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UNIVERSIDADE DO NORTE DO PARANÁ CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ariana andrade santana PROJETO DE ENSINO ESPORTE FEMININOS NA ESCOLA Poções 2024 ariana andrade santana PROJETO DE ENSINO ESPORTE FEMININOS NA ESCOLA Projeto de Ensino apresentado à Universidade do Norte do Paraná, como requisito parcial à conclusão do Curso de Educação Física Docente supervisor: Prof. Adriano Rosa Alves Poções 2024 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 3 1 TEMA 4 2 JUSTIFICATIVA 5 3 PARTICIPANTES 6 4 OBJETIVOS 7 5 PROBLEMATIZAÇÃO 8 6 REFERENCIAL TEÓRICO 9 7 METODOLOGIA 15 8 CRONOGRAMA 17 9 RECURSOS 18 10 AVALIAÇÃO 19 CONSIDERAÇÕES FINAIS 20 REFERÊNCIAS 21 Público Público Público INTRODUÇÃO A prática de esportes por mulheres, ainda nos dias de hoje, sofre por uma série de estigmas e preconceitos. Todavia esses preconceitos não são oriundos dos dias atuais, mas são seculares, senão milenares, ao longo da história a prática de esportes por mulheres foi vista de forma negativa por diversas sociedades. Alunos e alunas veem as aulas de Educação Física de maneira distinta, principalmente quando se refere a prática de algumas atividades. O futebol é um exemplo claro da diferença de olhares existente entre meninos/meninas e meninas/meninos em relação a vivencia da modalidade esportiva no ambiente Escolar. A maioria dos meninos demonstra certa resistência quando o assunto é jogar futebol com as meninas. Já as meninas se dividem em dois grupos: as que preferem se esforçar nas atividades teóricas para que suas notas não dependam da participação em atividades práticas; as que querem jogar futebol, mas encontram empecilhos como a discriminação ainda existente na sociedade, o comportamento masculino em quadra, a falta de incentivo por parte da família e do corpo docente da unidade escolar, entre outros fatores. De acordo com Daolio (2006), os papéis sociais do indivíduo são determinados nos primeiros anos da criança, pois: Sobre um menino, mesmo antes de nascer, já recai toda uma expectativa de segurança e altivez de um macho que vai dar sequência à linhagem. Na porta do quarto da maternidade, os pais penduram uma chuteirinha e uma camisa de equipe de futebol para a qual torcem. Pouco tempo depois, dão-lhe uma bola e estimulam-no aos primeiros chutes. (DAOLIO, 2006, p.76) Com as meninas o tratamento é diferenciado: Em torno de uma menina, quando nasce, paira toda uma névoa de delicadeza e cuidados. Basta observar as formas diferenciais de se carregar meninos e meninas, e as maneiras de os pais vestirem uns e outros. As meninas ganham de presente, em vez de bola, bonecas e utensílios de casa em miniatura. Além disso, são estimuladas o tempo todo a agir com delicadeza e bons modos, a não se sujar, não suar. .(DAOLIO, 2006, p.76) Esse material se trata de um projeto de Educação Física destinado as séries finais do ensino fundamental, buscando um diálogo entre docência e incentivo a prática de esportes, principalmente pelas mulheres. Esse projeto foi motivado pela carência de trabalhos acadêmicos sobre o tema e pelo desejo de mudar esse quadro, as linhas a seguir correspondem ao esforço de fazer da prática de esportes por mulheres um exercício livre de estigmas sociais. 7 Público Público Público TEMA ESPORTES FEMININOS NA ESCOLA O esporte feminino ainda hoje é pouco valorizado quando comparado aos esportes praticados por homens, mesmo se tratando do mesmo esporte, como o futebol na modalidade masculina e feminina, adentrando a linha de pesquisa Esportes e Dançado presente projeto versa sobre Esportes Femininos na Escola e Profissionalização do Gênero de investigando o universo do esporte feminino ao longo da história e sua aplicabilidade no contexto atual. A participação feminina em esportes nas aulas de Educação Física é inferior à masculina. Um estudo da UnB apontou que 72,41% dos alunos que participavam de esportes nas aulas de Educação Física pelo menos duas vezes por semana eram do gênero masculino, enquanto o percentual feminino era de 13,79%. O preconceito foi um dos principais obstáculos para a expansão do futebol feminino no Brasil. Nas aulas de Educação Física, o futebol era dominante para meninos, enquanto as meninas tinham atividades infantis, e o voleibol era preferido. Para incentivar o esporte feminino, é possível: Consumir as modalidades femininas, Distribuir informações, Dar o protagonismo para as mulheres, Trazer elas para os espaços para serem referências. Quando