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28/04/2023 08:58 UNINTER
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DESENVOLVIMENTO HUMANO
AULA 5
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Prof. Cassio Gonçalves de Azevedo
CONVERSA INICIAL
Abordaremos, nesta aula, três importantes autores do desenvolvimento humano: Jean Piaget,
Lev Vygotsky e Henry Wallon. Iniciaremos por Piaget e sua Epistemologia Genética; depois,
seguiremos com a Teoria Interacionista de Vigotsky; por fim, a Teoria da Pessoa Completa de Henri
Wallon. Ao final, na seção “Na prática”, apresentaremos um caso concreto sobreo qual podemos
pensar a partir das três teorias conjugadas.
TEMA 1 – EPISTEMOLOGIA GENÉTICA E A TEORIA DE JEAN PIAGET
Jean Piaget (1896-1980) se formou em Biologia e Filosofia na Suíça. Foi um teórico cognitivista
de grande relevância para as áreas da Psicologia e da Educação. Seus interesses eram direcionados ao
estudo sobre a origem e desenvolvimento da inteligência, estruturas mentais implicadas no processo
de construção do conhecimento – gênese do conhecimento, tanto de forma teórica como
experimental.
Em sua teoria, chamada de Epistemologia Genética, Piaget tinha como foco central o sujeito
epistêmico e os processos de pensamento, desde a infância inicial até a idade adulta, com
perspectiva naturalista, ou seja, afirmava que o ser humano tinha possibilidade de evolução ao se
adaptar ao meio ambiente, bem como de construir conhecimento com base na interação com esse,
com predisposição de organização interna, favorecendo assim o seu funcionamento e adaptação.
Para Piaget, existe um meio externo que regula e corrige o desenvolvimento do conhecimento
adaptativo. Sendo assim, a função do conhecimento é produzir estruturas lógicas que permitem ao
sujeito atuar no mundo de forma cada vez mais complexas e flexíveis (Gallo; Alencar, 2012, p. 82).
Lakomy (2014, p. 24), ao considerar a teoria piagetiana, menciona: “À medida que a criança passa
a interagir com o mundo ao seu redor ela começa a atuar e modificar ativamente a realidade que a
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envolve”.
A Teoria da Construção do Conhecimento é a tese de Piaget cujo desenvolvimento intelectual se
faz por práticas/ações biológicas, organizacionais, interativas e adaptativas ao meio ambiente, com
base na construção de esquemas de ações cognitivos desenvolvidos pelo indivíduo que permitem
novas organizações e adaptações, em um processo contínuo de assimilação e acomodação interna,
buscando um equilíbrio com o meio.
Para o entendimento do processo de desenvolvimento cognitivo, é necessária a compreensão
dos seguintes conceitos: hereditariedade, esquema, assimilação e acomodação. Esses conceitos são
utilizados por Piaget para elucidar a condição da ação.
A hereditariedade é um legado de estruturas biológicas, neurológicas e sensoriais que
contribuem para que estruturas mentais sejam originadas, ou seja, o organismo herdado amadurece
quando em contato com o ambiente (Gallo; Alencar, 2012, p. 82).
O esquema é definido como uma estrutura mental básica de pensamento ou ação, que ocorre
através de conexões neurais formadas ou fortalecidas ao vivenciar experiências similares as já
experimentadas, favorecendo o amadurecimento cerebral. A criança irá se comportar de acordo com
seu esquema, ou seja, modelo mental de ação, diante de uma situação parecida com a qual já viveu,
modificada pelo processo de adaptação.
Pulaski (1986) considera que esquema expressa um padrão de comportamento ou pensamento;
Wadsworth (1996) entende esquema como uma estrutura cognitiva que permite a adaptação
intelectual do indivíduo e organização ao meio.
Já os conceitos de assimilação e acomodação surgem a partir da adaptação, caracterizada como
um processo dinâmico em que a criança busca novos conhecimentos ao explorar o seu meio, e assim
tentar se adaptar ao mesmo.
