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Doenças autoimunes Sistema Imunológico e Suas Disfunções O sistema imunológico é responsável por defender o corpo contra agentes agressores (internos ou externos), como infecções, células alteradas e substâncias estranhas, além de vigiar alterações celulares que poderiam evoluir para câncer. ⚠️ Disfunções Imunológicas Quando o sistema imunológico falha, podem surgir: · Alergias · Doenças autoimunes · Rejeição de enxertos (em transplantes): depende da compatibilidade HLA, mas mesmo com imunossupressores, pode haver rejeição. · Imunodeficiências · Congênitas (primárias): geralmente genéticas. · Adquiridas: como a AIDS. 🧠 Autoimunidade: Quebra da Autotolerância · Autotolerância: capacidade do sistema imune de não atacar o próprio corpo. · Quebra dessa tolerância gera: · Produção de autoanticorpos. · Ação de células T autorreativas. · Resultado: inflamação e destruição tecidual → doenças autoimunes. 📊 Prevalência e Gravidade · Doenças autoimunes variam entre indivíduos. · Algumas são graves e podem levar à morte, especialmente quando comprometem órgãos vitais (ex: lúpus com nefrite lúpica → insuficiência renal). Fatores de Risco · Gênero: mais comuns em mulheres. · Idade: predominam entre 20–30 anos, mas podem ocorrer em qualquer idade. · Etnia: há predisposição genética em alguns grupos. · Exceção: doença de Crohn afeta homens e mulheres igualmente. 🧬Avanços no Diagnóstico e Tratamento 🔎 Diagnóstico · Nas últimas duas décadas, houve grande avanço no diagnóstico de doenças autoimunes. · Destaca-se o uso rotineiro de painéis laboratoriais de autoanticorpos, que permitem uma investigação mais precisa e precoce. 💊 Tratamento As doenças autoimunes são inflamações crônicas e o tratamento visa controlar essa resposta imunológica. Principais abordagens terapêuticas: · Imunossupressores: corticoides, metotrexato, ciclofosfamida. · Imunobiológicos (imunoterapia biológica): anticorpos monoclonais que bloqueiam mediadores inflamatórios (ex.: anti-TNF, anti-IL-6). Desafios no Brasil: Acesso aos imunobiológicos pelo SUS é limitado e, muitas vezes, depende de decisão judicial. Na rede privada, o acesso é mais fácil, mas restrito ao poder aquisitivo do paciente. Observação importante: Medicamentos como metotrexato também são usados no tratamento do câncer, não por tratar a neoplasia em si, mas por atuarem na inibição da resposta imunológica exacerbada. 🧠 Classificação das Doenças Autoimunes As doenças autoimunes podem ser divididas em dois grupos: 1. Órgão-específicas a. A resposta imune ataca um órgão ou tecido específico. b. Exemplo: Diabetes tipo 1 (pâncreas), tireoidite de Hashimoto (tireoide). 2. Sistêmicas a. Acometem vários órgãos e tecidos simultaneamente. b. Exemplo: Lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide. Características comuns: · Envolvem inflamação crônica. · Tendem a ser progressivas, de difícil controle e sem cura definitiva, pois o sistema imune ataca um componente próprio do organismo. 🧴 Doenças Autoimunes da Pele – Resumo 1. Psoríase · Natureza: Inflamatória e autoimune. · Mecanismo: Aumento acelerado da replicação dos queratinócitos. · Manifestações: · Placas espessas, avermelhadas e descamativas. · Locais comuns: cotovelos, joelhos, couro cabeludo, região lombar. · Pode ou não haver coceira. · Piora no frio (mais ressecamento e descamação). · Complicações: Feridas nas placas → infecções bacterianas secundárias. · Importante: Não é contagiosa nem causada por bactérias. 2. Vitiligo · Natureza: Autoimune com destruição dos melanócitos. · Manifestações: Manchas brancas na pele. Sem dor, coceira ou inflamação visível. · Complicações: · Alta sensibilidade ao sol (ausência de melanina). · Leve aumento do risco de melanoma. · Genética: Forte componente hereditário, mais prevalente em indígenas no Brasil. · Importante: Não é contagioso. 3. Pênfigo · Natureza: Autoimune grave. · Mecanismo: Autoanticorpos contra proteínas de adesão celular (ex.: desmogleína), provocando o descolamento da epiderme. · Manifestações: Formação de bolhas dolorosas na pele e mucosas. Dor intensa e risco elevado de infecções nas lesões. · Impacto: Reduz fortemente a qualidade de vida. · Genética: Mais comum em populações indígenas brasileiras. 🩸Doenças Autoimunes Hepáticas e Endócrinas 🧬 1. Hepatite Autoimune · Tipo: Inflamação crônica do fígado de origem autoimune. · Quadro clínico: Semelhante às hepatites virais: aumento de AST, ALT, icterícia, fadiga. · Sorologias para hepatites A-E → negativas. · Diagnóstico: · Autoanticorpos: FAN, anti-LKM, anti-SLA. · Biópsia hepática: infiltrado linfocitário portal e necrose hepatocelular. 🩸 2. Diabetes Mellitus Tipo 1 · Mecanismo: Destruição autoimune das células beta do pâncreas → ausência de insulina. · Início: Infância ou adolescência (5–15 anos). · Diagnóstico: Autoanticorpos: anti-IA2, anti-GAD, anti-insulina, anti-ZnT8. · Diferencial: · ≠ Diabetes tipo 2 (resistência insulínica). · ≠ Diabetes gestacional (transitória e relacionada à gravidez). 🔥 3. Pancreatite Autoimune · Mecanismo: Inflamação autoimune que afeta o pâncreas inteiro. · Sintomas: Dor abdominal, icterícia, insuficiência pancreática (tanto endócrina quanto exócrina). · Diferença do DM1: · DM1 → destrói apenas células beta. · Pancreatite autoimune → acomete todo o tecido pancreático. 🍞 Doenças Autoimunes Gastrointestinais 🔹 Doença de Crohn · Tipo: Inflamatória intestinal autoimune. · Local: Pode afetar todo o trato gastrointestinal (da boca ao ânus). · Sintomas: Dor abdominal, diarreia crônica, perda de peso. · Manifestações extraintestinais: artrite, lesões de pele e oculares. · Diferencial: Acomete homens e mulheres igualmente (exceção entre as doenças autoimunes). 