mulheres são reconhecidas e valorizadas no esporte, é possível construir uma cultura de igualdade. Historicamente, quando pensamos na construção do universo do esporte, ele é fortemente associado á figura masculina. O esporte moderno como conhecemos, foi construído a partir de um lugar de afastamento, exclusão, opressão e silenciamento em relação à presença das mulheres. Infelizmente, nem sempre as mulheres foram bem-vindas nesse universo. Nada para as mulheres no esporte, veio de graça, todas as conquistas foram frutos de muita resiliência, luta e determinação. Quando falamos de representatividade feminina estamos defendendo o direito de ocupar espaços que foram historicamente negados, seja no esporte de alto rendimento ou no lazer. JUSTIFICATIVA O tema é de fundamental relevância, tanto no âmbito acadêmico/social quanto no pessoal/profissional. No âmbito acadêmico/social porque ainda hoje existem estigmas sociais referentes a pratica de esportes tidos como masculinos, pelas mulheres, como é o exemplo da prática do futebol. E no âmbito pessoal/profissional essa pesquisa pode contribuir para a minha formação e para a minha profissionalização no ensino de educação física. Para esse trabalho torna-se fundamental o trabalho com os grupos, visto que segundo Louro (1997), a formação de grupos e outras estratégias típicas (das aulas de Educação Física), permitem que o professor ou a professora exercite um olhar escrutinador sobre cada estudante, corrigindo sua conduta, sua postura física, seu corpo, enfim, examinando-o/a constantemente alunos e alunas são aqui particularmente observados, avaliados e também comparados, uma vez que a competição é inerente à maioria das práticas esportivas. Porém a Educação Física, propriamente dita, não é a única abordagem que deve ser tratada durante o projeto, a questão de gênero é fundamental, até porque, como pode ser percebido ao longo do projeto, por toda a história as atividades físicas foram divididas entre atividades masculinas e atividades femininas, o que denota uma clara distinção de gênero (SCOTT, 1995). O núcleo da definição [de gênero] repousa numa conexão integral entre duas proposições: (1) o gênero é um elemento constitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos e (2) o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder. (SCOTT, 1995 p.86) A motivação para essa pesquisa partiu da percepção de uma grande injustiça social enquanto ao reconhecimento da importância das mulheres nos esportes. Apesar do constante aumento do número de mulheres em competições esportivas ainda existe muito preconceito em torno desse tema. A pesquisa é viável, visto que o projeto pode ser desenvolvido em qualquer colégio da rede privada ou da rede pública de ensino do campo empírico e há uma bibliografia razoavelmente satisfatória e de fácil acesso sobre o campo dessa pesquisa, sobre a prática de esportes femininos na escola. PARTICIPANTES A meta do sistema educacional não era fomentar a emancipação intelectual, econômica e social feminina, mas mobilizar eficientemente as mulheres para promover a saúde física, a prosperidade econômica nacional e a estabilidade social e política. (...) Como mediadora entre o velho e o novo, a educação feminina associava grandes doses de educação moral e de disciplina social à instrução em conhecimentos e habilidades básicas. A tarefa atribuída à mulher era civilizar o mundo, não o transformar. A mulher era vista como alguém mais frágile deveria preservar o seu corpo, que tem a clara função de procriar, logo como afirma Adelman (2003), às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza. A mulher tinha essa função social clara até o século XX, a reprodução. A função social feminina e muitas vezes seu dever era de procriar, ser mulher e ser mãe eram conceitos indissociáveis até o século passado. A medicina, então, costumava afirmar que esportes como o futebol e as lutas poderiam prejudicar o organismo reprodutor feminino o que afastava muitas mulheres das práticas esportivas. OBJETIVOS O objetivo é despertar o interesse das estudantes pela prática de esporte com ênfase no geral. Objetivo ao todo é evidenciar quais os benefícios do conteúdo de qualquer esporte na compreensão de meninas. Os objetivos específicos foram: · Evidenciar como se deu a inserção da mulher no campo esportivo; · Analisar as relações de gêneros presentes nas aulas de Educação Física; · Verificar as possíveis dificuldades que meninas encontram nas aulas de Educação Física em relação a