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RADIOLOGIA APLICADA A ENDODONTIA 
O exame radiográfico na radiologia é importante em 3 etapas, sendo elas: 
1. Antes do tratamento: para diagnóstico 
2. Durante o tratamento: nas fases do tratamento 
3. Após o tratamento: proservação 
A radioproteção deve ser feita no operador e no paciente 
Biossegurança: 
• Proteção do aparelho de raio x 
• Proteção do filme radiográfico 
• Proteção do disparador 
Métodos de revelação radiográfica 
• Visual 
• Temperatura/ tempo 
• Automático 
1. Visual: 
• Vantagem: controle de sobre e subexposição 
• Desvantagem: falta de padronização 
2. Temperatura/tempo 
• Vantagem: padronização 
• Desvantagem: trocas frequentes dos químicos 
3. Automático: 
• Vantagem: praticidade 
• Desvantagem: altos custos 
Radiografias usadas em endodontia 
• Periapicais 
• Panorâmicas 
• Interproximais 
AS MAIS UTILIZADAS NA ENDODONTIA SÃO AS PERIAPICAIS E 
INTERPROXIMAIS 
As interproximais são utilizadas principalmente para análise da relação teto-assoalho e 
profundidade de uma lesão cariosa. 
panorâmicas são pouco utilizadas devido a alta distorção de imagem 
RADIOGRAFIAS PERIAPICAIS: 
• Anatomia polpa e periodonto (se a polpa está adequada a idade do paciente -
análise de envelhecimento precoce ou se existe alguma alteração na região do 
periápice) 
• Número de raízes e canais 
• Direção dos canais e curvatura das raízes (curvaturas para a mesial ou para a 
distal) 
RADIOGRAFIAS ADICIONAIS ANGULADAS (técnica de Clarck): 
• Múltiplos canais 
• Curvaturas intensas nos dentes 
Aplicação das radiografias periapicais na endodontia: 
Diagnóstico e planejamento 
• Presença de cárie, restaurações e coroas 
• Relação teto-assoalho da câmara pulpar 
 grande relação teto-assoalho 
 pequena relação teto-assoalho (provavelmente um paciente de mais idade 
ou um paciente que teve alta deposição de dentina terciária (reparadora), tendo em vista 
que há presença de uma restauração) 
Proservação 
• Reparo da lesão (se ocorreu o desaparecimento da lesão) 
APÓS O TRATAMENTO: 
• Avaliar a qualidade da obturação e da restauração 
• Documentação 
• Proservação 
DENTE NO CENTRO DO FILME (centralizar a película no dente a ser radiografado) 
• Menor distorção 
• Visualização de estruturas circunvizinhas 
DURANTE O TRATAMENTO – PERIAPICAL 
• Determinar comprimento do canal (odontometria) 
• Localizar canais e objetos 
• Acidentes anatômicos superpostos 
• Conferir adaptação do cone 
ACESSO CORONÁRIO 
• Cárie dentária (se a cárie já se apresenta no canal – se já existe comunicação 
pulpar) 
• Profundidade da câmara pulpar 
• Tamanho da câmara pulpar 
• Presença de calcificações 
• Direção da entrada dos condutos 
CANAIS RADICULARES 
• Forma e direção das raízes e dos canais 
• Atresias (canais finos ou com presença de calcificação) 
• Reabsorções 
• Determinar a técnica de instrumentação e instrumento final 
PRESENÇA DE CÁRIES, RESTAURAÇÕES E COROAS 
Relação da cavidade pulpar com extensão da cárie ou da restauração 
• Relação teto-assoalho da câmara pulpar 
• Radiografia é bidimensional e a distância entre dois pontos depende do ângulo de 
projeção 
• Em gral a cavidade pulpar tem uma extensão maior do que usualmente vista na 
radiografia 
NÚMERO DE RAIZES E DE CANAIS 
 
MORFOLOGIA RADICULAR 
 
• Desvios paralelos (fácil identificação) 
• Desvios perpendiculares (difícil identificação) (não há possibilidade de 
radiografar as curvaturas para a palatina e para a vestibular) 
• Curvatura palatina ou vestibular 
NÓDULOS E CALCIFICAÇÕES 
 