🔹 Doença Celíaca · Gatilho: Ingestão de glúten (trigo, centeio, cevada). · Mecanismo: Glúten provoca inflamação → atrofia das vilosidades intestinais. · Sintomas: Má absorção, diarreia, distensão abdominal, perda de peso. · Diagnóstico: · Autoanticorpos: anti-transglutaminase, anti-endomísio, anti-gliadina. · Biópsia intestinal. ❤️ Doença Autoimune Cardiológica 🔹 Febre Reumática · Origem: Resposta autoimune pós-infecção por Streptococcus pyogenes (amigdalite). · Mecanismo: Mimetismo molecular → anticorpos atacam tecidos do próprio corpo. · Órgãos acometidos: Coração, articulações, pele, SNC. · Manifestações: · Cardite, artrite migratória, nódulos subcutâneos, eritema marginado, coreia. · Prevenção/tratamento: · Penicilina benzatina a cada 3 semanas por anos. · Redução da incidência com antibióticos precoces. 🩸 Doenças Autoimunes Hematológicas 🔹 Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI) · Mecanismo: Destruição autoimune das plaquetas. · Sintomas: Manchas roxas (púrpura), sangramentos espontâneos. 🔹 Anemia Perniciosa · Causa: Autoimunidade contra células parietais do estômago. · Conseqüência: Falta de fator intrínseco → má absorção de vitamina B12. · Sintomas: · Anemia megaloblástica, sinais neurológicos. 🔹 Anemia Aplásica Autoimune · Causa: Destruição autoimune das células-tronco hematopoéticas. · Efeito: Pancitopenia – queda de todas as linhagens do sangue: · Anemia, leucopenia, trombocitopenia. 🧠 Doenças Autoimunes Neurológicas 🔹 Esclerose Múltipla (EM) · Tipo: Doença inflamatória autoimune crônica. · Mecanismo: · Destruição da bainha de mielina (estrutura que isola os neurônios). · Compromete a condução dos impulsos elétricos no sistema nervoso central. · Sintomas principais: · Fraqueza muscular · Formigamento (parestesia) · Desequilíbrio · Perda de visão (neurite óptica) · Sintomas neurológicos variados e progressivos 🔹 Narcolepsia (Forma Autoimune) · Tipo: Distúrbio neurológico do sono com possível origem autoimune. · Mecanismo: Destruição dos neurônios que produzem hipocretina/orexina, neurotransmissores que regulam o ciclo sono-vigília. · Sintomas principais: · Sonolência excessiva diurna · Ataques súbitos de sono, mesmo durante atividades normais · Possíveis alucinações hipnagógicas e cataplexia (fraqueza muscular súbita) 🧠 Tolerância Imunológica a Autoantígenos A tolerância imunológica é o conjunto de mecanismos queimpedem o sistema imune de atacar os próprios componentes do corpo (autoantígenos), evitando doenças autoimunes. 🔹 Tolerância Central · Onde ocorre: · Células T: Timo · Células B: Medula óssea · Quando ocorre: Durante a maturação dos linfócitos imaturos. · Mecanismos: · Deleção clonal (apoptose): linfócitos que reconhecem autoantígenos com alta afinidade morrem. · Edição do receptor: apenas em linfócitos B, que podem rearranjar seus genes para alterar a especificidade do receptor. · Diferenciação em T reguladoras (Treg): no caso das células T CD4+, algumas se tornam linfócitos Treg ao reconhecerem autoantígenos. · Autoantígenos envolvidos: · Antígenos endógenos presentes no timo e na medula óssea, incluindo os amplamente expressos e os tecido-específicos (por expressão induzida no timo via mecanismo especial). 🔹 Tolerância Periférica · Onde ocorre: Em tecidos periféricos e órgãos linfoides secundários (linfonodos, baço, mucosa). · Quando ocorre: Após a saída dos linfócitos maduros da medula ou timo. · Mecanismos: · Anergia: o linfócito encontra o antígeno sem coestimulação e torna-se inativo. · Apoptose: morte celular programada do linfócito autorreativo. · Supressão ativa pelas células Treg: Treg suprimem a ativação dos linfócitos autorreativos. · Importância: · Complementa a tolerância central. · Controla linfócitos que escaparam do timo/medula. · Necessária para tolerância a autoantígenos tardios (expressos só na vida adulta). ⚠️ Outros Fatores Relacionados à Tolerância · Antígenos sequestrados: presentes em locais de imunoprivilégio (ex.: olhos, testículos), não acessíveis ao sistema imune. · Ignorância imunológica: alguns autoantígenos são reconhecíveis, mas não geram resposta imune, por motivos ainda desconhecidos. · Ausência de coestimulação: antígenos apresentados sem coestimulação levam à tolerância, não ativação. 🧬 Imunidade Fisiológica e Autoimunidade 🔹 Autoanticorpos Naturais · Produzidos fisiologicamente, geralmente de baixa afinidade. · Fazem parte da vigilância imunológica. · Isoladamente, não indicam doença autoimune. · A presença de autoanticorpos não justifica testes de triagem ou diagnóstico automático. Quando a Autoimunidade se Torna Patológica? · Além dos autoanticorpos, há: · Ativação de linfócitos T autorreativos. · Participação na resposta inflamatória. · Formação de complexos imunes. · Dano tecidual real. 🧬Predisposição Genética vs. Fatores Ambientais · Predisposição genética: · Não garante que a doença se manifestará. · Aumenta a probabilidade de desenvolvimento da autoimunidade. · A maioria das doenças autoimunes não é monogênica (≠ mutações únicas). · O gene HLA é um dos principais marcadores de susceptibilidade (ex.: HLA-B27 na espondilite anquilosante). · Estímulos ambientais: · Podem desencadear autoimunidade mesmo sem predisposição genética. · Incluem: · Infecções (mimetismo molecular, apoptose celular) · Exposição a antígenos ocultos · Desregulação da microbiota (desbiose) 🔬Exemplos de Mecanismos Ambientais Envolvidos 1. Mimetismo molecular: a. Resposta imune contra um patógeno confunde antígenos do próprio corpo com os do invasor. 