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RADIOLOGIA APLICADA A ENDODONTIA O exame radiográfico na radiologia é importante em 3 etapas, sendo elas: 1. Antes do tratamento: para diagnóstico 2. Durante o tratamento: nas fases do tratamento 3. Após o tratamento: proservação A radioproteção deve ser feita no operador e no paciente Biossegurança: • Proteção do aparelho de raio x • Proteção do filme radiográfico • Proteção do disparador Métodos de revelação radiográfica • Visual • Temperatura/ tempo • Automático 1. Visual: • Vantagem: controle de sobre e subexposição • Desvantagem: falta de padronização 2. Temperatura/tempo • Vantagem: padronização • Desvantagem: trocas frequentes dos químicos 3. Automático: • Vantagem: praticidade • Desvantagem: altos custos Radiografias usadas em endodontia • Periapicais • Panorâmicas • Interproximais AS MAIS UTILIZADAS NA ENDODONTIA SÃO AS PERIAPICAIS E INTERPROXIMAIS As interproximais são utilizadas principalmente para análise da relação teto-assoalho e profundidade de uma lesão cariosa. panorâmicas são pouco utilizadas devido a alta distorção de imagem RADIOGRAFIAS PERIAPICAIS: • Anatomia polpa e periodonto (se a polpa está adequada a idade do paciente - análise de envelhecimento precoce ou se existe alguma alteração na região do periápice) • Número de raízes e canais • Direção dos canais e curvatura das raízes (curvaturas para a mesial ou para a distal) RADIOGRAFIAS ADICIONAIS ANGULADAS (técnica de Clarck): • Múltiplos canais • Curvaturas intensas nos dentes Aplicação das radiografias periapicais na endodontia: Diagnóstico e planejamento • Presença de cárie, restaurações e coroas • Relação teto-assoalho da câmara pulpar grande relação teto-assoalho pequena relação teto-assoalho (provavelmente um paciente de mais idade ou um paciente que teve alta deposição de dentina terciária (reparadora), tendo em vista que há presença de uma restauração) Proservação • Reparo da lesão (se ocorreu o desaparecimento da lesão) APÓS O TRATAMENTO: • Avaliar a qualidade da obturação e da restauração • Documentação • Proservação DENTE NO CENTRO DO FILME (centralizar a película no dente a ser radiografado) • Menor distorção • Visualização de estruturas circunvizinhas DURANTE O TRATAMENTO – PERIAPICAL • Determinar comprimento do canal (odontometria) • Localizar canais e objetos • Acidentes anatômicos superpostos • Conferir adaptação do cone ACESSO CORONÁRIO • Cárie dentária (se a cárie já se apresenta no canal – se já existe comunicação pulpar) • Profundidade da câmara pulpar • Tamanho da câmara pulpar • Presença de calcificações • Direção da entrada dos condutos CANAIS RADICULARES • Forma e direção das raízes e dos canais • Atresias (canais finos ou com presença de calcificação) • Reabsorções • Determinar a técnica de instrumentação e instrumento final PRESENÇA DE CÁRIES, RESTAURAÇÕES E COROAS Relação da cavidade pulpar com extensão da cárie ou da restauração • Relação teto-assoalho da câmara pulpar • Radiografia é bidimensional e a distância entre dois pontos depende do ângulo de projeção • Em gral a cavidade pulpar tem uma extensão maior do que usualmente vista na radiografia NÚMERO DE RAIZES E DE CANAIS MORFOLOGIA RADICULAR • Desvios paralelos (fácil identificação) • Desvios perpendiculares (difícil identificação) (não há possibilidade de radiografar as curvaturas para a palatina e para a vestibular) • Curvatura palatina ou vestibular NÓDULOS E CALCIFICAÇÕES PINOS E NÚCLEOS ESPAÇO PERICEMENTÁRIO / ÁPICE RADICULAR PERIAPICOPATIAS Doenças inflamatórias ou infecciosas que afetam os tecidos ao redor do ápice da raiz dentária (osso alveolar, ligamento periodontal e cemento). Geralmente causadas por necrose da polpa (nervo do dente) decorrente de cáries profundas ou traumas, podem levar a dor, abcesso, fístulas e perda óssea REABSORÇÕES