PINOS E NÚCLEOS 
 
ESPAÇO PERICEMENTÁRIO / ÁPICE RADICULAR 
 
PERIAPICOPATIAS 
Doenças inflamatórias ou infecciosas que afetam os tecidos ao redor do ápice da raiz 
dentária (osso alveolar, ligamento periodontal e cemento). Geralmente causadas por 
necrose da polpa (nervo do dente) decorrente de cáries profundas ou traumas, podem levar 
a dor, abcesso, fístulas e perda óssea 
 
REABSORÇÕES RADICULARES 
 
ALTERAÇÕES PULPARES E PERIAPICAIS 
PULPITE REVERSÍVEL: cáries e/ou restaurações próximas a polpa – dor apenas com 
gelado e com doce 
 
PULPITE IRREVERSÍVEL: cáries e/ou restaurações extensas próximas a polpa 
ligamento periodontal normal ou as vezes levemente espessado – dor difusa e constante 
 
PULPITE CRÔNICA HIPERPLÁSICA (PÓLIPO PULPAR): é uma inflamação 
irreversível da polpa dentária, comum em dentes jovens com grandes cáries. Se 
caracteriza pelo crescimento de um tecido de granulação vermelho-rosado a partir da 
câmara pulpar, geralmente assintomático, mas pode doer ou sangrar se exposto a força 
mastigatória. Tendo como tratamento a remoção do tecido (pulpotomia/pulpectomia) 
 
NECROSE PULPAR: cáries, coroa fraturada e/ou restaurações extensas 
Necrose traumática: coroa integra, espaço do ligamento periodontal espessado ou com 
presença de lesão periapical 
Na necrose pulpar o dente se apresenta assintomático 
PERIODONTITE APICAL AGUDA: espaço do ligamento periodontal aumentado, 
extrusão do dente no alvéolo = presença de exsudato. 
ABCESSO PERIRRADICULAR AGUDO: aumento do espaço do ligamento 
periodontal, extrusão do dente no alvéolo= indicação de presença de exsudato (paciente 
apresenta edema facial sem que apareça fístula e sintomatologia dolorosa) 
GRANULOMA PERIAPICAL: área radiolúcida associada ao ápice radicular ou 
lateralmente à raiz (ocorre a perda da integridade da lâmina dura e a presença de um halo 
radiopaco) 
CISTO PERIAPICAL: 
• Área radiolúcida bem circunscrita associada ao ápice radicular ou lateralmente à 
raiz 
• Perda da integridade da lâmina dura 
• Pode assumir grande diâmetro causando deslocamento radicular 
• Presença de um halo radiopaco 
ABCESSO PERIRRADICULAR CRÔNICO: área radiolúcida difusa sem delimitação 
definida associada ao ápice radicular 
• Ocorre o rompimento da lâmina dura 
• Tem presença de fístula e não apresenta sintomatologia dolorosa 
DESVANTAGENS DA RADIOGRAFIA PERIAPICAL: 
• Imagem estática, não proporciona informação sobre a dinâmica de processos 
patológicos 
• Sensibilidade e especificidade do diagnóstico são baixas 
• Alta variação entre observadores 
• Lesões ósseas apresentam tamanho menor do que o verdadeiro 
• Nem sempre revelam condições patológicas periapicais - lesões apenas em osso 
esponjoso: não são visualizadas- lesão em osso cortical ou próximas a ele: são 
prontamente visualizadas. 
• Imagem bidimensional: possibilidade de sobreposições, tendo como solução 
buscar recursos de técnicas 
RECURSOS DE TÉCNICAS: 
TÉCNICA DE CLARCL (DESLOCAMENTO HORIZONTAL): 
Ao examinarmos dois objetos na mesma linha, o mais próximo encobre o mais distante. 
Se o observador se desloca para a direita ou para a esquerda, o objeto mais distante 
acompanha o deslocamento. 
 
