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ANATOMIA FUNCIONAL DA COLUNA VERTEBRAL, 
MEMBROS SUPERIORES E INFERIORES 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
 
Sumário 
 
2 NOSSA HISTÓRIA ........................................................................ 5 
1- INTRODUÇÃO ........................................................................ 6 
1.1- METODOLOGIA ................................................................ 17 
2- Aspectos gerais: arranjo anatômico geral da Coluna Vertebral
 17 
3- Vértebras ............................................................................... 20 
4- OS LIGAMENTOS LONGITUDINAIS .................................... 28 
5- ARTICULAÇÕES ENTRE ARCOS VERTEBRAIS ................ 28 
6- OS LIGAMENTOS ACESSÓRIOS ........................................ 29 
7- Anatomia Neural da Coluna Vertebral ................................... 31 
8- DERMÁTOMOS E MIÓTOMOS ............................................ 32 
9- ORGANIZAÇÃO RADICULAR DA CAUDA EQÜINA ............ 33 
10- CARGAS APLICADAS À COLUNA VERTEBRAL ................. 40 
11- MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL .............................. 42 
12- PAPEL DA MUSCULATURA ABDOMINAL NA REDUÇÃO DAS 
CARGAS VERTEBRAIS ........................................................................... 47 
13- MECANISMOS TORÁCICOS BÁSICOS ............................... 48 
14- MEMBROS SUPERIORES ................................................... 51 
15- CENTRO DE GRAVIDADE ................................................... 56 
16- TIPOS DE MOVIMENTO ....................................................... 62 
17- TIPOS DE CONTRAÇÕES MUSCULARES .......................... 64 
18- SISTEMA DE ALAVANCAS .................................................. 65 
19- PRIMEIRA LEI DE NEWTON ................................................ 68 
20- TRABALHO E ENERGIA ....................................................... 69 
21- A MARCHA ........................................................................... 70 
22- ARTICULAÇÕES .................................................................. 80 
 
 
 
 
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23- LIGAMENTOS ....................................................................... 81 
24- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ROTAÇÃO INTERNA 
(MEDIAL) E EXTERNA (LATERAL) DO OMBRO ..................................... 82 
25- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NOS MOVIMENTOS 
ESCAPULARES ....................................................................................... 83 
26- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA FLEXÃO E EXTENSÃO DO 
OMBRO 83 
27- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ABDUÇÃO E ADUÇÃO DO 
OMBRO 84 
28- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ADUÇÃO E ABDUÇÃO 
HORIZONTAL DO OMBRO ...................................................................... 84 
29- OS MOVIMENTOS DA ESCÁPULA ...................................... 85 
30- MÚSCULOS QUE COMPÕEM O "MANGUITO ROTADOR" 85 
31- MÚSCULOS QUE LIGAM O OMBRO AO BRAÇO E SUAS 
FUNÇÕES 85 
32- PUNHO E MÃO ..................................................................... 87 
33- MOVIMENTOS ARTICULARES ............................................ 89 
34- MÚSCULOS E MOVIMENTOS DO POLEGAR E OUTROS 
DEDOS 90 
35- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS DAS LESÕES DO PUNHO 
E MÃO 95 
36- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL .............................................. 96 
37- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO QUADRIL............ 97 
38- MÚSCULOS BIARTICULARES (multiarticulares) ................. 98 
39- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DAS 
REGIÕES DA PELVE E QUADRIL ........................................................... 99 
40- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL ............................................ 100 
41- A ARTICULAÇÃO DO JOELHO .......................................... 100 
42- MOVIMENTOS ARTICULARES .......................................... 102 
43- MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO .................. 103 
44- TORNOZELO E O PÉ ......................................................... 106 
 
 
 
 
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4 
45- ARTICULAÇÃO SUBTALAR ............................................... 107 
46- ARTICULAÇÃO TRANSVERSA DO TARSO ...................... 108 
47- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO E DO 
PÉ 109 
48- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES DO 
TORNOZELO E DO PÉ .......................................................................... 111 
49- CONCLUSÃO ...................................................................... 112 
50- REFERÊNCIAS ................................................................... 115 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas 
de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos 
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e 
comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de 
comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de 
forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir 
uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma 
das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela 
inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1- INTRODUÇÃO 
 A coluna vertebral é parte subcranial do esqueleto axial. De forma muito 
simplificada, é uma haste firme e flexível, constituída de elementos individuais 
unidos entre si por articulações, conectados por fortes ligamentos e 
suportados dinamicamente por uma poderosa massa músculo-tendinosa. 56 
 Durante muitos anos, a atuação em Fisioterapia baseou-se em livros 
de reabilitação importados, cuja principal característica eram "receitas" 
prontas que dispensavam a necessidade de pensar para tomar decisões. 57 
Era notória nas décadas de 1960 e 1970 a importação de técnicas 
norte-americanas e européias- Bobath, Kabat, Klapp etc., aindahoje 
utilizadas. Essas técnicas ou métodos provinham da experiência pessoal e 
tinham frágil fundamentação científica. Felizmente, essa tendência sofreu 
grandes mudanças. Hoje a prática clínica é necessariamente alicerçada em 
pesquisa. 57 
 A prática baseada em evidências, hoje uma realidade na área da saúde 
e na Fisioterapia, recorre a três tipos de informação: a pesquisa clínica, a 
experiência clínica do fisioterapeuta e as preferências do cliente. 
 Na fisioterapia, os estudos clínicos têm focalizado mais o impacto das 
doenças ou condições de saúde na vida das pessoas, tornando a tomada de 
decisão clínica um ato complexo, que exige escolha criteriosa do método de 
pesquisa. Essa escolha pode ser pautada pelos níveis de evidência, 
utilizados, como um norteador para classificar a qualidade dos estudos na 
área da saúde. 57 
Os desfechos clínicos de interesse dos fisioterapeutas não devem se 
reduzir apenas ao diagnóstico médico, mas principalmente aquele decorrente 
do impacto das doenças ou das condições de saúde na vida das pessoas. 
No campo das ciências da saúde, a epidemiologia descritiva é um 
passo fundamental para o conhecimento de uma determinada doença, 
ou agravo à saúde." 2 (p.35) 
 
 
 
 
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O fisioterapeuta precisa, portanto, avaliar, estabelecer o diagnóstico e 
prognóstico fisioterapêutico, selecionar intervenções e realizar reavaliações 
(Resolução COFFITO, 80)3: este e o princípio da pesquisa. E os 
fisioterapeutas dispõem de grande arsenal de opções terapêuticas que 
transformam a tomadade desvio lateral e rotação longitudinal. Poder-
se-ia esperar que os músculos no lado côncavo da curvatura fossem mais 
fortes que os do lado convexo, e isto é o que seria observado se a curvatura 
decorresse da ação desimpedida dos músculos longitudinais. Contudo, 
estudos eletromiográficos mostraram que na maioria dos casos os músculos 
no lado côncavo são mais fracos que o normal. Isto é atribuído ao fato de que 
o desequilíbrio dos músculos mais profundos (semiespinhal, multífico e 
rotadores) é o principal fator na produção da deformidade. Esses músculos 
profundos são rotadores importantes. Quando os de um lado são paréticos, a 
ação desimpedida dos músculos do lado oposto gira as vértebras para uma 
posição escoliótica. Em alguns casos, entretanto, os músculos no lado 
convexo estão atrofiados e os do lado côncavo, contraídos. E controverso se 
as alterações que depois ocorrem podem ser explicadas com base apenas no 
desequilíbrio muscular. 
A curvatura lateral diminui a capacidade da coluna vertebral de 
sustentar o peso corporal, distorce as cavidades corporais, aglomera os 
órgãos fora de lugar e, em casos avançados, causa compressão dos nervos 
espinhais onde eles deixam o canal vertebral. A escoliose geralmente começa 
com uma curva em C única. Esta pode ser para qualquer um dos lados, mas 
como a maioria das pessoas é destra, os músculos no lado direito do corpo 
são mais fortes e a convexidade tende a se desenvolver para a esquerda. A 
condição tende a ser mais prevalecente em meninas e entre biótipos 
ectomorfos, mas não está confinada a nenhum dos dois. a curvatura pode 
estender-se por toda a coluna vertebral ou ser localizada. Uma curva em C 
pode inclinar a cabeça obliquamente, quando então há uma tendência reflexa 
a endireitá-la até que os olhos estejam novamente nivelados. Ao longo do 
 
 
 
 
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tempo, esse reflexo de endireitamento cria uma inversão da curva em C nos 
níveis espinhais superiores, produzindo uma curva em S. podem surgir novas 
tentativas de compensação, criando ondulações adicionais na curva. Nos 
estágios iniciais, a escoliose pode ser funcional, ou postural. Estes termos 
indicam que a curva pode ser eliminada por esforço voluntário ou ao 
pendurarse com as mãos. Nos estágios posteriores, a condição se torna 
resistente, ou estrutural, e a curva não pode mais ser eliminada desse modo. 
Uma vez estabelecida uma curva estrutural, exercícios corretivos 
podem produzir uma curva compensatória ao invés de abolição da curva 
primária. 
A escoliose pode ser causada por numerosas condições unilaterais, 
incluindo defeitos hereditários da estrutura; deterioração de vértebras, 
ligamentos, ou músculos, em decorrência de infecções ou doença; paralisia 
unilateral de músculos espinhais; um membro inferior curto unilateral; pé plano 
ou pronação unilateral; e desequilíbrio do desenvolvimento muscular devido à 
profissão ou hábito. 
 
14- MEMBROS SUPERIORES 
 A articulação do ombro é a articulação menos congruente do corpo 
humano, assim envolve uma ampla amplitude de movimentos nas atividades 
diárias. Esses movimentos resultam de uma complexa interação entre as 
estruturas ósseas (escápula, cabeça do úmero e clavícula) e tecidos moles 
adjacentes, envolvendo cápsula do ombro, ligamentos estabilizadores e 
músculos 37. 
 A arquitetura da articulação glenoumeral, envolve uma grande cabeça 
umeral articulada e superfície glenoidal relativamente pequena, com 
ligamentos e músculos para estabilizar todo o arco do movimento (em 
oposição a articulação do quadril com sua congruente “ball-in-socket”) 38. 
 
 
 
 
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 A extensa amplitude de movimento permite ao atleta a capacidade de 
participar de uma série de atividades esportivas, porém não é isenta de riscos. 
Se alguns dos estabilizadores estáticos ou dinâmicos são atingidos por 
trauma ou uso excessivo, o ombro tem maior risco de lesão. Em atletlas, 8 a 
20% das lesões são no ombro 38. 
 Em relação à cintura escapular, examinamos seus componentes, 
envolvendo anatomia óssea (úmero, clavícula e escápula); articulações 
ósseas e musculares (glenoumeral, acromioclavicular,esternoclavicular e 
escapulotorácica); estabilizadores estaticos (cápsula e ligamentos) e 
músculos ou estabilizadores dinâmicos (manguito rotador, deltóide e 
estabilizadores escapulares).Esses elementos funcionam em um contexto 
dinâmico, como unidade inter-relacionada 38. 
 O úmero é o maior e mais longo osso nos membros superiores, sendo 
a sua parte proximal formada por cabeça, tubérculo maior e menor, sulco 
biccipital e haste umeral proximal. O tubérculo maior é o local de inserção do 
supraespinhal, infraespinhal e redondo menor, e o tubérculo menor do 
subescapular, completando o manguito rotador. O colo cirúrgico do úmero 
está situado distalmente aos tubérculos 36. 
 A escápula é um osso triangular grande e fino, situado 
pósterolaeralmente ao tórax, servindo como local de fixação muscular. A 
espinha da escápula separa os músculos supra e infra espinhal, além disso 
temos nesse osso a inserção de parte do músculo trapézio e a origem do 
deltóide posterior 34. 
 O acrômio da escápula atua como um braço de alavanca para o 
deltóide e articula com a extremidade distal da clavícula, formando a 
articulação acromioclavicular. Além disso, o acrômio forma uma parte do teto 
para o espaço do manguito rotador. 
 Tendinite e bursite são o resultado do impacto da cabeça do úmero e o 
manguito rotador contra o arco coracoacromial (acrômio, ligamento 
 
 
 
 
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coracoacromial e processo coracóide) 34. O processo coracóide serve como 
origem de 2 ligamentos coracoclaviculares, que juntamente com o ligamento 
acromioclavicular, estão relacioanado com a articulação acromioclavicular. 
 O nervo supraescapular passa abaixo desses ligamentos para inervar 
os músculos supraespinhal e infraespinhal 34. A cavidade glenoide repesenta 
a articulação com a cabeça do úmero, sendo a sua superfícia articular de 
apenas um terço a um quarto da cabeça do úmero e, portanto, fornece apenas 
uma pequena contribuição para a estabilização glenoumeral. 
 A cabeça do úmero fornece a base óssea para a movimentação do 
ombro 38. 
 A clavícula serve como único suporte ósseo que liga o tronco a cintura 
escapular por meio da articulação esternoclavicular medialmente e a 
acromioclavicular lateralmente. Serve como local para fixação de músculos, 
barreira para proteger estruturas neurovasculares e estabilizar o complexo do 
ombro. A clavícula previne a migração da cintura escapular através dos 
ligamentos coracoclaviculares 38. 
 A articulação glenoumeral é adequada para extrema mobilidade; sendo 
que a qualquer momento, apenas 25 a 30% da cabeça do úmero está em 
contato com a fossa glenóide. O ombro normal restringe a cabeça do úmero 
para dentro de 1 a 2 mm em relação a cavidade glenóide, sendo resultado de 
uma interação de força estática (não requer energia ativa, ou seja, cápsula, 
lábio e ligamentos) e dinâmica (muscular) 38. 
 Em relação aos estabilizadores dinâmicos, temos o manguito rotador. 
Um grupo de músculos consistindo em: subescapular, supraespinhal, 
infraespinhal e redondo menor. Nesse sentido de estabilizador, são realizados 
movimenos tridimensionais ou rotações da cabeça do úmero como resultado 
de sua interação com estabilizadores estáticos. Como grupo são menores em 
relação a área e tamanho, quando comparados ao deltóide, peitoral maior, 
latíssimo do dorso e trapézio 38. 
 
 
 
 
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 A contração dos músculos do manguito rotador resulta em compressão 
da concavidade e a contração assimétrica age para causar a rotação da 
cabeça do úmero durante o movimento do ombro. O supra- espinhal se origina 
na fossa supraespinhal e se insere no tubérculo maior do úmero. Estabiliza a 
articulação glenoumeral, realiza abdução de braço e auxiliao deltóide na 
elevação de braço. O infra-espinhal origina-se na fossa intra-espinhal e se 
insere na face média do tubérculo maior do úmero. Realiza rotação lateral e 
estabiliza a articulação glenoumeral contra subluxação posterior 38. 
 O redondo menor se origina das regiões média e superior da borda 
lateral da escápula e se insere na parte mais inferior do tubérculo maior. Em 
conjunto com o infra-espinhal, realiza rotação lateral e estailiza a articulação 
glenoumeral. A inervação é pelo nervo axilar 34. 
 O músculo subescapular reprensenta a porção anterior do manguito 
rotador, tendo origem na fossa subescapular e se insere no tubérculo menor 
do úmero. Funciona como rotador medial e é inervado pelos nervos sub-
escapular superior e inferior 34. 
 O úmero é o maior e mais longo osso nos membros superiores, sendo 
a sua parte proximal formada por cabeça, tubérculo maior e menor, sulco 
biccipital e haste umeral proximal. O tubérculo maior é o local de inserção do 
supraespinhal, infraespinhal e redondo menor, e o tubérculo menor do 
subescapular, completando o manguito rotador. O colo cirúrgico do úmero 
está situado distalmente aos tubérculos 34. 
 A escápula é um osso triangular grande e fino, situado 
pósterolaeralmente ao tórax, servindo como local de fixação muscular. A 
espinha da escápula separa os músculos supra e infra espinhal, além disso 
temos nesse osso a inserção de parte do músculo trapézio e a origem do 
deltóide posterior 34. 
 O acrômio da escápula atua como um braço de alavanca para o 
deltóide e articula com a extremidade distal da clavícula, formando a 
 
 
 
 
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articulação acromioclavicular. Além disso, o acrômio forma uma parte do teto 
para o espaço do manguito rotador. Tendinite e bursite são o resultado do 
impacto da cabeça do úmero e o manguito rotador contra o arco 
coracoacromial (acrômio, ligamento coracoacromial e processo coracóide)38. 
 Compreender a anatomia funcional e as frequentes fontes associadas 
a lesão do ombro permitem que os esportes apresentem uma estrutura 
voltada para o cuidado de lesões no ombro atlético. A avaliação da lesão do 
manguito rotador, instabilidade do ombro ou colisões orientam a decisão 
clínica e informam opções terapêuticas 35. 
 O saque no tênis coloca altas exigências sobre o ombro, requerindo 
grandes amplitudes de movimento de articulação glenoumeral e 
escapulotorácica, produzindo grandes velocidades rotacionais e forças na 
articulação 40 que lida com a análise das forças que agem sobre um objeto. 
Seja para a manutenção deste ou de uma estrutura em um ponto fixo, como 
a descrição e a causa do movimento do mesmo. 
Assim, a Cinesiologia deve ser capaz de aplicar leis e princípios 
básicos de mecânica a fim de avaliar as atividades humanas. Essa aplicação 
da mecânica cai nos domínios da Biomecânica que pode ser definida como 
aplicação da mecânica aos organismos vivos, tecidos biológicos, aos corpos 
humanos e animais. 
A postura do corpo é resultante de inúmeras forças musculares que 
atuam equilibrando forças impostas sobre o corpo, e todos os movimentos do 
corpo são causados por forças que agem dentro e sobre o corpo. Em nossas 
atividades diárias, no trabalho, no esporte, temos que lidar com forças e os 
profissionais que trabalham com lesões musculoesqueléticas precisam 
compreender como as forças afetam as estruturas do corpo e como estas 
forças controlam o movimento. 
A biomecânica é a base da função músculoesquelética. Os músculos 
produzem forças que agem através do sistema de alavancas ósseas. O 
 
 
 
 
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sistema ósseo ou move-se ou age estaticamente contra uma resistência. O 
arranjo de fibras de cada músculo determina a quantidade de força que o 
músculo pode produzir e o comprimento no qual os músculos podem se 
contrair. Dentro do corpo, os músculos são as principais estruturas 
controladoras da postura e do movimento. Contudo, ligamentos, cartilagens e 
outros tecidos moles também ajudam no controle articular ou são afetados 
pela posição ou movimento. 
15- CENTRO DE GRAVIDADE 
A Gravidade é uma força externa que age sobre um objeto sobre a terra, e 
para equilibrar essa força, uma segunda força externa precisa ser induzida ou 
seja, todo o corpo recebe a ação de uma força, reage à mesma com uma força 
igual e oposta. 
Figura14: 
 
O conceito de Centro de Gravidade é proveitoso ao descrever e analisar 
mecanicamente o movimento do corpo humano e outros objetos, sabendo 
exatamente como a força da gravidade atua nesses corpos. 
Figura 15: 
 
 
 
 
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O Centro de Gravidade é o ponto dentro de um objeto onde se pode 
considerar que toda a massa, ou seja, o material que constitui o objeto, 
estejaconcentrada. A gravidade puxa para baixo todo ponto de massa que 
constitui este objeto ou o corpo. No entanto, a determinação do Centro de 
Gravidade do corpo humano é muito difícil, pois este não apresenta densidade 
uniforme, não é rígido e não é simétrico enquanto um objeto com todas estas 
características o Centro de Gravidade em cada ponto é igual. 
Existem cálculos matemáticos que analisam parte a parte o centro de 
gravidade de um corpo não uniforme, de forma a adquirir um resultado médio 
do centro de gravidade do mesmo. 
 
Figura 16: 
 
 
 
 
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58 
 
Linha gravitacional 
A localização do Centro de Gravidade do corpo como um todo varia, 
dependendo da posição do corpo. Numa pessoa ereta, pode-se situá-lo de 
forma aproximada sobre uma linha, formada pela interseção de um plano que 
corta o corpo em duas metades, uma direita e uma esquerda, e um plano que 
corta o corpo em metade anterior e posterior. A posição do ponto do Centro 
de Gravidade ao longo desta linha imaginária, pode-se considerar que a 
gravidade atua sobre esse único ponto de Centro de Gravidade, puxando 
diretamente para baixo em direção ao centro da terra. Essa linha ou direção 
de tração é a linha de gravidade. 
 
