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Processos de fabricação UNIVERSIDADE DE UBERABA Eng Produção-NOVO.indd 1Eng Produção-NOVO.indd 1 25/08/2021 09:21:1125/08/2021 09:21:11 © 2021by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Coordenação de Graduação a Distância Sílvia Denise dos Santos Bisinotto Editoração e Arte Produção de Materiais Didáticos-Uniube Projeto da capa Agência Experimental Portfólio Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central Uniube P941 Processos de fabricação / Daniel Fernandes da Cunha, Janaína Aparecida Pereira, José Aécio Gomes de Sousa, Mauro Paipa Suarez. – Uberaba : Universidade de Uberaba, 2021. 164 p. : il. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. Inclui bibliografia ISBN 1. Processos de fabricação. 2. Usinagem. 3. Administração da produção. I. Cunha, Daniel Fernandes da. II. Pereira, Janaína Aparecida. III. Sousa, José Aécio Gomes de. IV. Suarez, Mauro Paipa. V. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. VI. Título. CDD 671.35 Eng Produção-NOVO.indd 2Eng Produção-NOVO.indd 2 25/08/2021 09:21:1125/08/2021 09:21:11 III Sobre os autores Daniel Fernandes da Cunha Mestre em Materiais e Processos de Fabricação pela Universidade Federal de Uberlândia (2012). Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Federal de Uberlândia (2012). Graduado em Engenharia Mecânica (2009). Janaína Aparecida Pereira Doutouranda em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia.Gradua em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia. Pesquisadora do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Usinagem LEPU – FEMEC - UFU desde 2007. José Aécio Gomes de Sousa Mestre em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia. Graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Ceará. Professor de disciplinas afins das áreas das Engenharias (computação, civil, elétrica, produção). Mauro Paipa Suarez Possui graduação em Engenharia de Projetos e Automação Eletrônica pela Universidade de La Salle (2005), Bogotá/Colômbia. Tem experiência na área de CNC, pneumática , hidráulica, CLP e processos de automação industrial. Possui Mestrado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (2008). Tem experiência na área de Engenharia de Materiais e Metalúrgica, com ênfase em processos de fabricação, atuando principalmente nos seguintes temas: precisão dimensional, balanço energético, alumínio aeronáutico, fresamento de topo. Possui Doutorado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Uberlândia (2012) com experiência em torneamento e texturizacão a LASER de ferramentas de corte. Atualmente atua como professor de engenharias na Faculdade Pitágoras Uberlândia - MG. Eng Produção-NOVO.indd 3Eng Produção-NOVO.indd 3 25/08/2021 09:21:1125/08/2021 09:21:11 Eng Produção-NOVO.indd 4Eng Produção-NOVO.indd 4 25/08/2021 09:21:1125/08/2021 09:21:11 O livro Processos de fabricação compõe-se de quatro capítulos escritos com a intenção de ajudá-lo(a) na sua formação como engenheiro de produção. O primeiro capítulo, intitulado “Processos de fabricação”, procura dar a você uma visão sintética dos processos de fabricação mais comuns dentro de uma empresa considerando a chamada linha de produção, que envolve a otimização do tempo de produção, os custos envolvidos e o rendimento do processo. Em suma: o que se pretende é dar uma visão de como administrar o processo de fabricação. Para tanto, será necessário conhecer a evolução histórica da produção antes e depois da revolução industrial. “Usinagem convencional” é o nome do segundo capítulo. Antes de abordar o tema central do capítulo, você aprenderá o que é um processo de fabricação e que operações estão aí envolvidas, quais os processos existentes, as possibilidades e os limites de cada um deles para se ter parâmetros seguros na escolha do processo mais adequado. Conhecerá os dois grupos de processos de fabricação, com remoção de cavaco e sem remoção de cavaco. Este se subdivide em dois outros grupos: processos convencionais de usinagem e processos não convencionais de usinagem. Após isso, sua atenção deverá se concentrar no processo convencional de usinagem, buscando conhecê-lo de forma mais aprofundada. Você terá então oportunidade de conhecer os principais processos de usinagem convencional, tais como o torneamento, o fresamento, a furação, o aplainamento e a retificação. Prosseguindo seu estudo, você entrará em contato com os processos especiais de manufatura. Estudará, primeiramente, os conceitos fundamentais dos processos e equipamentos especiais utilizados na manufatura, para, depois, se ocupar dos processos não convencionais de usinagem empregados nas indústrias, os processos mecânicos, elétricos, térmicos, químicos e também os processos especiais de união de materiais, tais como soldagem a laser, plasma, entre outros. Finalmente, no quarto e último capítulo, “Fundamentos e aplicação do controle numérico computadorizado”, você aprenderá os fundamentos da programação numérica computadorizada e a sua aplicação. O conhecimento do CNC – Controle Numérico Computadorizado – é parte indispensável da formação atual de um engenheiro de produção. Com essa formação, que envolve o conhecimento das partes de uma máquina CNC, os tipos de máquinas disponíveis no mercado e os tipos de programação, você saberá como implementar soluções em uma linha de produção. Neste momento, você poderá vivenciar o funcionamento de cada um dos processos em situações hipotéticas que reproduzem o dia a dia nas linhas de produção das grandes empresas fabris. Apresentação Eng Produção-NOVO.indd 5Eng Produção-NOVO.indd 5 25/08/2021 09:21:1125/08/2021 09:21:11 Esperamos que este livro seja de grande proveito para você, fornecendo-lhe as bases de um conhecimento indispensável na sua formação. Estamos certos de que você saberá enriquecê-lo com a aquisição de conhecimentos complementares ao longo de seu curso e com aqueles que, após o curso, irá adquirir no exercício de sua profissão. Bons estudos! Eng Produção-NOVO.indd 6Eng Produção-NOVO.indd 6 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 Sumário Capítulo 1 Processos de fabricação .........................................................................1 Capítulo 2 Usinagem convencional ........................................................................29 Capítulo 3 Processos especiais de manufatura .....................................................73 Capítulo 4 Fundamentos e aplicação do controle numérico computadorizado ... 113 Eng Produção-NOVO.indd 7Eng Produção-NOVO.indd 7 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 Eng Produção-NOVO.indd 8Eng Produção-NOVO.indd 8 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 1 PROCESSOS DE FABRICAÇÃO Ao longo de sua história, os seres humanos utilizam a inteligência e ferra- mentas para tornarem suas vidas mais agradáveis e diminuírem o esforço para completar suas tarefas do cotidiano, seja uma tarefa repetitiva ou algu- ma esporádica. A forma mais antiga dos processosda máquina. O torneamento radial caracteriza-se como sendo o processo de torneamento no qual a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea, perpendicular ao eixo principal de rotação da máquina. No perfilhamento, a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea radial ou axial, visando à obtenção de uma forma determinada pelo perfil da ferramenta. Os movimentos de corte no torneamento podem ser observados na Figura 5. Eng Produção-NOVO.indd 41Eng Produção-NOVO.indd 41 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 42 Figura 5: Movimentos de corte no processo de torneamento. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004) 2.8.1.1 O torno O torno mais simples que existe é o torno universal. Estudando seu funcionamento, é possível entender o funcionamento de todos os outros, por mais sofisticados que sejam. Esse torno possui eixo e barramento horizontais e tem a capacidade de realizar as seguintes operações: tornear superfícies cilíndricas externas e internas, tornear superfícies cônicas externas e internas, roscar superfícies externas e internas e perfilar superfícies. Além dessas operações, também é possível furar, alargar, recartilhar, roscar com machos ou cossinetes, mediante o uso de acessórios próprios para a máquina-ferramenta (ROSA, 2006). Assim, todos os tornos, respeitando-se suas variações de dispositivos ou dimensões exigidas em cada caso, são compostos, basicamente, das mesmas partes. Essas partes componentes são comuns a todos os tornos. O que diferencia um dos outros é a capacidade de produção, se é automático ou não, o tipo de comando: manual, hidráulico, eletrônico, por computador etc. (ROSA, 2006). Corpo da máquina: barramento, cabeçote fixo e móvel, caixas de mudança de velocidade.Sistema de transmissão de movimento do eixo: motor, polia, engrena- gens, redutores. Sistemas de deslocamento da ferramenta e de movimentação da peça em dife- rentes velocidades: engrenagens, caixa de câmbio, inversores de marcha, fusos, vara etc. Sistemas de fixação da ferramenta: torre, carro porta-ferramenta, carro transversal, carro principal ou longitudinal e da peça: placas, cabeçote móvel. Comandos dos movimentos e das velocidades: manivelas e alavancas. A Figura 6 apresenta a imagem de um torno convencional com a discriminação de suas principais partes e componentes. Eng Produção-NOVO.indd 42Eng Produção-NOVO.indd 42 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 43 a. Placa d. Torre porta-ferramentas g. Barramento b. Cabeçote fixo e. Carro transversal h. Cabeçote móvel c. Caixa de engrenagens f. Carro principal i. Carro porta-ferramenta Figura 6: Principais partes que compõem o torno. Fonte: Adaptado de Feng/Pucrs (a), 2008. O torno é uma máquina-ferramenta que pode executar diversas operações com finalidades específicas de acordo com o formato da peça a ser fabricada. Entre as operações que um torno pode realizar em uma peça, estão: • faceamento: operação realizada com o movimento de avanço da ferramenta no sentido perpendicular ao eixo de rotação da peça. Com esta operação, obtêm-se superfícies planas; • sangramento: nesta operação, ocorre um movimento transversal como no faceamento, porém o objetivo aqui é separar uma determinada porção de material de uma peça (cortar); • torneamento longitudinal: operação que resulta em uma geometria cilín- drica, coaxial ao centro de rotação; • torneamento de rosca: nesta operação, os valores do avanço são escolhi- dos de tal maneira a realizar o filetamento da peça em um passo estabeleci- do, formando-se, assim, a rosca; • perfilamento: nesta operação, uma ferramenta com perfil semelhante ao perfil que se deseja ao final da fabricação realiza movimento de avanço perpendicular ao eixo de rotação da peça. Eng Produção-NOVO.indd 43Eng Produção-NOVO.indd 43 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 44 Figura 7: Operações realizadas pelo torno. Fonte: Adaptado de Ferraresi, 1977. Eng Produção-NOVO.indd 44Eng Produção-NOVO.indd 44 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 45 2.8.1.2 Ferramentas para torneamento As ferramentas para torneamento podem ter formato de bits (bit) ou pastilhas (insertos). Os mais comumente utilizados atualmente são os insertos devido à sua grande versatilidade (vários formatos, geometrias, revestimentos etc.). Os insertos promovem economicidade na linha de produção, pois, a princípio, não é necessária a troca do suporte, apenas do inserto (desde que o suporte acomode o tipo de geometria do inserto). Figura 8: Diversos formatos de suporte e insertos para torneamento. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004). 2.8.1.3 Materiais para ferramentas de corte As ferramentas são fabricadas de diversos materiais e podem receber ou não revestimentos que lhes conferem maior resistência ao desgaste, prolongando sua vida útil. As ferramentas de corte, para desempenhar bem seu papel de retirar material na forma de cavaco, devem possuir vários requisitos, entre eles: • resistência à compressão; • dureza; • resistência à flexão e tenacidade; • resistência do gume; • resistência interna de ligação; • resistência a quente; • resistência à oxidação; • pequena tendência à fusão e ao caldeamento; • resistência à abrasão; • condutibilidade térmica, calor específico e expansão térmica adequada. Eng Produção-NOVO.indd 45Eng Produção-NOVO.indd 45 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 46 Entre os principais materiais utilizados na fabricação de ferramentas, estão (MACHADO et. al 2009; FERRARESI, 1977; COSTA E SANTOS, 2006; STOETERAU, SCHROETER E WEINGAERTNER, 2004): Aço carbono: utilizado em baixíssimas velocidades de corte, no ajuste de peças. • Com elementos de liga (V, Cr, Mo e W): até 400° C (brocas, machos etc.). • Principal material utilizado até 1900. • Baixo custo. • Facilidade de afiação. • Tratamento térmico relativamente simples. • Elevada dureza e resistência ao desgaste. • Resiste à temperatura de até aproximadamente 250°C. Aço rápido: o 1° grande impulso para materiais para ferramentas de corte. • Operações de baixa e média velocidade de corte, dureza a quente até 600° C. • Seus elementos de ligas são o W (tungstênio), Co (cobalto), Mo (molibdênio), Cr (cromo) e V (vanádio). • Dureza de 60 a 67 HRC. • Resistem à temperatura de até, aproximadamente, 520 a 600°C. • Tratamento térmico complexo. • Preço elevado. Metal duro: o 2° grande impulso. • Compreende o WC + Co, fabricado pelo processo de sinterização (metalurgia do pó: processo pelo qual os pós são misturados e levados a condições controladas de pressão e calor). • O metal duro pode ser encontrado no mercado, principalmente na forma de pastilhas intercambiáveis, sem revestimento, ou revestidas com TiC, Al2O3 (alumina). • As ferramentas de cortes de metal duro operam com elevadas velocidade de corte e temperaturas. • Desenvolvimento 1927 – Leipzig. • Composição típica: 81% W, 6% C e 13% Co – (WC-Co). • Resistem à temperatura de até, aproximadamente, 1000°C (mesma dureza que o aço rápido à temperatura ambiente). • Possibilidade de usinagem com maiores valores de velocidade de corte do que os aços rápidos e aços ferramenta. • Aumento na vida útil das ferramentas na ordem de 200 a 400%. • Boa distribuição da estrutura. • Boa resistência à compressão. • Boa resistência ao desgaste a quente. As ferramentas de metal duro são divididas em classes de acordo com sua com- posição e aplicação: Eng Produção-NOVO.indd 46Eng Produção-NOVO.indd 46 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 47 Figura 9: Classificação das ferramentas de metal duro. Fonte: Adaptado de Machado et. al, 2009. Cermets: grupo intermediário entre os metais duros e as cerâmicas. Constituído por TiC (carboneto de titânio) e TiN (nitreto de titânio) e geralmente tem o Ni (níquel) como elemento ligante. Devido à baixa condutividade térmica e ao alto coeficiente de dilatação, os cermets têm um baixo coeficiente de resistência ao choque térmico, bem inferior ao do metalduro. Daí a explicação do cermets só ser eficiente em baixos avanços, pequenas profundidades de corte e altas velocidades (operações de acabamento) na usinagem dos ferrosos. Cerâmicas: são constituídas basicamente de grãos finos de Al2O3 e Si3N4 sinte- rizados, a velocidade de corte de 3 a 6 vezes maior que a do metal duro. Elas se dividem basicamente em dois grandes grupos: Eng Produção-NOVO.indd 47Eng Produção-NOVO.indd 47 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 48 • a base de Al2O3 (alumina sinterizada), • a base de Si3N4 (mesma resistência ao desgaste, porém com uma tenacidade superior). As ferramentas cerâmicas têm capacidade de suportar altas temperaturas (materiais refratários), possuem alta resistência ao desgaste (alta dureza), baixa condutividade térmica e boa estabilidade química (inércia química). Ultraduros: são materiais com dureza em torno de 3000 HV (dureza na escala Vickers). O que limita a aplicação dos ultraduros é o seu alto custo. O preço destas pastilhas está em torno de 80 vezes, o preço do metal duro é de 15 a 25 vezes o preço da cerâmica. Entre eles, estão: • diamante natural: • diamante sintético monocristalino; • diamante sintético policristalino (PCD); • nitreto cúbico de boro sintético monocristalino (CBN); • nitreto cúbico de boro sintético policristalino (PCBN) 2.8.1.4 Grandezas importantes no processo de torneamento • Velocidade de corte - Vc – expressa em m/min (metros por minuto): é a velocidade linear relativa entre a ponta da ferramenta e a peça em rotação. • Avanço - f - expresso em mm/rot (milímetros por rotação) ou mm/rev (milímetros por revolução): é a distância percorrida pela ferramenta por revolução da peça. Esta grandeza é que permite remoção contínua de material da peça. • Profundidade de corte - ap – expressa em mm (milímetros): é a espessura ou profundidade de penetração da ferramenta na peça que está sendo usinada. É medida perpendicularmente ao plano de trabalho. 2.8.2 Fresamento O fresamento é um processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies com a utilização de ferramentas geralmente multicortantes (várias arestas de corte em ação). No fresamento, a ferramenta gira e a peça ou a ferramenta se desloca segundo uma trajetória qualquer. O processo de fresamento pode ser dividido em dois tipos básicos: 1. Fresamento tangencial É um tipo de fresamento destinado à obtenção de superfícies planas paralelas ao eixo de rotação da ferramenta. Neste tipo de fresamento, as arestas cortantes estão na periferia da ferramenta e o eixo da ferramenta é paralelo à superfície a ser usinada. As ferramentas utilizadas neste tipo são chamadas fresas cilíndricas tangenciais. Eng Produção-NOVO.indd 48Eng Produção-NOVO.indd 48 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 49 2. Fresamento frontal ou de topo Processo destinado à obtenção de superfícies planas perpendiculares ao eixo de rotação da ferramenta em que os dentes ativos estão na superfície frontal da ferramenta, cujo eixo é perpendicular à superfície a ser usinada. As ferramentas usadas no fresamento frontal são chamadas fresas frontais ou de topo. A Figura 10 mostra os movimentos de corte para o processo de fresamento de topo. Figura 10: Movimentos de corte no fresamento de topo. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004). O fresamento é uma operação de grande aplicação na usinagem de peças, e suas principais vantagens são a variedade de formas e superfícies que podem ser produzidas, a qualidade dos acabamentos superficiais, altas taxas de remoção de cavaco (alta produtividade) e ampla variedade de ferramentas. Os parâmetros que descrevem o corte são movimentos relativos entre a ferramenta e a peça, em que o movimento de corte é dado pela rotação da ferramenta ou da peça, resultando em uma velocidade de corte. O movimento de avanço é, normalmente, retilíneo e pode ser dado tanto pela ferramenta como pela peça, resultando em uma velocidade de avanço. Esses dois movimentos ocorrendo simultaneamente irão definir a velocidade efetiva de corte (SUAREZ, 2008). 2.8.2.1 Grandezas importantes no processo de fresamento Os autores Diniz, Marcondes e Coppini (2001) propuseram as seguintes definições para os parâmetros no fresamento: • movimento de rotação – n, expresso em rpm (rotações por minuto): número de voltas que a fresa dá em torno do seu eixo por unidade de tempo; Eng Produção-NOVO.indd 49Eng Produção-NOVO.indd 49 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 50 • velocidade de corte – Vc, expressa em m/min (metros por minuto): é a velocidade instantânea do ponto de referência da ferramenta de corte, segundo a direção e sentido de corte. A velocidade de corte é uma velocidade tangencial; • avanço por revolução – f, expresso em mm/rev: é a distância linear percorrida pelo conjunto de dentes que compõem uma fresa durante uma revolução, medida no plano de trabalho; • avanço por dente – fz, expresso em mm/dente: é a distância linear percorrida por um dente da fresa no intervalo em que dois dentes consecutivos entram em corte, medida no plano de trabalho; • velocidade de avanço – Vf, expressa em mm/min: é a velocidade instantânea do ponto de referência da ferramenta de corte, segundo a direção e o sentido de avanço. No fresamento, o movimento de avanço é provocado pela translação da ferramenta sobre a peça (ou translação da peça sob a ferramenta, quando é a mesa que se movimenta); • número de dentes – z: é o número total de dentes que uma fresa possui; • profundidade de corte ou largura de corte – ap, expressa em mm: é a profundidade ou largura de penetração da ferramenta na peça, medida perpendicularmente ao plano de trabalho (na direção do eixo da fresa). No fresamento frontal, ou de topo, ap corresponde à profundidade de corte enquanto no fresamento tangencial corresponde à largura de corte; • penetração de trabalho – ae, expressa em mm: é a quantidade que a ferramenta penetra na peça medida no plano de trabalho e perpendicular à direção de avanço; • penetração de avanço – af, expressa em mm: penetração da ferramenta medida no plano de trabalho, na direção de avanço. Figura 11: Profundidade de corte, penetração de trabalho e penetração de avanço Fonte: Suarez, 2008. O processo de fresamento pode ser classificado, de acordo com o sentido da velocidade de corte e do avanço, em fresamento concordante ou fresamento dis- cordante. Eng Produção-NOVO.indd 50Eng Produção-NOVO.indd 50 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 51 1. Fresamento concordante Diz-se que o fresamento é concordante quando o sentido do movimento de avanço é o mesmo do movimento rotatório da fresa. A força de avanço ocorre no mesmo sentido do deslocamento da fresa. 2. Fresamento discordante O sentido do movimento de avanço é contrário ao movimento de rotação da fresa. No início do corte, quando a fresa toca a peça e a empurra para baixo, causando uma força que tende a afastar ferramenta e peça. Em seguida, a força de corte aponta para cima, o que faz com que a fresa puxe a peça ao seu encontro. Esta variação de intensidade e do sentido da força de corte produz vibrações que prejudicam a tolerância e o acabamento superficial da superfície fabricada. 2.8.2.2 Classificação das ferramentas para fresamento A tabela, apresentada a seguir, mostra a classificação das fresas quanto às formas que elas podem ser fabricadas. Tabela 1: Classificação das fresas Eng Produção-NOVO.indd 51Eng Produção-NOVO.indd 51 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 52 Fonte: CIMM (2007) Outra maneira de se classificar as fresas é de acordo com a forma dos dentes como mostrado na Tabela 2. Tabela 2: Classificação das fresas de acordo com o formato Fonte: CIMM, 2007 Eng Produção-NOVO.indd 52Eng Produção-NOVO.indd 52 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 53 2.8.3 Furação A norma DIN 8589, citada por Ferraresi (1977), define furação como sendo um processo de usinagem com movimento de corte circular(movimento rotativo) destinado a produzir furos. Na furação, a ferramenta (broca) possui movimento de avanço na direção do seu eixo de rotação, que mantém sua posição em relação à ferramenta e à peça. Os movimentos no processo de furação são definidos de forma análoga aos movimentos no processo de torneamento. A diferença é que a velocidade de corte na furação fica em função da rotação da ferramenta em torno de seu próprio eixo. Os esforços aos quais uma broca é submetida são, basicamente, flexão e torção. Caso a fiação da broca seja tal que as arestas de corte não sejam simétricas, ocorrerá também um esforço de flexão sobre ela (AMORIM, 2003). A Figura 12 mostra os movimentos de corte para o processo de furação. Figura 12. Movimentos de corte na furação. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004). 2.8.3.1 Grandezas importantes no processo de furação As grandezas de corte no processo de furação são ajustadas na máquina, direta ou indiretamente. • Velocidade de corte - v c , expressa em m/min: é a velocidade instantânea no ponto de referência da aresta cortante, segundo uma direção e sentido de corte. A velocidade de corte está relacionada diretamente com o diâmetro do furo e com a rotação da ferramenta. • Profundidade de corte - a p , expressa em mm: a profundidade de corte (ap) é a profundidade de penetração da aresta principal de corte, medida perpendicularmente ao plano de trabalho sendo que na furação em cheio corresponde à metade do diâmetro da ferramenta. Eng Produção-NOVO.indd 53Eng Produção-NOVO.indd 53 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 54 • Avanço - f, expresso em mm: é o percurso linear por revolução em uma direção paralela ou coincidente com o eixo do furo. 2.8.3.2 Classificação das brocas As brocas helicoidais são classificadas em três grupos de acordo com seu ângulo de hélice, como mostrado na Tabela 3. Tabela 3: Classificação das brocas quanto ao ângulo de hélice Fonte: DIN 1836, 1977 As brocas mais amplamente usadas na indústria são as brocas helicoidais. Estas podem ser divididas em 3 partes (AMORIM, 2003): • Ponta – onde se localizam as arestas principais e transversal de corte; • Corpo – parte da broca que contém os canais helicoidais; Eng Produção-NOVO.indd 54Eng Produção-NOVO.indd 54 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 55 • Haste – onde é feita a fixação da ferramenta. De acordo com o mecanismo de fixação, podem ser: • Cilíndrica – para montagem em mandril; • Cônica – para montagem em cone morse. As guias são “ressaltos” observados na superfície externa da broca. Têm as fun- ções de guiar a ferramenta e reduzir o atrito dessa com o furo. Figura 13: Broca helicoidal. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004). 2.8.3.3 Classificação dos processos de furação O processo de furação divide-se em quatro tipos de acordo com o tipo de furo que ele se destina a produzir. A classificação normalmente utilizada é: 1. Furação em cheio Destina-se a produzir furos cilíndricos retirando todo o material contido no volume do furo. 2. Furação com rebaixo Produz furos onde se têm dois diâmetros diferentes no mesmo furo, porém com profundidades diferentes. O diâmetro menor é passante e o maior é menos profundo. 3. Furação de escareamento Destina-se a produzir furos em que o diâmetro maior é em ângulo (furo escareado). 4. Furação de furo cego Produz furos nos quais uma parte do material contido no volume do furo não é removida. Neste caso, ao contrário da furação de furos passantes, a ferramenta não atravessa a peça. Eng Produção-NOVO.indd 55Eng Produção-NOVO.indd 55 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 56 Fonte: Ferraresi, 1977 Tabela 4: tipos de furação A título de informação, os fabricantes de ferramentas disponibilizam catálogos técnicos muito detalhados contendo descrição das brocas, dimensões, aplicações, valores dos parâmetros de corte ideais e dicas de escolha e utilização de brocas para melhor desempenho na usinagem. Até mesmo solução de problemas passíveis de ocorrerem durante a utilização das brocas pode ser encontrada em alguns desses catálogos. Eng Produção-NOVO.indd 56Eng Produção-NOVO.indd 56 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 57 Figura 14: Principais tipos de furadeiras. Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004). 2.8.4 Aplainamento Aplainamento é uma operação de usinagem destinada a obter superfícies planas em posição horizontal, vertical ou inclinada. A plaina, que é a máquina utilizada nas Eng Produção-NOVO.indd 57Eng Produção-NOVO.indd 57 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 58 operações de aplainamento, utiliza ferramentas que possuem apenas uma aresta cortante (ferramenta monocortante). Esta ferramenta retira o material da superfície da peça realizando movimentos lineares e alternativos. Enquanto a ferramenta realiza o movimento alternativo, a peça realiza movimento de avanço transversal (passo do avanço). Uma plaina limadora pode realizar operações de estriar, abrir rasgos, rebaixos, chanfros e faceamento de topo. Como no aplainamento, o corte é feito em um único sentido, o curso de retorno da ferramenta é um tempo perdido, o que torna esse processo mais lento quando comparado a outros que cortam continuamente, como o torneamento. A ferramenta exerce uma forte pressão sobre a peça, por isso ela deve estar bem presa à mesa da máquina. Quando a peça é pequena, ela é presa por meio de uma morsa e com o auxílio de cunhas e calços. As peças maiores são presas diretamente sobre a mesa por meio de grampos, cantoneiras e calços. As plainas podem ser de dois tipos: 1. Plaina limadora vertical ou horizontal A plaina limadora apresenta movimento retilíneo alternativo que move a ferramenta sobre a superfície plana da peça retirando o material em forma de cavaco. Neste caso, o ciclo completo divide-se em duas partes. Na primeira parte, caracterizada pelo avanço da ferramenta, realiza-se o corte. Na segunda parte, que é relativa ao recuo da ferramenta, não há retirada de material, o torpedo reposiciona a ferramenta para reiniciar o ciclo. 2. Plaina de mesa No caso da plaina de mesa os movimentos executados são os mesmos realizados pelas plainas limadoras. Mas, no caso da plaina de mesa, é a peça que faz o movimento de vaivém, já no caso da plaina limadora este movimento é realizado pela ferramenta. A ferramenta na plaina de mesa realiza um movimento transversal correspondente ao passo do avanço feito pela mesa da plaina limadora. Por meio da Tabela 5, pode-se ter noção dos tipos de superfícies que podem ser geradas pelo processo de aplainamento. Eng Produção-NOVO.indd 58Eng Produção-NOVO.indd 58 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 59 Tabela 5: Exemplos de operações de aplainamento. Eng Produção-NOVO.indd 59Eng Produção-NOVO.indd 59 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 60 As plainas de mesa são compostas por: 1. Cama 4. Ferramentas de aplainamento 2. Montantes 5. Peça de trabalho 3. Trilhos 6. Mesa de trabalho Figura 16: Partes de uma plaina de mesa. Fonte: Adaptado de Feng/Pucrs (b), 2008. A plaina limadora é composta basicamente pelas seguintes partes: 1. Corpo da plaina 4. Cabeçote espera 2. Base 5. Porta-ferramentas 3. Cabeçote móvel ou Torpedo 6. Mesa Figura 15: Partes de uma plaina limadora. Fonte: Adaptado de Feng/Pucrs (b), 2008. Eng Produção-NOVO.indd 60Eng Produção-NOVO.indd 60 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 61 2.8.4.1 Movimentos no aplainamento No processo de aplainamento, há três tipos básicos de movimentos. Têm-se o movimento de corte, o movimento de ajuste e o movimento de avanço. 1. Movimento de corte É o principal movimento do aplainamento. Realizado pela ferramenta para retirada de material da peça. Esse movimento é realizado em duas etapas: etapa um (curso útil) – e que se realiza a retirada de material, o corte propriamente dito e etapa dois (Curso em vazio) – em que acontece o movimento de recuo da ferramenta e nãohá retirada de material. 2. Movimento de ajuste É nesse movimento que a quantidade de material a ser removida é definida. Ajusta-se o torpedo para que ele conduza a ferramenta a retirar a quantidade de material necessária. 3. Movimento de avanço Nesse movimento a quantidade de material ajustada no movimento de ajuste é efetivamente retirada. Figura 17: Movimentos no processo de aplainamento. Fonte: Adaptado de Feng/Pucrs (b), 2008. 2.8.4.2 Ferramentas para aplainamento As ferramentas utilizadas na operação de aplainamento são, normalmente, de aço rápido com exceção de sua região cortante, que é feita de material mais duro para resistir melhor ao desgaste. O formato da região cortante da ferramenta é escolhida de acordo com a necessidade, ou seja, a ferramenta deve possuir um formato que se adéque ao trabalho que deve ser realizado no aplainamento. Essas ferramentas podem ser divididas em dois grupos, de acordo com o tipo de operação: Eng Produção-NOVO.indd 61Eng Produção-NOVO.indd 61 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 62 Figura 18: Ferramentas aplicáveis ao processo de aplainamento. Fonte: Adaptado de Feng/Pucrs (b), 2008. 