Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

GESTÃO DE OBRAS 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Fernanda dos Santos Gentil 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, será dada a continuidade aos assuntos que englobam o 
orçamento de obra. Daremos ênfase, primeiramente, ao tema sobre a 
composição de custos, em que serão vistos os custos de mão de obra, custos 
de material e custos de equipamento. O próximo tema será a composição de 
custos de um serviço de terraplenagem. Mais adiante, será abordada a Curva 
ABC e a importância da sua utilização na elaboração do orçamento de obra. O 
penúltimo tema que será trabalhado serão os custos indiretos, lucro e impostos 
e o último tema estudado nesta aula, serão o preço de venda e o BDI. 
TEMA 1 – COMPOSIÇÃO DE CUSTOS 
De acordo com Mattos (2019), a composição de custos é um processo de 
estabelecimento dos custos levantados para a execução de um serviço ou 
atividade, individualizado por insumo e de acordo com determinados requisitos 
pré-estabelecidos. 
A composição de custos pode ser efetuada antes, durante ou após a 
execução do serviço. No entanto, a finalidade de cada composição é diferente. 
A composição de custo realizada antes da execução do serviço é conhecida 
como estimativa, ou orçamento, ou composição conceitual. Essa composição 
proporciona ao construtor uma noção de custo que será obtido no futuro. Neste 
caso, a composição de custos é utilizada pelas empresas para a determinação 
de preços a serem concedidos em licitações e propostas. (Mattos, 2019). 
A composição de custos, sendo executada durante ou após a execução 
do serviço, tem a finalidade de aferir a estimativa anteriormente realizada. Dessa 
forma, tal composição servirá como uma ferramenta de controle de custos, 
possibilitando que o construtor identifique determinados erros na estruturação do 
orçamento original, e assim gerando como se fosse um “banco de dados” para 
a empresa, que será muito útil para possíveis estimativas (Mattos, 2019). 
A composição de custos unitários é apresentada em forma de tabela, que 
contém o insumo (material, mão de obra e equipamento), a unidade de medida 
do respectivo insumo, o índice que corresponde à incidência de cada insumo na 
execução de uma unidade do serviço, o custo de uma unidade do insumo (custo 
unitário) e o custo total unitário do serviço obtido pela multiplicação do índice 
pelo custo unitário. 
 
 
3 
De acordo com Mattos (2019), é de extrema importância que o 
orçamentista tenha o conhecimento e o domínio dos índices que estão presentes 
na tabela de composição de custos, pois eles apresentam a produtividade da 
mão de obra e do equipamento e os consumos dos materiais utilizados, 
estabelecem um fator para comparação do orçado com o realizado, possibilitam 
a verificação de desvios e contribuem para que o gerente de projetos possa 
estipular metas de desempenho para as equipes. 
A Tabela 1 representa um exemplo de composição de insumos e de custo 
unitário, considerando um serviço de armação estrutural em aço CA-50, 
envolvendo a aquisição das barras, seu manuseio, cortes, dobras, transporte e 
instalação. A unidade utilizada é o quilograma (kg). 
Tabela 1 – Composição de Insumos e de Custo Unitário 
INSUMO UNIDADE ÍNDICE CUSTO 
UNITÁRIO (R$) 
CUSTO 
TOTAL (R$) 
Armador h 0,10 13,45 1,35 
Ajudante h 0,10 7,88 0,79 
Aço CA - 50 kg 1,10 3,6 3,96 
Arame recozido n° 18 kg 0,03 7,50 0,23 
TOTAL 6,32 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019). 
Diante de uma tabela de composição de insumos e de custo unitário, é 
importante saber interpretar tais composições. Utilizando o exemplo da Tabela 
1, pode-se constatar o que se segue. 
• Para a preparação de 1 kg de armação estrutural, o custo é de R$ 6,32/ 
kg, incluído nesse valor a aquisição de barras, manuseio, corte, dobra, 
transporte e instalação das fôrmas. 
• Insumos de mão de obra – armador e ajudante. 
• Insumos de material – aço CA-50 e arame recozido n° 18. 
Composição de Insumos 
Composição de custos 
 
 
 
4 
• O aço CA-50 é o insumo que mais impacta o custo do serviço de armação 
estrutural, ou seja, no valor do custo total do serviço (R$ 3,96/kg) dividido 
pelo custo total (R$ 6,32/kg) com o resultado multiplicado por 100, têm-se 
o valor de 62,7%, que representa o impacto, em percentual, em relação 
ao serviço de armação estrutural. 
• Como os índices do ajudante e do armador são iguais, então há uma 
relação numérica de 1 ajudante para 1 armador. 
• Pelo índice do aço CA-50, é possível identificar uma perda de 10% do 
aço. Como o índice é de 1,10, isso significa que é preciso adquirir 1,10 kg 
de aço CA-50 para se obter 1,0 kg de armação, de acordo com o projeto. 
• A partir da tabela, é possível determinar a produtividade do armador. O 
índice de armador é 0,10 h para cada kg de armação, dessa forma, em 1 
h haverá (1h / (0,10 h/kg)), ou seja, um preparo de 10,0 kg/h de trabalho. 
• Na contratação de um subempreiteiro de armação, o maior valor que deve 
ser pago é R$ 2,14 / kg (R$ 1,35 + R$ 0,79), considerando o material 
fornecido pelo construtor. 
Existem algumas fontes de composição de custos unitários. Dentre elas 
estão o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil 
(Sinapi), o Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro), o Orçamento de 
Obras de Sergipe (Orse) e as Tabelas de Composições de Preços para 
Orçamentos (TCPO). 
A Sinapi é um banco de dados de insumos e composições de custos 
unitários mantido pela Caixa Econômica Federal e o Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE). Este sistema trabalha com a “árvore de fatores”, 
processo que faz determinadas combinações que vão estabelecer a composição 
de custo unitário. Esse sistema utiliza nos seus cálculos os encargos 
complementares no custo da mão de obra. Esses custos seriam com a 
alimentação, transporte, equipamento de proteção individual (EPI), ferramentas, 
exames médicos obrigatório e seguros de vida (Mattos, 2019). 
O Sicro é mantido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de 
Transportes (DNIT) e tem por objetivo referenciar a elaboração dos orçamentos 
de projetos e a licitação de obras rodoviárias. O Orse é desenvolvido pela 
Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas do Estado de Sergipe. Tal 
orçamento apresenta os preços comerciais, levando em consideração o custo 
de entrega dos insumos em Aracaju, a capital. O Orse disponibiliza para os 
 