 
Base de sustentação 
 
 
 
 
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A base de sustentação, ou a base de apoio para o corpo é a área 
formada abaixo do corpo pela conexão com a linha continua de todos os 
pontos em contato com o solo. Na posição ereta, por exemplo, a base de apoio 
é aproximadamente um retângulo, formado por linhas retas através dos 
dedos, formado por linhas retas através dos dedos e calcanhares e ao longo 
dos dedos de cada pé. 
Quando um corpo está numa posição fixa com a linha de gravidade 
passando através da base de apoio, diz-se que ele está compensado, estável 
ou em equilíbrio estático. Se a linha de gravidade passar fora da base de 
membros apoiadores deve mover-se para evitar uma queda. Essa situação 
ocorre continuamente, quando andamos, corremos e mudamos de direção. 
Forcas que atuam no movimento 
A Ciência mecânica diz que uma força pode ser definida simplesmente 
como um empurrão ou tração. Por definição a força é uma entidade que tende 
a produzir movimento. Às vezes, o movimento não ocorre ou o objeto se acha 
em equilíbrio. O ramo da mecânica que lida com este fenômeno é a estática; 
caso haja o movimento, é chamado dinâmica. 
A força é definida por quatro características básicas: 
➢ magnitude de força; 
➢ direção; 
➢ sentido; 
➢ quantidade de tração. 
As forças mais comuns envolvidas com a biomecânica são: a força 
muscular, gravitacional, inércia, de flutuação e força de contato. A força 
produzida por músculos depende de vários fatores. 
Dois desses fatores incluem velocidade de contração do músculo e 
comprimento do músculo. O peso de um objeto é resultado da força 
gravitacional. 
 
 
 
 
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O conceito de inércia mantém que um corpo permanece em repouso 
ou em movimento uniforme até receber a ação de uma força externa. 
A força de flutuação tende a resistir à força da gravidade. Na água a 
magnitude dessa força equivale ao pesode água que o objeto desloca. A força 
de contato existe toda vez que dois objetos se acharem em contato um com 
o outro. Esse tipo de força pode ser uma força de reação ou uma força de 
impacto. A força pode ser ainda subdividida em uma força normal 
perpendicular às superfícies de contato e uma força de fricção ou atrito que é 
paralela à superfície de contato. 
Planos e eixos 
Planos de ação são linhas fixas de referencia ao longo das quais o 
corpo se divide. Há 3 planos e cada um está em ângulo reto ou perpendicular 
com dois planos. O plano frontal passa através do corpo de lado a lado, 
dividindo-o em frente e costa. É também chamado plano coronal. Os 
movimentos que ocorrem neste plano são abdução e adução. 
O plano sagital passa através do corpo da frente para trás e o divide 
em direita e esquerda. Pode-se pensar nele como uma parede vertical cuja 
extremidade se move. Os movimentos que ocorrem neste plano são flexão e 
extensão. 
O plano transverso passa horizontalmente pelo corpo e o divide em 
parte superior e inferior. É também chamado plano horizontal. Neste plano, 
ocorre a rotação. 
 
Figura 17: 
 
 
 
 
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61 
 
Sempre que um plano passa pela linha média de uma parte, esteja ela 
no plano sagital, frontal ou transverso, está se referindo ao plano cardinal, 
porque divide o corpo em partes iguais. O pondo onde os três planos cardinais 
se encontram é o centro de gravidade. No corpo humano este ponto é, na 
linha média, mais ou menos ao nível da segunda vértebra sacra, ligeiramente 
anterior a ela. 
Os eixos são pontos que atravessam o centro de uma articulação em 
tomo da qual uma parte gira. 
O eixo sagital é um ponto que percorre a articulação de frente para trás. 
O eixo frontal vai de lado a lado. 
O eixo vertical, também chamado longitudinal, vai da parte superior a 
inferior. 
O movimento articular ocorre em torno de um eixo que está sempre 
perpendicular a um plano. Outro modo de se descrever este movimento 
articular, é que ele ocorre sempre no mesmo plano e em tomo do mesmo eixo. 
Por exemplo, flexão/extensão ocorrerá sempre no plano sagital em tomo do 
 
 
 
 
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eixo frontal e a adução em tomo do eixo sagital. Movimentos semelhantes 
como o desvio radial e ulnar do punho também ocorrerão no plano frontal em 
tomo do eixo sagital. 
16- TIPOS DE MOVIMENTO 
Movimento linear, também chamado movimento translatório, ocorre 
mais ou menos em uma linha reta, de um lugar para outro. Todas as partes 
do objeto percorrem a mesma distancia, na mesma direção e ao mesmo 
tempo. Se este movimento ocorrer em linha reta é chamado movimento 
retilíneo. Se este movimento ocorre numa linha reta, mas em uma forma 
curva, é chamado curvilíneo. 
O movimento de um objeto em tomo de um ponto fixo é chamado 
movimento angular, também conhecido como movimento rotatório. Todas as 
partes do objeto movem-se num mesmo ângulo, na mesma direção, ao 
mesmo tempo. Elas não percorrem a mesma distância. Falando de um modo 
geral, a maioria dos movimentos do corpo é angular, enquanto os movimentos 
feitos fora da superfície corporal tendem a ser lineares. Exceções podem ser 
encontradas. Por exemplo, o movimento da escápula em elevação/depressão 
e pronação/retração é essencialmente linear. Todavia, o movimento da 
clavícula, que é fixada à escápula, é angular e realizado através da articulação 
extraclavicular. 
 
MOVIMENTOS ARTICULARES 
Figura 18: 
 
 
 
 
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63 
 
As articulações movem-se em direções diferentes. O movimento ocorre 
em tomo de um eixo e de um plano. Os termos a seguir são usados para 
descrever os vários movimentos que ocorrem numa articulação sinovial. A 
articulação sinovial é uma articulação móvel livre, onde a maioria dos 
movimentos articulares ocorrem. 
➢ Flexão: é o movimento de dobra de um osso sobre o outro causando 
uma diminuição do ângulo da articulação. 
➢ Extensão: é o movimento que ocorre inversamente à flexão. É o 
endireitamento de um osso sobre o outro, causando aumento do 
ângulo de articulação. 
O movimento, geralmente, traz uma parte do corpo à sua posição anatômica 
após esta ser flexionada. 
 A hiperextensão é a continuação da extensão, além da posição 
anatômica. 
➢ Abdução: é o movimento para longe da linha média do corpo e adução 
é o movimento de aproximação da linha média do corpo. As exceções 
 
 
 
 
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a esta definição de linha média são os dedos e os artelhos, onde o 
ponto de referência para os dedos é o dedo médio. 
O movimento para longe do dedo médio abduz, mas aduz somente como um 
movimento de volta da adução. O ponto de referência dos artelhos é o 
segundo artelho. 
Semelhante ao dedo médio, o segundo artelho abduz da direita para a 
esquerda, mas não abduz a não ser como movimento de volta da adução. 
➢ Circundução: é a combinação de todos esses movimentos numa 
seqüência em que a parte da extremidade faz um grande círculo no ar, 
enquanto as partes próximas à extremidade proximal fazem um círculo 
pequeno. 
➢ Rotação: é o movimento de um osso ou parte dele em torno de seu 
eixo longitudinal. Se a superfície anterior se move em direção à linha 
média, é chamado medial ou rotação interna. Se a superfície anterior 
se movimenta para longe da linha média, este movimento é chamado 
rotação lateral ou externa. 
Alguns termos são usados para descrever movimentos específicos de certas 
articulações, como: 
➢ Pronação: é o movimento ao longo de um plano paralelo ao solo e para 
longe da linha média e 
➢ retração é o movimento no mesmo plano em direção à linha média. 
Ainda existem alguns termos como desvio ulnar e radial, para se referir 
à adução e abdução do punho. 
➢ Inclinação lateral: quando se refere ao tronco que se move para a 
direita ou para a esquerda. 
17- TIPOS DE CONTRAÇÕES MUSCULARES 
Há três tipos básicos de contrações musculares: 
➢ Isométrica; 
 
 
 
 
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➢ Isotônica concêntrica; e 
➢ Isotônica excêntrica. 
Contração isometrica 
Uma contração isométrica ocorre quando o músculo se contrai, 
produzindo força sem mudar o seu comprimento. O músculo se contrai mas 
nenhum movimento ocorre. O ângulo da articulação muda. 
Uma contração isotônica pode ser dividida em concêntrica e excêntrica. 
Uma contração concêntrica ocorre quando há movimento articular, o músculo 
diminui e as fixações musculares se movem em direção uma da outra. 
Uma contração excêntrica ocorre quando há movimento articular, mas 
o músculo parece alongar, quer dizer, as extremidades se distanciam. 
Contrações concêntricas 
1- Fixações musculares se movem juntas, em direção uma da outra. 
2- O movimento se faz contra a gravidade. 
3- Se o movimento acontece com gravidade, o músculo está usando uma 
força maior do que a força da gravidade. 
Contrações excêntricas 
1- As fixações musculares se movem para longe uma da outra. 
2- 0 movimento ocorre com gravidade. 
18- SISTEMA DE ALAVANCAS 
Uma alavanca é uma barra rígida que gira em torno de um ponto fixo 
quando uma força é aplicada para vencer a resistência. Uma quantidade 
maior de força ou um braço de alavanca mais longo aumentam o movimento 
de força. 
 
 
 
 
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Há três classes de alavancas, cada uma com uma função e uma 
vantagem mecânica diferente. Diferentes tipos de alavancas também podem 
ser encontrados no corpo humano. No corpo humano, a força que faz com 
que a alavanca se mova, na maioria das vezes e muscular. A resistência que 
deve ser vencida para que o movimento ocorra, inclui o peso da parte a ser 
movida, gravidade ou peso externo. A disposição do eixo em relação à força 
e a resistência vão determinar o topo de alavanca. 
Figura 19: 
 
Classe das alavancas 
Alavanca de Primeira Classe 
O eixo (E) está localizado entre a força (F) e a resistência (R).Alavanca de Segunda Classe 
O eixo (E) em uma das extremidades, a resistência (R) no meio e a força (F) 
na outra extremidade. 
 
Alavanca de Terceira Classe 
 
 
 
 
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Tem o eixo numa das extremidades, a força no meio, a resistência na 
extremidade oposta. 
A alavanca de 3ª classe é a mais comum das alavancas do corpo. Sua 
vantagem é a extensão do movimento. 
Torque 
Se for exercida uma força sobre um corpo que possa girar em torno de 
um ponto central, diz-se que a força gera um torque. Como o corpo humano 
se move por uma série de rotações de seus segmentos, a quantidade de 
torque que um músculo desenvolve é uma medida muito proveitosa de seu 
efeito. 
Para empregar o valioso conceito de torque, devemse compreender os 
fatores relacionados à sua magnitude e as técnicas para seu cálculo. A 
magnitude de um torque está claramente relacionada à magnitude da força 
que o está gerando, mas um fator adicional é a direção da força em relação à 
posição do ponto central. A distância perpendicular do pivô à linha de ação da 
força é conhecida como braço de alavanca da força. 
Um método para calcular o torque é multiplicar a força (F) que gerou 
pelo braço de alavanca (d). T = F x d 
Cadeia cinética 
É o estudo das forças que produzem ou afetam o movimento. As leis 
desenvolvidas por Newton formam a base para o estudo da cinemática. 
 
 
 
 
Figura 20: 
 
 
 
 
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19- PRIMEIRA LEI DE NEWTON 
A força tem sido definida como uma entidade que acelera um objeto 
(implica em movimento). A aceleração, seja positiva ou negativa, de um 
objeto, é a rapidez com que muda de velocidade, que é produzida por uma ou 
mais forças. 
Esta é a lei da Inércia, que afirma que um objeto permanece em seu 
estado existente de movimento a menos que sofra a ação de uma força 
externa. Assim, um objeto estacionário não começará a se mover, a menos 
que uma força externa aja sobre ele, e um objeto em movimento permanecerá 
em movimento, na mesma velocidade e direção. 
Segunda lei de newton 
A segunda lei de Newton é a lei da aceleração. Afirma que quando uma 
força externa age sobre um objeto, o objeto muda sua velocidade ou acelera-
se em proporção direta à força aplicada. O objeto irá também acelerar em 
proporção inversa à sua massa. Assim, a massa tende a resistir à aceleração. 
A fórmula bem conhecida como: F = m . a é válida para objetos que se movem 
em translação ou linearmente. 
 
 
Terceira lei de newton 
 
 
 
 
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A gravidade é uma força externa que sempre age sobre um objeto 
sobre a terra. Para equilibrar essa força crescente, uma segunda força externa 
precisa ser introduzida. Um objeto apoiado sobre uma mesa recebe ação de 
pelo menos duas forças: a da gravidade e a força exercida pela mesa. 
Assim, na medida em que o objeto sobre a mesa sofre ação da tração 
da gravidade, a mesa reage à força da gravidade com uma força igual e 
oposta. 
20- TRABALHO E ENERGIA 
Quando a força de um objeto está relacionada com a localização do 
objeto, os princípios de trabalho e energia se tornam importantes. Em 
mecânica, o trabalho refere-se ao produto de forças exercidas sobre um 
objeto e o deslocamento do objeto paralelo ao componente de força de 
resistência do objeto. 
Trabalho (W) = Força (F) x Distância (d). 
O trabalho é realizado na medida em que a força vence uma resistência 
e move o objeto em uma direção paralela ao componente de força de 
resistência. 
Energia é a capacidade de fazer trabalho. Existem muitas formas de 
energia, dentre elas a energia mecânica e o calor. O calor é geralmente 
considerado subproduto de outras formas de energia ou resulta quando uma 
forma de energia se transforma em outra. 
Um aumento de calor ocorre quando moléculas de área aquecida 
aumentam sua quantidade de movimento. A energia mecânica pode ser 
dividida em dois tipos: energia potencial e cinética. 
A energia potencial é a energia armazenada. Possui o potencial para ser 
liberada e tornar-se energia cinética, que é a energia de movimento. 
 
 
 
 
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21- A MARCHA 
"No primeiro ano de vida, há estreita relação entre as funções que 
aparecem e desaparecem e a evolução estrutural do sistema 
nervoso central. É fora de discussão que as funções mais 
elementares de sistemas mais primitivos vão sendo paulatinamente 
inibidas pelos sistemas hierarquicamente superiores (Jackson, J.)". 
Compreendemos que a marcha na criança está além do 
desenvolvimento motor, mas unido a este encontramos as sensações 
experimentadas pelo bebê no decorrer do primeiro ano de vida como sendo 
de imensa importância para o deambular, assim como para fazê-lo de forma 
correta. 
A postura do bebê deve ser vista e analisada do ponto de vista funcional 
e as compensações antálgicas que surjam devem ser corrigidas o mais 
precocemente possível. O bebê começa a deambular entre os doze e 
quatorze meses iniciais da sua vida, porém isso dependerá, e muito, das 
experiências que ele vivenciará nesta fase. 
Os primeiros passos: 
Na verdade, observamos os primeiros passos do bebê como sendo 
através do reflexo de apoio plantar (RAP) e marcha reflexa. Este teste 
neurológico serve para avaliar a maturidade a nível medular no bebê. 
Estes reflexos devem estar presentes até o segundo mês de vida. Em 
tomo dos nove meses de idade o bebê começa a ficar de pé com apoio, na 
verdade é nesta fase que o bebê começa a equilibrar-se na posição 
osteostática e assim se preparar para o início da marcha. 
Depois dessa fase o bebê começa a experimentar o ficar de pé sem 
auxílio de um apoio; esta postura intermediária entre o começo da fase de 
equilíbrio e a marcha é quando o centro de gravidade começa a se ajustar 
para os primeiros passos. 
Marcha com apoio: 
 
 
 
 
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Uma vez atingida a posição de pé, tendo as mãos apoiadas, a criança dá 
passos com a base de sustentação muito alargada. Apesar de começar a 
deambulação, a criança ainda utiliza o engatinhar para explorar o meio à sua 
volta. 
Marcha sem apoio: 
Nesta fase a criança deambula, sem apoio das mãos, com a base de 
sustentação ainda muito alargada e muita instabilidade de equilíbrio. O apoio 
plantar é feito basicamente pelo bordo medial dos pés e calcâneo. Em geral 
durante a marcha, atitude dos membros superiores, e de abdução das 
escapuloumerais, flexão dos cotovelos, a fim de auxiliar no equilíbrio do corpo 
ao deslocarse. 
Somente quando a criança começa a andar é que aparecem as 
reações de equilíbrio na posição de pé. Chamamos de alteração nesta fase a 
criança que ao deambular o faça com apoio, se andar nas pontas dos pés ou 
se claudicar. 
O colocar a criança de pé, mesmo com apoio precocemente, pode levar 
a sérios danos a coluna espinhal, assim como deformidades nos joelhos que 
irão interferir na marcha. 
A marcha: 
A terminologia marcha é descrita como referência às atividades de um 
membro. A maior unidade empregada à marcha é chamada de ciclo da 
marcha. No ato normal de caminhar, um ciclo de marcha começa quando o 
calcanhar do membro de referência contacta a superfície de sustentação, e 
este ciclo termina quando o calcanhar do mesmo membro contacta 
novamente o solo. 
O ciclo da marcha divide-se em duas fases: a primeira de apoio e 
balanço e a segunda de dupla sustentação. Na marcha normal a fase de apoio 
constitui 60% do ciclo da marcha e é definida como o intervalo em que o pé 
 
 
 
 
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do membro de referência está em apoio com o solo; a fase de balanço 
constitui 40% do ciclo da marcha, e é onde o membro de referência não 
contacta o solo. 
A dupla sustentação refere-se aos dois intervalos num ciclo da marcha 
em que o peso corporal está sendo transferido de um pé para o outro, e ambos 
os pés estão em contato com o solo, ao mesmo tempo. 
Determinantes da marcha:Durante um ciclo completo, o centro de gravidade é deslocado duas 
vezes em seu eixo vertical. O pico se dá durante o meio da postura na fase 
estática quando a perna sustentadora de peso está vertical e seu ponto mais 
baixo quando as duas pernas estão sustentando peso com posição de apoiar 
o calcanhar e a outra em ponta de dedos. 
Rotação e inclinação pélvica: 
A rotação pélvica visa diminuir a ondulação vertical, na qual a pelve 
oscila sobre um eixo da coluna lombar. O grau de compensação da pelve 
durante o passo também diminui o ângulo entre a pelve e a coxa e a perna e 
o solo. Por outro lado, a inclinação pélvica é uma queda da pelve do lado do 
balanceio. A perna de apoio está aduzida e a perna em movimento levemente 
aduzida, e fletida no quadril e joelho para se erguer do solo. 
Flexão do joelho na fase de apoio: 
O joelho durante a fase de apoio está completamente estendido quando o 
calcanhar toca o solo, o que inicia a fase de apoio para a perna quando o 
corpo se desloca sobre o seu centro de gravidade o joelho flete, o corpo passa 
sobre o pé e o joelho gradualmente reestende até a extensão total no fim da 
fase de apoio. O movimento conjugado entre o joelho e o tornozelo relaciona-
se com a ondulação da pelve. 
 
 
 
 
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No apoio do calcanhar, o tornozelo promove 90º de dorsiflexão e 
gradualmente flete em sentido plantar para se aplanar no solo quando o corpo 
se aproxima do centro de gravidade. 
A atividade muscular na marcha: 
Os músculos acionadores, estabilizadores e desaceleradores possuem 
um papel de grande importância para a realização da marcha. Os músculos 
eretores da espinha elevam a pelve e os glúteos estabilizam o quadril, durante 
o desvio lateral da pelve. Os flexores do quadril iniciam a fase de movimento 
ocasionando um pêndulo nos músculos da coxa e perna. O quadríceps exerce 
uma grande atividade muscular durante a marcha, assim como os 
abdominais, isquios-tibiais, gastrocnêmios, solear, psoas, piramidal, quadrado 
lombar. 
Podemos observar que todos os músculos, até de cadeias musculares 
mais distantes, são solidários para a realização da marcha, e mais, que o 
estado psicossocial do indivíduo altera a marcha. Observamos que um ato tão 
mecânico, e aparentemente simples, é tão complexo e envolve tantas 
articulações, músculos, centro de gravidade, equilíbrio, sistema nervoso 
central e periférico, e mesmo assim conseguimos realizar a marcha, na 
maioria das vezes, no primeiro ano de vida. 
Durante muito tempo se pensou que quanto mais cedo o bebê ficasse 
de pé e treinasse a marcha, mais rápido e eficaz esta seria. Hoje sabemos 
que a deambulação necessita de todo um aprendizado, desde o nascimento 
até a maturação dos sentidos e sentimentos, e que as experiências que o 
bebê necessita vão além de colocá-lo de pé, mais de respeito a sua 
maturação, tempo para estimulá-lo visualmente, tátil e fazê-lo querer 
experimentar o mundo. 
O caminhar é mais amplo do que o simples fato de conseguir dar alguns 
passos. É fazê-lo em direção ao bem-estar, a segurança de fazê-lo sem medo 
 
 
 
 
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do futuro, mais na confiança de que existe alguém capaz de ampará-lo no 
caso dele vir a tropeçar. 
Sendo assim, a biomecânica é definida como a aplicação de princípios 
de engenharia a sistemas biológicos, ou o estudo de forças internas e 
externas geradas por, e atuantes sobre sistemas biológicos e dos efeitos 
dessas forças sobre cada parte do organismo humano. 
A análise e avaliação do movimento humano, contudo, não 
necessariamente incluem contribuições de todos esses fatores. No entanto, 
boa parte deles são essenciais para o bom funcionamento das estruturas que 
formam o corpo lhe proporcionando um melhor desempenho e de forma 
eficiente. 
Uma boa postura é a atitude que uma pessoa assume utilizando a 
menor quantidade de esforço muscular e, ao mesmo tempo, protegendo as 
estruturas de suporte contra traumas. Os desvios posturais tais como a 
lordose cervical, cifose dorsal, lordose lombar e escoliose podem levar ao uso 
incorreto de outras articulações, tais como as dos ombros, braços, 
articulações têmporomandibulares, quadris, joelhos e pés. 
Manter posturas erradas por tempo prolongado pode acarretar 
alterações posturais ocasionando enrijecimento das articulações vertebrais e 
encurtamento dos músculos. 
Esses defeitos estruturais causam alterações das curvaturas normais 
da coluna vertebral, tornando-a mais vulnerável as tensões mecânicas e 
traumas. 
 
