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ABA APLICADA AO AUTISMO SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 O MÉTODO ABA (APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS) – ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA ......................................................................... 4 ASPECTOS CONCEITUAIS DA ABA .................................................... 7 ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA AO AUTISMO ..................... 9 QUANDO SE DEVE IMPLEMENTAR UM PROGRAMA ABA .............. 12 EM QUE CONSISTE UM PROGRAMA ABA ....................................... 15 MANEJO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS DE CRIANÇAS NO ESPECTRO AUTISTA .............................................................................. 20 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM ............................................................................................... 25 PRÁTICAS DE ENSINO BASEADAS EM EVIDÊNCIA PARA PESSOAS COM AUTISMO .............................................................................................. 29 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 36 INTRODUÇÃO A terapia ABA é uma abordagem terapêutica cientificamente fundamentada que gira em torno de princípios comportamentais. Seu objetivo principal é avaliar e alterar comportamentos, promovendo a independência e o crescimento educacional das crianças. Este método é caracterizado pela sua organização meticulosa, natureza personalizada e confiança em evidências empíricas. Simplificando, cada sessão é adaptada às necessidades específicas e ao progresso de cada indivíduo, tendo em conta as suas características e circunstâncias únicas. A natureza personalizada da Terapia ABA é um dos seus benefícios mais significativos. Através de uma avaliação inicial completa, os terapeutas determinam os objetivos da intervenção e criam um plano de tratamento personalizado que atenda às necessidades únicas de cada criança. Essa abordagem individualizada garante que a terapia seja projetada especificamente para atender às habilidades, interesses e desafios da criança. A terapia ABA tem versatilidade para ser utilizada em diversos ambientes, incluindo domicílio, escola ou clínicas especializadas. A criança recebe orientação direta de um terapeuta certificado que lidera as sessões de terapia. Além disso, a família desempenha um papel crucial no processo, colaborando ativamente com os terapeutas e incorporando estratégias nas rotinas diárias da criança. Há uma riqueza de pesquisas científicas que apoiam a eficácia da terapia ABA. Numerosos estudos demonstraram sua capacidade de produzir avanços substanciais na comunicação, habilidades sociais, comportamento adaptativo e redução de comportamentos problemáticos. A abordagem visa promover o crescimento em domínios cruciais, incluindo comunicação, habilidades interpessoais, independência individual e comportamentos adaptativos. Além disso, se esforça para diminuir comportamentos indesejáveis, como agressão, estereótipos e danos auto infligidos. Empregando uma estratégia metódica enraizada na análise do comportamento, transmite habilidades e mitiga comportamentos problemáticos. O conceito fundamental por trás da ABA é promover comportamentos funcionais e aprimorar as habilidades existentes, ao mesmo tempo que ensina e modela novas habilidades para garantir que o indivíduo possa se envolver efetivamente com a sociedade em todos os ambientes que encontrar. À medida que os pais se envolvem no trabalho acima mencionado com os seus filhos, recebem formação e apoio, reconhecendo que os desafios enfrentados por uma criança autista vão além do indivíduo e afetam toda a família. Além disso, reconhece-se que as crianças apresentam comportamentos distintos em ambientes clínicos e em casa, sublinhando a importância da capacidade dos pais para resolver os problemas e obstáculos dos seus filhos no ambiente doméstico. O MÉTODO ABA (APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS) – ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA O método conhecido como Análise Aplicada do Comportamento, ou ABA, é derivado do campo científico do Behaviorismo. ABA se concentra na relação entre o meio ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem. Através da observação, análise e explicação, a ABA visa modificar o comportamento através do desenvolvimento de um plano de ação. Para crianças com autismo, a ABA é frequentemente chamada de Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a oficina do autismo apresenta resumidamente a definição de ABA. O que é Análise do Comportamento Aplicada - ABA?. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=JgNXlX_oLyQ. Acesso em 26 de fev de 2024. https://www.youtube.com/watch?v=JgNXlX_oLyQ “aprendizagem sem erros”. Esta abordagem envolve reconhecer e reforçar as respostas corretas da criança numa fase inicial, reduzindo gradualmente o nível de apoio até que a criança possa responder de forma independente. O objetivo é estabelecer uma forte ligação entre o comportamento alvo e a capacidade da criança de responder com precisão. A utilização da Análise Aplicada do Comportamento no contexto do autismo gira em torno de uma série de ações sequenciais. Estas etapas incluem o fornecimento de instruções iniciais e imediatas, garantindo uma elevada probabilidade de sucesso, desaparecendo gradualmente as explicações anteriores, permitindo ao aluno responder de forma independente, reduzindo a frustração individual e aumentando a motivação. Ao refinar essas afirmações e diferenciá-las de outros tipos de comportamento, podemos concluir que o comportamento verbal é um processo em que a assistência se confunde com a presença de outras pessoas que foram especificamente influenciadas por uma sociedade que valoriza a comunicação verbal, reforçando assim o comportamento de o orador (PETERSON, 1978). O processo de terapia ABA implica uma abordagem focada e precisa para promover as habilidades e capacidades necessárias que são cruciais para que os indivíduos com autismo cultivem a sua autossuficiência e alcancem avanços no seu bem-estar geral. Essas habilidades instruídas abrangem comportamentos que desempenham um papel fundamental no crescimento e na integração de indivíduos com autismo. No processo de intervenções comportamentais, a aquisição de competências normalmente ocorre dentro da dinâmica entre professor e aluno. Isso ocorre por meio da implementação de instruções e do gerenciamento colaborativo, comumente chamado de aprendizagem sem erros. O aluno tem múltiplas oportunidades de praticar e mostrar suas habilidades sem cometer erros em vários cenários da vida real. O método ABA distingue-se pela utilização de reforços positivos para alcançar os resultados desejados. Esta terapia é essencial porque permite avanços em diversas áreas, incluindo contato visual, comunicação social, atividades da vida diária e habilidades fundamentais como leitura, escrita e matemática. Além disso, reduz efetivamente comportamentos indesejáveis, como automutilação, agressão física e verbal, estereótipos e resistência a comandos. Nesta terapia, uma técnica conhecida de Ensino por Tentativas Discretas ( Discrete Trial Training - DTT) é utilizada para ensinar diversas metodologias. O terapeuta mantém o controle sobre a situação de ensino, adaptando sua abordagem para atender às necessidades do aluno e aprimorar seu aprendizado dos comportamentos atuais. A DTT concentra-se em dividir os comportamentos em componentes individuais para o ensino isolado (SMITH, 2001). A metodologia envolve tentativas repetidas, que são iniciadas pelo terapeuta fornecendo as ferramentas necessárias e captando a atenção da criança. Antes que a criança reaja, uma pergunta ou orientação é introduzida.Segue-se uma breve pausa para permitir a resposta e, por fim, o terapeuta reforça a resposta, corrigindo eventuais erros ou falta de resposta com base no progresso do aluno com as informações fornecidas. Sugestão de leitura... Neste livro Princípios Básicos de Análise do Comportamento, os autores proporcionam ao leitor uma visão global do comportamento humano. Amplamente baseada e ilustrada com pesquisas científicas derivadas da Análise do Comportamento Aplicada (ABA). MOREIRA, Márcio Borges. MEDEIROS, Carlos Augusto. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. Porto Alegre: Artmed; 2ª edição (27 setembro 2018). ASPECTOS CONCEITUAIS DA ABA Quando Skinner (1972) iniciou sua pesquisa psicológica, o termo ABA ainda não havia sido cunhado, apesar de a Análise do Comportamento ter suas raízes na década de 1930. No início, os estudos de Skinner focaram na Análise Experimental do Comportamento, utilizando uma nova abordagem experimental. Esta pesquisa abrangeu as décadas de 1940 e 1950, período durante o qual a estrutura experimental sofreu uma expansão significativa, levando em última análise ao estabelecimento de uma estrutura mais eficaz. O surgimento de uma nova hipótese no campo da Psicologia, a partir do desenvolvimento da Análise do Comportamento, levou à realização de investigações em ambientes sociais como hospícios, hospitais e penitenciárias. Apesar de inicialmente carecerem de credibilidade e reconhecimento generalizado, estas investigações abriram caminho para um foco na investigação do autismo na década de 1970, com a Análise Aplicada do Comportamento (ABA) assumindo a liderança. Em 1938, Skinner introduziu o conceito de Condicionamento Operante em seu livro "O Comportamento dos Organismos". Esta descoberta destacou o uso de mecanismos para modificar o comportamento e melhorar a aprendizagem. O Condicionamento Operante envolve estímulos de reforço que aumentam a probabilidade de ocorrência futura de um determinado comportamento. O impacto da Análise Aplicada do Comportamento (ABA) no campo da intervenção no Autismo, particularmente nos Estados Unidos, tem sido significativo. Isto levou à criação de centros especializados, à criação de cursos para pais, profissionais e até mesmo indivíduos sem formação específica na área. ABA tornou-se intimamente associada ao tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). No entanto, é crucial reconhecer que a ABA não pode ser confinada a um único parâmetro, técnica ou abordagem pragmática. Compreender a verdadeira essência da ABA requer o reconhecimento das suas raízes na ciência experimental e da necessidade de uma aplicação mais ampla de conceitos e estratégias. Isto exige uma definição clara do termo "Aplicado" e a eliminação de quaisquer equívocos ou simplificações excessivas. Skinner (1953) desenvolveu um conjunto de definições para descrever os numerosos aspectos práticos da fala, aos quais ele se referiu como "operantes verbais". De acordo com Skinner, os indivíduos devem possuir conhecimento prévio de comparações de palavras em todas as categorias funcionais para compreender e adotar totalmente a linguagem. Uma observação intrigante é que o termo "Comportamento Verbal" (VB) de Skinner também pode ser aplicado a indivíduos que se comunicam por meio de linguagem de sinais ou CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa), em vez de linguagem verbal. Em um artigo discutindo a Análise do Comportamento (BAER, WOLF, RISLEY, 1968), os autores delinearam os princípios que deveriam reger as técnicas utilizadas pelos analistas do comportamento. Enfatizaram a importância da “Aplicação” no que diz respeito à qualidade da prática científica. Isto envolve a utilização de ideias e ferramentas comprovadas para abordar questões práticas enfrentadas pelos pacientes, garantindo que o analista esteja atento às suas necessidades específicas, ao mesmo tempo que se baseia em intervenções cientificamente testadas. Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, Paula Barcellos apresenta conceitos iniciais de análise do comportamento e suas aplicações no TEA. WebPalestra: Intervenção em Análise do Comportamento Aplicada no Tratamento do Espectro Autista. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=l-GSIkPpEc4. Acesso em 26 de fev de 2024. https://www.youtube.com/watch?v=l-GSIkPpEc4 ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA AO AUTISMO A utilização da ABA vai além de sua aplicação como intervenção para crianças com autismo. Sua eficácia pode ser aproveitada em diversas áreas, desde o tratamento de transtornos alimentares até o gerenciamento do trânsito (PEREIRA, 2019). ABA, também conhecida como Análise Aplicada do Comportamento, é uma intervenção terapêutica que utiliza técnicas de reforço para aprimorar as habilidades sociais, de comunicação e de aprendizagem. Ele não apenas melhora os comportamentos adaptativos gerais, como habilidades sociais e de aprendizagem, mas também visa habilidades específicas, como destreza motora fina, higiene, higiene e muito mais. Embora alguns se refiram a ela como Terapia Comportamental do Autismo, é importante ressaltar que a ABA possui diversas aplicações (ROCHA, 2018). A terapia ABA provou ser benéfica para indivíduos de todas as idades que enfrentam desafios psicológicos, independentemente do ambiente em que se encontram, sejam escolas, residências ou clínicas. Além disso, a investigação demonstrou que a terapia ABA regular e contínua pode levar a melhorias substanciais nas competências e comportamentos positivos, reduzindo, em última análise, a necessidade de serviços especializados a longo prazo (ROCHA, 2018). Nos últimos anos, houve uma expansão significativa da Análise Aplicada do Comportamento (ABA), uma coleção de diversos métodos e estratégias destinadas a ajudar crianças com autismo. Os princípios fundamentais da terapia comportamental, que envolvem o reforço de comportamentos positivos, são amplamente utilizados para facilitar o desenvolvimento de habilidades que podem não surgir naturalmente em crianças autistas. Além disso, essas técnicas também são utilizadas para diminuir comportamentos prejudiciais, como a automutilação, que representam um risco ao seu bem-estar (ANDRADE, et al., 2014). O exame do comportamento pelos analistas do comportamento envolve uma análise dos fatores que levam a certos comportamentos e aos resultados que se seguem. A partir desta análise, as intervenções são formuladas e implementadas. Estas intervenções são concebidas para atingir vários domínios de competências, incluindo comunicação e linguagem, competências sociais, comportamentos de autocuidado, brincadeiras e lazer, competências motoras e competências de aprendizagem e académicas (ROCHA, 2018). O terapeuta emprega um plano de ensino sistemático que disseca cada habilidade em etapas gerenciáveis e tangíveis. Essas etapas são ensinadas sequencialmente, começando com a tarefa básica de imitar sons individuais e progredindo gradualmente para tarefas mais complexas, como conversar. Para acompanhar o avanço do seu filho, os dados são coletados durante cada sessão de terapia. Esses dados servem como uma medida contínua do progresso em direção às metas estabelecidas. Para planejar e adaptar com eficácia as estratégias e objetivos de ensino, o terapeuta reúne-se regularmente com os membros da família para discutir informações sobre o progresso. Rocha (2018) descreve cinco técnicas valiosas no âmbito da Análise Aplicada do Comportamento que podem ser utilizadas para alcançar os resultados desejados em crianças que podem se beneficiar da modificação do comportamento. Reforço positivo: Uma criança com necessidades especiais que enfrenta dificuldades de aprendizagem ou interação social pode não saber como responder em determinadassituações. Uma maneira de encorajar comportamentos sociais positivos envolve o uso de reforço positivo imediatamente para encorajar o comportamento no futuro. Reforço negativo: Quando ocorrem comportamentos desadaptativos, o comportamento precisa ser corrigido imediatamente. Uma boa maneira de corrigir o mau comportamento