Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

ENDODONTIA PRÉ CLÍNICA 
 
 
ANATOMIA DENTÁRIA - ASPECTOS GERAIS 
 
Anatomia da cavidade pulpar 
 
A cavidade pulpar é definida como o espaço situado na 
porção central dos dentes que abriga a polpa dentária. 
Didaticamente pode ser dividida em câmara pulpar e canal 
radicular. 
A câmara pulpar corresponde à porção mais coronária da 
cavidade pulpar, enquanto os canais se localizam em sua 
porção radicular. 
A porção coronária da cavidade pulpar é facilmente 
identificada nos dentes com duas ou mais raízes, mas, na 
quase totalidade dos dentes uniradiculares, seu limite com 
a porção radicular não é nítido, uma vez que há 
continuidade natural entre eles. 
CÂMARA PULPAR 
A câmara pulpar é uma cavidade única, geralmente 
volumosa, que aloja a polpa coronária e ocupa 
internamente o centro da coroa, assemelhando-se, em 
forma, à superfície externa do dente. 
Nos dentes anteriores: 
● A câmara pulpar é contígua ao canal radicular, 
sendo delimitada pelas paredes vestibular, lingual, 
mesial e distal, correspondentes às faces 
coronárias do dente; 
● O teto da câmara pulpar está localizado abaixo da 
margem incisal e geralmente apresenta 
reentrâncias que correspondem às saliências na 
coroa, os chamados divertículos pulpares, 
mamelões ou tubérculos; 
● Nos incisivos, a câmara pulpar é triangular, estreita 
no sentido vestibulolingual e ampla em sentido 
mesiodistal, não apresentando divertículos 
pulpares proeminentes, exceto nos dentes jovens; 
● Nos caninos, a câmara apresenta seu maior 
diâmetro no sentido vestibulolingual na altura da 
região cervical, afilando-se em direção à ponta da 
cúspide, onde apresenta um divertículo 
pronunciado; 
 
Nos dentes posteriores: 
● A parede oclusal se relaciona com a face oclusal e 
denomina-se teto da câmara, enquanto a face 
cervical é o assoalho da câmara; 
● A câmara geralmente é estreita no sentido 
mesiodistal e ampla na direção vestibulolingual, 
apresentando o formato de um prisma 
quadrangular irregular com seis lados: o teto e o 
assoalho bem nítidos, além de quatro paredes 
axiais que recebem seus nomes de acordo com a 
face do dente para a qual está voltada, sendo 
identificadas como mesial, distal, vestibular e 
lingual (ou palatina). 
● O teto tem forma côncava e apresenta divertículos 
pulpares — reentrâncias subjacentes às cúspides, 
tubérculos e outras saliências da coroa — 
ocupados pelos cornos pulpares, muito evidentes 
principalmente em dentes jovens. 
● O assoalho da câmara pulpar é a face oposta ao 
teto da câmara e é onde estão localizadas as 
entradas dos canais — os orifícios radiculares —, 
aberturas que conectam a câmara pulpar ao SCR; 
● É importante salientar que, em um mesmo grupo 
dental, pode haver variações em forma, tamanho e 
localização da câmara pulpar em função de 
alterações morfológicas da coroa. Além disso, em 
algumas anomalias anatômicas como no 
taurodontismo, a câmara pulpar é mais avantajada 
e seu assoalho está deslocado no sentido apical.53 
 
Em dentes multirradiculares podem existir canais 
acessórios no assoalho conectando a câmara pulpar ao 
ligamento periodontal na região da furca, denominados 
canais cavo inter-radiculares. Sua existência se manifesta 
clinicamente como áreas de rarefação óssea envolvendo 
estruturas periodontais na região de furca de dentes com 
necrose pulpar 
 
A câmara pulpar poderá, ainda, apresentar alterações 
decorrentes de modificações fisiológicas relacionadas com 
a deposição contínua de dentina secundária ou terciária 
com a idade, bem como em virtude da resposta pulpar 
diante de fatores irritantes, com a formação de nódulos 
pulpares ou outros processos degenerativos, resultando 
em redução progressiva do seu volume é possível bloqueio 
dos orifícios de entrada dos canais radiculares. 
 
CANAL RADICULAR 
O sistema de canais radiculares (SCR) é a parte da cavidade 
pulpar que se estende por toda a porção radicular dos 
dentes, acompanhando sua forma externa. 
● O canal principal geralmente tem a forma cônica e 
se afunila a partir de sua abertura ou embocadura 
 
(orifício de entrada) progressivamente em direção 
ao forame apical (orifício de saída); 
● Didaticamente, pode ser dividido em três porções 
ou terços denominados cervical, médio e apical; 
● Pode apresentar variações quanto ao número, 
forma, direção e configuração. Raramente 
apresenta seção arredondada, excetuando-se nas 
proximidades do ápice radicular; 
● Geralmente são achatados ou ovais no sentido 
mesiodistal e vestibulolingual, acompanhando a 
direção das raízes. 
 
Na dentição humana, uma ampla gama de variações 
anatômicas tem sido relatada em termos de número e 
forma de raízes e canais radiculares. Ou seja, a variação é a 
regra. Assim, diferentes propostas visando organizar as 
distintas configurações do SCR foram sugeridas. 
Essas classificações consideram o quantitativo de canais 
radiculares existentes no assoalho da câmara pulpar de 
cada raiz, seguido de divisões e ramificações que surgem ao 
longo do seu curso até a região apical. 
 
CONFIGURAÇÃO DOS SISTEMAS DE CANAIS RADICULARES 
Com o diagnóstico e o plano de tratamento, o 
conhecimento da morfologia do canal radicular e suas 
variações mais frequentes é um requisito básico para o 
sucesso endodôntico. 
Dados das diferentes configurações anatômicas do SCR 
acumulados desde a compilação dos estudos clássicos de 
Hess e Zürcher exigiram o desenvolvimento de um sistema 
de classificação próprio a fim de facilitar a comunicação 
entre pesquisadores e clínicos. 
Utilizando radiografia e porções radiculares seccionadas da 
raiz mesiovestibular de molares superiores, Weine et al. 
foram os primeiros a classificar diferentes configurações do 
canal radicular dentro de uma única raiz em três tipos, 
dependendo do padrão de divisão do canal radicular 
principal ao longo de sua trajetória desde a câmara pulpar 
até o ápice radicular. Posteriormente, um tipo adicional foi 
acrescido ao sistema original: 
● Tipo I: um canal se estende da câmara pulpar ao 
ápice (configuração 1); 
● Tipo II: dois canais distintos deixam a câmara 
pulpar, mas convergem perto do ápice para formar 
um canal radicular (configuração 2-1); 
● Tipo III: um canal deixa a câmara pulpar e se 
divide em dois no corpo da raiz; então, os dois se 
fundem para formar um canal (configuração 
1-2-1); 
● Tipo IV: dois canais distintos se estendem da 
câmara pulpar ao ápice (configuração 2) 
● Tipo V: um canal deixa a câmara pulpar e se 
divide, próximo ao ápice, em dois canais 
distintos (configuração 1-2); 
● Tipo VI: dois canais distintos deixam a câmara 
pulpar, fundem-se no corpo da raiz e se dividem 
novamente em dois canais próximo ao ápice 
(configuração 2-1-2) 
● Tipo VII: um canal deixa a câmara pulpar e se 
divide em dois, que então se fundem, no corpo 
da raiz, e se dividem novamente em dois canais 
distintos próximo ao ápice (configuração 1-2-1-2); 
● Tipo VIII: três canais distintos que se estendem da 
câmara pulpar ao ápice (configuração 3). 
 
Embora sistemas como o de tipos numerados com 
algarismos romanos tenham sido amplamente usados, seu 
alcance é limitado diante da crescente identificação de 
variações anatômicas. Por isso, Versiani e Ordinola-Zapata 
condensam 37 tipos de configurações em uma única raiz, 
baseados na literatura e em seus estudos. 
Em busca de maior abrangência, Ahmed et al. propuseram 
um novo sistema de codificação que considera o número 
do dente, o número de raízes e a configuração dos canais, 
aplicável a todos os grupos dentários. Apesar de mais 
completo, esse sistema ainda não contempla características 
como curvaturas, fusões, bifurcações e canais acessórios. 
Além disso, não inclui anomalias de desenvolvimento, como 
dens invaginatus, canais em C, taurodontismo ou raízes 
extras. 
Conclui-se que, embora as novas classificações avancem 
em relação às antigas, ainda enfrentam limitações diante da 
grande variabilidade do SCR, e qualquer nova proposta 
deve equilibrar precisão e simplicidade para sere lingual do 
canino inferior; 
C. Broca em posição perpendicular 
ao longo eixo do dente no início da 
abertura endodôntica; 
D. Broca em posição paralela ao 
longo eixo do dente para obter acesso direto ao canal 
radicular; 
E e F. Vistas lingual e oclusal do aspecto final da cavidade de 
acesso (forma de conveniência). 
PRÉ MOLARES INFERIORES 
Área de eleição 
● Área central da superfície oclusal junto à fossa 
central, com discreta tendência para a mesial do 
dente. 
Direção de trepanação 
● Direção vertical, paralela ao longo eixo do dente. A 
penetração inicial se faz com a broca dirigida 
paralelamente à linha do longo eixo do dente, 
aprofundando-se alguns milímetros, em direção à 
câmara pulpar, sem nela penetrar; 
● Observar, durante a trepanação, que a coroa 
desses dentes quase sempre apresenta uma 
inclinação lingual bem acentuada em relação à 
linha do longo eixo da raiz; 
● Erros, neste momento, podem provocar acidentes 
(degrau, desvios e perfurações). 
Forma de contorno inicial 
● Forma cônico-ovoide, que deve ser iniciada pelo 
alargamento da área do ponto de eleição, 
aprofundamento da broca em direção à câmara 
pulpar, com maior dimensão no sentido 
vestibulolingual, para favorecer a eliminação das 
angulações do teto; 
● Remove-se toda a dentina cariada restante, se 
ainda existente, de acordo com as normas gerais 
descritas; 
● Logo a seguir, com a broca operando 
paralelamente ao longo do eixo do dente, 
realiza-se a trepanação do teto da câmara pulpar; 
● No caso da presença de um único canal, a forma 
de contorno poderá assumir um aspecto mais 
circular; 
● No entanto, diante das possíveis variações 
anatômicas, podem existir dois ou três canais. 
Nesses casos, a forma de contorno poderá se 
apresentar ligeiramente achatada no sentido 
mesiodistal ou mesmo no sentido vestibulolingual, 
com um aspecto mais elíptico; 
● Entretanto, essas mudanças estarão diretamente 
relacionadas com a anatomia interna dos canais, a 
localização e o número de raízes. 
Preparo da câmara pulpar 
● Realizam-se a remoção completa do teto e o 
preparo das paredes laterais da câmara pulpar. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
● Complementa-se, tanto quanto possível, a forma 
cônica, elíptica e achatada no sentido mesiodistal 
da cavidade pulpar; 
● A presença de dois ou três canais radiculares 
poderá exigir maior abertura da cavidade para 
facilitar as manobras operatórias sobre eles. 
Limpeza e antissepsia da cavidade 
 
● De acordo com as normas gerais descritas. 
A. Vista 
lingual do canino 
inferior 
evidenciando 
pequena 
abertura sem a 
extensão de conveniência adequada. Observar os 
restos do teto da câmara pulpar (seta); 
B. Radiografia mostrando instrumento endodôntico 
encurvado porque ainda não se obteve acesso 
direto ao canal radicular; 
C. Vista lingual do aspecto final da cavidade (forma de 
conveniência); 
D. Radiografia após obtenção do acesso direto ao 
canal radicular mostrando o instrumento 
endodôntico acompanhando o trajeto do canal 
com mais facilidade. 
A. Vista 
oclusal do 
pré-molar inferior; 
B. Broca 
ligeiramente 
descentralizada na 
superfície oclusal, evidenciando o ponto de eleição 
para o início do acesso coronário. Essa posição 
ocorre porque as cúspides deste dente estão 
assumindo uma posição levemente fora do centro 
da coroa; 
C. Vista oclusal do aspecto final da cavidade (forma 
de conveniência). Observar o acesso direto e reto 
ao canal radicular. 
MOLARES INFERIORES 
Área de eleição 
● Área central da superfície oclusal junto à fossa 
central. 
Direção de trepanação 
● Vertical, paralela à linha do longo eixo do dente. 
Forma de contorno inicial 
● Triangular, irregular ou trapezoidal, por causa da 
presença de dois canais na raiz distal; 
● Utiliza-se a broca operando paralelamente ao 
longo eixo do dente para penetrar na câmara 
pulpar 
● Remove-se toda a dentina cariada restante, se 
ainda existente; 
● Em seguida, aprofunda-se a broca, sempre paralela 
ao longo do eixo do dente, e caminha-se em 
direção ao teto, para facilitar o seu rompimento; 
● A penetração inicial deve ser dirigida 
preferencialmente para o orifício de entrada do 
canal ou canais distais. 
Preparo da câmara pulpar 
● Realizam-se a remoção completa do teto e o 
preparo das paredes laterais da câmara pulpar. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
● Tenta-se explorar a entrada dos canais radiculares 
e realiza-se desgaste compensatório, 
principalmente na parede mesial da câmara 
pulpar, para facilitar a penetração nos orifícios de 
entrada dos canais radiculares. Essa manobra visa 
proporcionar acesso direto e reto aos canais 
radiculares. 
Limpeza e antissepsia da cavidade 
● De acordo com as normas gerais descritas. 
 
A. Vista 
oclusal do molar 
inferior 
B. Forma 
de contorno 
inicial da 
cavidade de 
acesso; 
C. Rompimento do teto da câmara pulpar que 
normalmente se inicia pelo lado distal nos molares 
inferiores; 
D. Broca com ponta inativa para finalizar a remoção 
do teto da câmara pulpar sem risco de lesar o seu 
assoalho 
E. Vista oclusal do aspecto final da cavidade (forma 
de conveniência). Observar o acesso direto aos 
canais da raiz mesial (MV e ML) e ao canal distal (D). 
 
A. Radiografia 
inicial mostrando a 
relação entre a 
lesão cariosa e a 
câmara pulpar do 
primeiro molar inferior esquerdo 
B. Vista oclusal da extensa lesão cariosa e do 
comprometimento da restauração dentária 
remanescente; 
C. Vista oclusal da forma de contorno do acesso 
coronário, após remoção da lesão cariosa, 
evidenciando o tecido pulpar; 
D. Vista oclusal após reconstrução coronária com 
resina composta; 
E. Aspecto final da cavidade de acesso após a 
reconstrução coronária; 
F. Aspecto radiográfico final do tratamento 
endodôntico. 
A a K. Aspectos clínicos e radiográficos dos acessos 
coronários de molares inferiores; 
 
F e G. 
Aspecto 
radiográfico do tratamento endodôntico do segundo molar 
inferior direito, evidenciando o pós-operatório imediato e o 
controle de 6 anos, respectivamente; 
J. Remoção da polpa do canal distal do primeiro molar 
inferior direito durante a instrumentação. 
A a D. Acesso 
coronário do 
primeiro molar 
inferior direito; 
B. Visão clínica 
do nódulo 
pulpar 
presente na câmara pulpar da radiografia inicial em A; 
D. Aspecto final do acesso coronário do primeiro molar 
inferior direito 
E a H. Acessos coronários de molares inferiores 
evidenciando variações anatômicas. 
A. Radiografia do 
segundo molar inferior 
direito. Observar que, nesse 
caso, a configuração 
anatômica das raízes do 
segundo molar difere da 
forma típica dos molares 
inferiores; 
B. Canal radicular em 
forma de C (C-shaped), normalmente presente em 
segundos molares inferiores; 
C. Radiografia mostrando a configuração da cavidade 
pulpar moldada pelo material obturador 
endodôntico; 
D. Controle radiográfico de 6 anos. 
 
A e B. Aspectos clínico e 
radiográfico do primeiro 
molar inferior esquerdo 
evidenciando a presença de 
restauração provisória com 
ionômero de vidro; 
C. Acesso coronário confirmando a aplicação da lei de 
proporcionalidade (simetria) observada na localização dos 
orifícios de entrada dos canais radiculares. Após traçar uma 
linha central imaginária ao longo do assoalho da câmara 
pulpar, linhas perpendiculares à linha central são traçadas e 
os orifícios de entrada dos canais radiculares encontram-se 
em posições equidistantes em relação à linha central; 
D. Radiografia do pós-operatório imediato. 
LOCALIZAÇÃO E ENTRADA DOS CANAIS RADICULARES 
É extremamente importante que o orifício de entrada de 
todos os canais radiculares seja localizado. Uma radiografia 
inicial de boa qualidade constitui um valioso elemento 
auxiliar para esse procedimento. 
Essa manobra é executada por meio de inspeção e da 
exploração por sondagem. Para esse fim, um explorador 
fino, resistente, rígido, pontiagudo e com as partes ativas 
retas, comoa sonda endodôntica tipo Rhein ou similar, 
pode ser empregado. 
A exploração somente deverá ser iniciada após o preparo 
da cavidade de acesso coronário. O explorador é levado, 
deixando-o correr gentilmente no assoalho da câmara, até 
onde se espera que esteja o orifício (ou orifícios) de entrada 
dos canais radiculares. 
No caso de dentes multirradiculares, a própria forma 
convexa e a presença de linhas mais escuras no assoalho 
(rostrum canali), que unem os canais entre si, podem servir 
como guia de orientação na localização dos orifícios de 
entrada. Além disso, essa exploração auxilia na verificação 
da direção e da inclinação dos canais, permitindo que sejam 
feitos refinamentos, se necessário, na forma de 
conveniência do acesso. 
Qualquer tipo de interferência, conforme mencionado 
anteriormente, como a presença de calcificações ou 
irregularidades nas paredes, deve ser removido sem 
prejudicar a qualidade do acesso coronário. 
Krasner e Rankow, com o objetivo de auxiliar e facilitar a 
localização e o número dos orifícios de entrada dos canais 
radiculares no assoalho da câmara pulpar dos dentes 
posteriores, exceto dos molares superiores, propuseram a 
lei da proporcionalidade (simetria). 
ACESSO MINIMAMENTE INVASIVO 
Critério Acesso 
Tradicional 
Acesso 
Minimamente 
Invasivo ("Ninja") 
Objetivo Acesso amplo 
para facilitar 
limpeza, 
modelagem e 
obturação. 
Preservar 
estrutura 
dentária ao 
máximo. 
Remoção de 
estrutura 
dentária 
Maior remoção 
da dentina e teto 
da câmara 
pulpar. 
Preserva parte 
do teto da 
câmara e dentina 
pericervical. 
 
Visualização e 
espaço 
operatório 
Ampla 
visualização e 
acesso facilitado 
aos canais. 
Campo visual 
reduzido, acesso 
restrito. 
Risco de fratura Potencialmente 
maior por 
remoção de 
estrutura 
dentária. 
Potencialmente 
menor (mais 
resistência à 
fratura, segundo 
alguns estudos). 
Eficiência na 
instrumentação 
Facilitada pela 
amplitude do 
acesso. 
Pode ser 
prejudicada pela 
limitação do 
espaço. 
Efetividade da 
irrigação 
Melhor 
penetração do 
irrigante, 
especialmente 
em preparos 
amplos. 
Pode ser 
limitada, com 
menor 
efetividade na 
zona apical. 
Redução 
bacteriana 
Redução mais 
efetiva com 
preparos apicais 
maiores. 
Menor evidência 
de redução 
bacteriana eficaz. 
Base científica Ampla, com 
muitos estudos 
clínicos e 
laboratoriais. 
Baseada 
principalmente 
em estudos ex 
vivo; evidência 
clínica ainda 
limitada. 
Indicação Situações onde o 
acesso facilitado 
é prioridade ou o 
profissional é 
menos 
experiente. 
Casos 
selecionados, 
com profissional 
experiente e boa 
tecnologia 
disponível. 
Tecnologia 
necessária 
Menos 
dependente de 
recursos 
avançados. 
Requer 
microscopia 
operatória e 
tomografia de 
feixe cônico. 
 
 
A. Radiografia pré-clínica do segundo pré-molar superior 
(vista proximal); 
B e C. Imagens de microtomografia computadorizada com 
vistas proximal e vestibular, respectivamente; 
D. Vista da área de eleição para o início da abertura 
coronária. E. Acesso coronário minimamente invasivo; 
F. Aspecto 
microtomográfico 
do acesso 
minimamente 
invasivo visto pela 
superfície oclusal. 
Área em azul 
representa o 
acesso 
minimamente 
invasivo e a área 
em verde representa a estrutura preservada da câmara 
pulpar; 
G. Preservação do teto da câmara pulpar após a realização 
do acesso minimamente invasivo (setas amarelas); 
H. Radiografia de odontometria. Setas em vermelho 
indicam a preservação do teto da câmara pulpar; 
I. Vista oclusal da instrumentação dos canais radiculares 
através do acesso minimamente invasivo; 
J a M. Imagens tridimensionais evidenciando as áreas 
tocadas (em vermelho) e não tocadas (em verde) pelos 
instrumentos endodônticos durante o preparo dos canais 
radiculares. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Na prática clínica, é comum que dentes que necessitam de 
tratamento endodôntico estejam bastante comprometidos 
por cárie ou possuam restaurações extensas. 
 Nessas situações, o formato e a abordagem do acesso 
coronário devem ser adaptados conforme a quantidade de 
estrutura dental sadia restante. Mesmo quando há grande 
destruição coronária, os princípios básicos do acesso — 
como o respeito à anatomia e a correta localização dos 
canais radiculares — devem ser mantidos. 
Um desses princípios é a obrigatoriedade de remoção 
completa da dentina cariada, ainda que isso exija ampliar 
significativamente o acesso. 
A decisão de manter uma restauração existente no dente 
pode ser tomada, desde que ela não atrapalhe os 
procedimentos endodônticos. 
Caso a presença da restauração, ou mesmo de uma coroa 
protética, coloque em risco a integridade do dente ou a 
assepsia do tratamento, ela deve ser retirada. 
Quando é possível mantê-la, essa restauração precisa 
atender a critérios mínimos, como: 
● Permitir um acesso direto e reto aos canais 
radiculares; 
● Não dificultar a visualização da câmara pulpar ou 
da entrada dos canais; 
● Não apresentar risco de restos dos materiais 
restauradores penetrarem no interior do canal 
 
radicular e funcionarem como obstáculo às 
manobras operatórias; 
● Possuir margens bem adaptadas e sem infiltrações, 
sem associação com cárie. 
Crane e Levin ressaltam a importância de um acesso 
adequado, mesmo que isso exija grande remoção de 
estrutura dental, pois acessos mal feitos são causa comum 
de falhas em tratamentos endodônticos. Em casos com 
restaurações prévias, é necessário reavaliar o dente com 
radiografia, remover possíveis cáries remanescentes e 
ajustar o acesso para garantir um trajeto direto aos canais. 
Tecnologias como o microscópio operatório, associado ao 
ultrassom, permitem maior precisão, acesso mais 
conservador e melhor visualização de estruturas difíceis, 
como canais atrésicos ou extras. A tomografia de feixe 
cônico também auxilia na identificação de canais ocultos e 
anomalias. 
Além disso, o acesso endodôntico guiado (EndoGuide), que 
combina tomografia, escaneamento digital e impressão 3D, 
permite tratar canais calcificados com segurança e precisão. 
ANOTAÇÕES 
Ponto de Eleição 
Refere-se ao local específico onde se inicia a abertura 
coronária. Esse ponto varia conforme o tipo de dente e sua 
anatomia. Por exemplo, em incisivos superiores, o ponto de 
eleição situa-se na região central da face palatina, 
ligeiramente abaixo do cíngulo; já em molares superiores, 
localiza-se na fossa central da superfície oclusal. 
Direção de Trepanação 
Diz respeito à inclinação e trajetória da broca durante a 
penetração na estrutura dental para alcançar a câmara 
pulpar. Nos dentes anteriores, a trepanação geralmente 
inicia-se com a broca posicionada perpendicularmente à 
face palatina ou lingual e, à medida que avança, ajusta-se 
para ficar paralela ao longo eixo do dente. Essa abordagem 
facilita o acesso direto aos canais radiculares. 
Forma de Contorno 
Trata-se do formato inicial da abertura realizada na coroa 
do dente, que deve reproduzir, em menor escala, a 
configuração da câmara pulpar subjacente. Essa forma é 
determinada pela anatomia interna do dente e pelo 
número de canais presentes. Por exemplo, em incisivos 
superiores, a forma de contorno é triangular com a base 
voltada para a incisal; em pré-molares, é elíptica no sentido 
vestíbulo-palatino. 
Forma de Conveniência 
Refere-se aos ajustes adicionais feitos na abertura 
coronária para facilitar a instrumentação, limpeza e 
obturação dos canais radiculares. Esses ajustes podem 
incluir a remoção de interferências de dentina ou esmalte 
que dificultem o acesso direto e reto aos canais. A forma de 
conveniência deve ser realizada com cautela para preservar 
o máximo possível da estrutura dental saudável. 
INSTRUMENTAIS ENDODÔNTICOS 
Os instrumentos endodônticos são ferramentas metálicas 
essenciais na instrumentação dos canais radiculares, 
fabricadas em aço inoxidável ou níquel-titânio (NiTi). Para 
um tratamento eficaz, é fundamental que o profissional 
conheça suas característicasgeométricas e comportamento 
mecânico, embora isso muitas vezes seja negligenciado. 
Eles podem ser classificados segundo diferentes critérios: 
quanto ao acionamento, em manuais ou mecanizados; 
quanto ao desenho da parte ativa, em farpados, tipo K, tipo 
Hedstrom e especiais; quanto ao movimento, em limas 
(movimento de vai e vem) e alargadores (movimento 
rotatório ou reciprocante); quanto à liga metálica, em aço 
inoxidável ou NiTi; e quanto ao processo de fabricação, em 
torcidos ou usinados. 
Os instrumentos manuais possuem cabo para 
empunhadura e são acionados pela mão do operador, 
embora também possam ser usados em motores. Já os 
instrumentos mecanizados têm haste para fixação e são 
ativados por aparelhos. 
A lima endodôntica é uma ferramenta multicortante usada 
com movimento alternado para raspar a dentina do canal. 
Já o alargador endodôntico tem haste de corte cônica e 
atua com movimentos rotatórios (contínuos ou parciais) 
para desbastar a dentina. 
Quanto ao design, seguem normas como ISO 3630-1 e 
ANSI/ADA, mas muitos fabricantes produzem instrumentos 
especiais com variações na conicidade, comprimento da 
parte ativa, formato da seção transversal, haste e ponta. 
Para os instrumentos mecanizados, ainda não há 
normatização específica, embora adotem padrões como o 
diâmetro D0 da lima tipo K. 
LIGAS METÁLICAS 
São materiais formados pela fusão de dois ou mais metais 
(ou metal + elemento não metálico), com propriedades 
distintas das de seus constituintes isolados. Todos os 
metais sólidos têm estrutura cristalina (com exceção dos 
amorfos), composta por grãos e contornos de grão. 
Imperfeições nessa estrutura influenciam nas propriedades 
mecânicas, elétricas e químicas. 
AÇO INOXIDÁVEL 
● Composição: Liga de ferro com ≥12% de cromo, 
que forma uma película de óxido protetora e 
autorregenerativa 
● Outros elementos: Níquel (aumenta resistência à 
corrosão, calor e tenacidade) e molibdênio, entre 
outros; 
 
● Aplicação na Endodontia: Desde 1961, é usado na 
fabricação de instrumentos manuais; 
● Tipos usados: AISI 301, 302 e 303 (ligas austeníticas 
conforme ANSI/ADA nº 29/1976); 
● Vantagens: Boa resistência à fratura e corrosão, 
grande tenacidade e dureza; 
● Limitação: Alta rigidez, o que favorece o desvio 
apical em canais curvos. 
LIGA NÍQUEL-TITÂNIO (NiTi) 
● Propriedades especiais: 
 
○ Efeito memória de forma (EMF): Recupera 
deformações com calor; 
○ Superelasticidade (SE): Recupera a forma 
apenas com retirada da força aplicada. 
 
● Vantagens: 
 
○ Alta flexibilidade e elasticidade; 
○ Acompanha curvaturas do canal com 
menor força sobre as paredes; 
○ Reduz desvio apical e fratura. 
 
● Composição: 50–56% de níquel 
● Microdureza: Menor que o aço inoxidável (NiTi: 
~345 HV / Aço inox: ~523 HV); 
● Força para flexionar: Inferior ao aço – mais 
maleável. 
LIGAS NiTi MODIFICADAS 
1. NiTi Fase R: 
 
○ Tratamentos térmicos específicos → 
estrutura romboédrica (fase R); 
○ Maior flexibilidade, menor rigidez e maior 
resistência à fratura por fadiga; 
○ Ex: K3™XF. 
 
2. NiTi M-Wire: 
 
○ Tratamento termomecânico → presença 
de martensita; 
○ Melhora resistência à fratura por fadiga e 
flexibilidade; 
○ Ex: ProFile® Vortex. 
 
3. NiTi com Memória Controlada: 
 
○ Permite deformação visível durante o uso 
e recuperação com calor (autoclave); 
○ Evita fratura por torção e melhora 
adaptação ao canal; 
○ Quando há inversão das hélices, deve ser 
descartado; 
○ Ex: HyFlex CM; 
○ Tratamentos térmicos "Gold" e "Blue" 
melhoram ainda mais as propriedades 
mecânicas, com coloração devido à 
camada de óxido. 
PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS INSTRUMENTAIS 
As propriedades mecânicas dos instrumentos endodônticos 
dizem respeito ao comportamento desses materiais 
quando submetidos a diferentes tipos de forças. Conhecer 
essas propriedades é essencial para o uso seguro e 
eficiente dos instrumentos durante o preparo do canal 
radicular, evitando falhas como fraturas, deformações e 
perda de eficiência de corte. 
RESISTÊNCIA MECÂNICA 
É a capacidade do material de resistir à fratura quando 
submetido a forças externas, como torção, compressão e 
tração. Essa resistência depende da estrutura atômica e do 
tipo de liga metálica utilizada. 
Instrumentos endodônticos, especialmente os de 
níquel-titânio (NiTi), são projetados para suportar altos 
níveis de resistência mecânica, o que os torna menos 
propensos a fraturas quando bem utilizados. 
FORÇA E TENSÃO 
● Força: é qualquer agente capaz de alterar o estado 
de repouso ou movimento do corpo; 
● Tensão: é a força aplicada dividida pela área da 
seção transversal do material (T = F/A). Pode ser: 
 
○ Tensão normal: perpendicular à superfície 
(compressiva ou trativa); 
○ Tensão cisalhante: paralela à superfície 
(torção ou corte). 
 
Esses conceitos explicam o motivo pelo qual instrumentos 
mais finos são mais suscetíveis à deformação ou fratura: a 
área de secção é menor, e a tensão resultante é maior. 
DEFORMAÇÃO 
Quando o instrumento é submetido a uma força, ele sofre 
deformação, que pode ser: 
● Elástica: o material volta à sua forma original após 
cessar a força; 
● Plástica: o material sofre deformação permanente, 
mesmo após a retirada da força. 
 
A zona de transição entre essas duas fases é crítica: o uso 
excessivo pode levar a deformações plásticas e, 
eventualmente, à fratura do instrumento. 
ELASTICIDADE 
 
É a capacidade do material de se deformar sob tensão e 
retornar à forma original quando a força é removida. A 
elasticidade é quantificada pelo módulo de elasticidade: 
● Quanto menor o módulo, maior a flexibilidade 
(caso do NiTi); 
● Quanto maior o módulo, mais rígido é o 
instrumento (caso do aço inoxidável). 
Tipos de elasticidade aplicados aos instrumentos: 
● Elasticidade à torção: gira-se uma extremidade do 
instrumento, mantendo a outra fixa; 
● Elasticidade à flambagem: quando a força é 
aplicada axialmente e o instrumento encurva; 
● Elasticidade à flexão: força aplicada lateralmente 
ao eixo do instrumento, comum em canais curvos. 
EFEITO MOLA 
É a capacidade do instrumento de aço inoxidável de se 
deformar elasticamente em canais curvos e retornar à sua 
forma original após a remoção da força. 
Esse efeito é desejável, pois permite que o instrumento 
acompanhe a anatomia do canal sem se fraturar. Quanto 
menor o diâmetro e maior o comprimento do instrumento, 
maior o efeito mola. 
LIMITE ELÁSTICO 
É a máxima tensão que o material pode suportar sem 
sofrer deformação plástica. A partir deste ponto, a 
deformação se torna permanente. 
É um parâmetro crucial para definir até onde um 
instrumento pode ser usado com segurança sem o risco de 
se deformar de forma irreversível. 
PLASTICIDADE 
Capacidade do material de sofrer deformações 
permanentes sem romper. É importante para saber até 
onde o instrumento pode ser manipulado antes de ocorrer 
falha. 
Dois aspectos principais: 
● Maleabilidade: capacidade de sofrer deformações 
por compressão (ex: laminação); 
● Ductilidade: capacidade de sofrer deformações por 
tração (ex: estiramento, alongamento). 
LIMITE DE ESCOAMENTO 
É o valor da tensão a partir do qual o material entra na fase 
plástica, ou seja, passa a se deformar de forma 
permanente. 
Na prática, é o ponto em que se deve interromper o uso do 
instrumento para evitar fratura. 
RIGIDEZ 
É a resistência à deformação elástica. Instrumentos mais 
rígidos não se adaptam bem a canais curvos e podem 
causar problemas como transporte apical ou perfurações. 
A rigidez depende do diâmetro, do comprimento e do 
material do instrumento. 
FRAGILIDADE 
Materiais frágeis se rompem sem sofrer deformação 
significativa. Um exemplo é o vidro. 
Na endodontia, busca-se evitar instrumentos frágeis 
demais, pois eles têm maior risco de fratura súbita. 
TENACIDADE À FRATURA 
É a capacidade do material de absorver energia até o ponto 
de fratura. 
Um material com alta tenacidade é menos propenso a 
quebrar com trincas ou falhas internas.É especialmente 
importante para instrumentos que enfrentam resistência 
constante dentro do canal. 
DUREZA 
Refere-se à resistência do material à penetração, abrasão 
ou desgaste superficial. 
 Instrumentos mais duros: 
● São mais resistentes ao desgaste; 
● Porém, tendem a ser mais frágeis (menos plásticos) 
e podem fraturar com mais facilidade. 
LIMITE DE RESISTÊNCIA 
É a tensão máxima que o material suporta antes de 
romper. É um ponto além do limite elástico e do 
escoamento. 
Esse valor é importante para entender até onde um 
instrumento pode ser levado antes de ocorrer fratura 
definitiva. 
ENCRUAMENTO 
É o endurecimento do material por deformações mecânicas 
repetidas, como dobrar e desdobrar o instrumento diversas 
vezes (deformações a frio). 
Embora aumente a dureza, o encruamento diminui a 
ductilidade e aumenta o risco de fratura. 
Na prática clínica, o encruamento pode ocorrer com o uso 
repetido de instrumentos, e por isso é indicado substituí-los 
após determinado número de utilizações. 
FABRICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS 
 
Os instrumentos endodônticos são produzidos a partir de 
fios metálicos cilíndricos, seguindo princípios semelhantes 
aos usados na fabricação de alargadores. Seu objetivo é 
permitir a ampliação, modelagem e limpeza dos canais 
radiculares. 
Existem dois principais métodos de fabricação: torção e 
usinagem. 
POR TORÇÃO 
● O fio metálico (geralmente aço inox ou NiTi) é 
inicialmente usinado para criar uma haste com 
forma piramidal e seção transversal triangular ou 
quadrangular; 
● As arestas resultantes dessas formas são 
responsáveis pela ação cortante; 
● A haste é fixada em uma extremidade e torcida à 
esquerda, formando uma estrutura helicoidal 
(semelhante a uma rosca), com: 
 
○ Arestas = hélices; 
○ Paredes = canais helicoidais. 
 
