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Patogênese das infecções virais Patogênese das infecções virais ● Assim que acontece a infecção, inicia-se a patogênese, está relacionada a interação de fatores virais e do hospedeiro, que levam à produção de doença, o que faz com que determinadas infecções sejam mais ou menos patogênicas (fatores que vão depender do vírus - virulência de microrganismos e do hospedeiro - idade, estado nutricional) - um vírus patogênico tem que ser capaz de infectar e causar doença em um hospedeiro suscetível ● Infecção viral; - Localizada (restrita àquele local de entrada - herpesvírus, lesão no epitélio ou na mucosa ) ou disseminada, sintomática ou assintomática, aguda ou crônica (que os indivíduos não conseguem eliminar os agentes infecciosos - HIV, Hepatite B alta chance de cronificar em indivíduos de menor idade) - Algumas infecções virais podem causar uma síndrome; grupo de sinais e sintomas específicos Conceito iceberg das infecções Só conseguimos ver o que está à vista dos nossos olhos, mas uma infecção está em nível microscópico. Pacientes sintomáticos (desenvolver a doença e apresentar sintomas), depende dos aspectos do vírus e do hospedeiro para caracterizar se esses sintomas serão mais leves ou mais graves, então o que determina se a doença será leve, moderada ou severa é o equilíbrio entre os fatores patógeno e do hospedeiro. E a pontinha do iceberg são aqueles que vão a óbito e na base estão os que não desenvolveram a doença ou estão assintomáticos Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Condições para o desenvolvimento de uma infecção viral 1. Penetrar no hospedeiro pela via adequada - entrada no hospedeiro, diferentes portas de entrada no organismo, cada vírus vai ter preferência por cada via que vai levá-lo para dentro de sua célula alvo (tropismo) 2. Realizar replicação primária em tecidos próximos à entrada - iniciar sua biossíntese, formar partículas virais Replicação Primária - o vírus entrou, chegou na célula de tropismo e começou sua replicação, se dá naqueles tecidos que estão próximo a porta de entrada 3. Escapar dos mecanismos naturais de defesa do organismo (pele íntegra, acidez, mecanismos inatos defesa que precisam ser burlados para que a infecção aconteça) 4. Disseminar-se para os tecidos e órgãos alvo - existem vírus que precisam ir além para chegar na célula, geralmente essa disseminação se dá por via vasos linfáticos e depois sanguíneo 5. Replicar eficientemente nas células alvo 6. Produzir ou não injúria tecidual 7. Gerar a progênie viral que vai infectar novas células ou indivíduos Etapas do desenvolvimento da doença viral 1. Transmissão (diferentes rotas de entrada) 2. Disseminação até seu órgão alvo 3. Replicação 4. Lesão (que pode ocorrer, sintomatologia - presença de sintomas) 5. Doença 6. Excreção do vírus Vias de transmissão Horizontal ● Individuo - individuo intraespecífica - da mesma espécie interespecífica - de espécies diferentes Contato direto ● Indivíduo infectado para indivíduo susceptível (no caso de uma infecção intraespecifica) ● interespecífica - raiva Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Contato indireto ● Contato com sangue contaminado (agulhas, seringas): exposição mucosa ou percutânea ● fômites, aerossóis, gotículas ● vetores (geralmente artrópodes) Vertical/perinatal ● mãe para filho ● vertical - via placenta ● perinatal - na hora do parto ou através da amamentação Ex.; a mãe possui herpes genital (tipo 2), quando o bebe passa pelo canal genital, tem contato com lesões que possuem as partículas virais e é infectado (herpes simples) Rotas de entrada Mecanismos de entrada ● pele (integra) grande barreira de proteção, arranhões, feridas, picadas ● mucosas ● sexual ● conjuntival ● inalação ou ingestão Zoonoses - infecções adquiridas de animais e transmitidas através de um vetor que podem ser artrópodes, mamíferos Ex.: Febre amarela (transmissões indiretas através do vetor) Pacientes que fazem o compartilhamento de seringas podem ter dupla/tripla infecção Ortomixovirus - influenza Transmissão enteral - ingestão de alimentos e/ou água contaminados Conjuntivites Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Porta de entrada Características Pele (íntegra) Camada epidérmica queratinizada - barreira da imunidade inata (natural) Picada de artrópode (vetor): Arbovírus Pequenas lesões: HPV, HSV, HBV Mordida de animal: Rabdovírus Iatrogênica (intervenção humana - ex.: compartilhando seringas): HBV, HCV, HIV ● O vetor inocula o vírus a nível de derme onde se tem vasos linfáticos e vasos sanguíneos, por onde o vírus pode circular Mucosa do Trato Respiratório Mecanismos de proteção ● Muco, movimentos ciliares (da região mais interna para externa) Infecções respiratórias localizadas