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Doenças - agentes etiológicos, modo de 
transmissão, manifestações da doença, diagnóstico, 
tratamento e prevenção 
 
Dengue 
 
A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se 
caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, 
o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa "odioso do Egito"). Os vírus 
dengue (DENV) estão classificados cientificamente na família Flaviviridae e no gênero 
Orthoflavivirus. Até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e 
DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens. 
 
As evidências apontam que o mosquito tenha vindo nos navios que partiam da África com 
escravos. No Brasil, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 
1981-1982, em Boa Vista (RR), causada pelos sorotipos 1 e 4. Após quatro anos, em 1986, 
ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. 
Desde então, a dengue vem ocorrendo de forma continuada (endêmica), intercalando-se com a 
ocorrência de epidemias, geralmente associadas à introdução de novos sorotipos em áreas 
indenes (sem transmissão) e/ou alteração do sorotipo predominante, acompanhando a expansão 
do mosquito vetor. 
Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico 
deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor, com 
reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com 
aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de 
outubro de um ano a maio do ano seguinte. 
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém as pessoas mais velhas e 
aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm maior risco de 
evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte. 
 
Sinais e sintomas 
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada. A maioria 
dos doentes se recupera, porém, parte deles podem progredir para formas graves, inclusive virem 
a óbito. A quase totalidade dos óbitos por dengue é evitável e depende, na maioria das vezes, da 
qualidade da assistência prestada e organização da rede de serviços de saúde. 
Todo indivíduo que apresentar febre (39°C a 40°C) de início repentino e apresentar pelo menos 
duas das seguintes manifestações - dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou 
articulares e dor atrás dos olhos – deve procurar imediatamente um serviço de saúde, a fim de 
obter tratamento oportuno. 
 
 
 
 
No entanto, após o período febril deve-se ficar atento. Com o declínio da 
febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), sinais de alarme podem 
estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o 
extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias, sendo 
assim caracterizados: 
Sinais e sintomas mais comuns de dengue 
 Febre alta; 
 Dor de cabeça e/ou atrás dos olhos; 
 Enjoo; 
 Moleza; 
 Dor nas articulações; 
 Manchas vermelhas no corpo. 
 
Sinais e sintomas de alerta para dengue grave 
 Dor na barriga intensa; 
 Vômitos frequentes; 
 Tontura ou sensação de desmaio; 
 Dificuldade de respirar; 
 Sangramento no nariz, gengivas e fezes; 
 Cansaço e/ou irritabilidade. 
Passada a fase crítica da dengue, o paciente entra na fase de recuperação. 
No entanto, a doença pode progredir para formas graves que estão 
associadas ao extravasamento grave de plasma, hemorragias severas ou 
comprometimento de grave de órgãos, que podem evoluir para o óbito do 
indivíduo. 
Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à doença, porém indivíduos 
com condições preexistentes com as mulheres grávidas, lactentes, crianças 
(até 2 anos) e pessoas > 65 anos têm maiores riscos de desenvolver 
complicações pela doença. 
Transmissão 
O vírus da dengue (DENV) pode ser transmitido ao homem principalmente 
por via vetorial, pela picada de fêmeas de Aedes aegypti infectadas. 
Transmissão por via vertical (de mãe para filho durante a gestação) e por 
transfusão de sangue são raros. 
Diagnóstico 
Não existe necessidade da realização de exames específicos para o 
tratamento da doença, já que é baseado nas manifestações clínicas 
apresentadas. No entanto, para apoiar o diagnóstico clínico existem disponíveis 
técnicas laboratoriais para identificação do vírus (até o 5° dia de início da 
doença) e pesquisa de anticorpos (a partir do 6° dia de início da doença). 
Prevenção 
Em 21 de dezembro de 2023, a vacina contra dengue foi incorporada no 
Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão da vacina da dengue é uma 
importante ferramenta no SUS para que a dengue seja classificada como mais 
uma doença imunoprevenível. 
O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público 
de saúde. 
Histórico: 
A vacina contra a dengue entra no Calendário Nacional de Vacinação pela 
primeira vez em fevereiro de 2024 e em virtude da capacidade de produção 
laboratorial a primeira campanha de vacinação atende 521 municípios 
distribuídos em 37 regiões de saúde do país. Embora exista a vacina contra a 
dengue, o controle do vetor Aedes aegypti é o principal método para a 
prevenção e controle para a dengue e outras arboviroses urbanas (como 
chikungunya e Zika), seja pelo manejo integrado de vetores ou pela prevenção 
pessoal dentro dos domicílios. 
É importante entender que ao adotar medidas de controle ao vetor após a 
introdução de um ou mais sorotipos novos do vírus da dengue, a possibilidade 
de se interromper a transmissão é reduzida, uma vez que há elevada 
densidade vetorial. Além disso, o tempo que decorre até a redução das 
populações de Aedes aegypti é muito maior que a velocidade de circulação 
viral, pois nessas circunstâncias a população sob risco é de 
suscetíveis. Quando a epidemia se instala, esta segue seu curso e as ações de 
controle vetorial mostram pouca ou nenhuma efetividade. Muitas das vezes, a 
redução do número de pessoas que adoecem ocorre "naturalmente", mais em 
função da imunidade de grupo que vai se estabelecendo do que pelos 
resultados obtidos com as ações de controle estabelecidas. 
Portanto, em períodos fora da sazonalidade da doença é que ações 
preventivas devem ser adotadas. É o momento ideal para manutenção de 
medidas que visem impedir epidemias futuras. Nesse sentido, além das 
ações realizada pelos agentes de saúde, a população deve fazer a sua 
parte: 
 Uso de telas nas janelas e repelentes em áreas de reconhecida 
transmissão; 
 Remoção de recipientes nos domicílios que possam se transformar em 
criadouros de mosquitos; 
 Vedação dos reservatórios e caixas de água; 
 Desobstrução de calhas, lajes e ralos; 
 Participação na fiscalização das ações de prevenção e controle da 
dengue executadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
Tratamento 
O tratamento é baseado principalmente na reposição de líquidos 
adequada. Por isso, conforme orientação médica, em casa deve-se 
realizar: 
 Repouso; 
 Ingestão de líquidos; 
 Não se automedicar e procurar imediatamente o serviço de urgência em 
caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de 
alarme; 
 Retorno para reavaliação clínica conforme orientação médica. 
 Ainda não existe tratamento específico para a doença. 
Esquistossomose 
 
