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ANATOMIA FUNCIONAL DA COLUNA VERTEBRAL, MEMBROS SUPERIORES E INFERIORES Faculdade de Minas 2 Sumário 2 NOSSA HISTÓRIA ........................................................................ 5 1- INTRODUÇÃO ........................................................................ 6 1.1- METODOLOGIA ................................................................ 17 2- Aspectos gerais: arranjo anatômico geral da Coluna Vertebral 17 3- Vértebras ............................................................................... 20 4- OS LIGAMENTOS LONGITUDINAIS .................................... 28 5- ARTICULAÇÕES ENTRE ARCOS VERTEBRAIS ................ 28 6- OS LIGAMENTOS ACESSÓRIOS ........................................ 29 7- Anatomia Neural da Coluna Vertebral ................................... 31 8- DERMÁTOMOS E MIÓTOMOS ............................................ 32 9- ORGANIZAÇÃO RADICULAR DA CAUDA EQÜINA ............ 33 10- CARGAS APLICADAS À COLUNA VERTEBRAL ................. 40 11- MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL .............................. 42 12- PAPEL DA MUSCULATURA ABDOMINAL NA REDUÇÃO DAS CARGAS VERTEBRAIS ........................................................................... 47 13- MECANISMOS TORÁCICOS BÁSICOS ............................... 48 14- MEMBROS SUPERIORES ................................................... 51 15- CENTRO DE GRAVIDADE ................................................... 56 16- TIPOS DE MOVIMENTO ....................................................... 62 17- TIPOS DE CONTRAÇÕES MUSCULARES .......................... 64 18- SISTEMA DE ALAVANCAS .................................................. 65 19- PRIMEIRA LEI DE NEWTON ................................................ 68 20- TRABALHO E ENERGIA ....................................................... 69 21- A MARCHA ........................................................................... 70 22- ARTICULAÇÕES .................................................................. 80 Faculdade de Minas 3 23- LIGAMENTOS ....................................................................... 81 24- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ROTAÇÃO INTERNA (MEDIAL) E EXTERNA (LATERAL) DO OMBRO ..................................... 82 25- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NOS MOVIMENTOS ESCAPULARES ....................................................................................... 83 26- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA FLEXÃO E EXTENSÃO DO OMBRO 83 27- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ABDUÇÃO E ADUÇÃO DO OMBRO 84 28- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ADUÇÃO E ABDUÇÃO HORIZONTAL DO OMBRO ...................................................................... 84 29- OS MOVIMENTOS DA ESCÁPULA ...................................... 85 30- MÚSCULOS QUE COMPÕEM O "MANGUITO ROTADOR" 85 31- MÚSCULOS QUE LIGAM O OMBRO AO BRAÇO E SUAS FUNÇÕES 85 32- PUNHO E MÃO ..................................................................... 87 33- MOVIMENTOS ARTICULARES ............................................ 89 34- MÚSCULOS E MOVIMENTOS DO POLEGAR E OUTROS DEDOS 90 35- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS DAS LESÕES DO PUNHO E MÃO 95 36- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL .............................................. 96 37- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO QUADRIL............ 97 38- MÚSCULOS BIARTICULARES (multiarticulares) ................. 98 39- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DAS REGIÕES DA PELVE E QUADRIL ........................................................... 99 40- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL ............................................ 100 41- A ARTICULAÇÃO DO JOELHO .......................................... 100 42- MOVIMENTOS ARTICULARES .......................................... 102 43- MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO .................. 103 44- TORNOZELO E O PÉ ......................................................... 106 Faculdade de Minas 4 45- ARTICULAÇÃO SUBTALAR ............................................... 107 46- ARTICULAÇÃO TRANSVERSA DO TARSO ...................... 108 47- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO E DO PÉ 109 48- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DO TORNOZELO E DO PÉ .......................................................................... 111 49- CONCLUSÃO ...................................................................... 112 50- REFERÊNCIAS ................................................................... 115 Faculdade de Minas 5 1 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. Faculdade de Minas 6 1- INTRODUÇÃO A coluna vertebral é parte subcranial do esqueleto axial. De forma muito simplificada, é uma haste firme e flexível, constituída de elementos individuais unidos entre si por articulações, conectados por fortes ligamentos e suportados dinamicamente por uma poderosa massa músculo-tendinosa. 56 Durante muitos anos, a atuação em Fisioterapia baseou-se em livros de reabilitação importados, cuja principal característica eram "receitas" prontas que dispensavam a necessidade de pensar para tomar decisões. 57 Era notória nas décadas de 1960 e 1970 a importação de técnicas norte-americanas e européias- Bobath, Kabat, Klapp etc., aindahoje utilizadas. Essas técnicas ou métodos provinham da experiência pessoal e tinham frágil fundamentação científica. Felizmente, essa tendência sofreu grandes mudanças. Hoje a prática clínica é necessariamente alicerçada em pesquisa. 57 A prática baseada em evidências, hoje uma realidade na área da saúde e na Fisioterapia, recorre a três tipos de informação: a pesquisa clínica, a experiência clínica do fisioterapeuta e as preferências do cliente. Na fisioterapia, os estudos clínicos têm focalizado mais o impacto das doenças ou condições de saúde na vida das pessoas, tornando a tomada de decisão clínica um ato complexo, que exige escolha criteriosa do método de pesquisa. Essa escolha pode ser pautada pelos níveis de evidência, utilizados, como um norteador para classificar a qualidade dos estudos na área da saúde. 57 Os desfechos clínicos de interesse dos fisioterapeutas não devem se reduzir apenas ao diagnóstico médico, mas principalmente aquele decorrente do impacto das doenças ou das condições de saúde na vida das pessoas. No campo das ciências da saúde, a epidemiologia descritiva é um passo fundamental para o conhecimento de uma determinada doença, ou agravo à saúde." 2 (p.35) Faculdade de Minas 7 O fisioterapeuta precisa, portanto, avaliar, estabelecer o diagnóstico e prognóstico fisioterapêutico, selecionar intervenções e realizar reavaliações (Resolução COFFITO, 80)3: este e o princípio da pesquisa. E os fisioterapeutas dispõem de grande arsenal de opções terapêuticas que transformam a tomadade desvio lateral e rotação longitudinal. Poder- se-ia esperar que os músculos no lado côncavo da curvatura fossem mais fortes que os do lado convexo, e isto é o que seria observado se a curvatura decorresse da ação desimpedida dos músculos longitudinais. Contudo, estudos eletromiográficos mostraram que na maioria dos casos os músculos no lado côncavo são mais fracos que o normal. Isto é atribuído ao fato de que o desequilíbrio dos músculos mais profundos (semiespinhal, multífico e rotadores) é o principal fator na produção da deformidade. Esses músculos profundos são rotadores importantes. Quando os de um lado são paréticos, a ação desimpedida dos músculos do lado oposto gira as vértebras para uma posição escoliótica. Em alguns casos, entretanto, os músculos no lado convexo estão atrofiados e os do lado côncavo, contraídos. E controverso se as alterações que depois ocorrem podem ser explicadas com base apenas no desequilíbrio muscular. A curvatura lateral diminui a capacidade da coluna vertebral de sustentar o peso corporal, distorce as cavidades corporais, aglomera os órgãos fora de lugar e, em casos avançados, causa compressão dos nervos espinhais onde eles deixam o canal vertebral. A escoliose geralmente começa com uma curva em C única. Esta pode ser para qualquer um dos lados, mas como a maioria das pessoas é destra, os músculos no lado direito do corpo são mais fortes e a convexidade tende a se desenvolver para a esquerda. A condição tende a ser mais prevalecente em meninas e entre biótipos ectomorfos, mas não está confinada a nenhum dos dois. a curvatura pode estender-se por toda a coluna vertebral ou ser localizada. Uma curva em C pode inclinar a cabeça obliquamente, quando então há uma tendência reflexa a endireitá-la até que os olhos estejam novamente nivelados. Ao longo do Faculdade de Minas 51 tempo, esse reflexo de endireitamento cria uma inversão da curva em C nos níveis espinhais superiores, produzindo uma curva em S. podem surgir novas tentativas de compensação, criando ondulações adicionais na curva. Nos estágios iniciais, a escoliose pode ser funcional, ou postural. Estes termos indicam que a curva pode ser eliminada por esforço voluntário ou ao pendurarse com as mãos. Nos estágios posteriores, a condição se torna resistente, ou estrutural, e a curva não pode mais ser eliminada desse modo. Uma vez estabelecida uma curva estrutural, exercícios corretivos podem produzir uma curva compensatória ao invés de abolição da curva primária. A escoliose pode ser causada por numerosas condições unilaterais, incluindo defeitos hereditários da estrutura; deterioração de vértebras, ligamentos, ou músculos, em decorrência de infecções ou doença; paralisia unilateral de músculos espinhais; um membro inferior curto unilateral; pé plano ou pronação unilateral; e desequilíbrio do desenvolvimento muscular devido à profissão ou hábito. 14- MEMBROS SUPERIORES A articulação do ombro é a articulação menos congruente do corpo humano, assim envolve uma ampla amplitude de movimentos nas atividades diárias. Esses movimentos resultam de uma complexa interação entre as estruturas ósseas (escápula, cabeça do úmero e clavícula) e tecidos moles adjacentes, envolvendo cápsula do ombro, ligamentos estabilizadores e músculos 37. A arquitetura da articulação glenoumeral, envolve uma grande cabeça umeral articulada e superfície glenoidal relativamente pequena, com ligamentos e músculos para estabilizar todo o arco do movimento (em oposição a articulação do quadril com sua congruente “ball-in-socket”) 38. Faculdade de Minas 52 A extensa amplitude de movimento permite ao atleta a capacidade de participar de uma série de atividades esportivas, porém não é isenta de riscos. Se alguns dos estabilizadores estáticos ou dinâmicos são atingidos por trauma ou uso excessivo, o ombro tem maior risco de lesão. Em atletlas, 8 a 20% das lesões são no ombro 38. Em relação à cintura escapular, examinamos seus componentes, envolvendo anatomia óssea (úmero, clavícula e escápula); articulações ósseas e musculares (glenoumeral, acromioclavicular,esternoclavicular e escapulotorácica); estabilizadores estaticos (cápsula e ligamentos) e músculos ou estabilizadores dinâmicos (manguito rotador, deltóide e estabilizadores escapulares).Esses elementos funcionam em um contexto dinâmico, como unidade inter-relacionada 38. O úmero é o maior e mais longo osso nos membros superiores, sendo a sua parte proximal formada por cabeça, tubérculo maior e menor, sulco biccipital e haste umeral proximal. O tubérculo maior é o local de inserção do supraespinhal, infraespinhal e redondo menor, e o tubérculo menor do subescapular, completando o manguito rotador. O colo cirúrgico do úmero está situado distalmente aos tubérculos 36. A escápula é um osso triangular grande e fino, situado pósterolaeralmente ao tórax, servindo como local de fixação muscular. A espinha da escápula separa os músculos supra e infra espinhal, além disso temos nesse osso a inserção de parte do músculo trapézio e a origem do deltóide posterior 34. O acrômio da escápula atua como um braço de alavanca para o deltóide e articula com a extremidade distal da clavícula, formando a articulação acromioclavicular. Além disso, o acrômio forma uma parte do teto para o espaço do manguito rotador. Tendinite e bursite são o resultado do impacto da cabeça do úmero e o manguito rotador contra o arco coracoacromial (acrômio, ligamento Faculdade de Minas 53 coracoacromial e processo coracóide) 34. O processo coracóide serve como origem de 2 ligamentos coracoclaviculares, que juntamente com o ligamento acromioclavicular, estão relacioanado com a articulação acromioclavicular. O nervo supraescapular passa abaixo desses ligamentos para inervar os músculos supraespinhal e infraespinhal 34. A cavidade glenoide repesenta a articulação com a cabeça do úmero, sendo a sua superfícia articular de apenas um terço a um quarto da cabeça do úmero e, portanto, fornece apenas uma pequena contribuição para a estabilização glenoumeral. A cabeça do úmero fornece a base óssea para a movimentação do ombro 38. A clavícula serve como único suporte ósseo que liga o tronco a cintura escapular por meio da articulação esternoclavicular medialmente e a acromioclavicular lateralmente. Serve como local para fixação de músculos, barreira para proteger estruturas neurovasculares e estabilizar o complexo do ombro. A clavícula previne a migração da cintura escapular através dos ligamentos coracoclaviculares 38. A articulação glenoumeral é adequada para extrema mobilidade; sendo que a qualquer momento, apenas 25 a 30% da cabeça do úmero está em contato com a fossa glenóide. O ombro normal restringe a cabeça do úmero para dentro de 1 a 2 mm em relação a cavidade glenóide, sendo resultado de uma interação de força estática (não requer energia ativa, ou seja, cápsula, lábio e ligamentos) e dinâmica (muscular) 38. Em relação aos estabilizadores dinâmicos, temos o manguito rotador. Um grupo de músculos consistindo em: subescapular, supraespinhal, infraespinhal e redondo menor. Nesse sentido de estabilizador, são realizados movimenos tridimensionais ou rotações da cabeça do úmero como resultado de sua interação com estabilizadores estáticos. Como grupo são menores em relação a área e tamanho, quando comparados ao deltóide, peitoral maior, latíssimo do dorso e trapézio 38. Faculdade de Minas 54 A contração dos músculos do manguito rotador resulta em compressão da concavidade e a contração assimétrica age para causar a rotação da cabeça do úmero durante o movimento do ombro. O supra- espinhal se origina na fossa supraespinhal e se insere no tubérculo maior do úmero. Estabiliza a articulação glenoumeral, realiza abdução de braço e auxiliao deltóide na elevação de braço. O infra-espinhal origina-se na fossa intra-espinhal e se insere na face média do tubérculo maior do úmero. Realiza rotação lateral e estabiliza a articulação glenoumeral contra subluxação posterior 38. O redondo menor se origina das regiões média e superior da borda lateral da escápula e se insere na parte mais inferior do tubérculo maior. Em conjunto com o infra-espinhal, realiza rotação lateral e estailiza a articulação glenoumeral. A inervação é pelo nervo axilar 34. O músculo subescapular reprensenta a porção anterior do manguito rotador, tendo origem na fossa subescapular e se insere no tubérculo menor do úmero. Funciona como rotador medial e é inervado pelos nervos sub- escapular superior e inferior 34. O úmero é o maior e mais longo osso nos membros superiores, sendo a sua parte proximal formada por cabeça, tubérculo maior e menor, sulco biccipital e haste umeral proximal. O tubérculo maior é o local de inserção do supraespinhal, infraespinhal e redondo menor, e o tubérculo menor do subescapular, completando o manguito rotador. O colo cirúrgico do úmero está situado distalmente aos tubérculos 34. A escápula é um osso triangular grande e fino, situado pósterolaeralmente ao tórax, servindo como local de fixação muscular. A espinha da escápula separa os músculos supra e infra espinhal, além disso temos nesse osso a inserção de parte do músculo trapézio e a origem do deltóide posterior 34. O acrômio da escápula atua como um braço de alavanca para o deltóide e articula com a extremidade distal da clavícula, formando a Faculdade de Minas 55 articulação acromioclavicular. Além disso, o acrômio forma uma parte do teto para o espaço do manguito rotador. Tendinite e bursite são o resultado do impacto da cabeça do úmero e o manguito rotador contra o arco coracoacromial (acrômio, ligamento coracoacromial e processo coracóide)38. Compreender a anatomia funcional e as frequentes fontes associadas a lesão do ombro permitem que os esportes apresentem uma estrutura voltada para o cuidado de lesões no ombro atlético. A avaliação da lesão do manguito rotador, instabilidade do ombro ou colisões orientam a decisão clínica e informam opções terapêuticas 35. O saque no tênis coloca altas exigências sobre o ombro, requerindo grandes amplitudes de movimento de articulação glenoumeral e escapulotorácica, produzindo grandes velocidades rotacionais e forças na articulação 40 que lida com a análise das forças que agem sobre um objeto. Seja para a manutenção deste ou de uma estrutura em um ponto fixo, como a descrição e a causa do movimento do mesmo. Assim, a Cinesiologia deve ser capaz de aplicar leis e princípios básicos de mecânica a fim de avaliar as atividades humanas. Essa aplicação da mecânica cai nos domínios da Biomecânica que pode ser definida como aplicação da mecânica aos organismos vivos, tecidos biológicos, aos corpos humanos e animais. A postura do corpo é resultante de inúmeras forças musculares que atuam equilibrando forças impostas sobre o corpo, e todos os movimentos do corpo são causados por forças que agem dentro e sobre o corpo. Em nossas atividades diárias, no trabalho, no esporte, temos que lidar com forças e os profissionais que trabalham com lesões musculoesqueléticas precisam compreender como as forças afetam as estruturas do corpo e como estas forças controlam o movimento. A biomecânica é a base da função músculoesquelética. Os músculos produzem forças que agem através do sistema de alavancas ósseas. O Faculdade de Minas 56 sistema ósseo ou move-se ou age estaticamente contra uma resistência. O arranjo de fibras de cada músculo determina a quantidade de força que o músculo pode produzir e o comprimento no qual os músculos podem se contrair. Dentro do corpo, os músculos são as principais estruturas controladoras da postura e do movimento. Contudo, ligamentos, cartilagens e outros tecidos moles também ajudam no controle articular ou são afetados pela posição ou movimento. 