e, com a outra, desloca anterior e posteriormente a cabeça do úmero. 
Se houver deslocamento, o teste é positivo (Figura 2.14a). Quando o 
teste for positivo para a mobilidade que acusa uma lesão de cápsula, 
mas não refere dor no local testado, deve-se considerar um exame de 
frouxidão ligamentar, devido à hiperelasticidade da cápsula. 
36 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
2. Nas bursites podemos usar o teste de Yocun. Peça para o paciente que 
coloque a mão sobre o ombro contrário ao inspecionado. Apoie o cotovelo 
para cima e verifique se a região da fossa bicipital promove estalidos ou os 
tendões que passam pela região se deslocam de sua posição, provocando 
dor e inflamação da bursa subdeltoidea (Figura 2.14b).
Fonte: a. Hebert et al. (2011, p 170.); b. Cook e Hegedus (2015, p. 170). 
Figura 2.14 | a. Teste de gaveta anterior e posterior; b. Teste de Yokun
Alguns estalidos podem ser audíveis ao estetoscópio. Faça o teste com o 
estetoscópio no local de passagem do tendão.
3. Quando avaliamos as disfunções e os encurtamentos do subescapular, 
usamos o teste de Gerber, no qual o paciente em rotação interna de 
ombro com adução tenta colocar o dorso da mão ao nível de L5. Se o 
paciente não consegue realizar, o resultado é positivo (Figura 2.15). O 
encurtamento desse músculo compromete os movimentos do ombro e 
favorece lesões secundárias.
Fonte: Hebert et al. (2011, p. 1.078).
Figura 2.15 | Teste de Gerber
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 37
Assimile
Os testes especiais de ombro têm como finalidade identificar uma grande 
variedade de lesões para cada teste – aqui estamos exemplificando 
apenas as principais lesões testadas. Mas muitas vezes as lesões surgem 
em conjunto, por exemplo, a tendinite supraespinal, a compressão 
subacromial e a bursites subacromial.
2. Testes de sensibilidade específica
É possível avaliar lesões ou 
compressões nervosas realizando 
testes de sensibilidade por regiões 
dos miótomos (Figura 2.16):
a) C3-C4: afeta a face superior 
do ombro.
b) C5-C6: face lateral superior 
do braço.
c) C5-C6: face lateral inferior 
e posterior do braço.
d) T2: face medial do braço.
e) T1-T2: face medial anterior 
do braço.
Havendo uma compressão local ou relato de alterações pelo paciente, estes 
podem ser referências das perdas somatossensoriais de músculos, por regiões 
referentes a raízes dorsais da coluna dorsal da medula espinal. Também é 
possível verificar as funções musculares, que serão abordadas no final desta 
unidade, quando você já tiver conhecido toda a avaliação do membro superior.
Figura 2.16 | Miótomos
Fonte: Moore (2001, [s.p.]).
Pesquise mais
Uma série de testes ortopédicos usados na fisioterapia pode ser vista no 
livro a seguir: 
COOK, C. E.; HEGEDUS, E. J. Testes Ortopédicos em Fisioterapia. 2. ed. 
Barueri: Manole, 2015. p. 155-221. 
Este é um livro referência em testes especiais.
Vocabulário
Rarefação óssea: perda da massa óssea, devido a descalcificações.
Tendinite: inflamação do tendão.
38 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Tenossinovite: inflamação do tendão e da bainha que o envolve.
Miótomo: grupo muscular inervado por um mesmo par de raízes 
nervosas motoras. 
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a avaliação do ombro, é possível responder a nossa 
situação-problema, que relata as queixas do paciente sobre a dor no ombro 
esquerdo na região do deltoide, porém sem diagnóstico de lesão do ombro. 
O jovem foi diagnosticado com epicondilite lateral esquerda e tendinite dos 
extensores de dedos, punho e mão do mesmo lado. 
Refletindo e analisando essa situação, quais foram os testes que puderam 
confirmar a exclusão de uma lesão de ombro, confirmando apenas sobre-
carga decorrente da lesão do cotovelo, punho e mão, sendo a causa das dores? 
Atenção
O que é necessário para resolver essa situação-problema? 
Você deve conhecer os testes especiais que são aplicados no ombro para 
identificar lesões nessa região e que possam ser aplicados nesse caso clínico.
Os testes especiais estudados aqui servem para identificar: lesões 
profundas, como tendinites de músculos, como o supraespinal, infraespinal, 
bíceps braquial; lesões de bursa deltoidea, subacromial; e, também, estabili-
dade articular glenoumeral e acromioclavicular. Dentre os testes, estão:
• Yergason e Speed para inflamação do tendão do bíceps braquial.
• Jobe, Apley e Hawkins/Kennedy nas tendinites de supraespinal. 
• Neer para compressão subacromial.
• Yocun para bursites.
• Supraespinhoso para lesão do próprio.
• Gerber para encurtamento do subescapular.
• Teste de gaveta para luxações. 
• Testes de miótomos para lesões ou compressões nervosas.
No caso do nosso paciente, o diagnóstico foi de lesão de cotovelo e punhos e, 
com isso, os testes especiais não foram positivos. As dores referidas no ombro se 
deram por efeito compensatório do esforço realizado devido a pouca mobilidade 
de cotovelo e punho e, portanto, são dores superficiais de posições antálgicas.
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 39
Avançando na prática
Agora que você conhece os principais testes de avaliação de lesões no 
ombro, identifique quais testes podem ser úteis em outras realidades de 
queixas de lesões no ombro.
Bursite
Descrição da situação-problema 
Um jovem de 24 anos, funcionário de uma empresa de correios, relata 
fortes dores no ombro direito e, atualmente, não consegue elevar o membro 
acima de 90 graus. Também relata sentir pioras da dor no período noturno.
O paciente descreve que em seu ambiente de trabalho desloca continu-
amente pacotes e caixas de volumes e pesosvariados e, no deslocamento, 
frequentemente eleva esses pacotes acima da altura da cabeça. Ele já se 
queixava de dores no ombro há algum tempo, mas só procurou atendimento 
quando não suportou mais.
 Passou em consulta com médico ortopedista, que solicitou uma radio-
grafia do ombro. Em seguida, foi medicado, tendo seu ombro imobilizado 
por sete dias. O paciente encontra-se em tratamento medicamentoso com 
anti-inflamatórios e afastado do trabalho para tratamento. Foi encaminhado 
para a fisioterapia para tratamento de bursite no ombro direito. 
Qual foi o possível teste de avaliação de ombro que confirmou a bursite, 
e qual bursa foi afetada?
Lembre-se
Os testes especiais completam o exame de palpação e mobilidade e 
fecham o diagnóstico com os exames complementares.
É possível utilizar mais de um teste para identificar uma lesão de ombro, 
mesmo que se obtenha um resultado positivo no primeiro teste. Os testes 
devem ser feitos com cuidado, pois o paciente pode sentir fortes dores.
Resolução da situação-problema 
A queixa principal de dores e dificuldades motoras associadas à rotina 
profissional nos leva a prováveis diagnósticos relativos a movimentos de 
execução de forma viciosa e com carga excessiva. Elevar pesos acima da 
própria altura sobrecarrega os estabilizadores do ombro, que são os músculos 
40 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
da bainha rotatória. Um exame especial detecta bursites, mas, em alguns casos, 
a bursite subacromial pode vir acompanhada de outras complicações e, assim, 
é ideal que se teste, também, os tendões dos músculos da bainha rotatória.
Os testes que identificam a bursite subacromial da situação-problema 
apresentada são: o Yacun e os testes de Apley para o espaço subacromial. No 
entanto, é recomendado que os testes para tendinite do supraespinal também 
sejam realizados assim que o quadro de bursite melhore, pois o paciente pode 
confundir a dor aguda da bursite com uma tendinite.
Faça você mesmo
Como esta seção abordou uma série de testes especiais para ombro, 
você, aluno, deve praticá-los com seus colegas e consultar os que já 
tiveram algum problema físico de ombro, identificando se ainda existe 
algum sinal de alteração.
Faça valer a pena
1. Na avaliação funcional e na detecção de lesão de ombro, a função do teste de Neer 
é importante para:
a) Avaliar a estabilidade da escápula.
b) Identificar possíveis luxações acromioclaviculares.
c) Identificar possíveis luxações glenoumerais.
d) Avaliar a depressão da escápula em relação à clavícula.
e) Identificar compressões de estruturas subacromiais, como tendões dos músculos 
da bainha rotatória.
2. O teste que verifica alterações do ombro e tem nome de Yergason é utilizado para 
identificar e testar:
a) Bursite na inserção do músculo deltoide.
b) Possíveis luxações glenoumerais.
c) Passagem do tendão da cabeça longa do bíceps braquial.
d) Lesão da fáscia aponeurótica do tríceps braquial.
e) Possíveis luxações acromioclaviculares.
3. A avaliação funcional do ombro requer testes que identifiquem possíveis lesões 
ou alterações de força e resistência. O teste de Speed para ombro é utilizado para:
Seção 2.2 / Testes especiais do ombro - 41
a) Testar a passagem do tendão da cabeça curta do tríceps braquial.
b) Identificar lesão da fáscia aponeurótica do tríceps braquial.
c) Identificar possíveis luxações acromioclaviculares.
d) Identificar tendinite da porção longa do bíceps.
e) Verificar compressões de estruturas subacromiais, como tendões dos músculos 
da bainha rotatória.
42 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Anatomia, cinesiologia e imaginologia 
do cotovelo
Descrição da situação-problema
Bem-vindo à seção de estudo que inicia a avaliação do cotovelo e 
antebraço. Vamos conhecer a anatomia do cotovelo e seus movimentos, a 
capacidade de força e a amplitude dos movimentos dessa região, além de 
aprender a identificar as estruturas anatômicas por meio dos exames de 
imagens diagnósticas. 
O fisioterapeuta, para avaliar o cotovelo e o antebraço do paciente, precisa 
conhecer sua anatomia, ou seja, os ossos com seus acidentes, os ligamentos e as 
articulações, os músculos e os tendões. Também é preciso ter o conhecimento 
dos movimentos executados por esses músculos, da amplitude e da força que 
cada segmento pode realizar. Após conhecer as estruturas, ele deve transferir 
os conhecimentos anatômicos para as imagens estudadas nos raios x, tomogra-
fias e ressonância nuclear magnética para a confirmação diagnóstica. 
Agora voltemos à “situação-problema” apresentada no Convite ao estudo. 
O jovem de 17 anos, que pratica judô e passa por um momento de estresse 
pré-vestibular, tem queixas de dores no ombro e na região do epicôndilo 
lateral esquerdo, e foi diagnosticado como epicondilite lateral. Ele relacionou 
as dores ao esforço do esporte e ao estresse pré-vestibular. Posteriormente, o 
fisioterapeuta diagnosticou dores, perdas funcionais de força e amplitude de 
movimentos e, também, estresse. Analisando essa situação, quais estruturas 
foram estudadas pelo fisioterapeuta para que ele conseguisse identificar essas 
perdas funcionais de amplitude de movimento e força muscular?
Não pode faltar
1. Anatomia do cotovelo
Na região do cotovelo se encontram articulações sinoviais, ligamentos e 
grupos musculares que estudaremos nesta seção. 
Os ossos que compõem o cotovelo são: o terço distal do úmero, osso longo 
do braço; o terço proximal da ulna, osso longo do antebraço que se situa na 
face medial do antebraço; e o terço proximal de rádio, também osso longo do 
antebraço que se situa na posição lateral do antebraço e paralelo à ulna. Veja as 
tabelas a seguir das estruturas anatômicas da região do cotovelo:
Seção 2.3
Seção 2.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do cotovelo - 43
Tabela 2.2 | Ossos e articulações da região do cotovelo
Articulação (Juntura) Função 
Umeroulnar ou úmero-
-ulnar 
Monoaxial: em gínglimo, principal articulação dos movimen-
tos de flexão e extensão de cotovelo e de estabilidade durante 
esses movimentos.
Úmero-radial ou radiou-
meral 
Esferoide limitada, importante nos movimentos de pronação 
e supinação e auxiliar na flexão e extensão.
Radioulnar proximal Pivô ou trocoide: realiza o movimento de prono-supinação.
Radioulnar distal Pivô ou trocoide: realiza o movimento de prono-supinação.
Fonte: elaborada pelo autor.
Tabela 2.3 | Ligamentos do cotovelo
Fonte: elaborada pelo autor.
Colateral ulnar Feixe espesso que une o úmero à ulna. Dividido em anterior e posterior.
Colateral radial Feixe que une o úmero ao rádio e dá continuidade ao ligamento anular.
Anular Feixe em laço que mantém a cabeça radial encaixada na incisura radial da ulna.
Nome do músculo Principal ação Nervo (inervação)
m. bíceps braquial Flexor de cotovelo Músculo cutâneo C5 – C6
m. braquial Flexor de cotovelo Músculo cutâneo e radial C5 –C6
m. braquiorradial Flexor de cotovelo Radial C5 – C6
m. tríceps braquial Extensor de cotovelo Radial C6 – C8
m. ancôneo Extensor de cotovelo Radial C5 – C6
m. supinador Supinador de antebraço Radial C5 – C6
m. pronador redondo Pronador de antebraço Mediano C6 – C7
m. pronador quadrado Pronador de antebraço Interósseo e Mediano C6 – T1
Tabela 2.4 | Músculos da região do cotovelo
Fonte: elaborada pelo autor.
2. Ossos, articulações e ligamentos
A região do cotovelo é formada pelas articulações úmero-ulnar, úmero-radial 
(radioumeral) e a articulação radioulnar proximal, sendo que esta última, somada 
à radioulnar distal envolta pela membrana interóssea, formam a articulação do 
antebraço. Os movimentos promovidos pela articulação úmero-ulnar são de flexão 
do ponto de 0 grau a partir da posição anatômica, até 145o, e o retorno da flexão é 
chamado de extensão, que, quando ultrapassa a linha média e provoca a hiperex-
tensão, atingindo no homem até 5o e nas mulheres até 15o. 
44 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcionale diagnóstico por imagem
Na região do antebraço ocorre o movimento de supinação, que é a posição 
comum do antebraço na posição anatômica. Da linha média ao fim da supinação 
é possível atingir os 90o e o movimento inverso, que é a pronação, atinge da linha 
média até o fim da pronação, completando 90o.
Figura 2.17 | Movimentos do cotovelo
Fonte: Lippert (2013, p. 130).
a) Flexão: 0 a 145 graus.
b) Extensão: retorno da flexão – 145 a 0 graus.
c) Pronação: semelhante à rotação externa, porém no antebraço – 0 a 
90 graus.
d) Supinação: semelhante à rotação externa, porém no antebraço – 90 
a 0 graus.
Pesquise mais
Para conhecer melhor a angulação dos movimentos articulares e como é feita 
a medida de amplitude de cada movimento, leia o livro a seguir:
MARQUES, A. P. Manual de Goniometria. 3. ed. Barueri: Manole, 2014. p. 24. 
A articulação úmero-ulnar é a principal articulação da flexão e extensão, 
pois, além do movimento, oferece estabilidade devido ao seu encaixe do 
tipo gínglimo ou dobradiça. No alinhamento lateral entre braço e antebraço 
ocorre um desvio observado na posição anatômica, que, nos homens, atinge 
um ângulo de até 5o e, nas mulheres, de até 15o lateralmente. Em ângulos 
superiores a esses, o cotovelo é chamado de cotovelo em valgo. 
O cotovelo não realiza movimentos laterais, apenas anteroposteriores. Os ossos 
dessas articulações são mantidos por uma espessa camada de tecido fibroso, a 
cápsula articular e os ligamentos, que são o colateral radial, o colateral ulnar e um 
terceiro na cabeça do rádio com a ulna, o ligamento anular (Figura 2.18).
Seção 2.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do cotovelo - 45
Figura 2.18 | Ossos e ligamentos da região do cotovelo
Fonte: Moore e Dalley (2013).
3. Músculos e ação do movimento
Os principais músculos da flexão são: o bíceps braquial, o braquial e o 
braquiorradial, auxiliados pelos músculos do antebraço. O músculo bíceps 
braquial se insere na tuberosidade radial, que fica abaixo da cabeça do rádio, 
e favorece a pronação durante a flexão do cotovelo. Já o braquial tem origem 
no corpo do úmero e se insere no processo coronoide. O braquiorradial tem 
origem na linha epicondilar lateral da ulna e se insere no processo estiloide 
do rádio (Figura 2.19).
Figura 2.19 | Músculos flexores do cotovelo: bíceps braquial à esquerda, braquial ao centro e 
braquiorradial à direita
Fonte: Lippert (2013, p. 134-135).
Os músculos extensores do cotovelo são: o tríceps braquial com inserção 
no olécrano (ou processo olecraniano), com movimento auxiliado pelo 
músculo ancôneo, que se insere na borda lateral do olécrano e tem origem no 
epicôndilo lateral (Figura 2.20).
46 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Os músculos extensores do 
cotovelo são: o tríceps braquial 
com inserção no olécrano (ou 
processo olecraniano), com 
movimento auxiliado pelo 
músculo ancôneo, que se insere 
na borda lateral do olécrano e 
tem origem no epicôndilo lateral 
(Figura 2.20).
Os movimentos do antebraço 
são de pronação e supinação. Na 
posição anatômica, o antebraço 
está em posição supinado e, 
portanto, com os ossos rádio e 
ulna em paralelos e a face palmar 
da mão voltada para frente. A pronação ocorre quando giramos o rádio sobre 
a ulnar, colocando as palmas da mão voltadas para trás, provocando um 
cruzamento entre o osso do rádio sobre a ulna (Figura 2.21).
Os movimentos de supinação e 
pronação são mais bem observados 
com o cotovelo em flexão. Se o 
cotovelo estiver em extensão, poderá 
ocorrer confusão com o movimento 
de rotação do ombro.
Os movimentos de prono-su-
pinação estão entre os mais impor-
tantes movimentos funcionais, tais 
como se alimentar e se higienizar. 
4. Dinâmica dos movimentos 
do cotovelo e antebraço
A flexoextensão ocorre entre a incisura troclear da ulnar, com a epífise 
distal do úmero chamada de tróclea. Na flexão máxima, o processo coronoide, 
localizado na porção anterior da face troclear, se encaixa na fossa coronoide 
do úmero e a hiperextensão é limitada quando o olécrano da ulnar se encaixa 
na fossa olecraniana do úmero. Durante esses movimentos, a face superior da 
cabeça do rádio, que é achatada, acompanha apoiando sobre o capítulo da ulna. 
O osso rádio também realiza um movimento de pivô sobre o capítulo do 
úmero, durante a pronação e a supinação. A face lateral da cabeça do rádio 
Figura 2.20 | Músculos extensores do cotovelo: 
tríceps braquial à esquerda e ancôneo à direita
Fonte: Lippert (2013, p. 136-137).
Figura 2.21 | Músculos pronadores à esquer-
da e supinador à direita
Fonte: Lippert (2013, p. 136-137).
Seção 2.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do cotovelo - 47
desliza sobre uma fenda da ulna chamada de incisura radial da ulna. Esta é 
uma articulação trocoide que, concomitantemente à porção distal do rádio e 
da ulna, também desliza, pois, a cabeça da ulna desliza sobre a incisura ulnar 
presente no rádio. Os ossos rádio e ulna estão unidos por uma membrana 
que evita que estes se afastem um do outro, tanto estaticamente quanto 
durante os movimentos, e os músculos responsáveis pela supinação são os 
supinadores, que são auxiliados pelo músculo bíceps braquial. O movimento 
de pronação é realizado pelos músculos pronador redondo, associado ao 
músculo pronador quadrado. 
No olécrano encontramos uma bolsa sinovial que amortece essa saliência 
óssea, denominada “bursa olecraniana”. 
Nos epicôndilos do úmero encontramos inserções dos músculos flexores 
e extensores de punho e dedos. A porção lateral é sede de origem dos exten-
sores de punho e dedos da mão, além dos músculos braquiorradial e ancôneo. 
Na porção medial está a origem dos músculos flexores de punho e dedos da 
mão, além do músculo pronador redondo. Muitas lesões que ocorrem nessa 
região estão associadas a movimentos de punho e dedos.
Reflita
O músculo braquiorradial, que promove flexão de cotovelo, se insere no 
epicôndilo lateral, junto à origem dos grupos musculares extensores de 
punho e dedos da mão, tendo, então, local comum de fixação óssea.
Pela face anterior da tróclea passa o nervo mediano, que acompanha a 
artéria braquial e, lateralmente, o nervo radial, que passa na face anterior 
da cabeça radial. O nervo ulnar passa pela incisura do nervo ulnar na face 
medial, entre o epicôndilo medial e o olécrano, que é bem observado em 
traumas na região que provocam “choque” e sensação de formigamento na 
face medial do antebraço e mão.
Pesquise mais
Reveja a anatomia funcional do ombro lendo o livro a seguir:
BEHNKE, R. S. Anatomia do movimento. 3. ed. São Paulo: Artmed, 
2015. p. 67-79.
5. Noções de imaginologia do cotovelo: raios x; ressonância magné-
tica, tomografia computadorizada e ultrassonografia
As principais imagens de investigação radiológica do cotovelo são nas 
incidências de AP (anteroposterior) e perfil. Nessas imagens devem ser 
48 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
observados a densidade óssea e os espaços articulares. Procure no contorno 
dos ossos superfícies irregulares que indiquem degeneração, calcificações 
e descalcificações. Observe se existem perdas de continuidade articular ou 
óssea que denunciem luxações ou fraturas. 
Na imagem de RX AP de cotovelo, os acidentes ósseos, como epicôndilos 
lateral e medial, estão bem visíveis e devem ser observados na procura de calci-
ficações inflamatórias ou rarefações. Neles encontramos fixações de músculos 
flexores e extensores de punho e dedos. Observe os espaços articulares para 
verificar se há sinais de degeneração ou de artrose, que provocam a diminuição 
deste espaço e, em quadros mais evoluídos, encontrará áreas de calcificações. 
É importante verificar o alinhamento, se existe sugestão de luxações ou 
deformidades antigas, como em casos de fraturas com calo ósseo instalado. 
No colo do rádio podem ocorrer fraturas, portanto, verifique. 
Agora observe o RX de perfil 
de cotovelo. Acompanhe o olécrano 
e observe se existeaumento de 
volume, também relacionado a 
fraturas ou traumas. Na face anterior 
da face troclear, verifique o processo 
coronoide, que é o ponto de inserção 
do músculo braquial. No rádio, 
além de acompanhar o contorno 
de sua cabeça na procura de defor-
midades causadas por degenera-
ções e artroses, observe também a 
tuberosidade do rádio e veja se existe 
alguma alteração (Figura 2.22).
Figura 2.22 | RX cotovelo incidência AP à es-
querda e perfil à direita
Fonte: iStock.
Pesquise mais
Para conhecer mais sobre imagem em radiologia, consulte nas páginas de 99 
a 175 do livro a seguir: 
GREENSPAN, A. Radiologia ortopédica: uma abordagem prática. 5. ed. São 
Paulo: Guanabara Koogan, 2012.
Os exames de imagem por tomografia não têm sido muito utilizados no 
cotovelo, pois não apresentam imagens com boa resolução. Geralmente, os 
tecidos moles têm sido estudados na ultrassonografia, com demonstração de 
epicondilite lateral, e na ressonância nuclear magnética, inclusive em fraturas 
ocultas ou pequenas, como ocorreu no processo coronoide na Figura 2.23, 
Seção 2.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do cotovelo - 49
que representa uma imagem de corte coronal do cotovelo, mostrando os 
espaços articulares entre ulna e tróclea e entre o rádio e o capítulo.
Figura 2.23 | RNM de cotovelo em corte coronal
Fonte: iStock.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre as estruturas anatômicas e funcionais do cotovelo e 
antebraço, é possível responder a nossa situação-problema, na qual o jovem 
que praticava judô e estava sob estresse pré-vestibular foi diagnosticado com 
epicondilite lateral esquerda e o fisioterapeuta diagnosticou, além de dores, 
perdas funcionais de força e amplitude de movimentos associados ao estresse. 
Quais estruturas foram estudadas pelo fisioterapeuta para identificar perdas 
funcionais, amplitude de movimento e força?
Os músculos extensores de punho e mão têm origem no mesmo local que a 
inserção do músculo braquiorradial, podendo dar a falsa impressão que dores 
na altura do cotovelo tenham origem nos músculos flexores de cotovelo.
O estresse, os movimentos repetitivos, as cargas excessivas de trabalho 
e estudo, o sono interrompido, os distúrbios alimentares e muitas outras 
causas prejudicam o desempenho físico, tornando o corpo mais propenso a 
lesões. No nosso caso hipotético, o jovem estava sob estresse pré-vestibular, 
algo que provoca um desgaste muito grande nos jovens vestibulandos. Com 
a sobrecarga de estudo e esporte, o aparelho locomotor ficou mais exposto a 
lesões, como foi o caso da epicondilite lateral. 
Esforços constantes de flexão e extensão de cotovelo no judô sobrecar-
regaram alguns músculos. É possível aqui notar que a origem da lesão está 
principalmente no punho e mão, já que a origem dos músculos está nos 
epicôndilos na região do cotovelo, mas com algum comprometimento dos 
50 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
músculos braquiorradial, pronador redondo e o ancôneo, que também tem 
fixação nessa região óssea. O músculo braquiorradial tem ação de flexão 
de cotovelo, o pronador redondo na pronação do antebraço e o ancôneo é 
auxiliar na extensão de cotovelo. Juntos, esses músculos auxiliam na fixação 
do membro durante o movimento na natação. 
Geralmente as imagens radiográficas só demonstram condições de calci-
ficações inflamatórias ou rarefações ósseas em doenças crônicas com quadros 
muito evoluídos. É possível identificar inflamações crônicas nas RNM quando se 
tornam crônicas ou em fase aguda com aumento de volume inflamatório. 
Avançando na prática
Agora que você conhece as estruturas anatômicas do cotovelo e 
antebraço, já estudou os movimentos realizados e identificou as estruturas 
nos exames de imagem, é possível responder a uma situação-problema que 
envolve esses conhecimentos.
Doença ocupacional – tendinite
Descrição da situação-problema
Uma jovem de 18 anos iniciou seu primeiro emprego em uma grande 
empresa de telemarketing, local em que passava grande parte de sua carga 
horária de trabalho na posição sentada, registrando no computador as infor-
mações colhidas no telefone, enquanto falava com clientes. Após dois anos 
de trabalho, começou a se queixar de dores próximas ao cotovelo e punho. 
Em consulta com o médico do trabalho, foi diagnosticada com epicondilite 
lateral bilateral.
A paciente descreve que, em seu ambiente de trabalho, digitava conti-
nuamente sem que o punho tivesse um apoio para evitar sobrecargas, e que 
recentemente trocou de mesa de trabalho para uma mais baixa que a anterior. 
Com esta posição, seu membro não tinha nenhum apoio e ficava em posição 
de extensão de cotovelo acima de 90°. Apesar das dores ficarem cada vez 
mais intensas com o tempo e o trabalho demasiado refletindo no cotovelo, 
seu diagnóstico apresentava uma inflamação relacionada ao punho. 
Por que as doenças de origem biomecânicas do punho podem refletir na 
região do cotovelo?
Seção 2.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do cotovelo - 51
Lembre-se
Tendinites são inflamações dos tendões ou aponeuroses que se fixam 
nos ossos, e todos os músculos esqueléticos têm uma origem tendinosa 
e uma inserção tendinosa que pode sofrer inflamações quando exposta 
repetidamente a estresse de tensão ou movimentos.
Lembre-se
Os movimentos de punho e de dedos são realizados por tendões que têm 
o ventre muscular no braço e no antebraço. Também encontramos nos 
mesmos locais de origem desses músculos outros músculos do braço e do 
antebraço, que se relacionam com outros movimentos, como a flexão e 
a extensão. Um exemplo é o músculo braquiorradial, que tem origem no 
epicôndilo lateral e se trata de um flexor de cotovelo.
Resolução da situação-problema 
As inserções de grande parte dos músculos que movimentam o punho 
têm origem nos epicôndilos lateral e medial do úmero. Quando um indivíduo 
realiza movimentos de digitação com o cotovelo em posições menores de 90° 
de flexão, como digitar com os cotovelos estendidos, realizando movimentos 
repetitivos dos músculos extensores de punho e dedos, do braquiorradial e 
do pronador redondo, ele causa uma tensão, podendo provocar inflamações 
na origem desses músculos no epicôndilo. 
A jovem da situação-problema mantém esses músculos em constante 
esforço e, após a alteração de seu ambiente de trabalho com a altura da mesa, 
e com a falta de apoio para o punho, houve um aumento maior ainda de 
tensão desses músculos e de seus tendões. Como os tendões têm origem no 
epicôndilo, que fica na região do cotovelo, a sobrecarga do punho também 
comprometeu essa região, provocando as dores relatadas pela jovem.
Faça você mesmo
A palpação da região do cotovelo e antebraço pode ser facilmente reali-
zada. Faça você mesmo com seus colegas de sala e, para ter um melhor 
aproveitamento, solicite ao colega que está recebendo a avaliação 
palpatória para realizar pequenos movimentos com os dedos e punho 
enquanto você identifica o percurso desses músculos e tendões que 
estão em movimento.
52 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Faça valer a pena
1. Complete a frase e assinale a alternativa correta:
A principal articulação da região do cotovelo, que tem como função promover a flexo-
extensão e estabilidade desses movimentos, é denominada _________________.
a) Articulação úmero-radial.
b) Articulação radioulnar distal.
c) Articulação radioulnar proximal.
d) Articulação umeroulnar.
e) Articulação glenoumeral.
2. Na avaliação do cotovelo de um jovem, ao verificar a amplitude passiva do 
movimento de flexão, notou-se que ela atingiu os 145°, mas no retorno não conse-
guiu chegar à extensão de 0°. O paciente não se queixou de dor, mas referiu que sofreu 
há dois anos uma fratura do olécrano, que resultou na dificuldade do movimento de 
extensão do cotovelo.
O que pode ter ocorrido na região do cotovelo para o indivíduo não executar a 
extensão completa?
a) Perda da força dos músculos extensores de cotovelo.b) Encurtamento do tríceps braquial.
c) Calcificações do olécrano, que provocam aumento de seu volume.
d) Lesão da fáscia aponeurótica do tríceps braquial.
e) A fratura ainda não está consolidada.
3. Um mecânico se queixa de dores e fraqueza no antebraço direito durante o 
movimento de apertar um parafuso no sentido horário.
Nesse caso descrito, esse mecânico está com prováveis problemas de tendinite no(s):
a) Músculos tríceps braquial e ancôneo.
b) Músculos bíceps braquial e braquial.
c) Músculos pronadores redondo e quadrado.
d) Músculo supinador do antebraço.
e) Músculos do manguito rotador.
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 53
Avaliação fisioterapêutica do cotovelo
Descrição da situação-problema
Seja bem-vindo à seção que estuda a parte prática do diagnóstico cinético-
-funcional do cotovelo e antebraço. Estudaremos o exame de palpação e testes 
especiais, além de realizarmos as medidas goniométricas dos movimentos de 
flexão e extensão do cotovelo e de pronação e supinação do antebraço.
O objetivo da palpação é estudar a anatomia superficial e identificar altera-
ções anatômicas ou processos inflamatórios que reflitam em dores ou dificul-
dades no movimento. Com os testes especiais, colocamos em estresse as estru-
turas musculares, tendinosas, ligamentares e capsulares, que estão fixadas em 
acidentes ósseos, sendo possível, assim, identificar lesões dessas estruturas. Na 
goniometria será verificado se a angulação dos movimentos articulares está 
alterada ou diminuída, justificando uma possível lesão da região.
Agora voltemos à “situação-problema” apresentada no Convite ao 
estudo. O jovem de 17 anos que sofre de dores na região do epicôndilo 
lateral esquerdo foi diagnosticado com epicondilite lateral esquerda 
com comprometimento dos tendões dos músculos extensores de dedos 
e punho, relacionado com o seu estresse pré-vestibular. Posteriormente, 
foi diagnosticado pelo fisioterapeuta com perdas funcionais de força 
muscular e diminuição da amplitude de movimentos, ambas relacionadas 
ao estresse pré-vestibular. 
Refletindo e analisando essa situação, quais foram os testes especiais 
realizados pelo fisioterapeuta que confirmaram a epicondilite lateral, 
as dores e as perdas de movimentos articulares na região do cotovelo e 
antebraço do seu paciente? 
Para que você consiga responder a esses e outros questionamentos sobre 
a anatomia palpatória, os testes clínicos e a goniometria realizada na fisiote-
rapia, serão apresentados de forma contextualizada na seção Não pode faltar 
os conteúdos necessários para a sua compreensão. 
Vamos lá, bons estudos!
Seção 2.4
54 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Não pode faltar
1. Exame palpatório
Estudaremos primeiramente o exame de palpação que visa identificar as 
estruturas anatômicas por métodos manuais de palpação em pontos estraté-
gicos do cotovelo e do antebraço.
