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Terapêutica Cirúrgica - II 1 AVALIAÇÃO CLÍNICA ACESSO AO DENTE → Limitação de abertura da boca, se for comprometida, deve considerar abordagem cirúrgica, em vez de extração. → Localização e posição dente a ser extraído. MOBILIDADE DO DENTE → Maior mobilidade é comum em doença periodontal severa, facilitando a remoção, porém o manejo do tecido mole após a extração é comprometido. → Menor mobilidade é necessário avaliar hipercementose ou anquilose das raízes, sendo necessário planejar remoção cirúrgica ao invés de extração por fórceps. CONDIÇÃO DA COROA → Presença de grandes cáries ou restaurações promovem maior chance de fratura da coroa durante a extração. → Dentre tratado endodonticamente se torna ressecado e frágil, podendo quebrar quando aplicar força. → Tártaro deve ser removido antes da extração, pois interfere na colocação do fórceps e pode contaminar o alvéolo vazio. → Se os dentes adjacentes tiverem restaurações grandes, pode ocorrer fratura ou descolamento delas. EXAME RADIOGRÁFICO RADIOGRAFIA PANORÂMICA Permite uma visão geral e a relação do dente com estruturas adjacentes. → Usada para dentes impactados. RADIOGRAFIA PERIAPICAL Permite melhor detalhe da morfologia radicular e condições do tecido ósseo adjacente. RELAÇÃO COM ESTRUTURAS VITAIS → Se apenas uma fina camada de osso existir entre o seio maxilar e as raízes dos molares, o potencial de perfuração do seio maxilar aumenta. O plano de tratamento pode ser alterado para cirurgia aberta, com divisão das raízes antes que o procedimento prossiga. → Canal alveolar inferior pode se aproximar das raízes dos molares mandibulares e pode acontecer uma lesão do canal e causar prejuízo ao nervo alveolar inferior. CONFIGURAÇÃO DAS RAÍZES → Número de raízes. → Curvatura das raízes e o grau de divergência: se a divergência for grande, pode impedir extração com fórceps, sendo necessária uma extração cirúrgica. → Forma da raiz individual: • Pequenas e de forma cônica são fáceis de remover. • Longas com curvaturas severas e abruptas ou ganchos são mais difíceis de remover. Terapêutica Cirúrgica - II 2 → Tamanho da raiz, pois as menores são mais fáceis de serem removidas. → Cárie radicular pode enfraquecer a raiz e deixa-la mais propensa à fratura. → Reabsorção radicular interna ou externa. → Terapia endodôntica prévia pode haver anquilose ou a raiz pode estar frágil. CONDIÇÃO DO OSSO CIRCUNDANTE → Densidade representa que quanto mais radiolúcido, menor densidade presente, facilitando a extração. → Condição patológica apical. MEDIDAS PRÉ-OPERATÓRIAS → Material. → Instrumental. → Equipamento. → Equipe cirúrgica. → Controle de infecção por métodos de biossegurança. POSIÇÃO DA CADEIRA Dentista deve fazer a força com o braço e não com as mãos. EXTRAÇÃO MAXILAR Cadeira inclinada para trás num plano oclusal de 60º com o chão, sendo que a altura da cadeira e a boca do paciente esteja abaixo do nível do cotovelo do operador. → Posterior: cabeça virada na direção do dentista. → Anterior: paciente olhando para frente. EXTRAÇÃO MANDIBULAR Com a cadeira mais baixa, deve-se colocar o paciente em posição mais elevada fazendo um plano oclusal paralelo ao chão. → Posterior: cabeça do paciente bastante virada na direção do dentista, este que de pé na frente do paciente. → Anterior: cirurgião deve ficar ao lado do paciente. Outras Formas Extração mandibular com o dentista atrás do paciente oferece uma posição confortável e estável. → O dentista pode realizar extrações sentado: • Maxilar: o paciente posicionado semi-reclinado, semelhante ao dentista de pé, porém menos reclinado. • Mandibular: paciente mais elevado, o dentista pode trabalhar na frente ou atrás do paciente. PRINCÍPIOS MECÂNICOS DA EXODONTIA ALAVANCA Transforma pequena força e grande movimento em pequeno movimento e grande força. → Alavanca elevadora de raízes inserida em um ponto do dente para elevá-lo. Terapêutica Cirúrgica - II 3 CUNHA