Prévia do material em texto
Tutoria: Proliferação celular Maria Clara Lopes, 4º p OBJETIVOS: Descrever a anatomia da tireoide - Analisar a epidemiologia, os fatores de risco, tipos histológicos, apresentações clinicas, avaliação diagnóstica do câncer da tireoide - Explicar as formas de tratamento do câncer da tireoide bem diferenciado (papilífero) e o impacto do tratamento cirúrgico da tireoidectomia e o consequente uso da medicação contínua. ANATOMIA DA TIREOIDE - O nome “tireoide” é em razão do seu formato semelhante a um escudo (do grego: thyreos = escudo, eidos = forma). - A tireoide é a maior glândula endócrina do corpo humano, sem ductos, que pesa aproximadamente 20g, sendo responsável pela produção dos hormônios tireoidianos (T3 - tri- iodotironina e T4 - tiroxina, além da calcitonina), envolvidos com diversos componentes da homeostase (função cerebral, cardiovascular, intestinal, metabolismo celular, produção de calor, etc.). ♥ Aumenta a velocidade metabólica dos tecidos. ♥ Aumenta o consumo de oxigênio. ♥ Aumenta a frequência cardíaca, a ventilação e a função renal. ♥ É necessária para a produção do hormônio de crescimento e é importante no crescimento do SNC. ♥ Aumenta a deposição de cálcio e fosfato nos ossos (calcitonina). - Posição anatômica: A tireoide situa-se a meio caminho entre o ápice da cartilagem tireoide (“pomo de adão”) e a fúrcula esternal, a nível vertebral C5-T1. ♥ Apresenta uma relação anatômica anterior com a traqueia, que é praticamente “abraçada” pela glândula. ♥ Por trás da traqueia, correm os nervos laríngeos recorrentes e encontra-se o esôfago – estas estruturas têm relação anatômica posterior com a tireoide. - A glândula tireoide tem dois lobos laterais piriformes (direito e esquerdo) unidos por um istmo situado anteriormente do segundo ao quarto anel (cartilagem) traqueal. ♥ Pode haver assimetria entre os lobos, geralmente o direito sendo um pouco maior que o esquerdo. cada lobo medindo aproximadamente 4 cm de comprimento, 2 cm de largura e 1,5-2,0 cm de profundidade. o Isso é importante, pois em doenças que ocorre aumento da glândula, suas características ajudam na descrição. (ex.: doença de Graves - glândula aumentada, com aproximadamente 60 g) em vez de glândula aumentada 3x. ♥ A porção posterior dos lobos piriformes contém as pequenas glândulas Mobile User paratireoides (duas de cada lado), produtoras do paratormônio (PTH). - Um terceiro lobo – o lobo piramidal – pode ser eventualmente encontrado fixado ao istmo, apresentando uma forma alongada, como um remanescente da extremidade caudal do ducto tireoglosso. ♥ Em raros pacientes, um cisto pode ser encontrado entre a base da língua e a cartilagem tireoide (cisto tireoglosso), representando um remanescente embriológico do ducto tireoglosso. - A tireoide tem um suprimento sanguíneo rico, proveniente da artéria tireóidea superior (ramo da carótida externa) e da artéria tireóidea inferior (ramo do tronco tireocervical da artéria subclávia). Ainda há uma pequena artéria tireóidea caudal, ramo da artéria inominada. - A drenagem venosa se faz pelas veias tireóideas superior, lateral e inferior, conduzindo o sangue para as veias jugulares internas ou troncos braquiocefálicos. - Histologicamente, a glândula é formada por uma infinidade de folículos esféricos, com presença de epitélio de células cuboides especializadas em produzir os hormônios tireoidianos (células foliculares tireóideas). ♥ No interior de cada folículo há um material denominado “coloide”. ♥ Os folículos estão embebidos no estroma glandular, que contém a microvasculatura e as células intersticiais, entre elas as células parafoliculares (células medulares C), secretoras de um outro hormônio – a calcitonina, que, tal como o PTH, está envolvida no metabolismo do cálcio e do fósforo. EPIDEMIOLOGIA - O câncer da tireoide é o mais comum da região da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as mulheres do que os homens. Pela mais recente estimativa brasileira (2018), é o quinto tumor mais frequente em mulheres nas regiões Sudeste e Nordeste (sem considerar o câncer de pele não- melanoma). - O câncer de tireoide representa2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e o 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais). - O câncer de laringe é responsável por aproximadamente 73.500 mortes por ano no mundo - No Brasil, as neoplasias ocupam o segundo lugar dentre as doenças com maior morbimortalidade, respondendo pela porcentagem de 14,8% das mortes. - O Brasil é o segundo país no mundo em incidência de câncer de laringe, atrás somente da Espanha FATORES DE RISCO FUMO: - Todas as publicações mundiais acordam que esse tipo de câncer está intimamente relacionado com a associação de tabaco e álcool, que sinergicamente elevam o risco de desenvolver a doença em 40 vezes. - O tabagismo é o fator de risco mais importante para o câncer de cabeça e pescoço, incluindo o câncer de laringe e hipofaringe. ♥ O tabaco é considerado o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença. - Há relação entre início do uso, duração e quantidade. ♥ Alguns autores estimam que o risco relativo chega a 8 vezes para aqueles que fumam e bebem álcool abusivamente. - A indústria do fumo voltou-se para aqueles menos privilegiados econômica e socialmente. Vale notar que, ainda, a maior parte do público que está sendo introduzido no hábito e consumo de tabaco são cada vez mais jovens. ÁLCOOL: - Em relação ao mecanismo que explica a relação entre álcool e câncer de laringe, as evidências mostram que o acetaldeído, principal e mais tóxico metabólito do álcool, interrompe a síntese e o reparo do DNA e, portanto, pode favorecer a carcinogênese. ♥ Além disso, a maior exposição ao etanol induz o estresse oxidativo por meio do aumento da produção de oxigênio com potencial reativo e genotóxico. ♥ Sugere-se, ainda, que o álcool possa funcionar como solvente, favorecendo a penetração celular de carcinógenos dietéticos ou ambientais (por exemplo, o tabaco) ou interferindo nos mecanismos de reparo do DNA. - Pessoas que consomem altas quantidades de bebidas alcoólicas também podem ter dietas carentes de nutrientes essenciais, como o folato, tornando os tecidos-alvo mais suscetíveis aos efeitos carcinogênicos do álcool. DEFICIÊNCIA DE VITAMINA A e C: - Pode levar à metaplasia epitelial e assim associar-se ao carcinoma. FATORES DE RISCO OCUPACIONAIS: - Os fatores de risco ocupacionais também são descritos: exposição ao asbesto, que duplica o risco de câncer de laringe, e trabalhadores industriais dos setores de couro, metais, têxteis e indústria moveleira expostos a gases poluentes. - A exposição à irradiação cervical também tem potencial oncogênico e pode determinar o aparecimento de carcinoma de laringe. Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos estão associados ao câncer de laringe. INFECÇÃO PELO HPV: - A infecção viral pelo papiloma vírus humano (HPV) vem sendo relacionada com diversos cânceres do trato aerodigestivo superior, entre eles orofaringe, esôfago e laringe. - Os subtipos do vírus 16, 18 e 33 são os que estão implicados nos estudos como carcinógenos. EXCESSO DE GORDURA CORPORAL: - O excesso de gordura corporal é definido pelo IMC, circunferência de cintura e relação cintura/quadril elevados. - Os mecanismos específicos para descrever sua relação com maior risco de câncer de laringe ainda não são esclarecidos. ♥ No entanto, o excesso de gordura corporal está associado a alterações metabólicas e endócrinas, como hiperinsulinemia e níveis elevados de estrogênio. ♥ A insulina e o estrogênio estimulam a multiplicação celular e inibem a apoptose, levando à proliferação celular anormal. ♥ Além disso, a obesidade também estimula a resposta inflamatória, favorecendo a carcinogênese. NUTRIÇÃO: - Uma má nutrição pode aumentar o risco das pessoas contraírem câncer de laringe ou hipofaringe. ♥ Deficiências vitamínicas ocorrem frequentemente em pessoas que abusam do álcool e pode ser parcialmente responsável pelo aumento do risco desses cânceres. SÍNDROMES GENÉTICAS: - Algumas síndromes, como a anemia de Fanconi e a disceratose congênita, causadas por mutações hereditárias em determinados genes, têm um risco elevado de desenvolver o câncer de boca e garganta. GÊNERO: - O câncer de laringe e hipofaringe é cerca de cinco vezes mais comum em homens do que em mulheres. Isso pode acontecer devido aos principais fatores de risco, como tabagismo e alcoolismo serem mais comuns em homens. Entretanto, como o consumo de álcool e tabaco se tornaram mais frequentes entre as mulheres, os riscos para esses tipos de câncer também têm aumentado. IDADE: - O câncer de laringe e hipofaringe geralmente levam muitos anos para se desenvolverem, então, eles não são comuns em pessoas jovens. Mais da metade dos pacientes com esses tipos de câncer têm mais de 65 anos. RAÇA: O câncer de laringe e hipofaringe é mais frequente entre pessoas de raça negra do que em brancos, asiáticos e latinos. REFLUXO GASTROESOFÁGICO: Quando o ácido estomacal retorna para o esôfago é denominado refluxo gastroesofágico. Ele pode causar azia e aumentar a chance de câncer de esôfago. Estudos recentes mostram que também aumenta o risco de câncer de laringe e hipofaringe. OUTROS FATORES: - Estresse e mau uso da voz também são fatores de risco para o câncer de laringe. Observações: O Câncer de Laringe tem sua incidência sendo investigada em um grupo específico de profissionais, os professores. Alguns profissionais possuem uma rotina exaustiva de trabalho, com períodos de 6-8 horas de uso intenso das cordas vocais. Nesses profissionais, são comuns sinais clínicos como cansaço vocal, rouquidão, perda da intensidade da voz, calo nas cordas vocais, etc. É preciso que essa classe tenha extremo cuidado para qualquer sintoma ou manifestação dolorosa das cordas vocais. Ainda, aqueles que fazem uso de giz, tendem a inalar o pó ao escrever no quadro. São necessárias investigações acerca de qualquer anormalidade, bem como cuidados diários com a saúde oral: muita ingestão de água, evitar falar alto, uso de microfones, etc ANATOMIA E EMBRIOLOGIA APLICADA AO CÂNCER DE LARINGE: - A laringe é um órgão músculo cartilaginoso situado entre a 4ª e 6ª vértebra cervical. É dividida didaticamente em três andares: supraglote, glote e subglote. - A região supraglótica tem origem embriológica digestiva, o que caracteriza a maior agressividade dos tumores dessa região em função do maior potencial metastático decorrente da ampla drenagem linfática. - Por outro lado, a região glótica apresenta origem respiratória, dos V e VI arcos branquiais, pobre em drenagem linfática, logo com menor potencial metastático. - De modo geral, os tumores malignos de laringe distribuem-se um terço na laringe supraglótica, dois terços na glote e, em menor proporção, na subglote (1 %) geralmente por extensão. FISIOPATOLOGIA - Clinicamente, uma lesão pode apresentar característica eritroplásica ou leucoplásica. ♥ A eritroplasia apresenta maior correlação com a displasia do epitélio, ♥ Enquanto a leucoplasia pode corresponder desde a uma simples hiperplasia até uma displasia grave. - No aspecto clínico, deve-se dar atenção ao movimento ondulatório de vibração da prega vocal. Há de se observar que, à medida que aumenta o grau de displasia, ocorre uma extensão da lesão em direção à membrana basal. - A infiltração da mucosa ocasiona diminuição do movimento ondulatório da prega vocal, o que vai acarretar maior disfonia e, ao exame clínico, maior rigidez de mucosa da prega vocal. - O epitélio com displasia grave tem características histológicas muito semelhantes às do carcinoma in situ, sendo considerada uma mesma entidade por alguns autores. - Morfológica e macroscopicamente, o câncerda laringe se apresenta sob três formas: ♥ ulcerativa, infiltrativa e vegetante, ♥ Pode ocorrer a combinação de uma ou mais, dependendo da localização e do tempo de evolução da lesão. - Pode ainda existir outra forma, chamada fagedênica, em que se encontra destruição das partes afetadas pela doença, em decorrência do seu caráter ulceronecrosante. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: - As queixas em geral são inespecíficas e podem ser variadas em função dos vários tipos e locais de comprometimento da lesão que interfiram na sua anatomia e função específica. - Carcinomas de células escamosas da laringe começam como lesões in situ, que depois aparecem como placas rugosas na superfície da mucosa, de cor pérola acinzentada, finalmente ulcerada e fungoide. Tumores na Laringe supraglótica: - Dor crônica na garganta, disfonia, disfagia leve (dificuldade de engolir) ou massa no pescoço (sinal de metástase regional), hemoptise e dispneia. ♥ Os tumores supraglóticos mais extensos irão comprometer a mobilidade da laringe, ocasionando disfonia: isso ocorre por comprometimento da articulação cricoaritenóidea, extensão do tumor para o espaço paraglótico ou invasão direta da prega vocal. - Provocam desconforto localizado e persistente, ocasionando sensação de corpo estranho na garganta. - Comportamento mais indolente do que os glóticos e se manifestam com odinofagia e otalgia. ♥ Este sintoma é decorrente do comprometimento do ramo interno do nervo laríngeo superior, que se dirige ao gânglio jugular, estimulando indiretamente o nervo auricular. - Geralmente está associado a tumores com extensão à hipofaringe. - Necrose do tumor e a saliva conferem a esses pacientes uma halitose característica. - Esses sintomas são pouco evidentes no início da doença. - O escarro hemático e a aspiração laringotraqueal podem estar presentes nos tumores supraglóticos. Tumores na Glote: - Apresenta sintomatologia precoce, pois a menor alteração da mucosa das pregas vocais leva a disfonia progressiva. ♥ Inicialmente com rouquidão (sinal de comprometimento das cordas vocais) = A infiltração da mucosa ocasiona diminuição do movimento ondulatório da prega vocal, o que vai acarretar maior disfonia e, ao exame clínico, maior rigidez de mucosa da prega vocal. - Tumores maiores podem provocar aspiração, disfagia e dispneia. - A glote possui barreiras anatómicas (comissura anterior e cone elástico) que oferecem resistência ao crescimento do tumor primário, restringindo sua expansão temporariamente. - Metástases linfonodais são pouco frequentes. Tumores subglóticos: - São raros e manifestam-se com paralisia da laringe (geralmente unilateral), estridor ou dor. - Dispneia e disfonia(resulta da expansão do tumor a região glótica). - O sist. Linfático da subglote facilita o comprometimento de linfonodos traqueais, jugulares inferiores, supraclaviculares e mediastinais. - Prognostico ruim DIAGNÓSTICO: Anamnese dirigida e exame físico: - Este deve iniciar com a inspeção do pescoço, procurando-se detectar adenopatias ou aumento de volume. - Durante a inspeção, ainda é possível observar sinais de esforço respiratório e estridor no momento da inspiração. - Após, deve-se realizar palpação, em busca de linfonodo metastático ou aumento de volume cervical por extravasamento do tumor para fora da laringe. - A ausência de crepitação laríngea é um sinal altamente suspeito de neoplasia maligna. Videolaringoscopia: - A videolaringoscopia com endoscópio rígido ou flexível permite um exame dinâmico da laringe, sendo o melhor método semiológico, permitindo localizar a lesão, realizar estadiamento e visualizar a mobilidade laríngea. - Caso seja visualizada alguma lesão suspeita e seja possível a biópsia, esta deve ser feita, pois o diagnóstico precoce contribui para um melhor resultado oncológico. - Para confirmação diagnóstica, deve-se realizar biópsia em consultório ou em bloco cirúrgico, sob anestesia geral, com a laringoscopia direta sob visão microscópica e com o auxílio de óticas de diferentes graus. - Faz-se a avaliação da extensão da neoplasia, já com vistas ao estadiamento clínico e posterior tratamento. - Essas óticas, acopladas a um sistema de vídeo, permitem a magnificação da imagem e visualização do tumor por diferentes ângulos. - Áreas como a face inferior da prega vocal, subglote, comissura anterior, ventrículos e pecíolo da epiglote são muito bem estudadas dessa forma e são pouco visualizadas pela laringoscopia convencional sob microscopia, que dá somente uma visão linear Exame Radiológico: - O exame radiológico é controverso. - As radiografias simples e as tomografias computadorizadas (TCs) são de pouca utilidade, e não são raras as vezes em que artefatos de técnica são erroneamente interpretados. - A TC permite observar a invasão tumoral nos tecidos moles laríngeos e nos espaços paraglótico e pré-epiglótico. - A cartilagem não ossificada, tomograficamente, tem densidade igual a do tumor, e lesões neoplásicas menores de 6 mm não são visualizadas na TC. Ressonância Magnética: - A ressonância magnética (RM) apresenta maior sensibilidade que a TC, porém não diferencia alterações inflamatórias de infiltração tumoral, podendo levar a falso-positivos. O uso destes exames deve ser sempre complementar à clínica. Fatores Prognósticos: - Recomenda-se registrar as seguintes características clínicas de importância prognóstica no CECP: ♥ capacidade funcional e estado nutricional do doente ♥ acometimento linfonodal ♥ margens cirúrgicas ♥ presença de extravasamento capsular; CLASSIFICAÇÃO E ESTADIAMENTO - O estadiamento dos tumores de laringe é feito pela classificação TNM da UICC (União Internacional Contra o Câncer), em que T é tumor primário, N linfonodo regional e M metástase à distância. - Classifica os tumores em supraglótico, glótico e subglótico e tem a finalidade de avaliar o prognóstico do paciente e definir a melhor conduta terapêutica. - Pode-se ainda agrupar esses estádios de forma a obter-se um valor prognóstico conforme tabela; assim se tem estádio clínico I, II, III e IV. Esse último subdivido em A, B, C, segundo a gravidade da doença. ♥ O estádio clínico IVA relaciona-se ao tumor primário (T). ♥ O estádio clínico IVB diz respeito à adenopatia metastática (N). ♥ O estádio clínico IVC refere-se à doença à distância (M) TRATAMENTO - O câncer da laringe, por seus aspectos anatômicos e embriológicos, é o que proporciona os maiores índices de cura dentre as neoplasias da via aérea superior. Entretanto, 90% dos pacientes não tratados evoluirão para óbito em menos de três anos. - A classificação TNM influencia na determinação do tratamento no que tange a topografia do tumor, grau de invasão local, histologia, presença ou não de linfonodos locorregionais, potencial de metástases, localização e tamanho de gânglios suspeitos e presença ou não de metástases, órgão comprometido e potencial de recorrência - Quando paciente com sinais de obstrução respiratória, realizar traqueostomia. Tratamento cirúrgico: - Pode ser realizado por cirurgia endoscópica ou por cirurgias abertas (laringectomias). A cirurgia endoscópica tem como benefícios menor tempo cirúrgico, recuperação pós-operatória mais rápida e baixos índices de complicações. As laringectomias podem ser parciais ou totais e estão indicadas conforme o tamanho da lesão e a exposição cirúrgica. A laringectomia total aplica -se a pacientes nos estadiamentos T3 e T4, sendo que o esvaziamento cervical dependerá da topografia do tumor e de seu estadiamento. Radioterapia: - Pode ser utilizada de forma exclusiva ou complementar. Quando exclusiva é indicada para T1 com comprometimento superficial e mínima infiltração ou no caso de contraindicação clínica para tratamento cirúrgico. Quandocomplementar, está indicada em pós -operatório de laringectomia total T4N0, em paciente com traqueostomia prévia, Nl com comprometimento capsular, N2 e N3, margens exíguas ou comprometidas e invasão subminada na forma multicêntrica OBJETIVOS: -Identificar a epidemiologia e os fatores de risco do câncer de pulmão. -Caracterizar as orientações de prevenção primária e os métodos para cessação do tabagismo. -Descrever as apresentações clinicas, diagnóstico, tipos, fatores prognósticos e princípios terapêuticos (cirurgia, quimioterapia e radioterapia, quimioterapia isolada, drogas alvo direcionadas, imunoterapia) do câncer pulmonar -Caracterizar as síndromes paraneoplásicas relacionadas com o câncer pulmonar. - Por câncer de pulmão (ou carcinoma broncogênico) nos referimos às neoplasias malignas com origem no epitélio do trato respiratório inferior. - Cerca de 90% das neoplasias malignas pulmonares são classificadas como câncer de pulmão, e podem ser subdividas em dois grandes grupos: ♥ pequenas células e ♥ não pequenas células (carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células anaplásico). ANATOMIA - Os pulmões são órgãos leves, macios e esponjosos que ocupam grande parte da cavidade torácica. São elásticos e retraem-se aproximadamente um terço do tamanho original quando a cavidade torácica é aberta. - Vias aéreas inferiores: traqueia, arvore bronquial, pulmões e pleuras. - Possuem um ápice, localizado na extremidade superior arredondada que se estende da primeira costela até a raiz do pescoço. A base é a superfície inferior côncava que está localizada na região oposta ao ápice. Existem os lobos do pulmão, no esquerdo são dois (superior e inferior) e no direito três (+ o médio). Têm três faces, a costal, mediastinal e diafragmática e três margens a anterior, inferior e posterior. - Pulmão direito: presença de fissuras oblíqua direita (médio/ inferior) e horizontal (lobo médio/superior) que dividem o órgão em três lobos, superior, médio e esquerdo. Ele é o maior e o mais pesado, porem o mais curto já que nesse lado o diafragma é mais alto. A margem anterior desse pulmão é praticamente reta. - Pulmão esquerdo: possui apenas uma fissura, a obliqua esquerda, que divide o órgão em dois lobos, o superior e o inferior. A sua margem anterior tem uma incisura cardíaca profunda, que é resultado da impressão do ápice do coração pro lado esquerdo. Essa impressão molda principalmente a parte mais inferior e anterior do lobo superior, o que faz com ele seja mais estreito e linguiforme, essa porção é chamada de língula. - Os pulmões estão fixados ao mediastino pelas raízes dos pulmões, que são: brônquios, artérias pulmonares, veias pulmonares inferior e superior, plexos pulmonares de nervos e vasos linfáticos. - O ligamento pulmonar é formado por uma camada dupla de pleura e uma pequena parte de tecido conjuntivo, ele se estende entre o mediastino e o pulmão, anteriormente ao esofago. EPIDEMIOLOGIA - O câncer de pulmão é a doença maligna mais comum em todo o mundo; de todos os novos casos de câncer, 13% são de câncer de pulmão. - É também a principal causa de mortalidade por câncer — mais de 1,7-1,8 milhões de mortes por ano e, de todos os tipos de câncer, o que apresenta a maior taxa de mortalidade padronizada pela idade (26,6 mortes por 100.000 habitantes). - No Brasil, o INCA estimou em 596.000 o número de novos casos de câncer em 2016, 28.220 (4.7%) dos quais foram casos de neoplasia maligna primária de pulmão. - O câncer de pulmão é o segundo tipo de câncer de maior incidência em homens e o quarto tipo de câncer de maior incidência em mulheres no país - O câncer de pulmão é a principal causa de mortalidade por câncer no Brasil. - É o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. - A taxa de sobrevida em 5 anos padronizada pela idade no país é de 18%, semelhante às taxas globais, que variam de 10% a 20%. - As taxas de mortalidade (tanto as brutas como as ajustadas pela idade) em homens e mulheres diferiram em magnitude em todos os períodos (1980-2007), com um aumento relativo mais significativo nas mulheres que nos homens (78,4% vs. 8,2%), provavelmente em virtude de diferenças na prevalência do tabagismo. - Além disso, as taxas de mortalidade por idade aumentaram em homens com idade igual ou superior a 65 anos e em mulheres de todas as idades. - Em cerca de 85% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. - A taxa de sobrevida relativa em cinco anos para câncer de pulmão é de 18% (15% para homens e 21% para mulheres). - Apenas 16% dos cânceres são diagnosticados em estágio inicial (câncer localizado), para o qual a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%. - Estimativas de novos casos: 30.200, sendo 17.760 homens e 12.440 mulheres - INCA - Número de mortes: 29.354, sendo 16.733 homens e 12.621 mulheres FATORES DE RISCO TABAGISMO - A principal causa de câncer de pulmão é o tabagismo, particularmente o hábito de fumar cigarros. ♥ A combustão do tabaco libera diversas substâncias carcinogênicas, como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, nitrosaminas tabaco-específicas (TSNA) e aldeídos voláteis. Na verdade, mais de 4.000 substâncias comprovadamente maléficas são liberadas... A nicotina, responsável pela dependência química, também está implicada na gênese do câncer, pois seus derivados se mostraram capazes de inibir a apoptose de células neoplásicas. Todas essas substâncias se distribuem entre a fase gasosa e a fase particulada – ou alcatrão – da “fumaça” aspirada - A carga tabágica é um importante parâmetro diretamente relacionado ao risco, e por isso sempre deve ser quantificada. ♥ É definida com o produto entre o número de maços consumidos por dia e a duração do hábito em anos (um maço contém 20 cigarros). ♥ Sua unidade é o “maços/ano”, e considera-se como ALTO RISCO um valor > 20 maços/ano. ♥ Em média, fumantes têm risco 20x maior que não fumantes de desenvolver Ca de pulmão no futuro. - O tabagismo passivo também eleva o risco de câncer de pulmão (em cerca de 1,3x), justificando diversos casos em filhos ou cônjuges não fumantes de pais ou companheiros fumantes. ♥ A cessação do tabagismo reduz o risco com o tempo (efeito que, em geral, só se torna significativo passados 15-20 anos). Apesar