Iniciaremos da porção distal do braço, até a distal do antebraço. Identifique 
no braço a parte distal do osso úmero e palpe nas porções lateral e medial os 
epicôndilos. Veja a diferença entre os dois epicôndilos: 
• No epicôndilo medial estão as origens dos músculos flexor ulnar do 
carpo, palmar longo, parte do flexor ulnar do carpo, flexor superfi-
cial dos dedos, além do pronador redondo. Nesta região é comum se 
instalar uma forma de alteração denominada “epicondilite lateral”, 
também conhecida como “cotovelo de golfista”. Essa alteração pode 
estar associada à Síndrome do Nervo Ulnar. Identifique na face inferior 
o sulco do nervo ulnar (Figura 2.24).
• No epicôndilo lateral estão as origens dos músculos extensores radiais, 
extensor longo e o curto do carpo, parte do extensor ulnar do carpo, 
extensores dos dedos, extensor do V dedo e o supinador. Nesta região 
é comum se instalar a epicondilite lateral, ou “cotovelo de tenista”, e, 
também, tendinites do supinador (Figura 2.24).
Figura 2.24 | Epicôndilo medial (esq.); epicôndilo lateral (dir.)
Fonte: Junqueira (2012, p. 144-145).
Palpe na face posterior uma saliência chamada olecrano, onde está inserido o 
músculo tríceps braquial, principal músculo da extensão do cotovelo. É possível 
preguear com os dedos e notar que o tecido parece solto, devido à bursa olecra-
niana, sede de inflamações por traumas ou atritos. Na face medial do olecrano, 
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 55
palpe novamente a depressão óssea onde se 
encontra o nervo ulnar, que é protegido pela 
fossa do nervo ulnar do epicôndilo medial, e, 
em seguida, passe pelos ventres musculares dos 
flexores de punho e dedos (Figura 2.25).
Agora coloque o cotovelo a 20o de flexão e 
palpe as faces anterior e posterior da porção 
proximal e lateral do antebraço. Na face 
anterior, pressione o seu polegar no membro 
relaxado profundamente e, onde estão os 
ventres musculares dos extensores de punho 
e dedos, encontrará a cabeça do rádio. Nessa 
mesma altura, pressione com os outros dedos 
de sua mão a cabeça do rádio e, acima dela (mais próximo ao olecrano), 
encontrará o capítulo do úmero. Ele será melhor palpado se movimentar o 
cotovelo em flexão e extensão, buscando o capítulo. 
Algumas lesões promovem crepitações na cabeça do rádio ou no capítulo 
do úmero (Figura 2.26). Na face anterior está o músculo pronador redondo. 
Peça para que o paciente realize pronações e supinações no momento da 
palpação, pois isso favorece a sua identificação. Na síndrome do pronador 
redondo, o músculo fica sensível ao toque e volumoso devido ao edema 
(Figura 2.26).
Figura 2.25 | Olecrano
Fonte: Junqueira (2012, p. 146).
Figura 2.26 | Cabeça do rádio (esq.); pronador redondo (dir.)
Fonte: Junqueira (2012, p. 147 e 150).
Na linha média da face anterior do cotovelo, você encontrará o tendão 
do bíceps braquial, principal músculo da flexão do cotovelo. Ele se insere 
na tuberosidade e tubérculo radial (também chamada de “tuberosidade 
bicipital”). Posteriormente, o olecrano é local da inserção da fáscia aponeu-
rótica do tríceps braquial (Figura 2.27).
56 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Figura 2.27 | Tendão de inserção do bíceps braquial (esq.) e de inserção do tríceps braquial (dir.)
Fonte: Junqueira (2012, p. 136 e 141).
Na face anterior do antebraço, peça para que o paciente junte o 
primeiro com o quinto dedo da mão para que se observe o músculo 
palmar longo; lateralmente está o músculo flexor ulnar do carpo. Na face 
proximal do antebraço, ainda na face anterior, está o ventre do músculo 
supinador (Figura. 2.28).
Figura 2.28 | Tendões dos músculos: palmar longo (esq.), do flexor ulnar do carpo (centro) e do 
supinador (dir.)
Fonte: Junqueira (2012, p. 152, 153 e 157).
Pesquise mais
Para saber mais sobre o exame de palpação do ombro e braço, pesquise 
no livro a seguir: 
JUNQUEIRA, L. Anatomia palpatória: tronco, pescoço, ombro e membros 
superiores. 2. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2008.
2. Testes especiais de avaliação do cotovelo e antebraço
São testes consagrados que identificam deficiência ou perdas de 
movimentos, alterações ou perdas de estabilidades ou que denunciam lesões 
e inflamações no local. 
Os testes que avaliam lesões específicas devem ser feitos acompanhados com 
a queixa do paciente, mas, também com os exames complementares de imagem.
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 57
Os principais testes que utilizaremos para resolver a nossa situação-
-problema são:
1. Em suspeitas de subluxações do cotovelo, quando os ligamentos colaterais 
podem ter sidos lesados, é possível fazer um teste de estresse que demonstre 
se houve laceração de algum ligamento. O teste para o ligamento colateral 
radial é chamado de teste varo do cotovelo, no qual o fisioterapeuta pede 
para que o paciente faça uma flexão do cotovelo a 20°, com o objetivo de 
retirar o olecrano da fossa olecraniana e deixar os ossos livres do encaixe, 
e, com o ombro em rotação interna, realiza-se um estressede estudo e na prática. Vamos lá!
Um indivíduo de 50 anos, contador, canhoto e fumante há 35 anos, 
queixava-se de dor no ombro esquerdo que se propagava para a região 
anterior e posterior do tórax. Ele relatou que começou a sentir dores ao 
jogar voleibol, mas que o esporte era esporádico, apenas realizado em alguns 
sábados e, ao término da partida, saiu para beber cerveja com os amigos. 
Passou por uma consulta com um ortopedista, pois acreditava tratar-se 
de dor causada por alguma tensão muscular do esporte, haja vista que nas 
últimas semanas também se sentia muito tenso e cansado. Após a avaliação, 
o ortopedista recomendou que passasse por atendimento com um clínico de 
urgência, devido a uma irregularidade no batimento cardíaco (arritmia) e na 
pressão arterial (PA) de 140 X 100 mmHg. No hospital, foi solicitado eletro-
cardiograma (ECG) raios X (RX) de ombro e de tórax e exames laboratoriais. 
Após os resultados, o paciente foi encaminhado para o cardiologista e poste-
riormente para a fisioterapia.
No primeiro momento, o quadro clínico indicava um risco de infarto 
lento, comum às características apresentadas pelo paciente, mas após o clínico 
geral avaliar os exames realizados, foi descartada essa hipótese diagnóstica, 
e as alterações cardíacas foram relacionadas com o consumo excessivo de 
café, somados ao tabagismo de vinte cigarros por dia. Ainda assim, seu estilo 
de vida, como o próprio tabagismo, sedentarismo e a idade, indicavam uma 
necessidade de passar pelo cardiologista, mesmo porque, o ECG apresentou 
arritmia cardíaca. Já a indicação de fisioterapia se deu pela diferença encon-
trada de massa muscular do ombro esquerdo em relação ao ombro direito, 
com sinais de inflamação, e perda de movimento acompanhado de dores.
Na fisioterapia foi observado um desvio na coluna cérvico-torácica e sinais de 
processo inflamatório agudo no ombro esquerdo, causados pela presença de atrito 
articular e pela perda de capacidade respiratória devido ao longo tempo de tabagismo. 
O paciente relatou sentir cansaço físico em pequenas atividades. Ele realizou o teste 
ergométrico, e foi sugerida uma rotina de atividade física supervisionada. O objetivo 
fisioterapêutico foi de analgesia, ganho de amplitude de movimento e ganho de 
massa e força muscular para o ombro acometido, aumento da capacidade cardiorres-
piratória e pulmonar e reabilitação postural.
Seção 1.1 / Avaliação fisioterapêutica - 9
Avaliação fisioterapêutica 
Diálogo aberto
Olá, aluno! Seja bem-vindo à primeira seção de estudos deste livro 
didático! 
Iniciaremos agora o estudo da Semiologia, que é a ciência de examinar 
e identificar as patologias que acometem o indivíduo, englobando o estudo 
de diversas técnicas de avaliação que contribuem para o diagnóstico preciso 
das patologias. Assim, você aprenderá sobre o processo de anamnese, que se 
trata de uma entrevista com o paciente, na qual se realiza a coleta de dados 
importantes sobre o seu histórico clínico.
Agora vamos relembrar a situação clínica real apresentada no Convite ao 
estudo que visa aproximar os conteúdos teóricos com a prática profissional. 
Um indivíduo de 50 anos de idade, sedentário e fumante de 20 cigarros por 
dia, realiza uma consulta médica com um ortopedista e relata sentir cansaço 
em pequenos esforços e dor no ombro esquerdo. Analisando esse quadro 
clínico, qual é a importância de se coletar os dados relatados pelo paciente 
durante o procedimento de anamnese realizado pelo fisioterapeuta na 
avaliação clínica? 
Ao longo desta seção apresentaremos os elementos necessários à resolução 
dessa situação-problema. Pronto para começar? 
Então vamos lá!
Seção 1.1
Não pode faltar
Avaliação fisioterapêutica
Toda vez que vamos a uma consulta com um profissional da saúde, passamos 
pela anamnese. Você também já passou por isso. Sabe aquela hora no consultório 
quando fazem várias perguntas pessoais e sobre sua queixa principal e as doenças 
da sua família? Então, essa entrevista chama-se anamnese.
Com base no questionário da anamnese, realizamos uma avaliação geral e 
exame físico do paciente para uma investigação de um diagnóstico cinético-fun-
cional. A maior parte dos diagnósticos se dá exclusivamente pela anamnese, e 
com base nela traçaremos objetivos e métodos da terapia, de forma a se adequar 
e respeitar as necessidades e interesses do paciente.
10 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Assimile
Em uma avaliação, deve-se considerar as doenças próprias da idade, 
sexo e etnias, com relação à naturalidade e à hereditariedade também, 
pois podem ajudar a identificar doenças de zonas endêmicas, profissão, 
riscos ocupacionais, acidentes de trabalho, estresse, religião, atividades 
físicas ou sedentarismo, uso de medicamentos sob orientação médica 
ou não, entre outros.
Exemplificando
Jogadores de tênis e açougueiros, por exemplo, têm em sua profissão 
maior risco de bursite no ombro, enquanto mulheres de etnia ariana, aos 
60 anos têm maior propensão à osteoporose. Já pessoas com diabetes 
apresentam uma maior tendência às queixas de dores articulares. 
Você deve entender que a elaboração dessa anamnese tem como objetivo 
direcionar a prescrição do tratamento e também servir como um registro para 
futuras estatísticas, ou ainda, para um levantamento evolutivo da doença ou trata-
mento. Segue na Tabela 1.1 um exemplo da primeira parte da ficha de avaliação.
Tabela 1.1 | Ficha de avaliação
Fonte: elaborada pelo autor.
Você pode produzir uma anamnese aberta, em que os dados são regis-
trados em texto, ou fechada, quando os itens já estão prontos e você deve apenas 
assinalar as lacunas.
Após a coleta de dados inicial, na segunda parte da ficha, o fisioterapeuta 
deve buscar informações sobre a história clínica, do paciente e da doença que o 
levou até a consulta. Os registros devem ser feitos de acordo com a narração do 
paciente, e podem ser livres ou dirigidos. A história clínica contém as seguintes 
informações:
• Queixa principal: registrar os sintomas e sinais de acordo com a 
narração e vocabulário do paciente. O profissional deve investigar entre 
Seção 1.1 / Avaliação fisioterapêutica - 11
as queixas, aquelas que o ajudarão a elaborar o tratamento, conhecendo 
assim, as restrições de recursos fisioterapêuticos.
• História da doença atual – HDA: trata-se de uma descrição dos aconte-
cimentos recentes relacionados com a queixa principal. É importante 
que tenha: início e provável data em que percebeu; como evoluiu e como 
tratou; pesquisar sintomas que o paciente possa não ter notado relacio-
nados com o problema; e atuais queixas, como, frequência, duração, 
circunstâncias e intensidades.
Sempre verifique se a história tem início, meio e fim racionais. Faça a 
anamnese sem pressa e com o máximo de foco no paciente. Não esqueça que os 
registros devem utilizar terminologia técnica!
Reflita
O paciente é capaz de distinguir um exame apressado e superficial 
daquele interessado e cuidadoso? 
Claro! Se o paciente sente que foi bem atendido e o profissional foi atencioso, 
ele cria vínculo emocional e se torna mais colaborativo ao tratamento.
- História patológica pregressa: informações sobre doenças preexistentes 
e limitações já instaladas, pois podem se relacionar com o atual quadro ou 
mesmo influenciar no planejamento do tratamento e reabilitação. Também 
são chamadas de antecedentes pessoais fisiológicos. Devem ser incluídas as 
cirurgias, tratamentos e seus sucessos.
- História familiar: levantar as morbidades comuns na família do 
paciente, buscando relevância com condições hereditárias, congênitas e 
genéticas. Incluem aqui o desenvolvimento físico e psíquico do paciente.
- Atividades de vida diária – AVD: como é o dia a dia do paciente, suas 
dificuldades, estresse, alimentação e diversão. Qualquer informação que 
ajude explicar a doença e que ajude a traçar objetivos da terapia e reabilitação. 
Exame físico ou inspeção física geral
Use a seguinte sequência: inspeção, palpação,físico de varo, 
empurrando para baixo a região do cotovelo (Figura 2.29). No caso de 
suspeita de lesão do ligamento colateral ulnar, usa-se a mesma posição em 
20° de flexão de cotovelo e realiza um teste valgo do cotovelo (estresse 
em valgo) para forçar o afastamento da ulna com o úmero. Se isso ocorre, 
então é positivo para a subluxação (Figura 2.29).
Figura 2.29 | Teste de estresse em varo (a e b); Teste de estresse em valgo (c e d)
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 229-230). 
2. Para testar epicondilite no cotovelo, podemos realizar testes como 
o Cozen, no qual o fisioterapeuta solicita ao paciente que fique de 
punho cerrado e com cotovelo a 90° e antebraço pronado. O fisio-
terapeuta segura o punho e pede para que o paciente realize uma 
extensão de cotovelo enquanto ele impõe uma resistência. O teste é 
positivo se o paciente referir dor no epicôndilo lateral. A esta lesão 
se dá o nome de “cotovelo de tenista” (Figura 2.30).
58 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Pode-se confirmar a epicondilite lateral com o teste de Mill, ou teste 
passivo de cotovelo de tenista, no qual o fisioterapeuta coloca o punho e dedos 
em total flexão, segura-os e solicita ao paciente que realize uma extensão 
de punho e dedos contra a sua resistência. O teste é positivo se o paciente 
referir dor epicondilar lateral (Figura 2.30). Já o teste de Maudsley consiste 
em colocar a mão do paciente aberta e solicitar que faça uma hiperextensão 
do terceiro dedo da mão, enquanto o fisioterapeuta resiste ao movimento. 
Também será positivo se houver dores no epicôndilo lateral (Figura 2.30).
Figura 2.30 | Teste de Cozen (a e b); teste cotovelo de tenista (c); teste de Maudsley (d)
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 233-234).
1. Para testar tendinites ou perdas funcionais dos movimentos de 
prono-supinação e seus músculos responsáveis pelo movimento, o 
teste leva o nome do movimento. O teste de pronação e supinação 
é realizado com o paciente em decúbito dorsal, com cotovelos entre 
20 a 40 graus, e pede-se para que realize a supinação e, em seguida, 
a pronação (Figura 2.31). O teste pode referir dor ao movimento ou 
comparar a força resistida com o membro contralateral.
Figura 2.31 | Teste de supinação (esq.); teste de pronação (dir.)
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 227).
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 59
3. Goniometria do cotovelo e antebraço
Para medir os ângulos de movimento do cotovelo, colocamos o braço fixo 
do goniômetro na lateral do braço sobre o úmero em direção ao acrômio e 
o braço móvel sobre a superfície radial, em direção ao processo estiloide. Os 
valores esperados é que saia do 0 graus e alcance 145o de flexão (Figura 2.32).
Nas medidas da prono-supinação, o indivíduo deve estar sentado com 
os cotovelos a 90° e paralelos ao tronco e ao antebraço em posição neutra. 
Na pronação do antebraço, o braço fixo do goniômetro é colocado na face 
dorsal dos metacarpos, em posição paralela ao úmero, como mostra a Figura 
2.32, e o braço móvel fica alinhado ao polegar, acompanhando a pronação. As 
medidas esperadas são de 0 a 90 graus. Já na supinação o movimento reali-
zado é inverso à pronação, com angulação semelhante, de 0 a 90 graus, mas 
com o giro inverso da supinação (Figura 2.32).
Figura 2.32 | Goniometria do cotovelo (a), flexão (b) e pronação e supinação (c)
Fonte: Marques (2014, p. 24-26).
4. Teste de força
O exame de força nos movimentos do cotovelo deve ser realizado com 
resistência manual de um fisioterapeuta, com o objetivo de graduar a força 
nos níveis, segundo Torres (2006, ilustrado na Tabela 2.1). São verificadas a 
flexão, a extensão de cotovelo e a pronação e supinação do antebraço.
Reflita
Como são realizados os testes de força muscular?
Os testes de força muscular devem acompanhar os movimentos reali-
zados na goniometria, com a mesma angulação, porém com resistência 
manual oferecida pelo fisioterapeuta.
5. Testes de sensibilidade superficial e profunda da região do cotovelo
Os testes de sensibilidade seguem o padrão descrito nos dermátomos e 
miótomos. São realizados com o estesiômetro e os resultados são relacionados 
60 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
com os resultados do mapa de distribuição de inervação da região da origem 
da raiz nervosa dorsal, assim como foram realizados os testes no ombro na 
Seção 2.3 (Figura 2.33).
Figura 2.33 | Dermátomos da região do membro superior
Fonte: Torres (2006, p. 80). 
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a palpação, testes especiais e goniometria do cotovelo e 
antebraço, é possível responder a nossa situação-problema sobre quais foram os 
testes que puderam confirmar que o indivíduo apresentava na epicondilite lateral 
as dores e perdas de movimentos articulares na região de cotovelo e antebraço.
Atenção
Realize os testes especiais com atenção para não confundir uma dor 
epicondilar de origem extensora de punho com a de origem na supina-
dora, pois o epicôndilo lateral é local de origem desses músculos que 
têm funções diferentes. Realize os testes para os dois movimentos.
A investigação realizada reúne os exames de palpação dos epicôn-
dilos. Quando inspecionamos a inserção dos músculos flexores do punho 
e dedos e do pronador redondo, palpamos a face medial desse epicôndilo, 
e quando inspecionamos a face lateral, palpamos os extensores de punho 
e dedos, supinador e o ancôneo. Também foi palpada a inserção do bíceps 
braquial na tuberosidade bicipital e do tríceps braquial junto ao olecrano 
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 61
e à bursa olecraniana. Ao final da palpação foi identificado o percurso dos 
músculos flexores e extensores dos dedos e punho. Ainda na investigação 
foram realizados os testes de instabilidade articular com teste de varo e valgo 
para cotovelo e testes específicos para cotovelo de tenista, como o Cozen, 
Mill e Maudsley. Ao final, foi realizado o teste de pronação e supinação 
do antebraço. Com um goniômetro, foi verificada a amplitude de flexão e 
extensão de cotovelo e a pronação e supinação do antebraço.
Como no nosso caso clínico o paciente queixava-se de dor e verificou-se 
perdas de movimentos, a palpação do epicôndilo lateral foi dolorosa e os 
testes de Cozen, Mill e Maudsley foram positivos, pois referem perdas de 
força associando a dor ao movimento. A goniometria indicou que o processo 
inflamatório reduziu os movimentos de extensão de punho e supinação no 
membro esquerdo.
Faça você mesmo
Caro aluno, até esta etapa de seus estudos, você já obteve todo o conhe-
cimento teórico e prático necessário para a realização de uma avaliação 
fisioterapêutica completa do cotovelo e antebraço. Portanto, realize 
testes específicos de ação muscular, função articular, integridade tendínea 
e ligamentar. Feito isso, elabore uma avaliação fisioterapêutica para o 
cotovelo e antebraço em uma pessoa de sua família ou um colega. Para isso, 
é importante que você realize uma revisão das quatro seções da Unidade 2. 
Avançando na prática
Agora que conhece os principais locais de palpação de cotovelo e 
antebraço e realizou os testes especiais de cotovelo para medir a angulação 
articular com goniômetro, identifique como esses testes podem ser úteis em 
outras realidades de queixas de lesões no cotovelo e antebraço.
Instabilidade no cotovelo
Descrição da situação-problema 
Um jovem procurou um atendimento ortopédico, pois se queixava 
de instabilidades no cotovelo direito há mais de um mês. Descreveu que 
todas as vezes que necessitava elevar um peso, como uma bolsa ou sacola 
do chão, sentia dificuldades e que não tinha “firmeza” quando necessitava 
apoiar com o membro no “guidão da bicicleta”. O paciente também disse que 
62 - U2 / Ombro e cotovelo: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
as dificuldades se iniciaram quando sofreu uma queda de bicicleta, que o 
deixou imobilizado por uma semana, mas que, como não sofreu fraturasno 
local, não realizou fisioterapia após retirada da imobilização.
Durante o exame clínico, os movimentos passivos relataram dores leves 
e perdas de amplitude de movimento, mas não apresentaram crepitações na 
articulação durante o movimento ativo. O membro não apresentava edema 
ou áreas de inflamações agudas. Após a realização da palpação no local e 
dos testes especiais para o cotovelo, foi diagnosticada subluxação crônica de 
cotovelo na região lateral (articulação úmero-radial). Quais foram os exames 
clínicos que foram usados para chegar a esse diagnóstico?
Lembre-se
Áreas inflamatórias crônicas podem não apresentar sinais de dores. A 
palpação pode auxiliar a encontrar o ponto doloroso antes de aplicar 
testes especiais neste local. Lembre-se de que os ligamentos colaterais 
do cotovelo podem se romper quando em queda com cotovelo esten-
dido e em supinação.
Resolução da situação-problema 
Durante a palpação das estruturas, a região do ligamento colateral radial 
apresentou dores que em movimentos passivos podem não aparecer, pois 
se trata de uma lesão antiga e crônica. Nesta região, deve-se realizar o teste 
especial de cotovelo em varo, para verificar se esse ligamento e a cápsula estão 
rompidos. A instabilidade ocorre por lesões de cápsula e do ligamento.
Faça você mesmo
Como se trata de uma série de locais de palpação e de testes especiais 
para cotovelo e punho, você, aluno, deve praticá-los com seus colegas 
e consultar aqueles que já tiveram algum problema físico de cotovelo, 
identificando se ainda existe algum sinal de alteração.
Faça valer a pena
1. Um paciente se queixa de dores na região do epicôndilo medial do úmero. Realizou 
palpação e testes que reproduziram sinais inflamatórios locais.
A palpação da região afetada refere-se à fixação de ________________.
a) Músculos e tendões dos extensores dos dedos e do supinador.
b) Músculos e tendões dos flexores dos dedos e do supinador.
Seção 2.4 / Avaliação fisioterapêutica do cotovelo - 63
c) Músculos e tendões dos flexores do punho e pronador.
d) Músculos e tendões dos flexores do punho e extensores dos dedos.
e) Músculos e tendões dos flexores dos dedos e supinador.
2. Qual é o objetivo dos testes de Cozen, Mill e Maudsley?
a) Testar a instabilidade do cotovelo.
b) Testar a força de ação dos músculos pronadores do antebraço.
c) Testar a amplitude da supinação do antebraço.
d) Testar origens inflamatórias no epicôndilo medial do úmero.
e) Testar origens inflamatórias no epicôndilo lateral do úmero.
3. Na palpação da face anterior da linha média do cotovelo é possível identificar um 
tendão quando o cotovelo se posiciona a 90°. Trata-se do bíceps braquial. 
O tendão referido se insere no(a)_______________________________.
a) Processo coronoide da ulna.
b) Processo olecraniano da ulna.
c) Tuberosidade radial.
d) Dossa radial.
e) Tróclea do úmero.
Referências
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JUNQUEIRA, L. Anatomia palpatória e seus aspectos clínicos. São Paulo: Guanabara 
Koogan, 2010. 
KÖPF-MAIER, P. Wolf-Heidegger – atlas de anatomia humana. 6. ed. Traduzido sob a super-
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LIPPERT, L. S. Cinesiologia clínica e anatomia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
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RASCH, P. J. Cinesiologia e anatomia aplicada. São Paulo: Guanabara Koogan, 1991.
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SACCO, I. C. N.; TANAKA, C. Fisioterapia: teoria e pratica clínica – cinesiologia e biomecâ-
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TORRES, D. de M. Fisioterapia – guia prático para a clínica. São Paulo: Guanabara Koogan, 2006.
VALERIUS, K.-P. et al. O livro dos músculos: anatomia, testes, movimentos. São Paulo: Santos, 2013.
Unidade 3
Punho e mão: avaliação físico-funcional e 
diagnóstico por imagem
Convite ao estudo
Em continuidade ao estudo do diagnóstico cinético-funcional do 
membro superior, estudaremos nesta unidade o punho e a mão, que serão 
abordados mediante casos clínicos que facilitarão o processo de aprendi-
zagem. Dessa forma, você vai conhecer as estruturas e as funções desses 
segmentos do membro superior e aprenderá a executar testes de mobilidade 
e função, sendo estes importantes para se realizar um diagnóstico referente 
às limitações que cada patologia pode provocar.
Competência geral:
Conhecer os métodos de avaliação cinético-funcional e de diagnóstico 
por imagem de membros superiores, cabeça e tronco. 
Competência técnica:
Conhecer e aplicar os métodos de avaliação de punho e mão.
Objetivos:
• Aprofundar o conhecimento das estruturas anatômicas, da biomecâ-
nica e da cinesiologia do punho e da mão.
• Compreender os limites de mobilidade articular do punho e da mão.
• Desenvolver noções básicas de exames por imagem do punho e da mão.
• Aprender a aplicar testes de avaliação de mobilidade e força do 
punho e da mão.
• Aprender a aplicar testes de sensibilidade da região do punho e da mão.
• Aprender a realizar mensurações de angulação de movimento 
articular do punho e da mão.
• Aprender a aplicar os testes especiais de avaliação do punho e da mão.
Com a finalidade de conduzir você, aluno(a), a desenvolver as 
competências anteriormente mencionadas e atender aos objetivos 
específicos do tema abordado, vamos apresentar uma situação clínica 
real que o auxiliará no processo de estudo e prática. Vamos lá!
Um rapaz de 26 anos, que é músico, guitarrista profissional de uma 
banda de formaturas que realiza apresentações noturnas, destro, e que 
consome socialmente bebidas alcoólicas durante os eventos em que trabalha, 
queixou-se de dores no punho direito e alterações de sensibilidade, como 
sensações de mão fria e “formigamentos”. Ele descreveu que vem perdendo 
gradativamente a força de pinça e sustentação de objetos, que utiliza quando 
tenta segurar um copo, um garfo ou tenta escrever e digitar, além de dificul-
dades de flexão do punho e dedos. Ele ainda relatou que, há várias semanas, 
esses sinais e sintomas começaram a surgir quando estava dormindo durante 
o dia, uma vez que trabalha à noite em razão de sua profissão. Ele, portanto, 
passou pelo médico ortopedista, que o imobilizou e o medicou; as dores e as 
sensações de formigamento, no entanto, voltaram e passaram a se manifestar 
a qualquer hora do dia. O rapaz, então, relatou que, no momento, perdeu 
parcialmente o tato do polegar, do segundo e do terceiro dedo e que não 
consegue mais realizar movimentos de pinça em virtude da insegurança que 
tem de perder as forças e soltar os objetos que esteja segurando. 
O músico, em razão disso, passou por ortopedista, foi novamente 
imobilizado por sete dias e medicado, tendo realizado exames laboratoriais 
sanguíneos para detectar possível artrite reumatoide e exames de imagem 
como o de raios X, a ultrassonografia de punho e a eletroneuromiografia. 
Diagnosticou-se síndrome do túnel do carpo, razão pela qual ele foi encami-
nhado à fisioterapia.
Na fisioterapia, foi questionado sobre a função renal, procurando 
justificativa para o edema nos membros, mas foram constatados apenas o 
processo inflamatório do punho e uma perda de função sensorial e motora. 
Foi, então,realizada uma avaliação cinética-funcional que inclui palpação, 
testes especiais, análise dos dados da anamnese; e ainda se analisaram radio-
grafias e outros exames que confirmaram a síndrome do carpo, com perdas 
motoras, funcionais e mobilidade dolorosa relacionada à sua profissão, que 
exigia esforços repetitivos.
Observando esse histórico, é possível resolver os seguintes 
questionamentos:
• Quais foram as estruturas estudadas para identificar as limitações causadas 
pela doença e o que foi observado nessa avaliação? 
• Quais foram os testes realizados no diagnóstico fisioterapêutico?
• Qual é a relação deles com a atividade de guitarrista do rapaz?
28 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho
Diálogo aberto
Olá, aluno! Bem-vindo à seção de estudo que inicia a avaliação do punho. 
Nesta seção, vamos conhecer a anatomia do punho e seus movimentos, a capaci-
dade de força e a amplitude dos movimentos, além de conhecer e aprender a 
identificar as estruturas anatômicas por meio dos exames de imagens diagnós-
ticas. Para uma avaliação fisioterapêutica do punho do paciente, é necessário que 
o profissional conheça a anatomia das estruturas anatômicas associada a suas 
funções. Além dessas estruturas, ele deve transferir os conhecimentos anatô-
micos para as imagens estudadas nos raios X, nas tomografias e na ressonância 
nuclear magnética para a confirmação diagnóstica. 
Na situação hipotética apresentada anteriormente no item Convite ao estudo, 
um jovem músico de 26 anos, que toca guitarra à noite em uma banda profis-
sional, queixou-se de dores no punho direito, formigamentos e perda de força e 
movimento entre o punho e a mão – principalmente nos movimentos de pinça – 
tendo sido diagnosticado com síndrome do túnel do carpo. Posteriormente, seu 
fisioterapeuta diagnosticou, além de dores, perdas funcionais como diminuição 
da força e da amplitude de movimentos.
Analisando essa situação, é preciso responder:
Quais estruturas foram estudadas pelo fisioterapeuta para que ele conseguisse 
justificar essas perdas funcionais de amplitude de movimento e força muscular 
seguidas de dor?
Seção 3.1
Não pode faltar
Anatomia do punho
O punho é a região distal do antebraço – também chamada de região 
cárpica – que se articula com a mão. Ele é formado pelas partes distais da 
ulna, pelo rádio e pelos ossos do carpo. Pela região de transição entre o rádio e 
os carpos, passa um grande grupo de tendões de músculos que movimentam 
o próprio punho e também os dedos. Na face anterior, passam os tendões 
dos músculos flexores e, na face posterior, passam os tendões dos músculos 
extensores. O punho, portanto, tem uma relação íntima com os músculos 
que têm origem no cotovelo, na região dos epicôndilos no braço, no corpo do 
rádio e na ulna, que lançam seus tendões para movimentar o próprio punho 
e também para movimentar os dedos.
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 29
Quadro 3.1 | Articulações da região do punho – classificação e função
Articulação (juntura) Função 
Radioulnar distal Pivô, movimentos de pronação e supinação.
Radiocárpica Elipsoide, movimentos de flexão, extensão, inclinações ou desvio 
radial e ulnar.
Intercárpica Plana, promove a acomodação por deslizamento.
Carpometacarpiana Plana, promove a acomodação por deslizamento.
Fonte: elaborado pelo autor.
Fonte: elaborado pelo autor.
Quadro 3.2 | Tabela de ligamentos do punho
Retináculo dos tendões 
extensores e ligamento 
radiocarpal dorsal
Estabiliza e fixa os tendões extensores dos dedos e do punho 
e limita a flexão.
Ligamento radiocarpal e 
ulnocarpal palmar
Fecha anteriormente o túnel do carpo. É o espessamento da 
fáscia do antebraço e limita a hiperextensão.
Piso-hamato Forma o túnel de Guyon, que protege o ramo palmar do 
nervo ulnar.
Pisometacarpal Também protege o ramo palmar do nervo ulnar.
Colateral radial do carpo Limita a inclinação ou desvio ulnar (adução da mão).
Colateral ulnar do carpo Limita a inclinação ou desvio radial (abdução da mão).
Quadro 3.3 | Tabela de músculos da região do punho
Nome do músculo Principal ação Nervo (inervação)
Porção radial do músculo 
flexor superficial dos dedos 
Flexor das II, III, IV e V 
articulações interfalangia-
nas proximais
Mediano C8 – T1
Músculo flexor longo do 
polegar
Flexor da articulação inter-
falangiana do polegar
Prolongamento do nervo 
mediano C8 – T1
Músculo flexor profundo 
dos dedos
Flexor das II, III, IV e V 
articulações interfalangia-
nas distais
Ulnar C8 – T1 na região medial 
(III e IV dedos) e prolonga-
mento do nervo mediano C8 – 
T1 na lateral (I e II dedos)
Músculo extensor curto do 
polegar
Extensor na articulação 
carpometacárpica (tra-
pézio-I metacarpo) 
Prolongamento do Radial 
C7 – C8
Músculo extensor longo do 
polegar
Extensor da articulação 
interfalangiana do polegar
Prolongamento do Radial 
C7 – C8
Músculo extensor do II 
dedo Extensor do dedo indicador Prolongamento do Radial 
C7 – C8
30 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: elaborado pelo autor.