RADICULARES ALTERAÇÕES PULPARES E PERIAPICAIS PULPITE REVERSÍVEL: cáries e/ou restaurações próximas a polpa – dor apenas com gelado e com doce PULPITE IRREVERSÍVEL: cáries e/ou restaurações extensas próximas a polpa ligamento periodontal normal ou as vezes levemente espessado – dor difusa e constante PULPITE CRÔNICA HIPERPLÁSICA (PÓLIPO PULPAR): é uma inflamação irreversível da polpa dentária, comum em dentes jovens com grandes cáries. Se caracteriza pelo crescimento de um tecido de granulação vermelho-rosado a partir da câmara pulpar, geralmente assintomático, mas pode doer ou sangrar se exposto a força mastigatória. Tendo como tratamento a remoção do tecido (pulpotomia/pulpectomia) NECROSE PULPAR: cáries, coroa fraturada e/ou restaurações extensas Necrose traumática: coroa integra, espaço do ligamento periodontal espessado ou com presença de lesão periapical Na necrose pulpar o dente se apresenta assintomático PERIODONTITE APICAL AGUDA: espaço do ligamento periodontal aumentado, extrusão do dente no alvéolo = presença de exsudato. ABCESSO PERIRRADICULAR AGUDO: aumento do espaço do ligamento periodontal, extrusão do dente no alvéolo= indicação de presença de exsudato (paciente apresenta edema facial sem que apareça fístula e sintomatologia dolorosa) GRANULOMA PERIAPICAL: área radiolúcida associada ao ápice radicular ou lateralmente à raiz (ocorre a perda da integridade da lâmina dura e a presença de um halo radiopaco) CISTO PERIAPICAL: • Área radiolúcida bem circunscrita associada ao ápice radicular ou lateralmente à raiz • Perda da integridade da lâmina dura • Pode assumir grande diâmetro causando deslocamento radicular • Presença de um halo radiopaco ABCESSO PERIRRADICULAR CRÔNICO: área radiolúcida difusa sem delimitação definida associada ao ápice radicular • Ocorre o rompimento da lâmina dura • Tem presença de fístula e não apresenta sintomatologia dolorosa DESVANTAGENS DA RADIOGRAFIA PERIAPICAL: • Imagem estática, não proporciona informação sobre a dinâmica de processos patológicos • Sensibilidade e especificidade do diagnóstico são baixas • Alta variação entre observadores • Lesões ósseas apresentam tamanho menor do que o verdadeiro • Nem sempre revelam condições patológicas periapicais - lesões apenas em osso esponjoso: não são visualizadas- lesão em osso cortical ou próximas a ele: são prontamente visualizadas. • Imagem bidimensional: possibilidade de sobreposições, tendo como solução buscar recursos de técnicas RECURSOS DE TÉCNICAS: TÉCNICA DE CLARCL (DESLOCAMENTO HORIZONTAL): Ao examinarmos dois objetos na mesma linha, o mais próximo encobre o mais distante. Se o observador se desloca para a direita ou para a esquerda, o objeto mais distante acompanha o deslocamento. INDICAÇÕES: • Dissociação de canais • Localização da entrada de canais em câmara pulpar atrésica e parcialmente calcificada • Visualização dos ápices das raízes de dentes superiores • Verificação da direção das curvas apicais • Localização das perfurações radiculares TECNICA DE LÊ MASTER Evitar a sobreposição do processo zigomático da maxila e do osso zigomático na região periapical dos molares superiores, em radiografias periapicais. Deve ser feito o posicionamento de um rolete de algodão entre a face ativa do filme radiográfico pariapical e a coroa dos dentes, fixado com uma fita adesiva. INCONVENIÊNCIAS DA UTILIZAÇÃO DA VARIAÇÃO ANGULAR HORIZONTAL E VERTICAL: • Perda de nitidez • Deformação das raízes • Dificuldade de visualização do limite apical • Dificuldade na distinção do radiopaco e radiolucido • Aumento, diminuição e eliminação da área radiolúcida VARIAÇÕES ÚTEIS DAS TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS: Técnica de Le Master: utilizadas em molares superiores. Diminui a sobreposição do processo zigomático sobre as raízes dos molares Variaçãode Ângulo vertical: em casos de suspeita de fratura transversal radicular Técnica de rastreamento ou contraste radiográfico com guta percha: colocação de um cone de guta percha na fístula ou bolsa periodontal FATORES INDICATIVOS DO Nº DE CANAIS EM UMA RAIZ • Centralização • Proporção diâmetro mesio distal da raiz • Estreitamento uniforme e progressivo • Nitidez em toda a extensão da raiz • Ausência de linhas radiolúcidas laterais • Imagem de um ápice ESTRUTURAS ANATÔMICAS NORMAIS: • Forame incisivo: tem como diagnóstico diferencial uma lesão periapical • Extensões sinusais: diagnóstico diferencial de lesão periapical • Processo zigomático: superposição na região de molares superiores • Forame mentoniano: diagnóstico diferencial de lesões periapicais • Canal mandibular: dificulta o diagnóstico de lesões periapicais • Rizogênese incompleta • Reabsorção fisiológica (rizólise) LESÕES PERIAPICAIS E ORIGEM NÃO ENDODÔNTICA: • Cisto nasolapatino • Displasia cemento-óssea periapical • Lesão periodontal INTERPROXIMAL: • Diagnóstico de cárie • Adaptação de restauração • Avaliação de cristas alveolares • Melhor imagem para avaliar a relação teto-assoalho da câmara pulpar • Distância das lesões de cárie e das restaurações à polpa INTERPRETAÇÃO RADIOGRÁFICA: 1. LIGAMENTO PERIODONTAL: Tecido conjuntivo entre cemento e osso alveolar 2. OSSO ALVEOLAR Tecido ósseo cortical e esponjoso que envolve as raízes dentárias Deve ser homogêneo e normalmente com a mesma aparência bilateral Presença de ístimo (divisão dos canais radiculares por uma ponte de dentina) (ocorre principalmente nos pré molares e na raiz mesiovestibular do 1º molar superior). Geralmente tem uma menor presença de canais em pacientes mais jovens LIMAS DE AÇO (quebram e entortam com maior facilidade) E LIMAS DE NÍQUEL E TITÂNIO (as de níquel e titânico é mais durável, mais flexível/maleável e mais resistente) ACESSO AOS CANAIS RADICULARES A remoção de todo o tecido cariado deve preceder o acesso aos canais radiculares (para que as bactérias que estão acima do canal não sejam ainda mais colocadas em seu interior) IMPORTANTE: • PONTO DE ELEIÇÃO: é o local inicial na coroa dentária (face palatina/lingual para anteriores, oclusal para posteriores) para realizar a abertura do dente e acessar a câmara pulpar, variando conforme a anatomia. Fazer seu posicionamento correto previne perfurações e facilita o acesso aos canais radiculares. PRINCIPAIS PONTOS DE ELEIÇÃO (POR GRUPO DENTAL): • INCISIVOS E CANINOS (SUPERIORES E INFERIORES): 1 a 3 mm acima do cíngulo, na face palatina/lingual, com trepanação a 45º • PRÉ-MOLARES (SUPERIORES E INFERIORES): centro da face oclusal, no sulco central (fossa central), com direção paralela ao longo eixo • MOLARES SUPERIORES: fossa central, entre as margens mesial e distal, ligeiramente voltado para a mesial, antes da ponte de esmalte • MOLARES INFERIORES: centro da face oclusal, no sulco central, geralmente alinhado ao canal distal. • DIREÇÃO DE TREPANAÇÃO: é a orientação da broca desde o ponto de eleição até a câmara pulpar, variando conforme a anatomia. Geralmente se inicia paralela ao longo eixo do dente (posteriores) ou perpendicular à face palatina (anteriores), se direcionando ao canal mais volumoso (palatino/distal) para evitar acidentes. DIREÇÃO DE TREPANAÇÃO POR GRUPO DENTAL • Anteriores (incisivos/caninos): se inicia perpendicular à face palatina (aproximadamente) até acessar a câmara pulpar, mudando depois para paralelo ao longo eixo do dente. • Pré-molares: paralela ao longo eixo do dente, no centro do sulco principal, se direcionando ao canal de maior volume (geralmente o palatino nos superiores) • Molares: a broca deve ser direcionada para o canal de maior volume, sendo o canal palatino nos molares superiores o canal distal nos inferiores. • FORMA DE CONTORNO: é o desenho inicial da abertura