● A ponta do instrumento pode ser: 
 
○ Facetada/piramidal (por aplainamento); 
○ Cônica/circular (por torneamento cônico 
externo). 
POR USINAGEM 
● A parte ativa (ponta e haste helicoidal cônica) é 
obtida diretamente por usinagem — um processo 
mecânico que molda o fio metálico através de 
cortes precisos; 
● O processo principal é o roscamento externo, que 
cria os canais e as arestas helicoidais; 
● A ponta cônica é feita por torneamento cônico 
externo. 
Embora a usinagem cause menos encruamento 
(endurecimento do metal por deformação), os 
instrumentos usinados apresentam mais defeitos 
superficiais, que funcionam como pontos de concentração 
de tensão — isso reduz sua resistência à fratura por torção, 
mesmo teoricamente sendo mais resistentes. 
CRISTALIZAÇÃO DO METAL 
● Torção: mantém os cristais (fibras do metal) 
intactos → maior resistência à torção; 
● Usinagem: corta os cristais → reduz resistência à 
fratura. 
A trefilação, usada na preparação inicial dos fios metálicos, 
é o processo de puxar o fio por um canal estreito para 
reduzir sua espessura. 
A. Fabricados por torção. Cristais não são cortados. B. 
Fabricados por usinagem. Cristais cortados. 
INSTRUMENTOS FARPADOS 
● Produzidos com cortes em profundidades variáveis 
na superfície do fio, formando farpas ao longo do 
instrumento; 
● Usados para remoção de tecidos, mas com uso 
mais restrito. 
NOMENCLATURA 
Nomenclatura é o conjunto de termos peculiares de uma 
ciência. Na Endodontia a nomenclatura é importante para 
padronizar a terminologia empregada para os instrumentos 
endodônticos. Ela oferece a cada um que escreve e fala 
sobre instrumentos endodônticos a utilização de uma 
mesma linguagem. A terminologia proposta para os 
instrumentos endodônticos é uma adaptação das normas 
da ABNT TB-111 e NB-205, citadas pelo Manual de Brocas e 
Furações usadas na Engenharia. 
Cabo: É a extremidade pela qual se empunha um 
instrumento endodôntico. 
Haste de acionamento: É a extremidade para fixação e 
acionamento mecânico de um instrumento endodôntico. 
Corpo: Parte de um instrumento que se estende desde o 
cabo ou haste de acionamento até a extremidade da ponta. 
Intermediário: Parte do corpo que se estende do cabo ou 
haste de acionamento até a parte de trabalho. 
 
Parte de trabalho: Parte do instrumento que se estende 
desde a ponta até o término da haste de corte. Representa 
a soma dos comprimentos da ponta e da haste de corte. 
Ponta: É o extremo do instrumento com perfil cônico. Pode 
apresentar seção reta transversal cilíndrica ou poligonal. 
Base da ponta: É a região de passagem da ponta para a 
haste de corte do instrumento. Essa passagem pode 
ocorrer por meio de um ângulo de transição (ângulo 
obtuso) ou de uma curva de transição (arco), para suavizar 
a passagem. 
Ângulo da ponta: Ângulo sólido formado pelo contorno da 
ponta. O vértice do ângulo é sempre voltado para a ponta 
do instrumento. 
Haste de corte: Porção da parte de trabalho que se 
estende da base da ponta até o intermediário. Geralmente, 
a forma é cônica. Pode apresentar seção reta transversal 
com diferentes formas. É constituída pelas arestas de corte 
e pelos canais do instrumento. 
Aresta ou fio de corte: É o gume da aresta de corte de 
instrumentos cortantes. 
Hélice: É a aresta ou fio lateral de corte disposta na forma 
helicoidal (hélice) traçada em volta de um cone ou de um 
cilindro. 
 
Número de hélices: Número de filetes ou de guias radiais 
presente na haste de corte helicoidal de um instrumento. 
Canal: É um sulco presente entre as arestas de corte 
contíguas na superfície externa da haste de corte de um 
instrumento endodôntico. Pode estar disposto na haste de 
corte na forma helicoidal ou paralela ao eixo do 
instrumento. 
Parede ou superfície do canal: É a parede da haste de 
corte presente entre as arestas de corte contíguas. 
Eixo do instrumento: Linha central na direção axial do 
instrumento. 
Ângulo agudo de inclinação da hélice: Ângulo agudo 
formado pela hélice e o plano contendo o eixo do 
instrumento. 
Passo da hélice: Distância entre vértices ou cristas de uma 
mesma aresta lateral de corte disposta na forma helicoidal 
ao longo da direção axial do instrumento. Para 
instrumentos com uma aresta ou fio lateral de corte, o 
passo da hélice é a distância entre dois vértices ou cristas 
consecutivas (exemplo: limas Hedstrom). Para instrumentos 
com duas arestas laterais de corte, o passo envolve uma 
crista (p. ex., instrumentos Mtwo® e Reciproc®), com três 
arestas laterais de corte, envolve duas cristas consecutivas 
(p. ex., RaCe®), e, com quatro arestas laterais de corte, 
envolve três cristas consecutivas (p. ex., ScoutRaCe® e 
ProTaper® Next). O comprimento do passo aumenta com a 
diminuição do ângulo agudo de inclinação da hélice. 
Guia radial: Superfície cônica em forma helicoidal ou 
paralela em relação ao eixo do instrumento imediatamente 
posterior à aresta ou ao fio de corte. 
Largura da guia: Largura da guia radial medida 
perpendicularmente ao ângulo da hélice ou ao eixo do 
instrumento. A porção posterior da guia é rebaixada com a 
finalidade de reduzir o atrito entre a periferia do 
instrumento e a parede do canal radicular. 
Núcleo: Parte central da haste de corte de um instrumento 
compreendida entre o fundo do canal que se estende 
desde a base da ponta até o fim da haste de corte. Pode ser 
avaliado por meio da seção reta transversal ou longitudinal 
da haste de corte de um instrumento (ferramenta). 
PARTES DOS INSTRUMENTOS 
Os instrumentos endodônticos são formados pelo cabo ou 
haste de acionamento e pelo corpo metálico. O corpo de 
um instrumento é formado pelo intermediário e pela parte 
de trabalho, sendo esta formada pela ponta e pela haste de 
corte. 
CABO 
Cabo é a parte de um instrumento ou ferramenta que se 
empunha ou maneja. O cabo dos instrumentos 
endodônticos é fabricado em plástico ou silicone colorido, 
conforme a correlação com a numeração padronizada. 
Apresenta geometria variável de acordo com o tipo de 
instrumento e com o fabricante. 
O cabo dos instrumentos endodônticos apresenta forma 
bicôncava e deve ter de 10 a 12 mm de comprimento e 
diâmetrode 3,0 mm na parte bicôncava e 4,0 mm nas 
extremidades. 
● O cabo dos instrumentos endodônticos pode 
apresentar o topo plano ou arredondado e possuir, 
nas paredes laterais, estrias paralelas ou 
perpendiculares ao eixo para assegurar melhor 
empunhadura do instrumento. 
● Os instrumentos endodônticos portadores de cabo 
podem ser acionados manualmente ou por 
dispositivos mecânicos especiais. 
● Para cabos com diâmetros maiores, a força 
necessária para girar (movimento de rotação) o 
instrumento endodôntico no interior de um canal 
radicular é menor. Consequentemente, maiores 
serão à percepção tátil e os cuidados do 
profissional em relação à anatomia interna do 
dente. 
HASTE DE ACIONAMENTO 
A haste de acionamento dos instrumentos endodônticos 
mecanizados é a parte responsável por sua fixação no 
contra-ângulo e pelo acionamento por motores elétricos ou 
pneumáticos. 
● Ela pode ser feita de latão ou liga de alumínio e, na 
maioria dos casos, é unida ao corpo do 
instrumento por engaste. 
● Quando há engasgamento, existe a possibilidade 
de a união se soltar durante o uso. 
● A haste tem formato cilíndrico, comprimento entre 
11 e 15 mm e diâmetro universal de 2,30 mm, o 
que permite seu uso em contra-ângulos de 
qualquer fabricante. 
● Hastes mais curtas são vantajosas para dentes 
posteriores em pacientes com abertura bucal 
limitada. Nelas, também há anéis coloridos ou 
ranhuras que indicam a conicidade da haste de 
corte e o diâmetro na ponta (D0), conforme a 
norma ISO 1797. 
INTERMEDIÁRIO 
O intermediário é a parte do corpo metálico do instrumento 
endodôntico situado entre o cabo (ou a haste de 
acionamento) e a parte de trabalho. Seu tamanho depende 
do comprimento total do corpo e da porção ativa do 
instrumento. 
● Essa região pode conter marcas ou ranhuras que 
indicam distâncias específicas a partir da ponta do 
instrumento. 
● Em instrumentos fabricados por usinagem, o 
intermediário normalmente tem formato cilíndrico 
contínuo. 
 
● Já nos instrumentos torcidos, essa parte exibe 
paredes planas, resultado do aplainamento da 
haste metálica originalmente cilíndrica para formar 
uma estrutura piramidal. 
● Em alguns modelos, como os alargadores 
Gates-Glidden e Largo, o intermediário apresenta a 
forma de um cone sólido reverso, com o maior 
diâmetro voltado para a parte de trabalho. 
PARTE DE TRABALHO 
Parte de trabalho é a porção do corpo metálico de um 
instrumento endodôntico projetada para executar o corte 
e/ou a raspagem das paredes dentinárias internas de um 
canal radicular. É formada pela ponta e pela haste de corte. 
PONTA 
A ponta é a extremidade aguçada da parte ativa de um 
instrumento endodôntico, também chamada de guia de 
penetração. Sua função principal é permitir o avanço do 
instrumento pelo canal radicular, influenciando 
diretamente na capacidade de corte, direcionamento e 
segurança durante a instrumentação. Sua geometria pode 
variar significativamente entre os diferentes fabricantes e 
até mesmo entre instrumentos de mesmo número e marca, 
afetando o desempenho clínico. 
Existem dois principais tipos de ponta quanto à forma: 
● Ponta cônica piramidal (facetada): tem seção 
transversal poligonal (triangular ou quadrangular) 
e é produzida por aplainamento. Possui 
capacidade de corte e maior penetração, mas 
maior risco de desvios e perfurações, 
especialmente em canais curvos ou estreitos. 
● Ponta cônica circular: tem seção circular e é feita 
por torneamento cônico. Não tem ação cortante, 
avançando por compressão e esmagamento da 
dentina, sendo mais segura para canais curvos. 
O vértice da ponta pode ser: 
● Pontiagudo: mais perfurante, aumenta o risco de 
perfuração; 
● Obtuso (arredondado): facilita o deslizamento, 
reduz riscos de iatrogenias; 
● Truncado: pode levar ao entupimento ou 
extravasamento de resíduos em canais estreitos. 
A transição entre a base da ponta e a haste de corte 
pode ocorrer de duas formas: 
● Ângulo de transição (135° a 150°): oferece mais 
capacidade de corte, mas aumenta o risco de 
fraturas e desvios em canais curvos; 
● Curva de transição: permite rotação mais suave, 
reduz carga apical e favorece a segurança do 
instrumento, sendo preferida em movimentos 
alternados ou contínuos. 
O ângulo da ponta varia entre 60° e 90°, com a norma 
permitindo 75° ± 15°. Quanto menor o ângulo, maior o 
comprimento da ponta, o que pode comprometer a limpeza 
do terço apical do canal. 
O comprimento da ponta é a distância entre seu vértice e a 
base, e sua variação afeta o desempenho clínico: 
comprimentos maiores, com ângulos menores, penetram 
mais facilmente, mas podem comprometer a limpeza. Por 
isso, vértices são frequentemente arredondados ou 
truncados para reduzir esse comprimento. 
HASTE DE CORTE 
A haste de corte é o segmento da parte de trabalho do 
instrumento endodôntico que possui sulcos visíveis em sua 
face externa e que se estende da base da ponta até a região 
intermediária do instrumento. Trata-se da parte 
responsável pela efetiva ação de corte ou raspagem 
durante a instrumentação do canal radicular. 
O perfil dessa haste varia de acordo com o tipo de 
instrumento endodôntico utilizado. Na maioria das vezes, 
apresenta um formato cônico, com o menor diâmetro 
voltado para a base da ponta. 
● A haste de corte pode ser fabricada por dois 
métodos principais: torção ou usinagem de um fio 
metálico. 
● No primeiro caso, a fabricação se dá por 
deformação plástica de uma haste metálica com 
forma piramidal cônica e seção transversal 
triangular ou quadrangular. Uma das extremidades 
dessa haste é imobilizada, enquanto a outra é 
submetida a um movimento de torção para a 
esquerda. Esse processo gera um padrão helicoidal 
característico na superfície do instrumento. 
● Por outro lado, os instrumentos fabricados por 
usinagem partem de um fio metálico cilíndrico e 
utilizam um processo mecânico de roscamento 
externo, o qual esculpe os sulcos e arestas 
cortantes ao longo da haste. O resultado é uma 
superfície sulcada composta pelas arestas ou fios 
de corte e pelos canais helicoidais. 
ARESTAS OU FIOS DE CORTE 
As arestas de corte são estruturas fundamentais da haste 
de corte, sendo responsáveis pela incisão e raspagem da 
dentina durante o preparo do canal radicular. A principal 
característica dessas arestas é o chamado ângulo interno 
ou ângulo de cunha. Esse ângulo influencia diretamente a 
eficiência e a durabilidade da ação cortante do instrumento. 
Quando o ângulo da cunha é menor, isto é, mais agudo, a 
penetração da aresta no material se torna mais eficiente, 
produzindo cavacos pequenos, o que favorece um 
acabamento mais fino na superfície dentinária. A forma 
helicoidal é a mais comum, pois favorece o corte contínuo 
ao longo do comprimento da haste. 
 
O número de arestas presentes em um instrumento é 
identificado por meio da análise da seção transversal da 
haste de corte e pode variar de uma a cinco arestas. 
SENTIDO DAS HÉLICES 
As hélices das hastes de corte geralmente apresentam uma 
orientação que vai da direita para a esquerda. Esse é o 
sentido predominante na maioria dos instrumentos 
endodônticos. Entretanto, há exceções. Instrumentos como 
o compactador de guta-percha, a espiral Lentulo®, e os 
sistemas mecanizados Reciproc® e WaveOne® apresentam 
hélices com sentido inverso, isto é, da esquerda para a 
direita. 
ÂNGULO DA HÉLICE E PASSO 
O ângulo da hélice é um parâmetro crítico que determina a 
inclinação das arestas helicoidais em relação ao eixo do 
instrumento. Esse ângulo é medido por meio de uma linha 
tangente à hélice, formando um ângulo agudo com o plano 
que contém o eixo do instrumento. Seu valor não é fixo e 
pode variar de acordo com o tipo de instrumento (lima ou 
alargador) e o material que será trabalhado. Ele pode ser 
constante ao longo da haste de corte ou variar de uma 
extremidade à outra. 
Com base nesse ângulo, é possível definir três tipos de 
passo: 
● Passo normal, com ângulo de hélice de 
aproximadamente28°; 
● Passo longo, com ângulo de aproximadamente 5°; 
● Passo curto, com ângulo de aproximadamente 40°. 
O ângulo da hélice influencia a função do instrumento. 
Quando o ângulo é menor, o instrumento realiza um 
alargamento mais eficiente do canal radicular e possui um 
passo mais longo. Já ângulos maiores aumentam a 
eficiência da limagem ou raspagem, mas encurtam o passo 
da hélice. O passo é a distância axial entre duas cristas 
consecutivas da mesma hélice. 
● Nos instrumentos do tipo K com diâmetros 
menores, o ângulo da hélice é progressivamente 
crescente da ponta para a base da haste, variando 
entre 15° e 55°. Nos instrumentos de diâmetros 
maiores, esse ângulo tende a ser constante, em 
torno de 45°. 
● As limas Hedstrom de números inferiores ao 40 
possuem ângulo de hélice que varia entre 40° e 
55°, enquanto nos instrumentos de maiores 
diâmetros o ângulo médio é de 65°. 
● Nos instrumentos mecanizados com rotação 
contínua, geralmente empregados como 
alargadores, o ângulo da hélice também aumenta 
da ponta para a base, variando de 10° a 60°, o que 
proporciona um passo variável e ajuda a minimizar 
o efeito de roscamento durante a instrumentação. 
NÚMERO DE HÉLICES 
O número de hélices corresponde à quantidade de filetes 
helicoidais presentes ao longo da superfície da haste de 
corte. De forma geral, o número de hélices diminui com o 
aumento do diâmetro e da conicidade da haste, bem como 
com o aumento do passo da hélice. Em contrapartida, o 
número de hélices tende a aumentar conforme cresce o 
comprimento da haste ou o número de arestas de corte. 
CANAL 
O canal é o sulco helicoidal que se forma entre duas arestas 
de corte contíguas na face externa da haste de corte. Sua 
presença é fundamental, pois facilita o transporte de 
resíduos (os cavacos dentinários resultantes do corte) em 
direção à porção cervical do canal radicular, além de 
permitir a penetração e circulação da solução irrigadora até 
a região apical. 
NÚCLEO 
O núcleo é a parte central da haste de corte dos 
instrumentos endodônticos, indo da base da ponta ativa 
até o final da porção helicoidal. Ele representa a região 
sólida ao redor da qual os canais helicoidais se organizam. 
Sua forma pode ser: 
● Cônica (estreita na ponta), 
● Cônica reversa (larga na ponta), 
● Cilíndrica (mesmo diâmetro ao longo da haste). 
O formato influencia diretamente a flexibilidade do 
instrumento: quanto mais espesso o núcleo, mais rígido ele 
será. Instrumentos com maior conicidade e núcleo cônico 
tendem a ser menos flexíveis, o que aumenta o risco de 
desvios e fraturas. Por isso, passaram a ser desenvolvidos 
com núcleos cilíndricos ou cônicos reversos, que preservam 
a flexibilidade. 
O núcleo também afeta a profundidade dos canais 
helicoidais: 
● Núcleo cônico → profundidade constante. 
● Núcleo cilíndrico ou cônico reverso → 
profundidade aumenta em direção à base. 
Canais mais profundos melhoram a remoção de resíduos e 
permitem maior fluxo de irrigante, potencializando sua 
ação antimicrobiana. 
PERFIL DA SECÇÃO RETA TRANSVERSAL 
A seção transversal da haste de corte pode variar entre os 
instrumentos e ao longo de um mesmo instrumento. Os 
perfis das paredes dos canais helicoidais podem ser: 
● Reta, 
● Côncava, 
● Convexa, 
● Sinuosa (côncavo-convexa). 
 
Perfis côncavos ou retos reduzem o diâmetro do núcleo e 
aumentam a flexibilidade. Já os convexos e sinuosos 
resultam em núcleos mais espessos e rígidos. 
Durante o giro (normalmente à direita), cada canal 
helicoidal possui duas faces: 
● Parede de ataque ou de saída: realiza o corte, 
● Parede de folga ou incidência: auxilia no 
escoamento de resíduos. 
ARESTA DE CORTE 
A aresta de corte pode ter dois formatos principais: 
● Filete: interseção direta das paredes dos canais. 
● Guia radial: pequena estrutura saliente, como um 
cone truncado. 
A eficiência de corte depende do ângulo da aresta. Quanto 
mais afiada (ângulo menor e gume mais fino), maior a 
capacidade de corte e raspagem. Mas ângulos muito 
agudos podem comprometer a resistência do instrumento. 
Mesmo instrumentos com o mesmo diâmetro externo 
podem ter núcleos e áreas seccionais diferentes, o que 
influencia seu desempenho clínico. 
DIMENSÕES DOS INSTRUMENTOS 
COMPRIMENTO DOS INSTRUMENTOS 
O comprimento útil é a soma da parte de trabalho (mínimo 
de 16 mm) com o intermediário, desconsiderando o cabo. 
 Instrumentos padronizados (ISO 3630-1) têm 21, 25, 28 e 
31 mm — os mais usados são os de 21 e 25 mm. 
Instrumentos especiais podem ter medidas diferentes (ex: 
18, 19, 23 e 27 mm), com variação em todas as partes. 
Nos alargadores Gates-Glidden e Largo, o comprimento 
total inclui também a haste de acionamento. 
Quanto maior a parte de trabalho, maior a flexibilidade e 
menor a resistência à flambagem, dificultando o avanço em 
canais estreitos ou curvos. 
DIÂMETRO EXTERNO 
O diâmetro da ponta ativa é chamado D0 e representa o 
início da conicidade do instrumento. Já D16 indica o 
diâmetro 16 mm acima de D0. 
Os instrumentos ISO têm numeração baseada em D0, que 
varia entre 0,06 mm (nº 06) e 1,40 mm (nº 140), com 
tolerâncias dimensionais de ±0,02 mm (até nº 60) e ±0,04 
mm (acima disso). Estão organizados em 4 séries: especial 
(06 a 10), primeira (15 a 40), segunda (45 a 80) e terceira (90 
a 140). 
A diferença percentual entre instrumentos consecutivos 
pode dificultar a progressão, especialmente entre os de 
menor calibre, exigindo mais força e podendo causar 
deformações ou fraturas. 
Instrumentos com maior diâmetro em D0 são mais rígidos e 
resistentes à flambagem e torção. Já os mais delgados são 
mais flexíveis, mas menos resistentes à fratura por 
compressão. 
CONICIDADE 
Define o quanto o instrumento aumenta de diâmetro por 
milímetro (mm/mm) da parte ativa. 
 A conicidade padrão é de 0,02 mm/mm, o que representa 
um aumento de 0,32 mm da ponta (D0) até D16. 
Instrumentos mecanizados de NiTi podem ter conicidades 
maiores (0,04 a 0,12) ou até variáveis ao longo da haste 
(crescentes ou decrescentes). 
Maior conicidade → mais rigidez e resistência à torção. 
 Menor conicidade → mais flexibilidade e resistência à 
fadiga por flexão. 
EXTIRPA - POLPA 
● Formato: Pequenas hastes metálicas, suavemente 
cônicas, com farpas circulares levantadas da 
própria haste; 
● Cabo: Plástico ou metálico, colorido, com 10 mm 
de comprimento e 3 mm de diâmetro. 
Características Técnicas 
● Farpas: Mínimo de 36, com tamanho equivalente à 
metade do diâmetro da haste; 
● Comprimento total: Mínimo de 20 mm; 
● Parte ativa: 10,5 mm ± 1,5 mm; 
● Conicidade: Variável de 0,007 a 0,010 mm/mm; 
● Não seguem a padronização ISO dos demais 
instrumentos. 
Modo de Uso 
● Manual, com três etapas: 
 
1. Penetração até o terço apical; 
2. Rotação (1 a 2 voltas, horário ou 
anti-horário); 
3. Tração em direção cervical. 
 
Indicação Principal 
● Remoção da polpa dentária hígida, especialmente 
em cavidades amplas; 
● Contraindicado em rizogênese incompleta (risco de 
tracionar tecido perirradicular) e canais atresiados. 
Precauções 
 
● Explorar previamente o canal com instrumento 
tipo K delgado; 
● Nunca forçar o instrumento no canal — farpas 
podem se prender, causando fratura do dente ou 
do próprio extirpa-polpas. 
Usos Adicionais 
● Remoção de detritos soltos, bolinhas de algodão 
ou cones de papel com medicação intracanal. 
INSTRUMENTOS TIPO - K 
São fabricados a partir de fios metálicos de aço inoxidável 
ou de NiTi. A forma final dos instrumentos tipo K é obtida 
empregando-se a torção ou a usinagem. 
Objetivos: ampliação, modelagem e limpeza de um canal 
radicular durante a instrumentação. 
O cabo dos instrumentos tipo K é bicôncava e tem de 10 a 
12 mm de comprimento e diâmetro de 3 mm na parte 
bicôncava e 4 mm nas extremidades. 
O intermediário dos instrumentos tipo K apresenta 
tamanho variável em função do comprimento do corpo e 
da parte de trabalho do instrumento endodôntico. 
A ponta dos instrumentos tipo K se apresenta como afigura 
geométrica de um cone. Pode ser classificada como cônica 
circular ou piramidal (facetada). A extremidade da ponta 
pode ser pontiaguda, obtusa (arredondada) ou truncada. O 
ângulo da ponta é de 75 graus ± 15 graus. Quanto menor o 
ângulo, maior o comprimento da ponta. A passagem da 
base da ponta para a haste de corte helicoidal cônica pode 
apresentar ângulo de transição ou curva de transição. 
Instrumentos tipo K com pontas cônicas piramidais e 
vértices pontiagudos não devem ser empregados em canais 
radiculares curvos pelo fato de promoverem maior 
incidência de desvios e perfurações radiculares. Pontas 
cônicas circulares e vértices obtusos facilitam o 
deslizamento do instrumento nas irregularidades das 
paredes dos canais radiculares e reduzem o risco de 
iatrogenias. 
1. Ponta do Instrumento 
● Forma ideal para esvaziamento: cônica circular, 
vértice arredondado (obtuso). 
● Vértice pontiagudo: maior capacidade perfurante. 
● Vértice truncado: risco de entupimento e 
extravasamento apical. 
● Curva de transição (não ângulo): evita transporte 
apical e fratura por torção. 
2. Haste de Corte 
● Formato: helicoidal cônica, com base voltada ao 
intermediário. 
● Disposição das hélices: oblíqua, da direita para a 
esquerda. 
● Ângulo das hélices: varia de 15º a 55º, 
aumentando da ponta ao intermediário. 
● Seção transversal: triangular (Flex) ou 
quadrangular. 
3. Características da Seção Transversal 
● Triangular: 
 
○ 3 arestas de corte (ângulo interno ≈ 60°). 
○ Maior capacidade de corte e flexibilidade. 
○ Maior área e volume de furo. 
○ Suporta maior deformação plástica antes 
da fratura. 
 
● Quadrangular: 
 
○ 4 arestas de corte (ângulo interno = 90°). 
○ Maior resistência ao torque. 
○ Menor flexibilidade, maior rigidez. 
 
4. Movimentos Possíveis 
● Limação manual. 
 
● Alargamento parcial: 
 
○ Alternado (reciprocante): 
 
■ Triangular: 120° à direita. 
■ Quadrangular: 90° à direita. 
 
○ Unidirecional à direita. 
5. Diâmetros e Comprimentos 
● Conicidade: 0,02 mm/mm (padrão). 
● Comprimentos úteis: 21, 25, 28, 31 mm (mais 
comuns: 21 e 25 mm). 
● Numeração: 06 a 140 (D0 em centésimos de mm). 
 
○ Séries: especial (06–10), primeira (15–40), 
segunda (45–80), terceira (90–140). 
6. Fabricação 
● Por torção: melhor integridade estrutural, menos 
defeitos. 
● Por usinagem: mais defeitos superficiais, menor 
resistência à fratura. 
7. Considerações Clínicas 
● Flexibilidade: maior em instrumentos 
triangulares, menor em quadrangulares. 
● Inspeção constante: observar deformações 
plásticas (alerta de fratura iminente). 
● Instrumentos de NiTi: mais flexíveis que os de 
aço inoxidável. 
 
● Profundidade do canal helicoidal: maior nos 
triangulares → melhor transporte de detritos e 
irrigação. 
LIMAS TIPO HEDSTRONE 
1. Material e Fabricação 
● Fabricadas por usinagem a partir de fio metálico 
circular (aço inoxidável). 
● Apresentam maior número de defeitos 
superficiais comparadas às limas torcidas. 
2. Dimensões 
● Comprimentos úteis: 21, 25, 28 e 31 mm (mais 
usadas: 21 e 25 mm). 
● Números: 08 a 140. 
● Parte ativa: mínimo de 16 mm, com conicidade 
de 0,02 mm/mm. 
3. Geometria de Corte 
● Corte helicoidal com uma única aresta lateral 
(em forma de vírgula). 
● Hélices sobrepostas, com base voltada para o 
cabo. 
● Apresentam entre 18 a 22 hélices. 
● Inclinação das hélices: 
 
○ Diâmetros até nº 40: 40° a 55°. 
○ Diâmetros maiores: média de 65°. 
 
● Ângulo de corte da aresta helicoidal: ~42°. 
4. Ponta 
● Formato: cônica circular aguda. 
● Ângulo da ponta: varia de 30° a 90°, dependendo 
da marca. 
5. Movimento e Aplicação Clínica 
● Movimento indicado: limagem (exclusivamente). 
● Alta capacidade de corte (efeito “lâmina de 
raspagem”). 
● Ideal para: 
 
○ Segmentos achatados. 
○ Desgaste anticurvatura. 
 
● Maior rigidez = maior eficiência de raspagem. 
FABRICANTE Maillefer, VDW, FKG 
LIGA METÁLICA Aço inoxidável 
FABRICAÇÃO Usinagem 
PONTA Cônica circular 
SECÇÃO RETA 
TRANSVERSAL 
Forma de gota ou vírgula 
CONICIDADE Constante de 0,02 mm/mm 
COMPRIMENTO 21 – 25 – 28 – 31 mm 
NÚMEROS (DIÂMETROS) 08 a 140 
PARTE DE TRABALHO 16 mm 
MOVIMENTO Limagem 
ACIONAMENTO Manual 
INDICAÇÃO Instrumentação de 
segmentos achatados de 
canais radiculares 
 
Desgaste anticurvatura 
 
Consideração mecânica: Grande capacidade de limagem e 
resistência a fratura por tração. Não devem ser acionadas 
girando no interior de um canal radicular. 
INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE NITI 
MECANIZADOS PARA O RETRATAMENTO DE CANAIS 
1. Finalidade 
● Projetados exclusivamente para remoção de 
material obturador. 
● Não indicados para reinstrumentação de canais. 
● Evitam contato direto com a dentina → diminuem 
riscos de desvios e perfurações. 
2. Seleção Adequada 
● Deve-se usar instrumentos com diâmetro menor 
que o do preparo original. 
● Garante atuação apenas sobre o material 
obturador, e não sobre as paredes do canal. 
3. Riscos do Uso Incorreto 
● Fratura por: Torção/ Fadiga cíclica. 
 
● Possibilidade de: Perfurações/ Desvios do canal. 
 
4. Técnica Recomendada (Somma et al.) 
● Combinação mecânico + manual é mais eficaz: 
 
1. Inicial: Instrumentos mecanizados → 
retiram a maior parte. 
2. Complementar: Instrumentos manuais 
→ finalizam a limpeza. 
5. Uso sem Solventes 
 
● Atrito mecânico gera calor suficiente para 
plastificar a guta-percha. 
● Isso permite: 
 
○ Avanço apical do instrumento. 
○ Remoção do material obturador pela 
espiral helicoidal do instrumento até a 
câmara pulpar. 
6. Eficiência de Limpeza 
● Estudos mostram: sem diferenças significativas 
entre uso manual e mecanizado quanto à limpeza 
da dentina. 
 
INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS ESPECIAIS DE NITI 
MECANIZADOS 
1. Conceito e Movimento 
● São acionados por motores (elétricos ou 
pneumáticos) em giro contínuo ou reciprocante; 
● Realizam alargamento do canal e não limagem, por 
isso não são considerados “limas”; 
● Chamados de alargadores helicoidais cônicos. 
2. Estrutura dos Instrumentos 
● Haste de acionamento: metálica (liga de latão, 
cobre e zinco), com comprimento de 15 mm (ou 
menores para acesso facilitado). Diâmetro 
universal: 2,30 mm; 
● Intermediário: entre haste e parte ativa, com 
ranhuras que indicam medidas; 
● Ponta: cônica circular, com extremidade 
arredondada ou truncada e curva de transição que 
evita travamento e fraturas; 
● Haste helicoidal de corte: cônica, com hélices 
obtidas por usinagem ou torção; 
● Direção das hélices: geralmente da direita para 
esquerda. 
3. Características Técnicas 
● Arestas de corte: em forma de filete ou guia radial 
(centraliza o instrumento e reduz atrito e calor); 
● Ângulo das hélices: variável (15º a 35º). 
● Núcleo: 
 
○ Cônico, cônico invertido ou cilíndrico; 
○ Influencia profundidade dos canais 
helicoidais e flexibilidade. 
 
● Seção transversal da haste de corte: 
 
○ Pode ser constante ou variar ao longo do 
comprimento; 
○ Perfis: côncavo, convexo, sinuoso ou reto. 
 
● Menor núcleo → mais flexibilidade e remoção de 
detritos, porém menor resistência à torção. 
 
4. Tamanhos e Conicidades 
● Números: 15 a 60; 
● Comprimentos: 18, 21, 25, 31 mm; 
● Conicidades: 0,02 a 0,12 mm/mm; 
● Menor número/conicidade → maior flexibilidade; 
● Maior número/conicidade → maior rigidez 
5. Cuidados no Uso 
● Evitar uso de poucos instrumentos para todo o 
preparo — deve-se adaptar a instrumentação à 
anatomia do canal; 
● Requerem tração curta para evitar empurrar 
detritos para o ápice; 
● Instrumento deve ser frequentemente limpo em 
gaze umedecida. 
Exemplo – Instrumento RaCe® (FKG Dentaire, Suíça) 
● Liga: NiTi convencional; 
● Fabricação: Usinagem + tratamento eletroquímico; 
● Movimento: Giro contínuo; 
● Ponta: Cônica circular com curva de transição; 
● Seção transversal: Triangular ou quadrangular; 
● Conicidades: 0,02 / 0,04 / 0,06 mm/mm 
● Comprimentos: 21, 25, 31 mm; 
● Parte ativa: 16 mm; 
● Diferencial: Arestas alternadas 
(longitudinal/oblíqua),reduzindo roscamento e 
fratura; 
● Acessório: Disco de silicone (SMD) para controle de 
número de usos. 
ALARGADORES GATTES GLIDDEN 
1. Definição e Finalidade 
● Instrumento alargador, não é considerado broca 
(broca corta na ponta; alargador amplia um furo já 
existente); 
● Utilizado para alargamento do terço cervical dos 
canais radiculares, promovendo melhor acesso, 
retidão e limpeza; 
● Acionado por motor (instrumento mecanizado). 
2. Características Técnicas 
● Numerado de 1 a 6: 
 
○ Diâmetros nominais: 0,50 – 0,70 – 0,90 – 
1,10 – 1,30 – 1,50 mm. 
 
● Comprimentos disponíveis: 
 
○ Corpo (parte ativa): 15 mm ou 19 mm; 
○ Haste de acionamento: 13 mm; 
 
○ Comprimentos totais: 28 mm ou 32 mm. 
 
● Material: Aço inoxidável, obtido por usinagem. 
3. Estrutura 
● Composto por duas hastes de diâmetros 
diferentes: 
 
○ Haste de acionamento (maior diâmetro): 
cilíndrica, conecta-se ao motor; 
○ Haste ativa (menor diâmetro): corpo do 
instrumento; 
○ A transição entre elas é feita por um raio 
de concordância (adoçamento), que evita 
concentração de tensões e fraturas. 
4. Ponta do Instrumento 
● Cônica circular, não cortante, com vértice truncado; 
● Apresenta: 
 
○ Ângulo maior (bisel): ~60°; 
○ Ângulo posterior: ~20°. 
 
● Transição da ponta para a haste é feita 
suavemente, evitando ângulos abruptos. 
5. Parte de Trabalho (Haste de Corte) 
● Curta, formato elíptico; 
● Composta por: 
 
○ Arestas de corte: 3, igualmente espaçadas 
(120°), em forma de hélice anti-horária 
com inclinação de ~10°; 
○ Dispostas longitudinalmente a partir da 
ponta e depois em oblíquo; 
○ Evita efeito de roscamento. 
 
● Canal helicoidal: 
 
○ Curto, perfil côncavo, profundidade 
acentuada; 
○ Seção transversal: tríplice U, com três 
canais e três arestas; 
○ Guia radial rebaixada (superfície de folga): 
reduz atrito, evita travamento e 
superaquecimento; 
○ Ângulo interno da aresta de corte: agudo, 
da 
instrumentação, à confecção de um canal de formato 
cônico com o menor diâmetro apical e o maior em nível 
coronário. Esse formato cônico obtido, também chamado 
canal cirúrgico, deve, obrigatoriamente, conter em seu 
interior o canal anatômico. Esse objetivo é, geralmente, 
facilmente logrado em canais retos. 
Em canais curvos, a ampliação do volume acompanhado do 
desenvolvimento de um formato cônico e a permanência 
da forma original do canal em sua posição original são 
tarefas difíceis de serem alcançadas. 
O resultado final da instrumentação de um canal curvo 
pode ser influenciado por vários fatores, tais como: 
● valor do raio de curvatura do canal; 
● localização da curvatura; 
 
● comprimento do arco; 
● desenho da haste de corte; 
● flexibilidade e diâmetro do instrumento 
endodôntico; 
● tipo do movimento empregado; 
● técnica de instrumentação; 
● localização da abertura foraminal, dureza da 
dentina e da natureza da liga metálica dos 
instrumentos endodônticos. 
1. Acidentes Comuns em Canais Curvos: Degraus, 
Perfurações, Deslocamentos apicais (internos ou externos). 
 
