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SÉRIE A. CONTEÚDO QUE ENVOLVE. Livros-texto diferentes de tudo que você já viu, criados a partir de pesquisas feitas com um só objetivo: descobrir a melhor forma de despertar o interesse e envolver os estudantes com o conteúdo. A Série A é uma solução inovadora, que quebra paradigmas e melhora o processo de aprendizado. PSICO P S IC O PSICOLOGIA: O que ela pode fazer por você O cérebro dos homens é diferente do das mulheres? Envolva-se! Aprenda sobre comportamento Qual é o SEU estilo de memória? PSICOLOGIA www.grupoa.com.br 31789_capa_ultima.indd 1 09/05/12 10:34 Catalogação na publicação: Fernanda B. Handke dos Santos – CRB 10/2107 P974 Psico [recurso eletrônico] / [Tanya Renner ... et al.] ; tradução: Marcelo de Abreu Almeida ; revisão técnica: Silvia H. Koller. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2012. Editado também como livro impresso em 2012. ISBN 978-85-8055-093-1 1. Psicologia. I. Renner, Tanya. CDU 159.9 ESTADOS DE CONS 4 PsychSmart_04.indd 98PsychSmart_04.indd 98 08/03/12 09:1708/03/12 09:17 CIÊNCIA O que é a consciência? 100 Sono e sonhos 107 Hipnose e meditação 111 Uso de drogas: os altos e baixos da consciência O JOGADOR DA MEIA-NOITE A multidão ia à loucura quando o jogador Donald Dorf, 67 anos, recebia o lançamento de seu quarter- back e corria suavemente ao longo do gramado sin- tético. Após Dorff frear e girar para escapar de uma entrada, um defensor gigante surgiu em seu caminho. Cinquenta e quatro quilos de pura determinação, Dorff não hesitou. Mas deixemos o aposentado ven- dedor de Golden Valley, Minnesota, contar a história: Havia um jogador de 120 kg esperando para me parar, então eu decidi dar de ombro nele. Quando eu perce- bi, estava no chão do meu quarto. Eu havia me jogado no armário e derrubado tudo, quebrei o espelho e fiz a maior bagunça. Era 1:30 da madrugada (Long, A., 1987, p. 787). Acontece que Dorff sofria de uma doença rara (cha- mada de transtorno comportamental do sono REM), em que o mecanismo que normalmente desliga o movimento corporal durante os sonhos não funciona adequadamente. Sabe-se de casos de pessoas com essa enfermidade que bateram em outros, quebraram janelas, quebraram pare- des – tudo isso enquanto dormiam profundamente. Por sorte, o problema de Dorff teve final feliz. Com a ajuda de clonazepam, um medicamento que suprime o mo- vimento durante os sonhos, sua doença se foi, permitindo que ele dormisse a noite toda sem percalços. Neste capítulo, consideraremos uma série de tópicos sobre o sono e, de modo mais amplo, estados de consciên- cia. Entre esses, dormir e sonhar ocorrem naturalmente para a maioria de nós. Por outro lado, o uso de drogas, de hipnose e de meditação são métodos para deliberadamen- te alterar nossa compreensão subjetiva tanto de nossos arredores físicos quanto de nosso mundo privado interno. Existem muitas formas diferentes de se compreender a consciência. Você sabia, por exemplo, que, enquanto dor- me, ainda está monitorando o seu ambiente? O Q U E V E M P O R A Í PsychSmart_04.indd 99PsychSmart_04.indd 99 08/03/12 09:1708/03/12 09:17 100 • PSICO A consciência é a percepção das sensações, dos pensamentos e dos sentimentos que temos em determinado momento. Na consciência desperta, estamos acordados e plenamente cons- cientes de nossos pensamen- tos, emoções e percepções. Todos os outros estados de consciência são considerados estados alterados de consciência, apesar de os psicólogos distinguirem entre estados alterados de consciência que ocorrem naturalmente, tais como dormir e so- nhar, e aqueles que resultam do uso e álcool e outras drogas. >> Sono e sonhos Mike Trevino, 29 anos, dormiu 9 horas em 9 dias em sua ten- tativa de vencer uma corrida de bicicleta de 4.828 km pelos EUA. Pelas primeiras 38 horas e 1040 km, ele simplesmente não dormiu. Mais tarde, ele cochilou – sem sonhos dos quais conseguisse se lembrar – por não mais do que 90 minutos por noite. Logo, ele começou a imaginar que sua equipe fa- zia parte de um grupo terrorista. “Era como se eu estivesse em um filme. Eu achei que estivesse em um sonho complexo, mas eu estava consciente”, diz Trevino, que terminou em se- gundo (Springen, 2004, p. 47). O caso de Trevino é incomum – em parte porque ele conseguiu funcionar por tanto tempo dormindo tão pouco – e levanta muitas questões sobre o sono e os sonhos. Pode- mos viver sem dormir? Afinal, o que é o sono? E o que são os sonhos? OS ESTÁGIOS DO SONO Muitas pessoas consideram dormir um momento de tranqui- lidade em que deixamos de lado nossas tensões do dia e pas- samos a noite em tranquila letargia. Contudo, um exame cien- tífico do sono mostra que um bocado de atividade cerebral e física ocorre ao longo da noite (Gorfine e Zisapel, 2009). Enquanto dormimos, nossos estados físico e mental mu- dam a noite toda. Mensurações da atividade elétrica cerebral mostram que o cérebro fica ativo a noite toda. Ele produz sinais elétricos com padrões ondulares sistemáticos que mu- dam em altura (ou amplitude) e velocidade (ou frequência). Há também atividade física significativa nos músculos e no movimento dos olhos. Conforme os padrões elétricos ondulares mudam, pas- samos por uma série de estágios distintos do sono durante o repouso noturno. São cinco os estágios, conhecidos como es- tágio 1 a estágio 4 e sono REM. Passamos por esses estágios em ciclos de cerca de 90 minutos. (Na verdade, esses ciclos de 90 minutos são típicos apenas de adultos e jovens saudá- veis que não abusam de drogas.) Cada um desses estágios do sono é associado a um tipo único de ondas cerebrais. Quando as pessoas vão dormir, elas passam de um es- tado acordado em que estão relaxadas com os olhos fechados ao estágio 1 do sono, que tem ondas cerebrais de baixa ampli- tude relativamente rápidas. Esse estágio é uma transição entre o estar desperto e o sono e dura somente alguns minutos. consciência Percepção das sensações, dos pensamentos e dos sentimentos que temos em determinado momento. >> você LÊ Enquanto • O que é a consciência? • O que acontece quando dormimos? • O que os sonhos significam? • Que tipo de consciência as pessoas hipnotizadas vivenciam? • Como diferentes drogas afetam a consciência? PsychSmart_04.indd 100PsychSmart_04.indd 100 08/03/12 09:1708/03/12 09:17 Estados de Consciência • 101 Desperto Estágio 1 Sono leve. Atividade muscular desace- lera. Contração muscular ocasional. Estágio 2 Respiração e frequência cardíaca diminuem. Leve diminuição na tem- peratura corporal. Estágio 3 Sono profundo começa. Cérebro começa a gerar ondas delta lentas. Estágio 4 Sono muito profun- do. Respiração ritmada. Atividade muscular limitada. Cérebro produz ondas delta. Rapid eye movement (REM) Ondas cerebrais aceleram e sonhos começam. Músculos relaxam e frequência cardíaca aumenta. Respiração é rápida e superficial. Profundidade do sono O ciclo do sono Fo nt e: H o b so n , 1 9 8 9 . Apesar do dormir ser algo que todos fazemos durante parte significativa de nossas vidas, mitos e ideias errôneas sobre o assunto estão por toda a parte. Para testar o seu próprio conhecimento do sono e dos sonhos, tente responder às seguintes perguntas antes de continuar lendo: 1. Algumas pessoas nunca sonham. Verdadeiro ou falso? ______ 2. A maioria dos sonhos é causada por sensações corporais, tais como enjoo ou dor de bar- riga. Verdadeiro ou falso? ______ 3. Já foi provado que as pessoas precisam de oito horas de sono para manter a sanidade. Ver- dadeiro ou falso? ______ 4. Quando as pessoas não se lembram dos sonhos, é provável que estejam secretamente ten- tando se esquecer deles. Verdadeiro ou falso? ______ 5. Privar alguém do sono inevitavelmente fará com que o indivíduo torne-se mentalmente instável. Verdadeiro ou falso? ______ 6. Se perdermos um pouco do sono, acabamos compensando por todotudo, não a impediu de ser amplamente utilizada. A heroína pode ser inalada ou injetada diretamente na corrente sanguínea com uma agulha hipodérmica (Maxwell, Bohman e Spense, 2004). O efeito imediato foi descrito como um “surto” de sensações positivas, semelhante em al- guns aspectos ao orgasmo sexual – e igualmente difícil de descrever. Após esse surto, o usuário de heroína tem uma sensação de bem-estar e paz que dura de três a cinco horas. Quando os efeitos da droga passam, contudo, o usuário sente ansiedade extrema e um desejo desesperado de repetir a ex- periência. Além do mais, são necessárias quantidades cada vez maiores de heroína para produzir o mesmo efeito pra- zeroso. Essas duas últimas propriedades se encaixam no critério para vício físico e psi- cológico: o usuário está cons- tantemente se injetando ou tentando obter quantidades cada vez maiores da droga. Por fim, a vida do viciado gira em tor- no da droga. Devido às fortes sensações de prazer que a droga pro- duz, o vício em heroína é particularmente difícil de curar (van den Brink e van Ree, 2003). Um tipo de tratamento que apresenta alguma dose de sucesso é substituir a heroína por metadona. A metadona é um produto químico sintético que satisfaz o desejo do usuário pela heroína sem produzir o “ba- rato” que acompanha a droga. Quando os usuários de heroína recebem doses regulares de metadona, eles podem conseguir viver com relativa normalidade. O uso de metadona, contudo, tem uma desvantagem significativa: troca o vício em heroína pelo vício em metadona. Os pesquisadores estão tentando identificar produtos químicos que não causem dependência para substituir a heroína, assim como para substituir outras drogas de modo que os pacientes não troquem um vício pelo outro (Amato et al., 2005; Joe, Flynn e Broome, 2007; Verde- jo, Toribio e Orozco, 2005). Alucinógenos: drogas psicodélicas O que é que alguns cogumelos, figueiras-do-demo e glórias-da-manhã têm em comum? Além de serem plantas bastante comuns, cada uma pode servir de fonte para um poderoso alucinógeno, uma droga que é capaz de produzir alucinações, ou mudanças no processo perceptual. Maconha. O alucinógeno mais consumido hoje em dia é