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NERVOS 
 
1. INTRODUÇÃO 
O sistema nervoso humano é formado por 
estruturas especializadas que garantem o 
controle dos movimentos, sensações, 
respostas automáticas do corpo e integração 
entre órgãos e sistemas. Entre essas estruturas, 
estão os nervos cranianos e os nervos cervicais, 
que são fundamentais para a comunicação 
entre o cérebro e diversas regiões do corpo, 
com destaque especial para a face, cabeça, 
pescoço e parte superior do tronco. Esses 
nervos têm grande importância na área da 
Biomedicina Estética, pois estão ligados 
diretamente à sensibilidade da pele, 
movimentos musculares e possíveis reações 
durante procedimentos estéticos. 
 
2. NERVOS CRANIANOS 
Os nervos cranianos são 12 pares que saem 
diretamente do encéfalo (que inclui o cérebro, 
tronco encefálico e cerebelo) e passam por 
aberturas do crânio para alcançar estruturas da 
face, cabeça, pescoço e, no caso do nervo vago, 
até órgãos do tórax e abdômen. Eles são 
responsáveis por funções como movimento dos 
olhos, sensações do rosto, audição, fala, 
controle dos músculos da face, entre outras. 
 
2.1 Classificação Funcional 
Sensitivos: transmitem informações como 
olfato, visão, audição e paladar. Motores: 
controlam músculos, como os dos olhos, língua 
e pescoço. Mistos: fazem as duas funções — 
sensitiva e motora. 
 
2.2 Principais Funções (resumo dos pares 
cranianos) 
Nervo olfatório (I) – responsável pelo sentido do 
olfato. 
Nervo óptico (II) – conduz os estímulos visuais 
dos olhos até o cérebro. 
Nervo oculomotor (III) – comanda a maioria dos 
músculos que movimentam os olhos. 
Nervo troclear (IV) – movimenta o músculo que 
gira o olho para baixo e para fora. 
Nervo trigêmeo (V) – cuida da sensibilidade da 
face e também movimenta músculos da 
mastigação. 
Nervo abducente (VI) – move os olhos para o 
lado. 
Nervo facial (VII) – controla os músculos da 
expressão facial, além de atuar no paladar e 
produção de saliva. 
Nervo vestibulococlear (VIII) – responsável pela 
audição e pelo equilíbrio. 
Nervo glossofaríngeo (IX) – ajuda na deglutição 
e no paladar, além de participar da regulação da 
pressão arterial. 
Nervo vago (X) – atua no controle de vários 
órgãos internos, como coração, pulmões e 
intestinos. 
Nervo acessório (XI) – movimenta músculos do 
pescoço e ombros. • Nervo hipoglosso (XII) – 
comanda os músculos da língua. 
 
Figura 1 - nervos cranianos 
 
 
3. NERVOS CERVICAIS 
Os nervos cervicais são os primeiros nervos que 
saem da medula espinhal, localizados na região 
do pescoço. São 8 pares (de C1 a C8) e são 
muito importantes para a sensibilidade e os 
movimentos dessa região, além de algumas 
funções nos ombros, parte do tórax e membros 
superiores. Esses nervos formam redes 
chamadas plexos, sendo o plexo cervical e o 
plexo braquial os mais importantes dessa área. 
O plexo cervical é formado pelos nervos de C1 a 
C4 e comanda músculos do pescoço, parte do 
ombro e o diafragma (pelo nervo frênico, 
essencial para a respiração). 
O plexo braquial, que vai de C5 a T1, é 
responsável pela inervação dos braços e mãos. 
 
3.1 Funções 
Controlam os músculos do pescoço e parte dos 
ombros e braços. 
Levam sensações da pele do pescoço, ombros 
e parte da cabeça. 
Ajudam no funcionamento de algumas 
glândulas e tecidos profundos da região. 
 
Figura 2 - Plexo Cervical 
NETTER: Frank H. Netter Atlas De Anatomia 
Humana. 5 ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2011. 
 