A assimilação fortalece o esquema e esse, por sua vez, absorve a experiência vivida, ou seja, o
bebê nasce com o reflexo de sucção (esquema primitivo) e passa a mamar o mamilo da mãe;
Contudo, quando passa a mamar a mamadeira, essa é assimilada e passa a integrar o esquema de
sucção. Lakomy (2014, p. 26) considera que “a assimilação é a incorporação de novos conhecimentos
e experiências ou informações à estrutura intelectual da criança que não são modificados”.
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A assimilação age ao mesmo tempo em que a acomodação; portanto, não existe a assimilação
sem acomodação, ou seja, a assimilação e a acomodação são interdependentes.
A acomodação é o processo de modificação do esquema e “ocorre quando a criança reorganiza
sua estrutura mental a fim de incorporar esses novos conhecimentos, experiências ou informações e
transformá-las para se ajustarem as novas exigências do meio” (Lakomy, 2014, p. 26).
Quando os processos de assimilação e acomodação ocorrem simultaneamente, proporcionam
um ajuste interno das experiências, favorecendo o estado de equilíbrio e viabilizando a organização
das estruturas cognitivas.
TEMA 2 – ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Para Piaget (citado por Lakomy, 2014, p. 26), o desenvolvimento neurocognitivo é uma sequência
que se repete e que somente pode variar de acordo com o ritmo como cada criança irá adquirir
novas habilidades ou em etapas anteriores de aprendizagem, ordenando novos esquemas de ação
com diferentes propriedades funcionais. Para tanto, Piaget (1982) descreve quatro estágios.
2.1 SENSÓRIO MOTOR – 0 AOS 2 ANOS
Estágio que compreende os primeiros níveis do desenvolvimento, em que o recém-nascido não
consegue realizar a diferenciação entre si e o mundo, experimentando-o através de sua experiência
sensorial no contato com o meio.
O bebê, ao nascer, apresenta reflexos, e esses são mecanismos inatos que o auxiliarão a lidar e a
se adaptar ao meio, viabilizando o desenvolvimento de primeiros esquemas de ações sem que haja
representações mentais ou pensamentos, mas que possibilitam um equilíbrio com o mundo através
do toque, da sucção, do olhar, de percepções e sensações, que se modificam conforme ocorre sua
interação com o meio e a maturação do sistema nervoso.
Esse período é considerado o da inteligência prática, marcado principalmente pelo processo de
assimilação, pois o bebê constrói seus primeiros esquemas de ação mais complexos
progressivamente, que futuramente servirão como base para conexões cognitivas (Piaget, 1982).
2.2 PRÉ-OPERATÓRIO – 2 AOS 7 ANOS
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Ocorre o aparecimento da linguagem e a criança não depende unicamente de sensações e
movimentos. O desenvolvimento da função simbólica permite o início de atividades com
representações e atribuições à realidade (Piaget, 1982).
Com o aparecimento da linguagem junto à evolução da habilidade motora, o campo de
exploração físico e social da criança é ampliado consideravelmente, e a fala se torna o principal meio
de evolução. Nessa fase, verificamos o aumento da curiosidade e dos porquês, em que tudo deve ter
uma explicação (finalismo).
Nessa fase, a criança é egocêntrica e tem dificuldade de articular pontos de vista e de se colocar
no lugar do outro, mas também apresenta uma mistura de realidade com fantasia, atribuindo vida a
seres inanimados (animismo) e características humanas a animais ou objetos (antropomorfia). É a fase
dos contos de fadas, com possível percepção distorcida da realidade. Seu pensamento tem caráter
pré-lógico e irreversível, com dificuldade de fazer associações por falta de maturidade. 
2.3 OPERAÇÕES CONCRETAS – 7 AOS 13 ANOS
A criança tem a capacidade de pensar de forma lógica, mas ainda necessita da realidade
concreta para realizar elaborações mentais (Piaget, 1982).
Ocorre um amadurecimento que, baseado em lógica e regras, permite que a criança supere o
egocentrismo, socializeseus pensamentos, articule outros pontos de vista e respeite sentimentos em
busca da compreensão ao próximo, mas ainda com dificuldades em aceitar contradições relacionadas
às suas ideias.