 
5 
usuários especificações técnicas de serviços, com explicações detalhadas do 
método executivo, critérios de controle, critérios de medição e pagamento e as 
normas correspondentes a cada serviço. E a outra fonte de composição de 
custos unitários é o TCPO, de responsabilidade da editora Pini (Mattos, 2019). 
Os custos presentes na execução de um determinado serviço são o custo 
de mão de obra, custo de material e custo de equipamento. A composição de 
tais custos será apresentada nos tópicos a seguir. 
1.1 Custo da mão de obra 
A mão de obra é representada pelo trabalhador, que é de extrema 
importância para que se consiga atingir o sucesso do empreendimento. 
Para se manter um funcionário na empresa, é preciso entender e dominar 
o que realmente entra no custo-horário da mão de obra. O aprofundamento 
desses parâmetros será apresentado nos itens a seguir. 
1.1.1 Encargos Sociais e Trabalhistas 
Para o empregador, o custo do operário não se resume apenas no salário-
base, mas sim somado a este, como diversos encargos sociais e trabalhistas 
regulamentados pela legislação. 
De acordo com Mattos (2019), os encargos são divididos em “encargos 
em sentido estrito” e “encargos em sentido amplo”. O primeiro representa a 
modalidade mais utilizada entre os profissionais da área de orçamento – são os 
encargos sociais, trabalhistas e indenizatórios estabelecidos em lei, ou seja, de 
cumprimento obrigatório pelo empregador. Já os encargos em sentido amplo 
existem porconveniência do orçamentista, além dos encargos apresentados nos 
“encargos em sentido estrito”, somam-se a estes outras despesas referenciadas 
ao homem-hora, como a alimentação, transporte, EPI, seguro em grupo, horas 
extras, dentre outras. 
Em ambos os encargos existe a previsão para trabalhadores horistas e 
mensalistas. Os horistas são os operários pagos por apropriação de horas 
trabalhadas, já os mensalistas são funcionários que estão presentes no 
orçamento na unidade mês e são representados pelos engenheiros, mestre, 
encarregado, almoxarife, secretária etc. 
 
 
6 
Os encargos em sentido estrito dos horistas podem ser verificados na 
Tabela 2. 
Tabela 2 – Encargos em sentido estrito: horistas 
ENCARGOS TRABALHISTAS 
Férias ( abono 1/3) 
Repouso semanal remunerado 
Feriados 
Auxílio enfermidade 
Acidente do trabalho 
Licença paternidade 
Faltas Justificadas 
13° salário 
INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS 
Incidências dos encargos sociais 
básicos sobre os encargos 
trabalhistas 
Incidência de férias sobre o aviso 
Incidência do 13° sobre o aviso 
Incidência do FGTS sobre o aviso 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019). 
Os encargos em sentido estrito dos mensalistas podem ser verificados 
na Tabela 3. 
Tabela 3 – Encargos em sentido estrito: mensalistas 
ENCARGOS TRABALHISTAS 
Férias ( abono 1/3) 
13° salário 
ENCARGOS INDENIZATÓRIOS 
Aviso Prévio 
Multa por rescisão 
INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS 
Incidências dos encargos sociais básicos 
sobre os encargos trabalhistas 
Incidência de férias sobre o aviso 
Incidência do 13° sobre o aviso 
Incidência do FGTS sobre o aviso 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019). 
ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS 
INSS 
FGTS 
Salário educação 
Sesi 
Senai 
Sebrae 
Incra 
Seguro contra acidente 
Seconci 
ENCARGOS INDENIZATÓRIOS 
Aviso Prévio 
Multa por rescisão 
Indenização adicional 
ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS 
 INSS 
FGTS 
Salário-educação 
Sesi 
 Senai 
Sebrae 
Incra 
Seguro contra acidente 
Seconci 
 