É uma doença parasitária, diretamente relacionada ao saneamento 
precário, causada pelo Schistosoma mansoni. A pessoa adquire a infecção 
quando entra em contato com água doce onde existam caramujos infectados 
pelos vermes causadores da esquistossomose. No Brasil, a esquistossomose é 
conhecida popularmente como “xistose”, “barriga d’água” ou “doença dos 
caramujos”. O período de incubação, ou seja, tempo que os primeiros sintomas 
começam a aparecer a partir da infecção, é de duas a seis semanas. A 
magnitude de sua prevalência, associadaà severidade das formas clínicas e a 
sua evolução, conferem a esquistossomose uma grande relevância como 
problema de saúde pública. 
A transmissão da esquistossomose ocorre quando o indivíduo, 
hospedeiro definitivo, infectado elimina os ovos do verme por meio das 
fezes humanas. Em contato com a água, os ovos eclodem e liberam larvas 
que infectam os caramujos, hospedeiros intermediários que vivem nas águas 
doces. Após quatro semanas, as larvas abandonam o caramujo na forma de 
cercarias e ficam livres nas águas naturais. O ser humano adquire a doença 
pelo contato com essas águas. 
Importante: Destaca-se que a transmissão da esquistossomose não ocorre 
por meio do contato direto com o doente. Também não ocorre “autoinfecção”. 
Qualquer pessoa, de qualquer faixa etária e sexo, pode ser infectada com 
o parasita da esquistossomose, mas as situações abaixo são grandes 
fatores de risco para se contrair a infecção: 
 Existência do caramujo transmissor; 
 Contato com a água contaminada; 
 Fazer tarefas domésticas em águas contaminadas, como lavar roupas; 
 Morar em região onde há falta de saneamento básico; 
 Morar em regiões onde não há água potável. 
Importante: A infecção por esquistossomose é prevalente em áreas tropicais e 
subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água potável e sem 
saneamento adequado. Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de 
patologias graves em consequência da esquistossomose. 
Sinais e sintomas 
Fase crônica 
Nessa fase da doença, a diarreia se torna mais constante, alternando-se com 
prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, o paciente 
pode apresentar outros sinais, como: 
 Tonturas; 
 Sensação de plenitude gástrica; 
 Prurido (coceira) anal; 
 Palpitações; 
 Impotência; 
 Emagrecimento; 
 Endurecimento e aumento do fígado. 
Fase aguda 
A maioria dos portadores são assintomáticos. No entanto, nessa fase, o 
paciente infectado por esquistossomose pode apresentar diversos sintomas, 
como: 
 Febre; 
 Dor de cabeça; 
 Calafrios; 
 Suores; 
 Fraqueza; 
 Falta de apetite; 
 Dor muscular; 
 Tosse; 
 Diarreia. 
Casos graves 
Nesse estágio, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, 
fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido 
popularmente como barriga d’água. Se não tratada adequadamente, a 
esquistossomose pode evoluir e provocar algumas complicações, como, por 
exemplo: 
 Aumento do fígado; 
 Aumento do baço; 
 Hemorragia digestiva; 
 Hipertensão pulmonar e portal; 
 Morte. 
Diagnóstico, tratamento e prevenção 
O diagnóstico da esquistossomose é feito por meio de exames 
laboratoriais de fezes. É possível detectar, por meio desses exames, os ovos 
do parasita causador da doença. O médico também pode solicitar teste de 
anticorpos para verificar sinais de infecção e para formas graves 
ultrassonografia. O tratamento da esquistossomose, para os casos simples, é 
em dose única e supervisionado feito por meio do medicamento Praziquantel, 
receitado pelo médico e distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde. Os 
casos graves geralmente requerem internação hospitalar e até mesmo 
tratamento cirúrgico, conforme cada situação. 
Grupos-alvo para o tratamento são: 
 Comunidades inteiras que vivem em áreas de alta contaminação; 
 Crianças em idade escolar nas áreas urbanas residentes em áreas 
endêmicas; 
 Pessoas com profissões que envolvem contato com a água 
contaminada, tais como pescadores, agricultores, trabalhadores de 
irrigação; 
 Pessoas que praticam tarefas domésticas que envolvem contato com 
água contaminada. 
A prevenção da esquistossomose consiste em evitar o contato com águas onde 
existam os caramujos hospedeiros intermediários infectados, implementação 
de medidas de saneamento básico, educação em saúde. 
Situação epidemiológica 
No mundo: a esquistossomose mansoni é uma doença de ocorrência tropical, 
registrada em 54 países, principalmente na África e Leste do Mediterrâneo, 
atinge as regiões do Delta do Nilo e países como Egito e Sudão. 
Nas Américas: atinge a América do Sul, destacando-se a região do Caribe, 
Venezuela e Brasil. 
No Brasil: estima-se que cerca de 1,5 milhões de pessoas vivem em áreas sob 
o risco de contrair a doença. Os estados das regiões Nordeste e Sudeste são 
os mais afetados sendo que a ocorrência está diretamente ligada à presença 
dos moluscos transmissores. 
A esquistossomose está presente no Brasil de forma mais intensificada 
em 19 Unidades Federadas. São áreas com transmissão endêmicas que 
compreendem os Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do 
Norte, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais, com predominância no 
norte e nordeste deste estado. No Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de 
Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e no 
Distrito Federal, a transmissão é focal, não atingindo grandes áreas. 
No período de 2009 a 2019, segundo dados do Sistema de Informação do 
Programa de Controle da Esquistossomose (SISPCE), o percentual de 
positividade para S. mansoni nas áreas endêmicas apresentou variações de 
positividade de 5,20% em 2009 e 3,22% em 2019. Neste período foram 
realizados na rotina em torno de 9.867.120 exames e detectados 423.117 
casos e um percentual médio de positividade de 4,29%. 
Protocolos de tratamento 
Baseia-se na utilização do praziquantel, medicamento específico para a cura 
da infecção e preconizado para todas as formas clínicas, respeitados os casos 
de contraindicação. Esse é o único fármaco disponível, distribuído 
gratuitamente pelo Ministerio da Saúde aos estados e municípios (quadro 1). 
Quadro 1 – Esquema terapêutico esquistossomótico 
Medicamento 
Forma de 
apresentação 
Dosagem 
Efeitos 
colaterais / 
reações 
adversas 
Orientações 
Praziquantel 
Comprimidos 
de 600mg 
Adultos: 50mg/kg 
de peso 
Crianças: 
60mg/kg de peso 
Via oral, 
preferencialmente 
em dose única. 
Casos especiais 
ficam a critério 
médico. 
Predominância 
de diarreia e 
dor abdominal 
Não há 
evidências de 
provocar 
lesões tóxicas 
graves no 
fígado ou em 
outros órgãos 
Repouso por, 
pelo menos, 3 
horas após a 
ingestão do 
medicamento, 
para prevenir 
náuseas e 
tonturas 
(sintomas 
passageiros) 
O tratamento de suporte deve ser instituído para as diversas alterações. O 
protocolo de tratamento pode ser consultado no documento Vigilância da 
Esquistossomose Mansoni. 
De maneira geral, recomenda-se não adotar esse medicamento nas seguintes 
situações: 
 Durante a gestação; 
 Durante a fase de amamentação (se a nutriz for medicada, ela só deve 
amamentar a criança 72 horas após a administração da medicação); 
 Crianças menores de 2 anos; 
 Insuficiência hepática grave (fase descompensada da forma 
hepatoesplênica); 
 Insuficiência renal ou outras situações graves de descompensação 
clínica, a critério médico. 
 Importante: o risco/benefício do tratamento deve ser avaliado pelo 
médico. 
Malária 
 
Sobre a Malária 
A malária é uma doença infecciosa causada por um parasito do 
gênero Plasmodium, que é transmitido para humanos pela picada de fêmeas 
infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego). Estes mosquitos são 
mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. 
Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno. Portanto, 
não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de 
transmitir malária diretamente a outra pessoa. 
A malária também é conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, 
febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes 
populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre. Toda pessoa 
pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária 
podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou 
mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere 
total proteção clínica, até hoje não foi observada. Casonão seja tratado 
adequadamente, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, de 
acordo com a espécie parasitária. 
 
Fêmea do mosquito Anopheles (mosquito-prego) 
No Brasil, a maioria dos casos de malária se concentram na região amazônica, 
composta pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, 
Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Na região extra-amazônica, composta 
pelas demais unidades federativas, apesar das poucas notificações, a doença 
não pode ser negligenciada, pois a letalidade nesta região é maior que na 
região amazônica. 
A malária é uma doença que tem cura e o tratamento é eficaz, simples e 
gratuito. Entretanto, a doença pode evoluir para suas formas graves se não for 
diagnosticada e tratada de forma oportuna e adequada. 
Prevenção 
Entre as principais medidas de prevenção individual da malária estão: 
 
Uso de mosquiteiros 
 
Roupas que protejam 
pernas e braços 
 
Telas em portas e 
janelas 
 
Uso de repelentes 
Já as medidas de prevenção coletiva contra malária são: 
 Borrifação residual intradomiciliar (BRI); 
 Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida de longa duração; 
 Pequenas obras de saneamento para drenagem e aterro de criadouros 
do vetor; 
 Limpeza das margens dos criadouros; 
 Melhoramento da moradia e das condições de trabalho; 
 
1. Profissional de saúde, acesse os calendários do mosquiteiro com 
orientações para a sua lavagem correta. 
 
Importante: Não existe vacina contra a malária no Brasil. A vacina disponível 
serve apenas para alguns países africanos com alta transmissão de malária 
por Plasmodium falciparum e é exclusiva para crianças pequenas. 
Transmissão 
A malária é transmitida através da picada da fêmea do mosquito do 
gênero Anopheles infectada por uma ou mais espécies de protozoário do 
gênero Plasmodium. O mosquito anofelino também é conhecido como 
carapanã, muriçoca, sovela, mosquito-prego e bicuda. Estes mosquitos são 
mais abundantes ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados 
picando durante todo o período noturno. Apenas as fêmeas de mosquitos do 
gênero Anopheles são capazes de transmitir a malária. A malária não pode ser 
transmitida pela água. 
Os locais preferenciais escolhidos pelos mosquitos transmissores da malária 
para colocar seus ovos (criadouros) são coleções de água limpa, sombreada e 
de baixo fluxo, muito frequentes na Amazônia Brasileira. O ciclo se inicia 
quando o mosquito pica um indivíduo com malária sugando o sangue com 
parasitos (plasmódios). No mosquito, os plasmódios se desenvolvem e se 
multiplicam. O ciclo se completa quando estes mosquitos infectados picam um 
novo indivíduo, infectando a pessoa com os parasitos. 
 
