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ABA APLICADA AO AUTISMO

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ABA APLICADA AO AUTISMO 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ........................................................................................... 3 
O MÉTODO ABA (APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS) – ANÁLISE DO 
COMPORTAMENTO APLICADA ......................................................................... 4 
ASPECTOS CONCEITUAIS DA ABA .................................................... 7 
ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA AO AUTISMO ..................... 9 
QUANDO SE DEVE IMPLEMENTAR UM PROGRAMA ABA .............. 12 
EM QUE CONSISTE UM PROGRAMA ABA ....................................... 15 
MANEJO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS DE CRIANÇAS 
NO ESPECTRO AUTISTA .............................................................................. 20 
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO PROCESSO DE 
APRENDIZAGEM ............................................................................................... 25 
PRÁTICAS DE ENSINO BASEADAS EM EVIDÊNCIA PARA PESSOAS 
COM AUTISMO .............................................................................................. 29 
REFERÊNCIAS ....................................................................................... 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A terapia ABA é uma abordagem terapêutica cientificamente 
fundamentada que gira em torno de princípios comportamentais. Seu objetivo 
principal é avaliar e alterar comportamentos, promovendo a independência e o 
crescimento educacional das crianças. Este método é caracterizado pela sua 
organização meticulosa, natureza personalizada e confiança em evidências 
empíricas. Simplificando, cada sessão é adaptada às necessidades específicas 
e ao progresso de cada indivíduo, tendo em conta as suas características e 
circunstâncias únicas. 
A natureza personalizada da Terapia ABA é um dos seus benefícios mais 
significativos. Através de uma avaliação inicial completa, os terapeutas 
determinam os objetivos da intervenção e criam um plano de tratamento 
personalizado que atenda às necessidades únicas de cada criança. Essa 
abordagem individualizada garante que a terapia seja projetada especificamente 
para atender às habilidades, interesses e desafios da criança. 
A terapia ABA tem versatilidade para ser utilizada em diversos ambientes, 
incluindo domicílio, escola ou clínicas especializadas. A criança recebe 
orientação direta de um terapeuta certificado que lidera as sessões de terapia. 
Além disso, a família desempenha um papel crucial no processo, colaborando 
ativamente com os terapeutas e incorporando estratégias nas rotinas diárias da 
criança. 
Há uma riqueza de pesquisas científicas que apoiam a eficácia da terapia 
ABA. Numerosos estudos demonstraram sua capacidade de produzir avanços 
substanciais na comunicação, habilidades sociais, comportamento adaptativo e 
redução de comportamentos problemáticos. 
A abordagem visa promover o crescimento em domínios cruciais, 
incluindo comunicação, habilidades interpessoais, independência individual e 
comportamentos adaptativos. Além disso, se esforça para diminuir 
 
 
comportamentos indesejáveis, como agressão, estereótipos e danos auto 
infligidos. Empregando uma estratégia metódica enraizada na análise do 
comportamento, transmite habilidades e mitiga comportamentos problemáticos. 
O conceito fundamental por trás da ABA é promover comportamentos 
funcionais e aprimorar as habilidades existentes, ao mesmo tempo que ensina e 
modela novas habilidades para garantir que o indivíduo possa se envolver 
efetivamente com a sociedade em todos os ambientes que encontrar. 
À medida que os pais se envolvem no trabalho acima mencionado com os 
seus filhos, recebem formação e apoio, reconhecendo que os desafios 
enfrentados por uma criança autista vão além do indivíduo e afetam toda a 
família. Além disso, reconhece-se que as crianças apresentam comportamentos 
distintos em ambientes clínicos e em casa, sublinhando a importância da 
capacidade dos pais para resolver os problemas e obstáculos dos seus filhos no 
ambiente doméstico. 
 
O MÉTODO ABA (APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS) – ANÁLISE DO 
COMPORTAMENTO APLICADA 
 
O método conhecido como Análise Aplicada do Comportamento, ou ABA, 
é derivado do campo científico do Behaviorismo. ABA se concentra na relação 
entre o meio ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem. Através da 
observação, análise e explicação, a ABA visa modificar o comportamento 
através do desenvolvimento de um plano de ação. 
Para crianças com autismo, a ABA é frequentemente chamada de 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, a 
oficina do autismo apresenta resumidamente a definição de ABA. 
O que é Análise do Comportamento Aplicada - ABA?. Disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=JgNXlX_oLyQ. Acesso em 26 de fev de 
2024. 
https://www.youtube.com/watch?v=JgNXlX_oLyQ
 
 
“aprendizagem sem erros”. Esta abordagem envolve reconhecer e reforçar as 
respostas corretas da criança numa fase inicial, reduzindo gradualmente o nível 
de apoio até que a criança possa responder de forma independente. O objetivo é 
estabelecer uma forte ligação entre o comportamento alvo e a capacidade da 
criança de responder com precisão. 
A utilização da Análise Aplicada do Comportamento no contexto do 
autismo gira em torno de uma série de ações sequenciais. Estas etapas incluem 
o fornecimento de instruções iniciais e imediatas, garantindo uma elevada 
probabilidade de sucesso, desaparecendo gradualmente as explicações 
anteriores, permitindo ao aluno responder de forma independente, reduzindo a 
frustração individual e aumentando a motivação. Ao refinar essas afirmações e 
diferenciá-las de outros tipos de comportamento, podemos concluir que o 
comportamento verbal é um processo em que a assistência se confunde com a 
presença de outras pessoas que foram especificamente influenciadas por uma 
sociedade que valoriza a comunicação verbal, reforçando assim o 
comportamento de o orador (PETERSON, 1978). 
O processo de terapia ABA implica uma abordagem focada e precisa para 
promover as habilidades e capacidades necessárias que são cruciais para que 
os indivíduos com autismo cultivem a sua autossuficiência e alcancem avanços 
no seu bem-estar geral. Essas habilidades instruídas abrangem 
comportamentos que desempenham um papel fundamental no crescimento e na 
integração de indivíduos com autismo. 
No processo de intervenções comportamentais, a aquisição de 
competências normalmente ocorre dentro da dinâmica entre professor e aluno. 
Isso ocorre por meio da implementação de instruções e do gerenciamento 
colaborativo, comumente chamado de aprendizagem sem erros. O aluno tem 
múltiplas oportunidades de praticar e mostrar suas habilidades sem cometer 
erros em vários cenários da vida real. 
O método ABA distingue-se pela utilização de reforços positivos para 
alcançar os resultados desejados. Esta terapia é essencial porque permite 
avanços em diversas áreas, incluindo contato visual, comunicação social, 
 
 
atividades da vida diária e habilidades fundamentais como leitura, escrita e 
matemática. Além disso, reduz efetivamente comportamentos indesejáveis, 
como automutilação, agressão física e verbal, estereótipos e resistência a 
comandos. 
Nesta terapia, uma técnica conhecida de Ensino por Tentativas Discretas 
( Discrete Trial Training - DTT) é utilizada para ensinar diversas metodologias. O 
terapeuta mantém o controle sobre a situação de ensino, adaptando sua 
abordagem para atender às necessidades do aluno e aprimorar seu aprendizado 
dos comportamentos atuais. A DTT concentra-se em dividir os comportamentos 
em componentes individuais para o ensino isolado (SMITH, 2001). 
A metodologia envolve tentativas repetidas, que são iniciadas pelo 
terapeuta fornecendo as ferramentas necessárias e captando a atenção da 
criança. Antes que a criança reaja, uma pergunta ou orientação é introduzida.Segue-se uma breve pausa para permitir a resposta e, por fim, o terapeuta 
reforça a resposta, corrigindo eventuais erros ou falta de resposta com base no 
progresso do aluno com as informações fornecidas. 
 
 
 
Sugestão de leitura... 
 
Neste livro Princípios Básicos de Análise do 
Comportamento, os autores proporcionam ao leitor 
uma visão global do comportamento humano. 
Amplamente baseada e ilustrada com pesquisas 
científicas derivadas da Análise do Comportamento 
Aplicada (ABA). 
 