participação nas aulas do conteúdo Futsal e Futebol, sendo alguns objetivos específicos favoráveis; · Evidenciar os esportes femininos no ambiente escolar que é o espaço físico, a falta de motivação, a pouca visibilidade do esporte feminino na sociedade, a exclusão das meninas nos jogos e etc... PROBLEMATIZAÇÃO De certo modo, trabalhar com esportes com as mulheres nas escolas é, também, o pagamento de uma dívida social, visto que a escola nunca viu a mulher como ser emancipado, ou completo, mas como uma parte do seio familiar, como uma extensão do pai ou do marido, logo o esporte não tinha para a mulher o mesmo objetivo que tinha para o homem, como discute (BESSE, 1999) A meta do sistema educacional não era fomentar a emancipação intelectual, econômica e social feminina, mas mobilizar eficientemente as mulheres para promover a saúde física, a prosperidade econômica nacional e a estabilidade social e política. (...) Como mediadora entre o velho e o novo, a educação feminina associava grandes doses de educação moral e de disciplina social à instrução em conhecimentos e habilidades básicas. A tarefa atribuída à mulher era civilizar, elevar; e redimir o mundo, não o transformar (BESSE, 1999 p.142). A mulher era vista como alguém mais frágil e deveria preservar o seu corpo, que tem a clara função de procriar, logo como afirma Adelman (2003), às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de ensino tem como objetivo que os alunos sejam capazes de: “participar de atividades corporais, reconhecendo e respeitando algumas de suas características físicas e de desempenho motor, bem como as de seus colegas, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais; conhecer, valorizar, apreciar e desfrutar de algumas das diferentes manifestações da cultura corporal, adotando uma postura nãopreconceituosa ou discriminatória por razões sociais, sexuais ou culturais” (PCN’s, 1997). Para que ocorra o previsto no PCN’s, é necessário que o professor aperfeiçoe suas metodologias de ensino a fim de incentivar a participação e interesse das meninas na pratica esportiva em questão, diminuir a descriminação do futebol feminino, quebrar paradigmas referentes ao papel dos meninos e meninas impostos pela sociedade. O profissional de Educação Física e a Unidade Escolar são de suma importância para que ocorra essa transformação no processo de ensino aprendizagem, o que contribuirá para mudanças tanto individuais quanto coletivas. REFERENCIAL TEÓRICO As mulheres ainda podem e ainda devem ser mais valorizadas no esporte, o que fazer é só parar o preconceito e igualar os direitos. Por exemplo, os salários, não são nenhum pouco iguais. A seleção feminina dos Estados Unidos, maior campeã da copa do mundo feminina, nenhuma das atletas tem um salário igual com os dos homens que nunca ganharam nenhum título. E elas praticam e muito bem a maioria se não todos os esportes que os homens praticam, podendo chegar até a superá-los. No Brasil o futebol é considerado “febre nacional” e está presente na vida dos brasileiros desde a infância. Nas ruas é comum encontrar meninos jogando futebol com os coleguinhas ou pessoas vestindo as camisas do seu time do coração em destino aos estádios que ficam com as arquibancadas lotadas de torcedores dispostos a vibrarem a cada gol do seu time. Para os brasileiros “o futebol não é apenas futebol”, o mesmo é como um elo que junta amigos, forma grupos, leva desconhecidos a se falarem nas torcidas, movidos pela paixão em comum. Apesar de o futebol masculino ser tão ovacionado, o mesmo não ocorre quando a modalidade esportiva é praticada por mulheres. Embora exista um número crescente de mulheres interessadas pela prática da modalidade esportiva, a mesma ainda é dominada pelo sexo masculino. Diante disso, é valido discutir sobre a participação feminina na modalidade nas aulas de Educação física, o papel do educador e da unidade escolar como mediadores no processo de desconstrução das “travas” estabelecidas pela sociedade que definem como papel feminino cuidar da casa, do esposo e dos filhos, onde a mulher é vista como sendo o sexo frágil, sensível e dependente. Características essas que acabam por definir o que é adequado ou não para as meninas nas aulas de Educação Física. De acordo com Souza Jr. e Darido (2002, p.3): “As atribuições do professor de Educação Física na escola vinculamse à finalidade de contribuir para a formação global do cidadão, incluindo-se assim, os aspectos biológico, cultural, social e afetivo. Dentro desta perspectiva