Expandir, dividir e deslocar porções onde ela é usada. → Ponta do fórceps expandem o osso e deslocam o dente para fora do alvéolo. → Alavanca pequena desloca a raiz para fora do alvéolo. RODA E EIXO Alavanca triangular → Usada quando uma raiz de um dente fica no processo alveolar. → Alavanca é posicionada no alvéolo e girada, levanta a raiz para fora do alvéolo. → Cabo é o eixo, e a ponta roda. ALAVANCAS Ajudam na luxação de um dente. → Cabo, haste e lâmina. → Lâmina reta, triangular, curva ou pontuada. FÓRCEPS Continuam o processo através da expansão óssea e rompimento dos ligamentos periodontais. PRESSÃO APICAL Desloca o centro de rotação do dente apicalmente. → Ponta do fórceps deve ser forçada no espaço do ligamento periodontal. → Diminui a chance de fratura apical da raiz. FORÇA VESTIBULAR Expansão da lâmina vestibular, na direção da crista óssea. → Força excessiva pode fraturar osso vestibular ou porção apical da raiz. PRESSÃO LINGUAL OU PALATINA Expansão da crista lingual, evita pressão excessiva na apical vestibular. PRESSÃO ROTACIONAL Expansão interna do alvéolo dental e rompimento dos ligamentos. → Dentes com raízes únicas, cônicas e retas são mais fáceis de luxar com essa técnica, outros são mais possíveis de fratura. FORÇAS TRACIONAIS Úteis para tirar o dente do alvéolo, uma vez que a expansão óssea adequada é atingida. → Dentes não devem ser puxados de seus alvéolos. → Forças devem ser gentis, outras manobras devem ser executadas para melhorar a luxação se uma força maior for necessária. Terapêutica Cirúrgica - II 4 EXTRAÇÃO FECHADA (SIMPLES) Mais frequente, é a primeira considerada para quase todas as extrações. 1ª ETAPA Afrouxamento do tecido mole de adesão da porção cervical do dente. Permite que o dentista tenha certeza de que a anestesia profunda foi atingida, e que consiga posicionar mais apicalmente o fórceps e a alavanca, sem o impedimento da gengiva. → Lâmina de bisturi, Descolador de periósteo nº 9. 2ª ETAPA Expansão e dilatação do osso alveolar e rompimento do ligamento periodontal, ocasionando uma luxação do dente que geralmente é feita com alavanca dental reta. A alavanca é inserida perpendicularmente no dente, sendo que o cabo é girado para trás e para frente e movido apicalmente para elevar o dente, mas também pode ser girado na direção oposta para deslocar o dente para fora do alvéolo, caso não tenha dente adjacente posterior. O dente irá se afrouxar o suficiente para ser removido facilmente com o fórceps. 3ª ETAPA Adaptação do fórceps ao dente para evitar fraturas na raiz. → As pontas ativas do fórceps devem se adaptar anatomicamente ao dente, na superfície radicular, de forma com que agarre a raiz abaixo do tecido mole descolado, primeiro ajustando a lingual e depois a vestibular. 4ª ETAPA Luxação do dente com fórceps ajustado o mais apicalmente possível e reajustado durante a extração. A maior parte da força é feita na direção do osso mais fino e mais fraco, por isso que em todos os dentes, menos no molar, o movimento será labial e vestibular. As forças devem ser lentas, controladas e não com manobras bruscas, sendo mantidas por alguns segundos para permitir tempo de o osso expandir. 5ª ETAPA Remoção do dente do alvéolo. → Uma força de tração leve e mínima, feita quando o processo alveolar é suficientemente expandido e o ligamento periodontal está completamente rompido. FUNÇÃO DA MÃO OPOSTA → Afastamento dos tecidos moles para gerar visualização adequada da área de cirurgia. → Proteger outros dentes do fórceps, caso ele se solte do alvéolo dentário. → Estabilizar a cabeça e a mandíbula do paciente. → Suporta o processo alveolar durante o período de luxação. Obs.: O dentista podeter dificuldade de realizar todas essas funções sozinhas, portanto, utiliza-se um assistente. Terapêutica Cirúrgica - II 5 CUIDADOS COM O ALVÉOLO PÓS-EXTRAÇÃO Manobra de Chompret é pressão digital nas corticais vestibulolinguais para comprimir as lâminas de volta à configuração original. → Se