 
7 
Para a compreensão das Tabela 2 e Tabela 3, é importante saber o 
significado de cada item apresentado. Os Encargos Sociais Básicos são 
similares para ambas as modalidades de colaborador (horista e mensalista). Tais 
encargos compreendem: 
• O INSS, que é a contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social, 
incidindo sobre a remuneração paga no decorrer do mês. Existem dois 
sistemas de recolhimento do INSS pelos quais a empresa pode optar: 
o A contribuição sobre a folha de pagamento (sem desoneração), 
nesse caso a empresa paga 20% sobre o valor da remuneração 
dos colaboradores. 
o A contribuição sobre a receita bruta (com desoneração), nesse 
sistema a empresa paga 4,5% sobre a receita bruta. Os demais 
encargos sociais básicos dos horistas 
• O FGTS é a contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. 
• O Salário educação é a contribuição social direcionada ao financiamento 
de programas voltados para a educação básica pública. 
• O Sesi é a contribuição para o Serviço Social da Indústria. 
• O Senai é a contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem 
Industrial. 
• O Sebrae é a contribuição para o Serviço de Apoio à Pequena e Média 
Empresa. 
• O Incra é a contribuição para o Instituto Nacional de Colonização e 
Reforma Agrária. 
• O Seconci é a contribuição para o Serviço Social da Indústria da 
Construção e do Mobiliário. 
Importante ressaltar que todos os Encargos Sociais Básicos apresentam 
seus percentuais estabelecidos, de forma fixa, pela legislação. 
Os Encargos Trabalhistas, segundo Mattos (2019), são aqueles pagos na 
folha de pagamento, proporcionando benefícios ao trabalhador. Na Tabela 2, 
que apresenta os encargos em sentido estrito dos horistas, os encargos 
trabalhistas são: Férias (+1/3); repouso semanal remunerado; feriados; auxílio 
enfermidade; acidente do trabalho; licença paternidade; faltas justificadas e 13º 
salário. Já na Tabela 3, os encargos em sentido estrito dos mensalistas os 
encargos trabalhistas são apenas as férias (+1/3) e o 13º salário. 
 
 
8 
Ao se comparar os encargos indenizatórios em ambas as modalidades, 
os horistas apresentados na Tabela 2 e os mensalistas, apresentados na Tabela 
3, a diferença que se sobressai é que para os primeiros existe o encargo de 
indenização adicional, que funciona da seguinte maneira: se a demissão do 
trabalhador acontecer por justa causa, no período de 30 dias antes da data-base 
da correção salarial, o mesmo tem direito a um salário adicional. Em ambas as 
modalidades existem os encargos indenizatórios referente ao aviso prévio – o 
empregador tem o compromisso de informar o trabalhador, com antecedência 
mínima de 30 dias, que irá rescindir seu salário sem justa causa – e a multa por 
rescisão do contrato de trabalho – a empresa deve pagar, quando a demissão 
for sem justa causa, uma multa de 40% sobre o saldo da conta ligada ao FGTS. 
Em ambas as modalidades (horistas e mensalistas), os encargos 
referentes a incidências cumulativas são similares. Observa-se que nesse grupo, 
as incidências são cruzadas entre os Encargos Sociais Básicos, os Encargos 
Trabalhistas e os Encargos Indenizatórios. 
Como mencionado anteriormente, o outro tipo de encargo que deve ser 
considerado é o encargo em sentido amplo, que consiste no acréscimo de 
todos os demais custos à hora do trabalhador, dentre eles os encargos 
intersindicais, o almoço, café da manhã, o vale-transporte, a cesta básica, os 
EPIs, as ferramentas, o seguro em grupo e horas extras habituais. A vantagem 
da utilização desses tipos de encargos é que a incorporação de tais custos 
possibilita identificar todas as despesas que um empregado gera para a empresa 
(Mattos, 2019). 
Os encargos em sentido amplo dos horistas podem ser verificados na 
Tabela 4. 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Tabela 4 – Encargos em sentido amplo dos horistas 
ENCARGOS INDENIZATÓRIOS 
Aviso Prévio 
Multa por rescisão 
Indenização adicional 
INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS 
Incidências dos encargos sociais 
básicos sobre os encargos 
trabalhistas 
Incidência de férias sobre o aviso 
Incidência do 13° sobre o aviso 
Incidência do FGTS sobre o aviso 
ENCARGOS INTERSINDICAIS 
Alimentação 
Café da Manhã 
Vale-Transporte 
Cesta Básica 
Seguro de vida e acidentes em 
grupo 
EPI E FERRAMENTAS 
Equipamentos de Proteção 
Individual 
Ferramentas 
 
 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019) 
Os encargos em sentido amplo dos mensalistas podem ser verificados 
na Tabela 5. 
 
 
ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS 
 INSS 
FGTS 
Salário-educação 
Sesi 
Senai 
Sebrae 
Incra 
Seguro contra acidente 
Seconci 
ENCARGOS TRABALHISTAS 
Férias ( abono 1/3) 
Repouso semanal remunerado 
Feriados 
Auxílio enfermidade 
Acidente do trabalho 
Licença paternidade 
Faltas Justificadas 
13° salário 
ENCARGOS INDENIZATÓRIOS 
Aviso Prévio 
Multa por rescisão 
Indenização adicional 
 
 
10 
Tabela 5 – Encargos em sentido amplo dos mensalistas 
 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019). 
Além dos contratos mencionados anteriormente, existem outros tipos, 
como o Contrato de Experiência e o Contrato por Obra Certa. 
O contrato de experiência apresenta duração por prazo determinado, com 
objetivo de verificar se o empregado tem aptidão para exercer a função para a 
qual foi contratado. É importante ressaltar que este contrato não pode exceder 
90 dias, e caso venha a exceder esse intervalo ele automaticamente será 
transformado em contrato por prazo indeterminado (Mattos, 2019). 
O contrato por obra certa é uma modalidade de contrato por prazo 
determinado. Tal contrato será válido somente durante a execução do serviço 
que o empregado foi contratado. Este contrato não pode ser vigorado por mais 
de dois anos, pois passará a ser computado como um contrato por tempo 
indeterminado. Nesse contrato, como vantagem, não existe menção sobre o 
aviso prévio, no entanto, se esse contrato for rompido pelo empregador antes do 
prazo fixado, eleterá que indenizar o empregado por metade da remuneração 
que ele teria até o término do contrato. Este tipo de contrato não é muito utilizado 
pelas empresas (Mattos, 2019). 
 