MOREIRA, Márcio Borges. MEDEIROS, Carlos 
Augusto. Princípios Básicos de Análise do 
Comportamento. Porto Alegre: Artmed; 2ª edição (27 
setembro 2018). 
 
 
ASPECTOS CONCEITUAIS DA ABA 
 
Quando Skinner (1972) iniciou sua pesquisa psicológica, o termo ABA 
ainda não havia sido cunhado, apesar de a Análise do Comportamento ter suas 
raízes na década de 1930. No início, os estudos de Skinner focaram na Análise 
Experimental do Comportamento, utilizando uma nova abordagem experimental. 
Esta pesquisa abrangeu as décadas de 1940 e 1950, período durante o qual a 
estrutura experimental sofreu uma expansão significativa, levando em última 
análise ao estabelecimento de uma estrutura mais eficaz. 
O surgimento de uma nova hipótese no campo da Psicologia, a partir do 
desenvolvimento da Análise do Comportamento, levou à realização de 
investigações em ambientes sociais como hospícios, hospitais e penitenciárias. 
Apesar de inicialmente carecerem de credibilidade e reconhecimento 
generalizado, estas investigações abriram caminho para um foco na 
investigação do autismo na década de 1970, com a Análise Aplicada do 
Comportamento (ABA) assumindo a liderança. 
Em 1938, Skinner introduziu o conceito de Condicionamento Operante em 
seu livro "O Comportamento dos Organismos". Esta descoberta destacou o uso 
de mecanismos para modificar o comportamento e melhorar a aprendizagem. O 
Condicionamento Operante envolve estímulos de reforço que aumentam a 
probabilidade de ocorrência futura de um determinado comportamento. 
O impacto da Análise Aplicada do Comportamento (ABA) no campo da 
intervenção no Autismo, particularmente nos Estados Unidos, tem sido 
significativo. Isto levou à criação de centros especializados, à criação de cursos 
para pais, profissionais e até mesmo indivíduos sem formação específica na 
área. ABA tornou-se intimamente associada ao tratamento do Transtorno do 
Espectro do Autismo (TEA). 
No entanto, é crucial reconhecer que a ABA não pode ser confinada a um 
único parâmetro, técnica ou abordagem pragmática. Compreender a verdadeira 
essência da ABA requer o reconhecimento das suas raízes na ciência 
 
 
experimental e da necessidade de uma aplicação mais ampla de conceitos e 
estratégias. Isto exige uma definição clara do termo "Aplicado" e a eliminação de 
quaisquer equívocos ou simplificações excessivas. 
Skinner (1953) desenvolveu um conjunto de definições para descrever os 
numerosos aspectos práticos da fala, aos quais ele se referiu como "operantes 
verbais". De acordo com Skinner, os indivíduos devem possuir conhecimento 
prévio de comparações de palavras em todas as categorias funcionais para 
compreender e adotar totalmente a linguagem. Uma observação intrigante é que 
o termo "Comportamento Verbal" (VB) de Skinner também pode ser aplicado a 
indivíduos que se comunicam por meio de linguagem de sinais ou CAA 
(Comunicação Aumentativa e Alternativa), em vez de linguagem verbal. 
Em um artigo discutindo a Análise do Comportamento (BAER, WOLF, 
RISLEY, 1968), os autores delinearam os princípios que deveriam reger as 
técnicas utilizadas pelos analistas do comportamento. Enfatizaram a importância 
da “Aplicação” no que diz respeito à qualidade da prática científica. Isto envolve 
a utilização de ideias e ferramentas comprovadas para abordar questões 
práticas enfrentadas pelos pacientes, garantindo que o analista esteja atento às 
suas necessidades específicas, ao mesmo tempo que se baseia em 
intervenções cientificamente testadas. 
 
 
 
Assista o vídeo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste vídeo, 
Paula Barcellos apresenta conceitos iniciais de análise do comportamento e 
suas aplicações no TEA. 
WebPalestra: Intervenção em Análise do Comportamento Aplicada no 
Tratamento do Espectro Autista. Disponível em 
https://www.youtube.com/watch?v=l-GSIkPpEc4. Acesso em 26 de fev de 
2024. 
https://www.youtube.com/watch?v=l-GSIkPpEc4
 
 
ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA AO AUTISMO 
 
A utilização da ABA vai além de sua aplicação como intervenção para 
crianças com autismo. Sua eficácia pode ser aproveitada em diversas áreas, 
desde o tratamento de transtornos alimentares até o gerenciamento do trânsito 
(PEREIRA, 2019). 
ABA, também conhecida como Análise Aplicada do Comportamento, é 
uma intervenção terapêutica que utiliza técnicas de reforço para aprimorar as 
habilidades sociais, de comunicação e de aprendizagem. Ele não apenas 
melhora os comportamentos adaptativos gerais, como habilidades sociais e de 
aprendizagem, mas também visa habilidades específicas, como destreza motora 
fina, higiene, higiene e muito mais. Embora alguns se refiram a ela como Terapia 
Comportamental do Autismo, é importante ressaltar que a ABA possui diversas 
aplicações (ROCHA, 2018). 
A terapia ABA provou ser benéfica para indivíduos de todas as idades que 
enfrentam desafios psicológicos, independentemente do ambiente em que se 
encontram, sejam escolas, residências ou clínicas. Além disso, a investigação 
demonstrou que a terapia ABA regular e contínua pode levar a melhorias 
substanciais nas competências e comportamentos positivos, reduzindo, em 
última análise, a necessidade de serviços especializados a longo prazo 
(ROCHA, 2018). 
Nos últimos anos, houve uma expansão significativa da Análise Aplicada 
do Comportamento (ABA), uma coleção de diversos métodos e estratégias 
destinadas a ajudar crianças com autismo. Os princípios fundamentais da 
terapia comportamental, que envolvem o reforço de comportamentos positivos, 
são amplamente utilizados para facilitar o desenvolvimento de habilidades que 
podem não surgir naturalmente em crianças autistas. Além disso, essas técnicas 
também são utilizadas para diminuir comportamentos prejudiciais, como a 
automutilação, que representam um risco ao seu bem-estar (ANDRADE, et al., 
2014). 
 
 
O exame do comportamento pelos analistas do comportamento envolve 
uma análise dos fatores que levam a certos comportamentos e aos resultados 
que se seguem. A partir desta análise, as intervenções são formuladas e 
implementadas. Estas intervenções são concebidas para atingir vários domínios 
de competências, incluindo comunicação e linguagem, competências sociais, 
comportamentos de autocuidado, brincadeiras e lazer, competências motoras e 
competências de aprendizagem e académicas (ROCHA, 2018). 
O terapeuta emprega um plano de ensino sistemático que disseca cada 
habilidade em etapas gerenciáveis e tangíveis. Essas etapas são ensinadas 
sequencialmente, começando com a tarefa básica de imitar sons individuais e 
progredindo gradualmente para tarefas mais complexas, como conversar. Para 
acompanhar o avanço do seu filho, os dados são coletados durante cada sessão 
de terapia. Esses dados servem como uma medida contínua do progresso em 
direção às metas estabelecidas. Para planejar e adaptar com eficácia as 
estratégias e objetivos de ensino, o terapeuta reúne-se regularmente com os 
membros da família para discutir informações sobre o progresso. 
Rocha (2018) descreve cinco técnicas valiosas no âmbito da Análise 
Aplicada do Comportamento que podem ser utilizadas para alcançar os 
resultados desejados em crianças que podem se beneficiar da modificação do 
comportamento. 
Reforço positivo: Uma criança com necessidades especiais que enfrenta 
dificuldades de aprendizagem ou interação social pode não saber como 
responder em determinadassituações. Uma maneira de encorajar 
comportamentos sociais positivos envolve o uso de reforço positivo 
imediatamente para encorajar o comportamento no futuro. 
Reforço negativo: Quando ocorrem comportamentos desadaptativos, o 
comportamento precisa ser corrigido imediatamente. Uma boa maneira de 
corrigir o mau comportamento é remover um objeto ou atividade desejada da 
criança. Esta é uma forma de punição não aversiva. Mais importante ainda, o 
reforço negativo deve ser consistente para que a criança entenda a relevância 
da ação e da consequência 
 