é remover um objeto ou atividade desejada da criança. Esta é uma forma de punição não aversiva. Mais importante ainda, o reforço negativo deve ser consistente para que a criança entenda a relevância da ação e da consequência Usando prompts e sugestões: Prompts são dicas visuais ou verbais usadas para encorajar um determinado comportamento. As dicas verbais são lembretes gentis, enquanto as dicas visuais são ainda menos diretas e podem ser um gesto ou um olhar. A criança verá essa deixa e será lembrada de se comportar de maneira simples. Exemplos podem ser tirar os sapatos ao entrar em casa ou lavar as mãos antes de uma refeição. A ideia é, eventualmente, apagar os prompts quando a criança não precisar mais deles. As instruções podem ser úteis porque normalmente não são intimidadoras ou acusatórias. Análise de tarefas: Este é um modelo de análise das tendências e ações comportamentais atuais para ajudar a aprender sobre o paciente em vez de corrigir ou reforçar o comportamento. O psicólogo dá uma tarefa para a criança e observa como ela a executa. Esta análise é dividida em várias categorias: ações físicas, ações cognitivas, repetição, alocação, ambiente. Depois que o terapeuta analisa como a criança executa as tarefas, essa informação é usada para facilitar outras tarefas para a criança em particular, dividindoas em etapas que serão facilmente compreendidas pela criança. Generalização: Por meio desse modelo, o terapeuta pega o que a criança aprendeu em uma instância e aplica em outras instâncias. Por exemplo, se uma criança sabe dizer o alfabeto ao cantá-lo, o psicólogo infantil pode pegar seu conhecimento do alfabeto e tentar aplicá-lo para ensinar a criança a soletrar seu nome. Quem realmente colhe os frutos da atenção individualizada e única são as crianças que necessitam de assistência especial. Os analistas do comportamento aplicado empregam uma variedade de métodos, incluindo, mas não se limitando aos mencionados, para orientar essas crianças em direção à autossuficiência, estabilidade emocional e contentamento geral à medida que crescem na idade adulta. Uma vantagem notável da Análise Aplicada do Comportamento (ABA) quando se trata de crianças com autismo é a sua abordagem abrangente ao abordar todos os comportamentos relevantes, tanto excessivos como deficientes. Os analistas do comportamento permanecem focados sem serem desviados pelas inúmeras teorias que cercam as causas do autismo e os tratamentos correspondentes. Este foco inabalável permitiu o desenvolvimento e aprimoramento contínuos da abordagem ABA. Os programas de ABA atuais pouco se assemelham aos de duas décadas atrás, pois se tornaram cada vez mais adaptáveis, práticos e prazerosos para a criança (OLIVEIRA NETO, et al., 2013). QUANDO SE DEVE IMPLEMENTAR UM PROGRAMA ABA A partir do momento em que os sinais de atraso no desenvolvimento da aprendizagem se tornam aparentes, é crucial envolver uma criança no programa ABA. O programa ABA começa no conforto da casa da criança, mesmo durante a infância. Embora a intervenção precoce seja fundamental, esta abordagem também pode trazer vantagens para os indivíduos mais velhos, incluindo crianças e adultos. A abordagem, o currículo e as estratégias utilizadas nesta metodologia ABA também podem ser implementados em ambientes educacionais. Normalmente, as sessões dentro desta metodologia são conduzidas individualmente, com intervenções precoces muitas vezes consistindo em planos de ensino abrangentes que abrangem 30 a 40 horas por semana. Esta abordagem prioriza o reforço dos comportamentos desejados em vez de recorrer a medidas punitivas. É imperativo aderir a abordagens individualizadas na implementação das metodologias prescritas, tendo em conta as necessidades únicas de cada criança em relação às suas capacidades académicas, recreativas, linguísticas, sociais e físicas. O envolvimento ativo da família no programa é de extrema importância, pois contribui grandemente para o sucesso e progresso global da criança. Os pais de crianças com TEA ou desenvolvimento atípico podem se beneficiar da intervenção ABA, pois fornece orientação sobre como ensinar aos filhos comportamentos cotidianos, incluindo o uso do banheiro. Além disso, esta intervenção pode melhorar os padrões de sono dos seus filhos e promover o desenvolvimento de outras competências essenciais. O método ABA concentra-se em aprofundar as habilidades únicas e intensivas de cada indivíduo, a fim de promover a independência e melhorar a sua qualidade de vida geral. As sessões de terapia abrangem várias áreas de desenvolvimento de habilidades, incluindo comportamentos sociais como visualizar e perceber o ambiente, comportamentos acadêmicos, como aprimorar o raciocínio lógico e as habilidades de alfabetização, e rotinas de cuidados pessoais relacionadas à higiene. O tratamento para indivíduos com autismo pode efetivamente diminuir comportamentos autistas comuns, como estereotipias, agressões verbais ou físicas, medos e fugas. Essa redução é alcançada abordando o aspecto comportamental do indivíduo por meio do processo de ensino-aprendizagem. O tratamento comportamental da ABA tem como foco ensinar habilidades específicas ao aluno, com o professor dando comandos claros e garantindo um aprendizado livre de erros. Por meio da prática repetitiva e sem erros, o aluno gradualmente internaliza e exibe um comportamento adequado, levando a resultados de aprendizagem bem-sucedidos. Profissionais especializados em análise do comportamento possuem o treinamento necessário para se envolverem em análises abrangentes do comportamento, abrangendo tanto pesquisas experimentais quanto intervenções práticas. Estes especialistas aderem a um conjunto de princípios éticos que regem a sua prática e estão empenhados em empregar intervenções baseadas em evidências derivadas de investigação experimental controlada. Sua experiência se estende à abordagem de comportamentos de complexidade variada, garantindo resultados eficazes (CAMARGO, 2013) Os psicólogos especializados em análise do comportamento são profissionais licenciados que se esforçam constantemente para aprimorar suas qualificações nessa área. A busca pelo conhecimento sobre a compreensão e modificação do comportamento humano leva à criação de investigações enraizadas na análise do comportamento. Estas investigações visam desenvolver metodologias inovadoras e estratégias de intervenção para comportamentos que recebem atenção significativa como os observados nas atividades escolares das crianças interações interpessoais e vida cotidiana. A técnica envolve a utilização de reforçadores, que podem ter consequências positivas ou negativas, como componente chave. A partir da resposta, o aluno tem potencial para receber um brinquedo ou realizar uma atividade preferida, entre outras possibilidades. É importante ressaltar que o objetivo dessas consequências é estimular o desenvolvimento do comportamento natural da criança e garantir consistência no processo de ensino. Ao empregar esta abordagem, pode-se avaliar o seu progresso de forma eficaz. O programa do método ABA normalmente começa durante os primeiros anos de vida, dentro dos limites familiares de casa. A impressão inicial tem um peso significativo e a abordagem empregada tanto para jovens como para adultos produz resultados positivos. Além disso, as técnicas, metodologias e currículo podem ser implementados não apenas nos agregados familiares, mas também nas instituiçõeseducativas. A criação de conteúdos educativos para as sessões depende das características únicas das crianças. As estratégias implementadas abrangem diversos aspectos do desenvolvimento, como crescimento social, linguístico, cognitivo e psicomotor. A utilização de recursos tangíveis meticulosamente elaborados promove a aquisição de conhecimento para indivíduos com autismo. Ao longo do programa, é fundamental dar apoio aos pais ou responsáveis, capacitando-os para facilitar o progresso dos seus