a lesão periapical é visível na radiografia, a região deve ser curetada com uma cureta apical para remover granuloma ou cisto. → Se houver algum resíduo, deve ser removido com cureta ou ponta do aspirador. FÓRCEPS FÓRCEPS 150 Utilizado para incisivos, caninos e pré-molares superiores. FÓRCEPS 18L E 18R Utilizado para molares superiores. FÓRCEPS 65 Utilizado para raízes residuais ou raízes seccionadas cirurgicamente. FÓRCEPS 151 Utilizado para incisivos, caninos e pré-molares inferiores. FÓRCEPS 17 Utilizado para molares inferiores. RESUMO DE FÓRCEPS Fórceps 150 Fórceps 18L Fórceps 18R Fórceps 151 Fórceps 17 Terapêutica Cirúrgica - II 1 TÉCNICA NÃO ALVEOLAR Técnica que se utiliza de um retalho associado a odontosecção e osteoctomia em casos de dente com imbricamento mecânico e dentes mésio angulados. BENEFÍCIOS PREVENÇÃO → Lesões dos tecidos moles. → Fratura óssea. → Fratura dental. → Diminui o tempo cirúrgico. → Retardo no reparo. INDICAÇÕES Extração alveolar é considerada uma técnica com risco elevado de fratura óssea, deslocamento do dente, lesão de dente adjacente e fratura de tábua óssea, por isso a técnica não alveolar pode oferecer mais conforto e menos risco ao paciente. → Hipercementose. → Raízes divergentes ou dilaceradas. → Destruição coronária. → Tentativas iniciais de exodontia sem sucesso. → Osso alveolar denso (Idosos). → Atrição dentária grave (Bruxismo). → Expansão alveolar do seio maxilar. CONFECÇÃO DO RETALHO DIVISÃO DOS TECIDOS MOLES → Demarcada por uma incisão que vai até o periósteo. → Favorecer o suprimento sanguíneo próprio. → Acesso cirúrgico adequado aos tecidos subjacentes. → Reposicionado na posição original. → Mantido com sutura. → Versatilidade amplitude. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO RETALHO → Base > margem livre. → Tamanho adequado. → Afastamento sem tensão. → Mucoperiósteal de espessura total SUPRIMENTO SANGUÍNEO 2 incisões relaxantes divergentes entre si para aumentar a base do retalho, favorecendo o suprimento sanguíneo. → Incisão relaxante oblíqua, mesial a estrutura de interesse cirúrgica. Obs.: A incisão relaxante não deve ser feita na bossa canina, pois é uma proeminência que permite que o tecido do retalho fique tenso, podendo provocar uma separação das bordas. Terapêutica Cirúrgica - II 2 APOIADO EM TECIDO ÓSSEO SADIO O retalho deve ser apoiado num tecido ósseo sadio, do período em que começa a cirurgia até o pós procedimento cirúrgico. → Ao rebater o retalho e a área da incisura estiver em osso não sadio, pode favorecer o afastamento das bordas que piora a cicatrização do tecido mole. TÉCNICA CIRÚRGICA 1. Incisão. 2. Descolamento. 3. Ostectomia. 4. Odontossecção se necessário. 5. Extração. 6. Limpeza da cavidade. 7. Sutura. → Dente unirradicular. → Dente multirradicular. → Fragmentos de raiz. DENTE UNIRRADICULAR → Retalho adequado. → Avaliar necessidade de ostectomia. → Confecção de ponto de apoio. → Utilização de fórceps/extrator. → Regularização das margens ósseas. → Irrigação copiosa. DENTE MULTIRADICULAR ODONTOSECÇÃO Alta rotação com broca tronco-cônica (nº702) ou esférica (nº8). → Anatomia radicular. MOLARES INFERIORES Molares inferiores é o único grupo de dentes que ao fazer o movimento pendular vestíbulo-lingual, deve-se fazer mais pressão lingual do que vestibular. MOLARES SUPERIORES Separar raízes vestibulares na região cervical e extrair a coroa com a raiz palatina. Terapêutica Cirúrgica - II 3 FRAGMENTOS DE RAIZ CRITÉRIOS DE PERMANÊNCIA RADICULAR → Livre de infecção ou lesão. → Fragmento apicalde dentes inclusos mais dificultada. → Menor espaço do folículo dental. → Ligamento periodontal atrofiado. → Raízes formadas. → Osso mais denso. CLASSIFICAÇÃO DA POSIÇÃO → Winter. → Pell & Gregory. WINTER Classificação relacionada a angulação do dente incluso. MESIOANGULAR O longo eixo do dente incluso está mesial em relação ao segundo molar. Obs.: No 3º Molar superior a exodontia mesioangular é dificultada. DISTOANGULAR A coroa