 
Usando prompts e sugestões: Prompts são dicas visuais ou verbais 
usadas para encorajar um determinado comportamento. As dicas verbais são 
lembretes gentis, enquanto as dicas visuais são ainda menos diretas e podem 
ser um gesto ou um olhar. A criança verá essa deixa e será lembrada de se 
comportar de maneira simples. Exemplos podem ser tirar os sapatos ao entrar 
em casa ou lavar as mãos antes de uma refeição. A ideia é, eventualmente, 
apagar os prompts quando a criança não precisar mais deles. As instruções 
podem ser úteis porque normalmente não são intimidadoras ou acusatórias. 
Análise de tarefas: Este é um modelo de análise das tendências e ações 
comportamentais atuais para ajudar a aprender sobre o paciente em vez de 
corrigir ou reforçar o comportamento. O psicólogo dá uma tarefa para a criança e 
observa como ela a executa. Esta análise é dividida em várias categorias: ações 
físicas, ações cognitivas, repetição, alocação, ambiente. 
Depois que o terapeuta analisa como a criança executa as tarefas, essa 
informação é usada para facilitar outras tarefas para a criança em particular, 
dividindoas em etapas que serão facilmente compreendidas pela criança. 
Generalização: Por meio desse modelo, o terapeuta pega o que a 
criança aprendeu em uma instância e aplica em outras instâncias. Por exemplo, 
se uma criança sabe dizer o alfabeto ao cantá-lo, o psicólogo infantil pode pegar 
seu conhecimento do alfabeto e tentar aplicá-lo para ensinar a criança a soletrar 
seu nome. 
Quem realmente colhe os frutos da atenção individualizada e única são as 
crianças que necessitam de assistência especial. Os analistas do 
comportamento aplicado empregam uma variedade de métodos, incluindo, mas 
não se limitando aos mencionados, para orientar essas crianças em direção à 
autossuficiência, estabilidade emocional e contentamento geral à medida que 
crescem na idade adulta. 
Uma vantagem notável da Análise Aplicada do Comportamento (ABA) 
quando se trata de crianças com autismo é a sua abordagem abrangente ao 
abordar todos os comportamentos relevantes, tanto excessivos como 
deficientes. Os analistas do comportamento permanecem focados sem serem 
 
 
desviados pelas inúmeras teorias que cercam as causas do autismo e os 
tratamentos correspondentes. Este foco inabalável permitiu o desenvolvimento e 
aprimoramento contínuos da abordagem ABA. Os programas de ABA atuais 
pouco se assemelham aos de duas décadas atrás, pois se tornaram cada vez 
mais adaptáveis, práticos e prazerosos para a criança (OLIVEIRA NETO, et al., 
2013). 
 
QUANDO SE DEVE IMPLEMENTAR UM PROGRAMA ABA 
 
A partir do momento em que os sinais de atraso no desenvolvimento da 
aprendizagem se tornam aparentes, é crucial envolver uma criança no programa 
ABA. O programa ABA começa no conforto da casa da criança, mesmo durante 
a infância. Embora a intervenção precoce seja fundamental, esta abordagem 
também pode trazer vantagens para os indivíduos mais velhos, incluindo 
crianças e adultos. 
A abordagem, o currículo e as estratégias utilizadas nesta metodologia 
ABA também podem ser implementados em ambientes educacionais. 
Normalmente, as sessões dentro desta metodologia são conduzidas 
individualmente, com intervenções precoces muitas vezes consistindo em planos 
de ensino abrangentes que abrangem 30 a 40 horas por semana. Esta 
abordagem prioriza o reforço dos comportamentos desejados em vez de recorrer 
a medidas punitivas. 
É imperativo aderir a abordagens individualizadas na implementação das 
metodologias prescritas, tendo em conta as necessidades únicas de cada 
criança em relação às suas capacidades académicas, recreativas, linguísticas, 
sociais e físicas. O envolvimento ativo da família no programa é de extrema 
importância, pois contribui grandemente para o sucesso e progresso global da 
criança. 
Os pais de crianças com TEA ou desenvolvimento atípico podem se 
beneficiar da intervenção ABA, pois fornece orientação sobre como ensinar aos 
 
 
filhos comportamentos cotidianos, incluindo o uso do banheiro. Além disso, esta 
intervenção pode melhorar os padrões de sono dos seus filhos e promover o 
desenvolvimento de outras competências essenciais. 
O método ABA concentra-se em aprofundar as habilidades únicas e 
intensivas de cada indivíduo, a fim de promover a independência e melhorar a 
sua qualidade de vida geral. As sessões de terapia abrangem várias áreas de 
desenvolvimento de habilidades, incluindo comportamentos sociais como 
visualizar e perceber o ambiente, comportamentos acadêmicos, como aprimorar 
o raciocínio lógico e as habilidades de alfabetização, e rotinas de cuidados 
pessoais relacionadas à higiene. 
O tratamento para indivíduos com autismo pode efetivamente diminuir 
comportamentos autistas comuns, como estereotipias, agressões verbais ou 
físicas, medos e fugas. Essa redução é alcançada abordando o aspecto 
comportamental do indivíduo por meio do processo de ensino-aprendizagem. O 
tratamento comportamental da ABA tem como foco ensinar habilidades 
específicas ao aluno, com o professor dando comandos claros e garantindo um 
aprendizado livre de erros. Por meio da prática repetitiva e sem erros, o aluno 
gradualmente internaliza e exibe um comportamento adequado, levando a 
resultados de aprendizagem bem-sucedidos. 
Profissionais especializados em análise do comportamento possuem o 
treinamento necessário para se envolverem em análises abrangentes do 
comportamento, abrangendo tanto pesquisas experimentais quanto intervenções 
práticas. Estes especialistas aderem a um conjunto de princípios éticos que 
regem a sua prática e estão empenhados em empregar intervenções baseadas 
em evidências derivadas de investigação experimental controlada. Sua 
experiência se estende à abordagem de comportamentos de complexidade 
variada, garantindo resultados eficazes (CAMARGO, 2013) 
Os psicólogos especializados em análise do comportamento são 
profissionais licenciados que se esforçam constantemente para aprimorar suas 
qualificações nessa área. A busca pelo conhecimento sobre a compreensão e 
modificação do comportamento humano leva à criação de investigações 
 
 
enraizadas na análise do comportamento. Estas investigações visam 
desenvolver metodologias inovadoras e estratégias de intervenção para 
comportamentos que recebem atenção significativa como os observados nas 
atividades escolares das crianças interações interpessoais e vida cotidiana. 
A técnica envolve a utilização de reforçadores, que podem ter 
consequências positivas ou negativas, como componente chave. A partir da 
resposta, o aluno tem potencial para receber um brinquedo ou realizar uma 
atividade preferida, entre outras possibilidades. É importante ressaltar que o 
objetivo dessas consequências é estimular o desenvolvimento do 
comportamento natural da criança e garantir consistência no processo de 
ensino. Ao empregar esta abordagem, pode-se avaliar o seu progresso de forma 
eficaz. 
O programa do método ABA normalmente começa durante os primeiros 
anos de vida, dentro dos limites familiares de casa. A impressão inicial tem um 
peso significativo e a abordagem empregada tanto para jovens como para 
adultos produz resultados positivos. Além disso, as técnicas, metodologias e 
currículo podem ser implementados não apenas nos agregados familiares, mas 
também nas instituiçõeseducativas. 
A criação de conteúdos educativos para as sessões depende das 
características únicas das crianças. As estratégias implementadas abrangem 
diversos aspectos do desenvolvimento, como crescimento social, linguístico, 
cognitivo e psicomotor. A utilização de recursos tangíveis meticulosamente 
elaborados promove a aquisição de conhecimento para indivíduos com autismo. 
Ao longo do programa, é fundamental dar apoio aos pais ou responsáveis, 
capacitando-os para facilitar o progresso dos seus filhos. 
 