a maconha, cujo ingrediente ativo – o tetraidrocanabinol (THC) – é encontrado em uma erva comum, a cannabis. A maconha é tipicamente fumada em cigarros ou cachimbos, apesar de poder ser cozinhada e comida. Apenas um pouco mais de 31% dos alunos do terceiro ano do ensino médio e 12% dos alunos da 8ª série dos Estados Unidos relatam ter usado maconha no último ano. Apesar do índice de uso de maconha ter diminuído ligeiramente desde 1998, no geral a porcentagem de adolescentes que usam a droga permanece relativamente alta (Johnston et al., 2007). Os efeitos da maconha variam de pessoa para pessoa, mas tipicamente consistem de sensações de euforia e bem- -estar geral. Experiências sensoriais parecem mais vívidas e intensas, e a percepção da própria importância da pessoa pa- rece crescer. A memória pode ficar prejudicada, fazendo com que os usuários se desliguem do mundo. Contudo, os efei- tos não são universalmente positivos. Indivíduos que usam a narcóticos Drogas que produzem relaxamento e aliviam a dor e a ansiedade. alucinógeno Uma droga que é capaz de produzir alucinações ou mudanças no processo perceptual. PsychSmart_04.indd 117PsychSmart_04.indd 117 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 118 • PSICO maconha quando se sentem deprimidos podem acabar ainda mais deprimidos, já que a droga tende a ampliar tanto os sen- timentos bons quanto os ruins. Existem claros riscos associados com o uso pesado e de longo prazo da maconha. Apesar de a maconha não parecer causar vício por si só, algumas evidências sugerem que exis- tem semelhanças na forma como a maconha e drogas como a cocaína e a heroína afetam o cérebro. Além disso, existem algumas evidências de que o uso pesado, ao menos tempora- riamente, diminui a produção do hormônio sexual masculino, potencialmente afetando a atividade sexual e a contagem de esperma (Block et al., 2000; Iverson, 2000; Lane et al., 2007). Da perspectiva de... UM PSICÓLOGO CLÍNICO Como você explicaria os motivos por que as pessoas começam a usar drogas para os membros da família de alguém que é dependente químico? Além disso, fumar maconha durante a gravidez pode ter efeitos comportamentais duradouros nas crianças expostas, apesar de os resultados serem inconsistentes. O uso pesado também afeta a habilidade do sistema imunológico de enfren- tar germes e aumenta o estresse sobre o coração, apesar de a força desses efeitos não estar clara. Existe uma consequência inquestionavelmente negativa de fumar maconha: a fumaça causa nos pulmões danos semelhantes aos causados pelo ci- garro, aumentando a possibilidade de desenvolver câncer e ou- tras doenças pulmonares (Cornelius et al., 1995; Julien, 2001). Apesar dos riscos a ela associados, a maconha tem di- versos usos médicos. Ela ajuda a impedir a náusea da qui- mioterapia, trata alguns sintomas da AIDS e alivia espasmos musculares para pessoas com lesões na medula espinhal. Em uma decisão controversa, diversos estados norte-americanos legalizaram a droga se ela for prescrita por um médico – ape- sar de ainda ser ilegal perante a lei federal (Iverson, 2000; National Academy of Sciences, 1999; Seamon et al., 2007). MDMA (Ecstasy) e LSD. Dois alucinógenos poderosos são MDMA (“Ecstasy”) e dietilamida do ácido lisérgico (LSD, ou “ácido”). Ambas as drogas afetam o funcionamen- to do neurotransmissor serotonina no cérebro, causando uma alteração na atividade das células cerebrais e na percepção (Aghajanian, 1994; Buchert et al., 2004; Cloud, 2000). Usuários de Ecstasy relatam uma sensação de paz e de calma. Pessoas que estão usando a droga afirmam sentir maior empatia e conectividade com os outros, assim como maior sensação de relaxamento, mesmo se sentindo com energia. Apesar de os dados não serem conclusivos, alguns pesquisadores encontraram declínios na memória e no desem- penho em tarefas intelectuais associados ao uso de Ecstasy, e esses achados sugerem que pode haver mudanças a longo prazo nos receptores de serotonina no cérebro (El-Mallakh e Abraham, 2007; Montgomery et al., 2005; Parrott, 2002). O LSD, que é estruturalmente similar à serotonina, produz alucinações vívidas. Percepções de cores, sons e formas são alteradas de tal forma que mesmo a experiência mais mundana – tal como olhar para os nós de uma mesa de madeira – pode parecer comovente e emocionante. A per- cepção do tempo fica distorcida, e objetos e pessoas podem ser vistos de uma nova perspectiva. Alguns usuários relatam que o LSD aumenta sua compreensão do mundo. Para ou- tros, a experiência causada pelo LSD pode ser apavorante, especialmente se os usuários tiveram dificuldades emocio- nais no passado. Além disso, as pessoas ocasionalmente veem flashbacks, os quais elas alucinam muito tempo de- pois de terem usado a droga (Baruss, 2003; Wu, Schlenger e Galvin, 2006). 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Porcentagem de usuários 1995 Ano 3ª série do ensino médio 1ª série do ensino médio 8ª série do ensino fundamental Uso de maconha pelos adolescentes Fo nt e: J o h n st o n , O ’M al le y, & B ac h m an , 2 0 0 7 . 1998 2002 2004 2006 pense PSICO > > > Pense em alguém que você conhece que pode ter (ou tem de fato) problemas com álcool ou drogas. Como você sabe que essa pessoa tem um problema? Quais os indícios? Você tem motivos para pensar que as funções cerebrais dessa pessoa foram permanentemente afetadas? Quais as evidências que você tem para sua resposta? Você consideraria ligar para os números abaixo? Por que sim, ou por que não? (Se você não consegue identificar nin- guém que tenha um problema, peça aos seus colegas de turma que compartilhem exemplos com você.) Você pode procurar na lista telefônica uma listagem local dos Alcoólicos Anônimos ou NarcóticosAnônimos. PsychSmart_04.indd 118PsychSmart_04.indd 118 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 119 IDENTIFICANDO PROBLEMAS COM ÁLCOOL E COM DROGAS Em uma sociedade bombardeada com comerciais para drogas que garantem fazer tudo, desde curar um simples resfriado até recuperar o vigor de um “corpo cansado”, não é de espantar que problemas relacionados a drogas sejam uma grande ques- tão social. Ainda assim, muitas pessoas que têm problemas com drogas e com o álcool negam ter esses problemas, e até amigos e familiares próximos podem não perceber quando o uso social ocasional de drogas ou de álcool já passou ao abuso. Certos sinais indicam quando o uso se torna abuso (Ar- chambault, 1992; National Institute on Drug Abuse, 2000). Entre eles, estão: • Sempre se droga para se divertir • Estar mais tempo drogado do que não drogado • Se droga antes de fazer qualquer coisa • Vai para o trabalho ou para a aula drogado • Falta a aula ou não está preparado para ela por conta de estar drogado • Sente-se mal depois de ter dito ou feito algo enquanto estava drogado • Dirige drogado • Entra em conflito com a lei devido ao uso de drogas • Faz algo enquanto estava drogado que não faria normal- mente • Droga-se quando está sozinho, em situações não sociais • Não consegue parar de se drogar • Sente a necessidade de beber ou de se drogar para aguentar o dia • Fica fisicamente enfermo • Vai mal na escola ou no trabalho • Pensa em bebida ou em drogas o tempo todo • Evita a família ou os amigos quando usa drogas ou bebe Qualquer combinação desses sintomas indica a possi- bilidade de um sério problema com drogas. Como a depen- dência em drogas ou em álcool é praticamente impossível de curar por conta própria (Room, Babor e Rehm, 2005), as pes- soas que suspeitarem ter um problema devem buscar atenção imediata de um psicólogo, médico ou orientador. PsychSmart_04.indd 119PsychSmart_04.indd 119 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.o sono perdido na noite seguinte ou em outra. Verdadeiro ou falso? ______ 7. Ninguém conseguiu ficar mais de 48 horas sem dormir. Verdadeiro ou falso? ______ 8. Todo mundo consegue dormir e respirar ao mesmo tempo. Verdadeiro ou falso? ______ 9. Dormir permite que o cérebro descanse, porque se exerce pouca atividade cerebral du- rante o sono. Verdadeiro ou falso? ______ 10. Já foi provado que remédios proporcionam uma cura a longo prazo para a insônia. Verda- deiro ou falso? ______ Quiz do sono > > E X P E R IM E N T E ! Pontuação: Esse conjunto de per- guntas é fácil de responder, já que todos os itens são falsos. Mas não precisa perder o sono se você errou. Elas foram escolhidas por represen- tar os mitos mais comuns a respeito do sono. Fonte: Palladino e Carducci (1984). PsychSmart_04.indd 101PsychSmart_04.indd 101 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 102 • PSICO Durante o estágio 1, às vezes surgem imagens, como se estivéssemos vendo fotos, apesar de não ser um sonho de fato. O estágio 1 só ocorre quando começamos a dormir. À medida que o sono se torna mais profundo, entramos no estágio 2 do sono. Adultos jovens, no início dos seus 20 anos, passam cerca de metade do sono nesse estágio. O está- gio 2 é caracterizado por um padrão de ondas mais lento e regular, com pequenas inter- rupções de picos acentuados de onda chamados de fusos do sono. Fica cada vez mais difí- cil de despertar uma pessoa conforme o estágio 2 progride. No estágio 3 do sono, as ondas cerebrais tornam-se mais lentas, com picos mais altos e vales mais baixos no padrão de ondas. Quando se chega ao estágio 4 do sono, o padrão é ainda mais lento e regular. No estágio 4, estamos menos receptivos a esforços para nos acordar, e ficamos possivelmente agressivos se a tentativa é bem-sucedida. O estágio 4 tipicamen- te ocorre durante o início da noite. Na primeira metade da noite, o sono é dominado pelos estágios 3 e 4. Na segunda metade, passa- mos mais tempo nos estágios 1 e 2 – assim como no quinto estágio, que é quando ocorrem os sonhos. SONO REM: O PARADOXO DO SONO Diversas vezes por noite, após passar por vários estágios do sono e voltar aos mais superficiais, algo curioso acontece. A frequência cardíaca aumenta e se torna irregular, a pressão sanguínea sobe, a frequência cardíaca aumenta, e os homens – e