Rinovírus, Parainfluenza, Influenza, Coronavírus, RSV, muitos Adenovírus e alguns enterovírus Doenças generalizadas - porta de entrada o sistema respiratório, vão para a corrente sanguínea para irem para outros órgãos, infectar outras células Vírus da caxumba, sarampo, rubéola, catapora e varíola Mucosa do Trato Digestório Mecanismos de proteção Acidez do estômago Alcalinidade do intestino (essa mudança de pH do estômago para o duodeno, já pode eliminar alguns vírus) Presença de sais biliares Enzimas proteolíticas Camada de muco Células fagocitárias Produção de infecção entérica ● Rotavírus, Calicivírus e alguns Adenovírus Produção de doenças generalizadas ● Enterovírus desarranjo das células que pode levar perda de agua, diarreia Mucosa urogenital Mecanismo de proteção Tropismo Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Muco cervical, pH ácido, secreção vaginal Produção de lesões locais HPV - verrugas que são transmissíveis por contato direto Doenças generalizadas - são transmitidas pela mucosa urogenital, vão para o linfonodo mais próximo a essa região, atingem o sistema circulatório e a partir daí vão para/ o órgão que se tem tropismo HIV, HBV, HSV-2 Conjuntiva Grande vascularização Mecanismo de proteção: enzima presentes na lágrima e piscar dos olhos Conjuntivites: alguns Adenovírus e Enterovírus Outras vias Transmissão vertical (in utero - placenta) Vírus da Rubéola (congênita causa deformidades e sequelas por toda a vida), CMV e HIV Transplantes CMV, EBV, HCV Mecanismos de disseminação dos vírus no organismo hospedeiro - a partir da porta de entrada para a célula alvo Disseminação pela superfície do epitélio Disseminação pelos nervos periféricos ● Os vírus atingem o SNC por via hematogênica (corrente sanguínea) ou via dos nervos olfatório ou oftálmico Disseminação linfática (via para se chegar a circulação) ● As partículas virais na linfa têm livre acesso à circulação sanguínea Disseminação pelo sangue: VIREMIA (partículas virais no sangue) ● Viremia passiva (vírus injetado diretamente do sangue) ● Viremia ativa (liberação de vírus no sangue por um foco de replicação) ● Viremia primária(restrito ao local inicial de replicação) ● Viremia secundária (vírus replicam em outros locais, liberando grande quantidade de vírions) 1. Disseminação através da pele Liberação direcionada das partículas virais pela superfície do epitélio ou da mucosa, quando se trata de uma infecção localizada, se tem a liberação apical, liberação das partículas na membrana apical e essas partículas podem infectar células adjacentes 2. Disseminação basal ou basolateral Liberação das partículas para os vasos linfáticos, vão para o linfonodo mais próximo da porta de entrada, a partir daí vão para a corrente sanguínea e estabelecem uma VIREMIA PRIMÁRIA. Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material ● VIREMIA SECUNDÁRIA - quando chegam na corrente sanguínea e vão para a célula de tropismo, produz partículas virais e libera para o sangue novamente caracterizando uma viremia secundária 3. Disseminação nervosa ex.; herpes simples, infecção na mucosa, desenvolvimento de um ciclo lítico e ao mesmo tempo associar o sistema imune, quando o SI monta uma resposta o vírus entra em estado de latência (infecção crônica). Então esse vírus, entra em latência e sofre o transporte retrógrado, do sítio da infecção lítica (mucosa) para o corpo celular dos neurônios gânglio do trigêmeo (herpes vírus) e permanece ali até que ocorra uma reativação (queda de imunidade), faz com que a partícula viral faça o movimento anterógrado, saia do seu ponto de latência no corpo celular, migre até o axônio até novamente a célula da mucosa, onde ele vai poder fazer um processo de replicação, o ciclo lítico para afetar outros indivíduos 4. Disseminação linfática/sanguínea Superfície na pele, atingir a derme onde se encontra vasos sanguíneos e linfático e essas partículas virais já caem no capilar sanguíneo e já estabelecem a viremia, ou pegam um o vaso linfático, irem até um linfonodo, a partir caem no sistema circulatório e podem migrar para seu órgão alvo ou se for um vírus pantrópico pode infectar seus alvos a partir da corrente sanguínea HIV -as partículas possuem receptores não só para o linfócito T,mas também para entrada dos macrófagos e células dendríticas no estágio inicial da infecção, então elas infecta a célula que é apresentadora de antígeno e vão para o linfonodo onde encontram os linfócitos T (célula alvo). Partículas virais caem na corrente sanguínea e estabelecem a viremia, infectando mais linfócitos Tipos de infecção Infecção localizada Replicação viral permanece próxima ao sítio de entrada do vírus Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material ● Pele, tratos respiratório e gastroentérico ● Pele e mucosas