de o risco realmente ser reduzido, é importante ter em mente que ele continua sendo maior em ex-fumantes do que em pessoas que nunca fumaram, e mantém relação direta com a magnitude do tabagismo prévio OUTRAS ETIOLOGIAS - Outras etiologias conhecidas do Ca de pulmão são a doença pulmonar obstrutiva crônica (fator de risco independente), as pneumopatias fibrosantes e a exposição a outros agentes ambientais (naturais ou ocupacionais). AGENTES EXOGENOS - Os principais agentes exógenos (excluído o tabaco) são o radônio e o asbesto, mas também existem outros (ex.: arsênico, haloéter, cromo, níquel, gás mostarda, cloreto de vinila). ♥ O radônio é um gás que emana do solo, oriundo do decaimento radioativo do urânio. ♥ Há regiões da crosta terrestre que são ricas em urânio, o que explicaria maiores taxas de Ca broncogênico em não fumantes naquelas áreas. A exposição ao radônio também justifica um maior risco da doença em mineiros. ♥ O asbesto por si só aumenta o risco, mas tal efeito é potencializado na coexistência de tabagismo (aumento de > 50x – há sinergismo entre os dois fatores) GENÉTICA - Existe predisposição genética ao câncer de pulmão. - Uma história familiar positiva aumenta o risco em parentes de primeiro grau. - Sabemos que a maioria dos portadores de Ca broncogênico é tabagista, porém, apenas uma MINORIA dos tabagistas desenvolve a doença (cerca de 10%). - Assim como ocorre em outros tipos de tumor, a carcinogênesedo Ca de pulmão é um processo demorado, que requer acúmulo de sucessivas mutações genéticas para o surgimento do clone neoplásico. ♥ As pesquisas mais recentes incriminam, em particular, genes relacionados ao reparo do DNA e ao metabolismo/ativação de carcinogênios (além daqueles implicados na dependência à nicotina). Portadores de mutações herdadas nesses genes estariam mais propensos ao desenvolvimento de Ca de pulmão quando expostos ao cigarro e outros fatores de risco DIETA E A POPULAÇÃO - A dieta e a poluição atmosférica possuem papel no risco de Ca de pulmão ♥ Um elevado consumo de frutas e vegetais parece ser protetor ♥ O motivo seriam os altos níveis de antioxidantes, que reduzem a chance de transformação neoplásica celular (pois reduzem a chance de lesões no DNA). ♥ No entanto, apesar do potencial entusiasmo com esta ideia, NÃO há evidências de que a quimioprevenção contra o câncer de pulmão seja eficaz (através da suplementação da dieta com vitaminas e antioxidantes industrializados) POLUIÇÃO DO AR - A poluição do ar nas grandes cidades também aumenta o risco (principalmente pela queima de combustíveis fósseis, que libera hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e metais como arsênio, níquel e cromo) ♥ Em média, um ser humano normal respira cerca de 10.000 L de ar por dia, e mesmo que a concentração de poluentes no ar seja baixa, em termos de exposição total ela acaba sendo importante... Contudo, é importante salientar que a influência de todos esses fatores é bastante inferior ao grande papel exercido pela FUMAÇA DO CIGARRO na gênese do câncer de pulmão. ORIENTAÇÕES DE PREVENÇÃO PRIMÁRIA DO TABAGISMO - A prevenção do câncer engloba ações realizadas para reduzir os riscos de ter a doença. - O objetivo da prevenção primária é impedir que o câncer se desenvolva. ♥ Isso inclui evitar a exposição aos fatores de risco de câncer e a adoção de um modo de vida saudável. - A prevenção primária são ações voltadas para evitar a exposição a fatores de risco. ♥ Neste caso, as instituições de saúde podem promover campanhas de conscientização para disseminar informações e esclarecer dúvidas da população, além da promoção de campanhas de vacinação (dependendo dos fatores contaminantes). Tabaco: - É notório que o consumo de tabaco configura o fator de risco principal para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Nesse sentido, cessar o uso desse produto é uma forma de proteção. - Essa é a regra mais importante para prevenir o câncer, principalmente os de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago. - Ao fumar, são liberadas no ambiente mais de 7.000 compostos e substâncias químicas que são inaladas por fumantes e não fumantes. ♥ A nicotina é o principal componente causador de dependência. ♥ Cerca de 80% dos fumantes fumam na primeira hora do dia e depois a cada hora para manter o nível plasmático de nicotina. ♥ É por isso que 90% dos fumantes consomem pelo menos 14 cigarros por dia. - Se parar de fumar antes de desenvolver um câncer, o tecido pulmonar danificado gradualmente se repara. Independente de sua idade ou do tempo em que fumou, parar pode reduzir o risco da doença. - Benefícios ao parar de fumar: Alimentação saudável: - Ter uma ingestão rica em alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e evitar os alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer, bebidas adoçadas, entre outros, pode prevenir o câncer. Manter o peso corporal adequado: - Uma alimentação saudável, além de fornecer nutrientes que protegem contra o câncer, favorece a manutenção do peso saudável. - A recomendação é evitar alimentos ultraprocessados e fazer dos alimentos vegetais como as frutas, legumes, verduras, feijões e outros grãos, sementes, castanhas a base da alimentação. - A atividade física também contribui para a manutenção do peso corporal saudável. Para a prática de atividade física, não há necessidade de serem aquelas modalidades que demandam a contratação de serviços como academias; atividades como caminhar tanto no tempo livre, quanto no deslocamento, pedalar, dançar, etc são boas opções. Evite a exposição a agentes cancerígenos: - Agentes químicos, físicos e biológicos ou suas combinações são causas bem conhecidas de câncer relacionado ao trabalho, e evitar ou diminuir a exposição a estes agentes seria o ideal e desejável. - Também é fundamental a implementação de leis que obriguem e fiscalizem a substituição dos agentes causadores de câncer no trabalho por outros mais saudáveis, quando já houver esta alternativa. Evitar a exposição ao radônio: https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-de-origem-vegetal https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-de-origem-vegetal https://www.inca.gov.br/alimentacao/alimentos-e-bebidas-com-alto-teor-calorico https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/atividade-fisica - O radônio é uma importante causa do câncer de pulmão. - Você pode diminuir e melhor, evitar a exposição ao radônio verificando a sua presença em sua casa. MÉTODOS DE CESSAR O TABAGISMO: - A nicotina do tabaco curado para cachimbos e charutos é alcalina, sendo absorvida com maior facilidade pela boca. - Já a nicotina dos cigarros é ácida, e por isso praticamente não absorvida pela mucosa bucal, necessitando ser tragada para que ocorra absorção nos pulmões. - A nicotina é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares e atinge o cérebro em cerca de 10 segundos. ♥ Sua meia-vida é de, aproximadamente, 2 horas, e a maior parte da metabolização é hepática, através do citocromo P450. A principal enzima envolvida nesse metabolismo é a CYP2A6. ♥ O metabólito mais importante da nicotina é a cotinina, que pode ser detectada na urina, saliva e sangue. Apenas 5% da nicotina são excretados sob forma inalterada pelos rins. ♥ As ações sistêmicas da nicotina são mediadas por receptores nicotínicos, encontrados no sistema nervoso central (SNC), nos gânglios autonômicos periféricos, na glândula supra-renal, em nervos sensitivos e na musculatura estriada esquelética - Os principais efeitos agudos da nicotina sobre o sistema cardiovascular são: ♥ vasoconstrição periférica, ♥ aumento da pressão arterial e ♥ da frequência cardíaca. - A nicotina também interfere no sistema endócrino, favorecendo a liberação de hormônio antidiurético e retenção de água. - No sistema gastrointestinal ela tem ação parassimpática, estimulando o aumento do tônus e da atividade motora do intestino. - Nas terminações nervosas a nicotina estimula a liberação dos neurotransmissores acetilcolina, dopamina (DA), glutamato, serotonina e ácido gama-aminobutírico (GABA). - A nicotina induz tolerância (necessidade de doses progressivamente maiores para obter o mesmo efeito) e dependência (desejo de consumi-la) por agir nas vias dopaminérgicas do sistema mesolímbico, diminuindo a atividade do tálamo. - Assim como outras drogas psicoativas, ela libera dopamina no nucleus accumbens, localizado no mesencéfalo, estimulando a sensação de prazer e "recompensa". - Vencido o desconforto provocado pelas primeiras tragadas do tabaco (mal-estar, tontura, náuseas), o fumante passa a experimentar uma sensação prazerosa pelo uso da nicotina. Aconselhamento do paciente e sua família: - O diálogo com o paciente é o primeiro passo para o abandono do fumo. Deve-se avaliar se o doente é dependente ou não da nicotina, quanto fuma, se está disposto a parar de fumar, se tem doenças associadas e quais são as formas de tratamentos mais acessíveis a ele - Há várias maneiras de avaliar a dependência da nicotina: através da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-IV) e outras.A escala de Fagerström para avaliação da tolerância e da dependência de nicotina - A pontuação total oscila de zero a 11, e considera-se que há dependência baixa (leve) da nicotina quando a somatória é inferior a três. Pontuação maior ou igual a sete indica dependência alta (grave) da nicotina - É importante que em todas as consultas o médico reforce a motivação do paciente para parar de fumar. Os demais tabagistas do núcleo familiar também devem ser orientados a não fumar Farmacoterapia: - Divide-se em: fármacos de primeira linha (bupropiona e terapia de reposição da nicotina) e de segunda linha (clonidina e nortriptilina). Farmacoterapia de primeira linha: - Bupropiona: ♥ antidepressivo não-tricíclico que inibe a recaptação pré-sináptica de dopamina e noradrenalina. ♥ Acredita-se que sua ação nas vias dopaminérgicas centrais seja o mecanismo responsável pela diminuição da fissura pelo cigarro nos pacientes em abstinência da nicotina ♥ A terapia com bupropiona deve ser iniciada 7 a 10 dias antes de o paciente parar de fumar, pois esse é o intervalo necessário para que os níveis terapêuticos do medicamento atinjam o estado de equilíbrio ♥ Os sintomas mais comuns são: insônia, agitação e xerostomia ♥ A bupropiona é droga da categoria B segundo a Food and Drug Administration, ou seja, não há estudos suficientes sobre segurança do uso desse medicamento na gestação. - Terapia de Reposição da Nicotina: ♥ O uso combinado de TRN e bupropiona praticamente dobra a taxa de sucesso no abandono do fumo ♥ No Brasil estão disponíveis os adesivos e gomas de mascar de nicotina. Nos EUA existem também o spray nasal e o colutório de nicotina - Os adesivos: ♥ Eles mantêm os níveis sangüíneos de nicotina por 16 a 24 horas, portanto devem ser trocados diariamente. ♥ Seu efeito pleno é observado em dois a três dias de uso. ♥ O período médio de tratamento é de oito semanas. - As gomas ♥ devem ser mastigadas com força até surgir sensação de formigamento da mucosa bucal ou o sabor do tabaco. ♥ Então o paciente deve parar de mastigar e manter a goma entre a bochecha e a gengiva até desaparecer o formigamento, voltando a repetir a operação por 30 minutos, quando se deve jogar fora a goma. ♥ O paciente não deve ingerir nenhum tipo de líquido enquanto estiver mascando a goma ♥ O paciente deve parar de fumar assim que iniciar a TRN. ♥ Os efeitos sistêmicos mais comuns da reposição da nicotina são: náuseas, soluços e cefaléia. ♥ O principal efeito adverso das gomas de nicotina é a irritação da mucosa bucal. Farmacoterapia de segunda linha: - A clonidina: ♥ pode ser usada na dose de 0,1 a 0,75 mg/dia para alívio dos sintomas da síndrome de abstinência da nicotina. Seus principais efeitos colaterais são sedação e hipotensão ortostática. A suspensão abrupta da clonidina pode desencadear crise hipertensiva - A nortriptilina ♥ inibe a recaptação de noradrenalina e dopamina no SNC, tendo efeitos antidepressivo e ansiolítico. Em curto prazo, sua eficácia no abandono do fumo parece ser similar à da bupropiona. Terapia cognitivo-comportamental e grupos de ajuda: - Os grupos de auto-ajuda e a psicoterapia - individual ou em grupo - com sessões de aconselhamento são coadjuvantes eficazes no tratamento da dependência de nicotina. - Isso é especialmente significativo quando a dependência é acompanhada de outras afecções como a depressão e a ansiedade. - O aconselhamento ajuda a identificar as situações em que o tabagista busca o cigarro por um comportamento (após as refeições, ao tomar um café, em reuniões com amigos) ou circunstâncias emocionais (ansiedade, aborrecimentos). - Com base nisso o fumante aprende estratégias para quebrar o vínculo entre esses fatores e o ato automático de fumar TIPOS HISTOLÓGICOS - Pode haver misturas de padrões