A reversibilidade dos pensamentos já pode ser entendida e ocorre o abandono do pensamento
fantasioso, bem como a necessidade de comprovação prática das elaborações mentais.
2.4 OPERAÇÕES FORMAIS – 13 ANOS EM DIANTE
O adolescente passa a pensar de forma lógica, abstrata, formula hipóteses e as testa
sistematicamente, buscando soluções. Compreende metáforas, associa ou correlaciona
conhecimentos, usa a linguagem para elaborar pesquisas e hipóteses e se liberta das limitações da
realidade concreta (Piaget, 1982).
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É possível perceber a preocupação do adolescente em relação ao seu próprio pensamento e o
interesse por ideias abstratas, como o senso de justiça, a discussão e criticidade sobre os sistemas
sociais e a democracia. Os adolescentes costumam questionar os valores morais de seus pais e
sentimentos como o amor e fantasias, visando à construção de autonomia com base na elaboração
de normativas próprias.
Assim, para Piaget, por meio dessas quatro etapas, o indivíduo completa a elaboração cognitiva
e continua a se desenvolver ao longo da vida, conforme a estimulação advinda do meio em que está
inserido.
TEMA 3 – TEORIA SOCIOINTERACIONISTA DE LEV VIGOTSKY
Lev Vygotsky (1896-1934) foi um psicólogo bielo-russo, pesquisador contemporâneo de Piaget.
Ele buscou estudar a influência da linguagem e da comunicação no desenvolvimento cognitivo do
indivíduo considerando sua experiência histórico-social – Revolução Socialista. Defendia o
aprendizado como essencial para que o indivíduo pudesse compreender e analisar o seu contexto
social. Em sua teoria, considerava fundamentais para o processo de desenvolvimento as vivências
sociais, culturais e a linguagem. Dessa forma, considerava que o contexto social e o desenvolvimento
cognitivo “caminham juntos”. E, assim como Piaget, Vygotsky deixou contribuições expressivas para
as áreas da educação e Psicologia, e é considerado um dos pensadores mais influentes da
Psicopedagogia contemporânea. Baseado em seus estudos, surgiu a teoria nomeada
Sociointeracionista ou Socioconstrutivista, cujo desenvolvimento é um processo de origem social,
histórico e cultural.
Em sua teoria, Vygotsky destaca a importância estímulos ambientais e de intervenção
motivacional de mediadores no processo de ensino-aprendizagem, bem como o papel fundamental
da interação da criança com pessoas mais experientes, em que existe a estimulação para o alcance de
novas habilidades e níveis de compreensão que ainda não domina, proporcionando ao impulso para
o desenvolvimento de suas estruturas cognitivas.
O desenvolvimento cognitivo da criança é um processo de assimilação ativa do conhecimento
histórico-social existente na sociedade em que ela nasceu. Esse conhecimento é internalizado e
transformado pela criança por meio da interação com as pessoas que a rodeiam. [...] Nesse
processo de interação, a linguagem desempenha, desde o nascimento da criança, um papel
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fundamental na formação e na organização de um pensamento gradativamente mais complexo e
abstrato (Lakomy, 2014, p. 30). 
Desta forma, a linguagem é destacada e exerce papel fundamental na sistematização de suas
experiências sociais. Logo, as interações sociais estão relacionadas ao processo de aprendizagem de
forma prática e abstrata, e estimulam vários processos internos para que ocorra o desenvolvimento
intelectual (Vygotsky, 1988).
Vygotsky, baseado no processo de mediação, realizou experimentos e concluiu que,
diferentemente dos animais, o ser humano necessita de signos ou símbolos (instrumentos físicos e
psicológicos) para aprender, como o signo da escrita. Esses signos ou símbolos e a linguagem,
associados à ação, atribuem características humanas ao indivíduo. “Por exemplo, no período pré-
verbal, a ação das crianças é comparável à dos macacos antropoides” (Lakomy, 2012, p. 32).
