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Organização da estrutura do texto 
acadêmico
Dra. Maria Aurora Neta
Outubro/2020
Mecanismos para a produção de texto 
(acadêmico)
❖Paragrafação
❖Coesão e coerência textuais
❖Progressão textual
A escrita científica/linguagem científica
-O que é escrever? 
-O que vou escrever?
-Como vou escrever?
-Para quem vou escrever?
• Escrever é uma atividade de interação; 
uma atividade em que dois ou mais 
sujeitos agem conjuntamente ( autor/a e 
leitor/a) para a interpretação de um 
sentido ( o que está sendo dito), de uma 
intenção ( por que está sendo dito)
• Escrever, a outros e de forma interativa, é 
uma atividade contextualizada
• Escrever é uma atividade necessariamente 
textual: não se escreve, assim como não 
se fala por meio de palavras ou frases 
justapostas aleatoriamente, 
desconectadas, soltas, sem unidade
• Escrever é uma atividade tematicamente 
orientada: há uma ideia central, um 
tópico, um tema global que se pretende 
desenvolver
• Escrever é uma atividade em relação de 
interdependência: temática, gramatical, 
lexical, de leitura (diálogos teóricos)
• Na elaboração do texto nada é 
construído no acaso
• No caso da escrita científica ( presente 
nos textos acadêmicos) certas qualidades 
são exigidas: 
• Linguagem concisa, correta, clara, 
períodos curtos
• Coerência na exposição de ideias e na 
argumentação;
• Coesão entre os elementos e parágrafos 
e fidelidade às fontes
• Coerência, coesão e progressão
• A coerência é a responsável pelo sentido 
do texto e deriva de sua lógica interna, 
bem como do partilhar conhecimentos 
entre os interlocutores ( autor/a –
leitor/a)
• A coesão é a manifestação linguística da 
coerência
• A coesão advém da maneira como os 
conceitos e relações subjacentes são 
expressos na superfície textual
• Responsável pela unidade formal do texto 
e pela progressão textual, constrói-se 
através de mecanismos gramaticais e 
lexicais 
• Mecanismos gramaticais: pronomes, 
artigos, advérbios, preposições, 
conjunções, tempos verbais ( unidades da 
gramática)
• Mecanismos lexicais: unidades do léxico -
sinônimos, hiperônimos, antônimos...
• Relações textuais: repetição, substituição, 
associação
• Exemplo:
“Para uma pessoa obter o título de doutor 
numa universidade, ela tem de fazer uma 
grande pesquisa na sua área de 
conhecimento [...]. E essa pesquisa tem de 
ser inédita, isto é, precisa trazer alguma 
contribuição nova àquele campo de 
estudos”. (explicar para esclarecer)
“ O ato de escrever deve ser visto como 
uma atividade sociocultural. Ou, dito de 
outra forma, escrevemos para alguém ler”.
( a intenção do/a autor/a de esclarecer, 
explicar, expor melhor um conceito)
• Operadores argumentativos: elementos 
linguísticos que servem para orientar a 
sequência do discurso. Para determinar 
os encadeamentos possíveis com outros 
enunciados capazes de continuá-lo.
• Funcionam como operadores 
argumentativos: advérbios, preposições, 
conjunções, locuções adverbiais, 
prepositivas e conjuntivas
• Palavras/expressões denotativas: até, 
inclusive, mesmo, também; senão, 
somente, apenas, só; aliás, isto é, ou 
melhor, ou seja, em outras palavras, quer 
dizer
• Operadores de adição: e, também, ainda, 
nem
• Operadores de finalidade: a fim de, a fim 
de que, com o intuito de, para, para a, 
para que, com o objetivo de
• Operadores de causa e consequência: 
porque, visto que, em virtude de, uma vez 
que, devido a, por motivo de, em razão 
de, em decorrência de, por causa de, por 
isso que...