 
 
 
 
 
EM QUE CONSISTE UM PROGRAMA ABA 
 
O processo de avaliação é um componente essencial na implementação 
de um programa de intervenção comportamental (COOPER, HERON, & 
HEWARD, 2007; KAHNG et al., 2011; SARAFINO, 2012). É crucial priorizar 
comportamentos socialmente relevantes como comportamentos alvo da 
intervenção (BAER, WOLF, & RISLEY, 1968). 
O processo de avaliação comportamental é fundamental na identificação 
dos comportamentos alvo. Nesse processo, o foco está principalmente na 
compreensão da função dos comportamentos, em vez de confiar apenas em 
escores psicométricos (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). É importante notar 
que o comportamento só pode ser estudado de forma abrangente examinando a 
interação entre o comportamento e o ambiente, especificamente as 
contingências (SKINNER, 1953; TODOROV, 2007). A realização de uma análise 
funcional permite identificar as relações entre um comportamento, seus 
antecedentes e suas consequências. 
Ao alterar os diversos fatores que influenciam o comportamento e 
posteriormente observar o impacto resultante sobre esse comportamento, torna-
se possível reunir dados mais confiáveis sobre as conexões entre o ambiente e 
o comportamento específico que está sendo estudado (RIBEIRO; SELLA; 
SOUZA, 2018). 
Sarafino (2012) sugere que uma vez identificado o comportamento alvo, a 
análise funcional pode ser utilizada como uma ferramenta para determinar quais 
fatores anteriores contribuem para o déficit ou excedente comportamental, bem 
como como o próprio comportamento alvo funciona para produzir o reforço. que 
o sustenta. Vale ressaltar que um comportamento pode ser definido tanto pela 
sua função quanto pela sua manifestação física. 
Ao analisar o comportamento, a sua função é determinada pelos 
resultados que produz no ambiente circundante, essencialmente como se 
enquadra na situação geral. Por outro lado, a topografia do comportamento 
 
 
refere-se às suas características visíveis, especificamente aos atributos físicos 
que o definem. 
A diferenciação entre comportamentos é crucial na condução de uma 
análise funcional, apesar da importância da descrição física de um 
comportamento num programa de intervenção ABA. Isso ocorre porque 
comportamentos considerados socialmente aceitáveis ou inaceitáveis podem 
servir ao mesmo propósito, embora com manifestações físicas variadas (KAHNG 
et al., 2011). 
As responsabilidades de um analista do comportamento envolvem 
reconhecer as contingências que estão em jogo (ou deduzir quais podem estar 
presentes ou necessárias) quando confrontado com comportamentos 
específicos ou processos comportamentais em curso. Além disso, eles têm a 
tarefa de sugerir, gerar ou implementar relações de contingência para facilitar o 
desenvolvimento de processos comportamentais específicos. Ao manipular 
contingências, torna-se possível estabelecer ou introduzir comportamentos, 
modificar padrões (incluindo taxa, ritmo, sequência e espaçamento) e diminuir, 
enfraquecer ou erradicar comportamentos do repertório de um organismo (De 
Souza, 2001). 
Lafrance (2018) afirma que a intervenção em Análise Aplicada do 
Comportamento deve abranger mais do que apenas a criação de programas que 
visem diminuir comportamentos indesejados. É igualmente importante que o 
analista comportamental estabeleça objetivos para promover comportamentos 
socialmente adaptativos. 
Segundo Sarafino (2012), as intervenções da ABA visam dois tipos de 
comportamentos: os excessos comportamentais, que são comportamentos 
indesejáveis que ocorrem com frequência, intensidade ou por longos períodos 
de tempo; e déficits comportamentais, que são comportamentos desejáveis que 
não são realizados com frequência, com intensidade, qualidade ou duração. 
Com base nos experimentos de aprendizagem animal de Edward Lee 
Thorndike, Skinner (1953) introduziu o conceito de condicionamento ou 
modelagem operante, que envolve a aquisição de novos comportamentos pelo 
 
 
organismo. Conforme discutido anteriormente, os comportamentos existentes no 
repertório de um organismo são reforçados, punidos ou extintos. Por outro lado, 
a aprendizagem de novos comportamentos ocorre através do processo de 
reforço diferencial de aproximações sucessivas de um comportamento existente, 
conhecido como modelagem (CATANIA, 1999; MOREIRA; MEDEIROS, 2007; 
SKINNER, 1953, 1974). 
O estabelecimento do comportamento aprendido final é alcançado através 
do reforço diferencial de uma resposta preexistente. Eventualmente, esta 
resposta preexistente não é mais reforçada, levando à variabilidade no 
comportamento do organismo devido à extinção. Um comportamento 
subsequente, mais próximo da resposta final desejada, é então reforçado até 
que o comportamento final modelado seja alcançado (Catania, 1999; Moreira; 
Medeiros, 2007). Segundo de Souza (2001), o reforço diferencial estabelece o 
controle discriminativo ao colocar o comportamento sob a influência de um 
estímulo específico, conhecido como estímulo discriminativo (SD). Na presença 
de outros estímulos (Sdelta), o comportamento se extingue. 
No campo da Análise Aplicada do Comportamento (ABA), os déficits de 
comportamento são abordados por meio do processo de modelagem. O 
treinamento discriminativo é empregado para condicionar uma resposta quando 
um estímulo específico (SD) está presente, reforçando o comportamento 
desejado na presença desse estímulo e extinguindo-o na presença de outros 
estímulos. Como o comportamento alvo é tipicamente aquele que falta ao 
indivíduo em seu repertório, o processo de modelagem muitas vezes começa 
com uma versão básica do comportamento e progride em direção ao objetivo 
final (Sarafino, 2012). 
Em seu trabalho publicado em 1953, Skinner enfatiza o conceito de 
controle de estímulos e como ele se estende a outros estímulos que 
compartilham propriedades semelhantes. Este fenômeno, conhecido como 
generalização, confirma que outros estímulos também podem provocar uma 
resposta. Juntamente com os processos de modelagem, a aprendizagem 
também pode ocorrer através de vários outros métodos. 
 
 
A aprendizagem observacional, conforme descrita por Catania (1999), 
envolve a observação direta do comportamento de outro organismo e das 
consequências resultantes. Vai além da mera imitação, pois o comportamento 
do observador é influenciado pelo comportamento daquele que está sendo 
observado. 
No processo de aprendizagem observacional, é importante que o 
observador não apenas observe o comportamento alvo, mas também faça 
distinções sutis entre as diferentes ações e seus resultados executados por 
outro organismo. Além disso, a própria história do observador e as experiências 
anteriores com ações semelhantes desempenham um papel neste processo de 
aprendizagem (1999). 
Segundo Skinner (1974), a aprendizagem também pode ocorrer através 
da adesão às instruções. As instruções, conforme definidas por Skinner, são 
estímulos verbais que delineiam relações de contingência e funcionam como 
regras. O comportamento que é influenciado por essas dicas verbais é 
denominado comportamento governado por regras, conforme afirma Catania 
(1999). 
A adesão às regras é um componente essencial na manutenção da 
cultura e da civilização humanas, pois permite aos indivíduos adquirir 
conhecimento sem os riscos associados à exposição direta a situações 
potencialmente perigosasou impraticáveis (CATANIA, 1999; SKINNER, 1974). 
Geralmente, a aprendizagem por meio da observação e instrução facilita uma 
aquisição mais rápida de comportamentos em comparação à interação direta 
com contingências (POSTALLI, 2018). Por outro lado, técnicas alternativas são 
empregadas na Análise Aplicada do Comportamento (ABA) para diminuir 
comportamentos excessivos. 
Segundo Sarafino (2012), o primeiro passo para extinguir um 
comportamento é identificar todos os reforçadores associados a esse 
comportamento. Uma vez identificados, o objetivo é eliminar esses reforçadores. 
Contudo, pode ser difícil ou impraticável controlar todas as consequências 
reforçadoras, especialmente em casos de reforço automático que não 
 
