Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Tutoria: Proliferação celular 
 Maria Clara Lopes, 4º p 
 
OBJETIVOS: Descrever a anatomia da tireoide 
- Analisar a epidemiologia, os fatores de risco, 
tipos histológicos, apresentações clinicas, 
avaliação diagnóstica do câncer da tireoide 
- Explicar as formas de tratamento do câncer da 
tireoide bem diferenciado (papilífero) e o impacto 
do tratamento cirúrgico da tireoidectomia e o 
consequente uso da medicação contínua. 
ANATOMIA DA TIREOIDE 
- O nome “tireoide” é em razão do seu formato 
semelhante a um escudo (do grego: thyreos = 
escudo, eidos = forma). 
- A tireoide é a maior glândula endócrina do corpo 
humano, sem ductos, que pesa 
aproximadamente 20g, sendo responsável pela 
produção dos hormônios tireoidianos (T3 - tri-
iodotironina e T4 - tiroxina, além da calcitonina), 
envolvidos com diversos componentes da 
homeostase (função cerebral, cardiovascular, 
intestinal, metabolismo celular, produção de 
calor, etc.). 
♥ Aumenta a velocidade metabólica dos 
tecidos. 
♥ Aumenta o consumo de oxigênio. 
♥ Aumenta a frequência cardíaca, a 
ventilação e a função renal. 
♥ É necessária para a produção do 
hormônio de crescimento e é importante 
no crescimento do SNC. 
♥ Aumenta a deposição de cálcio e fosfato 
nos ossos (calcitonina). 
 
- Posição anatômica: A tireoide situa-se a meio 
caminho entre o ápice da cartilagem tireoide 
(“pomo de adão”) e a fúrcula esternal, a nível 
vertebral C5-T1. 
♥ Apresenta uma relação anatômica 
anterior com a traqueia, que é 
praticamente “abraçada” pela glândula. 
♥ Por trás da traqueia, correm os nervos 
laríngeos recorrentes e encontra-se o 
esôfago – estas estruturas têm relação 
anatômica posterior com a tireoide. 
 
 
- A glândula tireoide tem dois lobos laterais 
piriformes (direito e esquerdo) unidos por um istmo 
situado anteriormente do segundo ao quarto anel 
(cartilagem) traqueal. 
♥ Pode haver assimetria entre os lobos, 
geralmente o direito sendo um pouco 
maior que o esquerdo. cada lobo 
medindo aproximadamente 4 cm de 
comprimento, 2 cm de largura e 1,5-2,0 cm 
de profundidade. 
o Isso é importante, pois em doenças 
que ocorre aumento da glândula, 
suas características ajudam na 
descrição. (ex.: doença de Graves 
- glândula aumentada, com 
aproximadamente 60 g) em vez de 
glândula aumentada 3x. 
♥ A porção posterior dos lobos piriformes 
contém as pequenas glândulas 
Mobile User
paratireoides (duas de cada lado), 
produtoras do paratormônio (PTH). 
- Um terceiro lobo – o lobo piramidal – pode ser 
eventualmente encontrado fixado ao istmo, 
apresentando uma forma alongada, como um 
remanescente da extremidade caudal do ducto 
tireoglosso. 
♥ Em raros pacientes, um cisto pode ser 
encontrado entre a base da língua e a 
cartilagem tireoide (cisto tireoglosso), 
representando um remanescente 
embriológico do ducto tireoglosso. 
- A tireoide tem um suprimento sanguíneo rico, 
proveniente da artéria tireóidea superior (ramo da 
carótida externa) e da artéria tireóidea inferior 
(ramo do tronco tireocervical da artéria 
subclávia). Ainda há uma pequena artéria 
tireóidea caudal, ramo da artéria inominada. 
- A drenagem venosa se faz pelas veias tireóideas 
superior, lateral e inferior, conduzindo o sangue 
para as veias jugulares internas ou troncos 
braquiocefálicos. 
- Histologicamente, a glândula é formada por uma 
infinidade de folículos esféricos, com presença de 
epitélio de células cuboides especializadas em 
produzir os hormônios tireoidianos (células 
foliculares tireóideas). 
♥ No interior de cada folículo há um material 
denominado “coloide”. 
♥ Os folículos estão embebidos no estroma 
glandular, que contém a microvasculatura 
e as células intersticiais, entre elas as 
células parafoliculares (células medulares 
C), secretoras de um outro hormônio – a 
calcitonina, que, tal como o PTH, está 
envolvida no metabolismo do cálcio e do 
fósforo. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
- O câncer da tireoide é o mais comum da região 
da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as 
mulheres do que os homens. Pela mais recente 
estimativa brasileira (2018), é o quinto tumor mais 
frequente em mulheres nas regiões Sudeste e 
Nordeste (sem considerar o câncer de pele não-
melanoma). 
 
- O câncer de tireoide representa2/3 dos 
tumores surgem na corda vocal 
verdadeira, localizada na glote, e 
o 1/3 acomete a laringe 
supraglótica (acima das cordas 
vocais). 
- O câncer de laringe é responsável por 
aproximadamente 73.500 mortes por ano no 
mundo 
- No Brasil, as neoplasias ocupam o segundo lugar 
dentre as doenças com maior morbimortalidade, 
respondendo pela porcentagem de 14,8% das 
mortes. 
- O Brasil é o segundo país no mundo em 
incidência de câncer de laringe, atrás somente da 
Espanha 
FATORES DE RISCO 
FUMO: 
- Todas as publicações mundiais acordam que 
esse tipo de câncer está intimamente relacionado 
com a associação de tabaco e álcool, que 
sinergicamente elevam o risco de desenvolver a 
doença em 40 vezes. 
- O tabagismo é o fator de risco mais importante 
para o câncer de cabeça e pescoço, incluindo o 
câncer de laringe e hipofaringe. 
♥ O tabaco é considerado o principal fator 
de risco para o desenvolvimento da 
doença. 
- Há relação entre início do uso, duração e 
quantidade. 
♥ Alguns autores estimam que o risco 
relativo chega a 8 vezes para aqueles que 
fumam e bebem álcool abusivamente. 
- A indústria do fumo voltou-se para aqueles 
menos privilegiados econômica e socialmente. 
Vale notar que, ainda, a maior parte do público 
que está sendo introduzido no hábito e consumo 
de tabaco são cada vez mais jovens. 
ÁLCOOL: 
- Em relação ao mecanismo que explica a relação 
entre álcool e câncer de laringe, as evidências 
mostram que o acetaldeído, principal e mais 
tóxico metabólito do álcool, interrompe a síntese 
e o reparo do DNA e, portanto, pode favorecer a 
carcinogênese. 
♥ Além disso, a maior exposição ao etanol 
induz o estresse oxidativo por meio do 
aumento da produção de oxigênio com 
potencial reativo e genotóxico. 
♥ Sugere-se, ainda, que o álcool possa 
funcionar como solvente, favorecendo a 
penetração celular de carcinógenos 
dietéticos ou ambientais (por exemplo, o 
tabaco) ou interferindo nos mecanismos 
de reparo do DNA. 
- Pessoas que consomem altas quantidades de 
bebidas alcoólicas também podem ter dietas 
carentes de nutrientes essenciais, como o folato, 
tornando os tecidos-alvo mais suscetíveis aos 
efeitos carcinogênicos do álcool. 
DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A e C: 
- Pode levar à metaplasia epitelial e assim 
associar-se ao carcinoma. 
FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS: 
- Os fatores de risco ocupacionais também são 
descritos: exposição ao asbesto, que duplica o 
risco de câncer de laringe, e trabalhadores 
industriais dos setores de couro, metais, têxteis e 
indústria moveleira expostos a gases poluentes. 
- A exposição à irradiação cervical também tem 
potencial oncogênico e pode determinar o 
aparecimento de carcinoma de laringe. 
Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de 
madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, 
formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes 
orgânicos e agrotóxicos estão associados ao 
câncer de laringe. 
INFECÇÃO PELO HPV: 
- A infecção viral pelo papiloma vírus humano 
(HPV) vem sendo relacionada com diversos 
cânceres do trato aerodigestivo superior, entre 
eles orofaringe, esôfago e laringe. 
- Os subtipos do vírus 16, 18 e 33 são os que estão 
implicados nos estudos como carcinógenos. 
EXCESSO DE GORDURA CORPORAL: 
- O excesso de gordura corporal é definido pelo 
IMC, circunferência de cintura e relação 
cintura/quadril elevados. 
- Os mecanismos específicos para descrever sua 
relação com maior risco de câncer de laringe 
ainda não são esclarecidos. 
♥ No entanto, o excesso de gordura 
corporal está associado a alterações 
metabólicas e endócrinas, como 
hiperinsulinemia e níveis elevados de 
estrogênio. 
♥ A insulina e o estrogênio estimulam a 
multiplicação celular e inibem a 
apoptose, levando à proliferação celular 
anormal. 
♥ Além disso, a obesidade também estimula 
a resposta inflamatória, favorecendo a 
carcinogênese. 
NUTRIÇÃO: 
- Uma má nutrição pode aumentar o risco das 
pessoas contraírem câncer de laringe ou 
hipofaringe. 
♥ Deficiências vitamínicas ocorrem 
frequentemente em pessoas que abusam 
do álcool e pode ser parcialmente 
responsável pelo aumento do risco desses 
cânceres. 
SÍNDROMES GENÉTICAS: 
- Algumas síndromes, como a anemia de Fanconi 
e a disceratose congênita, causadas por 
mutações hereditárias em determinados genes, 
têm um risco elevado de desenvolver o câncer de 
boca e garganta. 
GÊNERO: 
- O câncer de laringe e hipofaringe é cerca de 
cinco vezes mais comum em homens do que em 
mulheres. Isso pode acontecer devido aos 
principais fatores de risco, como tabagismo e 
alcoolismo serem mais comuns em homens. 
Entretanto, como o consumo de álcool e tabaco 
se tornaram mais frequentes entre as mulheres, os 
riscos para esses tipos de câncer também têm 
aumentado. 
IDADE: 
- O câncer de laringe e hipofaringe geralmente 
levam muitos anos para se desenvolverem, então, 
eles não são comuns em pessoas jovens. Mais da 
metade dos pacientes com esses tipos de câncer 
têm mais de 65 anos. 
RAÇA: 
 O câncer de laringe e hipofaringe é mais 
frequente entre pessoas de raça negra do que em 
brancos, asiáticos e latinos. 
REFLUXO GASTROESOFÁGICO: 
 Quando o ácido estomacal retorna para o 
esôfago é denominado refluxo gastroesofágico. 
Ele pode causar azia e aumentar a chance de 
câncer de esôfago. Estudos recentes mostram que 
também aumenta o risco de câncer de laringe e 
hipofaringe. 
OUTROS FATORES: 
- Estresse e mau uso da voz também são fatores de 
risco para o câncer de laringe. 
Observações: O Câncer de Laringe tem sua 
incidência sendo investigada em um grupo 
específico de profissionais, os professores. Alguns 
profissionais possuem uma rotina exaustiva de 
trabalho, com períodos de 6-8 horas de uso 
intenso das cordas vocais. Nesses profissionais, são 
comuns sinais clínicos como cansaço vocal, 
rouquidão, perda da intensidade da voz, calo nas 
cordas vocais, etc. É preciso que essa classe tenha 
extremo cuidado para qualquer sintoma ou 
manifestação dolorosa das cordas vocais. Ainda, 
aqueles que fazem uso de giz, tendem a inalar o 
pó ao escrever no quadro. São necessárias 
investigações acerca de qualquer anormalidade, 
bem como cuidados diários com a saúde oral: 
muita ingestão de água, evitar falar alto, uso de 
microfones, etc 
ANATOMIA E EMBRIOLOGIA APLICADA AO 
CÂNCER DE LARINGE: 
- A laringe é um órgão músculo cartilaginoso 
situado entre a 4ª e 6ª vértebra cervical. É dividida 
didaticamente em três andares: supraglote, glote 
e subglote. 
- A região supraglótica tem origem embriológica 
digestiva, o que caracteriza a maior agressividade 
dos tumores dessa região em função do maior 
potencial metastático decorrente da ampla 
drenagem linfática. 
- Por outro lado, a região glótica apresenta origem 
respiratória, dos V e VI arcos branquiais, pobre em 
drenagem linfática, logo com menor potencial 
metastático. 
- De modo geral, os tumores malignos de laringe 
distribuem-se um terço na laringe supraglótica, 
dois terços na glote e, em menor proporção, na 
subglote (1 %) geralmente por extensão. 
FISIOPATOLOGIA 
- Clinicamente, uma lesão pode apresentar 
característica eritroplásica ou leucoplásica. 
♥ A eritroplasia apresenta maior correlação 
com a displasia do epitélio, 
♥ Enquanto a leucoplasia pode 
corresponder desde a uma simples 
hiperplasia até uma displasia grave. 
- No aspecto clínico, deve-se dar atenção ao 
movimento ondulatório de vibração da prega 
vocal. Há de se observar que, à medida que 
aumenta o grau de displasia, ocorre uma 
extensão da lesão em direção à membrana basal. 
- A infiltração da mucosa ocasiona diminuição do 
movimento ondulatório da prega vocal, o que vai 
acarretar maior disfonia e, ao exame clínico, 
maior rigidez de mucosa da prega vocal. 
- O epitélio com displasia grave tem 
características histológicas muito semelhantes às 
do carcinoma in situ, sendo considerada uma 
mesma entidade por alguns autores. 
- Morfológica e macroscopicamente, o câncerda 
laringe se apresenta sob três formas: 
♥ ulcerativa, infiltrativa e vegetante, 
♥ Pode ocorrer a combinação de uma ou 
mais, dependendo da localização e do 
tempo de evolução da lesão. 
- Pode ainda existir outra forma, chamada 
fagedênica, em que se encontra destruição das 
partes afetadas pela doença, em decorrência do 
seu caráter ulceronecrosante. 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: 
- As queixas em geral são inespecíficas e podem 
ser variadas em função dos vários tipos e locais de 
comprometimento da lesão que interfiram na sua 
anatomia e função específica. 
- Carcinomas de células escamosas da laringe 
começam como lesões in situ, que depois 
aparecem como placas rugosas na superfície da 
mucosa, de cor pérola acinzentada, finalmente 
ulcerada e fungoide. 
Tumores na Laringe supraglótica: 
- Dor crônica na garganta, disfonia, disfagia leve 
(dificuldade de engolir) ou massa no pescoço 
(sinal de metástase regional), hemoptise e 
dispneia. 
♥ Os tumores supraglóticos mais extensos 
irão comprometer a mobilidade da 
laringe, ocasionando disfonia: isso ocorre 
por comprometimento da articulação 
cricoaritenóidea, extensão do tumor para 
o espaço paraglótico ou invasão direta da 
prega vocal. 
- Provocam desconforto localizado e persistente, 
ocasionando sensação de corpo estranho na 
garganta. 
- Comportamento mais indolente do que os 
glóticos e se manifestam com odinofagia e 
otalgia. 
♥ Este sintoma é decorrente do 
comprometimento do ramo interno do 
nervo laríngeo superior, que se dirige ao 
gânglio jugular, estimulando indiretamente 
o nervo auricular. - Geralmente está 
associado a tumores com extensão à 
hipofaringe. 
- Necrose do tumor e a saliva conferem a esses 
pacientes uma halitose característica. - Esses 
sintomas são pouco evidentes no início da 
doença. 
- O escarro hemático e a aspiração 
laringotraqueal podem estar presentes nos 
tumores supraglóticos. 
 