2. Apoptose induzida por vírus: a. Exposição de antígenos intracelulares antes “escondidos” → pode ativar linfócitos autorreativos não eliminados. 3. Desbiose (desequilíbrio da microbiota): a. Relacionada a diversas doenças autoimunes cutâneas e intestinais. b. Trato gastrointestinal e pele são locais críticos. 📌 Considerações Finais · Nem todos os mecanismos autoimunes são identificáveis por exames atuais. · A interação entre genes e ambiente é essencial para a quebra da autotolerância. · A terapia futura pode se beneficiar da modulação da microbiota, prevenção de infecções e indução seletiva da tolerância imunológica. 🌱Influência da Microbiota, Estilo de Vida e Nutrição na Autoimunidade 🦠 Microbiota e Sistema Imune · Estudos recentes mostram que muitas doenças autoimunes estão ligadas à disbiose — desequilíbrio da microbiota. · Crianças expostas desde cedo a uma maior variedade de microrganismos (como ao brincar na terra, nadar em rios, etc.) desenvolvem um sistema imune mais robusto. 🧒 Mudanças no Estilo de Vida · Menor exposição ambiental nas gerações recentes (ex.: crianças que viveram a pandemia na primeira infância). · Fatores como: · Isolamento social · Excesso de tempo em telas · Menor convívio com o ambiente natural → Reduzem a diversidade de antígenos ambientais essenciais à maturação do sistema imune. · A primeira infância (até os 4 anos) é o período mais crítico para essa maturação. há uma maior chance de desenvolver doenças autoimunes, alergias e outras disfunções imunológicas. 🥦Fatores Nutricionais e Autoimunidade – Exemplo: Doença Celíaca 🔹 Doença Celíaca · Intolerância imunológica ao glúten (proteína presente no trigo, centeio e cevada). · Glúten contém gliadina, que atua como antígeno, gerando inflamação intestinal em indivíduos predispostos. 🧪 Mecanismo Imune · Ingestão de glúten → produção de anticorpos IgA anti-transglutaminase tecidual e anti-gliadina. que acabam gerando a inflamação intestinal típica da doença celíaca. · A inflamação ocorre mesmo com traços mínimos de glúten (ex.: contaminação cruzada de panelas). 📋 Diagnóstico · Presença de anticorpos ≠ diagnóstico definitivo. · É necessário haver sintomas clínicos associados. · Confirmação por: · Exames laboratoriais específicos · Em alguns casos, biópsia intestinal. ❗ Importante Diferenciação · Nem todo intolerante ao glúten é celíaco. Todos nós podemos produzir anticorpos contra o glúten. Isso não significa que sejamos celíacos. · Celíaco: autoimunidade confirmada com autoanticorpos e sintomas. · Sensibilidade ao glúten não celíaca: sintomas gastrointestinais, sem autoanticorpos típicos. A doença celíaca só se manifesta quando há sintomas associados, além da presença dos anticorpos específicos. Portanto, ter anticorpos não é suficiente para diagnóstico — é necessário que haja manifestação clínica. Autoanticorpos e Doença · Indivíduos com doença autoimune costumam apresentar concentração elevada de autoanticorpos, bem acima dos níveis fisiológicos observados em pessoas saudáveis. 🧂 Iodo e Doenças da Tireoide · Deficiência de iodo: já foi problema de saúde pública → combate com iodação obrigatória do sal. · Excesso de iodo: pode aumentar o risco de doenças autoimunes da tireoide, como tireoidite de Hashimoto. 🌞 Vitamina D e Sistema Imune · Importante papel imunológico, mas: · Suplementação só deve ser feita em caso de deficiência comprovada. · Excesso de vitamina D → risco de hipercalcemia (lesões renais, calcificações, destruição óssea). · A síntese natural de vitamina D depende da exposição solar, mas: O uso de protetor solar (necessário contra o câncer de pele) bloqueia essa síntese. 🧬 Conclusão Integrada · A perda da autotolerância imunológica resulta de múltiplos fatores interligados: · Genética · Ambiente · Nutrição · Estilo de vida · Todos esses elementos atuam em conjunto na gênese das doenças autoimunes. 🩺 Diagnóstico das Doenças Autoimunes: Etapas e Papel dos Profissionais de Saúde 🧠 Etapas do Diagnóstico O diagnóstico ideal de doenças autoimunes envolve quatro pilares principais: 1. Avaliação clínica - Realizada pelo médico: anamnese, exame físico e hipótese diagnóstica baseada nos sintomas. 2. Exames laboratoriais a. Incluem dosagem de autoanticorpos e marcadores inflamatórios. b. Exemplo: suspeita de doença celíaca → dosagem de anti-transglutaminase, anti-gliadina, anti-endomísio. 3. Exames de imagem a. Solicitados conforme o órgão afetado (não realizados por biomédicos, mas interpretados em conjunto com os achados laboratoriais). 4. Exame anatomopatológico (biópsia) a. Exemplo: endoscopia com biópsia do intestino delgado na doença celíaca, para confirmar a atrofia das vilosidades intestinais. Importância de Investigar Queixas Inespecíficas · Muitas doenças autoimunes se manifestam com sintomas vagos e inespecíficos, como: · Fadiga, cansaço, fraqueza, perda de peso, dores articulares/musculares. · Nesses casos, é fundamentalinvestigar condições associadas, como: · Anemia, que pode ter diversas causas: · Deficiência de ferro · Deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico · Anemia da doença inflamatória crônica 🧪 Investigação Laboratorial nas Doenças Autoimunes 🔹 Exames Básicos Iniciais · Hemograma: Avalia anemia, leucócitos e plaquetas. Não confirma autoimunidade isoladamente, mas fornece dados importantes: · Desvio à esquerda → processo infeccioso. · Linfocitose ou linfopenia → possíveis alterações imunológicas. · Análises bioquímicas complementares: · Função hepática (ALT, AST, bilirrubinas, etc.). · Função renal (creatinina, ureia). · Função tireoidiana (TSH, T3, T4). · Marcadores inflamatórios: · PCR (Proteína C Reativa) · VHS (Velocidade de Hemossedimentação) 🔹 Exames Específicos · Dosagem hormonal: útil em suspeitas de tireoidites autoimunes. · Complemento (C3, C4, CH50): · Auxilia no diagnóstico de lúpus e outras doenças autoimunes. · Deficiências → maior risco de infecções recorrentes e alterações imunes. · Imunoglobulinas (ex.: IgG): · Quedas podem estar associadas ao uso de imunossupressores ou imunoterapia, aumentando a suscetibilidade a infecções. 