2.8.4.3 Grandezas importantes no processo de aplainamento • Velocidade de corte - Vc, expressa em m/min: refere-se ao movimento relativo da ferramenta-peça. É função do comprimento de curso (L) e do número de cursos (n). • Tempo de aplainamento – t, expresso em min.: é a soma das parcelas re- ferentes à razão do comprimento do curso pela velocidade do curso, lem- brando-se que o aplainamento tem dois tempos, um referente ao tempo de aplainamento do curso útil (ta) e o tempo de aplainamento do curso de recuo (tr). O tempo de aplainamento, portanto, será a soma dessas duas parcelas. 1. Ferramentas para desbaste Destinadas a retirar porções maiores de material da peça, deixando em sua superfície algumas marcas que, posteriormente, deverão ser corrigi- das pela operação de alisamento, caso a aplicação exija. 2. Ferramentas para alisamento Destinadas a promover melhora no acabamento da peça, alisando sua superfície. A Figura 18 traz alguns exemplos de ferramentas de aplainamento. a) Ferramentas para desbaste b) Ferramentas para alisamento Eng Produção-NOVO.indd 62Eng Produção-NOVO.indd 62 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 63 Figura 19: Retirada de material pela ação do grão abrasivo. Fonte: Adaptado de Stoeterau (2007). O processo tem por objetivo corrigir (retificar) irregularidades de superfícies de pe- ças. Caracteriza-se por conferir à peça um bom acabamento superficial, dimen- sional e geométrico. Acabamento esse não conseguido com outras operações de usinagem com ferramentas de geometria definida, por exemplo, o torneamento. O processo de retificação divide-se em dois tipos: 1. Retificação tangencial Denomina-se retificação tangencial o processo de retífica executado com a superfície de revolução da ferramenta. A retificação tangencial subdivide-se em: • retificação cilíndrica: neste tipo de retificação tangencial, o movi- mento de avanço é paralelo ao eixo da peça e ocorre por meio do movimento da mesa da retificadora ou através do movimento do re- bolo. A retificação tangencial cilíndrica pode ser externa ou interna; 2.8.5 Retificação A retificação é um processo de usinagem por abrasão destinada à obtenção de superfícies com o auxílio de ferramenta abrasiva de revolução, conhecida como rebolo. Para tanto, a ferramenta gira e a peça ou a ferramenta se desloca segundo uma trajetória determinada, podendo a peça girar ou não (FERRARESI, 1977). Esta operação consiste na remoção de material da peça mediante abrasivo. O abrasivo é constituído de grãos cortantes que removem cavacos muito pequenos de material, motivo pelo qual o acabamento superficial da peça é melhor que o obtido nos demais processos de usinagem, por exemplo, torneamento e fresamento (AGOSTINHO; VILELA; BUTTON, 2004). A Figura 19 ilustra a atuação do grão abrasivo na retirada de material da peça, lembrando que são vários grãos abrasivos que atuam simultaneamente no pro- cesso de retirada de material na forma de cavaco. cavaco rebarba peça Eng Produção-NOVO.indd 63Eng Produção-NOVO.indd 63 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 64 • retificação cônica: na retificação cônica, a superfície usinada é uma superfície cônica, podendo ser essa superfície interna ou externa. Esta retificação pode ocorrer com avanço longitudinal da peça, com avanço radial do rebolo, com avanço circular do rebolo ou com avanço longitudinal do rebolo (FERRARESI, 1977); • retificação de perfis: a superfície usinada é uma superfície qualquer, gerada pelo perfil do rebolo (FERRARESI, 1977); • retificação tangencial plana: na retificação tangencial plana, a superfície usinada é uma superfície plana e o eixo do rebolo é paralelo a essa superfície. A mesa executa movimentos de avanço alternativo e transversal, enquanto o rebolo executa o movimento em profundidade; • retificação cilíndrica sem centros (Center less): neste tipo de retificação, o rebolo de corte gira a alta rotação e exerce pressão sobre a peça que está apenas apoiada em uma cunha de apoio feita de aço de alta dureza. A peça gira sobre seu próprio eixo devido ao atrito gerado pelo rebolo de arraste. A peça, devido à ação dos rebolos de corte e de arraste, tangencia os dois rebolos e a cunha de apoio, desta maneira, o material é removido da peça pelo rebolo de corte. 2. Retificação frontal Denomina-se retificação frontal o processo de retificação executado com a face do rebolo, sendo geralmente executada na superfície plana da peça, perpendicularmente ao eixo do rebolo (FERRARESI, 1977). Neste tipo de retificação, o eixo do rebolo é perpendicular à superfície retificada. 2.8.5.1 Ferramentas para retificação As ferramentas utilizadas no processo de retificação são ferramentas abrasivas de revolução chamadas rebolos abrasivos ou, simplesmente, rebolos. Os rebolos são compostos de grãos abrasivos, os quais são responsáveis pela remoção material da peça. É pela ação conjunta desses grãos abrasivos que é possível obter redução de valores de rugosidade superficial e exatidão dimensional e remover camadas finas de material endurecido por tratamentos térmicos, por exemplo. Os rebolos são ferramentas de corte com geometria não definida, pois os grãos abrasivos que o compõem possuem os mais variados formatos, sendo uns mais ou menos disformes que outros e estando unidos ao rebolo por um ligante (aglomerante). Ressalta-se que não se pode definir geometricamente apenas os grãos abrasivos, uma vez que o rebolo em si possui formato definido (formato circular ou de disco). Eng Produção-NOVO.indd 64Eng Produção-NOVO.indd 64 25/08/2021 09:21:1725/08/2021 09:21:17 65 Figura 21: Máquina retificadora plana Fonte: Essel eletromecânica Na retificadora cilíndrica universal, a peça é fixa, por exemplo, a uma placa universal como a utilizada no torno, que realiza movimento de rotação. O rebolo em movimen- to de rotação entra em contato com a peça e remove o material. Retifica superfícies Figura 20: Exemplos de rebolos usados na retificação. Fonte: Nag abrasivos. Existem, basicamente, três tipos de máquinas para retificação: a retificadora plana, a retificadora cilíndrica universal e a retificadora cilíndrica Center-less. Na retificadora plana, a peça é presa a uma placa magnética, fixada à mesa da retificadora. Durante a usinagem, a mesa desloca-se em um movimento retilíneo da direita para a esquerda e vice-versa, fazendo com que a peça ultrapasse o contato com o rebolo em aproximadamente 10 mm. Há também o deslocamento transversal da mesa. O movimento transversal, junto com o movimento longitudinal, permite uma varredura da superfície a ser usinada, retifica todos os tipos de superfícies planas: paralelas, perpendiculares ou inclinadas. (ESSEL ELETROMECÂNICA). Eng Produção-NOVO.indd 65Eng Produção-NOVO.indd 65 25/08/2021 09:21:1725/08/202109:21:17 66 Na retificadora Center less a peça é conduzida pelo rebolo e pelo disco de arraste, que gira devagar e que serve para imprimir movimento à peça e para produzir o avanço longitudinal. Por essa razão, o disco de arraste possui uma inclinação de 3 a 5 graus, sendo responsável pelo avanço da peça (ESSEL ELETROMECÂNICA). Figura 23: Princípio de funcionamento da retificadora Center less. Fonte: Essel eletromecânica. 2.8.5.2 Grandezas importantes no processo de retificação • Espessura média de Cavaco – e, expressa em mm: cavacos de dimensões maiores exercem maiores forças sobre os grãos abrasivos que compõem o rebolo, gerando, com isso, uma superfície retificada mais rugosa. Forças cilíndricas, externas ou internas e superfícies planas em eixos rebaixados que exijam faceamento. Figura 22: Máquina cilíndrica universal Fonte: Essel eletromecânica Eng Produção-NOVO.indd 66Eng Produção-NOVO.indd 66 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 67 maiores induzem maior autoafiação no rebolo e espessuras menores promovem aumento no risco de queimas de retífica. • Taxa de remoção de material - TRM, expressa em mm3/s: corresponde à quantidade de cavacos removidos por unidade de tempo (milímetros cúbicos por segundo). • Velocidade de Corte - Vs, expressa em m/s: corresponde à velocidade periférica do rebolo combinada com a velocidade da peça (da mesa da máquina). • Taxa “G” de remoção de material: corresponde à relação entre a quantidade de material removido pela retífica e a quantidade de material removido do rebolo, durante a operação. Valores elevados de G indicam que não há elevada remoção de material; como consequência, o rebolo aquece, resultando em maior consumo de energia. Por outro lado, valores baixos de G indicam que o rebolo remove material da peça constantemente. • Velocidade periférica da peça – Vw, expressa em mm/min ou m/min: • Profundidade de corte – ap, expressa em mm: • Penetração de trabalho ou profundidade de penetração do rebolo – ae, expressa em mm: • Comprimento de contato rebolo-peça – Ic, expresso em mm: • Força Normal de retificação – Fn, expressa em N (Newton): • Força Tangencial de retificação - Ft, expressa em N: A Tabela 6 mostra alguns tipos de processos de retificação. Tabela 6: Processos de retificação Eng Produção-NOVO.indd 67Eng Produção-NOVO.indd 67 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 68 Fonte: Ferraresi, 1977 Stoeterau (2007) faz algumas considerações importantes quanto ao processo de retificação em geral: • Quanto ao material a retificar ⱱ Influi na seleção do tipo de abrasivo e nas demais características do rebolo. • Granulometria ⱱ Grãos finos para materiais duros e quebradiços. ⱱ Grãos grossos para materiais macios e dúcteis. • Dureza do rebolo ⱱ Rebolos duros para materiais macios e quebradiços. ⱱ Rebolos macios para materiais duros. • Estrutura ⱱ Fechada para materiais duros e quebradiços. ⱱ Aberta para materiais macios e dúcteis. • Ligante ⱱ Depende até certo ponto do material da peça, porém depende mais das condições de trabalho e dos fatores variáveis. • Operações nos Rebolos ⱱ Limpeza – Tem como objetivo a desobstrução dos poros do rebolo. ⱱ Perfilamento – Operação que tem como objetivo dar forma ao rebolo. ⱱ Dressamento – É uma espécie de “reafiação”, que consiste em remover grãos arredondados ou limpar rebolos “empastados” de cavacos. ⱱ Afiação – Tem como objetivo remover o ligante entre os grãos abrasivos. É geralmente utilizada após o dressamento em rebolos com ligantes resinoides. Eng Produção-NOVO.indd 68Eng Produção-NOVO.indd 68 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 69 Este capítulo foi estruturado para apresentar aos estudantes um entendimento bási- co dos principais processos de usinagem convencional com remoção de cavaco por meio da apresentação objetiva de seus conceitos e suas aplicações. O capítulo con- tém ilustrações essenciais para o entendimento e a visualização dos processos e das ferramentas de corte mais utilizadas. A fim de introduzir uma noção geral e encadeada de cada processo, os itens foram pensados para seguirem a mesma sequência de apresentação em cada processo de usinagem que compõe o capítulo. Resumo Atividade 1 Considerando o processo convencional de usinagem, torneamento, e baseando- se nos estudos deste capítulo, escreva o que você entende por cavaco. Atividade 2 Liste e descreva os dois grupos nos quais os processos de usinagem com remoção de cavacos são divididos. Atividades Atividade 3 Escreva por que são preferíveis cavacos curtos e de pequenas dimensões em uma operação de usinagem? Atividade 4 Diferencie a operação de desbaste da operação de acabamento em um processo de usinagem. Atividade 5 Escreva, pelo menos, quatro fatores que devem ser levados em conta na seleção do processo de fabricação mais adequado à fabricação de um componente. Eng Produção-NOVO.indd 69Eng Produção-NOVO.indd 69 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 70 AGOSTINHO,O. L., VILELLA, R. C., BUTTON, S. T. Processos de Fabricação e Planejamento de Processos. Faculdade de Engenharia Mecânica, UNICAMP, 98p. 2004. ÁLVARES, A. J. Métodos para Projeto, Planejamento do Processo e Fabricação de Peças Assistidas por Computador. Estudo Dirigido. Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Federal de Santa Catarina, 110p. 2002. AMORIM, H. Processos de Fabricação por Usinagem. Furação – 1ª parte. DEMEC/UFRGS, 15p. 2003. CIMM. Centro de informação metal mecânica. Disponível em: . Acesso em: 27/06/2011. COSTA, E. S., SANTOS, D. J. Apostila de Processos de Usinagem. Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Curso Técnico em Eletromecânica, CEFET-MG, 85p. 2006. DIN 1836. Deutches institut Für Normung, 1977 DINIZ, A. E., Marcondes, F. C., Coppini, N. L. Tecnologia de Usinagem dos Materiais. 3. ed São Paulo: MM Editora, 244p. 2001. ESSEL Eletromecânica. Processos de Fabricação. Retificação - conceitos e equipamentos. Volume 3, Aula 54, 7p. Disponível em . Acesso em 02/2012. FENG/PUCRS (a). Faculdade de Engenharia. Pontifícia Universidade Católica do Estado do Rio Grande do Sul. Material didático disciplina oficinas - torneamento. Disponível em: . Acessado em 10/2011. FENG/PUCRS (b). Faculdade de Engenharia. Pontifícia Universidade Católica do Estado do Rio Grande do Sul. Material didático disciplina oficinas - plaina. Disponível em: . Acessado em 10/2011. Referências Eng Produção-NOVO.indd 70Eng Produção-NOVO.indd 70 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 71 FERRARESI, D. Fundamentos da Usinagem dos Metais. Editora Edgard Blücher Ltda. São Paulo, 751p. 1977. FERREIRA, J. C. E. Grupo de Integração da Manufatura - GRIMA, UFSC. 2006. Apostila de Planejamento do Processo. Disponível em: . Acesso em 02/2012. ISO. Tool life testing with single-point turning tools. ISO 3685, 1977. KALPAKAJIAN, S., Manufacturing processes for engineering materials. Addison-Wesley Publishinn Company, USA, 839 p. 1984. MACHADO, A.R., Abrão, A.M., Coelho, R.T., DA Silva, M.B., Teoria da Usinagem dos Materiais. Vol.1, Ed. Edgard Blücher, S.Paulo, Brasil, 371p. 2009. NAG Abrasivos. Disponível em: http://www.nagabrasivos.com.br/produtos/ ler/5/rebolo-copo-reto-rt--tipo-6.html. Acesso em 26/02/2012. ROSA, C. L. Torno e o Processo de Torneamento. Oficina Mecânica para Automação, Engenharia de Controle e Automação. UNESP – Sorocaba, 28p. 2006. SANDVIK COROMANT. Disponível em: . Acesso em: 13/06/2011. STOETERAU, R. L. Usinagem com Ferramentas de Geometria Não Definida - Retificação – Aula 22. Disponível em: . Acesso em 01/2012. STOETERAU, R. L.,SCHROETER, R. B., WEINGAERTNER, W. Processos de Usinagem - Fabricação por Remoção de Material. Apostila laboratório de mecânica de precisão da Universidade Federal de Santa Catarina, 180 p. 2004. SUAREZ, M. P. Fresamento de canais da liga de alumínio aeronáutico 7075-T7. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. 111p. 2008. Eng Produção-NOVO.indd 71Eng Produção-NOVO.indd 71 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 Eng Produção-NOVO.indd 72Eng Produção-NOVO.indd 72 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 PROCESSOS ESPECIAIS DE MANUFATURA Prezados(as) alunos(as), neste capítulo, estudaremos os conceitos funda- mentais dos processos e dos equipamentos especiais empregados na ma- nufatura. Trabalharemos, também, com uma visão geral dos processos não convencionais de usinagem empregados nas indústrias, sendo eles os pro- cessos: mecânicos, elétricos, térmicos, químicos e processos especiais de união de materiais (soldagem a laser, plasma etc.). Aos que se interessarem pelo assunto não exitem em procurar saber mais, leiam, por exemplo, as bibliografias indicadas neste capítulo. Desejamos, desde já, bons estudos. 3 José Aécio Gomes de Sousa Introdução Ao final deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • identificar os processos especiais de manufatura mais aplicados no am- biente industrial; • reconhecer onde se aplica cada processo de manufatura; • elencar as principais vantagens e as principais desvantagens dos pro- cessos especiais de manufatura. Objetivos Esquema 3.1 Generalidades dos processos especiais de manufatura 3.2 Processos mecânicos 3.3 Processos elétricos 3.4 Processos químicos 3.5 Processos térmicos Eng Produção-NOVO.indd 73Eng Produção-NOVO.indd 73 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 74 3.1 Generalidades dos processos especiais de manufatura A palavra manufatura deriva de duas palavras: manus (mãos) e factus (fazer), ou seja, podemos entendê-la como “feito pelas mãos”, que descreve precisamente os métodos manuais usados quando a palavra inglesa manufacture foi primeiramente utilizada em 1567. Explicando melhor O homem primitivo, por exemplo, só contava com as próprias mãos para cortar os materiais. Depois, descobriu que podia fazer ferramentas a partir de ossos, gravetos e pedras. Com essas ferramentas rústicas, produzia suas roupas, utensílios de cozinha, abrigos e armas. Com a descoberta dos metais, o bronze e o ferro passaram a ser usados na con- fecção de ferramentas manuais e, por um período que durou aproximadamente um milhão de anos, os instrumentos feitos com esses materiais possibilitaram ao homem exercer um gradativo domínio sobre os fenômenos da natureza. Se formos aplicar a definição técnica da palavra manufatura, podemos defini-la como: aplicação de processos físicos e químicos para alterar a geome- tria, propriedades e/ou aparência para uma dada matéria-prima de forma a produzir partes de produtos ou ainda montar partes múltiplas e fazer produtos. Assim, uma manufatura pode ser conduzida através de uma sequência de opera- ções como representamos na Figura 1. Figura 1: Processos de manufatura – definição técnica. Fonte: Adaptado de Benedict (1987). Eng Produção-NOVO.indd 74Eng Produção-NOVO.indd 74 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 75 Os engenheiros de produção costumam definir manufatura como: transformação de materiais em itens de grande valor por meio de um ou mais processos e/ou operações de montagens. Dessa forma, a manufatura acrescenta valor ao material através da alteração da sua forma ou propriedade, ou por combinação com outros materiais que foram similarmente alterados, como demonstramos na Figura 2. Figura 2: Processos de manufatura – definição em termos de produção. Fonte: Adaptado de Benedict (1987). Os processos de manufatura são comumente definidos da seguinte forma: com remoção de cavacos e sem remoção de cavacos, conforme exemplificamos, simplificadamente, na Figura 3. Figura 3: Definição de manufatura, com e sem geração de cavacos. Fonte: (MACHADO et al., 2009). A partir da década de 40 (em meados da 2ª Guerra Mundial), surgiu a necessidade dos fabricantes suprirem o mercado com projetos mais sofisticados, duráveis, que normalmente requisitavam materiais de baixa usinabilidade. O desenvolvimento de novos materiais e ligas com alta dureza e, consequentemente, mais resistentes ao cisalhamento, inviabilizou o uso da usinagem convencional (por cisalhamento) tanto do ponto de vista técnico quanto econômico. Eng Produção-NOVO.indd 75Eng Produção-NOVO.indd 75 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 76 Ponto-chave Esses novos materiais combinam algumas das seguintes propriedades: alta dureza e fragilidade, pobres propriedades térmicas, alta refratariedade e alta reatividade química, além de microestrutura não homogênea. A miniaturização de peças e componentes e a exatidão requerida para atender às necessidades atuais são outros fatores que funcionaram como obstáculo aos métodos convencionais de usinagem, mas não constituíram um problema para os métodos avançados, que possibilitam a remoção de material molécula por molécula e até mesmo átomo a átomo. Na Figura 4, apresentamos algumas peças (ou produtos) fabricadas por este tipo de usinagem. Como produzir, manufaturar estas peças/produtos? Essa combinação de propriedades favoreceu o desenvolvimento de novos méto- dos de usinagem, conhecidamente chamados de métodos não convencionais de usinagem. Figura 4: Peças fabricadas pelo processo de usinagem não convencional. (a) Engrenagem microscópica fabricada pelo processo de usinagem fotoquímica. (b) Ferramenta de usinagem por ultrassom para fazer 12 furos simultâneos em vidro. (c) Joelho artificial fabricado por usinagem eletroquímica. (d) Cavidade produzida por eletroerosão Fonte: (BENEDICT, 1987). Eng Produção-NOVO.indd 76Eng Produção-NOVO.indd 76 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 77 O que difere fundamentalmente os processos não convencionais dos ditos convencionais, além da época em que foram descobertos (os processos não convencionais de usinagem foram introduzidos na indústria após a Segunda Guerra Mundial, enquanto alguns convencionais datam de antes da Revolução Industrial), são as formas de energia empregada e os mecanismos de retirada de material da peça. Como pode-se notar pelo diagrama da Figura 5, na qual os principais processos são apresentados, esses se diferem quanto à natureza da energia empregada, o mecanismo de ação e, consequentemente, a aplicação prática. Figura 5: Principais processos de usinagem discriminados pela natureza de energia empregada, mecanismos de ação e aplicações Fonte: (CRUZ et al, .1999). Materiais condutores de difícil usinagem Micro- usinagem Corrosão eletroquímica , Eng Produção-NOVO.indd 77Eng Produção-NOVO.indd 77 25/08/2021 09:21:1825/08/2021 09:21:18 78 De forma geral, o nome não convencional (ou não tradicional) se refere ao fato de que a energia é aplicada em sua forma mais direta, sem a necessidade, na grande maioria das vezes, de uma ferramenta de corte. Tais processos vêm sendo aplicados com sucesso nos últimos 50 anos e, ao contrário dos processos convencionais, os processos não convencionais se destinam a aplicações específicas, entretanto o emprego do comando numérico computadorizado tem permitido uma maior flexibilização destes processos, com destaque para a usinagem a laser e por eletroerosão. No Quadro 1, fazemos uma abordagem preliminar com vistas à seleção do melhor processo. Quadro 1: Ranking dos processos em relação aos materiais Processos Material Alumínio Aço Superligas Titânio Refratários Plásticos Cerâmicos Vidros USM C B C B A B A A AJM* B B A B A B A A ECM B A A B B D D D CHM A A B B C C C B EDM B A A A A D D D EBM B B B B A B A B LBM B B B B C B A B PBM A A A B C C D D Sendo: A = ótima; B = boa; C = fraca; D = não aplicável. * vale também para WJM. Fonte:(Cruz et al., 1999). Sintetizando Cada processo tem seu mercado no moderno mundo da usinagem e dificilmente eles concorrem entre si. Para fazer um competente, é necessário que se conheça, detalhadamente, a natureza da usinagem que se pretende realizar. Deve ser considerado que os processos não tradicionais não devem competir, via de regra, com os processos tradicionais, além de que um processo adequado a uma situação particular pode não ser igualmente eficiente sob outras condições. Na Figura 6, mostramos algumas características básicas que devem ser consideradas na seleção de um processo de usinagem não convencional. Eng Produção-NOVO.indd 78Eng Produção-NOVO.indd 78 25/08/2021 09:21:1925/08/2021 09:21:19 79 Figura 6: Características que devem ser consideradas na seleção de um processo de usinagem não convencional Fonte: (ABRÃO, 2007). As operações de usinagem não convencional são classificadas de acordo com a forma de aplicação da energia, que pode ser mecânica, elétrica, térmica ou química. Entretanto, uma tendência que recentemente tem sido observada é a combinação de duas operações de naturezas distintas em um novo processo, por exemplo, a usinagem por eletroerosão e a eletroquímica. No Quadro 2, apresentamos os principais processos não convencionais de usina- gem. Quadro 2: Principais processos de usinagem não convencional Mecânicos Elétricos Químicos Térmicos Jato abrasivo Eletroquímica Química Eletroerosão Fluxo abrasivo Feixe de elétrons Jato de água abrasivo Fotoquímica Feixe de laser Ultrassom Arco plasma Fonte: Adaptado de Benedict (1987). 3.2 Processos mecânicos Sintetizando Neste grupo de operações o material é removido pela ação abrasiva. Nor- malmente são empregados quando os processos convencionais apresen- tam dificuldades associadas à dureza, tenacidade ou fragilidade da peça (materiais cerâmicos, compósitos etc.). Taxa de remoção de material (TRM) Eng Produção-NOVO.indd 79Eng Produção-NOVO.indd 79 25/08/2021 09:21:1925/08/2021 09:21:19 80 Entre as principais vantagens deste grupo, destaca-se o fato de material da peça não precisar ser condutor elétrico e a operação não provocar danos térmicos. 3.2.1 Usinagem por jato abrasivo A usinagem por jato abrasivo remove material por meio da ação de um feixe focalizado de gás com abrasivos. Este processo se difere do jateamento convencional pelo fato dos grãos serem menores (diâmetro médio entre 10 e 50 μm) e pelo melhor controle do jato. Na Figura 7, apresentamos a operação de jateamento e o processo de usinagem por jato abrasivo. Figura 7: Usinagem por jato abrasivo. (a) Operação de jateamento convencional. (b) Processo de usinagem por jato abrasivo. Fonte: (BENEDICT, 1987). Durante a usinagem, partículas microabrasivas são impulsionadas por um gás inerte a uma velocidade de até 300 m/s. O mecanismo de erosão provocado pelo feixe em contato com a peça pode ser usado para cortar, atacar, limpar, rebarbar, polir e furar, sendo esse processo mais indicado para usinar materiais duros e frágeis, como vidro, silício, tungstênio e cerâmicas. Devido à grande quantidade e pequena massa dos abrasivos, não ocorrem vibrações e desvios na peça a ser usinada (carregamento uniforme). O processo por jato abrasivo é capaz de produzir detalhe fino e intrínseco em objetos extremamente frágeis. O calor gerado na interface jato-peça é facilmente dissipado pelo gás. Um equipamento para usinagem por jato abrasivo é constituído basicamente de quatro componentes: • sistema propulsor de gás; • sistema medidor (ou regulador); (a) (b) Eng Produção-NOVO.indd 80Eng Produção-NOVO.indd 80 25/08/2021 09:21:1925/08/2021 09:21:19 81 • sistema de descarga; • sistema de coleta de abrasivos Explicando melhor O sistema de propulsão do gás deve fornecer um fluxo limpo e seco de gás usado para impulsionar as partículas abrasivas. Podem ser usados com- pressores ou cilindros de gases. Os gases mais baratos e, consequente- mente, os mais usados são nitrogênio e dióxido de carbono. O sistema regulador é responsável por injetar um fluxo uniforme de abrasivo dentro da linha de fluxo do gás. Um suporte vibratório, acompanhado por um funil alimentador de pó, garante a mistura uniforme do pó no gás. O fluxo de abrasivos é diretamente proporcional ao nível de vibração da máquina. O sistema coletor de pó, incorporado ao equipamento, é usado para prote- ger o operador. Um coletor de poeira a vácuo é algumas vezes usado para fazer a exaustão das partículas e manter a vista do operador livre. Os bicos injetores utilizados no processo normalmente são fabricados em carboneto de tungstênio ou safira. Bicos arredondados estão disponíveis com diâmetros variando de 0,12 a 1,25 mm, sendo os de 0,5 mm mais comumente utilizados. Bicos retangulares variam de 0,07 x 0,5 mm a 0,17 x 3,8 mm. A vida do bico depende, de certa forma, do tipo de aplicação (usinagem, corte, marcação, limpeza, entre outros). Operações precisas requerem que os bicos sejam trocados mais frequentemente do que quando utilizados em operações de limpeza, ataque ou polimento, de modo a evitar que o bico sofra divergência sobre a superfície (fenômeno conhecido como over spray). Os abrasivos usados são selecionados de acordo com a aplicação (veja os exemplos citados no Quadro 3) e estão disponíveis em tamanhos variando de 10 a 50 μm. Na maioria das vezes, os abrasivos não são reutilizados devido aos microcavacos do material que se misturam, deteriorando, assim, o bico, além de ocasionar perda de eficiência da operação. A economia de se reutilizar o abrasivo é muito pequena, pois esses custam na faixa de 3 a 20 dólares o quilo, e sua taxa de consumo é de aproximadamente 300 g/h. Eng Produção-NOVO.indd 81Eng Produção-NOVO.indd 81 25/08/2021 09:21:1925/08/2021 09:21:19 82 Quadro 3: Aplicação dos abrasivos utilizados na usinagem Abrasivo Aplicação Óxido de alumínio (alumina) Limpeza, corte e rebarbação Carboneto de silício Usinagem de materiais de elevada dureza Pó de vidro Limpeza e operações de desbaste Bicarbonato de sódio Limpeza, corte e rebarbação de materiais dúcteis Carbonato de magnésio Limpeza e gravação Fonte: (ABRÃO, 2007). As variáveis que mais afetam a taxa de remoção de material (TRM) deste processo são a distância da ponta do bico injetor, a taxa do fluxo de abrasivo, a pressão do gás e o tipo de abrasivo. Quando se necessita de grande precisão, o bico é posicionado muito próximo à peça (normalmente 0,8 mm). Nesses casos, minimiza-se a conicidade e o sobrecorte do jato. Aumentando a distância bico/peça de 5 para 12,5 mm, o jato abrasivo é “alargado”, sendo indicado para operações de limpeza. Para operações leves, tal como produzir superfícies foscas em vidro, utilização de distâncias de 25 a 75 mm. A taxa de fluxo de pó abrasivo está diretamente relacionada com a taxa de remoção de material (TRM). Quanto maior a taxa de fluxo, maior será a TRM. As taxas de remoção de material para este processo são consideradas baixas, normalmente, 0,016 cm3/min. Porém, a habilidade para produzir detalhes intrínsecos em materiais duros e frágeis compensa a baixa taxa de remoção de material. Cavidades de 0,12 a 0,25 mm podem ser produzidas quando o fluxo de corte é minimizado em bicos retangulares. Tolerâncias de ± 0,12 mm são facilmente obtidas, entretanto tolerâncias de ± 0,05 mm podem ser alcançadas com técnicas apropriadas. Acabamento da superfície usinada varia de 10 a 50 mm. Não existem problemas com desgaste de ferramentas para este processo. No Quadro 4, apresentamos algumas vantagens, desvantagens e aplicações da usinagem por jato abrasivo. Quadro 4: Vantagens, desvantagens e aplicações da usinagem por jato abrasivo Vantagens Desvantagens Aplicações Boa dissipação do calor ge- rado pelo gás Possível alojamento de par- tículas abrasivas na peça Cortes de perfis complica- dos em materiais duros e frágeis Corte de materiais frágeis Baixa taxa de remoção Rebarbação EngProdução-NOVO.indd 82Eng Produção-NOVO.indd 82 25/08/2021 09:21:1925/08/2021 09:21:19 83 Fonte: (ABRÃO, 2007). 