Desta forma. o ciclo de transmissão envolve: 
o plasmódio (parasito), o anofelino (mosquito vetor) e humanos. 
Plasmódio 
(parasito) 
Anofelino 
(mosquito vetor) 
Humanos 
 
O período de incubação, ou seja, o intervalo entre a aquisição do parasito pela 
picada da fêmea do mosquito até o surgimento dos primeiros sintomas, varia 
de acordo com a espécie de plasmódio. Para Plamodium falciparum, mínimo 
de sete dias; P. vivax, de 10 a 30 dias e P. malariae, 18 a 30 dias. Não há 
transmissão direta da doença de pessoa a pessoa. Outras formas de 
transmissão também podem ocorrer em casos mais raros por: transfusão 
sanguínea, uso de seringas contaminadas, acidentes de laboratório e 
transmissão congênita. 
Sintomas 
Os sintomas mais comuns da malária são: 
 
Febre alta 
 
Calafrios 
 
Tremores 
 
Sudorese 
 
Dor de cabeça 
que podem ocorrer de 
forma cíclica 
Muitas pessoas, antes de apresentarem estas manifestações mais 
características, sentem náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite. 
A malária grave caracteriza-se por um ou mais desses sinais e sintomas: 
Prostração 
Convulsões 
Alteração da consciência 
Hipotensão arterial ou choque 
Dispneia ou hiperventilação 
Hemorragias, entre outros 
As gestantes, as crianças e as pessoas infectadas pela primeira vez estão 
sujeitas a maior gravidade da doença, principalmente por infecções pelo P. 
falciparum, que, se não tratadas adequadamente e em tempo hábil, podem ser 
letais. 
Diagnóstico 
O diagnóstico correto da infecção malárica só é possível pela demonstração do 
parasito, ou de antígenos relacionados, no sangue periférico do paciente, pelos 
métodos diagnósticos especificados a seguir: 
Tipos de diagnósticos 
Atenção! A sorologia não deve ser realizada no caso de suspeita de malária. 
Seu resultado é relacionado a exposição prévia e é restrito a inquéritos 
soroepidemiológicos e a estudos científicos. Sua solicitação no contexto clínico 
leva a retardo diagnóstico e maior risco de complicações. 
Tratamento 
Após a confirmação da malária, o paciente recebe o tratamento em regime 
ambulatorial, com comprimidos que são fornecidos gratuitamente em unidades 
do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente os casos graves deverão ser 
hospitalizados de imediato. O tratamento indicado depende de alguns fatores, 
como a espécie do protozoário infectante; a idade e o peso do paciente; 
condições associadas, tais como gravidez e outros problemas de saúde; além 
da gravidade da doença. 
 Importante: Quando realizado de maneira correta e em tempo oportuno, o 
tratamento garante a cura da doença. 
O diagnóstico oportuno seguido, imediatamente, de tratamento correto são os 
meios mais efetivos para interromper a cadeia de transmissão e reduzir a 
gravidade e a letalidade por malária. 
 
O tratamento da malária visa atingir ao parasito em pontos-chave de seu 
ciclo evolutivo, que podem ser didaticamente resumidos em: 
 Interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela patogenia e 
manifestações clínicas da infecção; 
 Destruição de formas latentes do parasito no ciclo tecidual (hipnozoítos) 
das espécies P. vivax e P. ovale, evitando assim as recaídas; 
 Interrupção da transmissão do parasito, pelo uso de medicamentos que 
impedem o desenvolvimento de formas sexuadas dos parasitos 
(gametócitos). 
 
Esquemas de Tratamento 
Para otimizar o trabalho dos profissionais de saúde e garantir a padronização 
dos procedimentos necessários para o tratamento da malária, o Guia de 
Tratamento da Malária no Brasil apresenta tabelas e quadros com todas as 
orientações relevantes sobre a indicação e uso dos antimaláricos preconizados 
no Brasil de acordo com a espécie parasitária, o grupo etário e o peso dos 
pacientes. 
Embora as dosagens constantes nas tabelas levem em consideração o grupo 
etário do paciente, é recomendável que, sempre que possível e para garantir 
boa eficácia e baixa toxicidade no tratamento da malária, as doses dos 
medicamentos sejam fundamentalmente ajustadas ao peso do paciente. 
Quando uma balança para verificação do peso não estiver disponível, 
recomenda-se a utilização da relação peso/idade apresentada nas tabelas. 
Malária por P. vivax ou por P. ovale 
Utiliza-se a cloroquina por 3 dias para o tratamento das formas sanguíneas em 
associação com a primaquina por 7 dias para o tratamento das formas 
hepáticas latentes. No caso de pacientes com mais de 120 kg, a dose da 
primaquina deve ser ajustada ao peso. Gestantes, puérperas com até um mês 
de aleitamento e crianças menores de 6 meses não podem usar a primaquina. 
Gestantes devem usar o tratamento convencional com cloroquina por três dias 
e cloroquina profilática (5 mg/kg/dose/semana) até o fim do primeiro mês de 
lactação, para prevenção de recaídas. O tratamento com ACT por 3 dias e 
primaquina por 14 dias está indicado para casos de recorrências 
de Plasmodium vivax. 
Malária por P. malariae 
O tratamento de P. malariae assemelha-se ao tratamento para malária vivax 
(apenas cloroquina por três dias), porém sem a necessidade de uso da 
primaquina. 
Malária por P. falciparum 
Utiliza-se o tratamento com combinações fixas de derivados de artemisinina 
(ACT), artemeter + lumefantrina ou artesunato + mefloquina, por 3 dias para o 
tratamentoclínico e a primaquina em dose única para eliminação dos 
gametócitos. Gestantes, puérperas com até um mês de lactação e crianças 
menores de 6 meses não podem usar primaquina e são tratadas apenas com 
ACT. 
Malária mista (P. falciparum e P. vivax ou P. ovale) 
Para pacientes com infecção mista por P. falciparum e P. vivax (ou P. ovale), o 
tratamento deve incluir artemeter + lumefantrina ou artesunato + mefloquina, 
que são drogas esquizonticidas sanguíneas eficazes para todas as espécies, 
associando-as à primaquina por sete dias (para o tratamento radical de P. 
vivax), nas doses especificadas nas tabelas do Guia de tratamento de 
malária no Brasil. 
No caso de pacientes com mais de 120 kg a dose da primaquina deve ser 
ajustada ao peso. O tratamento com primaquina em 14 dias está indicado 
quando ocorre uma recaída após o tratamento em 7 dias com a dose adequada 
de primaquina. Gestantes, puérperas até um mês de lactação e crianças 
menores de 6 meses não devem receber a primaquina; o tratamento deve ser 
feito com artemeter + lumefantrina ou artesunato + mefloquina conforme 
o Guia de tratamento da malária no Brasil. 
Caso o paciente apresente alguma parasitemia na gota espessa, seja de 
formas sexuadas ou assexuadas, e já tenha sido tratado para malária por P. 
falciparum há mais de 42 dias, tratar como se fosse caso novo, ainda que o 
paciente não apresente sintomas. 
Malária grave e complicada por P. falciparum ou P. vivax 
Embora a maioria dos casos de malária grave seja causada por infecções 
por P. falciparum, os casos provocados por P. vivax também podem acarretar 
doença grave e morte, seja por ruptura espontânea ou traumática do baço, 
complicações respiratórias ou anemia grave, especialmente em pacientes com 
doenças concomitantes, pacientes debilitados e desnutridos. Também não é 
raro que formas complicadas de malária vivax (com icterícia ou sangramento) 
estejam associadas a coinfecções, tais como a dengue. 
A orientação da OMS é tratar adultos e crianças com malária grave (incluindo 
crianças menores/lactentes e gestantes em todos os trimestres de gestação e 
em período de amamentação) com artesunato intravenoso (IV) ou 
intramuscular (IM), um antimalárico potente e de ação rápida, por no mínimo 24 
horas e até que possam tomar medicação oral (completar então o tratamento 
preconizado por espécie parasitária – respeitando as restrições de uso da 
primaquina) (Figura 3). Crianças com peso inferior a 20 kg devem receber 
maior dose parenteral de artesunato (3,0 mg/kg/dose) do que crianças com 
mais de 20 kg e adultos (2,4 mg/kg/dose) para garantir uma exposição 
equivalente ao medicamento. 
 