está relacionada ao ramo ascendente da mandíbula tendo mais cobertura óssea sobre a coroa. Terapêutica Cirúrgica - II 3 VERTICAL O longo eixo do dente incluso está na mesma posição do longo eixo dos dentes vizinhos. HORIZONTAL Longo do eixo do dente incluso perpendicular ao longo eixo dos dentes vizinhos, geralmente a coroa está voltada para a parte mesial. TRANSVERSO Condição rara em que a coroa do dente está voltada para a vestibular ou lingual. PELL & GREGORI Classificação relacionada a altura do dente incluso associada ao plano oclusal e a borda anterior do ramo. PLANO OCLUSAL Relacionada a profundidade de oclusal dos dentes superiores e inferiores → A: Dente com a mesma altura que o plano oclusal dos vizinhos (Erupcionado). → B: Dente com o plano oclusal entre a cervical e o plano oclusal dos dentes vizinhos (Submucoso). → C: Dente com o plano oclusal abaixo da cervical dos vizinhos. BORDA ANTERIOR RAMO → 1: Coroa totalmente anterior a borda anterior do ramo. → 2: Dente com a coroa no sentido mesio distal posterior a borda anterior do ramo → 3: Coroa totalmente posterior a borda anterior do ramo. A C B 1 2 3 Terapêutica Cirúrgica - II 4 TÉCNICA ACESSO ADEQUADO Incisão relaxante associada a incisão sobre a crista. → Incisão. → Divulsão. → Exposição. Obs.: A palpação da área retromolar deve ser feita antes de incisar, para definir o sentido vestíbulo- lingual da incisão sobre a crista do 3º molar inferior. OSTEOCTOMIA Remoção óssea em canaleta mantendo a altura vestibular da crista, expondo a região entre a cervical e a crista sem rebaixar a linha oblíqua, pois ela é uma área de reforço mandibular. → Brocas carbides tronco-cônica 702 XL ou XXL. ODONTOSECÇÃO Técnica usada para diminuir o imbricamento mecânico, baseada na posição do dente, na profundidade da oclusão, na relação do dente com a mandíbula. EXODONTIA Extração com os princípios mecânicos realizados cautelosamente para evitar riscos de acidente. → Extrator winter é usado para extrair os 3º molares através do movimento vestíbulo- distal roda e eixo. FERIDA E SUTURA Limagem, Curetagem, Irrigação e Sutura. → Remoção do folículo dental e tecido mole na distal do 2º Molar. → Limagem das espículas ósseas. → Remoção das esquírolas ósseas. → Irrigação com soro fisiológico. → Sutura com fios 3-0 ou 4-0. PROTOCOLO MEDICAMENTOSO PRÉ- OPERATÓRIO ANTIINFLAMATÓRIO → Dexametasona 4mg 1 hora antes do procedimento. → Betametasona 4mg 1 hora antes do procedimento. ANALGÉSICO → Dipirona 500mg assim que acabar o procedimento. → Paracetamol 750mg assim que acabar o procedimento. Terapêutica Cirúrgica - II 5 PROFILAXIA ANTIBIÓTICA Se necessária. → Penilicina 1g 1 hora antes do procedimento. → Clindamicina 600mg 1 hora antes do procedimento. PROTOCOLO MEDICAMENTOSO PÓS- OPERATÓRIO AINES E ANALGÉSICO Nimesulida 100g a cada 12 horas + Dipirona 500mg a cada 4 horas no primeiro e segundo dia. ANTISSÉPTICO Bochecho com digluconato de clorexidina a 0,12% a partir do 2º dia para não desfazer o coágulo. PÓS-OPERATÓRIO → Repouso por 24 horas. → Cabeceira elevada num ângulo de 30º. → Evitar esforço físico, trauma á região e pressão negativa. → Higiene bucal cuidadosa. Terapêutica Cirúrgica - II 1 PROCESSOS DISTINTOS CICATRIZAÇÃO É a reposição das estruturas lesadas por um tecido conjuntivo fibroso, denominado tecido cicatricial. REGENERAÇÃO É a reposição das estruturas lesadas por células com morfofuncionalidade semelhantes aquelas que existiam. REPARAÇÃO É a capacidade que os tecidos apresentam de poder repor as suas estruturas lesadas por outro tecido semelhante ou não. REPARO ALVEOLAR É o conjunto de reações teciduais que ocorrem no interior do alvéolo após a exodontia. → Tecido epitelial promove o reparo da fibromucosa gengival. → Tecido ósseo promove a reparação do alvéolo dental propriamente dito. TIPOS DE CICATRIZAÇÃO CICATRIZAÇÃO POR PRIMEIRA INTENSÃO As bordas da ferida em que não tenha havido perda de tecido, são posicionadas exatamente na mesma posição anatômica, formando uma mínima cicatriz. CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENSÃO Existência de um espaço entre as bordas de uma incisão/laceração que impeça a íntima aproximação das bordas da ferida. REPARO ALVEOLAR Processo se divide em 4 fases e ocorre de baixo para cima, ou seja, do ápice para a cervical, e de fora para dentro. 