ENCARGOS SOCIAIS BÁSICOS 
INSS 
FGTS 
Salário-educação 
Sesi 
Senai 
Sebrae 
Incra 
Seguro contra acidente 
Seconci 
ENCARGOS TRABALHISTAS 
Férias ( abono 1/3) 
13° salário 
ENCARGOS INDENIZATÓRIOS 
Aviso Prévio 
Multa por rescisão 
INCIDÊNCIAS CUMULATIVAS 
Incidências dos encargos sociais 
básicos sobre os encargos trabalhistas 
Incidência de férias sobre o aviso 
Incidência do 13° sobre o aviso 
Incidência do FGTS sobre o aviso 
ENCARGOS INTERSINDICAIS 
Alimentação 
Café da Manhã 
Vale-Transporte 
Cesta Básica 
Seguro de vida e acidentes em grupo 
EPI E FERRAMENTAS 
Equipamentos de Proteção Individual 
Ferramentas 
 
 
11 
1.2 Custo de material 
É de extrema importância fazer a análise de custo de material para a 
elaboração do orçamento da obra. Na composição de tais custos, é necessário 
que ao preço dos materiais sejam adicionados os custos de frete, impostos de 
venda, tarifas de importação e qualquer outra taxa que venha influenciar sobre 
a compra da mercadoria. 
Na compra de materiais, é necessário alinhar muito bem os processos 
para não ter problemas futuros – as especificações técnicas, unidade e 
embalagem, quantidade, prazo de entrega, condições de pagamento, validade 
da proposta, local e condições de entrega e despesas complementares. 
O orçamentista precisa realizar a comparação de cotações. Nesta etapa, 
se a cotação de preços de um material apresentar valores próximos uns dos 
outros, é um indício de que a amostragem do mercado está satisfatória. Dessa 
forma, o profissional pode adotar o valor médio como o melhor para o orçamento. 
Mas se os valores levantados na cotação forem muito diferentes entre si, o 
orçamentista precisará coletar preços de outros fornecedores, até que se tenha 
confiança para estabelecer o preço do insumo no orçamento (Mattos, 2019). 
1.3 Custo de equipamento 
O valor de um equipamento normalmente é atribuído por hora de 
utilização. Os custos envolvidos para a determinação do custo horário total são 
o custo de propriedade, custo de operação e o custo de manutenção. Dessa 
forma, o custo horário total pode ser determinado pela seguinte fórmula: 
 
𝐶𝐶ℎ = 𝐷𝐷ℎ + 𝐽𝐽ℎ + 𝑃𝑃ℎ + 𝐺𝐺ℎ + 𝐿𝐿ℎ + 𝑀𝑀𝑀𝑀ℎ + 𝑀𝑀ℎ 
 
 
 
 
Em que: 
Ch – Custo horário Total (R$/h); 
Dh – Custo horário de depreciação (R$/h); 
Jh – custo horário de juros (R$/h); 
Ph – custo horário de pneus (R$/h); 
Custo de 
Propriedade 
Custo de 
Operação 
Custo de 
Manutenção 
 
 
12 
Gh – custo horário de combustível (R$/h); 
Lh – custo horário de lubrificação (R$/h); 
MOh – custo horário de mão de obra de operador (R$/h); e 
Mh – custo horário de manutenção (R$/h). 
Para a elaboração do custo de equipamento, é preciso entender a 
diferença entre hora produtiva e hora improdutiva, pois essas informações 
interferem no orçamento. A hora produtiva de um equipamento é a hora de 
trabalho efetivo. Seu valor é obtido pela soma dos custos de propriedade, custos 
de operação e os custos de manutenção. Já a hora improdutiva é a hora de 
trabalho em que o equipamento fica à disposição da obra e com o operador 
ocioso. 
Como pode ser visualizado na fórmula anterior, o custo de propriedade 
engloba o custo horário de depreciação e o custo horário de juros. A depreciação 
é a diminuição do valor contábil do ativo. Para melhorar a compreensão, entenda 
que o valor do equipamento começa a se desvalorizar a partir do momento que 
o material é entregue ao comprador. A depreciação também é proveniente da 
idade, tempo de uso, desgaste e obsolescência. 
Existem três métodos para o cálculo da depreciação: o método linear, 
método do saldo devedor e o método da soma dos anos. A depreciação horária, 
pelo primeiro método, é o custo de aquisição da máquina reduzido do seu valor 
residual e dividido pelo número de horas de sua vida útil. O método do saldo 
devedor parte da ideia de depreciar mais o equipamento nos primeiros anos e 
menos nos últimos anos de sua vida útil. Neste método, o percentual cobrado 
ano a ano é o dobro daquele da depreciação pelo método linear. Já no método 
da soma dos anos, a taxa de depreciação varia todos os anos. Dessa forma, o 
primeiro passo é dispor os anos da vida útil em ordem crescente e depois, somá-
los. A outra etapa é atribuir, a cada ano, uma taxa igual a razão entre esses 
números em ordem decrescente e fazer a soma deles. Dentre esses três 
métodos apresentados, o método linear é o preferido pelos orçamentistas, pois 
a depreciação horária apresenta uma forma constante (Mattos, 2019). 
Com relação aos juros, é importante que eles sejam considerados no 
custo de propriedade, pois o construtor desiste de aplicar seu dinheiro no 
mercado financeiro para investir em um determinado equipamento. Dessa forma, 
para a elaboração do orçamento deve-se levar em conta os juros 
correspondentes ao rendimento que o investimento teria ao longo de sua vida 
 