15- CENTRO DE GRAVIDADE A Gravidade é uma força externa que age sobre um objeto sobre a terra, e para equilibrar essa força, uma segunda força externa precisa ser induzida ou seja, todo o corpo recebe a ação de uma força, reage à mesma com uma força igual e oposta. Figura14: O conceito de Centro de Gravidade é proveitoso ao descrever e analisar mecanicamente o movimento do corpo humano e outros objetos, sabendo exatamente como a força da gravidade atua nesses corpos. Figura 15: Faculdade de Minas 57 O Centro de Gravidade é o ponto dentro de um objeto onde se pode considerar que toda a massa, ou seja, o material que constitui o objeto, estejaconcentrada. A gravidade puxa para baixo todo ponto de massa que constitui este objeto ou o corpo. No entanto, a determinação do Centro de Gravidade do corpo humano é muito difícil, pois este não apresenta densidade uniforme, não é rígido e não é simétrico enquanto um objeto com todas estas características o Centro de Gravidade em cada ponto é igual. Existem cálculos matemáticos que analisam parte a parte o centro de gravidade de um corpo não uniforme, de forma a adquirir um resultado médio do centro de gravidade do mesmo. Figura 16: Faculdade de Minas 58 Linha gravitacional A localização do Centro de Gravidade do corpo como um todo varia, dependendo da posição do corpo. Numa pessoa ereta, pode-se situá-lo de forma aproximada sobre uma linha, formada pela interseção de um plano que corta o corpo em duas metades, uma direita e uma esquerda, e um plano que corta o corpo em metade anterior e posterior. A posição do ponto do Centro de Gravidade ao longo desta linha imaginária, pode-se considerar que a gravidade atua sobre esse único ponto de Centro de Gravidade, puxando diretamente para baixo em direção ao centro da terra. Essa linha ou direção de tração é a linha de gravidade. Base de sustentação Faculdade de Minas 59 A base de sustentação, ou a base de apoio para o corpo é a área formada abaixo do corpo pela conexão com a linha continua de todos os pontos em contato com o solo. Na posição ereta, por exemplo, a base de apoio é aproximadamente um retângulo, formado por linhas retas através dos dedos, formado por linhas retas através dos dedos e calcanhares e ao longo dos dedos de cada pé. Quando um corpo está numa posição fixa com a linha de gravidade passando através da base de apoio, diz-se que ele está compensado, estável ou em equilíbrio estático. Se a linha de gravidade passar fora da base de membros apoiadores deve mover-se para evitar uma queda. Essa situação ocorre continuamente, quando andamos, corremos e mudamos de direção. Forcas que atuam no movimento A Ciência mecânica diz que uma força pode ser definida simplesmente como um empurrão ou tração. Por definição a força é uma entidade que tende a produzir movimento. Às vezes, o movimento não ocorre ou o objeto se acha em equilíbrio. O ramo da mecânica que lida com este fenômeno é a estática; caso haja o movimento, é chamado dinâmica. A força é definida por quatro características básicas: ➢ magnitude de força; ➢ direção; ➢ sentido; ➢ quantidade de tração. As forças mais comuns envolvidas com a biomecânica são: a força muscular, gravitacional, inércia, de flutuação e força de contato. A força produzida por músculos depende de vários fatores. Dois desses fatores incluem velocidade de contração do músculo e comprimento do músculo. O peso de um objeto é resultado da força gravitacional. Faculdade de Minas 60 O conceito de inércia mantém que um corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme até receber a ação de uma força externa. A força de flutuação tende a resistir à força da gravidade. Na água a magnitude dessa força equivale ao pesode água que o objeto desloca. A força de contato existe toda vez que dois objetos se acharem em contato um com o outro. Esse tipo de força pode ser uma força de reação ou uma força de impacto. A força pode ser ainda subdividida em uma força normal perpendicular às superfícies de contato e uma força de fricção ou atrito que é paralela à superfície de contato. Planos e eixos Planos de ação são linhas fixas de referencia ao longo das quais o corpo se divide. Há 3 planos e cada um está em ângulo reto ou perpendicular com dois planos. O plano frontal passa através do corpo de lado a lado, dividindo-o em frente e costa. É também chamado plano coronal. Os movimentos que ocorrem neste plano são abdução e adução. O plano sagital passa através do corpo da frente para trás e o divide em direita e esquerda. Pode-se pensar nele como uma parede vertical cuja extremidade se move. Os movimentos que ocorrem neste plano são flexão e extensão. O plano transverso passa horizontalmente pelo corpo e o divide em parte superior e inferior. É também chamado plano horizontal. Neste plano, ocorre a rotação. Figura 17: Faculdade de Minas 61 Sempre que um plano passa pela linha média de uma parte, esteja ela no plano sagital, frontal ou transverso, está se referindo ao plano cardinal, porque divide o corpo em partes iguais. O pondo onde os três planos cardinais se encontram é o centro de gravidade. No corpo humano este ponto é, na linha média, mais ou menos ao nível da segunda vértebra sacra, ligeiramente anterior a ela. Os eixos são pontos que atravessam o centro de uma articulação em tomo da qual uma parte gira. O eixo sagital é um ponto que percorre a articulação de frente para trás. O eixo frontal vai de lado a lado. O eixo vertical, também chamado longitudinal, vai da parte superior a inferior. O movimento articular ocorre em torno de um eixo que está sempre perpendicular a um plano. Outro modo de se descrever este movimento articular, é que ele ocorre sempre no mesmo plano e em tomo do mesmo eixo. Por exemplo, flexão/extensão ocorrerá sempre no plano sagital em tomo do Faculdade de Minas 62 eixo frontal e a adução em tomo do eixo sagital. Movimentos semelhantes como o desvio radial e ulnar do punho também ocorrerão no plano frontal em tomo do eixo sagital. 16- TIPOS DE MOVIMENTO Movimento linear, também chamado movimento translatório, ocorre mais ou menos em uma linha reta, de um lugar para outro. Todas as partes do objeto percorrem a mesma distancia, na mesma direção e ao mesmo tempo. Se este movimento ocorrer em linha reta é chamado movimento retilíneo. Se este movimento ocorre numa linha reta, mas em uma forma curva, é chamado curvilíneo. O movimento de um objeto em tomo de um ponto fixo é chamado movimento angular, também conhecido como movimento rotatório. Todas as partes do objeto movem-se num mesmo ângulo, na mesma direção, ao mesmo tempo. Elas não percorrem a mesma distância. Falando de um modo geral, a maioria dos movimentos do corpo é angular, enquanto os movimentos feitos fora da superfície corporal tendem a ser lineares. Exceções podem ser encontradas. Por exemplo, o movimento da escápula em elevação/depressão e pronação/retração é essencialmente linear. Todavia, o movimento da clavícula, que é fixada à escápula, é angular e realizado através da articulação extraclavicular. MOVIMENTOS ARTICULARES Figura 18: Faculdade de Minas 63 As articulações movem-se em direções diferentes. O movimento ocorre em tomo de um eixo e de um plano. Os termos a seguir são usados para descrever os vários movimentos que ocorrem numa articulação sinovial. A articulação sinovial é uma articulação móvel livre, onde a maioria dos movimentos articulares ocorrem. ➢ Flexão: é o movimento de dobra de um osso sobre o outro causando uma diminuição do ângulo da articulação. ➢ Extensão: é o movimento que ocorre inversamente à flexão. É o endireitamento de um osso sobre o outro, causando aumento do ângulo de articulação. O movimento, geralmente, traz uma parte do corpo à sua posição anatômica após esta ser flexionada. A hiperextensão é a continuação da extensão, além da posição anatômica. ➢ Abdução: é o movimento para longe da linha média do corpo e adução é o movimento de aproximação da linha média do corpo. As exceções Faculdade de Minas 64 a esta definição de linha média são os dedos e os artelhos, onde o ponto de referência para os dedos é o dedo médio. O movimento para longe do dedo médio abduz, mas aduz somente como um movimento de volta da adução. O ponto de referência dos artelhos é o segundo artelho. Semelhante ao dedo médio, o segundo artelho abduz da direita para a esquerda, mas não abduz a não ser como movimento de volta da adução. ➢ Circundução: é a combinação de todos esses movimentos numa seqüência em que a parte da extremidade faz um grande círculo no ar, enquanto as partes próximas à extremidade proximal fazem um círculo pequeno. ➢ Rotação: é o movimento de um osso ou parte dele em torno de seu eixo longitudinal. Se a superfície anterior se move em direção à linha média, é chamado medial ou rotação interna. Se a superfície anterior se movimenta para longe da linha média, este movimento é chamado rotação lateral ou externa. Alguns termos são usados para descrever movimentos específicos de certas articulações, como: ➢ Pronação: é o movimento ao longo de um plano paralelo ao solo e para longe da linha média e ➢ retração é o movimento no mesmo plano em direção à linha média. Ainda existem alguns termos como desvio ulnar e radial, para se referir à adução e abdução do punho. ➢ Inclinação lateral: quando se refere ao tronco que se move para a direita ou para a esquerda. 17- TIPOS DE CONTRAÇÕES MUSCULARES Há três tipos básicos de contrações musculares: ➢ Isométrica; Faculdade de Minas 65 ➢ Isotônica concêntrica; e ➢ Isotônica excêntrica. Contração isometrica Uma contração isométrica ocorre quando o músculo se contrai, produzindo força sem mudar o seu comprimento. O músculo se contrai mas nenhum movimento ocorre. O ângulo da articulação muda. Uma contração isotônica pode ser dividida em concêntrica e excêntrica. Uma contração concêntrica ocorre quando há movimento articular, o músculo diminui e as fixações musculares se movem em direção uma da outra. Uma contração excêntrica ocorre quando há movimento articular, mas o músculo parece alongar, quer dizer, as extremidades se distanciam. Contrações concêntricas 1- Fixações musculares se movem juntas, em direção uma da outra. 2- O movimento se faz contra a gravidade. 3- Se o movimento acontece com gravidade, o músculo está usando uma força maior do que a força da gravidade. Contrações excêntricas 1- As fixações musculares se movem para longe uma da outra. 2- 0 movimento ocorre com gravidade. 18- SISTEMA DE ALAVANCAS Uma alavanca é uma barra rígida que gira em torno de um ponto fixo quando uma força é aplicada para vencer a resistência. Uma quantidade maior de força ou um braço de alavanca mais longo aumentam o movimento de força. Faculdade de Minas 66 Há três classes de alavancas, cada uma com uma função e uma vantagem mecânica diferente. Diferentes tipos de alavancas também podem ser encontrados no corpo humano. No corpo humano, a força que faz com que a alavanca se mova, na maioria das vezes e muscular. A resistência que deve ser vencida para que o movimento ocorra, inclui o peso da parte a ser movida, gravidade ou peso externo. A disposição do eixo em relação à força e a resistência vão determinar o topo de alavanca. Figura 19: Classe das alavancas Alavanca de Primeira Classe O eixo (E) está localizado entre a força (F) e a resistência (R).Alavanca de Segunda Classe O eixo (E) em uma das extremidades, a resistência (R) no meio e a força (F) na outra extremidade. Alavanca de Terceira Classe Faculdade de Minas 67 Tem o eixo numa das extremidades, a força no meio, a resistência na extremidade oposta. A alavanca de 3ª classe é a mais comum das alavancas do corpo. Sua vantagem é a extensão do movimento. Torque Se for exercida uma força sobre um corpo que possa girar em torno de um ponto central, diz-se que a força gera um torque. Como o corpo humano se move por uma série de rotações de seus segmentos, a quantidade de torque que um músculo desenvolve é uma medida muito proveitosa de seu efeito. Para empregar o valioso conceito de torque, devemse compreender os fatores relacionados à sua magnitude e as técnicas para seu cálculo. A magnitude de um torque está claramente relacionada à magnitude da força que o está gerando, mas um fator adicional é a direção da força em relação à posição do ponto central. A distância perpendicular do pivô à linha de ação da força é conhecida como braço de alavanca da força. Um método para calcular o torque é multiplicar a força (F) que gerou pelo braço de alavanca (d). T = F x d Cadeia cinética É o estudo das forças que produzem ou afetam o movimento. As leis desenvolvidas por Newton formam a base para o estudo da cinemática. Figura 20: Faculdade de Minas 68 19- PRIMEIRA LEI DE NEWTON A força tem sido definida como uma entidade que acelera um objeto (implica em movimento). A aceleração, seja positiva ou negativa, de um objeto, é a rapidez com que muda de velocidade, que é produzida por uma ou mais forças. Esta é a lei da Inércia, que afirma que um objeto permanece em seu estado existente de movimento a menos que sofra a ação de uma força externa. Assim, um objeto estacionário não começará a se mover, a menos que uma força externa aja sobre ele, e um objeto em movimento permanecerá em movimento, na mesma velocidade e direção. Segunda lei de newton A segunda lei de Newton é a lei da aceleração. Afirma que quando uma força externa age sobre um objeto, o objeto muda sua velocidade ou acelera- se em proporção direta à força aplicada. O objeto irá também acelerar em proporção inversa à sua massa. Assim, a massa tende a resistir à aceleração. A fórmula bem conhecida como: F = m . a é válida para objetos que se movem em translação ou linearmente. Terceira lei de newton Faculdade de Minas 69 A gravidade é uma força externa que sempre age sobre um objeto sobre a terra. Para equilibrar essa força crescente, uma segunda força externa precisa ser introduzida. Um objeto apoiado sobre uma mesa recebe ação de pelo menos duas forças: a da gravidade e a força exercida pela mesa. Assim, na medida em que o objeto sobre a mesa sofre ação da tração da gravidade, a mesa reage à força da gravidade com uma força igual e oposta. 20- TRABALHO E ENERGIA Quando a força de um objeto está relacionada com a localização do objeto, os princípios de trabalho e energia se tornam importantes. Em mecânica, o trabalho refere-se ao produto de forças exercidas sobre um objeto e o deslocamento do objeto paralelo ao componente de força de resistência do objeto. Trabalho (W) = Força (F) x Distância (d). O trabalho é realizado na medida em que a força vence uma resistência e move o objeto em uma direção paralela ao componente de força de resistência. Energia é a capacidade de fazer trabalho. Existem muitas formas de energia, dentre elas a energia mecânica e o calor. O calor é geralmente considerado subproduto de outras formas de energia ou resulta quando uma forma de energia se transforma em outra. Um aumento de calor ocorre quando moléculas de área aquecida aumentam sua quantidade de movimento. A energia mecânica pode ser dividida em dois tipos: energia potencial e cinética. A energia potencial é a energia armazenada. Possui o potencial para ser liberada e tornar-se energia cinética, que é a energia de movimento. Faculdade de Minas 70 21- A MARCHA "No primeiro ano de vida, há estreita relação entre as funções que aparecem e desaparecem e a evolução estrutural do sistema nervoso central. É fora de discussão que as funções mais elementares de sistemas mais primitivos vão sendo paulatinamente inibidas pelos sistemas hierarquicamente superiores (Jackson, J.)". Compreendemos que a marcha na criança está além do desenvolvimento motor, mas unido a este encontramos as sensações experimentadas pelo bebê no decorrer do primeiro ano de vida como sendo de imensa importância para o deambular, assim como para fazê-lo de forma correta. A postura do bebê deve ser vista e analisada do ponto de vista funcional e as compensações antálgicas que surjam devem ser corrigidas o mais precocemente possível. O bebê começa a deambular entre os doze e quatorze meses iniciais da sua vida, porém isso dependerá, e muito, das experiências que ele vivenciará nesta fase. Os primeiros passos: Na verdade, observamos os primeiros passos do bebê como sendo através do reflexo de apoio plantar (RAP) e marcha reflexa. Este teste neurológico serve para avaliar a maturidade a nível medular no bebê. Estes reflexos devem estar presentes até o segundo mês de vida. Em tomo dos nove meses de idade o bebê começa a ficar de pé com apoio, na verdade é nesta fase que o bebê começa a equilibrar-se na posição osteostática e assim se preparar para o início da marcha. Depois dessa fase o bebê começa a experimentar o ficar de pé sem auxílio de um apoio; esta postura intermediária entre o começo da fase de equilíbrio e a marcha é quando o centro de gravidade começa a se ajustar para os primeiros passos. Marcha com apoio: Faculdade de Minas 71 Uma vez atingida a posição de pé, tendo as mãos apoiadas, a criança dá passos com a base de sustentação muito alargada. Apesar de começar a deambulação, a criança ainda utiliza o engatinhar para explorar o meio à sua volta. Marcha sem apoio: Nesta fase a criança deambula, sem apoio das mãos, com a base de sustentação ainda muito alargada e muita instabilidade de equilíbrio. O apoio plantar é feito basicamente pelo bordo medial dos pés e calcâneo. Em geral durante a marcha, atitude dos membros superiores, e de abdução das escapuloumerais, flexão dos cotovelos, a fim de auxiliar no equilíbrio do corpo ao deslocarse. Somente quando a criança começa a andar é que aparecem as reações de equilíbrio na posição de pé. Chamamos de alteração nesta fase a criança que ao deambular o faça com apoio, se andar nas pontas dos pés ou se claudicar. O colocar a criança de pé, mesmo com apoio precocemente, pode levar a sérios danos a coluna espinhal, assim como deformidades nos joelhos que irão interferir na marcha. A marcha: A terminologia marcha é descrita como referência às atividades de um membro. A maior unidade empregada à marcha é chamada de ciclo da marcha. No ato normal de caminhar, um ciclo de marcha começa quando o calcanhar do membro de referência contacta a superfície de sustentação, e este ciclo termina quando o calcanhar do mesmo membro contacta novamente o solo. O ciclo da marcha divide-se em duas fases: a primeira de apoio e balanço e a segunda de dupla sustentação. Na marcha normal a fase de apoio constitui 60% do ciclo da marcha e é definida como o intervalo em que o pé Faculdade de Minas 72 do membro de referência está em apoio com o solo; a fase de balanço constitui 40% do ciclo da marcha, e é onde o membro de referência não contacta o solo. A dupla sustentação refere-se aos dois intervalos num ciclo da marcha em que o peso corporal está sendo transferido de um pé para o outro, e ambos os pés estão em contato com o solo, ao mesmo tempo. Determinantes da marcha:Durante um ciclo completo, o centro de gravidade é deslocado duas vezes em seu eixo vertical. O pico se dá durante o meio da postura na fase estática quando a perna sustentadora de peso está vertical e seu ponto mais baixo quando as duas pernas estão sustentando peso com posição de apoiar o calcanhar e a outra em ponta de dedos. Rotação e inclinação pélvica: A rotação pélvica visa diminuir a ondulação vertical, na qual a pelve oscila sobre um eixo da coluna lombar. O grau de compensação da pelve durante o passo também diminui o ângulo entre a pelve e a coxa e a perna e o solo. Por outro lado, a inclinação pélvica é uma queda da pelve do lado do balanceio. A perna de apoio está aduzida e a perna em movimento levemente aduzida, e fletida no quadril e joelho para se erguer do solo. Flexão do joelho na fase de apoio: O joelho durante a fase de apoio está completamente estendido quando o calcanhar toca o solo, o que inicia a fase de apoio para a perna quando o corpo se desloca sobre o seu centro de gravidade o joelho flete, o corpo passa sobre o pé e o joelho gradualmente reestende até a extensão total no fim da fase de apoio. O movimento conjugado entre o joelho e o tornozelo relaciona- se com a ondulação da pelve. Faculdade de Minas 73 No apoio do calcanhar, o tornozelo promove 90º de dorsiflexão e gradualmente flete em sentido plantar para se aplanar no solo quando o corpo se aproxima do centro de gravidade. A atividade muscular na marcha: Os músculos acionadores, estabilizadores e desaceleradores possuem um papel de grande importância para a realização da marcha. Os músculos eretores da espinha elevam a pelve e os glúteos estabilizam o quadril, durante o desvio lateral da pelve. Os flexores do quadril iniciam a fase de movimento ocasionando um pêndulo nos músculos da coxa e perna. O quadríceps exerce uma grande atividade muscular durante a marcha, assim como os abdominais, isquios-tibiais, gastrocnêmios, solear, psoas, piramidal, quadrado lombar. Podemos observar que todos os músculos, até de cadeias musculares mais distantes, são solidários para a realização da marcha, e mais, que o estado psicossocial do indivíduo altera a marcha. Observamos que um ato tão mecânico, e aparentemente simples, é tão complexo e envolve tantas articulações, músculos, centro de gravidade, equilíbrio, sistema nervoso central e periférico, e mesmo assim conseguimos realizar a marcha, na maioria das vezes, no primeiro ano de vida. Durante muito tempo se pensou que quanto mais cedo o bebê ficasse de pé e treinasse a marcha, mais rápido e eficaz esta seria. Hoje