Lordose 
 
É o aumento anormal da curva lombar levando a uma acentuação da 
lordose lombar normal (hiperlordose). Os músculos abdominais fracos e um 
abdome protuberante são fatores de risco. Caracteristicamente, a dor nas 
costas em pessoas com aumento da lordose lombar ocorre durante as 
 
 
 
 
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atividades que envolvem a extensão da coluna lombar, tal como o ficar em pé 
por muito tempo (que tende a acentuar a lordose). 
A flexão do tronco usualmente alivia a dor, de modo que a pessoa 
freqüentemente prefere sentar ou deitar. 
Cifose 
É definida como um aumento anormal da concavidade posterior da 
coluna vertebral, sendo as causas mais importantes dessa deformidade, a má 
postura e o condicionamento físico insuficiente. Doenças como espondilite 
anquilosante e a osteoporose senil também ocasionam esse tipo de 
deformidade. 
Escoliose 
É a curvatura lateral da coluna vertebral, podendo ser estrutural ou não 
estrutural. A progressão da curvatura na escoliose depende, em grande parte, 
da idade que ela inicia e da magnitude do ângulo da curvatura durante o 
período de crescimento na adolescência, período este onde a progressão do 
aumento da curvatura ocorre numa velocidade maior. 
O tratamento fisioterápico usando alongamentos e respiração são 
essenciais para a melhora do quadro. 
 
 
 
 
OMBRO 
 
Figura 21: 
 
 
 
 
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76 
 
 
Considerações anatômicas 
A mobilidade desfrutada pelo membro superior advém em parte das 
estruturas conhecidas como o cíngulo do membro superior e articulação do 
ombro ou, mais precisamente, articulação glenonumeral. É através dessa 
unidade funcional que o braço, antebraço, punho e mão são conectados ao 
esqueleto axial e por controle dessa unidade é que o úmero pode ser 
posicionado. 
Embora estruturalmente separados, o cíngulo do membro superior e a 
articulação glenonumeral são funcionalmente inseparáveis. Os componentes 
esqueléticos do cíngulo do membro superior incluem duas clavículas, duas 
escápulas e o esterno. Estes ossos são responsáveis pela transmissão de 
forças dos membros superiores para o corpo. Esta transmissão de força 
segue, necessariamente, um caminho definido pelas articulações associadas 
ao cíngulo do membro superior. 
 
 
 
 
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O cíngulo é considerado um sistema mecânico aberto, isto é, os lados, 
esquerdo e direito não são conectados diretamente e, portanto, podem mover 
se de modo independente. A fixação indireta entre os lados esquerdo e direito 
é através do manúbrio do esterno. As escápulas não são ligadas entre si ou à 
coluna vertebral, embora se considere que existe uma conexão ou articulação 
precária entre a face anterior de cada escápula (fossa subescapular) e os 
tecidos que estão entre ela e as costelas. 
Esta é geralmente denominada articulação escapulotorácica. O ponto 
de fixação das escápulas às clavículas é a articulação acromioclavicular. Esta 
é uma articulação plana que, além de ser estabilizada pelos ligamentos 
capsulares, é auxiliada por duas estruturas ligamentosas importantes, os 
ligamentos acromioclavicular e coracoclavicular. A exemplo de muitas 
estruturas anatômicas, a denominação sugere claramente sua localização. 
O ligamento acromioclavicular serve para fortalecer, na frente, a 
articulação acromioclavicular, anaxial; o ligamento coracoclavicular, queconecta a escápula com o processo coracóide, fornece a principal proteção à 
articulação. Esse ligamento é composto de duas estruturas, os ligamentos 
conóide e trapezóide, que seguem da face superior do processo coracóide 
para a face inferior da clavícula. 
A articulação esternoclavicular (plana) dupla, triaxial, funciona em todos 
os movimentos do cíngulo do membro superior. Embora dupla, a articulação 
esternoclavicular funciona como uma articulação esferóide triaxial porque a 
clavícula se articula com o manúbrio do esterno e também com a primeira 
costela. 
A clavícula, atuando como uma escora ou braço mecânico, mantém a 
articulação glenonumeral em sua distância correta do esterno. As faces 
articulares das extremidades esternais das clavículas não são moldadas 
anatomicamente ao ponto esternal de fixação. Um disco articular aumenta o 
grau de ajuste e também atua como um amortecedor de choques para as 
 
 
 
 
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forças transmitidas da região do ombro e ajuda a prevenir luxação da 
articulação. 
O disco é fixado à clavícula e à primeira cartilagem costal. A articulação 
esternoclavicular também é protegida de deslocamento excessivo pelo 
ligamento costoclavicular, que segue da face superior medial da primeira 
costela à face inferior medial da clavícula. 
A articulação glenoumeral consiste numa cabeça do úmero quase 
hemisférica e numa cavidade glenóide relativamente rasa na margem lateral 
da escápula. O lábio glenoidal é uma estrutura na margem lateral da escápula. 
O lábio glenoidal é uma estrutura fibrosa que reveste o perímetro da cavidade 
glenóide e serve, essencialmente, para aprofundar a articulação e desse 
modo aumentar sua estabilidade. A extrema mobilidade da articulação 
glenoumeral é alcançada em sacrifício direto da estabilidade, ou resistência 
ao deslocamento. A cápsula articular, que circunda completamente a 
articulação, não é uma estrutura rígida e permite uma separação significativa 
das faces articulares durante o movimento umeral anterior e inferior. 
 A cápsula se fixa ao colo do úmero abaixo e a margem óssea da 
cavidade glenóide acima. Estruturalmente, a articulação é protegida, acima, 
pelo arco coracoacromial, formado pelo processo coracóide, acrômio e 
ligamento coracoacromial, que atravessa a distância entre estas duas 
protuberâncias. Outros ligamentos, embora não mantenham as faces 
articulares em aposição, protegem a articulação de um deslocamento. 
O ligamento coracoumeral segue do processo coracóide à face anterior 
do tubérculo maior e serve para fortalecer a cápsula articular. Os ligamentos 
glenoumerais (superior, médio, inferior) também são encontrados na parte 
anterior da articulação e constituem parte da cápsula articular. Embora difíceis 
de identificar como ligamentos individuais, eles seguem da cavidade glenóide 
ao tubérculo menor e colo anatômico do úmero. 
Fisiologia do ombro 
 
 
 
 
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79 
Figura 22: 
 
Amplitude 
➢ Extensão do ombro - 45º a 50º 
➢ Flexão do ombro - 180º (amplitude total do ombro) 
➢ Rotação interna do ombro - 95º (ultrapassa um pouco 90º) 
➢ Rotação externa do ombro - 80º (não atinge 90º) 
Abdução e adução a partir da posição da referência =3 estágios 
➢ Abdução de amplitude 60º 
➢ Abdução de amplitude 120º 
➢ Abdução de amplitude 180º 
➢ Adução amplitude muito fraca 
➢ Adução atinge amplitude de 30º a 45º 
➢ Amplitude e músculos envolvidos 
➢ Anteposição (proteção) 
➢ Peitoral maior 
➢ Peitoral menor 
➢ Serrátil anterior 
 
 
 
 
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➢ Retroposição (retração) 
➢ Rombóide 
➢ Trapézio 
➢ Grande dorsal 
Obs.: A amplitude de anteposição é maior que a da retroposição. 
➢ Abdução de 90º no plano frontal 
➢ Músculo deltóide 
➢ Músculo supra-renal 
➢ Músculo trapézio 
➢ - Antepulsão + adução anterior = 140º 
➢ Músculo "deltóide (feixe clavícula)" 
➢ Músculo "sub escapular" 
➢ Músculo "peitoral maior" 
➢ Músculo "peitoral menor” 
➢ Músculo "serrátil anterior" 
➢ Retropulsão + adução posterior + 30º 
➢ Músculo "deltóide" 
➢ Músculo "infra espinhal" 
➢ Músculo "redondo maior" 
➢ Músculo "redondo menor" 
➢ Músculo "rombóide" 
➢ Músculo "trapézio" 
➢ Músculo "grande dorsal" 
➢ Cintura escapular 
A cintura escapular consiste de dois pares de ossos: 
1 clavícula de cada lado 
1 escápula de cada lado 
 
22- ARTICULAÇÕES 
 
 
 
 
 
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Articulação esternoclavicular - é a que se dá entre a ponta medial da 
clavícula e o manúbio do esterno. E uma articulação sinovial em sela. Há um 
disco cartilaginoso entre as duas faces, que ajuda a articulação a mover-se 
melhor, reduzindo a incongruência das superfícies e absorvendo o choque 
transmitido através do membro superior para o esqueleto axial (D.1). 
Articulação acromioclavicular - é uma pequena articulação sinovial entre a 
ponta lateral da clavícula e o processo acromial da escápula (D.2). 
Articulação glenoumeral - é a função entre a cabeça do úmero e a cavidade 
glenóide. É uma articulação sinovial, esferóide e multiaxial. É a frouxidão da 
cápsula que permite que a articulação possua uma grande amplitude de 
movimento, mas a faz vulnerável a luxações (D.1). 
Articulação carococlavicular - é onde a superfície inferior da clavícula passa 
na proximidade do processo coracóide da escápula. A forte união desta 
articulação fibrosa garante que a escápula e aclavícula movam-se como uma 
unidade e também ajuda a transferir o choque do membro superior a forte 
extremidade medial da clavícula. 
 
23- LIGAMENTOS 
 
➢ ligamento interclavicular 
➢ ligamento costoclavicular 
➢ ligamento acromioclavicular 
➢ ligamento conóide 
➢ ligamento trapezóide 
➢ ligamento capsular 
➢ ligamento transversoumeral 
➢ ligamento glenoumeral 
 
 
 
 
 
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24- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ROTAÇÃO INTERNA 
(MEDIAL) E EXTERNA (LATERAL) DO OMBRO 
 
➢ Músculo subescapular - Rotação interna medial II 
➢ Movimento acessório: 
➢ Adução fraca do úmero 
➢ Músculo peitoral maior - Adução horizontal do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Flexão do úmero 
➢ Rotação mediana interna do úmero 
➢ Músculo grande dorsal - Extensão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Adução do úmero 
➢ Adução horizontal 
➢ Rotação medial 
➢ Músculo redondo maior - Extensão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Adução do úmero 
➢ Rotação medial (interna) 
➢ - Músculo infra espinhal - Rotação externa lateral do 
➢ úmero II 
Movimento acessório: 
➢ Extensão do ombro 
➢ Abdução horizontal do úmero 
➢ Músculo redondo menor - Rotação externa lateral 
➢ do úmero II 
Movimento acessório: 
➢ Extensão fraca do ombro 
➢ Adução do ombro 
 
 
 
 
 
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25- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NOS MOVIMENTOS 
ESCAPULARES 
 
➢ Músculo trapézio (fibras superiores) - Elevação da 
➢ escápula II 
Movimento acessório: 
➢ Extensão do pescoço 
➢ Músculo elevador da escápula - Elevação da escápula 
➢ Músculo trapézio (fibras inferiores) - Depressão da escápula II 
Movimento acessório: 
➢ Adução da escápula 
➢ Músculo serrátil anterior - Abdução da escápula 
Movimento acessório: 
➢ Rotação para cima da escápula 
➢ Músculo peitoral menor - Abdução da escápula 
Movimento acessório: 
➢ Rotação para baixo da escápula 
 
26- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA FLEXÃO E EXTENSÃO 
DO OMBRO 
 
➢ Músculo deltóide anterior - Faz flexão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Adução horizontal 
➢ Rotação medial 
➢ Abdução do ombro 
➢ Músculo coracobraquial - Faz flexão do ombro 
➢ Músculo grande dorsal - Extensão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Adução do úmero 
 
 
 
 
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➢ Adução horizontal 
➢ Rotação medial (interna) 
➢ Músculo redondo maior - Faz extensão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Adução do úmero 
➢ Rotação medial (interna) 
➢ Músculo deltóide superior - Faz extensão do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ Abdução horizontal 
➢ Rotação lateralexterna 
 
27- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ABDUÇÃO E ADUÇÃO 
DO OMBRO 
 
➢ Músculo medial - faz abdução do ombro 
➢ Músculo supra-espinhal - inicia a abdução do úmero 
➢ Músculo trapézio (fibras mediais) - adução da escápula 
➢ Músculo rombóide maior e menor - adução da escápula II 
Movimento acessório: 
➢ rotação da escápula para baixo 
 
28- MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA ADUÇÃO E ABDUÇÃO 
HORIZONTAL DO OMBRO 
 
➢ Músculo deltóide posterior - abdução horizontal do ombro 
➢ Músculo peitoral maior - abdução horizontal do ombro II 
Movimento acessório: 
➢ flexão do úmero 
➢ rotação medial interna do úmero 
 
 
 
 
 
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29- OS MOVIMENTOS DA ESCÁPULA 
 
➢ Elevação - elevantador da escápula e trapézio (parte posterior) 
➢ Abaixamento - peitoral menor, trapézio inferior, serrátil anterior e 
posterior 
➢ Abdução da escápula (para frente) – serrátil anterior 
➢ Adução da escápula (para trás) - rombóide e trapézio 
 
30- MÚSCULOS QUE COMPÕEM O "MANGUITO 
ROTADOR" 
 
O manguito rotador é uma convergência de todos, semelhante a um 
capuz; são músculos superiores que possuem a função de manter firme a 
cabeça do úmero junto à cavidade glenóide; são eles: 
➢ Músculo infra-espinhal - faz a adução do braço e é fraco rotador lateral 
e flexor. 
➢ Músculo supra-espinhal - gira lateralmente, faz abdução (parte 
posterior), adução (parte inferior). 
➢ Músculo redondo menor - gira lateral e faz adução do braço. 
➢ Músculo subescapular - faz giro medial do braço, flexão e extensão do 
braço, adução e abdução. 
 
31- MÚSCULOS QUE LIGAM O OMBRO AO BRAÇO E SUAS 
FUNÇÕES 
 
Músculo deltóide - faz abdução do braço, é a parte clavicular e 
adjacente ao acrômio, flexionam obraço. As partes espinhais e adjacentes 
das porções acromiais estendem o braço medialmente, a porção dorsal e gira 
lateralmente o braço. 
 
 
 
 
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Músculo coracobraquial - faz flexão do braço e do antebraço, e faz 
supinação da mão. 
Músculo tríceps braquial - porção longa, aduz o braço. 
Músculo infra-espinhal - faz adução do braço, é fraco rotador lateral e 
flexor. 
Músculo supra-espinhal - gira lateralmente, faz abdução (parte 
posterior) e adução (parte inferior). 
Músculo redondo menor - gira lateral e faz adução do braço. 
Músculo redondo maior - adução, extensão e giro medial do braço. 
Músculo subescapular - giro medial do braço e flexão, extensão do 
braço, adução e abdução. 
 
Figura 23: 
 
 
 
 
 
 
 
 
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87 
32- PUNHO E MÃO 
Figura 24: 
 
 
Considerações anatômicas 
Todos os elos que compõem o membro superior podem, em última 
análise, ser relacionados ao asseguramento da função de movimentos 
especializados da mão. Tarefas motoras finas, como as executadas por um 
neurocirurgião, são realizadas com a mesma estrutura anatômica usada por 
um carateca para partir fibras de madeira e tijolos, uma tarefa grosseira cujo 
principal requisito é a transmissão de força. 
A mão é composta de 27 ossos e mais de 20 articulações. Os ossos, 
divididos em três grupos, são os oito carpais, cinco metacarpais e três fileiras 
de falanges. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 25: 
 
Os ossos do carpo, classificados como irregulares, são o escafóide, 
semilunar, piramidal e piriforme, trapezóide, trapézio, capitato e uncinado. Os 
cinco ossos do metacarpo têm uma base proximal, um corpo e uma cabeça 
distal. As três fileiras de falange são as fileiras proximal, média e distal. O 
polegar não possui uma falange média. 
O punho é constituído pelas articulações radiocárpica e intercárpicas. 
A primeira, uma articulação elipsóide, é formada pela extremidade 
distal do rádio, um disco articular e três dos quatro ossos na fileira proximal 
do carpo. 
 A articulação radiocárpica é separada da fileira proximal de carpais por 
um disco articular fibrocartilagíneo. Os três carpais envolvidos formam uma 
face convexa lisa que recebe a extremidade distal côncava do rádio e admite 
movimentos planares (anaxiais). 
As articulações intercárpicas são divididas em três grupos: as 
articulações entre os ossos escafóide, semilunar, piramidal e isiforme; as 
articulações entre o capitato, uncinado, trapezóide e trapézio; e a articulação 
mediocárpica, entre as fileiras proximal e distal. 
Os ligamentos da articulação radiocárpica incluem uma extensa 
cápsula articular e o radiocárpico palmar, radiocárpico dorsal, colateral ulnar 
 
 
 
 
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do carpo e colateral radial do carpo. As articulações intercárpicas são 
sustentadas por uma complexa rede de ligamentos. 
As articulações carpometacárpicas incluem as dos quatro dedos 
mediais e a do polegar. A articulação carpometacárpica do polegar é formada 
pela base do primeiro metacarpal e o trapézio. Contudo, as articulações 
carpometacárpicas dos quatro dedos mediais são sinoviais planas. A 
articulação carpometacárpica do polegar tem uma cápsula articular 
relativamente frouxa que é reforçada pelos ligamentos carpometacárpicos 
palmar (radial) e dorsal (anterior e oblíquo posterior) laterais do polegar. 
Os ligamentos das articulações carpometacárpicas são os 
carpometacárpicos dorsais, carpometacárpicos palmares e carpometa-
cárpicos interósseos. As extremidades distais dos metacarpais formam 
articulações elipsóides com as extremidades proximais das falanges 
proximais, as articulações metacarpofalângicas (MF). 
 
