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problemas socioambientais e ameaçam o bem-estar das próximas gerações — uma
realidade resultante de um desenvolvimento econômico que nem sempre esteve
atento, ou preocupado, com questões ambientais.
Nesse sentido, podemos afirmar que a necessidade do desenvolvimento deve ser
compatível com a capacidade geradora de recursos do meio ambiente. Frente a uma
realidade de degradação ambiental é urgente que se estabeleçam mecanismos de
preservação do meio ambiente e, por conseguinte, mecanismos de preservação da
vida. Nessa perspectiva, destacam-se algumas preocupações socioambientais.
Vejamos a seguir, de maneira detalhada, a situação ambiental e suas consequências.
É importante observar as constantes situações de degradação do meio ambiente e
os reflexos das degradações de produção e reprodução da vida dos trabalhadores.
Toda a sociedade já sente os efeitos do meio ambiente degradado, os recursos
naturais já são entendidos como algo que pode ser finito e a busca por água potável,
por exemplo, pode ser uma grave consequência que a humanidade pode ter que
enfrentar num futuro não muito distante, principalmente alguns países pobres. Para
os assistentes sociais, este é um tema que não pode ser descartado, a cada ano que
passa mais e mais são exigidos conhecimentos sobre a temática socioambiental, a
intervenção profissional deve ocorrer de forma articulada, o projeto ético-político
aliado às novas demandas sociais (FREITAS, 2013).
Sobre o projeto ético-político profissional destaca-se relevante, nos dias de hoje,
uma abordagem que contemple a tradição marxista diante das questões
socioambientais. Enquanto isso, existem profissionais que percebem a questão
Quadro 1 - Questões socioambientais para suprir as necessidades atuais sem comprometer as próximas
gerações. Fonte: Elaborado pela autora, adaptado de MATOS (1998).
socioambiental em todas as relações entre as pessoas e a natureza não permitindo a
reprodução adequada, sendo uma das consequências do modo de produção
capitalista e uma demanda a receber intervenção.
Quando mencionamos questão socioambiental deve-se pensar nas mudanças
climáticas, no aquecimento global, no efeito estufa, na redução da camada de
ozônio, no desflorestamento, na redução da biodiversidade, no descarte de resíduos
sólidos, no consumo excessivo de recursos não renováveis e nas outras
problemáticas ambientais que influenciam o cotidiano da sociedade com
desdobramentos ambientais e sociais.
Ressaltamos ainda que as desigualdades sociais também são encontradas nas
questões ambientais, os efeitos da degradação ambiental provocado pelas
indústrias, pelo descarte indevido de excessivos bens de consumo sobre a natureza
são apenas alguns casos do esgotamento dos recursos naturais. Estes podem
ocorrer em padrões diferentes para aqueles que dominam e para os que são
dominados, visto que relações de dominação, poder e classe também se expressam
como questão social nesse cenário. Podemos afirmar que países pobres da África
sofrem com a falta de água para beber enquanto países ricos continuam
contaminando seus mananciais e importando água potável.
O debate sobre o desenvolvimento socioambiental é fundamental para pensar as
questões que surgem nesse contexto. Tal debate tem sido orientado por teorias
cujos pressupostos procuram fundamentar o processo de crescimento econômico e
sua relação com o meio ambiente. A exemplo temos a teoria do desenvolvimento
endógeno para quem o crescimento ocorreria em decorrência das melhorias
tecnológicas automáticas e não das questões exógenas que compreendiam as forças
econômicas apenas por trás do progresso tecnológico.
O paradigma do desenvolvimento endógeno consiste, de acordo com Matos (1998),
numa multiplicidade de fatores, nomeadamente, a mobilização integral dos
recursos humanos, naturais e institucionais, associada a uma forte mobilização da
população, assim como das suas estruturas políticas e sociais organizadas numa
base territorial, passando o território a ser entendido como um recurso de
dimensões múltiplas ao refletir as interdependências entre fatores desencadeadas e
controladas numa base territorial “de baixo para cima” mobilizando de forma
integral os recursos disponíveis (MATOS, 1998).
Na visão de Steinberger (2006), o desenvolvimento endógeno pode ser considerado
o mais igualitário. Ainda para este autor, pode ser denominado de economia
regional, este um conceito voltado para a geografia econômica.
O autor entende a localização da produção no espaço, ou seja, o ramo da economia
que se preocupa como e onde ocorrem as coisas. Nesse sentido adotado por
Steinberger (2006), a maior parte da economia regional e algumas questões da
economia urbana constituem a geografia econômica.
VOCÊ SABIA?
Desenvolvimento regional é o apoio para que todas as regiões tenham possibilidades de se
desenvolver igualmente. As regiões que alcançaram um padrão de desenvolvimento econômico mais
alto auxiliam locais que ainda não obtiveram êxito em sua economia para que todos sejam
beneficiados. As políticas locais e sub-regionais precisam se articular e encontrar nexo na política
nacional (BRANDÃO; SIQUEIRA, 2013).
Sabendo que a questão do microespaço e do localismo ganharam sua importância
nas últimas décadas, podemos inserir o assistente social nesse cenário? Sim, essa é
mais uma área de intervenção do profissional se entendermos que a questão
socioambiental é uma forma de expressão da questão social.
A construção das cidades no país, por séculos, esteve voltada às regiões centrais ou
de destaque produtivo, a própria modernização recriou atrasos no desenvolvimento
(MARICATO, 1996). Para que a questão socioambiental sofra algum tipo de
intervenção por parte do assistente social, este deve contar com o apoio de atores
locais integrados à problemática, por meio de ações localistas, e com o intuito de
solucioná-la, pois o mero conhecimento superficial sobre a temática, ou a ação não
articulada não favorecem sua solução.

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