sabemos que a deambulação necessita de todo um aprendizado, desde o nascimento até a maturação dos sentidos e sentimentos, e que as experiências que o bebê necessita vão além de colocá-lo de pé, mais de respeito a sua maturação, tempo para estimulá-lo visualmente, tátil e fazê-lo querer experimentar o mundo. O caminhar é mais amplo do que o simples fato de conseguir dar alguns passos. É fazê-lo em direção ao bem-estar, a segurança de fazê-lo sem medo Faculdade de Minas 74 do futuro, mais na confiança de que existe alguém capaz de ampará-lo no caso dele vir a tropeçar. Sendo assim, a biomecânica é definida como a aplicação de princípios de engenharia a sistemas biológicos, ou o estudo de forças internas e externas geradas por, e atuantes sobre sistemas biológicos e dos efeitos dessas forças sobre cada parte do organismo humano. A análise e avaliação do movimento humano, contudo, não necessariamente incluem contribuições de todos esses fatores. No entanto, boa parte deles são essenciais para o bom funcionamento das estruturas que formam o corpo lhe proporcionando um melhor desempenho e de forma eficiente. Uma boa postura é a atitude que uma pessoa assume utilizando a menor quantidade de esforço muscular e, ao mesmo tempo, protegendo as estruturas de suporte contra traumas. Os desvios posturais tais como a lordose cervical, cifose dorsal, lordose lombar e escoliose podem levar ao uso incorreto de outras articulações, tais como as dos ombros, braços, articulações têmporomandibulares, quadris, joelhos e pés. Manter posturas erradas por tempo prolongado pode acarretar alterações posturais ocasionando enrijecimento das articulações vertebrais e encurtamento dos músculos. Esses defeitos estruturais causam alterações das curvaturas normais da coluna vertebral, tornando-a mais vulnerável as tensões mecânicas e traumas. Lordose É o aumento anormal da curva lombar levando a uma acentuação da lordose lombar normal (hiperlordose). Os músculos abdominais fracos e um abdome protuberante são fatores de risco. Caracteristicamente, a dor nas costas em pessoas com aumento da lordose lombar ocorre durante as Faculdade de Minas 75 atividades que envolvem a extensão da coluna lombar, tal como o ficar em pé por muito tempo (que tende a acentuar a lordose). A flexão do tronco usualmente alivia a dor, de modo que a pessoa freqüentemente prefere sentar ou deitar. Cifose É definida como um aumento anormal da concavidade posterior da coluna vertebral, sendo as causas mais importantes dessa deformidade, a má postura e o condicionamento físico insuficiente. Doenças como espondilite anquilosante e a osteoporose senil também ocasionam esse tipo de deformidade. Escoliose É a curvatura lateral da coluna vertebral, podendo ser estrutural ou não estrutural. A progressão da curvatura na escoliose depende, em grande parte, da idade que ela inicia e da magnitude do ângulo da curvatura durante o período de crescimento na adolescência, período este onde a progressão do aumento da curvatura ocorre numa velocidade maior. O tratamento fisioterápico usando alongamentos e respiração são essenciais para a melhora do quadro. OMBRO Figura 21: Faculdade de Minas 76 Considerações anatômicas A mobilidade desfrutada pelo membro superior advém em parte das estruturas conhecidas como o cíngulo do membro superior e articulação do ombro ou, mais precisamente, articulação glenonumeral. É através dessa unidade funcional que o braço, antebraço, punho e mão são conectados ao esqueleto axial e por controle dessa unidade é que o úmero pode ser posicionado. Embora estruturalmente separados, o cíngulo do membro superior e a articulação glenonumeral são funcionalmente inseparáveis. Os componentes esqueléticos do cíngulo do membro superior incluem duas clavículas, duas escápulas e o esterno. Estes ossos são responsáveis pela transmissão de forças dos membros superiores para o corpo. Esta transmissão de força segue, necessariamente, um caminho definido pelas articulações associadas ao cíngulo do membro superior. Faculdade de Minas 77 O cíngulo é considerado um sistema mecânico aberto, isto é, os lados, esquerdo e direito não são conectados diretamente e, portanto, podem mover se de modo independente. A fixação indireta entre os lados esquerdo e direito é através do manúbrio do esterno. As escápulas não são ligadas entre si ou à coluna vertebral, embora se considere que existe uma conexão ou articulação precária entre a face anterior de cada escápula (fossa subescapular) e os tecidos que estão entre ela e as costelas. Esta é geralmente denominada articulação escapulotorácica. O ponto de fixação das escápulas às clavículas é a articulação acromioclavicular. Esta é uma articulação plana que, além de ser estabilizada pelos ligamentos capsulares, é auxiliada por duas estruturas ligamentosas importantes, os ligamentos acromioclavicular e coracoclavicular. A exemplo de muitas estruturas anatômicas, a denominação sugere claramente sua localização. O ligamento acromioclavicular serve para fortalecer, na frente, a articulação acromioclavicular, anaxial; o ligamento coracoclavicular, queconecta a escápula com o processo coracóide, fornece a principal proteção à articulação. Esse ligamento é composto de duas estruturas, os ligamentos conóide e trapezóide, que seguem da face superior do processo coracóide para a face inferior da clavícula. A articulação esternoclavicular (plana) dupla, triaxial, funciona em todos os movimentos do cíngulo do membro superior. Embora dupla, a articulação esternoclavicular funciona como uma articulação esferóide triaxial porque a clavícula se articula com o manúbrio do esterno e também com a primeira costela. A clavícula, atuando como uma escora ou braço mecânico, mantém a articulação glenonumeral em sua distância correta do esterno. As faces articulares das extremidades esternais das clavículas não são moldadas anatomicamente ao ponto esternal de fixação. Um disco articular aumenta o grau de ajuste e também atua como um amortecedor de choques para as Faculdade de Minas 78 forças transmitidas da região do ombro e ajuda a prevenir luxação da articulação. O disco é fixado à clavícula e à primeira cartilagem costal. A articulação esternoclavicular também é protegida de deslocamento excessivo pelo ligamento costoclavicular, que segue da face superior medial da primeira costela à face inferior medial da clavícula. A articulação glenoumeral consiste numa cabeça do úmero quase hemisférica e numa cavidade glenóide relativamente rasa na margem lateral da escápula. O lábio glenoidal é uma estrutura na margem lateral da escápula. O lábio glenoidal é uma estrutura fibrosa que reveste o perímetro da cavidade glenóide e serve, essencialmente, para aprofundar a articulação e desse modo aumentar sua estabilidade. A extrema mobilidade da articulação glenoumeral é alcançada em sacrifício direto da estabilidade, ou resistência ao deslocamento. A cápsula articular, que circunda completamente a articulação, não é uma estrutura rígida e permite uma separação significativa das faces articulares durante o movimento umeral anterior e inferior. A cápsula se fixa ao colo do úmero abaixo e a margem óssea da cavidade glenóide acima. Estruturalmente, a articulação é protegida, acima, pelo arco coracoacromial, formado pelo processo coracóide, acrômio e ligamento coracoacromial, que atravessa a distância entre estas duas protuberâncias. Outros ligamentos, embora não mantenham as faces articulares em aposição, protegem a articulação de um deslocamento. O ligamento coracoumeral segue do processo coracóide à face anterior do tubérculo maior e serve para fortalecer a cápsula articular. Os ligamentos glenoumerais (superior, médio, inferior) também são encontrados na parte anterior da articulação e constituem parte da cápsula articular. Embora difíceis de identificar como ligamentos individuais, eles seguem da cavidade glenóide ao tubérculo menor e colo anatômico do úmero. Fisiologia do ombro Faculdade de Minas 79 Figura 22: Amplitude ➢ Extensão do ombro - 45º a 50º ➢ Flexão do ombro - 180º (amplitude total do ombro) ➢ Rotação interna do ombro - 95º (ultrapassa um pouco 90º) ➢ Rotação externa do ombro - 80º (não atinge 90º) Abdução e adução a partir da posição da referência =3 estágios ➢ Abdução de amplitude 60º ➢ Abdução de amplitude 120º ➢ Abdução de amplitude 180º ➢ Adução amplitude muito fraca ➢ Adução atinge amplitude de 30º a 45º ➢ Amplitude e músculos envolvidos ➢ Anteposição (proteção) ➢ Peitoral maior ➢ Peitoral menor ➢ Serrátil anterior Faculdade de Minas 80 ➢ Retroposição (retração) ➢ Rombóide ➢ Trapézio ➢ Grande dorsal Obs.: A amplitude de anteposição é maior que a da retroposição. ➢ Abdução de 90º no plano frontal ➢ Músculo deltóide ➢ Músculo supra-renal ➢ Músculo trapézio ➢ - Antepulsão + adução anterior = 140º ➢ Músculo "deltóide (feixe clavícula)" ➢ Músculo "sub escapular" ➢ Músculo "peitoral maior" ➢ Músculo "peitoral menor” ➢ Músculo "serrátil anterior" ➢ Retropulsão + adução posterior + 30º ➢ Músculo "deltóide" ➢ Músculo "infra espinhal" ➢ Músculo "redondo maior" ➢ Músculo "redondo menor" ➢ Músculo "rombóide" ➢ Músculo "trapézio" ➢ Músculo "grande dorsal" ➢ Cintura escapular A cintura escapular consiste de dois pares de ossos: 1 clavícula de cada lado 1 escápula de cada lado 22- ARTICULAÇÕES Faculdade de Minas 81 Articulação esternoclavicular - é a que se dá entre a ponta medial da clavícula e o manúbio do esterno. E uma articulação sinovial em sela. Há um disco cartilaginoso entre as duas faces, que ajuda a articulação a mover-se melhor, reduzindo a incongruência das superfícies e absorvendo o choque transmitido através do membro superior para o esqueleto axial (D.1). Articulação acromioclavicular - é uma pequena articulação sinovial entre a ponta lateral da clavícula e o processo acromial da escápula (D.2). Articulação glenoumeral - é a função entre a cabeça do úmero e a cavidade glenóide. É uma articulação sinovial, esferóide e multiaxial. É a frouxidão da cápsula que permite que a articulação possua uma grande amplitude de movimento, mas a faz vulnerável a luxações (D.1). Articulação carococlavicular - é onde a superfície inferior da clavícula passa na proximidade do processo coracóide da escápula. A forte união desta articulação fibrosa garante que a escápula e aclavícula movam-se como uma unidade e também ajuda a transferir o choque do membro superior a forte extremidade medial da clavícula. 23- LIGAMENTOS ➢ ligamento interclavicular ➢ ligamento costoclavicular ➢ ligamento acromioclavicular ➢ ligamento conóide ➢ ligamento trapezóide ➢ ligamento capsular ➢ ligamento transversoumeral ➢ ligamento glenoumeral Faculdade de Minas 82 24- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ROTAÇÃO INTERNA (MEDIAL) E EXTERNA (LATERAL) DO OMBRO ➢ Músculo subescapular - Rotação interna medial II ➢ Movimento acessório: ➢ Adução fraca do úmero ➢ Músculo peitoral maior - Adução horizontal do ombro II Movimento acessório: ➢ Flexão do úmero ➢ Rotação mediana interna do úmero ➢ Músculo grande dorsal - Extensão do ombro II Movimento acessório: ➢ Adução do úmero ➢ Adução horizontal ➢ Rotação medial ➢ Músculo redondo maior - Extensão do ombro II Movimento acessório: ➢ Adução do úmero ➢ Rotação medial (interna) ➢ - Músculo infra espinhal - Rotação externa lateral do ➢ úmero II Movimento acessório: ➢ Extensão do ombro ➢ Abdução horizontal do úmero ➢ Músculo redondo menor - Rotação externa lateral ➢ do úmero II Movimento acessório: ➢ Extensão fraca do ombro ➢ Adução do ombro Faculdade de Minas 83 25- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NOS MOVIMENTOS ESCAPULARES ➢ Músculo trapézio (fibras superiores) - Elevação da ➢ escápula II Movimento acessório: ➢ Extensão do pescoço ➢ Músculo elevador da escápula - Elevação da escápula ➢ Músculo trapézio (fibras inferiores) - Depressão da escápula II Movimento acessório: ➢ Adução da escápula ➢ Músculo serrátil anterior - Abdução da escápula Movimento acessório: ➢ Rotação para cima da escápula ➢ Músculo peitoral menor - Abdução da escápula Movimento acessório: ➢ Rotação para baixo da escápula 26- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA FLEXÃO E EXTENSÃO DO OMBRO ➢ Músculo deltóide anterior - Faz flexão do ombro II Movimento acessório: ➢ Adução horizontal ➢ Rotação medial ➢ Abdução do ombro ➢ Músculo coracobraquial - Faz flexão do ombro ➢ Músculo grande dorsal - Extensão do ombro II Movimento acessório: ➢ Adução do úmero Faculdade de Minas 84 ➢ Adução horizontal ➢ Rotação medial (interna) ➢ Músculo redondo maior - Faz extensão do ombro II Movimento acessório: ➢ Adução do úmero ➢ Rotação medial (interna) ➢ Músculo deltóide superior - Faz extensão do ombro II Movimento acessório: ➢ Abdução horizontal ➢ Rotação lateralexterna 27- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ABDUÇÃO E ADUÇÃO DO OMBRO ➢ Músculo medial - faz abdução do ombro ➢ Músculo supra-espinhal - inicia a abdução do úmero ➢ Músculo trapézio (fibras mediais) - adução da escápula ➢ Músculo rombóide maior e menor - adução da escápula II Movimento acessório: ➢ rotação da escápula para baixo 28- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ADUÇÃO E ABDUÇÃO HORIZONTAL DO OMBRO ➢ Músculo deltóide posterior - abdução horizontal do ombro ➢ Músculo peitoral maior - abdução horizontal do ombro II Movimento acessório: ➢ flexão do úmero ➢ rotação medial interna do úmero Faculdade de Minas 85 29- OS MOVIMENTOS DA ESCÁPULA ➢ Elevação - elevantador da escápula e trapézio (parte posterior) ➢ Abaixamento - peitoral menor, trapézio inferior, serrátil anterior e posterior ➢ Abdução da escápula (para frente) – serrátil anterior ➢ Adução da escápula (para trás) - rombóide e trapézio 30- MÚSCULOS QUE COMPÕEM O "MANGUITO ROTADOR" O manguito rotador é uma convergência de todos, semelhante a um capuz; são músculos superiores que possuem a função de manter firme a cabeça do úmero junto à cavidade glenóide; são eles: ➢ Músculo infra-espinhal - faz a adução do braço e é fraco rotador lateral e flexor. ➢ Músculo supra-espinhal - gira lateralmente, faz abdução (parte posterior), adução (parte inferior). ➢ Músculo redondo menor - gira lateral e faz adução do braço. ➢ Músculo subescapular - faz giro medial do braço, flexão e extensão do braço, adução e abdução. 31- MÚSCULOS QUE LIGAM O OMBRO AO BRAÇO E SUAS FUNÇÕES Músculo deltóide - faz abdução do braço, é a parte clavicular e adjacente ao acrômio, flexionam obraço. As partes espinhais e adjacentes das porções acromiais estendem o braço medialmente, a porção dorsal e gira lateralmente o braço. Faculdade de Minas 86 Músculo coracobraquial - faz flexão do braço e do antebraço, e faz supinação da mão. Músculo tríceps braquial - porção longa, aduz o braço. Músculo infra-espinhal - faz adução do braço, é fraco rotador lateral e flexor. Músculo supra-espinhal - gira lateralmente, faz abdução (parte posterior) e adução (parte inferior). Músculo redondo menor - gira lateral e faz adução do braço. Músculo redondo maior - adução, extensão e giro medial do braço. Músculo subescapular - giro medial do braço e flexão, extensão do braço, adução e abdução. Figura 23: Faculdade de Minas 87 32- PUNHO E MÃO Figura 24: Considerações anatômicas Todos os elos que compõem o membro superior podem, em última análise, ser relacionados ao asseguramento da função de movimentos especializados da mão. Tarefas motoras finas, como as executadas por um neurocirurgião, são realizadas com a mesma estrutura anatômica usada por um carateca para partir fibras de madeira e tijolos, uma tarefa grosseira cujo principal requisito é a transmissão de força. A mão é composta de 27 ossos e mais de 20 articulações. Os ossos, divididos em três grupos, são os oito carpais, cinco metacarpais e três fileiras de falanges. Faculdade de Minas 88 Figura 25: Os ossos do carpo, classificados como irregulares, são o escafóide, semilunar, piramidal e piriforme, trapezóide, trapézio, capitato e uncinado. Os cinco ossos do metacarpo têm uma base proximal, um corpo e uma cabeça distal. As três fileiras de falange são as fileiras proximal, média e distal. O polegar não possui uma falange média. O punho é constituído pelas articulações radiocárpica e intercárpicas. A primeira, uma articulação elipsóide, é formada pela extremidade distal do rádio, um disco articular e três dos quatro ossos na fileira proximal do carpo. A articulação radiocárpica é separada da fileira proximal de carpais por um disco articular fibrocartilagíneo. Os três carpais envolvidos formam uma face convexa lisa que recebe a extremidade distal côncava do rádio e admite movimentos planares (anaxiais). As articulações intercárpicas são divididas em três grupos: as articulações entre os ossos escafóide, semilunar, piramidal e isiforme; as articulações entre o capitato, uncinado, trapezóide e trapézio; e a articulação mediocárpica, entre as fileiras proximal e distal. Os ligamentos da articulação radiocárpica incluem uma extensa cápsula articular e o radiocárpico palmar, radiocárpico dorsal, colateral ulnar Faculdade de Minas 89 do carpo e colateral radial do carpo. As articulações intercárpicas são sustentadas por uma complexa rede de ligamentos. As articulações carpometacárpicas incluem as dos quatro dedos mediais e a do polegar. A articulação carpometacárpica do polegar é formada pela base do primeiro metacarpal e o trapézio. Contudo, as articulações carpometacárpicas dos quatro dedos mediais são sinoviais planas. A articulação carpometacárpica do polegar tem uma cápsula articular relativamente frouxa que é reforçada pelos ligamentos carpometacárpicos palmar (radial) e dorsal (anterior e oblíquo posterior) laterais do polegar. Os ligamentos das articulações carpometacárpicas são os carpometacárpicos dorsais, carpometacárpicos palmares e carpometa- cárpicos interósseos. As extremidades distais dos metacarpais formam articulações elipsóides com as extremidades proximais das falanges proximais, as articulações metacarpofalângicas (MF). 