INDICAÇÕES: 
• Dissociação de canais 
• Localização da entrada de canais em câmara pulpar atrésica e parcialmente 
calcificada 
• Visualização dos ápices das raízes de dentes superiores 
• Verificação da direção das curvas apicais 
• Localização das perfurações radiculares 
 
 
 
TECNICA DE LÊ MASTER 
Evitar a sobreposição do processo zigomático da maxila e do osso zigomático na região 
periapical dos molares superiores, em radiografias periapicais. 
 
Deve ser feito o posicionamento de um rolete de algodão entre a face ativa do filme 
radiográfico pariapical e a coroa dos dentes, fixado com uma fita adesiva. 
INCONVENIÊNCIAS DA UTILIZAÇÃO DA VARIAÇÃO ANGULAR 
HORIZONTAL E VERTICAL: 
• Perda de nitidez 
• Deformação das raízes 
• Dificuldade de visualização do limite apical 
• Dificuldade na distinção do radiopaco e radiolucido 
• Aumento, diminuição e eliminação da área radiolúcida 
VARIAÇÕES ÚTEIS DAS TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS: 
Técnica de Le Master: utilizadas em molares superiores. Diminui a sobreposição do 
processo zigomático sobre as raízes dos molares 
Variaçãode Ângulo vertical: em casos de suspeita de fratura transversal radicular 
Técnica de rastreamento ou contraste radiográfico com guta percha: colocação de um 
cone de guta percha na fístula ou bolsa periodontal 
FATORES INDICATIVOS DO Nº DE CANAIS EM UMA RAIZ 
• Centralização 
• Proporção diâmetro mesio distal da raiz 
• Estreitamento uniforme e progressivo 
• Nitidez em toda a extensão da raiz 
• Ausência de linhas radiolúcidas laterais 
• Imagem de um ápice 
ESTRUTURAS ANATÔMICAS NORMAIS: 
• Forame incisivo: tem como diagnóstico diferencial uma lesão periapical 
• Extensões sinusais: diagnóstico diferencial de lesão periapical 
• Processo zigomático: superposição na região de molares superiores 
• Forame mentoniano: diagnóstico diferencial de lesões periapicais 
• Canal mandibular: dificulta o diagnóstico de lesões periapicais 
• Rizogênese incompleta 
• Reabsorção fisiológica (rizólise) 
LESÕES PERIAPICAIS E ORIGEM NÃO ENDODÔNTICA: 
• Cisto nasolapatino 
• Displasia cemento-óssea periapical 
• Lesão periodontal 
INTERPROXIMAL: 
• Diagnóstico de cárie 
• Adaptação de restauração 
• Avaliação de cristas alveolares 
• Melhor imagem para avaliar a relação teto-assoalho da câmara pulpar 
• Distância das lesões de cárie e das restaurações à polpa 
 
INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA: 
1. LIGAMENTO PERIODONTAL: 
Tecido conjuntivo entre cemento e osso alveolar 
2. OSSO ALVEOLAR 
Tecido ósseo cortical e esponjoso que envolve as raízes dentárias 
Deve ser homogêneo e normalmente com a mesma aparência bilateral 
Presença de ístimo (divisão dos canais radiculares por uma ponte de dentina) (ocorre 
principalmente nos pré molares e na raiz mesiovestibular do 1º molar superior). 
Geralmente tem uma menor presença de canais em pacientes mais jovens 
LIMAS DE AÇO (quebram e entortam com maior facilidade) E LIMAS DE NÍQUEL E 
TITÂNIO (as de níquel e titânico é mais durável, mais flexível/maleável e mais resistente) 
ACESSO AOS CANAIS RADICULARES 
A remoção de todo o tecido cariado deve preceder o acesso aos canais radiculares (para 
que as bactérias que estão acima do canal não sejam ainda mais colocadas em seu interior) 
IMPORTANTE: 
• PONTO DE ELEIÇÃO: é o local inicial na coroa dentária (face palatina/lingual 
para anteriores, oclusal para posteriores) para realizar a abertura do dente e acessar 
a câmara pulpar, variando conforme a anatomia. Fazer seu posicionamento correto 
previne perfurações e facilita o acesso aos canais radiculares. 
PRINCIPAIS PONTOS DE ELEIÇÃO (POR GRUPO DENTAL): 
• INCISIVOS E CANINOS (SUPERIORES E INFERIORES): 1 a 3 mm acima do 
cíngulo, na face palatina/lingual, com trepanação a 45º 
• PRÉ-MOLARES (SUPERIORES E INFERIORES): centro da face oclusal, no 
sulco central (fossa central), com direção paralela ao longo eixo 
• MOLARES SUPERIORES: fossa central, entre as margens mesial e distal, 
ligeiramente voltado para a mesial, antes da ponte de esmalte 
• MOLARES INFERIORES: centro da face oclusal, no sulco central, geralmente 
alinhado ao canal distal. 
• DIREÇÃO DE TREPANAÇÃO: é a orientação da broca desde o ponto de eleição 
até a câmara pulpar, variando conforme a anatomia. Geralmente se inicia paralela 
ao longo eixo do dente (posteriores) ou perpendicular à face palatina (anteriores), 
se direcionando ao canal mais volumoso (palatino/distal) para evitar acidentes. 
 