 
dependem de mediação social. Ao implementar a extinção, os analistas do 
comportamento também devem planejar os efeitos potenciais, como um 
aumento repentino na frequência de respostas e reações emocionais (Sarafino, 
2012). 
O reforço diferencial, uma técnica comumente empregada para o 
desenvolvimento de novos padrões comportamentais, também é utilizado como 
método para diminuir comportamentos indesejados. Sarafino (2012) observa que 
o termo “reforço diferencial” abrange múltiplas interpretações. Pode referir-se ao 
reforço de uma resposta em circunstâncias específicas, ao mesmo tempo que se 
retém o reforço noutras, ou pode envolver o reforço de certos tipos ou categorias 
de respostas, ignorando outras. 
Para diminuir a ocorrência de um determinado comportamento através do 
uso de reforço diferencial, o comportamento deixa de ser reforçado e passa a 
ser colocado em extinção, enquanto uma resposta alternativa é recompensada. 
Outra abordagem para diminuir comportamentos problemáticos é manipular os 
fatores que os precedem. 
De acordo com Smith (2011), várias abordagens podem ser utilizadas 
para abordar o comportamento, incluindo estratégias que diminuem a motivação, 
métodos que indicam resultados diferentes e técnicas que dificultam fisicamente 
o comportamento. Embora cada intervenção tenha as suas vantagens e 
desvantagens, todas elas partilham a característica comum de serem 
implementadas antes da ocorrência do comportamento problemático. 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANEJO DE COMPORTAMENTOS INDESEJÁVEIS DE 
CRIANÇAS NO ESPECTRO AUTISTA 
 
Comportamentos que impedem a capacidade de adaptação ao ambiente 
são predominantes entre indivíduos com Transtorno do Espectro Autista. Esses 
comportamentos têm o potencial de impactar a segurança, a interação social, o 
bem-estar e a aprendizagem de crianças com autismo, bem como limitar 
enormemente a vida desses indivíduos e de suas famílias (Carr & Durand, 
1985). 
Ao considerar a paisagem, estes comportamentos manifestam-se 
normalmente como explosões, automutilação ou danos a outros, desafio e atos 
de destruição. Do ponto de vista funcional, crianças com TEA frequentemente se 
envolvem nesses comportamentos como forma de evitar tarefas, obter itens 
desejados, fugir de estímulos sensoriais ou buscar a atenção de outras pessoas 
(CARR; DURAND, 1985; YANG et al., 2017). 
A correlação entre habilidades de comunicação e problemas 
comportamentais segue um padrão inverso, ou seja, crianças com habilidades 
expressivas limitadas tendem a apresentar comportamentos mais perturbadores 
(MICHEL, 2018). Michel (2018) conduziu um estudo sobre o impacto do 
Treinamento Funcional de Comunicação em comportamentos disruptivos e 
descobriu que é uma estratégia eficaz para reduzir tais comportamentos em 
crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) durante situações 
relacionadas a tarefas e aumentar sua resposta aos comandos verbais. As 
observações feitas durante as visitas escolares revelaram que os 
comportamentos perturbadores apresentados pelas crianças participantes 
normalmente serviam para evitar tarefas ou atividades atribuídas, procurar 
atenção social ou obter acesso a itens de reforço. 
Utilizando a ferramenta Avaliação de Habilidades Básicas de 
Aprendizagem Revisada (ABLA-R), o pesquisador identificou duas tarefas, uma 
de dificuldade moderada e outra desafiadora, para cada criança envolvida no 
estudo. Ao realizar análises funcionais sob três condições diferentes (criança 
 
 
recebendo demanda, criança brincando livremente sem a atenção do motorista e 
criança brincando livremente com a atenção do motorista), Michel (2018) 
descobriu que comportamentos perturbadores, como se jogar no chão, empurrar 
tarefas materiais, gritar, chorar, choramingar e atirar objetos ocorreram com 
maior frequência quando uma tarefa difícil foi apresentada. Com base nesses 
achados, a intervenção Treinamento Funcional de Comunicação (FCT) foi 
implementada para diminuir a ocorrência desses comportamentos e aumentar o 
uso de comportamentos verbais com o mesmo propósito. 
Com base na pesquisa realizada por Carr e Durand (1985, citado em 
MICHEL, 2018), a FCT é um método de intervenção comportamental que se 
concentra em ensinar aos indivíduos respostas alternativas ao comportamento 
perturbador. Estas respostas alternativas produzem o mesmo tipo de reforço que 
os comportamentos perturbadores. Como resultado, quando os comportamentos 
perturbadores não são reforçados, é provável que diminuam e eventualmente 
deixem de ocorrer. 
Durante as sessões, caso a criança apresentasse algum comportamento 
perturbador destinado a evitar tarefas, o experimentador implementava um 
procedimento de extinção, fornecendo prontamente à criança a resposta verbal 
apropriada (por exemplo, "Quero parar"). Se a criança fornecesse a resposta 
desejada, o experimentador reconhecia verbalmente e removia temporariamente 
a tarefa por um período de 30 segundos. 
Michel (2018) concluiu que o treinamento produziu resultados positivos ao 
diminuir comportamentos perturbadores e promover respostas verbais entre 
todas as crianças envolvidas no estudo. No entanto, é crucial alargar as 
conclusões deste estudo a diferentes ambientes, incluindo escolas e famílias. 
Fisher et al. (2019) conduziram um estudo que empregou diversas 
técnicas de reforço para diminuir a resistência à mudança de comportamento. 
Esses comportamentos são comumente observados em indivíduos com 
Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme descrito na CID-11 (OMS, 
2019) e no DSM-5 (APA, 2022). Indivíduos com este diagnóstico frequentemente 
exibem padrões de comportamento inflexíveis ou ritualísticos, demonstrando 
 
 
uma forte preferência pela adesão a rotinas ou objetos consistentes. 
No estudo realizado por Fisher et al. (2019), observou-se que 
determinados comportamentos tendem a persistir mesmo quando são 
implementados programas de reforço para incentivar a adoção de 
comportamentos alternativos, apesar da presença de consequências negativas. 
No caso das crianças envolvidas no estudo, dois fatores ambientais foram 
potencialmente ligados à inclinação para comportamentos resistentes. Em 
primeiro lugar, os comportamentos resistentes podem resultar num reforço 
automático que não é experimentado com respostas alternativas, pois permitem 
aos indivíduos evitar mudanças no seu ambiente. 
Com base na pesquisa realizada por Gomot e Wicker (2012, conforme 
citado em FISHER et al., 2019), observou-se que as crianças que estão no 
espectro do autismo enfrentam desafios quando se trata de antecipar e 
gerenciar eventos em seu entorno. Essa dificuldade pode levar a uma reação 
negativa a quaisquer mudanças em seu ambiente. Além disso, quando essas 
respostas resistentes se tornam o único foco, cria-se um padrão de reforço que 
impede a criança de experimentar os resultados positivos que podem resultar do 
envolvimento em comportamentos alternativos (FISHER et al., 2019). 
Conforme relatado pelos cuidadores das crianças envolvidas na pesquisa, 
quando solicitadas ou orientadas a modificar determinados elementos de suas 
rotinas diárias (como usar roupas adequadas parao frio ou utilizar utensílios 
diferenciados), todas as crianças apresentaram comportamentos perturbadores. 
Esses comportamentos incluíam ações prejudiciais, despir-se, gritar e atirar-se 
ao chão. 
Fisher et al. (2019) realizaram um estudo composto por quatro etapas. A 
primeira etapa estabeleceu uma linha de base, durante a qual as crianças 
tiveram a liberdade de escolher entre um item associado a uma resposta 
resistente e um item associado a uma resposta alternativa. Cada item estava 
vinculado a recompensas de tamanho médio. Por exemplo, foi pedido às 
crianças que escolhessem calças ou calções para usar no tempo frio e foram 
autorizadas a brincar com blocos de construção depois de fazerem a sua 
 