33- MOVIMENTOS ARTICULARES A articulação radiocárpica produz circundução. A articulação permite todos os movimentos, exceto rotação em tomo de seu eixo longitudinal. O movimento no plano frontal inclui a abdução, às vezes referida como desvio radial ou flexão radial e adução, as vezes referida como desvio ulnar ou flexão ulnar. No plano sagital, o punho se estende e se flete. A flexão faz com que a palma se aproxime da face do antebraço. O movimento das articulações intercárpicas é desprezível. Faculdade de Minas 90 Figura 26: As articulações carpometacárpicas são de dois tipos: a do polegar é uma articulação selar, permitindo movimentos extensos e peculiares. As demais são do tipo plano. A segunda e terceira articulações carpometacárpicas não permitem praticamente nenhum movimento; a quinta e, até certo ponto, a quarta permitem uma leve flexão, movimento observado quando se põem as mãos em concha. A articulação MF do polegar é uma articulação em dobradiça que admite apenas flexão e extensão. As outras quatro articulações MF são elipsóides, com capacidades de flexão-extensão e abdução-adução. A abdução geralmente é referida como desvio radial ou flexão radial e representa o movimento dos dedos para longe do dedo médio. O movimento inverso, adução, geralmente é denominado desvio ulnar ou flexão ulnar. Todas as articulações IF são ginglimos que permitem apenas a flexão e a extensão. Estruturas ligamentosas previnem hiperextensão destas articulações 34- MÚSCULOS E MOVIMENTOS DO POLEGAR E OUTROS DEDOS A flexão do punho é predominantemente uma função da ação sincrônica do flexor radial do carpo, flexor ulnar do carpo e flexor superficial Faculdade de Minas 91 dos dedos. Foi relatado que o flexor profundo dos dedos não exerce um papel na flexão do punho, embora sua posição sugira uma possível contribuição, assim como as posições do palmar longo e flexor longo do polegar. Esses músculos, juntamente com o pronador redondo, compõem o que é denominado grupo flexor superficial do antebraço. Há três extensores principais do punho: extensor radial longo do carpo, extensor radial curto do carpo e extensor ulnar do carpo. Durante o cerramento do punho, o extensor radial longo do carpo é muito ativo, ao passo que o extensor radial curto do carpo é quase inativo. Em virtude de sua posição, os extensoresdos dedos, do dedo mínimo, longo do polegar e do indicador são considerados extensores auxiliares do punho. Um grupo extensor superficial do antebraço é composto pelos extensores radiais longo e curto do carpo, extensor dos dedos, extensor do dedo mínimo, extensor ulnar do carpo e os músculos da articulação do cotovelo braquiorradial e ancôneo. O desvio radial e ulnar (abdução e adução) resultam da contração sinérgica de músculos que são responsáveis primariamente pela flexão e extensão do punho. A abdução resulta da contração do flexor e extensor radiais do carpo. O extensor dos dedos e flexor dos dedos são ativos e podem contrair-se com uma adução extrema do punho ou amplitude do movimento de abdução. A abdução pode ser auxiliada pelo grupo extensor profundo (abdutor longo do polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar, extensor do indicador e supinador) devido às suas linhas de tração. Os músculos intrínsecos da mão são subdivididos em três grupos os do dedo polegar, encontrados no lado radial e responsáveis pela eminência tenar; os do dedo mínimo, encontrados no lado ulnar e responsáveis pela eminência hipotenar; e os no meio da mão e entre os metacarpais. Os pequenos músculos intrínsecos da mão estão associados aos movimentos dos dedos. Dividem-se em três grupos - os quatro lumbricais, os quatro interósseos dorsais e os três interósseos palmares. Os lumbricais se localizam Faculdade de Minas 92 na palma, e os interósseos, entre os metacarpais. Todos servem para fletir as falanges proximais e estender as falanges médias e distais. Três músculos atuantes apenas sobre o dedo mínimo, o abdutor do dedo mínimo, flexor curto do dedo mínimo e oponente do dedo mínimo, também são músculos intrínsecos da mão. A flexão do polegar ocorre quando o primeiro metacarpal é movido transversalmente à palma: a extensão é o movimento de retomo. A abdução do polegar a partir da posição anatômica ocorre quando o primeiro metacarpal afasta-se do segundo num plano perpendicular ao da mão. A adução do polegar é o movimento de retorno. A oposição do polegar aos dedos é uma ação peculiar e crucial da mão humana e envolve uma combinação de Abdução, circundução e rotação que traz a ponta do polegar para uma posição olhando para as pontas dos dedos, ou em oposição a elas. Oito músculos atuam sobre o polegar, dos quais quatro são intrínsecos da mão. Os músculos extrínsecos são o extensor longo do polegar, extensor curto do polegar. Abdutor longo do polegar e flexor longo do polegar. Os quatro músculos intrínsecos, que se originam na eminência tenar, são o flexor curto do polegar, oponente do polegarabdutor curto do polegar e adutor do polegar. Os movimentos do polegar são função de complexas interações neuromusculares e mecânicas entre os músculos intrínsecos e extrínsecos. Uma medida da complexidade e, portanto, da importância do polegar à função normal da mão é refletida pelo fato de que o valor do polegar foi estimado entre 40 e 50% de toda a mão. A extensão das articulações do polegar está sob controle dos extensores longo e curto do polegar, que atuam nas falanges e metacarpais. O oponente do polegar e abdutor curto do polegar são músculos tenares ativos durante a extensão do polegar. O flexor curto do polegar desempenha um importante papel no posicionamento do polegar sem carga próximo às pontas dos dedos, enquanto o flexor longo do polegar geralmente é inativo. Este, entretanto, parece fornecer a maior parte da força necessária para neutralizar cargas aplicadas ao polegar nessa posição, não importando Faculdade de Minas 93 se a falange distal está fletida ou estendida. O fator limitante na força da preensão pode de fato ser uma função da incapacidade de o polegar opor-se a cargas. Para a adução do polegar contribuem o extensor longo do polegar, flexor longo do polegar, flexor curto do polegar e adutor do polegar. A contribuição do flexor e extensor longo do polegar é solicitada para trabalhar contra uma carga e, ao neutralizar as tendências dos outros músculos a fletir ou estender o polegar, propicia um torque de adução resultante. Os músculos hipotenares, são o palmar curto, abdutor do dedo mínimo, flexor curto do dedo mínimo e oponente do dedo mínimo. Quando o polegar é suavemente colocado em oposição aos lados e pontas de cada um dos dedos mediais, os músculos tenares são mais ativos que os hipotenares. Dos músculos tenares, o oponente é o mais ativo e o flexor curto do polegar o menos ativo. O músculo hipotenar mais ativo é o oponente do dedo mínimo. À medida que a força de oposição aumenta, a atividade do flexor curto do polegar aumenta, tornando-se dominante. Os dedos e seus movimentos exemplificam como o conhecimento do tipo de articulação e da direção da linha de tração dos músculos envolvidos não fornece todas as informações necessárias para determinar o movimento qualitativamente. A complexa expansão extensora, uma estrutura tendínea altamente especializada, é um importante determinante do movimento dos dedos. Na posição lumbrical, os lumbricais e interósseos dorsais e palmares não podem simultaneamente fletir a articulação MF e estender as articulações IFP e IFD. Na posição em gancho, a contração dos flexores longos dos dedos é necessária à flexão das IFP e IFD mas também é acompanhada de um indesejável torque de flexão na MF. Para anular o torque contraproducente, o extensor dos dedos se contrai, mas assim fazendo tende a causar extensão das IFP e IFD. Essas ineficiências aparentes podem ser explicadas pela natureza dos sistemas de Faculdade de Minas 94 alavancas e pela tensão passiva gerada por antagonistas alongados. Os lumbricais e interósseos tendem a ser o sistema muscular dominante na articulação MF. Segundo o extensor dos dedos domina a articulação MF quando os lumbricais não estão ativos. Terceiro, os flexores longos dominam as articulações IFP e IFD mesmo quando o extensor dos dedos está ativo. Na posição lumbrical, os lumbricais e interósseos causam flexão da MF, que alonga o tendão do músculo extensor dos dedos e subseqüentemente causa extensão das articulações IFP e IFD. Na posição em gancho, o músculo extensor dos dedos e os flexores longos contribuem. O primeiro domina a articulação MF e os dois últimos dominam as articulações IFP e IFD. Na flexão completa, os flexores longos dominam as articulações MF, IFP e IFD, mas o estiramento imposto à expansão extensora deve ser aliviado por algum grau de extensão do punho ou, no mínimo, evitando-se a flexão do punho. O movimento de preensão é geralmente considerado como a categoria de movimentos da mão nos quais a mão segura um objeto. Os movimentos de preensão são classificados como aperto de potência ou aperto de precisão. No primeiro, todos os músculos extrínsecos contribuem para a força. Os músculos interósseos e tenares são usados no aperto de potência, mas os lumbricais (excluindo o quarto) não são ativos. O movimento grosseiro e força compressiva necessários no aperto de precisão são proporcionados por músculos extrínsecos específicos. Os músculos intrínsecos, entretanto, fornecem as características de controle fino da preensão. Se um objeto precisa ser girado na mão, os interósseos são importantes para abduzir e/ou aduzir as articulações MF, e os lumbricais abduzem e/ou aduzem e giram a falange proximal. Os interósseos propiciam alterações delicadas na compressão, e o flexor curto do polegar oponente do polegar e abdutor do polegar fornecem forças de adução transversalmente à palma. Faculdade de Minas 95 35- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS DAS LESÕES DO PUNHO E MÃO O traumatismo de várias regiões do membro superior proximais ao punho e mão freqüentemente resulta em disfunção distal. Três nervos do membro superior, o ulnar, o medianoe o radial, estão sujeitos a lesão e influenciam diretamente a função da mão. As lesões do cotovelo podem afetar o nervo ulnar quando o mesmo passa entre o epicôndilo medial e o olécrano, onde é coberto apenas por fáscia e pele. A abdução e adução dos dedos, exceto o polegar, e a flexão do quarto e quinto dedo são afetadas por uma lesão do nervo ulnar. O nervo mediano é o nervo para o lado radial do antebraço e mão. Um dos muitos ramos desse nervo supre a maioria dos músculos da eminência tenar, e a lesão do nervo pode afetar profundamente a função do polegar. O nervo radial supre os músculos extensores do braço e antebraço. Espiralando-se em volta do úmero a partir do plexo braquial, o nervo radial pode ser lesado em decorrência de lesões do complexo do ombro como luxações e fraturas, afetando assim o movimento no punho e na mão. O canal do carpo é uma área relativamente constrita localizada na face anterior do punho através da qual passam os oito tendões flexores, o flexor longo do polegar e o nervo mediano. O canal é formado em três lados pelos ossos do carpo e no quarto lado pelo ligamento cárpico palmar. A síndrome do canal do carpo resulta de uma compressão que pode ser iniciada por micro ou macrotraumatismos, tenossinovite (inflamação de uma bainha tendínea) dos tendões flexores, fratura, ou luxação de qualquer um dos carpais. Basicamente, a tumefação do conteúdo do canal ou uma constrição do canal comprime o nervo mediano. Os resultados são uma gama de sintomas na distribuição do nervo mediano, desde formigamento dos dedos indicador e médio a atrofia dos músculos tenares. Faculdade de Minas 96 36- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL Figura 27: A articulação do quadril é uma articulação esferóide. É formada pelo encaixamento da cabeça do fêmur no acetábulo do osso do quadril. Movimentos articulares A despeito da estabilidade inerente proporcionada à articulação por sua arquitetura e sustentação ligamentosa, a articulação do quadril demonstra um alto grau de mobilidade. Os movimentos permitidos pelo quadril, descritos com referência ao fêmur, incluem a flexão e extensão no plano sagital, abdução e adução no plano frontal e rotação medial e lateral no plano transversal. O posicionamento do corpo do fêmur, por meio do colo femural, a uma certa distância da pelve óssea, ajuda a prevenir restrições à amplitude movimento de articulação do quadril que poderiam resultar de colisão. O ângulo colo-corpo permite que o corpo do fêmur se posicione mais lateralmente em relação à pelve. No plano frontal, com referencia ao eixo longitudinal do fêmur, o ângulo colo-corpo normal é de aproximadamente 125º. A deformidade na qual o ângulo é maior, denominada coxa vara, e a deformidade na qual o ângulo é menor, denominada coxa valga, causam alterações na transmissão de forças para o fêmur e a partir dele. Um segundo Faculdade de Minas 97 ângulo, o de anteversão, é o ângulo no qual o colo se projeta do fêmur na direção ânteroposterior. Embora haja uma grande variação entre indivíduos, o valor normal é cerca de 12º a 14º. A articulação do quadril pode mover-se independentemente do cíngulo do membro inferior, mas pode ser complementada por inclinações da pelve. A diferença do sistema aberto do cíngulo do ombro, o sistema fechado do cíngulo pélvico impossibilita movimentos no lado direito independentes do esquerdo. Na posição ereta, as aberturas superior e inferior da pelve formam ângulos com o plano horizontal, de aproximadamente 50º-60º e 15º, respectivamente. Este ângulo denomina- se inclinação da pelve. As inclinações da pelve são rotações medidas com referência à inclinação pélvica e classificadas em relação às articulações dos quadris e lombossacral. A articulação do quadril demonstra sua maior amplitude de movimento no plano sagital, no qual se observa que a flexão pode chegar a 140º e a extensão a 15º. A abdução também pode atingir 30º e a adução um pouco menos que isto, 25º. A adução deve ser acompanhada de alguma flexão. O grau de flexão do quadril afeta a magnitude da rotação medial e lateral. Numa posição estendida, na qual os efeitos limitadores dos tecidos ligamentosos se manifestam, as amplitudes de rotação medial e lateral se reduzem para 70º e 90º, respectivamente. 37- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO QUADRIL Vinte e dois músculos atuam sobre a articulação do quadril. Foram apresentados vários esquemas de classificação, mas um método singelo é identificar os músculos que dão contribuições importantes para cada uma das ações possíveis na articulação do quadril. Os membros do grupo flexor incluem o psoas e o ilíaco, os agonistas primários e o reto da coxa. O grupo extensor do quadril inclui os músculos do jarrete: semimembranáceo, semitendíneo e cabeça longa do bíceps da coxa. O grupo Faculdade de Minas 98 adutor do quadril é composto pelo grácil, adutor longo, adutor curto, adutor magno e pectíneo. O grupo abdutor é composto de vários músculos que atuam predominantemente em outras ações articulares. A rotação lateral é uma função de parte do glúteo máximo, reto da coxa e um grupo de seis músculos geralmente agrupados como os rotadores laterais. 38- MÚSCULOS BIARTICULARES (multiarticulares) Músculos biarticulares são aqueles que atravessam várias articulações e criam cinética significativa nessas articulações. Os músculos do membro inferior são freqüentemente empregados como exemplos anatômicos e objetos de pesquisa a respeito dos mecanismos de seu controle pela parte central do sistema nervoso e as resultantes ações articulares. Markee et al sugerira que os músculos biarticulares podem atuar numa extremidade sem influenciar a outra; esta hipótese foi contestada por Basnuajian e De Luca. A regra geral acerca de um músculo biarticular é que ele traciona ambos seus tendões não seletivamente em direção ao ventre do músculo, deste modo influenciando as articulações. Um músculo biarticular não pode atuar como um músculo monoarticular sem o auxílio de outros músculos, a menos que uma das ações articulares seja estabilizada por outros músculos. O efeito cinético do músculo sobre a segunda articulação é diminuído. Um exemplo simples da atividade de um músculo multiarticular é o paradoxo do psoas, no qual o músculo psoas, enquanto flete o quadril, causa hiperextensão da região lombossacral através de inclinação pélvica anterior, embora o psoas seja considerado flexor do tronco. O paradoxo, a inversão do papel de flexão/extensão, pode ser observado durante exercícios como os "abdominais" com os membros inferiores estendidos e elevações de ambos os membros inferiores. As vértebras lombares são puxadas para frente e para baixo pela contração do psoas. Faculdade de Minas 99 A contração simultânea dos músculos do abdome evita a inclinação anterior da pelve a menos que esses músculos estejam fatigados ou fracos; assim, a pelve não gira para frente nem as vértebras lombares são hiperestendidas. Durante algumas combinações de ações articulares, os movimentos criados por músculos biarticulares são mais eficientes do que se fossem criados por músculos monoarticulares. Durante a corrida, por exemplo, logo antes do contato do calcanhar, os extensores do quadril realizam trabalho positivo sobre o quadril, ao mesmo tempo em que realizam trabalho negativo sobre a perna para desacelerar a extensão no joelho. Felizmente, os músculos do jarrete realizam ambas as funções simultaneamente a um baixo custo metabólico. Elftman estimou o dispêndio de energia por músculos bi e monoarticulares para realizar essa tarefa em 2,61 e 3,97 cavalos força, respectivamente. A execução por um músculo biarticular representa uma economia de energia superior a 34%. As ações tendínea, de correia de transmissão e de polia são característicasatribuídas a músculos biarticulares porque esses músculos não podem causar uma amplitude total de movimento simultaneamente em ambas as articulações sobre as quais atuam. Quando o quadril e o joelho se fletem simultaneamente, como no movimento preparatório de um chute de caratê, ou se estendem ao mesmo tempo, como na fase de ataque do chute, o músculo se contrai mas não perde tanto de seu comprimento quando dois músculos monoarticulares poderiam se executassem a mesma ação. 39- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DAS REGIÕES DA PELVE E QUADRIL Pelve A crista ilíaca é particularmente suscetível a lesões devido à sua localização superficial e à massa de tecidos moles na área vizinha. As contusões incluem periostite da crista ilíaca, entorse e avulsões musculares. Mais graves, obviamente, são as fraturas do osso ilíaco, as quais são Faculdade de Minas 100 infreqüentes porque a maioria dos esportes que envolvem forças que podem acarretar este tipo de lesão exige acolchoamento protetor. Corridas e saltos vigorosos podem causar fraturas da espinha ilíaca ânterosuperior. 40- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL A articulação do quadril é extremamente estável e tem uma grande amplitude de movimento. Enquanto para atletas o joelho parece mais suscetível a lesões muito graves, para a população não-atlética há estatísticas assustadoras acerca de fraturas do quadril. Por exemplo, a osteoporose, uma condição óssea degenerativa que afeta principalmente mulheres acima de 45 anos de idade, é a causa de 1,3 milhão de fraturas por ano. Destas fraturas, 200.000 são no quadril e 40.000 destas causam complicações que levam á morte. As fraturas do quadril, então, representam a principal causa de morte em indivíduos idosos nos EUA. As fraturas do quadril ocorrem menos freqüentemente em negros acima de 45 anos que em brancos dessa idade, mas as razões para esta diferença são obscuras. A lesão de tecidos moles na região do quadril é uma ocorrência em mais comum em atletas que em não atletas. Lesões relacionadas a estiramento são amiúde relatadas, particularmente envolvendo músculo e nervo. Outros fatores que tomam essa região suscetível a lesões são a extrema amplitude de movimento, as potentes contrações musculares associadas á região durante atividades como as diversas formas de locomoção e as abruptas mudanças de direção e posição, comuns em atividades desportivas e recreativas. 41- A ARTICULAÇÃO DO JOELHO A articulação do joelho, tipicamente classificada como uma sinovial em dobradiça, é a maior e mais complexa articulação do corpo. E vulnerável em atletas e supostamente também em não-atletas. Investigadores finlandeses relataram recentemente que em homens e mulheres a articulação do joelho Faculdade de Minas 101 é o local mais comum de lesão desportiva que requer cirurgia, e que a freqüência em mulheres é significativamente mais alta que em homens. O movimento do joelho é denominado por flexão e extensão, mas normalmente ocorre nos planos sagital, frontal e transversal. Três articulações compõem o joelho: duas tibiofemorais e a patelofemoral. Figura 28: As duas primeiras são os locais onde os côndilos femorais medial e lateral fazem contato, através de cartilagem articular interposta, com a face articular superior da tíbia. A articulação patelofemoral é composta pelas face articular da patela e face patelar do fêmur. A patela é um osso sesamóide, que se caracteriza por seu desenvolvimento dentro de um tendão, neste caso o tendão do músculo quadríceps da coxa. A maioria dos casos de luxação do joelho é na verdade uma luxação da patela. A cápsula articular do joelho à diferença de outras articulações, não forma uma estrutura envolvente completa da articulação. Os poucos ligamentos capsulares verdadeiros que conectam os ossos são auxiliados por tecidos tendíneos dos músculos associados à articulação. O ligamento da patela é a continuação do tendão do músculo quadríceps da coxa clistal à patela. É extremamente forte e segue da patela para a tuberosidade da tíbia. Faculdade de Minas 102 Resiste à tendência da face tibial superior de deslocar-se para frente com referência ao fêmur durante alguns tipos de movimento. Outras estruturas ligamentosas importantes que servem para estabilizar a articulação do joelho incluem os ligamentos poplíteo oblíquo, poplíteo arqueado, colaterais medial e lateral e cruzados anterior e posterior. Os meniscos medial e lateral desempenham um importante papel a função do joelho. Auxiliam diretamente a estabilização da articulação, aprofundando as faces articulares da tíbia, servindo como fonte de absorção de choque e transmissão de forças ao aumentar a área de superfície articular, aumentando a eficiência da lubrificação articular e fixando-se aos 05505 e outros tecidos moles das articulações que restringem alguns tipos de movimento. 