Músculo abdutor longo do 
polegar Abduzir o polegar Prolongamento do Radial 
C7 – C8
Músculo pronador qua-
drado Pronação Prolongamento do nervo 
mediano C8 – T1
Assimile
Três nervos importantes inervam os membros superiores. No antebraço 
e punho, o nervo mediano é responsável pela inervação dos músculos 
flexores de dedos e punho e dos pronadores, ao passo que os nervos ulnar e 
radial são responsáveis nessa região pelos músculos extensores.
Quando estudamos o epicôndilo medial, encontramos as origens dos 
músculos flexor radial do carpo, palmar longo, flexor ulnar do carpo, que 
têm como funções as mobilidades do punho, mas também encontramos o 
flexor superficial dos dedos.
No epicôndilo lateral, encontramos as origens dos músculos extensor 
radial longo e curto do carpo, parte do extensor ulnar do carpo, para mobili-
dade do punho, e também dos extensores dos dedos, extensor do V dedo. 
Uma parte do músculo flexor superficial dos dedos tem origem no terço 
proximal do rádio junto com os músculos flexor longo do polegar e extensor 
curto do polegar (Figura 3.1). No corpo da ulna encontramos as origens 
dos músculos flexor profundo dos dedos, extensor do II dedo e do extensor 
longo do polegar (Figura 3.2). Todos os músculos dessa longa lista se inserem 
no punho ou por ele passam.
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 76).
Figura 3.1 | Músculo flexor profundo dos dedos (à esquerda); músculo flexor longo do polegar 
(ao centro) e extensor curto do polegar (à direita) 
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 31
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 130).
Figura 3.2 | Músculos extensor do II dedo (à esquerda); extensor longo do polegar (ao centro) e 
abdutor longo do polegar (à direita)
Na face posterior do punho, encontramos o retináculo dos tendões 
dos extensores que se unem com a fáscia aponeurótica de alguns tendões 
e com o ligamento radiocarpal dorsal para estabilizar a passagem dos 
tendões e também para limitar a flexão. Por isso, os movimentos dos 
músculos extensores de dedos, quando realizados em flexão de punho, 
sobrecarregam esses tendões e as bainhas tendíneas, que é um tecido que 
separa o tendão do retináculo para que este possa deslizar livremente no 
movimento (Figuras 3.3 e 3.4).
Na face anterior, os ossos do carpo fazem uma ponte para passagem 
dos tendões dos músculos flexores, e, nesse canal, passam também 
artérias, veias e nervos, em especial o nervo mediano, que passa bem ao 
centro. Qualquer aumento de volume nessa região, como inflamações por 
atritos ou doenças reumáticas, retenções líquidas, tumores, calos ósseos 
por fraturas ou tecidos cicatriciais, podem obstruir o canal e comprimir 
o nervo mediano.
32 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: Lippert (2013).
 Figura 3.3 | Retináculo extensor do punho
Fonte:Hansen (2003).
 Figura 3.4 | Retináculo flexor do túnel do carpo (à esquerda) e vista superior do túnel do carpo 
e túneis extensores (à direita)
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 33
Assimile
O nervo mediano inerva os músculos: flexor superficial dos dedos, 
porção lateral do músculo flexor profundo dos dedos, além do pronador 
quadrado, e, no epicôndilo medial, inerva o pronador redondo, o flexor 
radial do carpo e o palmar longo.
Ossos, articulações e ligamentos
A região do punho é formada pela articulação radioulnar distal, que se 
relaciona com o movimento de pronação e supinação do antebraço, mas 
também pela articulação radiocárpica, uma articulação do tipo sinovial 
elipsoide que confere um movimento de flexão de punho a 90 graus, que 
é limitado anatomicamente pelo retináculo e ligamento radiocarpal dorsal. 
Após o retorno do movimento da flexão, realizamos a extensão. O punho 
pode realizar também hiperextensão de 70 graus até o limite do ligamento 
radiocarpal palmar. O limite de inclinação radial é de 25 graus, delimitado 
pelo ligamento colateral ulnar; e o valor de inclinação ou desvio ulnar é de 35 
graus, delimitado pelo ligamento colateral radial (Figura 3.5). 
Os ligamentos do punho têm baixo fluxo sanguíneo e, sobre eles, encon-
tram-se tecidos muito densos. Quando os lesionamos realizando movimentos 
repetitivos ou com carga, ou mesmo se os traumatizamos, a recuperação 
e a cicatrização deles são bem lentas. Em quedas com punho em hiperex-
tensão ou em esportes como o judô, quando se lesiona um desses ligamentos, 
o tempo de recuperação é longo e os indivíduos que lesionaram o punho 
voltam às atividades mesmo não estando totalmente recuperados.
 Figura 3.5 | Tabela de movimentos do punho
Fonte: Lippert (2013, p. 130).
34 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Músculos e ação do movimento
Os movimentos básicos de flexão e extensão do punho podem ser 
estudados facilmente se lembrarmos que eles estão associados aos epicôn-
dilos do úmero. Veja:
• Os músculos flexores do punho são: o flexor ulnar do carpo, o palmar 
longo, o flexor radial do carpo, que têm origem no epicôndilo medial. 
• Os músculos extensores de punho são: os músculos extensores 
radiais do carpo, o extensor longo e o curto do carpo e a parte do 
extensor ulnar do carpo.
Os movimentos de inclinação radial (lateral) são executados por ação em 
conjunto dos músculos flexores e extensores radiais do carpo; e os de incli-
nação ulnar (medial), pelos extensores lunares do carpo. 
Os músculos que têm origem no corpo do rádio e da ulna são próprios 
para movimentos dos dedos, tendo funções acessórias nos movimentos do 
punho. Na passagem dos músculos flexores pelo punho, uma bainha tendínea 
se estrutura passando por uma curva que se forma pelos ossos do carpo, 
sendo coberta, na face anterior, por um retináculo (Figura 3.4). Os tendões 
dos músculos que passam no túnel do carpo são os quatro tendões do flexor 
longo dos dedos, quatro tendões do flexor curto dos dedos, o flexor longo 
do polegar e uma inserção do flexor radial do carpo, além de artérias, veias 
e também o nervo mediano (setas da Figura 3.4). Na face posterior, há 12 
Reflita
A passagem dos tendões flexores de dedos e punho permanece junto com a 
passagem de vasos sanguíneos e nervos da mão.
Pesquise mais
Reveja a anatomia funcional do punho lendo o seguinte livro:
VALERIUS, Klaus-Peter et al. O livro dos músculos: anatomia, testes, 
movimentos. São Paulo: Santos, 2013.
Noções de imaginologia do punho: raios X; ressonância magnética, 
tomografia computadorizada e ultrassonografia
As principais imagens de investigação radiológica do punho são AP de 
punho e perfil. Na PA (Figura 3.6), observe os ossos do carpo em duas fileiras 
na imagem. A fileira distal (inferior na imagem) é formada, da esquerda para 
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 35
Exemplificando
Em uma radiografia não é possível observar os ligamentos. Se existir 
alguma suspeita de lesão ligamentar, a radiografia com abdução ou 
adução máxima do punho pode ser usada para auxiliar no diagnóstico, já 
que provocará um espaço maior entre os espaços articulares.
a direita, pelos ossos trapézio, trapezoide, capitado e hamato, seguidos da 
fileira proximal (superior na imagem), pelos ossos escafoide, semilunar e a 
piramidal e pisiforme, que estão sobrepostos na imagem do RX. É impor-
tante para se observar todas as articulações intercárpicas, carpometacárpicas 
e radiocárpica. 
Em especial a articulação do trapézio com o I metacarpo que forma uma 
articulação selar, que promove os movimentos de flexão, extensão, abdução 
e adução do polegar ou I dedo. É comum nessa região encontramos algumas 
artroses, como a rizartrose do polegar.
Observe se os espaços estão aumentados em alguma articulação do 
carpo, representando alguma lesão ligamentar. Em geral, a mais estudada é 
a escafossemilunar, graças à importância e à prevalência de lesões. Mas, se 
o espaço tiver estreitamentos nos espaços articulares, representam coalizão 
carpal, frequentemente encontrada em anciloses ou na artrite reumatoide. 
Na região dos carpos é possível visualizar três arcos chamados de arcos de 
Gilula, que devem estar paralelos (Figura 3.7). A instabilidade carpal altera 
os arcos de Gilula. Observe também alterações na ulna, como uma ulna mais 
curta (ulna minus) ou mais longa que o normal (ulna plus), uma vez que 
essas alterações podem favorecer o surgimento de lesões e instabilidades. 
 Na imagem de perfil é possível identificar também um eixo entre as 
articulações dos seguintes ossos: rádio (R), escafoide (L), semilunar (L) 
e capitato (C) (Figura 3.7). Essas imagens favorecem bastante o estudo de 
instabilidades estáticas, mas, se houver necessidade de estudar uma instabili-
dade dinâmica, são melhores as imagens de RX em PA com inclinação radial 
ou a inclinação ulnar. Nos RX de perfil, o estudo de instabilidades dinâmicas 
pode ser feito com uma flexão ou hiperextensão.
36 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: iStock.
 Figura 3.6 | RX de punho em PA 
Fonte: Chen, Pope e Ott (2012, p. 198).
 Figura 3.7 | RX PA de punho (esquerda) e perfil de pu-
nho (direita)
Pesquise mais
Para conhecer mais sobre imagem em radiologia, consulte o seguinte livro: 
GREENSPAN, Adam. Radiologia ortopédica: uma abordagem prática. 5. ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
Os exames de imagem por tomografia, ressonância e ultrassonografia 
têm melhor definição para tecidos moles, como tendões e ligamentos, sendo 
também usados para fraturas ocultas. Na ressonância magnética, as imagens 
de tecidos moles têm coloração escura. Veja a Figura 3.8.
Fonte: iStock.
 Figura 3.8 | RNM de punho – corte coronal
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 37
Sem medo de errar
Após o estudo sobre as estruturas anatômicas e funcionais do punho, é 
possível responder ao questionamento de nossa situação-problema, em que um 
jovem músico que tocava guitarra e trabalhava à noite, foi diagnosticado primei-
ramente com síndrome do túnel do carpo. Posteriormente, um fisioterapeuta 
diagnosticou que o rapaz, além de dores, tinha perdas funcionais, como força e 
amplitude de movimentos, e sentia alterações de sensibilidade e formigamentos 
na mão. Quais estruturas foram estudadas pelo fisioterapeuta para identificar 
perdas funcionais como amplitude de movimentos e força?
Atenção
O estudo dos músculos, tendões e ligamentos do punho se relaciona com 
o das artérias, das veias e dos nervos que passam pelo mesmo canal, que 
é o túnel do carpo, ou canais adjacentes a ele.
Foram estudados os músculos que passam pelo punho ou nele se inserem 
e foram identificados aqueles que passam pela região do túnel do carpo, que, 
sob esforços repetitivos, provocaram atritos e processos inflamatórios, além 
de edemas que comprimiram o nervo mediano. 
No túnel do carpo passamos quatro tendões dos músculos flexores super-
ficiais e os quatro tendões do músculo flexor profundos dos dedos, além do 
tendão do músculo flexor longo do polegar, onde há fixação do flexor radial 
do carpo, todos que circundam o nervo mediano e são envoltos em sua face 
anterior pelo retináculo flexor do punho. 
A atividade repetitiva do guitarrista, portanto, provocou atritos no punho, 
onde passam os tendões que movimentam os dedos, e gerou um processo 
inflamatório que comprimiu o nervo mediano, responsável pelos movimentos 
e pela sensibilidade dos músculos flexores da região. Os músculos da flexão 
dos dedos e (flexores curto e longo dos dedos) e do polegar (flexor longo do 
polegar) foram afetados e impediram a realização do movimento de pinça; 
além disso, a região é local de fixação do flexor radial do carpo, e no retiná-
culo anterior é fixado o palmar longo.
Avançando na prática
Agora que você conhece as estruturas anatômicas do punho, já estudou os 
movimentos realizados e identificou as estruturas nos exames de imagem, é 
possível responder uma situação-problema que envolve esses conhecimentos.
38 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Doença degenerativa – rizartrose
Descrição da situação-problema
Uma senhora de 60 anos, do lar, destra, que tem hábitos de costura 
doméstica como tricô e crochê, se queixa de dores e estalidos com trava-
mento articular durante o movimento de pinça com a flexão do polegar 
direito. Ela não tem história clínica de traumas nem diagnóstico de artrite 
reumatoide ou outras doenças articulares. Foi imobilizada por sete dias e fez 
uso de anti-inflamatório não esteroidal, tendo sido em seguida encaminhada 
à fisioterapia com diagnóstico de rizartrose na mão direita. Quais as estru-
turas que estão envolvidas na região de queixa dessa senhora?
Lembre-se
Os movimentos repetitivos podem gerar lesões em tendões, mas também 
em ligamentos, músculos e articulações.
Resolução da situação-problema 
A articulação estudada é a trapézio – I metacarpo, e os músculos responsáveis 
pelos movimentos são os flexores longo e curto do polegar, o abdutor longo do 
polegar. Movimentos repetitivos criam instabilidades e desgaste articular quando 
existem alterações entre forças musculares e a posição do polegar durante as 
atividades repetitivas. A rizartrose é uma degeneração da base do polegar, mas 
causa dores na região do punho.
Faça você mesmo
Faça uma pequena tabela com os músculos do antebraço, com origem 
e inserção. Separe as origens por epicôndilo medial, epicôndilo lateral, 
corpo do rádio e corpo da ulna e observe a sincronia que têm com os 
movimentos do punho e dos dedos.
Faça valer a pena
1. Complete a lacuna da seguinte frase: 
“Os movimentos normais de inclinação radial, também chamado de abdução do punho, 
são limitados anatomicamente por estruturas como o ____________”.
a) Ligamento carpometacarpiano.
b) Ligamento radioulnar distal.
c) Ligamento ulnocarpal.
Seção 3.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do punho - 39
d) Ligamento radiocarpal.
e) Ligamento intercárpico.
2. O estudo dos três arcos de Gilula na radiologia do punho é importante para que se 
identifiquem alterações como:
a) Rizartrose.
b) Síndrome do túnel do carpo.
c) Luxações ou fraturas no carpo.
d) Tendinite.
e) Epicondilite.
3. Alterações de estruturas que denunciam a síndrome do túnel do carpo são:
a) Estreitamentos do canal de passagem tendínea na região anterior do punho.
b) Afastamentos do túnel do carpo.
c) Espaços intercárpicos aumentados.
d) Espaços intercárpicos diminuídos.
e) Desgastes da articulação trapézio-metacarpo.
40 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Avaliação fisioterapêutica do punho
Diálogo aberto
Seja bem-vindo à seção que estuda a parte prática do diagnóstico cinéti-
co-funcional do punho. Nela, estudaremos o exame de palpação e testes 
especiais, além de realizar as medidas goniométricas dos movimentos do 
punho. O objetivo da palpação é estudar a anatomia superficial e identi-
ficar alterações anatômicas ou processos inflamatórios que reflitam dores 
ou dificuldades no movimento. Com os testes especiais, colocamos em 
estresse as estruturas musculares, tendinosas, ligamentares, capsulares e 
passagens de estruturas vasculares e nervosas no punho. Na goniometria 
verificam-se a angulação dos movimentos articulares e o teste de força 
muscular para sua graduação.
Agora voltemos à situação hipotética apresentada no item "Convite ao 
estudo" sobre o jovem de 26 anos, que é músico. Ele, que toca guitarra em 
uma banda profissional, queixou-se de dores no punho direito, formiga-
mentos e perda de força e movimento entre o punho e a mão, principal-
mente nos movimentos de pinça, tendo sido diagnosticado com síndrome do 
túnel do carpo. Posteriormente, um fisioterapeuta diagnosticou que, além de 
dores, o rapaz também apresentava perdas funcionais, como diminuição da 
força e da amplitude de movimentos. Refletindo sobre essa situação e anali-
sando-a, e agora também conhecendo melhor as estruturas que se situam 
na região do punho, quais foram os exames físicos e testes especiais que 
puderam confirmar uma lesão das estruturas anatômicas e funcionais do 
punho do paciente? 
Para que você consiga responder a esses e outros questionamentos sobre 
os testes clínicos fisioterapêuticos, serão apresentados de forma contex-
tualizada no item "Não pode faltar" os conteúdos necessários para a sua 
compreensão. 
Bons estudos!
Seção 3.2
Seção 3.2 / Avaliação fisioterapêutica do punho - 41
Não pode faltar
Exame palpatório
A região do punho contém um volume grande de estruturas pequenas a 
serem palpadas e testadas, razão pela qual deve ser estudada em compartimentos 
separados. Palpe primeiro a face posterior, logo depois, a face lateral e, em seguida, 
a medial, terminando a palpação na face anterior. Inicie a palpação do paciente 
com o membro relaxado e posicionado com o cotovelo fletido a 90 graus, com o 
antebraço na posição neutra (entre pronação e supinação), pois, dessa forma, os 
tecidos moles estarão relaxados. Palpe a superfície dorsal do rádio para observar 
uma saliência aguda próxima à lateral do punho; trata-se do tubérculo de Lister, 
que é uma saliência que serve de polia para o tendão do músculo extensor longo 
do polegar no terceiro túnel do retináculo posterior. 
Se continuar a palpação até a face lateral do punho, uma saliência aguda 
do rádio forma o processo estiloide. Nessa região está o ligamento colateral 
radial, que pode ser palpado se o terapeuta realizar passivamente uma incli-
nação ou desvio ulnar ao máximo. Solicite ao paciente que realize a inclinação 
ulnar ativamente a fim de que seja possível palpar os tendões que passam no 
primeiro túnel, que são dos músculos abdutor longo do polegar e extensor curto 
do polegar (Figura 3.9). Na posição inversa, portanto, na face medial do punho, 
está o processo estiloide da ulna. Mantenha o punho na posição neutra, uma vez 
que, se ele estiver em pronação, só será possível palpar a cabeça da ulna (Figura 
3.9). Experimente mudar a posição em pronação do antebraço para notar que o 
processo estiloide está saliente somente na posição neutra. Se o terapeuta realizar 
passivamente uma inclinação radial, será possível palpar o ligamento colateral 
radial (rádio-carpo), e, se ele pedir ao paciente para realizá-la ativamente, somada 
a uma extensão de punho, é possível palpar o tendão do músculo extensor ulnar 
do carpo no sexto túnel do retináculo posterior. 
Recomece a palpação pressionando na face posterior o centro do punho 
para que uma fossa surja, sendo possível palpar a face superior do osso capitato. 
Mantenha o dedo na fossa e, pressionando-a, realize uma flexão passiva máxima 
do punho. O osso que será palpado agora será o semilunar, que é difícil de 
ser encontrado em posição neutra (Figura 3.11). Se o indivíduo realizar uma 
extensão ativa do punho e dos dedos, nessa região ficarão salienteos tendões do 
túnel de número quatro do retináculo posterior. São tendões dos extensores dos 
dedos e extensor do segundo dedo. Experimente pedir ao paciente que execute 
ativamente movimentos com os dedos e observe os tendões em ação nessa região.
Na face medial anterior do punho, abaixo da ulna, são palpáveis os ossos 
piramidal e pisiforme, que formam uma saliência (Figura 3.11). Palpe agora a 
face lateral do punho solicitando que o paciente execute uma extensão e abdução 
do polegar (I dedo). Uma fossa que se forma na lateral é a tabaqueira anatômica, 
42 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
local que deve ser pressionado para identificar o trapézio, osso que sustenta o I 
metacarpo e, portanto, importante no movimento do polegar (Figura 3.10).
Exemplificando
A chamada tabaqueira anatômica é delimitada pelos tendões que passam 
pelos túneis do retináculo posterior de número um e três. Envolvem tendões 
do polegar e ossos como trapézio e escafoide.
Se o paciente tiver histórico de artrose do tipo rizartrose ou tenossinovite 
De Quervain, o local será doloroso. Na mesma posição, execute uma incli-
nação ulnar para que o osso escafoide surja e possa facilmente ser palpado. 
A fratura do escafoide é sentida na palpação, sendo difícil de ser identificada 
na radiografia em razão de uma baixa calcificação e vascularização da região 
do centro do osso. Nessas condições, chamamos de fratura oculta ao RX. 
O escafoide também pode ser palpado em forma de pinça com seus dedos 
(Figura 3.10). Apoie seu indicador sobre o escafoide e seu polegar na face 
anterior e estará segurando o escafoide.
Sobre a face dorsal do carpo, em que passam os tendões pelos túneis do retiná-
culo, podem ser mais bem compreendidos se observar o Quadro 3.4 a seguir:
Quadro 3.4 | Ação dos músculos extensores que passam no punho
1 Com relação ao polegar Músculo abdutor longo do polegar 
Músculo extensor curto do polegar
2 Com relação à extensão do punho Músculo extensor radial longo do carpo
Músculo extensor radial curto do carpo
3 Com relação ao polegar Músculo extensor longo do polegar
4 Com relação à extensão dos dedos Músculo extensor dos dedos
Músculo extensor do indicador (II dedo) 
5 Com relação ao mínimo (V dedo) Músculo extensor do V dedo
6 Com relação à extensão do punho Músculo extensor ulnar do carpo
Fonte: elaborado pelo autor.
Fonte: Junqueira (2010, p. 174-184).
Figura 3.9 | Palpação da cabeça da ulna, do processo estiloide radial e processo estiloide ulnar
Seção 3.2 / Avaliação fisioterapêutica do punho - 43
Passemos para a face anterior do punho. O retináculo anterior do 
punho deve ser palpado nas suas inserções, representadas pelo trapézio e 
pelo escafoide, na face lateral, e pelo pisiforme e pelo hamato, na altura do 
hâmulo, na face medial (Figura 3.10). O trapézio deve ser localizado primeiro, 
como foi explicado, na face posterior, e depois deve ser identificada uma 
saliência na face anterior; a saliência mais distal é o tubérculo do trapézio 
para inserção do retináculo, e a mais proximal é o tubérculo do escafoide, 
também para inserção do retináculo. Na mesma linha, na face medial, a 
saliência menor distal, protegida por músculos, é o hâmulo do hamato, e 
a maior, que é proximal, é o osso pisiforme que está situado sobre o osso 
piramidal. Na linha média do punho, o retináculo faz uma tenda que forma 
o túnel do carpo. Peça ao paciente que faça a união das extremidades digitais 
do primeiro com o último dedo e, em seguida, realize uma flexão de punho. 
Um tendão vai saltar. É o tendão do músculo palmar longo.
Fonte: Junqueira (2010, p. 174-184).
Figura 3.10 | Palpação da tabaqueira anatômica, pinçamento do escafoide e dos tendões que 
entram no túnel do carpo
Teste a circulação sanguínea da mão, que recebe vasos arteriais pelo 
punho. Acima do tubérculo do escafoide, sinta a pulsação da artéria radial e, 
em seguida, sinta acima do osso pisiforme o pulso da artéria ulnar. A artéria 
ulnar não é tão fácil de perceber quanto a radial. Peça ao paciente que cerre 
firmemente o punho enquanto você obstrui as artérias com seus dedos. 
Mantenha-as obstruídas com seus dedos e solicite ao paciente que relaxe e 
abra a mão. Uma coloração pálida da mão se forma. Desobstrua uma das 
artérias e observe a coloração avermelhada surgindo junto a uma sensação 
de calor na mão do paciente. Repita o procedimento com a outra artéria para 
observar se existe comprometimento circulatório na mão. A má circulação 
de um dos vasos causará uma palidez mais persistente na mão.
44 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Fonte: Junqueira (2010, p. 174-184).
Figura 3.11 | Palpação dos ossos piramidal e pisiforme e da fossa do semilunar
Pesquise mais
Para saber mais sobre o exame de palpação de ombro, braço e punho, faça 
uma pesquisa sobre o assunto no seguinte livro: 
JUNQUEIRA, Lília. Anatomia palpatória: tronco, pescoço, ombro e membros 
superiores. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
Testes especiais de avaliação do punho
São testes consagrados que podem não só identificar deficiência ou perdas de 
movimentos, alterações ou perdas de estabilidade, mas também denunciar lesões 
e inflamações no local.
Reflita
Os testes que avaliam lesões específicas devem ser feitos acompanhados da 
queixa do paciente, mas também dos exames complementares de imagem.
A instabilidade do punho decorrente de luxações ou lesões do ligamento 
colateral radial pode ser testada com o teste do polegar do esquiador, que 
corresponde à realização de um estresse em extensão e abdução do polegar, 
com apoio do I metacarpo e pressão sobre a lateral da articulação. O objetivo 
é verificar se o ligamento colateral ulnar do polegar está lesionado. Se formar 
um ângulo acima de 30 graus, indica lesão (Figura 3.12).
Atenção
É muito comum confundir o ligamento colateral ulnar do punho com o 
ligamento colateral ulnar do polegar. Os nomes são semelhantes, mas a 
localização é inversa no punho.
A rizartrose e as tendinites crônicas dessa região facilitam o surgimento de 
luxação ou instabilidade. Verifique se não existe a doença De Quervain, uma 
tenossinovite no primeiro túnel com o tendão dos músculos extensor curto do 
Seção 3.2 / Avaliação fisioterapêutica do punho - 45
polegar e abdutor longo do polegar. Para verificar, faça o teste de Finkelstein, 
pedindo ao paciente para fechar o punho, como o faz um pugilista, segurando o 
polegar, enquanto o terapeuta executa uma inclinação ulnar. A dor denuncia a 
tendinite (Figura 3.12).
Figura 3.12 | Teste do polegar do esquiador ou do guarda-caça e teste de Finkelstein
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 238-239).
Nos riscos de fratura ou luxações do escafoide, o teste de compressão 
pode ser realizado da seguinte forma: segure, com uma das mãos, a mão do 
paciente e, com a outra, o polegar dele, realizando uma pressão contra os 
ossos do carpo. Esse teste também pode ser assim realizado: segure o polegar 
do paciente enquanto o pressiona contra o carpo e comprima a tabaqueira 
anatômica. A dor indica a lesão (Figura 3.13).
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 241). 
Figura 3.13 | Teste para lesão do escafoide por compressão óssea e por compressão da tabaqueira
Os testes que verificam a compressão do nervo mediano no túnel do carpo 
é o teste de Phalen, que consiste em realizar a flexão máxima do punho. A 
presença de alterações de sensibilidade na zona inervada pelo nervo mediano é 
indicativo de resultado positivo. Nesse teste, o terapeuta pode auxiliar na flexão 
46 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
de forma manual quando a lesão por compressão estiver no início (Figura 
3.14). Para auxiliar no diagnóstico, pode-se realizar o teste de pinça, pressio-
nando com força, na posição de pinça, o polegar ao indicador (Figura 3.14).
Outro teste que auxilia no diagnóstico de síndrome do túnel do carpo é o 
ato de sacudir as mãos e verificar se nelas ocorreu parestesiasdecorrentes da 
compressão do nervo mediano (Figura 3.14).
Assimile
A compressão do nervo mediano na passagem do túnel do carpo é chamada 
de síndrome do túnel do carpo, que promove, além de perdas motoras, 
alterações de sensibilidade e edemas na mão.
Fonte: Cook e Hegedus (2015. p. 260, 247 e 262). 
Figura 3.14 | Da esquerda para a direita: testes de Phalen, de pinça, de sacudidura 
Pesquise mais
Uma série de testes ortopédicos usados na fisioterapia pode ser vista no 
seguinte livro, referência em testes especiais: 
COOK, Chad E.; HEGEDUS, Eric J. Testes ortopédicos em fisioterapia. 2. ed. 
Barueri: Manole, 2015.
Goniometria do punho
As medidas de movimentos do punho são facilmente realizadas da 
seguinte forma: coloque o braço fixo do goniômetro na face medial da 
ulna, como na Figura 3.15, e o braço móvel sobre a superfície medial do V 
metacarpo e solicite ao paciente que realize uma flexão; esperam-se 90 graus, 
e na hiperextensão são esperados 70 graus. Na medida das inclinações ou 
desvios, o braço fixo do goniômetro fica posterior ao antebraço, apontando 
para o epicôndilo lateral, e o braço móvel se mantém sobre a superfície dorsal 
do terceiro metacarpo. A inclinação ulnar deve alcançar 45 graus, ao passo 
que a inclinação radial deve alcançar 20 graus (Figura 3.15).
Seção 3.2 / Avaliação fisioterapêutica do punho - 47
Figura 3.15 | Goniometria do punho – da esquerda para a direita: flexão, extensão/hiperexten-
são, inclinação radial, inclinação ulnar
Fonte: Marques (2014, p. 27-30).
Testes de força do punho
O exame de força nos movimentos do punho deve ser realizado com 
referência à mobilidade identificada na goniometria e deve ser feito com resis-
tência manual de um fisioterapeuta com o objetivo de graduar a força nos níveis, 
segundo o autor Torres (2006) (ilustrado na Figura 2.7, tabela de nível de força, 
na Seção 2.1 da Unidade 2). Verificam-se flexão, extensão, inclinação radial e 
inclinação ulnar. Os testes de sensibilidade da região do punho serão mais bem 
estudados com os da mão nas próximas seções.
Reflita
Como são realizados os testes de força muscular?
Os testes de força muscular devem acompanhar os movimentos reali-
zados na goniometria, com a mesma angulação, porém com resistência 
manual oferecida pelo fisioterapeuta.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a avaliação do punho, é possível responder P à situa-
ção-problema que descreve as queixas do paciente de 26 anos, músico que 
toca guitarra em uma banda profissional. Ele relata dor no punho direito 
associada à sensação de formigamentos, de perda de força e movimento entre 
o punho e a mão, principalmente nos movimentos de pinça. Foi diagnos-
ticado com síndrome do túnel do carpo e, na avaliação fisioterapêutica, 
apresentou perdas funcionais como diminuição da força e da amplitude de 
movimentos. Refletindo sobre essa situação e analisando-a, quais foram os 
testes que puderam identificar as perdas motoras do paciente?
48 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Atenção
O que é necessário para resolver essa situação-problema? Você deve 
conhecer o exame de palpação e os testes especiais de força e sensibili-
dade que são aplicados no punho para identificar lesões dessa região e 
que, portanto, podem ser aplicados nesse caso clínico.
Foram realizadas palpações em todas as zonas de passagem de tendões, 
ligamentos, saliências ósseas e espaços articulares do punho, tendo como resul-
tado alterações durante a palpação da face anterior, onde se localizam o túnel do 
carpo e o retináculo que o protege. Houve resultados positivos para o teste de 
Phalen, o de pinça do polegar com indicador e o de sacudidura do punho, 
que são especiais para identificar a síndrome do túnel do carpo. O teste de força 
tem resultado reduzido na flexão do punho, em razão da condição antálgica e da 
perda de força em virtude do processo inflamatório e do baixo estímulo nervoso, 
assim como da redução de ângulo goniométrico durante a mensuração na flexão. 
As inclinações podem apresentar movimentos normais, porém doloridos.
Avançando na prática
Agora que você conhece os exames de palpação, os testes especiais e os 
testes de força muscular da região do punho, identifique quais procedimentos 
e testes podem ser úteis em outras realidades de queixas de lesões no punho. 
Doença De Quervain
Descrição da situação-problema
Uma costureira de 50 anos, que faz crochê e tricô nas horas de folga, queixa-
va-se de fortes dores e perdas motoras e sensitivas. Depois de ter sido diagnosticada 
com síndrome do túnel do carpo, tratada cirurgicamente e medicada, retornou ao 
trabalho e, após 6 meses, queixou-se de dores no polegar e na face lateral do punho 
enquanto trabalhava, com alterações de sensibilidade e força motora do polegar. 
Quais estruturas estão envolvidas na região de queixa dessa senhora?
Lembre-se
A palpação dos locais dolorosos e dos músculos, tendões e ligamentos 
relacionados com a perda de movimento e força auxilia a procurar os 
testes especiais que completam o exame de palpação e mobilidade e 
fecham o diagnóstico com os exames complementares.
Seção 3.2 / Avaliação fisioterapêutica do punho - 49
Resolução da situação-problema
A queixa principal de dores e dificuldades motoras, associadas à rotina 
profissional, nos leva a prováveis diagnósticos relativos a movimentos de 
execução de forma viciosa e repetitiva. Como já havia um histórico de doença 
ocupacional relativa ao trabalho, a possibilidade de, após a cirurgia, a paciente 
continuar a realizar movimentos compensatórios ou antálgicos propicia 
o surgimento de uma nova lesão por esforços repetitivos. Na face medial 
do punho está o ligamento colateral radial, junto ao túnel 1 do retináculo 
(extensor) posterior, por onde passam os tendões dos músculos abdutor longo 
do polegar e extensor curto do polegar. A palpação denuncia o processo infla-
matório. Dos testes especiais nessa região, faz-se o de Finkelstein, próprio para 
esse quadro clínico. A força motora no punho pode não alterar, mas se tornar 
dolorosa, pois os músculos do polegar são auxiliares na inclinação radial.