cabe ressaltar a importância de proporcionar a todos os educandos, indistintamente, as mesmas oportunidades de aprendizado. No entanto, na prática podemos observar uma diversificação de tratamentos para meninos e meninas, perpetuando os modelos sexualmente tipificados pela família e sociedade”. (SOUZA JR. e DARIDO, 2002, p.3) Segundo SANTOS e HIROTA (2012, p.1), “através de intervenção do profissional de educação física as meninas são incluídas no ambiente escolar dividindo o espaço com os meninos”. Os mesmos autores relatam que para a participação feminina nas aulas em que o tema é o futebol seja constante é necessário que tenham “incentivo familiar e um bom relacionamento com o professor de educação física”. SANTOS e HIROTA (2012, p.1). Outro fator considerado como empecilho para a participação das garotas nas aulas em questão é o comportamento dos meninos em quadra, quando se trata do futebol misto os conflitos são notórios, visto que para o gênero masculino as meninas atrapalham o jogo, já para elas os garotos as machucam em quadra impedindo-as de ter um bom desempenho no jogo. “O que acentua os estereótipos de gênero nas aulas de educação física na escola é a determinação das atividades por sexo, por exemplo, a menina dança e o menino joga futebol. Se o objetivo das aulas é desenvolver as qualidades físicas, e as habilidades motoras, que são igualitárias aos dois sexos, se são trabalhados a expressão corporal e o ritmo, são para os dois sexos, se for à força também se destina aos dois. O que não pode ocorrer é um sexo ser mais privilegiado em relação às oportunidades que o outro devido às características físicas serem mais determinantes em um sexo do que no outro. Com isso nas aulas de educação física acabam ocorrendo desentendimentos entre os alunos”. (BERRIA, BEVILACQUA, CASTRO e DARONCO, 2010, p.1) Analisando tal situação, observa-se que para romper as barreiras do sexismo ainda existentes e possibilitar a inclusão feminina em tais aulas, a influência do profissional de Educação Física é de fundamental importância no que diz respeito a intervenção e mudança dessa realidade. “Não pode o professor de Educação Física de hoje continuar cometendo os erros de outrora, concretizando em suas aulas os estereótipos e preconceitos da sociedade. É preciso fazer da aprendizagem do futeboluma prática proveitosa e prazerosa às meninas, assim como fazer da aula um momento de reflexão dobre a construção histórica de papéis e as diferentes atribuições, podendo dessa forma reduzir a discriminação acerca do futebol feminino”. (VENTURA e HIROTA, 2007, p.7) O ambiente escolar deve ser um espaço onde além de aprender a escrever, aprimorar a fala e os conteúdos das disciplinas os educandos possam também transformar os conceitos acerca das questões relacionadas ao gênero, adquirir uma visão crítica e consciente do seu papel como cidadãos. Deste modo, “a Educação Física deve proporcionar vivências aos seus alunos que não estejam nem explicita, nem implicitamente fundadas em estereótipos de gênero, contribuindo para o desfazer de preconceitos” (BERRIA, BEVILACQUA, CASTRO e DARONCO, 2010, p.1) Nesse sentido, SANTOS e HIROTA (2012, p.1) propõem “que o professor deve facilitar a participação de todos nas aulas de educação física, uma vez que o tema seja esporte, sendo assim deixando de lado as questões relacionadas ao gênero, e difundindo o esporte para com todos os alunos”. Diante do exposto, é evidente que ainda são necessárias intervenções pedagógicas a fim de desfazer as barreiras estabelecidas culturalmente, que são consideradas empecilhos para que ocorra a participação efetiva do gênero feminino nas aulas de educação física. Espera-se que o educador ao pensar a sua prática docente com conteúdo voltados ao ensino e participação de todos tenha em mente o interesse das meninas pela prática da modalidade esportiva e crie métodos para que possibilite a participação feminina no futebol nas aulas de Educação Física Escolar. Vive-se em uma sociedade, que mesmo diante de inúmeros avanços, apresenta alguns paradigmas patriarcais ainda presentes intensamente, podendo ser observados diariamente, e muitas vezes se acaba por partilhar e compartilhar desses valores e pensamentos, colocando o ser homem como o centro de tudo. Tal visão androcêntrica não é partilhada somente pelos homens, mas também por muitas mulheres, em consequência de possíveis influências herdadas no decorrer de sua vida. Para o patriarcalismo, o homem exerce um papel de “dominação”, ou