42- MOVIMENTOS ARTICULARES O movimento da articulação do joelho, embora mensurável ao redor dos três eixos, é dominado por flexão e extensão no plano sagital. A amplitude movimento da extensão completa (0º) à flexão completa é de aproximadamente 140º. O movimento do joelho no plano transversal acompanha tipicamente a flexão e extensão e é referido como rotação tibial e medial e lateral. O movimento no plano transversal é uma função da posição do joelho no plano sagital. Nenhuma rotação do joelho é permitida quando o joelho está completamente estendido; contudo, até 45º de rotação lateral e 30º de rotação medial são possíveis quando o joelho está fletido até 90º. Na extensão completa, a rotação é restrita pela arquitetura óssea da articulação, enquanto além de 90º de flexão o movimento é limitado pelos tecidos moles esticados ao redor da articulação. Costigan e Reid descreveram a rotação tibial durante excursões de flexão e extensão do joelho. Essas ações simultâneas são importantes no movimento normal do joelho. Mediu-se o torque radial no joelho e verificou-se que este é uma função da posição do pé. A menor quantidade de torque Faculdade de Minas 103 dirigido lateralmente foi encontrada quando o pé estava girado lateralmente em 17º. Costigan e Reid verificaram que há de fato uma posição do pé, maior que 17º mas menor que 50º, na qual o torque radial no joelho é reduzido a zero; esta posição varia entre indivíduos e tem implicações para exercícios como o agachamento com pés paralelos e saltos verticais, que exigem flexões dos joelhos e extensões do membro sustentador do peso. 43- MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO Doze músculos atuam na articulação do joelho e são classificados em três grupos: o jarrete, o quadríceps da coxa e músculos não-classificados. O grupo do jarrete inclui os músculos semitendíneo, semimembranáceo e bíceps da coxa. O quadríceps da coxa é constituído pelos músculos reto da coxa e três vastos - vasto lateral, medial e intermédio. O grupo de músculos não-classificados da articulação do joelho inclui o sartório, o grácil, o poplíteo, o gastrocnêmio e o plantar. Os dois últimos músculos atuam predominantemente na articulação do tornozelo, embora passem atrás da articulação do joelho e possuam alguma capacidade de flexão. Mecanismo de bloqueio do joelho Normalmente, quando o joelho está completamente estendido numa posição ereta normal, a linha de gravidade passa na frente do ponto de contato tibiofenural. Assim, o joelho é mantido em extensão pelo torque gravitacional. Devido à disparidade nos diâmetros dos côndilos femorais medial e lateral e dos meniscos correspondentes, a contração continuada do quadríceps da coxa pode, e é necessária para causar rotação lateral do fêmur Faculdade de Minas 104 sobre a tíbia. Esta rotação faz com que o fêmur se assente mais intimamente nos meniscos no que foi denominadode decisão clínica em um ato extremamente complexo. Para a tomada de decisão, podem tanto recorrer a evidências trazidas por outros pesquisadores - em livros e periódicos- quanto perceber a necessidade de realizarem pesquisa eles próprios. Em oposição ao trabalho gigantesco de antes, de garimpo nas bibliotecas, hoje os meios eletrônicos organizam as informações e facilitam o acesso à informação desejada por meio de bases de dados como Cochrane Library, MEDLINE, LILACS, CINAHL, PEDro etc. Em qualquer caso, o fisioterapeuta precisa lastrear-se para ponderar as evidências que vier a encontrar. Os níveis de evidência são hoje utilizados como um norteador para classificar a qualidade dos estudos realizados na área da saúde. Atallah propõe uma pirâmide dos níveis de evidência. Encontram-se no nível mais alto as revisões sistemáticas e as metanálises e, na seqüência, os estudos clínicos randomizados, de coortes, de casos-controle, estudos de caso e séries de casos; seguem-se a opinião de especialistas, os estudos com animais e as pesquisas in vitro.4 Figura 1: Faculdade de Minas 8 Modelos de pesquisa Para cada pergunta de pesquisa há um tipo de desenho ou delineamento de pesquisa mais adequado. É necessário identificar as vantagens e desvantagens de cada tipo de estudo, bem como avaliar se dispomos dos meios e instrumentos necessários para a realização do mesmo. O tipo de estudo está intimamente relacionado à pergunta de pesquisa. Os tipos podem ser divididos em descritivos e analíticos. Os descritivos indicam a possibilidadeda existência de determinadas associações da doença ou da piora com características temporais, espaciais e atributos pessoais. 57 Já os analíticos são utilizados quando existe uma hipótese a ser testada. As subdivisões dos vários tipos de estudo mais freqüentemente realizados na área da saúde. Considerando os estudos apontados na pirâmide, descreveremos brevemente as principais características dos estudos descritivos para, depois, determo-nos mais nos estudos analíticos. 57 Estudos descritivos Neste tipo de estudo em geral é descrita a ocorrência de doenças segundo variáveis individuais, geográficas e temporais. 2-6-12 Os principais estudos descritivos são os que se seguem. Nos estudos populacionais, pesquisa-se a ocorrência de doença entre diferentes populações, que apresentem diferentes graus de exposição a determinado fator. O relato de caso é uma detalhada apresentação de um ou mais eventos clínicos observados, sendo importante para a descrição de doenças raras. Muitas vezes esses estudos dão origem a outras pesquisas, dentre as quais as experimentais. Esse tipo de estudo tem algumas vantagens: estimula Faculdade de Minas 9 novas pesquisas, tem procedimentos simples quando comparado aos exigidos em outros tipos de estudo; sua principal limitação refere-se à dificuldade de generalização dos resultados obtidos. 57 Uma série de casos é um levantamento das características de um grupo de indivíduos com uma determinada doença, realizado num determinado ponto do tempo. É útil para delinear o quadro clínico de doenças raras ou novas e levantar novas hipóteses. Apresenta como limitações a ausência de um grupo controle e o levantamento de hipóteses de relações causais, que não podem ser testadas, pois tanto a exposição quanto as doenças são medidas no mesmo ponto do tempo. 57 Em geral, um estudo descritivo indica a possibilidade de existência de determinadas associações da doença ou condições que podem causar prejuízos à saúde, com as características temporais, espaciais ou pessoais, levando os pesquisadores a formularem hipóteses para novas investigações a ser realizadas. 57 Estudos analíticos Os estudos analíticos 2,6,12 são divididos em experimentais e observacionais. Nesse tipo de estudo há necessidade de analisar dois grupos: o grupo de estudo e o grupo controle. Os experimentais ou de intervenção, são também denominados de ensaio clínico. Neste, o examinador controla a exposição a determinado fator nos dois grupos e analisa o efeito de interesse. Nos estudos observacionais, o investigador apenas observa o curso natural dos eventos, analisando a associação entre exposição e doença. São os estudos de coorte e os casos controle. 57 Faculdade de Minas 10 Figura 2: Estudos experimentais O estudo experimental, ou de intervenção, caracteriza-se pelo fato de o pesquisador ser o responsável pela exposição dos indivíduos, ou seja, ele decide qual a melhorintervenção. A exposição pode ser uma medida terapêutica - uma dieta, um medicamento, a fisioterapia- ou uma medida preventiva, como vacina, processo educativo, redução de fatores de risco etc. 57 Dos modelos experimentais, o ensaio clínico controlado randomizado é o que está no topo da pirâmide de evidência, sendo considerado no mais confiável, devido ao rigor metodológico requerido. Constitue um dos principais avanços científicos entre os métodos de pesquisa durante o século XX. É um estudo que compara o efeito e valor de uma intervenção (profilática ou terapêutica) com controles em seres humanos, onde o investigador distribui o fator de intervenção a ser analisado de forma aleatória pela técnica de randomização. Dessa forma, os grupos experimentais e controle são formados por um processo aleatório de decisão. 57 O ensaio clínico randomizado tem três componentes fundamentais: Faculdade de Minas 11 1) doentes que devem ser recrutados em uma população, constituindo uma amostra representativa desta; 2) a intervenção, que irá diferenciar o grupo experimental do grupo controle, aos quais os doentes são alocados por meio de randomização; 3) os desfechos clínicos, variáveis cuja análise irá determinar o sucesso da intervenção. Os ensaios clínicos randomizados vêm sendo descritos como padrãoourona avaliação de questões terapêuticase preventivas em saúde. Com esse método de estudo, reduz- se a probabilidade de obter dados tendenciosos. A randomização baseia-se no princípio de que todos os participantes de um determinado estudo devem ter a mesma probabilidade de receber tanto a intervenção a ser testada quanto não receber a intervenção, constituindo neste caso seu grupo controle. 57 A fim de se evitar erros sistemáticos nos ensaios clínicos, a amostra deve ser representativa da população envolvida na questão em estudo. O cálculo do tamanho da amostra deve ser feito previamente, assim como o cuidado em relação ao sigilo de alocação e do método de randomização utilizado. 57 Também se deve atentar para que os indivíduos envolvidos não venham a tomar conhecimento do grupo de que estão participando (intervenção ou controle), tampouco os investigadores que estarão avaliando os resultados. O procedimento duplo-cego é garantido sempre que tanto o pesquisador responsável pela avaliação do paciente quanto o próprio paciente não sabem quem está no grupo intervenção e quem está no grupo controle. 57 Cabe salientar que todos os indivíduos devem ser avaliados nos grupos aos quais pertencem mesmo aqueles que porventura saiam do estudo antes de seu término (análise por intenção de tratar). 57 Faculdade de Minas 12 O planejamento de um estudo clínico controlado deve incluir os seguintes itens: objetivos claramente definidos; definição dos critérios de inclusão e exclusão e dos critérios diagnósticos; grau de gravidade da doença; material e equipamentos a serem utilizados; critérios de avaliação dos efeitos esperados; definição dos dois grupos: o que receberá o tratamento e do controle; e por último,a análise dos dados. 57 Estudos observacionais transversais Os chamados estudos observacionais 2,6,12 podem ser transversais ou longitudinais. Os estudos transversais são também denominados estudos de prevalência. A freqüênciaum movimento de "encaixe em parafuso". Considerações mecânicas sobre as lesões do joelho As entorses do joelho resultam de movimentos que ultrapassam os limites normais da articulação. Quando forçados além dessa restrição natural, os ligamentos podem ser submetidos a uma tensão superior a seu limite elástico, colocando-os na região plástica de sua curva de carga-extensão. O resultado é uma deformação permanente dos ligamentos, cuja magnitude depende da força aplicada. No joelho, a entorse ligamentosa pode ocorrer em qualquer direção de movimento. No tipo talvez mais comum de lesão do joelho, freqüentemente visto no campo de futebol americano, o pé é fixado e o fêmur gira medialmente com referência à tíbia, que ao mesmo tempo gira lateralmente. Todo o joelho é deslocado medialmente, resultando em tensão ligamentosa medial. Quando a força é continuada, o ligamento cruzado anterior e, por fim, o cruzado posterior são submetidos à tensão. A "tríade infeliz" refere-se a uma lesão que afeta simultaneamente o ligamento colateral medial, ligamento cruzado anterior e menisco medial. Uma entorse intensa é o precursor da luxação do joelho patelofemoral ou tibiofemural. Um fator anatômico que predispõe um indivíduo à luxação patelofemoral é um ângulo anormal. O ângulo Q é o desvio entre a linha de tração do quadríceps da coxa e o ligamento da patela. Geralmente é medido como o ângulo entre a linha da espinha ilíaca ântero-superior e o centro da patela e a linha do centro da patela à tuberosidade da tíbia. Um ângulo Q de 10º é considerado normal. Ângulos maiores podem resultar em luxações laterais da patela quando a contração do quadríceps reduz o ângulo. De gravidade bem maior e, felizmente, menos comum, é a luxação tibiofemural. Faculdade de Minas 105 A lesão de meniscos geralmente é simultânea à entorse ligamentosa. Os mecanismos de lesão dos meniscos medial e lateral diferem. Os atletas freqüentemente sentem uma dor ao longo da perna que chamam de shin splints e existem várias teorias acerca da causa da incapacidade e parece ser uma condição epidêmica entre dançarmos, corredores, etc. As lesões de esqui são comuns e muito instrutivas para o cinesiologista. Envolvem dois fatores - fixação e intensificação - e três movimentos - rotação lateral, queda para frente e rotação medial. Uma lesão ocorre apenas se os dois fatores e pelo menos uma das forças estiverem presentes. A fixação se dá quando um esqui se toma fixado, por sua vez, segurando o pé preso ao esqui. Se as presilhas do esqui não se soltarem e uma grande quantidade de energia cinética estiver presente, um esforço de torção é exercido através de rotação lateral. Esse mecanismo mais comum de lesões do esqui produz fratura do maléolo lateral, fratura espiral do tornozelo e/ou tíbia, ou entorse do joelho e tornozelo. Quando a ponta de um esqui penetra na neve, sobrevêm uma desaceleração abrupta, projetando o esquiador sobre o cano de suas botas. Pode ocorrer uma fratura pelo cano da bota, laceração do tendão de Aquiles e luxação dos tendões fibrilares. A rotação medial é causada pelo cruzamento da ponta de um esqui com a ponta do outro. As conseqüências podem ser entorse do tornozelo, lesão do joelho, fraturas do maléolo medial e fraturas espirais da tíbia. Os exercícios que fazem com que o joelho sustentador de peso seja completamente fletido foram condenados como potencialmente perigosos para as estruturas de suporte do joelho. O impedimento da rotação do pé fixado nessa situação causa maior tensão sobre os ligamentos e cartilagens do joelho. A solução para essa prática perigosa é limitar o grau de flexão dos joelhos, como nos exercícios de agachamento paralelo. Faculdade de Minas 106 44- TORNOZELO E O PÉ Figura 29: A articulação do tornozelo consiste nas articulações talocrural (tibiotalar e talofibular) e tibiofibular distal. É classificada como uma sinovial em dobradiça em virtude de sua arquitetura óssea, um sistema de ligamentos colaterais medial e lateral, a cápsula articular e a parte distal da membrana interóssea. A articulação do tornozelo é crucial na transmissão de força do corpo e para o corpo durante a sustentação de peso e outras cargas. As magnitudes dessas forças podem ser tão grandes, até 10 vezes o peso corporal durante alguns tipos de corrida, por exemplo, que até mesmo pequenos desalinhamentos estruturais, ou lesões podem acarretar problemas ortopédicos crônicos e intensos. A transmissão de forças se dá na junção da extremidade distal da tíbia e face superior do tálus; a fibula exerce um papel pequeno. Arquiteturalmente, um encaixe ou abertura provida de borda, é formado pelos maléolos da tíbia e da fíbula no qual a face superior do tálus se ajusta. Essa estrutura é uma importante fonte de estabilidade para a articulação do tornozelo. Faculdade de Minas 107 Os principais ligamentos que sustentam a articulação incluem a parte distal da membrana interóssea a cápsula articular, ligamento deltóide (medialmente) e ligamento calcâneo-fibular (lateralmente), os quatro últimos são considerados ligamentos colaterais. O gínglimo biaxial permite uma flexão de aproximadamente 45º conhecida como dorsiflexão e uma extensão de 45º conhecida como flexão plantar. Várias populações obviamente demonstram valores bem maiores. Em geral os primeiros 10 a 20º são definidos como dorsiflexão, o movimento restante é definido como flexão plantar. 45- ARTICULAÇÃO SUBTALAR A articulação subtalar, uma sinovial plana entre a face interior do tálus e a face superior do calcâneo, é considerada uma das articulações intertársicas. O movimento do pé através da articulação subtalar pode ser modelado representando-se o tornozelo (classificado anatomicamente como um gínglimo) como uma articulação esferóide. O gínglimo uniaxial do tornozelo combinado com o eixo da articulação subtalar permite efetivamente ao pé três eixos de rotação. Sammarco relatou que o eixo da articulação subtalar está a cerca de 420 do calcanhar, dirigido para frente e para cima (a 38º da vertical) e a 16º medialmente d o eixo longitudinal do pé. A articulação subtalar permite essencialmente dois movimentos, independentes do movimento na articulação do tornozelo. A inversão do pé ocorre quando a planta é virada medialmente, e a eversão do pé quando a planta é virada lateralmente. A eversão e inversão são às vezes referidas como pronação e supinação, respectivamente. A eversão freqüentemente ocorre com dorsiflexão e abdução (rotação lateral do pé), ao passo que a inversão pode ocorrer com algum grau de flexão plantar e adução (rotação medial). Faculdade de Minas 108 Em geral, a amplitude de movimento demonstra uma média de 20º de inversão e 5º de eversão. 46- ARTICULAÇÃO TRANSVERSA DO TARSO A articulação transversa do tarso (mediotársica) pode ser considerada a junção entre as articulações talonavicular, triaxial e calcaneocubóidea, biaxial. Os ossos naviculares e cubóide se articulam de tal modo que permitem apenas um leve movimento e, portanto, podem ser considerados um único segmento. Vista por cima, a articulação transversa do tarso forma uma linha em forma de S. A articulação permite movimentos da parte anterior do pé com referência à parte posterior. São permitidos dois tipos de movimento através de dois eixos. O eixo em torno do qual ocorrem a inversão e eversão é orientado com o eixo longitudinal do pé, subindo de trás para frente a partir da face plantar do pé a um ângulo de 15º e dirigido medialmente a um ângulo de 9º. O movimento em torno desse eixo permite que o pé se adapte a uma variedade de orientações da superfície durante a locomoção. Um segundo eixo que sobre de modo semelhante ao primeiro, mas a um ângulo de 52º,dirige-se medialmente a um ângulo de 57º. Esse eixo de rotação aumenta a dorsiflexão e flexão plantar. A orientação dos eixos e por conseguinte do movimento é variável e influenciada pela arquitetura do pé da musculatura que atravessa as articulações. O movimento do pé distal à articulação transversa do tarso, pertence às articulações intertársicas e tarsometatársicas. Em ambos os casos, o movimento restringe-se a uma dorsiflexão quase desprezível e a 15º de flexão plantar. Os dedos se movem em flexão e expansão em torno das articulações metatarsofalângicas (sinoviais em dobradiça). Faculdade de Minas 109 O movimento em torno das articulações metatarsofalângicas inclui a abdução e adução. O hálux ou dedão tem uma amplitude de flexão de 30º e uma amplitude de extensão de 90º. Os demais dedos tem uma amplitude de flexão um pouco maior, 50º. 47- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO E DO PÉ Figura 30: A articulação do tornozelo é o local de origem para os músculos que produzem movimento do tornozelo. Estes músculos são classificados em três grupos - crural anterior, cervical posterior e crural lateral. Dos músculos associados ao tornozelo e pé, 12 são extrínsecos ao pé e 19 intrínsecos. Crural anterior Os músculos crurais anteriores estão associados ao compartimento anterior que é limitado pela tíbia e septo intermuscular. O tibial anterior geralmente é considerado um inversor do pé (articulação subtalar), embora Faculdade de Minas 110 alguns pesquisadores tenham relatado que ele não é ativo durante a inversão, a menos que ocorra dorsiflexão simultaneamente. É razoavelmente bem aceito que o tibial anterior não desempenha qualquer papel na sustentação estática normal do arco longitudinal do pé. Durante condições com cargas dinâmicas, entretanto, a contração muscular auxilia a fonte primária de sustentação do arco, as estruturas osteoligamentosas. Os indivíduos com pés planos também necessitam de sustentação muscular dos arcos, especialmente pelo tibial anterior. Crural posterior Os músculos do grupo crural posterior são ainda classificados em superficiais ou profundos. O grupo superficial, o gastrocnêmio, e sóleo e o plantar. O grupo profundo é composto pelo poplíteo, flexor longo do hálux, flexor longo dos dedos e tibial posterior. As duas cabeças do gastrocnêmio e o sóleo são referidos como triceps da perna. Os músculos que compõem o grupo profundo são o poplíteo, o flexor longo do hálux, como o nome diz atua principalmente na flexão do hálux, inserindo-se na base da falange distal. O flexor longo dos dedos cujo tendão se divide em quatro tendões separados que fixam nas bases das quatro falanges distais. A afirmativa de Soderberg, de que se sabe pouco sobre o tornozelo e o pé é correta, tendo em vista a controvérsia que envolve as ações do flexor longo do hálux e o flexor longo dos dedos. Gray indicou que o flexor longo do hálux contribui significativamente para a propulsão do pé durante a marcha; contudo, Frenette e Jackson relataram que, embora não seja essencial nesse papel, o músculo é crucial na manutenção do equilíbrio durante a posição ereta. Faculdade de Minas 111 Crural lateral Dois músculos compõem o grupo crural lateral, os fibulares longo e curto. Um septo intermuscular separa esse grupo dos grupos anterior e posterior. Ambos os músculos passam atrás do maléolo lateral para suas inserções na face plantar do pé. Auxiliam a flexão plantar, embora suas principais contribuições sejam para a pronação do pé (eversão e abdução combinadas). 48- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DO TORNOZELO E DO PÉ As lesões da articulação do tornozelo são o traumatismo mais comum em esportes. Funcionalmente a articulação em dobradiça sinovial permite apenas a dorsiflexão e flexão plantar. Um movimento extremo em qualquer uma das duas direções pode ser lesivo, mas é menos freqüente do que o movimento causado por forças dirigidas lateralmente que resultam em inversão ou eversão. As lesões por inversão são responsáveis por 85% de todas as lesões do tornozelo. Em relação ao eixo da perna, as lesões por inversão também compreendem forças de adução e flexão plantar. Se o deslocamento articular é intenso o bastante paralacerar parcial ou completamente ligamentos de sustentação, a face medial do tálus avança sobre o maléolo medial sobre o qual gira. Desse modo, os ligamentos laterais são submetidos a tensão e, caso a inversão continue, o maléolo medial pode sofrer uma fratura em geral numa direção vertical. Nas lesões por eversão, o maléolo lateral que é mais longo que seu equivalente medial, torna-se sobrecarregado quando o pé se move lateralmente com referência à tíbia e também se abduz e se dorsiflete. O maléolo lateral impede que o tálus gire. Ao invés, o avanço do tálus sobre o maléolo lateral causa uma tensão extrema no tálus antes de traquinar Faculdade de Minas 112 os ligamentos mediais. Sobrevém comumente uma fratura fibular, às vezes com lesão do ligamento deltóide, situado medialmente. A lesão dos ligamentos laterais é possível se o deslocamento da articulação prosseguir. Johnson, Dowson e Wright relataram as diferentes influências de sapato de cano longo e curto sobre as lesões da articulação do tornozelo. Como se esperava, eles constataram que os sapatos de cano longo reduzem a tensão sobre os ligamentos colaterais durante a inversão e versão, tornando esse tipo de sapato mais seguro. Entretanto, como os sapatos de cano longo são mais pesados, eles são usados freqüentemente. Constatou-se que os sapatos de cano curto têm o potencial de causar maior lesão ligamentosa, se o material for mecanicamente duro devido à restrição imposta ao movimento da articulação subtalar. Os autores recomendaram que, caso os sapatos de cano curto sejam usados, eles devem ser o mais flexível possível ao redor da articulação do tornozelo. 49- CONCLUSÃO A coluna é a parte mais nobre do esqueleto, localizada no tronco, e consiste em vértebras cervicais, torácicas e lombares. Ela faz a ligação entre a cabeça e os quatro membros, além de abrigar e proteger a medula, que origina os nervos e controla nossos movimentos. Portanto, a coluna vertebral serve de apoio para outras partes do esqueleto. A dor na coluna é a segunda maior fonte de reclamação das pessoas. E segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população viverá ao menos um episódio de dor na coluna ao longo da vida. O problema pode começar devido à má postura ou até por razões mais graves, como processos degenerativos (artrose, hérnia de disco, protrusão discal, entre outros). Quando acentuados, todos esses desvios podem ocasionar efeito estético negativo, dores, além de outras complicações. Devemos entender a Faculdade de Minas 113 dor na coluna como um sintoma e não como doença. Portanto, não só ela como os outros desvios citados requerem atenção e tratamento. Para manter-se saudável e longe de problemas de postura, existem diversas recomendações. Entretanto, com a correria do dia-a-dia, muitas vezes ignoramos o mal que estamos fazendo a nossa própria coluna. A degeneração da coluna é resultado de vários fatores conjuntos, como genética; hábitos cotidianos; atividade física; obesidade; sobrecarga, entre outros. Para quem está acima do peso, cuidado! A obesidade e o sobrepeso são prejudiciais, pois, sobrecarregam a coluna lombar e pode acelerar o processo degenerativo da mesma. Há algumas orientações muito importantes para deixar a coluna saudável: Praticar exercícios físicos frequentemente (no mínimo 3 vezes por semana); Fazer alongamento antes e depois de atividades, pois ele prepara os músculos e relaxa o corpo. Sem alongar-se, podem surgir lesões, além de ligamentos e músculos sobrecarregados.A utilização de pesos somada a exercícios aeróbicos permite um melhor preparo físico, reduzindo o risco de desenvolver dores nas costas. Porém, se estiver com estas dores e os exercícios as tornarem piores, os mesmos devem ser suspensos imediatamente; É indicada em casos de dores nas costas relacionadas à fraqueza muscular e à falta de flexibilidade, pois os músculos (que sustentam os ossos) tornam-se mais resistentes. Calma ao praticar exercícios! Eles devem ser realizados lenta e progressivamente. A musculação melhora a postura. Faculdade de Minas 114 A caminhada reduz em até 90% as dores nas costas. É sempre importante lembrar da importância da orientação de um profissional qualificado para realizar as atividades e ao sentir dores na execução dos exercícios, deve-se suspender imediatamente para que lesões por sobrecarga não venham a prejudicar a coluna e outras estruturas do corpo. Faculdade de Minas 115 50- REFERÊNCIAS 1- Dias RC. Prática baseada em evidências: sistematizando o conhecimento científico para uma boa prática clínica. Editorial. RevFisioterUniv São Paulo 2003; 10(2): i-ii. 2- Haddad N. 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A prevalência, estatística descritiva obtida de um estudo transversal, é a proporção de indivíduos que apresentam a doença em um determinado ponto do tempo; difere da incidência, obtida no estudo de coorte, que é a proporção de indivíduos que adquirem a doença ao longo de um período do tempo. Os estudos de prevalência são relativamente baratos, fáceis de realizar e úteis na investigação do grau de exposição a determinadas condições por características individuais fixas, tais como etnia, nível socio- econômico e grupo sangüíneo. Em surtos epidêmicos de doenças, um estudo de prevalência envolvendo diversas medidas de exposição é o primeiro passo na investigação da causa. O planejamento de um estudo transversal deve incluir os seguintes itens: objetivo claramente definido; definição da população-alvo e da população de estudo; determinação dos dados a serem coletados; critérios para classificação dos indivíduos e critérios diagnósticos; critérios para medir exposição; instrumentos de medida, definição e descrição do processo de amostragem; organização do trabalho de campo e análise dos dados. 57 Faculdade de Minas 13 Estudos observacionais longitudinais Nos estudos longitudinais, sabe-se que pessoas foram previamente expostas a determinadas condições e depois surgiu a doença. Esses estudos dividem-se em estudos de coorte e estudos de caso-controle. Nos estudos tipo coorte o pesquisador cataloga os indivíduos como expostos e não-expostos ao fator de estudo, segue-os por um determinado período e ao final verifica a incidência da doença entre os expostose não- expostos. Já nos estudos tipo caso-controle, o pesquisador cataloga os indivíduos em doentes e não-doentes e vai verificar, retrospectivamente, se houve ou não exposição prévia entre os doentes e não doentes. 57 Estudos de coorte Na Roma antiga, o termo coorte era utilizado para denominar um grupo de soldados que marchavam juntos numa batalha. Na demografia e na epidemiologia clínica, uma coorte é um grupo de indivíduos seguidos juntos através do tempo. Nos estudos tipo coorte o pesquisador cataloga os indivíduos como expostos e não-expostos ao fator de estudo, segue-os por um determinado período e ao final verifica a incidência da doença entre os expostos e não-expostos, comparando-a nos dois grupos. 57 Uma vez que os estudos de coorte recrutam pessoas saudáveis no início, é possível obter-se uma ampla variação de desfechos. O planejamento de um estudo de coorte prospective inicia-se com a definição de uma população-alvo, a escolha da população de estudo, a definição de participantes e não participantes, definição dos expostose não expostos. Os passos a serem seguidos devem incluir: ➢ Objetivo claramente definido; ➢ Definição da população-alvo e da população de estudo; ➢ Critérios de seleção dos indivíduos que participarão do estudo e de classificação da exposição; Faculdade de Minas 14 ➢ Critérios diagnósticos, tempo de seguimento; ➢ Descrição do processo de amostragem; e análise dos dados. O planejamento de um estudo de coorte retrospectivo segue os mesmos passos do anterior; a única diferença é que a exposição já ocorreu no passado, ou seja, houve a exposição em uma coorte de indivíduos e na outra, não. 57 O objetivo agora é reconstruir as duas coortes. Nesse tipo de estudo, é essencial que haja confiabilidade dos dados de registro que serão utilizados. Estudos de caso-controle: Neste tipo de estudo também já houve a exposição e a doença, porém, diferentemente do coorte retrospectivo, a catalogação dos indivíduos não é feita com base na exposição (presente ou ausente), mas no efeito (doença presente ou ausente). Osdoentes são chamados casos e osnão-doentes são chamados controles. 57 A comparação final será entre a proporção de expostos entre os casos e entre os controles. Inicia-se com a seleção dos casos, que deveriam representar todos os casos de uma determinada população. Não é necessário que casos e controles incluam toda a população, podendo ser restritos a qualquer sub-grupos específico como, por exemplo, pessoas idosas, homens ou mulheres. Normalmente, para investigar as causas da maioria das doenças, os estudos de coorte são caros e podem requerer o acompanhamento de milhares de indivíduos para identificar um fator de risco. 57 Para doenças pouco freqüentes, é necessário escolher um grupo de referência, para que a prevalência da exposição nos indivíduos com a doença (casos) seja comparada com a exposição nos indivíduos sem a doença (controles). Faculdade de Minas 15 Dessa forma, o propósito desse estudo é identificar características (exposições, ou fatores de risco) que ocorrem em maior (ou menor) freqüência entre casos do que entre controles. A proporção de expostos a um fator de risco é medida nos dois grupos e comparada. 57 Os passos a serem seguidos devem incluir: objetivo claramente definido; definição da população alvo e da população de estudo; definição dos casos e critérios de inclusão; definição dos controles e critérios de inclusão; critérios de classificação da exposição e tamanho da amostra; descrição do processo de amostragem; e análise dos dados. 57 Revisões sistemáticas A revisão sistemática é um tipo de estudo secundário que objetiva facilitara elaboração de diretrizes e o planejamento de pesquisa clínica. Uma grande quantidade de resultados de pesquisas clínicas é examinada e organizada adequadamente numa revisão sistemática. Deriva de uma questão clínica específica, com fontes abrangentes de pesquisa e estratégia de busca explícita. A seleção é baseada em critérios aplicados de maneira uniforme, com avaliação criteriosa e reprodutível e com uma síntese quantitativa por meio de uma metanálise. 57 Metanálise é um estudo em que métodos estatísticos rigorosos são aplicados à revisão sistemática que agrupa os resultados de dois ou mais estudos primários. Como em geral a quantidade de informações científicas disponíveis é enorme, faz-se necessário que as informações sejam reunidas, organizadas, criticamente avaliadas e quantitativamente mensuradas. 57 A revisão sistemática é uma técnica científica reprodutível. Permite avaliar estudos independentes e explicar possíveis conflitos, permitindo também o aumento da confiabilidade dos resultados, melhorando a precisão das estimativas de efeito de uma determinada intervenção clínica. 57 Faculdade de Minas 16 É importante lembrar que as diretrizes clínicas baseadas em revisões sistemáticas consistem no elo entre as pesquisas e a prática clínica. Figura 3: As dores na coluna vertebral acometem a maioria das pessoas em algum momento de sua vida, representando um alto custo social e financeiro para a sociedade. De seu lado, o indivíduo acometido sofre com a incerteza do diagnóstico e do tratamento, além das perdas profissionais e de qualidade de vida. As doenças da coluna vertebral constituem uma das maiores causas de consultas médicas e de afastamento definitivo do trabalho no mundo, merecendo o assunto interesse de médicos e autoridades. Na maioria dos pacientes, ainda hoje, encontra-se muita dificuldade em localizar as causas da dor. A falta de correlação clínico-radiológica, tanto vista em exames normais em pacientes sintomáticos quanto em exames com alterações em pacientes assintomáticos, traz grande incerteza diagnóstica. Os exames de imagem somente têm valor para confirmar ou afastar suspeitas clínicas bem fundamentadas em anamnese e exame físico do paciente. Faculdade de Minas 17 O tratamento do paciente envolve além do tratamento específico dadoença de base, quando for o caso, educação ao paciente para melhorar a auto-eficácia, medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos e, para alguns pacientes, cirurgia. 1.1- METODOLOGIA Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se desenvolve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas no setor público e no fundamento de sua existência. Segundo Gil, a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes autores e dados. 2- Aspectos gerais: arranjo anatômico geral da Coluna Vertebral A coluna vertebral é uma série de ossos individuais – as vértebras – que ao serem articulados constituem o eixo central esquelético do corpo. A coluna vertebral é flexível porque as vértebras são móveis, masa sua estabilidade depende principalmente dos músculos e ligamentos. Embora seja uma entidade puramente esquelética, do ponto de vista prático, quando nos referimos à “coluna vertebral”, na verdade estamos Faculdade de Minas 18 também nos referindo ao seu conteúdo e aos seus anexos, que são os músculos, nervos e vasos com ela relacionados. Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do corpo. É constituída de 24 vértebras móveis pré-sacrais (7cervicais, 12 torácicase 5 lombares). As cinco vértebras imediatamente abaixo das lombares estão fundidas no adulto para formar o sacro. As quatro vértebrasmais inferiores também se fundem para formar o cóccix. As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção inferioraté o sacro, tornando-se a partir daí sucessivamente menores. Regiões da Coluna Vertebral A coluna vertebral do adulto apresenta quatro curvaturas sagitais: cervical, torácica, lombar e sacral. As curvaturas torácica e sacral, convexas posteriormente, são denominadas primárias porque apresentam a mesma direção da coluna vertebral fetal e decorrem da diferença de altura entre as partes anteriores e posteriores dos corpos vertebrais. As curvaturas cervical e lombar, côncavas posteriormente, formam-se após o nascimento e decorrem da diferença de espessura entre as partes anteriores e posteriores dos discos intervertebrais. Cervical: constitui o esqueleto axial do pescoço e suporte da cabeça. ➢ Torácica: suporta a cavidade torácica. ➢ Lombar: suporta a cavidade abdominal e permite mobilidadeentre a parte torácica do tronco e a pelve. ➢ Sacral: une a coluna vertebral à cintura pélvica. ➢ Coccigea: é uma estrutura rudimentar em humanos, maspossui função no suporte do assoalho pélvico. Faculdade de Minas 19 Figura 4: Desenvolvimento e Ossificação As vértebras começam a se desenvolver no período embrionáriocomo condensações mesenquimais em torno donotocórdio. Posteriormente, essas condensações mesenquimaisse condrificam e a cartilagem assim formada é substituídapor osso. Ao nascer, as últimas vértebras sacrais e ascoccígeas podem ser inteiramente cartilagíneas. Nesse caso, começam a ossificar durante a infância. Centros de ossificação ocorrem sucessivamente nas vértebras durante o crescimento, de tal forma que um aumento pequeno, porém significante naaltura dos corpos vertebrais dos homens ocorre entre 20 e 45 anosde idade. Faculdade de Minas 20 Variações e Anomalias Variações vertebrais ocorrem segundo raça, sexo, fatores genéticos e ambientais. Por exemplo, as colunas vertebrais com maior número de vértebras ocorrem com mais freqüência em indivíduos do sexo masculino e aquelas com número reduzido de vértebras ocorrem mais amiúde no sexo feminino. As variações são congênitas e podem ser de número, forma e posição, sendo as primeiras as mais freqüentes. As variações mais comumente observadas são: ➢ Uma costela articula-se com a sétima vértebra cervical; ➢ A 12.ª costela torácica apresentar tamanho reduzido ou aumentado, podendo haver uma pequena costela lombar; ➢ A 5.