Tumores na Glote: 
- Apresenta sintomatologia precoce, pois a menor 
alteração da mucosa das pregas vocais leva a 
disfonia progressiva. 
♥ Inicialmente com rouquidão (sinal de 
comprometimento das cordas vocais) = A 
infiltração da mucosa ocasiona 
diminuição do movimento ondulatório da 
prega vocal, o que vai acarretar maior 
disfonia e, ao exame clínico, maior rigidez 
de mucosa da prega vocal. 
- Tumores maiores podem provocar aspiração, 
disfagia e dispneia. 
- A glote possui barreiras anatómicas (comissura 
anterior e cone elástico) que oferecem resistência 
ao crescimento do tumor primário, restringindo sua 
expansão temporariamente. 
- Metástases linfonodais são pouco frequentes. 
Tumores subglóticos: 
- São raros e manifestam-se com paralisia da 
laringe (geralmente unilateral), estridor ou dor. 
- Dispneia e disfonia(resulta da expansão do tumor 
a região glótica). 
- O sist. Linfático da subglote facilita o 
comprometimento de linfonodos traqueais, 
jugulares inferiores, supraclaviculares e 
mediastinais. 
- Prognostico ruim 
 
DIAGNÓSTICO: 
Anamnese dirigida e exame físico: 
- Este deve iniciar com a inspeção do pescoço, 
procurando-se detectar adenopatias ou aumento 
de volume. 
- Durante a inspeção, ainda é possível observar 
sinais de esforço respiratório e estridor no 
momento da inspiração. 
- Após, deve-se realizar palpação, em busca de 
linfonodo metastático ou aumento de volume 
cervical por extravasamento do tumor para fora 
da laringe. 
- A ausência de crepitação laríngea é um sinal 
altamente suspeito de neoplasia maligna. 
Videolaringoscopia: 
- A videolaringoscopia com endoscópio rígido ou 
flexível permite um exame dinâmico da laringe, 
sendo o melhor método semiológico, permitindo 
localizar a lesão, realizar estadiamento e visualizar 
a mobilidade laríngea. 
- Caso seja visualizada alguma lesão suspeita e 
seja possível a biópsia, esta deve ser feita, pois o 
diagnóstico precoce contribui para um melhor 
resultado oncológico. 
- Para confirmação diagnóstica, deve-se realizar 
biópsia em consultório ou em bloco cirúrgico, sob 
anestesia geral, com a laringoscopia direta sob 
visão microscópica e com o auxílio de óticas de 
diferentes graus. 
- Faz-se a avaliação da extensão da neoplasia, já 
com vistas ao estadiamento clínico e posterior 
tratamento. 
- Essas óticas, acopladas a um sistema de vídeo, 
permitem a magnificação da imagem e 
visualização do tumor por diferentes ângulos. 
- Áreas como a face inferior da prega vocal, 
subglote, comissura anterior, ventrículos e pecíolo 
da epiglote são muito bem estudadas dessa 
forma e são pouco visualizadas pela laringoscopia 
convencional sob microscopia, que dá somente 
uma visão linear 
Exame Radiológico: 
- O exame radiológico é controverso. 
- As radiografias simples e as tomografias 
computadorizadas (TCs) são de pouca utilidade, 
e não são raras as vezes em que artefatos de 
técnica são erroneamente interpretados. 
- A TC permite observar a invasão tumoral nos 
tecidos moles laríngeos e nos espaços paraglótico 
e pré-epiglótico. 
- A cartilagem não ossificada, tomograficamente, 
tem densidade igual a do tumor, e lesões 
neoplásicas menores de 6 mm não são 
visualizadas na TC. 
Ressonância Magnética: 
- A ressonância magnética (RM) apresenta maior 
sensibilidade que a TC, porém não diferencia 
alterações inflamatórias de infiltração tumoral, 
podendo levar a falso-positivos. O uso destes 
exames deve ser sempre complementar à clínica. 
Fatores Prognósticos: 
- Recomenda-se registrar as seguintes 
características clínicas de importância 
prognóstica no CECP: 
♥ capacidade funcional e estado nutricional 
do doente 
♥ acometimento linfonodal 
♥ margens cirúrgicas 
♥ presença de extravasamento capsular; 
CLASSIFICAÇÃO E ESTADIAMENTO 
- O estadiamento dos tumores de laringe é feito 
pela classificação TNM da UICC (União 
Internacional Contra o Câncer), em que T é tumor 
primário, N linfonodo regional e M metástase à 
distância. 
- Classifica os tumores em supraglótico, glótico e 
subglótico e tem a finalidade de avaliar o 
prognóstico do paciente e definir a melhor 
conduta terapêutica. 
- Pode-se ainda agrupar esses estádios de forma a 
obter-se um valor prognóstico conforme tabela; 
assim se tem estádio clínico I, II, III e IV. Esse último 
subdivido em A, B, C, segundo a gravidade da 
doença. 
♥ O estádio clínico IVA relaciona-se ao tumor 
primário (T). 
♥ O estádio clínico IVB diz respeito à 
adenopatia metastática (N). 
♥ O estádio clínico IVC refere-se à doença à 
distância (M) 
 
 
 
 
 
TRATAMENTO 
- O câncer da laringe, por seus aspectos 
anatômicos e embriológicos, é o que proporciona 
os maiores índices de cura dentre as neoplasias da 
via aérea superior. Entretanto, 90% dos pacientes 
não tratados evoluirão para óbito em menos de 
três anos. 
- A classificação TNM influencia na determinação 
do tratamento no que tange a topografia do 
tumor, grau de invasão local, histologia, presença 
ou não de linfonodos locorregionais, potencial de 
metástases, localização e tamanho de gânglios 
suspeitos e presença ou não de metástases, órgão 
comprometido e potencial de recorrência 
- Quando paciente com sinais de obstrução 
respiratória, realizar traqueostomia. 
Tratamento cirúrgico: 
- Pode ser realizado por cirurgia endoscópica ou 
por cirurgias abertas (laringectomias). A cirurgia 
endoscópica tem como benefícios menor tempo 
cirúrgico, recuperação pós-operatória mais 
rápida e baixos índices de complicações. As 
laringectomias podem ser parciais ou totais e 
estão indicadas conforme o tamanho da lesão e 
a exposição cirúrgica. A laringectomia total aplica 
-se a pacientes nos estadiamentos T3 e T4, sendo 
que o esvaziamento cervical dependerá da 
topografia do tumor e de seu estadiamento. 
Radioterapia: 
- Pode ser utilizada de forma exclusiva ou 
complementar. Quando exclusiva é indicada 
para T1 com comprometimento superficial e 
mínima infiltração ou no caso de contraindicação 
clínica para tratamento cirúrgico. Quandocomplementar, está indicada em pós -operatório 
de laringectomia total T4N0, em paciente com 
traqueostomia prévia, Nl com comprometimento 
capsular, N2 e N3, margens exíguas ou 
comprometidas e invasão subminada na forma 
multicêntrica 
OBJETIVOS: -Identificar a epidemiologia e os 
fatores de risco do câncer de pulmão. 
-Caracterizar as orientações de prevenção 
primária e os métodos para cessação do 
tabagismo. 
-Descrever as apresentações clinicas, 
diagnóstico, tipos, fatores prognósticos e 
princípios terapêuticos (cirurgia, quimioterapia e 
radioterapia, quimioterapia isolada, drogas alvo 
direcionadas, imunoterapia) do câncer pulmonar 
-Caracterizar as síndromes paraneoplásicas 
relacionadas com o câncer pulmonar. 
- Por câncer de pulmão (ou carcinoma 
broncogênico) nos referimos às neoplasias 
malignas com origem no epitélio do trato 
respiratório inferior. 
- Cerca de 90% das neoplasias malignas 
pulmonares são classificadas como câncer de 
pulmão, e podem ser subdividas em dois grandes 
grupos: 
♥ pequenas células e 
♥ não pequenas células (carcinoma 
epidermóide, adenocarcinoma e 
carcinoma de grandes células 
anaplásico). 
ANATOMIA 
- Os pulmões são órgãos leves, macios e 
esponjosos que ocupam grande parte da 
cavidade torácica. São elásticos e retraem-se 
aproximadamente um terço do tamanho original 
quando a cavidade torácica é aberta. 
- Vias aéreas inferiores: traqueia, arvore bronquial, 
pulmões e pleuras. 
- Possuem um ápice, localizado na extremidade 
superior arredondada que se estende da primeira 
costela até a raiz do pescoço. A base é a 
superfície inferior côncava que está localizada na 
região oposta ao ápice. Existem os lobos do 
pulmão, no esquerdo são dois (superior e inferior) 
e no direito três (+ o médio). Têm três faces, a 
costal, mediastinal e diafragmática e três margens 
a anterior, inferior e posterior. 
- Pulmão direito: presença de fissuras oblíqua 
direita (médio/ inferior) e horizontal (lobo 
médio/superior) que dividem o órgão em três 
lobos, superior, médio e esquerdo. Ele é o maior e 
o mais pesado, porem o mais curto já que nesse 
lado o diafragma é mais alto. A margem anterior 
desse pulmão é praticamente reta. 
- Pulmão esquerdo: possui apenas uma fissura, a 
obliqua esquerda, que divide o órgão em dois 
lobos, o superior e o inferior. A sua margem anterior 
tem uma incisura cardíaca profunda, que é 
resultado da impressão do ápice do coração pro 
lado esquerdo. Essa impressão molda 
principalmente a parte mais inferior e anterior do 
lobo superior, o que faz com ele seja mais estreito 
e linguiforme, essa porção é chamada de língula. 
- Os pulmões estão fixados ao mediastino pelas 
raízes dos pulmões, que são: brônquios, artérias 
pulmonares, veias pulmonares inferior e superior, 
plexos pulmonares de nervos e vasos linfáticos. 
- O ligamento pulmonar é formado por uma 
camada dupla de pleura e uma pequena parte 
de tecido conjuntivo, ele se estende entre o 
mediastino e o pulmão, anteriormente ao 
esofago. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
- O câncer de pulmão é a doença maligna mais 
comum em todo o mundo; de todos os novos 
casos de câncer, 13% são de câncer de pulmão. 
- É também a principal causa de mortalidade por 
câncer — mais de 1,7-1,8 milhões de mortes por 
ano e, de todos os tipos de câncer, o que 
apresenta a maior taxa de mortalidade 
padronizada pela idade (26,6 mortes por 100.000 
habitantes). 
- No Brasil, o INCA estimou em 596.000 o número 
de novos casos de câncer em 2016, 28.220 (4.7%) 
dos quais foram casos de neoplasia maligna 
primária de pulmão. 
- O câncer de pulmão é o segundo tipo de câncer 
de maior incidência em homens e o quarto tipo de 
câncer de maior incidência em mulheres no país 
- O câncer de pulmão é a principal causa de 
mortalidade por câncer no Brasil. 
- É o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto 
em incidência quanto em mortalidade. 
- A taxa de sobrevida em 5 anos padronizada pela 
idade no país é de 18%, semelhante às taxas 
globais, que variam de 10% a 20%. 
- As taxas de mortalidade (tanto as brutas como 
as ajustadas pela idade) em homens e mulheres 
diferiram em magnitude em todos os períodos 
(1980-2007), com um aumento relativo mais 
significativo nas mulheres que nos homens (78,4% 
vs. 8,2%), provavelmente em virtude de diferenças 
na prevalência do tabagismo. 
- Além disso, as taxas de mortalidade por idade 
aumentaram em homens com idade igual ou 
superior a 65 anos e em mulheres de todas as 
idades. 
 
 
- Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o 
câncer de pulmão está associado ao consumo de 
derivados de tabaco. 
- A taxa de sobrevida relativa em cinco anos para 
câncer de pulmão é de 18% (15% para homens e 
21% para mulheres). 
- Apenas 16% dos cânceres são diagnosticados 
em estágio inicial (câncer localizado), para o qual 
a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%. 
- Estimativas de novos casos: 30.200, sendo 17.760 
homens e 12.440 mulheres - INCA 
- Número de mortes: 29.354, sendo 16.733 homens 
e 12.621 mulheres 
 
 
FATORES DE RISCO 
TABAGISMO 
- A principal causa de câncer de pulmão é o 
tabagismo, particularmente o hábito de fumar 
cigarros. 
♥ A combustão do tabaco libera diversas 
substâncias carcinogênicas, como 
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, 
nitrosaminas tabaco-específicas (TSNA) e 
aldeídos voláteis. Na verdade, mais de 
4.000 substâncias comprovadamente 
maléficas são liberadas... A nicotina, 
responsável pela dependência química, 
também está implicada na gênese do 
câncer, pois seus derivados se mostraram 
capazes de inibir a apoptose de células 
neoplásicas. Todas essas substâncias se 
distribuem entre a fase gasosa e a fase 
particulada – ou alcatrão – da “fumaça” 
aspirada 
- A carga tabágica é um importante parâmetro 
diretamente relacionado ao risco, e por isso 
sempre deve ser quantificada. 
♥ É definida com o produto entre o número 
de maços consumidos por dia e a duração 
do hábito em anos (um maço contém 20 
cigarros). 
♥ Sua unidade é o “maços/ano”, e 
considera-se como ALTO RISCO um valor > 
20 maços/ano. 
♥ Em média, fumantes têm risco 20x maior 
que não fumantes de desenvolver Ca de 
pulmão no futuro. 
- O tabagismo passivo também eleva o risco de 
câncer de pulmão (em cerca de 1,3x), 
justificando diversos casos em filhos ou cônjuges 
não fumantes de pais ou companheiros fumantes. 
♥ A cessação do tabagismo reduz o risco 
com o tempo (efeito que, em geral, só se 
torna significativo passados 15-20 anos). 
Apesar de o risco realmente ser reduzido, é 
importante ter em mente que ele continua 
sendo maior em ex-fumantes do que em 
pessoas que nunca fumaram, e mantém 
relação direta com a magnitude do 
tabagismo prévio 
 