mesmo os meninos – têm ereções. O mais característico desse período é o movimento de vai e volta dos olhos, como se o adormecido estivesse assistindo a um filme de ação. Esse período do sono é chamado de rapid eye movement (“movimento rápido dos olhos”), ou sono REM, e contrasta com os estágios 1 a 4, que são coletivamente chamados de sono não REM (ou NREM). O sono REM ocupa pouco mais do que 20% do tempo total de sono de um adulto. Paradoxalmente, enquanto essa atividade toda ocorre, os principais músculos do corpo parecem ficar paralisados. Além disso, e ainda mais importante, o sono REM está posi- tivamente correlacionado ao ato de sonhar. Em outras pala- vras, o REM é frequentemente acompanhado de sonhos, que – quer as pessoas lembrem ou não – todos têm durante al- gum momento da noite. Apesar de alguns sonhos ocorrerem em estágios não REM do sono, o mais provável é que os sonhos ocorram no período REM, quando são mais ví- vidos e mais facilmente re- cordados (Conduit, Crewther e Coleman, 2004; Titone, 2002). Existem bons motivos para se crer que o sono REM exerce um papel funda- mental no funcionamento humano diário. As pessoas privadas do sono REM – sendo acordadas toda vez que co- meçam a exibir os sinais fisiológicos daquele estágio – de- monstram um efeito rebote quando lhes permitem dormir sem ser perturbadas. Com esse efeito rebote, pessoas privadas do sono REM passam um tempo significativamente maior no sono REM do que o normal (Villablanca, de Andrés e Garzón, 2003). POR QUE DORMIMOS E QUANTAS HORAS DE SONO SÃO NECESSÁRIAS? Dormir é necessário para o funcionamento hu- mano normal. Curiosamente, contudo, não sa- bemos exatamente o que o sono faz ou por que ele é necessário. Parece razoável que nossos corpos necessitem de um período tranquilo de estágio 1 do sono Estágio de transição do sono, entre o estar desperto e o sono, caracterizado por ondas cerebrais de baixa amplitude relativamente rápidas. estágio 2 do sono Sono mais profundo que o estágio 1, caracterizado por um padrão de ondas mais lento e regular, junto de interrupções momentâneas dos “fusos do sono”. estágio 3 do sono Sono caracterizado por ondas cerebrais lentas, com picos e vales maiores no padrão de ondas do que no estágio 2 do sono. estágio 4 do sono Estágio mais profundo do sono, durante o qual estamos menos receptivos a estímulos externos. sono rapid eye movement (REM) Sono que ocupa 20% do tempo de sono de um adulto, caracterizado pelo aumento na frequência cardíaca, pressão sanguínea e frequência respiratória, em ereções, no movimento dos olhos e na ocorrência de sonhos. Você tem como realizar os sonhos do seu lagarto de estimação? Provavelmente não! Apesar de mamíferos e pássaros exibirem sono REM, os répteis não, o que sugere que eles não sonham. Você sabia? Sono REM 1 Estágio do sono Horas dormidas 5 4 3 2 Estado desperto Fo nt e: D e E rn e st H ar tm an , Th e Bi ol og y of D re am in g (1 9 7 6 ), p . 6 . C o rt e si a d e C h ar le s C . T h o m as P u b lis h e r, L td ., Sp ri n gfi e ld , Il lin o is . 0 1 2 3 4 7 86 PsychSmart_04.indd 102PsychSmart_04.indd 102 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 103 “descanso e relaxamento” para ficar revitalizado. De fato, ex- perimentos com ratos mostram que a privação total do sono resulta em morte (Rechtschaffen et al., 2002). Além disso, estudos da privação do sono em seres humanos mostram que apresentamos sistemas imunológicos enfraquecidos, dificul- dade de concentração e nos irritamos mais facilmente (Hui et al., 2007; Palma et al., 2007). Mas por quê? Alguns pesquisadores, usando uma perspectiva evolu- cionista, sugeriram que o sono permitia aos nossos ancestrais conservar energia à noite, momento em que era relativamente difícil de encontrar comida. Outros propuseram que a ativi- dade cerebral reduzida durante o sono não REM pode dar aos neurônios do cérebro uma oportunidade de se reparar. Outra hipótese sugere que o início do sono REM interrompe a emissão de neurotransmissores chamados de monoaminas, assim permitindo que as células receptoras descansem para que sua sensibilidade seja maior durante períodos despertos. Ainda assim, essas explicações permanecem especulativas (McNamara, 2004; Porkka-Heiskanen et al., 1997; Siegel, 2003; Steiger, 2007). Os cientistas também não foram capazes ainda de esta- belecer qual a quantidade de sono de que necessitamos. A maioria das pessoas dorme entre 7 e 8 horas por noite. Além disso, existe ampla variação entre indivíduos, sendo que algu- mas pessoas não precisariam de mais de três horas de sono. A necessidade de dormir também varia durante a vida: à medi- da que envelhecem, as pessoas geralmente vão precisando de cada vez menos horas de sono (Gangwisch et al., 2008). As pessoas que participam dos experimentos de privação do sono, em que são mantidas acordadas por até 200 horas, não apresentam efeitos duradouros. Estes estudos não são diverti- dos – elas se sentem cansadas e irritadiças, não conseguem se concentrar e mostram perda de criatividade, mesmo depois de pequenas privações. Elas também demonstram um declínio na habilidade de raciocínio lógico. Contudo, após lhe ser permiti- do dormir ininterruptamente, elas se recuperam e conseguem voltar a funcionar normalmente após só alguns dias (Dinges et al., 1997; McClelland e Pilcher, 2007; Veasey et al., 2002). Em resumo, pelo que se sabe, a maioria das pessoas não sofre consequências permanentes da privaçãotemporária do sono. Mas mesmo uma falta de sono temporária pode nos deixar irritados, diminuir nossa velocidade de reação e pre- judicar nosso desempenho em tarefas físicas e acadêmicas. Além disso, colocamos a outros e a nós mesmos em risco quando realizamos tarefas de rotina, como dirigir, quando estamos com muito sono (Anderson e Home, 2006; Philip et al., 2005; Stickgold, Winkelman e Wehrwein, 2004). O FUNCIONAMENTO E O SIGNIFICADO DOS SONHOS Uma pessoa comum teve 150 mil sonhos quando chega aos 70 anos. Apesar de os sonhos costumarem ser subjetivos, DICA DE ESTUDO Lembre-se dos cinco estados do sono (estágio 1, estágio 2, estágio 3, estágio 4 e sono REM), que produzem diferentes padrões de ondas cerebrais. DICDIC Lemb 1, e qu c As linhas aéreas cujos pilotos voam por muitas horas sem dormir arriscam a segurança de sua tripulação e a de seus passageiros. Porcentagem de pessoas 4 5 86 97 10 11 Horas de sono 50% 40% 30% 20% 10% 0% Número de horas que as pessoas dormem por noite Fo nt e: B o rb é ly , 1 9 8 6 . PsychSmart_04.indd 103PsychSmart_04.indd 103 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 104 • PSICO existem alguns elementos em comum que frequentemente ocorrem nos sonhos de todos. Tipicamente, as pessoas so- nham com eventos do dia a dia, tais como ir ao supermer- cado, trabalhar e preparar uma refeição. Estudantes so- nham com ir para a aula; pro- fessores sonham com dar au- las. Pacientes ortodônticos sonham que seus dentes vão ser operados; dentistas so- nham que operam o dente er- rado. Os ingleses tomam chá com a rainha em seus sonhos; nos Estados Unidos, as pes- soas vão a um bar com o presidente (Domhoff, 1996; Schredl e Piel, 2005; Taylor e Bryant, 2007). O que é que os sonhos significam (se é que têm algum significado)? Qual a função dos sonhos? Essas são pergun- tas que os cientistas consideraram por muitos anos. Para responder a essa questão, eles desenvolveram diversas teo- rias alternativas. Os sonhos têm algum significado oculto? Sigmund Freud via os sonhos como uma guia para o inconsciente (Freud, 1990). Em sua teoria da realização inconsciente de desejos, ele propôs que os sonhos representam desejos inconscientes que quem sonha deseja realizar. Contudo, visto que esses so- nhos são ameaçadores para a percepção consciente de quem sonha, os desejos reais – chamados de conteúdo latente dos sonhos – são disfarçados. O verdadeiro conteúdo e significado de um sonho tem pouco a ver com sua trama aparente, à qual Freud deu o nome de conteúdo manifesto dos sonhos. Para Freud, interpretar o conteúdo manifesto do sonho era necessário para entender o seu significado verdadeiro (laten- te). Conforme as pessoas lhe descreviam seus sonhos, Freud tentava associar os símbolos do conteúdo manifesto ao con- teúdo latente. Por exemplo, para Freud, os sonhos em que uma pessoa voava simbolizavam um desejo por relações sexuais. Muitos psicólogos rejeitam a visão de Freud de que os sonhos tipicamente representem desejos inconscientes e de que objetos e eventos específicos em um sonho são simbóli- cos. Em vez disso, eles consideram que a ação direta e evi- dente de um sonho é o seu significado. Por exemplo, um so- nho em que estamos caminhando por um longo corredor para teoria da realização inconsciente de desejos Teoria de Sigmund Freud de que os sonhos representam desejos inconscientes que quem sonha deseja realizar. conteúdo latente dos sonhos De acordo com Freud, os significados “disfarçados” dos sonhos, escondidos atrás de conteúdos mais óbvios. conteúdo manifesto dos sonhos De acordo com Freud, o enredo aparente dos sonhos. Fracasso Homens Mulheres Porcentagem de respondentes que relataram ao menos um evento temático SucessoAzar 47% 44% 38% 36% 12% 15% 15% 4% 8% 10% 33% 42% Agressividade Com o que as pessoas sonham Fo nt e: S ch n e ig le r e D o m h o ff , 2 0 0 2 . SexualidadeAmizade “Estou sentindo de novo, Larry... Uma sensação estranha de que tem alguém em cima da cama.” T h e F ar S id e ® b y G ar y L ar so n © 1 9 8 3 F ar W o rk s, I n c. T o d o s o s d ir e it o s re se rv ad o s. A a ss in at u ra d e T h e F ar S id e ® e d e L ar so n ® s ão m ar ca s re gi st ra d as d a F ar W o rk s, I n c. U sa d o c o m p e rm is sã o . O LADO DISTANTEO LADO DISTANTE® De GARY LARSONDe GARY LARSON DICA DE ESTUDO A tabela no topo da página 105 resume as diferenças entre as três principais explicações para os sonhos. DICDIC A tab as d ex PsychSmart_04.indd 104PsychSmart_04.indd 104 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 105 SONHO Sonhos representam desejos