histológicos, inclusive no mesmo tumor. Adenocarcinoma (38%): - O Tumor epitelial maligno invasivo com diferenciação glandular ou produção de mucina pelas células tumorais. - Os adenocarcinomas crescem em vários padrões, incluindo acinar, lepídico, papilar, micropapilar, e sólido com produção de mucina. - Em comparação com os carcinomas de células escamosas, as lesões em geral estão localizadas mais perifericamente e tendem a ser menores. - Variam histologicamente de tumores bem diferenciados com elementos glandulares óbvios a lesões papilares que lembram outros carcinomas papilares e até massas sólidas com glândulas e células produtoras de mucina apenas ocasionais. - A maioria expressa o fator de transcrição da tireoide-1, identificado primeiramente na tireoide, esse fator é necessário para o desenvolvimento normal do pulmão. - Adernocarcinomas microinvasivos: tumores (≤3 cm) com um componente invasivo pequeno (≤5 mm) associado com cicatrizes e padrões de crescimento lepídico periférico. Eles apresentam prognósticos muito melhores do que carcinomas invasivos do mesmo tamanho. - Adernocarcinomas mucinosos: tendem a se espalhar pelos espaços aéreos, formando tumores satélites. Estes podem apresentar-se como nódulos solitários ou múltiplos, ou um lobo inteiro pode estar consolidado pelo tumor, lembrando uma pneumonia lobar, e, portanto, com menor probabilidade de cura por cirurgia. Carcinoma de células escamosas (20%): - Mais comumente em homens e é fortemente associado ao tabagismo. - Os carcinomas de células escamosas frequentemente são precedidos por metaplasia escamosa ou displasia do epitélio brônquico, que então se transforma em um carcinoma in situ, uma fase que pode durar vários anos. Finalmente, aparece um carcinoma de células escamosas invasivo. ♥ O tumor pode, então, seguir uma variedade de caminhos. o Ele pode crescer de forma exofítica dentro da luz brônquica, produzindo uma massa intraluminal. Com o aumento subsequente, o brônquio fica obstruído, causando atelectasia distal e infecções. o O tumor também pode penetrar nas paredes dos brônquios e infiltrar o tecido peribrônquico, atingindo a carina ou o mediastino. ♥ Em outros casos, o tumor cresce ao longo de uma frente ampla para produzir massa intraparenquimatosa em forma de couve- flor, que empurra a substância pulmonar à sua frente. - Em quase todos os casos, o tecido neoplásico é brancoacinzentado e firme a endurecido. Especialmente quando os tumores são volumosos, as áreas focais de hemorragia ou necrose podem parecer produzir um pontilhado vermelho ou amareloesbranquiçado. - Histologia: caracterizado pela presença de queratinização e/ou pontes intercelulares. A queratinização pode assumir a forma de pérolas córneas ou células individuais com citoplasma denso e acentuadamente eosinófilo. A atividade mitótica é maior nos tumores pouco diferenciados. -Metaplasia escamosa, displasia epitelial e focos de carcinoma in situ franco podem ser vistos no epitélio brônquico adjacente à massa tumoral. Carcinoma de pequenas células (14%): - São tumores altamente malignos com uma forte relação com o tabagismo; apenas cerca de 1% ocorre em não fumantes. - Podem surgir nos brônquios principais ou na periferia do pulmão. - Não há fases pré-invasivas conhecidas. - Esses são os tumores pulmonares mais agressivos, amplamente metastáticos, e virtualmente sempre provam ser fatais. - Composto por células relativamente pequenas com citoplasma escasso, bordas celulares pouco definidas, cromatina nuclear finamente granular (padrão de sal e pimenta) e nucléolos ausentes ou pouco evidentes. - As células são redondas, ovais ou fusiformes. A contagem mitótica é alta. As células crescem em grupamentos que não exibem nem organização glandular nem diferenciação escamosa. o Necrose é comum e frequentemente extensa. - A coloração basofílica das paredes vasculares, em virtude da incrustação de DNA das células tumorais necróticas (efeito de Azzopardi),frequentemente está presente. - Todos os carcinomas de pequenas células são de alto grau. - O carcinoma de pequenas células combinado é uma variante em que o carcinoma de pequenas células típico é misturado com outros tipos histológicos não pequenas células, como carcinoma neuroendócrino de grandes células e até tumores de células fusiformes que remetem a sarcomas. - A ocorrência de grânulos neurossecretores, a expressão de marcadores neuroendócrinos como a cromogranina, sinaptofisina e CD57, e a habilidade de alguns desses tumores de secretarem hormônios (p. ex., proteína relacionada ao paratormônio, uma causa da hipercalcemia paraneoplásica) sugerem que esse tumor se origina de células progenitoras neuroendócrinas, que estão presentes no revestimento do epitélio brônquico. - A imuno-histoquímica demonstra altos níveis da proteína antiapoptótica BCL2 em 90% dos tumores. Carcinoma de grandes células (3%): - Tumor epitelial maligno indiferenciado sem as características citológicas ou outras formas de câncer de pulmão. - As células tipicamente apresentam núcleos grandes, nucléolos proeminentes e quantidade moderada de citoplasma. - O carcinoma de grandes células é um diagnóstico de exclusão, já que não expressa os marcadores associados com o adenocarcinoma (TTF-1, napsina A) e o carcinoma de células escamosas (p63, p40). - Uma variante histológica é o carcinoma neuroendócrino de grandes células, que tem características moleculares similares àquelas que caracterizam o carcinoma de pequenas células, mas é composto por células tumorais de maior tamanho. METÁSTASES: - Qualquer tipo de carcinoma pulmonar pode se estender à superfície pleural e, então, para o interior da cavidade pleural ou pericárdio. As metástases para os linfonodos traqueais, brônquicos e mediastinais podem ser encontradas na maioria dos casos. A frequência de envolvimento nodal varia discretamente com o padrão histológico, mas em média é maior do que 50%. - A disseminação a distância do carcinoma pulmonar ocorre pelas vias linfáticas e hematogênica. Esses tumores muitas vezes se disseminam precocemente por todo o corpo, com exceção do carcinoma de células escamosas, que metastatiza para fora do tórax tardiamente. ♥ A metástase pode ser a primeira manifestação de uma lesão pulmonar oculta subjacente. As adrenais estão envolvidas em mais da metade dos casos. O fígado (30% a 50%), o cérebro (20%) e os ossos (20%) são, adicionamente, locais preferenciais de metástases MANIFESTAÇÕES CLINICAS - Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado, mas algumas pessoas com câncer de pulmão em estágio inicial apresentam sintomas. Os mais comuns são: ♥ Tosse persistente: envolvimento das vias aéreas centrais. ♥ Hemoptise: hemorragia do tumor nas vias aéreas. ♥ Dor torácica: extensão do tumor no mediastino, pleura ou parede torácica. ♥ Rouquidão devido a invasão do nervo laríngeo recorrente. ♥ Dispneia ♥ Perda de peso e de apetite ♥ Derrame pleural em virtude da disseminação do tumor na pleura. ♥ Pneumonia recorrente ou bronquite: obstrução das vias aéreas pelo tumor. ♥ Astenia. - Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns - Os sintomas das metástases dependem do local, por exemplo, dores nas costas em metástases ósseas, dores de cabeça, hemiparesia, lesão do nervo craniano e convulsões em metástases cerebrais. DIAGNÓSTICO - Não raramente, o tumor é descoberto pela sua disseminação secundária, durante a investigação de uma neoplasia suspeita primária ou metastática em outra localização. Raio-X do tórax - Complementado por tomografia computadorizada são os exames iniciais para investigar uma suspeita de câncer de pulmão. Broncoscopia - A broncoscopia (endoscopia respiratória) deve ser feita para avaliar a árvore traquebrônquica e, eventualmente, permitir a biópsia (retirada de pedacinhos do tumor com uma agulha para exame). Exame histopatológico ou citologico - O diagnóstico definitivo é firmado pelo exame histopatológico ou citológico de espécime tumoral obtido por broncoscopia, mediastinoscopia, biópsia pleural ou biópsia pleuropulmonar. - Uma vez obtida a confirmação da doença, é feito o estadiamento, que avalia o estágio de evolução, ou seja, verifica se a doença está restrita ao pulmão. ♥ O estadiamento é feito por meio de vários exames, como biópsia pulmonar guiada por tomografia, biópsia por broncoscopia, tomografia de tórax, ressonância nuclear, PET-CT (não pequenas células), cintilografia óssea (queixa óssea ou câncer de pequenas células), mediastinoscopia, ecobroncoscopia, entre outros. TRATAMENTO - Cirurgia: não é recomendado, já que tem propensão precoce para originar metástases à distância. - Radioterapia: a torácica é frequentemente indicada e está relacionada aumento da sobrevida. A ♥ A irradiação craniana com finalidade profilática (25 Gy em 10 frações de 250 cGy) previne a recorrência da doença no sistema nervoso central, sendo indicada para doentes que obtiveram controle da doença torácica - Quimioterapia: indicada em associação à radioterapia para doentes com doença localizada e isoladamente para doentes com doença avançada ou metastática como quimioterapia paliativa. ♥ O esquema terapêutico padrão envolve a associação de derivado da platina (cisplatina ou carboplatina) e o etoposido. ♥ Outros esquemas que produzem resultados similares e toxicidade variável incluem: ciclofosfamida, doxorrubicina e vincristina (CAV); ciclofosfamida, doxorrubicina e etoposido; ciclofosfamida, etoposido e vincristina; cisplatina e topotecano; cisplatina e irinotecano; ifosfamida, cisplatina e etoposido; carboplatina e paclitaxel; carboplatina e gemcitabina. Carcinoma de não pequenas células – CPCPN (adenocarcinoma, escamosa e grandes células): - Cirurgia: medida terapêutica com maior potencial curativo. Realizada por toracotomia ou toracospia vídeo assistida. Na cirurgia, o médico optará, dependendo da extensão real do tumor e da necessidade de se preservar a função pulmonar, pela ressecção em cunha, segmentectomia, lobectomia ou mesmo pneumectomia com ressecção das cadeias linfáticas regionais. - Radioterapia: irradiação cefálica profilática não é indicada. A radioterapia externa tem indicação em qualquer estágio tumoral, com finalidade curativa ou paliativa e em uso associado ou combinado com a cirurgia ou a quimioterapia. ♥ Sintomas de progressão locorregional ou de acometimento metastático ósseo ou do sistema nervoso podem ser paliados com a teleterapia; a braquiterapia endoluminal pode ser empregada na paliação de sintomas respiratórios, mas não parece conferir vantagem adicional à radioterapia externa - Quimioterapia: cisplatina + etodoposido. Em estágios avançados pode ser utilizada como tratamento paliativo. Nos estágios II e IIIA é empregado a quimioterapia adjuvante (pós- cirurgia). Tratamento por estágio clínico (CPCPN) - Estágio 0: ♥ Ressecção cirúrgica conservadora: segmentectomia ou ressecção em cunha. - Estágio I: ♥ Ressecção cirúrgica conservadora: lobectomia, segmentectomia ou ressecção em cunha; ♥ Radioterapia torácica radical, para doentes com contraindicação médica para cirurgia. - Estágio II: ♥ Ressecção cirúrgica: pneumectomia, lobectomia ou ressecção segmentar pulmonar; ♥ Radioterapia torácica radical, para doentes com contraindicação médica para cirurgia; ♥ Quimioterapia adjuvante, após a cirurgia; ♥ Radioterapia torácica associada ou não à quimioterapia, seguida ou não por ressecção cirúrgica (tumor do ápice pulmonar – tumor de Pancoast - ou invasão de parede torácica). - Estágio IIIA: ♥ Ressecção cirúrgica (T3N1M0): pneumectomia, lobectomia ou ressecção segmentar pulmonar; ♥ Radioterapia torácica radical associada à quimioterapia, para doentescom invasão linfática N2 ou contraindicação médica para cirurgia; ♥ Radioterapia torácica radical, para doentes com contra-indicação médica para quimiorradioterapia; ♥ Quimioterapia adjuvante, após cirurgia; ♥ Radioterapia torácica associada ou não à quimioterapia, seguida ou não por ressecção cirúrgica (tumor de Pancoast ou invasão de parede torácica). - Estágio IIIB, IV e doença recidivada: ♥ Radioterapia torácica associada ou não à quimioterapia; ♥ Quimioterapia paliativa; ♥ Ressecção cirúrgica de metástase cerebral isolada, seguida ou não por radioterapia craniana; ♥ Radioterapia externa, associada ou não à radioterapia intersticial, para lesões endobrônquicas sintomáticas; ♥ Radioterapia paliativa, com finalidade antiálgica ou hemostática SÍNDROMES PARANEOPLÁSICAS RELACIONADAS COM O CÂNCER PULMONAR - As síndromes paraneoplásicas são distúrbios sistêmicos provocadas pela existência de um tumor. - Se manifestam frequentemente meses ou anos antes do câncer ser detectado clinicamente e laboratorialmente , e se corretamente identificadas podem levar a um diagnóstico precoce da lesão. - O carcinoma de pequenas células é o subtipo mais frequentemente responsável . Hipercalcemia - É uma das síndromes mais comuns