2. Soluções Tecnológicas 
● Novas ligas de NiTi: M-Wire, Fase R, Memória 
Controlada. 
 
○ Maior elasticidade/ Menor risco de 
fratura/ Maior resistência à 
deformação. 
 
● Geometria aprimorada: 
 
○ Seções transversais modificadas/ Pontas 
ativas reformuladas/ Variações no D0, 
conicidade e comprimento de trabalho. 
 
3. Técnicas de Alargamento 
● Alargamento parcial à direita; 
● Alargamento parcial alternado (reciprocante); 
● Alargamento contínuo. 
Reduzem significativamente o risco de acidentes. 
4. Critérios clínicos (não confiáveis) para avaliar 
preparo: Raspas dentinárias limpas/ Irrigação translúcida/ 
Paredes com tato liso e uniforme. 
5. Quando considerar o preparo completo 
● Planejamento executado corretamente, com: 
 
○ Diâmetros e conicidades compatíveis com 
a anatomia. 
○ Substâncias químicas com ação solvente e 
antimicrobiana. 
○ Irrigação e aspiração eficazes. 
○ Movimento apropriado do instrumento. 
6. Limitações do preparo químico-mecânico 
● Não alcança toda a anatomia do canal. 
● Instrumentos atuam apenas no lúmen principal e 
áreas adjacentes. 
● Não alcançam: Istmos; Reentrâncias; Ramificações 
apicais e laterais. 
● Consequência: resíduos e bactérias podem 
permanecer. 
Desinfecção e limpeza 
A desinfecção e limpeza do sistema de canais radiculares 
visa à eliminação de irritantes como bactérias, seus 
produtos e tecido pulpar vivo ou necrosado, criando um 
ambiente propício para a reparação dos tecidos 
perirradiculares. 
O objetivo de desinfecção se aplica somente aos casos de 
necrose e de retratamento, em que geralmente há infecção 
do sistema de canais radiculares, uma vez que a lesão 
perirradicular é causada e mantida por bactérias infectando 
o sistema de canais radiculares. Consequentemente, a 
prevenção (em biopulpectomia) e o controle da infecção (na 
necropulpectomia) são cruciais para o sucesso do 
tratamento. 
Durante o preparo químico-mecânico, a limpeza é lograda 
pela ação mecânica dos instrumentos endodônticos junto 
às paredes do canal radicular principal e ao fluxo e refluxo 
da solução irrigadora. Aliada a essa ação mecânica, uma 
ação química de limpeza e desinfecção do sistema de 
canais é obtida pelo emprego de soluções químicas 
auxiliares de instrumentação. 
Essas soluções devem idealmente ser dotadas de 
propriedades solventes de matéria orgânica e de atividade 
antimicrobiana. Também devem apresentar baixa tensão 
superficial e baixa viscosidade (grande molhabilidade). 
A limpeza é complementada pela remoção de detritos no 
interior do canal radicular. Esta é feita pelo canal helicoidal 
dos instrumentos endodônticos e pela irrigação-aspiração. 
A ação antimicrobiana da solução química auxiliar é a 
responsável pela desinfecção do sistema de canais 
radiculares em casos de necrose e de retratamento, 
enquanto em dentes com polpa viva ela pode ser 
importante em prevenir a contaminação dos canais. 
MOVIMENTO DOS INSTRUMENTOS ENDODÔNTICOS 
Durante a instrumentação dos canais radiculares, os 
instrumentos endodônticos podem promover: 
● o desgaste da dentina (ampliação do canal 
radicular) por meio dos movimentos de limagem, 
● alargamento parcial à direita, 
● alargamento contínuo, 
● alargamento reciprocante ou alternado aplicados a 
eles, obtidos manualmente ou por dispositivos 
mecânicos. 
O movimento de alargamento ou limagem está relacionado 
com a geometria da parte de trabalho, a resistência 
mecânica do instrumento e a anatomia dos segmentos de 
canais radiculares. 
É importante ressaltar que, durante a instrumentação de 
um canal radicular, temos como objetivo a sua ampliação 
(aumento de volume) e a sua modelagem, que podem ser 
 
alcançadas por meio do movimento de alargamento ou de 
limagem. 
MOVIMENTO DE REMOÇÃO 
É usado para tirar polpa 
dentária, detritos, algodão ou 
cones de papel. Consiste em 
avançar o instrumento no canal, girar 1-2 voltas à direita e 
puxar em direção à coroa. Não serve pra modelar, apenas 
esvaziar parcialmente. Os instrumentos mais usados são 
extirpa-polpas, limas tipo K e H, geralmente manuais. 
MOVIMENTO DE EXPLORAÇÃO 
Serve para conhecer a anatomia 
interna do canal e determinar a 
odontometria. Usa-se instrumentos 
tipo K de aço inoxidável, com pequenos 
avanços apicais e rotações leves 
(direita/esquerda), sem necessidade de pré-curvamento. 
Ideal para canais amplos e no início da instrumentação. 
MOVIMENTO DE ALARGAMENTO 
O movimento de alargamento tem como finalidade ampliar 
o diâmetro interno do canal radicular. É executado com 
alargadores manuais ou mecanizados, como limas tipo K 
ou instrumentos rotatórios, que giram e avançam 
simultaneamente, removendo dentina em forma de 
cavacos, os quais devem ser eliminados por irrigação 
eficiente e pelo transporte promovido pelo próprio 
instrumento. 
Fatores determinantes da eficiência do alargamento: 
1. Ângulo de inclinação da hélice: Quanto menor, 
maior a eficiência de corte. 
2. Ângulo da cunha ou aresta lateral de corte: 
Cunhas com ângulo interno menor e vértice mais 
agudo promovem maior ação cortante. 
3. Dureza relativa entre instrumento e dentina: 
Instrumentos mais duros cortam com mais 
facilidade. 
4. Velocidade do movimento (avanço e rotação): 
Velocidades mais altas reduzem o tempo de 
trabalho, mas exigem controle rigoroso para 
evitar acidentes. 
Considerações clínicas: 
● Em canais curvos, é essencial manter o 
instrumento dentro do seu limite elástico para 
evitar deformações plásticas ou fraturas. 
● Para esses casos, recomendam-se: Instrumentos 
triangulares de aço inoxidável nos calibres 15 a 
25; Instrumentos de NiTi, devido à maior 
flexibilidade, adaptando-se melhor à curvatura 
dos canais sem deformação. 
MOVIMENTOS DE ALARGAMENTO ENDODÔNTICO - 
COMPARATIVO 
Parcial (à direita) 
● Descrição: Movimento 
rotatório que avança 
parcialmente no sentido 
horário, seguido de recuo; 
● Instrumentos Utilizados: Instrumentos manuais 
(ex: limas tipo K ou Hedström); 
● Ângulo de Rotação: Rotação parcial à direita 
(horária) + retirada; 
● Risco de fratura: Menor que rotação contínua, mas 
pode ocorrer; 
● Implicações clínicas: Requer tato apurado; útil para 
controle em canais estreitos ou curvos. 
Alternado (Reciprocante) 
● Descrição: Movimento 
oscilatório: gira em um sentido e 
depois no outro; 
● Instrumentos Utilizados: Limas 
reciprocantes (ex: Reciproc, 
WaveOne); 
● Ângulo de Rotação: Maior ângulo antihorário (ex: 
150°) e menor horário (ex: 30°); 
● Risco de fratura: Baixo, menor fadiga cíclica 
● Implicações clínicas: Boa segurança contra fratura; 
preserva mais estrutura dentinária. 
Contínuo 
● Descrição: Movimento rotatório 
constante no sentido horário; 
● Instrumentos Utilizados: Limas 
rotatórias contínuas (ex: 
ProTaper, K3); 
● Ângulo de Rotação: Rotação de 360° contínua, 
geralmente em torno de 300 rpm; 
● Risco de fratura: Maior fadigacíclica e risco de 
fratura; 
● Implicações clínicas: Rápido e eficiente; exige 
irrigação rigorosa e atenção a curvaturas. 
MOVIMENTO DE LIMAGEM (RASPAGEM) 
O movimento de limagem, ou raspagem, é um dos 
principais movimentos manuais empregados na 
instrumentação endodôntica. Consiste em um movimento 
mecânico alternado longitudinal, realizado com limas, 
que promove a remoção seletiva de dentina das paredes 
do canal radicular. 
Características do movimento: 
● Movimento alternado, curto e linear, com 
amplitude de 1 a 5 mm. 
● Frequência baixa: cerca de 1 a 2 ciclos por 
segundo. 
● A remoção de dentina ocorre na fase de tração, 
e não no avanço. 
 
● O instrumento deve ter diâmetro compatível com o 
canal, mas sem se prender, permitindo liberdade 
no avanço. 
Tipos de limagem: 
● Circundante: tração oblíqua aplicada de forma 
uniforme ao redor do canal, evita sulcos e amplia o 
contorno. 
● Anticurvatura: desgaste seletivo na parede oposta 
à curvatura do canal (zona de segurança), evita 
perfurações cervicais. 
Considerações clínicas: 
● Atingindo um ponto de justeza, recomenda-se 
reduzir o comprimento de trabalho em até 2 
mm. 
● Contraindicada no preparo apical, por dificultar 
controle da força, frequência e amplitude, 
podendo causar transporte apical e extrusão de 
debris. 
● A forma resultante tende a ser elipsoide e 
irregular, o que pode dificultar a adaptação do 
cone de guta-percha. 
Fatores que influenciam a eficiência: 
1. Ângulo de hélice: acima de 45°, favorece a ação de 
limagem. 
2. Gume de corte agudo: aumenta a eficiência, mas 
reduz a durabilidade. 
3. Dureza do material do instrumento: quanto 
maior que a dentina, mais eficiente a raspagem. 
4. Rigidez: aumenta a remoção dentinária; é maior 
em instrumentos calibrosos. 
 
Instrumentos recomendados: 
● Limas tipo K e Hedstrom de aço inoxidável: 
eficazes para limagem. 
● Limas tipo K de NiTi calibres 08 a 25: muito 
flexíveis, pouco efetivas nesse movimento. 
● Tipo K de NiTi a partir do n° 30: maior rigidez, 
podem ser usados. 
● Hedstrom de NiTi: não recomendadas, devido à 
superelasticidade que compromete a raspagem. 
Segurança e riscos: 
● Segura contra fratura por tração, quando bem 
executada. 
● Risco de fratura por torção caso o instrumento 
gire inadvertidamente em um canal estreito e fique 
preso. 
CLASSIFICAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
1. Quanto à anatomia 
Os canais radiculares podem variar em número, forma, 
tamanho, e apresentar divisões e fusões. A cavidade pulpar 
é um sistema complexo, que inclui canais principais, 
acessórios, laterais, secundários e delta apical. 
Na maioria dos casos, as lesões perirradiculares estão 
associadas ao canal principal, pois os canais acessórios e 
ramificações geralmente não possuem volume suficiente 
para sustentar infecções significativas. 
 
A forma da seção transversal do canal varia ao longo do seu 
comprimento: 
● Cervical: circular ou achatada (vestíbulo-lingual ≥ 2x 
mésio-distal); 
● Apical: circular ou levemente achatada. 
A qualidade do preparo está diretamente relacionada à 
geometria da seção transversal, devendo respeitar a 
morfologia original do canal. 
2. Quanto ao diâmetro 
A classificação se baseia na compatibilidade com 
instrumentos tipo K: 
● Amplo: compatível com lima ≥ n.º 35; 
● Mediano: entre as limas n.º 20 e 30; 
● Atresiado (ou constrito): compatível com lima ≤ n.º 
15. 
3. Quanto à direção 
● Retilíneo: canal em linha reta; 
● Curvilíneo: canal com curva em parte ou em todo o 
seu comprimento (mais comum no terço apical). 
As curvaturas são, geralmente, mais acentuadas no sentido 
mésio-distal e devem ser analisadas com base no: 
● Raio de curvatura ®; 
● Comprimento do arco; 
● O ângulo isolado não é um parâmetro confiável, 
pois diferentes raios podem gerar arcos distintos 
com o mesmo ângulo; 
● Maior raio → maior resistência à fadiga do 
instrumento; 
● Maior arco → menor resistência à fadiga 
Assim, a curvatura deve ser quantificada pelo raio e 
comprimento do arco, e não apenas pelo ângulo de 
curvatura. 
Classificação das Curvaturas 
As curvaturas dos canais radiculares podem ser 
classificadas de acordo com o valor do raio: 
● Curvaturas suaves: quando o raio é igual ou maior 
que 20 mm; 
 
● Curvaturas moderadas: quando o raio é maior que 
10 mm e menor que 20 mm; 
● Curvaturas acentuadas: quando o raio é igual ou 
menor que 10 mm. 
 
Importância Clínica 
A resistência à fratura por fadiga de um instrumento 
endodôntico depende diretamente do raio da curvatura, do 
comprimento do arco e da localização da curva no canal. 
● Curvaturas com raio menor e arco mais longo 
geram maior concentração de tensões, reduzindo a 
vida útil do instrumento; 
● Quando a curvatura está mais próxima do 
segmento cervical, as tensões aplicadas ao 
instrumento são ainda mais intensas; 
● O número de ciclos até a fratura por fadiga diminui 
conforme aumentam essas tensões. 
Vale lembrar que essa análise é feita com base em imagens 
radiográficas bidimensionais com instrumentos tipo K nº 10 
inseridos nos canais. Por isso, os valores obtidos são 
relativos, pois a curvatura verdadeira ocorre em três 
dimensões. A projeção radiográfica pode não representar 
fielmente a anatomia real do canal, e pequenas variações 
na angulação do feixe de raios X alteram a imagem 
observada. 
Além disso, é importante considerar que alguns canais 
apresentam curvaturas duplas. Nestes casos, o preparo 
apical pode se desviar em diferentes direções, como para 
distal, diferentemente dos canais com curvatura simples, 
onde o desvio geralmente é para mesial. 
Classificação dos Canais Radiculares para Fins Clínicos 
Os canais radiculares, considerando seu diâmetro e 
curvatura, podem ser classificados em quatro classes: 
● Classe I: canais amplos ou medianos, retos ou com 
curvatura suave (raio igual ou maior que 20 mm). A 
exploração do canal até a abertura foraminal é 
geralmente fácil; 
● Classe II: canais atresiados com curvatura 
moderada (raio entre 10 e 20 mm). Apesar do 
calibre reduzido, o acesso até a abertura foraminal 
ainda é possível; 
● Classe III: canais atresiados com curvatura 
acentuada (raio igual ou menor que 10 mm). O 
acesso até a abertura foraminal é bastante difícil; 
● Classe IV: canais com anatomias atípicas, como 
casos de dupla curvatura ou dilaceração radicular. 
Esses casos apresentam grande complexidade e 
não se enquadram nas classes anteriores. 
 
LIMITE APICAL DE INSTRUMENTAÇÃO 
1. Importância e Controvérsia Clínica 
O limite apical de instrumentação refere-se ao ponto mais 
apical que os instrumentos devem alcançar durante o 
preparo do canal radicular. Apesar de envolver diferenças 
milimétricas, esse limite tem grande importância, pois 
influencia diretamente o sucesso do tratamento 
endodôntico no longo prazo. 
● Dor pós-operatória não costuma ser afetada por 
variações pequenas do limite apical, exceto nos 
casos de sobreinstrumentação ou sobreobturação, 
que podem causar maior incidência de sintomas. 
2. Diferenças Entre Situações Clínicas 
O limite apical deve considerar a presença ou não de 
infecção, já que as estratégias de tratamento variam 
conforme o caso: 
● Polpas vitais: são livres de infecção mesmo quando 
expostas. O tratamento visa remover o tecido 
inflamado sem disseminar irritantes; 
● Polpas necrosadas: apresentam infecção, mesmo 
na ausência de lesão visível na radiografia. Devem 
ser sempre tratadas como contaminadas; 
● Retratamentos: geralmente associados a infecções 
persistentes ou secundárias, com microrganismos 
mais resistentes. 
Essas diferenças determinam o número de sessões, a 
intensidade da desinfecção e o limite ideal da 
instrumentação. 
3. Região Apical: Zona Crítica 
A porção apical do canal radicular é a área de maior 
importância para limpeza, desinfecção e selamento. 
● Contém o canal principal apical, o forame apical e 
várias ramificações; 
● Essas estruturas colocam o sistema de canais em 
íntimo contato com os tecidosamplamente adotada. 
 
 
 
 
 
 
● ND: número do dente; R: raiz; O: orifício; 
● C: canal; 
● F: forame; 
● Apenas 1 número é informado caso O=C=F; use a 
barra ‘/’ para indicar raízes fusionadas. 
TIPO DO DENTE CÓDIGO 
Unirradicular 1NDO-C-F 
Birradicular 2ND R1O-C-F R2O-C-F 
Multirradicular nND R1O-C-F R2O-C-F 
RnO-C-F 
 
 
 
CANAIS ACESSÓRIOS 
Os canais acessórios são pequenas ramificações que 
conectam o canal principal do dente à superfície externa da 
raiz, enquanto os canais laterais são um subtipo localizado 
nos terços cervical ou médio da raiz, geralmente se 
estendendo horizontalmente. Eles se formam durante o 
desenvolvimento radicular, possivelmente em regiões onde 
a bainha epitelial de Hertwig se rompe antes da 
diferenciação dos odontoblastos, ou em locais com vasos 
colaterais que impedem a mineralização. 
Esses canais são clinicamente importantes porque 
permitem a passagem de irritantes da polpa necrosada 
para o periodonto, o que pode dificultar o sucesso do 
tratamento endodôntico, já que são difíceis de acessar, 
limpar e obturar. A prevalência e a localização desses canais 
variam conforme o grupo dentário. A maioria dos canais 
acessórios se encontra no terço apical da raiz, com 
percentuais variando devido ao método de análise 
utilizado, sendo os pré-molares e molares os dentes mais 
frequentemente afetados. 
Radiograficamente, os canais acessórios geralmente não 
são visíveis, mas sua presença pode ser suspeitada em 
casos de espessamento do ligamento periodontal ou lesões 
laterais na raiz. Seu diâmetro costuma ser muito menor que 
o do forame apical (de 10 a 200 µm), o que limita a difusão 
de irritantes, exceto quando o canal acessório for de maior 
calibre. Isso explica por que lesões laterais são menos 
comuns que lesões periapicais. 
Na prática clínica, a instrumentação direta desses canais é 
praticamente impossível. A descontaminação depende da 
irrigação com soluções antimicrobianas e dissolventes de 
matéria orgânica, podendo ser complementada com 
medicação intracanal. Ainda assim, evidências histológicas 
mostram que restos de tecido pulpar ou microrganismos 
podem persistir nessas áreas, o que reforça a importância 
de técnicas eficazes de limpeza química durante o 
tratamento endodôntico. 
ISTMOS 
Os istmos representam um desafio anatômico significativo 
nos tratamentos endodônticos por serem faixas estreitas 
de tecido que conectam dois ou mais canais radiculares, 
especialmente comuns em dentes posteriores. Mesmo após 
o preparo químico-mecânico, estudos mostram que essas 
regiões frequentemente mantêm tecido necrosado e 
biofilmes, evidenciando a limitação dos métodos 
convencionais de desinfecção. 
A morfologia e prevalência dos istmos variam conforme o 
tipo de dente, o nível da raiz e a idade do paciente. Seu 
conhecimento é fundamental tanto em procedimentos 
endodônticos convencionais quanto cirúrgicos. 
Hsu e Kim propuseram uma classificação com cinco tipos 
de istmos: 
● Tipo I: dois canais sem comunicação visível; 
● Tipo II: conexão extremamente estreita entre dois 
canais; 
● Tipo III: semelhante ao tipo II, mas com três canais; 
● Tipo IV: canais que se estendem para dentro da 
área do istmo 
● Tipo V: conexão larga entre dois canais principais. 
 
Complementariamente, Fan et al., utilizando 
microtomografía computarizada (micro-TC), identificaram 
quatro configurações adicionais na raiz mesial de molares 
inferiores: 
● Tipo I (conexão em folha): conexão estreita e 
completa entre os canais ao longo de toda a raiz, 
com possíveis fusões de dentina; 
● Tipo II (conexão dividida): conexão incompleta 
entre os canais; 
● Tipo III (conexão mista): combinação de istmos 
completos e incompletos em diferentes níveis da 
raiz; 
● Tipo IV (conexão em cânula): comunicação estreita 
semelhante a uma cânula. 
 
Na prática clínica, os istmos dificultam a ação das soluções 
irrigantes, pois detritos gerados durante o preparo tendem 
a se acumular nessas áreas inacessíveis, comprometendo a 
desinfecção e o sucesso do tratamento. No entanto, o uso 
de recursos modernos, como sistemas de magnificação e 
técnicas de irrigação ultrassônica, tem possibilitado uma 
limpeza mais eficaz dos istmos, contribuindo para melhores 
resultados clínicos. 
CANAIS EM C 
Os canais em forma de C constituem uma variação 
anatômica caracterizada por seu formato semelhante à 
letra “C” quando observados em cortes transversais da raiz. 
Sua principal particularidade é a presença de um ou mais 
istmos que conectam os canais individuais ao longo de toda 
a raiz, o que torna a limpeza e a desinfecção especialmente 
difíceis. Detritos e material orgânico podem permanecer 
nesses espaços mesmo após o preparo químico-mecânico, 
comprometendo o sucesso do tratamento endodôntico. 
Essa configuração é mais comum em dentes com raízes 
fusionadas, sendo observada principalmente nos segundos 
molares inferiores e, em menor escala, nos primeiros 
 
pré-molares. A prevalência varia conforme a população 
estudada, sendo significativamente maior entre pacientes 
asiáticos. Em molares superiores, a presença de canais em 
C é considerada rara (menos de 1%), embora estudos com 
microtomografia computadorizada (micro-TC) tenham 
identificado essa morfologia em até 22% dos segundos 
molares superiores com raízes fusionadas. 
O diagnóstico pré-operatório dessa anatomia é desafiador, 
especialmente quando baseado apenas em radiografias 
convencionais, que frequentemente não revelam a 
verdadeira complexidade do sistema de canais. Portanto, 
exames mais avançados, como a tomografia 
computadorizada de feixe cônico (TCFC), são 
recomendados quando há suspeita dessa configuração, 
possibilitando um planejamento mais eficaz do tratamento. 
CANAL RADICULAR APICAL 
A região apical do canal radicular é complexa e varia 
amplamente entre os dentes, sendo composta pela porção 
final do canal principal, pelo forame apical e suas 
ramificações, além de canais acessórios. Essa área tem 
grande importância clínica devido à sua variabilidade 
anatômica, o que gera controvérsias sobre o limite ideal 
para instrumentação e obturação, além de impactar 
decisões como a realização de patência apical e ampliação 
foraminal. 
O ponto mais estreito do canal é conhecido como 
constrição apical (ou forame menor), geralmente localizado 
entre 0,5 e 1,5 mm do forame apical. A partir desse ponto, o 
canal se alarga até atingir o forame apical (ou maior), que 
comunica a polpa com os tecidos periapicais. O forame 
geralmente é deslocado lateralmente ao ápice anatômico e 
pode apresentar formato irregular, com diâmetro médio de 
0,21 a 0,39 mm. 
É comum encontrar múltiplas ramificações apicais, com até 
16 foraminas em uma mesma raiz, sendo mais prevalentes 
na raiz mesial de molares inferiores, pré-molares 
superiores e raiz mesiovestibular de molares superiores. 
Essa anatomia aumenta a dificuldade de limpeza da área e 
a chance de permanência de biofilme e tecido necrosado, 
comprometendo o sucesso do tratamento não cirúrgico. 
Durante a cirurgia, istmos apicais podem ser expostos, o 
que exige uso de magnificação e pontas ultrassônicas para 
garantir selamento eficaz no retropreparo. 
A curvatura apical dos canais também é um fator crítico. 
Pode ocorrer em diferentes direções (vestibulolingual, 
mesiodistal) e se manifesta como inclinação, curvatura ou 
angulação. Métodos como o de Schneider (mensura o 
ângulo da curvatura) e o de Pruett et al. (mede o raio da 
curvatura) são usados para avaliar sua extensão. 
Curvaturas mais abruptas têm menor raio e são mais 
desafiadoras para instrumentação. 
Estudos com tomografia de feixe cônico e métodos 
computacionais, como o proposto por Estrela et al., 
permitem avaliação tridimensional da curvatura, 
oferecendo maior precisão ao planejamento clínico. 
Epidemiologicamente, curvaturas são comuns e variam 
entre os dentes. Os canais mesiovestibulares de molares 
superiores e os mesiais de molares inferiores são os mais 
curvos.perirradiculares; 
● Essa região é chamada de zona crítica apical, sendo 
essencial à eliminação de irritantes e à prevenção 
de reinfecção. 
4. Estrutura Anatômica Apical 
O canal radicular é dividido em duas porções: 
● Canal dentinário: maior extensão, com conicidade 
leve. Estende-se da câmara pulpar até a junção 
cemento-dentinária (JCD). Apresenta baixa 
densidade tubular nos últimos milímetros, o que 
reduz sua permeabilidade; 
● Canal cementário: mais curto e com conicidade 
acentuada. Vai da JCD até o forame apical. 
A JCD é o ponto de união entre os dois canais, 
representando a transição entre a polpa e o periodonto. É 
considerada, teoricamente, o local ideal para o término da 
instrumentação, por ser o local de menor diâmetro do 
canal. No entanto, devido à sua variabilidade anatômica e 
 
dificuldade de localização clínica, a JCD é considerada um 
ponto histológico de difícil aplicação prática. 
5. Dimensões e Variações Anatômicas 
● O canal cementário possui comprimento médio de 
0,5 mm a 0,7 mm, dependendo da idade; 
● O forame apical tende a aumentar de diâmetro 
com o envelhecimento e nem sempre está no ápice 
anatômico; 
● O número de forames apicais pode variar bastante, 
e eles podem estar situados até 3,8 mm distantes 
do ápice. 
Essas variações reforçam a importância de utilizar 
localizadores apicais eletrônicos e radiografias periapicais 
para estimar a posição ideal do batente apical. 
6. Ponto Ideal de Instrumentação 
Clinicamente, o batente apical é estabelecido entre 0,5 mm 
e 1 mm aquém do forame apical, identificado 
eletronicamente e confirmado radiograficamente. Essa 
recomendação vale tanto para casos de polpa vital quanto 
necrosada ou retratamento. 
7. Canal Patente 
Manter o canal cementário desobstruído até o forame 
apical é indicado, desde que não haja reabsorção radicular 
que impeça isso. A manutenção desse trajeto é conhecida 
como comprimento patente (CP) e tem função biológica e 
mecânica: 
● Permite melhor ação da solução irrigadora; 
● Evita retenção de tecido potencialmente necrótico; 
● Reduz riscos de complicações como bloqueios ou 
degraus durante o preparo. 
TERMINOLOGIA: é o conjunto de termos peculiares de uma 
ciência ou arte. A seguir, mencionaremos um conjunto de 
termos peculiares ao preparo químico-mecânico dos canais 
radiculares. 
DIÂMETRO ANATÔMICO: Equivale ao diâmetro do canal 
radicular anteriormente aos procedimentos de 
instrumentação. Corresponde ao diâmetro do primeiro 
instrumento endodôntico que se ajusta no interior de todo 
o canal radicular. 
DIÂMETRO CIRÚRGICO: Equivale ao diâmetro obtido após 
a instrumentação do canal radicular. Corresponde ao 
diâmetro do último instrumento endodôntico que foi 
empregado no segmento apical do canal radicular. O 
diâmetro anatômico não deve ultrapassar 1/3 do diâmetro 
radicular. 
PREPARO QUÍMICO MECÂNICO: É um procedimento 
dinâmico que tem por objetivo promover a ampliação, a 
modelagem, a limpeza e a desinfecção de um canal 
radicular por meio de três eventos distintos: 
instrumentação, emprego de substâncias químicas 
auxiliares e irrigação-aspiração. 
INSTRUMENTAÇÃO: É o principal evento do preparo 
químico-mecânico do canal radicular. É realizado por meio 
de ferramentas denominadas instrumentos endodônticos. 
IRRIGAÇÃO - ASPIRAÇÃO: Representa uma corrente líquida 
no interior da cavidade pulpar. 
COMPRIMENTO DE TRABALHO: Como o forame apical se 
encontra, em média, deslocado 0,5 mm aquém do ápice 
radicular e o limite CDC (constrição apical) está localizado 
entre 0,5 e 0,7 mm do forame, o comprimento de trabalho 
pode ser obtido deduzindo-se 1 a 2 mm aquém do ápice 
radiográfico do dente. 
COMPRIMENTO DE PATÊNCIA DO CANAL: É a medida 
obtida desde um ponto de referência coronário até a 
abertura do forame apical na superfície externa radicular. 
Tem como objetivo manter o canal cementário ou o 
segmento mais apical do canal desobstruído. 
INSTRUMENTO DE PATÊNCIA: Equivale ao último 
instrumento utilizado em todo o comprimento do canal 
radicular (comprimento de patência). 
PATÊNCIA DO FORAME APICAL OU DO CANAL 
CEMENTÁRIO: É a manutenção do canal cementário 
principal patente (aberto, desobstruído) durante o preparo 
de um canal radicular. 
AMPLIAÇÃO DA CONSTRIÇÃO APICAL: É a ampliação e a 
regularização da forma da constrição apical do canal 
radicular. A forma da seção reta transversal deve ser 
circular, tendo como objetivo a criação do batente apical. 
SUBSTÂNCIA QUÍMICA AUXILIAR: São substâncias 
químicas empregadas no interior do canal radicular com a 
finalidade de promover a dissolução de tecidos orgânicos 
vivos ou necrosados, a eliminação ou máxima redução 
possível de bactérias, a lubrificação, a quelação de íons 
cálcio e a suspensão de detritos oriundos da 
instrumentação. São empregadas simultaneamente à 
instrumentação dos canais radiculares ou após esta. 
Geralmente, são utilizadas em forma de soluções líquidas. 
SOLUÇÕES IRRIGANTES: São soluções químicas usadas na 
irrigação-aspiração dos canais radiculares. 
INSTRUMENTAÇÃO CONVENCIONAL OU NÃO 
SEGMENTADA: Os instrumentos endodônticos são 
utilizados durante o preparo químico-mecânico de um 
canal radicular em ordem crescente de diâmetro nominal 
(D0) em toda a extensão do comprimento de trabalho. 
INSTRUMENTAÇÃO SEGMENTADA: Na instrumentação 
segmentada, os instrumentos endodônticos são utilizados 
em segmentos ao longo dos canais radiculares. A 
instrumentação segmentada pode ser realizada no sentido 
ápice-coroa (step-back) ou coroa-ápice (crown-down) do 
canal radicular. 
 
SEGMENTADA ÁPICE - COROA: Os instrumentos 
endodônticos, em ordem crescente de diâmetro, são 
empregados a distâncias menores que o comprimento de 
trabalho do canal radicular. A instrumentação apical 
antecede a instrumentação segmentada. 
SEGMENTADA COROA - ÁPICE: Os instrumentos 
endodônticos, em ordem decrescente de diâmetro, são 
empregados a distâncias maiores para o interior do canal 
radicular. A instrumentação segmentada coroa-ápice 
antecede a instrumentação apical. 
SEGMENTO APICAL DO CANAL: Corresponde a 1/3 do 
comprimento de trabalho. 
SEGMENTO CERVICAL OU CORONÁRIO: Corresponde a 2/3 
do comprimento de trabalho. 
DESGASTE ANTICURVATURA: É uma manobra realizada no 
segmento cervical de um canal radicular e consiste no 
desgaste direcionado às zonas volumosas da raiz, ou zona 
de segurança, e distante das delgadas, ou zonas de risco, 
onde pode ocorrer adelgaçamento na parede dentinária ou 
perfurações radiculares laterais (rasgo). Para os segmentos 
cervicais curvos, tem como objetivo favorecer o acesso ao 
segmento apical curvo. 
INSTRUMENTAÇÃO APICAL: É o alargamento (ampliação) 
do segmento apical de um canal radicular. 
BATENTE APICAL: Conhecido também como ombro apical, 
parada apical de instrumentação ou degrau apical, é o 
rebaixo onde o cone principal de obturação se encaixa. É o 
ponto de parada da instrumentação, equivalente ao 
comprimento de trabalho, determinado na odontometria. 
INSTRUMENTAÇÃO CERVICAL: Consiste na instrumentação 
do segmento cervical de um canal radicular. 
LEITO DO CANAL: É a regularização inicial da superfície das 
paredes dentinárias de um canal radicular até o CP. 
Antecede a modelagem do canal, independentemente da 
técnica de instrumentação empregada. 
INSTRUMENTAÇÃO DOS CANAIS RADICULARES 
Estudos mostram que nenhuma técnica de instrumentação 
é capaz de limpar, desinfectar e modelar completamente os 
canais radiculares. Mesmo assim, uma instrumentação 
eficaz depende do conhecimento da anatomia interna do 
canal (forma, curvaturas e dimensões), o que orienta a 
escolha adequada dos instrumentos e dos movimentos 
usados. 
Erros na seleção dos instrumentos (forma e tamanho) ou 
no tipo de movimento empregado podem deixar partes do 
canal sem preparo, especialmente em reentrâncias e 
recessos, onde tecidos necrosados e bactérias podem 
permanecer. Isso impacta diretamente no sucesso da 
terapia endodôntica, que também depende da irrigação,da 
medicação intracanal e da qualidade da obturação final. 
A instrumentação é um processo mecânico e dinâmico, 
dividido em duas etapas: pré-instrumentação e 
instrumentação propriamente dita. 
PRÉ INSTRUMENTAÇÃO 
É a fase inicial do preparo do canal. Em canais amplos, 
muitas vezes se sobrepõe à instrumentação. Já em canais 
atresiados, representa uma etapa independente e 
essencial, pois sua qualidade determina a facilidade ou 
dificuldade do preparo subsequente. 
Seus objetivos principais são: 
● Remover ou regularizar interferências anatômicas; 
● Determinar o comprimento de trabalho (CT) e o 
comprimento de patência (CP); 
● Criar o leito inicial do canal (glide path). 
A pré-instrumentação começa após: 
● Radiografia diagnóstica; 
● Acesso coronário; 
● Isolamento absoluto do dente. 
O exame radiográfico com diferentes angulações é 
fundamental para entender a anatomia pulpar. Em dentes 
cariados ou restaurados, o acesso deve ser feito com 
cautela para evitar perfurações, sendo recomendável 
localizar os canais antes de isolar o dente. 
As etapas da pré-instrumentação incluem: 
1. Localização dos canais; 
2. Cateterismo (exploração inicial); 
3. Ampliação cervical, se necessário; 
4. Complementação do cateterismo; 
5. Determinação do CT e do CP; 
6. Criação do glide path. 
LOCALIZAÇÃO DO CANAL RADICULAR 
Após a remoção do teto da câmara pulpar, os orifícios dos 
canais devem ser localizados com sondas clínicas finas e 
retas. Boa iluminação e ampliação (ex. lupa ou microscópio) 
são fundamentais. 
● Canais unirradiculares: mais fáceis de localizar; 
● Canais multirradiculares: mais complexos, ainda 
mais em presença de restaurações, calcificações ou 
dentina reacional. 
Durante a exploração, é comum a sonda penetrar ou 
deslocar calcificações que bloqueiam a entrada do canal. 
Para auxiliar a localização: 
● Utilizam-se pontas ultrassônicas especiais, mais 
seguras que brocas; 
● Corantes como azul de metileno ou iodo ajudam a 
evidenciar o canal; 
● Microscópio óptico ou outros recursos de 
magnificação aumentam a precisão, 
 
principalmente em canais atresiados. 
 