OUTRAS ETIOLOGIAS 
- Outras etiologias conhecidas do Ca de pulmão 
são a doença pulmonar obstrutiva crônica (fator 
de risco independente), as pneumopatias 
fibrosantes e a exposição a outros agentes 
ambientais (naturais ou ocupacionais). 
AGENTES EXOGENOS 
- Os principais agentes exógenos (excluído o 
tabaco) são o radônio e o asbesto, mas também 
existem outros (ex.: arsênico, haloéter, cromo, 
níquel, gás mostarda, cloreto de vinila). 
♥ O radônio é um gás que emana do solo, 
oriundo do decaimento radioativo do 
urânio. 
♥ Há regiões da crosta terrestre que são ricas 
em urânio, o que explicaria maiores taxas 
de Ca broncogênico em não fumantes 
naquelas áreas. A exposição ao radônio 
também justifica um maior risco da 
doença em mineiros. 
♥ O asbesto por si só aumenta o risco, mas tal 
efeito é potencializado na coexistência de 
tabagismo (aumento de > 50x – há 
sinergismo entre os dois fatores) 
GENÉTICA 
- Existe predisposição genética ao câncer de 
pulmão. 
- Uma história familiar positiva aumenta o risco em 
parentes de primeiro grau. 
- Sabemos que a maioria dos portadores de Ca 
broncogênico é tabagista, porém, apenas uma 
MINORIA dos tabagistas desenvolve a doença 
(cerca de 10%). 
- Assim como ocorre em outros tipos de tumor, a 
carcinogênesedo Ca de pulmão é um processo 
demorado, que requer acúmulo de sucessivas 
mutações genéticas para o surgimento do clone 
neoplásico. 
♥ As pesquisas mais recentes incriminam, em 
particular, genes relacionados ao reparo 
do DNA e ao metabolismo/ativação de 
carcinogênios (além daqueles implicados 
na dependência à nicotina). Portadores 
de mutações herdadas nesses genes 
estariam mais propensos ao 
desenvolvimento de Ca de pulmão 
quando expostos ao cigarro e outros 
fatores de risco 
DIETA E A POPULAÇÃO 
- A dieta e a poluição atmosférica possuem papel 
no risco de Ca de pulmão 
♥ Um elevado consumo de frutas e vegetais 
parece ser protetor 
♥ O motivo seriam os altos níveis de 
antioxidantes, que reduzem a chance de 
transformação neoplásica celular (pois 
reduzem a chance de lesões no DNA). 
♥ No entanto, apesar do potencial 
entusiasmo com esta ideia, NÃO há 
evidências de que a quimioprevenção 
contra o câncer de pulmão seja eficaz 
(através da suplementação da dieta com 
vitaminas e antioxidantes industrializados) 
 POLUIÇÃO DO AR 
- A poluição do ar nas grandes cidades também 
aumenta o risco (principalmente pela queima de 
combustíveis fósseis, que libera hidrocarbonetos 
aromáticos policíclicos e metais como arsênio, 
níquel e cromo) 
♥ Em média, um ser humano normal respira 
cerca de 10.000 L de ar por dia, e mesmo 
que a concentração de poluentes no ar 
seja baixa, em termos de exposição total 
ela acaba sendo importante... Contudo, é 
importante salientar que a influência de 
todos esses fatores é bastante inferior ao 
grande papel exercido pela FUMAÇA DO 
CIGARRO na gênese do câncer de 
pulmão. 
ORIENTAÇÕES DE PREVENÇÃO PRIMÁRIA DO 
TABAGISMO 
- A prevenção do câncer engloba ações 
realizadas para reduzir os riscos de ter a doença. 
- O objetivo da prevenção primária é impedir que 
o câncer se desenvolva. 
♥ Isso inclui evitar a exposição aos fatores de 
risco de câncer e a adoção de um modo 
de vida saudável. 
- A prevenção primária são ações voltadas para 
evitar a exposição a fatores de risco. 
♥ Neste caso, as instituições de saúde 
podem promover campanhas de 
conscientização para disseminar 
informações e esclarecer dúvidas da 
população, além da promoção de 
campanhas de vacinação (dependendo 
dos fatores contaminantes). 
Tabaco: 
- É notório que o consumo de tabaco configura o 
fator de risco principal para o desenvolvimento do 
câncer de pulmão. Nesse sentido, cessar o uso 
desse produto é uma forma de proteção. 
- Essa é a regra mais importante para prevenir o 
câncer, principalmente os de pulmão, cavidade 
oral, laringe, faringe e esôfago. 
- Ao fumar, são liberadas no ambiente mais de 
7.000 compostos e substâncias químicas que são 
inaladas por fumantes e não fumantes. 
♥ A nicotina é o principal componente 
causador de dependência. 
♥ Cerca de 80% dos fumantes fumam na 
primeira hora do dia e depois a cada hora 
para manter o nível plasmático de 
nicotina. 
♥ É por isso que 90% dos fumantes 
consomem pelo menos 14 cigarros por 
dia. 
- Se parar de fumar antes de desenvolver um 
câncer, o tecido pulmonar danificado 
gradualmente se repara. Independente de sua 
idade ou do tempo em que fumou, parar pode 
reduzir o risco da doença. 
 
- Benefícios ao parar de fumar: 
 
Alimentação saudável: 
- Ter uma ingestão rica em alimentos de origem 
vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais 
integrais, feijões e outras leguminosas, e evitar os 
alimentos ultraprocessados, como aqueles 
prontos para consumo ou prontos para aquecer, 
bebidas adoçadas, entre outros, pode prevenir o 
câncer. 
Manter o peso corporal adequado: 
- Uma alimentação saudável, além de fornecer 
nutrientes que protegem contra o câncer, 
favorece a manutenção do peso saudável. 
- A recomendação é evitar alimentos 
ultraprocessados e fazer dos alimentos vegetais 
como as frutas, legumes, verduras, feijões e outros 
grãos, sementes, castanhas a base da 
alimentação. 
- A atividade física também contribui para a 
manutenção do peso corporal saudável. Para a 
prática de atividade física, não há necessidade 
de serem aquelas modalidades que demandam 
a contratação de serviços como academias; 
atividades como caminhar tanto no tempo livre, 
quanto no deslocamento, pedalar, dançar, etc 
são boas opções. 
Evite a exposição a agentes cancerígenos: 
- Agentes químicos, físicos e biológicos ou suas 
combinações são causas bem conhecidas de 
câncer relacionado ao trabalho, e evitar ou 
diminuir a exposição a estes agentes seria o ideal 
e desejável. 
- Também é fundamental a implementação de 
leis que obriguem e fiscalizem a substituição dos 
agentes causadores de câncer no trabalho por 
outros mais saudáveis, quando já houver esta 
alternativa. 
 
Evitar a exposição ao radônio: 
https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-de-origem-vegetal
https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-de-origem-vegetal
https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-e-bebidas-com-alto-teor-calorico
https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/atividade-fisica
- O radônio é uma importante causa do câncer 
de pulmão. 
- Você pode diminuir e melhor, evitar a exposição 
ao radônio verificando a sua presença em sua 
casa. 
MÉTODOS DE CESSAR O TABAGISMO: 
- A nicotina do tabaco curado para cachimbos e 
charutos é alcalina, sendo absorvida com maior 
facilidade pela boca. 
- Já a nicotina dos cigarros é ácida, e por isso 
praticamente não absorvida pela mucosa bucal, 
necessitando ser tragada para que ocorra 
absorção nos pulmões. 
- A nicotina é rapidamente absorvida pelos 
alvéolos pulmonares e atinge o cérebro em cerca 
de 10 segundos. 
♥ Sua meia-vida é de, aproximadamente, 2 
horas, e a maior parte da metabolização é 
hepática, através do citocromo P450. A 
principal enzima envolvida nesse 
metabolismo é a CYP2A6. 
♥ O metabólito mais importante da nicotina 
é a cotinina, que pode ser detectada na 
urina, saliva e sangue. Apenas 5% da 
nicotina são excretados sob forma 
inalterada pelos rins. 
♥ As ações sistêmicas da nicotina são 
mediadas por receptores nicotínicos, 
encontrados no sistema nervoso central 
(SNC), nos gânglios autonômicos 
periféricos, na glândula supra-renal, em 
nervos sensitivos e na musculatura estriada 
esquelética 
- Os principais efeitos agudos da nicotina sobre o 
sistema cardiovascular são: 
♥ vasoconstrição periférica, 
♥ aumento da pressão arterial e 
♥ da frequência cardíaca. 
- A nicotina também interfere no sistema 
endócrino, favorecendo a liberação de hormônio 
antidiurético e retenção de água. 
- No sistema gastrointestinal ela tem ação 
parassimpática, estimulando o aumento do tônus 
e da atividade motora do intestino. 
- Nas terminações nervosas a nicotina estimula a 
liberação dos neurotransmissores acetilcolina, 
dopamina (DA), glutamato, serotonina e ácido 
gama-aminobutírico (GABA). 
- A nicotina induz tolerância (necessidade de 
doses progressivamente maiores para obter o 
mesmo efeito) e dependência (desejo de 
consumi-la) por agir nas vias dopaminérgicas do 
sistema mesolímbico, diminuindo a atividade do 
tálamo. 
- Assim como outras drogas psicoativas, ela libera 
dopamina no nucleus accumbens, localizado no 
mesencéfalo, estimulando a sensação de prazer e 
"recompensa". 
- Vencido o desconforto provocado pelas 
primeiras tragadas do tabaco (mal-estar, tontura, 
náuseas), o fumante passa a experimentar uma 
sensação prazerosa pelo uso da nicotina. 
Aconselhamento do paciente e sua família: 
- O diálogo com o paciente é o primeiro passo 
para o abandono do fumo. Deve-se avaliar se o 
doente é dependente ou não da nicotina, quanto 
fuma, se está disposto a parar de fumar, se tem 
doenças associadas e quais são as formas de 
tratamentos mais acessíveis a ele 
- Há várias maneiras de avaliar a dependência da 
nicotina: através da Classificação Internacional 
de Doenças (CID-10), do Manual de Diagnóstico e 
Estatística da Associação Americana de 
Psiquiatria (DSM-IV) e outras.A escala de 
Fagerström para avaliação da tolerância e da 
dependência de nicotina 
- A pontuação total oscila de zero a 11, e 
considera-se que há dependência baixa (leve) da 
nicotina quando a somatória é inferior a três. 
Pontuação maior ou igual a sete indica 
dependência alta (grave) da nicotina 
- É importante que em todas as consultas o 
médico reforce a motivação do paciente para 
parar de fumar. Os demais tabagistas do núcleo 
familiar também devem ser orientados a não 
fumar 
 
Farmacoterapia: 
- Divide-se em: fármacos de primeira linha 
(bupropiona e terapia de reposição da nicotina) 
e de segunda linha (clonidina e nortriptilina). 
Farmacoterapia de primeira linha: 
- Bupropiona: 
♥ antidepressivo não-tricíclico que inibe a 
recaptação pré-sináptica de dopamina e 
noradrenalina. 
♥ Acredita-se que sua ação nas vias 
dopaminérgicas centrais seja o 
mecanismo responsável pela diminuição 
da fissura pelo cigarro nos pacientes em 
abstinência da nicotina 
♥ A terapia com bupropiona deve ser 
iniciada 7 a 10 dias antes de o paciente 
parar de fumar, pois esse é o intervalo 
necessário para que os níveis terapêuticos 
do medicamento atinjam o estado de 
equilíbrio 
♥ Os sintomas mais comuns são: insônia, 
agitação e xerostomia 
♥ A bupropiona é droga da categoria B 
segundo a Food and Drug Administration, 
ou seja, não há estudos suficientes sobre 
segurança do uso desse medicamento na 
gestação. 
- Terapia de Reposição da Nicotina: 
♥ O uso combinado de TRN e bupropiona 
praticamente dobra a taxa de sucesso no 
abandono do fumo 
♥ No Brasil estão disponíveis os adesivos e 
gomas de mascar de nicotina. Nos EUA 
existem também o spray nasal e o colutório 
de nicotina 
- Os adesivos: 
♥ Eles mantêm os níveis sangüíneos de 
nicotina por 16 a 24 horas, portanto devem 
ser trocados diariamente. 
♥ Seu efeito pleno é observado em dois a 
três dias de uso. 
♥ O período médio de tratamento é de oito 
semanas. 
- As gomas 
♥ devem ser mastigadas com força até surgir 
sensação de formigamento da mucosa 
bucal ou o sabor do tabaco. 
♥ Então o paciente deve parar de mastigar 
e manter a goma entre a bochecha e a 
gengiva até desaparecer o formigamento, 
voltando a repetir a operação por 30 
minutos, quando se deve jogar fora a 
goma. 
♥ O paciente não deve ingerir nenhum tipo 
de líquido enquanto estiver mascando a 
goma 
♥ O paciente deve parar de fumar assim que 
iniciar a TRN. 
♥ Os efeitos sistêmicos mais comuns da 
reposição da nicotina são: náuseas, 
soluços e cefaléia. 
♥ O principal efeito adverso das gomas de 
nicotina é a irritação da mucosa bucal. 
Farmacoterapia de segunda linha: 
- A clonidina: 
♥ pode ser usada na dose de 0,1 a 0,75 
mg/dia para alívio dos sintomas da 
síndrome de abstinência da nicotina. Seus 
principais efeitos colaterais são sedação e 
hipotensão ortostática. A suspensão 
abrupta da clonidina pode desencadear 
crise hipertensiva 
- A nortriptilina 
♥ inibe a recaptação de noradrenalina e 
dopamina no SNC, tendo efeitos 
antidepressivo e ansiolítico. Em curto prazo, 
sua eficácia no abandono do fumo 
parece ser similar à da bupropiona. 
Terapia cognitivo-comportamental e grupos de 
ajuda: 
- Os grupos de auto-ajuda e a psicoterapia - 
individual ou em grupo - com sessões de 
aconselhamento são coadjuvantes eficazes no 
tratamento da dependência de nicotina. 
- Isso é especialmente significativo quando a 
dependência é acompanhada de outras 
afecções como a depressão e a ansiedade. 
- O aconselhamento ajuda a identificar as 
situações em que o tabagista busca o cigarro por 
um comportamento (após as refeições, ao tomar 
um café, em reuniões com amigos) ou 
circunstâncias emocionais (ansiedade, 
aborrecimentos). 
- Com base nisso o fumante aprende estratégias 
para quebrar o vínculo entre esses fatores e o ato 
automático de fumar 
TIPOS HISTOLÓGICOS 
- Pode haver misturas de padrões histológicos, 
inclusive no mesmo tumor. 
Adenocarcinoma (38%): 
- O Tumor epitelial maligno invasivo com 
diferenciação glandular ou produção de mucina 
pelas células tumorais. 
- Os adenocarcinomas crescem em vários 
padrões, incluindo acinar, lepídico, papilar, 
micropapilar, e sólido com produção de mucina. 
- Em comparação com os carcinomas de células 
escamosas, as lesões em geral estão localizadas 
mais perifericamente e tendem a ser menores. 
- Variam histologicamente de tumores bem 
diferenciados com elementos glandulares óbvios 
a lesões papilares que lembram outros carcinomas 
papilares e até massas sólidas com glândulas e 
células produtoras de mucina apenas ocasionais. 
- A maioria expressa o fator de transcrição da 
tireoide-1, identificado primeiramente na tireoide, 
esse fator é necessário para o desenvolvimento 
normal do pulmão. 
- Adernocarcinomas microinvasivos: tumores (≤3 
cm) com um componente invasivo pequeno (≤5 
mm) associado com cicatrizes e padrões de 
crescimento lepídico periférico. Eles apresentam 
prognósticos muito melhores do que carcinomas 
invasivos do mesmo tamanho. 
- Adernocarcinomas mucinosos: tendem a se 
espalhar pelos espaços aéreos, formando tumores 
satélites. Estes podem apresentar-se como 
nódulos solitários ou múltiplos, ou um lobo inteiro 
pode estar consolidado pelo tumor, lembrando 
uma pneumonia lobar, e, portanto, com menor 
probabilidade de cura por cirurgia. 
 