DIREÇÃO DE TREPANAÇÃO POR GRUPO DENTAL 
• Anteriores (incisivos/caninos): se inicia perpendicular à face palatina 
(aproximadamente) até acessar a câmara pulpar, mudando depois para paralelo ao 
longo eixo do dente. 
• Pré-molares: paralela ao longo eixo do dente, no centro do sulco principal, se 
direcionando ao canal de maior volume (geralmente o palatino nos superiores) 
• Molares: a broca deve ser direcionada para o canal de maior volume, sendo o canal 
palatino nos molares superiores o canal distal nos inferiores. 
 
 
• FORMA DE CONTORNO: é o desenho inicial da abertura coronária, planejado 
para permitir acesso direto, visualização e instrumentação dos canais, variando 
segundo a anatomia dental. Geralmente é triangular (incisivos e molares), oval 
(pré-molares e caninos) ou trapezoidal (molares), sempre focando no acesso aos 
condutos. 
 
PRINCIPAIS FORMAS DE CONTORNO POR GRUPO DENTAL: 
• Incisivos superiores/ inferiores: triangular com base voltada para a incisal 
• Caninos superiores/inferiores: ovalada ou losangular, respeitando a anatomia 
alongada 
• Pré-molares: ovalada no sentido vestíbulo-palatino/lingual 
• Molares superiores: triangular ou trapezoidal com base para vestibular 
• Molares inferiores: trapezoidal ou triangular com base para a mesial 
 
• FORMA DE CONVENIÊNCIA: a forma de conveniência ou desgaste 
compensatório é a conformação final da abertura coronária. Pode ser considerada 
parte da forma de contorno. 
 
 
 
Uma das causas de maior impacto no insucesso do tratamento endodôntico é a inabilidade 
em localizar e preparar todos os canais radiculares devido à tamanha complexidade. 
CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS: 
1. Número de raízes e canais 
2. Secção transversal dos dentes 
3. Posição e orientação dos canais radiculares 
(define o formato da abertura e os rumos do preparo químico mecânico) 
A cavidade pulpar (câmara pulpar e canais radiculares) reproduzem a anatomia externa 
do dente. 
É de grande importância o conhecimento da anatomia e morfologia dos diferentes grupos 
dentários. 
1. Incisivos superiores e inferiores 
 
 
• Acesso é feito com formato triangular 
• Ponto de eleição: acima do cíngulo 
• Direção de trepanação: inicia perpendicular e após alinhado ao longo eixo do 
dente 
2. Canino 
• Acesso em formato triangular ou oval 
• Ponto de eleição: acima do cíngulo 
• Direção de trepanação: inicia perpendicular e após alinhado ao longo eixo do 
dente 
 