seja, consequentemente, tal visão coloca a mulher como ser inferior ao ser masculino. Essa relação de poder tem origem no processo de construção da sociedade e, assim, as mulheres recebem a todo o momento estímulos que reforçam tal concepção. No ambiente escolar, por exemplo, as meninas diariamente recebem esses estímulos, motivo pelo qual a escola tem papel de segregar ou reforçar o sexismo, nos momentos em que essas são estimuladas a agirem de forma diferente dos meninos (MORENO, 2003). Para Bourdieu (2009), a escola é reprodutora das desigualdades existentes na sociedade, sendo uma disputa desigual, já que é determinada pelos indivíduos. Louro (2004) defende, em seu livro, que a escola não só é formadora dessas diferenças e desigualdades como também as reproduz. Para Louro (1995) tem discorrido que desde o início a escola exerceu uma função de separação dos sujeitos, através de múltiplos mecanismos, classificação, ordenação e hierarquização, começou por separar adultos de criança, católicos de protestante, também separou ricos de pobres e ela imediatamente separou os meninos das meninas. As expectativas em relação à diferença de comportamento que se deseja para o menino e para a menina justificadas pelas diferenças biológicas, acabam proporcionando distintas vivências corporais. A construção social das diferenças e o poder a elas atribuído, quando assentadas nas relações de gênero, podem revelar as diferenças criadas, ou percebidas socialmente, sofrem variação de acordo com a estrutura e caracterização histórico-cultural. As diferenças na escola em relação ao gênero são importantes e que não podem ficar em segundo plano, ambicionando que os alunos e as alunas aceitam passivamente todas as imposições externas que lhe são impostas, pois eles se envolvem e são envolvidos reagem, questionam, visto que conforme aponta Foucault (1979), aonde existe o poder também existe resistência. Uma maneira de enxergar o poder e a dominação, para que eles possam ser desconstruídos e antigos padrões derrubados, isto é, dando espaço à diversidade através de uma prática dialógica do currículo. Muitas pessoas ainda hoje sofrem com o preconceito e com os padrões vigentes, que apoiados, no homem e no poder, acabam excluindo e rotulando aqueles que não se encaixam e nem se identificam com as regras que lhes são impostas desde o nascimento. As práticas escolares traduzem a marca da cultura e do sistema dominante, que nelas imprimem as relações sociais que caracterizam a moderna sociedade capitalista. A forma da escola controlar e disciplinar o corpo estão ligados aos mecanismos das estruturas do poder, resultante do processo histórico da civilização ocidental. A persistência de uma Educação Física que não reflete sobre suas práticas e seu papel na formação de seus (as) alunos e alunas acabam, através de seu silêncio, colaborando para a formação dos estereótipos de homem e mulher, mantendo assim uma postura supostamente neutra, ajudando na formação de uma consciência coletiva de que ser homem e ser mulher atende a determinados padrões e regras normatizadas de conduta, segundo Gonçalves (1994).Partindo do princípio de que a escola nasce como a necessidade de organização do saber e na tentativa de atender determinados interesses. A exclusão começa a moldar a sua forma exercida de poder, deter esse conhecimento as amarras de um currículo de Educação Física monopolizador de controle dos corpos durantes as aulas. Segundo o mesmo autor, o poder não é somente uma força negativa, mas também uma força produtiva; que o poder está sempre presente; e que onde há poder, há resistência, e que a resistência não é nunca uma posição de exterioridade em relação ao poder, temos assim, a possibilidade de mudar a situação e que esta possibilidade existe sempre. A resistência é um elemento das relações estratégicas nas quais se constitui o poder, ela se apoia na realidade, sobre a situação à qual combate. O sistema patriarcal que rege a organização da maioria das sociedades do mundo atinge e prejudica as mulheres em geral, e também os homens, principalmente aqueles em que a sexualidade diverge do que é considerado normativo. Para Silva (2007), as teorias críticas se concentraram, inicialmente, em questões de acesso à educação e ao currículo das crianças e jovens pertencentes a grupos étnicos e raciais considerados minoritários. Somente em uma segunda fase, por meio dos estudos culturais e pós-estruturalistas, o próprio currículo passou a ser problematizado como sendo racialmente