no câncer de pulmão - Comumente associada ao carcinoma epidermóide. - Tem como causa a produção tumoral de PTH-rp (peptídeo relacionado ao paratormônio), substância que tem o mesmo efeito do PTH = induz atividade osteoclástica (+ cálcio no sg.) e inibe a excreção renal de cálcio. - O quadro clínico laboratorial é parecido com o hiperparatireoidismo primário (hipercalcemia, hipofosfatemia, acidose metabólica hiperclorêmica e aumento do AMP cíclico urinário, porém, os níveis de PTH sérico encontram-se suprimidos. - Tratar com expansão volêmica porque o quadro é de desidratação, diuréticos de alça para excreção do cálcio e infusão de calcitonina e bisfosfonados (inibem atividade osteoclástica). SIADH (síndrome da antidiurese inapropriada) - Associada ao carcinoma de pequenas células. - Retenção renal de água, hiponatremia e comprometimento de consciência. Síndrome de Cushing - É ocasionada pela produção tumoral de ACTH ou CRH. - Costuma se relacionar ao carcinoma de pequenas células. - O paciente costuma apresentar hipertensão arterial, hiperglicemia e alcalose metabólica hipocalêmica, sendo menos frequente o aspecto cushingóide (fácies de lua cheia, giba, obesidade etc). - Uma TC de tórax é mandatória, uma vez que o tumor de pulmão é a causa mais comum da síndrome. - O prognóstico é péssimo. Osteoartropatia Pulmonar Hipertrófica (OPH) - Apresenta-se com baqueteamento digital por aumento dos tecidos moles nas extremidades (periostite de ossos longos – tíbia, fíbula, rádio e ulna, metacarpos, metatarsos) e sinovite de grandes articulações periféricas (punhos, cotovelos, tornozelos, joelhos). - Adenocarcinoma é o subtipo mais comum, apesar do escamoso também estar presente. - Tratamento com ressecção completa do tumor. Se for inoperável, usa-se AINEs ou bisfosfonatos. Síndrome miastênica de Eaton-Lambert - Carcinoma de pequenas células - Produção de autoanticorpos contra os canais de cálcio nos neurônios pré-sinápticos da placa motora (inibe entrada de cálcio e a subsequente liberação de Ach na fenda). - Fraqueza muscular, hiporreflexia. Degeneração cerebelar subaguda -Carcinoma de pequenas células -Vertigem, nistagmo, ataxia de evolução lenta (ocorre em consequência da degeneração das células de Purkinje no córtex do cerebelo) , disartria. REFERENCIAS Revista Brasileira de Otorrinolaringologia Anatomia orientada à clínica – Moore – 6edição Site do INCA Robbin e Cotran – bases da patologia Protocolo Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia – MS Rotinas em otorrinoJá nos casos de NEM 2 ou CMT familiar (20% restantes), o tumor tende a ser precoce (surgindo na infância), bilateral e multicêntrico. Estes últimos estão muito associados a mutações no gene RET Anaplásico: - Antecedentes de neoplasia tireoidiana: cerca de 20-30% dos carcinomas anaplásicos possuem história prévia ou atual de Ca de tireoide bem diferenciado. Mobile User ♥ A aquisição de certas mutações genéticas adicionais (ex.: inativação do p53) parece promover a desdiferenciação da célula cancerígena, originando o clone “anaplásico”. ♥ Uma história de bócio multinodular também pode ser encontrada em até metade dos doentes, e configura fator de risco. ♥ A doença é muito mais comum em mulheres e idosos. TUMORES INDIFERENCIADOS Linfoma - Tireoidite de Hashimoto: após alguns anos de doença, o risco de linfoma de tireoide chega a ser 60x maior que o da população geral. ♥ Cerca de 50% dos casos de linfoma de tireoide têm história prévia de Hashimoto, sendo o único fator de risco conhecido TIPOS HISTOLÓGICOS TUMORES BEM DIFERENCIADOS Carcinoma papilífero - Morfologia: podem se manifestar como lesões solitárias ou multifocais no interior da tireoide. Em alguns casos, podem ser bem circunscritas e mesmo encapsuladas. Em outros casos, podem infiltrar o parênquima adjacente com margens mal definidas. As lesões podem conter áreas de fibrose e calcificação, e frequentemente são císticas. - As células tendem a dispor-se ao longo de eixos conjuntivo-vasculares ramificados, formando papilas. As células costumam ser cubóides ou colunares baixas, uniformes e bem diferenciadas. Atualmente, a arquitetura papilífera não é mais considerada o critério decisivo para o diagnóstico deste tipo de tumor - Na prática atual, o diagnóstico do carcinoma papilífero se baseia nas características nucleares mesmo na ausência de arquitetura papilífera. Os núcleos das células do carcinoma papilífero contêm cromatina muito fina e dispersa, que confere aspecto opticamente claro, dando origem à designação de núcleos em vidro fosco - As invaginações da membrana nuclear, contendo citoplasma é designação de pseudoinclusões intranucleares nas secções transversais - As papilas neoplásicas apresentam eixos fibrovasculares densos, que são estruturas calcificadas concentricamente denominadas corpos de psamoma frequentemente estão presentes no interior das papilas ♥ Têm importância para o diagnóstico de carcinoma papilífero porque são muito mais raros em outros tipos de carcinoma da tiróide como o folicular, medular e anaplásico. Mobile User - Existe mais de uma dúzia de variantes do carcinoma papilífero de tireoide, mas a mais comum é composta predominante ou exclusivamente por folículos (variante folicular do carcinoma da tireoide). A variante folicular mais frequentemente é encapsulada e está associada a incidência mais baixa de metástases para os linfonodos e de extensão extratireoidiana do que é típico para os carcinomas papilíferos convencionais. ♥ Os carcinomas papilíferos têm pelo menos alguns folículos em meio às papilas. Em alguns, o componente folicular pode predominar muito sobre o papilífero, ou o tumor pode ser exclusivamente folicular. Neste caso, o diagnóstico de carcinoma papilífero baseia-se nas características nucleares. Esses carcinomas papilíferos são chamados de variante folicular e se comportam biologicamente como os carcinomas papilíferos habituais, ou seja, são infiltrativos localmente e, geralmente, não são encapsulados. Seu prognóstico é melhor que o do carcinoma folicular verdadeiro. - Caráter infiltrativo: Carcinomas papilíferos podem ocorrer como lesões solitárias ou multicêntricas na tiróide. Alguns tumores são bem delimitados e até encapsulados. Outros, contudo, infiltram o parênquima adjacente com margens mal definidas. - As metástases para linfonodos cervicais têm a sua ocorrência estimada em cerca da metade dos casos. ♥ Metástases à distância ocorrem somente em 2 a 10% dos casos, sendo o pulmão o órgão mais afetado (70%), seguido pelo osso (20%) e SNC (10%). As metástases pulmonares podem aparecer como um infiltrado nodular bilateral difuso, assintomático, que pode perdurar por anos (fazendo diagnóstico diferencial com sarcoidose). - O carcinoma papilífero geralmente não é encapsulado, apresenta crescimento lento e na maioria dos casos invade linfonodos regionais. ♥ Essa invasão não indica pior prognóstico, e pode ser observada até mesmo em tumores coma partir das quais o carcinoma medular se origine. MANIFESTAÇÕES CLINICAS - Devido às características clínicas e biológicas únicas associadas a cada variante de carcinoma Mobile User de tireoide, as manifestações clínicas são diferentes. TUMORES BEM DIFERENCIADOS: Carcinoma papilífero: - É o tumor maligno mais comum da tireoide, especialmente em crianças (onde constitui até 80% dos casos). Predomina no sexo feminino (2:1), com idade média de apresentação entre 20-40 anos (ou 30-50 anos). ♥ O prognóstico é excelente, e a maioria dos pacientes não morre da doença - A apresentação varia na dependência do estágio tumoral. ♥ Geralmente o indivíduo se encontra eutireoidiano, com uma massa de crescimento lento, não dolorosa, em topografia de tireoide. ♥ A presença de linfonodo palpável nesse contexto é bastante sugestiva de carcinoma papilífero ♥ Em casos avançados surgem sintomas compressivos locais como disfagia e rouquidão (esta última pelo comprometimento do nervo laríngeo recorrente) Carcinoma folicular; - Em geral, temos um nódulo tireoidiano solitário e indolor (a multicentricidade é infrequente no Ca folicular). Como nesse carcinoma a metástase é pela corrente sanguínea, a presença de linfonodos regionais palpáveis é rara. Sendo assim, a metástase atinge pulmões, ossos e fígados, fazendo com que a manifestação clinica possa está associada a função desses órgãos. (em casos avançados) Carcinoma de células de Hurthle - O carcinoma de células de Hürthle é considerado uma variedade menos diferenciada e mais agressiva do carcinoma de células foliculares, que afeta uma população mais idosa (o tumor é incomum em crianças). - Este tumor não capta, é algumas vezes bilateral e múltiplo, e envia metástases com frequência para linfonodos regionais. (linfonodos palpáveis) TUMORES POUCO DIFERENCIADOS Carcinoma medular - O CMT representa de 5 a 10% dos tumores malignos da tireoide, tendo origem a partir de células parafoliculares ou células C, produtoras de calcitonina, um hormônio envolvido no metabolismo do cálcio (a calcitonina diminui a reabsorção tubular de cálcio e inibe a reabsorção óssea pelos osteoclastos., - Os pacientes com CMT- carcinoma medular de tireoide- esporádico podem se apresentar com uma massa palpável. A doença localmente avançada pode levar à rouquidão, disfagia e sinais de comprometimento respiratório. ♥ A diarreia se encontra presente em cerca de 30% dos casos, sendo ocasionada por uma maior secreção jejunal de água e eletrólitos induzida pela calcitonina. - A hipertensão é encontrada em casos associados à NEM-neoplasia endócrina múltipla- devido à presença do feocromocitoma (bilaterais, ocorrendo na segunda e terceira décadas); ♥ A hipercalcemia e cálculos renais são decorrentes do hiperparatireoidismo que pode estar presente (NEM 2A). Carcinoma anaplásico - O crescimento tumoral é extremamente rápido, independente do tratamento, com invasão de linfonodos e estruturas contíguas. A disseminação ocorre por via linfática e hematogênica, acometendo linfonodos cervicais, cérebro, pulmões e ossos. ♥ O prognostico é ruim, sendo que a maioria dos pacientes vão a óbito em menos de 1 ano, como resultado do crescimento agressivo local e do comprometimento das estruturas vitais do pescoço. LINFOMA DA TIREOIDE - Sintomas associados da tireoide de Hashimoto, ou seja, lembra o hipotireoidismo, como: ♥ Aumento fácil de peso; ♥ Cansaço excessivo; ♥ Pele fria e pálida; ♥ Prisão de ventre; ♥ Baixa tolerância ao frio; ♥ Dores musculares ou articulares ♥ Dispneia, estridor, disfagia e rouquidão são sintomas comuns em pacientes com linfoma de tireoide; entretanto, o principal sintoma pode ser apenas um tumor cervical em crescimento DIAGNÓSTICO Anamnese: - Alguns fatores devem ser levados em conta quando analisamos um nódulo tireoidiano. A Mobile User idade é uma consideração importante, uma vez que a malignidade é mais comumente encontrada em jovens (apesar de pior prognóstico no idoso). ♥ Embora os nódulos sejam mais frequentes em mulheres, a presença de malignidade é cerca de duas a três vezes mais comum em homens. ♥ Raramente a história familiar vai nos influenciar quanto à conduta a ser tomada. Exceções a esta regra incluem as raras síndromes associadas a câncer de tireoide – síndrome de Gardner, NEM 2A e 2B, doença de Cowden, etc. ♥ História de exposição à irradiação na infância e adolescência (> 50 cGy) é fator de risco importante para o surgimento de carcinoma papilífero. Exame clínico: - Nódulos tireoidianos são extremamente comuns, sendo encontrados em até 5% das mulheres e 1% dos homens adultos (prevalência ainda mais alta em regiões deficientes em iodo). ♥ Em cerca de 85-95% das vezes representam lesões benignas (adenoma folicular, nódulo coloide ou cisto – ver porém, cerca de 15% são neoplasias malignas (carcinomas, linfomas) ou mesmo metástases de tumores à distância. - Sinais e sintomas: A presença de dor e crescimento rápido pode significar tanto hemorragia no interior de um nódulo quanto malignidade. Rouquidão é um sinal de alarme, pois fala a favor de neoplasia maligna comprometendo o nervo laríngeo recorrente. ♥ Um nódulo móvel à deglutição sugere a presença de adenoma, enquanto linfonodos cervicais e supraclaviculares aumentados de tamanho, principalmente se fixados à traqueia, nos fazem considerar a possibilidade de tumor maligno da glândula. OBS: Um nódulo maligno pode apresentar textura firme, maior que 4cm irregularidade de contorno, vascularização intranidular fixação a estruturas adjacentes e linfonodo cervical ipsilateral aumentado e palpável. - Quanto ao tamanho: Os nódulos impalpáveis têm a mesma chance de malignidade do que nódulos palpáveis do mesmo tamanho. Em geral, somente nódulos com 1 cm ou mais de diâmetro devem ser investigados, pois têm maior potencial de ser uma neoplasia maligna. - Exames laboratoriais da função tireoidiana: A grande maioria dos pacientes com câncer encontra-se no