 
3. Pré-molares: 
SUPERIOR: acesso ovalado no sentido vestíbulo palatino 
• Ponto de eleição: abaixo da cúspide vestibular ou abaixo da cúspide palatina 
• Direção de trepanação: paralelo ao longo eixo do dente 
INFERIOR: acesso ovalado ou circular centralizado (elíptica ou ovalada no sentido 
vestíbulo-lingual) – levemente mesializado 
• Ponto de eleição: abaixo da cúspide vestibular ou a baixo da cúspide palatina 
• Direção de trepanação: paralela ao longo eixo do dente 
 
 
4. Molares: 
SUPERIOR: 3 raízes e 4 canais (disto-vestibular, mesio-vestibular, palatino e mv2) 
• Ponto de eleição: fossa central da face oclusal, ligeiramente para a mesial (antes 
da ponte de esmalte) 
• Direção inicial: paralela ao longo eixo do dente 
• Direção de acesso: com a broca inclinada em direção à raiz palatina 
• Forma de contorno: triangular ou trapezoidal com base voltada par a vestibular e 
vértice para a palatina. 
 
INFERIOR: 
Quando tema presença de 2 canais na mesial e 2 na distal (formato trapezoidal) 
Quando tem a presença de 2 canais na mesial e 1 canal na distal (triangular com a base 
para a mesial) 
• Ponto de eleição: face oclusal (Sulco central/mesial) 
• Direção de trepanação: paralela ao longo eixo, focando no canal distal 
• Direção de acesso: perpendicular à face oclusal e direcionado para a câmara 
pulpar, buscando evitar perfurações no assoalho 
 
 
 