 
escolha. 
O segundo passo envolveu vincular os itens “alternativos” a recompensas 
substanciais, como um tablet, enquanto os itens “resistivos” não ofereciam 
quaisquer reforços. As regras de cada uma dessas etapas foram explicadas às 
crianças pela pesquisadora, com afirmações como: “Se você escolher a calça, 
terá a oportunidade de brincar com o tablet. para jogar neste momento." 
A terceira etapa seguiu o mesmo processo da segunda etapa, com a 
ressalva de que a criança foi orientada para o item alternativo pelo aplicador 
após a indicação da regra. Passando para a quarta etapa, foi introduzido apenas 
o item alternativo, acompanhado de um estímulo altamente recompensador. Se 
fossem exibidos comportamentos perturbadores, o reforço seria retido (Fisher et 
al., 2019). 
Durante a fase inicial, ficou evidente que todos os participantes tinham 
uma capacidade limitada de adaptação às mudanças. Na fase subsequente, 
quando foi introduzido o reforço diferencial, houve uma ligeira melhoria no nível 
de tolerância à mudança observada em duas das crianças. 
Durante os estágios três e quatro, em situações em que a criança não 
tinha meios de escapar, seja através de orientação direta ou da remoção de 
quaisquer opções de resistência, todos os participantes selecionaram voluntária 
e persistentemente a resposta alternativa. Através da combinação entre o 
reforço de comportamentos alternativos e a eliminação de comportamentos de 
fuga, os investigadores alcançaram com sucesso resultados significativos e 
gratificantes nos seus esforços para intervir em comportamentos que eram 
resistentes à mudança (Fisher et al., 2019). 
Na sua exploração de métodos para abordar a seletividade alimentar em 
crianças com autismo, Crowley et al. (2020) empregaram técnicas semelhantes 
às utilizadas no estudo realizado por Fisher et al. (2019). O objetivo era 
descobrir abordagens eficazes para tratar esta condição e promover o consumo 
de alimentos alternativos entre crianças seletivas. 
Durante as refeições, as crianças com autismo frequentemente 
 
 
apresentam padrões comportamentais rígidos, que podem incluir uma forte 
preferência por tipos específicos de alimentos, adesão estrita aos horários 
estabelecidos para as refeições, escolhas alimentares limitadas e recusa em 
comer com base em fatores relacionados à hipersensibilidade, como textura, 
cheiro ou sabor. 
As crianças nesta situação muitas vezes apresentam deficiências 
nutricionais e consomem dietas compostas por alimentos altamente 
processados que contêm quantidades excessivas de açúcar e sódio. Esse 
padrão alimentar aumenta significativamente a probabilidade de desenvolver 
problemas graves de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças 
cardiovasculares. Além disso, essas crianças podem apresentar 
comportamentos perturbadores, como automutilação, agressão a terceiros, 
recusa alimentar, acessos de raiva, cuspidas e vômitos, quando confrontadas 
com alimentos desconhecidos. Estes comportamentos podem desencorajar os 
cuidadores de introduzir novas opções alimentares (Crowley et al., 2020). 
Semelhante à pesquisa realizada por Fisher et al. (2019), Crowley et al. 
(2020) estruturaram seu estudo em fases distintas. A fase inicial envolveu livre 
escolha, onde os participantes foram presenteados com um alimento familiar 
juntamente com uma opção alternativa. Passando para a fase seguinte, 
conhecida como escolha assimétrica, o alimento alternativo foi associado a um 
estímulo altamente recompensador previamente avaliado, enquanto a alternativa 
resistiva não ofereceu nenhum reforço. Por fim, na terceira fase, os participantes 
receberam uma tarefa de escolha única, onde apenas o alimento alternativo foi 
apresentado para seleção. 
Caso a criança optasse pelo brócolis, ela teria acesso ao comprimido 
após mastigá-lo e ingeri-lo. Caso a criança não se movesse em direção à 
comida, o experimentador intervinha guiando a mão da criança em direção à 
opção alternativa. Nos casos em que a criança exibiu comportamentos como 
cuspir a comida ou induzir o vômito, o experimento foi temporariamente 
interrompido, sem repercussões verbais e sem acesso à recompensa. Após um 
período de espera, a tentativa seria retomada. 
 
 
Durante um caso, um comprimido foi apresentado a uma criança 
enquanto ela estava mastigando, resultando em uma diminuição notável no 
comportamento de cuspir comida. Em um estudo realizado por Crowley et al. 
(2020), descobriu-se que as crianças participantes do estudo experimentaram 
um aumento significativo na aceitação de opções alimentares alternativas, como 
brócolis, batata, milho e cenoura, que antes eram rejeitadas pelos seus 
cuidadores. 
De acordo com a análise dos autores, a conveniência de reforço 
associada a opções de alimentos substitutos potencialmente intensificou-se 
durante as fases iniciais dos cenários de escolha única devido aos resultados 
mais consistentes resultantes do consumo destes alimentos. Além disso, a 
introdução desses novos alimentos foi realizada de forma que priorizasse a 
segurança, com porções pequenas e uniformes, para evitar qualquer risco de 
engasgo e garantir uma exposição gradual ao novo estímulo (Crowley et al., 
2020). 
Os resultados destas investigações ilustram a eficácia do emprego de 
técnicas de reforço diferencial e extinção, conforme descrito por Sarafino (2012), 
para diminuir comportamentos indesejados em crianças diagnosticadas com 
autismo. Além disso, sublinham a importância de explorar os mecanismos de 
reforço que sustentam estes comportamentos (Sarafino, 2012). 
 
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO NO PROCESSO DE 
APRENDIZAGEM 
 
Skinner reconhece que a aprendizagem é facilitada por alterações nas 
ações observáveis. Segundo sua teoria, as modificações no comportamento são 
consequência direta das reações aos estímulos. A base de toda aprendizagem 
reside no ato de experimentação, e cada experiência de aprendizagem é guiada 
por circunstâncias vantajosas distintas. 
Ao considerar a educação de uma criança, é crucial que ela se envolva 
 
 
ativamente na aquisição de conhecimentos especializados numa determinada 
área. Esse processo, conforme afirma Costa et al. (2014), envolve esforço e 
dedicação da criança. O conceito de reforço arbitrário, neste contexto, refere-se 
a fatores externos que motivam o comportamento da criança, como receber um 
objeto desejado para atender a uma necessidade específica. Pelo contrário, o 
reforço intrínseco centra-se na ideia de que o próprio ato de aprender serve 
como uma experiência gratificante. 
 
Segundo Carrara (2004), é crucial criar ambientes de aprendizagem que 
possam produzir recompensas intrínsecas ou naturais. Contudo, é importante 
notar que o uso de recompensas arbitrárias é quase inevitável. Skinner (2003) 
sugere que o uso de recompensas arbitrárias deveria vir antes do uso de 
recompensas intrínsecas. 
Segundo Carrara (2004), Rose (1999) afirma que programas de ensino 
habilmente elaborados e alinhados com esses princípios têm um impacto 
significativo na facilitação da aprendizagem e na promoção do contentamento 
dos alunos com suas realizações. Mesmo nos casos em que são necessárias 
recompensas externas,um programa de ensino bem concebido tem a 
capacidade de cultivar um ambiente onde a aprendizagem e os seus resultados 
se tornam inerentemente reforçadores. Em outras palavras, os alunos podem 
desenvolver um prazer genuíno pela aprendizagem, transformando o próprio ato 
de aprender em uma experiência gratificante e uma recompensa pela 
participação ativa nas tarefas acadêmicas. 
Leia o artigo a seguir para aprofundar seus conhecimentos. Neste artigo 
Medeiros busca apresentar como as pessoas com autismo que são expostas 
ao método ABA aprendem com mais facilidade. E nesse prisma, verificar que 
metodologias os educadores podem utilizar para ensinar com excelência 
pessoas com autismo. 
MEDEIROS, Dailma da Silva. As contribuições da análise do comportamento (ABA) 
para a aprendizagem de pessoas com autismo: uma revisão da literatura. Estudos 
IAT, v. 6, n. 1, p. 63-83, 2021. Disponível em 
http://estudosiat.sec.ba.gov.br/index.php/estudosiat/article/view/268/346. Acesso em 
23 de fev de 2024. 
http://estudosiat.sec.ba.gov.br/index.php/estudosiat/article/view/268/346
 
