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Área de Treinamento “O lucro do nosso estudo é tornarmo-nos melhores e mais sábios.” (Michel de Montaigne) Você encontrará, nos próximos capítulos, questões dos últimos 15 anos dos concursos de Residência Médica. As questões da década de 1990 serão utilizadas em um momento oportuno. Leia cada questão com muita atenção e aproveite ao máximo os comentários. Se necessário, retorne ao texto de sua apostila. Sugerimos que você utilize esta Área de Treinamento fazendo sua autoavaliação a cada 10 (dez) questões. Dessa forma, você poderá traçar um perfi l de rendimento ao fi nal de cada treinamento e obter um diagnóstico preciso de seu desempenho. Estude! E deixe para responder as questões após 72 horas. Fazê-las imediatamente pode causar falsa impressão. O aprendizado da Medicina exige entusiasmo, persistência e de- dicação. Não há fórmula mágica. Renove suas energias e se mantenha cronicamente entusiasmado. Boa sorte! Você será Residente em 2016! Atenciosamente, Dr. Gama Coordenador Acadêmico EST IMULE AGORA SEUS CONHECIMENTO S EST IMULE AGORA SEUS CONHECIMENTO S “Todos nós conhecemos pessoas que, em circunstâncias muito difíceis, como no caso de uma doença terminal ou grave incapacidade física, man- têm uma força emocional admirável. Como sua integridade nos inspira! Nada causa impressão mais forte e duradoura no ser humano do que per- ceber que alguém superou o sofrimento, transcendeu as circunstâncias e abriga e expressa valores que inspiram, enobrecem e dão mais sentido à vida.” Os sete hábitos das pessoas altamente efi cazes Stephen R. Covey t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Questões para treinamento Cirurgia da cabeça e pescoço SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 1. Das características ultrassonográfi cas de um nódulo tireoidiano sólido solitário, uma considerada suspei- ta de malignidade é a: a) presença de halo b) ausência de calcifi cação c) hipervascularização periférica d) hipoecogenicidade em relação ao parênquima ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 2. Sobre o carcinoma medular da tireoide, assinale a al- ternativa correta. a) são tumores exclusivamente familiares b) seu tratamento sempre deve incluir o esvaziamento do nível VI c) podem ser controlados com iodo radioativo d) a radioterapia desempenha papel importante no seu tratamento e) é mais frequente na sexta década de vida ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 3. É correto afi rmar que NÃO é inervado pelo nervo la- ríngeo inferior o músculo: a) tiroaritenóideo b) cricoaritenóideo c) cricotireóideo d) vocal e) tireo-hióideo ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 4. Uma paciente de 35 anos, com diagnóstico de car- cinoma papilífero de tireoide de 4 cm, tem metás- tases para linfonodos do nível VI. É correto afir- mar que: a) na ultrassonografi a de tireoide, é esperado que o nó- dulo apresente microcalcifi cações b) o prognóstico é reservado, pela presença de metásta- ses e pela idade da paciente c) pela extensão da doença, está indicada radioterapia pós-operatória d) a probabilidade de disfunção tireoidiana na apresen- tação clínica inicial é elevada, uma vez que um dos lobos tireoidianos está tomado pela doença e) a punção aspirativa por agulha fi na (PAAF) tem sen- sibilidade e especifi cidade baixas para o diagnóstico de carcinoma papilífero ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 5. Um senhor de 43 anos, advogado, tem elevação dis- creta dos níveis do hormônio paratireoidiano (PTH). O cálcio sérico é normal. Diagnóstico mais provável e exame que deve ser solicitado inicialmente: a) hiperparatireoidismo primário − cintilografi a de pa- ratireoides b) hiperparatireoidismo secundário − dosagem de Vi- tamina D c) hiperparatireoidismo primário − calciúria de 24 horas d) hiperparatireoidismo secundário − densitometria óssea e) hiperparatireoidismo primário − ultrassonografi a de paratireoides ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2014 6. Ao se efetuar a tireoidectomia total, durante a secção do ligamento de Berry, devemos estar atentos para evitar a lesão da seguinte estrutura: a) nervo laríngeo inferior b) nervo laríngeo superior c) artéria tireoideana inferior d) artéria tireoideana superior ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015154 UERJ – Clínica Cirúrgica – 2014 7. Na abordagem cirúrgica de um bócio tireoidiano volu- moso, o cirurgião pode lançar mão da secção da mus- culatura pré-tireoideana. Neste caso, para evitar a sua desenervação a partir dos ramos da alça do hipoglosso (alça cervical), os músculos esterno-hióideo e esterno- -tireóideo devem ser seccionados na sua porção: a) lateral b) medial c) inferior d) superior ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 8. A tireoglobulina sérica pode ser utilizada no acompa- nhamento pós-operatório de pacientes com: a) neoplasia endócrina múltipla tipo I b) neoplasia bem diferenciada de tireoide c) tireoidite de Hashimoto d) tireoidite granulomatosa e) carcinoma de paratireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2014 9. A única situação em que se aceita a tireoidectomia parcial no tratamento do carcinoma bem diferencia- do da tireoide é no paciente com: a) idade abaixo de 45 anos e tamanho do tumor até 4 cm b) idade acima de 45 anos e tumor até 4 cm c) idade abaixo de 45 anos e tumor até 1 cm d) idade abaixo de 45 anos e tumor entre 1 e 4 cm ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – Clínica Cirúrgica – 2014 10. Homem, 31 anos, branco, apresenta múltiplos nódu- los cervicais de aspecto cístico (níveis IV e V, bilateral- mente), principalmente do lado esquerdo do pescoço. A punção dos nódulos revelou citologia compatível com lesão cística cervical paucicelular. Dosagens de tireoglobulina nos lavados das agulhas demonstra- ram níveis 10 a 15 vezes superiores ao nível sérico. A ultrassonografia da tireoide apresenta nódulos em ambos os lobos, sendo a esquerda com vasculariza- ção central/periférica e microcalcificações, e à direita área de irregularidade glandular. Qual o diagnóstico mais provável para o caso descrito? a) carcinoma medular de tireoide b) bócio multinodular tóxico c) tireoidite subaguda d) carcinoma bem diferenciado de tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-RS – Clínica Cirúrgica – 2014 11. Quais das alterações abaixo auxiliam no diagnóstico do hiperparatireoidismo primário? a) hipocalcemia e calcificações distróficas b) calcemia normal e osteoporose c) hipercalcemia e insuficiência renal d) insuficiência renal e tumores de células gigantes e) hipercalcemia e calcificações metastáticas ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2014 12. Paciente com 45 anos, secretária, queixa-se, princi- palmente após o banho, de perceber “tumor” no pes- coço, na região paramediana à direita, próximo aos 2º e 3º anéis traqueais. Você solicita ultrassom de pesco- ço, que demonstra nódulo de tireoide. De acordo com o resultado, qual a melhor possibilidade? a) nódulo misto ou imagem nodular sólida, isoecoica ou hiperecoica, acompanhada ou não de calcifica- ções grosseiras, componente líquido e com o restan- te do parênquima de textura heterogênea, deve ser um provável carcinoma de tireoide b) nódulo sólido, hipoecoico, de contorno impreciso e com microcalcificações, sugestivo de neoplasia folicular c) nódulo sólido, hipoecoico, de contorno impreciso e com microcalcificações, deve ser um provável bócio coloide adenomatoso d) nódulo misto ou imagem nodular sólida, isoecoica ou hiperecoica, acompanhada ou não de calcifica- ções grosseiras, componente líquido e com o restan- te do parênquima de textura heterogênea, deve ser um provável bócio coloide adenomatosoSobre nódulo tireoidiano é FALSO afi rmar que: a) a possibilidade de um nódulo tireoidiano ser câncer é maior em homens acima de 50 anos b) múltiplos nódulos tireoidianos são mais frequente- mente benignos c) carcinoma papilífero pode se apresentar na forma de uma lesão cística d) um nódulo sólido com calcifi cações é usualmente maligno ACERTEI ERREI DÚVIDA AMP – 2009 131. Paciente do sexo masculino, 55 anos, tabagista, com massa em região cervical. Ao exame físico, presença de tumoração cervical de 4 cm de diâme- tro, firme, de mobilidade reduzida em cadeia ju- gulodigástrica esquerda. Qual o próximo passo na elucidação diagnóstica? t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015170 a) tomografia computadorizada de região cervical, es- tudando da base do crânio à fúrcula esternal b) biópsia excisional da massa cervical c) exame acurado da cavidade oral, faringe e laringe d) ultrassonografia da massa cervical, orientando pun- ção aspirativa por agulha fina da mesma e) ressonância magnética de crânio e pescoço para adequado estadiamento ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPR – 2009 132. Paciente de 65 anos, sexo masculino, lavrador, há 4 meses apresenta lesão nódulo-ulcerada, com crosta hemática, medindo 0,8 cm de diâmetro no lábio in- ferior. Tabagista (20 cigarros/dia). Sobre esse quadro clínico, assinale a alternativa INCORRETA: a) presença de linfonodomegalia submandibular indi- ca pior prognóstico b) ceratoacantoma é um diagnóstico diferencial c) o tratamento do carcinoma espinocelular deve ser baseado no tamanho, na localização e no grau de di- ferenciação histológica d) nesse caso, o tabagismo e a profissão podem ter con- tribuído para o aparecimento da lesão e) a melhor conduta é curetar a lesão e enviar para exa- me anatomopatológico ACERTEI ERREI DÚVIDA A partir do resumo clínico, responda às questões 133 e 134. Mulher de 35 anos, viúva recente (marido falecido por assalto) com grande labilidade emocional (choro fácil), tremores finos de extremidade, perda de peso (5 quilos em 1 mês), pele úmida e quente, exoftalmia bilateral grau II, tireoide aumentada difusamente de volume 5 vezes, superfície regular, consistência firme, elástica, móvel à deglutição, indolor à palpação, ausência de hipertrofia ganglionar adjacente. PA 170x80 mmHg, FC 140 bpm, bulhas cardíacas hiperfonéticas e pulmões limpos. UFRN – 2009 133. A hipótese diagnóstica mais provável é: a) doença de Plummer b) bócio difuso tóxico c) tireoidite subaguda d) sídrome climatérica ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRN – 2009 134. Devem ser solicitados os seguintes exames laboratoriais: a) TSH e T4 livre b) TSH e T3R c) T4 livre, TSH e anticorpo antirreceptor do TSH d) tireoglobulina e anticorpo antitireoperoxidase ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRN – R3 Clínica Médica – 2009 135. Em relação ao câncer de tireoide, é correto afirmar: a) o câncer de tireoide é bastante frequente e é um dos tumores malignos que apresenta melhor taxa de cura, independentemente do tipo histológico b) o tratamento de câncer diferenciado da tireoide inclui, de modo geral, cirurgia, seguida de ablação dos remanescentes com 131I e terapia supressiva com hormônio tireoideano (T4) c) o tipo histológico mais comum é o indiferenciado (anaplásico), e o menos comum é o papilífero, que é o de melhor prognóstico d) é possível o diagnóstico diferencial entre adenoma folicu- lar (benigno) e carcinoma folicular pela citologia (PAAF) ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA – Cancerologia Cirúrgica-Cabeça e Pescoço – 2009 136. As células com alterações descritas como “olhos da órfã Annie” são observadas na doença denominada : a) carcinoma papilífero de tireoide b) carcinoma medular de tireoide c) tireoidite de Hashimoto d) tireoidite de Quervain ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM – 2009 137. Mulher de 30 anos procura ambulatório de clínica geral referindo palpitação, nervosismo e insônia há 2 semanas. Ao exame físico apresenta tremor fino de extremidades e pulso rítmico de 120 bpm. Os exames mostram TSH diminuído, VHS de 100 mm/h e capta- ção de iodo radioativo em 24 horas de 2%. A melhor conduta terapêutica é prescrever: a) metimazol e aspirina b) propranolol e metimazol c) propranolol e prednisona d) propiltiouracil e prednisona e) propiltiouracil e aspirina ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – 2009 138. Frente ao espelho, enquanto se arrumava para o batiza- do do neto, uma artesã de 54 anos não conseguiu colocar sua gargantilha predileta. Só então notou que o pescoço engrossara, mas ele não doía. A tireoide, de consistência firme, tinha aumento difuso e o laboratório registrou T4 livre = 0,41 µg/dL, T3 total = 105 µg/dL e TSH = 11,7 µU/mL, bem como anticorpos anti-TG e anti-TPO posi- tivos. Tais evidências são próprias à tireoidite de: a) Riedel b) Plummer c) Hashimoto d) de Quervain ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 171 FESP – 2009 139. Na investigação dos nódulos da tireoide, a punção as- pirativa com agulha fi na (PAAF) tem sido realizada em larga escala por ser um exame pouco invasivo e de alta sensibilidade e especifi cidade. Contudo, este mé- todo diagnóstico não é capaz de fazer o diagnóstico pré-operatório em pacientes portadores de carcino- ma do tipo: a) folicular b) medular c) papilífero d) anaplásico ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – R3 Clínica Médica – 2009 140. Queixando-se de rouquidão, uma manicure de 62 anos procurou atendimento ambulatorial. Sua glân- dula tireoide tinha aumento assimétrico e consistên- cia pétrea estando muito aderida aos tecidos adjacen- tes. Tomografi a computadorizada de tórax mostrou fi brose mediastinal e o laboratório foi indicativo de hipotireoidismo, evidências adicionais em favor da tireoidite de: a) de Quervain b) Hashimoto c) Plummer d) Riedel ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – R3 Clínica Médica – 2009 141. Um homem de 50 anos nota um pequeno aumento do volume do pescoço à direita. Ao examinar, você sus- peita de nódulo de tireoide, o que é confi rmado por ultrassonografi a. Apropriadamente, você solicita do- sagem de TSH, cujo resultado mostrou valor baixo. O próximo passo na investigação deverá ser: a) cintigrafi a da tireoide b) dosagem de T3 e T4 livre c) aspiração com agulha fi na d) biópsia guiada por ultrssonografi a ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2009 142. Um paciente de 42 anos tem nódulo tireoideano de 4 cm com linfadenomegalia regional. Dentre as opções abaixo, a que NÃO é considerada fator de alto risco para câncer de tireoide bem diferenciado é: a) sexo b) idade c) extensão d) tamanho do nódulo ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Médica – 2009 143. Em relação à abordagem terapêutica de um nódulo tireoidiano hiperfuncionante, é correto afi rmar que: a) ablação com radioiodo não está indicada b) injeção de etanol guiada por USG á efi caz c) ressecção cirúrgica é o tratamento de escolha d) manutenção do eutireoidismo com propiltiouracil é frequentemente empregada ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-CE – 2009 144. Nos pacientes com câncer de tireoide, tratados com tireoidectomia “quase total”, qual o principal indica- dor de recidiva do tumor? a) aumento de TSH b) redução de T3 c) redução de T4 d) aumento de tireoglobulina e) aumento de iodo ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2009 145. Mulher, 35 anos, com nódulo de tireoide à direita foi submetida à punção aspirativa por agulha fi na que revelou lesão com padrão folicular. Fez a hemitireoi- dectomia à direita. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica trata-se de carcinoma folicular. Nesse caso, a paciente: a) deverá ser submetida à nova cirurgia para a retirada da outra metade da glândula b) deverá ser submetida ao hipotireoidismo para ele- var o TSH ao máximo e, após, iodo radioativopara complementação c) deverá ser submetida a iodo radioativo imediatamente d) deverá evitar novas reintervenções precoces e fazer estadiamento tardio ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2009 146. O carcinoma das células de Hurthle é frequentemente considerado: a) um subgrupo do estruma tireoideano de Ridel b) um tumor neuroendócrino que se origina nas célu- las C parafoliculares c) uma variante do carcinoma medular da tireoide d) um subgrupo do carcinoma folicular da tireoide e) um subgrupo do carcinoma indiferenciado da tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPR – Pediatria – 2009 147. A síndrome MEN IIb se caracteriza por carcinoma medular de tireoide: a) feocromocitoma e hiperparatireoidismo b) em quatro membros da família c) doença de Hirschprung e hiperparatireoidismo t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015172 d) hipertireoidismo e carcinoma de pâncreas e) feocromocitoma, ganglioneuromas e hábitos marfa- noides ACERTEI ERREI DÚVIDA UNISA – 2009 148. Em relação ao nódulo solitário da tireoide, é correto afirmar que: a) a frequência do aparecimento de um nódulo na ti- reoide diminui com a idade b) a possibilidade de um nódulo solitário ser benigno é maior em homens acima de 50 anos c) quando existir suspeita clínica de carcinoma medu- lar da tireoide deverá ser dosado o nível de calcito- nina no soro d) a apresentação cística do carcinoma bem diferencia- do da tireoide é rara e) no diagnóstico do carcinoma folicular, a acurácia da biópsia por agulha fina por ultrassonografia da ti- reoide é elevada ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – 2009 149. Paciente feminina, de 28 anos, relata ter percebi- do aparecimento de “nodulação no pescoço” há 4 meses, de crescimento progressivo e indolor. Ao se proceder ao exame, delimita-se, pela palpação da tireoide, um nódulo firme, de 3 cm de diâmetro aproximadamente, indolor à palpação. Dado esse quadro, qual exame complementar você escolheria levando em consideração seu maior poder de eluci- dação diagnóstica, sabendo que o TSH da paciente está normal? a) cintilografia de tireoide b) ultassonografia de tireoide c) dosagem de calcitonina e tireoglobulina d) dosagem de T3, T4 e TSH e) punção aspirativa com agulha fina ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – Prova A – 2008 150. Paciente do sexo feminino, 30 anos, foi submetida a uma tireoidectomia total por carcinoma papílifero. Doze horas após a cirurgia, apresentou parestesias e espasmos musculares e, em seguida, convulsão. O mais provável diagnóstico é: a) hipomagnesemia b) hiponatremia severa c) hipocalcemia d) hipotireoidismo ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – Prova A – 2008 151. Dentre as neoplasias malignas da tireoide, qual a mais frequentemente encontrada? a) carcinoma papilífero b) carcinoma folicular c) carcinoma medular d) carcinoma indiferenciado ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – Clínica Cirúrgica – 2008 152. As lesões penetrantes de pescoço são mais graves, po- dendo acarretar hemorragia ou comprometimento da via aérea. Sobre essas lesões é FALSO afirmar: a) em uma base anatômica, o pescoço é dividido em triângulo anterior e posterior. As principais estru- turas vasculares e aerodigestivas estão localizadas no triângulo anterior b) feridas que não penetram o platisma podem ser consi- deradas superficiais, não necessitando de investigação c) analisando as feridas cervicais, baseado na locação craniocaudal, o pescoço é comumente dividido em 3 zonas horizontais d) feridas na Zona III apresentam o maior índice de mortalidade devido à presença de grandes vasos e à complexidade do acesso cirúrgico ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – Clínica Cirúrgica – 2008 153. Paciente de 25 anos, apresenta volumoso hematoma cervical por ferida penetrante. Após entubação oro- traqueal em centro cirúrgico, foi realizado acesso cirúrgico através de uma incisão oblíqua na borda interna do esternocleidomastoideo esquerdo, sendo constatada lesão extensa de veia jugular interna, não sendo tecnicamente possível o reparo primário. Nessa situação, a conduta mais adequada é: a) interposição de um enxerto autólogo, preferencial- mente utilizando a veia safena b) interposição de um enxerto autólogo, preferencial- mente utilizando a veia jugular externa c) ligadura de veia jugular interna d) interposição de um enxerto sintético de PTFE ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – Clínica Cirúrgica – 2008 154. Paciente do sexo masculino, 55 anos, apresentando nó- dulo sólido de 3 cm em lobo direito da tireoide. Foi re- alizado punção com agulha fina guiada por ultrassom e o diagnóstico foi esfregaço contendo células folicula- res. Assinale a conduta mais adequada para esse caso: a) tratamento cirúrgico com lobectomia direita e ava- liação histopatológica por congelação b) reavaliação com 3 meses e nova punção com agulha fina c) trata-se de uma doença benigna (adenoma folicular) e o tratamento é clínico através de supressão hormonal d) enucleação do nódulo e avaliação histopatológica por congelação ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 173 SES-RJ – 2008 155. A tireoglobulina não é encontrada normalmente no soro, mas seu nível aumenta muito em determina- das tireoidopatias. A elevação de seu nível é utilizada principalmente para diagnosticar: a) tireoidites virais b) doença de Graves c) bócio multinodular tóxico d) recidiva de câncer tireoideo ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-RJ – 2008 156. O hiperparatireoidismo primário tem etiologia ainda desconhecida, com os pacientes sintomáticos tendo indicação precisa de cirurgia com fi ns curativos. No entanto, existem algumas indicações de procedimen- to cirúrgico em pacientes assintomáticos, dentre elas: a) idade superior a 50 anos b) hipercalciúria importante (excreção nas 24 h > 400 mg) c) redução de 20% do clearance da creatinina de pesso- as de igual idade d) hipercalcemia importante (calcemia = 0,5 mg/dL acima do limite superior normal) ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-RJ – Clínica Cirúrgica – 2008 157. Na hiperfunção das glândulas paratireoides, observa- da em pacientes com insufi ciência renal crônica, ou hi- perparatireoidismo secundário, podemos afi rmar que: a) os suplementos de vitamina D2 são efi cazes no con- trole da fosfatemia nos renais crônicos b) a calcifi cação da camada medial arterial sugere cal- cifi laxia e indica a paratireoidectomia c) o controle clínico cuidadoso não consegue evitar a paratireoidectomia nos nefropatas crônicos d) a localização prévia das paratireoides descarta a ne- cessidade de exploração cervical bilateral das parati- reoides ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-RJ – Clínica Cirúrgica – 2008 158. Alguns tumores da tireoide devem ser tratados por tireoidectomia total porque seus resíduos não podem ser erradicados com radioiodo por ausência de capta- ção. São eles: a) medular e folicular b) papilífero e folicular c) papilífero e de células de Hurthle d) de células de Hurthle e medular ACERTEI ERREI DÚVIDA UNITAU – R1 – 2008 159. Quais são as neoplasias malignas e benignas mais fre- quentes das glândulas salivares maiores, respectiva- mente? a) carcinoma epidermoide e adenoma folicular b) carcinoma adenoide cístico e linfadenoma papilífero c) carcinoma mucoepidermoide e adenoma pleomórfi co d) ex-adenoma pleomórfi co e adenoma folicular e) adenocarcinoma pouco diferenciado e adenoma pleomórfi co ACERTEI ERREI DÚVIDA UNITAU – R1 – 2008 160. Qual o principal gene relacionado com o carcinoma medular da tireoide? a) APC b) p53 c) p16 d) MRH1 e) RET ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – 2008 161. Consideramos conceitos corretos, em relação ao car- cinoma indiferenciado da tireoide: a) a cirurgia é o tratamento de escolha, resolvendo o problema da maioria dos casos b) a cirurgiaé raramente indicada, estando, em maio- ria, o tumor fora de possibilidades cirúrgicas c) a traqueostomia é contraindicada e agrava a lesão d) são tumores de crescimento lento, porém invadem estruturas vizinhas e) o período de sobrevivência após o tratamento é de 50% em 5 anos ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2008 162. Nos casos de tireotoxicose, quais são os grupos de sin- tomas e sinais que aparecem em pelo menos 80% dos casos? a) nervosismo, hiperidrose e taquicardia b) palpitações, tremores e fi brilação atrial c) perda de peso, aumento do apetite e diarreia d) fadiga, hipersensibilidade ao calor e esplenomegalia e) hipersensibilidade ao frio, fadiga e bradicardia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2008 163. Paciente traz para a consulta uma ultrassonografi a, solicitada por sua ginecologista, que mostra um nó- dulo com 1,6 cm, sólido, hipoecoico, sem halo perifé- rico, com microcalcifi cações e contorno irregular. Na palpação da região cervical, o nódulo não é percebi- do. Nessa situação, deve-se adotar a seguinte conduta: a) tratar com tiroxina em doses elevadas para suprimir o TSH e assim provocar uma involução do nódulo, que tem características de benignidade na ultrassonografi a b) indicar tireoidectomia, pois o nódulo tem caracte- rísticas de malignidade ao ultrassom t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015174 c) dosar TSH, T4-livre e realizar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) d) observar e fazer nova ultrassonografia de três em três meses e) fazer punção aspirativa por agulha fina (PAAF) e ad- ministrar em seguida 30 mCi de iodo radioativo ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2008 164. O sinal de Chvostek e o de Trousseau fazem parte das manifestações clínicas da: a) hipercalcemia b) hipernatremia c) hipopotassemia d) hipocalcemia e) hiperpotassemia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2008 165. O principal uso clínico da medida de tireoglobulina se dá no acompanhamento de pacientes com: a) neoplasia endócrina múltipla tipo I b) tireoidite de Hashimoto c) tireoidite de Riedel d) adenoma de paratireoide e) câncer da tireoide bem diferenciado ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2008 166. Tireoide exibindo, ao exame microscópico, extenso infiltrado inflamatório mononuclear, com linfócitos pequenos, plasmócitos e centros germinativos bem desenvolvidos, além de folículos tireoideanos reves- tidos por células de Hurthle, constitui: a) linfoma b) tireoidite de Hashimoto c) tireoidite linfocítica d) carcinoma papilífero e) doença de Graves ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2008 167. Há indicação de paratireoidectomia em: a) hiperparatireoidismo secundário com PTH (para- tormônio) pouco elevado b) hiperparatireoidismo primário em jovem e assinto- mático c) hiperparatireoidismo secundário com qualquer grau de lesão óssea d) produção ectópica de PTH (paratormônio) ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM – R3 Clínica Médica – 2008 168. Mulher de 25 anos, asmática, procura assistência mé- dica devido ao atraso menstrual, nervosismo, palpi- tações e insônia. O exame físico mostra bócio difuso e taquicardia. Laboratorialmente, detecta-se TSHé mais frequente em pacientes do sexo feminino d) o bócio nodular tóxico é conhecido como doença de Plummer ACERTEI ERREI DÚVIDA UEL – 2008 177. Em relação às tireoidites, é correto afi rmar que: a) a tireoidite silenciosa caracteriza-se pela elevação progressiva dos anticorpos antitireoidianos (antiti- reoglobulina e antitireoperoxidase), evoluindo, na grande maioria das vezes, para hipotireoidismo de- fi nitivo em 1 ano b) na tireoidite subaguda, encontramos VHS elevada, TSH suprimido e cintilografi a tireoidiana com baixa captação de I c) na tireoidite de Riedel, encontramos frequentemen- te TSH suprimido, T3 e T4 elevados, associados a bócio doloroso d) mesmo na vigência de alterações ultrassonográfi cas compatíveis, a ausência de anticorpos antitireoidia- nos afasta o diagnóstico de tireoidite de Hashimoto e) a tireoidite aguda é considerada uma exacerbação da tireoidite de Hashimoto ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2008 178. Uma paciente de 40 anos apresenta nódulo tireoidia- no de 2,5 cm de diâmetro. Na investigação diagnós- tica, o resultado da análise citopatológica da punção com agulha fi na (PAAF) mostra células com citoplas- ma pálido e microcalcifi cações. Estes achados são al- tamente sugestivos da seguinte afecção: a) bócio coloide b) tumor folicular c) carcinoma papilífero d) tireoidite de Hashimoto ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2007 179. Em um paciente com hipertireoidismo, devido a uma tireoidite subaguda, são esperados os resultados abai- xo, exceto: t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015176 a) T3 elevado b) níveis de T4 desproporcionalmente elevados em re- lação ao T3 c) TSH baixo d) velocidade de hemossedimentação elevada e) captação aumentada do iodo radioativo pela tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA UNITAU – R1 – 2008 180. Paciente de 50 anos apresenta nódulo único no lobo direito da tireoide com 1 cm e punção aspirativa de carcinoma medular, sem linfoadenomegalia cervical. Qual o tratamento cirúrgico? a) tireoidectomia total e esvaziamento cervical dos ní- veis II a VII bilateral b) tireoidectomia total c) lobectomia direita e istimectomia d) lobectomia direita, istimectomia e esvaziamento cervical dos níveis II e VII à direita e) tireoidectomia subtotal ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Clínica Médica – 2008 181. Sara, 49 anos, emagrecimento de 8 kg nas últimas semanas, insônia, tremores e labilidade emocional. Peso atual = 72 kg. Tireoide de tamanho normal, sem nódulos, móvel e de consistência fibroelástica. Exa- mes laboratoriais: TSH 0,001 (referência 0,4-4 mUI/ mL) e T4L 1,60 (referência 0,8-1,9 ng/dL), ATPO po- sitivo. Captação tireoidiana nas 24 horas (¹³¹I): 20%. A principal hipótese diagnóstica é: a) tireoidite subaguda b) tireotoxicose c) doença de Graves d) administração exógena de levotiroxina ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 182. O tratamento cirúrgico indicado para um paciente de 30 anos, sexo masculino, com doença de Plummer, é: a) tireoidectomia total b) tireoidectomia subtotal bilateral c) lobectomia quase total bilateral d) lobectomia total ipsilateral e istimectomia ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 183. Os agentes etiológicos mais frequentemente encon- trados em uma tireoidite aguda supurativa são: a) Streptococus e anaeróbios b) Escherichia coli e Coccidoiimycosis sp c) Haemophilus sp e Corynebacterium sp d) Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus sp ACERTEI ERREI DÚVIDA UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 184. Paciente de 1 ano com massa cervical cística congêni- ta no triângulo posterior do pescoço, assinale a opção verdadeira. a) mesmo na ausência de sintomas a cirurgia se impõe b) a abordagem com solução esclerosante é o tratamen- to de rotina c) a ressonância magnética permite a melhor avaliação pré-operatória d) trata-se de uma malformação do sistema venoso e) acontece apenas na região cervical ACERTEI ERREI DÚVIDA UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 185. Em relação ao metabolismo do cálcio, é correto afirmar: a) a calcitonina é normalmente um importante contro- lador dos níveis de cálcio b) o cálcio é normalmente absorvido no trato intestinal inferior c) o cálcio excretado no rim é reabsorvido em menos de 50% d) o cálcio apresenta variação inversa aos níveis séricos de fosfato e) a vitamina D não altera o transporte de cálcio no in- testino ACERTEI ERREI DÚVIDA UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 186. Nos pacientes com nódulos tireoidianos e com níveis hormonais normais: a) a cintilografia deve ser feita de rotina b) a dosagem de calcitonina sérica deve ser realizada c) a história pessoal e familiar nada acrescenta ao diag- nóstico d) a punção aspirativa com agulha fina é o método ini- cial mais importante no diagnóstico e) os nódulos múltiplos estão associados ao maior ris- co de câncer ACERTEI ERREI DÚVIDA UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 187. Em relação às neoplasias de cabeça e pescoço, assinale a opção verdadeira. a) a associação do uso do álcool ao tabagismo apresen- ta um risco aditivo b) as leucoplasias de cavidade oral não aumentam o risco c) o PETscan apresenta menor sensibilidade para a pesquisa de metástase que a tomografia d) metástase de carcinoma escamoso com PETscan po- sitivo apresenta um melhor prognóstico e) o carcinoma espinocelular do lábio superior é me- nos frequente que o basocelular ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 177 UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 188. O nervo laríngeo recorrente é ramo do: a) vago b) frênico c) acessório d) facial e) laríngeo superior ACERTEI ERREI DÚVIDA UFC – Clínica Cirúrgica – 2007 189. Sobre o feocromocitoma, é correto afi rmar que: a) são tumores produtores de catecolaminas derivados de células cromafi ns do córtex adrenal b) são tumores malignos c) são encontrados na neoplasia endócrina múltipla tipo I em 90% dos casos d) ácido vanil mandélico é o teste menos específi co e) feocromocitoma extra-adrenal usualmente secreta epinefrina e norepinefrina ACERTEI ERREI DÚVIDA HMD – Clínica Cirúrgica – 2007 190. A realização de uma tireoidectomia total pode levar a um(a): a) lesão do nervo facial b) quadro de hipercalcemia transitória c) quadro de rouquidão e cãibras d) lesão do nervo mandibular e) quadro de agitação e emagrecimento ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 191. Os agentes etiológicos mais frequentemente encon- trados em uma tireoidite aguda supurativa são: a) Streptococcus e anaeróbios b) Escherichia coli e Coccidioidomycosis sp c) Haemophilus sp e Corynebacterium sp d) Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 192. Na tireoidite de Riedel, o fundamento para a indica- ção de um procedimento cirúrgico é: a) controle do hipotireoidismo subjacente b) descompressão traqueal e diagnóstico histopatológico c) inibição de TSH e do fator estimulador tireóideo de longa ação d) liberação do nervo laríngeo superior e correção da hipocalcemia ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 193. A síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2A é comumente composta por manifestações relaciona- das a: a) carcinoma medular da tireoide, feocromocitoma e hiperparatireoidismo primário b) hiperparatireoidismo primário, neurofi bromatose e doença de Hirschprung c) amiloidose, hábito marfanoide e carcinoma medular da tireoide d) feocromocitoma, diverticulose colônica e colelitíase ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPE – Clínica Cirúrgica – 2007 194. Sobre a síndrome de neoplasia endócrina múltipla (NEM) tipo I, assinale a alternativa incorreta: a) nos pacientes com gastrinoma, 25% têm a síndrome b) é autossômica dominante c) hipoparatireoidismoe hipocalcemia são as princi- pais manifestações clínicas d) tumor carcinoide gástrico ocorre em pacientes com gastrinoma associado a esta síndrome ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM – Clínica Cirúrgica – 2007 195. Em adultos jovens, o nódulo cervical anterior encon- trado frequentemente na linha média entre o mento e a cartilagem tireoide é o: a) cisto de ducto tireoglosso b) cisto sebáceo c) cisto dermoide d) cisto branquial e) linfoma ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM – Clínica Cirúrgica – 2007 196. Paciente do sexo feminino, de 19 anos, queixa-se de nervosismo, insônia e palpitações e apresenta ao exa- me físico taquicardia (FC = 120 bpm), sudorese quen- te, tremores fi nos nas mãos e tireoide difusamente au- mentada. O quadro laboratorial mais provável dessa paciente é: a) T3 aumentado, T4 aumentado, TSH aumentado, an- ticorpos antitireoidianos (+) b) T3 diminuído, T4 diminuído, TSH aumentado, anti- corpos antitireoidianos (-) c) T3 aumentado, T4 aumentado, TSH diminuído, an- ticorpos antitireoidianos (+) d) T3 aumentado, T4 diminuído, TSH diminuído, anti- corpos antitireoidianos (+) e) T3 diminuído, T4 aumentado, TSH diminuído, anti- corpos antitireoidianos (-) ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015178 HSPM – Clínica Cirúrgica – 2007 197. Paciente de 60 anos, do sexo masculino, fumante de 2 maços de cigarro por dia há 40 anos, com quadro de linfonodo endurecido de 4 cm de diâmetro em cadeia júgulo-carotídea média e otalgia ipsilateral, sugere o diagnóstico de: a) adenocarcinoma de hipofaringe b) carcinoma espinocelular de glote c) carcinoma espinocelular de língua d) adenocarcinoma de laringe e) carcinoma espinocelular de conduto auditivo ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM – Clínica Cirúrgica – 2007 198. Indicação de biópsia em massa cervical: a) em princípio, sempre b) falta de regressão com antibióticos c) fator de risco para doença maligna d) infância e) após exame cuidadoso de boca, laringe, esôfago e traqueia ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2007 199. O percentual de ocorrência de câncer em um cisto ti- reoglosso é, aproximadamente, de: a) 1 b) 2,5 c) 3,7 d) 5 ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPR – Clínica Cirúrgica – 2006 200. Uma mulher, de 35 anos, é encaminhada à cirurgia pelo endocrinologista após ter se evidenciado nódulo tireoidiano de 1,5 cm em polo inferior direito, cujo anatomopatológico de biópsia por agulha fina mos- trou lesão folicular. Qual o planejamento cirúrgico adequado? a) lobectomia total direita, sem dreno e sem congelação b) nodulectomia, congelação e lobectomia total direita se positivo para malignidade c) lobectomia total direita, congelação e tireoidectomia total se positivo para malignidade d) nodulectomia, congelação e tireoidectomia total e esvaziamento ganglionar bilateral para malignidade e) tireoidectomia quase total sem necessidade de con- gelação ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – R3 Clínica Médica – 2007 201. Com relação às doenças tireoideanas, assinale a alter- nativa INCORRETA: a) as opções para a terapia do hipertireoidismo da doença de Graves não se alteraram nos últimos 50 anos: usamos drogas antitireoideanas, iodo radioati- vo ou cirurgia b) o adenoma tóxico ou nódulo solitário autônomo, quando maior de 3 cm, é capaz de produzir um qua- dro de hipertireoidismo c) tipicamente, os pacientes com hipertireoidismo subclínico apresentam tireoide não palpável ou bó- cio pequeno, com níveis de T3 e T4 livres normais e TSH abaixo do limite inferior da normalidade d) a doença de Graves, em sua fase final, pode cursar com hipotireoidismo e) no diagnóstico de bócio multinodular tóxico, temos captação de Iodo aumentado e o mapeamento da ti- reoide apresenta focos de hipocaptação, com supres- são do parênquima perinodular ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPE – 2007 202. O hipertireoidismo na Doença de Graves é determi- nado por: a) produção excessiva do TSH por resistência periféri- ca e hipotalâmica ao T3 e T4 b) estimulação dos receptores tireoideanos de TSH por imunoglobulinas produzidas pelos linfócitos B c) estimulação tireoideana pela gonadotrofina coriôni- ca humana (hCG) d) estimulação excessiva dos tecidos periféricos pela rotura simultânea de folículos tireoideanos liberan- do T3 e T4 ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPR – R3 Clínica Médica – 2007 203. Paciente do sexo feminino, 34 anos, com queixas de palpitações e ansiedade. Durante o exame físico apre- sentou PA = 120 x 80 mmHg, Pulso = 96, T = 36,2ºC, discreto tremor de extremidades, tireoide 30 gramas, fibroelástica. Exames laboratoriais: TSH = 0,01 mU/L (normal = 0,4 a 4); T4 livre = 0,4 ng/dL (normal = 0,89 a 1,80); e T3 total = 300 ng/dL (normal = 70 a 200). De acordo com o quadro acima, assinale a alternativa correta. a) o diagnóstico mais provável é de doença de Graves, e o TRAb (anticorpo antirreceptor de TSH) seria o melhor exame para definir o diagnóstico b) a cintilografia de tireoide ajudaria na confirmação do diagnóstico de doença de Graves, estando indi- cada apenas se esse for o diagnóstico mais provável c) a tireotoxicose factícia, tireoidite silenciosa e tireoi- dite de Quervain também devem ser investigadas, e nesses casos, a captação de radioiodo estará elevada d) um diagnóstico provável é de tireotoxicose factícia, e nesse caso a captação com radioiodo e os níveis séricos de tireoglobulina estarão diminuídos e) um diagnóstico provável é de tireoidite de Quervain, e nesse caso, a dor local e os níveis séricos reduzidos de tireoglobulina são patognomônicos ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 179 IAMPSE – 2006 204. Paciente procura pronto-socorro com queixa de ce- faleia, palpitações e sudorese há 2 horas. Vem apre- sentando este quadro nos últimos 6 meses. Está sem medicação. Ao exame físico, hipertensão e taquicar- dia deitada, com hipotensão postural. À palpação ti- reoidiana, nódulo de consistência fi rme. Os exames laboratoriais revelam hipercalcemia. A biópsia tireoi- diana revelou, provavelmente: a) bócio adenomatoso b) carcinoma papilífero da tireoide c) carcinoma folicular da tireoide d) tireoidite de Hashimoto e) carcinoma medular da tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – R3 Clínica Médica – 2006 205. Com relação às doenças tireoidianas, assinale a alter- nativa correta: a) a tireoidite subaguda poderá ocasionar hipertireoidismo pela produção exagerada de hormônios tireoidianos b) a tireotoxicose decorrente de tireoidite subaguda deve ser tratada com fármacos antitireoidianos c) os fármacos antitireoidianos não ultrapassam a barrei- ra placentária portanto, usamos o metimazol ou pro- piltiouracil nas doses habituais durante toda a gestação d) no primeiro trimestre de gestação, devemos au- mentar a dose do antitireoidiano em pacientes