 
PRINCIPIOS PARA A ABERTURA CORONÁRIA: 
• O acesso deve ser direto, em linha reta ao canal 
• Deve ser realizada a completa remoção do teto da câmara pulpar 
• A permanência do teto pode alojar material orgânico (microrganismos) e restos 
de material endodôntico que, com o passar do tempo, podem levar ao 
escurecimento da coroa dentária 
• O assoalho da câmara pulpar deve permanecer intocável 
• Percorrendo o assoalho com a sonda exploradora, se localiza a entrada dos canais 
OS CANAIS DEVEM SER LOCALIZADOS COM SONDA ENDODÔNTICA 
EXPLORADORA E NUNCA COM BROCAS 
POSICIONAMENTO DO DENTE NO ARCODEVE SER OBSERVADO 
SITUAÇÕES QUEDIFICULTAM SEVERAMENTE A ABERTURA: 
• Ausência do dente vizinho (perda de referências) 
• Inclinações (como mesialização) 
• Dente extruído e girovertido 
• Dentes com preparo para prótese (perda das cúspides que antes eram referência) 
FAVORECEM ACIDENTES COMO DESVIOS E PERFURAÇÕES QUE PODEM 
COMPROMETER A MANUTENÇÃO DOS DENTES 
ISOLAMENTO ABSOLUTO NOS TRATAMENTOS ENDODÔNTICOS É 
OBRIGATÓRIO 
O enterococcus faecalis tem um papel fundamental como um dos principais patógenos 
associados às infecções endodônticas secundárias e ao insucesso do tratamento 
endodôntico, sendo frequentemente envolvido em canais radiculares obturados com 
lesões perirradiculares persistentes. 
Essa bactéria Gram-Positiva anaeróbia facultativa sobrevive a ambientes extremos, 
incluindo o alto pH do hidróxido de cálcio e a escassez de nutrientes permitindo sua 
persistência e a subsequente formação de lesões periapicais crônicas. 
• Persistência e resistência: ainda que em pequena proporção na infecção primária, 
o enterococcus faecalis ganha destaque nas infecções secundárias devido a sua 
alta resistência a medicamentos intracanal e sua capacidade de invadir 
profundamente os túbulos dentinários. 
• Formação de biofilme: a capacidade de formar biofilmes resistentes na parede 
dentinária protege a bactéria contra o sistema imunológico do hospedeiro e 
procedimento de desinfecção, perpetuando a inflamação periapical. 
• Virulência e dano tecidual: ele produz fatores de virulência como citolisina, 
gelatinase e hialuronidase, que causam dano tecidual direto e estimulam uma 
resposta inflamatória persistente (mediada por leucócitos, linfócitos, monócitos e 
macrófagos) no tecido perirradicular. 
• Modulação da resposta do hospedeiro: vesículas extracelulares do enterococcus 
faecalis promovem a polarização de macrófagos M1 via sinalização 
NOD2/RIPK2, contribuindo para a manutenção de lesões periapicais 
O enterococcus faecalis é encontrado com frequência em casos de periodontite apical 
persistente ou crônica após o tratamento, muitas vezes agindo como o principal patógeno 
em caos de retratamento. A presença da bactéria não se diferencia significativamente 
entre dentes obturados com ou sem lesões perirradiculares evidentes, o que reforça sua 
capacidade de persistir mesmo sem sintomas agudos imediatos 
Desafios no tratamento: a sua resistência aos procedimentos convencionais, como a 
instrumentação e medicação com CHC, exige estratégias de tratamento reforçadas, como 
o uso combinado de clorexidina e hipoclorito de sódio, além de maior ampliação do 
preparo apical. 
AS PRINCIPAIS ALEGAÇÕES APONTADAS PARA OS PACIENTES QUE 
ENVOLVIAM PARESTESIA, PERFURAÇÃO RADICULAR, TERAPIA DENTÁRIA 
INCORRETA E INFECÇÕES SE DERAM PELO NÃO USO DE DIQUE DE 
BORRACHA. 
O USO DE ISOLAMENTO ABSOLUTO DURANTE A COLOCAÇÃO DE PINOS 
PRÉ-FABRICADOS PROPORCIONA UMA TAXA DE SUCESSO 
SIGNIFICANTEMENTE MAIOR EM DENTES TRATADOS COM CANAL. 
Grampos para isolamento: 
Se dividem em grampos com asa e sem asa 
Possuem a função de manter o dique de borracha em posição e promovem o afastamento 
de tecidos gengivais. 
GRAMPOS COM ASAS LATERAIS: 
• 200 a 205: molares 
• 206 a 209: pré-molares 
• 210 a 211: anteriores 
GRAMOS SEM ASAS LATERAIS: 
• 26 e w8a: molares com pouca retenção 
• Grampo retrator/grampo cervical de ferrier (212): utilizado para gerar retração 
gengival 
QUAL GRAMPO ESCOLHER? 
• Formato do dente 
• Dimensões do dente 
• Grau de erupção do dente 
• Posição do dente 
• Tipo de cavidade e acesso 
ISOLAMENTO MODIFICADO: 
É uma adaptação técnica para casos de difícil vedamento, como dentes com destruição 
coronária severa, aparelhos ortodônticos ou pacientes com abertura bucal limitada. Ele 
garante um campo operatório seco e asséptico, utilizando barreiras extras (barreira 
gengival fotopolimerizável, cianoacrilato), isolamento em bloco e técnicas de amarrilho 
para máxima vedação. 
Isolamento em bloco/fenda: perfurações contínuas de canino a canino unidas com tesoura 
para isolar vários elementos de uma vez, útil para estabilizar o dique. 
ODONTOMETRIA RADIOGRÁFICA X LOCALIZADORES FORAMINAIS 
Servem para determinar o comprimento de trabalho (o limite interno) do canal radicular, 
garantindo que o tratamento de canal seja realizado até o forame apical, sem ultrapassar, 
garantindo sucesso e segurança. A radiografia oferece uma visão anatômica, enquanto o 
localizado fornece precisão eletrônica. 
Localizadores foraminais: 
• Precisão: alta, permitindo identificar o forame mesmo em situações complexas 
• Mecanismo: se baseia na impedância elétrica entre a lima e os tecidos periapicais 
• Dica técnica: melhor resultado ao ultrapassar o forame e recuar até a indicação 
“0” ou de forame 
• Limitações: exigem canal úmido e sem interferência metálica 
Odontometria radiográfica: 
• Precisão: inferior, sujeita a erros de angulação, sobreposição de estruturas e 
interpretação do operador. 
• Mecanismo: visualização do comprimento aparente do dente (CAD) e cálculo do 
comprimento real de trabalho (CRT) 
• Limitações: o forame não coincide necessariamente com o ápice radiográfico 
OBJETIVOS DO TRATAMENTO ENDODÔNTICO 
• Remover todo o conteúdo pulpar 
• Dar forma ao canal radicular 
• Obturação tridimensional 
• Devolver a função do dente 
LIMITE CDC (CANAL, DENTINA, CEMENTO): 
• Transição entre a polpa e o tecido periodontal 
• Término do preparo e obturação 
• Zona de maior constrição apical 
• Somente visualizada por cortes histológicos 
ZONA CRÍTICA APICAL: 
• Entre os 3-4mm do ápice radicular 
• Forame apical 
• Ramificações apicais 
• Canais acessórios e secundários 
Região anatômica de alta complexidade próxima ao forame apical (último 1-2mm). É 
onde se acumulam infecções e microorganismos devido a presença de deltas apicais 
(ramificações complexas do canal radicular principal em múltiplas ramificações e 
forames no terço apical da raiz, se assemelhando à letra grega delta), ramificações e 
canais acessórios. 
ODONTOMETRIA: 
• Etapa de grande importância que antecede a instrumentação dos canais 
• Visa estabelecer o limite apical da instrumentação e o nível da obturação do canal 
• Conhecimento da média de comprimento dos diferentes grupos dentais 
Um segmento apical não instrumentado com 1mm de extensão poderá abrigar milhares 
de células bacterianas 
COMPRIMENTO MÉDIO DE DENTES EM MM 
 