 
13 
útil. A determinação dos juros se baseia no valor médio do equipamento – que 
consiste na média aritmética do valor contábil do equipamento ao longo do 
período que é depreciado. 
Os custos de operação envolvem os custos que o construtor terá com 
pneus, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e mão de obra de operação. 
Já os custos de manutenção englobam a manutenção de rotina, os reparos e as 
despesas fixas. 
Dentro do custo de manutenção, é importante entender a diferença entre 
manutenção e reparo. Segundo Mattos (2019), a manutenção é o conjunto de 
atividades de limpeza, lavagem, inspeção, ajuste, calibração, regulagem, 
retoque e a troca rotineira de peças. No entanto, o reparo corresponde ao 
conserto ou à substituição de peças e partes danificadas, defeituosas ou 
quebradas. 
Existem duas formas de se “ter” um equipamento para a obra. A primeira 
seria o construtor comprar o equipamento, como já foi mencionado 
anteriormente. A outra maneira seria o aluguel do equipamento. É recomendado 
que o construtor alugue um equipamento quando ele for caro e a obra necessitar 
da sua utilização por um prazo mais curto; quando o equipamento é muito 
específico e acabará ficando mais improdutivo do que produtivo; quando o 
construtor não tem dinheiro para dar entrada em uma máquina nova; quando a 
quantidade de serviço é pequena para a utilização do equipamento, o locador já 
depreciou o equipamento integralmente e está proporcionando uma tarifa viável 
ao construtor. 
TEMA 2 – ELEMENTOS DE TERRAPLENAGEM 
O serviço de terraplenagem consiste na aplicação de terra, e tratamento 
por meio de maquinário necessário, para tornar o ambiente plano com o objetivo 
de facilitar a construção de uma determinada estrutura. 
Diversos fatores devem ser compreendidos no processo de 
terraplenagem para a montagem de um orçamento correto. Dentre os elementos 
essenciais que estudaremos está o empolamento, que é um fenômeno físico em 
que o material escavado apresenta uma expansão volumétrica. Este fenômeno 
é expresso em percentagem do volume original. É importante compreender que 
o empolamento irá mudar conforme o tipo de solo ou rocha, o grau de coesão do 
 
 
14 
material original e a umidade do solo. O empolamento pode ser calculado da 
seguinte maneira: 
𝐸𝐸 = (
𝑉𝑉𝑉𝑉
𝑉𝑉𝑉𝑉
− 1) 
Em que: 
E = empolamento (%); 
Vs = volume solto; e 
Vc = volume medido no corte. 
Outro elemento que é importante saber como funciona é o fator de 
conversão, representado pelo símbolo 𝜑𝜑, que corresponde à relação entre o 
volume no corte e o volume solto. Ou seja, é um processo inverso ao 
empolamento, conforme pode ser verificado na Figura 1. 
𝜑𝜑 =
1
(1 + 𝐸𝐸)
 
Figura 1 – Empolamento e Conversão 
 
Créditos: Mattos, 2019. 
A contração é um elemento de terraplenagem que indica a diminuição 
volumétrica da terraque é lançada em um aterro e compactada mecanicamente. 
A sua determinação é obtida por meio da fórmula: 
𝐶𝐶 =
𝑉𝑉𝑉𝑉
𝑉𝑉𝑉𝑉
 
Em que: 
C = contração (%); 
Va = volume compactado (no aterro); e 
Vc = volume medido no corte. 
 
 
15 
A disponibilidade mecânica (DM), segundo Mattos (2019), é a 
percentagem de horas em que o equipamento será mecanicamente capaz de 
produzir, ou seja, é a quantidade de tempo que uma máquina se mantém em 
condições satisfatórias de uso, em relação ao tempo total utilizável. Já a 
eficiência operacional (EO) refere-se à quantidade de tempo em que o 
equipamento efetivamente trabalha. Assim, quanto maior a eficiência 
operacional, consequentemente maior será a produtividade do equipamento. 
Outros elementos importantes que precisam ser compreendidos são o 
fator de eficiência (FE) e fator de carga (FC). O primeiro é um índice que reúne 
a DM e a EO. Dessa forma, o resultado corresponderá o percentual das horas 
efetivamente trabalhadas em relação ao total de horas potencialmente 
trabalháveis. O FC é a relação entre a capacidade efetiva do equipamento e a 
sua capacidade nominal. 
Em terraplenagem, se é muito falado sobre o “tempo de ciclo”, que 
corresponde ao conjunto de operações que o equipamento executa em um 
determinado período, retornando à posição inicial para executá-las novamente. 
Conforme mencionado por Mattos (2019), o tempo de ciclo é composto por 
parcelas fixas e variáveis. Os tempos fixos são de carga, descarga e manobra, 
os quais não dependem da distância. Os tempos variáveis estão relacionados 
diretamente com a distância percorrida, por exemplo, transporte de ida 
carregado e transporte de volta vazio. 
O momento de transporte é muito utilizado na terraplenagem para a 
definição de pagamento do serviço. Refere-se ao produto do volume, ou peso, 
transportado pela respectiva distância de transporte. O cálculo para a 
determinação do momento de transporte é: 
𝐶𝐶𝐶𝐶 =
𝐶𝐶ℎ
(𝑄𝑄ℎ 𝑥𝑥 𝑑𝑑)
 