🔹 Biópsia como Ferramenta Diagnóstica · Importância: · Não se limita ao diagnóstico oncológico. · Amplamente usada na confirmação de doenças autoimunes. · O que mostra: · Padrões de lesão histológica específicos, como: · Infiltrado linfocitário · Destruição tecidual · Deposição de imunocomplexos Testes Genéticos e Marcadores Imunogenéticos 🔹 HLA-B27 e Espondilite Anquilosante · HLA-B27: marcador genético associado à espondilite anquilosante. · Importante ressalva: · Cerca de 10% da população pode ser HLA-B27 positiva sem sintomas. · Diagnóstico significativo apenas quando o teste é positivo + sintomas compatíveis. 🔹 Limitações dos Testes Genéticos · Nem todas as doenças autoimunes são associadas a HLA ou autoanticorpos. · O tipo de investigação depende do quadro clínico específico. · Painéis genéticos que avaliam variantes de genes relacionados à imunidade: · Estão em desenvolvimento. · Ainda não são rotina no Brasil, mas podem ser úteis em centros especializados. ! Se não causa doença, não se preocupe · Exames de triagem: são menos específicos, mas são bastante sensíveis ex: FAN, imunofluorescência indireta, 🧫 Investigação Laboratorial de Autoanticorpos 🔬 Principais Metodologias Utilizadas 1. Imunofluorescência Indireta (IFI) a. Muito utilizada na triagem do FAN (fator antinuclear). b. Permite observar padrões de fluorescência nuclear e citoplasmática. 2. Ensaios Imunoenzimáticos (EIA/ELISA) a. Detectam anticorpos específicos com alta sensibilidade. b. Exemplo: anti-dsDNA, anti-transglutaminase, anti-Saccharomyces. 3. Quimioluminescência (CLIA) a. Semelhante ao ELISA, mas com maior sensibilidade e menor tempo de análise. 4. Testes Multiplex (ex.: Luminex) a. Permitem a detecção simultânea de múltiplos anticorpos em uma única amostra. b. Muito úteis em painéis autoimunes complexos. 🧬 Exemplo de Exame de Triagem: FAN · Fator Antinuclear (FAN): · Detecta anticorpos que se ligam a estruturas nucleares. · Principal exame de triagem em doenças autoimunes sistêmicas. · Limitação: · Até 10–15% da população saudável pode apresentar FAN positivo em títulos baixos. · Portanto, não confirma diagnóstico isoladamente – deve ser interpretado junto ao quadro clínico. 🧪 Principais Autoanticorpos Específicos e Suas Doenças Associadas Autoanticorpo Doença Associada Anti-dsDNA e Anti-Sm (Smith) Lúpus eritematoso sistêmico (LES) Anti-Ro (SSA) e Anti-La (SSB) Síndrome de Sjögren Anti-RNP Doenças mistas do tecido conjuntivo Anti-Scl70 Esclerose sistêmica (forma difusa) Anti-transglutaminase tecidual e anti-gliadina Doença celíaca Anti-saccharomyces cerevisiae (ASCA) Doença de Crohn ❗ Obs.: o ASCA reconhece epítopos compartilhados, e não a levedura em si. Existem diversos métodos laboratoriais para a detecção de autoanticorpos. Entre os principais, podemos destacar: 🧪 Métodos Laboratoriais para Detecção de Autoanticorpos ✅ 1. Imunofluorescência Indireta (IFI) · Uso principal: Triagem para Fator Antinuclear (FAN). · Substrato: Células HEp-2 fixadas em lâminas. · Procedimento: · Adiciona-se o soro do paciente. · Se houver autoanticorpos, eles se ligam às estruturas celulares. · Aplica-se um anticorpo anti-IgG humano conjugado à fluoresceína. · A leitura é feita por microscópio de fluorescência. · Resultado: Informa padrão de fluorescência e título. · Importância: Exame essencial na triagem de doenças autoimunes sistêmicas. ✅ 2. Ensaios Imunoenzimáticos (ELISA, EIA, CLIA) · Função: Detecção quantitativa ou qualitativa de autoanticorpos específicos. · Exemplos detectados: anti-dsDNA, anti-Sm, anti-Ro, anti-La, anti-Scl70, entre outros. · Vantagens: · Mais objetivos, padronizados e automatizados do que a IFI. · Alta sensibilidade e especificidade. ✅3. Quimioluminescência (CLIA) e Eletroquimioluminescência (ECLIA) · Base: Reações químicas com emissão de luz. · Vantagens: · Alta sensibilidade e rapidez. · Muito utilizados em rotinas laboratoriais automatizadas. ✅ 4. Multiplex · Tecnologia de alto desempenho. · Permite detecção simultânea de múltiplos autoanticorpos. · Funcionamento: · Usa microesferas fluorescentes, cada uma com um antígeno específico. · A leitura é feita por citometria de fluxo adaptada. · Aplicação: Geração de perfil imunológico detalhado do paciente. ✅ 5. Imunoblot (Western Blot) · Menos usado na rotina, mas útil para confirmação de anticorpos específicos. · Funcionamento: · Proteínas separadas por eletroforese são transferidas para uma membrana. · O soro do paciente é testado contra essas proteínas. · Indicação: Quando há dúvida na especificidade dos autoanticorpos. ✅ 6. Turbidimetria e Nefelometria · Uso principal: · Quantificação de proteínas: imunoglobulinas, complemento, fator reumatoide. · Avaliação da atividade inflamatória em doenças autoimunes. ✅ 7. Testes Rápidos (Imunocromatográficos) · Uso ainda limitado, mas úteis em: · Triagens rápidas. · Locais com acesso restrito ao laboratório. 