inconscientes que quem sonha deseja realizar Conteúdo latente revela desejos inconscientes Sim, pelo conteúdo manifesto dos sonhos Teoria da realização inconsciente de desejos Informações relevantes à sobrevivência diária são reconsideradas e repro- cessadas Pistas para preocupações diárias quanto à sobrevivência Não necessariamenteTeoria dos sonhos para sobreviver Sonhos são o resultado de ativação aleatória de várias memórias, que são unidas em um enredo lógico Cenário do sonho construído se relaciona com as preocupa- ções de quem sonha Não necessariamenteTeoria da ativação-síntese Teoria Explicação básica Significado dos sonhos O significado do sonho está disfarçado? Três teorias dos sonhos pense PSICO conecte-se Interpretação freudiana dos sonhos > > > Imagine que uma nova “pílula milagrosa” permita que uma pessoa funcione com apenas uma hora de sono por noite. Contudo, como a noite de sono é muito curta, quem tomar a pílula jamais sonhará de novo. Sabendo o que você sabe sobre as funções do sono e dos sonhos, quais seriam algumas vantagens e desvantagens dessa pílu- la do ponto de vista pessoal? Você tomaria essa pílula? Aceite o desafio PSICO! Aprenda a respeito dos mis- teriosos símbolos que Freud usava para interpretar os so- nhos. Depois de assistir ao vídeo, reveja suas explicações e note em que suas ideias mudaram. O que as modificou? Se não mudaram, explique por quê. Depois responda à ques- tão 5 no Pop Quiz na p.121 para revisar. prestar uma prova para a qual não nos prepa- ramos não se relaciona aos nossos desejos inconscientes e inaceitáveis. Pelo contrário, o sonho pode simplesmente significar que estamos preocupados com uma prova imi- nente (Cartwright, Agargum e Kirkby, 2006; Nikles et al., 1998; Picchioni et al., 2002). Teoria dos sonhos para sobreviver De acordo com a teoria dos sonhos para sobreviver, os sonhos nos permitem reconsiderar informações críticas para nossa sobrevivência diária. Nessa visão, sonhar é uma herança de nossos ancestrais animais, cujos cérebros pequenos eram in- capazes de filtrar todas as informações recebidas durante as horas em que estavam acordados. Consequentemente, sonhar fornecia um mecanismo de processamento de informações 24 horas por dia. De acordo com essa teoria, os sonhos representam preocupações quanto às nossas vidas diárias, ilustrando nossas incertezas, indecisões, ideias e desejos. Avalia-se que os sonhos são consistentes com a vida cotidiana e representam preocupações-chave que se des- tacam de nossas experiências diárias (Ross, 2006; Winson, 1990). A pesquisa sustenta a teoria dos sonhos para sobre- viver, sugerindo que certos sonhos permitem que as pessoas se concentrem e consolidem memórias, particularmente as relacionadas a habilidades motoras. Por exemplo, os ratos parecem sonhar com labirintos que aprenderam a atravessar durante o dia, ao menos de acordo com os padrões de ativi- dade cerebral produzidos enquanto estão dormindo (Kenway e Wilson, 2001; Kuriyama, Stickgold e Walker, 2004; Smith, 2006; Stickgold et al., 2001). Teoria da ativação-síntese De acordo com o psiquiatra J. Allan Hobson, que propôs a teoria da ativação-síntese, o cérebro produz energia elétricaaleatória durante o sono REM, possivelmente como resultado das modificações na produção de neurotransmisso- res. Na teoria, essa energia elétrica estimula alea- toriamente memórias alojadas em diversas partes do cérebro. Como temos a necessidade de entender o nosso mundo mes- mo quando estamos dormin- do, o cérebro usa essas me- mórias caóticas e monta uma história lógica, preenchendo os buracos para produzir um cenário racional (Hobson, 2005; Porte e Hobson, 1996). No entanto, Hobson não rejeita por inteiro a visão de que os sonhos reflitam desejos inconscientes. Ele sugere que teoria dos sonhos para sobreviver Teoria que sugere que os sonhos permitem que informações críticas à nossa sobrevivência diária sejam reconsideradas e reprocessadas durante o sono. teoria da ativação-síntese Teoria de Hobson de que o cérebro produz energia elétrica aleatória durante o sono REM que estimula memórias alojadas em diversas partes do cérebro. PsychSmart_04.indd 105PsychSmart_04.indd 105 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 106 • PSICO o conteúdo particular que quem está sonhando produz não é aleatório, e sim um indicativo de seus medos, emoções e preocupações. O que se inicia como um processo aleatório, então, culmina em algo significativo. Por exemplo, imagine que sua memória visual de um cavalo é estimulada, e que sua memória auditiva do miado de um gato é estimulada, e que sua memória emocional da tristeza é estimulada. E digamos que sua maior preocupação agora seja a saúde de sua mãe. A tentativa do seu cérebro de dar um sentido a essas sensações junto de sua ansiedade pode resultar em uma narrativa assim: Você sonha que está levando um cavalo para sua mãe, mas o cavalo mia e se transforma em um gato, deixando você triste. TRANSTORNOS DO SONO Seja em uma hora ou outra, praticamente todos nós já tive- mos dificuldade para dormir – uma condição conhecida como insônia. Isso pode ser a consequência de uma situação específica, tal como o término de um relacionamento, preo- cupação com uma prova, ou a perda de um emprego. Alguns casos de insônia, contudo, não têm uma causa óbvia. Al- gumas pessoas simplesmente não conseguem dormir facilmente, ou caem no sono pronta- mente, mas acordam durante a noite com frequência. Cerca de uma em cada três pessoas sofre de insônia em algum mo- mento de sua vida (American Insomnia Association, 2005; Bains, 2006; Cooke e Ancoli-Israel, 2006). Outros problemas relacionados ao sono são menos co- muns do que a insônia, embora também sejam muito difun- didos. Por exemplo, cerca de 20 milhões de pessoas sofrem de apneia do sono, uma doença em que a pessoa tem difi- culdade de respirar enquanto dorme. O resultado é um sono problemático e esporádico, já que a pessoa acorda cada vez que a falta de oxigênio é grande o bastante para ativar uma reação de despertar. Algumas pessoas que sofrem de apneia chegam a acordar 500 vezes em uma noite, apesar de ser possí- vel que nem estejam conscientes de que despertaram. Não surpre- ende que o sono interrompido pela apneia resulte em desgaste extremo no dia seguinte. A ap- neia do sono também pode estar presente na síndrome de morte súbita infantil (SMSI), que mis- teriosamente mata crianças apa- rentemente normais enquanto dormem (Aloia e Arendt, 2007; Gami et al., 2005; Rambaud e Guilleminault, 2004). A narcolepsia é o sono in- controlável que ocorre por cur- tos períodos enquanto uma pes- soa está acordada. Não interessa a atividade em que está envol- vido– uma conversa acalorada, uma bateria de exercícios ou estar dirigindo – um narcolépti- co irá cair no sono repentinamente. Pessoas com narcolepsia vão direto de estados despertos ao sono REM, pulando os outros estágios. As causas da narcolepsia não são conheci- das, apesar de poder haver um componente genético, já que a narcolepsia é presente em certas famílias (Ervik, Abdelnoor e Heier, 2006; Mahmood, 2005). Sabemos relativamente pouco sobre terrores noturnos, sonilóquios (falar dormindo) e sonambulismo, três transtor- nos do sono que costumam ser inofensivos. Todos ocorrem durante o estágio 4 do sono, e são mais comuns em crianças do que em adultos. Crianças pequenas que sofram de terror noturno podem gritar, fazendo seus pais virem correndo em seu socorro. Mas essas crianças tipicamente não entendem por que os pais vieram e não lembram por que gritaram. Sonâmbulos costumam ter uma vaga consciência do mun- do ao seu redor, e podem conseguir passar com agilidade por obstruções em um quarto cheio de coisas. A menos que um sonâmbulo perambule por um ambiente perigoso, o so- nambulismo dificilmente apresentará riscos (Baruss, 2003; Guilleminault et al., 2005; Lee-Chiong, 2006). Algumas pessoas com apneia chegam a acordar 500 vezes em uma noite, sem ter consciência disso. ritmos circadianos Flutuações fisiológicas que ocorrem em um ciclo de aproximadamente 24 horas. Da perspectiva de... UM EDUCADOR Como você pode usar os achados da pesquisa sobre o sono para ajudar seus alunos a aprenderem? U u Você pode começar o seu próprio grupo de estudos dos sonhos. Faça com que os membros programem seus alarmes para horários aleatórios durante a noite e tenham um diário dos sonhos. Se você for despertado durante o sono REM, você pode frequentemente lembrar o que estava sonhando e, se agir rápido, registrar o sonho. Antes de se reunirem, faça com que cada membro escolha um sonho para compartilhar com o grupo para trocar ideias de interpretação. Frequentemente, as interpretações dos mem- bros podem não ter nada a ver, mas às vezes alguém pode ter uma ideia útil. As mais interessantes são as interpretações que você rapidamente rejeita, mas que voltam para assombrá-lo. E n vo lv a -s e ! PsychSmart_04.indd 106PsychSmart_04.indd 106 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 107 RITMOS CIRCADIANOS A alternância entre estados despertos e adormecidos é um exemplo dos ritmos circadianos do corpo. Os ritmos cir- cadianos (do latim circa diem, ou “cerca de um dia”) são flutuações fisiológicas que ocorrem diariamente. Dormir e acordar, por exemplo, ocorrem naturalmente de acor- do com o ritmo de um marca-passo interno que trabalha em um ciclo de cerca de 24 horas. Diversas outras funções cerebrais, tais como a temperatura corporal, a produção hor- monal e a pressão sanguínea, também seguem ritmos circa- dianos (Beersma e Gordijn, 2007; Blatter e Cajochen, 2007; Saper et al., 2005). Os ritmos circadianos envolvem uma variedade de com- portamentos. Por exemplo, o sono ocorre ao longo do dia por padrões regulares, sendo que a maioria de nós fica sonolenta por volta do meio da tarde – independentemente de termos almoçado. Ao tornar a sesta parte de seu hábito regular, pes- soas em diversas culturas tiram vantagem da inclinação na- tural do corpo de dormir nessa hora (Reilly e Waterhouse, 2007; Takahashi et