Prévia do material em texto
9 Figura 2 - Estágio do desenvolvimento. Fonte: a autora (2021) #PraCegoVer: A imagem é um elemento gráfico circular,que representa os quatro estágios do desenvolvimento: sensório motor reflexos e sensações zero a dois anos, pré operatório. raciocínio intuitivo dois a sete anos. Pensa- mento lógico, sete a onze anos. Pensamento formal hipotético dedutivo - 12 anos em diante. É importante esclarecer também o termo conhecimento prévio. Trata-se dos saberes que os alunos possuem e que são essenciais para o aprendizado. Na década de 20, Jean Piaget identificou as estruturas mentais como condições prévias para aprender. Nos anos 60, David Ausubel (1918-2008) chamou de conhecimento prévio os conteúdos fundamentais para que se adquira novos conhecimentos. Segundo Ausubel, o processo ideal ocorre quando uma nova ideia se relaciona aos conhecimentos prévios do indivíduo. Assim, motivado por uma situação proposta pelo professor, a qual faça sentido, o aluno amplia, avalia, atualiza e reconfigura uma informação anterior, transformando-a em uma nova. 10 O suíço Jean Piaget, ao desenvolver sua teoria acerca do desenvolvimento mental humano, usou a observação direta, sistemática e cuidadosa de crianças, entre elas seus três filhos: Jacqueline, Laurent e Lucienne. Curiosidade Sobre Henri Wallon, ele nasceu em Paris, na França, em 15 de junho de 1879, onde passou toda a vida e morreu em 1962, aos 83 anos. Formou-se em Medicina, em 1902, e em Filosofia, em 1908. Viveu em um período marcado pelas duas grandes Guerras Mundiais, nas quais esteve presente como médico, na Primeira (1914-1918), e no Movimento de Resistência Francesa contra os nazistas, na Segunda (1939-1945). Wallon atuou até 1931 como médico psiquiatra, dedicando-se ao atendimento de crianças com deficiências neurológicas e distúrbios do comportamento. Seu interesse pela Psicologia da criança fez com que, em 1925, fundasse o Laboratório de Psicologia da Criança. Nas observações realizadas, durante esse período, ele identificou os vários estágios que levaram à origem da sua teoria do desenvolvimento. Na busca pela compreensão do ciclo vital, aproximou-se da educação, participando ativamente das discussões educacionais da sua época, trocando experiências e reflexões com outros educadores. Por que podemos dizer que, na busca pela compreensão do desenvolvimento infantil, Wallon aproximou-se sobremaneira de questões relativas à educação? Reflita A teoria walloniana destaca duas ordens de fatores que juntos constituem as condições em que se inserem as atividades de cada estágio proposto pelo teórico: os orgânicos e os sociais. Segundo Nogueira e Leal: 11 Wallon certamente construiu sua teoria baseando-se em um enfoque interacionista, que abarca a concepção de que todos os aspectos do desenvolvimento surgem na interação de predisposições genéticas características da espécie com a variedade de fatores ambientais. Em outras palavras, o desenvolvimento de uma criança, para Wallon, constitui- se no encontro das condições de existência cotidiana, específicas de uma determinada sociedade, cultura e época (2015, p. 175). Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo no sujeito é uma sucessão de estágios e subestágios: [...] nos quais os esquemas se organizam e se combinam entre si, formando estruturas. Tais estágios ou períodos do desenvolvimento são assim identificados pelo autor: Sensório-motor, pré-operacional, operatório concreto e operatório formal (MAIA, 2017, p. 48). Bem como Piaget, Wallon divide o desenvolvimento em estágios. Para o autor, tais estágios são: • impulsivo emocional; • sensório-motor e projetivo; • personalismo; • categorial; e • puberdade e adolescência. É importante frisar que Wallon não especificou idades limites para cada estágio, por acreditar em um desenvolvimento dialético e interacionista. No entanto, é possível estipular um tempo comum, de acordo com o que geralmente ocorre em cada faixa etária. 12 Figura 3 - O desenvolvimento infantil. Fonte: Plataforma Deduca (2021). #PraCegoVer Fotografia de um bebê. Usa tip top branco. Ele sorri e segura o pé direito. Com base na teoria de Wallon, ao tomarmos o desenvolvimento humano, precisamos observar, em cada estágio, quais as diferentes configurações são responsáveis pela aquisição de novas funções e aprendizagens. Fundamentais na teoria walloniana são os conjuntos funcionais motor, cognitivo e afetivo que descrever brevemente a seguir para melhor compreensão de seus papéis em cada estágio proposto por Wallon. Motor: diz respeito às funções responsáveis pelo movimento do corpo, que permitem seu deslocamento no espaço e no tempo, bem como o equilíbrio corporal; Cognitivo: relativo às funções responsáveis pela aquisição, transformação e manutenção do conhecimento; 13 Afetivo: corresponde à condição humana de ser afetada positiva ou negativamente tanto por fatores internos quanto externos ao organismo. Conforme transcorre o processo, se alternam a inteligência e a afetividade. No primeiro ano de vida, a afetividade é a função predominante. Podemos ver isso a partir da interação do bebê com as pessoas, em que suas manifestações estabelecem a relação dele com o ambiente. Passada essa fase, agora na etapa sensório-motora e projetiva, temos a predominância da inteligência. Ao começar a andar, falar e a manipular objetos, a criança passa a voltar-se ao exterior, ou seja, ao conhecimento. Mas reforçamos que essa alternância não significa que quando uma está dominante a outra desapareça. Estágio do desenvolvimento segundo Wallon e o conjunto predominante correspondente: Estágio do desenvolvimento segundo Wallon • Impulsivo emocional • Sensório-motor e projetivo • Personalismo • Categorial • Puberdade e adolescência Predomínio do conjunto • Motor e afetivo • Cognitivo • Afetivo • Cognitivo • Afetivo 14 Conclusão Socioconstrutivismo: relação entre o desenvolvimento e o momento sócio-histórico. Interação: é a base da teoria socioconstrutivista. Ciclo vital: os desenvolvimentistas dividem o processo do desenvolvimento em etapas que vão do nascimento até a morte. Fonte: elaborada pela autora (2021) 15 Referências MAIA, C. M. Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Curitiba: Intersaberes, 2017. NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem - um encontro filosófico, pedagógico e psicológico. Curitiba: InterSaberes, 2015. PIAGET, J. (1973). Psicologia e Epistemologia: Por uma Teoria do Conhecimento. Rio de Janeiro: Editora Forense. VYGOTSKY, l. S. Pensamento e linguagem (3ª ed.). São Paulo: Martins Fontes, 2003 MAIA, C. M. Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Curitiba: InterSaberes, 2017. 16