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MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Começamos a Maratona Criando Juntos abordando sono infantil. Na sequência, falamos sobre como levar os filhos para a escola sem choro e, agora, vamos explicar como prevenir as “birras”. É importante que os temas sejam colocados desta forma porque o sono é fundamental para conseguir lidar com o choro antes de ir para a escola, as birras e todo o comportamento da criança — em resumo, para ter um dia mais leve, divertido e organizado. A criança precisa dormir bem e ter os processos de adaptação respeitados. Isso fará muita diferença para os momentos de birra. Meu nome é Nanda Perim , sou psicóloga, educadora parental, educadora integrativa do sono infantil, especialista emocional e mãe do Théo e do Gael. Muitas vezes, durante uma crise de birra dos filhos, os pais também fazem birra, gritam, esperneiam e saem. Em uma palestra que fiz sobre o tema, um pai disse que, quando o filho fazia algo diferente do que foi pedido, ele ficava bravo, levantava e saía. Então, brinquei: “Se o seu filho fizesse isso, a gente ia chamar de birra. Na próxima palestra, traz o seu filho para ele aprender a lidar com a sua birra”. Vamos entender que a birra faz parte do desenvolvimento infantil e da maturação emocional e também como cuidar da birra da criança e da nossa. Não adianta querer que a criança pare de agir de uma maneira que nós continuamos agindo. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Ela aprende muito através do exemplo. Por mais que expliquemos, se agirmos de um jeito que não queremos que ela aja, ela irá imitar por influência dos neurônios espelho. Então, você terá quatro passos para lidar com a birra, sendo que dentro do terceiro haverá mais quatro passos. Antes de começar, vou contar uma história que aconteceu hoje e tem muita relação com o tema — aliás, está virando costume acontecer algo durante o dia que está relacionado ao tema do dia nas lives. Isso só reforça o fato de que, além das coisas que estudo, ensino tudo aquilo que vivo com os meus próprios filhos e vejo o que funciona e o que não funciona. O problema de hoje foi uma crise de explosão emocional do Gael. Estava muito chateado porque era quarta-feira e não domingo, que será o aniversário dele. Lembrei de quando o Théo ficou bravo porque eu não conseguia desligar o Sol. Falei que não fazia isso por querer, mas não adiantou. Boa leitura! Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? A birra é normal? Reforçando o tema de ontem, as crianças não têm calendário mental porque ainda estão numa fase muito concreta, aqui e agora. Elas não entendem que um dia após o outro não é uma opção nossa e não somos nós que escolhemos se o Sol acende ou apaga. Por isso, é natural que haja o processo de assimilação (que compreende entender, assimilar e aceitar), no qual existe o ponto de negação. A negação tira a lógica da criança e dá espaço às crises emocionais, uma explosão de emoção e energia com a qual ela ainda não sabe lidar. A saída é chorar, espernear, gritar etc. como uma reação dos hormônios que estão em maior quantidade no corpo dela. Por que isso faz parte da maturação emocional? Vamos dividir o cérebro em duas partes: evoluída, responsável pelo raciocínio lógico, cálculo matemático, memória, pensamento complexo, e primitiva, que faz o processamento mais rápido, situações de medo, raiva, susto etc. Logo, se a criança ainda está começando a desenvolver a primeira parte, é evidente que a primitiva irá se sobressair. O corpo irá naturalmente recorrer a ela. As crianças têm muito do que se proteger. Se uma outra criança chega ao mesmo ambiente, a primeira reação é de medo em relação à ameaça — principalmente se estiver com o brinquedo favorito nas mãos. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Amanhã, para falar sobre agressividade, vamos voltar a isso, mas a parte primitiva tomar conta significa que a criança está com medo ou raiva de algo. Você pode tentar explicar para ela que, quando a parte evoluído sai de cena e o primitivo toma conta, o dinossauro dela sai da jaula. Ele não fala português, não entende nada e só consegue grunhir. No livro que escrevi sobre o assunto, Dino Davissauro, falo de uma coisa importante: quando o dinossauro sai da jaula, não adianta dar sermão, dizer o que ela pode ou não fazer etc. Não é o momento de educá-la assim. Aliás, acredito que a palavra “birra” é muito ruim para definir esse momento de frustração porque traz uma conotação negativa, como se fosse um problema e não algo natural que faz parte do desenvolvimento da criança. A maioria de nós, mães e pais, já nos sentimos julgado pelos outros quando nossos filhos estavam tendo esse tipo de coisa. Chegamos até a questionar a qualidade de nossa maternidade/paternidade. Masessa explosão emocional é, mais que natural, fundamental para a criança extravasar, aprender a lidar com os próprios sentimentos, saber se expressar e ter válvulas de escape. Muitas vezes, a culpa da birra não é da criança, mas nossa. Porque é uma situação que só acontece depois que todos os limites foram ultrapassados, a criança já tentou avisar de várias formas e os pais não se deram conta. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? A crise não acontece porque a criança ouviu um “Não!”. Já houve uma série de desrespeitos, desconsiderações e outros comportamentos dos pais que são naturalizados na nossa cultura. Ontem, falamos sobre adaptação. Quantas vezes, ao sair de uma festa, você avisa para seu marido/esposa para irem embora? E por que, com a criança, só avisa uma, pega pelo braço e saem. Naturalizamos a falta de consideração com as crianças. Um exemplo comum é levá-las a lugares como o supermercado mesmo que elas estejam cansadas, com sono, fome e sede. A crise de birra será só uma consequência. Como a criança irá lidar com a birra se o cortisol está acumulado em seu corpo, o supermercado tem luzes por todo o lado, pessoas falando alto e vários estímulos de compra (que são estrategicamente pensados para gerar desejo)? Voltando às aulas anteriores, percebemos a importância gigantesca de ter uma rotina na vida das crianças. Aqui em casa, todos os dias, elas sabem que irão tomar banho às 18h30 para jantar depois; nunca vamos ao supermercado. Se formos, eu estarei consciente de que as crises podem acontecer. Vamos para os quatro passos para lidar com a birra. Passo #1 - Entender Isso é muito importante para resolver qualquer situação. Por isso, busque entender o que foi dito no capítulo anterior. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Analise em que horário a birra acontece, o que está acontecendo ao redor da criança, como está o sono e o banco de horas de saudade, de brincadeiras, de ar livre, de Sol. Enfim, entenda tudo que pode influenciar em crises de birra. Passo #2 - Prevenir Prevenir é, por exemplo, não ir ao supermercado com as crianças às 19h ou traçar combinados com elas considerando o processo de entender, assimilar e aceitar. Por isso as aulas de segunda e terça são fundamentais. Se você levar a criança a uma loja de brinquedos, veja se a criança está com fome, sede ou sono e faça combinados antes de sair de casa. Certo dia, por volta das 19h, os meninos ficaram em casa com o meu marido e eu estava no shopping com a minha mãe. Havia um parquinho da Peppa Pig, e por ele passou um homem com uma criança de 2 anos, que gritava porque queria ir ao parquinho. Ele dizia: “Você tem que aprender que as coisas não vão ser do seu jeito”, era uma bronca e ela chorando, provavelmente não entendendo nada. A impressão que deu foi que ele aproveitou a oportunidade para dar limites à criança e mostrar que ela não pode ser mal educada. Mas como ela, uma criança pequena, iria entender isso, sendo que tem uma interpretação muito limitada e estava chorando? Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Para as crianças, a negação de algum pedido parece maldade; elas não entendem a complexidade do que os pais tentam explicar. E aqui entra a prevenção. Se você já sabe que haverá estímulos (como esse parquinho), evite passar por lá ou distraia a criança, faça brincadeiras, converse. Às vezes, achamos que, quando não negamos um pedido, não estamos educando. Mas não é esse momento que dita se educamos ou não os nossos filhos, se eles têm limites ou não. Trata-se dos momentos anteriores, a prevenção, a conversa com antecedência. Se a criança não tem maturidade suficiente para entender a conversa, ainda não chegou o momento de ensinar essas coisas porque ela não irá entender. É como entender alfabetizar uma criança de 3 anos, forçando uma coisa que depois vem naturalmente. Distrair e entreter a criança é uma forma inteligente de educar, entendendo que não