 
Para garantir que o conhecimento esteja firmemente estabelecido e que a 
aprendizagem seja bem-sucedida, é crucial abordar a modelagem 
comportamental de uma maneira diferente. A chave é manter um processo 
contínuo de reforço gradual, que aumente a capacidade de responder 
eficazmente. Segundo Matos (1993), a abordagem inicial envolve fornecer ao 
aluno toda a assistência necessária e, em seguida, reduzir gradualmente essa 
assistência ao longo do tempo. Além disso, é importante estabelecer padrões 
mínimos de desempenho e aumentar gradativamente as expectativas. Ao 
construir sequências longas passo a passo, é possível progredir. Finalmente, a 
frequência e a intensidade das recompensas externas devem ser gradualmente 
reduzidas. 
Ao modificar estímulos antecedentes, como instruções, situações, 
ilustrações e generalizações, é crucial aderir a dois critérios principais. 
Primeiramente, as modificações devem estar alinhadas ao desempenho do 
aluno, garantindo consistência. Em segundo lugar, as modificações devem ser 
relevantes e intimamente ligadas aos comportamentos que o aluno deseja 
adquirir, ao mesmo tempo que acompanham o seu progresso, o que será 
discutido mais adiante. 
Ao reconhecer a especificidade de cada aluno e reconhecer as suas 
histórias individuais, torna-se evidente o quão crucial é avaliar o seu repertório 
comportamental. A realização de uma análise funcional para compreender os 
pontos fortes e os obstáculos de cada aluno é imprescindível para estabelecer 
condições personalizadas para o seu desenvolvimento. 
Criar um ambiente físico e social propício é crucial para obter resultados 
de aprendizagem ideais. Este ambiente não só reforça a aprendizagem, mas 
também desempenha um papel significativo no ensino, influenciando padrões de 
comportamento com base na forma como o espaço é utilizado. Portanto, é 
imperativo cultivar um ambiente físico que incentive os alunos a passarem mais 
tempo e a se envolverem ativamente em sua jornada educacional. 
A importância do reforço social no ambiente escolar não pode ser 
exagerada. Numerosos comportamentos neste ambiente são inerentemente 
 
 
sociais e requerem reforço social, incluindo a leitura. A leitura, como atividade, é 
inerentemente social e, para que os alunos mantenham o interesse e o 
envolvimento, tanto os professores como os colegas devem fornecer reforço 
social. Além disso, a família desempenha um papel crucial na garantia de uma 
educação eficaz. 
O desempenho acadêmico da criança é diretamente influenciado pelo 
envolvimento consistente. Dentro da unidade familiar, existe uma função 
educativa em que são ensinadas à criança habilidades essenciais como andar, 
falar, comer e vestir-se. Este processo educacional utiliza várias formas de 
reforço, incluindo reforçadores primários como comida, água e calor, bem como 
reforçadores condicionados como atenção, aprovação e carinho. 
O papel fundamental que os pais desempenham na formação do 
comportamento dos seus filhos e na criação de contingências realça a 
importância do seu envolvimento no ambiente escolar. É amplamente 
reconhecido que os pais, juntamente com a unidade familiar mais ampla, têm um 
impacto profundo na aprendizagem baseada na escola, na aprendizagem da 
criança.o desejo de se destacar academicamente e o cultivo de habilidades 
interpessoais que promovam um ambiente escolar positivo. 
No âmbito da vida familiar, vários elementos têm importância, desde a 
estrutura e gestão do agregado familiar até à participação ativa dos pais nos 
esforços educativos dos seus filhos (COSTA et al., 2014). O campo da análise 
do comportamento oferece uma riqueza de conhecimento científico e 
contribuições valiosas para a esfera educacional. 
A perspectiva do behaviorismo concentra-se em como os indivíduos 
interagem com seu ambiente e enfatiza a observação da contingência. A análise 
do comportamento, por outro lado, examina os alunos de forma abrangente, 
analisando a contingência de reforço. Isto ressalta a importância de uma 
abordagem multidisciplinar, envolvendo a escola, a família e todos os 
profissionais responsáveis pelo acompanhamento da criança. 
 
Figura 1 - Áreas envolvidas no aprendizado da criança 
 
 
 
Segundo Schmidt (2013), manter uma comunicação interdisciplinar 
contínua entre as equipes e o professor é crucial para melhorar a experiência 
educacional dos alunos com autismo. Esta troca de informações não só 
enriquece a aprendizagem dos alunos, mas também permite que o professor 
contribua com informações valiosas sobre o comportamento, a vida diária e o 
processo de aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo que mantém a sua 
experiência pedagógica (SCHMIDT, 2013). 
O campo da Análise do Comportamento tem dedicado atenção 
significativa ao processo de aprendizagem, enfatizando a influência de diversos 
estímulos tanto nos professores quanto nos alunos. Ele investiga os repertórios 
fundamentais que formam a base para habilidades mais complexas, como a 
alfabetização. Além disso, há um claro reconhecimento do impacto prejudicial 
que um histórico de reveses acadêmicos pode ter sobre um indivíduo. 
 
PRÁTICAS DE ENSINO BASEADAS EM EVIDÊNCIA PARA 
PESSOAS COM AUTISMO 
 
Um dos principais obstáculos que a escola enfrenta é a criação de um 
 
 
ambiente de aprendizagem inclusivo e eficaz que atenda às diversas 
necessidades dos seus alunos. É crucial estabelecer práticas baseadas em 
evidências enraizadas na análise do comportamento para abordar esta 
preocupação. 
Em 1953, Skinner explorou as técnicas para conduzir investigações 
científicas sobre o comportamento e enfatizou a importância de avaliar os 
resultados das intervenções, a fim de identificar soluções potenciais para os 
desafios. Uma publicação fundamental de Baer, Wolf e Risley em 1968 é 
amplamente considerada um marco crucial neste campo, uma vez que os 
autores delinearam várias abordagens que estabeleceram princípios-chave de 
práticas baseadas em evidências no domínio da Análise Aplicada do 
Comportamento. 
Algumas décadas depois, surgiu um manual como guia definitivo para 
Análise Aplicada do Comportamento, defendendo os princípios estabelecidos 
por Baer, Wolf e Risley. Este manual enfatiza a importância de focar em 
comportamentos que tenham relevância social e contribuam para melhorar a 
qualidade de vida das pessoas. Ele destaca a necessidade de medir 
comportamentos observáveis como objetivo principal da pesquisa e de estudar 
cuidadosamente a relação de causa e efeito entre variáveis manipuladas e 
mudanças significativas no comportamento. 
O manual também sublinha a importância de fornecer descrições 
detalhadas dos procedimentos para garantir a replicação consistente dos 
resultados, fundamentando as intervenções em princípios relevantes. Além 
disso, sublinha a necessidade de intervençõespara produzir mudanças 
socialmente significativas nos comportamentos-alvo e facilitar a generalização 
em diferentes contextos, mesmo após a conclusão da intervenção. 
Para avaliar e avaliar com precisão os resultados de uma intervenção, é 
crucial estabelecer critérios padronizados que sejam consistentemente 
respeitados. Isto permitir-nos-á diferenciar entre intervenções eficazes e aquelas 
que requerem modificação. A implementação de práticas baseadas em 
evidências é vital para fornecer uma educação eficaz para indivíduos com 
 
 
autismo. Para conseguir isso, é imperativo que todos os envolvidos em suas 
vidas diárias participem ativamente. Estas práticas desempenham um papel 
fundamental na promoção da aprendizagem e da independência. 
De forma geral, as Práticas Baseadas em Evidências (PBE) são 
construídas embasadas em três principais pilares: 
 