Faça você mesmo
Como se trata de uma série de locais de palpação para os testes especiais 
do cotovelo e do punho, você deve praticá-los entre seus colegas de sala, 
consultando aqueles que já tiveram algum problema físico de cotovelo, e 
identificar se ainda existe algum sinal de alteração.
Faça valer a pena
1. Um jovem sofreu um trauma na face posterior do punho, lesionando o tubérculo 
de Lister, que gerou um edema e inflamações do canal de passagem de tendões do 
punho relativo a essa região, o que o impossibilitou de realizar alguns movimentos 
dos dedos.
Com relação ao local lesionado, identifique a seguir a alternativa que indica o tendão 
(ou os tendões) do(s) músculo(s) afetado(s)?
a) Extensores dos dedos e do V dedo.
b) Extensor ulnar do carpo.
c) Extensores radiais longo e curto do carpo. 
d) Abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar.
e) Extensor longo do polegar.
2. Em um teste de força muscular dos músculos extensores de punho, um paciente 
conseguiu apenas esboçar tônus muscular, não realizou nenhum movimento articular 
e também não conseguiu esboçar força contra a gravidade.
50 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Nessa situação, classificamos a força do músculo testado, segundo a tabela de Torres 
(2006), como:
a) Normal, grau 5.
b) Bom, grau 4.
c) Regular, grau 3.
d) Fraco, grau 2.
e) Traço, grau 1.
3. Quando o punho se encontra em posição neutra (entre pronação e supinação), é 
possível palpar a cabeça da ulna e seu processo estiloide. Na face dorsal dessa região, 
forma-se o túnel de número seis do retináculo posterior, que dá passagem a um 
tendão de um músculo que tem origem no epicôndilo lateral.
Assinale a alternativa que descreve o músculo a que se refere o texto acima:
a) Músculo abdutor longo do polegar.
b) Músculo extensor longo do polegar.
c) Músculo extensorradial longo do carpo.
d) Músculo extensor ulnar do carpo.
e) Músculo extensor radial curto do carpo.
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 51
Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão
Diálogo aberto
Olá, aluno! Bem-vindo à seção de estudo que inicia a avaliação da mão, na 
qual vamos conhecer a anatomia da mão e seus movimentos, a capacidade de 
força e a amplitude dos movimentos, além de conhecer e aprender a identificar 
as estruturas anatômicas por meio dos exames de imagens diagnósticas. Na 
avaliação fisioterapêutica da mão, é necessário conhecer sua anatomia e seus 
movimentos, além de transferir os conhecimentos anatômicos para os exames 
de diagnóstico de imagem. 
Agora voltemos à situação hipotética apresentada no item Convite ao estudo 
sobre o jovem de 26 anos, que é músico. Ele, que toca guitarra em uma banda 
profissional, queixou-se de dores no punho direito, formigamentos e perda de 
força e movimento entre o punho e a mão, principalmente nos movimentos de 
pinça, tendo sido diagnosticado com síndrome do túnel do carpo. Posteriormente, 
um fisioterapeuta diagnosticou que, além de dores, o rapaz também apresentava 
perdas funcionais como diminuição da força e da amplitude de movimentos.
Analisando essa situação, quais estruturas foram estudadas pelo fisiotera-
peuta para que ele conseguisse justificar essas perdas funcionais de amplitude de 
movimento e de força muscular?
Seção 3.3
Não pode faltar
Anatomia da mão
A mão é a extremidade distal do membro superior em que encontramos 
os principais movimentos funcionais. É formada pelos ossos do metacarpo e 
pelas falanges, por um conjunto de tendões de músculos que têm origem nos 
epicôndilos umeral, nos ossos do antebraço, nos ossos do punho e na própria 
mão, e por articulações.
Quadro 3.5 | Articulações da região da mão – classificação e função
Articulação (Juntura) Função 
Intermetacarpianas Articulações entre os ossos metacarpos. São estabilizadoras e têm pouco 
movimento e são do tipo sinovial plana (irregulares) e não axiais.
Carpometacarpiana 
Articulação entre o carpo e os II e V metacarpos; são planas e 
estabilizadoras.
A articulação entre o carpo e I metacarpo é selar e promove os 
movimentos de flexão, extensão, abdução, adução e circundação.
52 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Metacarpofalangeanas
Articulações entre os metacarpos e as falanges proximais; são do 
tipo sinovial, elipsoide, e biaxiais. Promovem os movimentos de 
flexão-extensão e abdução-adução.
Interfalangeanas
Articulações entre as falanges proximais e médias, e entre as mé-
dias e distais (com exceção do I dedo, que só possui a proximal); 
são do tipo sinovial gínglimo, uniaxiais. Promovem apenas os 
movimentos de flexão e extensão.
Fonte: elaborado pelo autor.
Fonte: elaborado pelo autor.
Fonte: elaborado pelo autor.
Quadro 3.6 | Ligamentos da mão
Metacarpal transverso 
profundo Fixa os metacarpos (do II ao V) na epífise distal.
Colateral Fixado entre ossos do metacarpo com as falanges e entre as falanges.
Palmar Continuação dos ligamentos colaterais. Ocupa a face ventral da 
articulação.
Quadro 3.7 | Músculos da região da mão
Nome do músculo Principal ação Nervo (inervação)
Oponente do 
polegar
Movimento de pinça. Associação dos movi-
mentos de flexão, abdução e rotação. Auxilia na 
adução carpometacarpal (trapézio-I metacarpo).
Mediano, C7-T1
Flexor curto do 
polegar
Flexão carpometacarpal. Auxilia na oposição do 
polegar.
Mediano, C8-T1 e 
Ulnar, C8-T1
Abdutor curto do 
polegar
Abdução do I metacarpo. Auxilia na extensão 
metacarpofalangeana do polegar. Mediano, C7-T1
Oponente do V 
dedo 
Cruza o V metacarpo em direção ao polegar 
(não promove uma verdadeira oposição). Ulnar, C8-T1
Flexor curto do V 
dedo Flexão metacarpofalangeana. Ulnar, C8-T1
Abdutor do V dedo Abdução carpometacarpiana. Auxilia na flexão 
metacarpofalangeana. Ulnar, C8-T1
Palmar curto Protege o nervo ulnar. Ulnar, C7-T1
Adutor do polegar Adução do I metacarpo. Auxilia na oposição do 
polegar. Ulnar, C8 -T1
Lumbricais Flexão na articulação metacarpofalangeana e 
extensão interfalangeana do II ao V dedo.
Mediano, C8 -T1 e 
Ulnar, C7-T1
Interósseos dorsais Abduz os dedos. Ulnar, C8-T1
Interósseos pal-
mares 
Aduz os dedos (em direção ao dedo médio) e 
auxilia na extensão interfalangeana proximal. Ulnar, C8-T1 
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 53
Assimile
Os movimentos dos dedos estão associados a ação de músculos que têm 
ventres localizados no antebraço e na mão. Os que estão localizados na mão 
são chamados de músculos próprios da mão.
Apesar do grande número de músculos que passam pela mão, é possível 
simplificar o estudo se os dividirmos em três tipos: I) músculos que têm origem 
nos epicôndilos do úmero; II) músculos que têm origem entre o rádio e a ulna; 
e III) músculos que têm origem entre punho e mão. Como as regiões do braço 
e antebraço já foram estudadas em outras seções deste livro didático, vamos 
fazer apenas um resumo desses músculos que têm inserção na mão. 
I – Epicôndilos umerais: quando estudamos o epicôndilo medial, encon-
tramos as origens de músculos como o flexor superficial dos dedos, com 
inserção nos corpos das falanges médias do II ao V dedo, tendo função 
de flexão da articulação interfalangeana proximal. No epicôndilo lateral 
encontramos as origens dos músculos extensores dos dedos, extensor 
do V dedo, todos com inserção na expansão extensora, que é um tecido 
semelhante aos ligamentos e que unem as falanges proximal, média e 
distal presentes nos II ao V dedos, onde se inserem todos os músculos 
extensores de dedos (com exceção do I dedo – polegar).
II – Ossos do antebraço: uma parte do músculo flexor superficial dos dedos 
tem origem no terço proximal do rádio junto com o músculo flexor 
longo do polegar. O flexor longo do polegar se insere na base da falange 
distal. O extensor curto do polegar se insere na base da falange proximal. 
No corpo da ulna encontramos as origens dos músculos flexor profundo 
dos dedos, com inserção na base da falange distal do II ao V dedo. No 
corpo da ulna também estão o músculo extensor do II dedo e o extensor 
longo do polegar. 
Já os músculos próprios da mão, oponente do polegar, flexor curto do polegar 
e abdutor curto do polegar, formam a região tênar. Os músculos oponente do 
V dedo, flexor do V dedo e abdutor do V dedo formam a região hipotênar, e 
os músculos adutor do polegar, palmar curto, lumbricais e interósseos dorsais e 
palmares completam os músculos na parte central da mão.
 
Ossos, articulações e ligamentos
Fazem parte da mão os cinco ossos do metacarpo e as quatorze falanges 
que formam a parte óssea dos dedos. Entre os ossos da mão encontramos os 
ligamentos metacarpais transversos profundos, que mantêm as extremidades 
distais dos metacarpos do II ao V unidas, e os carpometacarpais, que podem 
54 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
ser indicados conforme cada osso do carpo, por exemplo: trapézio-I metacarpo, 
trapezoide-II metacarpo, capitato-III metacarpo, hamato-IV metacarpo e 
hamato-V metacarpo. Entre os metacarpos e as falanges proximais, dois feixes de 
ligamentos mantêm esses ossos durante o movimento flexão-extensão, são eles: 
os ligamentos colaterais com porção funicular (entre ossos) e flabeliforme (osso 
e lâmina ligamentar) e uma lâmina ligamentar chamada também de ligamento 
palmar dos colaterais. Tanto os ligamentos colaterais quanto a lâmina palmar são 
encontrados nas articulações interfalangianas proximal e distal (ver Figura 3.16).
Fonte: Moore, Agur e Dalley (2013).
Figura 3.16 | Ossos, articulações e ligamentos da mão e dedos
Músculos e ação do movimento
Os músculos próprios da mão são aqueles que têm origem entre punho 
e mão, no ventre muscular presente na região. Sua inserção promove ações 
diretas à mão.
Revise os músculos do antebraço com origem no úmero, na ulna e no 
rádioe a inserção na mão antes de estudar a ação dos músculos da região, pois 
todos eles se relacionam entre si. Isso o ajudará no momento de selecionar os 
testes de diagnóstico fisioterapêutico. 
Os movimentos encontrados na mão são de flexão e extensão entre as 
articulações interfalangeanas, e flexão, extensão, abdução e adução, entre 
as articulações metacarpofalangianas. As articulações carpometacar-
piana do II ao V metacarpo são de estabilidade, mas o polegar promove 
vários movimentos como: flexão, extensão, abdução, adução, oposição e 
reposição (ver Figura 3.17).
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 55
Fonte: Moore, Agur e Dalley (2013).
Figura 3.17 | Movimentos do polegar
Dentre os músculos próprios da mão, há os três tênares formados pelo 
músculo oponente do polegar, o qual, além de realizar a oposição, auxilia 
na adução na articulação carpo-I metacarpo (trapézio-I metacarpo). Eles 
têm origem entre o trapézio e o retináculo flexor e inserção na diáfise do I 
metacarpo (Figura 3.18). A oposição é um movimento que associa flexão, 
abdução e rotação articular. Eles promovem no polegar, o encontro deste 
com o II ao V dedo, como pinça (Figura 3.18). O músculo flexor curto do 
polegar flexiona a articulação carpo-I metacarpo. Ele tem origem entre os 
ossos capitato, trapezoide e trapézio, se insere na base da falange proximal 
do polegar e no sesamoide (Figura 3.18) e auxilia na oposição do polegar. O 
músculo abdutor curto do polegar promove a abdução na articulação carpo-I 
metacarpo, auxilia na extensão metacarpofalangiana do polegar, tendo 
origem no tubérculo do escafoide e retináculo flexor, e se insere na base da 
falange proximal do polegar, junto ao sesamoide (Figura 3.18).
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 108-114-124).
Figura 3.18 | Músculos tenares: flexor curto do polegar (esquerda); abdutor curto do polegar 
(centro); oponente do polegar (direita)
56 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Os três músculos hipotênares são o oponente do V dedo – que corres-
ponde a um pseudo-oponente, uma vez que ele não movimenta o dedo, e sim 
o quinto metacarpo, em razão de sua origem ser no hâmulo do hamato e sua 
inserção na epífise do V metacarpo (Figura 3.19) –; o músculo flexor curto do 
V dedo – que tem origem no hamato e se insere na base da falange proximal do 
V dedo (Figura 3.19) –; e o músculo abdutor do V dedo – que abduz na articu-
lação carpo-metacarpo (hamato-V metacarpo) e auxilia na flexão metacarpo-
falangiana do V dedo, pois tem origem no pisiforme e retináculo flexor e se 
insere na base da falange proximal do V dedo (Figura 3.19).
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 106-116-126).
Figura 3.19 | Músculos hipotênares: flexor curto do V dedo (esquerda); abdutor do V dedo 
(centro); oponente do V dedo (direita)
O músculo adutor do polegar tem função de adução com auxílio na oposição 
do polegar, graças à sua disposição com origem no capitato e todo o III metacarpo, 
e se insere na base da falange proximal do polegar pelo sesamoide medial (Figura 
3.20). O músculo palmar curto é um músculo de proteção da passagem do 
nervo ulnar na face medial do punho, no canal de Guyon, que é o espaço entre o 
hâmulo do hamato e o pisiforme (Figura 3.20). Os músculos lumbricais têm sua 
origem nos tendões dos músculos flexores profundos dos dedos e sua inserção 
na expansão extensora dos dedos. Com sua origem, promove a flexão na articu-
laçao metacarpofalangiana do II ao V dedo e extensão das interfalangianas 
proximais. Como a origem é no tendão dos músculos que promovem a flexão 
da articulação interfalangiana distal, esses músculos favorecem a empunhadura 
de objetos como um lápis na hora em que estamos escrevendo (Figura 3.21). Os 
músculos interósseos dorsais têm função de abduzir os dedos, tendo origem nas 
faces contíguas dos metacarpos, e se inserem nas faces medial e lateral da base 
das falanges proximais (Figura 3.21); e os interósseos palmares são adutores em 
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 57
direção ao dedo médio, por terem origem no lado ulnar do II metacarpo, IV 
metacarpo e do V metacarpo (Figura 3.21).
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 100-118-120-122-128).
Figura 3.20 | Músculo adutor do polegar (esquerda) e palmar curto (direita) 
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 100-118-120-122-128).
Figura 3.21 | Músculos lumbricais (esquerda), interósseos dorsais (centro) e interósseos pal-
mares (direita)
Reflita
Figura 3.22 | Falange e tendões
Fonte: Lippert (2013, p. 156).
58 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Observe na Figura 3.22 que os tendões dos músculos flexores super-
ficiais dos dedos formam um laço para a passagem dos tendões dos 
músculos flexores profundos dos dedos e que as expansões dos exten-
sores formam um prolongamento até a falange distal.
Pesquise mais
Os principais músculos e suas características podem ser vistos no 
seguinte livro: 
LIPPERT, Lynn S. Cinesiologia clínica e anatomia. 5. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2013.
Noções de imaginologia da mão: raios X, ressonância magnética, 
tomografia computadorizada e ultrassonografia
As imagens de estudo da mão são de preferência as radiografias nas 
incidências em AP ou PA e a dos dedos e mão, em oblíqua. Também é possível 
estudar os dedos individualizados em PA (Figura 3.23), lateral e oblíqua. O 
objetivo principal é investigar possíveis fraturas, calcificações e descalcifica-
ções nos ossos ou luxações das articulações, mas também é possível inves-
tigar alterações degenerativas. Entre as articulações metacarpofalangianas 
do I e II dedos, podemos encontrar ossos sesamoides, mas em variações 
anatômicas podem estar ausentes por agenesia. A mão fornece informações 
sobre a idade óssea na fase de crescimento, pois os ossos possuem centros 
de ossificação em regiões epifisárias, e também sobre os pequenos ossos que 
se formam de acordo com a idade. As imagens de extremidades, como as 
da mão, contêm ossos longos com essas regiões de crescimento (epífise de 
crescimento) e também esses pequenos ossos (carpo) se formando durante o 
crescimento. Sendo assim, os RX de idade óssea pode confirmar se o cresci-
mento somático está ocorrendo de acordo com o cronológico.
Os exames de tomografia, ressonância e ultrassonografia são usados 
principalmente em doenças degenerativas, com os quais se pode identificar 
melhor as lesões e alterações de tecidos moles.
Exemplificando
Se uma criança de 6 anos realizar uma radiografia de idade óssea, como uma 
das características aparecerão apenas 5 ossos carpais (punho) formados e 
outros centros de ossificações; separação na metáfise de crescimento e 
outras alterações são observadas de acordo com a idade do indivíduo.
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 59
Fonte: iStock.
Figura 3.23 | RX da mão
Sem medo de errar
Após o estudo sobre as estruturas anatômicas e funcionais da mão, é 
possível responder à situação-problema proposta, na qual um jovem músico 
foi diagnosticado com síndrome do túnel do carpo e, posteriormente, seu 
fisioterapeuta o diagnosticou também com perdas funcionais como de 
força e amplitude de movimentos e alterações de sensibilidade e sensação 
de formigamentos na mão, principalmente nos três primeiros dedos. Quais 
estruturas foram estudadas pelo fisioterapeuta para identificar perdas funcio-
nais, de amplitude de movimento e de força?
Atenção
A compressão provocada no túnel do carpo prejudica a inervação a partir 
do punho, causando alterações na inervação da mão, e provoca também 
prejuízos motores na passagem dos tendões dos músculos flexores dos 
dedos que têm origem no antebraço. 
Foram estudados os músculos relacionados com o movimento dos 
três primeiros dedos e, em seguida, a área central da mão e dos últimos 
dedos. Os músculos foram os tênares: oponente do polegar, flexor curto 
do polegar e abdutor curto do polegar. Os hipotênares foram: oponente do 
V dedo,flexor do V dedo e abdutor do V dedo, além dos músculos adutor 
do polegar, palmar curto, lumbricais e interósseos dorsais e palmares. Em 
seguida, os músculos foram relacionados aos movimentos de cada dedo. 
Identificaram-se as queixas do indivíduo de perda de força e sensibilidade 
dos três primeiros dedos, o que foi relacionado com movimentos promovidos 
60 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
pelos músculos tênares, lumbricais dos dedos I, II e III, pois estes músculos 
recebem inervação do nervo mediano, o qual, quando comprimido, diminui 
os estímulos para esses músculos, justificando os sintomas e sinais descritos 
na síndrome do túnel do carpo. 
Provavelmente a atividade repetitiva do guitarrista provocou atritos 
no punho, onde passam os tendões que movimentam os dedos, e gerou a 
síndrome do túnel do carpo, que comprimiu o nervo mediano, responsável 
pela inervação de grupo dos músculos da mão.
Avançando na prática
Agora que você conhece as estruturas anatômicas da mão, já estudou os 
movimentos realizados e identificou as estruturas nos exames de imagem, 
é possível responder a uma nova situação-problema que envolve esses 
conhecimentos.
Síndrome de Guyon
Descrição da situação-problema
Uma senhora se queixa de dores, perdas sensoriais, dormência e sensação 
de formigamentos na face medial da mão, além de perdas de movimento 
e de força, tendo grande dificuldade de fechar o punho ou segurar objetos 
pesados. Ela descreve que sofreu queda da própria altura, contra a qual usou 
a mão como apoio para evitar impactos. Sentiu, então, fortes dores no ombro, 
passou por um pronto-socorro, foi medicada com anti-inflamatório não 
esteroidal e foi imobilizada na região do ombro por sete dias. Tendo passado 
as dores no ombro, a mão não apresentou melhora. Retornou, portanto, ao 
médico e realizou radiografias da mão, que identificaram um estreitamento 
no canal de Guyon em razão de luxação do osso pisiforme. Quais estruturas 
foram lesadas para que essa senhora tenha apresentado queixas nessa região?
Lembre-se
Os músculos da mão recebem estímulos de dois nervos: o mediano e o 
ulnar. “O nervo radial não inerva os pequenos músculos da mão, porém 
inerva músculos do antebraço que movimentam a mão”. 
Lesões no percurso desse nervo provocam perdas motoras e sensoriais 
dos músculos inervados por ele. 
Seção 3.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da mão - 61
Resolução da situação-problema 
A região medial da mão é inervada pelo nervo ulnar, que passa pelo canal 
de Guyon, localizado entre o pisiforme e o hâmulo do hamato, e é prote-
gido pelo músculo palmar curto. Esse nervo inerva os músculos hipotênares, 
interósseos ou lumbricais que movimentam o IV e V dedos, além do adutor 
do polegar. A compressão do canal de Guyon provoca perdas motoras desses 
músculos e alterações de sensibilidade local. Os hipotênares são responsáveis 
pelo movimento do V dedo, os interósseos por adução e abdução dos dedos, 
os lumbricais realizam a flexão metacarpofalangiana dos IV e V dedos, e o 
adutor do polegar é responsável pela adução do I dedo. Esses movimentos 
serão perdidos enquanto o nervo passa pela região medial da mão, oferecendo 
a parte sensorial em seu percurso.
Faça você mesmo
Faça um resumo com os nomes dos músculos da mão, separados em 
tênares, hipotênares e outros. Identifique sua inervação mediana ou ulnar. 
Faça valer a pena
1. Dentre as articulações seguintes, qual promove maior mobilidade articular?
a) Metacarpofalangianas do I ao V dedo.
b) Interfalangianas proximais do II ao V dedo.
c) Interfalangianas distais do II ao V dedo.
d) Carpometacarpiana no II até o V metacarpo.
e) Carpometacarpiana no I metacarpo.
2. Observe os músculos seguintes:
I. Oponente do polegar.
II. Flexor curto do polegar.
III. Adutor do polegar.
IV. Abdutor curto do polegar.
Quais dos músculos anteriores estão relacionados com a região tênar?
a) Apenas I e II.
b) Apenas II e III.
c) Apenas I e III.
62 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
d) Apenas II e IV.
e) Apenas I, II e IV.
3. Complete a seguinte frase: 
“O movimento de pinça é um dos mais importantes movimentos executados pela mão 
humana. Para realizá-lo, a mão necessita de uma série de movimentos do polegar, que 
incluem músculos como o(s) ______________”.
Assinale a alternativa com o termo que preenche corretamente a lacuna da sentença 
anterior:
a) Palmar curto.
b) Lumbricais. 
c) Interósseos dorsais.
d) Interósseos palmares.
e) Oponente do polegar.
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 63
Avaliação fisioterapêutica da mão
Diálogo aberto
Seja bem-vindo à seção que estuda a parte prática do diagnóstico cinéti-
co-funcional da mão. Nela, estudaremos exame de palpação e testes especiais, 
bem como medidas goniométricas dos movimentos das articulações 
metacarpofalangianas e dos movimentos especiais executados pelo polegar.
Agora voltemos à situação hipotética apresentada no item "Convite ao estudo", 
segundo a qual um rapaz músico, guitarrista profissional, queixou-se de dores no 
punho direito e alterações de sensibilidade na mão, tais como “formigamentos” e 
mão fria. Ele relatou que estava perdendo gradativamente a força de pinça da mão 
e de sustentação de objetos, apresentando dificuldades de realizar movimentos 
de flexão do punho e dedos. Primeiramente, na consulta médica, foi imobili-
zado e medicado, porém as dores e as sensações de formigamento voltaram com 
ainda mais intensidade. Em razão disso, voltou ao médico e relatou que, naquele 
momento, havia perdido parcialmente o tato do polegar, do II e do III dedo e 
que não conseguia mais realizar movimentos de pinça em razão da insegurança 
de perder a força e soltar o objeto que estivesse segurando. Foi, então, novamente 
imobilizado por sete dias, medicado e, nos exames, recebeu o diagnóstico de 
síndrome do túnel do carpo, tendo sido posteriormente encaminhado à fisiote-
rapia. Na avaliação cinético-funcional, observou-se que a síndrome do túnel do 
carpo promovia perdas nos movimentos e na força de pinça, com alterações de 
sensibilidade nos dedos. Refletindo sobre essa situação e analisando-a, quais foram 
os testes especiais realizados pelo fisioterapeuta que identificaram a origem das 
perdas motoras e sensitivas dos dedos e mão? E por que essas perdas e sensações 
estão relacionadas com a síndrome do túnel do carpo? 
Para que você consiga responder a esses e outros questionamentos sobre 
o tema da seção, serão apresentados, de forma contextualizada no item 
seguinte, os conteúdos necessários para a sua compreensão. 
Seção 3.4
Não pode faltar
Exame palpatório e teste de força muscular
Estudaremos o exame de palpação associado ao teste de força muscular, 
que visa identificar as estruturas anatômicas e verificar se suas funções estão 
normais. Trata-se de métodos manuais de palpação associados a movimentos 
dos dedos em pontos estratégicos da mão.
64 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Exemplificando
Na palpação da mão, o teste de força acompanha as regiões estudadas. A 
palpação aqui deve ser feita com músculos relaxados e depois em contração 
ativa resistida de acordo com os movimentos realizados no goniômetro, 
com objetivo de individualizar cada ventre muscular a ser testado. 
Iniciaremos com o exame da superfície e o relacionaremos com as funções 
musculares. Para tornar mais fácil o estudo da mão, a dividiremos em três partes: 
1. Região tênar – nesta região estão localizados os ventres musculares 
dos músculos flexor curto do polegar, abdutor curto do polegar e opositor 
do polegar, que formam um volume na face lateral anterior da mão, onde 
se verifica o tônus muscular. Faça a palpação dos músculos relaxados e, em 
seguida, repita o procedimento, com contração ativa e resistida, em cada 
músculo, pois a flacidez pode indicar inatividade por período longo de até duas 
semanas. Na face anterior e superior da região tênar, estápercussão e ausculta. Durante 
o estudo deste livro didático serão estudadas as regiões específicas de algumas 
partes do corpo humano. Você aprenderá gradativamente no semestre como 
realizar essa sequência. Nessa etapa, você deve compreender como identificar 
o local exato da queixa e fazer uma investigação que incluem conhecimentos 
anatômicos, cinéticos e biomecânicos, bem como uma avaliação que abrange a 
análise da vascularização daquela determinada região e dos sentidos e percepção 
neurológicas.
12 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Exames complementares
Os exames complementares são constituídos principalmente por: exames de 
imagem, como radiografias, tomografias, ressonâncias e ultrassonografia, que 
demostram as causas das limitações de mobilidade do paciente e exames labora-
toriais, hemodinâmicos, físicos e bioquímicos, dentre outros, que demonstram 
possíveis alterações celulares e metabólicas.
Faça você mesmo
Propomos que você realize um exame físico geral num paciente desde a 
entrada no consultório, observando se existe claudicação, posição antálgica, 
dificuldades de mobilidade, órteses, falta de vigor ao falar e sensação de 
cansaço, pois essas informações vão ajudar na hora de coletar os dados para 
a elaboração da ficha de avaliação.
Diagnóstico cinético-funcional
A conclusão das limitações e condições apresentadas durante o diagnóstico 
investigativo é denominada “Diagnóstico Cinético-Funcional”. A partir dessa 
conclusão, é possível traçar um plano de tratamento e reabilitação baseado nas 
dificuldades, limitações e desejos do paciente. Esse diagnóstico fornece uma 
realidade provável do alcance da reabilitação durante a terapia.
Exemplificando
Observe o exemplo de história clínica abaixo:
JMG, 30 anos, assistente administrativa. 
QP: relata dor e formigamento no ombro, cotovelo e punho. Sensação 
de dormência e inchaço da mão, principalmente pela manhã. Falta de 
força para segurar objetos, como copos e escovas de cabelo.
• Registre com a narrativa do paciente.
HDA: é destra. Há um ano trata de bursite no ombro, epicondilite de 
cotovelo e tenossinovite no punho, associado à síndrome do túnel do 
carpo, com vários períodos de gessamento que contribuíram para o 
agravamento da bursite e perda de massa muscular. Tomou diversos 
anti-inflamatórios não esteroidais. Tem redução de amplitude articular 
do ombro.
• Neste momento, você deve registrar com termos técnicos. 
HPP: nunca sofreu fraturas, luxações ou cirurgias no membro superior 
direito, ficou com gesso por 5 períodos de 7 a 10 dias num intervalo de 
Seção 1.1 / Avaliação fisioterapêutica - 13
um ano. No momento não está tomando nenhuma medicação, nem 
outro tratamento e desconhece sofrer de outras patologias.
• A história deve ter um início, meio e fim.
HF: não tem histórico familiar e afirma não ter deformidades conhecidas.
• Procure dados que poderão se relacionar com a doença do paciente.
AVD: não pratica esporte, tem 2 filhos pequenos de 5 e 2 anos que ainda 
ficam bastante tempo no colo, trabalha 8 horas por dia, estando a maior 
parte do tempo sentada e digitando no computador; relata usar trans-
porte público (45min em ônibus lotado) diariamente para ir trabalhar, 
em geral em pé se segurando pelo braço.
• Questione seu dia a dia para saber o que está sendo limitado pela 
doença, e assim planejar um tratamento que o recupere ou reabilite.
Exame físico: dor, leve escoliose em “C” à direita na região torácica, 
perda da sensibilidade, mas com coloração normal dos tecidos. Exames 
apontam perda de força, mobilidade e não relata deformidades.
• Nas próximas seções, trabalharemos com detalhes este item.
Exames complementares: RX: maior espaçamento na articulação do 
ombro direito e discreto afinamento de tendões no braço. A ultrassono-
grafia aponta bursite no ombro com presença de calcificações no tendão, 
epicondilite no cotovelo, tenossinovite medial anterior de antebraço e 
discreto espessamento da bainha do punho.
• Procure alterações morfológicas condizente com a anatomia normal 
do indivíduo e sua idade, e relacione as perdas com as alterações 
patológicas.
Diagnóstico cinético-funcional: membro superior direito com perda de 
mobilidade e força, mas sem alterações de estrutura óssea. Processo 
inflamatório crônico no ombro e agudo no cotovelo e punho, com perda 
parcial de sensibilidade da mão.
• O diagnóstico é baseado nas perdas de movimento e funções da região.
Reflita
Quando o fisioterapeuta na AVD transcreveu que a paciente tinha 2 filhos 
pequenos de 2 e 5 anos, isso poderia influenciar na piora do quadro clínico?
Assimile
Sempre que falamos sobre membros superiores (MMSS), é importante 
sabermos se o paciente é destro ou canhoto, pois sua queixa pode ou não 
estar associada à sua condição.
14 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Faça você mesmo
Baseado nas informações da anamnese acima proposta, desenvolva uma ficha 
de anamnese e discuta com seus colegas de sala os objetivos de cada item.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a avaliação do paciente, é possível compreender 
como os dados colhidos podem levar cada profissional a um determinado 
procedimento. 
Relembrando a situação clínica real do paciente do Convite ao estudo, 
qual a importância de se coletar os dados relatados por ele durante o proce-
dimento de anamnese realizado pelo fisioterapeuta na avaliação clínica? 
O paciente tinha mais de 45 anos, havia realizado esforço físico e relatava 
dores no ombro. Nessa idade iniciam-se as preocupações cardíacas em seden-
tários e pessoas com sobrepeso ou obesos (IMC – índice de massa corporal 
- acima de 25). Quando relatou dores no ombro esquerdo, condição comum 
em alguns infartos lentos, levantou-se a hipótese do infarto. No exame ECG 
verificou-se a arritmia, e assim houve o encaminhamento ao cardiologista. 
Os exames realizados pelo cardiologista chegaram à conclusão de arritmia 
por tabagismo e sedentarismo, mas não infarto, portanto, o ombro não estava 
dolorido em decorrência de problemas cardíacos, e sim por problemas ortopé-
dicos. Por isso, foi encaminhado para tratamento fisioterapêutico para reabi-
litação do ombro, além de acompanhamento com atividade física preventiva. 
Assim, ficou muito claro no estudo desta seção que, os dados coletados na 
anamnese durante a avaliação fisioterapêutica são de extrema importância 
para a elaboração da prescrição do tratamento fisioterapêutico para aquela 
patologia específica, e isso resultará numa reabilitação de excelência.
Atenção
A avaliação do fisioterapeuta tem como finalidade identificar disfunções na 
mobilidade, e não deve ser confundida com a avaliação médica do socor-
rista ou do cardiologista. O diagnóstico médico deve somar informações 
para o tratamento fisioterapêutico.