filhos. EM QUE CONSISTE UM PROGRAMA ABA O processo de avaliação é um componente essencial na implementação de um programa de intervenção comportamental (COOPER, HERON, & HEWARD, 2007; KAHNG et al., 2011; SARAFINO, 2012). É crucial priorizar comportamentos socialmente relevantes como comportamentos alvo da intervenção (BAER, WOLF, & RISLEY, 1968). O processo de avaliação comportamental é fundamental na identificação dos comportamentos alvo. Nesse processo, o foco está principalmente na compreensão da função dos comportamentos, em vez de confiar apenas em escores psicométricos (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). É importante notar que o comportamento só pode ser estudado de forma abrangente examinando a interação entre o comportamento e o ambiente, especificamente as contingências (SKINNER, 1953; TODOROV, 2007). A realização de uma análise funcional permite identificar as relações entre um comportamento, seus antecedentes e suas consequências. Ao alterar os diversos fatores que influenciam o comportamento e posteriormente observar o impacto resultante sobre esse comportamento, torna- se possível reunir dados mais confiáveis sobre as conexões entre o ambiente e o comportamento específico que está sendo estudado (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). Sarafino (2012) sugere que uma vez identificado o comportamento alvo, a análise funcional pode ser utilizada como uma ferramenta para determinar quais fatores anteriores contribuem para o déficit ou excedente comportamental, bem como como o próprio comportamento alvo funciona para produzir o reforço. que o sustenta. Vale ressaltar que um comportamento pode ser definido tanto pela sua função quanto pela sua manifestação física. Ao analisar o comportamento, a sua função é determinada pelos resultados que produz no ambiente circundante, essencialmente como se enquadra na situação geral. Por outro lado, a topografia do comportamento refere-se às suas características visíveis, especificamente aos atributos físicos que o definem. A diferenciação entre comportamentos é crucial na condução de uma análise funcional, apesar da importância da descrição física de um comportamento num programa de intervenção ABA. Isso ocorre porque comportamentos considerados socialmente aceitáveis ou inaceitáveis podem servir ao mesmo propósito, embora com manifestações físicas variadas (KAHNG et al., 2011). As responsabilidades de um analista do comportamento envolvem reconhecer as contingências que estão em jogo (ou deduzir quais podem estar presentes ou necessárias) quando confrontado com comportamentos específicos ou processos comportamentais em curso. Além disso, eles têm a tarefa de sugerir, gerar ou implementar relações de contingência para facilitar o desenvolvimento de processos comportamentais específicos. Ao manipular contingências, torna-se possível estabelecer ou introduzir comportamentos, modificar padrões (incluindo taxa, ritmo, sequência e espaçamento) e diminuir, enfraquecer ou erradicar comportamentos do repertório de um organismo (De Souza, 2001). Lafrance (2018) afirma que a intervenção em Análise Aplicada do Comportamento deve abranger mais do que apenas a criação de programas que visem diminuir comportamentos indesejados. É igualmente importante que o analista comportamental estabeleça objetivos para promover comportamentos socialmente adaptativos. Segundo Sarafino (2012), as intervenções da ABA visam dois tipos de comportamentos: os excessos comportamentais, que são comportamentos indesejáveis que ocorrem com frequência, intensidade ou por longos períodos de tempo; e déficits comportamentais, que são comportamentos desejáveis que não são realizados com frequência, com intensidade, qualidade ou duração. Com base nos experimentos de aprendizagem animal de Edward Lee Thorndike, Skinner (1953) introduziu o conceito de condicionamento ou modelagem operante, que envolve a aquisição de novos comportamentos pelo organismo. Conforme discutido anteriormente, os comportamentos existentes no repertório de um organismo são reforçados, punidos ou extintos. Por outro lado, a aprendizagem de novos comportamentos ocorre através do processo de reforço diferencial de aproximações sucessivas de um comportamento existente, conhecido como modelagem (CATANIA, 1999; MOREIRA; MEDEIROS, 2007; SKINNER, 1953, 1974). O estabelecimento do comportamento aprendido final é alcançado através do reforço diferencial de uma resposta preexistente. Eventualmente, esta resposta preexistente não é mais reforçada, levando à variabilidade no comportamento do organismo devido à extinção. Um comportamento subsequente, mais próximo da resposta final desejada, é então reforçado até que o comportamento final modelado seja alcançado (Catania, 1999; Moreira; Medeiros, 2007). Segundo de Souza (2001), o reforço diferencial estabelece o controle discriminativo ao colocar o comportamento sob a influência de um estímulo específico, conhecido como estímulo discriminativo (SD). Na presença de outros estímulos (Sdelta), o comportamento se extingue. No campo da Análise Aplicada do Comportamento (ABA), os déficits de comportamento são abordados por meio do processo de modelagem. O treinamento discriminativo é empregado para condicionar uma resposta quando um estímulo específico (SD) está presente, reforçando o comportamento desejado na presença desse estímulo e extinguindo-o na presença de outros estímulos. Como o comportamento alvo é tipicamente aquele que falta ao indivíduo em seu repertório, o processo de modelagem muitas vezes começa com uma versão básica do comportamento e progride em direção ao objetivo final (Sarafino, 2012). Em seu trabalho publicado em 1953, Skinner enfatiza o conceito de controle de estímulos e como ele se estende a outros estímulos que compartilham propriedades semelhantes. Este fenômeno, conhecido como generalização, confirma que outros estímulos também podem provocar uma resposta. Juntamente com os processos de modelagem, a aprendizagem também pode ocorrer através de vários outros métodos. A aprendizagem observacional, conforme descrita por Catania (1999), envolve a observação direta do comportamento de outro organismo e das consequências resultantes. Vai além da mera imitação, pois o comportamento do observador é influenciado pelo comportamento daquele que está sendo observado. No processo de aprendizagem observacional, é importante que o observador não apenas observe o comportamento alvo, mas também faça distinções sutis entre as diferentes ações e seus resultados executados por outro organismo. Além disso, a própria história do observador e as experiências anteriores com ações semelhantes desempenham um papel neste processo de aprendizagem (1999). Segundo Skinner (1974), a aprendizagem também pode ocorrer através da adesão às instruções. As instruções, conforme definidas por Skinner, são estímulos verbais que delineiam relações de contingência e funcionam como regras. O comportamento que é influenciado por essas dicas verbais é denominado comportamento governado por regras, conforme afirma Catania (1999). A adesão às regras é um componente essencial na manutenção da cultura e da civilização humanas, pois permite aos indivíduos adquirir conhecimento sem os riscos associados à exposição direta a situações potencialmente perigosasou impraticáveis (CATANIA, 1999; SKINNER, 1974). Geralmente, a aprendizagem por meio da observação e instrução facilita uma aquisição mais rápida de comportamentos em comparação à interação direta com contingências (POSTALLI, 2018). Por outro lado, técnicas alternativas são empregadas na Análise Aplicada do Comportamento (ABA) para diminuir comportamentos excessivos. Segundo Sarafino (2012), o primeiro passo para extinguir um comportamento é identificar todos os reforçadores associados a esse comportamento. Uma vez identificados, o objetivo é eliminar esses reforçadores. Contudo, pode ser difícil ou impraticável controlar todas as consequências