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<p>GERENCIAL II</p><p>DA ASSISTÊNCIA</p><p>TÉCNICA E GERENCIAL</p><p>©2021. FATECNA - Faculdade CNA a Distância</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte,</p><p>constitui violação dos direitos autorais (Lei Nº 9.610).</p><p>Fotos</p><p>Banco de imagens do SENAR</p><p>Getty Images</p><p>Shutterstock</p><p>Informações e Contato</p><p>SBN – Quadra 1, Bloco F. Edifício Palácio da Agricultura – 1º e 2º andar</p><p>Asa Norte - Brasília – CEP 70.040-908</p><p>Telefone: (061) 3878-9500</p><p>Site: www.faculdadecna.com.br/ead/</p><p>Presidente do Conselho Deliberativo</p><p>João Martins da Silva Júnior</p><p>Entidades integrantes do Conselho Deliberativo</p><p>Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA</p><p>Confederação dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG</p><p>Ministério do Trabalho e Emprego - MTE</p><p>Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA</p><p>Ministério da Educação - MEC</p><p>Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB</p><p>Agroindústrias / indicação da Confederação Nacional da Indústria - CNI</p><p>Diretor Geral</p><p>Daniel Klüppel Carrara</p><p>Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial</p><p>Matheus Ferreira Pinto da Silva</p><p>Cálculo de custo de produção</p><p>Módulo 3</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 4</p><p>Sumário</p><p>Introdução do módulo ............................................................................................................... 6</p><p>Tema 1: Cálculo do custo de produção I .............................................................................10</p><p>Introdução ..............................................................................................................................10</p><p>Tópico 1: Custo operacional efetivo ..................................................................................12</p><p>Tópico 2: Mão de obra familiar ...........................................................................................23</p><p>Tópico 3: Depreciação ..........................................................................................................33</p><p>Tópico 4: Custo operacional total ......................................................................................47</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos .....................................................................................56</p><p>Encerramento do tema ........................................................................................................71</p><p>Atividade de Passagem ........................................................................................................72</p><p>Tema 2: Cálculo do custo de produção II ............................................................................73</p><p>Introdução ..............................................................................................................................73</p><p>Tópico 1: Custos fixos ...........................................................................................................75</p><p>Tópico 2: Custo total ............................................................................................................99</p><p>Tópico 4: Margem líquida ..................................................................................................118</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos ...................................................................................130</p><p>Encerramento do tema ......................................................................................................145</p><p>Atividade de passagem ......................................................................................................146</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 5</p><p>Tema 3: Cálculo dos indicadores ....................................................................................... 149</p><p>Introdução ............................................................................................................................149</p><p>Tópico 1: Lucro ....................................................................................................................151</p><p>Tópico 2: Ponto de cobertura ...........................................................................................162</p><p>Tópico 3: Ponto de cobertura total .................................................................................172</p><p>Tópico 4: Taxa de retorno de capital ...............................................................................177</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos ...................................................................................186</p><p>Encerramento do tema ......................................................................................................190</p><p>Atividade de Passagem ......................................................................................................191</p><p>Encerramento do módulo .................................................................................................... 193</p><p>Final de etapa ......................................................................................................................... 195</p><p>Gabarito das Questões......................................................................................................... 197</p><p>Referências Bibliográficas .................................................................................................. 201</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 6</p><p>Introdução do módulo</p><p>Bem-vindo! Você está iniciando o módulo Gerencial II da Assistência</p><p>Técnica e Gerencial. Observe no infográfico a sua posição no curso e atente-</p><p>se ao seu progresso!</p><p>Você está aqui!</p><p>Início da</p><p>jornada Final da</p><p>jornada</p><p>Módulo 1</p><p>Metodologia da</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial</p><p>Aprimorar conhecimentos</p><p>metodológicos para o</p><p>desempenho necessário</p><p>de ações de assistência</p><p>técnica, destacando as</p><p>competências requeridas</p><p>ao exercício da atividade.</p><p>Módulo 2</p><p>Gerencial I da</p><p>Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Reconhecer os</p><p>conceitos gerenciais</p><p>da Metodologia de</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial.</p><p>Módulo 4</p><p>Gerencial III</p><p>da Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Calcular e</p><p>interpretar</p><p>indicadores técnicos</p><p>e econômicos nas</p><p>principais cadeias</p><p>produtivas da</p><p>pecuária ou da</p><p>agricultura.Módulo 3</p><p>Gerencial III</p><p>da Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Contextualizar os</p><p>conceitos gerenciais</p><p>da Metodologia de</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial.</p><p>Módulo 5</p><p>Planejamento</p><p>da Propriedade</p><p>Rural</p><p>Definir em</p><p>que consiste o</p><p>planejamento</p><p>estratégico da</p><p>propriedade rural</p><p>assistida pela</p><p>Metodologia de</p><p>ATeG, facilitando</p><p>sua compreensão e</p><p>aplicabilidade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 7</p><p>Na prática, este módulo tem o objetivo de apresentar a você as diversas</p><p>peculiaridades que envolvem a identificação dos custos na agropecuária,</p><p>desenvolvendo uma visão mais crítica para o momento da aplicação em</p><p>seu trabalho prático. Dessa forma, você terá embasamento em critérios</p><p>técnicos, de acordo com a metodologia de Assistência Técnica e Gerencial</p><p>para uma análise econômica mais real da empresa rural. Para isso, o</p><p>módulo foi dividido em três temas:</p><p>Tema 1</p><p>Cálculo de</p><p>custos de</p><p>produção I</p><p>Tema 2</p><p>Cálculo de</p><p>custos de</p><p>produção II</p><p>Tema 3</p><p>Cálculo de</p><p>indicadores</p><p>Nossa expectativa é que, ao final do módulo, você entenda a teoria geral</p><p>de custos com maior aprofundamento e com a prática de realizar cálculos</p><p>importantes para levantar o custo de produção e de fazer algumas análises</p><p>econômicas sobre a empresa rural.</p><p>Tudo isso para que você possa se tornar um autêntico educador agente de</p><p>transformações no campo, capaz de:</p><p>• identificar a correta alocação das despesas, investigando e diferenciando os</p><p>gastos para produção,</p><p>• estratificar custos operacionais e custo total, alocando apropriadamente cada</p><p>elemento desse cálculo,</p><p>• identificar os fatores de maior impacto e os limitantes de desenvolvimento da</p><p>atividade, elaborando um planejamento adequado ao final do processo,</p><p>• definir os conceitos de margem bruta e lucro, entendendo a relação com o</p><p>“lucro da atividade”, além da margem líquida, que fornece dados essenciais</p><p>para aplicação da taxa de retorno de um</p><p>médio.</p><p>Esse indicador é encontrado dividindo o valor total obtido com a venda de leite</p><p>(exclusivamente) pelo volume total produzido durante o período analisado,</p><p>independentemente de quantas alterações o preço tenha sofrido.</p><p>Acompanhe os números da Fazenda Santa Felicidade!</p><p>PREÇO MÉDIO = = R$ 1,30/LITRO</p><p>RENDA DO LEITE</p><p>PRODUÇÃO</p><p>R$ 148.807,23</p><p>114.545 LITROS</p><p>Assim, pode-se dizer que o Sr. Ariovaldo, ao longo do período analisado,</p><p>recebeu em média o valor de R$ 1,30 para cada um dos 114.545 litros que</p><p>comercializou. Note que a base de cálculo refere-se ao valor e às quantidades</p><p>comercializadas, não ao que foi produzido, já que uma parte da produção</p><p>pode ter sido destinada para consumo interno da propriedade ou mesmo</p><p>outras atividades, como produção de queijos, iogurtes etc.</p><p>Tendo o COE do leite por litro, é interessante descobrir também quanto</p><p>representa o COE em relação à renda obtida na comercialização. Para isso,</p><p>podemos assumir que a renda bruta unitária é igual ao preço unitário.</p><p>COEL/PREÇO MÉDIO = = 56,03%</p><p>0,7284</p><p>R$ 1,30</p><p>De acordo com o resultado obtido, sabe-se que 56,03% do que o produtor recebe</p><p>(R$ 1,30) já está comprometido com o pagamento do COE (R$ 0,7284/litro).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 63</p><p>Depreciações</p><p>Conforme visto, a depreciação consiste em uma reserva monetária contábil,</p><p>anual, para a substituição de um bem ao final de sua vida útil.</p><p>Ela é calculada de forma linear, dividindo o valor do novo pela vida útil,</p><p>conforme a fórmula a seguir:</p><p>DEPRECIAÇÃO =</p><p>VALOR DE NOVO - VALOR DE SUCATA</p><p>VIDA ÚTIL</p><p>Vale relembrar que o valor de sucata recomendado pela metodologia de ATeG</p><p>é igual a R$ 0,00. Isso visa minimizar subjetividades.</p><p>Ao final da vida útil do bem, ele é considerado sucata, logo não serão mais</p><p>contabilizadas depreciações, mesmo que ele ainda possua utilidade.</p><p>Agora, você vai rever os inventários da Fazenda Santa Felicidade apresentados</p><p>no Módulo 2, mas agora compreendendo ainda mais os conceitos.</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>no leite</p><p>(%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Pista de</p><p>alimentação 1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 10</p><p>Curral de</p><p>manejo 1 50% R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 40 15</p><p>Sala de</p><p>ordenha 1 100% R$ 30.000,00 R$ 30.000,00 40 43</p><p>Cercas</p><p>perimetrais 1.000 50% R$ 12,00 R$ 6.000,00 15 20</p><p>Cercas</p><p>internas 1.000 100% R$ 0,00 R$ 10.000,00 10 8</p><p>Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$ 2.000,00 20 5</p><p>Bezerreiro 1 100% R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 20 21</p><p>Depósito de</p><p>ração 1 80% R$ 80.000,00 R$ 64.000,00 40 15</p><p>Cochos de sal</p><p>mineral 12 100% R$ 500,00 R$ 6.000,00 15 10</p><p>TOTAL R$ 154.000,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 64</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>no leite</p><p>(%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Ordenhadeira</p><p>mecânica 1 100% R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 15 5</p><p>Irrigação 1 100% R$ 23.000,00 R$ 23.000,00 15 3</p><p>Aparelho de</p><p>cerca elétrica 1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4</p><p>Carroça 1 80% R$ 2.300,00 R$ 1.840,00 10 12</p><p>Picadeira 1 80% R$ 2.500,00 R$ 2.000,00 15 16</p><p>Bomba de</p><p>água 1 100% R$ 500,00 R$ 500,00 10 11</p><p>Roçadeira</p><p>costal 2 100% R$ 2.000,00 R$ 4.000,00 5 4</p><p>Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20</p><p>Tanque de</p><p>resfriamento 1 100% R$ 12.000,00 R$ 12.000,00 15 8</p><p>TOTAL 52.140,00</p><p>Inventário de forrageiras</p><p>Especificação Área</p><p>(ha)</p><p>Custo de formação</p><p>(R$/ha)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Canavial 1 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 5 6</p><p>Pasto intensivo de</p><p>mumbaca 2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5</p><p>Área de milho</p><p>silagem 4 -</p><p>Pasto extensivo de</p><p>braquiária 6 R$ 2.500,00 R$ 15.000,00 15 20</p><p>Construções e</p><p>estradas 1,2 -</p><p>Reservas e APP 5,5 -</p><p>TOTAL 20 R$ 26.900,00</p><p>Considerando que o rebanho da Fazenda Santa Felicidade se encontra</p><p>estabilizado, e conforme os conceitos trabalhados anteriormente, não haverá</p><p>cálculo de depreciação para os animais que compõem o rebanho.</p><p>Observe a tabela a seguir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 65</p><p>Inventário animal</p><p>Categoria Qtd. Valor médio</p><p>(R$) Valor total (R$) Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Tempo de</p><p>serviço</p><p>(anos)</p><p>Vacas em lactação 20 R$ 3.200,00 R$ 64.000,00</p><p>Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$ 10.000,00</p><p>Bezerras em</p><p>aleitamento 3 R$ 800,00 R$ 2.400,00</p><p>Novilhas em recria 10 R$ 1.500,00 R$ 15.000,00</p><p>Novilhas em</p><p>reprodução 12 R$ 2.500,00 R$ 30.000,00</p><p>Reprodutor 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3</p><p>Animais de serviço 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15</p><p>TOTAL 49 R$ 128.900,00</p><p>O que acha de fazer uma busca rápida? Identifique nas tabelas anteriores os</p><p>itens que possuem idade superior à vida útil.</p><p>Saiba Mais</p><p>Como foi a sua busca? Observe a lista e veja se bate</p><p>com os itens que você identificou!</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>• Sala de ordenha</p><p>• Cercas perimetrais</p><p>• Bezerreiro</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>• Carroça</p><p>• Bomba de água</p><p>• Picadeira</p><p>• Latões</p><p>Inventário de forrageiras</p><p>• Canavial</p><p>• Pasto extensivo de braquiária</p><p>Inventário animal</p><p>• Animal de serviço</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 66</p><p>Mesmo que bens tenham funcionalidade devido às manutenções realizadas,</p><p>ao final da vida útil eles são considerados sucata, ou seja, sua vida útil é igual</p><p>a zero. Matematicamente, a depreciação passa a não existir, pois o resultado</p><p>matemático de qualquer valor atribuído ao bem dividido por zero é zero.</p><p>Quanto às benfeitorias, é difícil atribuir um valor comercial, logo, para</p><p>efeito de cálculos, deve-se utilizar o valor de novo para calcular a</p><p>depreciação.</p><p>Depreciação da sala de ordenha = 30.000,00 ÷ 0 = 0</p><p>Calculando a depreciação</p><p>Observe os valores de depreciação de acordo com os inventários da Fazenda</p><p>Santa Felicidade e entenda o cálculo de alguns itens!</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>no leite</p><p>(%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Pista de</p><p>alimentação* 1 100% R$</p><p>30.000,00</p><p>R$</p><p>30.000,00 40 10 R$ 750,00</p><p>Curral de</p><p>manejo 1 50% R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 40 15 R$ 100,00</p><p>Sala de</p><p>ordenha 1 100% R$</p><p>30.000,00</p><p>R$</p><p>30.000,00 40 43 Não existe</p><p>Cercas</p><p>perimetrais 1.000 50% R$ 12,00 R$ 6.000,00 15 20 Não existe</p><p>Cercas</p><p>internas 1.000 100% R$ 10,00 R$</p><p>10.000,00 10 8 R$ 1.000,00</p><p>Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$ 2.000,00 20 5 R$ 100,00</p><p>Bezerreiro 1 100% R$ 2.000,00 R$ 2.000,00 20 21 Não existe</p><p>Depósito de</p><p>ração 1 80% R$</p><p>80.000,00</p><p>R$</p><p>64.000,00 40 15 R$ 1.600,00</p><p>Cochos de sal</p><p>mineral 12 100% R$ 500,00 R$ 6.000,00 15 10 R$ 400,00</p><p>TOTAL R$</p><p>154.000,00 R$ 3.950,00</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Depreciação da pista de alimentação = (R$ 30.000,00 - 0) ÷ 40 = R$ 750,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 67</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>no leite</p><p>(%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Ordenhadeira</p><p>mecânica* 1 100% R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 15 5 R$ 533,33</p><p>Irrigação 1 100% R$</p><p>23.000,00 R$ 23.000,00 15 3 R$ 1.533,33</p><p>Aparelho de</p><p>cerca elétrica 1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4 R$ 40,00</p><p>Carroça 1 80% R$ 2.300,00 R$ 1.840,00 10 12 Não existe</p><p>Picadeira 1 80% R$ 2.500,00 R$ 2.000,00 15 16 Não existe</p><p>Bomba de</p><p>água 1 100% R$ 500,00 R$ 500,00 10 11 Não existe</p><p>Roçadeira</p><p>costal 2 100% R$ 2.000,00 R$ 4.000,00 5 4 R$ 800,00</p><p>Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20 Não existe</p><p>Tanque de</p><p>resfriamento 1 100% R$</p><p>12.000,00 R$ 12.000,00 15 8 R$ 800,00</p><p>TOTAL R$ 52.140,00 R$ 3.706,67</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Depreciação da ordenhadeira mecânica = (R$ 8.000,00 - 0) ÷ 15 = R$ 533,33</p><p>Inventário de forrageiras</p><p>Especificação Área (ha)</p><p>Custo de</p><p>formação</p><p>(R$/ha)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Canavial 1 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 5 6 Não existe</p><p>Pasto intensivo</p><p>de mumbaca* 2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5 R$ 345,00</p><p>Área de milho</p><p>silagem 4 R$ - Não se aplica</p><p>Pasto extensivo</p><p>de braquiária 6 R$ 2.500,00 R$ 15.000,00 15 20 Não existe</p><p>Construções</p><p>e</p><p>estradas 1,2 R$ - Não se aplica</p><p>Reservas e APP 5,5 R$ - Não se aplica</p><p>TOTAL 20 R$ 26.900,00 R$ 345,00</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Depreciação do mumbaca = (R$ 6.900,00 - 0) ÷ 20 = R$ 345,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 68</p><p>Inventário animal</p><p>Categoria Qtd. Preço médio</p><p>(R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Tempo de</p><p>serviço (anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Vacas em</p><p>lactação 20 R$ 3.200,00 R$ 64.000,00 Não se aplica</p><p>Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$ 10.000,00 Não se aplica</p><p>Bezerras em</p><p>aleitamento 3 R$ 800,00 R$ 2.400,00 Não se aplica</p><p>Novilhas em</p><p>recria 10 R$ 1.500,00 R$ 15.000,00 Não se aplica</p><p>Novilhas em</p><p>reprodução 12 R$ 2.500,00 R$ 30.000,00 Não se aplica</p><p>Reprodutor* 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3 R$ 1.500,00</p><p>Animais de</p><p>serviço 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15 Não existe</p><p>TOTAL 50 R$ 128.900,00 R$ 1.500,00</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Depreciação do touro = (R$ 6.000,00 - 0) ÷ 4 = R$ 1.500,00</p><p>Quando falamos do inventário animal, é importante lembrar de que atividades</p><p>que envolvem a recria do reprodutor também não depreciam. Essa é uma</p><p>situação pouco comum na bovinocultura de leite mais especializada, visando</p><p>evitar consanguinidade.</p><p>Total das depreciações</p><p>Depois de aplicar a fórmula com os dados fornecidos na planilha, confira o</p><p>resultado da somatória do total das depreciações.</p><p>Inventário Total de depreciações</p><p>Benfeitorias R$ 3.950,00</p><p>Máquinas R$ 3.706,67</p><p>Forrageiras R$ 345,00</p><p>Animais R$ 1.500,00</p><p>Total R$ 9.501,67</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 69</p><p>Custo da mão de obra familiar</p><p>O custo da mão de obra familiar representa o quanto o empresário rural</p><p>deveria pagar no mercado em que ele atua para substituir o trabalho realizado</p><p>por ele e sua família. Vale lembrar de que isso não tem nada a ver com os</p><p>gastos pessoais do produtor – é simplesmente o valor de mercado das tarefas</p><p>realizadas pela família.</p><p>Entenda melhor, acompanhando como funciona esse aspecto na Fazenda</p><p>Santa Felicidade</p><p>O Sr. Ariovaldo tem um</p><p>funcionário chamado Roberto.</p><p>Ele é contratado com carteira</p><p>assinada e os dois trabalham</p><p>juntos, de forma que seus</p><p>desempenhos são muito</p><p>semelhantes. Desconsiderando</p><p>encargos sociais, férias e</p><p>13º salário, Roberto recebe</p><p>R$ 1.100,00/mês.</p><p>Porém, além dessas atividades, o Sr. Ariovaldo também realiza a administração</p><p>de sua empresa e negocia ativamente com seus fornecedores e clientes.</p><p>Portanto, um valor justo para a remuneração dessa mão de obra familiar (ou</p><p>pró-labore do administrador) foi avaliado em R$ 1.600,00 por mês.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 70</p><p>Logo, o custo da mão de obra familiar é:</p><p>12 meses R$</p><p>19.200,00</p><p>R$</p><p>1.600,00/</p><p>mês</p><p>Na verdade, esse é um custo anual que não vai se distanciar muito do valor</p><p>real do custo de um funcionário contratado com carteira assinada, quando se</p><p>consideram todas as obrigações patronais (pagamento de encargos, férias e</p><p>13o salário).</p><p>Custo operacional total da atividade (COTA)</p><p>Conforme visto, o custo operacional total da atividade é obtido pela adição da</p><p>depreciação e do custo da mão de obra familiar ao COE.</p><p>• Total de depreciações = R$ 9.501,67</p><p>• Custo da mão de obra familiar (MOF) = R$ 19.200,00</p><p>• COEA = R$ 101.411,90</p><p>COEA Depreciações MOFCOTA</p><p>COTA = R$ 101.411,90 + R$ 9.501,67 + R$ 19.200,00</p><p>COTA = R$ 130.113,57</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aprofundou seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>o tema, através de</p><p>exemplos práticos.</p><p>Analisou</p><p>informações e</p><p>dados relevantes</p><p>de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Compreendeu a</p><p>importncia dessas</p><p>análises para um</p><p>gerenciamento</p><p>eficiente.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 71</p><p>Encerramento do tema</p><p>Você chegou ao final deste primeiro tema e, durante os estudos, pode conhecer</p><p>o conceito e o comportamento de um dos principais custos de produção da</p><p>metodologia de ATeG, os custos variáveis. Você pôde compreender:</p><p>Como diferenciar</p><p>elementos de custo</p><p>fixo de uma despesa</p><p>de valor fixo, como</p><p>arrendamentos,</p><p>aluguéis, mão de</p><p>obra contratada e</p><p>energia elétrica.</p><p>A forma de decompor</p><p>os custos fixos, a</p><p>depreciação e a</p><p>contabilização dos</p><p>valores de mão de</p><p>obra familiar.</p><p>A importância de</p><p>realizar uma análise</p><p>profunda dos custos,</p><p>ou seja, ter uma</p><p>anotação detalhada</p><p>das despesas como</p><p>uma ferramenta</p><p>de controle dos</p><p>processos produtivos</p><p>e administrativos.</p><p>Esta primeira etapa de preparação para um trabalho de excelência no campo</p><p>foi intensa e fundamental. São conceitos de gerenciamento essenciais para que</p><p>você cumpra o atendimento de assistência técnica e gerencial de qualidade.</p><p>Acesse o Ambiente de Estudos e assista a mais um</p><p>vídeo que preparamos especialmente para você.</p><p>Nele, você acompanhará o Marcelo e o seu trabalho</p><p>na Fazenda Santa Felicidade. Confira cada detalhe</p><p>e siga em frente em seus estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 72</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para passar para o próximo tema, ok?</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor.</p><p>Questão</p><p>Leia os itens a seguir e relacione cada um deles com os seguintes elementos:</p><p>• (COE) custo operacional efetivo;</p><p>• (COT) custo operacional total;</p><p>• (d) depreciação;</p><p>• (MOF) mão de obra familiar.</p><p>( ) Despesas diretas</p><p>( ) Reserva contábil</p><p>( ) Exige desembolso de capital</p><p>( ) Ocorrendo retiradas na forma de</p><p>“salário fixo”, deixa de ser um custo fixo,</p><p>tornando-se COE</p><p>( ) Serve como parâmetro de análise</p><p>de viabilidade da empresa no curto e</p><p>médio prazos</p><p>Assinale a alternativa que contém a ordem correta:</p><p>1. COE / d / COE / COT / MOF</p><p>2. COE / COE / d / COT / MOF</p><p>3. COE / d / COT / MOF / COE</p><p>4. COE / d / COT / COE / MOF</p><p>5. COE / d / COE / MOF / COT</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 73</p><p>Tema 2: Cálculo do custo de</p><p>produção II</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o segundo tema do módulo. O objetivo é que você se</p><p>aprofunde nos custos fixos, entendendo a sua importância no planejamento</p><p>das atividades agropecuárias, compreenda que os custos totais oferecem</p><p>condições de analisar com maior precisão a real situação econômica da</p><p>propriedade, direcionando uma tomada de decisões mais assertivas. Além de</p><p>iniciar a compreensão do conceito de viabilidade financeira do negócio.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• analisar de forma completa o panorama de custos de uma empresa,</p><p>• compreender que poucos são os negócios verdadeiramente inviáveis, mas que</p><p>são muitos os negócios mal dimensionados para o mercado em que atuam e</p><p>para a infraestrutura que possuem.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 74</p><p>Estrutura do tema</p><p>Para que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema</p><p>foi dividido em tópicos. Observe o tema e os cinco tópicos, para conhecer</p><p>o objetivo de cada um deles.</p><p>Tema 2</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4 Tópico 3</p><p>Custos fixos</p><p>Entender o dimensionamento total do custo fixo, assim como diversas análises</p><p>que podem ser feitas a partir da sua identificação.</p><p>Custo total</p><p>Conhecer a determinação do</p><p>custo total de uma produção</p><p>agropecuária, respeitando as</p><p>peculiaridades de cada cadeia</p><p>produtiva, quando houver.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Saberá aplicar os conceitos</p><p>estudados de forma</p><p>detalhada.</p><p>Margem líquida</p><p>Compreender o conceito de margem</p><p>líquida, saber como calcular, interpretar</p><p>os resultados e tomar decisões com base</p><p>nela, que é fundamental para checar se o</p><p>negócio tem capacidade de se manter no</p><p>longo prazo e para verificar a coerência</p><p>entre a estrutura de custos do negócio e</p><p>sua escala de produção.</p><p>Margem bruta</p><p>Conhecer a margem bruta e</p><p>aprender a calcular, interpretar</p><p>os resultados e tomar decisões,</p><p>além de analisar a viabilidade de</p><p>um negócio.</p><p>Agora que você já viu o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e</p><p>ótimos estudos!</p><p>M��dulo 3</p><p>Cálculo de</p><p>custo de produção pg. 75</p><p>Tópico 1: Custos fixos</p><p>O que você entende como custo fixo?</p><p>Durante este tópico você verá como é a formação dos custos</p><p>fixos, além de algumas análises que são possíveis a partir da sua</p><p>identificação.</p><p>A depreciação e a mão de obra familiar já foram estudadas no tema 1, agora</p><p>você vai se aprofundar no terceiro componente – o custo de oportunidade do</p><p>capital.</p><p>A clássica divisão dos custos em variáveis e fixos muitas vezes é arbitrária</p><p>e difícil de ser operacionalizada, já que um fator de produção pode ser</p><p>classificado como fixo ou variável, dependendo do tempo considerado. O</p><p>mesmo fator pode ser fixo no curto prazo e variável no longo prazo.</p><p>Em razão dessas dificuldades, existem outros critérios para a</p><p>classificação dos custos que se ajustam melhor às necessidades</p><p>do empresário rural, como despesas diretas e indiretas e custos</p><p>operacionais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 76</p><p>Na metodologia de Assistência Técnica e Gerencial, custos fixos são:</p><p>Aqueles que não resultam em</p><p>despesas diretas, ou seja, não</p><p>ocorre um desembolso físico de</p><p>capital para sua remuneração.</p><p>Eles tendem a permanecer</p><p>inalterados em curto e médio</p><p>prazos (desde qie forem</p><p>mantidas as mesmas estruturas</p><p>produtivas), porque seu valor</p><p>independe do volume produzido</p><p>e jamais será igual a zero.</p><p>• Mão de obra familiar</p><p>• Depreciação</p><p>• Custo de oportunidade do capital empatado</p><p>Entenda a fórmula:</p><p>CF = MOF + d + CO</p><p>DepreciaçãoCusto fixo</p><p>Custo de oportunidadeMão de obra</p><p>Observe que a fórmula do CF (custo fixo) engloba todos os elementos de</p><p>custos, exceto os variáveis (COE). É possível afirmar também que a somatória</p><p>de ambos os elementos resulta no CT (custo total).</p><p>Para ficar mais claro, acompanhe o exemplo a seguir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 77</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade tem um galpão de máquinas no valor de</p><p>R$ 36.000,00 com vida útil de 30 anos.</p><p>Agora, é preciso calcular o custo fixo dele.</p><p>1º Passo: Calcular a depreciação</p><p>2º Passo: Calcular o custo de oportunidade</p><p>3º Passo: Calcular o custo fixo</p><p>VN – S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>36.000,00 – 0</p><p>30</p><p>d = R$ 1.200,00d =</p><p>CO = 1.080,00/ano</p><p>VN – S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>CO = MOF + d + CO CF = 0 + R$ 1.200,00 + R$ 1.080,00</p><p>CF = R$ 2.280,00</p><p>CO = X 6%</p><p>36.000,00 – 0</p><p>2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 78</p><p>Note que no exemplo, a mão de obra familiar foi considerada igual a zero,</p><p>pois estamos avaliando o custo fixo de um bem, então não podemos envolver</p><p>esse item.</p><p>Os elementos na análise de uma propriedade</p><p>A mão de obra familiar, a depreciação e o custo de oportunidade do capital</p><p>empatado são custos que não geram desembolsos diretos ao produtor rural.</p><p>A realidade do campo</p><p>Ao analisar uma propriedade, você deverá prestar</p><p>atenção nesses três elementos de custos, pois eles</p><p>podem demonstrar qual é a capacidade produtiva</p><p>da empresa rural.</p><p>Ao mesmo tempo, eles limitam a capacidade</p><p>produtiva pela falta, podendo inviabilizar a</p><p>atividade quando a estrutura for muito pesada.</p><p>Outra observação importante é que deve se realizar o inventário somente</p><p>de bens que compõem a atividade e considerando seu uso efetivo na</p><p>atividade rural.</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 79</p><p>Na prática</p><p>Para uma piscicultura, não deve ser</p><p>alocado cem por cento do custo de</p><p>um curral de ordenha, mesmo que</p><p>a propriedade desenvolva ambas as</p><p>atividades.</p><p>Quando uma infraestrutura é</p><p>compartilhada entre duas ou mais</p><p>atividades, seu custo deverá ser</p><p>rateado proporcionalmente.