com doença de Graves até a normalização dos níveis dos hormônios tireoidianos e do TSH e) o adenoma tóxico e o bócio multinodular tóxico le- vam ao hipertireoidismo independente da ação do anticorpo antirreceptor de TSH ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – R3 Clínica Médica – 2006 206. Paciente com captação de iodo baixa na cintilografi a, TSH suprimido, T-4 e VHS elevados, sintomas de pal- pitações, tremores e nervosismo. Assinale o diagnós- tico provável: a) hipotireoidismo primário b) hipotireoidismo secundário c) tireoidite subaguda de De Quervain d) doença de Basedow Graves e) tireoidite crônica ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – R3 Clínica Médica – 2006 207. Com relação às doenças malignas da tireoide, uma das alternativas abaixo NÃO está correta. Assinale-a. a) biópsia aspirativa por agulha fi na (PAAF) serve para di- ferenciar o carcinoma do adenoma folicular da tireoide b) é raro o acometimento linfonodal cervical do carci-noma folicluar da tireoide c) o carcinoma papilífero da tireoide é o mais frequente e associado a um melhor prognóstico d) a dosagem sérica da calcitonina serve como marca- dor biológico do carcinoma medular da tireoide e) a malignidade das doenças tireoidianas quase nunca está associada com hiper ou hipofunção da glândula ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 208. Paciente masculino de 72 anos, assintomático, procu- ra o seu médico para uma consulta de rotina. Ao exa- me físico é detectado nódulo único de tireoide. Qual a conduta mais adequada? Assinale-a. a) encaminhar o paciente para tireoidectomia parcial, pois esses nódulos nessa faixa etária são geralmente benignos b) encaminhar o paciente para tireoidectomia com bi- ópsia por congelação c) indicar tireoidectomia total após realização de USG de tireoide, pela alta probabilidade de adenocarcino- ma, de acordo com a idade e sexo do paciente d) solicitar acompanhamento semestral por ultrasso- nografi a e) encaminhar o paciente para punção biópsia por as- piração por agulha, depois de solicitada a USG de tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – 2005 209. Jorge, 49 anos, há 1 mês com febre vespertina (38ºC) associada a calafrios e sudorese. Notou, na mesma época, nódulo doloroso no pescoço, sem sinais fl o- gísticos. Nega sintomas relacionados à disfunção ti- reoidiana, odinofagia, disfagia ou dispneia. Ao exame físico apresenta tremor de extremidades, pele quente; FC = 118 bpm; T.ax = 38,5 °C; tireoide aumentada de volume cerca de 2 vezes, consistência aumentada, do- lorosa à palpação, com nódulo de 2 cm em LD. TSH = 0,04 uUl/mL, T4 livre = 4,3 ng/mL. Captação de iodo comum em mulheres jovens c) o carcinoma anaplásico costuma ser fatal, sobretudo devido a metástases hepáticas e cerebrais d) uma grande limitação da punção aspirativa por agu- lha fi na (PAAF) é não distinguir bem as neoplasias foliculares benignas das malignas e) metástases de carcinoma medular respondem ade- quadamente à terapia com iodo ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2003 226. Um paciente com 58 anos, há 2 meses, permaneceu intubado por 3 semanas. Admitido no serviço de emergência, apresenta cornagem, cianose, sudorese e agitação. Aponte a hipótese diagnóstica: a) fístula traqueoesofágica b) estenose de traqueia c) infarto agudo do miocárdio d) edema agudo de pulmão e) paralisia unilateral de corda vocal ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – 2003 227. Paciente portadora de nódulo de tireoide foi submetida à PAAF que demonstrou a presença de substância ami- loide no estroma. Qual o diagnóstico mais provável? a) carcinoma medular b) carcinoma papilífero c) carcinoma anaplásico d) linfoma e tireoidite de Hashimoto ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-SP – 2002 228. O carcinoma da região glótica apresenta mais preco- cemente: a) metástase cervical b) dispneia c) disfagia d) disfonia e) metástase a distância ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-SP – 2002 229. Papilomatose laríngea recorrente é causada pelo: a) HTLV b) HIV c) HPV d) vírus sincial respiratório e) qualquer adenovírus ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015182 USP-SP – 2002 230. O cisto branquial proveniente do segundo acordo branquial é encontrado em qual localização: a) cervical alto, na borda anterior do músculo esterno- cleidomastoideo b) na região submetal c) na região cervical anterior d) na região parotídea e) dentro do canal auditivo externo ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-SP – 2002 231. Em relação ao cisto tireoglosso, assinale a alternativa incorreta: a) o tratamento é sempre cirúrgico b) o trajeto do ducto é preferencialmente através do corpo do osso hioide c) cerca de 90% ocorre na linha média d) cistos intralinguais nunca ocorrem e) a fistula pode ser secundária à infecção, trauma ou drenagem ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-SP – 2002 232. O tumor maligno da parótida que mesmo em ênfase avançada não paralisa o nervo facial é o: a) sarcoma b) linfoma c) carcinoma epidermoide d) carcinoma mucoepidermoide e) carcinoma adenoide cístico ACERTEI ERREI DÚVIDA IPSEMG – 2002 233. No carcinoma medular da tireoide, o tratamento ci- rúrgico adequado é: a) tireoidectomia total associada à linfadenectomia que varia em extensão com a presença ou não de lin- fadenomegalias b) tireoidectomia total associada a I c) tireoidectomia parcial bilateral com I d) lobectomia do lado da lesão com linfadenectomia homolateral ACERTEI ERREI DÚVIDA IPSEMG – 2002 234. Sobre o carcinoma papilífero da tireoide, é correto afirmar, EXCETO: a) é a neoplasia tireoidiana mais frequente b) a lobectomia é curativa pelo crescimento lento do tumor e pela raridade das metástases c) pode estar relacionada à irradiação cervical prévia d) a cura ocorre em mais de 90% dos casos ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2002 235. Um paciente apresenta diagnóstico de carcinoma me- dular da tireoide. O manejo desta situação inclui a dosagem laboratorial de: a) ACTH no sangue b) gastrina plasmática c) ácido vanilmandélico na urina d) ácido 5-hidroxi-indol-acético urinário ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – 2002 236. Mulher, 36 anos, assintomática, com nódulo palpável na topografia do lobo direito da tireoide: a) trata-se de bócio, pois é a patologia mais encontrada na tireoide b) deve ser seguida por 5 anos, pois a presença de nó- dulo na tireoide é altamente sugestivo de câncer c) deve ser submetida à investigação de alterações hor- monais e de tumores primários de mama e abdome d) deve ser realizada ultrassonografia de tireoide e bi- ópsia para exame citológico da lesão e) deve ser submetida imediatamente à tireoidectomia pois a presença de nódulo único em tireoide é alta- mente sugestivo de câncer ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – 2002 237. A causa mais comum de tireoidite crônica é: a) tireoidite de Riedel b) doença de Graves c) tireoidite de Hashimoto d) tireoidite de Quervain ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – 2002 238. Homem de 45 anos foi submetido à tireoidectomia total por apresentar tumor de tireoide. Durante a ci- rurgia optou-se pela retirada da paratireoide devido ao crescimento tumoral. Neste caso a complicação metabólica mais comum é: a) hipercalcemia b) hipocalcemia c) hipofosfatemia d) aumento do PTH ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – 2002 239. O carcinoma de tireoide de pior prognóstico é o: a) de células de Hurthle b) folicular c) papilífero d) medular e) indiferenciado ou anaplásico ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 183 FESP – 2002 240. A invasão capsular e de vasos são importantes em que tipo de carcinoma? a) medular b) papilífero c) anaplásico d) folicular e) misto ACERTEI ERREI DÚVIDA Escola Paulista de Medicina – 2002 241. Assinale a alternativa correta: a) o carcinoma medular da tireoide pode fazer parte da síndrome da neoplasia endócrina múltipla (2A ou 2B). Está relacionado com mutações do proto- -oncogene RET b) o carcinoma papilífero da tireoide frequentemente metastatiza para fígado e ossos, apresentando bom prognóstico c) a calcitonina é um marcador tumoral produzido pe- los tumores das células de Hurthle da tireoide d) hiperplasia difusa da tireoide com aumento simétri- co da glândula, associado a hipertireoidismo, carac- terizam os bócios disormonogenéticos e) carcinoma anaplásico da tireoide possui crescimen- to lento, afetando crianças portadoras de cretinismo ACERTEI ERREI DÚVIDA Escola Paulista de Medicina – 2002 242. Em paciente com tireoidite de Hashimoto apresen- tando altos níveis de anticorpos antitireoglobulina e anticorpos antiperoxidase tireoidiana e níveis mode- radamente elevados de tirotrofi na, o tratamento mais adequado é: a) corticoide associado a L-tiroxina b) imunossupressores c) corticoides d) L-tiroxina e) administração de I ACERTEI ERREI DÚVIDA Escola Paulista de Medicina – 2002 243. Em uma paciente de 38 anos, sexo feminino, apresen- tando níveis elevados de tiroxina (T4 livre), níveis su- primidos de TSH, captação de I de 1%, o diagnóstico mais provável é: a) carcinoma de tireoide com hipertireoidismo b) doença de Graves c) tireotoxicose factícia, ou tireoidite subaguda d) nódulo tireoidiano autônomo e) hipotireoidismo secundário ACERTEI ERREI DÚVIDA UFMG – 2002 244. Paciente do sexo feminino, com 30 anos, prole defi ni- da, com história de sapingectomia bilateral, tabagista crônica com enfi sema importante, procura atendi- mento médico com manifestações clínicas de taqui- cardia, instabilidade emocional, emagrecimento e sudorese. Ao exame físico, observou-se aumento de volume do pescoço, identifi cando-se dois nódulos na topografi a da tireoide. A dosagem hormonal revelou aumento de T3 e T4, e a ultrassonografi a do pescoço revelou nódulo nos lobos direito e esquerdo e a capta- ção de Iodo em 24 horas de 55%. O tratamento mais indicado é: a) tireoidectomia subtotal bilateral b) iodo radioativo c) propiltiouracil ou tapazol d) hormônio tireoidiano para supressão dos nódulos e) medicação antitireoidiana e subsequente tireoidec- tomia total ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – 2001 245. Mulher branca, 52 anos, apresenta nódulo único de lobo direito da tireoide que aumentou de volume ra- pidamente. Refere também dor e tumoração em om- bro esquerdo cujas radiografi as mostram lesão oste- olítica de cabeça de úmero. O diagnóstico provável é carcinoma: a) papilífero b) indiferenciadoc) folicular d) medular ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – 2001 246. O tratamento mais indicado para o caso é: a) lobectomia direita + istmectomia + iodo radioativo b) nodulectomia + iodo radioativo c) tireoidectomia total + iodo radioativo d) radioterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 247. Mulher de 45 anos procura o médico com queixa de dor à deglutição após quadro gripal. O exame da oro- faringe é normal e há intensa dor à palpação da região cervical anterior. Não se palpa adenomegalias. O he- mograma é normal, apresentando VHS de 90 mm na 1ª hora. Para corroborar o diagnóstico desta paciente, indica-se como mais adequado o seguinte exame: a) TSH b) T4 livre c) captação I d) tireoglobulina sérica ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015184 Hospital da Força Aérea do Galeão – 2001 248. Todas as afirmativas abaixo sobre tireoidite de Hashi- moto são verdadeiras, exceto: a) é o tipo mais comum de tireoidite crônica b) afeta as mulheres mais frequentemente que os homens c) envolve mecanismos autoimunes d) a avaliação do estado da função tireoidiana é funda- mental no diagnóstico ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – 2001 249. Paciente de 59 anos, com história de exposição à irra- diação, apresenta um nódulo de 2 cm no lobo supe- rior direito. Neste caso, o diagnóstico mais provável é um carcinoma do tipo: a) indiferenciado b) papilar c) medular d) folicular ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – 2000 250. Dentre as neoplasias benignas (adenomas) da glân- dula tireoide, aquela que não mostra potencial de microinvasão e tranquiliza o cirurgião em termos de possível malignidade é a do tipo: a) papilífero b) embrionário c) microfolicular d) macrofolicular e) de células de Hurthle ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-SP – 2000 251. Paciente com 57 anos, do sexo masculino, refere aparecimento de massa tumoral em região corres- pondente à glândula parótida direita, há cerca de 6 anos, tendo atualmente as seguintes dimensões 6 x 5 x 3 cm, de consistência firme e ausência de linfonodos cervicais. Como achado de exame físi- co, encontrou-se uma massa de 1,8 cm de diâmetro no polo inferior da glândula parótida esquerda. A punção-biópsia das duas lesões revelou provavel- mente serem compatíveis com: a) adenoma pleomórfico b) carcinoma adenoide cístico à direita + tumor de Warthin à esquerda c) tumor de Warthin d) carcinoma adenoide cístico à direita + adenoma ple- omórfico à esquerda e) síndrome de Sjögren ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-DF – 2000 252. Dentre os fatores prognósticos do carcinoma de ti- reoide, qual o mais importante: a) sexo b) idade c) tamanho do tumor d) invasão e) todos ACERTEI ERREI DÚVIDA FHDF – 2000 253. A pesquisa de um dos sinais citados nas opções abai- xo tem importância no pós-operatório de cirurgia da glândula tireoide. Assinale a opção correspondente a esse sinal. a) Rovsing b) Cullen c) Chvostek d) Pringle ACERTEI ERREI DÚVIDA ACERTEI ERREI DÚVIDA Calcule a sua porcentagem: % % % Se você acertou 75% ou mais, parabéns. Se você acertou menos de 50%, retome o texto e reveja as questões. Caso persistam dúvidas, faça contato com o plantão de dúvidas em nosso site: www.sjtresidencia.com.br t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Gabarito comentado Cirurgia da cabeça e pescoço 1. De acordo com a ecogenicidade, os nódulos sólidos podem ser classifi cados como isoecoicos (com amplitude de ecos igual à do parênquima tireoidiano normal), hipoecoicos (com ampli- tude de ecos menor do que o parênquima tireoidiano normal) ou hiperecoicos (amplitude de ecos maior do que o parênqui- ma tireoidiano normal). A baixa ecogenicidade isolada é uma característica ultrassonográfi ca importante, com valor predi- tivo positivo para malignidade de 50 a 63%. Os nódulos sóli- dos isoecoicos, que representam 3 a 25% dos nódulos sólidos hiperecoicos, que representam 20% das lesões nodulares, são malignos em 1,3 a 4% dos casos. Os carcinomas bem diferen- ciados totalmente sólidos são hipoecoicos em 55 a 95% dos casos. A presença do artefato “cauda de cometa” (seta) indica benignidade para o nódulo. Vascularização periférica ao Dop- pler é compativel com lesão benigna. Resposta d. 2. O carcinoma medular de tireoide (CMT), responsável por 3 a 10% das neoplasias malignas da glândula, é um tumor neu- roendócrino raro, originário das células C ou parafoliculares da tireoide, produtoras de calcitonina (CT). O CMT pode ser hereditário (25%), com herânça autossômica dominante, ou esporádico (75%). Na primeira situação o CMT manifesta-se, em 80 a 85% dos pacientes, associado a outras alterações en- dócrinas, constituindo a neoplasia endócrina múltipla (MEN) tipos 2A e 2B, enquanto em 10 a 15% é transmitido de maneira isolada (carcinoma medular de tireoide familar [CMTF]). O CMT hereditário é causado por mutações no proto-oncogene RET (um acrônimo para Rearranged during Transfection). En- tre os tipos familiares do CMT, a MEN-2A é a doença mais comum, sendo resultado de um traço dominante com 100% de penetrância para o CMT, 50% para feocromocitoma e 25% para hiperparatireoidismo primário (HPTP). A MEN-2B é uma condição menos frequente, na qual os pacientes têm um tipo mais agressivo e mais precoce de CMT. Outras manifes- tações da MEN-2B são feocromocitoma, habitus marfanoide e neuromas múltiplo da língua, pálpebras e mucosa oral, acom- panhados de ganglioneuromas espalhados pelo trato gastrin- testinal. O CMT tem leve predominância no sexo feminino e pode ocorrer em qualquer faixa etária. O tipo esporádico tem pico de incidência durante a quinta e sexta décadas de vida. No familiar, o CMT tende a se manifestar de modo mais pre- coce, com pico de incidência na terceira e quarta décadas de vida, em casos de MEN-2A e CMTF. Por sua vez, na MEN-2B, esse acometimento é ainda mais precoce e, em casos eventu- ais, é possível fazer o diagnóstico durante os primeiros meses de vida. O CMT deve ser tratado com tireoidectomia total e esvaziamento seletivo do compartimento central, mesmo na ausência de linfonodos suspeitos. Nos casos de linfonodos cervicais metastáticos, esvaziamento cervical seletivo níveis II, III, IV, V, central (nível VI). No caso da pesquisa familiar po- sitiva através da presença de mutação no proto-oncogene RET e evidência de aumento nos níveis de calcitonina sanguíneos, indica-se a tireoidectomia total profi lática antes dos 13 anos de idade e quando em idade superior, ou na presença de calcito- nina alterada, deve-se acrescentar o esvaziamento cervical do compartimento central (nível VI), deixando-se o esvaziamen- to dos demais níveis cervicais para ser realizado apenas na pre- sença de metástases. Níveis de calcitonina elevados após o tra- tamento cirúrgico devem alertar para pesquisa de metástases a distância ou doença recidivada devendo ser pesquisados focos abdominais e torácicos. Utiliza-se a radioterapia externa para tumores irressecáveis, na dose de 70 Gy para doença macros- cópica, e no tratamento complementar das regiões cervical e mediastinal devendo a dose na medula espinhal ser limitada a 45 Gy. Metástases a distância devem ser tratadas por radiote- rapia externa, mesmo que na maioria dos casos o objetivo seja apenas paliativo.Resposta b. 3. Há dois nervos que, embora não inervando a glândula ti- reoide, são extremamente importantes do ponto de vista ci- rúrgico. O nervo laríngeo superior (NLS), originado do nervo vago, inerva por meio de seu ramo externo o músculo cricoti- reoideo, o qual é tensor das cordas vocais. O NLS está intima- mente relacionado com o pedículo vascular do pólo superior, local onde pode ser lesado durante a tireoidectomia. O nervo laríngeo inferior (NLI) é o ramo vagal e tem origem no me- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica| Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015186 diastino. Contorna, à direita, a artéria subclávia e, à esquerda, o arco aórtico. O NLI está relacionado anatomicamente com três estruturas: o ângulo formado pela traqueia e esôfago; os ramos da artéria tireoideia inferior; e o ligamento de Berry. Em cerca de 0,5 a 1% dos casos o NLI não é recorrente, o que é muito mais frequente à direita. Resposta c. 4. O carcinoma papilífero representa cerca de 80% dos car- cinomas tireoidianos. Ocorre em qualquer faixa etária, po- rém predomina em indivíduos mais jovens (entre a tercei- ra e a quinta década). Seu crescimento é lento na maioria dos casos e apresenta baixo grau de progressão, de modo que sua detecção leva um longo período. De maneira geral, o prognóstico é bom, pelo menos 80% dos pacientes per- manecem vivos por cerca de 10 anos após o diagnóstico. A disseminação do CPT dá-se por meio dos linfáticos intra- glandulares, evoluindo do foco incial para as outras partes da tireoide e para linfonodos cervicais. Dessa forma, lesões multicêntricas na tireoide são comuns e, por ocasião da apre- sentação, 25% dos pacientes têm mestástases cervicais, 20% tem invasão extratireoidiana e 5% apresentam metástases a distância, especialmente para os pulmões. Curiosamente, por motivos não completamente esclarecidos, a presença de metástases em linfonodos cervicais não está relacionada com um pior prognóstico nos indivíduos jovens. A principal manifestação das patologias benignas e malignas da glândula tireoide é a doença nodular (isolada ou múltipla), que evolui, habitualmente, sem sinais ou sintomas expressivos. O diag- nóstico de câncer é feito apenas em um percentual que varia de 5 a 15% dos nódulos tireoidianos, dependendo principal- mente do gênero e da região geográfica habitada pelo pacien- te.De acordo com o INCA a estratificação de risco dos CBDT é definido como: Pacientes de baixo risco: • Idade menor que 45 anos • Carcinoma papilífero; carcinoma folicular que não de cé- lulas de Hürthle • Tamanho menor que 3cm • Tumor intraglandular • Ausência de metástases a distância Pacientes de risco intermediário: • Idade maior que 45 anos, porém • Carcinoma papilífero; carcinoma folicular que não células de Hürthle • Tumor menor que 3cm • Tumor intraglandular • Ausência de metástases a distância Ou • Idade menor que 45 anos, porém • Carcinoma de células de Hürthle • Tumor maior que 3 cm • Tumor extraglandular • Presença de metástases a distância Pacientes de alto risco • Idade maior que 45 anos • Carcinoma de células de Hürthle • Tumor maior que 3cm • Tumor extraglandular • Presença de metástase a distância. Esta paciente preenche critérios para paciente de risco inter- mediário, devendo ser tratada de acordo como as orientações para pacientes de alto risco (esta paciente se aproxima mais deste grupo no momento da decisão terapêutica): Pacientes de alto risco: • Tireoidectomia total • Em casos de linfonodos cervicais metastáticos procede ao esvaziamento cervical seletivo níveis II, III, IV e V e dos linfonodos do compartimento central (nível VI) • Alguns fatores defendem a adoção de esvaziamento cer- vical profilático de rotina no compartimento central nos casos de alto risco ou em tumores T4. • Complementação terapêutica com I • Radioterapia externa para tumores não captantes de iodo, e o tratamento deve englobar as refiões cervical e medias- tinal, sendo requerida dose de 70 Gy para controle local da doença microscópica. A dose na medula espinhal tem de ser liitada a 45 Gy. • Metástases a distância: I em tumores captantes de iodo ou radioterapia externa em tumores não captantes. Pacientes de risco intermediário: • Abordagem terapêutica individualizada. • Cada paciente deverá ser tratado de acordo com o grupo de risco a que mais se aproxime (baixo risco ou alto risco). A PAAF é o padrão-ouro para o diagnóstico. O exame de ultrassonografia (USG), embora seja considerado exami- nador-dependente, deve ser o primeiro exame de imagem solicitado na avaliação dos nódulos tireoidianos, sendo algumas vezes o nódulo descoberto a partir de uma USG de rotina. O maior emprego a USG nos últimos tem tido papel importante no aumento do diagnóstico das neopla- sias tireoidianas. A presença do nódulo tireoidiano hipo- ecogênico com característica sólida, halo periférico pouco nítido, contornos irregulares, presença de microcalcifica- ções e vascularização predominante central ao estudo com Doppler são carcterísticas de maior suspeição para câncer. Resposta a. 5. A rotina diagnóstica do HPTP inclui a dosagem sérica do cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina, PTH intacto (de preferência, com ensaios multissítios por quimiolumi- nescência ou imunorradiometria), 25 (OH) - vitamina D (25-OHD) e creatinina. Uma vez que as manifestações ósse- as do HPTP são comuns em nosso meio, todos os pacientes devem ser submetidos a um inventário ósseo radiológico e a uma densitometria óssea em coluna, fêmur proximal e t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 187 rádio distal. Além disso, deve ser pesquisada a presença de litíase renal, de preferência por meio de ultrassonografi a (US). Bioquimicamente, o HPTP caracteriza-se pela asso- ciação de hipercalcemia e elevação do PTH, enquanto nas outras condições de hipercalcemia há inibição das parati- reoides, que se traduz por níveis séricos baixos do PTH. A maioria dos pacientes com HPTP têm níveis de PTH eleva- dos, mas em até 20 a 25% dos casos, eles se encontram nor- mais (em geral, no limite superior da normalidade). Utili- zando o ensaio imunorradiométrico (Irma) para o PTH, em que a faixa normal é geralmente dada como 10-65 pg/mL, o limite superior da normalidade para o PTH, em indivídu- os com idadedo pe- dículo superior e da veia tireóidea média, remoção do ligamento de Berry e rebatimento ântero-medial do lobo tireóideo direto. Notam-se os cotos da veia tireóidea superior (1), a veia, jugular interna (2), os cotos da artéria tireóidea superior (3), a carótica comum (4), o nervo laríngeo superior (5), os cotos da veia tireóidea média (6), a artéria tireóidea inferior (7), o nervo laríngeo inferior (8), o tronco tireocervical (9), a cartilagem tireóide (10), o lobo tireóideo (11), as paratireóide (12), o esôfago (13) e a traquéia (14). Resposta a. 7. Nos casos de bócios grandes, nos quais o simples afas- tamento lateral dos músculos pré-tireoidianos não fornece bom campo cirúrgico, deve-se seccionar transversalmente os referidos músculos, entre pinças retas tipo Rochester, uni ou bilateralmente, para se ampliar o campo; a altura da sec- ção muscular não deve coincidir com a incisão cutânea e nem ser muito inferior, para não lesar a inervação dos referi- dos músculos (estes músculos devem ser seccionados na sua porção superior); é óbvio que ao fi nal da operação deve-se fazer a sutura dos músculos seccionados com pontos sepa- rados. Resposta d. 8. A tireoglobulina (Tg) é uma glicoproteína de 660kD sin- tetizada exclusivamente pelas células tireoidianas normais ou neoplásicas, ainda diferenciadas. Na ausência de células tireoidianas, o nível de Tg deve ser, portanto, indetectável. O ensaio para dosagem da Tg deve ser padronizado de acordo com a preparação de referência internacional CRM 457, com o objetivo de minimizar a variabilidade interensaio. Além disso, é preferível que a dosagem sequencial da Tg de um mesmo paciente seja feita pelo mesmo laboratório, evitando- -se variações clinicamente irrelevantes. O laboratório esco- lhido deve também ser capaz de estocar amostras de soro por um período não inferior a 6 meses. Em caso de dúvida isso facilita a redosagem da amostra atual e da estocada em um mesmo ensaio, eliminando erros interensaios e melhorando a sensibilidade clínica do exame. A dosagem da Tg deve ser sempre acompanhada pela dosagem dos TgAb. Essa neces- sidade é explicada pelos TgAb interferirem no ensaio da Tg, determinando resultados falsamente elevados (radioimu- noensaios) ou falsamente baixos (ensaios imunométricos). Pacientes TgAb-positivos são acompanhados com exames de imagem (US e cintilografi a de corpo inteiro) e com do- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015188 sagem dos títulos de TgAb. Em pacientes TbAb-positivos, a dosagem dos títulos antes da ART e 6 a 12 meses após cor- relaciona-se com o risco de recorrência. Entretanto, deve-se estar atento para o fato de que os ensaios para TgAb podem apresentar resultados falso-negativos. O nível de recuperação dado frequentemente fornecido pelos laboratórios, não é útil para o seguimento, sendo preferível a dosagem dos títulos de TgAb. A dosagem da Tg deve levar em consideração não apenas a presença ou a ausência de TgAb, mas também o nível do TSH. O TSH surpimido diminui a sensibilidade da Tg para a detecção da recidiva, e o TSH iatrogenicamente elevado aumenta a sua sensibilidade para a detecção do CDT metastásico ou recidivante. Resposta b. 9. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Meta- bologia e a Sociedade Latino-Americana de Tireoide, o tra- tamento de escolha em todos os pacientes com CDT é a ti- reoidectomia total (TT). Essa conduta torna desnecessária a eventual reintervenção cirúrgica (para totalização) caso sejam identificados metástases de lindofonos ou tipos histológicos de comportamento mais agressivo. Além disso, a TT possibilita o seguimento do paciente por meio da dosagem sérica da Tg. Entretanto, outras sociedades aceitam lobectomia em casos de muito baixo risco: tumores papilíferose) imagem anecoica ou arredondada, compatível com carcinoma de tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2014 13. O tratamento cirúrgico indicado para doença de Ba- sedow-Graves consiste em: a) tireoidectomia subtotal b) lobectomia total no lado afetado c) lobectomia subtotal no lado afetado d) lobectomia total no lado afetado com istmectomia e) tireoidectomia total ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2014 14. Paciente feminina de 38 anos refere aumento discreto da região cervical associado à perda peso, à insônia e à irritabilidade, de início há 30 dias. A melhor condu- ta diagnóstica e terapêutica, neste caso, é: a) solicitar TRAB, caso aumentado, realizar ultrasso- nografia e cintilografia para decidir tratamento abla- tivo ou não b) solicitar anticorpos anti-tireoidianos e tratar sinto- maticamente por 2 a 3 meses c) solicitar TRAB, caso negativo, há a indicação de ra- diodoterapia t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 155 d) indicar a cirurgia após compensação do quadro clí- nico por 2 a 3 meses e) solicitar anti tireoperoxidase, caso aumentado, enca- minhar para radioiodoterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2014 15. Paciente masculino, 59 anos, portador de nódulo ti- reoidiano localizado no polo superior do lobo direi- to do mesmo lobo. Hipertenso controlado, porém, na indução anestésica, apresentou crise hipertensiva grave com arritimia cardíaca. Suspensa a cirurgia para melhor preparo do paciente. Se você suspeitas- se de uma síndrome endócrina, solicitaria o seguinte exame e indicaria a seguinte cirurgia: a) aldosterona/ressecção de tumor na hipófi se b) renina/suprarenalectomia unilateral c) metanefrina urinária/ suprarenalectomia unilateral d) noradrenalina/ressecção de tumor do glomo carotídeo e) HOMA-IR/dilatação da artéria renal ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2014 16. Mulher de 70 anos, com 3 nódulos no lobo direito ti- reoidiano, cujos achados compatíveis com carcinoma papilífero que indicariam uma cirurgia nesta pacien- te seriam, à demonstração do ultrassom: a) a 3 lesões hiperecoicas, com citologia, apresentando coloide linfocitos e coloide b) a um nódulo hipoecoico, os outros 2 isoecoicos. A citologia do nódulo sólido demonstrou coloide e o Doppler demonstrou vascularização periférica deste nódulo c) os 3 nódulos são isoecoicos e Chamas 2 d) o paciente possui vários linfonodos cervicais que fo- ram suspeitos de malignidade ao ultrassom e 1 dos nódulos possui calcifi cações de até 2 mm e) ultrassonografi a com lesão anecoica que, à cintilo- grafi a, demonstrou ser hipocaptante ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 17. Um paciente de 42 anos apresenta tumor de tireoi- de, limitado à glândula, e adenopatia cervical. Nes- se caso, dos seguintes tipos histológicos, aquele que teria seu prognóstico piorado, quando se apresenta com metástase linfonodal, é: a) folicular b) papilífero c) anaplásico d) células de Hurthle ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 18. Um paciente em pós-operatório, sem distúrbio eletro- lítico no pré-operatório, está apresentando hipocalce- mia. Dentre as várias etiologias que podem explicar o caso, está a: a) tireotoxicose b) pancreatite aguda c) imobilização no leito d) insufi ciência adrenal aguda ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 19. De acordo com a classificação dos níveis de dre- nagem linfática da região cervical, um linfonodo encontrado na região delimitada pelo músculo tra- pézio, pela borda posterior do músculo esternoclei- domastoideo, pela clavícula e pela base do crânio, está localizado no nível: a) III b) IV c) V d) VI ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 20. Além do aumento do paratormônio, um padrão labo- ratorial que geralmente está presente em um paciente portador de insufi ciência renal crônica com hiperpa- ratireoidismo secundário é a presença de: a) hipofosfatemia e hipocalcemia b) hiperfosfatemia e hipercalcemia c) hiperfosfatemia e hipocalcemia d) hipofosfatemia e hipercalcemia ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 21. A identifi cação da paratireoide doente é imperativa para os resultados do tratamento cirúrgico do hiper- paratireoidismo. Dentre as técnicas existentes, uma que exemplifi ca um método de localização intraope- ratória é a: a) arteriografi a de paratireoide b) captação do sestamibi por gama probe c) amostragem arterial de PTH por punção d) injeção de azul de metileno na veia tireoidiana inferior ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 22. Com relação aos carcinomas da cavidade oral, é cor- reto afi rmar que: a) aqueles localizados no andar inferior da cavidade oral tendem a metastatizar para os linfonodos cervi- cais com maior frequência que os do andar superior b) ocorrem com mais frequência no sexo feminino c) a variante verrucosa é mais radiossensível t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015156 d) a quimioterapia isolada pode ser utilizada em todos os estágios e) as faixas etárias mais acometidas são a terceira e quarta décadas ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 23. Sobre os carcinomas da nasofaringe, assinale a alter- nativa correta. a) podem ser tratados exclusivamente com cirurgia b) tem forte correlação com a infecção pelo HPV c) evoluem precocemente com metástases linfáticas cervicais bilaterais d) são os tumores menos frequentes no sudeste asiático e) respondem pouco à terapia combinada de radiação e quimioterápicos ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 24. Nos casos em que é feito o diagnóstico de monocor- dite (inflamação de uma prega vocal), a doença a ser considerada é: a) o carcinoma verrucoso b) a tuberculose c) a leishmaniose d) a paracoccidioidomicose e) a sarcoidose ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 25. Sobre o carcinoma de hipofaringe, assinale a alterna- tiva incorreta. a) a possibilidade de metástase linfonodal é grande b) a ingestão de álcool e consumo de tabaco são fatores importantes na promoção e indução da neoplasia c) existe associação com hepatopatia e desnutrição d) o sexo masculino e o mais acometido e) nos países nórdicos as mulheres não apresentam le- sões em área retrocricoidea ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – Clínica Cirúrgica – 2014 26. A disfonia consequente de manipulação ou lesão do nervo laríngeo recorrente pode ser prevenida com as seguintes medidas, exceto: a) identificação do nervo previamente às ligaduras vas- culares b) irrigação de soro fisiológico gelado durante o proce- dimento c) ligaduras vasculares junto a cápsula da tireoide d) manobras delicadas durante a luxação do lobo ti- reoidiano e) uso racional dos equipamentos de energia (bisturi elétrico, harmônico etc.) ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 27. A respeito do câncer da laringe, é correto afirmar: a) a subglote é um sítio de origem frequente de tumores b) os tumores da supraglote associam-se a baixos índi- ces de disseminação metastática linfonodal c) tumores da glote costumam apresentar altos níveis de disseminação metastática linfonodal d) tumores da glote costumam apresentar sintomas precocemente, o que permite que seu diagnóstico frequentemente ocorra ainda em estágios iniciais e) tumores da supraglote não costumam estender-se para hipofaringe ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 28. Um senhor de 52 anos, tabagista de longa data, obser- vou lesão em borda lateral esquerda da língua, ulcera- da, há cerca de 1 mês. A úlcera tema presença de adenomegalia regional. A classificação proposta por Chammas et al. separa os nódulos em cinco padrões, de acordo com os achados do Doppler colorido: (1) ausência de vascularização (padrão I); (2) apenas vasculari- zação periférica (padrão II); (3) vascularização periférica maior ou igual à central (padrão III); (4) vascularização central maior do que periférica (padrão IV); e (5) apenas vascularização cen- tral (padrão V). Os padrões I e II são característicos das lesões benígnas, enquanto os padrões IV e V têm maior probabilidade de malignidade. Na série de Faria e Casulari, os padrões IV e V de Chammas mostraram sensibilidade de 16,7%, especificidade de 97,6% e acurácia de 92,1%. Resposta d. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 189 13. Tireoidectomia subtotal é a operação mais comumente re- alizada na glândula tireoide e consiste na ressecção da maior parte dos dois lobos, do istmo e do lobo piramidal. Ao fi nal da operação sobram dois pequenos cotos, um de cada lado da traquéia, cujos tamanhos devem ser tais que não condicionem recidiva da doença e nem causem hipotireoidismo; nos casos da doença de Graves-Basedow eles devem ter 2-4g cada um. A tireoidectomia subtotal está indicada nos casos de bócios di- fusos tóxicos ou doença de Graves-Basedow, nos bócios multi- nodulares tóxicos, e nos bócios simples, difusos ou nodulares, quando atingem os dois lobos tireoidianos. Neste tipo de opera- ção há necessidade de ligadura dos quatro pedículos vasculares e luxação dos dois lobos tireoidianos aumentando, portanto, as possibilidades de traumatismo e lesão dos nervos e da glândula paratireóides, uma vez que devem ser dissecados de ambos os lados. Além disso, quando a tireoidectomia subtotal é indicada para tratamento dos bócios tóxicos, há necessidade de um pre- paro pré-operatório, para que os doentes sejam compensados do hipertireoidismo; isto é conseguido com o uso das drogas antitireoidianas, iodo, conforme esquemas clássicos. A reali- zação de operação sem o preparo adequado pode levar a uma complicação grave e altamente letal, que é a crise tireotóxica. Ultimamente, além do uso de drogas antitireoidianas, tem-se acrescentado ao esquema de tratamento os betabloqueadores que abreviam o tempo de preparo pré-operatório. Resposta a. 14. O quadro é de tireotoxicose; a etiologia mais comum é doença de Basedow-Graves, que corresponde a 80% dos ca- sos. O bócio multinodular tóxico (BMNT) e o adenoma tóxi- co (AT) representam, depois da doença de Graves, as causas mais frequentes de hipotiroidismo. Em pacientes hiperti- roideos, a presença dos anticorpos antirreceptores da TSH (TRAb) é específi ca para a DG, indicando doença ativa (em 70 a 100% dos casos). A solicitação do TRAb não é rotineira e fi ca restrita a: (1) no diagnóstico da DG eutireoidea; (2) no diagnóstico do hipertireoidismo apatético; (3) na distinção entre DG e tireoide pós-parto ou tireoidite subaguda linfocí- tica; (4) na avaliação do risco de recidiva do hipertireoidismo após a suspensão do tratamento com as tionamidas e (5) em gestantes com DG. TRAb em títulos elevados no fi nal da ges- tação implica risco aumentado de hipertireoidismo neonatal. Em contrapartida, sua negativação favorece a interrupção do tratamento, visando a diminuir o risco de hipotireoidismo fetal. A RAIU/24 h encontra-se elevada em praticamente 100% dos casos de DG, o que possibilita facilmente sua di- ferenciação com os casos de tireotoxicose secundária à ti- reoidite subaguda linfocítica e tireoidite pós-parto, situações em que a RAIU/24 h está caracteristicamente muito baixa ou ausente. Esse exame somente deve ser solicitado, portanto, quando houver dúvida diagnóstica entre a DG e as mencio- nadas patologias. Uma alternativa menos acurada para fazer essa distinção é a determinação dos níveis dos TRAb. A ul- trassonografi a tem por objetivo fornecer informações sobre a natureza do nódulo, norteando junto com a cintilografi a a orientação terapêutica. O adenoma tóxico por exemplo, após compensação do quadro é de indicação ablativa. Resposta a. 15. Crise hipertensiva desencadeada por indução anestésica com ou sem arritmia, deve levantar a suspeita de feocromo- citoma. Neste contexto, o quadro associado ao nódulo de ti- reoide, nos faz suspeitar que este é provavelmente carcinoma medular da tireoide. Diante de tudo que foi exposto a impres- são diagnóstica fi nal é NEM2. NEM2A (S. de Sipple): hiperparatireoidismo primário, feo- cromocitoma e carcinoma medular. NEM2B (dos neuromas mucosos): neuromas mucosos, feo- cromocitoma e carcinoma medular. O teste de screening para o diagnóstico de feocromocitoma é a dosagem de metanefrinas urinárias. Na urgência de NEM2 o primeiro tumor a ser tratado é o feocromocitoma após pré- -operatório adequado e específi co por pelo menos duas sema- nas. Como 90% dos feocromocitomas são únicos e se locali- zam na adrenal, supõe-se na questão a recomendação para adrenalectomia unilateral videolaparoscópica. Resposta e. 16. Nódulos hipoecoicos (com amplitude de ecos menor que o parênquima tireoidiano normal) é uma característica ultrasso- nográfi ca importante, com valor predito para malignidade de 50 a 63%. Os carcinomas bem diferenciados totalmente sólidos são hipoecoicos em 55 a 95% dos casos. As microcalcifi cações são outros achados associados a maior risco de malignidade. A classifi cação de Chammas separa os nódulos em cinco pa- drões, de acordo com os achados do Doppler colorido: (1) au- sência de vascularização (padrão I); (2) apenas vascularização periférica (padrão II); (3) vascularização periférica maior ou igual à central (padrão III); (4) vascularização central maior do que periférica (padrão IV); e (5) apenas vascularização central (padrão V). Os padrões I e II são característicos das lesões be- nígnas, enquanto os padrões IV e V têm maior probabilidade de malignidade. Na série de Faria e Casulari, os padrões IV e V de Chammas mostraram sensibilidade de 16,7%, especifi cida- de de 97,6% e acurácia de 92,1%. Na cintilografi a os nódulos malígnos são hipocaptantes, no entanto a maioria dos nódulos são frios à cintilografi a e destes, só 15 a 20% são malígnos. O carcinoma papilífero, o mais comum dos cânceres de tireoide, por ocasião do diagnóstico, em 25% dos pacientes observa-se metástases cervicais ganglionares e curiosamente estas não se relacionam a um pior prognóstico. Resposta gabarito ofi cial C, no entanto não concordamos e o mais adequado seria tratar-se do gabarito D. 17. O carcinoma papilífero é o câncer mais comum de tireoi- de (80% dos casos) e é o que comporta o prognóstico mais benevolente. Em pacientes jovens (metástases cutâneas, hepáticas, adrenais, renais, cardíacas ou para a região selar. Existem alguns relatos de casos de hipertireoidismo ocasionado por metástases funcionantes localizadas em pulmões, esqueleto e, mais raramente, fíga- do ou glândulas adrenais. O carcinoma de céluas de Hüthle é um subtipo de carci- noma folicular que simula rigorosamente o CFT, tanto ao exame macroscópico quanto ao microscópico. O tumor encerra uma abundância de células oxifílicas, ou oncóci- tos. Essas células são derivadas de células foliculares e têm abundante citoplasma acidófilo granuloso. Alguns estudos sugeriram que o carcinoma de células de Hüthle pode ter um prognóstico clínico pior do que o do CFT comum; en- tretanto não existe acordo uniforme sobre esses achados. Ele aparece em uma faixa etária mais avançada e é muito incomum em crianças. Diferentemente dos carcinomas pa- pilífero e folicular, a disseminação para linfonodos locais tem um prognóstico ruim, com consequente associação da mortalidade perto de 70%. O carcinoma anaplásico da ti- reoide representa menos de 1% das doenças malignas des- sa glândula. É a forma mais agressiva do câncer tireoideo. A apresentação característica ocorre em um paciente mais idoso que se queixa de disfagia, sensibilidade cervical e uma massa dolorosa de crescimento rápido no pescoço. A sín- drome da veia cava superior pode também fazer parte dessa apresentação. A situação clínica se agrava rapidamente, sur- gindo obstrução traqueal e rápida invasão local das estru- turas circundantes. Os resultados de qualquer tratamento cirúrgico do carcinoma anaplásico da tireoide são modera- dos pela evolução clínicamente progressiva. A maioria dos relatos com ressecção não é otimista. A BAF é precisa em 90% dos casos, tornando, portanto, a biópsia aberta é uma opção cada vez menos necessária. Três tipos de população celular foram classificadas: célula fusiforme pequena, célula gigante e escamosa. Todas tem um prognóstico ruim. Muta- ções no p53 são encontradas em 15% dos tumores, uma taxa bem maior do que ocorre em cânceres bem diferenciados. A radiação pós-operatória por feixe-externo ou a quimiote- rapia acrescentam pouco ao prognóstico global. Parece que, quando o carcinoma anaplásico se apresenta inicialmente com massa ressecável, pode ser obtida alguma melhora dis- creta na sobrevida. O achado de metástase à distância ou de invasão para estruturas não localmente ressecáveis, tais como a traqueia ou a vasculatura do mediastino anterior, deverá induzir a uma abordagem cirúrgica mais conserva- dora, como a traqueostomia. Resposta d. 18. Pós-operatório do quê? Se pensarmos na causa da cirur- gia poderíamos supor tireotoxicose, tireoidectomia e retirada inadvertida de paratireoides, culminando no pós-operatório com hipocalcemia, no entanto o gabarito oficial foi B, pan- creatite aguda. A hipocalcemia é achado laboratorial na pan- creatite grave, portanto um parâmetro de mau prognóstico. 