CATETERISMO OU EXPLORAÇÃO INICIAL DO CANAL 
RADICULAR 
O cateterismo é o primeiro contato mecânico com a 
anatomia interna do canal, permitindo avaliar: 
● Número e direção dos canais; 
● Diâmetro; 
● Possibilidade de acesso ao ápice. 
Com base em radiografias de qualidade, determina-se o 
comprimento do dente na radiografia (CDR). Para canais 
retos, subtrai-se 2 mm do CDR para definir o comprimento 
de exploração inicial (CEI). Em canais curvos, o CEI 
corresponde ao próprio CDR, pois o trajeto curvo é mais 
longo que o linear. 
Instrumentação inicial: 
● Canais amplos: usar instrumentos tipo K, de aço 
inoxidável, manuais e com diâmetro inferior ao do 
canal. Não precisam ser pré-curvados; 
● Biopulpectomias: cateterismo vem antes da 
remoção da polpa; 
● Necropulpectomias: cateterismo e esvaziamento 
acontecem juntos, com movimentos curtos e 
alternados (vai-e-volta + leves rotações) que 
favorecem a penetração do hipoclorito de sódio no 
ápice. 
Canais atresiados: 
● Usam-se instrumentos tipo K ou especiais como 
C+File® e C Pilot® (nº 08, 10 ou 15), geralmente 
mais espessos que o canal; 
● Esses instrumentos não devem ser dobrados 
(pré-curvados), pois o desdobramento em 
segmentos retos seguido de rotação pode causar 
degraus, perfurações ou fraturas; 
● Devem ser flexíveis e usados com movimento de 
alargamento parcial à direita, respeitando o regime 
elástico. 
O cateterismo de canais atresiados é feito por segmentos, 
com solução irrigadora no canal, alternando instrumentos 
curtos e longos conforme o avanço. O instrumento deve ser 
limpo frequentemente e examinado para identificar 
deformações, que indicam a necessidade de descarte. 
Se o instrumento não alcançar o CEI, é necessário fazer a 
ampliação cervical. 
AMPLIAÇÃO CERVICAL 
Tem como objetivo: 
● Remover interferências do segmento cervical do 
canal; 
● Facilitar o avanço apical dos instrumentos; 
● Evitar compactação de resíduos para o ápice e 
extrusão perirradicular. 
Segundo Leeb, o segmento cervical apresenta maior 
constrição, sendo o ponto mais crítico à passagem do 
instrumento. 
Procedimento: 
● Usa-se instrumento tipo K, números 25 ou 30, de 
21 mm, em aço inoxidável; 
● Movimentos manuais: alargamento parcial à direita 
ou reciprocante; 
● O avanço deve respeitar o limite: 3 a 5 mm abaixo 
da embocadura, sem ultrapassar o ponto atingido 
no cateterismo inicial; 
● Se ultrapassar esse limite, há risco de perder a 
trajetória original do canal. 
COMPLEMENTAÇÃO DO CATETERISMO 
Após a ampliação cervical, instrumentos tipo K ou especiais 
(C+File®, C Pilot®) geralmente alcançam facilmente o 
comprimento previamente estabelecido. 
Odontometria: Define-se o comprimento de trabalho (CT), 
cuja ponta do instrumento deve estar de 1 a 2 mm aquém 
do vértice radiográfico, e o comprimento de patência (CP), 
com a ponta do instrumento posicionada na abertura do 
forame ou ligeiramente além. 
Métodos de determinação: O CT e o CP podem ser 
determinados por radiografias e/ou localizadores 
eletrônicos. No entanto, o ideal é a combinação de ambos, 
pois o método eletrônico, apesar de eficiente, não permite 
visualizar a trajetória do instrumento no interior do canal. 
Instrumentos mecanizados de NiTi: Instrumentos como 
PathFile®, Scout Race®, Race ISO10, G1, G2 e ProGlider® 
são citados na literatura para cateterismo de canais 
atresiados, mas apresentam baixa resistência à flambagem 
e fratura por torção, sendo mecanicamente inadequados 
para essa finalidade. 
INSTRUMENTAÇÃO INICIAL OU LEITO DO CANAL 
Com base no CP, o canal é instrumentado com 
instrumentos tipo K ou especiais (nº 10 ou 15), 
manualmente, com movimentos de alargamento parcial à 
direita ou reciprocantes. 
Objetivo: Criar o glide path, eliminando ou regularizando 
interferências anatômicas. Isso facilita a progressão dos 
instrumentos nas etapas seguintes. Se iniciar com 
instrumento nº 08, deve-se repetir o procedimento com os 
números 10 e 15. 
Manutenção da patência: A patência do canal cementário 
deve ser mantida durante toda a instrumentação. Caso não 
seja possível, o comprimento de trabalho deve ser o mais 
próximo possível do ápice radicular. 
 
Irrigação: Em cada etapa da pré-instrumentação, realiza-se 
irrigação e aspiração, seguida de inundação da cavidade 
pulpar com hipoclorito de sódio a 2,5%, para remoção de 
detritos e renovação da substância química auxiliar. 
Segunda etapa | instrumentação 
A instrumentação de um canal radicular deve ser feita após 
a criação do leito do canal, considerando o diâmetro e o 
movimento dos instrumentos conforme a anatomia 
radicular. Pode ser feita de forma segmentada (por partes) 
ou não segmentada (todo o comprimento de trabalho – CT). 
Na instrumentação segmentada, o canal é dividido em dois 
segmentos: 
● Segmento cervical: corresponde aos 2/3 coronais; 
● Segmento apical: corresponde ao 1/3 final do CT. 
Segmento Cervical 
A instrumentação do segmento cervical depende da relação 
entre o diâmetro do canal e o da raiz. 
● Quando o diâmetro da raiz permite uso de 
instrumentos maiores, utiliza-se movimentos de 
alargamento reciprocante ou contínuo. 
● Geralmente, um único avanço e retrocesso do 
instrumento já promove um preparo cônico e 
circular. 
● Quando o canal é achatado e a raiz não permite 
uso de instrumentos maiores, adota-se a técnica 
de alargamento em paliçada. Essa técnica consiste 
em simular múltiplos canais circulares lado a lado, 
movimentando o instrumento horizontalmente 
para abranger todo o contorno do canal achatado 
— como nos anéis olímpicos. 
Esse preparo pode deixar a parede irregular, exigindo o uso 
de: 
● Alargadores Largo ou; 
● Pontas ultrassônicas, para aplainamento. 
 
Alguns profissionais indicam o uso de manobra de 
pincelamento (escovagem) com instrumentos NiTi 
mecanizados. No entanto, sua efetividade é limitada devido 
à superelasticidadedo NiTi e ao pequeno ângulo de suas 
hélices, podendo inclusive comprometer a vida útil do 
instrumento e causar fadiga. 
Alternativas eficazes incluem instrumentos manuais de aço 
inoxidável tipo K ou H (acima do número 30), utilizando 
limagem circunferencial. 
Vantagens da instrumentação cervical antes do segmento 
apical: 
● Remove conteúdo do canal, evitando compactação 
ou extrusão; 
● Facilita a progressão de instrumentos menores; 
● Reduz esforço e risco de fratura dos instrumentos 
no ápice; 
● Melhora irrigação, limpeza e obturação; 
● Reduz dor pós-operatória. 
Desvantagem: desgaste excessivo pode causar perfurações 
ou fraturas radiculares. 
Segmento Apical 
A instrumentação apical deve ser feita com movimentos de 
alargamento alternado (reciprocante) ou contínuo, nunca 
com limagem, pois essa perde controle sobre o desgaste 
lateral, podendo causar transporte apical (zip), dificultando 
a obturação. 
Objetivos da instrumentação apical: 
● Regularizar a constrição apical e criar um batente 
apical circular; 
● Facilitar o encaixe do cone principal e o selamento 
adequado. 
A anatomia da constrição apical é geralmente ovóide ou 
irregular, com diâmetro médio de 0,21 mm, e deve ser 
transformada em formato cônico e seção transversal 
circular. 
Instrumentos utilizados: 
● Manuais tipo K ou Hedstrom de aço inoxidável 
(para canais retos ou levemente curvos); 
● Instrumentos NiTi mecanizados (para canais curvos 
ou estreitos), com números maiores (35, 40, 45), 
por conta da superelasticidade; 
● Alargadores especiais como: 
 
○ Contínuos: ProTaper®, Mtwo®, Race®; 
○ Reciprocantes: Reciproc®, WaveOne®. 
Técnica complementar para canais achatados: após o 
preparo apical, realiza-se um refinamento de 2 a 3 mm 
antes do CT, com instrumentos manuais (tipo K ou 
Hedstrom) e movimento de limagem lateral contra as 
paredes vestibular e lingual. 
Irrigação e patência: Em todas as etapas, deve-se irrigar e 
aspirar, mantendo a patência do canal cementário sempre 
que possível. 
Nos casos de necrose pulpar, são recomendadas: 
● Maior irrigação; 
● Agulha o mais próxima possível do CT; 
● Remoção de smear layer; 
● Medicação intracanal, se indicado. 
INSTRUMENTAÇÃO NÃO SEGMENTADA 
A instrumentação não segmentada é feita ao longo de todo 
o comprimento de trabalho (CT) do canal, após a criação do 
 
leito. É indicada quando o canal tem formato circular em 
todos os níveis (cervical e apical). 
Técnica e Instrumentos Utilizados 
● Realizada com movimentos de alargamento 
reciprocante ou contínuo, com instrumentos 
manuais ou mecanizados, especialmente de NiTi; 
● Pode-se usar um único instrumento (ex.: 
Reciproc®, WaveOne®, OneShape®) ou vários 
instrumentos (ex.: ProTaper®, RaCe®, Mtwo®) 
● Esses instrumentos possuem conicidade constante 
ou variável (crescente ou decrescente), 
promovendo escalonamento automático do 
preparo. 
AMPLIAÇÃO DO DIÂMETRO APICAL 
● O diâmetro final do preparo apical é o diâmetro D0 
do último instrumento que alcançou o CT; 
● A forma final da seção apical deve ser circular, o 
que melhora a limpeza, irrigação, seleção do cone 
de guta-percha e obturação; 
● Quanto maior o diâmetro, mais parede é tocada, e 
menor a carga bacteriana residual. 
Limitações e Riscos 
● Em canais com curvaturas e estreitamentos, 
deve-se ter cautela na ampliação para evitar 
acidentes como zip, degraus ou perfurações; 
● Em instrumentos de aço inoxidável, diâmetros 
maiores reduzem a flexibilidade, aumentando o 
risco de deslocamento apical. 
 
○ Ex.: Um instrumento FlexoFile® nº 30 
exige mais força para flexionar que um de 
NiTi nº 30. 
 
● Por isso, a instrumentação apical limitava-se a até 
nº 25. 
Importância Clínica do Diâmetro Apical Adequado 
Embora muitos autores defendam preparos com diâmetros 
menores (nº 20–25), isso é baseado em opinião clínica. A 
ampliação ideal depende de: 
● Anatomia do canal; 
● Geometria da raiz; 
● Tipo de liga metálica do instrumento 
Deve-se equilibrar o diâmetro do instrumento com o da 
raiz, para evitar: 
● Fragilização dentinária; 
● Perfurações; 
● Fraturas radiculares 
Benefícios da Ampliação Apical com Maior Diâmetro 
● Mais volume de solução irrigadora e medicação 
intracanal; 
● Melhor irrigação e aspiração; 
● Maior limpeza e redução bacteriana; 
● Mais fácil seleção do cone de guta-percha; 
● Melhor selamento apical 
Recomendações Finais 
● Para canais retos: usar conicidades maiores (0,06 a 
0,08 mm/mm); 
● Para canais com curvatura moderada: conicidade 
0,04 mm/mm; 
● Para canais muito curvos: 0,02 mm/mm; 
● A escolha do instrumento deve considerar: 
 
○ Forma e dimensão da raiz; 
○ Condição pulpar; 
○ Curvatura do canal; 
○ Tipo de instrumento (NiTi ou aço 
inoxidável). 
MANOBRAS ENDODÔNTICOS: São ações ou movimentos 
aplicados durante as etapas de instrumentação do canal 
radicular para atingir objetivos específicos. 
PATÊNCIA DO CANAL CEMENTÁRIO: 
Objetivo: Manter o canal cementário desobstruído durante 
a instrumentação, prevenindo compactação de detritos 
apicais. 
Técnica: Uso de instrumento fino que ultrapassa 1 mm 
além do forame apical. 
Justificativa: A ponta do instrumento é cônica e não limpa 
adequadamente, então deve ultrapassar o forame. 
Benefícios: 
● Em dentes necrosados: Reduz microrganismos na 
zona crítica apical; 
● Em dentes vitais: Evita acúmulo de tecido pulpar 
inviável, favorecendo reparação pelo ligamento 
periodontal. 
Instrumentos utilizados: Geralmente limas de aço 
inoxidável de pequeno calibre. 
DESGASTE ANTI CURVATURA 
Objetivo: Prevenir perfurações laterais em raízes curvas e 
permitir avanço de instrumentos apicalmente. 
Técnica: Remoção direcionada de dentina na zona de 
segurança (áreas mais espessas), evitando a zona de risco 
(áreas finas da raiz). 
Exemplo clínico: 
● Raiz mesial de molares inferiores: desgaste na 
parede mesial (fugindo da furca); 
 
● Raiz distal: desgaste na parede distal. 
Instrumentos utilizados: 
● Manuais: Limas tipo K ou H; 
● Rotatórios: Alargadores Largo e La Axxess™ (mais 
indicados que Gates-Glidden para essa manobra). 
Observações: 
● Gates-Glidden são úteis no preparo cervical, mas 
não devem ser usados com pressão lateral para 
desgaste seletivo devido ao risco de fratura por 
fadiga; 
● NiTi não é indicado para desgaste anticurvatura 
por sua superelasticidade e menor rigidez. 
Estudo (Lim e Stock, 1987): 
● Zona de risco: espessura média de 1,05 mm; 
● Zona de segurança: espessura média de 1,36 mm. 
 
TÉCNICA DE INSTRUMENTAÇÃO (MODELAGEM) MANUAIS 
A instrumentação manual (preparo ou modelagem) dos 
canais radiculares, pode ser realizada quer atraves das 
técnicas clássicas ou convencionais. Ou através de técnicas 
que empregam o principio coroa-ápice ou ápice-coroa. 
Segundo Soares e Goldberg, 2001, podemos citar: 
● Técnica tradicional ou clássica; 
● Técnica escalonada ( Step-Back); 
● Técnica coroa-ápice sem pressão; 
● Técnica mista. 
A escolha entre uma ou outra é um critério pessoal, que 
surge a partir do domínio da técnica. 
Podemos ainda utilizar as técnicas de acordo com as 
condições da polpas 
● Sopulpectomta (Polpa Viva) 
● Necrose pulpar ( Polpa Morta) 
1. TÉCNICA TRADICIONAL OU CLÁSSICA (APICE-COROA / 
SERIADA) 
Objetivo: Preparar o canal com progressão de limas em 
ordem crescente, do ápice para a coroa, respeitando a 
anatomia interna. 
Características Principais: 
● Inicia no ápice do canal e progride em direção à 
coroa; 
● Usa-se uma sequência seriada de limas manuais 
tipo K, com movimento de vaivém curto; 
● Cada lima tem maior diâmetro e é inserida 1 mm 
aquém do comprimento de trabalho da anterior; 
● Após cada instrumento, deve-se realizar irrigação, 
aspiração e recapitulação com a lima de memória 
(última usada no CT). 
Etapas: 
1. Determinação do CRT (comprimento real de 
trabalho) com lima #10 ou #15. 
2. Ampliação do terço apical até atingir o diâmetro 
adequado (ex: #30 ou #35). 
3. Recuo progressivo com limas subsequentes: 
4. Ex: Se o batenteé feito com lima #30 no CRT, 
utiliza-se #35 a 1 mm a menos, #40 a 2 mm, #45 a 
3 mm… até obter conicidade. 
Indicações: 
● Canais reto ou com leve curvatura. 
● Canais largos, com fácil acesso. 
Vantagens: 
● Técnica simples, com lógica progressiva. 
● Ideal para quem está em fase inicial de 
aprendizado clínico. 
Desvantagens: 
● Risco de transporte apical, zipping e extrusão de 
debris. 
● Pode desconfigurar canais curvos ou atrésicos. 
● Irrigação apical limitada no início. 
2. TÉCNICA MISTA 
Conceito: 
● Integra as características da técnica Coroa-Ápice 
com a técnica Escalonada. 
● Personalizável conforme a anatomia do canal e o 
diagnóstico pulpar. 
Aplicações: 
● Canais com complexidade anatômica. 
● Pacientes que exigem menor tempo clínico. 
● Casos com início cervical amplo e ápice atrésico. 
3. TÉCNICA COROA-ÁPICE (CROWN-DOWN SEM PRESSÃO) 
Conceito Geral: 
A Técnica Coroa-Ápice, também chamada de Crown-Down 
Sem Pressão, propõe a instrumentação iniciada no terço 
cervical do canal, progredindo sequencialmente até o ápice. 
Foi difundida principalmente após 1980, por Goerig et al. 
(1982), visando otimizar a limpeza de canais contaminados. 
Indicação: 
● Necropulpectomia (polpa morta) 
● Canais com contaminação séptica intensa 
 
● Situações onde se deseja evitar extrusão de 
resíduos apicalmente 
● Casos com diâmetro cervical amplo 
● Canais com grande quantidade de detritos ou 
exsudato 
Objetivos: 
● Esvaziar os terços cervical e médio antes do 
preparo apical 
● Favorecer a ação química dos irrigantes 
● Evitar extrusão de resíduos contaminados 
● Facilitar a obtenção de conicidade adequada 
● Preservar a forma original do forame apical 
Fases da Técnica: 
1. Preparo do Terço Cervical: 
● Utilizam-se limas de maior diâmetro (ex: #60, #55, 
#50). 
● Movimento giratório alternado (sentido 
horário/anti-horário) com tração lateral. 
● Pode-se utilizar brocas Gates-Glidden (#1, #2, #3) 
para facilitar o acesso. 
2. Preparo do Terço Médio: 
● Limas intermediárias (ex: #45, #40, #35). 
● Progressão suave até que se obtenha resistência 
dentinária e espaço suficiente. 
3. Preparo do Terço Apical: 
● Determinação do Comprimento Real de Trabalho 
(CRT) com lima #10 ou #15. 
● Instrumentação com limas de menor diâmetro 
(#30, #25, #20), até a formação do batente apical. 
● O instrumento de memória (última lima no CRT) é 
usado nas recapitulações. 
REGIÃO LIMAS 
UTILIZADAS 
OBS 
Cervical 
#60 → #55 → 
#50 
Sem atingir o 
CRT 
Médio 
#45 → #40 → 
#35 
Progressiva, 
sentido 
coronário 
Apical 
#30 → #25 → 
#20 
Até o CRT 
Após cada lima, irrigação com NaOCl e aspiração devem ser 
feitas. 
Finaliza-se com EDTA 17% por 1 minuto. 
Cinemática: 
● Movimento de vaivém curto ou rotatório alternado; 
● Sem exercer pressão apical; 
● Tração contra as paredes laterais. 
Vantagens (Mario Leonardo, 2005): 
● Limpeza mais eficiente, principalmente dos terços 
cervical e médio; 
● Maior penetração da solução irrigadora; 
● Reduz a extrusão apical de resíduos; 
● Preserva a anatomia do canal; 
● Facilita a compactação do material obturador; 
● Mantém o CRT estável durante o preparo. 
Desvantagens: 
● Em canais curvos ou atrésicos, pode dificultar a 
progressão apical. 
● Risco de desvio do trajeto do canal se não for feita 
com controle. 
● Necessita experiência clínica e controle de força 
aplicada. 
Complementos Clínicos: 
● A neutralização do conteúdo séptico é 
fundamental. 
● Ideal usar lima de patência #10 ou #15 até o ápice 
ou 0,5 mm além, com cuidado para não alargar o 
forame. 
● Em canais curvos, recomenda-se pré-curvatura das 
limas. 
4.TÉCNICA ESCALONADA COM RECUO PROGRAMADO 
PROGRESSIVO (STEP-BACK) 
Conceito Geral: 
Técnica de preparo progressivo do canal iniciando-se no 
ápice (após o CRT) e recuando-se em direção à coroa com 
instrumentos de diâmetro crescente e comprimento 
decrescente. 
É a evolução da técnica escalonada clássica, com ajustes 
que favorecem maior controle da instrumentação. 
Indicação: 
● Biopulpectomia (polpa viva) 
● Canais com necessidade de preservação do forame 
apical 
● Quando se deseja conformação cônica bem 
definida e controle do CRT 
● Canais com anatomia menos complexa (retos ou 
levemente curvos) 
 
Objetivos: 
● Preservar a forma e posição do forame apical 
● Criar um batente apical adequado 
● Garantir segurança à obturação 
● Conformar o canal com conicidade ideal 
● Evitar alteração do trajeto original 
Fases da Técnica (Mario Leonardo, 2005): 
1. Determinação do CRT: 
● Usar lima #10 ou #15. 
● Avaliação eletrônica + controle radiográfico. 
2. Preparo Apical Inicial: 
● Uso de limas do tipo K (#15 → #20 → #25). 
● Vaivém curto até resistência das paredes. 
● A última lima usada no CRT será o Instrumento de 
Memória. 
Exemplo: Se #25 foi a última a atingir o CRT com segurança, 
ela será o instrumento de memória. 
3. Formação do Batente Apical: 
● Realiza-se ampliação do CRT até formar uma 
barreira apical que sustente a obturação. 
● Pode ser feito até lima #30 ou #35, dependendo do 
canal. 
4. Recuo Programado Progressivo: Após o batente, 
selecionam-se instrumentos com diâmetros maiores, com 
inserção 1 mm a menos que o CRT. 
● Ex: #30 a 1 mm do CRT, #35 a 2 mm, #40 a 3 mm… 
● Em cada troca de instrumento, realiza-se 
recapitulação com a lima de memória no CRT. 
Cinemática: 
● Movimentos de vaivém curtos. 
● Rotação leve contra as paredes. 
● Sempre irrigar e aspirar entre cada lima. 
● Usar EDTA no final do preparo. 
Vantagens (Mario Leonardo, 2005): 
● Preserva a anatomia apical. 
● Cria um batente eficaz. 
● Reduz risco de extrusão de material. 
● Mantém controle apical durante obturação. 
● Boa conicidade final. 
Desvantagens: 
● Técnica mais demorada. 
● Exige controle preciso de profundidade e 
recapitulação. 
● Risco de bloqueio se não houver irrigação 
abundante. 
Complementos Clínicos: 
● O canal deve estar constantemente inundado com 
solução irrigadora (NaOCl). 
● A cada 2 ou 3 limas, recomenda-se aspiração + 
recapitulação + irrigação. 
● Pode-se utilizar brocas Gates-Glidden para o 
preparo cervical em canais curvos. 
QUADRO COMPARATIVO FINAL 
Característica Técnica 
Coroa-Ápice 
(Crown-Down) 
Técnica 
Escalonada 
(Step-Back) 
Sentido de 
preparo 
Coroa → Ápice Ápice → Coroa 
Indicação 
principal 
Polpa necrosada 
(necropulpectom
ia) 
Polpa viva 
(biopulpectomia) 
Preservação do 
forame apical 
Sim Sim 
Ação química 
(irrigantes) 
Mais favorecida Menos intensa 
inicialmente 
Instrumento de 
memória 
Lima final no CRT Lima final no CRT 
Conicidade Excelente Excelente 
Risco de 
extrusão de 
resíduos 
Baixo Moderado 
Dificuldade 
técnica 
Moderada/Alta Moderada 
Recapitulação 
com lima de 
memória 
Sim Essencial 
 
 
Irrigação: Aspectos Físicos: 
Durante o preparo químico-mecânico dos canais 
radiculares, a irrigação desempenha papel essencial na 
limpeza e desinfecção do sistema de canais. A eficácia do 
procedimento depende tanto da ação química do irrigante 
quanto da ação física da irrigação e da agitação. Esses 
fatores são fundamentais para remover tecidos, smear 
layer, detritos e fragmentos dentinários gerados pela 
instrumentação. 
Para que o irrigante atue de forma eficiente, é necessário 
que ele atinja a porção apical do canal e áreas inacessíveis à 
ação mecânica. Isso exige um fluxo adequado e uma 
corrente eficaz capaz de deslocar os detritos em direção 
coronária. 
O canal radicular é um ambiente anatomicamente fechado, 
cercado por osso e ligamento periodontal, com a presença 
de tecidos vivos ou necrosados. Isso favorece a formação 
de bolhas de gás na região apical, criando o fenômeno 
chamado “vapor lock”, que limita a penetração do irrigante 
nas ramificações apicais. 
Dois fatores clínicos contribuem significativamente para 
melhorar a eficácia da irrigação apical: 
1. Ampliação apical adequada: é necessário preparar 
o canal até, no mínimo, um instrumento de calibre 
35 para permitir melhor penetraçãoda solução 
irrigadora no terço apical. Ampliações menores, 
como a até calibre 25, podem ser insuficientes, 
como demonstrado em estudos com 
microtomografia. 
2. Realização da patência apical: o uso de uma lima 
tipo K #10 até o forame ou 1 mm além, garante a 
manutenção da via de irrigação até o ápice, 
promovendo o fluxo contínuo do irrigante e 
impedindo a compactação de detritos. 
 
Durante a instrumentação, a irrigação atua na lubrificação 
dos instrumentos, evita a compactação apical de detritos e 
contribui para a remoção dos mesmos. Após a 
instrumentação, sua função é mobilizar os resíduos para a 
porção coronária, facilitando sua remoção ou aspiração. 
Dinâmica dos fluidos: 
A eficácia da irrigação no interior dos canais radiculares 
está diretamente relacionada a uma série de fatores físicos, 
como: 
● Anatomia e diâmetro do canal, 
● Volume e pressão da solução, 
● Tipo, tamanho e profundidade de inserção da 
agulha, 
● E a forma de introdução do irrigante. 
 
Esses elementos influenciam diretamente a dinâmica da 
irrigação, ou seja, a capacidade da solução irrigadora de 
alcançar e interagir com os microrganismos, detritos 
orgânicos e restos de dentina presentes no sistema de 
canais. 
A penetração do irrigante depende de propriedades como: 
● Tensão superficial, 
● Forças capilares, 
● Viscosidade, 
● Ângulo de contato, 
● E se a cavidade é aberta ou fechada. 
Durante o ato de irrigar com seringa e cânula, há a 
formação de turbilhão (vórtices de fluido), que ajudam a 
mobilizar os detritos, principalmente se houver pressão 
adequada e irrigação ativa. 
A agitação da solução também é crucial. Ela pode gerar 
cavitação, com a formação de bolhas que, ao se romperem 
(cavitação transitória), liberam ondas de choque que 
contribuem significativamente para a limpeza das paredes 
do canal. Essa energia liberada é capaz de romper biofilmes 
e remover debris aderidos. 
Por fim, o sucesso da irrigação na porção apical depende da 
combinação de diversos fatores: técnica do operador, 
ampliação apical, manutenção da patência, tipo e posição 
da agulha, além da forma de inserção da solução. 
Irrigação simples: 
A irrigação simples é o método tradicional de introdução de 
soluções irrigadoras no canal radicular, realizada com 
seringas e cânulas irrigadoras. O objetivo é movimentar o 
líquido irrigante para remover detritos e microrganismos, 
aproveitando a energia do jato para gerar turbilhão, 
impacto e pressão hidrodinâmica. 
1. Seringas 
● Podem ser de vidro (ex.: tipo Luer Lock) ou plástico. 
As de plástico são preferidas por melhor adaptação 
às cânulas. 
● Volume ideal: 5 mL, pois permite melhor controle 
da pressão aplicada. 
2. Cânulas irrigadoras 
● Metálicas ou com rosqueador plástico. 
● A marcação (ex.: 30-6) indica: 
 
○ 30 mm de comprimento; 
○ 0,6 mm (diâmetro externo). 
Seleção por diâmetro (anatomia): 
● 0,3 mm: canais estreitos (ex.: mesiais de molares 
inferiores); 
● 0,4 mm: canais intermediários (ex.: pré-molares); 
 
● 0,5–0,6 mm: canais amplos (ex.: caninos e incisivos 
superiores). 
O bisel da cânula metálica deve ser removido para evitar 
perfurações e entupimentos. 
Modelos comerciais: 
● NaviTip® (Ultradent): extremidade arredondada, 
flexível, diâmetros de 0,25 e 0,28 mm, boa para 
curvaturas. 
● Endo-Eze™: com ranhura lateral e abertura frontal. 
● Max-I-Probe®, MK Life, Kerr Hawe™: extremidade 
fechada com saída lateral. 
● EndoVac™: microcânula com múltiplas aberturas, 
usada com aspiração apical. 
3. Hidrodinâmica do irrigante 
● O jato pressurizado forma turbulência e favorece o 
refluxo, ajudando na mobilização dos detritos. 
● Em canais estreitos ou curvos, esse refluxo é 
limitado, dificultando a penetração apical. 
● O impacto do jato e a obstrução do forame geram 
pressão hidrodinâmica que se dissipa contra as 
paredes do canal. 
 
● Em presença de bolhas ou curvaturas, o irrigante 
pode não atingir a porção apical adequadamente. 
Abertura da cânula influência: 
● Frontal aberta: maior penetração apical (até 3 mm 
além da ponta), mas pouca ação lateral. 
● Lateral fechada: ação mais eficaz em paredes e 
istmos, mas menor penetração apical. 
4. Fatores que afetam a eficácia: 
● Profundidade de inserção; 
● Diâmetro da cânula; 
● Força sobre o êmbolo; 
● Grau de ampliação apical e patência foraminal; 
● Posicionamento da cânula (ideal: 1 mm antes do 
comprimento de trabalho, sem travamento); 
● Movimentos de vaivém facilitam o refluxo e evitam 
extravasamento. 
5. Limitações da irrigação simples 
● Boa para canais simples e retos; 
● Ineficiente na limpeza de canais com 
achatamentos, istmos e anatomia complexa, onde 
tende a haver acúmulo de detritos. 
Conclusão : A irrigação simples é eficaz em canais pouco 
complexos, mas limitada em regiões apicais e áreas com 
anatomia irregular. 
Irrigação/Aspiração Simultânea 
● Utiliza cânulas de irrigação e aspiração dentro do 
canal ao mesmo tempo. 
● Pode ser pressão positiva (cânula de irrigação mais 
apical) ou pressão negativa (cânula de aspiração 
mais apical). 
● Necessita de seringa, cânulas e um sistema que 
conecte a cânula aspiradora ao sugador. 
Pressão Positiva 
● A cânula de irrigação é colocada mais apical que a 
de aspiração. 
● É a técnica convencional, mas tem limitações na 
limpeza de canais com anatomia complexa. 
Pressão Negativa 
● A cânula de aspiração vai mais fundo que a de 
irrigação. 
● Exemplo: sistema EndoVac™. 
Sistema EndoVac™ (SybronEndo) 
● Baseado em pressão negativa. 
 
● Componentes: ponta principal 
(irrigação/aspiração), macrocânula e microcânula 
(descartáveis), mangueira, peças de mão. 
● Macrocânula: plástica, usada no terço médio. 
● Microcânula: metálica, usada no terço apical, 
possui 12 orifícios nos 0,7 mm finais. 
● Requer preparo apical até pelo menos diâmetro 35 
(ideal: 40/.04). 
Passos operatórios: 
1. Irrigar/aspirar a câmara com a ponta principal. 
2. Macroirrigação no terço médio com NaOCl (30 s). 
3. Microirrigação no comprimento de trabalho com 
EDTA 17% (30 s). 
4. Microirrigação final com NaOCl (30 s). 
 
Vantagens: 
● Excelente irrigação apical. 
● Melhor remoção de detritos e istmos que a 
irrigação convencional. 
● Baixo risco de extrusão de irrigante. 
● Boa ação antibacteriana em canais infectados. 
Sistema RinsEndo® (Dürr Dental) 
● Sistema hidrodinâmico por pressão e sucção 
simultânea. 
● Vem com peça de mão, cânulas, seringa e 
acessórios. 
● A seringa encaixa na parte superior; a parte 
inferior conecta à baixa rotação. 
● A cânula fica apenas na entrada do canal, e a 
pressão leva a solução até o ápice. 
 
● Injeta cerca de 1 mL a cada 7 s; a aspiração ocorre 
ao mesmo tempo. 
 
Desempenho segundo estudos: 
● Penetração da solução melhor que métodos 
manuais. 
● Remoção de debris: melhor que seringa, mas 
inferior à irrigação ultrassônica (PUI). 
● Smear layer: melhor que sem ativação, mas pior 
que ultrassom e EndoActivator®. 
● Ação antibacteriana: com NaOCl e clorexidina, 
pode superar a PUI. 
● Remoção de hidróxido de cálcio ou cimento 
obturador: não remove totalmente do terço apical; 
desempenho melhor que o convencional, mas pior 
que ativação sônica/ultrassônica. 
Métodos Mecânicos de Agitação 
XP-Endo® Finisher 
● Fabricante: FKG Dentaire (Suíça) 
● Material: Níquel-Titânio com tratamento térmico 
MaxWire® 
● Dimensões: Diâmetro 25 / Conicidade 0,00 
● Cinemática: Rotatória (800 rpm) 
● Mecanismo: Reto em temperatura ambiente (fase 
martensítica) 
● Assume forma de colher em temperatura corporal 
(fase austenítica) 
Indicações: 
● Complementação da irrigação após preparo ≥ 25 
● Remoção de biofilme, hidróxido de cálcio, pastas 
antibióticas e restos de material obturador 
Evidências: 
● Resultados superiores à irrigação convencional em 
biofilmes (Bao et al.) 
● Resultados variáveis na remoção de obturação 
● Efetivo em simulações de reabsorção interna, 
independentemente da solução (Ulosoy et al.) 
XP Clean 
Fabricante: MKLife (Brasil)Material: Aço inoxidável 
Dimensões: Diâmetro 25 / Conicidade 0,02 
Cinemática: Rotatória 
Formato: Ponta em forma de colher 
Indicações: 
● Acesso a áreas não tocadas durante o preparo 
● Agitação de irrigantes, ruptura de biofilme, 
remoção de detritos 
 
Evidência: Pesquisas em andamento; ainda carece de dados 
clínicos conclusivos 
Easy Clean 
Fabricante: Easy Equipamentos Odontológicos (Brasil) 
Material: Plástico 
Dimensões: Diâmetro 25 / Conicidade 0,04 
Cinemática: Rotatória assimétrica ou baixa rotação 
Uso: Dispositivo descartável, pré-esterilizado por óxido de 
etileno 
Indicações: Agitação de irrigantes para remoção de detritos 
e biofilme 
 
Evidências: 
● Efetivo em rotação e reciprocância (estudos 66-68) 
● Mais eficaz com ampliação até diâmetro 40 
(Marques et al.) 
● Supera o uso exclusivo de EDTA no terço apical 
● Resultados comparáveis à PUI na remoção da 
smear layer 
Métodos Sônicos de Agitação 
EndoActivator® 
Fabricante: Dentsply Sirona (EUA) 
Material: Instrumentos plásticos 
Tamanhos: 
● Small (amarelo): 0,20 / 0,02 
● Medium (vermelho): 0,25 / 0,04 
● Large (azul): 0,35 / 0,04 
 Frequência: 190 Hz 
Indicações: 
● Agitação sônica de irrigantes (EDTA, NaOCl) 
● Remoção de smear layer e hidróxido de cálcio 
 
Evidências: 
● Superior à irrigação convencional 
● Inferior ao EndoVac™ 
● Similar à irrigação convencional na remoção de 
biofilme 
● Menor extrusão apical de irrigante 
Vibringe® 
Fabricante: Cavex Holland BV (Holanda) 
Sistema: Êmbolo vibratório acoplado à seringa 
Frequência: ~Vibração gerada durante irrigação 
Indicações: 
● Agitação sônica durante irrigação convencional 
 
● Recomendado uso por 30 segundos com agulha a 
2 mm do comprimento de trabalho 
 
Evidências: 
● Resultados semelhantes à irrigação convencional 
em istmos 
● Pior que PUI em remoção de detritos 
● Sem diferença estatística na extrusão apical em 
comparação com PUI, EndoVac e irrigação 
convencional 
EDDY 
Fabricante: VDW (Alemanha) 
Material: Poliamida flexível 
Dimensões: Diâmetro 25 / Conicidade 0,04 
Frequência: 5.000–6.000 Hz 
Cinemática: Movimento tridimensional sônico 
Indicações: 
● Agitação final de irrigantes 
● Remoção de detritos e smear layer 
Evidências: 
● Eficácia comparável à PUI (Urban et al.) 
● Superior à irrigação convencional 
● Reduz carga bacteriana intracanal (Zeng et al.), mas 
não elimina bactérias nos túbulos 
Sistema Multissônico Avançado 
GentleWave 
Fabricante: Sonendo Inc. (EUA) 
Tecnologia: Cavitação hidrodinâmica multissônica 
Sistema: Console + peça de mão 
Irrigação sem pressão apical 
Indicações: 
● Irrigação profunda com mínima instrumentação 
(diâmetro 20) 
● Tratamento de molares com anatomia complexa 
 
Protocolo recomendado: NaOCl por 5 min → Água por 30 s 
→ EDTA por 2 min → Água por 15 s 
Evidências: 
● Melhor limpeza dos canais em comparação com 
irrigação convencional (Molina et al.) 
● Sem extrusão apical (Charara et al.) 
● Necessidade de mais estudos clínicos 
randomizados. 
MÉTODOS ULTRASSÔNICOS DE AGITAÇÃO NA IRRIGAÇÃO 
ENDODÔNTICA 
1. FINALIDADE DA AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA 
● Potencializar o efeito das soluções irrigantes; 
● Aumentar o alcance da irrigação em áreas não 
acessadas por instrumentos; 
● Promover remoção de detritos, smear layer e 
biofilme bacteriano. 
2. PRINCÍPIO FÍSICO DOS SISTEMAS ULTRASSÔNICOS 
● Frequência: >20.000 Hz (imperceptível ao ouvido 
humano); 
● Mecanismos: 
○ Magnetoestritivo: 20.000–25.000 Hz, 
movimento elíptico do inserto; 
○ Piezoelétrico: >28.000 Hz, vibração 
ultralinear — mais usado em Endodontia. 
3. EFEITOS GERADOS 
● Cavitação transitória: formação e ruptura de 
bolhas → ondas de choque (shock waves); 
● Microvaporização acústica e aquecimento do 
irrigante → melhora da penetração e ação química; 
● Ação física que complementa a limpeza química e 
mecânica. 
4. REGIÕES DE DIFICULDADE DE LIMPEZA 
● Istmos presentes em ~87% dos molares inferiores; 
● Especialmente localizados nos 3–5 mm apicais; 
● Impactação de detritos e barreiras físicas ao 
irrigante. 
AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA PASSIVA (PUI) 
DEFINIÇÃO 
● Agitação do irrigante sem ação cortante; 
● Realizada com o canal previamente preparado e 
preenchido por irrigante. 
PROTOCOLO CLÍNICO 
● Inserto fino e liso (ex: E1-Irrisonic – 20/.01; Irrisafe – 
20/.02 ou 25/.02); 
● Potência: 10%; 
● Tempo: 20 s por ciclo; 
● Posição: 1–2 mm do comprimento de trabalho; 
● Deve-se manter o inserto centralizado, sem 
contato com as paredes. 
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS 
● Maior remoção de smear layer, detritos e biofilme 
do que irrigação convencional e agitação sônica; 
● Melhor penetração de NaOCl em túbulos 
dentinários; 
● Favorece a remoção de medicação intracanal 
(hidróxido de cálcio e TAP); 
● Melhora a qualidade da obturação. 
 