O comportamento do ser humano (atitudes conscientes, pensamento lógico, abstrato ou
imaginário, além de fatos concretos e planejamentos) se desenvolve por meio das demandas ou do
aprendizado social. Nessa perspectiva, o desenvolvimento do processo da linguagem passa pela
interação com o meio social e cultural e, juntamente com os símbolos, é considerada mediador para
o desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
A linguagem, a atenção, a memória e o pensamento são caracterizados como funções superiores
e seu desenvolvimento suscita comportamentos que constituem e diferenciam o ser humano de
outras espécies. Assim, Vygotsky afirma que as relações que o indivíduo mantém socialmente dão
origem ou iniciam a evolução dessas funções.
As relações interpessoais e o desenvolvimento ou evolução são aperfeiçoados com base na
complexidade e sofisticação da linguagem, permitindo desde a classificação dos objetos até
associações, elaborações e organizações mais sofisticadas da realidade.
3.1 NÍVEIS DO DESENVOLVIMENTO DA FALA
Vygotsky estabelece associações entre o desenvolvimento cognitivo e a relação entre a fala e a
ação modificada, relacionando a três fases (Vygotsky, 1988):
1. Fala Social – até 3 anos.
É a primeira fala a surgir. Acompanha as ações da criança de forma imitativa, caótica e dispersa. 
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2. Fala Egocêntrica – 3-6 anos.
A fala passa a preceder a ação. A criança fala o que faz e, quando concentrada, pode falar em
voz alta ou baixa. O pensamento do planejamento das atividades da criança é externalizado.
Nessa fase, existe a descoberta de que todas as coisas têm nomes e aparece a curiosidade em
saber o que é isso ou aquilo, o que possibilita o aumento do vocabulário.
3. Fala Interior – Após 6 anos.
A fala interna aparece progressivamente, possibilitando a aquisição da função de autorregulação
ou planejadora, permitindo o controle de situações, atenção, comportamentos, afetos, emoções,
percepção, pensamento, memória e capacidade em solucionar problemas, mesmo que esses não
estejam sendo vistos.
É a fase do discurso interior, em que é possível pensar palavras e interiorizar sons sem
necessariamente verbalizá-los.
Com bases nesses estudos, Vygotsky (1988) desenvolveu o conceito de Zona do Desenvolvimento
Proximal, compreendida como a distância entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento
potencial da criança.
O Desenvolvimento Real corresponde aos saberes já formados e/ou adquiridos, ou seja, a criança
por si só tem o seu nível de compreensão ou entendimento de um conhecimento ou resolução de
um problema.
O Desenvolvimento Potencial condiz com a capacidade que a criança tem de aprender com
outra pessoa, possibilitando o aumento e transformação do conhecimento.
Alicerçado nesses conceitos, o aprendizado cria a Zona de Desenvolvimento Proximal, e é
entendido por Vygotsky da seguinte forma:
Aprendizado não é desenvolvimento; entretanto, o aprendizado adequadamente organizado resulta
em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de
outra forma, seriam impossíveis de acontecer. Assim, o aprendizado é um aspecto necessário e
universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e
especificamente humanas (Vygotsky, 1991, p. 101).
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Assim, para Vygotsky, o desenvolvimento humano e a aprendizagem são processos que se
influenciam reciprocamente e desse baseiam em uma perspectiva histórico-cultural.
TEMA 4 – TEORIA DA AFETIVIDADE DE HENRI WALLON
Henri Wallow (1879-1962) foi um médico, filósofo e psicólogo francês; nas décadas de 1950 e
1960, desenvolveu uma teoria psicogenética centralizada na afetividade – Teoria da Afetividade.Tinha
grande interesse pela psicologia voltada à criança e em suas implicações para a educação.
Desenvolveu estudos e pesquisas com foco no atendimento de crianças com necessidades especiais
e trabalhou na segunda guerra mundial com pessoas que apresentavam distúrbios psiquiátricos,
despertando atenção para a importância do desenvolvimento pessoal do indivíduo. Sua obra
também é considerada como Psicogênese da Pessoa Completa, pois destaca o desenvolvimento de
forma integral, considerando questões cognitivas, afetivas e motoras, bem como as interações entre
o sujeito e seu meio sociocultural.