Em que 
Ct = custo do momento de transporte (R$/ (m³c . km)); 
Ch = custo horário do equipamento de transporte (R$/h); 
Qh = produtividade do equipamento de transporte (m³c / h); e 
D = distância (km). 
Dessa forma, o custo total do transporte é determinado por meio do 
cálculo: 
𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 = 𝐶𝐶𝐶𝐶 𝑥𝑥 𝑉𝑉 𝑥𝑥 𝐷𝐷𝑀𝑀𝐷𝐷 
 
 
16 
Em que: 
Ctt = custo total do transporte (R$); 
Ct = custo do momento de transporte (R$/ (m³c . km)); 
V = volume total transportado (m³c); e 
DMT = distância média de transporte (km). 
TEMA 3 – CURVA ABC 
A Curva ABC é conhecida tecnicamente como diagrama de Pareto ou 
“princípio 80/20”. Ela é atribuída ao economista italiano Vilfredo Pareto, que, em 
1897, verificou que 80% da renda estava concentrada em 20% da população 
(Bôas e Capraro, 2019). 
Para o orçamentista, é de extrema importância saber quais são os 
principais insumos e os serviços mais representativos no custo total da obra. 
Para realizar tal análise, a curva ABC é uma ferramenta muito relevante. Existem 
duas versões da curva: curva ABC de insumos e curva ABC de serviços. 
Na curva ABC de insumos, no topo estão os principais insumos da obra 
em termos de custo e, abaixo, estão os insumos menos significativos. Como 
pode ser visualizado na Tabela 6. 
 
 
 
17 
Tabela 6 – Curva ABC de insumos 
 
Fonte: Mattos, 2019. 
A coluna de Percentual na Curva ABC representa a percentagem que o 
custo total de um determinado insumo representa em relação ao custo total de 
insumos da obra. A partir das informações da coluna do Percentual Acumulado 
de cada insumo no valor acumulado total da obra é possível elaborar a curva, 
conforme mostrado no Gráfico 1. Explicando que a numeração dos insumos, 
mostrados no Gráfico 1, se refere aos insumos apresentados na Tabela 6. 
 
INSUMO UNID. 
CUSTO 
UNITÁRIO 
(R$) 
QUANT. 
 TOTAL 
CUSTO 
TOTAL 
(R$) 
PERCENTUAL PERCENTUAL 
ACUMULADO FAIXA 
1 Azulejo m² 40,00 176,00 7040,00 34,44% 34,44% A 
2 Pedreiro h 13,50 236,00 3186,00 15,59% 50,03% 
3 Servente h 8,00 350,00 2800,00 13,70% 63,73% 
B 4 
Tijolo 
cerâmico un 1,00 2500,00 2500,00 12,23% 75,96% 
5 
Argamassa 
pronta kg 3,00 704,00 2112,00 10,33% 86,29% 
6 Azulejista h 13,50 57,60 777,60 3,80% 90,09% 
 
7 Cimento kg 0,45 1286,40 578,88 2,83% 92,92% 
8 Pintor h 13,50 28,00 378,00 1,85% 94,77% 
9 Cal kg 0,40 873,60 349,44 1,71% 96,48% 
10 Areia m³ 40,00 6,81 272,48 1,33% 97,82% 
11 Massa corrida kg 10,00 23,20 232,00 1,13% 98,95% 
12 
Tinta látex 
PVA L 20,00 6,80 136,00 0,67% 99,62% 
13 Lixa un 2,00 20,00 40,00 0,20% 99,81% 
14 Selador L 8,00 4,80 38,40 0,19% 100,00% 
TOTAL 20440,80 100,00% 
 
 
18 
Gráfico 1 – Relação entre insumos e custo acumulado 
 
Fonte: Elaborado com base em Mattos (2019). 
Ao se falar em Curva ABC, é preciso ter clara a ideia de que o que define 
a faixa da curva na qual se encontra um elemento não é o custo unitário ou 
mesmo a qualidade do produto, mas o quanto ele representa no custo total da 
obra (Mattos, 2019). A partir do Gráfico 1, é possível constatar que as faixas A e 
B, juntas, correspondem a 80% do custo da obra e compreendem apenas cerca 
de 20% dos insumos. A faixa C corresponde a 80% dos insumos, entretanto, 
representa apenas 20% do custo da obra. 
A utilização da Curva ABC de insumos proporciona ao orçamentista 
realizar a hierarquia dos insumos; para a priorização para a negociação, por 
exemplo, os itens presentes na faixa A requerem maior cuidado no processo; 
na atribuição de responsabilidades, pois os insumos mais significativos precisam 
ter a participação direta do gerente da obra no processo de negociação, visto 
que são itens de grande potencial de melhoria do resultado da obra e, por meio 
disso, o construtor pode avaliar o impacto que o preço de um insumo apresentará 
no resultado da obra. 
A Curva ABC de serviços funciona da mesma forma que a de insumos, só 
que nesse caso é realizado uma ordenação dos serviços em ordem decrescente 
na planilha. Os benefícios de se utilizar uma Curva ABC de serviços é que o 
orçamentista consegue fazer uma hierarquia dos serviços, o diretor técnico 
consegue realizar a validação do orçamento, realizar a subcontratação de 
acordo com os cuidados requeridos com os serviços mais representativos e o 
gerente consegue estabelecer metas de produção (Mattos, 2019). 
0,00%
10,00%
20,00%
30,00%
40,00%
50,00%
60,00%
70,00%
80,00%
90,00%
100,00%
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14
%
Pe
rc
en
tu
al
 a
cu
m
ul
ad
o
Insumos
A B C 
 