Figura 3 - Anatômia do plexo cervical. 
 
4 Ramos Sensitivos e Motores da Face e 
Pescoço 
Três são os nervos que presidem à sensibilidade 
da face: trigêmeo, glosso-faríngeo e facial. 
Qualquer lesão irritativa no trajeto dos 
nervossensíveis, desde suas terminações 
periféricas até seus núcleos noneuro-eixo, 
provoca dor. Existem, também, dores 
provocadas pelas lesões dos istema simpático. 
Veremos, assim, as nevralgias do trigêmeo, a 
nevralgia doglosso-faríngeo, a nevralgia do 
facial e as simpatalgias acústicas. Além destes, 
outro tipo deve ser lembrado: a psicalgia facial. 
 
4.1 NEVRALGIAS DO TRIGÊMEO 
O trigêmio é um nervo mixto, sensitivo e motor – 
a raiz motora, partindo da protuberância, 
acompanha o tronco sensitivo até o gânglio de 
Gasser e, depois, o ramo maxilar inferior, para 
inervar os músculos da mastigação -porém, em 
seu trajeto periférico, recebe numerosos filetes 
simpáticos epara-simpáticos. O trigêmio tem, 
pois, além da ação motora (músculos da 
mastigação), funções sensitivas e vegetativas. 
O trigêmio dá à face a quase totalidade da sua 
inervação sensitiva. Atopografia da anestesia 
determinada pela seção do trigêmio, varia 
conforme seja seccionada a raiz do trigêmio ou 
um dos seus ramos. 
 
FIGURA 4 - Zona de inervação dos três nervos 
do nervo trigêmeo e seus ramos 
Fonte: Standring S, Gray H et al, Ed. 40 pág. 493, 
2009. 
 
 
Figura 5 - Nervo trigêmeo 
4.2 NEVRALGIA DO GLOSSO-FARÍNGEO 
 O glosso-faríngeo é um nervo de funções 
motora, sensitiva, sensorial e vegetativa. As 
células nervosas que têm origem nas fibras 
sensíveis estão localizadas nos gânglios de 
Andersch e de Ehrenditter, situadas na base do 
crânio. Estas células coletam, pelos seus 
dendritos, a sensibilidade do terço posterior da 
língua, da fossa amigdaliana, da face anterior 
da epiglota, da parte da caixa do tímpano, da 
trompa de Eustáquio e das células 
mastoidianas. As reações sensitivas, 
recolhidas na periferia são veiculadas, depois, 
pelos cilindros-eixos que terminam na parte 
média do núcleo solitário (bulbo-raquidiano): 
depois são levadas para os hemisférios 
periféricos pelos feixes bulbotalâmicos 
etálamo-parietais. Fora do território lingual, que 
os autores são acordados em admitir como 
exclusivo do glosso-faríngeo, as outras zonas 
sensíveis atribuíveis a este nervo são de limites 
planejados e, até, negados por alguns. 
As fibras do glosso-faríngeo são relacionadas, 
na sua distribuição periférica, por fibras 
parasimpáticas responsáveis pelas funções 
vegetativas do IX opar; tais fibras, provenientes 
do núcleo salivar inferior, presidindo à 
inervação da parótida, controlando parte 
importante da coluna salivar. Estas fibras 
alcançam a parótida seguindo as raízes do 
glosso-faríngeo, o gânglio de Andersch, o nervo 
de Jacobson, o pequeno nervo petroso 
profundo, o gânglio ótico e o nervo aurícula 
temporal. 
 