Carcinoma de células escamosas (20%): 
- Mais comumente em homens e é fortemente 
associado ao tabagismo. 
- Os carcinomas de células escamosas 
frequentemente são precedidos por metaplasia 
escamosa ou displasia do epitélio brônquico, que 
então se transforma em um carcinoma in situ, uma 
fase que pode durar vários anos. Finalmente, 
aparece um carcinoma de células escamosas 
invasivo. 
♥ O tumor pode, então, seguir uma 
variedade de caminhos. 
o Ele pode crescer de forma 
exofítica dentro da luz brônquica, 
produzindo uma massa 
intraluminal. Com o aumento 
subsequente, o brônquio fica 
obstruído, causando atelectasia 
distal e infecções. 
o O tumor também pode penetrar 
nas paredes dos brônquios e 
infiltrar o tecido peribrônquico, 
atingindo a carina ou o 
mediastino. 
♥ Em outros casos, o tumor cresce ao longo 
de uma frente ampla para produzir massa 
intraparenquimatosa em forma de couve-
flor, que empurra a substância pulmonar à 
sua frente. 
- Em quase todos os casos, o tecido neoplásico é 
brancoacinzentado e firme a endurecido. 
Especialmente quando os tumores são volumosos, 
as áreas focais de hemorragia ou necrose podem 
parecer produzir um pontilhado vermelho ou 
amareloesbranquiçado. 
- Histologia: caracterizado pela presença de 
queratinização e/ou pontes intercelulares. A 
queratinização pode assumir a forma de pérolas 
córneas ou células individuais com citoplasma 
denso e acentuadamente eosinófilo. A atividade 
mitótica é maior nos tumores pouco 
diferenciados. 
-Metaplasia escamosa, displasia epitelial e focos 
de carcinoma in situ franco podem ser vistos no 
epitélio brônquico adjacente à massa tumoral. 
Carcinoma de pequenas células (14%): 
- São tumores altamente malignos com uma forte 
relação com o tabagismo; apenas cerca de 1% 
ocorre em não fumantes. 
- Podem surgir nos brônquios principais ou na 
periferia do pulmão. 
- Não há fases pré-invasivas conhecidas. 
- Esses são os tumores pulmonares mais agressivos, 
amplamente metastáticos, e virtualmente sempre 
provam ser fatais. 
- Composto por células relativamente pequenas 
com citoplasma escasso, bordas celulares pouco 
definidas, cromatina nuclear finamente granular 
(padrão de sal e pimenta) e nucléolos ausentes ou 
pouco evidentes. 
- As células são redondas, ovais ou fusiformes. A 
contagem mitótica é alta. As células crescem em 
grupamentos que não exibem nem organização 
glandular nem diferenciação escamosa. o 
Necrose é comum e frequentemente extensa. 
- A coloração basofílica das paredes vasculares, 
em virtude da incrustação de DNA das células 
tumorais necróticas (efeito de Azzopardi),frequentemente está presente. 
- Todos os carcinomas de pequenas células são 
de alto grau. 
- O carcinoma de pequenas células combinado é 
uma variante em que o carcinoma de pequenas 
células típico é misturado com outros tipos 
histológicos não pequenas células, como 
carcinoma neuroendócrino de grandes células e 
até tumores de células fusiformes que remetem a 
sarcomas. 
- A ocorrência de grânulos neurossecretores, a 
expressão de marcadores neuroendócrinos como 
a cromogranina, sinaptofisina e CD57, e a 
habilidade de alguns desses tumores de 
secretarem hormônios (p. ex., proteína 
relacionada ao paratormônio, uma causa da 
hipercalcemia paraneoplásica) sugerem que esse 
tumor se origina de células progenitoras 
neuroendócrinas, que estão presentes no 
revestimento do epitélio brônquico. 
- A imuno-histoquímica demonstra altos níveis da 
proteína antiapoptótica BCL2 em 90% dos tumores. 
Carcinoma de grandes células (3%): 
- Tumor epitelial maligno indiferenciado sem as 
características citológicas ou outras formas de 
câncer de pulmão. 
- As células tipicamente apresentam núcleos 
grandes, nucléolos proeminentes e quantidade 
moderada de citoplasma. 
- O carcinoma de grandes células é um 
diagnóstico de exclusão, já que não expressa os 
marcadores associados com o adenocarcinoma 
(TTF-1, napsina A) e o carcinoma de células 
escamosas (p63, p40). 
- Uma variante histológica é o carcinoma 
neuroendócrino de grandes células, que tem 
características moleculares similares àquelas que 
caracterizam o carcinoma de pequenas células, 
mas é composto por células tumorais de maior 
tamanho. 
METÁSTASES: 
- Qualquer tipo de carcinoma pulmonar pode se 
estender à superfície pleural e, então, para o 
interior da cavidade pleural ou pericárdio. As 
metástases para os linfonodos traqueais, 
brônquicos e mediastinais podem ser encontradas 
na maioria dos casos. A frequência de 
envolvimento nodal varia discretamente com o 
padrão histológico, mas em média é maior do que 
50%. 
- A disseminação a distância do carcinoma 
pulmonar ocorre pelas vias linfáticas e 
hematogênica. Esses tumores muitas vezes se 
disseminam precocemente por todo o corpo, com 
exceção do carcinoma de células escamosas, 
que metastatiza para fora do tórax tardiamente. 
♥ A metástase pode ser a primeira 
manifestação de uma lesão pulmonar 
oculta subjacente. As adrenais estão 
envolvidas em mais da metade dos casos. 
O fígado (30% a 50%), o cérebro (20%) e os 
ossos (20%) são, adicionamente, locais 
preferenciais de metástases 
MANIFESTAÇÕES CLINICAS 
- Os sintomas geralmente não ocorrem até que o 
câncer esteja avançado, mas algumas pessoas 
com câncer de pulmão em estágio inicial 
apresentam sintomas. Os mais comuns são: 
♥ Tosse persistente: envolvimento das vias 
aéreas centrais. 
♥ Hemoptise: hemorragia do tumor nas vias 
aéreas. 
♥ Dor torácica: extensão do tumor no 
mediastino, pleura ou parede torácica. 
♥ Rouquidão devido a invasão do nervo 
laríngeo recorrente. 
♥ Dispneia 
♥ Perda de peso e de apetite 
♥ Derrame pleural em virtude da 
disseminação do tumor na pleura. 
♥ Pneumonia recorrente ou bronquite: 
obstrução das vias aéreas pelo tumor. 
♥ Astenia. 
- Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é 
alterado e aparecem crises em horários incomuns 
- Os sintomas das metástases dependem do local, 
por exemplo, dores nas costas em metástases 
ósseas, dores de cabeça, hemiparesia, lesão do 
nervo craniano e convulsões em metástases 
cerebrais. 
DIAGNÓSTICO 
- Não raramente, o tumor é descoberto pela sua 
disseminação secundária, durante a investigação 
de uma neoplasia suspeita primária ou 
metastática em outra localização. 
Raio-X do tórax 
- Complementado por tomografia 
computadorizada são os exames iniciais para 
investigar uma suspeita de câncer de pulmão. 
Broncoscopia 
- A broncoscopia (endoscopia respiratória) deve 
ser feita para avaliar a árvore traquebrônquica e, 
eventualmente, permitir a biópsia (retirada de 
pedacinhos do tumor com uma agulha para 
exame). 
Exame histopatológico ou citologico 
- O diagnóstico definitivo é firmado pelo exame 
histopatológico ou citológico de espécime 
tumoral obtido por broncoscopia, 
mediastinoscopia, biópsia pleural ou biópsia 
pleuropulmonar. 
- Uma vez obtida a confirmação da doença, é 
feito o estadiamento, que avalia o estágio de 
evolução, ou seja, verifica se a doença está 
restrita ao pulmão. 
♥ O estadiamento é feito por meio de vários 
exames, como biópsia pulmonar guiada 
por tomografia, biópsia por broncoscopia, 
tomografia de tórax, ressonância nuclear, 
PET-CT (não pequenas células), 
cintilografia óssea (queixa óssea ou câncer 
de pequenas células), mediastinoscopia, 
ecobroncoscopia, entre outros. 
TRATAMENTO 
- Cirurgia: não é recomendado, já que tem 
propensão precoce para originar metástases à 
distância. 
- Radioterapia: a torácica é frequentemente 
indicada e está relacionada aumento da 
sobrevida. A 
♥ A irradiação craniana com finalidade 
profilática (25 Gy em 10 frações de 250 
cGy) previne a recorrência da doença no 
sistema nervoso central, sendo indicada 
para doentes que obtiveram controle da 
doença torácica 
- Quimioterapia: indicada em associação à 
radioterapia para doentes com doença 
localizada e isoladamente para doentes com 
doença avançada ou metastática como 
quimioterapia paliativa. 
♥ O esquema terapêutico padrão envolve a 
associação de derivado da platina 
(cisplatina ou carboplatina) e o etoposido. 
♥ Outros esquemas que produzem resultados 
similares e toxicidade variável incluem: 
ciclofosfamida, doxorrubicina e vincristina 
(CAV); ciclofosfamida, doxorrubicina e 
etoposido; ciclofosfamida, etoposido e 
vincristina; cisplatina e topotecano; 
cisplatina e irinotecano; ifosfamida, 
cisplatina e etoposido; carboplatina e 
paclitaxel; carboplatina e gemcitabina. 
Carcinoma de não pequenas células – CPCPN 
(adenocarcinoma, escamosa e grandes células): 
- Cirurgia: medida terapêutica com maior 
potencial curativo. Realizada por toracotomia ou 
toracospia vídeo assistida. Na cirurgia, o médico 
optará, dependendo da extensão real do tumor e 
da necessidade de se preservar a função 
pulmonar, pela ressecção em cunha, 
segmentectomia, lobectomia ou mesmo 
pneumectomia com ressecção das cadeias 
linfáticas regionais. 
- Radioterapia: irradiação cefálica profilática não 
é indicada. A radioterapia externa tem indicação 
em qualquer estágio tumoral, com finalidade 
curativa ou paliativa e em uso associado ou 
combinado com a cirurgia ou a quimioterapia. 
♥ Sintomas de progressão locorregional ou 
de acometimento metastático ósseo ou 
do sistema nervoso podem ser paliados 
com a teleterapia; a braquiterapia 
endoluminal pode ser empregada na 
paliação de sintomas respiratórios, mas 
não parece conferir vantagem adicional à 
radioterapia externa 
- Quimioterapia: cisplatina + etodoposido. Em 
estágios avançados pode ser utilizada como 
tratamento paliativo. Nos estágios II e IIIA é 
empregado a quimioterapia adjuvante (pós-
cirurgia). 
Tratamento por estágio clínico (CPCPN) 
- Estágio 0: 
♥ Ressecção cirúrgica conservadora: 
segmentectomia ou ressecção em cunha. 
- Estágio I: 
♥ Ressecção cirúrgica conservadora: 
lobectomia, segmentectomia ou 
ressecção em cunha; 
♥ Radioterapia torácica radical, para 
doentes com contraindicação médica 
para cirurgia. 
- Estágio II: 
♥ Ressecção cirúrgica: pneumectomia, 
lobectomia ou ressecção segmentar 
pulmonar; 
♥ Radioterapia torácica radical, para 
doentes com contraindicação médica 
para cirurgia; 
♥ Quimioterapia adjuvante, após a cirurgia; 
♥ Radioterapia torácica associada ou não à 
quimioterapia, seguida ou não por 
ressecção cirúrgica (tumor do ápice 
pulmonar – tumor de Pancoast - ou invasão 
de parede torácica). 
- Estágio IIIA: 
♥ Ressecção cirúrgica (T3N1M0): 
pneumectomia, lobectomia ou ressecção 
segmentar pulmonar; 
♥ Radioterapia torácica radical associada à 
quimioterapia, para doentescom invasão 
linfática N2 ou contraindicação médica 
para cirurgia; 
♥ Radioterapia torácica radical, para 
doentes com contra-indicação médica 
para quimiorradioterapia; 
♥ Quimioterapia adjuvante, após cirurgia; 
♥ Radioterapia torácica associada ou não à 
quimioterapia, seguida ou não por 
ressecção cirúrgica (tumor de Pancoast ou 
invasão de parede torácica). 
- Estágio IIIB, IV e doença recidivada: 
♥ Radioterapia torácica associada ou não à 
quimioterapia; 
♥ Quimioterapia paliativa; 
♥ Ressecção cirúrgica de metástase 
cerebral isolada, seguida ou não por 
radioterapia craniana; 
♥ Radioterapia externa, associada ou não à 
radioterapia intersticial, para lesões 
endobrônquicas sintomáticas; 
♥ Radioterapia paliativa, com finalidade 
antiálgica ou hemostática 
SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS RELACIONADAS 
COM O CÂNCER PULMONAR 
- As síndromes paraneoplásicas são distúrbios 
sistêmicos provocadas pela existência de um 
tumor. 
- Se manifestam frequentemente meses ou anos 
antes do câncer ser detectado clinicamente e 
laboratorialmente , e se corretamente 
identificadas podem levar a um diagnóstico 
precoce da lesão. 
- O carcinoma de pequenas células é o subtipo 
mais frequentemente responsável . 
 Hipercalcemia 
- É uma das síndromes mais comuns no câncer de 
pulmão 
- Comumente associada ao carcinoma 
epidermóide. 
- Tem como causa a produção tumoral de PTH-rp 
(peptídeo relacionado ao paratormônio), 
substância que tem o mesmo efeito do PTH = induz 
atividade osteoclástica (+ cálcio no sg.) e inibe a 
excreção renal de cálcio. 
- O quadro clínico laboratorial é parecido com o 
hiperparatireoidismo primário (hipercalcemia, 
hipofosfatemia, acidose metabólica 
hiperclorêmica e aumento do AMP cíclico urinário, 
porém, os níveis de PTH sérico encontram-se 
suprimidos. 
- Tratar com expansão volêmica porque o quadro 
é de desidratação, diuréticos de alça para 
excreção do cálcio e infusão de calcitonina e 
bisfosfonados (inibem atividade osteoclástica). 
SIADH (síndrome da antidiurese inapropriada) 
- Associada ao carcinoma de pequenas células. 
- Retenção renal de água, hiponatremia e 
comprometimento de consciência. 
Síndrome de Cushing 
- É ocasionada pela produção tumoral de ACTH 
ou CRH. 
- Costuma se relacionar ao carcinoma de 
pequenas células. 
- O paciente costuma apresentar hipertensão 
arterial, hiperglicemia e alcalose metabólica 
hipocalêmica, sendo menos frequente o aspecto 
cushingóide (fácies de lua cheia, giba, obesidade 
etc). 
- Uma TC de tórax é mandatória, uma vez que o 
tumor de pulmão é a causa mais comum da 
síndrome. 
- O prognóstico é péssimo. 
 