O comprimento ou limite de trabalho corresponde à distância entre um ponto de referência 
coronário ao ponto apical em que o preparo do canal e a obturação devem terminar. 
LIMITE APICAL DE INSTRUMENTAÇÃO 
COMPRIMENTO DE TRABALHO X PATÊNCIA FORAMINAL 
1. A patência foraminal consiste na manutenção do forame apical livre de detritos 
“desentupir o forame apical) 
• É a passagem de uma lima de pequeno calibre (geralmente uma lima K#10 ou 
#15) 1mm além do forame apical (1mm além do limite de trabalho), de forma 
passiva, sem alargar o forame. 
• Tem como objetivo evitar o bloqueio do canal, reduzir a dor pós-operatória e 
facilitar a ação dos irrigantes na região apical. 
2. O limite de trabalho é a extensão máxima para instrumentação e obturação 
• Geralmente estabelecido de 1 a 1,5mm aquém do ápice radiográfico (referência à 
região CDC- constrição dentinho-cemento-canal). Uso de localizadores 
eletrônicos foraminais é crucial para precisão. 
DIFERENÇA: a patência é uma manobra de limpeza para demover detritos no forame, 
enquanto o limite de trabalho é a medida onde a modelagem e a obturação final ocorrerão. 
ALARGAMENTO FORAMINAL É DIFERENTE DE PATÊNCIA: consiste em ampliar 
o forame, o que pode ser indicado em casos como biofilme apical extenso, mas com maior 
risco de extrusão de detritos. 
COMPRIMENTO DE TRABALHO: 
• Radiografia de diagnóstico 
• Ponto de referência deve ser estável 
• Mensuração com régua endodôntica milimetrada 
ERROS DO CÁLCULOCT 
1. SUB INSTRUMENTAÇÃO/ OBTURAÇÃO: 
• Inadequada excisão da polpa 
• Sub-obturação 
• Formação de degrau 
• Surgimento ou permanência da lesão periapical 
• Persistência da dor 
2. SOBRE INSTRUMENTAÇÃO/ OBTURAÇÃO: 
• Injurias a tecidos saudáveis: 
− Ação mecânica dos instrumentos 
− Ação química das substâncias irrigadoras 
• Aumento da dor pós operatória 
• Pode retardar ou impedir a cura 
3. SOBRE EXTENSÃO (ocorre a passagem do cone de guta percha) 
• Não existe um selamento adequado 
• Há passagem de cone de guta percha 
• Reação inflamatória 
• Prejudicando o processo de reparo 
 