estado eutireóideo. Entretanto, não podemos esquecer a associação de tireoidite de Hashimoto e linfomas. Devemos solicitar sempre o TSH, podendo também solicitar o T4 livre e anticorpo antitireoperoxidase (anti-TPO). ♥ A presença de hipertireoidismo, mesmo que subclínico (TSH baixo) indica uma cintilografia tireoidiana, para avaliar a presença de um adenoma hiperfuncionante. o As áreas anormais da tireoide, que captam menos radioatividade do que o tecido normal, são denominados nódulos frios – geralmente malignos, e as áreas que captam mais radiação são chamadas nódulos quentes - causam hipertireoidismo (TSH baixo), normalmente são benignos. ♥ A presença de TSH normal ou elevado, indica ultrassonografia para avaliação do nódulo. ♥ a níveis elevados de calcitonina praticamente sela o diagnóstico de carcinoma medular o A dosagem das catecolaminas na urina de 24h faz parte da avaliação inicial desses pacientes para afastar feocromocitoma. ▪ Caso diagnosticado, a remoção do feocromocitoma deve ser realizada antes da tireoidectomia. o O cálcio sérico também deve ser medido de rotina a fim de pesquisarmos hiperparatireoidismo. o A pesquisa de mutações do RET deve ser oferecida a todos pacientes e familiares com história de CMT, hiperplasia de células C e NEM. Atualmente, alguns centros de diagnóstico já disponibilizam métodos de investigação para mutações no RET. Mobile User Ultrassonografia - é capaz de demonstrar lesões a partir de 3 mm, além de identificar a presença de cápsula, áreas císticas e tamanho dos lóbulos. Alem de avaliar os linfonodos regionais. ♥ A USG permite classificar os nódulos em sólidos, císticos e mistos (císticos e sólidos). - Juntamente com a USG podemos realizar o Doppler para avaliar a vascularização dos nódulos. ♥ Uma vascularização intranodular sugere nódulo maligno sendoutilizada a classificação de Chammas ♥ Ecogenicidade: A baixa ecogenicidade (nódulo sólido hipoecoico) é uma característica relevante, com valor preditivo positivo para malignidade que pode variar de 50% a 63%. Os isoecoicos podem ser malignos em 7% a 25% dos casos, e a malignidade está presente em apenas 4% dos casos de nódulos hiperecoicos. PUNÇÃO ASPIRATIVA POR AGULHA FINA (PAAF) - É o melhor método para diferenciar nódulos benignos e malignos. A sensibilidade e a especificidade ultrapassam 90%. Na presença de bócio multinodular, indica-se a realização de PAAF nos quatro maiores nódulos. Idealmente, a PAAF deve ser sempre guiada por USG, mesmo quando o nódulo é palpável, pois isso aumenta a acurácia diagnóstica. - Mas é importante lembrar que a PAAF analisa somente a citologia. (isto é, células “soltas” são visualizadas individualmente). ♥ diferentemente da histopatologia, no qual é realizada uma biopsia do tecido, podendo visualizar sua organização celular) OBS: A PAAF é utilizada para confirmar diagnostico de carcinoma papilífero OBS 2: o diagnóstico de carcinoma folicular não pode ser confirmado pela citologia! Assim, diante de um “tumor folicular” é mandatório proceder à sua remoção cirúrgica, mesmo sabendo que na maioria das vezes será encontrado um adenoma folicular (tumor benigno). o diagnóstico de Ca folicular só pode ser confirmado pela análise histopatológica convencional. Mobile User - O nódulo submetido à PAAF deve ser classificado conforme o sistema de Bethesda: - Quais são as indicações de PAAF? ♥ Nódulos de qualquer tamanho associados à linfadenopatia cervical suspeita; ♥ Nódulos > 0,5 cm com características sugestivas de malignidade na USG; ♥ Nódulos ≥ 1 cm, sólidos ou não sólidos com microcalcificações; ♥ Nódulos mistos (cístico-sólidos) com ≥ 1,5 cm e características sugestivas de malignidade na USG ou ≥ 2 cm, independentemente das características na USG; ♥ Nódulos espongiformes ≥ 2 cm. - Nódulos sem indicação de PAAF, ou que foram submetidos à PAAF e tiveram resultado benigno, devem ser acompanhados com USG a cada 6- 18 meses. Se houver crescimento acelerado (> 50% do volume ou > 20% em pelo menos duas dimensões, com um aumento mínimo de 2 mm do nódulo sólido ou componente sólido de um nódulo misto), uma nova PAAF deve ser realizada imediatamente. TC e RM - Indicados para complementar a avaliação de pacientes com doença extensa (ex.: visualização de linfonodos mais profundos; bócio subesternal). Laringoscopia: - Suspeita de invasão de estruturas contíguas Imuno-histoquímica (biopsia) - Utilizado no carcinoma folicular e no anaplasico ♥ Anaplasico: reconhecimento de tumores muito indiferenciados e, sobretudo, para distingui-los do CMT e do linfoma. TRATAMENTO CARCINOMA PAPILÍFERO - O manejo dos tumores bem diferenciados é fundamentalmente CIRÚRGICO. Tireoidectomia parcial: - Para os microcarcinomas (tumores 4 cm, ♥ doença extratireoidiana ♥ pacientes com outros critérios de “alto risco”, mesmo que o tumor tenha entre 1-4 cm. Terapia supressiva com levotiroxina: - O uso da levotiroxina faz parte do arsenal terapêutico, não só para repor hormônio tireoidiano no pós-operatório, mas, principalmente, para suprimir o TSH, uma vez que as células tumorais são responsivas a este hormônio! ♥ Os níveis devem ficar abaixo de 0,1 mU/L (n= 0,5-5 mU/L). - Pacientes de baixo risco pode ser mantidos com TSH entre 0,1 e 0,5 mU/L e, após 5-10 anos sem indícios de recidiva, pode-se permitir o retorno do TSH à faixa normal. PROTOCOLO PÓS-TIREOIDECTOMIA TOTAL: - Para o sucesso da radioablação é necessário que o TSH esteja elevado (> 30 mU/L), a fim de estimular as células tumorais a captar o iodo radioativo. Isto pode ser obtido de três formas diferentes: ♥ deixando o paciente sem reposição de levotiroxina por 3-4 semanas; ♥ iniciando tratamento com T3 isolado (liotironina), na dose de 50-100 mcg/dia por quatro semanas, suspendendo a medicação duas semanas antes (o uso de T3 isolado faz o T4 desaparecer da circulação). o Devido à meia-vida extremamente curta do T3 (cerca de 24h – a meia- vida do T4 é de uma semana), logo após sua suspensão, os níveis hormonais se depletam e ocorre um rápido aumento do TSH); ♥ utilizando TSH recombinante (rhTSH), que parece ser a melhor estratégia para indivíduos com comorbidades que têm grande potencial de piora no estado de hipotireoidismo (ex.: doenças cardiovasculares, IRC, depressão, etc.). o Se utilizarmos o TSH recombinante, não haverá necessidade de suspender a reposição de levotiroxina! Tal estratégia também deve ser aventada nos casos em que o TSH endógeno não se eleva de forma satisfatória - Em certas situações (ex.: incerteza quanto à magnitude do tecido tireoidiano remanescente), antes da radioablação pode ser necessário realizar uma cintilografia diagnóstica. Caso haja muita captação (isto é, sobrou “muita tireoide”) é preferível reoperar antes da radioablação. ♥ Ressalte-se que quando tal exame for indicado, este deverá ser feito com 123 I, uma vez que tal isótopo possui meia-vida inferior. ♥ Se o exame for realizado com 131 I existe risco das células tumorais se sobrecarregarem, mesmo com a dose de iodo relativamente baixa do exame, o que as impedirá de absorver a dose ablativa subsequente - Imediatamente antes da ablação, enquanto o doente apresenta TSH elevado, a tireoglobulina deve ser dosada (tireoglobulina estimulada). Além de se correlacionar com a presença de metástases e com o resultado da PCI pós-dose, tal exame é considerado um fator prognóstico independente. ACOMPANHAMENTO PÓS-OPERATÓRIO: - A ultrassonografia cervical deve ser feita a cada seis meses. - Se surgirem linfonodos suspeitos (> 5-8 mm), estes deverão ser puncionados para avaliação citológica e pesquisa de tireoglobulina. ♥ Atireoglobulina sérica também deve ser mensurada a cada seis meses. Ela tem que permanecer negativa (associado ao desenvolvimento do câncer oral. É incerto se o álcool isoladamente pode iniciar a carcinogênese, embora esteja bem estabelecido que o álcool em combinação com o tabaco é um fator de risco significativo para o desenvolvimento do câncer oral. - Estudos de caso-controle têm concluído que o risco é dose-dependente e tempo-dependente e que a combinação do uso excessivo do álcool e do tabaco por período prolongado pode aumentar o risco individual para o câncer oral para um fator de 15 ou mais (o risco relativo é de 15) - Evidências mostram que o acetaldeído, o principal e mais tóxico metabólito do álcool, interrompe a síntese e o reparo do DNA e, portanto, pode favorecer a carcinogênese. ♥ Além disso, maior exposição ao etanol também induz o estresse oxidativo por meio do aumento da produção de oxigênio com potencial reativo e genotóxico. ♥ Sugere-se, ainda, que o álcool possa funcionar como um solvente, favorecendo a penetração celular de carcinogéneos dietéticos ou ambientais (por exemplo, tabaco) ou interferindo nos mecanismos de reparo do DNA. o O álcool afeta as enzimas de destoxificação local e sistêmicas e pode aumentar o potencial carcinogênico de outros carcinógenos ambientais ♥ Pessoas que consomem bebidas alcoólicas em altas quantidades também podem ter dietas carentes de nutrientes essenciais, como o folato, tornando os tecidos-alvo mais suscetíveis aos efeitos carcinogênicos do álcool. OBS: o consumo de álcool, bem como a aplicação direta nos enxaguantes bucais está associado a maiores risco de desenvolvimento de tumores nessa região Agentes fenólicos - Recentemente as evidências têm dado ênfase a um risco aumentado do câncer para trabalhadores da indústria de produtos derivados da madeira cronicamente expostos a certos agentes químicos, tais como os ácidos fenoxiacéticos. Além disso, há muito tempo tem sido reconhecido que esses trabalhadores apresentam um maior risco para os carcinomas nasal e nasofaríngeo Radiação - Os efeitos da radiação ultravioleta (UV) sobre os lábios foram discutidos anteriormente (queilose actínica), porém é bem reconhecido que outra forma de radiação, os raios X, diminuei a reatividade imune e produz anormalidades no material cromossômico. - Não é surpreendente, portanto, que a radioterapia direcionada para a área de cabeça e pescoço aumente o risco do posterior desenvolvimento de uma nova malignidade primária oral, um carcinoma ou um sarcoma. ♥ Esse efeito é dose-dependente, porém até a radioterapia em baixas doses para lesões benignas pode aumentar o risco local em algum grau Deficiência de ferro - A deficiência de ferro, especialmente a grave e crônica forma conhecida como síndrome de Plummer-Vinson ou Paterson-Kelly, está associada a um elevado risco para o carcinoma de células escamosas do esôfago, orofaringe e da região posterior da boca. - As malignidades se desenvolvem em uma idade mais baixa do que nos pacientes sem anemia por deficiência de ferro. - Os indivíduos que apresentam deficiência de ferro tendem a ter imunidade mediada por células prejudicada e o ferro é essencial para o funcionamento normal das células epiteliais do trato digestivo superior. ♥ Nos estados de deficiência, as células epiteliais sofrem uma renovação mais rápida e produzem uma mucosa atrófica ou imatura. ♥ Essa mudança na arquitetura tecidual, futuramente pode ser fator para a proliferação de células cancerosas Deficiência de vitamina A - A deficiência de vitamina A produz uma ceratinização excessiva da pele e das membranas mucosas e os pesquisadores têm sugerido que a vitamina pode exercer um papel protetor ou preventivo no pré-cancer e no câncer oral Sífilis - Há muito tempo aceita-se que a sífilis (estágio terciário) tem uma forte associação com o desenvolvimento do carcinoma do dorso da língua ♥ atualmente raras pelo fato de essa infecção ser tipicamente diagnosticada e tratada antes do início do estágio terciário. Imunossupressão - A imunossupressão pode desempenhar um papel no desenvolvimento de pelo menos algumas malignidades do trato aerodigestivo superior. ♥ Sem vigilância e ataque imunológicos efetivos, acredita-se que as células malignas recentemente geradas não possam ser reconhecidas e destruídas em um estágio inicial. ♥ Os indivíduos com AIDS e aqueles que estão sendo submetidos à terapia imunossupressora para malignidades ou transplante de órgãos apresentam risco aumentado para o carcinoma de células escamosas e outras malignidades de cabeça e pescoço, especialmente quando o tabaco e o uso do álcool estão presentes. HPV e carcinogênese bucal - Ocorre que, hoje, a doença também atinge jovens (entre 30 e 45 anos) de ambos os sexos que não fumam nem bebem em excesso, mas praticam sexo oral desprotegido. Isso porque o HPV -papilomavírus humano-, que é transmitido sexualmente, está diretamente ligado a cada vez mais casos de câncer de cabeça e pescoço. ♥ Comum de ocorrer nas criptas tonsilares e na base da língua, mas não descarta outros locais da cavidade bucal. - O HPV do tipo 16 causa 60% dos cânceres orofaríngeos, e a faixa etária dos pacientes caiu (média de idade 57 anos e picos bimodais aos 30 e 55 anos) à medida que a infecção por HPV surgiu