Aplicativo Malariatrat 
 
Ferramenta desenvolvida pela Empresa de Processamento de Dados do 
Amazonas (Prodam), em parceria com a Fundação de Vigilância de Saúde 
(FVS), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam), para 
facilitar o trabalho dos profissionais de saúde das áreas endêmicas e garantir a 
padronização dos procedimentos para o tratamento da malária. 
Disponível para IOS e para android 
 
Orientações para o tratamento 
É da maior importância que todos os profissionais de saúde envolvidos no 
tratamento da malária, desde o agente comunitário de saúde até o médico, 
orientem os pacientes, adequadamente e com uma linguagem compreensível, 
quanto ao tipo de medicamento que está sendo oferecido, a forma de ingeri-lo 
e os respectivos horários e a importância de se completar o tratamento. 
Muitas vezes, os pacientes são pessoas que não dispõem nem mesmo de 
relógio para verificar as horas. O uso de expressões mais simples, como 
manhã, tarde e noite, para a indicação do momento da ingestão do remédio é 
recomendável. A expressão de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas muitas 
vezes não ajuda o paciente a saber quando deve ingerir os medicamentos. 
Sempre que possível, deve-se orientar os acompanhantes ou responsáveis, 
além dos próprios pacientes, pois estes geralmente encontram-se desatentos, 
devido à febre, dor e mal-estar causados pela doença. 
Os medicamentos devem ser ingeridos, preferencialmente após uma refeição, 
evitando assim vômitos. Em caso de vômitos até 60 minutos da tomada, repetir 
toda a medicação da dose e, se ocorrer após 60 minutos, não é necessário 
repetir a medicação. 
Caso surjam urina escura, icterícia (pele e olhos amarelos), tontura ou falta de 
ar, orientar o paciente a buscar urgentemente auxílio médico. No surgimento 
de icterícia durante o tratamento, a primaquina deve ser suspensa 
imediatamente, antes de procurar o médico, pois é sintoma de hemólise e pode 
ser fatal. 
Importante: Sempre que possível, deve-se optar pela supervisão das 
doses dos medicamentos para garantir uma melhor adesão ao 
tratamento! 
O paciente deve completar o tratamento conforme a recomendação, mesmo 
que os sintomas desapareçam, pois a interrupção do tratamento pode levar a 
recidiva da doença ou agravamento do quadro, além de manter o ciclo de 
transmissão da doença, permitindo que outras pessoas também adoeçam por 
malária. 
 
Controle de cura 
Recomenda-se o controle de cura, apenas por meio da lâmina de verificação 
de cura (LVC), para todos os casos de malária. O controle de cura tem como 
objetivo a observação da redução progressiva da parasitemia e da eficácia do 
tratamento e a identificação oportuna de recaídas. Recomenda-se a 
realização de LVC da seguinte forma: 
 P. falciparum – em 3, 7, 14, 21, 28 e 42 dias após o início do 
tratamento. 
 P. vivax ou mista – em 3, 7, 14, 21, 28, 42 e 63 dias após o início do 
tratamento. 
Importante: O dia que se inicia o tratamento é considerado como dia zero 
(D0). Por exemplo, se o tratamento se iniciou no dia 2 de agosto, este dia 
é considerado D0, 3 dias após o início do tratamento será o dia 5 de 
agosto (D3). 
Para mais informações, consulte o Guia de tratamento de malária no Brasil e 
o folheto Esquemas recomendados para o tratamento da malária não 
complicada. 
Doença de Chagas 
 
A doença de Chagas (ou Tripanossomíase americana) é a infecção causada 
pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Apresenta uma fase aguda (doença de 
Chagas aguda – DCA) que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, 
que pode se manifestar nas formas indeterminada (assintomática), cardíaca, 
digestiva ou cardiodigestiva. 
Perguntas Frequentes (FAQ) 
Publicações 
Situação Epidemiológica 
Formas de Transmissão 
As principais formas de transmissão da doença de Chagas são: 
 Vetorial: contato com fezes de triatomíneos* infectados após o 
repasto/alimentação sanguínea. A ingestão de sangue no momento do 
repasto sanguíneo estimula a defecação e, dessa forma, o contato com 
as fezes. 
 Oral: ingestão de alimentos contaminados com parasitos provenientes 
de triatomíneos infectados ou suas excretas. 
 Vertical: ocorre pela passagem de parasitos de mulheres infectadas por 
T. cruzi para seus bebês durante a gravidez ou o parto. 
 Transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados 
a receptores sadios. 
 Acidental: pelo contato da pele ferida ou de mucosas com material 
contaminado durante manipulação em laboratório ou na manipulação de 
caça. 
O período de incubação da doença de Chagas, ou seja, o tempo que os 
sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é dividido da seguinte 
forma: 
 Transmissão vetorial – de 4 a 15 dias. 
 Transmissão transfusional/transplante – de 30 a 40 dias ou mais. 
 Transmissão oral – de 3 a 22 dias. 
 Transmissão acidental – até, aproximadamente, 20 dias. 
 Transmissão vertical – tempo indeterminado, a transmissão pode ocorrer 
em qualquer período da gestação ou durante o parto. 
Triatomíneos - são insetos popularmente conhecidos como barbeiro, chupão, 
procotó ou bicudo. O seu ciclo de vida é composto pelos estágios de ovo, ninfa 
(cinco estádios ninfais) e adulto. Tanto as ninfas como os adultos, de ambos os 
sexos, alimentam-se de sangue e, portanto, se infectados, podem transmitir o 
T. cruzi. 
SintomasA doença de Chagas pode apresentar sintomas distintos nas duas fases que se 
apresenta, que são a aguda e a crônica. 
Na fase aguda, os principais sintomas são: 
 febre prolongada (mais de 7 dias); 
 dor de cabeça; 
 fraqueza intensa; 
 inchaço no rosto e pernas. 
 No caso de picada do barbeiro, pode aparecer uma lesão semelhante a 
um furúnculo no local 
Após a fase aguda, caso a pessoa não receba tratamento oportuno, ela 
pode desenvolver a fase crônica da doença, inicialmente sem sintomas 
(forma indeterminada), podendo, com o passar dos anos, apresentar 
complicações como: 
 problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca; 
 problemas digestivos, como megacólon e megaesôfago 
Diagnóstico 
Na fase aguda da doença de Chagas, o diagnóstico se baseia na presença de 
sinais e sintomas sugestivos da doença e na presença de fatores 
epidemiológicos compatíveis, como a ocorrência de surtos. 
 
Já na fase crônica, a suspeita diagnóstica também é baseada nos 
achados clínicos e na história epidemiológica, porém como parte dos 
casos não apresenta sintomas, devem ser considerados os seguintes 
contextos de risco e vulnerabilidade: 
 Ter residido, ou residir, em área com relato de presença de vetor 
transmissor (barbeiro) da doença de Chagas ou ainda com reservatórios 
animais (silvestres ou domésticos) com registro de infecção por T. cruzi; 
 Ter residido ou residir em habitação onde possa ter ocorrido o convívio 
com vetor transmissor (principalmente casas de estuque, taipa, sapê, 
pau-a-pique, madeira, entre outros modos de construção que permitam 
a colonização por triatomíneos); 
 Residir ou ser procedente de área com registro de transmissão ativa de 
T. cruzi ou com histórico epidemiológico sugestivo da ocorrência da 
transmissão da doença no passado; 
 Ter realizado transfusão de sangue ou hemocomponentes antes de 
1992; 
 Ter familiares ou pessoas do convívio habitual ou rede social que 
tenham diagnóstico de doença de Chagas, em especial mãe e irmão (s). 
Atenção especial deve ser dada a gestantes com os fatores de risco 
acima, devendo ser realizado o exame para doença de Chagas durante o 
pré-natal. 
Importante: Para confirmação laboratorial é necessária a realização de exame 
de sangue (parasitológico e/ou sorológico, a depender da fase da doença) que 
é realizado gratuitamente pelo SUS. É importante que você procure um médico 
para que ele possa solicitar os exames e interpretá-los adequadamente, além 
de avaliar caso a caso os sintomas e sinais clínicos de cada pessoa. 
Acesse a ferramenta que serve como guia especialmente para fins 
epidemiológicos nas situações mais recorrentes e para apoio assistencial 
enquanto o apoio de equipe especializada não for conseguido. 
Tratamento 
O tratamento da doença de Chagas deve ser indicado por um médico, 
após a confirmação da doença. O remédio, chamado benznidazol, é 
fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde, mediante solicitação das 
Secretarias Estaduais de Saúde e deve ser utilizado em pessoas que tenham a 
doença aguda assim que ela for diagnosticada. 
Para as pessoas na fase crônica, a indicação desse medicamento depende da 
forma clínica e deve ser avaliada caso a caso. Em casos de intolerância ou que 
não respondam ao tratamento com benznidazol, o Ministério da Saúde 
disponibiliza o nifurtimox como alternativa de tratamento, conforme indicações 
estabelecidas em Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. 
Independentemente da indicação do tratamento com benznidazol ou nifurtimox, 
as pessoas na forma cardíaca e/ou digestiva devem ser acompanhadas e 
receberem o tratamento adequado para as complicações existentes. 
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença de Chagas estabelece, 
com base em evidências, as diretrizes para diagnóstico, tratamento e 
acompanhamento de pessoas afetadas pela infecção por Trypanosoma cruzi 
em suas diferentes fases (aguda e crônica) e formas clínicas, além de 
situações especiais como gestantes e condições de imunossupressão, 
servindo de subsídio a gestores, profissionais e usuários do SUS, visando 
garantir a assistência terapêutica integral. 
Prevenção 
A prevenção da doença de Chagas está intimamente relacionada à forma de 
transmissão e uma das formas de controle é evitar que o inseto “barbeiro” 
forme colônias dentro das residências, por meio da utilização de inseticidas 
residuais por equipe técnica habilitada. 
Em áreas onde os insetos possam entrar nas casas voando pelas aberturas ou 
frestas, podem-se usar mosquiteiros ou telas metálicas. Também recomenda-
se usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, 
etc.) durante a realização de atividades noturnas (caçadas, pesca ou pernoite) 
em áreas de mata. 
Triatomíneos no domicílio 
Quando o morador encontrar triatomíneos no domicílio: 
 Não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto; 
 Proteger a mão com luva ou saco plástico; 
 Os insetos deverão ser acondicionados em recipientes plásticos, com 
tampa de rosca para evitar a fuga, preferencialmente vivos; 
 Amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, 
anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas separadamente. 
Prevenção da transmissão oral 
Em relação à transmissão oral, as principais medidas de prevenção são: 
 Intensificar ações de vigilância sanitária e inspeção, em todas as etapas 
da cadeia de produção de alimentos suscetíveis à contaminação, com 
especial atenção ao local de manipulação de alimentos. 
 Instalar a fonte de iluminação distante dos equipamentos de 
processamento do alimento para evitar a contaminação acidental por 
vetores atraídos pela luz. 
 Realizar ações de capacitação para manipuladores de alimentos e de 
profissionais de informação, educação e comunicação. 
Aplicativos 
TriatoKey (android) 
TriatoDex (android) 
 