3.2.2 Usinagem por fluxo abrasivo Registrando Esta operação consiste na extrusão do fluido abrasivo através da peça e matriz por meio de dois cilindros opostos (Figura 8). A repetição da operação através de passagens restritas provoca a abrasão da peça e permite a fabricação de até milhares de peças por hora. Com esta técnica, é possível usinar diversas passagens inacessíveis simultanea- mente, além de montar diversas peças em um único dispositivo. A ação asseme- lha-se à retificação ou lapidação. Não apresenta vibrações Dispersão do jato Limpeza e remoção de ca- madas oxidadas Eficaz para materiais duros Vida pequena dos bicos injetores quando utilizados para corte Acabamento de compo- nentes eletrônicos O bocal atinge locais de di- fícil acesso Conicidade em cortes pro- fundos Corte e furação de peque- nas seções Figura 8: Usinagem por fluxo abrasivo Fonte: (CIMM, 2011). Eng Produção-NOVO.indd 83Eng Produção-NOVO.indd 83 25/08/2021 09:21:2025/08/2021 09:21:20 84 O equipamento deve fornecer uma pressão de 700 a 20000 kPa e vazão de 1 a 50 l/min. Temperatura, viscosidade, pressão, desgaste e vazão são controlados durante a operação pelo sistema de automação da máquina. A matriz mantém a peça posicionada e direciona o fluido corretamente, restringindo sua passagem onde a abrasão deve ocorrer. Neste caso, o fluido abrasivo é composto de um polímero com grãos abrasivos. O polímero é uma mistura de material similar à borracha com lubrificante. As propriedades do fluido são alteradas de acordo com o resultado desejado, ou seja, baixa vazão e alta viscosidade e são recomendadas para remoção mais uniforme, ao passo que para a produção de raios e cantos vivos se usa fluido abrasivo com vazão mais alta e menor viscosidade. O principal tipo de abrasivo utilizado é o carboneto de silício (SiC), embora BC, Al2O3 e diamante também sejam utilizados. O tamanho das partículas varia de 0,005 a 1,5 mm (quanto menor o grão abrasivo, melhor o acabamento, porém menor é a taxa de remoção). Em geral, o abrasivo pode ser usado por semanas, produzindo milhares de peças antes de ser substituído. Aplicações típicas da usinagem por fluxo abrasivo compreendem a produção em massa de componentes de aeronaves, cirúrgicos, rebarbação, polimento, acaba- mento de matrizes para conformação, além de acabamento de rotores maciços, discos de turbinas, engrenagens etc. 3.2.3 Usinagem por jato de água abrasivo Registrando Esta operação, também chamada de usinagem hidrodinâmica, emprega um jato de água a alta velocidade como ferramenta cortante. No caso de peças não metálicas, utiliza-se o jato de água sem abrasivo, entretanto, para o corte de materiais mais duros e densos (tais como metais, vidros e cerâmicas), deve-se acrescentar partí- culas abrasivas à água. Em geral, este processo utiliza um jato de água colimado que apresenta uma for- ma especificada pelo bico injetor e atinge uma velocidade de 900 m/s. Na Figura 9, apresentamos o corte por jato de água abrasivo de uma peça de aço carbono ABNT 1020. Eng Produção-NOVO.indd 84Eng Produção-NOVO.indd 84 25/08/2021 09:21:2025/08/2021 09:21:20 85 Figura 9: Usinagem por jato de água abrasivo Fonte: (M&S, 2011). A adição de abrasivo junto ao jato de água torna este processo mais potente, sendo que, em alguns casos, os abrasivos chegam a ser responsáveis por 90 % do corte. No Quadro 5, apresentamos algumas aplicações da usinagem por jato de água com e sem abrasivo. Quadro 5: Aplicações dos processos de usinagem com jato de água com e sem abrasivos Jato de água sem abrasivo Jato de água com abrasivo Corte de placas (inclusive de circuito impresso) Corte de aço ferramenta sem resí- duos Corte de plásticos reforçados com fibras Corte de ligas de níquel Decapagem de fios Corte de materiais inflamáveis e de alimentos Corte de fibras de carbono Integração com sistemas robóticos Fonte: (ABRÃO, 2007). O equipamento consiste de uma unidade hidráulica completa, linha de transmis- são, bocal e coletor. A pressão da bomba hidráulica (20 MPa) é elevada pelo in- tensificador para até 380 MPa. A linha de transmissão é normalmente feita em aço inoxidável. Um acumulador garante a uniformidade da pressão fornecida. O bocal para o corte sem abrasivo possui um orifício em safira ou diamante sintético cujo diâmetro mínimo é de 0,075 mm. Eng Produção-NOVO.indd 85Eng Produção-NOVO.indd 85 25/08/2021 09:21:2025/08/2021 09:21:20 86 Ponto-chave Embora o bocal de diamante seja de 7 a 10 vezes mais caro, ele assegura uma vida 10 vezes mais longa e não se desgasta durante a limpeza. No caso do jato de água com abrasivo, o bocal difere do anterior basicamente por apresentar uma entrada adicional para o abrasivo e uma câmara para mistura. O diâmetro do orifício varia de 0,75 a 2,5 mm e a potência na saída do bocal varia de 7 a 45 kW. Os principais abrasivos naturais empregados são granada, crisólita e sílica (SiO2 - quartzo). A seguir, são citadas algumas características que diferenciam a usinagem por jato de água abrasivo de outros processos: • proporciona corte unidirecional em altas velocidades com qualidades de arestas (cantos) superiores a outros processos tradicionais de usinagem; • não existem problemas com desgaste de ferramentas; • minimiza o aparecimento de poeira tóxica no corte de alguns produtos; • apresenta bom desempenho no corte de materiais porosos, fibras, granular, ou “moles”; • dependendo do material, peças com até 250 mm de espessura podem ser cortadas; • o acabamento das superfícies nas arestas (cantos) é bom, livre de rebarbas e íntegro com relação ao calor; • a tolerância depende do tipo de material, normalmente na faixa de ± 0,1 a 0,2mm. No Quadro 6, apresentamos algumas vantagens e desvantagens do processo de usinagem por jato de água abrasivo. Quadro 6: Vantagens e desvantagens do processo de usinagem por jato de água abrasivo Vantagens Desvantagens Sem custos com problemas ferramentais Não é bem aplicado para materiais duros e que não sejam porosos Facilidade de automatizar o processo Equipamento moderadamente caro Corte unidirecional Materiais frágeis podem trincar Eng Produção-NOVO.indd 86Eng Produção-NOVO.indd 86 25/08/2021 09:21:2025/08/2021 09:21:20 87 Não produz zona afetada pelo calor (ZAC) Ruídos e altas pressões requerem cuida- dos em termos de segurança Processo livre de poeira Água contaminada deve ser tratada antes de disponibilizada Fonte: (MCGEOUGH,1988). 3.2.4 Usinagem por Ultrassom Registrando Neste processo, uma ferramenta é posta para vibrar sobre uma peça mergulhada em um meio líquido com pó abrasivo em suspensão, numa frequência que pode variar de 20 kHz a 100 kHz. Desde sua invenção, a usinagem por ultrassom tem sido desenvolvida e sua aplicação é crescente na resolução de problemas ligados à usinagem de materiais resistentes e, principalmente, frágeis. A usinagem por ultrassom é um processo de remoção de material mecânico utilizado para erodir furos e cavidades em materiais duros e frágeis. Nesse processo utiliza-se uma ferramenta que vibra num movimento de alta frequência mecânica e uma pasta abrasiva. A ferramenta é aproximada da peça (mantendo uma pequena folga), martelando a pasta abrasiva contra a superfície da peça (Figura 10). Figura 10: Usinagem por ultrassom. Fonte: Adaptado de Pandney e Shan (1980). Durante este processo, a ferramenta pode ser estática ou rotativa. Na usinagem com ferramenta estática, uma mistura de abrasivo e água é injetada entre ferramenta e peça. A ferramenta é pressionada contra a peça por um sistema Eng Produção-NOVO.indd 87Eng Produção-NOVO.indd 87 25/08/2021 09:21:2025/08/2021 09:21:20 88 pneumático, por molas ou contrapeso (mais simples), e a remoção se dá por microlascamento, cavitação e por meio da ação do abrasivoe da ferramenta contra a peça. A cavidade formada é o negativo da ferramenta e cavidades grandes são produzidas por trepanação. A Figura 11 apresenta algumas variações do processo de usinagem por ultrassom. Figura 11: Variações do processo de usinagem por ultrassom. (a) Ferramenta estática. (b) Ferramenta rotativa . Fonte: (BENEDICT, 1987). Na usinagem com ferramenta rotativa, além de vibrar em uma frequência ultrassônica, a ferramenta diamantada gira. A remoção de material ocorre essencialmente pelo cisalhamento causado pelos cristais de diamante, sendo acelerada pelo efeito ultrassônico. Abrasivos não são aplicados usando-se apenas água para refrigeração e remoção de resíduos. A amplitude de vibração varia 25 - 50 μm e o sistema deve trabalhar a baixas pressões para evitar a quebra de peças frágeis. No Quadro 7, apresentamos as principais aplicações das ferramentas estáticas e rotativas. Quadro 7: Características das ferramentas estáticas e rotativas Ferramenta estática Ferramenta rotativa Corte de cerâmicas, quartzos e vidro (alta eficiência) Furação e retificação de mate- riais não metálicos, como vidro, cerâmicas, quartzo, rubi e safira, além de alguns compósitos Produção de geometrias irregulares e complexas Furação de pequenos diâmetros e furação múltiplas Fonte: (MCGEOUGH, 1988). Movimento UltrassônicoMovimento Ultrassônico Usinagem por ultrassom - USM Usinagem por ultrassom rotativo - RUM Eng Produção-NOVO.indd 88Eng Produção-NOVO.indd 88 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 89 Devido à usinagem por ultrassom não ser um processo químico ou térmico, os materiais usinados não sofrem alterações em suas características químicas e metalúrgicas. Este processo é capaz de usinar, efetivamente, todos os materiais, independente de serem condutores ou isolantes elétricos. A Figura 12 representa os principais equipamentos responsáveis por este tipo de usinagem. Figura 12: Principais equipamentos responsáveis pelo processo de usinagem por ultrassom. Fonte: (MCGeough, 1988). Esta operação começa com a conversão da energia elétrica de baixa frequência em um sinal elétrico de alta frequência, o qual alimenta um transdutor. Este converte o sinal elétrico em movimento mecânico linear de alta frequência. O movimento mecânico de alta frequência é transmitido à ferramenta por meio de um acoplador mecânico conhecido como porta-ferramenta ou sonotrodo. A ferramenta vibra com amplitudes de apenas centésimos de milímetro na direção do eixo paralelo ao avanço dela. Em linhas gerais, o equipamento consiste de uma fonte de frequência ultrassônica (f = 20 kHz) e potência de 150 – 2500 W para usinagem com ferramenta estática e 450 W para ferramenta rotativa. Um transdutor piezoelétrico (ou magnetoestritivo) é responsável pela conversão de energia elétrica em mecânica. Além disso, faz-se necessário um amplificador de amplitude (também chamado de concentrador ou cone) e, finalmente, a ferramenta, cujo diâmetro máximo não deve ser superior a 50 mm. Eng Produção-NOVO.indd 89Eng Produção-NOVO.indd 89 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 90 O sonotrodo e a ferramenta devem ser projetados de forma que o conjunto apresente uma frequência de ressonância dentro da faixa de frequências do equipamento. A ressonância é alcançada quando a frequência de vibração coincide com a frequência natural necessária para gerar uma onda sônica padrão dentro do conjunto ferramenta/sonotrodo, tendo como resultado, dessa forma, uma amplitude de vibração máxima e uma eficiência de remoção de material também máxima. A ferramenta e a peça são, então, posicionadas, de tal forma que uma pequena distância seja mantida. Esta região é banhada por uma pasta abrasiva (pequena quantidade de partículas abrasivas em solução aquosa) que é martelada contra a superfície da peça. Se o material da peça for frágil, cada impacto produzirá uma cratera na peça. O equipamento deste processo está disponível em configurações que variam desde pequeno porte até máquinas comandadas numericamente. Os principais componentes de um equipamento de usinagem por ultrassom são: • fonte de potência; • transdutores; • porta/ferramentas (sonotrodos); • ferramentas; • abrasivos. A potência dos equipamentos de usinagem por ultrassom varia entre 40 e 2400 W. A taxa de remoção de material está diretamente relacionada com a potência do equipamento. A fonte de potência usada é caracterizada como um gerador de alta potência que possui um controlador tanto da potência como da frequência do sinal gerado. A fonte converte a baixa frequência da rede (normalmente 60 Hz) em alta frequência de aproximadamente 20 kHz. O transdutor converte a energia elétrica em movimento mecânico. Os tipos de conversão mais utilizados são: a magnetostricção e o material piezoelétrico. Transdutores piezoelétricos geram um movimento mecânico através do efeito da piezoeletricidade de certos materiais (como o quartzo e o titanato zirconato de chumbo - LZT), ou seja, materiais que geram uma pequena intensidade de corrente elétrica quando estão sendo comprimidos. Inversamente, quando estes materiais são submetidos a uma corrente elétrica, eles aumentam minimamente seu tamanho. Quando a corrente é cortada, esses materiais voltam ao tamanho normal. Transdutores piezoelétricos, por natureza, apresentam uma eficiência de conversão eletromecânica acima de 96 %, o que elimina a necessidade de refrigeração dos transdutores. O sonotrodo serve como um acoplamento entre a ferramenta e o transdutor. Ele transmite a energia sônica para a ferramenta e, muitas vezes amplifica o sinal. O material para a fabricação do sonotrodo deve possuir boas propriedades acústicas Eng Produção-NOVO.indd 90Eng Produção-NOVO.indd 90 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 91 e, principalmente, ser resistente à fadiga. Os materiais mais utilizados na fabricação dessas peças são ligas de bronze, titânio e aço inoxidável. O sonotrodo serve como um acoplamento entre a ferramenta e o transdutor. Para minimizar o desgaste das ferramentas, essas devem ser fabricadas com materiais relativamente dúcteis, como o aço inoxidável, o latão e, algumas vezes, os aços carbono. Quanto maior a dureza da ferramenta, maior será o desgaste. Dependendo do material da peça e da ferramenta, relações de desgastes (peça/ ferramenta) podem variar de 1:1 até 100:1. Nesse processo, também deve ser considerado o sobrecorte lateral no projeto da ferramenta. Muitos abrasivos com tamanhos de partículas variados estão disponíveis neste processo. Os critérios para a seleção do abrasivo em uma aplicação particular incluem a dureza, a vida, o custo e o tamanho das partículas. Os abrasivos mais utilizados são: o carboneto de boro, carboneto de silício e o óxido de alumínio. A dureza do abrasivo deve ser maior que a dureza do material da peça; caso contrário, a vida do abrasivo diminuirá sensivelmente. O tamanho do abrasivo influencia a taxa de remoção de material e o acabamento superficial. A precisão conseguida nas peças usinadas gira em torno de 25 mm, porém, em casos especiais, em que se tem o controle de concentração de abrasivo e um bom sistema de distribuição do abrasivo, conseguem-se tolerâncias de até 7 mm. A relação entre profundidade/diâmetro dos furos usináveis tem proporções em torno de 40:1. Quando a profundidade excede 12 mm, a taxa de remoção de material é reduzida grandemente. A taxa de avanço da ferramenta varia em torno de 25 mm/ min. Esse valor depende da forma da peça a ser usinada, dos parâmetros de corte e das propriedades do material. O acabamento superficial é função primordial do tamanho do grão abrasivo. O melhor acabamento é conseguido usando partículas abrasivas, tendo sua rugosidade superficial próxima de 0,25 mm (Ra). Outro aspecto importante é a textura superficial que não denota marcas de usinagem como na retífica com rebolo de diamante. As grandes aplicações deste processo são na usinagem de materiais cerâmicosnão condutores de eletricidade. A escolha da usinagem por ultrassom está diretamente ligada a limitações de outros processos, principalmente quando se necessita de materiais livres de trincas. No Quadro 8, indicamos algumas vantagens e desvantagens da usinagem por ultrassom. Eng Produção-NOVO.indd 91Eng Produção-NOVO.indd 91 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 92 Quadro 8: Vantagens e desvantagens da usinagem por ultrassom Vantagens Desvantagens Independente das propriedades elétricas da peça Custo de ferramental elevado Não oferece riscos Baixa taxa de remoção Geração de calor muito baixa Ineficiente em materiais dúcteis Induz tensões compressivas (aumenta resis- tência à fadiga) Necessidade de reposição do abrasivo Bom acabamento Existe o desgaste da ferramenta Fonte: (METALS HANDBOOK, 2002). 3.3 Processos elétricos Registrando Este grupo de operações é limitado a materiais condutores elétricos. As operações são capazes de produzir peças com geometria complexa em um único passe e, em muitos casos, a ferramenta não apresenta qualquer desgaste. 3.3.1 Usinagem eletroquímica Registrando Trata-se da retirada controlada de material de uma peça (usinagem) como consequência de reações eletroquímicas entre o material da peça (colocada no polo positivo de uma célula eletrolítica) e alguns ânions dissociados do eletrólito. Neste processo, utiliza-se uma fonte de energia de alta potência para fornecer corrente elétrica de alta intensidade, em que o polo positivo é ligado à peça (ânodo) e o polo negativo é ligado à ferramenta (cátodo). O processo de usinagem eletroquímica pode ser dividido em quatro processos: • formação eletroquímica; • rebarbação eletroquímica; Eng Produção-NOVO.indd 92Eng Produção-NOVO.indd 92 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 93 • retificação eletroquímica; • associações com outros processos (eletroerosão, ultrassom, por exemplo). No caso da rebarbação eletroquímica (ou polimento eletroquímico), as peças geralmente são fabricadas por outros processos, tanto tradicionais como não tradicionais, e somente o acabamento final é feito pelo processo eletroquímico. As taxas de remoção de material nestas aplicações geralmente são pequenas quando comparadas com as taxas de formação eletroquímica. A associação da usinagem eletroquímica com outros processos não tradicionais, como eletroerosão e ultrassom, tem como objetivo incorporar as vantagens destes processos, melhorando o desempenho da usinagem eletroquímica. Ponto-chave Este processo é executado em peças de material condutor de eletricidade que sejam de difícil usinagem por processos tradicionais e que requeiram, ainda, altas exigências de integridade superficial, como em certos casos da indústria aeroespacial, biomédica, automobilística, entre outras. A usinagem eletroquímica tem como princípio básico a eletrólise. Na Figura 13, representamos o esquema de uma célula eletrolítica, que é o local onde ocorre o fenômeno eletroquímico. Esta célula apresenta dois eletrodos condutores ligados a uma fonte de corrente elétrica e mergulhados em uma solução líquida à base de sais (neste caso, NaCl). Esta solução, conhecida como eletrólito, tem três funções básicas: agir como condutor para facilitar a passagem de corrente elétrica entre a ferramenta e a peça, remover os re- síduos formados durante a usinagem e resfriar a região entre a ferramenta e a peça (gap). Figura 13: Esquema de uma célula eletrolítica apresentando as principais reações catódicas e anódicas. Fonte: (MARTY, 1971). ´ ^ Eng Produção-NOVO.indd 93Eng Produção-NOVO.indd 93 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 94 As reações químicas que ocorrem após a dissociação eletroquímica levam à forma- ção de hidrogênio gasoso na região catódica e precipitados de hidróxidos metálicos. São essas reações, ditas anódicas, que provocam a retirada de material da peça. O material da ferramenta não participa da principal reação que ocorre ao seu redor e isso leva à primeira vantagem do processo (a ferramenta não desgasta). Apesar disso, é importante escolher materiais de ferramentas que, além de con- dutores, sejam resistentes à corrosão, em virtude da possibilidade de ocorrência de reações secundárias durante o processo. Outra observação importante é que a taxa de remoção depende, entre outros fatores, da natureza do eletrólito. Na Figura 14, apresentamos um esquema simplificado de um equipamento de usinagem para formação eletroquímica com seus componentes básicos apresen- tados na legenda. Figura 14: Esquema de um sistema de usinagem eletroquímica. Fonte: Adaptado de Rumyantsev (1989). Como se pode observar, da Figura 14, a ferramenta 2 é ligada ao polo negativo da fonte de energia 1 e a peça 3 ligada ao polo positivo dela. A usinagem ocorre na cuba eletrolítica 5, fixada sobre a mesa da máquina e, para que tal usinagem ocorra, é necessário que um eletrólito (em geral uma solução salina) banhe a interface ferramenta/peça em fluxo contínuo promovido pela bomba 8, que o succiona do reservatório 6 após passar pelo filtro 7. O cabeçote porta/ferramenta 10 se movimenta em direção à peça devido à ação do sistema de avanço 9, pelo Eng Produção-NOVO.indd 94Eng Produção-NOVO.indd 94 25/08/2021 09:21:2125/08/2021 09:21:21 95 qual é mantida constante a distância ferramenta/peça (gap), espaço no qual ocorrem as reações eletroquímicas. O eletrólito apresenta três funções básicas: • deve agir como condutor; • deve ser refrigerante para retirar a pequena quantidade de calor gerado pelo efeito Joule; • deve fluir na região de usinagem para retirar os detritos que ficam acumulados no gap. Geralmente, a ferramenta é que determina a forma do furo ou cavidade gerada na peça. As considerações mais importantes com relação à ferramenta são o projeto do ferramental e o material a ser fabricada. As características desejadas para os materiais de ferramenta são: boa usinabilidade, serem resistentes à corrosão e serem bons condutores de eletricidade. Alguns materiais comumente utilizados são cobre, latão, bronze, aço inoxidável, ligas cobre-tungstênio, cobre-níquel e titânio. Este processo é capaz de usinar todos os materiais condutores de eletricidade in- dependentemente de sua dureza, podendo atingir valores de tolerâncias de apro- ximadamente 12 µm. O acabamento superficial depende fundamentalmente do material da peça, do ferramental, do fluxo do eletrólito e da densidade de corrente. Uma das principais características desse processo é a inexistência de tensões residuais nos componentes usinados. Os equipamentos de usinagem eletroquímica devem ter como características bá- sicas alta rigidez estrutural para minimizar as vibrações transmitidas à ferramenta e apresentar em sua estrutura materiais resistentes à corrosão. 3.4 Processos químicos Registrando Os processos químicos são, geralmente, caracterizados pelo alto volume de produ- ção e, consequentemente, pela alta produtividade. Durante a ação química não há forças de usinagem atuando, o que permite a utiliza- ção destes processos para a usinagem de peças extremamente delgadas. Eng Produção-NOVO.indd 95Eng Produção-NOVO.indd 95 25/08/2021 09:21:2225/08/2021 09:21:22 96 3.4.1 Usinagem química Registrando Esta operação se baseia no ataque químico controlado. A remoção de material pode ser parcial (redução de espessura) ou total. Antes da imersão da peça no tanque com o agente responsável pelo ataque, um revestimento é usado para proteger as partes que não devem ser atacadas. A operação é geralmente empregada em peças nas quais a razão resistência sobre peso é elevada e raramente é assistida por corrente elétrica. Os elementos chave são o agente corrosivo (solução ácida ou alcalina) e a máscara de proteção (elastômeros de fácil manuseio e resistentes ao ataque). Qualquer metal pode ser usinado quimicamente, sendo o alumínio trabalhado mais facilmente e as superligas os mais difíceis. Na Figura 15, são apresentadasde fabricação, conhecida pelo homem, data do tempo do homem das cavernas, quando esse utilizava como ferramenta uma pedra moldando outra, de resistência menor, para ter o formato que desejava, utilizando como fonte de energia o próprio músculo para movimentar a ferramenta sobre a peça. Existem relatos dos egípcios também utilizando ferramentas movidas por arcos para fazer furos, ou seja, o processo de furação em que um equipamento intermediário era usado para diminuir a força necessária para se remover material até chegar a uma forma desejada da peça. Após o aparecimento das ferramentas de aço, as peças fabricadas puderam ser de geometria mais complexa, os mecanismos de transmissão de energia e a própria fonte de energia mudaram ao longo dos tempos, fazendo com que o número de peças fabricado fosse maior e o tempo gasto para finalizá- las cada vez menor. Fazendo-se uma análise da história por si mesma, algumas pessoas come- çaram a criar termos próprios para esse tipo de situação, desde os mais sim- ples, que depois foram transformados em termos técnicos indispensáveis em determinadas áreas da atualidade, tais como peça, ferramenta, mecanismo de transmissão de energia, até as análises desses termos em conjunto, por exemplo: 1 Daniel Fernandes da Cunha Introdução Eng Produção-NOVO.indd 1Eng Produção-NOVO.indd 1 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 2 • tempo gasto na produção de uma peça (envolvendo o tempo gasto para troca de ferramenta ou outros acessórios que possam estar desgastados, posicionamento da peça a ser trabalhada); • custo de produção (mão de obra, custo máquina/tempo trabalhado, manutenção de equipamentos); • rendimento do processo (depende dos mecanismos de transmissão de energia e do próprio tipo de energia empregado, a relação da quantidade de peça produzida pelo tempo gasto). Todos esses termos podem ser resumidos a um único que engloba todos os outros de uma maneira simples: linha de produção. Em sua evolução histórica, a linha de produção consiste em um conjunto de atividades que conduzem a transformação de um bem tangível, ou não, em outro de maior utilidade, dentro de um determinado cenário. Antes da Revolução Industrial, a organização da fabricação de peças era realizada por uma única pessoa, como na idade das cavernas, seguida posteriormente da organização de artesãos com ofícios ou profissões elementares (mestres ou aprendizes). Após a Revolução, pensadores criaram teorias sobre como administrar os processos envolvidos em uma linha de produção, em que a economia de tempo era a ideia fundamental junto com o aumento da produção. Este capítulo possui como finalidade apresentar ao aluno, de forma sucinta, os processos de fabricação mais comuns dentro de uma empresa, mais especificamente os mecanismos presentes na linha de produção associados à parte econômica dos processos. Desta forma, ao final deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • discutir sobre a origem dos processos que estão presentes nas linhas de produção de empresas; • identificar os principais parâmetros que podem influenciar os custos dos processos, com base nas fórmulas apresentadas; • saber interagir nos processos para reduzir o tempo de produção. Objetivos Esquema 1.1 Administração da produção 1.2 Processos de fabricação 1.3 Redução do tempo de fabricação Eng Produção-NOVO.indd 2Eng Produção-NOVO.indd 2 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 3 1.1 Administração da produção 1.1.1 Histórico Os sistemas caseiros de produção, que remontam aos anos 1700, eram realizados em cabanas ou dentro da casa dos próprios artesãos, que orientavam seus aprendizes no trabalho, que era exclusivamente manual. Na Inglaterra, o sistema de produção sofreu uma mudança revolucionária, principalmente devido à descoberta da máquina a vapor, por James Watt, no ano de 1764. Esse fato desencadeou um impulso na produção quando teve início: • a substituição do trabalho humano e utilização da força da água para uma força motora mecanizada; • estabelecimento do sistema fabril. Geralmente, na Antiguidade, as fábricas eram construídas perto de rios, com a finalidade de utilizar a água para movimentar as máquinas presentes na linha de produção. Com a utilização do motor a vapor como fonte motriz das máquinas, essa necessidade ficou obsoleta e, com a mudança do local delas, começou a existir a necessidade de uma organização lógica dos trabalhadores no local de trabalho. Além da independência do local de construção da fábrica e do novo arranjo de trabalhadores, houve uma necessidade também de mudar a forma como os produtos eram fabricados: • produtos e processos padronizados; • mão de obra devidamente habilitada e capacitada quanto às respectivas funções; • controle financeiro e planejamento da fabricação da linha de produção; • divisão de responsabilidades e hierarquia de cargos (gerência, supervisão); • implantação de técnicas de venda do produto acabado. Com a padronização dos produtos, houve a necessidade de desenvolvimento de desenhos e projetos para facilitar o entendimento das operações a serem utilizadas na fabricação do produto. Em 1800, após o desenvolvimento do motor de combustão interna movido à ga- solina e do advento da eletricidade, a substituição do sistema caseiro para o fabril foi reforçada. Na Tabela 1, são apresentados os principais colaboradores para efetivação destas mudanças. Eng Produção-NOVO.indd 3Eng Produção-NOVO.indd 3 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 4 Tabela 1: Colaboradores da impulsão da Revolução Industrial Contribuinte Contribuições Frederick Taylor (1856 – 1915) Princípios de administração científica, princípio da exceção, estudo do tempo, análise de métodos, padrões, planejamento e controle Frank B. Gilbreth (1868 – 1934) Estudo dos movimentos, métodos, contratos de construção e consultoria Lílian M. Gilbreth (1878 – 1973) Estudos da fatiga, ergonomia, seleção e treinamento de empregados Henry L. Gantt (1861 – 1919) Gráficos de Gantt, sistemas de pagamento por incentivo, abordagem humanística ao trabalho, treinamento Carl G. Barth (1860 – 1939) Análise matemática, régua de cálculo, estudos de suprimentos e velocidade, consultoria para a indústria automobilística Harrington Emerson (1885 – 1931) Princípios da eficiência, economia de milhões de dólares em ferrovias, método de controle Morris L. Cooke (1872 – 1960) Aplicação da administração científica à educação e ao governo Fonte: Universidade Católica de Goiás - Profª. Selma Maria da Silva A partir de 1960, foram refinados os sistemas de produção, com utilização de sistemas flexíveis (redes), manufatura integrada por computador (CIM) que engloba os sistemas CAD (Computer Aided Design), CAE (Computer Aided Engeniering), CAM (Computer Aided Manufacture), o sistema de melhoria contínua (Kaizen), planejamento de recursos da empresa, sistemas integrados de gestão e cadeias de suprimento. Todos os sistemas citados anteriormente são atualmente utilizados nas linhas de produção e estão em melhoria contínua devido à globalização, mas não somente a administração da produção precisa ser monitorada e melhorada; devido à saturação de melhorias, com o passar do tempo, surge a necessidade, junto à administração, de desenvolver mão de obra capacitada e qualificada para monitoramento e melhoramento dos processos envolvidos na linha de produção, tais como os processos de usinagem e de soldagem. 1.1.2 Administração voltada a macroprocessos O principal objetivo desta atividade é a identificação de possíveis processos de fabricação e o ferramental envolvido em tais processos. Os fatores ligados aos Eng Produção-NOVO.indd 4Eng Produção-NOVO.indd 4 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 5 processos de manufatura, ao serem considerados adequadamente no projeto, garantem que os projetos finais sejam reprodutíveis e que os processos de produção sejam desenvolvidos com as necessidades de longo prazo.as principais etapas de execução da usinagem química. Figura 15: Principais etapas de execução da usinagem química. Fonte: Adaptado de Abrão (1999). A limpeza pode ser feita com solventes comuns, produtos específicos ou mesmo jato abrasivo, de acordo com a necessidade. A máscara é aplicada através da imersão da peça em tanques ou aerosol. Além de resistir ao ataque, ela deve possuir elevada aderência ao metal. O tempo de cura, que pode chegar a 12 horas a temperatura ambiente, é reduzido quando ela feita em forno (acima de 50 °C). A espessura do filme é de 0,2 – 0,4 mm (em casos especiais 0,025 – 0,075 mm). Eng Produção-NOVO.indd 96Eng Produção-NOVO.indd 96 25/08/2021 09:21:2225/08/2021 09:21:22 97 A traçagem pode ser feita através de facas ou laser e o ataque químico é realizado em tanques e normalmente é interrompido para determinação do tempo necessário para atingir as dimensões finais. A liberação de gases pode criar bolsões e prejudicar a remoção uniforme de material, o que requer a constante mudança de posição da peça. O produto usado deve garantir bom acabamento da peça, remoção uniforme, evitar ataque seletivo ou intergranular, ser seguro, apresentar baixo custo, ser reutilizável ou facilmente neutralizado. A usinagem química permite uma taxa de remoção de aproximadamente 0,025 mm/min e produz um acabamento com Ra entre 0,75 e 3,74 μm e tolerâncias de ± 0,05 a ± 0,08 mm para chapas de alumínio. Os principais agentes químicos usados são: NaOH (ligas Al), HNO3 (aços), HNO3, HCl e HF (ligas Ni, Co e Ti). As grandes aplicações de processo são na fabricação de componentes estruturais aeroespaciais (inclusive fuselagem), dutos para ventilação, tubos de plataformas para lançamento de mísseis, fabricação de circuitos impressos, produção de paredes finas em peças usinadas, fundidas ou conformadas, remoção de determinados filmes (camadas descarburizadas, refundidas) que se formam sobre a superfície de certos materiais e remoção de defeitos superficiais (riscos, falhas), além de rebarbação (0,03 – 0,13 mm) de peças complexas. No Quadro 9, indicamos algumas vantagens e desvantagens deste processo. Quadro 9: Vantagens e desvantagens da usinagem química Vantagens Desvantagens Produz formas complexas Material é removido em todas as direções Produz superfícies extremamente finas Ineficiente para cortes muito profundos Não afeta a dureza nem a tenacidade da peça Bons resultados exigem uma estrutura ho- mogênea Produz bom acabamento e tolerâncias apertadas Polimento subsequente pode ser neces- sário Baixo custo de ferramental e de manuten- ção Produtos químicos perigosos Fonte: (BENEDICT, 1987). 