ª vértebra lombar está parcial ou totalmente incorporadaao sacro (sacralização de L5); ➢ O primeiro segmento sacral está parcial ou totalmente separadodo sacro (lombarização de S1); ➢ Aumento de tamanho dos processos transversos de L4 ou L5(megaapófises); ➢ Segmentação parcial do segmento sacral inferior; ➢ incorporação ao sacro do segmento superior do cóccix. Componentes Anatômicos da Coluna Vertebral 3- Vértebras A vértebra típica Apesar de as características anatômicas vertebrais poderem apresentar variações regionais na coluna vertebral, as vértebras possuem morfologia básica monótona. Uma vértebra típica é constituída de um corpo, um arco e processos vertebrais. Faculdade de Minas 21 O Corpo é a parte anterior da vértebra. Consiste basicamentede uma massa cilíndrica de osso esponjoso, mas as bordas das superfícies superiores e inferioressão compostas de osso compacto. Variam consideravelmente de tamanho e exibemfacetas articulares para as costelas no segmentotorácico. O corpo está separado doscorpos das vértebras acima e abaixo pelo discointervertebral. É o elemento vertebral quesuporta carga. O arco Fica em posição posterior ao corpo. É composto dos pedículos direitoe esquerdo e das lâminas direita e esquerda. Juntamente com aface posterior do corpo vertebral, forma as paredes do forame vertebralque envolve e protege a medula. O conjunto dos foramensvertebrais em toda a extensão da coluna forma o canal vertebral. Os Processos Vertebrais São espículas ou pontas ósseas que partem das lâminas. Variam detamanho, forma e direção nas várias regiões da coluna vertebral: ➢ Processo espinhoso: parte posteriormente de cada arco vertebral; ➢ Processo transverso: parte lateralmente da junção dos pedículoscom as lâminas; ➢ Processos articulares: possuem facetasarticulares superiores e inferior, para articulação com as vértebras acima e abaixo. FIGURA 5 – A vértebra típica. Faculdade de Minas 22 As vértebras cervicais Atlas e Áxis Atlas é a primeira vértebra cervical e o crânio repousa sobre ela. Recebeesse nome a partir do Atlas, que na mitologia grega tinha a reputaçãode suportar a terra. Não tem espinha nem corpo. Consiste apenas de duas massas laterais conectadas por um arco anterior curto e umarco posterior longo. Áxis é a segunda vértebra cervical e recebe esse nome porqueforma um pivô (processo odontóide ou dente) em torno do qual oatlas gira, levando consigo o crânio. Terceira a Sexta Vértebras Cervicais cada uma apresenta um corpo vertebral pequeno e largo, um grande forame vertebral triangular e um processo espinhoso curto e bífido. Figura 6: Sétima Vértebra Cervical Faculdade de Minas 23 Conhecida como vértebra proeminente, possui um processo espinhoso longo, visívelna anatomia de superfície, principalmentecom o pescoço flexionado. Figura 7: Vértebras torácicas São normalmente em número de 12 e suportam as costelas. Primeira Vértebra Torácica Assemelha-se a uma vértebra cervical. Segunda à Décima Primeira Vértebras Torácicas, são as vértebras torácicas típicas. Possuem corpo em forma de rim, forame vertebral circular, processo espinhoso longo e delgado. Suaprincipal distinção anatômica é a presença das fóveas costais superior e inferior, para encaixe da cabeça das costelas correspondentes.Décima Segunda Vértebra Torácica É uma vértebra de transição, possuindo fóveas costais como as vértebrastorácicas e processos articulares e espinhosos semelhantes às vértebraslombares. As vértebras lombares - Distinção das Vértebras Torácicas Faculdade de Minas 24 Distinguem-se das vértebras torácicas pelo seu grande tamanho, pelaausência de fóveas costais e foramens transversais, processos transversaisfinos e processos espinhosos quadriláteros. Características comuns das Vértebras Lombares: Corpos grandes e reniformes, foramens vertebrais triangulares, pedículose lâminas curtas e espessas. Figura 8: Figura 9: Faculdade de Minas 25 O sacro é constituído inicialmente por cinco vértebras, que se fundem no adulto em um único osso em forma de cunha. Articula-sesuperiormente com a quinta vértebra lombar e lateralmente com osossos do quadril. Face Pelvina É côncava e lisa e possui quatro pares de foramens sacrais pelvinos, por onde saem os ramos ventrais dos primeiros nervos sacrais e seusvasos. Face Dorsal É rugosa e convexa. As espinhas dorsais das vértebras sacrais formama crista sacral mediana. A fusão dos processos articularesforma as cristas sacrais intermediárias. Possui quatro pares de foraminas sacrais dorsais. Inferiormente, oscornos sacrais se articulam com os cornoscoccígeos. Parte Lateral ou Massa Sacral É formada pela fusão dos processos transversos, dando origem à crista sacral lateral. A parte superior da parte lateral apresenta uma superfície em forma de orelha (superfícieauricular), que se articula com o ílio. A Base Apresenta o promontório, que é a bordaanterior da superfície anterior da primeira vértebra sacral e o canalsacral que contém o saco dural, a parte mais inferior da cauda eqüinae o filamento terminal. Apresenta também os processos articulares, para articulação com L5. O Cóccix Como o sacro, o cóccix possui forma de cunha e apresenta umabase, umápice, faces dorsais e pelvina e bordas laterais. Consiste dequatro vértebras, algumas vezes cinco e, ocasionalmente, três. A primeirapossui dois cornos que se articulam com os cornos sacrais. Faculdade de Minas 26 Figura 10: Articulações entre Corpos Vertebrais Sinonímia e Aspectos Gerais Também conhecidas como articulação intersomática ou intercorpórea, apresentam os corpos intervertebrais adjacentes mantidos unidospor ligamentos longitudinais e por discos intervertebrais. O disco intervertebral São coxins elásticos que formam as articulações fibrocartilagíneas entreos corpos vertebrais adjacentes. Consiste tipicamente de um núcleo pulposo circundado por um anel fibroso. No ânulo fibroso, duas porções podem ser identificadas. A porção externa está fortemente ancorada aos corpos vertebrais adjacentes, misturando-se aos ligamentos longitudinais. É a porção ligamentar do ânulo fibroso. A porção interna forma um denso envelope esferoidal ao redor do núcleo pulposo. O núcleo pulposo, que ocupa o centro do disco, é branco, brilhante e semi-gelatinoso. É altamente plástico e comporta-se como um fluido. Faculdade de Minas 27 Figura 11: Estrutura Histológica e Bioquímica A porção externa do ânulo fibroso é constituída de 10 a 12 lamelas concêntricas de fibras colágenas, dispostas em forma de espiral, num ângulo de 65 graus com a vertical. A camada interna é de constituição fibrocartilagínea. O núcleo pulposo consiste de um núcleo central de matriz de proteoglicanos bem hidratada. Esse alto conteúdo de água é máximo ao nascimento e diminui com a idade, possuindo um ritmo nictemeral, diminuindo o conteúdo aquoso durante o dia (variação de 1 a 2 cm na altura do disco). Com o avançar da idade, todo o disco tende a ficar fibrocartilagíneo, adelgaçando-se e sofrendo fissuras. Funções 1. Ânulo fibroso: ➢ Ajuda a estabilizar os corpos vertebrais adjacentes; – permite o movimento entre os corpos vertebrais; ➢ Atua como ligamento acessório; ➢ Retém o núcleo pulposo em sua posição; ➢ Funciona como amortecedor de forças. Faculdade de Minas 28 2. Núcleo pulposo: ➢ Funciona como mecanismo de absorção de forças; ➢ Troca líquido entre o disco e capilares vertebrais; ➢ Funciona como um eixo vertical de movimento entre duas vértebras. Topografia e Características Especiais ➢ São responsáveis por um quarto do comprimento da coluna vertebral. ➢ São mais finos nas regiões torácicas e mais espessos na região lombar. ➢ Os discos cervicais e lombares são mais espessos na porção anterior que na posterior, contribuindo para a formação dessas curvaturas secundárias. 4- OS LIGAMENTOS LONGITUDINAIS ANTERIORES Ocupam uma faixa bastante ampla de tecido espesso, que passa longitudinal e anteriormente aos corpos vertebrais e discos intervertebrais e que se funde com o periósteo e ânulo fibroso, respectivamente. Acima, se inserem no tubérculo anterior do atlas e abaixo, se espalham sobre a superfície pelvina do sacro. POSTERIORES Localiza-se no interior do canal vertebral, passando longitudinal e posteriormente aos corpos vertebrais e aos discos intervertebrais. Acima, projetam-se com a membrana tectória, inserindo-se no osso occipital. Abaixo, perdem-se no canal sacral. 5- ARTICULAÇÕES ENTRE ARCOS VERTEBRAIS Descrição e Sinonímia Os arcos vertebrais são conectados por articulações sinoviais chamadas zigoapofisárias, formadas pelos processos articulares de duas Faculdade de Minas 29 vértebras contíguas e por ligamentos acessórios que se conectam com as lâminas e os processos transversos e espinhosos. Possuem cápsula articular fina e frouxa que permite o movimento característico dos vários segmentos da coluna vertebral. Eram também chamadas articulações interapofisárias. 6- OS LIGAMENTOS ACESSÓRIOS Ligamentos flavos- Conectam as bordas das lâminas das vértebras adjacentes. Como se estendem até as cápsulas das articulações zigoapofisárias, os liga-mentos flavos contribuem para formar o limite posterior do forame intervertebral. Ligamento da nuca- É uma membrana triangular que forma um septo fibroso mediano entre os músculos dos dois lados do pescoço. Insere-se superiormente no osso occipital, prendendo-se nos processos espinhosos até a sétima vértebra cervical. Ligamento supra-espinhal- Conecta as extremidades dos processos espinhosos. É muito pouco desenvolvido na região lombar inferior. Acima, junta-se com o ligamento da nuca. Ligamentos interespinhais- Conecta os processos espinhosos adjacentes em sua extensão. Apresentam notável desenvolvimento somente na região lombar. ligamentos intertransversais- Conectam os processos transversos adjacentes. São insignificantes, exceto na região lombar. Articulações Costovertebrais Articulações Costo-Somáticas Consistem nas articulações diartrodiais (sinoviais) das cabeças das costelas com os corpos vertebrais. Articulações Costo-Transversas Consistem nas articulações dos tubérculos das costelas com os processos transversos das vértebras. Faculdade de Minas 30 Articulações Sacroilíacas Estrutura das Articulações Sacroilíacas Constitui uma articulação sinovial plana, formada pela união das superfícies auriculares do sacro e do ílio, a cada lado. Possui a função de ligar firmemente a coluna vertebral à cintura pélvica. A morfologia dessa articulação muda com a idade, passando de uma junta puramente sinovial na infância a uma junta de fibrocartilagem no idoso. Os Ligamentos Iliolombares São vários ligamentos fortes, dispostos de maneira a contribuir com grande importância para a estabilidade lombossacral. Esses ligamentos incluem: – ligamento iliolombar superior; – ligamento iliolombar inferior; – ligamento iliolombar anterior; – ligamento iliolombar posterior.Articulações Especiais da Coluna Vertebral Atlanto-Occipital É uma articulação sinovial bilateral entre a faceta articular superior da massa lateral do atlas e o côndilo occipital correspondente. Funciona, em conjunto, como uma articulação elipsoidal. Atlanto-Axial É composta por três articulações sinoviais: duas laterais e uma mediana. As laterais são sinoviais planas entre os processos articulares opostos de atlas e áxis. A mediana comporta-se como um pivô e ocorre entre o arco anterior do atlas e o processo odontóide do áxis. Uncovertebrais Anatomicamente não constituem verdadeiramente uma articulação. É a relação entre o processo uncinado da vértebra cervical e o corpo vertebral da vértebra abaixo. Faculdade de Minas 31 Os Músculos da Coluna Vertebral Localização Topográfica Uma maneira prática de descrever topograficamente os músculos da coluna vertebral é definir sua posição com relação a um plano que passa pelo processo transverso das vértebras. Aqueles que estão situados anteriormente com relação ao processo transverso compõem a musculatura anterior da coluna vertebral. Aqueles a esse plano posteriormente situados compõem a musculatura posterior. A coluna vertebral é dotada de músculos posteriores em toda a sua extensão, mas só existem músculos anteriores nas regiões cervicais e lombares. 7- Anatomia Neural da Coluna Vertebral Topografia Vertebromedular No adulto, a medula não ocupa todo o canal medular, pois termina no nível L2. Assim, não há correspondência entre as vértebras e o segmento medular correspondente. Considera-se segmento medular a parte da medula compreendida entre a radícula mais superior de um nervo espinhal e a mais inferior desse mesmo nervo. A segmentação medular não é completa, já que não existem sulcos transversais separando os segmentos medulares. Na porção superior e média da coluna cervical, o segmento medular encontra-se quase diretamente posterior à sua vértebra correspondente. A partir daí, começa a ficar aparente a discrepância vertebromedular, de modo que o segmento C8 está imediatamente atrás da vértebra VII (um segmento mais alto). Essa relação se mantém até o nível de T11, quando, a partir daí, o segmento medular encontra-se duas vértebras acima de sua vértebra correspondente. Os nervos espinhais cervicais saem pelo forame intervertebral acima de sua vértebra correspondente, com exceção de C8, que Faculdade de Minas 32 sai abaixo da sétima vértebra cervical. Todos os outros nervos espinhais saem pelo forame intervertebral abaixo de suas vértebras ipsissegmentares. As Raízes Nervosas Formação e anomalias No sulco lateral anterior e lateral posterior da medula, fazem conexão pequenos filamentos nervosos denominados filamentos radiculares, que se unem para formar, respectivamente, a raiz dorsal (sensitiva) e ventral (motora) dos nervos espinhais. As duas raízes, por sua vez, se unem para formar os nervos espinhais, ocorrendo essa união distalmente ao gânglio espinhal da raiz dorsal. As raízes nervosas ocupam de 7% a 22% da área seccional transversa do forame intervertebral, com exceção de L5, que requer 25% a 30% da área disponível. Há um número considerável de anomalias das raízes nervosas. Uma classificação útil propõe três tipos de anomalia: ➢ Tipo I: duas raízes separadas emanam de uma mesma bainha dural (raiz conjunta). ➢ Tipo II: duas raízes saem da coluna vertebral por um único forame neural. ➢ Tipo III: ocorre uma anastomose entre raízes adjacentes. 8- DERMÁTOMOS E MIÓTOMOS Dermátomo é o território cutâneo inervado por uma única raiz nervosa dorsal. O dermátomo recebe o nome da raiz que o inerva, p.ex., o dermátomo de C5. Há uma considerável superposição entre dermátomos, de modo que os limites entre dermátomos adjacentes são imprecisos. Miótomo ou campo radicular motor é o conjunto de músculos inervados por uma única raiz ventral. A maioria dos músculos são multirradiculares, mas existem músculos unirradiculares como os intercostais. Faculdade de Minas 33 9- ORGANIZAÇÃO RADICULAR DA CAUDA EQÜINA A cauda eqüina possui um padrão de inervação dentro do saco tecal, de modo que as raízes lombares superiores se encontram em posição lateral e as raízes lombares inferiores e sacrais em posição progressivamente mais medial. Dentro de cada raiz da cauda eqüina há também um arranjo microanatômico. As fibras motoras encontram-se em posição ântero-medial e as fibras sensitivas em posição póstero-lateral. Os nervos espinhais Os nervos espinhais fazem conexão com a medula espinhal. São 31 pares, que correspondem aos 31 pares de segmentos medulares existentes: 8 pares de nervos cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. O tronco do nervo espinhal sai do canal vertebral pelo forame intervertebral e logo se divide em um ramo dorsal e um ramo ventral. O ramo dorsal, geralmente menor, divide-se em ramos medial e lateral e se distribui à pele e aos músculos da região dorsal do tronco. Os ramos ventrais representam, praticamente, a continuação do tronco do nervo espinhal. Eles se distribuem pela musculatura, pele, ossos e vasos dos membros, região ântero-lateral do pescoço e tronco. Os ramos ventrais dos nervos espinhais formam os plexos nervosos que darão origem a importantes nervos do corpo humano. Inervação da Coluna Vertebral Os ramos meníngeos recorrentes (nervos sinuvertebrais ou de Lushka), emitidos pelos nervos espinhais logo que emergem do forame intervertebral, suprem as meninges e seus vasos, mas também dão filamentos para estruturas articulares e ligamentares adjacentes. A camada externa do ânulo fibroso dos discos intervertebrais parece receber filamentos desses nervos. A origem da chamada dor discogênica ainda não é consensual na Faculdade de Minas 34 literatura. Os ramos mediais do ramo dorsal dos nervos espinhais inervam o periósteo externo, facetas articulares, músculos e ligamentos vertebrais. Vascularização da Coluna Vertebral A vascularização da coluna vertebral sofre variações regionais. Todavia, observa-se um padrão comum de suprimento sangüíneo entre a segunda vértebra torácica e a quinta vértebra lombar. De uma artéria segmentar ou sua equivalente regional oriunda da aorta, cada vértebra recebe seu aporte nutricional dos ramos central anterior, central posterior, pré-laminar e pós-laminar. Os ramos centrais são derivados de vasos externos à coluna vertebral, enquanto os ramos laminares são derivados de ramos espinais que entram pelo forame intervertebral, fornecendo a maior parte da nutrição do corpo e arco vertebral na região médio-vertebral. Biomecânica da Coluna Vertebral A função primária da coluna vertebral é dotar o corpo de rigidez longitudinal, permitindo movimento entre suas partes. Secundariamente, constitui uma base firme para sustentação de estruturas anatômicas contíguas, como costelas e músculos abdominais, permitindo a manutenção de cavidades corporais com forma e tamanho relativamente constantes. Embora muitos textos assinalem que a proteção da medula espinal é uma função primária da coluna vertebral, talassertiva não é correta. Sua função primária é musculoesquelética e mecânica, constituindo-se apenas como uma rota fortuita e conveniente para a medula espinhal ganhar acesso a partes distantes do tronco e dos membros. Biomecânica é a disciplina que descreve a operação do sistema musculoesquelético e possui importante aplicação no estudo funcional da coluna vertebral. A cinemática descreve as amplitudes e os padrões de movimento da coluna vertebral e a cinética estuda as forças que causam e resistem a esses movimentos. Somente movimentos limitados são possíveis Faculdade de Minas 35 entre vértebras adjacentes, mas a soma desses movimentos confere considerávelamplitude de mobilidade na coluna vertebral como um todo. Movimentos de flexão, extensão, lateralização, rotação e circundação são todos possíveis, sendo essas ações de maior amplitude nos segmentos cervical e lombar que no torácico. Isso ocorre porque os discos intervertebrais cervicais e lombares apresentam maior espessura, não sofrem o efeito de contenção da caixa torácica, seus processos espinhosos são mais curtos e seus processos articulares apresentam forma e arranjo espacial diferente dos torácicos. A flexão é o mais pronunciado movimento da coluna vertebral. Movimentos da Coluna Vertebral 1. Plano sagital ➢ Flexão ➢ Extensão 2. Plano coronal ➢ Lateralização direita ➢ Lateralização esquerda 3. Plano longitudinal ➢ Rotação ou circundação ➢ Amplitude de Movimento da Coluna Vertebral 4. Segmento cervical ➢ Flexão: mento na fúrcula ➢ Extensão: mento a 18 cm da fúrcula ➢ Lateralização: 30 graus ➢ Rotações: 60 graus 5. Segmento torácico Faculdade de Minas 36 ➢ Rotação: 75 graus ➢ Lateralização: 30 graus Obs.: a lateralização do segmento dorsal dá-se na transição dorso- lombar. 