Lakomy (2014, p. 50) afirma que a teoria de Wallon “[...] auxilia tanto no desenvolvimento pessoal
quanto no desenvolvimento cognitivo do indivíduo”.
Os estudos de Wallon se situam nos campos da psicologia do desenvolvimento e da psicologia
genética, interessando-se pelas origens do conhecimento e considerando tanto as questões
orgânicas como também as influências socioambientais como agentes relacionados ao
desenvolvimento psíquico, e assim sendo de grande contribuição para a área da educação. Dessa
forma, acredita que a criança evolui de maneira global em diferentes domínios ou campos funcionais
e nas fases do seu desenvolvimento. Essas fases não acontecem de forma linear, mas são assíncronas
e descontínuas quando relacionadas aos domínios, marcadas dessa forma por alternâncias entre eles,
nos quais, em alguns momentos, prevalecem os aspectos afetivos e, em outros momentos, os
cognitivos – Alternância Funcional.
A alternância funcional é notada por crises ou conflitos, que podem ser tanto de origem de
endógena, ocorrendo por meio do amadurecimento nervoso, quanto de exógena, mediante as
influências do meio que agem na conduta e no desenvolvimento, o que possibilita novas
organizações orgânicas e novas alterações do meio social por meio de situações e estímulos
diferenciados, os quais, por sua vez, são necessários para o exercício do pensamento. Essas crises e
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conflitos possibilitam o surgimento e a dinamização do pensamento e da inteligência, fazendo parte
do desenvolvimento psíquico normal da criança.
Assim, os estágios do desenvolvimento são categorizados e relacionados aos recursos ou
domínios funcionais, os quais a criança possui para interagir com o meio.
É por meio das interações sociais que ocorre o desenvolvimento da afetividade e da inteligência.
No entanto, as interações voltadas à afetividade são de origens culturais, e no que tange a
inteligência, são de origens interpessoais. Mas, é por meio da inteligência prática ou das situações
que a criança começa a construir a realidade, e dessa forma a afetividade dá espaço ao
desenvolvimento cognitivo. A fala e o comportamento representativo são fundamentos paro o
pensamento discursivo. Assim, ocorrem vários momentos afetivos ou cognitivos de maneira
integrada, sendo que para que ocorra o processo de evolução, a afetividade necessita de
conquistas pelo plano cognitivo e vice-versa (Lakomy, 2014, p. 51).
4.1 OS ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO WALLON
Wallon considera que o desenvolvimento humano ocorre de maneira interacionista e dialética
sem definição de idades. Contudo, para elucidar o entendimento sobre como isso ocorre do ponto
de vista afetivo, ele definiu cinco estágios buscando estabelecer um parâmetro de tempo comum
entre as crianças, o que geralmente acontece por faixa etária (Mahoney; Almeida, 2005, p. 22):
1. Estágio – Impulsivo Emocional (0 – 1 ano).
No primeiro ano de vida, o âmbito afetivo predominante na vida do bebê é caracterizado pelas
relações emocionais trocadas com o meio, isso de forma corporal por movimentos descoordenados,
proprioceptivos (sensibilidade muscular) e interceptivos (sensibilidade visceral).
La Taille, Oliveira e Dantas (2019) pontuam que esse estágio é uma fase de construção do sujeito,
em que existe a presença do trabalho cognitivo que ainda não se diferencia da atividade afetiva. 
O bebê depende de outras pessoas para sobreviver e é afetado por meio das emoções para que
suas necessidades sejam satisfeitas. Essas emoções podem ser percebidas por reações orgânicas,
como expressões faciais, gestos, choros, gritos e alteração no ritmo cardíaco e/ou respiratório. 
2. Estágio – Sensório Motor e Projetivo (1 – 3 anos).
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Nesse estágio, predomina o âmbito cognitivo, pois é quando a criança fala, marcha e se volta
para a exploração sistemática do meio (exploração exteroceptiva). “Essa exploração permite que
ocorra um processo de diferenciação entre afetividade e inteligência, apesar da reciprocidade entre
ambas se manter de tal forma que as aquisições de cada uma repercutem sobre a outra
permanentemente” (Lakomy, 2014, p. 51).