Avançando na prática
Agora que você conhece os itens de uma avaliação fisioterapêutica, trans-
fira o que aprendeu para novas situações no ambiente de trabalho. Após 
realizar as atividades a seguir, compare com as de seus colegas.
Seção 1.1 / Avaliação fisioterapêutica - 15
Lembre-se
O objetivo da avaliação fisioterapêutica é de relacionar informações. 
A anamnese é investigativa.
Resolução da situação-problema 
A compreensão da origem do problema associa o item QP com as informa-
ções da HPP somadas com a atual AVD. Para entender melhor, leia na seção Não 
pode faltar e observe a importância desses itens.
Dores lombares por posição antálgica
Descrição da situação-problema
Jovem, de 25 anos, sexo masculino, relata dor em região dorsal e lombar. 
Pratica musculação de 1 a 2 horas por dia, e relata ter sofrido fratura de olecrano 
(ulna, região do cotovelo) direito, e sem outros sinais de morbidades. Após 
avaliação fisioterapêutica, foi diagnosticado com restrição de extensão de 15 
graus, apenas no cotovelo, além das dores referidas devido a um histórico de 
fratura. Questionado sobre a musculação, o paciente afirmava não ter mudado 
nenhum exercício propostoo ventre do abdutor 
curto do polegar; na palpação desse músculo em atividade, peça ao paciente 
que realize a abdução enquanto você resiste ao movimento (Figura 3.24).
Na face central da região tênar está o ventre do flexor curto do polegar; 
após palpá-lo passivamente, também realize a palpação com flexão ativa 
enquanto você resiste ao movimento (Figura 3.24). Na face inferior da região 
tênar está o ventre do opositor do polegar; repita a palpação passiva e depois 
o faça de forma ativa resistida (Figura 3.24). E, por fim, na face posterior da 
região tênar estão os tendões do músculo extensor longo do polegar e lateral-
mente está o tendão do abdutor longo do polegar. 
O dorso da mão é formado por vários tendões extensores, como dos 
extensores dos dedos, do V dedo e do indicador, como mostra na Figura 
3.25. Na palpação da face medial da articulação entre o trapézio e o primeiro 
metacarpo, pode se sentir os ossos sesamoides. Peça ao paciente que realize 
flexão nessa articulação para facilitar a palpação desses ossos, uma vez que 
eles são inserções dos músculos abdutor curto do polegar e flexor curto do 
polegar. O sesamoide também é inserção do tendão do músculo do adutor do 
polegar, que não é um músculo tênar.
Assimile
A região tênar é inervada pelo nervo mediano, mas o músculo flexor 
curto do polegar é inervado também pelo nervo ulnar. Se ocorrer lesões 
no nervo mediano, as ações dos músculos são perdidas, mas o músculo 
flexor curto do polegar ainda terá um pouco de funcionalidade graças à 
sua inervação dupla.
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 65
Fonte: Junqueira (2010, p. 184-186).
Figura 3.24 | Abdutor curto do polegar (direita); flexor curto do polegar (centro); opositor do 
polegar (esquerda)
2. Região hipotênar – é formada pelos ventres dos músculos oponente do 
V dedo, flexor curto do V dedo e abdutor do V dedo. O método de palpação 
deve ser mantido, isto é, palpa-se o músculo relaxado e, em seguida, o faz 
em contração ativa resistida. O ventre do flexor curto do V dedo pode ser 
palpado em contração ativa resistida na face anterior da região hipotênar, 
com as articulações interfalangianas em extensão (Figura 3.25). O ventre do 
músculo abdutor do V dedo pode ser palpado logo na face medial anterior 
da mão, e também deve-se realizar a palpação em contração ativa resistida 
(Figura 3.25). O músculo opositor do V dedo não é um opositor verdadeiro, 
pois só pode movimentar o V metacarpo. Sua palpação ativa pode ser reali-
zada pedindo ao paciente que realize o movimento de concha com a mão e 
também lhe pedindo para realizar uma pinça do V dedo com o polegar.
Assimile
A região hipotênar é inervada pelo nervo ulnar, juntamente com os 
músculos interósseos palmares e dorsais. As lesões desse nervo impedem 
a ação daqueles músculos e enfraquece o músculo flexor curto do polegar.
Fonte: Junqueira (2010, p. 172-188-187).
Figura 3.25 | Extensor do indicador (direita); flexor curto do V dedo (centro); opositor do V dedo 
(esquerda)
66 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
3. Região central da mão – palpe os espaços entre os metacarpos. Entre 
o primeiro e o segundo metacarpos está o músculo adutor do polegar. Nos 
demais espaços entre os metacarpos estão os ventres dos músculos primeiro, 
segundo, terceiro e quarto lumbricais, interósseos dorsais e interósseos 
palmares. Os lumbricais podem ser palpados e testados ativamente pedindo 
a flexão metacarpofalangiana dos II ao V dedos, enquanto se palpa profun-
damente na face palmar da mão. Esses são músculos pequenos e difíceis de 
serem sentidos na palpação. 
Testes especiais de avaliação da mão
São testes consagrados que identificam deficiência ou perdas de 
movimentos, alterações ou perdas de estabilidades ou que denunciam lesões 
e inflamações no local. 
Na situação-problema proposta podemos utilizar alguns testes. Veja:
1. Os músculos extensor curto e longo do polegar são inervados pelo 
nervo radial; os outros músculos do polegar e parte do extensor 
curto do polegar, pelo nervo mediano, que pode ser verificado com 
o teste de abdução do polegar (Figura 3.26a), que consiste em pedir 
para que o paciente realize a abdução máxima do polegar. Se o 
paciente relatar dor, é possível que esteja relacionada com a tendinite 
de De Quervain (tendinite do extensor curto do polegar associado 
ao abdutor longo do polegar); no entanto, se ele não conseguir reali-
zá-la, pode ser lesão do nervo mediano.
2. A fraqueza ou a impossibilidade de realizar o movimento de pinça 
por um minuto relacionam-se com compressões do nervo mediano, 
comuns na síndrome do túnel do carpo. Após o teste, o paciente 
pode referir dor ou formigamentos no local (Figura 3.26b).
3. O teste de tônus da musculatura tênar serve para identificar lesões do 
nervo mediano já instaladas há mais de duas semanas; caso ele estiver 
hipotrófico, o resultado é positivo (Figura 3.26c). Também se pode 
realizá-lo na região hipotênar, que se relaciona com o nervo ulnar.
Reflita
Músculo como o flexor curto do polegar, que tem inervação dupla (nervo 
mediano e nervo ulnar), não perde totalmente a capacidade de contração se 
apenas um desses nervos for lesado, mas diminui a sua capacidade de força 
e, por consequência, de seu tônus muscular.
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 67
4. Para testar a capacidade de contração dos músculos lumbricais, 
realiza-se o teste provocativo com o punho fechado rigorosamente. 
Como os lumbricais I e II são inervados pelo n. mediano e os lumbri-
cais III e IV pelo n. ulnar, verifica-se quais músculos perderam as 
ações. Os lumbricais realizam a flexão metacarpofalangeana do II ao 
V dedo e extensão das interfalangeanas distais (Figura 3.26d).
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 243-247-259-271).
Figura 3.26 | (a) Abdução do polegar, (b) pinça, (c) atrofia tenar e (d) provocativos lumbricais
Pesquise mais
A avaliação e os testes ortopédicos usados na fisioterapia podem ser 
vistos nos seguintes livros: 
COOK, Chad E.; HEGEDUS, Eric J. Testes ortopédicos em fisioterapia. 2. 
ed. Barueri: Manole, 2015. 
JUNQUEIRA, Lília. Anatomia palpatória: tronco, pescoço, ombro e 
membros superiores. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
Goniometria da mão e dedos
Para medir os ângulos de movimento de flexão do polegar, colocamos o braço 
fixo do goniômetro na superfície lateral do II metacarpo; e o braço móvel, na 
lateral da articulação carpometacarpal acompanhando o polegar. Veja os valores 
esperados: sair do 0° e alcançar 15° de flexão. Na hiperextensão, o braço fixo fica 
68 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
sobre a face lateral do rádio; e o braço móvel na superfície lateral do I metacarpo; 
70° é o valor esperado. Na abdução, o braço fixo é alinhado paralelamente ao II 
metacarpo; e o braço móvel, na superfície dorsal do primeiro metacarpo; o valor 
esperado é de 70° (Figura 3.27).
Figura 3.27 | Flexão 15°, extensão e abdução 70° 
Fonte: Marques (2014, p. 31-31).
Na goniometria da articulação metacarpofalangiana, o braço fixo fica 
na lateral do II metacarpo quando for verificar os II e III dedos e na face 
medial do V metacarpo quando da verificação dos IV e V dedos. O braço 
móvel acompanha a falange durante o movimento, espera-se 90° de flexão. 
Na hiperextensão pode se manter o goniômetro e, após o retorno da flexão, 
alcançar 30° negativos do movimento. Na goniometria da abdução dessas 
articulações, o braço fixo fica na superfície dorsal do metacarpo referido ao 
dedo que será mensurado; por exemplo: para medir a abdução na metacar-
pofalangiana do III dedo, utilize o III metacarpo. O braço móvel acompanha 
o dedo cuja goniometria será verificada. Espera-se 20° de abdução e o mesmo 
valor na adução (Figura 3.28).
Fonte: Marques (2014, p. 33-35).
Figura 3.28 | Flexão 90°, hiperextensão 30° e abdução 20°
Na goniometria das articulações interfalangianas, colocam-se o goniô-
metro na lateral ou medial da falangemais proximal e o braço móvel na 
falange mais distal: a flexão esperada é de 110° nas proximais e 90° nas 
distais e do polegar. Com o movimento de hiperextensão que pode ocorrer, 
é possível alcançar até 10°.
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 69
Testes de sensibilidade superficial e profunda da região do punho e mão
Os testes de sensibilidade são realizados com o estesiômetro para os 
dermátomos e miótomos, sendo os seus resultados relacionados com os 
resultados do mapa de distribuição de inervação da região da origem da raiz 
nervosa dorsal (ver Seção 2.3, Figura 2.7). Porém, a sensibilidade pode ser 
avaliada também pela inervação dos nervos mediano, ulnar e radial (Figura 
3.29). A lesão completa do nervo mediano na altura do punho altera, além 
da sensibilidade demonstrada na Figura 3.29, também a (in)capacidade de 
fletir corretamente os três primeiros dedos (mão de ginecologista). Se a 
lesão for antes do punho, o antebraço fica em supinação. Na lesão completa 
do nervo ulnar, na altura do punho, a mão e o punho alteram a sensibili-
dade demostrada na Figura 3.29 e se posicionam em extensão metacarpo-
falangiana e flexão interfalangiana (mão em garra). No entanto, se a lesão 
nervosa for no antebraço, apenas a flexão do II e do IV dedo fica prejudicada, 
graças à inervação do músculo flexor longo dos dedos. Na lesão do nervo 
radial, apenas a sensibilidade é alterada, sem comprometimento de ações de 
músculos próprios da mão, embora haja acometimento do movimento do 
punho. Quando a lesão nervosa ocorrer no antebraço ou braço, provoca-se 
um padrão de flexão de punho com pronação de antebraço.
Fonte: Moore, Agur e Dalley (2013, figura 6.49).
Figura 3.29 | Inervação somatossensorial da mão
Sem medo de errar
Após o estudo sobre palpação, testes especiais e goniometria da mão e 
dedos, é possível responder à situação-problema sobre quais foram os testes 
que foram realizados pelo fisioterapeuta que identificaram a origem das 
perdas motoras e sensitivas dos dedos e mão, que confirmaram a síndrome 
do túnel do carpo no paciente. 
70 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Reflita
A mão possui seus músculos próprios, mas seus movimentos sofrem 
ação também de músculos com origem e ventre no antebraço. Por 
isso, a palpação da mão deve ser realizada com auxílio de movimentos 
ativos resistidos do paciente, com objetivo de identificar os ventres dos 
músculos próprios durante a ação de contração.
A investigação realizada no paciente da situação-problema reúne os 
exames de palpação dos volumes tênares e hipotênares e dos espaços entre os 
metacarpos. Os músculos tênares são o oponente do polegar, flexor curto do 
polegar e abdutor curto do polegar, que são inervados pelo nervo mediano. 
Os músculos hipotênares são o oponente do V dedo, flexor curto do V dedo 
e abdutor do V dedo, que são inervados pelo nervo radial. Na face central 
da mão estão os músculos interósseos palmares e dorsais, além do adutor do 
polegar, que são inervados pelo nervo ulnar, e os músculos lumbricais, que 
dividem a inervação entre nervo mediano para os lumbricais 1 e 2 e o nervo 
ulnar para os lumbricais 3 e 4. Foram realizados testes de abdução do polegar, 
que geram dor na síndrome do carpo ou lesão ulnar, pinça, com perdas de 
força na compressão do nervo mediano, compressão tênar, que pode identi-
ficar atrofia no caso de a lesão do nervo mediano ter ocorrido há mais de 
duas semanas e provocação dos lumbricais, em que se verifica se ocorre dor 
e perdas motoras na porção inervada pelo mediano ou pela porção inervada 
pelo nervo ulnar. Como o paciente queixava-se de dor, e tendo sido verifi-
cadas perdas de movimentos, é possível identificar que a síndrome do túnel 
do carpo também prejudica a função de músculos próprios da mão e altera-
ções sensoriais das regiões inervadas pelo nervo mediano, razão pela qual 
também se deve investigar a sensibilidade da região.
Faça você mesmo
Caro aluno, até esta etapa de seus estudos, você já obteve todo o 
conhecimento teórico e prático necessário para realizar uma avaliação 
fisioterapêutica completa do punho e mão e testes específicos de ação 
muscular, função articular, integridade tendínea e ligamentar. Nesse 
contexto, elabore uma avaliação fisioterapêutica para punho e mão em 
uma pessoa de sua família ou colega. Para isso, é importante que você 
realize a revisão das quatro seções da Unidade 3. Boa sorte!
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 71
Avançando na prática
Agora que você já conhece os principais locais de palpação da mão, a 
maneira como realizar os testes especiais de suas ações e o modo como medir 
a angulação articular com goniômetro, identifique como isso pode ser útil 
em outras realidades de queixas de lesões de mão.
Mão caída
Descrição da situação-problema 
Um jovem procurou atendimento médico com queixa de incapacidade para 
realizar o movimento de extensão de punho e mão, associada à postura de “mão 
caída”. Ele relata que ficou assim depois de retirar o gesso que tinha sido colocado 
em seu braço em razão de uma fratura de corpo do úmero. Durante o exame 
clínico, não se observou movimentos de extensão de punho e dedos, uma vez 
que os testes apontaram perda de sensibilidade das faces dorsal e lateral da mão. 
O jovem foi diagnosticado com perdas funcionais e sensoriais por lesão do nervo 
radial. Analisando esse quadro, quais estruturas foram testadas e palpadas para 
identificar a causa dessas alterações funcionais do paciente?
Lembre-se
A inervação da mão é realizada pelos nervos mediano, ulnar e radial. No 
entanto, o nervo radial tem inervação não nos músculos próprios da mão, 
mas nos do antebraço, que têm ação de extensão do punho e dedos da mão.
Resolução da situação-problema 
Durante a palpação das estruturas musculares próprias da mão, como a tênar 
e hipotênar, e ainda os lumbricais, o extensor curto do polegar e o extensor do 
V dedo, a região da mão demonstra não ter perdido o tônus. Além disso, todos 
os músculos próprios da mão exibem movimento e força contra resistência, 
demonstrando uma provável incapacidade de contração de músculos locali-
zados no antebraço. Testes especiais, como a pinça, provocação lumbricais e 
abdução de polegar, não refletem positivo e denunciam uma lesão que não afetou 
os nervos mediano e ulnar. O nervo radial é importante para músculos que 
promovem extensão de punho e extensores de dedos, mas esses músculos não 
inervam nenhum músculo próprio da mão. As perdas motoras não se referem a 
alterações de ação de músculos próprios da mão. Apesar de os sinais da lesão se 
refletirem na mão, as estruturas testadas são os músculos extensores radiais curto 
e longo do carpo e o músculo supinador, que estão no antebraço.
72 - U3 / Punho e mão: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Faça você mesmo
Realize em seus colegas os testes especiais e a palpação dessas regiões 
estudadas e verifique se algum deles já teve algum problema físico na mão, 
investigando se ainda existe algum sinal de alteração.
Faça valer a pena
1. Considere uma pessoa com lesão completa do nervo mediano na altura do punho. Ao 
solicitar-lhe que realize a flexão dos dedos da mão, posicionando-a fechada, apenas um 
músculo próprio da mão da listagem de alternativas seguinte estará em atividade, sendo 
os outros incapazes de realizar contração.
A qual dos músculos seguintes estamos nos referindo?
a) Primeiro lumbrical.
b) Flexor curto do polegar.
c) Segundo lumbrical.
d) Oponente do polegar.
e) Abdutor curto do polegar.
2. A lesão completa do nervo mediano na região do punho impede que alguns músculos 
próprios da mão realizem seu movimento, porém algumas partes da mão também são 
inervadas pelo nervo ulnar.
Qual músculo a seguir realizará contração contra resistência durante um teste muscular 
em uma pessoa com lesão completa do nervo mediano?
a) Abdutor curto do polegar.
b) Opositor do polegar.
c) Primeiro lumbrical.
d) Segundo lumbrical.e) Flexor curto do polegar.
3. Os músculos lumbricais são formados por quatro ventres e numerados de 1 a 4 de 
lateral para medial, estando relacionados com os movimentos do II ao V dedo.
Numa lesão completa de nervo ulnar, que inerva parte desses músculos, quais movimentos 
serão perdidos?
Seção 3.4 / Avaliação fisioterapêutica da mão - 73
a) Flexão das articulações carpometacarpianas no IV e V dedo e flexão interfalangiana 
proximal das articulações dos mesmos dedos.
b) Extensão nas articulações carpometacarpianas no IV e V dedo e extensão interfalan-
giana proximal das articulações dos mesmos dedos.
c) Extensão nas articulações carpometacarpianas no IV e V dedo e flexão interfalan-
giana proximal das articulações dos mesmos dedos.
d) Flexão nas articulações carpometacarpianas no IV e V dedo e extensão interfalan-
giana proximal das articulações dos mesmos dedos.
e) Abdução nas articulações carpometacarpianas no IV e V dedo e flexão interfalan-
giana proximal das articulações dos mesmos dedos.
Referências
BEHNKE, R. S. Anatomia do movimento. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.
CHEN, M. M.; POPE, T. L.; OTT, D. J. Radiologia básica. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012.
COOK, C. E.; HEGEDUS, E. J. Testes ortopédicos em fisioterapia. 2. ed. Barueri: Manole, 2015.
DUTTON, M. Fisioterapia ortopédica. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.
FUNARI, M. B. G. Radiologia e diagnóstico por imagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
GREENSPAN, A. Radiologia ortopédica: uma abordagem prática. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2012.
HANSEN, J. T. The netter presenter: human anatomy collection: version 2.0. 3. ed. New Yorl: Icon 
Learning Systems, 2003.
JUNQUEIRA, L. Anatomia palpatória: tronco, pescoço, ombro e membros superiores. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
JUNQUEIRA, L. Anatomia palpatória e seus aspectos clínicos. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2010. 
KÖPF-MAIER, P. Wolf-Heidegger – atlas de anatomia humana. 6. ed. Traduzido sob a supervisão de 
Hélcio Werneck. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
LIPPERT, L. S. Cinesiologia clínica e anatomia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2013. 
MARQUES, A. P. Manual de goniometria. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
MOORE, K. L.; AGUR, A. R.; DALLEY, A. F. Fundamentos de anatomia clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2013.
PALMER, M. L.; EPLER, M. E. Fundamentos das técnicas de avaliação musculoesquelética 2. Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 
RASCH, P.J. Cinesiologia e anatomia aplicada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
REISER, M.; BAUR-MELNYK, A.; GLASER, C. Diagnóstico por imagem: musculoesquelético 1. 
Artmed. 2009. 
TORRES, D. de M. Fisioterapia: guia prático para a clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
VALERIUS, K.-P. et al. O livro dos músculos: anatomia, testes, movimentos. São Paulo: Santos, 2013.
Unidade 4
Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e 
diagnóstico por imagem
Convite ao estudo
Iniciaremos, nesta unidade, o estudo das regiões da cabeça e do tronco, 
que por meio de soluções de casos clínicos, facilitarão o processo de apren-
dizagem. Dessa forma, você conhecerá as estruturas e as funções desses 
segmentos e aprender a testar sua mobilidade e funções, habilidades impor-
tantes para se realizar um diagnóstico referente às limitações que cada 
patologia pode provocar.
Competência geral:
Conhecer os métodos de avaliação cinético-funcional e de diagnóstico 
por imagem de membros superiores, cabeça e tronco.
Competência técnica:
Conhecer e aplicar os métodos de avaliação da cabeça e do tronco.
Objetivos:
• Aprofundar o conhecimento sobre as estruturas anatômicas, a 
biomecânica e a cinesiologia da cabeça e do tronco.
• Compreender os limites de mobilidades articulares da cabeça e do tronco.
• Desenvolver noções básicas de exames por imagem da cabeça e do tronco.
• Aprender a aplicar testes de avaliação da mobilidade e força da 
cabeça e do tronco.
• Aprender a aplicar testes de sensibilidade da região da cabeça e do tronco.
• Aprender a realizar mensurações de angulação de movimento 
articular da cabeça e do tronco.
• Aprender a aplicar os testes especiais de avaliação da cabeça e do tronco.
Com a finalidade de conduzir você, ao desenvolvimento das compe-
tências mencionadas e atender aos objetivos específicos do tema abordado, 
vamos apresentar uma situação clínica real, que o auxiliará no processo de 
estudo e prática. Vamos lá!
Um advogado de 50 anos se queixa de dores na região da articulação 
temporomandibular (ATM), zumbidos no ouvido e estalidos durante a masti-
gação. Na anamnese se queixou também de dores na cabeça, nos ombros, 
além de referir muito cansaço. Passou por consulta médica e foi diagnos-
ticado com disfunção da ATM e foi encaminhado para tratamento fisiote-
rapêutico. Na avaliação fisioterapêutica foi diagnosticado com limitação na 
abertura da boca e alterações da simetria entre os lados direito e esquerdo da 
face na altura da mandíbula.
Observando esse histórico, você consegue imaginar quais estruturas estão 
envolvidas na alteração da ATM e como o fisioterapeuta consegue fechar um 
diagnóstico preciso?
Seção 4.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça - 39
Anatomia, cinesiologia e imaginologia da 
cabeça
Diálogo aberto
Olá, aluno! Bem-vindo à seção de estudo que tem início com a avaliação 
da cabeça, da articulação temporomandibular (ATM) e dos músculos da 
face. Nesta seção, vamos conhecer a anatomia das estruturas articulares e 
musculares da cabeça e seus movimentos, a capacidade de força e a ampli-
tude dos movimentos, e ainda conhecer e aprender a identificar as estruturas 
anatômicas por meio dos exames de imagens diagnósticas. 
Na avaliação fisioterapêutica da cabeça, é importante conhecer os 
músculos da mímica facial e da mastigação, as inervações que estimulam a 
ação muscular da língua e a sensibilidade facial. Após conhecer essas estru-
turas, iremos transferir esses conhecimentos anatômicos para os exames de 
imagens, como raios X, tomografia computadorizada, ressonância magnética 
nuclear e ultrassonografia, para a confirmação diagnóstica. 
Agora vamos voltar à situação clínica apresentada no Convite ao estudo, sobre 
o advogado diagnosticado com disfunção da ATM, que se queixava de dores 
na cabeça que se irradiavam para o ombro. Seu médico o encaminhou para 
avaliação e tratamento fisioterapêutico, e na avaliação o fisioterapeuta observou 
que havia perdas de mobilidade na ATM e alteração biomecânica da mastigação. 
Analisando essa situação, responda quais estruturas foram estudadas pelo fisio-
terapeuta para que ele conseguisse justificar essas perdas funcionais de amplitude 
de movimento e de força muscular acompanhadas de dor.
Seção 4.1
Não pode faltar
Anatomia da cabeça
As estruturas anatômicas estudadas, localizadas na região da cabeça, 
são: ATM, importante para a mastigação e fala; músculos faciais, impor-
tantes para a expressão da mímica facial; e, por fim, a língua, importante na 
alimentação e na articulação das palavras (fala). Ao estudarmos a inervação 
da cabeça, você notará que o nervo craniano trigêmeo (NC V) é respon-
sável pelo movimento da ATM, o nervo facial (NC VII) é responsável pelos 
músculos que promovem a mímica facial e o nervo hipoglosso (NC XII) pela 
movimentação da língua.
40 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Na movimentação da ATM, no fechamento da boca deve ocorrer a 
oclusão completa (encaixe dentário), que se prejudicado por irregulari-
dades anatômicas, como perdas de dentes, lesões articulares ou movimentos 
viciosos, provocam alteração da biomecânica normal da ATM.
Ossos, articulações e ligamentos
A ATM é a única articulação móvel da cabeça e trata-se do encontro do 
côndilo da mandíbula com a fossa condilar do osso temporal, entre eles existe 
um disco fibrocartilaginoso oval que amortece o impacto do encontro entre 
esses ossos. Esse disco acompanha o côndilo durantea abertura da boca e no 
afastamento do côndilo de sua fossa. Se o disco não acompanhar o côndilo, 
poderá prejudicar no fechamento da boca e causar microlesões que levam, 
com o tempo, a alterações estruturais e inflamações, como as artrites. A 
articulação ATM é do tipo sinovial e apresenta a combinação da morfologia 
articular do tipo gínglimo (MANGANELLO; SILVEIRA; SILVA, 2014) como 
plana (NETTER et al., 2000) e, ainda segundo Dangelo e Fattine (2006), é 
classificada como condilar. Assim, você pode observar que não existe uma 
classificação única para o movimento, apenas sugestões, não havendo uma 
classificação oficial. Durante o movimento da mandíbula, o encaixe condilar 
promove uma flutuação na fossa condilar do osso temporal. Os ligamentos 
que sustentam e fortalecem a cápsula são os temporomandibular, esfeno-
mandibular e estilomandibular. Veja no Quadro 4.1.
Ligamento Função
Temporomandibular Limita o movimento posterior do disco articular e do côndilo
Esfenomandibular Mantém a tensão constante na abertura e fechamento da boca
Estilomandibular Limita a protrusão anterior à mandíbula
Quadro 4.1 | Ligamentos da ATM e funções
Fonte: elaborado pelo autor.
Músculos e ação do movimento
Os movimentos faciais são promovidos por músculos que têm origem em 
estruturas ósseas do crânio e inserções na pele (com exceção dos orbiculares, 
que têm origem e inserção na pele). Esses músculos estão no Quadro 4.2 e 
podem ser comparados com as Figuras 4.1 e 4.2, que demostram suas ações. 
Todos os movimentos da face, executados pelos músculos faciais, recebem 
estímulos do nervo facial que é o VII par de nervo craniano. Quando 
alguma doença afeta esse nervo, os músculos inervados por ele perdem seu 
movimento, a exemplo da paralisia de Bell, que paralisa um lado da face com 
todos os músculos inervados pelo nervo facial.
Seção 4.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça - 41
Fonte: elaborado pelo autor.
Nome do músculo Principal ação (vide Figura 4.1 e 4.2)
Occipital Frontal Foto – 1 (região da testa)
Corrugador do supercílio Foto – 2 (região da testa)
Orbicular do olho Foto – 4 (em volto ao olho)
Prócero Foto – 3 (aproxima nariz da testa)
Nasais e asa nasal Foto – 3 e 5 
Zigomático maior e menor Foto – 7 (do sorriso)
Risórios Foto – 8 (do sorriso)
Levantador do lábio superior Foto – 5, 10 e 11
Abaixador do lábio inferior Foto – 9 e 10
Abaixador do ângulo da boca Foto - 13
Orbicular da boca Foto – 6 e 12 (em volto ao olho)
Mentual Foto – 14 (queixo)
Bucinador Foto – 6 (bochecha)
Platisma Foto – 15 (do queixo para o pescoço)
Quadro 4.2 | Músculos inervados pelo nervo facial e que realizam mímica facial
Figura 4.1 | Mímica facial
Fonte: Moore; Dalley e Agur (2014, [s.p.]).
42 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Figura 4.2 | Músculos faciais
Fonte: Marieb e Hoehn (2009, [s.p]). 
Assimile
Os músculos faciais são classificados como esqueléticos, mas não 
possuem inserções em ossos e sim na pele da face, por isso, realizam os 
movimentos de expressões faciais, de comunicação e humor.
O movimento de mastigação é a associação de vários movimentos da mandí-
bula, como elevação, depressão, protrusão, retrusão e movimentos laterais. Os 
músculos da mastigação têm origem e inserção óssea e possuem sua inervação no 
nervo trigêmeo, que é o V par de nervo craniano. Veja no Quadro 4.3 e Figura 4.3.
Quadro 4.3 | Músculos da ATM
Músculo Ação Inervação
Masseter Mastigação fechamento da mandí-
bula (oclusão completa)
Ramo mandibular n. trigêmeo que 
forma o n. massetérico
Temporal
Mastigação fechamento da 
mandíbula e auxílio na retração 
mandibular
Ramo mandibular do n. trigêmeo 
que forma o n. temporal
Pterigoide medial Mastigação com protração da 
mandíbula
Ramo mandibular do n. trigêmeo 
que forma o n. pterigóideo
Pterigoide lateral
Mastigação com elevação da man-
díbula, abertura da ATM e desvios 
laterais
Ramo mandibular do n. trigêmeo 
que forma o n. pterigóideo
Fonte: elaborado pelo autor.
Seção 4.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça - 43
Fonte: elaborado pelo autor.
Figura 4.3 | Músculos da mastigação
Fonte: Marieb e Hoehn (2009, [s.p]).
Os movimentos da língua são realizados por músculos que têm origem 
na própria língua, mas sua inserção é realizada em ossos. Observe a Figura 
4.4, note que esses músculos são importantes na alimentação e na fala. A 
paralisia de algum músculo da língua pode prejudicar a alimentação, a fala e 
também a respiração, como ocorre com os músculos hioglosso e estiloglosso 
na anestesia geral, quando o relaxamento muscular promove a posteriori-
zação da língua e obstrução da faringe. A intubação de pacientes sob efeito de 
anestesia geral ocorre devido a esse mecanismo de relaxamento. Os músculos 
da língua são inervados pelo nervo hipoglosso. 
Quadro 4.4 | Músculos da língua
Músculo Ação Inervação
Genioglosso Movimentação da língua - protração n. hipoglosso
Hioglosso Movimentação da língua – abaixa as 
laterais da língua n. hipoglosso
Estiloglosso Movimentação da língua - retrai e 
eleva a língua n. hipoglosso
Figura 4.4 | Músculos da língua
Fonte: Marieb e Hoehn (2009, [s.p]).
44 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Assimile
Associe as tabelas com os nomes de músculos, funções e inervações com as 
figuras e ações dos músculos. Conhecer a ação dos músculos da cabeça é um 
processo visual. Exercite a partir das tabelas e figuras.
Reflita
Os ramos nervosos cranianos são em pares, as doenças ou lesões que os 
acometem podem ocorrer apenas em um dos lados, comprometendo 
apenas as estruturas anatômicas daquele lado da cabeça e, consequente-
mente, prejudicando a função de forma unilateral.
Pesquise mais
Leia o livro que demonstra todos os músculos aqui estudados e de forma 
individualizada: VALERIUS, Klaus-Peter et al. O livro dos músculos: anatomia, 
testes, movimentos. São Paulo: Santos, 2013. Cap. 6, p. 335-400.
Noções de imaginologia da cabeça: raios X; ressonância magnética; 
tomografia computadorizada e ultrassonografia
A imagem radiográfica da ATM é importante para identificar alterações 
estruturais da superfície articular e também do encaixe articular, tanto com a 
boca fechada como em sua abertura. A TC oferece mais informações (Figura 
4.5 M = fossa condilar e H = côndilo), mas a RNM é a que identifica a integri-
dade do disco e sua posição no encaixe da ATM.
Exemplificando
Nos RX de ATM é possível realizar várias aquisições de imagens em 
sequência, com a boca fechada, semiaberta e aberta, além de estudar 
possíveis luxações durante sua abertura.
Figura 4.5 | TC de ATM
Fonte: Moore; Dalley e Agur (2014, [s.p.]).
Seção 4.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça - 45
Pesquise mais
Diferenças de estudos de imagem podem ser identificadas no capítulo 7 
– Cabeça, do livro: MOORE, K. L.; DALLEY, A. F.; AGUR, A. M. R. Anatomia 
orientada para a clínica, 7. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara 
Koogan, 2014.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre as estruturas anatômicas e funcionais da cabeça, é 
possível responder à situação-problema proposta sobre o paciente diagnosti-
cado com disfunção da ATM, que apresenta perdas de mobilidade e alteração 
biomecânica da mastigação. Responda: quais estruturas foram estudadas 
pelo fisioterapeuta para que ele conseguisse justificar essas alterações?