 
19 
TEMA 4 – CUSTO INDIRETO, IMPOSTO E LUCRO 
 De acordo com Dias (2011), os custos indiretos são decorrentes da 
estrutura da obra e da empresa e que não podem ser atribuídos de forma direta 
à execução de um serviço. Mattos (2019), em seu turno, relata que o custo 
indireto é todo custo que não apareceu como mão de obra, material ou 
equipamento nas composições de custos unitários do orçamento. 
Importante observar que há muitos orçamentistas que se perguntam se 
esse custo é direto ou indireto. Na verdade, isso não importa, o que é relevante 
é que esse custo seja computado no orçamento. Por exemplo, considere o 
equipamento de proteção individual (EPI); se o orçamentista adotar para 
trabalhar com os encargos sociais e trabalhistas em sentido amplo, O EPI já 
estará considerado na hora do trabalhador e, dessa forma, ele integrará o custo 
direto. Entretanto, se o profissional optar por trabalhar com os encargos sociais 
e trabalhistas em sentido restrito, ele deverá contabilizar esse equipamento no 
custo indireto (Mattos, 2019). 
 Os custos indiretos variam muito, geralmente ficando na faixa de 5% a 
30% do custo total da construção. Os fatores que afetam essas variabilidades 
são a localização geográfica, as políticas da empresa, prazo e a complexidade 
(Mattos, 2019). 
 De acordo com Dias (2011), os custos indiretos que mais afetam a 
construção são a mobilização e desmobilização dos equipamentos,mobilização 
e desmobilização de pessoal, mobilização e desmobilização de ferramentas e 
utensílios, administração local, administração central, tributos, despesas 
financeiras, benefício e o risco ou eventuais imprevistos normais de obra. 
 É interessante também entender que, se o construtor executar a obra para 
terceiros, ele emitirá uma nota fiscal para efetuar o faturamento dos serviços, 
assim haverá incidência de impostos sobre a nota fiscal emitida. Dentro dessa 
dinâmica, o construtor busca ter ganhos com o ramo da construção, assim ele 
precisará fazer uma previsão de lucro no orçamento da obra. Nesse processo, 
tanto o lucro quanto os impostos precisam “passar” de custo para preço (Mattos, 
2019). 
 É importante que o profissional que esteja realizando o orçamento 
entenda que os impostos correspondentes às despesas tributárias devem incidir 
 
 
20 
sobre o faturamento, ou seja, sobre o preço de venda. A seguir, serão 
mencionados os tributos que precisam ser computados. 
• Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins): 
conhecido como o segundo maior tributo em termos de arrecadação no 
Brasil, sendo que o primeiro é o imposto de renda. 
• Programa de Integração Social (PIS): tem objetivo de financiar o 
pagamento do seguro-desemprego e do abono para os trabalhadores que 
ganham até dois salários-mínimos. 
• Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN): é uma forma de 
atrair as empresas e negócios para os municípios, que utilizam alíquotas 
baixas. Cada município tem o seu ISS, dessa forma, é de extrema 
importância o orçamentista se notificar da alíquota onde será realizada a 
obra. 
• Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB): caracterizado 
como regime da desoneração, que proporciona ao construtor a opção de 
pagar 4,5 % sobre a nota fiscal. 
• Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social 
sobre o Lucro Líquido (CSLL): o tratamento de tais impostos depende do 
regime tributário da construtora. A legislação tributária estabelece dois 
regimes de lucro: 
o Regime de lucro real: as alíquotas do IRPJ podem ser 15% sobre 
o lucro real da empresa até o limite de R$ 20.000,00 por mês ou 
adicional de 10% sobre o lucro que exceder R$20.000,00 por mês 
(25%). A alíquota do CSLL é 9% sobre o lucro real da empresa de 
até R$ 20.000,00 por mês. 
o Regime de lucro presumido: Para IRPJ, considerar 1,2% x 
faturamento ou preço total do contrato. Para CSLL, considerar 
1,08% x faturamento ou preço total do contrato. 
Além dessas questões, é necessário compreender a diferenciação entre 
três itens: lucro, lucratividade e rentabilidade. De acordo com Mattos (2019), o 
lucro é caracterizado com a diferença entre as receitas e as despesas, dessa 
forma, é um valor absoluto representado em unidades monetárias. A 
lucratividade representa o percentual do contrato que se transforma em ganho 
para a empresa, ou seja, é a relação entre o lucro e a receita. Já a rentabilidade 
 
 
21 
é a relação, dada em percentual, entre o lucro e o investimento total realizado na 
empresa. 
TEMA 5 – PREÇO DE VENDA E BDI 
O preço de venda da obra é calculado após o profissional ter orçado todos 
os custos da obra, ter definido o percentual de lucro e identificado todos os 
impostos. 
O orçamentista precisa prestar muita atenção para fazer corretamente a 
passagem de custo para preço, pois esta é a etapa que mais acarreta problemas. 
O preço de venda (PV) é obtido a partir da seguinte expressão: 
 