3. Estágio – Personalismo (3 – 6 anos).
O predomínio se volta ao âmbito afetivo. O foco está no desenvolvimento da personalidade ou
na construção da consciência sobre si e de se descobrir diferente dos outros, permitindo a ocorrência
da modulação em relação a sua forma de agir e autonomia (reconhecer e respeitar as diferenças). “O
tipo de afetividade que facilita essas aprendizagens comporta oportunidades variadas de convivência
com outras crianças de idades diferentes e aceitação dos comportamentos de negação [...] recursos
de desenvolvimento” (Mahoney; Almeida, 2005, p. 22).
4. Estágio – Categorial (início por volta dos 6 anos – 11 anos).
O predomínio volta a ser cognitivo e da razão. O interesse da criança é voltado para o
conhecimento e as conquistas e exploração mental em relação ao mundo externo e físico.
Diferenciação entre o eu e o outro, semelhanças e diferenças. A organização do mundo em
categorias bem definidas possibilita também uma compreensão mais nítida de si mesma (Mahoney;
Almeida, 2005, p. 22).
5. Estágio – Adolescência.
O predomínio afetivo é retomado e tem como base exigências fundamentadas na racionalidade.
A afetividade determina os moldes da personalidade. Existe a busca por uma identidade autônoma.
Além disso, a oposição, juntamente com a expressão e discussão de ideias, permitem a
aprendizagem. “O domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração, nas quais a
dimensão temporal toma relevo, possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e
de sua dependência” (Mahoney; Almeida, 2005, p. 22).
Em relação ao adulto, espera-se que ocorra a promoção da consciência moral e o
amadurecimento existente na busca do equilíbrio entre si e o outro, entre seu mundo interior e
exterior no processo de desenvolvimento. Para Mahoney e Almeida (2005, p. 22), o adulto “conhece
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melhor suas possibilidades, suas limitações, seus pontos fortes, suas motivações, seus valores e
sentimentos, o que cria a possibilidade de escolhas mais adequadas nas diferentes situações de vida”.
Henry Wallon destaca a emoção como algo inerente ao ser humano e mostra a importante
relação entre a afetividade e a inteligência, mas também ressalta a necessidade da imposição de
limites no processo de aprendizagem. Conclui-se que, para que ocorra uma efetiva educação, a
comunicação afetiva é essencial.
TEMA 5 – CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE PIAGET,
VYGOTSKY E WALLON
Como vimos até agora, Piaget, Vygotsky e Wallon foram importantes mestres, estudiosos e
pesquisadores que desenvolveram teorias psicogenéticas interacionistas, que até hoje norteiam e
embasam estudos sobre o desenvolvimento humano, principalmente nas áreas da Psicologia e
Educação.
Muito já se discutiu na literatura sobre as convergência e divergências entre suas teorias, talvez
como uma investida em defender pontos de vista, sobrepor ou acomodar tais conhecimentos. Isso,
de certo modo, originou o entendimento de que cada uma dessas teorias apresenta riquezas que
ainda permanecem vivas e merecem ser estudadase conhecidas.
Piaget e Vygotsky são considerados construtivistas complementares; embasados em seus
próprios experimentos, desenvolveram teorias cognitivas da aprendizagem.
Piaget tinha uma perspectiva naturalista com enfoque biológico inclinado para a organização e
adaptação do organismo ao meio. Sendo assim, em sua teoria, chamada de Epistemiológia Genética,
considerava tanto os fatores maturacionais quanto os ambientais. Para Piaget, o desenvolvimento
ocorre antes da aprendizagem através de estágios.