é o momento de broncas. Esse é o conhecimento para lidar com as situações. O autoconhecimento, reconhecer-se como boa mãe/bom pai; e o relacionamento é a maneira como a criança se sente em relação aos pais. Passo #3 - Agir Depois de entender e prevenir, precisamos agir. Este é o passo que é dividido quatro partes: Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Parte 1 - Mantenha a calma Respire fundo, mantenha a calma e tente espelhar o comportamento que você quer da criança. “Nossa, mas isso é muito difícil”. Se é difícil para você que é adulto, imagine para a criança. Como você quer que ela, uma criança, pare com a crise de birra se você, que jádeveria ter uma certa maturidade emocional, não consegue? Parte 2 - Isole-se das opiniões e conecte-se à criança Você não irá conseguir se conectar aos dois. Esqueça as pessoas ao redor que estão julgando a situação e conecte-se ao seu filho. Escolha a criança, foque suas energias nela. Nunca ignore sua criança. Ignore tão pouco quanto você gostaria de ser ignorado quando estiver precisando de suporte emocional das outras pessoas. Lembre que, quando uma criança está triste, chorando ou com raiva, ela não escolheu estar assim, não é algo pessoal contra você. E, se você ignora, a criança recebe uma mensagem da importância que para você. O corpo dela irá reagir a isso com muito mais adrenalina e cortisol. Isso vale para todo mundo. O dinossauro irá crescer se a criança for ignorada. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Parte 4 - Acolha e acalme Entenda que a criança precisa de você mesmo se ela quiser espaço. Diga “Quando você quiser um abraço, estarei aqui” e não “Quando você se acalmar, me procure”, como se ela só merecesse sua ilustre presença quando estiver bem. Coloque-se no lugar dela e imagine se seu marido/sua esposa agisse assim. Você gostaria de ser acolhido só quando está bem humorada (o)? Geralmente, a criança pede espaço, mas não distância. Você é o porto seguro dela. Acolha sempre, mesmo quando ela estiver errada. Não adianta não acolher porque a educação vem depois, para você ensinar algo. Se você não faz isso, comece a partir de hoje. Quando demonstramos calma e acolhemos a criança, ela vai se sentir bem. Existem várias maneiras, como cantar músicas, fazer brincadeiras, conversar. Mas não deixe de acolher. Parte 4 - Validar Afirme para a criança que você a entendeu. “Filho, você está chorando porque queria muito um ovo de chocolate e eu falei que hoje não iria te dar?”. Na mesma hora, ela irá reagir confirmando porque muitas vezes ela acha que você não a compreendeu, não se sente ouvida e vista. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Uma das mais formas de agir numa crise é validar a criança. Aja com empatia: “Eu também me sinto assim quando quero uma coisa e não posso. Posso te dar um abraço?”. O “Não” permanece, mas isso não impede você de se mostrar compreensivo e demonstrar amor à criança. É justamente o contrário: você deve fazer isso para que ela se sinta bem e volte ao normal. Passo #4 - Resolver Depois de agir para acalmá-la, você resolve a situação. Lembre-se do primeiro passo, entenda por que ela quer tanto o que está pedindo. Pode ser fome, sono, necessidade de se sentir ouvida etc. Converse com a criança e faça-a entender a situação. Os quatro passos são cíclicos. Depois de resolver, voltamos para entender e assim novamente. É um ciclo que não termina. Após as crises, conseguimos entender melhor a criança, resolvendo as que estão acontecendo e prevenindo as próximas. Quando você não consegue acalmar o dinossauro, é sinal de que você não sabe o que funciona com sua criança. O problema é que nós não sabemos nem o que funciona para lidar com as nossas próprias crises porque não fomos ensinados a ter inteligência emocional. Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA. MARATONA CRIANDO JUNTOS Live #3 - Como prevenir as birras? Primeira entenda o que funciona para você para espelhar seu comportamento no dele e depois aprenda o que funciona para ela. Não seja imediatista. Todo esse processo leva tempo e precisa ser feito com muito amor à criança para dar certo. Espero que tenham amado! Com carinho, Nanda Perim nandaperim@psimama.com.br Jan 2020. Autoria e direitos reservados @Nanda Perim, psicóloga, educadora parental, especialista emocional, autora e mãe de dois. A venda dessa cartilha é PROIBIDA.