 
 
Febre amarela 
 
A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, imunoprevenível, 
de evolução abrupta e gravidade variável, com elevada letalidade nas 
suas formas graves. A doença é causada por um vírus transmitido por 
mosquitos, e possui dois ciclos de transmissão (urbano e silvestre). No ciclo 
urbano, a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) 
infectados. No ciclo silvestre, os transmissores são mosquitos com hábitos 
predominantemente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os 
mais importantes. 
No ciclo silvestre, os primatas não humanos (PNHs) são considerados os 
principais hospedeiros, amplificadores do vírus, e são vítimas da doença assim 
como o ser humano, que, nesse ciclo, apresenta-se como hospedeiro 
acidental. 
 
Haemagogus Foto: Divulgação / Fiocruz 
É uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo evento 
suspeito (tanto morte de primatas não-humanos, quanto casos humanos com 
sintomatologia compatível) deve ser prontamente comunicado/notificado, em 
até 24 horas após a suspeita inicial, às autoridades locais competentes pela via 
mais rápida (telefone, email, etc). Às autoridades estaduais de saúde cabe 
notificar os eventos de febre amarela suspeitos ao Ministério da Saúde. 
Importante: No Brasil o ciclo da doença atualmente é silvestre, com 
transmissão por meio dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. 
Os últimos casos de febre amarela urbana foram registrados no Brasil em 1942 
e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de 
transmissão. 
Sintomas 
Os sintomas iniciais da febre amarela são: 
 Início súbito de febre 
 Dores no corpo em geral 
 Calafrios 
 Náuseas e vômitos 
 Dor de cabeça intensa 
 Fadiga 
 Dores nas costas 
 Fraqueza 
A maioria das pessoas melhora após estes sintomas iniciais. No entanto, 
cerca de 15% apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas 
e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Depois de identificar 
alguns desses sintomas, procure um médico na unidade de saúde mais 
próxima e informe sobre qualquer viagem para áreas de risconos 15 dias 
anteriores ao início dos sintomas, e se você observou mortandade de macacos 
próximo aos lugares que você visitou, assim como picadas de mosquito. 
Informe, ainda, se você tomou a vacina contra a febre amarela, e a data. 
Se você identificar macacos mortos na região onde vive ou está, informe 
imediatamente as autoridades sanitárias do município ou estado, de 
preferência, diretamente para a vigilância ou controle de zoonoses. A 
população também pode registrar a morte ou adoecimento de primatas não-
humanos no SISS-Geo. O aplicativo possibilita a notificação simultânea e em 
tempo real para todas as instâncias administrativas do SUS (municipal, 
regional, estadual e federal), com localização precisa e em tempo oportuno. 
Importante: Os macacos não transmitem a febre amarela! Eles são 
importantes sentinelas para alerta em regiões onde o vírus está circulando. 
Macacos mortos são analisados em exames específicos para detectar se a 
causa morte foi Febre Amarela, o que aciona o alerta de cuidado com as 
pessoas. 
Complicações: 
Em casos graves, a pessoa infectada por febre amarela pode desenvolver 
alguns sintomas, como: 
Febre alta 
Hemorragia 
Pele e olhos amarelados (icterícia) 
Eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos 
Importante: Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre 
amarela grave podem morrer. Assim que surgirem os primeiros sinais e 
sintomas, é fundamental buscar ajuda médica imediata. 
Transmissão 
Não há transmissão de pessoa a pessoa. O vírus é transmitido pela picada dos 
mosquitos transmissores infectados. Apenas as fêmeas transmitem o vírus, 
pois o repasto sanguíneo provê nutrientes essenciais para a maturação dos 
ovos e, consequentemente, a completude do ciclo gonotrófico. Nos mosquitos, 
a transmissão também ocorre de forma vertical, na qual as fêmeas podem 
transferir o vírus para a sua prole, favorecendo a manutenção do vírus na 
natureza. 
A série histórica da doença no Brasil tem demonstrado maior frequência de 
ocorrência de casos humanos nos meses de dezembro e maio, como um 
padrão sazonal. Esse fato ocorre principalmente no verão, quando a 
temperatura média aumenta na estação das chuvas, favorecendo a reprodução 
e proliferação de mosquitos (vetores) e, por consequência o potencial de 
circulação do vírus. 
Os vetores silvestres têm hábito diurno, realizando o repasto sanguíneo 
durante as horas mais quentes do dia, sendo os vetores dos gêneros 
Haemagogus e Sabethes, geralmente, mais ativos entre às 9h e 16h da tarde. 
Há dois diferentes ciclos epidemiológicos de transmissão: 
 silvestre; 
 urbano. 
Apesar desses ciclos diferentes, a febre amarela tem as mesmas 
características sob o ponto de vista etiológico, clínico, imunológico e 
fisiopatológico. 
No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não-humanos (macacos) são 
os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos 
com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e 
Sabethes. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao 
adentrar áreas de mata quando não vacinado. 
No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância 
epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes 
aegypti) infectados. 
A pessoa apresenta os sintomas iniciais da febre amarela de 3 a 6 dias após 
ter sido infectada. 
Importante: No Brasil o ciclo da doença atualmente é silvestre, com 
transmissão por meio dos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. 
Os últimos casos de febre amarela urbana foram registrados no Brasil em 1942 
e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de 
transmissão. 
 