Osteoartropatia Pulmonar Hipertrófica (OPH) 
- Apresenta-se com baqueteamento digital por 
aumento dos tecidos moles nas extremidades 
(periostite de ossos longos – tíbia, fíbula, rádio e 
ulna, metacarpos, metatarsos) e sinovite de 
grandes articulações periféricas (punhos, 
cotovelos, tornozelos, joelhos). 
- Adenocarcinoma é o subtipo mais comum, 
apesar do escamoso também estar presente. 
- Tratamento com ressecção completa do tumor. 
Se for inoperável, usa-se AINEs ou bisfosfonatos. 
 
 
Síndrome miastênica de Eaton-Lambert 
- Carcinoma de pequenas células 
- Produção de autoanticorpos contra os canais de 
cálcio nos neurônios pré-sinápticos da placa 
motora (inibe entrada de cálcio e a subsequente 
liberação de Ach na fenda). 
- Fraqueza muscular, hiporreflexia. 
 
 
Degeneração cerebelar subaguda 
-Carcinoma de pequenas células 
-Vertigem, nistagmo, ataxia de evolução lenta 
(ocorre em consequência da degeneração das 
células de Purkinje no córtex do cerebelo) , 
disartria. 
REFERENCIAS 
Revista Brasileira de Otorrinolaringologia 
Anatomia orientada à clínica – Moore – 6edição 
Site do INCA 
Robbin e Cotran – bases da patologia 
Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em 
Oncologia – MS 
Rotinas em otorrinoJá 
nos casos de NEM 2 ou CMT familiar (20% 
restantes), o tumor tende a ser precoce 
(surgindo na infância), bilateral e 
multicêntrico. Estes últimos estão muito 
associados a mutações no gene RET 
Anaplásico: 
- Antecedentes de neoplasia tireoidiana: cerca de 
20-30% dos carcinomas anaplásicos possuem 
história prévia ou atual de Ca de tireoide bem 
diferenciado. 
Mobile User
♥ A aquisição de certas mutações genéticas 
adicionais (ex.: inativação do p53) parece 
promover a desdiferenciação da célula 
cancerígena, originando o clone 
“anaplásico”. 
♥ Uma história de bócio multinodular 
também pode ser encontrada em até 
metade dos doentes, e configura fator de 
risco. 
♥ A doença é muito mais comum em 
mulheres e idosos. 
TUMORES INDIFERENCIADOS 
Linfoma 
- Tireoidite de Hashimoto: após alguns anos de 
doença, o risco de linfoma de tireoide chega a ser 
60x maior que o da população geral. 
♥ Cerca de 50% dos casos de linfoma de 
tireoide têm história prévia de Hashimoto, 
sendo o único fator de risco conhecido 
TIPOS HISTOLÓGICOS 
TUMORES BEM DIFERENCIADOS 
Carcinoma papilífero 
- Morfologia: podem se manifestar como lesões 
solitárias ou multifocais no interior da tireoide. Em 
alguns casos, podem ser bem circunscritas e 
mesmo encapsuladas. Em outros casos, podem 
infiltrar o parênquima adjacente com margens 
mal definidas. As lesões podem conter áreas de 
fibrose e calcificação, e frequentemente são 
císticas. 
- As células tendem a dispor-se ao longo de eixos 
conjuntivo-vasculares ramificados, 
formando papilas. As células costumam ser 
cubóides ou colunares baixas, uniformes e bem 
diferenciadas. Atualmente, a arquitetura 
papilífera não é mais considerada o critério 
decisivo para o diagnóstico deste tipo de tumor 
 
- Na prática atual, o diagnóstico do carcinoma 
papilífero se baseia nas características nucleares 
mesmo na ausência de arquitetura papilífera. Os 
núcleos das células do carcinoma papilífero 
contêm cromatina muito fina e dispersa, que 
confere aspecto opticamente claro, dando 
origem à designação de núcleos em vidro fosco 
 
- As invaginações da membrana nuclear, 
contendo citoplasma é designação de 
pseudoinclusões intranucleares nas secções 
transversais 
 
- As papilas neoplásicas apresentam eixos 
fibrovasculares densos, que são estruturas 
calcificadas concentricamente denominadas 
corpos de psamoma frequentemente estão 
presentes no interior das papilas 
♥ Têm importância para o diagnóstico de 
carcinoma papilífero porque são muito 
mais raros em outros tipos de carcinoma 
da tiróide como o folicular, medular e 
anaplásico. 
Mobile User
 
- Existe mais de uma dúzia de variantes do 
carcinoma papilífero de tireoide, mas a mais 
comum é composta predominante ou 
exclusivamente por folículos (variante folicular do 
carcinoma da tireoide). A variante folicular mais 
frequentemente é encapsulada e está associada 
a incidência mais baixa de metástases para os 
linfonodos e de extensão extratireoidiana do que 
é típico para os carcinomas papilíferos 
convencionais. 
♥ Os carcinomas papilíferos têm pelo menos 
alguns folículos em meio às papilas. Em 
alguns, o componente folicular pode 
predominar muito sobre o papilífero, ou o 
tumor pode ser exclusivamente folicular. 
Neste caso, o diagnóstico de carcinoma 
papilífero baseia-se nas características 
nucleares. Esses carcinomas papilíferos 
são chamados de variante folicular e se 
comportam biologicamente como os 
carcinomas papilíferos habituais, ou seja, 
são infiltrativos localmente e, geralmente, 
não são encapsulados. Seu prognóstico é 
melhor que o do carcinoma folicular 
verdadeiro. 
 
- Caráter infiltrativo: Carcinomas papilíferos 
podem ocorrer como lesões solitárias ou 
multicêntricas na tiróide. Alguns tumores são bem 
delimitados e até encapsulados. Outros, contudo, 
infiltram o parênquima adjacente com margens 
mal definidas. 
 
- As metástases para linfonodos cervicais têm a 
sua ocorrência estimada em cerca da metade 
dos casos. 
♥ Metástases à distância ocorrem somente 
em 2 a 10% dos casos, sendo o pulmão o 
órgão mais afetado (70%), seguido pelo 
osso (20%) e SNC (10%). As metástases 
pulmonares podem aparecer como um 
infiltrado nodular bilateral difuso, 
assintomático, que pode perdurar por 
anos (fazendo diagnóstico diferencial 
com sarcoidose). 
- O carcinoma papilífero geralmente não é 
encapsulado, apresenta crescimento lento e na 
maioria dos casos invade linfonodos regionais. 
♥ Essa invasão não indica pior prognóstico, 
e pode ser observada até mesmo em 
tumores coma partir das quais o 
carcinoma medular se origine. 
 
MANIFESTAÇÕES CLINICAS 
- Devido às características clínicas e biológicas 
únicas associadas a cada variante de carcinoma 
Mobile User
de tireoide, as manifestações clínicas são 
diferentes. 
TUMORES BEM DIFERENCIADOS: 
Carcinoma papilífero: 
- É o tumor maligno mais comum da tireoide, 
especialmente em crianças (onde constitui até 
80% dos casos). Predomina no sexo feminino (2:1), 
com idade média de apresentação entre 20-40 
anos (ou 30-50 anos). 
♥ O prognóstico é excelente, e a maioria dos 
pacientes não morre da doença 
- A apresentação varia na dependência do 
estágio tumoral. 
♥ Geralmente o indivíduo se encontra 
eutireoidiano, com uma massa de 
crescimento lento, não dolorosa, em 
topografia de tireoide. 
♥ A presença de linfonodo palpável nesse 
contexto é bastante sugestiva de 
carcinoma papilífero 
♥ Em casos avançados surgem sintomas 
compressivos locais como disfagia e 
rouquidão (esta última pelo 
comprometimento do nervo laríngeo 
recorrente) 
Carcinoma folicular; 
- Em geral, temos um nódulo tireoidiano solitário e 
indolor (a multicentricidade é infrequente no Ca 
folicular). Como nesse carcinoma a metástase é 
pela corrente sanguínea, a presença de 
linfonodos regionais palpáveis é rara. Sendo assim, 
a metástase atinge pulmões, ossos e fígados, 
fazendo com que a manifestação clinica possa 
está associada a função desses órgãos. (em casos 
avançados) 
Carcinoma de células de Hurthle 
- O carcinoma de células de Hürthle é 
considerado uma variedade menos diferenciada 
e mais agressiva do carcinoma de células 
foliculares, que afeta uma população mais idosa 
(o tumor é incomum em crianças). 
- Este tumor não capta, é algumas vezes bilateral 
e múltiplo, e envia metástases com frequência 
para linfonodos regionais. (linfonodos palpáveis) 
TUMORES POUCO DIFERENCIADOS 
Carcinoma medular 
- O CMT representa de 5 a 10% dos tumores 
malignos da tireoide, tendo origem a partir de 
células parafoliculares ou células C, produtoras de 
calcitonina, um hormônio envolvido no 
metabolismo do cálcio (a calcitonina diminui a 
reabsorção tubular de cálcio e inibe a reabsorção 
óssea pelos osteoclastos., 
- Os pacientes com CMT- carcinoma medular de 
tireoide- esporádico podem se apresentar com 
uma massa palpável. A doença localmente 
avançada pode levar à rouquidão, disfagia e 
sinais de comprometimento respiratório. 
♥ A diarreia se encontra presente em cerca 
de 30% dos casos, sendo ocasionada por 
uma maior secreção jejunal de água e 
eletrólitos induzida pela calcitonina. 
- A hipertensão é encontrada em casos 
associados à NEM-neoplasia endócrina múltipla- 
devido à presença do feocromocitoma (bilaterais, 
ocorrendo na segunda e terceira décadas); 
♥ A hipercalcemia e cálculos renais são 
decorrentes do hiperparatireoidismo que 
pode estar presente (NEM 2A). 
Carcinoma anaplásico 
- O crescimento tumoral é extremamente rápido, 
independente do tratamento, com invasão de 
linfonodos e estruturas contíguas. A disseminação 
ocorre por via linfática e hematogênica, 
acometendo linfonodos cervicais, cérebro, 
pulmões e ossos. 
♥ O prognostico é ruim, sendo que a maioria 
dos pacientes vão a óbito em menos de 1 
ano, como resultado do crescimento 
agressivo local e do comprometimento 
das estruturas vitais do pescoço. 
LINFOMA DA TIREOIDE 
- Sintomas associados da tireoide de Hashimoto, 
ou seja, lembra o hipotireoidismo, como: 
♥ Aumento fácil de peso; 
♥ Cansaço excessivo; 
♥ Pele fria e pálida; 
♥ Prisão de ventre; 
♥ Baixa tolerância ao frio; 
♥ Dores musculares ou articulares 
♥ Dispneia, estridor, disfagia e rouquidão 
são sintomas comuns em pacientes 
com linfoma de tireoide; entretanto, o 
principal sintoma pode ser apenas um 
tumor cervical em crescimento 
DIAGNÓSTICO 
Anamnese: 
- Alguns fatores devem ser levados em conta 
quando analisamos um nódulo tireoidiano. A 
Mobile User
idade é uma consideração importante, uma vez 
que a malignidade é mais comumente 
encontrada em jovens (apesar de pior 
prognóstico no idoso). 
♥ Embora os nódulos sejam mais frequentes 
em mulheres, a presença de malignidade 
é cerca de duas a três vezes mais comum 
em homens. 
♥ Raramente a história familiar vai nos 
influenciar quanto à conduta a ser 
tomada. Exceções a esta regra incluem as 
raras síndromes associadas a câncer de 
tireoide – síndrome de Gardner, NEM 2A e 
2B, doença de Cowden, etc. 
♥ História de exposição à irradiação na 
infância e adolescência (> 50 cGy) é fator 
de risco importante para o surgimento de 
carcinoma papilífero. 
Exame clínico: 
- Nódulos tireoidianos são extremamente comuns, 
sendo encontrados em até 5% das mulheres e 1% 
dos homens adultos (prevalência ainda mais alta 
em regiões deficientes em iodo). 
♥ Em cerca de 85-95% das vezes 
representam lesões benignas (adenoma 
folicular, nódulo coloide ou cisto – ver 
porém, cerca de 15% são neoplasias 
malignas (carcinomas, linfomas) ou 
mesmo metástases de tumores à distância. 
- Sinais e sintomas: A presença de dor e 
crescimento rápido pode significar tanto 
hemorragia no interior de um nódulo quanto 
malignidade. Rouquidão é um sinal de alarme, 
pois fala a favor de neoplasia maligna 
comprometendo o nervo laríngeo recorrente. 
♥ Um nódulo móvel à deglutição sugere a 
presença de adenoma, enquanto 
linfonodos cervicais e supraclaviculares 
aumentados de tamanho, principalmente 
se fixados à traqueia, nos fazem considerar 
a possibilidade de tumor maligno da 
glândula. 
OBS: Um nódulo maligno pode apresentar textura 
firme, maior que 4cm irregularidade de contorno, 
vascularização intranidular fixação a estruturas 
adjacentes e linfonodo cervical ipsilateral 
aumentado e palpável. 
- Quanto ao tamanho: Os nódulos impalpáveis 
têm a mesma chance de malignidade do que 
nódulos palpáveis do mesmo tamanho. Em geral, 
somente nódulos com 1 cm ou mais de diâmetro 
devem ser investigados, pois têm maior potencial 
de ser uma neoplasia maligna. 
- Exames laboratoriais da função tireoidiana: A 
grande maioria dos pacientes com câncer 
encontra-se no estado eutireóideo. Entretanto, 
não podemos esquecer a associação de tireoidite 
de Hashimoto e linfomas. Devemos solicitar 
sempre o TSH, podendo também solicitar o T4 livre 
e anticorpo antitireoperoxidase (anti-TPO). 
♥ A presença de hipertireoidismo, mesmo 
que subclínico (TSH baixo) indica uma 
cintilografia tireoidiana, para avaliar a 
presença de um adenoma 
hiperfuncionante. 
o As áreas anormais da tireoide, que 
captam menos radioatividade do 
que o tecido normal, são 
denominados nódulos frios – 
geralmente malignos, e as áreas 
que captam mais radiação são 
chamadas nódulos quentes -
causam hipertireoidismo (TSH 
baixo), normalmente são benignos. 
♥ A presença de TSH normal ou elevado, 
indica ultrassonografia para avaliação do 
nódulo. 
♥ a níveis elevados de calcitonina 
praticamente sela o diagnóstico de 
carcinoma medular 
o A dosagem das catecolaminas na 
urina de 24h faz parte da avaliação 
inicial desses pacientes para 
afastar feocromocitoma. 
▪ Caso diagnosticado, a 
remoção do 
feocromocitoma deve ser 
realizada antes da 
tireoidectomia. 
o O cálcio sérico também deve ser 
medido de rotina a fim de 
pesquisarmos hiperparatireoidismo. 
o A pesquisa de mutações do RET 
deve ser oferecida a todos 
pacientes e familiares com história 
de CMT, hiperplasia de células C e 
NEM. Atualmente, alguns centros 
de diagnóstico já disponibilizam 
métodos de investigação para 
mutações no RET. 
Mobile User
 