3.4.2 Usinagem fotoquímica Registrando Este processo é semelhante à usinagem química, entretanto a máscara é feita de material fotossensível. Eng Produção-NOVO.indd 97Eng Produção-NOVO.indd 97 25/08/2021 09:21:2225/08/2021 09:21:22 98 É usado para a produção de peças complexas e com tolerâncias estreitas (± 0,05 %) em chapas finas de metal (0,01 a 1,6 µm). Na Figura 16, são apresentadas as etapas de confecção das peças empregadas neste processo. Figura 16: Principais etapas de execução da usinagem fotoquímica. Fonte: Adaptado de McGeough (1988). O material fotossensível pode ser aplicado na forma líquida (o que requer posterior secagem) ou sólida (laminado sob pressão/temperatura). O ataque é feito com soluções de cloreto cúprico ou férrico em quantidades cuidadosamente controladas de ácido hidroclórico. Uma vez removida a superfície externa da peça, o ataque ocorre em todas as direções. A taxa de remoção varia de 0,01 a 0,05 mm/min. Alguns materiais, tais como cobre, latão e aços ao carbono, apresentam boa usinabilidade fotoquímica. Aços inoxidáveis apresentam resultados razoáveis, enquanto tungstênio e titânio apresentam baixa usinabilidade. As principais aplicações da usinagem fotoquímica é na fabricação de máscaras para tubos de TV, produção de peças pequenas, finas e complexas para eletrônica, fabricação de circuitos integrados e lâminas para cabeçotes de gravação e discos para encoders, além de peças para motores elétricos. No Quadro 10, indicamos algumas vantagens e desvantagens deste processo. Quadro 10: Vantagens e desvantagens da usinagem fotoquímica Vantagens Desvantagens Não afeta as propriedades físicas e magnéticas da peça Requer habilidade do operador Baixo custo ferramental Cuidados com manuseio de produtos tóxi- cos e corrosivos Tempo curto entre o fim do projeto e o início da produção Instalação para fotografia Sem rebarbas Espessura máxima a ser usinada Permite alta flexibilidade no projeto Não produz cantos vivos Fonte: (BENEDICT, 1987). Eng Produção-NOVO.indd 98Eng Produção-NOVO.indd 98 25/08/2021 09:21:2225/08/2021 09:21:22 99 3.5 Processos térmicos Essa é a área que apresentou maior crescimento nos últimos anos, particularmente as operações de usinagem a laser e por eletroerosão. Registrando Neste grupo, a energia é aplicada na forma de fótons, elétrons, faiscamento etc. Os processos geralmente não são afetados pelas propriedades físicas da peça. Por outro lado, estas operações produzem profundas zonas termicamente afetadas na peça, o que é um fator limitante grave por comprometer o desempenho em serviço do componente. 3.5.1 Usinagem por eletroerosão O processo de eletroerosão (conhecido pela sigla EDM – Electrical Discharge Machining) é caracterizado pela remoção de material proveniente de sucessões de descargas elétricas que ocorrem entre um eletrodo e uma peça, por meio de um líquido dielétrico. Registrando A peça é submersa em um líquido, em que não existe força de corte, pois não há contato entre a ferramenta e a peça, não formando as tensões comuns dos processos convencionais de usinagem. Este processo permite a usinagem de furos, ranhuras e superfícies, nas formas complexas, em materiais condutores elétricos, especialmente aqueles que apresentam alta dureza, que seriam impossíveis de serem fabricados pelos processos tradicionais de usinagem. Para que a eletroerosão ocorra, é necessário que os materiais envolvidos sejam bons condutores de eletricidade. O fluido dielétrico é essencial para o êxito do processo, pois além de agir como isolante até que a tensão atinja o valor adequado e a descarga seja conduzida, ele é responsável pela eliminação dos resíduos e da refrigeração da peça. Entre as propriedades desejáveis, destacam-se baixa viscosidade, alto ponto de fulgor e baixo custo. Na Figura 17, mostramos um esquema simplificado do processo de eletroerosão por penetração. Eng Produção-NOVO.indd 99Eng Produção-NOVO.indd 99 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 100 Figura 17: Esquema dos principais elementos constituintes do processo de usinagem por eletroerosão. Fonte: (CRUZ et al., 1999). Note, na Figura 17, que a ferramenta é colocada próxima à peça a ser usinada, sendo separada dessa por uma distância muito pequena denominada “gap”, que é preenchido por um fluido dielétrico, bombeado e filtrado de um reservatório à região de usinagem. As descargas elétricas que ocorrem entre a ferramenta e a peça, que são responsáveis pela usinagem, surgem da elevada tensão da fonte de energia elétrica acoplada ao equipamento. Normalmente, a peça é ligada ao polo positivo e a ferramenta, ao polo negativo da fonte. O avanço da ferramenta em direção à peça é controlado por um servo/mecanismo que atua no sentido de manter o “gap” constante, tornando possível a execução de furos e outras formas geométricas desejadas. Eng Produção-NOVO.indd 100Eng Produção-NOVO.indd 100 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 101 As maiores aplicações do processo estão na fabricação de matrizes para estampagem, forjamento, extrusão, fieiras para trefilação, moldes de injeção de plásticos e mesmo na afiação de ferramentas ultraduras (CBN e PCD, por exemplo). Este processo viabiliza, também, a usinagem de peças com prévio tratamento térmico, o que evitaos desvios de forma ou o empenamento que estes tratamentos normalmente produzem. Outro benefício adicional é que, por não haver contato entre a ferramenta (eletrodo) e a peça, não há geração de forças de corte. Este é um recurso valioso para a usinagem de peças extremamente frágeis sem nenhum risco de fratura. O princípio fundamental deste processo é a remoção do material pelo efeito térmico das descargas provocadas pela abertura de arco de plasma, ou seja, pela ionização do dielétrico. O calor de cada descarga funde e vaporiza partes micrométricas dos materiais mais próximos à região do “gap”, isto é, da peça e da própria ferramenta. Com isso, tem-se que, como na maioria dos processos de usinagem, neste, também, a ferramenta se desgasta. No entanto, como geralmente a peça está ligada ao polo positivo (ânodo), ela recebe os impactos dos elétrons, ao passo que a ferramenta, ligada ao polo negativo (cátodo), recebe os impactos dos íons positivos, mais pesados que os elétrons. Porém, os íons positivos têm muito menos energia cinética que os elétrons, por serem muito menos velozes, assim, transferem uma energia de impacto muito menor à ferramenta. Desta forma, muito menos calor é gerado na ferramenta e, consequentemente, menor a remoção de material dela. Na Figura 18, apresentamos o exato momento da usinagem por eletroerosão por penetração. Figura 18: Usinagem por eletroerosão por penetração. Fonte: (CIMM, 2011). Eng Produção-NOVO.indd 101Eng Produção-NOVO.indd 101 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 102 Além da taxa de remoção de material e do acabamento superficial, que normalmente são os parâmetros de avaliação de qualquer processo de usinagem, a relação de desgaste (relação entre o volume de material removido da peça e o volume de material removido da ferramenta) também se torna fundamental neste processo. Um processo de usinagem por eletroerosão, via de regra, é tão melhor quanto maior for a taxa de remoção de material e a relação de desgaste e quanto menores forem os valores de rugosidade superficial. Entretanto, estes parâmetros de avaliação são influenciados por alguns parâmetros do processo, entre os quais, estão o material da peça, o material da ferramenta, o regime de operação e o ferramental empregado. Material da peça: quanto maior for o ponto de fusão e vaporização do material da peça, menor é a taxa de remoção, a relação de desgaste e melhor o acabamento superficial. Materiais, como alumínio, chumbo, magnésio, e suas ligas são fáceis de serem usinados por este processo, por causa dos seus baixos ponto de fusão e vaporização. O contrário ocorre com materiais, como o tungstênio, titânio, ósmio e suas ligas, que têm elevados pontos de fusão e vaporização. Outra propriedade do material bastante influente é a condutibilidade elétrica. Quanto melhor condutor elétrico for o material, maior é a taxa de remoção. Material da ferramenta: há uma extensa lista de materiais empregados para ferramentas de usinagem por eletroerosão, porém os mais usados são o cobre (excelente condutor e grande facilidade de fabricação de ferramentas de pequenas dimensões) e o grafite (alto ponto de fusão e dificuldade para fabricação de ferramentas de pequenas dimensões por ser relativamente frágil). A escolha do melhor material de ferramenta depende de uma série de fatores, mas a influência maior é a relação de desgaste. Normalmente, os melhores valores são obtidos com o grafite, pelo seu ponto de fusão mais alto, entretanto, como o grafite é um material que se contamina com muita facilidade e pode ser adquirido com diferentes porosidades, nem sempre se pode garantir seu bom desempenho em relação à taxa de desgaste. Neste caso, prefere-se usar o cobre pela sua melhor condutibilidade elétrica. São empregados dois tipos de máquinas diferentes neste processo: a eletroerosão por penetração e a eletroerosão a fio. Por ser mais tradicional, o segundo tipo de equipamento emprega uma variante do processo clássico de eletroerosão por penetração. Tanto assim que todo seu conteúdo diz respeito exclusivamente ao processo por penetração. A máquina de usinagem por penetração é similar a uma furadeira ou fresadora vertical, com mesa, coluna, base, cabeçote, diferenciando-se basicamente pela cuba adaptada à mesa em que se faz a usinagem de peça. Outros compartimentos específicos fazem parte do equipamento: o circuito dielétrico (com bombas, Eng Produção-NOVO.indd 102Eng Produção-NOVO.indd 102 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 103 filtros, trocadores de calor), circuito eletro-hidráulico, que comanda o avanço da ferramenta em relação à peça, e uma fonte de energia pulsada, que controla os parâmetros de energia do pulso e a forma do pulso. No processo de eletroerosão a fio (Figura 19), a ferramenta de corte é um fio (geralmente de cobre), com diâmetro de 0,05 – 0,3 mm. Este processo é usado basicamente para cortes de chapas e blocos. O fato do processo não requerer a fabricação de ferramentas de forma pesa bastante na escolha da melhor forma de usinar. Por outro lado, deve-se adotar máquinas com vários graus de liberdade, pois a forma geométrica resultante, muitas vezes complexa, requer esta característica do equipamento. Figura 19: Representação esquemática da região de corte do processo de usinagem por eletroerosão a fio. Fonte: Adaptado de Kobayashi (1995). A fabricação de matrizes para estampas de corte, fieiras para trefilação e usinagem de ferramentas de metal duro são outras aplicações deste processo. No Quadro 11, apresentamos algumas vantagens e desvantagens da usinagem por eletroerosão. Quadro 11: Vantagens e desvantagens da usinagem por eletroerosão Vantagens Desvantagens Usinagem de peças com formas complexas Dificuldade no descarte dos fluidos utili- zados no processo Usinagem sem distorções (sem alterações microestruturais) Produção de superfícies com camadas refundidas Eng Produção-NOVO.indd 103Eng Produção-NOVO.indd 103 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 104 Corte unidirecional Baixa taxa de remoção quando compara- dos com a usinagem convencional Promove texturização de superfícies Limitações nas dimensões máxima da peça Fonte: (CROOKALL; HEUVELMAN, 1971, LIMA, 1997). O fluido dielétrico normalmente é a água deionizada, com baixa viscosidade e grande poder de refrigeração. Modernamente, porém, já existe óleo dielétrico de baixa viscosidade próprio para a eletroerosão a fio. As vantagens da baixa viscosidade é facilitar a remoção do material usinado, além de gerar camadas refundidas extremamente finas e aumentar a precisão da peça. O óleo tem sido preferido, ultimamente, por apresentar menor corrosividade e não exigir o deionizador necessário para produzir a água deionizada. 3.5.2 Usinagem por feixe de elétrons Nesta operação, um feixe de elétrons atinge a peça a alta velocidade causando a fusão e vaporização do material. Registrando O equipamento, representado na Figura 20, consiste de um canhão que gera o feixe de elétrons que se encontra a uma velocidade de, aproximadamente, 60 % da velo- cidade da luz ao atingir a peça. Os elétrons livres são produzidos através do aqueci- mento de um filamento de tungstênio (cátodo) a temperaturas entre 2500 e 3000 °C, através da passagem de corrente elétrica. A alta tensão entre cátodo e ânodo faz com que os elétrons sejam acelerados contra o último. O ânodo possui um furo que permite a passagem dos elétrons atingindo, assim, a peça. Filtros e lentes são usados para focalizar e direcionar o feixe. Todo sistema opera a vácuo (1 Pa). Figura 20: Esquema do processo de usinagem por feixe de elé- trons. Fonte: Adaptado de McGeouch (1988). Eng Produção-NOVO.indd 104Eng Produção-NOVO.indd 104 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 105 O equipamento opera com uma fonte de alta tensão (120 - 150 kV) e baixa corrente (25 - 100 mA), o que resulta em uma densidade de potência de aproximadamente 1,55 MW/mm2(potência inferior a 12 kW por pulso) e uma densidade de corrente que varia de 5 – 10 A/cm2. A duração do pulso vai de 0,05 a 100 ms e a velocidade da mesa onde é fixada a peça é de 100 mm/s. Um sistema computadorizado integrado é necessário para garantir o posiciona- mento exato da peça e controle dos parâmetros de corte. Na Figura 21, observe que, dependendo da posição do foco do feixe, pode-se obter uma soldagem, um tratamento superficial ou até mesmo um corte da peça submetido a este processo. Figura 21: Soldagem, tratamento superficial e corte obtido pelo processo de usina- gem por feixe de elétrons. Fonte: Adaptado de Benedict (1987). A usinagem de materiais de qualquer tipo de material (sem restrição de propriedades: dureza, condutividade térmica e elétrica etc.), a furação de precisão (Ø 0,1 - 1 mm) em materiais metálicos, especialmente para um elevado número de furos com pequeno diâmetro (cúpula de combustão de motor a jato em aço Cr/Ni/Co/Mo/W: 3800 furos de Ø 0,9 x 1,1 mm por minuto, por exemplo) e a fabricação de máscaras para produção de circuitos integrados são algumas das aplicações deste processo. No Quadro 12, indicamos algumas vantagens e desvantagens da usinagem por feixes de elétrons. Quadro 12: Vantagens e desvantagens da usinagem por feixe de elétrons Vantagens Desvantagens Produção de até 4000 furos/s Custo de equipamento elevado Sem limitação de propriedades da peça Tempos improdutivos (evacuação da câmara) Sem força de corte (distorções) Camada fundida Alta exatidão e repetibilidade Requer suporte técnico Flexibilidade de parâmetros Industrialmente ainda inviável para materiais não metálicos ou corte não retilíneo Fonte: (KÖNIG, 1990) Eng Produção-NOVO.indd 105Eng Produção-NOVO.indd 105 25/08/2021 09:21:2325/08/2021 09:21:23 106 3.5.3 Usinagem a laser O nome laser é uma sigla formada pelas letras iniciais das palavras Light Amplifi- cation by Stimulated Emission of Radiation, que em português quer dizer: amplifi- cação da luz por emissão estimulada da radiação. A usinagem a laser ocorre quando há interação entre um feixe intenso e coerente de luz monocromática e a peça, causando a remoção do material por vaporização. Registrando A eficiência do processo depende da frequência e focalização do feixe, além da refletividade, coeficiente de absorção, condutividade térmica, calor específico e calor de vaporização da peça. Na Figura 22, apresentamos algumas aplicações do laser na indústria. Figura 22: Aplicação do laser na indústria. (a) Usinagem de metais. (b) Corte de materiais de alta resistência. Fonte: (LIMA, 2009). O princípio básico de funcionamento baseia-se em dois espelhos paralelos entre os quais o feixe de luz sofre reflexões múltiplas mantendo a mesma fase. A cavidade entre os dois é preenchida com um meio amplificador (gasoso ou sólido) que garante o crescimento da onda de luz. Na Figura 23, apresentamos um esquema do equipamento responsável pelo processo de usinagem a laser. Eng Produção-NOVO.indd 106Eng Produção-NOVO.indd 106 25/08/2021 09:21:2425/08/2021 09:21:24 107 Figura 23: Equipamentos responsáveis pela produção do laser. Fonte: (LIMA, 2009). Os tipos de laser mais conhecidos são de CO2 e o de NdYAG. O laser CO2 apre- senta maior potência (25 a 5000 W) que o NdYAG (100 - 500 W), porém este é ca- paz de usinar ângulos e espessuras impraticáveis para aquele. A operação pode ainda ser assistida por um gás que irá auxiliar na remoção do material fundido. Inicialmente, a energia do feixe é absorvida pela peça e conduzida para seu interior. A elevação da temperatura provoca a fusão do material, seguida de sua vaporização. Zonas termicamente afetadas são inevitáveis chegando, em alguns casos, a 200 μm, embora possam ser minimizadas, aumentando a velocidade de avanço do feixe ou reduzindo a duração do pulso. A resistência à fadiga também é drasticamente reduzida em comparação à usinagem convencional. A utilização do feixe pulsado no lugar do contínuo reduz consideravelmente os danos térmicos, contornados com o desenvolvimento do laser, com duração do pulso da ordem de 10-15 s. Outro aspecto que merece nota é a utilização de sistemas robóticos para o corte tridimensional. Além da furação e corte, o laser é largamente empregado na soldagem, na marcação, Figura 24 (a), limpeza de superfícies, Figura 24 (b), texturização de ferramentas, Figura 24 (c), e no tratamento superficial de peças. A furação pode ser em cheio para diâmetros menores que 1,3 mm ou por trepanação para quaisquer diâmetros maiores que este. A furação em cheio empregando o laser NdYAG com potência de 100 a 250 W e duração do pulso de 0,5 a 2 ms (frequência de 5 a 100 Hz) tem sua eficiência aumentada quando assistida por oxigênio. A razão comprimento/diâmetro pode chegar a 40, mas geralmente varia de 10 a 20, entretanto a reflexão interna do feixe nas paredes do furo causa o desvio do feixe. 1. Feixe de laser 2. Espelho de saída 3. Nd: YAG 4.Lâmpadas de bombeamento 5. Espelho posterior 6. Óptica fixa 7. Fibra 8. Switch 9. Câmera CCD 10. Espelho de direcionamento do feixe Eng Produção-NOVO.indd 107Eng Produção-NOVO.indd 107 25/08/2021 09:21:2425/08/2021 09:21:24 108 (a) (b) (c) Figura 24: Aplicação do laser. (a) Marcação em componentes eletrônicos. (b) Limpeza de superfície. (c) Texturização de ferramentas. Fonte: (LIMA, 2009). 3.5.4 Usinagem por arco plasma O plasma é, praticamente, um gás aquecido a temperaturas da ordem de 3000 °C, que nesta condição é ionizado pela liberação de elétrons dos átomos do gás. Ao atingir a peça, o plasma provoca a fusão e vaporização do metal além da remoção dos resíduos. Um pequeno fluxo de argônio passa através do bocal constritor para formar a chama de plasma (Figura 25). Registrando Este sistema é o mais utilizado. A proteção do plasma e da poça de fusão é feita por um gás fornecido pelo bocal externo. A chama do plasma é iniciada com o auxílio de um arco piloto de baixa corrente mantido entre o eletrodo e o bocal. As possíveis configurações deste processo são: dois gases, água injetada e ar comprimido. Figura 25: Processo por arco plasma. Fonte: (MODENESI e MARQUES, 2006). Eng Produção-NOVO.indd 108Eng Produção-NOVO.indd 108 25/08/2021 09:21:2425/08/2021 09:21:24 109 No sistema dual, um gás adicional é usado para proteger o gás de corte da influência atmosférica. Em geral, o gás de corte é nitrogênio ou argônio e o gás de proteção, hidrogênio (para aço inoxidável e metais não ferrosos), CO2 (metais em geral) ou oxi- gênio. O sistema com água injetada usa nitrogênio para o corte e água para proteção. O efeito refrigerante da água reduz a largura de corte, mas melhora a qualidade do corte. Finalmente, no sistema a ar comprimido, ele é usado para o corte. A presença de oxigênio faz com que a velocidade de avanço seja aumentada em 25 % no corte de metais ferrosos. Em contrapartida, uma superfície altamente oxidada é obtida. No lugar de tungstênio (reativo com oxigênio), são usados catodos de Hf/ Cu ou Zr. Este método é empregado somente para materiais condutores elétricos. O corte a plasma permite taxas de remoção bem superiores ao corte oxiacetilênico (velocidades de avanço de 2,5 contra 0,5 m/min) no corte de chapas de aço de 12 mm de espessura, mas consumindo uma potência em torno de 220 kW. Enquanto no torneamento convencional de uma liga de níquel tem-se uma taxa de remoção de 128 mm3/s, no corte a plasma obtêm-se 1365 e 546 mm3/s, para desbaste e acabamento, respectivamente. A integridade da peça produzida é caracterizada por baixas tolerâncias (1,6 mm). A superfície é lisa, porém com uma camada de material fundido (0,15 mm) e uma ZTA que varia de 0,25 a 1,25 mm. A possibilidade de ocorrência de trincas é elevada devido ao rápido resfriamento. O corte de chapas planas (inox, ligas de Al e Cu) com espessura de 6 a 25 mm (velocidade de avanço de 4x corte oxiacetilênico), a produção de chanfros para a subsequente soldagem(10 a 30 vezes mais rápido do que o corte convencional), o auxílio ao torneamento de materiais de difícil usinagem e o corte submerso em água (redução de ruído e gases) são algumas aplicações deste processo. A usinagem é a tecnologia que se ocupa do arrancamento controlado de material de uma peça com o objetivo de produzir peças com formas e características superficiais predeterminadas. Desde há muito tempo, todos os processos de usinagem usavam o contato físico entre a ferramenta e a peça para o arrancamento de cavacos utilizando basica- mente dois mecanismos: o do cisalhamento (casos do torneamento, fresamento, furação, entre outros) e a abrasão (no caso da família dos processos abrasivos). Apesar de todo o avanço tecnológico ocorrido nas últimas décadas, esses pro- cessos têm sérias limitações, principalmente em casos de utilização de materiais duros e quando se deseja a obtenção de formas complexas. Por outro lado, a necessidade humana obrigou a pesquisa a desenvolver novos materiais normalmente de difícil usinagem por esses processos tradicionais. Sur- Resumo Eng Produção-NOVO.indd 109Eng Produção-NOVO.indd 109 25/08/2021 09:21:2425/08/2021 09:21:24 110 Atividades Atividade 1 Escreva qual é a diferença da definição técnica e da definição em termos de produção para manufatura na indústria em geral. Atividade 2 Escreva quais necessidades levaram à criação dos processos não convencionais de usinagem e cite exemplos. Atividade 3 Escreva quais são as diferenças entre os processos tradicionais e não tradicionais de usinagem. Atividade 4 Escreva quais são as novas tecnologias que fizeram evoluir significativamente os processos de usinagem não convencionais nas duas últimas décadas. Atividade 5 Escreva o que se pode dizer sobre os custos de equipamentos de usinagem não tradicionais em relação aos equipamentos tradicionais. Referências ABRÃO, A., Processos não convencionais de usinagem. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 2007. AGOSTINHO, O. L., VILELLA, R. C., BUTTON, S. T. Processos de fabricação e planejamento de processos. Campinas: Faculdade de Engenharia Mecânica - Universidade de Campinas, 2004. ARANTES, L. J., RASLAN, A. A. Desenvolvimento e avaliação de um processo híbrido de usinagem: jato d’água abrasivo com usinagem por descarga elétricas (AEDM). 13º Simpósio do Programa de Pós- Graduação em Engenharia Mecânica, UFU, Uberlândia, MG, 2008. giram novos aços-ligas, as superligas, as cerâmicas finas, os compósitos, entre outros, que passaram a exigir novos processos especiais de manufatura. Parale- lamente, novas geometrias e formas crescentemente mais complexas e diminutas foram sendo exigidas pelo mercado. Com isso, mais um motivo passou a existir para que novos processos fossem desenvolvidos. Eng Produção-NOVO.indd 110Eng Produção-NOVO.indd 110 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 111 ASM. International Metals Handbook. 9. ed. Machining, 1995. BENEDICT, G. F. Nontraditional Manufacturing Processes. Marcel Dekker, 1987. CIMM. Disponível em: . Acesso em: ago. 2011. CROOKALL, J. R., HEUVELMAN, C. J. Electro-discharge machining: the state of the art. London: Imperial College, 1971. CRUZ, C., MALAQUIAS, E. S., FERNANDES, L. A. Introdução à usinagem não tradicional. Uberlândia: Departamento de Engenharia Mecânica - UFU, 1999. FIELD, M., KAHLES, J. F. Review of surface integrity of machined components. Cincinatti: Metcut Research Associates, 1982. FULLER, J. E., ROCKWELL, I. Electrical discharge machining. 9. ed. Machining: Metals Handbook, 1989. KOBAYASHI, K. The present and future developments of EDM and ECM. Lausanne: International Sympsium for Eletromachining, 1995. KÖNIG, W. Processos de usinagem não-convencional. (Tradução: Prof. Dr. Ing Walter L. Weingaertner), Dusseldorf, vol 4, 1990. p. 416. LIMA, F. E., Rugosidade e integridade do aço ABNT M2 após usinagem por descargas elétricas, Dissertação de Mestrado, UFU, Uberlândia, 1997. LIMA, M. Tópicos especiais em fabricação: processamento com laser, Programa de Pós-Graduação do Curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, MG, 2009 M&S. Disponível em: . Acesso em: ago. 2011. MACHADO, A. R., ABRÃO, A. M., COELHO, R. T., DA SILVA, M. B. Teoria da usinagem dos materiais, São Paulo: Editora Edgar Blucher, 2009. P. 371. MALAQUIAS, E. Contribuição para o desenvolvimento de um protótipo de um equipamento de usinagem eletroquímica, Dissertação de mestrado, UFU, Uberlândia, MG, 2009. Eng Produção-NOVO.indd 111Eng Produção-NOVO.indd 111 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 112 MARQUES, P. V., MODENESI, P. J., BRACARENSE, A. C. Soldagem: fundamentos e tecnologia. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005. 362 p. MARTY, C. Usinages par procedes non convencionnels. Paris: Masson, 1971. MCGEOUGH, J. A. Advanced methods of machining. [s.L] Chapman and Hall, 1988. METALS HANDBOOK. Nontraditional processes, Machining,ASM International, 9th; 2002. MODENESI, P. J., MARQUES, P. V. Introdução aos processos de soldagem. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006. PANDNEY, P. C., SHAN, H. S. Modern machining processes. McGraw-Hill, 1980. PELIZER, M. C. Estudo da influência do ferramental na acuracidade de forma de peças de aço ABNT M2, obtidas por usinagem eletroquímica. Dissertação de mestrado, UFU, Uberlândia, MG, 1997 . RUMYANTSEV, E., DAVIDOV, A. Electrochemical machining of metal. Moscow: Mir publishers, 1989. SCHMIDT, I.; SABO, S. C. Usinagem por Eletroerosão. Curitiba: Departamento de Engenharia Mecânica e Mecatrônica, PUC/PR, 2008; STEMMER, C. E. Ferramentas de corte I e ferramentas de corte II. Curitiba: Ed. da UFSC, 1995. p. 249; 314. _____. Ferramentas de corte I. 5. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2001, 249 p. _____. Ferramentas de corte II: brocas, alargadores, ferramentas de roscas, fresas, brochas, rebolos e abrasivos. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1992. 314 p. STOETERAU, R. L., SCHROETER, R. B., WEINGAERTNER. Processos de usinagem: fabricação por remoção de material, [s.l.: s.e],2004. Eng Produção-NOVO.indd 112Eng Produção-NOVO.indd 112 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 FUNDAMENTOS E APLICAÇÃO DO CONTROLE NUMÉRICO COMPUTADORIZADO Este capítulo apresenta uma abordagem, de maneira resumida, das origens da programação numérica computadorizada e exemplifica alguns dos pro- cessos mais importantes em usinagem, nos quais esta tecnologia é aplicada. Abrange também os princípios de funcionamento de cada um destes pro- cessos e mostra, através de situações hipotéticas, o dia a dia nas linhas de produção das grandes empresas fabris. A escrita deste capítulo parte do princípio que o estudante conhece o que é uma máquina movimentada por coordenadas, por exemplo, um torno mecânico, máquina/ferramenta utilizada para modelar objetos por revolução. O intuito é mostrar que o Controle Numérico Computadorizado – CNC é o caminho para aperfeiçoar tempos de produção e diminuir perdas de sucata, no caso da fabricação. Nesta linha de pensamento, o engenheiro que conhece as partes de uma máquina CNC, os tipos de máquinas disponíveis no mercado e os tipos de programação terá capacidade de implementar soluções em uma linha de produção baseando-se nas abrangências e limitações do CNC. Desejamos, desde já, bons estudos! 