</p><p>Se um mesmo galpão é utilizado para</p><p>guardar rações do gado leiteiro e</p><p>dos peixes, a atividade que for mais</p><p>representativa em uso deverá arcar</p><p>com uma porcentagem maior dos</p><p>custos fixos desse galpão.</p><p>Outra situação a se observar é o inventário das terras. Quando a propriedade</p><p>trabalha exclusivamente com uma atividade, toda a área deverá ser lançada</p><p>como sendo dessa atividade. Porém, quando é desenvolvida mais do que</p><p>uma atividade, devemos considerar para a área da atividade o espaço que</p><p>ela utiliza diretamente e fazer o rateio das áreas consideradas de uso</p><p>comum, como pátios, estradas, aplicativos, reservas etc.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 80</p><p>Uma propriedade com valores</p><p>de depreciação e custo de</p><p>oportunidade muito elevados</p><p>mostra que possui uma vasta</p><p>infraestrutura (benfeitorias,</p><p>máquinas, equipamentos</p><p>e ferramentas). Ou seja,</p><p>que existe uma grande</p><p>capacidade produtiva</p><p>instalada.</p><p>De outra maneira, quando</p><p>encontramos propriedades</p><p>com esses mesmos custos</p><p>muito baixos, podemos</p><p>supor que têm pouca</p><p>capacidade produtiva, ou</p><p>que estão operando abaixo</p><p>da capacidade.</p><p>Em ambos os cenários, a empresa poderá operar em situação de ociosidade,</p><p>normalidade ou até mesmo abaixo da necessidade. Tudo isso só será possível</p><p>analisar quando avaliarmos o negócio como um todo, com a obtenção de mais</p><p>dados, conforme veremos abaixo.</p><p>Mão de obra familiar</p><p>Resumindo...</p><p>É contabilizada no custo fixo porque geralmente não existe um</p><p>pagamento efetivo – o produtor não paga a si mesmo.</p><p>Configura-se como um custo indireto, não havendo desembolso.</p><p>É um custo que sempre existirá, a não ser que se interrompa a atividade</p><p>e não haja mais possibilidade de executá-la.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 81</p><p>Durante todo o ciclo produtivo, o produtor realiza diversas pequenas retiradas</p><p>de valores para honrar compromissos pessoais, geralmente não uniformes,</p><p>mas de acordo com suas necessidades. Essas retiradas devem sair dos ganhos</p><p>da atividade leiteira e não devem ser consideradas como remuneração da</p><p>mão de obra familiar.</p><p>O valor atribuído à mão de obra familiar deve ter como base os valores</p><p>praticados na região. Ou seja, caso o produtor contrate alguém em seu</p><p>lugar, quanto pagaria pelo mesmo serviço? O mesmo critério deve ser</p><p>utilizado para todos os membros da família envolvidos na atividade.</p><p>Dois pontos críticos devem ser observados, pois são facilmente solucionados</p><p>quando se atêm a realidades distintas, mas que podem ocorrer na</p><p>propriedade. Conheça!</p><p>O produtor não possui mais condições físicas e/ou mentais de realizar</p><p>trabalho algum, muitas vezes já recebe os benefícios de aposentado rural.</p><p>Nessa situação, por não haver a oportunidade de venda da sua mão de obra,</p><p>esse custo não deverá ser computado.</p><p>Incapacidade de trabalho do produtor</p><p>Quando o administrador ou administradores realizam retiradas sistemáticas</p><p>e padronizadas, caracterizando salário. Sendo assim, elas vão compor o</p><p>COE (pagamento da administração), e não o custo fixo. Tal situação é mais</p><p>comum em grandes propriedades rurais, que podem até mesmo ter vários</p><p>proprietários (grupos empresariais).</p><p>Retirada sistemática de valores pelo administrador</p><p>A mão de obra familiar é tratada como custo fixo também pelo fato de não</p><p>responder, de forma imediata, às variações de escala de produção.</p><p>Note que não estamos dizendo que a aposentadoria que o produtor recebe</p><p>anula a contabilização na mão de obra familiar. Renda pessoal não possui nexo</p><p>algum com a renda oriunda da atividade rural. Em muitos casos, o produtor</p><p>é aposentado por idade ou tempo de contribuição, mas ainda se encontra em</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 82</p><p>pleno gozo de suas faculdades físicas e mentais, gerando uma oportunidade</p><p>e, portanto, um custo de mão de obra familiar.</p><p>Depreciação</p><p>Resumindo...</p><p>É um custo fixo e consiste em uma reserva monetária</p><p>para que a propriedade possa substituir os bens</p><p>duráveis no final de sua vida útil, mantendo a</p><p>capacidade produtiva da empresa.</p><p>Os principais itens geradores desse custo são</p><p>equipamentos, máquinas, veículos, forrageiras e</p><p>outras culturas não anuais, benfeitorias, animais de</p><p>serviço e reprodutores.</p><p>Na metodologia de ATeG para o cálculo dos custos de produção aplica-</p><p>se o método linear, ou seja, o valor da depreciação anual é igual em</p><p>todos os anos durante sua vida útil do bem.</p><p>Para minimizar a subjetividade, a mesma metodologia considera o valor de</p><p>sucata sempre igual a</p><p>zero. Observe a fórmula:</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil</p><p>Depreciação</p><p>Valor de novo</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Acompanhe como foi feito o cálculo da depreciação anual de um tanque de</p><p>resfriamento de leite na Fazenda Santa Felicidade!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 83</p><p>Fazenda Santa Felicidade</p><p>O Técnico de Campo Marcelo sugeriu que o Sr. Ariovaldo</p><p>analisasse a depreciação do seu tanque de resfriamento de leite.</p><p>• Juntos, chegaram a esses dados:</p><p>• Valor de novo do tanque (VN) = R$ 12.000,00</p><p>• Vida útil (VU) = 15 anos</p><p>• Valor de Sucata (S) = 0</p><p>Assim, foi calculado:</p><p>A depreciação anual do bem é de R$ 800,00, valor que o Sr. Ariovaldo deve reservar para a</p><p>reposição dele ao final de sua vida útil.</p><p>VN – S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>12.000 – 0</p><p>15</p><p>d = R$ 800,00/anod =</p><p>Para situações em que há aquisição de máquinas, equipamentos e veículos</p><p>usados ainda dentro da vida útil, a metodologia prevê um tratamento</p><p>diferenciado.</p><p>Para calcular a depreciação nesses casos, é utilizado o valor pago pelo bem,</p><p>denominado na fórmula como valor de compra (VC). O valor atribuído à sucata</p><p>será sempre zero e para a vida útil consideramos o valor residual (VR).</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Valor residual</p><p>Depreciação</p><p>Valor de compra</p><p>VC - S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 84</p><p>Continue acompanhando o Sr. Ariovaldo e a sua história com o tanque de</p><p>resfriamento.</p><p>Fazenda Santa Felicidade</p><p>O Técnico Marcelo fez os cálculos supondo que o Sr. Ariovaldo vá</p><p>comprar de uma propriedade vizinha um tanque de resfriamento</p><p>já com cinco anos de uso.</p><p>• Valor de compra (VC) = R$ 7.000,00</p><p>• Valor de sucata (S) = R$ 0</p><p>• Vida útil residual (VR) = 10 anos</p><p>Nesse caso, Sr. Ariovaldo deverá reservar R$ 700,00 por ano para que, ao final da vida útil</p><p>do bem, tenha condições de fazer sua reposição.</p><p>VC – S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>R$ 7.000 – 0</p><p>10</p><p>d = R$ 700,00/anod =</p><p>Custo de oportunidade do capital</p><p>O custo de oportunidade sobre o capital empatado consiste na remuneração</p><p>anual esperada pelo dono do capital por emprestá-lo à atividade. Se</p><p>o valor dos bens (investimento do dono do capital em toda a propriedade)</p><p>estivesse aplicado na poupança, por exemplo, daria ao capitalista um retorno</p><p>de aproximadamente 6% de juros ao ano. É o mínimo que se espera que a</p><p>atividade seja capaz de remunerar pela oportunidade de uso do capital.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 85</p><p>Como já visto, para calcular o custo de oportunidade do capital investido em</p><p>bens dentro do prazo de vida útil, devemos usar a seguinte fórmula:</p><p>Taxa de juros</p><p>(6% a.a.)Custo de oportunidade</p><p>Valor de novo Sucata (sempre igual a “0”)</p><p>VN - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>O cálculo do custo de oportunidade sobre o capital empatado se apoia no ideal</p><p>de capital médio (divisão do valor de novo por 2), enquanto o bem avaliado</p><p>ainda está dentro do prazo de vida útil.</p><p>A lógica para utilizarmos o capital médio é:</p><p>Porque os juros sobre esse</p><p>capital ficam estabilizados</p><p>(linearmente) ao longo de</p><p>toda a vida útil do bem, pois</p><p>durante parte do tempo a</p><p>avaliação será mais próxima</p><p>do valor de novo e, no</p><p>restante, se aproximará do</p><p>valor totalmente depreciado.</p><p>Para minimizar a</p><p>subjetividade no momento</p><p>do levantamento do valor</p><p>dos bens, já que para apurar</p><p>o valor de novo existem</p><p>parâmetros diferentes ao</p><p>estimar o valor atual de um</p><p>bem usado.</p><p>A avaliação dos itens do inventário deverá ser realizada individualmente, item</p><p>a item, e não uma avaliação genérica de todos os itens conjuntamente. O</p><p>cálculo é realizado uma única vez, enquanto o item ainda está dentro de seu</p><p>prazo de vida útil.</p><p>Entenda um exemplo prático!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 86</p><p>Na prática</p><p>Agora, veja como calcular o valor do custo de oportunidade</p><p>sobre o capital empatado.</p><p>• Trator com valor de novo igual a R$ 150.000,00.</p><p>• Vida útil dentro do prazo.</p><p>Nesse caso, o custo de oportunidade desse trator será de R$ 4.500,00 por ano.</p><p>VN - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 15.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 4.500,00/anoCO =</p><p>A metodologia de ATeG não considera o cálculo de juros sobre o capital</p><p>empatado em terras, somente sobre benfeitorias, máquinas, equipamentos,</p><p>ferramentas, pastagens, culturas não anuais e rebanho.</p><p>Informação extra</p><p>Também não é considerado o cálculo de juros sobre o</p><p>capital de giro, pois devem ser observadas, em cada caso,</p><p>a dimensão e a necessidade desse item. A metodologia</p><p>de ATeG atende, sob a mesma ótica, diversas cadeias</p><p>produtivas com características individuais diversas,</p><p>o que a torna pouco prática para a realização de uma</p><p>análise de capital de giro caso a caso.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 87</p><p>Custo de oportunidade de bens depreciados</p><p>Após o encerramento da vida útil dos bens, a forma de calcular o custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado é alterada. A justificativa é de que não</p><p>haverá mais tempo de uso desse bem para estabilizar o cálculo desses juros</p><p>no decorrer do período analisado.</p><p>Porém, o administrador (produtor rural) ainda detém o bem em sua posse,</p><p>portanto, tem oportunidade de capital implícito, mesmo que o item já não</p><p>valha mais o que valia no início de sua vida útil.</p><p>A metodologia de ATeG prevê particularidades no cálculo do custo</p><p>de oportunidade dos bens depreciados, conforme a categoria a que</p><p>pertencem: animais, benfeitorias e plantações, máquinas, veículos e</p><p>equipamentos.</p><p>Particularidades no cálculo do custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado em</p><p>máquinas, veículos e equipamentos já depreciados</p><p>Nesses casos, deverá ser considerado o valor atual de mercado do bem, a fim</p><p>de valorar quanto se poderia obter de capital ao comercializá-lo. Entretanto,</p><p>este já não será capital médio, e sim integral, de acordo com a fórmula a seguir:</p><p>Taxa de juros</p><p>(6% a.a.)Custo de oportunidade</p><p>Valor de mercado Sucata (sempre igual a “0”)</p><p>VM - SCO = X i</p><p>Uma vez que, ano a ano, todos os bens sofrem paulatinamente uma redução</p><p>no seu valor de mercado, será necessária a realização de uma atualização</p><p>do inventário de bens depreciados anualmente, a fim de que o inventário se</p><p>aproxime o máximo possível do custo real.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 88</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade rural possui em seu inventário um trator:</p><p>• quando novo valia: R$ 120.000,00,</p><p>• atualmente vale: R$ 30.000,00.</p><p>Considerando a taxa de juros médios de 6% a.a., observe o</p><p>cálculo do custo de oportunidade do capital investido.</p><p>Assim, observamos que o custo de oportunidade desse trator é de R$ 1.800,00 ao ano.</p><p>CO = R$ 30.000,00 - 0 X 6%a.aCO = VM - S X i</p><p>CO = R$ 1.800,00/ano</p><p>Custo de oportunidade sobre benfeitorias e</p><p>lavouras não anuais já depreciadas</p><p>No caso de benfeitorias e lavouras com a vida útil esgotada, o custo de</p><p>oportunidade do capital investido continua sendo calculado com base no</p><p>capital médio. Acompanhe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 89</p><p>Na prática</p><p>Observe como é feito o cálculo do custo de oportunidade do</p><p>capital do seguinte item:</p><p>• sala de ordenha com a vida útil já esgotada,</p><p>• (VN) valor de nova de R$ 50.000,00,</p><p>• juros médios de 6% a.a.</p><p>VM - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 50.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 1.500,00/anoCO =</p><p>Custo de oportunidade sobre rebanho e animais</p><p>de serviço</p><p>O rebanho, como visto, é um dos componentes para a mensuração da riqueza</p><p>do produtor rural, pois possui valor de mercado. Isso se mostra totalmente</p><p>verdadeiro quando o produtor decide paralisar sua atividade pecuária e se</p><p>desfazer do rebanho. Logo, ele converte seu inventário:</p><p>de semoventes</p><p>(animais, rebanhos)</p><p>em capital corrente</p><p>(dinheiro)</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 90</p><p>A forma de mensuração desse capital empatado em semoventes se dará</p><p>pela quantificação do estoque por categoria (inventário de rebanho),</p><p>multiplicado pelo valor médio de mercado local para cada uma das categorias.</p><p>O valor considerado deve ser uma média dos preços pagos na região,</p><p>para não correr o risco de mascarar os resultados, superdimensionando</p><p>esse capital considerando o valor máximo, ou subdimensionando</p><p>considerando o valor mínimo.</p><p>Uma vez estabelecido o critério de avaliação pelo valor médio, é utilizada a</p><p>mesma base da fórmula de custo de oportunidade sobre bens depreciados.</p><p>Observe!</p><p>CO = VM - S X i</p><p>Entenda mais um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade rural desenvolve a atividade de</p><p>bovinocultura de corte.</p><p>• O inventário total do rebanho está avaliado em</p><p>R$ 3.850.000,00.</p><p>• O valor do custo de oportunidade sobre capital</p><p>empatado será:</p><p>CO = (VM + S) × i</p><p>CO = (R$ 3.850.000,00 + 0) × 6%</p><p>CO = R$ 231.000,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 91</p><p>Conforme observado no exemplo, geralmente será encontrado um grande</p><p>impacto do custo de oportunidade nos rebanhos analisados. Por isso, é</p><p>fundamental ter muito critério no momento dessa análise, pois corre-se o</p><p>risco de distorcer o custo total de produção.</p><p>Pare para pensar</p><p>Em alguns casos, o capital empatado em animais pode</p><p>ser elevado, impactando os custos fixos na forma de</p><p>custo de oportunidade sobre o capital. O que precisa</p><p>ser investigado é se o rebanho está desestruturado e os</p><p>motivos dessa desestruturação.</p><p>Pode ser que a atividade esteja sendo ineficiente, com</p><p>muitos animais improdutivos no rebanho, ou os animais</p><p>podem estar sendo retidos com o propósito de aumentar</p><p>o rebanho e a produção.</p><p>O que acha? Já pensou nisso?</p><p>Escreva o que você acredita quanto a esse questionamento</p><p>e siga. Ao finalizar o tema, volte e veja se sua opinião</p><p>mudou!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 92</p><p>É fundamental entender as motivações do elevado estoque de capital empatado</p><p>em animais, para que se tenha condições de fazer uma boa leitura da situação</p><p>e, junto com o produtor, tomar as decisões mais coerentes. Também para o</p><p>caso de animais de serviço, utiliza-se o valor médio de mercado.</p><p>Uma propriedade de manejo do rebanho bovino</p><p>conta com:</p><p>• 10 equinos,</p><p>• 5 reprodutores.</p><p>Nenhum desses animais é utilizado para lazer ou como animal doméstico,</p><p>apenas para trabalho. Para o cálculo do custo de oportunidade (juros) sobre o</p><p>capital empatado em animais de serviço, estando dentro ou fora da vida útil,</p><p>utiliza-se a seguinte fórmula:</p><p>CO = VM - S X i</p><p>Observe na tabela a forma prática desse cálculo!</p><p>Descrição Qtd. Valor unitário</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Juros anuais</p><p>(R$)</p><p>Equinos 1 1 R$ 600,00 7 9 R$ 36,00</p><p>Equinos 2 4 R$ 1.350,00 7 5 R$ 324,00</p><p>Reprodutores 5 R$ 4.500,00 6 3 R$ 1.350,00</p><p>TOTAL R$ 1.710,00</p><p>Juros de financiamento versus custos de produção</p><p>É importante que o Técnico de Campo e o produtor tenham plena consciência</p><p>de que a atividade em si não necessita de financiamento, apenas de recursos,</p><p>para que possa ser executada, não importando a fonte ou as taxas envolvidas.</p><p>Entenda este exemplo a seguir!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 93</p><p>Na prática</p><p>Uma produtora de suínos adquiriu um trator financiado</p><p>com os seguintes parâmetros:</p><p>• valor de novo igual a R$ 120.000,00,</p><p>• vida útil de 15 anos,</p><p>• taxa de juros anuais contratada definida pela</p><p>instituição financeira em 6% ao ano,</p><p>• tempo de carência de 3 anos,</p><p>• 7 parcelas anuais até a quitação do bem, totalizando</p><p>10 anos.</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d = d = R$ 8.000/ano</p><p>R$ 120.000 - 0</p><p>15</p><p>d =</p><p>Observe a maneira de contabilizar a entrada desse bem no sistema produtivo, no custo de</p><p>produção da atividade.</p><p>A aquisição dessa máquina resultará em três alterações financeiras na propriedade:</p><p>• custo de oportunidade sobre capital empatado,</p><p>• depreciação do bem,</p><p>• fluxo de caixa.</p><p>As duas primeiras dizem respeito ao custo de produção; a última, apenas ao próprio fluxo</p><p>de caixa.</p><p>Cálculo da depreciação:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 94</p><p>Cálculo do custo de oportunidade:</p><p>Em relação ao fluxo de caixa, temos:</p><p>• valor de novo = R$ 120.000,00,</p><p>• valor total dos juros contratados = R$ 96.000,00 (R$120.000,00 × 6% a.a. × 10 anos)</p><p>• custo total do bem para a produtora = R$ 216.000,00,</p><p>• valor da parcela anual = R$ 30.857,14 (7 parcelas após 3 anos de carência).</p><p>Esse será o valor (R$ 30.257,14) que vai compor o fluxo de caixa – é um pagamento, uma</p><p>saída de capital da empresa. Não há nenhuma relação com o custo de produção.</p><p>VM - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 120.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 3.600,00/anoCO =</p><p>De acordo com a análise do exemplo, essa máquina vai compor o custo</p><p>de produção da atividade suinocultura com a depreciação e o custo de</p><p>oportunidade do capital empatado.</p><p>Observe que o valor do equipamento foi aportado no inventário de recursos da</p><p>propriedade, totalmente no início do primeiro ciclo, não tendo ligação alguma</p><p>com seu parcelamento e prazo de carência. O que foi contabilizado é seu</p><p>custo (depreciação e custo de oportunidade) durante sua vida útil produtiva.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 95</p><p>Custo fixo médio</p><p>O custo fixo médio nos remete ao custo fixo por unidade produzida em</p><p>determinado período analisado, e é calculado desta forma:</p><p>Custo fixo médio</p><p>Custo fixo total</p><p>Produção total no período</p><p>analisado (ano, mês etc.)</p><p>CF Total</p><p>Produção</p><p>CFM =</p><p>É importante que o Técnico de Campo realize o cálculo do custo fixo médio</p><p>por unidade, para que possa fazer a análise da eficiência dessa empresa em</p><p>ofertar seus produtos ao mercado. O aumento do custo fixo unitário pode ser</p><p>um indicativo de ineficiência da atividade.</p><p>Porém, isso não é regra, pois é possível que a aquisição dos bens, que geram</p><p>aumento no custo fixo, causem redução no COE. Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Um proprietário comprou um equipamento novo e a sua produção</p><p>se manteve no mesmo patamar. Ou seja, ocorreu um aumento no</p><p>custo fixo unitário, mas a máquina adquirida permitiu dispensar um</p><p>funcionário, portanto a redução do COE foi maior do que o aumento</p><p>do custo fixo gerado pela aquisição.</p><p>Quanto ao uso dos recursos, o Técnico de Campo deve ter cuidado</p><p>ao realizar observações, levando em conta o momento que a</p><p>propriedade está atravessando.</p><p>Uma fazenda de produção leiteira realizou, de uma só vez, todo o</p><p>investimento necessário em infraestrutura de pastagens, irrigação,</p><p>currais de ordenha, ordenhadeiras, casa de funcionários etc., mas</p><p>ainda está em fase de formação de rebanho.</p><p>Logo, sua análise de custo fixo unitário será altamente prejudicada,</p><p>uma vez que o cenário aponta alto custo fixo, com pouca produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 96</p><p>Assim como no exemplo, temos ainda o comportamento do Custo Fixo</p><p>Médio (CFM), que, frente a diferentes volumes anuais de produção de leite</p><p>(aumentados em uma escala de 200 L/dia em cada simulação), mantém</p><p>inalterada a estrutura de Custo Fixo Total (CFT).</p><p>Veja na tabela!</p><p>Simulação Volume (L) CFT (R$) CFM (R$)</p><p>1 73.000</p><p>R$ 190.000,00</p><p>R$ 2,60</p><p>2 146.000 R$ 1,30</p><p>3 219.000 R$ 0,87</p><p>4 292.000 R$ 0,65</p><p>A partir dos dados apresentados, teremos diferentes impactos dos custos</p><p>fixos totais sobre a unidade produzida, de acordo com a escala de produção</p><p>estabelecida.</p><p>Observe o gráfico!</p><p>Observe também o</p><p>comportamento do custo fixo</p><p>médio, que tem tendência de</p><p>redução por unidade produzida</p><p>quando a produção aumenta.</p><p>Essa redução pode chegar a</p><p>valores irrisórios, porém</p><p>jamais será igual a zero.</p><p>É possível observar que o</p><p>custo fixo total se mantém</p><p>estável ao longo de todo o</p><p>período analisado.</p><p>Isso ocorre</p><p>independentemente do</p><p>volume de produção, desde</p><p>que se mantenham estáveis as</p><p>variáveis que o compõem</p><p>(mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de</p><p>oportunidade).</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 97</p><p>Observe também o</p><p>comportamento do custo fixo</p><p>médio, que tem tendência de</p><p>redução por unidade produzida</p><p>quando a produção aumenta.</p><p>Essa redução pode chegar a</p><p>valores irrisórios, porém</p><p>jamais será igual a zero.</p><p>É possível observar que o</p><p>custo fixo total se mantém</p><p>estável ao longo de todo o</p><p>período analisado.</p><p>Isso ocorre</p><p>independentemente do</p><p>volume de produção, desde</p><p>que se mantenham estáveis as</p><p>variáveis que o compõem</p><p>(mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de</p><p>oportunidade).</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Valor da Terra</p><p>A metodologia de cálculo do custo de produção utilizada não considera o valor</p><p>da terra como componente do custo de produção. São avaliadas todas as</p><p>benfeitorias úteis que estão sobre ela (incluindo poço artesiano, se houver).</p><p>Pare para pensar</p><p>Em duas propriedades com a mesma atividade, porém</p><p>em regiões onde há grande variação no valor da terra,</p><p>não existe a oportunidade de comparação. Isso acontece</p><p>porque a atribuição de menores custos da atividade vai</p><p>para quem tem a terra com valor menor, e os maiores</p><p>custos da atividade vão para quem tem a terra com valor</p><p>maior.</p><p>Os bens são inventariados à parte, quando o estoque de capital médio é</p><p>apurado. Para obtermos o valor da terra nua, deve ser desconsiderado</p><p>todo o inventário realizado, contabilizando somente o tamanho da área</p><p>multiplicado pelo valor de mercado do hectare naquela região.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 98</p><p>Utilizamos a seguinte fórmula:</p><p>Área Valor do</p><p>hectare</p><p>Valor da</p><p>terra nua</p><p>Na metodologia de ATeG, não é contabilizada a remuneração do capital</p><p>empatado, nem a depreciação sobre o valor da terra nua. O capital empatado</p><p>em terras será levado em consideração apenas quando for calculada a taxa</p><p>de remuneração do capital com terra, conforme você verá mais adiante no</p><p>tema sobre indicadores.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Compreendeu</p><p>como é formado o</p><p>custo fixo em uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Analisou a forma</p><p>que esse indicador</p><p>é aplicado em casos</p><p>práticos.</p><p>Entendeu como realizar os</p><p>cálculos necessários para</p><p>chegar aos resultados</p><p>esperados.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 99</p><p>Tópico 2: Custo total</p><p>Será que determinar o custo total é somar todos os demais</p><p>custos, simples assim?</p><p>A partir de agora, você verá como determinar o custo total de</p><p>uma produção agropecuária, compreendendo as peculiaridades</p><p>de cada cadeia produtiva.</p><p>O custo total engloba todos os custos, tanto variáveis quanto fixos, pois é a</p><p>soma do custo operacional total (COT) com o custo de oportunidade (CO) do</p><p>capital empatado em benfeitorias, máquinas, forrageiras não anuais e animais</p><p>de rebanho.</p><p>Sua fórmula é a seguinte:</p><p>CT = COT + COCusto total</p><p>Custo operacional total Custo de oportunidade</p><p>Produção</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 100</p><p>Além da depreciação e da mão de obra familiar, devemos contabilizar o custo</p><p>de oportunidade do capital investido na atividade, que corresponde à</p><p>remuneração pelo uso do capital no processo produtivo analisado.</p><p>É como se todo o dinheiro aplicado na atividade estivesse</p><p>alocado em outro tipo de investimento e a nossa base</p><p>de comparação é a taxa de remuneração da poupança,</p><p>que paga juros reais de 6% ao ano, em média.</p><p>O custo de oportunidade do capital investido corresponde, em média,</p><p>a 6% ao ano sobre o somatório dos valores investidos na atividade</p><p>rural avaliada.</p><p>Nesse ponto, é importante dividir o produtor em duas figuras distintas: o</p><p>empreendedor e o capitalista.</p><p>O empreendedor é quem realiza o</p><p>processo produtivo. Ele precisa de</p><p>recursos financeiros para executar</p><p>a atividade de sua opção. Porém, o</p><p>empreendedor é tão somente um</p><p>executor que não detém recursos</p><p>financeiros e deve recorrer ao</p><p>capitalista para tomar emprestado os</p><p>recursos necessários.</p><p>Capitalista é o dono do capital.</p><p>Ocorre que, na maioria das vezes, o</p><p>empreendedor e o capitalista são a</p><p>mesma pessoa, ou seja, o produtor</p><p>rural tem recursos próprios, que</p><p>serão empregados na execução da</p><p>produção. Em caso de tomada de</p><p>crédito de custeio e/ou investimentos</p><p>– aquisição de dívidas – o dono do</p><p>capital (capitalista) deverá arcar com as</p><p>parcelas e os juros do financiamento.</p><p>A atividade, representada pelo</p><p>empreendedor, remunera o capitalista</p><p>(dono do capital) pela oportunidade de</p><p>uso do capital, o que na metodologia</p><p>de ATeG chamamos de custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado.</p><p>Empreendedor Capitalista</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 101</p><p>Quando o produtor é, ao mesmo tempo, empreendedor e capitalista, não é</p><p>nada mais natural que o capital aplicado/emprestado seja remunerado.</p><p>Na configuração apresentada, isso não vai gerar desembolsos diretos, pois a</p><p>remuneração será paga a ele mesmo. Além disso, não vai compor o fluxo de</p><p>caixa, apenas o custo de produção.</p><p>Entenda o exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>Um produtor de aves financiou um valor junto a uma</p><p>instituição de crédito para compra de rações.</p><p>• Valor financiado: R$ 50.000,00.</p><p>• Taxa cobrada para esse capital de giro: 25% a.a.</p><p>• Prazo de pagamento: seis meses.</p><p>Veja como encontrar o valor atribuído ao COE dessa atividade e o valor de juros pago.</p><p>O valor a ser atribuído ao COE será apenas a quantia de R$ 50.000,00. Isso se dá pelo fato</p><p>de que a atividade necessitava da ração (comprada por esse valor no mercado), e não do</p><p>capital, muito menos dos juros.</p><p>Como a metodologia de ATeG não considera juros sobre capital de giro, não incidirão juros</p><p>no custo de produção.</p><p>O produtor contratou o crédito com a taxa de 25% a.a., ou seja, pagará o equivalente a</p><p>12,5% no período correspondente ao prazo de pagamento (6 meses).</p><p>Calculando o valor total a ser pago pelo produtor, temos:</p><p>Apenas a título de juros à instituição credora, o produtor tomador pagará a quantia de R$</p><p>6.250,00. Essa quantia não vai compor o custo de produção, somente o fluxo de caixa,</p><p>uma vez que vai de fato “sair do caixa”. Esse custo, apesar de efetivo, é debitado ao</p><p>empreendedor, e não à atividade.</p><p>R$ 50.000 x 12,5</p><p>100</p><p>Valor a ser pago = Valor a ser pago = R$ 6.250,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 102</p><p>Custo total médio</p><p>O custo total médio é o resultado da divisão do custo total da atividade pelo</p><p>volume produzido, calculado assim:</p><p>Custo total</p><p>Produção</p><p>Custo total médio =</p><p>É fundamental conhecer e analisar o custo total por unidade produzida. Ele nos</p><p>dará condições de analisar a eficiência da empresa, se seus custos e receitas</p><p>estão equilibrados e se a escala de produção está adequada em relação à</p><p>estrutura envolvida.</p><p>O gráfico a seguir nos ajuda a compreender a tendência de comportamento</p><p>do custo total médio em função da escala de produção. Observe!</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 103</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>Quando a escala de produção</p><p>é pequena, o custo total</p><p>médio tende a ser alto, pois</p><p>as unidades produzidas são</p><p>poucas para poderem diluir o</p><p>custo fixo.</p><p>A diluição vai acontecendo com o aumento</p><p>da escala de produção.</p><p>Para fazer com que a produção</p><p>aumente, geralmente os custos</p><p>variáveis aumentam, com o</p><p>pagamento de insumos, mão de</p><p>obra, serviços de máquinas etc.,</p><p>fazendo com que o custo total</p><p>médio volte a subir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 104</p><p>O custo total médio pode ser utilizado para diversas unidades comerciais, como:</p><p>• dúzia de ovos,</p><p>• animal abatido,</p><p>• arroba de boi,</p><p>• litro de leite,</p><p>• quilo de carne,</p><p>• sacas de milho (ou de café, feijão, arroz, trigo, soja etc.),</p><p>• caixa de tomate (ou de laranja, uva, maçã etc.).