Atenção
A ATM é movimentada por ações dos músculos masseter, temporal, pteri-
goideo lateral e medial, que são inervados pelo nervo trigêmeo, e em 
seus movimentos necessita de oclusão (encaixe dental) correta para que 
o côndilo se encaixe na fossa condilana e o disco articular esteja no local.
Na avaliação fisioterapêutica do paciente da situação-problema foram 
analisados os músculos inervados pelo nervo trigêmeo, que promovem a 
mastigação e movimentação da mandíbula, como o m. masseter, o m. temporal 
e o m. pterigoide lateral e medial. A ATM apresenta em sua estrutura articular 
a fossa condilar, estrutura deencaixe para o côndilo, e ainda existe a presença 
de um disco articular, que auxilia no encaixe evitando atritos ósseos da articu-
lação nos movimentos de mastigação em que ocorre a oclusão. Portanto, essa 
complexidade estrutural da ATM deve ser observada detalhadamente na 
avaliação fisioterapêutica, permitindo a localização e a causa das lesões. 
Avançando na prática
Agora que você conhece as estruturas anatômicas e a biomecânica 
da ATM, é possível responder a situação-problema que envolve esses 
conhecimentos.
46 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Paralisia de Bell
Descrição da situação-problema
Uma senhora deu entrada no atendimento de urgência com queixas de 
imobilidade do lado direito da face, perda da sensibilidade da parte interna 
da boca e lacrimação constante do olho direito; após avaliação clínica médica 
ela foi diagnosticada com paralisia facial. Foi medicada com anti-inflama-
tório e orientada a passar por uma avaliação e tratamento fisioterapêutico e 
retornar à consulta após dez dias de sessão de fisioterapia, para reavaliar se 
o tratamento e estímulo precoce poderiam evitar futuros problemas, como 
a imobilidade permanente dos músculos da face. Analisando esse quadro, 
quais os músculos que estão envolvidos na região de queixa dessa senhora?
Lembre-se
A paralisia facial está relacionada com o nervo facial que inerva todos os 
músculos da mímica. O diagnóstico dos músculos mais afetados da face 
é importante para iniciar um estímulo precoce da fisioterapia, visando 
evitar que se instale deformidades faciais.
Resolução da situação-problema 
Nas lesões do nervo facial, todos os músculos inervados por ele têm 
suas ações prejudicadas. Alguns músculos podem estar mais prejudicados 
que outros, são eles os músculos da mímica: occipitofrontal, corrugador do 
supercílio, orbicular do olho, prócero, zigomático, risório, elevador do lábio 
e do ângulo da boca, abaixador do lábio e do ângulo da boca, orbicular da 
boca, mentual, platisma e bucinador.
Faça você mesmo
Realizar expressões faciais de mímica entre duplas de pessoas favorece a 
identificação e a compreensão dos músculos faciais e suas ações. Realize 
esse exercício com seus amigos ou na frente de um espelho, acompa-
nhando a Figura 4.1.
Faça valer a pena
1. Dentre os músculos esqueléticos da face que possuem origem em ossos, mas 
inserções em tecidos moles como a pele, estão os músculos:
Seção 4.1 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia da cabeça - 47
I. Risório.
II. Zigomático.
III. Mentual. 
IV. Bucinador. 
Estão corretos apenas os itens:
a) I, II, III e IV.
b) I, II, e III.
c) I, III e IV.
d) II, III e IV.
e) I, II, e IV.
2. Dentre as estruturas musculares afetadas numa paralisia facial devido a uma lesão 
do nervo facial, os músculos da região da cabeça que têm prejuízos funcionais são os:
I. Músculo bucinador.
II. Músculo frontal.
III. Músculo temporal.
IV. Músculo pterigoide lateral.
Estão corretos os itens:
a) I, II e III.
b) I, III e IV.
c) I, II.
d) II, III e IV.
e) III e IV.
3. Durante a abertura da boca, a articulação temporomandibular promove 
movimentos que, se não acontecerem de maneira sincronizada e alinhada, geram 
riscos de lesão e impossibilidade de oclusão. Dentre esses movimentos estão:
a) O movimento do músculo masseter que impede a oclusão completa.
b) O movimento do músculo temporal que promove a abertura da ATM.
c) O movimento do músculo bucinador que eleva a mandíbula.
d) O movimento do músculo pterigoide lateral que promove o fechamento da boca.
e) O movimento do músculo masseter que promove o fechamento da boca enquanto o 
disco articular acompanha o côndilo mandibular.
48 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Avaliação fisioterapêutica da cabeça
Diálogo aberto
Seja bem-vindo à seção que estuda a parte prática do diagnóstico cinéti-
co-funcional da cabeça. Nesta seção, estudaremos o exame de palpação e 
testes especiais, e realizaremos as medidas goniométricas dos movimentos de 
elevação, depressão, protrusão, retrusão e movimentos laterais da Articulação 
Temporomandibular (ATM). O objetivo da palpação é conhecer a anatomia 
superficial e identificar alterações anatômicas ou processos inflamatórios 
que reflitam dores ou dificuldades no movimento. Com os testes especiais, 
colocamos em estresse as estruturas musculares, tendinosas, ligamentares, 
capsulares e passagens de estruturas vasculares e nervosas da ATM. Na 
goniometria é verificada se a angulação dos movimentos articulares está 
alterada ou diminuída, justificando uma possível lesão da região, podendo 
ainda realizar teste de força muscular junto ao exame goniométrico. 
Agora, voltemos à situação clínica apresentada no Convite ao estudo sobre 
o advogado de 50 anos que foi diagnosticado com disfunção da ATM, além 
de dor que irradiava para a cabeça e ombro; ele se queixava também de sensa-
ções de estalidos e zumbidos no ouvido acompanhados de cansaço durante 
a mastigação. Na avaliação fisioterapêutica foram identificadas perdas de 
mobilidade na ATM e alteração biomecânica na mastigação. Analisando e 
refletindo sobre essa situação, quais foram os testes especiais que o fisiotera-
peuta realizou para confirmar essas alterações?
Para que você consiga responder a esses e a outros questionamentos 
sobre os testes clínicos fisioterapêuticos, serão apresentados de forma 
contextualizada no item Não pode faltar os conteúdos necessários para a sua 
compreensão. 
Vamos lá, bons estudos!
Seção 4.2
Não pode faltar
Exame palpatório e funcional da ATM
A região da ATM é constituída por um grupo de músculos com caracterís-
ticas próprias. A ATM é a única articulação que ao realizar a completa oclusão 
da boca, se torna totalmente fixa, devido ao encontro dos dentes da arcada 
superior com os da inferior. Ao realizar o exame de palpação dos músculos da 
ATM e exame funcional, faça um teste gradual da força de abertura e oclusão 
Seção 4.2 / Avaliação fisioterapêutica da cabeça - 49
durante os movimentos resistidos. É possível realizar o teste de força de forma 
bilateral e unilateral, testando assim cada lado da ATM.
Inicie a palpação nos músculos da ATM com a boca fechada e relaxada. 
Palpe o ângulo da mandíbula até a face anterior do lóbulo auricular, onde 
se inserem os músculos temporais e masseter, procure por regiões que 
apresentam dores, observe se há diferença de tônus entre os dois lados e se 
há presença de volume que denuncie edemas. Verifique se existe hipertrofia 
muscular em apenas um dos lados, o que denuncia disfunções musculares. 
Palpe a origem do músculo temporal na superfície do osso temporal, locali-
zado acima do pavilhão auricular, na sua porção anterior. Repita a palpação 
com contração muscular em oclusão mandibular e depois simulando uma 
mastigação. O músculo masseter tem origem na margem inferior do arco 
zigomático. Palpe essa região relaxada e em contração muscular com oclusão 
dental. Algumas disfunções só são observadas em movimento ou em força 
muscular. Veja a Figura 4.6.
Reflita
Ao solicitar a abertura da boca ao paciente, tenha em mente que algumas 
oclusões não podem ser realizadas por completo por alguns deles e se 
a abertura for forçada, poderão ocorrer luxações. Tenha cuidado nesse 
momento.
Figura 4.6 | Palpação do m. temporal (direito) e m. masseter (esquerdo)
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 372-378).
Pesquise mais
Para saber mais sobre as ações dos músculos da face, mastigação e 
língua, consulte o capítulo 6, páginas 335 a 400 do livro: VALERIUS, Klaus-
-Peter et al. O livro dos músculos: anatomia, testes, movimentos. São 
Paulo: Santos, 2013.
50 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Testes especiais de avaliação da ATM e movimentos da língua
São testes consagrados que identificam deficiência ou perdas de 
movimentos, alterações ou perdas de estabilidades ou que denunciam lesões 
e inflamações no local. Solicite a abertura passivada boca e depois repita a 
abertura de forma assistida procurando por movimentos de desvios laterais 
ou crepitações e rangidos. É possível identificar presença de dor e da ação 
muscular que pode não estar totalmente presente durante a abertura passiva. 
Agora solicite a abertura e o fisioterapeuta deve provocar uma resistência 
à abertura para testar o músculo pterigoide lateral e o músculo acessório 
chamado digástrico. Solicite também que o paciente realize a protração e 
em seguida a retração da mandíbula, testando respectivamente os músculos 
pterigoide medial e o músculo temporal. Para testar os movimentos de 
desvios laterais da mandíbula, peça que o paciente desvie o queixo para um 
dos lados. O músculo pterigoide lateral junto ao pterigoide medial são os 
principais responsáveis pelos movimentos de desvios laterais da mandíbula 
Veja a Figura 4.7. 
Reflita
Os testes que avaliam lesões específicas devem ser feitos acompanhados 
com a queixa do paciente, mas também com os exames complementares 
de imagem.
Figura 4.7 | Teste para ação dos músculos pterigoide medial (fileira direita) e músculo pterigoide 
lateral (fileira esquerda)
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 372-378).
Para testar a mobilidade da língua, deve-se observar se existe ação unila-
teral de algum movimento. Solicite a abertura da boca ao paciente e para que 
ele, com a língua, aponte para o lábio superior em “posição de ponta”, seguido 
de “língua em lâmina”, apontada para o lábio inferior em direção ao queixo, 
e, depois, em “lâmina”, alargue a língua para os ângulos dos lábios (Figura 
4.8). Se houver paralisias de origem nervosa e unilateral, esses movimentos 
se tornam assimétricos.
Seção 4.2 / Avaliação fisioterapêutica da cabeça - 51
Figura 4.8 | Língua em ponta (esquerda); em lâmina para baixo (centro) e alargada (direita)
Fonte: Valerius et al. (2013, p. 372-378).
Assimile
Se os movimentos da língua estiverem em assimetria, continue o exame 
solicitando outros movimentos unilaterais, como empurrar a bochecha 
com a língua.
Testes especiais e de sensibilidade facial
Os movimentos faciais podem ser testados tendo como base a Figura 
4.1 da Seção 4.1, que demonstra as “caretas” ou “mímicas” que auxiliam a 
identificar possíveis paralisias faciais. Siga o mapa solicitando ao paciente 
que realize os movimentos. Os testes de sensibilidade podem ser realizados 
com o estesiômetro, utilizando o mapa de dermátomos da cabeça, como o 
da Figura 4.9. Observe que o nervo trigêmeo se ramifica em porção oftál-
mico, porção maxilar e porção mandibular. O dorso da língua e o palato duro 
também são inervados pelo nervo trigêmeo, mas o paladar é formado pelo 
NC IX - glossofaríngeo. Já na face posterior da cabeça, o plexo cervical forma 
ramos sensoriais para os nervos occipitais e nervos auriculares.
Reflita
Devido ao nervo glossofaríngeo e o nervo vago serem sobrepostos, altera-
ções no nervo vago podem alterar a sensibilidade do nervo glossofaríngeo, 
Reflita
Os movimentos da língua podem ocorrer com desvios laterais devido a 
lesões unilaterais do nervo hipoglosso. Nessa situação, apenas um lado 
do músculo irá contrair-se.
52 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
porém, neste caso, surgem também alterações comuns nas estruturas 
inervadas pelo nervo vago, como sinais de alterações nos sistemas cardíaco, 
respiratório e gastrointestinal.
Figura 4.9 | Ramos sensitivos no NCV – trigêmeo e das raízes de C1 a C4 do plexo cervical
Fonte: Moore; Dalley; Agur (2014, [s.p.]).
Pesquise mais
Os movimentos de mímica facial estão bem descritos no capítulo sobre 
face e couro cabeludo no livro: MOORE, K. L., DALLEY, A. F., AGUR, A. M. R. 
Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2014. Nesta edição, na Figura 7.17, estão em detalhes os movimentos 
estudados neste livro didático.
Testes gerais
Outros músculos da cabeça que podem ser testados são os da mobilidade 
dos olhos, que são inervados pelos nervos oculomotor, troclear e abducente 
(III, IV, VI). Para isso, basta pedir para que o paciente fique com a cabeça 
fixa e com os olhos seguindo a mão do fisioterapeuta. A seguir, os testes que 
podem ser feitos em cada olho, individualmente, e com os dois, juntamente:
• Testando o n. oculomotor (músculos: oblíquo inferior, reto superior, 
reto inferior e reto medial e levantador da pálpebra) = force o olho a 
seguir para medial e superior.
• Testando o n. troclear (músculo oblíquo superior) = force o olho 
para a lateral e inferior.
• Testando o n. abducente (músculo reto lateral) = force o olho para 
a lateral.
Seção 4.2 / Avaliação fisioterapêutica da cabeça - 53
Goniometria da ATM
As medidas de abertura da ATM podem ser realizadas com régua simples, 
medindo a distância entre a arcada dentária superior e a inferior. Em um 
adulto, a distância está acima de 40mm, mas existem variações desse valor 
dependendo de idade, sexo e flexibilidade individual.
Reflita
A presença de aparelhos ortodônticos interfere na mobilidade da ATM e 
esse fato deve ser considerado no momento da goniometria.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre a avaliação fisioterapêutica da cabeça, com ênfase na 
ATM, face e movimentos da língua, é possível saber quais foram os exames 
realizados para identificar as limitações de movimento da ATM do paciente 
da situação-problema. Analisando e refletindo sobre a situação, quais foram 
os testes que puderam identificar as alterações funcionais do paciente?
Atenção
A avaliação da ATM deve ser seguida de avaliação da língua e mímica 
facial, pois em alguns casos, lesões nessas regiões acompanham a 
disfunção da ATM.
Na avaliação fisioterapêutica, os músculos temporal e masseter foram 
palpados na procura por alterações de tônus, sensibilidade ou dor. Foi testada 
a amplitude de movimento de abertura da boca, realizado pelo músculo 
pterigoide lateral e auxiliado pelo músculo digástrico, foi testado também 
o fechamento da boca, realizado pelos músculos masseter e temporal, que 
deve ser feito de forma passiva, seguido de assistida. Em seguida, o teste de 
forma resistida para detectar a força de oclusão, crepitações no movimento 
e presença de dor durante o esforço. Por fim, executou-se os testes de 
movimento da língua e da mímica facial.
Avançando na prática
Agora que você conhece os exames de palpação, os testes especiais, os 
testes de força muscular da região da ATM, face e língua, identifique quais 
procedimentos e testes podem ser úteis em outras realidades de queixas de 
lesões na região da ATM ou face. 
54 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Paralisia transitória unilateral da língua
Descrição da situação-problema
Um jovem de 22 anos realizou uma cirurgia de septorrinoplastia para a 
correção do desvio de septo que lhe causava desconforto respiratório. Após a 
retirada da intubação endotraqueal, o jovem se queixa de dificuldade de fala 
e deglutição. A avaliação funcional do fisioterapeuta indicou disfunção do 
movimento da língua para o lado direito, compatível com lesão unilateral do 
nervo hipoglosso direito.
Quais testes foram utilizados para identificar a relação entre a dificuldade 
de fala e deglutição e a lesão do nervo hipoglosso?
Lembre-se
O nervo hipoglosso está relacionado com a inervação bilateral dos 
músculos genioglosso, hioglosso e estiloglosso, que movimentam a língua, 
principal órgão da deglutição e importante na articulação de palavras.
Resolução da situação-problema 
A queixa principal de dificuldades motoras da língua para alimentação 
e comunicação verbal podem ser testadas com os movimentos de protração 
lingual (m. genioglosso), abaixar as laterais da língua (m. hioglosso) e retrair 
e elevar a língua (m. estiloglosso), usando as movimentações de ponta de 
língua, abaixamento até o queixo e alargamento para as laterais da boca.
Faça você mesmo
Realize o exercício de mímica facial em duplas de alunos, essa atividade 
irá auxiliá-lo nafixação dos nomes dos músculos faciais e suas ações, bem 
como no reconhecimento das variações de amplitude de movimento em 
cada indivíduo.
Faça valer a pena
1. Complete a frase: 
A articulação temporomandibular é considerada a única articulação do corpo com 
movimento terminal fixo. Esta afirmação está correta devido ________________.
a) Aos músculos terem origem nas vísceras com inserção óssea.
b) Ao fato de que o final do movimento de oclusão ocorre com o encontro dos dentes 
superiores e inferiores.
Seção 4.2 / Avaliação fisioterapêutica da cabeça - 55
c) Aos músculos serem de origem óssea, mas de inserções na pele.
d) Ao fato de que ao abrir totalmente a boca, a ATM se torna fixa no osso temporal.
e) Ao fato de que a oclusão se tornar afastada da fossa condilar do osso temporal pela 
falta de ligamentos.
2. Complete a frase: 
Durante a avaliação da articulação temporomandibular, é solicitado ao paciente que 
realize movimentos com a boca. No fechamento da boca, é possível identificar a 
disfunção da ATM quando___________________.
a) Os dentes superiores se fixam completamente nos dentes inferiores.
b) O côndilo mandibular se encaixa na fossa temporal.
c) Os músculos bucinador e orbicular da boca promovem desvio labial.
d) Ocorre má oclusão entre mandíbula e maxila e os dentes não conseguem entrar 
completamente em contato.
e) O processo coronoide mandibular se encaixa na fossa condilar temporal.
3. Complete a frase: 
Dentre as causas comuns das disfunções da ATM no indivíduo jovem, que se queixa de 
dores e crepitações durante a mastigação, pode-se destacar _____________________.
a) A paralisia de Bell que afeta o nervo facial.
b) A falta de movimento dos músculos orbicular da boca e bucinador.
c) O desvio do côndilo mandibular durante a oclusão.
d) Disfunções ou lesões do nervo hipoglosso, que causa uma paralisia na movimen-
tação da ATM.
e) O encaixe dental e encaixe do côndilo mandibular na fossa condilar temporal.
56 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax
Diálogo aberto
Olá, aluno! Bem-vindo à seção de estudo na qual daremos início à 
avaliação do tórax. Conhecer as estruturas anatômicas e funções do tórax são 
importantes para determinar alterações causadas por problemas respirató-
rios ou musculoesqueléticos que acometem essa região. Assim, nesta seção, 
você conhecerá a anatomia dos ossos, músculos e articulações do tórax, 
além do músculo respiratório. Também aprenderá a identificar as estruturas 
anatômicas por meio dos exames de imagens diagnósticas. 
Agora, vamos analisar uma nova situação em que o advogado de 50 anos, 
diagnosticado anteriormente com disfunção de ATM, também se queixava 
de cansaço e, após iniciar tratamento da ATM, passou por uma crise de tosse 
que piorava durante a noite, com dores na região dorsal direita. Passou pelo 
médico e recebeu o diagnóstico de pneumotórax. Foi encaminhado ao fisio-
terapeuta. Na avaliação fisioterapêutica, além do diagnóstico de pneumo-
tórax, também foram observadas dificuldades respiratórias com ênfase 
na inspiração forçada, alteração de expansividade costal do lado direito e 
vibração vocal diminuída, associadas à queixa de dores dorsais. Analisando e 
refletindo sobre essa situação, quais foram as estruturas estudadas pelo fisio-
terapeuta que permitiram que ele identificasse que o pneumotórax alterou a 
expansividade apenas em um lado do tórax e que causou dificuldades respi-
ratórias com dores durante a inspiração?
Seção 4.3
Não pode faltar
Anatomia do tórax
O tórax tem sua estrutura óssea formada pelos 12 pares de arcos costais 
lateralmente, pelo osso esterno anteriormente e pelas 12 vértebras torácicas 
posteriormente. Os arcos costais se articulam com o esterno por meio das 
cartilagens costais e entre cada costela estão situados os músculos intercos-
tais, que se fixam nas próprias costelas. Abaixo das costelas, separando inter-
namente o tórax do abdome, encontra-se o músculo diafragma. 
Observe o Quadro 4.5 e note que o primeiro arco costal tem mobilidade 
apenas na porção dorsal, pois sua fixação na parte anterior é feita pela articu-
lação do tipo sindesmose, o que torna essa parte fixa, limitando o movimento. 
Já do II ao X arco costal, a mobilidade é maior e devido às suas articulações 
Seção 4.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax - 57
com o esterno na face anterior serem do tipo sinovial. Os últimos arcos costais 
não influenciam muito na mobilidade torácica por serem curtos e, por isso, 
são também chamados de costelas flutuantes, porque não alcançam o esterno. 
Quadro 4.5 | Articulações da região do tórax, sua classificação e função
I arco costal
Possui epífise proximal na primeira vértebra torácica, com 
articulação sinovial e epífise distal em articulação sindesmose 
no manúbrio do esterno.
II ao VII arco costal
Possui epífise proximal da segunda à sétima vértebra torácica, 
com articulação sinovial e na epífise distal em cartilagem com 
articulação sinovial no corpo do esterno.
VIII ao X arco costal
Possui epífise proximal da oitava à décima vértebra torácica, 
com articulação sinovial e na epífise distal, fixa-se na cartilagem 
do sétimo arco costal, unindo-se em articulação sinovial no 
esterno.
XI ao XII arco costal Possui origem na segunda à sétima vértebra torácica, com arti-
culação sinovial e término livre, sem articulação.
Fonte: elaborado pelo autor.
As posições do encontro das costelas sofrem variações de acordo com 
o biótipo físico de cada indivíduo. Essas variações são vistas no ângulo de 
Charpy, formado pelo cruzamento das últimas costelas e cartilagens costais, 
tendo como vértice o processo xifoide do osso esterno. Esse encontro forma 
um ângulo que determina o biótipo do indivíduo. Se o encontro gerar um 
ângulo de 90 graus, esse indivíduo tem composição corporal de normo-
líneo (ou mediolíneo). Se o ângulo for menor que 90 graus, o indivíduo tem 
composição corporal longilíneo. Mas se o ângulo for maior que 90 graus, 
então a composição é de brevilíneo. Em indivíduos normolíneos, o diâmetro 
horizontal dos pulmões é o dobro do diâmetro anteroposterior. Esses valores 
são importantes, pois doenças congênitas do tórax ou crônicas pulmonares 
podem deformar o tórax e alterar essas medidas.
Músculos e ação do movimento
O principal músculo dos movimentos respiratórios é o diafragma, que 
tem sua inserção no processo xifoide do osso esterno, das cartilagens costais 
do VI ao X arco costal e das duas últimas costelas (XI e XII), nas vértebras 
lombares superiores posteriormente, e origem na parte central, chamada 
de centro tendíneo. Este possui três aberturas, o forame da veia cava, que 
fornece a passagem da veia cava, o hiato aórtico, que fornece passagem para a 
artéria aorta e o hiato esofágico, que fornece passagem para o esôfago, sendo 
este último importante na avaliação, pois alterações e encurtamentos do 
diafragma por desvios posturais ou patologias pulmonares provocam tração 
58 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
do órgão, que tem seu término na válvula cárdia do estômago, podendo 
causar refluxos gastresofágicos. O músculo diafragma é inervado pelo par 
de nervos frênicos (raízes C2 a C4), que emergem da medula espinhal. O 
controle respiratório ocorre nos centros respiratórios do bulbo encefálico.
Os músculos acessórios da respiração são voluntários. Dentre eles estão 
os músculos intercostais internos e externos que se situam entre os arcos 
costais, responsáveis pela elevação e abaixamento do tórax durante a respi-
ração. O músculo intercostal externo tem fibras em posição oblíqua no sentido 
inferomedial e auxilia nos movimentos inspiratórios, enquanto o músculo 
intercostal interno tem posição vertical e auxilia na expiração forçada. Além 
desses músculos, o tórax tem um conjunto acessório respiratório, como o 
músculo esternocleidomastoideo com origem no processo mastoide do osso 
temporal(posterior à orelha) e inserção no manúbrio do esterno, que pode 
auxiliar na elevação da caixa torácica na face anterior durante a inspiração 
forçada. O músculo escaleno, que eleva a clavícula e a caixa torácica, também 
anterior, o músculo peitoral maior, que tem origem na lateral do corpo do 
esterno e também eleva o tórax, e o músculo levantador da costela, que tem 
origem nos processos transversos e inserção na tuberosidade da costela, e 
também auxilia na inspiração. Outros músculos que participam da respi-
ração, mas com ação menor, são os romboides, o peitoral menor e o trapézio.
Assimile
O processo de inspiração é ativo, pois recruta músculos respiratórios 
para sua ação, mas o processo de expiração normal é passivo, relaxando 
os músculos inspiratórios. Os músculos expiratórios são usados nos 
momentos em que o indivíduo está “soprando”, não sendo esta ação 
comum na respiração normal.
Na inspiração, todas as costelas do tórax se movem no sentido superior, 
lateral e anterior, aumentando os diâmetros horizontal e anteroposterior do 
tórax. No diâmetro horizontal o músculo intercostal externo associado ao 
músculo elevador da costela são recrutados e, para o aumento anteroposte-
rior, são os músculos esternocleidomastoideo, escaleno e peitoral maior. A 
expiração provoca o movimento inverso, e as costelas voltam passivamente 
à posição inicial. Se o indivíduo realizar a expiração forçada, os músculos 
abdominais com os intercostais internos entram em ação. 
Na clínica fisioterapêutica, este movimento lateral é chamado de “alça 
de balde”. Mas assim como o diâmetro horizontal aumenta, o diâmetro 
anteroposterior também, e chamamos este de “braço de bomba”, em alusão 
ao braço de bomba de poço artesiano. O processo expiratório só depende de 
Seção 4.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax - 59
ação muscular quando for forçada, como na ação de “assoprar”, em que se 
recruta os músculos abdominais e os intercostais internos.
Frêmito toracovocal
Para avaliar a funcionalidade do tórax, peça ao paciente que realize uma 
inspiração forçada, avalie se os dois hemitórax são simétricos. Agora teste o 
frêmito toracovocal colocando a mão sobre o tórax na região pulmonar a ser 
avaliada, observe a vibração do pulmão durante o curso respiratório. Uma 
maneira de facilitar a vibração é solicitar que o paciente diga “trinta e três” 
durante o teste. Diferenças de vibração unilateral ou frêmito baixo podem 
indicar problemas respiratórios ou das estruturas que auxiliam a respiração. 
Cuidado para não confundir alterações de frêmito unilaterais com o fato do 
pulmão direito ter um frêmito um pouco mais vibrante que o esquerdo. Essa 
condição está relacionada com o fato de o brônquio pulmonar direito ser mais 
calibroso que o esquerdo. O som do frêmito é mais intenso nas bases dos indiví-
duos que tem voz com tons graves e mais baixo quando a voz é mais aguda.
Reflita
Uma fratura ou lesão contusa de um processo espinhoso de vértebra 
torácica podem ser confundidos com dores no peito, com impres-
sões de problemas respiratórios, pois durante a inspiração forçada o 
músculo levantador da costela traciona esses processos, causam dores e 
dificultam a inspiração.
Noções de imaginologia do tórax: raios X; ressonância magnética, 
tomografia computadorizada e ultrassonografia
Frequentemente os RX de tórax PA (anteroposterior) e perfil são utili-
zados no ambulatório para complementar o diagnóstico de alterações de 
caixa torácica e de problemas respiratórios. Os RX do tórax na incidência 
em PA se diferencia do AP, este último é realizado comumente em pacientes 
acamados. Na incidência AP as imagens internas não são precisas e, por isso, 
são utilizadas para monitorar a condição pulmonar em pacientes acamados 
no hospital. Já incidências em PA são realizadas em ortostase, inspiração 
máxima com posicionamento que retira as escápulas da frente dos pulmões, 
facilitando a visualização da imagem completa do pulmão e de toda a sua rede 
vascular e brônquica que forma uma trama broncovascular. A incidência em 
perfil serve para identificar a profundidade das lesões e a profundidade das 
estruturas do mediastino.
60 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Assimile
Mediastino é o espaço entre os pulmões, desde a face superior na região 
da base cervical até a parte interior no diafragma. Ele se divide em 
superior, onde encontramos o esôfago e a traqueia, e inferior, separado 
em três partes. A anterior é a face esternal, a média é onde encontramos 
o coração e seu revestimento pericárdico e na posterior estão a aorta 
e o final do esôfago torácico, no momento em que essas estruturas 
atravessam o diafragma posteriormente.
Procure verificar se há alguma estrutura anatômica fora de seu local 
original. Conheça um pouco das estruturas encontradas na Figura 4.10. 
Observe no centro o mediastino médio, no qual se encontra o coração, 
depois observe o mediastino superior, que se dirige ao pescoço. É possível 
identificar a traqueia, veja nas bases dos pulmões, em que o diafragma limita 
o tórax, e observe as “pontas” que se formam nas laterais. Nessa região aguda, 
chamada de ângulo costofrênico, é onde se acumulam líquidos pericárdicos, 
e em derrames pleurais esses ângulos desaparecem nos RX. Ângulos menores 
são formados na porção medial, são eles os ângulos cardiofrênicos. Em 
derrames pleurais muito extensos, esses ângulos também desaparecem, ou 
em derrames pericárdicos e pericardites no ângulo cardiofrênico da esquerda. 
Observe que a base do diafragma da esquerda é levemente mais baixa que o 
da direita. Se isso não ocorrer, é provável 
que alguma patologia esteja encolhendo 
o pulmão esquerdo. O pneumotórax, 
que é a presença de ar de forma anormal 
entre as pleuras pulmonares, causando 
compressão na região pulmonar em que 
se forma, dificulta a expansão do local 
onde a “bolha” de ar está instalada e a 
inspiração. Como o ar tem baixa densi-
dade, a imagem da “bolha” se torna 
radiopaca no pulmão, tornando a área 
estudada mais escura e sem presença 
de imagens sugestivas de passagem de 
artérias, veias e brônquios/bronquíolos 
(trama broncovascular).
Figura 4.10 | Imagem de RX de tórax PA
Fonte: iStock.
Exemplificando
Uma radiografia de tórax PA de uma pessoa com tumor maligno, provoca 
mancha clara no local de lesão do pulmão. Os RX de tórax em perfil, indicam 
a profundidade desse tumor. Observe a Figura 4.11 que ilustra um tumor na 
Seção 4.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax - 61
base do pulmão esquerdo, e a Figura 4.12 que ilustra uma mancha tumoral 
que pode estar localizada na porção anterior da base pulmonar.
Figura 4.11 | Tumor na base do pulmão esquerdo
Fonte: iStock.
Fonte: iStock.
Figura 4.12 | Tumor na região anterior 
do pulmão
Sem medo de errar
Após o estudo sobre as estruturas anatômicas e funcionais do tórax, é 
possível responder a nossa situação-problema que descreve o estado de um 
advogado com crises de tosse e dores dorsais associada ao pneumotórax. Foi 
realizada a avaliação fisioterapêutica e diagnosticada dificuldades respirató-
rias com ênfase na inspiração forçada, alteração de expansividade costal do 
lado direito e vibração vocal diminuída. Responda: quais foram as estruturas 
estudadas pelo fisioterapeuta que permitiram identificar que o pneumotórax 
alterou a expansividade apenas em um lado do tórax e que causou dificul-
dades respiratórias com dores durante a inspiração?
Atenção
A inspiração forçada recruta músculos acessórios que têm origem ou 
inserção no gradeado costal. Quando esses músculos são acionados, o 
gradeado costal é mobilizado.
62 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Foram estudados os músculos relacionados com a respiração, mais preci-
samente com a inspiração, que são o diafragmático e os intercostais externos, 
auxiliados pelos músculos esternocleidomastoideo, peitoral maior e levan-
tador da costela. Também foram observadasas costelas e sua posição padrão 
(normolíneo, brevilíneo, longilíneo), os movimentos respiratórios bilaterais 
e o frêmito vocal que estão diminuídos na face posterior dorsal do paciente, 
devido à condição antálgica provocada pelo pneumotórax, que causava dores 
durante a inspiração. A identificação da falta de expansividade torácica à 
direita foi vista com a inspiração forçada, na qual o pneumotórax não deixou 
que o incurso se estendesse até o final inspiratório do lado direito. O frêmito 
vocal foi identificado colocando a palma da mão do fisioterapeuta sobre as 
costelas na porção dorsal direita e solicitado que o paciente repetisse a frase 
“trinta e três”, notando-se pouca vibração nessa região devido à presença do 
pneumotórax. Foi observado nos RX de tórax a imagem radiopaca na face 
intrapleural, sugestiva de pneumotórax. Provavelmente, a tosse contínua 
provocou uma pressão negativa entre o pulmão e as costelas, formando no 
tecido entre eles (pleuras) uma bolha de ar (pneumotórax).