4 Mauro Paipa Suarez Introdução Ao final deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • definir os conceitos relativos ao CNC; • entender as diferentes aplicações possíves do CNC nas indústrias; • analisar as vantagens e desvantagens do uso do CNC; • operar, de maneira adequada e segura, um equipamento comandado por CNC. Objetivos Eng Produção-NOVO.indd 113Eng Produção-NOVO.indd 113 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 114 Esquema 4.1 A história do CNC 4.2 Tipos de máquinas de controle numérico 4.3 Análise de implantação e aplicabilidade de uma máquina CNC 4.4 Fatoresqualitativos da implantação de uma máquina CNC 4.5 Fatores diversos da implantação de uma máquina CNC 4.6 Segurança no funcionamento das máquinas CNC Antes de adentrarmos nos fundamentos do CNC, vamos conhecer suas origens. Se relevarmos a velocidade de evolução e implantação do CNC no mercado, podemos ter uma ideia acerca do futuro desta tecnologia. A máquina controlada numericamente Na indústria, a luta pela liderança é o combustível de qualquer desenvolvimento tecnológico e o NC (numerical control), que posteriormente evolucionou para CNC (computer numerical control), é um deles. Por mais de 30 anos, o CNC tem revo- lucionado a maneira como os fabricantes produzem seus produtos. De fato, a ideia de se aplicar CN em máquinas operatrizes não começou somente há 30 anos. No início do século XIX, já existiam lâminas puncionadas ou pré- furadas como uma maneira de controlar o tipo de tecido gerado por uma máquina têxtil. A presença ou não de cada agulha era controlada pela presença ou não de um furo em uma lâmina ou cartão. Assim, quando trocado o cartão da máquina, o tipo de tecido gerado era diferente. O primeiro computador Partindo desta data e dando um salto de mais de 100 anos, surgiu a descoberta que impulsionaria rapidamente a tecnologia CNC. Em 1943, foi desenvolvido o primeiro computador, uma máquina monstruosa que ocupava uma área superior a 150 m² e gerava um calor excessivo devido aos 18000 tubos de vácuo contidos nela, esta máquina, dotada com enormes painéis cheios de botoeiras on/off, conseguia realizar operações básicas de processamento. Atualmente, uma calculadora descartável, ou como dizem no meu país, na Colôm- bia, uma suma pollos, ou seja, uma soma frangos, consegue realizar, em segun- Eng Produção-NOVO.indd 114Eng Produção-NOVO.indd 114 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 115 dos, tarefas que levariam longos períodos de processamento para o ENIAC, como foi batizado este primeiro protótipo. Os sistemas transistorizados Rapidamente, em 1948, nasceu o transistor e, posteriormente, em 1959, os circuitos integrados, partes indispensáveis do computador atual. Estes dispositivos ainda eram de tamanho considerável e, mesmo assim, muito menores que os tubos de vácuo. Em 1974, o microprocessador foi inventado e com ele o computador tornou-se mais acessível e potente. A integração máquina-computador Por fim, a partir dos anos 50, devido à necessidade de produção em série, a padronização de peças fabricadas e tolerâncias dimensionais cada vez mais diminutas resultou na integração da máquina com a capacidade de análise e armazenagem de informação do computador. Os responsáveis por essa integração foram pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), sob o comando de Jonh Parsons, que já trabalhava em uma técnica para criar padrões de movimento de máquinas com o uso de cartões perfurados. O servo motor A grande jogada foi a criação de um motor que tivesse um torque elevado para movimentar os eixos da máquina com potência suficiente, que, por sua vez, retornasse à sua posição em cada movimento. O desenvolvimento do servo motor satisfez essas características. O incremento do torque foi implementado usando multiplicadores de força, através do uso de vários jogos de engrenagens, acopladas ao eixo de giro do motor, uma engrenagem de menor diâmetro acoplada a uma de diâmetro maior é capaz de transformar um movimento de rotação veloz e sem torque em um movimento de rotação mais lento, porém, com torque multiplicado, dependendo da relação entre o número de dentes das engrenagens. “Mas, e a posição?” Ao adicionar um potenciômetro (resistência variável) ao eixo que movimenta a máquina, foi possível determinar uma relação entre o valor de impedância (valor de resistência) e a posição do motor. A Figura 1 mostra de maneira gráfica este princípio. Eng Produção-NOVO.indd 115Eng Produção-NOVO.indd 115 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 116 Figura 1: Servo motor atual. Fonte: Disponível em: . Acessado em: 12 Jun. 2011. Na atualidade, as máquinas comandadas numericamente variam nos seus meca- nismos, mas o princípio é sempre o mesmo. O deslocamento ou a inclinação de uma mesa usando um eixo sem-fim é controlado usando um sistema adaptado a um computador para determinar a posição da mesa. A Figura 2 mostra esquematicamente esse princípio de controle. Figura 2: Princípio de controle de movimento de um eixo, em uma máquina CNC. Fonte: Yeung (2006). A linguagem de máquina Em 1952, o centro de pesquisa do MIT acoplou estes servomecanismos a uma fresa vertical e obteve o controle dos três eixos da máquina com sucesso. O seguinte passo foi criar uma linguagem para ditar os comandos para a máquina, a qual funciona à base de números binários, ou seja, 0 (zeros) e 1 (uns) (1010001). Desta maneira, em 1954, nasceu o APT (Automatically Programmed Tool), que trata da programação com comandos baseados em palavras da língua inglesa, por exemplo, “GO TO”, que significa “ir para”. Posteriormente, nasceram diferentes linguagens de programação derivadas da APT, entre as mais importantes, temos: • derivadas do APT: • ADAPT (IBM); • IFAPT (França); • MINIAPT (Alemanha); Eng Produção-NOVO.indd 116Eng Produção-NOVO.indd 116 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 117 Parada obrigatória • Compact II; • Autospot; • SPLIT. Até 1976, o conjunto máquina-ferramenta e os controles dos eixos, através de programação básica, eram chamados de máquina NC. Em 1976, foram produzidas as chamadas máquinas de controle numérico computadorizado; essas máquinas, diferentes das NC, usavam microprocessadores que davam a elas uma maior capacidade de processamento e armazenagem. As NCs, basicamente, liam e executavam uma linha de cada vez, ao contrário das suas sucessoras, as CNCs, que podiam armazenar e executar programas inteiros de uma rotina de movimento. A aplicação desta tecnologia não se limitou ao uso de fresas e tornos, esse controle era aplicado de maneira geral em máquinas de movimento cartesiano. Abordando especificamente aplicações nos processos de fabricação, vários exemplos podem ser citados. 4.2 Tipos de máquinas de controle numérico No mercado industrial, mais de 50% das máquinas CNC são tornos e centros de usinagem. Outros exemplos de máquinas que são comandadas com controle numérico: • eletroerosão CNC; • cortadoras a LASER CNC; • cortadoras a plasma CNC; • enroladeira/dobradeira CNC; • dobradeira CNC; • puncionadeira CNC; • além das máquinas-ferramenta com mais de três eixos. O princípio de funcionamento das máquinas listadas é muito similar; por um lado, temos a ferramenta ou energia que vai transformar o material da peça e, do outro lado, temos o movimento relativo à peça, isso sem considerar os parâmetros para realizar o corte (velocidades de avanço, correntes, distâncias etc.) chamados de parâmetros de usinagem. Dependendo do processo de usinagem, será o acabamento da peça, ou seja, o tipo de remoção de material (com usinagem convencional - remoção de material por contacto usando ferramenta de geometria definida, ou não convencional - remoção Eng Produção-NOVO.indd 117Eng Produção-NOVO.indd 117 25/08/2021 09:21:2525/08/2021 09:21:25 118 de material usando ferramentas de geometria não definida ou fenômenos físico- químicos) que irá determinar a qualidade da superfície usinada; logicamente, os parâmetros de usinagem devem ser ajustados e o material da peça deve possuir características que permitam a obtenção destas superfícies de qualidade. A Figura 3 apresenta faixas de acabamento para os processos de usinagem mais utilizados. Figura 3: Faixas de acabamento da superfície usinada em micrômetros dependendo do tipo de processo de fabricação utilizado. Fonte: Whitehouse (1994). Imaginem um processo pelo qual se consegue usinar um furo com formato complexo, isto é, estrela ( ), triângulo ( ),ou qualquer formato diferente de círculo. A máquina de eletroerosão usina materiais que são condutores elétricos. O fenômeno de corte atua principalmente no calor gerado pelo passo da corrente elétrica entre eletrodo e a peça, a qual é usada como energia de corte. O EDM (Electrical Discharge Machining), como conhecido popularmente, é um pro- cesso térmico de fabricação, caracterizado pela remoção de material devido a re- petidas descargas elétricas que ocorrem entre um eletrodo e a peça, através de um fluido dielétrico (líquido isolante elétrico) que refrigera e limpa a superfície usinada. Eng Produção-NOVO.indd 118Eng Produção-NOVO.indd 118 25/08/2021 09:21:2625/08/2021 09:21:26 119 A Figura 4 apresenta o princípio de funcionamento de remoção de material por eletroerosão e alguns exemplos de usinagem com este método. a) b) Figura 4: Usinagem por eletroerosão. a) Princípio de funcionamento. b) Exemplos de peças usinadas por este processo. Fonte: Superfícies Usinadas, 2011. Se considerarmos um eletrodo com geometria complexa, a movimentação desta ferramenta (eletrodo) seria basicamente no eixo z, ou seja, penetrando a peça, no entanto o eletrodo pode ter vários formatos. Uma variação da eletroerosão é a eletroerosão a fio; neste caso, o eletrodo é um fio de cobre de diâmetro que oscila entre 0,15 e 0,30 mm. A remoção de material acontece por descargas elétricas entre o material da peça, carregada com um polo elétrico, e o fio, carregado com o polo oposto. O movimento relativo entre a peça e o fio produz o corte de material, sendo que existe um GAP ou espaço entre o fio e a peça, esta distância vai depender dos parâmetros de usinagem programados. Com esta variação da eletroerosão, facilita-se o corte na forma de contornos e cortes inclinados, dependendo da estratégia de corte e os graus de liberdade da máquina. Eng Produção-NOVO.indd 119Eng Produção-NOVO.indd 119 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 120 4.2.2 Cortadora a LASER CNC A sigla LASER, do inglês Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation, significa amplificação da luz por emissão estimulada de radiação. Mas, o que é isso? Um laser é um dispositivo que produz radiação eletromagnética com características muito especiais: é monocromático (possui comprimento de onda muito bem definido), coerente (todas as ondas dos fótons que compõem o feixe que estão em fase) e colimado (propaga-se como um feixe de ondas praticamente paralelas) (ARROYO, 2009). Essas características dão ao feixe de luz grande quantidade de energia concentrada em uma pequena área. Dependendo do tipo de laser, existem várias aplicações. Como já explicado, a energia é gerada por amplificação da radiação chegando a níveis tais que a energia propagada por este fenômeno é usada como uma ferramenta de corte com capacidade de agitar, na escala atômica, qualquer elemento que absorva luz, essa agitação leva a fenômenos de fundição, evaporação ou extração, dependendo da quantidade de energia aplicada (DUMITRU, 2005). O corte de material consegue uma precisão muito elevada com esta técnica. A Figura 5 mostra um exemplo de corte a laser em uma lâmina de alumínio, material difícil de cortar por processos térmicos, devido a sua alta condutividade térmica. Figura 5: Corte a laser. Fonte: Film Laser Trumpf, 2011. A diferença entre o corte utilizando EDM e as cortadoras a laser está na forma de aplicação dessa, também em materiais não condutores elétricos, tais como polímeros, madeiras e cerâmicos. O corte a laser é ideal para fabricação de perfis em lâminas e tecidos com uma velocidade elevada. A integração com o controle numérico facilita a criação de perfis de corte com tolerâncias dimensionais diminutas. Comumente, sistemas de otimização para cálculo da área cortada recriam a melhor estratégia para diminuir o descarte de material. Além do corte, essa técnica é utilizada também na marcação de qualquer material, tratamentos superficiais, polimento, além de grandes aplicações na medicina. Eng Produção-NOVO.indd 120Eng Produção-NOVO.indd 120 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 121 4.2.3 Cortadora a plasma CNC Os três estados da matéria são: sólido, líquido e gasoso. Para uma substância conhecida como a água, temos o gelo, a água (propriamente dita) e o vapor. Se adicionarmos energia em forma de calor ao sólido (gelo), teremos a mudança de estado para o líquido (água) e, se mais calor for adicionado, teremos o gás (vapor). Quando uma quantidade substancial de calor for adicionado ao gás a ponto de alinhar íons contidos nele, obteremos o quarto estado da matéria, conhecido como plasma. A Figura 6 apresenta graficamente este princípio, mostrando as fases da água e um exemplo do corte a plasma. a) b) Figura 6: Exemplificando as fases da matéria. a) Formação de plasma. b) Fotografia corte a plasma. Fonte: ESAB, 2011. Para recriar um plasma, é necessário uma energia muito elevada. Um belo exem- plo dessa quantidade de energia é encontrado no cotidiano, o relâmpago. Este fenômeno acontece devido a uma gigantesca diferença de potencial entre as nu- vens e a terra; este potencial consegue ionizar os gases presentes no ar a ponto de formar uma linha condutora que abre brecha para passagem da eletricidade na forma de um raio. Esta descarga eleva a temperatura a 30000 graus Celsius, calor suficiente para dar origem à formação do plasma. Graças à enorme quantidade de calor gerado, o plasma pode ser usado para cortar diferentes tipos de materiais com grande rapidez. As cortadoras a plasma CNC usam correntes entre o eletrodo e a peça, que vão de 20 a 1000 amperes, facilitando o corte de placas entre 0,5 e 160 mm de espessura. Os gases do plasma são ar comprimido, nitrogênio, oxigênio ou argônio/ hidrogênio, usados para cortar aços de liga leve e alta liga, alumínio, cobre e outros metais e ligas. A diferença de potencial aplicada ao processo é proporcional à distância entre o bico e a peça a ser cortada; é assim que cortes mais complexos são adequadamente assistidos com máquinas de controle numérico, as quais garantem uma trajetória correta descrita pela tocha. Eng Produção-NOVO.indd 121Eng Produção-NOVO.indd 121 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 122 4.2.4 Enroladeira e dobradeira CNC Como seu próprio nome diz, uma máquina de enrolar e dobrar CNC possibilita a criação de formas complexas através da deformação plástica (dobragem) de materiais metálicos, normalmente na forma de fita ou cilindro para a criação de molas. As máquinas dobradeiras de largo porte são comumente utilizadas para confor- mação de lâminas metálicas. Entre as aplicações mais comuns, temos a criação de partes de automóveis e armações de máquinas. A deformação controlada acontece devido ao posicionamento de moldes movi- mentados numericamente, com velocidades de dobragem que são ajustadas de- pendendo da natureza do material a ser trabalhado. Dessa maneira, uma máquina pode ser programada para reproduzir diferentes tipos de forma em altas velocida- des. A Figura 7 mostra um exemplo de uma máquina enroladeira/dobradeira e algumas das suas aplicações. Figura 7: Máquina enroladeira/dobradeira e exemplos de peças fabricadas. a) Máquina enroladeira/dobradeira. b) Exemplos de peças fabricadas. Fonte: CNC, 2011 Eng Produção-NOVO.indd 122Eng Produção-NOVO.indd 122 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 123 4.2.5 Puncionadeira CNC No passado, era necessário construir uma matriz para estampagem de uma peça. Essa matriz era adequada para um único formato de estampagem, sendo que a sua fabricação demandava elevado tempo de produção. O custo da matriz é proporcionalmente incrementado com o tamanho da estampagem. Se alguma mudança no projeto de estampagem for solicitada, a matriz deve ser trocada ou reaproveitada, quando possível, incidindo em mais altos tempos de adaptação e custos elevados. Atualmente, uma puncionadeira CNC é programável. Punções de diferentes formas etamanhos podem ser carregadas dentro de uma máquina CNC. Um programa de controle numérico controla os punções a serem realizadas simultaneamente ao controle de posicionamento da lâmina a ser puncionada. As punções são utilizadas para fabricar furos, canais, ou formas características internas da peça, além de cortar o material que sobra na chapa. Nesta operação, o único tempo demandado é para planejar as punções a serem realizadas e a criação do programa. Se alguma mudança no projeto é solicitada, o programa é facilmente alterado. O uso deste tipo de máquina exemplifica de maneira adequada a definição de sistema flexível. Na indústria metal-mecânica, o formato das peças fabricadas muda constantemente. Muitas vezes, um mesmo produto é alterado várias vezes, na procura de recriar, inovar, melhorar a ergonomia etc. Com este tipo de máquina, uma empresa consegue se adaptar a grandes mudanças nos projetos, sem depender dos altos custos que seriam assumidos antigamente. A Figura 8 mostra um exemplo de lâminas sendo puncionadas, em uma máquina de controle numérico. Figura 8: Exemplo de lâminas sendo puncionadas em uma máquina CNC. Fonte: Red Maq Máquinas e Equipamentos, 2011. Eng Produção-NOVO.indd 123Eng Produção-NOVO.indd 123 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 124 a) Puncionadeira CNC. b) Exemplo de chapa puncionada. c) Tipos de punções. Este tipo de aplicação das máquinas CNC renovou o mercado de estampagem de peças. A programação numérica trouxe consigo melhorias também na otimização do aproveitamento de material bruto conhecido no mercado como part nesting. Ou seja, maiores quantidades de peças podiam ser feitas com o mínimo de material descartado. 4.2.6 Centros de usinagem CNC As máquinas de controle numérico podem ser classificadas pela potência, pelo tamanho e pela aplicação, mas normalmente uma classificação generalizada é dada pelo número de eixos ou direções de movimento que podem ser manipulados na peça ou na ferramenta. Em outras palavras, o número de graus de liberdade que a ferramenta possui, para realizar um corte. Normalmente, tornos são utilizados para fabricar peças por revolução e fresas são as mais adequadas para confecção de peças prismáticas. O princípio de funcionamento destas máquinas obedece à “lei da mão direita”. Veja a Figura 9 que ilustra este princípio. Figura 9: Lei da mão direira mostrando os eixos rotacionais positivos, aplicados em máquinas CNC. Fonte: CEFAC/CNC1, 2011. Eng Produção-NOVO.indd 124Eng Produção-NOVO.indd 124 25/08/2021 09:21:2725/08/2021 09:21:27 125 Se apontarmos o dedão da mão direita na direção do eixo linear, obteremos o eixo rotacional positivo indicado pelos dedos da nossa mão. Os centros de usinagem comumente são equipados com controle de dois a cinco eixos. As máquinas de quatro e cinco eixos incorporam uma mesa com eixos de deslocamento complementares, paralelos a (x, y e z), designados em programação de CN por U, V, W. Os eixos com capacidade de girar ou inclinar a mesa ao redor dos eixos translacionais são chamados de eixos rotacionais, sendo designados em programação CN por A, B e C; esses eixos giram em torno dos eixos (x, y e z), respectivamente . Todos os eixos traslacionais, complementares e rotacionais são controlados de forma independente. A sua velocidade é também regulada de forma autônoma. Quando algum dos eixos rotacionais não pode ser movimentado simultaneamente, esta máquina recebe a classificação de meio eixo, por exemplo, quando uma máquina se movimenta em dois eixos simultaneamente, quando os outros dois estiverem parados, esta máquina é classificada como sendo de dois eixos e meio. Os centros de usinagem são ideais na fabricação de moldes e matrizes, furação de motores e usinagem de peças pré-fabricadas por fundição. Quanto maior o número de eixos da máquina, melhor é a flexibilidade para fabricar formas complexas. Veja o exemplo da Figura 10, do molde de um rosto humano, usinado em uma fresa de 3 eixos. Figura 10: Usinagem de um rosto humano em uma fresa de 3 eixos. Fonte: Youtube, 2011. Eng Produção-NOVO.indd 125Eng Produção-NOVO.indd 125 25/08/2021 09:21:2825/08/2021 09:21:28 126 4.2.6.1 Fresa A representação básica dos eixos de uma fresa CNC, com seus respectivos sentidos de translação e rotação, é ilustrada na Figura 11. Os três eixos básicos são x, y e z. Os três eixos rotacionais são A, B, C. Note que cada um dos eixos rotacionais tem sua rotação em função dos eixos básicos, sendo o sentido definido por um sinal de mais (+), ou menos (-) caso contrário, representado na frente da letra que indica o eixo. Figura 11: Ilustração de três eixos translacionais e quatro rotacionais em uma fresa. 4.2.6.2 Torno Os tornos e centros de torneamento são mais adequados na retificação de cilindros e fabricação de peças geradas por revolução; entre elas, podemos citar peças cilíndricas e cônicas. Os tornos CNC convencionais possuem dois eixos, sendo o primeiro paralelo ao eixo de giro da peça e designado comumente como eixo x e um segundo, perpendicular ao eixo de giro da peça, comumente designado como eixo y. Ambos os eixos são controlados simultaneamente, permitindo a confecção de perfis por revolução. A Figura 12 ilustra o exemplo de um torno com 4 eixos de liberdade. Eng Produção-NOVO.indd 126Eng Produção-NOVO.indd 126 25/08/2021 09:21:2825/08/2021 09:21:28 127 Figura 12: Ilustração de dois eixos translacionais e dois rotacionais em um torno. No exemplo anterior, além de mostrar o corpo gerado por revolução (barra cilindrada), mostra-se também uma operação de rebaixo da peça. Para realizar essa operação, faz-se necessário o controle de giro do eixo de revolução da barra. No torneamento, este controle é característico das máquinas com mais de dois eixos de liberdade. A Figura 13 mostra um exemplo de usinagem mais complexa usando um torno de 4 eixos. Figura 13: Exemplo de usinagem com torno de 4 eixos. Fonte: MTC Robótica Usinagem 3D com o 4º Eixo, 2011. Eng Produção-NOVO.indd 127Eng Produção-NOVO.indd 127 25/08/2021 09:21:2825/08/2021 09:21:28 128 4.2.7 Sistema flexível de manufatura Para a linha de produção de uma empresa, é benéfico acoplar as capacidades das diferentes máquinas CNC de maneira organizada. A maneira de realizar o processo de fabricação até chegar ao produto terminado com o mínimo de paradas de fabricação é chamada de sistema flexível. A Figura 14 apresenta um exemplo básico de sistema flexível ilustrando um sistema com duas máquinas CNC e dois braços robôs que funcionam como alimentadores e armazenadores de matéria-prima e peças terminadas, respectivamente. Figura 14: Sistema de flexível de manufatura. Fonte: Maziero,2010 Um sistema flexível de manufatura é um conjunto de equipamentos composto basicamente por diferentes tipos de máquinas-ferramenta de controle numérico e de robôs (destinados à carga, descarga e movimentação dos materiais em cursos de produção entre equipamentos que fazem a usinagem). Normalmente, os sistemas de fabricação flexível são usados na produção em pequena escala (como de bens de capital) e, no limite, podem prescindir quase completamente da atividade humana para seu funcionamento regular. Neste caso, trata-se de uma automação quase total da fabricação em pequena escala (TAUILE, 2001 apud GOELLNER, 2005). A título de exemplo, imagine a situação representada na Figura 14. Existem vários aspectos de sincronização ou restrições a se considerar, assumindo Eng Produção-NOVO.indd 128Eng Produção-NOVO.indd 128 25/08/2021 09:21:2825/08/2021 09:21:28 129 as seguintes premissas. Veja duas situações ou estratégias diferentes e analise- as: • um CNC só pode usinar uma peça de cada vez; • um robô só pode segurar uma peça de cada vez; • um buffer só pode ser acessado por um robô de cada vez; • um CNC só pode ser acessado por um robô de cada vez, seja para carga ou descarga; • qualquer robô pode acessar qualquer CNCe qualquer buffer. Situação 1: Nesta situação, há um torno e um robô: • as peças a serem usinadas chegam ao buffer 1 e as peças já usinadas são retiradas do buffer 2, através de processos externos que não são necessários simular; • o robô continuamente pega peças do buffer 1 e coloca no CNC para usinar; após a usinagem, o robô descarrega a peça do CNC e a coloca no buffer 2; • cada buffer é implementado por um vetor de inteiros. O robô e o torno são implementados por threads separados; • uma usinagem demora um tempo aleatório entre 1s e 5s. Uma operação de carga ou descarga de peça do torno ou de um buffer demora 1s cada. Situação 2: nesta situação, há três CNCs e dois robôs trabalhando totalmente em paralelo: qualquer robô pode carregar/descarregar qualquer CNC. O restante é idêntico à situação anterior. Parada obrigatória Avaliação de desempenho: para medir o desempenho das soluções propostas, sugere-se seguir o seguinte procedimento: • definir tempos fixos para os procedimentos de usinagem, carga e descarga; • encerrar o programa quando N peças tiverem sido depositadas no buffer 2. Desta forma, é possível medir o tempo necessário para processar N peças e, por consequência, a eficiência da solução implementada. Por exemplo, considerando 20 peças, 1s para cada operação de carga/descarga e 5s para cada usinagem de peça, podem ser calculados os seguintes tempos mínimos teóricos: • para um robô e um CNC: 20 * (1s + 1s + 5s + 1s + 1s) = 180s; Eng Produção-NOVO.indd 129Eng Produção-NOVO.indd 129 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 130 • para dois robôs e três CNC: 180s / 3 = 60s (considerando que os tornos nunca ficam parados, de forma que essa situação talvez não possa ser alcançada). Assim como mostrado no exemplo (de maneira simplificada e idealizada), conhecer as capacidades de uma máquina CNC frente a uma máquina de operação manual é de grande importância para avaliar em quais situações é conveniente mudar de tecnologia abdicando o uso de máquinas manuais e partindo para inclusão de sistemas de controle numérico. 4.3 Análise de implantação e aplicabilidade de uma máquina CNC A crescente globalização do mercado demanda um processo contínuo de inovação dos sistemas de manufatura, motivando as empresas a implementar novas tecnologias para manter a vantagem competitiva. De acordo com Neves (2005), a utilização de máquinas CNC tem um papel importante na flexibilização da produção, já que, quando um programa é testado e aprovado, podem ser produzidos um ou N produtos idênticos, tendo grande precisão e repetibilidade. Por outro lado, a flexibilidade das máquinas-ferramenta CNC facilita a mudança do projeto para próximo tipo de produto a ser fabricado, havendo trocas rápidas na preparação da máquina (set up) e variações nos programas, que podem ser carregadas facilmente. Devido a esse cenário, muitas empresas buscam a competitividade na compra de maquinários modernos. No entanto, todos estes recursos tecnológicos, na maioria das vezes, são subutilizados, pois esbarram em uma aplicação ineficiente das técnicas de suporte relacionadas ao apoio e à preparação da máquina-ferramenta. Usar uma máquina CNC não significa substituir o operador por um computador. Um operário qualificado pode fabricar peças complexas, comparáveis às fabricadas em uma máquina CNC em máquinas convencionais. O fator que os diferencia é a produtividade e a repetibilidade das peças, sendo que em alguns casos a diferença de tempos pode ser considerada infinita, pois a complexidade das peças pode exigir um empenho sobre-humano do operador. Ao se referir a esta tecnologia desta maneira, pode-se até entender que o ganho do CNC sobre o convencional não é tão grande, porém isso é um equívoco, pois, a partir do advento do CNC, foi possível criar peças com geometrias de grande complexidade em tempo recorde, cuja fabricação era possível apenas nas mãos experientes de um exímio mestre modelador e sem possibilidade de repetibilidade. Podemos perceber isso nas linhas aerodinâmicas dos automóveis modernos com formas complexas e chamativas que são alteradas com muita rapidez. No início da fabricação dos automóveis em série, os modelos T de Henry Ford, por exemplo, eram todos iguais em formato e cor, o consumidor não tinha alternativas Eng Produção-NOVO.indd 130Eng Produção-NOVO.indd 130 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 131 de variedade automotiva. Hoje, a colocação de um novo modelo no mercado é tão constante que a variação de um modelo para um próximo é de ano em ano, dependendo da sua aceitação. Um grande motivador para o uso de máquinas mais autônomas foi a diminuição no preço de uma máquina de CNC, isso graças ao incremento na demanda, por parte da indústria de manufatura. É importante planejar muito bem quando se deseja implantar máquinas CNC em um parque preexistente de máquinas convencionais, ou mesmo, montar um parque de máquinas CNC a partir do zero. O lucro é certo, se toda estratégia for bem estipulada. No entanto, tal planejamento exige estudos, como demonstrado a seguir. 4.3.1 Pesquisa do tipo de máquina que o mercado ou a própria empresa precisa Empresas que fornecem exclusivamente serviço de usinagem devem estar atentas às necessidades de seus consumidores, tais como: complexidade geométrica, tolerâncias dimensionais, tamanho e tempo de fabricação do produto, assim como volume de produção deles mesmos. Analisando esses itens, é possível determinar o tipo de máquinas que se deve usar. Por outro lado, se o setor de usinagem fizer parte da empresa, e os serviços de usinagem participam da concepção do produto, o estudo pode ser definido corretamente, pois ter-se-iam as perspectivas necessárias para a definição do tipo de máquina ideal. 4.3.2 Análise de custo x benefício das máquinas elegíveis Posterior à definição do tipo de máquina que satisfaz as necessidades da empresa, é preciso estudar as ofertas no mercado, hierarquizar os custos versus os benefícios das máquinas disponíveis ou até adaptáveis às necessidades, abrangendo cada possibilidade. 4.3.3 Assistência apropriada à implantação desta tecnologia Esta assessoria se torna imprescindível para a instalação da máquina e o suporte à produção nos primeiros meses de implantação. Conhecendo o nível de investimento e a aplicação dos recursos, pode-se planejar a melhor maneira de integrar aos sistemas fabris com o novo meio produtivo. Eng Produção-NOVO.indd 131Eng Produção-NOVO.indd 131 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 132 A aquisição desta nova tecnologia pode ser corretamente aproveitada se combi- nada com os sistemas de hardware e software compatíveis com a máquina, entre eles: • sistema de programação CNC - CAD/CAM; • sistema de simulação - manufatura digital; • pós-processador; • sistema DNC - gerenciamento e transferência de programas (rede) para a máquina. A inserção destes sistemas permitirá à empresa ganhar flexibilidade de desenho simulação e controle de qualidade dos novos produtos. A nova máquina deve ser inserida ao layout da fábrica, visando à correta disposição na obtenção de um fluxo contínuo de aproveitamento dela. Ou seja, criar condições ideais de trabalho, isto é, concordância na linha de produção, fácil alimentação e retirada de matéria-prima, disposição adequada (espaço, iluminação) para manutenção mecânica e eletrônica. É muito importante a preparação dos recursos humanos, comumente realizado através de cursos e programas de capacitação. Já que esta tecnologia exige pessoal especializado no projeto, programação, operação e serviços de suporte (porém o item de serviços de suporte pode ser terceirizado). Considerando uma correta análise do mercado, a implantação das máquinas CNC apresenta as seguintes vantagens: • reduz tempo para entrega de peças; • menor tempo para começar a produção; • menor tempo de trabalho das máquinas (maiores taxas de remoção de material); • diminui tempo desde desenho/redesenhoaté produção incrementar quanto à produtividade; • reduz custo da mão de obra (menor número de operários); • reduz rotinas manuais; • melhora a segurança dos funcionários; • melhora a qualidade do produto; • maior versatilidade do processo; • repetibilidade dentro dos limites próprios da máquina; • demanda menor de controle de qualidade; • menor estoque de peças em razão da rapidez de fabricação; • rápido intercâmbio de informações entre os setores de planejamento e produção; • troca rápida de ferramentas; • executa processos que não podem ser realizados manualmente. Eng Produção-NOVO.indd 132Eng Produção-NOVO.indd 132 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 133 Entre os aspectos limitantes da inserção de máquinas CNC, tem-se: • investimento inicial elevado (70.000 a 3.500.000 de reais); • manutenção exigente e especializada; • não elimina completamente os erros humanos; • necessita de operadores mais especializados; • o incremento em potência e as maiores velocidades de usinagem tornam fundamentais exigências de segurança mais rigorosas para a empresa; • não há vantagens tão evidentes para séries pequenas e muito pequenas. Listadas as vantagens e limitações do uso de uma máquina de CNC, vamos aprofundar um pouco o detalhamento de alguns fatores. 4.4 Fatores qualitativos da implantação de uma máquina CNC Existem especialistas em CNC que afirmam que a compra desse equipamento não deve ser baseada somente em uma demonstração de economia, comparado ao sistema convencional. O critério de avaliação deve ser mais completo, envolvendo todas as áreas em que a CNC influi. Esta análise compreende uma análise do ciclo de produção, considerando os efeitos do CNC nos custos de manuseio de material, controle de qualidade, compras, inventários, projeto e aplicação de ferramentas, programação de controle de produção, engenharia de produto e de fábrica. Quando bem estruturado, o CNC pode, inclusive, resultar em uma reintegração das diversas funções, tanto humanas quanto de capital, obtendo-se assim um melhor rendimento e qualidade do produto. 