al., 2004; Wright, 2002). Para tratar problemas de sono de longo prazo, você pode visitar um centro para transtornos do sono. Para informações sobre clínicas certificadas, consulte a Associação Brasileira do Sono em www.sbsono.com.br. >> Hipnose e meditação Você está ficando mais relaxado e sonolento. Você está fican- do com mais sono. Seu corpo está ficando leve. Suas pálpe- bras estão ficando pesadas. Seus olhos estão se fechando; você não consegue mais mantê-los abertos. Você está com- 1:00 • Células imunológicas chamadas de linfócitos T auxiliares estão no ponto máximo 2:00 • Níveis de hormônio do crescimento estão mais elevados 4:00 • É mais provável que ocorram ataques de asma 6:00 • Mais provável que se inicie a menstruação • Níveis de insulina na corrente sanguínea estão mais baixos • Pressão sanguínea e frequência cardíaca começam a aumentar • Níveis de cortisol, o hormônio do estresse, aumentam • Níveis de melatonina começam a cair 7:00 • Sintomas da rinite alérgica estão piores 8:00Meio-dia • Nível de hemoglobina no sangue alcança seu ponto máximo 15:00 • Força de agarre, frequência respiratória e sensibilidade de reflexos são mais altos 23:00 • Reações alérgicas são mais prováveis 21:00 18:00 16:00 • Temperatura corporal, pulsação arterial e pressão sanguínea chegam ao nível máximo Ritmos circadianos Fo nt e: Y o u n g, 2 0 0 0 . • É mais provável que mulheres grávidas entrem em trabalho de parto • Risco de ataque cardíaco e AVC é mais alto • Sintomas de artrite reumatoide ficam piores • Linfócitos T auxiliares estão em seu nível mais baixo durante o dia • Maior fluxo urinário • Limiar da dor é mais baixo Sonhos Uma série de histórias baseadas em sonhos mágicos e bizarros do diretor. Acordar para a vida Os encontros e as conversas fascinantes que um homem encontra em um sonho lúcido. Moulin Rouge! Um personagem descrito apenas como “o argentino” nesse filme sofre de narcolepsia e tem mais de um ataque durante o filme. O escorpião de Jade Nesse filme de Woody Allen, dois colegas de trabalho são hipnotizados e recebem a sugestão de que irão achar um ao outro atraente. Secretamente, o hipnotizador estende seu estado hipnótico para além do espetáculo com o uso de pistas pós-hipnóticas. Réquiem para um sonho Duas histórias se desenvolvem em paralelo nesse filme altamente perturbador: a dependência e o vício cada vez maior de um jovem por drogas ilícitas, e o abuso de medicamentos protagonizado por sua mãe, com a anuência do seu médico. P si c o lo g ia no C in e m a PsychSmart_04.indd 107PsychSmart_04.indd 107 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 108 • PSICO pletamente relaxado. Agora, erga os braços acima de sua ca- beça. Mas você vai perceber que eles estão ficando cada vez mais pesados – tão pesados que você mal consegue levantá- -los. Na verdade, apesar de estar se esforçando ao máximo, você não vai mais conseguir levantá-los. Um observador assistindo a essa cena perceberia um fe- nômeno curioso. Muitas das pessoas ouvindo a voz come- çam a baixar os próprios braços. O motivo para esse estranho comportamento? Elas foram hipnotizadas. HIPNOSE: UMA EXPERIÊNCIA DE TRANSE As pessoas sob hipnose parecem estar em um estado de tran- quilidade, de suscetibilidade aumentada às sugestões dos ou- tros. Em alguns aspectos, parece que estão dormindo. Ainda assim, outros aspectos do seu comportamento contradizem essa noção, porque estão muito atentas às sugestões do hip- notizador e podem executar sugestões bizarras ou bobas. Apesar de sua conformidade quando hipnotizadas, as pessoas não perdem toda a vontade própria. Elas não reali- zam comportamentos antissociais e não executam atos au- todestrutivos se percebem que esses atos são destrutivos. As pessoas não revelam verdades secretas sobre si mesmas e são capazes de mentir. Além disso, apesar de ideias populares er- rôneas, as pessoas não podem ser hipnotizadas contra a von- tade (Gwyn e Spanos, 1996; Raz, 2007). Existem amplas variações na suscetibilidade que as pes- soas têm à hipnose. Cerca de 5 a 20% da população simples- mente não pode ser hipnotizada, e cerca de 15% são muito facilmente hipnotizadas. A maioria das pessoas fica entre esses dois extremos. Além disso, a facilidade com que uma pessoa é hipnotizada está correlacionada com diversas outras características. As pessoas que são prontamente hipnotizadas também ficam facilmente absortas nos livros que leem ou nas músicas que escutam, não se apercebendo do que acontece ao seu redor, e frequentemente passam muito tempo sonhan- do acordadas. Resumindo, portanto: elas mostram grande habilidade de concentração e podem se focar completamente naquilo que estão fazendo (Benham, Woody e Wilson, 2006; Kirsch e Braffman, 2001; Rubichi et al., 2005). Um diferente estado de consciência? Alguns psicólo- gos consideram a hipnose um estado de consciência signifi- cativamente diferente de outros estados. Nessa ótica, a alta sugestionabilidade, a habilidade aumentada de lembrar e construir imagens e a aceitação de sugestões que claramente contradizem a realidade sugerem que a hipnose é um estado diferente, que envolve a dissociação (uma divisão da cons- ciência em partes separadas). Além disso, alterações na ativi- dade elétrica do cérebro durante a hipnose apoiam a posição de que a hipnose é bastante diferente da consciência desper- ta normal (Fingelkurts, Fingelkurts e Kallio, 2007; Hilgard, 1992; Kallio e Revonsuo, 2003). Nem todos concordam com essa posição. As pessoas não podem ser hipnotizadas contra sua vontade. Uma boa noite de sono Você tem problemas para dormir? Você não está sozinho – 70 milhões de pessoas só nos EUA têm o mesmo pro- blema. Mas antes de sair para comprar um CD de “ruído branco” ou uma cama especial ou alguma engenhoca cara para analisar seus padrões do sono, considere algumas alternativas gratuitas. Os psicólogos que estudam os transtornos do sono têm diversas sugestões para acabar com a insônia (Benca, 2005; Edinger et al., 2001; Finley e Cowley, 2005). Eis aqui algumas ideias: • Exercite-se durante o dia (ao menos seis horas antes de deitar) e evite cochilos. Naturalmente, estar cansado an- tes de dormir ajuda! • Escolha uma hora para deitar diariamente e atenha-se a ela. Ir dormir na mesma hora todos os dias ajuda seus ritmos naturais internos a regular o seu corpo. • Evite beber cafeína após o almoço. Os efeitos de bebidas como café, chá e outros refrigerantes podem durar de 8 até 12 horas depois de serem consumidas. • Tome um copo de leite quente na hora de deitar. O leite contém o produto químico triptófano, que ajuda a pegar no sono. • Tente não dormir enquanto não estiver com sono. Essa abordagem funciona porque as pessoas que costumam ter dificuldade para dormir estão se esforçando demais. Uma estratégia melhor é ir para a cama apenas quando você estiver cansado. Se não conseguir dormir nos próximos 10 minutos, saia do quarto e faça outra coisa, voltando para a cama apenas quando estiver com sono. Continue esse processo a noite toda se for necessário. Mas levante-se no horário usual da manhã, e não tire cochilos durante o dia. Após três ou quatro semanas, a maioria das pessoas se condiciona a associar sua cama com dormir – e pega no sono rapidamente à noite (Sloan et al., 1993; Smith, 2001; Ubell, 1993). VOCÊ ACREDITA? > > > PsychSmart_04.indd 108PsychSmart_04.indd 108 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 109 Do outro lado dessa questão controversa estão os psi- cólogos que acreditam que a hipnose ocorre durante a cons- ciência desperta normal. Eles argumentam que os padrões alterados de ondas do cérebro não são o bastante para mos- trar uma diferença qualitativa, já que não ocorrem outras alterações fisiológicas específicas quando as pessoas estão em transe. Além do mais, não existe muito que sustente a ale- gação de que os adultos podem recordar memórias de even- tos da infância com precisão quando sob hipnose. A falta de evidências sugere que não exista nada de qualitativamente especial quanto ao transe hipnótico (Hongchun e Ming, 2006; Lynn et al., 2003; Lynn, Fassler e Knox, 2005). Modelos mais recentes sugerem que uma forma melhor de se ver o estado hipnótico é como um esta- do que envolve a consciência desperta, mas com algumas diferenças importantes (Jamieson, 2007; Kihlstrom, 2005; Lynn et al., 2000). Apesar das disputas acerca da verdadeira natureza da hipnose continuarem, uma coisa é certa: a hipno- se já foi usada com sucesso para resolver problemas humanos práticos. De fato, os psicólogos que trabalham em diferentes áreas descobriram que a hipnose é uma fer- ramenta confiável e eficaz de controle da dor, redução do fumo, melhora do desempenho atlético e trata- mento de transtornos psicológicos. MEDITAÇÃO: REGULANDO NOSSA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA Quando os monges tradicionais da antiga religião oriental,o Zen Budismo, querem alcançar maior compreensão espi- ritual, eles se voltam para a meditação, uma técnica que foi usada por séculos para alterar a consciência. A meditação é uma técnica de redirecionamento da atenção que leva a um estado alterado de cons- ciência. Uma prática popular de meditação é dizer um mantra – um som, palavra ou sílaba – repetidamente. Em outras formas de meditação, o foco pode estar em uma fi- gura, chama ou parte especí- fica do corpo. Além dessas, outras formas de meditação, incluindo alguns estilos de ioga, envolvem o corpo e a mente em mútua concentração. Independentemente do tipo, a chave para a meditação é concentrar-se tão completamente que o meditador alcance um estado diferente de consciência. Após a meditação, as pessoas frequentemente relatam se sentirem completamente relaxadas. Algumas vezes elas relatam terem alcançado uma compreensão melhor de si mesmas e de seus problemas. A prática da meditação no longo prazo pode até melhorar a saúde devido às mu- danças fisiológicas que ela produz. Por exemplo, du- rante a meditação, o corpo utiliza menos oxigênio, a frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem e os padrões de ondas cerebrais mudam (Aram- bula et al., 2001; Barnes et al., 2004; Lee, Kleinman e Kleinman, 2007). Qualquer um pode atingir o re- laxamento por meio da meditação se- guindo um simples procedimento. O essencial inclui sentar-se em um quar- to silencioso com os olhos fechados, res- pirando profunda e ritmicamente, e dizer uma palavra ou som – tal como a palavra um – repetidamente. Praticada duas vezes ao dia por 20 minutos, a técnica proporciona o re- hipnose Estado de transe, de suscetibilidade aumentada às sugestões de outros. meditação Técnica aprendida de redirecionamento da atenção que leva a um estado alterado de consciência. Imagine que o seu dentista sugere que você irá sentir um gosto amargo em sua boca e/ou que você ouve o seu celular tocar enquanto está sentado na cadeira do dentista. O quão vulnerável você acha que seria ao poder da sugestão? Um estudo criativo e bem-humorado descobriu que pacientes ortodônticos são mais suscetíveis a essas alucinações quando em um estado de consciência induzido por óxido nitroso (gás do riso). (Fonte: University College London – UCL) Você sabia? ocê irá u o DICA DE ESTUDO Se a hipnose representa um estado diferente de consciência ou se ela é semelhante à consciência desperta é uma questão ainda não resolvida na psicologia. DICDIC Se a h de co n © T h e N e w Y o rk e r C o lle ct io n 1 9 9 3 M is ch a R ic h te r, e x tr aí d o d e c ar to o n b an k .c o m . T o d o s o s d ir e it o s re se rv ad o s. UUUMMM MMMUUU PsychSmart_04.indd 109PsychSmart_04.indd 109 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 110 • PSICO laxamento de forma eficiente (Aftanas e Golosheykin, 2005; Benson et al., 1994). ROTAS INTERCULTURAIS PARA ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA Um grupo de índios Sioux sentam-se, todos nus em uma sauna a vapor, enquanto um médico joga água nas pedras ardentes, produzindo nuvens de vapor es- caldante no ar. Padres astecas se besuntam com uma mistura de ervas venenosas esmagadas, bichos cabeludos negros, escorpiões e lagartos. Às vezes eles bebem a poção. Durante o século XVI, um judeu chassídico devoto dei- ta-se sobre a lápide de um célebre erudito. Conforme mur- mura o nome de Deus repetidamente, ele busca ser possuído pelo espírito do sábio morto. Se for bem-sucedido, ele al- cançará um estado místico, e as palavras do falecido fluirão de sua boca. Cada um desses rituais tem um objetivo comum: a sus- pensão das amarras da consciência cotidiana e o acesso a um estado alterado de consciência. Apesar de parecerem exóti- cos do ponto de vista de muitas culturas ocidentais, esses ri- tuais representam um esforço aparentemente universal de al- terar a consciência (Bartocci, 2004; Fine, 1994; Irwin, 2006). Alguns estudiosos sugerem que a busca para alterar a consciência representa um desejo humano básico (Siegel, 1989). Quer aceitemos ou não essa visão, está claro que va- riações em estados de consciência compartilham diversas características ao longo de culturas variadas. Alterações em estados de consciência podem levar a modifica- ções do pensamento, que pode se tornar superfi- cial, ilógico ou de algum outro modo dife- rente do normal. Além disso, a percepção que as pessoas têm do tempo pode ficar alterada, e suas percepções do mundo fí- sico e delas mesmas pode mudar. Elas podem perder o au- tocontrole e fazer coisas que normalmente não fariam. Por fim, elas podem ter uma sensação de inefabilidade – a inca- pacidade de compreender uma experiência racionalmente ou de descrevê-la em palavras (Finkler, 2004; Martindale, 1981; Travis, 2006). É claro, reconhecer que os esforços para produzir esta- dos alterados de consciência estão amplamente difundidos pelas sociedades do mundo não responde à pergunta funda- mental: a experiência de estados não alterados da consciência é similar em diferentes culturas? Visto que os seres humanos são muito parecidos nos mo- dos em que nossos cérebros e corpos são projetados, pode- mos presumir que a experiência básica da consciência seja semelhante nas mais diversas culturas. Contudo, as formas em que certos aspectos da consciência são interpretados e vistos variam amplamente entre diferentes culturas. Por exemplo, a passagem do tempo é sentida de modo diferente dependendo da cultura. Para os árabes, por exemplo, o tem- Da perspectiva de... UM MÉDICO Você recomendaria a meditação a seus pacientes como uma forma de ajudá-los a lidar com o estresse? Por que sim, ou por que não? em uma as estado ções d cia U a aj o Hemisfério esquerdo (c) Meditadores especialistas versus meditadores novatos (b) 12 Meditadores novatos (emparelhados por idade) (a) 12 Meditadores especialistas Hemisfério Direito Axial Para entender os efeitos a longo prazo da meditação, pesquisadores compararam a ativação cerebral de meditadores novatos e especialistas. Esses rastreamentos de RM do cérebro mostram as regiões de ativação do cérebro em (a) meditadores especialistas que tinham entre 10.000 e 54.000 horas de prática em meditação e (b) meditadores novatos que não tinham experiência de meditação, e também mostram (c) a comparação entre os dois. Em (c), tonalidades vermelhas mostram maior ativação nos especialistas, e tonalidades azuis mostram maior ativação para os novatos. Os achados sugerem que a meditação a longo prazo produz mudanças significativas nas regiões do cérebro relacionadas à concentração e à atenção. PsychSmart_04.indd 110PsychSmart_04.indd 110 26/03/12 14:4526/03/12 14:45 Estados de Consciência • 111 po passa mais devagar do que para os norte-americanos, que tendem a ser mais apressados (Alon e Brett, 2007). >> Uso de drogas: os altos e baixos da consciência Drogas, de um tipo ou de outro, fazem parte da vida de prati- camente todos. Desde a infância, muitas pessoas tomam vita- minas, aspirina, remédio para gripe e afins, e levantamentos descobriram que 80% dos norte-americanos adultos tomaram um analgésico nos últimos seis meses. Ainda assim, essas drogas raramente produzem um estado alterado de consciên- cia (Dortch, 1996). Por outro lado, algumas substâncias, conhecidas como drogas psicoativas, levam a um estado alterado de consciên- cia. As drogas psicoativas influenciam as emoções, as per- cepções e o comportamento de uma pessoa. Ainda assim, mesmo essa categoria de drogas é comum na vida da maior parte de nós. Se você já tomou um copo de café ou um gole de cerveja, você tomou uma droga psicoativa. Um grande nú- mero de indivíduos usou drogas psicoativas mais potentes – e mais perigosas – do que café e cerveja; por exemplo, levanta- mentos indicaram que 41% dos alunos de terceiro ano do en- sino médio usaram droga ilegal no último ano. Além disso,30% relatam já terem ficado bêbados depois de consumir ál- cool. Os números para a população adulta são ainda maiores (Johnston et al., 2007). Obviamente, os efeitos das drogas são muito variados, em parte porque afetam o sistema nervoso de modos muito diversos. Algumas drogas alteram o sistema límbico, e ou- tras afetam o funcionamento de neurotransmissores especí- ficos. Por exemplo, algumas drogas impedem ou aumentam a liberação de neurotransmissores, outras impedem o rece- bimento ou a remoção de um neurotransmissor, e ainda há outras que imitam os efeitos de um neurotransmissor em particular. As mais perigosas são as drogas viciantes que produ- zem uma dependência fisioló- gica ou psicológica no usuá- rio, e a abstinência gera um desejo pela droga que, em al- guns casos, pode ser pratica- mente irresistível. Em vícios biologicamente embasados, o corpo fica tão acostumado a funcionar na presença de uma droga que não consegue funcionar sem ela. Vícios psicologi- camente embasados são aqueles que fazem com que as pes- soas acreditem que precisam da droga para lidar com os es- tresses da vida cotidiana. Apesar de geralmente associarmos vício com drogas como heroína, drogas cotidianas, como a cafeína (encontrada no café) e a nicotina (encontrada em ci- garros), também têm aspectos viciantes (Li et al., 2007). Mas por que é que afinal as pessoas experimentam dro- gas? Existem muitos motivos, que variam desde o prazer experimentado pela própria pessoa, à fuga das pressões co- drogas psicoativas Drogas que influenciam as emoções, percepções e o comportamento de uma pessoa. drogas viciantes Drogas que produzem uma dependência fisiológica ou psicológica no usuário, de modo que a abstinência gera um desejo pela droga que, em alguns casos, pode ser praticamente irresistível. pense PSICO conecte-se Efeitos das drogas > > > Por que você acha que as pessoas em quase to- das as culturas buscam formas de alterar seus estados de consciência? Aceite o desafio PSICO! Mande drogas para o cérebro virtual e descubra o que acontece. Depois responda à questão 9 no Pop Quiz na p.121 para revisar. Diferentes drogas afetam diferentes partes do sistema nervoso e do cérebro e funcionam de um desses modos específicos. Recaptação neuronal do neurotransmissor Aumenta liberação de neurotransmissor Aumenta ao imitar neurotransmissor Impede remoção de neurotransmissor Impede liberação de neurotransmissor Bloqueia receptor para neurotransmissor 1 5 4 2 3 PsychSmart_04.indd 111PsychSmart_04.indd 111 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 112 • PSICO tidianas proporcionada pelo “barato” produzido, até a tenta- tiva de alcançar um estado religioso ou espiritual. Contudo, outros fatores que têm pouco a ver com a natureza da própria experiência também levam as pessoas a usarem drogas (McDowel e Spitz, 1999). Por exemplo, as imagens amplamente publicadas de pessoas influentes, como es- trelas do cinema e atletas, consumindo drogas, o fácil aces- so a algumas drogas ilegais e a pressão dos pares costumam exercer influência na decisão de usá-las. Em alguns casos, o motivo é simplesmente a emoção de experimentar algo novo. Por fim, fatores genéticos podem predispor algumas pessoas a serem mais suscetíveis a drogas e a se viciarem com mais facilidade. Independentemente das forças que