1. Proliferação celular. 2. Desenvolvimento do tecido conjuntivo. 3. Maturação do tecido conjuntivo. 4. Diferenciação óssea – maturação. Obs.: As 4 fases do reparo não ocorrem isoladamente. PROLIFERAÇÃO CELULAR → Formação do coágulo sanguíneo imediatamente. → Invasão celular a partir do LP. → Proliferação de células endoteliais. → Formação do tecido de granulação. Terapêutica Cirúrgica - II 2 DESENVOLVIMENTO DO TECIDO CONJUNTIVO → Grande quantidade de células. → Fibroblastos e capilares. → Formação do tecido conjuntivo. MATURAÇÃO DO TECIDO CONJUNTIVO → Orientação das fibras colágenas. → Redução de células e vasos. DIFERENCIAÇÃO ÓSSEA Inicia a partir do 7º dia → Osteoide e maturação. → Reabsorção da crista alveolar. CRONOLOGIA Formação do coágulo sanguíneo Imediato Início da proliferação tecidual do nível gengival 4 dias Formação do tecido de granulação 7 dias Substituição do tecido de granulação por tecido conjuntivo 20 dias Fusão epitelial até o espessamento da fibromucosa 24 a 35 dias Preenchimento de 2/3 alveolares por trabéculas ósseas (o. imaturo) 40 dias Preenchimento total do alvéolo por trabéculas ósseas (o. maduro) 64 dias 1º DIA APÓS EXODONTIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Alvéolo totalmente preenchido por coágulo sanguíneo. → Bordas gengivais acham-se separadas, com superfícies edemaciadas. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS Área radiolúcida homogênea circundada por linha radiopaca. CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS → Coágulo invadido por fibroblastos pré- existentes do LP. → Proliferação de células endoteliais. 7 DIAS APÓS EXODONTIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Marcante redução da hiperemia e edema gengivais. → Retalhos gengivais exibem proliferação tecidual. CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS → Tecido conjuntivo exibe fibroblastos e capilares neoformados. → Os fibroblastos sintetizam as fibras colágenas e substância fundamental amorfa. Terapêutica Cirúrgica - II 3 24 DIAS APÓS EXODONTIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → União das bordas gengivas. → Depressão central da ferida, evidenciando- se um traço linear no centro devido a união da fibromucosa. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS → Septo intra-alveolar se encontra em processo de reabsorção, assim como a lâmina dura. → Não é vista radiopacidade intraalveolar. CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS → Aumento na quantidade de fibras colágenas. → Diminuição do número de células e de vasos sanguíneos. 40 DIAS APÓS EXODONTIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS → Mucosa gengival espessa com coloração normal. → Depressão central resume-se a tênue marca linear, de forma vestíbulo-lingual. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS Septo interdental quase totalmente reabsorvido,assim como a lâmina dura com certo grau de radiopacidade intra-alveolar. CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS → Formação óssea a partir das paredes alveolares e do fundo do alvéolo. → Osteoblastos depositam matriz orgânica. → 2/3 do alvéolo está preenchido por trabéculas ósseas e osso imaturo. 