</p><p>Custo total por área</p><p>O custo total por área é resultado da divisão do custo total da atividade pela</p><p>área utilizada. O cálculo é realizado da seguinte forma:</p><p>Custo total</p><p>Área da</p><p>atividade/ha</p><p>Custo total por área =</p><p>A análise do custo total por área oferece elementos para compreender a</p><p>eficiência do uso dos recursos, especialmente da terra, permitindo ainda fazer</p><p>comparações entre áreas da propriedade e outras propriedades.</p><p>Muitos são os empresários</p><p>rurais que se preocupam com os preços dos</p><p>produtos e poucos são os que dedicam tempo e energia para conhecer</p><p>e controlar os custos de produção. São os custos que estão sob nosso</p><p>controle, não os preços.</p><p>Todos os fatores formadores de custos de uma atividade precisam ser</p><p>conhecidos e, a partir daí, administrados. Só dessa forma seremos bem-</p><p>sucedidos em nossas atividades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 105</p><p>O que acha de ver mais conteúdos sobre custo total?</p><p>Então, acesse o Ambiente de Estudos e assista ao</p><p>vídeo do Senar em Campo.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Compreendeu</p><p>o conceito de</p><p>custo total.</p><p>Entendeu as</p><p>complexidades existentes</p><p>em cada cadeia produtiva</p><p>para a determinação do</p><p>custo total.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 106</p><p>Tópico 3: Margem bruta</p><p>Afinal, o que é margem bruta na prática?</p><p>A partir de agora, você verá o conceito de margem bruta e como</p><p>defini-la considerando as variáveis de uma atividade rural.</p><p>Margem bruta é um indicador que é frequentemente utilizado de forma</p><p>empírica pelos produtores. Muitas vezes é interpretado erroneamente como</p><p>lucro (cujo conceito ainda será estudado neste módulo).</p><p>RB COEMB</p><p>Em um reflexo natural, depois que o produtor vende a produção e paga as</p><p>despesas, ele analisa quanto sobrou e chama isso de lucro, o que não passa da</p><p>margem bruta. Ele esquece que foram pagos apenas os custos operacionais</p><p>efetivos, sem considerar a mão de obra familiar, a depreciação e o custo de</p><p>oportunidade do capital.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 107</p><p>A margem bruta permite ao gestor analisar aspectos fundamentais da produção</p><p>e do negócio. A partir da sua apuração é possível:</p><p>• identificar se a margem bruta é suficiente para cobrir os custos fixos,</p><p>• analisar se essa unidade produtiva é capaz de suportar oscilações de mercado,</p><p>tanto nos preços dos insumos quanto no preço de venda dos produtos.</p><p>Conheça os passos para calcular a margem bruta!</p><p>Assuntos do campo</p><p>Agora, você entenderá como se calcula a margem</p><p>bruta, o indicador essencial para que uma</p><p>propriedade continue produzindo.</p><p>Afinal, para que isso aconteça, ela precisa de fluxo</p><p>de caixa positivo, o que só é possível se tiver a</p><p>margem bruta positiva.</p><p>A margem bruta permite analisar a capacidade</p><p>operacional da empresa a curto prazo.</p><p>Para calcular esse indicador de forma correta, o</p><p>gestor precisa realizar três passos. Anote, porque</p><p>é importante!</p><p>O primeiro passo é considerar a receita obtida pela</p><p>venda dos produtos e subprodutos da atividade.</p><p>A riqueza que foi produzida no período analisado, mas</p><p>que ainda não foi vendida, também entra como renda.</p><p>Essa situação acontece nas atividades de criação</p><p>animal, caso tenha ocorrido uma variação no</p><p>inventário, em que o produtor aumentou seu</p><p>patrimônio.</p><p>Outra consideração é o consumo de produtos gerados</p><p>pela atividade e que não são comercializados,</p><p>como carne e feijão para o consumo das pessoas,</p><p>leite para o aleitamento de bezerros, esterco ou</p><p>composto para adubar as lavouras e pastagens.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 108</p><p>O segundo passo é retirar os pagamentos ou</p><p>recebimentos referentes a empréstimos, pois eles</p><p>não são componentes da renda, mas apenas do</p><p>fluxo de caixa.</p><p>Se o dinheiro for utilizado como capital de giro, os</p><p>insumos adquiridos entram no custo operacional</p><p>efetivo do produto.</p><p>Já o terceiro passo é retirar os itens de investimento,</p><p>ou seja, verificar se atendem a mais de um ciclo</p><p>produtivo, não fazendo parte do custo operacional</p><p>efetivo.</p><p>É importante fazer esse filtro antes da análise, pois</p><p>é muito comum considerar um item que foi pago</p><p>à vista como despesa, mesmo que ele possa ser</p><p>utilizado por mais de um ciclo produtivo.</p><p>Os itens que devem ser destacados podem ser, por</p><p>exemplo, latões de leite, roçadeira costal e aparelho</p><p>de cerca elétrica, entre outros.</p><p>É isso! Seguindo esses três passos, fica mais fácil</p><p>calcular a margem bruta.</p><p>Fazer com que o empreendimento tenha margem bruta positiva e sustentável</p><p>é a primeira tarefa do gestor, pois qualquer empreendimento com margem</p><p>bruta negativa, se não tiver sua estrutura de custos revisada, estará à beira</p><p>do fechamento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 109</p><p>Análise da margem bruta</p><p>Veja os tipos de margem bruta:</p><p>Numa empresa em situação de margem bruta negativa, a renda obtida com a</p><p>venda da produção não cobre os custos operacionais efetivos (desembolsos),</p><p>o que gera dificuldades operacionais que comprometem o fluxo de caixa,</p><p>chegando a inviabilizar completamente a atividade. É preciso muita cautela</p><p>ao interpretar indicadores, pois eles nos dão informações sobre o momento</p><p>da análise, não significando que a situação apresentada seja definitiva. É</p><p>necessário um constante acompanhamento de sua evolução.</p><p>MB < 0 | Margem bruta negativa</p><p>Na empresa que apresenta resultados de margem bruta iguais a zero, a</p><p>renda obtida com a venda da produção é suficiente apenas para cobrir os</p><p>custos operacionais efetivos. Ela não consegue pagar mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de oportunidade do capital empatado. Caso a situação</p><p>não seja revertida, a tendência é a de que seus bens venham a se exaurir, já</p><p>que a empresa não terá condições de mantê-los, tampouco de substitui-los.</p><p>MB = 0 | Margem bruta igual a zero</p><p>Quando a margem bruta for maior do que zero, significa que a propriedade</p><p>é viável no curto prazo, podendo pagar todos os custos operacionais efetivos</p><p>e sobrando recursos para pagar toda ou parte da mão de obra familiar, da</p><p>depreciação e do custo de oportunidade do capital.</p><p>A empresa que apresenta uma situação de margem bruta positiva, porém</p><p>com margem líquida negativa, requer um acompanhamento da evolução de</p><p>seus indicadores, a fim de que sejam identificados os principais gargalos e</p><p>realizados os ajustes necessários.</p><p>MB > 0 | Margem bruta positiva</p><p>MB < 0</p><p>MB = 0</p><p>MB > 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 110</p><p>Acompanhe um exemplo prático!</p><p>Na prática</p><p>Ao analisar os dados da Fazenda Jussara, o seguinte quadro se apresentou. Observe!</p><p>Fazenda Jussara</p><p>A Fazenda Jussara é uma propriedade de médio porte</p><p>destinada à produção de bovinocultura de corte. O seu</p><p>proprietário está analisando qual é a viabilidade da</p><p>sua fazenda a curto prazo e quer saber se o negócio é</p><p>sustentável pelo cálculo da margem bruta. Para isso,</p><p>conta com a ajuda de um Técnico de Campo.</p><p>Renda bruta da produção de bovinos de corte</p><p>Mês Quantidade em arrobas Valor unitário (R$) Valor total (R$)</p><p>Janeiro</p><p>Fevereiro</p><p>Março 686 143,00 98.098,00</p><p>Abril</p><p>Maio 114 146,00 16.644,00</p><p>Junho</p><p>Julho</p><p>Agosto 1.015 152,00 154.280,00</p><p>Setembro</p><p>Outubro 622 149,00 92.678,00</p><p>Novembro</p><p>Dezembro 563 150,00 84.450,00</p><p>Renda bruta total 3.000 446.150,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 111</p><p>Analisando os dados fornecidos nas planilhas, temos:</p><p>• RB = R$ 446.150,00</p><p>• COE = R$ 338.930,00</p><p>MB = RB - COE</p><p>MB = R$ 446.150,00 - R$ 338.930,00</p><p>MB = R$ 107.220,00</p><p>Assim, chegamos à conclusão de que na propriedade a atividade proporcionou margem</p><p>bruta positiva no valor de R$ 107.220,00/ano.</p><p>Dessa forma, o proprietário pode ficar tranquilo, já que a atividade é viável a curto prazo,</p><p>pois cobre os custos operacionais. Mas o Técnico de Campo já avisou que não se pode</p><p>estender essas informações para um longo prazo, já que não existem dados sobre os custos</p><p>fixos, que podem ser maiores do que a margem bruta.</p><p>Planilha do custo operacional efetivo (COE) da produção de bovinos de corte</p><p>Item Valor (R$)</p><p>Mão de obra para manejo do rebanho 43.200,00</p><p>Manutenção de pastagens 120.000,00</p><p>Silagem 45.000,00</p><p>Concentrado 53.000,00</p><p>Minerais 35.200,00</p><p>Medicamentos 6.500,00</p><p>Energia e combustível 10.300,00</p><p>Inseminação artificial 3.000,00</p><p>Impostos, taxas e serviços 6.200,00</p><p>Reparos de benfeitorias 3.450,00</p><p>Reparos de máquinas 3.500,00</p><p>Outros gastos de custeio 9.580,00</p><p>COE TOTAL 338.930,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 112</p><p>Apenas conhecendo a margem bruta da</p><p>atividade não é possível concluir a</p><p>viabilidade da atividade a médio e longo prazos.</p><p>Margem bruta/área</p><p>Considerando a manutenção das estruturas de custos fixos, esse indicador</p><p>pode ser utilizado para comparar diversas atividades agropecuárias e decidir</p><p>qual explorar. Vamos voltar ao exemplo da Fazenda Jussara.</p><p>Na prática</p><p>O proprietário viu que ocupa uma área de 300 hectares da propriedade para a produção</p><p>de bovino de corte. Mais uma vez, com a ajuda do Técnico de Campo, realizou o</p><p>seguinte cálculo:</p><p>• atividade: bovinocultura de corte,</p><p>• margem bruta: R$ 107.220,00,</p><p>• MB/ha = R$ 107.220,00 ÷ 300 ha = R$ 357,40/ha</p><p>Assim, eles identificaram que, com a mecanização já disponível e com as características</p><p>de clima e topografia local, o proprietário poderia explorar milho na mesma área.</p><p>Para definir se manteria o gado de corte ou só exploraria milho, ele calculou a margem</p><p>bruta/hectare projetada para o milho naquele ano agrícola. Observe os dados!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 113</p><p>Ao analisar os dados da Fazenda Jussara, o seguinte quadro se apresentou. Observe!</p><p>• Atividade principal: agricultura</p><p>• COE: R$ 3.500,00/ha</p><p>Renda bruta:</p><p>• Produção = 120 sacas/ha</p><p>• Produção = 120 × 300 = 36.000 sacas</p><p>• Preço = R$ 33,00/saca</p><p>Renda bruta = 36.000 sacas × R$ 33,00 = R$ 1.188.000,00</p><p>COEAT = R$ 3.500 × 300 ha = R$ 1.050.000</p><p>MB = R$ 1.188.000,00 - R$ 1.050.000 = R$ 138.000,00</p><p>MB/ha = R$ 138.000,00 ÷ 300 ha = R$ 460,00/ha</p><p>Por fim, eles compararam os resultados:</p><p>• MB/ha da bovinocultura de corte: R$ 357,40/ha</p><p>• MB/ha da cultura de milho: R$ 460,00/ha</p><p>Diante desse cenário, o empresário pode tomar a decisão de explorar a atividade de</p><p>produção de milho.</p><p>Planilha de custo operacional efetivo (COE) da produção de milho, por hectare</p><p>Item Valor (R$)</p><p>Semente de milho 461,00</p><p>Corretivo de solo 93,00</p><p>Macronutrientes 899,00</p><p>Micronutrientes 217,00</p><p>Fungicida 85,00</p><p>Inseticida 223,00</p><p>Adjuvante 31,00</p><p>Herbicida 263,00</p><p>Operações mecanizadas 165,00</p><p>Reparos de benfeitorias 124,00</p><p>Reparos de máquinas 161,00</p><p>Operações e aéreas 92,00</p><p>Transporte da produção 240,00</p><p>Beneficiamento 191,00</p><p>Assistência técnica 15,00</p><p>Armazenagem 70,00</p><p>Impostos e taxas 42,00</p><p>Despesas administração 128,00</p><p>COE TOTAL 3.500,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 114</p><p>Margem bruta por unidade produzida</p><p>A margem bruta por unidade produzida, ou margem bruta unitária, é obtida</p><p>com a divisão da MB pela quantidade de unidades produzidas. Logo, nesse</p><p>indicador devemos utilizar as unidades comerciais.</p><p>Exemplos de unidades comerciais:</p><p>• dúzia de ovos,</p><p>• animal abatido,</p><p>• arroba de boi,</p><p>• litro de leite,</p><p>• quilo da carne,</p><p>• sacas de milho (ou de café, feijão, arroz, trigo, soja etc.),</p><p>• caixa de tomate (ou de laranja, uva, maçã etc.).</p><p>Entenda este exemplo!</p><p>Na prática</p><p>No exemplo da Fazenda Jussara, a margem bruta unitária seria:</p><p>MB total</p><p>Produção</p><p>MB Unitária =</p><p>R$ 107.220,00</p><p>3.000 arrobas</p><p>MB Unitária =</p><p>MB Unitária = R$ 35,74/arroba</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 115</p><p>A margem bruta unitária é utilizada para identificar:</p><p>Quanto do preço do</p><p>produto sobra ao</p><p>produtor para pagar</p><p>seus custos fixos e</p><p>dimensionar seu lucro.</p><p>Rendimentos</p><p>Capacidade daquele</p><p>negócio para suportar</p><p>oscilações de preços</p><p>no mercado.</p><p>Sustentabilidade</p><p>Uso da margem bruta como ferramenta para</p><p>dimensionar o sistema produtivo</p><p>Esse indicador pode ser utilizado para projetar quantas unidades devem ser</p><p>produzidas para alcançar determinada meta financeira. Entenda melhor,</p><p>acompanhando a Fazenda Jussara!</p><p>Na prática</p><p>Na Fazenda Jussara, a margem bruta anual foi de R$ 107.220,00 e</p><p>foram abatidos 200 animais no período.</p><p>Agora, vamos verificar a margem bruta da atividade.</p><p>• MB/cab = R$ 107.220,00 ÷ 200 cabeças,</p><p>• MB/cab = R$ 536,10 por animal abatido.</p><p>Vamos supor que o produtor solicite uma estimativa de quantos</p><p>animais precisa determinar para o abate anualmente para cobrir</p><p>os custos fixos, que somam um montante de R$ 45.000,00. Além</p><p>disso, ele deseja fazer uma retirada de R$ 85.000,00.</p><p>• Meta para a margem bruta = Custos fixos de R$ 45.000,00 +</p><p>Retirada de R$ 85.000,00</p><p>• Meta para a margem bruta anual = R$ 130.000,00</p><p>Isso significa que o produtor precisa elevar sua margem bruta anual de R$ 107.220,00 para R$</p><p>130.000,00, para cobrir um custo fixo de R$ 45.000,00 e fazer uma retirada anual de R$ 85.000,00.</p><p>Para isso, deverá vender pelo menos 243 animais/ano.</p><p>Nesse caso, ele chegou ao resultado de quantos animais deve vender. A dimensão do rebanho, no</p><p>entanto, dependerá de quanto ele intensificar o sistema.</p><p>R$ 130.000,00</p><p>R$ 536,10</p><p>Número de animais</p><p>a serem abatidos</p><p>243 bois= =</p><p>O número de animais a serem vendidos é igual à meta financeira ÷ MB por animal.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 116</p><p>Nas outras cadeias, o mesmo raciocínio pode ser utilizado para:</p><p>• número de matrizes,</p><p>• número de vacas em lactação,</p><p>• número de vacas no rebanho,</p><p>• número de poedeiras,</p><p>• número de peixes.</p><p>Margem bruta em equivalentes às unidades</p><p>produzidas</p><p>É a conversão do valor financeiro da margem bruta em unidades produzidas.</p><p>Isso é obtido pela margem bruta dividida pelo preço médio de venda.</p><p>Entenda no exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>Na Fazenda Jussara, cuja atividade é a bovinocultura de corte, o cálculo fica da seguinte forma:</p><p>Margem bruta</p><p>Preço médio</p><p>MB em</p><p>equivalente</p><p>unidades</p><p>produzidas</p><p>R$ 107.220,00</p><p>R$ 148,72</p><p>MB eq ==</p><p>MB eq = 720,96 arrobas</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 117</p><p>A margem bruta em equivalentes às unidades produzidas permite ao gestor:</p><p>Comparar sua</p><p>eficiência com</p><p>outras regiões onde</p><p>o preço de mercado</p><p>é diferente,</p><p>pois a unidade</p><p>comercializada</p><p>é a mesma nas</p><p>regiões.</p><p>Conhecer sua</p><p>margem bruta</p><p>convertida na</p><p>unidade de</p><p>comercialização</p><p>Analisar os</p><p>resultados obtidos</p><p>em safras ou</p><p>ciclos produtivos</p><p>diferentes.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Reconheceu a renda</p><p>bruta como um</p><p>indicador de extrema</p><p>relevância para a</p><p>propriedade rural.</p><p>Entendeu como</p><p>realizar a análise</p><p>da margem bruta,</p><p>incluindo as suas</p><p>variáveis.</p><p>Compreendeu como usar</p><p>a margem bruta para</p><p>dimensionar o sistema</p><p>produtivo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 118</p><p>Tópico 4: Margem líquida</p><p>Você sabe a importância de analisar o resultado do cálculo</p><p>da margem líquida?</p><p>A partir de agora, você verá como calcular a margem líquida,</p><p>interpretar os resultados e tomar decisões com base nela.</p><p>A margem líquida (ML) é o resultado da soma do custo operacional efetivo</p><p>mais a depreciação e a mão de obra familiar menos a renda bruta da</p><p>atividade (RB). Ou seja, é a renda bruta menos o custo operacional</p><p>total. Observe a fórmula!</p><p>RB COE d MOFML</p><p>RB COTML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 119</p><p>A análise da margem líquida permite ao administrador identificar se a atividade</p><p>está sendo viável em curto e médio prazos.</p><p>• Se positiva, sinaliza ao empresário que a estrutura empregada na atividade</p><p>está compatível com a escala de produção.</p><p>• Se negativa, indica desequilíbrio na estrutura de custos e, muitas vezes, elevado</p><p>estoque de capital empatado na atividade, sem uma escala de produção que</p><p>a justifique.</p><p>Análise da margem líquida</p><p>Ao analisar a margem líquida e identificar que ela é menor que zero, ou seja,</p><p>negativa, deve-se investigar em qual das duas situações ela se enquadra:</p><p>ML negativa com MB negativa ou ML negativa com MB positiva. Entenda as</p><p>diferenças!</p><p>Essa atividade não é sustentável nem mesmo no curto prazo, portanto requer</p><p>uma revisão minuciosa na estrutura de custos e no sistema de produção.</p><p>Vale destacar que alguns itens do COE, em situações de baixa escala de</p><p>produção, podem comprometer grande parte da renda, mas podem ser diluídos</p><p>com a escala de produção como energia elétrica, mão de obra contratada e</p><p>medicamentos.</p><p>ML < 0 com margem bruta negativa</p><p>ML > 0</p><p>MB > 0</p><p>ML > 0ML = 0</p><p>ML < 0</p><p>MB < 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 120</p><p>Significa que a atividade está cobrindo os custos operacionais</p><p>efetivos, mas</p><p>não consegue cobrir todas as depreciações e o custo da mão de obra do</p><p>produtor, além de não pagar o custo de oportunidade sobre o capital investido.</p><p>Analisando economicamente, podemos dizer que a atividade é viável apenas</p><p>no curto prazo.</p><p>Caso a situação de margem líquida negativa persistir, ocorrerá o</p><p>empobrecimento da empresa, inviabilizando a atividade, que não conseguirá</p><p>recursos suficientes para renovar seus bens duráveis.</p><p>ML < 0 com margem bruta positiva</p><p>Uma atividade na situação de margem líquida igual a zero é considerada</p><p>viável no médio prazo, porém ela fica muito sensível às oscilações de mercado</p><p>e de tecnologia. Pode-se dizer também que o negócio não é atrativo, pois não</p><p>paga o custo de oportunidade do capital empatado, nem mesmo com uma</p><p>taxa de 6% ao ano, conhecida como taxa de atratividade mínima.</p><p>ML = 0</p><p>Quando a margem líquida é maior que zero, significa que essa atividade é</p><p>viável em médio prazo, pois é capaz de cobrir o custo operacional efetivo, as</p><p>depreciações, o custo da mão de obra familiar e ainda sobram recursos para</p><p>pagar pelo menos parte do custo de oportunidade sobre o capital empatado.</p><p>Porém, não podemos definir se esse negócio é atrativo, antes de avançarmos</p><p>para as análises econômicas vinculadas ao lucro.</p><p>ML > 0</p><p>ML > 0</p><p>MB > 0</p><p>ML > 0ML = 0</p><p>ML < 0</p><p>MB < 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 121</p><p>No meio rural, a margem líquida, apesar de importante, é pouco analisada</p><p>pelos produtores e gestores de fazendas, que não demonstram a devida</p><p>preocupação com as estruturas geradoras de custos fixos que, quando</p><p>superdimensionadas e com baixa escala de produção, acabam por inviabilizar</p><p>as propriedades.</p><p>De maneira geral, é possível afirmar que o crédito facilitado é</p><p>algo positivo, capaz de proporcionar incremento de produção e</p><p>desenvolvimento das unidades produtivas. Porém, infelizmente, muitos</p><p>produtores têm inviabilizado suas propriedades ao tomarem crédito</p><p>e investirem em estrutura, sem analisarem o impacto dessa ação, e</p><p>depois enfrentam dificuldades para arcarem com seus compromissos</p><p>diante das instituições financeiras.</p><p>É muito comum encontrarmos no mercado produtores insatisfeitos com os</p><p>preços dos produtos, porém no período de alta nos preços também é muito</p><p>frequente identificarmos superinvestimentos. Os produtores, movidos pela</p><p>empolgação nos períodos de valorização, usam uma sobra de dinheiro e</p><p>investem em bens depreciáveis, sem prever o custo da reposição desses itens</p><p>para manter a eficiência do sistema.</p><p>A margem líquida, assim como os outros indicadores de análise de rentabilidade,</p><p>é calculada com base em algo realizado – com dados passados. No entanto:</p><p>Se o produtor</p><p>tem uma margem</p><p>líquida restrita em</p><p>sua atividade...</p><p>...aumenta</p><p>seus custos de</p><p>depreciação sem</p><p>aumento da renda ou</p><p>redução do COE...</p><p>...corre o risco de</p><p>inviabilizar sua</p><p>atividade ou diminuir</p><p>a eficiência até então</p><p>alcançada.</p><p>Em outras palavras, se um produtor adquire um bem qualquer que possui</p><p>depreciação anual superior à sua margem líquida, e esse bem não promoveu</p><p>redução no COE, nem aumento de produção, o produtor pode concluir</p><p>que, a princípio, esse investimento é inviável ou incompatível com suas</p><p>projeções atuais.</p><p>Entenda acompanhando um exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 122</p><p>Na prática</p><p>Nos últimos 12 meses, uma determinada atividade</p><p>contabilizou uma margem líquida de R$ 10.000,00. Ao</p><p>visitar uma feira agropecuária, ofereceram ao produtor</p><p>rural um trator e implementos que, juntos, contabilizam</p><p>uma depreciação de R$ 12.000,00 ao ano.</p><p>No primeiro momento, sabendo que a margem bruta da atividade era de R$ 35.000,00 nos</p><p>últimos 12 meses e vendo um programa de financiamento com carência e prestações de R$</p><p>8.000,00, o produtor pensou em adquirir o trator.</p><p>De fato, no curto prazo estava tudo certo, e ele conseguiria pagar as prestações. Porém,</p><p>não sobrariam recursos para pagar o custo extra de depreciação do novo trator.</p><p>Ao avaliar que não aumentaria sua produção, pois não tinha mercado para isso, o produtor</p><p>calculou qual seria sua nova margem líquida se adquirisse o trator:</p><p>ML = R$ 10.000,00 - R$ 12.000,00</p><p>ML = -R$ 2.000,00</p><p>O resultado mostra que, a longo prazo, esse seria um investimento inviável para</p><p>sua atividade.</p><p>Margem líquida</p><p>anterior</p><p>Depreciação</p><p>dos novos bens</p><p>adquiridos</p><p>ML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 123</p><p>A margem líquida também é avaliada por unidade e por equivalência em unidades</p><p>produzidas. Observe como aplicar os conceitos usando os dados da propriedade:</p><p>• depreciação anual do trator: R$ 12.000,00,</p><p>• mão de obra familiar: R$ 15.000,00,</p><p>• COE da atividade: R$ 338.930,00,</p><p>• renda bruta: R$ 446.150,00.</p><p>COT = R$ 338.930,00 + R$ 12.000,00 + R$ 15.000,00</p><p>COT = R$ 365.930,00</p><p>Com esses dados, agora basta encontrar a margem líquida.</p><p>ML = R$ 446.150,00 - R$ 365.930,00</p><p>ML = R$ 80.220,00</p><p>COE d MOFCOT</p><p>MB COTML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 124</p><p>Margem líquida unitária</p><p>A margem líquida unitária é representada pela relação entre a margem líquida</p><p>e a quantidade produzida.</p><p>ML</p><p>Produção</p><p>ML unitária =</p><p>Esse índice é utilizado para verificar quanto está sobrando de cada unidade por</p><p>unidade produzida depois que foi pago o COT (COE, depreciação e mão de obra</p><p>familiar). Caso a margem líquida unitária seja positiva, começa a ser remunerado</p><p>o capital, conhecido como custo de oportunidade do capital investido.</p><p>Acompanhe este exemplo para você entender como funciona!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade de gado de corte tem os seguintes dados:</p><p>• ML = R$ 80.220,00</p><p>• Produção em arrobas = 3.000</p><p>O cálculo aplicado a esse contexto, é:</p><p>Isso significa que esse é o valor que sobra após o pagamento dos custos operacionais</p><p>efetivos, depreciações e custo da mão de obra familiar, ou seja, o valor que sobra por</p><p>arroba vendida para remunerar o capital empatado.</p><p>R$ 80.220,00</p><p>3.000 arrobas</p><p>Margem</p><p>líquida/arroba =</p><p>R$ 26,74/arrobaMargem</p><p>líquida/arroba =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 125</p><p>Essa mesma análise pode ser feita para qualquer atividade. Observe!</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• ML/kg de carne</p><p>• ML/litro de leite</p><p>• ML/dúzia de ovos</p><p>• ML/kg mel</p><p>• ML/saca (café, milho e soja)</p><p>• ML/tonelada (cana, silagem)</p><p>• ML/arroba de fumo</p><p>• ML/caixa (hortaliças e frutas)</p><p>Margem líquida em equivalentes às unidades</p><p>produzidas</p><p>É a conversão do resultado financeiro da margem líquida em unidades</p><p>produzidas. Esse valor é obtido com a divisão da margem líquida pelo preço</p><p>de uma unidade do produto em questão. Observe!</p><p>ML</p><p>Preço unitário</p><p>ML em equivalentes às unidades produzidas =</p><p>Agora, para dar uma variada, o que acha de testar o que tem visto neste tema?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 126</p><p>Pare para pensar</p><p>Analise o resultado na apuração da margem líquida</p><p>equivalente em uma atividade de gado de corte do</p><p>Produtor A. Depois, para que essa análise seja eficiente,</p><p>compare com os resultados apresentados pelo Produtor</p><p>B, ambos utilizando áreas equivalentes.</p><p>Para isso, considere a fórmula:</p><p>ML da atividade</p><p>Preço unitário</p><p>ML equivalente =</p><p>Produtor A</p><p>ML da atividade = R$ 80.220,00</p><p>Preço = R$ 148,72/arroba</p><p>ML equivalente a arrobas =</p><p>R$ 80.220,00 / R$ 148,72</p><p>ML equivalente =</p><p>539,40 arrobas</p><p>Produtor B</p><p>ML da atividade = R$ 75.900,00</p><p>Preço = R$ 130,00/arroba</p><p>ML equivalente a arrobas =</p><p>R$ 75.900,00 / R$ 130,00</p><p>ML equivalente =</p><p>583,84 arrobas</p><p>Depois dessa análise, é nítido que o Produtor A, cuja</p><p>margem líquida foi de R$ 80.220,00 para a mesma área,</p><p>ganhou mais dinheiro que o Produtor B.</p><p>Porém, qual dos dois foi mais eficiente tecnicamente?</p><p>Produtor A Produtor B</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 127</p><p>Feedback</p><p>Pense bem no contexto geral das duas propriedades!</p><p>O produtor A obteve uma margem líquida da atividade equivalente a 539,40</p><p>arrobas.</p><p>Já o produtor B obteve uma margem líquida da atividade equivalente a</p><p>583,84 arrobas.</p><p>Portanto:</p><p>583,84 arrobas (Produtor B) menos</p><p>539,4 arrobas (Produtor A) = 44,44</p><p>arrobas a mais para o produtor B.</p><p>Assim, podemos observar que o resultado produtivo do Produtor B foi</p><p>melhor que o do produtor A em 44,44 arrobas, ambos explorando áreas</p><p>equivalentes. Porém ele não foi economicamente melhor, devido ao menor</p><p>preço que obteve na comercialização da sua produção.</p><p>Essa informação é rica para os dois produtores, mostrando que um pode</p><p>comercializar seu produto melhor e o outro consegue ser mais eficiente</p><p>tecnicamente.</p><p>Ao converter o resultado financeiro em unidades produzidas, o produtor</p><p>também consegue comparar seus resultados ao longo dos anos,</p><p>podendo avaliar o resultado da aplicação de tecnologias em diferentes</p><p>safras. Esse comparativo anual de resultados é muito importante para</p><p>visualizar a interação do sistema de produção que o produtor tem com</p><p>o que acontece no mercado.</p><p>Usando o contexto do Produtor A e seu gado de corte, que nos últimos 12</p><p>meses obteve margem líquida de 539,4 arrobas, acompanhe a seguir.</p><p>Pesquisando em seus</p><p>registros, ele viu que</p><p>no ano 2000, antes de</p><p>implementar diversas</p><p>tecnologias, sua margem</p><p>líquida foi de 700 arrobas.</p><p>Essa análise permitiu ao</p><p>Produtor A concluir que,</p><p>para justificar as tecnologias</p><p>implementadas, ele precisaria</p><p>aumentar sua eficiência técnica</p><p>e sua escala de produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 128</p><p>Para ficar mais claro, observe um exemplo prático!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade com uma cultura de milho apresenta</p><p>os seguintes dados:</p><p>• margem líquida da atividade = R$ 79.200,00,</p><p>• preço do milho = R$ 33,00/saca.</p><p>Agora, vamos apurar a margem líquida equivalente a</p><p>sacas de milho.</p><p>• ML equivalente a sacas = R$ 79.200 ÷ R$ 33,00</p><p>• ML equivalente a sacas = 2.400 sacas</p><p>O resultado permite comparar a margem líquida com</p><p>outros produtores que vendem a preços diferentes,</p><p>como também comparar com a sua própria margem</p><p>líquida em épocas diferentes. A moeda então é</p><p>convertida em produto.</p><p>A margem líquida pode ser usada na equivalência com qualquer unidade</p><p>produzida. Veja os exemplos a seguir:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 129</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• Equivalente a kg de carne</p><p>• Equivalente a litros de leite</p><p>• Equivalente a dúzia ou caixa de ovos</p><p>• Equivalente a kg mel</p><p>• Equivalente a sacas (café, milho e soja)</p><p>• Equivalente a toneladas (cana, silagem)</p><p>• Equivalente a arrobas de fumo</p><p>• Equivalente a caixas (hortaliças e frutas)</p><p>Agora, você conhecerá um pouco mais sobre a</p><p>margem líquida. Então, acesse o Ambiente de</p><p>Estudos, assista ao vídeo do Senar em Campo e</p><p>entenda melhor esse indicador!</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Conheceu o cálculo da margem</p><p>líquida e a sua importância</p><p>na análise financeira da</p><p>propriedade rural.</p><p>Compreendeu como realizar a</p><p>análise desse índice, incluindo</p><p>suas variações.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 130</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Você consegue, com o que viu até aqui, analisar uma</p><p>propriedade rural sob esses conceitos?</p><p>Neste tópico você vai ver a aplicação dos conceitos de custos</p><p>fixos, custo total, margem bruta e líquida nas cadeias produtivas</p><p>do agronegócio.</p><p>É importante manter o foco, pois quando todas as contabilizações dos</p><p>custos de produção estiverem finalizadas, será feita a análise dos dois</p><p>principais indicadores econômicos apresentados neste tema: margem</p><p>bruta e margem líquida.</p><p>Custo fixo</p><p>Custo fixo (CF) é o somatório dos custos da mão de obra familiar (MOF),</p><p>depreciação (d) e custo de oportunidade (CO).