33- MOVIMENTOS ARTICULARES 
 
A articulação radiocárpica produz circundução. A articulação permite 
todos os movimentos, exceto rotação em tomo de seu eixo longitudinal. O 
movimento no plano frontal inclui a abdução, às vezes referida como desvio 
radial ou flexão radial e adução, as vezes referida como desvio ulnar ou flexão 
ulnar. No plano sagital, o punho se estende e se flete. A flexão faz com que a 
palma se aproxime da face do antebraço. O movimento das articulações 
intercárpicas é desprezível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 26: 
 
 
As articulações carpometacárpicas são de dois tipos: a do polegar é 
uma articulação selar, permitindo movimentos extensos e peculiares. As 
demais são do tipo plano. A segunda e terceira articulações 
carpometacárpicas não permitem praticamente nenhum movimento; a quinta 
e, até certo ponto, a quarta permitem uma leve flexão, movimento observado 
quando se põem as mãos em concha. 
A articulação MF do polegar é uma articulação em dobradiça que 
admite apenas flexão e extensão. As outras quatro articulações MF são 
elipsóides, com capacidades de flexão-extensão e abdução-adução. A 
abdução geralmente é referida como desvio radial ou flexão radial e 
representa o movimento dos dedos para longe do dedo médio. O movimento 
inverso, adução, geralmente é denominado desvio ulnar ou flexão ulnar. 
Todas as articulações IF são ginglimos que permitem apenas a flexão 
e a extensão. Estruturas ligamentosas previnem hiperextensão destas 
articulações 
 
34- MÚSCULOS E MOVIMENTOS DO POLEGAR E OUTROS 
DEDOS 
A flexão do punho é predominantemente uma função da ação 
sincrônica do flexor radial do carpo, flexor ulnar do carpo e flexor superficial 
 
 
 
 
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dos dedos. Foi relatado que o flexor profundo dos dedos não exerce um papel 
na flexão do punho, embora sua posição sugira uma possível contribuição, 
assim como as posições do palmar longo e flexor longo do polegar. Esses 
músculos, juntamente com o pronador redondo, compõem o que é 
denominado grupo flexor superficial do antebraço. 
Há três extensores principais do punho: extensor radial longo do carpo, 
extensor radial curto do carpo e extensor ulnar do carpo. Durante o 
cerramento do punho, o extensor radial longo do carpo é muito ativo, ao passo 
que o extensor radial curto do carpo é quase inativo. Em virtude de sua 
posição, os extensoresdos dedos, do dedo mínimo, longo do polegar e do 
indicador são considerados extensores auxiliares do punho. Um grupo 
extensor superficial do antebraço é composto pelos extensores radiais longo 
e curto do carpo, extensor dos dedos, extensor do dedo mínimo, extensor 
ulnar do carpo e os músculos da articulação do cotovelo braquiorradial e 
ancôneo. O desvio radial e ulnar (abdução e adução) resultam da contração 
sinérgica de músculos que são responsáveis primariamente pela flexão e 
extensão do punho. 
A abdução resulta da contração do flexor e extensor radiais do carpo. 
O extensor dos dedos e flexor dos dedos são ativos e podem contrair-se com 
uma adução extrema do punho ou amplitude do movimento de abdução. A 
abdução pode ser auxiliada pelo grupo extensor profundo (abdutor longo do 
polegar, extensor curto do polegar, extensor longo do polegar, extensor do 
indicador e supinador) devido às suas linhas de tração. 
Os músculos intrínsecos da mão são subdivididos em três grupos os do dedo 
polegar, encontrados no lado radial e responsáveis pela eminência tenar; os 
do dedo mínimo, encontrados no lado ulnar e responsáveis pela eminência 
hipotenar; e os no meio da mão e entre os metacarpais. 
Os pequenos músculos intrínsecos da mão estão associados aos movimentos 
dos dedos. Dividem-se em três grupos - os quatro lumbricais, os quatro 
interósseos dorsais e os três interósseos palmares. Os lumbricais se localizam 
 
 
 
 
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92 
na palma, e os interósseos, entre os metacarpais. Todos servem para fletir as 
falanges proximais e estender as falanges médias e distais. 
Três músculos atuantes apenas sobre o dedo mínimo, o abdutor do 
dedo mínimo, flexor curto do dedo mínimo e oponente do dedo mínimo, 
também são músculos intrínsecos da mão. 
A flexão do polegar ocorre quando o primeiro metacarpal é movido 
transversalmente à palma: a extensão é o movimento de retomo. A abdução 
do polegar a partir da posição anatômica ocorre quando o primeiro metacarpal 
afasta-se do segundo num plano perpendicular ao da mão. A adução do 
polegar é o movimento de retorno. A oposição do polegar aos dedos é uma 
ação peculiar e crucial da mão humana e envolve uma combinação de 
Abdução, circundução e rotação que traz a ponta do polegar para uma posição 
olhando para as pontas dos dedos, ou em oposição a elas. Oito músculos 
atuam sobre o polegar, dos quais quatro são intrínsecos da mão. Os músculos 
extrínsecos são o extensor longo do polegar, extensor curto do polegar. 
Abdutor longo do polegar e flexor longo do polegar. Os quatro músculos 
intrínsecos, que se originam na eminência tenar, são o flexor curto do polegar, 
oponente do polegarabdutor curto do polegar e adutor do polegar. Os 
movimentos do polegar são função de complexas interações 
neuromusculares e mecânicas entre os músculos intrínsecos e extrínsecos. 
Uma medida da complexidade e, portanto, da importância do polegar à função 
normal da mão é refletida pelo fato de que o valor do polegar foi estimado 
entre 40 e 50% de toda a mão. 
A extensão das articulações do polegar está sob controle dos 
extensores longo e curto do polegar, que atuam nas falanges e metacarpais. 
O oponente do polegar e abdutor curto do polegar são músculos tenares 
ativos durante a extensão do polegar. O flexor curto do polegar desempenha 
um importante papel no posicionamento do polegar sem carga próximo às 
pontas dos dedos, enquanto o flexor longo do polegar geralmente é inativo. 
Este, entretanto, parece fornecer a maior parte da força necessária 
para neutralizar cargas aplicadas ao polegar nessa posição, não importando 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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se a falange distal está fletida ou estendida. O fator limitante na força da 
preensão pode de fato ser uma função da incapacidade de o polegar opor-se 
a cargas. 
Para a adução do polegar contribuem o extensor longo do polegar, 
flexor longo do polegar, flexor curto do polegar e adutor do polegar. A 
contribuição do flexor e extensor longo do polegar é solicitada para trabalhar 
contra uma carga e, ao neutralizar as tendências dos outros músculos a fletir 
ou estender o polegar, propicia um torque de adução resultante. Os músculos 
hipotenares, são o palmar curto, abdutor do dedo mínimo, flexor curto do dedo 
mínimo e oponente do dedo mínimo. 
Quando o polegar é suavemente colocado em oposição aos lados e 
pontas de cada um dos dedos mediais, os músculos tenares são mais ativos 
que os hipotenares. Dos músculos tenares, o oponente é o mais ativo e o 
flexor curto do polegar o menos ativo. O músculo hipotenar mais ativo é o 
oponente do dedo mínimo. À medida que a força de oposição aumenta, a 
atividade do flexor curto do polegar aumenta, tornando-se dominante. 
Os dedos e seus movimentos exemplificam como o conhecimento do 
tipo de articulação e da direção da linha de tração dos músculos envolvidos 
não fornece todas as informações necessárias para determinar o movimento 
qualitativamente. A complexa expansão extensora, uma estrutura tendínea 
altamente especializada, é um importante determinante do movimento dos 
dedos. 
Na posição lumbrical, os lumbricais e interósseos dorsais e palmares 
não podem simultaneamente fletir a articulação MF e estender as articulações 
IFP e IFD. Na posição em gancho, a contração dos flexores longos dos dedos 
é necessária à flexão das IFP e IFD mas também é acompanhada de um 
indesejável torque de flexão na MF. 
Para anular o torque contraproducente, o extensor dos dedos se 
contrai, mas assim fazendo tende a causar extensão das IFP e IFD. Essas 
ineficiências aparentes podem ser explicadas pela natureza dos sistemas de 
 
 
 
 
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94 
alavancas e pela tensão passiva gerada por antagonistas alongados. Os 
lumbricais e interósseos tendem a ser o sistema muscular dominante na 
articulação MF. Segundo o extensor dos dedos domina a articulação MF 
quando os lumbricais não estão ativos. Terceiro, os flexores longos dominam 
as articulações IFP e IFD mesmo quando o extensor dos dedos está ativo. 
Na posição lumbrical, os lumbricais e interósseos causam flexão da 
MF, que alonga o tendão do músculo extensor dos dedos e 
subseqüentemente causa extensão das articulações IFP e IFD. Na posição 
em gancho, o músculo extensor dos dedos e os flexores longos contribuem. 
O primeiro domina a articulação MF e os dois últimos dominam as articulações 
IFP e IFD. Na flexão completa, os flexores longos dominam as articulações 
MF, IFP e IFD, mas o estiramento imposto à expansão extensora deve ser 
aliviado por algum grau de extensão do punho ou, no mínimo, evitando-se a 
flexão do punho. 
O movimento de preensão é geralmente considerado como a categoria 
de movimentos da mão nos quais a mão segura um objeto. Os movimentos 
de preensão são classificados como aperto de potência ou aperto de precisão. 
No primeiro, todos os músculos extrínsecos contribuem para a força. Os 
músculos interósseos e tenares são usados no aperto de potência, mas os 
lumbricais (excluindo o quarto) não são ativos. 
O movimento grosseiro e força compressiva necessários no aperto de 
precisão são proporcionados por músculos extrínsecos específicos. Os 
músculos intrínsecos, entretanto, fornecem as características de controle fino 
da preensão. Se um objeto precisa ser girado na mão, os interósseos são 
importantes para abduzir e/ou aduzir as articulações MF, e os lumbricais 
abduzem e/ou aduzem e giram a falange proximal. 
Os interósseos propiciam alterações delicadas na compressão, e o 
flexor curto do polegar oponente do polegar e abdutor do polegar fornecem 
forças de adução transversalmente à palma. 
 
 
 
 
 
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95 
35- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS DAS LESÕES DO 
PUNHO E MÃO 
O traumatismo de várias regiões do membro superior proximais ao 
punho e mão freqüentemente resulta em disfunção distal. Três nervos do 
membro superior, o ulnar, o medianoe o radial, estão sujeitos a lesão e 
influenciam diretamente a função da mão. As lesões do cotovelo podem afetar 
o nervo ulnar quando o mesmo passa entre o epicôndilo medial e o olécrano, 
onde é coberto apenas por fáscia e pele. 
A abdução e adução dos dedos, exceto o polegar, e a flexão do quarto 
e quinto dedo são afetadas por uma lesão do nervo ulnar. O nervo mediano é 
o nervo para o lado radial do antebraço e mão. Um dos muitos ramos desse 
nervo supre a maioria dos músculos da eminência tenar, e a lesão do nervo 
pode afetar profundamente a função do polegar. O nervo radial supre os 
músculos extensores do braço e antebraço. Espiralando-se em volta do úmero 
a partir do plexo braquial, o nervo radial pode ser lesado em decorrência de 
lesões do complexo do ombro como luxações e fraturas, afetando assim o 
movimento no punho e na mão. 
O canal do carpo é uma área relativamente constrita localizada na face 
anterior do punho através da qual passam os oito tendões flexores, o flexor 
longo do polegar e o nervo mediano. O canal é formado em três lados pelos 
ossos do carpo e no quarto lado pelo ligamento cárpico palmar. 
A síndrome do canal do carpo resulta de uma compressão que pode 
ser iniciada por micro ou macrotraumatismos, tenossinovite (inflamação de 
uma bainha tendínea) dos tendões flexores, fratura, ou luxação de qualquer 
um dos carpais. Basicamente, a tumefação do conteúdo do canal ou uma 
constrição do canal comprime o nervo mediano. Os resultados são uma gama 
de sintomas na distribuição do nervo mediano, desde formigamento dos 
dedos indicador e médio a atrofia dos músculos tenares. 
 
 
 
 
 
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96 
36- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL 
Figura 27: 
 
 
A articulação do quadril é uma articulação esferóide. É formada pelo 
encaixamento da cabeça do fêmur no acetábulo do osso do quadril. 
Movimentos articulares 
A despeito da estabilidade inerente proporcionada à articulação por sua 
arquitetura e sustentação ligamentosa, a articulação do quadril demonstra um 
alto grau de mobilidade. Os movimentos permitidos pelo quadril, descritos 
com referência ao fêmur, incluem a flexão e extensão no plano sagital, 
abdução e adução no plano frontal e rotação medial e lateral no plano 
transversal. 
O posicionamento do corpo do fêmur, por meio do colo femural, a uma 
certa distância da pelve óssea, ajuda a prevenir restrições à amplitude 
movimento de articulação do quadril que poderiam resultar de colisão. O 
ângulo colo-corpo permite que o corpo do fêmur se posicione mais 
lateralmente em relação à pelve. No plano frontal, com referencia ao eixo 
longitudinal do fêmur, o ângulo colo-corpo normal é de aproximadamente 
125º. A deformidade na qual o ângulo é maior, denominada coxa vara, e a 
deformidade na qual o ângulo é menor, denominada coxa valga, causam 
alterações na transmissão de forças para o fêmur e a partir dele. Um segundo 
 
 
 
 
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ângulo, o de anteversão, é o ângulo no qual o colo se projeta do fêmur na 
direção ânteroposterior. 
Embora haja uma grande variação entre indivíduos, o valor normal é 
cerca de 12º a 14º. A articulação do quadril pode mover-se 
independentemente do cíngulo do membro inferior, mas pode ser 
complementada por inclinações da pelve. A diferença do sistema aberto do 
cíngulo do ombro, o sistema fechado do cíngulo pélvico impossibilita 
movimentos no lado direito independentes do esquerdo. Na posição ereta, as 
aberturas superior e inferior da pelve formam ângulos com o plano horizontal, 
de aproximadamente 50º-60º e 15º, respectivamente. Este ângulo denomina-
se inclinação da pelve. 
As inclinações da pelve são rotações medidas com referência à 
inclinação pélvica e classificadas em relação às articulações dos quadris e 
lombossacral. A articulação do quadril demonstra sua maior amplitude de 
movimento no plano sagital, no qual se observa que a flexão pode chegar a 
140º e a extensão a 15º. A abdução também pode atingir 30º e a adução um 
pouco menos que isto, 25º. A adução deve ser acompanhada de alguma 
flexão. O grau de flexão do quadril afeta a magnitude da rotação medial e 
lateral. 
Numa posição estendida, na qual os efeitos limitadores dos tecidos 
ligamentosos se manifestam, as amplitudes de rotação medial e lateral se 
reduzem para 70º e 90º, respectivamente. 
37- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO QUADRIL 
Vinte e dois músculos atuam sobre a articulação do quadril. Foram 
apresentados vários esquemas de classificação, mas um método singelo é 
identificar os músculos que dão contribuições importantes para cada uma das 
ações possíveis na articulação do quadril. Os membros do grupo flexor 
incluem o psoas e o ilíaco, os agonistas primários e o reto da coxa. 
O grupo extensor do quadril inclui os músculos do jarrete: 
semimembranáceo, semitendíneo e cabeça longa do bíceps da coxa. O grupo 
 
 
 
 
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adutor do quadril é composto pelo grácil, adutor longo, adutor curto, adutor 
magno e pectíneo. O grupo abdutor é composto de vários músculos que 
atuam predominantemente em outras ações articulares. 
A rotação lateral é uma função de parte do glúteo máximo, reto da coxa 
e um grupo de seis músculos geralmente agrupados como os rotadores 
laterais. 
38- MÚSCULOS BIARTICULARES (multiarticulares) 
Músculos biarticulares são aqueles que atravessam várias articulações 
e criam cinética significativa nessas articulações. Os músculos do membro 
inferior são freqüentemente empregados como exemplos anatômicos e 
objetos de pesquisa a respeito dos mecanismos de seu controle pela parte 
central do sistema nervoso e as resultantes ações articulares. Markee et al 
sugerira que os músculos biarticulares podem atuar numa extremidade sem 
influenciar a outra; esta hipótese foi contestada por Basnuajian e De Luca. A 
regra geral acerca de um músculo biarticular é que ele traciona ambos seus 
tendões não seletivamente em direção ao ventre do músculo, deste modo 
influenciando as articulações. 
Um músculo biarticular não pode atuar como um músculo monoarticular 
sem o auxílio de outros músculos, a menos que uma das ações articulares 
seja estabilizada por outros músculos. O efeito cinético do músculo sobre a 
segunda articulação é diminuído. Um exemplo simples da atividade de um 
músculo multiarticular é o paradoxo do psoas, no qual o músculo psoas, 
enquanto flete o quadril, causa hiperextensão da região lombossacral através 
de inclinação pélvica anterior, embora o psoas seja considerado flexor do 
tronco. 
O paradoxo, a inversão do papel de flexão/extensão, pode ser 
observado durante exercícios como os "abdominais" com os membros 
inferiores estendidos e elevações de ambos os membros inferiores. As 
vértebras lombares são puxadas para frente e para baixo pela contração do 
psoas. 
 
 
 
 
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A contração simultânea dos músculos do abdome evita a inclinação 
anterior da pelve a menos que esses músculos estejam fatigados ou fracos; 
assim, a pelve não gira para frente nem as vértebras lombares são 
hiperestendidas. Durante algumas combinações de ações articulares, os 
movimentos criados por músculos biarticulares são mais eficientes do que se 
fossem criados por músculos monoarticulares. Durante a corrida, por 
exemplo, logo antes do contato do calcanhar, os extensores do quadril 
realizam trabalho positivo sobre o quadril, ao mesmo tempo em que realizam 
trabalho negativo sobre a perna para desacelerar a extensão no joelho. 
Felizmente, os músculos do jarrete realizam ambas as funções 
simultaneamente a um baixo custo metabólico. 
Elftman estimou o dispêndio de energia por músculos bi e 
monoarticulares para realizar essa tarefa em 2,61 e 3,97 cavalos força, 
respectivamente. A execução por um músculo biarticular representa uma 
economia de energia superior a 34%. As ações tendínea, de correia de 
transmissão e de polia são característicasatribuídas a músculos biarticulares 
porque esses músculos não podem causar uma amplitude total de movimento 
simultaneamente em ambas as articulações sobre as quais atuam. 
Quando o quadril e o joelho se fletem simultaneamente, como no 
movimento preparatório de um chute de caratê, ou se estendem ao mesmo 
tempo, como na fase de ataque do chute, o músculo se contrai mas não perde 
tanto de seu comprimento quando dois músculos monoarticulares poderiam 
se executassem a mesma ação. 
39- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES 
DAS REGIÕES DA PELVE E QUADRIL 
Pelve 
A crista ilíaca é particularmente suscetível a lesões devido à sua 
localização superficial e à massa de tecidos moles na área vizinha. As 
contusões incluem periostite da crista ilíaca, entorse e avulsões musculares. 
Mais graves, obviamente, são as fraturas do osso ilíaco, as quais são 
 
 
 
 
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100 
infreqüentes porque a maioria dos esportes que envolvem forças que podem 
acarretar este tipo de lesão exige acolchoamento protetor. Corridas e saltos 
vigorosos podem causar fraturas da espinha ilíaca ânterosuperior. 
 
40- ARTICULAÇÃO DO QUADRIL 
A articulação do quadril é extremamente estável e tem uma grande 
amplitude de movimento. Enquanto para atletas o joelho parece mais 
suscetível a lesões muito graves, para a população não-atlética há estatísticas 
assustadoras acerca de fraturas do quadril. Por exemplo, a osteoporose, uma 
condição óssea degenerativa que afeta principalmente mulheres acima de 45 
anos de idade, é a causa de 1,3 milhão de fraturas por ano. Destas fraturas, 
200.000 são no quadril e 40.000 destas causam complicações que levam á 
morte. 
As fraturas do quadril, então, representam a principal causa de morte 
em indivíduos idosos nos EUA. As fraturas do quadril ocorrem menos 
freqüentemente em negros acima de 45 anos que em brancos dessa idade, 
mas as razões para esta diferença são obscuras. A lesão de tecidos moles na 
região do quadril é uma ocorrência em mais comum em atletas que em não 
atletas. 
Lesões relacionadas a estiramento são amiúde relatadas, 
particularmente envolvendo músculo e nervo. Outros fatores que tomam essa 
região suscetível a lesões são a extrema amplitude de movimento, as 
potentes contrações musculares associadas á região durante atividades como 
as diversas formas de locomoção e as abruptas mudanças de direção e 
posição, comuns em atividades desportivas e recreativas. 
41- A ARTICULAÇÃO DO JOELHO 
A articulação do joelho, tipicamente classificada como uma sinovial em 
dobradiça, é a maior e mais complexa articulação do corpo. E vulnerável em 
atletas e supostamente também em não-atletas. Investigadores finlandeses 
relataram recentemente que em homens e mulheres a articulação do joelho 
 
 
 
 
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101 
é o local mais comum de lesão desportiva que requer cirurgia, e que a 
freqüência em mulheres é significativamente mais alta que em homens. 
O movimento do joelho é denominado por flexão e extensão, mas 
normalmente ocorre nos planos sagital, frontal e transversal. Três articulações 
compõem o joelho: duas tibiofemorais e a patelofemoral. 
Figura 28: 
 
 
As duas primeiras são os locais onde os côndilos femorais medial e 
lateral fazem contato, através de cartilagem articular interposta, com a face 
articular superior da tíbia. A articulação patelofemoral é composta pelas face 
articular da patela e face patelar do fêmur. A patela é um osso sesamóide, 
que se caracteriza por seu desenvolvimento dentro de um tendão, neste caso 
o tendão do músculo quadríceps da coxa. 
A maioria dos casos de luxação do joelho é na verdade uma luxação 
da patela. A cápsula articular do joelho à diferença de outras articulações, não 
forma uma estrutura envolvente completa da articulação. Os poucos 
ligamentos capsulares verdadeiros que conectam os ossos são auxiliados por 
tecidos tendíneos dos músculos associados à articulação. O ligamento da 
patela é a continuação do tendão do músculo quadríceps da coxa clistal à 
patela. É extremamente forte e segue da patela para a tuberosidade da tíbia. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
102 
Resiste à tendência da face tibial superior de deslocar-se para frente com 
referência ao fêmur durante alguns tipos de movimento. 
Outras estruturas ligamentosas importantes que servem para 
estabilizar a articulação do joelho incluem os ligamentos poplíteo oblíquo, 
poplíteo arqueado, colaterais medial e lateral e cruzados anterior e posterior. 
Os meniscos medial e lateral desempenham um importante papel a 
função do joelho. Auxiliam diretamente a estabilização da articulação, 
aprofundando as faces articulares da tíbia, servindo como fonte de absorção 
de choque e transmissão de forças ao aumentar a área de superfície articular, 
aumentando a eficiência da lubrificação articular e fixando-se aos 05505 e 
outros tecidos moles das articulações que restringem alguns tipos de 
movimento. 
42- MOVIMENTOS ARTICULARES 
O movimento da articulação do joelho, embora mensurável ao redor 
dos três eixos, é dominado por flexão e extensão no plano sagital. A amplitude 
movimento da extensão completa (0º) à flexão completa é de 
aproximadamente 140º. O movimento do joelho no plano transversal 
acompanha tipicamente a flexão e extensão e é referido como rotação tibial e 
medial e lateral. 
O movimento no plano transversal é uma função da posição do joelho 
no plano sagital. Nenhuma rotação do joelho é permitida quando o joelho está 
completamente estendido; contudo, até 45º de rotação lateral e 30º de rotação 
medial são possíveis quando o joelho está fletido até 90º. Na extensão 
completa, a rotação é restrita pela arquitetura óssea da articulação, enquanto 
além de 90º de flexão o movimento é limitado pelos tecidos moles esticados 
ao redor da articulação. 
Costigan e Reid descreveram a rotação tibial durante excursões de 
flexão e extensão do joelho. Essas ações simultâneas são importantes no 
movimento normal do joelho. Mediu-se o torque radial no joelho e verificou-se 
que este é uma função da posição do pé. A menor quantidade de torque 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
103 
dirigido lateralmente foi encontrada quando o pé estava girado lateralmente 
em 17º. Costigan e Reid verificaram que há de fato uma posição do pé, maior 
que 17º mas menor que 50º, na qual o torque radial no joelho é reduzido a 
zero; esta posição varia entre indivíduos e tem implicações para exercícios 
como o agachamento com pés paralelos e saltos verticais, que exigem flexões 
dos joelhos e extensões do membro sustentador do peso. 
 