Vygotsky, por outro lado, tinha uma perspectiva histórico-social. Em sua Teoria Interacionista,
afirma que a aprendizagem ocorre pela interação da criança com o meio, para então acontecer o
desenvolvimento – Zona do Desenvolvimento Proximal. Dessa forma, descreve a complexidade que
existe na relação entre a aprendizagem e desenvolvimento, pois a aprendizagem promove o
desenvolvimento, e esse está relacionado às modificações que acontecem no meio ambiente ao
longo da vida do indivíduo e do seu funcionamento psicológico. Assim, o desenvolvimento é
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percebido de forma conjunta às práticas culturais e educativas, incluindo o processo de
aprendizagem. Em síntese, o desenvolvimento e aprendizagem dizem respeito às experiências do
sujeito no mundo com base nas interações, assumindo o pressuposto da natureza social do
desenvolvimento. Ainda aponta que a criança nasce com funções psicológicas elementares, as quais,
com o aprendizado da cultura e as experiências adquiridas, tornam-se funções psicológicas
superiores – comportamentos conscientes, ação proposital, capacidade de planejar e pensamento
abstrato.
Para Wallon, em sua teoria da Psicogênese da Pessoa Completa – Teoria da Afetividade –, a
aprendizagem acontece pela relação da criança com o movimento e a afetividade, em que a
construção da inteligência está relacionada ao desenvolvimento da afetividade. Logo, a inteligência e
a afetividade proporcionam o desenvolvimento do ser humano de maneira global, afetiva, individual,
concreto e social. Para ele, é por meio da emoção que a criança exterioriza seus desejos e suas
vontades. A emoção é algo típico da espécie humana e mostra a interligação entre afetividade e
inteligência. Para melhor compreensão, delineou o papel da afetividade em diferentes estágios.
Wallon considerou que a criança completa, concreta, contextualizada, vista de forma integral no
processo de desenvolvimento, tendo quatro elementos básicos principais que se comunicam o tempo
todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu.
NA PRÁTICA
Os fatores sociais e biológicos do desenvolvimento foram objeto de controvérsia, como vimos,
ao longo do desenvolvimento da ciência do desenvolvimento humano. Considerando esses dois
fatores, contudo, podemos compreender o desenvolvimento completo? Uma criança, por exemplo,
com dificuldades de aprendizado e, consequentemente, de desenvolvimento deve ser considerada
exclusivamente do ponto de vista da maturação de seu sistema biológico e do seu contexto social?
Depois dessa aula, compreendemos que o aspecto emocional influencia decisivamente nesse
processo de desenvolvimento e, caso negligenciado, pode colocar sim em risco todo o
desenvolvimento do sujeito.
FINALIZANDO
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Nesta aula, aprendemos sobre as relevantes contribuições da teoria do desenvolvimento
humano e aprendizagem sob a ótica da Epistemologia Genética de Jean Piaget, bem como os
conceitos de hereditariedade, esquema, assimilação e acomodação, além das fases do
desenvolvimento cognitivo: sensório motor, pré-operatório, operações concretas e operações
formais. Vimos a teoria Sociointeracionista de Vygotsky e o papel de mediação que a linguagem nela
adquire. Vimos também os níveis de fala: Fala social, Fala egocêntrica e Fala interior, além da Zona de
Desenvolvimento Proximal. Quanto à Teoria da Pessoa Completa de Henri Wallon, vimos que ela
alterna períodos de predominância cognitiva e afetiva, que Wallon denominou Alternância Funcional.
Vimos ainda os estágios de Walon, o impulsivo emocional, o sensório motor e projetivo, o
personalismo, categorial e, por fim, a adolescência. 
Foi possível entender através de Piaget e Vygotsky de que forma os fatores internos e a
influência social interferem no processo da construção da aprendizagem, mas também, com base nos
estudos de Wallon, vimos que a emoção desempenha um papel fundamental para o
desenvolvimento da inteligência de um ser humano afetivo, individual, concreto e social.
REFERÊNCIAS
GALLO, A. E.; ALENCAR, J. da S. A. Psicologia do desenvolvimento da Criança. Maringá, 2012.
LA TAILLE, Y. de; OLIVEIRA, M. K. de; DANTAS, H. Piaget, Vigotski, Wallon: teorias psicogenéticas
em discussão. 28. ed. São Paulo: Summus, 2019.
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