Avançando na prática
Agora que você conhece as estruturas anatômicas do tórax, já estudou 
os movimentos realizados na respiração, seus músculos e identificou suas 
estruturas, o ângulo de Charpy e o frêmito toracovocal, vamos a uma nova 
situação-problema que envolve esses conhecimentos.
Derrame pleural
Descrição da situação-problema
Uma senhora acamada por sete dias em razão de uma intervenção cirúr-
gica recente, com colocação de prótese total de quadril, queixa-se de falta 
de ar e dores dorsais. Em consulta com o médico, recebeu o diagnóstico de 
derrame pleural e foi encaminhada para atendimento fisioterapêutico. Em 
avaliação fisioterapêutica, foi verificada a pouca expansibilidade torácica do 
pulmão direito. Quais estruturas foram estudadas pelo fisioterapeuta para 
identificar a limitação de expansibilidade de caixa torácica da paciente?
Lembre-se
Estruturas que formam volumes nas pleuras podem impedir a expansivi-
dade da caixa torácica, provocando desconforto respiratório.
Seção 4.3 / Anatomia, cinesiologia e imaginologia do tórax - 63
Resolução da situação-problema 
A capacidade de expansão da caixa torácica está relacionada com a 
elasticidade e expansibilidade do pulmão, pois os músculos respiratórios 
promovem a inspiração aumentando os diâmetros anteriores e laterais do 
tórax. As estruturas estudadas foram os músculos respiratórios, ossos e 
articulações costais, o movimento da caixa torácica e os diâmetros laterais e 
anteroposterior do pulmão.
Faça você mesmo
Experimente o teste do frêmito vocal em colegas de sala e verifique a 
vibração normal quando se pronuncia o número “trinta e três” durante a 
avaliação. O frêmito se torna uma referência para avaliar alterações na caixa 
torácica e identificar doenças respiratórias.
Faça valer a pena
1. Complete a frase:
O processo de respirar ocorre em duas fases: a inspiração, na qual o objetivo é 
trazer o ar do meio externo para os pulmões, e a expiração, na qual o ar é expelido 
dos pulmões para o meio externo. A inspiração forçada tem como característica 
__________________.
a) Ser estimulada pelos músculos abdominais.
b) Ação dos intercostais internos.
c) Elevação das cúpulas diafragmáticas.
d) Buscar a redução do volume pulmonar.
e) Promover o aumento dos diâmetros horizontais e anteroposterior do tórax.
2. Complete a frase:
A mobilidade da caixa torácica é influenciada pela ação de músculos acessórios do 
processo respiratório, na qual temos como importante(s) músculo(s) que atua(m) na 
expiração forçada é(são) os ___________________.
a) Músculo diafragma.
b) Músculo escaleno.
c) Músculos intercostais internos.
d) Músculo esternocleidomastoideo.
e) Músculos intercostais externo.
64 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
3. Complete a frase:
No conjunto de ossos do tórax, encontramos as costelas formando uma articulação 
com o corpo vertebral da coluna torácica e com o osso esterno na face anterior, com 
exceções feitas nas _________________.
a) Três primeiras costelas.
b) Duas últimas costelas.
c) Duas primeiras costelas.
d) Sétimas costelas iniciais.
e) Sete últimas costelas.
Seção 4.4 / Avaliação fisioterapêutica do tórax - 65
Avaliação fisioterapêutica do tórax
Diálogo aberto
Seja bem-vindo à seção que estuda a parte prática do diagnóstico cinético-
-funcional do tórax. Nesta seção, estudaremos o exame de inspeção e palpação 
torácica, percussão e ausculta, além de exames de mobilidade torácica.
Agora, voltemos à situação hipotética apresentada no Convite ao estudo, em 
que um advogado de 50 anos, com crise de tosse e dores na região dorsal direita, 
foi diagnosticado com pneumotórax. O paciente foi encaminhado ao fisiotera-
peuta que avaliou e observou que, além do pneumotórax, havia também dificul-
dades respiratórias com ênfase na inspiração forçada, alteração de expansividade 
costal do lado direito e vibração vocal diminuída. Analisando e refletindo sobre 
essa situação, quais foram os exames e os testes especiais realizados pelo fisio-
terapeuta que identificaram a origem das dificuldades respiratórias e perdas de 
expansividade torácica do lado direito?
Para que você consiga responder a esse e a outros questionamentos sobre o 
tema da seção, serão apresentados de forma contextualizada na seção Não pode 
faltar os conteúdos necessários para a sua compreensão. 
Então, seguiremos com os estudos, vamos lá!
Seção 4.4
Não pode faltar
Exame de superfície e palpatória do tórax
Na prática do exame físico palpatório, você deve iniciar a palpação pela 
face anterior do tórax, no osso esterno, desde o manúbrio até o processo 
xifoide e toda a borda de articulação com as costelas. Procure por saliên-
cias que indiquem luxações ou áreas dolorosas que indiquem subluxações ou 
contusões, comuns de traumas diretos no esterno ou traumas indiretos no 
ombro com transmissão de impacto para as costelas.
Exemplificando
Em quedas com traumas no ombro, em esportes como o judô, podem 
ocorrer absorção do impacto pelas costelas nas articulações costocon-
dral ou esternocondral, provocando contusões ou luxações.
66 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Palpe as costelas na fixação com o esterno pelas articulações esternocon-
dral e costocondral. A região poderá estar dolorida devido a costocondrites 
decorrentes de crises de tosse ou vômito. Continue a palpação da costela 
e dos espaços entre elas, onde se abrigam músculos intercostais internos e 
externos, nervos e vasos sanguíneos. Dores nos espaços intercostais podem 
refletir neurites por neuropraxia traumáticas ou alterações de sensibilidade 
relativa a herpes-zóster, que acompanha a presença de vesículas no percurso 
do espaço intercostal. 
Na face posterior do tórax, na altura de T2 a T7, estão as escápulas. A 
palpação pode ser iniciada pela borda medial da escápula. Como a articu-
lação com as costelas se trata de pseudoarticulação, não havendo cápsula 
articular e nem estruturas sinoviais, ela fica livre e fácil de ser mobilizada. 
Procure manter o paciente relaxado, de preferência em decúbito dorsal, pois 
dessa maneira seus dedos podem percorrer profundamente a borda, onde 
há inserção de músculos, como os romboides, e na face superior da borda o 
elevador da escápula, que pode estar sob tensão e promover dores e espes-
samento de tecido na inserção. Na borda superior, é possível palpar as fibras 
superiores do músculo trapézio na espinha escapular e o ventre do músculo 
supraespinhal. Abaixo da espinha escapular está o músculo deltoide e, 
profundamente, o músculo infraespinhal. Na borda lateral da escápula estão 
as inserções dos redondos menor e maior.
Percussão do tórax e ausculta pulmonar
A percussão é realiza por meio de vibrações manuais geradas por leves 
“tapas” sobre as costas da mão que se repousa sobre as áreas do tórax, como 
retorno teremos sons vibratórios peculiares àquela região, por exemplo, 
os sons maciços indicam a falta de ar no local, típico de derramepleural, 
infiltradas secreções e massas tumorais. Sons timpânicos são observados 
somente na face central superior do tórax, onde se localizam a traqueia e os 
brônquios pulmonares. Em outros locais, os sons timpânicos são caracterís-
ticos de bronquite crônica ou enfisema pulmonar, mas principalmente do 
pneumotórax.
A ausculta dos sons normais e adventícios do pulmão sobre a superfície 
do tórax deve ser realizada com estetoscópio, tendo como ausculta normal 
um murmúrio da passagem do som pela árvore broncovesicular. Entre os 
sons adventícios temos:
Secos: estridor, roncos (secreção), sibilos (murmúrios).
Úmidos: estertores crepitantes (parecença de líquido em vias aéreas de 
pequeno calibre), estertores subcrepitantes (em vias de médio calibre).
Seção 4.4 / Avaliação fisioterapêutica do tórax - 67
Faça você mesmo
A ausculta pulmonar e a percussão do tórax são exames que exigem 
bastante treino para que sejam identificadas alterações pulmonares. Segue 
a sugestão de exercitar esses procedimentos em vários colegas de sala em 
vários dias alternados, para que possa promover uma capacidade auditiva e 
perceptiva de sons normais e adventícios.
Reflita
Um indivíduo com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) tem 
como característica o pulmão “insuflado”, tendo assim uma inspiração 
curta, o que reflete uma incursão respiratória menor que o normal, 
dificultando a ausculta e a identificação de sons maciços.
Provas e função dos músculos do tórax
A seguir, provas que podemos utilizar para identificar a origem das 
queixas de dores, falta de mobilidade no tórax e falta de ar devido a doenças 
ou traumas. Na nossa situação-problema, podemos utilizar:
- Teste de expansão torácica – passe uma fita métrica circulando o tórax 
do paciente na altura do mamilo (aproximadamente T7) e peça para que ele 
realize uma expiração. Tome nota e peça para que realize uma inspiração 
forçada, tome nota. Em um homem adulto, a diferença encontrada entre os 
valores de expiração e de inspiração estão próximos de 5 cm e de mulheres 
2,5 cm. Veja a Figura 4.13.
Assimile
A inspiração forçada consegue atingir sua máxima expansividade a partir 
da segunda tentativa de inspiração, pois os tecidos elásticos que formam o 
parênquima pulmonar se estendem e se acomodam após o primeiro esforço.
- Teste de Schepelmann – peça para o paciente ficar sentado e solicite 
que realize inclinações laterais. Se ocorrer dores do lado que está inclinando 
é sinal de neurites, geralmente compressivas, mas se ocorrer dores do lado 
oposto da inclinação, então se trata de pleurites. 
- Teste de aproximação passiva escapular – com o paciente sentado, 
use as suas mãos para aproximar as escápulas dele à linha medial, unindo 
as bordas mediais das escápulas. Se o paciente relatar dores ou sensações 
de “formigamento”, então trata-se de compressão ou irritação nas raízes 
nervosas de T1 e/ou T2 da medula. 
68 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Figura 4.13 | À esquerda, mensuração torácica; ao centro, teste de Schepelmann e à direita, 
teste de aproximação escapular
Fonte: Cipriano (2015, p. 290, 289 e 287).
- Teste de hiperabdução – é utilizado para identificar a síndrome do 
desfiladeiro torácico. Peça para o paciente sentar-se, verifique o pulso radial 
dele e em seguida solicite a ele que coloque os ombros em abdução de 90 
graus e com flexão de cotovelo a 90 graus, com as mãos para cima por um 
minuto. Teste novamente o pulso radial. Se o pulso estiver fraco ou o paciente 
relatar formigamentos dos membros, então se trata de síndrome do desfila-
deiro torácico. Veja na Figura 4.14.
Pesquise mais
Entenda mais sobre a síndrome do desfiladeiro torácico em: LIMA, F. F. 
et al. Atualidade em síndrome do desfiladeiro torácico e intervenção 
fisioterapêutica. XII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica 
e VIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação. Universidade do 
Vale do Paraíba, out. 2013
- Teste de Ross – útil também para o teste da síndrome do desfiladeiro 
torácico. Na mesma posição do teste de hiperabdução, peça ao paciente que 
abra e feche mão por um minuto. Avaliar as mesmas sensações do teste anterior.
Figura 4.14 | Teste de hiperabdução à esquerda e teste de Ross à direita
Fonte: Cook e Hegedus (2015, p. 283 e 285).
Seção 4.4 / Avaliação fisioterapêutica do tórax - 69
- Teste de Adson – outro teste que pode ser aplicado para síndrome do 
desfiladeiro torácico. Verifique o pulso radial e depois coloque os membros 
superiores a 15 graus de abdução e uma hiperextensão cervical. Solicite uma 
rotação cervical para o lado testado. Teste o pulso radial novamente. Se o 
pulso estiver fraco ou o paciente relatar formigamentos dos membros, então 
se trata de síndrome do desfiladeiro torácico.
Sem medo de errar
Após o estudo sobre palpação, função muscular, percussão do tórax e 
ausculta pulmonar, é possível refletir, analisar e identificar quais foram os 
locais examinados e quais foram os testes especiais realizados pelo fisiotera-
peuta que identificaram a origem das dificuldades respiratórias e perdas de 
expansividade torácica do lado direito do paciente?
Atenção
Dores na parede torácica podem ter origem nas estruturas osteomioarti-
culares ou na face interna, como as pleuras e pulmões.
Foram inspecionados e palpados na caixa torácica o osso esterno e suas 
articulações com a clavícula e as costelas. Palpou a escápula e os músculos 
a sua volta, como os músculos romboides, trapézio, elevador da escápula, 
supraespinhal, infraespinhal e deltoide. Também foi palpado os espaços 
intercostais onde estão os músculos intercostais internos e externos, nervos 
e vasos sanguíneos, os quais aparentemente, não haviam alterações morfoló-
gicas e queixas de dor à palpação.
Foi realizada a percussão com alteração de vibração do lado direito e 
ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído no local da dor, refle-
tindo um problema respiratório associado a pulmão e pleuras.
Realizou-se testes de expansão torácica com volume reduzido na inspi-
ração e desvio para a direita, devido ao pulmão não poder realizar inspi-
ração total. O teste de Schepelmann sinalizou como positivo apenas para o 
lado contralateral, indicando alteração em regiões da pleura, como mostra a 
definição do teste.
Portanto, a crise de tosse não causou uma condrite nas costelas com o 
osso esterno, mas provocou um pneumotórax.
70 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
Avançando na prática
Agora que conhece os exames de inspeção e palpação do tórax, percussão e 
ausculta, e sabe como testar os músculos e os movimentos do tórax, identifique 
como esse conhecimento pode ser útil em outras realidades de queixas de lesões.
Dor torácica pós-trauma
Descrição da situação-problema 
Um jovem procurou atendimento médico com queixa de dor torácica à 
direita, durante a inspiração. Relata que a dor iniciou após queda de moto, 
quando lesionou o ombro. Em atendimento, chegou a imobilizar o ombro, 
mas não tinha queixas de dores torácicas. O jovem foi diagnosticado, poste-
riormente, com costocondrite dos segundo e terceiro arcos costais e sublu-
xação esternoclavicular. Analisando esse quadro, quais estruturas foram 
testadas e palpadas para identificar a causa das queixas do paciente?
Lembre-se
A avaliação da caixa torácica inclui a avaliação pulmonar, pois dores 
nessa região podem ter origem na face externa, entre ossos, músculos 
e articulações, ou interna, como nos pulmões ou pleuras, ou mesmo as 
duas condições.
Resolução da situação-problema 
A queda do jovem, com impactos no ombro, promove transmissão do 
trauma para as costelas e para o esterno, sobrecarregando as articulações 
entre esses ossos, que são as cartilagens costais. Também sobrecarrega a 
articulação da clavícula com o esterno, no centro do tórax. A palpação da 
região das costelas e espaços intercostais e articulações costocondral e ester-
nocondral denuncia a lesão, enquanto a auscultae que os realizava como todos os outros alunos da 
academia.
A falta de informações colhidas pelo fisioterapeuta na situação acima, pode 
ter prejudicado na avaliação e no tratamento?
Faça você mesmo
Agora que você já é capaz de assimilar como é importante a coleta de dados, 
tente recordar de situações em que uma condição física levou a uma queixa, 
como lesões no joelho e dores lombares, postura curva e dores dorsais. 
Faça valer a pena
1. Um indivíduo de 52 anos, mecânico de automóveis, com queixa de perda de mobili-
dade e dores na região dos punhos, diabético tipo 2 há 9 anos e com mãe também 
diabética, foi diagnosticado pelo médico com condrocalcinose diabética. Nesse histó-
rico, como foram registrados os dados durante a avaliação fisioterapêutica?
A diabetes mellitus do paciente foi registrada na ficha do fisioterapeuta como:
16 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
a) QP.
b) AVD.
c) HF.
d) Exame físico.
e) HPP.
2. Um jovem de 22 anos, estudante, com queixa de perda de mobilidade e dores na 
região dos dedos, praticante de escalada, foi diagnosticado pelo médico com tendinite 
dos flexores dos dedos e punho.
O que motivou a procura pelo tratamento fisioterapêutico foi a queixa principal, que é:
a) Estabelecer uma rotina no esporte.
b) Desejo de saber o motivo de suas dores.
c) Promover analgesia local e se possível recuperar os movimentos dos dedos.
d) Auxiliar no diagnóstico médico.
e) Saber se terá problemas futuros, como perdas de movimentos das mãos.
3. Uma senhora de 72 anos, aposentada como professora infantil, com queixa de 
dores na região dos cotovelos, é diabética do tipo 2 há 24 anos e não apresenta histó-
rico familiar da doença. Ela foi diagnosticada pelo médico como bursite olecraniana. 
Durante a anamnese do fisioterapeuta, a informação de sua idade serviu para:
a) A realização do diagnóstico médico.
b) Correlacionar o surgimento da doença hereditária (DM II) e estabelecer um 
tratamento compatível.
c) Apenas para estatística, sem fins diagnóstico.
d) Pesquisar possíveis doenças senis e planejar um tratamento condizente com suas 
capacidades.
e) Incluir nos dados pessoais do paciente, mas sem necessidade de investigação 
diagnóstica.
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 17
Avaliação dos sinais vitais 
Diálogo aberto
Olá, aluno, estamos na segunda seção deste livro didático!
Iniciaremos agora o estudo dos sinais vitais, em que serão abordados os 
principais sinais e métodos de verificação de sinais de vida necessários para 
qualificar a condição física e de saúde de um indivíduo, sendo fundamental para 
estabelecer um programa fisioterapêutico adequado, pois as condições indivi-
duais influenciam no planejamento da conduta a ser realizada no paciente.
Você se recorda da situação-problema que foi apresentada no Convite ao 
estudo no início desta unidade? A situação era de um paciente do sexo mascu-
lino de 50 anos que se queixava de dor no ombro esquerdo, a qual se propagava 
para a região anterior e posterior do tórax. Dessa situação foram investigados 
alguns sinais clínicos que despertaram preocupação entre os profissionais da 
saúde que acompanharam o paciente. No trecho descrito: “...após a avaliação, 
o ortopedista recomendou que passasse por atendimento com um clínico 
de urgência, devido a uma irregularidade no batimento cardíaco (arritmia) 
e pressão arterial (PA) de 140 X 100 mmHg...”. E....”no primeiro momento, o 
quadro clínico indicava um risco de infarto lento, comuns às características 
apresentadas pelo paciente...”. E ainda, “...perda de capacidade respiratória...”.
Todos os profissionais fizeram um prévio exame da condição momen-
tânea. Cada um avaliou a condição do paciente, e de acordo com os resul-
tados obtidos e confirmados com outros exames, puderam analisar se a 
situação era de risco à vida. Esses procedimentos são de grande importância 
para iniciar qualquer tratamento e são realizados por todos os profissionais 
da saúde. Mas como são feitos esses exames clínicos? Quais são os parâme-
tros usados para estabelecer um risco ou incapacidade física?
Ao longo desta seção apresentaremos os elementos necessários à resolução 
dessa situação-problema. Pronto para começar? 
Então vamos lá!
Seção 1.2
Não pode faltar
Vamos conhecer os principais sinais vitais utilizados para estabelecer um 
risco ou uma incapacidade num indivíduo.
18 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Figura 1.1 | Sinais vitais
Fonte: iStock.
Sinais vitais
Na verificação de sinais vitais, utilizamos os principais equipamentos que 
são: esfignomanômetro - um aparelho para aferir a pressão arterial; estetos-
cópio - aparelho para ausculta na aferição da PA, da pressão cardíaca e dos 
sons pulmonares; termômetro - para a verificação da temperatura, e por fim, 
o relógio: utilizado para determinar as frequências de tempo.
Pressão arterial (PA)
A pressão ou tensão arterial (PA) é a tensão que o sangue exerce sobre 
a parede das artérias durante o bombeamento do coração. Alguns fatores 
A avaliação dos sinais vitais 
Nesta etapa estudaremos os sinais vitais, que são os sinais que indicam a 
existência de vida; por meio deles evidenciamos o funcionamento e as alterações 
da função sistêmica corporal. Para isso, usamos a inspeção (olhar), a palpação 
(tocar), a percussão (ressoar) e a ausculta (ouvir).
Existem diversos sinais vitais, dentre eles, os mais importantes e os que serão 
tratados nesta seção são: pressão arterial (PA), frequência cardíaca, (FC), frequ-
ência respiratória (FR) e temperatura corporal.
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 19
podem levar a alterações fisiológicas de PA, como:
• Sexo: em geral, em adultos, a pressão dos homens é levemente mais 
elevada que a das mulheres, entretanto, adotamos os mesmos valores 
de parâmetros.
• Idade: crianças tem a PA mais baixa que a dos adultos.
• Sono: há uma redução de 10% na PA durante o sono.
• Alimentação: após as refeições ocorre um leve aumento na PA.
• Estado emocional, estresse: pode ocorrer elevação na PA, principal-
mente na sistólica.
• Raça ou etnia: algumas etnias têm diferenças de PA.
• Atividade física: durante a prática de exercícios existe aumento na PA 
devido ao aumento do débito cardíaco.
• Mudança de posição: pode ocorrer hipotensão postural (ortostática) 
quando nos levantamos rapidamente, e a pressão também pode ser 
reduzida quando passamos para decúbito.
Reflita
Muitos pacientes ficam nervosos em consultórios de saúde, por isso a PA 
pode ficar alterada por causa de suas emoções.
A PA normal em um adulto é de ótima em 120x80 mmHg (milímetros 
de Mercúrio) e normal até 130x85 mmHg, quando em repouso. Pressões 
superiores a esta são de risco e denominadas hipertensão (“Pressão alta”), 
entretanto, vários fatores contribuem para um diagnóstico de hipertensão.
Frequência cardíaca (FC)
Também chamada de pulso cardíaco, refere-se à quantidade de batimentos 
cardíacos por minuto (bpm), que podemos sentir na palpação das diversas 
artérias do corpo por meio das contrações das paredes das artérias. Muitos fatores 
podem alterar a frequência cardíaca, como idade, sedentarismo, exercício físico, 
alimentação, emoções, medicação etc. A frequência normal de um indivíduo 
adulto considerado saudável em repouso é de 60 a 80 bpm.
20 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Fonte: http://www.fisioterapiaparatodos.com/p/coracao/batimento-cardiaco-normal/. Acesso em: 6 mar. 2016.
Tabela 1.2 | Tabela de frequência cardíaca normal, de acordo com a idade:
Idade Frequência cardíaca média (bpm)
Recém-nascido 120-160
Até 1 ano 80-140
Dos 1 a 2 anos 80-130
2 – 6 Anos 75-120
7 – 12 Anos 75-110
13 – 18 Anos 70-110
Acima de 18 anos 60–110
Esportivos 40–60
Os principais pontos de palpação de artérias são em regiões em que 
elas se encontram mais superficiais, sendo assim, são as artérias: temporal, 
carotídea, femoral, poplítea, facial, braquial, ulnar, radial,e a percussão revelam um 
pulmão saudável. Os testes de Schepelmann podem denunciar lesões entre 
costelas, devido a luxações ou contusões.
Faça você mesmo
Caro aluno, até esta etapa de seus estudos, você obteve todo o conhe-
cimento teórico e prático necessário para a realização de uma avaliação 
fisioterapêutica completa da cabeça e do tórax, e para testes específicos 
de ação muscular, função articular, integridade tendínea e ligamentar. 
Seção 4.4 / Avaliação fisioterapêutica do tórax - 71
Dessa forma, convido você a executar uma simulação de atendimento 
a pacientes com morbidades nessas regiões, para que treine os conhe-
cimentos aqui desenvolvidos. Para isso, é importante que você realize a 
revisão das quatro seções da Unidade 4. 
Boa sorte!
Faça valer a pena
1. Qual(is) do(s) exame(s) realizado(s) na fisioterapia, que corresponde à investi-
gação diagnóstica, pode(m) apresentar resultado positivo para pleurite?
I. Teste de Schepelmann. 
II. Teste de aproximação escapular. 
III. Cirtometria torácica.
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Estão corretos os itens I e II.
e) Estão corretos os itens I, II e III.
2. Quais dos exames abaixo terão resultado positivo para um indivíduo com pinça-
mento intercostal após trauma torácico? 
I. Teste de Schepelmann. 
II. Cirtometria torácica. 
III. Teste de aproximação escapular.
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Estão corretos os itens I e II.
e) Estão corretos os itens I, II e III.
3. Para o diagnóstico de síndrome do desfiladeiro torácico, os testes clínicos usados 
na fisioterapia são:
I. Teste de Ross.
II. Teste de Adson.
III. Teste de Hiperabdução.
72 - U4 / Cabeça e tronco: avaliação físico-funcional e diagnóstico por imagem
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Estão corretos os itens I e II.
e) Estão corretos os itens I, II e III.
Referências
BEHNKE, R. S. Anatomia do movimento. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.
CARVALHO, V.; Souza, G. O estetoscópio e os sons pulmonares: uma revisão da literatura. Rev. 
Med., São Paulo, 86(4), p. 224-231, out./dez. 2007. Disponível em: . Acesso em: 4 set. 2016.
CIPRIANO, J. J. Manual fotográfico de testes ortopédicos e neurológicos. 5. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2015.
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VALERIUS, K.-P. et al. O livro dos músculos: anatomia, testes, movimentos. São Paulo: 
Santos, 2013.tibial anterior, 
posterior e dorsal do pé. Palpe uma dessas artérias com a polpa digital do 
segundo e terceiro dedo de sua mão e conte durante 30 segundos a quanti-
dade de batimentos sentidos, multiplique por 2 para saber o ritmo de seu 
coração.
Frequência respiratória (FR)
Para verificar a frequência respiratória (FR), devemos contar quantas 
vezes houve uma elevação da caixa respiratória no período de 1 minuto, 
incursões por minuto (IPM). Em geral, conta-se as respirações durante 15 
segundos e multiplicamos por 4. 
- Frequência respiratória considerada normal, pela idade:
• Recém-nascidos: 44 IPM.
• Bebês: 20 a 40 IPM.
• Crianças até 7 anos: 20 a 30 IPM.
• Crianças e adolescentes: 16 a 25 IPM.
• Adultos: 14 a 18 IPM.
• Idosos: 19 a 26 IPM.
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 21
Tabela 1.2 | Tabela de frequência cardíaca normal, de acordo com a idade: A frequência respiratória pode ser alterada por atividade física, estado 
emocional, medicamentos, estados metabólicos, gravidez, entre outros.
- Alteração de Respiração:
• Apneia: parada respiratória.
• Dispneia: é a respiração difícil, ou curta, comum em doenças pulmo-
nares e cardíacas.
• Ortopneia: a respiração só consegue ser realizada com facilidade na 
posição ortostática.
• Bradipneia: respiração muito lenta.
• Taquipneia: respiração muito rápida em geral curta.
Temperatura corporal
Temperatura corporal é a quantidade de calor que está em distribuição 
pelo corpo, é regulada pelo hipotálamo; quando ela é considerada normal, 
chamamos de normotermia ou eutermia. Em geral, a temperatura corporal 
costuma ser mais baixa pela manhã, e ter leve elevação depois das 18:00h. É 
aceito como temperatura normal de 37°C na medição retal e de 36,8°C na 
boca ou axila. A termorregulação (autorregulação da temperatura corporal) 
serve para manter estável as reações químicas corporais. A temperatura pode 
variar de acordo a idade, atividade física, após a alimentação, ciclo menstrual, 
estado emocional, infecções, entre outros.
Assimile
Por causa da alteração de temperatura 
causada pelo ciclo hormonal feminino, 
pode-se usar este parâmetro para 
definir quando a mulher está ovulando.
Figura 1.2 | Temperatura corporal
Fonte: iStock.
A temperatura pode ser aferida no ânus, 
ouvido, boca, axila e para mulheres na 
vagina. As alterações de temperatura são 
classificadas como:
• Hipotermia: considera-se hipotermia 
a redução da temperatura sanguínea 
central abaixo de 36°C. É geralmente 
causada por exposição a baixas 
22 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
temperaturas ou choque hipovolêmico (perda de sangue).
• Hipertermia ou febre: é quando a temperatura sistêmica está acima 
de 37,5°C. Na maior parte dos casos a febre é causada por infecção.
Além de sinais vitais, é importante que você também se atente na verifi-
cação da cor e aparência física, auscultas e percussões cardiorrespiratórias.
Análise de cor e aparência física
A pigmentação normal da pele varia de pessoa para pessoa, e de região 
corporal, precisamos discernir sobre a diferença da coloração normal em 
relação a alterações na coloração da pele que podem indicar alguma patologia:
• Cianose: é a coloração azulada de pele e mucosas, e pode indicar 
deficiência circulatória; apresenta-se perifericamente nas mãos e pés, 
ou centralizadas na boca.
• Hiperemia: aparência avermelhada causada pela vasodilatação dos 
capilares, pode ser causada por excesso de calor, alterações metabó-
licas ou inflamação (podendo ou não ser acompanhada por edema).
• Ictérica: quando a pele tem uma aparência amarelada, em geral 
causada por icterícia, devido a patologias que acometem o fígado e 
ocorre o excesso de bilirrubina na circulação do sistema sanguíneo. 
São decorrentes por exemplo: icterícia neonatal, malária, hepatite, 
cirrose, anemia falciforme, leptospirose, entre outros.
• Palidez: quando há uma queda brusca da PA ou uma desidratação 
por exemplo; ficamos com uma coloração pálida que indica fraqueza.
• Presença de manchas, mácula, hematomas e cicatrizes e outros sinais 
cutâneos que sejam evidentes à visualização.
• Presença de ressecamentos, úlceras, pruridos ou sangramentos.
Auscultas e percussões
Quando “ouvimos” os sons de determinada parte do organismo, estamos 
auscultando, para isso, em geral usamos um estetoscópio. De acordo com a 
parte a ser auscultada podemos perceber alterações que podem ser perti-
nentes à queixa do indivíduo.
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 23
Exemplificando
Por exemplo, na ausculta pulmonar, temos o murmúrio vesicular (sons 
normais) e os ruídos adventícios (sons anormais), dentre eles podemos citar:
• Secos: estridor, roncos (secreção), sibilos (murmúrios).
• Úmidos: estertores crepitantes (presença de líquido em vias aéreas de 
pequeno calibre), estertores subcrepitantes (em vias de médio calibre).
O princípio da percussão é realizar vibrações em uma determinada estru-
tura, e receber como retorno um som vibratório peculiar àquela região; temos 
como exemplo sons maciços, submaciços, claro-pulmonar e timpânico. 
Palpações e testes propedêuticos
A palpação é um exame físico que consiste na técnica de com as mãos 
pressionar e tocar as regiões do corpo a serem estudadas, procurando altera-
ções de temperatura, de consistência de tônus, possível edema e presença 
de dor. Deve percorrer acidentes ósseos, tecidos musculares e ligamentares, 
assim como locais de passagens de nervos e vasos sanguíneos. Os testes 
propedêuticos são fundamentais, principalmente na ortopedia e neurologia, 
visam estabelecer a resposta normal ou verificar a presença de lesão. Para 
cada área do corpo existem testes específicos que serão explicados junta-
mente com a área estudada.
Pesquise mais
Para saber mais sobre testes propedêuticos utilizados na clínica fisiote-
rapêutica leia o livro: TORRES, Diego de Magalhães. Fisioterapia: guia 
prático para a clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. Vital-
Source Bookshelf Online.
Sem medo de errar
Após o estudo desta seção sobre técnicas de avaliação e principalmente 
sobre os sinais vitais, você terá condições de resolver a situação-problema que foi 
descrita no Diálogo aberto no início desta seção.
Atenção
O que motivou os profissionais da saúde a pesquisar sobre um possível 
infarto foram os dados clínicos somados aos resultados dos sinais vitais.
24 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Relembrando do paciente da situação-problema apresentada no Convite ao 
estudo que foi avaliado por vários profissionais da saúde, você já sabe quais 
foram os sinais vitais aferidos nessa avaliação? Quais são os parâmetros usados 
para estabelecer se há um risco ou incapacidade física? Já pode dizer como 
foram aferidos esses sinais vitais? E por fim, você já é capaz de descrever como 
são feitos os exames clínicos que auxiliam na avaliação fisioterapêutica?