enviesado. “A questão da raça e da etnia não são simplesmente, um ‘tema transversal’: ela é uma questão central de conhecimento, poder e identidade” (p. 102). Por sua vez Neira e Nunes (2009), defendem que “a cultura corporal dominante seja analisada sob outros ângulos, isto é, tomando como base as crenças epistemológicas não dominantes. Essa análise não significa que tal patrimônio tenha um caráter demoníaco ou se constitua em artimanha arquitetada pala elite contra os desfavorecidos, ao estilo da Teoria da Conspiração”. (p. 251). Os autores MATOS, BRASILEIRO, ROCHA e NETO (2016 p. 272) afirmam: As implicações da possível participação ou/não participação das meninas nas aulas de Educação Física Escolar, vem de longa data, são construídas e enraizadas historicamente, preconizadas pela sociedade, onde quem pratica esporte é apenas o gênero masculino, e que o sexo feminino está apenas estabelecido em papéis secundários deixados, evidenciando a superioridade da força masculina. Sendo caracterizado como uma limitação, ou até uma barreira a ser vencida pela escola, pela Educação Física Escolar, para que ocorra a miscigenação da classe nas atividades escolares como um todo, e consequentemente maior participação das meninas. (MATOS, BRASILEIRO, ROCHA e NETO, 2016 p. 272) METODOLOGIA A mais convencional das metodologiasde ensino usadas no país integra a prática educacional formal. Seu objetivo é preparar o aluno, de forma intelectual e moral, para assumir uma posição na sociedade. Para isso, a prática mais comum de ensino-aprendizagem é através da exposição verbal e demonstrações do professor sobre o conteúdo ensinado referente a prática de esporta nas aulas. Essa metodologia tem como princípio que aquela pessoa que ensina é detentora do conhecimento, portanto possui competência para transmiti-lo aos alunos, especialmente aos mais jovens, por meio de exposição e análise dos conteúdos abordados. Como forma de fixação do conhecimento ensinado, esse método utiliza exercícios, nos quais os alunos repetem conceitos e fórmulas, utilizando-se da memorização, criação de hábitos e disciplina da mente, tendo em vista o esporte feminino escolar. No trabalho de levantamento da produção do conhecimento sobre os temas que relacionam a inserção da mulher no âmbito desportivo buscando aproximações deste movimento na atuação feminina nas aulas de Educação Física escolar na contemporaneidade, foi empregada a pesquisa qualitativa. Neste tipo de pesquisa como observa Minayo (1996) trabalha-se com um universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes. Isso corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos, que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Esta é uma pesquisa exploratório-descritiva, de caráter qualitativo, que buscou estabelecer o status do conhecimento numa área de interesse. As fontes de informações foram impressas e/ou on-line, e constituem publicações científicas que nos permitem seguir a evolução dos fenômenos e das situações no tempo, para este tipo de pesquisa, previamente realizou-se um levantamento na plataforma Qualis/Capes de todos os periódicos de circulação nacional, de categorias A, B e C5, válidos para a área da educação física, provenientes das demais áreas do conhecimento. Após, fez-se a seleção das revistas que eram exclusivas da área da educação física, com edições disponíveis online e/ou impressas de fácil acesso, identificação dos artigos sobre gênero. Para seleção dos artigos, fez-se a busca por temas/termos como educação física e gênero, estudos culturais, estudo feminista, diferenças e igualdade, representações de masculinidade e feminilidades, etc. A opção para o recorte de conteúdos foi pelo modelo misto, aquele em que as categorias tanto são selecionadas no início, quanto são modificadas e/ou acrescidas, em função do que a análise apontava. A forma preferencial desse recorte foi em temas, isto é, fragmentos que correspondem cada um a uma ideia particular e também através de diversos livros que embasaram o referencial teórico. A pesquisa bibliográfica qualitativa é uma síntese de estudos que envolve a identificação de textos relevantes, avaliação crítica e a síntese de estudos. A pesquisa qualitativa é uma abordagem de pesquisa que estuda aspectos subjetivos de fenômenos sociais e do comportamento humano. A abordagem qualitativa é interpretativa, e os pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem. A pesquisa bibliográfica é uma pesquisa que se baseia na leitura do material selecionado