reforçadoras, especialmente em casos de reforço automático que não dependem de mediação social. Ao implementar a extinção, os analistas do comportamento também devem planejar os efeitos potenciais, como um aumento repentino na frequência de respostas e reações emocionais (Sarafino, 2012). O reforço diferencial, uma técnica comumente empregada para o desenvolvimento de novos padrões comportamentais, também é utilizado como método para diminuir comportamentos indesejados. Sarafino (2012) observa que o termo “reforço diferencial” abrange múltiplas interpretações. Pode referir-se ao reforço de uma resposta em circunstâncias específicas, ao mesmo tempo que se retém o reforço noutras, ou pode envolver o reforço de certos tipos ou categorias de respostas, ignorando outras. Para diminuir a ocorrência de um determinado comportamento através do uso de reforço diferencial, o comportamento deixa de ser reforçado e passa a ser colocado em extinção, enquanto uma resposta alternativa é recompensada. Outra abordagem para diminuir comportamentos problemáticos é manipular os fatores que os precedem. De acordo com Smith (2011), várias abordagens podem ser utilizadas para abordar o comportamento, incluindo estratégias que diminuem a motivação, métodos que indicam resultados diferentes e técnicas que dificultam fisicamente o comportamento. Embora cada intervenção tenha as suas vantagens e desvantagens, todas elas partilham a característica comum de serem implementadas antes da ocorrência do comportamento problemático. MANEJO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS DE CRIANÇAS NO ESPECTRO AUTISTA Comportamentos que impedem a capacidade de adaptação ao ambiente são predominantes entre indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. Esses comportamentos têm o potencial de impactar a segurança, a interação social, o bem-estar e a aprendizagem de crianças com autismo, bem como limitar enormemente a vida desses indivíduos e de suas famílias (Carr & Durand, 1985). Ao considerar a paisagem, estes comportamentos manifestam-se normalmente como explosões, automutilação ou danos a outros, desafio e atos de destruição. Do ponto de vista funcional, crianças com TEA frequentemente se envolvem nesses comportamentos como forma de evitar tarefas, obter itens desejados, fugir de estímulos sensoriais ou buscar a atenção de outras pessoas (CARR; DURAND, 1985; YANG et al., 2017). A correlação entre habilidades de comunicação e problemas comportamentais segue um padrão inverso, ou seja, crianças com habilidades expressivas limitadas tendem a apresentar comportamentos mais perturbadores (MICHEL, 2018). Michel (2018) conduziu um estudo sobre o impacto do Treinamento Funcional de Comunicação em comportamentos disruptivos e descobriu que é uma estratégia eficaz para reduzir tais comportamentos em crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) durante situações relacionadas a tarefas e aumentar sua resposta aos comandos verbais. As observações feitas durante as visitas escolares revelaram que os comportamentos perturbadores apresentados pelas crianças participantes normalmente serviam para evitar tarefas ou atividades atribuídas, procurar atenção social ou obter acesso a itens de reforço. Utilizando a ferramenta Avaliação de Habilidades Básicas de Aprendizagem Revisada (ABLA-R), o pesquisador identificou duas tarefas, uma de dificuldade moderada e outra desafiadora, para cada criança envolvida no estudo. Ao realizar análises funcionais sob três condições diferentes (criança recebendo demanda, criança brincando livremente sem a atenção do motorista e criança brincando livremente com a atenção do motorista), Michel (2018) descobriu que comportamentos perturbadores, como se jogar no chão, empurrar tarefas materiais, gritar, chorar, choramingar e atirar objetos ocorreram com maior frequência quando uma tarefa difícil foi apresentada. Com base nesses achados, a intervenção Treinamento Funcional de Comunicação (FCT) foi implementada para diminuir a ocorrência desses comportamentos e aumentar o uso de comportamentos verbais com o mesmo propósito. Com base na pesquisa realizada por Carr e Durand (1985, citado em MICHEL, 2018), a FCT é um método de intervenção comportamental que se concentra em ensinar aos indivíduos respostas alternativas ao comportamento perturbador. Estas respostas alternativas produzem o mesmo tipo de reforço que os comportamentos perturbadores. Como resultado, quando os comportamentos perturbadores não são reforçados, é provável que diminuam e eventualmente deixem de ocorrer. Durante as sessões, caso a criança apresentasse algum comportamento perturbador destinado a evitar tarefas, o experimentador implementava um procedimento de extinção, fornecendo prontamente à criança a resposta verbal apropriada (por exemplo, "Quero parar"). Se a criança fornecesse a resposta desejada, o experimentador reconhecia verbalmente e removia temporariamente a tarefa por um período de 30 segundos. Michel (2018) concluiu que o treinamento produziu resultados positivos ao diminuir comportamentos perturbadores e promover respostas verbais entre todas as crianças envolvidas no estudo. No entanto, é crucial alargar as conclusões deste estudo a diferentes ambientes, incluindo escolas e famílias. Fisher et al. (2019) conduziram um estudo que empregou diversas técnicas de reforço para diminuir a resistência à mudança de comportamento. Esses comportamentos são comumente observados em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme descrito na CID-11 (OMS, 2019) e no DSM-5 (APA, 2022). Indivíduos com este diagnóstico frequentemente exibem padrões de comportamento inflexíveis ou ritualísticos, demonstrando uma forte preferência pela adesão a rotinas ou objetos consistentes. No estudo realizado por Fisher et al. (2019), observou-se que determinados comportamentos tendem a persistir mesmo quando são implementados programas de reforço para incentivar a adoção de comportamentos alternativos, apesar da presença de consequências negativas. No caso das crianças envolvidas no estudo, dois fatores ambientais foram potencialmente ligados à inclinação para comportamentos resistentes. Em primeiro lugar, os comportamentos resistentes podem resultar num reforço automático que não é experimentado com respostas alternativas, pois permitem aos indivíduos evitar mudanças no seu ambiente. Com base na pesquisa realizada por Gomot e Wicker (2012, conforme citado em FISHER et al., 2019), observou-se que as crianças que estão no espectro do autismo enfrentam desafios quando se trata de antecipar e gerenciar eventos em seu entorno. Essa dificuldade pode levar a uma reação negativa a quaisquer mudanças em seu ambiente. Além disso, quando essas respostas resistentes se tornam o único foco, cria-se um padrão de reforço que impede a criança de experimentar os resultados positivos que podem resultar do envolvimento em comportamentos alternativos (FISHER et al., 2019). Conforme relatado pelos cuidadores das crianças envolvidas na pesquisa, quando solicitadas ou orientadas a modificar determinados elementos de suas rotinas diárias (como usar roupas adequadas parao frio ou utilizar utensílios diferenciados), todas as crianças apresentaram comportamentos perturbadores. Esses comportamentos incluíam ações prejudiciais, despir-se, gritar e atirar-se ao chão. Fisher et al. (2019) realizaram um estudo composto por quatro etapas. A primeira etapa estabeleceu uma linha de base, durante a qual as crianças tiveram a liberdade de escolher entre um item associado a uma resposta resistente e um item associado a uma resposta alternativa. Cada item estava vinculado a recompensas de tamanho médio. Por exemplo, foi pedido às crianças que escolhessem calças ou calções para usar no tempo frio e foram autorizadas a brincar com blocos de construção depois de fazerem a sua escolha. O segundo passo envolveu vincular os itens “alternativos” a recompensas substanciais, como um