coronária, planejado para permitir acesso direto, visualização e instrumentação dos canais, variando segundo a anatomia dental. Geralmente é triangular (incisivos e molares), oval (pré-molares e caninos) ou trapezoidal (molares), sempre focando no acesso aos condutos. PRINCIPAIS FORMAS DE CONTORNO POR GRUPO DENTAL: • Incisivos superiores/ inferiores: triangular com base voltada para a incisal • Caninos superiores/inferiores: ovalada ou losangular, respeitando a anatomia alongada • Pré-molares: ovalada no sentido vestíbulo-palatino/lingual • Molares superiores: triangular ou trapezoidal com base para vestibular • Molares inferiores: trapezoidal ou triangular com base para a mesial • FORMA DE CONVENIÊNCIA: a forma de conveniência ou desgaste compensatório é a conformação final da abertura coronária. Pode ser considerada parte da forma de contorno. Uma das causas de maior impacto no insucesso do tratamento endodôntico é a inabilidade em localizar e preparar todos os canais radiculares devido à tamanha complexidade. CONHECIMENTOS NECESSÁRIOS: 1. Número de raízes e canais 2. Secção transversal dos dentes 3. Posição e orientação dos canais radiculares (define o formato da abertura e os rumos do preparo químico mecânico) A cavidade pulpar (câmara pulpar e canais radiculares) reproduzem a anatomia externa do dente. É de grande importância o conhecimento da anatomia e morfologia dos diferentes grupos dentários. 1. Incisivos superiores e inferiores • Acesso é feito com formato triangular • Ponto de eleição: acima do cíngulo • Direção de trepanação: inicia perpendicular e após alinhado ao longo eixo do dente 2. Canino • Acesso em formato triangular ou oval • Ponto de eleição: acima do cíngulo • Direção de trepanação: inicia perpendicular e após alinhado ao longo eixo do dente 3. Pré-molares: SUPERIOR: acesso ovalado no sentido vestíbulo palatino • Ponto de eleição: abaixo da cúspide vestibular ou abaixo da cúspide palatina • Direção de trepanação: paralelo ao longo eixo do dente INFERIOR: acesso ovalado ou circular centralizado (elíptica ou ovalada no sentido vestíbulo-lingual) – levemente mesializado • Ponto de eleição: abaixo da cúspide vestibular ou a baixo da cúspide palatina • Direção de trepanação: paralela ao longo eixo do dente 4. Molares: SUPERIOR: 3 raízes e 4 canais (disto-vestibular, mesio-vestibular, palatino e mv2) • Ponto de eleição: fossa central da face oclusal, ligeiramente para a mesial (antes da ponte de esmalte) • Direção inicial: paralela ao longo eixo do dente • Direção de acesso: com a broca inclinada em direção à raiz palatina • Forma de contorno: triangular ou trapezoidal com base voltada par a vestibular e vértice para a palatina. INFERIOR: Quando tema presença de 2 canais na mesial e 2 na distal (formato trapezoidal) Quando tem a presença de 2 canais na mesial e 1 canal na distal (triangular com a base para a mesial) • Ponto de eleição: face oclusal (Sulco central/mesial) • Direção de trepanação: paralela ao longo eixo, focando no canal distal • Direção de acesso: perpendicular à face oclusal e direcionado para a câmara pulpar, buscando evitar perfurações no assoalho PRINCIPIOS PARA A ABERTURA CORONÁRIA: • O acesso deve ser direto, em linha reta ao canal • Deve ser realizada a completa remoção do teto da câmara pulpar • A permanência do teto pode alojar material orgânico (microrganismos) e restos de material endodôntico que, com o passar do tempo, podem levar ao escurecimento da coroa dentária • O assoalho da câmara pulpar deve permanecer intocável • Percorrendo o assoalho com a sonda exploradora, se localiza a entrada dos canais OS CANAIS DEVEM SER LOCALIZADOS COM SONDA ENDODÔNTICA EXPLORADORA E NUNCA COM BROCAS POSICIONAMENTO DO DENTE NO ARCODEVE SER OBSERVADO SITUAÇÕES QUEDIFICULTAM SEVERAMENTE A ABERTURA: • Ausência do dente vizinho (perda de referências) • Inclinações (como mesialização) • Dente extruído e girovertido • Dentes com preparo para prótese (perda das cúspides que antes eram referência) FAVORECEM ACIDENTES COMO DESVIOS E PERFURAÇÕES QUE PODEM COMPROMETER A MANUTENÇÃO DOS DENTES ISOLAMENTO ABSOLUTO NOS TRATAMENTOS ENDODÔNTICOS É OBRIGATÓRIO O enterococcus faecalis tem um papel fundamental como um dos principais patógenos associados às infecções endodônticas secundárias e ao insucesso do tratamento endodôntico, sendo frequentemente envolvido em canais radiculares obturados com lesões perirradiculares persistentes. Essa bactéria Gram-Positiva anaeróbia facultativa sobrevive a ambientes extremos, incluindo o alto pH do hidróxido de cálcio e a escassez de nutrientes permitindo sua persistência e a subsequente formação de lesões periapicais crônicas. • Persistência e resistência: ainda que em pequena proporção na infecção primária, o enterococcus faecalis ganha destaque nas infecções secundárias devido a sua alta resistência a medicamentos intracanal e sua capacidade de invadir profundamente os túbulos dentinários. • Formação de biofilme: a capacidade de formar biofilmes resistentes na parede dentinária protege a bactéria contra o sistema imunológico do hospedeiro e procedimento de desinfecção, perpetuando a inflamação periapical. • Virulência e dano tecidual: ele produz fatores de virulência como citolisina, gelatinase e hialuronidase, que causam dano tecidual direto e estimulam uma resposta inflamatória persistente (mediada por leucócitos, linfócitos, monócitos e macrófagos) no tecido perirradicular. • Modulação da resposta do hospedeiro: vesículas extracelulares do enterococcus faecalis promovem a polarização de macrófagos M1 via sinalização NOD2/RIPK2, contribuindo para a manutenção de lesões periapicais O enterococcus faecalis é encontrado com frequência em casos de periodontite apical persistente ou crônica após o tratamento, muitas vezes agindo como o principal patógeno em caos de retratamento. A presença da bactéria não se diferencia significativamente entre dentes obturados com ou sem lesões perirradiculares evidentes, o que reforça sua capacidade de persistir mesmo sem sintomas agudos imediatos Desafios no tratamento: a sua resistência aos procedimentos convencionais, como a instrumentação e medicação com CHC, exige estratégias de tratamento reforçadas, como o uso combinado de clorexidina e hipoclorito de sódio, além de maior ampliação do preparo apical. AS PRINCIPAIS ALEGAÇÕES APONTADAS PARA OS PACIENTES QUE ENVOLVIAM PARESTESIA, PERFURAÇÃO RADICULAR, TERAPIA DENTÁRIA INCORRETA E INFECÇÕES SE DERAM PELO NÃO USO DE DIQUE DE BORRACHA. O USO DE ISOLAMENTO ABSOLUTO DURANTE A COLOCAÇÃO DE PINOS PRÉ-FABRICADOS PROPORCIONA UMA TAXA DE SUCESSO SIGNIFICANTEMENTE MAIOR EM DENTES TRATADOS COM CANAL. Grampos para isolamento: Se dividem em grampos com asa e sem asa Possuem a função de manter o dique de borracha em posição e promovem o afastamento de tecidos gengivais. GRAMPOS COM ASAS LATERAIS: • 200 a 205: molares • 206 a 209: pré-molares • 210 a 211: anteriores GRAMOS SEM ASAS LATERAIS: • 26 e w8a: molares com pouca retenção • Grampo retrator/grampo cervical de ferrier (212): utilizado para gerar retração gengival QUAL GRAMPO ESCOLHER? • Formato do dente • Dimensões do dente • Grau de erupção do dente • Posição do dente • Tipo de cavidade e acesso ISOLAMENTO MODIFICADO: É uma adaptação técnica para casos de difícil vedamento, como dentes com destruição coronária severa, aparelhos ortodônticos ou pacientes com abertura bucal limitada. Ele garante um campo operatório seco e asséptico, utilizando barreiras extras (barreira gengival fotopolimerizável, cianoacrilato), isolamento em bloco e técnicas de amarrilho para máxima vedação. Isolamento em bloco/fenda: perfurações contínuas de canino