Ultrassonografia 
- é capaz de demonstrar lesões a partir de 3 mm, 
além de identificar a presença de cápsula, áreas 
císticas e tamanho dos lóbulos. Alem de avaliar os 
linfonodos regionais. 
♥ A USG permite classificar os nódulos em 
sólidos, císticos e mistos (císticos e sólidos). 
- Juntamente com a USG podemos realizar o 
Doppler para avaliar a vascularização dos 
nódulos. 
♥ Uma vascularização intranodular sugere 
nódulo maligno sendoutilizada a 
classificação de Chammas 
 
 
♥ Ecogenicidade: A baixa ecogenicidade 
(nódulo sólido hipoecoico) é uma 
característica relevante, com valor 
preditivo positivo para malignidade que 
pode variar de 50% a 63%. Os isoecoicos 
podem ser malignos em 7% a 25% dos 
casos, e a malignidade está presente em 
apenas 4% dos casos de nódulos 
hiperecoicos. 
PUNÇÃO ASPIRATIVA POR AGULHA FINA (PAAF) 
- É o melhor método para diferenciar nódulos 
benignos e malignos. A sensibilidade e a 
especificidade ultrapassam 90%. Na presença de 
bócio multinodular, indica-se a realização de 
PAAF nos quatro maiores nódulos. Idealmente, a 
PAAF deve ser sempre guiada por USG, mesmo 
quando o nódulo é palpável, pois isso aumenta a 
acurácia diagnóstica. 
- Mas é importante lembrar que a PAAF analisa 
somente a citologia. (isto é, células “soltas” são 
visualizadas individualmente). 
♥ diferentemente da histopatologia, no qual 
é realizada uma biopsia do tecido, 
podendo visualizar sua organização 
celular) 
OBS: A PAAF é utilizada para confirmar diagnostico 
de carcinoma papilífero 
OBS 2: o diagnóstico de carcinoma folicular não 
pode ser confirmado pela citologia! Assim, diante 
de um “tumor folicular” é mandatório proceder à 
sua remoção cirúrgica, mesmo sabendo que na 
maioria das vezes será encontrado um adenoma 
folicular (tumor benigno). o diagnóstico de Ca 
folicular só pode ser confirmado pela análise 
histopatológica convencional. 
Mobile User
- O nódulo submetido à PAAF deve ser classificado 
conforme o sistema de Bethesda: 
 
- Quais são as indicações de PAAF? 
♥ Nódulos de qualquer tamanho associados 
à linfadenopatia cervical suspeita; 
♥ Nódulos > 0,5 cm com características 
sugestivas de malignidade na USG; 
♥ Nódulos ≥ 1 cm, sólidos ou não sólidos com 
microcalcificações; 
♥ Nódulos mistos (cístico-sólidos) com ≥ 1,5 
cm e características sugestivas de 
malignidade na USG ou ≥ 2 cm, 
independentemente das características 
na USG; 
♥ Nódulos espongiformes ≥ 2 cm. 
- Nódulos sem indicação de PAAF, ou que foram 
submetidos à PAAF e tiveram resultado benigno, 
devem ser acompanhados com USG a cada 6- 18 
meses. Se houver crescimento acelerado (> 50% 
do volume ou > 20% em pelo menos duas 
dimensões, com um aumento mínimo de 2 mm do 
nódulo sólido ou componente sólido de um 
nódulo misto), uma nova PAAF deve ser realizada 
imediatamente. 
TC e RM 
- Indicados para complementar a avaliação de 
pacientes com doença extensa (ex.: visualização 
de linfonodos mais profundos; bócio subesternal). 
Laringoscopia: 
- Suspeita de invasão de estruturas contíguas 
Imuno-histoquímica (biopsia) 
- Utilizado no carcinoma folicular e no anaplasico 
♥ Anaplasico: reconhecimento de tumores 
muito indiferenciados e, sobretudo, para 
distingui-los do CMT e do linfoma. 
TRATAMENTO CARCINOMA PAPILÍFERO 
- O manejo dos tumores bem diferenciados é 
fundamentalmente CIRÚRGICO. 
Tireoidectomia parcial: 
- Para os microcarcinomas (tumores 4 cm, 
♥ doença extratireoidiana 
♥ pacientes com outros critérios de “alto 
risco”, mesmo que o tumor tenha entre 1-4 
cm. 
Terapia supressiva com levotiroxina: 
- O uso da levotiroxina faz parte do arsenal 
terapêutico, não só para repor hormônio 
tireoidiano no pós-operatório, mas, 
principalmente, para suprimir o TSH, uma vez que 
as células tumorais são responsivas a este 
hormônio! 
♥ Os níveis devem ficar abaixo de 0,1 mU/L 
(n= 0,5-5 mU/L). 
- Pacientes de baixo risco pode ser mantidos com 
TSH entre 0,1 e 0,5 mU/L e, após 5-10 anos sem 
indícios de recidiva, pode-se permitir o retorno do 
TSH à faixa normal. 
PROTOCOLO PÓS-TIREOIDECTOMIA TOTAL: 
- Para o sucesso da radioablação é necessário 
que o TSH esteja elevado (> 30 mU/L), a fim de 
estimular as células tumorais a captar o iodo 
radioativo. Isto pode ser obtido de três formas 
diferentes: 
♥ deixando o paciente sem reposição de 
levotiroxina por 3-4 semanas; 
♥ iniciando tratamento com T3 isolado 
(liotironina), na dose de 50-100 mcg/dia 
por quatro semanas, suspendendo a 
medicação duas semanas antes (o uso de 
T3 isolado faz o T4 desaparecer da 
circulação). 
o Devido à meia-vida extremamente 
curta do T3 (cerca de 24h – a meia-
vida do T4 é de uma semana), logo 
após sua suspensão, os níveis 
hormonais se depletam e ocorre 
um rápido aumento do TSH); 
♥ utilizando TSH recombinante (rhTSH), que 
parece ser a melhor estratégia para 
indivíduos com comorbidades que têm 
grande potencial de piora no estado de 
hipotireoidismo (ex.: doenças 
cardiovasculares, IRC, depressão, etc.). 
o Se utilizarmos o TSH recombinante, 
não haverá necessidade de 
suspender a reposição de 
levotiroxina! Tal estratégia também 
deve ser aventada nos casos em 
que o TSH endógeno não se eleva 
de forma satisfatória 
- Em certas situações (ex.: incerteza quanto à 
magnitude do tecido tireoidiano remanescente), 
antes da radioablação pode ser necessário 
realizar uma cintilografia diagnóstica. Caso haja 
muita captação (isto é, sobrou “muita tireoide”) é 
preferível reoperar antes da radioablação. 
♥ Ressalte-se que quando tal exame for 
indicado, este deverá ser feito com 123 I, 
uma vez que tal isótopo possui meia-vida 
inferior. 
♥ Se o exame for realizado com 131 I existe 
risco das células tumorais se 
sobrecarregarem, mesmo com a dose de 
iodo relativamente baixa do exame, o que 
as impedirá de absorver a dose ablativa 
subsequente 
- Imediatamente antes da ablação, enquanto o 
doente apresenta TSH elevado, a tireoglobulina 
deve ser dosada (tireoglobulina estimulada). Além 
de se correlacionar com a presença de 
metástases e com o resultado da PCI pós-dose, tal 
exame é considerado um fator prognóstico 
independente. 
ACOMPANHAMENTO PÓS-OPERATÓRIO: 
- A ultrassonografia cervical deve ser feita a cada 
seis meses. 
- Se surgirem linfonodos suspeitos (> 5-8 mm), estes 
deverão ser puncionados para avaliação 
citológica e pesquisa de tireoglobulina. 
♥ Atireoglobulina sérica também deve ser 
mensurada a cada seis meses. Ela tem que 
permanecer negativa (associado ao desenvolvimento do câncer oral. É 
incerto se o álcool isoladamente pode iniciar a 
carcinogênese, embora esteja bem estabelecido 
que o álcool em combinação com o tabaco é um 
fator de risco significativo para o desenvolvimento 
do câncer oral. 
- Estudos de caso-controle têm concluído que o 
risco é dose-dependente e tempo-dependente e 
que a combinação do uso excessivo do álcool e 
do tabaco por período prolongado pode 
aumentar o risco individual para o câncer oral 
para um fator de 15 ou mais (o risco relativo é de 
15) 
- Evidências mostram que o acetaldeído, o 
principal e mais tóxico metabólito do álcool, 
interrompe a síntese e o reparo do DNA e, 
portanto, pode favorecer a carcinogênese. 
♥ Além disso, maior exposição ao etanol 
também induz o estresse oxidativo por 
meio do aumento da produção de 
oxigênio com potencial reativo e 
genotóxico. 
♥ Sugere-se, ainda, que o álcool possa 
funcionar como um solvente, favorecendo 
a penetração celular de carcinogéneos 
dietéticos ou ambientais (por exemplo, 
tabaco) ou interferindo nos mecanismos 
de reparo do DNA. 
o O álcool afeta as enzimas de 
destoxificação local e sistêmicas e 
pode aumentar o potencial 
carcinogênico de outros 
carcinógenos ambientais 
♥ Pessoas que consomem bebidas 
alcoólicas em altas quantidades também 
podem ter dietas carentes de nutrientes 
essenciais, como o folato, tornando os 
tecidos-alvo mais suscetíveis aos efeitos 
carcinogênicos do álcool. 
OBS: o consumo de álcool, bem como a 
aplicação direta nos enxaguantes bucais está 
associado a maiores risco de desenvolvimento de 
tumores nessa região 
Agentes fenólicos 
- Recentemente as evidências têm dado ênfase a 
um risco aumentado do câncer para 
trabalhadores da indústria de produtos derivados 
da madeira cronicamente expostos a certos 
agentes químicos, tais como os ácidos 
fenoxiacéticos. Além disso, há muito tempo tem 
sido reconhecido que esses trabalhadores 
apresentam um maior risco para os carcinomas 
nasal e nasofaríngeo 
Radiação 
- Os efeitos da radiação ultravioleta (UV) sobre os 
lábios foram discutidos anteriormente (queilose 
actínica), porém é bem reconhecido que outra 
forma de radiação, os raios X, diminuei a 
reatividade imune e produz anormalidades no 
material cromossômico. 
- Não é surpreendente, portanto, que a 
radioterapia direcionada para a área de cabeça 
e pescoço aumente o risco do posterior 
desenvolvimento de uma nova malignidade 
primária oral, um carcinoma ou um sarcoma. 
♥ Esse efeito é dose-dependente, porém até 
a radioterapia em baixas doses para lesões 
benignas pode aumentar o risco local em 
algum grau 
Deficiência de ferro 
- A deficiência de ferro, especialmente a grave e 
crônica forma conhecida como síndrome de 
Plummer-Vinson ou Paterson-Kelly, está associada 
a um elevado risco para o carcinoma de células 
escamosas do esôfago, orofaringe e da região 
posterior da boca. 
- As malignidades se desenvolvem em uma idade 
mais baixa do que nos pacientes sem anemia por 
deficiência de ferro. 
- Os indivíduos que apresentam deficiência de 
ferro tendem a ter imunidade mediada por células 
prejudicada e o ferro é essencial para o 
funcionamento normal das células epiteliais do 
trato digestivo superior. 
♥ Nos estados de deficiência, as células 
epiteliais sofrem uma renovação mais 
rápida e produzem uma mucosa atrófica 
ou imatura. 
♥ Essa mudança na arquitetura tecidual, 
futuramente pode ser fator para a 
proliferação de células cancerosas 
Deficiência de vitamina A 
- A deficiência de vitamina A produz uma 
ceratinização excessiva da pele e das 
membranas mucosas e os pesquisadores têm 
sugerido que a vitamina pode exercer um papel 
protetor ou preventivo no pré-cancer e no câncer 
oral 
Sífilis 
- Há muito tempo aceita-se que a sífilis (estágio 
terciário) tem uma forte associação com o 
desenvolvimento do carcinoma do dorso da 
língua 
♥ atualmente raras pelo fato de essa 
infecção ser tipicamente diagnosticada e 
tratada antes do início do estágio terciário. 
Imunossupressão 
- A imunossupressão pode desempenhar um 
papel no desenvolvimento de pelo menos 
algumas malignidades do trato aerodigestivo 
superior. 
♥ Sem vigilância e ataque imunológicos 
efetivos, acredita-se que as células 
malignas recentemente geradas não 
possam ser reconhecidas e destruídas em 
um estágio inicial. 
♥ Os indivíduos com AIDS e aqueles que 
estão sendo submetidos à terapia 
imunossupressora para malignidades ou 
transplante de órgãos apresentam risco 
aumentado para o carcinoma de células 
escamosas e outras malignidades de 
cabeça e pescoço, especialmente 
quando o tabaco e o uso do álcool estão 
presentes. 
HPV e carcinogênese bucal 
- Ocorre que, hoje, a doença também atinge 
jovens (entre 30 e 45 anos) de ambos os sexos que 
não fumam nem bebem em excesso, mas 
praticam sexo oral desprotegido. Isso porque o 
HPV -papilomavírus humano-, que é transmitido 
sexualmente, está diretamente ligado a cada vez 
mais casos de câncer de cabeça e pescoço. 
♥ Comum de ocorrer nas criptas tonsilares e 
na base da língua, mas não descarta 
outros locais da cavidade bucal. 
- O HPV do tipo 16 causa 60% dos cânceres 
orofaríngeos, e a faixa etária dos pacientes caiu 
(média de idade 57 anos e picos bimodais aos 30 
e 55 anos) à medida que a infecção por HPV 
surgiu como uma etiologia. 
♥ O número de parceiros sexuais e a 
frequência do sexo oral são fatores 
importantes de risco. 
♥ O risco de desenvolver câncer orofaríngeo 
é 16x maior em pacientes positivos para 
HPV. Na Europa e na América do Norte, a 
infecção por HPV é responsável por cerca 
de 70 a 80% dos cânceres orofaríngeos. 
- Os subtipos 16, 18, 31 e 33 são as cepas mais 
relacionadas a displasia e ao carcinoma de 
celulas escamosas. 
Mecanismo de ação: 
- A infecção pelo HPV é iniciada quando uma 
partícula viral penetra nas células basais 
localizada nas camadas mais baixas do epitélio 
estratificado. 
♥ Conforme as células mais profundas do 
epitélio vão se dividindo, elas migram da 
camada basal e se tornam 
gradativamente diferenciadas. 
♥ Depois de entrar na célula, os genomas 
dos HPV integram-se ao núcleo, e o vírus 
começa a replicar e o número de cópias é 
aumentado, fazendo com que essas 
células infectadas distribuem 
equitativamente o DNA viral entre as 
células-filhas. 
- Uma das células-filhas migra para a camada 
basal e inicia o programa de diferenciação. A 
outra célula-filha continua diferenciada na 
camada basal, sofrendo divisões para oferecer 
células para a manutenção da camada basal. 
- Multiplicação extensiva do DNA viral e 
transcrição de todos os genes virais, bem como 
formação de capsídeo, ocorrem apenas nas 
camadas mais superficiais do epitélio. 
♥ Portanto, partículas virais maduras (com 
capsídeos completos) estão ausentes nas 
células basais, e a replicação produtiva do 
HPV está restrita às células nos estratos 
espinhoso e granuloso. 
- Os primeiros genes dos HPV a se expressarem são 
E1 e E2, cujos produtos estão envolvidos na 
replicação do genoma viral. 
♥ O produto do gene E1, uma fosfoproteína 
nuclear com atividade ATPase e DNA 
helicase, liga-se na origem de replicação 
do DNA viral, sendo essencial para a 
replicação do vírus. 
♥ A proteína codificada pelo gene E2 é um 
fator que regula a transcrição dos 
oncogenes E6 e E7. 
♥ A proteína E4 é detectada apenas nas 
camadas mais diferenciadas do epitélio, 
estando envolvida na maturação e na 
liberação das partículas dos HPV. 
♥ Recentes evidências sugerem que o gene 
E5 do HPV-16 pode induzir transformação 
em células epiteliais, aumentando a 
transdução de sinal intracelular mediado 
por fatores de crescimento. 
♥ A proteína E6 tem sua atividade 
transformadora dependente da ligação 
com a proteína supressora de tumor p53, 
que regula a passagem pelas fases G1/S e 
G2/M. 
o Uma vez estabelecida essa 
ligação, a proteína E6 estimula a 
degradação da p53, levando-a a 
níveis muito baixos em muitostumores humanos, o que faz com 
que as células desses tumores 
falhem na parada do ciclo celular 
em G1, seguindo então o dano no 
DNA celular. 
o Logo, se outra proteína supressora 
de tumor (como a pRb, por 
exemplo) não compensar a 
reduzida atividade da p53, a 
transformação celular pode, de 
fato, ocorrer. 
o A proteína E6, além de reprimir a 
ação de p53, também tem como 
função a atividade de telomerase, 
podendo associar-se com 
proteínas ligantes do cálcio, ERC55, 
fatores de resposta do interferon, 
IRF3, ou, até mesmo, associar-se a 
proteínas de integração viral. 
♥ A principal função do gene E7 dos HPV de 
alto risco é desregular a maquinaria do 
ciclo celular da célula infectada, 
principalmente pela indução da 
transcrição da fase G1/S. 
o A proteína E7 liga-se às proteínas 
da família pRb (proteína supressora 
de tumor de retinoblastoma); essa 
interação ativa os fatores de 
transcrição E2F, que são liberados 
da pRb. 
o Estes fatores induzem a transcrição 
de genes importantes no controle 
da divisão celular, por promover a 
progressão do ciclo celular, 
atuando nas fases G1 e S21. 
- Assim, os genes E5, E6 e E7 do HPV induziriam a 
transformação celular e poderiam estar 
envolvidos na carcinogênese, sendo os genes E6 
e E7 considerados os genes de maior poder de 
transformação dos HPV 
No câncer relacionado com o ambiente: 
- o ciclo celular é desregulado pela perda 
precoce de p16, um inibidor da ciclina D1, ou por 
meio do aumento da taxa de regulação da 
ciclina D1; p53 (supressor tumoral, reparador de 
DNA e indutor de apoptose) é bloqueado por 
diversos mecanismos que evitam a morte celular 
programada; a sinalização mitogênica é 
reforçada pelo aumento da regulação da função 
do receptor do fator de crescimento epidérmico 
(EGF); ocorre uma superexpressão da ciclo-
oxigenase-2 (COX-2), inibindo a apoptose e 
promovendo a angiogênese; e se desenvolve a 
instabilidade cromossômica com aneuploidia 
(adição o perda de um ou mais cromossomos). 
- Muitas dessas alterações moleculares iniciais e 
funcionais ocorrem sem uma mudança óbvia no 
aspecto físico da mucosa oral, apesar de ser 
possível encontrar leucoplasia. 
TIPOS HISTOLÓGICOS 
Carcinoma de Células Escamosas: 
- Aproximadamente 95% dos cânceres da 
cavidade oral são carcinomas de células 
escamosas, sendo que os restantes são 
compostos em grande parte de 
adenocarcinomas de glândulas salivares. 
♥ Esse tumor maligno epitelial agressivo é a 
sexta neoplasia mais comum no mundo de 
hoje. 
♥ Apesar dos inúmeros avanços no 
tratamento, a taxa de sobrevida de longo 
prazo tem sido inferior a 50% nos últimos 50 
anos. Essa perspectiva sombria é 
decorrente de vários fatores, 
principalmente do fato de que o câncer 
bucal é diagnosticado em estágio 
avançado 
- Nos estágios iniciais, esses tipos de câncer podem 
aparecer como placas elevadas, firmes, 
peroladas, ou como espessamentos da mucosa 
irregulares, rugosos ou verrucosos. Qualquer 
padrão pode ser sobreposto sobre um fundo de 
leucoplasia ou eritroplasia. 
♥ À medida que essas lesões aumentam, 
elas tipicamente formam massas 
ulceradas e salientes que têm bordas 
irregulares e endurecidas ou enroladas. 
- A análise histopatológica mostrou que o 
carcinoma de células escamosas se desenvolve a 
partir de lesões precursoras displásicas, como 
leucoplasias ou eritroplasia. 
♥ Os padrões histológicos variam de 
neoplasias queratinizantes bem 
diferenciadas até tumores anaplásicos, 
alguns vezes sarcomatoides 
 