tablet, enquanto os itens “resistivos” não ofereciam quaisquer reforços. As regras de cada uma dessas etapas foram explicadas às crianças pela pesquisadora, com afirmações como: “Se você escolher a calça, terá a oportunidade de brincar com o tablet. para jogar neste momento." A terceira etapa seguiu o mesmo processo da segunda etapa, com a ressalva de que a criança foi orientada para o item alternativo pelo aplicador após a indicação da regra. Passando para a quarta etapa, foi introduzido apenas o item alternativo, acompanhado de um estímulo altamente recompensador. Se fossem exibidos comportamentos perturbadores, o reforço seria retido (Fisher et al., 2019). Durante a fase inicial, ficou evidente que todos os participantes tinham uma capacidade limitada de adaptação às mudanças. Na fase subsequente, quando foi introduzido o reforço diferencial, houve uma ligeira melhoria no nível de tolerância à mudança observada em duas das crianças. Durante os estágios três e quatro, em situações em que a criança não tinha meios de escapar, seja através de orientação direta ou da remoção de quaisquer opções de resistência, todos os participantes selecionaram voluntária e persistentemente a resposta alternativa. Através da combinação entre o reforço de comportamentos alternativos e a eliminação de comportamentos de fuga, os investigadores alcançaram com sucesso resultados significativos e gratificantes nos seus esforços para intervir em comportamentos que eram resistentes à mudança (Fisher et al., 2019). Na sua exploração de métodos para abordar a seletividade alimentar em crianças com autismo, Crowley et al. (2020) empregaram técnicas semelhantes às utilizadas no estudo realizado por Fisher et al. (2019). O objetivo era descobrir abordagens eficazes para tratar esta condição e promover o consumo de alimentos alternativos entre crianças seletivas. Durante as refeições, as crianças com autismo frequentemente apresentam padrões comportamentais rígidos, que podem incluir uma forte preferência por tipos específicos de alimentos, adesão estrita aos horários estabelecidos para as refeições, escolhas alimentares limitadas e recusa em comer com base em fatores relacionados à hipersensibilidade, como textura, cheiro ou sabor. As crianças nesta situação muitas vezes apresentam deficiências nutricionais e consomem dietas compostas por alimentos altamente processados que contêm quantidades excessivas de açúcar e sódio. Esse padrão alimentar aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver problemas graves de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, essas crianças podem apresentar comportamentos perturbadores, como automutilação, agressão a terceiros, recusa alimentar, acessos de raiva, cuspidas e vômitos, quando confrontadas com alimentos desconhecidos. Estes comportamentos podem desencorajar os cuidadores de introduzir novas opções alimentares (Crowley et al., 2020). Semelhante à pesquisa realizada por Fisher et al. (2019), Crowley et al. (2020) estruturaram seu estudo em fases distintas. A fase inicial envolveu livre escolha, onde os participantes foram presenteados com um alimento familiar juntamente com uma opção alternativa. Passando para a fase seguinte, conhecida como escolha assimétrica, o alimento alternativo foi associado a um estímulo altamente recompensador previamente avaliado, enquanto a alternativa resistiva não ofereceu nenhum reforço. Por fim, na terceira fase, os participantes receberam uma tarefa de escolha única, onde apenas o alimento alternativo foi apresentado para seleção. Caso a criança optasse pelo brócolis, ela teria acesso ao comprimido após mastigá-lo e ingeri-lo. Caso a criança não se movesse em direção à comida, o experimentador intervinha guiando a mão da criança em direção à opção alternativa. Nos casos em que a criança exibiu comportamentos como cuspir a comida ou induzir o vômito, o experimento foi temporariamente interrompido, sem repercussões verbais e sem acesso à recompensa. Após um período de espera, a tentativa seria retomada. Durante um caso, um comprimido foi apresentado a uma criança enquanto ela estava mastigando, resultando em uma diminuição notável no comportamento de cuspir comida. Em um estudo realizado por Crowley et al. (2020), descobriu-se que as crianças participantes do estudo experimentaram um aumento significativo na aceitação de opções alimentares alternativas, como brócolis, batata, milho e cenoura, que antes eram rejeitadas pelos seus cuidadores. De acordo com a análise dos autores, a conveniência de reforço associada a opções de alimentos substitutos potencialmente intensificou-se durante as fases iniciais dos cenários de escolha única devido aos resultados mais consistentes resultantes do consumo destes alimentos. Além disso, a introdução desses novos alimentos foi realizada de forma que priorizasse a segurança, com porções pequenas e uniformes, para evitar qualquer risco de engasgo e garantir uma exposição gradual ao novo estímulo (Crowley et al., 2020). Os resultados destas investigações ilustram a eficácia do emprego de técnicas de reforço diferencial e extinção, conforme descrito por Sarafino (2012), para diminuir comportamentos indesejados em crianças diagnosticadas com autismo. Além disso, sublinham a importância de explorar os mecanismos de reforço que sustentam estes comportamentos (Sarafino, 2012). ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM Skinner reconhece que a aprendizagem é facilitada por alterações nas ações observáveis. Segundo sua teoria, as modificações no comportamento são consequência direta das reações aos estímulos. A base de toda aprendizagem reside no ato de experimentação, e cada experiência de aprendizagem é guiada por circunstâncias vantajosas distintas. Ao considerar a educação de uma criança, é crucial que ela se envolva ativamente na aquisição de conhecimentos especializados numa determinada área. Esse processo, conforme afirma Costa et al. (2014), envolve esforço e dedicação da criança. O conceito de reforço arbitrário, neste contexto, refere-se a fatores externos que motivam o comportamento da criança, como receber um objeto desejado para atender a uma necessidade específica. Pelo contrário, o reforço intrínseco centra-se na ideia de que o próprio ato de aprender serve como uma experiência gratificante. Segundo Carrara (2004), é crucial criar ambientes de aprendizagem que possam produzir recompensas intrínsecas ou naturais. Contudo, é importante notar que o uso de recompensas arbitrárias é quase inevitável. Skinner (2003) sugere que o uso de recompensas arbitrárias deveria vir antes do uso de recompensas intrínsecas. Segundo Carrara (2004), Rose (1999) afirma que programas de ensino habilmente elaborados e alinhados com esses princípios têm um impacto significativo na facilitação da aprendizagem e na promoção do contentamento dos alunos com suas realizações. Mesmo nos casos em que são necessárias recompensas externas,um programa de ensino bem concebido tem a capacidade de cultivar um ambiente onde a aprendizagem e os seus resultados se tornam inerentemente reforçadores. Em outras palavras, os alunos podem desenvolver um prazer genuíno pela aprendizagem, transformando o próprio ato de aprender em uma experiência gratificante e uma recompensa pela participação ativa nas tarefas acadêmicas. Leia o artigo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste artigo Medeiros busca apresentar como as pessoas com autismo que são expostas ao método ABA aprendem com mais facilidade. E nesse prisma, verificar que metodologias os educadores podem utilizar para ensinar com excelência pessoas com autismo. MEDEIROS, Dailma da Silva. As contribuições da análise do comportamento (ABA) para a aprendizagem de pessoas com autismo: uma revisão da literatura. Estudos IAT, v. 6, n. 1, p. 63-83, 2021. Disponível em http://estudosiat.sec.ba.gov.br/index.php/estudosiat/article/view/268/346. Acesso em 23 de fev de 