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 131</p><p>Fórmula:</p><p>MOF d COCF</p><p>Observe os dados para calcular o custo fixo:</p><p>• CO = R$ 14.639,04</p><p>• MOF = R$ 19.200,00</p><p>• d = R$ 9.501,67</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>CF = R$ 19.200,00 + R$ 9.501,67 + R$ 14.639,04</p><p>CF = R$ 43.340,71</p><p>Custo de oportunidade do capital empatado</p><p>Para esse cálculo, serão usados dados da ordenhadeira, como visto</p><p>anteriormente.</p><p>O custo de oportunidade é calculado da seguinte forma.</p><p>CO = [(VN - S) ÷ 2] × 6%</p><p>Observe os dados:</p><p>• Valor de novo = R$ 8.000,00</p><p>• Vida útil = 15 anos</p><p>• Idade = 5 anos</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 132</p><p>Veja que a idade é menor do que a vida útil, logo:</p><p>CO = [(R$ 8.000,00 - 0) ÷ 2] × 6%</p><p>CO = R$ 240,00</p><p>Custo de oportunidade do capital = R$ 240,00/ano</p><p>Para o cálculo do custo de oportunidade do capital dos bens da atividade</p><p>leiteira nas tabelas abaixo, seguimos o mesmo padrão e a mesma fórmula do</p><p>exemplo da ordenhadeira. Observe!</p><p>Forrageiras no período da vida útil</p><p>Especificação Área</p><p>(ha)</p><p>Custo de</p><p>formação</p><p>(R$/ha)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Pasto Mombaça</p><p>intensivo 2,3 R$ 3.000,00 R$ 6.900,00 20 5 R$ 207,00</p><p>Forrageiras já depreciadas</p><p>Especificação Área</p><p>(ha)</p><p>Custo de</p><p>formação</p><p>(R$/ha)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Canavial 1 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 5 6 R$ 150,00</p><p>Pasto extensivo</p><p>de braquiária 6 R$ 2.500,00 R$</p><p>15.000,00 15 20 R$ 450,00</p><p>Total R$ 600,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 133</p><p>Benfeitorias no período da vida útil</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>na atividade</p><p>leiteira (%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo</p><p>(R$)</p><p>Valor</p><p>total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Pista de</p><p>alimentação 1 100% R$</p><p>30.000,00</p><p>R$</p><p>30.000,00 40 10 R$ 900,00</p><p>Curral de</p><p>manejo 1 50% R$</p><p>8.000,00</p><p>R$</p><p>4.000,00 40 15 R$ 120,00</p><p>Cercas</p><p>internas 1.000 100% R$ 10,00 R$</p><p>10.000,00 10 8 R$ 300,00</p><p>Bebedouros 4 100% R$ 500,00 R$</p><p>2.000,00 20 5 R$ 60,00</p><p>Depósito de</p><p>ração 1 80% R$</p><p>80.000,00</p><p>R$</p><p>64.000,00 40 15 R$ 1.920,00</p><p>Cochos de sal</p><p>mineral 12 100% R$ 500,00 R$</p><p>6.000,00 15 10 R$ 180,00</p><p>TOTAL R$ 3.480,00</p><p>Máquinas e equipamentos no período da vida útil</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>na atividade</p><p>leiteira (%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo</p><p>(R$)</p><p>Valor</p><p>total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Ordenhadeira</p><p>mecânica 1 100% R$</p><p>8.000,00</p><p>R$</p><p>8.000,00 15 5 R$ 240,00</p><p>Irrigação 1 100% R$</p><p>23.000,00</p><p>R$</p><p>23.000,00 15 3 R$ 690,00</p><p>Aparelho de</p><p>cerca elétrica 1 100% R$ 200,00 R$ 200,00 5 4 R$ 6,00</p><p>Roçadeira</p><p>costal 2 100% R$</p><p>2.000,00</p><p>R$</p><p>4.000,00 5 4 R$ 120,00</p><p>Tanque de</p><p>resfriamento 1 100% R$</p><p>12.000,00</p><p>R$</p><p>12.000,00 15 8 R$ 360,00</p><p>TOTAL R$ 1.416,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 134</p><p>Cálculo do custo de oportunidade do capital de</p><p>equipamentos já depreciados</p><p>Neste caso, é importante recorrer às particularidades previstas na metodologia</p><p>de ATeG, a qual estabelece que em vez do capital médio (valor de novo ÷</p><p>2) deve ser utilizado o valor de mercado do bem para o cálculo do custo de</p><p>oportunidade do capital. Entenda!</p><p>Dados da bomba d’água Cálculo e resultado</p><p>• Valor de novo da bomba de água =</p><p>R$ 500,00</p><p>• Valor de mercado da bomba de água =</p><p>R$ 50,00</p><p>• Vida útil = 10 anos</p><p>• Idade = 11 anos</p><p>CO = (VM + VS) × i</p><p>CO = (R$ 50,00 + 0) × 6%</p><p>CO = R$ 3,00</p><p>O custo de oportunidade anual da bomba</p><p>de água é igual a R$ 3,00</p><p>Considerando o valor atualizado de mercado dos bens já depreciados de</p><p>acordo com o que foi visto no exemplo, observe o custo de oportunidade</p><p>sobre o capital empatado da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Equipamentos já depreciados</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>na atividade</p><p>leiteira (%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Carroça 1 80% R$ 230,00 R$ 184,00 10 12 R$ 11,04</p><p>Picadeira 1 80% R$ 250,00 R$ 200,00 15 16 R$ 12,00</p><p>Bomba de</p><p>água 1 100% R$ 500,00 R$ 50,00 10 11 R$ 3,00</p><p>Latões 3 100% R$ 200,00 R$ 600,00 15 20 R$ 36,00</p><p>TOTAL R$ 62,04</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 135</p><p>Cálculo do custo de oportunidade das benfeitorias</p><p>Neste caso, devemos considerar tanto as benfeitorias que estão no período de vida</p><p>útil quanto as já depreciadas, com base no capital médio (valor de novo ÷ 2).</p><p>Confira os resultados nas tabelas!</p><p>Benfeitorias já depreciadas</p><p>Item Qtd.</p><p>Utilização</p><p>na atividade</p><p>leiteira (%)</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>investimento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 8</p><p>Praticando...</p><p>Agora que você conhece os temas que serão trabalhados no módulo, o que</p><p>acha de ver esses conceitos de forma mais prática?</p><p>Acesse o Ambiente de Estudos e assista a um vídeo</p><p>que preparamos especialmente para você. Nele,</p><p>você vai acompanhar a história do Técnico Marcelo</p><p>e da Fazenda Santa Felicidade, aplicando todos</p><p>esses conceitos durante o módulo. Siga em frente</p><p>no seu aprendizado!</p><p>Desafios da jornada</p><p>Vale lembrar que o conteúdo é todo interligado, por isso, você precisa explorar</p><p>o primeiro tema, todos os tópicos e realizar a Atividade de Passagem, para</p><p>depois acessar o tema seguinte.</p><p>Observe os ícones a seguir e relembre os tipos de desafios que você</p><p>encontrará ao longo do módulo!</p><p>Pense e Decida</p><p>Situações práticas e objetivas em que você deve analisar o</p><p>cenário e tomar uma decisão. Não possui valor para a certificação.</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Tem o objetivo de verificar se você teve um bom aproveitamento</p><p>em relação ao conteúdo do tema correspondente e libera o</p><p>acesso ao tema seguinte.</p><p>Estudo de Caso</p><p>Obrigatório e de valor avaliativo, o Estudo de Caso consiste em</p><p>uma questão reflexiva, relacionada aos temas estudados.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 9</p><p>Simulado</p><p>Depois de passar por todos os temas do módulo e tiver completado</p><p>a última atividade, você deverá responder o Simulado.</p><p>Avaliação</p><p>A Avaliação é obrigatória e tem como objetivo verificar o seu</p><p>desempenho em cada módulo.</p><p>Fórum</p><p>O Fórum proporciona o debate e a troca de conhecimento entre</p><p>você e o tutor. Existe um Fórum por módulo, que fica aberto</p><p>durante todo o seu período de estudos nesta fase.</p><p>Ah, não se esqueça:</p><p>• Realize, no Ambiente de Estudos, a pesquisa de satisfação.</p><p>• A nota do módulo é composta por uma média simples.</p><p>• Para passar: Avaliação + Estudo de Caso ÷ 2 = 6 ou mais.</p><p>Lembre-se de que é essencial voltar ao final de cada tema para realizar a sua</p><p>Atividade de Passagem, combinado?</p><p>Tenha uma ótima jornada de conhecimento e crescimento. Bons estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 10</p><p>Tema 1: Cálculo do custo de</p><p>produção I</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o primeiro tema do módulo. O objetivo é que você</p><p>compreenda todas as possibilidades de aplicação dos custos variáveis,</p><p>sua dinâmica e a correta apropriação de acordo com os diversos cenários</p><p>e exemplos.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• aplicar corretamente os conceitos que compõem o custo operacional efetivo</p><p>(COE) e o custo operacional total (COT),</p><p>• estratificar cada elemento de composição desses conceitos,</p><p>• realizar propostas de intervenções tecnológicas ou administrativas.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 11</p><p>Estrutura do tema</p><p>A teoria dos custos é um conceito essencial para o gerenciamento financeiro</p><p>da propriedade rural. Por isso, saber como aplicá-la na prática é de extrema</p><p>importância. Para facilitar o entendimento deste conteúdo e garantir seu</p><p>gerenciamento, o tema está dividido em tópicos.</p><p>Veja os cinco tópicos que compõem o tema e conheça o objetivo de cada um.</p><p>Tema 1</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4 Tópico 3</p><p>Custo operacional efetivo</p><p>Compreender melhor o conceito de “centro de custos” da metodologia de Assistência</p><p>Técnica e Gerencial, alocando os custos variáveis sob diversos aspectos e com as</p><p>peculiaridades de diversas cadeias produtivas exemplificadas.</p><p>Mão de obra familiar</p><p>Conhecer os conceitos que</p><p>fundamentam a determinação</p><p>dos valores deste que é</p><p>um dos mais subjetivos e</p><p>controversos componentes dos</p><p>custos de produção.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Acompanhar a aplicação</p><p>prática dos conceitos</p><p>estudados, de forma</p><p>detalhada.</p><p>Custo operacional total</p><p>Saber qual é a composição do custo</p><p>operacional total, negligenciado em</p><p>algumas análises por não ter grande</p><p>aplicação em campo, mas que é de</p><p>grande importância na avaliação técnico-</p><p>econômica da propriedade rural.</p><p>Depreciação</p><p>Ampliar seus conhecimentos</p><p>sobre conceituação, aplicação</p><p>e importância de calcular a</p><p>depreciação como parte relevante</p><p>dos custos de produção.</p><p>Entendido o que esperar de cada tópico, siga em frente e ótimos estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 12</p><p>Tópico 1: Custo operacional efetivo</p><p>Você sabe como usar o conceito de centro de custo na</p><p>realidade rural?</p><p>No decorrer deste tópico você compreenderá melhor o conceito de</p><p>“centro de custos”, entendendo como alocar os custos variáveis,</p><p>considerando diversos aspectos e peculiaridades de diversas</p><p>cadeias produtivas.</p><p>O custo operacional efetivo (COE) é a soma de todas as despesas diretas</p><p>pagas pelo produtor rural (ou seu administrador) para poder iniciar, conduzir</p><p>e concluir o ciclo de produção animal e/ou vegetal.</p><p>Basicamente, o que determina que um item de custo é um COE é a</p><p>geração de um desembolso efetivo (que pode ser financeiro ou não). A</p><p>duração do COE será sempre menor ou igual ao ciclo produtivo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 13</p><p>Os exemplos a seguir mostram quais custos fazem parte do COE no dia a dia</p><p>da propriedade.</p><p>É possível citar alguns exemplos de despesas diretas :</p><p>• Aquisição de sementes,</p><p>fertilizantes e</p><p>corretivos</p><p>• Medicamentos</p><p>• Aluguel e/ou</p><p>manutenção</p><p>de máquinas e</p><p>equipamentos</p><p>• Materiais de</p><p>ordenha</p><p>• Rações</p><p>• Pagamento</p><p>de mão de</p><p>obra avulsa</p><p>(diaristas)</p><p>• Pagamento de</p><p>mão de obra</p><p>contratada (CLT)</p><p>• Pagamento de</p><p>impostos e taxas</p><p>• Arrendamento</p><p>de terras</p><p>• Pagamento de</p><p>energia elétricaA Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é uma norma legislativa de</p><p>regulamentação das leis referentes ao Direito do Trabalho e ao Direito</p><p>Processual do Trabalho no Brasil, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943. Constitui o principal instrumento de regulamentação das</p><p>relações individuais e coletivas do trabalho. Desde a sua criação, sofreu várias</p><p>alterações, no sentido de criar uma legislação.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 14</p><p>Gastos pessoais, como dentista, médico, escola etc., não são itens de despesa</p><p>da atividade, portanto não compõem o COE. Quando a energia elétrica, ou</p><p>qualquer outro insumo for compartilhado entre a atividade profissional e a</p><p>pessoal, seu custo deverá ser computado separadamente, na proporção das</p><p>aplicações realizadas.</p><p>Variação das quantidades</p><p>Todos esses elementos listados como exemplos de despesa geram</p><p>um pagamento sistematizado, que vai variar de acordo com o volume</p><p>e a tecnologia de produção que o administrador adotar. Por isso, o</p><p>produtor tem autonomia para decidir as quantidades usadas.</p><p>Essa afirmação é possível seguindo a seguinte lógica:</p><p>Um produtor</p><p>deseja:</p><p>Incrementar</p><p>as tecnologias,</p><p>melhorando a</p><p>produtividade sem</p><p>aumentar a área</p><p>destinada à produção.</p><p>Não produzir, logo</p><p>não será preciso nem</p><p>adquirir insumos.</p><p>Consequentemente,</p><p>precisará passar</p><p>por um processo</p><p>chamado de</p><p>intensificação do</p><p>cultivo.</p><p>Consequentemente,</p><p>existirá a necessidade</p><p>de contratar</p><p>trabalhadores, adquirir</p><p>corretivos, sementes,</p><p>fertilizantes, água,</p><p>defensivos etc.</p><p>Aumentar a área de</p><p>cultivo, logo terá que</p><p>preparar um espaço</p><p>maior de solo para a</p><p>implantação de lavoura,</p><p>fruticultura, olericultura,</p><p>ou mesmo de pastagens</p><p>para seus animais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 15</p><p>É possível observar que o COE está diretamente ligado com a produção</p><p>desejada, em que cada acréscimo almejado geralmente implica em aumentos</p><p>desse custo, embora ele até possa ser nulo, caso não haja produção.</p><p>Note que o gráfico a seguir possui dois eixos: o de produção e o de custos.</p><p>Entenda!</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Sala de</p><p>ordenha 1 100% R$</p><p>30.000,00</p><p>R$</p><p>30.000,00 40 43 R$ 900,00</p><p>Cercas</p><p>perimetrais 1.000 50% R$ 12,00 R$</p><p>6.000,00 15 20 R$ 180,00</p><p>Bezerreiro 1 100% R$</p><p>2.000,00</p><p>R$</p><p>2.000,00 20 21 R$ 60,00</p><p>TOTAL R$ 1.140,00</p><p>Valor do inventário animal</p><p>No cálculo do custo de oportunidade do capital empatado em animais, não se</p><p>utiliza o capital médio, como no caso de benfeitorias, máquinas, equipamentos</p><p>e lavouras. Ao realizar o inventário do rebanho, já se estabelece o valor</p><p>médio de cada categoria.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 136</p><p>Observe!</p><p>V VS iCO</p><p>Com isso, considere o capital empatado em vacas secas = R$ 10.000,00</p><p>CO = (R$ 10.000,00 + 0) × 6%</p><p>CO = R$ 600,00</p><p>A tabela a seguir apresenta os resultados do custo de oportunidade apurado</p><p>em cada categoria animal. Observe!</p><p>Categoria Qtd. Preço</p><p>médio (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Tempo de</p><p>serviço</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Vacas em lactação 20 R$ 3.200,00 R$</p><p>64.000,00 R$ 3.840,00</p><p>Vacas secas 4 R$ 2.500,00 R$</p><p>10.000,00 R$ 600,00</p><p>Bezerras em</p><p>aleitamento 3 R$ 800,00 R$ 2.400,00 R$ 144,00</p><p>Novilhas em recria 10 R$ 1.500,00 R$</p><p>15.000,00 R$ 900,00</p><p>Novilhas em</p><p>reprodução 12 R$ 2.500,00 R$</p><p>30.000,00 R$ 1.800,00</p><p>Reprodutor 1 R$ 6.000,00 R$ 6.000,00 4 3 R$ 360,00</p><p>Animais de serviço 1 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 10 15 R$ 90,00</p><p>TOTAL 49 R$ 7.734,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 137</p><p>Somatório do custo de oportunidade anual</p><p>Inventário Custo de oportunidade</p><p>Animais R$ 7.734,00</p><p>Máquinas e equipamentos R$ 1.478,04</p><p>Benfeitorias R$ 4.620,00</p><p>Forrageiras não anuais R$ 807,00</p><p>TOTAL R$ 14.639,04</p><p>Custo total (CT)</p><p>O custo total pode ser obtido pela soma do custo operacional efetivo (COE)</p><p>ao custo fixo ou pela soma do custo operacional total (COT) ao custo de</p><p>oportunidade sobre o capital próprio. Observe a fórmula:</p><p>COT COCT</p><p>Agora, veja como ficou o CT da Fazenda Santa Felicidade!</p><p>• COT = R$ 130.113,57</p><p>• CO = R$ 14.639,04</p><p>Dados</p><p>CT = R$ 130.113,57 + R$ 14.639,04</p><p>CT = R$ 144.032,61</p><p>Cálculo e Resultado</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 138</p><p>Custo total proporcional de um produto</p><p>O custo total de um produto pode ser obtido pela soma do COT desse produto</p><p>com o custo de oportunidade proporcional à renda gerada por ele em relação</p><p>à renda bruta da atividade (RA). Observe a fórmula:</p><p>COT</p><p>do produto COCT leite</p><p>Os dados são:</p><p>• COTL = R$ 108.336,09</p><p>• CO = R$ 14.639,04</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>CT leite = R$ 108.336,09 + (R$ 14.639,04 × 87,11%)</p><p>CT leite = R$ 121.088,15</p><p>O custo de oportunidade de R$ 14.639,04 é o total referente aos</p><p>juros sobre o capital de todos os itens que a atividade possui em uso</p><p>compartilhado por uma ou mais atividades, devendo, portanto, ser</p><p>rateado.</p><p>Não é tão complicado determinar um custo de produção de forma correta, no</p><p>entanto, esse conhecimento exige uma constante visão sistêmica do processo,</p><p>sabendo reconhecer o que pertence ou não à atividade, proporcionalizando</p><p>quando for o caso.</p><p>Por isso é que dissemos logo no começo: ninguém melhor para definir os</p><p>custos de produção do que quem trabalha diretamente na atividade. Ou seja,</p><p>produtores e técnicos de campo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 139</p><p>Margem bruta da atividade</p><p>A margem bruta da atividade (MB) é obtida pela diferença entre a renda bruta</p><p>(RB) e o custo operacional efetivo (COE), conforme a fórmula:</p><p>RB COEMB</p><p>Neste estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, a renda foi obtida pelo</p><p>somatório:</p><p>• da venda de leite e dos animais,</p><p>• da variação do inventário animal,</p><p>• do leite utilizado para consumo,</p><p>• do aleitamento,</p><p>• da produção de lácteos.</p><p>R$ 170.807,23</p><p>O custo operacional efetivo foi de R$ 101.411,90.</p><p>Os dados podem ser observados mais detalhadamente na tabela!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 140</p><p>Produto Valor</p><p>Renda do leite R$ 94.757,45</p><p>Leite processado na fazenda R$ 47.488,00</p><p>Leite utilizado no aleitamento R$ 6.086,90</p><p>Leite consumido pela família R$ 474,88</p><p>Venda de animais R$ 12.000,00</p><p>Variação do inventário animal R$ 10.000,00</p><p>TOTAL R$ 170.807,23</p><p>A partir da apuração da renda bruta e do COE, podemos calcular a margem</p><p>bruta:</p><p>MB = R$ 170.807,23 - R$ 101.411,90</p><p>MB = R$ 69.395,33</p><p>Variações na análise da margem bruta da atividade</p><p>É a margem bruta por unidade produzida e deve ser calculada pela divisão da</p><p>margem bruta pela produção. Observe a fórmula!</p><p>Margem Bruta</p><p>Produção</p><p>MB unitária =</p><p>Na Fazenda Santa Felicidade, os dados são os seguintes:</p><p>• Produção = 114.545 litros</p><p>• Margem bruta = R$ 69.395,33</p><p>MB unitária = R$ 69.395,33 ÷ 114.545 = R$ 0,61</p><p>A margem bruta por unidade produzida na Fazenda Santa Felicidade é de</p><p>R$ 0,61.</p><p>A) Margem bruta unitária</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 141</p><p>Consiste em converter o valor da margem bruta em litros de leite, dividindo</p><p>a margem bruta pelo preço do leite. Isso permite comparar o resultado de</p><p>margem bruta entre as propriedades, sem o efeito do preço.</p><p>Veja a fórmula abaixo:</p><p>Margem Bruta</p><p>Preço</p><p>MB equivalente =</p><p>MB equivalente = R$ 69.395,33 ÷ R$ 1,30 = 53.381,02 litros</p><p>No período analisado, a margem bruta da atividade é de R$ 69.395,33, que</p><p>equivale a 53.381,02 litros de leite.</p><p>B) Margem bruta em equivalentes às unidades produzidas</p><p>É a margem bruta dividida pela área utilizada para a produção. Veja!</p><p>Margem Bruta</p><p>Área</p><p>MB área =</p><p>• Margem bruta = R$ 69.395,33</p><p>• Área = 20 ha</p><p>MB área = R$ 69.395,33 ÷ 20 = R$ 3.469,77</p><p>A margem bruta por hectare utilizado para a produção foi de R$ 3.469,77.</p><p>C) Margem bruta por área</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 142</p><p>A margem bruta por animal é utilizada no gerenciamento de uma</p><p>propriedade visando dimensionar o rebanho necessário para atingir uma</p><p>meta financeira.</p><p>Margem Bruta</p><p>Vaca em lactação</p><p>MB/VL =</p><p>Na fazenda de leite, o cálculo é feito por vaca em lactação (VL).</p><p>• Margem bruta = R$ 69.395,33</p><p>• Vacas em lactação = 20</p><p>MB/VL = R$ 69.395,33 ÷ 20 = R$ 3.469,77</p><p>Neste caso, a margem bruta da atividade corresponde a R$ 3.469,77 por</p><p>vaca em lactação.</p><p>D) Margem bruta por animal de produção</p><p>Esse indicador não tem uma referência padrão, pois depende muito do sistema de produção</p><p>em que a vaca está inserida. Por exemplo, uma vaca de alta produção inserida em um sistema</p><p>intensivo de larga escala e alta tecnificação, tende a gerar uma margem bruta maior por animal.</p><p>Já as vacas de produção de intermediária a baixa, em sistemas intensivos de pastagem ou com</p><p>forrageiras que possuam alta lotação animal, podem gerar uma margem bruta por animal</p><p>inferior ao primeiro caso, porém em sistemas altamente viáveis pela alta lotação animal.</p><p>Margem líquida da atividade</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 143</p><p>A margem líquida da atividade (ML) é obtida pela diferença entre a Renda</p><p>Bruta (RB) e o custo operacional total (COT), conforme a fórmula a seguir!</p><p>RB COTML</p><p>No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, os dados são:</p><p>• RB = R$ 170.807,23</p><p>• COT = R$ 130.113,57</p><p>Observe o resultado!</p><p>ML = R$ 170.807,23 - R$ 130.113,57 = R$ 40.693,66</p><p>Variações na análise da margem líquida</p><p>da atividade</p><p>Conheça as variações na análise da margem líquida da atividade:</p><p>É a margem líquida por unidade produzida e deve ser calculada pela divisão</p><p>da margem líquida pela produção:</p><p>Margem Líquida</p><p>Produção</p><p>ML unitária =</p><p>Dados:</p><p>• Produção = 114.545 litros</p><p>• Margem líquida = R$ 40.693,66</p><p>Resultado:</p><p>ML unitária = R$ 40.693,66 ÷ 114.545</p><p>ML unitária = R$ 0,36</p><p>ML unitária - Margem líquida unitária</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 144</p><p>Consiste em converter o valor da margem líquida em litros de leite,</p><p>dividindo a margem líquida pelo preço do leite. Isso permite comparar o</p><p>resultado da margem líquida entre as propriedades, sem o efeito do preço.</p><p>Veja a fórmula abaixo:</p><p>Margem Líquida</p><p>Preço</p><p>ML equivalente =</p><p>Dados:</p><p>• Preço = R$ 1,30</p><p>• Margem líquida = R$ 40.693,66</p><p>Resultado</p><p>ML equivalente = R$ 40.693,66 ÷ R$ 1,30</p><p>ML equivalente</p><p>= 31.302,81litros</p><p>ML equivalente - Margem líquida equivalente</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aprofundou os seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>os custos através de</p><p>exemplos práticos.</p><p>Entendeu como</p><p>analisar os custos</p><p>com base em dados e</p><p>informações de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os cálculos</p><p>necessários para</p><p>aplicar os conceitos</p><p>na documentação</p><p>financeira e produtiva.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 145</p><p>Encerramento do tema</p><p>Você chegou ao final do segundo tema e, de acordo com o que foi visto até</p><p>aqui, você pôde conhecer os conceitos e a aplicações dos principais custos</p><p>de produção por meio da metodologia de Assistência Técnica e Gerencial –</p><p>tanto os fixos quanto os variáveis – além de avaliar o resultado econômico</p><p>da propriedade por meio das margens bruta e líquida. Você pôde então</p><p>compreender:</p><p>A importância da</p><p>análise dos dados de</p><p>produção e dos custos,</p><p>além das receitas,</p><p>que devidamente</p><p>processados,</p><p>possibilitam a avaliação</p><p>econômica do negócio</p><p>e o planejamento da</p><p>empresa.</p><p>Como elaborar</p><p>unidades de medida</p><p>de custos mais claras</p><p>para o produtor,</p><p>traduzindo números</p><p>em produtos.</p><p>A relevância de</p><p>enxergar o quanto</p><p>de esforço físico</p><p>e financeiro estão</p><p>sendo direcionados</p><p>apenas para pagar</p><p>custos e não para</p><p>gerar lucro.</p><p>A segunda etapa deste módulo foi bem intensa e bem relevante para você,</p><p>que deseja fazer a diferença no trabalho do campo.</p><p>Acesse o Ambiente de Estudos e assista a mais</p><p>um vídeo que preparamos especialmente para</p><p>você. Para encerrar este tema, você acompanhará</p><p>o Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa</p><p>Felicidade. Fique atento aos detalhes para ampliar</p><p>seus conhecimentos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 146</p><p>Atividade de passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para passar para o próximo tema, ok?</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor.</p><p>Questão</p><p>A partir do que foi estudado neste tema, analise os dados apresentados a</p><p>seguir, em que são identificados o custo fixo médio (CFM) e o custo total (CT)</p><p>da atividade.</p><p>• 1 trator novo financiado, com valor de R$ 150.000,00 e 15 anos de vida útil.</p><p>Pagamento em 8 parcelas anuais. Juros e taxas à instituição financeira iguais</p><p>a R$ 45.000,00.</p><p>• 1 carretinha de arrasto com valor de novo igual a R$ 14.000,00 e 10 anos de</p><p>vida útil. Atualmente está com 11 anos de uso e valor de sucata igual a R$</p><p>5.000,00.</p><p>• Rebanho estabilizado no valor de R$ 223.500,00.</p><p>• 1 mão de obra familiar no valor de R$ 1.034,00 ao mês, com um dia de folga</p><p>na semana.</p><p>• Construções (casa e curral) erguidas na mesma época, 11 anos atrás, e dentro</p><p>da vida útil de 40 anos, totalizando R$ 230.000,00.</p><p>• Produção leiteira: 260 L/dia, com preço médio de R$ 1,00/L.</p><p>• COE total: R$ 37.230,00.</p><p>Observe o contexto dos dados nas tabelas a seguir!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 147</p><p>INVENTÁRIO DE RECURSOS</p><p>ITEM VALOR</p><p>(R$)</p><p>VIDA ÚTIL</p><p>(anos)</p><p>DEPRECIAÇÃO</p><p>(R$)</p><p>CUSTO DE</p><p>OPORTUNIDADE</p><p>(R$)</p><p>Trator R$ 150.000,00 15 R$ 10.000,00 R$ 4.500,00</p><p>Carretinha R$ 5.000,00 0 R$ 0,00 R$ 300,00</p><p>Rebanho R$ 223.500,00 - R$ 0,00 R$ 13.410,00</p><p>Construções R$ 230.000,00 40 R$ 5.750,00 R$ 6.900,00</p><p>Total R$ 15.750,00 R$ 25.110,00</p><p>MÃO DE OBRA FAMILIAR</p><p>ITEM VALOR MENSAL</p><p>(R$) QUANTIDADE VALOR TOTAL</p><p>(R$)</p><p>Mão de obra familiar R$ 1.034,00 12 R$ 12.408,00</p><p>PRODUÇÃO DE LEITE</p><p>ITEM VOLUME DIÁRIO</p><p>(litros) DIAS DO ANO VOLUME TOTAL</p><p>(R$)</p><p>Produção de leite 260 L 365 94.900 L</p><p>INDICADORES DE CUSTO</p><p>Custo fixo total do leite R$ 53.268,00/ano</p><p>Custo fixo médio do litro de leite R$ 0,56/L</p><p>Custo total do leite R$ 90.498,00/ano</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 148</p><p>A partir dos dados apresentados, analise as afirmativas abaixo e as classifique</p><p>em verdadeiro (V) ou falso (F):</p><p>a. A mão de obra familiar, por ter um dia de folga na semana, deveria ter sido</p><p>reduzida.</p><p>b. O custo de bens financiados será integralmente apropriado ao custo de</p><p>produção no momento da disponibilização para uso, sem considerar o tipo ou</p><p>os valores de parcelamento.</p><p>c. Os custos com juros de financiamento deverão ser adicionados ao bem, pois se</p><p>não houvesse necessidade do bem para produção, não haveria o financiamento.</p><p>d. Itens que chegaram ao final da sua vida útil não precisarão mais ter seu valor</p><p>reservado para depreciação, porém continua sendo necessário contabilizar o</p><p>custo de oportunidade.</p><p>e. O custo de oportunidade sobre o capital empatado em rebanho é o mais</p><p>representativo dos custos fixos, por ser calculado sobre o valor integral, porém</p><p>é um item indispensável à produção.</p><p>1. F, V, F, V, V.</p><p>2. V, V, F, V, V.</p><p>3. F, F, V, V, V.</p><p>4. F, F, V, V, F.</p><p>5. V, F, V, F, F.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 149</p><p>Tema 3: Cálculo dos</p><p>indicadores</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o terceiro tema do módulo. O objetivo é que você</p><p>compreenda os cálculos dos custos e da renda como necessários para a</p><p>análise da rentabilidade, que consiste em apurar a margem bruta, a margem</p><p>líquida e o lucro.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• calcular e interpretar os resultados inerentes ao lucro, verificando a capacidade</p><p>que um negócio tem para se manter no longo prazo.</p><p>• analisar a equivalência de produção, assim como o ponto de cobertura total.</p><p>• calcular a taxa de retorno sobre o capital investido, indicador importante para</p><p>o empresário definir a atratividade do negócio e comparar com as opções que</p><p>ele tem no mercado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 150</p><p>Para que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema</p><p>foi dividido em tópicos. Analise o tema e os cinco tópicos correspondentes</p><p>para você conhecer o objetivo de cada um deles.</p><p>Tema 3</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4 Tópico 3</p><p>Lucro</p><p>Entender como calcular, interpretar os resultados e tomar decisões com o lucro,</p><p>analisando a atratividade do negócio, levando em conta o custo de oportunidade</p><p>do capital empatado no empreendimento</p><p>Ponto de cobertura</p><p>(PCOE e PCOT)</p><p>Aprender a apurar os</p><p>indicadores PCOE e PCOT</p><p>em unidades produzidas.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Aplicar durante o estudo</p><p>de caso da Fazenda Santa</p><p>Felicidade os conceitos</p><p>obtidos no tema.</p><p>Taxa de retorno do capital</p><p>Conhecer a taxa de retorno do</p><p>capital, vendo como calcular essa</p><p>taxa e seus componentes, levando</p><p>em conta o estoque de capital com e</p><p>sem a terra.</p><p>Ponto de cobertura total</p><p>Compreender como apurar um dos</p><p>indicadores mais importantes para</p><p>saber quanto do que foi produzido foi</p><p>comprometido para o pagamento do custo</p><p>total ou quanto teria sido necessário</p><p>produzir para que todos os custos fossem</p><p>pagos, caso se atue em um cenário de</p><p>prejuízo econômico.</p><p>Conhecido o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e ótimos</p><p>estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 151</p><p>Tópico 1: Lucro</p><p>O que é lucro na realidade do negócio rural?</p><p>No decorrer deste tópico, você verá como calcular, interpretar os</p><p>resultados e tomar decisões relacionadas ao lucro.</p><p>O lucro (L) é um indicador de atratividade do negócio. No meio rural ele</p><p>é pouco utilizado, pois muitas vezes os produtores tomam suas decisões de</p><p>investimento com base no lado técnico, voltando o foco para o aumento da</p><p>produtividade e da produção, em vez de buscar o melhor retorno econômico.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 152</p><p>A realidade do campo</p><p>No seu dia a dia de atendimento, não será raro</p><p>observar que produtores se tornam referência</p><p>na sua região pelo nível de eficiência produtiva e</p><p>poucas vezes por alcançar eficiência econômica.