43- MÚSCULOS DA ARTICULAÇÃO DO JOELHO 
 
Doze músculos atuam na articulação do joelho e são classificados em 
três grupos: o jarrete, o quadríceps da coxa e músculos não-classificados. O 
grupo do jarrete inclui os músculos semitendíneo, semimembranáceo e bíceps 
da coxa. 
O quadríceps da coxa é constituído pelos músculos reto da coxa e três 
vastos - vasto lateral, medial e intermédio. 
O grupo de músculos não-classificados da articulação do joelho inclui 
o sartório, o grácil, o poplíteo, o gastrocnêmio e o plantar. Os dois últimos 
músculos atuam predominantemente na articulação do tornozelo, embora 
passem atrás da articulação do joelho e possuam alguma capacidade de 
flexão. 
 
Mecanismo de bloqueio do joelho 
 
Normalmente, quando o joelho está completamente estendido numa 
posição ereta normal, a linha de gravidade passa na frente do ponto de 
contato tibiofenural. Assim, o joelho é mantido em extensão pelo torque 
gravitacional. Devido à disparidade nos diâmetros dos côndilos femorais 
medial e lateral e dos meniscos correspondentes, a contração continuada do 
quadríceps da coxa pode, e é necessária para causar rotação lateral do fêmur 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
104 
sobre a tíbia. Esta rotação faz com que o fêmur se assente mais intimamente 
nos meniscos no que foi denominadode decisão clínica em um ato extremamente complexo. 
Para a tomada de decisão, podem tanto recorrer a evidências trazidas 
por outros pesquisadores - em livros e periódicos- quanto perceber a 
necessidade de realizarem pesquisa eles próprios. 
Em oposição ao trabalho gigantesco de antes, de garimpo nas 
bibliotecas, hoje os meios eletrônicos organizam as informações e facilitam o 
acesso à informação desejada por meio de bases de dados como Cochrane 
Library, MEDLINE, LILACS, CINAHL, PEDro etc. Em qualquer caso, o 
fisioterapeuta precisa lastrear-se para ponderar as evidências que vier a 
encontrar. 
Os níveis de evidência são hoje utilizados como um norteador para 
classificar a qualidade dos estudos realizados na área da saúde. Atallah 
propõe uma pirâmide dos níveis de evidência. Encontram-se no nível mais 
alto as revisões sistemáticas e as metanálises e, na seqüência, os estudos 
clínicos randomizados, de coortes, de casos-controle, estudos de caso e 
séries de casos; seguem-se a opinião de especialistas, os estudos com 
animais e as pesquisas in vitro.4 
Figura 1: 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
8 
Modelos de pesquisa 
Para cada pergunta de pesquisa há um tipo de desenho ou 
delineamento de pesquisa mais adequado. É necessário identificar as 
vantagens e desvantagens de cada tipo de estudo, bem como avaliar se 
dispomos dos meios e instrumentos necessários para a realização do mesmo. 
O tipo de estudo está intimamente relacionado à pergunta de pesquisa. Os 
tipos podem ser divididos em descritivos e analíticos. Os descritivos indicam 
a possibilidadeda existência de determinadas associações da doença ou da 
piora com características temporais, espaciais e atributos pessoais. 57 
Já os analíticos são utilizados quando existe uma hipótese a ser 
testada. 
As subdivisões dos vários tipos de estudo mais freqüentemente 
realizados na área da saúde. 
Considerando os estudos apontados na pirâmide, descreveremos 
brevemente as principais características dos estudos descritivos para, depois, 
determo-nos mais nos estudos analíticos. 57 
 
Estudos descritivos 
Neste tipo de estudo em geral é descrita a ocorrência de doenças 
segundo variáveis individuais, geográficas e temporais. 2-6-12 Os principais 
estudos descritivos são os que se seguem. 
Nos estudos populacionais, pesquisa-se a ocorrência de doença entre 
diferentes populações, que apresentem diferentes graus de exposição a 
determinado fator. 
O relato de caso é uma detalhada apresentação de um ou mais eventos 
clínicos observados, sendo importante para a descrição de doenças raras. 
Muitas vezes esses estudos dão origem a outras pesquisas, dentre as quais 
as experimentais. Esse tipo de estudo tem algumas vantagens: estimula 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
9 
novas pesquisas, tem procedimentos simples quando comparado aos 
exigidos em outros tipos de estudo; sua principal limitação refere-se à 
dificuldade de generalização dos resultados obtidos. 57 
Uma série de casos é um levantamento das características de um 
grupo de indivíduos com uma determinada doença, realizado num 
determinado ponto do tempo. É útil para delinear o quadro clínico de doenças 
raras ou novas e levantar novas hipóteses. Apresenta como limitações a 
ausência de um grupo controle e o levantamento de hipóteses de relações 
causais, que não podem ser testadas, pois tanto a exposição quanto as 
doenças são medidas no mesmo ponto do tempo. 57 
Em geral, um estudo descritivo indica a possibilidade de existência de 
determinadas associações da doença ou condições que podem causar 
prejuízos à saúde, com as características temporais, espaciais ou pessoais, 
levando os pesquisadores a formularem hipóteses para novas investigações 
a ser realizadas. 57 
 
Estudos analíticos 
Os estudos analíticos 2,6,12 são divididos em experimentais e 
observacionais. Nesse tipo de estudo há necessidade de analisar dois grupos: 
o grupo de estudo e o grupo controle. Os experimentais ou de intervenção, 
são também denominados de ensaio clínico. Neste, o examinador controla a 
exposição a determinado fator nos dois grupos e analisa o efeito de interesse. 
Nos estudos observacionais, o investigador apenas observa o curso natural 
dos eventos, analisando a associação entre exposição e doença. São os 
estudos de coorte e os casos controle. 57 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
10 
Figura 2: 
 
 
Estudos experimentais 
O estudo experimental, ou de intervenção, caracteriza-se pelo fato de 
o pesquisador ser o responsável pela exposição dos indivíduos, ou seja, ele 
decide qual a melhorintervenção. A exposição pode ser uma medida 
terapêutica - uma dieta, um medicamento, a fisioterapia- ou uma medida 
preventiva, como vacina, processo educativo, redução de fatores de risco etc. 
57 
Dos modelos experimentais, o ensaio clínico controlado randomizado 
é o que está no topo da pirâmide de evidência, sendo considerado no mais 
confiável, devido ao rigor metodológico requerido. Constitue um dos principais 
avanços científicos entre os métodos de pesquisa durante o século XX. 
É um estudo que compara o efeito e valor de uma intervenção 
(profilática ou terapêutica) com controles em seres humanos, onde o 
investigador distribui o fator de intervenção a ser analisado de forma aleatória 
pela técnica de randomização. Dessa forma, os grupos experimentais e 
controle são formados por um processo aleatório de decisão. 57 
O ensaio clínico randomizado tem três componentes fundamentais: 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
11 
1) doentes que devem ser recrutados em uma população, constituindo 
uma amostra representativa desta; 
2) a intervenção, que irá diferenciar o grupo experimental do grupo 
controle, aos quais os doentes são alocados por meio de randomização; 
3) os desfechos clínicos, variáveis cuja análise irá determinar o sucesso 
da intervenção. 
Os ensaios clínicos randomizados vêm sendo descritos como 
padrãoourona avaliação de questões terapêuticase preventivas em saúde. 
Com esse método de estudo, reduz- se a probabilidade de obter dados 
tendenciosos. A randomização baseia-se no princípio de que todos os 
participantes de um determinado estudo devem ter a mesma probabilidade de 
receber tanto a intervenção a ser testada quanto não receber a intervenção, 
constituindo neste caso seu grupo controle. 57 
A fim de se evitar erros sistemáticos nos ensaios clínicos, a amostra 
deve ser representativa da população envolvida na questão em estudo. O 
cálculo do tamanho da amostra deve ser feito previamente, assim como o 
cuidado em relação ao sigilo de alocação e do método de randomização 
utilizado. 57 
Também se deve atentar para que os indivíduos envolvidos não 
venham a tomar conhecimento do grupo de que estão participando 
(intervenção ou controle), tampouco os investigadores que estarão avaliando 
os resultados. O procedimento duplo-cego é garantido sempre que tanto o 
pesquisador responsável pela avaliação do paciente quanto o próprio paciente 
não sabem quem está no grupo intervenção e quem está no grupo controle. 
57 
Cabe salientar que todos os indivíduos devem ser avaliados nos grupos 
aos quais pertencem mesmo aqueles que porventura saiam do estudo antes 
de seu término (análise por intenção de tratar). 57 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
12 
O planejamento de um estudo clínico controlado deve incluir os 
seguintes itens: objetivos claramente definidos; definição dos critérios de 
inclusão e exclusão e dos critérios diagnósticos; grau de gravidade da doença; 
material e equipamentos a serem utilizados; critérios de avaliação dos efeitos 
esperados; definição dos dois grupos: o que receberá o tratamento e do 
controle; e por último,a análise dos dados. 57 
Estudos observacionais transversais 
Os chamados estudos observacionais 2,6,12 podem ser transversais ou 
longitudinais. Os estudos transversais são também denominados estudos de 
prevalência. A freqüênciaum movimento de "encaixe em 
parafuso". 
 
Considerações mecânicas sobre as lesões do joelho 
 
As entorses do joelho resultam de movimentos que ultrapassam os 
limites normais da articulação. Quando forçados além dessa restrição natural, 
os ligamentos podem ser submetidos a uma tensão superior a seu limite 
elástico, colocando-os na região plástica de sua curva de carga-extensão. O 
resultado é uma deformação permanente dos ligamentos, cuja magnitude 
depende da força aplicada. 
No joelho, a entorse ligamentosa pode ocorrer em qualquer direção de 
movimento. No tipo talvez mais comum de lesão do joelho, freqüentemente 
visto no campo de futebol americano, o pé é fixado e o fêmur gira medialmente 
com referência à tíbia, que ao mesmo tempo gira lateralmente. Todo o joelho 
é deslocado medialmente, resultando em tensão ligamentosa medial. 
Quando a força é continuada, o ligamento cruzado anterior e, por fim, 
o cruzado posterior são submetidos à tensão. A "tríade infeliz" refere-se a 
uma lesão que afeta simultaneamente o ligamento colateral medial, ligamento 
cruzado anterior e menisco medial. 
Uma entorse intensa é o precursor da luxação do joelho patelofemoral 
ou tibiofemural. Um fator anatômico que predispõe um indivíduo à luxação 
patelofemoral é um ângulo anormal. O ângulo Q é o desvio entre a linha de 
tração do quadríceps da coxa e o ligamento da patela. Geralmente é medido 
como o ângulo entre a linha da espinha ilíaca ântero-superior e o centro da 
patela e a linha do centro da patela à tuberosidade da tíbia. Um ângulo Q de 
10º é considerado normal. 
Ângulos maiores podem resultar em luxações laterais da patela quando 
a contração do quadríceps reduz o ângulo. De gravidade bem maior e, 
felizmente, menos comum, é a luxação tibiofemural. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
105 
A lesão de meniscos geralmente é simultânea à entorse ligamentosa. 
Os mecanismos de lesão dos meniscos medial e lateral diferem. Os atletas 
freqüentemente sentem uma dor ao longo da perna que chamam de shin 
splints e existem várias teorias acerca da causa da incapacidade e parece ser 
uma condição epidêmica entre dançarmos, corredores, etc. 
As lesões de esqui são comuns e muito instrutivas para o 
cinesiologista. Envolvem dois fatores - fixação e intensificação - e três 
movimentos - rotação lateral, queda para frente e rotação medial. 
Uma lesão ocorre apenas se os dois fatores e pelo menos uma das 
forças estiverem presentes. A fixação se dá quando um esqui se toma fixado, 
por sua vez, segurando o pé preso ao esqui. Se as presilhas do esqui não se 
soltarem e uma grande quantidade de energia cinética estiver presente, um 
esforço de torção é exercido através de rotação lateral. Esse mecanismo mais 
comum de lesões do esqui produz fratura do maléolo lateral, fratura espiral do 
tornozelo e/ou tíbia, ou entorse do joelho e tornozelo. 
Quando a ponta de um esqui penetra na neve, sobrevêm uma 
desaceleração abrupta, projetando o esquiador sobre o cano de suas botas. 
Pode ocorrer uma fratura pelo cano da bota, laceração do tendão de Aquiles 
e luxação dos tendões fibrilares. 
A rotação medial é causada pelo cruzamento da ponta de um esqui 
com a ponta do outro. As conseqüências podem ser entorse do tornozelo, 
lesão do joelho, fraturas do maléolo medial e fraturas espirais da tíbia. Os 
exercícios que fazem com que o joelho sustentador de peso seja 
completamente fletido foram condenados como potencialmente perigosos 
para as estruturas de suporte do joelho. 
O impedimento da rotação do pé fixado nessa situação causa maior 
tensão sobre os ligamentos e cartilagens do joelho. A solução para essa 
prática perigosa é limitar o grau de flexão dos joelhos, como nos exercícios de 
agachamento paralelo. 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
106 
44- TORNOZELO E O PÉ 
Figura 29: 
 
 
 
A articulação do tornozelo consiste nas articulações talocrural (tibiotalar 
e talofibular) e tibiofibular distal. É classificada como uma sinovial em 
dobradiça em virtude de sua arquitetura óssea, um sistema de ligamentos 
colaterais medial e lateral, a cápsula articular e a parte distal da membrana 
interóssea. 
 A articulação do tornozelo é crucial na transmissão de força do corpo 
e para o corpo durante a sustentação de peso e outras cargas. As magnitudes 
dessas forças podem ser tão grandes, até 10 vezes o peso corporal durante 
alguns tipos de corrida, por exemplo, que até mesmo pequenos 
desalinhamentos estruturais, ou lesões podem acarretar problemas 
ortopédicos crônicos e intensos. 
A transmissão de forças se dá na junção da extremidade distal da tíbia 
e face superior do tálus; a fibula exerce um papel pequeno. Arquiteturalmente, 
um encaixe ou abertura provida de borda, é formado pelos maléolos da tíbia 
e da fíbula no qual a face superior do tálus se ajusta. Essa estrutura é uma 
importante fonte de estabilidade para a articulação do tornozelo. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
107 
Os principais ligamentos que sustentam a articulação incluem a parte 
distal da membrana interóssea a cápsula articular, ligamento deltóide 
(medialmente) e ligamento calcâneo-fibular (lateralmente), os quatro últimos 
são considerados ligamentos colaterais. 
O gínglimo biaxial permite uma flexão de aproximadamente 45º 
conhecida como dorsiflexão e uma extensão de 45º conhecida como flexão 
plantar. Várias populações obviamente demonstram valores bem maiores. Em 
geral os primeiros 10 a 20º são definidos como dorsiflexão, o movimento 
restante é definido como flexão plantar. 
 
45- ARTICULAÇÃO SUBTALAR 
 
A articulação subtalar, uma sinovial plana entre a face interior do tálus 
e a face superior do calcâneo, é considerada uma das articulações 
intertársicas. O movimento do pé através da articulação subtalar pode ser 
modelado representando-se o tornozelo (classificado anatomicamente como 
um gínglimo) como uma articulação esferóide. O gínglimo uniaxial do 
tornozelo combinado com o eixo da articulação subtalar permite efetivamente 
ao pé três eixos de rotação. 
Sammarco relatou que o eixo da articulação subtalar está a cerca de 
420 do calcanhar, dirigido para frente e para cima (a 38º da vertical) e a 16º 
medialmente d o eixo longitudinal do pé. 
A articulação subtalar permite essencialmente dois movimentos, 
independentes do movimento na articulação do tornozelo. A inversão do pé 
ocorre quando a planta é virada medialmente, e a eversão do pé quando a 
planta é virada lateralmente. 
A eversão e inversão são às vezes referidas como pronação e 
supinação, respectivamente. A eversão freqüentemente ocorre com 
dorsiflexão e abdução (rotação lateral do pé), ao passo que a inversão 
pode ocorrer com algum grau de flexão plantar e adução (rotação medial). 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
108 
Em geral, a amplitude de movimento demonstra uma média de 20º de 
inversão e 5º de eversão. 
 
46- ARTICULAÇÃO TRANSVERSA DO TARSO 
 
A articulação transversa do tarso (mediotársica) pode ser considerada 
a junção entre as articulações talonavicular, triaxial e calcaneocubóidea, 
biaxial. Os ossos naviculares e cubóide se articulam de tal modo que permitem 
apenas um leve movimento e, portanto, podem ser considerados um único 
segmento. Vista por cima, a articulação transversa do tarso forma uma linha 
em forma de S. 
A articulação permite movimentos da parte anterior do pé com 
referência à parte posterior. São permitidos dois tipos de movimento através 
de dois eixos. O eixo em torno do qual ocorrem a inversão e eversão é 
orientado com o eixo longitudinal do pé, subindo de trás para frente a 
partir da face plantar do pé a um ângulo de 15º e dirigido medialmente a um 
ângulo de 9º. 
O movimento em torno desse eixo permite que o pé se adapte a uma 
variedade de orientações da superfície durante a locomoção. Um segundo 
eixo que sobre de modo semelhante ao primeiro, mas a um ângulo de 52º,dirige-se medialmente a um ângulo de 57º. Esse eixo de rotação aumenta a 
dorsiflexão e flexão plantar. A orientação dos eixos e por conseguinte do 
movimento é variável e influenciada pela arquitetura do pé da musculatura 
que atravessa as articulações. 
O movimento do pé distal à articulação transversa do tarso, pertence 
às articulações intertársicas e tarsometatársicas. Em ambos os casos, o 
movimento restringe-se a uma dorsiflexão quase desprezível e a 15º de flexão 
plantar. Os dedos se movem em flexão e expansão em torno das articulações 
metatarsofalângicas (sinoviais em dobradiça). 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
109 
O movimento em torno das articulações metatarsofalângicas inclui a 
abdução e adução. O hálux ou dedão tem uma amplitude de flexão de 30º 
e uma amplitude de extensão de 90º. Os demais dedos tem uma amplitude 
de flexão um pouco maior, 50º. 
 
47- MUSCULATURA DA ARTICULAÇÃO DO TORNOZELO E 
DO PÉ 
Figura 30: 
 
 
A articulação do tornozelo é o local de origem para os músculos que produzem 
movimento do tornozelo. Estes músculos são classificados em três grupos - 
crural anterior, cervical posterior e crural lateral. Dos músculos associados ao 
tornozelo e pé, 12 são extrínsecos ao pé e 19 intrínsecos. 
 
Crural anterior 
Os músculos crurais anteriores estão associados ao compartimento 
anterior que é limitado pela tíbia e septo intermuscular. O tibial anterior 
geralmente é considerado um inversor do pé (articulação subtalar), embora 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
110 
alguns pesquisadores tenham relatado que ele não é ativo durante a inversão, 
a menos que ocorra dorsiflexão simultaneamente. 
É razoavelmente bem aceito que o tibial anterior não desempenha 
qualquer papel na sustentação estática normal do arco longitudinal do pé. 
Durante condições com cargas dinâmicas, entretanto, a contração muscular 
auxilia a fonte primária de sustentação do arco, as estruturas 
osteoligamentosas. Os indivíduos com pés planos também necessitam de 
sustentação muscular dos arcos, especialmente pelo tibial anterior. 
 