19. De acordo com a figura abaixo fica claro tratar-se do nível V. IA IV V-B VAIII IB IIA IIB Figura 18.1 Diagrama dos níveis I a V dos linfonodos cervicais. O nível II divide-se em regiões A e B pelo nervo espinhal acessório. As bacias ganglionares linfáticas cervicais contêm entre 50 e 70 linfonodos por lado e dividem-se em sete níveis. 1. O nível I está subdividido. Nível IA, limitado pelo ventre anterior do músculo digástri- co, o osso hioide e a linha média. Nível IB, limitado pelos ventres anterior e posterior do mús- culo digástrico e a borda inferior da mandíbula. O nível IB contém glândula submandibular. 2. O nível II é limitado superiormente pela base do crânio, an- teriormente pelo músculo estilo-hioideo, inferiormente a partir do osso hioide e, posteriormente, pela borda posterior do mús- culo esternocleidomastóideo. O nível II ainda se subdivide. Nível IIA, que é anterior ao nervo acessório espinhal. Nível IIB ou triângulo submuscular, que é posterior ao nervo. 3. O nível II começa na borda inferior do nível II e é limitado anteriormente pelos músculos pré-laríngeos, a borda pos- terior do músculo esternocleidomastóideo posteriormente e por um plano horizontal que se estende posteriormente a partir da borda inferior da cartilagem cricoide. 4. O nível IV começa na borda inferior do nível III e é limi- tado anteriormente por músculos pré-laríngeos, posterior- mente pela borda posterior do músculo esternocleidomas- toideo e inferior pela clavícula. 5. O nível V é posterior à borda posterior do músculo ester- nocleidomastoideo, anterior ao músculo trapézio, superior à clavícula e inferior à base do crânio. 6. O nível VI é limitado pelo osso hioide superiormente, pelas artérias carótidas comuns lateralmente e pelo esterno inferiormente. Embora o nível VI tenha área grande, os pou- cos linfonodos que contém, estão principalmente nas regiões paratraqueais, perto da glândula tireoide. 7. O nível VII (mediastino superior) situa-se entre as arté- rias carótidas comuns e é superior ao arco aórtico e inferior à borda superior do esterno. Resposta c. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 191 20. Acredita-se, atualmente, que a patogênese do HPT se- cundário tenha múltiplos fatores contribuintes, incluindo possíveis mutações genéticas, alteração do metabolismo e da resistência à vitamina D, comprometimento da resposta calcêmica ao PTH. Em todos os casos de HPT secundário, a insufi ciência renal torna o órgão incapaz de hidoxilar a vi- tamina D2 para a vitamina D3 ativa (calcitriol). As vias que levam ao HPT secundário parecem ter diferentes fatores predominantes, dependendo da gravidade da insufi ciência renal. Na insufi ciência renal precoce, possíveis mutações em CaR e um defeito generalizado nos receptores de calcitriol podem levar ao HPT secundário incipiente. Alterações sutis nos níveis de calcitriol e nos níveis séricos de fosfato e a ação direta do fosfato sobre as paratireoides podem potencializar ainda mais o HPT. A alteração nos níveis de calcitriol e a li- gação aos receptores parecem dar início a uma alteração da secreção de PTH. Na insufi ciência renal progressiva, a defi - ciência de calcitriol torna-se mais relevante e a retenção de fosfato desempenha um papel importante no agravamento do HPT secundário. Alterações nos set points de cálcio, o au- mento na resistência esquelética ao PTH e uma redução no clearance metabólico de PTH contribuem para a síndrome clínica de HPT secundário. Resposta c. 21. Várias modalidades de localização pré-operatória não invasiva estão disponíveis, incluindo a cintilografi a com tec- nécio Tc sestamibi, a ultrassonografi a, a tomografi a computa- dorizada (TC), a ressonância magnética (RM) e a cintilografi a por subtração digital com cloreto de tálio Tl 201 - tecnécio Tc pertecnetato. Mais recentemente, os estudos de fusão, como a TC tetradimentsional e a tomografi a por emissão de pósitrons (PET)-TC, também tem sido utilizados com sucesso para a lo- calização das paratireoides. Existe um consenso geral de que o melhor método único para exame é a cintilografi a com sesta- mibi, principalmente quando combinada com SPECT, e, atu- almente, o exame de medicina nuclear é realizado ocm mais frequência. Uma meta-análise sobre a sensibilidade e a especi- fi cidade do exame com sestamibi em 6.331 casos demonstrou valores de 91% e 99%, respectivamente, sugerindo que 87% dos pacientes com HPT primário esporádico sejam candida- tos a exploração unilateral. O exame pré-operatório de rotina torna-se custo-efetivo quando mais de 51% dos pacientes são adequados à cirurgia unilateral. A sensibilidade do sestamibi é limitada na doença multiglandular. Em um outro estudo gran- de, a cintilografi a localizou pelo menos uma glândula em todos os pacientes, mas somente 62% do número total de glândulas hiperplásicas. O SPECT, que permite a localização de estrutu- ras no plano ântero-posterior, é especialmente útil na detecção de lesõesmenores e de adenomas localizados posteriormente à tireoide. A sensibilidade global para os adenomas localiza- dos com menos de 500mg varia consideravelmente entre 53% e 92%. Uma limitação signifi cativa dos exames com sestamibi está relacionada com a coexistência de doença da tireoide ou de outros tecidos metabolicamente ativos (p. ex., linfonodos, hiperplasia difusa e câncer metastático de tireoide), pela pos- sibilidade de mimetizar os adenomas das paratireoides, cau- sando resultados falso-positivos a esse exame. Essa limitação pode ser superada em parte, pelo uso de técnica de subtração de sestamibi com duplo traçador, na qual tanto as anormalida- des nodulares da tireoide quanto às das paratireoides podem ser diagnosticadas, simultaneamente ou em combinação com a ultrassonografi a cervical, para distinguir, no pré-operatório, as lesões da tireoide e os adenomas das paratireoides. Os exa- mes com sestamibi atualmente são realizados simultaneamen- te à TC, para permitir uma localização anatômica e funcional correlacionada. Resposta b. 22. O câncer de cavidade oral é mais prevalente no sexo mascu- lino. Mais de 70% dos pacientes tem mais de 50 anos, e mais de 95% tem mais de 40 anos. As metástases ganglionares se fazem de acordo com a topografi a do tumor. Aqueles localizados no andar inferior da cavidade oral tendem a metastatizar para os linfonodos cervicais enquanto os localizados no andar superior o fazem para a região superior e mandibular. São tumores ra- diosenssíveis no entanto a variante verrucosa é mais resistente. A quimioterapia tem principalmente indicação para os estágios III e IV naqueles casos de falta de condições clínicas ou recusa do paciente à cirurgia, sempre aliada à radioterapia. Resposta a. 23. O carcinoma de nasofaringe (CNF) é uma neoplasia epi- telial maligna que se desenvolve na porção da faringe situada entre a base do crânio e o palato mole. Sua localização prefe- rencial é a fossa de Rosenmüller, ponto-chave onde o epitélio da mucosa repousa diretamente no tecido linfoide subjacente a 1-2 mm da carótida interna. A doença é prevalente entre as populações provenientes do sul da China e seus descenden- tes que emigraram para as outras partes do mundo. Suas ca- racterísticas epidemiológicas, origem, tipos histopatológicos, apresentação, tratamento e prognóstico diferem daqueles das neoplasias malignas que ocorrem em outros sítios do trato aerodigestório. Ao contrário dos outros carcinomas de célu- las escamosas da cabeça e pescoço, recidiva local e metástases a distância são os responsáveis pela maior parte das falhas após tentativas terapêuticas. O CNF corresponde a 2% dos tumores de cabeça e pescoço e a 0,25% de todos os tumores, sendo rara em todo o mundo com exceção da China e região asiática. Nesses locais, a incidência é de 15-50 por 100.000 habitante, sendo responsável por 18% de todos os tumores e correspondendo a 55% dos tumores de cabeça e pescoço. Quanto ao sexo, a incidência é de 2,5 a 3 homens para 1 mu- lher. Há dois picos de incidência, um entre indivíduos meno- res de 30 anos, e outro entre os 40 e 60 anos de idade. No Brasil é uma neoplasia rara, mesmo em descendentes de indivíduos oriundos de regiões de alta incidência. Uma das hipóteses para esta distribuição geográfi ca e demográfi ca tão específi ca seria uma suscetibilidade genética dessas popu- lações à infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) e a fatores ambientais (dietéticos e não dietéticos). A associação ao EBV foi primeiramente descrita em 1973. Entretanto, o papel do vírus na patogênese ainda é controversa. Estudos atuais mos- tram que o vírus está fortemente associado aos CNF e não é encontrado em outros tumores de cabeça e pescoço, poden- do ser usado com screening, principalmente nas populações de risco e nas metástases cervicais sem sítio primário conhe- cido. A constante associação do EBV ao CNF, independente da etnia, indica a importância deste vírus como um oncoge- ne relacionado com essa neoplasia. Outros fatores envolvi- dos são: exposição ocupacional ao cigarro, fumaças e poeiras t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015192 químicas, exposição ao formoldeído e a irradiação. O carci- noma de células escamosas compreende aproximadamente 70 a 98% de todas as neoplasias malignas da nasofaringe. Os linfomas compõem cerca de 20% dos casos, e os restantes 10% são causados por uma variedade de lesões, incluindo os adenocarcinomas, o carcinoma adenoide cístico, os rabdo- miossarcomas etc. O CNF geralmente se apresenta de forma assintomática por longos períodos, prejudicando o diagnóstico precoce. Na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito quando a doença já se encontra em fase avançada, com o envolvimento de ner- vos cranianos ou metástases cervicais linfonodais. É um dos tumores das vias aéreas superiores que mais produzem me- tástases tanto regionais quanto a distância. A maioria (88,5%) dos pacientes do Instituto Nacional do Câncer (INCA-MS- -RJ) foi classificada como tendo estágios III e IV da doença na primeira consulta, com metástases cervical nodal, como a forma mais comum de apresentação clínica (47,4%). Cinco por cento dos pacientes apresentam metástases a distância no momento do diagnóstico, sendo os ossos e o pulmão as localizações preferenciais. As queixas são relacionadas com a localização do tumor primário, tamanho e velocidade do crescimento tumoral. O sintoma inicial mais comum é o aparecimento de massa cervical assintomática, localizada no ângulo da mandíbula ou inferior à ponta da mastoide. Setenta por cento dos pa- cientes apresentam acometimento ganglionar no momento do diagnóstico. Além disso, os vasos linfáticos na nasofarin- ge comunicam-se livremente pela linha média, e metástase cervical bilateral, principalmente no espaço retrofaríngeo, é frequente. Resposta c. 24. A monocordite como o próprio nome indica, representa a inflamação de uma única corda vocal. Na presença deste tipo de laringite, deveremos sempre suspeitar de tuberculose da laringe ou de monocordite puramente vasomotora. Hoje em dia, com os meios ópticos disponíveis descobrimos que mui- tas monocordites podem ser na realidade o espelho de lesões tumorais unilaterais das cordas vocais. Resposta b. 25. Este tipo de câncer tem como principal fator etiológico o hábito crônico do tabagismo ou etilismo, sempre ressaltando a ação sinérgica destes dois fatores, podendo um indivíduo que diariamente fuma dois ou mais maços de cigarro e ingere mais de quatro doses de bebida alcoólica apresentar um risco relativo 35 vezes maior de desenvolver neoplasia de hipofa- ringe, comparado à população não exposta a estes fatores. No Serviço de Oncologia do Hospital Universitário Santa Tere- zinha (SOHUST), Joaçaba ¬– SC, todos os pacientes acome- tidos por esta doença eram tabagistas, e em 51% dos casos também estavam expostos ao etilismo. Mais recentemente a doença do refluxo gastroesofágico tam- bém tem sido descrita como fator etiológico. A síndrome de Plummer-Vinson, assim como no esôfago, apresenta relação etiológica com câncer de hipofaringe, principalmente na su- bregião da área pós-cricoide. A faixa etária mais acometida é a 7ª década de vida, apresentando os homens americanos uma média de idade de 65 anos e as mulheres de 68 anos, com uma proporção de 3,2 homens acometidos pela do- ença para cada mulher. Apesar de o câncer da hipofaringe não estar entre os tumores mais frequentes, a importância no estudo desta entidade deve-se ao fato deste tumor apre- sentar a maior mortalidade dos tumores da região da cabeça e pescoço, além de grande morbidade aos pacientes tratados desta doença. Tumores deste subsítio da faringe tipicamente permanecem silenciosos, até que a doença progrida a está- gios avançados, causando obstrução do trato aerodigestivo superior ou sintomas decorrentes de invasão neural. A maior partedos pacientes portadores de câncer de hipofa- ringe apresenta como sintomas iniciais odinofagia, disfagia, otalgia, disfonia ou linfonodomegalia cervical. É comum a sensação de corpo estranho cervical, resultando na maioria das vezes com perda ponderal significativa. As metástases cervicais chegam a ser o primeiro sintoma em até 25% dos casos, no entanto, são diagnosticadas em 70% dos pacientes no exame físico inicial. No momento do diagnóstico, o com- prometimento linfonodal ocorreu em 52,9% dos pacientes. Quanto ao estágio da doença, dos 34 pacientes, 23 (67,7%) apresentavam-se em estágio IV da doença, dos 8 (23,5%) em estágio III, e apenas 3 (8,8%) pacientes em estágio I ou II, mostrando as características de diagnóstico avançado do câncer da hipofaringe. Analisando as subregiões, o seio piri- forme é o subsítio mais acometido, variando entre 65 a 85% dos casos, seguido da parede posterior com incidêncai entre 10 e 20%, e da área pós-cricoide que é acometido em 5 a 15% dos pacientes. Resposta e. 26. A relação da tireoide com o nervo laríngeo recorrente, com o ramo externo do laríngeo superior e com o sistema simpáti- co cervical é da maior importância cirúrgica. No lado direito, o nervo laríngeo recorrente deixa o vago quando este cruza a primeira porção da artéria subclávia, dá uma volta para cima e para dentro, com sentido ascendente, vai para o sulco existente entre a traqueia e o esôfago, sobe em direção ao lobo direito da tireoide inferior, ou então passa entre seus ramos. Ao alcançar a borda inferior do músculo constritor inferior, chega até os músculos laríngeos. Do lado esquerdo, o nervo laríngeo recor- rente circunda o arco da aorta e penetra no pescoço, na maio- ria das vezes, pelo sulco traqueosofágico. No nível da borda inferior do lobo da tireoide, o nervo laríngeo recorrente pode estar atrás, em frente ou entre os ramos terminais da artéria tireoidiana inferior. Em alguns pacientes, observa-se um ner- vo laríngeo “não recorrente” no lado direito, originando-se do tronco cervical do vago no nível da cartilagem tireoide e pas- sando diretamente para dentro da membrana cricotireoidea. O não conhecimento dessa anomalia pode resultar em lesão do nervo, quando da dissecção lateral e posterior da glândula tireoide. O nervo laríngeo recorrente inverva os músculos in- trínsecos da laringe, exceto o cricotireoideo e é sensitivo para a membrana mucosa da laringe. Sua lesão unilateral produzirá paralisia da corda vocal do lado correspondente; o paciente será acometido de rouquidão. A lesão bilateral poderá exigir uma traqueostomia, por comprometer as vias aéreas. O nervo laríngeo recorrente inerva os músculos intrínsecos da laringe, exceto o cricotireoideo e é sensitivo para a membrana mucosa da laringe. Sua lesão unilateral produzirá paralisia da corda vo- cal do lado correspondente; o paciente será acometido de rou- quidão. A lesão bilateral poderá exigir uma traqueostomia, por comprometer as vias aéreas. O nervo laríngeo superior nasce t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 193 do gânglio nodoso do nervo vago perto de sua saída pelo fo- râmen jugular do crânio. Divide-se na porção alta do pescoço em dois ramos, laríngeo interno e externo. O ramo externo do laríngeo superior desce por cima da fáscia dos músculos cons- tritores inferiores e caminha por baixo da inserção oblíqua do músculo esternotireoideo sobre a cartilagem tireoidea, para invervar o músculo cricotireoideo. Relaciona-se intimamente com os vagos tireoidianos superiores no nível do pólo inferior da glândula, na maioria das vezes. A lesão unilateral do ramo externo do nervo laríngeo superior pode resultar em rouqui- dão variável ou fraqueza da voz; a lesão bilateral pode ocasio- nar diminuição da amplitude da voz, volume e tonalidade. A cadeia simpática cervical está em relação íntima com a artéria tireoidiana inferior, onde esta faz um arco ventral a partir do tronco tireocervical. Essa é a localização habitual do gânglio cervical médio. Sua lesão pode resultar em síndrome de Hor- ner, embora isso seja extremamente raro. Portanto, respeitar os preceitos cirúrgicos aliados à boa técnica operatória é vital e não há irrigação de soro fi siológico gelado que previna dano neurológico. Resposta b. 27. Em relação ao câncer de laringe: 40% dos cânceres são na supraglote, 1% na subglote e 59% na glote propriamente dita. Os tumores supraglóticos são diagnosticados mais tardia- mente, num estágio mais avançado da doença e têm geral- mentelinfadenopatia cervical tumores glóticos geralmente são diagnosticados numa fase precoce e têm uma taxa de cura elevada. Nos tumores glóticos, a rouquidão é um sinto- ma precoce e portanto diagnóstico mais precoce. Os tumores da supraglote em fase avançada podem se estender para a hipofaringe, evoluindo com a dinofagia rouquidão, disfagia, otalgia, disfonia e linfonodomegalia cervical. Resposta a. 28. A probabilidade de tratar-se de carcinoma de língua é ab- soluta. O tipo histológico mais prevalente é CEC. Os maiores fatores de risco incluem o etilismo e o tabagismo, existindo uma associação causal estabelecida entre a exposição ao ál- cool e ao fumo e o câncer de boca. Entretanto, uma série de possíveis outros fatores etiológicos são aventados, como hi- giene oral ruim, irritação mecânica crônica por próteses mal adapatadas ou alterações nutricionais e infecção por HPV. O exame físico deve ser metodizado para evitar falhas, tendo a seguinte sequência: inspeção geral, oroscopia, palpação intraoral, palpação do pescoço, endoscopia peroral (incluindo faringolarin- goscopia para pesquisa de lesões sincrônicas) e biópsia de lesões ou áreas suspeitas. A oroscopia também deve ser sistematizada em uma sequência das sublocalizações anatômicas que impeçam o esquecimento da avaliação de algum dos subsítios. Uma dica prática é começar das regiões mais anteriores para as posteriores e em sentido horário de modo a examinar ordenadamente lábios, mucosa jugal bilateral, rebordos gengivoalveolares superiores, trígonos retromolare, rebordos gengivoalveolares inferiores, asso- alho de boca, língua oral e palato duro. Seguindo-se oroscopia, realizam-se as palpações manual e bidigital das estruturas intraorais, solicitando que o paciente execute movimentos linguais para facilitar a exposição das estruturas intrabucais e permitir avaliação de envolvimento da musculatura intrínseca e extrínseca da língua. A palpação dos linfonodos cervicais, divididos em níveis de I a VI e de acordo com a localização topográfi ca, dando especial atenção às vias de drenagem preferenciais no carcinoma bucal, represen- tadas pelos lintídeos superiores (nível II), além dos jugulocarotí- deos médios (nível III) e inferioes (nível IV), espinhais (nível V) e aqueles situados no compartimento central (nível VI). O desenvolvimento de metástases cervicais está relacionado com a profundidade de invasão, a propagação perineural, o estádio T avançado e a diferenciação tumoral. Infi ltração profunda de mais de 4 a 5 mm na musculatura da língua au- menta a incidência de metástases cervicais ocultas. As metás- tases da língua anterior propagam-se, mais frequentemente, para as regiões submentual e submandibular. Os tumores mais posteriores costumam metastatizar para os níveis II e III. As indicações para radioterapia pós-operatória incluem evidências de propagação perineural ou angiolinfática, ou doença ganglionar positiva. Resposta e. 29. O aspecto ultrassonográfi co evidenciando um nódulo bocelado levanta suspeita para malignidade. Se houvesse dor relatada este dado não necessariamente afastaria a possibili- dade de tratar-se de câncer, sendo assim a punção aspirativa por agulha fi na pode ser necessária para a determinação da natureza do nódulo. Resposta c. 30. Sangramento signifi cativo pode ocorrer pela lesão das veias jugulares anteriores ou veias tireoideas. Durante o pro- cedimento realizadosem situações de emergência deve-se estabelecer, prioritariamente, a via aérea pérvia e, só após, realizar a hemostasia. Lesões nas veias jugulares internas ou carótidas (principalmente à direita) são incomuns. O risco de grandes sangramentos é minimizado pelo emprego de inci- sões verticais medianas. O sangramento pós-operatório precoce usualmente é de menor intensidade que no tardio pois suas causas são principalmente decorrentes da lesão de pequenos vasos que sangram pelo au- mento da pressão aérea pulmonar ou pela tosse. Defi ciência de fatores de coagulação deve ser considerada em pacientes com quadros sépticos. Medidas locais (curativos compressivos) po- dem ser tentados antes da revisão cirúrgica. Sangramento tardio da traqueostomia pode ser causado por escarifi cação do tecido de granulação peritraqueostômico. Entretanto, sangramentos graves podem ocorrer pela erosão da artéria inominada, que é precedido de necrose da parede anterior da traquéia. A incidên- cia dessa complicação é descrita com taxas variando de 0,4% a 4,5%, com alta mortalidade. Na suspeita de necrose da traquéia e em qualquer sangramento exteriorizado pela traqueostomia, é imperativo que se realize investigação broncoscópica e preparo para exploração vascular do mediastino. O tratamento cirúrgico inclui a reparação da lesão da artéria inominada, que deve ser separada da traquéia por interposição de tecido viável, geral- mente um retalho muscular pediculado. Uma alternativa é am- pliar a incisão para efetuar compressão digital da artéria contra o manúbrio. Resposta c. 31. A descrição é compatível com cisto tireoglosso infectado e a conduta é cirúrgica e a operação de Sistrunk é o procedimen- to de escolha. A secção do hioide faz parte do procedimento. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015194 Vendo-se, constantemente, o ducto, procede-se à dissecção das margens superior e inferior do hioide, por secção da inserção dos músculo milo-hioide, gênio-hioideo e da membrana tireo- -hioidea, numa extensão de 1,5 a 2cm. Prepara-se, assim, para a secção óssea a ser feita dos dois lados da passagem do ducto, o que é feito com tesoura forte ou pequena cisalha. Resposta d. 32. No tumor glótico a rouquidão é um sintoma precoce. Os tumores glóticos geralmente são diagnosticados numa fase precoce e têm uma taxa de cura elevada. Por outro lado, tu- mores supraglóticos são diagnosticados mais tardiamente, num estágio mais avançado da doença e têm geralmente lin- fadenopatia cervical. A lesão maligna mais comum da laringe é o CEC, muitas vezes classificado como CEC in situ, CEC microinvasivo ou CEC invasivo.O carcinoma invasivo de cé- lulas fusiformes e o carcinoma basaloide de células escamo- sas são raros e representam variantes mais agressivas de CEC. O carcinoma verrucoso é uma variante do CEC altamente di- ferenciada que é localmente destrutiva, mas não metastatiza e normalmente responde à excisão cirúrgica completa. Logo, o mais racional é ficarmos com a conclusão de que trata-se de um carcinoma espinocelular que é a lesão maligna mais comum da laringe, classificado em in situ, microinvasivo ou invasivo. Resposta d. 33. O higroma cístico ou linfangioma é uma malforma- ção congênita rara do linfático diagnosticada em crian- ças abaixo dos dois anos de idade, sendo 50% presentes ao nascimento. Localiza-se preferencialmente na região cervical (região posterior do pescoço) e na face, poden- do acometer axila, região lateral do tórax e mediastino. Ocorre, provavelmente, devido a não formação da comu- nicação entre o sistema linfático e a veia jugular no dé- cimo quarto dia de gestação, levando à estase linfática e formação cística. É composto por cistos linfáticos revesti- dos por endotélio. De acordo com linfáticos revestidos por endotélio. De acordo com seu tamanho, é classificado em macrocístico (higroma cístico), microcístico (cavernosos e capilares) e formas intermediárias. Resposta e. 34. A leitura do comentário da questão de número 26 deixa cla- ro tratar-se de lesão do nervo laríngeo recorrente. Resposta a. 35. Infiltração profunda de mais de 4 a 5mm na musculatura da língua aumenta a incidência de metástases cervicais ocul- tas. As metástases da língua anterior propagam-se, mais fre- quentemente, para as regiões submentual e submandibular. Os tumores mais posteriores costumam metastatizar para os níveis II a III. As indicações para radioterapia pós-operatória incluem evidências de propagação perineural ou angiolinfá- tica, ou doença ganglionar positiva. Gabarito oficial D. 36. Em comparação com os tumores glóticos, as lesões su- praglóticas são relativamente indolentes, apresentando-se em um estádio mais avançado da doença. Os pacientes cos- tumam queixar-se de irritação na garganta ou odinofagia. A otalgia referida é causada pelo nervo de Arnold, o ramo vagal que inerva parte da sensibilidade do ouvido. Tumores volumosos da epiglote costumam apresentar-se com uma qualidade de voz tipo batata quente ou abafada devido ao comprometimento das vias aéreas. A disfagia pode causar perda de peso e desnutrição. Os tumores subglóticos são raros e costumam associar-se a obstrução das vias respira- tórias, imobilidade das pregas vocais ou dor. Resposta c. 37. A drenagem linfática da região glótica é muito pobre, qua- se inexistente, diferindo-se das regiões supraglótica e infragló- tica que possuem um grande número de vasos linfáticos que se dirigem, as cadeias cervicais laterais e paratraqueais. O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens e é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pesco- ço. Representa cerca de 25% dos tumores malignos que aco- metem essa área, e 2% de todas as doenças malignas. A doença predomina em pacientes de 50 a 70 anos, embora em países em desenvolvimento muitos casos possam ser diagnosticados em indivíduos na quinta década de vida. Por outro lado, o número de casos abaixo de 40 anos é muito baixo. As desi- gualdades socioeconômicas influenciam sobremaneira a mor- talidade por câncer de laringe, tanto nos áíses desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. Nos Estados Unidos é mais comum nos afrodescendentes que na população branca, e neste grupo o prognóstico é pior. Na fase inicial os pacientes apresentam sintomas vagos e achados mínimos ao exame físi- co. A apresentação do câncer de laringe varia conforme o sub- sítio. Tumores glóticos geralmente são diagnosticados numa fase precoce e têm uma taxa de cura elevada. Esses pacientes apresentam-se com rouquidão persistente e, no estágio ava- nãdo, com disponeia ocasional. Por outro lado, pacientes com tumores supraglóticos são diagnosticados mais tardiamente, num estágio mais avançado da doença e tem geralmente lin- fadenopatia cervical. As características clínicas mais relacio- nadas com neoplasia de laringe são rouquidão, odinofagia, otalgia reflexa, hemoptise, tosse, dispneia, linfadenomegalia cervical, também podem ser observados emagrecimento, hali- tose, abafamento vocal. A rouquidão é observada em até 87% dos casos e se deve à perda da elasticidade da mucosa da prega vocal ou a sua má coaptação causada pela infiltração tumoral da submucosa ou da musculatura das pregas vocais e/ou das articulações cricoaritenoideas. A odinofagia encontra-se rela- cionada com a invação da musculatura, dificultando a eleva- ção da laringe durante a deglutição ou por infiltração neoplá- sica nas membranas e cartilagens. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na prega vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das pregas vocais). Os tumores que acometem mais de um subsítio anatômico são ditos transglóticos. Os tumores supraglóticos quando iniciais costuma ser assintomáticos. Quando mais avançados podem causar odinofagia, rouquidão, diminuição da mobilidade da língua, quando invadem a bas da mesma, e,em consequencia, abafamento da voz. Quando do comprometimento da muscu- latura intrínseca da laringe pode resultar em otalgia reflexa. As lesões uceradas podem levar à hemoptise e tosse. Nos caos mais avançados associa-se à linfadenopatia cervical. Nos tu- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 195 mores glóticos, a rouquidão é um isntoma precoce. Podem ser observados otalgia refl exa, odinofagia e dispneia nos tumores avançados. A dispneia por sua vez está associada ao estridor laríngeo que é um sinal tardio relacionado com a fi xação da laringe e comprometimento da hipofaringe. As lesões de infra- glote são mais raras e apresentam sintomas vagos; geralmente dispneia é o sintoma mais precoce. Resposta e. 38. Ambos os nervos laríngeos recorrentes são encontra- dos consistentemente dentro do sulco traqueoesofágico quando estão dentro de 2,5 cm da sua entrada na larin- ge. Esses nervos passam inferior ou posteriormente a um ramo da artéria tireoide inferior e finalmente entram na laringe ao nível da articulação cricoaritenoidea, sobre a borda caudal do músculo cricotireoideo. A artéria tireoi- dea superior é o primeiro ramo da carótida externa, desce para a extremidade superior da glândula, perfura a lâmina pré-traqueal da fáscia cervical e então se divide em dois ou três ramos.As veias tireoideas superiores e médias de- sembocam nas veias jugulares internas. As veias tireoide- as inferiores desembocam nas veias braquiocefálicas. Do ponto de vista da circulação arterial, um terceiro vaso, a artéria tireoidea ínfima (ou ímã) às vezes nutre a tireoide. Este pequeno ramo arterial origina-se do arco aórtico, do tronco braquiocefálico (mais comumente) ou da cefálica carótida comum esquerda. Resposta d. 39. A classifi cação Betheseda está disponível no capítulo 5 des- ta apostila. A classe VI é citopatologia tireoidiana maligna (ris- co de câncer 97-99%) e a conduta é tireoidectomia. Embora o gabarito ofi cial tenha sido B (lobectomia direita e istmectomia) atualmente, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Latino-Americana de Tireoide, o tratamento de escolha em todos os pacientes com CDT é a tireoidectomia total (TT). Essa conduta torna desnecessária a eventual reintervenção cirúrgica (para totalização) caso sejam identifi cados metástases de linfonodos ou tipos histológicos de comportamento mais agressivo. Além disso, a TT possibilita o seguimento do paciente por meio da dosagem sérica da Tg. Entretanto, outras sociedades aceitam lobectomia em casos de muito baixo risco: tumores papilíferos 98%) Carcinoma medular da tireoide (100%) Hábito marfanoide (>95%) Feocromacitoma (50%) Ausência de doença paratireoidea t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015196 Componentes da MEN-2 (cont.) Variantes da MEN-2A Carcinoma medular da tireoide familiar MEN-2A com líquen cutâneo amiloidótico MEN-2A com doença de Hirschsprung Hiperparatireoidismo primário é a manifestação mais comum da MEN-1, chegando a quase 100% de penetrância em torno dos 50 anos de idade. É conside- rado o constituinte fundamental da síndrome. A manifestação clínica principal é hipercalcemia. Resposta a. 41. Ora, mais uma vez estamos diante do mesmo conceito sindrômico, ou seja, síndrome de Werner (MEN I). A doença (melhor seria a síndrome) de Sipple corresponde a MEN2A (veja tabela do comentário da questão 3). Doença de Coon é hiperaldosteronismo primário. A síndrome de Meigs: tumor ovariano, ascite e derrame pleural. Síndrome de Garden, é polipose adenomatosa familiar. Resposta b. 42. A abordagem do nódulo de tireoide sempre encerra as mesmas questões: doença benigna ou maligna? Nódu- lo funcionante ou não? A dosagem de TSH ultrassensível e de T4 livre é rotina. Caso o paciente apresente antecedentes familiares de carcinoma medular de tireoide, recomenda- -se a dosagem de calcitonina, uma vez que a mensuração de rotina deste marcador em todos os pacientes com nódu- los tireodianos não selecionados ainda é motivo de debate, principalmente devido à raridade do carcinoma medular da tireoide. A dosagem de tireoglobulina sérica não tem fins diagnóstico, é utilizada como marcador de acompanhamento pós-cirúrgico no câncer diferenciado da tireoide. A ultrasso- nografia (US) da tireoide é o melhor exame de imagem para detecção de nódulos, com sensibilidade de aproximadamente 95%, superior a outros métodos mais sofisticados, como TC e RNM. Além disso, não raramente, ela modifica a conduta clínica baseada no exame da palpação tireoidiana. De acordo com a ecogenicidade, os nódulos sólidos podem ser classifi- cados como isoecoicos (com amplitude de ecos igual à do pa- rênquima tireoidiano normal), hipoecoicos (com amplitude de ecos menor do que o parênquima tireoidiano normal) ou hiperecoicos (amplitude de ecos maior do que o parênquima tireoidiano normal). Os nódulos sólidos hiperecoicos, que representam 20% das lesões nodulares, são malignos em 1,3 a 4% dos casos. Os carcinomas bem diferenciados totalmente sólidos são hipoecoicos em 55 a 95% dos casos. Resposta d. 43. O câncer de tireoide é mais comum em crianças (10 a 26% dos nódulos malignos) e pessoas idosas, mas a maioria das lesões nodulares nessa faixa etária é benigna. Nódulos em indivíduos com menos de 20 anos e acima de 60 anos de idade apresentam maior risco de serem malignos. Achados clínicos que indicam o diagnóstico de carcinoma tireoidiano em um paciente com um nódulo solitário, de acordo com o grau de suspeita Alta suspeita História familiar de carcinoma medular ou neoplasia endócrina múltipla Prévia radioterapia de cabeça e pescoço Crescimento rápido, especialmente durante a terapia supressiva com L-tiroxina Nódulo muito firme ou endurecido Fixação do nódulo às estruturas adjacentes Paralisia das cordas vocais Linfadenopatia satélite Metástase a distância Achados clínicos que indicam o diagnóstico de carcinoma tireoidiano em um paciente com um nódulo solitário, de acordo com o grau de suspeita (cont.) Moderada suspeita Idade 60 anos Sexo masculino História de radioterapia de cabeça ou pescoço Nódulo > 4 cm ou parcialmente cístico Presença de sintomas compressivos Resposta d. 44. O CMT se caracteriza por níveis séricos elevados de calcitoni- na (CT). Contudo, a calcitonina pode estar um pouco aumentada em outras condições, como tireoidite de Hashimoto, doença de Graves, insuficiência renal crônica,hipergastrinemia e mastocito- se. O valor normal da CT em ensaio imunométrico é 100 pg/mL, são compatíveis com o diagnóstico de CMT. Na presença de linfonodos cervicais palpáveis ou CT > 400 pg/mL, deve-se solicitar tomografia axial computadorizada (TAC) de tórax, pescoço e abdome, em função do alto risco para metástases. No pré-operatório, deve ser feita a dosagem de catecolaminas ou metanefrinas. Resposta c. 45. O NLS tem origem no nervo vago e se divide em ra- mos interno e externo. O ramo interno é responsável pela inervação sensitiva da membrana mucosa da laringe e da epiglote. O ramo externo propicia a inervação motora do músculo constritor inferior da laringe e do músculo cri- cotireoideo, sendo este último tensor das cordas -vocais. A lesão do ramo externo do NLS produz alterações da voz que podem passar despercebidas e que variam des- de uma leve rouquidão até a incapacidade de emitir os sons agudos mais altos ou fácil fadiga ao falar alto. Por isso, a lesão do NLS assume grande importância quando o paciente utiliza muito a voz, como no caso de cantores, professores, comunicadores, camelôs etc. Quando a lesão é bilateral, esses sintomas são mais intensos. A lesão do ramo interno do NLS provoca, em casos raros, incapaci- dade de a laringe detectar a entrada de corpos estranhos e sintomas de aspiração ao deglutir. Disso poderá resultar uma pneumonia por aspiração. A lesão do NLS ocorre principalmente quando os vasos do pedículo superior da glândula são ligados em bloco, longe do polo superior da glândula. Por isso, a prevenção dessa complicação é feita por meio da ligadura isolada de cada vaso do pedículo superior, bem junto ao polo glandular, e também pela identificação do nervo. Resposta b. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 197 46. A principal característica laboratorial da TH são os anticorpos anti-TPO, encontrados em títulos elevados em cerca de 80 a 99% dos pacientes. Anticorpos anti-Tg são detectados em até 60% dos casos. Enquanto 95% dos pacientes positivos para anti-Tg também o são para anti- -TPO, cerca de 50 a 60% dos soropositivos para anti-TPO são negativos para anti-Tg. Em pacientes jovens com TH, os anti-TPO tendem a se apresentar com níveis séricos mais baixos e podem ser negativos. Resposta a. 47. Os tumores enteropancreáticos documentados como componentes da MEN-I (síndrome de Werner) fi cam as- sim distribuídos: gastrinoma (40%); insulinoma (10%); TU não funcionantes, incluindo PPoma (20%); Outros: glucagonoma, VIPoma, somatostatinoma etc. (cada um 90%), porém não mais do que 15% dos nódulos “frios” são malignos. Em contra- partida, é excepcional o achado de malignidade em nódu- los “quentes” ou hipercaptantes (1 a 2%). Devido a sua baixa especifi cidade, a cintilografi a deve ser reservada para algumas situações específi cas. A principal indicação seria a presença de patologia nodular associada ao hipertireoidismo, para um preciso diagnóstico do ade- noma tóxico ou do bócio multinodular tóxico. Em caso de nódulo normo ou hipocaptante, deverá ser seguido o pro- tocolo de investigação com PAAF, mesmo quando detecta- do em pacientes com a doença de Graves. Nos casos com diagnóstico citológico de neoplasia folicular, a cintilografi a com radioiodo ou tecnécio poderá ser realizada na tentati- va de se identifi car um adenoma hipercaptante autônomo. Deve-se também considerar a utilização da cintilografi a para descartar autonomia de nódulo(s) tireoidianos(s) em pacientes com TSH suprimido, bem como diante da sus- peita de tecido tireoidiano ectópico ou bócio retroesternal. Nódulo com TSH suprimido corresponde a nódulo fun- cionante, logo a punção aspirativa por agulha fi na deve ser descartada já que pode desencadear crise tireotóxica. A PAAF-US é o padrão-ouro para o diagnóstico de nódulo tireoidiano. A PAAF tem como principal limitação diagnóstica a distin- ção das neoplasias foliculares e as de células de Hürthle quan- to a sua natureza benigna ou maligna. Essa limitação também ocorre com frequência pelo exame de congelação. Amostras compatíveis com tal diagnóstico representam a 30% dos re- sultados das PAAF. Nesses casos, a cintilografi a com iodo radioativo ou tecnécio deve ser considerada. Caso não se do- cumente um nódulo quente, a cirurgia deve ser cogitada. A caracterização como carcinomas no exame histopatológico ocorre em aproximadamente 20% dos casos. Resposta d. 50. Os carcinomas diferenciados da tireoide, que são a maioria absoluta dos derivados das células foliculares (mais de 90%) são subdivididos em dois grupos, os pa- pilíferos e os foliculares. Neste grupo o carcinoma papi- lífero representa 80% dos casos. Trata-se da forma mais benevolente entre as malignidades da tireoide, na maio- ria dos casos de excelente prognóstico é tumor sensível ao radioiodo e o Consenso Brasileiro recomenda a ART (ablação do remanescente tireoidiano) em todos os pa- cientes submetidos à TT, exceto nos casos de muito baixo risco (T1M0M0), com ressecção completa. Não há dúvi- da quanto à necessidade de ART em casos com ressecção tumoral incompleta, metástases clinicamente detectáveis, ou com alto risco de recidiva. É aceitável que pacientes com tumores 200 mCi raramente são indicadas, exceto para pacientescom metástases a distância. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015198 Para uma ART eficaz, recomenda-se a doação de dieta pobre em iodo durante 7 a 14 dias, restringindo o consu- mo de alimentos ricos em iodo (tais como sal de cozinha iodado, peixes marinhos, algas, crustáceos, frutos do mar em geral, lentilha, laticínios, ovos, pães preparados com iodato, aspargos, alho, cogumelos). Além disso, os níveis de TSH devem estar elevados acima de 30 mUI/L para que haja aumento da expressão da proteína NIS (simportador sódio-iodo) e, consequentemente, da captação de radio- iodo. Tradicionalmente, a ART é realizada 4 a 6 semanas após a interrupção do hormônio tireoidiano (IHT), pro- vocando hipertireoidismo iatrogênico no paciente. O carcinoma anaplásico ou indiferenciado de tireoide (CAT) é uma doença rara e frequentemente letal, res- pondendo por 1 a 2% de todas as neoplasias tireoidiana. Trata-se de um dos tumores malignos mais agressivos e é a forma mais indiferenciada das neoplasias tireoidianas. Os pacientes costumam ser idosos (a maioria, > 60 anos), e, ao diagnóstico, aproximadamente 40% já têm metástases a distância, em especial nos pulmões (80% dos casos). O CAT é uma das neoplasias humanas mais letais e res- ponsável por mais da metade das mortes atribuídas ao câncer de tireoide. Apesar de diferentes esquemas de tra- tamento, o CAT cresce rapidamente, invade tecidos adja- centes, e a maioria dos pacientes morre por invasão tumo- ral não controlada e insuficiência respiratória, geralmente, no período de 6 a 12 meses. Tumores papilíferos 14 mg/dL e PTH > 1.000 pg/Ml). t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 199 Desmineralização craniana no HPTP, com o clássico aspecto de “sal e pi- menta”. Importante observar também lesões ósseas líticas. 52. A Universidade do Centro Médico da Califórnia, em São Francisco, os achados morfológicos em mais de 1.000 pacientes portadores de hiperparatireoidismo primário consistiram em adenoma solitário em 87% dos casos ( no nosso meio o adenoma único de paratireoide correspon- de também à causa mais comum), adenomas múltiplos da paratireoides em 4%, hiperplasia primária da paratireoides em 8% e carcinoma da paratireoide em 1%. Os adenomas, que podem ser simples ou múltiplos, são sempre acompa- nhados de uma ou mais glândulas paratireoides normal. Seu peso varia de 65 mg a mais de 35 g, e seu tamanho cos- tuma ser proporcional ao grau de hipercalcemia. Microsco- picamente, esses tumores podem ser de células principais e células claras ou, raramente, células oxífi las. A hiperplasia primária das paratireoides afeta todas as glân- dulas paratireoides. Microscopicamente, são observados dois tipos: a hiperplasia de células principais e a hiperplasia de células claras. (wasserhelle). As glândulas hiperplásicas que sempre são maiores do que o normal (65 mg), mas, em qualquer paciente, podem exibir ampla variação de tamanho. O carcinoma paratireoide é raro e nem sempre pode ser diag- nosticado baseando-se nas suas características arquiteturais ou citológicas, uma vez que os achados histológicos podem ser idênticos àqueles observados nos tumores benignos das paratireoides. O câncer poder ser diagnosticado de modo mais acurado quando há evidências de invasão em tecidos adjacentes ou quando se demonstra a presença de metásta- ses. Resposta a. 53. As complicações da traqueostomia podem ser divididas de forma temporal: complicações intraoperatórias: obstrução das vias aéreas, falso trajeto, hemorragia, incêndio das vias aéreas (bisturi elétrico). Complicações pós-operatórias precoces; hemorragia; infec- ções; enfi sema subcutâneo; pneumomediastino e pneumotó- rax; obstrução e deslocamento da cânula. Complicações pós-operatórias tardias: hemorragia, pneumo- nia; estenose e fístula traqueoesofágica e fístulas traqueocu- tâneas. Levando em consideração que a pergunta solicita as principais complicações, passamos a entender que se trata das mais relevantes ou mais graves, sendo assim concorda- mos com o gabarito ofi cial que é a opção “c”. 54. O diagnóstico defi nitivo é feito por intermédio da endos- copia respiratória. Esse exame deve ser realizado observan- do muitos cuidados técnicos como: realizar o exame com a pessoa em respiração espontânea, solicitar (se for possível) durante o exame que a pessoa emita sons agudos e graves e que faça respiração forçada inspiratória e expiratória. O exa- me deve ser realizado em toda a via aérea (laringe, traqueia e brônquios) e não somente na traqueia, pois o examinador deve ter uma visão total das vias aéreas. A investigação diag- nóstica completa é a fase de maior importância para que o cirurgião consiga saber com extrema precisão que áreas estão comprometidas da traqueia e dessa maneira consiga instituir o melhor tratamento para cada pessoa. O exame de tomografi a helicoidal com reconstrução em 3 D e o de ressonância magnética são utilizados como complemen- tares ao exame de endoscopia, mas muitas vezes poderão não demonstrar as estenoses se não forem tomados alguns cui- dados técnicos em sua execução. Câncer da traqueia é raro e representa aproximadamente 0,1% (1 em 1.000) de todos os cânceres. Os tipos mais comuns de câncer são carcinoma de células escamosas e carcinoma adenoide cístico. As principais indicações da traqueotomia são: – Obstrução de vias aéreas superiores – Intubação orotraqueal prolongada (para reduzir risco de estenose subglótica). – Edema devidoa queimaduras, infecções ou anafi laxia. – Tempo prévio ou complementar a outras cirurgias bucofa- ringolaringológicas. – Facilitar aspiração de secreções de vias respiratórias baixas. – SAHOS (síndrome de obstrução e apneia do sono). – Reduzir o espaço morto durante a ventilação para facilitar desmame de ventilador. Resposta b. 55. Esta questão só está neste módulo para excluir doença tireoidiana. Esta massa mediastinal com calcifi cações no in- terior é compatível com teratoma (as massas de mediastino serão detalhadamente discutidas no módulo de cirurgia do tórax). O teratoma mediastinal deve ser lembrado no diag- nóstico diferencial das massas mediastinais, principalmente do compartimento anterossuperior. Outras hipóteses seriam timoma (massa do mediastino anterior mais comum em adultos), linfoma (a mais comum em crianças) (Mullen & Richardson, 1986), bócios mergulhantes, tumores germina- tivos pouco diferenciados (seminomas e não seminomas), aneurismas de aorta torácica, tumores neurogênicos (a de maior incidência, localiza-se em mediastino posterior), além de cistos mediastinais, entre outras. Geralmente o paciente apresenta-se assintomático, sem alterações ao exame físico. Ressaltamos a importância do exame físico completo, in- cluindo a inspeção e palpação dos testículos nos pacientes t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015200 do sexo masculino, para excluirmos tumores testiculares pri- mários. Um achado comum é a presença de diferentes den- sidades à TC, incluindo desde densidades de líquido até cal- cificações. Beta-HCG e alfa-fetoproteína devem sempre ser solicitados na avaliação de massas do mediastino anterossu- perior, pois se encontram alteradas em seminomas e tumores de células germinativas não seminomatoso (Nichols, 1991; Kesler, 2008), sendo que essas duas condições necessitam terapêutica completamente diferente do tratamento do tera- toma maduro. O tratamento de escolha é cirúrgico devido à possibilidade de malignização (teratoma imaturo) e invasão de órgãos adjacentes, como pericárdio (54%), pulmão (52%), vasos (30%) ou timo (23%). É descrita a fistulização para ár- vore brônquica, quando se pode encontrar o sinal patogno- mônico do teratoma maduro, que é a tricoptise (expectora- ção de pelos) (Strollo, et al., 1997). A via de acesso cirúrgico é a esternotomia mediana, toracotomia póstero-lateral ou toracotomia anterior bilateral com esternotomia transversa (Clamshell), dependendo da projeção do tumor. Entretanto a esternotomia mediana é a melhor opção para a maioria dos casos (Weidner, 1999). A mortalidade e morbidade nos pa- cientes submetidos a ressecção do teratoma maduro é baixa nas séries relatadas, devido à geralmente não haver invasão de estruturas nobres. Resposta d. 56. O cisto intracordal é uma alteração estrutural mínima de cobertura de prega vocal, de origem congênita e caráter benigno, que pode se manifestar em qualquer idade, princi- palmente com o uso intenso e abusivo da voz. Considerado de incidência comum na faixa etária de dez a 80 anos, pre- dominantemente no sexo feminino e, mais frequentemente associado à vasculodisgenesia. A sintomatologia é mais evi- denciada na faixa de 31 a 40 anos, sendo mais observada em profissionais da voz, que pela demanda vocal, são suscetíveis a desenvolver alterações vocais e assim gerar disfonias. Seu diagnóstico muitas vezes é confundido com outras patolo- gias, que em geral apresenta-se como um espessamento in- flamatório da prega vocal, acompanhado de hiperemia de mucosa adjacente e de ectasia capilar. Quando não utilizados os meios específicos que permitam um diagnóstico correto, poderá levar a condutas não direcionadas, no que implica- rá em resultados ineficientes ao quadro apresentado pelo paciente. Atualmente, já é possível contar com recursos que resultam em uma melhor precisão diagnóstica, como no caso do exame de videolaringoestroboscopia que detalha o movi- mento vibratório das pregas vocaise, permite visualização de suas irregularidades vibratórias, sendo considerado o melhor método para identificação do cisto intracordal e, sua asso- ciação com a fonação inspiratória, vem acrescentar valioso recurso no diagnóstico das lesões benignas de pregas vocais. Esta manobra permite a visualização do ligamento vocal pelo desprendimento da camada superficial, o que poderá revelar área de rigidez com diminuição ou ausência da onda mu- cosa, que em presença de lesões mais rígidas não ocorre a expansão da camada superficial da lâmina própria, limitan- do ou impedindo a visualização da linha do ligamento vocal e que possibilita, na maioria das vezes, definir, identificar e localizar as lesões de massa e suas características específi- cas, principalmente na identificação dos cistos intracordais e, desse modo, contribui para um diagnóstico diferencial e consequentemente, leva à conduta direcionada com melhor qualidade e menor tempo de tratamento. Resposta b. 57. A possibilidade de desenvolvimento de segundos tumo- res primários em períodos iguais ou distintos, também cha- mados de sincrônicos e metacrônicos do trato aerodigestivo superior (boca, faringe, laringe, traqueia e esôfago cervicais) é estimada em 5 a 35%. Os fatores etiológicos são os mesmos descritos para o câncer laríngeo. O esôfago é o sítio mais fre- quente de segundos tumores primários. Resposta a. 58. O higroma cístico constituiu malformação linfática de- corrente de alterações no desenvolvimento da rede linfática de maneira localizada, não havendo, dessa forma, conexão ou drenagem para o sistema venoso. A maioria dos higromas císticos (75%) acomete os sacos linfáticos da região jugular e apresenta-se na região posterior do pescoço. Outros 20% ocorrem nas axilas, e o restante acomete qualquer região do corpo, incluindo retroperitônio, mediastino, e região in- guinal. Aproximadamente 50 a 65% dos higromas já estão presentes ao nascimento, mas a maioria torna-se aparente no decorrer do segundo ano de vida. Como os higromas são tumores císticos multiloculados re- vestidos por células endoteliais, geralmente se apresentam como massas císticas que distorcem as estruturas anatô- micas adjacentes. As indicações para o tratamento são es- téticas, porém, o higroma pode aumentar e até comprimir as vias aéreas, resultando em obstrução aguda. O diagnós- tico pré-natal de uma grande massa cística relaciona-se com significativo risco para as vias aéreas, maior associa- ção com anomalias cromossômicas e elevação do índice de mortalidade. O aperfeiçoamento das modalidades de imagem fetal permite intervenções ao nascimento. Como princípio, a circulação placentárias é mantida até que haja a intubação endotraqueal. Essa técnica é conhecida como procedimento intraparto extraútero (EXIT, do inglês ex útero intrapartun therapy) e será discutida adiante, neste capítulo. Além de represar linfa, podem ocorrer infecção e hemorragia no interior da massa. Por isso, quando ocor- rem mudanças bruscas do tamanho do higroma, poderá ser necessária a intervenção de urgência. O tratamento de escolha é a ressecção completa da massa. Entretanto, esta poderá ser impossível se o higroma apresentar infiltração das estruturas neurovasculares. É necessárias a avaliação pré-operatória com ressonância magnética (RM) para definir a extensão do higroma. O uso de lupa e do ele- troestimulador pode ser útil durante a cirurgia. Como os higromas não são tumores malignos, não está indicada a ressecção radical, com remoção dos grandes vasos san- guíneos e dos nervos. As complicações pós-operatórias incluem recidivas, coleções linfáticas, infecções e lesões neurovasculares. A injeção de agentes esclerosantes, como a bleomicina, ou de derivado do Streptococus pyogenes OK-432 tem sido descrita como alternativa eficaz ao tra- tamento cirúrgico, ainda que a injeção de esclerosantes intracísticos pareça ser maiseficaz nos higromas macro- císticos que nos microcísticos. Resposta c. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 201 59. O cisto do ducto tireoglosso é uma das lesões mais co- muns da linha média do pescoço, acometendo, mais comu- mente, crianças em idade pré-escolar. Os remanescentes do tireoglosso estão envolvidos na embriogênese da tireoide, da língua e do osso hioide e produzem massas na linha média que estendem desde a base da língua (forame cego) até o lobo piramidal da glândula tireoide. A falha na migração comple- ta da tireoide resulta em tireoide em posição lingual. Por esse motivo, a ultrassonografi a e a cintilografi a poderão ser úteis para identifi car a tireoide normal no pescoço. Essa informa- ção é fundamental para evitar a tireoidectomia inadvertida durante o tratamento de suposto cisto tireoglosso. Os cistos do ducto tireoglosso situam-se na linha média do pescoço em qualquer ponto, desde a base da língua até a glândula tireoide. Entretanto, a maioria deles encontram próximo ao osso hioide ou logo abaixo dele. A cirurgia é in- dicada, pois o cisto cresce, havendo risco de infecção ou ma- lignização (carcinoma) de 1 a 2%. O tratamento clássico, des- crito por Sistrunk, em 1928, consiste na ressecção completa de cisto em continuidade com seu trato, a porção central do osso hoide e o tecido adjacente ao osso, até a base da língua. A ressecção incompleta dessas estruturas leva a alto risco de recidiva, pois, na histologia, identifi cam-se múltiplos sinus tecidos. Resposta c. 60. O edema pré-tibial, a exoft almia pronunciada e a pele res- secada são aspectos compatíveis com tireotoxicose, logo bócio tóxico. A causa mais comum de tireotoxicose é a doença de Graves (80% ou mais dos casos). A presença de hipotireoidis- mo na DG é decorrente da destruição autoimune anos depois ou secundário ao uso de tionamidas e/ou tireoidectomia total. O bócio subesternal é uma apresentação incomum da ex- tensão intratorácica de uma tireoide aumentada, geralmente como resultado de bócio multinodular. A maioria dos bócios intratorácicos ou subesternais é designada como secundária, porque são aumentos ou extensões de bócios multinodulares baseados na vasculatura inferior da tireoide. Essas formações expandem-se para baixo e para dentro do mediastino ante- rior. O extremamente raro (~1%) bócio subesternal primá- rio origina-se como um tecido tireoideo anormal dentro do mediastino anterior ou posterior, é baseado na vasculatura intratorácica e não nutrido pela artéria tireoidea inferior. A tireodectomia subtotal é o tratamento de escolha do bócio de fuso tóxico (deixar o resíduo de 3-7 g de tecido tireoidiano) após a falha de tratamento clínico ou então naqueles com in- dicação precisa de cirurgia. Resposta e. 61. Este nódulo que à ultrassonografi a se apresenta como le- são hipoecoica (com amplitude de ecos menor do que o pa- rênquima tireoidiano normal) é compatível com lesão sólida e, portanto, indicação precisa de PAAF. A probabilidade de tratar-se de um carcinoma diferenciado da tireoide é grande e o tipo mais provável deve ser papilífero. Resposta c. 62. A maioria dos casos de infecção das glândulas salivares acomete glândula parótida e em raros casos (neonatos prin- cipalmente) acomete a submandibular. Essa diferença de sus- cetibilidade ocorre devido ao menor poder bacteriostático da saliva da parótida. Nos EUA 30 a 40% dos casos de sialoa- denite supurativa aguda são de pacientes em pós-operatório de cirurgias abdominais. A infecção purulenta das glândulas salivares é mais comum no diabete, na hipofunção renal, nos distúrbios eletrolíticos, na presença de má higiene bucal e cá- ries dentárias e em pacientes convalescentes após cirurgia. A infecção do parênquima salivar dá-se geralmente pela mi- gração retrógrada de bactérias provenientes da cavidade oral, através do ducto da glândula. Essas infecções acometem, com maior frequência, as glândulas salivares maiores, princi- palmente a parótida, por produzir secreção com menor ativi- dade bacteriostática em relação a submandibular. Verifi ca-se que 20% dos casos são bilaterais. Alguns fatores favorecem a migração de bactérias, como: estase do fl uxo salivar (cálcu- los, estenose ductal, diminuição salivar), comprometimento da resistência do hospedeiro e má higiene oral (aumento do número de bactérias). Também contribuem para a estase sali- var a desidratação, grandes perdas de sangue, diarreia, medi- cação anticolinérgica ou diuréticos. Atualmente, a condição conhecida como parotidite pós-operatória, principalmente em cirurgias abdominais nos pacientes com dieta zero e de- sidratação, tem sido menos frequente devido ao uso de anti- bioticoterapia, reposição hidroeletrolítica e higiene bucal. O quadro clínico inicia-se tipicamente 3 a 5 dias após a cirur- gia. Os sinais e sintomas principais das infecções bacterianas agudas são: aumento da glândula de consistência amolecida, pele avermelhada, fl utuações (sinal mais tardio, especialmen- te quanto à parótida) e dor. O quadro pode ser acompanhado de febre, calafrios, prostração e leucocitose com neutrofi lia. Ao exame físico pode-se notar à palpação bimanual e expres- são da glândula, saída de secreção purulenta pelo orifício do ducto. Essa secreção deve ser avaliada quanto a etiologia aeróbia e anaeróbia e antibiograma. O organismo mais co- mumente encontrado em infecções bacterianas agudas de parótida é o Staphylococcus aureus (50 a 90%). Entretanto, nas outras glândulas salivares e mesmo na parótida, são fre- quentemente isolados Streptococcus pyogenes, Streptococcus viridans, Streptococcus pneumoniae e Haemophylus infl uen- zae. Os anaeróbios são encontrados em 43% das infecções e dentre eles os mais comuns são Bacterioides melaninogenicus, o Streptococcus micros e o Peptoestreptococos. Os Gram-nega- tivos (E. coli, Klebsiella, Pseudomonas) são menos frequentes. O tratamento constitui-se de administração empírica de an- tibióticos com espectro para germes Gram-positivos, princi- palmente o Staphylococcus aureus. Pode-se optar por cefale- xina ou clindamicina via oral e, nos casos mais graves, pela internação e administração de oxacilina endovenosa. Deve ser feita reposição hidroeletrolítica, expressão diária da glân- dula e higiene oral. Pode-se usar corticoides para diminuir o processo infl amatório e melhorar a drenagem pelo ducto, entretanto devem ser mantidos por curto período. Calor lo- cal e analgésicos devem ser utilizados para diminuir a dor. A melhora do quadro deve ocorrer em 24 a 48 horas, do contrá- rio, deve-se pesquisar a presença de um abscesso. Ao exame físico, muitas vezes pode não haver pontos de fl utuação pela intensa fi brose da cápsula e o USG ou a CT são bastante úteis para o diagnóstico. A sialografi a na fase aguda pouco ajuda no diagnóstico, sendo ainda contraindicada por exacerbar o processo infl amatório. Em se diagnosticando o abscesso, sua drenagem é imperativa já que este pode se espalhar pelos es- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015202 paços profundos do pescoço. Algumas vezes pode-se evitar a drenagem cirúrgica utilizando-se punção aspirativa guiada por USG ou CT. A drenagem do abscesso deve ser realizada através de incisão cutânea convencional para parotidectomia, faz-se múltiplas aberturas no parênquima glandular no mes- mo sentido do nervo facial, retirando-se a secreção. Coloca- -se um dreno e fecha-se a incisão. As principais complicações das sialoadenites envolvem pele da face, o CAE, a ATM, além de tromboflebite das veias facias e osteomielite mandibular. É conveniente ainda lembrar que os espaços submandibulares e parotídeo se comunicam com espaços profundos através do parafaríngeo. Diante de um quadro infeccioso grave pode ha- ver disseminação por três vias: linfática, hematogênica e por continuidade e,cerca de 1,5 cm de diâmetro. A respeito desta lesão é correto afirmar: a) devem ser investigadas doenças gástricas e feita orientação nutricional, já que deve tratar-se, mais provavelmente, de lesão aftoide b) deve ser feita biópsia excisional, para definição diag- nóstica c) a disseminação metastática para os pulmões é um achado frequente nestes pacientes d) trata-se mais provavelmente de adenocarcinoma de língua, fortemente relacionado ao tabagismo e) um dos exames necessários durante a investigação é a laringoscopia, direta ou indireta ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 29. Um paciente de 27 anos tem nódulo em região pré- -auricular esquerda, indolor, de cerca de 1 cm, há 6 meses. A ultrassonografia mostrou nódulo bocelado, de limites regulares, a cerca de 8 mm de profundidade em relação à pele. É correto afirmar: a) a incisão em fuso é a melhor opção de acesso b) não está indicada qualquer forma de exérese cirúrgi- ca, a menos que ocorra inflamação do nódulo c) a punção aspirativa por agulha fina pode ser neces- sária para a determinação da natureza do nódulo d) neste caso, a dor seria um sinal de benignidade e) a adição de vasoconstritor ao anestésico tópico ao re- dor da lesão é recomendada, na ausência de contrain- dicação por doenças de base, e facilita a exérese cirúr- gica, já que a pele da face é ricamente vascularizada ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2014 30. Uma paciente internada no Centro de Terapia Inten- siva apresenta sangramento vivo volumoso pela tra- queostomia e pela boca há dez minutos. O plantonista refere que o procedimento fora realizado há 14 dias e que houve sangramento de pequeno volume ao redor t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 157 da cânula há 6 horas. A hiperinsufl ação do balão não obteve sucesso em conter a hemorragia. Diante desse quadro, o cirurgião deverá imediatamente: a) realizar cervicotomia lateral esquerda para identifi - car a lesão e realizar a sutura b) recolocar o tubo orotraqueal e suturar a borda do orifício de inserção da cânula c) ampliar a incisão para efetuar compressão digital da artéria contra o manúbrio d) realizar um tampão com gaze ao redor da cânula de traqueostomia ACERTEI ERREI DÚVIDA Santa Casa-SP – Clínica Cirúrgica – 2014 31. Criança com 11 anos apresenta, há 4 anos, tumor em região cervical anterior, que apresenta crescimento e vermelhidão associado a infecções de vias aéreas. Após o quadro viral, a lesão progressivamente dimi- nui, porém, não desaparece, mantendo nódulo pouco doloroso. É correto afi rmar que: a) é um quadro de linfadenomegalia reacional, cujo diagnóstico é clínico e não há necessidade de trata- mento ou observação b) é um linfangioma e a cirurgia recomendada é a de Sistrunk c) caso seja identifi cada lesão cística pela ultrassono- grafi a, deve-se realizar punções seriadas aliviadoras e injeção de álcool d) trata-se de um cisto de ducto tireoglosso, cujo diag- nóstico é clínico, o tratamento é cirúrgico e engloba a retirada da região mediana do osso hioide e) é uma sialoadenite de repetição, associada à troca dos últimos dentes decíduos ACERTEI ERREI DÚVIDA SURCE – Clínica Cirúrgica – 2014 32. Antônio Carlos, 74 anos, etilista e tabagista, observou que há uma semana iniciou quadro de disfonia asso- ciada à microaspirações traqueais e a comprometi- mento do refl exo da tosse. O paciente foi encaminha- do ao serviço de otorrinolaringologia que realizou uma videolaringoscopia compatível com um tumor de laringe. A respeito do caso, pode-se assinalar o provável diagnóstico de: a) um tumor glótico, pois é relativamente indolente e somente se apresenta em um estágio mais avançado da doença b) um tumor supraglótico porque se apresenta com sintomas precoces causados pela invasão do nervo laríngeo recorrente c) um carcinoma verrucoso, que é uma variante do car- cinoma de células fusiformes, altamente diferencia- da, localmente destrutiva d) um carcinoma espinocelular que é a lesão maligna mais comum da laringe, classifi cado em in situ, mi- croinvasivo ou invasivo ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 33. Os higromas císticos localizam-se predominante- mente em: a) fúrcula esternal b) mediastino posterior c) pelve d) canal inguinal e) região posterior do pescoço ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2014 34. Paciente de 62 anos é submetido à endarterecto- mia de carótida direita. No pós-operatório ime- diato, constata-se à laringoscopia paralisia ipsila- teral da corda vocal. Tal complicação ocorre como resultado de: a) lesão do nervo laríngeo recorrente b) isquemia por clampeamento pré-operatório prolongado c) compressão por edema cervical pós-operatório d) lesão do nervo laríngeo interno sensorial e) lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2014 35. Para pacientes com carcinoma espinocelular da lín- gua oral T1 N0 M0, cujo tumor infi ltra 5 mm a mem- brana basal, está indicada qual complementação ci- rúrgica no pescoço? a) nenhuma b) esvaziamento níveis I a IV c) esvaziamento níveis I a II d) esvaziamento níveis I a III ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-RS – Clínica Cirúrgica – 2014 36. Paciente apresenta odinofagia com sensação de cor- po estranho unilateral, seguida de otalgia unilateral e disfagia. Qual o diagnóstico mais provável? a) carcinoma epidermoide subglótico b) adenocarcinoma subglótico c) carcinoma epidermoide supraglótico d) carcinoma adenoide cístico glótico e) carcinoma epidermoide glótico ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-RS – Clínica Cirúrgica – 2014 37. Com relação às neoplasias de orofaringe, são feitas as assertivas seguintes: O carcinoma I. subglótico manifesta-se com disfagia. II. glótico é uma neoplasia de bom prognóstico. III. supraglótico evolui muito lentamente e não cos- tuma produzir metástases. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015158 Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s): a) I, apenas b) II, apenas c) I e III, apenas d) II e III, apenas e) I, II e III ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPE – Clínica Cirúrgica – 2013 38. A respeito da anatomia da glândula tireoide, é correto afirmar que: a) o nervo laríngeo recorrente habitualmente cruza poste- riormente com a artéria tireoidiana superior b) a artéria tireoidiana superior usualmente origina-se da artéria carótida interna c) as veias tireoidianas média e inferior normalmente drenam diretamente para a veia jugular interna d) quando presente, a artéria ima tireoidiana usual- mente origina-se diretamente da aorta ou da artéria inominada ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2013 39. Homem, 33 anos, apresenta nódulo de tireoide de 1,5 cm de diâmetro no lobo direito cuja punção aspirati- va revelou citologia compatível com Bethesda VI. A conduta é: a) repetir a punção em 6 meses b) lobectomia direita e istmectomia c) nodulectomia diagnóstica d) tireoidectomia total ACERTEI ERREI DÚVIDA UFSC – Clínica Cirúrgica – 2013 40. Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa abaixo. A primeira anormalidade bioquímica detectada em pacientes com síndrome de MEN tipo I é: a) hipercalcemia b) hipergastrinemia c) hipoglicemia d) policitemia e) hipercloremia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFSC – Clínica Cirúrgica – 2013 41. Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa abaixo. A doença que apresenta tumor de ilhota de pâncreas, adenoma hipofisário e hiperparatireoidismo é conhe- cida pelo nome de: a) doença de Sipple b) doença de Werner c) doença de Coon d) síndrome de Meigs e) síndrome de Garden ACERTEI ERREI DÚVIDA Angelinanesse caso, a complicação mais temida é a mediastinite descendente necrótica cuja evolução é frequen- temente fatal. Resposta e. 63. O tabagismo é fator de risco relevante para câncer de cabeça e pescoço. Nesta questão todas as opções definem o diagnóstico de câncer, apegue-se portanto aos dados clínicos. Os tumores glóticos costumam apresentar-se com disfonia precoce, já que a borda vibratória da prega vocal verdadeira é responsável pela qualidade de voz sensível até as pequenas lesões. Ocorrem sinais de comprometimento das vias aére- as mais tarde na progressão da doença, quando um volume maior de tumor obstrui a abertura glótica. O comprometi- mento do movimento da prega vocal pode causar disfonia, aspiração comprometimento da tosse ou sintomas obstru- tivos. O comprometimento do movimento é causado pelo volume do tumor, invasão direta do músculo tiroaritenoide, invasão da articulação cricoaritenoide ou invasão do nervo recorrente. Ocorre hemoptise com lesões hemorrágicas. Em comparação com os tumores glóticos, as lesões supraglóti- cas são respectivamente indolentes, apresentando-se em um estádio mais avançado da doença. Os pacientes costumam queixar-se de irritação na garganta ou odinofagia. A otalgia referida é causada pelo nervo de Arnold, o ramo vagal que inerva parte da sensibilidade do ouvido. Tumores volumosos da epligote costumam apresentar-se com uma qualidade de voz tipo batata quente ou abafada devido ao comprometi- mento das vias aéreas. A disfagia pode causar perda de peso e desnutrição. Os tumores subglóticos são raros e costumam associar-se a obstrução das vias respiratórias, imobilidade das pregas vocais ou dor. Conduta: definir estadiamento e protocolar o melhor tratamento. Vamos à atualização: As lesões iniciais (T1-T2) podem ser tratadas tanto por meio de radioterapia exclusiva ou cirurgia órgão-pre servadora (en- doscópica ou aberta). Particularmente, para pacientes com tumores iniciais da glote ou da supraglote, tanto a cirurgia en- doscópica com uso do laser de CO2 como a radioterapia ofere- cem resultados funcionais e de controle da doença semelhan- tes. Essas modalidades terapêuticas são as mais empregadas atualmente devido à superioridade dos resultados funcionais quando comparados com os obtidos com as técnicas clássicas de laringectomias parciais horizontais ou verticais. Pacientes com tumores T1 bem definidos, principalmente os localizados na epiglote ou terço médio da prega vocal, são os melhores candidatos à excisão endoscópica a laser. No entanto, quando as lesões são menos demarcadas ou bilaterais (T1b) e quando a exposição obtida para cirurgia endoscópica não for adequa- da, deve-se preferir a radioterapia. Da mesma forma, pacien- tes com tumores T2 superficiais e prega vocal de mobilidade preservada, podem ser submetidos à radioterapia ou cirurgia endoscópi ca, alcançando resultados oncológicos e funcionais satisfatórios. A laringectomia supracricoidea com crico-hio- do-epiglotopexia é uma alternativa aceitável para pacientes com tumores T2 a T4 limitados, sem envolvimento de espaço interaritenoideo, sem com prometimento maior de subglote. Esse procedimento pode ser usado tanto para tratamento pri- mário como de resgate pós-radioterapia. Pacientes com tumo- res mais avançados e que se riam candidatos à laringectomia total são atualmente candidatos a tratamentos combinados com quimio e radioterapia, visando à preservação da laringe. No entanto, pacientes portadores de tumores mais avançados com invasão de subglote, destruição de cartilagem tireoide e invasão de partes moles, devem ser preferencialmente, subme- tidos à laringectomia total, pois embora seja possível a obten- ção de resposta terapêutica completa, nesses casos específicos, os resultados funcionais são insatisfatórios. Tendo por base evidência científica sólida, a radioterapia associada à quimio- terapia baseada em platina, admi nistradas concomitantemen- te, oferecem resultados funcionais e de sobrevida que justifi- cam plenamente seu emprego, com finalidade de preservação da laringe nos pacientes selecionados, portadores de lesões avan çadas (T3 e alguns T4). Nos pacientes não candidatos à quimiorradioterapia, devido condições clínicas desfavoráveis, a radioterapia exclusiva (seguida de eventual cirurgia de resga- te), apesar de associada a menor taxa de preservação do órgão, é uma opção a ser considerada. Atualmente, há um crescente inte resse pelo emprego da quimioterapia neoadjuvante para avaliação de resposta terapêutica. Pacientes respondedores são em seguida tratados por quimio e radioterapia, enquanto os não respondedores são tratados por laringectomia. Pacientes considerados candidatos a laringectomias primárias ou de res- gate podem necessitar da realização de esvaziamento cervical simultâneo. Nos tumores glóticos puros não se indica esva- ziamento cervical eletivo pela baixa frequência de metástases regio nais, sendo apenas realizado na eventualidade rara da presença de nódulos metastáticos. Esvaziamento cervical ele- tivo é indicado para os casos que apresentem um risco de me- tástases ocultas como os carcinomas primitivos da supraglote ou os transglóticos. Nesses casos, indica-se a dissecção uni ou bilateral dos lin fonodos jugulares (níveis II a IV). Para pacien- tes com linfonodos clinicamente metastáticos, indica-se esva- ziamento cervical dos níveis II a VII. O esvaziamento lateral (níveis II, III e IV) é o tratamento eletivo de eleição para ambos os lados do pescoço em pacientes portadores de tumores que comprometem a supraglo te. Tumores primitivos da subglote ou tumores que secundariamente comprometem essa região e casos previamente submetidos à traqueostomia devem ser rotineiramente submetidos a esvaziamento dos linfonodos pa- ratraqueais. Resposta c. 64. Os tumores das glândulas salivares são relativamente raros, constituindo cerca de 3 a 4% de todos os tumores da região cervicofacial. A maioria destes tumores origina-se na glândula parótida (70%), seguida pela glândula submandibular (22%) e pelas glândulas salivares menores (8%). A glândula sublingual é apenas excepcionalmente acometida por doenças neoplási- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 203 cas. A relação entre homens e mulheres é de 1:1, observando- -se, no entanto, variações importantes em relação aos diferen- tes tipos histológicos. A idade média de aparecimento é de 45 anos, com pico entre a 5a e a 6a década. Cerca de 75% dos tu- mores das glândulas salivares são neoplasias benignas, sendo o adenoma pleomórfi co o tipo histológico mais comum. Os tumores malignos das glândulas submandibulares e glândulas salivares menores têm pior prognóstico quando comparado aos da glândula parótida. Existe ainda diferença na incidência do câncer em relação às diversas glândulas: apenas 25% dos tumores da parótida são malignos, enquanto na glândula sub- mandibular este número sobe para 43%, chegando a 82% nas glândulas salivares menores. Resposta c. 65. Ora, esta paciente tem como diagnóstico mais provável câncer medular. O tratamento é tireoidectomia total e esva- ziamento ganglionar do compartimento central. Você pode estar se perguntando, porque não PAAF, já que este é o pa- drão-ouro para o diagnóstico, e também porque Hashimo- to pode elevar calcitonina sérica? Qual o diagnóstico mais provável diante do que está exposto? Obviamente, carcinoma medular. Resposta b. 66. De acordo com o exposto e atento à tabela abaixo, fi ca claro que este paciente é TNM I. Uma vez que apresenta tu- mor maior que 1 cm, a decisão de tireoidectomia total é con- senso atual. Estadiamento TNM Risco T N M Ressecção tumoral Muito baixo T1a (≤ 1 cm) ou T1b (1 a 2 cm), único N0 (sem metástases em linfonodos) M0 (sem metástases a distância) Completa Baixo T1 (≤ 2 cm) multifocal ou T2 (2 a 4 cm) N0 (sem metástases em linfonodos) M0 (sem metástases a distância) Completa Alto T3 (> 4 cmlimitado à tireoi- de ou com invasão extrati- reoidiana mínima ou T4 (> cm com invasão extrati- reoidiana signifi cativa) N1 (com metástases em linfonodos) M1 (com metástases a distância) Incompleta A decisão de exploração ganglionar homolateral ao tumor foi protocolada certamente por tratar-se de um homem jovem, já que em se tratando de carcino- ma papilífero de muito baixo risco sem evidência de acometimento ganglionar na avaliação ultrassonográfi ca, não é rotina a exploração linfonodal. Um vez decidido pela exploração ganglionar é provável que a ART (ablação de remanescente tireoidiano) seja desnecessária. Resposta a. 67. Este paciente encontra-se em terapia supressiva com levoti- roxina, logo não está programado a ablação de remanescentes tireoidianos para os próximos dias (tradicionalmente, a ablação com radioiodo é realizada de 4 a 6 semanas após a interrupção do hormônio tireoidiano, provocando hipotireoidismo iatro- gênico no paciente), sendo assim a tireoglobulina solicitada é pré-ablação com radioiodo (ART), e sendo assim, temos duas possibilidades. Valores de Tg pré-ART estimulada por rh-TSH abaixo de 2 ng/mL apresentam valor preditivo negativo para do- ença recorrente igual a 98,4%. Em outro estudo prospectivo, o ponto de corte igual a 10 ng/mL correlacionou-se com a inexis- tência de metástases a distância. Gabarito ofi cial B. Resposta b. 68. Os sais de cálcio (carbonato ou acetato) são os quelante de fósforo mais utilizados. As indicações de paratiroidecto- mia são a hipercalcemia e a elevação do produto cálcio x fós- foro (maior que 55) persistentes, prurido intratável, calcifi - cações ectópicas, dores ósseas intensas e constantes, fraturas e calcifi laxia. A paratiroidectomia pode ser subtotal, total ou total seguida de autoimplante. Na subtotal, são retiradas as maiores glândulas, conservando-se metade da glândula cujo aspecto macroscópico seja mais próximo do normal. No total são retiradas todas as glândulas, acreditando-se que a mani- pulação cirúrgica propicie o implante de tecido paratireoi- diano na região cervical, o que seria sufi ciente para a manu- tenção de níveis adequados de PTH a longo prazo. No total, seguida de autoimplante, todas as glândulas são retiradas e fragmentos das mesmas são implantados no antebraço ou na região pré-esternal. Após a paratireoidectomia, os níveis de cálcio e fósforo devem ser rigorosamente monitorizados, pois o fenômeno de “fome óssea” (hipocalcemia acompanhada de hipofosfatemia) está, na maioria das vezes, presente, poden- do persistir por várias semanas ou menos. A suplementação de cálcio através de infusões de gluconato de cálcio, associa- das a altas doses de calcitriol, é muitas vezes necessária para