LIMITAÇÕES 
● Termo “passiva” é inadequado (não é totalmente 
passiva); 
● Eficácia depende da conicidade e amplitude do 
preparo; 
● Pode não reduzir endotoxinas mesmo com 
redução bacteriana. 
APLICAÇÕES ESPECÍFICAS 
● Canais curvos; 
● Retratamentos endodônticos (remoção de material 
obturador); 
● Auxílio na limpeza de istmos e áreas achatadas. 
NOVOS INSERTOS NACIONAIS 
● ClearSonic (R1) e FlatSonic (R2) – Helse Dental 
Technology; 
● Comprovada eficácia na remoção de materiais 
obturadores em canais achatados. 
AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA CONTÍNUA (CUI) 
DEFINIÇÃO 
● Agitação ultrassônica simultânea à liberação 
contínua de solução irrigadora. 
EQUIPAMENTOS 
● Necessário ultrassom com sistema de irrigação 
acoplado; 
● Ex: ProUltra® (Dentsply), sistema da Vista Dental. 
PROTOCOLO CLÍNICO 
● Realizar a cada troca de instrumento; 
● Inserto a 2 mm do CT (recuar se houver 
travamento); 
● Tempo: 20 s por irrigação. 
VANTAGENS 
● Maior penetração de irrigante em canais laterais e 
região apical; 
● Melhor limpeza de istmos; 
● Supera PUI e irrigação convencional em 
determinadas situações. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
● Nenhum sistema de instrumentação consegue 
limpar completamente o canal radicular; 
● A combinação de ação mecânica, química e física 
(PUI/CUI) é essencial; 
● A escolha entre PUI e CUI depende da anatomia, 
equipamento disponível e objetivo clínico. 
IRRIGAÇÃO: SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS EMPREGADAS NO 
PREPARO DE CANAIS RADICULARES 
PREPARO QUÍMICO MECÂNICO: 
O preparo químico-mecânico tem como finalidade limpar e 
modelar o sistema de canais radiculares. A modelagem é 
obtida por meio da ação mecânica dos instrumentos, que 
desgastam seletivamente as paredes dentinárias, 
conferindo ao canal uma forma cônica, com o maior 
diâmetro na região cervical e o menor no ápice. 
A limpeza, por sua vez, resulta da interação de três fatores 
principais: 
1. Ação mecânica dos instrumentos nas paredes do 
canal; 
2. Ação química das substâncias auxiliares sobre 
restos orgânicos, inorgânicos e microrganismos; 
3. Eficácia da irrigação e aspiração, que favorecem a 
remoção de resíduos através do fluxo e refluxo da 
solução irrigadora, turbulência e energia cinética 
do jato. 
As substâncias químicas têm papel fundamental e podem 
ser utilizadas tanto como auxiliares da instrumentação 
quanto como soluções irrigadoras. A escolha adequada 
depende de suas propriedades físico-químicas, como pH, 
tensão superficial, capacidade de dissolução tecidual, ação 
antimicrobiana e biocompatibilidade. 
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS AUXILIARES NA 
INSTRUMENTAÇÃO ENDODÔNTICA: 
Durante o preparo químico-mecânico, substâncias químicas 
auxiliares são empregadas no interior do canal radicular 
para potencializar os efeitos da instrumentação mecânica, 
especialmente em áreas de anatomia complexa, 
inacessíveis aos instrumentos. 
Principais objetivos dessas substâncias: 
● Reduzir ou eliminar microrganismos patogênicos; 
● Dissolver tecidos orgânicos, vivos ou necrosados; 
● Lubrificar os canais, facilitando o deslizamento dos 
instrumentos e reduzindo o risco de fratura; 
● Remover a smear layer, que pode interferir na 
desinfecção e na obturação. 
Essassubstâncias atuam em sinergia com os instrumentos, 
com efeitos físicos e químicos, e podem ser utilizadas: 
● Durante a instrumentação, promovendo limpeza e 
lubrificação; 
● Após a instrumentação, para reforçar a 
desinfecção e remover resíduos aderidos às 
paredes do canal. 
Formas de apresentação: 
● Soluções líquidas (mais utilizadas); 
● Géis; 
● Cremes. 
Conceito químico – Solução: 
 
● Uma solução é a mistura homogênea de soluto 
(substância dispersa) e solvente (substância 
dispersante); 
● Em Endodontia, o solvente é sempre líquido (água 
ou outro veículo aquoso), e o soluto pode ser 
sólido, líquido ou gasoso. 
Observação clínica: 
Devido à complexidade anatômica dos canais (como 
mostrado em imagens de microtomografia ou cortes 
longitudinais), a ação química dessas substâncias é 
essencial para alcançar regiões que os instrumentos não 
tocam diretamente, como istmos, canais acessórios e 
ramificações apicais. 
REQUISITOS DAS SOLUÇÕES IRRIGADORAS: 
1. Baixa Tensão Superficial 
● Permite maior umectação das paredes dentinárias 
e melhor penetração nas anfractuosidades e 
irregularidades do sistema de canais radiculares. 
● Favorece a capilaridade, principalmente em canais 
ramificados, reentrâncias e deltas apicais. 
● Exemplo: Hipoclorito de sódio tem baixa tensão 
superficial, ainda mais na presença de tensoativos. 
2. Baixa Viscosidade 
● Facilita o escoamento por cânulas finas e longas. 
● Permite melhor distribuição e renovação da 
solução no interior do canal. 
● Menor viscosidade = maior fluidez = melhor 
alcance e ação da substância. 
● A viscosidade diminui com o aumento da 
temperatura. 
3. Alta Atividade de Solvente de Tecido 
● Capacidade de dissolver matéria orgânica, como 
tecido pulpar necrótico ou vivo. 
● Fundamental devido à complexidade anatômica 
dos canais (ex: canais acessórios e istmos). 
● Fatores que aumentam a efetividade: 
 
○ Maior volume de solução em relação ao 
tecido. 
○ Maior área de contato. 
○ Maior temperatura. 
○ Agitação mecânica. 
○ Alta concentração. 
○ Frequente renovação da solução. 
4. Atividade Antimicrobiana 
● Essencial para eliminar biofilmes bacterianos e 
microrganismos resistentes ao preparo mecânico. 
● Atua além do efeito mecânico (remoção de 
detritos). 
● Substâncias como o NaOCl (hipoclorito de sódio) 
são exemplos eficazes. 
5. Atividade Quelante 
● Remove íons cálcio da dentina por quelação, 
favorecendo a remoção da smear layer (lama 
dentinária). 
● Facilita o alargamento de canais estreitos 
(principalmente em forma líquida). 
● Agentes quelantes comuns: EDTA e ácido cítrico. 
● Sua ação na remoção de obstruções durante a 
instrumentação de canais atresiados é limitada; 
atua mais como lubrificante. 
6. Atividade Lubrificante 
● Reduz o atrito entre instrumento e dentina, 
diminuindo o desgaste e preservando a capacidade 
de corte. 
● Favorece a progressão dos instrumentos em canais 
curvos ou estreitos. 
● Importante para evitar fraturas instrumentais e 
preservar a anatomia do canal. 
7. Capacidade de Suspensão de Detritos 
● Mantém os detritos (orgânicos e inorgânicos) em 
suspensão, evitando sedimentação no ápice e 
obstruções. 
● Previne extrusões apicais e complicações como 
perfurações ou desvios. 
● A substância deve ser renovada frequentemente 
durante a instrumentação para manter sua fluidez 
e efetividade. 
● A cavidade de acesso deve funcionar como um 
reservatório irrigante. 
Considerações Importantes 
● O volume médio que os canais radiculares 
comportam é pequeno (ex: 10,3 mm³ nos 
superiores e 11,1 mm³ nos inferiores). 
● A renovação frequente da solução irrigante é 
fundamental. 
● Substâncias como o hipoclorito de sódio perdem 
sua atividade na presença de matéria orgânica, 
exigindo constante troca. 
SOLUÇÕES IRRIGANTES 
São soluções químicas usadas na irrigação-aspiração dos 
canais radiculares. Sendo a irrigação-aspiração um 
procedimento de curta duração, é de se esperar que sua 
eficiência dependa mais das propriedades físicas do que 
das propriedades químicas das soluções empregadas. 
As soluções irrigadoras devem possuir: 
● Pequeno coeficiente de viscosidade; 
● Baixa tensão superficial. 
Esses requisitos favorecem: 
● Aumento do alcance do jato; 
 
● Formação da turbulência; 
● Refluxo do líquido em direção coronária. 
Com isso, há maior efetividade na limpeza do canal 
radicular. 
BIOCOMPATIBILIDADE 
Toda substância desinfetante apresenta toxicidade para as 
células vivas. Isso ocorre porque essas substâncias, ao 
contrário dos antibióticos, não têm seletividade para 
microrganismos. Portanto, é utópico querer conciliar forte 
ação antimicrobiana ou solvente de tecido com 
compatibilidade biológica. O modo clínico de uso afeta 
diretamente o potencial de toxicidade da substância. 
Os efeitos lesivos de uma substância desinfetante sobre os 
tecidos dependem de: 
● Sua toxicidade intrínseca; 
● Sua concentração; 
● Tempo de contato; 
● Área de contato com os tecidos. 
Exemplo: Hipoclorito de Sódio a 5,25% 
● In vitro: apresenta alta citotoxicidade; 
● In vivo: esse efeito não é observado, desde que não 
haja extravasamento pelo forame apical; 
● O extravasamento aumenta a área de contato, 
podendo causar efeitos indesejáveis e graves 
Além disso, quando a infecção endodôntica é controlada 
por um preparo químico-mecânico adequado e por uma 
medicação intracanal, o efeito irritante transitório da 
substância química torna-se irrelevante, não interferindo no 
reparo dos tecidos perirradiculares. 
Conclusão: Sem infecção e sem agressão química 
persistente, o reparo tecidual ocorre naturalmente. 
IMPORTÂNCIA DA AÇÃO QUÍMICA DURANTE O PREPARO 
Dado que a busca por um preparo ideal — em termos de 
forma e limpeza — encontra obstáculos (como a 
complexidade anatômica dos canais radiculares e as 
propriedades das ligas metálicas dos instrumentos), é 
fundamental que a substância química: 
● Tenha atividade solvente sobre tecido vivo ou 
necrosado; 
● Tenha atividade antimicrobiana. 
Risco da Omissão: A postura de não empregar substâncias 
químicas ativas durante o preparo pode, a longo prazo, 
levar ao fracasso do tratamento endodôntico. É essencial 
respeitar os tecidos perirradiculares, mas os resultados de 
testes laboratoriais de toxicidade não podem ser 
extrapolados diretamente para a clínica. 
HIPOCLORITO DE SÓDIO (NaOCl) – ORIGEM, 
COMPOSIÇÃO E IMPORTÂNCIA EM ENDODONTIA 
1. Origem Industrial e Processos de Obtenção 
O hipoclorito de sódio (NaOCl) é um produto da indústria 
eletroquímica do cloro, resultante da eletrólise do cloreto 
de sódio (NaCl). Os produtos finais da eletrólise dependem 
das condições operacionais, podendo gerar: 
● Hidróxido de sódio (NaOH); 
● Cloro (Cl₂); 
● Hipoclorito de sódio (NaOCl); 
● Ácido clorídrico (HCl) 
As soluções eletrolíticas resultantes podem atingir 
concentrações de NaOCl entre 10% e 17%, sendo 
posteriormente diluídas para usos doméstico, hospitalar e 
odontológico. 
2. CLORO ATIVO E GRAU CLOROMÉTRICO 
O poder oxidante do NaOCl é diretamente proporcional à 
quantidade de cloro ativo liberado. Este é o parâmetro de 
maior relevância analítica na avaliação da eficácia do 
hipoclorito. 
● Cloro ativo: quantidade de cloro disponível para 
reações químicas oxidativas; 
● Grau clorométrico (inglês): representa o peso de 
cloro ativo por 100 mL de solução. 
O método padrão para determinar esse grau é a 
titulometria iodométrica, que permite aferir com precisão o 
teor de cloro ativo. 
Cálculo do Teor de NaOCl: A fórmula de conversão 
se baseia na relação entre os pesos moleculares: 
● NaOCl = 23 (Na) + 16 (O) + 35,5 (Cl) = 74,5; 
● Cl₂ = 35,5 × 2 = 71; 
● Fator de conversão = 74,5 / 71 = 1,0493 
Fórmula prática: % NaOCl = % Cloro Ativo × 1,0493 
Exemplo aplicado: 
● Cloro ativo: 2,309%; 
● Teor de NaOCl: 2,309 × 1,0493 = 2,423% 
PROPRIEDADES DO NaOCl DE INTERESSE CLÍNICO 
O hipoclorito de sódio é multifuncional. Suas propriedades 
o tornam a solução irrigadora padrão-ouro naEndodontia 
moderna: 
● Atividade antimicrobiana de amplo espectro 
(inclusive contra Enterococcus faecalis); 
● Solubilidade de matéria orgânica (ação proteolítica 
sobre tecido necrótico e restos pulpares); 
 
● Detergente (por promover saponificação de 
lipídios); 
● Desodorizante e clareador; 
● Lubrificante (facilita deslizamento dos 
instrumentos); 
● Baixa tensão superficial (aumenta penetração nos 
túbulos dentinários). 
COMPORTAMENTO QUÍMICO EM SOLUÇÃO 
AQUOSA 
O NaOCl só existe em solução aquosa. Ao ser dissolvido, 
sofre hidrólise originando: 
● Hidróxido de sódio (NaOH) – Base forte, totalmente 
dissociada; 
● Ácido hipocloroso (HOCl) – Ácido fraco, 
parcialmente dissociado. 
Reação de equilíbrio: NaOCl + H₂O ⇌ Na⁺ + OH⁻ + 
HOCl 
A forma de HOCl presente na solução depende do pH: 
● pH ≤ 5,5 → HOCl não ionizado: máxima atividade 
antimicrobiana; 
● pH > 9 → HOCl ionizado (como OCl⁻): redução da 
eficácia bactericida. 
A forma não ionizada do HOCl é mais lipossolúvel e 
penetra melhor na parede bacteriana, tornando-a 
mais eficaz. O efeito de dissolução tecidual ocorre 
por ação combinada de NaOH e HOCl sobre 
diferentes substratos orgânicos. 
ESTABILIDADE E TIPOS DE ALCALINIDADE 
A solução de hipoclorito é instável, pois é oxidante. Sua 
estabilidade é protegida por dois tipos de alcalinidade: 
1. Alcalinidade cáustica (protetora) 
● Representa a quantidade de NaOH; 
● Eleva o pH até ~13,5; 
● Neutraliza o ácido carbônico (H₂CO₃) formado pela 
absorção de CO₂ atmosférico; 
● Retardar reações de autorredox do hipoclorito, 
como: 3ClO⁻ → 2Cl⁻ + ClO₃⁻ (clorato) 
TOXICIDADE E USO CLÍNICO 
A toxicidade do NaOCl está relacionada principalmente ao 
teor de NaOH: 
● Concentrações elevadas de NaOH podem causar 
necrose tissular, irritação periapical, acidente de 
extravasamento, entre outros. 
● Para uso seguro em Endodontia, recomenda-se 
que a concentração de NaOH não ultrapasse 0,4%. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA A PRÁTICA 
ENDODÔNTICA 
● O NaOCl continua sendo insubstituível na prática 
clínica atual pela sua ação tripla: antimicrobiana, 
solvente e detergente. 
● Deve-se estar atento à concentração e ao prazo de 
validade da solução, pois sua instabilidade química 
compromete a eficácia. 
● A diluição correta e o uso controlado em sistemas 
de irrigação, associado a técnicas como PUI 
(Passive Ultrasonic Irrigation), aumentam sua 
eficácia e segurança. 
ATIVIDADE SOLVENTE E ANTIMICROBIANA 
ATIVIDADE SOLVENTE DO HIPOCLORITO DE SÓDIO 
A capacidade solvente do NaOCl está relacionada a diversos 
fatores, como: 
● Volume da solução em relação ao volume de 
tecido; 
● Superfície de contato da solução com o tecido; 
● Tempo de ação; 
● Temperatura da solução; 
● Agitação da solução; 
● Concentração da solução; 
● Renovação da solução. 
O somatório desses fatores é o que irá definir o grau de 
atividade solvente do NaOCl. No atendimento clínico, o 
ideal seria que o profissional conseguisse manter todos 
esses fatores sempre em níveis altos para alcançar o 
máximo de eficiência da solução na dissolução dos tecidos. 
Quimicamente, a ação solvente do NaOCl ocorre por ação 
do hidróxido de sódio (NaOH) e do ácido hipocloroso 
(HOCl), conforme as seguintes reações: 
● Reação de saponificação: Ácido graxo + NaOH → 
Sabão + Glicerol (Equação I); 
● Reação de neutralização: Aminoácido + NaOH → 
Sal + Água (Equação II); 
● Reação de cloraminação: Proteína (grupo NH2) + 
HOCl → Cloraminas + Água (Equação III). 
Essas reações químicas promovem a degradação das 
estruturas moleculares da matéria orgânica e promovem 
sua dissolução. 
ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DO HIPOCLORITO DE 
SÓDIO 
O NaOCl apresenta ação antimicrobiana contra diversos 
microrganismos, sejam formas vegetativas ou esporuladas. 
Se utilizado na concentração adequada, pode eliminar 
esporos bacterianos em apenas 1 minuto. Além disso, o 
NaOCl também é eficaz contra microrganismos organizados 
em biofilmes. Nesses casos, sua ação não se limita à 
 
destruição celular, pois o NaOCl também é capaz de 
destruir a matriz extracelular polissacarídica do biofilme. 
Quimicamente, o efeito antimicrobiano do NaOCl ocorre 
por ação do cloro ativo, que está presente na forma de 
ácido hipocloroso (HOCl) e hipoclorito (OCl–). Esses dois 
compostos promovem a oxidação dos grupos sulfidrila 
(–SH) das enzimas bacterianas, levando à inativação 
enzimática. Além disso, promovem a formação de 
cloraminas pela reação com os grupos amina (–NH2) das 
proteínas, levando à desnaturação proteica e destruição de 
estruturas bacterianas. 
FATORES QUE INTERFEREM NAS ATIVIDADES SOLVENTE E 
ANTIMICROBIANA 
1. pH: A ação antimicrobiana do NaOCl é maior em pH 
ácido, pois nesse pH há maior predominância do ácido 
hipocloroso (HOCl), que é mais ativo que o ânion hipoclorito 
(OCl–). Por outro lado, a solução de NaOCl é instável em pH 
ácido, sendo, portanto, armazenada e utilizada em pH 
alcalino (acima de 10). 
Durante o contato com a matéria orgânica, o pH da solução 
tende a cair, fazendo com que haja aumento da proporção 
de HOCl e, consequentemente, aumento da ação 
antimicrobiana in situ. 
2. Temperatura: O aumento da temperatura da solução 
aumenta tanto sua atividade solvente quanto sua atividade 
antimicrobiana. O aquecimento mais eficaz ocorre dentro 
do canal radicular, em associação com a agitação 
ultrassônica. Essa forma de aquecimento é mais vantajosa 
do que apenas aquecer a seringa ou a solução. 
3. Presença de matéria orgânica: Em casos de presença 
de grande quantidade de matéria orgânica (tecido 
necrótico, biofilme denso), há consumo dos compostos 
ativos da solução, em especial do cloro livre. Isso reduz sua 
efetividade ao longo do tempo e torna necessário realizar 
renovação frequente da solução durante o tratamento. 
Em casos de infecção necrótica, pode-se utilizar água 
sanitária (que também contém hipoclorito, porém de forma 
mais estável), como forma de potencializar a atividade da 
solução. 
4. Concentração da solução: Quanto maior a 
concentração da solução de NaOCl, maior sua capacidade 
solvente e maior sua atividade antimicrobiana. A atividade 
solvente é mais afetada pela diluição do que a atividade 
antimicrobiana. 
CLOREXIDINA 
1. Estrutura e forma de uso: 
● A clorexidina é uma bisbiguanida catiônica com 
dois anéis clorofenólicos e um núcleo de 
biguanida, conectados por uma cadeia de 
hexametileno. 
● É pouco solúvel em água, por isso é usada na 
forma de sal digluconato de clorexidina, o qual é 
solúvel e estável entre pH 5 e 8. 
 
2. Atividade antimicrobiana: 
● Atua em amplo espectro, contra bactérias 
gram-positivas e gram-negativas. 
● É bacteriostática em baixas concentrações e 
bactericida em concentrações mais altas. 
● Sua ação ocorre pela adsorção à membrana 
bacteriana (negativamente carregada), levando à 
perda de integridade de membrana, 
extravasamento de íons e, em concentrações 
maiores, de ácidos nucleicos. 
● Atua também inibindo enzimas como a ATPase. 
3. Substantividade: 
● Apresenta capacidade de se ligar à hidroxiapatita e 
glicoproteínas, sendo liberada lentamente — o que 
garante ação prolongada por até 4 meses. 
4. Comparação com o hipoclorito de sódio (NaOCl): 
● Apesar de menos tóxica e irritante que o NaOCl, 
não tem ação solvente de tecido orgânico, nem 
clareadora. 
● Estudos mostram que, in vitro, a clorexidina é 
menos eficaz que o NaOCl 4%, mas in vivo, os 
efeitos antimicrobianos podem ser semelhantes. 
● Pode ser utilizada como irrigante final, após 
lavagem com solução neutra (como soro ou água), 
pois não deve ser combinada diretamente com 
NaOCl, sob risco de formação de paracloroanilina 
(precipitado escuro, tóxico e que pigmenta 
dentina). 
5. Indicações clínicas especiais: 
● Substituto do NaOCl em pacientes com alergia. 
● Útil em casos com risco de extravasamento apical 
(como rizogênese incompleta), por sua baixa 
toxicidade. 
6. Uso associado ao hidróxido de cálcio: 
● Pode ser associada ao hidróxido de cálcio como 
medicaçãointracanal, com bons resultados 
antimicrobianos. 
ÁCIDO CÍTRICO: 
1. Estrutura e ação: 
● Ácido orgânico (ácido 
2-hidroxi-1,2,3-propanotricarboxílico), sólido, 
cristalino e muito solúvel em água. 
 
● Atua promovendo a desmineralização de tecidos 
duros do dente. 
2. Concentração e efeito: 
● Não há consenso; estudos indicam uso entre 1% e 
50%. 
● A 50% tem efeito antibacteriano contra E. faecalis, 
devido ao pH muito baixo (1,45–1,5). 
● O pH ácido pode causar citotoxicidade aos tecidos 
perirradiculares. 
3. Aplicação clínica: 
● Utilizado para remoção da smear layer 
(componente mineralizado). 
● Preferência por menores concentrações devido à 
menor agressividade. 
MTAD 
1. Composição: 
● Mistura de doxiciclina (tetraciclina), ácido cítrico e 
detergente (Tween® 80). 
2. Mecanismo e indicação: 
● Quelante e antimicrobiano, remove smear layer e 
combate bactérias endodônticas. 
● Indicado como irrigação final, após NaOCl 1,3%; 
deve permanecer no canal por 5 minutos. 
3. Vantagens e limitações: 
● Menos agressivo à dentina que EDTA. 
● Baixa eficácia contra biofilmes de E. faecalis. 
● Estudos clínicos não demonstram superioridade 
antibacteriana. 
4. Alternativa: 
● Tetraclean™: Semelhante ao MTAD™, com menos 
doxiciclina, mostrou-se mais eficaz contra biofilmes 
in vitro, porém sem evidência clínica disponível. 
ÁGUA DE CAL: 
1. Composição: Solução saturada de hidróxido de cálcio em 
água destilada (pH ≈ 11). 
2. Propriedades: 
● Alta tensão superficial, baixa atividade 
antibacteriana, não solvente de tecido pulpar. 
● Não recomendada como irrigante auxiliar da 
instrumentação. 
3. Indicações específicas: 
● Canais com vitalidade pulpar, rizogênese 
incompleta, ou em tratamento conservador pulpar. 
● Atua como hemostático em hemorragias pulpares 
(via desnaturação proteica). 
ÁGUA OXIGENADA 
1. Propriedades: 
● Líquido instável, pH ≈ 3,5. 
● Libera oxigênio nascente sob calor, luz ou contato 
com sangue, provocando efervescência. 
2. Uso histórico: 
● Associado ao NaOCl no método de Grossman 
(S.O.S.), promovendo efervescência para remoção 
mecânica de detritos. 
3. Limitações: 
● Atividade antibacteriana limitada, não solvente de 
tecido, e ineficaz como irrigante principal. 
● Reage com NaOCl, neutralizando o cloro ativo e 
reduzindo o efeito antimicrobiano. 
GLICERINA: 
1. Características: Líquido viscoso, incolor, miscível em 
água, sem atividade solvente ou antimicrobiana. 
2. Aplicação: 
● Usada como lubrificante em canais atresiados, 
facilitando a inserção inicial de instrumentos. 
● Deve ser removida com irrigação aquosa após sua 
função. 
Outras Soluções (Água destilada, anestésicos, soro 
fisiológico) 
- Não possuem propriedades antimicrobianas, solventes ou 
quelantes. 
 - Não são indicadas como soluções químicas auxiliares da 
instrumentação. 
 - Podem ser utilizadas como soluções de enxágue 
intermediárias ou para neutralizar interações químicas. 
Smear Layer (Lama dentinária) 
Definição e Características 
A smear layer é uma camada delgada, amorfa, de aspecto 
irregular e granular, composta por restos dentinários, 
tecido pulpar, bactérias e seus produtos, que se deposita 
nas paredes dos canais radiculares após o preparo 
químico-mecânico. Observável somente por microscopia 
eletrônica de varredura (MEV), essa camada não é visível 
por microscopia óptica por ser solúvel em ácido e removida 
durante o processamento histológico. 
Origem e Composição 
 
Resulta da ação de corte dos instrumentos sobre a dentina, 
esmalte ou cemento. Possui: 
● Componentes inorgânicos: partículas de dentina e 
outros resíduos minerais; 
● Componentes orgânicos: tecido pulpar vivo ou 
necrótico, processos odontoblásticos, proteínas, 
células, saliva e bactérias. 
Morfologia 
● Smear layer (plano frontal): fina, pouco aderida, de 
1 a 5 μm, separada da dentina subjacente. 
● Smear plug (plano lateral): material compactado 
nos túbulos dentinários, penetrando até 40 μm, 
dificultando a permeabilidade dentinária. 
Remoção ou Não da Smear Layer 
Argumentos Contra a Remoção 
● Em casos assépticos, sua presença pode atuar 
como barreira à penetração bacteriana nos 
túbulos. 
● Pode proteger contra infiltração em casos de falha 
do selamento coronário. 
● Contudo, pode ser contaminada e servir de abrigo 
para microrganismos. 
Argumentos a Favor da Remoção 
● Em dentes infectados, impede ação completa dos 
medicamentos intracanais. 
● Reduz a permeabilidade da dentina radicular 
(25–49%). 
● Dificulta o selamento apical adequado. 
● Pode impedir a difusão de agentes 
antimicrobianos. 
Relação com Selamento e Microinfiltração 
● A remoção da smear layer facilita a penetração de 
cimentos obturadores nos túbulos dentinários. 
● A maior falha de selamento ocorre na interface 
cimento/parede dentinária. 
● A sua remoção promove melhor imbricação 
mecânica e vedamento apical, reduzindo risco de 
microinfiltração 
Métodos de Remoção 
Irrigação química alternada 
● EDTA 17%: remove componente inorgânico 
(quelante). 
● NaOCl 2,5% a 5,25%: remove componente 
orgânico, inclusive colágeno. 
● Melhor protocolo: 10 mL de EDTA a 17% (pH 7,7) + 
10 mL de NaOCl a 5,25% (Yamada et al.). 
Agitação da solução 
● Solução estática: menos eficaz. 
● Agitação com espiral de Lentulo® (giro à direita por 
2 minutos): maior remoção, inclusive de bolhas 
(vapor lock), por ação mecânica e cisalhamento. 
● Tempo ideal de EDTA no canal: 5 minutos. 
 
Ultrassom 
● Promove circulação contínua da solução irrigadora. 
● Mais eficaz que irrigação manual. 
● Microcorrentes acústicas facilitam a limpeza. 
Laser (Er:YAG) 
● Remove smear layer por ablação, expondo túbulos 
dentinários sem danos térmicos. 
● Resultados promissores, mas não superiores ao 
protocolo com EDTA + NaOCl. 
● Atua vaporizando a camada residual e 
promovendo limpeza completa da parede do canal. 
OBTURAÇÃO DO SISTEMA DE CANAIS RADICULARES: 
1. Introdução 
A obturação do sistema de canais radiculares é uma etapa 
essencial do tratamento endodôntico, realizada após a 
limpeza, modelagem e desinfecção do canal. Seu principal 
objetivo é vedar hermeticamente o canal radicular e seus 
canais acessórios, promovendo a prevenção da 
recontaminação por fluídos orais e/ou periapicais e 
favorecendo o processo de reparo dos tecidos periapicais. 
O sucesso do tratamento endodôntico depende 
diretamente da qualidade da obturação. Uma obturação 
inadequada pode permitir a permanência ou penetração de 
micro-organismos no interior do canal, levando a 
insucessos clínicos como dor persistente, fístulas, 
abscessos e reabsorções. 
2. Finalidades da Obturação 
● Selamento hermético do sistema de canais 
radiculares (SCR): Impede a comunicação com o 
meio bucal e tecidos periapicais. 
● Prevenção da recontaminação: Evita a entrada de 
micro-organismos por via coronal ou apical. 
● Destruição de micro-organismos residuais: 
Associada ao uso de cimentos obturadores com 
propriedades antimicrobianas. 
● Impedimento de infiltração de fluidos e moléculas: 
Garante estabilidade biológica e previne recidivas 
da patologia endodôntica. 
3. Considerações Anatômicas Importantes 
● Curvatura radicular: Deve ser respeitada na 
escolha de instrumentos e técnicas de obturação. 
● Plexo pulpar: Estrutura anatômica que precisa ser 
removida durante a instrumentação. 
 
● Delta apical: Região complexa que exige cuidado 
para obter um selamento efetivo. 
● Forma da câmara pulpar: Importante na abertura 
coronária e acesso ao canal. 
4. Considerações Biológicas 
● Relação com os tecidos periapicais: Obturação 
adequada contribui para a reparação e cicatrização 
desses tecidos. 
● Micro-organismos: Devem ser eliminados ou 
controlados com irrigação e medicação intracanal. 
● Patologias pulpares e periapicais: Guiam o plano 
de tratamento e o momento ideal da obturação. 
5. Condições Necessárias para Realizar a Obturação 
Antes da obturação, o canal deve estar clinicamente e 
biologicamente estável.São critérios fundamentais: 
● Ausência de dor espontânea ou provocada; 
● Ausência de edema/tumefação ou fístula; 
● Ausência de exsudato persistente; 
● Canal completamente seco e sem odor fétido; 
● Ausência de sensibilidade à percussão e palpação. 
6. Propriedades Ideais dos Materiais Obturadores 
O material obturador ideal deve apresentar as seguintes 
características: 
● Atividade antimicrobiana; 
● Biocompatibilidade, sem causar toxicidade ou 
mutagenicidade; 
● Estimular a reparação dos tecidos periapicais; 
● Ter aderência e adaptação à dentina; 
● Apresentar boa fluidez e escoamento; 
● Estabilidade dimensional (não deve expandir ou 
retrair); 
● Ser radiopaco; 
● Não manchar a dentina nem ser solubilizado pelos 
fluidos teciduais; 
● Ser econômico, fácil de manipular, inserir e 
remover. 
7. Materiais Utilizados na Obturação 
Guta-percha 
● Material padrão ouro para obturação radicular. 
● Biocompatível, flexível, radiopaco e 
termoplastificável. 
● Deve ser usada em conjunto com cimentos 
obturadores. 
Cimentos Obturadores Endodônticos 
● À base de resina epóxi: AH Plus (excelente 
vedamento, longa durabilidade); 
● À base de MTA: MTA Fillapex (bioatividade, reparo 
periapical); 
● À base de hidróxido de cálcio: Sealapex 
(biocompatível, liberação de cálcio); 
● À base de óxido de zinco e eugenol: Endo Fill, Fill 
Canal; 
● Sealer 26: à base de resina + hidróxido de cálcio. 
8. Técnicas de Obturação 
Classificação Geral 
1. Condensação lateral e vertical da guta-perch; 
2. Termoplastificação mecânica (ex: Técnica de 
Tagger); 
3. Injeção de guta-percha termoplastificada. 
9. Técnica de Tagger (Condensação Termomecânica) 
Instrumento Utilizado: Condensador de McSpadden 
● Fabricado em aço inox com desenho similar à lima 
Hedström, porém com rosca invertida; 
● Gera calor por fricção para plastificar a 
guta-percha; 
● Usado em motor de baixa rotação (mínimo 8000 
rpm) com torque elevado; 
● Deve girar no sentido horário para evitar extrusão 
apical da guta. 
Numeração dos Condensadores McSpadden (Dentsply): 
 
● Amarelo – 20/50; 
● Vermelho – 25/55; 
● Azul – 30/60; 
● Verde – 35/70; 
● Preto – 40/80 
10. Passo a Passo da Técnica de Obturação 
1. Seleção do cone principal de guta-percha (de 
acordo com o preparo final do canal). 
2. Calibração do cone para ajustar ao diâmetro apical. 
3. Higienização do cone com álcool 70% ou 
hipoclorito de sódio. 
4. Prova do cone no comprimento de trabalho 
(C.R.T.): travar 1 mm aquém do forame apical. 
5. Radiografia periapical de prova para confirmar a 
adaptação. 
6. Manipulação do cimento endodôntico (em placa de 
vidro com espátula estéril). 
7. Aplicação do cimento no canal com cone ou 
lentulo. 
8. Inserção do cone principal com cimento, travando 
na região apical. 
9. Inserção de 1 a 2 cones acessórios com 
espaçadores digitais, se necessário. 
10. Condensação termomecânica com McSpadden, 
sem movimentos de bombeamento, por alguns 
segundos. 
11. Condensação apical adicional com condensadores 
de Schilder (aproveitando a termoplastificação). 
 