64 DIAS APÓS EXODONTIA CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS Mucosa gengival apresenta-se normal em cor e consistência, com nítida depressão em V. CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS → Reabsorção do septo interdental e lâmina dura. → Radiopacidade intra-alveolar, remodelação da crista óssea alveolar tornam-se evidente. CARACTERÍSTICAS MICROSCÓPICAS Todo o alvéolo está preenchido por osso maduro. ALTERAÇÕES CLÍNICAS E MORFOLÓGICAS REABSORÇÃO ÓSSEA 3 a 4 mm de reabsorção óssea seis meses após a extração, nas dimensões buco-lingual e ápico- coronal. → Maior reabsorção por vestibular, pois ela é mais fina, menos nutrida e menor quantidade de células. Obs.: Implante imediato para devolver função de forma imediata e ter uma menor alteração de perda óssea. Terapêutica Cirúrgica - II 4 FATORES LOCAIS QUE AFETAM O REPARO PRESENÇA DE FRAGMENTO ÓSSEO, RAIZ OU CORPO ESTRANHO. → Fragmentos tendem à necrose, atrasando o reparo. → Raiz e corpo não impedem a cura alveolar, podendo permanecer sepultados ou serem expulsos pelo organismo. IRREGULARIDADE NO CO NTORNO E ALTURA DO ALVÉOLO Dificulta o fechamento do tecido mole, atrasando o reparo. CURETAGEM E IRRIGAÇÃO → Irrigação cuidadosa para eliminar detritos do alvéolo. → Curetagem somente em caso de lesão e remove restos do LP. ANESTÉSICOS LOCAIS Substâncias irritantes ao tecido que podem ocasionar alveolite caso seja irrigado dentro do alvéolo. CINZÉIS E BROCAS → Cinzéis: ausência de necrose e melhor reparação. → Brocas: sempre irrigar para remover detritos, promove atraso no reparo. ALVEOLITE Quadro caracterizado por dor severa, pulsátil, de difícil controle por analgésicos → Atraso no processo de reparo. IMPLANTES INTRA-ALVEOLARES Substâncias colocadas no alvéolo para minimizar perda óssea e hemorragia. FATORES SISTÊMICOS QUE AFETAM O REPARO DIABETES MELLITUS Deficiência na proliferação de fibroblastos e osteoblastos. HIPOTIREOIDISMO Intensa reabsorção da cortical alveolar. → Redução da velocidade de fibrogênese. OSTEONECROSE Causada pelo uso de bisfosfonatos e exposição à radioterapia. GESTAÇÃO E ANTICONCEPCIONAIS Interferência na organização do coágulo e na fase de proliferação celular. DESIDRATAÇÃO Comprometimento da vascularização. INGESTÃO DE AGUARDENTE DE CANA Trabéculas ósseas imaturas. VITAMINA A E D Aceleram o processo de reparo, ocasionando a neoformação de trabéculas ósseas ao nível do terço apical. Terapêutica Cirúrgica - II 1 SANGRAMENTO É comum nas primeiras 24horas. → Morder uma gaze úmida até a chegada em casa, enxaguar a boca com água e manter a cabeça elevada. EVITAR PRESSÃO NEGATIVA INTRABUCAL → Não fumar. → Não sugar líquido com canudo. → Não cuspir e bochechar. → Evitar atividade intensa. DESCONFORTO Pico ocorre 12h após a extração, e raramente persiste mais de 2 dias no pós-operatório. → Controle com analgésicos. → Medicamento antes do término do efeito da anestesia. DIETA Alimentos frios/gelados líquidos e/ou pastosos no 1º dia. → Evitar alimentos que possuem grãos e condimentos. Obs.: Para pacientes diabéticos deve orientar o paciente não ficar em jejum antes do procedimento cirúrgico e se alimentar normalmente assim que terminar o procedimento. EDEMA Aumento de volume devido a uma reação fisiológica que acontece frente à uma agressão. → Gelo nas primeiras 24 horas. → Pico máximo em 72 horas. → Permanece por 4 a 6 dias. → Desaparece em 1 semana. → Corticoide no pré-operatório, geralmente 1 comprimido de Dexametasona 4mg 1 hora antes do procedimento. EQUIMOSE Sangramento submucoso e/ou subcutâneo sem aumento de volume. → Comum em pacientes idosos. → Não aumenta a dor ou infecção. → Desaparece entre 7 e 14 dias. → Migração. HEMATOMA Preenchimento de espaço morto com sangue, apresentando aumento de volume. → Potencial de infecção. → Possibilidade de drenagem. Tratamento é feito em hematomas maiores, por meio de uma incisão num ponto que favoreça a drenagem do hematoma. Terapêutica Cirúrgica - II 2 TRISMO Limitação da abertura da boca que geralmente está associado ao 3º molar incluso. → Múltiplas injeções anestésicas, principalmente do alveolar inferior. → Acometimento do Pterigoideo medial. → Infecção. Tratamento consiste na terapia para relaxamento muscular, fisioterapia. HIGIENE ORAL Manter a região limpa através da escovação suave e bochechos com antisséptico Digluconato de Clorexidina a 0,12%, sendo que o