- Normalmente, o carcinoma de células 
escamosas oral infiltra localmente antes de 
metastatizar. Os linfonodos cervicais são os locais 
mais comuns de metástase regional; locais 
frequentes de metástases a distância incluem 
linfonodos mediastinais, pulmões e fígado 
 
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 
- Os tumores da boca geralmente se manifestam 
como lesões ulceradas de crescimento 
progressivo e indolor no início, especialmente na 
língua, lábios, assoalho da boca ou palato. Sendo 
que há a presença de dor na forma tardia quando 
há invasão da musculatura e de nervos. 
- Nos cânceres relacionados com o meio 
ambiente, lesões precoces de alto risco podem ser 
identificadas em algumas situações como 
leucoplasia e eritroplasia. (não produziram um 
aumento de volume ou ulceração) 
♥ A leucoplasia é diagnosticada 
clinicamente como mancha branca no 
tecido da mucosa oral ou laringe. Pode 
evoluir de forma imprevisível para câncer 
ao longo de um período de vários anos em 
cerca de 30% dos pacientes. 
 
 
♥ A eritroplasia, que é uma alteração 
vermelha hiperceratótica na mucosa, é 
uma lesão pré-maligna avançada com 
uma taxa de cerca de 60% de progressão 
para um câncer oral. 
 
 
- Uma lesão exofítica tipicamente apresenta 
superfície irregular, vegetante, papilar ou 
verruciforme e sua cor poderá variar da coloração 
normal ao vermelho ou branco, dependendo da 
quantidade de ceratina e vascularização. A 
superfície é frequentemente ulcerada e o tumor 
mostra-se duro à palpação. 
 
- O padrão de crescimento endofítico tem uma 
área central deprimida, de formato irregular, 
ulcerada, com uma borda “em rolete” de mucosa 
normal, vermelha ou branca. 
♥ A borda em rolete resulta da invasão do 
tumor para o interior do tecido e para as 
laterais abaixo do epitélio adjacente. 
♥ Essa aparência não é única do carcinoma 
oral, uma vez que lesões granulomatosas, 
tais como infecções fúngicas profundas, 
tuberculose, sífilis terciária, lesões orais da 
granulomatose de Wegener ou da 
doença de Crohn e úlceras traumáticas 
crônicas podem ter aparência similar 
 
- Poderá haver discreto sangramento, ou apenas 
uma área superficial friável, sangrante ao toque e 
hiperemiada, às vezes com manchas brancas 
entremeadas. 
- A fala pode ser afetada tardiamente quando o 
tumor causar restrição da mobilidade da língua ou 
uma disfunção do XII par de nervos cranianos. 
- Além disso, os tumores da gengiva podem 
amolecer os dentes e invadir a mandíbula 
juntamente com o alvéolo dentário 
♥ A destruição do osso subjacente pode ser 
dolorosa ou completamente indolor e 
aparecerá nas radiografias como uma 
radiolucidez “em roído de traça” com 
margens mal definidas ou bordas 
irregulares 
 
- Os tumores nas tonsilas ou na base da língua 
podem vir acompanhados de dor local ou dor 
referida no ouvido, porém os tumores nessas 
regiões costumam ser assintomáticos e podem 
crescer bastante antes de se tornarem evidentes 
devido a mudanças na fala (“voz de batata 
quente”), uma sensação de globo, trismo ou 
restrição do movimento da língua. 
♥ Além disso, a manifestação de nódulo 
cervical indolor tem se tornado comum 
com o aumento da incidência de HPVCO. 
♥ Os tumores das tonsilas e base da língua 
podem perder seu componente mucoso, 
não serem visualizados nem percebidos 
pela inspeção direta e se apresentar como 
uma massa cervical sólida ou cística. 
o Uma massa, especialmente cística, 
no pescoço de um adulto é câncer 
e especificamente HPVCO, até que 
se prove o contrário, e nesses casos 
deve ser feita avaliação do ouvido, 
nariz e garganta, além de 
realização de tomografia por 
emissão de pósitron (PET-TC), 
aspiração por agulha fina e exame 
sob anestesia antes da biópsia. 
- Com a evolução da enfermidade, a úlcera 
neoplásica cresce em lateralidade e 
profundidade podendo fixar-se por infiltração aos 
tecidos adjacentes, determinando imobilidade da 
língua, dislalia, trismo, cacosmia e afrouxamento 
de dentes. 
♥ A partir dessa fase, o paciente apresenta 
dor, metástases cervicais e 
comprometimento do estado geral por 
anemia, emagrecimento e 
hipoproteinemia. 
OBS: Como norma geral, todo paciente com lesão 
ulcerada de cavidade oral com duração superior 
a 15 dias deve ser considerado suspeito para 
neoplasia. 
TIPOS DE CARCINOMAS 
Carcinoma do vermelhão do lábio 
- Pessoas de pele clara com exposição 
prolongada aos raios UV. 
- Associada a queilite actínica e podem surgir no 
local em que o paciente mantémum cigarro, 
charuto ou cachimbo. 
- Quase 90% das lesões estão localizadas no lábio 
inferior. 
- É uma ulceração endurecida, indolor, crostosa e 
exsudativa; crescimento lento e metástase tardia. 
 
Carcinoma Intraoral 
- Mais comum na língua (superfície lateral, 
posterior e ventral) e assoalho bucal. 
- Outros sítios de envolvimento (em ordem 
decrescente de frequência) são o palato mole, 
gengiva, mucosa jugal, mucosa labial e palato 
duro. 
♥ Língua: 2/3 são tumores ou úlceras 
indolores endurecidas na borda 
lateral. Sendo comum em jovens 
♥ As lesões do assoalho bucal são mais 
prováveis de surgir a partir de uma 
leucoplasia ou eritroplasia preexistente. 
♥ Gengival: indolores, na mucosa 
queratinizada na região posterior da 
mandíbula. Menos associadas ao fumo, 
mais comuns em mulheres. 
 
 
Carcinoma Orofaríngeo 
- Carcinoma da mucosa do palato mole e 
orofaringe com a mesma clínica dos anteriores, 
exceto que, na localização posterior, o paciente 
não se encontra ciente da sua presença e o 
diagnóstico é tardio. 
- Por isso, o tamanho e a proporção das 
metástases serão maiores. 
- Três em cada quatro carcinomas orofaríngeos 
originam-se da área amigdaliana ou do palato 
mole; a maioria dos outros origina-se na base da 
língua. 
- Sintomas iniciais: dor (podendo ser relatada 
como proveniente do ouvido) e disfagia. 
- Quanto mais posterior for o tumor, maior é a lesão 
e maior a chance de disseminação linfática. 
 
Metástases 
- A disseminação metastática do carcinoma de 
células escamosas oral ocorre principalmente 
através dos vasos linfáticos para os linfonodos 
cervicais ipsilaterais. 
- Os carcinomas de lábio inferior e assoalho de 
boca tendem a se disseminar para os linfonodos 
submentonianos; 
- Os tumores localizados nas porções posteriores 
da boca, para os linfonodos jugulares superiores e 
digástricos. 
- A drenagem linfática da orofaringe leva à 
cadeia de linfonodos jugulodigástrica ou para 
linfonodos retrofaríngeos. 
 