</p><p>Essa situação normalmente ocorre por impulso</p><p>de vendedores ou até mesmo por ser algo visível</p><p>em outras propriedades, chamando a atenção e</p><p>despertando interesse dos vizinhos, enquanto a</p><p>questão econômica não aparece.</p><p>O lucro é obtido pela diferença entre a renda bruta (RB) e o custo total (CT),</p><p>conforme a fórmula abaixo:</p><p>L = RB - CTLucro</p><p>Renda bruta Custo total</p><p>O Técnico de Campo e/ou empresário rural, quando inicia um trabalho</p><p>de viabilização da propriedade, começa seu desafio aplicando na</p><p>atividade a margem bruta positiva. A partir disso, ele busca atingir</p><p>também a margem líquida positiva, trabalhando a produtividade e o</p><p>aumento da produção para chegar ao lucro com aquele negócio.</p><p>Esse entendimento escalonado é fundamental, especialmente para que o desafio</p><p>de viabilidade de uma propriedade seja suportado pelo empresário rural.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 153</p><p>Análise do lucro</p><p>Entenda a variação do lucro para melhor analisá-lo.</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L < 0 | Lucro menor que zero</p><p>Essa posição significa que a renda bruta obtida na atividade não foi suficiente</p><p>para cobrir os custos totais. Ou seja, existe um desequilíbrio entre renda e</p><p>custos, portanto o produtor atua então dentro de um cenário de prejuízo</p><p>econômico.</p><p>Vale destacar que, se uma propriedade tem lucro</p><p>negativo, esta pode ser uma situação momentânea. Não</p><p>significa que ela não seja atrativa, mas sim que a forma</p><p>com que o negócio foi dimensionado não está atendendo às</p><p>expectativas para a geração de lucro.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 154</p><p>Pare para pensar</p><p>Uma propriedade produtora de leite apresenta lucro</p><p>negativo. Isso não significa que a atividade de produção</p><p>de leite não seja lucrativa.</p><p>Como mudar esse cenário? O que você sugeriria para o</p><p>proprietário da fazenda?</p><p>Escreva aqui a sua sugestão de resolução e, depois de</p><p>finalizar o módulo, volte e veja se continua com o mesmo</p><p>pensamento!</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L = 0 | Lucro igual a zero</p><p>Na economia, o lucro zero também é chamado de lucro normal. Neste</p><p>cenário, existe equilíbrio entre a renda bruta e os custos totais – ambos se</p><p>equivalem.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 155</p><p>Esta pode não ser a situação ideal,</p><p>porém quando ela ocorre, foi</p><p>alcançado o que se chama de nível</p><p>mínimo de atratividade.</p><p>Isso porque todos os custos</p><p>operacionais foram cobertos e o</p><p>capital foi remunerado em 6%</p><p>ao ano, conforme preconiza a</p><p>metodologia de ATeG.</p><p>Lucro zero não significa que o produtor não tenha dinheiro no bolso depois de</p><p>pagar os custos operacionais efetivos, remunerar a mão de obra da família,</p><p>recolher o valor referente à depreciação e remunerar o capital empatado em</p><p>forma de custo de oportunidade.</p><p>Em situação de lucro zero, pode-se estabelecer a estabilidade do negócio</p><p>e, em alguns casos, pode ocorrer inclusive crescimento.</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Dentro da atividade, um produtor</p><p>com lucro igual a zero conseguiu</p><p>promover uma grande variação</p><p>patrimonial que, fora da atividade,</p><p>talvez não conseguiria.</p><p>Automaticamente,</p><p>a mesma taxa</p><p>de 6% de</p><p>remuneração</p><p>média, quando</p><p>submetida a</p><p>um capital maior,</p><p>resultará em maior</p><p>retorno ao empresário.</p><p>Atuando nesse negócio, o produtor pode planejar seu sistema de produção para um maior</p><p>retorno, porém também está submetido a riscos. Cabe ao produtor, com apoio do técnico,</p><p>definir os melhores caminhos para obter lucro.</p><p>Isso acontece</p><p>porque a atividade</p><p>consegue retornar</p><p>os investimentos</p><p>realizados, muitos</p><p>deles feitos por meio de</p><p>crédito subsidiado.</p><p>O fator de</p><p>produção, com</p><p>itens como tratores,</p><p>implementos, ordenha</p><p>mecânica etc., ao</p><p>entrarem no sistema,</p><p>passam a contribuir</p><p>para a geração de</p><p>renda, ainda que não</p><p>tenham sido pagos.Com isso, surge uma</p><p>oportunidade que o</p><p>produtor não teria,</p><p>caso o capital estivesse</p><p>na poupança, por</p><p>exemplo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 156</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L > 0 | Lucro maior que zero</p><p>Um resultado de lucro maior que zero também é chamado de lucro</p><p>supranormal. Isso significa que o negócio avaliado remunera todos os custos</p><p>e ainda sobra dinheiro ao empresário para retirada ou aplicação no próprio</p><p>negócio ou em outros investimentos.</p><p>No meio agropecuário, buscar o lucro maior que zero é o refinamento da</p><p>gestão. Isso ocorre quando o produtor atinge a maturidade gerencial e se</p><p>torna um empresário rural. Enquanto o objetivo for puramente produzir,</p><p>raramente o produtor conseguirá essa margem de lucro.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 157</p><p>Ele também passa a</p><p>visar redução dos custos</p><p>e aumento da renda,</p><p>ou aumento no custo</p><p>total que seja justificado</p><p>pelo aumento da renda</p><p>superior ao impacto</p><p>no custo.</p><p>Com a sua</p><p>gestão, ele consegue</p><p>dimensionar os</p><p>investimentos,</p><p>especialmente os que</p><p>se referem ao capital</p><p>próprio, de forma</p><p>mais coesa.</p><p>Quando o</p><p>produtor atinge</p><p>maturidade</p><p>empresarial, o lucro</p><p>passa a ser uma</p><p>constante.</p><p>Variações do lucro</p><p>A) Lucro unitário</p><p>É o lucro por unidade produzida, calculado pela divisão do lucro pela produção.</p><p>Veja a fórmula abaixo:</p><p>Lucro</p><p>Produção</p><p>Lucro unitário =</p><p>Este indicador pode ser utilizado para verificar se o negócio avaliado tem</p><p>capacidade para suportar variações no preço de venda sem que tome prejuízo.</p><p>Essa análise pode ser feita para qualquer cultura, observe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 158</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• Lucro/kg de carne</p><p>• Lucro/litro de leite</p><p>• Lucro/dúzia de ovos</p><p>• Lucro/kg mel</p><p>• Lucro/saca (café, milho e soja)</p><p>• Lucro/tonelada (cana, silagem)</p><p>• Lucro/arroba de fumo</p><p>• Lucro/caixa (hortaliças e frutas)</p><p>B) Lucro em equivalentes às unidades produzidas</p><p>Consiste em converter o valor do lucro de reais para volume de produção,</p><p>bastando para isso dividir o lucro apurado pelo preço médio da unidade</p><p>produzida. Isso permite comparar o resultado do lucro entre as propriedades,</p><p>sem o efeito do preço. Observe a fórmula!</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>Lucro equivalente =</p><p>O lucro equivalente às unidades produzidas é utilizado para comparação</p><p>entre propriedades diferentes do mesmo negócio, podendo ser usado</p><p>para comparar períodos diferentes.</p><p>Logicamente, o preço recebido vai interferir no resultado desse indicador. De acordo com a</p><p>fórmula, se o mesmo valor for apurado como lucro em duas propriedades e elas receberam</p><p>preços diferentes pelo produto, o lucro equivalente será diferente.</p><p>Para ter esse conceito mais claro, realize a atividade!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 159</p><p>Conheça os dados de duas propriedades produtoras de</p><p>suínos.</p><p>Propriedade A:</p><p>• lucro de R$ 100.000,00 no ano</p><p>• comercializou a carne por R$ 4,00/kg</p><p>Propriedade B (corrigida para o mesmo número de matrizes):</p><p>• lucro de R$ 110.000,00 no ano</p><p>• comercializou a carne a R$ 4,50/kg</p><p>Agora, observe o cálculo de cada uma!</p><p>Propriedade A</p><p>Lucro equivalente = Lucro ÷ Preço</p><p>Lucro equivalente = R$ 100.000,00 ÷ R$ 4,00</p><p>Lucro equivalente a quilos = 25.000 kg de carne</p><p>Propriedade B</p><p>Lucro equivalente = Lucro ÷ Preço</p><p>Lucro equivalente = R$ 110.000,00 ÷ R$ 4,50</p><p>Lucro equivalente a quilos = 24.444,44 kg de carne</p><p>Analisando o resultado, fica claro que, economicamente,</p><p>a propriedade B foi a mais eficiente. Porém, qual das</p><p>propriedades obteve maior lucro equivalente a quilos</p><p>de carne?</p><p>Propriedade A Propriedade A</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Pense e decida</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 160</p><p>Feedback</p><p>A propriedade A, ainda que com um resultado econômico menor, foi mais</p><p>eficiente tecnicamente que a propriedade B. Assim, é possível dizer que a</p><p>propriedade A precisa melhorar a qualidade de seu produto ou as formas</p><p>de comercialização, para conseguir vender o seu produto com maior valor</p><p>agregado no kg da carne.</p><p>Já a propriedade B teve um lucro maior e um preço unitário maior, mostrando</p><p>que conseguiu agregar valor ao kg do produto. Porém, mesmo assim, não</p><p>apresentou maior lucro equivalente.</p><p>Considerando o contexto apresentando na atividade, vale destacar dois</p><p>aspectos:</p><p>A propriedade B, ao fazer uma análise</p><p>histórica, identifica que já conseguiu,</p><p>em outros períodos, maior lucro</p><p>equivalente a quilos de carne. Dessa</p><p>forma, ela validou que pode melhorar</p><p>sua produtividade.</p><p>O gestor da propriedade B, ao ver</p><p>o resultado da propriedade A, deve</p><p>analisar as potencialidades de aumentar</p><p>a produtividade do seu sistema, desde</p><p>que isso não comprometa a qualidade</p><p>do produto e, consequentemente, os</p><p>preços de venda.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 161</p><p>Chegou o momento de você entender mais sobre</p><p>lucro! Então, acesse o Ambiente de Estudos,</p><p>assista ao vídeo do Senar em Campo e amplie seu</p><p>aprendizado!</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste primeiro tópico, você:</p><p>Conheceu o conceito do</p><p>lucro na gestão de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Descobriu como</p><p>encontrar o lucro</p><p>e analisar seu</p><p>impacto na gestão da</p><p>propriedade.</p><p>Entendeu as variações do</p><p>lucro e como usá-las para</p><p>uma gestão madura e de</p><p>resultados.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 162</p><p>Tópico 2: Ponto de cobertura</p><p>Você sabe como pensar em estratégias de gerenciamento</p><p>e gestão mais assertivas usando cálculos e comparações?</p><p>No decorrer deste tópico você verá o cálculo do ponto de cobertura,</p><p>que ajuda a comparar os resultados de uma propriedade em</p><p>diferentes períodos.</p><p>PCOE</p><p>Ponto de</p><p>cobertura</p><p>operacional</p><p>efetivo</p><p>PCOT</p><p>Ponto de</p><p>cobertura</p><p>operacional</p><p>total</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 163</p><p>Esta forma de analisar o custo consiste em converter custos em unidades</p><p>produzidas. Assim, o empresário e a assistência técnica conseguem definir a</p><p>parcela da produção necessária para cobrir os custos de uma propriedade, ou</p><p>então, ao elaborar o planejamento, projetar a produção que será necessária</p><p>para pagar o COE e o COT.</p><p>Um jeito bem fácil de calcular o custo equivalente é dividindo o custo</p><p>que se deseja analisar pelo preço de comercialização do produto, para</p><p>verificar sua conversão.</p><p>A conversão do custo em unidades produzidas também permite ao gestor</p><p>comparar seus resultados em diferentes períodos. Essa análise ajuda a avaliar</p><p>o negócio numa série histórica, guiando tomadas de decisão.</p><p>Entenda o exemplo a seguir!</p><p>Foi realizada uma análise comparativa do custo operacional efetivo (COE) por</p><p>meio do custo equivalente às unidades produzidas em uma produtora de leite,</p><p>num período de 2 anos.</p><p>Observe os resultados:</p><p>A propriedade</p><p>gastou 100</p><p>litros de leite</p><p>por dia para</p><p>pagar o COE</p><p>A propriedade</p><p>gastou 120</p><p>litros de leite</p><p>por dia para</p><p>pagar o COE</p><p>ANO 1</p><p>ANO 2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 164</p><p>Isso significa que, no segundo ano, foi comprometida uma parte maior da</p><p>produção para pagar o COE. É possível dizer, então, que no ano 2 a propriedade</p><p>foi menos eficiente?</p><p>Não! É necessário que o empresário, antes de chegar a essa conclusão, associe</p><p>a análise com a renda gerada por essa variação de custo.</p><p>Observe as hipóteses que podem justificar a variação:</p><p>Queda no preço do</p><p>litro de leite, sendo</p><p>necessários mais</p><p>litros para pagar o</p><p>COE no ano 2.</p><p>Alta nos preços dos</p><p>insumos devido a uma</p><p>variação cambial, por</p><p>exemplo.</p><p>O aumento no número</p><p>de litros foi justificado</p><p>por um crescimento da</p><p>produção, ou seja, a</p><p>produção cresceu mais</p><p>do que os 20 litros</p><p>aumentados no COE.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 165</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo (PCOE)</p><p>O resultado do PCOE representa o volume da produção necessária para pagar</p><p>o COE. Ele pode ser calculado pela fórmula:</p><p>=</p><p>COE</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo</p><p>O resultado do PCOE é obtido em unidades produzidas, dependendo da</p><p>unidade que usada para comercializar o produto, por exemplo:</p><p>• litros de leite por dia;</p><p>• arrobas por ano;</p><p>• quilos de carne por ano;</p><p>• toneladas por ano;</p><p>• sacas por ano.</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo da Fazenda Cambirela na prática!</p><p>Na prática</p><p>Fazenda Cambirela</p><p>Produtora de leite: produz 500 litros por dia, comercializa o leite em</p><p>média a R$ 1,20 o litro e tem COE de R$ 120.000,00 no ano.</p><p>COE</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura</p><p>operacional efetivo =</p><p>Com os dados apresentados, observe como calcular o PCOE</p><p>dessa propriedade.</p><p>Fórmula:</p><p>PCOE = R$ 120.000,00 ÷ R$ 1,20 = 100.000 litros/ano</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 166</p><p>No caso específico do leite, cuja produção é diária, o valor do PCOE anual é dividido</p><p>por 365 dias, para que o número fique mais claro para o produtor. Portanto:</p><p>PCOE = 100.000 litros ÷ 365 dias = 273,97 litros/dia</p><p>Isso significa que, dos 500 litros de leite produzidos, essa propriedade compromete</p><p>273,97 litros para pagar o COE.</p><p>Esse custo é muito analisado pelos produtores, mesmo de forma empírica,</p><p>sem considerar alguns pagamentos, como impostos e taxas, entre outros.</p><p>Muitas vezes, o produtor contabiliza apenas as despesas diretamente ligadas</p><p>à produção. No entanto, a interpretação correta desse indicador é o ponto de</p><p>cobertura operacional efetivo.</p><p>Para fixar esse conceito, acompanhe mais este exemplo!</p><p>Uma propriedade produtora de gado de corte teve as seguintes despesas na formação do</p><p>custo operacional efetivo (COE):</p><p>Planilha do custo operacional efetivo (COE) da produção de bovinos de corte</p><p>Item Valor (R$)</p><p>Mão de obra para manejo do rebanho 43.200,00</p><p>Manutenção de pastagens 120.000,00</p><p>Silagem 45.000,00</p><p>Concentrado 53.000,00</p><p>Minerais 35.200,00</p><p>Medicamentos 6.500,00</p><p>Energia e combustível 10.300,00</p><p>Inseminação artificial 3.000,00</p><p>Impostos, taxas e serviços 6.200,00</p><p>Reparos de benfeitorias 3.450,00</p><p>Reparos de máquinas 3.500,00</p><p>Outros gastos de custeio 9.580,00</p><p>COE TOTAL 338.930,00</p><p>Na prática</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 167</p><p>Nesse período, a comercialização por arroba de boi estava avaliada em R$ 148,72.</p><p>Entenda como calcular o ponto de cobertura operacional efetivo em arrobas.</p><p>COE</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura</p><p>operacional efetivo =</p><p>PCOE = R$ 338.930,00 ÷ R$ 148,72</p><p>PCOE equivalente a arrobas = 2.278,98 arrobas.</p><p>Portanto, para cobrir o COE, essa propriedade precisa comercializar pelo menos 2.278,98</p><p>arrobas a um preço médio de R$ 148,72.</p><p>Análise do ponto de cobertura operacional efetivo</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo maior que a produção</p><p>Quando o PCOE supera a produção, é possível ver que a empresa rural precisa</p><p>rever a eficiência na utilização dos itens do COE. Ela também apresenta</p><p>problemas gerenciais graves, pois o empresário precisará usar recursos</p><p>próprios ou de terceiros para manter o sistema funcionando.</p><p>Popularmente, costuma se dizer que o dinheiro da produção não deu para</p><p>pagar as contas. Isso pode ocorrer por diversos motivos, como:</p><p>Mão de obra</p><p>contratada operando</p><p>em sistemas de baixa</p><p>escala de produção e</p><p>participando</p><p>excessivamente do</p><p>custo.</p><p>Catástrofes naturais</p><p>que limitam a</p><p>produção.</p><p>Erros graves na</p><p>técnica de produção</p><p>que comprometem a</p><p>produtividade, como</p><p>dieta mal balanceada.</p><p>Problemas sanitários</p><p>que podem causar</p><p>alta mortalidade.</p><p>Situações de quedas</p><p>de preços por</p><p>saturação de</p><p>mercado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 168</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo menor que</p><p>a produção</p><p>Com um PCOE menor que a produção a propriedade se mantém, pelo menos</p><p>em curto prazo. Isso porque, ao vender sua produção, ela consegue pagar</p><p>todas as despesas de custeio e ainda sobra dinheiro.</p><p>Acompanhe o exemplo abaixo!</p><p>Na prática</p><p>Se um produtor de gado de corte produziu 1.000 arrobas no ano e seu PCOE equivalente foi</p><p>de 400 arrobas, significa que ele será capaz de pagar todas as despesas e ainda sobrarão</p><p>600 arrobas.</p><p>Esse produtor pode comparar, também, quantas arrobas gastou para produzir as mesmas</p><p>1.000 arrobas no ano anterior. Se ele gastou 500 arrobas no ano anterior e apenas 400</p><p>neste ano, é possível concluir que, economicamente, ele foi mais eficiente.</p><p>Como isso se justifica? Por uma melhoria na eficiência técnica ou por variações no mercado.</p><p>1000 arrobas no ano</p><p>600 arrobas de sobra</p><p>PCOE</p><p>400 arrobas</p><p>O produtor que pretende obter o máximo da produção deve trabalhar o manejo</p><p>e as tecnologias de forma a comprometer o mínimo possível da produção para</p><p>pagar o COE.</p><p>Módulo</p><p>3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 169</p><p>Ponto de cobertura operacional total (PCOT)</p><p>O PCOT é o resultado da divisão do COT pelo preço médio de venda de</p><p>um produto.</p><p>COT</p><p>Preço Médio</p><p>PCOT =</p><p>O resultado expressa o COT convertido em unidades produzidas, ou seja,</p><p>quantas unidades foram, ou precisam ser produzidas para pagar o COT.</p><p>Análise do ponto de cobertura operacional total</p><p>Ponto de cobertura operacional total maior que a produção</p><p>Esse indicador significa que a produção obtida pelo sistema não foi capaz de</p><p>pagar o COE, mão de obra familiar e depreciações. Nesse cenário, o produtor</p><p>deve fazer algumas verificações:</p><p>Verificar se o COE da propriedade é coerente com a produção.</p><p>É interessante revisar os conceitos de PCOE.</p><p>1</p><p>Checar se a estrutura da propriedade é compatível com a escala</p><p>de produção.</p><p>Os produtores rurais, muitas vezes impulsionados pelo fácil acesso ao</p><p>crédito, ou mesmo pelo dinheiro em caixa, superdimensionam seus sistemas</p><p>de produção, comprando máquinas e construindo benfeitorias sem analisar</p><p>criteriosamente os impactos nos custos e na renda. Dessa forma, para</p><p>ajustar esse indicador é necessário reduzir bens ociosos ou aumentar a</p><p>escala de produção.</p><p>2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 170</p><p>Checar se o fluxo de produção no qual a mão de obra familiar está</p><p>inserida pode ser melhorado.</p><p>Se o fluxo for adaptado, o recurso humano passaria a produzir mais, diluindo</p><p>esse custo.</p><p>3</p><p>Ponto de cobertura operacional total menor que a</p><p>produção</p><p>Na situação em que a produção supera o PCOT, dizemos que esse negócio é</p><p>sustentável pelo menos no médio prazo, pois além de cobrir o COT, sobram</p><p>recursos para remunerar o capital empregado na atividade.</p><p>Na prática</p><p>Cálculo e resultado</p><p>Primeiro, devemos encontrar o COT:</p><p>COT = COE + DEPRECIAÇÃO ANUAL + MÃO DE OBRA FAMILIAR</p><p>COT = R$ 338.930,00 + R$ 30.000,00 + R$ 36.000,00</p><p>COT = R$ 404.930,00</p><p>Relembre o contexto daquela propriedade de gado de corte que você</p><p>conheceu no estudo do COE equivalente às unidades produzidas.</p><p>Estes são os dados:</p><p>• COE = R$ 338.930,00.</p><p>• Total de depreciações anuais = R$ 30.000,00.</p><p>• Pai e filho trabalham, com a somatória de suas atividades anuais</p><p>avaliadas em R$ 36.000,00.</p><p>• O preço da arroba comercializada no período foi de R$ 148,72.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 171</p><p>Depois, calculamos o PCOT</p><p>PCOT = R$ 404.930,00 ÷ R$ 148,72</p><p>PCOT = 2.722,77 arrobas</p><p>Isso significa que essa empresa comprometeu 2.722,77 arrobas da sua produção para</p><p>pagar o COT.</p><p>COT</p><p>Preço Médio</p><p>PCOT =</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Entendeu como usar</p><p>as comparações para</p><p>pensar em melhores</p><p>estratégias para a</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os</p><p>índices de ponto de</p><p>cobertura operacional</p><p>efetivo e total.</p><p>Compreendeu como</p><p>calcular e analisar</p><p>contextos de propriedades</p><p>a partir desses ndices e</p><p>suas variações.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 172</p><p>Tópico 3: Ponto de cobertura total</p><p>Você sabe como o ponto de cobertura total (PCT) pode</p><p>ajudar no gerenciamento da propriedade rural?</p><p>No decorrer deste tópico, você verá como calcular o ponto de</p><p>cobertura total e sua importância para a gestão da propriedade rural.</p><p>Esse é um indicador muito importante! O PCT é obtido ao se converter o</p><p>custo total em unidades produzidas, ou seja, quanto da produção a empresa</p><p>comprometeu ou terá que produzir para pagar o custo total.</p><p>Para calcular o PCT é muito simples: basta dividir o custo total pelo preço:</p><p>CT</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura total PCT =</p><p>Bem fácil, não é mesmo? Agora, entenda como analisar esse índice!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 173</p><p>Análise do ponto de cobertura total</p><p>Ponto de cobertura total maior que produção</p><p>Quando o resultado do cálculo do ponto de cobertura total é maior que a</p><p>produção, vemos que a produção não foi suficiente para pagar o custo total.</p><p>Isso se dá em algumas situações, como:</p><p>Catástrofes naturais que</p><p>comprometeram a produção</p><p>– Dessa forma, o produtor tem o</p><p>custo integral, mas apenas parte da</p><p>produção.</p><p>1</p><p>Má aplicação da técnica de</p><p>produção – Muitas vezes, o</p><p>produtor reduz a utilização de</p><p>recursos que influenciam os custos</p><p>de produção. Outras situações</p><p>podem levar o produtor a não</p><p>atingir o ponto de cobertura total,</p><p>especialmente a falta de gestão e a</p><p>ineficiência no uso dos recursos.</p><p>2</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma fazenda de criação de gado para corte estava</p><p>contabilizando custos muito altos e nada de lucro.</p><p>Seu proprietário resolveu então reduzir o uso de</p><p>concentrado, acreditando solucionar o problema.</p><p>Assim, para que o produtor eleve a produção</p><p>novamente, terá que reinserir na atividade</p><p>aqueles insumos que retirou, o que causará uma</p><p>mudança no custo utilizado para obter o PCT.</p><p>A curto prazo, atitudes</p><p>como essa produzem</p><p>redução das despesas</p><p>e um ajuste de fluxo de</p><p>caixa momentâneo.</p><p>Porém, esse tipo de</p><p>comportamento pode</p><p>promover uma redução</p><p>da produção, que acaba</p><p>inviabilizando o negócio.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 174</p><p>Isso explica por que o PCT não é o indicador da produção que representa o</p><p>lucro, mas se trata da parcela da produção utilizada para cobrir o custo total.</p><p>Sistema de produção com baixa escala de produção</p><p>Muitos sistemas de produção têm alto custo fixo, porém operam em baixa</p><p>escala de produção. O curioso é que, nesses casos, quando calculado o PCT,</p><p>vemos que o resultado apresentado é de alto valor, mesmo com um alto custo</p><p>fixo e operação em baixa escala.</p><p>O que fazer</p><p>nesse caso</p><p>Para aumentar a produção, seria</p><p>necessário um aumento em toda a</p><p>parcela variável do COE, o que</p><p>resultaria num CT maior do que o</p><p>que foi usado para o cálculo do PCT.</p><p>?</p><p>Mais uma vez, se vê que não podemos dizer que o PCT indica se a produção</p><p>terá lucro, mas sim qual a parcela da produção que seria necessária para</p><p>cobrir o custo total atribuído ao produtor.</p><p>O produtor precisa analisar em qual cenário ele se enquadra, tomando</p><p>as decisões administrativas mais assertivas para que não continue</p><p>produzindo sem lucro.</p><p>Especialmente nos casos de produção animal em rebanhos de ciclo completo,</p><p>ao se aumentar o rebanho haverá um aumento no estoque de capital, sem</p><p>existir aumento nas depreciações, uma vez que animais nesses sistemas de</p><p>criação não depreciam.</p><p>Logo, isso causaria um aumento no custo de oportunidade do capital empatado.</p><p>Esse aumento pode ser justificado pelo crescimento da produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 175</p><p>Ponto de cobertura total menor que a produção</p><p>Nesse caso, a interpretação é bem simples.</p><p>• O PCT representa a parcela da produção comprometida para pagar o custo total.</p><p>• A análise do PCT se fundamenta em compreender se o produtor está alcançando</p><p>o nível mínimo de produção para pagar todos os custos; caso não esteja, deve</p><p>procurar saber o que pode fazer para obter tal patamar de produção.</p><p>Esse indicador se torna mais visível quando o produtor usa o valor para</p><p>comparar seus resultados com outros produtores que recebem preços</p><p>diferentes, podendo dizer quem foi mais eficiente em unidades produzidas.</p><p>Outra forma de usar esse indicador é comparando os resultados da própria</p><p>empresa rural em períodos diferentes.</p><p>Observe o exemplo da Fazenda Morada dos Ipês!</p><p>Na prática</p><p>Acompanhe!</p><p>Dados:</p><p>• COT = R$ 404.930,00.</p><p>• Preço médio da arroba = R$ 148,72.</p><p>• Estoque de capital em animais de R$ 1.000.000,00.</p><p>• Estoque de capital em forrageiras não anuais, benfeitorias, máquinas e equipamentos</p><p>de R$ 350.000,00.</p><p>Fazenda Morada dos Ipês</p><p>Uma produtora de gado para corte. O</p><p>proprietário tem recebido o apoio da</p><p>Técnica de Campo. A propriedade conta</p><p>com um número expressivo de animais e a</p><p>Técnica tem aplicado vários conhecimentos</p><p>da metodologia de ATeG para ajudar a</p><p>propriedade a crescer.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 176</p><p>Acompanhe!</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Remuneração do capital = (1.000.000 × 6%) + [(350.000 ÷ 2) × 6%]</p><p>Remuneração do capital = R$ 70.500,00</p><p>CT = R$ 404.930,00 + R$ 70.500,00</p><p>= R$ 475.430,00</p><p>PCT = R$ 475.430,00 ÷ R$ 148,72</p><p>PCT = 3.196,81 arrobas</p><p>Veja que os cálculos aprendidos até aqui apresentam suas particularidades,</p><p>mas são simples e fáceis de memorizar. Lembre-se da importância e da forma</p><p>correta de aplicar cada um deles.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Conheceu o ponto</p><p>de cobertura total</p><p>e a sua importância</p><p>para a gestão de uma</p><p>propriedade.</p><p>Entendeu como</p><p>analisar os dados da</p><p>propriedade, com</p><p>base nesse indicador</p><p>e nas suas variações.</p><p>Observou esse indicador</p><p>sendo aplicado em</p><p>exemplos práticos nas</p><p>rotinas rurais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 177</p><p>Tópico 4: Taxa de retorno de capital</p><p>Você entende a relação da taxa de retorno com a</p><p>margem líquida?</p><p>Neste tópico você verá como funciona a taxa de retorno sobre</p><p>o capital empatado (TRC), calculando novamente a margem</p><p>líquida e considerando os tipos de estoques e demais fatores que</p><p>contribuem para o cálculo correto desse indicador.</p><p>Como já visto, existe uma série de fatores a considerar no momento de realizar</p><p>os cálculos de indicadores, entre os quais está a taxa de retorno sobre o</p><p>capital empatado, conhecida como TRC.</p><p>A taxa de retorno do capital empatado (TRC) é o indicador central da análise</p><p>da atividade e sem dúvida o mais importante. Isso porque ele é formado</p><p>a partir da combinação de indicadores de produção e produtividade, custos</p><p>operacionais, renda bruta e estoque de capital, como mostra a figura abaixo:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 178</p><p>TRC</p><p>ML Capital</p><p>TerraBenf. Maq.</p><p>Equip.COTRenda</p><p>Produt.Área</p><p>Preço COE MOF e dProdução</p><p>Qualquer variação na produção, no preço, nos custos operacionais efetivos,</p><p>na depreciação, no valor da mão de obra familiar, ou ainda, no estoque de</p><p>capital, terá impacto na TRC.</p><p>A taxa de retorno sobre o capital empatado (TRC) corresponde, em termos</p><p>percentuais, à capacidade da atividade de remunerar o capital médio que foi</p><p>aplicado na produção. Ela é calculada considerando o estoque de capital</p><p>com e sem a terra.</p><p>A realidade do campo</p><p>O Técnico de Campo deve realizar ambas as</p><p>análises, com e sem terra, para que o efeito do</p><p>“valor da terra” seja posto à parte, conseguindo</p><p>avaliar apenas a atividade em si. Isso é importante</p><p>especialmente quando o empresário rural não</p><p>cogita a hipótese de vender a terra, o que é muito</p><p>comum nesse meio.</p><p>A taxa de retorno do capital é calculada com a seguinte fórmula:</p><p>Margem Líquida</p><p>Estoque de capital</p><p>TRC = x 100</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 179</p><p>Margem líquida</p><p>A margem líquida é o resultado da diferença entre a renda bruta e o custo</p><p>operacional total, ou seja, o que sobra da renda bruta quando abatido o COE,</p><p>depreciações e custo da mão de obra familiar. Esses custos são inerentes à</p><p>operação e são reais.</p><p>Por mais que a depreciação</p><p>e a mão de obra familiar</p><p>não resultem em</p><p>desembolso sistemático,</p><p>elas são custos do sistema</p><p>que não retornam ao</p><p>empresário.</p><p>Com relação à mão de</p><p>obra familiar, por mais que</p><p>o desembolso não seja</p><p>sistemático, o trabalho por</p><p>ela realizado precisa ser</p><p>valorizado e custeado pelo</p><p>sistema de produção.