Figura 2 - Pilares das Práticas Baseadas em Evidências 
 
O aumento na prevalência do autismo energizou a busca por ações 
educacionais e serviços terapêuticos efetivos e especializados, com isso, as 
práticas de ensino baseadas em ciência têm tomado um lugar importante e 
apresentado muitos resultados positivos na área da educação. 
As Práticas Baseadas em Evidências (EBPs) são intervenções eficazes 
para o uso com pessoas com TEA e os critérios dessas práticas foram 
classificados por The National Professional Development Center on Autism 
Spectrum Disorder (NPCD). Atualmente, conta-se com vinte e oito intervenções 
com Práticas Baseadas em Evidências e é necessário ressaltá-las de forma 
clara para que não se instaure a prática de utilizar apenas algumas, como tem 
acontecido em alguns lugares. 
Segundo Steinbrenner et al. (2020) estas são as Práticas Baseadas em 
 
 
Evidências: 
Intervenções baseadas no antecedente (ABI): Estruturação de eventos 
e condições que antecipam atividades ou demandas, com o intuito de aumentar 
a ocorrência de determinados comportamentos desejados ou reduzir 
comportamentos inadequados 
Comunicação alternativa e aumentativa (AAC): Utilização ou ensino do 
uso de sistema comunicação não verbal/vocal com ou sem ajuda. 
Momentum Comportamental (BMI): É o arranjo de expectativas de 
comportamento em uma sequência onde as respostas de baixa ou difícil 
probabilidade de emissão, estejam pareadas a respostas de alta probabilidade 
ou de baixo custo, aumentando assim a persistência e ocorrência de respostas 
de alto custo. 
Comportamento cognitivo/Estratégias instrucionais (CBIS): Instrução 
sobre gerenciamento ou controle de processos cognitivos que reduzem a 
mudança no comportamento social e acadêmico 
Reforço diferencial de comportamento alternativo, incompatível ou 
outro (DR): É um processo sistemático que auxilia no aumento do 
comportamento desejado ou na ausência de comportamentos indesejados a 
partir de consequências positivas. As consequências podem ser ofertadas em 
três diferentes formas: 
 Reforço Diferencial de Comportamento Alternativo (DRA) – São 
reforçados comportamentos alternativos já ensinados anteriormente 
para o aluno. 
 Reforço Diferencial de Comportamentos Incompatíveis (DRI) – 
escolhe-se um comportamento incompatível com aquele inapropriado 
que se deseja extinguir. 
 Reforço Diferencial de Outros Comportamentos (DRO) – Consiste 
em reforçar qualquer outro comportamento distinto ao comportamento 
inapropriado em um intervalo em que este não esteja sendo emitido. 
 
 
Instrução Direta (DI): É uma abordagem sistemática de ensino que está 
relacionada ao uso a um conjunto de instruções sequenciadas e roteirizadas, 
enfatizando o diálogo entre professor e aluno por meio de respostas em coro e 
independentes, promovendo a possibilidade de correção sistemática e explícita 
de erros para atingir a aprendizagem e generalização. 
Treino em Tentativa Discreta (DTT): Consiste em tentativas repetidas 
de treino, em que cada tentativa é apresentada uma instrução do professor, uma 
resposta do aluno e consequências programadas. Vale ressaltar a importância 
de se realizar uma pausa antes de cada instrução. 
Exercício e Movimento (EXM): A utilização de esforço físico, habilidades 
motoras específicas e técnicas de movimento consciente para direcionar uma 
variedade de habilidades comportamentais. 
Extinção (EXT): É a retirada de consequências reforçadoras diante de 
comportamentos inadequados, gerando a redução futura de novas ocorrências. 
Avaliação Funcional de Comportamento (FBA): É uma avaliação 
sistemática realizada com o intuito de se compreender a função ou a finalidade 
de determinado comportamento para que a partir dela seja elaborado um plano 
de intervenção efetiva. 
Treino de Comunicação Funcional (FCT): Práticas que substituem 
comportamentos inadequados que possuem função de comunicação por meios 
mais adequados e eficazes, desenvolvendo a habilidade de comunicação. 
Modelação (MD): Prática de modelar comportamentos alvos por meio 
das demonstrações a fim de promover a aquisição de novos repertórios pelo 
aluno. Intervenção mediada por música O uso de canções, melodias e ritmos em 
intervenções para promover o aprendizado ou o desenvolvimento de habilidades 
comportamentais. Pode ser usado por meio da musicoterapia ou qualquer outra 
intervenção que utilize a música buscando trabalhar o comportamento alvo. 
Intervenções naturalísticas (NI): Técnicas e estratégias introduzidas às 
atividades cotidianas, estimulando o aluno em sua rotina do dia a dia a aprender 
habilidades e comportamentos desejados 
 
 
Intervenção Implementada pelos pais (PII): Intervenções aplicada pelos 
responsáveis baseadas nas orientações de um profissional capacitado, com o 
objetivo de promover comunicação social e outras habilidades que diminuam a 
aparição de comportamentos inadequados. 
Instrução e intervenção baseada em pares (PBII): Promoção de 
habilidades sociais e objetivos individualizados através da interação 
supervisionada com o outro. A intervenção deve ser estruturada pelo 
profissional, com objetivos claros e podem ser realizadas a partir de grupos de 
brincadeiras, saídas terapêuticas ou outras atividades em grupo, sendo possível 
fornecer suporte quando necessário, como dicas, sugestões e até mesmo 
reforçadores. 
Dicas (PP): Uso de dicas para auxiliar o aluno a adquirir e alcançar o 
comportamento alvo. As ajudas podem ser verbais, gestuais ou físicas. 
Reforçamento (R): Aplicação de consequências que aumentem 
operação motivadora e, consequentemente, a probabilidade de uma resposta 
desejada. 
Interrupção da resposta/ redirecionamento (RIR): Intervenção baseada 
em inserir uma dica ou um distrator diante do comportamento indesejado, 
fazendo com que o aluno mude o foco da sua atenção, resultando na redução 
desse comportamento. 
Automonitoramento (SM): Prática adequada a ser utilizada com alunos 
que discriminam seus próprios comportamentos inadequados. Consiste em o 
aluno monitorar e registrar seus comportamentos e se autorrecompensar 
quando emitir comportamentos adequados. 
Integração sensorial (SI): Intervenções focadas em proporcionar o 
aumento da capacidade do aluno em integrar informações sensoriais, sejam elas 
visuais, auditivas, táteis, proprioceptivas ou vestibulares. 
Narrativas Sociais (SN): O uso de descrições de situações sociais com 
objetivo de ressaltar características relevantes de um comportamento alvo e 
oferecer modelos de respostas adequadas. 
 
 
Treino de Habilidades Sociais (SST): Intervenção realizada 
individualmente ou em grupo, com intuito de ensinar formas de participar e se 
comportar adequadamente em sociedade. 
Análise de Tarefas (TA): A prática consiste em desmembrar atividades 
ou comportamentos em pequenos passos gerenciáveis para mensurar e ensinar 
habilidades. Nessa prática é comum o uso de reforço, videomodelação e atraso 
no tempo para se alcançar pequenos passos. 
Instruções e intervençõesassistidas por tecnologia (TAII): Uso da 
tecnologia para instruir ou intervir para apoiar o aprendizado ou desenvolvimento 
de habilidades do aluno. 
Atraso de Tempo (TD): Utilizado para diminuir sistematicamente o uso 
de dicas durante a atividade, consiste em atrasar o tempo de apresentação de 
dicas após a instrução primária. 
Videomodelação (VM): Demonstrar por meio de vídeos o 
comportamento ou habilidade alvo, ajudando o aluno a compreender o que é 
esperado e como realizar. 
Suportes Visuais (VS): Apresentação de pistas visuais para o aluno 
engajar no comportamento sem necessitar de dicas adicionais 
Não há documentos reguladores que recomendem a implementação das 
Práticas Baseadas em Evidências nas escolas, mas é recomendado usá-las 
para oferecer um aprendizado eficaz, não substituindo as formas tradicionais de 
ensino, e sim somando para que juntas se adequem à necessidade de cada 
aluno. 
 
 
 
 
 
 
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