4.4.1 Mão de obra direta e tempo de execução Nesse fator, é considerada a vantagem sobre os sistemas convencionais quanto à velocidade de produção, influindo diretamente nos tempos de execução e maiores TRM (taxas de remoção de material). A explicação para redução de tempo de execução está fundamentada em dois pontos: • na redução direta do tempo de execução pela eliminação de tempos manuais, em que o operador é chamado para intervir, além da vantagem advinda do uso do CNC que induz quanto à utilização do melhor ciclo; • as máquinas CNC englobam operações diminuindo os tempos mortos intermediários, devido a sua alta versatilidade. Eng Produção-NOVO.indd 133Eng Produção-NOVO.indd 133 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 134 Para uma melhor ilustração desta afirmação, podem ser citados alguns dos recur- sos de um CNC que contribuem para este decréscimo de tempo: • alta rigidez de construção (permite parâmetros severos de usinagem quando usadas as ferramentas adequadas); • velocidade e avanços contínuos permitem trabalhar nas condições ideais de corte; • troca de ferramenta automática; • mesa com indexação automática; • mesas intercambiáveis; • ferramentas múltiplas de alta resistência ao desgaste, mas baixa tenacidade (o que faz necessário o uso de máquinas com alta rigidez); • fixação da peça de maneira hidráulica ou pneumática; • rápida preparação da máquina para o trabalho; • fácil limpeza e retirada de cavaco (uso de esteiras direcionadoras do cavaco). Esses itens consistem em uma das maiores vantagens do CNC aplicado a máquinas operatrizes de usinagem, levando à conclusão de viabilidade deste, mesmo em lotes de peças com quantidades mínimas, como é o caso da modelagem de protótipos, próteses etc. A preparação de uma máquina CNC pode ser feita em até 80%, enquanto a mesa está funcionando. Isso graças ao uso de mesas adicionais intercambiáveis, em que todas as ferramentas são montadas e pressetadas fora da máquina. Convém notar que nem todas as máquinas possuem a versatilidade de uma mesa intercambiável. Mas as vantagens inerentes à preparação estão diretamente ligadas à simplicidade da troca de serviços na própria máquina. Em termos comparativos com uma máquina de alta produção com ciclos automatizados, utilizando mecanismos de acionamento hidráulico e pneumático, caso fosse requerida a troca do serviço, além do ajuste final, ainda seria necessário mudar os batentes sólidos, limitadores de curso, ajuste de todas as válvulas para as condições impostas pela nova peça, troca de padrões etc. O CNC desde que bem assistido, com troca de programas e colocação de ferramentas e mesas, está pronto para iniciar o trabalho. Levando isso em termos comparativos de tempo, pode-se afirmar que o ganho de tempo supera facilmente uma redução de dez vezes no tempo de usinagem de uma máquina convencional. Normalmente, centros de torneamento e de usinagem são equipados com as ferramentas consideradas “normais”, deixando posições livres nos magazines, para montagem de ferramentas específicas de cada projeto executado na máquina. O uso deste múltiplo ferramental precisa de um prévio referenciamento para cada ferramenta, o qual será armazenado na máquina e chamado logicamente cada vez que haja uma troca de ferramenta. Eng Produção-NOVO.indd 134Eng Produção-NOVO.indd 134 25/08/2021 09:21:2925/08/2021 09:21:29 135 Exemplificando Exemplificando Exemplificando 4.4.2 Diminuição do custo do ferramental É válido considerar que, à medida que se procura elevar a produção com recursos convencionais, existe a tendência de aumentar o custo do ferramental, ou parte-se para o aumento da produção especializando as máquinas e ferramentas. Considera-se como ferramental desde as ferramentas perecíveis, os suportes e mandris, porta-ferramentas e os dispositivos de fixação, localização e de guia. Para ilustrar esta ideia de aumento de custo em função do aumento de produtividade usando máquinas convencionais, pode-se criar vários exemplos. Exemplo 1: Produção de chapas tipo painéis. O sistema convencional usa recursos de traçagem, furação em máquinas universais, tais como furadeiras e prensas. Para aumentar a produção, pode- se lançar mão de punções múltiplos, dispositivos tipo máscara para furações ou estampas progressivas. Exemplo 2: Torneamento de eixos de transmissão Para fazer eixos, normalmente usa-se um torno paralelo. Para aumentar a produtividade, o torno paralelo pode ser substituído por um torno com ferramentas múltiplas, copiadoras ou tornos especiais com alto grau de automatismo e operações simultâneas. Exemplo 3: Usinagem de carcaças Uma carcaça de precisão pode ser fabricada usando uma simples fresadora, furadeira e mandriladora. Para se obter um aumento da produção, pode-se construir dispositivos de localização e guia para as furações, ferramentas múltiplas, máquinas de múltiplas estações etc. Eng Produção-NOVO.indd 135Eng Produção-NOVO.indd 135 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 136 Ponto-chave Nesses três exemplos, o acréscimo no custo do ferramental empregado nos jogos de ferramentas múltiplas e especiais é consideravelmente grande. Nos três casos, à medida que se aumenta a produção, aumenta-se a especialização, a qualidade, o custo dos equipamentos e máquinas e diminui-se a flexibilidade para mudar o serviço. Com a aplicação do CNC nos três casos citados, usando-se ferramental “normal”, consegue-se da mesma maneira aumentar a produção, diminuir a especialização, aumentar a qualidade e diminuir custos, além de facilitar a flexibilidade de mudar de projeto. Os dispositivos usados em um CNC normalmente são padronizados e de rápida fixação. Os três fatores citados: execução, preparação e ferramental são de grande significado no cálculo demonstrativo de economia e justificativa para aplicação desta nova tecnologia, porém há muitos casos em que essesnão perfazem sequer a metade do potencial de vantagens econômicas. Por este motivo, recomenda-se levar em consideração alguns outros fatores, a maneira de quantificar melhor as vantagens. 4.5 Fatores diversos na implantação de uma máquina CNC 4.5.1 Vantagens para o projeto do produto Liberdade para os projetos – versatilidade e flexibilidade Para o engenheiro de produto criar, ele deve ser livre de restrições, muitas vezes impostas pelos recursos produtivos dos quais a empresa dispõe. Os sistemas de fabricação equipados com controle numérico computadorizado literalmente permitiram produzir peças com características impossíveis de recriar com máquinas convencionais, pois não somente existe uma barreira técnica, mas também os custos são elevados. Protótipos mais baratos e maior versatilidade de produção Graças à flexibilidade das máquinas de controle numérico, a engenharia de produto pode lançar mão de modificações significativas, nos produtos já fabricados para Eng Produção-NOVO.indd 136Eng Produção-NOVO.indd 136 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 137 melhorá-los, sem causar perdas de ferramentas, dispositivos ou demanda de muito tempo para se ter uma nova resposta, ou seja, o produto modificado. Grande quantidade de peças lançadas à fabricação para a criação de um protótipo podem ser usinadas em um CNC, sem incorrer na compra de dispositivos e ferramentas especiais. Cada vez mais, o mercado exige maior velocidade de modificação dos produtos, devido ao desenvolvimento tecnológico, principalmente na eletrônica. Neste âmbito, o uso de máquinas de controle numérico se encaixa adequadamente. Fidelidade na especificação Quando o mercado solicita uma peça ou produto, este vem acompanhado de exigências de acabamento, peso, dureza etc. Muitas vezes as próprias caracterís- ticas do material tornam quase impossível a fabricação dele usando uma máqui- na convencional. Atualmente quando um produto é solicitado, a fabricação dele considera estratégias de fabricação e parâmetros de corte ideais que deixam o produto terminado muito próximo daquele que foi solicitado. Além disso, após a fabricação de uma primeira peça, que cumpre as exigências do produto e que é aprovada pelo comprador, podem ser reproduzidos vários lotes das mesmas características e com índices de tolerância e repetibilidade exigentes. 4.5.2 Vantagens para a produção O conhecimento na empresa O CNC obviamente requer mais detalhes e estudos para o seu processamento, porém, uma vez desenvolvida uma programação, a tecnologia pode ser armazenada e poderá ser usada sem maiores alterações, sempre que a empresa requisitar. Rotinas para desbaste e acabamento podem ser também aproveitadas simplesmente mudando algumas coordenadas nos programas armazenados na máquina CNC. O controle da qualidade Uma máquina de CNC permite realizar várias operações diferentes em uma única montagem, reduzindo consequentemente o número de inspeções. Além disso, graças aos movimentos da máquina serem controlados numericamente, basta inspecionar a qualidade da primeira peça cuidadosamente e, a partir desta, repetir periodicamente uma inspeção de qualidade. Este intervalo deve levar em Eng Produção-NOVO.indd 137Eng Produção-NOVO.indd 137 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 138 consideração a vida média das ferramentas usadas no processo de fabricação. A economia em inspeção pode também resultar em uma menor necessidade de inspeção detalhada. Redução das operações secundárias e compactação de ciclos O uso de uma máquina de CNC permite uma usinagem em velocidades mais elevadas e controle da movimentação da ponta da ferramenta com uma resolução em escala muito reduzida. Essas características permitem que o operário planeje ciclos de desbaste e acabamento em um único programa. Graças a esta vantagem, frente às máquinas convencionais, são reduzidos e, às vezes, eliminados os problemas de rebarbas e acabamentos superficiais pobres. Operações de rebarbação, retífica e acabamento podem ser dispensadas em alguns dos casos, isso dependendo da qualidade exigida e das propriedades do material da peça. Desta maneira, seriam reduzidos os tempos de produção e os custos de uso de outras máquinas operatrizes. Redução de tempo de montagem Assumindo a fabricação de um produto composto por mais de uma peça, por exemplo, um automóvel, as vantagens do uso do CNC recaem no alto grau de repetibilidade com a especificação de tolerâncias dimensionais, o qual garante um correto encaixe das peças, que somado à redução no tempo de inspeção resulta em uma redução do tempo de montagem sem necessidade de ajustes. Redução de inventário da produção Graças à confiabilidade das máquinas CNC, quanto à questão em relação à velocidade de montagem, set-up da máquina, compactação de ciclos, versatilidade na usinagem de uma ampla gama de materiais etc, a redução nos inventários é relevante. As chances de ocorrem erros sistemáticos devido ao grande número de operações manuais, com o uso de maquinaria convencional, são diminuídas com o uso de máquinas CNC, tanto que os estoques de matéria-prima podem ser mais ajustados, baseados em um menor descarte de material devido a erros de fabricação. A redução do inventário de material em processo e ferramental especial é drástico. Redução de manuseio de material Como explicado anteriormente, a compactação de ciclos e processos reduz o manuseio de material em processo e, consequentemente, diminui os erros de fabricação. Eng Produção-NOVO.indd 138Eng Produção-NOVO.indd 138 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 139 Redução da quantidade de máquinas e consequentemente da área uti- lizável A criação de máquinas com vários graus de liberdade, controlados numericamente, aglomera o número de operações de uma peça em uma única máquina. Embora o tamanho de um CNC seja maior, quando comparado com uma máquina convencional, a redução do número de máquinas é ainda maior, reduzindo o espaço ocupado no parque de usinagem, facilitando um melhor aproveitamento do espaço e seccionando a fabricação por áreas específicas. Possibilidade de melhor enquadramento para controle através do computador Como seu próprio nome diz, a programação numérica é matematicamente definida, ficando muito mais viável a aplicação de sistemas gerenciadores para o controle do uso das máquinas, ou até mesmo para administrar o controle de fabricação de peças, isto é, controle dos programas de cada máquina desde um ponto servidor. O uso do CNC praticamente elimina os eventos subjetivos, os eventos influenciáveis pela atitude do comportamento humano, tornando, portanto, muito mais confiável. Depois que o programa é criado, ele irá ser executado uma e outra vez com poucas chances de ser efetuado um erro que pare a produção. O programador CNC Como já foi abordado nos itens anteriores, os programas CNC são o produto intelectual de um parque de usinagem. Eles, muitas vezes, são desenvolvidos mentalmente por um programador. A efetividade destes programas vai repercutir em itens, tais como estratégia de usinagem, troca de ferramentas, segurança do trabalhador, tempos de usinagem, controle da qualidade, alimentação e armazenagem da matéria-prima e produto terminado, respectivamente. Por este motivo, um programador, bem qualificado, deve possuir uma forte formação em materiais e processos de fabricação, conhecimentos tais que permitirão a ele desenvolver estratégias de corte baseadas na resistência dos materiais, geometria das ferramentas, temperaturas de corte, vibrações, atmosferas lubrorefrigerantes e esforços de usinagem, entre outras. Além dos conhecimentos, o programador deve estabelecer uma estreita comunicação com o pessoal de estoque, para determinar o pré-preparo da matéria-prima para usinagem, ou seja, confeccionar as peças de tal forma que possam ser colocadas e fixadas na máquina, sem afetar o produto final. Eng Produção-NOVO.indd 139Eng Produção-NOVO.inddPara cada material, existe mais de um método adequado para a fabricação de um produto; entre eles, destacam-se: • fundição: moldes consumíveis (feitos de areia, gesso, cerâmica) e permanen- tes (metal); • conformação e moldagem: laminação, estiramento, extrusão, forjamento, es- tampagem, cunhagem, trefilação, corte, dobramento e curvamento, repuxa- mento, rolamento, calandragem; • usinagem: torneamento, limagem, rasqueteamento, corte, serramento, traça- gem, roscamento, recartilhamento, fresagem, aplainamento, madrilamento, furação, alargamento, brochamento, retificação, brunimento, eletroerosão, usinagem química, usinagem eletroquímica, feixe de elétrons e ultrassom; • união: por forma, força ou material (serão vistos nos próximos capítulos) e juntas mecânicas (parafusos, rebites etc.); • operações de acabamento: esmerilhamento, rebarbação, polimento, lapida- ção, tratamento superficial (pintura, anticorrosão, galvanização etc.), trata- mento térmico (normalização, têmpera, revenido etc.). Parada obrigatória A seleção do material e o conhecimento de suas propriedades são uma etapa importante para a seleção do processo adequado a ser utilizado na fabricação de peças. Tradicionalmente, peças de chapas metálicas são obtidas por corte, feitos por punções e estampos. Atualmente, esse processo está sendo substituído por cor- tes a lazer. Alguns fatores importantes no produto final influenciam a escolha do processo de fabricação, tais como condições superficiais, precisão dimensional, forma e sua complexidade, taxa de produção, custos e tamanhos. Certos processos asseguram tolerâncias bem diminutas, enquanto outros nem tanto, principalmente devido a vibrações e deflexões entre peça e ferramenta, desgaste da ferramenta ou mudanças de temperatura. O custo de manufatura tende a aumentar exponencialmente com a diminuição das tolerâncias, como acabamento superficial, fato que torna a escolha dessas tolerâncias um fator de projeto que não pode ser superdimensionado. Eng Produção-NOVO.indd 5Eng Produção-NOVO.indd 5 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 6 O tamanho e o peso das peças a serem fabricadas influenciam a escolha do processo, mas a forma também é limitante, pois para um torneamento cilíndrico externo, por exemplo, a peça necessita de uma simetria cilíndrica. Alguns processos de manufaturas citados na Tabela 2, a seguir, podem ser rela- cionados com os materiais da Tabela 3, demonstrando a adequação destes mate- riais aos respectivos processos. Sintetizando Peças complexas são economicamente inviáveis de serem obtidas por meio de conformação e peças com parede fina não são recomendadas para serem feitas por fundição. Tabela 2: Processos de manufatura e seus atributos PROCESSOS ATRIBUTOS Acabamento Superficial Precisão Dimensional Complexidade Taxa de Produção Lote Econômico Custo Relativo Tamanho (Área Projetada) Fundição em areia A M M B A/M/B A/M/B A/M/B Fundição em casca B A A A/M A/M A/M M/B Fundição em cera perdida B A A B A/M/B A/M/B M/B Fundição sob pressão B A A A/M A A M/B Torneamento B A M A/M/B A/M/B A/M/B A/M/B Fresamento B A A M/B A/M/B A/M/B A/M/B Retificação B A M B M/B A/M M/B Eletroerosão B A A B B A M/B Moldagem por injeção B A A A/M A/M A/M/B M/B Moldagem por sopro M M M A/M A/M A/M/B M/B Estampagem B A A A/M A/M A/M/B B Forjamento M M M A/M A/M A/M A/M/B Moldagem por compressão B A M A/M A/M A/M A/M/B Laminação B M A A A A/M A/M Extrusão B A A A/M A/M A/M M/B Metalurgia do pó B A A A/M A A/M B Eng Produção-NOVO.indd 6Eng Produção-NOVO.indd 6 25/08/2021 09:21:1225/08/2021 09:21:12 7 UNIDADES mm mm peças/h peças A > 0.0064 100 >5000 Alto M 00016 > 0.13 10 100 Médio E 1,3 Baixo139 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 140 Veja um exemplo que ilustra corretamente a falta de comunicação entre o progra- mador e pessoal que subministra a matéria-prima. Há uma variedade de componentes mecânicos de precisão, tais como rolamentos, engrenagens e injetores de combustível, que são feitas de aço endurecido, e que têm de ser usinados a um alto grau de precisão. Por causa do desempenho rigoroso e requisitos funcionais para estes componentes, a qualidade da superfície em termos de topografia da superfície, microdureza, microestrutura e tensões residuais deve ser especificada e alcançada através da sequência usando um apropriado processo de fabricação. Na usinagem deste tipo de materiais, uma empresa, que vamos chamar de empresa “A”, a qual estava dotada com tornos CNC, CN e máquinas convencionais, ganhou a licitação para reproduzir eixos para uma empresa da linha automotiva, a qual chamaremos de empresa “B”. As negociações, entre as duas empresas, determinava que a empresa “A” se comprometesse a produzir 1000 eixos diários de um aço endurecido, com dureza de 60 Rocwell C, para a linha de montagem automotiva da empresa “B”, e a empresa “B” se comprometia a fornecer a matéria-prima para a fabricação dos eixos. Como primeira instância, os engenheiros da empresa “A” estudaram as propriedades do material endurecido e, baseados em manuais que mostravam as capacidades das máquinas CNC, concluíram que podiam cumprir com o serviço. Dessa maneira, marcou-se uma reunião entre os membros das duas empresas, em que a única exigência da empresa “A” para cumprir com o serviço era que a empresa “B” entregasse a matéria-prima em tarugos de comprimento no máximo de 500 mm por 250 mm de diâmetro, visando evitar o pré-preparo da matéria- prima para a usinagem nos tornos CNC, pois a dureza do material era tal que esse não poderia ser cortado nas máquinas convencionais. As datas de cumprimento foram estipuladas e o contrato foi assinado. Veja, de maneira gráfica, a ilustração do material fornecido pela empresa “B” e o produto que seria maquinado pela empresa “A”. Ponto-chave Eng Produção-NOVO.indd 140Eng Produção-NOVO.indd 140 25/08/2021 09:21:3025/08/2021 09:21:30 141 Figura 15: Materiais para serem usinados. a) Material bruto (fornecido pela empresa B, aço beneficiado de dureza 60 Rocwell C). b) Produto final. Para realizar uma operação de torneamento em uma barra comprida, como neste caso, é necessária a usinagem de um furo de centro (furo de geometria cônica e escalada, alinhado com o eixo de giro da peça) para ajudar na fixação dela e garantir um torneamento concêntrico ao eixo de giro e paralelo aos movimentos dos eixos da máquina. Com a matéria-prima em estoque, a empresa “A” chamou seu programador para desenvolver o programa de controle numérico rapidamente e depois de alguns cálculos matemáticos o programador repassou para a empresa a geometria da peça necessária para realizar a usinagem em máquina CNC, os tarugos de 500 mm poderiam ser usinados sempre e quando tivessem furos de centro. Veja a Figura 16. a) b) Eng Produção-NOVO.indd 141Eng Produção-NOVO.indd 141 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 142 Figura 16: CAD especificação de formato da matéria-prima necessário. Quando foi solicitada, para a área de máquinas, a realização deste furo, nenhuma das máquinas tinha condições de fabricá-lo, devido à alta dureza do material, comparável com as ferramentas de aço rápido disponíveis na empresa com, aproximadamente, 62 Rokwell C. A empresa não conseguiu produzir as peças no tempo estipulado, pois foi necessária a aquisição de ferramentas mais duras (metal duro) e um dispositivo chamado luneta, usado para centrar a peça entre pontas e usinar os furos de centro usando as novas ferramentas de metal duro. Todo este inquérito teria sido resolvido se existisse uma maior integração entre as diferentes áreas da empresa. O simples fato de realizar um acordo para usinar os furos de centro antes de realizar uma têmpera no material teria resolvido o problema, pois a dureza dele antes do tratamento térmico é de apenas 38 Rocwell C. Analisando o exemplo anterior, pode-se afirmar que: escrever um programa CNC é transformar em códigos uma usinagem que o programador realiza mentalmente, mas estes cálculos são baseados em uma série de restrições que devem ser conhecidas pela área de fabricação. Para programar uma máquina de controle numérico corretamente, é necessário elaborar um fluxograma hierarquizando as informações e operações que transformarão a matéria-prima no produto terminado. Para um melhor entendimento da correta criação de um programa CNC, é possível encontrar na literatura o livro do professor Fernando A. Cassaniga, instrutor de treinamento da Heller e autor do livro: "Fácil programação do controle numérico". Eng Produção-NOVO.indd 142Eng Produção-NOVO.indd 142 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 143 4.6 Segurança no funcionamento das máquinas CNC Embora seja este o último item deste capítulo, consideramo-lo o mais importante. O uso de máquinas de controle numérico envolve grande responsabilidade e de- manda grande atenção nas ações preventivas na hora de idealizar e executar um programa de controle numérico. Se considerarmos a mudança de uma máquina convencional que atinge uma rotação x e uma potência y para uma máquina de controle numérico que possui uma capacidade de giro entre 3 e 10x e potência de 2 a 4y, ou mais, em alguns casos particulares, o perigo para um operário que não considera as ações preventivas de execução é multiplicado na mesma proporção. Este item de segurança, longe de substituir a experiência consolidada dos profis- sionais diretamente ligados a estes equipamentos, ou esgotar o tema, destina-se a fortalecer, reciclar ou enriquecer o patrimônio de conhecimentos técnicos rela- cionados à operação das máquinas-ferramenta CNC. O objetivo principal é que todo o seu conteúdo seja lido e estudado, mas principalmente aplicado no seu dia a dia, de forma a favorecer a produtividade e o bom funcionamento do equipamen- to de forma continuada. Como primeira instância, é de vital importância possuir os manuais de funciona- mento, manutenção e programação da máquina CNC e estudá-los detalhadamen- te. O operário deve fazer uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) ou PPE do inglês (Personal Protective Equipment). Assumindo que as instalações da máquina seguem as normas de segurança, cabe ao operário da máquina o cui- dado dela. Isso inclui limpeza dos filtros, abastecimento de óleo periodicamente, engraxamento das partes móveis e limpeza geral periódica da máquina, além de diligenciar uma manutenção preventiva periodicamente. Observe que ainda não foi citada nenhuma tarefa a se realizar na operação da máquina, e sim as tarefas básicas que vão garantir o correto funcionamento da máquina e a segurança do operário. A seguir, será estratificada a operação simplificada e generalizada em máquinas CNC. 4.6.1 Como operar corretamente uma máquina CNC? Antes de ligar a máquina CNC, linhas pneumáticas e hidráulicas externas à má- quina devem ser ligadas, pois a primeira tarefa realizada por ela, após ter sido energizada, será iniciar o sistema e referenciar a posição dos eixos e os magazi- nes (armazenador automático de múltiplas ferramentas). Eng Produção-NOVO.indd 143Eng Produção-NOVO.indd 143 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 144 4.6.2 Modos de funcionamento da máquina As máquinas com CNC permitem realizar operações em diferentes modos de funcionamento, que podem ser escolhidos de acordo com a necessidade do operador da máquina. Cada modo de funcionamento permite variações na forma de acionamento da máquina. Normalmente, o painel de controle possui um teclado, ou chave, que permite a seleção do modo de operação da máquina como ilustrado na Figura 17. Figura 17: Modos de funcionamento de máquinas CNC. 4.6.2.1 Modo ManualGeralmente, é o primeiro modo a ser utilizado. No modo manual, a máquina permite ao operador efetuar movimentos dos eixos através dos volantes, a velocidade do movimento depende do ganho no avanço selecionado, desse modo, não há necessidade de programação. Esse modo é utilizado para movimentação da máquina, quando ela estiver em posição inadequada para operação. Por exemplo, o operador pode efetuar um movimento específico para medir ou limpar a peça, que não esteja previsto no programa CNC. Ou simplesmente está referenciando uma nova peça ou ferramenta, tangenciando a aresta da ferramenta com os vértices ou as características da peça. Uma forma muito comum de colisão acontece no modo manual. Máquinas modernas possuem guias assistidas, hidráulica ou pneumaticamente, na movimentação dos seus eixos, ou seja, guias mais sensíveis ao movimento dos volantes com atritos reduzidos. Embora essa seja uma característica positiva das máquinas CNC, facilita também a colisão no caso de uma incorreta manipulação do operário. Alguns fabricantes projetam suas máquinas com finais de carreira e outros sensores a fim de evitar a colisão máquina – máquina. Apesar de possuir este tipo de proteção, a não colisão vai depender da montagem das ferramentas e dos acessórios ou projetos específicos em que as partes da máquina foram alteradas. Eng Produção-NOVO.indd 144Eng Produção-NOVO.indd 144 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 145 4.6.2.2 Modo JOG Movimento em JOG, diferentemente do modo manual, realiza o movimento ou rotação através de uma tecla específica para selecionar o eixo (x, y ou z) ou (A, B ou C) e uma tecla que seleciona o sentido do movimento (+/-). Algumas máquinas possuem uma alavanca ou joystick que realiza a mesma tarefa. A colisão ocorre quando há uma distração do operador que acaba apertando o sentido invertido, ou não percebe que o caminho do deslocamento está obstruído, ou aperta junto à tecla de movimento a tecla de movimento rápido, não dando tempo de ver que há obstrução de percurso. Então, a colisão é ocasionada. Ação preventiva: diversos cuidados são necessários neste momento. Ao movimentar um eixo, o operador deve visualizar, com muita atenção para onde ele se movimenta e se existe alguma obstrução que possa provocar colisão. Outro cuidado que se deve ter na operação em JOG é quando for apertada uma das teclas de seleção do sentido do eixo de deslocamento (+/-), devendo limitar o movimento fechando a chave de ganho do avanço para a posição zero. Com a tecla “+” ou “-” apertada, abre-se lentamente a chave e, cuidadosamente, observa- se o deslocamento. Nunca apertar logo no início de movimento em JOG, simultaneamente com a tecla "+" ou "–", a tecla de avanço rápido. Fazer isso apenas quando o deslocamento lento já tenha se iniciado, e o operador já tenha observado que o deslocamento está fora de risco de colisão e que pode ser feito de forma rápida. Nunca aplicar este recurso no movimento de aproximação "rápida" da ferramenta com peça e dispositivo de fixação, utilizar apenas em afastamento livre de colisão. 4.6.2.3 Modo MDI (Manual Input Mode) Geralmente esse é o segundo modo a ser utilizado. O modo MDI nas máquinas CNC permite ao operário realizar pequenos programas sem alterar os dados armazenados na memória da máquina. Este modo de funcionamento permite ao operador efetuar movimentos programa- dos em uma única linha de comando, executando funções de máquina programa- das pelo próprio operador. Neste modo, também é possível a execução de ciclos fixos, aumentando a versatilidade de operação. Este modo é bastante utilizado para verificações de posição, execução de de- talhes específicos de peças ou pequenos lotes de peças, reduzindo o tempo de preparação da máquina. Normalmente o setup de ferramentas é realizado neste modo, já que permite a verificação do referenciamento do conjunto ferramenta- -peça através de programas manuais. Eng Produção-NOVO.indd 145Eng Produção-NOVO.indd 145 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 146 As Figuras 18 e 19 ilustram uma opção de referenciamento adequada para dois dos processos mais comuns em usinagem, na qual o risco de colisão é substancialmente reduzido. Figura 18: Referenciando o torneamento. Figura 19: Referenciando o fresamento. Eng Produção-NOVO.indd 146Eng Produção-NOVO.indd 146 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 147 Perceba que o ponto de referência é determinado de tal maneira que, na eventual troca da máquina ou da peça, o ponto de referência vai garantir o mesmo percurso do programa CNC. Quando o ponto de referência é localizado na base da peça, torna-se preciso adaptar o programa às dimensões dela, dificultando a tarefa do operário e incrementando as chances de erro. 4.6.2.4 Modo Edit Como seu nome indica, o modo Edit permite ao operário editar o programa, cabe ao operário a responsabilidade pela total atenção nas modificações realizadas neste modo. É conveniente comentar o programa e prestar uma atenção preferencial no relacionamento das ferramentas montadas no magazine e ferramentas programadas no código. Este tipo de erro tem sido comprovado várias vezes como sendo motivo de uma colisão entre a máquina e a ferramenta. Na edição do programa, deve-se certificar o referenciamento de cada ferramenta utilizada no programa. Normalmente, o cabeçalho do programa determina uns 70% da informação pertinente, assim como o sistema de medidas, pontos de referência, movimentos de aproximação iniciais e características particulares do programa, ferramenta e peça, assim como os comentários gerais. É de suma importância ressaltar que, uma vez modificada uma linha de código, ao passar para o modo automático, a máquina começará a executar o programa a partir da linha na qual se encontra o cursor, por esse motivo deve se apertar a tecla reset quando se deseja executar o programa desde o começo. 