</p><p>A depreciação ocorre ao longo do tempo e, mais cedo ou mais tarde, haverá</p><p>necessidade de substituição do bem e o consequente desembolso, ou seja, a</p><p>estrutura do negócio, se não monetizada, não é uma riqueza, e sim um custo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 180</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade de bovinocultura de leite precisa de uma</p><p>ordenhadeira mecânica.</p><p>• Valor = R$ 30.000,00</p><p>• Vida útil = 15 anos</p><p>Durante o tempo de utilização do equipamento o sistema terá</p><p>apenas gastos com manutenções. Porém, ao final da vida útil,</p><p>precisará dos R$ 30.000,00 para adquirir uma nova ordenhadeira.</p><p>Podemos concluir, considerando a depreciação linear, que essa</p><p>propriedade terá um custo de depreciação da ordenhadeira</p><p>mecânica de R$ 2.000,00/ano.</p><p>Não se usa o lucro para calcular a taxa de retorno, porque dele são</p><p>contabilizados os custos de oportunidade sobre o capital empatado e esse</p><p>custo não se incorpora ao produto, sendo apenas analítico. Assim, esse valor</p><p>também retorna ao empresário.</p><p>O objetivo principal ao se calcular a taxa de retorno é justamente</p><p>identificar se o negócio avaliado possui retorno superior a 6%, que</p><p>constitui a taxa média de remuneração do capital, balizada na poupança.</p><p>Conheça os estoques e seus cálculos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 181</p><p>Estoque de capital médio em benfeitorias,</p><p>forrageiras, máquinas e equipamentos (ECM)</p><p>O estoque de capital médio consiste em calcular a média do capital empatado,</p><p>considerando um determinado bem ao longo de sua vida útil. Como na metodologia</p><p>de ATeG considera-se um valor de sucata igual a zero, um bem empregado na</p><p>atividade passará toda a sua vida útil nela.</p><p>Dessa forma, o bem vai de 100% a 0% do capital nele empatado dentro da</p><p>atividade. Em média, ao longo da vida útil, o bem tem 50% do capital investido</p><p>na atividade.</p><p>Logo, para máquinas, forrageiras não anuais, equipamentos e benfeitorias, o capital</p><p>médio é calculado usando a seguinte fórmula:</p><p>Valor de novo do bem</p><p>2</p><p>Estoque de capital =</p><p>Estoque de capital médio em benfeitorias, forrageiras,</p><p>máquinas e equipamentos (ECM)</p><p>O estoque de capital em animais, também chamado de inventário animal, é o valor</p><p>do rebanho. Vale destacar que para fazer esse levantamento devemos definir um</p><p>valor médio do animal para cada categoria (e não o valor do melhor animal).</p><p>Em outras palavras, se esse rebanho fosse vendido, quanto ele valeria no</p><p>mercado atual?</p><p>Estoque de capital em animais (ECA)</p><p>Estoque de capital em animais (ECA)</p><p>Estoque de capital em terra (ECT)</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 182</p><p>O estoque de capital em terra é o valor da terra nua no mercado em que a</p><p>propriedade está inserida, multiplicado pela área da propriedade.</p><p>Valor da terra nua (R$)</p><p>Área (ha)</p><p>Estoque de capital em terra =</p><p>Vale destacar que, se na propriedade houver mais de uma atividade, devemos</p><p>ratear as áreas de construções, estradas, reservas e outras áreas improdutivas.</p><p>Esse rateio pode ser feito em proporção à área útil utilizada em cada atividade.</p><p>Estoque de capital em terra (ECT)</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade de 100 hectares produz café e leite.</p><p>Observe os dados!</p><p>• Área destinada para reservas = 30 ha.</p><p>• Áreas construídas = 70 ha úteis, divididos entre</p><p>leite e café.</p><p>• Participação do leite na área útil = 28/70 = 40%.</p><p>• Participação do café na área útil = 42/70 = 60%.</p><p>Logo:</p><p>• Área de reservas e construções destinadas ao leite = 30 ha × 40% = 12 ha.</p><p>• Área de reservas e construções destinadas ao café = 30 ha × 60% = 18 ha.</p><p>Se o valor da terra nua na região for de R$ 10.000,00/ha, o estoque de capital em terra</p><p>destinado para cada atividade será:</p><p>ECT para o leite = (28 ha + 12 ha) × R$ 10.000,00 = R$ 400.000,00.</p><p>ECT para o café = (42 ha + 18 ha) × R$ 10.000,00 = R$ 600.000,00.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 183</p><p>Taxa de retorno do capital sem a terra (TRCST)</p><p>A taxa de retorno do capital sem a terra é utilizada para comparar diferentes</p><p>sistemas de produção, ou até mesmo definir qual atividade explorar.</p><p>Uma questão importante é que a maioria dos proprietários de terra não estão</p><p>dispostos a vendê-la, portanto é importante saber o que dá maior retorno</p><p>sobre a terra para a tomada de decisão. Além disso, esse indicador é utilizado</p><p>também para casos de arrendatários.</p><p>A taxa de retorno do capital sem terra é calculada da seguinte forma:</p><p>Estoque de capital sem terra, que corresponde à soma do estoque de capital médio de máquinas,</p><p>benfeitorias e forrageiras não anuais com o estoque de capital em animais.</p><p>Taxa de retorno do capital sem terra.</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>TRCST = X 100</p><p>Entenda melhor vendo esse cálculo aplicado num exemplo prático:</p><p>Na prática</p><p>Numa fazenda de gado de corte, foi calculada a taxa de</p><p>retorno do capital sem a terra. Observe!</p><p>• Estoque de capital médio em máquinas,</p><p>equipamentos,</p><p>benfeitorias e forrageiras não anuais</p><p>= R$ 350.000,00.</p><p>• Estoque de capital em animais = 400.000,00.</p><p>• Margem líquida = R$ 80.220,00.</p><p>TRCST = (R$ 80.220,00 ÷ R$ 750.000) × 100</p><p>TRCST = 10,69%</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>TRCST = x 100</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 184</p><p>Taxa de retorno do capital com terra (TRCCT)</p><p>A taxa de retorno do capital com a terra permite ao empresário analisar a</p><p>capacidade que o sistema de produção integrado à terra tem de remunerar o</p><p>capital. Seu cálculo é feito através da seguinte fórmula:</p><p>Estoque de capital com terra, que é a soma do estoque de capital sem terra</p><p>com o estoque de capital em terra</p><p>Taxa de retorno do capital com terra</p><p>Margem Líquida</p><p>ECCT</p><p>TRCCT = X 100</p><p>Interpretação da TRCCT</p><p>Entenda o que os valores encontrados nesse indicador podem apontar:</p><p>A referência mais comum é a</p><p>poupança e outros</p><p>investimentos de renda fixa</p><p>assegurada, porém cada</p><p>empresário pode adotar uma</p><p>taxa mínima de atratividade</p><p>de acordo com as</p><p>oportunidades que ele tem</p><p>para o capital.</p><p>A referência é especulação</p><p>imobiliária, quando existe a</p><p>decisão de manter a terra</p><p>contando com uma valorização</p><p>desse patrimônio. Uma taxa de</p><p>retorno menor é aceitável, pois o</p><p>risco dessa decisão é menor,</p><p>quando comparado a montar um</p><p>sistema de produção em</p><p>qualquer cadeia.</p><p>Em algumas atividades, como</p><p>a bovinocultura de corte</p><p>trabalhada extensivamente,</p><p>o estoque de capital em</p><p>benfeitorias, máquinas e</p><p>equipamentos é muito baixo.</p><p>Dependendo do valor da</p><p>terra na região, isso resulta</p><p>em baixas taxas de retorno</p><p>do capital investido.</p><p>Para definir se a taxa de</p><p>retorno do capital é</p><p>atrativa, cada gestor</p><p>precisa adotar sua</p><p>referência.</p><p>Algumas situações</p><p>podem causar uma</p><p>TRCST alta.</p><p>Vale destacar</p><p>que a metodologia de</p><p>ATeG não calcula a</p><p>variação do patrimônio</p><p>em terra, pois considera a</p><p>decisão de ter a terra</p><p>como outra atividade.</p><p>Esse tipo de sistema</p><p>demanda grandes</p><p>extensões de terra,</p><p>pois opera</p><p>normalmente em</p><p>baixa lotação animal.</p><p>Dessa forma, podemos afirmar que em regiões de terra de alto valor, para</p><p>viabilizar e manter a terra é necessário ter uma produção intensiva em</p><p>qualquer atividade agropecuária.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 185</p><p>Na prática</p><p>Ainda usando o contexto da propriedade produtora de</p><p>gado para corte, observe as informações a seguir:</p><p>• Valor da terra: R$ 10.000,00/ha.</p><p>• Área = 300 ha.</p><p>• Estoque de capital com terra = R$ 10.000,00/ha ×</p><p>300 ha = R$ 3.000.000,00.</p><p>• Estoque de capital médio em máquinas,</p><p>equipamentos, benfeitorias e forrageiras não anuais</p><p>= R$ 350.000,00.</p><p>• Estoque de capital em animais = 400.000,00.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>TRCCT = (R$ 80.220,00 ÷ R$ 3.750.000,00) × 100</p><p>TRCCT = 2,13%</p><p>Logo, podemos concluir que é necessário ter uma produção intensiva para viabilizar e</p><p>manter a terra.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Compreendeu o</p><p>conceito da taxa</p><p>de retorno sobre o</p><p>capital empatado.</p><p>Explorou a taxa de retorno</p><p>de capital com e sem</p><p>terra, e sua interpretação</p><p>diante de contextos de</p><p>aplicação prática.</p><p>Entendeu a relação da</p><p>TRC com a margem</p><p>líquida e a sua</p><p>importância para os</p><p>cálculos da taxa de</p><p>retorno.</p><p>Conheceu os</p><p>estoques de capital</p><p>ECM, ECA e ECT.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 186</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Qual é o papel que a comunicação desempenha no</p><p>processo de desenvolvimento rural?</p><p>No decorrer deste tópico vamos aplicar o que aprendemos ao</p><p>longo do módulo no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Também vamos relembrar alguns conceitos já aprendidos e que o</p><p>ajudarão a construir seu conhecimento.</p><p>Agora é hora de aplicar todos os conceitos trabalhados no tema, analisando</p><p>os dados da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Com base nesses dados, entenda como calcular o lucro e os indicadores</p><p>relacionados ao lucro, destacando o PCT.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 187</p><p>Lucro (L)</p><p>O lucro é obtido pela diferença entre a renda bruta (RB) e o custo total (CT),</p><p>conforme a fórmula:</p><p>RB CTL</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>L = R$ 170.807,23 - R$144.032,61</p><p>L = R$ 26.774,62</p><p>Variações do lucro</p><p>Lucro unitário</p><p>O lucro unitário é aquele obtido por unidade produzida. Conseguimos o seu</p><p>valor calculando a divisão do lucro pela produção. Veja a fórmula:</p><p>Lucro</p><p>Produção</p><p>Lucro unitário =</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Lucro unitário = R$ 26.774,62 ÷ 114.545</p><p>Lucro unitário = R$ 0,23</p><p>1</p><p>21</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 188</p><p>Lucro equivalente às unidades produzidas</p><p>Consiste em converter o valor do lucro em litros de leite, dividindo o valor</p><p>encontrado pelo preço do leite. Isso permite comparar o resultado do lucro</p><p>entre as propriedades, sem o efeito do preço. Veja a fórmula:</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>Lucro equivalente =</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Lucro equivalente = R$ 26.774,62 ÷ R$ 1,30</p><p>Lucro equivalente = 20.595,9 litros</p><p>2</p><p>COE, COT e CT</p><p>Agora, observe as fórmulas e a aplicação de cada uma delas, considerando os</p><p>dados da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Os valores dos custos são convertidos em litros de leite, ou seja, quantos</p><p>litros de leite são necessários para cobrir COE, COT e CT.</p><p>COE – PCOE equivalente a litros de leite</p><p>Dados:</p><p>• COE = R$ 101.411,90.</p><p>• Preço médio ponderado do leite = R$ 1,30.</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>PCOE equivalente a litros de leite = R$ 101.411,90 ÷ R$ 1,30</p><p>PCOE equivalente a litros de leite = 78.009,15 litros por ano</p><p>Para entender melhor esses resultados, esse valor em litros será dividido por</p><p>dia, pois na prática o que o produtor planeja é sua produção diária.</p><p>78.009,15 litros ÷ 365 dias = 213,38 litros por dia</p><p>Assim, a quantidade da produção diária comprometida para pagar o COE foi</p><p>de 213,38 litros.</p><p>COE</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 189</p><p>COT – PCOT equivalente a litros de leite</p><p>Dados:</p><p>• COT = R$ 130.113,57.</p><p>• Preço médio ponderado do leite = R$ 1,30.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>PCOT = R$ 130.113,57 ÷ R$ 1,30</p><p>PCOT = 100.087,36 litros por ano</p><p>No PCOT, a conversão será em litros por dia, dividindo o volume anual por</p><p>365 dias.</p><p>100.087,36 litros ÷ 365 dias = 274,21 litros por dia</p><p>Portanto, 274,21 litros do leite da produção diária são comprometidos para</p><p>pagar o COT.</p><p>COT</p><p>CT – Ponto de Cobertura Total (CT equivalente a litros de leite)</p><p>Dados:</p><p>• CT = R$ 144.032,61.</p><p>• Preço médio ponderado do leite = R$ 1,30.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>PCT = R$ 144.032,61 ÷ R$ 1,30</p><p>PCT = 110.794,31 litros por ano</p><p>Agora, veja o cálculo em litros por dia:</p><p>110.794,31 litros ÷ 365 = 303,54 litros por dia.</p><p>Concluindo: a produção diária necessária para pagar todos os custos é de</p><p>305,9 litros.</p><p>CT</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 190</p><p>Viu só como é simples fazer os cálculos e ter uma visão mais ampla dos</p><p>custos e lucros de uma empresa rural?</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aplicou o conhecimento</p><p>do tema, aprofundando-</p><p>se no estudo de caso</p><p>da Fazenda Santa</p><p>Felicidade.</p><p>Acompanhou o passo</p><p>a passo dos cálculos</p><p>utilizados.</p><p>Analisou os cálculos sobre</p><p>o lucro a partir dos dados</p><p>da fazenda.</p><p>Encerramento do tema</p><p>Durante o tema, foi visto que é essencial entender como calcular os principais</p><p>indicadores de rentabilidade, para um gerenciamento eficiente da propriedade.</p><p>Você pôde compreender:</p><p>Como o lucro</p><p>ajuda a medir a</p><p>atratividade do</p><p>negócio, entendendo</p><p>que ele também é</p><p>um refinamento da</p><p>gestão por parte do</p><p>empresário rural.</p><p>A importância de</p><p>analisar o lucro</p><p>como parte da</p><p>avaliação do custo de</p><p>oportunidade do seu</p><p>capital.</p><p>Que esse indicador é</p><p>ainda mais evidente</p><p>quando se calcula</p><p>a taxa de retorno</p><p>do capital, em que</p><p>o produtor passa</p><p>a comparar as</p><p>oportunidades do</p><p>mercado.</p><p>A terceira etapa desse módulo foi uma chuva de cálculos, não é? O entendimento</p><p>desses conceitos, a análise e a aplicação são essenciais para basear o seu</p><p>trabalho de gerenciamento, garantindo a qualidade e a rentabilidade que toda</p><p>propriedade precisa!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 191</p><p>Agora, para finalizar o tema, acesse</p><p>o Ambiente</p><p>de Estudos e assista ao vídeo para acompanhar</p><p>o Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa</p><p>Felicidade!</p><p>Siga em frente para encerrar esse módulo!</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para finalizar este módulo e seguir para a</p><p>avaliação.</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor.</p><p>Questão</p><p>Leia o trecho adaptado de um texto retirado do portal da Universidade Federal</p><p>de Minas Gerais (UFMG…, s.d.)</p><p>“Atualmente, a cadeia da bovinocultura de corte consiste num</p><p>segmento do agronegócio de elevada concorrência, incertezas e</p><p>redução continuada das margens de ganho. Os sistemas de produção</p><p>são complexos e diversificados. Cada produtor deve desenvolver seu</p><p>sistema de produção, combinando suas metas às condições ambientais</p><p>e mercadológicas, devendo aliar às suas capacidades financeiras e</p><p>recursos humanos, tendo como base as responsabilidades social e</p><p>ambiental. A capacidade gerencial do administrador, envolvendo o</p><p>planejamento, a direção e o controle dos processos da atividade, bem</p><p>como a alocação dos recursos produtivos de maneira racional, são</p><p>fundamentais para a eficiência técnica e econômica. A gerência não</p><p>deve permitir que o aumento de custo unitário diminua sua vantagem</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 192</p><p>competitiva. Quando se aumenta a produtividade, aumenta-se o custo</p><p>total (principalmente o custo variável). Devido à maior quantidade</p><p>de produtos gerados (bezerros, kg de peso vivo ou carcaça), o custo</p><p>unitário diminui. Com menor custo unitário de produção e mesmo preço</p><p>médio de venda, ocorre maior receita total, além de aumento do lucro</p><p>total e da rentabilidade do sistema. A produtividade deve ser analisada</p><p>de acordo com a disponibilidade dos fatores de produção (terra,</p><p>trabalho e capital), que sendo mais escassos tornam-se mais caros.</p><p>Quando se aumenta a produtividade do rebanho, observa-se também</p><p>o aumento da produtividade da terra, do trabalho e do capital. O uso</p><p>de tecnologias permite aumentar produtividade e, consequentemente,</p><p>reduzir o custo médio unitário. É por esse motivo que as propriedades</p><p>mais tecnificadas são mais competitivas.”</p><p>Com base no que você aprendeu neste tema do curso e analisou no texto,</p><p>classifique as seguintes afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):</p><p>• O lucro de uma atividade é o produto da diferença entre custos e receitas.</p><p>Quanto maior a eficiência produtiva, melhor é a diluição dos custos fixos,</p><p>aumentando o lucro unitário.</p><p>• O ponto de cobertura operacional efetivo (PCOE) representa um nível de</p><p>produção necessário para cobrir o COE. Portanto, é variável de acordo com a</p><p>produtividade.</p><p>• Uma infraestrutura produtiva maior impacta diretamente no estoque de capital</p><p>médio. Assim, o equivalente em produção ao lucro obtido será maior, quanto</p><p>maior for o estoque.</p><p>• A diferença entre a quantidade total de unidades de produtos agropecuários</p><p>produzidos e o ponto de cobertura total permite ao produtor conhecer seu</p><p>lucro equivalente aos produtos.</p><p>• Uma eficiência produtiva maior melhora as perspectivas de lucro e de taxa</p><p>de retorno do capital. Porém, para encontrarmos a TRC, utilizamos a margem</p><p>líquida, e não o lucro, pois este já contabiliza o custo de oportunidade do</p><p>capital empatado (CO).</p><p>1. F, F, V, F, F.</p><p>2. V, F, V, V, V.</p><p>3. V, V, F, V, V.</p><p>4. V, F, F, V, V.</p><p>5. V, F, V, F, F.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 193</p><p>Encerramento do módulo</p><p>Durante este módulo, foram abordados conceitos de extrema relevância para</p><p>o gerenciamento da propriedade rural, garantindo um trabalho eficiente nas</p><p>finanças e nas decisões produtivas. Relembre os três temas estudados!</p><p>• É importante</p><p>diferenciar os</p><p>elementos de custo</p><p>fixo, decompor</p><p>os custos fixos, a</p><p>depreciação e a</p><p>contabilização dos</p><p>valores de mão de obra</p><p>familiar.</p><p>• A análise profunda</p><p>dos custos, ou seja,</p><p>ter uma anotação</p><p>detalhada das despesas</p><p>é uma ferramenta</p><p>de controle dos</p><p>processos produtivo e</p><p>administrativo.</p><p>• A análise dos dados de</p><p>produção e custos, além</p><p>das receitas, quando</p><p>devidamente processada,</p><p>possibilita a avaliação</p><p>econômica do negócio</p><p>e o planejamento da</p><p>empresa. Podemos</p><p>visualizar o quanto de</p><p>esforço físico e financeiro</p><p>está sendo direcionado</p><p>apenas para pagar custos</p><p>e não para gerar lucro.</p><p>• O lucro é um indicador</p><p>que ajuda a medir</p><p>a atratividade do</p><p>negócio e também é</p><p>um refinamento da</p><p>gestão por parte do</p><p>empresário rural. Isso</p><p>fica mais evidente</p><p>quando calculamos</p><p>a taxa de retorno do</p><p>capital e a comparamos</p><p>com as oportunidades</p><p>do mercado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 194</p><p>O objetivo é garantir que você se aproprie de conhecimentos e tenha o</p><p>desenvolvimento de competências que lhe deem condições para transferi-</p><p>los de maneira mais eficiente e efetiva ao produtor, o que fará de você um</p><p>legítimo promotor de mudanças e transformações.</p><p>Antes de finalizar este módulo, acesse o Ambiente</p><p>de Estudos e assista ao vídeo de encerramento.</p><p>Siga em frente e acesse no Ambiente de Estudos o Estudo de Caso, o Simulado</p><p>e a sua Avaliação.</p><p>Sucesso e até o próximo módulo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 195</p><p>Final de etapa</p><p>Parabéns pelo seu percurso até aqui!</p><p>Este é mais um momento para você aplicar os seus conhecimentos! Então,</p><p>para finalizar o módulo, você deverá realizar três atividades. Veja a explicação</p><p>do que deve ser feito!</p><p>Estudo de Caso</p><p>Será apresentada para você uma situação problema relacionada</p><p>aos temas estudados no módulo. Responda, fazendo uma</p><p>análise da situação. Você deverá responder ao Estudo de Caso</p><p>em forma de texto, ok? Essa atividade será corrigida pelo tutor,</p><p>que dará uma nota e um feedback.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 196</p><p>Simulado</p><p>São 17 questões objetivas sobre os três temas deste módulo.</p><p>Você pode realizar o Simulado três vezes, permitindo que você</p><p>se prepare bem para a Avaliação.</p><p>A realização dessa atividade é obrigatória, porém não vale nota.</p><p>Ela é uma ótima oportunidade para verificar o seu conhecimento,</p><p>estudar e ter uma prévia de como será a avaliação. Aproveite!</p><p>Avaliação</p><p>Depois de realizar o Simulado, você terá acesso à Avaliação.</p><p>Ela também é composta por 17 questões objetivas de múltipla</p><p>escolha e é composta por todo o conteúdo estudado no módulo.</p><p>Essa atividade é obrigatória e vale nota.</p><p>O seu desempenho nela será contabilizado na sua média. A correção</p><p>é automática, ou seja, é o LMS que fará a correção da atividade.</p><p>Onde acessar?</p><p>Para acessar essas atividades, observe o menu do seu Ambiente de Estudos</p><p>e, depois, identifique a aba Minhas Avaliações.</p><p>Início | Ambientação | Conteúdo | Biblioteca | Minhas Avaliações | Turma | Comunicação |</p><p>Importante! A Avaliação estará disponível somente depois</p><p>que você passar pelo Simulado. Comece apenas quando tiver a</p><p>segurança e a confiança necessárias nos seus estudos, pois você</p><p>terá somente uma tentativa de acerto.</p><p>Ah! Caso falte energia durante a avaliação, não se preocupe, pois o sistema</p><p>de avaliações, incluindo o Simulado, são salvos automaticamente. Você não</p><p>perderá nada do que já respondeu!</p><p>Para obter informações mais detalhadas sobre o acesso ou se tiver qualquer dúvida,</p><p>por favor, entre em contato pelo Tira-Dúvidas ou pelo e-mail faleconoscoead@</p><p>faculdadecna.com.br ou ainda pelo telefone 0800 006 4849 de segunda a sexta-</p><p>feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, no horário de Brasília.</p><p>Até o próximo módulo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 197</p><p>Gabarito das Questões</p><p>Tema 1</p><p>Resposta correta: COE / d / COE / MDOF / COT</p><p>Feedback:</p><p>O Custo Operacional Efetivo é variável e exige desembolsos financeiros</p><p>para que a produção ocorra. A Depreciação representa a reserva de capital</p><p>destinada à substituição de itens ao final de sua vida útil, desprezando-se os</p><p>valores de sucata.</p><p>Já a mão de obra</p><p>familiar representa uma despesa de natureza fixa, que</p><p>não exige desembolso de capital financeiro para seu pagamento, pois apenas</p><p>é um levantamento da oportunidade implícita em se vender o trabalho, ao</p><p>invés de trabalhar para si próprio. Ou seja, a atividade se torna obrigada a</p><p>remunerar esse fator de produção, caso contrário, será melhor aplicá-la em</p><p>outra atividade ou lugar.</p><p>Porém, quando há pagamento sistemático desse trabalho executado para</p><p>si mesmo, a terminologia mais adequada é pró-labore. Ao ser identificada</p><p>essa ocorrência, o aconselhável é remover esse item dos custos fixos da</p><p>propriedade e alocá-lo nos variáveis, pois há, de fato, saída de capital.</p><p>Por fim, o Custo Operacional Total representa uma somatória do COE,</p><p>depreciação e MDOF. Caso seja negativo com COE positivo, significa que a</p><p>atividade se mantém no curto prazo. Caso o COT seja nulo, significa que ela</p><p>poderá se manter no médio prazo. Em caso de COT positivo, é necessário dar</p><p>sequência aos estudos e analisar se houve ou não lucro na empresa.</p><p>Diante do exposto, a resposta que melhor completa as informações elencadas</p><p>é “E”.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 198</p><p>Tema 2</p><p>Resposta correta: F, V, F, V, V</p><p>Feedback:</p><p>Analisando item a item das informações fornecidas:</p><p>• Trator: o valor total do bem para o sistema produtivo será seu valor de novo,</p><p>sem taxas ou juros bancários. Portanto, R$ 150 mil. Sua vida útil será igual a</p><p>15 anos, independentemente do número de parcelas do financiamento.</p><p>• Carretinha de arrasto: é um bem depreciado, ou seja, não possui mais vida útil.</p><p>Porém, ainda possui valor de mercado, atualmente avaliado em R$ 5.000,00.</p><p>• Rebanho estabilizado: não sofre depreciação. Seu valor é contabilizado</p><p>integralmente para cálculo de Custo de Oportunidade.</p><p>• A mão de obra familiar não possui acréscimos de obrigações trabalhistas,</p><p>sendo considerado apenas o salário mensal estabelecido, multiplicado pelos</p><p>12 meses do ano.</p><p>• Foi informado que as construções custaram R$ 230 mil quando novas, e este</p><p>será o valor a ser considerado. O fato de já estarem sendo utilizadas há 11</p><p>anos, frente aos 40 de vida útil total, não irá alterar a forma de se calcular</p><p>a depreciação, pois a metodologia utiliza a depreciação linear. O Custo de</p><p>Oportunidade também não será afetado por este uso, uma vez que o importante</p><p>é saber apenas se o bem analisado está ou não dentro do prazo de vida útil.</p><p>• Produção leiteira: foi fornecido o volume de produção diária (260L), devendo</p><p>ser encontrado o volume anual.</p><p>• Preço do leite: essa informação não será usada para responder ao exercício,</p><p>mas é sempre bom termos em mente o valor recebido por cada unidade</p><p>comercializada, a fim de agilizarmos diversas análises, como o lucro ou o</p><p>prejuízo unitário.</p><p>• COE: esse é valor deverá ser utilizado como referência do COE, sem rateios.</p><p>Identificação dos indicadores de custos:</p><p>Para determinarmos o Custo Fixo Médio, ou seja, o Custo Fixo por litro de</p><p>leite produzido, é necessário que encontremos o Custo Fixo Total, para então</p><p>dividi-lo pelo volume total da produção anual dessa propriedade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 199</p><p>Custo Fixo será igual à somatória da mão de obra familiar, depreciação e</p><p>custo de oportunidade.</p><p>CF = MDOF + d + CO</p><p>CF = 12.408,00 + 15.750,00 + 25.110,00</p><p>CF = R$ 53.268,00/ano</p><p>CF</p><p>Produção Total</p><p>CFM =</p><p>R$ 53.268,00/ano</p><p>94.900L/ano</p><p>CFM =</p><p>CFM = R$ 0,56/L</p><p>Isso significa que a cada R$ 1 ganho na venda de cada litro de leite, esse</p><p>produtor possui R$ 0,56 comprometidos somente em custo fixo.</p><p>Uma vez conhecidos os valores do COE e CF, fica mais fácil determinar o CT.</p><p>Veja:</p><p>CT = COE + CF</p><p>CT = 37.230,00 + 53.268,00</p><p>CT = R$ 90.498,00/ano</p><p>Isso significa que o custo total suportado por esse produtor, para que ele</p><p>oferte seus produtos no mercado, é de R$ 90.498,00 ao ano.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 200</p><p>Tema 3</p><p>Resposta correta: V, V, F, V, V</p><p>Feedback:</p><p>A afirmativa “A” é verdadeira, pois lucro é função de renda bruta menos</p><p>custos totais. Relembre a fórmula: L = RB – CT. Nos custos totais, estão</p><p>inclusos tanto os variáveis quanto os fixos. Os primeiros têm por característica</p><p>aumentar conforme se aumenta a produção, sendo pequena sua redução</p><p>por unidade produzida. Já os segundos se mantêm constantes, sendo mais</p><p>impactante sua amortização quando se tem maior eficiência produtiva, pelo</p><p>simples processo da diluição (distribuição).</p><p>Corroborando com a essa explicação, temos a afirmativa “B”, que também</p><p>é verdadeira. Afinal, o COE tanto poderá não existir quanto poderá não ter</p><p>limite para chegar ao seu máximo, sendo dinâmico, em conformidade com a</p><p>produção alcançada ou desejada.</p><p>Para respondermos à afirmativa “C”, vamos relembrar que o CF é composto</p><p>pela somatória da Depreciação, Custo de Oportunidade do capital empatado</p><p>na atividade e Mão de Obra Familiar. Sendo o CF um componente do CT e,</p><p>conforme vimos, a margem de lucro é dependente dos custos, podemos afirmar</p><p>que quanto maior o Estoque de Capital Médio, maior será seu impacto no CF</p><p>da atividade (e CT), podendo comprometer o lucro, reduzindo-o conforme</p><p>se aumenta esse estoque e mantendo-se as mesmas expectativas de Renda</p><p>Bruta. Portanto, essa afirmativa é falsa.</p><p>A afirmativa “D” é verdadeira, pois, ao assumirmos que o PCT representa</p><p>a quantidade de produtos necessários para se cobrir os custos totais de</p><p>produção, e conhecendo o volume total produzido, podemos afirmar que a</p><p>diferença entre eles representa o lucro do produtor em equivalente produto.</p><p>A afirmativa “E” necessita de uma análise mais profunda.</p><p>Relembre a fórmula da TRC: (Margem Líquida/Estoque de Capital) x 100.</p><p>De fato, utiliza-se a ML para cálculo de TRC, ao invés do lucro. O motivo,</p><p>conforme visto no conteúdo que você estudou, é que o Custo de Oportunidade,</p><p>já embutido na análise do lucro, não se configura um custo operacional, sendo</p><p>apenas analítico. Inserir o lucro nessa fórmula exigiria que a atividade pagasse</p><p>em duplicidade o Custo de Oportunidade. Assim, essa afirmativa também é</p><p>verdadeira.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 201</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>ARAÚJO, A. J. Fundamentos do agronegócio. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007.</p><p>ASSIS, L. P. Análise técnica e econômica de uma propriedade leiteira</p><p>em Couto de Magalhães de Minas-MG: um estudo plurianual. Dissertação</p><p>(mestrado). Pós-Graduação em Zootecnia – UFVJM, Diamantina, 2012.</p><p>BAHIA, J. Veja a importância de um bom gerenciamento para a</p><p>empresa. Revista Gestão em Negócios. [s.d.]. 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Programa de</p><p>assistência técnica para o desenvolvimento de pequenas propriedades</p><p>leiteiras em Valença-RJ e região sul-fluminense. EBAPE BR, v. 14, Edição</p><p>Especial, Artigo 9, Rio de Janeiro, jul. 2016.</p><p>BRENZAN, C. K. M.; SOUZA, J. P. Coordenação e governança na cadeia</p><p>produtiva de frango: um estudo de caso de uma cooperativa no oeste</p><p>paranaense. XXXII encontro nacional de engenharia de produção. Bento</p><p>Gonçalves, 2012.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 202</p><p>CARVALHO, M. P. Economia de escala em produção de leite. 2000. Disponível</p><p>em: https://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/gerenciamento/economia-</p><p>de-escala-em-producao-de-leite-8638n.aspx. Acesso em: 13 out. 2016.