Crural posterior 
Os músculos do grupo crural posterior são ainda classificados em 
superficiais ou profundos. O grupo superficial, o gastrocnêmio, e sóleo e o 
plantar. O grupo profundo é composto pelo poplíteo, flexor longo do hálux, 
flexor longo dos dedos e tibial posterior. 
As duas cabeças do gastrocnêmio e o sóleo são referidos como triceps 
da perna. Os músculos que compõem o grupo profundo são o poplíteo, o 
flexor longo do hálux, como o nome diz atua principalmente na flexão do hálux, 
inserindo-se na base da falange distal. 
O flexor longo dos dedos cujo tendão se divide em quatro tendões 
separados que fixam nas bases das quatro falanges distais. 
A afirmativa de Soderberg, de que se sabe pouco sobre o tornozelo e 
o pé é correta, tendo em vista a controvérsia que envolve as ações do flexor 
longo do hálux e o flexor longo dos dedos. 
Gray indicou que o flexor longo do hálux contribui significativamente 
para a propulsão do pé durante a marcha; contudo, Frenette e Jackson 
relataram que, embora não seja essencial nesse papel, o músculo é crucial 
na manutenção do equilíbrio durante a posição ereta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
111 
Crural lateral 
 
Dois músculos compõem o grupo crural lateral, os fibulares longo e curto. Um 
septo intermuscular separa esse grupo dos grupos anterior e posterior. Ambos 
os músculos passam atrás do maléolo lateral para suas inserções na face 
plantar do pé. Auxiliam a flexão plantar, embora suas principais contribuições 
sejam para a pronação do pé (eversão e abdução combinadas). 
 
48- CONSIDERAÇÕES MECÂNICAS SOBRE AS LESÕES 
DO TORNOZELO E DO PÉ 
As lesões da articulação do tornozelo são o traumatismo mais comum 
em esportes. Funcionalmente a articulação em dobradiça sinovial permite 
apenas a dorsiflexão e flexão plantar. Um movimento extremo em qualquer 
uma das duas direções pode ser lesivo, mas é menos freqüente do que o 
movimento causado por forças dirigidas lateralmente que resultam em 
inversão ou eversão. 
As lesões por inversão são responsáveis por 85% de todas as lesões 
do tornozelo. Em relação ao eixo da perna, as lesões por inversão também 
compreendem forças de adução e flexão plantar. Se o deslocamento articular 
é intenso o bastante paralacerar parcial ou completamente ligamentos de 
sustentação, a face medial do tálus avança sobre o maléolo medial sobre o 
qual gira. 
Desse modo, os ligamentos laterais são submetidos a tensão e, caso a 
inversão continue, o maléolo medial pode sofrer uma fratura em geral numa 
direção vertical. Nas lesões por eversão, o maléolo lateral que é mais longo 
que seu equivalente medial, torna-se sobrecarregado quando o pé se move 
lateralmente com referência à tíbia e também se abduz e se dorsiflete. 
O maléolo lateral impede que o tálus gire. Ao invés, o avanço do tálus 
sobre o maléolo lateral causa uma tensão extrema no tálus antes de traquinar 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
112 
os ligamentos mediais. Sobrevém comumente uma fratura fibular, às vezes 
com lesão do ligamento deltóide, situado medialmente. 
A lesão dos ligamentos laterais é possível se o deslocamento da 
articulação prosseguir. Johnson, Dowson e Wright relataram as diferentes 
influências de sapato de cano longo e curto sobre as lesões da articulação do 
tornozelo. Como se esperava, eles constataram que os sapatos de cano longo 
reduzem a tensão sobre os ligamentos colaterais durante a inversão e versão, 
tornando esse tipo de sapato mais seguro. Entretanto, como os sapatos de 
cano longo são mais pesados, eles são usados freqüentemente. 
Constatou-se que os sapatos de cano curto têm o potencial de causar maior 
lesão ligamentosa, se o material for mecanicamente duro devido à restrição 
imposta ao movimento da articulação subtalar. Os autores recomendaram 
que, caso os sapatos de cano curto sejam usados, eles devem ser o mais 
flexível possível ao redor da articulação do tornozelo. 
 
49- CONCLUSÃO 
 
A coluna é a parte mais nobre do esqueleto, localizada no tronco, e 
consiste em vértebras cervicais, torácicas e lombares. Ela faz a ligação entre 
a cabeça e os quatro membros, além de abrigar e proteger a medula, que 
origina os nervos e controla nossos movimentos. Portanto, a coluna vertebral 
serve de apoio para outras partes do esqueleto. 
A dor na coluna é a segunda maior fonte de reclamação das pessoas. 
E segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, 85% da população 
viverá ao menos um episódio de dor na coluna ao longo da vida. O problema 
pode começar devido à má postura ou até por razões mais graves, como 
processos degenerativos (artrose, hérnia de disco, protrusão discal, entre 
outros). Quando acentuados, todos esses desvios podem ocasionar efeito 
estético negativo, dores, além de outras complicações. Devemos entender a 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
113 
dor na coluna como um sintoma e não como doença. Portanto, não só ela 
como os outros desvios citados requerem atenção e tratamento. 
Para manter-se saudável e longe de problemas de postura, existem 
diversas recomendações. Entretanto, com a correria do dia-a-dia, muitas 
vezes ignoramos o mal que estamos fazendo a nossa própria coluna. 
A degeneração da coluna é resultado de vários fatores conjuntos, como 
genética; hábitos cotidianos; atividade física; obesidade; sobrecarga, entre 
outros. Para quem está acima do peso, cuidado! A obesidade e o sobrepeso 
são prejudiciais, pois, sobrecarregam a coluna lombar e pode acelerar o 
processo degenerativo da mesma. 
Há algumas orientações muito importantes para deixar a coluna 
saudável: 
Praticar exercícios físicos frequentemente (no mínimo 3 vezes por 
semana); 
Fazer alongamento antes e depois de atividades, pois ele prepara os 
músculos e relaxa o corpo. Sem alongar-se, podem surgir lesões, além de 
ligamentos e músculos sobrecarregados.A utilização de pesos somada a exercícios aeróbicos permite um 
melhor preparo físico, reduzindo o risco de desenvolver dores nas costas. 
Porém, se estiver com estas dores e os exercícios as tornarem piores, os 
mesmos devem ser suspensos imediatamente; 
É indicada em casos de dores nas costas relacionadas à fraqueza 
muscular e à falta de flexibilidade, pois os músculos (que sustentam os ossos) 
tornam-se mais resistentes. 
Calma ao praticar exercícios! Eles devem ser realizados lenta e 
progressivamente. 
A musculação melhora a postura. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
114 
A caminhada reduz em até 90% as dores nas costas. 
É sempre importante lembrar da importância da orientação de um 
profissional qualificado para realizar as atividades e ao sentir dores na 
execução dos exercícios, deve-se suspender imediatamente para que lesões 
por sobrecarga não venham a prejudicar a coluna e outras estruturas do 
corpo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
115 
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55 WINTER, D.A. Biomechanics and Motor Control of human movement. 
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56 VASCONCELOS, J. T. S; Coluna Vertebral Copyright ©, 2004 
Sociedade Brasileira de Reumatologia etc.; etera editora. 
57 MARQUES. A. P.; PECCIN, M.S; Pesquisa em fisioterapia: a prática 
baseada em evidências e modelos de estudos, Vol. 11 Nº 1, Abril 2005.de uma ou várias doenças é medida por meio de 
levantamentos em uma população. A exposição e a doença são determinadas 
simultaneamente, não sendo possível testar hipóteses nesse tipo de estudo. 
A prevalência, estatística descritiva obtida de um estudo transversal, é 
a proporção de indivíduos que apresentam a doença em um determinado 
ponto do tempo; difere da incidência, obtida no estudo de coorte, que é a 
proporção de indivíduos que adquirem a doença ao longo de um período do 
tempo. Os estudos de prevalência são relativamente baratos, fáceis de 
realizar e úteis na investigação do grau de exposição a determinadas 
condições por características individuais fixas, tais como etnia, nível socio-
econômico e grupo sangüíneo. 
Em surtos epidêmicos de doenças, um estudo de prevalência 
envolvendo diversas medidas de exposição é o primeiro passo na 
investigação da causa. 
O planejamento de um estudo transversal deve incluir os seguintes 
itens: objetivo claramente definido; definição da população-alvo e da 
população de estudo; determinação dos dados a serem coletados; critérios 
para classificação dos indivíduos e critérios diagnósticos; critérios para medir 
exposição; instrumentos de medida, definição e descrição do processo de 
amostragem; organização do trabalho de campo e análise dos dados. 57 
 
 
 
 
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13 
Estudos observacionais longitudinais 
Nos estudos longitudinais, sabe-se que pessoas foram previamente 
expostas a determinadas condições e depois surgiu a doença. Esses estudos 
dividem-se em estudos de coorte e estudos de caso-controle. 
Nos estudos tipo coorte o pesquisador cataloga os indivíduos como 
expostos e não-expostos ao fator de estudo, segue-os por um determinado 
período e ao final verifica a incidência da doença entre os expostose não-
expostos. Já nos estudos tipo caso-controle, o pesquisador cataloga os 
indivíduos em doentes e não-doentes e vai verificar, retrospectivamente, se 
houve ou não exposição prévia entre os doentes e não doentes. 57 
Estudos de coorte 
Na Roma antiga, o termo coorte era utilizado para denominar um grupo 
de soldados que marchavam juntos numa batalha. Na demografia e na 
epidemiologia clínica, uma coorte é um grupo de indivíduos seguidos juntos 
através do tempo. Nos estudos tipo coorte o pesquisador cataloga os 
indivíduos como expostos e não-expostos ao fator de estudo, segue-os por 
um determinado período e ao final verifica a incidência da doença entre os 
expostos e não-expostos, comparando-a nos dois grupos. 57 
Uma vez que os estudos de coorte recrutam pessoas saudáveis no 
início, é possível obter-se uma ampla variação de desfechos. 
O planejamento de um estudo de coorte prospective inicia-se com a 
definição de uma população-alvo, a escolha da população de estudo, a 
definição de participantes e não participantes, definição dos expostose não 
expostos. Os passos a serem seguidos devem incluir: 
➢ Objetivo claramente definido; 
➢ Definição da população-alvo e da população de estudo; 
➢ Critérios de seleção dos indivíduos que participarão do estudo e 
de classificação da exposição; 
 
 
 
 
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14 
➢ Critérios diagnósticos, tempo de seguimento; 
➢ Descrição do processo de amostragem; e análise dos dados. 
O planejamento de um estudo de coorte retrospectivo segue os 
mesmos passos do anterior; a única diferença é que a exposição já ocorreu 
no passado, ou seja, houve a exposição em uma coorte de indivíduos e na 
outra, não. 57 
O objetivo agora é reconstruir as duas coortes. Nesse tipo de estudo, é 
essencial que haja confiabilidade dos dados de registro que serão utilizados. 
Estudos de caso-controle: 
Neste tipo de estudo também já houve a exposição e a doença, porém, 
diferentemente do coorte retrospectivo, a catalogação dos indivíduos não é 
feita com base na exposição (presente ou ausente), mas no efeito (doença 
presente ou ausente). Osdoentes são chamados casos e osnão-doentes são 
chamados controles. 57 
A comparação final será entre a proporção de expostos entre os casos 
e entre os controles. 
Inicia-se com a seleção dos casos, que deveriam representar todos os 
casos de uma determinada população. 
Não é necessário que casos e controles incluam toda a população, 
podendo ser restritos a qualquer sub-grupos específico como, por exemplo, 
pessoas idosas, homens ou mulheres. Normalmente, para investigar as 
causas da maioria das doenças, os estudos de coorte são caros e podem 
requerer o acompanhamento de milhares de indivíduos para identificar um 
fator de risco. 57 
Para doenças pouco freqüentes, é necessário escolher um grupo de 
referência, para que a prevalência da exposição nos indivíduos com a doença 
(casos) seja comparada com a exposição nos indivíduos sem a doença 
(controles). 
 
 
 
 
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15 
Dessa forma, o propósito desse estudo é identificar características 
(exposições, ou fatores de risco) que ocorrem em maior (ou menor) freqüência 
entre casos do que entre controles. A proporção de expostos a um fator de 
risco é medida nos dois grupos e comparada. 57 
Os passos a serem seguidos devem incluir: objetivo claramente 
definido; definição da população alvo e da população de estudo; definição dos 
casos e critérios de inclusão; definição dos controles e critérios de inclusão; 
critérios de classificação da exposição e tamanho da amostra; descrição do 
processo de amostragem; e análise dos dados. 57 
 
Revisões sistemáticas 
A revisão sistemática é um tipo de estudo secundário que objetiva 
facilitara elaboração de diretrizes e o planejamento de pesquisa clínica. 
Uma grande quantidade de resultados de pesquisas clínicas é 
examinada e organizada adequadamente numa revisão sistemática. 
Deriva de uma questão clínica específica, com fontes abrangentes de 
pesquisa e estratégia de busca explícita. A seleção é baseada em critérios 
aplicados de maneira uniforme, com avaliação criteriosa e reprodutível e com 
uma síntese quantitativa por meio de uma metanálise. 57 
Metanálise é um estudo em que métodos estatísticos rigorosos são 
aplicados à revisão sistemática que agrupa os resultados de dois ou mais 
estudos primários. Como em geral a quantidade de informações científicas 
disponíveis é enorme, faz-se necessário que as informações sejam reunidas, 
organizadas, criticamente avaliadas e quantitativamente mensuradas. 57 
A revisão sistemática é uma técnica científica reprodutível. Permite 
avaliar estudos independentes e explicar possíveis conflitos, permitindo 
também o aumento da confiabilidade dos resultados, melhorando a precisão 
das estimativas de efeito de uma determinada intervenção clínica. 57 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
16 
É importante lembrar que as diretrizes clínicas baseadas em revisões 
sistemáticas consistem no elo entre as pesquisas e a prática clínica. 
 
 
 
 
Figura 3: 
 
As dores na coluna vertebral acometem a maioria das pessoas em 
algum momento de sua vida, representando um alto custo social e financeiro 
para a sociedade. 
De seu lado, o indivíduo acometido sofre com a incerteza do 
diagnóstico e do tratamento, além das perdas profissionais e de qualidade de 
vida. As doenças da coluna vertebral constituem uma das maiores causas de 
consultas médicas e de afastamento definitivo do trabalho no mundo, 
merecendo o assunto interesse de médicos e autoridades. 
Na maioria dos pacientes, ainda hoje, encontra-se muita dificuldade em 
localizar as causas da dor. A falta de correlação clínico-radiológica, tanto vista 
em exames normais em pacientes sintomáticos quanto em exames com 
alterações em pacientes assintomáticos, traz grande incerteza diagnóstica. 
Os exames de imagem somente têm valor para confirmar ou afastar 
suspeitas clínicas bem fundamentadas em anamnese e exame físico do 
paciente. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
17 
O tratamento do paciente envolve além do tratamento específico dadoença de base, quando for o caso, educação ao paciente para melhorar a 
auto-eficácia, medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos e, para alguns 
pacientes, cirurgia. 
1.1- METODOLOGIA 
Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada 
de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de 
maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. 
Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se 
desenvolve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a 
formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para 
o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e 
podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas 
no setor público e no fundamento de sua existência. 
Segundo Gil, a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de 
informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes 
materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes 
autores e dados. 
 
2- Aspectos gerais: arranjo anatômico geral da Coluna 
Vertebral 
 A coluna vertebral é uma série de ossos individuais – as vértebras –
que ao serem articulados constituem o eixo central esquelético do corpo. A 
coluna vertebral é flexível porque as vértebras são móveis, masa sua 
estabilidade depende principalmente dos músculos e ligamentos. 
Embora seja uma entidade puramente esquelética, do ponto de vista 
prático, quando nos referimos à “coluna vertebral”, na verdade estamos 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
18 
também nos referindo ao seu conteúdo e aos seus anexos, que são os 
músculos, nervos e vasos com ela relacionados. 
Seu comprimento é de aproximadamente dois quintos da altura total do 
corpo. É constituída de 24 vértebras móveis pré-sacrais (7cervicais, 12 
torácicase 5 lombares). As cinco vértebras imediatamente abaixo das 
lombares estão fundidas no adulto para formar o sacro. As quatro 
vértebrasmais inferiores também se fundem para formar o cóccix. 
 As vértebras tornam-se progressivamente maiores na direção 
inferioraté o sacro, tornando-se a partir daí sucessivamente menores. 
 Regiões da Coluna Vertebral 
 A coluna vertebral do adulto apresenta quatro curvaturas sagitais: 
cervical, torácica, lombar e sacral. As curvaturas torácica e sacral, convexas 
posteriormente, são denominadas primárias porque apresentam a mesma 
direção da coluna vertebral fetal e decorrem da diferença de altura entre as 
partes anteriores e posteriores dos corpos vertebrais. As curvaturas cervical 
e lombar, côncavas posteriormente, formam-se após o nascimento e 
decorrem da diferença de espessura entre as partes anteriores e posteriores 
dos discos intervertebrais. 
Cervical: constitui o esqueleto axial do pescoço e suporte da cabeça. 
➢ Torácica: suporta a cavidade torácica. 
➢ Lombar: suporta a cavidade abdominal e permite mobilidadeentre a 
parte torácica do tronco e a pelve. 
➢ Sacral: une a coluna vertebral à cintura pélvica. 
➢ Coccigea: é uma estrutura rudimentar em humanos, maspossui função 
no suporte do assoalho pélvico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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19 
 
Figura 4: 
 
 
 Desenvolvimento e Ossificação 
As vértebras começam a se desenvolver no período embrionáriocomo 
condensações mesenquimais em torno donotocórdio. Posteriormente, essas 
condensações mesenquimaisse condrificam e a cartilagem assim formada é 
substituídapor osso. 
 Ao nascer, as últimas vértebras sacrais e ascoccígeas podem ser 
inteiramente cartilagíneas. Nesse caso, começam a ossificar durante a 
infância. Centros de ossificação ocorrem sucessivamente nas vértebras 
durante o crescimento, de tal forma que um aumento pequeno, porém 
significante naaltura dos corpos vertebrais dos homens ocorre entre 20 e 45 
anosde idade. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
20 
 
 Variações e Anomalias 
 Variações vertebrais ocorrem segundo raça, sexo, fatores genéticos e 
ambientais. Por exemplo, as colunas vertebrais com maior número de 
vértebras ocorrem com mais freqüência em indivíduos do sexo masculino e 
aquelas com número reduzido de vértebras ocorrem mais amiúde no sexo 
feminino. 
 As variações são congênitas e podem ser de número, forma e posição, 
sendo as primeiras as mais freqüentes. As variações mais comumente 
observadas são: 
➢ Uma costela articula-se com a sétima vértebra cervical; 
➢ A 12.ª costela torácica apresentar tamanho reduzido ou aumentado, 
podendo haver uma pequena costela lombar; 
➢ A 5.ª vértebra lombar está parcial ou totalmente incorporadaao sacro 
(sacralização de L5); 
➢ O primeiro segmento sacral está parcial ou totalmente separadodo 
sacro (lombarização de S1); 
➢ Aumento de tamanho dos processos transversos de L4 ou 
L5(megaapófises); 
➢ Segmentação parcial do segmento sacral inferior; 
➢ incorporação ao sacro do segmento superior do cóccix. 
 
Componentes Anatômicos da Coluna Vertebral 
3- Vértebras 
 
 A vértebra típica 
 Apesar de as características anatômicas vertebrais poderem 
apresentar variações regionais na coluna vertebral, as vértebras possuem 
morfologia básica monótona. Uma vértebra típica é constituída de um corpo, 
um arco e processos vertebrais. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
21 
 O Corpo é a parte anterior da vértebra. Consiste basicamentede uma 
massa cilíndrica de osso esponjoso, mas as bordas das superfícies superiores 
e inferioressão compostas de osso compacto. Variam consideravelmente de 
tamanho e exibemfacetas articulares para as costelas no segmentotorácico. 
O corpo está separado doscorpos das vértebras acima e abaixo pelo 
discointervertebral. É o elemento vertebral quesuporta carga. 
 O arco 
 Fica em posição posterior ao corpo. É composto dos pedículos direitoe 
esquerdo e das lâminas direita e esquerda. Juntamente com aface posterior 
do corpo vertebral, forma as paredes do forame vertebralque envolve e 
protege a medula. O conjunto dos foramensvertebrais em toda a extensão da 
coluna forma o canal vertebral. 
 Os Processos Vertebrais 
 São espículas ou pontas ósseas que partem das lâminas. Variam 
detamanho, forma e direção nas várias regiões da coluna vertebral: 
➢ Processo espinhoso: parte posteriormente de cada arco vertebral; 
➢ Processo transverso: parte lateralmente da junção dos pedículoscom 
as lâminas; 
➢ Processos articulares: possuem facetasarticulares superiores e 
inferior, para articulação com as vértebras acima e abaixo. 
FIGURA 5 – A vértebra típica. 
 