📌 Considerações Finais · As metodologias são complementares, não excludentes. · A escolha do método depende de: · Suspeita clínica · Recursos laboratoriais · Protocolos adotados no serviço de saúde 🔬 Fator Antinuclear (FAN) – Interpretação e Aplicações ✅ Finalidade do FAN · Exame de triagem para doenças autoimunes sistêmicas. · Detecta autoanticorpos antinucleares, mas pode revelar também anticorpos contra: · Citoplasma · Mitocôndrias · Aparelho mitótico · Células epiteliais humanas 🔎 Realização · Método: Imunofluorescência indireta (IFI) em células HEp-2. · Diluição padrão inicial: 1:80 · Evita falsos positivos em indivíduos saudáveis. · Aumenta a especificidade do teste. 🧾 Laudo do FAN: Três Informações Essenciais 1. Reatividade a. Positivo ou negativo na triagem. 2. Título a. Maior diluição do soro que ainda apresenta fluorescência (ex.: 1:80, 1:160, 1:320...). b. Representa uma avaliação semi-quantitativa da carga de autoanticorpos. Quanto maior o título, maior a quantidade de autoanticorpos presentes no soro do paciente 3. Padrão de fluorescência a. Indica a localização dos antígenos reconhecidos. Exemplos: i. Nuclear homogêneo ii. Pontilhado fino/grosso iii. Centromérico iv. Nucléolo v. Citoplasmático Outro ponto relevante: o FAN pode ser positivo em outras condições que não sejam doenças autoimunes 💊 Situações que Podem Causar FAN Falsamente Positivo · Lúpus induzido por drogas · Medicamentos: isoniazida, hidralazina, procainamida, metildopa, quinidina etc. · Infecções crônicas · Neoplasias · Envelhecimento · Inflamações agudas Importante: O paciente deve informar os medicamentos em uso no momento da coleta. 🧠 Importância do Padrão de Fluorescência · Chave para direcionar a investigação diagnóstica. · Orienta quais autoanticorpos estão presentes e quais doenças podem estar associadas. ⚙️ Etapas Técnicas do FAN por IFI 1. Diluição do soro do paciente (padrão inicial: 1:80) 2. Aplicação sobre células HEp-2 (substrato em lâmina) 3. Incubaçãocom o quadro clínico Se houver suspeita compatível, solicitar: · Anti-dsDNA (associado a LES) · Anti-Sm (altamente específico para LES) · Anti-RNP, Anti-SSA/Ro, Anti-SSB/La, entre outros 🩺 Critérios Diagnósticos para LES Utiliza-se os critérios da: · ACR (American College of Rheumatology) · EULAR (European League Against Rheumatism) 🧾 Para fechar diagnóstico: Geralmente, ≥ 4 critérios entre 11, sendo pelo menos um clínico e um imunológico. 📋 Critérios do ACR/EULAR para LES (exemplos) 👩⚕️ Manifestações clínicas: · Eritema malar · Lesões discoides · Fotossensibilidade · Úlceras orais · Artrite não erosiva · Serosite (pleurite ou pericardite) · Alterações renais (proteinúria, hematúria) · Alterações neurológicas (convulsões, psicose) · Alterações hematológicas (anemia hemolítica, leucopenia, linfopenia, trombocitopenia) 🔬 Manifestações imunológicas: · FAN positivo · Anti-dsDNA, anti-Sm · Anticorpos antifosfolipídeos 🎯 Importância da Integração Clínica-Laboratorial · O painel de autoanticorpos atual é robusto. · A correta solicitação e interpretação dos exames permite diferenciar LES de outras doenças autoimunes, como: · Esclerose sistêmica · Síndrome de Sjögren · Artrite reumatoide ✔️ Conclusão: Diagnóstico preciso depende da integração entre exame clínico e laboratorial, com uso criterioso de ferramentas como o FAN e autoanticorpos específicos. 🦋 Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): Manifestações Clínicas e Diagnóstico 🔥 Definição · Doença inflamatória crônica e autoimune · Caracteriza-se por inflamação sistêmica · Pode acometer vários órgãos e tecidos · As manifestações clínicas são muito variadas e podem ocorrer isoladamente ou em combinação. 🧍♀️ Manifestações Clínicas Comuns Sistema Principais Manifestações Pele Eritema malar em “asa de borboleta”, lesões discoides, fotossensibilidade muito comum, hiperpigmentação ou hipopigmentação Articulações Artrite não erosiva (simétrica, com dor e rigidez) pequena e grande articulações SNC Convulsões, psicose, déficit cognitivo, alterações neurológicas Rins Nefrite lúpica (grave; pode evoluir para insuficiência renal) Pulmões Pleurite, pneumonite, derrame pleural Coração Pericardite, miocardite, endocardite de Libman-Sacks Hematológico Anemia hemolítica, leucopenia, linfopenia, trombocitopenia Geral Febre, fadiga intensa, emagrecimento, mal-estar ⚠️ Gravidade variável: desde formas leves (cutâneo-articulares) até quadros sistêmicos graves. 🔬 Diagnóstico Laboratorial · FAN: Exame de triagem. · Exames confirmatórios: Avaliam atividade e especificidade imunológica. ⭐ Anti-DNA de fita dupla (anti-dsDNA) · Principal marcador específico do LES · Alta correlação com nefrite lúpica · Indica atividade da doença 🔎 Método Clássico: IFI com Crithidia luciliae O teste mais clássico para detecção do anti-dsDNA é a imunofluorescência indireta (IFI) utilizando um protozoário chamado Crithidia luciliae. Esse organismo é utilizado porque possui uma estrutura chamada cinetoplasto, rica em DNA de fita dupla, praticamente livre de RNA e de outras estruturas celulares, tornando o teste altamente específico para anti-dsDNA. · ✔️ Se o paciente possui anti-dsDNA, a fluorescência será observada no cinetoplasto. · ❌ Se não há anti-dsDNA, não haverá fluorescência nessa estrutura. Esse método é considerado altamente específico, mas não é quantitativo. Ele informa apenas se há ou não presença do anticorpo. 