12. Corte do excesso de guta-percha na câmara 
coronária com instrumento aquecido. 
13. Limpeza da cavidade com bolinha de algodão 
embebida em álcool. 
14. Vedamento coronário provisório com cimento 
provisório (Coltosol, CIV, etc.) – Blindagem 
Endodôntica. 
11. Blindagem Endodôntica 
● Serve para proteger a obturação até que o dente 
receba a restauração definitiva. 
● Deve impedir a microinfiltração coronal. 
● Materiais como CIV ou Ionômero Resinado são 
recomendados. 
12. Critérios de Sucesso Pós-Obturação (Preservação da 
Terapia Endodôntica) 
● Ausência de dor e sensibilidade; 
● Mobilidade dentária dentro da normalidade; 
● Ausência de fístula ou edema; 
● Função mastigatória normal; 
● Regeneração dos tecidos periapicais na imagem 
radiográfica; 
● Normalidade do espaço do ligamento periodontal; 
● Ausência de reabsorções radiculares. 
13. Falhas na Obturação Endodôntica 
● Sobreobturação com ponta não plastificada: pode 
provocar reação tecidual. 
● Subobturação (obturação aquém do C.R.T.): 
permite espaço para proliferação microbiana. 
● Falhas de compactação: formação de bolhas e 
espaços vazios. 
● Obstrução parcial de canais acessórios: reduz 
eficácia da selagem tridimensional. 
● Uso inadequado do condensador de McSpadden: 
pode levar à extrusão de material ou fratura do 
instrumento. 
14. Considerações Finais 
A obturação é a etapa final da terapia endodôntica, mas sua 
execução correta é indispensável para o sucesso do 
tratamento. A técnica de Tagger, com uso da guta-percha 
termomecanicamente plastificada, é amplamente utilizada 
por permitir preenchimento tridimensional, inclusive em 
canais acessórios, desde que executada com domínio 
técnico e conhecimento dos instrumentos. 
ISOLAMENTO ABSOLUTO: 
O isolamento absoluto do campo operatório é um 
procedimento essencial na prática endodôntica, sendo 
realizado antes da abertura coronária. Garante segurança 
ao paciente, controle de infecção cruzada e proteção dos 
tecidos moles e melhora da eficácia clínica. Este relatório 
integra conteúdo técnico e clínico detalhado para 
proporcionar uma compreensão completa sobre o tema. 
2. Definição e Objetivos 
O isolamento absoluto consiste na vedação do dente a ser 
tratado com um lençol de borracha fixado por grampo e 
arco de isolamento. Os principais objetivos incluem: 
● Manter campo operatório seco e limpo, livre de 
saliva, sangue e fluidos tissulares; 
● Evitar contaminação bacteriana do sistema de 
canais radiculares; 
● Proteger o paciente contra deglutição ou aspiração 
de instrumentos (ex: limas, brocas, cones de 
guta-percha); 
● Melhorar a visibilidade e o acesso ao campo 
operatório; 
● Reduzir o risco de infecção cruzada; 
● Aumentar a eficiência e reduzir o tempo clínico; 
● Evitar contato de substâncias irritantes com 
mucosa oral (ex: hipoclorito de sódio, EDTA, etc.). 
3. Implicações Clínicas da Ausência de Isolamento 
A não realização do isolamento absoluto pode causar: 
● Contaminação do canal radicular, comprometendo 
o sucesso do tratamento; 
● Deglutição ou aspiração de instrumentos 
endodônticos (18% dos casos relatados segundo 
literatura); 
● Contato de substâncias químicas com mucosa, 
podendo causar lesões graves; 
● Risco legal e ético para o profissional em casos de 
acidentes; 
● Dificuldade de visão e controle de fluidos, afetando 
a qualidade técnica do procedimento. 
4. Etapas Prévias ao Isolamento 
Antes da colocação do isolamento absoluto, devem ser 
realizados: 
1. Assepsia e antissepsia do campo operatório; 
2. Profilaxia com pasta profilática e escovação da 
região; 
3. Remoção de cálculos supragengivais; 
4. Remoção de tecidos cariados e restaurações 
defeituosas; 
5. Verificação e regularização de áreas de contato 
proximal; 
6. Reconstrução coronária provisória, caso haja 
grande destruição dental (resina composta, 
ionômero de vidro ou bandas ortodônticas); 
7. Remoção de tecido gengival excedente, se 
necessário; 
8. Proteção dos tecidos moles com gel de barreira 
gengival ou Omcilon A Orabase. 
5. Momento Correto para o Isolamento 
O isolamento deve ser realizado antes da abertura 
coronária, mesmo em casos de necrose ou exposição 
pulpar, sempre que possível. Isso previne contaminação do 
 
sistema de canais e mantém o ambiente controlado. 
Exceções ocorrem quando há necessidade de acesso inicial 
para posterior reconstrução da coroa. 
6. Seleção e Posição dos Grampos 
6.1 Classificação e Indicação de Grampos 
Os grampos são selecionados com base no tipo e posição 
do dente, além da anatomia cervical. 
Classificam-se em: 
● Anteriores: 210, 212, 9, W9 (ex: incisivos e caninos); 
● Pré-molares: 2, 2A, W2, W2A; 
● Molares: 14, 14A, W14, 8A, W8A, 3, 7, W7, W8, W56; 
● Grampos sem asa (wingless – W): usados em áreas 
de difícil acesso ou maior destruição dentária. 
6.2 Critérios de Seleção 
● Grampos com asa facilitam a técnica do conjunto. 
●Curvaturas em “S” foram observadas em 12 a 23% 
dos casos. 
Em resumo, a anatomia apical representa uma área crítica e 
desafiadora da Endodontia. O conhecimento aprofundado 
dessa região e o uso de tecnologia avançada e 
instrumentos flexíveis são fundamentais para minimizar 
erros como transporte, perfuração e fratura de 
instrumentos, aumentando o sucesso clínico do 
tratamento. 
CANAL DENTINÁRIO 
O canal 
dentinário 
é a porção 
mais 
extensa do 
canal 
radicular, 
com 
formato 
cônico e 
conicidade 
pouco 
acentuada, apresentando o menor diâmetro voltado para o 
ápice radicular. 
É formado pelas paredes dentárias e se estende desde a 
embocadura até a junção cemento-dentinária (JCD). A 
densidade de túbulos dentinários varia ao longo do canal, 
sendo menor na região apical (aproximadamente 14.400 
túbulos por mm² nos 2 a 3 mm finais) e maior na região 
cervical (cerca de 40.000 túbulos por mm²). 
Essa diferença influencia diretamente a permeabilidade 
dentinária, tornando a região apical menos permeável. 
Do ponto de vista clínico, essa característica é relevante 
para compreender a variação na colonização microbiana 
nas diferentes regiões do canal, bem como a penetração de 
soluções irrigadoras e medicamentos intracanais. Assim, a 
região apical do canal dentinário é a de menor 
permeabilidade, o que afeta diretamente a eficácia do 
preparo químico-mecânico e da desinfecção endodôntica. 
JUNÇÃO DENTINO CEMENTÁRIA (JDC) 
A junção cemento-dentinária, também chamada de limite 
cemento-dentinário ou canal dentino-cementário, é a 
região de transição entre os canais dentinário e cementário. 
Teoricamente, representa o ponto de maior constrição do 
canal radicular, onde a polpa termina e o período começa. 
Esse estreitamento é atribuído à deposição de cemento. 
Apesar disso, a constrição apical raramente coincide 
 
exatamente com a JCD, embora esteja localizada nas suas 
proximidades. 
A forma da constrição apical costuma ser oval ou irregular, 
e não circular. O diâmetro da constrição apical varia 
conforme a literatura, com valores médios de 0,22 mm em 
pacientes jovens e 0,21 mm em adultos (segundo Kuttler), 
0,19 mm (segundo Stein e Corcoran) e entre 0,2 mm e 0,5 
mm (segundo Wu et al.). 
Clinicamente, apesar da JCD ser o local ideal para 
estabelecer o limite apical da instrumentação, sua 
identificação é extremamente difícil. Trata-se de uma 
estrutura histológica, e sua localização precisa é muitas 
vezes impossível de determinar durante o tratamento, 
motivo pelo qual muitos a consideram um conceito teórico 
ou até mesmo um "mito". 
Em razão dessa imprecisão, recomenda-se que o batente 
apical — o ponto final da instrumentação — seja 
estabelecido entre 0,5 e 1 mm antes do forame apical, com 
base em localizadores eletrônicos e confirmação 
radiográfica. 
CANAL CEMENTÁRIO 
O canal cementário é a porção final e mais curta do canal 
radicular, estendendo-se da JCD até o forame apical. Possui 
conicidade muito acentuada e, do ponto de vista clínico, 
corresponde à distância entre a constrição apical e o 
forame apical. 
Seu comprimento médio é de 0,5 mm em pacientes jovens 
e 0,7 mm em adultos. O forame apical, localizado na 
superfície externa da raiz, geralmente tem forma circular e 
diâmetro de cerca de 0,5 mm em jovens e 0,7 mm em 
adultos, refletindo um aumento com a idade. 
Em 68% dos dentes jovens e 80% dos dentes adultos, o 
canal cementário não segue o mesmo trajeto do canal 
dentinário e não termina no ápice anatômico, estando, em 
média, a 0,5 mm de distância do ápice, podendo, em alguns 
casos, alcançar até 3 mm. O diâmetro médio do forame 
apical é de 0,25 mm, com contorno predominantemente 
circular. 
O número de foraminas por dente pode variar entre 1 e 16, 
e sua distância em relação ao ápice varia de 0,2 mm a 3,8 
mm. A manutenção da desobstrução do canal cementário 
durante o preparo químico-mecânico é essencial tanto em 
dentes com polpa viva quanto em dentes necrosados, pois 
permite a remoção de tecido residual ou material 
infeccioso. Essa desobstrução possibilita a penetração da 
solução irrigadora até o término do canal, aumentando a 
eficácia da limpeza. 
O comprimento percorrido por um instrumento desde a 
referência coronária até o forame apical é denominado 
comprimento patente do canal (CP). 
A preservação da patência apical contribui para a segurança 
do preparo e para a prevenção de acidentes operatórios, 
além de potencializar os efeitos biológicos e 
antimicrobianos do tratamento endodôntico. 
 
FORAME APICAL 
O forame apical é a principal abertura do canal radicular na 
região apical, permitindo a comunicação entre a polpa 
dentária e os tecidos perirradiculares. Localiza-se na 
superfície externa da raiz e, frequentemente, não coincide 
com o ápice anatômico, estando deslocado lateralmente 
em uma distância que pode variar de 0,2 a 3,8 mm. 
O diâmetro médio do forame apical varia entre 0,21 e 0,39 
mm, podendo aumentar com a idade devido à deposição 
de cemento. Além disso, a forma do forame não é 
uniformemente circular, apresentando-se, na maioria dos 
casos, oval ou irregular. 
Essa variabilidade anatômica ressalta a importância de um 
diagnóstico preciso e de técnicas adequadas durante o 
tratamento endodôntico para assegurar a limpeza e o 
selamento eficazes dessa região complexa. 
Ele tem as seguintes funções: 
● Via de entrada e saída de vasos e nervos: o forame 
apical permite a passagem de vasos sanguíneos e 
nervos que mantêm a vitalidade da polpa dentária; 
● Ponto de comunicação com o meio externo: ele 
representa o limite entre o sistema de canais 
radiculares e os tecidos perirradiculares, sendo um 
local crítico durante o tratamento endodôntico; 
● Zona de transição biológica: é por onde os 
produtos inflamatórios da polpa (em caso de 
necrose ou infecção) podem alcançar os tecidos 
periapicais, provocando reações inflamatórias 
como abscessos ou lesões periapicais; 
● Referência clínica para a obturação: no tratamento 
de canal, o forame apical é o ponto de referência 
anatômico para a determinação do limite apical, 
embora, clinicamente, recomenda-se terminar a 
instrumentação e a obturação de 0,5 a 1 mm 
aquém do forame, respeitando a chamada 
constrição apical. 
SISTEMA DE CANAIS RADICULARES 
 
O canal principal 
O canal principal é a estrutura central do sistema de canais 
radiculares. Tem formato geralmente cônico, afunilando da 
embocadura (câmara pulpar) até o forame apical. Divide-se 
didaticamente em três partes: terço cervical, médio e apical. 
A seção transversal do canal raramente é circular; costuma 
ser oval ou achatada, seguindo a anatomia da raiz — 
especialmente nos incisivos inferiores, pré-molares e canais 
mesiais de molares inferiores. 
Função: Abrigar a polpa dentária (nervos e vasos), permitir 
a nutrição e defesa do dente e servir como via para 
instrumentação, irrigação e obturação na endodontia. 
Variações: Pode ter um ou mais canais por raiz, apresentar 
curvaturas, fusões, ramificações e istmos e sua anatomia 
muda com a idade e com estímulos (ex: calcificações). 
Importância Clínica: Uma boa compreensão da anatomia do 
canal principal é essencial para remover tecido pulpar, 
desinfetar corretamente e obturar com sucesso. 
Negligenciar essas variações pode levar a falhas no 
tratamento, como dor persistente, infecção ou reabsorções. 
Intercorrências: Fratura de instrumentos (em canais 
curvos), Degraus e perfurações (em canais estreitos ou 
calcificados), Obturação incompleta (em canais achatados 
ou com ramificações não acessadas). 
O canal lateral: 
Definição: É um canal que emerge do canal principal e 
segue em direção à superfície externa da raiz, geralmente 
localizado na região mediana ou cervical da raiz. Surge a 
partir de ramificações dos vasos e nervos da polpa para o 
ligamento periodontal. 
Função: Facilita a comunicação entre a polpa e o periodonto 
lateralmente. Pode funcionar como via de escape de 
exsudato inflamatório e também de nutrientesGrampos sem asa proporcionam melhor 
adaptação e menor risco de traumatismo gengival. 
● O grampo deve se adaptar firmemente à região 
cervical, sem machucar gengiva nem ficar frouxo. 
● Testar fora da boca e, se necessário, ajustar com 
alicate para adaptar melhor. 
6.3 Posição e Fixação 
● O grampo deve ser colocado na região cervical do 
dente, abaixo da linha do equador, para 
estabilidade. 
● Verificar encaixe vestibular e lingual com leve 
pressão alternada. 
● O lençol é adaptado ao redor do grampo e fixado 
com fio dental na cervical para vedação. 
7. Técnicas de Colocação do Isolamento 
7.1 Técnica 1 – Conjunto (Grampo + Lençol + Arco) 
● Indicado para rapidez; 
● O lençol é perfurado, fixado ao arco, e o grampo é 
inserido com pinça já montado no conjunto. 
7.2 Técnica 2 – Em Dois Tempos (Grampo, Lençol, Arco 
Separados) 
● O grampo é colocado primeiro, depois o lençol 
com arco; 
● Permite melhor controle da adaptação; 
● Ideal para casos complexos, como coroas 
destrutivas, dentes parcialmente erupcionados, 
apinhamentos. 
7.3 Variações 
● Grampo → Lençol → Arco; 
● Lençol → Grampo → Arco; 
● Arco montado após fixação do lençol. 
8. Dificuldades no Isolamento Absoluto 
Algumas situações clínicas exigem adaptações específicas: 
8.1 Pacientes com Restrições 
● Alergia ao látex → usar lençol latex-free; 
● Respiradores bucais → usar abridores de boca ou 
alternar técnica; 
● Rejeição psicológica → explicar o procedimento 
previamente e usar técnicas de relaxamento. 
8.2 Situações Dentárias Específicas 
● Dentes totalmente destruídos → requerem 
reconstrução provisória prévia; 
● Dentes com coroas protéticas ou retentores 
metálicos → usar grampos modificados ou 
amarrados; 
● Dentes parcialmente erupcionados ou inclusos → 
usar grampos especiais como 14A, W14A ou 8A; 
● Dentes apinhados → exigir perfurações 
personalizadas no lençol e lubrificação intensa; 
● Tratamento ortodôntico fixo → exige adaptação 
com elásticos ortodônticos, bandagens e cuidado 
redobrado com a colocação. 
9. Selamento Marginal e Finalização 
● Após posicionamento do lençol, usar fio dental 
para selar as bordas cervicais; 
● Aplicar barreiras gengivais ou cunhas para 
melhorar a vedação; 
● Verificar vedação hermética e ausência de espaços 
por onde fluido possa infiltrar. 
10. Conclusão 
Dominar o isolamento absoluto é essencial para qualquer 
profissional que busca excelência em Endodontia. Ele vai 
além de técnica: envolve biossegurança, conforto do 
paciente e previsibilidade do tratamento. Cada paciente e 
dente exigem um planejamento individualizado do 
isolamento, e cabe ao cirurgião-dentista ter habilidade para 
adaptar a técnica conforme o caso. Excelente observação! 
Vamos completar o relatório com uma seção detalhada e 
organizada dos materiais utilizados no isolamento absoluto 
em Endodontia, baseada nos PDFs e nos protocolos clínicos 
atualizados. 
11. Materiais Utilizados no Isolamento Absoluto em 
Endodontia 
O sucesso do isolamento absoluto depende da seleção 
adequada dos materiais e instrumentos. Abaixo, os 
principais itens, separados por categorias: 
11.1. Materiais Principais 
Material Função 
 
Lençol de borracha Cria a barreira física entre 
o campo operatório e a 
cavidade bucal. 
Arco de isolamento Estica e mantém o lençol 
de borracha fixo fora da 
boca. 
Grampo de 
isolamento 
Prende o lençol de 
borracha ao dente, 
garantindo fixação e 
vedação. 
Pinça porta-grampos Posiciona o grampo com 
segurança no dente. 
Alicate perfurador Perfura o lençol nos 
pontos exatos para 
passagem dos dentes. 
11.2. Acessórios Auxiliares 
Material Função 
Fio dental Adapta o lençol na cervical 
e sela o campo operatório. 
Lubrificante hidrossolúvel 
(ex: KY) 
Facilita a inserção do lençol 
entre os dentes e protege a 
mucosa. 
Marcador de perfuração Indica os pontos de 
perfuração no lençol. 
Barreiras gengivais Protegem os tecidos moles 
e evitam infiltrações (ex: 
Omcilon A Orabase). 
Cordões em látex (wedjets) Ajudam a fixar o lençol em 
regiões sem retenção. 
Borrachas para grampos Melhoram a adaptação em 
dentes irregulares ou 
destrutivos. 
Espátula de inserção Auxilia na adaptação do 
lençol ao redor do dente e 
grampo. 
Tiras de lixa Podem ser usadas para 
ajustar contatos proximais 
antes da inserção. 
Sugadores e pontas de 
aspiração 
Mantêm o campo seco 
durante a colocação do 
isolamento. 
11.3. Tipos de Arco: 
● Arco de Young (metálico): Tradicional, firme, 
reutilizável e autoclavável. 
● Arco de Ostby (plástico): Flexível, indicado para 
exames radiográficos sem interferência metálica. 
● Arco dobrável: Mais ergonômico, facilita inserção 
em bocas pequenas. 
MEDICAÇÃO INTRACANAL: 
A medicação intracanal constitui uma etapa auxiliar, porém 
fundamental, do tratamento endodôntico, especialmente 
em casos com infecção persistente ou condições clínicas 
específicas que impedem a finalização do tratamento em 
sessão única. Seu uso visa promover ou potencializar o 
efeito antimicrobiano, controlar a inflamação e estimular os 
processos de reparação periapical. 
Ainda que não substitua nenhuma das etapas 
fundamentais do preparo químico-mecânico ou da 
obturação do sistema de canais radiculares, sua aplicação 
estratégica, baseada em evidências científicas, pode 
influenciar diretamente o sucesso do tratamento. Este 
relatório técnico-científico tem por objetivo apresentar os 
principais fundamentos, indicações clínicas, ações 
terapêuticas e propriedades desejáveis da medicação 
intracanal, conforme descrito na literatura endodôntica 
clássica. 
2. Objetivos da Medicação Intracanal 
Os medicamentos intracanais são indicados por diversas 
razões clínicas, dentre as quais se destacam: 
● Otimizar a desinfecção endodôntica, eliminando 
microrganismos remanescentes. 
● Prevenir a reinfecção do sistema de canais entre as 
sessões. 
● Reduzir a inflamação perirradicular e a 
sintomatologia dolorosa. 
● Controlar a exsudação persistente. 
● Auxiliar na solubilização da matéria orgânica 
residual. 
● Neutralizar produtos microbianos tóxicos como 
LPS e LTA. 
● Prevenir e auxiliar no controle da reabsorção 
dentária inflamatória externa. 
● Estimular a reparação por tecido mineralizado. 
 
3. Discussão dos Efeitos e Aplicações Clínicas 
3.1 Otimização da Desinfecção Endodôntica: Mesmo 
após cuidadoso preparo químico-mecânico, diversos 
estudos demonstram a permanência de microrganismos 
intratubulares e em regiões anatômicas complexas como 
istmos, deltas apicais e ramificações laterais. A medicação 
intracanal, por permanecer por tempo prolongado no 
canal, oferece ação antimicrobiana mais sustentada e 
alcança locais inacessíveis ao NaOCl e aos instrumentos. 
3.2 Barreira Físico-Química Contra Reinfecção: Durante o 
intervalo entre sessões, há risco de 
contaminação/recontaminação do canal por falhas no 
 
selamento provisório. A aplicação de substâncias como o 
hidróxido de cálcio atua simultaneamente como: 
● Barreira química: devido à sua atividade 
antimicrobiana. 
● Barreira física: por preencher tridimensionalmente 
o espaço do canal. 
3.3 Redução da Inflamação e Sintomatologia: Em casos 
de lesões perirradiculares sintomáticas ou abscessos 
agudos, a medicação pode ter papel anti-inflamatório direto 
ou indireto. Corticosteroides são eficazes no controle da 
inflamação, mas em casos infecciosos, é preferível o uso de 
substâncias com ação antimicrobiana, como o hidróxido de 
cálcio, que atua indiretamente ao remover o agente 
etiológico (bactérias). 
3.4 Controle da Exsudação Persistente: A presença 
contínua de exsudato indica inflamação ativa e falha na 
eliminação de microrganismos. A aplicação de uma 
medicação antimicrobiana em toda a extensão do canal 
pode cessar a exsudação, viabilizando a obturação e 
promovendo a reparação dos tecidos periapicais. 
3.5 Solubilização da Matéria Orgânica: Embora 
questionável quanto à sua eficácia isolada, alguns 
medicamentos podem colaborar na dissolução de tecidoresidual em áreas inacessíveis. Regiões como canais laterais 
e istmos frequentemente abrigam remanescentes que não 
são tocados por instrumentos, sendo a medicação 
intracanal um potencial adjuvante na limpeza. 
3.6 Inativação de Produtos Microbianos: Produtos 
bacterianos como LPS (gram-negativos) e LTA 
(gram-positivos) têm potencial citotóxico mesmo na 
ausência de células bacterianas viáveis. O hidróxido de 
cálcio é capaz de neutralizar essas toxinas, favorecendo a 
resolução da inflamação e a reparação tecidual. 
3.7 Controle da Reabsorção Inflamatória Externa: Em 
situações como traumatismos dentários e lesões 
periapicais, a reabsorção radicular é sustentada pela 
infecção intratubular. A medicação antimicrobiana atua 
diretamente na eliminação dos patógenos e contribui para 
o controle do processo reabsortivo. Ainda não está 
claramente estabelecido se há efeito direto sobre 
osteoclastos, mas a ação sobre a microbiota é 
determinante. 
3.8 Estímulo à Reparação por Tecido Mineralizado: Nos 
casos de perfurações, rizogênese incompleta e 
reabsorções, o uso de medicamentos como hidróxido de 
cálcio tem sido associado à indução de tecido mineralizado, 
promovendo o selamento biológico e a continuidade do 
desenvolvimento radicular. 
Classificação Química dos Medicamentos Intracanais 
Derivados Fenólicos 
Características Químicas: São compostos que apresentam 
grupamentos hidroxila (–OH) ligados diretamente ao anel 
benzênico (C6H6). Destacam-se o eugenol, 
paramonoclorofenol (PMC), PMCC, cresatina, cresol, 
creosoto e timol. 
Propriedades Clínicas: Atuam como potentes agentes 
antimicrobianos, tanto por contato direto quanto por 
liberação de vapores. O PMCC, ainda utilizado, apresenta 
ação contra microrganismos anaeróbios estritos, embora 
isoladamente não seja mais recomendado, devido à sua 
elevada toxicidade. 
Aldeídos 
Compostos Representativos: Formaldeído e glutaraldeído. 
Mecanismo de Ação: Fixadores teciduais e potentes 
antimicrobianos, exercem sua ação por contato direto e 
vapores. O formocresol foi amplamente utilizado, mas seu 
uso caiu em desuso por conta de sua citotoxicidade e 
potencial carcinogênico. 
Halógenos 
Substâncias Utilizadas: Clorados: Hipoclorito de sódio 
(NaOCl) / Iodados: Iodofórmio (CHI3) e iodeto de potássio 
iodetado a 2%. 
Aplicações Clínicas: O iodofórmio, devido à sua boa 
radiopacidade e liberação de iodo nascente, é utilizado em 
pastas resorbíveis ou como veículo. O iodeto de potássio, 
com ação antimicrobiana satisfatória, é uma opção como 
veículo ativo. 
Bases ou Hidróxidos 
Composto Principal: Hidróxido de cálcio – Ca(OH)2 
Histórico e Propriedades: Introduzido por Hermann em 
1920 na forma de Calxyl®, o Ca(OH)2 se tornou o padrão 
ouro como curativo de demora. Apresenta pH elevado 
(12,8), ação antimicrobiana e potencial indutor de barreira 
mineralizada. Dissocia-se em íons cálcio e hidroxila, 
responsáveis por sua ação terapêutica. 
Limitações: Sua solubilidade é limitada, e sua eficácia 
depende do veículo empregado. A transformação em 
carbonato de cálcio na presença de CO2 pode reduzir sua 
atividade biológica. 
Corticosteróides 
Compostos Utilizados: Hidrocortisona, prednisolona, 
dexametasona. 
Indicações: Indicados para controle de inflamação, 
especialmente em casos de periodontite apical aguda de 
origem química ou traumática. São aplicados topicamente 
em biopulpectomias e pulpotomias. 
Antibióticos 
 
 
Utilização Limitada: Seu uso intracanal é restrito devido ao 
risco de reações alérgicas e desenvolvimento de resistência 
bacteriana. A combinação de ciprofloxacino, metronidazol e 
minociclina (triple antibiotic paste) tem sido usada com 
sucesso em revascularização de dentes imaturos com 
necrose pulpar. 
Hidróxido de Cálcio – Aspectos Químicos e Biológicos 
Reações Químicas Importantes 
● CaCO3 → CaO + CO2 (Calcinação) 
● CaO + H2O → Ca(OH)2 (Hidratação) 
● Ca(OH)2 + CO2 → CaCO3 + H2O (Reversão) 
Veículos para o Hidróxido de Cálcio 
Importância: O veículo determina a liberação dos íons 
ativos. Pode modificar propriedades físico-químicas, 
antimicrobianas e biológicas da pasta. 
Classificação: 
Tipo Subtipos Exemplos Observaçõ
es 
Inertes Aquosos Água 
destilada, 
soro 
fisiológico 
Alta 
dissociação 
iônica, 
porém 
rápida 
diluição 
 
 Viscosos Glicerina, 
PEG 400, 
propilenogli
col 
Dissociação 
lenta, boa 
estabilidade 
 
Ativos Biologicame
nte 
ativos 
 
PMCC, 
clorexidina, 
iodeto de 
potássio 
iodetado 
 
Potencializa
m efeitos 
antimicrobi
anos 
 
Veículos Específicos 
Glicerina (Propanotriol) 
● Peso molecular: 92,09 
● Solúvel em água e álcool 
● Viscosa, higroscópica, incolor 
Polietilenoglicol 400 (PEG 400) 
● Polímero de etilenoglicol 
● Solúvel em água e álcool 
● Alta viscosidade 
Propilenoglicol (Propanodiol 1,2) 
● Peso molecular: 76,09 
● Higroscópico, miscível com água 
● Sabor ligeiramente picante 
Veículos Oleosos 
● Baixa solubilidade e difusão 
● Exemplos: Ácido oleico, óleo de oliva, lipiodol, 
PMCC 
● Proporcionam liberação lenta dos íons 
Paramonoclorofenol Canforado (PMCC) 
Composição: Mistura de PMC e cânfora na proporção 
3,5:6,5 
Propriedades: 
● Alta atividade antibacteriana 
● Mecanismo de ação: destruição de membrana 
celular, inativação enzimática e liberação de cloro 
Indicação: Veículo para hidróxido de cálcio. Não é 
recomendado seu uso isolado como medicamento 
intracanal devido à toxicidade. 
Clorexidina 
Características: Bisbiguanida catiônica, ativa contra 
bactérias e fungos. Apresenta substantividade, baixo 
potencial citotóxico e efeito residual prolongado. 
Uso em Endodontia: 
● Irrigante alternativo ao NaOCl 
● Utilizada isoladamente ou combinada ao Ca(OH)2 
como medicação intracanal 
7. Substâncias Adicionais para Radiopacidade 
Para melhorar a visualização radiográfica da pasta 
intracanal, são adicionadas substâncias como: 
● Carbonato de bismuto 
● Sulfato de bário 
● Iodofórmio 
● Óxido de zinco 
Avaliação da Ação Biológica e Antimicrobiana do 
Hidróxido de Cálcio 
Atividades Biológicas 
Suposta ação anti-inflamatória 
Historicamente, atribuiu-se ao hidróxido de cálcio a 
capacidade de controlar a inflamação por três mecanismos 
propostos: 
● ação higroscópica, 
● formação de pontes de proteinato de cálcio, 
● inibição da fosfolipase. 
 
Contudo, nenhuma dessas hipóteses foi cientificamente 
comprovada. Ao contrário, quando aplicado sobre tecidos 
com resposta inflamatória aguda, o hidróxido de cálcio 
pode exacerbar o processo inflamatório. Isso demonstra 
que sua ação anti-inflamatória direta é, no mínimo, 
discutível. O que se observa clinicamente é uma redução da 
inflamação associada à diminuição da infecção, o que se 
deve aos seus efeitos antimicrobianos, e não a uma ação 
anti-inflamatória primária. 
Ação Antimicrobiana 
Influência do pH 
O hidróxido de cálcio possui pH 12,8. A maioria das 
bactérias não sobrevive em valores tão alcalinos. Contudo, 
espécies como Enterococcus faecalis, Candida albicans e 
Actinomyces radicidentis são exceções, podendo resistir até 
mesmo a pH elevados, como 11,5. 
Mecanismos de ação 
A atividade antimicrobiana do hidróxido de cálcio baseia-se 
na liberação de íons hidroxila, que atuam da seguinte 
forma: 
a) Destruição da membrana citoplasmática: A peroxidação 
lipídica leva à destruição dos fosfolipídios da membrana 
bacteriana. Isso causa extravasamento do conteúdo 
citoplasmático e morte celular. 
b) Inativação enzimática: O pH elevado desnatura enzimas 
essenciais, alterando sua estrutura terciária. Sem atividade 
enzimática, o metabolismo bacteriano entra em colapso. 
c) Dano ao DNA: Os íons hidroxila podem causar quebras 
nas fitas de DNA, mutações e inibição da replicação. 
Limitações da Ação Antimicrobiana 
Apesar de sua eficácia em contato direto, o hidróxido de 
cálcio apresenta limitações significativas dentro do sistema 
de canais radiculares. 
Difusão limitada 
Em veículos inertes (água destilada, glicerina), o hidróxido 
de cálcio tem difusãorestrita devido à sua baixa 
solubilidade. Estudos demonstraram que: 
● Halos de difusão se formam, mas colônias 
bacterianas continuam a crescer nesses halos. 
● A presença de tamponantes no meio de cultura 
limita a elevação do pH. 
Inativação por estruturas dentinárias 
A dentina, hidroxiapatita e proteínas como a albumina têm 
efeito tampão sobre o pH alcalino. Isso reduz a eficácia 
antimicrobiana da substância, especialmente contra 
microrganismos como E. faecalis e C. albicans, presentes 
em túbulos dentinários. 
Resistência microbiana 
Alguns microrganismos desenvolveram adaptações: 
● E. faecalis possui bombas de prótons para regular 
o pH intracelular. 
● C. albicans demonstra resistência similar ou 
superior ao E. faecalis. 
Essas espécies são frequentemente associadas a casos de 
insucesso do tratamento endodôntico. 
Influência da técnica de aplicação 
● Aplicação com Lentulo® demonstrou maior 
eficácia na elevação do pH. 
● Aplicação com pontas de papel é menos eficaz. 
Efeito do Veículo 
Veículos podem ser: 
● Inertes: não contribuem para a atividade 
antimicrobiana (ex.: água, glicerina). 
● Biologicamente ativos: agregam efeito 
antimicrobiano adicional (ex.: clorexidina, PMCC). 
A escolha do veículo influencia diretamente: 
● a liberação de íons hidroxila, 
● o tempo de permanência, 
● a difusão na dentina. 
Avaliação da Pasta HPG (Hidróxido de Cálcio + 
PMCC/glicerina) 
Justificativa do Uso do PMCC como Veículo Ativo 
A utilização do PMCC como veículo para o hidróxido de 
cálcio foi primeiramente sugerida por Frank (1966) no 
contexto da apicificação. No entanto, críticas surgiram 
devido à sua potente ação citotóxica, e pelo fato de ser uma 
substância antimicrobiana por si só. Nos anos 1990, essa 
associação foi retomada com justificativa científica 
renovada, dada a sua eficácia frente a patógenos 
persistentes, especialmente o E. faecalis. Diversos estudos 
demonstram que a pasta HPG oferece atividade 
antimicrobiana superior às pastas com veículos inertes, 
além de uma difusibilidade ampliada no sistema de canais 
radiculares. 
 