</p><p>CEPEA/ESALQUE/USP. Relatório PIB Agro-Brasil. São Paulo, 2016.</p><p>DALCIN. D; OLIVEIRA, S. V.; TROIAN, A. Gestão rural e a tomada de</p><p>decisão: estudo de caso no setor olerícola. In: 48. 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Acesso em: 6</p><p>dez. 2020.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 16</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Como foi dito, geralmente existe uma relação direta entre o aumento da</p><p>produção e o incremento de custo. Porém, pode acontecer que a quantidade</p><p>produzida seja ampliada, sem que exista um aumento do COE.</p><p>O diagnóstico realizado pelo Técnico de Campo na propriedade pode</p><p>identificar algum desperdício de recursos ou a má aplicação deles. A correção/</p><p>racionalização desses desvios pode elevar o patamar produtivo ou até</p><p>apresentar uma redução de custos, sem alterar suas estruturas.</p><p>Análise da elevação de custos</p><p>Ao analisarmos a elevação dos custos variáveis em consequência do</p><p>aumento da produção, é fundamental relembrarmos os conceitos</p><p>apresentados no tópico Economia de Escala do Módulo Gerencial I da</p><p>Assistência Técnica e Gerencial.</p><p>Essa análise é importante para que não se tenha a ideia equivocada de que o</p><p>COE apenas sofrerá aumentos, transmitindo a impressão de que a ampliação</p><p>do volume produzido e, portanto, do COE, é sinônimo de maiores despesas e</p><p>menores lucros.</p><p>A elevação de custos é observada somente no COE total da atividade. Quando</p><p>analisamos o COE por unidade produzida, podemos observar que sua redução</p><p>gradual é possível, através das seguintes medidas:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 17</p><p>Diluição dos valores de</p><p>serviços contratados</p><p>para um maior volume</p><p>produzido.</p><p>Obtenção de descontos</p><p>nos insumos adquiridos</p><p>de acodo com o volume</p><p>(compra programada ou</p><p>coletiva).</p><p>Forma de pagamento/</p><p>faturamento</p><p>(faturamento direto</p><p>pela fábrica do insumo</p><p>em questão).</p><p>Entenda acompanhando o exemplo a seguir!</p><p>O custo de uma unidade</p><p>de adubo ou ração é de</p><p>R$ 70,00/saca.</p><p>O mesmo produto terá</p><p>seu valor reduzido para</p><p>R$ 60,00/saca se ele comprar</p><p>uma quantidade maior.</p><p>Porém, ao analisar o valor unitário</p><p>dos insumos adquiridos e o seu</p><p>reflexo nos custos unitários dos</p><p>itens produzidos a partir deles, será</p><p>observada uma redução gradual.</p><p>Assim, o custo total</p><p>será maior, pois serão</p><p>incrementados mais</p><p>insumos no sistema.</p><p>Um produtor que compra apenas uma unidade de ração ou adubo paga um</p><p>valor diferente do que desembolsaria ao comprar um volume maior. Então…</p><p>Neste momento não nos aprofundaremos sobre a redução de custos totais</p><p>por meio da diluição dos custos fixos obtida com o aumento da escala de</p><p>produção. Esse assunto será tratado mais adiante.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 18</p><p>A realidade do campo</p><p>Será comum para você, Técnico de Campo,</p><p>observar que nem sempre quem obtém a maior</p><p>renda bruta é quem alcança o maior lucro</p><p>proporcional. Também verá que não é válido dizer</p><p>que um COE elevado é sinônimo de prejuízo.</p><p>Despesas diretas no COE</p><p>Em relação ao pagamento de impostos e taxas, ao arrendamento de terras e</p><p>ao gasto com energia elétrica, já citados como exemplos de despesas diretas,</p><p>a metodologia considera que esses itens estão estreitamente ligados ao ciclo</p><p>produtivo. Portanto, sua duração será sempre menor ou igual ao ciclo produtivo.</p><p>Mesmo que essas despesas sejam esperadas em intervalos e até mesmo em</p><p>valores regulares, elas não se configuram como um elemento de custo fixo,</p><p>mas sim como parte do COE.</p><p>Na prática</p><p>Em determinada propriedade rural arrendada, trabalham um funcionário</p><p>contratado e um diarista eventual, ambos exclusivos para a produção.</p><p>O produtor resolve iniciar um projeto de irrigação, com a finalidade de melhorar sua</p><p>produtividade. Isso acarretará maior gasto de energia elétrica e água, ou seja, os</p><p>custos vão aumentar.</p><p>Já no caso do arrendamento, mesmo que seja regido por</p><p>um contrato com prazos estabelecidos, o administrador</p><p>também realiza um desembolso físico de recursos</p><p>financeiros e detém controle absoluto e imediato sobre</p><p>essa despesa.</p><p>Por isso, ele pode acabar com ela a qualquer tempo,</p><p>mesmo que para isso suporte o pagamento de eventuais</p><p>multas rescisórias, algo também observado na situação</p><p>laboral legalmente estabelecida.</p><p>Por outro lado, caso</p><p>o produtor deseje</p><p>encerrar por completo</p><p>a atividade, não haverá</p><p>motivo para continuar</p><p>tendo despesas com</p><p>eletricidade, água</p><p>e pessoal, podendo</p><p>dispensá-los no</p><p>momento em que</p><p>tomar essa decisão.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 19</p><p>Acesse o Ambiente de Estudos e assista a um vídeo</p><p>que preparamos especialmente para você. No vídeo</p><p>Na voz do Especialista, você perceberá que esse</p><p>assunto sobre valores e despesas referentes ao COE</p><p>ficará mais claro, com a explicação do Prof. Erno</p><p>sobre a metodologia de cálculo do custo operacional</p><p>efetivo. Acompanhe cada etapa!</p><p>Planejado versus realizado</p><p>É fundamental para os Técnicos de Campo e administradores rurais o</p><p>entendimento da conceituação exata do COE, conforme foi tratado. O COE é</p><p>tão somente um custo de produção.</p><p>Logo, apenas itens que foram efetivamente utilizados para a confecção de</p><p>determinado produto em um ciclo produtivo específico, independentemente do</p><p>volume de insumos que foram adquiridos inicialmente, são considerados como</p><p>custo de produção. É o que se chama de relação “planejado versus realizado”.</p><p>Veja na tabela a seguir a exemplificação disso!</p><p>Item Unidade Quantidade</p><p>adquirida</p><p>Valor</p><p>unitário Valor total</p><p>Quantidade</p><p>utilizada no</p><p>ciclo</p><p>COE da</p><p>atividade</p><p>Fertilizante</p><p>ureia agrícola Saco 50 kg 20 R$ 120,00 R$ 2.400,00 16 R$ 1.920,00</p><p>De fato, o produtor</p><p>desembolsou a quantia</p><p>de R$ 2.400,00 para a</p><p>aquisição do insumo.</p><p>Porém, em nossa metodologia esse desembolso é anotado</p><p>como fluxo de caixa, e não como custo de produção – afinal,</p><p>nem todo o insumo adquirido foi utilizado.</p><p>É muito importante entender o conceito de que a duração dos itens inseridos</p><p>no COE é menor ou igual ao ciclo produtivo da cultura. Caso o produtor adquira</p><p>um item que vai perdurar mais do que um ciclo produtivo, esse desembolso</p><p>será classificado como investimento, pois seu uso se dará por tanto tempo</p><p>quanto sua vida útil permitir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 20</p><p>Na prática</p><p>Qualquer que seja a cadeia produtiva que o técnico estiver</p><p>assistindo, é importante que ele adote um período de</p><p>referência igual a um ano para poder realizar a análise</p><p>dos indicadores dessas atividades.</p><p>Assim, será possível ter seus comparativos em relação</p><p>aos seus próprios exercícios anteriores, ano a ano, assim</p><p>como comparar com outras propriedades que utilizam a</p><p>mesma metodologia de cálculo de custos de produção.</p><p>Exemplos de investimentos</p><p>A aquisição de um macacão para apicultura, um balde para bovinocultura de</p><p>leite ou um regador para olericultura – esses são itens que possuem um custo</p><p>relativamente barato, o que leva alguns administradores à tendência de os</p><p>classificarem como COE.</p><p>No entanto, se durarem mais de um ciclo produtivo, devem ser classificados</p><p>como investimento.</p><p>Veja mais uma diferença entre COE e investimento na explicação a seguir.</p><p>COE Investimento</p><p>Deve ser reembolsado ao pagador</p><p>(produtor rural) ao final de cada ciclo,</p><p>para que ele volte a ter capacidade de</p><p>comprar novamente os insumos. Deve</p><p>ser iniciado a cada ciclo.</p><p>Não deve ser reembolsado logo no</p><p>primeiro ciclo de sua utilização. O retorno</p><p>será dado com a utilização do bem</p><p>adquirido ao longo do tempo.</p><p>No caso do investimento, a metodologia de ATeG dá outro tratamento,</p><p>conforme você verá mais afrente.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 21</p><p>Manutenção versus investimento</p><p>A manutenção de máquinas, equipamentos, ferramentas e</p><p>benfeitorias que</p><p>são utilizadas para a atividade analisada, seja ela preventiva ou corretiva, é</p><p>considerada COE. Isso, porque ela é caracterizada como uma despesa que gera</p><p>desembolso direto e tem sua existência atrelada ao ciclo produtivo.</p><p>Entretanto, com o passar do tempo, esses itens tendem a se aproximar</p><p>do sucateamento, necessitando de manutenções mais complexas (caso o</p><p>proprietário deseje permanecer com o bem em pleno estado de utilização),</p><p>que são chamadas de “reforma”.</p><p>Na metodologia de ATeG, manutenções são classificadas como investimento,</p><p>sempre que atingem a representatividade de 30% do valor de mercado</p><p>atualizado do bem que está sendo reformado.</p><p>Entenda observando o exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>Representatividade do valor da manutenção =</p><p>(valor da manutenção ÷ valor de mercado) × 100%</p><p>(R$ 23.000,00 ÷ R$ 70.000,00) × 100% = 32,86%</p><p>Quando novo, um trator com vida útil de 15 anos custou</p><p>R$ 180 mil ao produtor.</p><p>Hoje, com 12 anos de uso, seu valor atual de mercado</p><p>é de R$ 70 mil.</p><p>Infelizmente, o trator quebrou. Se o produtor resolver realizar uma</p><p>manutenção, que custa R$ 23 mil, ela deverá ser classificada como reforma,</p><p>portanto um investimento. Por quê?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 22</p><p>É possível concluir que houve um investimento, pois o valor da reforma de R$</p><p>23 mil superou o percentual de 30% do valor de mercado atualizado do bem</p><p>de R$ 70 mil. Assim, a despesa deve ser alocada no fluxo de caixa e integrar</p><p>o total de capital imobilizado (empatado) para a atividade, não no COE.</p><p>O exemplo apresenta uma decisão puramente administrativa, pois o proprietário</p><p>optou por reformar um bem já existente em detrimento de adquirir um novo.</p><p>Com um investimento de valor tão considerável quanto esse, vale a pena</p><p>reavaliar esse bem sob dois pontos de vista:</p><p>Financeiro Vida útil</p><p>Seu valor é atualizado. Para isso, basta</p><p>somar o valor investido na reforma àquele</p><p>pelo qual o bem foi previamente avaliado</p><p>para se obter sua nova cotação. É</p><p>realizada a soma porque o administrador</p><p>já tem a oportunidade de capital</p><p>imobilizado ou empatado no equipamento</p><p>antes da reforma e, mesmo assim, decide</p><p>empatar mais essa quantia financeira.</p><p>Mesmo que a máquina ou o equipamento</p><p>não valha esse mesmo valor atualizado</p><p>no mercado, o administrador possui esse</p><p>montante imobilizado no bem.</p><p>Devido a esse investimento, o bem</p><p>avaliado poderá ser utilizado por mais</p><p>tempo. É recomendável ter bastante</p><p>critério no momento de realizar</p><p>essa avaliação, a qual vai influenciar</p><p>diretamente nos custos de produção.</p><p>Por exemplo, é possível supor que o</p><p>trator deste caso terá um adicional de</p><p>5 anos de trabalho. Ou seja, a vida útil</p><p>residual será alterada de 3 para 8 anos</p><p>(5 + 3), distribuindo ou diluindo o</p><p>custo fixo do bem (depreciação) por um</p><p>período mais prolongado.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste primeiro tópico, você:</p><p>Aprofundou-se no</p><p>conceito de centro</p><p>de custos.</p><p>Compreendeu a importância</p><p>da relação “planejado versus</p><p>realizado” dentro de uma</p><p>análise financeira.</p><p>Viu como analisar a</p><p>elevação de custos e</p><p>relembrou o conceito de</p><p>economia de escala.</p><p>Entendeu o que são</p><p>despesas diretas no COE</p><p>e saberá diferenciá-las</p><p>dos investimentos.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 23</p><p>Tópico 2: Mão de obra familiar</p><p>Família que trabalha na propriedade não recebe?</p><p>Neste tópico você vai compreender os conceitos que fundamentam</p><p>a determinação dos valores de custo com mão de obra familiar.</p><p>O custo da mão de obra familiar é fixo e indireto, diferentemente de quando</p><p>ocorre o pagamento de funcionários contratados, que representam um custo</p><p>direto. Conforme visto anteriormente, o custo com a mão de obra familiar</p><p>nada mais é do que a análise de custo de oportunidade.</p><p>É importante fazer uma avaliação muito cuidadosa desse item, uma</p><p>vez que é um elemento de custo fixo e bastante subjetivo, ou seja,</p><p>não vai se alterar no curto prazo. Além disso, a mão de obra familiar</p><p>tem participação importante no custo de produção das atividades</p><p>agropecuárias, especialmente em pequenas propriedades rurais.</p><p>O procedimento usual para valorar essa mão de obra é considerar o salário de</p><p>mercado como referência de custo de oportunidade. Sendo assim, é preciso</p><p>avaliar a atividade exercida pelos membros da família na propriedade, assim</p><p>como a disponibilidade e as especialidades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 24</p><p>Entenda melhor como calcular o valor da mão de obra familiar!</p><p>Assuntos do campo</p><p>Veja um exemplo sobre como calcular o valor da</p><p>mão de obra familiar, assunto importante e que faz</p><p>parte de muitas propriedades.</p><p>Então, vamos começar imaginando o seguinte</p><p>cenário.</p><p>Uma propriedade desenvolve as atividades de</p><p>fruticultura e piscicultura.</p><p>O produtor rural possui formação superior com</p><p>doutorado, mas trabalha em sua propriedade com</p><p>atividades básicas, que não necessitam de sua</p><p>formação acadêmica.</p><p>É possível ver que a ver que a sua mão de obra é</p><p>valorada pelo trabalho que realiza e não por causa</p><p>da formação ou capacidade intelectual.</p><p>O que deve ser avaliado nesse caso, é a atividade</p><p>exercida.</p><p>Ao contabilizar o impacto que a mão de obra</p><p>familiar tem no custo de produção, você, técnico,</p><p>deve sempre ter em mente que o produtor rural</p><p>é um empresário, um empreendedor, e não um</p><p>funcionário.</p><p>Sendo assim, seus recebimentos não englobam</p><p>custos laborais legais, como contribuições</p><p>compulsórias, pagamento de férias e 13º salário.</p><p>Dessa forma, você deve calcular apenas a estimativa</p><p>de renda pelo período analisado, sem acréscimos.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 25</p><p>Ou seja, deve contar os 12 meses do ano, o ciclo</p><p>produtivo ou a base de valor da diária paga na</p><p>região para a atividade exercida.</p><p>Caso o produtor conte com a colaboração de mais</p><p>algum membro da família, você vai contabilizar como</p><p>mão de obra familiar apenas aqueles que não possuem</p><p>retirada de valores sistemáticos da atividade, seja em</p><p>capital financeiro, seja em produtos.</p><p>Caso contrário, esse membro deve aparecer como</p><p>um funcionário, portanto considerado no COE.</p><p>Então, atente-se sempre a essa questão quando</p><p>estiver cuidando da contabilização desses valores</p><p>com o produtor, ok?</p><p>Para que tudo fique mais claro, acompanhe um exemplo prático.</p><p>Na prática</p><p>O produtor de leite, Sr. Manoel, paga ao seu filho Zezinho R$ 100,00 por</p><p>semana para que ele vá à cidade se divertir aos domingos.</p><p>O rapaz o ajuda diariamente na atividade e merece uma folga…</p><p>A tendência de que o Zezinho seja incluído como mão de obra familiar</p><p>é grande, pois ele é filho do proprietário.</p><p>Também é possível que o pagamento semanal de R$ 100,00 para o</p><p>Zezinho entre na saída de fluxo de caixa e nos custos de produção.</p><p>O correto é contabilizar o Zezinho apenas como custo semanal igual a R$ 100,00 e</p><p>retirá-lo da mão de obra familiar.</p><p>Isso porque ele recebe por seus serviços como um funcionário comum,</p><p>contratado e pago por semana, mesmo que sua mão de obra esteja</p><p>sendo avaliada de forma modesta pelo Sr. Manoel.</p><p>Então, o custo da mão de obra do Zezinho deve ser lançado</p><p>como custo operacional efetivo (COE).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 26</p><p>Caso não tenha atenção no momento de lançamento de dados, o Zezinho</p><p>pode ser contabilizado de forma duplicada nos custos de produção: uma</p><p>como pagamento a terceiros (COE de R$ 400,00/mês), e outra como mão</p><p>de obra familiar.</p><p>Esse tipo de avaliação errônea pode comprometer a viabilidade do negócio</p><p>analisado.</p><p>Fica nítido, a partir de agora, que o termo “mão de obra familiar” não deve</p><p>ser atrelado exclusivamente ao fator parentesco, mas assimilado juntamente</p><p>ao contexto de desembolsos, pois também é conhecido como pró-labore do</p><p>administrador (pagamento realizado aos sócios pelos serviços prestados à</p><p>empresa).</p><p>Assim, é necessário ser um</p><p>administrador da empresa</p><p>rural para justificar o</p><p>recebimento de pró-labore,</p><p>apresentando grau de</p><p>parentesco ou não, desde que</p><p>não seja sistematicamente</p><p>remunerado, causando</p><p>desembolso</p><p>físico de capital</p><p>ou produtos.</p><p>Sempre que houver essa</p><p>situação de pagamentos</p><p>regulares a familiares</p><p>ou administradores, eles</p><p>deverão ser desqualificados</p><p>dos custos fixos e alocados</p><p>no COE, pois passaram a</p><p>ser uma despesa direta.</p><p>Em algumas propriedades rurais o proprietário faz uma retirada (pró-labore)</p><p>de um valor mensal para arcar com as despesas da família e muitas vezes até</p><p>para socorrer outras atividades. Porém, esse valor não condiz com a realidade</p><p>de custo dessa mão de obra, considerando o tempo dedicado e a natureza das</p><p>tarefas executadas.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 27</p><p>Na prática</p><p>O Sr. Roberto é produtor de leite</p><p>e também cultiva milho e soja em</p><p>sua propriedade.</p><p>O técnico que atende a propriedade,</p><p>conversou com os familiares para</p><p>identificar o que cada um deles faz</p><p>na atividade e o tempo dedicado em</p><p>suas funções, chegando à conclusão</p><p>de que o custo da mão de obra</p><p>familiar é de R$ 3.000,00.</p><p>R$ 3.000,00 é o valor correto a ser lançado</p><p>como custo de mão de obra familiar, já que</p><p>o restante do valor (R$ 2.000,00) pode ser</p><p>interpretado como remuneração do capital ou</p><p>ainda como lucro da atividade – remuneração</p><p>do empreendedor.</p><p>Como o leite gera receita</p><p>mensal, o proprietário retira do</p><p>valor recebido, R$ 5.000,00</p><p>todos os meses, para arcar</p><p>com as despesas da família e,</p><p>em alguns momentos, para</p><p>comprar insumos para a lavoura.</p><p>Não se deve confundir custo</p><p>de mão de obra familiar</p><p>com remuneração do</p><p>empreendedor, tema que</p><p>será visto logo a diante.</p><p>É muito importante destacar que a mão de obra familiar, em alguns casos,</p><p>dedica um esforço maior que a mão de obra contratada, além de trabalhar por</p><p>um período superior à jornada legal de um funcionário. Logo, para dimensionar</p><p>o valor do trabalho da mão de obra familiar, não se deve apenas contar o</p><p>número de pessoas envolvidas, mas sim qual seria o custo para substituí-las,</p><p>dadas as atividades executadas por elas.</p><p>Para complementar esse raciocínio, veja mais este exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 28</p><p>Um pai e seu filho trabalham sozinhos na</p><p>propriedade rural. Acordam diariamente</p><p>às 5h da manhã e encerram sua jornada</p><p>de trabalho às 19h. Ambos realizam 11</p><p>horas de trabalho e têm mais 3 horas</p><p>de almoço e descanso. Muito dedicados</p><p>e concentrados nas atividades, são</p><p>eficientes nas operações que exercem.</p><p>Certa vez, resolveram tirar uma semana</p><p>de férias com toda a família e, para</p><p>isso, contrataram duas pessoas para</p><p>substituí-los. Porém, já no primeiro dia</p><p>notaram que os dois contratados, em</p><p>suas 8 horas de trabalho diário, não</p><p>executaram sequer 50% das tarefas</p><p>que pai e filho realizavam.</p><p>Dessa forma, tiveram de contratar mais</p><p>duas pessoas para executar o serviço,</p><p>chegando a quatro contratados. Nesse</p><p>caso, a alocação deve ser de quatro</p><p>salários para pai e filho como custo</p><p>fixo de mão de obra familiar, pois</p><p>eles realizam atividades que somente</p><p>a contratação dessa quantidade de</p><p>funcionários atenderia à demanda.</p><p>O que acha de confirmar se esse conceito está claro para você?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 29</p><p>Pense e decida</p><p>Em uma propriedade rural, o pai, a esposa e seus cinco filhos trabalham</p><p>nela. A situação da mão de obra é a seguinte:</p><p>• Pai e mãe: trabalho integral.</p><p>• Filho mais velho: formado; trabalho integral.</p><p>• Outros 4 filhos: cursam ensino técnico pela manhã e o trabalho é em</p><p>meio período.</p><p>Ao chegarem dos cursos, o pai fala com os filhos sobre a importância</p><p>da lida do sítio, porém a cada dia todos eles estão menos interessados</p><p>nas atividades rurais, pois acreditam que pequenas propriedades não</p><p>apresentam perspectivas de melhoria. Esse pensamento é validado por</p><p>seus pais, ao não deixarem seus filhos participarem da administração</p><p>da propriedade, ocultando os resultados alcançados pela família.</p><p>Dessa forma, a participação desses filhos no trabalho da propriedade</p><p>existe, mas está cada vez menor. Diante desse contexto, qual é o custo</p><p>da mão de obra familiar nessa propriedade?</p><p>O valor de sete salários de mercado</p><p>para cada um dos sete membros</p><p>da família.</p><p>O valor de cinco salários de mercado</p><p>para essa função.</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 30</p><p>Feedback</p><p>Nesse caso, o custo da mão de obra familiar deve ser dimensionado com</p><p>o mesmo critério de outras situações, ou seja, para substituir o trabalho</p><p>dessa família, devemos considerar a quantidade de pessoas necessárias</p><p>pelo salário de mercado.</p><p>Ao analisar as informações, você poderá concluir que para as atividades</p><p>realizadas por essa família são necessárias cinco pessoas: pai, mãe e filho</p><p>mais velho – cada um dos três com salário de mercado integral – e quatro</p><p>filhos a meio período – o que totalizaria dois salários integrais, por exemplo.</p><p>Logo, o custo da mão de obra familiar será o valor de cinco salários de</p><p>mercado para essa função, e não de sete.</p><p>Remuneração do empreendedor</p><p>Caso o administrador/empreendedor tenha em mente que a única fonte de</p><p>renda para a mão de obra familiar faça parte dos seus custos de oportunidade,</p><p>deve ter sido realizada uma análise errada e pouquíssimo atrativa ao produtor.</p><p>É importante ter em mente que a remuneração do empreendedor acontece</p><p>em três momentos. Acompanhe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 31</p><p>O valor da mão de obra</p><p>familiar representa o custo de</p><p>oportunidade do trabalho do</p><p>produtor rural e sua família,</p><p>considerando as funções que</p><p>todos desempenham dentro do</p><p>sistema produtivo.</p><p>De uma forma geral, esse</p><p>item é um componente dos</p><p>custos fixos, pois não existe</p><p>desembolso e representa</p><p>também um custo de</p><p>oportunidade de investimento.</p><p>Nesse caso, será avaliado, por</p><p>exemplo, se compensaria mais</p><p>o empreendedor ter investido</p><p>R$ 1 milhão de capital médio</p><p>na infraestrutura da atividade</p><p>ou se teria uma melhor</p><p>remuneração investindo esse</p><p>mesmo capital na poupança</p><p>– um investimento tradicional</p><p>e com rendimento histórico</p><p>médio de 6% ao ano que</p><p>é adotado na metodologia</p><p>de Assistência Técnica e</p><p>Gerencial como parâmetro de</p><p>comparação.</p><p>Assim, esse R$ 1 milhão</p><p>renderia na poupança, a 6%</p><p>a.a., a quantia de R$ 60 mil/</p><p>ano. Obrigatoriamente, para</p><p>ser minimamente atrativa,</p><p>a atividade deveria render a</p><p>partir desse valor.</p><p>De forma conceitual, para</p><p>entender a alocação do lucro</p><p>que a atividade proporciona</p><p>nessa etapa de cálculos, basta</p><p>compreender que o lucro, na</p><p>verdade, não é diretamente</p><p>do empreendedor, mas</p><p>sim do negócio – os custos</p><p>com seu trabalho já foram</p><p>remunerados.</p><p>Em muitos empreendimentos,</p><p>o lucro é destinado a diversas</p><p>finalidades, de acordo com</p><p>o planejamento estratégico</p><p>da empresa. Por exemplo:</p><p>10% do lucro é destinado</p><p>para ações de marketing;</p><p>2% para doações; 20% para</p><p>investimentos em pesquisa;</p><p>50% para aquisição de</p><p>novos negócios e 18% para</p><p>distribuição de dividendos</p><p>entre os sócios do negócio.</p><p>Assim, caso não haja</p><p>destinação para investimentos</p><p>em novas áreas ou destinação</p><p>de recursos para outros</p><p>setores, o lucro deverá ser</p><p>destinado do negócio ao</p><p>empreendedor.</p><p>Mão de obra</p><p>familiar</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>Lucro</p><p>da atividade</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 32</p><p>Tanto o custo de oportunidade quanto o lucro serão tratados mais</p><p>profundamente no tema seguinte.</p><p>Assim, a fórmula para o cálculo da remuneração do produtor rural/</p><p>empreendedor será:</p><p>REMUNERAÇÃO = MOF + CO + LUCRO</p><p>Custo de oportunidade</p><p>Mão de obra familiar Resultado econômico</p><p>Veja um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Ao final da apuração anual dos resultados obtidos por uma propriedade rural, o</p><p>Técnico de Campo do empreendimento encontrou os seguintes valores:</p><p>• custo mensal da mão de obra familiar igual a R$ 1 mil,</p><p>• custos de oportunidade do capital iguais a R$ 60 mil por ano,</p><p>• lucro anual igual a R$ 20 mil.</p><p>A remuneração total do empreendedor no ano analisado pela consultoria foi</p><p>encontrada aplicando a fórmula:</p><p>Remuneração = MOF + CO + LUCRO</p><p>REMUNERAÇÃO = (R$ 1.000,00/mês × 12 meses) + R$ 60.000,00</p><p>+ R$ 20.000,00</p><p>REMUNERAÇÃO = R$ 12.000,00 + R$ 60.000,00 + R$ 20.000,00</p><p>REMUNERAÇÃO = R$ 92.000,00</p><p>Portanto, a remuneração total do empreendedor será igual a R$ 92 mil ao ano.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 33</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Entendeu a</p><p>fundamentação de</p><p>como determinar o</p><p>custo de mão de obra</p><p>familiar.</p><p>Compreendeu</p><p>como funciona a</p><p>remuneração do</p><p>empreendedor.</p><p>Pôde aprofundar seus</p><p>conhecimentos sobre os</p><p>elementos da mão de</p><p>obra familiar, do custo de</p><p>oportunidade e do lucro da</p><p>atividade.</p><p>Tópico 3: Depreciação</p><p>Você consegue avaliar o impacto do valor da depreciação</p><p>nos números de uma propriedade rural?</p><p>A partir de agora, você verá como reconhecer a importância</p><p>de calcular a depreciação como parte relevante dos custos de</p><p>produção.</p><p>A depreciação é uma reserva monetária destinada a gerar fundos necessários</p><p>para a substituição de bens ao final de sua vida útil.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 34</p><p>Ela permite que o produtor rural/empreendedor se prepare para o momento</p><p>da troca de bens de produção – itens necessários para manter a capacidade</p><p>produtiva da empresa – como:</p><p>Equipamentos,</p><p>máquinas,</p><p>benfeitorias</p><p>Forrageiras não</p><p>anuais (capineira,</p><p>canavial etc.)</p><p>Reprodutores e</p><p>animais de serviço</p><p>A depreciação é um custo fixo que não representa desembolso,</p><p>portanto é um custo indireto.</p><p>Na metodologia de ATeG para o cálculo de custo de depreciação, consideramos</p><p>o método linear e que o valor de sucata dos bens sempre seja igual a zero.</p><p>Esse método tem o objetivo de minimizar a subjetividade do cálculo de custo</p><p>da agropecuária.</p><p>Ao optar pelo método linear também ocorre uma estabilização da depreciação</p><p>ao longo de toda a vida útil do bem, necessitando que se realize seu cálculo</p><p>apenas uma única vez, até que ela se encerre. Assim, depreciação é igual a:</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil</p><p>Depreciação</p><p>Valor de novo</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Será necessário que o Técnico de Campo apure o valor de novo do bem,</p><p>independentemente da quantidade de anos de uso ou do seu estado de</p><p>conservação, desde que esteja dentro de seu prazo de vida útil.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 35</p><p>Entenda a partir de um exemplo prático!</p><p>Na prática</p><p>Para um trator no valor de novo de R$ 150 mil, com vida útil de 15 anos, qual</p><p>será sua depreciação?</p><p>Nesse caso, o custo anual de depreciação do trator é igual a R$ 10 mil/ano.</p><p>Vale destacar que sempre que o bem for adquirido novo e estiver dentro de seu</p><p>prazo de vida útil, a fórmula para calcular a depreciação é essa apresentada.</p><p>Para os casos em que o produtor não for o primeiro dono do bem, o cálculo é</p><p>outro, e será visto adiante.</p><p>VN – S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 150.000,00 – 0</p><p>R$ 10.000,00</p><p>15 anos</p><p>d =</p><p>d =</p><p>A vida útil se refere ao tempo que o bem pode ser usado para desempenhar sua</p><p>função tendo utilidade econômica na empresa rural. Na metodologia de ATeG,</p><p>ela é contabilizada em anos, podendo ser subdividida pelo intervalo de</p><p>tempo que o administrador desejar para suas análises pessoais, até mesmo</p><p>em horas.</p><p>É preciso ter muito critério ao realizar essa avaliação, pois os custos com</p><p>depreciação geralmente são “mascarados” ou não “enxergados” pelo produtor</p><p>rural, uma vez que não se realizam desembolsos para seu pagamento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 36</p><p>Informação extra</p><p>Devido ao Brasil ser um país de dimensões continentais,</p><p>apresentando um grande mix de produtos agropecuários,</p><p>com características edafoclimáticas diversas, e os bens</p><p>sofrerem intensidades de uso e de desgaste diferentes,</p><p>não é possível tabelar essa informação de modo que</p><p>seja aplicável em todo o território nacional.</p><p>Porém, os valores de vida útil podem ser encontrados</p><p>em tabelas disponíveis em obras especializadas para</p><p>agropecuária, que servem de base para o Técnico de</p><p>Campo realizar sua avaliação de acordo com a realidade</p><p>local, como zona litorânea; trabalho em solos arenosos</p><p>em oposição ao trabalho em solos argilosos; regime de</p><p>chuvas na região etc.</p><p>Edafoclimáticas são características definidas por fatores do meio, tais como clima, relevo,</p><p>litologia, temperatura, umidade do ar, radiação, tipo de solo, vento, composição atmosférica</p><p>e precipitação pluvial.