Infecção sistêmica ou disseminada ● Espalhamento do agente pelo organismo ocorre em várias etapas entrada, disseminação para os linfonodos regionais, viremia primária e disseminação para órgãos suscetíveis ● Viremia secundária (quando as partículas virais voltam para o sangue após replicação) : os vírus são disseminados para outros órgãos, como cérebro, pulmão, pele, etc. Viremia - presença de vírus na corrente sanguínea Padrões de infecção Infecção aguda Maioria dos vírus estabelecem uma infecção aguda, formação de partículas virais - doença e eliminação do vírus, além de uma resposta imune que protege de uma segunda infecção desse mesmo agente ● Clinicamente Aparente ● Subclínica Infecção crônica ● Latente ● Persistente Infecção congênita ● da mãe para o bebe, ainda durante a gestação (megalovirus humano, HIV, rubéola) Infecções agudas Presença de sintomas inespecíficos, característicos das doenças virais, tais como febre, cefaleia e mialgia - período é o ideal para serem coletados espécimes clínicos necessários para o diagnóstico laboratorial: maior carga viral Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material - Acionamento da resposta imune tanto inata quanto adaptativa, culmina com a formação de anticorpos, que podem ter anticorpos neutralizantes que vão barrar uma infecção futura desse mesmo agente, o que explica o fato de não desenvolver a mesma infecção duas vezes - natureza autolimitante, geralmente o próprio organismo resolve esse processo de infecção aguda - Toda infecção, mesmo a que vão ou podem cronificar tem uma fase aguda, primeiro contato com esse agente, desenvolve sintomas inespecíficos, mas muitas vezes o SI consegue combater o número de partículas que estão sendo geradas e entram em uma fase assintomática (porém o vírus ainda está lá, acontece muito com a infecção primária do HIV) que pode perpetuar por um tempo, depende muito do vírus e do hospedeiro Infecções crônicas (persistente) ● Logo após a fase aguda ● Vírus não é eliminado do organismo, permanecendo geralmente em níveis baixos, acarretando ou não sintomas clínicos ● Coexistência do agente com a resposta imune após a fase aguda (fase aguda e persistência do agente infeccioso, até que a carga viral volta a crescer e mais uma vez terá a manifestação clínica) ● Controle parcial da infecção ● Genoma integrado à célula Latência REPLICAÇÃO ESPORÁDICA em HORAS OU DIAS!!! ● O genoma viral está presente, mas não há produção de uma progênie infecciosa - não há formação de partículas virais Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material - Tem o genoma viral, mas não vai produzir novas partículas virais através desse genoma, isso porque a célula não permite esse processo de biossíntese, só permite o processo de latência - Longos períodos de ausência de replicação viral intercaladas com episódios esporádicos de reativação, replicação e excreção viral ● Escape à vigilância imunológica (não tem acesso a citocinas, linfócitos…) ● Genoma viral em forma de epissomo (nem todos os vírus integram seu genoma, no genoma da célula, em latência esse genoma fica em forma epissomal, um genoma circular ● Reativação por estresse ou corticóides endógenos (exógenos tbm) ● Reativação permite a perpetuação, inclusive algumas reativações podem ser assintomáticas, mas que está produzindo partículas virais possam infectar outros hospedeiros Obs.: Mesmo em potência alguns vírus podem transcrever em RNA (papel regulatório), codificante ou não que possa ser traduzido em proteínas que pode ficar na citoplasma ou até para a membrana, mas não originando uma progênie viral. Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Persistente - presença de sintomas na fase aguda e depois os sintomas desaparecem, resposta imune depende da quantidade de partículas virais, reaparecimento dos sintomas mas pode demorar muito tempo. A carga viral não baixa, continua em um nível constante. Latente - em Ciclo lítico, apresenta sintomas, mas se estiver em latência é assintomático, manifestação da doença sempre que tiver um indução mas pode ser assintomática No caso do HIV - carga viral mais elevada, certo controle pelo sistema imune (fase inicial), que consegue diminuir muito a carga viral, mas que com o tempo burla o sistema imune que diminui e volta a sumir Santos, Norma Suely de O. (Norma Suely de Oliveira), 1964 Virologia humana/Norma Suely de Oliveira Santos, Maria Teresa Villela Romanos,Marcia Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Dutra Wigg. – 3. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Emanuele Dionizio Este material está vinculado à docência em Virologia e está sendo divulgado aos alunos do 5° período como complementação em seus estudos. Não está autorizado a divulgação desse material Patogênese das infecções virais