Eficácia Antimicrobiana e Mecanismos de Ação 
Atividade em Ágar e Túbulos Dentinários 
Testes de difusão em ágar (Siqueira et al., 1996, 2001) 
revelaram que o PMCC promove um halo de inibição maior 
que o do HC isolado, demonstrando maior capacidade de 
difusão. A associação HPG demonstrou efeitos 
antibacterianos e antifúngicos superiores aos de veículos 
 
inertes. Além disso, estudos em túbulos dentinários 
confirmam sua capacidade de penetrar profundamente e 
descontaminar dentina infectada com culturas mistas de 
bactérias anaeróbias estritas. Após 5 a 7 dias de contato 
com a pasta HPG, a viabilidade bacteriana foi praticamente 
nula, inclusive frente ao E. faecalis, altamente resistente a 
terapias convencionais. 
Efeito Antimicrobiano Profundo 
Ao contrário do que se supunha, os dados sugerem que o 
PMCC é o principal responsável pela ação antimicrobiana, 
sendo o HC, na verdade, um veículo modulador da 
liberação controlada do PMCC no meio. Isso confere ação 
sustentada e menos citotóxica, uma vez que a liberação é 
lenta e a dose do PMCC, reduzida. 
Biocompatibilidade e Segurança 
Apesar da reconhecida toxicidade do PMCC isolado, a pasta 
HPG tem demonstrado biocompatibilidade satisfatória: 
● Baixa liberação de PMCC pela formação do 
paramonoclorofenolato de cálcio, de baixa 
solubilidade; 
● Desnaturação proteica superficial causada pelo pH 
alcalino, formando uma barreira à penetração 
tecidual; 
● Irritação leve e transitória, que cessa após remoção 
da medicação e eliminação microbiana. 
Avaliações Clínicas 
Dor Pós-operatória 
Siqueira et al. (2002) relataram baixa incidência de dor 
pós-operatória (15% dos casos), com apenas 2% de 
episódios intensos (flare-ups), mesmo em tratamentos 
realizados por estudantes iniciantes, comprovando a 
eficácia clínica e segurança do protocolo. 
Eliminação Bacteriana In Vivo 
Estudos bacteriológicos mostraram que a pasta HPG, após 
7 dias de medicação intracanal, reduziu a positividade 
bacteriana de 54,5% para 9%, com eliminação quase total 
das bactérias cultiváveis. A persistência do 
Propionibacterium acnes foi a única exceção isolada. 
Sucesso Clínico no Longo Prazo 
Em acompanhamento de até 4 anos, Siqueira et al. (2004) 
observaram sucesso clínico em 95% dos casos. A maioria 
dos dentes demonstrou reparo completo das lesões 
perirradiculares, consolidando a efetividade do protocolo 
em duas sessões com uso da pasta HPG. 
Comparação com Pasta de Hidróxido de Cálcio + 
Clorexidina (HCX) 
Apesar dos efeitos variáveis da HCX devido à instabilidade 
da clorexidina em pH elevado, estudos demonstram que, 
clinicamente, a pasta HCX ainda promove redução 
microbiana significativa e pode representar uma alternativa 
válida à pasta HPG, principalmente em casos de 
retratamento ou quando o PMCC está contraindicado. 
Inativação de Fatores de Virulência Bacteriana 
O hidróxido de cálcio demonstrou capacidade de inativar 
LPS e LTA, componentes das membranas de bactérias 
gram-negativas e gram-positivas, respectivamente. Estudos 
sugerem que esse efeito pode ocorrer in vivo, embora 
ainda seja debatido se essa inativação tem impacto clínico 
significativo na ausência de bactérias viáveis. 
Indução de Reparo por Tecido Mineralizado 
O hidróxido de cálcio é amplamente reconhecido por 
induzir formação de tecido mineralizado, seja dentina ou 
cemento, dependendo do tecido em contato. Esse processo 
é favorecido pela necrose de coagulação superficial 
causada pelo pH alcalino, que, na ausência de infecção, 
estimula a diferenciação celular e reparo. 
PROPRIEDADES DO HIDRÓXIDO DE CÁLCIO 
Solvente de Matéria Orgânica 
Devido ao seu pH elevado (~12,5), o hidróxido de cálcio tem 
a capacidade de desnaturar proteínas, quebrando ligações 
iônicas que sustentam a estrutura terciária proteica, 
tornando-as mais suscetíveis à ação solvente do hipoclorito 
de sódio (NaOCl). Contudo, a eficácia clínica desse efeito é 
limitada, dado o reduzido contato direto da pasta com 
tecidos orgânicos residuais em áreas anatômicas 
complexas como istmos e ramificações do sistema de 
canais radiculares. 
Apesar de estudos experimentais demonstrarem um efeito 
solvente significativo em condições laboratoriais ideais, 
Siqueira et al. mostraram que, histologicamente, a limpeza 
adicional promovida pela pasta de hidróxido de cálcio foi 
ligeiramente superior ao grupo controle, porém sem 
significância estatística. 
Inibição da Reabsorção Radicular Externa 
A reabsorção inflamatória externa tem etiologia infecciosa, 
sendo desencadeada por mediadores inflamatórios como 
IL-1, TNF e IL-6, estimulados por componentes bacterianos 
intracanal. O pH ácido da lacuna de reabsorção (~4,5) 
favorece a atividade de enzimas clásticas como catepsinas. 
O hidróxido de cálcio, sendo uma base forte, pode 
neutralizar esse ambiente ácido, inibindo a atividade 
enzimática e, potencialmente, promovendo a morte de 
células clásticas. No entanto, essa ação ainda é controversa 
e carece de comprovação científica robusta. Importa 
ressaltar que seu real efeito na reabsorção inflamatória 
depende da eliminação da infecção intracanal – objetivo 
atingido após sucessivas trocas do curativo para exceder a 
capacidade tampão da dentina e garantir um pH 
suficientemente alcalino nos túbulos dentinários. 
 
Pelo mesmo motivo, o hidróxido de cálcio é ineficaz contra 
reabsorções por substituição, em que os mecanismos de 
reabsorção são semelhantes, mas a etiologia é traumática 
ou idiopática. 
FUNÇÃO BARREIRA FÍSICO-QUÍMICA 
As pastas de hidróxido de cálcio formam uma barreira física 
e química no canal radicular, protegendo contra 
contaminação entre sessões, especialmente em casos de 
necropulpectomia. Essa barreira impede a percolação de 
fluido tecidual apical, dificultando o fornecimento de 
substrato para microrganismos residuais e limitando sua 
proliferação. Mesmo pastas com veículos biologicamenteativos como HPG não demonstraram superioridade 
significativa em proteção contra recontaminação salivar, 
conforme Siqueira et al., provavelmente pela neutralização 
do PMCC pela saliva. 
EXTRAVASAMENTO PARA TECIDOS PERIRRADICULARES 
O extravasamento acidental de pequenas quantidades de 
pasta de hidróxido de cálcio não costuma gerar efeitos 
adversos. Porém, grandes volumes são indesejáveis, pois 
não há toxicidade seletiva da substância e sua diluição 
rápida pela microcirculação perirradicular neutraliza o 
efeito desejado, podendo ainda causar flare-up e necrose 
tecidual. Portanto, o ideal é manter o preenchimento até o 
forame apical, sem extravasamento, assegurado por 
controle radiográfico. 
TÉCNICAS DE INSERÇÃO NO CANAL 
Instrumentos Manuais 
Uma lima tipo K, de diâmetro imediatamente inferior ao da 
última lima apical, é carregada com a pasta e inserida até o 
comprimento de trabalho, girando-se no sentido 
anti-horário. Esse processo é repetido 2 a 4 vezes para 
assegurar a distribuição homogênea da pasta. 
Espiral de Lentulo 
É a técnica mais eficaz para inserção da pasta, 
proporcionando maior preenchimento e compactação, 
como demonstrado por Sigurdsson et al. Deve ser acionada 
em motor com rotação constante à direita, inserida até 2-3 
mm aquém do comprimento de trabalho. A remoção da 
espiral deve ser feita ainda em rotação para evitar 
deslocamento da pasta. 
INDICAÇÕES CLÍNICAS 
Biopulpectomia 
Na presença de polpa vital, recomenda-se obturação 
imediata. Caso isso não seja possível, a medicação 
intracanal tem como objetivo impedir a contaminação. 
Nestes casos, emprega-se: 
● Solução corticosteroide/antibiótico (Otosporin®, 
Decadron® colírio), principalmente para controle 
de inflamação residual ou sobreinstrumentação. 
● Pasta de hidróxido de cálcio em glicerina (HG), 
como obturação provisória. 
 
Necropulpectomia e Retratamento 
Em canais infectados, o objetivo é eliminar microrganismos 
intratubulares. Para isso: 
● Após remoção da smear layer com EDTA/NaOCl, 
recomenda-se a pasta HPG (PMCC, glicerina, 
hidróxido de cálcio e iodofórmio) ou pasta HCX 
(hidróxido de cálcio com clorexidina 0,2 a 2%). 
● Aplicação preferencial por espiral de Lentulo®. 
Em canais não totalmente instrumentados, emprega-se 
uma mecha de algodão embebida em NaOCl a 2,5% na 
câmara pulpar. 
SELAMENTO CORONÁRIO 
Entre sessões, o selamento temporário é essencial para 
impedir infiltração salivar. Deve-se garantir: 
● Paredes cavitárias paralelas ou ligeiramente 
expulsivas. 
● Profundidade de selamento mínima de 3–5 mm. 
Materiais indicados: 
● CavitTM, Coltosol®, Cimpat® para acesso simples. 
● IRM® ou cimentos de ionômero de vidro em casos 
de intervalos prolongados ou cavidades complexas. 
SLIDES MEDICAÇÃO 
Quando a infecção não consegue ser combatida, isto é, 
quando a virulência bacteriana é alta ou a capacidade de 
defesa imunológica do hospedeiro está debilitada, ela se 
mantém provocando alterações na região óssea apical. 
Uma infecção endodôntica irá depender: 
● Número de células bacterianas: 
● Duração da agressão: 
● Resistência local e geral do hospedeiro: 
● Virulência bacteriana. 
Preparo químico-mecânico: "O melhor método para 
descontaminar o canal radicular é a criteriosa limpeza do 
conteúdo séptico-necrótico." 
Limpeza mecânica: Alargamento, modelagem e ação 
antimicrobiana. 
Movimento de Limagem: Movimento de fricção da ponta 
ativa das limas endodônticas contra as paredes internas 
dos canais radiculares. 
 
Ampliação e Modelagem: A instrumentação endodôntica 
visa a ampliação dos condutos, dando ao mesmo uma 
conformação de um cone onde a porção apical terá menor 
diâmetro e a porção cervical terá maior diâmetro. 
Fatores que dificultam a limpeza 
A limpeza do sistema de canais é dificultada pela 
características anatômicas dos condutos, delta apical e 
canais acessórios. 
● Complexidade anatômica 
● Eliminação de irritantes 
Limpeza química: Para completar a limpeza mecânica é 
necessário o uso de uma solução química que terá função 
antimicrobiana e de limpeza das raspas de dentina 
produzidas durante o processo de limagem. Finalidade: 
● Dissolução de tecido orgânico 
● Ação Antimicrobiana - eliminação de 
microrganismos 
● Lubrificação 
● Quelação de íons cálcio 
● Suspensão de detritos 
Obturação 
Infecção endodôntica: A sobrevivência dos 
microrganismos se dá pela incapacidade do preparo 
químico-mecânico em removê-los e da obturação em vedar 
o sistema de canais radiculares. 
Medicação intracanal: Em alguns casos será necessário a 
utilização de substâncias farmacológicas no interior dos 
canais, previamente a obturação. 
"É emprego de medicamentos no interior do canal 
radicular, onde deverão permanecer ativos durante todo o 
período entre as sessões necessária à conclusão do 
tratamento endodôntico." 
"A medicação intracanal auxilia na desinfecção das áreas do 
canal que não sofreram ação mecânica dos instrumentos, 
favorecendo ao prognóstico do tratamento endodôntico." 
Quando medicar? 
Condição clínica 
● Polpas vitais: Obturação imediata sempre que 
possível 
● Necrose pulpar: Medicação intracanal 
Características de Uma Droga Ideal 
● Ser bactericida 
● Ter efeito duradouro 
● Penetrar nos túbulos dentinário 
● Penetrar nos sistemas de canais 
● Ser radiopaco 
● Não ser afetado por material organico 
● Ter propriedades anódinas 
● Induzir mineralização 
● Ser facilmente colocado e removido 
● Não escurecer o dente 
Tipos de medicamento 
Otosporia 
● Preserva a integridade do coto periodontal e 
tecidos perirradiculares 
● Permite a neoformação do coto periodontal 
(sobreinstrumentação 
● Grande poder de penetração 
● Hidrossolúvel 
● Fácil aplicação e remoção do interior do canal 
(forma líquida) 
● Associação corticoide antibiótica 
● Indicações: Polpa vital / Trauma físico 
● Efeitos colaterais: Retardo na reparação tecidual / 
Permanência por períodos curtos (menor que 7 
dias) 
ParamonoCorobenol Canforado: Necrose pulpar, canais 
muito finos ou não instrumentados (até v dias). 
Treinesol Formalina 
● Formalina é altamente irritante aos tecidos vivos 
● Tricresol: baixa ação irritante 
● Age por contato ou à distância 
● Tríplice ação: 
● Antibacteriana 
● Neutralizadora 
● Fixação celular 
Desvantagens 
● Altamente irritante para os tecidos 
● Citotóxico,mutagênico e carcinogênico 
Vantagens: 
● Bactericida potente 
● Neutralizaçao de toxinas 
● Cinco vezes mais potente que o fenol 
● Fixa os tecidos 
● Neutraliza conteúdo tóxico do canal 
Quando usar? 
Biopulpectomia 
● Otosporin 
● Hidróxido de cálcio 
Necropulpectomia 
● Paramonoclorofenol cânforado 
● Tricresol formalina 
● Hidróxido de cálcio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	Características anatômicas: Descrito frequentemente na classificação de Vertucci como Tipo II (1-2-1). A fusão pode ocorrer em qualquer ponto ao longo do terço apical, o uso da TCFC é altamente recomendado. 
	Funções: Assim como o canal bifurcado, não possui uma função fisiológica ativa, mas atua como via anatômica de drenagem ou fluxo inflamatório em casos patológicos. 
	Intercorrências clínicas: 
	Definição: 
	Características anatômicas: 
	 Intercorrências clínicas: 
	Nódulos Pulpares (ou Dentes Pulp Stones) 
	Canal dentinário 
	Canal cementário 
	Considerações Clínicas sobre as Variações Anatômicas dos Canais Radiculares 
	Incisivo Central Superior 
	Incisivo Lateral Superior 
	Incisivos Inferiores 
	Canino Superior 
	Canino Inferior 
	1o Pré-Molar Superior 
	1º Pré-Molar Inferior 
	2º Pré-Molar Inferior 
	1o Molar Superior 
	2o Molar Superior 
	1o Molar Inferior 
	2o Molar Inferior 
	LIGAS METÁLICAS 
	AÇO INOXIDÁVEL 
	LIGA NÍQUEL-TITÂNIO (NiTi) 
	LIGAS NiTi MODIFICADAS 
	Tipos de elasticidade aplicados aos instrumentos: 
	Características Técnicas 
	Modo de Uso 
	Indicação Principal 
	Precauções 
	Usos Adicionais 
	1. Ponta do Instrumento 
	2. Haste de Corte 
	3. Características da Seção Transversal 
	4. Movimentos Possíveis5. Diâmetros e Comprimentos 
	6. Fabricação 
	7. Considerações Clínicas 
	1. Material e Fabricação 
	2. Dimensões 
	3. Geometria de Corte 
	4. Ponta 
	5. Movimento e Aplicação Clínica 
	1. Finalidade 
	2. Seleção Adequada 
	3. Riscos do Uso Incorreto 
	4. Técnica Recomendada (Somma et al.) 
	5. Uso sem Solventes 
	6. Eficiência de Limpeza 
	1. Conceito e Movimento 
	2. Estrutura dos Instrumentos 
	3. Características Técnicas 
	4. Tamanhos e Conicidades 
	5. Cuidados no Uso 
	Exemplo – Instrumento RaCe® (FKG Dentaire, Suíça) 
	1. Definição e Finalidade 
	2. Características Técnicas 
	3. Estrutura 
	4. Ponta do Instrumento 
	5. Parte de Trabalho (Haste de Corte) 
	6. Intermediário 
	7. Modo de Uso 
	Partes do instrumento 
	Aquecimento 
	TIP (ou diâmetro da ponta) 
	TAPER (ou conicidade) 
	Como Saber o Tip e o Taper? 
	Em instrumentos manuais: 
	Importância Clínica 
	Exemplo 2: Lima 30 com Taper 0,06 (rotatória) 
	1. Acidentes Comuns em Canais Curvos: Degraus, Perfurações, Deslocamentos apicais (internos ou externos).​ 
	2. Soluções Tecnológicas 
	3. Técnicas de Alargamento 
	4. Critérios clínicos (não confiáveis) para avaliar preparo: Raspas dentinárias limpas/ Irrigação translúcida/ Paredes com tato liso e uniforme. 
	5. Quando considerar o preparo completo 
	6. Limitações do preparo químico-mecânico 
	Fatores determinantes da eficiência do alargamento: 
	Considerações clínicas: 
	Características do movimento: 
	Tipos de limagem: 
	Considerações clínicas: 
	Fatores que influenciam a eficiência: 
	Segurança e riscos: 
	1. Quanto à anatomia 
	2. Quanto ao diâmetro 
	A classificação se baseia na compatibilidade com instrumentos tipo K: 
	3. Quanto à direção 
	Classificação das Curvaturas 
	Classificação dos Canais Radiculares para Fins Clínicos 
	1. Importância e Controvérsia Clínica 
	2. Diferenças Entre Situações Clínicas 
	3. Região Apical: Zona Crítica 
	4. Estrutura Anatômica Apical 
	5. Dimensões e Variações Anatômicas 
	6. Ponto Ideal de Instrumentação 
	7. Canal Patente 
	PRÉ INSTRUMENTAÇÃO 
	Instrumentação inicial: 
	Canais atresiados: 
	Procedimento: 
	Segmento Cervical 
	Segmento Apical 
	Técnica e Instrumentos Utilizados 
	Limitações e Riscos 
	Importância Clínica do Diâmetro Apical Adequado 
	Benefícios da Ampliação Apical com Maior Diâmetro 
	Recomendações Finais 
	1. Seringas 
	2. Cânulas irrigadoras 
	Seleção por diâmetro (anatomia): 
	Modelos comerciais: 
	3. Hidrodinâmica do irrigante 
	Abertura da cânula influência: 
	4. Fatores que afetam a eficácia: 
	5. Limitações da irrigação simples 
	Conclusão : A irrigação simples é eficaz em canais pouco complexos, mas limitada em regiões apicais e áreas com anatomia irregular. 
	Irrigação/Aspiração Simultânea 
	Pressão Positiva 
	Pressão Negativa 
	Sistema EndoVac™ (SybronEndo) 
	Passos operatórios: 
	Vantagens: 
	Sistema RinsEndo® (Dürr Dental) 
	Desempenho segundo estudos: 
	Métodos Mecânicos de Agitação 
	XP-Endo® Finisher 
	XP Clean 
	Easy Clean 
	Métodos Sônicos de Agitação 
	EndoActivator® 
	Vibringe® 
	EDDY 
	Sistema Multissônico Avançado 
	GentleWave 
	MÉTODOS ULTRASSÔNICOS DE AGITAÇÃO NA IRRIGAÇÃO ENDODÔNTICA 
	1. FINALIDADE DA AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA 
	2. PRINCÍPIO FÍSICO DOS SISTEMAS ULTRASSÔNICOS 
	3. EFEITOS GERADOS 
	4. REGIÕES DE DIFICULDADE DE LIMPEZA 
	AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA PASSIVA (PUI) 
	DEFINIÇÃO 
	PROTOCOLO CLÍNICO 
	EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS 
	LIMITAÇÕES 
	APLICAÇÕES ESPECÍFICAS 
	NOVOS INSERTOS NACIONAIS 
	AGITAÇÃO ULTRASSÔNICA CONTÍNUA (CUI) 
	DEFINIÇÃO 
	EQUIPAMENTOS 
	PROTOCOLO CLÍNICO 
	VANTAGENS 
	CONSIDERAÇÕES FINAIS 
	Principais objetivos dessas substâncias: 
	Formas de apresentação: 
	Conceito químico – Solução: 
	Observação clínica: 
	1. Baixa Tensão Superficial 
	2. Baixa Viscosidade 
	3. Alta Atividade de Solvente de Tecido 
	●​Capacidade de dissolver matéria orgânica, como tecido pulpar necrótico ou vivo. 
	4. Atividade Antimicrobiana 
	5. Atividade Quelante 
	6. Atividade Lubrificante 
	7. Capacidade de Suspensão de Detritos 
	SOLUÇÕES IRRIGANTES 
	BIOCOMPATIBILIDADE 
	Exemplo: Hipoclorito de Sódio a 5,25% 
	IMPORTÂNCIA DA AÇÃO QUÍMICA DURANTE O PREPARO 
	Risco da Omissão: A postura de não empregar substâncias químicas ativas durante o preparo pode, a longo prazo, levar ao fracasso do tratamento endodôntico. É essencial respeitar os tecidos perirradiculares, mas os resultados de testes laboratoriais de toxicidade não podem ser extrapolados diretamente para a clínica. 
	HIPOCLORITO DE SÓDIO (NaOCl) – ORIGEM, COMPOSIÇÃO E IMPORTÂNCIA EM ENDODONTIA 
	1. Origem Industrial e Processos de Obtenção 
	2. CLORO ATIVO E GRAU CLOROMÉTRICO 
	Cálculo do Teor de NaOCl: A fórmula de conversão se baseia na relação entre os pesos moleculares: 
	PROPRIEDADES DO NaOCl DE INTERESSE CLÍNICO 
	COMPORTAMENTO QUÍMICO EM SOLUÇÃO AQUOSA 
	Reação de equilíbrio: NaOCl + H₂O ⇌ Na⁺ + OH⁻ + HOCl 
	ESTABILIDADE E TIPOS DE ALCALINIDADE 
	1. Alcalinidade cáustica (protetora) 
	CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA A PRÁTICA ENDODÔNTICA 
	ATIVIDADE SOLVENTE DO HIPOCLORITO DE SÓDIO 
	ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DO HIPOCLORITO DE SÓDIO 
	FATORES QUE INTERFEREM NAS ATIVIDADES SOLVENTE E ANTIMICROBIANA 
	1. pH: A ação antimicrobiana do NaOCl é maior em pH ácido, pois nesse pH há maior predominância do ácido hipocloroso (HOCl), que é mais ativo que o ânion hipoclorito (OCl–). Por outro lado, a solução de NaOCl é instável em pH ácido, sendo, portanto, armazenada e utilizada em pH alcalino (acima de 10). 
	2. Temperatura: O aumento da temperatura da solução aumenta tanto sua atividade solvente quanto sua atividade antimicrobiana. O aquecimento mais eficaz ocorre dentro do canal radicular, em associação com a agitação ultrassônica. Essa forma de aquecimento é mais vantajosa do que apenas aquecer a seringa ou a solução. 
	3. Presença de matéria orgânica: Em casos de presença de grande quantidade de matéria orgânica (tecido necrótico, biofilme denso), há consumo dos compostos ativos da solução, em especial do cloro livre. Isso reduz sua efetividade ao longo do tempo e torna necessário realizar renovação frequente da solução durante o tratamento. 
	4. Concentração da solução: Quanto maior a concentração da solução de NaOCl, maior sua capacidade solvente e maior sua atividade antimicrobiana. A atividade solvente é mais afetada pela diluição do que a atividade antimicrobiana. 
	Outras Soluções (Água destilada, anestésicos, soro fisiológico) 
	Smear Layer (Lama dentinária) 
	Definição e Características 
	Origem e Composição 
	Morfologia 
	Remoção ou Não da Smear Layer 
	Argumentos Contra a Remoção 
	Argumentos a Favor da Remoção 
	Relação com Selamento e Microinfiltração 
	Métodos de Remoção 
	Irrigação química alternada 
	Agitação da solução 
	Ultrassom 
	●​Promove circulação contínua da solução irrigadora. 
	Laser (Er:YAG)durante a 
vitalidade pulpar. 
Importância clínica: Quando contaminado por necrose 
pulpar ou infecção, pode causar periodontite lateral, 
abscessos e falhas endodônticas se não for 
adequadamente desinfetado. Pode também ser 
responsável por dor pós-operatória. 
Intercorrências: Dificuldade na desinfecção e obturação 
completa. A sua presença pode justificar sintomatologia 
mesmo após tratamento endodôntico aparentemente 
bem-sucedido. 
CANAL SECUNDÁRIO 
Definição: Canal que se origina do canal principal na porção 
apical e termina no forame apical ou em forames 
acessórios. É uma subdivisão do canal principal na porção 
final da raiz. 
Função: Serve como ramificação para a vascularização e 
inervação do terço apical. Durante a necrose, pode facilitar 
a disseminação da infecção ao periodonto apical. 
Importância clínica: Contribui para a complexidade da 
anatomia apical. Deve ser levado em consideração no 
preparo e obturação apical, principalmente em casos de 
delta apical. 
Intercorrências: Desafios na completa limpeza e 
vedamento, o que pode resultar em falha do tratamento se 
houver persistência de biofilme ou necrose nesses ramos. 
CANAL ACESSÓRIO 
Definição: É um termo genérico que engloba todos os 
canais que saem do canal principal em qualquer ponto e se 
comunicam com a superfície externa da raiz, incluindo os 
canais laterais, secundários e colaterais. 
Função: Permite comunicação entre o interior do canal 
radicular e os tecidos periapicais e periodontais. Em dentes 
com polpa vital, participa da troca de fluídos e elementos 
imunológicos. 
Importância clínica: Em dentes necrosados, esses canais 
podem abrigar micro-organismos, sendo uma fonte de 
inflamação crônica. A sua desinfecção adequada é um 
desafio importante. 
Intercorrências: Dificuldade em serem visualizados ou 
preparados. Pode haver extravasamento de material 
durante a obturação, causando inflamação periapical. 
CANAL COLATERAL 
Definição: Canal que se origina do canal principal e percorre 
paralelamente a ele, mas não se comunica com a superfície 
radicular. Pode se reunir novamente ao canal principal ou 
terminar como uma derivação interna. 
Função: Atua como via alternativa de circulação pulpar. Em 
situações de necrose parcial, pode continuar viável, 
mantendo a vitalidade de parte da polpa. 
Importância clínica: Pode dificultar a desinfecção se não for 
adequadamente irrigado e instrumentado, pois pode reter 
restos pulpares ou microrganismos. 
Intercorrências: Dificuldades no preparo químico-mecânico 
e possibilidade de falha na obturação completa. 
INTERCONDUTO 
Definição: Canal que conecta dois canais principais no 
mesmo dente (ex.: raízes com dois canais que se interligam 
em determinado ponto). Frequentemente encontrado em 
raízes mesiais de molares inferiores. 
Função: Permite o intercâmbio de conteúdo entre canais 
vizinhos, contribuindo para a uniformidade da circulação 
pulpar. 
 
Importância clínica: Se não for instrumentado e irrigado 
adequadamente, pode manter tecidos necrosados ou 
contaminados, levando à falha do tratamento. 
Intercorrências: Dificuldade de identificação em exames 
radiográficos. Podem ser detectados por CBCT ou durante o 
uso de lupa/microscópio operatório. 
CANAL RETICULAR 
Definição: Variação mais complexa de canais acessórios, 
formando uma rede (ou "rede reticular") de pequenos 
canais que se comunicam entre si, semelhante a uma teia. 
Função: Facilita a circulação pulpar e pode servir de via de 
escape para secreções inflamatórias. 
Importância clínica: A presença dessa rede anatômica pode 
explicar casos de insucesso endodôntico mesmo quando a 
obturação do canal principal está aparentemente 
adequada. 
Intercorrências: Extremamente difícil de instrumentar e 
irrigar. Exige técnicas avançadas, como irrigação 
ultrassônica ativada e uso de soluções irrigadoras com alta 
penetração. 
CANAL INTERCORRENTE 
Definição: Canal que conecta um canal radicular principal a 
outro de uma raiz diferente. Frequentemente confundido 
com intercôndilo, mas ocorre entre raízes diferentes, não 
no interior da mesma raiz. 
Função: Comunicação pulpar inter-radicular. Pode facilitar a 
extensão da infecção entre raízes em dentes 
multirradiculares. 
Importância clínica: A sua presença pode justificar falhas 
em uma raiz mesmo quando a outra está corretamente 
tratada. 
Intercorrências: Baixa detecção clínica. Pode necessitar de 
imagens por tomografia e de tratamento especial em 
retratamentos. 
CANAL INTER - RADICULAR 
Definição: Canal localizado entre raízes diferentes, 
geralmente se abrindo na região do assoalho pulpar. É mais 
comum em dentes multirradiculares. 
Função: Atua como via de comunicação entre a câmara 
pulpar e o periodonto inter-radicular. 
Importância clínica: Pode ser causa de lesões periodontais 
persistentes. Sua desinfecção requer atenção especial na 
limpeza do assoalho pulpar. 
Intercorrências: Pode passar despercebido em acessos 
coronários mal planejados. Risco aumentado de 
contaminação cruzada entre raízes. 
DELTA APICAL 
Definição: Estrutura que se assemelha a uma ramificação 
do canal principal na forma 
de leque, com várias 
derivações nos últimos 
milímetros da raiz, 
semelhante a um delta de rio. 
Função: Permite a passagem 
de vasos e nervos para o 
interior da polpa na região 
apical. 
Importância clínica: É uma das 
regiões mais difíceis de 
desinfetar e obturar 
completamente. Pode 
ser responsável por 
falhas em tratamentos 
aparentemente 
corretos. 
Intercorrências: Necessidade de preparo apical cuidadoso e 
técnicas de obturação como termoplastificação. Em 
cirurgias apicais, pode ser necessário retratamento 
retrógrado e selamento com MTA ou biocerâmicos. 
VARIAÇÕES 
Canal Bifurcado Fusionado (ou Canal Reunido): 
É uma variação em que o canal principal bifurca-se e depois 
se funde novamente antes de alcançar o forame apical, 
criando um formato de “loop” ou "gota", ou até uma 
morfologia semelhante à letra “U”. 
Características anatômicas: Descrito frequentemente na 
classificação de Vertucci como Tipo II (1-2-1). A fusão pode 
ocorrer em qualquer ponto ao longo do terço apical, o uso 
da TCFC é altamente recomendado. 
Funções: Assim como o canal bifurcado, não possui uma 
função fisiológica ativa, mas atua como via anatômica de 
drenagem ou fluxo inflamatório em casos patológicos. 
Intercorrências clínicas: 
● Risco aumentado de instrumentação incompleta 
em um dos ramos (geralmente o mais fino); 
● Dificuldade de irrigação efetiva — a solução 
irrigadora pode não alcançar ambas as 
ramificações se não houver agitação adequada; 
 
● O selamento apical pode ficar comprometido se 
não for possível adaptar cones ou cimentos a toda 
a extensão do canal; 
● Também pode ser confundido com canais 
acessórios ou canais intercorrentes se o exame 
clínico e radiográfico não for minucioso. 
Canal Bifurcado: 
Definição: 
O canal bifurcado ocorre quando o canal radicular principal 
se divide em dois ramos, geralmente no terço médio ou 
apical da raiz, formando uma espécie de "Y". Essas duas 
ramificações podem manter-se separadas até o final ou 
reconvergirem posteriormente (o que leva ao tipo seguinte: 
bifurcado fusionado). 
Características anatômicas: 
● Pode ocorrer em qualquer dente, mas é mais 
comum em pré-molares superiores e inferiores e 
em raízes mesiais de molares inferiores; 
● A bifurcação pode ser simétrica ou assimétrica; 
● As ramificações geralmente se separam a partir do 
canal principal num ângulo agudo; 
● Muitas vezes não são visíveis em radiografias 
bidimensionais, sendo detectadas com maior 
precisão por meio da tomografia computadorizada 
de feixe cônico (TCFC). 
 
Funções: 
● Não há uma “função fisiológica” clara no adulto, 
pois são reminiscências do desenvolvimento 
embriológico do órgão dental. Podem funcionar 
como vias acessórias de drenagem e comunicação 
com o periodonto, principalmente em dentes com 
necrose pulpar. 
 
 Intercorrências clínicas: 
● Representamum grande desafio para a limpeza e 
desinfecção durante o preparo químico-mecânico; 
● Podem abrigar biofilme bacteriano resistente, 
dificultando a eliminação completa da infecção 
● A obturação pode ser falha se a bifurcação não for 
reconhecida, o que compromete o selamento 
apical; 
● Em casos cirúrgicos, a cirurgia paraendodôntica 
pode ser necessária quando a ramificação se 
comunica com o periodonto. 
FATORES QUE ALTERAM A CAVIDADE PULPAR 
Nódulos Pulpares (ou Dentes Pulp Stones) 
● Definição: Estruturas calcificadas localizadas na 
cavidade pulpar (câmara ou canais radiculares); 
● Formação: Surgem por degeneração celular, 
inflamação, trauma ou com o envelhecimento; 
● Tipos: 
 
○ Livres: soltos dentro da polpa; 
○ Adesos: aderidos à dentina; 
○ Inclusos: completamente incorporados à 
dentina. 
 
● Composição: Matriz calcificada, por vezes com 
células aprisionadas; 
● Aspecto clínico: Podem dificultar o acesso e a 
instrumentação durante o tratamento 
endodôntico; 
● Importância clínica: Geralmente assintomáticos, 
mas importantes durante o acesso endodôntico e 
em pacientes idosos. 
 