levam uma pessoa a começar a usar drogas, o vício em drogas está en- tre os comportamentos mais difíceis de se modificar, mes- mo com o tratamento extensivo (Lemonick, 2000; Mosher e Akins, 2007; Ray e Hutchison, 2007). Devido à dificuldade de tratar problemas relacionados a drogas, não há dúvidas de que a melhor maneira de lidar com o problema social geral do abuso de substâncias é im- pedir as pessoas de se envolverem com drogas em primeiro lugar. Contudo, não existe consenso quanto à melhor forma de se atingir esse objetivo (Clayton, Segress e Caudill, 2008; D’Amico et al., 2009). ESTIMULANTES: O ALTO DAS DROGAS É 1h da manhã e você ainda não terminou de ler o último capítulo do texto sobre o qual você fará uma prova amanhã. Sentindo-se exausto, você se volta àquilo que pode ajudá-lo a ficar acordado pelas próximas duas horas: uma xícara de café preto bem forte. Se você já se encontrou nessa situação, você recorreu a um poderoso estimulante, a cafeína, para ficar acordado. A cafeína é um entre vários estimulantes, drogas cujo efeito no sistema nervoso central aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a tensão muscular. A cafeína está presente não apenas no café, mas é também um importante ingredien- te em bebidas energéticas, em chás, em refrigerantes, assim como em chocolates. A cafeína produz diversas reações. Os principais efeitos comportamentais são aumento de atenção e tempo de reação melhorado. A cafeína também melhora o humor, provavel- mente imitando os efeitos de um produto químico cerebral natural, a adenosina. Muita cafeína, contudo, pode resultar em nervosismo e insônia. É possível desenvolver dependência fisiológica da droga. Usuários regulares que de repente param de to- mar café podem sentir dores de cabeça e depressão. Muitas pessoas que bebem grandes quantidades de café em dias de semana têm dores de cabeça nos finais de semana devido à queda repentina na quantidade de cafeína que estão consu- O vício em drogas é um dos comportamentos mais difíceis de se modificar, mesmo com o tratamento extensivo. Uso de drogas por alunos do terceiro ano do ensino médio 10 0 Porcentagem 0 30 40 50 60 807020 Maconha e haxixe Álcool Cigarros Anfetaminas Tranquilizantes Cocaína Alucinógenos MDMA (Ecstasy) Fo nt e: J o h n st o n e t al . (2 0 0 7 ). estimulantes Drogas que têm um efeito de excitação do sistema nervoso central, causando um aumento na frequência cardíaca, na pressão arterial e na tensão muscular. O café é parte integral de rituais sociais em culturas ao redor do mundo. PsychSmart_04.indd 112PsychSmart_04.indd 112 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 113 mindo (Juliano e Griffiths, 2004; Kendler, Gatz e Gardner, 2006; Satel, 2006). A nicotina, encontrada em cigarros, é outro estimulante comum. Além de estimular o sistema nervoso central, ela aumenta os níveis do neurotransmissor dopa- mina no cérebro, dando uma sensação boa ao fumante. Esse efeito ajuda a explicar por que fumar cigarros vicia. Os fumantes tornam-se de- pendentes da nicotina, e aqueles que param de fumar repentina- mente desenvolvem grande desejo pela droga. Esse mecanismo é se- melhante aos ativados pela cocaína e pela heroína, que também são alta- mente viciantes (Collins e Izenwasser, 2004; Haberstick, Timberlake e Ehringer, 2007). Anfetaminas Dexedrina e Benzedrina pertencem a uma classe de estimulantes fortes conhecidos como anfetaminas. Em pequenas quantidades, as anfetaminas – que estimulam o sistema nervoso central – produzem uma sensação de energia e alerta, confiança aumentada, perda de timidez e uma melhora no humor. Elas aumentam a concentração e reduzem o cansaço. As anfetaminas também causam perda do apetite, ansiedade aumentada e irritabilidade. Quando consumidas por longos períodos de tempo, causam senti- mentos de perseguição e uma sensação de suspeita geral. As pessoas que consomem anfetaminas podem perder inte- resse em sexo. Se consumidas em grandes quantidades, elas superestimulam o sistema nervoso central de tal modo que podem causar convulsões e até a morte (Carhart-Harris, 2007). A metanfetamina é uma droga branca e cristalina que, de acordo com a polícia dos EUA, é a droga mais pe- rigosa vendida nas ruas. Essa droga é altamente viciante, tem um custo rela- tivamente baixo e produz um “barato” forte e duradouro. Já viciou pessoas de diversas classes sociais, desde donas de casa a profissionais urbanos e po- bres moradores de favelas. Uma vez viciados, os usuários passam a usá-las com mais frequência, e em quantidades cada vezmaiores. O uso dessa dro- ga pode causar dano cerebral a longo prazo (Sharma, Sjoquist e Ali, 2007; Thompson et al., 2004). Cocaína Apesar de o uso da cocaína ter diminuído ao longo da última déca- da, esse estimulante e o seu derivado, o crack, ainda representam uma grande preocupação. A cocaína é inalada pelo nariz, fumada ou injetada diretamente na corrente sanguínea. Ela é rapida- mente absorvida pelo corpo e tem efeito praticamente ime- diato. Quando usada em quantidades relativamente pequenas, a cocaína produz sensações de profundo bem-estar psico- lógico, confiança e atenção aumen- tadas. A cocaína produz esse “barato” por meio do neu- rotransmissor dopamina, que é um dos produtos químicos que estão rela- cionados aos sentimen- tos comuns do prazer. Normalmente, quando a dopamina é liberada, quan- tidades excessivas do neuro- transmissor são reabsorvidas pelo neurônio que a libera. No entanto, quando a cocaína entra no cérebro, ela impede a reabsorção das sobras da dopamina. Como resultado, o cérebro é inundado por sensações prazerosas produzidas pela dopamina (Jarlais, Arasteh e Perlis, 2007; Redish, 2004). Entretanto, há um preço caro a se pagar pelos efeitos prazerosos da cocaína. O cérebro pode ser permanentemen- te reprogramado, ativando um vício psicológico e fisiológi- co em que os usuários ficam obcecados em obter a droga. Com o tempo, os usuários se deterioram mental e fisica- mente. Em casos extremos, a cocaína pode causar alucina- ções; uma alucinação comum é a de insetos subindo pelo corpo. Por fim, uma overdose de cocaína pode levar à morte (Carpenter, 2001; George e Moselhy, 2005; Nestler, 2001; Paulozzi, 2006). Miligramas Café descafeinado Café percolado Café filtrado Café instantâneo Chá fermentado Chá instantâneo Cacau Muitos refrigerantes Fármacos para perda de peso, diuréticos e estimulantes Analgésicos Remédios para gripe/alergia Níveis de cafeína em bebidas e drogas comuns Fo nt e: N e w Y o rk T im e s G ra p h ic s. 0 25 50 75 100 125 150 175 200 PsychSmart_04.indd 113PsychSmart_04.indd 113 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 114 • PSICO Uma pessoa comum com mais de 14 anos bebe 9 litros de álcool puro ao longo de um ano. DICA DE ESTUDO Esse resumo irá ajudá-lo a se lembrar dos efeitos de drogas específicas. DICDIC Esse efe Drogas e seus efeitos Drogas Efeitos Sintomas de abstinência Riscos Estimulantes Cocaína Metanfetaminas Confiança aumentada, elevação do humor, sensação de energia e vigilância, apetite diminuído, irritabilidade, insônia, sonolên- cia passageira, orgasmo retardado Apatia, fadiga geral, sono pro- longado, desorientação, pen- samentos suicidas, atividade motora agitada, irritabilidade, sonhos bizarros Pressão arterial elevada, aumento da temperatura corporal, coceira no rosto, desconfiança, comportamento bizarro e repetitivo, alucinações vívi- das, convulsões, possível morte Calmantes Álcool Sedativos Redução de ansiedade, impulsividade, mu- danças dramáticas no humor, pensamentos bizarros, comportamento suicida, fala con- fusa, desorientação, funcionamento mental e físico vagaroso, atenção limitada Fraqueza, agitação, náusea e vômito, dores de cabeça, pesa- delos, irritabilidade, depressão, ansiedade aguda, alucinações, convulsões, possível morte Confusão, diminuição da reação à dor, respiração superficial, pupilas dilatadas, pulso fraco e rápido, coma, possível morte Rohypnol Redução de ansiedade, relaxamento mus- cular, amnésia, sono Convulsões Convulsões, coma, incapacitação, in- capacidade de resistir a abuso sexual Narcóticos Heroína Morfina Redução de ansiedade e de dor, apatia, di- ficuldade de concentração, fala arrastada, atividade física diminuída, baba, coceira, euforia, náusea Ansiedade, vômito, espirro, for- te dor lombar, olhos marejados, coriza, bocejos, irritabilidade, tremores, pânico, calafrios e suor, câimbras Níveis deprimidos de consciência, baixa pressão arterial, frequência cardíaca acelerada, respiração superficial, convulsões, coma, possí- vel morte Alucinógenos Cannabis Euforia, diminuição das inibições, apetite aumentado, comportamento desorientado Hiperatividade, insônia, apetite diminuído, ansiedade Reações graves são raras, mas incluem pânico, paranoia, fadiga, comportamento bizarro e perigoso, testosterona diminuída no longo pra- zo, efeitos no sistema imunológico MDMA (Ecstasy) Aumento da consciência de si e da pro- priocepção, sentimentos de paz, empatia, energia Depressão, ansiedade, falta de sono Aumento da temperatura corporal, prejuízos de memória LSD Reações mais intensas a aspectos estéticos (ex. achar as coisas mais bonitas), distorção de visão e de profundidade, sensibilidade a rostos e gestos aumentada, sentimentos intensificados, paranoia, pânico, euforia Não relatados Náusea e calafrios; pulso, tempera- tura e pressão arterial aumentados, respiração profunda e vagarosa, perda de apetite, insônia, comporta- mento bizarro e perigoso PsychSmart_04.indd 114PsychSmart_04.indd 114 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 115 CALMANTES: O BAIXO DAS DROGAS Ao contrário do efeito inicial dos estimulantes – excitação aumentada do sistema nervoso central –, o efeito dos cal- mantes é inibir o sistema nervoso ao inibir o disparo dos neurônios. Pequenas doses de calmantes resultam em sensa- ções pelo menos temporárias de intoxicação – embriaguez – junto de uma sensação de alegria e euforia. Quando tomadas grandes quantidades, contudo, a fala se torna confusa e o controle