Diagnóstico 
No caso de qualquer um dos sintomas da doença, procure imediatamente uma 
unidade de saúde para avaliação médica adequada. O profissional fará os 
exames necessários para diagnosticar a doença, assim como sua gravidade, 
para escolher a melhor forma de tratamento. 
Tratamento 
O tratamento da febre amarela é apenas sintomático, com cuidadosa 
assistência ao paciente que, sob hospitalização deve permanecer em 
repouso. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de 
Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito. 
Medicamentos solicitados devem ser evitados (AAS / Aspirina), já que o uso 
pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. 
O médico deve estar alerta para quaisquer indicações de um agravamento do 
quadro clínico. 
Prevenção 
A vacina é a principal ferramenta de prevenção da febre amarela. 
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta vacina contra febre amarela para 
toda população. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de 
apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as 
recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). 
Eventos Pós-Vacinação: 
Os eventos adversos são possíveis reações após a vacinação da febre 
amarela. Os mais comuns relatados segundo estudos são: reações de 
hipersensibilidade, e as manifestações da própria doença com o 
desenvolvimento dos sinais e sintomas observados. A ocorrência de morte em 
até 30 dias após a vacinação deve ser investigada para confirmação se foi ou 
não relacionada ao uso da vacina. 
Todo evento adverso deve ser investigado e tratado da mesma forma que os 
casos suspeitos de Febre Amarela. Se qualquer pessoa vacinada desenvolver 
os sinais e sintomas comuns para doença em até 15 dias após a vacinação, 
deve rapidamente procurar o serviço de saúde mais próximo para atendimento. 
Para mais detalhes consulte a página de Eventos Supostamente Atribuíveis 
à Vacinação ou Imunização. 
Quem não deve se vacinar: 
 Crianças menores de 9 meses de idade. 
 Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade. 
 Pessoas com alergia grave ao ovo. 
 Pessoas que vivem com HIV e que tem contagem de células CD4 menor 
que 350. 
 Pessoas em de tratamento com quimioterapia/ radioterapia. 
 Pessoas portadoras de doenças autoimunes. 
 Pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que 
diminuem a defesa do corpo). 
Doação de Sangue: 
Após 28 dias da vacina, as doações de sangue podem ser realizadas. 
Sugere-se que antes de tomar a vacina as pessoas procurem um hemocentro 
ou serviço de coleta para doação, evitando que haja desabastecimento dos 
estoques de bolsas de sangue. 
Prevenção 
A vacina é a principal ferramenta de prevenção da febre amarela. O Sistema 
Único de Saúde (SUS) oferta vacina contra febre amarela para toda 
população. Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas 
uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as 
recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). 
Visando criar um contexto de baixo risco e reduzir a chance de novos surtos de 
maior magnitude, desde de 2020 o Ministério da Saúde ampliou de forma 
gradativa, a vacinação contra febre amarela para todo o território nacional, 
incluindo 1.101 municípios dos estados do Nordeste que não faziam parte da 
área com recomendação da vacina (ACRV). Assim é reconhecida a 
necessidade de ampliar antecipadamente as coberturas vacinais, inclusive em 
áreas sem risco reconhecido de transmissão até então (i.e., Região Nordeste). 
A vacina febre amarela (VFA) é altamente imunogênica (confere imunidade em 
95% a 99% dos adultos vacinados, e em cerca de 90% das crianças pequenas) 
e tem sido utilizada para a prevenção da doença desde 1937. É feita a partir do 
vírus vivo atenuado da febre amarela cepa 17DD. Eventos adversos 
associados à VFA podem ocorrer, como manifestações locais e sistêmicas, 
estas últimas variando de moderadas a graves, inclusive com óbito. No Brasil, 
no período de 2000 a 2015, a incidência de eventos adversos graves 
relacionados à vacina febre amarela foi de 0,3 caso por 100 mil doses 
administradas. Para mais detalhes consulte a página de Eventos 
Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização. 
A vacina, que é administrada via subcutânea, está disponíveldurante todo o 
ano nas unidades de saúde e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes 
do deslocamento para áreas de risco, principalmente, para os indivíduos que 
são vacinados pela primeira vez. A vacinação para febre amarela é ofertada 
na rotina em todos municípios do país. 
Leishmaniose Tegumentar (LT) 
 
A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa, 
que provoca úlceras na pele e mucosas. A doença é causada por 
protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, há sete espécies de leishmanias 
envolvidas na ocorrência de casos de LT. As mais importantes são: Leishmania 
(Leishmania) amazonensis, L. (Viannia) guyanensis e L.(V.) braziliensis. A 
doença é transmitida ao ser humano pela picada das fêmeas de flebotomíneos 
(espécie de mosca) infectadas. 
Os insetos pertencentes à ordem Diptera, família Psychodidae, 
subfamília Phlebotominae, gênero Lutzomyia, conhecidos popularmente, 
dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, tatuquira e 
birigui, são os principais vetores da Leishmaniose Tegumentar. 
Importante: A suscetibilidade de infecção por Leishmaniose Tegumentar (LT) é 
universal. A infecção e a doença não conferem imunidade ao paciente. 
Espécies 
Leishmania (Leishmania) amazonensis 
Distribuída pelas florestas primárias e secundárias da Amazônia legal 
(Amazonas, Pará, Rondônia, Tocantins e Maranhão). Sua presença amplia-se 
para o Nordeste (Bahia), Sudeste (Minas Gerais e São Paulo), Centro-oeste 
(Goiás) e Sul (Paraná); 
Leishmania (Viannia) guyanensis 
Aparentemente limitada à Região Norte (Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e 
Pará) e estendendo-se pelas Guianas. É encontrada principalmente em 
florestas de terra firme, em áreas que não se alagam no período de chuvas 
Leishmania (Viannia) braziliensis 
Foi a primeira espécie de Leishmania descrita e incriminada como agente 
etiológico da LT. É a mais importante, não só no Brasil, mas em toda a América 
Latina. Tem ampla distribuição, desde a América Central até o norte da 
Argentina. Esta espécie está amplamente distribuída em todo país. Quanto ao 
subgênero Viannia, existem outras espécies de Leishmania recentemente 
descritas: L. (V) lainsoni identificada nos estados do Pará, Rondônia e Acre; L. 
(V) naiffi, ocorre nos estados do Pará e Amazonas; L. (V) shawi, com casos 
humanos encontrados no Pará e Maranhão; L. (V.) lindenberg foi identificada 
no estado do Pará. 
Sintomas 
Os sintomas da Leishmaniose Tegumentar (LT) são lesões na pele e/ou 
mucosas. As lesões de pele podem ser única, múltiplas, disseminada ou difusa. 
Elas apresentam aspecto de úlceras, com bordas elevadas e fundo granuloso, 
geralmente indolor. As lesões mucosas são mais frequentes no nariz, boca e 
garganta. 
Quando atingem o nariz, podem ocorrer: 
 entupimentos; 
 sangramentos; 
 coriza; 
 aparecimento de crostas; 
 feridas. 
Na garganta, os sintomas são: 
 dor ao engolir; 
 rouquidão; 
 tosse. 
Diagnóstico 
O diagnóstico da Leishmaniose Tegumentar (LT) é feito por métodos 
parasitológicos. Essa confirmação laboratorial é fundamental, tendo em vista o 
número de doenças que fazem diagnóstico diferencial com a LT - como, por 
exemplo, sífilis, hanseníase e tuberculose. 
 