2024. http://estudosiat.sec.ba.gov.br/index.php/estudosiat/article/view/268/346 Para garantir que o conhecimento esteja firmemente estabelecido e que a aprendizagem seja bem-sucedida, é crucial abordar a modelagem comportamental de uma maneira diferente. A chave é manter um processo contínuo de reforço gradual, que aumente a capacidade de responder eficazmente. Segundo Matos (1993), a abordagem inicial envolve fornecer ao aluno toda a assistência necessária e, em seguida, reduzir gradualmente essa assistência ao longo do tempo. Além disso, é importante estabelecer padrões mínimos de desempenho e aumentar gradativamente as expectativas. Ao construir sequências longas passo a passo, é possível progredir. Finalmente, a frequência e a intensidade das recompensas externas devem ser gradualmente reduzidas. Ao modificar estímulos antecedentes, como instruções, situações, ilustrações e generalizações, é crucial aderir a dois critérios principais. Primeiramente, as modificações devem estar alinhadas ao desempenho do aluno, garantindo consistência. Em segundo lugar, as modificações devem ser relevantes e intimamente ligadas aos comportamentos que o aluno deseja adquirir, ao mesmo tempo que acompanham o seu progresso, o que será discutido mais adiante. Ao reconhecer a especificidade de cada aluno e reconhecer as suas histórias individuais, torna-se evidente o quão crucial é avaliar o seu repertório comportamental. A realização de uma análise funcional para compreender os pontos fortes e os obstáculos de cada aluno é imprescindível para estabelecer condições personalizadas para o seu desenvolvimento. Criar um ambiente físico e social propício é crucial para obter resultados de aprendizagem ideais. Este ambiente não só reforça a aprendizagem, mas também desempenha um papel significativo no ensino, influenciando padrões de comportamento com base na forma como o espaço é utilizado. Portanto, é imperativo cultivar um ambiente físico que incentive os alunos a passarem mais tempo e a se envolverem ativamente em sua jornada educacional. A importância do reforço social no ambiente escolar não pode ser exagerada. Numerosos comportamentos neste ambiente são inerentemente sociais e requerem reforço social, incluindo a leitura. A leitura, como atividade, é inerentemente social e, para que os alunos mantenham o interesse e o envolvimento, tanto os professores como os colegas devem fornecer reforço social. Além disso, a família desempenha um papel crucial na garantia de uma educação eficaz. O desempenho acadêmico da criança é diretamente influenciado pelo envolvimento consistente. Dentro da unidade familiar, existe uma função educativa em que são ensinadas à criança habilidades essenciais como andar, falar, comer e vestir-se. Este processo educacional utiliza várias formas de reforço, incluindo reforçadores primários como comida, água e calor, bem como reforçadores condicionados como atenção, aprovação e carinho. O papel fundamental que os pais desempenham na formação do comportamento dos seus filhos e na criação de contingências realça a importância do seu envolvimento no ambiente escolar. É amplamente reconhecido que os pais, juntamente com a unidade familiar mais ampla, têm um impacto profundo na aprendizagem baseada na escola, na aprendizagem da criança.o desejo de se destacar academicamente e o cultivo de habilidades interpessoais que promovam um ambiente escolar positivo. No âmbito da vida familiar, vários elementos têm importância, desde a estrutura e gestão do agregado familiar até à participação ativa dos pais nos esforços educativos dos seus filhos (COSTA et al., 2014). O campo da análise do comportamento oferece uma riqueza de conhecimento científico e contribuições valiosas para a esfera educacional. A perspectiva do behaviorismo concentra-se em como os indivíduos interagem com seu ambiente e enfatiza a observação da contingência. A análise do comportamento, por outro lado, examina os alunos de forma abrangente, analisando a contingência de reforço. Isto ressalta a importância de uma abordagem multidisciplinar, envolvendo a escola, a família e todos os profissionais responsáveis pelo acompanhamento da criança. Figura 1 - Áreas envolvidas no aprendizado da criança Segundo Schmidt (2013), manter uma comunicação interdisciplinar contínua entre as equipes e o professor é crucial para melhorar a experiência educacional dos alunos com autismo. Esta troca de informações não só enriquece a aprendizagem dos alunos, mas também permite que o professor contribua com informações valiosas sobre o comportamento, a vida diária e o processo de aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo que mantém a sua experiência pedagógica (SCHMIDT, 2013). O campo da Análise do Comportamento tem dedicado atenção significativa ao processo de aprendizagem, enfatizando a influência de diversos estímulos tanto nos professores quanto nos alunos. Ele investiga os repertórios fundamentais que formam a base para habilidades mais complexas, como a alfabetização. Além disso, há um claro reconhecimento do impacto prejudicial que um histórico de reveses acadêmicos pode ter sobre um indivíduo. PRÁTICAS DE ENSINO BASEADAS EM EVIDÊNCIA PARA PESSOAS COM AUTISMO Um dos principais obstáculos que a escola enfrenta é a criação de um ambiente de aprendizagem inclusivo e eficaz que atenda às diversas necessidades dos seus alunos. É crucial estabelecer práticas baseadas em evidências enraizadas na análise do comportamento para abordar esta preocupação. Em 1953, Skinner explorou as técnicas para conduzir investigações científicas sobre o comportamento e enfatizou a importância de avaliar os resultados das intervenções, a fim de identificar soluções potenciais para os desafios. Uma publicação fundamental de Baer, Wolf e Risley em 1968 é amplamente considerada um marco crucial neste campo, uma vez que os autores delinearam várias abordagens que estabeleceram princípios-chave de práticas baseadas em evidências no domínio da Análise Aplicada do Comportamento. Algumas décadas depois, surgiu um manual como guia definitivo para Análise Aplicada do Comportamento, defendendo os princípios estabelecidos por Baer, Wolf e Risley. Este manual enfatiza a importância de focar em comportamentos que tenham relevância social e contribuam para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Ele destaca a necessidade de medir comportamentos observáveis como objetivo principal da pesquisa e de estudar cuidadosamente a relação de causa e efeito entre variáveis manipuladas e mudanças significativas no comportamento. O manual também sublinha a importância de fornecer descrições detalhadas dos procedimentos para garantir a replicação consistente dos resultados, fundamentando as intervenções em princípios relevantes. Além disso, sublinha a necessidade de intervençõespara produzir mudanças socialmente significativas nos comportamentos-alvo e facilitar a generalização em diferentes contextos, mesmo após a conclusão da intervenção. Para avaliar e avaliar com precisão os resultados de uma intervenção, é crucial estabelecer critérios padronizados que sejam consistentemente respeitados. Isto permitir-nos-á diferenciar entre intervenções eficazes e aquelas que requerem modificação. A implementação de práticas baseadas em evidências é vital para fornecer uma educação eficaz para indivíduos com autismo. Para conseguir isso, é imperativo que todos os envolvidos em suas vidas diárias participem ativamente. Estas práticas desempenham um papel fundamental na promoção da aprendizagem e da independência. De forma geral, as Práticas Baseadas em Evidências (PBE) são construídas embasadas em três principais pilares: Figura 2 - Pilares das Práticas Baseadas em Evidências O aumento na prevalência do autismo energizou a busca por ações educacionais e serviços terapêuticos efetivos e especializados, com isso, as práticas de ensino baseadas em ciência têm tomado um lugar importante e apresentado muitos resultados positivos na área da