bochecho deve iniciar apenas 48horas após a cirurgia. SUTURA O fio pode induzir reação inflamatória, acumular matéria orgânica e formar biofilme, por isso deve ser removida entre 5 a 10 dias. → Estabilizar o coágulo. → Manter o coágulo estável. ENTRAR EM CONTATO → Desconforto excessivo caso a medicação prescrita e os cuidados pós-operatório indicativos para analgesia não estiverem cessando a dor. → Hemorragia que encha a cavidade bucal de sangue que mesmo com a pressão da cavidade utilizando gaze, o sangramento não pare. → Febre e dúvidas. Terapêutica Cirúrgica - II 1 ACIDENTES E COMPLICAÇÕES ACIDENTE CIRÚRGICO É a quebra do planejamento do ato operatório que ocorre durante o seu desdobramento. COMPLICAÇÃO CIRÚRGICA É a quebra do planejamento que ocorre no pós- operatório. PRINCIPAIS CAUSAS → Planejamento cirúrgico incorreto. → Técnica cirúrgica inadequada. → Avaliação clínica e radiográfica inadequada. → Desconhecimento da anatomia regional. PREVENÇÃO → Equipe cirúrgica em sintonia. → Visibilidade de acordo com o bom acesso, iluminação e aspiração adequada, afastamento e campo cirúrgico limpo. Acidentes LESÕES AOS TECIDOS MOLES É de extrema importância o papel do auxiliar para evitar esse tipo de acidente, pois o operador está focado no local em que o instrumento está agindo diretamente. → Laceração. → Perfuração. → Abrasões. TRATAMENTO → Laceração é tratada através da reposição das margens e sutura. → Perfuração é tratada, em poucos casos, com sutura, e podendo ser associada a profilaxia antibiótica dependendo da gravidade. → Abrasões são tratadas com pomadas. LESÕES DAS ESTRUTURAS ÓSSEAS → Fratura do túber. → Fratura das tábuas ósseas. LESÕES A DENTES ADJACENTES Na maioria das vezes é causada por força exagerada. → Fratura de restaurações. → Fratura de cúspides. → Luxação. → Extração de dente errado. Terapêutica Cirúrgica - II 2 FRATURA DE INSTRUMENTAIS PREVENÇÃO → Uso de brocas novas. → Movimento adequado da técnica. FRATURA RADICULAR CRITÉRIOS DE PERMANÊNCIA → Comprimento maior que 4 ou 5mm. → Totalmente inserida em osso. → Livre de infecção ou lesão. → Risco ser menor que o benefício. → Proservação. DESLOCAMENTO DENTÁRIO Comum nos 3º molares superiores que geralmente podem ser deslocados para o seio maxilar ou para a fossa infratemporal, que geralmente pode causar limitação de abertura. PREVENÇÃO → A incisão deve ser feita a partir do contorno posterior do túber, seguindo pela intrasulcular e relaxante. → O afastador Minessota deve se posicionar encostado na distal do tuber, pois consegue evitar que o dente se desloque e se aloje na fossa infratemporal, caso ele “deslize”. Complicações NECROSE DE TECIDOS CAUSAS → Retalhos inadequados. → Excesso de solução anestésica. → Reposicionamento em tecido ósseo que não está sadio após o procedimento. TRATAMENTO → Antibioticoterapia. → Debridamento. → Irrigação. HEMORRAGIA FATORES PREDISPONENTES→ Alterações hematológicas. → Medicamentos anticoagulantes e anti- cancerígenos. → Distúrbios sistêmicos. → Técnica cirúrgica inadequada devido a falta de conhecimento de anatomia. PREVENÇÃO → Técnica cirúrgica adequada. → Eliminação de tecido granulação/espículas ósseas. → Remoção de restos necróticos de coágulo. Terapêutica Cirúrgica - II 3 PRESSÃO → Compressão manual e tamponamento com gaze ininterruptos por 5 minutos. → Sutura. CONTROLE DA HEMORRAGIA → Utilização de pinças hemostáticas e depois suturar. → Tamponamento. → Eletrocoagulação. → Cera para osso/esponjas hemostáticas. → Esmagamento para obliterar os vasos. MANOBRAS OPERATÓRIAS 1. Anestesiar. 2. Tamponamento com gaze por 5 minutos. 3. Aspira e observar. 4. Suturar. 