• Operadores de explicação: porque, que, 
já que, pois
• Operadores de oposição: mas, porém, 
contudo, todavia, entretanto, no entanto, 
embora, muito embora, contra, apesar 
de, ao contrário, a despeito de
• Operadores de condição: caso, se, 
contanto que, a não ser que, a menos 
que, desde que
• Operadores de tempo: em pouco tempo, 
em muito tempo, logo que, assim que, 
antes que, depois que, quando
• Operadores de proporção: à medida que, 
à proporção que, ao passo que, tanto 
quanto, tanto mais
• Operadores de conformidade: para, 
segundo, conforme, de acordo com, 
consoante, como
• Operadores de conclusão: portanto, 
então, assim, logo, por isso, por 
conseguinte
• Operadores de comparação: mais (do) 
que, menos que, tão (tanto) como, tão 
quanto, assim como
• Operadores organizacionais: em primeiro 
lugar, em segundo lugar, como veremos, 
como vimos, neste ponto, aqui, nesta 
seção, por exemplo, no próximo capítulo, 
por outro lado, reafirmando
• As ideias conectadas progressivamente 
possibilitam a fluidez da leitura (o uso 
eficiente de palavras, de pontuação) e 
estabelecem a progressão
Paragrafação
• O parágrafo é a unidade de composição 
do texto que apresenta uma ideia 
básica/central à qual se agregam ideias 
secundárias, relacionadas pelo sentido.
• A ideia básica, ideia núcleo, ideia central = 
tópico frasal
• Há diferentes maneiras de desenvolver 
uma ideia no parágrafo
• Desenvolvimento por definição: “a 
biosfera é a parte do planeta que contém 
vida e que representa o conjunto de 
todos os ecossistemas da Terra. É uma 
camada de pequena espessura, em relação 
ao tamanho do globo terrestre”. [...] 
. Desenvolvimento por fundamentação da 
proposição: “Quando se resolve mudar, o 
que realmente deve se transformar são os 
pensamentos e crenças. À medida que os 
mesmos se modificam, a vida passa a ser 
diferente. As áreas da vida que funcionam 
melhor são aquelas em que o sistema de 
crenças é positivo” [...].
• Desenvolvimento por exemplo específico 
“A vida agitada nas grandes cidades 
aumenta os índices de doenças do 
coração. Imaginemos um chefe de família 
que deixa sua casa às 6h30 da manhã. 
Logo de início, tem de enfrentar a fila da 
condução. A angústia da demora: será que 
vem ou não vem o ônibus? Finalmente, 
vem. Superlotado” [...]
• Desenvolvimento por comparação: “ a 
pele da pessoa que se expõe muito ao sol, 
sem proteção adequada, sofre danos 
maiores do que aquela que recebe 
proteção. Imagine uma folhagem exposta 
constantemente aos raios solares. A ação 
desses raios fará com que seus 
pigmentos”[...].
• Desenvolvimento por enumeração: 
“Ainda hoje a educação convive com uma 
série de problemas que, muitas vezes, 
comprometem a qualidade do ensino, 
como professores com carga horária 
excessiva, baixos salários e precárias 
condições de trabalho. Estas questões 
têm gerado”[...].
• Desenvolvimento por causa: “A cada dia, 
a violência no trânsito cresce de maneira 
assustadora. A razão principal desse fato 
é a irresponsabilidade dos motoristas que, 
ao dirigir com velocidade excessiva, 
ultrapassam os limites das leis de 
trânsito”.
Desenvolvendo um parágrafo
Ler realmente não faz bem. A criança que lê 
pode se tornar um adulto perigoso, 
inconformado com os problemas do 
mundo, induzido a crer que tudo pode ser 
de outra forma.
Tópico frasal – ideia inicial a ser 
desenvolvida
• Afinal de contas, a leitura desenvolve um 
poder incontrolável. Liberta o homem 
excessivamente. Sem leitura, ele morreria 
feliz, ignorante do grilhões que o 
encerram.
Desenvolvimento da ideia inicial – tópico 
frasal - especificado, expandido. ( por 
fundamentação da proposição)
Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à 
realidade quotidiana, se dedicaria ao 
trabalho com afinco, sem procurar 
enriquecê-lo com cabriolas da imaginação.
Conclusão do parágrafo – apresenta de 
forma breve consequências, implicações, 
inferências...
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do 
prazer. ( ideia central – tópico frasal)
Não experimentaria nunca o sumo Bem de 
Aristóteles: o conhecer. ( desenvolvimento)
Mas, para que conhecer se, na maior parte dos 
casos, o que necessita é apenas executar ordens? 
Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam 
e nada mais? ( conclusão)
Referências
ANTUNES,I. Lutar com palavras: coesão e 
coerência. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.
_____. Território das palavras: estudo do 
léxico em sala de aula. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2012.
GRAMONT, G. Ler devia ser proibido. 
Leituras compartilhadas. Disponível em: 
leiabrasil.org.br. 
23/02/17
KOCHE, V. S.; BOFF, O. M. B.; PAVANI, C. 
F. Prática textual: atividades de leitura e 
escrita. Petrópolis/RJ: Vozes, 2014.
VAL, M. da G. C. Redação e 
textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 
1994.
23/02/17

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