como uma etiologia. ♥ O número de parceiros sexuais e a frequência do sexo oral são fatores importantes de risco. ♥ O risco de desenvolver câncer orofaríngeo é 16x maior em pacientes positivos para HPV. Na Europa e na América do Norte, a infecção por HPV é responsável por cerca de 70 a 80% dos cânceres orofaríngeos. - Os subtipos 16, 18, 31 e 33 são as cepas mais relacionadas a displasia e ao carcinoma de celulas escamosas. Mecanismo de ação: - A infecção pelo HPV é iniciada quando uma partícula viral penetra nas células basais localizada nas camadas mais baixas do epitélio estratificado. ♥ Conforme as células mais profundas do epitélio vão se dividindo, elas migram da camada basal e se tornam gradativamente diferenciadas. ♥ Depois de entrar na célula, os genomas dos HPV integram-se ao núcleo, e o vírus começa a replicar e o número de cópias é aumentado, fazendo com que essas células infectadas distribuem equitativamente o DNA viral entre as células-filhas. - Uma das células-filhas migra para a camada basal e inicia o programa de diferenciação. A outra célula-filha continua diferenciada na camada basal, sofrendo divisões para oferecer células para a manutenção da camada basal. - Multiplicação extensiva do DNA viral e transcrição de todos os genes virais, bem como formação de capsídeo, ocorrem apenas nas camadas mais superficiais do epitélio. ♥ Portanto, partículas virais maduras (com capsídeos completos) estão ausentes nas células basais, e a replicação produtiva do HPV está restrita às células nos estratos espinhoso e granuloso. - Os primeiros genes dos HPV a se expressarem são E1 e E2, cujos produtos estão envolvidos na replicação do genoma viral. ♥ O produto do gene E1, uma fosfoproteína nuclear com atividade ATPase e DNA helicase, liga-se na origem de replicação do DNA viral, sendo essencial para a replicação do vírus. ♥ A proteína codificada pelo gene E2 é um fator que regula a transcrição dos oncogenes E6 e E7. ♥ A proteína E4 é detectada apenas nas camadas mais diferenciadas do epitélio, estando envolvida na maturação e na liberação das partículas dos HPV. ♥ Recentes evidências sugerem que o gene E5 do HPV-16 pode induzir transformação em células epiteliais, aumentando a transdução de sinal intracelular mediado por fatores de crescimento. ♥ A proteína E6 tem sua atividade transformadora dependente da ligação com a proteína supressora de tumor p53, que regula a passagem pelas fases G1/S e G2/M. o Uma vez estabelecida essa ligação, a proteína E6 estimula a degradação da p53, levando-a a níveis muito baixos em muitostumores humanos, o que faz com que as células desses tumores falhem na parada do ciclo celular em G1, seguindo então o dano no DNA celular. o Logo, se outra proteína supressora de tumor (como a pRb, por exemplo) não compensar a reduzida atividade da p53, a transformação celular pode, de fato, ocorrer. o A proteína E6, além de reprimir a ação de p53, também tem como função a atividade de telomerase, podendo associar-se com proteínas ligantes do cálcio, ERC55, fatores de resposta do interferon, IRF3, ou, até mesmo, associar-se a proteínas de integração viral. ♥ A principal função do gene E7 dos HPV de alto risco é desregular a maquinaria do ciclo celular da célula infectada, principalmente pela indução da transcrição da fase G1/S. o A proteína E7 liga-se às proteínas da família pRb (proteína supressora de tumor de retinoblastoma); essa interação ativa os fatores de transcrição E2F, que são liberados da pRb. o Estes fatores induzem a transcrição de genes importantes no controle da divisão celular, por promover a progressão do ciclo celular, atuando nas fases G1 e S21. - Assim, os genes E5, E6 e E7 do HPV induziriam a transformação celular e poderiam estar envolvidos na carcinogênese, sendo os genes E6 e E7 considerados os genes de maior poder de transformação dos HPV No câncer relacionado com o ambiente: - o ciclo celular é desregulado pela perda precoce de p16, um inibidor da ciclina D1, ou por meio do aumento da taxa de regulação da ciclina D1; p53 (supressor tumoral, reparador de DNA e indutor de apoptose) é bloqueado por diversos mecanismos que evitam a morte celular programada; a sinalização mitogênica é reforçada pelo aumento da regulação da função do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGF); ocorre uma superexpressão da ciclo- oxigenase-2 (COX-2), inibindo a apoptose e promovendo a angiogênese; e se desenvolve a instabilidade cromossômica com aneuploidia (adição o perda de um ou mais cromossomos). - Muitas dessas alterações moleculares iniciais e funcionais ocorrem sem uma mudança óbvia no aspecto físico da mucosa oral, apesar de ser possível encontrar leucoplasia. TIPOS HISTOLÓGICOS Carcinoma de Células Escamosas: - Aproximadamente 95% dos cânceres da cavidade oral são carcinomas de células escamosas, sendo que os restantes são compostos em grande parte de adenocarcinomas de glândulas salivares. ♥ Esse tumor maligno epitelial agressivo é a sexta neoplasia mais comum no mundo de hoje. ♥ Apesar dos inúmeros avanços no tratamento, a taxa de sobrevida de longo prazo tem sido inferior a 50% nos últimos 50 anos. Essa perspectiva sombria é decorrente de vários fatores, principalmente do fato de que o câncer bucal é diagnosticado em estágio avançado - Nos estágios iniciais, esses tipos de câncer podem aparecer como placas elevadas, firmes, peroladas, ou como espessamentos da mucosa irregulares, rugosos ou verrucosos. Qualquer padrão pode ser sobreposto sobre um fundo de leucoplasia ou eritroplasia. ♥ À medida que essas lesões aumentam, elas tipicamente formam massas ulceradas e salientes que têm bordas irregulares e endurecidas ou enroladas. - A análise histopatológica mostrou que o carcinoma de células escamosas se desenvolve a partir de lesões precursoras displásicas, como leucoplasias ou eritroplasia. ♥ Os padrões histológicos variam de neoplasias queratinizantes bem diferenciadas até tumores anaplásicos, alguns vezes sarcomatoides - Normalmente, o carcinoma de células escamosas oral infiltra localmente antes de metastatizar. Os linfonodos cervicais são os locais mais comuns de metástase regional; locais frequentes de metástases a distância incluem linfonodos mediastinais, pulmões e fígado MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS - Os tumores da boca geralmente se manifestam como lesões ulceradas de crescimento progressivo e indolor no início, especialmente na língua, lábios, assoalho da boca ou palato. Sendo que há a presença de dor na forma tardia quando há invasão da musculatura e de nervos. - Nos cânceres relacionados com o meio ambiente, lesões precoces de alto risco podem ser identificadas em algumas situações como leucoplasia e eritroplasia. (não produziram um aumento de volume ou ulceração) ♥ A leucoplasia é diagnosticada clinicamente como mancha branca no tecido da mucosa oral ou laringe. Pode evoluir de forma imprevisível para câncer ao longo de um período de vários anos em cerca de 30% dos pacientes. ♥ A eritroplasia, que é uma alteração vermelha hiperceratótica na mucosa, é uma lesão pré-maligna avançada com uma taxa de cerca de 60% de progressão para um câncer oral. - Uma lesão exofítica tipicamente apresenta superfície irregular, vegetante, papilar ou verruciforme e sua cor poderá variar da coloração normal ao vermelho ou branco, dependendo da quantidade de ceratina e vascularização. A superfície é frequentemente ulcerada e o tumor mostra-se duro à palpação. - O padrão de crescimento endofítico tem uma área central deprimida, de formato irregular, ulcerada, com uma borda “em rolete” de mucosa normal, vermelha ou branca. ♥ A borda em rolete resulta da invasão do tumor para o interior do tecido e para as laterais abaixo do epitélio adjacente. ♥ Essa aparência não é única do carcinoma oral, uma vez que lesões granulomatosas, tais como infecções fúngicas profundas, tuberculose, sífilis terciária, lesões orais da granulomatose de Wegener ou da doença de Crohn e úlceras traumáticas crônicas podem ter aparência similar - Poderá haver discreto sangramento, ou apenas uma área superficial friável, sangrante ao toque e hiperemiada, às vezes com manchas brancas entremeadas. - A fala pode ser afetada tardiamente quando o tumor causar restrição da mobilidade da língua ou uma disfunção do XII par de nervos cranianos. - Além disso, os tumores da gengiva podem amolecer os dentes e invadir a mandíbula juntamente com o alvéolo dentário ♥ A destruição do osso subjacente pode ser dolorosa ou completamente indolor e aparecerá nas radiografias como uma radiolucidez “em roído de traça” com margens mal definidas ou bordas irregulares - Os tumores nas tonsilas ou na base da língua podem vir acompanhados de dor local ou dor referida no ouvido, porém os tumores nessas regiões costumam ser assintomáticos e podem crescer bastante antes de se tornarem evidentes devido a mudanças na fala (“voz de batata quente”), uma sensação de globo, trismo ou restrição do movimento da língua. ♥ Além disso, a manifestação de nódulo cervical indolor tem se tornado comum com o aumento da incidência de HPVCO. ♥ Os tumores das tonsilas e base da língua podem perder seu componente mucoso, não serem visualizados nem percebidos pela inspeção direta e se apresentar como uma massa cervical sólida ou cística. o Uma massa, especialmente cística, no pescoço de um adulto é câncer e especificamente HPVCO, até que se prove o contrário, e nesses casos deve ser feita avaliação do ouvido, nariz e garganta, além de realização de tomografia por emissão de pósitron (PET-TC), aspiração por agulha fina e exame sob anestesia antes da biópsia. - Com a evolução da enfermidade, a úlcera neoplásica cresce em lateralidade e profundidade podendo fixar-se por infiltração aos tecidos adjacentes, determinando imobilidade da língua, dislalia, trismo, cacosmia e afrouxamento de dentes. ♥ A partir dessa fase, o paciente apresenta dor, metástases cervicais e comprometimento do estado geral por anemia, emagrecimento e hipoproteinemia. OBS: Como norma geral, todo paciente com lesão ulcerada de cavidade oral com duração superior a 15 dias deve ser considerado suspeito para neoplasia. TIPOS DE CARCINOMAS Carcinoma do vermelhão do lábio - Pessoas de pele clara com exposição prolongada aos raios UV. - Associada a queilite actínica e podem surgir no local em que o paciente mantémum cigarro, charuto ou cachimbo. - Quase 90% das lesões estão localizadas no lábio inferior. - É uma ulceração endurecida, indolor, crostosa e exsudativa; crescimento lento e metástase tardia. Carcinoma Intraoral - Mais comum na língua (superfície lateral, posterior e ventral) e assoalho bucal. - Outros sítios de envolvimento (em ordem decrescente de frequência) são o palato mole, gengiva, mucosa jugal, mucosa labial e palato duro. ♥ Língua: 2/3 são tumores ou úlceras indolores endurecidas na borda lateral. Sendo comum em jovens ♥ As lesões do assoalho bucal são mais prováveis de surgir a partir de uma leucoplasia ou eritroplasia preexistente. ♥ Gengival: indolores, na mucosa queratinizada na região posterior da mandíbula. Menos associadas ao fumo, mais comuns em mulheres. Carcinoma Orofaríngeo - Carcinoma da mucosa do palato mole e orofaringe com a mesma clínica dos anteriores, exceto que, na localização posterior, o paciente não se encontra ciente da sua presença e o diagnóstico é tardio. - Por isso, o tamanho e a proporção das metástases serão maiores. - Três em cada quatro carcinomas orofaríngeos originam-se da área amigdaliana ou do palato mole; a maioria dos outros origina-se na base da língua. - Sintomas iniciais: dor (podendo ser relatada como proveniente do ouvido) e disfagia. - Quanto mais posterior for o tumor, maior é a lesão e maior a chance de disseminação linfática. Metástases - A disseminação metastática do carcinoma de células escamosas oral ocorre principalmente através dos vasos linfáticos para os linfonodos cervicais ipsilaterais. - Os carcinomas de lábio inferior e assoalho de boca tendem a se disseminar para os linfonodos submentonianos; - Os tumores localizados nas porções posteriores da boca, para os linfonodos jugulares superiores e digástricos. - A drenagem linfática da orofaringe leva à cadeia de linfonodos jugulodigástrica ou para linfonodos retrofaríngeos. DIAGNÓSTICO Exame físico - Os pacientes que apresentam sintomas localizados ou um sinal como uma úlcera ou pequena massa precisam ser submetidos a um exame completo, com inspeção e palpação das estruturas visíveis da base da língua, tonsilas e pescoço. Exames clínico - O diagnóstico do CECP se faz pelo exame clínico com nasoscopia e laringoscopia e biópsia tumoral. - Na ausência de tumor primário visível, indica-se punção aspirativa por agulha fina ou biópsia de quaisquer massas cervicais, seguido de novo exame locorregional sob anestesia e biópsias adicionais, se necessário. ♥ Na suspeita