🔬 Diagnóstico Laboratorial Avançado no Lúpus (LES) 🎯 Quantificação do Anti-dsDNA Métodos quantitativos que permitem monitorar a atividade da doença: · ELISA · Quimioluminescência · Imunoturbidimetria 📉 Níveis diminuem na remissão 📈 Elevam-se na reativação, especialmente na nefrite lúpica 🔎 Outros Autoanticorpos Importantes no LES Autoanticorpo Relevância Clínica Anti-Sm Altamente específico, porém pouco sensível (25–30%) Anti-RNP Associado a síndromes de sobreposição e esclerose sistêmica Anti-SSA (Ro) Associado a LES subagudo cutâneo e lúpus neonatal Anti-SSB (La) Mais comum na síndrome de Sjögren, também presente no LES Antifosfolipídeos (anticardiolipina, anti-β2GPI, anticoagulante lúpico) Associados à Síndrome Antifosfolipíde, com risco aumentado de trombose ⚙️ Avanços Tecnológicos Plataforma Características ELISA Multiplexado Detecta vários autoanticorpos simultaneamente Quimioluminescência Automatizada Alta sensibilidade e automação Sistemas Luminex (microesferas + citometria de fluxo) Alta performance, ideal para grandes laboratórios ✔️ permitem padronização, rapidez e controle de qualidade em larga escala 🌟 FAN por IFI: Ainda é o padrão ouro · Permite visualização direta do padrão de fluorescência · Orienta investigação direcionada de autoanticorpos específicos · Requer validação manual por profissional habilitado, mesmo com automação 🧠 Interpretação Clínica Integrada Situação Interpretação FAN positivo Não confirma LES sozinho (pode ocorrer em outras doenças ou até em pessoas saudáveis) FAN negativo Não exclui LES (pode estar negativo em formas limitadas ou em remissão) Anti-dsDNA elevado Sinal de atividade da doença, especialmente nefrite lúpica Anti-dsDNA desaparece Sugere remissão da doença 🩺 Monitoramento Clínico do Paciente Lúpico Deve incluir: · Exames laboratoriais gerais: Hemograma, creatinina, ureia, proteinúria, C3/C4 · Marcadores inflamatórios: PCR, VHS · Avaliação de órgãos-alvo: Rins, SNC, pulmões, coração · História clínica + sinais e sintomas ⚠️ Nenhum teste isolado confirma ou exclui LES 🧩 Diagnóstico sempre baseado na integração clínica e laboratorial 🧬 Fator Reumatoide (FR) – Definição e Interpretação ✅ O que é o FR? · Autoanticorpo direcionado à fração Fc da IgG humana · Reconhece uma região constante da IgG, comum a todas as moléculas dessa classe · Pode formar complexos imunes com IgG → Depósito tecidual → Inflamação 🔍 Isotipos do Fator Reumatoide Isotipo Observações IgM Mais comum e classicamente detectado em testes clínicos IgA Pode indicar formas mais agressivas da doença IgG Também presente, mas menos frequentemente pesquisado 📌 Importante: Embora muitas fontes associem o FR apenas ao IgM, ele pode ser IgA e IgG também 💡 Produção e Mecanismo · Produzido por células B ativadas → plasmócitos · Circula no soro e reconhece qualquer Ig (porção Fc) · Pode formar complexos imunes → depósito em tecidos (especialmente articulações) · Inflamação crônica → lesão articular progressiva. Quando ocorre a formação de complexos imunes (autoanticorpos + IgG), esses podem se depositar em tecidos, especialmente nas articulações. É essa deposição que desencadeia processos inflamatórios locais, causando dor e, progressivamente, lesão articular. Embora o complexo imunológico em si não seja visível diretamente por exames de imagem, a inflamação crônica decorrente pode gerar alterações estruturais articulares detectáveis radiologicamente. ⚠️ FR Positivo ≠ Diagnóstico de Artrite Reumatoide · FR positivo não confirma artrite reumatoide · FR negativo não exclui artrite reumatoide · Pode estar presente em: · Outras doenças autoimunes (ex.: lúpus, Sjögren) · Infecções crônicas (hepatites, tuberculose) · Neoplasias · Pessoas idosas saudáveis 🔎 Importância Clínica · Na prática clínica, FR é interpretado junto com o anti-CCP (anticorpo anti-peptídeo citrulinado cíclico) · A combinação FR + anti-CCP: · Aumenta especificidade diagnóstica para artrite reumatoide · Tem valor prognóstico (doença mais agressiva e erosiva quando ambos positivos) 🧪 Interpretação Clínica – Fator Reumatoide (FR) e Anti-CCP 🔹 Combinações diagnósticas comuns: FR Anti-CCP Interpretação Clínica Positivo Positivo Altamente sugestivo de artrite reumatoide. Alta especificidade, principalmente se houver sinais clínicos e imagem compatível. Positivo Negativo Pode indicar artrite reumatoide, mas menor especificidade. FR isolado ocorre em outras doenças autoimunes, infecções crônicas e idosos saudáveis. Negativo Positivo Forte indício de artrite reumatoide, mesmo na ausência deFR. Anti-CCP tem alta especificidade. Negativo Negativo Menos provável, mas não exclui a doença. Possível em formas soronegativas ou iniciais. A clínica e exames de imagem são essenciais. 🧬 Relevância dos Isotipos do FR Isotipo Interpretação IgM e IgA Associados a doença ativa e maior risco de lesões articulares. A positividade combinada com anti-CCP fortalece o diagnóstico. IgG Menor valor diagnóstico isolado, mas complementar. Pode reforçar o quadro quando presente com outros marcadores. · FR IgM e IgA positivos com IgG negativo: Sugere doença ativa, especialmente se o anti-CCP também for positivo. A associação dos isotipos IgM e IgA com a atividade inflamatória é bem descrita. · A presença de níveis elevados de FR, especialmente dos isotipos IgA e IgM, costuma se correlacionar com maior gravidade, atividade da doença e risco de desenvolvimento de erosões ósseas. 