4.6.2.5 Modo Automático Esse sempre será o último modo a ser executado; nesta altura da movimentação da CNC, o operário deve estar 100% seguro de ter ajustado todos os parâmetros de corte e distâncias a serem percorridas. Alguns tipos de comandos permitem executar testes de programa, verificando a sintaxe correta das instruções. Além disso, recomenda-se sempre que possível a prévia simulação do programa, acompanhando de perto os movimentos simulados pela interface gráfica. No modo automático, como seu nome indica, a máquina executa as operações automatica e continuamente, logo após ter sido pressionado o botão de partida da máquina (START). O programa CNC controla a máquina somente parando quando apertada a parada de emergência da máquina, a parada do ciclo, o reset ou fechando o ganho do avanço. Porém, podem ser programadas paradas através de instruções específicas do programa, por exemplo, a função M00, comando utilizado para dar uma parada no meio do programa, útil na verificação de limpeza ou medição da peça de trabalho. Para executar a linha seguinte ao comando M00, é necessário que o botão de Eng Produção-NOVO.indd 147Eng Produção-NOVO.indd 147 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 148 partida (START) seja pressionado. Ao final do programa, a CNC fica aguardando novamente que seja pressionado o botão de partida, para executar novamente o programa. Este modo de execução é utilizado para produção de grandes lotes de peças, quando o programa já estiver funcionando de forma adequada, maximizando a produtividade e evitando paradas desnecessárias. A máquina executa a usinagem sem a interferência do operador. A primeira execução de um programa deve ser feita com os mesmos cuidados, tanto num programa "novo" quanto num "alterado". A tecla "single block" é de grande ajuda para uma primeira revista do programa, pois ela permite a execução de uma linha de código de cada vez, solicitando a tecla START para executar a próxima linha. Se controlarmos o avanço da máquina, através do ganho, e houver alguma sentençaque contenha uma ação de deslocamento, os movimentos ficarão retidos e os valores a serem deslocados serão mostrados na tela de operação. Neste caso o operador poderá observar qual eixo vai se movimentar, quanto e para onde vai ocorrer o deslocamento. 4.6.3 Colisões em máquinas de CNC O risco de uma colisão é um evento muito provável quando analisados fatores, como a inexperiência do operário, ou a aquisição de novas tecnologias. Isso representa uma grande preocupação para aqueles que realizam grandes investimentos na troca de máquinas convencionais pelas máquinas de controle numérico. Mas, como diminuir essa probabilidade? É possível garantir que a minha máquina não vai colidir? Essas são algumas das perguntas que surgem. A resposta é evidente, quanto mais organizado e preventivo for o processo de programação da máquina, menores serão as chances de uma colisão. Se analisarmos os tipos de movimentação realizados pelas máquinas citadas neste capítulo, a colisão é um choque provocado entre partes da máquina em movimento relativo com outras partes envolvidas na usinagem (peça, ferramenta e partes fixas da própria máquina) que não foram consideradas pelo programador; em outras palavras, uma colisão acontece quando o operador da máquina libera um movimento que considera estar sob controle, ou seja, considera que a sequência de movimentos se desenvolverá por percursos conhecidos e sem obstrução e que por uma razão lógica previsível realiza um movimento inesperado, provocando a colisão. Eng Produção-NOVO.indd 148Eng Produção-NOVO.indd 148 25/08/2021 09:21:3125/08/2021 09:21:31 149 Na maioria das vezes, isso acontece na pior situação, ou seja, quando há um deslocamento na velocidade máxima da máquina. Em máquinas CNC comuns, esta velocidade de avanço supera os 5000 mm/min; isso diminui a possibilidade de reação para conseguir uma parada de emergência por parte do operário. A maioria dos casos de colisão acontece em uma das seguintes situações. 4.6.3.1 Teste de programa Existem duas situações de processamento de programas que podem ser conside- radas em teste. A primeira é quando o programa é totalmente novo e todas as sen- tenças são de processamento em nível de teste. Nesta situação, ao ser proces- sado, o programa é considerado situação de risco, da primeira à última sentença. Outro caso é quando um programa, já aprovado e testado em trabalho, em opera- ção de produção, e, por alguma razão, por exemplo otimização, alteração de pro- duto ou processo, ou outra qualquer, recebe uma alteração numa simples palavra ou até em diversas sentenças. Neste caso, mesmo que seja apenas uma simples palavra alterada, passa a ser considerada uma sentença em teste. Todas as sentenças em que houve alguma alteração, por pequena e simples que seja, também é considerada em teste, por- tanto situação de risco. A colisão pode ocorrer em qualquer um dos dois casos, quando se considera que a programação da sentença em processamento está corretamente escrita e que o deslocamento está livre de colisão, mas, na realidade, há algum erro que coloca um movimento num percurso obstruído. Então, ocorre a colisão. 4.6.3.2 Retomada de ciclo Quando um programa está sendo processado, diversas funções de atuação modal vão sendo memorizadas. Por diversas razões pode haver uma interrupção do processamento do programa, como uma parada de energia elétrica, supervisão de ferramentas (quebra, desgas- te, vida útil), correção do programa, ou através da tecla "reset", a qual leva o cursor ao início do programa habilitando novamente a execução das funções básicas. Eng Produção-NOVO.indd 149Eng Produção-NOVO.indd 149 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 150 Se a retomada do ciclo acontecer sem critério na seleção correta da linha de programa que seja apropriada para uma retomada segura e a tecla START for acionada no modo automático, o processamento pode partir da sentença em que parou, desprezando os comandos anteriores que necessitariam estar atuando. Por exemplo, uma variação na origem de coordenadas levará à colisão no deslocamento, ou se a ferramenta não estiver com o comprimento compensado, o deslocamento de penetração não é mais referência pela ponta da ferramenta, e sim pelo nariz da árvore das ferramentas rotativas, ou na face da torre em ferramentas estáticas, levando à colisão. É por esses motivos que, ao interromper o ciclo, deve-se de imediato afastar na distância máxima possível as partes (peças, dispositivos e ferramentas). A retomada deve ser feita em uma sentença especialmente escolhida, em que se possa dar continuidade à usinagem sem nenhum prejuízo ao processo. É conveniente utilizar a tecla single-block e fechar o ganho do avanço, executando a retomada do programa passo a passo. 4.6.3.3 Substituição de ferramenta no processo O desgaste, ou quebra de ferramenta, exige troca por uma ferramenta nova; neste caso, quando a ferramenta é trocada e colocada em operação, passa a ser um elemento de risco, pois poderá haver erro na alimentação dos dados de correção para sua compensação. Verifique cuidadosamente, usando o ganho do avanço ou referencie novamente a ferramenta, para evitar erros nas dimensões da peça de trabalho ou colisões. Quando um programa está sendo processado em modo automático contínuo, considera-se que todas as ferramentas que estão trabalhando no processo têm os respectivos corretores (geometria de pre-set) ajustados adequadamente para a obtenção das medidas desejadas nas superfícies usinadas. Por exemplo, num deslocamento programado com: G0 Z5, observar se a aresta referência se posicionou aproximadamente a 5 mm da face zero. Se vai haver correção de raio da ferramenta, checar no primeiro deslocamento dela mesma, com os mesmos critérios de segurança descritos para o comprimento. 4.6.3.4 Outros motivos de colisão Estatisticamente desconsiderados, existem alguns motivos que raramente provo- cam colisão, mas que devem ser considerados. Eng Produção-NOVO.indd 150Eng Produção-NOVO.indd 150 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 151 Problemas pneumáticos ou hidráulicos da máquina podem levar a colisões inesperadas. Por exemplo, um tipo de colisão comum é apresentado em máquinas com mais de dez anos de uso, em que as mangueiras do sistema pneumático apresentam cristalização, produzindo quedas de pressão que levam à colisão na troca de uma ferramenta do magazine automático. Uma queda de pressão pneumática ou hidráulica pode ocasionar uma incorreta fixação da peça, tornando-se um erro de alto risco no torneamento com altas velocidades de rotação da peça. Raramente ocorrem situações de riscos não consideradas nas observações anteriores. Alguns motivos independem da parte operacional, referindo-se mais ao processo e à manutenção da máquina. Colisões por falha de sensores eletrônicos, falha de processamento de CLPs, software ou similar, dispositivo que soltou a peça na usinagem etc. podem ser evitados via manutenção preventiva com pessoal qualificado. Para evitar problemas de posicionamento de peças, pode-se usar um apalpador de medição para localizar e fazer verificações de posicionamentos e origens. No caso de peças carregadas automaticamente por robô ou mesmo pelo operador, pode-se supervisionar a exata localização e assento da peça na placa do torno ou dispositivo de fixação em centros de usinagem, utilizando o controle de assento (air check). Essa técnica consiste em supervisionar se a peça está devidamente encostada em uma superfície de referência do dispositivo. Esta verificação é realizada por um circuito de ar que é soprado em diversos e pequenos orifícios desta superfície. A diferença da vazão/pressão nessa área quando a peça está encostada varia. Quando a peça não está encostada, numa mesma vazão em área maior de saída de ar, faz com que a pressão seja menor, gerando um alarme que interrompe o ciclo, evitando colisões e erros dimensionais de usinagem. Isso poderá supervisionaruma peça fora de posição. A fixação da peça e ferramenta realizadas pelo operador deve ser rigorosamente controlada, para que esteja de acordo com a necessidade do processo. Advertências na máquina CNC As instruções são sinalizadas por um triângulo de advertência e, dependendo do nível de perigo, as advertências são apresentadas em ordem decrescente de gravidade: Eng Produção-NOVO.indd 151Eng Produção-NOVO.indd 151 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 152 • PERIGO: significa que haverá caso de morte ou lesões graves, caso as medidas de segurança correspondentes não sejam cumpridas. • AVISO: significa que pode haver caso de morte ou lesões graves, caso as medidas de segurança correspondentes não sejam cumpridas. • CUIDADO: com triângulo de alerta, indica um perigo iminente que pode resultar em lesões leves, caso as medidas de segurança correspondentes não sejam cumpridas. • ! CUIDADO: sem triângulo de advertência significa que pode ocorrer danos materiais, caso as medidas de segurança correspondentes não sejam cumpridas. • ! ATENÇÃO: significa que pode ocorrer um evento ou um estado não esperado, caso a instrução correspondente não for observada. Ao aparecerem vários níveis de perigo, sempre será utilizada a advertência de nível mais alto de gravidade. Quando é apresentada uma advertência acompanhada de um triângulo de advertência relativo a danos pessoais, também pode vir adicionada de uma advertência relativa a danos materiais. Este capítulo foi concebido para estudantes que desejam desenvolver um entendimento básico do controle numérico computadorizado, associado aos processos de manufatura. A produção em massa, ligada à constante necessidade de uma maior precisão na fabricação de produtos, permitiu a implantação da tecnologia do controle numérico computadorizado. Este capítulo guia o estudante, através de definições, exemplos e ilustrações, ao entendimento do controle numérico computadorizado que servirá como base para o entendimento futuro da programação em máquinas CNC. O capítulo inclui uma resenha histórica do CNC e a evolução dele. As origens e a evolução desta tecnologia são apresentadas de maneira sucinta. O conteúdo do capítulo serve como guia na escolha e implantação de maquinaria CNC. Exemplos de análises econômicas qualitativas de uma empresa que adquire este tipo de máquinas-ferramenta ajudam o estudante no correto entendimento do tema. As abordagens simples, através de situações extraídas da indústria e exemplos direcionados, procuram desenvolver e resolver incógnitas no estudante em relação ao controle numérico computadorizado. Resumo Eng Produção-NOVO.indd 152Eng Produção-NOVO.indd 152 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 153 Atividade 1 Atividade 2 Atividade 3 Atividade 4 Atividade 5 Escreva o que é um servo motor. Descreva sucintamente o que é o Controle Numérico Computadorizado. Escreva dois exemplos de máquinas CNC e descreva seu funcionamento. Elabore uma situação hipotética na qual é recomendada a implantação de máquinas CNC e uma na qual essa estratégia não é recomendada. Escreva a relação dos modos de funcionamento de uma máquina CNC. ALTINTAS, Y. Manufacturing automation machine tool vibrations, and CNC design, University of British Columbia, Cambridge University Press, 2000, 286 p. CEFAC/CNC1. Máquinas-ferramenta CNC. Disponível em: . Acesso em: jun. 2011. CNC CUTTING A FACE . Disponível em: . Acesso em: jun. 2011. CNC WINDING, COOLING AND BENDING MACHINE. Disponível em: . Acesso em: jun. 2011. CURRAN, K.; STERNERSON, J. Computer numerical control: operation and programming, 2. ed. Upper Saddle River, New Jersey Columbus, Ohio: Pretice Hall, 2001. 530 p. DELGADO, R. Aplicações de máquinas CNC nos processos industriais, UNOPAR - Universidade Norte do Paraná. Disponível em: . Acesso em: maio. 2011. Referências Atividades Eng Produção-NOVO.indd 153Eng Produção-NOVO.indd 153 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 154 ESAB. Disponível em: . Acesso em: 15 jun. 2011. FERNANDO, A. Como escrever um bom programa de CNC. Disponível em: . Acesso em: jun.2011. FILM LASER TRUMPF. Disponível em:. Acesso em: jun. 2011. GROOVER, M. P. Automation, production systems, and computer integrated manufacturing, [s. L.]: Pretice Hall, 1987. 808 p. IFAO. Comando numérico CNC: técnica-operacional - curso básico. São Paulo: Editora EPU, 1984. 176 p. )Organizado e elaborado pelo IFAO, com a colaboração de: Franz, J., Leonhard, G., Paul, G., Witte, H., Hauck, M., EPU, Tradução, Traubomatic Indústria e Comércio) LAVIANA, K. J. Basic computer numerical control programming, 2. ed. Colombusm, Ohio: Merrill Publishing Company, 1990. 167 p. MACHADO, A. Comando numérico aplicado às máquinas-ferramentas. 2. ed. São Paulo: Editora Cone, 1987, 396 p. (Coleção Ciência e tecnologia ao alcance de todos). MAZIERO, C. Célula flexível de manufatura. Disponível em: . Acesso em: maio. 2011. MAZIERO, Carlos A. Aulas Práticas. (2010). Disponível em: . Acesso em: jul. 2011. MTC ROBÓTICA USINAGEM 3D COM O 4º EIXO. Disponível em: . Acesso em: jun. 2011. OLIVEIRA, P.; LIMA, P, Automação de processos industriais – CAD/CAM e CNC, IST / DEEC / SSC, LEEC / MEEC 2005-2006, Disponível em: . Acesso em: maio. 2011. RED MAQ MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Disponível em: Acesso em: jun. 2011. SAVA, M., and Pusztai, J,Computer numerical control programming. Englewood Cliffs, New Jersey: Pretice Hall, 1990. 305 p. SEAMES, W. S., Computer numerical control concepts & programming. 3. ed. Delmar PublishersTM, Society of Manufacturing Engineers, Unites States of America, 1995, 447 p. Eng Produção-NOVO.indd 154Eng Produção-NOVO.indd 154 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 155 STOETERAU, R. L., Superfícies usinadas, Material Elaborado Para Aula 26. Disponível em: . Acesso em: maio 2011. STOETERAU. Rodrigo Lima . Superfícies Usinadas, Aula 26. Disponível em:. Acesso em: jun. 2011. TAVARES, J. M. R. S. e Oliveira, J. F., Introdução ao controle numérico computorizado – I: conceitos gerais, CFAC, Universidade do Porto. Disponível em: , Acesso em: maio 2011. TROJAN, M. P., Uma Metodologia Para Automação do Processo de Conformação por Calandras, Dissertação de Mestrado, Santa Maria, RS, Brasil, 2008, 98 p. WHITEHOUSE, D. J. Handbook of Surface Metrology. Bristol, Philadelphia: Institute of Physics, 1994. YOUTUBE. Usinagem CNC. Disponível . Acesso em: jun. 2011. Eng Produção-NOVO.indd 155Eng Produção-NOVO.indd 155 25/08/2021 09:21:3225/08/2021 09:21:32 Eng Produção-NOVO.indd 156Eng Produção-NOVO.indd 156 25/08/2021 09:21:3325/08/2021 09:21:33empregadas nos processos de fabricação. Fonte: (McGeough, 1988). No mundo da usinagem, os processos raramente competem entre si, ou seja, possuem sua particularidade e cada um tem seu lugar bem definido. Porém, para se utilizar os processos corretamente, de uma maneira otimizada do tempo e dos custos, devemos ter conhecimento da natureza deles. Conhecendo-se a natureza do processo, concluímos que: • um processo tradicional, usualmente, não compete na linha de produção com um processo não tradicional; • para uma situação específica em que um processo foi dito como adequado, não existe um processo substituto com um rendimento igual ou superior. Eng Produção-NOVO.indd 10Eng Produção-NOVO.indd 10 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 11 Atualmente, têm sido desenvolvidos outros processos, geralmente por combina- ção com os processos não tradicionais básicos da Figura 3. Desta forma, desen- volveram-se, por exemplo, os processos AWJM (Abrasive Water Jet Machining), ECG (Electrochemical Grinding), EDG (Electrodischarge Grinding), LAU (Laser Assisted Ultrasonic), LAG (Laser Assisted Grinding), PCHM (Photochemical Ma- chining), entre outros. Os principais aspectos a serem observados na seleção de um processo são: • materiais a serem usinados; • forma da peça ( ou operações mais indicadas para o processo); • capabilidade do processo: Taxa de Remoção do Material (TRM); • tolerância dimensional; • acabamento superficial e Zona Afetada pelo Calor (ZAC); • considerações econômicas. Após análise dos fatores citados anteriormente, cabe ao engenheiro de produção aplicar o conhecimento técnico e tomar a decisão de qual processo é mais adequado. Quando se deseja, por exemplo, um acabamento superficial muito bom, um dos melhores métodos é o de usinagem química, pois a remoção de material se dá praticamente pela remoção de átomos, porém existe o fator limitante de tempo, já que o processo pode ser muito lento e a montagem do equipamento numa linha de produção não é conveniente. Após a seleção do processo, é necessária a escolha dos parâmetros adequados para a utilização das máquinas nos respectivos processos. Às vezes, nos proces- sos de furação, alargamento, torneamento, nos processos de usinagem conven- cionais normalmente, acelerar a linha de produção sem adequar os parâmetros de usinagem pode gerar prejuízo, tais como um desgaste maior da ferramenta de corte, quebra das partes da máquina devido a esforços maiores, gerando paradas desnecessárias não programadas, fazendo a produção toda parar. Devido a uma ampla variedade de uso das estimativas de tempo que todas as organizações precisam fazer, algum tipo de estimativa da duração real é necessária para cada tarefa envolvida nos processos de usinagem. 1.2.1.2 Ciclo e tempos de usinagem Um ciclo de usinagem refere-se aos trabalhos manuais ou de máquinas, que possibilitam a execução de uma dada operação de corte. De acordo com Ferraresi (1977), o ciclo de usinagem de uma peça pertence a um lote Z de peças, constituído diretamente pelas seguintes fases: Eng Produção-NOVO.indd 11Eng Produção-NOVO.indd 11 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 12 1) colocação e fixação da peça; 2) aproximação ou posicionamento da ferramenta para o início de corte; 3) operação de corte da ferramenta; 4) afastamento da ferramenta; 5) inspeção (se necessária) e retirada da peça usinada; Além dessas fases, tomam parte indireta no ciclo de usinagem as seguintes etapas: 1) preparo da máquina-ferramenta para a execução de Z peças, que só ocorre no início dela; 2) remoção da ferramenta de seu suporte, para afiação ou substituição. 3) recolocação e ajustagem da ferramenta em seu suporte. As fases de usinagem correspondem a cada trabalho executado antes, durante e após cada ciclo de usinagem. Cada uma das fases anteriores pode ser denominada como a seguir: tt = tempo de usinagem para uma peça (min/pç) Apresenta-se a seguir, conforme Ferraresi (1977) e Diniz et al. (2005), a equação (1) utilizada para cálculo do tempo total de fabricação para um lote de Z peças: (1) Sendo: Nt = número de trocas de ferramentas; tc = tempo de corte (fase 3 ) (min/pç); ts = tempo secundário (inclui as fases 1 e 5 ) (min/pç); ta = tempo de aproximação e afastamento (inclui as fases 2 e 4 ) (min/pç); tp = tempo de preparo da máquina (fase 6 ) (min); tft = tempo de troca da ferramenta (fase 7 e 8 ) (min/pç); Z = tamanho do lote de peças. (2) (3) Eng Produção-NOVO.indd 12Eng Produção-NOVO.indd 12 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 13 Substituindo (2) e (3) em (1), temos: (4) A equação (4) pode ser simplificada para: (5) Sendo: tc = o tempo de corte; t1 = o tempo improdutivo (colocação e retirada e inspeção da peça, preparo da máquina); t2 = o tempo relacionado à troca de ferramenta. A curva de corte de máxima produção teórica se aproxima da Figura 4 a seguir. Figura 4: Curva de corte teórica de máxima produção. Para um torneamento cilíndrico externo de uma peça, temos: (6) (7) (8) Eng Produção-NOVO.indd 13Eng Produção-NOVO.indd 13 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 14 Sendo: lf = o percurso de avanço (mm); d = o diâmetro da peça (mm); f = o avanço (velocidade mm/volta); Vc = a de corte (m/min); n = a rotação da peça (RPM); Vf = a velocidade de avanço (m/min). Substituindo-se (8) em (5), temos: (9) Substituindo a equação de Taylor (10) em (9): (10) (11) É de conhecimento que não existem máximos ou inflexões na curva tt; portanto, para o cálculo de Vcmxp, basta igualar dtt/dVc a zero, assim temos: (12) A fórmula para o cálculo de Vcmxp é dada pela equação (13) abaixo. (13) Isolando o termo tt e substituindo (13) em (10), temos: (14) 1.2.1.3 Custo de produção Diversos são os custos envolvidos na produção de uma peça. Pode-se dividi-los em duas categorias: os decorrentes do processo propriamente dito, como custo das ferramentas e de ocupação das máquinas e dos operadores. Eng Produção-NOVO.indd 14Eng Produção-NOVO.indd 14 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 15 Utilizaremos, nas descrições adiante, os seguintes termos: • Kp = custo de produção por peça; • Kus = custo da mão de obra de usinagem; • Kuf = custo das ferramentas (depreciação, troca, afiação etc.); • Kum = custo da máquina (manutenção, espaço ocupado, consumo, depreciação etc.) E aqueles não diretamente envolvidos no processo, como custo de controle de qualidade, da matéria-prima, da mão de obra indireta etc. Para análise dos custos para obter a velocidade de corte mais econômica (velocidade de custo mínimo), só é necessário considerar a primeira categoria. De forma que: (15) (16) Sendo Sh o salário (e encargos do operador por hora) e t o tempo total de confecção: (17) Sendo: Vmi = valor inicial da máquina (R$); M = idade da máquina em anos; M = vida útil da máquina em anos; J = taxa de juros por ano; Kmc = custo de manutenção da máquina (R$/ano); Em = área ocupada pela máquina em m2; Ke = custo da área ocupada (R$/m2.ano); Sm = custo total da máquina (R$/hora); H = horas de trabalho por ano. Eng Produção-NOVO.indd 15Eng Produção-NOVO.indd 15 25/08/2021 09:21:1325/08/2021 09:21:13 16 Logo: (18) Para pastilhas que sejam intercambiáveis: (19) Sendo: Nfp = vida média do porta-ferramentas, em quantidade de arestas de corte; Nfp = custo de aquisição do porta-ferramenta; Ns = número de arestas de corte da pastilha; Kpi = custo de aquisição da pastilha. Por peça, o custo da ferramenta pode ser calculado como sendo: (20) Nessa equação, Zt é o número total de peças usinadas em uma vida de uma ferramenta. 1.2.1.4 Vida econômica da ferramenta Substituindo as equações (16), (18) e (20) em (15), temos: (21) Substituindo o termo tt na equação anterior, temos: (22) que pode ser reduzida a: (23) Eng Produção-NOVO.indd 16Eng Produção-NOVO.indd 16 25/08/2021 09:21:1425/08/2021 09:21:14 17 Sendo: C1 = independe de Vc (R$/peça); C2 = soma das despesas com mão de obrae máquina diminui com Vc (R$/hora); C3 = constante de custo relativo à ferramenta aumenta com Vc. Para o torneamento cilíndrico externo, podemos fazer substituições em (22) e obtemos a fórmula específica para o processo. (24) Para T (Taylor), na equação anterior substituído, temos, então: (25) Figura 5: Comportamento das variáveis de tempo de fabricação por peça com a velocidade de corte. De forma análoga, para encontrar Vcmxp: (26) (27) Eng Produção-NOVO.indd 17Eng Produção-NOVO.indd 17 25/08/2021 09:21:1425/08/2021 09:21:14 18 Substituindo (26) em Taylor: (28) 1.2.1.5 Intervalo de máxima eficiência Segundo Diniz et al. (2005), a escolha da velocidade de corte ideal, para um determinado sistema de usinagem, é de importância fundamental, pois existe um valor intermediário de velocidade de corte, entre a velocidade crítica e uma velocidade muito superior a ela, na qual se têm os menores custos de produção. Neste ponto, a velocidade é chamada de velocidade de mínimo custo (Vco). Por outro lado, existe também um valor intermediário de velocidade, em que há o menor tempo total de fabricação de uma peça. Neste ponto, a velocidade de corte é chamada de velocidade de máxima produção (Vcmxp). Um intervalo de máxima eficiência, portanto, é identificado e ele está situado entre o ponto de deflexão mínima da curva de custos e o ponto de deflexão máxima da curva de produção, como pode ser verificado na Figura 6 a seguir. Figura 6: Curva de Custos x Produção – Intervalo de Máxima Eficiência. Fonte: (DINIZ et al, 2005). Eng Produção-NOVO.indd 18Eng Produção-NOVO.indd 18 25/08/2021 09:21:1425/08/2021 09:21:14 19 1.2.1.6 Escolha da Vc dentro do Intervalo de Máxima Eficiência Algumas considerações devem ser feitas para a escolha da velocidade de corte dentro da região do intervalo de máxima eficiência; entre elas, estão: • Vc próxima de Vcmxp (nunca acima): usada quando há prazos de entrega críticos, alta produção; • Vc próxima de Vco (nunca abaixo): períodos de baixa demanda, prazos de entrega “folgados”; • uma boa forma de trabalhar no IME é usar valores de Vc próximos de Vcmxp, pois, como Vco (que é de difícil determinação) é sempre menor que Vcmxp, que é de fácil determinação, logo Vc estará dentro do IME; • segundo Vilela (1989), o custo de trabalhar com Vcmxp, só é alto demais quando a ferramenta é muito cara. Em todos os outros casos, o custo por peça na Vcmxp não difere muito do custo na Vco, bastando, então, a determinação da Vcmxp. Na equação (10) é apresentada a equação de Taylor; ela representa o tempo de vida de uma ferramenta para determinada velocidade de corte. Esse tipo de curva é fundamental para o estudo das condições econômicas de corte. A curva fornece o tempo que uma ferramenta pode trabalhar até que se atinja o nível de desgaste estabelecido como critério de fim de vida. Para se obter a curva de Tempo x Velocidade de corte, são necessários gráficos auxiliares que forneçam o desgaste da ferramenta em função do tempo de usinagem para várias velocidades de corte, como o apresentado na Figura 7. Figura 7: Determinação da curva de vida de uma ferramenta T x Vc Fonte: (MACHADO; SILVA, 2004). Saiba mais Eng Produção-NOVO.indd 19Eng Produção-NOVO.indd 19 25/08/2021 09:21:1525/08/2021 09:21:15 20 Saiba mais Fatores que influem na vida da ferramenta PEÇA • Composição química; • Tamanho do grão; • Fusão e processo de fundição; • Fabricação: o Forjado; o Fundido; o Laminado; o Trefilado. • Tratamento térmico: o Normalização; o Têmpera; o Outros. • Propriedades: o Dureza; o Tenacidade; o Resistência à tração; o Encruabilidade; o Empastamento. • Microestrutura; • Dimensões e formas. FERRAMENTA • Composição; • Tratamento térmico; • Dureza; • Geometria; • Tenacidade. FLUIDO DE CORTE • Propriedades lubrificantes e refrigeradoras. Eng Produção-NOVO.indd 20Eng Produção-NOVO.indd 20 25/08/2021 09:21:1525/08/2021 09:21:15 21 1.2.2 Soldagem Comumente, a palavra soldagem é usada de modo errôneo, como um termo utili- zado para dar ideia de união de peças. Em alguns casos, é pela soldagem que se utiliza apenas metal de adição fundido por cima de outros materiais com a finali- dade de recobrimento ou apenas uma união de baixo grau de agregação, visando também à recuperação de peças desgastadas, tanto pelo seu tempo de utilização quanto pelo seu esforço. Aplicada em várias áreas do conhecimento, a soldagem não proporciona, ape- nas operações de união de metais quanto a variações de seu processo inicial, proporciona também operações de corte, seja por energia elétrica, térmica, ou, simplesmente, por jato de água à alta pressão, como poderá ser visto mais adian- te na diferenciação de processos convencionais de soldagem, processos de alta densidade de energia (comumente classificados como processos não convencio- nais), processos híbridos, que envolvem a combinação de processos já existen- tes, e processos, como difusão de estado sólido, como o caso da soldagem por explosão, ou, em que o material não é fundido, porém é transformado num estado pastoso, por meio de atrito. Histórico A raça humana se difere das demais formas de vida pelo fato de usar inteligência e ferramentas para criar objetos com a finalidade de fazer as atividades diárias mais fáceis e a vida mais prazerosa. Ao longo dos séculos, tanto as ferramentas quanto as energias usadas para mover tais ferramentas têm se desenvolvido para alcançar o alto grau de complexidade das ideias dos seres humanos. As ferramentas antigas eram fabricadas de ferro, com apenas algumas tiras de aço soldado na parte cortante da ferramenta e endurecido por têmpera. No Orien- te Médio, existem relatos de espadas feitas basicamente pelo mesmo processo, tiras alternadas de aço e ferro soldadas garantindo alta resistência e tenacidade à espada. O avanço desta técnica se deve principalmente ao alto custo e à escassez do aço, além do reduzido tamanho de blocos de ferro obtidos por redução direta. A soldagem por forjamento começou a ser substituída por outros processos de união, tais como o parafuso e o rebite, que eram mais adequados a peças feitas pelo processo de forjamento, que ganhava grande destaque na fabricação de peças. Sir Humphery Davy conduziu experiências no período de 1801 – 1806 a respeito do arco elétrico. Edmund Davy descobriu o acetileno; desenvolveram-se as fontes produtoras de energia elétrica, após essas descobertas e mudanças de tecnologia Eng Produção-NOVO.indd 21Eng Produção-NOVO.indd 21 25/08/2021 09:21:1525/08/2021 09:21:15 22 a soldagem deixou de ser um processo secundário de fabricação e começou a ganhar espaço, principalmente na união de equipamentos e estruturas. Até a primeira grande guerra mundial, a soldagem tinha utilização na recuperação emergencial de equipamentos; nesse mesmo período, foi aprimorado um dos grandes processos de fabricação. Algumas definições de soldagem são: • processo de união de metais em que haja fusão do metal base (quando ocorre fusão de apenas um metal, chamado de metal de adição, denomina- se o processo de brasagem); • segundo a American Welding Society (AWS), operação que visa obter a coalescência localizada produzida pelo aquecimento até uma temperatura adequada com ou sem a aplicação de pressão e de metal de adição. Segundo Modenesi (2009), o custo de uma operação de soldagem será, em geral, calculado para: (a) preparar o orçamento de um serviço, (b) comparar procedimentos de soldagem entre si e com métodos alternativos de fabricação e (c) determinar a quantidade de consumíveis necessária para a execução de um serviço. O objetivo aqui é mostrar como calcular de maneira simplificada o custo total (CT) de um processo qualquer de soldagem. Como parcela desse custo, temos: • CMO = custo de mão de obra; • CC = custo dos consumíveis; • CE = custo de energia elétrica; • CM = custo de manutenção; • CD = custo de depreciação;• CMC = custo de outros materiais de consumo. (29) Ou seja: Dos fatores citados anteriormente,o maior gerador de gastos é a mão de obra, entretanto nem todos os fatores necessitam serem levados em conta para o cálculo. Considerando-se os valores dos gastos fixos da empresa, somados aos consumíveis dos processos de soldagem, os gastos chegam à faixa de, aproximadamente, 93% dos gastos totais. Eng Produção-NOVO.indd 22Eng Produção-NOVO.indd 22 25/08/2021 09:21:1525/08/2021 09:21:15 23 Figura 8: Parcela do custo total. Fonte: (MODENESI, 2009). 