ou não de câncer, biópsias excisionais não são indicadas porque as margens do tumor frequentemente são violadas, provocando “espalhamento” do material e consequentemente aumentando os riscos de metástase. A ♥ biópsia em saca-bocado é suficiente para o diagnóstico, principalmente na região oral da língua, de onde os tumores se disseminam por via linfática ♥ A aspiração por agulha fina, para teste de HPV e EBER, deve ser realizada para tumores de células escamosas. o Atualmente, o HPV e EBV são os únicos marcadores moleculares conhecidos para separar os tumores de cabeça e pescoço dos tumores epidermoides da pele e glândula salivar. o A positividade sérica para o EBV sugere tumor de nasofaringe, enquanto a positividade para HPV sugere tumor de orofaringe. o Vale pontuar que, ainda a imuno- histoquímica p16 seja comumente utilizada como substituto para o ensaio de HPV, esta não é adequada para decisão terapêutica, estando positiva em 20% dos cânceres não HPV. - Pacientes com neoplasia maligna confirmada devem ser submetidos à avaliação da extensão da doença por meio de tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de pescoço, com uso de contraste, e radiografia de tórax, antes da intervenção cirúrgica. PET TC: tomografia computadorizada por emissão de pósitrons e TC: - é indicada a realização de PET-TC do corpo e uma TC de alta resolução, a partir da base do crânio até a clavícula, de preferência com a técnica em espiral para avaliação da propagação nodal no pescoço e identificação de extensão nodal extracapsular e invasão óssea, que são informações importantes para o prognóstico. ♥ A PET ajuda na identificação de lesões ocultas, principalmente quando o paciente tem um tumor primário desconhecido, antes da biópsia, para guiar a avaliação e reduzir o risco de procedimentos diagnósticos e terapêuticos desnecessários e/ou inadequados RM - A RM auxilia na avaliação do acometimento de tecido mole, principalmente da base da língua e dos espaços parafaríngeos RASTREAMENTO - Não há recomendação para o rastreamento do câncer de boca, pois as evidências científicas atuais não são suficientes para avaliar os riscos e os benefícios do rastreamento em pessoas assintomáticas. - As revisões sistemáticas publicadas pela Cochrane (2013) (BROCKLEHURST, 2013) e pela Força Tarefa Americana (USTaskForce, 2014) encontraram apenas um ensaio clínico, realizado na Índia, com alto risco de viés, no qual o rastreamento não foi capaz de reduzir significativamente a mortalidade por câncer de boca na população em geral. - No entanto, a análise de um subgrupo de pacientes de alto risco que utilizavam tabaco, álcool ou os dois combinados mostrou redução relativa de 43% da mortalidade nesse grupo. - Em 2021, uma nova análise evidenciou que a utilização de critérios de risco aumenta substancialmente a eficiência de programas de rastreamento (CHEUNG et al, 2021). Portanto, é necessário acompanhar novas evidências e ensaios clínicos, já que a estratégia de rastreamento em populações de alto risco mostrou-se efetiva. DIAGNÓSTICO PRECOCE - O diagnóstico precoce do câncer de boca possibilita melhores resultados no tratamento com a investigação oportuna de sinais e sintomas suspeitos no lábio e cavidade oral, como: ♥ Lesões cujo diagnóstico clínico não exclui o câncer ♥ Lesões que não cicatrizam em até 15 dias - Essas alterações suspeitas na cavidade oral devem ser investigadas por meio de biópsia. ♥ Quando o câncer é confirmado, deve-se encaminhar o paciente para tratamento oncológico. - Profissionais de saúde devem conhecer e estar atentos aos principais fatores de risco e aos sinais e sintomas do câncer de lábio e cavidade oral, de forma a identificar precocemente alterações e possibilitar o diagnóstico e tratamento em tempo oportuno. TRATAMENTO ESTADIAMENTO - O tamanho do tumor e a extensão da disseminação metastática do carcinoma de células escamosas oral são os melhores indicadores do prognóstico do paciente. - Esse protocolo de estadiamento depende de três características clínicas básicas: ♥ T – Tamanho do tumor primário, em centímetros ♥ N – Envolvimento de linfonodos locais ♥ M – Metástases a distância CIRURGIA - A cirurgia normalmente consiste na retirada de uma ou mais área da cavidade oral associada à retirada dos linfonodos do pescoço (esvaziamento cervical) e com algum tipo de reconstrução, quando necessário. Nas cirurgias maiores, pode ser necessária a ressecção de segmentos ósseos. ♥ Essas ressecções devem ser programadas procurando a melhor reconstrução no primeiro momento, para obter o melhor resultado funcional. Em alguns casos, porém, podem ser necessários outros procedimentos em um segundo tempo para restabelecer a função da área ressecada. Carcinoma da região do vermelhão do lábio - O carcinoma da região do vermelhão do lábio é geralmente tratado pela excisão cirúrgica, tipicamente uma ressecção em cunha, com excelentes resultados. ♥ Somente 8% dos tumores apresentam recidiva e as taxas de sobrevida de 5 de anos são de 95% a 100% carcinomas de células escamosas intraorais - A localização do tumor pode influenciar o plano de tratamento. - Consiste na excisão cirúrgica ampla (radical), radioterapiaou na combinação de cirurgia e radioterapia. ♥ As lesões orofaríngeas geralmente recebem radioterapia. ♥ Outras indicações para a radioterapia incluem a presença de margens cirúrgicas exíguas ou comprometidas, metástase regional, características histopatológicas de alto grau e invasão perineural ou angiolinfática. É utilizada uma variedade de agentes quimioterápicos como terapia adjuvante. OBS: A radioterapia e a quimioterapia são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico deixaria sequelas funcionais tão importantes que seriam muito complicadas para a reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente. Quimioterapia - A quimioterapia tipicamente é administrada em conjunto com a radiação, como quimioterapia de indução seguida por quimiorradioterapia concomitante ou como terapia paliativa. ♥ As substâncias comumente utilizadas incluem os agentes que contêm platina (p. ex., cisplatina, carboplatina), 5-fluorouracil e taxanos (p. ex., paclitaxel, docetaxel). Anticorpos monoclonais - Ensaios clínicos avaliando anticorpos monoclonais ou pequenas moléculas inibidoras direcionadas contra o EGFR têm-se mostrado promissores e espera-se que terapias direcionadas contra moléculas-alvo tornem-se importantes estratégias de tratamento no futuro. Embora os agentes quimioterapêuticos possam temporariamente reduzir o tamanho de um aumento de volume tumoral, nenhum deles têm melhorado as taxas de sobrevida significativamente. Tratamento: - Para carcinomas intraorais pequenos, uma única modalidade de tratamento é geralmente escolhida. - Pacientes com lesões maiores ou com lesões que apresentem linfonodos clinicamente palpáveis tipicamente requerem terapia combinada. - Além disso, pacientes com carcinomas de língua em estágio inicial (clinicamente T1/T2 e fundamente invasivos (espessura do tumor > 3 ou 4 mm), são de risco aumentado para metástase subclínica para linfonodo e, dessa forma, devem receber irradiação pós-operatória em pescoço ou dissecção de pescoço eletiva. - Na suspeita de metástase local para linfonodos, uma dissecção radical ou uma dissecção radical modificada no pescoço deve ser realizada. ♥ A dissecção radical é essencialmente uma remoção em bloco de todos os tecidos fibroadiposos do trígono lateral do pescoço, incluindo os linfonodos jugulares superiores, médios e inferiores, o grupo de linfonodos supraclaviculares e as porções variadas da musculatura circunvizinha. - O uso da biópsia de linfonodo-sentinela (biópsia do primeiro linfonodo da rede linfática a receber a drenagem do tumor) com o objetivo de identificar pacientes com metástases ocultas de pescoço têm se mostrado promissor, porém permanece sob avaliação para uma utilização confiável nos pacientes com câncer oral PROGNOSTICO - O prognóstico para a sobrevida no câncer oral depende do estadiamento do tumor. ♥ A taxa de sobrevida relativa de 5 anos para o carcinoma intraoral varia de 53% a 68% se o tumor for relativamente pequeno ( 3 cm e ≤ 6 cm ou um linfonodo > 6 cm (estágio IV). ♥ Embora alguns pacientes morram de sua doença em um período mais prolongado, como 10 anos após o tratamento inicial, a grande maioria das mortes ocorre dentro dos primeiros 5 anos. - Os vários marcadores moleculares associados ao carcinoma, como a mutação do gene supressor de tumor p53, têm apresentado resultados equívocos como indicadores prognósticos. O relacionamento entre HPV, estágio do tumor e prognóstico é incerto. Alguns estudos têm sugerido que tumores positivos para o HPV estão associados a uma melhor resposta ao tratamento e sobrevida prolongada; contudo, outros estudos não têm relatado nenhuma diferença significativa na sobrevida entre pacientes com tumores positivos e negativos para o HPV. REFERENCIAS - PATOLOGIA BÁSICA, ROBBINS 9ED - Câncer de boca - Versão para Profissionais de Saúde INCA - Câncer de tireoide INCA - NETTER ANATOMIA CLINICA 3ED - Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas do Câncer de Cabeça e Pescoço. MS 2015 - Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Carcinoma Diferenciado da Tireoide. MS 2014 - O Papel do Papilomavírus Humano na Carcinogênese Bucal, Luciana Estevam Simonato1 , Glauco Issamu Miyahara, 2007 - NEVILLE, Brad. Patologia Oral e Maxilofacial. 4.ed. Elsevier. 2016. OBJETIVOS: -Identificar a epidemiologia e os fatores de risco do câncer da laringe. -Descrever as apresentações clinicas, diagnóstico, fatores prognósticos e princípios terapêuticos do câncer da laringe. -Discutir o impacto do tratamento cirúrgico sobre a vida social do paciente e descrever as formas de reabilitação. - A laringe (onde estão localizadas as cordas vocais) é o órgão da voz e fica entre a parte posterior da língua e a traqueia. Além da fala, ela é importante para a proteção dos brônquios e pulmões de partículas de alimentos durante a deglutição. - A laringe é dividida em: ♥ Supraglote, que fica acima das cordas vocais e contém a epiglote, responsável por fechar a laringe durante a deglutição, encaminhando o alimento para o esôfago e impedindo a passagem de partículas para os pulmões. ♥ Glote, onde estão as cordas vocais; ♥ Subglote, localizada abaixo das cordas vocais. - Um tumor da laringe pode afetar a voz, a deglutição ou a respiração. EPIDEMIOLOGIA: - O câncer da laringe, por seus aspectos anatômicos e embriológicos, é o que proporciona os maiores índices de cura dentre as neoplasias da via aerodigestiva superior. - O câncer de laringe tem distribuição universal, ocorre na sétima década de vida e é mais prevalente em homens em uma proporção de 6:1, embora haja uma incidência crescente entre as mulheres devido ao hábito do fumo. - Dentre as neoplasias de cabeça e pescoço, esta merece destaque por apresentar boas possibilidades de cura quando diagnosticada precocemente. ♥ Entretanto, 90% dos pacientes não tratados evoluem para óbito em menos de três anos. - O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma epidermóide. - Também podem ocorrer outros tipos de câncer, embora sejam bem mais raros (5%): ♥ carcinoma indiferenciado, ♥ anaplásico, ♥ carcinoma de células basais, ♥ linfoepitelioma, ♥ carcinoma adenóide cístico e, ainda, ♥ neoplasias do tecido conjuntivo. - A região glótica, onde estão as pregas vocais, é a mais frequentemente acometida e, devido aos sintomas originados por uma pequena alteração que compromete a fisiologia da prega vocal, causando a disfonia, permite que o diagnóstico precoce seja feito. ♥ Caso a disfonia persista por mais de duas semanas, ela deve ser avaliada. - De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 6.470 novos casos de câncer de laringe em homens e 1.180 em mulheres para cada ano do triênio 2020-2022. - O risco estimado para a população brasileira é de 6,20 casos novos a cada 100 mil homens e de 1,06 casos novos a cada 100 mil mulheres. - Praticamente todos os cânceres de laringe originam-se nas células escamosas, que revestem o interior do órgão e são chamados de carcinomas de células escamosas ou espinocelulares. - Os tumores da laringe não costumam causar sintomas no início, a não ser quando ocorrem nas cordas vocais. ♥ Se for diagnosticado e tratado em fase inicial, o câncer de laringe pode chegar a 90% de chance de cura. - Constitui a décima primeira neoplasia maligna mais frequente, tendo uma estimativa de incidência ajustada por idade pela população mundial de 5,7/100 mil - Ocorre predominantemente em homens acima de 40 anos e é um dos mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço. - Representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas - A ocorrência pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão: ♥ supraglote, glote e subglote. o Aproximadamente