4. SOBRE OBTURAÇÃO (extravasamento de cimento obturador) 
• Selamento adequado da região foraminal 
• Extravasamento de cimento obturador 
• Puff ou surplus (maior dor pós operatória devido ao extravasamento de cimento 
obturador) 
 
ANATOMIA APICAL: na grande maioria dos dentes os forames apicais não estão 
localizados no vértice radicular. Deveriam ser chamados de forames para apicais (quase 
80% não coincidem) 
REQUISITOS DE UM MÉTODO: 
• Precisão 
• Fácil execução 
• Rapidez 
• Segurança no resultado 
• Facilidade de confirmação 
MÉTODOS PARA DETERMINAR O CT (COMPRIMENTO DE TRABALHO: 
• Tátil 
• Radiográfico 
• Eletrônico 
CÁLCULO 
CAD: comprimento aparente do dente: tamanho do dente na radiografia 
CTP: comprimento de trabalho provisório: CAD-2 
CT: comprimento de trabalho: CTP +/- 1: 
EXEMPLO: 
• CAD: 21mm 
• CTP: CAD-2 
• CTP: 21-2 
• CTP:19MM +/-1 
• CT OU CRT: 20MM 
Técnicas radiográficas: 
Métodos mais utilizados por clínicos e especialistas em terapia endodôntica 
BREGMAN, INGLE E BEST: 
• Desenvolveram técnicas que utilizam a imagem radiográfica e uma tabela 
contendo os valores médios do comprimento do elemento dental para determinar 
o comprimento real do dente (CRD) 
• Largamente utilizados 
• Não exigem auxilio de qualquer tipo de equipamento especial além da atenção e 
cuidado do profissional 
MÉTODO RADIOGRÁFICO: 
Dados adicionais (obstruções, desvios, número de canais, curvaturas, reabsorções, 
estágios de formação das raízes) 
LIMITAÇÕES: 
• Forame apical não coincide com o vértice radiográfico 
• Curvaturas apicais para vestibular ou palatina não são identificadas 
• Sobreposição de estruturas anatômicas ou grampos de isolamento 
DISCREPÂNCIA ENTRE A IMAGEM RADIOGRÁFICA DA LIMA 
Limite apical radiográfico não mostra a localização exata do forame apical 
LIMITAÇÕES DAS RADIOGRAFIAS: 
• Distorção de imagem 
• Sobreposições de estruturas (anatômicas e grampos) 
• Não coincidência de saída foraminal com o ápice anatômico 
• Métodobidimensional 
LOCALIZADORES ELETRÔNICOS FORAMINAIS: 
Se baseia na diferença entre a carga elétrica dos tecidos do ligamento periodontal e 
qualquer ponto do interior do canal 
• Método mais preciso 
• Maior rapidez na obtenção das medidas 
• Não sofre interferência de estruturas anatômicas 
• Não apresenta riscos para a saúde 
INDICAÇÕES: 
• Aplicação na maioria das situações endodônticas 
• Detecção de perfurações 
• Acompanhamento do CT em canais curvos 
• Superposição de estruturas anatômicas não ocorrem 
• Gestantes por não exposição a radiação 
• Pacientes com náusea 
• Superposição de canais não ocorre 
CONTRAINDICAÇÕES: 
Pacientes portadores de marcapassos cardíacos: devido a risco de interferência: não 
utilizar o localizador eletrônico foraminal nesses pacientes 
INTERFERENTES: 
• Restaurações metálicas: interferem no processo eletrônico da medição, por serem 
excelentes condutores de corrente elétrica. 
• Dentes calcificados: nos casos onde o instrumento endodôntico não percorre o 
trajeto do canal até o terço apical a leitura da constrição ficará comprometida. 
• Remoção da guta percha deve ser feita antes do uso do localizador 
PROTOCOLO: 
• Abertura coronária 
• Isolamento absoluto 
• Irrigação inicial 
• Preparo de terço cervical e médio 
Adaptar a presilha na lima, aspirar a substância irrigadora na câmara pulpar e avançar a 
lima em direção apical