para identificar as informações e os dados contidos nele. CRONOGRAMA Para organizar um evento esportivo na escola é necessário saber, antes de mais nada, como a escola poderá auxiliar na execução do projeto. Desta forma, é indispensável o auxílio da direção, coordenação e dos professores da área de educação física para ajudar a montar um cronograma que funcione com os alunos e não prejudique as aulas, caso o evento esportivo seja realizado em horário escolar. Esses eventos, em sua maioria, são executados no horário do intervalo para que nenhuma aula seja prejudicada. Afinal, todo conteúdo escolar é muito importante - tanto quanto as atividades físicas, pois durante a vida acadêmica dos alunos elas fazem aumentar, comprovadamente, a energia, a disciplina e o respeito com o próximo. Sendo assim, no momento em que for solicitada a organização de eventos esportivos na escola ou na comunidade que compõe o grupo escolar, é necessário primeiramente ter conhecimento sobre o local para saber como organizar, planejar e realizar este projeto. A presente pesquisa se iniciou no dia 01/08/24, com pesquisas e estudos sobre o tema que seria trabalhado neste projeto. RECURSOS Os recursos também são importantes para obter a discussão sobre a necessidade de todas as disciplinas trabalharem com a temática saúde em suas aulas, já que esta temática é hoje fundamental para a formação integral do aluno, pois ao se propor a formar cidadãos conhecedores de seus direitos e deveres, o ensino na escola também deve se compromete a promover a Educação em Saúde, pois esta é essencial para a formação de indivíduos responsáveis e autônomos, conhecedores de seus direitos em relação à saúde. Os recursos utilizados para a presente pesquisa, foram: · Análise de documentos · Diários · Anotações AVALIAÇÃO Empreendi este recenseamento bibliográfico assumindo uma função problematizadora crítica ao tema abordado, e à minha leitura está atrelado um modo de compreender gênero e sua relação com a instituição escolar. Assim sendo, considero que muito têm a contribuir, para dinâmica de renovações de conhecimentos relativos a gênero e à escola, autores e autoras que trazem uma visão crítica sobre o assunto. Por meio deste estudo, foi-me possível vislumbrar como a escola está internalizada com imagens-padrão de menino e menina, e como esta questão de gênero ainda é um assunto que muito tem que ser explorado. Diante de todo o exposto fica evidente que o gênero feminino ainda sofre preconceitos em relação ao papel social que deve ocupar. Vale ressaltar que o ambiente escolar exerce grande influência para extinguir as barreiras do sexismo ainda existentes e que a intervenção do educador é de fundamental importância nesse quesito, contribuindo para a redução do preconceito durante a pratica de esportes. Entretanto, é preciso que essa desigualdade entre os gêneros seja extinta e para tal é necessária uma intervenção docente capaz de levar os estudantes a repensarem suas atitudes em quadra para que ocorra uma mudança comportamental a fim de diminuir o preconceito e expandir o respeito mútuo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Realizar este estudo, nos familiariza com a área da educação, de modo que estas vivências farão parte da nossa futura atuação profissional. O ser professor ou professora está intimamente relacionado ao ato de refletir e sobre a ação, porque desta forma estaremos supervalorizando o saber, o fazer e o porquê fazer, que são fontes do processo de produção de conhecimento (KRUG, 2001). Sendo assim, além de ensinarmos conteúdos pertinentes à educação física, estivemos sempre aprendendo, entendendo o porquê de determinado procedimento e não de outro, conhecendo características e comportamentos de alunos de faixas etárias diferentes, bem como de classes econômicas e histórias de vidas distintas. Cabe a toda a comunidade escolar orientar na conscientização da discriminação contra mulheres, isto desde uma fala, um gesto ou projetos que visem trabalhar a questão da igualdade das diferenças e participação feminina em deferentes atividades de modo a terem as mesmas oportunidades que os homens no que se refere não somente à participação em atividades de cunho esportivo, mas também no que concerne à vida em sociedade: educação, trabalho e remuneração, religião, família entre outros. REFERÊNCIAS ASSIS Sávio. Reinventando o esporte. Possibilidades da prática pedagógica. Ed.Autores Associados. 2001. BASSANI et al. 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