educação. As Práticas Baseadas em Evidências (EBPs) são intervenções eficazes para o uso com pessoas com TEA e os critérios dessas práticas foram classificados por The National Professional Development Center on Autism Spectrum Disorder (NPCD). Atualmente, conta-se com vinte e oito intervenções com Práticas Baseadas em Evidências e é necessário ressaltá-las de forma clara para que não se instaure a prática de utilizar apenas algumas, como tem acontecido em alguns lugares. Segundo Steinbrenner et al. (2020) estas são as Práticas Baseadas em Evidências: Intervenções baseadas no antecedente (ABI): Estruturação de eventos e condições que antecipam atividades ou demandas, com o intuito de aumentar a ocorrência de determinados comportamentos desejados ou reduzir comportamentos inadequados Comunicação alternativa e aumentativa (AAC): Utilização ou ensino do uso de sistema comunicação não verbal/vocal com ou sem ajuda. Momentum Comportamental (BMI): É o arranjo de expectativas de comportamento em uma sequência onde as respostas de baixa ou difícil probabilidade de emissão, estejam pareadas a respostas de alta probabilidade ou de baixo custo, aumentando assim a persistência e ocorrência de respostas de alto custo. Comportamento cognitivo/Estratégias instrucionais (CBIS): Instrução sobre gerenciamento ou controle de processos cognitivos que reduzem a mudança no comportamento social e acadêmico Reforço diferencial de comportamento alternativo, incompatível ou outro (DR): É um processo sistemático que auxilia no aumento do comportamento desejado ou na ausência de comportamentos indesejados a partir de consequências positivas. As consequências podem ser ofertadas em três diferentes formas: Reforço Diferencial de Comportamento Alternativo (DRA) – São reforçados comportamentos alternativos já ensinados anteriormente para o aluno. Reforço Diferencial de Comportamentos Incompatíveis (DRI) – escolhe-se um comportamento incompatível com aquele inapropriado que se deseja extinguir. Reforço Diferencial de Outros Comportamentos (DRO) – Consiste em reforçar qualquer outro comportamento distinto ao comportamento inapropriado em um intervalo em que este não esteja sendo emitido. Instrução Direta (DI): É uma abordagem sistemática de ensino que está relacionada ao uso a um conjunto de instruções sequenciadas e roteirizadas, enfatizando o diálogo entre professor e aluno por meio de respostas em coro e independentes, promovendo a possibilidade de correção sistemática e explícita de erros para atingir a aprendizagem e generalização. Treino em Tentativa Discreta (DTT): Consiste em tentativas repetidas de treino, em que cada tentativa é apresentada uma instrução do professor, uma resposta do aluno e consequências programadas. Vale ressaltar a importância de se realizar uma pausa antes de cada instrução. Exercício e Movimento (EXM): A utilização de esforço físico, habilidades motoras específicas e técnicas de movimento consciente para direcionar uma variedade de habilidades comportamentais. Extinção (EXT): É a retirada de consequências reforçadoras diante de comportamentos inadequados, gerando a redução futura de novas ocorrências. Avaliação Funcional de Comportamento (FBA): É uma avaliação sistemática realizada com o intuito de se compreender a função ou a finalidade de determinado comportamento para que a partir dela seja elaborado um plano de intervenção efetiva. Treino de Comunicação Funcional (FCT): Práticas que substituem comportamentos inadequados que possuem função de comunicação por meios mais adequados e eficazes, desenvolvendo a habilidade de comunicação. Modelação (MD): Prática de modelar comportamentos alvos por meio das demonstrações a fim de promover a aquisição de novos repertórios pelo aluno. Intervenção mediada por música O uso de canções, melodias e ritmos em intervenções para promover o aprendizado ou o desenvolvimento de habilidades comportamentais. Pode ser usado por meio da musicoterapia ou qualquer outra intervenção que utilize a música buscando trabalhar o comportamento alvo. Intervenções naturalísticas (NI): Técnicas e estratégias introduzidas às atividades cotidianas, estimulando o aluno em sua rotina do dia a dia a aprender habilidades e comportamentos desejados Intervenção Implementada pelos pais (PII): Intervenções aplicada pelos responsáveis baseadas nas orientações de um profissional capacitado, com o objetivo de promover comunicação social e outras habilidades que diminuam a aparição de comportamentos inadequados. Instrução e intervenção baseada em pares (PBII): Promoção de habilidades sociais e objetivos individualizados através da interação supervisionada com o outro. A intervenção deve ser estruturada pelo profissional, com objetivos claros e podem ser realizadas a partir de grupos de brincadeiras, saídas terapêuticas ou outras atividades em grupo, sendo possível fornecer suporte quando necessário, como dicas, sugestões e até mesmo reforçadores. Dicas (PP): Uso de dicas para auxiliar o aluno a adquirir e alcançar o comportamento alvo. As ajudas podem ser verbais, gestuais ou físicas. Reforçamento (R): Aplicação de consequências que aumentem operação motivadora e, consequentemente, a probabilidade de uma resposta desejada. Interrupção da resposta/ redirecionamento (RIR): Intervenção baseada em inserir uma dica ou um distrator diante do comportamento indesejado, fazendo com que o aluno mude o foco da sua atenção, resultando na redução desse comportamento. Automonitoramento (SM): Prática adequada a ser utilizada com alunos que discriminam seus próprios comportamentos inadequados. Consiste em o aluno monitorar e registrar seus comportamentos e se autorrecompensar quando emitir comportamentos adequados. Integração sensorial (SI): Intervenções focadas em proporcionar o aumento da capacidade do aluno em integrar informações sensoriais, sejam elas visuais, auditivas, táteis, proprioceptivas ou vestibulares. Narrativas Sociais (SN): O uso de descrições de situações sociais com objetivo de ressaltar características relevantes de um comportamento alvo e oferecer modelos de respostas adequadas. Treino de Habilidades Sociais (SST): Intervenção realizada individualmente ou em grupo, com intuito de ensinar formas de participar e se comportar adequadamente em sociedade. Análise de Tarefas (TA): A prática consiste em desmembrar atividades ou comportamentos em pequenos passos gerenciáveis para mensurar e ensinar habilidades. Nessa prática é comum o uso de reforço, videomodelação e atraso no tempo para se alcançar pequenos passos. Instruções e intervençõesassistidas por tecnologia (TAII): Uso da tecnologia para instruir ou intervir para apoiar o aprendizado ou desenvolvimento de habilidades do aluno. Atraso de Tempo (TD): Utilizado para diminuir sistematicamente o uso de dicas durante a atividade, consiste em atrasar o tempo de apresentação de dicas após a instrução primária. Videomodelação (VM): Demonstrar por meio de vídeos o comportamento ou habilidade alvo, ajudando o aluno a compreender o que é esperado e como realizar. Suportes Visuais (VS): Apresentação de pistas visuais para o aluno engajar no comportamento sem necessitar de dicas adicionais Não há documentos reguladores que recomendem a implementação das Práticas Baseadas em Evidências nas escolas, mas é recomendado usá-las para oferecer um aprendizado eficaz, não substituindo as formas tradicionais de ensino, e sim somando para que juntas se adequem à necessidade de cada aluno. REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRY ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-V-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023. ANDRADE, A. G. C. et al. Manual da equipe aba e autismo, janeiro de 2014. BAER, D. M.; WOLF, M. M.; RISLEY, T. R. Some current dimensions of applied behavior analysis. Journal of Applied Behavior Analysis, 1, 91-97. 1968. BAUM, W. M. Compreender o Behaviorismo. 2ª ed. 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