6. Segmento tombar ➢ Flexão: 60 graus ➢ Extensão: 30 graus ➢ Lateralização: 20 graus ➢ Rotações: 5 graus A Articulação Sacroilíaca Embora fortemente contida por seus ligamentos, a articulação sacroilíaca exibe movimentos pequenos em sua amplitude, mas complexos em sua natureza, normalmente não passando de dois graus. Entretanto, durante a marcha ou em movimentos complexos como a flexão e extensão dos quadris, a articulação sacroilíaca pode exibir movimentos de maior amplitude em outros planos. A Coluna Como Viga em Balanço A coluna vertebral, do ponto de vista mecânico, é definida como uma viga em balanço, suportando cargas estáveis e móveis. Faculdade de Minas 37 Figura 12: A Estabilidade Vertebral Depende, principalmente, do papel das articulações zigoapofisárias, dos ligamentos e da ação da musculatura, que, agindo nas estruturas anatômicas próprias, levam à formação de curvas de adaptação no sentido ântero- posterior. A estabilidade vertebral depende, portanto, dos mesmos fatores que fazem contraposição às cargas recebidas. Forças que atuam na Coluna Vertebral Faculdade de Minas 38 A coluna vertebral sofre a ação de forças de tração e, em antagonismo, forças de compressão. Menos importantes são as forças de cisalhamento. A descarga das forças ocorre da seguinte maneira: o corpo vertebral recebe as cargas e sobrecargas de compressão e a lâmina, por sua vez, recebe as cargas e sobrecargas equilibrantes de tração, auxiliados pelos músculos e ligamentos paravertebrais. Corpos de Igual Resistência Observando a forma e o tamanho das vértebras ao longo da coluna, vemos que as vértebras cervicais ocupam uma área bem menor que as lombares. Para que cada uma suporte convenientemente as forças e cargas a que são submetidas, a coluna vertebral atende a um princípio da resistência dos materiais chamado corpo de igual resistência de determinado sólido de forma bizarra, no qual, seja qual for a seção transversa considerada, o esforço de compressão será o mesmo. Como exemplo de similitude, funciona como as chaminés de tijolos das fábricas que, como a coluna vertebral, são cônicas por fora e cilíndricas por dentro. Assim, à medida que se desloca do ápice para a base, a área seccional transversa vai ficando cada vez maior, para que haja aproximadamente a mesma carga por unidade de superfície em qualquer das secções consideradas. O Papel do Disco Intervertebral O disco intervertebral separa os corpos vertebrais, permitindo às vértebras dobrar-se umas sobre as outras. Cabe ao disco o importante papel de dissipação da energia mecânica, através de deformações que estes sofrem ao receber as forças solicitantes. Essa função é exercida pela combinação das propriedades de líquido do núcleo pulposo e das características elásticas do ânulo fibroso, funcionando de forma ambivalente para a dissipação e transmissão de forças. Faculdade de Minas 39 Um dos aspectos mais relevantes da biomecânica do disco intervertebral é a variação de pressão que ocorre em sua estrutura nas diversas variações posturais. A pressão interna do disco aumenta de aproximadamente 100 kg em L3, quando o indivíduo muda da posição sentada com o tronco ereto para 150 kg, quando o tronco é fletido anteriormente e eleva-se para 220 kg quando um homem de 70 kg levanta um peso de 50 kg. O risco de injúria é ainda maior quando o levantamento de peso está associado com movimentos rotatórios do tronco, determinando sobrecarga mecânica excessivamente elevada sobre as fibras póstero- laterais dos ânulos fibrosos dos discos lombares. A Unidade Motora Vertebral É formada por uma vértebra montada sobre a outra, como todos os elementos constituintes intermediários e anexos. Funciona como um segmento motor vertebral, embora nenhuma desordem congênita ou adquirida de um único elemento da unidade motora vertebral possa existir sem afetar primeiro as funções de outros componentes da mesma unidade e então, a função de unidades de outros níveis da coluna vertebral. O Canal Raquidiano O canal raquidiano localiza-se em uma posição intermediária com relação às forças que atuam sobre a coluna vertebral, onde os esforços são mais reduzidos pela proximidade de um plano de forças neutro. Além do mais, seja qual for a posição assumida pelo indivíduo, as dimensões do canal vertebral não se alteram significativamente, garantindo seu papel secundário, mas importante, de proteção à medula espinhal e raízes nervosas. FIGURA13 – O disco intervertebral. Faculdade de Minas 40 (A) Representação esquemática das relações anatômicas do disco com as vértebras contíguas. (B) Segmento motor vertebral (área delimitada por linhas). (C) Representação esquemática da dissipação e transmissão de forças que atuam no disco intervertebral. Figura 13: Lordose Versus Cifose Se observarmos um indivíduo lateralmente, percebemos que quanto mais profundas forem as concavidades das lordoses cervicais e lombares, maior será a convexidade da cifose dorsal e vice-versa. Há, portanto, uma equivalência eqüitativa entre essas curvas adaptativas. As afecções da coluna vertebral constituem um dos mais comuns desafios para os profissionais que lidam com as enfermidades do aparelho locomotor. Apesar dos avanços dos métodos de imagem, o conhecimento da anatomia e a compreensão da biomecânica, continuam sendo a base para o diagnóstico e tratamento das doenças vertebrais. 10- CARGAS APLICADAS À COLUNA VERTEBRAL A dor no dorso, especialmente na região lombar, é tão prevalente nos esportes, ambientes profissionais e mesmo situações domésticas que se tem empreendido pesquisas biomecânicas sobre este tema em todo o mundo. Faculdade de Minas 41 O desequilíbrio entre a força da musculatura dorsal e da abdominal pode ser fonte de problemas. Um desequilíbrio pode criar, entre outras coisas, um desvio da postura pélvica, deste modo alterando a curva lordótica e subseqüentemente sobrecarregando o disco. As atividades causadoras de rotação são aquelas durante as quais a coluna vertebral é submetida a torções vigorosas. Em análises biomecânicas simplificadas, pode-se tratar a coluna vertebral como um corpo rígido girando em tomo de seu eixo, situado na articulação lombossacral (L5-S 1). Considere algumas das forças que atuam sobre esse tipo de modelo durante as posturas elementares de ficar em pé e levantar-se, dado um homem de 891 N (91 kg) na posição ereta. Se 50% do peso corporal estiverem acima da articulação lombossacral, pode-se pressupor uma força compressiva de 445,5 N (45,5 kg). Contudo,no indivíduo normal, a face superior de S1 é inclinada para a frente de 30º a 40º (ângulo sacral). (Essa inclinação introduz uma força de cisalhamento de até 341,25 N 934,8g). As forças compressivas atuam predominantemente sobre o anel fibroso através da compressão do núcleo pulposo. As forças de cisalhamento afetam principalmente o forame intervertebral, às vezes denominado arco neural, a área entre os processos articulares inferior e superior contíguos. Se o homem agora fletir a coluna vertebral de modo que o ângulo seja 45º, é evidente que o braço de momento do centro de gravidade da metade superior do corpo, e o braço de momento de qualquer peso externo nas mãos ou em outro lugar, aumenta. Isto significa que se houver necessidade de manter a metade superior do corpo numa posição de equilíbrio estático, o torque exercido pelos extensores vertebrais (músculo eretor da espinha) deve ser igual a essa tendência rotacional para frente. Observa-se que o torque necessário aumenta à medida que o ângulo do tronco aproxima -se de 90º, quando o braço de momento atinge seu Faculdade de Minas 42 máximo. Quando o ângulo do tronco aumenta além de 90º e o centro de gravidade é trazido mais próximo do eixo de rotação, o braço de momento começa a diminuir. Logo, a contribuição dos extensores do tronco necessária para se opor a esse torque também se reduz. Entretanto, após um certo ponto na amplitude de movimento da flexão vertebral e da flexão do quadril associada, pode-se observar "relaxamento dos flexores". Quando ocorreu relaxamento dos flexores, disse-se que as estruturas ósseo-ligamentosas passivas foram responsáveis pela estabilização da coluna vertebral. (No entanto, o eretor da espinha alongado e o grupo posterior profundo criam tensão passiva, a despeito do silencio elétrico, segundo suas propriedades de comprimento-tensão). Como o braço de momento dos ligamentos pós-vertebrais é pequeno, a necessidade de forças dessa magnitude é potencialmente perigosa para os ligamentos. A perda de pelo menos parte do controle muscular nas posições extremas fornece informações biomecânicas importantes acerca de diversas tarefas de levantamento, simétricas e assimétricas. 11- MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL Os músculos que atuam sobre a coluna vertebral podem inicialmente ser divididos em duas categorias, anterior e posterior. Os músculos de ambas as categorias existem em pares bilaterais, embora possam e de fato funcionem de modo independente (unilateralmente). Como regra geral, os músculos da categoria anterior causam flexão da coluna vertebral, enquanto os da categoria posterior são responsáveis pela extensão. Considera-se que um músculo, o quadrado lombar, atua como flexor lateral puro. Figura 13: Faculdade de Minas 43 Grupo anterior - flexores cervicais O grupo pré-vertebral de músculos consiste no longo do pescoço e longo da cabeça. Estes são músculos profundos que causam flexão da cabeça e vértebras cervicais (exceto o longo do pescoço, que atua apenas sobre as vértebras cervicais) quando se contraem bilateralmente. A contração unilateral desses músculos causa flexão lateral das vértebras cervicais ou rotação da cabeça. Os oito músculos hióideos causam flexão cervical contra uma resistência maior que a do segmento, mas são usados principalmente na deglutição. O superficial esternocleidomastóideo, um músculo de duas cabeças, também flete a cabeça e vértebras cervicais. Atuando unilateralmente, causa a flexão lateral das vértebras cervicais e rotação da cabeça para o lado oposto (os termos lado oposto e mesmo lado em relação à rotação serão usados para indicar o lado com referência ao músculo que esteja se contraindo unilateralmente). Os músculos escalenos (anterior, médio e posterior) podem ser considerados com a categoria anterior, mas na verdade situam-se mais lateralmente. Embora importantes na respiração, também fletem as vértebras Faculdade de Minas 44 cervicais ou, se ativados em um lado, fletem lateralmente as vértebras cervicais. Grupo anterior - flexores lombares Conforme indicado antes, o grau de flexão e extensão da região torácica é extremamente restrito. Por isso, apenas a região lombar é apresentada aqui. Devido às limitações da região torácica ao movimento no plano sagital, a grande amplitude da flexão-extensão cervicais não influencia a região lombar. O grupo de músculos responsáveis pela flexão lombar é geralmente referido como abdominais. Eles não possuem nenhuma conexão direta com a coluna vertebral. Alguns são ainda distinguidos por não possuírem fixações ósseas em nenhuma das extremidades. Ademais, além das ações articulares cruciais que efetuam (isto é, flexão lombar), sãoimportantes na constrição da cavidade abdominal e seu conteúdo. Esta última função eleva a pressão intra- abdominal, que, além de estar associada à eliminação de resíduos (defecação e micção), também reduz as cargas sofridas pelas vértebras lombares durante determinadas atividades. Uma discussão dessa função segue-se à apresentação da musculatura. O músculo reto do abdome, como seu nome indica, desce verticalmente no abdome e suas partes direita e esquerda são separadas pela linha branca tendínea. Devido à sua linha de tração orientada verticalmente, é um primo-agonista para a flexão da coluna vertebral e um flexor lateral quando ativado apenas de um lado. Os músculos oblíquos interno e externo do abdome cobrem as porções anterior e lateral da parede abdominal entre o reto do abdome na frente e músculo grande dorsal / fáscia toracolombar atrás. As fibras desses músculos seguem quase perpendicularmente umas às outras, uma característica que se reflete numa grande diferença em suas ações unilaterais. Faculdade de Minas 45 Quando ambos os lados dos oblíquos externos se contraem simultaneamente, os componentes Z e X de sua tração são neutralizados. Quando apenas um lado do músculo é ativado, contudo, ocorre flexão vertebral e, além disso, flexão lateral e rotação do tronco, neste caso para o lado oposto. Com exceção da direção da rotação, o mesmo é válido para os oblíquos internos. Durante uma contração unilateral desse músculo, a rotação do tronco é para o lado oposto. O transverso do abdome, o músculo mais profundo desse grupo, não tem uma função associada à execução motora por causa de sua linha de tração e conexões tendíneas. No entanto, todos esses músculos têm uma conexão anatômica comum ou relação entre si, pois as bainhas aponeuróticas dos oblíquos externo e interno e do transverso do abdome formam a bainha do reto do abdome. Grupo posterior - extensores vertebrais Aproximadamente 140 músculos estão envolvidos na função motora da coluna vertebral. Para fins de uma análise geral do movimento, a separação dos extensores da coluna vertebral em grupos simplifica o assunto sem comprometer a compreensão. Dois grandes grupos de músculos compõem o grupo posterior (ou extensores vertebrais): o eretor da espinha e o grupo posterior profundo. O grupo eretor da espinha, ou músculo sacroespinhal, se origina como uma grande massa carnosa na área sacral; quando ascende na coluna vertebral, divide-se em três colunas principais. A divisão, que ocorre no nível lombar superior, resulta na formação dos músculos iliocostal, longíssimo espinhal (ainda considerados globalmente como o eretor da espinha. Nas regiões torácica e lombar, o músculo sacroespinhal é coberto pela fáscia toracolombar. Esta estrutura é particularmente relevante, tendo em vista a prevalência da síndrome de lombalgia e a relação de uma maior força dos músculos Faculdade de Minas 46 abdominais com a redução das cargas sobre a coluna vertebral. O transverso do abdome e a porção inferior da origem do oblíquo interno do abdome nascem dessa fáscia. Ademais,a porção inferior da origem do oblíquo externo justapõe-se a uma parte do grande dorsal, dos quais o último também é incorporado à fáscia. O músculo iliocostal, a mais lateral das três colunas, divide-se em três partes regionais, os iliocostais lombar, torácico e do pescoço. Os nomes assinalam sua posição anatômica. A coluna intermédia (longíssimo) e a coluna medial (espinhal) se dividem em três partes regionais, a do tórax, do pescoço e da cabeça. Todos estes músculos servem para estender a coluna vertebral em diversos níveis. A contração unilateral do músculo iliocostal e do longíssimo do tórax causa flexão lateral e rotação para o mesmo lado. A flexão lateral e rotação das vértebras cervicais e cabeça são produzidas pelos longíssimos do pescoço e da cabeça, respectivamente, quando um lado se contrai. Os espinhais do tórax e do pescoço, contraindo-se unilateralmente, também causam flexão lateral. Em geral, o espinhal da cabeça está associado estrutural e funcionalmente ao semi-espinhal da cabeça. Os músculos esplênicos (do pescoço e da cabeça) são freqüentemente considerados parte do grupo eretor da espinha. Ambos servem como extensores das vértebras cervicais e podem causar rotação dessas vértebras e da cabeça. O grupo espinhal posterior profundo inclui os intertransversários, interespinhais, rotadores e multífidos, todos os quais atuam para estender a coluna vertebral. Atuando unilateralmente, estes músculos causam flexão lateral e rotação para o lado oposto. É importante ressaltar que, assim como todos os músculos, o grau no qual essas ações unilaterais ocorrem depende do torque gerado pela contração. Estes músculos geralmente possuem braços de momento muito pequenos. Por exemplo, atribuiu-se um braço de momento de 24 mm ao eretor da espinha atuando na articulação L5-S 1. Faculdade de Minas 47 Com base na linha de tração observada do músculo, poder-se-ia muito bem considerar esses movimentos rotatórios e de flexão lateral resultantes como movimentos previstos apenas biomecanicamente, ao contrário de movimentos significativos. 12- PAPEL DA MUSCULATURA ABDOMINAL NA REDUÇÃO DAS CARGAS VERTEBRAIS As vértebras lombares e seus discos associados são submetidas a forças muito grandes durante o curso de atividades diárias. Em geral, a fratura do corpo vertebral ocorre antes da ruptura de um disco sadio. Vários pesquisadores estimaram ou mediram as magnitudes dessas forças. Devido à frequência de lesões do dorso com suas subseqüentes repercussões econômicas, a mecânica da coluna vertebral tem sido estudada extensamente. Alguns autores, procurando quantificar forças normalmente encontradas sobre a coluna vertebral, usaram modelos biomecânicos. Um modelo estimou as forças compressivas sobre L5 em 10.000 N. Outros relataram valores mais conservadores de 4.250 N de compressão. Em modelos dinâmicos, nos quais as forças resultantes da inércia e aceleração devem ser consideradas, foram relatadas forças compressivas máximas de 7.000 N. Kumar e Davis sugeriram que, via de regra, os levantamentos dinâmicos podem ser considerados pelo menos duas vezes mais estressantes que sustentações estáticas para a mesma resistência. Naturalmente, as forças de cisalhamento aumentam com as forças compressivas, e se a carga for assimétrica, forças rotacionais são introduzidas. As cargas sobre a coluna vertebral, especialmente a região lombar, devem ser mantidas o mais baixo possível. A relação entre músculos abdominais fortes e um dorso sadio interessa há muito os cinesiologistas. Existe uma relação de causa-efeito intuitiva entre contração dos músculos do abdome, compressão do conteúdo abdominal e elevação da PIA (pressão intra-abdominal. Quanto maior a PIA e mais rígido Faculdade de Minas 48 o cilindro tóraco-abdominal, maior a fração de carga vertebral compartilhada e maior a redução dascargas vertebrais. 13- MECANISMOS TORÁCICOS BÁSICOS A principal finalidade do tórax, composto pelas vértebras torácicas, 12 pares correspondentes de costelas, cartilagens costais e esterno, é a proteção dos principais componentes dos sistemas respiratório e circulatório. O movimento do tórax está envolvido primariamente com a respiração. A restrita amplitude do movimento toracovertebral, no que diz respeito á complexidade e número de tarefas que constituem o movimento humano, torna-o menos relevante que as regiões cervical e lombar. O movimento do tórax é definido predominantemente pela elevação e abaixamento das costelas e, sob várias condições, incluí a participação de músculos previamente descritos e outros que merecem consideração. Em geral consideram-se como os principais músculos da respiração o diafragma e os intercostais. Os músculos escalenos, esternocleidomastóideo, peitorais, serrátil anterior e abdominais são considerados agonistas e acessórios. No homem, o diafragma é o músculo inspiratório principal. Com sua ativação e subseqüente contração, o diafragma expande a base do tórax ao mover as costelas para cima e lateralmente. Este movimento ocorre pelas forças transmitidas através de seu centro tendíneo (inserção) à sua origem, que se fixa quase inteiramente ao redor da face interna da cavidade corporal. Os oblíquos internos e intercostais externos são ativos durante a expiração e inspiração, respectivamente. Esses músculos funcionam de acordo com o interespaço no qual estão localizados. Defeitos específicos A flexibilidade da coluna vertebral às vezes é prejudicada pelo desenvolvimento de desvios indesejáveis. Faculdade de Minas 49 A cifose e escápulas abduzidas são inteiramente diferentes: a primeira é uma convexidade posterior aumentada da coluna torácica e a última um desvio, para frente, do cíngulo do membro superior. Entretanto, uma causa a outra e as duas comumenteaparecem como um defeito integrado. A cifose resistente ou estrutural, ou qualquer defeito desse tipo acompanhado de dor aguda, indica uma provável doença ou defeito hereditário de natureza mais grave. Jamais se devem fornecer exercícios corretivos nesses casos, exceto quando prescritos por um médico. A lordose é uma concavidade posterior aumentada da curva lombar ou cervical normal, acompanhada de uma inclinação da pelve para frente. Os músculos da região lombar são encurtados e os abdominais alongados. Quando essa posição é assumida habitualmente, um peso excessivo é lançado sobre as margens posteriores dos corpos das vértebras lombares e há uma forte tendência ao desenvolvimento de escápulas abduzidas em compensação ao desvio para trás do peso corporal. Os indivíduos que são mais flexíveis do que a média tem apenas de adquirir a capacidade de assumir a posição correta da coluna vertebral e, então, praticá-la até que o hábito esteja estabelecido. Quando a pelve é inclinada excessivamente para frente, os músculos do dorso e flexores dos quadris são encurtados enquanto os músculos do abdome e do jarrete são alongados. Não trará nenhum beneficio corrigir o desequilíbrio apenas dos músculos do tronco ou do quadril, ambos os grupos devem ser ajustados e controlados para manter a pelve em seu grau de inclinação apropriado. Dorso plano (cifose lombar) - o dorso plano envolve uma redução abdominal na curvatura lombar normal. O ângulo de obliqüidade da pelve é reduzido, pois os músculos dos jarretes são curtos demais e os flexores dos quadris e ligamentos iliofemorais, longos demais. Está comumente associado aos ombros arredondados, tórax plano eA condição é de difícil correção, mas Faculdade de Minas 50 os esforços para aumentar a força e tônus dos músculos do abdome e eretor da espinha podem ser recompensadores. Curvatura lateral - a curvatura lateral da coluna vertebral, que em estágios acentuados é denominada escoliose, é um desvio para um dos lados. Representa uma combinação