𝑃𝑃𝑉𝑉 = 𝐶𝐶𝐶𝐶𝑉𝑉𝐶𝐶𝐶𝐶 + 𝑙𝑙𝐶𝐶𝑉𝑉𝑙𝑙𝐶𝐶 + 𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝑖𝐶𝐶𝑉𝑉𝐶𝐶𝐶𝐶𝑉𝑉 
Resumidamente: 
𝑃𝑃𝑉𝑉 =
𝐶𝐶𝐶𝐶𝑉𝑉𝐶𝐶𝐶𝐶
1 − 𝑖𝑖%
 
Em que: 
PV = preço de venda (R$); 
Custo = custo total (direto, indireto, administração central, custo 
financeiro, imprevistos e contingência) (R$); e 
i% = somatória de todas as incidências sobre o preço de venda (em 
percentual). 
Uma informação muito pertinente é que o imposto e o lucro devem ser 
aplicados sobre o preço de venda e não sobre o custo. 
Após encontrar-se o PV, deve-se calcular os benefícios e despesas 
indiretas (BDI), o qual é um fator/multiplicador a ser aplicado ao custo direto para 
a obtenção do preço de venda. O BDI é calculado de acordo com a fórmula: 
𝐵𝐵𝐷𝐷𝐵𝐵 (%) =
𝑃𝑃𝑉𝑉
𝐶𝐶𝐷𝐷
− 1 
Onde: 
BDI (%) – Benefícios e despesas indiretas; 
PV – Preço de venda (R$); e 
CD – Custo direto (R$). 
Dentro dessa majoração percentual que é representada pelo BDI estão 
inclusas as despesas indiretas de funcionamento da obra, custo da 
 
 
22 
administração central, os custos financeiros, fatores imprevistos, impostos e 
lucro. 
FINALIZANDO 
Dentro da composição dos custos foi apresentado o custo de mão de 
obra, abordando quais itens realmente entram na composição do custo-horário 
da mão de obra. Verificou-se que existem inúmeros parâmetros que estão 
envolvidos nessa composição, tais como a hora-base, impostos, benefícios, 
dentre outros. 
Dentro dos custos de materiais, pôde-se verificar que as cotações de 
preços de materiais incluem muitos itens, ou seja, a aquisição de materiais vai 
muito além de apenas ligar, enviar e-mails ou digitar preços em planilhas. Dentro 
desse processo, o orçamentista precisa levar em consideração as condições 
específicas de cada proposta e efetuar a análise entre as propostas com objetivo 
de poder comparar escopos similares. 
Na parte de custo de equipamento, pôde-se constatar que estender a 
vida útil de um equipamento é muito importante para o construtor. Isso é possível 
quando é realizada a manutenção preventiva e se estimula a operação cautelosa 
dos operadores e mecânicos. 
Foi abordado também neste estudo a composição de custos do serviço 
de terraplenagem. Verificou-se que a maior dificuldade para a elaboração dessa 
composição é o estabelecimento das produtividades, ou do ritmo com que o 
serviço será executado. 
Para gerir de forma satisfatória uma obra, é importante entender como 
funciona a Curva ABC, por isso tal conteúdo foi apresentado nesta aula. Esse 
gráfico consegue mostrar a importância dos principais insumos e serviços no 
decorrer da obra, podendo proporcionar ao diretor técnico e construtor a 
identificação desses itens relevantes para que se consiga tomar decisões mais 
assertivas para a realização das atividades. 
Além dos custos diretos, também foram abordados os custos indiretos, 
sendo por meio deles possível entender que são custos que ocorrem 
independentemente das quantidades produzidas pela obra e que não foram 
inseridas nas composições de custos unitários de serviços. 
 
 
23 
Outra informação muito importante mencionada nesta aprendizagem é 
que os impostos e os lucros precisam ser aplicados sobre o preço de venda 
da obra. 
De acordo com o que foi apresentado nesta aula, pode-se verificar que 
quanto mais detalhada for a elaboração do orçamento da obra, menor será a 
quantidade de itens fora dela, dessa forma, menos itens serão diluídos sobe os 
custos diretos orçados – e, consequentemente, o BDI apresentará um valor 
menor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
REFERÊNCIAS 
BÔAS, B. V.; CAPRARO, A. P. B. Construção Civil IV – Frente Orçamentos. 
UFPR. 2019. Disponível em: . Acesso em 14 dez 2021. 
DIAS, P. R. V. Engenharia de Custos. Engenharia de Custos: metodologia 
de orçamentação para obras civis. 9ª edição, 2011. 
MATTOS, A. D. Como preparar orçamentos de obras: dicas para 
orçamentistas, estudo de caso, exemplos. São Paulo: Editora Pini, 2006. 
____________. Como preparar orçamentos de obras: dicas para 
orçamentistas, estudo de caso, exemplos. São Paulo: Editora Pini, 2019. 
 
	Conversa inicial
	FINALIZANDO
	Na parte de custo de equipamento, pôde-se constatar que estender a vida útil de um equipamento é muito importante para o construtor. Isso é possívelquando é realizada a manutenção preventiva e se estimula a operação cautelosa dos operadores e mecânic...
	REFERÊNCIAS

Mais conteúdos dessa disciplina