muscular fica desarticulado, dificultando a mobili- dade. Por fim, aqueles que abusam da droga podem perder a consciência por completo. Álcool O calmante mais comum dos Estados Unidos é o ál- cool, que é usado por mais norte-americanos do que qualquer outra droga. Com base na venda de bebidas, estima-se que uma pessoa comum com mais de 14 anos bebe 9 litros de álcool puro ao longo de um ano. Fazendo os cálculos, isso dá mais de 200 drinques por pessoa. Apesar de o consumo de ál- cool ter diminuído regularmente ao longo da última década, levantamentos com alunos da faculdade mostram que mais de três quartos deles beberam nos últimos 30 dias (Jung, 2002; Midanik, Tam e Weisner, 2007). Uma das tendências mais preocupantes é a alta frequência de festas com grandes quantidades de bebida entre estudantes na faculdade. Para os homens, isso consiste em consumir cinco ou mais drinques por vez. Para mulheres, que geralmente pe- sam menos do que os homens e cujos corpos absorvem álcool com menos eficiência, isso consiste em quatro drinques ou mais por vez (Mokdak, Brewer e Naimi, 2007). calmantes Drogas que diminuem a atividade do sistema nervoso. Bebem socialmente 31% 49% Bebem socialmente 40% Bebem em excesso Bebem em excesso 41% Não bebem 20% Não bebem 19% Homens Mulheres Hábitos de bebida entre estudantes da faculdade Fo nt e: W e ch sl e r e t al ., 2 0 0 3 . Se você bebe álcool, você tem um estilo de consumo que é seguro e responsável? Leia as afirmações abaixo e avalie o quanto você concorda com elas, usando a seguinte escala: 1= Discordo totalmente 2= Discordo 3= Neutro 4= Concordo 5= Concordo totalmente 1. Eu costumo beber álcool algumas vezes por semana. 2. Às vezes eu vou para a aula depois de ter ingerido álcool. 3. Eu bebo frequentemente quando estou sozinho. 4. Eu já dirigi sob a influência do álcool. 5. Eu usei uma identidade falsa para comprar álcool. 6. Eu sou uma pessoa completamente diferente quando estou bebendo álcool. 7. Eu frequentemente bebo tanto que me sinto bêbado. 8. Eu não gostaria de ir a uma festa em que não tivesse bebidas alcoólicas. 9. Eu evito pessoas que não gostam de beber álcool. 10. Às vezes faço as outras pessoas beberem mais álcool. Considere seu estilo de beber > > E X P E R IM E N T E ! Pontuação: Quanto mais baixa a sua pontuação (ou seja, quanto mais 1 e2), melhor você consegue controlar seu consumo de álcool, e maiores as probabilidades de você beber álcool com responsabilidade. Quanto mais alta a sua pontuação (ou seja, mais 4 e 5), mais você usa e é dependente do álcool, e maiores as probabilidades de você consumir álcool imprudentemente. Se sua pontuação for maior do que 40, você pode ter problemas com álcool e deveria buscar ajuda profissional para lidar com o seu consumo de álcool. 1 2 3 4 5 ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ ____ PsychSmart_04.indd 115PsychSmart_04.indd 115 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 116 • PSICO 2 0,05 3 0,08 4 0,10 7 0,20 9 0,30 12 0,40 15 0,50 Bebidas consumidas em duas horas Álcool no sangue (porcentagem) Julgamento, pensamento e censura ou inibição enfraquecidos; tensão aliviada, produzindo sensação despreocupada Tensões e inibições da vida cotidiana diminuídas; alegria Ação motora voluntária afetada, tornando movimentos manuais e braçais, movimentação e fala desajeitados Áreas mais profundas do cérebro afetadas, com estímulo-resposta e compreensão confusas, confusão mental, visão embaçada Debilidades severas – cambaleante, barulhento, emocionalmente instável, risco de acidente de trânsito 100 vezes maior; inclinações à vitalidade e agressividade aumentadas Incapaz de ação voluntária, sonolência, dificuldade de acordar, equivalente à anestesia cirúrgica Perda parcial ou total da consciência; centros que controlam respiração e batimentos cardíacos anestesiados, morte cada vez mais provável Nota: O desenho da garrafa refere-se a uma típica garrafa de 350 ml de cerveja, uma dose de 45 ml de destilados ou um cálice de 150 ml de vinho. Essas quantidades servem apenas como referência geral. Os efeitos variam significativamente dependendo da altura do indivíduo, da comida ingerida recentemente, de fatores genéticos e mesmo do estado psicológico. Efeitos do álcool Efeitos típicos Cerca de 50% dos universitários homens e 40% das uni- versitárias mulheres dizem que se envolveram em uma “be- bedeira” ao menos uma vez nas últimas duas semanas. Cerca de 17% das alunas e 3% dos alunos admitiram ter bebido em 10 ou mais ocasiões durante os últimos 30 dias. Além disso, mesmo aqueles que bebiam pouco foram afetados pela alta taxa de consumo de álcool: dois terços deles disseram que seu sono ou seus estu- dos foram perturbados por estudantes bêbados, e um quarto das mulheres disse que já foi alvo de investidas sexuais indesejadas por um colega bêbado (Park e Grant, 2005; Wechsler et al., 1994, 2000, 2002). No passado, as mulheres americanas costumavam beber um pouco menos do que os homens, mas a diferença entre os sexos está cada vez menor para homens e mulheres mais ve- lhos, e já não há diferença entre os sexos para os adolescen- tes. As mulheres são mais suscetíveis aos efeitos do álcool, e o abuso de álcool pode causar mais danos ao cérebro das mulheres do que ao dos homens (Mancinelli, Bi- netti e Ceccanti, 2007; Mann et al., 2005; Wuethrich, 2001). Apesar de o álcool ser um calmante, a maio- ria das pessoas afirma que ele aumenta seu sen- so de socialização e bem-estar. A discrepância entre os efeitos reais e percebidos está nos efeitos iniciais que ele produz na maioria de indivíduos que o ingerem: o alívio da tensão e do estresse, sentimentos de felicidade e perda de inibição (Sayette, 1993; Steele e Josephs, 1990). Conforme a dose de álcool aumenta, contudo, seus efeitos calmantes tornam-se mais pronunciados. As pessoas podem se sentir física e emocionalmente instáveis. Sua ca- pacidade de julgamento fica prejudicada e podem agir com agressividade. Além disso, a memória fica prejudicada, o processamento cerebral de informações espaciais fica dimi- nuído, e a fala torna-se confusa e incoerente. Se beberem ál- cool demais em um período curto de tempo, podem morrer de envenenamento por álcool (Murphy et al., 1998; Thatcher e Clark, 2006; Zeigler et al., 2005). Apesar de a maior parte dos norte-americanos se encai- xar na categoria de usuários casuais, 14 milhões de pessoas nos Estados Unidos – um em cada 13 adultos – têm proble- mas com bebida. Alcoolistas, pessoas com problemas de abuso de álcool, passam a depender do álcool e continuam a beber mesmo que isso cause graves problemas à sua saúde ou à sua vida pessoal. Além disso, sua imunidade aos efeitos intoxicantes do álcool vai ficando cada vez maior. Portanto, os alcoolistas sentem necessidade beber cada vez mais para sentir os efeitos positivos iniciais que o álcool produz. Um estudo com mais de 800 vítimas de estupro indicou que 20% dos estupros ocorreram quando a vítima estava em um estado alterado de consciência induzido por drogas ou álcool. Uma droga usada no estupro (Rohypnol) pode causar perda de controle muscular, sonolência, dificuldade de falar, amnésia para o evento e outros efeitos hipnóticos. Você sabia? p PsychSmart_04.indd 116PsychSmart_04.indd 116 08/03/12 09:1808/03/12 09:18 Estados de Consciência • 117 Alguns alcoolistas precisam beber o tempo todo para se sentir bem o suficiente para funcionar diariamente. Outros bebem inconsistentemente, mas às vezes se passam e bebem quantidades excessivas de álcool. Não está claro por que algumas pessoas tornam-se alco- olistas e desenvolvem uma tolerância ao álcool enquanto ou- tras não. Talvez haja uma causa genética, apesar de a questão de se existe um gene herdado que produza o alcoolismo ser controversa. O que está claro é que as chances de se tornar um alcoolista são consideravelmente mais altas se há alcoo- listas presentes em gerações anteriores de sua família. Con- tudo, nem todos os alcoolistas têm parentes próximos que também são alcoolistas. Nesses casos, suspeita-se que fatores ambientais causadores de estresse exerçam um papel impor- tante (Nurnberger e Bierut, 2007; Whitfield et al., 2004; Zim- mermann et al., 2007). Sedativos Sedativos, incluindo barbituratos, benzodiazepí- necos e não benzodiazepínecos são drogas depressoras que reduzem a irritabilidade e têm um efeito calmante. Barbitu- ratos, tais como Nembutal, Seconal e fenobarbital, são dro- gas prescritas mais antigas que têm alto potencial de vício. Prescritos para induzir o sono ou reduzir o estresse, os bar- bituratos, como o Seconal e o fenobarbital, produzem uma sensação de relaxamento. Eles têm grande potencial de abuso e overdose. Os benzodiazepínecos, uma nova classe de droga, subs- tituíram os barbituratos para o tratamento a curto prazo de ansiedade, insônia, convulsões e abstinência do álcool. Como os barbituratos, os benzodiazepínecos, que incluem Xanax e Valium, são drogas prescritas que só podem ser usadas com a supervisão de um médico. O Rohypnol, outro benzodiazepíneco, é um sedativo de efeito curto, que algumas vezes é chamado de “boa noite Cinderela”. Quando misturado com o álcool, pode impedir as vítimas de resistirem ao abuso sexual. Às vezes, as pessoas que recebem a droga inadvertidamente ficam tão incapacita- das que sequer se lembram do abuso (Britt e McCance-Katz, 2005). O Rohypnol não pode ser prescrito ou vendido legal- mente nos Estados Unidos. Os não benzodiazepínecos como Ambien e Eszopiclone diferem quimicamente dos benzodiazepínecos, mas produ- zem efeitos semelhantes. Geralmente prescritos para tratar insônia, essas drogas também exibem menor probabilidade de causar dependência física do que os benzodiazepínecos e os barbituratos. NARCÓTICOS Os narcóticos são drogas que produzem relaxamento e ali- viam a dor e a ansiedade. Dois dos narcóticos mais fortes, a morfina e a heroína, são derivados da semente da papoula. Apesar de a morfina ser usada clinicamente para controlar dor severa, a heroína é ilegal nos Estados Unidos. Isso, con-