5. Tamponamento com gaze por 30 minutos. EQUIMOSE Sangramento submucoso e/ou subcutâneo sem aumento de volume e comum em pacientes idosos. → Não aumenta a dor ou infecção. → Desaparece entre 7 e 14 dias, podendo gerar migração. ENFISEMA Acúmulo patológico de ar em tecidos ou órgãos. → Desaparece em 4 a 7 dias. TRATAMENTO Profilaxia antibiótica para prevenir infecções e acompanhamento do paciente. ALVEOLITE Complicação pós-operatória relativamente comum ao processo de reparo ósseo alveolar semelhante a uma osteíte, e tem sua origem principalmente em corticais alveolares com comprometimento inflamatório prévio. Alveolite é mais comum na mandíbula, pois o osso é mais compacto e cortical, menos denso, regular e irrigado que a maxila. FATORES ETIOLÓGICOS → Insuficiência de irrigação sanguínea. → Atividade fibrinolítica. → Infecção prévia, como pericoronarite. → Exodontia traumática. OCORRÊNCIA 3 a 5% das exodontias, principalmente dos molares e pré-molares inferiores. → Pacientes femininos usuárias de anticoncepcionais entre a 3ª e 4ª década de vida. → 4 vezes mais frequente em fumantes. Terapêutica Cirúrgica - II 4 SINAIS → Alvéolo vazio e gengiva inflamada. → Cortical alveolar desnuda. → Camada amarelo-acinzentada sobre o alvéolo. → Detritos alimentares, tecido necrótico e halitose. SINTOMAS → Dor severa, intensa e pulsátil não controlada por analgésico. → Febre. → Perda de apetite e insônia. ALVEOLITE SECA OU OSTEÍTE ALVEOLAR → Irrigação com solução fisiológica associada ou não a antisséptico. → Uso de clorexidina tópica 0,12% 2 vezes ao dia por 7 dias. → Analgésicos. ALVEOLITE ÚMIDA OU O STEÍTE EXUDATIVA → Re-intervenção. → Remoção de tecido necrótico e corpos estranhos no alvéolo. → Irrigação com soro fisiológico ou com clorexidina a 0,2%. → Analgésico, antisséptico com boa higiene bucal. PARESTESIA Sensação anormal de formigamento, normalmente relacionada a lesão de nervos periféricos. → Neuropraxia é uma lesão que não rompe a continuidade do axônio ou do endoneuro. → Axonotmese é a perda da continuidade do axônio e com endoneuro preservado. → Neurotmese é o rompimento da continuidade do axônio e do endoneuro. Obs.: Se radiograficamente o dente apresentar relação com os canais, pode-se realizar uma coronectomia. CAUSAS → Técnica cirúrgica incorreta. → Erro na localização do dente. COMUNICAÇÃO E FÍSTULA BUCO-SINUSAL. Comunicação geralmente faz um defeito ósseo no alvéolo que expõe o seio maxilar a cavidade bucal. → Comunicações vestibulares. → Comunicações alveolares. Relacionada com a raiz palatina do 1º molar superior. TAMANHO As comunicações de pequeno tamanho, o tratamento geralmente é espontâneo. Já as de média e grande tamanho, utiliza-se a técnica de fechamento imediato que consiste numa incisão no periósteo, tracionamento da bola de bichat e suturar a bola de bichat no tecido palatino e realizar uma sutura em cima desse tecido para ajudar o fechamento. → Pequenas até 2mm. → Médias de 2 a 6mm. → Grandes maiores que 6mm. SINTOMAS → Passagem de líquidos e ar. → Alteração no timbre e voz. SINAIS Manobra de Valsava é um indicativo, porém essa técnica é somente usada para fístulas. TRATAMENTO → Imediato: Sutura, conservador, medicações e instruções pós-operatório e sem assoar o nariz. → Tardio: Medicação antibiótica, cirurgia e instruções pós-operatória. Terapêutica Cirúrgica - II 5 CUIDADOS → Não segurar o espirro e não assoar o nariz. → Não fumar e não sugar canudo. → Antibioticoterapia. → Técnica cirúrgica correta e retalho sem tensão. INFECÇÃO DA FERIDA CIRÚRGICA DIAGNÓSTICO → Anamnese, exame físico e exames complementares. → Exame radiográfico para avaliar comprometimento cervical. TRATAMENTO → Nutrição, hidratação, analgesia. → Drenagem cirúrgica. → Remoção da causa. → Antibioticoterapia. TRISMO Contratura dos músculos mastigatórios CAUSAS → Anestesia. → Cirurgias longas. → Infecção e dor. TRATAMENTO → Utilização de relaxantes musculares, as vezes associado a analgésicos. → Fisioterapia de 3 a 5 sessões por dia. MEDICAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA → Analgésico e antisséptico. → Antibiótico e anti-inflamatório dependem da condição do paciente e do caso clínico. INSTRUÇÕES AO PACIENTE Devem ser verbais e escritas. → Cuidados sobre o sangramento, desconforto, dieta, higiene oral e edema.