📋 Considerações Finais no Acompanhamento da Artrite Reumatoide · Avaliação clínica a cada 3 meses no início do tratamento · Após estabilização: cada 6 meses · Objetivo terapêutico: remissão da doença e prevenção de danos articulares Métodos Laboratoriais para Detecção do Fator Reumatoide (FR) 🧪 1. Teste de Aglutinação (Método Qualitativo ou Semiquantitativo) · Um dos métodos mais tradicionais e simples, baseado na reação de aglutinação de partículas sensibilizadas com imunoglobulina G (IgG) humana. · Quando o soro do paciente contém fator reumatoide (que reconhece a porção Fc do IgG), ocorre a formação de agregados visíveis (aglutinados). · Interpretação: quanto mais fator reumatoide presente, maior será a formação de agregados. · Observação direta: quanto maior o número ou o tamanho dos agregados, maior a concentração estimada do anticorpo. · É um método de triagem, mas não quantitativo preciso, usado principalmente em laboratórios de menor porte ou em atividades práticas acadêmicas. 💡 2. Imunoturbidimetria ou Nefelometria (Método Quantitativo) · Permite a quantificação do FR de forma precisa. · Baseia-se na formação de complexos antígeno-anticorpo que dispersam a luz. · O equipamento mede a quantidade de luz que é espalhada (nefelometria) ou bloqueada (imunoturbidimetria), em relação à luz incidente. · Quanto maior a concentração de FR, maior a turbidez da solução, maior a dispersão de luz, e, consequentemente, maior o sinal detectado. 🔬 3. ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) · Método altamente sensível e específico. · Utiliza uma fase sólida (geralmente uma placa) revestida com IgG humana (ou frações Fc). · Se houver FR no soro do paciente, ele se ligará à IgG da fase sólida. · Após etapas de lavagem, adiciona-se um anticorpo anti-IgM (ou anti-IgA, ou anti-IgG) conjugado a uma enzima. · A reação enzimática produz um sinal colorimétrico proporcional à quantidade de FR presente. · Vantagem: permite discriminar qual isotipo de FR (IgM, IgA, IgG) está presente. ✨ 4. Quimioluminescência · Semelhante ao ELISA no princípio de captura, mas a detecção não é feita por reação colorimétrica e sim por emissão de luz. · Pode ser: · Quimioluminescência enzimática, onde uma enzima converte o substrato em um produto que libera luz. · Quimioluminescência não enzimática, como sistemas que utilizam acridina ou outros compostos diretamente excitáveis quimicamente, dispensando enzimas. · Alta sensibilidade, especificidade e rapidez. · Muito utilizada em plataformas automatizadas como Architect (Abbott), Cobas (Roche), Lumipulse (Fujirebio), entre outras. 🎯 5. Multiplex – Detecção Simultânea de Vários Anticorpos · Baseado em micropartículas (esferas magnéticas) revestidas com antígenos específicos. · Cada micropartícula possui um sinal fluorescente distinto que permite sua identificação. · A leitura é feita por citometria de fluxo acoplada ou detectores específicos. · Permite analisar simultaneamente vários autoanticorpos no mesmo tubo (ex.: painel para lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren). · Vantagem: economia de tempo, reagentes e amostra, além de fornecer um perfil imunológico completo. ☝️ Importante sobre os métodos: · Testes de aglutinação são mais simples, rápidos e baratos, porém menos precisos e mais sujeitos a interferências (falso positivo ou falso negativo). · Imunoturbidimetria, nefelometria, ELISA e quimioluminescência são quantitativos, altamente sensíveis e utilizados em laboratórios de médio e grande porte. · A escolha do método depende da infraestrutura do laboratório, do custo, da necessidade de quantificação precisa e do painel de exames solicitados. m laudo típico informa: · Fator Reumatoide (FR): Valor de referência:FR. Anti-CCP tem alta especificidade. Negativo Negativo Menos provável, mas não exclui a doença. Possível em formas soronegativas ou iniciais. A clínica e exames de imagem são essenciais. 🧬 Relevância dos Isotipos do FR Isotipo Interpretação IgM e IgA Associados a doença ativa e maior risco de lesões articulares. A positividade combinada com anti-CCP fortalece o diagnóstico. IgG Menor valor diagnóstico isolado, mas complementar. Pode reforçar o quadro quando presente com outros marcadores. · FR IgM e IgA positivos com IgG negativo: Sugere doença ativa, especialmente se o anti-CCP também for positivo. A associação dos isotipos IgM e IgA com a atividade inflamatória é bem descrita. · A presença de níveis elevados de FR, especialmente dos isotipos IgA e IgM, costuma se correlacionar com maior gravidade, atividade da doença e risco de desenvolvimento de erosões ósseas. 📋 Considerações Finais no Acompanhamento da Artrite Reumatoide · Avaliação clínica a cada 3 meses no início do tratamento · Após estabilização: cada 6 meses · Objetivo terapêutico: remissão da doença e prevenção de danos articulares Métodos Laboratoriais para Detecção do Fator Reumatoide (FR) 🧪 1. Teste de Aglutinação (Método Qualitativo ou Semiquantitativo) · Um dos métodos mais tradicionais e simples, baseado na reação de aglutinação de partículas sensibilizadas com imunoglobulina G (IgG) humana. · Quando o soro do paciente contém fator reumatoide (que reconhece a porção Fc do IgG), ocorre a formação de agregados visíveis (aglutinados). · Interpretação: quanto mais fator reumatoide presente, maior será a formação de agregados. · Observação direta: quanto maior o número ou o tamanho dos agregados, maior a concentração estimada do anticorpo. · É um método de triagem, mas não quantitativo preciso, usado principalmente em laboratórios de menor porte ou em atividades práticas acadêmicas. 💡 2. Imunoturbidimetria ou Nefelometria (Método Quantitativo) · Permite a quantificação do FR de forma precisa. · Baseia-se na formação de complexos antígeno-anticorpo que dispersam a luz. · O equipamento mede a quantidade de luz que é espalhada (nefelometria) ou bloqueada (imunoturbidimetria), em relação à luz incidente. · Quanto maior a concentração de FR, maior a turbidez da solução, maior a dispersão de luz, e, consequentemente, maior o sinal detectado. 