a canino unidas com tesoura para isolar vários elementos de uma vez, útil para estabilizar o dique. ODONTOMETRIA RADIOGRÁFICA X LOCALIZADORES FORAMINAIS Servem para determinar o comprimento de trabalho (o limite interno) do canal radicular, garantindo que o tratamento de canal seja realizado até o forame apical, sem ultrapassar, garantindo sucesso e segurança. A radiografia oferece uma visão anatômica, enquanto o localizado fornece precisão eletrônica. Localizadores foraminais: • Precisão: alta, permitindo identificar o forame mesmo em situações complexas • Mecanismo: se baseia na impedância elétrica entre a lima e os tecidos periapicais • Dica técnica: melhor resultado ao ultrapassar o forame e recuar até a indicação “0” ou de forame • Limitações: exigem canal úmido e sem interferência metálica Odontometria radiográfica: • Precisão: inferior, sujeita a erros de angulação, sobreposição de estruturas e interpretação do operador. • Mecanismo: visualização do comprimento aparente do dente (CAD) e cálculo do comprimento real de trabalho (CRT) • Limitações: o forame não coincide necessariamente com o ápice radiográfico OBJETIVOS DO TRATAMENTO ENDODÔNTICO • Remover todo o conteúdo pulpar • Dar forma ao canal radicular • Obturação tridimensional • Devolver a função do dente LIMITE CDC (CANAL, DENTINA, CEMENTO): • Transição entre a polpa e o tecido periodontal • Término do preparo e obturação • Zona de maior constrição apical • Somente visualizada por cortes histológicos ZONA CRÍTICA APICAL: • Entre os 3-4mm do ápice radicular • Forame apical • Ramificações apicais • Canais acessórios e secundários Região anatômica de alta complexidade próxima ao forame apical (último 1-2mm). É onde se acumulam infecções e microorganismos devido a presença de deltas apicais (ramificações complexas do canal radicular principal em múltiplas ramificações e forames no terço apical da raiz, se assemelhando à letra grega delta), ramificações e canais acessórios. ODONTOMETRIA: • Etapa de grande importância que antecede a instrumentação dos canais • Visa estabelecer o limite apical da instrumentação e o nível da obturação do canal • Conhecimento da média de comprimento dos diferentes grupos dentais Um segmento apical não instrumentado com 1mm de extensão poderá abrigar milhares de células bacterianas COMPRIMENTO MÉDIO DE DENTES EM MM O comprimento ou limite de trabalho corresponde à distância entre um ponto de referência coronário ao ponto apical em que o preparo do canal e a obturação devem terminar. LIMITE APICAL DE INSTRUMENTAÇÃO COMPRIMENTO DE TRABALHO X PATÊNCIA FORAMINAL 1. A patência foraminal consiste na manutenção do forame apical livre de detritos “desentupir o forame apical) • É a passagem de uma lima de pequeno calibre (geralmente uma lima K#10 ou #15) 1mm além do forame apical (1mm além do limite de trabalho), de forma passiva, sem alargar o forame. • Tem como objetivo evitar o bloqueio do canal, reduzir a dor pós-operatória e facilitar a ação dos irrigantes na região apical. 2. O limite de trabalho é a extensão máxima para instrumentação e obturação • Geralmente estabelecido de 1 a 1,5mm aquém do ápice radiográfico (referência à região CDC- constrição dentinho-cemento-canal). Uso de localizadores eletrônicos foraminais é crucial para precisão. DIFERENÇA: a patência é uma manobra de limpeza para demover detritos no forame, enquanto o limite de trabalho é a medida onde a modelagem e a obturação final ocorrerão. ALARGAMENTO FORAMINAL É DIFERENTE DE PATÊNCIA: consiste em ampliar o forame, o que pode ser indicado em casos como biofilme apical extenso, mas com maior risco de extrusão de detritos. COMPRIMENTO DE TRABALHO: • Radiografia de diagnóstico • Ponto de referência deve ser estável • Mensuração com régua endodôntica milimetrada ERROS DO CÁLCULOCT 1. SUB INSTRUMENTAÇÃO/ OBTURAÇÃO: • Inadequada excisão da polpa • Sub-obturação • Formação de degrau • Surgimento ou permanência da lesão periapical • Persistência da dor 2. SOBRE INSTRUMENTAÇÃO/ OBTURAÇÃO: • Injurias a tecidos saudáveis: − Ação mecânica dos instrumentos − Ação química das substâncias irrigadoras • Aumento da dor pós operatória • Pode retardar ou impedir a cura 3. SOBRE EXTENSÃO (ocorre a passagem do cone de guta percha) • Não existe um selamento adequado • Há passagem de cone de guta percha • Reação inflamatória • Prejudicando o processo de reparo 4. SOBRE OBTURAÇÃO (extravasamento de cimento obturador) • Selamento adequado da região foraminal • Extravasamento de cimento obturador • Puff ou surplus (maior dor pós operatória devido ao extravasamento de cimento obturador) ANATOMIA APICAL: na grande maioria dos dentes os forames apicais não estão localizados no vértice radicular. Deveriam ser chamados de forames para apicais (quase 80% não coincidem) REQUISITOS DE UM MÉTODO: • Precisão • Fácil execução • Rapidez • Segurança no resultado • Facilidade de confirmação MÉTODOS PARA DETERMINAR O CT (COMPRIMENTO DE TRABALHO: • Tátil • Radiográfico • Eletrônico CÁLCULO CAD: comprimento aparente do dente: tamanho do dente na radiografia CTP: comprimento de trabalho provisório: CAD-2 CT: comprimento de trabalho: CTP +/- 1: EXEMPLO: • CAD: 21mm • CTP: CAD-2 • CTP: 21-2 • CTP:19MM +/-1 • CT OU CRT: 20MM Técnicas radiográficas: Métodos mais utilizados por clínicos e especialistas em terapia endodôntica BREGMAN, INGLE E BEST: • Desenvolveram técnicas que utilizam a imagem radiográfica e uma tabela contendo os valores médios do comprimento do elemento dental para determinar o comprimento real do dente (CRD) • Largamente utilizados • Não exigem auxilio de qualquer tipo de equipamento especial além da atenção e cuidado do profissional MÉTODO RADIOGRÁFICO: Dados adicionais (obstruções, desvios, número de canais, curvaturas, reabsorções, estágios de formação das raízes) LIMITAÇÕES: • Forame apical não coincide com o vértice radiográfico • Curvaturas apicais para vestibular ou palatina não são identificadas • Sobreposição de estruturas anatômicas ou grampos de isolamento DISCREPÂNCIA ENTRE A IMAGEM RADIOGRÁFICA DA LIMA Limite apical radiográfico não mostra a localização exata do forame apical LIMITAÇÕES DAS RADIOGRAFIAS: • Distorção de imagem • Sobreposições de estruturas (anatômicas e grampos) • Não coincidência de saída foraminal com o ápice anatômico • Métodobidimensional LOCALIZADORES ELETRÔNICOS FORAMINAIS: Se baseia na diferença entre a carga elétrica dos tecidos do ligamento periodontal e qualquer ponto do interior do canal • Método mais preciso • Maior rapidez na obtenção das medidas • Não sofre interferência de estruturas anatômicas • Não apresenta riscos para a saúde INDICAÇÕES: • Aplicação na maioria das situações endodônticas • Detecção de perfurações • Acompanhamento do CT em canais curvos • Superposição de estruturas anatômicas não ocorrem • Gestantes por não exposição a radiação • Pacientes com náusea • Superposição de canais não ocorre CONTRAINDICAÇÕES: Pacientes portadores de marcapassos cardíacos: devido a risco de interferência: não utilizar o localizador eletrônico foraminal nesses pacientes INTERFERENTES: • Restaurações metálicas: interferem no processo eletrônico da medição, por serem excelentes condutores de corrente elétrica. • Dentes calcificados: nos casos onde o instrumento endodôntico não percorre o trajeto do canal até o terço apical a leitura da constrição ficará comprometida. • Remoção da guta percha deve ser feita antes do uso do localizador PROTOCOLO: • Abertura coronária • Isolamento absoluto • Irrigação inicial • Preparo de terço cervical e médio Adaptar a presilha na lima, aspirar a substância irrigadora na câmara pulpar e avançar a lima em direção apical