</p><p>Os parâmetros de vida útil para cada item do inventário de recursos, caso</p><p>não sejam estabelecidos pela Coordenação Nacional de ATeG, deverão ser</p><p>definidos pela Coordenação Estadual. Os exemplos utilizados aqui no curso</p><p>são apenas hipotéticos, não servindo de base para a utilização no campo.</p><p>São itens que sofrem depreciação:</p><p>Benfeitorias (casas do proprietário e dos funcionários,</p><p>aprisco, galpão, depósito, caixa de abelha, cercas etc.)</p><p>Máquinas e equipamentos</p><p>(veículos, tratores, balança,</p><p>roçadeira, misturador de ração,</p><p>ferramentas etc.)</p><p>Semoventes</p><p>(animais de serviço,</p><p>reprodutores, rebanhos</p><p>não estabilizados etc.)</p><p>Forrageiras não anuais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 37</p><p>Quando o produtor não realiza cálculo de custos de produção, existe a</p><p>tendência de se considerar a depreciação como parte de seus lucros, uma</p><p>vez que a “reserva” financeira é algo raro no hábito dos brasileiros. Uma</p><p>opção viável é aplicar essa reserva em investimentos de longo prazo,</p><p>chamados no mercado financeiro de “renda fixa”.</p><p>Sempre que a vida útil do bem for esgotada, o cálculo da depreciação não</p><p>será mais necessário, pois ela será sempre igual a zero, uma vez que toda a</p><p>depreciação já foi paga.</p><p>Casos especiais</p><p>Quando se fala em depreciação, existem alguns casos especiais que necessitam</p><p>de um pensamento diferente para esse cálculo. Acompanhe!</p><p>A. Bens adquiridos usados</p><p>Na aquisição de bens já usados, porém dentro do prazo de vida útil, o Técnico</p><p>de Campo deve utilizar como base de cálculo o valor desembolsado pelo</p><p>produtor para adquiri-lo, independentemente de seu valor de mercado.</p><p>O que está sendo avaliado é o custo real, e não a oportunidade, conforme a</p><p>fórmula a seguir:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 38</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil residual</p><p>Depreciação</p><p>Valor de compra</p><p>VC - S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>A vida útil residual é obtida a partir da subtração entre a vida útil total estipulada</p><p>para o bem e o tempo efetivo de seu uso até o momento da compra.</p><p>Observe um exemplo prático.</p><p>Na prática</p><p>Uma bomba d’água elétrica nova custa R$ 18 mil e tem vida</p><p>útil de 15 anos.</p><p>O produtor comprou uma usada por R$ 8 mil e com 11 anos de</p><p>uso. Qual será a depreciação desse bem?</p><p>Nesse caso, o custo anual de depreciação é igual a R$ 2 mil/ano.</p><p>R$ 2.000,00d =</p><p>VC – S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>R$ 8.000,00 – 0</p><p>(15 – 11 anos)</p><p>d =</p><p>R$ 8.000,00</p><p>4 anos</p><p>d =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 39</p><p>B. Animais de rebanho e animais de serviço</p><p>Animais de rebanho e animais de serviço também podem sofrer depreciação.</p><p>Quando no cálculo do custo é considerado todo o rebanho e que este está</p><p>estabilizado, não é feita a depreciação das matrizes, uma vez que as fêmeas</p><p>mais jovens substituem as mais velhas, mantendo-se idêntica a idade média</p><p>da categoria matrizes.</p><p>O custo dessa recria corresponde à depreciação dessas matrizes. Essa situação</p><p>de estabilidade é bem comum em rebanhos de corte de qualquer espécie.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 40</p><p>Saiba Mais</p><p>Em um rebanho estável, não há mais modificações</p><p>numéricas nas diversas categorias animais do sistema</p><p>de produção, embora esse rebanho não esteja estático,</p><p>pois ele passa por uma renovação anual de reposição.</p><p>Entretanto, existem propriedades de produção leiteira que não realizam recria</p><p>de fêmeas para reposição, então serão obrigadas a adquirir novas matrizes.</p><p>Nesses casos, considerando os animais de produção como um bem, o produtor</p><p>deve reservar a depreciação, para que possa substituí-los de acordo com os</p><p>índices de descarte adotados.</p><p>A mesma analogia deve ser feita para a depreciação de animais de</p><p>serviço, como equinos, muares, asininos, cães de pastoreio, rufiões,</p><p>reprodutores ou doadores e fêmeas receptoras. Quando não houver</p><p>um semovente de igual categoria destinado à substituição, será preciso</p><p>realizar a reserva monetária para isso.</p><p>Em rebanhos de caprinos e ovinos, é bastante comum que o produtor</p><p>mantenha em seu inventário os reprodutores mais jovens, justamente para</p><p>realizar essa substituição dos reprodutores adultos, seja por questões de</p><p>idade (depreciação física), seja por questões de consanguinidade genética.</p><p>Nesses casos, o técnico deve realizar a estabilização da categoria sob a mesma</p><p>justificativa da realizada na estabilização de matrizes.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 41</p><p>C. Depreciação da lavoura</p><p>Toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Com</p><p>o decorrer dos anos, a lavoura vai perdendo seu potencial produtivo,</p><p>sofrendo depreciação. Então, em determinados momentos, ela precisará</p><p>receber intervenções, como a poda drástica ou até mesmo o novo plantio.</p><p>A metodologia de ATeG utilizada para a formação dos custos de depreciação de</p><p>lavouras consiste em dividir o investimento realizado para a sua formação</p><p>pelo número de anos de vida útil média de produção, com algumas</p><p>particularidades a serem descritas a seguir.</p><p>Conheça a fórmula:</p><p>Valor do investimento em formação</p><p>Vida útil produtiva</p><p>Depreciação</p><p>VI</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 42</p><p>A fórmula é aplicável a expectativa de vida útil produtiva que o produtor</p><p>estima para sua lavoura, cuja duração deverá ser avaliada caso a caso pelo</p><p>Técnico de Campo, que assim obterá a quantificação exata da reserva contábil</p><p>que deverá manter em sua propriedade, por hectare, por talhão e até mesmo</p><p>por planta, para que se proceda às intervenções naturalmente necessárias.</p><p>Também é possível encontrar casos em que as intervenções vão ocorrer antes</p><p>mesmo do encerramento da vida útil produtiva esperada para a lavoura em</p><p>questão. Estes serão tratados pela metodologia da seguinte maneira:</p><p>Valor do investimento em renovação</p><p>Vida útil produtiva</p><p>Depreciação</p><p>VR</p><p>VU</p><p>d =</p><p>A depreciação incide sobre a cultura formada, ou seja, as lavouras em formação</p><p>e em renovação são consideradas investimentos e, portanto, a depreciação</p><p>será zero durante esse período de análise.</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade implantou um talhão de 1 ha e</p><p>apresentou os seguintes gastos com o plantio:</p><p>• R$ 5 mil/ha no primeiro ano,</p><p>• R$ 6 mil/ha no segundo ano,</p><p>• Expectativa de 10 anos de vida útil produtiva.</p><p>Porém, o produtor decidiu realizar uma intervenção/reforma em sua lavoura</p><p>na oitava safra, com um custo de renovação de R$ 6 mil.</p><p>Com a intervenção/reforma, qual será a depreciação dessa lavoura ao longo</p><p>do período analisado?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 43</p><p>Para chegar à resposta, é necessário dividir essa análise em dois momentos.</p><p>Observe!</p><p>Análise até o momento da reforma</p><p>Análise após a reforma</p><p>Do primeiro ao oitavo ano produtivo, o valor de depreciação que deverá ser</p><p>reservado será de R$ 1.375,00 por ano. No entanto, a partir da retomada da</p><p>produção após a reforma, e considerando que não mais sofrerá intervenções</p><p>antecipadas pelo período de 10 anos, a nova reserva de depreciação deverá</p><p>ser de R$ 600,00 por ano.</p><p>VI</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 5.000,00 + R$ 6.000,00</p><p>8</p><p>d = R$ 1.375,00 / anod =</p><p>VR</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 6.000,00</p><p>10</p><p>d = R$ 600,00 / anod =</p><p>É possível observar no exemplo, que o fato da intervenção/reforma ter sido</p><p>realizada antes do período previamente programado não alivia os custos com</p><p>a depreciação. Pelo contrário, os custos são pressionados, causando uma</p><p>elevação em sua análise anual.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 44</p><p>D. Exaustão da floresta</p><p>O conceito de depreciação é aceitável contabilmente para a análise de</p><p>florestas plantadas. Porém, gramaticalmente, na língua portuguesa, utilizar</p><p>tal terminologia para essa cadeia produtiva não faz o menor sentido, uma</p><p>vez que um bem depreciado é aquele que foi perdendo sua capacidade</p><p>produtiva (tornou-se obsoleto) ao longo dos anos. Nas florestas, o que ocorre</p><p>é justamente o contrário.</p><p>Com o passar dos anos, a floresta vai se tornando cada vez mais valiosa,</p><p>ganhando mais e mais metros cúbicos para extração. A essa extração dá-se</p><p>o nome de exaustão da floresta, que é como devemos chamar a depreciação</p><p>nesse caso.</p><p>A exaustão é o custo de cada período pelo valor referente à parcela</p><p>consumida da floresta, ou seja, representa a porcentagem que foi removida</p><p>da floresta, para que se possa calcular proporcionalmente o investimento</p><p>realizado na implantação e na condução da floresta.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 45</p><p>Para isso, primeiro é aplicada a seguinte fórmula:</p><p>% de árvores extraídas:</p><p>(árvores extraídas ÷ total de árvores) × 100%</p><p>Depois de encontrar essa porcentagem representativa, é aplicada outra</p><p>fórmula para saber a proporção da exaustão:</p><p>Exaustão: investimentos × % de árvores extraídas</p><p>Entenda acompanhando o exemplo a seguir.</p><p>Na prática</p><p>Em um florestamento que envolve 10 mil pés de</p><p>eucaliptos, cujo custo de formação foi de R$ 56.300,00,</p><p>foram cortadas 4.800 árvores.</p><p>Para calcular o valor da exaustão, deve ser observado o seguinte critério:</p><p>• descobrir o percentual de árvores exauridas;</p><p>• aplicá-lo sobre o valor investido na formação.</p><p>Cálculo percentual das árvores extraídas:</p><p>% de árvores extraídas = (árvores extraídas ÷ total de árvores) × 100</p><p>% de árvores extraídas = (4.800 ÷ 10.000) × 100</p><p>% de árvores extraídas = 0,48 × 100</p><p>% de árvores extraídas = 48%</p><p>Assim, o custo com a exaustão da floresta será 48% de R$ 56.300,00 investidos</p><p>= R$ 27.024,00. Isso significa que do valor da venda das árvores extraídas,</p><p>R$ 27.024,00 devem ser direcionados para cobrir o investimento realizado na</p><p>formação da floresta.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 46</p><p>A depreciação é um fator que precisa ser levado em consideração na</p><p>administração do negócio rural, e as únicas formas de amenizar os impactos</p><p>desse custo são o uso adequado e a conservação pelo devido tempo de</p><p>qualquer bem ou infraestrutura.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Entendeu o impacto do</p><p>valor da depreciação na</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os casos</p><p>especiais que devem</p><p>ser considerados ao</p><p>calcular o custo da</p><p>depreciação.</p><p>Compreendeu como</p><p>encontrar o valor dessa</p><p>rubrica diante das</p><p>particularidades de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 47</p><p>Tópico 4: Custo operacional total</p><p>Você conhece a real necessidade de se calcular o custo</p><p>operacional total?</p><p>A partir de agora, você verá a composição do custo operacional</p><p>total, que é de grande importância na avaliação técnico-econômica</p><p>da propriedade rural.</p><p>O custo operacional total (COT) permite avaliar se uma atividade é sustentável</p><p>no médio prazo.</p><p>O COT inclui o custo operacional efetivo (COE), o pagamento da mão de obra</p><p>familiar (pró-labore) e, também, as depreciações de benfeitorias, máquinas,</p><p>animais de serviço e forrageiras perenes. Dessa forma, o COT é calculado da</p><p>seguinte maneira:</p><p>COT = COE + MOF + d</p><p>Mão de obra familiar ou pró-labore do administradorCusto operacional total</p><p>DepreciaçãoCusto operacional efetivo</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 48</p><p>No caso de análise de florestas plantadas, o fator depreciação deve ser</p><p>trocado pela exaustão da floresta, de maneira que a fórmula aplicada fica um</p><p>pouco diferente, como você pode ver a seguir:</p><p>COT = COE + MOF + EX</p><p>Mão de obra familiarCusto operacional total</p><p>Exaustão da florestaCusto operacional efetivo</p><p>No cálculo do COT, também se deve considerar apenas a atividade analisada,</p><p>e, portanto, todos os demais custos envolvidos em seu cálculo deverão ser</p><p>rateados proporcionalmente caso haja necessidade.</p><p>Esse conceito de rateio dos custos também se aplica à mão de obra</p><p>familiar e à depreciação, porém proporcionalmente, de acordo com a</p><p>relação de uso, ou o tempo empregado para a atividade, ou ainda com</p><p>a relação de composição da renda quando couber.</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>É justo que o técnico atribua o</p><p>pagamento</p><p>de custo da mão de</p><p>obra familiar proporcionalmente à</p><p>cada cadeia produtiva analisada.</p><p>Portanto, não é tão simples quanto</p><p>parece identificar corretamente o</p><p>COT, pois deve considerar diversas</p><p>variáveis dentro de cada item de</p><p>sua composição.</p><p>Um produtor divide seu tempo entre:</p><p>30%</p><p>Apicultura</p><p>70%</p><p>Criação de</p><p>caprinos</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 49</p><p>Aproximar do custo real</p><p>Devido à grande diversidade de cadeias produtivas atendidas pela metodologia</p><p>de ATeG, a flexibilidade de sistemas de produção e às especificidades de cada</p><p>uma delas, é natural que se tenha que ajustar alguns conceitos para que</p><p>se possa atender de forma satisfatória a todas elas e, assim, se aproximar</p><p>do custo real das atividades agropecuárias.</p><p>Essa tentativa de “aproximação” com o custo real se dá pela impossibilidade</p><p>de se controlar totalmente, fora do ambiente experimental e laboratorial, as</p><p>transformações e as inter-relações biológicas ocorridas no campo, que por si</p><p>só comprometem a análise econômica fiel, diferentemente do que acontece</p><p>em um ambiente industrial, por exemplo.</p><p>Como visto, além do COE existem dois outros custos da propriedade rural que</p><p>são importantes para a identificação do custo operacional total de produção:</p><p>Mão de obra familiar Depreciação</p><p>Para iniciar essa discussão, além das características já elencadas sobre o</p><p>COE, você conhecerá alguns casos especiais para esse item que impactam</p><p>diretamente o COT.</p><p>Particularidades do cálculo do COE para atividades</p><p>pecuárias</p><p>Por causa da complexidade do cálculo do custo de produção da atividade</p><p>pecuária, é recomendável que o técnico tenha forte interação na determinação</p><p>do custo, e o produtor, na busca de uma interpretação dos resultados que</p><p>mais se aproximem da realidade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 50</p><p>Muitas atividades pecuárias possuem produção conjunta, gerando um produto</p><p>principal e outros que podem, ou não, ser considerados como subprodutos ou</p><p>atividades secundárias.</p><p>Saber operacionalizar corretamente as ferramentas de controle é</p><p>muito importante, porém ainda se esbarra em subjetividades. Por isso,</p><p>o mais importante em um diagnóstico é ter um critério de julgamento</p><p>justo com as atividades analisadas.</p><p>Acompanhe a seguir um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Propriedade com foco na bovinocultura leiteira.</p><p>Apenas essa atividade será analisada nela.</p><p>Se o técnico resgatar a nota fiscal de rações que o produtor</p><p>adquiriu e observar apenas o valor total do documento, sem</p><p>verificar que no meio do faturamento estavam elencadas</p><p>rações para seu cão doméstico e também para os suínos</p><p>cevados, a análise sairá errada.</p><p>Isso porque elas estariam sendo elencadas como despesas</p><p>que não são de competência da atividade leiteira.</p><p>O critério é simples:</p><p>Portanto, as despesas relativas a eles não devem ser consideradas no custo do leite.</p><p>Em geral, não Sim! Ele é um cão treinado</p><p>para o pastoreio do gado.</p><p>Então, compõe rebanho da</p><p>propriedade na categoria</p><p>“animais de serviço”.</p><p>Salvo essa exceção,</p><p>esses animais não têm</p><p>absolutamente nada a ver com</p><p>a atividade estudada.</p><p>Utiliza cães e suínos para produção de leite?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 51</p><p>Prática na atividade leiteira</p><p>Agora que o conceito está mais claro, pense na prática da atividade leiteira,</p><p>que é uma operação complexa.</p><p>Dentro da atividade leiteira, existe um subproduto intrínseco e inevitável,</p><p>que é a produção de bezerros e bezerras. Considerando que o rebanho</p><p>estudado está estabilizado, esse produtor terá de fazer retenções para a</p><p>reposição de matrizes, ou mesmo aumento do rebanho.</p><p>Apenas uma parte desses animais nascidos na propriedade de fato</p><p>permanecerão para compor o estoque de rebanho, e todo o restante</p><p>será comercializado. Você consegue relembrar essa peculiaridade de</p><p>venda de animais no tópico “variação do inventário animal”.</p><p>Você sabia?</p><p>A reposição de matrizes consiste na substituição de</p><p>fêmeas em final de fase reprodutiva ou que apresentaram</p><p>problemas, como infertilidade, malformações congênitas,</p><p>danos sanitários — a exemplo da mastite —, ou mesmo</p><p>que vieram a óbito. Essa seleção de animais que vão repor</p><p>o estoque de fêmeas é baseada em genótipo, fenótipo,</p><p>idade e condição corporal. Geralmente, ocorre de forma</p><p>anual em uma taxa entre 5% a 20%, a depender dos</p><p>objetivos da empresa rural.</p><p>A venda de animais descartados muitas vezes representa um volume</p><p>considerável de entrada de recursos na propriedade, mas é considerada uma</p><p>subatividade da produção leiteira. Assim, é justo que ela também seja</p><p>onerada com os custos de sua produção. Então:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 52</p><p>Seguir a mesma</p><p>proporção encontrada</p><p>na relação renda</p><p>do leite/renda da</p><p>atividade.</p><p>Feito como de</p><p>todos os demais</p><p>custos de uso em</p><p>comum.</p><p>É necessário</p><p>fazer o rateio</p><p>proporcional do COE</p><p>no que compete</p><p>exclusivamente à</p><p>atividade leiteira.</p><p>Assim, a análise realizada diz que a atividade necessita da cria para que seja</p><p>iniciada a produção do leite, porém, após o parto, este animal é totalmente</p><p>desnecessário para a produção desse mesmo leite.</p><p>Portanto, o item “aleitamento artificial” é um custo totalmente referente à</p><p>criação desses animais, e não um custo para a atividade leiteira arcar sozinha.</p><p>Da mesma forma que, para produzir animais para venda, não é necessário</p><p>que esta atividade seja onerada com materiais para ordenha, hormônios ou</p><p>transporte do leite.</p><p>A fórmula</p><p>A aplicação de uma fórmula matemática específica permite descobrir o COE do</p><p>leite de forma bem detalhada, diferentemente de outras metodologias que</p><p>não trabalham com centro de custos, nas quais o custo é total e a atividade</p><p>leiteira tem de arcar com todas as despesas.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 53</p><p>1º - se remove os</p><p>elementos que não são</p><p>de uso comum para</p><p>ambas as atividades</p><p>como material de</p><p>ordenha, hormônios</p><p>e transporte do leite</p><p>(exclusivos do leite) e</p><p>o aleitamento artificial</p><p>(exclusivo da venda</p><p>das crias).</p><p>2º - todo o resto</p><p>de despesas</p><p>comuns é rateado</p><p>proporcionalmente de</p><p>acordo com a relação</p><p>entre a renda da</p><p>atividade e a renda</p><p>total.</p><p>3º e último - serão</p><p>integralmente somados</p><p>os valores que</p><p>pertencem ao leite,</p><p>pois o que se pretende</p><p>descobrir é apenas o</p><p>COE do leite.</p><p>Assim, tem-se a seguinte fórmula para basear esses custos:</p><p>COEL = {[(COEAT - MO - H - TL - AA) × RL] ÷ RA} + MO + H + TL</p><p>COE do leite: COEL custo operacional efetivo do leite</p><p>COE da atividade: COEAT custo operacional efetivo da atividade leiteira</p><p>MO material de ordenha</p><p>H</p><p>hormônios (somente aqueles ligados</p><p>diretamente à produção de leite como</p><p>ocitocina e BST)</p><p>TL transporte do leite (quando houver)</p><p>AA aleitamento artificial</p><p>RL renda do leite/RA</p><p>renda da atividade</p><p>proporção da renda bruta do leite sobre a renda</p><p>bruta da atividade leiteira</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 54</p><p>Outras cadeias</p><p>Em outras cadeias da pecuária, geralmente o raciocínio é menos complexo.</p><p>Nas cadeias produtivas de aquicultura, avicultura, ovinocaprinocultura,</p><p>suinocultura e bovinocultura de corte para confinamento (ou terminação),</p><p>encontra-se a semelhança de que todos os animais pertencem ao COE, uma</p><p>vez que são tratados como insumos.</p><p>Eles são assim considerados pois se faz necessária sua aquisição sempre que</p><p>um ciclo se encerra e para que se possa iniciar o subsequente.</p><p>Tome nota</p><p>Nesses casos, os animais criados serão ao mesmo tempo</p><p>itens que necessitam ser adquiridos no início da criação,</p><p>como também o próprio produto a ser comercializado.</p><p>Como geram desembolso direto e se encerram ao final</p><p>do ciclo produtivo, compõem o COE. O critério é válido</p><p>mesmo para aqueles animais que apresentam ciclos com</p><p>duração maior que um ano, como a compra de bezerros</p><p>de desmama para engorda ou a criação de pirarucu</p><p>(Arapaima gigas) em cativeiro, uma vez que o termo</p><p>“ciclo” não é específico ao tempo fixo de um ano, mas</p><p>sim ao período para o desenvolvimento da criação.</p><p>A metodologia de ATeG considera sempre</p><p>o centro de custos, ou seja, a</p><p>separação total dos itens para cada seguimento da criação.</p><p>No caso de a propriedade</p><p>ter mais de uma</p><p>atividade, será sempre</p><p>como se o produtor</p><p>estivesse vendendo o</p><p>insumo para ele mesmo</p><p>pelo preço de mercado.</p><p>Isso se chama “custo</p><p>de oportunidade”, que</p><p>representa o que o</p><p>produtor receberia caso</p><p>decidisse vender seu</p><p>produto no mercado, ao</p><p>invés usá-lo em outra</p><p>atividade na propriedade.</p><p>Esse conceito serve</p><p>para o administrador</p><p>avaliar qual decisão</p><p>será financeiramente</p><p>mais vantajosa para</p><p>sua empresa.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 55</p><p>Já os rebanhos de matrizes, reprodutores e animais de serviço utilizados para</p><p>a obtenção desses insumos continuarão alocados em outro centro de custo,</p><p>sempre rateando proporcionalmente os custos que eventualmente sejam de</p><p>uso comum a ambas as atividades.</p><p>A realidade do campo</p><p>Em todos os exemplos de cadeias apresentados</p><p>neste tópico, não será raro o Técnico de Campo</p><p>encontrar situações em que os insumos sejam</p><p>produzidos no próprio local. Vale prestar atenção</p><p>sempre que for realizar essas análises!</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Compreendeu a</p><p>importância de</p><p>calcular o custo</p><p>operacional total.</p><p>Aprofundou seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>a fórmula do COT,</p><p>conhecendo os elementos</p><p>que a compõem.</p><p>Conheceu a</p><p>forma correta de</p><p>se aproximar do</p><p>custo real.</p><p>Entendeu a diferença</p><p>desse custo de</p><p>acordo com a</p><p>cadeia produtiva ou</p><p>atividade praticada.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 56</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Consegue prever como aplicar tudo o que foi visto</p><p>na prática?</p><p>Neste tópico você verá na prática os conceitos aprendidos sobre</p><p>os indicadores de custos e a forma como podem ser calculados.</p><p>Para começar, pense no custo operacional efetivo (COE). Nele, são</p><p>contabilizadas apenas as despesas de custeio que envolvem desembolsos</p><p>inerentes à atividade.</p><p>Ele está relacionado aos desembolsos do produtor, como:</p><p>• mão de obra contratada,</p><p>• concentrados,</p><p>• fertilizantes,</p><p>• sementes,</p><p>• medicamentos,</p><p>• sais minerais,</p><p>• reparos de benfeitorias,</p><p>• consertos de máquinas,</p><p>• impostos e taxas,</p><p>• energia elétrica,</p><p>• combustível,</p><p>• inseminação artificial,</p><p>• outros dessa natureza.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 57</p><p>No estudo de caso, será analisada a atividade leiteira da Fazenda</p><p>Santa Felicidade.</p><p>Veja a seguir a planilha de despesas apresentada pelo Sr. Ariovaldo!</p><p>Despesas de custeio Valor anual</p><p>Mão de obra temporária R$ 3.000,00</p><p>Manutenção de pastagens R$ 5.750,00</p><p>Manutenção de canavial R$ 2.000,00</p><p>Manutenção de capineira R$ 200,00</p><p>Silagem R$ 14.000,00</p><p>Concentrado R$ 42.705,00</p><p>Gastos com alimentação da família R$ 11.543,00</p><p>Aleitamento artificial R$ 6.086,90</p><p>Minerais R$ 3.950,00</p><p>Despesas com vestuário da família R$ 500,00</p><p>Medicamentos R$ 6.000,00</p><p>Despesas com escola dos filhos R$ 1.000,00</p><p>Hormônios (ocitocina + BST) R$ 800,00</p><p>Aquisição de conjunto de ordenha R$ 27.000,00</p><p>Material de ordenha R$ 2.300,00</p><p>Energia e combustível R$ 2.400,00</p><p>Inseminação artificial R$ 2.115,00</p><p>INSS + Impostos + Contribuição Sindical R$ 4.350,00</p><p>Reparos de benfeitorias R$ 1.870,00</p><p>Reparos de máquinas e equipamentos R$ 2.350,00</p><p>Outros gastos de custeio R$ 1.535,00</p><p>Total R$ 141.454,90</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 58</p><p>A aquisição de conjunto de ordenha nada mais é que um conjunto de</p><p>equipamentos destinados a realizar a ordenha mecanizada, cada vez mais</p><p>comum na bovinocultura leiteira.</p><p>Essa aquisição é tratada como um investimento e, portanto, não é um item a</p><p>ser incluído na somatória do COE, assim como as despesas com vestuário e</p><p>a alimentação da família.</p><p>O COE da atividade (COEAT) ficou da seguinte forma:</p><p>R$</p><p>141.454,90</p><p>total de</p><p>despesas</p><p>R$</p><p>27.000,00</p><p>conjunto</p><p>ordenha</p><p>R$ 500,00</p><p>vestuário da</p><p>família</p><p>R$</p><p>11.543,00</p><p>alimentação</p><p>da família</p><p>R$</p><p>1.000,00</p><p>escola dos</p><p>filhos</p><p>COEAT</p><p>R$</p><p>101.411,90COEAT</p><p>Apenas os gastos com atividades inerentes à atividade serão utilizados para</p><p>uma avaliação econômica.</p><p>COE de um produto da atividade</p><p>O COE permite ao administrador avaliar, em separado, cada um dos produtos</p><p>de uma atividade e, com isso, tomar as decisões adequadas na gestão de</p><p>cada produto ou subproduto.</p><p>Nas atividades agropecuárias, alguns</p><p>itens de custo são difíceis de ratear</p><p>para cada produto da atividade.</p><p>Por exemplo: quanto do mineral</p><p>utilizado na atividade foi para as vacas</p><p>gerarem um bezerro e quanto foi para</p><p>elas produzirem leite?</p><p>Ao mesmo tempo, alguns itens de</p><p>custos são específicos de um produto.</p><p>Por exemplo: para produzir animais</p><p>para venda não é necessário ter</p><p>material para ordenha.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 59</p><p>Com essas informações, veja como vamos calcular o COE do leite da Fazenda</p><p>Santa Felicidade.</p><p>• Material de ordenha:</p><p>» pré e pós-dipping,</p><p>» produtos de limpeza,</p><p>» papel-toalha,</p><p>» outros itens vinculados à ordenha.</p><p>• Transporte do leite.</p><p>• Hormônios (ocitocina + BST).</p><p>Itens que são COE apenas do leite</p><p>O primeiro passo é definir quais itens não serão rateados.</p><p>• Aleitamento das crias.</p><p>Os demais itens são rateados em proporção da renda obtida pelo produto do</p><p>qual se deseja separar o custo, ou seja, assume-se que o custo do produto</p><p>dividido pelo custo da atividade é igual à renda do produto dividida pela renda</p><p>da atividade.</p><p>Itens que não participam do COE do leite</p><p>Dessa forma, deve ser considerada a correspondência a seguir:</p><p>COE da atividade Renda da atividade</p><p>COE do leite Renda do leite</p><p>COEL RL</p><p>COEA RA</p><p>=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 60</p><p>Logo, para se definir o COE do leite, parte-se do princípio de que:</p><p>COEA RL RACOEL</p><p>Para corrigir essa conta, é necessário subtrair do COE da atividade aqueles</p><p>itens que não são proporcionais e adicionar ao final apenas os que são</p><p>100% do leite.</p><p>Considere os valores a seguir!</p><p>• Material de ordenha = MO = R$ 2.300,00</p><p>• Aleitamento artificial = AA = R$ 6.086,90</p><p>• Transporte do leite = TL = 0</p><p>• Hormônios (ocitocina + BST) = H = 800,00</p><p>• Renda do leite = RL = R$ 148.807,23</p><p>• Renda da atividade = RA = R$ 170.807,23</p><p>• COE da atividade = COEA = R$ 101.411,90</p><p>Assim, você tem o seguinte cálculo.</p><p>87,11%=</p><p>RENDA DO LEITE</p><p>RENDA DA ATIVIDADE</p><p>R$ 148.807,23</p><p>R$ 170.807,23</p><p>COEL = {( COEA - MO - AA - TL - H x ) } + MO + TL +H</p><p>RL</p><p>RA</p><p>COEL = {( R$ 101.411,90 - R$ 2.300,00 - R$ 6.086,90 - 800,000 x ) X</p><p>87,11% } + R$ 2.300,00 + 0 + R$ 800,00</p><p>COEL = R$ 83.437,19</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 61</p><p>Com base nos resultados, é possível observar como é grande a diferença</p><p>encontrada (R$ 17.974,71) entre o COE total da atividade e o COE específico</p><p>do leite.</p><p>Viu como não é justo que uma atividade arque sozinha com as despesas</p><p>de outras? Esse erro pode comprometer a análise de viabilidade da</p><p>atividade.</p><p>O mesmo raciocínio pode ser adotado em qualquer atividade. Por exemplo:</p><p>a embalagem do mel é custo só do mel, logo seu custo não deve ser rateado</p><p>com o custo do própolis.</p><p>COEL por litro</p><p>Agora, veja como encontrar o indicador COEL/litro da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Para isso, basta dividir o COEL pela produção obtida nos últimos 12 meses.</p><p>Acompanhe!</p><p>• COE do leite (COEL) = R$ 83.437,19</p><p>• Produção = 114.545 litros</p><p>O cálculo fica dessa forma:</p><p>COEL/LITRO = = 0,7284 REAIS</p><p>R$ 83.437,19</p><p>114.545 LITROS</p><p>Assim, para a produção total de leite, foi despendido R$ 0,7284 para cada</p><p>litro de leite.</p><p>COEL por preço médio</p><p>A renda do leite representa a receita obtida com a venda de leite ao longo do</p><p>período analisado. Sabendo que a atividade leiteira:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 62</p><p>quando executada de</p><p>forma racional é</p><p>ininterrupta,</p><p>e que ao longo do ano, devido a</p><p>diferentes fatores mercadológicos</p><p>(disponibilidade do produto,</p><p>demanda, região analisada, época</p><p>do ano etc.), os preços sofrem</p><p>diversas alterações,</p><p>é necessário investigar qual é o</p><p>valor médio recebido ao longo do</p><p>período analisado, que será</p><p>chamado de preço</p>

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