evitar-se tetania e mesmo convulsões. Resposta c. 69. Carcinoma medular e carcinoma de células Hürthle não são sensíveis ao radioiodo, por tanto o tratamento de escolha é tireoidectomia total. Resposta c. 70. O diagnóstico de carcinoma folicular não pode ser con- fi rmado pela PAAF, ou pelo exame intraoperatório de con- gelação. Dessa forma o cirurgião é induzido a escolher o tra- tamento mais efi caz de uma lesão folicular que, carecendo de óbvias características macroscópicas de malignidade e de carcinoma folicular amplamente invasivo, tem mais probabi- lidade de ser uma lesão benigna. Como a lesão tem menos de 2 cm e está bem contida no lobo da tireoide, isto pode cons- tituir um argumento seguro para lobectomia e istmectomia. Caso a lesão fosse de maior tamanho seria mais prudente submeter o paciente a tireoidectomia total. Resposta a. 71. Estamos diante de um diagnóstico de bócio multino- dular tóxico (BMNT). O BMNT é uma complicação tardia comum do bócio multinodular atóxico, mas sua incidência t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015204 exata é desconhecida. Geralmente, ocorre após os 50 anos de idade, com predominância no sexo feminino, em pacientes que mantiveram um bócio multinodular atóxico, porém os mecanismos para o desenvolvimento de autonomia e conse- quente hipertireoidismo ainda não estão bem esclarecidos. Mutações do receptor do TSH (TSHr) foram demonstradas porém diferem das encontradas no AT e não têm origem mo- noclonal. No bócio multinodular tóxico, a cintilografia mos- tra-se heterogênea, com hipercaptação no restante da glân- dula. Para BMNT, a cirurgia propicia resolução do quadro de tireotoxicose em virtualmente todos os pacientes enquanto o iodo radioativo somente o faz em 46% dos casos. Uma vez optando-se pela terapia cirúrgica no BMNT, a tireoidectomia total ou quase total é a técnica de escolha. Resposta c. 72. O I131 está contraindicado para pacientes que estejam grá- vidas ou amamentando. Costuma-se, tembém, recomendar que ele não seja administrado a homens e mulheres que es- tejam planejando ter filhos dentro dos 4 a 6 meses seguintes. Entretanto, não foi evidenciado risco de teratogenicidade com o radioiodo. Por motivos de saúde pública, não é possível ad- ministrar radioiodo a pessoas que tenham demência ou sejam impossibilitadas de tomar terapia oral sem cuspi-la. Outras contraindicações relativas incluem bócios muito volumosos, recusa do paciente e oftalmopatia infiltrativa grave. Alergia ao iodo não representa contraindicação para o I131. Resposta d. 73. A causa mais comum de hipercalcemia ambulatorial é hi- perparatiroidismo primário (adenoma único de paratireoide é a etiologia mais comum). Diante dessa possibilidade o pró- ximo passo é solicitar dosagem de PTH intacto. A sua eleva- ção não só confirma o diagnóstico de hiperparatireoidismo primário como faz diagnóstico diferencial com a hipercalce- mia induzida pelo tiazídico (esta droga aumenta a reabsorção tubular de cálcio). Outras alterações bioquímicas do HPTP, com menor valor diagnóstico, incluem hipofosfatemia (de- tectada em aproximadamente 25% dos pacientes), hipercal- ciúria (em cerca de 40% e em 100% quando há nefrolitíase), aumento da 1,25 (OH)2 vitamina D (em um terço dos casos), elevação do AMP cíclico urinário e, com menos frequência, acidose metabólica hiperclorêmica. Essa última é vista nos casos com níveis muito altos de PTH, com consequente ini- bição da reabsorção tubular de fosfato. Portanto, hiperclore- mia e diminuição do bicarbonato sérico são achados úteis na diferenciação entre HPTP e outras causas de hipercalcemia. No HPTP, os marcadores bioquímicos da formação óssea (exemplo: fosfatase alcalina e osteocalcina séricas) e reab- sorção óssea, como o C-telopeptídio, com frequência estão aumentados. O tratamento definitivo do HPTP é a parati- reoidectomia, que está indicada para todos os pacientes com nefrolitíase ou osteíte fibrosa cística. Resposta c. 74. Valores de calcemia maiores que 14 mg/dL ou iônico > 7 mg/dL classificam o paciente como hipercalcemia grave, e que necessita de atendimento imediato e agressivo. O trata- mento também é recomendado de urgência se houver calce- mia maior que 12 mg/dL e presença de sintomas. O primeiro passo no manejo terapêutico desses pacientes é a hidratação vigorosa. A hipercalcemia predispõe à desidratação, e a repo- sição com salina fisiológica é recomendada, sendo frequen- temente necessários de quatro a seis litros nas primeiras 24 horas de tratamento, dependentes do grau de desidratação e de comorbidades presentes, como insuficiência cardíaca. Um esquema recomendado é de 300 mL de salina fisiológica por hora, procurando manter débito urinário entre 100-150 mL/ hora. Em trabalho recentemente realizado, a reposição de sa- lina com quatro litros ao dia diminuiu em média a calcemia em 2,4 mg/dL. Os diuréticos de alça devem ser prescritos após a hidratação e evitar a hiper-hidratação. A dose reco- mendada é de 20-40 mg de furosemida de 6/6 a 12/12 horas. A terapia antirreabsortiva óssea é de extrema importância e os bifosforados representam agentes de escolha. Resposta d. 75. A maior limitaçãoda PAAF é não distinguir o adenoma do carcinoma folicular, já que para definir carcinoma folicu- lar é necessária identificar invasão capsular. Para esta paciente a conduta correta seria tireoidectomia total e não lobectomia com istmectomia. Claro que diante de uma PAAF insatisfatória a recomendação é repetir o exame, e em geral se consegue um diagnóstico em 50% dos casos, mas em se tratando do câncer folicular vale a informação acima. A dosagem da Tg deve sem- pre ser acompanhada pela dosagem dos TgAb. Essa necessidade é explicada pelos TgAb interferirem no ensaio da Tg, determi- nando resultados falsamente elevados (radioimunoensaios) ou falsamente baixos (ensaios imunométricos). Pacientes TgAb- -positivos são acompanhados com exames de imagem (US e cintilografia de corpo inteiro) e com a dosagem dos títulos de TgAb. Em pacientes TgAb-positivos, a dosagem dos títulos an- tes da ART e 6 a 12 meses após correlaciona-se com o risco de recorrência. Entretanto, deve-se estar atento para o fato de que os ensaios para TgAb podem apresentar resultados falso-nega- tivos. O nível de recuperação, dado frequentemente fornecido pelos laboratórios, não é útil para o seguimento, sendo prefe- rível a dosagem dos títulos de TgAb. A dosagem da Tg deve levar em consideração não apenas a presença ou a ausência de TgAb, mas também o nível do TSH. O TSH suprimido dimi- nui a sensibilidade da Tg para a detecção de recidiva, e o TSH iatrogenicamente elevado aumenta a sua sensibilidade para a detecção do CDT metastático ou recidivante. O tratamento inicial foi inadequado, certamente tem recorrência glandular e metástase óssea. Para a recorrência locarregional que deve ser identificada com exames de imagem, a conduta é cirúrgica e posteriormente radioiodo. Para a metástase óssea radioiodo; se esta não for captante de iodo, radioterapia externa. Resposta a. 76. O quadro é de hipertireoidismo. A etiologia mais co- mum é Doença de Graves (em torno de 80%), no entanto TRAb normal torna este diagnóstico pouco provável. Anti- corpos antitireoglobulina (anti-Tg) e, sobretudo, os antitire- operoxidase (anti-TPO) são observados em muitos pacien- tes com DG. Seus títulos geralmente são mais baixos de que na tireoidite de Hashimoto. Em pacientes hipertireóideos, a presença dos anticorpos antirreceptores do TSH (TRAb) é específico para a DG, indicando doença ativa (em 70 a 100% dos casos). A determinação dos TRAb está indicada apenas em algumas situações específicas, tais como: (1) no diagnós- tico da DG eutireóidea; (2) no diagnóstico do hipertireoi- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 205 dismo apetético; (3) na distinção entre DG e tireoidite pós- -parto ou tireoidite subaguda linfocítica; (4) na avaliação do risco de recidiva do hipertireoidismo após a suspensão do tratamento com as tionamidas e (5) em gestantes com DG. TRAb em títulos elevados no fi nal da gestação implica risco aumentado de hipertireoidismo neonatal. Em contrapartida, sua negativação favorece a interrupção do tratamento, vi- sando a diminuir o risco de hipotireoidismo fetal. A segun- da causa mais comum de tireotoxicose é o nódulo autônomo (doença de Plummer). A cintilografi a defi ne o nódulo quen- te e a conduta inicial é tionamida para torná-lo eutireóidea e posteriormente ablação com radioiodo, ou injeção de etanol ou lobectomia. A técnica cirúrgica para o tratamento do AT geralmente limita-se à lobectomia ou istmectomia (quando localizado no istmo). As vantagens da cirurgia são a elimi- nação completa do(s) nódulo(s), a obtenção mais rápida do eutireoidismo com maior rapidez e a retirada de áreas com malignidade associada (excepcionalmente vistas). As- sim, a cirurgia está particularmente indicada para pacientes com bócios tóxicos volumosos ou quando há compressão de traqueia ou esôfago, principalmente nos mais jovens (60%, 15 min. após a excisão da glândula. Entre 143 pacientes, a medida intraoperatória do PTH teve sensibilidade e especifi cidade de 92 e 100%, respectivamente. Pode- -se também lançar mão de uma pequena sonda (10 mm) de radiação gama para a localização perioperatória do adenoma (nesse caso, o Tc-sestamibi é injetado 2 h antes da cirurgia). Em alguns centros, a PMI é feita ambulatorialmente, por via endoscópica, sob anestesia local. Resposta b. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015206 79. O Adenoma pleomórfico é o neoplasma mais comum das glândulas salivares, devendo a denominação de tumor misto, pela qual também é conhecido, à ideia inicial de dualidade his- togenética introduzida. O tumor é mais frequente no sexo fe- minino, acima dos 50 anos de idade, apresentando usualmente a história de um nódulo de crescimento lento e indolor. Nas glândulas maiores, o tumor pode alcançar grandes dimensões, porém, nas menores, usualmente não ultrapassa 2 cm de diâ- metro. Sua localização mais comum é no palato duro, próximo ao palato mole e no interior da glândula parótida. De evolução lenta, provocando nódulos firmes à palpação, é indolor e al- gumas vezes autolimitado, principalmente quando se localiza na parótida. É importante salientar que este tumor na parótida é em geral unilateral, móvel, de crescimento uniforme e deli- mitado. Para auxiliar o diagnóstico, utilizamos a tomografia computadorizada e a ultrassonografia. Todavia, a sialografia, no caso de tumores de grandes dimensões, é um auxiliar de grande valor, pois mostra uma imagem característica de “bola na mão”, ou seja, imagem de compressão do tumor na árvore ductal. A biópsia do nódulo na parótida é complexa à medida que se devem observar as estruturas que estão envolvidas na área, como, por exemplo, o nervo facial, que pode ser lesado em uma manobra “às cegas”, através de punção biópsia. Como o tratamento é cirúrgico, é importante a utilização na paró- tida da biópsia por congelamento durante a cirurgia, após a remoção do nódulo. Caso a biópsia por congelamento indicar adenoma pleomórfico, a remoção do lobo envolvido encerra o tratamento; sinais histológicos de tumor maligno, necessita de remoção maior de tecido peritumoral para garantir mar- gem de segurança. O prognóstico é bom com a perspectiva de paralisia do nervo facial. O Adenoma Pleomórfico localizado no palato é diferente da parótida, é um nódulo séssil, tem cres- cimento exofílico, podendo se ulcerar. O tratamento também é cirúrgico, em geral tem bom plano para a remoção e o prog- nóstico é bom, sendo rara a recidiva. Resposta a. 80. O esvaziamento cervical radical (ECR) foi descrito pela pri- meira vez em1906 por Crile, sendo considerado o padrão-ouro para a remoção de metástases ganglionares e consiste na remo- ção dos níveis ganglionares de I a V, o músculo esternocleido- mastoideo, a veia jugular interna, o XI nervo craniano (acessó- rio), o plexo cervical e a glândula submandibular. A preservação do músculo esternocleidomastoideo, da veia jugular interna ou do XI nervo craniano em qualquer combinação é denominado esvaziamento cervical radical modificado (ECRM), e as estru- turas preservadas são especificadas para nomenclatura. Uma dissecção cervical modificada também pode ser denominada dissecção cervical Bocca, em homenagem ao cirurgião que de- monstrou que não apenas o ECRM é igualmente eficaz no con- trole de doença cervical com relação ao ECR quando são pre- servados as estruturas não envolvidas diretamente com o tumor, mas que os resultados funcionais dos pacientes depois de ECRM são superiores aos ECR. A preservação de qualquer dos níveis I a V durante dissecção cervical é denominada esvaziamento cer- vical seletivo (ECS). Resposta d. 81. O esvaziamento cervical é um procedimento de risco por ser realizado em uma região anatomicamente complexa, com múltiplas estruturas importantes envolvidas na dissecção lin- fonodal, além da extensão do descolamento dos retalhos e a frequente combinação com cirurgias extensas para ressecção do tumor primário. As complicações podem ser menores, como deiscências da sutura do retalho cervical, até complica- ções graves, como ruptura de grandes vasos. Tratamentos pré- vios como radioterapia ou quimioterapia tendem a aumentar o risco de complicações locais relacionadas principalmente ao retalho cervical. O estado nutricional do paciente, diabete mellito, anemia e doenças cardiovasculares, juntamente com a extensão da ressecção,também se relacionam com as taxas e ocorrências de complicações. Deiscências e necroses parciais são as mais frequentes das complicações, advindas da isque- mia de porções dos retalhos, geralmente na confluência das suturas e podem resultar em ocorrências mais graves, como a ruptura de grandes vasos. Outras complicações dos esva- ziamentos cervicais são as retrações cicatriciais que podem proporcionar dor crônica e diminuição de movimentos de cintura escapular e do pescoço, interferindo com a capaci- dade laborativa do paciente e, consequentemente, com sua qualidade de vida. Resposta b. 82. O diagnóstico é de abscesso cervical, e diante do quadro o tratamento deve ser o mais precoce possível, abrangendo a prescrição de ATB de amplo espectro e drenagem cirúrgi- ca, já que o risco de progressão do quadro para mediastinite e óbito não é desprezível. Atualmente pelo uso mais liberal de ATB, esta etiologia (infecção de orofaringe) é menos fre- quente, mas diante do que foi exposto no quadro clínico, a presença deste grande abscesso cervical e comprometimento do estado geral deste paciente, as medidas a serem tomadas devem ser urgentes e prioritariamente com as medidas acima descritas. Resposta c. 83. O padrão de crescimento indolente e uma propensão inexorável para invasão perineural caracterizam o carcinoma adenoide cístico. Este tumor corresponde a 10% de todas as neoplasias, sendo dois terços ocorrendo nas glândulas sali- vares menores. Os tipos histológicos de carcinoma adenoide cístico são tubulares, cribiformes e sólidos, relacionados do melhor para o pior prognóstico. Vale lembrar que o carcino- ma mucoepidermoide é o tumor maligno mais comum entre os tumores das glândulas salivares. Resposta a. 84. Atualmente um esquema de quimiorradioterapia fornece melhora significativa na sobrevida global nos pacientes com doença avançada. O esquema mais eficaz é a cisplatina, na dose de 100 mg/m² IV em bolus com 5-FU 1.000 mg/m² du- rante cinco dias em infusão intravenosa, repetida a cada três ou quatro semanas. Recentemente, a adição de um taxano à indução por quimioterapia de cisplatina e 5-FU mostrou-se melhor que a cisplatina e 5-FU isolados. A dose de radiotera- pia é de 7.000 cGy. Resposta d. 85. A etiologia mais comum de HPP é adenoma único de paratireoide (83% dos casos), e cerca de dois terços dos casos são diagnosticados em exames de rotina e são assintomáti- cos. Um terço dos casos apresentam sinais e sintomas que t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 207 estão relacionados à hipercalcemia. Estas manifestações po- dem se caracterizar como emergência “crise hipercalcêmica” e geralmente se apresenta na vigência de cálcio sérico igual ou maior que 15 mg/dL: fraqueza muscular intensa, náuseas, vômitos, letargia, confusão mental, dor abdominal, poliúria, insufi ciência renal aguda, hipocalemia e ECG com intervalo QT curto e ausência de segmento ST. Resposta c. 86. Higroma cístico ou linfangioma cervical corresponde a 0,8% de todos os tumores benignos e 0,1% de todos os tu- mores cervicofaciais. A região cervical abriga cerca de 70 a 90% dos linfangiomas, e a região lateral é a mais comum, não havendo predomínio de nenhum dos lados. Resposta d. 87. Lesão folicular maior que 4 cm (o risco de câncer é de pelo menos 50%), deve levantar a suspeita de malignidade,particularmente em homens. Não há identifi cação de gân- glios cervicais ao exame clínico e/ou ultrassonogafi a, dessa forma a conduta mais adequada para este paciente é tireoi- dectomia total; a dissecção de gânglios cervicais na ausência de linfonodos palpáveis de nada acrescenta aos dados de so- brevivência. Resposta b. 88. Há duas opções corretas: adenoma único de paratireoide é a etiologia mais comum de HPP e o acometimento se faz principalmente nas paratireoides inferiores. O melhor méto- do para identifi car o adenoma é a cintilografi a com sestamibi e/ou sestamibi mais SPECT; a cirurgia deve ser sempre indi- cada para pacientes que preencham os critérios do consenso NIH. Gabarito ofi cial D. 89. Carcinoma folicular é mais frequente em mulheres idosas, em áreas com deficiência de iodo, e como a maio- ria das neoplasias malignas da tireoide a apresentação clínica é de um nódulo sólido solitário ao exame físico. Trata-se de câncer diferenciado cujo potencial de malig- nidade é maior do que o papilífero, mas no momento do diagnóstico somente cerca de 30% dos casos apresentam metástases a distância (a via hematogênica é a mais co- mum, e ossos e pulmões são sítios comuns de metástases; o acometimento de linfonodos cervicais são incomuns). O diagnóstico deste câncer pela PAAF nem sempre é possí- vel (aliás é a grande restrição do método), já que torna-se necessário a identificação da invasão da cápsula ou dos vasos sanguíneos ou linfáticos. Adicionalmente, o corte de congelação intraoperatória tem sido notavelmente inefi- caz para estabelecer o diagnóstico definitivo do carcinoma folicular. Resposta a. 90. O principal fator de risco para câncer de cavidade oral é o tabagismo. O abuso do tabaco aumenta a razão de chance do desenvolvimento de câncer laríngeo em 15,1, enquanto o abuso do álcool e tabaco traz uma razão de chance de 2,11. O abuso combinado de álcool e tabaco não é aditivo em termos de relação de diferença, mas é multi- plicativo. Resposta e. 91. A descrição traz o diagnóstico de uma lesão suspeita de neoplasia. A melhor conduta neste momento é excluir hiperfunção (Plummer), portanto a cintilografi a é o próxi- mo passo (defi nirá se nódulo quente ou frio), caso não seja quente a conduta é submetê-lo a procedimento cirúrgico, tireoidectomia parcial com biópsia de congelação intraope- ratória é a melhor proposta. Não há indicação de esvazia- mento cervical, não foi descrito a presença de gânglios cer- vicais e também não estamos diante de carcinoma medular. Resposta a. 92. O sangramento observado com saída de pequena quanti- dade de sangue, mas justifi cando aumento do volume do pes- coço levanta a suspeita de hematoma. Este achado determina a indicação de exploração cirúrgica, mas como há cornagem e este sinal defi ne comprometimento de via aérea a conduta neste momento é intubação orotraqueal para manter pérvia a via aérea. Resposta b. 93. Claro que a punção aspirativa iria mostrar carcinoma papi- lífero; a história epidemiológica é típica deste tumor. Esta pa- ciente tem mais de 40 anos e com lesão de 2,1 cm, fatos que de- terminam como melhor conduta a realização de tireoidectomia total. Como não há evidência de linfonodos cervicais torna-se desnecessário exploração cervical ganglionar. Resposta b. 94. Estamos diante de uma jovem com um diminuto nódulo de tireoide, sem fatores de risco para câncer papilífero, sem história familiar para câncer de tireoide e assintomática. A ultrassono- grafi a não evidenciou critérios sugestivos de malignidade (veja tabela abaixo), e este nódulo foge daqueles com indicação pre- cisa de PAAF (tamanho maior que 1 a 1,5 cm), sendo assim a melhor conduta para esta paciente é conduta conservadora com acompanhamento clínico: solicitar TSH e repetir o US após 6 meses e depois anualmente, para detectar crescimento ou alte- rações que indiquem necessidade de investigação. Classifi cação de Chammas I. Ausência de vascularização II. Vascularização periférica III. Vascularização periférica maior ou igual à central IV. Vascularização central maior que a periférica V. Vascularização apenas central Obs.: os nódulos com maior risco de malignidade são os com padrão de vascularização Chammas IV/V. Resposta e. 95. De fato a frequência de nódulos, palpáveis ou não, aumen- ta com a idade e é cerca de quatro vezes mais comum no sexo feminino. A prevalência na população geral é de 4 a 7%, e cer- tamente com aumento na população com mais de 60 anos. A grande maioria dos nódulos é benigna, entretanto a presen- ça de câncer deve sempre ser pensada e descartada. A grande maioria dos nódulos é sólida, e quando eram submetidos de rotina à cintilografi a a maioria se mostrou nódulo frio, mas destes somente 10-15% se mostravam malignos. Resposta d. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015208 96. De fato mais de 90% dos casos das neoplasias malignas da tireoide são consideradas bem diferenciadas, e incluem carci- noma papilífero, carcinoma folicular e variante de células de Hürthle. O carcinoma medular não é tumor bem diferencia- do, trata-se de um tipo específico de câncer cuja origem se dá nas células C, células parafoliculares. O carcinoma de células de Hürthle corresponde a 3% e não faz parte das síndromes NEM, já que é o carcinoma medular que compõe parte des- tas síndromes (NEM 2A:hiperparatireoidismo primário, car- cinoma medular e feocromocitoma;NEM 2B:neuromas mu- cosos, carcinoma medular e feocromocitoma). O carcinoma papilífero corresponde a 80% ou mais dos tumores da tireoi- de, e de fato corresponde ao tumor de melhor prognóstico, mas em homens este tem um comportamento mais agressivo. Embora o carcinoma papilífero tenha prognóstico excelente, alguns subtipos tem comportamento mais agressivo e ten- dem a ocorrer em pacientes mais idosos: carcinoma insular, de células altas e de células colunares. O carcinoma folicular é o segundo mais frequente e tem predileção por pacientes do sexo feminino com idade mais avançada e em áreas carentes de iodo. Seu potencial de agressividade é maior quando com- parado com o papilífero. Resposta d. 97. Atualmente, a principal indicação de traqueostomia é no manejo de pacientes que necessitam de períodos prolonga- dos de suporte ventilatório mecânico, portanto, uma indica- ção eletiva naquele paciente em UTI que já está em ventila- ção mecânica por período superior de 10 a 14 dias. Indicações de traqueostomias Eletivas (na ausência de dispneia ou na presença de dispneia leve) – Entubação orotraqueal (ou nasotraqueal) prolongada – Aspiração laringotraqueal – Dificuldade de eliminação de secreções broncopulmonares – Proteção das vias respiratórias nas operações de grande porte na face e/ou no pescoço – Tumores da face e do pescoço (como procedimento isolado) – Substituição de cricotireostomia Urgentes (na vigência de dispneia com desconforto in- tenso ou comprometedor) – Trauma com lesões na face, no pescoço ou no tórax (ou associa- ções destas) – Tumores obstrutivos da face, do pescoço e do tórax – Infecções do pescoço com formação de abcesso – Hematomas cervicais Desde a década de 1920, com a introdução de novas técnicas por Jackson, houve uma revolução com o procedimento de traqueostomia, com a metodização da técnica e redução da mortalidade operatória de 25% para 1%. Os trabalhos atuais mostram uma morbidade em torno de 6% e uma taxa de mor- talidade menor do que 1%. Chegou-se a esses resultados com o seguimento de técnicas meticulosas, além da necessidade de ter um ambiente cirúrgico adequado, escolher corretamente as cânulas e tubos, e prover cuidados pós-operatórios adequa- dos. As complicações da traqueostomia podem ser divididas em três categorias: intraoperatórias, complicações precoces e complicações tardias. Claro que as complicações são mais pre- visíveis quando o procedimento é realizado na urgência. Complicações da traqueostomiaIntraoperatória Pós-operatórias precoces Tardias Hemorragias Infecção Traqueomalácea Embolia gasosa Traqueíte Granulomas Pneumotórax: mais comum em crianças Celulite cervical Estenose subgloti- ca e traqueal Pneumomediastino Mediastinite Fístula traqueocu- tânea e traqueoe- sofágica Lesão de esôfago Pneumonia Aspiração Lesão da parede posterior da tra- queia Abscesso pulmo- nar Obstrução da câ- nula Lesão do nervo re- corrente Colonização bacteriana Fistula traqueoinomina Falso trajeto da câ- nula traqueal Enfizema subcu- tâneo Edema falso de glote Obstrução da câ- nula por secreção espessa Aspiração de corpo estranho Edema agudo de pulmão Lesão da glândula tireoide Deslocamento da cânula; distúrbios de deglutição; hematoma Traqueotomia é diferente de traqueostomia. Traqueotomia implica na formação de uma abertura que se fechará espon- taneamente, uma vez retirado o tubo (geralmente entre 5 a 7 dias após retirada do tubo). Traqueostomia implica na for- mação de uma abertura permanente que fica aberta após a remoção do tubo. Aproximadamente 25% dos pacientes que estão em VM necessitarão de traqueostomia, pois perma- necerão com auxílio dos respirador por um longo período. Resposta d. 98. A abordagem cirúrgica do carcinoma medular compre- ende, no mínimo, a tireoidectomia total, com ou sem dis- secção dos linfonodos centrais. A tireoidectomia permite a completa remoção da glândula e a pesquisa quanto multi- centricidade. No CMT esporádico, a lesão está normalmente localizada dentro de um lobo, enquanto na NEM 2 envolve a metade superior de ambos os lobos. O esvaziamento do com- partimento central permite o estadiamento apropriado desse processo. Quaisquer linfonodos palpáveis nas áreas laterais requerem esvaziamento cervical modificado do pescoço. Para os pacientes com massas menores e nos quais, depois da cirurgia, os níveis de calcitonina sejam indetectáveis, é previsto o sucesso da cirurgia, com bom prognóstico. Para a ablação de qualquer tecido residual da tireoide, pode ser usado o iodo radioativo. A literatura tem descrito alguns empregos dos testes de calcitonina basal e estimulados para acompanhar a recorrência, porque os valores da calcitoni- na estimulada devem subir antes dos níveis da calcitonina basal. Entretanto, a documentação da recorrência do CMT pelos meios bioquímicos é, muitas vezes, associada à recor- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 209 rência não ressecável em localizações metastáticas a distân- cia, incluindo pulmão e fi gado. A melhor chance de cura no MTC familiar está na resseção cirúrgica completa antes da transformação maligna ou antes de sua disseminação além da glândula tireoide. Dados do gnipo de estudo EUROMEN sugerem que a mutação no codon 634 (achada em 62,8% de 207 pacientes do estudo) está associada a um intervalo médio de 6,6 anos para progressão do tumor primário para metastases linfonodais. A tireoidectomia preventiva é a meta nos pacientes que são identifi cados por teste genético para MTC hereditário, mas que ainda não exibem evidência clíni- ca de doença. A extensão e o momento da resseção cirúrgica podem ser guiados pelas correlações do genótipo-fenotipo. Pacientes com MEN 2B, que demonstram maior risco, de- vem ser submetidos a tireoidectomia total executada o mais precocemente possível, antes dos 6 meses de idade e preferi- velmente dentro dos primeiros meses de vida. Estes procedi- mentos são mais bem executados por cirurgiões experientes em cirurgia tireoidea em crianças. Resposta d. 99. As traqueostomias convencionais, ou “abertas”, são as mais empregadas. Elas são realizadas sob anestesia local ou geral. A incisão cutânea deve ser transversa e é demarcada na linha média, na base do pescoço. A proeminência laríngea, a cartilagem cricoide e os anéis traqueais são palpados, o que permite que a incisão seja planejada no nível do segundo ou terceiro anel traqueal. Abertos a pele e o tecido subcutâneo, os retalhos são elevados e os músculos pré-tireóideos (revestidos por fáscia e ladea- dos medialmente pelas veias jugulares anteriores) são expos- tos. A incisão longitudinal na linha média – entre as duas veias jugulares anteriores – permite a exposição da loja visce- ral anterior do pescoço. O istmo da tireoide é identifi cado e pode ser seccionado, ligado e ressecado ou retraído superior- mente, de modo que exponha os primeiros anéis da traqueia. Exposta a face anterior da traqueia, procede-se à demarcação da incisão em sua parede anterior, após a injeção de aproxi- madamente 1 mL de lidocaina a 2%. A demarcação da inci- são pode ser feita de várias formas. Alguns autores preferem proceder a uma incisão em forma de “U”, outros em forma de “H”. Não é rara a preferência pela ressecção de um anel traqueal. Após a demarcação, a traqueia é aberta – entre o segundo e o terceiro anéis traqueais, por exemplo – com bis- turi de lâmina, e as secreções são imediatamente aspiradas. Com a traqueia aberta, a cânula é locada distalmente na luz traqueal. A cânula orotraqueal ou nasotraqueal, se presente antes da traqueostomia, é removida de modo que permita a visualização da luz traqueal. A cânula a ser locada na luz tra- queal é normalmente plástica e com balão. Uma pinça para a melhor exposição da luz traqueal pode ser usada quando necessário. Colocada a cânula na traqueia, procede-se à in- sufl ação do balão (de baixa pressão), à fi xação da cânula com cadarço ou com pontos na pele, à revisão da hemostasia e ao curativo. Resposta e. 100. A estenose subglótica está associada a, aproximadamen- te, 30% das estenoses traqueais localizadas no terço proximal da traqueia. A estenose subglótica deve ser corrigida ao mes- mo tempo que a ressecção traqueal. No adulto, a técnica mais utilizada para corrigir a estenose subglótica é a ressecção parcial da cricoide (faces anterior e 2/3 das faces laterais) – técnica de Gerwat e Bryce (1974). A reconstrução se faz com uma anastomose laringotraqueal semelhante à anastomo-se cricotraqueal já descrita, com exceção da sutura posterior que geralmente é confeccionada com pontos separados (fi o de poligalactina 910). Nas crianças, há muitas técnicas para corrigir as estenoses subglófi cas e a escolha de uma delas dependerá do tipo e da complexidade da estenose subglóti- ca. De maneira geral as técnicas para corrigir as estenoses subglóticas na criança são: a) as que alargam a subglótica (com cartilagem costal ou tra- queal) como Cotton, Rethi; b) as que ressecam a cricoide parcialmente como Gerwat e Bryce (1974), Pearson e col. (1975) e Gálio (1982); c) as que ressecam quase toda cricoide como Th omé (1972), Couraud e col. (1992) e Forte e col. (1995). Atualmente, para corrigir as estenose subglóticas, a técnica que mais utiliza- mos isoladamente ou em associação a outras técnicas. Na maioria das crianças a correção da estenose subglótica é mantida com um Tubo T por um período de três a 12 meses. O ramo superior do Tubo T fi ca acima das pregas vocais e aberto. O mais rápido possível, geralmente no primeiro p.o., o ramo externo do Tubo T deve ser fechado, o que se conse- gue em quase todos os doentes. Fechando o ramo externo, o doente passa a respirar de forma natural, isto é, por meio do nariz. Com isto o ar é aquecido, umidifi cado, fi ltrado e a for- mação de secreção diminui acentuadamente. Além disso, a secreções, por serem mais fl uidas, não aderem à parede inter- na do Tubo T. Mesmo assim, os doentes com Tubo T devem ser vigiados constantemente, porque há risco de obstrução total do mesmo por uma rolha de secreção e, consequente- mente, grave anoxia com a morte do doente. Resposta d. 101. Um fator importante na decisão terapêutica da estenose traqueal é o tipo da lesão que defi ne o estreitamento. A for- ma mais simples é o granuloma, constituído por tecido gra- nulomatoso na luz da traqueia. O segundo tipo de estenose traqueal é aquele secundárioà formação de uma membra- na fi brosa que cresce, em toda circunferência do órgão, da parede para o centro da sua luz. Essas lesões são localizadas e a estrutura da traqueia não está alterada. O terceiro tipo caracteriza-se pela estenose chamada em “gargalo de garrafa”, devido ao colapso da parede da traqueia envolvendo um cur- to segmento da mesma. A quarta forma de estenose é mais complexa e é defi nida pelo estreitamento da traqueia secun- dário a uma associação dos três tipos já descritos. Na maio- ria das vezes, essa última forma de estenose acomete longas extensões do órgão. Conhecidos os tipos de lesão, algumas observações merecem ser destacadas, mesmo que resumida- mente, na discussão da terapia endoscópica: 1. a ressecção com laser deve ser complementar à dilatação traqueal, usando-se broncoscópios com diâmetros progressi- vamente maiores. Somente as lesões fi bróticas e os granulo- mas devem ser ressecados. Na presença da membrana fi brosa, o laser deve ser utilizado para realizar três ou quatro incisões radiais. Depois, rompe-se a membrana com o broncoscópio; t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015210 2. em vez da traqueostomia, a ressecção com laser deve ser a primeira opção terapêutica das obstruções da traqueia que se acompanham por dispneia aguda; 3. a ressecção com laser e o tratamento cirúrgico não se ex- cluem. Os pacientes com indicação cirúrgica podem se be- neficiar com uma resseção endoscópica prévia, que costuma estabilizar o quadro clínico, facilitando a cirurgia em um se- gundo tempo; 4. a colocação de próteses brônquicas tem muita utilidade na manutenção da permeabilidade da via respiratória após a di- latação e a resseção com laser.) A laringotraqueoscopia é realizada em todos os doentes para confirmar o diagnóstico e analisar as características da estenose. 1. Na laringe procuramos: � presença ou não de estenose supraglófica; � presença ou não de estenose glótica: – paralisia neurogênica (sequela); – fixação das pregas vocais geralmente localizada na comis- sura posterior. � estenose na região subglótica: – qual o aspecto da estenose: apenas aumento da mucosa e submucosa ou se fibrótica, rígida e com alteração da cartila- gem cricoide; – quando há estenose verificamos se a mesma é anterior, pos- terior, laterolateral, anteroposterior ou em todas as faces da cricoide. 2. Na traqueia pesquisamos: � o local, o número, a extensão da estenose e a presença de traqueomalácia; � estenoses simultâneas (laringe ou brônquica) ou a pre- sença de fistula traqueoesofágica. 3. Identificação das estenoses complexas – estenoses na larin- ge, na traqueia e nos brônquios, ou estenoses associadas com malácia de extensões variáveis. 4. Finalmente, na laringe e na traqueia verificamos se a este- nose está: � na fase aguda (edema e/ou úlcera(s) e/ou hiperemia e/ou sangramento fácil e/ou cartilagem exposta); � na fase crônica com tecido fibroso maduro e resistente recoberto parcial ou completamente por mucosa neofor- mada. Resposta d. 102. O diagnóstico é de hiperparatireoidismo terciário. O HPT terciário ocorre em duas condições. A primeira é em um subgru- po de pacientes com HPT secundário nos quais as glândulas pa- ratireoides tornam-se autônomas e ocorre o desenvolvimento de hipercalcemia. A segunda condição foi reconhecida primeiro por St. Goar, que descreveu como pode haver a persistência do HPT secundário, mesmo após o paciente ser submetido a um trans- plante renal. O autor concluiu que as paratireoides tornam-se au- tônomas. Em teoria, a reversão da hiperplasia das paratireoides deveria ser esperada após um transplante renal bem-sucedido. Contudo, os estudos demonstram que pode haver persistência de hipercalcemia em 8,5 a 53% nos receptores de transplantes. Desses, menos de 1% tem necessidade de paratireoidectomia por HPT terciário. Os pacientes submetidos a transplantes podem apresentar fatores adicionais que contribuam para o HPT terci- ário persistente. Os glicocorticoides, a ciclosporina, os diuréticos tiazídicos e as alterações na taxa de filtração glomerular, como um resultado da lesão tubular ou por episódios de rejeição, são aspectos que podem influenciar na função das paratireoides e na resposta óssea. Assim, os pacientes com HPT secundário grave não deveriam ser submetidos a transplante renal até que seu HPT secundário tivesse sido tratado. Sabe-se que a hipercalcemia grave pode afetar adversamente a função do enxerto renal. Portanto, níveis de cálcio superiores a 11 mg/dL podem precisar ser abordados de maneira mais agres- siva. Os pacientes com doença óssea sintomática ou com outras sequelas graves de HPT urêmico podem beneficiarse da cirurgia. Por outro lado, como a maioria dos casos de HPT irá resolver-se após o transplante, o tratamento clínico pode ser indicado. O tra- tamento cirúrgico do HPT terciário após o transplante renal não é comum e deve ser reservado para pacientes sem resolução dos sintomas, pacientes com anormalidades hormonais ou bioquími- cas, tais como aqueles que apresentam níveis elevados ou crescen- tes de PTHi e um aumento nos níveis séricos de cálcio para mais de 12 mg/dL, que persistam por mais de 1 ano apõs o transplante, e para pacientes com hipercalcemia aguda (níveis de cálcio > 12,5 mg/dL) em períodos de pós-transplante imediato. Resposta d. 103. Para avaliar o prognóstico clínico tem sido usado o es- tudo ploidia do DNA. Admite-se que o aumento nuclear do DNA (aneuplodia) aumenta o risco de mortalidade, embora não haja consenso acerca desse conceito. O valor global da obtenção da informação da ploidia do DNA poderá ter algu- ma implicação quanto ao prognóstico, porém não tem exer- cido um definido impacto sobre as abordagens terapêuticas. Classificação do risco prognóstico em pacientes com cânceres bem diferenciados da tireoide (AMES ou AGES) Baixo risco Alto risco Idade 40 anos Sexo Feminino Masculino Extensão Sem extensão local, in- tratireoide, sem invasão capsular Invasão capsular, ex- tensão extratireoide Metástase Nenhuma Local ou distante Tamanho 4 cm Grau Bem diferenciado Pouco diferenciado No caso em questão, o fator de maior relevância é a idade. Resposta a. 104. A abordagem cirúrgica do carcinoma medular com- preende, no mínimo, a tireoidectomia total, com ou sem dissecção dos linfonodos centrais. A tireoidectomia per- mite a completa remoção da glândula e a pesquisa quanto multicentricidade. No CMT esporádico, a lesão está normalmente localizada dentro de um lobo, enquanto na NEM 2 envolve a metade su- perior de ambos os lobos. O esvaziamento do compartimen- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 211 to central permite o estadiamento apropriado desse processo. Quaisquer linfonodos palpáveis nas áreas laterais requerem esvaziamento cervical modifi cado do pescoço. Para os pacientes com massas menores e nos quais, depois da cirurgia, os níveis de calcitonina sejam indetectáveis, é previsto o sucesso da cirurgia, com bom prognóstico. Para a ablação de qualquer tecido residual da tireoide, pode ser usado o iodo radioativo. A literatura tem descrito alguns empregos dos testes de calcitonina basal e estimulados para acompanhar a recorrência, porque os valores da calcitonina estimulada devem subir antes dos níveis da calcitonina basal. Entretanto, a documentação da recorrência do CMT pelos meios bioquímicos é, muitas vezes, associada à recorrência não ressecável em localizações metastáticas a distância, in- cluindo pulmão e fi gado. Resposta d. 105. Em adultos com carcinoma papilífero da tireoide com 1 a 2 cm de diâmetro, há controvérsia sobre o uso da tireoidec- tomia total versus a lobectomia com istmectomia. As vanta- gens da tireoidectomia total incluem o uso efi ciente do tra- tamento pós-operatório pelo radioiodo. Evidentemente, seexistir tireoide residual, a radioablação é muito menos efi caz e requer uma dosagem maior. As vantagens do menor proce- dimento são o decréscimo da taxas de dano ao nervo larín- geo recorrente e o hipoparatireoidismo. Um estudo recente avaliou microcarcinomas papiliferos de 5 mm a 1,5 cm de tamanho. Suas conclusões dão conta de que a tireoidectomia total deve ser considerada para essas lesões pela agressivida- de local de depósitos tumorais multicêntricos residuais. No entanto, outros estudos não mostraram nenhum aumen- to nas taxas de mortalidade para pequenos achados aciden- tais de carcinoma papilífero. Se o carcinoma papilifero se apresentar como uma lesão palpável com mais de 2 cm, deve ser considerada ressecção cirúrgica mais agressiva, incluindo tireoidectomia total. O tratamento com radioiodo (radioiodoterapia) não está indicado em pacientes de risco muito baixo ( 20% dos tumores MEN 2A Multifocal, bilateral Autossômico dominante Feocromocitomas, hiperpa- ratiroidismo Mutações missense na linha germinativa dos códons de cisteína do RET MEN 2B Multifocal, bilateral Autossômico dominante Feocromocitomas, neuro- mas mucosos, megacólon, anormalidades esqueléticas Mutações missense no domí- nio tirosina cinase do RET FMTC Multifocal, bilateral Autossômico dominante Nenhuma Mutações missense na linha germinativa dos códons extra ou intracelulares do RET Tabela: FMTC: carcinoma medular tireoideo familiar na MEN; MEN: neoplasia endócrina múltipla; MTC: carcinoma medular tireóideo. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015212 A prioridade no tratamento deste paciente é primeiro o feo- cromocitoma, evitando-se, dessa forma, intercorrências hiper- tensivas e/ou cardiovasculares no manejo cirúrgico do CMT. O feocromocitoma ocorre de 40 a 50% dos pacienes MEN 2A. É importante estabilizar clinicamente o paciente antes da ci- rurgia a fim de evitar qualquer evento perioperatório devido à secreção excessiva de catecolaminas. O bloqueio alfa pré- -operatório é alcançado por administração de fenoxibenza- mina (40-200 mg/ dia) durante 5 dias a 2 semanas antes de cirurgia. A dose é titulada à mais baixa pressão sanguínea to- lerada por estes pacientes sem hipotensão relativa sintomáti- ca. Se taquicardia ou arritmia cardíaca resultar do tratamento com fenoxibenzamina, um betabloqueador é acrescentado ao regime de tratamento. Após a estabilização clínica, o pacien- te é levado para cirurgia. Durante o procedimento, pode ser necessário controlar hipertensão paroxística intraoperatória com anti-hipertensivo de curta duração como nitropnissiato de sódio ou fentolamina. Tradicionalmente, existe controvérsia se adrenalectomia unilateral ou bilateral deve ser executada para tumores uni- laterais. Em uma série de nossa instituição, os resultados de adrenalectomias unilateral e bilateral foram comparados. Quase um quarto dos pacientes submetidos a adrenalecto- mia bilateral apresentou pelo menos um episódio de insu- ficiência adrenal aguda e necessitou de hospitalização. Dois destes pacientes morreram de episódios de insuficiência adrenal. Dos pacientes que tiveram adrenalectomias unila- terais, 52% desenvolveram feocromocitomas contralaterais depois de um intervalo médio de 12 anos. Em contrapartida, 48% de pacientes permaneceram livre de doença por padrões bioquímicos e sintomáticos durante um intervalo médio de 5 anos. Baseado nestes resultados, é nossa prática executar a resseção somente da adrenal envolvida e manter rastreamen- to bioquímico anual depois disso. Os pacientes com MEN 2A e MEN 2B são idealmente candi- datos a adrenalectomia laparoscópica porque os feocromoci- tomas que surgem nestas síndromes são raramente malignos e quase nunca extra-adrenais. Os feocromocitomas podem ser removidos com sucesso por adrenalectomia laparoscópi- ca unilateral ou bilateral se pequenos, confinados à adrenal e corretamente localizados por TC ou RNM de alta resolu- ção, e se o paciente está adequadamente preparado farma- cologicamente. A adrenalectomia laparoscópica é associada à permanência hospitalar mais curta, dor pós-operatória di- minuída e recuperação mais rápida quando comparada com a adrenalectomia aberta. Contraindicações à abordagem laparoscópica incluem tumores grandes (> 8 a 10 cm), feo- cromoctomas malignos e contraindicações à laparoscopia já existentes. Resposta b. 107. O cisto do ducto tireoglosso é a mais comum massa cervical benigna, excetuando-se as adenopatias cervicais benignas. A maioria dos cistos apresenta-se antes de o pa- ciente completar cinco anos, mas pode surgir em qualquer idade, tendo sido relatados inclusive aos oitenta anos de ida- de. Apresenta-se como uma massa em linha média que se eleva à protrusão da língua e deglutição, sendo essa última sua mais constante característica. Cisto tireoglosso: tumoração na linha média cervical que se eleva com a protusão da língua. Resposta a. 108. Em 75% dos casos é possível a localização do adeno- ma com ultrassonografia cervical e em 80% dos casos com a cintilografia com sestamibi. A sestamibi é uma proteína de baixo peso molecular marcada com tecnécio-99. Após a adminstração via endovenosa, é cap- tada somente pelo tecido da paratireoide hiperprodutora de PTH. Como as paratireoides normais estão suprimidas, elas não captam o radiofármaco. No caso de hiperparatireoidis- mo secundário, que cursa com hiperplasia das glândulas, a ultrassonografia e a cintilografia com sestamibi identificamcorretamente as lesões em somente 35% dos casos. Já nos ca- sos de hiperparatireoidismo primário, a associação dos dois métodos localiza corretamente o tumor em 95% dos casos. Nos pacientes que não foram submetidos a qualquer exame de imagem no pré-operatório, os tumores podem ser corre- tamente identificados no per-operatório por um cirurgião experiente em até 95% dos casos. Os casos de insucesso na localização da lesão durante a cirurgia devem ser submeti- dos à cateterização venosa seletiva com dosagem de PTH, o que localiza o tumor em até 80% dos casos. A tomografia e a ressonância nuclear magnética apresentam baixa sensibi- lidade para localização do tumor. Podem ser utilizadas para localização de tumores ectópicos, como os localizados no mediastino. A biópsia com agulha fina pode ser útil para di- ferenciação entre a glândula paratireoide e linfoadenopatia. Observe a tabela 7.5 da sua apostila Cabeça e Pescoço, e faça uma avaliação do custo benefício de cada um dos exames de imagem. A instituição liberou como gabarito opção B, ficamos com a opção d, visto a afirmação sensibilidade, es- pecificidade e baixo custo. O SPECT sestamibi, embora seja melhor do que a cintilografia com sestamibi, não tem baixo custo. Resposta d. 109. No hiperparatireoidismo secundário existe aumento da secreção de PTH em resposta ao nível sérico diminuído de cálcio secundário a doenças renais ou a doenças intestinais que cursam com malabsorção. Nessa situação ocorre hiper- plasia reacional de todas as glândulas paratireoides em res- posta ao baixo nível sérico de cálcio. As doenças renais estão associadas com anormalidades no metabolismo da vitamina D, especificamente a ausência de produção de 1,25 diidro- xivitamina D3, a forma ativa da vitamina D, consequente à deficiência da enzima hidroxilase. Os portadores de insufi- ciência renal crônica em regime de diálise apresentam ainda hiperfosfatemia, o que contribui com a diminuição do nível sérico de cálcio. O tratamento inicial do hiperparatireoidis- mo secundário se dá pela administração de 1,25 diidroxivita- mina D3, dieta pobre em fósforo e suplementação oral com t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 213 cálcio. A partireoidectomia está indicada nos pacientes que apresentam doença óssea severa, prurido refratário ao tra- tamento clínico, nível de cálcio sérico maior do que 11 mg/ dL em associação à elevação no nível de PTH, calcifi cação de tecidos moles, calcifi laxia e calcinose tumoral. Os resultados são satisfatórios em termos do controle da dor óssea e do prurido. Após a cirurgia obtém-se a reminerali- zação óssea por meio da suplementação com vitamina D e cálcio. Estudo pré-operatório para a localização tumoral é desnecessário, porém pode detectar glândulas ectópicas. Em termos técnicos realiza-se a exploração cervical bilate- ral (opção A, correta!). Pode-se realizar paratireoidectomia subtotal ou paratireoidectomia total com autotransplante do tecido da paratireoide no antebraço ou no músculo esterno- cleidomastoideo. Na paratireoidectomia subtotal deixa-se remanescente glandular bem vascularizado com 60 a 100 mg de peso. Resposta a. 110. Elementar. Mulher com massa de mediastino anterior com desvio traqueal para a esquerda tem como diagnósticos diferenciaisl mais prováveis, timoma, bócio mergulhante, te- ratoma e linfoma. O bócio intratorácico corresponde a cerca de 20% dos bócios, geralmente para o mediastino anterior, à esquerda, mas podem apresentar crescimento retrotraqueal para o mediastino médio ou posterior. Timoma é o tumor mais comum do mediastino anterior, aco- metendo em igual proporção homens e mulheres com mais de 40 anos, geralmente assintomáticos. Podem ocorrer sintomas por compressão ou invasão das estruturas vizinhas pela massa. Os portadores de linfoma apresentam miastenia grave em cerca de: 30 a 50%, hipogamaglobulinemia em 10% e aplasia das célu- las vermelhas em 5%. Por outro lado, somente cerca de 15% dos portadores de miastenia grave apresentam timoma, o que pode justifi car a pesquisa do tumor mesmo com exame radiográfi co normal. O timoma e uma massa arredondada ou lobulada, bem circunscrita, (pie tem origem em um dos lobos tímicos, apresen- tando crescimento lateralizado, geralmente na porção superior do mediastino anterior, porém podendo ocorrer desde a base do pescoço ate o seio cardiofrênico. A massa pode variar de menos de 1 até 34 cm, mas geralmente varia de 5 a 10 cm de diâmetro. O timoma e uma massa capsulada, com contornos regular, li- sos, as vezes bocelaclos, que apresentam plano de clivagem com as estruturas adjacentes. A variante maligna do timoma e mais bem denominada timoma invasivo. O diagnóstico e feito quan- do existe invasão da cápsula que envolve o tumor. Pode ocorrer invasão regional de estruturas vizinhas. Os teratomas maduros representam de 60 a 70% dos tumores de células germinativas mediastinais, não apresentam prefe- rência por sexo e acometem predominantemente crianças e adultos jovens. Normalmente, os pacientes são assintomáti- cos, mas tumores grandes podem causar sintomas de com- pressão. Enzimas digestivas secretadas pela mucosa gástrica e pancreática contidas no tumor podem precipitar rotura para brônquio, pericárdio, pleura ou pulmão. O teratoma maduro e uma massa encapsulada caracterizada pela presença de áreas císticas e sólidas. O tumor pode tentar formar órgãos e con- ter dente, pele e cabelo (derivados ectodérmicos), cartilagem e osso (derivados mesodérmicos) e/ou tecido brônquico, in- testinal e pancreático (derivados endodérmicos). São massas arredondadas ou lobuladas bem-defi nidas, localizadas no me- diastino anterior, que geralmente protraem para um dos lados do mediastino e podem apresentar grandes dimensões. Na radiografi a de tórax, cerca de 26% apresentam calcifi cações, mas raramente podem apresentar osso e dente reconhecíveis. Na TC, apresenta-se como massa cística multiloculada, com paredes com espessura variável. Massa de mediastino anterior que apresenta conteúdo com atenuação próxima a de líquido, tecido de partes moles, cálcio e/ou gordura e uma combinação altamente sugestiva para o diagnóstico de teratoma maduro. A presença de nível (ou níveis) líquido - gorduroso, produzi- do pelo alto conteúdo de lipídios em cistos contento líquido e diagnóstico mas trata-se de um achado raro. Linfoma é um dos tumores mais comuns do mediastino e pode apresentar-se como lesão mediastinal primaria ou, com maior frequência, como doença generalizada. Doença de Hodgkin (DH) ou linfoma não Hodgkin (LNH) acome- tem o mediastino, no entanto é comum estarem limitadas ao mediastino no momento do diagnóstico. A DH representa 25 a 30% de todos os casos de linfoma; entretanto, de 50 a 70% dos pacientes com linfoma periférico e acometimento do mediastino são portadores de DH, enquanto 15 a 25% têm LNH. Doença de Hodgkin é o linfoma mais comum de mediastino. Esclerose nodular é o subtipo mais comum de DH e apresenta grande predileção pelo mediastino anterior, especialmente nas mulheres jovens. Resposta e. 111. Temos uma paciente do sexo feminino com hipercalce- mia leve e sintomática. A principal causa de hipercalcemia ambulatorial é hiperparatireoidismo primário, e a principal etiologia é adenoma único de paratireoide. Portanto o trata- mento é cirúrgico. O hiperparatireoidismo primário é tratado com parati- reoidectomia. A maioria dos autores concorda com a indica- ção de cirurgia nos pacientes sintomáticos ou nos pacientes com idade inferior a 50 anos. Existe controvérsia em relação aos assintomáticos, principalmente pela falta de consenso em relação a sua defi nição. O NIH (National Institutes of Health) defi ne como assintomática a ausência dos sinais e sintomas comuns do hiperparatireoidismo primário, incluindo dis- túrbios renais, ósseos, intestinais e neuromusculares. Alguns autores demonstraram que pacientes assintomáticos perma- neceram estáveisapós 10 anos de seguimento. No entanto, o consenso do NIH considerou alguns pacientes assintomáti- cos como candidatos ao tratamento cirúrgico. Os pacientes não submetidos à cirurgia devem realizar seguimento com dosagem de cálcio sérico duas vezes ao ano e dosagem de creatinina e densitometria óssea uma vez ao ano. Resposta a. 112. O quadro é compatível com hematoma de loja ti- reoidiana, que corresponde à principal causa de IRpa no pós-operatório imediato. Para minimizar a hemorragia operatória, o paciente é posicionado com a cabeça e o tórax levantados de 15o a 30°. A prevenção está na boa técnica de dissecção e hemostasia. Os vasos, mesmo minúsculos, devem ser ligados. Os vasos maiores serão ligados e transfi xados. A hemorragia pós-operatória normalmente se manifesta nas primeiras 16 horas. Se o paciente estiver drenado, haverá eliminação excessiva de secreção sanguinolenta. A distensão do pescoço é a regra. Cerca de 50 a 100 mL de sangue na região cervical são sufi cientes para causar edema da laringe e obstrução das vias aéreas, o que pode provocar o óbito. O tratamento consiste em descompressão imediata, soltando os pontos da pele, tela subcutânea e fáscia cervical superfi cial, no próprio leito. A traqueostomia encontra ampla indicação nessa complicação. A seguir o paciente deve ser levado ao t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015214 centro cirúrgico e feita uma revisão completa da hemostasia, apesar de, muitas vezes, não ser possível identificar o vaso responsável pela hemorragia. Resposta b. 113. O quadro é compatível com hiperparatireoidismo primá- rio (hipercalcemia, elevação do PTH e manifestação clínica com nefrolitíase), e o exame de imagem exposto em tela é cintigra- fia com sestamib. Os métodos de imagem, que objetivam a lo- calização da possível glândula anômala (na maioria das vezes adenoma único), não tem validade na definição diagnóstica. Podem ser extremamente úteis como complemento e facilitador do procedimento cirúrgico, em particular em casos de reopera- ção e em pacientes com maior risco. Os métodos mais empre- gados sdo o ultrassom (US), a ressonância magnética (RM) e o mapeamento com MIBI (2-metoxi-isobutil-isonitrila), marcado com tecnécio 99m (cintilografia com sestamibi). O US é o mais simples, de custo mais baixo, mas que apresenta menor especifi- cidade, sendo muito dependente do operador e do equipamento disponível; já a RM e o MIBI apresentam performances equiva- lentes. Uma vantagem do estudo com MIBI e sua característica funcional, que fica clara quando avaliamos a correlação entre a positividade do estudo e o grau de alteração metabólica. Este aspecto apenas reforça sua falta de indicação como método de confirmação diagnóstica, uma vez que os casos duvidosos, com alterações metabólicas limítrofes serão, em sua maioria, negati- vos. Adicionalmente, e bom lembrar a existência de resultados falso-positivos, induzidos pela presença de nódulos tireoidianos ou de hiperparatireoidismo secundário. Resposta b. 114. A acurácia diagnóstica da biópsia aspirativa por agu- lha fina é extremamente alta, com taxas de sensibilidade com cerca de 85 a 95%) e especificidade de 99%. Os problemas diagnósticos estão na diferenciação das tireoidites de linfo- mas de baixo grau e, particularmente, adenomas de carcino- mas foliculares (principal restrição), pela impossibilidade de caracterização de invasão capsular e/ou vascular que são a chave do diagnóstico diferencial. Resposta d. 115. A sua apostila lhe oferece as informações necessárias para que você atinja seu objetivo. Use-a com carinho. O car- cinoma papilífero usualmente não é encapsulado e apresenta corpos de psamomas em 40% dos casos (calcificações pun- tiformes com aspecto de grão de arroz). Os núcleos, geral- mente, são grandes, irregulares, com inclusões intranucleares denominados sinal da “orphan Anne eye change”. Carcinoma papilífero. Células arranjadas em padrão papilí- fero bem delineado, notando-se uma célula gigante. Coloi- de presente. Os núcleos geralmente são grandes, irregulares, com inclusões intranucleares “orphan Anne eye change”. Co- loração de Leishman, x1900. Resposta b. 116. O exame relacionado na questão diz respeito à cintilo- grafia com sestamibe, cuja finalidade é diagnosticar adenoma de paratireoide. Uma vez confirmado o diagnóstico de hiperparatireoidis- mo (PTH e cálcio), solicitam-se os exames de imagem para localização das para-tireoides patológicas que podem faci- litar o trabalho do cirurgião. As técnicas não invasivas para a localização da paratireoide anormal incluem: ultrassono- grafia cervical, cintilografia com tecnécio-99m Sestamibi, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magné- tica cervicais e/ou torácica. Esses exames são obrigatórios na reoperação dos casos de HPP recorrente ou persistente e úteis na identificação de paratireoides ectópicas na região cervical ou no mediastino. Os exames para localização pré-operatória da para-ti- reoide anormal são solicitados, atualmente, em todos os pacientes com diagnóstico de HPP, pois aproximadamen- te 85% dos adenomas solitários da paratireoide podem ser localizados previamente à cirurgia, quando se associa o MIBI ao exame de ultrassonografia. A identificação da paratireoide anormal, previamente à cirurgia, permite a exploração cervical unilateral, conhecida como cirurgia minimamente invasiva. A exploração unilateral econo- miza tempo de cirurgia, diminui a morbidade do pro- cedimento, reduzindo as complicações potenciais, além de reduzir o tempo de recuperação pós-cirúrgica, com diminuição de custos. Cintilografia de paratireoides com tecnécio-MIBI: imagens à esquerda obtidas após 15 minutos de captação com o ra- diofármaco e, à direita, após 2 horas e 30 minutos; imagens superiores com destaque para a região cervical e inferiores incluindo região mediastinal. A seta aponta para captação em topografia de paratireoide inferior direita. Resposta a. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 215 117. A experiência do cirurgião é o fator mais importante na determinação do sucesso operatório. A cirurgia recomenda- da é denominada cirurgia convencional, compreendendo a exploração cervical bilateral sob anestesia geral, com identi- fi cação de todas as glândulas. Essa sistemática permite índi- ce de sucesso de 95%, dependendo da experiência da equipe cirúrgica. Entretanto, mesmo os cirurgiões mais experientes podem ter difi culdade em localizar uma paratireoide, espe- cialmente quando há uma operação cervical anterior. Na re- operação, o tecido cicatricial distorce os planos anatômicos, que aumentam o risco de complicações pós-operatórias. De- ve-se enfatizar que são comuns as variações de topografi a das glândulas da paratireoide e também a presença das glândulas supranumerárias. Havendo certeza do diagnóstico e não se achando anormalidades nas paratireoides cervicais, está in- dicada a pesquisa da glândula paratireoide no mediastino. A cirurgia consta da retirada do adenoma e, na hiperplasia as- sociada à adenomatose endócrina múltipla, o procedimento é paratireoidectomia total seguida de implante de fragmentos de paratireoide para o antebraço a fi m de se evitar o hipopa- ratireoidismo defi nitivo. Resposta c. 118. A parotidite pós-operatória aparece em pós-operatório tardio. Ocorre pela desidratação que leva ao acúmulo de se- creções viscosas na boca e obstruem o ducto de Stenon. O germe mais implicado é o Staphilococcus aureus. Acomete principalmente indivíduos idosos, debilitados ou desnutri- dos. O tratamento é iniciado com vancomicina e, em casos graves, deve ser realizada drenagem externa da glândula. Resposta a. 119. O sangramento é a maior causa de complicação no pe- ríodo pós-operatório precoce. Normalmente, sangramentos pequenos podem ser controlados com a elevação daCaron – Clínica Cirúrgica – 2013 42. Sobre a investigação do nódulo de tireoide, assinale a alternativa INCORRETA: a) a dosagem de TSH sempre deve ser solicitada b) recomenda-se dosagem de calcitonina como método diagnóstico apenas nos pacientes com antecedentes familiares de carcinoma medular de tireoide c) o nódulo hiperfuncionante praticamente exclui ma- lignidade d) a dosagem de tireoglobulina é recomendada como rotina e) a ultrassonografia de glândula tireoide não deve ser utilizada de rotina como exame de triagem ACERTEI ERREI DÚVIDA Angelina Caron – Clínica Cirúrgica – 2013 43. Nódulos tireoidianos mais suspeitos em crianças e adolescentes são compatíveis com: a) bócio simples atóxico b) bócio simples tóxico c) bócio mergulhante d) carcinoma e) nenhuma das alternativas anteriores está correta ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 44. A avaliação da calcitonina sérica pode ser utilizada no pós-operatório de tireoidectomia como marcador de doença recorrente no carcinoma da tireoide do tipo: a) papilífero b) folicular c) medular d) de células de Hurthle ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 45. Lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior em paciente submetido à tireoidectomia acarreta: a) insuficiência respiratória grave b) incapacidade de tensionar a corda vocal c) engasgos no pós-operatório imediato d) paralisia da corda vocal ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 46. Os títulos de anticorpos antimicrossomiais e antitire- oglobulina geralmente são positivos e podem ajudar a estabelecer o diagnóstico de tireoidite: t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 159 a) de Hashimoto b) de Riedel c) subaguda d) de Quervain ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 47. Na neoplasia endócrina múltipla do tipo I, o tumor funcional pancreático mais frequente é o: a) glucagonoma b) somatostinoma c) gastrinoma d) insulinoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 48. A síndrome do enfermo eutireoidiano pode ser carac- terizada por níveis de T3 totais: a) elevados, com TSH suprimido b) elevados, com TSH elevado c) baixos, com TSH abaixo do normal d) baixos, com TSH baixo e) baixos, com TSH elevado ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 49. Na prática clínica, ao se detectar nódulo tireoidiano palpável, pode-se afi rmar que: a) se o TSH estiver suprimido, está indicada a punção do nódulo por agulha fi na b) ausência de microcalcifi cações à ultrassonografi a di- minui a chance de malignidade do nódulo c) a fotocintilografi a com iodo radioativo não deve ser utilizada para dar prosseguimento à investigação d) a punção aspirativa por agulha fi na deve ser descar- tada se os níveis de TSH estiverem suprimidos e) punção por agulha fi na negativa afasta totalmente a possibilidade de neoplasia maligna ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 50. No que diz respeito às neoplasias tireoidianas, pode- -se afi rmar que: a) o carcinoma papilífero é responsável pela maioria das doenças malignas tireoidianas b) o carcinoma papilífero responde mal a doses ablati- vas com iodo radioativo c) no câncer tireoidiano, antes de se submeter o pa- ciente a dose ablativa de iodo radioativo, é requerida dieta rica em iodo d) o carcinoma anaplásico responde mal a doses ablati- vas com iodo radioativo, mas tem excelente resposta com a quimioterapia e) o microcarcinoma papilífero, tumor muito agressi- vo, deve ser tratado com tireoidectomia total e doses ablativas de iodo radioativo ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2013 51. Paciente renal crônico, dialítico há 8 anos por hiper- tensão arterial sistêmica, queixa-se de dor óssea, pru- rido e radiograma de úmero mostra lesão osteolítica. A hipótese diagnóstica é: a) osteossarcoma de úmero b) carcinoma renal com metástase óssea c) sarcoidose renal d) hiperparatireoidismo secundário ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 52. O aumento glandular em pacientes com hiperparati- reoidismo primário ocorre principalmente sob a for- ma de: a) adenoma único b) hiperplasia única c) hiperplasia múltipla d) adenoma múltiplo ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 53. As principais complicações relacionadas à introdução de uma cânula de traqueostomia são: a) obstrução e hemorragia b) fratura do anel traqueal e obstrução c) falso trajeto e fratura do anel traqueal d) estenose hemorragia e) falso trajeto e estenose ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2013 54. Assinale a afi rmativa correta em relação à cirurgia da traqueia: a) a traqueografi a é indispensável na avaliação da ex- tensão da estenose b) a dilatação traqueal é a medida mais recomendada nas estenoses infl amatórias em situações de urgência c) na maioria dos casos a traqueostomia de urgência é a medida a ser adotada d) o carcinoma de células pequenas é o tumor primário mais frequente da traqueia ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2013 55. Mulher, 60 anos, queixa-se de sensação de sufocação ao deitar e disfagia de longa duração. A tomografi a computadorizada de tórax mostra imagem de limites lisos, densidade heterogênea e com áreas de calcifi ca- ção no estreito superior do tórax, com desvio da tra- queia e do esôfago. Assinale a alternativa correta. a) o timoma é o tumor mais provável b) não havendo sinais de hipertireoidismo, a cirurgia está contraindicada c) a punção com agulha fi na é mandatória d) o tratamento cirúrgico é a primeira escolha ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015160 UFPE – Clínica Cirúrgica – 2013 56. Dentre as alterações benignas da mucosa da laringe tratadas pela microcirurgia, assinale a que é conside- rada de origem congênita. a) nódulo vocal b) cistos intracordais c) polipose difusa bilateral d) granolomas ACERTEI ERREI DÚVIDA UFSC – Clínica Cirúrgica – 2013 57. Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa abaixo. O sítio mais comum de tumor metacrônico de um pa- ciente tratado com câncer de laringe é: a) esôfago b) assoalho de boca c) língua d) pulmão e) hipofaringe ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 58. Os higromas císticos se localizam com maior frequ- ência na região: a) retroesternal b) cervical medial à borda do músculo esternocleido- mastoideo c) cervical lateral d) submentoniana ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 59. Assinale a alternativa correta sobre os cistos tireo- glossos. a) é muito rara a ocorrência de infecção nestes cistos, porque eles são ricamente vascularizados b) geralmente estão associados às alterações imunoló- gicas da tireoide e à hiperplasia das paratireoides c) a excisão cirúrgica requer a remoção da porção cen- tral do osso hioide, assim como do cisto e do trajeto do ducto tireoglosso d) essas lesões têm alta incidência de degeneração ma- ligna a partir dos 10 anos, principalmente quando compromete o lobo piramidal da tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2013 60. A sra. Maria dos Remédios, 43 anos, ascensorista de elevador, foi avisada por um dos médicos que atendem no prédio em que ela trabalha que sua tireoide estava aumentada. Ela chega na consulta e disse que não se incomodava com o “papo” [sic] mas com o inchaço nos pés e pernas. No exame mé- dico é possível observar exoftalmia pronunciada, membros inferiores e superiores com pele resseca- da com edema pré-tibial. Sobre o bócio, analise as afirmações a seguir: I. O diagnóstico mais provável no caso relatado é bócio difuso tóxico. II. A doençacabe- ceira do leito, troca dos curativos e compressão local. Mas sangramentos maiores devem ser tratados em ambiente ci- rúrgico, para uma adequada revisão da hemostasia, com li- gadura dos vasos sangrantes. O sangramento vultoso é raro, e geralmente é devido a uma lesão inadvertida da artéria ino- minada. Técnicas para minimizar esta complicação incluem: manter sempre a dissecção na linha média; afastamento late- ral dos tecidos por planos anatômicos e uso da ligadura, ao invés da cauterização dos vasos sanguíneos. Resposta b. 120. O cisto do ducto tireoglosso é a mais comum massa cervical benigna, excetuando-se as adenopatias cervicais be- nignas. A maioria dos cistos apresenta-se antes de o paciente completar cinco anos, mas pode surgir em qualquer idade, tendo sido relatados inclusive aos oitenta anos de idade. Apresenta-se como uma massa em linha média que se eleva à protrusão da língua e deglutição, sendo essa última sua mais constante característica. Uma alta taxa de incidência era inicialmente observada com a excisão isolada do cisto. Em 1920, Sistrunk recomendou a retirada de um bloco de tecido desde a base da língua en- volvendo o ducto, o cisto e parte do osso hioide. Com essa técnica, a taxa de recidiva gira em torno de 3%. Resposta b. 121. Adenoma pleomórfi co é considerado o tumor mais comum das glândulas salivares. Histopatologicamente, apre- senta-se com um padrão altamente diversifi cado e é derivado de uma proliferação simultânea de elementos ductais e mio- epiteliais. Dentre todas as glândulas salivares, a parótida é a mais acometida. Resposta b. 122. Os adenomas constituem a mais frequente causa de hiperparatireoidismo, sendo em sua maioria únicos. Alte- rações genéticas nos cromossomos 1 e 11 (relocação e de- leções) predispõem ao seu desenvolvimento. O aumento de todas as glândulas paratireoides (hiperplasia) é a segunda causa mais frequente e, quando este aumento é assimétrico, pode ser confundido com adenoma. Os carcinomas são ra- ros e, apesar de indolentes e de evolução lenta, apresentam maior morbidade em decorrência da hipercalcemia severa que podem induzir (> 14 mg/dL); as metástases são linfáticas ou hematogênicas (fígado, osso, pulmão). Pacientes expostos à radiação do pescoço são mais predispostos a desenvolver hiperparatireoidismo. O hiperparatireoidismo pode também se apresentar fazendo parte da neoplasia endócrina múltipla tipo I (NEM I ou síndrome de Werner), quando se associa a tumores de hipófi se e/ou de pâncreas, ou NEM IIA (Sín- drome Sipple), quando se associa a carcinoma medular e/ou feocromocitoma, além de poder se apresentar como forma familiar isolada. Resposta a. 123. PAAF + citologia da tireoide é a ferramenta mais efeti- va para determinar natureza do nódulo tireoidiano. Quando guiada pela ultrassom tem sensibilidade de 97%. Para a amos- tra ser adequada à análise citológica, um dos critérios mínimos é a presença de pelo menos 6 grupos de células foliculares, cada um contendo 10 a 15 células derivadas de pelo menos dois as- pirados do nódulo. A análise citológica do nódulo vai gerar 4 categorias de diagnóstico: maligno (5-10%), benigno (60- 70%), indeterminado ou suspeito (15-20%) e não diagnóstica (8-18%). A acurácia destes resultados depende do profi ssional que realiza esse procedimento e da experiência do citologista. As indicações de punção por agulha fi na da tireoide são: t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015216 1- Nódulos maiores que 1 cm 2- Nódulos menores que 1 cm: a) nódulos em pacientes com características clínicas para alta suspeição de malignidade (o caso em questão). b) nódulos com hipoecogenicidade associada a uma das se- guintes características: 1- microcalcificações 2- ausência de halo ou halo incompleto 3- margens irregulares 4- hipervascularização: aumento do fluxo sanguíneo intra- nodular Resposta a. 124. As formações nodulares do pescoço de origem congênita são divididas em 2 grandes grupos: as formações da linha mé- dia e as formações laterais do pescoço. As formações laterais do pescoço são tipicamente o cisto branquial, adenomegalia cer- vical, hemangioma, linfangioma ou higroma cístico, oliva do torcicolo congênito. Já na linha média identificam-se dois tipos de lesão: o cisto dermoide – formação subcutânea composta de dois folhetos embrionários – ectoderma e endoderma (apare- ce na linha média, pois é justamente onde o ocorre a fusão do disco embrionário, e portanto a intersecção entre endo e ecto- derma); TERATOMA: semelhante ao cisto dermoide, porém composto dos três folhetos (ecto, endo e mesoderma); e CISTO TIREOGLOSSO: formação cística mediana do pescoço, que na sua origem se caracteriza por persistência e resquícios do ducto de tireoglosso, que é o trajeto da migração da tireoide da base a língua para a região cervical anterior. Se não há involução deste trajeto, o mesmo permanece após o nascimento, surge o ducto e vai virar cisto pelo gripo do associado. Resposta d. 125. A tireoide é uma glândula muito vascularizada, com uma velocidade de fluxo de 5 mL/g de tecido por minuto, à custa das artérias tireoideas superior e inferior. A artéria tireoidea superior é o primeiro ramo da carótida externa e penetra no polo superior da glândula, estabelecendo íntima relação ana- tômica com o ramo externo do nervo laríngeo superior (NLS). A artéria tireoidea inferior se origina do tronco tireocervical, este ramo da artéria subclávia. Antes de penetrar na parte mé- dia do lobo, a artéria se divide em vários ramos e se relaciona anatomicamente com o NLI. A artéria tireoidea ima, ramo da artéria inominada ou do arco aórtico, é de presença incons- tante — cerca de 5 a 10% dos casos — e irriga o istmo. Podem ocorrer anastomoses entre as duas artérias tireoideas superio- res, formando a arcada supraístmica, frequente fonte de ramos arteriais para o lobo piramidal. Ramos anastomóticos unem as artérias tireoideas superior e inferior. As artérias tireoideas, principalmente as inferiores, são responsáveis pelo suprimen- to sanguíneo das glândulas paratireoides. Resposta d. 126. As células de Hurthle são células epiteliais grandes pro- dutoras de tireoglobulina que estão presentes tanto em lesões tireoideanas neoplásicas e não neoplásicas e englobam entida- des patológicas desde nódulos hiperplásicos com metaplasia de células de Hurthle, adenomas de células de Hurthle (ACHs) até os carcinomas de células de Hurthle (CCHs), os quais repre- sentam cerca de 3 a 10% das neoplasias malignas da tireoide. A NCH da tireoide foi primeiramente descrita por Ewing em 1928 e é um tumor que consiste de pelo menos 75% de células de Hurthle e poucas células coloides. Um ACH não pode ser diferenciado de um CCH por análise citológica. O carcinoma de células de Hurthle só pode ser diagnosticado pela evidência patológica de invasão vascular, extensão tumoral extracapsular e/ou metástases linfonodais ou a distância. Cerca de 5 a 35% dos tumores tireoideanos diagnosticados como NCH através da punção aspirativa por agulha fina (PAAF) serão diagnos- ticados como CCH ao final da análise patológica. Resposta a. 127. Existem 2 tipos de hiperparatireoidismo – primário (adenoma de paratireoide hiperfuncionante, onde quando a própria glândula, autonomamente começa a produzir hor- mônio, sem qualquer interferência do meio externo); e se- cundário (ocorre hipertrofia ou hiperplasia da paratireoide por conta de situação de falta de estímulos da mesma, por exemplo falência renal). Em ambos os casos o excesso da PTH sérico causa destruição óssea, com grandes riscos de incapacidade de help-gtrico. Resposta a. 128. O achado de um PTH intacto elevado na presença de hipercalcemia estabelece o diagnóstico. Como hipercalcemia pode resultar de uma simples oclusão venosa, ela deve ser confirmada com uma segunda coleta sem oclusão. Pacientes com hipoalbuminemia podemse apresentar com calcemia normal, devendo-se nestes casos solicitar o cálcio ionizado ou corrigir a calcemia de acordo com os níveis de albumina. O aumento na filtração renal de cálcio devido à hipercalce- mia pode sobrepujar a ação do PTH a nível de túbulo distal (reabsorvendo o cálcio), levando a uma hipercalciúria em 35-40% dos pacientes; logo, a calciúria pode ser alta, normal alta ou, nos casos associados com deficiência de vitamina D, baixa. Nefrocalcinose ou insuficiência renal podem se insta- lar dependendo do grau e duração da hipercalcemia. A grande maioria dos pacientes tem níveis de PTH bastante elevados, mas 7-10% têm níveis pouco elevados ou normal, os quais, na presença de hipercalcemia, são considerados inapropriadamente altos. O fósforo se encontra normal baixo ou baixo e fosfatase alca- lina, elevada. A reabsorção tubular renal de magnésio é esti- mulada pelo PTH, mas inibida pela hipercalcemia, de modo que alguns pacientes desenvolvem hipomagnesemia. Acido- se metabólica hiperclorêmica é incomum, mas pode ocorrer se o PTH estiver muito elevado (inibe a reabsorção proximal de bicarbonato), de modo que hipercloremia e diminuição no bicarbonato sérico ajuda a diferenciar hiperparatireoidis- mo de outras causas de hipercalcemia. Devido ao fato do PTH ter ação catabólica no esqueleto apen- dicular (osso cortical, principalmente em terço distal do rá- dio) e anabólica no esqueleto axial (vértebras), a densitometria revela uma diminuição da densidade em ossos corticais. Em mulheres pós-menopausa, pode haver uma proteção contra a t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 217 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço perda óssea trabecular (vértebras). Radiografi as simples não devem ser realizadas a menos que haja uma suspeita clínica de fratura vertebral. Porém, radiografi as de mão revelam erosões ósseas subperiosteais. Parece que a maior perda óssea ocorre no início do hiperparatireoidismo, seguindo-se um período estável, com pouca evolução da doença óssea. O diagnóstico diferencial deve ser feito com a hipercalcemia do câncer (o PTH geralmente é normal e o PTH-rP, elevado), hipercalcemia hipocalciúrica familiar (defeito do receptor do cálcio nas paratireoides e rins; o PTH é normal e geralmente há história familiar), uso de medicações (os tiazídicos redu- zem a excreção urinária de cálcio e o lítio causa um aumento no PTH sérico e no volume das paratireoides e deve também reduzir a excreção renal de cálcio). Resposta b. 129. Seguem as determinações da Sociedade Brasileira de Ci- rurgia de Cabeça e Pescoço: “As opiniões convergiram para a identifi cação do método vídeoassistido como de escolha para adoção, em compara- ção com o método puramente vídeo endoscópico. Ao con- trario do método vide-endoscópico, a cirurgia vídeoassis- tida dispensa treinamento prévio formal em cirurgia vídeo laparoscópica, podendo ser reproduzida por especialistas em cirurgia de cabeça e pescoço com resultados semelhantes aos descritos na literatura. Os elevados custos associados ao método vídeoassistido, perti- nentes ao uso de material de vídeo (ótica, vídeocamera, moni- tor), material cirúrgico específi co (afastadores e descoladores) e, principalmente, do Bisturi Harmônico constituem impor- tante obstáculo na utilização do método em larga escala. Os resultados obtidos por cirurgiões Brasileiros parecem con- cordar com os dados publicados na literatura (principalmente pelo autor do método) no que diz respeito aos benefícios estéti- cos e de menor desconforto no pós-operatório desses pacientes. A recomendação dessa técnica cirúrgica, assim como seus potenciais benefícios, somente poderão ser efetivados pela SBCCP após realização de estudo prospectivo e randomi- zado comparando-a com o método convencional. Aspectos como: 1- custo fi nal do procedimento (incluindo tempo de realização do procedimento); 2- complicações associadas; 3- desconforto no pós-operatório imediato; 4- tempo de inter- nação hospitalar; 5- aspecto estético fi nal da cicatriz, deverão estar incluídos entre os quesitos do estudo Indicações: nodulectomias de tireoide, adenomas de parati- reoide, tireoidectomias para tireoide de tamanho normal ou discretamente aumentadas”. Resposta d. 130. Várias características dos nódulos de tireoide são le- vadas em consideração, para suspeitar ou considerar pior prognóstico. A presença de um nódulo único é de pior prog- nóstico, quando maior de 2 cm, acima de 50 a 60 anos, sexo masculino também refl etem pior prognóstico. A calcifi cação pode ser característica de bócios antigos, em que o processo infl amatório crônico acaba levando à formação do bócio com calcifi cação. Porém em jovens, nódulos calcifi cados também são de pior prognóstico, pois tem a maior chance de se tratar de carcinoma papilfero. Resposta d. 131. Paciente com antecedentes mórbidos importantes para neoplasia do trato aéreo – digestivo-superior. Pele teoria do campo de cancerização, em que toda a mucosa exposta ao cigarro pode sofrer transformação neoplásica, faz-se necessário investigar imediatamente com endosco- pias – cavidade oral, faringe, laringe à busca de primários neste território. Feito esta parte, o próximo passo seria a biópsia do tumor primário para confirmação histoló- gica, seguida da tomografia computadorizada da região cervico-facial, RX tórax, endoscopia digestiva alta. Se por ventura, não se identificar lesão primária que explique a lesão cervical, será necessário a biópsia da massa, que deve ser feita através de PAAF, para confirmação histológica. Evita-se core-biópsia pelo risco de implantação das células tumorais no trajeto da biópsia. Resposta c. 132. É mandatório em primeiro lugar efetuar uma biópsia para confi rmação anatomopatológica da lesão. Em se con- fi rmando tratar-se de Carcinoma Epidermoide, deve-se es- tabelecer o tamanho exato da lesão, localização, presença de linfonodos cerviais para defi nição da conduta cirúrgica em relação ao pescoço. Resposta e. 133. O quadro descrito é compatível com hipertireoidismo decorrente de doença de Graves (hipertireoidismo, bócio di- fuso e exoft almia), que responde por 80% ou mais dos casos de hiperfunção da tireoide. Doença de Plummer não cursa com bócio difuso, trata-se de um nódulo autônomo, que responde por 6 a 12% dos casos de hipertireoidismo no Brasil, acometendo a maioria das ve- zes indivíduos com idade > 60 anos, e quando nos deparamos com a pergunta, DG ou doença de Plummer, leve em conta as principais diferenças: oft almopatia e mixedema pré-tibial apenas presentes na DG; bócio difuso na DG e nodular na doença de Plummer; positividade para anticorpos amtipe- roxidase, antitireoglobulina e antireceptor do TSH (TRAb) apenas na DG. Poucos casos de coexistência da DG com doença de Plummer foram descritos na literatura mundial, caracterizando a rara síndorme de Marine-Lenhart. Tireoidite subaguda cursa com hipertireoidismo transitório de hormônios pré-fabricados, e pode se confundir com DG (exceto a tireoidite de De Quervein, que obrigatoriamente cursa com dor), mas não há exoft almia e as manifestações clínicas são mais brandas. Resposta b. 134. Diante desta situação clínica, o primeiro passo é confi r- mar a hiperfunção solicitando TSH ultrassensível e T4 livre, que aliás bastaria para confi rmar o diagnóstico, já que o qua- dro é muito típico. A pesquisa do anticorpo TRAb (anticorpo antireceptor do TSH) não é necessária para o diagnóstico, devendo ser reservada para as seguintes situações: No diagnóstico da doença de Graves eutireoidea; No diagnóstico do hipertireoidismo apatético (veja este tópi- co na sua apostila); Na distinção entre doença de Graves e tireoidite pós-parto; Na avaliação do risco de recidiva do hipertireodismo após suspensão do tratamento com as tionamidas. Resposta c. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015218 135.O câncer de tireoide é o câncer endócrino mais comum, mas corresponde somente a 1% de todas as malignidades, e no que diz respeito a taxa de cura, é verdade que o carcinoma papilífero, o mais comum entre os tumores da tireoide, res- ponde pelas melhores taxas de cura, mas quando se trata de carcinoma medular, e particularmente do carcinoma anaplá- sico, esta afirmação é falsa, uma vez que este último tem um curso clínico devastador.A orientação para o tratamento dos carcinomas diferenciados (carcinomas papilífero e folicular) consiste em cirurgia, que geralmente é tireoidectomia quase total ou total, ablação com I¹³¹, uma vez que estes tumores são sensíveis ao radioiodo, e terapia supressiva com hormô- nio tireoidiano, já estes tumores são hormônio dependentes. Embora a PAAF seja o padrão-ouro para o diagnóstico de cân- cer de tireoide, sabe-se que este procedimento apresenta limita- ção quanto ao diagnóstico diferencial entre adenoma folicular e carcinoma folicular. Diante desta limitação os recursos utili- zados para definir o diagnóstico são repetir a PAAF, e mais re- centemente a imuno-histoquímica para peroxidase tireoidiana com um anticorpo monoclonal (MoAb 47) parece promissora para melhorar a acurácia da PAAF nas lesões foliculares. A sen- sibilidade deste método é de 100% e a especificidade de quase 70%. Um outro marcador, menos acurado, na distinção das ne- oplasias foliculares é a galectina-3 (Gal3). Resposta b. 136. As células tumorais do carcinoma papilífero apresentam núcleos geralmente grandes, irregulares com inclusões intra- nucleares denominadas “orphan Anne eye change”. O carcinoma medular apresenta como característica histoló- gica a presença de depósito amiloide no estroma. A tireodite de De Quervein msotra um processo inflamatório granulo- matoso, enquanto a tireoidite de Hashimoto se caracteriza por grupos de celulas foliculares pequenas, células histioci- tárias gigantes, linfócitos e macrófagos, células epitelioides e a presença de células de Askanazy (células foliculares modi- ficadas com atipias nucleares). Guarde todas estas informa- ções, para o preceptor, tudo é possível na hora de elaborar perguntas de RM, supreenda-o acertando todas. Resposta a. 137. Estamos diante de uma paciente com quadro de tire- otoxicose. Diante de uma situação como esta, a primeira impressão diagnóstica passa pela possibilidade de doença de Graves, sim, é verdade, mas cuidado, olhe os pequenos detalhes aqui relatados, esta paciente apresenta VHS muito elevada e RAIU suprimida, achados que não são pertinen- tes a doença de Graves, mas sim a tireoidite subaguda de De Quervein. Lembre que esta tireoidite é a única forma de doença tireoidiana a cursar com tireotoxicose, VHS ele- vada e RAIU suprimida, faltando neste caso o último dado relevante para esta situação clínica que é o bócio doloroso. Feita estas considerações, vale destacar que nas tireoidites, o hipertireoidismo resulta da liberação de hormônios pré- -fabricados (ruptura folicular), portanto não há indicação de suprimir a formação de novo pool de hormônios, pois ao reduzir a atividade inflamatória a disfunção hormonal regridirá, sendo assim basta freiar as manifestações adre- nérgicas secundárias aos efeitos periféricos dos hormônios tireoidianos, e usar medicações com efeito anti-inflamató- rio, no caso prednisona, numa dose de 40-60 mg/dia com redução gradual durante quatro a seis semanas. Poderia ser AINH, mas nas outras opções o que está inadequado é a prescrição de tionamidas (metimazol ou propiltiouracil). Este é um tema obrigatório para as provas de RM, portanto de vez em quando visite-o. Resposta c. 138. Aumento de tireoide sem dor não pode ser tireoidite de De Quervein, logo esta opção fica imediatamente des- cartada. Estamos diante de uma mulher de meia-idade com bócio indolor, com avaliação hormonal que é compatível com hipotireoidismo subclínico (TSH acima de 10 uU/mL, T4 livre normal -0,9 a 2, T3 total normal-80 a 220 ng/dL). Além deste aspecto, vale ressaltar a positividade dos anti- corpos que estão presentes com tireoidite de Hashimoto, a mais comum entre todas as tireoidites, e que no nosso meio corresponde à principal causa de hipotireoidismo. Este é o diagnóstico desta paciente. Tireoidite de Riedel é uma forma rara de tireopatia, cuja ex- pressão mais característica é de um bócio lenhoso, por vezes pétreo, com infiltração para as estruturas vizinhas, e que ne- cessita de biópsia para excluir câncer de tireoide. Doença de Plummer é classicamente nódulo funcionante, autônomo, e que portanto se expressa como hipertireoidis- mo. Resposta c. 139. PAAF é o padrão-ouro para o diagnóstico de nódulo de tireoide, no entanto apresenta limitação quanto ao diagnóstico de carcinoma folicular e/ou de células de Hurthle, pois para que este método seja efetivo em definir esta malignidade torna- -se necessário identificar invasão tumoral vascular ou capsular. Esta limitação também ocorre com frequência pelo exame de congelação. Com a repetição do exame, usualmente se conse- gue um diagnóstico em 50% dos casos. A imuno-histoquímica para a peroxidase tireoidiana com um anticorpo monoclonal (MoAb 47) parece promissora para melhorar a acurácia da PAAF nas lesões foliculares. A sensibilidade é de 100% e es- pecificidade de quase 70%, na experiência de alguns autores. Um outro marcador tumoral, menos acurado, na distinção das neoplasias foliculares é a galectina-3 (Gal3). Resposta a. 140. A única tireopatia que se expressa como doença fibro- sante, dando ao exame clínico aumento tireoidiano seme- lhante aos carcinomas, de bócio pétreo, infiltrativo, com- prometendo estruturas vizinhas, é a tireoidite de Riedel, que corresponde a forma mais rara de tireoidite. Acomete usualmente indivíduos entre a quarta e a sexta década de vida, sendo duas vezes mais comum no sexo feminino. É também denominada tireoidite esclerosante, fibrótica, in- vasiva, ou estruma de Riedel. A etiopatogenia da prolifera- ção fibroblástica é desconhecida. Cerca de um terço dos ca- sos desenvolve alguma forma de fibrose extracervical (por exemplo mediastinal, peritoneal ou colangite esclerosante). Os testes de função tireoidiana em geral encontram-se nor- mais, exceto nos casos de comprometimento extenso da glândula, quando hipotireoidismo pode acontecer. Títulos elevados de anticorpos antitireoidianos são encontrados t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 219 em até 67% dos casos, entretanto, não está defi nido se esses anticorpos são uma causa ou a consequência da destruição fi brótica da tireoide. Na maioria dos casos o diagnóstico é defi nido pela biópsia a céu aberto, pois a PAAF é de difícil realização, dada a rigidez do tecido. O exame histopatológico tem como característica uma fi brose intensa, comprometendo a glândula total ou parcialmen- te e que se estende além da cápsula, podendo envolver nervos, vasos, tecido muscular, adiposo e até as paratireoides. O trata- mento cirúrgico mais tradicional para esta doença é a istmecto- mia descompressiva, mas atualmente o uso de tamoxifeno tem resultado em boa resposta para muitos casos. Resposta d. 141. Estamos diante de um homem de 50 anos de idade com um nódulo de tireoide confi rmado por exame ultrassonográ- fi co. A avaliação laboratorial demonstra TSH baixo, o que é compatível com hiperfunção tireoidiana, dessa forma a hipó- tese diagnóstica mais provável é adenoma funcionante, ou seja doença de Plummer, sendo assim o próximo exame é cintilo- grafi a da tireoide para defi nir tratar-se de um nódulo quente. A PAAF que é o padrão-ouro para a grande maioria dos nódu- los, não se aplica a este caso, uma vez que diante de um nódulo com hiperfunção, a cintilografi a é prioridade, pois demonstra- rá uma área nodular de hipercaptação, e a PAAF pode ser fator desencadeante para tireotoxicose. Resposta a. 142. São fatores de risco para carcinoma de tireoide nos pa- cientescom nódulo da tireoide: Fatores de risco para o carcinoma de tireoide nos pacien- tes com nódulo da tireoide História de irradiação da cabeça e do pescoço História familiar de câncer de tireoide ou NEM 2 Idade 45 anos Paralisia das cordas vocais, voz rouca Doença bilateral Nódulo aderido às estrutu- ras adjacentes Tamanho do nódulo aumentado (> 4 cm) Extensão extratireoidiana Massa no pescoço nova ou em ex- pansão Suspeita de acometimento dos linfonodos Sexo masculino Defi ciência de iodo (câncer folicular) Diante do exposto, não temos resposta a esta questão, uma vez que todos são fatores de risco para câncer de tireoide. Gabarito ofi cial a. 143. Nódulo tireoidiano funcionante é sinônimo de doença de Plummer, ou seja, nódulo autônomo, que corresponde no nosso meio a 12% dos casos de hipertireoidismo. Sua preva- lência é maior em áreas com defi ciência de iodo, atingindo uma população mais idosa, sendo as mulheres mais acome- tidas, em uma proporção de até 15:1. A apresentação clíni- ca como já dissemos é de hipertireoidismo, com supressão do TSH e elevações de T3 e T4. A confi rmação se dá pela comprovação de nódulo hipercaptante (quente) à cintilogra- fi a com I¹³¹, com supressão total ou parcial da atividade do restante da glândula. Respondendo a pergunta, vamos discutir as propostas tera- pêuticas: 1- Após estabelecer o estado eutireoideo, com a prescrição de tionamidas, a recomendação é a ablação do nódulo; 2- Cirurgia geralmente recomendada para nódulos com mais de 3 cm; 3- Ablação com iodo radioativo (I¹³¹), uma terapêutica bara- ta e efi caz, e que é mais frequentemente reservada para pa- cientes idosos, portadores de cardiopatias e nódulos 4 cm, histologia com células de Hurthle e a presença de acentuada invasão vascular. Resposta a. 146. Carcinoma de células de Hurthle corresponde a 3% dos casos de carcinoma de tireoide, trata-se de uma variante do carcinoma folicular, com comportamento agressivo, multifo- cal e bilateral, ao contrário do folicular. Cerca de 90% de suas metástases não captam I¹³¹ (ao contrário do que se observa no carcinoma folicular), portanto não está associado a tireo- toxicose. Resposta d. 147. Este é um assunto comum, recorrente nas provas de RM inclusive para o R3 de cirurgia, procure organizar suas informações de forma a não perder nenhuma questão sobre este assunto. Carcinoma medular da tireoide apresenta-se de duas formas, a esporádica que corresponde a 80% dos casos, e a forma familiar que corresponde a 20% dos casos, e que se associa portanto às MEN. MEN 2A: carcinoma medular (100% de penetrância), feo- cromocitoma (50%) e hiperparatireoidismo (25%). MEN 2B: carcinoma medular, feocromocitoma, habitus mar- fanoide e neuromas múltiplos da língua, pálpebras e mucosa t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015220 oral, acompanhados de ganglioneuromas espalhados pelo TGI, que provocam quadros clínicos que variam de megacólon a diverticulite. Esta forma de apresentação é menos comum, na qual os pacientes têm uma forma mais agressiva e mais precoce de carcinoma medular do que aquele observado na MEN-2A, e ao diagnóstico, frequentemente está associado à extensão extracapsular da glândula e à presença de metástases para linfonodos regionais e a distância. Poucos pacientes com MEN-2B sobrevivem além dos 20 anos de idade. Resposta e. 148. Nódulos tireoidianos são achados bastante comuns, presentes em 4 a 7% da população ao exame físico. Essa fre- quência é ainda maior quando analisamos dados ultrassono- gráficos e de autópsia, e excede 50% quando considerados indivíduos com mais de 60 anos, principalmente mulheres (opção A, errada!). Embora câncer de tireoide seja mais comum em mulheres, o risco de um nódulo solitário de tireoide ser maligno em homens é duas a três vezes maior (opção B, errada!). Carcinoma medular da tireoide corresponde a 5 a 10% dos carcinomas de tireoide, podendo se apresentar de duas formas, esporádica (80% dos casos) ou familiar (20 a 25% dos casos, e correspondem as síndromes MEN 2A e MEN 2B, das quais nos ocuparemos em outro momento), esta última de transmis- são autossômica dominante, com alta penetrância e expressão variável. Acomete ambos os sexos, em qualquer idade. Trata- -se de tumor agressivo, cujo diagnóstico precoce é imperativo para o sucesso da cirurgia, que consiste sempre em tireodecto- mia. O uso da dosagem da calcitonina basal ou pós-estímulo com pentagastrina ou cálcio permite diagnóstico e tratamento precoces do carcinoma medular de tireoide, com maior chance de cura e menor taxa de mortalidade (opção C, correta!). Lesão cística é essencialmente benigna, lesões mistas podem ser compatíveis com malignidade (opção D, errada!). PAAF é o padrão-ouro para o diagnóstico de nódulo de ti- reoide, cuja finalidade é diferenciar lesões benignas das ma- lignas, no entanto, este método apresenta limitações quando se trata de lesão folicular, não conseguindo em muitos casos diferenciar adenoma de carcinoma folicular (opção E, erra- da!). Resposta c. 149. Pergunta simples e comum nas provas de RM. Nódu- lo de tireoide, com TSH normal, a principal preocupação é sempre diferenciar adenoma de carcinoma. A PAAF é o padrão-ouro para esta situação clínica, lembrando mais uma vez que apesar de ser o exame ouro para diagnóstico de nó- dulo tireoidiano, apresenta limitação quanto ao diagnóstico de lesão folicular, não sendo capaz de diferenciar adenoma de carcinoma folicular na maioria dos casos, e esta restrição se dá inclusive com a biópsia de congelação. Resposta e. 150. Sinais clássicos de hipocalcemia, em decorrência de hi- poparatireoidismo transitório que ocorre pós-tireoidecomia total, em um faixa que varia de 2 – 3% dos casos. As manifes- tações mais comuns são espasmos musculares e parestesias nos dígitos. A hipocalcemia grave pode apresentar outros sintomas, como espasmos da laringe ou da musculatura dos membros, broncoespasmo, convulsões e até parada respira- tória. Os sinais semióticos clássicos são o de Chvostek (con- tração facial com a percussão do nervo facial ipsilateral) e de Trousseau (espasmo carpal produzido pela oclusão da artéria braquial), porém ambos frequentemente estão ausentes em hipocalcemias leves ou moderadas. Em casos de hipocalcemia sintomática, é segura a reposição de 1 a 3 g de gluconato de cálcio intravenoso em um perío- do de 20 minutos, seguida de reposição lenta do restante do déficit. É necessário sempre tratar, quando presente, a hipo- magnesemia. Resposta c. 151. Os carcinomas bem diferenciado respondem por mais de 90% dos tumores de tireoide, a forma papilífera(ao redor de 70%), é o tumor mais frequente de todos, seguido do folicular (14%), medular (10%) e o indiferenciado ( 70 ng/mL no pós- -operatório - antes da dose terapêutica (DT) de I - indicava a presença de metástases em mais de 90% dos casos. Causas de tiroglobulina (TG) elevada e PCI negativa Contaminação com iodo Níveis de TSH sufi cientes para induzir síntese de Tg, mas não sufi cientes para estimular captação I131 Presença de tecido tireoidiano remanescente Elevação falso-positiva da Tg (anticorpos, efeito hook) Metástases difusas e muito pequenas para serem detectadas, porém capazes de produzir Tg Transformação para uma forma mais indiferenciada de câncer, levando à menor captação do I131 Resposta d. 156. Observe a tabela abaixo: Indicações Cirúrgicas para o Hiperparatireoidismo Primário 1. Nefrolitíase 2. Osteíte fi brosa cística 3. HPTP assintomático, associado a uma ou mais das seguin- tes situações: • Cálcio sérico 1 mg/dL acima do limite superior da normali- dade • Calciúria das 24 horas (> 400 mg) • Redução ≥ 30% no clearance de creatina • Escore “t”risco de hipercal- cemia e/ou hiperfosfatemia, efeitos comumente observados quando a vitamina D é administrada diariamente. A dose de calcitriol semanal preconizada é dividida em três tomadas (dias alternados), sendo que nos pacientes hemodialisados é prescrita após sessões de hemodiálise. Nos graus leves de hiperparatireoidismo secundário, PTH entre 350 e 600 pg/ t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015222 mL, a dose semanal inicial é de 3 pg; nos casos moderados, PTH entre 600 1200 pg/mL, 6 μg/semana e, nos casos graves, PTH maior que 1.200 pg/mL, doses de até 12 pg/semana. A cada quatro semanas, a dose inicial pode ser incrementada de 1,5 a 3 pg/semana, caso o PTH não tenha atingido a faixa adequada para pacientes com IRC, ou seja, níveis em torno de 200 pg/mL. Atingido esse objetivo, a dose de manuten- ção para qualquer grau de gravidade do hiperparatireoidis- mo permanece normalmente em torno de 1,5 mg/semana. A dose da vitamina deve ser reduzida em 50%, nos casos de hipercalcemia e/ou fósforo maior que 6,5 mg/dL e/ou produ- to cálcio x fósforo maior que 60. Os casos não responsivos à pulsoterapia devem ser encaminhados a paratireoidectomia. Após o tratamento cirúrgico, a redução abrupta dos níveis de PTH ocasiona fenômeno conhecido como “fome óssea”, no qual a necessidade diária de vitamina D pode ser extrema- mente grande. Nesses casos, doses entre 1,5 a 4 μg/dia são utilizadas, comumente, na primeira semana pós-operatória, período em que os níveis séricos de cálcio iônico devem ser monitorados de três a quatro vezes por dia. Diferentemente do hiperparatireoidismo secundário, no tratamento da osteomalacia não se utiliza pulsoterapia. Pelo contrário, a administração da vitamina D é feita diariamente, sendo a via oral preferida. A dose de calcitriol recomendada é de até 0,5 mg/dia nos pacientes na fase pré-dialítica e varia de 0,5 a 1 μg/ dia nos pacientes em diálise. O controle do trata- mento é feito por meio da observação da melhora clínica e da normalização dos níveis de fosfatase alcalina. A semelhança da pulso terapia, é primordial o monitoramento dos níveis de cálcio e fósforo durante o tratamento. No hiperparatireoidismo secundário devido a insuficiência renal, níveis séricos altos de cálcio e fosfato podem causar calcificação disseminada na pele, nos tecidos moles e nas ar- térias (calcifilaxia) isto pode resultar em necrose isquêmica dolorosa, aspectos este que requer indicação precisa de para- tireoidectomia. Resposta b. 158. Os carcinomas bem diferenciados da linhagem folicular são aqueles que precisamente cursam com boa captação de Iodo radioativo, no caso de metástases ou persistências tu- morais, pois as células metastáticas são foliculares. Já no CA medular, são células parafoliculares, que não captam iodo, o mesmo com as células de Hurthle, que são mais indiferencia- das, e por este motivo não se deve fazer seguimento destes casos com PCI pós-operatória. Resposta d. 159. Observe as informações abaixo: Parótida Benignas 80% Malignas 20% Adenoma pleomórfico – 80% Câncer mucoepidermoide Tumor de Warthin Resposta c. 160. Mutações germinativas do oncogene RET causam pre- disposição para todas as formas de carcinoma medular da tireoide familiar, seja quando estas fazem parte de MEN2, seja quando se apresentam como manifestação isolada. As diferentes formas clínicas de MEN2 estão associadas a mu- tações distintas do RET que causam alteração de apenas um aminoácido. Todas essas mutações de ponto provocam um efeito de “ganho de função” que causam, por sua vez, uma ativação descontrolada da atividade tirosina-quinase (TK) do receptor. O mecanismo molecular dessas alterações é uma homodimerização constitutiva que afeta as cisteínas extra- celulares; apesar de a estrutura tridimensional do domínio extracelular do RET ainda ser desconhecida, essas cisteínas formam, provavelmente, pontes dissulfeto no receptor muta- do que resultam numa cisteína não pareada que forma uma ponte intermolecular ativadora. A explicação dos diferentes fenótipos encontrados na prática clínica é dada pelas inten- sidades variadas de indução da dimerização observadas nas diversas mutações. Assim, mutações de RET associadas a FMTC apresentam uma dimerização possivelmente menor e isso explicaria porque suas atividades quinase e oncogênicas seriam menores do que as apresentadas pelos mutantes de MEN2A. Resposta e. 161. Câncer anaplásico não costuma responder à cirur- gia, não responde à radioterapia, e também não responde à quimioterapia, por este motivo são considerados fora de possibilidade terapêutica de cura. A sobrevida situa-se em torno de 2 a 12 meses, com 90% dos pacientes vindo a fale- cer dentro de 6 meses, são portanto tumores de crescimento rápido invasivo locoregional e a distância. A principal causa de óbito está relacionada a obstrução das vias aéreas supe- riores. Resposta b. 162. Observe abaixo os principais sinais e sintomas do hiper- tireoidismo: Frequência dos sintomas da doença de Graves Sintomas % Sintomas % Nervosismo 99 Aumento do apetite 65 Sudorese excessiva 91 Queixas oculares 54 Intolerância ao calor 89 Edema de MMII 35 Palpitação 89 Hiperdefecação 33 Fadiga 88 Diarreia 23 Perda de peso 85 Distúrbios menstruais 20 Dispneia 75 Anorexia 9 Fraqueza 70 Ganho ponderal 2 Constipação 4 Resposta a. 163. A conduta é verificar o status de função hormonal e já pedir a PAAF, pela presença de microcalcificações, que pode ser sugestivo de malignidade (lembre-se que o CA papilífero tem forte tropismo por cálcio, forman- do as calcificações denominadas corpos psamomatosos). Resposta c. t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 14 Cirurgia da cabeça e do pescoço 223 164. As manifestações mais comuns de hipocalcemia são, es- pasmos musculares e parestesias nos dígitos. A hipocalcemia grave pode apresentar outros sintomas, como espasmos da laringe ou da musculatura dos membros, broncoespasmo, convulsões e até parada respiratória. Os sinais semióticos clássicos são o de Chvostek (contração facial com a percussão do nervo facial ipsilateral) e de Trousseau (espasmo carpal produzido pela oclusão da artéria braquial), porém ambos frequentemente estão ausentes em hipocalcemias leves ou moderadas. Resposta d. 165. Como já dito em outro teste, a tireoglobulina é marca- dor específi co para seguimento de CA bem diferenciado da tireoide (linhagem folicular – papilífero e folicular). No se- guimento pós-operatório os níveis séricos desejáveis corres- pondem a valores tão baixos quanto 400 mg) • Redução ≥ 30% no clearance de creatina • Escore “t”estejam relacionadas com hiperti- reoidismo, a causa mais comum (70 a 80% dos casos) é do- ença de Graves. Em pacientes hipertireoideos, a presença dos anticorpos antirreceptores do TSH (TRAb) é específi ca para a DG, indicando doença ativa (presente em 70 a 100% dos casos). A determinação dos TRAb está indicada apenas em algumas situações específi cas, tais como: 1- no diagnóstico da DG eutireoidea; 2- no diagnóstico do hipertireoidismo apatético; 3- na distinção entre doença de Graves e tireoidite pós-parto; 4- na avaliação do risco de recidiva do hipertireodismo após a suspensão do tratamento com as tionamidas; Considerando que esta mulher jovem hipertireoidea com atraso menstrual e beta-HCG positivo está grávida, a melhor droga para conduzir o hipertireoidismo na gestação é PTU, embora estudos mais recentes não considerem mais con- traindicação formal ao uso de metimazol. Tireotoxicose gestacional transitória é comum, e observa- -se em 2 a 4% das gestações e não tem origem autoimune. É usualmente causada por níveis persistentemente elevados de hCG (> 100.000 UI/L) e ocorre durante o primeiro trimestre e parte do segundo, mas não se caracteriza pela exuberância do quadro descrito. Resposta b. 169. O objetivo da cirurgia no carcinoma papilífero de tireoi- de é remover todo o tecido tumoral da região cervical. Se o tumor tiver um diâmetro maior do que 1 cm, a cirurgia de escolha é a tireoidectomia total (TT) ou quase total (TQT), com remoção da glândula com identifi cação cuidadosa das paratireoides e dos nervos recorrentes. Quando o cirurgião percebe algum risco na execução da TT, uma pequena par- te da tireoide pode ser conservada, especialmente a cápsula posterior, do lado contralateral do tumor, realizando-se as- sim a TQT. As principais justifi cativas para a retirada total da glândula são: (1) 20 a 80% dos tumores papilíferos são multicêntricos; (2) um terço é bilateral; (3) 10% dos doentes apresentam recorrência do tumor no lobo contralateral. Para pacientes com carcinoma papilífero de diâmetro inferior a 1 cm, unifocal e interlobular pode ser a lobectomia do mesmo lado do tumor, associado a istmectomia (tireoidectomia sub- total) ou a TQT. O tratamento pós-cirúrgico com radioiodo (I¹³¹) permite a ablação dos remanescentes tireoidianos, destrói focos mi- croscópicos de câncer e trata as metástases quando utilizado em altas doses. Muito bem, depois dessas considerações per- tinentes, fi ca claro dizer que a paciente da opção A não tem indicação de radioiodo, visto que a proposta terapêutica estabelecida para esta paciente foi incorreta. Carcinoma folicular da tireoide é mais agressivo do que o pa- pilífero, devendo ser tratado de forma mais agressiva. O pro- cedimento cirúrgico de escolha é a TT ou a TQT. Mesmo na- quelas ocasiões em que o diagnóstico é defi nido apenas pela parafi na, alguns dias depois da cirurgia indica-se a comple- mentação da TT, caso essa não tenha sido realizada. No car- cinoma folicular, a maioria dos autores recomenda a ablação actínica com I¹³¹ para destruição total da massa tireoidiana remanescente no leito cervical. Apesar do prognóstico pior nos doentes com metástases por ocasião do diagnóstico, o tratamento dessas lesões distantes (remoção cirúrgica quan- do possível e posterior tratamento com doses altas de iodo radioativo) tem produzido bons resultados, com os indivídu- os tratados tendo sobrevida maior. Da mesma maneira que o câncer papilífero, o tratamento com L-tiroxina nas mesmas bases descritas é essencial (afi rmação B, correta!). O tratamento do hipertireoidismo com radioiodo tem as vantagens de propiciar resultados relativamente rápidos, geralmente dentro de quatro a seis semanas, é realizado ambulatorialmente e tem boa efi cácia e boa relação custo- t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015224 -benefício. Os fatores mais importantes para a escolha desta opção terapêutica são: idade (em pacientes acima de 50 anos, a tendência é um tratamento ablativo com I¹³¹), pacientes com dificuldade de compensação clínica e de controle com tionamida, por má aderência ou reações colaterais, pacientes que não entraram em remissão após um período adequado de tratamento clínico, recorrências após tireoidectomia an- terior e quando o hipertireoidismo está associado a outras doenças (cardiopatias, diabete, hipertensão), portanto opção C, correta! Doença de Plummer (nódulo autônomo, nódulo funcio- nante) é de tratamento ablativo, uma vez que a finalidade do tratamento é a retirada do tecido autônomo. Existem três modalidades terapêuticas após tornar o paciente eutireoideo: ablação com injeção percutânea com etanol, radioiodo e ci- rurgia. O tratamento com I¹³¹ está mais indicado nos bócios menores, em pacientes acima de 50 anos e naqueles com maior risco cirúrgico. Como geralmente o nível de captação dessas glândulas não é muito elevado, podendo mesmo estar dentro de valores normais, o tratamento com radioiodo deve ser feito com doses altas, 20 a 30 mCi, para se conseguir a ablação do tecido autônomo. Mesmo com doses elevadas, a evolução para hipotireoidismo não é comum. É um método simples, econômico e efetivo de tratamento. Vê-se que a op- ção d está correta! Resposta a. 170. O carcinoma medular da tireoide pode se apresentar de duas formas: esporádica (80% dos casos) ou familiar (20% dos casos transmitidos de modo autossômico dominante, com alta penetrância e expressão variável). Em 80 a 85% dos pacientes com carcinoma medular familiar, esse se apresen- ta em associação com outras alterações endócrinas, cons- tituindo a neoplasia endócrina múltipla tipo 2, por sua vez dividida em neoplasia endócrina múltipla 2A (MEN 2A) e neoplasia endócrina múltipla 2B (MEN 2B). Em 10 a 15%, o carcinoma medular é transmitido de forma isolada (carcino- ma medular familiar, FMTC). Entre as formas familiares, a MEN 2A é a doença mais comum, sendo o resultado de um traço dominante que dá 100% de penetrância de carcinoma medular, 50% de feocromocitoma e 25% de hiperparatireoi- dismo. A MEN 2B é uma doença menos frequente, na qual os pacientes têm uma forma mais agressiva e mais precoce de carcinoma medular. Mutações germinativas do oncogene RET causam predispo- sição para todas as formas de carcinoma medular da tireoi- de familiar, seja quando estas fazem parte de MEN 2A, seja quando se apresentam como manifestação isolada (FMTC), portanto, opção A, errada! Carcinoma medular esporádico não tem mutação no RET proto-oncogene. Não há sentido continuar a investigação em parentes de pa- cientes com CMT familiar cuja mutação no RET foi negativa (opção B, errada!). O diagnóstico de que um indivíduo é portador de mutações no RET é um dos poucos exemplos na prática clínica em que a realização de um teste genético pode definir uma interven- ção clínica efetiva. Dessa forma, tem-se recomendado recen- temente a indicação da tireoidectomia baseada no diagnós- tico genético, pois o códon mutado do RET correlaciona-se com a variante do MEN 2A, incluindo-se a agressividade do CMT. As crianças com MEN 2B e/ou mutações no RET dos códons 883, 918 ou 922 são classificadas com nível 3 ou de altíssimo risco de forma agressiva de CMT e devem ser sub- metidos a tireoidectomia total com dissecção central nos pri- meiros seis meses de vida, preferencialmente dentro do pri- meiro mês, pois o achado de CMT microscópico no primeiro ano de vida é comum; se as metástases forem identificadas à cirurgia, esta deve ser mais extensa. As crianças que apre- sentam mutações nos códons 611, 618, 620 e 634 são classi- ficadas como nível 2 ou risco elevado para CMT e devem ter sua tireoidectomia total com remoção da cápsula posterior realizada antes da idade de 5 anos. Crianças com mutações no RET nos códons 609, 768, 790, 791, 804 e 891 são classi- ficados como nível 1 ou de risco menos elevado para CMT, e devem ser submetidasà tireoidectomia total por ocasião do primeiro teste da pentagastrina alterado. Opção C, correta! Familiares de pacientes com CMT familiar, negativos para a mutação RET, não precisam ser acompanhados periodica- mente com teste da pentagastrina para avaliação de calcitoni- na sérica, pois estão fora do risco desta malignidade. Opção D, errada! Resposta c. 171. Vamos aproveitar esta questão para uma boa revisão sobre a importância da Tg nos carcinomas diferenciados da tireoide. Uma Tg sérica 70 ng/mL no pós-operatória, antes da dose terapêutica de I¹³¹, indicava a presença de metástases em mais de 90% dos casos. O melhor momento para uma do- sagem subsequente da Tg, estimulada com o Rh TSH ou com a suspensão da L-T4, é 6 a 12 meses após tireoidectomia total e ablação de remanescentes tireoidianos com I¹³¹, em conjunto com uma ultrassonografia cervical. Nessas condições, pacien- tes com uma Tg indetectável ( 80% dos pacientes) podem ser considerados curados, e a dose supressiva de L-T4 pode ser diminuída. Nesses pacientes, dosagens subsequentes de Tg devem ser realizadas a cada 12 meses, e a Tg deve permanecer indetectável (ser uma forma subaguda da tireoidite de Hashimoto, uma vez que, do ponto de vista imunológico e his- tológico, há muitas semelhanças. A positividade de anticorpo antiperoxidase (anti-TPO) é observada em até 60% dos casos e anticorpo antitireoglobulina em 24 a 100%. Hipotireoidismo crônico ocorre em 20% dos casos (opção A, errada!). A tireoidte subaguda clássica (tireoidite subaguda de De Quervain, ou granulomatosa ou dolorosa) se caracteriza pela presença de hipertireoidismo transitório, um estado subse- quente de eutireoidismo, posteriormente hipotireoidismo e t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015226 convalescença assintomática. Trata-se de um processo infla- matório doloroso (é a causa mais comum de dor tireoidiana), com VHS elevada, a qual geralmente excede 50 mm na 1ª hora, da mesma forma que os níveis séricos da proteína C reativa estão igualmente elevados. Na fase de hipertireoidismo, oberva-se elevação (geralmen- te moderada) dos níveis séricos de tireoglobulina, T3 e T4, refletindo o extravasamento dessas substâncias para a cir- culação, devido à ruptura dos folículos. Os níveis séricos de T4 são desproporcionalmente elevados em relação aos de T3 (relação T3/T4que menos de 5% destes casos cursa com hiperfunção, e o RAIU mostra diminuição da captação (valores abaixo de 20%). Este é um caso de hipertireoidismo subclínico (TSH suprimido e T4 livre ainda normal) que, diante de anti-TPO positivo e RAIU com captação de 20%, levanta a suspeita de doença de Graves, e para afastar qualquer dúvida quanto a este diagnóstico a melhor medida seria solicitar anticorpos TRAb. Por que não marcar tireotoxicose? Porque este é um termo genérico para expressar as manifestações clínicas de qualquer etiologia para hipertireoidismo. Por que não tireoi- dite subaguda? Se falarmos da forma clássica, tireoidite de De Quervain, o quadro é de bócio doloroso, hipertireoidismo e RAIU suprimido ( 3 cm, a fi m de evitar complica- ções cardíacas, especialmente em idosos. A ablação pode ser química (alcoolização percutânea), radioiodo e cirurgia. O tratamento cirúrgico para nódulo único geralmente limita-se à lobectomia total ipsilateral ou, mais raramente, à nodulec- tomia. Quando a doença é multinodular (e neste caso não deve ser denominada doença de Plummer), a cirurgia consis- te em tireoidectomia subtotal bilateral, com retirada de todos os nódulos visíveis. Resposta d. 183. A tireoidite aguda, também chamada de tireoidite su- purativa aguda, tireoidite piogênica ou tireoidite bacteriana, é uma doença rara, em geral de origem bacteriana, e virtual- mente qualquer bactéria pode infectar a tireoide. Os agentes etiológicos mais comuns são o Staphylococcus aureus, Strepto- coccus pyognenes e Streptococcus pneumoniae. Outros menos frequentemente implicados incluem os anaeróbios, bacilos gram-negativos (Escherichia coli, Salmonella, Haemophilus infl uenzae) e meningococos. Tireoidite aguda por fungos é rara. Entre as opções, a melhor é A. Resposta a. 184. Esta tumoração cística congênita localizada no triângulo posterior do pescoço é certamente linfangioma ou higroma cís- tico, tumor benigno infrequente, que se compõe de formações císticas desenvolvidas a partir do endotélio linfático e ilhas de linfa e sangue. Em crianças, essa malformação congênita pre- domina em áreas cervicofaciais (a região cervical abriga cerca de 75% dos linfangiomas). O envolvimento das vias respirató- rias e digestivas altas pode comprometer o prognóstico vital. O diagnóstico é puramente clínico: tumefação cervical indolor, da consistência de lipoma. A transluminação é patognomôni- ca, mas sua ausência não permite descartar o diagnóstico. Os exames de imagem são necessários quando existe dúvida diag- nóstica, quando precisamos avaliar a extensão e a profundidade da lesão e sua relação com estruturas anatômicas. A ressonância magnética é considerada técnica de escolha, e o higroma cístico apresenta um hipersinal característico em T2. O tratamento de escolha é a cirurgia, no entanto aspiração, injeções esclerosantes, radiação e observação são medidas alternativas. Resposta c. 185. A calcitonina atua nos osteoclastos, diminuindo sua atividade e, consequentemente, a reabsorção óssea. Sua se- creção é relacionada com os níveis séricos de cálcio. Quando esses aumentam agudamente, observamos aumento pro- porcional de sua secreção. Porém, quando em situação de hipocalcemia e hipercalcemia prolongadas, seus efeitos são confl itantes. Aparentemente em situações de hipercalcemia prolongada as células C da tireoide, responsáveis pela secre- ção da calcitonina, não funciona adequadamente e passam a ter pouco controle na concentração sérica de cálcio. A ingestão diária de cálcio é de cerca de 1 g dia, dos quais 300 mg são absorvidos pelo intestino médio. Aproximada- mente 125 mg de cálcio são secretados de volta para a luz intestinal. A absorção ocorre por mecanismo ativo através de metabólitos da vitamina D, principalmente a 1,25 hidroxi- -D3 e absorção passiva por mecanismo paracelular através de ATPase cálcio-dependente. A ação da vitamina D nos rins é controversa, possivelmente envolvendo a reabsorção tubu- lar de fósforo. No tecido ósseo estimula a diferenciação de osteoclastos, e nas paratireoides age diminuindo a secreção de PTH. A excreção do cálcio é realizada pelos rins, e 98% do cálcio são reabsorvidos via renal; o PTH infl uencia bastante esse processo. Hiperfosfatemia pode induzir o paciente a hipocal- cemia, uma vez que o cálcio sérico precipita com o excesso de fosfato, causando hipocalcemia e aumento da secreção de PTH. Resposta d. 186. Pergunta simples e comum. Diante de um nódulo de tireoide, a investigação tem por prioridade defi nir a natureza benigna ou maligna desse nódulo. A maioria dos nódulos de t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Gabarito comentado SJT Residência Médica - 2015228 tireoide são benignos. Na avaliação cintilográfica a maioria dos nódulos são frios, e somente 10 a 15% são malignos. Atu- almente a cintilografia tem por objetivo definir se um nódulo é hiperfuncionante (nódulo tóxico da doença de Plummer), e sendo assim estará contraindicado a PAAF. Na investigação de um nódulo de tireoide é claro que a histó- ria pessoal e familiar têm importância, particularmente a his- tória familiar de câncer de tireoide (em particular: neoplasia endócrina múltipla – câncer medular). A elevação da calcitonina é o achado mais característico do carcinoma medular da tireoide. Alguns serviços têm preco- nizado sua dosagem em todo paciente com nódulo tireoidia- no, para detecção mais precoce da doença, com maior pro- babilidade de cura. Entretanto, como o câncer de tireoide é raro, a grande elevação do custo na investigação não justifica a dosagem de rotina de calcitonina. Indiscutivelmente a PAAF é o melhor método para dife- renciação entre lesões benignas e malignas da tireoide, sendo tecnicamente simples e de fácil execução ambu- latorial. Apresenta sensibilidade e especificidade de 68 a 98%, e 72 a 100% respectivamente. Este procedimento tem como principal limitação diagnóstica a distinção das neoplasias foliculares e as de células de Hurthle quanto a sua natureza benigna ou maligna. Bócio multinodular é geralmente benigno, e a incidência de malignidade neste grupo é menor de 1%. Resposta d. 187. O câncer de cabeça e pescoço representa 10% de todas as neoplasias diagnosticadas. O hábito de fumar e a ingestão de bebidas alcoólicas aumentam muito (até 19 vezes) a probabi- lidade de um indivíduo desenvolver câncer na via aerodiges- tiva superior, sem esquecer de fatores genéticos envolvidos. A cavidade oral é, de longe, a localização predominante dos tumores primários da região da cabeça e pescoço. A língua e o assoalho da boca são os locais mais comuns de origem dos carcinomas espinocelulares primários da cavidade orla no mundo ocidental, excluindo-se os tumores de lábio. Pacientes com leucoplasia pilosa é reconhecidamente um fator de risco para câncer de língua, da mesma forma que o herpesvírus tipo 1, como os papilomavírus 16, 18 e 33, embora estas últimas associações ainda sejam motivos de discussão. A PET scan tem indicação para rastrear recorrências de tumor, metástases, ou na pesquisa de tumor primário em local indeterminado, sendo superior a TC convencional, podendo dessa forma inferir melhor sobre o prognóstico desta população. Os carcinomas são responsáveis pro 90% das neoplasias malignas de cavidade oral,incluindo câncer de lábios, entre estes, o carcinomade Graves apresenta aumento difuso da tireoide e hipotireoidismo associado à oftalmo- patia e à dermopatia. III. O bócio é considerado mergulhante quando uma porção da tireoide tópica apresenta um aumento em direção