Após o estudo do “Não pode faltar” você chegará à seguinte conclusão: o 
paciente durante a consulta passou por uma avaliação clínica e nela foi reali-
zada a verificação dos sinais vitais, PA, FC, FR e temperatura. Os parâmetros 
de pressão do paciente estavam acima da média (a média é de 120/80 mmHg 
e ele chegou com 140/100 mmHg) e uma arritmia cardíaca somados com 
perdas respiratórias e que indicavam um possível infarto do miocárdio, já 
que as dores cardíacas podem irradiar para o ombro, pescoço ou mandíbula 
esquerda. Esses foram aferidos da seguinte forma: usou-se o esfigmomanô-
metro com o estetoscópio para aferir a pressão arterial e um relógio no qual 
se verificou as alterações no ritmo cardíaco. Não foi indicado infarto, mas o 
paciente tinha hipertensão e arritmias devido ao tabagismo. Além dos sinais 
vitais, também foram realizadas algumas técnicas de avaliação para comple-
mentar e auxiliar no diagnóstico final, como a ausculta cardíaca e respiratória 
por meio de escutas com o estetoscópio, seguido de exame superficial do 
corpo, como core alterações na pele para verificar possíveis áreas edema-
ciadas por inflamação ou cianóticas ou pálidas por isquemias. 
Observe a importância desses dados, pois não foram indicadores de infarto, 
mas se pôde constatar a condição física do paciente naquele momento, auxiliando 
na conduta do fisioterapeuta na elaboração do programa de reabilitação.
Avançando na prática
Agora que você conhece os itens e objetivos da verificação de sinais vitais 
e aferência cardíaca e respiratória, utilize seus estudos para entender esta 
nova situação.
Mal-estar durante uma seção de fisioterapia
Descrição da situação-problema 
Um jovem estudante e esportista que sofreu lesão no joelho direito em 
um jogo de futebol, iniciou um programa de fisioterapia para reabilitação 
pós-cirúrgico de reconstrução de ligamento cruzado anterior e lesão em 
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 25
corno meniscal do joelho direito. Durante a permanência no hospital, sofreu 
infecção hospitalar e retornou ao tratamento médico, e somente após 55 dias 
sem atividades físicas iniciou a fisioterapia. Os objetivos traçados incluíam 
analgesia, eliminação de aderências cicatriciais, ganho de amplitude de 
movimento (ADM), ganho de força e resistência muscular localizada (RML) 
com equilíbrio proprioceptivo.
Após algumas sessões de fisioterapia, foi indicado o uso de bicicleta estacio-
nária (ergométrica), em que foi submetido a exercício aeróbio. Durante o 
exercício o jovem apresentou tonturas e mal-estar, queixando-se de sensação 
de desmaio iminente.Socorrido pelo fisioterapeuta que avaliou sua condição 
física no momento, foi observada uma frequência cardíaca e respiratória muito 
acima do normal, mas com pressão alta típica de atividade física. O que poderia 
ter acontecido para gerar esse mal-estar, se no início da sessão o paciente se 
sentia bem? Ele estava alimentado e bem hidratado, sem alteração de tempera-
tura, referia ter dormido bem e com poucas queixas de dor no joelho.
Lembre-se
Neste momento, os sinais vitais respondem a alguma desordem como 
foi estudado nesta seção. A origem da desordem está nos resultados dos 
sinais vitais e a avaliação.
Resolução da situação-problema 
O aumento da FC e FR está relacionado com a atividade física. Quando 
um exercício está acima da condição física do indivíduo, os sinais cardíacos, 
que representam a circulação sanguínea e respiratória que se relacionam com 
o fornecimento de oxigênio ao corpo, geram sinais de estafa. O mal-estar deve 
estar relacionado à falta de condição física devido ao período de recuperação 
sem atividade no pós-operatório, somada à fraqueza advinda da infecção.
Faça você mesmo
Você já presenciou uma situação semelhante a esta? A recordação de 
situações corriqueiras de mal-estar pode agora ser esclarecida chegando 
a conclusões dos motivos dessas situações. Você se recorda de alguém 
que se queixou de passar mal e foi socorrido? Reflita sobre a situação 
e descreva como você procederia e quais os sinais vitais seriam impor-
tantes de se verificar?
26 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Faça valer a pena
1. Um jovem de 20 anos sofreu um acidente automobilístico e sofreu politrauma-
tismo. Devido às várias fraturas e imobilização, perdeu muita massa muscular, força 
e movimento de várias articulações. Após a retirada do gesso de imobilização foi 
encaminhado à fisioterapia para reabilitação. Fez uma avaliação com o fisioterapeuta 
e na verificação dos sinais vitais, a sua pressão arterial estava em 135 por 85 mmHg 
e a frequência cardíaca em 90bpm. Durante um esforço físico para ganho de força, 
sentiu-se mal. O profissional verificou a PA e frequência cardíaca com resultados de 
200 por 100 mmHg e 135bpm. 
Nos sinais vitais, a pressão arterial desse jovem está indicando que:
a) Está adaptada à atividade física, sendo compensada com a diastólica baixa.
b) Está sofrendo de hipertensão arterial sistêmica.
c) Mantém a pressão normal de repouso, sem nenhuma alteração.
d) Está com pressão não compensada, pois a sistólica e diastólica estão altas e a 
frequência cardíaca alta acompanhando a pressão.
e) A pressão está normal, porém, com frequência cardíaca alta.
2. Um fisioterapeuta sugeriu que uma jovem de 15 anos não realizasse a sessão de 
fisioterapia naquele dia porque apresentava frequência cardíaca de 100bpm e tempe-
ratura de 39°C. 
Qual pode ter sido a justificativa para essa conduta do fisioterapeuta?
a) Sinais de possível infecção, mas não precisava interromper a fisioterapia.
b) Febre e frequência cardíaca alta indicam possível infecção, impossibilitando 
atividades físicas.
c) Valores normais e com procedimento fisioterapêutico normal.
d) A frequência está compensando a temperatura podendo dar sequência a fisioterapia.
e) A temperatura e frequência alta auxiliam na fisioterapia.
3. JB, de 30 anos, masculino, está com PA 140/105 mmHg. Tem agendado para hoje 
fortalecimento de MMII na clínica de fisioterapia.
No caso acima, qual a possível conduta do fisioterapeuta referente à PA?
a) Manter os exercícios, pois não está com PA tão alta.
b) Solicitar o encaminhamento imediato ao cardiologista no PS.
Seção 1.2 / Avaliação dos sinais vitais - 27
c) Não realizar a conduta, pois a PA tende a aumentar no exercício.
d) Dar água para o paciente e aguardar a PA baixar. 
e) Mudar a conduta para alongamentos.
28 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Anatomia e cinesiologia do ombro
Diálogo aberto
Olá, aluno, 
Nesta seção vamos estudar a região do ombro, na qual conheceremos suas 
estruturas anatômicas, tais como ossos, músculos e articulações. Também 
serão abordados a biomecânica e a cinesiologia do ombro. Lembro a você 
que é imprescindível o conhecimento dessas estruturas para que se realize 
testes diagnósticos fisioterapêuticos. 
Relembrando nosso caso clínico apresentado no Convite ao estudo, nesta 
unidade, algumas informações do paciente, como: ”... queixava-se de dor no 
ombro esquerdo que se propagava para a região anterior e posterior do tórax. 
Relatou que começou a sentir as dores ao jogar voleibol, mas que o esporte 
era esporádico, apenas realizado em alguns sábados...”, podemos constatar 
pelas seções anteriores que não se tratava de um problema cardíaco, como 
se suspeitava, e sim uma lesão estrutural do ombro desse indivíduo, que não 
estava treinado e condicionado para a prática do esporte. Dessa forma, ficou 
claro que a queixa de dor do paciente e a incapacidade de realizar alguns 
movimentos estavam relacionadas a lesões nas estruturas do ombro, porém, 
é necessário saber quais foram essas estruturas lesionadas. Quais funções 
podem ter sido perdidas devido à lesão? E qual o porquê da dor? 
Convido você a conhecer essas estruturas e suas funções para que seja 
capaz de responder esses questionamentos.
Vamos lá!
Seção 1.3
Não pode faltar
Na região do ombro encontra-se a articulação de maior mobilidade do corpo 
humano, a articulação do ombro ou glenoumeral, nesta região consta o envolvi-
mento de 8 músculos, três ossos, três articulações verdadeiras e duas articulações 
funcionais. Nesta seção conheceremos as articulações e os principais músculos 
com suas ações sobre os ossos e articulações, assim como seus movimentos.
Pesquise mais
Reveja a anatomia funcional do ombro lendo o livro BEHNKE, R. S. Anatomia 
do movimento. 3. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2015. p. 67-79.
Seção 1.3 / Anatomia e cinesiologia do ombro - 29
Os ossos que compõem o ombro são o úmero (um osso longo do braço), 
a escápula (um osso laminar e triangular localizado na face posterior das 
primeiras costelas) e a clavícula (osso longo e em posição horizontal, articu-
lando a escápula pelo acrômio até o osso esterno).
Tabela 1.3 | Ossos e articulações
Articulação (Juntura) Função 
Glenoumeral triaxial (realiza movimentos nos três eixos)
Esternoclavicular estabilizadora e facilitador na mobilidade escapular
Acromioclavicular estabilizadora da escápula
EscapulotorácicaFuncional – liberdade escapular
Subacromial Funcional – passagem de tendões e ligamentos 
Fonte: elaborada pelo autor.
Fonte: elaborada pelo autor.
Fonte: elaborada pelo autor.
Tabela 1.4 | Ligamentos
Glenoumerais Conjunto de ligamentos que reforçam a cápsula articular 
Acromioclaviculares Fixação entre escápula e clavícula na porção superior
Coracoclaviculares Fixação entre escápula e clavícula na porção inferior 
Coracoumerais Fixação da escápula ao úmero sobre a cápsula articular
Tabela 1.5 | Músculos
Nome do músculo Principal ação Nervo (inervação)
m. supraespinhal Estabilização e abdução Supraescapular 
m. infraespinhal Estabilização e extensão Supraescapular 
m. subescapular Rotação interna Subescapular
m. redondo menor Rotação externa Axilar 
m. deltoide Flexão, abdução, extensão Axilar 
m. peitoral maior Adução horizontal Peitoral 
m. redondo maior Rotação externa Subescapular
m. grande dorsal Adução e extensão Toracodorsal
30 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Figura 1.3 | Ossos, ligamentos e articulações do ombro
Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-WyD0HHV2QYc/UWNvPyIX_VI/AAAAAAAAARc/nqvztSLnIPc/s640/ombro.
jpg. Acesso em: 26 abr. 2019.
Observe a Figura 1.4 que ilustra os movimentos executados pelo ombro. Para 
que os movimentos atinjam os ângulos demonstrados na figura, os músculos são 
acionados em ação primária, secundária e até terciária ao movimento.
Figura 1.4 | Movimentos do ombro
Fonte: Lippert (2013, p. 116).
A - Flexão – 0 a 180 graus.
B - Extensão – retorno da flexão – 180 a 0 graus.
C - Hiperextensão (extensão além da posição anatômica) - 0 a 45 graus 
(60 graus em outras literaturas).
D - Abdução 0 a 180 graus.
E - Adução – retorno da abdução – 180 a 0 graus.
F - Circundução (combinação de movimentos). 
Seção 1.3 / Anatomia e cinesiologia do ombro - 31
G - Rotação lateral ou externa 0 a 60 graus (90 graus para outras literaturas).
H - Rotação medial ou interna 0 a 80 graus (retorno da RE e ultrapas-
sando a linha de início da RE).
I - Abdução horizontal (abdução associado à flexão) 0 a 90 graus.
J - Adução horizontal (adução associado à extensão) 0 a 130 graus (40 
graus em direção medial, além da linha na figura).
K - Scaption - movimento de “bater asas” com rápidas oscilações entre 
adução.
Pesquise mais
Para conhecer melhor a angulação dos movimentos articulares e como é 
feita a medida de amplitude de cada movimento, leia o livro MARQUES, A. P. 
Manual de goniometria. 3. ed. Barueri: Manole, 2014. p. 116. 
Entre os ossos da articulação se encontram os ligamentos que garantem 
a aderência articular e a sua estabilização. Entre a cabeça do úmero e a rasa 
cavidade glenoide, está a estrutura que é considerada o “amortecedor de 
impacto” e também ajustador de encaixe da articulação, o lábio glenoidal. 
Dentre os músculos que movem a articulação glenoumeral e secundaria-
mente as outras articulações do ombro, está a bainha rotatória ou manguito 
rotador. 
O manguito rotador é formado por quatro músculos profundos e com 
importância significante na estabilidade da articulação, pois mantêm princi-
palmente a articulação glenoumeral encaixada, e ainda promovem o início de 
alguns movimentos articulares. São eles:
- Músculo supraespinhal – é inervado pelo nervo supraescapular (C5 e 
C6) e tem origem na fossa supraespinhal, passa pela face inferior do acrômio, 
passando sobre a bolsa subacromial e tem inserção no tubérculo maior. Ele 
pressiona a cabeça do úmero na cavidade glenoidal estabilizando essa fossa rasa 
da articulação e promove o início da abdução e auxilia na flexão do ombro. A 
estabilidade é fortalecida pelo ligamento glenoumeral. 
- Músculo infraespinhal – é inervado pelo nervo supraescapular (C5 e 
C6) e tem origem na fossa infraespinhal e inserção também no tubérculo 
maior. É um estabilizador e rotador externo que tem uma função secundária 
na extensão do ombro. A estabilidade é fortalecida aqui pela porção capsular 
do ligamento glenoumeral.
32 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
- Músculo subescapular – é inervado pelo nervo subescapular (C5 e C6) 
e tem origem na fossa escapular e se insere no tubérculo menor, tendo uma 
função importante na rotação interna e auxílio na adução do ombro.
- Músculo redondo menor – é inervado pelo nervo axilar (C5) e tem 
origem na borda medial da escápula e se insere na face lateral superior do 
úmero. Promove a rotação externa (lateral) sendo limitado pelo ligamento 
coracoumeral.
Figura 1.5 | Músculos da bainha rotatória
Fonte: Evans (2007, p. 3).
Exemplificando
Todos os movimentos que usamos para higiene pessoal, atividade profis-
sional, lazer e esportiva com os MMSS, usam o manguito rotador para 
estabilizar a articulação do ombro e promover a rotação interna e a 
externa. Lesões nessa região prejudicam a função e a estabilidade, e por 
isso, devemos testar os movimentos desses músculos e a estabilidade de 
cada ligamento.
Os músculos superficiais do ombro são mais volumosos e têm trabalho mais 
vigoroso e de grande amplitude de movimento. São eles:
- Músculo deltoide – inervado pelo nervo axilar (C5 e C6), dividido em 
três porções, anterior, média e posterior, todas com inserção na tuberosidade 
deltoidea do úmero. As fibras da porção anterior têm origem no terço distal da 
clavícula, e têm ação na flexão auxilia na abdução e rotação interna. As fibras 
da porção média têm origem no acrômio e têm função de abdução, e as fibras 
da porção posterior têm origem na porção lateral da espinha da escápula e têm 
função de extensão e auxilia na rotação externa e adução horizontal do ombro.
Seção 1.3 / Anatomia e cinesiologia do ombro - 33
Figura 1.6 | Ação dos músculos superficiais do ombro
Levantamento 
frontal com cabo
Crucifixo inclinado 
com halteres fixos
Puxada na barra 
com pegada aberta
Fonte: Evans (2007, p. 12, 44 e 76).
- Músculo redondo maior – inervado pelo subescapular (C5 e C6) com 
origem e inserção semelhante ao redondo menor, porém com posição mais 
anterior. Sua função é de extensão, adução e rotação interna (medial) do ombro.
- Músculo peitoral maior – inervado pelo nervo peitoral (C5 a T1) e 
dividido em parte clavicular e parte esternal e tem inserção no tubérculo 
maior na face do sulco bicipital. A porção clavicular tem origem no terço 
médio da clavícula, e tem função de adução horizontal, no qual o movimento 
se inicia a partir de 90 graus de abdução do ombro e auxiliar da flexão de 
ombro nos primeiros 60 graus. A porção esternal tem origem no manúbrio 
e percorre todo o corpo de osso esterno. Tem função de adução horizontal, 
no qual o movimento se inicia a partir de 90 graus de abdução do ombro e 
auxiliar da extensão de ombro nos primeiros 60 graus.
- Músculo grande dorsal ou latíssimo do dorso – inervado pelo toraco-
dorsal (C6 a C8) tem origens entre os processos espinhosos da coluna verte-
bral de T7 a L5 e inserção no sulco bicipital. Sua ação é de extensão, adução e 
rotação medial do ombro. 
Mas como ocorrem os movimentos?
Durante a flexão de ombro, o músculo deltoide por meio de suas 
fibras anteriores, a parte clavicular do peitoral nos primeiros 60 graus e o 
músculo supraespinhal, entram em ação. Após os 120 graus, inicia o auxílio 
do músculo peitoral menor. Nesse movimento existem músculos auxiliares 
como as fibras superiores do músculo trapézio e serrátil anterior, que auxilia 
na rotação da escápula a partir de 30 graus de flexão e também estabilizam o 
final do movimento. Nessa condição, a bainha rotatória estabiliza para evitar 
escorregamento anterior da cabeça do úmero. 
34 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Na extensão do ombro de retorno da flexão, o músculo latíssimo do dorso 
ou grande dorsal realiza o movimento auxiliado pela cabeça longa do tríceps 
braquial e parte esternal do peitoral maior, este tem ação quando parte de 
90 graus de flexão e traz a posição correspondendo a 0 grau. Já na hiperex-
tensãoo início do movimento é realizado com as fibras inferiores do trapézio 
e auxiliado pelos músculos redondos menor e maior. Se na hiperextensão o 
membro superior deslizar para a face posterior do corpo, seguindo a linha 
mediana do tronco, como na abdução do ombro, os músculos acionados 
serão o trapézio e romboides na escápula.
Na abdução do ombro o músculo supraespinhal é o principal atuante até 
o movimento atingir a amplitude de 90 graus, e em seguida é gradativamente 
auxiliado pelas fibras médias do deltoide, até que este se torne o principal 
agonista até alcançar os 180 graus. A partir de 120 graus a escápula também 
é acionada, como ocorre na flexão. Na adução de retorno da abdução, o 
músculo peitoral maior, redondo maior e grande dorsal são agonistas.
Em situações que se realiza uma rotação externa do ombro, o infraes-
pinhal e o redondo menor são os principais atuantes, auxiliados pelas fibras 
posteriores do deltoide, atingindo 45 graus. 
A rotação interna do ombro é feita por ação dos músculos subescapular, 
peitoral maior, fibras anteriores do deltoide, auxiliados pelo grande dorsal 
(latíssimo do dorso) e redondo maior, alcançando 45 graus de amplitude.
A adução horizontal do ombro é realizada principalmente pelo peitoral 
maior, auxiliado pelo tríceps braquial e pelo deltoide anterior, atingido 120 
graus de amplitude e a abdução horizontal é realizada principalmente pelas 
fibras posteriores do deltoide, com auxílio do infraespinhal e redondo menor; 
já na abdução horizontal as fibras posteriores do músculo deltoide mais os 
infraespinhal e redondo menor realizam o retorno do movimento.
Assimile
Os movimentos funcionais do ombro sempre utilizam a bainha rotatória 
(manguito rotador), tanto de forma dinâmica como estática.
A articulação do ombro é auxiliada em seus movimentos pela mobilidade do 
cíngulo dos membros superiores e pela articulação escapulotorácica/escapulo-
costal, em que a escápula desliza sobre as costelas para ampliar os movimentos 
do ombro. Observe os movimentos na figura abaixo.
Seção 1.3 / Anatomia e cinesiologia do ombro - 35
Figura 1.7 | Mobilidade da escápula
Ao lado podemos observar os movimentos 
escapulares (do cingulo) que auxiliam no 
movimento do ombro:
A. elevação - movimento de elevação vertical 
da escápula. Abaixamento - movimento de 
descida vertical da escápula.
B. protrusão - movimento de afastamento 
horizontal das escápulas. Retração- 
movimento de aproximação vertical das 
escápulas.
C. Rotação superior- movimento de giro do 
ângulo inferior da escapular para lateral. 
Rotação inferior- movimento de giro do 
ângulo inferior da escapular para medial.
D. inclinação escapular- movimento de giro 
horário ou anti-horário das escápulas.
Fonte:Lippert (2013, p. 105).
Pesquise mais
Estude mais cinesiologia e biomecânica lendo o livro: LIPPERT, Lynn 
S. Cinesiologia clínica e anatomia. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 2013, p. 115-128.
Sem medo de errar
Com as informações desta seção, agora você já é capaz de responder quais 
são as estruturas anatômicas e funcionais que estão envolvidas nos movimento, 
ativos, sinérgicos e passivos do ombro e também como ocorrem esses movimentos, 
reconhecendo as estruturas estabilizadoras articulares e cinéticas durante a ação.
Recordando nossa situação-problema do caso clínico do início da unidade, 
em que foi questionado sobre as estruturas e as limitações do movimento, pergun-
tamos, “Quais foram as estruturas lesionadas? Quais funções podem ter sido 
perdidas devido a lesão? E o porquê da dor?”
Atenção
É importante que você lembre que a parte muscular do ombro apresenta 
uma camada profunda estabilizadora chamada de manguito rotador e uma 
camada superficial de músculos mais vigorosos. As faltas de compensação 
entre forças desses grupos sobrecarregam a camada interna e geram lesões. 
36 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Um indivíduo com 50 anos cuja profissão não exige esforços físicos 
e ainda é sedentário, tem sua estrutura osteomioarticular fragilizada, e 
quando colocado em situações de esforço extremo, como um jogo de vôlei, 
que exige força muscular e estabilidade do ombro, corre riscos de lesões. Os 
movimentos de elevação do membro e força explosiva nos saques e cortadas 
põem o ombro em posições acima de 120 graus, condição em que a bainha 
rotatória perde gradativamente a capacidade de estabilidade, com riscos de 
lesões principalmente no músculo supraespinhal, responsável pela abdução 
e estabilidade durante a flexão e o subescapular, responsável pela rotação 
interna e limitador da rotação externa, que pode evitar a luxação anterior. 
Ainda sobrecarrega a articulação glenoumeral, que é susceptível a luxações 
devido a sua cavidade glenoidal ser rasa, necessitando ser protegida pela 
estabilidade do manguito rotador, que se encontra incapacitado por falta de 
treino ou exercícios. A lesão do contador de meia idade é provável nessas 
estruturas: músculo supraespinhal e/ou subescapular e articulação e/ou 
ligamentos glenoumerais. A dor reflete nas estruturas internas do ombro.
Avançando na prática
Agora que conhece a anatomia do ombro, seus movimentos e suas 
funções, use o que aprendeu nesta seção para resolver uma nova situação-
-problema relacionada a essa mesma região anatômica do corpo, envolvendo 
ações dos ombros.
Lesão após a síndrome do impacto do ombro
Descrição da situação-problema 
Um indivíduo de 50 anos com o diagnóstico médico de tendinite e síndrome 
do impacto, se queixa de dor e dificuldades em realizar os movimentos de 
flexão e abdução do ombro. Na inspeção o fisioterapeuta observou o distan-
ciamento da cabeça do úmero e acrômio, e nos RX se observou também um 
desvio inferior da cabeça do úmero com a da fossa glenoidal. Testando o 
movimento de rotação interna e externa, notou frouxidão articular e o paciente 
relatou sentir muita dor. Quais músculos devem ser trabalhados numa sessão 
de fisioterapia para reestabelecer a força, a estabilidade e a amplitude completa 
de movimento da articulação do ombro?
Seção 1.3 / Anatomia e cinesiologia do ombro - 37
Lembre-se
A fragilidade da articulação do ombro é contida e mantida por grupos 
musculares estabilizadores do ombro que também realizam o início de 
alguns movimentos.
Resolução da situação-problema 
Os músculos envolvidos nos movimentos de flexão e abdução do ombro 
e que ainda estabilizam essa articulação são o supraespinhal e infraespinhal, 
além dos rotadores subescapular e redondo menor. Após a idade de 50 anos 
existe uma tendência entre os homens de adotar uma postura em que deixa 
os membros superiores caídos paralelamente ao corpo durante a deambu-
lação, o que provoca a desestabilização do ombro seguido de síndrome do 
impacto e tendinite. Portanto, os músculos a serem trabalhados são os que 
compõem o manguito rotador para recuperar a estabilidade e assim recuperar 
os movimentos.
Faça valer a pena
1. Durante um jogo de voleibol, um jogador executa várias vezes o movimento de 
“cortada”, em que o membro superior é totalmente elevado e lançado para frente em 
direção à bola. 
Assinale a alternativa que define qual é o movimento descrito durante essa técnica da 
volta do movimento de cortada.
a) Flexão.
b) Extensão.
c) Rotação.
d) Abdução.
e) Adução.
2. “Drive” é o nome de uma tacada de longo alcance do golfe, geralmente a inicial 
ou primeira tacada. O jogador executa uma vez o movimento de “drive”, quando o 
membro superior é totalmente elevado e lançado em circundução para frente em 
direção à bola.
A garantia desse movimento é proporcionada pelos músculos estabilizadores do 
ombro, dessa forma, quais são os principais músculos que estabilizam o ombro?
a) O músculo peitoral maior e o peitoral menor.
38 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
b) O músculo redondo maior e o redondo menor.
c) O músculo trapézio e o deltoide.
d) O músculo deltoide e os peitorais.
e) Os músculos do manguito rotador.
3.No voleibol, o “bloqueio” é um movimento de defesa que ocorre após a elevação 
em flexão máxima do braço, e em seguida, em contração isométrica, impedindo a 
passagem da bola.
A isometria muscular no movimento de bloqueio é dada pelos músculos:
a) Deltoide fibras posteriores e grande dorsal.
b) Deltoide fibras posteriores e peitoral maior.
c) Deltoide fibras anteriores e peitoral maior.
d) Deltoide fibras anteriores e grande dorsal.
e) Manguito rotador.
Seção 1.4 / Imaginologia do ombro - 39
Imaginologia do ombro 
Diálogo aberto
Olá, aluno, vamos estudar, nesta seção, noções de imaginologia do ombro. 
Atualmente existem diversos tipos de exames de imagens que facilitam 
a investigação diagnóstica de patologias e também auxiliam o estudo da 
anatomia, da cinesiologia e da biomecânica do ombro. Eles proporcionam a 
identificação das estruturas anatômicas, assim como o estudo dos processos 
patológicos que envolvem a morfologia local. Esse estudo da imaginologia 
envolve o conhecimento anatômico por meio de exames radiográficos, 
tomográficos, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias, que servirão de 
complemento no diagnóstico cinético funcional do ombro. 
Relembrando nosso caso clínico que foi descrito no Convite ao estudo, no 
início desta unidade, sobre o indivíduo de 50 anos, que se queixava de dor no 
ombro, no momento em que foi referido: “No hospital foi solicitado RX de 
ombro e de tórax e exames laboratoriais” e “na fisioterapia foi observado um 
desvio na coluna cérvico-torácica e sinais de processo inflamatório agudo no 
ombro esquerdo, causados pela presença de atrito articular...” Já é possível 
observar a importância dos exames no auxílio de uma avaliação fisioterapêu-
tica do ombro e de um diagnóstico. Mas o que foi visto nesses exames de RX? 
E quais são as técnicas para estudo anatômico que denunciam alterações na 
estrutura anatômica e que causam prejuízos funcionais no ombro? 
Seção 1.4
Não pode faltar
No estudo da anatomia das estruturas que estão envolvidas no movimento 
do ombro, a imaginologia é uma ferramenta importante que auxilia na obser-
vação dessas estruturas, além de permitir também a identificação dos espaça-
mentos articulares e do posicionamento dos ossos nos movimentos articulares. 
A imagem adquirida pela técnica dos RX é indicada e mais bem obser-
vada nas condições em que:
• O tecido tenha uma densidade mais alta que outras: por exemplo, 
os ossos têm maior densidade que o músculo, portanto, os ossos são 
mais radiopacos (translúcidos) na película de RX. O músculo tem 
maior densidade que o tecido gorduroso. 
• O tecido tenha maior quantidade de elementos atômicos, e por isso, 
são mais radiopacos que os tecidos que possuem menor quantidade 
40 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
de elementos atômicos: por exemplo, o bário tem número atômico 
alto e por isso é muito usado em imagens de contrastes. Radiografias 
de trânsito intestinal são feitas com ingestão de bário para facilitar a 
visualização de imagens abdominais.
• O tecido tenha maior espessura: por exemplo, um volume tumoral 
em um órgão é mais radiopaco no local do tumor do que no tecido 
sem o tumor.
O exame de radiografia do ombro possibilita identificar a articulação em 
vários ângulos diferentes que exploram a estabilidade do manguito rotador 
e visualiza possíveis desgastes ou fraturas nos acidentes ósseos. Nas imagens 
de um RX nas incidências em AP e AP corrigido (Figura 1.8a – em posição 
de rotação neutra do ombro e, b – rotação externa ou corrigido do ombro) é 
possível identificar o úmero, a escápula e a clavícula. 
Para estudar uma imagem de RX de ombro, idêntico à Figura 1.9, você 
deve seguir este roteiro: observe o contorno de todos os ossos; como não 
aparenta descontinuidade em toda a silhueta deles é possível afirmar que não 
apresenta fratura visível; na articulação glenoumeral não existem desalinha-
mentos laterais, superiores ou inferiores, que possam indicar instabilidade 
ou luxações, também se nota que, nas articulações glenoumeral e acromio-
clavicular, os espaços reservados para as cartilagens e para os “amortece-
dores” como os discos e lábios articulares, estão preservados, não indicando 
desgastes que evidenciem processos de artroses; a articulação subacromial 
não está distante da glenoumeral, indicando estabilidade e sem sinal de 
síndrome do impacto; a articulação acromioclavicular também mantém 
conservado o espaço articular, sem presença de osteófitos e não apresenta 
volumes ósseos exagerados que indique artrose ou inflamação crônica. 
Essa radiografia avaliada não demonstra posições de estresse, como 
a rotação interna, rotação externa, abdução ou adução forçadas, para que 
possamos afirmar que se trata realmente de um ombro saudável. Outras 
imagens radiográficas que expõem os movimentos ao máximo ou exploram 
outras angulações, ajudarão a confirmar a condição saudável do ombro. 
Observe as estruturas na imagem: o tubérculo maior está lateralizado e o 
menor está no centro do úmero, com a borda do sulco bicipital visível. Não 
existem presenças de calcificações que indiquem bursite crônica calcificada. 
Também não se verifica a existência de erosão óssea no tubérculo maior, 
sugerindo inflamações crônicas como bursite subacromial.
Seção 1.4 / Imaginologia do ombro - 41
Figura 1.8 a. b. | RX AP e AP corrigido em rotação neutra de ombro
a b
Fonte: iStock.
Assimile
Todos os músculos da bainha rotatória e suas funções de movimentos, 
em condições antagônicas como estabilizadores, devem ser lembrados 
em todas as avaliações do ombro.
Já na radiografia axilar (Figura 1.9) o ombro é colocado em abdução 
de 90 graus, forçando a estabilidade da bainha, podendo se ver a superfície 
articular e constatar se está lisa e volumosa o suficiente para os deslizes 
durante os movimentos do ombro para absorver e amortecer impactos.
Figura 1.9 | RX axilar ombro em abdução Figura 1.10 | RX em “Y”
Fonte: iStock.
42 - U1 / Avaliação fisioterapêutica: anatomia e cinesiologia do ombro
Uma imagem em “Y” (Figura 1.10) auxilia na identificação das fossas em 
que estão localizados os músculos da bainha rotatória (supraespinhal na parte 
superior, infraespinhal na parte inferior direita da imagem e subescapular, a 
esquerda entre as costelas), podendo verificar a possibilidade de síndrome de 
impacto ou também de um processo de artrose da cabeça do úmero. 
Na síndrome do impacto, o tipo de acrômio pode favorecer o surgimento 
das lesões, e necessita ser verificado nos RX. 
É possível serem realizadas radiografias de ombro com imagens de rotação 
interna ou externa e estarem associadas ou não a abdução e adução, e ainda 
imagens de RX em abdução ou rotação. No exame também é possível angular 
os RX para favorecer a visualização de uma imagem que se esteja pesquisando.
Os exames de tomografia 
computadorizada (TC) (Figura 
1.11), são exames que usam os raios 
x que captam as imagens tridimen-
sionais do ombro em alta definição, 
e armazenam em um banco de 
dados de um computador. Essas 
imagens são reconstruídas por 
um software que forma imagens 
com possibilidades de realizar 
cortes transversais para estudos 
minuciosos de estruturas que não 
são possíveis de se observar no RX 
convencional. Infelizmente, para o 
ombro sua importância é mais direcionada para as fraturas e calcificações, 
nos demais casos o exame mais eficiente indicado é a ressonância nuclear 
magnética ou imagem de ressonância nuclear (RNM ou RNI).
Nestas imagens de cortes semelhantes a tomografia (Figura 1.12), mas com 
capacidade de exibir melhor os tecidos moles, podemos estudar melhor os 
lábios (labro) da glena, ligamentos, tendões e músculos profundos. A imagem 
a seguir demonstra uma RNM com pequenas calcificações entre o tubérculo 
maior e a cabeça do úmero (acima do colo anatômico). É uma imagem que 
inicia com cortes do tipo sagital e com sentido lateral para medial.
Figura 1.11 | TC de ombro – corte transversal
Fonte: iStock.

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