figura 6 - Nervos glossofaríngeo 
 
4.3 NEURALGIA DO FACIAL 
O nervo facial, exclusivamente motor, é 
acompanhado por fibras sensitivas, 
constituintes do nervo intermediário de 
Wrisberg, as quais são as responsáveis pela 
sintomatologia dolorosa. O intermediário de 
Wrisberg temsua origem no gânglio geniculado, 
localizado na pirâmide do rochedo. 
Os dendritos das células deste gânglio coletam 
a sensibilidade da zona de Ramsay-Hunt – 
conduto auditivo – região de cuja sensibilidade 
incluem quatro outros nervos: trigêmio, 
pneumogástrico, glosso-faríngeo e plexo 
cervical superficial. Além disso, os dendritos 
das células do gânglio geniculado também 
coletam parte da sensibilidade superficial, 
principalmente térmica, e agustação dos dois 
terços anteriores da língua. Os cilindros-eixos 
das células do gânglio geniculado dirigem-se 
para a porção superior do núcleo solitário, onde 
começa o deuto-neurônio sensitivo que se 
encaminha para o tálamo e, depois, para o 
córtex parietal. 
A síndrome de Ramsay-Hunt ou zona do gânglio 
geniculado, caracterizada – se pelo 
aparecimento de vesículas, que podem ser 
limitadas à parede posterior do meato auditivo 
externo e aos dois terços anteriores da língua, 
incluídos de dor nesses territórios. Via de regra, 
a dor é comparada à queimadura e precede ao 
aparecimento das vesículas; pode desaparecer 
quando as vesículas secam, mas geralmente 
perdura por muitas semanas e até meses. Por 
vezes as vesículas estendem-se ao pilar 
anterior do véu do paladar e ao pavilhão da 
orelha. Pode aparecer, também, uma paralisiafacial do tipo periférico, 4 a 5 dias depois do 
aparecimento das vesículas. Raramente a 
paralisia precede ou é concomitante à glória 
zoosteriana. Não raras vezes, as vesículas são 
em tão pequeno número ou tão discretas que 
passam desapercebidas. Uma paralisia facial 
acompanhada de dor no pavilhão da orelha, 
deve fazer pensar na zona do gânglio 
geniculado. Sinais vestibulares ou auditivos 
vertigem, leve surdês ou zumbidos) podem 
fazer parte do quadro sintomático e seu 
aparecimento pode preceder a dor e à 
homenagem. 
 
 
figura 7 - nervo facial 
 
 
5 VARIAÇÕES ANATOMICAS 
 
5.1 Nervo Trigêmeo (V par craniano) 
Forames acessórios ao lado do forame 
infraorbitário podem permitir a emergência de 
ramos infra órbitarios adicionais, alterando a 
inervação da bochecha. 
Anastomoses com nervos cervicais, como o 
nervo auricular maior, podem ampliar a área de 
inervação sensitiva da mandíbula e ângulo da 
face. 
 
 
 
 
5.2 Nervo Facial (VII par craniano) 
Estudos demonstram que o nervo facial pode 
apresentar duplicações, como a duplicação do 
segmento mastoide, associada a anomalias do 
ouvido médio e atresia do canal auditivo 
externo. 
Classificações recentes identificam padrões 
de ramificação complexos, incluindo redes 
plexiformes e troncos duplos, com prevalência 
significativa em determinadas populações 
 
5.3 Nervo Glossofaríngeo (IX par craniano) 
Relatos descrevem variações raras do nervo 
glossofaríngeo, como um ramo descendente 
ao longo da parede posterior da faringe até o 
esôfago, sem interações com ramos do nervo 
vago. 
 Comunicações entre o nervo glossofaríngeo, o 
plexo carotídeo externo e a alça cervical 
superficial foram observadas, indicando 
possíveis vias alternativas de inervação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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	1. INTRODUÇÃO
	2. NERVOS CRANIANOS
	2.1 Classificação Funcional
	2.2 Principais Funções (resumo dos pares cranianos)
	3. NERVOS CERVICAIS
	3.1 Funções
	4 Ramos Sensitivos e Motores da Face e Pescoço
	4.1 NEVRALGIAS DO TRIGÊMEO
	4.2 NEVRALGIA DO GLOSSO-FARÍNGEO
	4.3 NEURALGIA DO FACIAL
	5 VARIAÇÕES ANATOMICAS
	5.1 Nervo Trigêmeo (V par craniano)
	5.2 Nervo Facial (VII par craniano)

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