🔬 3. ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) · Método altamente sensível e específico. · Utiliza uma fase sólida (geralmente uma placa) revestida com IgG humana (ou frações Fc). · Se houver FR no soro do paciente, ele se ligará à IgG da fase sólida. · Após etapas de lavagem, adiciona-se um anticorpo anti-IgM (ou anti-IgA, ou anti-IgG) conjugado a uma enzima. · A reação enzimática produz um sinal colorimétrico proporcional à quantidade de FR presente. · Vantagem: permite discriminar qual isotipo de FR (IgM, IgA, IgG) está presente. ✨ 4. Quimioluminescência · Semelhante ao ELISA no princípio de captura, mas a detecção não é feita por reação colorimétrica e sim por emissão de luz. · Pode ser: · Quimioluminescência enzimática, onde uma enzima converte o substrato em um produto que libera luz. · Quimioluminescência não enzimática, como sistemas que utilizam acridina ou outros compostos diretamente excitáveis quimicamente, dispensando enzimas. · Alta sensibilidade, especificidade e rapidez. · Muito utilizada em plataformas automatizadas como Architect (Abbott), Cobas (Roche), Lumipulse (Fujirebio), entre outras. 🎯 5. Multiplex – Detecção Simultânea de Vários Anticorpos · Baseado em micropartículas (esferas magnéticas) revestidas com antígenos específicos. · Cada micropartícula possui um sinal fluorescente distinto que permite sua identificação. · A leitura é feita por citometria de fluxo acoplada ou detectores específicos. · Permite analisar simultaneamente vários autoanticorpos no mesmo tubo (ex.: painel para lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren). · Vantagem: economia de tempo, reagentes e amostra, além de fornecer um perfil imunológico completo. ☝️ Importante sobre os métodos: · Testes de aglutinação são mais simples, rápidos e baratos, porém menos precisos e mais sujeitos a interferências (falso positivo ou falso negativo). · Imunoturbidimetria, nefelometria, ELISA e quimioluminescência são quantitativos, altamente sensíveis e utilizados em laboratórios de médio e grande porte. · A escolha do método depende da infraestrutura do laboratório, do custo, da necessidade de quantificação precisa e do painel de exames solicitados. m laudo típico informa: · Fator Reumatoide (FR): Valor de referência: < 14 UI/mL (unidades internacionais por mililitro) Resultado: 14,3 UI/mL → Interpretação: Positivo (limítrofe) Apesar de estar no limite inferior da positividade, o resultado é tecnicamente considerado reagente, porém deve ser analisado com muita cautela, pois isoladamente não confirma nem exclui artrite reumatoide. 👉 A correta interpretação exige a associação do exame laboratorial com: · Quadro clínico: dor articular, rigidez matinal, edema, sinais inflamatórios. · Exames de imagem: radiografia, ultrassom ou ressonância que demonstrem sinovite, erosões ósseas ou comprometimento articular. · Outros marcadores imunológicos: como o Anti-CCP, que tem maior especificidade para artrite reumatoide. ⚠️ Limitações do Fator Reumatoide · Não é específico para artrite reumatoide. Pode estar presente em outras condições autoimunes (lúpus, síndrome de Sjögren, esclerodermia), em doenças infecciosas crônicas (tuberculose, hepatites, sífilis), sarcoidose, doenças intersticiais pulmonares, e até em indivíduos saudáveis, principalmente idosos. · Falso positivo: especialmente comum com o avanço da idade, em processos infecciosos ou inflamatórios não autoimunes. · Falso negativo: ocorre nas formas soronegativas de artrite reumatoide, onde o paciente apresenta critérios clínicos e radiológicos para a doença, porém sem FR detectável. 🏥 Correlações Clínicas Importantes · A presença de FR, especialmente dos isotipos IgA e IgM, em altos títulos, está associada a: · Maior gravidade da artrite reumatoide. · Maior risco de desenvolvimento de erosões ósseas e deformidades articulares. · Maior atividade inflamatória sistêmica. · A negatividade do FR não exclui a doença, especialmente se o Anti-CCP estiver positivo, pois este possui sensibilidade moderada, mas altíssima especificidade para artrite reumatoide. 💉 Monitoramento e Tratamento – Papel dos Autoanticorpos · Pacientes diagnosticados são acompanhados com dosagens periódicas de FR (geralmente IgM e IgA) e Anti-CCP, além de outros marcadores inflamatórios, como: · PCR (Proteína C Reativa) · VHS (Velocidade de Hemossedimentação) · A tendência é que, com o controle da atividade inflamatória, os títulos de FR e Anti-CCP reduzam ou estabilizem. Contudo, uma vez formados, podem permanecer detectáveis, mesmo com a doença em remissão. 💊 Impacto Terapêutico – Imunobiológicos · Medicamentos como o Infliximabe (anti-TNF), ou anticorpos monoclonais como o Rituximabe (anti-CD20), atuam reduzindo a atividade inflamatória, destruindo células B produtoras de autoanticorpos. · Entretanto, esses tratamentos têm um impacto direto no sistema imune, podendo reduzir também a resposta a vacinas e aumentar a suscetibilidade a infecções. 🔍 Resumo Importante · Fator Reumatoide: Autoanticorpo contra a porção Fc do IgG. Pode ser IgM, IgA ou IgG. · Positividade: Sugere, mas não confirma artrite reumatoide. · Negatividade: Não exclui a doença. · Mais específico: Quando associado ao Anti-CCP e ao quadro clínico. · Métodos: Aglutinação (triagem), imunoturbidimetria, nefelometria, ELISA, quimioluminescência e multiplex. · Utilização: Diagnóstico, prognóstico e monitoramento da atividade da doença. image.png