 
DIAGNÓSTICO 
Exame físico 
- Os pacientes que apresentam sintomas 
localizados ou um sinal como uma úlcera ou 
pequena massa precisam ser submetidos a um 
exame completo, com inspeção e palpação das 
estruturas visíveis da base da língua, tonsilas e 
pescoço. 
Exames clínico 
- O diagnóstico do CECP se faz pelo exame clínico 
com nasoscopia e laringoscopia e biópsia 
tumoral. 
- Na ausência de tumor primário visível, indica-se 
punção aspirativa por agulha fina ou biópsia de 
quaisquer massas cervicais, seguido de novo 
exame locorregional sob anestesia e biópsias 
adicionais, se necessário. 
♥ Na suspeita ou não de câncer, biópsias 
excisionais não são indicadas porque as 
margens do tumor frequentemente são 
violadas, provocando “espalhamento” do 
material e consequentemente 
aumentando os riscos de metástase. A 
♥ biópsia em saca-bocado é suficiente para 
o diagnóstico, principalmente na região 
oral da língua, de onde os tumores se 
disseminam por via linfática 
♥ A aspiração por agulha fina, para teste de 
HPV e EBER, deve ser realizada para 
tumores de células escamosas. 
o Atualmente, o HPV e EBV são os 
únicos marcadores moleculares 
conhecidos para separar os 
tumores de cabeça e pescoço dos 
tumores epidermoides da pele e 
glândula salivar. 
o A positividade sérica para o EBV 
sugere tumor de nasofaringe, 
enquanto a positividade para HPV 
sugere tumor de orofaringe. 
o Vale pontuar que, ainda a imuno-
histoquímica p16 seja comumente 
utilizada como substituto para o 
ensaio de HPV, esta não é 
adequada para decisão 
terapêutica, estando positiva em 
20% dos cânceres não HPV. 
- Pacientes com neoplasia maligna confirmada 
devem ser submetidos à avaliação da extensão 
da doença por meio de tomografia 
computadorizada (TC) ou ressonância magnética 
(RM) de pescoço, com uso de contraste, e 
radiografia de tórax, antes da intervenção 
cirúrgica. 
PET TC: tomografia computadorizada por emissão 
de pósitrons e TC: 
- é indicada a realização de PET-TC do corpo e 
uma TC de alta resolução, a partir da base do 
crânio até a clavícula, de preferência com a 
técnica em espiral para avaliação da 
propagação nodal no pescoço e identificação de 
extensão nodal extracapsular e invasão óssea, 
que são informações importantes para o 
prognóstico. 
♥ A PET ajuda na identificação de lesões 
ocultas, principalmente quando o 
paciente tem um tumor primário 
desconhecido, antes da biópsia, para 
guiar a avaliação e reduzir o risco de 
procedimentos diagnósticos e 
terapêuticos desnecessários e/ou 
inadequados 
 
RM 
- A RM auxilia na avaliação do acometimento de 
tecido mole, principalmente da base da língua e 
dos espaços parafaríngeos 
RASTREAMENTO 
- Não há recomendação para o rastreamento do 
câncer de boca, pois as evidências científicas 
atuais não são suficientes para avaliar os riscos e 
os benefícios do rastreamento em pessoas 
assintomáticas. 
- As revisões sistemáticas publicadas pela 
Cochrane (2013) (BROCKLEHURST, 2013) e pela 
Força Tarefa Americana (USTaskForce, 2014) 
encontraram apenas um ensaio clínico, realizado 
na Índia, com alto risco de viés, no qual o 
rastreamento não foi capaz de reduzir 
significativamente a mortalidade por câncer de 
boca na população em geral. 
- No entanto, a análise de um subgrupo de 
pacientes de alto risco que utilizavam tabaco, 
álcool ou os dois combinados mostrou redução 
relativa de 43% da mortalidade nesse grupo. 
- Em 2021, uma nova análise evidenciou que a 
utilização de critérios de risco aumenta 
substancialmente a eficiência de programas de 
rastreamento (CHEUNG et al, 2021). Portanto, é 
necessário acompanhar novas evidências e 
ensaios clínicos, já que a estratégia de 
rastreamento em populações de alto risco 
mostrou-se efetiva. 
DIAGNÓSTICO PRECOCE 
- O diagnóstico precoce do câncer de boca 
possibilita melhores resultados no tratamento com 
a investigação oportuna de sinais e sintomas 
suspeitos no lábio e cavidade oral, como: 
♥ Lesões cujo diagnóstico clínico não exclui 
o câncer 
♥ Lesões que não cicatrizam em até 15 dias 
- Essas alterações suspeitas na cavidade oral 
devem ser investigadas por meio de biópsia. 
♥ Quando o câncer é confirmado, deve-se 
encaminhar o paciente para tratamento 
oncológico. 
- Profissionais de saúde devem conhecer e estar 
atentos aos principais fatores de risco e aos sinais 
e sintomas do câncer de lábio e cavidade oral, de 
forma a identificar precocemente alterações e 
possibilitar o diagnóstico e tratamento em tempo 
oportuno. 
TRATAMENTO 
ESTADIAMENTO 
- O tamanho do tumor e a extensão da 
disseminação metastática do carcinoma de 
células escamosas oral são os melhores 
indicadores do prognóstico do paciente. 
- Esse protocolo de estadiamento depende de três 
características clínicas básicas: 
♥ T – Tamanho do tumor primário, em 
centímetros 
♥ N – Envolvimento de linfonodos locais 
♥ M – Metástases a distância 
 
 
CIRURGIA 
- A cirurgia normalmente consiste na retirada de 
uma ou mais área da cavidade oral associada à 
retirada dos linfonodos do pescoço (esvaziamento 
cervical) e com algum tipo de reconstrução, 
quando necessário. Nas cirurgias maiores, pode 
ser necessária a ressecção de segmentos ósseos. 
♥ Essas ressecções devem ser programadas 
procurando a melhor reconstrução no 
primeiro momento, para obter o melhor 
resultado funcional. Em alguns casos, 
porém, podem ser necessários outros 
procedimentos em um segundo tempo 
para restabelecer a função da área 
ressecada. 
Carcinoma da região do vermelhão do lábio 
- O carcinoma da região do vermelhão do lábio é 
geralmente tratado pela excisão cirúrgica, 
tipicamente uma ressecção em cunha, com 
excelentes resultados. 
♥ Somente 8% dos tumores apresentam 
recidiva e as taxas de sobrevida de 5 de 
anos são de 95% a 100% 
carcinomas de células escamosas intraorais 
- A localização do tumor pode influenciar o plano 
de tratamento. 
- Consiste na excisão cirúrgica ampla (radical), 
radioterapiaou na combinação de cirurgia e 
radioterapia. 
♥ As lesões orofaríngeas geralmente 
recebem radioterapia. 
♥ Outras indicações para a radioterapia 
incluem a presença de margens cirúrgicas 
exíguas ou comprometidas, metástase 
regional, características histopatológicas 
de alto grau e invasão perineural ou 
angiolinfática. É utilizada uma variedade 
de agentes quimioterápicos como terapia 
adjuvante. 
OBS: A radioterapia e a quimioterapia são 
indicadas quando a cirurgia não é possível ou 
quando o tratamento cirúrgico deixaria sequelas 
funcionais tão importantes que seriam muito 
complicadas para a reabilitação funcional e a 
qualidade de vida do paciente. 
Quimioterapia 
- A quimioterapia tipicamente é administrada em 
conjunto com a radiação, como quimioterapia de 
indução seguida por quimiorradioterapia 
concomitante ou como terapia paliativa. 
♥ As substâncias comumente utilizadas 
incluem os agentes que contêm platina (p. 
ex., cisplatina, carboplatina), 5-fluorouracil 
e taxanos (p. ex., paclitaxel, docetaxel). 
Anticorpos monoclonais 
- Ensaios clínicos avaliando anticorpos 
monoclonais ou pequenas moléculas inibidoras 
direcionadas contra o EGFR têm-se mostrado 
promissores e espera-se que terapias direcionadas 
contra moléculas-alvo tornem-se importantes 
estratégias de tratamento no futuro. Embora os 
agentes quimioterapêuticos possam 
temporariamente reduzir o tamanho de um 
aumento de volume tumoral, nenhum deles têm 
melhorado as taxas de sobrevida 
significativamente. 
Tratamento: 
- Para carcinomas intraorais pequenos, uma única 
modalidade de tratamento é geralmente 
escolhida. 
- Pacientes com lesões maiores ou com lesões que 
apresentem linfonodos clinicamente palpáveis 
tipicamente requerem terapia combinada. 
- Além disso, pacientes com carcinomas de língua 
em estágio inicial (clinicamente T1/T2 e 
fundamente invasivos (espessura do tumor > 3 ou 
4 mm), são de risco aumentado para metástase 
subclínica para linfonodo e, dessa forma, devem 
receber irradiação pós-operatória em pescoço ou 
dissecção de pescoço eletiva. 
- Na suspeita de metástase local para linfonodos, 
uma dissecção radical ou uma dissecção radical 
modificada no pescoço deve ser realizada. 
♥ A dissecção radical é essencialmente uma 
remoção em bloco de todos os tecidos 
fibroadiposos do trígono lateral do 
pescoço, incluindo os linfonodos jugulares 
superiores, médios e inferiores, o grupo de 
linfonodos supraclaviculares e as porções 
variadas da musculatura circunvizinha. 
- O uso da biópsia de linfonodo-sentinela (biópsia 
do primeiro linfonodo da rede linfática a receber 
a drenagem do tumor) com o objetivo de 
identificar pacientes com metástases ocultas de 
pescoço têm se mostrado promissor, porém 
permanece sob avaliação para uma utilização 
confiável nos pacientes com câncer oral 
PROGNOSTICO 
- O prognóstico para a sobrevida no câncer oral 
depende do estadiamento do tumor. 
♥ A taxa de sobrevida relativa de 5 anos 
para o carcinoma intraoral varia de 53% a 
68% se o tumor for relativamente pequeno 
( 3 cm e ≤ 6 cm ou um linfonodo > 6 cm 
(estágio IV). 
♥ Embora alguns pacientes morram de sua 
doença em um período mais prolongado, 
como 10 anos após o tratamento inicial, a 
grande maioria das mortes ocorre dentro 
dos primeiros 5 anos. 
- Os vários marcadores moleculares associados ao 
carcinoma, como a mutação do gene supressor 
de tumor p53, têm apresentado resultados 
equívocos como indicadores prognósticos. O 
relacionamento entre HPV, estágio do tumor e 
prognóstico é incerto. Alguns estudos têm 
sugerido que tumores positivos para o HPV estão 
associados a uma melhor resposta ao tratamento 
e sobrevida prolongada; contudo, outros estudos 
não têm relatado nenhuma diferença significativa 
na sobrevida entre pacientes com tumores 
positivos e negativos para o HPV. 
REFERENCIAS 
- PATOLOGIA BÁSICA, ROBBINS 9ED 
- Câncer de boca - Versão para Profissionais de 
Saúde INCA 
- Câncer de tireoide INCA 
- NETTER ANATOMIA CLINICA 3ED 
- Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Câncer 
de Cabeça e Pescoço. MS 2015 
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do 
Carcinoma Diferenciado da Tireoide. MS 2014 
- O Papel do Papilomavírus Humano na 
Carcinogênese Bucal, Luciana Estevam 
Simonato1 , Glauco Issamu Miyahara, 2007 
- NEVILLE, Brad. Patologia Oral e Maxilofacial. 4.ed. 
Elsevier. 2016. 
 
 
 
 
OBJETIVOS: -Identificar a epidemiologia e os 
fatores de risco do câncer da laringe. 
-Descrever as apresentações clinicas, 
diagnóstico, fatores prognósticos e princípios 
terapêuticos do câncer da laringe. 
-Discutir o impacto do tratamento cirúrgico sobre 
a vida social do paciente e descrever as formas 
de reabilitação. 
- A laringe (onde estão localizadas as cordas 
vocais) é o órgão da voz e fica entre a parte 
posterior da língua e a traqueia. Além da fala, ela 
é importante para a proteção dos brônquios e 
pulmões de partículas de alimentos durante a 
deglutição. 
- A laringe é dividida em: 
♥ Supraglote, que fica acima das cordas 
vocais e contém a epiglote, responsável 
por fechar a laringe durante a deglutição, 
encaminhando o alimento para o esôfago 
e impedindo a passagem de partículas 
para os pulmões. 
♥ Glote, onde estão as cordas vocais; 
♥ Subglote, localizada abaixo das cordas 
vocais. 
 
- Um tumor da laringe pode afetar a voz, a 
deglutição ou a respiração. 
EPIDEMIOLOGIA: 
- O câncer da laringe, por seus aspectos 
anatômicos e embriológicos, é o que proporciona 
os maiores índices de cura dentre as neoplasias da 
via aerodigestiva superior. 
- O câncer de laringe tem distribuição universal, 
ocorre na sétima década de vida e é mais 
prevalente em homens em uma proporção de 6:1, 
embora haja uma incidência crescente entre as 
mulheres devido ao hábito do fumo. 
- Dentre as neoplasias de cabeça e pescoço, esta 
merece destaque por apresentar boas 
possibilidades de cura quando diagnosticada 
precocemente. 
♥ Entretanto, 90% dos pacientes não 
tratados evoluem para óbito em menos 
de três anos. 
- O tipo histológico mais prevalente, em mais de 
90% dos pacientes, é o carcinoma epidermóide. 
- Também podem ocorrer outros tipos de câncer, 
embora sejam bem mais raros (5%): 
♥ carcinoma indiferenciado, 
♥ anaplásico, 
♥ carcinoma de células basais, 
♥ linfoepitelioma, 
♥ carcinoma adenóide cístico e, ainda, 
♥ neoplasias do tecido conjuntivo. 
- A região glótica, onde estão as pregas vocais, é 
a mais frequentemente acometida e, devido aos 
sintomas originados por uma pequena alteração 
que compromete a fisiologia da prega vocal, 
causando a disfonia, permite que o diagnóstico 
precoce seja feito. 
♥ Caso a disfonia persista por mais de duas 
semanas, ela deve ser avaliada. 
- De acordo com estimativas do Instituto Nacional 
de Câncer (Inca), são esperados 6.470 novos 
casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em 
mulheres para cada ano do triênio 2020-2022. 
- O risco estimado para a população brasileira é 
de 6,20 casos novos a cada 100 mil homens e de 
1,06 casos novos a cada 100 mil mulheres. 
- Praticamente todos os cânceres de laringe 
originam-se nas células escamosas, que revestem 
o interior do órgão e são chamados de 
carcinomas de células escamosas ou 
espinocelulares. 
- Os tumores da laringe não costumam causar 
sintomas no início, a não ser quando ocorrem nas 
cordas vocais. 
♥ Se for diagnosticado e tratado em fase 
inicial, o câncer de laringe pode chegar a 
90% de chance de cura. 
- Constitui a décima primeira neoplasia maligna 
mais frequente, tendo uma estimativa de 
incidência ajustada por idade pela população 
mundial de 5,7/100 mil 
- Ocorre predominantemente em homens acima 
de 40 anos e é um dos mais comuns entre os que 
atingem a região da cabeça e pescoço. 
- Representa cerca de 25% dos tumores malignos 
que acometem essa área e 2% de todas as 
doenças malignas 
- A ocorrência pode se dar em uma das três áreas 
em que se divide o órgão: 
♥ supraglote, glote e subglote. 
o Aproximadamente

Mais conteúdos dessa disciplina