 
 
 
 
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22 
 
As vértebras cervicais 
Atlas e Áxis 
 Atlas é a primeira vértebra cervical e o crânio repousa sobre ela. 
Recebeesse nome a partir do Atlas, que na mitologia grega tinha a 
reputaçãode suportar a terra. Não tem espinha nem corpo. Consiste apenas 
de duas massas laterais conectadas por um arco anterior curto e umarco 
posterior longo. 
 Áxis é a segunda vértebra cervical e recebe esse nome porqueforma 
um pivô (processo odontóide ou dente) em torno do qual oatlas gira, levando 
consigo o crânio. Terceira a Sexta Vértebras Cervicais cada uma apresenta 
um corpo vertebral pequeno e largo, um grande forame vertebral triangular e 
um processo espinhoso curto e bífido. 
 
 
 
Figura 6: 
 
 
 
 Sétima Vértebra Cervical 
 
 
 
 
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23 
Conhecida como vértebra proeminente, possui um processo espinhoso longo, 
visívelna anatomia de superfície, principalmentecom o pescoço flexionado. 
Figura 7: 
 
 
 
Vértebras torácicas 
São normalmente em número de 12 e suportam as costelas. 
 
Primeira Vértebra Torácica 
Assemelha-se a uma vértebra cervical. Segunda à Décima Primeira 
Vértebras Torácicas, são as vértebras torácicas típicas. Possuem corpo em 
forma de rim, forame vertebral circular, processo espinhoso longo e delgado. 
Suaprincipal distinção anatômica é a presença das fóveas costais superior e 
inferior, para encaixe da cabeça das costelas correspondentes.Décima Segunda Vértebra Torácica 
É uma vértebra de transição, possuindo fóveas costais como as 
vértebrastorácicas e processos articulares e espinhosos semelhantes às 
vértebraslombares. 
 
As vértebras lombares - Distinção das Vértebras Torácicas 
 
 
 
 
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24 
 Distinguem-se das vértebras torácicas pelo seu grande tamanho, 
pelaausência de fóveas costais e foramens transversais, processos 
transversaisfinos e processos espinhosos quadriláteros. Características 
comuns das Vértebras Lombares: 
 Corpos grandes e reniformes, foramens vertebrais triangulares, 
pedículose lâminas curtas e espessas. 
Figura 8: 
 
Figura 9: 
 
 
 
 
 
 
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25 
 O sacro é constituído inicialmente por cinco vértebras, que se fundem 
no adulto em um único osso em forma de cunha. Articula-sesuperiormente 
com a quinta vértebra lombar e lateralmente com osossos do quadril. 
Face Pelvina 
É côncava e lisa e possui quatro pares de foramens sacrais pelvinos, por onde 
saem os ramos ventrais dos primeiros nervos sacrais e seusvasos. 
Face Dorsal 
É rugosa e convexa. As espinhas dorsais das vértebras sacrais formama crista 
sacral mediana. A fusão dos processos articularesforma as cristas sacrais 
intermediárias. Possui quatro pares de foraminas sacrais dorsais. 
Inferiormente, oscornos sacrais se articulam com os cornoscoccígeos. 
 
Parte Lateral ou Massa Sacral 
É formada pela fusão dos processos transversos, dando origem à crista 
sacral lateral. A parte superior da parte lateral apresenta uma superfície em 
forma de orelha (superfícieauricular), que se articula com o ílio. 
A Base 
Apresenta o promontório, que é a bordaanterior da superfície anterior 
da primeira vértebra sacral e o canalsacral que contém o saco dural, a parte 
mais inferior da cauda eqüinae o filamento terminal. Apresenta também os 
processos articulares, para articulação com L5. 
O Cóccix 
Como o sacro, o cóccix possui forma de cunha e apresenta umabase, 
umápice, faces dorsais e pelvina e bordas laterais. Consiste dequatro 
vértebras, algumas vezes cinco e, ocasionalmente, três. A primeirapossui dois 
cornos que se articulam com os cornos sacrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 10: 
 
Articulações entre Corpos Vertebrais 
Sinonímia e Aspectos Gerais 
Também conhecidas como articulação intersomática ou intercorpórea, 
apresentam os corpos intervertebrais adjacentes mantidos unidospor 
ligamentos longitudinais e por discos intervertebrais. 
O disco intervertebral 
São coxins elásticos que formam as articulações fibrocartilagíneas 
entreos corpos vertebrais adjacentes. Consiste tipicamente de um núcleo 
pulposo circundado por um anel fibroso. No ânulo fibroso, duas porções 
podem ser identificadas. 
A porção externa está fortemente ancorada aos corpos vertebrais 
adjacentes, misturando-se aos ligamentos longitudinais. É a porção 
ligamentar do ânulo fibroso. 
A porção interna forma um denso envelope esferoidal ao redor do 
núcleo pulposo. O núcleo pulposo, que ocupa o centro do disco, é branco, 
brilhante e semi-gelatinoso. É altamente plástico e comporta-se como um 
fluido. 
 
 
 
 
 
 
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Figura 11: 
 
 
Estrutura Histológica e Bioquímica 
A porção externa do ânulo fibroso é constituída de 10 a 12 lamelas 
concêntricas de fibras colágenas, dispostas em forma de espiral, num ângulo 
de 65 graus com a vertical. 
A camada interna é de constituição fibrocartilagínea. O núcleo pulposo 
consiste de um núcleo central de matriz de proteoglicanos bem hidratada. 
Esse alto conteúdo de água é máximo ao nascimento e diminui com a idade, 
possuindo um ritmo nictemeral, diminuindo o conteúdo aquoso durante o dia 
(variação de 1 a 2 cm na altura do disco). 
Com o avançar da idade, todo o disco tende a ficar fibrocartilagíneo, 
adelgaçando-se e sofrendo fissuras. 
Funções 
1. Ânulo fibroso: 
➢ Ajuda a estabilizar os corpos vertebrais adjacentes; – permite o 
movimento entre os corpos vertebrais; 
➢ Atua como ligamento acessório; 
➢ Retém o núcleo pulposo em sua posição; 
➢ Funciona como amortecedor de forças. 
 
 
 
 
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2. Núcleo pulposo: 
➢ Funciona como mecanismo de absorção de forças; 
➢ Troca líquido entre o disco e capilares vertebrais; 
➢ Funciona como um eixo vertical de movimento entre duas 
vértebras. Topografia e Características Especiais 
➢ São responsáveis por um quarto do comprimento da coluna 
vertebral. 
➢ São mais finos nas regiões torácicas e mais espessos na região 
lombar. 
➢ Os discos cervicais e lombares são mais espessos na porção 
anterior que na posterior, contribuindo para a formação dessas 
curvaturas secundárias. 
4- OS LIGAMENTOS LONGITUDINAIS 
ANTERIORES 
Ocupam uma faixa bastante ampla de tecido espesso, que passa 
longitudinal e anteriormente aos corpos vertebrais e discos intervertebrais e 
que se funde com o periósteo e ânulo fibroso, respectivamente. Acima, se 
inserem no tubérculo anterior do atlas e abaixo, se espalham sobre a 
superfície pelvina do sacro. 
POSTERIORES 
Localiza-se no interior do canal vertebral, passando longitudinal e 
posteriormente aos corpos vertebrais e aos discos intervertebrais. Acima, 
projetam-se com a membrana tectória, inserindo-se no osso occipital. Abaixo, 
perdem-se no canal sacral. 
5- ARTICULAÇÕES ENTRE ARCOS VERTEBRAIS 
Descrição e Sinonímia 
Os arcos vertebrais são conectados por articulações sinoviais 
chamadas zigoapofisárias, formadas pelos processos articulares de duas 
 
 
 
 
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vértebras contíguas e por ligamentos acessórios que se conectam com as 
lâminas e os processos transversos e espinhosos. 
Possuem cápsula articular fina e frouxa que permite o movimento 
característico dos vários segmentos da coluna vertebral. Eram também 
chamadas articulações interapofisárias. 
6- OS LIGAMENTOS ACESSÓRIOS 
Ligamentos flavos- Conectam as bordas das lâminas das vértebras 
adjacentes. Como se estendem até as cápsulas das articulações 
zigoapofisárias, os liga-mentos flavos contribuem para formar o limite 
posterior do forame intervertebral. 
Ligamento da nuca- É uma membrana triangular que forma um septo 
fibroso mediano entre os músculos dos dois lados do pescoço. Insere-se 
superiormente no osso occipital, prendendo-se nos processos espinhosos até 
a sétima vértebra cervical. 
Ligamento supra-espinhal- Conecta as extremidades dos processos 
espinhosos. É muito pouco desenvolvido na região lombar inferior. Acima, 
junta-se com o ligamento da nuca. 
Ligamentos interespinhais- Conecta os processos espinhosos 
adjacentes em sua extensão. Apresentam notável desenvolvimento somente 
na região lombar. 
ligamentos intertransversais- Conectam os processos transversos 
adjacentes. São insignificantes, exceto na região lombar. Articulações 
Costovertebrais Articulações Costo-Somáticas Consistem nas articulações 
diartrodiais (sinoviais) das cabeças das costelas com os corpos vertebrais. 
Articulações Costo-Transversas Consistem nas articulações dos tubérculos 
das costelas com os processos transversos das vértebras. 
 
 
 
 
 
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Articulações Sacroilíacas 
Estrutura das Articulações Sacroilíacas 
Constitui uma articulação sinovial plana, formada pela união das 
superfícies auriculares do sacro e do ílio, a cada lado. Possui a função de ligar 
firmemente a coluna vertebral à cintura pélvica. A morfologia dessa 
articulação muda com a idade, passando de uma junta puramente sinovial na 
infância a uma junta de fibrocartilagem no idoso. 
Os Ligamentos Iliolombares 
São vários ligamentos fortes, dispostos de maneira a contribuir com 
grande importância para a estabilidade lombossacral. Esses ligamentos 
incluem: – ligamento iliolombar superior; – ligamento iliolombar inferior; – 
ligamento iliolombar anterior; – ligamento iliolombar posterior.Articulações Especiais da Coluna Vertebral Atlanto-Occipital 
É uma articulação sinovial bilateral entre a faceta articular superior da 
massa lateral do atlas e o côndilo occipital correspondente. Funciona, em 
conjunto, como uma articulação elipsoidal. 
Atlanto-Axial 
É composta por três articulações sinoviais: duas laterais e uma 
mediana. As laterais são sinoviais planas entre os processos articulares 
opostos de atlas e áxis. A mediana comporta-se como um pivô e ocorre entre 
o arco anterior do atlas e o processo odontóide do áxis. 
Uncovertebrais 
Anatomicamente não constituem verdadeiramente uma articulação. É 
a relação entre o processo uncinado da vértebra cervical e o corpo vertebral 
da vértebra abaixo. 
 
 
 
 
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Os Músculos da Coluna Vertebral Localização Topográfica Uma 
maneira prática de descrever topograficamente os músculos da coluna 
vertebral é definir sua posição com relação a um plano que passa pelo 
processo transverso das vértebras. 
Aqueles que estão situados anteriormente com relação ao processo 
transverso compõem a musculatura anterior da coluna vertebral. Aqueles a 
esse plano posteriormente situados compõem a musculatura posterior. 
A coluna vertebral é dotada de músculos posteriores em toda a sua 
extensão, mas só existem músculos anteriores nas regiões cervicais e 
lombares. 
7- Anatomia Neural da Coluna Vertebral 
Topografia Vertebromedular 
No adulto, a medula não ocupa todo o canal medular, pois termina no 
nível L2. Assim, não há correspondência entre as vértebras e o segmento 
medular correspondente. Considera-se segmento medular a parte da medula 
compreendida entre a radícula mais superior de um nervo espinhal e a mais 
inferior desse mesmo nervo. 
A segmentação medular não é completa, já que não existem sulcos 
transversais separando os segmentos medulares. Na porção superior e média 
da coluna cervical, o segmento medular encontra-se quase diretamente 
posterior à sua vértebra correspondente. 
A partir daí, começa a ficar aparente a discrepância vertebromedular, 
de modo que o segmento C8 está imediatamente atrás da vértebra VII (um 
segmento mais alto). Essa relação se mantém até o nível de T11, quando, a 
partir daí, o segmento medular encontra-se duas vértebras acima de sua 
vértebra correspondente. Os nervos espinhais cervicais saem pelo forame 
intervertebral acima de sua vértebra correspondente, com exceção de C8, que 
 
 
 
 
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sai abaixo da sétima vértebra cervical. Todos os outros nervos espinhais saem 
pelo forame intervertebral abaixo de suas vértebras ipsissegmentares. 
As Raízes Nervosas 
Formação e anomalias 
No sulco lateral anterior e lateral posterior da medula, fazem conexão 
pequenos filamentos nervosos denominados filamentos radiculares, que se 
unem para formar, respectivamente, a raiz dorsal (sensitiva) e ventral (motora) 
dos nervos espinhais. 
As duas raízes, por sua vez, se unem para formar os nervos espinhais, 
ocorrendo essa união distalmente ao gânglio espinhal da raiz dorsal. As raízes 
nervosas ocupam de 7% a 22% da área seccional transversa do forame 
intervertebral, com exceção de L5, que requer 25% a 30% da área disponível. 
Há um número considerável de anomalias das raízes nervosas. Uma 
classificação útil propõe três tipos de anomalia: 
➢ Tipo I: duas raízes separadas emanam de uma mesma bainha 
dural (raiz conjunta). 
➢ Tipo II: duas raízes saem da coluna vertebral por um único 
forame neural. 
➢ Tipo III: ocorre uma anastomose entre raízes adjacentes. 
8- DERMÁTOMOS E MIÓTOMOS 
Dermátomo é o território cutâneo inervado por uma única raiz nervosa 
dorsal. O dermátomo recebe o nome da raiz que o inerva, p.ex., o dermátomo 
de C5. Há uma considerável superposição entre dermátomos, de modo que 
os limites entre dermátomos adjacentes são imprecisos. Miótomo ou campo 
radicular motor é o conjunto de músculos inervados por uma única raiz ventral. 
A maioria dos músculos são multirradiculares, mas existem músculos 
unirradiculares como os intercostais. 
 
 
 
 
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9- ORGANIZAÇÃO RADICULAR DA CAUDA EQÜINA 
A cauda eqüina possui um padrão de inervação dentro do saco tecal, 
de modo que as raízes lombares superiores se encontram em posição lateral 
e as raízes lombares inferiores e sacrais em posição progressivamente mais 
medial. 
Dentro de cada raiz da cauda eqüina há também um arranjo 
microanatômico. As fibras motoras encontram-se em posição ântero-medial e 
as fibras sensitivas em posição póstero-lateral. 
Os nervos espinhais 
Os nervos espinhais fazem conexão com a medula espinhal. São 31 
pares, que correspondem aos 31 pares de segmentos medulares existentes: 
8 pares de nervos cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. 
O tronco do nervo espinhal sai do canal vertebral pelo forame intervertebral e 
logo se divide em um ramo dorsal e um ramo ventral. O ramo dorsal, 
geralmente menor, divide-se em ramos medial e lateral e se distribui à pele e 
aos músculos da região dorsal do tronco. 
Os ramos ventrais representam, praticamente, a continuação do tronco 
do nervo espinhal. Eles se distribuem pela musculatura, pele, ossos e vasos 
dos membros, região ântero-lateral do pescoço e tronco. Os ramos ventrais 
dos nervos espinhais formam os plexos nervosos que darão origem a 
importantes nervos do corpo humano. 
Inervação da Coluna Vertebral 
Os ramos meníngeos recorrentes (nervos sinuvertebrais ou de 
Lushka), emitidos pelos nervos espinhais logo que emergem do forame 
intervertebral, suprem as meninges e seus vasos, mas também dão filamentos 
para estruturas articulares e ligamentares adjacentes. A camada externa do 
ânulo fibroso dos discos intervertebrais parece receber filamentos desses 
nervos. A origem da chamada dor discogênica ainda não é consensual na 
 
 
 
 
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34 
literatura. Os ramos mediais do ramo dorsal dos nervos espinhais inervam o 
periósteo externo, facetas articulares, músculos e ligamentos vertebrais. 
Vascularização da Coluna Vertebral 
A vascularização da coluna vertebral sofre variações regionais. 
Todavia, observa-se um padrão comum de suprimento sangüíneo entre a 
segunda vértebra torácica e a quinta vértebra lombar. De uma artéria 
segmentar ou sua equivalente regional oriunda da aorta, cada vértebra recebe 
seu aporte nutricional dos ramos central anterior, central posterior, pré-laminar 
e pós-laminar. 
Os ramos centrais são derivados de vasos externos à coluna vertebral, 
enquanto os ramos laminares são derivados de ramos espinais que entram 
pelo forame intervertebral, fornecendo a maior parte da nutrição do corpo e 
arco vertebral na região médio-vertebral. Biomecânica da Coluna Vertebral 
A função primária da coluna vertebral é dotar o corpo de rigidez 
longitudinal, permitindo movimento entre suas partes. Secundariamente, 
constitui uma base firme para sustentação de estruturas anatômicas 
contíguas, como costelas e músculos abdominais, permitindo a manutenção 
de cavidades corporais com forma e tamanho relativamente constantes. 
Embora muitos textos assinalem que a proteção da medula espinal é 
uma função primária da coluna vertebral, talassertiva não é correta. Sua 
função primária é musculoesquelética e mecânica, constituindo-se apenas 
como uma rota fortuita e conveniente para a medula espinhal ganhar acesso 
a partes distantes do tronco e dos membros. 
Biomecânica é a disciplina que descreve a operação do sistema 
musculoesquelético e possui importante aplicação no estudo funcional da 
coluna vertebral. A cinemática descreve as amplitudes e os padrões de 
movimento da coluna vertebral e a cinética estuda as forças que causam e 
resistem a esses movimentos. Somente movimentos limitados são possíveis 
 
 
 
 
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entre vértebras adjacentes, mas a soma desses movimentos confere 
considerávelamplitude de mobilidade na coluna vertebral como um todo. 
Movimentos de flexão, extensão, lateralização, rotação e circundação 
são todos possíveis, sendo essas ações de maior amplitude nos segmentos 
cervical e lombar que no torácico. Isso ocorre porque os discos intervertebrais 
cervicais e lombares apresentam maior espessura, não sofrem o efeito de 
contenção da caixa torácica, seus processos espinhosos são mais curtos e 
seus processos articulares apresentam forma e arranjo espacial diferente dos 
torácicos. 
A flexão é o mais pronunciado movimento da coluna vertebral. 
Movimentos da Coluna Vertebral 
1. Plano sagital 
➢ Flexão 
➢ Extensão 
2. Plano coronal 
➢ Lateralização direita 
➢ Lateralização esquerda 
3. Plano longitudinal 
➢ Rotação ou circundação 
➢ Amplitude de Movimento da Coluna Vertebral 
4. Segmento cervical 
➢ Flexão: mento na fúrcula 
➢ Extensão: mento a 18 cm da fúrcula 
➢ Lateralização: 30 graus 
➢ Rotações: 60 graus 
5. Segmento torácico 
 
 
 
 
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➢ Rotação: 75 graus 
➢ Lateralização: 30 graus 
Obs.: a lateralização do segmento dorsal dá-se na transição dorso-
lombar. 
6. Segmento tombar 
➢ Flexão: 60 graus 
➢ Extensão: 30 graus 
➢ Lateralização: 20 graus 
➢ Rotações: 5 graus 
A Articulação Sacroilíaca 
Embora fortemente contida por seus ligamentos, a articulação 
sacroilíaca exibe movimentos pequenos em sua amplitude, mas complexos 
em sua natureza, normalmente não passando de dois graus. Entretanto, 
durante a marcha ou em movimentos complexos como a flexão e extensão 
dos quadris, a articulação sacroilíaca pode exibir movimentos de maior 
amplitude em outros planos. 
A Coluna Como Viga em Balanço A coluna vertebral, do ponto de vista 
mecânico, é definida como uma viga em balanço, suportando cargas estáveis 
e móveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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37 
Figura 12: 
 
A Estabilidade Vertebral 
Depende, principalmente, do papel das articulações zigoapofisárias, dos 
ligamentos e da ação da musculatura, que, agindo nas estruturas anatômicas 
próprias, levam à formação de curvas de adaptação no sentido ântero-
posterior. A estabilidade vertebral depende, portanto, dos mesmos fatores que 
fazem contraposição às cargas recebidas. 
 