Agulhas Cálcicas (ou Calcificações Lineares) 
● Definição: Depósitos finos e alongados de sais de 
cálcio, que seguem o trajeto dos vasos sanguíneos 
no interior da polpa; 
● Formação: Relacionada ao envelhecimento, trauma 
ou irritação crônica; 
● Localização: Principalmente nos canais radiculares, 
acompanhando estruturas vasculares e nervosas; 
● Aspecto histológico: Estruturas lineares finas, 
semelhantes a agulhas, de natureza calcificada; 
● Importância clínica: Podem estreitar o canal 
radicular, dificultando a localização e 
instrumentação. 
Calcificação Distrófica 
● Definição: Tipo de calcificação que ocorre em 
tecidos necrosados ou danificados, 
independentemente do metabolismo normal do 
cálcio; 
● Causa: Lesão tecidual, trauma, necrose pulpar, 
inflamações crônicas; 
● Localização: Pode ocorrer em qualquer parte da 
polpa onde há degeneração, necrose ou 
inflamação crônica; 
● Mecanismo: Precipitação de sais de cálcio em áreas 
de necrose, sem necessidade de alteração na 
concentração sérica de cálcio; 
● Importância clínica: Pode contribuir para a 
obliteração do canal ou formação de nódulos 
calcificados difíceis de remover. 
Reabsorção Dentária Interna 
● Definição: Processo patológico onde há perda 
progressiva da estrutura dentinária a partir da 
parede interna do canal radicular ou da câmara 
pulpar; 
 
● Causa: Traumática, inflamatória ou idiopática (sem 
causa aparente); geralmente está associada a 
polpas inflamadas ainda vitais; 
● Mecanismo: Ativação de clastos (odontoclastos) 
dentro do canal que reabsorvem a dentina; 
● Aspecto radiográfico: Área arredondada e 
uniforme de rarefação localizada dentro do canal, 
com contornos definidos 
● Sintomatologia: Pode ser assintomática ou causar 
dor leve; ocasionalmente detectada em exames de 
rotina; 
● Tratamento: Endodontia imediata para 
interromper o processo e preservar o dente; 
● Importância clínica: Se não tratada, pode levar à 
perfuração da raiz e perda do dente. 
ÁPICE RADICULAR 
O ápice radicular é a extremidade terminal da raiz dentária. 
Sua anatomia é extremamente variável e tem importância 
crítica no sucesso do tratamento endodôntico. Ele abriga: 
● Forame apical principal; 
● Ramificações apicais (canais acessórios, colaterais, 
laterais, etc.); 
● Junção cemento-dentina; 
● Canal cementário (quando presente) 
 
O ápice anatômico raramente coincide com o ápice 
radiográfico, e o forame apical frequentemente se localiza 
ligeiramente desviado do ápice anatômico, o que deve ser 
considerado durante a determinação do comprimento de 
trabalho. 
FORAME APICAL 
É a principal abertura na extremidade do canal radicular, 
por onde passam vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. Ele 
representa o limite natural entre o espaço endodôntico e o 
tecido periapical. 
Importância clínica: A obturação deve terminar o mais 
próximo possível da junção cemento-dentina (JCD), que se 
localiza cerca de 0,5 a 1 mm antes do forame apical, pois 
além dali há maior risco de extrusão de materiais e irritação 
tecidual. 
JUNÇÃO CEMENTO DENTINA (JCD) 
A JCD é a região de transição entre a dentina do canal e o 
cemento radicular. É o ponto onde geralmente termina o 
tecido pulpar e começa o tecido periodontal. 
Desafios clínicos: 
● É impossível de visualizar clinicamente ou 
radiograficamente, por isso, o término do preparo 
e da obturação é estimado a 1 mm do ápice 
radiográfico; 
● Representa o ponto ideal para o limite apical da 
instrumentação e obturação. 
RAMIFICAÇÕES APICAIS 
Incluem os canais acessórios, colaterais, inter-radiculares, 
reticulares, delta apical, entre outros. Essas estruturas 
formam uma rede complexa e variável de canais 
secundários. 
Estudos morfológicos (Vertucci, 1984; De Deus, 1975) 
mostram que: 
● Ramificações apicais estão presentes em mais de 
30-40% dos dentes; 
● O delta apical é uma ramificação em forma de 
rede, com múltiplas aberturas apicais. 
Implicações clínicas: 
● Dificuldade na instrumentação e desinfecção 
completa; 
● Podem abrigar biofilmes bacterianos resistentes à 
irrigação 
● Explicam a ocorrência de dor ou falha 
pós-tratamento, mesmo com boa obturação do 
canal principal. 
CANAL DENTINÁRIO E CANAL CEMENTÁRIO 
Canal dentinário 
É o canal principal que percorre a dentina da raiz. Sua 
parede é formada por dentina e pode apresentar 
comunicação com canais acessórios. 
Canal cementário 
Termo usado para descrever prolongamentos do canal 
principal no interior do cemento radicular. É mais comum 
em dentes com formação radicular incompleta ou com 
anatomias atípicas. Ainda é uma área controversa e pouco 
documentada histologicamente. 
O cemento pode apresentar canais acessórios verdadeiros 
ou fendas que conectam o canal principal ao ligamento 
periodontal, dificultando o selamento apical. 
CEMENTO 
Tecido mineralizado que recobre a superfície externa da 
raiz dentária. Existem dois tipos principais: 
1. Cemento acelular (mais cervical); 
2. Cemento celular (mais apical). 
Funções: 
● Fixação das fibras periodontais; 
● Proteção da dentina radicular; 
● Participação em reparos apicais. 
DENTINA 
 
A dentina radicular constitui o corpo da 
raiz e forma a maior parte da estrutura 
dentária. É permeada por túbulos 
dentinários que podem servir como 
rota de invasão bacteriana caso 
expostos. 
Os túbulos dentinários se tornam 
relevantes em casos de infiltração ou 
contaminação crônica, funcionando 
como reservatórios microbianos. 
ANATOMIA INTERNA DOS DENTES 
Considerações Clínicas sobre as Variações Anatômicas dos 
Canais Radiculares 
Incisivo Central Superior 
● Normalmente apresenta raiz única com canal reto 
e amplo. Canais múltiplos são raros, mas há relatos 
de incisivos com dois, três ou quatro canais; 
● O tratamento endodôntico geralmente é simples, 
exceto em casos de rizogênese incompleta, 
calcificação ou traumatismo; 
● A câmara pulpar é estreita no sentido 
vestibulopalatino, com risco de perfuração na face 
vestibular durante o acesso coronário; 
● O forame apical normalmente se localiza entre 0,5 
a 1 mm do ápice anatômico 
● Canais acessórios são comuns, principalmente no 
terço apical, mas frequentemente têm diâmetro 
menor que 0,1 mm; 
● O ombro palatino deve ser removido para um 
acesso direto ao canal radicular; 
● O ápice radicular pode ter curvatura abrupta para 
vestibular, não identificável radiograficamente; 
● Os eixos da coroa e da raiz não coincidem, 
exigindo cuidado para evitar perfuração durante o 
acesso coronário. 
Incisivo Lateral Superior 
● Menor que o incisivo central, apresenta raiz única e 
um canal amplo. Canais múltiplos são raros; 
● Pode apresentar anomalias anatômicas como 
fusão, geminação, sulcos radiculares, dens 
invaginatus e canais em C ou S; 
● A raiz é ligeiramente cônica, com curvatura apical 
em direção disto palatina, podendo causar 
degraus, transporte ou perfuraçãodurante o 
preparo; 
● Seção transversal do canal varia de ovalada na 
porção cervical a arredondada no terço apical; 
● O ombro palatino deve ser removido para melhor 
acesso ao canal radicular; 
● O ápice radicular pode estar próximo à cavidade 
nasal, exigindo cuidado durante procedimentos 
cirúrgicos. 
Incisivos Inferiores 
● São os menores dentes permanentes e 
normalmente têm raiz única; 
● Podem apresentar um ou dois canais (vestibular e 
lingual), sendo a presença de dois canais mais 
comum no incisivo lateral; 
● A maior prevalência de curvatura apical ocorre no 
sentido distolingual; 
● Seção transversal oval ou achatada, com maior 
diâmetro vestibulolingual; 
● Se houver dois canais, é necessária a remoção do 
ombro lingual para acesso adequado; 
● O ápice radicular está próximo da tábua óssea 
lingual, dificultando procedimentos cirúrgicos. 
Canino Superior 
● Maior dente permanente, com raiz única e um 
canal; 
● Canal radicular reto e longo, exigindo instrumentos 
acima de 25 mm; 
● Seção transversal oval em toda a extensão do 
canal; 
● Ápice radicular cônico e fino, podendo se curvar 
abruptamente; 
● Morfologia raramente varia, e a presença de canais 
acessórios é menos frequente que nos incisivos 
superiores; 
● O ombro palatino deve ser removido para um 
acesso direto ao canal; 
● O ápice está próximo à cavidade nasal, exigindo 
cuidado em procedimentos cirúrgicos. 
Canino Inferior 
● Normalmente apresenta raiz única e um canal, 
mas pode ter duas raízes e dois canais; 
● Menor que o canino superior em todas as 
dimensões; 
● Raiz alongada no sentido vestibulolingual, 
frequentemente com curvatura apical; 
● Canal radicular oval ou achatado 
mesiodistalmente; 
● O ombro lingual deve ser removido para acesso 
adequado. 
1o Pré-Molar Superior 
● Geralmente tem duas raízes e dois canais, 
podendo ter três raízes em 6% dos casos; 
● Orifícios dos canais vestibulares podem ser 
pequenos e exigir maior ampliação do acesso; 
● Concavidade radicular na porção mesial aumenta o 
risco de perfuração lateral; 
● A porção apical pode ser fina e curva, aumentando 
o risco de perfuração; 
● Próximo ao seio maxilar, necessitando precauções 
cirúrgicas. 
 
2o Pré-Molar Superior 
● Semelhante ao primeiro pré-molar, normalmente 
com raiz única e canal único; 
● Pode ter dois ou três canais separados ou 
conectados por istmos; 
● Curvatura apical comum, e canais acessórios são 
menos prevalentes que nos incisivos. 
1º Pré-Molar Inferior 
● Normalmente possui uma raiz única e um canal 
principal de seção ovalada no sentido 
vestibulolingual; 
● Em cerca de 30% dos casos, pode apresentar dois 
canais, e ocasionalmente três canais (dois 
vestibulares e um lingual), o que pode dificultar sua 
localização e preparo; 
● O segundo canal, quando presente, tende a 
divergir do principal em um ângulo agudo, exigindo 
adequação na forma de acesso coronário; 
● Canais em forma de C podem ser encontrados em 
aproximadamente 14% dos casos, com duas saídas 
foraminais; 
● Há risco de perfuração devido à concavidade 
radicular na região mesial, principalmente em 
preparos excessivos; 
● O forame mentual pode estar localizado próximo 
ao ápice do primeiro pré-molar inferior, o que 
exige cautela em cirurgias parendodônticas. 
2º Pré-Molar Inferior 
● Geralmente apresenta uma raiz única e um canal 
central, sendo morfologicamente mais previsível 
do que o primeiro pré-molar inferior; 
● A seção transversal do canal é oval no terço 
cervical e médio, tornando-se mais arredondada 
na porção apical; 
● A presença de dois canais é rara, mas pode 
ocorrer. Quando presente, o canal lingual 
frequentemente diverge do canal principal em 
ângulo agudo; 
● A curvatura apical é comum e pode dificultar o 
preparo do canal radicular; 
● Na sua porção apical, pode haver deposição 
secundária de cemento, o que pode influenciar no 
tratamento endodôntico 
1o Molar Superior 
● Geralmente tem três raízes e três ou quatro canais; 
● Raiz palatina volumosa, frequentemente com 
curvatura vestibular; 
● Raiz mesiovestibular pode ter dois canais 
conectados por istmo; 
● Concavidade distal da raiz mesiovestibular pode 
aumentar o risco de perfuração; 
● Próximo ao seio maxilar, podendo causar infecção 
sinusal. 
2o Molar Superior 
● Semelhante ao primeiro molar, mas com raízes 
mais curtas e mais tendência à fusão radicular; 
● Pode ter três ou quatro canais, com orifícios 
frequentemente alinhados em linha reta. 
1o Molar Inferior 
● Normalmente tem duas raízes e três ou quatro 
canais; 
● Raiz mesial frequentemente tem dois canais que 
podem se unir apicalmente; 
● Mais de 25% das raízes distais têm dois canais; 
● Pode apresentar radix entomolaris (terceira raiz 
distolingual); 
● Múltiplas foraminas podem existir na região de 
furca. 
2o Molar Inferior 
● Similar ao primeiro molar, mas com raízes mais 
curtas e tendência à fusão; 
● Pode apresentar canal em forma de C; 
● Ápice próximo ao canal mandibular, exigindo 
atenção para evitar trauma mecânico ou químico 
nos tecidos perirradiculares. 
 
ACESSO CORONÁRIO 
O tratamento endodôntico é composto por três etapas 
básicas: acesso coronário, preparo químico-mecânico e 
obturação dos canais radiculares. O acesso coronário é a 
fase inicial e essencial, pois sua correta execução influencia 
diretamente o sucesso das etapas seguintes. 
O acesso coronário consiste na preparação de uma 
cavidade na coroa do dente para expor a câmara pulpar e 
permitir o tratamento dos canais radiculares. Essa etapa 
inclui a remoção do teto da câmara pulpar, limpeza, 
antissepsia e identificação dos orifícios dos canais. Erros 
nessa fase podem dificultar o tratamento, tornando os 
canais inoperáveis e favorecendo infecções secundárias. 
A anatomia da cavidade pulpar deve ser bem 
compreendida para evitar falhas, como permanência de 
restos pulpares que podem levar ao escurecimento 
dentário ou dificultar a localização dos canais. O 
treinamento pré-clínico em dentes extraídos é 
recomendado para aprimorar a técnica, sempre 
observando os princípios de biossegurança. 
PRINCÍPIOS BÁSICOS GERAIS 
Antes de iniciar as manobras operatórias do acesso 
coronário, é fundamental observar alguns princípios 
básicos. Juntamente ao exame clínico, tomadas 
radiográficas periapicais, realizadas pela técnica do 
paralelismo, preferencialmente em dois ângulos, podem ser 
uma ferramenta auxiliar importante para o planejamento 
 
da realização do acesso. Tal procedimento poderá fornecer 
informações preciosas, como a inclinação do dente, a 
presença e a extensão de cáries, a localização dos cornos 
pulpares, a presença de calcificações, a relação do teto com 
a câmara pulpar, a localização da entrada dos canais, o 
número de canais, curvaturas, lesões perirradiculares e 
outras estruturas anatômicas. 
Além disso, o exame radiográfico poderá, ainda, contribuir 
na análise da espessura da estrutura dentária (esmalte e 
dentina) a ser desgastada para se atingir a câmara pulpar e, 
assim, visualizar a presença de perfurações e danos ao 
assoalho que, porventura, tenham sido provocados 
previamente. 
Algumas medidas preliminares básicas devem ser tomadas 
antes de iniciar o acesso propriamente dito: 
A. Verificar a inclinação do dente e das raízes no arco 
dentário; 
B. Remoção de toda dentina cariada e das 
restaurações que impeçam o adequado acesso aos 
canais radiculares; 
C. Alisar as superfícies pontiagudas dos dentes, que 
possam interferir na colocação do lençol de 
borracha e facilitar a realização do isolamento 
absoluto; 
D. Remover todos os planos inclinados da coroa, que 
possam interferir no estabelecimento correto de 
referências externas, para a futura instrumentação 
e obturação dos canais radiculares; 
E. Estabelecer a área de eleição adequada de acordo 
com as características anatômicas do elemento 
dentário. 
ETAPAS OPERATÓRIAS 
Acesso à câmara pulpar: 
Esta etapa se inicia com o estabelecimento de uma área de 
eleição,confecção de uma forma de contorno inicial e 
direção de trepanação. 
A área de eleição é o ponto escolhido para ser iniciado o 
desgaste do dente. Nos incisivos e caninos superiores, fica 
na face palatina, 1 a 2 mm abaixo do cíngulo; nos inferiores, 
na face lingual, 1 a 2 mm acima do cíngulo; nos pré-molares 
e molares, na face oclusal, junto à fossa central em ambos 
os arcos. 
A forma de contorno inicial é a obtida partindo do ponto de 
eleição, normalmente utilizando brocas 1557 ou similares, 
operando em motor de alta rotação, sob refrigeração 
adequada, com uma velocidade lenta, dando uma 
conformação apropriada à cavidade e procurando respeitar 
a anatomia interna do dente. O uso de velocidade lenta 
permite melhor controle operatório e evita a realização do 
desgaste excessivo da estrutura dental sadia. Esse cuidado 
objetiva evitar o enfraquecimento desnecessário da 
estrutura do dente e o comprometimento da sua futura 
restauração e resistência à fratura. 
O operador deve tomar cuidado para realizar o corte em 
área e direção corretas, apical e lateralmente, sem forçar a 
broca, com toques leves e suaves. 
Essa penetração inicial deve ser estendida para o interior 
do dente, em direção à câmara pulpar, reduzindo a 
espessura da dentina, contudo, sem atingir a remoção do 
seu teto, respeitando a forma de contorno padrão de cada 
grupo dental. 
Uma medida preventiva importante é que durante essa 
manobra, antes de se remover o teto da câmara pulpar, 
toda dentina cariada seja removida, mesmo que isso 
envolva outras faces do dente. 
Após a penetração e o desenho da forma de contorno 
inicial, com a broca 1557 ou, de preferência, com uma 
broca esférica diamantada de tamanho compatível com a 
cavidade (1011, 1012, 1013 e 1014), deve-se, agora, atingir o 
teto e penetrar no interior da câmara pulpar. 
Essa manobra, conhecida como trepanação da câmara 
pulpar, deve, em condições normais, obedecer à inclinação 
e à direção de acordo com cada grupo dental. 
 Inicialmente, nos incisivos e caninos, superiores e 
inferiores, a broca é posicionada perpendicularmente ao 
longo eixo do dente. Após a penetração, e quando a 
configuração inicial estiver delimitada, a posição da broca 
deve ser alterada para o sentido paralelo ao longo eixo do 
dente, até atingir o interior da câmara pulpar, realizando a 
trepanação. 
Nos pré-molares e molares, a broca é posicionada, desde o 
estabelecimento do ponto de eleição, paralelamente ao 
longo eixo do dente e em direção ao canal mais volumoso 
(p. ex., distal dos molares inferiores, palatino dos molares 
superiores), para realizar a trepanação. Nos casos em que a 
polpa é mais volumosa, durante a penetração na câmara 
pulpar, o operador pode ter a sensação de “cair no vazio”. 
No entanto, nos casos em que a câmara está bem 
calcificada, essa sensação tátil poderá diminuir ou não ser 
percebida. Uma radiografia interproximal poderá fornecer 
detalhes sobre a profundidade procurada para penetrar no 
interior da câmara pulpar. 
Tecnicamente, esse procedimento poderá sofrer 
modificações em função da presença de cárie, calcificações, 
deposição de dentina secundária ou terciária, fraturas 
coronárias e variações morfológicas e de posição do dente 
no arco dentário. 
A e B: Brocas que podem 
ser utilizadas para 
abertura e refinamento do 
acesso coronário; 
C: Detalhe em maior 
aumento das brocas Endo 
Z e 4083 evidenciando a ponta inativa dos instrumentos 
 
para a proteção do assoalho da câmara pulpar durante a 
fase de refinamento do acesso coronário. 
Nos casos em que há dificuldade de planejar a 
profundidade de câmaras pulpares atrésicas e/ou 
calcificadas, recomenda-se verificar a profundidade por 
meio de uma radiografia interproximal (bite-wing) e 
transportar a medida para a broca, com o uso de um cursor 
de borracha. 
A: Radiografia inicial. Seta 
mostrando área radiolúcida 
correspondente ao 
desgaste excessivo na 
direção vestibular da coroa 
do incisivo superior 
esquerdo; 
B e C: Setas evidenciando a 
remoção excessiva do 
suporte dentinário da câmara 
pulpar causada pelo desvio 
durante a manobra da abertura coronária, vistas vestibular 
e palatina, respectivamente; 
D: Aberturas coronárias corretas seguindo o longo eixo dos 
dentes incisivos central e lateral superiores esquerdos. 
PREPARO DA CÂMARA PULPAR 
Após a colocação do isolamento absoluto e antissepsia do 
campo operatório, inicia-se a preparação da câmara pulpar. 
Essa etapa consiste na remoção de todo restante da parede 
do teto e no preparo das paredes laterais da câmara 
pulpar. Para essa manobra, podem ser utilizadas brocas 
esféricas e troncas cônicas diamantadas de pontas inativas 
(Endo Z, 3081, 3082, 3083, ou 4081, 4083). 
Ao se utilizarem as brocas esféricas, elas devem ser 
trabalhadas no sentido de dentro para fora, sem tocar no 
assoalho da câmara. As brocas de corte ativo não devem 
tocar o assoalho, pois, além do risco de causar alterações 
na morfologia, podem obliterar as entradas dos canais 
radiculares, dificultando sua futura localização e 
penetração. 
Preferencialmente, devemos utilizar as brocas sem corte na 
ponta, que podem ser apoiadas no assoalho da câmara, 
sem o risco de causar danos. Permitem realizar um 
desgaste lateral da cavidade pulpar, percorrendo todos os 
seus ângulos, produzindo uma ligeira expulsividade nas 
suas paredes. 
Caso haja a necessidade de trabalhar o assoalho, quando 
ele apresentar calcificações, nódulos ou for atingido por 
processos de cárie muito avançados, deve-se antes explorar 
e tentar localizar as entradas dos canais radiculares. O uso 
de brocas esféricas de baixa rotação, broca tipo LN e de 
insertos ultrassônicos especiais de diferentes formas e 
tamanhos poderão ser extremamente úteis para romper 
calcificações e auxiliar a localizar o orifício de entrada do 
canal. 
Broca LN esférica que poderá ser utilizada, em baixa 
rotação, com os mesmos 
objetivos descritos acima 
para os insertos 
ultrassônicos. 
A a C: Sequência de fotos 
mostrando a utilização de 
inserto ultrassônico (seta) 
para auxiliar na localização 
do canal palatino 
calcificado do pré-molar 
superior. 
D: Instrumento 
endodôntico tipo K no 10 inserido no canal palatino após a 
remoção do tecido calcificado pela ponta ultrassônica. 
 
A. Radiografia inicial evidenciando a presença de 
nódulo pulpar no interior da câmara pulpar do 
segundo molar superior; 
B. Vista oclusal da restauração metálica; 
C. Aspecto da estrutura dentária após remoção 
completa da restauração metálica; 
D. Vista oclusal da forma de contorno do acesso 
coronário com a presença do nódulo pulpar; 
E. Aspecto do nódulo pulpar após o seu 
deslocamento da cavidade pulpar; 
F. Forma de contorno do acesso coronário após 
remoção do nódulo pulpar; 
G. Instrumento endodôntico localizando a entrada do 
segundo canal da raiz mesiovestibular (MV2); 
H. Aspecto final da cavidade (forma de conveniência). 
Observar o acesso direto aos canais da raiz 
mesiovestibular (MV1 e MV2), canal distovestibular 
(DV) e canal palatino (P). 
Uma sonda endodôntica tipo Rhein, ou mesmo um 
instrumento endodôntico de pequeno calibre, pode ser 
utilizado para auxiliar e manter os orifícios de entrada dos 
canais sempre visíveis. Lavagens intermitentes, durante o 
preparo, com uso de solução irrigadora, são altamente 
recomendáveis, porque auxiliam a manter o campo limpo. 
Cuidados devem ser tomados para evitar forçar o conteúdo 
da câmara pulpar para o interior do canal radicular. As 
projeções e os restos do teto da câmara, além de poderem 
dificultar o posterior acesso ao canal radicular, podem 
abrigar dentina cariada, detritos, biofilme bacteriano, 
sangue e outros elementos capazes de ocasionar a 
contaminação do canal, além do risco de alterar a cor da 
coroa dentária. 
 Sonda endodôntica tipo Rhein utilizada para auxiliar na 
localização da entrada dos canais. 
 
FORMA DE CONVENIÊNCIA 
Essa etapa operatória é realizada com a intenção de dar 
uma conformidadeà cavidade pulpar e facilitar outros 
procedimentos operatórios. Poderão ser utilizadas brocas 
diamantadas em forma de chama de vela, tipo 1111, brocas 
tronco-cônicas de ponta inativa (Endo Z, 3081, 3083, 4083) 
ou insertos ultrassônicos de diversos formatos, com ou sem 
diamantes. 
A forma de conveniência visa: 
● Facilitar o franco acesso dos instrumentos 
endodônticos ao canal radicular; 
● Possibilitar a visualização e dar linhas diretas às 
paredes da cavidade pulpar em direção às 
entradas dos canais (acesso direto e reto aos 
canais); 
● Permitir que a cavidade adquira paredes lisas e 
planas, para favorecer a visualização adequada dos 
orifícios de entrada dos canais radiculares; 
● Simplificar todas as manobras operatórias de 
instrumentação e de obturação dos canais 
radiculares. 
LIMPEZA E ANTISSEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO 
Esta etapa é essencial para que se inicie o tratamento dos 
canais radiculares. Todo tecido cariado, placa bacteriana, 
cálculo, gengiva hiperplásica, restaurações imperfeitas ou 
qualquer outra condição que impeça a manutenção da 
cadeia asséptica devem ser rigorosamente removidos. 
Esse cuidado deve ser realizado antes de se iniciarem os 
procedimentos de acesso coronário. 
Logo após a realização da trepanação, o dente receberá o 
isolamento absoluto. Em seguida, com o auxílio de uma 
gaze estéril, embebida em solução de hipoclorito de sódio 
em uma concentração entre 2,5 e 5,25% (ou clorexidina a 
2% ou álcool iodado), realiza-se a descontaminação do 
campo operatório, incluindo lençol de borracha, grampo e 
dente. 
Após a antissepsia do campo operatório, lavagens 
frequentes da câmara pulpar com solução irrigadora 
antimicrobiana devem ser realizadas durante todas as 
etapas do acesso e localização da entrada dos canais 
radiculares. Essas medidas são fundamentais para garantir 
a limpeza e a desinfecção da cavidade pulpar, evitar 
alteração cromática da coroa e prevenir que fragmentos de 
esmalte, dentina, amálgama, metais restauradores, 
cimentos e outros materiais sejam inadvertidamente 
introduzidos no interior do canal radicular. 
A quebra da cadeia asséptica, durante toda ou qualquer 
fase operatória, poderá comprometer gravemente os 
resultados do tratamento, 
favorecendo uma infecção 
secundária e contribuir 
substancialmente para o 
fracasso do tratamento endodôntico. 
O acesso coronário poderá sofrer alterações futuras na sua 
forma de contorno e/ou configuração final à medida que o 
procedimento de instrumentação seja iniciado. Essas 
retificações visam melhorar e aprimorar a qualidade do 
acesso para facilitar tanto a instrumentação quanto os 
futuros procedimentos de obturação. 
Além disso, poderá auxiliar na melhora da qualidade do 
fluxo e refluxo da solução irrigadora e aumentar a 
segurança do uso de instrumentos endodônticos durante a 
modelagem dos canais radiculares. 
ACESSO CORONÁRIO DOS GRUPOS DENTÁRIOS 
INCISIVOS E CANINOS SUPERIORES 
Área de eleição 
● Área mais central da superfície palatina, próxima 
do cíngulo. 
Direção de trepanação 
● A penetração inicial é realizada com a broca 
operada perpendicularmente à linha do longo eixo 
do dente. Penetra-se, em profundidade, em toda a 
espessura do esmalte. Posteriormente, modifica-se 
a direção de sua inclinação, de modo que ela fique 
paralela ao longo do eixo do dente, aprofundando 
alguns milímetros, diminuindo a espessura da 
dentina em direção à câmara sem, contudo, nela 
penetrar. 
Forma de contorno inicial 
● Triangular regular, com a base voltada para incisal 
e o vértice voltado para o cíngulo. A forma de 
contorno inicial estende-se 2 a 3 mm da borda 
incisal e aproximadamente 2 mm em direção ao 
cíngulo. Nos caninos superiores, particularmente, 
pode ser necessária maior extensão no sentido 
cervicoincisal, por causa da presença do divertículo 
central, o qual é voltado em direção à cúspide. Essa 
característica anatômica pode conferir aos caninos 
superiores uma forma lanceolada ou de chama de 
vela. Em seguida, com a broca posicionada e 
mantida paralela ao longo do dente, realiza-se a 
trepanação. 
Preparo da câmara pulpar 
● Remoção completa do teto e preparo das paredes 
vestibular e palatina da câmara pulpar, 
trabalhando com a broca de dentro para fora. 
Remove-se os divertículos pulpares e 
complementa-se, tanto quanto possível, a forma 
de contorno inicial. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
 
● Remoção das anfractuosidades, regularização e 
alisamento dos ângulos mesial e distal do vértice 
da câmara pulpar, remoção da projeção dentinária 
na região do cíngulo, proporcionando, ao final do 
preparo, um acesso direto e amplo ao canal. 
Limpeza e antissepsia da cavidade 
● Seguir de acordo com as normas gerais descritas 
 
A e B: Vistas 
vestibular e palatina 
do incisivo central 
superior; 
C e D: Fotografia e 
radiografia com a 
broca em posição perpendicular ao longo eixo do dente no 
início do procedimento da abertura endodôntica; 
E e F: Fotografia e radiografia com a broca em posição 
paralela ao longo eixo do dente para se obter acesso direto 
ao canal radicular; 
G e H: Vistas palatina e oclusal do aspecto final da cavidade 
(forma de conveniência). 
A: Broca 
carbide 1557 
posicionada no 
ponto de 
eleição da face 
palatina do incisivo central superior durante a fase inicial do 
acesso coronário; 
B e C: Vistas oclusais do aspecto final do acesso coronário 
do incisivo superior. 
PRÉ MOLARES SUPERIORES 
Área de eleição 
● Área central da superfície oclusal, junto à fossa 
central. 
Direção de trepanação 
● Vertical, paralela ao longo eixo do dente. 
Forma de contorno inicial 
● Forma cônico-ovoide, achatada no sentido 
mesiodistal, com extensões maiores de preparo no 
sentido vestibulopalatino. Remove-se toda a 
dentina cariada restante, se ainda existente, de 
acordo com as normas gerais descritas. Logo a 
seguir, com a broca operando paralelamente ao 
longo eixo do dente, realiza-se a trepanação do 
teto da câmara pulpar, no sentido do canal 
palatino. No caso da presença de um único canal, o 
local será central, ligeiramente inclinado em 
direção ao corno pulpar palatino. 
Preparo da câmara pulpar 
● Realizam-se a remoção completa do teto e o 
preparo das paredes laterais da câmara pulpar. 
Complementa-se, tanto quanto possível, a forma 
cônica elíptica achatada no sentido mesiodistal da 
cavidade pulpar. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
● Com o auxílio de uma sonda endodôntica tipo 
Rhein ou de um instrumento endodôntico tipo K de 
diâmetro compatível com o do orifício de entrada 
do canal (6, 8, 10 ou 15), observam-se a direção e a 
inclinação com a sua exploração inicial. A seguir, 
verifica-se a necessidade de realização de 
desgastes compensatórios, a fim de permitir um 
acesso reto e direto ao canal ou canais radiculares. 
Limpeza e antissepsia da cavidade 
● De acordo com as normas gerais descritas 
A. Vista oclusal 
do pré-molar 
superior; 
B. Broca no 
centro da superfície 
oclusal evidenciando 
o ponto de eleição para o início do acesso 
coronário; 
C. Rompimento do teto da câmara pulpar que 
normalmente se inicia pelo lado palatino nos 
pré-molares superiores; 
D. Vista oclusal do aspecto final da cavidade (forma 
de conveniência). Observar as entradas dos canais 
vestibular e palatino. 
A. Corte 
longitudinal do 
pré-molar superior. 
Observar câmara 
pulpar com os seus 
divertículos 
vestibular (1) e palatino (2), onde se alojam os 
cornos pulpares vestibular e palatino, 
respectivamente; 
B. Broca esférica em posição para a remoção do teto 
da câmara pulpar; 
C. Aspecto final da cavidade (forma de conveniência) 
evidenciando a remoção do teto da câmara para se 
obter o acesso direto aos canais radiculares. 
 
 
A. Vista oclusal dos pré-molares superiores 
apresentando lesões cariosas; 
B. Radiografia bite-wing mostrando que as lesões 
cariosas são maiores do que aparentavam no 
exame clínico; 
C. Aspecto das cavidadesde acesso que tiveram as 
suas formas de contorno alteradas por causa da 
extensão das lesões cariosas; 
D. Radiografias evidenciando a obturação dos canais 
radiculares. 
 
A. Radiografia inicial evidenciando a dificuldade do 
acesso à câmara pulpar e aos canais radiculares do 
segundo pré-molar superior esquerdo; 
B. Vista oclusal do segundo pré-molar superior 
esquerdo; 
C. Aspecto inicial do acesso coronário; 
D. Aspecto inicial da forma de contorno do acesso 
coronário; 
E. Radiografia de odontometria; 
F. Aspecto final do acesso coronário; 
G. Radiografia final evidenciando detalhes da 
obturação dos canais radiculares; 
H. Controle radiográfico de 14 meses após a 
conclusão do tratamento endodôntico. 
MOLARES SUPERIORES 
Área de eleição 
● Na superfície oclusal, no centro da fossa mesial. 
Direção de trepanação 
● Vertical, paralela ao longo eixo do dente. 
Forma de contorno inicial 
● Triangular, com a base voltada para vestibular e o 
vértice voltado para a palatina;. 
● A forma de contorno inicia-se no centro da fossa 
mesial, próximo à cúspide mesiovestibular; 
● Desse ponto, segue em direção distal, até 
ultrapassar o sulco oclusovestibular; 
● Posteriormente, continua em direção palatina, 
atravessa a fossa central, para se unir novamente 
ao ponto inicial junto à cúspide mesiovestibular; 
● Assim, obtém-se uma forma triangular irregular 
ampla; 
● A seguir, aprofunda-se a penetração da broca, 
operada paralelamente ao longo eixo do dente; 
● No momento da trepanação, a broca deverá 
mudar um pouco sua posição e ser colocada com 
ligeira inclinação na direção do canal palatino. 
Preparo da câmara pulpar 
● Remoção completa do teto e preparo das paredes 
laterais da câmara pulpar. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
● Observando os critérios anatômicos de 
normalidade, deve-se reproduzir a anatomia da 
câmara pulpar e o número de canais dos molares 
superiores; 
● O primeiro molar é o mais volumoso e possui, 
quase sempre, quatro canais, sendo dois 
localizados na raiz mesiovestibular; 
● O canal localizado mais próximo da cúspide 
mesiovestibular recebe o mesmo nome da cúspide, 
também sendo chamado MV1; 
● O canal situado mais para a palatina é denominado 
mesiopalatino ou MV2; 
● As raízes distovestibular e palatina apresentam, 
normalmente, cada uma, um único canal: o 
distovestibular e o palatino, respectivamente. Em 
função das variações anatômicas, o primeiro molar 
superior poderá apresentar, com menor 
frequência, três ou, muito raramente, até cinco 
canais; 
● Estudos recentes com tomografia 
computadorizada têm revelado uma grande 
variação no número de canais dos molares 
superiores. 
Limpeza e antissepsia 
da cavidade 
● De acordo com 
as normas 
gerais 
descritas. 
A. Vista oclusal do 
primeiro molar 
superior; 
B. Broca na fossa mesial da superfície oclusal 
evidenciando o ponto de eleição para o início do 
acesso coronário; 
C. Forma de contorno da cavidade de acesso; 
D. Rompimento do teto da câmara pulpar que 
normalmente se inicia pelo lado palatino nos 
molares superiores; 
E. Vista oclusal do aspecto final da cavidade (forma 
de conveniência). Observar o acesso direto aos 
canais da raiz mesiovestibular (MV1 e MV2), canal 
distovestibular (DV) e canal palatino (P). 
 
 
A. Vista oclusal de um terceiro molar superior; 
B. Broca na fossa mesial da superfície oclusal 
evidenciando o ponto de eleição para o início do 
acesso coronário; 
C. Rompimento do teto da câmara pulpar que 
normalmente se inicia pelo lado palatino nos 
molares superiores; 
D. Broca com ponta inativa para finalizar a remoção 
do teto da câmara pulpar sem risco de lesar o seu 
assoalho; 
E. Sonda endodôntica tipo Rhein localizando a 
entrada do canal distovestibular; 
F. Instrumento endodôntico localizando a entrada do 
segundo canal da raiz mesiovestibular (MV2); 
G. Vista oclusal do aspecto final da cavidade (forma 
de conveniência). Observar o acesso direto aos 
canais da raiz mesiovestibular (MV1 e MV2), canal 
distovestibular (DV) e canal palatino (P). 
A. Primeiro molar superior com cinco canais; 
B. Radiografia da obturação dos canais radiculares 
evidenciando dois 
canais na raiz mesial, 
dois na raiz palatina e 
um canal na raiz distal. 
Observar formas de 
contorno e 
conveniência 
assumidas pela remoção 
da restauração anterior e 
posição dos canais 
radiculares. 
Acessos coronários de molares superiores. 
A. Radiografia do primeiro molar superior direito 
mostrando extensa lesão cariosa; 
B. Acesso coronário com a forma de contorno 
alterada em função da remoção total do tecido 
cariado; 
C. Pós-operatório imediato; 
D. Proservação com 3 anos. 
A. Radiografia inicial do segundo molar superior; 
B. Vista oclusal evidenciando a estrutura coronária 
remanescente coberta por restauração temporária; 
C. Aspecto inicial da forma de contorno do acesso 
coronário; 
D. Inserto ultrassônico auxiliando na forma de 
contorno e conveniência do acesso coronário para 
facilitar os procedimentos operatórios do 
tratamento endodôntico; 
E. Aspecto final do acesso coronário; 
F. Aspecto radiográfico final do tratamento 
endodôntico. 
INCISIVOS E CANINOS INFERIORES 
Área de eleição 
● Área mais central da superfície lingual, próxima do 
cíngulo. 
Direção de trepanação 
● É realizada em duas manobras: 
● Primeiramente a penetração inicial é operada com 
a broca de forma perpendicular à linha do longo 
eixo do dente. Penetra-se em profundidade em 
toda a espessura do esmalte; 
● Posteriormente, modifica-se a direção da broca, 
situada ainda no mesmo ponto central inicial, 
operando agora na direção paralela ao longo eixo 
do dente, aprofundando alguns milímetros em 
direção à câmara pulpar, sem nela penetrar. 
Forma de contorno inicial 
● Triangular, com a base voltada para incisal e o 
vértice voltado para o cíngulo; 
● Estende-se até aproximadamente 2 mm da borda 
incisal e 1 a 2 mm acima do cíngulo; 
● Como podemos observar, a forma de abertura é 
muito semelhante à dos incisivos e caninos 
superiores, mas, comparativamente, mais 
estendida nos sentidos incisal e lingual; 
● Esse fato deve-se à característica anatômica desses 
dentes, que têm uma forma achatada no sentido 
mesiodistal e, algumas vezes, apresentam 
bifurcação em função da presença de dois canais; 
● Nos caninos inferiores, particularmente, pode ser 
necessária maior extensão no sentido 
cervicoincisal, por causa da presença do divertículo 
incisal mediano; 
● Assim, o canino poderá apresentar uma 
conformação mais ovalada em relação aos incisivos 
inferiores. 
Preparo da câmara pulpar 
● Remoção completa do teto e preparo das paredes 
laterais da câmara pulpar, sobretudo das paredes 
vestibular e lingual. 
Configuração final da câmara pulpar (forma de 
conveniência) 
 
● Remoção das anfractuosidades, regularização e 
alisamento dos ângulos mesial e distal do vértice 
da câmara pulpar, remoção da projeção dentinária 
na região do cíngulo para remoção do ombro 
lingual, proporcionando, ao final do preparo, um 
acesso direto e amplo ao canal. 
Limpeza e antissepsia da cavidade 
● De acordo com as normas gerais descritas 
A. Vista vestibular 
do incisivo central 
inferior; 
B. Fotografia e 
radiografia com a broca 
em posição 
perpendicular ao longo 
eixo do dente no início 
do procedimento da 
abertura endodôntica; 
C. “” 
D. Fotografia e radiografia com a broca em posição 
paralela ao longo eixo do dente para obter acesso 
direto ao canal radicular; 
E. “” 
F. Vistas lingual e oclusal do aspecto final da cavidade 
de acesso (forma de conveniência) 
G. “” 
A e B. Radiografia e 
fotografia do incisivo 
lateral inferior 
esquerdo mostrando 
extensa lesão cariosa; 
C. Acesso coronário 
com a forma de contorno alterada em função da remoção 
total do tecido cariado; observar a presença dos canais 
vestibular e lingual; 
D. Proservação de 3 meses mostrando redução da lesão 
perirradicular vista em A. 
A e B. Vistas vestibular