1.2.1 Custo de mão de obra (30) Overhead (ou custos fixos da empresa), encargos sociais e salários são contabilizados pelas empresas como sendo custos unitários. Esse custo é avaliado de modo setorial, mensal ou total, dependendo da política adotada por cada empresa, incluindo encargos sociais e dividindo-se pelo total de horas trabalhadas nas operações de soldagem no mês. Assim como o custo unitário, os mesmos parâmetros são avaliados para o tempo de soldagem. Em ambos os casos, existe uma consideração que pode ou não ser considerada, como o tempo de parada do soldador para troca de eletrodos, retirada de escória do cordão de solda, eliminação dos respingos etc. Mais especificamente, incluindo soldadores e o setor de montagem, apenas o pessoal designado para essas operações pode ser considerado para o cálculo do custo de mão de obra. Para uma parcela específica a ser considerada, existem os gastos primários de conta de aluguel, telefone, energia, água, logísticas, vendas, que necessitam ser envolvidos, caso não sejam considerados nos gastos com mão de obra. 1.2.2 Custo de consumíveis O custo dos consumíveis (CC) é dado pela soma dos custos do metal de adição (CMA), do fluxo (CF) e do gás de proteção (CG), se usados. Inicialmente, deve-se avaliar o custo do metal depositado (CMD), calculado pelo produto da massa de metal depositado pelo custo do eletrodo ou vareta. Eng Produção-NOVO.indd 23Eng Produção-NOVO.indd 23 25/08/2021 09:21:1525/08/2021 09:21:15 24 (31) A massa do metal depositado (MMD) é calculada pelo produto da área da seção transversal da junta, do comprimento da solda e da densidade do material. O tipo de chanfro utilizado influencia o cálculo da área da secção transversal. (32) Considerando-se o fator chamado de eficiência de deposição (φ), calcula-se o material perdido no processo de soldagem como forma de respingos, ou pontas descartadas etc. nos custos do metal de adição. (33) Há casos que, além do metal de adição, pode-se utilizar fluxos de soldagem, tais como os processos de arco submerso, MIG/MAG, TIG. O custo do fluxo (CF) pode ser estimado pela razão (massa de fluxo consumido)/ (massa de metal depositado), RMF, que pode ser obtida com os próprios fornecedores, normalmente variando entre 0,9 e 1,2. (34) (35) (36) Finalmente, o custo dos consumíveis CC é dado por: (37) 1.2.3 Custo da energia (38) Sendo: PE = preço da energia elétrica; PES = potência elétrica de saída; T = tempo de arco aberto; E = eficiência elétrica do equipamento. A potência e o rendimento dos equipamentos de soldagem são geralmente forne- cidos por cada fabricante. Eng Produção-NOVO.indd 24Eng Produção-NOVO.indd 24 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 25 1.2.4 Custo de depreciação (39) Toda empresa precisa incluir em seu orçamento alguns valores que são básicos de quem possui um negócio independentemente de sua área de atuação. Os equipamentos sempre depreciam seu valor com o passar do tempo, ou seja, sofrem desgaste ao longo de sua vida útil; por esse motivo, é necessário o cálculo de seu valor de depreciação. Para o valor que é adquirido após a venda do equipamento depreciado, dá-se o nome de valor residual. 1.2.5 Custo de manutenção (40) Para cada máquina existente num processo, existe o cálculo do CMM (custo médio de manutenção), calculado pelo gasto de cada equipamento num determinado período de tempo, dividido pelas horas de uso dele mesmo. Para esse cálculo, pode-se levar em conta cada máquina, ou, então, um conjunto de máquinas, podendo ser calculado um custo médio de manutenção setorial. 1.2.6 Custos diversos Para o custo total de soldagem, devem ser considerados, ainda, os gastos diver- sos, como bicos de contato, roupas adequadas para serem usadas no processo, EPIs etc. 1.3 Redução do tempo de fabricação Os recursos produtivos são gerenciados de tal forma que não haja desperdícios e com a máxima simplicidade possível. Para tanto, são utilizadas técnicas capazes de garantir a concretização de tais reduções: • migrar do layout funcional para o layout por fluxo; • sincronização e redução das filas; • balanceamento de linhas; • redução do tempo de transporte e movimentação de materiais; • redução do tempo de setup; • otimização dos processos, pela redução dos tempos produtivos. Não apenas o conhecimento da economia de gastos, ou da administração, ou da logística, deve ser considerado importante para redução do custo de produção. Eng Produção-NOVO.indd 25Eng Produção-NOVO.indd 25 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 26 Esse tipo de conhecimento social do processo produtivo é importante, porém não isoladamente. O conhecimento tecnológico sobre processamento, forma de concepção de projetos, características dos materiais, entre outros, também é importante. Os parâmetros de corte ou de solda são significativos para uma aceleração da linha de produção ou de redução de custos com a mesma qualidade desejada. Este capítulo se destinou ao estudo das variáveis dos processos de fabricação que podem influenciar a linha de produção e contribuir para o aumento ou melhoria da qualidade, se possível ambos, demonstrando os fatores que influenciam a escolha dos processos. Uma vez definida a escolha dos melhores parâmetros, visa-se à otimização da fabricação, desde a escolha do material até a entrega do produto pronto. O histórico da evolução da linha de produção na fabricação de peças contribui para um maior entendimento da organização do sistema fabril e processos a serem usados segundo objetivos definidos pela empresa. Atividade 1 Atividade 2 Atividade 3 Atividade 4 Escreva quatro fatores decorrentes do aumento da produção que beneficiam as empresas e/ou órgãos e pessoas ligadas a ela (funcionários, comunidade etc.). Escreva as fases que contribuem diretamente para a fabricação de uma peça pertencente a um determinado lote. Com relação à questão anterior, escreva quais são os fatores que contribuem indiretamente. No estudo da área de concentração da soldagem, geralmente associamos “soldagem” à união de chapas. Cite outra aplicação para a soldagem que não seja a união de metais e dê exemplos de como é feita a outra aplicação. Resumo Atividades Eng Produção-NOVO.indd 26Eng Produção-NOVO.indd 26 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 27 Escreva o principal fator que diferencia os processos de soldagem e de usinagem convencional do não convencional. Atividade 5 DINIZ, A. E. ; Da SILVA, M. B.; MOMBRU, R.; SCHROETER, R. B. Fluidos de corte em usinagem. In: Coleção Fábrica do Milênio. (Org.). Tecnologias avançadas de manufatura. São Paulo / SP: Novos Talentos, 2005, v. 1. DINIZ, A. E; MARCONDES, F. C; COPPINI, N. L. Tecnologia da usinagem dos metais. 6. ed. São Paulo: Editora Artliber, 2008. FERRARESI, D. Fundamentos da usinagem dos metais. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 1977. McGEOUGH, J. A. Advanced Methods of Machining. Chapman and Hall, 1988. MARQUES, P.V; MODENESI, P. J; BRACARENSE, A. Q; Soldagem fundamentos e tecnologia. 3. ed. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009. ROZENFELD, H.; FORCELLINI, F. A.; AMARAL, D. C.; TOLEDO, J. C.; SILVA, S. L.; ALLIPRANDINI, D. H.; SCALICE, R. K.; Gestão de desenvolvimento de produtos. Uma referência para a melhoria do processo. São Paulo: Saraiva, 2006. Referências Eng Produção-NOVO.indd 27Eng Produção-NOVO.indd 27 25/08/2021 09:21:1625/08/202109:21:16 Eng Produção-NOVO.indd 28Eng Produção-NOVO.indd 28 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 USINAGEM CONVENCIONAL Um processo de fabricação é composto por um conjunto de operações que ga- rantem que a matéria-prima seja convertida no produto acabado, sendo assim, o componente básico do processo de fabricação é a operação (ÁLVARES, 2002). Uma operação fica caracterizada quando é definido o equipamento e a peça em que é realizada e é constituída por um conjunto de operações elemen- tares. Por sua vez, uma operação elementar fica caracterizada quando não há mudança da ferramenta, da superfície usinada e das condições de corte utilizadas, sendo composta por um conjunto de passes. Um passe é caracte- rizado por um movimento único da ferramenta na direção do avanço ao longo da superfície usinada (ÁLVARES, 2002). Na escolha do processo que melhor se aplica a determinado trabalho que deve ser feito, uma vez que determinados itens podem ser fabricados por mais de um processo de fabricação, deve-se levar em conta as informações das possibilidades e limitações de cada um desses processos. Deve-se analisar os parâmetros de corte, a sequência de usinagem da peça até seu estado final, a geometria da peça (saliências, reentrâncias, contornos, áreas planas, côncavas e convexas), as especificações de projeto, por exemplo, grau de acabamento e tolerâncias, além dos custos. Segundo Kalpakjian (1984), na seleção do processo de fabricação mais adequado, deve-se levar em conta uma lista básica de fatores, que são: • tipo de material a ser utilizado e suas propriedades; • propriedades finais que se deseja ter após o trabalho; • tolerâncias e acabamentos superficiais exigidos; • tamanho, geometria e complexidade do componente; • custo do ferramental utilizado na execução do trabalho; • sucata resultante do trabalho; 2 Janaína Aparecida Pereira Introdução Eng Produção-NOVO.indd 29Eng Produção-NOVO.indd 29 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 30 • número de itens requeridos; • taxa de produção requerida. Deste modo, um processo para ser considerado o mais indicado para determinada peça a ser fabricada é aquele que atende às suas especificações de projeto, que consegue produzi-la em tempo razoável atendendo aos custos estimados. As peças, depois de passarem pelos processos primários de fabricação (fundição, forjamento etc.), muitas vezes, apresentam superfícies grosseiras e não uniformes necessitando, com isso, passar por outros processos específicos que tornem seu aspecto mais bem acabado para satisfazer determinada aplicação. Pode-se listar como principais processos convencionais de usinagem o torneamento, o fresamento, a furação, o aplainamento e a retificação. Dividem-se os processos de fabricação em dois grandes grupos: 1. Processos de fabricação com remoção de cavaco Abrangem operações que, ao conferir forma, dimensões e tolerâncias preestabelecidas à determinada peça, o fazem retirando material na forma de cavaco. Essa é uma definição clássica do processo de usinagem. Segundo Ferraresi (1977), definem-se operações de usinagem aquelas que conferem à peça forma, dimensões ou acabamento, ou ainda uma combinação qualquer desses três itens produz cavaco. Para atingirem seu objetivo de conferir formas, tolerâncias e acabamen- tos às peças, esses processos retiram porções de material na forma de cavaco. Cavaco, portanto, é a porção de material retirado pela ferra- menta de corte. 2. Processos de fabricação sem remoção de cavaco Abrangem os processos de fundição, soldagem, conformação, entre outros. Ou seja, são processos que atingem seu objetivo de dar forma e dimensões às peças ou aos componentes, sem retirada de material. Os processos de fabricação com remoção de cavacos (processos de usinagem) subdividem-se em dois grupos, que são: 1. Processos convencionais de usinagem São processos que retiram material da peça utilizando-se de energia mecânica (atrito, deformação, ruptura). Nestes processos, a retirada de material ocorre com o efetivo contato da ferramenta de corte com a su- perfície usinada. Eng Produção-NOVO.indd 30Eng Produção-NOVO.indd 30 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 31 Este capítulo tem como objetivo principal definir os conceitos relacionados aos principais processos de usinagem convencional, e listar seus principais parâmetros e características de cada um deles. Ao final do capítulo, espera-se que o aluno saiba distinguir as principais características de cada processo, assim como sua utilização. Objetivos Esquema Na usinagem por processos convencionais diz-se que a regra número um do processo deve ser respeitada para que ocorra o corte: a dureza do material da ferramenta deve ser maior que a dureza do material da peça. 2. Processos não convencionais de usinagem Nesses processos, o material é retirado da peça utilizando energias diferentes da energia mecânica. A energia que retira material da peça em forma de cavaco pode ser térmica, elétrica, ondas sonoras ou energia química (reações químicas). Nos processos de usinagem não convencionais, as ferramentas de corte não precisam, necessariamente, estar em contato com a superfície do material para retirá-lo na forma de cavaco. 1.1 Conceitos gerais 1.2 Cavaco 1.3 Movimentos nas operações de usinagem 1.4 Ferramentas de corte 1.5 Parâmetros de usinagem 1.6 Fluidos de corte 1.7 Qualidade da peça usinada 1.8 Processos convencionais 1.8.1 Torneamento 1.8.2 Fresamento 1.8.3 Furação 1.8.4 Aplainamento 1.8.5 Retificação Eng Produção-NOVO.indd 31Eng Produção-NOVO.indd 31 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 32 2.1 Conceitos gerais Para uma boa compreensão dos aspectos mais importantes de cada processo de usinagem convencional, faz-se necessária a conceituação dos termos mais usuais utilizados para descrever os processos ou mecanismos que os compõem. 2.2 Cavaco Cavaco, como visto anteriormente, é o termo utilizado para designar porções de material removidos da peça durante um processo de usinagem, pela ação de uma ferramenta de corte. Os cavacos são caracterizados por apresentarem formato irregular. Podem ser classificados, quanto ao seu tipo, como sendo contínuos, parcialmente contínuos, descontínuos ou fragmentados. Com relação à sua forma, os cavacos são classificados em fita, helicoidais, espirais ou lascas (pedaços). A Figura 1 mostra a classificação mais detalhada dos cavacos, segundo a norma ISO 3685. Figura 1: Classificação dos cavacos Fonte: ISO 3685, 1977 Cavacos longos e contínuos oferecem perigo ao operador, podem prejudicar o acabamento da peça, prejudicar a lubrificação e refrigeração do sistema além de causarem o aumento da força de corte e o aumento da temperatura, desgastando mais rapidamente a ferramenta. Além disso, são difíceis de armazenar e manusear. Eng Produção-NOVO.indd 32Eng Produção-NOVO.indd 32 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 33 As diferentes geometrias que os cavacos podem assumir dependem, entre outros fatores, das condições de corte, do material que está sendo usinado ou se a fer- ramenta possui ou não quebra cavacos. 2.3 Movimentos nas operações de usinagem No processo de retirada de material na forma de cavaco, estão envolvidos dois tipos de movimentos. São movimentos que atuam diretamente na remoção de material na forma de cavaco e movimentos que não tomam parte diretamente na formação do cavaco. Os movimentos ativos são os responsáveis diretamente pela retirada de material na forma de cavaco. O movimento de corte, o movimento de avanço e o movimento efetivo de corte são os movimentos ativos no torneamento, por exemplo. Os movimentos passivos são os que não causam diretamente a remoção de material da peça. São os movimentos de aproximação e afastamento da ferramenta, movimentos de ajuste e movimentos de correção. Em uma operação de desbaste, que pressupõe retirada de camadas mais espessas de material, é comum não ser possível a retiradadessa quantidade em apenas um passe, sendo necessário dividir esta retirada de material em tantos passes quantos forem necessários. O passe, portanto, pode ser considerado como sendo o movimento único da ferramenta, deslocando-se horizontalmente à peça sem alterar sua fixação, velocidade de corte ou avanço. Conceitua-se desbaste a operação de usinagem que visa conferir forma e dimensões próximas às finais desejadas para a peça em trabalho. Por outro lado, acabamento é a operação de usinagem que visa obter dimensões finais com acabamentos especificados para a peça que passou pela usinagem de desbaste. 2.4 Ferramentas de corte Durante o processo de corte, à medida que se vai retirando material da peça, as ferramentas de corte podem sofrer diversas avarias. Entre as principais avarias que uma ferramenta pode sofrer, está o desgaste das suas arestas cortantes. Quando isso ocorre, diz-se que a ferramenta chegou ao seu fim de vida e deve ser substituída ou reafiada. O tempo que a ferramenta atua retirando material da peça sem perder suas características de corte é chamado de vida da ferramenta. Sendo assim, o fim de vida de uma ferramenta será definido pelo grau do desgaste que ocorrer nela tendo como parâmetro diversos fatores, que podem ser: possibilidade de quebra da ferramenta, excesso de vibração durante o corte, aumento excessivo da Eng Produção-NOVO.indd 33Eng Produção-NOVO.indd 33 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 34 temperatura de corte, acabamento superficial ou tolerâncias fora dos estipulados em projeto, aumento da potência requerida para o corte, entre outros. Condições de corte abusivas, ou seja, as que são escolhidas muito acima das determinadas pelo fabricante da ferramenta, podem acelerar o desgaste e muitas vezes levar a ferramenta à quebra (MACHADO et al, 2009). Em uma produção em série, é importante saber quais condições de corte serão as mais apropriadas para que um lote seja fabricado mantendo as especificações e gerando um custo de fabricação mínimo. Assim, a escolha das condições de corte (velocidade de corte, avanço, profundidade de corte, fluido de corte etc.) deve ser feita levando-se em conta os vários fatores que influenciam o tempo total de fabricação da peça e o custo total da operação (custo da usinagem por peça, custo de tempos inativos da ferramenta e custo da própria ferramenta). Ferraresi (1977) cita em sua obra que, em 1898, surgiu uma importante contribuição no setor de materiais para ferramentas quando Fred W. Taylor juntamente com White, entre outros, após inúmeras experiências conduzidas nas oficinas da Benthlehem Steel Corporation, chegaram ao desenvolvimento de um tipo de aço recomendável para ferramentas de corte contendo 1,85% de carbono (C), 3,80% de cromo (Cr) e 8% de tungstênio (W). Mais tarde, em 1903, desenvolveu-se um aço contendo 0,7% de carbono e pelo menos 14% de tungstênio, sendo esse aço o precursor do atual aço rápido. Ferraresi (1977) salienta que as inúmeras pesquisas quanto a materiais de ferramentas são conduzidas na busca de desenvolver materiais que permitam condições de usinagem cada vez mais severas (maiores velocidades de corte, principalmente) visando aumentar o rendimento de fabricação. Ao mesmo tempo em que se aperfeiçoavam os aços para emprego em ferramentas, outros materiais eram desenvolvidos com o mesmo objetivo, ou seja, permitirem condições de usinagem cada vez mais severas. Com isso, começaram a surgir as primeiras descobertas do material chamado metal duro, que consiste de um pó metalúrgico contendo partículas duras, resistentes ao desgaste, ou carbonetos ligados uns aos outros por um ligante metálico. Variam consideravelmente no que diz respeito às propriedades, sendo uns mais duros que os outros e alguns muito mais tenazes (SANDVIK COROMANT). As ferramentas de usinagem são constituídas de arestas cortantes destinadas à remoção do cavaco. Dividem-se em ferramentas monocortantes (possuem apenas uma aresta ou superfície de corte) e em ferramentas multicortantes (possuem mais de uma aresta cortante). Costa e Santos (2006) fazem algumas considerações a respeito das ferramentas de corte quanto ao seus princípios construtivos e materiais: Eng Produção-NOVO.indd 34Eng Produção-NOVO.indd 34 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 35 • a ferramenta deve ser mais dura nas temperaturas de trabalho que o metal que ela estiver usinando (“dureza a quente”); • a ferramenta deve ser dura, mas não a ponto de se tornar quebradiça e de perder resistência mecânica (tenacidade); • o material da ferramenta deve ser resistente ao encruamento (endurecimento do metal após ter sofrido deformação plástica resultante do processo de conformação mecânica); • o material da ferramenta deve ser resistente à microssoldagem (adesão de pequenas partículas de material usinado à aresta cortante da ferramenta). Atualmente, existe uma infinidade de materiais para ferramentas de corte, sendo possível definir um material de ferramenta de acordo com a aplicação a que ela se destina. A Figura 2 exemplifica a variedade de materiais para ferramentas disponíveis. Figura 2: Classificação dos materiais para ferramentas Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner, 2004 Eng Produção-NOVO.indd 35Eng Produção-NOVO.indd 35 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 36 2.5 Parâmetros de usinagem Algumas considerações sobre velocidade de corte, profundidade de corte e avanço devem ser entendidas, para que se possa fazer uma boa escolha dos valores desses parâmetros e otimizar os custos de fabricação. A velocidade, o avanço e a profundidade de corte são parâmetros que afetam a taxa de material removido e a vida da ferramenta. Um aumento desses parâmetros aumenta a taxa de remoção de material, mas diminui a vida da ferramenta. Esses parâmetros afetam igualmente a taxa de remoção, mas têm efeitos isolados diferentes sobre a vida da ferramenta (STOETERAU, SCHROETER e WEINGAERTNER, 2004). Segundo Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004), a profundidade de corte (ap) é o parâmetro que menos afeta a vida da ferramenta. Exerce pequeno efeito sobre a vida da ferramenta, para profundidades de corte 10 vezes menores que o avanço, por exemplo, um aumento de 50% no valor da profundidade de corte causará uma redução de apenas 15% na vida da ferramenta. Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004) afirmam, ainda, que aumentar os valores de ap é o melhor método para aumentar a taxa de remoção de material, porém este aumento deve ter como limitantes: • potência disponível na máquina; • rigidez do sistema máquina-peça-ferramenta; • capacidade da ferramenta; • acabamento superficial e precisão requerida; • forma da peça. Quanto ao avanço (f), os autores prelecionam que esse parâmetro tem grande efeito sobre a vida da ferramenta, exemplificando que para um aumento de 50% na taxa de avanço há uma redução de 60% na vida da ferramenta. O avanço tem o maior impacto sobre qualidade superficial, sendo que um aumento no raio de ponta da ferramenta ou redução no valor de avanço melhora a qualidade superficial. Da mesma forma que enumeram limitações para a profundidade de corte, os autores o fazem para o avanço. No caso desse parâmetro, os incrementos nos valores de avanço são limitados pela máquina-ferramenta, peça, requisitos de qualidade superficial e setup para suportar as forças de corte. Tratando-se da velocidade de corte (Vc), Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004) apontam que é o parâmetro que exerce maior efeito sobre a vida da fer- ramenta. Efeito maior que o avanço e a profundidade de corte, sendo de crítica seleção. Eng Produção-NOVO.indd 36Eng Produção-NOVO.indd 36 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 37 Os autores afirmam que, no geral, um aumento em 50% no valor da velocidade de corte resulta em uma redução de 90% na vida da ferramenta. Além disso, um alto valor de velocidade de corte pode gerar problemas de vibração, vidade componentes da máquina, produção e segurança. Além de Stoeterau, Schroeter e Weingaertner (2004), que afirmam que criteriosas considerações devem ser feitas a respeito de aumentos na produção e custos/ peça, Machado et al (2009) também fazem apontamentos na direção de seleção adequada desses parâmetros a fim de gerar mínimos custos na fabricação. Machado et al (2009) afirmam que um aumento no valor da velocidade de corte e avanço vão resultar em maior produção, isto é, redução no número de horas trabalhadas por peça, o que implica um custo de fabricação menor. Porém, maiores velocidades de corte e avanços irão aumentar o número de ferramentas utilizadas por peça, uma vez que o desgaste das ferramentas será acelerado elevando-se os valores destes parâmetros. Na fabricação de um determinado lote de peças, Machado et al (2009) salientam que a escolha das condições de usinagem deve ser feita levando-se em conta diversos fatores relacionados com o tempo total e o custo total envolvidos no processo. O tempo total de fabricação da peça, em geral, é composto por dois fatores: tempo de operação e tempo improdutivo. O custo total de fabricação é composto por custo de usinagem por peça, custo do tempo improdutivo por peça e custo de ferramenta por peça. O tempo improdutivo e o custo do tempo improdutivo envolvem várias etapas de fabricação e dependem de cada caso. 2.6 Fluidos de corte A função dos fluidos de corte é introduzir uma melhoria no processo de usinagem, seja ela de caráter funcional ou econômico. A melhoria funcional é constatada pelo melhor desempenho no mecanismo de formação do cavaco, pela facilidade de expulsão do cavaco produzido, pela maior possibilidade de se obter as dimensões desejadas na peça etc. A econômica é constatada pelo menor consumo de energia durante o processo, menor desgaste da ferramenta etc. (FERRARESI, 1977). Os fluidos de corte podem ser dos seguintes tipos: • soluções (fluidos sintéticos); • emulsões (óleos solúveis e fluidos semissintéticos); • óleos (fluidos integrais); • gases; • sólidos. Eng Produção-NOVO.indd 37Eng Produção-NOVO.indd 37 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 38 Como visto, a natureza dos fluidos de corte pode ser sólida, líquida ou gasosa. Como exemplos de fluidos líquidos, têm-se as soluções e emulsões. Como fluidos sólidos, pode-se citar o bissulfeto de molibdênio, sulfeto de zinco e a grafita. Os fluidos gasosos podem ser ar comprimido, argônio, hélio, nitrogênio e dióxido de carbono. Entre os principais motivos que fazem com que a utilização dos fluidos de corte seja necessária em um processo de usinagem, estão (MACHADO et al, 2009): • aumento da vida da ferramenta; • redução dos valores das forças requeridas no corte; • melhora no acabamento superficial da peça; • auxílio na remoção do cavaco gerado da zona de corte. A ação dos fluidos de corte pode ser dividida em dois efeitos principais: 1. Refrigeração Quando se usina um material utilizando-se altos valores de velocidades de corte, a temperatura gerada no processo geralmente é alta e pode comprometer a integridade da peça e acelerar o desgaste da ferramenta de corte. Nessas situações, a função refrigerante do fluido de corte é fundamental e mais importante que sua função refrigerante, pois atua para diminuir a temperatura na região de corte retirando calor. 2. Lubrificação Em baixas velocidades de corte, as temperaturas geralmente não são elevadas. Com isso, a ação refrigerante do fluido de corte fica em segundo plano, situação na qual a função lubrificante do fluido de corte se faz mais necessária no sentido de reduzir o atrito na interface cavaco- ferramenta e ajudar a diminuir as forças requeridas para a usinagem. Além de aturarem com características refrigerantes e/ou lubrificantes, os fluidos de corte também exercem importante função ao ajudarem a retirar o cavaco da região de corte e, muitas vezes, auxiliando na quebra desses cavacos contribuindo para que eles adquiram tamanhos menores. A Figura 3 resume de maneira esquemática as principais funções dos fluidos de corte. Eng Produção-NOVO.indd 38Eng Produção-NOVO.indd 38 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 39 Figura 3: Função dos fluidos de corte Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner, 2004 2.7 Qualidade da peça usinada A condição de uma peça usinada depende de inúmeros fatores que envolvem, entre outros fatores, deformações plásticas, ruptura, recuperação elástica, geração de calor, vibração, tensões residuais (MACHADO et al, 2009). A qualidade de uma peça usinada pode ser expressa sob a forma de parâmetros geométricos (dimensão, forma, acabamento superficial etc.), parâmetros físicos (condutividades elétrica, térmica e magnética etc.), parâmetros químicos (resis- tência à corrosão etc.) e parâmetros mecânicos (dureza, resistência à fadiga etc.) (FERREIRA; GRIMA, 2006). Estes parâmetros da peça são determinados pelo projetista, de acordo com as condições nas quais o produto irá funcionar. O grau de coincidência dos parâmetros reais obtidos depois que uma peça é fabricada, com os parâmetros definidos no projeto da peça, representa a qualidade da peça (FERREIRA; GRIMA, 2006). A precisão de usinagem é expressa quantitativamente pela magnitude dos erros de usinagem. Um erro de usinagem é definido como a diferença entre os parâmetros ; ; . Eng Produção-NOVO.indd 39Eng Produção-NOVO.indd 39 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 40 de uma peça usinada e aqueles de uma peça perfeita (absolutamente precisa) es- pecificada no desenho. O erro de usinagem varia de peça para peça, mesmo num mesmo lote. Uma peça pode ser considerada aceitável, desde que a magnitude do erro de usinagem não exceda os limites de tolerância (FERREIRA; GRIMA, 2006). A precisão de usinagem é associada a uma certa quantidade de parâmetros macro geométricos e pode ser classificada como se segue (FERREIRA; GRIMA, 2006): • Precisão de usinagem de superfícies da peça: - precisão de dimensões de superfícies (precisão dos diâmetros de su- perfícies cilíndricas e esféricas, ângulos de cones); - precisão de formas de superfícies (planicidade, circularidade, cilindri- cidade). • Precisão de usinagem de posições relativas entre superfícies: - precisão das dimensões entre superfícies (distância entre dois planos paralelos ou entre os centros de dois furos); - precisão de relações posicionais entre superfícies (paralelismo e perpendicularismo entre dois planos ou dois eixos). A Figura 4 traz, de maneira esquemática, os fatores que influenciam a qualidade de uma peça usinada. Figura 4: Relações que envolvem a qualidade de uma peça usinada Fonte: Stoeterau, Schroeter e Weingaertner, 2004 Eng Produção-NOVO.indd 40Eng Produção-NOVO.indd 40 25/08/2021 09:21:1625/08/2021 09:21:16 41 2.8 Processos convencionais 2.8.1 Torneamento O torneamento é um processo de fabricação que produz superfícies de revolução por meio de ferramentas monocortantes. A peça gira em torno do eixo principal de rotação da máquina (torno) enquanto a ferramenta se desloca paralelamente à peça. Na operação de torneamento, a matéria-prima (blank ou tarugo) é, a princípio, de forma cilíndrica, sendo que, depois de trabalhada, ela tomará a forma cônica ou cilíndrica. O torneamento pode ser dividido em dois tipos: 1. Torneamento curvilíneo O torneamento curvilíneo é um processo em que a ferramenta se desloca segundo uma trajetória curvilínea. 2. Torneamento retilíneo No torneamento retilíneo, a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea. Esse tipo de torneamento se subdivide em quatro tipos, que são o torneamento cilíndrico, torneamento cônico, torneamento radial e o perfilamento. O torneamento cilíndrico é aquele em que a ferramenta se desloca segundo uma trajetória paralela ao eixo principal de rotação da máquina. No torneamento cônico, a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea, inclinada em relação ao eixo principal de rotação