Forças que atuam na Coluna Vertebral 
 
 
 
 
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A coluna vertebral sofre a ação de forças de tração e, em antagonismo, 
forças de compressão. Menos importantes são as forças de cisalhamento. 
A descarga das forças ocorre da seguinte maneira: o corpo vertebral 
recebe as cargas e sobrecargas de compressão e a lâmina, por sua vez, 
recebe as cargas e sobrecargas equilibrantes de tração, auxiliados pelos 
músculos e ligamentos paravertebrais. 
Corpos de Igual Resistência 
Observando a forma e o tamanho das vértebras ao longo da coluna, 
vemos que as vértebras cervicais ocupam uma área bem menor que as 
lombares. Para que cada uma suporte convenientemente as forças e cargas 
a que são submetidas, a coluna vertebral atende a um princípio da resistência 
dos materiais chamado corpo de igual resistência de determinado sólido de 
forma bizarra, no qual, seja qual for a seção transversa considerada, o esforço 
de compressão será o mesmo. 
Como exemplo de similitude, funciona como as chaminés de tijolos das 
fábricas que, como a coluna vertebral, são cônicas por fora e cilíndricas por 
dentro. Assim, à medida que se desloca do ápice para a base, a área 
seccional transversa vai ficando cada vez maior, para que haja 
aproximadamente a mesma carga por unidade de superfície em qualquer das 
secções consideradas. 
O Papel do Disco Intervertebral 
O disco intervertebral separa os corpos vertebrais, permitindo às 
vértebras dobrar-se umas sobre as outras. Cabe ao disco o importante papel 
de dissipação da energia mecânica, através de deformações que estes sofrem 
ao receber as forças solicitantes. Essa função é exercida pela combinação 
das propriedades de líquido do núcleo pulposo e das características elásticas 
do ânulo fibroso, funcionando de forma ambivalente para a dissipação e 
transmissão de forças. 
 
 
 
 
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Um dos aspectos mais relevantes da biomecânica do disco 
intervertebral é a variação de pressão que ocorre em sua estrutura nas 
diversas variações posturais. A pressão interna do disco aumenta de 
aproximadamente 100 kg em L3, quando o indivíduo muda da posição 
sentada com o tronco ereto para 150 kg, quando o tronco é fletido 
anteriormente e eleva-se para 220 kg quando um homem de 70 kg levanta um 
peso de 50 kg. O risco de injúria é ainda maior quando o levantamento de 
peso está associado com movimentos rotatórios do tronco, determinando 
sobrecarga mecânica excessivamente elevada sobre as fibras póstero-
laterais dos ânulos fibrosos dos discos lombares. 
A Unidade Motora Vertebral 
 É formada por uma vértebra montada sobre a outra, como todos os 
elementos constituintes intermediários e anexos. Funciona como um 
segmento motor vertebral, embora nenhuma desordem congênita ou 
adquirida de um único elemento da unidade motora vertebral possa existir 
sem afetar primeiro as funções de outros componentes da mesma unidade e 
então, a função de unidades de outros níveis da coluna vertebral. 
O Canal Raquidiano 
 O canal raquidiano localiza-se em uma posição intermediária com 
relação às forças que atuam sobre a coluna vertebral, onde os esforços são 
mais reduzidos pela proximidade de um plano de forças neutro. Além do mais, 
seja qual for a posição assumida pelo indivíduo, as dimensões do canal 
vertebral não se alteram significativamente, garantindo seu papel secundário, 
mas importante, de proteção à medula espinhal e raízes nervosas. 
 
 
FIGURA13 – O disco intervertebral. 
 
 
 
 
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(A) Representação esquemática das relações anatômicas do disco com as 
vértebras contíguas. 
(B) Segmento motor vertebral (área delimitada por linhas). 
(C) Representação esquemática da dissipação e transmissão de forças que 
atuam no disco intervertebral. 
Figura 13: 
 
Lordose Versus Cifose 
 Se observarmos um indivíduo lateralmente, percebemos que quanto 
mais profundas forem as concavidades das lordoses cervicais e lombares, 
maior será a convexidade da cifose dorsal e vice-versa. Há, portanto, uma 
equivalência eqüitativa entre essas curvas adaptativas. 
 As afecções da coluna vertebral constituem um dos mais comuns 
desafios para os profissionais que lidam com as enfermidades do aparelho 
locomotor. Apesar dos avanços dos métodos de imagem, o conhecimento da 
anatomia e a compreensão da biomecânica, continuam sendo a base para o 
diagnóstico e tratamento das doenças vertebrais. 
10- CARGAS APLICADAS À COLUNA VERTEBRAL 
 A dor no dorso, especialmente na região lombar, é tão prevalente nos 
esportes, ambientes profissionais e mesmo situações domésticas que se tem 
empreendido pesquisas biomecânicas sobre este tema em todo o mundo. 
 
 
 
 
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O desequilíbrio entre a força da musculatura dorsal e da abdominal 
pode ser fonte de problemas. Um desequilíbrio pode criar, entre outras coisas, 
um desvio da postura pélvica, deste modo alterando a curva lordótica e 
subseqüentemente sobrecarregando o disco. 
 As atividades causadoras de rotação são aquelas durante as quais a 
coluna vertebral é submetida a torções vigorosas. 
 Em análises biomecânicas simplificadas, pode-se tratar a coluna 
vertebral como um corpo rígido girando em tomo de seu eixo, situado na 
articulação lombossacral (L5-S 1). Considere algumas das forças que atuam 
sobre esse tipo de modelo durante as posturas elementares de ficar em pé e 
levantar-se, dado um homem de 891 N (91 kg) na posição ereta. 
 Se 50% do peso corporal estiverem acima da articulação lombossacral, 
pode-se pressupor uma força compressiva de 445,5 N (45,5 kg). Contudo,no 
indivíduo normal, a face superior de S1 é inclinada para a frente de 30º a 40º 
(ângulo sacral). (Essa inclinação introduz uma força de cisalhamento de até 
341,25 N 934,8g). As forças compressivas atuam predominantemente sobre 
o anel fibroso através da compressão do núcleo pulposo. 
As forças de cisalhamento afetam principalmente o forame 
intervertebral, às vezes denominado arco neural, a área entre os processos 
articulares inferior e superior contíguos. Se o homem agora fletir a coluna 
vertebral de modo que o ângulo seja 45º, é evidente que o braço de momento 
do centro de gravidade da metade superior do corpo, e o braço de momento 
de qualquer peso externo nas mãos ou em outro lugar, aumenta. Isto significa 
que se houver necessidade de manter a metade superior do corpo numa 
posição de equilíbrio estático, o torque exercido pelos extensores vertebrais 
(músculo eretor da espinha) deve ser igual a essa tendência rotacional para 
frente. 
Observa-se que o torque necessário aumenta à medida que o ângulo 
do tronco aproxima -se de 90º, quando o braço de momento atinge seu 
 
 
 
 
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máximo. Quando o ângulo do tronco aumenta além de 90º e o centro de 
gravidade é trazido mais próximo do eixo de rotação, o braço de momento 
começa a diminuir. 
Logo, a contribuição dos extensores do tronco necessária para se opor 
a esse torque também se reduz. Entretanto, após um certo ponto na amplitude 
de movimento da flexão vertebral e da flexão do quadril associada, pode-se 
observar "relaxamento dos flexores". 
Quando ocorreu relaxamento dos flexores, disse-se que as estruturas 
ósseo-ligamentosas passivas foram responsáveis pela estabilização da 
coluna vertebral. (No entanto, o eretor da espinha alongado e o grupo 
posterior profundo criam tensão passiva, a despeito do silencio elétrico, 
segundo suas propriedades de comprimento-tensão). Como o braço de 
momento dos ligamentos pós-vertebrais é pequeno, a necessidade de forças 
dessa magnitude é potencialmente perigosa para os ligamentos. 
A perda de pelo menos parte do controle muscular nas posições 
extremas fornece informações biomecânicas importantes acerca de diversas 
tarefas de levantamento, simétricas e assimétricas. 
11- MÚSCULOS DA COLUNA VERTEBRAL 
Os músculos que atuam sobre a coluna vertebral podem inicialmente 
ser divididos em duas categorias, anterior e posterior. Os músculos de ambas 
as categorias existem em pares bilaterais, embora possam e de fato 
funcionem de modo independente (unilateralmente). Como regra geral, os 
músculos da categoria anterior causam flexão da coluna vertebral, enquanto 
os da categoria posterior são responsáveis pela extensão. Considera-se que 
um músculo, o quadrado lombar, atua como flexor lateral puro. 
Figura 13: 
 
 
 
 
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Grupo anterior - flexores cervicais 
O grupo pré-vertebral de músculos consiste no longo do pescoço e 
longo da cabeça. Estes são músculos profundos que causam flexão da 
cabeça e vértebras cervicais (exceto o longo do pescoço, que atua apenas 
sobre as vértebras cervicais) quando se contraem bilateralmente. A contração 
unilateral desses músculos causa flexão lateral das vértebras cervicais ou 
rotação da cabeça. Os oito músculos hióideos causam flexão cervical contra 
uma resistência maior que a do segmento, mas são usados principalmente na 
deglutição. 
O superficial esternocleidomastóideo, um músculo de duas cabeças, 
também flete a cabeça e vértebras cervicais. Atuando unilateralmente, causa 
a flexão lateral das vértebras cervicais e rotação da cabeça para o lado oposto 
(os termos lado oposto e mesmo lado em relação à rotação serão usados para 
indicar o lado com referência ao músculo que esteja se contraindo 
unilateralmente). 
Os músculos escalenos (anterior, médio e posterior) podem ser 
considerados com a categoria anterior, mas na verdade situam-se mais 
lateralmente. Embora importantes na respiração, também fletem as vértebras 
 
 
 
 
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cervicais ou, se ativados em um lado, fletem lateralmente as vértebras 
cervicais. 
Grupo anterior - flexores lombares 
Conforme indicado antes, o grau de flexão e extensão da região 
torácica é extremamente restrito. Por isso, apenas a região lombar é 
apresentada aqui. Devido às limitações da região torácica ao movimento no 
plano sagital, a grande amplitude da flexão-extensão cervicais não influencia 
a região lombar. 
O grupo de músculos responsáveis pela flexão lombar é geralmente 
referido como abdominais. Eles não possuem nenhuma conexão direta com 
a coluna vertebral. Alguns são ainda distinguidos por não possuírem fixações 
ósseas em nenhuma das extremidades. Ademais, além das ações articulares 
cruciais que efetuam (isto é, flexão lombar), sãoimportantes na constrição da 
cavidade abdominal e seu conteúdo. Esta última função eleva a pressão intra-
abdominal, que, além de estar associada à eliminação de resíduos (defecação 
e micção), também reduz as cargas sofridas pelas vértebras lombares durante 
determinadas atividades. Uma discussão dessa função segue-se à 
apresentação da musculatura. 
O músculo reto do abdome, como seu nome indica, desce 
verticalmente no abdome e suas partes direita e esquerda são separadas pela 
linha branca tendínea. Devido à sua linha de tração orientada verticalmente, 
é um primo-agonista para a flexão da coluna vertebral e um flexor lateral 
quando ativado apenas de um lado. 
Os músculos oblíquos interno e externo do abdome cobrem as porções 
anterior e lateral da parede abdominal entre o reto do abdome na frente e 
músculo grande dorsal / fáscia toracolombar atrás. As fibras desses músculos 
seguem quase perpendicularmente umas às outras, uma característica que 
se reflete numa grande diferença em suas ações unilaterais. 
 
 
 
 
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Quando ambos os lados dos oblíquos externos se contraem 
simultaneamente, os componentes Z e X de sua tração são neutralizados. 
Quando apenas um lado do músculo é ativado, contudo, ocorre flexão 
vertebral e, além disso, flexão lateral e rotação do tronco, neste caso para o 
lado oposto. Com exceção da direção da rotação, o mesmo é válido para os 
oblíquos internos. Durante uma contração unilateral desse músculo, a rotação 
do tronco é para o lado oposto. 
O transverso do abdome, o músculo mais profundo desse grupo, não 
tem uma função associada à execução motora por causa de sua linha de 
tração e conexões tendíneas. No entanto, todos esses músculos têm uma 
conexão anatômica comum ou relação entre si, pois as bainhas aponeuróticas 
dos oblíquos externo e interno e do transverso do abdome formam a bainha 
do reto do abdome. 
Grupo posterior - extensores vertebrais 
Aproximadamente 140 músculos estão envolvidos na função motora da 
coluna vertebral. Para fins de uma análise geral do movimento, a separação 
dos extensores da coluna vertebral em grupos simplifica o assunto sem 
comprometer a compreensão. Dois grandes grupos de músculos compõem o 
grupo posterior (ou extensores vertebrais): o eretor da espinha e o grupo 
posterior profundo. 
O grupo eretor da espinha, ou músculo sacroespinhal, se origina como 
uma grande massa carnosa na área sacral; quando ascende na coluna 
vertebral, divide-se em três colunas principais. A divisão, que ocorre no nível 
lombar superior, resulta na formação dos músculos iliocostal, longíssimo 
espinhal (ainda considerados globalmente como o eretor da espinha. Nas 
regiões torácica e lombar, o músculo sacroespinhal é coberto pela fáscia 
toracolombar. 
Esta estrutura é particularmente relevante, tendo em vista a prevalência 
da síndrome de lombalgia e a relação de uma maior força dos músculos 
 
 
 
 
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abdominais com a redução das cargas sobre a coluna vertebral. O transverso 
do abdome e a porção inferior da origem do oblíquo interno do abdome 
nascem dessa fáscia. Ademais,a porção inferior da origem do oblíquo externo 
justapõe-se a uma parte do grande dorsal, dos quais o último também é 
incorporado à fáscia. 
O músculo iliocostal, a mais lateral das três colunas, divide-se em três 
partes regionais, os iliocostais lombar, torácico e do pescoço. Os nomes 
assinalam sua posição anatômica. A coluna intermédia (longíssimo) e a 
coluna medial (espinhal) se dividem em três partes regionais, a do tórax, do 
pescoço e da cabeça. Todos estes músculos servem para estender a coluna 
vertebral em diversos níveis. A contração unilateral do músculo iliocostal e do 
longíssimo do tórax causa flexão lateral e rotação para o mesmo lado. A flexão 
lateral e rotação das vértebras cervicais e cabeça são produzidas pelos 
longíssimos do pescoço e da cabeça, respectivamente, quando um lado se 
contrai. Os espinhais do tórax e do pescoço, contraindo-se unilateralmente, 
também causam flexão lateral. Em geral, o espinhal da cabeça está associado 
estrutural e funcionalmente ao semi-espinhal da cabeça. 
Os músculos esplênicos (do pescoço e da cabeça) são freqüentemente 
considerados parte do grupo eretor da espinha. Ambos servem como 
extensores das vértebras cervicais e podem causar rotação dessas vértebras 
e da cabeça. 
O grupo espinhal posterior profundo inclui os intertransversários, 
interespinhais, rotadores e multífidos, todos os quais atuam para estender a 
coluna vertebral. Atuando unilateralmente, estes músculos causam flexão 
lateral e rotação para o lado oposto. É importante ressaltar que, assim como 
todos os músculos, o grau no qual essas ações unilaterais ocorrem depende 
do torque gerado pela contração. Estes músculos geralmente possuem 
braços de momento muito pequenos. Por exemplo, atribuiu-se um braço de 
momento de 24 mm ao eretor da espinha atuando na articulação L5-S 1. 
 
 
 
 
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Com base na linha de tração observada do músculo, poder-se-ia muito 
bem considerar esses movimentos rotatórios e de flexão lateral resultantes 
como movimentos previstos apenas biomecanicamente, ao contrário de 
movimentos significativos. 
12- PAPEL DA MUSCULATURA ABDOMINAL NA REDUÇÃO 
DAS CARGAS VERTEBRAIS 
As vértebras lombares e seus discos associados são submetidas a forças 
muito grandes durante o curso de atividades diárias. Em geral, a fratura do 
corpo vertebral ocorre antes da ruptura de um disco sadio. Vários 
pesquisadores estimaram ou mediram as magnitudes dessas forças. Devido 
à frequência de lesões do dorso com suas subseqüentes repercussões 
econômicas, a mecânica da coluna vertebral tem sido estudada 
extensamente. Alguns autores, procurando quantificar forças normalmente 
encontradas sobre a coluna vertebral, usaram modelos biomecânicos. Um 
modelo estimou as forças compressivas sobre L5 em 10.000 N. Outros 
relataram valores mais conservadores de 4.250 N de compressão. Em 
modelos dinâmicos, nos quais as forças resultantes da inércia e aceleração 
devem ser consideradas, foram relatadas forças compressivas máximas de 
7.000 N. Kumar e Davis sugeriram que, via de regra, os levantamentos 
dinâmicos podem ser considerados pelo menos duas vezes mais estressantes 
que sustentações estáticas para a mesma resistência. 
Naturalmente, as forças de cisalhamento aumentam com as forças 
compressivas, e se a carga for assimétrica, forças rotacionais são 
introduzidas. As cargas sobre a coluna vertebral, especialmente a região 
lombar, devem ser mantidas o mais baixo possível. 
A relação entre músculos abdominais fortes e um dorso sadio interessa 
há muito os cinesiologistas. Existe uma relação de causa-efeito intuitiva entre 
contração dos músculos do abdome, compressão do conteúdo abdominal e 
elevação da PIA (pressão intra-abdominal. Quanto maior a PIA e mais rígido 
 
 
 
 
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o cilindro tóraco-abdominal, maior a fração de carga vertebral compartilhada 
e maior a redução dascargas vertebrais. 
13- MECANISMOS TORÁCICOS BÁSICOS 
A principal finalidade do tórax, composto pelas vértebras torácicas, 12 pares 
correspondentes de costelas, cartilagens costais e esterno, é a proteção dos 
principais componentes dos sistemas respiratório e circulatório. 
O movimento do tórax está envolvido primariamente com a respiração. 
A restrita amplitude do movimento toracovertebral, no que diz respeito á 
complexidade e número de tarefas que constituem o movimento humano, 
torna-o menos relevante que as regiões cervical e lombar. 
O movimento do tórax é definido predominantemente pela elevação e 
abaixamento das costelas e, sob várias condições, incluí a participação de 
músculos previamente descritos e outros que merecem consideração. Em 
geral consideram-se como os principais músculos da respiração o diafragma 
e os intercostais. Os músculos escalenos, esternocleidomastóideo, peitorais, 
serrátil anterior e abdominais são considerados agonistas e acessórios. 
No homem, o diafragma é o músculo inspiratório principal. Com sua 
ativação e subseqüente contração, o diafragma expande a base do tórax ao 
mover as costelas para cima e lateralmente. Este movimento ocorre pelas 
forças transmitidas através de seu centro tendíneo (inserção) à sua origem, 
que se fixa quase inteiramente ao redor da face interna da cavidade corporal. 
Os oblíquos internos e intercostais externos são ativos durante a expiração e 
inspiração, respectivamente. Esses músculos funcionam de acordo com o 
interespaço no qual estão localizados. 
Defeitos específicos 
A flexibilidade da coluna vertebral às vezes é prejudicada pelo 
desenvolvimento de desvios indesejáveis. 
 
 
 
 
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A cifose e escápulas abduzidas são inteiramente diferentes: a primeira 
é uma convexidade posterior aumentada da coluna torácica e a última um 
desvio, para frente, do cíngulo do membro superior. Entretanto, uma causa a 
outra e as duas comumenteaparecem como um defeito integrado. 
A cifose resistente ou estrutural, ou qualquer defeito desse tipo 
acompanhado de dor aguda, indica uma provável doença ou defeito 
hereditário de natureza mais grave. Jamais se devem fornecer exercícios 
corretivos nesses casos, exceto quando prescritos por um médico. 
A lordose é uma concavidade posterior aumentada da curva lombar ou 
cervical normal, acompanhada de uma inclinação da pelve para frente. Os 
músculos da região lombar são encurtados e os abdominais alongados. 
Quando essa posição é assumida habitualmente, um peso excessivo é 
lançado sobre as margens posteriores dos corpos das vértebras lombares e 
há uma forte tendência ao desenvolvimento de escápulas abduzidas em 
compensação ao desvio para trás do peso corporal. 
Os indivíduos que são mais flexíveis do que a média tem apenas de 
adquirir a capacidade de assumir a posição correta da coluna vertebral e, 
então, praticá-la até que o hábito esteja estabelecido. Quando a pelve é 
inclinada excessivamente para frente, os músculos do dorso e flexores dos 
quadris são encurtados enquanto os músculos do abdome e do jarrete são 
alongados. Não trará nenhum beneficio corrigir o desequilíbrio apenas dos 
músculos do tronco ou do quadril, ambos os grupos devem ser ajustados e 
controlados para manter a pelve em seu grau de inclinação apropriado. 
Dorso plano (cifose lombar) - o dorso plano envolve uma redução 
abdominal na curvatura lombar normal. O ângulo de obliqüidade da pelve é 
reduzido, pois os músculos dos jarretes são curtos demais e os flexores dos 
quadris e ligamentos iliofemorais, longos demais. Está comumente associado 
aos ombros arredondados, tórax plano eA condição é de difícil correção, mas 
 
 
 
 
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os esforços para aumentar a força e tônus dos músculos do abdome e eretor 
da espinha podem ser recompensadores. 
Curvatura lateral - a curvatura lateral da coluna vertebral, que em 
estágios acentuados é denominada escoliose, é um desvio para um dos lados. 
Representa uma combinação

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