A utilização de métodos de diagnóstico laboratorial é importante não apenas 
para a confirmação dos achados clínicos, mas também pode fornecer 
informações epidemiológicas - por meio da identificação da espécie circulante -
, fundamentais para o direcionamento das medidas a serem adotadas para o 
controle do agravo. 
Transmissão 
Os vetores da Leishmaniose Tegumentar (LT) são insetos conhecidos 
popularmente, dependendo da localização geográfica, como mosquito palha, 
tatuquira, birigui, entre outros. A transmissão da Leishmaniose Tegumentar (LT) 
ocorre pela picada de fêmeas infectadas desses insetos. São numerosos os 
registros de infecção em animais domésticos. Entretanto, não há evidências 
científicas que comprovem o papel desses animais como reservatórios das 
espécies de leishmanias, sendo considerados hospedeiros acidentais da 
doença. No homem, o período de incubação, tempo que os sintomas começam 
a aparecer desde a infecção, é de, em média, 2 a 3 meses, podendo 
apresentar períodos mais curtos, de 2 semanas, e mais longos, de 2 anos. 
Coinfecção de Leishmaniose Tegumentar (LT)/HIV 
A Leishmaniose Tegumentar (LT) pode modificar a progressão da doença pelo 
HIV e a imunodepressão causada por esse vírus facilita a progressão da LT. A 
avaliação do conjunto de manifestações clínicas da LT em pacientes 
portadores de HIV indica que não existe definição de um perfil clínico que 
possa ser indiscutivelmente associado à coinfecção. 
O diagnóstico da coinfecção com HIV tem implicações na abordagem da 
leishmaniose em relação ao diagnóstico, à indicação terapêutica e ao 
monitoramento de efeitos adversos, à resposta terapêutica e à ocorrência de 
recidivas. Portanto, recomenda-se oferecer a sorologia para HIV para todos os 
pacientes com LT, independentemente da idade, conforme as recomendações 
do Ministério da Saúde. 
Hospedeiros e reservatórios da Leishmaniose Tegumentar (LT) 
A interação reservatório-parasito é considerada um sistema complexo, na 
medida em que é multifatorial, imprevisível e dinâmica, formando uma unidade 
biológica que pode estar em constante mudança, em função das alterações do 
meio ambiente. São considerados reservatórios da LT as espécies de animais 
que garantam a circulação de leishmanias na natureza, dentro de um recorte 
de tempo e espaço. Infecções por leishmanias que causam a LT foram 
descritas em várias espécies de animais silvestres, sinantrópicos e domésticos 
(canídeos, felídeos e equídeos). Com relação a esse último, seu papel na 
manutenção do parasito no meio ambiente ainda não foi definitivamente 
esclarecido. 
Animais domésticos e a Leishmaniose Tegumentar (LT) 
São numerosos os registros de infecção em animais domésticos. Entretanto, 
não há evidências científicas que comprovem o papel desses animais como 
reservatórios das espécies de leishmanias, sendo considerados hospedeiros 
acidentais da doença. A LT nesses animais pode apresentar-se como uma 
doença crônica, com manifestações semelhantes as da doença humana, ou 
seja, o parasitismo ocorre preferencialmente em mucosas das vias 
aerodigestivas superiores. 
Reservatórios silvestres da Leishmaniose Tegumentar (LT) 
Já foram registrados, como hospedeiros e possíveis reservatórios naturais, 
algumas espécies de roedores, marsupiais, edentados e canídeos silvestres. 
Tratamento 
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento específico e gratuito para 
a Leishmaniose Tegumentar (LT). O tratamento é feito com uso de 
medicamentos específicos, repouso e uma boa alimentação. 
 Formulário de Solicitação da Anfotericina B Lipossomal para Pacientes 
com Leishmaniose 
 Formulário para registro de dispensação da Miltefosina 
 Miltefosina - Nota Informativa nº 13/2020-CGZV/DEIDT/SVS/MS 
Prevenção 
As principais formas de prevenir a Leishmaniose Tegumentar (LT), 
segundo orientações do Ministério da Saúde, são as seguintes ações 
direcionadas: 
População humana 
Adotar medidas de proteção individual, como usar repelentes e evitar a 
exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite) em 
ambientes onde este habitualmente possa ser encontrado 
Vetor 
Manejo ambiental, por meio da limpeza de quintais e terrenos, para evitar o 
estabelecimento de criadouros para larvas do vetor 
Educação em saúde 
Devem ser inseridas em todos os serviços que desenvolvam as ações de 
vigilância e controle da LT, com o envolvimento efetivo das equipes 
multiprofissionais e multinstitucionais, para um trabalho articulado nas 
diferentes unidades de prestação de serviços. 
 
Leptospirose 
 
A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda que é transmitida a 
partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente 
ratos) infectados pela bactéria Leptospira; sua penetração ocorrea partir da 
pele com lesões, pele íntegra imersa por longos períodos em água 
contaminada ou por meio de mucosas. O período de incubação, ou seja, 
intervalo de tempo entre a transmissão da infecção até o início das 
manifestações dos sinais e sintomas, pode variar de 1 a 30 dias e normalmente 
ocorre entre 7 a 14 dias após a exposição a situações de risco. 
A doença apresenta elevada incidência em determinadas áreas além do 
risco de letalidade, que pode chegar a 40% nos casos mais graves. Sua 
ocorrência está relacionada às condições precárias de infraestrutura sanitária e 
alta infestação de roedores infectados. As inundações propiciam a 
disseminação e a persistência da bactéria no ambiente, facilitando a ocorrência 
de surtos. 
Sintomas 
As manifestações clínicas variam desde formas assintomáticas e subclínicas 
até quadros graves, associados a manifestações fulminantes. São divididas 
em duas fases, a fase precoce e a fase tardia. 
Os principais sintomas da fase precoce são: 
 
Febre 
 
Falta de apetite 
 
Dor muscular 
Principalmente na 
panturrilha 
 
Dor de cabeça 
 
Nauseas/Vômitos 
Podem ocorrer diarreia, dor nas articulações, vermelhidão ou hemorragia 
conjuntival, fotofobia, dor ocular, tosse; mais raramente podem manifestar 
exantema, aumento do fígado e/ou baço, aumento de linfonodos e sufusão 
conjuntival. 
Em aproximadamente 15% dos pacientes com leptospirose, ocorre a evolução 
para manifestações clínicas graves, que normalmente iniciam-se após a 
primeira semana de doença. Nas formas graves, a manifestação clássica da 
leptospirose é a síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia 
(tonalidade alaranjada muito intensa - icterícia rubínica), insuficiência renal e 
hemorragia, mais comumente pulmonar. Pode haver necessidade de 
internação hospitalar. 
Manifestações na fase tardia: 
Síndrome 
de Weil 
 
tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragias 
Síndrome de hemorragia pulmonar 
 
tosse seca, dispneia, expectoração hemoptoica 
Comprometimento pulmonar 
 
lesão pulmonar aguda e sangramento maciço 
Síndrome da angustia respiratória aguda - SARA 
Manifestações hemorrágicas 
 
pulmonar, pele, mucosas, órgãos e sistema nervoso central 
Diagnóstico 
O diagnóstico específico é feito a partir da coleta de sangue no qual será 
verificado se há presença de anticorpos para leptospirose (exame indireto) ou a 
presença da bactéria (exame direto). O método laboratorial de escolha 
depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente. 
Fase precoce - Primeira semana de doença 
Fase tardia 
 Exame direto 
 Cultura 
 Detecção do DNA pela reação em 
cadeia da polimerase (PCR) 
 Cultura 
 ELISA-IgM 
 Microaglutinação (MAT) 
Os exames acima devem ser realizados pelos Lacens, pertencentes à Rede 
Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. 
Exames inespecíficos 
 Hemograma 
 Bioquímica (ureia, creatinina, bilirrubina total e frações, TGO, TGP, 
gama-GT, fosfatase alcalina e CPK, Na+ e K+) 
 Radiografia de tórax 
 Eletrocardiograma (ECG) 
 Gasometria arterial 
 
 
Considerando-se que a leptospirose tem um amplo espectro clínico, os 
principais diagnósticos diferenciais são: 
Fase precoce: 
Dengue, influenza (síndrome gripal), malária, riquetsioses, doença de Chagas 
aguda, toxoplasmose, febre tifóide, entre outras doenças. 
Fase tardia: 
Hepatites virais agudas, hantavirose, febre amarela, malária , dengue , febre 
tifóide, endocardite, riquetsioses, doença de Chagas , meningites, colangite, 
colecistite aguda, coledocolitíase, esteatose aguda da gravidez, síndrome 
hepatorrenal, síndrome hemolíticourêmica, outras vasculites, 
incluindo lúpus eritematoso sistêmico, dentre outras. 
Tratamento 
O tratamento com o uso de antibióticos deve ser iniciado no momento da 
suspeita. Para os casos leves, o atendimento é ambulatorial, mas, nos casos 
graves, a hospitalização deve ser imediata, visando evitar complicações e 
diminuir a letalidade. A automedicação não é indicada. Ao suspeitar da doença, 
a recomendação é procurar um serviço de saúde e relatar o contato com 
exposição de risco. 
A antibioticoterapia está indicada em qualquer período da doença, mas sua 
eficácia costuma ser maior na 1ª semana do início dos sintomas. Na fase 
precoce, são utilizados Doxiciclina ou Amoxicilina; para a fase tardia, Penicilina 
cristalina, Penicilina G cristalina, Ampicilina, Ceftriaxona ou Cefotaxima. 
 
Prevenção 
As medidas de prevenção e controle devem ser direcionadas aos reservatórios 
(roedores e outros animais), à melhoria das condições de proteção dos 
trabalhadores expostos e das condições higiênico-sanitárias da população, e 
às medidas corretivas sobre o meio ambiente, diminuindo sua capacidade de 
suporte para a instalação e proliferação de roedores. 
Cuidados com a água para consumo humano garantia da utilização de água 
potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo humano, haja vista serem 
comuns quebras na canalização durante as enchentes. 
A lama de enchentes tem alto poder infectante e adere a móveis, paredes 
e chão. Recomenda-se retirar essa lama (sempre com a proteção de luvas e 
botas de borracha) e lavar o local, desinfetando-o a seguir com uma solução de 
hipoclorito de sódio a 2,5%, na seguinte proporção: para 20 litros de água, 
adicionar duas xícaras de chá (400mL) de hipoclorito de sódio a 2,5%. Aplicar 
essa solução nos locais contaminados com lama, deixando agir por 15 minutos. 
Evitar o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças 
nadem ou brinquem nessas águas. Pessoas que trabalham na limpeza de 
lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de 
borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés). 
Para o controle dos roedores, recomenda-se acondicionamento e destino 
adequado do lixo, armazenamento apropriado de alimentos, desinfecção e 
vedação de caixas d´água, vedação de frestas e aberturas em portas e 
paredes, etc. O uso de raticidas (desratização) deve ser feito por técnicos 
devidamente capacitados. 
 