ao mediastino e não é possível delimi- tar na palpação seu limite inferior até a altura da fúrcula esternal. IV. A tireodectomia é o tratamento de escolha do bócio difuso tóxico, após a falha do tratamento clínico. É correto o que se afirma APENAS em: a) I, II, III e IV b) I e IV c) II e III d) II, III e IV e) I, III e IV ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2013 61. A Ssra. Maria Antonieta, 30 anos, em investigação diagnóstica de um nódulo cervical palpável, está as- sintomática. Seu nódulo foi encontrado em uma con- sulta de rotina. À ultrassonografia, o nódulo estava em polo superior do lobo tireoidiano direito, apre- sentava 2 cm e era hipoecoico. As provas de função ti- reoidiana estão normais e há ausência de adenopatia cervical suspeita. Nesse caso, qual é o próximo passo para o estabelecimento diagnóstico? a) cintilografia tireoidiana b) tomografia de região cervical c) punção aspirativa por agulha fina do nódulo d) loboistmectomia com congelação e) observação do nódulo durante 90 dias sob uso de levotiroxina 25 mcg ACERTEI ERREI DÚVIDA Santa Casa-SP – Clínica Cirúrgica – 2013 62. Paciente de 46 anos apresentou na evolução de uma parotidite supurativa à direita, um grande abaula- mento cervical mais evidente à D, com sinais flogís- ticos locais e odinofagia. Procurou o pronto-socorro sendo internado com diagnóstico de abscesso cervi- cal. Nesse caso é correto afirmar que: a) trata-se de uma infecção cervical cuja disseminação faz-se por via hematogênica o que justifica a agressi- vidade e gravidade do processo, devendo ser tratada por cervicotomia associada à toracotomia b) o tratamento é clínico, com antibioticoterapia de amplo espectro, pois se trata de uma infecção po- limicrobiana, devendo ser instituída de imediato e mantida por três a quatro semanas c) trata-se de um paciente imunocomprometido, prova- velmente diabético, HIV positivo ou desnutrido grave para justificar essa evolução t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 161 d) a parotidite supurativa é atualmente a etiologia mais frequente de abscesso cervical em adulto no nos- so meio; enquanto a faringoamigdalite permanece como principal causa nas crianças e) a infecção é grave podendo disseminar-se por três vias: linfática, hematogênica e por continuidade e, nesse caso, a complicação mais temida é a mediasti- nite descendente necrótica ACERTEI ERREI DÚVIDA SURCE – Clínica Cirúrgica – 2013 63. Paciente, masculino, tabagista, procurou pronto-so- corro com a história de, há 3 meses, ter iniciado qua- dro de disfonia que piorou de intensidade e se asso- ciou a comprometimento da tosse, levando a engasgos frequentes e por último à dispneia leve. Paciente nega perda de peso no período ou aparecimento de massas cervicais. Provavelmente, diante do exposto,seria um caso de: a) tumor subglótico por papilomatose laríngea b) tumor supraglótico por carcinoma verrucoso c) tumor glótico por carcinoma espinocelular d) tumor glótico por carcinoma de células fusiformes e) tumor supraglótico por carcinoma basaloide de cé- lulas escamosas ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 64. A lesão benigna mais comum das glândulas salivares principais é o: a) cistoadenoma papilar b) cisto epidermoide c) adenoma pleomórfi co d) hemangioma ACERTEI ERREI DÚVIDA SURCE – Clínica Cirúrgica – 2013 65. Paciente de 35 anos, sexo feminino, apresentou-se ao ambulatório com queixa de massa cervical palpável observada há 2 meses. Ao exame físico, apresentava- -se normotensa, com massa paramediana cervical de consistência endurecida, de 2 x 1,5 cm, sem linfoa- denopatias palpáveis. Portava uma ultrassonografi a cervical compatível com o exame físico, sem eviden- ciar aumento das glândulas paratireoides. Os hormô- nios tireoidianos estavam normais, mas a calcitonina estava elevada. De acordo com este caso, a melhor conduta a ser tomada é: a) nodulectomia b) tireoidectomia total c) biópsia por agulha fi na d) tireoidectomia quase total e) lobectomia com istimectomia ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 66. Homem de 31 anos apresenta massa de 1 cm indolor, móvel à deglutição e de consistência fi rme anterior à borda do músculo esternocleidomastoideo direito. A ultrassonografi a cervical revela tireoide de tama- nho normal com nódulo sólido de aproximadamen- te 1,2 cm de diâmetro no polo inferior, cuja citologia do aspirado com agulha fi na revela um carcinoma papilífero. A investigação subsequente não encontra lesões sugestivas de metástases em outros órgãos. O tumor do paciente pela classifi cação TNM, encon- tra-se no estágio: a) I e merece tireoidectomia total com linfadenectomia homolateral ao tumor b) II e merece uma tireoidectomia quase total com lin- fadenectomia homolateral ao tumor c) I e merece tireoidectomia total com dissecção radi- cal modifi cada do pescoço no lado da lesão d) II merece tireoidectomia quase total com dissecção radical modifi cada do pescoço no lado da lesão ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 67. Uma paciente de 49 anos submetida à tireoidectomia total para carcinoma folicular na glândula e em uso de levotiroxina sódica, 125 mcg/dia, é acompanha- da no pós-operatório para recidiva da doença pelos níveis de tiroglobulina (Tg) no sangue (valores de referência: 40 a 60 ng/mL). Nesse caso, a suspeita de recidiva da doença ou de metástase será forte quando for observado um nível de Tg, em ng/mL, a partir de: a) 1,5 b) 3,0 c) 5,0 d) 10 ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 68. Em relação aos pacientes nefropatas crônicos com hi- perfunção das glândulas paratireoides, ou hiperpara- tireoidismo secundário, pode-se afi rmar que: a) os suplementos de vitamina D2 controlam a fosfatemia b) o controle clínico impede, defi nitivamente, a parati- reoidectomia c) a calcifi cação da camada medial arterial indica para- tireoidectomia d) localizar previamente as glândulas evita a explora- ção cervical bilateral ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 69. Determinados tumores da tireoide devem ser trata- dos por tireoidectomia total meticulosa porque seus resíduos não podem ser erradicados efi cazmente com radioiodo por ausência ou por defi ciência de capta- ção. São eles: t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015162 a) medular e folicular b) papilífero e folicular c) medular e de células de Hurthle d) papilífero e de células de Hurthle ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 70. O procedimento cirúrgico diagnóstico/terapêutico aceito para um nódulo tireóideo de 1,2 cm em seu maior diâmetro, cujo laudo citológico, na punção as- pirativa com agulha fina, indica um tumor folicular em uma situação em que o cirurgião não dispõe do exame de congelação, consiste em: a) lobectomia homolateral e istmectomia b) nodulectomia e aguardar histopatologia c) tireoidectomia total e ressecção de linfonodos d) lobectomia parcial bilateral e ressecção de linfonodos ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 71. Mulher de 50 anos refere início recente de ansiedade, sudorese, tremores nas mãos e está emagrecendo ape- sar de alimentar-se como de hábito. Palpa-se massa cervical anterior multinodular de consistência elás- tica, móvel à deglutição e indolor. Os exames labo- ratoriais para avaliação da tireoide mostraram TSH suprimido e T4 e T3 livres em níveis acima do limite de referência laboratorial. A ultrassonografia revelou tireoide multinodular e ausênciaepidermoide ou de cé- lulas escamosas é responsável por 80% dos mesmos, sendo os demais constituídos por carcinomas indiferenciados, pouco diferenciados ou adenocarcinomas de glândulas sa- livares acessórias. Resposta e. 188. O nervo laríngeo recorrente é ramo do nervo vago, recurva-se por debaixo da artéria subclávia no lado direito e por debaixo do arco da aorta no lado esquerdo. Após re- curvarem-se formando uma alça, ambos os nervos laríngeos recorrentes seguem para cima a fim de atingir a face póstero- -medial da extremidade inferior da glândula tireoide, onde ascendem no sulco traqueoesofágico para suprir os músculos intrínsecos da laringe, exceto o cricotireoideo. Resposta a. 189. Esta pergunta foi inserida nesta apostila, pegando como gancho a necessidade de abordarmos as síndromes endócri- nas múltiplas, que recentemente vem sendo abordada nas perguntas para o R3 de cirurgia, e como o carcinoma medu- lar e hiperparatireoidismo fazem parte deste módulo, vamos aproveitar a questão. Feocromocitoma é um apudoma produtor de catecolaminas, e que em 90% dos casos tem origem das células cromafins da medula adrenal; em 10% dos casos a origem é extramedu- lar e são classificados como paragangliomas. Estes últimos respondem pela grande maioria das lesões no grupo etário abaixo dos 20 anos e são raros após os 60 anos. Cerca de 90% dos feocromocitomas são tumores benignos (somen- te 10% são malignos). Estes tumores podem ser familiares ou esporádicos (cerca de 90% dos casos). Nestes últimos, a causa do processo neoplásico permanece obscura. Entretan- to, perda da heterozigosidase nos cromosssomos 1p, 3p, 17p e 22q sugere mutação por deleção em células somáticas de um alelo autossômico em loci supressores de tumor ainda não caracterizados. Feocromocitoma familiar ocorre com as síndromes de neoplasias endócrinas múltiplas tipo 2A (síndrome de Siplle): feocromocitoma, carcinoma medular e hiperparatireoidismo primário, e MEN 2B (síndromes dos neuromas mucosos): feocromocitoma, carcinoma medular e neuromas mucosos, e por vezes associação com a doença de von Hippel- Lindau (angiomatose cerebelar e retiniana) e neurofibromatose tipo 1. Carcinoma medular de tireoide é a manifestação mais característica da MEN 2A e está presente em aproximadamente 90% dos casos. Quase sempre é a ma- nifestação inicial. Feocromocitomas são subsequentemente diagnosticados em 40 a 50% dos pacientes e anormalidade paratireoides em 10 a 35%. Os componentes principais da MEN-2B, por ordem decrescente de frequência, são os neu- romas mucosos, carcinoma medular, hábito marfanoide e fe- ocromocitoma. O ácido vanil mandélico é um exame simples e barato, porém pouco confiável devido à alta frequência de resultados falso-positivos e falso-negativos (especificidade de linfonodomega- lias. O radiodo 131I foi captado por apenas um dos nó- dulos no lobo direito. O ato cirúrgico de escolha, nesse caso, deve ser: a) lobectomia direita b) tireoidectomia total c) tireoidectomia subtotal d) ressecção do nódulo captante ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2013 72. Um dos tratamentos do bócio difuso tóxico é a radio- terapia com 131I (iodo radioativo). No entanto, há uma contraindicação relativa a este tipo de controle do bó- cio e da síndrome por ele causada nos casos de: a) mulher em período gestacional b) mulher em período de lactação c) nódulo suspeito de malignidade d) homem com exoftalmia acentuada ACERTEI ERREI DÚVIDA Unificado-MG – Clínica Cirúrgica – 2013 73. SGP, 48 anos, sexo masculino, operário. Ao se subme- ter ao exame periódico na firma apresentou elevação dos níveis séricos de cálcio. É praticamente assinto- mático, fazendo uso somente de diurético tiazídico para controle de hipertensão arterial leve. Em relação a este caso assinale a afirmativa ERRADA: a) a origem mais provável desta hipercalcemia é ade- noma único de paratireoide b) deve ser realizada a dosagem do PTH (hormônio paratireoidiano) para diferenciação de hipercalce- mia induzida pelo tiazídico c) deve ser solicitada a dosagem de fosfato que, se eleva- da (hiperfosfatemia), sela o diagnóstico de hiperpara- tireoidismo primário d) se confirmado o hiperparatireoidismo primário, o único tratamento efetivo é a cirurgia ACERTEI ERREI DÚVIDA FADESP – Clínica Cirúrgica – 2013 74. A hipercalcemia de longa duração prejudica os meca- nismos de concentração renais, resultando em poli- úria, polidipsia e deposição metastática de cálcio, si- tuação que pode provocar coma e morte. Deverão ser encarados como emergência clínica os pacientes que apresentarem concentração sérica de cálcio acima de: a) 8 mg/dL b) 10 mg/dL c) 12 mg/dL d) 14 mg/dL ACERTEI ERREI DÚVIDA Unificado-MG – Clínica Cirúrgica – 2013 75. GPD, 35 anos, sexo feminino, professora, foi à consulta porque notou alteração na região anterior do pescoço. O médico suspeitou de tumor e pediu uma PAAF. O re- sultado foi “tumor folicular de tireoide”. À cirurgia, foi encontrado nódulo único no lobo direito, sendo optado por lobectomia direita e istmectomia. O exame anato- mopatológico confirmou carcinoma folicular, sendo considerado tratamento definitivo. Cerca de 2 anos de- pois foi detectada metástase óssea. Em relação a este caso assinale a afirmativa CORRETA: a) a diferenciação entre adenoma e carcinoma é pela presença de invasão capsular e /ou vascular b) como a PAAF foi inconclusiva, deveria ter sido repetida c) o teste de tireoglobulina sérica deveria ter sido utilizado para detecção precoce de recorrência e metástases d) tem indicação e condições ideais para tratamento com iodo radioativo ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2013 76. Paciente feminino, 38 anos, com queixa de insônia, ta- quicardia leve, sem perda de peso. Procura clínico que diagnostica hipertireoidismo com TSH suprimido, T4 livre aumentado, TRAb normal e anticorpos normais. O resultado esperado da ultrassonografia solicitada, e o tratamento de escolha são, respectivamente: a) bócio multinodular. Tratamento com propiltiuracil b) bócio difuso. Tireoidectomia total c) tireoide normal. Tratamento com corticoide oral d) bócio difuso volumoso. Radiodoterapia e) bócio nodular no lobo direito. Lobectomia direita ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 163 UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2013 77. Mulher de 69 anos com nódulo tireoidiano no lobo direito ao ultrassom de 0,9 cm. O nódulo é sólido e o médico relata à paciente que há sinais de malignidade na lesão. Os sinais que o ultrassom mostrou são: a) calcifi cação de 1 cm no lobo direito da glândula b) vascularização periférica e central do nódulo c) imagem anecoica do nódulo,sem vascularização d) irregularidade e vascularização central do nódulo e) vascularização periférica e hipercogenicidade do nódulo ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIRIO – Clínica Cirúrgica – 2013 78. Paciente com quadro de dores ósseas, principalmen- te, em membros inferiores, cólicas nefréticas de repe- tição. Endocrinologista solicita cálcio e PTH séricos, ambos, elevados. Ultrassonografi a cervical demons- trou nódulo no lobo direito da tireoide no polo in- ferior, em posição posterior, de difícil diferenciação da paratireoide inferior. O exame para confi rmação diagnóstica e o tratamento são, respectivamente: a) cintilografi a com sestamibi; paratireoidectomia total com reimplante no antebraço não dominante de frag- mento de glândula b) cintilografi a com sestamibi; paratireoidectomia infe- rior esquerda c) cintilografi a com tecnécio; tireoidectomia parcial d) Dopplerfl uxometria do nódulo; paratireoidectomia superior e inferior esquerdas e) cintilografi a com tecnécio; lobectomia subtotal ti- reoidiana esquerda ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-RJ – Clínica Cirúrgica – 2013 79. O tumor da parótida mais comum é o: a) adenoma pleomórfi co b) hemangioma c) tumor mucoepidermoide d) tumor de Warthin ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – Clínica Cirúrgica – 2012 80. O esvaziamento cervical radical clássico, indicado para tratar metástases linfáticas de carcinoma espi- nocelular de trato aerodigestivo alto: a) refere-se à retirada de linfonodos presentes nas ca- deias que compõem os níveis I, II, III, IV e V do pes- coço e deve ser realizado quando existe linfonodo palpável no pescoço b) deve ser realizado na presença de linfonodo palpável no pescoço, maior que 1 cm c) refere-se à retirada de linfonodos presentes nas ca- deias que compõem os níveis I, II, III, IV e V do pes- coço e pode incluir a veia jugular interna d) inclui os linfonodos presentes nos níveis I, II, III, IV e V, a veia jugular interna, o músculo esternocleido- mastoideo e o nervo acessório ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – Clínica Cirúrgica – 2012 81 O esvaziamento cervical é um procedimento cirúrgico realizado em região anatomicamente complexa, por- tanto, passível de complicações importantes, como: a) lesões nervosas, e a mais frequente é a do nervo vago, devido a manipulação, tração ou secção inadvertida b) roturas de grandes vasos, como a carótida, que ocor- rem tardiamente, relacionados a infecções ou fístulas oro ou faringocutâneas c) fístula quilosa, que apesar de rara, é de fácil resolu- ção e frequentemente ocorre em esvaziamentos cer- vicais seletivos supraomo-hioideos d) fístulas salivares associadas à remoção da glândula submandibular ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – Clínica Cirúrgica – 2012 82. Homem, de 48 anos, há 4 dias com dor em orofaringe à direita, odinofagia e febre, fez uso de amoxicilina por conta própria durante 2 dias com discreta melho- ra. Após, evoluiu com abaulamento em região cervi- cal do mesmo lado, desde a borda inferior da man- díbula até a altura do hioide, com dor local intensa, discreta hiperemia, queda do estado geral e trismo. O quadro clínico apresentado refere-se a: a) neoplasia de orofaringe com metástase linfática, que originou trismo, e a punção aspirativa por agulha fi na é essencial para o diagnóstico b) abscesso cervical que deve ser tratado com antibio- ticoterapia cobrindo bactérias aeróbias e anaeróbias, Gram-positivas e negativas e aguardar sinais de fl u- tuação para drenagem cirúrgica c) abscesso cervical que deve ser tratado o mais rapi- damente com antibioticoterapia de largo espectro e drenagem cirúrgica precoce, devido à possibilidade de complicações com signifi cativa morbimortalida- de como a mediastinite d) abscesso cervical, que provavelmente está restrito a região submandibular e tem baixa morbidade, de- vendo-se adequar o uso da amoxicilina e aguardar a evolução para observar a necessidade de drenagem ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2012 83. Homem, 52 aanos, notou nódulo endurecido na re- gião submandibular direita há 2 anos. Refere pares- tesia da borda lateral da língua há 6 meses, com piora progressiva. Este paciente é portador de: a) carcinoma adenoide cístico b) adenoma pleomórfi co c) adenocarcinoma d) carcinoma mucoepidermoide ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015164 UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2012 84. Paciente com carcinoma espinocelular de laringe gló- tica, estádio III recusa-se tratamento cirúrgico pela possibilidade de laringectomia total. Optou-se, então, por preservação de órgãos com associação de quimio- terapia e radioterapia. O esquema de melhor resposta para este tumor é: a) platina e Fluoracil de indução; radioterapia 6.600 cGy b) platina e Fluoracil concomitantes; radioterapia 6.600 cGy c) platina, Fluoracil e Taxano de indução; radioterapia 7.000 cGy d) platina, Fluoracil e Taxano concomitantes; radiote- rapia 7.000 cGy ACERTEI ERREI DÚVIDA UFPR – Clínica Cirúrgica – 2012 85. A(s) forma(s) de apresentação clínica mais frequente(s) do hiperparatireoidismo primário é (são): a) poliúria, polidipsia e hipocalemia b) parestesia e hiporreflexia generalizadas c) assintomática d) litíase renal, hipertensão arterial e nefrocalcinose e) osteopenia, dor óssea e fraturas patológicas ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2012 86. O local onde mais frequentemente são encontrados os higromas císticos se denomina: a) mediastino posterior b) canal inguinal c) mediastino anterior d) região cervical lateral e) retroesternal, adjacente à fúrcula ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2012 87. O tratamento mais apropriado para paciente do sexo masculino, 50 anos, portador de lesão folicular da ti- reoide maior que 4 centímetros, porém, sem gânglios cervicais palpáveis ou identificados pela ultrassono- grafia é: a) tireoidectomia total, com linfadenectomia cervical b) tireoidectomia total, sem linfadenectomia cervical c) lobectomia ipsilateral ao nódulo, associada à ressec- ção do istmo tireoidiano d) tireoidectomia subtotal bilateral e) acompanhamento clínico, realizando ultrassonogra- fia anual ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2012 88. Na forma adenomatosa do hiperparatireoidismo pri- mário, pode-se afirmar que: a) a palpação do pescoço é a melhor forma de identifi- car um adenoma da paratireoide b) o tratamento cirúrgico, em função do número de glândulas, é sempre duvidoso c) a cirurgia deve ser sempre indicada para os idosos, por sua maior possibilidade de malignidade d) o acometimento, na maioria dos casos, é de uma única glândula e) as paratireoides inferiores são mais acometidas que as superiores ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – Clínica Cirúrgica – 2012 89. Dentre as assertivas a seguir, aquela que está correta em relação ao carcinoma folicular da tireoide: a) costuma ser mais frequente em pacientes de faixa etária mais avançada que apresentam nódulos sóli- dos e solitários b) caracteriza-se por apresentar metástases na maioria dos pacientes c) é decisivo para seu diagnóstico o exame de congela- ção intraoperatório d) a cirurgia deve ser radical por serem tumores menos diferenciados e) o exame citológico em amostras obtidas com a PAAF (punção aspirativa com agulha fina) confirma o diag- nóstico se forem identificadas células foliculares ACERTEI ERREI DÚVIDA UEL-PR – Clínica Cirúrgica – 2012 90. Segundo “Estimativa 2010” do INCA – Instituto Na- cional do Câncer -, o câncer de cavidade oral é o quin- to mais frequente no Brasil, com 10.330 casos novos em 2010. Assinale a alternativa que apresenta o prin- cipal fator de risco para esta neoplasia no Brasil: a) idade acima de 60 anos b) imunossupressão c) dieta d) hereditariedade e) tabagismo ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – Clínica Cirúrgica – 2012 91. Uma mulher de 39 anos foi encaminhada para avalia- ção cirúrgica por nódulo tireoidiano em lobo direito, identificado pela ginecologista. É assintomática. Tem TSH normal e o ultrassom de tireoide mostra nódu- lo > 1 cm, suspeito de neoplasia. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) foi inconclusiva, porém sus- peita para neoplasia. Melhor sequência de investiga- ção e tratamento desta paciente: a) cintilografia; se o nódulo não for quente, indicar tireoidectomia parcial, com biópsia de congelação intraoperatória b) PET-TC; tireoidectomia total e esvaziamento cervi- cal do lado do nódulo c) cintilografia; se o nódulo não for quente, indicar ti- reoidectomia total, com esvaziamento cervical t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 165 d) repetir a PAAF; se o achado se mantiver, indicar ti- reoidectomia total com linfadenectomia e) tomografi a cervical e novos exames de perfi l tireoidiano ACERTEI ERREI DÚVIDA Santa Casa-SP – Clínica Cirúrgica – 2012 92. Homem de 50 anos, submetido à tireoidectomia há 6 horas, apresenta sangramento discreto pelo dreno cer- vical, aumento de volume do pescoço, saturação de O2 85%, insufi ciência respiratória e cornagem. Após aber- tura da cicatriz operatória e saída de 80 mL de líquido sanguinolento, houve melhora da insufi ciência respi- ratória e diminuição do volume do pescoço. O sangra- mento é mínimo, a saturação de O2 90%, permanecen- do a cornagem. Qual a conduta mais adequada? a) traqueostomia b) intubação orotraqueal c) máscara de O2 (12 L/min) d) cricotireoidostomia e) observação e infusão de corticosteroide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2012 93. Mulher, 41 anos, técnica em radiologia, com exposi- ção crônica à radiação ionizante, apresenta nódulo de 2,1 cm no lobo direito da tireoide, móvel. Não se evidencia punção de linfonodomegalia cervical. A punção aspirativa revelou carcinoma papilífero. O tratamento adequado para essa paciente é: a) lobectomia ipsilateral e istmectomia b) tireoidectomia total c) tireoidectomia total e esvaziamento recorrencial ip- silateral d) tireoidectomia total e radioiodoterapia e) corticoterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFU-MG – 2012 94. Carina, estudante universitária de 22 anos, procurou serviço médico por apresentar um nódulo na região cervical anterior. Após avaliação pelo especialista, foi solicitado um estudo ultrassonográfi co do pescoço, que evidenciou um nódulo tireoidiano de 0,4 x 0,3 x 0,4 cm de característica sólida, sem microcalcifi ca- ções com limites precisos e classifi cados ao Doppler com vascularização Chammas II. Paciente nega tratamento prévio de radioterapia e história familiar de câncer tireoidiano. Assinale a al- ternativa correta em relação à conduta: a) dosar a tireoglobulina sérica b) cintilografi a da tireoide com I c) biópsia com agulha fi na às cegas d) biópsia com agulha fi na dirigida por USG e) conduta conservadora com acompanhamento clínico ACERTEI ERREI DÚVIDA ICC-CE – Clínica Cirúrgica – 2012 95. A glândula tireoide é sede potencial de várias pato- logias benignas e malignas. O achado de nódulos na tireoide é cada vez mais frequente, em virtude, princi- palmente, das maiores sofi sticação e disponibilidade dos métodos de imagem. Em relação à tireoide, é ver- dadeiro afi rmar, EXCETO: a) a frequência de nódulos, palpáveis ou não, aumenta com a idade e é cerca de 4 vezes mais comum no sexo feminino b) a grande maioria dos nódulos é benigna, entretanto a presença de câncer deve sempre ser pensada e des- cartada c) a ocorrência de sinais como disfonia, crescimento rápido e dor são sugestivos, mas não conclusivos de malignidade d) os grupos de maior risco para malignidade são as crianças, homens, mulheres entre 30 e 60 anos e aqueles expostos à radiação e) a PAAF é um método muito útil na avaliação pré- -operatóriade pacientes com nódulos na tireoide, entretanto tem algumas limitações, entre elas em re- lação ao carcinoma folicular, que habitualmente não pode ser diagnosticado pela PAAF ACERTEI ERREI DÚVIDA ICC-CE – Clínica Cirúrgica – 2012 96. O câncer de tireoide corresponde a cerca de 1% de to- das as neoplasias e tem altas taxas de sucesso com o tratamento adequado. Em relação às neoplasias ma- lignas da tireoide, é verdadeiro afi rmar: a) mais de 90% das neoplasias malignas da tireoide são consideradas bem diferenciadas, o que inclui: car- cinoma papilífero, carcinoma folicular e carcinoma medular da tireoide b) a neoplasia de células de Hurthle compreende 6% dos tumores malignos da tireoide e pode estar asso- ciado à síndrome NEM c) o carcinoma papilífero é o mais comum entre os tumores malignos da tireoide, correspondendo de 70% a 80% dos casos novos e tem excelente prognós- tico especialmente entre homens acima de 40 anos d) embora o carcinoma papilífero tenha prognóstico exce- lente, alguns subtipos tem comportamento mais agressi- vo e tendem a ocorrer em pacientes mais idosos: carci- noma insular, de células altas e de células colunares e) o carcinoma folicular é o segundo mais frequente e tem predileção por pacientes femininas abaixo dos 30 anos ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2011 97. Em relação à traqueostomia cervical, podemos afi rmar: a) a principal indicação, atualmente, é a traqueostomia de emergência b) no adulto a taqueostomia está sempre indicada no enfi sema pulmonar t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015166 c) a traqueostomia de emergência não está associada a um maior índice de complicações da via aérea d) a traqueostomia cervical é realizada em 24% dos pa- cientes submetidos à ventilação mecânica e) os termos ‘traqueotomia’ e ‘traqueostomia’ são sinô- nimos ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2011 98. Parente de primeiro grau de um paciente com câncer medular de tireoide apresenta, ao exame, dosagem de tireocalcitonina = 36 pg/mL. O exame do pescoço está totalmente normal, apresentando-se assintomático. O tratamento seria: a) exames frequentes de acompanhamento para detec- tar nódulos de tireoide b) supressão tireoidiana com tireotoxina durante toda a vida c) ablação da glândula tireoide durante toda a vida d) tireoidectomia total e) aspiração com agulha fina de cada lobo da tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2011 99. Em relação à traqueostomia cervical, podemos afir- mar: a) a traqueostomia cirúrgica deve ser feita sempre no centro cirúrgico b) o cirurgião e o primeiro auxiliar são suficientes para a realização a traqueostomia; não havendo necessi- dade de mais nenhum tipo de ajuda c) a traqueostomia cervical é um procedimento muito simples. Qualquer médico sem treinamento especí- fico pode realizá-la d) a broncoscopia é perfeitamente dispensável para a realização da traqueostomia percutânea e) a traqueostomia cervical aberta deve ser feita no se- gunda ou terceiro anel traqueal ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2011 100. Na cirurgia da estenose subglótica: a) é dispensável a laringoscopia prévia b) a traqueostomia é a principal causa da estenose subglótica c) sempre se faz necessária a complementação com es- ternotomia mediana d) quando a glote é comprometida, há necessidade de colocação de tubo em T e) a lesão do nervo laríngico recorrente é rara ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Clínica Cirúrgica – 2011 101. Em relação à cirurgia da estenose da traqueia: a) a estenose do terço médio da traqueia sempre é rea- lizada por esternotomia mediana b) não é preciso cuidado com o nervo laríngico recor- rente, pois ele passa distante do local de dissecção c) podem-se fazer grandes dissecções laterais da tra- queia sem prejuízo da circulação d) a traqueobroncoscopia virtual pode auxiliar na ava- liação da extensão da estenose e) a dilatação prévia nunca é necessária ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – Clínica Cirúrgica – 2011 102. Mulher, 62 anos, renal crônica,transplantada há 6 anos, apresenta função renal dentro da normalidade. Realizou hemodiálise por 9 anos. Apresenta queixa de dor óssea e prurido de difícil controle. Exames la- boratoriais: dosagem de PTH (paratormônio) = 285 ng/mL (VN = 25-65 ng/mL), cálcio sérico = 11,7 mg/ dL (VN = 8,5-10,4 mg/dL). A etiologia, rotina diag- nóstica e tratamento são: a) hiperparatireoidismo secundário; ultrassonografia cervical; paratireoidectomia ¾ b) hiperparatireoidismo terciário; ultrassonografia cer- vical; paratireoidectomia total com autoimplante no antebraço c) hiperparatireoidismo secundário; cintilografia (ses- tamibi); paratireoidectomia total com autoimplante no antebraço d) hiperparatireoidismo terciário; cintilografia (sesta- mibi); paratireoidectomia total com autoimplante no deltoide ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2011 103. Mulher, 65 anos, com nódulo tireoidiano de 3 cm de diâmetro em lobo direito. Ultrassonografia: vascula- rização central no nódulo e presença de linfonodos aumentados de volume à direita. PAAF: carcino- ma diferenciado da tireoide. O fator prognóstico de maior significância neste caso é: a) idade b) tamanho do nódulo c) presença de linfadenomegalia ipsilateral d) vascularização central na ultrassonografia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2011 104. Mulher, 40 anos, submetida à tireoidectomia total por carcinoma medular evolui com metástases linfo- nodais. A melhor forma de tratamento neste caso é: a) iodoradioterapia b) supressão hormonal + radioterapia c) radioterapia + quimioterapia d) ressecção cirúrgica ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 167 UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2011 105. Paciente submetida à tireoidectomia total por carci- noma papilífero. Para realização de iodoradioterapia profi lática subsequente é necessário: a) aguardar 4 semanas até supressão do TSH com Lt4 b) fazer dose de 200 mcu na segunda semana de pós- -operatório c) fazer lugol por 15 dias d) aguardar 4 semanas sem reposição hormonal ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2011 106. Paciente portador de síndrome endócrina múltipla, NEM IIA, é internado para tratamento. A prioridade cirúrgica deve ser o: a) tumor hipofi sário b) feocromocitoma c) hiperparatireoidismo d) carcinoma medular da tireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2010 107. Uma das lesões mais comuns observadas na linha mé- dia do pescoço de crianças em idade pré-escolar é: a) cisto tireoglosso b) higroma cístico c) cisto branquial d) linfadenopatia ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2010 108. A localização pré-operatória não invasiva de glându- la paratireoide que determina hiperparatireoidismo primário permite uma cirurgia mais rápida, possibi- lidade de menor permanência hospitalar e até mesmo utilização de anestesia regional. O estudo de imagem que apresenta maiores sensibilidade e especifi cidade e baixo custo a ser solicitado é: a) ultrassonografi a b) sestamibi SPECT c) ressonância magnética d) cintilografi a com sestamibi Tc-99 ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2010 109. No caso de hiperparatireioidismo secundário em ne- fropatas, é correto dizer que: a) a cirurgia cervical para identifi cação das glândulas é obrigatória b) o autotransplante de fragmentos de uma das glându- las é obrigatório c) a paratireoidectomia subtotal torna desnecessário o tratamento renal d) a paratireoidectomia subtotal é a cirurgia preferida em todos os doentes ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – Clínica Cirúrgica – 2010 110. Uma paciente, 47 anos, não fumante e não etilista, procedentede Goiás, apresenta-se ao médico clínico com queixa de dispneia aos grandes esforços. O exa- me físico é normal, salvo pela presença de circulação venosa cervical mais evidente. Radiografi a do tórax evidencia um alargamento do mediastino anterior e desvio traqueal para a esquerda. Está correto afi rmar que a suspeita diagnóstica é: a) timoma b) câncer de esôfago c) divertículo de Zenker d) aneurisma da crossa da aorta e) bócio intratorácico secundário, chamado de mergu- lhante ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2010 111. Mulher, 40 anos, previamente hígida, apresenta fra- queza muscular e mialgias. Tem cálcio sérico de 11 mg% e fósforo de 2 mg%. O tratamento deve incluir: a) ressecção de adenoma de paratireoide b) paratireoidectomia total com implante muscular de um quarto de glândula c) ressecção de carcinoma de paratireoide, com lobec- tomia tireoidiana ipsilateral d) paratireoidectomia com tireoidectomia e adrenalectomia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2010 112. Quatro horas após tireoidectomia total por carcino- ma papilífero da tireoide, paciente de 50 anos evolui para insufi ciência respiratória aguda. Suspeita-se de: a) lesão bilateral de nervos laríngeo recorrentes b) hematoma de loja tireoidiana c) traqueomalácia d) broncoaspiração maciça ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2010 113. Um homem de 60 anos refere urolitíases de repetição há vários anos, já tendo realizado três litotripsias. Seu clínico solicitou cálcio sérico, que se encontrava em 13 mg/dL. O PTH era de 250 pg/mL. Com base na imagem abaixo, o exame e o laudo apropriado para o caso, respectivamente, são: t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Clínica cirúrgica | Cabeça e Pescoço | Questões para treinamento SJT Residência Médica - 2015168 a) cintigrafia tireoidiana, com hipercaptação de nódulos b) cintigrafia com sestamibe, aumento de paratireoides c) PET scan, aumento de glândulas submandibulares d) radiografia cervical, com nódulos calcificados ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2010 114. A punção aspirativa dos nódulos tireoidianos com agulha fina tem como principal característica: a) gerar dor local intensa b) definir a histologia dos tumores foliculares c) ter grande acurácia, quando o nódulo é maligno d) definir, com sensibilidade de 95% os nódulos benignos ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – Clínica Cirúrgica – 2010 115. Na PAAF, o achado citológico conhecido como “olhos da órfã Annie” é encontrado no seguinte tipo de car- cinoma: a) folicular b) papilífero c) medular d) anaplásico ACERTEI ERREI DÚVIDA Analise o caso e as imagens abaixo e responda às questões de números 116 e 117. UERJ – 2010 116. Paciente de 60 anos refere urolitíases de repetição há vários anos, tendo realizado três litotripsias extracor- póreas. Seu clínico solicitou dosagem do cálcio sérico, que foi de 13 mg/dL. O PTH era de 250 pg/mL. Analisando as imagens acima, pode-se dizer que são características do seguinte tipo de exame e sugerem como diagnóstico, respectivamente: a) cintilografia com sestamibi, aumento da paratireoi- de inferior D b) PET scan, aumento de glândulas submandibular c) radiografia cervical com nódulo calcificado à D d) cintilografia tireoideana com hipercaptação à D ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2010 117. Diante desses achados, a melhor conduta no caso é: a) lobectomia direita b) biópsia de nódulo c) paratireoidectomia d) ressecção de glândula submandibular ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2010 118. A parotidite pode ocorrer em pacientes cirúrgicos, principalmente em indivíduos idosos desidratados. O tratamento deve ser direcionado no sentido de rei- dratação, estimulação da salivação e administração de antibióticos contra o agente etiológico mais co- mum, conhecido como: a) Staphylococcus aureus b) Candida albicans c) Streptococcus beta-hemolítico d) Pseudomonas aeruginosa e) Streptococcus alfa-hemolítico ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2010 119. O sangramento tardio fulminante em paciente tra- queostomizado é, geralmente, secundário à erosão traqueal e consequente lesão causada pelo tubo na artéria: a) aorta b) inominada c) carótida primitiva d) tireoidiana inferior e) tireoidiana superior ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2010 120. A cirurgia de Sistrunk é utilizada para o tratamento de uma das patologias abaixo. Assinale-a. a) higroma cístico b) cisto tireoglosso c) hemangioma cavernoso d) adenoma da paratireoide e) nódulo tireoidiano único ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – Clínica Cirúrgica – 2010 121. Assinale, dentre as alternativas abaixo, aquela em que se indica o tumor mais comum da parótida. a) tumor de Whartin b) adenoma pleomórfico c) tumor epidermoide d) cisto mucoepidermoide e) cistoadenoma papilar linfoadenomatoso ACERTEI ERREI DÚVIDA t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 13 Cirurgia da cabeça e do pescoço 169 UFF – Clínica Cirúrgica – 2010 122. A principal causa do hiperparatireoidismo primá- rio é: a) adenoma único b) hiperplasia acometendo uma glândula c) adenoma comprometendo, pelo menos, duas glândulas d) hiperplasia comprometendo, pelo menos, duas glân- dulas e) adenocarcinoma de uma ou mais glândulas ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2009 123. Daniel, 11 anos, com nódulo solitário de tireoide. O diagnóstico deve ser feito por: a) punção por agulha fi na b) ultrassonografi a c) cintigrafi a com 123I d) cintigrafi a com 99Tc ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – Clínica Cirúrgica – 2009 124. Paulo, 4 anos apresenta tumoração na linha cervical média com evolução de 6 meses, móvel à deglutição, indolor, sem sinais infl amatório e de caráter cístico à ultrassonografi a. O diagnóstico mais provável é: a) cisto de duplicação esofágica b) linfangioma c) teratoma d) cisto de tireoglosso ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2009 125. O conhecimento adequado do suprimento arterial da glândula tireoide é fundamental para a realiza- ção das tireoidectomias. Em cerca de 5% dos pa- cientes, observa-se a presença da artéria tireóidea ima, que, usualmente, é um ramo proveniente do seguinte vaso: a) artéria carótida externa b) artéria carótida comum c) tronco tireocervical d) tronco inominado ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2009 126. Os carcinomas tireoideanos de células de Hurthle se caracterizam pela abundância de células oxilofílicas (oncócitos) e são considerados um subtipo do carci- noma: a) folicular b) medular c) papilífero d) anaplásico ACERTEI ERREI DÚVIDA Leia o caso abaixo e responda às questões 127 e 128. Uma mulher de 47 anos procurou auxílio médico, queixando-se de fadiga, anorexia e dor óssea. Foi realizada ultrassonografi a abdominal, que revelou nefrolitíase, e radiografi a das mãos, que evidenciou reabsorção subperióstea nas falanges distais. FESP – Clínica Cirúrgica – 2009 127. Pelo fato da paciente apresentar função renal normal, a principal hipótese diagnóstica formulada pela equi- pe médica foi de hiperparatireoidismo do tipo: a) primário d) terciário c) secundário d) quaternário ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – Clínica Cirúrgica – 2009 128. Para confi rmação diagnóstica, exames bioquímicos foram solicitados. Falando a favor do diagnóstico de hiperparatireoidismo, a paciente apresentava níveis elevados de cálcio e PTH e uma diminuição dos níveis séricos de: a) cloro b) fosfato c) ácido úrico d) fosfatase alcalina ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2009 129. A cirurgia endócrina videoassistida, defendida por Paolo Miccoli, tem sua indicação mais precisa em ca- sos de: a) hiperparatireoidismo secundário b) carcinoma papilífero de tireoide c) doença de Basedow Graves d) adenoma de paratireoide ACERTEI ERREI DÚVIDA IJF – 2009 130.