Raiva 
 
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, que acomete mamíferos, 
inclusive o homem, e caracteriza-se como uma encefalite progressiva e aguda 
com letalidade de aproximadamente 100%. É causada pelo Vírus do gênero 
Lyssavirus, da família Rabhdoviridae. 
Importante: A raiva é de extrema importância para saúde pública, devido a sua 
letalidade de aproximadamente 100%, por ser uma doença passível de 
eliminação no seu ciclo urbano (transmitido por cão e gato) e pela existência de 
medidas eficientes de prevenção, como a vacinação humana e animal, a 
disponibilização de soro antirrábico humano, a realização de bloqueios de foco, 
entre outras. 
Transmissão 
A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, 
principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela 
arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é 
variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no 
ser humano, podendo ser mais curto em crianças. O período de incubação está 
relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, 
arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da 
proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; 
concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral. 
Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes 
do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da 
doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, 
entre 5 e 7 dias após a 
apresentação dos sintomas. Não se sabe ao certo qual o período de 
transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os 
quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem 
sintomatologia aparente. 
Sintomas 
Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos 
inespecíficos (pródromos) daraiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse 
período, o paciente apresenta: 
 Mal-estar geral; 
 Pequeno aumento de temperatura; 
 Anorexia; 
 Cefaleia; 
 Náuseas; 
 Dor de garganta; 
 Entorpecimento; 
 Irritabilidade; 
 Inquietude; 
 Sensação de angústia. 
Podem ocorrer linfoadenopatia, hiperestesia e parestesia no trajeto de nervos 
periféricos, próximos ao local da mordedura, e alterações de comportamento. 
Complicações 
A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e 
complicadas, como: 
 Ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes; 
 Febre; 
 Delírios; 
 Espasmos musculares involuntários, generalizados,e/ou convulsões. 
Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o 
paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorreia intensa 
(“hidrofobia”). Os espasmos musculares evoluem para um quadro de paralisia, 
levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação 
intestinal. Observa-se, ainda, a presença de disfagia, aerofobia, hiperacusia e 
fotofobia. 
Importante: O paciente se mantém consciente, com período de alucinações, 
até a instalação de quadro comatoso e a evolução para óbito. O período de 
evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o 
óbito, é, em geral, de 2 a 7 dias. 
Diagnóstico e Tratamento 
A confirmação laboratorial em vida, ou seja, o diagnóstico dos casos de raiva 
humana, pode ser realizada pelo método de imunofluorescência direta, em 
impressão de córnea, raspado de mucosa lingual ou por biópsia de pele da 
região cervical (tecido bulbar de folículos pilosos). 
A sensibilidade dessas provas é limitada e, quando negativas, não se pode 
excluir a possibilidade de infecção. A realização da autópsia é de extrema 
importância para a confirmação diagnóstica. 
Diagnóstico diferencial 
Não existem dificuldades para estabelecer o diagnóstico quando o quadro 
clínico vier acompanhado de sinais e sintomas característicos da raiva, 
precedidos por mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosas provocadas 
por animal raivoso ou suspeito. Esse quadro clínico típico ocorre em cerca de 
80% dos pacientes. 
No caso da raiva humana transmitida por morcegos hematófagos, cuja forma é 
predominantemente paralítica, o diagnóstico é incerto e a suspeita recai em 
outros agravos que podem ser confundidos com raiva humana. Nesses casos, 
o diagnóstico diferencial deve ser realizado com: tétano; síndrome de Guillain-
Barré, pasteurelose, por mordedura de gato e de cão; infecção por vírus B 
(Herpesvirus simiae), por mordedura de macaco; botulismo e febre por mordida 
de rato (Sodóku); febre por arranhadura de gato (linforreticulose benigna de 
inoculação); encefalite pós-vacinal; quadros psiquiátricos; outras encefalites 
virais, especialmente as causadas por outros rabdovírus; e tularemia. 
Cabe salientar a ocorrência de outras encefalites por arbovírus e intoxicações 
por mercúrio, principalmente na região Amazônica, apresentando quadro de 
encefalite compatível com o da raiva. É importante ressaltar que a anamnese 
do paciente deve ser realizada junto ao acompanhante e ser bem 
documentada, com destaque para sintomas inespecíficos, antecedentes 
epidemiológicos e vacinais. No exame físico, frente à suspeita clínica, observar 
atentamente o fácies, presença de hiperacusia, hiperosmia, fotofobia, 
aerofobia, hidrofobia, relatos de dores na garganta, dificuldade de deglutição, 
dores nos membros inferiores, e alterações do comportamento. 
A raiva é uma doença quase sempre fatal, para a qual a melhor medida de 
prevenção é a vacinação pré ou pós exposição. Quando a profilaxia antirrábica 
não ocorre em tempo oportuno e a doença se instala, pode-se utilizar 
o Protocolo de Tratamento da Raiva Humana, baseado na indução de coma 
profundo, uso de antivirais e outros medicamentos específicos. Entretanto, é 
importante salientar que, diante de uma doença em que letalidade é de quase 
100%, os pacientes, mesmo submetidos ao protocolo, raramente sobrevivem, 
ressaltando a importância da prevenção. 
Prevenção 
A profilaxia pré-exposição é uma medida de prevenção que deve ser indicada 
para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva, durante 
atividades ocupacionais exercidas por profissionais como: 
 Médicos Veterinários; biólogos; profissionais de laboratório de virologia e 
anatomopatologia para raiva; estudantes de Medicina Veterinária, 
zootecnia, biologia, agronomia, agrotécnica e áreas afins; 
 Pessoas que atuam na captura, contenção, manejo, coleta de amostras, 
vacinação, pesquisas, investigações ecopidemiológicas, identificação e 
classificação de mamíferos: os domésticos (cão e gato) e/ou de 
produção (bovídeos, equídeos, caprinos, ovinos e suínos), animais 
silvestres de vida livre ou de cativeiro, inclusive funcionário de 
zoológicos; 
 Espeleólogos, guias de ecoturismo, pescadores e outros profissionais 
que trabalham em áreas de risco. Pessoas com risco de exposição 
ocasional ao vírus, como turistas que viajam para áreas de raiva não 
controlada, devem ser avaliados individualmente, podendo receber a 
profilaxia pré-exposição dependendo do risco a que estarão expostos 
durante a viagem. A profilaxia pré-exposição apresenta as seguintes 
vantagens; 
 Simplifica a terapia pós-exposição, eliminando a necessidade de 
imunização passiva (soro ou imunoglobulina), e diminui o número de 
doses da vacina; 
 Desencadeia resposta imune secundária mais rápida (booster), quando 
iniciada a pós-exposição. 
Em caso de título insatisfatório, aplicar uma dose de reforço e reavaliar a partir 
do 14º dia após o reforço. 
Importante: A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva 
nesses animais, o que consequentemente previne também a raiva 
humana. Deve-se sempre evitar de se aproximar de cães e gatos sem donos, 
não mexer ou tocá-los quando estiverem se alimentando, com crias ou mesmo 
dormindo. Nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, 
principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações 
não habituais. 
O que fazer após a exposição? 
No caso de agressão por parte de algum animal, a assistência médica deve ser 
procurada o mais rápido possível. Quanto ao ferimento, deve-se lavar 
abundantemente com água e sabão, o mais rápido possível, e aplicar produto 
antisséptico. 
A limpeza deve ser cuidadosa, visando eliminar as sujidades sem agravar o 
ferimento, e, em seguida, devem ser utilizados antissépticos como o 
polivinilpirrolidona-iodo, povidine e digluconato de clorexidina ou álcool-iodado. 
Essas substâncias deverão ser utilizadas somente na primeira consulta. Nas 
seguintes, devem-se realizar cuidados gerais orientados pelo profissional de 
saúde, de acordo com a avaliação da lesão. O esquema de profilaxia da raiva 
humana deve ser prescrito pelo médico ou enfermeiro, que avaliará o caso 
indicando a aplicação de vacina e/ou soro. Nos casos de agressão por cães e 
gatos, quando possível, observar o animal por 10 dias para ver se ele 
manifesta doença ou morre. Caso o animal adoeça, desapareça ou morra 
nesse período, informar o serviço de saúde imediatamente. 
Atualizações no quadro e no fluxograma da profilaxia pós-exposição da raiva 
humana.

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